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Numero do processo: 15586.720393/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2013
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1
Implica na renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2401-005.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2013 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Implica na renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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SÚMULA CARF Nº 1 Implica na renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 03 93 /2 01 4- 19 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 593 2 Relatório Cuidase os autos de crédito tributário de contribuições previdenciárias, empresa e segurados, apurados a partir de levantamentos de remunerações de divulgadores (RD), não declaradas em GFIP, AI DEBCAD nºs 51.048.1116 e 51.048.1124 (fls. 2/16). Do relatório fiscal (fls. 24/25), extraise a natureza dos créditos lançados nos respectivos DEBCAD acima descrito: Inconformada com o lançamento em referência, apresentou impugnação, cujos fundamentos estão assim resumidos no relatório da decisão de piso: · Atendeu todas as intimações da fiscalização; · As atividades empresarias encontramse paralisadas; · Itens 11 a 29 desta impugnação não se referem a este lançamento; DO DIREITO. DA INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO: · Não há confissão de dívida em razão do recolhimento de outros lançamentos ou parcelamentos, consoante os argumentos dos itens 30 a 48; Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 594 3 DO EQUÍVOCO DO FISCO E DA INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO POR PARTE DA YMPACTUS DE RECOLHER OU RETER VERBAS PREVIDENCIÁRIAS: · Os Divulgadores do contribuinte são equivalentes a comerciantes ambulantes, não há qualquer vínculo trabalhista, somente há uma relação comercial pura: · Os ambulantes devem se inscrever como contribuintes individuais e recolher a contribuição de 11% sobre a remuneração; · Os divulgadores estão enquadrados como empreendedores individuais MEI da Lei Complementar nº 123/2006, como também, como comerciantes ambulantes, portanto, assumem os riscos da atividade comercial; · Desta forma, são indevidas as contribuições previdenciárias devidas pela empresa e dos segurados, segundos os argumentos nos itens 49 a 59; DA BOAFÉ DO CONTRIBUINTE E DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE MULTA · Por ter agido de boafé não cabe a aplicação da multa, conforme argumentos nos itens 60 a 63; DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO) EXCESSO DE PODER E DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA EM VALOR SUPERIOR A 20% (VINTE POR CENTO) DO SUPOSTAMENTE DEVIDO – OFENSA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE: · Requer a exclusão da multa ou diminuição do percentual para o patamar de 20%, por se tratar de verdadeiro confisco, conforme argumentos nos itens 64 a 105; DA IMPOSSBILIDADE DE EXTENSÃO DA SANÇÃO TRIBUTÁRIA AOS SÓCIOS: · Não há como responsabilizar os sócios, pois não houve a demonstração dos pressupostos previstos no artigo 135, do Código Tributário Nacional – CTN, consoante o demonstrado nos itens 106 a 122; DO PEDIDO. · Requer a improcedência dos lançamentos; · Requer a exclusão da multa ou redução da multa para o patamar de 20%; · Requer que os sócios sejam eximidos da responsabilização de qualquer obrigação tributária; · Requer que da autuação e das futuras publicações conste o nome do advogado. O Acórdão nº 0438.257 da 4ª Turma da DRJ/CGE (fls. 335 e seg), restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 595 4 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O prestador de serviços autônomo é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS, assim, deve contribuir para a Seguridade social sobre a totalidade da remuneração auferida no mês a sociedade empresária e o contribuinte individual até o limite máximo determinado pela legislação previdenciária. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sobre o valor de crédito tributário constituído mediante lançamento de ofício é devido multa de 150%, relativamente à infração apurada, quando constatada à existência de dolo, fraude ou simulação. Às fls. 366 e seg, consta o Recurso Voluntário apresentado, com os seguintes argumentos, em síntese, de defesa: 1) de início, os fatos não se passaram como narrados no acórdão, sendo a autuação inadmissível; 2) diz que não negouse a apresentar seus registros contábeis, pois o que de fato aconteceu foi que requereu a dilatação do prazo para apresentação de documentos, posto que já estava sofrendo fiscalização quanto ao ano fiscal de 2012; 3) afirma que o modelo de negócios que desenvolve exige a análise de um número gigantesco de documentos, fato este que por si só justifica o tempo demorado para atendimento das solicitações do FISCO; 4) prossegue argumentado e detalhando as diversas operações contábeis em relação aos pagamentos a divulgadores; 5) discorda da aplicação da multa de 150%, afirmando que não ocorreu a sonegação e fraude tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, considerando que não houve qualquer ação ou omissão por parte do recorrente no intuito de maliciosa e intencionalmente lograr o Fisco; 6) aborda sobre a confissão de dívida, inclusive citando vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; 7) questiona sobre o equívoco do Fisco e entende que a empresa não está, no caso, obrigada a recolher ou reter verbas previdenciárias, neste sentido, cita atos normativos; 8) diz que agiu de boafé, para questionar a aplicação da multa de 150% caráter confiscatório, também citando outros princípios constitucionais, nesta toada, cita diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudência; 9) prossegue argumentando da impossibilidade de extensão da sanção tributária aos sócios, desse modo, cita jurisprudência e posicionamentos doutrinários; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 596 5 10) ao final, em resumo, conclui: "Grassa nos autos a injustiça e a ilegalidade da autuação tributária, devendo o acórdão ser reformado por este Conselho, posto que se não há receita tributável, não há imposto a ser pago" A UNIÃO por intermédio da Procuradora Raquel Godoy de M. A. Aguiar apresentou CONTRARRAZÕES ao recurso voluntário (fls. 463/473), que, em resumo, aborda: 1) primeiramente, faz um relato dos fatos até a fase recursal, que culminaram no lançamento de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre remuneração paga a segurados contribuintes individuais no período de janeiro a junho de 2013; 2) no mérito, informa que a autuação encontrase assentada basicamente na premissa de que os divulgadores credenciados pela recorrente são de fato prestadores de serviços, uma vez atuam como captadores de novos divulgadores, recebendo rendimentos comissionados por tal atividade; 3) aborda aspectos da multa qualificada, afirmando que a recorrente, mesmo tendo conhecimentos dos fatos ensejadores da autuação, deixou de declará los em GFIP e de reter e recolher os tributos previdenciários; 4) No que diz respeito a responsabilidade dos sócios, informa que os sócios administradores buscam ver afastada a imputação de responsabilidade tributária solidária sob a alegação de que não haveria prova nos autos de que agiram com excessos ou abuso de poder; 5) ao final, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 597 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso concreto, a recorrente, de acordo com a autoridade lançadora, deixou de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias, empresa e segurados, sobre os rendimentos pagos aos prestadores de serviços, divulgadores credenciados pela empresa. Tais divulgadores enquadramse no conceito legal de contribuintes individuais. Ocorre que o litígio estabelecido no Recurso Voluntário de efls. fls. 366 e seg é, também, objeto de disputa judicial, conforme consta das peça judicial de efls. 484 e seg. Da petição inicial ( fls. 484 e seg.), datada de 15 de abril de 2017, retirase o objeto da presente Ação Declaratória Processo Judicial nº 001177641.2017.4.02.5001 ( Classe do processo: 1001 Ordinária/Tributária) II.A – DOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS INDEVIDOS 6. Os 5 autos de infração previdenciários lavrados em 17/03/2014 (AIDECABs nºs 51.048.1043, 51.048.1051, 51.048.1035, 51.048.1124 e 51.048.1116) somavam, à época das autuações, a quantia de R$ 1.117.848.645,42 (um bilhão, cento e dezessete milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e quarenta e dois centavos), senão vejamos: [...] d) Número AIDECAB: 51.048.1124 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15586.720393/201419 Acórdão n.º 2401005.517 S2C4T1 Fl. 598 7 Como se percebe, os DEBCAD objeto da lide administrativa são os mesmos questionados na Ação Declaratória. Portanto, resta caracterizada, no caso concreto, a renúncia às instâncias administrativas, uma vez presente a propositura pela Recorrente de demanda judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, atraindo, desta forma, a incidência da Súmula CARF n. 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Conclusão Em vista do exposto, por restar prejudicado, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918861/2016-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/05/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/05/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.918861/201663 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.542 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/05/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 61 /2 01 6- 63 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918861/201663 Acórdão n.º 3201003.542 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.683, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918861/201663 Acórdão n.º 3201003.542 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 37005.009015/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005
RETENÇÃO DE 11%. ADICIONAL AO SAT.
É devido o adicional ao SAT no caso de serviços prestados por cessão ou empreitada de mão-de-obra em que os trabalhadores estejam comprovadamente expostos a agentes nocivos que prejudiquem a sua saúde e integridade física, fazendo jus à aposentadoria especial.
Numero da decisão: 2201-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ADICIONAL AO SAT. É devido o adicional ao SAT no caso de serviços prestados por cessão ou empreitada de mãodeobra em que os trabalhadores estejam comprovadamente expostos a agentes nocivos que prejudiquem a sua saúde e integridade física, fazendo jus à aposentadoria especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 00 5. 00 90 15 /2 00 6- 05 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.089 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Juiz de Fora/MG, DN n° 11.425.4/0200/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, concernentes ao adicional do SAT, previstas nos artigos 57 e 58, da Lei n° 8.213/91, decorrentes do acréscimo da retenção de 11%, na forma do artigo 6o, da Lei n" 10.666/2003, apuradas com base nos notas fiscais emitidas por empresas que prestaram serviços à notificada, mediante cessão e empreitada de mãodeobra, relativamente aos serviços elencados no artigo 219, §§ 1o, 2o, e 3o, do Decreto n° 3.048/99, em relação ao período de 04/2003 a 06/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 145/152. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 14/07/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito previdenciário no valor de R$ 2.171.503,04 (Dois milhões, cento e setenta e um mil, quinhentos e três reais e quatro centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte, na condição de contratante de serviços mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, elencados no artigo 219, § 2o, incisos III, XV, XVI, XVII e XXI, do Decreto n° 3.048/99, executados cm suas dependências, onde existe a presença de agentes nocivos prejudiciais a saúde e integridade física dos trabalhadores "intramuros", deixou de reter e recolher a alíquota adicional de 2% (dois por cento), que deve ser acrescida à retenção de 11%, conforme preceitua os § 12, do dispositivo legal supra transcrito. Informa, ainda, o fiscal autuante que os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas foram apuradas por arbitramento, tendo em vista que a empresa não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente do trabalho, bem como deixou de controlar os riscos ocupacionais existentes e de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Inconformada com a decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 771/802, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente argúi a incompetência da Secretaria da Receita Previdenciária para lavrar notificações fiscais e/ou autos de infração contra a recorrente, em razão de não possuir personalidade jurídica, cabendo ao INSS referida atividade administrativa. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.090 3 Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, por entender que os trabalhadores contratados pela recorrente para prestação de serviços mediante cessão e/ou empreitada de mãodeobra não estavam expostos à riscos ambientais de trabalho de forma habitual/permanente, capazes de ensejar a aposentadoria especial, mas sim de maneira ocasional e/ou intermitente, impondo seja decretada a improcedência do feito. Opõese ao arbitramento levado a efeito na constituição do crédito previdenciário ora exigido, por entender que tratandose de instrumento excepcional na atividade fiscal, a aferição indireta deve ser utilizada com muito cuidado, com o fito de se evitar o arbítrio puro e simples, o que se constata na hipótese dos autos. Assevera que as conclusões do fiscal autuante, ao afirmar que o grupo homogêneo corresponde a um grupo de expostos aos agentes, "de modo semelhante", não se prestam para justificar a exigência fiscal em comento, eis que no direito tributário é inadmissível a interprestação extensiva. Sustenta que o fato de a empresa inferir a neutralização dos efeitos deletérios dos agentes nocivos e não apresentar os documentos comprobatórios, p. exemplo, o PPRA de 1998, nâo implica dizer que a exposição punha ou pôs em risco a saúdo do trabalhador. Contrapõese ao crédito previdenciário consagrado pelo lançamento, sob o argumento de que, na condição de empresa de transporte ferroviário de carga, os equipamentos de proteção individuais melhor se prestam para eliminar ou neutralizar a presença de agentes nocivos. Defende que o simples fato de a fiscalização constatar "vários" casos de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído PAIR, sem se referir a casos de PAIRO, não tem o condão de justificar a presunção que todos os trabalhadores (mais de 3.000) vêm correndo o risco de perder a audição. Infere que o descumprimento da IN n° 03/2005, em relação a terceiros, não é bastante a embasar o presente lançamento ou mesmo outras autuações. Argumenta que a fiscalização previdenciária extrapolou os seus limites de competência, adentrandose à área de atuação do Ministério de Trabalho, a qual jamais aventou a hipótese de ineficaz gerenciamento das condições de trabalho. Pugna, ainda, pela decretação da nulidade do lançamento, aduzindo para tanto que o fiscal autuante, ao constituir o crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa, em total preterição do direito de defesa da notificada. Alega que o único risco presente no ambiente de trabalho da contribuinte é o ruído, que se encontra totalmente minimizado a níveis abaixo do tolerável, com a utilização de EPI's (aprovados pelo Ministério do Trabalho) distribuídos pela empresa, conforme se extrai dos laudos acostados aos autos. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.091 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarazões, às fls. 806/809, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Posteriormente, a contribuinte apresentou memorial, às fls. 809/846, reiterando as questões de fato e de direito já suscitadas, e bem assim acrescentando argumentos a propósito da nulidade do lançamento fiscal, em virtude da ausência da indicação do dispositivo legal que fundamenta o arbitramento. O acórdão nº 20600.578, proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes anulou o lançamento em questão, conforme ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD E/OU RELATÓRIO FISCAL. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. De conformidade com o artigo 37, da Lei n° 8.212/91, o fiscal autuante ao promover o lançamento deve fundamentálo de forma clara e precisa, sob pena de nulidade da notificação.Processo Anulado. A PGFN impetrou Recurso Especial que reverteu a nulidade anteriormente proferida, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se d eclarará a nulidade por vício formal se este não causar pre juízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescr ição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.092 5 Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetiv o prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar confi gurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso especial provido. Após a reversão da nulidade, os autos voltaram para o julgamento da matéria apresentada no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Preliminarmente, a contribuinte alega a nulidade da NFLD, uma vez que foi lavrada por órgão incompetente, já que a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social não possui personalidade jurídica e que a Lei 11.098/05, lei que transfere a competência de lançar tributos em nome do INSS para a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, é inconstitucional. Sobre a referida alegativa, temse a Súmula nº 2 do CARF que trata da incapacidade desse Conselho de se manifestar acerca da inconstitucionalidade da Lei tributária. Alega a contribuinte ainda, que a contribuição lançada só é cabível quando o segurado já possui o direito a aposentadoria especial. O direito à referida aposentadoria custeada pela contribuição lançada na NFLD em apreço tem sua concessão variada de acordo com a atividade, podendo ser concedida após 15, 20 ou 25 anos de atividade e contribuição. Ao contrário do ventilado pelo sujeito passivo, o artigo 6º da Lei 10.666/03 estabelece que contribuição lançada na NFLD é devida desde que haja o exercício da atividade que permita a concessão da aposentadoria especial, não que o segurado tenha necessariamente o direito àquela aposentadoria. Por exemplo, um segurado pode trabalhar apenas um ano em atividade que permita a aposentadoria especial e depois atuar em outra atividade diversa sem que tenha o direito de aposentadoria diferenciada, porém, durante aquele período trabalhado em atividade que permite aposentadoria especial deve ser recolhido o acréscimo da contribuição, nos termos do artigo 6º, da Lei 10.666/03. O fato gerador do acréscimo em questão não é o direito a aposentadoria e sim o exercício de atividade que permita a aposentadoria especial, fato esse vastamente comprovado nos autos do processo em apreço. A contribuinte alegou, também, que o fisco não comprovou a habitualidade do exercício da atividade permissiva de aposentadoria especial e que tinha que ser levado em consideração, já que é preciso a comprovação da habitualidade para a concessão do benefício. Novamente o sujeito passivo utiliza argumentos que não se enquadram no caso em tela, o que está sendo tratado no presente julgamento é o custeio e não o benefício da aposentadoria especial. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.093 6 A ocorrência do fato gerador resta devidamente comprovada, como se depreende do trecho do relatório fiscal presente à efl. 154: As evidências materiais da exposição aos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho da notificada, foram constatadas a partir da análise da documentação ambiental apresentada, em especial: os Programas de Prevenção dos Riscos Ambientais PPRA (NR09/Mte), Programas de Controle Médicos e Saúde Ocupacional PCMSO (NR07/Mte), Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT ( Arts. 187 a 191 da Instrução Normativa n° 118, de 14/04/2005), e outros como Normas dos Equipamentos de Proteção Individual EPI (NR6/Mte), Atas da Comissão Interna de Proteção de Acidentes CIPA (NR5/Mte), Atestados deSaúde Ocupacional ASO, Livro de Inspeção do Trabalho LIT, Comunicação de Acidentes de Trabalho CAT, Exames Audiométricos, falta de apresentação da interpretação dos exames médicos complementares, etc. A recorrente trata da generalidade dos termos utilizados na fiscalização, como: "gerenciamento do ambiente de trabalho" e "controlar os riscos ocupacionais", porém, tais expressões quando analisadas dentro do contexto da NFLD não se tornam genéricas, conforme excerto do relatório fiscal: (...) fundamentase no fato de ter a empresa notificada deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de controlar os riscos ocupacionais existentes, e por fim, de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Ao contrário do alegado, os termos não são genéricos e sim abrangentes, no sentido de que a contribuinte não comprovou, das mais diversas formas possíveis, o regular gerenciamento do ambiente de trabalho, no sentido de dirimir os riscos da atividade exercida. Observase que o mau gerenciamento do ambiente de trabalho foi concluído após a análise dos mais diversos documentos obtidos pela fiscalização. Tal conclusão não deve ser afastada pelo simples argumento de que em alguns casos são utilizados EPI's aprovados pelo MTE. Ainda em sede argumentativa, a recorrente aduz que possui mais de 3.000 (três mil) funcionários e que não se pode presumir que todos eles possuem risco de obter problema de audição por conta do trabalho. Excerto do relatório presente à efl 154 demonstra quais funcionários foram considerados com risco de deficiência auditiva: A base de cálculo do presente lançamento foi determinada pelo percentual correspondente à mãodeobra, descritas nas Notas Fiscais de prestação de serviços realizados nos postos de trabalho, em que se constatou a efetiva exposição dos trabalhadores ao agente físico "RUÍDO" acima do limite de tolerância (...). O sujeito passivo argumenta que sua obrigação é acessória, que cabe às empresas prestadoras o recolhimento dos valores lançados, sendo necessária a notificação daquelas para saber se houve ou não o pagamento do tributo devido. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 2201004.406 S2C2T1 Fl. 1.094 7 Equivocado o entendimento da contribuinte, tendo em vista que o artigo 31 da Lei 8.212/90 determina que a empresa tomadora do serviço deverá reter (obrigação comportamental e acessória) e recolher (pagar, obrigação principal) as contribuições lançadas, portanto, não há que se falar em nulidade por ausência de notificação das prestadoras de serviço. Com relação ao levantamento por arbitramento, o relatório fiscal, assim como os seus anexos deixam claros os critérios e quais documentos foram utilizados para a aferição. Não houve qualquer prejuízo ou irregularidade no levantamento em questão, tanto que o acórdão que anulou a presente NFLD foi revertido por ausência de qualquer prejuízo à contribuinte. O conjunto probatório, mormente o relatório fiscal de fls. 151/158, e documentos, de efls. 159/198, demonstram a legalidade dos atos praticados pelo Fisco, assim como os motivos que fazem de suas conclusões mais do que meras suposições, como faz crer a recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1123DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001451/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-005.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 51 /2 01 0- 72 Fl. 289DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19515.001451/201072 Acórdão n.º 2401005.471 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JUNTA EDUCAÇÃO DA CONVENÇÃO BATISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho do Acórdão n° 1626.684/2010 da 11° Turma da DRJ em São Paulo/SP, às efls. 244/253, que julgou procedente o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, o FPAS 639, relativo à entidade isenta da cota patronal da contribuição previdenciária, quando não tal fato não restou comprovado, até pela falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nas competências de janeiro/2006 a dezembro/2007. Segundo o Relatório Fiscal, o código FPAS 639 deve ser informado por contribuintes portadores do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo CNAS, documento que o sujeito passivo não apresentou. Os fatos relatados constituem infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. Foi aplicada, no caso, multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, conforme artigo 32, parágrafo 5o da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97, e artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 4.729, de 09/06/2003, com atualização pela Portaria MPS n.° 350 de 30/12/2009, observado o limite por competência, em função do número de segurados da empresa, previsto no artigo 32, parágrafo 4° da Lei n.° 8.212/91, totalizando o montante de R$ 366.805,40 (trezentos e sessenta e seis mil oitocentos e cinco reais e quarenta centavos). Regularmente intimada e inconformada com a Decisão encimada, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 259/271, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: a) que foi aplicada legislação revogada, mais precisamente o artigo 55 da Lei n. 8.212/91; b) que os documentos apresentados comprovam que se subsume à imunidade; c) que não lhe foi permitido acesso ao contraditório e ampla defesa; d) que a exigência do certificado já foi revogada; Fl. 291DF CARF MF 4 e) que possui registro no CNAS e cumpre todos os requisitos do artigo 55 da Lei n, 8.212/91 e do artigo 14 do CTN; f) que foi orientada pela previdência a utilizar o FPAS 639; g) que está aguardando a emissão do CEBAS pelo Ministério da Educação; h) que a multa é inaplicável frente a sua boafé. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 13 de março de 2012, foi proposta resolução pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Liege Lacroix Thomasi, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 273/275, in verbis: (...) Entretanto, é de se notar que a obrigação principal, consubstanciada no Auto de Infração de Obrigações Principais n.º 19515001537/201003, relativa à condição da isenção sob a qual a recorrente se diz abrigada é objeto de ação judicial com a interposição de Agravo de Instrumento no Superior Tribunal de Justiça e somente após o julgamento do mesmo é que se poderá julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória decorrente daquela obrigação principal. Assim, entendo que este processo deve ser convertido em diligência para que seja julgado conjuntamente com o processo que trata da obrigação principal conexa a este auto de infração, após o resultado da ação judicial.(...) Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19515.001451/201072 Acórdão n.º 2401005.471 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança Preventivo, em 25/01/2005, com pedido de Liminar a não ser compelida ao recolhimento da parte patronal da contribuição previdenciária arrecada pelo INSS, diante do direito a imunidade tributaria prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal, estando atualmente no Superior Tribunal de Justiça. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal (imunidade/isenção), e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Vale salientar que, apesar de tratarse de obrigação acessória, a recorrente insurgese quanto ao mérito da obrigação principal, aduzindo gozar de imunidade/isenção. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Fl. 293DF CARF MF 6 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Desta forma, inferese, portanto que o pedido de declaração de imunidade tributária, no que concerne à exigência das contribuições previdenciárias incidentes, constitui objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, importando, em renúncia ao contencioso administrativo, não ensejando afronta aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Quanto às alegações de inconstitucionalidade formal e material atribuídas ao art. 55 da Lei n.° 8.212/91, vigente a época dos fatos geradores apurados, além de não serem objeto de conhecimento por estar sendo discutidas em juízo, temse que não é permitido que a esfera administrativa decida sobre argüições de desconformidade para com a lei ou a Constituição Federal. Verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço das alegações sobre a inaplicabilidade da multa em face a boafé. MATÉRIA CONHECIDA INAPLICABILIDADE DA MULTA Primeiramente, cabe esclarecer que a multa consubstanciada em Auto de Infração é multa punitiva pelo descumprimento de obrigação acessória. Seus parâmetros são estabelecidos pela Lei, conforme demonstrado pela transcrição dos artigos que desta especificamente trata, in verbis: RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19515.001451/201072 Acórdão n.º 2401005.471 S2C4T1 Fl. 5 7 (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9.6.2003) (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. A graduação da penalidade constante do auto de infração não é ato discricionário e sim o simples enquadramento da situação do caso concreto às várias previsões legais, resultando no respectivo valor previsto, tudo conforme comprovado, em toda sua plenitude, pelos argumentos constantes do relatório fiscal da infração, em consonância com os dispositivos legais previstos. E, com relação aos argumentos da recorrente no sentido de que seja afastada a multa moratória em face da boafé da impugnante, temse que tal alegação não é pertinente ao presente auto, uma vez que não esta foi aplicada aqui, portanto não será objeto de resposta. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720216/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
Ementa:
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. REFLEXOS NO IRPJ E NA CSLL.
Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, sendo que a diferença entre o valor de mercado e o de alienação deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Em sendo o lançamento da CSLL decorrente dos mesmos fatos que deram causa ao lançamento de IRPJ e tendo as mesmas razões de defesa, aplica-se mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic - decorre de expressa disposição legal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, sendo que a multa de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, comprovando-se, no caso concreto, o intuito doloso do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-002.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 Ementa: DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. REFLEXOS NO IRPJ E NA CSLL. Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, sendo que a diferença entre o valor de mercado e o de alienação deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em sendo o lançamento da CSLL decorrente dos mesmos fatos que deram causa ao lançamento de IRPJ e tendo as mesmas razões de defesa, aplica-se mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic - decorre de expressa disposição legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, sendo que a multa de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, comprovando-se, no caso concreto, o intuito doloso do sujeito passivo.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 453 1 452 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720216/201636 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.698 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria IRPJ Recorrente TOTAL QUÍMICA LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 Ementa: DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. REFLEXOS NO IRPJ E NA CSLL. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, sendo que a diferença entre o valor de mercado e o de alienação deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em sendo o lançamento da CSLL decorrente dos mesmos fatos que deram causa ao lançamento de IRPJ e tendo as mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 02 16 /2 01 6- 36 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 454 2 Federal expresso em atos normativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic decorre de expressa disposição legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, sendo que a multa de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, comprovandose, no caso concreto, o intuito doloso do sujeito passivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem esclarecer a autuação, adoto trecho do relatório DRJ, complementandoo ao final para a devida síntese do processo: “Assim, com base em tudo o que se apurou, o AuditorFiscal emitiu o Termo de Verificação Fiscal de fls. 92/103, parte integrante dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, no qual a autoridade fiscal assim se manifesta, em resumo: Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 455 3 Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 456 4 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 457 5 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 458 6 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 459 7 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 460 8 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 461 9 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 462 10 A TOTAL QUÍMICA foi cientificada pessoalmente do encerramento do procedimento fiscal e das autuações em 28/01/2016, através do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal de fls. 158/161. Na mesma data, o sujeito passivo por responsabilidade tributária FRANCISCO JOSÉ MARI recebeu, através de seu procurador, o Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária de fls. 162/165. Ambos também receberam todos os documentos de lançamento em mídia digital não regravável (CD/DVD). Em 24/02/2016, a Interessada apresentou suas Impugnações ao Auto de Infração de IRPJ (fls. 184/208) e ao Auto de Infração de CSLL (fls. 250/273) nas quais, em síntese, assim se pronunciou (tendo em vista a conexão dos dois autos de infração e a identidade de argumentos observada nas duas impugnações, transcrevemos trechos da impugnação contra o AI de IRPJ): Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 463 11 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 464 12 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 465 13 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 466 14 Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 467 15 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 468 16 Após análise da impugnação interposta pelo contribuinte a 1ª Turma da DRJ/JFA rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. REFLEXOS NO IRPJ E NA CSLL. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, sendo que a diferença entre o valor de mercado e o de alienação deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 469 17 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em sendo o lançamento da CSLL decorrente dos mesmos fatos que deram causa ao lançamento de IRPJ e tendo as mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic decorre de expressa disposição legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, sendo que a multa de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, comprovandose, no caso concreto, o intuito doloso do sujeito passivo. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 470 18 RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. MULTA QUALIFICADA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação deste Conselho aduzindo as mesmas razões de impugnação. Cumpre salientar que o responsável tributário FRANCISCO JOSÉ MARI apresentou recurso voluntário fora do prazo legal (vide fls. 430), sendo considerado revel no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. A recorrente foi cientificado do Acórdão 09061.074 – 1ª Turma da DRJ/JFA, em 09/01/2017, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/02/2017, o que configura sua tempestividade. Sendo assim, conheço do presente recurso. Quanto ao responsável tributário FRANCISCO JOSÉ MARI, reiterase, este não apresentou recurso voluntário dentro do prazo legal, e, em decorrência disso, não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento, na conformidade do disposto no art. 14, do Decreto nº 70.235/72 não sendo conhecido o seu recurso voluntário. Da Preliminar de Nulidade Em sede de preliminar, a Recorrente reitera o pedido de declaração de nulidade da decisão de primeira instância feito na impugnação, no qual alegou que a decisão recorrida não teria evidenciado as razões que consubstanciaram a infração, baseando seus argumentos em princípios constitucionais como a legalidade, devido processo legal, ampla defesa e contraditório. No entanto, não merecem provimento as alegações da recorrente, uma vez que pode ser constatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 92/103) os critérios de apuração da fiscalização, as transações consideradas, os motivos e os fundamentos legais que amparam os lançamentos tributários com base na distribuição disfarçada de lucros, bem como pela clareza da autoridade fiscal ao dissertar sobre a qualificação da multa de ofício e atribuição de responsabilidade solidária ao sócio Francisco José Mari. Sendo assim, adoto parte das razões de decidir da decisão recorrida no que se refere à preliminar de nulidade (cf. §3º, art. 57, RICARF) o qual segue transcrito abaixo: Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 471 19 “Preliminarmente, a TOTAL QUÍMICA requer a nulidade dos lançamentos com os seguintes argumentos, em resumo (destaques nossos): 09. É nula de pleno direito a presente autuação por falta dos pressupostos legais e indispensáveis a caracterização da respectiva infração, eis que, estando desta forma, eivado de vícios insanáveis, por certo enseja cerceamento de defesa, eis que evidente a impossibilidade de impugnar o malsinado despacho decisório. 10. Com efeito, ainda que plausíveis, os elementos que orientaram a conclusão do Auditor Fiscal, o que não se admite nem mesmo por um absurdo na esfera administrativa, não lograram superar o campo da mera presunção, afigurandose, destarte, insuficientes para justificar o despacho decisório. 11. Por derradeiro, é de se afastar a hipótese de que a empresa defendente tenha de qualquer modo participado ativa ou passivamente de qualquer ato de trama, fraude ou conluio, que objetivasse burlar ou fraudar os Cofres Públicos. 12. Ressaltase ainda que milita em favor da empresa defendente a presunção de boa fé, a qual somente pode ser elidida mediante prova concreta em contrário, já que inexiste no Direito, qualquer regra ou princípio que erija a máfé e, critério de interpretação. Ocorre que, como já visto, salvo as exceções expressas na legislação tributária, as quais não se amoldam ao presente caso, a arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa. Apreciação de inconstitucionalidade de norma é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme arts. 97 e 102 da CF/88. As decisões judiciais juntadas à impugnação têm força entre as partes e nos exatos limites em que as questões principais foram decididas, a teor dos arts. 503 e 506 do CPC/20151. Portanto, não vinculam esta instância administrativa, a qual está adstrita ao princípio da legalidade. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 92/103 – parte integrante dos Autos de Infração – descreveu com clareza e de forma detalhada todas as irregularidades apuradas ao longo da auditoria. Foram explicitados os critérios de apuração, as transações consideradas, os motivos e os fundamentos legais que amparam os lançamentos tributários com base na distribuição disfarçada de lucros. Também foi claro o Autuante ao dissertar acerca da qualificação da multa de ofício e da atribuição de responsabilidade solidária ao sócio Francisco José Mari. Vejamos, a título de breve exemplo, o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: 30. No resumo, observase que a empresa TOTAL QUÍMICA vendeu para as empresas do grupo o valor total de R$ 63,6 milhões durante os anos calendários 2011 e 2012. Caso os preços praticados fossem os de mercado, essas vendas totalizariam R$ 170,2 milhões. Com isso, concluiuse que a TOTAL QUÍMICA efetuou distribuição disfarçada de lucros no valor de R$ 106,6 milhões (170,2 63,6) durante os anos calendários 2011 e 2012 ao aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bens do seu ativo às pessoas ligadas, conforme previsão contida no inciso I do artigo 464 do Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 472 20 Regulamento do Imposto de Renda descrito no parágrafo 19. O valor das vendas efetuadas pela TOTAL QUÍMICA às empresas ligadas correspondeu a somente 37,3% do valor de mercado das mercadorias. [...] 34. A alegação da empresa não prospera, já que ficou nitidamente demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal a distribuição disfarçada de lucros. Além disso, toda a logística de distribuição dos produtos produzidos pela TOTAL QUÍMICA poderia ser implementada através da abertura de estabelecimentos filiais, sem a necessidade da constituição de novas pessoas jurídicas ligadas com regime tributário mais vantajoso. [...] 38. Diante de tudo que foi exposto, fazse necessário realizar o presente lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, decorrente da distribuição disfarçada de lucros verificada nos anos calendários 2011 e 2012, conforme previsto no inciso I do artigo 467 do Regulamento do Imposto de Renda e artigo 60 da Lei n° 9.532, de 1997. Vale ressaltar que essas irregularidades já tinham sido antes constatadas e cientificadas à TOTAL QUÍMICA através do Termo de Constatação Fiscal de fls. 28/30, com concessão de prazo dilatado para manifestação. Junto com este Termo, foi entregue CD autenticado contendo, entre outras informações, arquivos com as notas fiscais eletrônicas de todas as empresas ligadas e com a metodologia utilizada na apuração dos valores. Ou seja, a defesa a esse respeito em momento algum foi cerceada. A própria Interessada assim se manifestou em seu requerimento de dilação de prazo relacionado com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 32/33): "favorecendo assim também o exercício do devido processo legal do contraditório e da ampla defesa". Como já dito acima, o prazo requerido foi concedido. Quanto às vendas da TOTAL QUÍMICA para as empresas do grupo por preço notoriamente inferior ao de mercado, durante os anoscalendário 2011 e 2012, nenhum argumento pôde ser detectado na Peça de Impugnação capaz de ameaçar o lançamento. As vendas aconteceram e a condição de coligadas das empresas destinatárias não foi questionada em momento algum. Assim, assomamse como legítimas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL reconstruídas pela Fiscalização com fulcro nas disposições do inciso I do artigo 467 do Regulamento do Imposto de Renda e do artigo 60 da Lei nº 9.532, de 1997, em se tratando das operações de saída dos produtos da TOTAL QUÍMICA para as coligadas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE. Caberia à Interessada a apresentação de prova em contrário, o que não aconteceu até o presente momento, em que pesem as oportunidades abertas na fase procedimental. Dessa forma, confirmase que as autuações em questão se encontram revestidas de suas formalidades essenciais e em estrita observância aos ditames legais, e, como já se disse, falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias.” Do Mérito Em relação ao mérito, a recorrente acrescenta às razões de impugnação, o pedido realização de prova pericial contábil em todas as empresas listadas pela fiscalização Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 473 21 sob o fundamento de que, se apurado o valor do lucro auferido pela Recorrente, chegarseia a valor diminuto, longe do montante estampado no Auto de Infração. No entanto, esclarecese, que é exatamente este o motivo da autuação, ou seja, a presunção relativa de distribuição disfarçada de lucros entre as empresas ligadas, à vista da comercialização de produtos para empresas ligadas, a preço notoriamente inferior ao de mercado, que disponibilizou à recorrente a margem de lucro líquido ínfima de 0,751% e 0,898% nos anoscalendários 2011 e 2012, respectivamente. Vejamos trecho do TVF que evidencia o modus operandi da fraude: “23. As empresas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE optaram, nos anos calendários 2011 e 2012, pela tributação do IRPJ e CSLL com base no lucro presumido. Tendo em vista as suas atividades, o percentual de lucro presumido aplicado sobre as receitas obtidas nas vendas dos produtos industrializados pela TOTAL QUÍMICA foi de oito por cento (8%). Por outro lado, a empresa TOTAL QUÍMICA foi tributada nos referidos anos com base no lucro real trimestral. 24. A constituição das empresas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE propiciou, de forma indevida, a redução dos tributos IRPJ e CSLL incidentes sobre as vendas da empresa TOTAL QUÍMICA. Parte dos produtos industrializados por ela, ao invés de serem vendidos diretamente aos clientes, foram “vendidos” a preço notoriamente inferior ao de mercado para as empresas ligadas as quais efetuavam as vendas aos clientes do grupo. Com isso, o IRPJ e CSLL incidentes sobre essas vendas foram reduzidos significativamente, tendo em vista as formas de tributação das cinco empresas relatadas no parágrafo anterior. 25. Nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ dos anos calendários 2011 e 2012 apresentadas pela TOTAL QUÍMICA constatouse percentual de margem de lucro líquido (receita bruta/lucro líquido) de apenas 0,751% e 0,898%, respectivamente. A estratégia adotada pelos sócios foi reduzir significativamente a receita bruta da TOTAL QUÍMICA, através da venda de parte dos produtos fabricados às empresas atacadistas ligadas por preço notoriamente inferior ao de mercado. Com isso, os valores de IRPJ e CSLL pagos pela TOTAL QUÍMICA foram reduzidos de forma extremamente significativa. Por outro lado, ao venderem as mercadorias aos clientes do grupo, as empresas atacadistas ligadas, tributadas com base no lucro presumido, pagaram IRPJ e CSLL sobre o percentual presumido de lucro de apenas 8%, tendo em vista suas atividades.” (fl.97) Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 474 22 Ora, a fiscalização deixou claro que a recorrente, propositadamente, abdicou da margem de seu lucro líquido para diminuir a imposição tributária que sobre si recairia, ao vender produtos por preço inferior ao de mercado para empresas ligadas, com regime de tributação favorecido, cujo interesse comum foi devidamente comprovado, sobretudo pela condição de sócio, direta ou indiretamente, que ostentava o responsável tributário FRANCISCO JOSÉ MARI perante as empresas relacionadas, no período fiscalizado. Portanto, a constatação do lucro diminuto em desconformidade com o montante apurado pela fiscalização sugerida pela recorrente, só viria a confirmar toda a presunção construída pela fiscalização e não desconstruída pelo contribuinte. Ademais, o pedido de realização de prova pericial contábil nessa instância não é admitido, tendo em vista que os motivos de fato e de direito em que se fundamentam o litígio, bem como os pontos de discordância e as razões e provas em favor do contribuinte deveriam ser mencionados na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo fazêlo em outro momento processual (cf. art. 16, §4º, inciso III, do Decreto nº 70.235/72). Dessa forma, demonstro minha conformidade com a decisão recorrida, também com relação ao mérito, de modo que proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos seguintes termos: “Com relação ao mérito da questão, a Peça Impugnatória da TOTAL QUÍMICA traz, em síntese, as seguintes alegações: (1) a empresa atua em todo o território nacional de maneira subdividida por questões de logística, distribuição e comercialização em locais e unidades de negócio específicas; (2) a reestruturação da Total Química, subdividindo o mercado, objetivou melhor atendimento a grupos de pessoas definidos e mercados finais diferentes pelas empresas consideradas coligadas, inexistindo qualquer manipulação ou lucro distribuído disfarçadamente; (3) a empresa tem o direito de se organizar e exercer os atos de planejamento fiscal, não podendo simplesmente ser obrigada a pagar mais tributo quando evidenciado que as atividades econômicas atuam em mercados distintos e preordenados; (4) o sistema tributário nacional privilegia os princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada e da reserva absoluta da lei formal, que não permitem interpretações extensivas contra o contribuinte, ou mesmo a integração analógica para fim de exigir tributo; (5) se não for comprovada máfé nas operações, não restará caracterizado favorecimento econômico conforme no parágrafo VI do artigo 464 do RIR; e (6) por fim, caso sejam mantidos os autos de infração, devem ser compensados os tributos recolhidos pelas empresas coligadas em suas operações com a Total Química. O legislador pátrio, exercendo o seu mister constitucional e com observância em particular do art. 150, inciso I, da Carta Magna, houve por bem prever a figura da distribuição disfarçada de lucros que, no caso em tela, encontrase descrita no Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 475 23 artigo 464, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR (reproduzse também o inciso VI, por ter sido citado na Peça de Defesa): Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e Decreto Lei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; [...] VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Como visto no caput do artigo acima, os fundamentos legais deste dispositivo do RIR estão nos DecretosLei nº 1.598/77 e 2.065/83. Tratase, portanto, de norma aprovada nos moldes constitucionais e consentida pela maioria dos mandatários legitimamente eleitos pela Nação (art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal). Constatase também que uma das intenções do legislador foi proteger o mercado de artifícios que permitam concorrência desigual entre as empresas, evitando, neste caso, a prática da distribuição disfarçada de lucros, figura criada com o intuito de impedir a evasão do IRPJ e da CSLL por meio da transferência de rendimentos ou de patrimônio a pessoa ligada, em geral com regime tributário mais vantajoso. Vejamos o que diz o Termo de Verificação Fiscal a esse respeito (destaques nossos): 18. ... as transações comerciais envolvendo a indústria TOTAL QUÍMICA e as unidades atacadistas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE se enquadram na hipótese de distribuição disfarçada de lucros prevista no Regulamento do Imposto de Renda ... [...] 20. A distribuição disfarçada de lucros pressupõe o envolvimento de pessoas ligadas, justamente porque o vínculo entre as pessoas envolvidas nos negócios e o interesse comum que daí nasce, facilita ocultar o verdadeiro motivo da transação, com a consequente subtração dos resultados à tributação ... [...] 21. ... ficou caracterizada a intima ligação das empresas, conforme previsto nos artigos 465 e 466 do Regulamento do Imposto de Renda descritos no parágrafo anterior. Neste caso, a alienação de bens pela TOTAL QUÍMICA, por valor notoriamente inferior de mercado, às pessoas ligadas (sócios) se deu por intermédio de sociedades na qual os sócios possuem interesse direto, ou seja, por intermédio das unidades atacadistas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE conforme previsto no artigo 466 do Regulamento do Imposto de Renda. 22. A íntima ligação entre as empresas fica mais evidenciada pelo fato dos dois maiores atacados, TOTALOG e TOTAL CENTRO, possuírem em seus contratos sociais expressa informação de que a industrialização de seus produtos é realizada em local específico, na TOTAL QUÍMICA, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 476 24 conforme exposto nos parágrafos 5 e 8. Além disso, a TOTAL CENTRO autorizou a cessão de suas duplicadas para assegurar o cumprimento de todas as obrigações assumidas pela TOTAL QUÍMICA em Contrato de Capital de Giro / e ou Conta Garantida, junto ao HSBC Bank Brasil S.A, conforme exposto no parágrafo 10. [...] 25. Nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ dos anos calendários 2011 e 2012 apresentadas pela TOTAL QUÍMICA constatouse percentual de margem de lucro líquido (receita bruta/lucro líquido) de apenas 0,751% e 0,898%, respectivamente. A estratégia adotada pelos sócios foi reduzir significativamente a receita bruta da TOTAL QUÍMICA, através da venda de parte dos produtos fabricados às empresas atacadistas ligadas por preço notoriamente inferior ao de mercado. Com isso, os valores de IRPJ e CSLL pagos pela TOTAL QUÍMICA foram reduzidos de forma extremamente significativa. Por outro lado, ao venderem as mercadorias aos clientes do grupo, as empresas atacadistas ligadas, tributadas com base no lucro presumido, pagaram IRPJ e CSLL sobre o percentual presumido de lucro de apenas 8%, tendo em vista suas atividades. [...] 28. A verificação da distribuição disfarçada de lucros se deu a partir da análise das notas fiscais eletrônicas NFe de venda emitidas pela TOTAL QUÍMICA às empresas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE (empresas ligadas) e dessas empresas aos clientes do grupo (terceiros não ligados) durante os anos calendários 2011 e 2012 ... Os trechos aqui reproduzidos são apenas exemplificativos do amplo e detalhado trabalho levado a efeito pela Fiscalização. O Termo de Verificação Fiscal (e toda a documentação acostada ao processo) demonstra exaustivamente a distribuição disfarçada de lucros resultante da prática adotada pela TOTAL QUÍMICA em relação às suas coligadas. Com relação às alegações da Impugnante no sentido de que a criação das empresas atacadistas objetivou gerir a logística de distribuição dos produtos produzidos pela TOTAL QUÍMICA, com melhor atendimento a grupos de pessoas definidos e mercados finais diferentes, e de que tem o direito de se organizar e exercer os atos de planejamento fiscal, o Termo de Verificação Fiscal aborda tal questão com estas palavras (grifamos): 34. A alegação da empresa não prospera, já que ficou nitidamente demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal a distribuição disfarçada de lucros. Além disso, toda a logística de distribuição dos produtos produzidos pela TOTAL QUÍMICA poderia ser implementada através da abertura de estabelecimentos filiais, sem a necessidade da constituição de novas pessoas jurídicas ligadas com regime tributário mais vantajoso. É direito do contribuinte a busca pela redução do ônus tributário, desde que respeitados os limites impostos pelo ordenamento jurídico. Como já dito no tópico que tratou da preliminar de nulidade dos autos de infração, nenhum argumento pôde ser detectado na Peça de Impugnação capaz de ameaçar o lançamento. As vendas aconteceram e a condição de coligadas das empresas destinatárias não foi questionada em momento algum. Assim, assomamse como legítimas as bases de Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 477 25 cálculo do IRPJ e da CSLL reconstruídas pela Fiscalização com fulcro nas disposições do inciso I do artigo 467 do Regulamento do Imposto de Renda e do artigo 60 da Lei nº 9.532, de 1997, em se tratando das operações de saída dos produtos da TOTAL QUÍMICA para as coligadas TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE. Caberia à Interessada a apresentação de prova em contrário, o que não aconteceu em que pesem as oportunidades abertas pelo Fisco. Dessa forma, confirmase que as autuações em questão encontramse revestidas de suas formalidades essenciais e em estrita observância aos ditames legais. Quanto ao pedido para que sejam compensados os tributos recolhidos pelas empresas coligadas em suas operações com a TOTAL QUÍMICA (parágrafo 87 da Peça Impugnatória), abatendoos dos valores lançados nos autos de infração, devese levar em conta que as coligadas não integram a relação jurídica tributária, uma vez que não compõem o polo passivo, não havendo previsão legal para compensar no lançamento de ofício pagamentos efetuados por outro contribuinte. Por fim, é de se observar que o lançamento da CSLL decorre dos mesmos elementos de prova constantes do lançamento do IRPJ, conforme têm ciência a Impugnante, razão pela qual aquele seguirá o mesmo resultado deste, naquilo que for cabível.” Da Multa Qualificada Com relação à aplicação de multa qualificada sob a imputação de fraude, a recorrente não inova nos argumentos voltando a alegar o caráter confiscatório da multa, pleiteando a declaração de nulidade da mesma, ou, alternativamente, requer sua fixação em percentual inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do valor principal lançado. Muito embora exista vasta jurisprudência no âmbito judicial quanto ao caráter confiscatório da multa fixada em 100% ou mais do valor do tributo devido, observa se que tais julgados possuem seus efeitos limitados às partes litigantes, não sendo possível a aplicação do art. 62, §1º, II, “b”, do RICARF, o qual permite ao órgão julgador afastar a aplicação da multa fundamentado em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Portanto, mais uma vez, adoto as razões de decidir da decisão de primeira instância no que se refere à multa qualificada, conforme transcrição a seguir: “A interessada defende que a cobrança da multa de ofício qualificada, nos moldes dos Autos de Infração, é excessiva e ilegal e infringe os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Em determinado ponto da Peça de Defesa, requer a nulidade da multa ou a sua redução nos seguintes termos (destacamos): 45. Assim sendo é patente a ilegalidade da multa imposta pela autoridade administrativa e como demonstrado a admissibilidade espera que digne Vossa Senhoria, em declarar a sua nulidade ou reduzir à realidade financeira que vive nosso País, reduzindoa a 2% (dois por cento) do valor principal possivelmente devido [...] 52. Desta forma, mostrase totalmente desprovida de amparo legal a multa aplicada [...] devendo ser declarada nula de pleno direito, porque Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 478 26 viola o princípio constitucional do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, alternativamente, caso não seja anulada, que ora não se acredita, requer sua aplicação em tão somente no percentual inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do valor principal lançado no malsinado auto de infração, por ser medida de saneamento. Cumpre salientar que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência não só à lei como também às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada e encontrandose em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Como se colocou nas questões preliminares deste voto, não há como deixar de aplicar dispositivos legais e, da mesma forma, não há autorização ao julgador administrativo para afastálos (conforme incisos IV e V do art. 7º da Portaria MF nº 341/2011). Cabe ainda ressaltar que não poderia a fiscalização, por sua própria conta, deixar de exigir a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois se trata de multa estabelecida em lei, aprovada nos moldes constitucionais e consentida pela maioria dos mandatários legitimamente eleitos pela Nação (art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal), presumindose, pois, estar fixada em limites aceitáveis. De igual modo, não poderia deixar de qualificar esta multa, conforme dispõe o § 1º do mesmo artigo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) A qualificação da multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos termos do § 1º do mesmo artigo, duplicandoa para 150%, pressupõe a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. O artigo 72 da Lei n° 4.502/64 assim define fraude (destacamos): Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Percebese que a intenção do legislador foi proteger, como circunstância qualificativa da penalidade aplicada, o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador de todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Impedir ou retardar o seu conhecimento, ou ainda modificar as Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 479 27 suas características essenciais significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado. A base de cálculo é uma das características essenciais da obrigação tributária principal. Ao ser criado o artifício de vender, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bens do seu ativo às pessoas ligadas, as características essenciais da obrigação tributária principal foram modificadas, com a consequente redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre as vendas das mercadorias produzidas pela TOTAL QUÍMICA. Em consequência, preenchido o requisito qualificativo das operações como fraude, nos moldes do artigo 72 da Lei nº n° 4.502/64, legítima a qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal (e toda a documentação acostada ao processo) demonstra exaustivamente a distribuição disfarçada de lucros resultante da prática adotada pela TOTAL QUÍMICA em relação às suas coligadas. O dolo é o "animus", a vontade de querer o resultado. No presente caso, esta vontade restou demonstrada nos autos. Todos os atos praticados foram realizados de forma consciente e planejada para alcançar, ao fim, unicamente uma economia fiscal. Vejase, como exemplo, o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: 42. O procedimento adotado pelos sócios das empresas está compreendido na definição de fraude. A criação das empresas atacadistas ligadas (TOTALOG, TOTAL CENTRO, TOTAL RIO e TOTAL ARTE), com regime tributário mais favorecido, teve por objetivo único a redução tributária sobre a vendas das mercadorias produzidas pela TOTAL QUÍMICA. Não prospera a alegação de que as empresas atacadistas ligadas foram criadas para gerir a logística de distribuição dos produtos produzidos pela TOTAL QUÍMICA, conforme relatado no parágrafo 34. [...] 44. O procedimento adotado não pode ser confundido com planejamento tributário. Isso porque, planejamento tributário é a aplicação de um ou mais dispositivos permitidos pela legislação de tal forma que a carga tributária da empresa (ou do grupo empresarial) seja reduzida de forma lícita. 45. Pelo que foi exposto, concluise que a TOTAL QUÍMICA fraudou de forma nítida, justificandose, assim, plenamente a aplicação da multa qualificada. Observese por oportuno que, conformandose o contribuinte com a lavratura do auto de infração e efetuando o correspondente pagamento ou parcelamento dentro do prazo legal de impugnação, a multa de ofício aplicada reduzse em cinquenta por cento ou em quarenta por cento, respectivamente, passando a ser de 75 % (setenta e cinco por cento), no caso de pagamento, ou de 90 % (noventa por cento), na hipótese de parcelamento. Havendo impugnação tempestiva, como no presente caso, a redução será de trinta por cento ou de vinte por cento se o pagamento ou o parcelamento do débito, respectivamente, for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, passando a multa de ofício a ser de 105 % (cento e cinco por cento), no caso de pagamento, ou de 120 % (cento e vinte por cento), na hipótese de parcelamento. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10882.720216/201636 Acórdão n.º 1302002.698 S1C3T2 Fl. 480 28 Temse, então, que a multa de ofício qualificada somente atingirá o percentual de 150 % (cento e cinquenta por cento) do valor do tributo lançado se, ao final do processo administrativo fiscal, não lograr o contribuinte êxito em suas impugnações e recursos. Por tudo que se demonstrou, resta claro o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador dos tributos referidos para reduzir o montante devido, conforme tipificado no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, razão pela qual considerase adequada a qualificação da multa de ofício.” Da Constitucionalidade da Aplicação da Taxa SELIC A despeito da incompetência deste Conselho para pronunciarse sobre a constitucionalidade de lei tributária, pontuase que a utilização da taxa SELIC como índice de correção dos débitos tributários é matéria pacífica e, inclusive, sumulada no CARF, o que dispensa outras considerações. Vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Pelas razões expostas, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso voluntário,. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 480DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900632/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 06 32 /2 01 0- 29 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.894, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.900632/201029 Acórdão n.º 3402005.165 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004109/00-76
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.413
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Adolfo Montelo
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Numero do processo: 13888.901083/2014-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 83 /2 01 4- 73 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 4 3 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 5 4 DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 6 5 Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 7 6 Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901083/201473 Acórdão n.º 1402003.045 S1C4T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906384/2008-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
O § 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro dc l996, prevê manifestação de inconformidade somente contra a não-homologação da compensação.
Numero da decisão: 1001-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. O § 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro dc l996, prevê manifestação de inconformidade somente contra a nãohomologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 63 84 /2 00 8- 83 Fl. 51DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação 36521.56883.201106.1.7.047745 (efls. 02/06), de 20/11/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA dezembro/2000 lucro presumido). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 03), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que efetuou o recolhimento do IRPJ referente dezembro de 2000 no valor de R$ 1.267,65 em 30 de janeiro de 2001. Após o recolhimento da mencionada guia, apurouse que o valor devido do IRPJ referente a dezembro de 2000 é de R$ 1.267,29 gerando desta forma um saldo recolhido a maior de RS 0,36. Mas que preencheu incorretamente (a PERDcomp) com o débito apurado de R$ 1.267,65. Pediu que fosse tornada sem efeito a mencionada PerDcomp. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 02 25.289 3ª Turma da DRJ/BHE, efl. 25/29). A mesma decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que: tendose em vista que o manifestante concorda que não teria havido nenhum tipo de compensação, não se tratando de caso de compensação, a nãohomologação contestada é procedente. Isto porque o § 9° do art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. quanto ao pedido de cancelamento dos débitos indevidamente compensados, de acordo com o inciso XI do art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n“ 125, de 4 de março de 2009, é competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF “controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários” Cientificada em 28/05/2010 (efl. 33), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 25/06/2010 (efl. 35), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A decisão de primeira instância bem interpretou a legislação aplicável à restituição e à compensação (em especial ao seu § 5° do art. 74 da Lei n 9.430, de 1996) ao concluir que a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas a posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Aderimos também à conclusão da decisão de piso que averbou que, tendose em vista que o manifestante concorda que não teria havido nenhum tipo de compensação, não se tratando de caso de compensação, a nãohomologação contestada é procedente. Isto porque Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.906384/200883 Acórdão n.º 1001000.524 S1C0T1 Fl. 52 3 o § 9° do art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Por fim, quanto ao pedido de cancelamento dos débitos indevidamente compensados, de acordo com o inciso XI do art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n“ 125, de 4 de março de 2009, é competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF “controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários” Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.012117/2009-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 21 17 /2 00 9- 91 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2007, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 15.240,55, acrescidos de juros de mora e mais multa de ofício de 75%. O crédito tributário guerreado resultou da revisão fiscal da Declaração de Ajuste Anual – DAA do período, em que, conforme consta no demonstrativo denominado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, integrante da Notificação Fiscal (fl.09/11), foram verificadas as seguintes infrações: dedução indevida de previdência privada e Fapi, no valor de R$19.980,00, dedução indevida de despesa de instrução, no valor de R$2.480,66 e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$32.959,52. As glosas se deram porque o contribuinte, intimado, não apresentou os comprovantes das despesas. Cientificado do lançamento do crédito tributário em 30/10/2009, fl. 58, o Contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 02/05, acompanhada de documentos, alegando, em síntese, ser insubsistente o crédito tributário, tendo em vista que, embora não soubesse à época em que apresentou a DAA, já era isento do recolhimento do IRPF por ser portador de moléstia grave. Requer a restituição do imposto de renda pago em 2007/2008, respaldado nos laudos médicos periciais de fls. 28 e 30. Esclarece a DRJ que não lhe compete apreciar a matéria, uma vez que, por não ter sido objeto do lançamento fiscal, sobre ela não foi instaurado o contencioso administrativo. Não obstante isso, o Processo apensado, no qual também é requerido a restituição mencionada, será analisado pela autoridade competente, nos termos da legislação tributária de regência da matéria. Sendo assim, considera IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que é isento, por ser aposentado por moléstia grave, junta toda a documentação comprobatória e pede o reconhecimento deste direito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10730.012117/200991 Acórdão n.º 2001000.066 S2C0T1 Fl. 3 3 imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos médicos, com identificação clara do beneficiário do tratamento, especificação do serviço prestado, e na maioria com a informação detalhada do endereço do local da prestação. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas e que não era competente para reconhecer direito a isenção alegada, nos seguintes termos: “[...] Trata o processo da glosa das deduções de despesas médicas (R$32.959,52), de instrução (R$2.480,66) e de previdência privada (R$32.959,52), consideradas indevidas pela fiscalização em decorrência da falta de comprovação. Na impugnação, o contribuinte alega ser insubsistente o crédito tributário, tendo em vista que, embora não soubesse à época em que apresentou a DAA, já era isento do recolhimento do IRPF por ser portador de moléstia grave. Requer a restituição do Fl. 113DF CARF MF 4 imposto de renda pago em 2007/2008, no valor de R$42.571,08, respaldado nos laudos médicos periciais de fls. 28 e 30. É de se esclarecer, contudo, que não compete a esta instância julgadora apreciar a matéria, uma vez que, por não ter sido objeto do lançamento fiscal, sobre ela não foi instaurado o contencioso administrativo. Não obstante isso, o Processo 10730.012117/200994 a este apensado, no qual também é requerido a restituição acima mencionada, será analisado pela autoridade competente, nos termos da legislação tributária de regência da matéria. No que concerne à DAA retificadora apresentada junto à impugnação, deixamos de acatála vez que apresentada a destempo. O CTN, ao tratar do assunto em seu artigo 147 parágrafo 1º, determina que a retificação da DAA que vise reduzir ou excluir tributo somente será aceita se feita antes de ser o contribuinte notificado: Finalmente, não há que se declarar a nulidade do presente lançamento fiscal, como requer o notificado, haja vista que não se verifica nos autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, in verbis: ‘Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.’ Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da Notificação de Lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário, devendo o presente processo ser encaminhado à Unidade de Origem para manifestação sobre o de nº 10730.012117/200994 a este em apenso. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a boafé e a intenção do contribuinte, ora Recorrente, em comprovar todas as suas despesas, bem como a sua atitude proativa em aclarar a sua situação de aposentado por doença grave, conforme resta detalhado na documentação anexa ao processo. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10730.012117/200991 Acórdão n.º 2001000.066 S2C0T1 Fl. 4 5 das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supra citados, e baseando se em toda a documentação acostada a este processo, entendo que resta comprovada a situação de aposentadoria por cardiopatia grave sofrida pelo ora Recorrente, desde 2002, a qual garante a situação de isenção de IR desde 2002. Fl. 115DF CARF MF 6 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento por considerar o contribuinte como isento desde 2002, dando as conseqüências devidas de restituição dos impostos retidos ou pagos de períodos não prescritos junto a DRF. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 116DF CARF MF
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