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Numero do processo: 10840.720710/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTES.
Somente as despesas médicas relativas ao contribuinte e a seus dependentes são passíveis de dedução na DIRPF.
DESPESAS MÉDICAS. TERAPEUTA HOLÍSTICO.
A profissão de terapeuta holístico não está elencada entre aquelas que permitem a dedução, na forma dispostas no art. 8º, II, a, da Lei nº 9.250/95.
DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Somente as despesas médicas relativas ao contribuinte e a seus dependentes são passíveis de dedução na DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. TERAPEUTA HOLÍSTICO. A profissão de terapeuta holístico não está elencada entre aquelas que permitem a dedução, na forma dispostas no art. 8º, II, a, da Lei nº 9.250/95. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. Recurso Voluntário Negado
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Somente as despesas médicas relativas ao contribuinte e a seus dependentes são passíveis de dedução na DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. TERAPEUTA HOLÍSTICO. A profissão de terapeuta holístico não está elencada entre aquelas que permitem a dedução, na forma dispostas no art. 8º, II, “a”, da Lei nº 9.250/95. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 1 , 2 e 3 graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 10 /2 00 9- 68 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 150 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/SP2 (Fls. 110), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 20/04/2009, contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2005, Ano Calendário 2004, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 7.417,60, já acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora (fls. 102/107). Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal que foram apuradas as seguintes deduções indevidas: Instrução: glosa de R$ 1.040,00, relativo a pagamentos declarados ao Centro Brasileiro de Cadeias Musculares e Técnicas G.D.S. Ltda, por falta de amparo legal. Pesquisas realizadas junto aos sistemas informatizados da Receita Federal revelam que o estabelecimento encontrase inscrito no CNAE 9609299 – outras atividades de serviços pessoais não especificadas anteriormente; Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa de R$ 10.805,00. Em função dos valores envolvidos, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e da utilização dos serviços referentes à fisioterapeuta Daniela Vittorazzi, no valor de R$ 2.080,00, e à psicóloga Érica Vittorazzi, no valor de R$ 3.040,00 e, em virtude da falta de comprovação foi efetuada a glosa. Além disso, foi glosada a quantia de R$ 825,00 relativa à Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 151 3 despesa com a sobrinha Gabriela, não dependente, e o valor de R$ 4.860,00 paga a Sônia Regina Arantes, por falta de previsão legal (terapia psicocorporal, terapeuta holístico). Os Termos de Intimação Fiscal, a cópia da DIRPF/2005, bem como os documentos apresentados pela contribuinte estão acostados às fls. 7/54 dos autos. Na impugnação tempestiva de fls. 55/57, apresentada por procurador qualificado às fls. 58, e acompanhada dos documentos de fls. 60/94, após breve síntese dos fatos, são trazidas as seguintes alegações, abaixo sintetizadas: faz tratamento e acompanhamento há algum tempo com a fisioterapeuta Daniela Vittorazzi e com a psicóloga Erica Vittorazzi; as sessões foram pagas conforme recibos apresentados, sempre foram pagos em dinheiro; com relação à Drª Sonia Regina Arantes (psicocorporal morfoanalítica), no valor de R$ 4.860,00, esclarece que o tratamento abrange cuidar do corpo e da mente no mesmo espaço de tempo. Os profissionais da área de fisioterapia, profissão da impugnante, requerem desenvolvimento psíquico para atuar em sua atividade, motivo pelo qual a necessidade do tratamento; quanto à instrução do curso pago ao Centro Brasileiro de Cadeias Musculares e Técnicas GDS Ltda, de R$ 1.040,00, afirma que o curso referese a atualização profissional e se enquadram em gastos efetivos para o desenvolvimento de sua atividade; segundo o RIR/99, todos as despesas informadas na declaração estão devidamente comprovadas e foram apresentadas quando solicitadas, não cabendo ao AuditorFiscal presumir que os pagamentos não estão comprovados porque foram pagos em espécie. O regulamento não há exigência quanto à forma de pagamento das despesas, apenas que essas sejam comprovadas por documentos hábeis e idôneos. Transcreve o art. 46 da IN SRF nº 15/2001 e algumas ementas de acórdãos proferidos por Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 152 4 São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. Cientificada em 03/10/2011 (Fls. 120), foi interposto Recurso Voluntário em 01/11/2011 (fls. 121 a 130), onde é argumentado em síntese: (...) Eméritos Julgadores, em que pese o trabalho do Auditor Fiscal na tentativa de encontrar irregularidades na declaração de renda da Recorrente, o seu trabalho não pode prevalecer uma vez que está tisnado pela marca indelével da inconsistência, tornandose inprestável para o fim a que se destina. DAS MOTIVAÇÕES E ARGUMENTAÇÕES DO AUDITOR FISCAL (...) Em primeiro lugar, adota o Auditor postura nitidamente contrária ao contribuinte, como se estivesse diante de duas classes de cidadãos: uma em prol da legalidade, da arrecadação, do resguardo do bem público, por ele representada. A outra classe, constituída por cidadãos de máfé, todos eles empenhados em burlar o fisco, em negar as emanações do Estado, composta pela contribuinte ora Recorrente e pelos profissionais emitentes dos recibos. A presunção de inocência, corolário da presunção de idoneidade e dela decorrente, constitucionalmente garantida, passa ao largo das manifestações do Auditor Fiscal. Exigir do contribuinte que ao proceder os pagamentos através de moeda corrente, demonstrem que houve coincidência de saques nos Bancos é uma excrescência. Ninguém vai ao banco e realiza saques separados para cada despesa que possui. Pensar dessa forma beira a insanidade, afronta todos os princípios da lógica aristotélica. (...) O que diferencia a coincidência de valor e data do saque com o pagamento da efetiva declaração do pagamento em dinheiro, confrontada com saques de valores diferentes do pagamento realizado e associados a recibos devidamente confirmados pelos seus emitentes? DO DIREITO O entendimento dos tribunais desautoriza o trabalho do Auditor Fiscal, movido pela fúria arrecadadora que assola o nosso país, em que se elevou o superávit fiscal ao status de religião e dogma a ser defendido e conseguido por todos os meios e em todas as Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 153 5 circunstâncias, é que se apurou o valor apontado no auto de infração, que mora se combate. (...) No caso presente, todo o eixo de suporte da argumentação do Fisco sustentase na ausência de comprovação de saque bancário, ou ainda, da pretensão falta de necessidade dos atendimentos médicos. DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA Todo o conjunto probatório compilado no procedimento realizado pelo Auditor Fiscal, associado ao princípio constitucional da presunção da inocência, ou mais estritamente, da não culpabilidade, comprova a inconsistência do trabalho levado a efeito e que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração em desfavor da Recorrente. (...) O Auditor Fiscal afastouse da lei federal, ou seja, do Código de Processo Civil ao desconsiderar os saques a maior, coincidentes em datas ou feitos em dia anterior, associados a recibos devidamente confirmados pelos emitentes, tudo isso analisado em circunstância familiar que suporta o ônus de variadas despesas, como meios moralmente legítimos de prova dos pagamentos efetuados e declarados ao fisco pela Recorrente. (...) DA DESPESA COM DEPENDENTES A glosa das despesas da Recorrente realizadas coma sua sobrinha Gabriela, não deve subsistir. (..) POSTO ISSO, requer à Vossa Excelência, na qualidade de Presidente do Conselho de Contribuinte, que se digne acolher o presente RECURSO para anular o acórdão proferido, reconhecendo como válido todos as lançamentos efetivados no Imposto de Renda da Recorrente referente ao exercício de 2.005, ano base de 2.004, por ser medida de direito e de justiça. Ao final o advogado Rosimar Ferreira, OAB/SP. 126.636, solicita: Ao final, requer sejam cadastrados o nome do Advogado da Recorrente para as futuras publicações sejam feitas em seu nome. Requer, outrossim, a concessão do prazo de cinco dias para a juntada do instrumento de procuração, tendo em vista que a Recorrente encontrase viajando. Por não constar nos autos documentos que atestem ser o Sr. Rosimar Ferreira, que assina o recurso, o representante legal da contribuinte autuada, em 19/02/2013 (Fls. 134), a Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 154 6 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência, propondo o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora solicitasse da Sra. Denise Ferreira de Menezes documentação que comprove ser o advogado que assina o recurso o seu representante legal. Cientificada em 08/04/2013 (Fls. 141), a Recorrente em 15/04/2013 (Fls.143 a 146) requereu a juntada do instrumento procuratório e outros documentos comprobatórios. Cumprida a diligência, o processo foi devolvido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e direcionado a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como se observa, parte do litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimada. Por sua vez, a contribuinte afirma que a apresentação dos recibos e declarações é suficiente para o afastamento das glosas. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar a contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, há nos autos a evidência de que a contribuinte, apesar de possuir plano de saúde da Goldem Cross, realizou despesas médicas correspondentes a aproximadamente vinte por cento dos seus rendimentos. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 155 7 Logo, entendo que há nos autos elementos que permitam a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Portanto, como não constam nos autos provas dos efetivos pagamentos, tais como cheques ou extratos bancários, as glosas devem ser mantidas. Quanto as demais despesas médicas que não se foi exigido o efetivo pagamento, adoto integralmente o entendimento da DRJ, que assim se manifestou: “No que se refere aos pagamentos declarados à cirurgia dentista Regina Célia Trajano Rodrigues, verificamos que os recibos identificam que a beneficiária do tratamento é a sobrinha da contribuinte, Gabriela, não declarada como sua dependente na DAA/2005 (fls. 9), de modo que será mantida a glosa com fundamento no inciso II, § 2º, art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, acima transcrito, segundo o qual as despesas dedutíveis são apenas aquelas referentes ao próprio contribuinte ou respectivos dependentes. Quanto aos gastos efetuados com a terapeuta psicocorporal Sonia Regina Arantes Rossi (carteira de terapeuta holístico nº 34301), conforme recibos de fls. 25/28, no montante de R$ 4.860,00, observase a inexistência de previsão legal para a dedução, a título de despesas médicas, cuja especialidade não está contemplada pelo art. 8º, II, “a”, da Lei nº 9.250/95, anteriormente transcrito, cabendo, assim, manter a glosa.” (página 115 dos autos) Por oportuno, esclareço que, apesar de alertado pela DRJ, a Recorrente não apresentou qualquer argumentação contrária, nem mesmo provas acerca da dependência de sua sobrinha e da profissão da terapeuta holística. Melhor sorte não resta à contribuinte no que se refere a glosa das despesas com instrução. É que o curso ministrado pela empresa CENTRO BRASILEIRO DE CADEIAS MUSCULARES E TÉCNICAS G.D.S. LTDA não está entre os elencados por Lei como passíveis de dedução; in verbis: art. 8 , inciso II, alínea b, da Lei n 9.250, de 1995. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.373,84 (dois mil, trezentos e setenta e três reais e oitenta e quatro centavos), relativamente: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10840.720710/200968 Acórdão n.º 2801003.112 S2TE01 Fl. 156 8 (Redação dada pela Lei nº 11.311, de 2006) (Vide art. 8º, inciso I da Lei nº 11.311, de 2006)(Vide Medida Provisória nº 340, de 2006) 1. à educação infantil, compreendendo as creches e as pré escolas; (Incluído pela Lei nº 11.119, de 2005) 2. ao ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 11.119, de 2005) 3. ao ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.119, de 2005) 4. à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); (Incluído pela Lei nº 11.119, de 2005) 5. à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico; (Incluído pela Lei nº 11.119, de 2005) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10120.000204/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA FIXADA PELO LEGISLATIVO. MATÉRIA FORA DO ALCANCE DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO QUE CONGREGA TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS E ÚTEIS. SUBSTITUIÇÃO DO AGENTE NO CURSO DO PROCEDIMENTO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA FIXADA EM LEI. MULTA CONFISCATÓRIO. DESARRAZOADA E DESPROPORCIONAL. INOCORRÊNCIA. MULTA. ALTERAÇÃO DO VALOR. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA. NECESSIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA FIXADA PELO LEGISLATIVO. MATÉRIA FORA DO ALCANCE DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO QUE CONGREGA TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS E ÚTEIS. SUBSTITUIÇÃO DO AGENTE NO CURSO DO PROCEDIMENTO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA FIXADA EM LEI. MULTA CONFISCATÓRIO. DESARRAZOADA E DESPROPORCIONAL. INOCORRÊNCIA. MULTA. ALTERAÇÃO DO VALOR. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA. NECESSIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 02 04 /2 01 0- 18 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 272 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 273 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.246.2430, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração, de 03/2004 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 06, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/01/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 12/02/2010, conforme carimbo de recepção, de fls. 125, a defesa está acostada, as fls. 125 a 135, acompanhada dos documentos, de fls. 136 a 166. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 168 e 174. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 0343.422 7ª Turma da DRJ/BSB, em 02/06/2011, fls. 223 a 232, sendo a impugnação considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 16/08/2011, conforme Intimação e AR, de fls. 233 e 236. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 256, recebida, em 12/09/2011, com razões recursais, as fls. 257 a 264, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais resumidas são as seguintes. Preliminares. · que o auto padece de nulidade insanável, pois não permite identificar os critérios, para apuração da multa benéfica, nos termos do artigo 106, II, “c”, do CTN, o que viola a ampla defesa e o contraditório; · que o agente lançador não identificou o sujeito passivo da contribuição rural, o que interfere no direito de defesa, pois a depender de quem é o sujeito passivo as teses de defesa são diversas, uma vez que a aquisição do leite é feita junto a pessoas físicas e a segurados especiais em regime de economia familiar, devendo o auto ser anulado por clara violação ao texto constitucional; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 274 4 · que após expedido o MPF e designado o AFRFB responsável pela fiscalização, não poderia outro Auditor Fiscal da ação fiscal desacompanhado do “responsável imediato” (sic), fato não observado nestes autos; · que foi designado como responsável pelo procedimento fiscal o Sr. Irso de Barros, mas no curso da fiscalização as tarefas foram executadas pelo Sr. Rogério Moreira Souza, erro material que enseja a nulidade de todo o procedimento; Mérito. · que os julgadores de primeiro grau não têm razão, pois a Constituição traz de forma implícita a possibilidade de tribunais administrativos verificarem a conformidade da norma inferior à Constituição, devendo o termo lei ser interpretado de forma a incluir a Constituição, aplicandose ao processo administrativo o princípio da proibição do confisco, não podendo o julgador deixar de analisar as teses suscitadas; · que a multa aplicada é desarrazoada e desproporcional, o que justifica a intervenção do órgão julgador, sendo que o valor aplicado é excessivo e violador a moralidade, devendo o acórdão recorrido ser reformado, uma vez que aniquila o patrimônio particular; · No pedido a recorrente requer: a) integral provimento ao recurso; b) declaração de insubsistência do lançamento em razão da reforma da decisão recorrida; c) que o contribuinte seja isentado da obrigação. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 269. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 269. É o Relatório. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 275 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminares. Não assiste razão a recorrente, no que tange aos critérios de aplicação da multa benéfica, pois o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, de fls. 45 a 47, em seus parágrafos e com suas diversas planilhas esclarecem a questão de forma objetiva e satisfatória. O sujeito passivo da obrigação tributária é a empresa fiscalizada, assim não há razão para que o fiscal lançador faça tal discriminação. Porém no que tange aos fornecedores de leite se esta é a intenção da recorrente, não pode o fisco identificar, o que a própria empresa não identificou. As informações referentes a aquisição de leite foram extraídas da conta contábil 3.11.01.008 – Leite in natura – Pessoa Física, conforme consta do TIF Nº 01, fls. 10, e listadas no seu ANEXO I, fls. 11 a 17. No Relatório Fiscal da Infração, de fls. 31, o agente autuante volta a cuidar da questão, conforme a seguir transcrito. 5.) Ainda da análise dos registro contábeis, foi localizada a conta 3.11.01.008 – Leite in Natura – Pessoa Física, que registra os custos com aquisição de leite in natura de pessoas físicas. Verificouse que os valores lançados nesta conta eram superiores aos valores declarados em GFIP como aquisição de produtos rurais. 7.) Ao ser questionada a divergência entre os valores encontrados na contabilidade e os declarados em GFIP, conforme Anexo I do TIF – Termo de Intimação Fiscal de nº 1, o contribuinte nada declarou. Assim, os valores que excederam aos declarados em GFIP foram considerados como fatos geradores de contribuição previdenciárias e suas bases de cálculo foram consideradas neste auto de infração, conforme o Anexo II. A conta contábil indica apenas um único tipo de fornecedor pessoa física não havendo outra descriminação, assim o fisco não pode individualizar, o que o próprio contribuinte não o fez. Aliás, tal conduta do contribuinte, não estaria de acordo com o artigo 32, II, da Lei 8.212/91. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 276 6 Desta forma, não há qualquer mácula nos procedimentos adotados no curso da ação fiscal e em seus produtos, no que se refere a clareza e precisão e ao direito de defesa e contraditório e aos princípios da Administração. O órgão julgador a quo dirimiu a questão dos agentes autorizados a realizarem a fiscalização. Aquela instância julgadora deixou claro que no curso da ação fiscal o responsável pelo procedimento foi alterado, iniciandose os trabalhos com um agente fiscal, mas sendo este substituído por um outro agente, que foi quem emitiu o TIF, de fls. 10. Assim sendo, não há erro material algum no procedimento. Ademais, não fosse isso o suficiente a competência dos agentes de fiscalização é instituída por lei, artigo 6º, da 10.593/2002 na redação dada pelo artigo 9º, da Lei 11.457/2007 e não por mero ato administrativo. Aliás, sobre isso o CARF e o judiciário pensam da seguinte forma. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Conselho.Administrativo.Recursos.Fiscais; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 277 7 Seção.Julgamento.2;Câmara.2;Turma.Ordinária.2: Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (meus grifos) Também, aqui não há irregularidade no procedimento. Acertada a posição dos agentes julgadores de primeira instância, quanto a impossibilidade de órgão administrativo, ainda, que de julgamento apreciar questão de inconstitucionalidade. Os agentes da Administração devem obediência ao artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/90 c/c o artigo 26 – A, do Decreto 70.235/72 introduzido pelo artigo 25, da Lei 11.941/2009. Além do que, no CARF a questão está inserida na Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, artigo 62, abaixo transcrito, estando tal matéria sumulada no âmbito desse colegiado. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A interpretação do termo lei, aqui deve ser restritiva e não ampliativa, pois a CRFB/88 diz que o Supremo Tribunal Federal – STF é o seu guardião. O quantum debeatur da multa foi estabelecida pelo legislador e ao fisco só cabe aplicálo, nos termos do artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 278 8 No entanto, o judiciário inclusive com pronunciamento do Pretório Excelso já se manifestou sobre a legalidade da citada porcentagem, observe as decisões transcritas. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). (o realce é meu). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. (este destaque é meu). 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) Ausente dos autos mais esta irregularidade, tendo em vista a inexistência de confisco. O órgão julgador autua dentro do limite da legalidade e do livre convencimento motivado do julgador, observada suas limitações na seara administrativa, não havendo no meu entender nada que indique ser a multa fixada legalmente desarrazoada, desproporcional, excessiva e atentatória a moralidade. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 2803002.659 S2TE03 Fl. 279 9 Assim, com esses esclarecimentos rejeito mais este argumento da recorrente. Todavia, reconheço que a aplicação da multa como estabelecido no auto de infração fere o espírito da nova lei, pois a pena que era estipulada no artigo 32, parágrafo 5º, com a limitação do parágrafo 4º, tudo da Lei 8.212/91 na redação anterior, passou a ter outro patamar, conforme nova sistemática introduzida pelo artigo 32, A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Assim sendo, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 deve a multa ser recalculada na forma estabelecida em lei, como acima declinado e sem levar em consideração o cálculo da PT Conjunta PGFN/RFB 14/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32, A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005417/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DIPJ. Multa por Atraso. Opção pelo Simples Nacional. Início de Atividades.
Insubsistente a exigência de entrega de declaração por outro regime de apuração do lucro, bem como da multa pelo atraso nesta entrega, para suprir o intervalo entre o início da atividade e o deferimento da opção do Simples Nacional, pois a norma de regência estipula que nos casos de empresas em início de atividade, até 31/12/2007, considera-se a data do último registro municipal ou estadual deferido como a data de início de atividade e para os efeitos da opção, forçando a concomitância das datas.
Numero da decisão: 1801-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DIPJ. Multa por Atraso. Opção pelo Simples Nacional. Início de Atividades. Insubsistente a exigência de entrega de declaração por outro regime de apuração do lucro, bem como da multa pelo atraso nesta entrega, para suprir o intervalo entre o início da atividade e o deferimento da opção do Simples Nacional, pois a norma de regência estipula que nos casos de empresas em início de atividade, até 31/12/2007, considera-se a data do último registro municipal ou estadual deferido como a data de início de atividade e para os efeitos da opção, forçando a concomitância das datas.
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MULTA POR ATRASO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADES. Insubsistente a exigência de entrega de declaração por outro regime de apuração do lucro, bem como da multa pelo atraso nesta entrega, para suprir o intervalo entre o início da atividade e o deferimento da opção do Simples Nacional, pois a norma de regência estipula que nos casos de empresas em início de atividade, até 31/12/2007, considerase a data do último registro municipal ou estadual deferido como a data de início de atividade e para os efeitos da opção, forçando a concomitância das datas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 54 17 /2 01 0- 00 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a pagar multa por atraso na entrega de DIPJ relativa ao período de 10/09/2007 a 19/09/2007 – fls. 02. Contesta a exigência fiscal argumentando que, por erro do sistema, a data considerada como de opção pelo Simples Nacional, 20/09/2007, confere com o deferimento da última inscrição para seu funcionamento – Alvará de Licença expedido pela Prefeitura, mas o sistema atribuiu a data de início de atividades em 10/09/2007, ocasionando esta exigência de entrega de declaração por outro regime tributário em razão de 09 dias. Alerta que o sistema foi alterado em 2008 para não haver mais estes problemas. Às fls. 04 do processo consta o recibo de entrega da declaração modelo Simples Nacional – DASN, abrangendo o período de 01/09 a 31/12/2007. A Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, com fulcro no art. 7º, inciso V, ‘a’ da norma que regulamenta o Simples Nacional, Resolução CGSN nº 04/07, exarou o Acórdão nº 1440.281/13 mantendo a exigência fiscal – efls. 23 e 24. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 30, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 11/03/13, efls. 28; Recurso – 05/04/13, efls. 30 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne da questão é verificar se a recorrente estava ou não obrigada a apresentar uma DIPJ, por outro regime de apuração do lucro, no interregno entre 10 a 19 de setembro de 2007, visto que a opção pelo Simples Nacional datou, no sistema, de 20/09/2007. Preliminarmente, observo que as declarações de rendimentos em geral se prestam a informar dados levantados mensalmente (ou por trimestre, ou por ano), causando estranheza que, com relação ao mês de setembro de 2007 a recorrente teria que entregar duas declarações. A redação dos incisos V e VI do § 3º do artigo 7º da Resolução nº04/07, expedida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), foi alterada pela Resolução CGSN nº 29, de 21 de janeiro de 2008, nos seguintes termos: Art. 1º Os incisos V e VI do § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.005417/201000 Acórdão n.º 1801001.758 S1TE01 Fl. 3 3 V a opção produzirá efeitos: a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI – validadas as informações, considerase data de início de atividade: a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal; (grifos não pertencem ao original) Depreendese do texto normativo que para as empresas com início de atividade até 31 de dezembro de 2007, a data de início de atividades é aquela que consta no deferimento do último cadastro seja municipal, estadual, bem como a opção pelo Simples Nacional surte seus efeitos também a partir do último deferimento, portanto, em mesma data, não importando se a empresa começou, de fato, suas atividades antes. Aplicase ao presente litígio as disposições inseridas no artigo 106, inciso II, alínea ‘b’, do Código Tributário Nacional (CTN), que cuida do princípio da retroatividade benigna em relação às penalidades tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observo, ainda, que no recibo de entrega da DASN, além de estar registrado que referese ao período de setembro a dezembro de 2007, consta que a data de início de atividades e que a data da opção foi a mesma 20/09/2007. Ademais, a opção pelo regime de apuração do Lucro Presumido só se concretiza com o pagamento da primeira ou única quota (arts. 516, §§1º e 4º, e 517 do Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99), fato que nunca aconteceu, havendo a recorrente entregue uma DIPJ totalmente ‘zerada’ e inócua por mera formalidade. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723617/2010-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCONFORMISMO COM A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PETIÇÃO ALUSIVA A PROCEDIMENTO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PARTE NÃO LITIGIOSA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RECURSO QUE NÃO DEVE SER CONHECIDO.
Não deve ser conhecido recurso voluntário que não representa inconformismo perante decisão de primeira instância e sim uma petição alusiva ao procedimento de cobrança de crédito tributário referente a matéria não litigiosa, a qual deve ser apreciada pela Unidade da Receita Federal.
Numero da decisão: 2802-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCONFORMISMO COM A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PETIÇÃO ALUSIVA A PROCEDIMENTO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PARTE NÃO LITIGIOSA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RECURSO QUE NÃO DEVE SER CONHECIDO. Não deve ser conhecido recurso voluntário que não representa inconformismo perante decisão de primeira instância e sim uma petição alusiva ao procedimento de cobrança de crédito tributário referente a matéria não litigiosa, a qual deve ser apreciada pela Unidade da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCONFORMISMO COM A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PETIÇÃO ALUSIVA A PROCEDIMENTO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PARTE NÃO LITIGIOSA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RECURSO QUE NÃO DEVE SER CONHECIDO. Não deve ser conhecido recurso voluntário que não representa inconformismo perante decisão de primeira instância e sim uma petição alusiva ao procedimento de cobrança de crédito tributário referente a matéria não litigiosa, a qual deve ser apreciada pela Unidade da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 17 /2 01 0- 51 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, por omissão de rendimentos e glosa de despesas médicas. Ao impugnar, o contribuinte alegou que não recebera os rendimentos lançados como omitidos, anexou comprovante de despesas com Unimed e requereu a consideração de despesas com Plano de Saúde em seu nome de sua esposa Carla Maria de Mello Moreira, bem como solicitou prioridade de tramitação com fundamento no Estatuto do Idoso. O acórdão de primeira instância excluiu a infração omissão de rendimentos nos valor de R$2.200,00 e restabeleceu despesa com Plano de Saúde no valor de R$8.288,14, a que se refere o comprovante apresentado pelo impugnante (fls. 08) em relação aos pagamentos de mensalidade e participação alusivos ao declarante e sua esposa. O valor do comprovante da Unimed contemplava ainda outros beneficiários. O contribuinte foi cientificado do acórdão em 15/08/2011 e interpôs Recurso Voluntário em 23/08/2011, por meio do qual alega que ao impugnar parcialmente o lançamento dirigiuse ao CACPorto Alegre e solicitou emissão de DARF referente à parte não litigiosa, cujo pagamento realizou em 30/09/2010, todavia, juntamente com o acórdão recorrido, recebeu notificação para pagamento de um saldo de imposto de R$1.040,34 mais acréscimos, o que é indevido, razão pela qual pede o cancelamento desse débito. A Unidade Preparadora atesta o pagamento e indica as fls. 138/139. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, porém para deve ser conhecido uma vez que não representa um inconformismo diante do acórdão de proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ. O que o recorrente solicita é que, na cobrança do crédito tributário, seja levado em conta o acórdão da DRJ e o pagamento efetuado referente à parte não impugnada. O apelo do recorrente deve ser apreciado pela Unidade da Receita Federal de seu domicílio tributário e não pelo CARF. Voto por NÃO CONHECER o Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.723617/201051 Acórdão n.º 2802002.580 S2TE02 Fl. 168 3 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11444.001124/2010-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
PERDIMENTO. CONVERSÃO. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO.
A multa resultante da conversão do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o.
Numero da decisão: 3403-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. PERDIMENTO. “CONVERSÃO”. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO. A multa resultante da “conversão” do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 24 /2 01 0- 90 Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 441), lavrado em 05/08/2010, para exigência de multa resultante de “conversão” da pena de perdimento, no valor original de R$ 15.524.715,68, tendo em vista não haver sido localizada a mercadoria, fundamentandose nos arts. 105, VI e VII do DecretoLei no 37/1966 (mercadoria nacional, na exportação, se qualquer documento necessário ao seu desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado, e/ou possuída a qualquer título ou para qualquer fim em tais condições) e no art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002 (“conversão” em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada). Narrase que em procedimentos de investigação conjunto com a Polícia Federal, com escutas telefônicas autorizadas e monitoramento de pessoas e veículos, foram revelados fortes indícios da existência de um esquema fraudulento que consistia no desvio para o mercado interno de pneus e câmaras de ar destinados à exportação. Os produtos eram declarados em despachos de exportação da Pirelli, com destino a duas empresas paraguaias: Mater Pneus SRL e Nacional Cubiertas SRL. Com a participação de intervenientes aduaneiros nomeados pelo exportador e, possivelmente, de servidores públicos, a carga permanecia no Brasil, apesar de constar como exportada nos documentos oficiais. As fraudes eram levadas a cabo com participação ativa incontestável do transportador (Transnardo Transportes LTDA) eleito pela Pirelli para o percurso nacional, até a fronteira terrestre, ou seja, sob a responsabilidade da Pirelli. Cabendo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias das faturas relacionadas no Relatório Fiscal, e não tendo sido localizada a mercadoria, impõese a aplicação da multa de “conversão” do perdimento. No Relatório Fiscal anexo à autuação fls. 46 a 115 (que serviu de base também às autuações levadas a cabo mediante os processos no 11444.001129/201012 exigência de tributos incidentes na importação, no 11444.001126/201089 exigência das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, e processos no 11444.001113/201018 e no 11444.001123/201045 de exigência de IPI), apontase que: (a) o procedimento fiscal foi iniciado em virtude de investigações da Polícia Federal em conjunto com Escritório de Pesquisa e Investigação da RFB Operação “Vulcano”, remontando a denúncia de que a Transportadora TRANSNARDO LTDA estaria desviando pneus destinados a exportação para o mercado interno; (b) após a obtenção de autorizações judiciais para escutas telefônicas (nos autos no 2006.61.25.0011030), expandiuse a investigação aos receptadores de pneus desviados, tendo sido cumpridos, na deflagração da Operação (em 07/11/2008), mandados de busca em 59 pessoas (entre as quais a autuada); (c) a separação entre pneus a serem exportados ou desviados ao mercado interno era feita pelo Sr. ADALBERTO Tavares de Almeida, sócio das empresas MATER PNEUS S/A e NACIONAL CUBIERTAS SRL, destinatárias das exportações da Pirelli; (d) o Sr. ADALBERTO recebia os valores repassados pelos clientes, via 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.946 3 doleiros (com dólarcabo, cf. detalhado às fls. 47/48 e 59/60), e repassava à Pirelli por meio de suas empresas paraguaias, mediante fechamento de câmbio; (e) as carretas que saíam da Pirelli, conforme documentos apreendidos, não eram as mesmas que cruzavam a fronteira, na maioria dos casos, cf. planilha de fls. 51/52, havendo descarga no armazém da TRANSNARDO para possibilitar as manipulações e desvios; (f) confirmam as exportações fictícias os depoimentos da funcionária EDNA Maria Ferrari Rosa, da TRANSNARDO, além dos documentos apreendidos em sua residência, e que indicam as ordens de ADALBERTO quanto ao destino das cargas (v.g. documentos de fls. 53/56); (g) em vigilância realizada pela Polícia Federal na TRANSNARDO entre março e abril de 2008, foram constatadas diversas retiradas de pneus por caminhões de empresas que adquiriam os produtos de ADALBERTO no mercado interno, como documentado às fls. 57/59; (h) cotejando as exportações efetuadas da Pirelli para a MATER registradas no Brasil com as importações da MATER tendo como exportadora a Pirelli registradas no Paraguai, percebese (fls. 60/61) que apenas cerca de 25% do exportado nos anos de 2006 a 2008 chegava ao Paraguai, sendo que a Pirelli tinha conhecimento disso, cf. email apreendido na Pirelli de Santo André (fl. 62); (i) foram identificadas por meio de conversas no Skype e documentos esparsos detalhados às fls. 63 a 112, 191 faturas de exportação emitidas pela Pirelli (188 para a MATER e 3 para a NACIONAL CUBIERTAS) referentes a produtos desviados, totalizando US$ 7.967.371,27; (j) a exportação fictícia dá ensejo à exigência de IPI na saída dos estabelecimentos (filiais 0043Barueri e 0044Santo André), das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) sobre o faturamento da matriz, e dos tributos devidos na importação de matériasprimas por drawback, além de ocasionar a aplicação de multa de 100% (em substituição ao perdimento); e (k) o presente processo trata do Auto de Infração para exigência da multa de 100% em substituição ao perdimento, contendo em anexo os documentos relacionados às fls. 113 a 115. Cientificado da autuação em 16/08/2010 (fl. 4), a empresa apresenta impugnação em 15/09/2010 (fls. 2616 a 2677). Na peça impugnatória, narrase que: (a) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime; (b) a empresa não obteria qualquer vantagem com as exportações fictícias; (c) os registros do SISCOMEX comprovam que as exportações foram realizadas (desembaraçadas cerca de um terço em canais laranja ou vermelho e averbadas pela Receita Federal, havendo comprovante de exportação em todas as operações mencionadas pela fiscalização, registros esses que permanecem intactos no sistema informatizado), sendo insuficientes os indícios em contrário apresentados; (d) não se pode exigir tributo a partir de presunções hominis, tendo em vista a legalidade e a tipicidade cerrada que norteiam o direito tributário, como atestam a doutrina e a jurisprudência administrativa (e a fiscalização não faz prova cabal de que as mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento à empresa porque ela não concorreu para a prática de nenhuma conduta tipificada na norma sancionatória; (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento porque se prevalecer a alegação do fisco, as mercadorias não foram exportadas mediante a utilização de documento falso, tendo em vista que sequer teriam sido exportadas; (g) a existência de autuação para exigência dos tributos internos devidos em decorrência da exportação inibe a aplicação do perdimento; (h) não houve conduta fraudulenta ou dolosa por parte da empresa que motivasse o perdimento (sendo que a própria fiscalização reconhece que a Pirelli agiu com culpa “in eligendo”/”in vigilando”); e (i) se houve infração, devem ser punidos os efetivos responsáveis (os representantes do importador e do transportador, os receptadores das mercadorias e os agentes do fisco), pois a Pirelli contratou a transportadora para entregar a mercadoria no exterior, e se essa agiu em descumprimento do contrato, deve responder pessoalmente. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O julgamento de primeira instância ocorre em 13/01/2011 (fls. 829 a 2834), acordandose pela procedência da autuação, sob o argumento de que “caracteriza dano ao Erário punida com Pena de Perdimento a falsa declaração de exportação indicando mercadoria em quantidade superior à realmente exportada”, em refutação aos argumentos expostos na impugnação. Ciente da decisão de piso em 17/02/2011 (cf. AR de fl. 2844), a Pirelli apresenta Recurso Voluntário em 18/03/2011. Na peça (fls. 2845 a 2913), alegase que: (a) a decisão da DRJ é nula, por falta de análise do conjunto probatório e dos argumentos apresentados na impugnação, limitandose o julgador a reproduzir dados do Relatório Fiscal, não se manifestando sobre todas as razões apresentadas pelo impugnante; (b) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime, não tendo qualquer benefício econômico com a situação narrada na autuação; (c) os registros do SISCOMEX (ainda existentes e não retificados, inclusive para os canais laranja e vermelho, o que poderia ser verificado em sede de diligência) comprovam que as exportações foram realizadas, e não foram refutados a contento pelos indícios levantados na autuação (nem pelas alegações genéricas do julgador a quo); (d) a presunção simples não pode ensejar a exigência de tributos, sob pena de ofensa à legalidade e à tipicidade cerrada (e não há norma que permita à fiscalização presumir, a partir de conversas Skype, planilhas ou interrogatórios, que mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) não há provas de que as mercadorias tenham permanecido em território brasileiro (pelo contrário, há registros oficiais de que saíram), e ainda que houvesse ocorrido o desvio, não há provas de que as mercadorias tenham sido desviadas dentro do território brasileiro (e se as mercadorias saíram do território brasileiro, o que seria igualmente presumível, houve exportação); e (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, seja pela inexistência de declarações falsas ou adulteradas, seja pela ausência de intuito fraudulento nas operações, ou pelo fato de a responsabilidade ser exclusiva de terceiros; ou ainda porque tal penalidade não se aplica nos casos de desvio de mercadorias (como já decidido pelo CARF). O Recurso Voluntário é então encaminhado ao CARF em 14/04/2011, pelo documento de fl. 2936, tendo sido a mim distribuído, por sorteio, em 07/03/2013 (fl. 2944). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo, discutese o cabimento da aplicação de multa pela “conversão” da pena de perdimento, tendo em vista não haver sido localizada a mercadoria, fundamentandose nos arts. 105, VI e VII do DecretoLei no 37/1966 e no art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Dispõem os incisos VI e VII do DecretoLei no 37/1966: “Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.947 5 VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim;” (grifos nossos) Assim, para que fosse possível a aplicação da pena de perdimento, incumbiria à autoridade aduaneira a prova, no mínimo, de que: (a) houve falsificação ou adulteração de documento; e (b) tal documento é necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. No caso em análise, sem ainda ingressar na questão probatória, é de se destacar que a conduta imputada é de exportação fictícia (com desvio de parte das mercadorias exportadas ao mercado interno). A autoridade autuante aplica, na impossibilidade de apreensão da mercadoria, medida acautelatória do perdimento, o comando do art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) Para aplicação do disposto no § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, no caso de não localização da mercadoria, demandase um elemento probatório adicional por parte do fisco: a tentativa de localizar a mercadoria. Se o fisco sequer tentou localizar a mercadoria, ou intimou o autuado a apresentála, não se vê como poderia, de plano, considerála não localizada. Em relação aos dispositivos reproduzidos, dois elementos merecem ainda atenção, sendo de substancial relevância para a identificação do cabimento ou não da autuação: um inerente ao próprio perdimento, sobre o qual paira muita confusão o dano ao Erário, e outro sobre as hipóteses de aplicação da multa de “conversão”. Do dano ao Erário Em relação ao primeiro elemento, cabe destacar que a citada confusão é a que acaba sempre levando à discussão se em determinado caso houve ou não “dano ao Erário”, Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 para efeitos de aplicação da pena de perdimento. Uma leitura sistemática do art. 23 do Decreto Lei afasta o equívoco. É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o, acima transcritos) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido acordou unanimemente esta turma, há três meses2. Da multa de “conversão” do perdimento A possibilidade de “conversão” do perdimento em multa surge na Medida Provisória no 66, de 29/08/20023, convertida na Lei no 10.637/2002. A leitura das alterações promovidas pela Lei no 10.637/2002 ao art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 deixa clara sua inserção em um contexto de combate à interposição fraudulenta. Contudo, o texto da redação dada ao § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 apresentou algumas imperfeições, que vieram a ser corrigidas pelo art. 73 da Lei no 10.833/2003, e pelo art. 41 da Lei no 12.350/2010. 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013. 3 Em verdade, cabe ressaltar que surge com esse nome ("conversão") em 2002. Já havia a possibilidade de aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria no caso de consumo ou entrega a consumo, de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente (art. 83, I da Lei n. 4.502/1964). Destaquese que a mesma lei, em seu art. 87, previa a perda da mercadoria para a hipótese. Assim, o art. 83, I acabou constituindo a multa cabível na impossibilidade de aplicação da perda. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.948 7 A mais grave de tais imperfeições apresenta impacto direto no presente processo: vejase que o texto do § 3o dispões que a pena de perdimento se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada. A expressão “valor aduaneiro” tem um significado próprio na legislação aduaneira (nacional e internacional). Internacionalmente, corresponde à base de cálculo do imposto de importação, conforme acordado no Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT conhecido como “Acordo de Valoração Aduaneira do GATT AVA/GATT”, resultante da Rodada Uruguai do GATT. Tal acordo foi incorporado a nosso ordenamento jurídico mediante aprovação pelo Decreto Legislativo no 30, de 15/12/1994, e promulgação pelo Decreto no 1.355, de 30/12/1994). No Brasil, igualmente, a expressão “valor aduaneiro” se refere à base de cálculo do imposto de importação, conforme se extrai do art. 2o, II do DecretoLei no 37/1966, e dos arts. 75 a 89 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/20094). Quando se está a tratar de exportação, incabível falar em “valor aduaneiro”, sendo a base de cálculo do imposto de exportação “o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX” (conforme art. 2o do DecretoLei 1.578/1977, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001). Vejase que o próprio Regulamento Aduaneiro, ao classificar multas incidentes sobre o “valor aduaneiro”, as classifica no Capítulo de “Multas na Importação” (v.g. multa do art. 711 do Regulamento vigente, equivalente à multa do art. 636 do Regulamento Aduaneiro de 2002). Endossando tudo o que foi aqui exposto, o legislador alterou o § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, em 2010, abolindo o termo “conversão”, e possibilitando a aplicação da multa às exportações, entre outras alterações. O texto originalmente constante do art. 19 da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010, hoje consta na lei de conversão, Lei no 12.350/2010, em seu art. 41: “Art. 41. Os arts. 23, 28, 29 e 30 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: " Art. 23. (...) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” (NR)(grifo nosso) 4 Arts. 75 a 89 também no Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos narrados na autuação (Decreto n. 4.543/2002). Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Assim, a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, passou a ser possível exigir, no caso de não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento, na exportação, uma multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. Contudo, os casos narrados na autuação datam de 2005 a 2008. Entender que a multa seria aplicável a tal período é retroagir in pejus, o que é condenado em praticamente todos os ordenamentos jurídicos do mundo, inclusive o nosso. Ou ainda crer que a nova redação do § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 tenha natureza meramente declaratória, o que implicaria dizer que antes da alteração já era possível aplicar a “conversão” do perdimento na exportação, porque a expressão “valor aduaneiro” já abarcava (embora com terminologia imprecisa) o preço constante da nota fiscal . Tal argumento peca por usar analogia na aplicação de penalidade, e ainda por distorcer conceito jurídico acordado internacionalmente. Assim, e sem a necessidade de análise detalhada da argumentação exposta no Recurso Voluntário, é de se cancelar, de plano, a autuação, por ter sido lavrada com enquadramento legal inaplicável ao caso. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando o lançamento efetuado. Rosaldo Trevisan Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10880.915974/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2000
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 74 /2 00 8- 41 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 44/51 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS relativo ao fato gerador de 31/03/2000. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 53.874,03 – código de receita 8109) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 17/06/2011 (vide AR de fls. 53), a interessada, em 18/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 98 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 44/51, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 99 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção do PIS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de março de 2000, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de março de 2000, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento do PIS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Da conclusão Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 100 7 Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908857/2008-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904034/200845, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.626 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 85 7/ 20 08 -4 0 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.908857/200840 Resolução nº 1801000.288 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 23034.002917/98-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SALÁRIO-INDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE - TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997 FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SALÁRIO-INDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE - TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997 FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SALÁRIOINDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 29 17 /9 8- 25 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 119 2 Relatório A presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, DEBCAD 49.903.1040, objetiva a cobrança de diferenças decorrentes de irregularidades no recolhimento do salárioeducação, conforme NRD 120/1998, de fls. 04, com período de cobrança, de 08/1993 a 12/1996, conforme Quadro de Atualização de Débito – Notificação, de fls. 05 e 06. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 16/06/1998, conforme segundo parágrafo, do Despacho, de fls. 16. O contribuinte apresentou sua defesa com razões, acostada, as fls. 08 e 09, recebida, em 29/06/1998, terceiro parágrafo do despacho citado acima, acompanhada dos documentos, de fls. 10 a 15. O FNDE por intermédio dos despachos, de fls. 16, Divisão de Análise de Defesa, sugeriu o indeferimento da defesa apresentada. A Presidência do FNDE, por intermédio da Informação nº 1243/2005 – indeferiu a defesa, fls. 17. A empresa notificada foi intimada da decisão pelo Ofício nº 12/2006, fls. 22, conforme AR, de fls. 24. O sujeito passivo remeteu ao FNDE, via Correios, o recurso voluntário, tendo sido este postado, em 18/03/2006, conforme consta do Memorando nº 39/2006 – CGACI/DIFIN/FNDE/MEC, datado, de 21/02/2006 de fls. 25. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 26 a 31, acompanhado dos documentos, de fls. 32 a 82, as teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A Advocacia Geral da União – Procuradoria Federal do FNDE por intermédio do Parecer nº 289/2007, fls. 104 a 106, em razão da edição da Lei 11.457/2007, promoveu a transferência dos autos do FNDE para a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB. Os autos foram recepcionados pelo novo órgão, conforme despacho, de fls. 115. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 117. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 117. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre esclarecer a questão do depósito recursal. No presente caso tal exigência foi dispensada, devido a concessão de efeito suspensivo ativo no Agravo de Instrumento nº 2006.0.00.0116117/DF, fls. 99 a 101. Não fosse isso suficiente tal questão, hoje, é vetusta, haja vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 pelo Supremo Tribunal Federal – STF, transcrita abaixo. SÚMULA VINCULANTE Nº 21 É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. Verifico da análise dos autos, que da Informação Fiscal IF, de fls. 01, do Fiscal de Contribuições Previdenciárias – FCP, que empreendeu fiscalização na empresa, que o fato gerador das contribuições ao SalárioEducação, descrito na IF decorre de SALÁRIO – INDIRETO: TRANSPORTE. Na defesa apresentada pela empresa, fls 08 e 09, ao falar da NRD 120/1998, assim esta se pronunciou, observe a transcrição. NRD 120/1998 ( Proc. 23034.002917/9825) : PAGAMENTO DE DESPESAS DE TRANSPORTE (o destaque é meu). No intuito de melhor aclarar a situação transcrevo abaixo parte dos argumentos de defesa da empresa junto ao INSS, decorrentes de notificações fiscais, lançadas por aquele órgão e que foram apresentadas ao FNDE como defesa da NRD 120/98. NFLD 01 N° DEBCAD 32.433.440 0 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES PAGOS POR TRANSPORTE DE EMPREGADOS (grifo do original). TORQUE SOCIEDADE ANÔNIMA,(grifo do original), estabelecida à Av. Torque n° 99, Município de Araras São Paulo, por seu representante, tendo em vista a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) atinente à eventual incidência de recolhimentos previdenciários sobre valores pagos à empresas de transporte, para a movimentação de seus empregados vem, respeitosamente, para apresentar DEFESA,(grifo do original), pelo que expõe e requer o seguinte: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 121 4 01 A REQUERENTE foi notificada pelo Sr. Vistor Fiscal sob o argumento de que não procedeu ao recolhimento de contribuições à Previdência, devidas no entender da Fiscalização, sobre importâncias pagas à empresas de transporte, que contratara para a movimentação de seus funcionários. 02 O Sr. Agente Fiscal entendeu, in casu, que esses montantes constituiriam espécie de salário indireto, tendo em conta que o transporte de empregados se daria de forma habitual e gratuita, importando assim nessa pretendida equiparação. 03 Importa discutir, entrementes, e em primeiro plano, o conceito do próprio transporte de empregados da REQUERENTE, cujos valores constam da Notificação de referência, tendose na devida conta e perspectiva de que se tratam de hipóteses peculiares, em que a REQUERENTE, em função dos contratos que firma com clientes, se obriga a deslocar de seu estabelecimento fabril para outras localidades, determinada força de trabalho ou mão de obra especializada. 04 Ocorre que a REQUERENTE, ao tomar os serviços de terceiros, no âmbito da prestação de serviços de transporte de seus empregados, não o faz para efeitos de cumprir uma rotina diária de acesso dessas pessoas ao seu estabelecimento, mas e especificamente, de movimentar mão de obra em face de serviços ou operações determinadas. 05 Ora, parece estranho à REQUERENTE, que o digno Agente Vistor pretenda, desde logo, equiparar esse conceito de transporte especifico e determinado à situações de caracterização de habitualidade e decorrente existência de salário indireto, pois não só o transporte não é habitual, como ao contrário tem serventia específica, como narrado nesta contestação. 06 Evidenciase que, data máxima vénia, a exigência é descabida, desde que colocada como pretende a Notificação como espécie de salário indireto, na exata medida em que essa forma de transporte não se dá usualmente, nem beneficia coletivamente aos empregados da REQUERENTE. (todos os demais realces são meus). Fica evidente do que foi acima transcrito e destacado que a base de incidência da contribuição social previdenciária e por decorrência a do salárioeducação foram pagamentos realizados pela empresa objetivando o transporte de seus trabalhadores e que foram considerados pela fiscalização salárioindireto. Todavia, tal rubrica não se presta a servir de base de cálculo da contribuição social previdenciária e assim não pode ser base de cálculo do salárioeducação, observese o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF sobre a questão. EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 122 5 NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe 086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL 0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) (esse realce também é meu). Ademais, o CARF sumulou esta questão. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Diante do que dito acima a exigência fiscal é improcedente. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 123 6 Posto isto, tendo em vista os esclarecimentos declinados, ainda, que por motivos diversos a exigência não merece prosperar, este é o motivo pelo qual as razões recursais não foram sumariadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10320.001021/2001-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 01 02 1/ 20 01 -7 2 Fl. 39701DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de pedido de restituição (fls. 01) de pretenso crédito referente aos saldos negativos do IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL correspondentes aos anos calendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999; a ser compensado com débitos do PIS e da Cofins discriminados nos pedidos de compensação de fls. 02/05. Pela análise da documentação trazida aos autos a Fiscalização emitiu Relatório (fls. 733/767) com base no qual foi prolatado o Despacho Decisório nº 66/2006 (fls. 780/807) manifestandose pela prescrição do pedido em relação ao anocalendário de 1995 e negando integralmente a solicitação quanto aos demais períodos. Foi constatado que o sujeito passivo apresentou Declaração de Rendimentos (ou DIPJ, dependendo do período) retificadora para os anoscalendário 1995 e 1996 com modificações substanciais, em relação à Declaração normal, nos valores que influenciaram na apuração do IRPJ e CSLL. Além disso, os Livros Diários apresentados como suporte dessas retificações não correspondem àqueles identificados no Quadro correspondente das Declarações, tanto das originais quanto das retificadas. Em relação aos anoscalendário 1997 e 1998 não houve apresentação de Declaração retificadora; entretanto, repetiuse o problema constatado nos períodos anteriores no que se refere à discrepância entre os Livros Diário trazidos ao conhecimento do Fisco e a identificação desses livros informada nas Declarações. Entendeu aquela autoridade que os Livros apresentados não eram hábeis e idôneos para atestar a escrituração da pessoa jurídica, inclusive no que tange à apuração do saldo devedor de IRPJ e CSLL a ser restituído ou compensado. Na inexistência de liquidez e certeza quanto ao crédito, a solicitação deveria ser indeferida. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 835/883, com documentos de fls. 884/954) defendendo que as divergências representam erros formais que não poderiam impedir o reconhecimento do direito pleiteado, pois a empresa possui escrituração regular, conforme atestaria a documentação anexada aos autos. Requer perícia para que seja confirmada essa regularidade. Sustenta a nulidade do Auto de Infração (sic) por cerceamento do direito de defesa pois não teriam sido discriminadas pormenorizadamente as rubricas das supostas infrações praticadas. O procedimento também seria nulo: em função da ausência de provas, pela impossibilidade de arbitrar o lucro quando existe escrituração regular e pelo descumprimento da Constituição e da legislação federal quanto ao dever legal a que estaria adstrito o auditor fiscal. Faz arrazoado teórico em relação à sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL bem como quanto ao direito à compensação. Reclama pela suspensão da exigibilidade dos débitos indicados no pedido até que o processo administrativo finde seu trâmite. Por fim, ratifica a solicitação de perícia a fim de que sejam levantados os valores corretos de IRPJ e CSLL a serem restituídos. Fl. 39702DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 4 3 A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 0810.993/2007 (fls. 1.005/1.024), seguindo a mesma linha do Despacho Decisório e negando provimento à solicitação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade do Despacho Decisório. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Restituição. Decadência. Pagamento por Estimativa Mensal de IRPJ e CSLL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, sendo este o prazo inicial da contagem de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição do indébito tributário, nos termos dos arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Restituição. Saldo Negativo do IRPJ e da Base de Cálculo Negativa da CSLL. Não há que se falar em restituição de IRPJ e CSLL, quando não restar comprovado a existência de pagamento indevido ou maior que o devido dos aludidos tributos que caracterize a liquidez e certeza do crédito tributário. Erro na Escrituração. Substituição do Livro Diário Já Autenticado. Impossibilidade. A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. Lucro Real. Escrituração do Livro Diário. Registro e Autenticação. Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Julgamento Administrativo. Caráter Vinculado. A autoridade administrativa deve observar nos seus julgados as normas legais e regulamentares, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis e Atos Normativos. Fl. 39703DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 5 4 Incabível na esfera administrativa a discussão de princípios constitucionais, inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e/ou atos normativos, os quais deverão ser observados pelo Poder Legislativo e Executivo no momento da criação da lei e do ato normativo. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo. Declaração de Compensação Não Homologada. Débitos Confessados. A interposição de manifestação de inconformidade contra decisão que não homologou Declaração de Compensação não suspende a exigibilidade do crédito tributário, devendo os débitos confessados serem objeto de cobrança, nos termos do art. 29, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Pedido de Perícia/Diligência A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências/perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Não se conformando, a interessada recorreu a este Colegiado (fls. 1.027/1.067) ratificando, em essência, as razões expedidas na peça impugnatória. Na sessão realizada em 11/03/2009, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF prolatou a Resolução 120100.001 (fls. 1.135/1.138) convertendo o julgamento do recurso em diligência a fim de que fossem adotados os seguintes procedimentos pela autoridade fiscal: 1) Verificar se as informações contidas na DIRJ ou DIPJ (normais ou retificadoras) referentes aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999; principalmente no que se refere aos valores com impacto na apuração do imposto e da CSLL, estão embasadas na escrituração da empresa, inclusive no que tange à extensa documentação trazida aos autos; 2) Exigir da interessada que indique e apresente claramente os documentos que lastrearam as retificações e os livros Diário questionados, sob pena de desconsiderálas; 3) Após verificação na resposta apresentada pelo sujeito passivo, elaborar relatório com indicação dos valores corretos, se existentes , do saldo devedor do IRPJ e base negativa da CSLL, para cada um dos anoscalendário (1995 a 1999, inclusive). Nesse relatório a autoridade poderá fazer as considerações que entender procedentes, inclusive, se for o caso, na ratificação da inidoneidade dos livros apresentados ao Fisco; 4) Cientificar o sujeito passivo do teor do relatório de que trata o item anterior para que, se o desejar, manifestese no prazo de dez (10) dias. Em atendimento, a autoridade responsável trouxe aos autos os documentos de fls. 1.143/1.188 demonstrando os procedimentos adotados e o Relatório de Diligência Fiscal, o qual foi cientificado ao sujeito passivo e não contestado. É o Relatório. Fl. 39704DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Relator No introdução do voto condutor da Resolução 120100.001 estabeleci os limite da lide no seguintes termos: Preliminarmente, importa delimitar com precisão os limites da lide. No pedido de restituição a interessada faz menção a um suposto crédito de R$ 3.863.620,36 que estaria demonstrado nas planilhas de fls. 07/11. Nesses demonstrativos, o que é confirmado pela petição de fl. 12, fica claro que o pedido abrangeria o montante do IRPJ e da CSLL recolhido a título de estimativas nos anoscalendário de 1995 a 1999, recolhimento esse considerado indevido pelo sujeito passivo por ter apurado, segundo alega, prejuízo fiscal nesses períodos. De imediato, é necessário esclarecer que, no que tange aos tributos em comento, o valor passível de restituição é representado, não pelas estimativas recolhidas, mas sim pelo eventual saldo negativo de imposto ou base de cálculo negativa da contribuição apurado no ajuste anual ou trimestral. Tal fato foi devidamente salientado no Despacho Decisório, inclusive com indicação do valor correspondente a esses saldos apurado tanto nas Declarações originais quanto nas retificadoras. O valor total do saldo negativo do IRPJ indicado nas Declarações originais correspondentes aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 representa R$ 561.314, 89 enquanto a soma da base de cálculo negativa da CSLL nesses períodos foi R$ 509.502,47; indicando um saldo total a restituir ou compensar de R$ 1.070.817,36. Considerando as Declarações retificadoras nos anoscalendário de 1995 e 1996 (não houve retificação das Declarações concernentes aos anoscalendário de 1997 e 1998) aqueles valores corresponderiam a R$ 991.332,18 e R$ 763.485,72 respectivamente; o que indicaria um valor total a restituir de R$ 1.754.817,90. Portanto, se por hipótese o pedido da interessada fosse acatado sem restrições, seria esse o valor a ser homologado para esses períodos. O anocalendário de 1999 será analisado posteriormente . Para melhor esclarecimento, registrese que o valor do saldo negativo total do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL indicado nas declarações originais conforme supra informado (R$ 561.314,89 e R$ 509.502,47) representam a indicação na DIPJs originais dos anoscalendário de 1997 e 1998; pois nas Declarações correspondentes aos anoscalendário de 1995 e 1996 o sujeito passivo não informou estimativas recolhidas e saldo negativo do IRPJ ou base de cálculo negativa da CSLL. Ao considerar no texto supra transcrito as informações constantes das Declarações retificadoras cometi um equívoco e somei em duplicidade o valor apurado na Declaração de Rendimentos correspondente ao anocalendário de 1995. Assim, o valor do saldo negativo do IRPJ pleiteado e da base de cálculo negativa da CSLL, considerando as retificadoras é (TABELA 1): Fl. 39705DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 7 6 Anocalendário Saldo negativo do IRPJ Saldo base de calc. negat. CSLL 1995 93.129,47 60.450,56 1996 243.760,35 193.532,63 1997 281.945,84 225.556,68 1998 279.369,05 223.495,23 TOTAL 898.204,71 703.035,16 Portanto, relativamente aos anocalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 o valor total a restituir/compensar seria R$ 1.601.239,87 e não R$ 1.754.817,90 como anteriormente informado. Na DIPJ original do anocalendário de 1999 o sujeito passivo apurou saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 374.720,92 e base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 424.816,68; resultando no montante de R$ 799.537,60 em valor original, passível de restituição ou compensação se confirmado. Já na DIPJ retificadora a interessada apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 28.517,78 e base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 255.260,48. Assim, a retificação trouxe valores mais desfavoráveis ao sujeito passivo, inclusive com apuração de imposto a pagar. O valor total a restituir/compensar incluindo as informações da Declaração retificadora referente ao anocalendário de 1999 seria R$ 1.856.500,35. Este é o montante (em valores originais) sob discussão. No Relatório de Diligência Fiscal, ao indicar, para os anoscalendário sob exame, o que seriam os valores corretos do saldo negativo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL, a autoridade responsável comete um equívoco e apresenta uma tabela informando o lucro líquido para esses períodos. Vejamos uma comparação da tabela elaborada na diligência com os dados informados nas DIPJs, considerando as retificadoras (quando não questionadas na diligência) e as modificações efetuadas pela autoridade nas informações concernentes aos anoscalendário de 1996,1997 e 1999 (TABELA 2). Anocalendário IRPJsaldo devedor (sic) CSLL – base de cálc. negat. (sic) Lucro líquido DIPJ Lucro Real DIPJ 1995 (1.420.112,94) (1.420.112,94) (1.420.112,94) (1.381.788,97) 1996 (588.387,91) (588.387,91) (610.976,49) (503.797,22) 1997 (5.664.816,93) (5.664.816,93) (5.815.792,55) (5.710.280,02) 1998 (2.541.019,88) (2.541.019,88) (2.541.019,88) (2.120.940,96) Fl. 39706DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 8 7 1999 (1.689.478,60) (1.689.478,60) 2.314.354,25 1.708.954,83 Nos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 o resultado da diligência não impacta o pleito pois não há apuração de IRPJ e CSLL devidos e o saldo negativo do imposto e a base negativa da contribuição (TABELA 1) serão formados pelas estimativas, desde que devidamente recolhidas, o que será tratado posteriormente neste voto. Por outro lado, em relação ao anocalendário de 1999 a alteração foi significativa. Tanto a DIPJ original como a retificadora informaram os valores de lucro líquido e lucro real positivos, conforme informado na TABELA 2. A diligência transformou esses valores em prejuízo ( 1.689.478,60) o que implicaria em aumento do valor a restituir/compensar pleiteado! Tal alteração mereceria melhor esclarecimento pela autoridade diligenciante. Entendo que caberia solicitar ao responsável a ratificação ou retificação das informações prestadas e, em caso de ratificação, apresente memória de cálculo justificando as alterações. Com relação aos demais períodos, conforme já esclarecido, o saldo negativo do IRPJ e a base negativa da CSLL são aqueles informados na TABELA 1 e não na tabela informada no Relatório de Diligência. A TABELA 1 traz os valores concernentes às estimativas do IRPJ e da CSLL que teriam sido recolhidas (ou quitadas mediante compensação) e formariam o saldo negativo passível de restituição/compensação. Em relação a esses valores a autoridade responsável pela diligência assim se manifestou na descrição dos procedimentos adotados: (......) e)Exame das Estimativas apuradas com base na escrita, à vista dos dados respectivos nas DIRPJs/DIPJs, bem como, dos DARFs do Processo e dos registros de recolhimentos competentes (Sistema SINAL/RFB). (......) Como não houve qualquer esclarecimento adicional em relação a essa questão, poderseia deduzir que todas as estimativas foram devidamente recolhidas e estão aptas a integrar a composição do resultado. Entretanto, superada a questão das discrepâncias na escrituração, o procedimento de verificação do montante a compensar consiste fundamentalmente na conferência dos valores componentes do saldo negativo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL o que, no presente caso, consiste justamente nas estimativas recolhidas. Daí porque entendo que o recolhimento das estimativas merece pronunciamento específico atestando a regularidade. Como exemplo, numa análise perfunctória, não consegui localizar o DARF de pagamento da estimativa do IRPJ e da CSLL referentes ao mês de dezembro de 1995. Também não localizei vários pagamentos relativos ao anocalendário de 1996 onde alguns DARFs mencionam créditos que justificariam o recolhimento a menor do valor devido, sem esclarecimentos quanto à origem desses créditos. Fl. 39707DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 9 8 Ainda nessa questão, a DIPJ referente ao anocalendário de 1999 informa que a maior parte das estimativas foi quitada mediante parcelamento, o que também mereceria melhor análise. Especificamente quanto à base de cálculo negativa de CSLL, o somatório dos valores indicados na Ficha 29 da DIPJ (cálculo da CSLL mensal por estimativa) chega a R$ 399.966,21 enquanto o valor utilizado na apuração do resultado foi R$ 424.816,68 (47.878,36 + 376.938,32). Pelo exposto, conduzo meu voto no sentido de converter novamente o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal: Ratifique ou retifique o valor do lucro líquido (e por conseqüência do lucro real) referente ao anocalendário de 1999, tendo em vista as divergências entre o valor indicado na DIPJ e aquele informado no Relatório de Diligência, divergência essa que implicaria em reconhecer um crédito maior que o solicitado para o período em questão; Faça as verificações pertinentes e confirme ou não o recolhimento das estimativas referentes aos anoscalendário 1995, 1996, 1997, 1998, 1999; especificadas nas tabelas constantes do volume 1 dos autos (fls. 07/11). Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 39708DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.721081/2008-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 21 08 1/ 20 08 -7 0 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 48/49 contra decisão da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 33/37) que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a recorrente transmitiu, eletronicamente, pela internet PER/DCOMP, utilizando crédito – direito creditório – no valor de R$ 291,35, de pagamento indevido ou a maior do SIMPLES do período de apuração 28/02/2002, para quitação, sob condição resolutória, de débito tributário do SIMPLES no valor de R$ 8.045,19, codigo de receita 6106 0, do período de apuração de dezembro/2002, com vencimento em 10/01/2003.A seguir, para melhor compreensão dos fatos, transcrevo quadro resumo do PER/DCOMP objeto dos autos: PER/DCOMP DATA DE TRANS. ORIGEM DO CRÉDITO (pag. indevido ou a maior) DATA ARRECA DAÇÃO – DARF VALOR DARF VALOR ORIG. UTIL. NA COMP. FFllss.. 40701.31349.010703.1.3.047736 01/07/2003 Simples (61060) 11/03/2002 4.224,56 291,35 04/08 que houve processamento eletrônico do PER/DCOMP, deferindo o crédito pleiteado, com homologação parcial da compensação até o limite do crédito deferido, conforme Despacho Decisório da DERAT/Rio de Janeiro, de 16/06/2008, que transcrevo a seguir (fl. 110, in verbis: (...) FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 291,35. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 28/02/2002 6106 4.224,56 11/03/2002 Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para guitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2008. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 58 3 PRINCIPAL MULTA JUROS DE MORA 7.763,96 1.552,79 6.414,58 (...) Ciente desse despacho decisório (fl. 12), a contribuinte apresentou a peça de Manifestação de Inconformidade em 18/07/2008 contra o despacho decisório no processo nº 10768900.832/200794, pedindo, por conseguinte, a apensação, por anexação, das peças do citado processo aos presentes autos que tratam da cobrança de difrença de débito do SIMPLES do período de apuração de dezembro/2002, suscitando as seguintes razões (fl. 23), in verbis: (...) 1° O Contribuinte declarou o total do imposto Simples do período de 12/2002 — em sua declaração de IRPJ — recepcionada pela Receita Federal em 29/05/2003— Recibo : 0347090950 — Débito do Imposto R$ 8.045,19 . De acordo com o Art°. 5º a Lei 9.317 de 1996. Conforme artigo 139 da Lei 5.172 constituindo assim o credito tributário confissão da divida. Conforme a declaração o valor compensado do débito foi de R$ 713,11 —Discriminado nas Per/Dcomp abaixo. 2° A PER/DCOMP de n °. 40701.31.349.010703.1.3.047736 foi preenchida com valor do débito errado – sendo o valor do débito correto desta, o valor de RS 291,35, pois o débito total do mês 12/2002 — R$ 8.045,19 — FOI DECLARADO ERRADAMENTE EM TODAS AS PER/DCOMP abaixo discriminadas. Quando o valor do débito correto a ser declarado seria o crédito compensado em cada declaração. 3º Devido ao erro ocorrido acima gerou 03 cobranças do débito de 12/2002 completamente indevidas urna vez que sendo cadastrada no Simples, não teria como ter um débito referente a 12/2002 no valor original de R$ 21.447,60 — completamente incompatível com sua Declaração de Imposto de Renda descrita acima. Solicito que este processo seja apensado ao PROCESSO 10768.900.833/200739, para uma melhor visualização do ocorrido e dispensa de anexarmos todas as declarações em vários processos. (...) Obs: os autos do processo nº 10768900.832/200794 foram apensados, por anexação, aos presentes (fls. 02/26), conforme despacho de 27/05/2010 (fl. 27). Ainda, consta que foram anexados aos presentes, por apensação, os autos do processo nº 15374.720121/200947, conforme despacho de 05/09/2011 (fl. 38) A interessado juntou, ainda, outra petição, desta vez, de 27/04/2010, à fl. 13, onde reitera suas alegações, acrescentando que não existe débito de 12/2002, já que foi pago um Darf de R$ 7.332,08, in verbis: (...) NÃO EXITE DÉBITO REFERENTE AO MÊS 12/2002 — foi pago um DARF no valor de R$ 7.332,08 e compensado o valor de R$ 713,11 — através da referida per/dcomp acima. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 59 4 Em anexo, juntou a contestação à exclusão de oficio simples nacional protocolado com numero 10768.006581/200831, tendo em vista que já foi cancelado o ato declaratório, conforme os anexos. Solicito que seja cancelado o débito em virtude do exposto. (...) A DRJ/Rio de Janeiro I, por sua vez, compulsando os autos constatou que o crédito pleiteado já havia sido deferido pelo despacho decisório, entendendo, por conseguinte, que não haveria litígio, indeferindo a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão de 24/08/2011 (fls. 33/37), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 11/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que o crédito pleiteado foi reconhecido integralmente pela autoridade a quo competente, não há litígio com relação ao direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. É vedada a retificação da declaração de compensação (DCOMP) após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS DECLARADOS. RETIFICAÇÃO. DRJ. FALTA DE COMPETÊNCIA. A retificação de declaração de compensação (DCOMP) e/ou de débitos declarados não está na esfera de competência da autoridade julgadora da DRJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — I, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e INDEFERIR A SOLICITAÇÃO DO INTERESSADO. (...) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 60 5 Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 23/01/2012 (fl.43), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/02/2012 (fls. 48/49), reiterando as razões já apresentadas na instância a quo, acrescentando, ainda, que: em relação ao débito do Simples, PA dezembro/2002, de R$ 8.045,19, recolheu em DARF a importância de R$ 7.332,08 e que a diferença de débito de R$ 713,11 foi objeto de 3 (três) PER/DCOMP: PERD/COMP PROCESSO N° Vr. Correto Débito 12/2002 03720.21574.010703.1.3.043154 10768900.833/200739 R$ 202,27 40701.31349.010703.1.3.047736 10768900.832/200794 R$ 291,35 30883.01332.010703.1.3.042074 10768.900.834/200783 R$ 219,49 Total Compensado Referente 12/2002 R$ 713,11 que, inadvertidamente, em cada compensação tributária foi informado o mesmo débito total apurado do SIMPLES de R$ 8.045,19 do PA dezembro/2002, e não o valor residual do débito; que, devido a esse erro de preenchimento dos PER/DCOMP, a RFB passou a exigir o débito do Simples do PA dezembro/2002, multiplicado por 3, ou seja, R$ 23.447,60 (R$ 8.045,19 x 3); que o débito compensado em cada DCOMP, conforme demonstrado na tabela acima, coincide com o respectivo crédito informado; que inexiste o débito objeto da carta de cobrança destes autos; que, em relação ao PER/DCOMP nº 30883.01332.01073.1.3.042074, processo nº 10768.900.834/200783, a DRJ/Rio de Janeiro I acatou o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma; que, em anexo, estão a Declaração Anual Simplificada PJ 2003 – Simples e o DARF referente pagamento do SIMPLES de 12/2002 que comprovam a incoerência da cobrança. (Obs: diversamente do alegado pela recorreente, não houve a juntada aos autos desses comprovantes). Por fim, ante o exposto a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 61 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte apurou débito do SIMPLES no valor de R$ R$ 8.045,19, atinente ao período de apuração (PA) de dezembro/2002, com vencimento para o dia 10/01/2003. A contribuinte alegou nos autos que, em relação a esse débito do SIMPLES: a) fizera recolhimento, por meio de DARF, da importância de R$ 7.332,08 (não juntou aos autos cópia do DARF); b) compensara a diferença de débito de R$ 713,11 por meio de 3 (três) PER/DCOMP: PERD/COMP PROCESSO N° Vr. Correto Débito 12/2002 03720.21574.010703.1.3.043154 10768900.833/200739 R$ 202,27 40701.31349.010703.1.3.047736 10768900.832/200794 R$ 291,35 30883.01332.010703.1.3.042074 10768.900.834/200783 R$ 219,49 Total Compensado Referente 12/2002 R$ 713,11 c) cometera idêntico erro ou equívoco nos 3 (três) PER/DCOMP ao informar o mesmo débito total do período de apuração de dezembro/2002 no valor de R$ 8.045,19, ao invés de informar apenas a parcela do débito objeto de compensação, em cada DCOMP, que equivale ao valor do crédito utilizado; d) os 3 (três) PER/DCOMP foram objeto de despacho eletrônico; que o fisco passou a exigir débito do SIMPLES de R$ 8.045,19 para cada desses despachos, ou seja, o débito apurado do período de dezembro/2002 foi multiplicado por 3 (três), em face do mencionado erro de preenchimento dos PER/DCOMP; e) a exigência é indevida; que não há débito em aberto; que contestou os respectivos despachos decisórios, em relação a cada um dos PER/DCOMP, gerando 3 (três) processos, os quais, lamentavelmente, não foram reunidos para julgamento conjunto, implicando decisões contraditórias; f) em relação ao PER/DCOMP nº 30883.01332.01073.1.3.042074, processo nº 10768.900.834/200783, a DRJ/Rio de Janeiro I acatou o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma; g) já, em relação ao PER/DCOMP nº 40701.31349.010703.1.3.047736, processo nº 10768900.832/200794, juntado, por apensação, aos presentes autos de cobrança de débitos do SIMPLES do período de apuração de dezembro/2002, a 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I simplesmente não conheceu da manifestação de inconformidade, alegando que o crédito pleiteado já fora integralmente deferido pelo despacho descisório, inexistindo lide a ser Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 62 7 apreciada quanto à matéria de direito; que não cabe à DRJ conhecer do erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP; que tal competência é da unidade de origem da RFB, mediante revisão de ofício, se for o caso. Conforme exposto, a contribuinte, em tese, teria preenchido os PER/DCOMP incorretamente, informando o mesmo débito total de R$ R$ 8.045,19 do PA dezembro/2002 por três vezes consecutivas e integralmente, ou seja, uma vez em cada um dos PER/DCOMP; porém, a maior parte desse débito teria sido paga, recolhida, em DARF, no valor de R$ R$ 7.332,08, ficando, apenas, a diferença de débito de R$ 713,11 para ser compensada, e que foi distribuída pelos 3 (três) PER/DCOMP já mencionados alhures. Entretanto, não constam dos autos os documentos que pudessem formar a convicção do julgador de que houve, mesmo, o erro de fato no preenchimento dos PER/DCOMP, pois a contribuinte: a) não juntou cópia da Declaração Simplificada do Simples do anocalendário 2002, quanto ao débito apurado do IRPJ a pagar do período de apuração de dezembro/2002 ; b) não juntou cópia do DARF de recolhimento do valor de R$ 7.332,08, atinente ao período de apuração de dezembro/2002; c) não juntou cópia da decisão da DRJ/Rio de Janeiro I, proferida no processo conexo nº 10768.900.834/200783, que teria acatado o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma. De modo que, sem esses elementos de prova, não há como formar convicção quanto ao mérito do litígio objeto dos autos. Propugno então pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB, no caso, a DERAT/Rio de janeiro: a) proceda à intimação da contribuinte para fazer a juntada dos documentos citados anteriormente; b) junte confirmação do pagamento referente ao DARF no valor de R$ 7.332,08. c) efetue relatório completo do resultado da diligência, de forma circunstanciada, demonstrando se houve ou não erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos. Se a conclusão do relatório apontar, realmente, pela existência, caracterização e comprovação de erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos, então tal erro de fato deverá ser sanado pela DRF de origem, no caso a DERAT/Rio de Janeiro, em face de sua competência para proceder à revisão de ofício do despacho decisório (matéria de fato), conforme art. 147 do CTN, devendo, nesse caso, após a correção do erro de fato, o processo ser arquivado nessa unidade de origem da RFB. Por outro lado, caso o resultado da diligência consignado no relatório final, com base nas provas coletadas, demonstar a inexistência do alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP, a unidade de origem da RFB dever intimar a recorrente do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação nos autos. Nesse caso, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 63 8 transcorrido o prazo para apresentação de contrarrazões (com ou sem manifestação da contribuinte), remetamse os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento. Por tudo que exposto, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência fiscal, para realização pela DRAT/Rio de Janeiro das providências determinadas acima . (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL
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