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Numero do processo: 10768.019351/99-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1988 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
PASEP. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PASEP é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 9303-003.093
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar prescritos os fatos geradores anteriores a setembro/1989.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1988 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. PASEP. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PASEP é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO EM PARTE
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. PASEP. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PASEP é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar prescritos os fatos geradores anteriores a setembro/1989. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 93 51 /9 9- 15 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial, interposto em face do acórdão nº 20401.562, na parte que tomou como termo inicial para contagem do lapso decadencial de pedido de restituição a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, que suspendeu os efeitos dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A contribuinte acima identificada ingressou em 02 de setembro de 1999 com pedido requerendo restituição/compensação dos indébitos da Contribuição para o Pasep, recolhidos nos períodos de apuração compreendidos entre agosto de 1988 e setembro de 1995 com base nos DecretosLeis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Anexou documentos. Eis a ementa: Relator: Rodrigo Bernardes de Carvalho Acórdão: 204 01.562 PASEP. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para se pedir a restituição do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a data de publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pede a manutenção do julgado. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de Pedido de Restituição, relativo A contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, períodos de apuração compreendidos entre agosto de 1988 e setembro de 1995 protocolizado em 02/09/1999. Os recolhimentos seriam indevidos porque Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10768.019351/9915 Acórdão n.º 9303003.093 CSRFT3 Fl. 191 3 obedeceram as disposições dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, considerados inconstitucionais pelo STF e afastados do mundo jurídico pela Resolução n° 49 do Senado Federal. Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Porém haverá, no presente caso uma prescrição parcial. Tendo em vista que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 02/09/1999, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que ocorreu, in casu, para os fatos geradores anteriores a setembro de 1989, ou seja, agosto de 1988 a agosto de 1989. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, existe parte do período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Quanto à base de cálculo do PASEP, até a edição da MP 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Nessa parte do acórdão não há reparos a fazer na decisão recorrida. Ante o exposto voto por dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto acima. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10111.001006/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , em converter o juLgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, , em converter o juLgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. . Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 01 00 6/ 20 10 -8 1 Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 94 2 Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/30, 53/81 e 104/111 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 3.654.245,80 (três milhões, seiscentos e cinquenta e quatro mil, duzentos e quarenta e cinco reais e oitenta centavos) e, ainda, da multa de que trata o art. 84, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/01c/c art. 69 da Lei n° 10.833/03 no valor de R$ 52.282,60 (cinquenta e dois mil, duzentos e oitenta e dois reais e sessenta centavos) por descrição inexata da mercadoria. No Relatório de Auditoria, parte integrante dos autos de infração, a fiscalização consignou que o interessado no período de 14/03/06 a 10/03/10, submeteu a despacho de importação os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado, requerendo a redução a zero das alíquotas de CofinsImportação e Pis/PasepImportação, conforme o inciso I do artigo 1° do Decreto nº 5.127, de 05/07/04 ou do Decreto nº 5.821 de 29/06/06 enquanto vigentes ou do Decreto nº 6.426, de 07/04/08, este atualmente em vigor. No entender dos autuantes, os produtos importados não se enquadram entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal, pois não são citados na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I dos citados decretos, que contempla os produtos na sua forma anidra (sem hidratação). Os fiscais também registram que: [...]. 8. O Brasil possui uma Farmacopéia própria, que é o Código Oficial Farmacêutico do Pais, cuja 4ª Edição foi aprovada por meio do Decreto 96.607 de 30 (trinta) de agosto de 1988 (mil novecentos e oitenta e oito), sendo de competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde, promover a sua revisão e atualização periódica, conforme disposto no art. 7º, inciso XIX da Lei n° 9.782/99. 9. Além de estabelecer os requisitos de qualidade que os medicamentos, fármacos, insumos e produtos para a saúde devem obrigatoriamente obedecer, ela é encarregada de aprovar e publicar as Denominações Comuns Brasileiras (DCB), que é a nomenclatura oficial de fármacos no Brasil, de propriedade pública e de caráter oficial. [...]. E, continuam os autuantes, segundo o que consta da lista DCB 2007, publicada na Resolução da Diretoria Colegiada RDC n° 211, de 2006, Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 95 3 atualizada pelas resoluções RDC 33/2007, 61/2007, 64/2007, 15/2008, 22/2008, 53/2008, 57/2008, 89/2008, 10/2009 e 38/2009, os produtos na forma anidra estão associados a nº CAS próprios, diferentes daqueles relacionados aos produtos na forma hidratada, o que demonstra que tratamse de produtos distintos. O número CAS é um número de registro único no banco de dados doChemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, mundialmente utilizado por não depender da nomenclatura de nenhum país, servindo de referência internacional para identificação de substâncias químicas. Ainda segundo os fiscais, “a hidratação do produto é um detalhamento considerado pelo legislador (...), como se pode observar, por exemplo, no caso da AMOXICILINA, da AMPICILINA e da CEFALEXINA” e caso o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio aos produtos importados os teria relacionado no Anexo I do decreto como fez com aqueles. No caso de algumas Declarações de Importação (DI), o importador ainda foi acusado de descrever os produtos de forma inexata omitindo a especificidade quanto à hidratação. Cientificado dos autos de infração em 25/10/10, conforme fl. 1.385 vol X, o interessado apresentou em 24/11/101 a impugnação de fls. 1.398/1.420, onde solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, o nome, o endereço2 e a qualificação profissional do seu perito, passando em seguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o anexo I do decreto, sem quaisquer outras informações técnicas indicou os fármacos pelos seus termos mais genéricos, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, afirma, ao contemplar os gêneros, o legislador reduziu a zero a alíquota das contribuições para todas as espécies e que “não é ado a autoridade fiscalizadora, o poder [de] alterar os conceitos de outros ramos da ciência – em especial, termos técnicos das Ciências Farmacêuticas”. A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa”, como demonstra “o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, considerar o termo CEFADROXILA para o CAS correspondente ao CEFADROXIL MONOIDRATADO” ou seja, continua a empresa, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 12/06/12, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls.1.427/1.431, por meio do qual o interessado notificou sobre a realização de perícia técnica,solicitada pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos no curso do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0817700 2009 001503,este tendo como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 96 4 IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e também informou sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira daquela mesma unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (anexado nas fls. 1.432/1.441), que, em vista dos resultados obtidos indicou pelo encerramento do referido mandado, segundo a empresa pelo fato daquela equipe ter concluído que a análise técnica apontou como “correto o entendimento efetivado pela IMPUGNANTE” em relação aos três produtos. Por fim, o interessado solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente. Nesta DRJ/FOR foi extraída cópia da assistência técnica nº10831/011/2010 apresentada no processo de nº 10111.000457/200886 do mesmo interessado para aqui ser anexada nas fls. 1.442/1.477. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 AZITROMICINA DIIDRATADA, CEFACLOR MONOIDRATADO, PANTOPRAZOL SÓDICO SESQUIIDRATADO, CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADA, CLORIDRATO DE ZIPRASIDONA MONOIDRATADA E LISINOPRIL DIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado não foram elencados no Anexo I do Decreto nº 5.127, de 05 de julho de 2004 ou do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 ou do Decreto nº 6.426, de 7 de abril de 2008, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 DESCRIÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. NÃO CONFIGURAÇÃO EM ALGUMAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Configurado nos autos que o importador descreveu de forma completa e exata a mercadoria em algumas declarações de importação, não se Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 97 5 sustenta, nesses casos, a fundamentação para a aplicação da multa, devendo a exação correspondente ser afastada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 98 6 resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Na decisão recorrida, entendeuse que a sua solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos “azitromicina”, “cefaclor”, “pantoprazol sódico”, “cloridrato de sibutramina”, cloridrato de ziprasidona” e “lisinopril” constantes do Anexo I, do Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08) ou do Decreto nº 6.426/08 (fatos geradores a partir de 08/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. E nesse contexto, negou o pedido de realização de diligência para a elaboração de laudo técnico. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 99 7 Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão que há impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente alguns termos na descrição dos produtos. A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Finalmente, exonerou parte da multa de 1%, por entender que houve a correta descrição dos produtos químicos importados nas declarações de importação, mantendoa no caso de o nº CAS não ser o correspondente ao produto importado, como nas DI nº 06/05620304, 08/18831426, 08/19900634, 08/19975006, 09/16560699, onde o importador informou o nº CAS 138786671 referente ao pantoprazol sódico, mas que na fase inquisitória ficou comprovado que na verdade tratavase do produto pantoprazol sódico sesquiidratado, CAS nº 164579322, conforme Certificados de Análise apresentados pelo importador Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente, preliminarmente, formula diversos quesitos para formulação de perícia, no sentido de diferenciar as diversas formas de apresentação dos produtos importados. No mais, reiterou os argumentos da impugnação. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. . É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos “azitromicina”, “cefaclor”, “pantoprazol sódico”, “cloridrato de sibutramina”, cloridrato de ziprasidona” e “lisinopril” constantes do Anexo I, do Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08) ou do Decreto nº 6.426/08 (fatos geradores a partir de 08/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. Os referidos decretos reduzem a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, nos seguintes termos: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Resolução nº 3201000.523 S3C2T1 Fl. 100 8 No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero os produtos mencionados, sem que se faça referência à hidratação da substância. Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se as versões hidratadas dos produtos, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/05/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 15374.931297/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
Ementa:
PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÕRIO. ART. 333,1, DO CPC.
-Não comprovada a origem do direito creditório, deve ser mantido o
indeferimento do pleito de restituição.
Numero da decisão: 1102-000.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÕRIO. ART. 333,1, DO CPC. -Não comprovada a origem do direito creditório, deve ser mantido o indeferimento do pleito de restituição.
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Recorrida 3a TURMA DRJ-RJ I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÕRIO. ART. 333,1, DO CPC. -Não comprovada a origem do direito creditório, deve ser mantido o indeferimento do pleito de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. IVETE S PESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA E CIGNO GUERRA BARRETO - Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo(Suplente Convocada), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), João Otavio Opperrnan Thorne, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Barreto. Relatório Trata-se de PER/DCOMP transmitida em 27 de março de 2004, em decorrência de credito de estimativa de CSLL, código 2484, no valor original de R$ 1.125,29, recolhido em 31 de maio de 1999 para compensação com débito do mesmo tributo para optantes do lucro presumido, código 2372, com vencimento em 31 de julho de 1999, no valor de RS 925,82. Indeferido o pedido (fl. 09), em razão da não localização do DARF no sistema da Receita Federal, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/16), aduzindo, em síntese, que deveriam ter sido observadas as informações prestadas em DIPJ transmitida em 2004, por entender que prevaleceriam sobre aquelas postas em DCTF's, pugnando, ainda, pela posterior juntada de retificadora a ser apresentada. Defendeu que se trataria de simples erro e que a manutenção do indeferimento do direito creditório ensejaria enriquecimento sem causa, em descompasso com o ordenamento pátrio, alem de pugnar pelo direito de atualização com base na Taxa Selic. A 3' Turma da DRJ do Rio de Janeiro I manteve o indeferimento, em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pela Recorrente e da divergência entre as informações prestadas na DCOMP e na DCTF. Acrescentaram os julgadores que: i) apesar de informar que retificaria a DCTF, nada fez o contribuinte; ii) a DIPJ não teria o pretendido caráter de confissão de divida; iii) consulta ao SIEF na tl. 74 teria demonstrado que o DARF no valor pleiteado corresponderia ao tributo recolhido sob o código 2484 em 31/05/99, com vencimento em 30/04/99 (fis. 74/76) e período de apuração 30/03/99, contudo, na DCOMP o período de apuração informado teria sido 30/04/99 e, ainda, o DARF localizado teria sido alterado através do processo administrativo n. 10768.507478/2004-80 (fl. 80) para o período de apuração de 08/08/80; iv) a consulta-Sincor do processo administrativo que retificou o período de apuração do DARF teria indicado inscrição em Divida Ativa da Contribuição Social e utilização do crédito pleiteado para quitação de parte da CSLL, código 2372, relativa ao período de apuração de abril de 1999 e, diante de tais informações a Recorrente não teria se pronunciado, o que configuraria matéria não impugnada; v) o débito inscrito em Divida Ativa da Unido, cujo pagamento teria sido realizado corn o DARF objeto de pedido de restituição teria sido declarado em DCTF e não foi alvo de retificação, ao contrário do que teria afirmado a Recorrente; vi) no ano-calendário de 1999, a Recorrente teria apresentado quatro DIPJ's, duas pelo lucro real e duas pelo lucro presumido, tendo sido canceladas uma de cada modalidade e retidas as demais, sendo que, 2 Processo n° 15374.931297/2008-41 sl-C1T2 Acórcliio n.° 1102-00.450 Fl. 2 nas duas últimas apresentadas, constaria o valor da CSLL de R$ 1.303,33 (fl. 57) e 1.303,26 (fl. 65); vii) cotejando as informações prestadas em DIPJ's e DCTF's apresentadas, teria sido demonstrado que o valor do débito confessado na DCOMP (f1.05) não teria sido ainda declarado, seria débito novo (R$ 925,82) e não haveria pedido de cancelamento vinculado ou manifestação de inconformidade expressa em relação ao referido débito; Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 118/130), tecendo considerações sobre a obrigação do Fisco em restituir valores indevidamente recolhidos, sob pena de afronta ao direito de propriedade, a vedação do confisco e aos principio da legalidade e moralidade, assegurados na Carta Magna Federal, além do art. 165, do CTN. No tocante ao direito creditório postulado, assevera a Recorrente que não teria sido observado o principio da verdade material e que a presença de documentos que apontem possível existência do direito exigiria a realização de diligência, a teor do art. 18, do Decreto 70.235/72 para apuração da CSLL referente ao segundo trimestre de 1999. Acrescentou a Recorrente que a decisão da DRJ teria impedido o exercício do seu direito de retificar a DCTF apresentada e que o DARF localizado no valor de R$ 1.125,29 não poderia ter sido utilizado para quitação, após a transmissão do PER/DCOMP, de eventuais débitos, além de o processo administrativo n 10768.507478/2004-80 ter sido decorrente de informação prestada em DCTF de forma equivocada. Aduz ainda a Recorrente que o débito de CSLL referente ao segundo trimestre de 1999 deveria ter sido calculado mediante aliquota de 8% conjugada à aliquota de 12%, com base no art. 3 0, da Lei n." 7.689/88, e não somente 12%, aliquota aplicável para os fatos geradores ocorridos após 01/05/99 e até 31/12/99, nos termos da RFB n." 81/99, apresentando planilha demonstrativa de que nada seria devido a titulo de CSLL naquele período de apuração; De acordo com as razões recursais, a ficha 31, da DIPJ/2000 demonstraria o equivoco da apuração do débito, pois não teria sido preenchido o campo receita bruta de abril, o que teria ensejado apuração equivocada de débito no valor de R$1.303,33 e finaliza defendendo que prevaleceria sobre a DCTF a sua contabilidade. o relatório. 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO 0 recurso é tempestivo, passo a apreciá-lo. Conheço do recurso, porquanto tempestivo. Insurge-se a Recorrente contra decisão que indeferiu PER/DCOMP, transmitida com o fito de obter a restituição de estimativa de CSLL, no valor de R$ 1.125,29, recolhida sob o código 2484 em 31 de maio de 1999, para compensação com débito de R$ 925,82 do mesmo tributo, mas sob o código 2372, aplicável aos optantes pela apuração do imposto com base no lucro presumido. NA() merece reparos a decisão da DRJ. A Recorrente, em suas razões recursais, não se desincumbiu do onus de comprovar a existência do seu direito creditório, limitando-se a fazer assertivas genéricas de que deveria ser buscada a verdade material, sem apresentar documentos robustos capazes de afastar as provas reunidas nos autos que concluem pela utilização do crédito recolhido para pagamento de débito definitivamente constituído nos autos do processo administrativo n." 10768.507478/2004-80, conforme demonstram fls. 74, 76, 80 e 82. Para defender a existência do seu direito, invoca a Recorrente informações prestadas em DIN's, declarações não dotadas do caráter de confissão de divida, para desprezar informações apresentadas em DCTF's. Além de prejudicado o pleito, sem a comprovação documental do alegado erro de preenchimento e também por ser a DCTF instrumento de confissão de divida, afastada a credibilidade das informações postas em DIPJ's quando se constata que o contribuinte apresentou 4 declarações, duas sob a sistemática do lucro presumido e duas com apuração do lucro real. Inova, ainda, em sede de Recurso Voluntário, com assertivas relacionadas correta aliquota a ser aplicada para apuração da CSLL, quando não há elementos que permitam averiguar a forma e a regularidade da apuração dos tributos. Em resumo, o contexto fático-probatório dos autos não autoriza afastar a alocação do pagamento do DARF objeto de restituição para o débito inscrito em Divida Ativa, exigindo a manutenção do indeferimento do pleito, com base nos arts. 333 e 334, do CPC, verbis: "Art. 333. 0 ônus prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ii - ao réu, quanto à existéncict de falo impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo ánico. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: 4 Processo n° 15374.931297/2008-41 S I-CIT2 Acórcklo n.° 1102-00.450 Fl. 3 I - recair sobre direito indisponivel da parte; II - tornar excessivamente dificil a lima parte o exercício do direito. Art. 334. Não dependent de prova os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contraria; III - admitidos, no processo, como incontroversos; IV - em cujo favor milita presuncc-io legal de existência ou de veracidade. Corn base nas razões acima, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. SILVANA GUERRA BARR ETTO. REVr IGNO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004242/2005-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/05/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA ETAPA QUE ANTECEDE À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Regra geral, só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação.
Salvo as circunstância expressamente previstas em lei, o que não ocorre no caso concreto, o Fisco não está obrigado a, na etapa preparatória, abrir espaço para que o sujeito passivo se manifeste acerca dos quesitos elaborados.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA EM RAZÃO DE INDEFERIMENTO DE
PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância em razão do indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/05/2002
SANDOLUB NVJ ZP
O produto denominado SANDOLUB NVJ, caracterizado como cera artificial à base de amida graxa quaternizada, classifica-se
no subitem 3404.90.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
SANDOZIN EH
O produto denominado SANDOZIN EH, uma preparação à base de éster de ácido fosfórico em 12,8% de hidrocarboneto alifático, não solúvel em água, não reúne as características inerentes ao agente orgânico de superfície.
Consequentemente, dada a ausência de código mais específico, deve ser classificado no subitem 3824.90.89 da Nomenclatura Comum do Mercosul
MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO
A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835,
de agosto de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo.
Não há que se falar, por outro lado, em inaplicabilidade de tal multa regulamentar em razão da imposição das multas de ofício ou por afronta ao controle administrativo das importações. A convivência com tais penalidades foi expressamente prevista pelo legislador no § 2º do mesmo art. 84 da MP 2.158. Ademais, cada uma dessas penalidades tem sua própria ratio essendi.
Demonstrado o erro de classificação, impõe-se a aplicação da multa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/05/2002
MULTA DE MORA
Ao tributo não recolhido na data do vencimento, será acrescida, a partir do primeiro dia subsequente, multa de trinta e três centésimos por dia de atraso, limitada a 20% do valor do débito.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.
Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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NÃO CARACTERIZAÇÃO Regra geral, só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Salvo as circunstância expressamente previstas em lei, o que não ocorre no caso concreto, o Fisco não está obrigado a, na etapa preparatória, abrir espaço para que o sujeito passivo se manifeste acerca dos quesitos elaborados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA EM RAZÃO DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância em razão do indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/05/2002 SANDOLUB NVJ ZP O produto denominado SANDOLUB NVJ, caracterizado como cera artificial à base de amida graxa quaternizada, classificase no subitem 3404.90.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. SANDOZIN EH O produto denominado SANDOZIN EH, uma preparação à base de éster de ácido fosfórico em 12,8% de hidrocarboneto alifático, não solúvel em água, não reúne as características inerentes ao agente orgânico de superfície. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 42 42 /2 00 5- 75 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 189 2 Consequentemente, dada a ausência de código mais específico, deve ser classificado no subitem 3824.90.89 da Nomenclatura Comum do Mercosul MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Não há que se falar, por outro lado, em inaplicabilidade de tal multa regulamentar em razão da imposição das multas de ofício ou por afronta ao controle administrativo das importações. A convivência com tais penalidades foi expressamente prevista pelo legislador no § 2º do mesmo art. 84 da MP 2.158. Ademais, cada uma dessas penalidades tem sua própria ratio essendi. Demonstrado o erro de classificação, impõese a aplicação da multa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/2002 MULTA DE MORA Ao tributo não recolhido na data do vencimento, será acrescida, a partir do primeiro dia subsequente, multa de trinta e três centésimos por dia de atraso, limitada a 20% do valor do débito. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 190 3 Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto sobre produtos industrializados, multa de mora e multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadorias, por meio da declaração de importação nº 02/04471766, registrada em 20/05/2002, cópia de fls. 12 a 16, conforme descrição a seguir: a) adição 001: NVJ (ZP) – SANDOLUB NVJ ZP, classificandoa no código NCM 3403.91.10; e, b) adição 003: SANDOZIN EH IP LIQ 0 SANDOZIN EH PI LIQ, classificandoa no código NCM 3402.90.90; e, Em ato de conferência física, foram coletadas amostras das mercadorias para análise laboratorial, Pedido de Exame LAB nº 1313/GCOF, cópia na fl. 21. Os Laudos nº 0294.01 e 0294.03, elaborados pelo Laboratório de Análises – Convênio IQ/RF/FUNCAMP – 132, trazem as seguintes informações sobre as mercadorias, de interesse para o presente litígio: a) SANDOLUBE NVJ (nas fls. 22/23) Características de Cera: positivas Faixa de Fusão: 84 – 89ºC Ponto de Gota: 92ºC Viscosidade em Viscosímetro Brookfield, fuso 31: 545.0 cps (102ºC) CONCLUSÃO: Tratase de Cera Artificial à base de Amida Graxa Quaternizada. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de uma Outra Preparação para tratamento de matérias têxteis. Tratase de Cera Artificial à base Amida Graxa Quaternizada, uma Outra Cera Artificial. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 191 4 2. Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida. 3. De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), a mercadoria de nome comercial SANDOLUBE NVJ é utilizada no acabamento de tecidos, para melhorar os trabalhos de costura em máquinas. 4. De acordo com Literatura Técnica Específica (cópia anexa), mercadoria de nome comercial SANDOLUBE NVJ tratase de Cera de Caráter Catiônico. Ressaltamos que a mercadoria analisada apresenta um Ponto de Gota superior a 40ºC (92ºC) e uma viscosidade, medida no viscosímetro rotativo, igual ou inferior a 10Pas (ou 10000 cps) (545.0 cps) a uma temperatura de 10ºC acima do seu Ponto de Gota. b) SANDOZIN EH IP LIQ 0 (nas fls. 28/29) CONCLUSÃO: Tratase de Preparação à base de Éster de Ácido Fosfórico em 12,8% de Hidrocarboneto Alifático. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Qualquer Preparação Tensoativa. Tratase de Preparação à base de Éster de Ácido Fosfórico em 12,8% de Hidrocarboneto Alifático, Preparação à base de Compostos Orgânicos, uma Preparação das Indústrias Químicas, não especificada nem compreendida em outras posições. 2. Tratase de preparação. 3. De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), a mercadoria de nome comercial SANDOZIN HE é utilizada na formulação de auxiliares têxteis. 4. Ressaltamos que a mercadoria, quando misturada com Água na concentração de 0,5%, à temperatura de 20ºC e, em seguida, deixada em repouso durante uma hora a mesma temperatura, é imiscível. Com base nas informações dos laudos técnicos oficiais, a fiscalização classificou as mercadorias denominadas SANDOLUBE NVJ e SANDOZIN EH nos códigos NCM 3404.90.19 e 3824.90.89, respectivamente. Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar nº 105/05 (na fl. 35), foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento da diferença de imposto sobre produtos industrializados para a mercadoria da adição 003 apurada em razão da mudança de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 192 5 alíquota tarifária (de 5% para 10%), da multa de mora, prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, e da multa por classificação incorreta das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, preceituada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, totalizando, o valor de R$ 4.431,01. Cientificado da lavratura do auto de infração em 29/09/2005 (fls. 01 e 39) o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumentos de Mandato nas fls. 41/42), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 31/10/2005, de fls. 44 a 69, requerendo, em preliminar, que seja declarado nulo o lançamento, pois quando da realização do exame laboratorial, o contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes do Fisco foi assegurado o direito de formular quesitos ao Labana/8ª RF, contrariando frontalmente disposições contidas no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. E, no mérito, o contribuinte alega, resumidamente, que: 1) de acordo com literatura técnica, os produtos importados devem ser classificados numa terceira posição, ou seja, em um código que não foi adotado pelo importador, nem proposto pela autoridade lançadora; 2) a impugnante anexa aos autos laudos técnicos, de fls. 70 a 81 e 92 a 99, nos quais o perito afirma que: a) Sandolub NVJ classificase no código NCM 3404.90.29, pois tratase de uma cera preparada à base de Amida Graxa Quaternizada, de caráter Catiônico (derivado de Amida de Ácido Graxo catiônico); parafina e cera de polietileno modificada; e que b) Sandozin EH IP classificase no código NCM 3402.90.19, pois tratase de uma preparação tensoativa à base de éster de ácido fosfórico e sulfonato de diarileteralquil sódio (agentes orgânicos de superfície); 3) incabível a exigência do recolhimento da penalidade de multa de mora, vez que, na linha do entendimento firmada pela doutrina e jurisprudência predominante em nossos tribunais, referida multa somente será devida após o final do processo administrativo; a questão encontrase solucionada no âmbito da Receita Federal, no Parecer CST nº 477/88; 4) improcedente, também, a exigência da penalidade por erro de classificação fiscal, diante das disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 29/80 e Parecer CST nº 477/88; 5) a incidência de juros de mora revestese de flagrante ilegalidade, na medida que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; indevida a incidência dos juros de mora, que somente podem ser computados após decisão final proferida no processo administrativo; 6) requer a conversão do julgamento em diligência ao Labana/8ª RF e/ou ao Instituto Nacional de Tecnologia/RJ a fim de que os Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 193 6 referidos órgãos manifestemse sobre as conclusões contidas nos laudos técnicos oficiais, que embasaram a lavratura dos autos de infração, em comparação com os laudos elaborados pelo seu perito assistente; o contribuinte formulou quesitos, no item 7.3 da peça de defesa (nas fls. 67/68), que requer sejam respondidos pelos referidos órgãos, indicando o seu perito e respectivo endereço no item 7.4 (fl. 68). Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 20/05/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Mercadoria caracterizada como Cera Artificial à base de Amida Graxa Quaternizada classificase no código TIPI/NCM 3404.90.19. Preparação à base de Éster de Ácido Fosfórico em 12,8% de Hidrocarboneto Alifático classificase no código TIPI/NCM 3824.90.89. Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme art. 61, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96. Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. Juros de mora Taxa SELIC: Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão recorrida em 05/02/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 05/03/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando a tais fundamentos exclusivamente considerações acerca da nulidade do acórdão recorrido em razão do indeferimento do pedido de perícia Considerando que havia dúvida acerca da regularidade da representação do signatário do recurso, converteuse o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada dos necessários instrumentos de mandato. Cumprida tal diligência, retornam os autos a julgamento. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 194 7 Voto Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais deve este Colegiado se manifestar. 1.1 Cerceamento do Direito de Defesa Sabidamente, o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia inerente ao processo administrativo, isto é, à fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a impugnação da exigência fiscal. Nesse momento, é concedida oportunidade para que o sujeito passivo questione as conclusões do Fisco, apresente sua discordância e os elementos em que ela se fundamenta ou requeira a realização de diligência ou perícia, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 19721. Antes dessa etapa, a investigação da irregularidade se situa no plano do procedimento administrativo, na qual legislação que disciplina o processo administrativo fiscal silencia a respeito da possibilidade de manifestação do autuado. Consequentemente, não há que se falar em violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório simplesmente porque a Lei não previu seu exercício naquela etapa preliminar. Vejase, a respeito, a remansosa jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes: ACÓRDÃO nº 20181498, julgado em 10/10/2008: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. ACÓRDÃO nº 10517234, julgado em 18/09/2008: 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 195 8 Trecho da Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não há cerceamento do direito de defesa do contribuinte em lançamento originado de auditoria interna de DCTF, situação em que todas as informações necessárias já se encontram em poder do Fisco e se faz prescindível o procedimento de fiscalização externa, preparatório do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. Inexiste, assim, causa de nulidade. ACÓRDÃO nº 30133707, julgado em 27/03/2007: Trecho da Ementa: ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se alegar cerceamento ao amplo direito de defesa, quando nos autos se comprova que foi assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa no curso do processo, a partir da instauração da fase litigiosa através da impugnação tempestivamente apresentada e obedecido o devido processo legal, nos termos da lei processual vigente (Decreto 70.235/72). ACÓRDÃO nº 10615779, julgado em 17/08/2006: FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – Garantia constitucional que opera a partir da inauguração do litígio, com a apresentação da impugnação tempestiva, não sendo pertinente pretender que desdobramentos dessa garantia, como o direito de oferecer e produzir provas, atue na fase averiguatória do procedimento, submetida ao princípio da inquisitoriedade. ACÓRDÃO nº 10195473, julgado em 26/04/2006: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – FALTA DE INTIMAÇÃO – IMPROCEDÊNCIA – Não é causa de nulidade do lançamento de ofício, a falta de intimação do sujeito passivo sobre as irregularidades apuradas durante a ação fiscal, caso a autoridade autuante entender desnecessário tal procedimento. ACÓRDÃO nº 10421003, julgado em 13/09/2005: PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Por ter o procedimento fiscal natureza inquisitória, não se aplica nessa fase o direito ao contraditório e à ampla defesa. Somente após cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, pode o contribuinte impugnar a exigência, devendo para tanto serlhe franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa. Verificandose que o auto de infração e seus anexos permitem ao autuado amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 196 9 portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há falar se em cerceamento do direito de defesa. Com efeito, se a recorrente pretendesse contraditar o laudo técnico ou sua complementação, inclusive formulando quesitos, haveria momento adequado para fazêlo, ex vi do já mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Merece destaque, ademais, o fato de que o despachante aduaneiro credenciado acompanhou a coleta de amostras das mercadorias e teve ciência da solicitação de perícia (fl. 21). Noutro giro, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de perícia. Conforme se extrai do voto condutor do acórdão recorrido, o órgão julgador de piso considerou que não havia justo motivo para o deferimento da realização da instrução complementar e descreveu pormenorizadamente os fundamentos que conduziram a tais conclusões. Confirase excerto: 0 contribuinte requer a conversão do julgamento em diligência ao Labana/8a RF e/ou ao Instituto Nacional de .Tecnologia/RJ para que esses órgãos se manifestem sobre as conclusões contidas nos laudos técnicos oficiais, que embasaram a lavratura dos autos de infração, em comparação com os laudos elaborados pelo seu perito assistente. 0 contribuinte formulou quesitos, no item 7.3 da peça de defesa (nas fls. 67/68), que requer sejam respondidos pelos referidos órgãos, indicando o seu perito e respectivo endereço no item 7.4 (fl. 68). Ocorre que já existe nos autos informação suficiente para a correta classificação fiscal do produto em tela na Nomenclatura Comum do Mercosul como se verificará na abordagem da questão de mérito deste acórdão. Desta forma, como as respostas aos quesitos nada acrescentariam para a solução do litígio, indefiro o pedido requerido pela impugnante, nos termos do art. 28, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, e do art. 29 do Decreto n° 70.235/72. Da mesma forma, embora a peça impugnatória tenha sido enfática quanto à necessidade de complementar a instrução do processo, entendo que não se logrou êxito em demonstrar a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 197 10 Peço licença para transcrever a interpretação de James Marins2 acerca do conteúdo do dispositivo acima transcrito: “... cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade.” (os grifos não constam do original) Rejeito as preliminares, portanto. 2 Mérito 2.1 Classificação Fiscal 2.1.1 – Produto denominado SANDOLUB NVJ ZP Fisco e sujeito passivo estão assentes que o produto em discussão deve ser classificado na subposição 3404.90, assim desdobrada: 3404 CERAS ARTIFICIAIS E CERAS PREPARADAS 3404.90 Outras 3404.90.1 Ceras artificiais 3404.90.2 Ceras preparadas O dissenso, com efeito, está na fixação do item correto e subitem que melhor classificaria a mercadoria: o Fisco defende que o produto se trata de uma cera artificial (item 3404.90.1) e o sujeito passivo, de uma cera preparada (item 3404.90.2) . Notar que não foi trazido ao processo esclarecimentos acerca dos motivos que descaracterizariam as conclusões da perícia oficial. Aliás, em sua conclusão, o estudo técnico chega a ser contraditório. Confirase: a) o produto denominado comercialmente "SANDOLUB NVJ", tratase de uma cera artificial à base de Amida Graxa Quaternizada, de caráter catiônico (derivado de Amida de Acido Graxo Catiônico); parafina e cera de polietileno modificada; Ou seja, embora seja contundente em indicar a classificação que entende cabível, a perícia apresentada pela impugnante, não esclarece, os critérios que lhe levariam a divergir da identificação obtida a partir do laudo do Labana. Julgo aplicável, portanto, a presunção consignada no caput do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem assim a restrição consignada no seu parágrafo 1º: 2 Direito Processual Tributário. São Paulo. 2005, Dialética, 4ª Edição, p. 279. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 198 11 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Como é possível extrair do texto legal, a classificação fiscal não representa matéria a ser solucionada pelo perito, mas pelo julgador. Da mesma forma, ausentes elementos que infirmem a convicção de que o produto SANDOLUB NVJ seria uma cera sintética, forçoso é ratificar a classificação proposta pelo Fisco. 2.1.2 – Produto denominado SANDOZIN EH IP LIQ No que se refere ao produto SANDOZIN EH IP, o dissenso entre o Fisco e o Sujeito Passivo é travado nos seguintes termos: O importador afirma que o produto é uma preparação tensoativa à base de éster de ácido fosfórico e sulfonato de diarileteralquil sódio (agentes orgânicos de superfície), passível de classificação na posição 3402, enquanto que o Fisco, baseado nas informações coletadas pela perícia oficial. Em sentido oposto, afirma a autoridade fiscal que os exames realizados afastam o enquadramento na posição pretendida, pois, para efeito de classificação nos termos do Sistema Harmonizado, o produto só seria um agente orgânico de superfície se, após misturado com água, originassem uma solução estável, sem separação da matéria insolúvel. Assim, restando demonstrado, por meio dos competentes exames laboratoriais, que o produto não se dissolve em água, não haveria como promover o enquadramento no código pretendido. De se relembrar, à esta altura, o que dizem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, em especial a regra nº 1 (original não destacado): 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. Igualmente úteis são as Notas Explicativas do SH atreladas a tal regra 1(os destaques não constam do original): III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 199 12 b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificarse na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Conseqüentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). Por outro lado, como exposto no acórdão recorrido, não foi localizado subitem mais específico para enquadramento da mercadoria, daí porque, demonstrase cabível que se aplique a posição 3824, assim descrita: 3824 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES Ademais, em face da impossibilidade de enquadramento em outra subposição, correta é a aplicação da subposição 3824.90 (Outros). Dentre os desdobramentos dessa subposição, em face de tratarse de uma preparação à base de compostos orgânicos, correta é a classificação no item 3824.90.8. Finalmente, dentre os desdobramentos desse item, em face da ausência de subitem específico, deve a mercadoria ser enquadrada no subitem 3824.90.89 (Outros) 2.2 Multa de 1% do Valor Aduaneiro Diz o art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 200 13 Como é de conhecimento geral, a aplicação de penalidade há que observar o princípio da tipicidade cerrada, que tem suas origens no Direito Penal. Sem a subsunção do fato à conduta especificada em lei, afastada estará a aplicabilidade da exigência. Nessa senda, analisando a descrição dos fatos consignados no auto de infração, posteriormente ratificados pelos i. julgadores a quo, vêse que, efetivamente, a classificação fiscal declarada encontravase eivada de erro. Por outro lado, a avaliação da tipicidade da conduta e, consequentemente, a aplicação de penalidade não pode olvidar da demarcação do bem jurídico protegido pela norma que a instituiu. Acerca desse conceito, leciona Mirabete3: “...o beminteresse protegido pela lei penal ou, como diz Nuvolone,‘o bem ou interesse que o legislador tutela, em linha abstrata de tipicidade (fato típico), mediante uma incriminação penal’”. Acerca dessa demarcação, interessante trazer à colação manifestação do Superior Tribunal de Justiça nos autos do HC nº 50.863/PE4: HABEAS CORPUS. PECULATO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL: ATIPICIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. BEM JURÍDICO TUTELADO: A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE. ORDEM DENEGADA. 1. A missão do Direito Penal moderno consiste em tutelar os bens jurídicos mais relevantes. Em decorrência disso, a intervenção penal deve ter o caráter fragmentário, protegendo apenas os bens jurídicos mais importantes e em casos de lesões de maior gravidade. Se cada penalidade tutela interesse distinto, ainda que se demonstrasse que uma mesma conduta estaria sendo penalizada concomitantemente por penalidades diversas, se, efetivamente, bens jurídicos diversos foram afetados, incidiuse em tipos distintos. Trazendo tal raciocínio para a penalidade que ora se analisa, mostrase evidente, a meu ver, que o bem jurídico por ela tutelado é o próprio controle aduaneiro, ameaçado pela indicação de classificação fiscal errônea, ou, se fosse o caso, pela falha na definição de outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, ainda que tal inexatidão não produza qualquer conseqüência sobre o recolhimento de tributos ou controle administrativo das importações. Por esse mesmo motivo, é perfeitamente válida a sua convivência com as penalidades atreladas àqueles outros “bens” juridicamente relevantes. Ademais, o § 2º do já transcrito art. 84 da MP 2.15835, é taxativo: 3 Mirabete, Júlio Fabbrinni. Manual de Direito Penal. São Paulo. Atlas, 19ª ed. 2003, p. 126 4 Min. Hélio Quaglia Barbosa, DJ de 26.06.2006. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 201 14 §2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades Por outro lado, a infração tipificada não exige a presença do intuito doloso ou máfé para sua configuração. Tratase, portanto, de falha formal ou de mera conduta, penalizada independentemente da intenção do agente ou do resultado produzido. A esse respeito, cabe relembrar que a configuração da responsabilidade por infração à legislação tributária, regra geral, não está sujeita à avaliação da intenção do agente, a teor do comando inserido no art. 1365 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966). Não se verifica, portanto, como acatar a pretensão de excluir a presente multa. O fato se subsume à norma e não existe circunstância capaz de excluir a exigência. 2.3 – Multa de Mora A incidência de multa de mora encontrase disciplinada no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, que reza: Art. 61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Como é possível perceber, a pretensão de afastar a incidência de multa de mora até o encerramento do processo administrativo fiscal esbarra na disposição literal do parágrafo 1º acima transcrito. Ou seja, não havendo o pagamento na data do vencimento, no caso, na data do registro da DI, cabível é o acréscimo legal. 2.4 – Juros de Mora Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário, nem muito menos como pretender dar as multas tributárias tratamento diverso. 5 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 202 15 Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim sendo, penso que a pesquisa da natureza dessa cobrança pouca relevância assume para a solução do litígio. Tratase de exigência prevista em lei cuja constitucionalidade vem sendo pacificamente reconhecida por nossas cortes superiores. Importante frisar, finalmente, que a discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusão Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004242/200575 Acórdão n.º 3102001.455 S3C1T2 Fl. 203 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10814.009684/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 29/10/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/09378316, em 29/10/2003 (fls. 6/10), no valor de R$ 2.408,57 (Dois mil, quatrocentos e oito reais e cinqüenta e sete centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 47/48), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 29/10/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/09378316, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 28/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.408,57 (dois mil, quatrocentos e oito reais e cinqüenta e sete centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 27 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009684/200515 Acórdão n.º 310200.984 S3‐C1T2 Fl. 175 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 51). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 51). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já menèt6nado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 52/53 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 INDEFERIMENTO PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 54/57). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 61/75, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 61/75 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009684/200515 Acórdão n.º 310200.984 S3‐C1T2 Fl. 176 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001(REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n°9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009684/200515 Acórdão n.º 310200.984 S3‐C1T2 Fl. 177 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002636/2003-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997, 1998, 2000, 2001, 2002, 2003
NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Sendo analisados todos os pontos questionados pelo contribuinte de acordo com a convicção e entendimento dos julgadores da DRJ, não há nulidade na decisão recorrida.
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO QUANTO AO PERÍODO DE 1997 (janeiro a novembro).
A Cofins tem como fato gerador o período mensal. Com isso, segundo os termos do artigo 173, inciso I, do CTN, há que reconhecer que houve a extinção do direito do fisco constituir os tributos relativos ao ano de 1997 (janeiro a novembro), considerando a data do lançamento de 9 de dezembro de 2003. Aplicação d o disposto no Recurso Especial com efeitos repetitivos nº 973.733/SC.
IMUNIDADE. COFINS. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO EXPRESSA PELO ATO DECLARATÓRIO Nº 5-G/2003. NÃO ALCANCE.
O fundamento do lançamento feito pela fiscalização em relação à Cofins, objeto desse processo, se deu sob a égide do Ato Declaratório nº 5-G/2003, sendo caso de nulidade material, visto que não é objeto do AD nº 5-G/2003, a suspensão da imunidade da Cofins.
RECEITAS DE ALUGUERES. ENTENDIMENTO DO STF. APLICABILIDADE.
O STF (RE nº 237.718/SP) e esse Tribunal Administrativo tem entendimento consolidado de que a receita de aluguel é abrangida pela imunidade em relação às contribuições sociais, desde que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais, o que ocorreu no presente caso.
INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, INCISO I, DA Lei nº 9.718/98. OUTRAS RECEITAS.
O STF decidiu de forma definitiva pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins (artigo 3º, inciso I, da Lei nº 9.718/98), aplicável à outras receitas que não seja o faturamento, para o período de 1997 a 2002.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101-000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos-calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anos-calendário de 2001 a 2003.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Sendo analisados todos os pontos questionados pelo contribuinte de acordo com a convicção e entendimento dos julgadores da DRJ, não há nulidade na decisão recorrida. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO QUANTO AO PERÍODO DE 1997 (janeiro a novembro). A Cofins tem como fato gerador o período mensal. Com isso, segundo os termos do artigo 173, inciso I, do CTN, há que reconhecer que houve a extinção do direito do fisco constituir os tributos relativos ao ano de 1997 (janeiro a novembro), considerando a data do lançamento de 9 de dezembro de 2003. Aplicação d o disposto no Recurso Especial com efeitos repetitivos nº 973.733/SC. IMUNIDADE. COFINS. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO EXPRESSA PELO ATO DECLARATÓRIO Nº 5G/2003. NÃO ALCANCE. O fundamento do lançamento feito pela fiscalização em relação à Cofins, objeto desse processo, se deu sob a égide do Ato Declaratório nº 5G/2003, sendo caso de nulidade material, visto que não é objeto do AD nº 5G/2003, a suspensão da imunidade da Cofins. RECEITAS DE ALUGUERES. ENTENDIMENTO DO STF. APLICABILIDADE. O STF (RE nº 237.718/SP) e esse Tribunal Administrativo tem entendimento consolidado de que a receita de aluguel é abrangida pela imunidade em relação às contribuições sociais, desde que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais, o que ocorreu no presente caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 26 36 /2 00 3- 66 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, INCISO I, DA Lei nº 9.718/98. OUTRAS RECEITAS. O STF decidiu de forma definitiva pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins (artigo 3º, inciso I, da Lei nº 9.718/98), aplicável à outras receitas que não seja o faturamento, para o período de 1997 a 2002. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da Associação Nóbrega, entidade sem fins lucrativos, Cofins dos anos de 1997 a 2000, considerando eventuais divergências de valor escriturado e declarado/pago, haja vista que nesse período a entidade possuía certificado de beneficência com isenção dos tributos federais, bem como exige da entidade o recolhimento de Cofins dos anos de 2001 a maio/2003, sob supostas receitas de aluguéis, que não estariam abrangidas pela isenção. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 3 3 O auto de infração foi lavrado em 09 de dezembro de 2003, em razão da expedição de Ato Declaratório nº 5G/2003, expedido em 13 de maio de 2003, suspendendo a isenção da entidade quanto ao IRPJ. Portanto, esse lançamento fiscal em julgamento decorre de duas situações, a primeira a decorrência da suspensão da isenção da entidade, haja vista tratarse de entidade de assistência social (período de 1997 a 2000) e por outro lado a natureza jurídica das receitas de aluguéis da entidade, que o fisco apenas desqualificou os rendimentos recebidos afirmando que não estaria abrangida pela isenção por não ser receita da atividade da entidade (período de 2001 a maio/2003). A entidade apresentou impugnação ao lançamento, sendo que a DRJ manteve integralmente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 Intimada da decisão em 03 de março de 2005, inconformada, a entidade apresentou Recurso Voluntário em 1º de abril de 2005, portanto dentro do prazo legal, alegando: a) Conquanto tenha, a Recorrente, trazido a debate, questões concernentes: (i) a incidência da COFINS, no período de 2001/2003, sobre fontes de recursos de aluguéis, os quais encontramse albergados pela imunidade tributária a que faz jus a Recorrente; (ii) o fato de que o crédito tributário, relativo à COFINS, deveria ter sido constituído tomandose por base apenas os valores decorrentes das possíveis incorreções apontadas no RELATÓRIO FISCAL; (iii) a ausência de base de cálculo que possibilite a mensuração do crédito tributário relativo à COFINS, em face da inexistência de finalidade lucrativa e, portanto, de "faturamento"; (iv) não exclusão dos valores que não integram a base de cálculo da contribuição, por não corresponderem a ingresso de "receita"; referidas questões não foram se quer apreciadas pela D. Autoridade Julgadora; b) Essa omissão da D. Autoridade Julgadora assume especial relevância no âmbito do processo administrativo, uma vez que a Recorrente tem o direito de ver apreciada a matéria sob a qual apresenta fatos e fundamentos capazes de tornarem ineficaz o ato administrativo, numa clara alusão ao princípio da ampla defesa; c) Dos fatos apresentados pela Recorrente e sobre os quais a D. Autoridade Julgadora se absteve de enfrentamento, dois deles importam na redução do valor da COFINS supostamente devida em: R$ 1.390.069,02 , em decorrência da exclusão das rendas obtidas com aluguéis amparadas pela imunidade tributária; R$ 1.795.679,43 , por falta da exclusão dos valores de assistência social e educacional da base de cálculo; d) É posicionamento desse Colendo Conselho que a decisão, além de precisa e limitada, deve ser completa, sendo nula a que deixou de decidir a impugnação nos precisos limites em que foi suscitada. Logo, deve ser anulada a decisão de primeiro grau que não se manifesta, expressamente, sobre argumento trazido pela impugnante, mormente quando o argumento contém fortes indícios de veracidade estampados em documentos anexados aos autos; e) A doutrina, a jurisprudência desse Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais e as jurisprudências dos tribunais são uníssonas quanto ao prazo decadencial para lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS que é de 5 (cinco) anos, conquanto entenda a D. Autoridade Julgadora de forma diferente; f) Portanto, em face do perecimento do direito à constituição do crédito tributário dessa contribuição, restam insubsistentes os valores apontados no auto de infração para a exigência da COFINS relativo ao ano de 1997, razão pela qual deve ser cancelado; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 4 5 g) A própria Autoridade Julgadora reconhece a finalidade não lucrativa da Recorrente, ao julgar o processo 18471.000221/200277, que cuidou da suspensão da imunidade tributária do IRPJ; h) Ademais, os Órgãos Públicos responsáveis pela condução da política de assistência social no Pais, reconheceram e atestaram que a Recorrente é entidade beneficente de assistência social, conforme se verifica dos certificados e titulações contidas nos autos; i) A imunidade tributária, albergada na Constituição, se refere a espécies normativas distintas: imunidade de impostos (art. 150, VI, "c", da CF) e imunidade de contribuições sociais (art. 195, § 7°, da CF); j) Para a fruição da imunidade tributária das contribuições sociais (dentre ela, a COFINS), mister se faz que a entidade não tenha finalidade lucrativa e que preste assistência social gratuita aos mais necessitados (beneficência); k) A circunstância de a Recorrente mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não descaracteriza e nem lhe retira a condição de beneficente; 1) A necessidade de remuneração pelos serviços prestados é condição inerente à própria norma imunizante, sob pena de perder o sentido de sua previsão. Se a Recorrente não gera receita através de sua finalidade não exterioriza hipótese plausível de tributação, o que derroca a finalidade da norma de atribuição de imunidade tributária; m) Falece ao Ilustre Julgador, capacidade e competência para desconstituir títulos e certificados de modo a modificar, unilateralmente, as suas finalidades essenciais que são de dar reconhecimento às instituições (como a Recorrente) que prestam serviços à coletividade no desenvolvimento de atividades de interesse público; n) A Recorrente demonstrou que presta serviços educacionais e de assistência social beneficente, cumprindo integralmente os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional. Mantém escrita absolutamente regular, que demonstra a inexistência de distribuição de excedentes ou lucro, a integral aplicação de seus recursos em suas próprias atividades; a inexistência de remessa de renda para o exterior. Além disso, segundo seus estatutos, dá se a afetação perene dos bens, renda e patrimônio da Entidade aos fins educacionais e assistenciais, como órgão de colaboração com o Estado. Tratase, pois, de uma instituição beneficente, sem fins lucrativos, educacional, filantrópica e de assistência social, que exerce função de interesse público, portanto, faz jus à imunidade tributária das contribuições sociais contida no art. 195, § 7º da CF/88; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 o) Os julgados trazidos à colação pela Ilustre Autoridade Julgadora, ao contrário do pretendido, atestam e corroboram a condição da Recorrente, qual seja: ser uma entidade beneficente de assistência social de fato e de direito, estando ao amparo do ordenamento jurídico pátrio relativo à imunidade tributária das contribuições sociais, na qual se insere a COFINS; p) Conquanto haja sido declarada a suspensão do beneficio da isenção tributária, conforme ATO DECLARATÓRIO N. 05 G/2003, tal ato administrativo não retira da Recorrente suas finalidades essenciais, quais sejam servir ao bem comum, perseguindo objetivos públicos e promovendo o pleno desenvolvimento das pessoas, dandolhes os meios materiais e intelectuais para o exercício da cidadania. Reafirmamos que a Recorrente é, e sempre será, uma Instituição de Educação e Assistência Social sem fins lucrativos que exerce função de interesse público em colaboração com o Estado; q) O ato administrativo tem eficácia e vigência dentro do limite que o circunscreve, logo, ao declarar que fica "suspenso o beneficio de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ determinou, tãosomente, a suspensão da regra imunizante do IRPJ. Se o constituinte derivado e o legislador ordinário não podem ignorar as imunidades tributárias, por muito maior razão não poderá fazêlo o aplicador das leis tributárias, interpretandoas, a seu talante, de modo a costeálas. Assim, é incabível a extensão da suspensão da imunidade tributária relativa ao IRPJ para a COFINS; r) Estando ao amparo de medida judicial precedente à autuação fiscal, mister se faz que a tutela lhe concedida pelo Poder Judiciário tenha eficácia nos limites de seu pedido; s) Os juros SELIC não podem ser 'aplicados ao caso em tela, uma vez que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da Taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Este é o relatório! Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, cumpre destacar que a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 18471.000221/200277, analisou a questão da imunidade frente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica apenas. A Câmara Superior de Recursos Fiscais desse E. Tribunal, ao julgar a questão da imunidade da entidade, entendeu que apenas em 1998 não haveria a imunidade, porque a entidade não comprovou a aplicação de recursos em atividades assistenciais. Vejamos o que constou dos votos dos Conselheiros Leonardo Couto e Alexandre Jaguaribe, que foram mantidos pela CSRF: Voto do Conselheiro Leonardo Couto (...) O fato é que, para verificar se as doações efetuadas caracterizavam a atividade assistencial apregoada pela recorrente, foram expedidas intimações com vistas à apresentação dos comprovantes de aplicação dos recursos em atividades assistenciais e esses comprovantes não foram trazidos aos autos, com exceção da doação ao Colégio Loyola. No caso das doações feitas a pessoas físicas a situação é emblemática. Dentre os poucos documentos apresentados, consta um recibo de doação (fl. 94) indicando que o beneficiário pode dispor da doação como desejar. Penso que tal liberalidade não condiz com uma atividade supostamente assistencial. Outros recibos referemse a doação para tratamento de saúde, sem indicativo de preocupação em atestar se a verba foi efetivamente gasta desse modo. Alem do mais, a beneficiária é esposa de funcionário da instituição, comprometendo a suposta natureza assistencial da doação. Salientese que sequer pode ser argüido que a exigência de comprovação da aplicação dos recursos nos objetivos institucionais tenha sido estabelecido exclusivamente por lei ordinária. Tratase de dispositivo expresso no CTN e, corno tal, sem questionamentos quanto à aplicabilidade. Se a instituição fez a temerária opção de não exigir recibo dos beneficiários das doações, incorreu em risco de sua inteira responsabilidade. Pelo exposto, não ficou comprovada a aplicação integral dos recursos nas finalidades essenciais da entidade, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. Voto do Conselheiro Alexandre Jaguaribe Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 A Câmara ficou divida, somente, no que tange ao último item tratado no Vencido, qual seja, no caso das doações feitas a pessoas físicas. Quanto ao mais, adoto o voto do Conselheiro Leonardo, como razões de decidir. Segundo o Voto Vencido, os motivos para negar provimento ao recurso, mantendo, por via de conseqüência, a suspensão da imunidade, residiriam: 01 no recibo de doação de fl. 94, que segundo o Eminente Relator, estaria a indicar que o beneficiário poderia dispor da doação como desejasse; 02 Em recibos referentes a doação para tratamento de saúde, sem indicativo de preocupação em atestar se a verba foi efetivamente gasta desse modo. Além do mais, a beneficiária é esposa de funcionário da instituição, fato que comprometeria a natureza assistencial da doação. A revisão dos autos, contudo, demonstrou que a recorrente efetuou centenas de operações do mesmo tipo, todas corretamente identificadas e comprovadas. Dentro desse universo, um recibo não identificou a finalidade da doação, todavia, resta evidenciado que a recorrente, antes de fazer qualquer doação efetua uma pesquisa sócioeconômica e de necessidade, por meio de Assistentes Sociais, que atestam a premência do auxilio o qual, via de regra, sempre é de pequena monta, digase de passagem. Dentro dessa linha, verificase, também, que o trabalho diuturno das Assistentes Sociais, ao acompanhar e aferir a necessidade da Instituição atender e/ou auxiliar A ou B, acaba por suprir, por via transversa, a observação colocada pelo Conselheiro Leonardo de que não havia comprovação de que os recursos estariam sendo usados para o fim colimado – dado que grande parte dos atendidos retorna à instituição no sentido de solicitar novo atendimento, quando então é feito o acompanhamento acerca da efetividade ou não do auxilio prestado. Quanto ao fato de uma das atendidas ser esposa de funcionário, a meu sentir, tal fato não desnatura o auxilio ou a Própria necessidade dele, e, nem tampouco, o caráter assistencial da instituição. Certo é que a fiscalização não trouxe para os autos nenhuma prova do irregularidade apta a denotar qualquer desvio da natureza assistencial, dos trabalhos prestados pela ora recorrente. Notese, por derradeiro, que recorrente reconhecida e comprovadamente presta relevantes serviços assistenciais, há muitos anos, assim pequenas irregularidades formais, eventualmente, apuradas e que são ate normais, dado o volume de atendimentos efetuados e a pequena estrutura administrativa da recorrente, não tem o condão de, por si só, suspender a imunidade tributária a que faz jus. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 6 9 Quando do Julgamento do Recurso Especial da Fazenda, a CSRF apresentou a seguinte decisão: Voto do Conselheiro Valmir Sandri (Vencido em parte) (...) Por outro lado, se este não for o entendimento desta E. Turma, voltase a questão de mérito, qual seja, a suspensão da imunidade tributária por infringência do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, e no art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Como se depreende dos autos, a suspensão da imunidade da instituição foi procedida pelo fato de ter sido constatado as seguintes irregularidades pela fiscalização: (a) irregularidades em transações de permuta, associação e alienação de imóvel; (b) gastos não ativados com construção; (c) omissão de receitas; (d) a não consolidação dos resultados mensais de filiais; (e) empréstimos As filiais; (f) doações recebidas e efetuadas pela Interessada; (g) receitas de alugueres; (h) receitas de aplicações financeiras. Entretanto, entendo que de todas as irregularidades acima apontadas pela fiscalização, apenas uma pode ser levada em consideração para efeito de suspensão da imunidade tributária, qual seja, as doações efetuadas pela Interessada, eis que, nos termos do inciso II, do art. 14 do CTN e da alínea "b", do § 2°, art. 12 da Lei n° 9.532/97, é condição essencial para o gozo da imunidade a aplicação integral de seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, sendo que as demais irregularidades apontadas pela fiscalização não são motivos suficientes para suspender a imunidade da Interessada. Para uma melhor analise das irregularidades acima apontadas por parte desta E. Turma, tomo como minha, com a devida vênia, Declaração de Voto proferida pelo julgador Marcelo Franco de Matos, quando da decisão de primeira instância que tão bem apreciou as matérias aqui posta a apreciação, à luz da legislação que estabelece os requisitos para gozo da imunidade, a saber: art. 14 do Código Tributário Nacional (fatos ocorridos até 31/12/1997); e arts. 12 a 14 da Lei n° 9.532/1997 (fatos ocorridos após 01/1998), vejamos: "Das operações realizadas com o imóvel da Av. Paulista. Os itens 1 a 4 do Relatório Fiscal fazem menção aos seguintes fatos, supostamente irregulares parceria firmada entre a Interessada e a Construtora Romeu Chap Chap S.A., com vistas à construção de um prédio na Av. Paulista n° 2300; mediante permuta de fração ideal do terreno e respectivas edificações por área comercial a ser construída; associação feita posteriormente com as construtoras Monteiro de Barros e SLG; alienação de parte do prédio construído a PREVI pelo valor de R$ Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 55.787.008,48; e contabilização da importância de R$ 4.139.322,50 como lucro na venda do imóvel. A descrição dos fatos não esclarece, infelizmente, qual teria sido a infração cometida pela Interessada, nem especifica o dispositivo legal infringido. Dai porque acompanho o voto da Relatora, no sentido de desconsiderar as referidas operações como causa de suspensão da imunidade. Dos gastos não ativados. De acordo com o item 5 do Relatório Fiscal, a Interessada contabilizou corno despesa de construção o montante de R$ 4.711.774,65, tendo efetuado ainda pagamentos a terceiros, no valor total de R$ 2.048.915,55, que deveriam ter sido ativados. 0 fato de a Interessada haver contabilizado como despesa gastos que deveriam ter sido ativados pode atentar, talvez, contra a boa técnica contábil. Tratase de erro, todavia, que não justifica a medida extrema da suspensão da imunidade, até porque a entidade não omitiu a realização dos gastos, nem mascarou sua natureza jurídica. Cometeu, simplesmente, uma falha de contabilização, que não chega a comprometer a validade de sua escrituração, nem retira sua confiabilidade. Tanto é assim, que a própria Fiscalização, em momento posterior, utilizou a referida escrituração como base para a apuração do lucro real. Por conta de tais razões, penso que o referido erro contábil deve ser desconsiderado, para efeitos de suspensão da imunidade. Da omissão de receitas. Conforme descrito no item 6 do Relatório Fiscal, a Interessada alugou parte do imóvel situado na Av. Paulista para as pessoas jurídicas Regus do Brasil e Telesp, pagando corretagem, no caso, à empresa Predium Consultoria e Planejamento Imobiliário Ltda. Segundo afirma a Fiscalização, a Interessada teria contabilizado como receitas de alugueis apenas os valores líquidos recebidos das locatárias, omitindo de sua contabilidade as corretagens pagas. Os esclarecimentos prestados para a Interessada, no caso em questão, me parecem suficientes para descaracterizar a acusação fiscal de omissão de receitas. Dai porque acompanho o voto da Relatora, nos seus fundamentos e nas suas conclusões. Da falta de consolidação dos resultados mensais. Conforme descrito nos itens 7 e 8 do Relatório Fiscal, a Interessada mantinha contabilidade descentralizada, mas não consolidava os resultados mensalmente na matriz, fazendoo apenas ao fim de cada exercício, em desacordo, portanto, com o que determina o art. 252 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26/03/1999. Penso que há, aqui, Um rigor excessivo da Fiscalização. A obrigação de consolidar os resultados mensalmente na matriz, a que se refere o art. 252 do RIR/1999, só se aplica As pessoas Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 7 11 jurídicas contribuintes do imposto de renda, e, mais especificamente, àquelas tributadas com base no lucro real. No presente processo, não há que se falar em legislação do imposto de renda, nem sequer em apuração de lucro real, vez que estamos numa fase de investigação anterior, cujo objeto limita se a verificação do cumprimento das condições para gozo da imunidade. O que cabe verificar aqui, portanto, é apenas e tão somente, se a empresa mantém escrituração completa de suas receitas e despesas, em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão (art. 14, inciso III, do Código Tributário Nacional; art. 12, § 2°, alínea "c", da Lei n° 9.532/1997). Poderseia dizer que a obrigação de consolidar, periodicamente, na matriz, os resultados das filiais é um imperativo de transparência gerencial, aplicável a qualquer entidade que opte por manter contabilidade descentralizada. Poderseia argumentar, também, que a inexistência de consolidação dos resultados, na matriz, cria sérias dificuldades para o procedimento de auditoria fiscal, sobretudo quando se trata de uma instituição de grande porte, com muitas filiais. Correto. Nada disso se discute. O que apenas se afigura excessivo, no presente caso, é obrigar a Interessada a incorporar, mensalmente, os resultados de suas filiais, quando é certo que já o faz ao final de cada exercício. Ora, se até mesmo as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real têm a faculdade de apurar o resultado com periodicidade anual, livrandose da onerosa obrigação de levantar balancetes mensais ou trimestrais, com mais razão penso que não se deva impor tal castigo às entidades imunes. De mais a mais, o art. 2° da Lei n° 2.354, de 29/11/1954, base legal do art. 252 do RIR/1999, fala, apenas, em incorporação dos resultados na matriz, sem mencionar, em momento algum, que tal procedimento deva ser feito a cada mês. Por conta de tais razões, penso que os fatos acima referidos devem ser desconsiderados, para efeitos de suspensão de imunidade. Dos empréstimos às filiais. No item 9(A) do Relatório Fiscal, apontase como irregularidade o fato de a Interessada fazer e receber doações no âmbito da própria entidade. Os esclarecimentos prestados pela Interessada, no caso em questão, me parecem suficientes para demonstrar que as referidas operações consistiam em simples transferências entre contascorrentes de mesma titularidade, não havendo qualquer indicio de que os recursos tenham sido desviados das finalidades essenciais da entidade. No item 10 do mesmo relatório, a Fiscalização questiona, ainda, empréstimos concedidos pela matriz à sua filial de São Paulo, mediante cobrança de juros. Tampouco aqui vislumbro qualquer irregularidade que justifique a suspensão de imunidade da Interessada. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 Acompanho, pois, o voto da Relatora, nos seus fundamentos e nas suas conclusões. Das doações efetuadas a outras pessoas jurídicas. No item 9(B) do Relatório Fiscal, questionamse diversas doações realizadas pela Interessada, no ano de 1998, em beneficio de outras pessoas jurídicas. Segundo afirma a Fiscalização, a impugnante não exigiu das entidades beneficiárias documentação comprobatória da destinação das verbas doadas, apesar de tal procedimento estar previsto nas cláusulas dos respectivos convênios. A preocupação do Fisco é justificável. Em se tratando de doações realizadas em proveito de outras pessoas jurídicas, penso que seja dever da Interessada zelar pela correta destinação dos recursos doados, assegurandose de que foram efetivamente empregados nos fins pretendidos. Não se está, aqui, a questionar a idoneidade de nenhuma das entidades beneficiárias das doações. A questão está em assegurar a transparência dos procedimentos. Fosse a Interessada uma sociedade com fins lucrativos, contribuinte do imposto de renda, poderia doar recursos a quem bem quisesse, e o Fisco nada teria a ver com isso. Sendo, no entanto, uma entidade imune de impostos, é seu dever prestar contas A. sociedade dos dinheiros que distribui. Afinal, é esta sociedade que, em última análise, lhe confere a referida imunidade. Pois bem. Examinando os documentos acostados aos autos, verifico que a Interessada comprovou, apenas parcialmente, a destinação dada aos recursos doados a pessoas jurídicas, no ano de 1998. Por tais razões, penso que desatendeu ao requisito previsto no art. 12, § 2°, alínea "d", da Lei n° 9.532/1997. Das transferências contabilizadas como donativos. No item 9(C) do Relatório Fiscal, questionamse diversos valores registrados como donativos. Intimada a prestar esclarecimentos, a Interessada alegou que os referidos valores foram contabilizados erroneamente, já que representavam simples transferências feitas pela matriz As filiais. Os elementos coligidos na ação fiscal sugerem, mais uma vez, tratarse de simples erro de escrituração contábil, nada havendo nos autos que revele utilização de recursos fora dos objetivos institucionais da impugnante. Da doação recebida do Colégio Loyola. Conforme descrito no item 9(D) do Relatório Fiscal, a Interessada teria deixado de comprovar uma doação recebida do Colégio Loyola, no valor de R$ 245.000,00. Os documentos acostados aos autos parecemme suficientes para comprovar a lisura dos procedimentos contábeis da Interessada. Acompanho, pois, o voto da relatora, para desconsiderar a referida doação como causa de suspensão da imunidade. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 8 13 Das doações efetuadas a associados e/ou dirigentes. Segundo afirma a Fiscalização, no item 9(E) do Relatório Fiscal, as doações feitas pela Interessada nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000 são consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, infringindo desta maneira o art. 13, parágrafo único, da Lei n° 9.532/1997. A descrição dos fatos não esclarece, infelizmente, que despesas ou doações foram essas. Não especifica, tampouco, quando é que foram feitas. Nem mesmo identifica os supostos beneficiários, e sua ligação com a entidade. Na falta de tais elementos, penso que a Interessada está impossibilitada de realizar eficientemente a sua defesa. Daí porque desconsidero as doações acima referidas, como causa de suspensão de imunidade. Das doações feitas a pessoas físicas. Conforme descrito no item 9 (F) do Relatório Fiscal, a Interessada teria deixado de comprovar doações feitas a pessoas físicas, no ano de 1998. A impugnante alega que as doações eram realizadas em proveito de pessoas carentes, mas confessa que não exigia qualquer recibo dos beneficiários. A entidade imune tem todo o direito, e porque não dizer o dever; de auxiliar os carentes e necessitados. Pode, pois, e deve, oferecer bolsas de estudo, custear tratamentos médicos, financiar a construção de moradias e tudo o mais que contribua para a minoração das desigualdades sociais. Não pode perder de vista, entretanto, que deve prestar contas á sociedade, afinal é uma entidade imune de impostos. Neste sentido, tem a obrigação de manter um mínimo de controle sobre as doações que promove. Para tanto, não basta que as doações estejam escrituradas. E preciso, também, que a instituição doadora identifique os beneficiários, com nome e endereço, exijalhes recibo, e especifique, claramente, a finalidade da doação. Só assim poderá o Fisco, em nome da sociedade, certificarse de que os recursos doados foram bem empregados. Pois bem. Examinando os documentos acostados aos autos, verifico que a Interessada não comprovou, satisfatoriamente, a destinação dada aos recursos doados a pessoas físicas, no ano de 1998. Por tais razões, penso que desatendeu ao requisito previsto no art. 12, § 2°, alínea "d", da Lei n° 9.532/1997. Das doações feitas ao Colégio Loyola. Conforme descrito no item 11 do Relatório Fiscal, a Interessada transferiu a titulo de doação, para o Colégio Loyola, os seguintes valores: R$ 380.000,00, em 05/06/1998, e R$ 200.000,00, em 10/06/1998. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 Segundo apurado na ação fiscal, a referida importância foi empregada na aquisição de um imóvel situado na Rua Sinval de Sá, nº 700, em Belo Horizonte, imóvel este que acabou sendo cedido à Associação Pedro Arrupe. Segundo afirma a Fiscalização, o Colégio Loyola é uma entidade que tem superavit em suas contas, valores expressivos aplicados no mercado financeiro, efetuando, além disso, comercialização de produtos. Examinando os documentos acostados aos autos, não percebo, sinceramente, nenhuma irregularidade que justifique a suspensão da imunidade. O fato de o Colégio Loyola possuir superávit em suas contas, ou de aplicar recursos no mercado financeiro, ou mesmo de comercializar produtos relacionados com suas atividades educacionais, não desqualificam a doação realizada pela Interessada. De mais a mais, em nenhum momento restou demonstrada pelo Fisco, a utilização do imóvel em atividades estranhas às finalidades assistenciais que são a marca da Associação Pedro Arrupe. Dos rendimentos de aluguéis. Conforme descrito nos itens 12 e 13 do Relatório Fiscal, a Interessada cedeu parte do imóvel situado na Av. Paulista, em troca de salas comerciais, com o objetivo de arrecadar receitas de aluguel. No entendimento da Fiscalização, teria havido, aí, desvio das finalidades educacionais e sociais da entidade. Também aqui, não me parece haver motivo que justifique a suspensão da imunidade da Interessada. Se uma entidade imune, por variadas razões, não consegue dar a um determinado imóvel a destinação institucional que lhe é própria, nada lhe impede que o aluguel, temporariamente, a fim de obter renda. Problema haveria, sim, se a entidade utilizasse todo o seu patrimônio, ou boa parte dele, na atividade especulativa. Este, todavia, não parece ser o caso, ou, pelo menos, nada ficou comprovado a tal respeito. Das aplicações financeiras. Segundo afirma a Fiscalização, no item 13 do Relatório Fiscal, apenas 55% da receita bruta da entidade advêm de mensalidades escolares, sendo o restante proveniente de outras fontes, inclusive aplicações financeiras. O art. 159, § 4°., da Constituição Federal de 1988 limita, de fato, o alcance da imunidade das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos aos rendimentos relacionados com suas finalidades essenciais. Isto não significa, porém, que tais instituições estejam impedidas de aplicar seus recursos no mercado financeiro, até porque, não fosse assim, tais instituições estariam praticamente condenadas à extinção. A interpretação que se deve dar ao dispositivo constitucional, segundo penso, é no sentido de segregar os rendimentos das aplicações financeiras das demais receitas relacionadas com as finalidades essenciais. Ou seja, a entidade não deixa de ser imune pelo fato de aplicar no mercado financeiro. Simplesmente os rendimentos de tais aplicações financeiras serão tributados, corno ocorreria com qualquer outra pessoa jurídica (art. 12, § Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 9 15 1°, da Lei n° 9.532/1997). As demais rendas, auferidas em razão da atividade, permanecem ao abrigo da imunidade. O fato é que, para verificar se as doações efetuadas caracterizavam a atividade assistencial apregoada pela recorrente, foram expedidas intimações com vistas à apresentação dos comprovantes de aplicação dos recursos em atividades assistenciais e esses comprovantes não foram trazidos aos autos, com exceção da doação ao Colégio Loyola." O fato é que, tanto para as doações efetuadas no ano calendário de 1998 pela Interessada as pessoas jurídicas, como para as pessoas físicas, não houve a devida comprovação das doações efetuadas. Ao contrário, o que se vê dos documentos acostados aos autos é que a instituição não tomou o devido cuidado em justificar e documentar as doações efetuadas, contrariando, portanto, os dispositivos legais para o gozo da imunidade. Pelo acima exposto, sou pelo provimento PARCIAL do Recurso Especial da D. Procuradoria, to somente para restabelecer a suspensão da imunidade da Interessada relativo ao ano calenddrio de 1998. Voto da Conselheira Susy Hofmann (Vencedor) QUANTO A PRELIMINAR O eminente Conselheiro relator restou vencido em relação à preliminar por ele suscitada de oficio. Designada para redigir o voto vencedor, no ponto, passo a expor o meu posicionamento. Impõese, aqui, a analisar a existência de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade em trâmite no STF, que dizem com o tema ora em julgamento, uma das quais foi objeto de análise pelo nobre relator, de cujas conclusões a turma discordou. Com efeito, estão a tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADI.n° 1802, protocolizada no ano de 1998, que questiona a constitucionalidade dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n° 9.532/1997, e a ADI n° 4021, protocolizada em 2008, tendo como objeto a declaração de inconstitucionalidade do artigo 32 da Lei n° 9.430/96. Temse, assim, o seguinte panorama: a) ADI n° 1802: em 27/08/1998, o Tribunal, por unanimidade, deferiu parcialmente o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão definitiva da ADI, a vigência do §1° e alínea "f' do §2°, ambos do artigo 12, do artigo 13, "caput", e do artigo 14, todos da Lei n° 9.532/97. b) ADI n° 4021: diante do pedido de medida cautelar, o relator, Min. Eros Grau, entendeu por bem aplicar o artigo 12 da Lei n° 9.868/99, a fim de submeter o processo diretamente ao Tribunal, Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 tendo em vista a relevância do caso. Ainda, em face da alegação do autor da ação de conexão com a ADI n° 1802, acima referida, submeteuse à consideração do Presidente do STF no que tange à eventual necessidade de redistribuição do feito, por prevenção, ao relator desta ADI. Entendeuse, neste ponto, consoante despacho proferido em 27/08/2008, que não restou caracterizada a conexão, sob o fundamento de que as duas ações versam sobre dispositivos de leis diferentes. É de se ressaltar que, na ADI n° 4021, o STF ainda não apreciou o pedido de medida cautelar. A celeuma que se trava, diante disso, concerne à vigência ou não do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, diante do deferimento da medida cautelar no bojo da ADI 1802, suspendendose, dentre outros, o artigo 14 da lei n° 9.532/97. Este dispositivo legal tem a seguinte redação: Art. 14. A suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996. Poderseia depreender, de fato, desta circunstância que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, já que a ele se refere expressamente o artigo 14 suspenso, também estaria com a sua vigência sobrestada. Nesse sentido o voto ora vencido. Entretanto, tal entendimento é destituído de razão jurídica. Vejamos. Analisandose o voto do Min. Sepúlveda, à época relator da ADI n° 1802, o qual fora acolhido por unanimidade, temse que, tratando especificamente dos artigos 13 e 14 da Lei n° 9.532/97, e baseandose no entendimento já consolidado da Suprema Corte, entendeu, em juízo provisório, que a suspensão da imunidade tributária, nos termos do disposto no artigo 13, aplicável sob a forma de sanção ao sujeito passivo que "houver contribuído para a prática do ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária (..)" extrapolaria os lindes legítimos de regulação por lei ordinária de matéria atinente a imunidade tributária. Destarte, nessa esteira, partindose do pressuposto da inconstitucionalidade do artigo 13, suspendeuse, também, o artigo 14, que se liga umbilicalmente àquele dispositivo, e sem o qual não haveria razão de existir. De fato, afigurase, neste ponto, não obstante não expresso neste sentido o voto do ilustre ministro, uma verdadeira "inconstitucionalidade por arrastamento", aquela em que "a dependência ou interdependência normativa entre os dispositivos de uma lei pode justificar a extensão da declaração de inconstitucionalidade a dispositivos constitucionais mesmo nos casos em que estes não estejam incluídos no pedido inicial da ação". Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 10 17 Inconstitucionalidade, é de se enfatizar, "provisória", já que a norma encontrase com sua eficácia suspensa, em virtude de concessão de medida cautelar. Realmente, o artigo 14 não subsiste sem o artigo 13, de modo que a suspensão deste importa, inexoravelmente, a suspensão daquele. Sob esta perspectiva, temse, na medida cautelar, que o relator foi explicito, ao tratar do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, no seguinte sentido: "Essa Lei 9.430/96 prevê a 'suspensão' da imunidade tributária por falta de observância dos requisitos do art. 9º, §1°, e 14, do CTN, claramente enquadráveis no campo que vimos considerando facultado até à lei ordinária." E, cuidando do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, sob o prisma em que tal dispositivo determina a aplicação do artigo 32 da Lei n° 9.430/96 na hipótese de configuração dos pressupostos para a suspensão da imunidade tributária previstos no artigo 13 daquele diploma legal, adianta o seu juízo de inconstitucionalidade, externando que: "A norma agora impugnada, contudo, uma vez mais, instrumentaliza a suspensão da imunidade tributária como sanção dos ilícitos fiscais que ratio dizem com os pressupostos do beneficio constitucional" Vêse, com isso, que, inequivocamente, não se pode dizer que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 está com a sua vigência suspensa por força da suspensão do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, tão somente pelo fato de que este artigo faz referência àquele. Com efeito, o sobrestamento do artigo 14 da Lei n° 9.532/97 deuse em razão do juízo provisório de inconstitucionalidade que recaiu sobre o artigo 13 da mesma lei, o qual constituise em condição para a aplicação do artigo 14, e sem o qual este não subsistiria (conforme já exposto); é dizer, a suspensão da imunidade tributária que se reputou como ilegítima é aquela que tem como pressuposta a tipificação de uma infração á legislação tributária, consubstanciandose, portanto, numa verdadeira sanção; ressalvouse, de outro lado, expressamente, que a suspensão da imunidade sob o pressuposto da falta de preenchimento dos requisitos estabelecidos nos artigos 9°, §1°, e 14 do CTN, conforme regulado pela Lei n° 9.430/96, é dotada de compatibilidade constitucional. Ora, como se sabe, o efeito vinculante, em termos objetivos, que assoma de uma sua decisão, seja definitiva seja cautelar, sobretudo em sede de controle abstrato de constitucionalidade, que tem eficácia erga omnes, abrange não só a sua parte dispositiva, mas também os seus fundamentos determinantes, conforme se depreende da seguinte passagem do voto proferido pelo exministro Mauricio Corrêa, no âmbito da Reclamação n° 1.987 (DJU 21/05/2004): Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 18 "A questão fundamental é que o ato impugnado não apenas, contrastou a decisão definitiva proferida na ADI 1.662, como, essencialmente, está em confronto com seus motivos determinantes. A propósito, reportome à recente decisão do ministro Gilmar Mendes (RCL 2.126, DJ de 19/08/02) sendo relevante a consideração de importante corrente doutrinária, segundo a qual a 'eficácia da decisão do Tribunal transcende o caso singular, de modo que os princípios dimanados da parte dispositiva e dos fundamentos determinantes sobre a interpretação da Constituição devem ser observados por todos os Tribunais e autoridades nos casos futuros', exegese que fortalece a contribuição do Tribunal para preservação e desenvolvimento da ordem constitucional". Neste sentido, o ministro Gilmar Mendes diz que: "Como se vê, com o efeito vinculante pretendeuse conferir eficácia adicional a decisão do STF, outorgandolhe amplitude transcendente ao caso concreto. Os órgãos estatais abrangidos pelo efeito vinculante devem observar, pois, não apenas o conteúdo d aparte dispositiva da decisão, mas a norma abstrata que dela se extrai, isto é, que determinado tipo de situação, conduta ou regula cão e na apenas aquele objeto de pronunciamento jurisdicional é constitucional ou inconstitucional e deve, por isso, ser preservado ou eliminado. (...) Com a positivação dos institutos da eficácia erga omnes e do efeito vinculante das decisões proferidas pelo STF na ação declaratória de constitucionalidade e na ação direta de inconstitucionalidade deuse um passo significativo no rumo da modernização e racionalização da atividade da jurisdição constitucional entre nós." Assim é que não se pode levar em conta a medida cautelar concedida pelo STF na ADI 1802, sem se analisar e considerar o teor da sua fundamentação. E esta, como já demonstrado, faz explicita distinção entre as hipóteses de suspensão tributária previstas na Lei n° 9.532/97 e na Lei n° 9.430/96, reputandose como suspensa aquela (artigos 13 e 14). Por outro lado, além do fato de, nos termos do já exposto, não se poder afirmar que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 encontrase suspenso, em razão da decisão proferida no bojo da ADI n° 1802, também não se pode relegar que existe uma ADI especifica que questiona a constitucionalidade de tal dispositivo, na qual ainda não houve sequer a análise da medida cautelar postulada. Ademais, nessa ADI, de n° 4021, verificase a existência de despacho do Presidente da Corte no sentido da inexistência de conexão entre as duas ações comentadas, determinandose o seu trâmite com relatores diferentes. Ora, como se sabe, os institutos processuais da prevenção, da prorrogação de competência e da conexão, têm o escopo último de evitar que, no âmbito do Poder Judiciário, surjam decisões divergentes em casos de ações que, por suas elementos, encontramse intimamente ligadas, o que geraria, além de Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 11 19 incongruência, uma insegurança jurídica latente nos jurisdicionados. Esta razão revelase ainda mais premente quando se trata de ações existentes num mesmo tribunal. Diante do exposto, não se considera suspenso o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 e por isso é de se afastar a preliminar arguida de oficio pelo Conselheiro Relator. Considerando os enunciados das decisões acima transcritos, em cotejo com o Ato Declaratório nº 5G/2003, expedido em 13 de maio de 2003, podemos certificar que a suspensão da imunidade se deu em relação ao IRPJ da entidade, o que permite afirmarmos que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais não vincula essa Colenda Turma à decidir sobre à Cofins, pois as decisões proferidas nos autos do Processo nº 18471.000221/200277 não analisaram em nenhum momento a Cofins. Destacase ainda que o fundamento do lançamento feito pela fiscalização em relação à Cofins, objeto desse processo, se deu sob a égide do Ato Declaratório nº 5G/2003, o que por esse motivo já seria fundamento de cancelamento do Auto de Infração, visto que, repitase, não é objeto do AD nº 5G/2003, a suspensão da isenção ou imunidade da Cofins. A imunidade da Cofins está prevista no artigo 195, parágrafo 7º, da CF, não se tratando de um tributo que se enquadrasse no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da CF. Portanto, há nítida nulidade material quanto à Cofins do período de 1997 a 2000, pois não existe ato de suspensão, exigível sob o ponto de vista jurídico, para essa contribuição, para que pudesse servir de fundamento para a fiscalização exigir o referido tributo. Ademais, quanto à ausência de motivação em relação ao enfrentamento da Cofins sobre os recursos oriundos da locação de imóveis, não tenho dúvidas de que o julgador de primeira instância enfrentou a matéria, sob um prisma amplo, tratando da questão sob o manto da não inclusão das contribuições em relação à modalidade impostos trazida no texto constitucional quando tratou da imunidade (artigo 150, VI, “c”, da CF), fazendo uma interpretação restritiva do enunciado. Ademais, também sob uma análise ampla, a DRJ considerou que a Cofins incidiria sobre o faturamento mensal decorrente de vendas de mercadorias de mercadorias e serviços de qualquer natureza, o que englobaria atividades de promovam receita, como a locação de bens imóveis. Vejamos: Portanto, ainda que não haja enfrentamento objetivo da incidência da Cofins sobre a tributação da locação de imóveis (aluguéis), as premissas trazidas na decisão recorrida denota que a matéria da incidência dessa contribuição sobre as receitas de aluguéis fora Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 20 enfrentada, pois para a DRJ, como apontado acima, incide sobre qualquer receita que envolvam mercadorias ou serviços. Nesse sentido, afasto a preliminar de ausência de motivação. Quanto à decadência, considerando que a Cofins possui recolhimento mensal, há que reconhecer que houve a extinção do direito do fisco constituir os tributos relativos ao ano de 1997 (janeiro a dezembro), considerando a data do lançamento de 9 de dezembro de 2003. Isso porque, deve ser aplicado o disposto no Recurso Especial com efeitos repetitivos nº 973.733/SC, que vincula esse tribunal. Destacase ainda quanto à decadência a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, que declarou o prazo de 10 anos trazidos na Lei nº 8.212/91 como inconstitucional, fixando o prazo de 5 anos para a decadência das contribuições sociais. Nestes termos, entendo pelo reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores de 1997 (janeiro a dezembro), haja vista que a despeito de não ter ocorrido recolhimento, o exercícios subseqüente no caso da Cofins iniciou em 1998 e terminou em 2002, sendo atingida pela decadência. Nesse ponto há divergência dos meus pares sobre o mês de dezembro, visto que pela corrente adotada por eles o prazo para a contagem da decadência se iniciou em 1999, não sendo extinto o crédito pela decadência em relação ao mês de dezembro de 1997. Quanto à incidência da Cofins em relação à receita de aluguéis, relativos aos fatos geradores de 1997, 1999, 2000, 2001 a maio de 2003, segundo os argumentos abaixo, a Cofins em todos os referidos períodos é atingida por algum critério que coloca por terra sua subsistência jurídica: a) É válida e vigente a isenção/imunidade da Recorrente nos anos de 1997, 1999 e 2000, haja vista que o Conselho de Contribuintes reconheceu a imunidade / isenção da Recorrente quanto ao IRPJ, e não há nos autos nenhuma suspensão da imunidade ou de isenção dos tributos federais relativos aos anos de 2001 a 2003 pela Receita Federal do Brasil; b) no período de vigência do artigo 6º, inciso III, da LC nº 70/91 (até 23/08/2001), havia expressa previsão legal reconhecendo a isenção da Cofins para as e entidades de assistência social. Com a revogação desse dispositivo pelo artigo 93, inciso II, “a”, da MP nº 2.15835/2001, a isenção passou a se restringir em termos normativos com retroatividade questionável para as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos; c) O artigo 195, parágrafo 7º, da CF, trata da imunidade do Pis e da Cofins (contribuições sociais) sobre as receitas das entidades de assistência social, e esse dispositivo não foi utilizado pela fiscalização para suspender a imunidade das contribuições da entidade: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.173 S1C2T1 Fl. 12 21 E mais, resta necessária a aplicação do artigo 195, parágrafo 7º, da CF, pois o único fundamento da fiscalização foi autuar a entidade quanto às receitas de aluguéis sob o enfoque da natureza jurídica, qual seja não se tratar de receita decorrente da atividade própria, e receita de aluguel. Como já decidido pelo STF (RE nº 237.718/SP), a receita de aluguel é abrangida pela imunidade em relação às contribuições sociais, desde que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais, o que ocorreu no presente caso: EMENTA: Imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade de modo a preexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais. (Min. Sepúlveda Pertence, Julgado em 29/03/2001, Tribunal Pleno) Destacase ainda outro julgado do STF quanto à receita dos alugueres, não havendo sentido normativo em não reconhecer a imunidade sobre os tributos incidentes sobre essa receita: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Tributário. IPTU. Imunidade. Entidade de assistência social sem fins lucrativos. Locação de imóvel. Súmula nº 724/STF. Comprovação dos requisitos para reconhecimento da imunidade. Controvérsia decidida à luz da legislação infraconstitucional e do conjunto fáticoprobatório. Súmula nº 279/STF. Ônus da prova. 1. O Tribunal de origem não divergiu da orientação da Corte no sentido de que a regra imunizante contida no art. 150, VI, c, da Constituição Federal afasta a incidência do IPTU sobre os imóveis de propriedade das instituições de assistência social sem fins lucrativos, mesmo que alugados a terceiros, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas suas atividades essenciais (Súmula nº 724/STF). 2. O acórdão recorrido concluiu pelo enquadramento da instituição como entidade de assistência social sem fins lucrativos, a partir da análise dos requisitos previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional. Para ultrapassar o entendimento consagrado pelo Tribunal a quo, necessário seria o reexame dos fatos e das provas e da legislação infraconstitucional de regência. Precedentes. 3. A presunção de que o imóvel ou as rendas da entidade assistencial reconhecidamente imune estão afetados às suas finalidades institucionais milita em favor da entidade. Cabe ao Fisco elidir a presunção, mediante a constituição de prova em contrário. 4. Agravo regimental não provido.(ARE 760876 AgR / SE – SERGIPE, AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Julgamento: 04/02/2014, Órgão Julgador: Primeira Turma) E mais, essa Colenda Turma já decidiu sobre as receitas de aluguéis da seguinte forma: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 22 INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A receita de aluguel de imóveis recebidas pelas instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos são imunes desde que não sejam aplicadas, tais receitas, em atividade ou fins estranhos ao seu objeto social beneficente. (Acórdão nº 120100.339, Relator Régis Queiroz, Julgado em 10/11/2010). Ademais, além de tudo o que fora trazido nos autos, que já derruba por completo o lançamento, há ainda a questão do julgamento do STF quanto à majoração da base de cálculo da Cofins (artigo 3º, inciso I, da Lei nº 9.718/98), aplicável à outras receitas que não seja o faturamento, para o período de 1997 a 2002, devemos aplicar a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, visto que o conceito de receita bruta somente foi alterado para empresas do Lucro Real (que não é o caso da entidade recorrente, pois a opção junto à Receita Federal foi a modalidade entidade imune), com a edição da Lei nº 10.637/2002. Por fim, em relação aos juros Selic, sobre os débitos remanescentes, cumpre aplicar a Súmula 4 do CARF. Essa questão resta superada, pois todos os débitos estão sendo cancelados nessa decisão. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE provimento para cancelar os lançamentos fiscais relativos aos anos de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e janeiro a maio de 2003 em relação à Cofins. É como voto! (assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 20/05 /2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 11684.001292/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/08/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 12/08/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 12 92 /2 00 9- 19 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito, sendo o Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004. Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 5 4 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 3801004.823 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000050/2010-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/12/2008
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Encontra-se perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-006.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/12/2008 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Encontrase perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte em decorrência da lavratura de autos de infração do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 00 50 /2 01 0- 05 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10909.000050/201005 Acórdão n.º 3803006.922 S3TE03 Fl. 215 2 Produtos Industrializados (IPI), da Cofins, da Contribuição para o PIS e de multa isolada, no total de R$ 16.990,65, com fundamento em fraude apurada na importação de bolas de árvore de natal. Segundo a Fiscalização, foram apuradas as seguintes irregularidades na referida importação: a) a Declaração de Importação (DI) relativas às bolas de árvore de natal de origem chinesa foi parametrizada no canal cinza de conferência aduaneira; b) a. Equipe de Pesquisa e Seleção Aduaneira da Alfândega do Porto de Paranaguá, em diligências realizadas, levantou fortes suspeitas de que o autuado utilizava o artifício de subfaturamento de mercadorias, tendo sido encontrado um documento com sugestão de declaração do valor de importação em valor equivalente a 40% do valor real; c) após várias intimações, o contribuinte trouxe aos autos alguns documentos e informações que foram considerados insuficientes, dada (i) a não identificação completa das pessoas que subscreveram as faturas que instruíram os despachos de importação, demonstrando seu vinculo com o exportador, (ii) a não apresentação de cópia autenticada e consularizada das faturas e (iii) a não apresentação de cópia dos documentos que ampararam a exportação dos produtos junto à aduana do pais de origem, decorrendo daí a emissão de novos termos de intimação; d) na seqüência, o contribuinte apresentou documentação relativa a outras DIs, vislumbrando a possibilidade de a Receita Federal a considerar por analogia extensível à DI sob comento, documentação essa considerada pela Fiscalização como inidônea, até mesmo para as DIs a que fazia referência; e) após nova intimação, o contribuinte apresentou fatura comercial, sem o reconhecimento da assinatura do exportador pelo notário público e documentos de exportação sem a autenticação e a consularização; f) diante da carência de elementos probatórios válidos, a Fiscalização, mediante laudo técnico elaborado por perito especializado credenciado pela Receita Federal e proveniente dos quadros técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), procedeu ao arbitramento dos valores das mercadorias importadas, valendose do custo aproximado da matériaprima e dos suportes plásticos (tubos acabados), tendo sido constatado que o valor informado na DI correspondia a aproximadamente 50% do custo da matériaprima. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento dos autos de infração, alegando (i) ausência de motivação, de comprovação e de consistência na invalidação das provas idôneas apresentadas, devendo prevalecer os dados constantes da fatura comercial, (ii) a alegação de subfaturamento não pode estar amparada em suposições, (iii) inadmissibilidade do uso de prova emprestada, considerando que a fiscalização utilizara relatório elaborado em procedimento alheio, (iv) a precificação procedida pelo Fisco não levou em conta qualquer aspecto referente à qualidade da matériaprima utilizada, como o fato de a mesma ser de material reciclado ou sucata, e (v) a utilização de quadros comparativos de preços de mercadorias constantes em sites selecionados na internet, sem qualquer critério, baseado em condições diferentes, não é meio hábil a configurar valor aduaneiro. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10909.000050/201005 Acórdão n.º 3803006.922 S3TE03 Fl. 216 3 A DRJ Florianópolis/SC, em 2 de março de 2012, julgou improcedente a Impugnação, considerando que (i) a fatura comercial apresentada à Fiscalização não era a mesma indicada na DI, (ii) a alegação de cerceamento do direito de defesa não correspondia às inúmeras intimações não atendidas pelo contribuinte, (iii) não houve comprovação do valor efetivo da mercadoria importada e (iv) o arbitramento se baseara em laudo técnico específico da mercadoria importada. Em conformidade com a legislação processual tributária, constou do acórdão da DRJ Florianópolis/SC a seguinte determinação: Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. (grifei) Em 16 de maio de 2012, o contribuinte remeteu pelos Correios petição intitulada Embargos de Declaração com efeitos infringentes, com fulcro no art. 535 do Código de Processo Civil (CPC) e nos arts. 21 a 27 da Portaria MF nº 341, de 2001, em que alegou a ocorrência de omissões no acórdão embargado e requereu a realização de diligência, repisando os argumentos de defesa, sendo apontada a ocorrência de inovação do fundamento do lançamento por parte da Delegacia de Julgamento. Em 5 de setembro de 2014, a DRJ Florianópolis/SC decidiu por não conhecer dos embargos por ausência de previsão legal. Cientificado em 18/10/2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 18/11/2014 e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa, ressaltando o cabimento dos embargos de declaração interpostos na primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é intempestivo e dele, portanto, não conheço. Conforme acima relatado, após a ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, em desconformidade com a regência da legislação processual tributária. No acórdão da DRJ Florianópolis/SC constou, expressamente, que, em face da decisão então proferida, restava ao contribuinte uma das seguintes opções: (i) o pagamento do crédito tributário ou (ii) a interposição de recurso ao CARF. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10909.000050/201005 Acórdão n.º 3803006.922 S3TE03 Fl. 217 4 E não poderia ter sido diferente pois esse é o comando do art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Mesmo que tal informação não tivesse constado do acórdão, ainda assim o interessado não poderia invocar o desconhecimento da lei para agir de forma diversa e nem se valer de dispositivos legais e regimentais não aplicáveis ao caso para subverter a ordem do Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado pelo referido Decreto nº 70.235, de 1972, e, subsidiariamente, pela Lei nº 9.784, de 1999. Registrese que o acórdão da DRJ Florianópolis/SC fora exarado em 2 de março de 2012, não constando dos autos a comprovação da data de sua ciência (conforme já havia atestado o julgador de piso), tendo o contribuinte remetido os embargos pelos correios em 16 de maio de 2012, embargos esses rejeitados pela autoridade julgadora, por ausência de previsão legal e de competência para apreciar embargos de declaração, em despacho datado de 5 de setembro de 2014. Nesse sentido, o Recurso Voluntário foi interposto pelo contribuinte considerando a data da ciência do despacho em que não se conheceram dos embargos e não a data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos exigidos pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Inexiste previsão legal ou regimental autorizando a interposição de recurso voluntário em decorrência de despacho da Delegacia de Julgamento. Além disso, nos termos do art. 36 do Decreto nº 70.235, de 1972, “[da] decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração.” Merece destaque, ainda, os dispositivos aventados pelo contribuinte para fundamentar a interposição dos embargos em primeira instância, quais sejam, os arts. 21 e 27 da Portaria MF nº 341, de 2011, verbis: Art. 21. As decisões serão assinadas pelo relator, pelo redator designado, sendo o caso, e pelo Presidente da Turma, e delas constarão o nome dos julgadores presentes, mencionandose, se houver, os impedidos, os ausentes, bem como os julgadores vencidos e a matéria em que o foram. § 1º Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, será proferido novo acórdão. § 2º Nos casos de conversão do julgamento em diligência, a forma a ser adotada é a de resolução. Art. 22. Da decisão de 1º (primeira) instância não cabe pedido de reconsideração. (...) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10909.000050/201005 Acórdão n.º 3803006.922 S3TE03 Fl. 218 5 Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro. Notese que os dispositivos supra se referem a inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo, não se confundindo, portanto, com os pressupostos dos embargos de declaração, quais sejam, omissão, contradição ou obscuridade. Por outro lado, mesmo que fosse o caso de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou a erros de escrita ou de cálculo, ainda assim, nenhum benefício obteria o contribuinte, pois, à petição do interessado em que se alega o erro, a legislação processual tributária não confere efeitos suspensivos para fins de interposição de recurso voluntário. A meu ver, o procedimento correto seria o contribuinte interpor o recurso voluntário no prazo legal e alegar o erro manifesto na mesma peça processual ou em petição avulsa, mas nunca querer substituir o recurso cabível por outro não previsto na legislação processual tributária. Poderseia perscrutar acerca da possibilidade de se aplicar, para fins de eventual acolhimento da peça recursal intitulada “Embargos de Declaração” como “Recurso Voluntário”, o princípio da fungibilidade das formas, previsto nos arts. 1541 e 2442 do Código Processo Civil, em que se prevê a possibilidade de se validarem os atos e termos processuais realizados de modo diverso do previsto em lei, mas desde que preenchida a finalidade essencial. Da mesma forma, poderseia perquirir o alcance do princípio do formalismo moderado, considerando a mesma possibilidade de conversão, segundo o qual dispensamse ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo3, interpretandose moderadamente as formas estabelecidas por regras processuais4. Contudo, na peça recursal denominada “Embargos de Declaração”, apresentada após a ciência da decisão de primeira instância, e na outra identificada como “Recurso”, interposta após a ciência do despacho que não tomou conhecimento dos embargos, o ora Recorrente traz, como questão prejudicial de mérito, a discussão acerca da possibilidade de se manejarem embargos de declaração em decorrência de decisões das Delegacias de Julgamento. Notase de forma clara e evidente que o Recorrente pretende, conscientemente, discutir essa questão, não tendo sido opostos os Embargos de Declaração na primeira instância de forma inadvertida, como se se quisesse interpor, em verdade, Recurso Voluntário. Não! A questão prejudicial é objeto de ambas as peças recursais, não se 1 Art. 154. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir, reputandose válidos os que, realizados de outro modo, Ihe preencham a finalidade essencial. 2 Art. 244. Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, Ihe alcançar a finalidade. 3 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 80. 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 181. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10909.000050/201005 Acórdão n.º 3803006.922 S3TE03 Fl. 219 6 vislumbrando, a meu ver, a possibilidade de se converter uma em outra, dada a intenção expressa de se discutir a matéria. Nesse sentido, tendo o contribuinte sido cientificado da decisão de primeira instância em maio de 2012 e interposto o recurso voluntário somente em 18/11/2014, temse por configurada a preclusão processual por intempestividade, pois, de acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, por ser intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13983.000210/2001-12
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. LEI N º 9.363/96.
A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/02-01.336).
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de pessoas físicas e de cooperativas. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto (Relator), que negavam provimento. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida de votar.
Carlos Alberto Freitas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. LEI N º 9.363/96. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/02-01.336). Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de pessoas físicas e de cooperativas. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto (Relator), que negavam provimento. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida de votar. Carlos Alberto Freitas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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LEI N º 9.363/96. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/0201.336). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de pessoas físicas e de cooperativas. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto (Relator), que negavam provimento. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida de votar. Carlos Alberto Freitas Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 02 10 /2 00 1- 12 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13983.000210/200112 Acórdão n.º 9303000.461 CSRFT3 Fl. 262 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Versam os autos sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996. A Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo, dentre outros, o direito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pertinente às matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos de não contribuintes, mais especificamente, de pessoas físicas e cooperativas. A Contribuinte recorreu desse decisum, sendolhe dado seguimento, apenas, quanto à matéria relativa às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, segundo Despacho de fls. 235/236. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, sendo os autos encaminhados a esta Câmara Superior. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 223.228, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não obstante, pessoalmente, defenda o entendimento de que o direito ora em discussão não deva ser reconhecido, este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese do julgamento do recurso nº 223.228, paradigma para o caso em discussão, na parte relativa à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, do valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. “Para melhor elucidar a questão, mister transcreverse o dispositivo que criou referido benefício para fomento das exportações, qual seja, o art. 1º, da Lei n.º 9.363/96: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13983.000210/200112 Acórdão n.º 9303000.461 CSRFT3 Fl. 263 3 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Pois bem, o objetivo da lei é bastante claro: desonerar a carga tributária do PIS e da Cofins, incidentes em cascata, nas mercadorias destinadas à exportação. Aliás, declinado objetivo veio expresso na Exposição de Motivos da Lei nº 9.363/96. Tratase da Exposição de Motivos nº 120, de 23 de março de 1995, confirmada pela Mensagem nº 175, do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, que precedeu a MP nº 948, que assim verbera: A Medida Provisória n.º 905, de 21 de fevereiro de 1995, dispôs sobre a desoneração fiscal da COFINS e PIS/PASEP incidente sobre os insumos, objetivando possibilitar a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, dentro da premissa básica da diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. Em seu elemento motriz, a proposta em comento dispunha que sobredita desoneração deveria ser feita mediante ressarcimento em dinheiro desses encargos a favor do exportador nacional. 2. Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%, atenuando ainda mais a carga tributária incidente sobre os produtos exportados, e se revelando compatível com a necessidade de ajuste fiscal. (Grifouse) Ora, a redação não permite devaneios. Negar o crédito sob a argumentação de que não incidiu PIS e Cofins na última etapa de produção, ou representa desconhecimento da lei, ou uma tentativa falaciosa de negar o crédito a que o contribuinte tem direito. Note que a própria Exposição de Motivos diz que foram consideradas as últimas DUAS etapas do processo produtivo. É exatamente por isso que se fixou uma alíquota de 5,37%, pois representa a carga tributária das mencionadas contribuições nas duas últimas etapas do processo produtivo (1,0265)² – 1= 0,0537 ou 5,37%. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13983.000210/200112 Acórdão n.º 9303000.461 CSRFT3 Fl. 264 4 Por fim, cabe frisar que, mais uma vez a lei é cristalina quanto à base de cálculo do incentivo. Senão vejamos: Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (Grifo nosso) Ora, é evidente que o termo “valor total” não comporta nenhuma exclusão. Caso contrário, não seria valor total! Não é preciso maiores delongas para chegarse à conclusão, portanto, de que as exclusões previstas nas IN’s SRF nºs 23 e 103, ambas de 1997, são absolutamente ilegais, pois somente a lei, strictu sensu, poderia prever tais exclusões; jamais uma norma complementar, consoante art. 100, I, do CTN. Frisese, ainda, que a Egrégia Segunda Turma já solucionou a matéria de forma acertada e definitiva, consoante demonstra a ementa do Aresto abaixo transcrita: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E A COFINS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/0201.336, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer). Nos termos do voto paradigma transcrito linhas acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002212/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 02/07/2002
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE.
O erro de classificação tarifária sujeita o contribuinte à multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, independentemente da intenção do agente e dos efeitos do ato.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 02/07/2002
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/07/2002 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. O erro de classificação tarifária sujeita o contribuinte à multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, independentemente da intenção do agente e dos efeitos do ato. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/07/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. O erro de classificação tarifária sujeita o contribuinte à multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, independentemente da intenção do agente e dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/07/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 22 12 /2 00 6- 13 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O importador, por intermédio da Declaração de Importação (DI) nº 02/05812133, registrada em 02/07/2002, submeteu a despacho aduaneiro mercadoria classificada no código NCM 2707.99.00, descrita como “high flash liviano (alquil benzeno) – a granel”, com alíquota de 0% para o Imposto sobre a Importação (II) e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As mercadorias foram objeto de pedido de exame laboratorial (fl. 13) e liberadas mediante Termo de Responsabilidade, conforme procedimento formalizado através do Processo Administrativo nº 11128.004568/200683, apensado aos autos. O Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerani – Labana elaborou o Laudo Técnico nº 1641.01 (fls. 14/15), concluindo que o produto importado tratase de “mistura de Alquilbenzeno, uma Outra Mistura de Hidrocarbonetos Aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior ou igual a 65%, em volume, a 250ºC, segundo método ASTM D86”. Em conseqüência do resultado pericial, a fiscalização procedeu à reclassificação das mercadorias para o código NCM 2707.50.00, cujas alíquotas do II e IPI também são de 0%, lavrando Auto de Infração para cobrança da multa por classificação incorreta. Cientificado do lançamento em 16/05/2006, o contribuinte apresentou impugnação em 07/06/2006, fls. 20/45, alegando, em síntese, que: (a) o produto importado, Alquilbenzeno 9, utilizado para a formulação de gasolina, foi classificado no mesmo código NCM adotado pela empresa fabricante (PECOM ENERGIA S/A – Argentina), quando de sua remessa ao Brasil, conforme consta do Certificado de Origem anexado aos autos. Logo, não poderia adotar classificação diversa sob pena de tornar irregular o processo de importação; (b) o Fiscal classificou a mercadoria em outro código NCM por considerar apenas a fração de destilação do produto, enquanto que o impugnante considerou o seu grau de pureza. Logo, por não haver um critério único para se proceder à classificação do Alquilbenzeno 9, é razoável que ambas as classificações sejam aceitas, como reconheceu a própria SRF ao editar a Instrução Normativa nº 638/2006; (c) prova a boa fé do requerente, a denúncia espontânea apresentada em outra importação desse produto, para que fosse recolhido valor referente à CIDE que deveria incidir sobre a operação, uma vez que o produto importado é utilizado nas correntes de gasolina; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.002212/200613 Acórdão n.º 3102001.730 S3C1T2 Fl. 3 3 (d) logo, como não houve prejuízo ao erário, tampouco má fé do impugnante, sendo certo que a própria SRF já considera possível a classificação do produto em qualquer dos códigos NCM tratados, requer seja determinada a insubsistência do auto de infração em análise, dada a ausência de amparo fáticojurídico para sua manutenção. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 02/07/2002 REENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. O alquilbenzeno, enquanto mistura constituída de hidrocarbonetos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior ou igual a 65%, em volume, a 250ºC, segundo o método ASTM D86, classificase no código NCM 2707.50.00. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Repisa argumento de que a Declaração de Importação deve ser, necessariamente, preenchidas de acordo com as informações discriminadas nos documentos que suportam a operação, tal como exigem os próprios Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal. Requer aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Que, “ainda que se considere a responsabilização por infração, aos moldes do decretolei nº 37/66, independente da intenção do agente, temse que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 112, determina que a lei tributária que define infrações, interpretase de maneira mais favorável ao acusado”. Que as multas não podem ter função arrecadatória, por terem natureza sancionatória. Referese à desproporcionalidade do valor da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Vêse que a lide não diz respeito à classificação fiscal propriamente dita. A Recorrente em nenhum momento considera correta a classificação indicada na declaração de importação. Em lugar disso, protesta quanto à natureza da penalidade aplicada, à sua Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 desproporcionalidade, frente a circunstância da qual não resultou qualquer prejuízo aos cofres públicos. A meu sentir, o mais contundente argumento é o que dá conta da indicação de Código tarifário de acordo com as informações prestadas pelo exportador estrangeiro no Certificado de Origem correspondente, situação da qual, não tivesse assim procedido, terminaria por perder o tratamento tarifária preferencial decorrente da origem da mercadoria. Me parece, de fato, que, no presente caso, a melhor solução para manutenção da desoneração tributária, seria a retificação já na origem da classificação tarifária informada. De qualquer outra forma, restaria prejudicado o importador. Isso porque, ao contrário de como defende a Recorrente, ainda que tenha sido induzida ao erro pela classificação escolhida pelo exportador, não há como identificar nisso efeito excludente da responsabilidade objetiva do sujeito passivo. Quanto a isso, de se dizer que não há antinomia entre o disposto no Decreto lei 37/66 e as prescrições do Código Tributário Nacional. Ambos consagram o princípio acima epigrafado. Vejase como determina o Código. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Também não favorece à Recorrente o disposto no artigo 100 do Código, pois não há Ato Normativo determinando a classificação da mercadoria na NCM utilizada pelo importador. Um Ato referese apenas à necessidade de manutenção da classificação adotada no país de origem, outro, à possibilidade de que esse tipo de mercadoria possa ser classificado em duas NCMs diferentes. Quanto a isso, crucial compreender que as duas classificações são possíveis não porque a mercadoria em si, apresentada com determinadas características e identidade, possa ser classificada num ou noutro código tarifário. Como bem observado em primeira instância, esse tipo de ocorrência não encontra lugar no Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias. A questão é que o produto, por não ser de constituição química definida, pode apresentarse em diferentes fórmulas químicas, ensejando, por conta disso, classificarse numa ou noutra NCM. No mesmo sentido, não vejo dúvida quanto à capitulação legal do fato; à sua natureza ou às circunstâncias materiais, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, razão porque não há que se falar em aplicação do disposto no artigo 112 do Código. Sobre suposta função arrecadatória da multa ou à sua desproporcionalidade, tratandose de princípios constitucionais, encerram juízo que esbarra em proibição expressa do Regimento deste Conselho. Falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar a lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. a) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.002212/200613 Acórdão n.º 3102001.730 S3C1T2 Fl. 4 5 c) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou d) II que fundamente crédito tributário objeto de: e) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; f) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou g) c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de violação constitucional ou princípios nela resguardados. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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