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Numero do processo: 10880.675903/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.367
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 03 /2 00 9- 81 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.705, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675903/200981 Acórdão n.º 3301004.367 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002267/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO , INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido
Numero da decisão: 1401-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade, em não conhecer do recurso pela sua intempestividade. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, , Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia de Carli Germano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO , INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade, em não conhecer do recurso pela sua intempestividade. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, , AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 22 67 /2 01 0- 41 Fl. 1139DF CARF MF 2 Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia de Carli Germano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados cinco autos de infração, às fls. 694/748, para exigência de crédito tributário decorrente do Simples Federal, relativo ao primeiro semestre do anocalendário 2007, nos seguintes montantes, incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 30/06/2010: IRPJ de R$ 25.551,28 (fls.705/712), PIS/PASEP de R$ 18,895,05 (fls. 713/721), CSLL de R$ (fls. 722/729), COFINS de R$ 75.560,19 (fls. 730/737) e Contribuição para Seguridade Social – INSS de R$ 218.336,92 (fls. 738/745) e para exigência do Simples Nacional, relativo ao segundo semestre do ano calendário 2007, no valor de R$ 482.993,73, que acrescido de multa e juros, atingiu o montante de R$ 981.878,54, às fls. 749/754. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 661/693), que é parte integrante do Auto de Infração, o procedimento fiscal foi instaurado com base em indícios de omissão de receitas, caracterizada pela movimentação financeira expressiva e continuada em relação às receitas declaradas no ano de 2007, tendo sido apurada a infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e insuficiência de recolhimento. A fiscalização se iniciou com a ciência da procuradora da empresa do Termo de Início de Fiscalização, às fls. 04/08, por meio do qual foi instada a apresentar, relativamente ao ano calendário 2007, cópias do contrato social e alterações, Livros Diário e Razão ou Livro Caixa, Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas, Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro de Registro de Inventário, extratos bancários de todas as contascorrentes e de aplicações financeiras, relação de processos judiciais em andamento ou transitados em julgado em que fosse parte interessada. Em resposta protocolizada em 01/02/2010, a empresa juntou os esclarecimentos e documentos relacionados no documento, às fls. 09/201, 205/377, e após serem analisados pelo Fisco, em 18/03/2010 foi intimado a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos valores creditados em suas contas correntes, no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Safra, no ano de 2007, no total de R$ 9.062.849,96, conforme descritos no Termo de Intimação 001, às fls. 378/388, tendo solicitado prazo para atendimento, às fls. 389. Em 20/05/2010 foi lavrado o Termo de Comparecimento 001 para informar a apresentação de comprovantes de depósito realizados pela empresa, referente ao ano calendário de 2007, às fls. 390/407, 411/510, e em 02/06/2010 foi lavrado o Termo de Intimação nº 002, para que a contribuinte apresentasse relação de bens móveis e imóveis de propriedade da empresa e cópias de documentos de registro e cópia legível dos extratos Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10909.002267/201041 Acórdão n.º 1401002.323 S1C4T1 Fl. 1.140 3 bancários dos meses de março, abril e julho de 2007 da conta mantida na CEF, às fls. 511/512, com o atendimento em 22/06/2010, às fls. 513/561. Foi lavrada a representação fiscal para fins de exclusão do Simples Federal e Nacional, a partir de 01/01/2008, face o excesso de receita apurado no presente procedimento fiscal, incidindo a empresa em hipótese de exclusão de ofício do regime simplificado, com a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 34, de 5 de julho de 2010, às fls. 563/573. Diante dos fatos apurados e após análise dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte, foram lavrados os autos de infração para exigência dos impostos e contribuições devidos no anocalendário 2007, com a apuração por meio da tributação simplificada de que trata a Lei nº 9.317/96, relativa ao primeiro semestre do ano, e os tributos devidos de acordo com a Lei Complementar nº 123/2006, para o segundo semestre de 2007. Cientificada do lançamento em 02/08/2010, a empresa apresentou impugnação ao lançamento encaminhada por meio postal em 01/09/2010, às fls. 761/842 e 846/1044 e 1079, alegando, em síntese: a nulidade do auto de infração de Simples Nacional por não estar acompanhado da necessária descrição dos fatos e não indicar o enquadramento legal, sem os quais o contribuinte fica impedido de conhecer com a exatidão necessária a infração imputada e oferecer sua defesa. são improcedentes todos os autos de infração objeto do processo na medida em que não observaram o disposto no § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois nos termos desse dispositivo a tributação com base em depósitos depende da análise individualizada pela autoridade lançadora dos depósitos que compõem a base de cálculo da autuação, bem como da prévia intimação do contribuinte para se manifestar especificamente sobre cada um desses depósitos previamente analisados pelo Fisco, que devem estar indicados individualizadamente nessa intimação. tal disposição legal não foi observada pois no Termo de Intimação 001, o contribuinte foi intimado para se manifestar e comprovar a origem de todos os depósitos bancários efetuados em todas as suas contas bancárias, não procedendo a autoridade lançadora à análise individualizada de qualquer depósito bancário, efetuando o contrário, ao exigir a manifestação do contribuinte sobre todos os depósitos efetuados em suas contas. nem se diga que o fato de a autoridade lançadora, ao individualizar todos esses depósitos no seu Termo de Intimação 001 teria atendido à regra, pois o que esse dispositivo exige não é a mera individualizacão, mas a análise individualizada dos depósitos, procedimento absolutamente incompatível com a simples enumeração constante da aludida intimação e depois dessa intimação inicial não foi dirigida qualquer outra solicitação de esclarecimentos, sendo tal análise feita no auto de infração, de forma superficial e procedendo às exclusões obrigatórias. ao não intimar o contribuinte para se manifestar sobre depósitos bancários previamente analisados, a autoridade lançadora tornou impositiva a decretação da improcedência das autuações e nesse sentido tem se firmado a jurisprudência administrativa. como se vê no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora Fl. 1141DF CARF MF 4 excluiu da base de cálculo os valores correspondentes aos depósitos realizados pelo sócio da empresa, bem como transferências realizadas entre as contas da própria fiscalziada, mas nem todos os depósitos nestas situações foram excluídos da base de cálculo das autuações, conforme demonstra na tabela o valor de R$ 921.070,00 foi indevidamente incluído na autuação, juntando os documentos comprobatórios das alegadas transações de transferências entre contas de mesma titularidade. Na tabela 2, o montante de R$ 31.130,00 foi incluído indevidamente na autuação, por se tratar de transferências entre contas do sócio e da empresa, também comprovadas com os extratos das referidas contas. as transferências de recursos entre suas contas bancárias e entre essas e a do seu sócio administrador decorria da necessidade de fluxo de caixa, que por conta disso, recebeu e fez diversas transferências bancárias para Mendonça Gianini Turismo, empresa controlada pelo seu sócio administrador e essas operações movimentaram um total de R$ 88.180,00, conforme tabela 3, comprovada pelos extratos e comprovantes anexos. a autuação é uma sucessão de equívocos, que se confirma pelo fato de a autoridade ter mantido na base de cálculo valores creditados nas contas correntes do contribuinte por conta de empréstimos bancários, no montante de R$ 475.013,03, conforme tabela 4. a autoridade lançadora, indevidamente, incluiu na base de cálculo das autuações indenização recebida da Tokio Marine Seguradora, no valor de R$ 58.098,00, como prova o documento anexo. a superficialidade que marcou o procedimento de fiscalização acarretou, igualmente, na indevida inclusão de receitas regularmente contabilizadas na base de cálculo das autuações, como se verifica da tabela 6 e provam as notas fiscais anexas foi incluído indevidamente na base de cálculo das autuações um total de R$ 3.147.764,89 de depósitos bancários relativos ao recebimento de receitas regularmente contabilizadas. a impugnante, tendo por atividade principal a locação de automóveis, vêse na contingência de tempos em tempos renovar a sua frota, adquirindo veículos novos e vendendo os antigos, que integram o seu ativo permanente. em 2007, a venda de automóveis usados, contabilizados em seu ativo permanente, que geraram ingressos totais de R$ 233.900,00, como provam as Autorizações para Transferência de Veículos em anexo. também em 2007, a Mendonça Gianini Turismo Ltda., empresa controlada pelo seu sócio administrador Renato de Mendonça Neto, que também se dedicava à locação de veículos, igualmente vendeu uma série de veículos usados de sua propriedade, também contabilizados no ativo permanente, como provam as Autorizações para Transferência de Veículos anexas, que geraram ingressos de R$ 713.723,00, regularmente contabilizados naquela empresa. requer ainda as exclusões decorrentes de transferências de R$ 1.084.776,90 pela venda de veículos próprios e depósitos relativos a vendas efetuadas por Mendonça Gianini Turismo e o depósito objeto do item 402, estornado na mesma data, como prova o extrato anexo. pelo exposto requer o cancelamento dos autos de infração objeto do presente processo. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10909.002267/201041 Acórdão n.º 1401002.323 S1C4T1 Fl. 1.141 5 Anexou documentos comprobatórios, às fls. 777/842, 846/1044 e 1048/1078. É o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Admissibilidade A DRJ julgou o processo em 31/10/2013, tendo sido a decisão encaminhada à contribuinte em 06de agosto de 2014 e devidamente recebida, conforme consta AR de fls 1.117 em 11/08/2014. O Recurso Voluntário (fls. 1118 a 1135) foi interposto em 12 de setembro de 2014. Em seu recurso, a contribuinte sequer toca na questão da tempestividade. O dia 11 de agosto, data do recebimento do AR, foi uma segundafeira, assim, o prazo se iniciou no dia seguinte ao seu recebimento, ou seja, no dia 12 de agosto daquele mesmo ano. Os 30 dias para a interposição do recurso voluntário venceriam no dia 10 de setembro de 2014, Contudo, tendo em vista a interposição do recurso no dia 12 de setembro, manifestamente intempestivo o apelo. Pelas razões expostas acima, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário por sua intempestividade (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Fl. 1143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000233/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 00 23 3/ 20 10 -6 0 Fl. 1816DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.817 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 2005 e 2006. A instância recorrida assim resumiu (fls. 1795/1796) os termos do lançamento e da impugnação: De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração o lançamento decorreu da constatação da falta de recolhimento de imposto incidente sobre os ganhos de capital obtidos na alienação de bens e sobre ganho de capital em Operações de Bolsa de Valores. No Termo de Verificação Fiscal anexado as fls. 93/97 são descritos o procedimento fiscal realizado, os documentos solicitados e os apresentados. Com autorização da contribuinte foi emitida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira que foram encaminhadas para SLW Corretora de Valores e Cambio Ltda, Novinvest Corretora de Valores Mobiliários Ltda, BM&F Bovespa Supervisão de Mercados –BSM, e Banco Bradesco S.A. Para análise e apuração do resultado das operações em bolsa de valores foi utilizado o programa “ContAgil” versão 1.14.13 da RFB onde foi informado o saldo dos ativos e custo de 31/12/2004 em 01/01/2005 apresentado pela contribuinte fiscalizada, após a importação pelo programa ContAgil das Notas de Corretagens apresentadas em meio magnético pelas Corretoras SLW e Novinvest. Foram extraídos os dados constantes nas notas de corretagens, efetuada a consolidação de todos os ativos, calculados os resultados das operações de venda de todos os ativos pelo seu custo médio, apurado o resultado das operações (lucro ou prejuízo) e apurado o imposto a pagar após deduzido o imposto retido na fonte. O resultado das operações consta do Demonstrativo de Ganho de Capital em Operações na Bolsa de Valores referente ao período de janeiro de 2005 a Dezembro de 2008. Durante o procedimento fiscal foi verificado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Penápolis (matrícula 21.667) que a contribuinte adquiriu em 05/11/2002 o imóvel localizado à Rua Irmãos Chrisostomo de Oliveira, 116 e 132, centro na cidade de Penápolis – SP, no valor de R$78.153,00. O imóvel foi alienado em 16/08/2006 pelo valor de R$115.000,00. A contribuinte não apurou o ganho de capital nesta alienação. No programa da RFB de ganho de capital foi apurado imposto devido de R$4.293,04 sobre a alienação do imóvel descrito Cientificada do lançamento em 26/06/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2010(fls. 166/167). Alega que os valores apontados não levaram em consideração o valor de aquisição das ações e o imposto retido na fonte nas operações em Bolsa. Salienta que foram citadas movimentações com ativos que alega desconhecer. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 15868.000233/201060 Resolução nº 2402000.650 S2C4T2 Fl. 1.818 3 Informa que o valor apurado pela fiscalização está extremamente acima do apurado pelo contador e entregue por meio de correspondência remetida, complementado posteriormente por email enviado para o Auditor. Pede o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 1795/1800), foi interposto recurso voluntário em 24/03/2015 (fls. 1805/1813), sendo então alegado que: No cálculo do meu imposto de renda foram lançados ativos que eu nunca comprei e que não existem na Bolsa de Valores. São eles: BVSP3 e BVSP4. À visto do exposto, demonstrada a improcedência da ação fiscal, espero a impugnação cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 15868.000233/201060 Resolução nº 2402000.650 S2C4T2 Fl. 1.819 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Desde já esclareçase que a recorrente não está inovando na fundamentação em sede recursal, pois já havia afirmado na impugnação que "Foram citadas movimentações com ativos que eu desconheço". Não acolhida tal assertiva pela DRJ/BHE sob a alegação de não terem sido apontados quais seriam esses ativos, vem a autuada nesta instância recursal e explicita que eles são os de código BVSP3 e BVSP4. Compulsando os autos, verificase às fls. 101 e ss sucessivos "Demonstrativo de Ganho de Capital em Operações na Bolsa de Valores" mensais, sendo que a partir de setembro de 2005 (fl. 109) começam a constar operações com o ativo BVSP4, e de janeiro de 2006 em diante (fl. 113), também aparece o ativo BVSP3. Outros demonstrativos de lavra da fiscalização se apresentam a partir da fl. 1470, sendo que neles constam discriminadas "Operações com o Ativo BVSP3/BOVESPA TP, nome do emissor ASSOCIAÇÃO BOVESPA, CNPJ do emissor 61.694.865/000190"; e também "Operações com o Ativo BVSP4/BOVESPA TP, nome do emissor ASSOCIAÇÃO BOVESPA, CNPJ do emissor 61.694.865/000190". Todavia, nos documentos de emissão da Bovespa "Aviso de negociação de Ações" (fls. 1219 e ss) inexistem registros de operações com ativos que tenham tais códigos. Também não se conseguiu achar, na documentação acostada aos autos, basicamente notas de corretagem e documentos da Bovespa, evidências de negociações com ativos assim intitulados (fls. 192 e ss). Não bastasse, este Conselheiro realizou consulta ao sítio da bmfbovespa na internet www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/marketdata/historico/mercadoa vista/serieshistoricas, baixando o arquivo relativo às séries anuais; porém, em nenhum dos anoscalendário examinados, 2005 a 2007, consta a existência de ativo cujo código seja BVSP3 ou BVSP4. Diante desse quadro, restam sérias dúvidas acerca da correção dos demonstrativos colacionados aos autos pela fiscalização, o que compromete a aferição correta da infração imputada à contribuinte. Assim, deve retornar o processo à Delegacia de origem, para que a fiscalização explique se existem efetivamente tais ativos, e demonstre quais são os documentos nos quais Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 15868.000233/201060 Resolução nº 2402000.650 S2C4T2 Fl. 1.820 5 estão registradas as operações em bolsa a eles associadas. Verificado erro no lançamento, deverá ser realizado o correspondente expurgo ou correção, com as consequências respectivas no cálculo da infração. Proponho então, a conversão do julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem esclareça as inconsistências verificadas quanto aos ativos intitulados BVSP3 e BVSP4, discrimine as folhas onde constam comprovadas as negociações a eles vinculadas, e, caso necessário, faça a correção e o recálculo da infração, sendo que a contribuinte deve ser intimada do resultado dessas providências para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1820DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.729027/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 02/01/2008 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal inserta no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09, entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
DEFESA. MATÉRIA NÃO PROPOSTA EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A matéria não proposta em sede impugnatória não pode ser deduzida em recurso voluntário devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, convolando-se o tema em questão incontroversa.
Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 02/01/2008 a 31/12/2008
IOF. INCIDÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO.
A contratação de recursos financeiros através de instrumentos denominados Contratos de Mútuo, contabilizados em rubrica assim intitulada, onde a parte mutuante se obriga a entregar, mediante depósito, quantia determinada, com previsão de quitação, por parte do mutuário, em prazo definido, firmada entre pessoas jurídicas e físicas, caracteriza operação de crédito e está sujeita à incidência de IOF, consoante art. 13 da Lei nº 9.779/99 e Decreto nº 6.306/2007.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal inserta no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09, entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). DEFESA. MATÉRIA NÃO PROPOSTA EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A matéria não proposta em sede impugnatória não pode ser deduzida em recurso voluntário devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, convolandose o tema em questão incontroversa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 02/01/2008 a 31/12/2008 IOF. INCIDÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. A contratação de recursos financeiros através de instrumentos denominados “Contratos de Mútuo”, contabilizados em rubrica assim intitulada, onde a parte mutuante se obriga a entregar, mediante depósito, quantia determinada, com previsão de quitação, por parte do mutuário, em prazo definido, firmada entre pessoas jurídicas e físicas, caracteriza operação de crédito e está sujeita à incidência de IOF, consoante art. 13 da Lei nº 9.779/99 e Decreto nº 6.306/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 90 27 /2 01 2- 91Fl. 1030DF CARF MF 2 Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, ano calendário 2008, apurado sobre valores registrados na contabilidade na rubrica 12110100 (“Contratos de Mútuo), correspondendo a cada lançamento um contrato de mútuo específico, todos juntados aos autos. Em impugnação o contribuinte sustentou que o art. 13 da Lei nº 9.779/99 equiparou, ao arrepio do art. 153, V da CF/88, operação de mútuo com operação de crédito; que mútuo não se caracteriza como operação de crédito; que as operações praticadas pelo contribuinte não se configurariam mútuo, mas, tratandose de um grupo empresarial, um “fundo comum” para melhor alocação das finanças, mantidas contabilidades distintas; que a definição das alíquotas do imposto não poderiam ser feita por decreto, em afronta ao art. 97 do CTN e art. 150, I da CF/88, citando doutrina e jurisprudência; e, que os valores não são disponibilizados às empresas do grupo econômico, mas utilizados para pagamentos de custos e despesas comuns, de modo que, não havendo entrega direta ou indireta dos recursos financeiros, não haveria que se falar em mútuo. A DRJ Brasília/DF julgou o lançamento integralmente procedente, verbis: “OPERAÇÃO DE MÚTUO. Operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física estão sujeitas à incidência de IOF. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10166.729027/201291 Acórdão n.º 3401004.478 S3C4T1 Fl. 11 3 Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia.” Em recurso voluntário, o contribuinte pugnou pelo sobrestamento do julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º do RICARF/09, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria no RE 590.186/RS. Ainda em preliminar, sustentou a nulidade da decisão de primeiro grau por julgar prescindível a realização de perícia e, ao mesmo tempo, entender não provada as alegações de defesa, citando precedentes deste sodalício. No mérito, reprisou os argumentos deduzidos em impugnação, tais como a não incidência do IOF sobre suas operações; inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99; não caracterização do mútuo como operação de crédito; as operações realizadas não se qualificam como mútuo; inexistência de base de cálculo e alíquota definidos em lei; e, inovando o arrazoado, que ditas operações consubstanciariam “contacorrente”, não devendo ser aplicada a orientação do AD SRF 07/1999 e a IN RFB 907/2009, uma vez que não haveria mútuo ou operação de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Por primeiro, afasto o pedido de sobrestamento do julgamento, formulado com fulcro no art. 62A, § 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, tendo em conta que a medida foi expressamente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013, a par de não ser reproduzida no regimento vigente, aprovado pela Portaria MF 343/15, aplicandose o princípio consoante o qual a norma processual não retroage e deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, ex vi do art. 14 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Concernente à argüição de nulidade da decisão de piso, ante a pretensa contradição entre o não acatamento das teses de defesa, por não provadas, e a prescindibilidade da realização de diligências, não assiste razão ao reclamante. A impugnação não trouxe qualquer pedido de diligência e/ou perícia, mas simples protesto genérico pela “produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos e pericial, caso a autoridade julgadora entenda que os fundamentos apresentados não são suficientes para desconstituir a exigência” (efl. 901) Fl. 1032DF CARF MF 4 O art. 16, IV, § 1º do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo contencioso, dispõe expressamente que a impugnação mencionará as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, considerando não formulado o pedido que deixar de atender esses requisitos. O contribuinte sequer tangenciou as mencionadas disposições. Outrossim, a autoridade julgadora tem a prerrogativa de acatar ou não os pedidos de perícia/diligências, desde que repute dispensáveis ou impraticáveis, bastando que o faça de maneira fundamentada (art. 18). Revendo a decisão reclamada observo que está devidamente fundamentada, tanto a negativa para a produção de prova documental, que não veio juntada ao recurso inaugural, como exige o art. 16, III, § 4º, quanto a desnecessidade de diligência, que sequer foi adequadamente formulado. Demais disso, distintamente do que parece pretender o recorrente, as diligências e as perícias não se prestam à produção de provas das alegações postas, seja pela defesa ou pela Fazenda Nacional, mas tãosomente esclarecer pontos duvidosos sobre os fatos ocorridos. Nesse passo, é da defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, extintivos ou impeditivos da ocorrência dos fatos jurídicos tributários e a correspondente constituição do crédito tributário, por força do disposto no art. 373 do CPC e art. 36 da Lei nº 9.784/99. No caso dos autos, a alegação de prova não produzida, sob a ótica da decisão de primeiro grau, recaiu sobre o argumento defensivo de inexistência de mútuo, ao passo que foram carreados aos autos centenas de instrumentos denominados “Contratos de Mútuo”, todos devidamente registrados na conta 12110100, denominada “Contratos de Mútuo”, de modo que, alegando o recorrente, a despeito de toda prova documental produzida, que os aludidos “mútuos” seriam administração de fundo comum, a ele competia a produção dessa contraprova. Diante dessa colocação, correta a conclusão do colegiado de piso, pois, diante da infinidade de documentos que registram indubitavelmente a ocorrência de operação de mútuo, se o recorrente insiste em dizer que não se tratava de operação dessa natureza, a ele caberia exclusivamente a prova em contrário, não sendo a diligência destinada ao desiderato por ele pretendido. Frisese: o recorrente não formulou qualquer pedido específico de diligência, tampouco lhe foi negada tal oportunidade, entretanto, distintamente do Código de Processo Civil, utilizado apenas subsidiariamente no contencioso fiscal, o processo administrativo de exigência tributária não acolhe pedidos genéricos de perícia ou o protesto geral pela produção de provas admitidas em direito, como plasmado nos arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72. Quanto à discussão sobre a real natureza das operações autuadas, cuidase de matéria de mérito que será, a seu tempo, enfrentada neste voto. Ainda em sede preambular, quanto à suposta existência de um sistema de contacorrente, observo que não foi especificamente deduzida na impugnação e, em consequência, não foi objeto de julgamento pela instância a quo, acarretando a preclusão consumativa, nos termos dos arts. 16 e 17: Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10166.729027/201291 Acórdão n.º 3401004.478 S3C4T1 Fl. 12 5 “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Não impugnada oportunamente a matéria, não é possível conhecêla apenas em recurso voluntário, uma vez que se reduz a questão incontroversa, não mais passível de altercação nessa instância. Da mesma maneira, acentuo que não serão conhecidas as alegações de inconstitucionalidade alinhadas pelo recorrente, porquanto é entendimento assente neste Conselho Administrativo, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não compete se manifestar sobre o assunto, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. A súmula CARF nº 2 assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Essa limitação fica evidente com a edição da Lei nº 11.941/09, que, alterando o Decreto nº 70.235/72, incluiu o art. 26A, cuja redação é a seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1034DF CARF MF 6 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha e já adentrando o mérito, não será examinada a suposta inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99 ante o art. 153, V da CF/88, eis que, até o momento, constituise em norma válida e vigente, não sendo deferido à Administração Tributária ou aos órgãos julgadores respectivos a discricionariedade de deixar de cumprílo sob esse argumento. De forma oblíqua, resta também prejudicado todo o exame da aventada distinção entre operação de crédito e operação de mútuo, mesmo à luz do art. 110 do Código Tributário Nacional, uma vez que o indigitado art. 13 da Lei nº 9.779/99 é textual em dispor as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Respeitante à real natureza dos valores escriturados e contratados, segundo o recorrente, referirseiam a um denominado “fundo comum” para alocação de recursos e pagamentos e despesas de todo o grupo econômico, ainda que as pessoas jurídicas componentes mantenham contabilidades distintas. Diante desta alegação, entendo que a existência de gerência comum de empresas de um mesmo grupo empresarial é admissível, a critério de seus administradores, entretanto, a mesma conclusão não posso chegar quanto à constituição do “fundo comum”, com alocação de recursos para liquidação de despesas comuns, pois, em meu entendimento, isso é uma flagrante violação ao princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas, acarretando a indesejada confusão patrimonial, que, inclusive, a teor do art. 50 do Código Civil, é causa para dissolução da entidade. Mesmo que não sujeita a recurso, por preclusão consumativa, mas como concessão dialética tendente à demonstração de raciocínio, mesmo que tomada essa sistemática do “fundo comum” como uma contacorrente, toda a argumentação do contribuinte no sentido que tenha inexistido entrega de recursos financeiros ou lançamentos recíprocos em uma conta gráfica é totalmente descabida e dissociada das provas coligidas aos autos, colhidas de sua escrituração contábil. Não é demais lembrar que o Código Civil estabelece, em seu art. 226, que os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Os lançamentos contábeis são confirmados pelos contratos de mútuo respectivos, que os embasam. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10166.729027/201291 Acórdão n.º 3401004.478 S3C4T1 Fl. 13 7 Dicção semelhante veicula o art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77, que regula o Imposto sobre a Renda. Nesse ponto a defesa é bastante contraditória e incoerente, ao tentar desqualificar as operações por ela própria documentada como operações de mútuo, pretendendo atribuirlhe uma natureza que não se coaduna, de forma alguma, com o acervo probatório dos autos. Os contratos de mútuo, apensados às centenas (efls. 44/721), assim denominados, são padronizados e dispõem, em apenas 03 (três) cláusulas que o crédito liberado (em valor determinado) será depositado “em contacorrente mantida pela(s) mutuária(s)” e que o vencimento do contrato ocorrerá em 05 (cinco) anos, a contar da assinatura do instrumento, quando o eventual saldo deveria ser pago, sem encargos monetários, por meio de depósito na contacorrente mantida pela credora, cabendo à terceira cláusula a definição do foro de eleição. O fato da cláusula segunda referirse a um “eventual saldo” de quitação, a meu ver, de forma alguma pode ser deduzido como caracterizador da alegada “contacorrente”, haja vista que a fiscalização registra que havia contratos de mútuo firmados entre as pessoas jurídicas do grupo e seus sócios, figurando a autuada ora como mutuante ora como mutuária, em que pese o presente lançamento albergar apenas os contratos em que ASA ALIMENTOS S/A figura como mutuante. Então, se havia alguma espécie de encontro de contas a justificar esse “eventual saldo”, estarseia diante do instituto de direito civil intitulado “compensação”, conceituado no art. 368 do Código Civil como a extinção de obrigações mútuas, onde duas pessoas são, ao mesmo tempo, credoras e devedoras uma da outra. Com efeito, sendo os envolvidos nas operações credores (mutuantes) e devedores (mutuários) simultâneos uns dos outros, nada mais elementar que se proceder à compensação. Essa situação, no entanto, de maneira alguma desvirtua a existência do mútuo, pois, como dito e repetido, está documentado que havia um mútuo com entrega de valor definido em contacorrente mantida por cada um dos mutuários, com previsão de quitação em prazo determinado. Então, soa sem sentido lógicojurídico, a afirmação que aquilo que está documentado e contabilizado como mútuo, não o é, mas sim outra operação, que o recorrente não sabe explicar exatamente o que seja, pois não é possível admitir a existência de um “fundo comum” entre empresas do grupo e seus sócios para suposta “alocação de recursos” e liquidação de despesas comuns, em verdadeira confusão patrimonial, sem que exista qualquer documento que respalde esse argumento. Demais disso, ainda que possível admitir tal quadro, a quitação de obrigações de uma pessoa jurídica e/ou física por outra caracteriza operação de crédito, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99, sujeitandoa ao IOF, figurando como mutuário/devedor aquele que tem a obrigação liquidada e, no outro polo, como credor/mutuante, aquele que salda a dívida. Por derradeiro, quanto à “ausência de base de cálculo e alíquota”, equivoca se o recorrente quando sustenta que os componentes do aspecto quantitativo da regra de Fl. 1036DF CARF MF 8 incidência – base de cálculo e alíquota – estão definidos apenas em decreto, o que afrontaria a Carta Magna. Mesmo que não caiba ao CARF deixar de aplicar decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, por força do já mencionado art. 26A do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/2009, a base legal de que deflui o Decreto nº 6.306/2007, segundo a sua ementa, são a Lei no 5.143/1966, Lei no 5.172/1966 (CTN), DecretoLei no 1.783/1980 e a Lei no 8.894/1994, não havendo qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade, como sustentado, tendo em conta que o referido decreto apenas regulamentou a incidência do tributo, sem desbordar de sua finalidade. Outrossim, a teor do art. 153, § 1º da CF/88, é facultado ao Poder Executivo, através de seu Chefe, atendidas condições e limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas do imposto sobre operações de crédito sem que se exija lei para tal providência, sendo o decreto o instrumento adequado a esse propósito. Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.779/99 apenas estendeu a incidência do IOF às operações de crédito havidas fora do Sistema Financeiro Nacional – SFN, ao dispor em seu caput o seguinte: “As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.” Assim, uma vez caracterizados por farto acervo documental a ocorrência de mútuo entre pessoas jurídicas e físicas, inconteste a incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, mostrandose procedente o lançamento, que deve ser integralmente mantido. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso manobrado. Robson José Bayerl Fl. 1037DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004115/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
Numero da decisão: 2402-006.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 15 /2 00 8- 67 Fl. 756DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 19515.004115/200867 Acórdão n.º 2402006.075 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.159.2623, para a constituição da multa devida pela não arrecadação, mediante desconto nas remunerações, das contribuições devidas pelos segurados. O fato gerador das contribuições foi o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados PLR em desacordo com a lei. As contribuições devidas foram lançadas nos Autos de Infração nºs 37.159.2577, 37.159.2585, 37.159.2593 e 37.159.2607. No transcorrer da fiscalização, o sujeito passivo apresentou dois diferentes acordos para duas categorias distintas: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas. Em resumo, teriam sido descumpridos os seguintes requisitos legais: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes não existe acordo para a PLR paga em 2005; o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados; com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação; os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados; não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato; não foi demonstrado que os acordos foram arquivados nos sindicatos, mas apenas que houve requerimento; os acordos foram assinados após o período de aferição dos resultados; os acordos não têm regras claras e objetivas; Fl. 758DF CARF MF 4 (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas o único acordo original foi do ano de 2005; o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; a outra assinada, mas sem data; o acordo de 2003 não está assinado pelo sindicato; o acordo de 2004 não está assinado pela comissão de negociação; apesar de o acordo ter estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado; alguns empregados receberam quantias acima do estipulado; todos os acordos foram assinados após o período de aferição. Desta forma, a fiscalização concluiu que as parcelas pagas a título de PLR não seriam "isentas". A existência de Gratificação Especial, contabilizada em conta de PLR, foi lançada no Auto de Infração 37.095.5650, que não integra este processo e nem os seus apensos. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme descrito no artigo 30, I, "a" da Lei 8.212/91 com as alterações posteriores e art. 4°, "caput" da Lei 10.666/03. JUNTADA DE PROVAS. DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A produção de prova no processo administrativo fiscal deve obedecer as regras do Decreto n°70.235/72 ( art. 16 , I a IV, §§ 1° a 6°). INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. (como no original) Intimada da decisão em 08/06/2009, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08/07/2009, no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: (a) nulidade do Auto de Infração; Fl. 759DF CARF MF Processo nº 19515.004115/200867 Acórdão n.º 2402006.075 S2C4T2 Fl. 4 5 (b) os PLRs estabelecidos para os períodos de 2002 a 2005 atendem plenamente a norma constitucional; (c) tendo em vista que os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo; (d) as empresas e os empregados têm a faculdade de se utilizar dos critérios legais para a confecção do plano (índices de produtividade, qualidade ou lucratividades; programas de metas, resultados e prazos); (e) não obstante, as regras foram devidamente cumpridas; (f) enumerou todos os requisitos legais que teriam sido observados; (g) a fiscalização e a DRJ incorreram em formalismo exacerbado e lesaram o espírito da norma; (h) as regras gerais foram acordadas entre a recorrente e seus empregados, ainda que não tenham sido formalizadas antes dos períodos aquisitivos; (i) os acordos foram firmados previamente aos pagamentos; (j) todos os acordos de PLR tiveram a participação e a anuência do sindicato, conforme doc. 05 da impugnação; (k) os PLRs relativos aos horistas e mensalistas foram firmados em papel timbrado do sindicato; (l) a lei não obriga a confecção de documentos tais como ata de eleição de comissão e ata da reunião de PLR; (m) juntamente com o pagamento de PLR, a recorrente efetuou o adimplemento de gratificação especial a certo empregados. Por equívoco, contabilizou tal procedimento como PLR, mas isso não significa que alguns funcionários tenham recebido valores maiores a título de participação. Alega, ainda, que efetuou o recolhimento de contribuições sobre as gratificações; (n) os pagamentos a título de PLR não se confundem com remuneração; (o) as empresas e os empregados podem tomar livremente por base ou referencial os critérios e elementos que quiserem para estabelecer, nos acordos coletivos, a participação dos empregados; (p) o ato de lhe impor a obrigação de custear a parte que cabe ao empregado é ilegal e inconstitucional, não havendo como imputarlhe a responsabilidade exclusiva no custeio dos encargos, sob pena de enriquecimento ilícito do empregado; (q) o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos contados do fato gerador, de forma que, como o lançamento ocorreu em 25 de agosto de 2008, os créditos tributários Fl. 760DF CARF MF 6 relativos aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2003 e agosto de 2003 estão decaídos; (r) houve recolhimento parcial das contribuições devidas, o que pode ser facilmente verificado em consulta ao sistema da Receita. Em 29/03/2011, a recorrente requereu a juntada aos autos do Acordo de Participação nos Resultados do ano de 2004, assinado e ratificado pelas partes envolvidas. Em sessão de julgamento realizada em 19 de março de 2014, o julgamento do feito foi convertido em diligência, a fim de que a autoridade administrativa informasse se houve recolhimentos, ainda que parciais, de contribuições nos períodos de apuração em referência, ainda que não relativos às rubricas especificamente exigidas no Auto de Infração. Através de informação fiscal, a autoridade asseverou que houve recolhimentos parciais das contribuições Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 19515.004115/200867 Acórdão n.º 2402006.075 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do resultado do julgamento do PAF nº 19515.004112/200823 A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. Com efeito, caso a empresa não fosse obrigada à retenção e ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, conforme as diversas teses recursais formuladas no processo principal, seria igualmente insubsistente a multa lançada neste Auto de Infração. Deve ser consignado, apenas, que a decadência parcial das contribuições constituídas naquele PAF não causam impacto neste Auto, cuja multa tem um valor fixo, independentemente do montante das contribuições devidas e mesmo da quantidade de competências. Logo, como no PAF nº 19515.004112/200823 foi mantido parte do lançamento, o resultado deste processo deve ser negar provimento ao recurso voluntário. 3 Da decadência de obrigações acessórias A propósito da decadência, nas obrigações acessórias não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402 005.9001, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º. 1 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. Fl. 762DF CARF MF 8 Na dicção do § 2º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro2 assim ensina: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2402005.900, PAF 10803.720154/201271, sessão de 04/07/2017, relator João Victor Ribeiro Aldinucci, por unanimidade) 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679543/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de CSLL a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 54 3/ 20 09 -9 6 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.679543/200996 Resolução nº 1201000.374 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhido em 31/10/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.679543/200996 Resolução nº 1201000.374 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940306/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.634
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 30 6/ 20 11 -2 9 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.075. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.940306/201129 Resolução nº 3301000.634 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722485/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/1997 a 30/03/1998
ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O artigo 71, §2º da Lei nº 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2401-005.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Julgado dia 10/05/2018, no período da manhã..
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei nº 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Julgado dia 10/05/2018, no período da manhã.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 85 /2 01 0- 40 Fl. 318DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente lançamento objetivou restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Os autos das referidas NFLD foram disponibilizados ao Banco do Brasil S.A. (nos termos do item 4 do relatório fiscal) . Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte, relativo à contribuição previdenciária referente à parte dos Segurados que a empresa deveria reter e recolher ao INSS, devida por responsabilidade solidária e calculada por aferição indireta (8% sobre a base de cálculo), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 1.278,70 (um mil duzentos e setenta e oito reais e setenta centavos), referente ao período de 12/1997 a 03/1998. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 11/23), o objeto do crédito constituído é a contribuição previdenciária dos segurados que a empresa deveria ter retido e recolhido ao INSS, devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, calculada por aferição indireta na forma das legislações e normas ali citadas. Consta ainda no relatório que o Banco do Brasil é responsável solidário pelo pagamento das contribuições devidas pela Construtora Santi Ltda., CNPJ: 93.101.210/000157. A fundamentação legal do débito (fls. 08), demonstra que a cobrança encontra validade nas disposições contidas no artigo 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. Cientificado do lançamento, o Interessado (Banco do Brasil) apresentou impugnação tempestiva (fls. 80/94), alegando, em síntese: (i) Preliminarmente, suplicou o chamamento ao processo da empresa executora da obra para apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância dos princípios da garantia de defesa e da verdade material, dado que ela dispõe de diversos documentos probantes dos recolhimentos previdenciários; (ii) Que por fazer parte da Administração Pública Federal, podendo contratar somente mediante licitação pública, está respaldada pela Lei de Licitações n º 8.666/93 e, neste contexto, não pode ser responsabilizada, por solidariedade, pelos encargos previdenciários devidos pela empresa contratada; Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11080.722485/201040 Acórdão n.º 2401005.469 S2C4T1 Fl. 3 3 (iii) Que há pagamentos comprovadamente efetuados pela empresa contratada cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 (PAF 11686.000242/200813) e 35.067.6690 (PAF 11686.000241/200879); (iv) Que as Certidões Negativas de Débito – CND, expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; (v) Que o fisco deve cobrar primeiramente da contratada. A omissão na fiscalização desta, importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo à empresa Impugnante; (vi) Que a redação original do artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, vigente de junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de ordem, razão pela qual deve, pelo menos até dezembro/1997, ser aceito; (vii) Que a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou ilegal e abusivamente a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; (viii) Que a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos nº 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e nº 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690), deve ser aproveitada no presente feito, apensando a este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual; (ix) Por fim, requereu o acolhimento da preliminar para o fim de determinar o chamamento ao processo da empresa contratada responsável pelo recolhimento do débito relativo ao período lançado e, ultrapassadas essas, no mérito, pleiteou a improcedência da autuação. A Construtora Santi Ltda., intimada do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01/2010 (fls.76/78), apresentou impugnação (fls. 143/151), dentro do prazo, alegando, em síntese: (i) Que se o crédito objetiva restabelecer a exigência anulada por vicio formal dos lançamentos no período de 11/96 a 02/01 e que estes, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do artigo 173, II, do CTN foram alcançados pela decadência, as parcelas aqui discutidas, no período de 12/97 a 03/98, também o foram; (ii) Pela situação exposta, houve a transcorrência de cinco anos entre a data do lançamento e a notificação da impugnante para efetuar o pagamento, pois os lançamentos são datados de 12/1997 e 03/1998, nos quais se percebe o transcurso do prazo estabelecido pelo artigo174 do CTN; (iii) Pleiteou a nulidade da cobrança, uma vez que não consta nos autos o nome do devedor, no caso a Construtora Santi Ltda e nem o dos sócios, conforme dispõe o art. Fl. 320DF CARF MF 4 585 do CPC. Ressalta, ainda, que a empresa encontrase inoperante, tendo em vista o falecimento do sócio majoritário; (iv) Que não poderia responder solidariamente com o Banco do Brasil; (v) Que não foi cientificada dos lançamentos anteriores; (vi) Insurgiuse contra os juros e multa abusiva, em afronta aos preceitos legais; (viii) Ao final, requereu o reconhecimento da decadência ou prescrição do período de 12/1997 e 03/1998 e, alternativamente, a nulidade por falta de requisitos formais indispensáveis a sua validade. Pleiteou também que a responsabilidade recaísse somente sobre a instituição financeira; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0348.913 da 5ª Turma da DRJ/BSB, às fls. 185/201, julgando improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/12/1997 e 30/03/1998 AIOP DEBCAD nº 37.294.9843 (Segurado) CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O proprietário da obra responde solidariamente com as empresas construtoras contratadas, pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/91, não se aplicando o beneficio de ordem. A não apresentação da documentação necessária à elisão da responsabilidade solidária pelo tomador dos serviços implica no lançamento a este título. A responsabilidade solidária é elidida quando comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11080.722485/201040 Acórdão n.º 2401005.469 S2C4T1 Fl. 4 5 executados, no momento da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Descumpridos os requisitos para elisão da responsabilidade solidária, cabe à AuditoriaFiscal lançar o crédito previdenciário contra o contratante, apuradas as bases de cálculo a partir dos valores das notas fiscais ou faturas. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. PRESCRIÇÃO/ DECADÊNCIA A partir da lavratura do auto de infração não se pode mais cogitar na aplicação do instituto da decadência; e, se houve recurso administrativo, também não cabe falar em prescrição, cujo prazo somente começa a fluir na data da decisão administrativa final. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não pode ele ser cobrado, nem, consequentemente, prescrever. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente Banco do Brasil SA interpôs Recurso Voluntário às fls. 205/237, resumidamente, com as seguintes argumentações: (i) No que concerne à matrícula prevista no artigo 49, § 1º, alínea “b” da Lei nº 8.212/91, aduziu que a mesma competia às empresas contratadas, eis que responsáveis pela execução da obra, motivo pelo qual deveriam ser chamadas para integrar o processo; (ii) Que o Recorrente por ser Sociedade de Economia Mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução, nos termos do artigo 71, § 1º da Lei n.º 8.666/93; (iii) Que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes, não podendo ser fixada de forma arbitrária; Fl. 322DF CARF MF 6 (iv) Que a autuação referese à responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mãodeobra aliado aos próprios fundamentos do acórdão recorrido, devendo ser aplicado o beneficio de ordem para afastar a corresponsabilidade atribuída ao Recorrente; (v) Que a forma de apuração da base de cálculo, por arbitramento da contribuição previdenciária, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, prevista em lei, não poderia ter sido modificada pelo INSS, sendo, abusiva e ilegal, devendo ser nulificada a autuação efetuada; (vi) Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário para promover o cancelamento do injusto e ilegal crédito tributário mantido, reconhecendose a nulidade da autuação remanescente. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Todavia, tendo em vista que a Construtora Santi Ltda. não havia sido notificada do Acórdão da DRJ/BSB, os autos foram baixados em diligência para a promoção da devida cientificação do Acórdão de Impugnação à devedora solidária, nos termos do relatório e voto (fls. 300/306). O sujeito passivo solidário (Construtora Santi Ltda.) foi devidamente intimado em 29/07/2014 conforme Aviso de Recebimento de fl. 310, entretanto, deixou de se manifestar no prazo legal estabelecido (fl. 312). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente Banco do Brasil foi cientificado da r. decisão em debate no dia 24/07/2012 conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 203, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 15/08/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Do Recurso Voluntário 2.1. Do chamamento ao processo A Recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância que negou o chamamento ao processo da empresa executora, responsável pelo recolhimento tributário. Alega que no que concerne à matrícula prevista no artigo 49, § 1º, alínea “b” da Lei nº 8.212/91, aduziu que a mesma competia às empresas contratadas, eis que responsáveis pela execução da obra, motivo pelo qual deveriam ser chamadas para integrar o processo. No caso em análise, verifico que a decisão recorrida negou o chamamento ao processo em virtude de ausência de previsão no âmbito administrativo fiscal, e, acima de tudo, Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11080.722485/201040 Acórdão n.º 2401005.469 S2C4T1 Fl. 5 7 tendo em vista que a empresa responsável pela execução dos serviços já consta no polo passivo da presente demanda. Eis o teor da decisão: “Dessa forma, convém tecermos alguns comentários sobre o instituto do chamamento ao processo. Tratase de um instituto do Direito Processual Civil, previsto nos arts. 77 a 80 do CPC, que consiste em uma provocação a terceiro, no caso o devedor principal, feita pelo reclamado, para vir integrar a lide, na qualidade de seu litisconsorte, por ser comum a ambos a obrigação de pagar. O art. 46 do Código de Processo Civil define as hipóteses em que pode ocorrer a formação de litisconsórcio. Se se tratar de litisconsórcio passivo, estáse diante de hipótese em que o autor poderia propor várias ações, cada uma contra um dos litisconsortes passivos, que seriam, então, isoladamente, réus em cada uma dessas ações. Se se tratar de litisconsórcio ativo, os diversos autores poderiam ter proposto cada um a sua ação, isoladamente, contra o mesmo réu. O Processo Administrativo Fiscal não prevê tal modalidade de intervenção de terceiros; entretanto, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, uma vez que a empresa devedora já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente citada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária n. 1 (fls. 76/77), por AR, em 06/09/2010, (fls. 78). Tratase de um litisconsórcio necessário, pois é determinado por lei, e está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei n. 8.212/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Os argumentos apresentados pela Impugnante como justificativa para requerer o chamamento ao processo, embora justos, não se aplicam, também, ao presente processo, pelos seguintes motivos: Fl. 324DF CARF MF 8 os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora (CONSTRUTORA SANTI LTDA), se apresentados no processo original, foram aproveitados pela fiscalização, quando do relançamento e, se não o foram, a referida empresa teve oportunidade de fazêlo nesta atuação e não o fez. Ressaltase que os documentos referentes aos processos originários foram entregues ao Impugnante, que poderia os ter utilizado, caso entendesse necessário. a responsabilidade pela matrícula da obra também se torna irrelevante, pois não altera o lançamento fiscal, uma vez que este independe do fato de a obra possuir ou não matrícula. O próprio Auditor Fiscal poderia fazêla, de ofício, para lançamento do crédito.” Ora, conforme bem pontuado pela instância a quo, a Construtora Santi Ltda. já é parte integrante do processo em questão conforme se observa do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1 (fls. 76/77), bem como apresentou defesa tempestiva (Impugnação de fls. 143/151) e documentos que reputou conveniente (fls. 152/182). Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar o pedido de chamamento ao processo da contribuinte prestadora de serviços. 2.2. Da responsabilidade solidária Sobre o tema em destaque, o Recorrente sustenta que por ser Sociedade de Economia Mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução, nos termos do artigo 71, § 1º da Lei n.º 8.666/93. Afirma que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes, não podendo ser fixada de forma arbitrária. Ademais, argumenta que a autuação referese à responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mãodeobra aliado aos próprios fundamentos do acórdão recorrido, devendo ser aplicado o beneficio de ordem para afastar a corresponsabilidade atribuída ao Recorrente. Entendo que o recurso comporta provimento nesse sentido, senão vejamos: Conforme revelam os autos, a autuação em face do Recorrente se deu com fundamento no artigo 30, VI, da Lei nº 8.212/1991, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11080.722485/201040 Acórdão n.º 2401005.469 S2C4T1 Fl. 6 9 executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Nos termos do Relatório Fiscal, os órgãos e entidades que compõem a administração pública, entre os quais o Banco do Brasil S/A, na qualidade de sociedade de economia mista, são solidariamente responsáveis com o contratado pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. De fato, tratandose de entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União, o Banco do Brasil S/A enquadrase, nos termos do DecretoLei nº 200/1967, como sociedade de economia mista, integrando a Administração Pública Indireta, juntamente com as autarquias, fundações públicas e empresas públicas. Ocorre que, pelo fato do Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal Indireta, está submetido ao regramento especial disposto na Lei nº 8.666/1993, que assim dispõe: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.(g.n) Essa lei disciplina, em seu artigo 71, que as responsabilidades pelos encargos que decorrem da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão de obra. Confirase: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 326DF CARF MF 10 Tal previsão legal trazida pela Lei nº 8.666/93 tratase, obviamente, de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos decorrentes de contratos administrativos, devendo prevalecer sobre o artigo 30, VI da Lei nº 8.212/1991, que prescreve norma geral sobre a responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante. Essa é a aplicação do Princípio da Especialidade, lex specialis derrogat generali. Há exceção a essa regra apenas quando a execução do contrato firmado com a Administração Pública for realizada mediante cessão de mão de obra, nos moldes do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, conforme previsto no § 2º do dispositivo anteriormente transcrito, hipótese em que é atribuída a responsabilidade solidária ao ente público pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato. Destacase, a propósito, que o Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidou o entendimento de que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para a prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, nos termos do artigo 30, IV, da Lei nº 8.212/1991, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11080.722485/201040 Acórdão n.º 2401005.469 S2C4T1 Fl. 7 11 V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Sendo assim, além dos dispositivos legais encimados que amparam o entendimento ora esposado, o fato da Advocacia Geral da União ter reconhecido em parecer aprovado pelo Presidente da República que a responsabilidade da Administração Pública sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mão de obra, acaba por vincular esse entendimento para aplicação perante os órgãos da Administração Federal, conforme determina o artigo 40, §º 1º da Lei Complementar nº 73/93. Recordese: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Essa interpretação, inclusive, já se encontra pacificada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se observa abaixo: ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA TOTAL. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 71, §1º da Lei nº 8.666, de 21/06/93 Estatuto das Licitações e Contratos Administrativos que dispõe sobre as responsabilidades, inclusive fiscais, decorrentes dos contratos administrativos prevalece sobre o artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91. É a aplicação do Princípio da Especialidade, lex specialis derrogat generali. Em face do artigo 71, §2º da Lei nº 8.666, de 21/06/93, a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mãodeobra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/91. Entendimento consubstanciado no Parecer AGU/MS nº 008/2006, aprovado pelo Exmº Senhor Presidente da República. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2302003.004, Conselheiro Liege Lacroix Thomasi, Data da Sessão: 19/02/2014) A propósito, esta Turma já teve a oportunidade de apreciar questão similar à discutida nos presentes autos, cuja parte interessada também se tratava do Banco do Brasil, Fl. 328DF CARF MF 12 tendo sido aprovado o recurso do contribuinte à unanimidade, cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/08/2000 ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário provido. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401003.200, Conselheira Carolina Wanderley Landim, Data da Sessão: 17/09/2013) Dessa forma, diante dos argumentos acima elucidados, bem como pela força vinculante do Parecer da AGU, não há como manter a responsabilidade solidária do Recorrente (Banco do Brasil S/A) pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/1991, visto que o presente caso não se trata de cessão de mão de obra. Face o acima exposto, dou provimento parcial ao recuso voluntário para afastar a responsabilidade solidária atribuída ao Banco do Brasil S/A. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recursos Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35226.001816/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso não conhecido em relação à matéria não trazida na impugnação por deixar de compor a lide, ficando definitivamente constituída na esfera administrativa.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004
NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO.
A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado.
SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91.
O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR.
A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas.
Numero da decisão: 2301-005.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso não conhecido em relação à matéria não trazida na impugnação por deixar de compor a lide, ficando definitivamente constituída na esfera administrativa. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso não conhecido em relação à matéria não trazida na impugnação por deixar de compor a lide, ficando definitivamente constituída na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 18 16 /2 00 6- 94 Fl. 640DF CARF MF 2 O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0813.142 (efls. 614/619), da DRJ em Fortaleza que julgou o lançamento procedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). SERVIDORES PÚBLICOS EXCLUSIVAMENTE COMISSIONADOS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. SAT/RAT. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. REABERTURA DO PRAZO EXORDIAL. REABILITAÇÃO DE Fl. 641DF CARF MF Processo nº 35226.001816/200694 Acórdão n.º 2301005.244 S2C3T1 Fl. 641 3 PETIÇÃO INTEMPESTIVA. DO REQUERIMENTO DE DILIGENCIA. INDEFERIMENTO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Os ocupantes de cargos exclusivamente comissionados são segurados do regime geral de previdência social, na categoria de empregados. Remunerações pagas, devidas ou creditadas, pela empresa a segurados empregados são bases de cálculo de contribuição previdenciária, esta referente ao financiamento do custeio dos benefícios decorrentes do maior grau de incapacidade. A confecção de relatório fiscal complementar enseja reabertura de prazo inaugural. A apresentação de aditamento à defesa torna hábil defesa dantes declarada intempestiva. A autoridade julgadora de primeira instancia indeferirá a realização de diligência considerada prescindível. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. Lançamento Procedente Contra o Município foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento do Débito NFLD DEBCAD nº 35.796.1315 referente às contribuições previdenciárias nos seguintes levantamentos: a) Levantamento DAL Diferença de acréscimos legais juros sobre recolhimento em atraso referente às competências 09/2001, 03/2002, 06/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004 e 05/2004; e b) Levantamento L01 Comiss Adm/Serv.Prest.c/GFIP diferença de contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT, incidente sobre a remuneração de segurados empregados (servidores comissionados) que prestaram serviços junto à Administração da Câmara Municipal (LOTAÇÃO 5), cujos salários de contribuição foram declarados em GFIP, compreendendo as competências 07/2003 e 08/2003. O valor total do crédito constituído, consolidado em 28/10/2005, foi de R$ 5.348,83. Após pedido de diligência pela unidade julgadora, foi emitido relatório fiscal complementar às efls. 598/600, do qual foi dada ciência ao contribuinte. Em suas manifestações o contribuinte alega, em apertada síntese: a) que os servidores são efetivos e vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social, fato não observado pela fiscalização; Fl. 642DF CARF MF 4 b) que despachos decisórios emitidos pela autoridade julgadora do INSS não foram observados; c) as contribuições previdenciárias foram recolhidas para o regime próprio; d) ocorrência de bis in idem pela duplicidade de autuações decorrentes da mesma ação fiscal sobre as mesmas bases de cálculo; e) ocorrência de cerceamento de defesa; f) realização de diligência junto aos órgãos previdenciários aos quais estão vinculados os servidores; g) juntada posterior de prova documental. Mantido o lançamento na integralidade pela DRJ/FOR, o contribuinte foi cientificado da decisão em 09/04/2008, conforme AR à efl. 626, apresentando Recurso Voluntário (efls. 629/634), protocolado em 06/05/2008, alegando em síntese: a) nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, pela falta de indicação precisa de quais trabalhadores estariam, sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social; b) subsidiariamente, a necessidade de realização de diligências perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência; e c) improcedência do lançamento em virtude de que " quase todos os servidores da Câmara são vinculados a regimes próprios de Previdência, notadamente o IPMT — Instituto de Previdência do Município de Teresina", enquanto a fiscalização considerouos como vinculados ao RGPS. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo TTEEMMPPEESSTTIIVVIIDDAADDEE Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço. MMAATTÉÉRRIIAA NNÃÃOO IIMMPPUUGGNNAADDAA O contribuinte deixou de se manifestar sobre os lançamentos decorrentes de Diferenças de Acréscimos Legais levantamento DAL, motivo pelo qual considerase definitivamente constituído na esfera administrativa. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDOO DDIIRREEIITTOO DDEE DDEEFFEESSAA Alega o recorrente que a fiscalização deixou de discriminar nominalmente os segurados abrangidos no lançamento, causandolhe cerceamento no seu direito de defenderse, Fl. 643DF CARF MF Processo nº 35226.001816/200694 Acórdão n.º 2301005.244 S2C3T1 Fl. 642 5 uma vez que "desconhece as circunstâncias fáticas supostamente constatadas pela autoridade previdenciária". De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 32/35), o saláriodecontribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, foi apurado através da análise dos registros contábeis da Câmara Municipal de Teresina, mediante a verificação física realizada nos balancetes mensais (demonstrativos financeiros, demonstrativos valores empenhados/pagos, notas de empenho, folhas de pagamento e recibos de pagamento), lançados no levantamento L01 — referente a complementação da contribuição da parte patronal, declarados em GFIP, nas competências 07 e 08/2003. Ainda que: 6. As parcelas consideradas na apuração do presente lançamento de débito foram totalizadas por competência das folhas de pagamento, conforme Relatório de Lançamentos, e consignadas no Discriminativo Analítico de Débito DAD, anexos da NFLD; 7. Documentos que serviram de base para o lançamento do débito: notas de empenho; folhas de pagamento; guias de recolhimento — GPS. Por sua vez, no Relatório Fiscal Complementar (efls. 598/600), o auditor esclarece que "Esses comissionados executam serviços vinculados ás atividades normais da Câmara Municipal, recebem regularmente salário, inclusive 13º (cópia folha de pagamento 13/2003 anexa fls. 590 a 592 ) e na oportunidade a Câmara forneceu a relação (cópias das folhas anexas fls de 528 a 587) dos comissionados desta lotação e que são vinculados a outro regime de previdência portanto, os demais servidores da referida lotação, são vinculados ao RGPS". Do exposto acima, revelase insubsistente o alegado cerceamento de defesa, uma vez que os fatos geradores lançados pela fiscalização foram apurados diretamente das folhas de pagamento do município e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo, inclusive com a respectiva declaração em GFIP. Portanto, podese concluir que o contribuinte tem conhecimento de todos os comissionados que prestam serviços à Câmara de Vereadores , no Lotação 5, objeto do presente lançamento. O contribuinte poderia, a contrário senso, ter demonstrado que a base de cálculo apurada mostravase incorreta, carreando aos autos os documentos que comprovassem assim o alegado. Não o fazendo, a mera alegação de cerceamento do seu direito de defesa não merece prosperar, uma vez que o lançamento foi efetuado de forma direta e sobre base de cálculo apurada e declarada pelo próprio sujeito passivo. MMÉÉRRIITTOO Fl. 644DF CARF MF 6 SSEERRVVIIDDOORREESS CCOOMMIISSSSIIOONNAADDOOSS Alega o recorrente que os servidores seriam vinculados ao RPPS. Também aqui não merece prosperar a alegação do contribuinte. Vejamos. O lançamento decorre de diferença de contribuição destinada ao SAT, recolhida a menor, nas competências 07 e 08/2003. Ou seja, o recorrente efetuou pagamentos de contribuições previdenciárias sobre o saláriodecontribuição apurado para o RGPS, porém o fez em montante inferior ao devido, gerando o lançamento complementar correspondente. Portanto, não se trata de base de cálculo sobre a qual o contribuinte entenda serem devidas contribuições para o RPPS, muito pelo contrário Ademais, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998, por força do § 13 do art. 40, o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão tem sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, não mais podendo se vincular a RPPS, sendo regidos pela Lei nº 8.212/91. Tal lei dispõe em seu artigo 12, inciso I, alínea 'g', que os ocupantes de cargo em comissão são vinculados ao RGPS na categoria segurado empregado, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) Por sua vez o Regulamento da Previdência Social dispõe em seu art. 9º o conceito de segurado empregado e as categorias de trabalhadores nele contidas: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;(grifos nossos) j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem com o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo Fl. 645DF CARF MF Processo nº 35226.001816/200694 Acórdão n.º 2301005.244 S2C3T1 Fl. 643 7 efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; (grifos nossos) l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; (grifos nossos) m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; (grifos nossos) ... Ademais, o servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, amparado por regime próprio de previdência social nesses órgãos, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, nos termos do art. 13 da Lei nº 8.212/91: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifamos.) Assim, resta patente que os exercentes de cargo em comissão são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, abrangidos pela Lei nº 8.212/91. Sem razão o recorrente. PPEEDDIIDDOO DDEE DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA O recorrente argumenta que deve ser realizada diligência perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Fl. 646DF CARF MF 8 Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. Entendo que tal diligência revelase desnecessária. No caso ora examinado houve o lançamento de contribuições previdenciárias diferenças de SAT sobre base de cálculo apurada e declarada em GFIP pela própria recorrente, inclusive com o respectivo pagamento parcial das contribuições destinadas ao RGPS, portanto, resta patente a desnecessidade da diligência requerida pelo recorrente, uma vez que não há qualquer equívoco no lançamento remanescente. Pedido de diligência indeferido. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Pelo acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 647DF CARF MF
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Numero do processo: 10425.900327/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/08/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DCTF (CTN, ART. 147,§ 2º).
Erro de fato comprovado conforme resultado constante de relatório de diligência fiscal.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84)
Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão (CTN, art. 147, § 2º).
Numero da decisão: 1301-002.996
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 10.983,91, em valores originais, e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DCOMP Recorrente BENTONIT UNIÃO NORDESTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DCTF (CTN, ART. 147,§ 2º). Erro de fato comprovado conforme resultado constante de relatório de diligência fiscal. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84) Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão (CTN, art. 147, § 2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 10.983,91, em valores originais, e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 03 27 /2 00 8- 10 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 475 2 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 476 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.56/66 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 44/49) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 14/12/2004,, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 4413.43326.141204.1.3.040131 (fls. 01/05), informando compensação tributária: a) débitos informados (confessados): (i) IRPJ, código de receita 2362, período de apuração setembro 2004, data de vencimento 31/10/2004, R$ 10.501,40; (ii) COFINS não cumulativa, código de receita 58561, período de apuração de novembro/2004, data de vencimento 15/12/2004, R$ 1.141,55. b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 10.983,91; que o direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal, do período de apuração 31/07/2004, código de receita 2362, data de arrecadação 31/08/2004, valor do recolhimento R$ 48.057,61, conforme cópia do DARF (fl.29). Em 24/04/2008, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Campina Grande (fl. 07), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débitos da contribuinte, confessados em DCTF. Não restando crédito disponível. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório (fl. 07), in verbis: (...) 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 10.983,91. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 477 4 (...) Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.. (...) Ciente desse despacho decisório, a contribuinte, em 05/06/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 06), pedindo sua reforma, juntando: Cópia do PER/DCOMP nº 24413.43326.141204.1.3.040131, transmitido em 14/12/2004 (fls. 23/28); Cópia do DARF, código receita 2362, no valor original de R$ 48.057,61, referente período de apuração 07/2004, recolhido em 31/08/2004 (fl. 29); Cópia da Ficha 11 da DIPJ 2005 Calculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, informando o valor a Pagar (linha 13) de R$ 37.073,70 para o PA Julho/2004 (fl. 32); Cópia do recibo de entrega da DIPJ 2005, via internet, de 29/06/2005 (fl.33); Cópia de parte de DCTF (folha isolada) do 3º Trimestre/2004, onde consta débito confessado do IRPJ Estimativa Mensal, PA Julho/2004, no valor de R$ 48.057,61 (fl. 30); Cópia do recibo de entrega da DCTF (retificadora), via internet, em 27/04/2007, onde consta débito do IRPJ, no valor de R$ 140.275,52 do 3º trimestre/2004 (fl. 31). Cópia do Despacho Decisório de 24/04/2008 (fl.07). A DRJ/Recife em 23/06/2010, conforme Acórdão de fls. 44/49, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR.. COMPROVAÇÃO. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 478 5 Não se homologa a compensação quando não comprovado ser indevido o pagamento efetuado ou maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/10/2010 (fl. 55), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/11/2010 (fls. 56/66), juntando ainda os documentos, inclusive Balancete Analítico (fls. 67/102), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, não obstante ter confessado na DCTF do 3º Trimestre de 2004 (período de apuração Julho de 2004) o IRPJ estimativa mensal de R$ 48.057,61 (fls. 30/31) e ter efetuado respectivo pagamento (fl. 30), houve erro de apuração do valor do imposto desse PA, gerando pagamento a maior e confissão de débito a maior; que o valor correto do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2004 totaliza R$ 37.073,70, conforme cópia da DIPJ 2005, transmitida pela internet em 29/06/2005 (fls.32/33); que, ainda, para comprovação do alegado, juntou cópia do balancete do período de apuração Julho de 2004 (fls. 78/89), bem como planilha de apuração da base de cálculo do IRPJ (fl. 90); que, em atenção ao princípio da verdade material, devese dar prevalência às informações prestadas na DIPJ 2005, e não ao valor incorreto confessado na DCTF; que, para a decisão recorrida, além da falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, os valores pagos por estimativa mensal somente podem ser utilizados para dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período de acordo conforme disposto no artigo 10 da IN SRF 460/2004; que, entretanto, tal entendimento já foi absolutamente superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo cabível, destarte, a utilização do crédito, relativo a recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal, no próprio anocalendário, por não gerar prejuízo para o fisco. Invocou e transcreveu, em favor de sua tese, ementas de acórdãos deste CARF (Ac. 0515.943 e 10516.205); que a Instrução Normativa n° 900/08 (art. 11), que revogou a IN 600/05 (art. 10), excluiu da vedação de aproveitamento ou utilização, no curso do próprio ano calendário, de crédito decorrente do recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal; que não fez utilização dos valores recolhidos a maior ou indevidamente na apuração realizada no encerramento do anocalendário 2004, conforme demonstra a DIPJ 2005 (declaração de ajuste anual); Por fim, com base nessas razões a recorrente pediu provimento ao recurso, no sentido de que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologada a compensação, extinguindose o débito informado. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 479 6 Na Sessão de 06/12/2012, a 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL converteu o julgamento em diligência, Resolução nº 1802000.138 – 2ª Turma Especial (fls. 120/128), constando do voto condutor, no que pertinente, in verbis: (...) Em face disso tudo, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Campina Grande, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 24/07/2007; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2004 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2004, para comprovação do seu alegado direito creditório; 6) confirmar qual foi o montante de pagamentos do IRPJ estimativa mensal do anocalendário 2004; 7) ajustar, de ofício, a DCTF, se for o caso; 8) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do alegado direito creditório pleiteado e se está disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 9) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos para julgamento. (...) Em 06/02/2017, houve a remessa de retorno dos autos do processo ao CARF, constando a juntada de documentos, Informação Fiscal (relatório de diligência fls. 465/467), conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 468). É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 480 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; portanto dele conheço. Conforme relatado, em 14/12/2004 a contribuinte informou compensação tributária ao fisco sob condição resolutória, de débitos confessados na DCOMP com utilização do direito creditório de R$ 10.983,91 (valor original), cuja origem seria o pagamento, em parte, indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2004, código de receita 2362, data de arrecadação 31/08/2004, valor do recolhimento R$ 48.057,61, conforme cópia do DARF (fl.29). Ou seja, que o crédito pleiteado de R$ 10.983,91 (valor original) seria a diferença entre o valor do pagamento R$ 48.057,61 e o débito apurado do referido PA R$ 37.073,70 (informado na DIPJ). As decisões anteriores nos autos (despacho decisório e a decisão recorrida da DRJ/Recife) denegaram o direito creditório reclamado, com base os seguintes fundamentos: que inexiste o crédito, pois o pagamento foi integralmente consumido pelo débito do próprio PA confessado na DCTF (retificadora); que incabível a devolução do pagamento do imposto estimativa mensal antes de encerrado o anocalendário, pois só se devolve saldo negativo; que, por conseguinte, a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito que reclama. Entretanto, a contribuinte, nas razões recurso, argumentou que cometera erro de fato, quanto ao recolhimento do imposto estimativa mensal do PA 31/07/2004 e sua confissão na DCTF (retificadora) respectiva; que a diferença paga a maior ou indevidamente por erro de fato, consoante precedentes jurisprudenciais do CARF, é cabível sua repetição no próprio anocalendário, a partir da data do pagamento indevido. Em face dos argumentos da contribuinte e da necessidade de instrução complementar, na Sessão de 06/12/2012 a 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL converteu o julgamento em diligência, Resolução nº 1802000.139 – 2ª Turma Especial (fls. 120/128). O resultado da diligência confirmou o erro de fato e a existência do crédito pleiteado pela contribuinte nestes autos, conforme Informação Fiscal da DRF/Campina Grande, de 06/02/2017 (fls. 465/467), que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por todo o exposto, tendo em vista o item 8) listado acima, tem se a relatar o que segue: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 481 8 O contribuinte apresentou o PER/DCOMP n° 24413.43326.141204.1.3.040131 com crédito de pagamento indevido ou a maior de R$ 10.983,91, referente a IRPJ, período de apuração 31/07/2004, código de receita 2362, arrecadado em 31/08/2004, valor total recolhido de R$ 48.057,61, compensando com o débito de COFINS nãocumulativa no valor de R$ 1.141,55 e IRPJ no valor de R$ 10.501,40. Esse pedido de compensação foi indeferido, conforme Despacho Decisório de fl. 8, informando que o valor total do DARF R$ 48.057,61 foi totalmente utilizado com a quitação de débito do contribuinte, confessado em DCTF. Na DIPJ 2005, anocalendário 2004, foi apurado o valor de R$ 37.073,70 de IR a pagar estimativa no mês de julho de 2004, fl. 33, tendo o contribuinte deduzido na Ficha 12A o valor total de R$ 418.343,31 nesse ano de estimativa IRPJ. Na DCTF retificadora, às fls. 296, apresentada em 27/04/2007, o valor que consta de IRPJ estimativa foi de R$ 48.057,61. Pelo exposto, fica demonstrado que se compararmos somente a DCTF e o DARF pago, não há valor pago a maior ou indevido. Mas se compararmos com o valor declaração em DIPJ e confirmado pela contabilidade, verse que o contribuinte tem razão em pedir a compensação do valor de R$ 10.983,91, valor esse que corresponde a diferença entre o declarado na DIPJ 2005, anocalendário 2004, no período de julho 2004, no valor de R$ 37.073,70, e o valor pago em DARF de R$ 48.057,61. Essa conclusão ficou corroborada com a análise da contabilidade do contribuinte, Diário Geral, Balancete à fl. 404/405, e Balancete Analítico, à fl. 81, consta o lucro/prejuízo acumulado em 31/8/2004 o valor de R$ 5.049.516,89, valor esse que coincide com o valor do lucro/prejuízo líquido acumulado apurado nas tabelas às fl. 93, 426 e 451. O valor apurado na tabela à fl. 426 na antepenúltima linha, denominada de SUB TOTAL, na coluna referente a julho, é o mesmo valor constante da DIPJ 2005, anocalendário 2004, no mês de julho, no montante de R$ 37.073,70. Com a finalidade de verificar se os valores deduzidos na tabela de fl. 426 estavam corretos, foi pedido ao contribuinte que demonstrasse o cálculo do incentivo de reserva de lei, do Investimento Fain e da Redução por reinvestimento, fl. 435. Em resposta a essa intimação, a empresa encaminhou os documentos de fls. 496/520. Com base nessa documentação enviada, foi feito pela fiscalização o recálculo da DIPJ do contribuinte do mês de agosto de 2004, às fls. 438/462. Após esse recálculo e após análise detalhada dos documentos enviados, verificouse que os cálculos apurados pelo contribuinte conferem com os valores apurados pela fiscalização. No que se refere se o crédito está disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos, informo que o crédito não está disponível para compensação, visto que não Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10425.900327/200810 Acórdão n.º 1301002.996 S1C3T1 Fl. 482 9 restou saldo, pois o valor informado em DCTF coincide com o valor pago por meio de DARF. Por todo o exposto, vêse que o valor do lucro que consta da contabilidade do contribuinte coincide com o valor constante nas tabelas encaminhadas pelo contribuinte. Assim fica comprovado que o valor de IR estimativa apurado no mês de julho de 2004, constante da DIPJ 2005, anocalendário 2004, no valor de R$ 37.073,70, tem base na contabilidade do contribuinte. Assim, após toda a análise realizada pela fiscalização, constatouse que o direito creditório alegado pelo contribuinte de R$ 10.983,91 tem amparo na contabilidade e nos documentos apresentados à fiscalização. (...). O erro de fato, suscitado pela contribuinte, como visto, restou demonstrado pelo relatório da diligência fiscal, justificando, por conseguinte, a aplicação da inteligência do verbete da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado o erro de fato, logo justificase ainda a necessidade da autoridade administrativa fiscal local da DRF/Campina Grande proceder a retificação da DCTF retificadora (transmitida em 27/04/2007 fl. 296) quanto ao PA 31/07/2004, nos termos do art. 147, § 2º, do CTN, ajustando o débito estimativa de R$ 48.057,61 para R$ 37.073,70, exsurgindo, assim, o crédito pleiteado de R$ 10.983,91 (valor original), bem como sua disponibilidade. Por tudo que foi exposto, voto para dar provimento ao recurso para homologar a compensação até o limite do crédito disponível. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 482DF CARF MF
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