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Numero do processo: 10680.000105/2004-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1995
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
A coisa julgada faz lei entre as partes, conforme disposição veiculada pelo artigo 468 do Código de Processo Civil.
Se o direito à compensação foi expressamente enfrentado no âmbito do processo judicial, o seu mandamento não poderá ser alterado administrativamente.
Inaplicabilidade da Solução de Divergência n.2 de 22/9/10, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação- COSIT (DOU 11/11/10).
Numero da decisão: 3201-001.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1995 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A coisa julgada faz lei entre as partes, conforme disposição veiculada pelo artigo 468 do Código de Processo Civil. Se o direito à compensação foi expressamente enfrentado no âmbito do processo judicial, o seu mandamento não poderá ser alterado administrativamente. Inaplicabilidade da Solução de Divergência n. 2 de 22/9/10, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT (DOU 11/11/10). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Relatório Versa o presente litígio sobre a emissão de DCOMPs (fls.11. 191), para a compensação com débitos de PIS e Cofins de valores recolhidos a maior a título de PIS, conforme os Decretoslei n°2.445 e 2.449, de 1988, no período de 01/1989 a 06/1995, direito creditório reconhecido no processo judicial n. 96.00117063. No despacho decisório (fls. 191 a 196) proferido pela DRF Belo Horizonte, reconheceuse parte do direito creditório, homologando as compensações com débitos de PIS com o próprio PIS, deixando de homologar as compensações com débitos de Cofins, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. A manifestação de inconformidade apresentada, foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão n° 0228.852 – 1a Turma da DRJ/, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 30/06/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido em Parte Verificase, em síntese, que a decisão recorrida teve como fundamento para a negativa do direito, o entendimento de que a compensação do crédito de PIS com débitos de Cofins, só poderia ser feito com débitos de PIS, em estrita obediência à decisão judicial, nos termos do entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação, exposto na Solução de Consulta Interna n° 10, de 11 de março de 2005. No caso submetido à análise, o correlato processo judicial teria tramitado já sob a vigência da Lei n. 9.430, de 1996, que passou a permitir a compensação com quaisquer tributos e contribuições sob a administração da Receita Federal do Brasil, de maneira que a compensação deveria observar o decidido judicialmente. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação, quais sejam: i. nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado a ausência de motivação do despacho decisório; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.000105/200442 Acórdão n.º 3201001.314 S3C2T1 Fl. 94 3 ii. em consonância com o artigo 49 da Lei n 2 10.637/02, que trouxe nova redação ao artigo 74 da Lei n. 9.430/96, todo indébito reconhecido, seja administrativa ou judicialmente, ainda que transitado em julgado,poderá ser compensado com quaisquer tributos administrados pela SRFB; iii. a Solução de Divergência n. 2, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT, de 22/09/10 (DOU 11/11/10), uniformizaria o entendimento na esfera administrativa sobre o tema, dando fundamento ao seu direito creditório; iv. a sentença judicial, em nada modificada pelas decisões posteriores, foi proferida em 25/2/99, antes do artigo 49 da Lei n. 10.637/02, que modificou o artigo 74 da Lei n. 9.430/96, razão pela qual não existe nada que afronte os fundamentos que embasaram a decisão do mérito, conforme prescreve a Solução de Divergência n. 2; v. a lei que rege a compensação é aquela vigente no momento de sua ocorrência, ou seja, no encontro de contas formalizado perante a autoridade administrativa, de sorte que, após a Lei n.10.637/02 deve ser autorizada a compensação ampla, independentemente do conteúdo decisório do título judicial; vi. entendimento em sentido contrário conduziria a um contrassenso jurídico, pois aquele que não tem decisão judicial poderia aproveitarse dos benefícios do artigo 74 da Lei n.9.430/96; quem tem decisão judicial, transitada em julgado, não; vii. as decisões proferidas no processo judicial são perfeitamente amoldáveis à situação jurídica trazida pela Solução de Divergência n. 2, porque a compensação de tributos é uma repetição de indébito mais célere, servindo, assim, à Justiça Fiscal, homenageando o principio da efetividade das decisões judiciais; viii. a decisão sob apreço declarou e proclamou o indébito como passível de compensação, dela emergindo uma carga declaratória plenamente inserida nos termos da mencionada solução de divergência. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Preliminarmente, cumpre analisar a alegação de nulidade da decisão recorrida, que, por sua vez, não teria apreciado o argumento da manifestação de inconformidade, de nulidade do despacho decisório, por ausência de motivação. Ora, analisandose o despacho decisório Despacho Decisório DRF/BHE n°2080, de 06 de novembro de 2008 (fls.193 – 198) verificase que este não padece de Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 falta de motivação, uma vez que lastreia a nãohomologação de parcela do crédito ao quanto decidido judicialmente. O mesmo tanto podendo ser dito em relação à decisão recorrida, que, aliás, enfrentou expressamente o argumento de nulidade do despacho decisório, entendendo inexistente, por ausente ofensa ao art.59 do Decreto n. 70.235/72. Portanto, não se sustenta a alegação da Recorrente de nulidade da decisão recorrida. Conforme relatado, no mérito, a presente lide circunscrevese à apreciação da possibilidade de, com base em entendimento prolatado em solução de divergência proferido no âmbito administrativo, aplicar entendimento mais favorável ao contribuinte, em vista de modificação superveniente da legislação aplicável às compensações. A referida Solução de Divergência n. 2, CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT, estabelece dois requisitos para sua aplicação, que transcrevemos: a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Quanto ao primeiro requisito, não há maiores controvérsias, na medida em que não se questiona que houve legislação superveniente, que asseguraria tratamento mais benéfico aos contribuintes, nas compensações. Quanto ao segundo requisito, fazse necessário analisar os fundamentos da decisão judicial transitada em julgado, para se constatar se, em seus fundamentos, houve menção à legislação mais benéfica, porém, negando direito de sua aplicação à parte. Nesse sentido, o Recurso Especial n º 668.513 MG (2004/01237595), decidido monocraticamente pela Ministra Deise Arruda, teve a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PIS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO ENTRE ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS DISTINTAS. ART. 66 DA LEI 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO. MATÉRIA DE PROVA. 1. Não viola os arts. 165, 458 e 535 do CPC, nem nega prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. À época do ajuizamento da ação, quando estava em vigência a Lei 8.383/91, a compensação só poderia ser realizada entre tributos da mesma espécie. No caso dos autos, o PIS deve ser compensado com o próprio PIS. Matéria pacificada. 3. Inviável reapreciar, em sede de recurso especial, a fixação dos honorários advocatícios, por demandar o reexame de matéria fática (Súmula 7/STJ). 4. Recurso especial a que se nega seguimento. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.000105/200442 Acórdão n.º 3201001.314 S3C2T1 Fl. 95 5 Nos fundamentos da decisão, verificase que o objeto do presente litígio foi expressamente enfrentado, como revelam os excertos a seguir transcritos: No que concerne à compensação entre diferentes espécies tributárias, a Primeira Seção desta Corte já pacificou o entendimento de que a lei aplicável é aquela vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente, especialmente quando os novos preceitos normativos condicionam a realização da compensação ao atendimento de requisitos outros que não constaram da causa de pedir nem foram objeto de exame nas instâncias ordinárias, ressalvandose o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subseqüentes. [...] No caso dos autos, cuja inicial foi interposta na data de maio de 1996, o acórdão impugnado só assegurou a compensação do PIS com o próprio PIS. Verificase que, à época da interposição da ação, vigia a Lei 8.383/91, que, em seu art. 66, estabelecia: [...] Tal dispositivo legal, segundo entendimento da Primeira Seção deste Tribunal, assegura a compensação somente entre tributos da mesma espécie e com mesma destinação constitucional. No que concerne ao PIS, entendese que só pode ser compensado com o próprio PIS, haja vista tratarse de exação com destinação orçamentária própria e deter natureza jurídica diversa dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, em se tratando de tributo da mesma espécie, o PIS só poderá ser compensado com o próprio PIS. A referida decisão foi objeto de agravo regimental, que, no entanto, foi desprovido (AgRg no Recurso Especial nº 668.513 MG (2004/01237595), transitando em julgado a decisão em 23.08.2006. Observese que a sentença de primeira instância, proferida pela Justiça Federal de Minas Gerais (fls. 51 e ss dos autos), julgou procedente o pedido, para “declarar a inexistência de relação jurídicoobrigacional entre as autoras e a ré que obrigue a primeira a contribuir para o PIS, nos moldes do previsto nos Decretosleis ns. 2445 e 2449/88, face à inconstitucionalidade de tais diplomas normativos”, ademais de declarar “o direito de a autora proceder a compensação dos valores recolhidos indevidamente a este titulo, com parcelas da contribuição para o PIS”. A ora Recorrente opôs embargos de declaração (fls. 54 e ss.) para pleitear que a compensação pudesse ser feita com créditos vincendos de Cofins, sendo, no entanto, o pedido negado, em virtude de extrapolar os limites do pedido inicial. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 No Tribunal Regional da 1a Região (Apelação Cível n° 1999.01.00.0678842/MG – acórdão às fls. 58 e ss.), a decisão de 1a instância foi confirmada, contudo, não se acolhendo a pretensão de compensação com créditos vincendos de Cofins (temse às fls. 59 “assim, a autora pode proceder à compensação dos recolhimentos efetuados a maior com os créditos devidos ao próprio PIS, procedimento sujeito a posterior ratificação pela autoridade fazendária, não podendo compensar com a COFINS”). Dessa decisão, opôs a ora Recorrente embargos de declaração (fls.63), que, da mesma forma, foram rejeitados. Portanto, a análise de todo o iter do processo judicial, demonstra que o direito nessa ocasião pleiteado, foi submetido ao crivo do Judiciário, desde a primeira instância, o que, por si só, já demonstraria que o caso concreto não se subsumiria aos requisitos da Solução de Divergência n. 2, porquanto se tratar de hipótese distinta – a legislação mais favorável não foi superveniente ao processo judicial, ao mesmo tempo que a sua aplicação ao caso concreto foi expressamente objeto de apreciação judicial. Não se trata, da mesma forma, do mesmo contexto fático submetido à apreciação no Acórdão n°20310.567, acostado aos autos e referido pela Recorrente, no qual a relatora designada para o voto vencedor, a ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez pontua que “posteriormente à sentença, foi editada legislação permissiva do solicitado, não havendo óbice para que a administração defira o pleito que se constitui em outra pretensão, não abrangida pelos efeitos da coisa julgada” (fls. 356) Nesse contexto, a despeito de a Recorrente alegar que não é relevante o conteúdo decisório da ação judicial, devendo ser aplicada a legislação vigente no momento do efetivo encontro de contas da compensação, é certo que estas não são as normas jurídicas que conformam a estrutura do sistema jurídico brasileiro, que opera com a prevalência da coisa julgada material, que figura dentre os direitos e garantias fundamentais, veiculada pelo art.5o, XXXVI do Texto Constitucional. A coisa julgada material faz lei entre as partes. É dizer, prevalece a norma individual e concreta veiculada pela decisão judicial, ainda que haja alterações em normas gerais abstratas, ou mesmo que esta afronte as leis vigentes , conferindo o sistema jurídico remédio apropriado para tais situações, qual seja, a ação rescisória. Ainda que o exercício do direito de ação possa levar a situações, que ao sentir das partes, seja injusta, o fato é que, o exercício desse direito garante que determinada pretensão seja submetida a regras processuais próprias, que culminarão em prolatação de tutela jurisdicional pelo Judiciário, ou seja, há a garantia de que o pedido seja objeto de uma decisão judicial, não necessariamente favorável aos interesses do autor. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.000105/200442 Acórdão n.º 3201001.314 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 11/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10980.902559/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Mota Brandão Mintael e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Mota Brandão Mintael e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 55 9/ 20 08 -0 7 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902559/200807 Resolução nº 3401000.677 S3C4T1 Fl. 85 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 3.160,18 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração setembro/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 25.347,17 e R$ 2.172,15, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 27.519,32; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução à zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria assim composto: (a) código 6912 – R$ 24.359,13 e (b) código 8109 – R$ 3.160,18, conforme informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras que foram anexadas aos autos; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Embora estivesse sujeita ao regime misto de incidência do PIS, recolheu, por engano, o montante que seria devido dessa contribuição em um único DARF, no código de receita 6912, inclusive o valor de R$ 3.160,18, que deveria ter pago sob o código de receita 8109; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência setembro/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte parcialmente procedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902559/200807 Resolução nº 3401000.677 S3C4T1 Fl. 86 3 restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 6912; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 3.160,18, que já haviam sido recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência 9/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer a homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902559/200807 Resolução nº 3401000.677 S3C4T1 Fl. 87 4 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902559/200807 Resolução nº 3401000.677 S3C4T1 Fl. 88 5 § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e, existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000956/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/01/2003 a 31/03/2006, 21/06/2003 a 15/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal.
Vapor dágua e água clarificada, empregados no processo de fabricação de polietileno, não se subsumem no conceito de matéria-prima, nem no de produto intermediário (PI), pois não se incorporam ao produto em fabricação, nem se desgastam no contato direto com o mesmo. Já o nitrogênio, por entrar em contato direto com o produto em fabricação, pode ser computado na apuração da base de cálculo do crédito presumido.
RO Negado e RV Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de nitrogênio gasoso. Vencida a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel (relatora), que votou no sentido de reconhecer o direito em relação ao nitrogênio gasoso, à água clarificada e ao vapor. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente a Dra. Fernanda Taboada Fontes, OAB/BA nº 16.340.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Raquel Motta Brandão Minatel - Relatora
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de nitrogênio gasoso. Vencida a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel (relatora), que votou no sentido de reconhecer o direito em relação ao nitrogênio gasoso, à água clarificada e ao vapor. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente a Dra. Fernanda Taboada Fontes, OAB/BA nº 16.340. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Raquel Motta Brandão Minatel - Relatora (assinado digitalmente) Alexandre Kern Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Vapor d’água e água clarificada, empregados no processo de fabricação de polietileno, não se subsumem no conceito de matériaprima, nem no de produto intermediário (PI), pois não se incorporam ao produto em fabricação, nem se desgastam no contato direto com o mesmo. Já o nitrogênio, por entrar em contato direto com o produto em fabricação, pode ser computado na apuração da base de cálculo do crédito presumido. RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de nitrogênio gasoso. Vencida a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel (relatora), que votou no sentido de reconhecer o direito em relação ao nitrogênio gasoso, à água clarificada e ao vapor. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente a Dra. Fernanda Taboada Fontes, OAB/BA nº 16.340. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 09 56 /2 00 8- 68 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL 2 (assinado digitalmente) Raquel Motta Brandão Minatel Relatora (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 4/16) lavrado em 30/5/2008, em virtude de suposto creditamento indevido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pela contribuinte OPP Química S/A, que fora sucedida pela Recorrente por incorporação (fls. 259/270). Como resultado, apurouse crédito tributário no montante de R$ 39.063.780,28, inclusos o principal, os juros de mora e a multa de ofício. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/26) que a contribuinte OPP Química S/A lançou, no Livro de Apuração do IPI, créditoprêmio pleiteado judicialmente e julgado improcedente, bem como apurou “crédito presumido de IPI maior do que aquele a que efetivamente tinha direito”. Cientificada da autuação em 30/5/2008 (fls. 16), a contribuinte apresentou Impugnação em 1/7/2008 (fls. 289/341), tida como tempestiva (fls. 392). Nessa oportunidade, alegou, em síntese, que não se aproveitou do créditoprêmio nos moldes alegados pela fiscalização e que efetuou o pagamento dos saldos devedores de IPI gerados por eventual creditamento indevido. Por sua vez, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) houve por bem converter o julgamento em diligências, consoante o Despacho nº 254 (fls. 393/395), lavrado em 19/9/2008. No Despacho, restou consignado que a autuação silenciou quanto aos recolhimentos efetuados pela Recorrente, além de não justificara glosa dos custos de aquisição de vários produtos utilizados no processo produtivo analisado. Realizadas as diligências(fls. 396/421), a autoridade fiscal acolheu os pagamentos realizados pela Recorrente e a inclusão do custo de vários dos insumos na base de cálculo do crédito presumido, com exceção das chamadas “utilidades”, fundamentando no Parecer Cosit nº 65/79. A Recorrida fora notificada do Termo de Diligência Fiscal (fls. 405/416) em 24/9/2009, e apresentou sua Manifestação em 29/10/2009 (fls. 463/473). Nessa ocasião, a Recorrente, defendeu, principalmente, que a glosa dos custos com as chamadas “utilidades” (água clarificada, nitrogênio gasoso e vapor)é indevida, pois tais produtos consistem em materiais intermediários, conforme Laudo Técnico juntado pela Recorrente (fls. 353/355). Em 26/11/2009, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) acolheu o referido Termo de Diligência e, por meio do Acórdão nº 15 21.802 (fls. 487/496), julgou a Impugnação parcialmente procedente, reduzindo o valor do lançamento para R$ 9.654.699,43. Especificamente quanto aos insumos água clarificada, nitrogênio gasoso e vapor, o órgão julgador fixou que:não há como acatar os argumentos da interessada e incluílos Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Processo nº 13502.000956/200868 Acórdão n.º 3403002.194 S3C4T3 Fl. 1.021 3 no cálculo do crédito presumido, porque, apesar de inexistir dúvidas de que tais produtos, apesar de utilizados ou consumidos no processo de industrialização, não se enquadram na definição de matériaprima e produto intermediário. Por fim, o acórdão determinou a notificação da Recorrente e a remessa dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do recurso de ofício. Notificada do referido acórdão em 8/12/2009 (fls. 502),a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 8/01/2010 (fls. 503/531), tido como tempestivo pela DRF Camaçari/BA pela certidão de fls. 545. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário em 30/11/2010, pugnando pela manutenção do acórdão de primeira instância. Em suma, é o relatório. Voto Vencido Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora Admissibilidade O Recurso Voluntário merece conhecimento, pois preenche os requisitos de legitimidade e tempestividade e o Recurso de Ofício igualmente merece ser conhecido em razão de o valor exonerado ultrapassar o valor de alçada. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJSalvador ao analisar as provas dos autos e a impugnação apresentada pela autuada solicitou diligência para novas verificações. Na diligência o Fisco verificou que a maior parte dos créditos glosados era efetiva e elaborou novo quadro indicando os valores dos créditos presumidos de IPI considerados (fls. 412), e verificou também que os pagamentos que inicialmente não haviam sido localizados foram confirmados pela fiscalização, nos seguintes termos: Em consulta aos bancos de dados da RFB, verificouse que os pagamentos em questão foram vinculados aos débitos originados após o estorno dos créditos ilegítimos. Segue, em anexo, extratos do sistema da RFB (Fiscel) que comprovam tal vinculação. (fls.405) Sendo assim, diante das considerações feitas pela seção de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em CamaçariBA acerca das provas apresentadas pela contribuinte e da proposta de redução dos valores lançados, entendo acertada a decisão da DRJ/SDR em acatar o Relatório de Diligência e exonerar parte do crédito tributário lançado, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL 4 DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONTRARRAZÕES DA PROCURADORIA O recurso voluntário merece conhecimento, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, que também são admitidas. Preliminarmente – Juntada de Laudo Técnico No início da sessão de julgamento da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 3a. Seção deste CARF realizada em 19.03.2013 a Recorrente pleiteou a juntada de Laudo Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, versando sobre produtos cujos créditos foram glosados pela Fiscalização. Ao compulsar o capítulo do referido laudo que tratou especificamente da unidade de produção do estabelecimento da Recorrente, a cujo presente auto de infração se refere, foi possível constatar que o laudo apresentado durante a sessão de julgamento não acrescentou nenhum elemento ou descrição do processo produtivo, além daqueles existentes nos laudos internos já juntados aos autos, que pudesse modificar minhas convicções acerca da matéria em julgamento, por esse motivo deixo de considerar o laudo do IPT e passo à análise do mérito. Do mérito Conforme exposto no relatório, remanesce em discussão no presente processo: (i) a questão das diferenças de valores entre o custo de produção declarado no Demonstrativo de Crédito Presumido – DCP (R$ 334.806.490,90) e o constante dos balancetes contábeis (R$ 190.348.239,14), ambos referentes ao mês de março de 2013, e (ii) a questão do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, nos termos da Lei 9363/06, relativamente à aquisição dos seguintes itens denominados “utilidades” pela Recorrente: água clarificada, nitrogênio gasoso e vapor. a) Quanto à apuração do crédito presumido relativo a março de 2003 A Recorrente informa que incorporou várias empresas de grande porte, as quais utilizavam critérios diversos para a organização de seus dados fiscais. Dessa forma, tornouse extraordinariamente difícil localizar o motivo da divergência entre o custo de produção declarado no Demonstrativo de Crédito Presumido – DCP (R$ 334.806.490,90) e o constante dos balancetes contábeis (R$ 190.348.239,14), ambos referentes ao mês de março de 2013. Afirmou que continuaria investigando o motivo de tal discrepância, e requereu “juntada posterior de documentação hábil a comprovar a lisura e correção dos valores informados na DCP, idôneos a promover a elisão do valor autuado que remanesceu após a diligência fiscal realizada nos presentes autos” (fls. 510). No tocante a este item a PGFN destacou, nas contrarrazões apresentadas, que o pedido para juntada de documentação posterior não deve ser admitido, pois “é cediço que a peça impugnativa deve ser instruída com todos os documentos em que se fundamentar (art. 15 do Decreto nº 70.235/72), precluindo o direito do contribuinte de fazer em outro momento” Outrossim, ponderou a PGFN que as incorporações realizadas pela Recorrente não justificam a aplicação da exceção do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, e Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Processo nº 13502.000956/200868 Acórdão n.º 3403002.194 S3C4T3 Fl. 1.022 5 afirma que, “mesmo que se partisse da base contida no DCP, ainda assim o crédito presumido resultante seria inferior ao valor escriturado pela recorrente no mês de março de 2003”. No tocante a este item, deixo de considerar as alegações das duas partes e a ele nego provimento, tendo em vista que após a apresentação do Recurso Voluntário a Recorrente não juntou mais nenhum documento que comprovasse a alegada diferença, motivo pelo qual não há como acatar o valor por ela apontado no Demonstrativo de Crédito Presumido – DCP, tornandose definitivo o valor constante dos balancetes contábeis (R$ 190.348.239,14) da empresa e considerado pela fiscalização. b) Quanto à glosa de créditos decorrentes da aquisição de produtos utilizados nos processos industriais No que tange aos produtos água clarificada, nitrogênio gasoso e vapor, a Recorrente argumenta que o art. 1º da Lei nº 10.276/01 prevê a inclusão desses insumos na base de cálculo do crédito presumido, pois compõem “os custos envolvidos na produção sobre os quais incidiram o PIS e a COFINS” (fls. 513). Sustenta que esse entendimento está em consonância com natureza do incentivo fiscal às exportações. Ademais, a Recorrente reitera que os produtos mencionados são consumidos no processo produtivo e não integram o ativo permanente da Recorrente. Dessa forma, tais produtos seriam classificados como matériasprimas ou produtos intermediários, por força dos arts. 164, inciso I, e 519, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), cuja aplicação ao presente caso é determinada pelo parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96. A Recorrente esclarece o conteúdo do Laudo Técnico juntado às fls. 353/355, que demonstra o desgaste ou consumo dos insumos cujos custos de aquisição foram glosados da base de cálculo do crédito presumido. A PGFN, por sua vez, postulou que os conceitos de matériaprima e de produto intermediário devem ser obtidos da legislação do IPI, conforme estabelece o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96 e baseia suas alegações no Parecer CST nº. 65, de 1979, que, no seu entender, só se considera insumo, matériaprima ou produto intermediário, aquele bem que é consumido no contato direto com o produto final ou que a ele se integra. Para reforçar o seu entendimento, a PGFN transcreveu a Súmula nº 19 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual apenas os custos dos insumos consumidos em contato direto com o produto final podem integrar a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96. Desse modo, a glosa dos custos com água clarificada, nitrogênio gasoso e vapor estaria de acordo com a jurisprudência deste Conselho e, portanto, deveria ser mantida. Ora, o benefício fiscal denominado “créditopresumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes nas aquisições de matérias primas, produto intermediário e material de embalagem, utilizados em produtos industrializados e exportados foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL 6 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...).” Segundo o dispositivo legal transcrito acima, somente geram créditos presumidos do IPI as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização dos produtos exportados para o exterior. No pressente caso, para demonstrar a utilidade dos mencionados produtos há nos autos documento interno elaborado pela própria empresa Recorrente que descreve tecnicamente o processo de produção (fls. 153 a 174), e menciona a forma de emprego e utilização do vapor e o nitrogênio gasoso no processo de produção de resina (produto final) da seguinte forma: “...A corrente de vapor e nitrogênio, mais alguns hidrocarbonetos desprendidos, são removidos por uma corrente lateral sob o cone de distribuição intermediário. Esta corrente de saída é purgada diretamente para a tocha depois de haver passado através do Filtro Inferior do Silo de Purga de Produto. Para garantir que o vapor não entre na parte superior do silo e conseqüentemente entre no sistema de recuperação de gases, a vazão lateral de gás que sai (72 m3/h) é maior do que a vazão de vapor/nitrogênio que entra na parte inferior do silo (1 m 3/h). Isto garante que uma certa quantidade de nitrogênio seja forçada para baixo vinda da parte superior do silo, para evitar que o vapor entre na recuperação de gases. A resina que sai da parte inferior do silo contém vestígios de hidrocarbonetos dissolvidos...(grifos acrescidos) O referido descritivo de processo de produção da resina não faz menção ao produto “água clarificada”, utilizando apenas a palavra “água” em algumas passagens, indicando que seria empregada para resfriar tanques e bombas de “glicol”. Mais adiante, juntamente com a Impugnação, foi apresentado pela Recorrente outro laudo interno, elaborado por engenheira química da própria empresa (fls. 353 a 356), descrevendo a utilização de diversos produtos, dentre eles a “água clarificada”, o “nitrogênio gasoso”, e o “vapor”, da seguinte maneira: ÁGUA CLARIFICADA A Água Clarificada é essencial ao processo produtivo, sendo esta utilizada nas torres de resfriamento, responsáveis por Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Processo nº 13502.000956/200868 Acórdão n.º 3403002.194 S3C4T3 Fl. 1.023 7 fornecer água para o resfriamento dos gases de processo e dos equipamentos utilizados no mesmo. Uma vez que a reação de síntese do polietileno libera calor (reação exotérmica), o uso de trocadores de calor (equipamentos utilizados para retirar calor de correntes líquidas ou gasosas), alimentados com água clarificada, se torna imprescindível para a continuidade da reação. NITROGÊNIO GASOSO O Nitrogênio é utilizado no reator de polimerização, agindo como um diluente a fim de controlar as concentrações dos demais reagentes e consequentemente a velocidade da reação. Este também é usado para o transporte do produto pelas diversas etapas do processo além de servir para a criação de uma atmosfera inerte em diversos pontos do processo susceptíveis à explosões. Atmosfera inerte neste caso é uma atmosfera livre de oxigênio, não permitindo assim uma reação de combustão dos gases, líquidos ou sólidos ali presentes. Uma vez que a produção de polietileno se dá por meio da reação de hidrocarbonetos (Eteno, Hexeno, Buteno, lsopentano), o nitrogênio se faz imprescindível para segurança do processo. VAPOR O Vapor é utilizado como fluido de troca térmica, em trocadores de calor, para o aquecimento da resina com o objetivo de fundi la para o transporte ou processamento e para aquecimento de outros fluidos em colunas de destilação por exemplo. Ele também é utilizado na manutenção dos equipamentos industriais como no caso dos trocadores de calor aonde é utilizado como agente de limpeza. O vapor também se mostra importante para a hidrólise, ou neutralização, de compostos indesejáveis para determinadas partes do processo, ou em momentos de intervenção humana, quando estes produtos oferecem risco à segurança. Pela leitura dos dois documentos internos apresentados pela Recorrente, tanto o que descreve o processo produtivo, como o que descreve cada um dos produtos utilizados durante o processo produtivo, é possível depreender que o “nitrogênio gasoso” e o “vapor” entrariam em contato direto com o produto fabricado (resina), ambos auxiliando na reação química para a fundição da resina e ambos se enquadrando no conceito de produtos intermediários. Já a “água clarificada” teria a função de resfriar as torres de fundição que auxiliam no processo de produção da resina, e neste caso entendo que também se enquadrariam no conceito de produto intermediário, pois mesmo não entrando em contato direto com as matérias primas, ela se consome durante o processo produtivo, pois se evapora ao entrar em contato com os trocadores de calor em alta temperatura, e também seria essencial para promover a reação química necessária para produção da resina, conforme descreve o laudo elaborado por engenheira química, cujo trecho novamente se transcreve: “o uso de trocadores de calor (equipamentos utilizados para retirar calor de correntes líquidas ou gasosas), alimentados com água clarificada, se torna imprescindível para a continuidade da reação.” (grifos acrescidos) Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL 8 Ora, uma vez que o processo de fabricação da resina envolve reações químicas de diversas substâncias para que ocorra sua fundição e posteriormente sua solidificação, há que se desconsiderar que os produtos que exercem ação direta e se consomem durante o processo produtivo dos produtos exportados devam se incluir na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Em face do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para (i) negar a mudança do valor do crédito presumido relativo ao mês de março de 2003, (ii) para reconhecer à Recorrente o direito de apurar créditos presumidos do IPI sobre as aquisições de “vapor” e “nitrogênio gasoso” e “água clarificada”. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013 Raquel Motta Brandão Minatel Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Peço vênia à relatora, Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, para dela dissentir quanto à possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, apurado segundo a modalidade alternativa introduzida pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, dos custos de aquisição de vapor d’água e água clarificada. Já tive oportunidade de me debruçar sobre a presente controvérsia, nos autos dos processos 135020002230096, 135020002550082, 13502000012200203, 13502000178200211, 13502000295200102, 13502000512200156, 13502000630200245, 13502000715200223, 13502000819200157, 13502001029200351, 13502001112200834 e 13502001386200823, todos do interesse do ora recorrente. Como é de sabença, a Lei Instituidora determina que se empreguem os conceitos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem adotados pela legislação do IPI (art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996). Em sentido stricto, MP, PI e ME são os insumos que se integram ao produto em fabricação, consoante a inteligência do art. 25, inc. I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (base legal do art 147 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98; do art. 164 do RIPI/2002, e do art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 –DOU de 16062010). Entretanto, o próprio dispositivo estende essa definição, incluindo no conceito de MP, PI e ME os insumos que, “...embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Embora o Recorrente discorde, a interpretação do alcance da expressão “consumidos no processo produtivo” é controversa e demandou a edição de dois pareceres da Coordenação do Sistema de Tributação da então Secretaria da Receita Federal. Refirome ao PNCST nº 181, de 1974, e ao PNCST nº 65, de 1979, este último já alçado à condição de Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Processo nº 13502.000956/200868 Acórdão n.º 3403002.194 S3C4T3 Fl. 1.024 9 norma complementar da legislação tributária, consoante o inc. III do art. 100 do CTN, em face da reiteração da sua aplicação. Peço vênia para repisar matéria por demais debatida nos autos: MP, PI e ME é aquilo que se incorpora ao produto em fabricação no curso do processo produtivo. Sem perder essa noção básica de vista, o PNCST nº 65, de 1979, esclareceu que também se incluem entre as MP e os PI, como se incorporados ao produto em fabricação fossem, os insumos que, embora não se incorporando ao produto, desgastamse no processo de fabricação. Não se trata aqui de qualquer desgaste, qualquer consumição, mas daquele resultante da ação física recíproca entre produto e insumo. Evidentemente, esse alargamento do conceito não se aplica quando o insumo for classificável como bem do ativo permanente. Fica claro, portanto, que não é qualquer insumo utilizado no processo produtivo que se caracteriza como MP, PI ou ME, como pretende o recorrente. Ao caso concreto: reportome para tanto às descrições sobre a utilização desses insumos no processo produtivo do estabelecimento industrialexportador, oferecidas na peça recursal. Extraise que o vapor d’água, sob qualquer das pressões, é injetado nas máquinas trocadoras de calor, como fluido de aquecimento; a energia elétrica, como força eletromotriz dos equipamentos industriais; o ar de serviço é injetado no leito dos catalisadores, para extração do coque depositado de paládio dos reatores; o “ar de instrumentos” é o ar comprimido para acionamento de equipamentos pneumáticos; o hidrogênio é alimentado com o propadieno, butadieno e acetilenos, na industrialização do Buteno1, agregandose à corrente de hidrocarbonetos. A água desmineralizada, por sua vez, sabese ser empregada na remoção de contaminantes por contato direto com a corrente de isopreno. Desde logo, salta aos olhos que os insumos (a) vapor a 3,5 kgf/cm2; (b) vapor a 15 kgf/cm2, (c) energia elétrica, (d) ar de serviço, (e) ar de instrumentos, e (e) água desmineralizada não se subsumem nem mesmo no conceito lato de MP ou de PI. As aquisições do insumo hidrogênio terão melhor sorte, como muito bem assentado no voto da ínclita Conselheira Raquel. Esse insumo, empregado na hidrogenação (redução pelo hidrogênio, em presença de catalisadores) seletiva por contato direto na corrente de buteno1 no reator DC 5101 e DC5102 com os contaminantes metil acetileno e propadieno, possibilitando a especificação do buteno1, é consumido no processo de produção deste hidrocarboneto, sofrendo transformação por contato direto com este produto final. Por isto deve ser considerado no cálculo do beneficio. Com essas considerações, voto por dar provimento apenas parcial ao recurso voluntário, reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de nitrogênio gasoso. Sala de sessões, em 22 de maio de 2013 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /07/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Numero do processo: 10530.001753/2003-59
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). A averbação pode se dar após a ocorrência do fato gerador. A existência de termo de compromisso para averbação de reserva legal, firmado junto ao IBAMA e registrado na matrícula do imóvel, como ocorre no caso em apreço, tem o mesmo efeito da averbação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). A averbação pode se dar após a ocorrência do fato gerador. A existência de termo de compromisso para averbação de reserva legal, firmado junto ao IBAMA e registrado na matrícula do imóvel, como ocorre no caso em apreço, tem o mesmo efeito da averbação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 17 53 /2 00 3- 59 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 161 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Raimundo Nonato Leite foi lavrado o auto de infração de fls. 13 17, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de área de utilização limitada (equivocadamente declarada como sendo de preservação permanente), relativamente ao imóvel denominado Fazenda Boa Ventura Gleba II, situado no município de Barra (BA). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 14): Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude de consideração indevida de Área de Utilização Limitada Reserva Legal. De acordo com a Certidão apresentada, a Área de Reserva Legal (3.0000 ha), declarada erroneamente como de Preservação Permanente, não encontrase averbada à margem da matrícula do imóvel, nos termos dos arts. 16 e 44 da Lei n° 4.771/65, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89. Esta área foi reduzida de 3.000, ha para 0,0 ha (fls. 15). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 2939). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30335.354, que se encontra às fls. 100109, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 162 3 Exercício: 1999 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, a teor do artigo 10°, parágrafo 7°, da Lei N. 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte quanto à existência de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, quando o Contribuinte a comprove por outros meios idôneos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento. Intimada do acórdão em 26/03/2009 (fls. 110), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 115126, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Não tem como prosperar o entendimento adotado pela D. Câmara que, ao desconstituir parte do auto de infração, contrariou os dispositivos legais de regência da matéria, quais sejam, art. 10, inciso II, da Lei n° 9.393/96 c/c art. 111, inciso II, do CTN, e art. 16, § 8°, do Código Florestal c/c art. 110, 144 e 150 do CTN; b) Nessa perspectiva, afiguramse presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial com fundamento no art. 7° inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, motivo pelo qual deve ser conhecido o recurso; c) Sabese que as áreas de preservação permanente e as áreas de reserva legal constituem restrições à propriedade privada com a finalidade de proteger o meio ambiente; d) Nesse sentido, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a busca dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores interessados na questão; e) Nessa esteira, a fim de contrabalançar as restrições legais relativas às áreas necessárias à proteção ambiental com os anseios do setor produtivo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 163 4 rural, é que se criou a isenção do Imposto Territorial Rural sobre estas áreas reconhecidas como de interesse ecológico; f) No caso em epígrafe, a controvérsia se cinge sobre o direito ou não ao gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inciso II, da Lei n° 9.393/96; g) Com efeito, após declaração do contribuinte de estar isento de recolher o ITR sobre determinada área, por ele declarada como de preservação permanente ou de reserva legal, a fiscalização glosou tal isenção, considerando não haver direito ao gozo do benefício, ante a ausência de ADA e de averbação dessa área junto à matrícula do imóvel; h) Tal glosa deve ser mantida, eis que para o gozo da isenção do ITR é necessária a comprovação da existência , à época do fato gerador, da parte da propriedade rural declarada como reserva legal, o que não ocorreu no caso; i) No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas isentas não foram averbadas no Registro de Imóveis em data anterior à ocorrência do fato gerador, consoante determinam os art. 16, §8°, do Código Florestal c/c art. 110, art. 144 e art. 150 do Código Tributário Nacional; j) De fato, o Código Florestal, Lei n° 4.771, de 1965, alterado pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou os institutos e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); k) Inconteste que uma das finalidades da averbação na matrícula do imóvel é dar publicidade para que futuros adquirentes saibam identificar onde a área está localizada, seus limites e confrontações. Mas não é só. Além de dar conhecimento público das áreas protegidas, a averbação, em verdade, constitui todos os direitos e deveres decorrentes da atribuição dessa especial condição às áreas assim qualificadas; l) A averbação, pois, é marco tanto para imputar aos proprietários a responsabilidade pela preservação de tais áreas, como para beneficiálos com qualquer direito decorrente da condição de proprietário desse tipo de terra; m) Não basta a declaração do contribuinte de que determinada fração de sua terra corresponde a reserva legal, essa porção informada há de estar delimitada, determinada, a fim de que possa existir; n) Pela mesma razão, a mera declaração de existência da área de reserva legal não pode ter o condão de excluíIa quando da apuração do ITR. Para a constituição do direito ao benefício , a área deve estar devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador do tributo; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 164 5 o) |E não se invoque as disposições da Medida Provisória n° 2.166/01 para defender que a mera declaração seria suficiente para se permitir a exclusão das áreas na apuração do ITR; p) O contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas do que alegou para se livrar do pagamento do tributo, eis que persiste sendo seu o ônus de provar o direito à isenção que pleiteia; q) Em verdade, o direito à isenção deve ser comprovado pelo contribuinte e não, pela Administração. Nos termos do art. 333, do CPC, o ônus da prova compete a quem alega. O natural é que toda a área da propriedade seja tributável. A exclusão do tributo é exceção que deve ser comprovada pelo interessado. Não se pode inverter o ônus da prova e obrigar a Administração a comprovar fato negativo, qual seja, a inexistência de reserva legal; r) Isso porque, tal como o Imposto de Renda, o ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do art. 10, da Lei n°9.393/96 e art. 150, do CTN. Significa dizer que as informações declaradas pelo contribuinte, antes de serem homologadas pela Administração, estão passíveis, a qualquer momento, de serem objeto de diligência para comprovação de sua veracidade à época do fato gerador, nos termos do art. 144, do CTN; s) Assim, em emergindo dúvidas acerca dos dados informados, mostrase legítima a intimação do contribuinte a comprovar os elementos apresentados, com a exibição do documento apropriado, a saber, o comprovante da averbação da reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à ocorrência do fato gerador do tributo; t) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva e diante da natureza constitutiva de tal ato, merece ser integralmente reformada decisão recorrida; u) Requer seja conhecido e provido o recurso, para reformar a decisão recorrida e restaurar a decisão de primeira instância. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.307 (fls. 128130), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 134154, defendendo, basicamente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 165 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exigência a área de reserva legal de 3.000,0 hectares. A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver promovido a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 166 7 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 167 8 III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 168 9 executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância deve ser confirmada, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/1999, promoveu o registro, em 23/07/1999 (fls. 25), de termo de compromisso para averbação de reserva legal de 3.000,00 hectares, firmado junto ao IBAMA (fls. 08). Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada ou o registro junto à matrícula do imóvel de termo de compromisso para averbação de reserva legal pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10530.001753/200359 Acórdão n.º 9202002.712 CSRFT2 Fl. 169 10 averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando o registro junto à matrícula do imóvel de termo de compromisso para averbação de reserva legal de 3.000,0 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13876.000991/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/1999
INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS. ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. INEXISTÊNCIA DE VACATIO LEGIS.
De acordo com jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, a contribuição social destinada ao PIS/PASEP permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, não vigorando a tese do vacatio legis.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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IMPROCEDÊNCIA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS. ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. INEXISTÊNCIA DE VACATIO LEGIS. De acordo com jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, a contribuição social destinada ao PIS/PASEP permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, não vigorando a tese do vacatio legis. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 09 91 /2 00 3- 24 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ/RIBEIRÃO PRETO(SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório da contribuinte, ora Recorrente, referente à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, do período de apuração de 01/06/1996 a 28/02/1999, requerido em 19/08/2003 (fl. 2), alegando inconstitucionalidade da Medida Provisória (MP) n° 1.407, de 1996, publicada após a expiração do prazo de validade da MP n° 1.365, de 1996. Em razão de tal fato e da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF quanto à aplicação retroativa a 01/10/1995 prevista no art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998, todos os recolhimentos efetuados relativos ao período de 01/06/1996 a 28/02/1999 são indevidos, devendo ser restituídos. A decisão recorrida encontrase assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. O direito de pleitear restituição e/ou compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE. MP 1.212/95 E SUAS REEDIÇÕES, CONVERTIDA NA LEI N° 9.715/98. O STF afastou apenas a regra específica que pretendia dar aplicação retroativa às disposições da MP 1.212/95. Decorrido o prazo nonagesimal, as demais normas contidas na Medida Provisória n° 1.212/95, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98, aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 17/05/2011, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 113, tendo protocolizado tempestivamente o recurso voluntário em 16/06/2011 (fl. 114), alegando, onde em síntese reitera os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, na qual discorreu sobre o direito de restituição "relativamente às parcelas excedentes ao estabelecido pela Lei Complementar n° 7, de 1970, em razão da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF e Resolução do Senado Federal. Tratou da nova disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep instituída pela MP n° 1.212, convertida na Lei n° 9.715 após sucessivas reedições, e pela Lei n° 9.718, cuja alteração promovida na base de cálculo foi declarada inconstitucional pelo STF. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13876.000991/200324 Acórdão n.º 3301001.642 S3C3T1 Fl. 145 3 Relembrou a suspensão da eficácia dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988 por Resolução do Senado Federal, o que implicou prevalência da Lei Complementar n° 7 e alterações posteriores para todo o período anterior à Lei n° 9.715, de 1998. Tratou da questão da semestralidade da contribuição, para concluir pela correção de se adotar o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária, como base de cálculo até a vigência da Lei n° 9.715. No tocante à MP n° 1.212, salientou que a retroatividade de seus efeitos a 01/10/1995 é inconstitucional, ferindo ainda o primado da anterioridade mitigada. Assim, não pode haver exigência no período compreendido entre 01/10/1995 e 01/03/1996. Em referência à alteração da base de cálculo, argumentou que o legislador usou de "veículo normativo impróprio para tanto", sendo que a Constituição prevê a possibilidade de cobrança das contribuições sociais somente após noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou majorado. Como a conversão da MP 1.212 só ocorreu em 25/11/1998, pela Lei n° 9.715, todos os recolhimentos efetuados com base nas reedições desta MP "foram inconstitucionais, na medida em que não respeitaram o prazo da anterioridade mitigada". Por fim, defendeu o prazo de dez anos para a restituição do indébito, citando o CTN e diversos julgados dos Conselhos de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais devendo ser conhecido. Ao contrário do entendimento da recorrente, no julgamento da ADIN nº 1.4170/DF, o Supremo Tribunal Federal (STF) não reconheceu a inconstitucional daquela MP, mas tão somente da parte do seu artigo 15 que determinava sua aplicação retroativa a partir de 1º de outubro de 1995. Os demais dispositivos e sua aplicação foram julgados constitucionais depois do cumprimento da carência nonagesimal prevista na Constituição Federal de 1988, art. 195, § 6º. Dessa forma, cumprida aquela carência, a referida MP entrou em vigor, nos termos da Constituição Federal de 1988, art. 62, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996. Quanto à utilização de medidas provisórias para instituição de tributos, o Supremo Tribunal Federal já exarou entendimento de que as medidas provisórias têm força, eficácia e valor de lei, assim decidindo: “As medidas provisórias configuram, no Direito Constitucional positivo brasileiro, uma categoria especial de atos normativos Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 primários emanados pelo Poder Executivo, que se revestem de força, eficácia e valor de lei.” (ADInMC nº 293 – DF.) Além disso, também, já se pronunciou aquela Corte Suprema a respeito da possibilidade de reedições de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional: “Não perde a eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu prazo de validade de tributa dias.” (ADInMC º 1.617/MS.) Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, nos meses de competência de março de 1996 a fevereiro de 1999, a contribuição para o PIS era devida nos termos da MP nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 1998. Igualmente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do julgamento do RESP 1.136.210, cujo Relator foi o então Exmo. Ministro Luiz Fux, decidiu que a contribuição destinada ao Pasep permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. 2. A contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (RE 169.091, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 07.06.1995, DJ 04.08.1995). 3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: AI 713.171 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13876.000991/200324 Acórdão n.º 3301001.642 S3C3T1 Fl. 146 5 AgR, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgado em 09.06.2009, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236819 PP04055; RE 479.135 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 26.06.2007, DJe082 DIVULG 16.08.2007 PUBLIC 17.08.2007 DJ 17.08.2007; AI 488.865 ED, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 07.02.2006, DJ 03.03.2006; AI 200.749 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 18.05.2004, DJ 25.06.2004; RE 256.589 AgR, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 08.08.2000, DJ 16.02.2001; e RE 181.165 EDED, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 02.04.1996, DJ 19.12.1996. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no REsp 531.884/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 25.11.2003, DJ 22.03.2004; REsp 625.605/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 08.06.2004, DJ 23.08.2004; REsp 264.493/PR, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.02.2006; AgRg no Ag 890.184/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20.09.2007, DJ 19.10.2007; e REsp 881.536/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 28.10.2008, DJe 21.11.2008). 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine, não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose a anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 (REsp 1136210/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Levandose em conta que o Acórdão do STJ sobre esta matéria foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, e, ainda, o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), adotase para o presente caso aquela decisão, ou seja, a constitucionalidade e legalidade da exigência do Pasep, no período de março de 1996 a fevereiro de 1999, com fundamento na MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertidas na nº 9.715, de 25/11/1998. Dessa forma, os valores da contribuição apurada e recolhida por ela, correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, com fundamento naquela MP, eram devidos por ela e não constituem indébito tributário. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, em razão de não haver certeza e liquidez dos créditos alegados. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 19515.003837/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. CRITÉRIOS ESTABELECIDOS QUE NÃO ESTÃO EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. O art. 2o , §1o da Lei 10.101/01 não exige expressamente que os critérios fixados para o pagamento da PLR observem obrigatoriamente o que dispõe os seus incisos I e II, mas apenas que a fixação dos critérios, dentre outros pontos, poderá observar os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. CRITÉRIOS ESTABELECIDOS QUE NÃO ESTÃO EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. O art. 2o , §1o da Lei 10.101/01 não exige expressamente que os critérios fixados para o pagamento da PLR observem obrigatoriamente o que dispõe os seus incisos I e II, mas apenas que a fixação dos critérios, dentre outros pontos, poderá observar os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. CRITÉRIOS ESTABELECIDOS QUE NÃO ESTÃO EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. O art. 2o , §1o da Lei 10.101/01 não exige expressamente que os critérios fixados para o pagamento da PLR observem obrigatoriamente o que dispõe os seus incisos I e II, mas apenas que a fixação dos critérios, dentre outros pontos, poderá observar os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 37 /2 00 9- 85 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.003837/200985 Acórdão n.º 2402002.588 S2C4T2 Fl. 515 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SARAIVA SA LIVREIROS E EDITORES, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.242.471 6, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados incidentes sobre pagamentos efetuados a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, sem a observância das determinações da Lei 10.101/00. Consta do relatório fiscal que a recorrente efetuou o pagamento da PLR com fundamento em Convenção Coletiva de Trabalho firmada com o Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo – SP e que tais pagamentos foram considerados como possuidores de caráter salarial em razão dos seguintes fatos: a) a convenção dispunha que os pagamentos da PLR deveria ser feitos em duas parcelas, a primeira em 03/2005 e a segunda em 09/2005, entretanto, a recorrente efetuou os seus pagamentos em parcela única na competência 04/2005, tendo sido verificados outros pagamentos a este título nas competências de 01/2005, 02/2005, 03/2005 e 05/2005. b) a Convenção Coletiva estabelece o pagamento de um valor fixo a titulo de Participação nos Resultados, sendo que tal pagamento não foi atrelado qualquer índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou a qualquer programa de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, conforme determina a já citada legislação que rege a matéria, contrariando assim o que estabelece a Lei 10.101/2000 para que um pagamento possa ser enquadrado como Participação nos Lucros ou Resultados — PLR e receber os beneficios devidos. O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 05/2005tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 29/09/2009 (fls. 42). O relatório fiscal também aponta que no presente caso, para a aplicação da multa, foi comparada, em cada competência, o valor da multa que seria aplicada conforme a legislação anterior (FL 68 – Descumprimento de obrigação acessória de informação em GFIP) somada à multa de mora de 24%, frente à nova multa de 75% sobre o valor total devido sem terceiros, introduzida pela MP 449, posteriormente convertida em lei. Ainda no que se refere a multa aplicada, restou apontado que em todas as competências, à exceção de 04/2005 e 05/2005, foi aplicada a multa de ofício de 75%. A multa relativa às competências de 04/2005 e 05/2005, com fundamento na legislação anterior à MP 449, foi objeto de lançamento no AI 37.198.9566. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls.459/487), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser declarada a nulidade do presente auto de infração, visto que, conforme se verifica do Discriminativo do Débito, anexo ao auto, a fiscalização sequer mencionou a alíquota para a correta apuração e quantificação de eventual diferença de contribuição previdenciária não retida pela Recorrente, relativa à parcela dos Segurados, que lhe prestaram serviços no período autuado, o que fulmina por completo a exigência fiscal, materializada através do presente levantamento; 2. que a Lei 10.101/00 dispositivo acima transcrito, em seu parágrafo primeiro, não traz qualquer vedação quanto ao fato dos instrumentos decorrentes da negociação entre as partes, no caso, as Convenções Coletivas, estabelecerem o pagamento de valores fixos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados; 3. que os pagamentos realizados a titulo de PLR nos meses de 01/05, 02/05, 03/05 e 05/05, não há que falar se em inobservância ao que preconiza a Lei 10.101/00, pois tratamse de pagamentos relativos aos Termos de Rescisões complementares, conforme demonstraram os documentos acostados ao referido auto. Portanto, não merece prevalecer o entendimento exposto na r. decisão ao afirmar que esses pagamentos integram o salário de contribuição e devem ser tributados pela contribuição previdenciária; 4. que o lançamento foi efetuado por presunção; 5. que as parcelas pagas as título de PLR possuem natureza indenizatória, não devendo ser consideradas como base de cálculo de contribuições previdenciárias, à luz da Constituição e da Lei; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.003837/200985 Acórdão n.º 2402002.588 S2C4T2 Fl. 516 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE No que se refere ao pedido para o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração, entendo que o mesmo deva ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias por ela não adimplidas e declaradas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não hã que se reconhecer a nulidade do lançamento. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal, verificase que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas. No caso dos autos todos os fundamentos para a demonstração da forma de cálculo das contribuições devidas constam dos autos e foram tempestiva e corretamente franqueados e cientificados à recorrente. Rejeito, pois, a preliminar. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 MÉRITO A questão de mérito do presente recurso repousa na tese de que a recorrente não infringiu o que determinado pela Lei 10.101/00, quando efetuou o pagamento da PLR a seus segurados empregados no ano de 2005. A recorrente e seus empregados elegeram como forma de regulação da PLR o formato de Convenção Coletiva de Trabalho, que assim dispõe sobre o tema: CLAUSULA 07 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS Para os efeitos e na forma do artigo 7o incisos XI e XXVI, da Constituição Federal, bem como do artigo 2 0, inciso II da Lei n° 10.101, de 19.12.2000, que dispõem sabre a Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da Empresa, as partes ajustam o quanto segue: §1o A presente cláusula terá vigência por 02 (dois) anos, a contar de 17.NOV.2004, objetivando viabilizar o estabelecimento de critério pare o pagamento da participação nos resultados referente ao ano de 2005. § 2o Os empregados em atividade em 17.NOV.2004, receberão uma participação de natureza não salarial, referente ao ano de 2004, tendo em vista as regras abaixo: A) Pelas empresas que possuam até 19 (dezenove) empregados, o valor a ser pago será de R$ 315,00 (trezentos e quinze reais), em 2 (dues) parcelas de R$ 157,50 (cento e cinqüenta e sete reais e cinqüenta centavos); pelas empresas que possuam de 20 (vinte) a 49 (quarenta e nove) empregados, o valor a ser pago serei de R$ 342,00 (trezentos e quarenta e dois reais), em 2 (dues) parcelas de R$ 171,00 (cento e setenta e um reais); pelas empresas que possuam de 50 (cinquenta) a 99 (noventa e nove)empregados, o valor a ser pago serif de R$ 400,00 (quatrocentos reais) em 2 (dues) parcelas de R$ 200,00 (duzentos reais), e para aquelas que possuam 100 (cem) ou mais empregados, o valor a ser pago será de R$ 460,00 (quatrocentos e sessenta reais), em 2 (duas) parcelas de R$ 230,00 (duzentos e trinta reais), sendo que o pagamento de cada parcela será efetuado juntamente com os salários referentes aos meses de MARÇO e SETEMBRO de 2005. A) O pagamento da referida participação será efetuado tendo em vista as faltas injustificadas dos empregados nos períodos de 17.NOV.2003 a 15.MAI.2004 e 17.MAI.2004 a 16.NOV.2004 (base para pagamento da primeira e segunda parcelas, respectivamente), observada a tabela abaixo em cada um dos semestres, conforme acordado na Convenção Coletiva de Trabalho firmada em 28.NOV.2003: Antes ainda de analisar as disposições da convenção coletiva, cumpre asseverar que a Constituição Federal de 1988 (CF/88) estabelece em seu artigo 7°, inciso XI, norma relativa à Participação nos Lucros e/ou Resultados: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.003837/200985 Acórdão n.º 2402002.588 S2C4T2 Fl. 517 7 Art. 7° Silo direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alem de outros que visem melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Referida norma não possui aplicação imediata, mas depende da edição de Lei que a regulasse, na forma e modo proposto pelo Poder Legislativo, o que já foi objeto de decisão pelo próprio Poder Judiciário. A incidência de contribuição previdenciária, portanto, só fica afastada nas hipóteses previstas no parágrafo 9°, do artigo 28, da Lei n° 8212/91, destacandose, no presente as , a alínea "j" do referido dispositivo legal. Após 29/12/1994, com a regulamentação do referido dispositivo constitucional (artigo 7°, inciso XI), e nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "j" da Lei n.° 8.212/91, a seguir transcrito, a participação nos lucros ou resultados só não terá natureza jurídica salarial, e não integrará o saláriodecontribuição, se for paga em conformidade com o disposto na Medida Provisória 794 de 29/12/1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, finalmente convertidas na Lei n.° 10.101, de 19/12/2000. Art. 28. (..) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) (..) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa,quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; (grifos nossos) O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por sua vez, discrimina em seu artigo 214, parágrafo 9°, quais as rubricas que não integram o salário de contribuição, dispondo o parágrafo 10° do mesmo artigo: Art. 214. (..) §1o . As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis E por fim, assim dispõe a Lei 10.101/00: Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre e a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Pois bem, da análise de referido acordo, em contrapartida com o que determinado em Lei, a fiscalização entendeu que foram dois os motivos tidos como suficientes para que a verba paga viesse a ser considerada como base de cálculo das contribuições lançadas. O primeiro deles foi o fato de que o pagamento que deveria se dar em duas parcelas, fora efetuado em uma única parcela. E sobre o assunto, assim dispõe a Lei 10.101/00: Art. 3o §2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ao que se verifica, no presente caso o pagamento dos valores de PLR em parcela única, a toda evidência, não fere aquilo o que disposto em Lei. Ademais, como segundo e principal fundamento para o lançamento, a fiscalização também entendeu que o pagamento da PLR se deu em um valor fixo e desvinculado de qualquer índice de produtividade ou meta. Inicialmente há de se apontar que a mera estipulação do pagamento da PLR em um valor fixo é condição que não foi albergada ou imposta pela Lei 10.101/00, motivo pelo qual, não pode ser atribuída como irregularidade por este simples fato. Todavia, no caso dos autos, não foi apenas o fato de que a parcela foi paga de forma única que levou à conclusão de que não foram observados os requisitos constantes na Lei 10.101/00, mas, preponderantemente, o fato de que o seu pagamento não foi vinculado ou não possuiu correlação com qualquer índice de produtividade eleito pelas partes. Da leitura do Acordo Coletivo, verificase que as condições para o pagamento da PLR são aferidas considerados dois critérios: (i) o número de empregados que a empresa possui e o (ii) número de faltas atribuídas ao empregado no ano calendário anterior. A meu ver, os critérios são objetivos o bastante para adequaremse ao que determina o art. 2o da Lei da PLR, que por sua vez permitem aos trabalhadores aferir o cumprimento do acordado. E é o próprio artigo 2o, §1o,da Lei 10.101/00, que autoriza e permite que as partes envolvidas no acordo elejam subjetivamente e a seu exclusivo julgamento, os critérios que pretendem sejam aqueles norteadores da negociação para o pagamento da PLR. Há Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.003837/200985 Acórdão n.º 2402002.588 S2C4T2 Fl. 518 9 também de se considerar que referido parágrafo não determina ou impõe às partes a obrigatoriedade de utilizarem como parâmetro os critérios de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou mesmo programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Para elucidar a questão, há de se conferir o que preceitua o artigo em comento: §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Logo, verificase que a adoção dos critérios sugeridos pelos incisos I e II do 2o, §1o , da Lei 10.101/00, em momento algum é obrigatória, mas apenas facultativa, podendo outros critérios virem a ser fixados em comum acordo pelas partes envolvidas. Não entendo, pois, que a recorrente efetuou o pagamento da PLR de forma eequivocada, exatamente pelo fato de que as justificativas adotadas pela fiscalização para a consideração dos pagamentos como remuneração, não caracterizam ofensa às disposições da Lei 10.101/00. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10166.902203/2008-69
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 13/06/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo,
condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170,
do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-000.995
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Tatiana Midori Migiyama
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/06/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 150 1 149 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.902203/200869 Recurso nº Acórdão nº 3802000.995 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria PISFaturamento Recorrente CEB Lajeado S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/06/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros RÉGIS XAVIER HOLANDA (Presidente), FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA, SOLON SEHN e TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 151 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CEB Lajeado S.A. contra Acórdão nº 0340.439, de 22 de novembro de 2010 (de fls. 133 a 138), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratam os autos de declaração de compensação, transmitida em 31.12.2004, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 25.960,06, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109), arrecadado em 13.06.2003, no valor de R$ 20.538,02. Em despacho decisório (fls. 112) emitido em 09.05.2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 18837.59333.211204.1.3.043812, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada da decisão em 26.05.2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 25.06.2008 (fls. 01. a 04), alegando, em síntese, que: ü O crédito de PISFaturamento recolhido a maior e;ou indevidamente referese a valores apurados equivocadamente através do regime cumulativo de apuração, quando deveriam ter sido apurados pelo regime nãocumulativo; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 152 3 ü A Solução de Consulta nº 201 2006 (fls. 34 a 40), exarada pela Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal – SRRF 1ª RF, corrobora tal entendimento; ü Não foram efetuadas as correções no DACON e na DIPJ do período em questão; ü Apresentase cópia da memória de calculo dos valores apurados em 2003 (fls. 52 a 54) e o comparativo do que foi recolhido a maior indevidamente pela contribuinte em função da solução citada; ü Também é anexada cópia do balancete com a demonstração dos valores utilizados para a apuração dos créditos e débitos do PIS Faturamento pelo regime cumulativo. (fls.48 a 85); ü A Administração deve fundamentase na busca da verdade real e não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação. Por fim, requer seja estabelecido o crédito utilizado pela contribuinte e que seja homologada a compensação pleiteada, extinguindose definitivamente a cobrança do suposto débito quitado com o crédito respectivo a que se refere o despacho decisório. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade – com a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/06/2003 RETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS. ART. 10, INCISO XI, ALÍNEA “C”, DA LEI Nº 10.833, DE 2003. VERDADE MATERIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Estão sujeitos à cumulatividade os débitos de PIS, decorrentes de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nº 10.833, de 2003, com vencimento até 31 de janeiro de 2004. A litigante não traz aos autos prova que dê suporte à alegação de que o direito creditório declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nª 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 153 4 Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de fevereiro de 2011, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de março de 2011. Do mérito Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de Inconformidade contra despacho decisório de nº de rastreamento 759956972 emitido pela DRF Brasília e assinado pelo Delegado da Receita Federal em Brasília no dia 09.05.2006 e recebido com ciência, em 26 de maio de 2006, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, com créditos de pagamento indevido ou a maior de PISFaturamento no anocalendário de 2003. Insurge a recorrente que o acórdão da Delegacia de Julgamento reconhece que juridicamente há o crédito compensável, contudo indefere o PER/DCOMP sob o único fundamento de que os documentos juntados aos autos não seriam suficientes para comprovação. O que, alega ser obrigação da autoridade administrativa verificar tais fatos em seus arquivos, justificando que todos os documentos referentes ao lançamento equivocado e ao seu pagamento, bem como a retificação do lançamento e conseqüente nascimento do crédito estão de posse da Receita Federal. Traz a argumentação de que o ato de lançamento é um ato legalmente vinculado conforme expressa dicção do art. 142 do CTN, e por determinação do referido dispositivo deve a autoridade administrativa cobrar tributos não lançados, bem como reconhecer pagamentos indevidos ou a maior. A função da Receita Federal é a administração legal dos tributos e que isto inclui cobrar o que é devido e devolver o pagamento indevido, como no caso em tela. Conclui que entende a Delegacia de Julgamento que os documentos não foram suficientes para provar a quantia do credito existente, ao verificar que juridicamente existe, deveria ter baixado o feito em diligência para a certificação da existência ou não do crédito e posterior adequada análise sobre a compensação pleiteada. De fato, a DRJ verificouse que a contribuinte tem razão em sua argumentação de direito – qual seja, de que as receitas auferidas de contratos firmados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à sistemática da cumulatividade, aplicandose tal entendimentos retroativamente a fevereiro de 2004. Tal interpretação tem suporte expresso na IN SRF nº 658, de 2006 que, por sua vez, está em consonância com a Lei 11.196, de 2005. No entanto, a DRJ, quanto a questão da verdade material, clarifica que a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 154 5 apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente os contratos de fornecimento de energia foram efetuados a preço determinado, firmados até 31 de outubro de 2003 e respeitadas todas as condicionantes que a lei determina que não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito trazido qualquer prova documental que dê respaldo às suas alegações e comprove a verdade material dos fatos concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Em continuação às alegações trazidas pela recorrente, contempla nova informação de que, ademais, não bastasse o crédito de PIS, de fato possui outro crédito decorrente da antecipação mensal do imposto de renda e da base de cálculo negativa de IR e CSLL em face do prejuízo no período em questão. E que as antecipações mensais por estimativa, foram realizadas, conforme determina o art. 2ª da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” Sendo assim, esclarece que durante todo o ano de 2002 e 2004 a recorrente realizou diversos pagamentos de imposto de renda por estimativa considerando o seu faturamento anual realizando o ajuste na DIPJ dos exercícios de 2003 e 2005 respectivamente, verificando no período que a empresa apresentou um resultado final menor do que o valor pago por estimativa, havendo inclusive registro de prejuízo no exercício de 20022003. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 155 6 O que traz a conclusão de que os valores pagos antecipadamente no regime por estimativa poderiam ser compensados nos tributos devidos no exercício seguintes, nos termos do art. 6º da Lei 9.430/96: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente Assim sendo, alega que acumulou elevados créditos, decorrentes do recolhimento a maior do imposto de renda sobre estimativa no período de 2002 e 2004, que seriam compensáveis com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, direito este consagrado em diversos dispositivos legais, destacandose o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O que, segundo a recorrente, houve indiscutível pagamento em excesso de Imposto de Renda e consequentemente o crédito compensável, inferindo que o fato de ter existido um erro de preenchimento da DIRPJ não tem o condão de eliminar o crédito da recorrente, já informado nas declarações retificadoras a seguir: Isso posto, requer a contribuinte que seja conhecida e provido o pedido do presente recurso voluntário para homologar a compensação realizada e sucessivamente, determinar que o feito seja baixado em diligência para análise das DIPJ´s apresentadas pela recorrente. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902203/200869 Acórdão n.º 3802000.995 S3TE02 Fl. 156 7 Ora, notase que essas novas argumentações não foram aduzidas na instância originária, motivo pelo qual não pode o CARF apreciarlhe sob pena de supressão de instância, além de restar malferido os arts. 16, III, e 17, do RPAF, que exigem sejam explicitadas na impugnação – o que aplico por analogia à manifestação de inconformidade, todos os argumentos de defesa do sujeito passivo. E ainda assim, vêse que apesar das argumentações trazidas pela contribuinte expondo novas informações de créditos que entende que deveriam ser apreciados, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, tampouco documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto no mérito por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10983.912717/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 27 17 /2 00 9- 80 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – codigo 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912717/200980 Acórdão n.º 1102000.556 S1C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912717/200980 Acórdão n.º 1102000.556 S1C1T2 Fl. 4 5 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 13161.000426/2010-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 120/122), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO DE IPI. VEDAÇÃO NA CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 00 42 6/ 20 10 -4 2 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000426/201042 Resolução nº 3802000.073 S3TE02 Fl. 145 2 É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. (art. 25 da IN RFB nº 900, de 2008, com redação dada pela IN RFB nº 1.224, de 2011) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada, com base no artigo 11 da Lei no 9.779/99, formalizou pedido de ressarcimento do IPI de competência do 3o trimestre de 2007, cumulado com pedido de compensação. Instada a se pronunciar sobre o direito creditório alegado, a Seção de Fiscalização da DRF Dourados encontrou irregularidades na saída de produtos com suspensão do IPI, fato que motivou a lavratura do auto de infração objeto do processo no 13161.720020/201080. As irregularidades apontadas na ação fiscal, inerentes ao não atendimento das condições para a saída com suspensão do IPI, motivaram a recomposição dos valores e o lançamento para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto apurado a menor. Consequentemente, foi deferido em parte o pedido de ressarcimento do imposto e homologada apenas parcialmente a DCOMP correspondente. O valor total pleiteado foi de R$ 88.268,59. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que as exigências objeto do procedimento fiscal referenciado ainda estavam pendentes de julgamento, de forma que o crédito tributário constituído contra a empresa só seria definitivo, sendo o caso, depois de transitada em julgado a lide administrativa. Ao examinar a questão, a DRJ Juiz de Fora não acolheu os argumentos apresentados pela interessada em sua manifestação de inconformidade, o que fez alicerçada no artigo 25 da IN RFB no 900, de 20/12/20081 (vide fls. 123/124 do processo eletrônico). Cientificada da referida decisão em 05/07/2012 (vide AR de fls. 127), a recorrente apresentou, em 25/07/2012, o recurso voluntário de fls. 128/131, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito reiterando a necessidade de exaurimento da lide administrativa relativa ao processo de formalização da exigência do IPI, e ainda, em defesa de aduzida ofensa a princípios de natureza constitucional no seio do artigo 25 da IN SRF no 900, de 2008, notadamente o princípio de ampla defesa e o direito de petição (CF, artigo 5o, incisos LV e XXXIV, respectivamente). Aduz, também, que a proibição assinalada no referido artigo 25 da IN no 900/2008 só se caracterizaria quando pudesse “[...] ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal”. O caso presente, contudo, por carecer da referida decisão definitiva, deveria ser sustado até o julgamento final do processo de exigência dos créditos. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. 1 Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000426/201042 Resolução nº 3802000.073 S3TE02 Fl. 146 3 Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A contenda decorre da não homologação de declaração de compensação em virtude de a unidade preparadora, ao examinar o direito creditório apontado pela interessada, haver concluído pela sua inexistência, inclusive tendo formalizado lançamento contra o imposto – IPI – relativamente ao qual a recorrente alega possuir direito creditório. Em outras palavras, no entender da fiscalização, a interessada, no lugar de crédito, seria devedora para com a Fazenda Pública. A consulta ao processo correspondente ao lançamento do IPI (no 13161.720020/201080) revelou que o mesmo ainda carece de decisão da primeira instância, a ser proferida pela DRJ Juiz de Fora. Esta, mediante o despacho no 28, de 09/05/2012, baixou o processo em diligência, já tendo adiantado, de antemão, que ao menos parte dos créditos consignados no lançamento seria improcedente, nos termos do referenciado despacho, abaixo transcrito: Irresignado, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, constituído às fls. 394/395, apresentou a impugnação de fls. 371/380 e fez juntada dos documentos de fls. 381/393 e 396/442. Na peça impugnatória, o contribuinte contestou o lançamento efetuado em razão das 4 (quatro) modalidades em que ocorreu: fornecimentos a optantes pelo simples, a pessoas físicas, a pessoas jurídicas que não apresentaram a declaração de condição ou a apresentaram em data posterior às respectivas aquisições de insumos. Especialmente em relação às aquisições de contribuintes optantes pelo Simples (federal e nacional), o contribuinte alegou que quem dera causa às saídas com suspensão indevida do IPI era o próprio comprador que lhe enviara correspondência declarando atender às condições para o gozo da suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637,de 2002. Nesse contexto, entende a relatora que as saídas com suspensão do IPI, direcionadas a optantes pelo SIMPLES, quando de fato houve declaração específica para esse fim pelo adquirente dos insumos, são eles, os adquirentes, que deram causa à suspensão indevida do tributo. Depreendese o fato pelo que estipula o parágrafo único do art. 5º da IN SRF nº 207, de 27/09/2002, que primeiro regulamentou a matéria: Art. 5º Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), quando adquiridos por estabelecimento industrial fabricante, preponderantemente, de componentes, chassis, carroçarias, partes e peças para industrialização dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi. Parágrafo único. Para os fins do disposto no caput, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. O dispositivo acima transcrito foi repetido pelas Instruções Normativas que sucessivamente foram utilizadas para a regulamentação do incentivo fiscal, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000426/201042 Resolução nº 3802000.073 S3TE02 Fl. 147 4 ou seja, as IN SRF nos 235, de 31/10/2002; 296, de 06/02/2003, e IN RFB nº 948, de 15/06/2009, sempre no respectivo parágrafo único do art. 5º. Assim sendo, o crédito tributário estribado nas saídas para optantes pelo simples devem ser expurgados da autuação. Para tanto, deverá ser refeita a escrituração fiscal do contribuinte, a fim de determinar quais os créditos tributários deverão ser mantidos para cada período autuado. No que tange a uma outra contestação do contribuinte, que diz respeito às declarações de condição de utilização da suspensão relativas ao anocalendário de 2007, disse o contribuinte que não foi intimado a apresentálas, mas que as apresentou juntamente com os arquivos SINTEGRA. Sobre as declarações do anocalendário de 2007, a fiscalização deve se manifestar para informar se o contribuinte realmente às apresentou e se apresentadas foram se consideradas na sua totalidade, à vista dos documentos disponibilizados pelo contribuinte e de acordo com o entendimento expresso pela fiscalização no Relatório Fiscal. Esclarece a relatora que vale para o anocalendário de 2007 o mesmo entendimento expresso para os fornecimentos a optantes pelo Simples (federal e nacional). Pelo exposto, PROPÕESE que os autos retornem à DRF de origem para que seja reformulada a reconstituição da escrituração fiscal do contribuinte, com a exclusão dos débitos lançados relativamente às saídas com suspensão do IPI para adquirentes optantes pelo Simples (nacional e federal) e para que se manifeste a fiscalização sobre as declarações do anocalendário de 2007, tal qual esclarecido no parágrafo anterior. Apesar de o entendimento acima proferido ainda necessitar do julgamento do colegiado responsável pelo exame da lide, sabese, de pronto, que a situação dos créditos tributários constituídos contra o sujeito passivo é precária. Por sua vez, para exame do presente contencioso, onde a interessada requer a compensação tributária com os supostos créditos do IPI glosados pela fiscalização, há que se ter um entendimento conclusivo relativamente à legitimidade dos créditos alegados, o que só ocorrerá quando do julgamento do processo no 13161.720020/201080. Diante do exposto, proponho seja o presente julgamento convertido em diligência para que a autoridade administrativa responsável pelo indeferimento inicial da compensação, de posse do resultado do julgamento definitivo (art. 42 do Decreto no 70.235/72) do processo no 13161.720020/201080, sendo o caso, informe se os créditos eventualmente reconhecidos em favor da recorrente são suficientes para a quitação dos débitos objeto do presente processo, apresentando demonstrativo, acaso necessário, do crédito tributário remanescente. Instruído o processo com a documentação e os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 15374.000746/00-16
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO DE RECEITAS.
As receitas decorrentes das atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, com parcelas a vencer após o exercício no qual foram implementadas, são tributadas pela Cofins pelo regime de caixa. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO DE RECEITAS. As receitas decorrentes das atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, com parcelas a vencer após o exercício no qual foram implementadas, são tributadas pela Cofins pelo regime de caixa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 07 46 /0 0- 16 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em Recurso Especial de fls. 1195/1208, recebido pelo despacho de admissibilidade à fl. 1209, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão de fl. 1178, que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para afastar a incidência da COFINS no período lançado. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIMEDE APURAÇÃO DE RECEITAS. As receitas decorrentes das atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, são tributadas pela Cofins com observância do regime de caixa para o seu reconhecimento. Recurso Voluntário Provido” Aduz a Fazenda Nacional que o cerne da questão reside em saber qual é o momento de reconhecimento da receita nos contratos de construção por empreitada, subempreitada ou fornecimento a preço prédeterminado de bens ou serviços feitos com pessoas jurídicas de direito público ou empresas sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, para fins de incidência da Cofins nos exercícios de 1996 e 1997. Transcreve conceitos de regime de caixa e regime de competência à fl. 1197. Aduz que para a Cofins deve ser usado o regime de competência, pois o regime de caixa é apenas para algumas situações previstas em Lei. Segue fazendo analogia entre a LC nº 70/91, vigente à época dos fatos geradores, e a legislação do IRPJ Decretolei nº 1.598/77, esta última, em referência no transcrito art. 10 da Lei complementar destacada, como de uso subsidiário à legislação da Cofins. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.000746/0016 Acórdão n.º 9303002.255 CSRFT3 Fl. 1.359 3 Nesta esteira, relaciona o artigo 6º do mencionado Decretolei, trazendo anotado que o lucro líquido deve observar os preceitos da Lei comercial, com o art. 177 da Lei nº 6.404/76, prevendo a aplicação do regime de competência, tudo isso transcrito às fls. 1198/1199. Desta forma, aduz que se não houver disposição legal expressa em sentido contrário, as receitas, rendimentos e ganhos deverão ser reconhecidos pelo regime de competência na apuração de todos os tributos e contribuições das empresas. Ou seja, na vigência da LC 70/91, quanto ao reconhecimento de receita, deveria ser observada a legislação do Imposto de Renda subsidiariamente, e nesse caso, a legislação pertinente determina a aplicação do regime de competência. Transcreve decisões do CARF às fls. 1200/1201 pela adoção do regime de competência para o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Salienta que a legislação da Cofins só veio a ser alterada através da edição da Lei nº 9.718/98, especialmente em seu artigo 7º, transcrito às fls. 1201/1202, in verbis: "Art. 7° No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2° desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço." Transcreve também parecer COSIT nº 2/2001 à fl. 1202, salientando o seu item 6. Salienta que a Instrução Normativa nº 11/1996, mencionada pela Contribuinte, trata especificamente e tão somente dos procedimentos relativos à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre os Lucros mensais, conforme a Lei nº 8.981/95, não devendo, portanto, ser aplicada subsidiariamente ao caso da COFINS. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Aduz que não pode prosperar a tese de que a Lei n ° 9.718, de 1998 deva ser aplicada a fatos ocorridos anteriormente à sua edição, pois a regra geral para reconhecimento das Receitas da COFINS é o regime de competência, segundo a vigência da LC 70/91, sendo que a possibilidade de reconhecimento da referida receita no momento do recebimento foi trazido ao mundo jurídico pela Lei 9.718/98, mas com vigência para os fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999, conseqüentemente, não pode ser aplicada no caso sob exame. Sustenta a tese da irretroatividade da Lei 9.718 com a transcrição de ementa de julgado deste Conselho às fls. 1207/1208. Por fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para restabelecer a decisão da DRJ. ContraRazões às fls. 1214/1247. Segue aduzindo que a legislação referente ao IRPJ sempre permitiu que o reconhecimento das receitas decorrentes de contratos firmados com entes públicos fosse apropriada com base no regime de caixa, pela transcrição de trechos dos Decretos nº 85.450/80, 1.041/1994 e 1598/77 às fls. 1217/1218. Argumenta que a Lei 8.981/1995 manteve a previsão do DL 1598/77, para apuração de receitas decorrentes de empreitadas ou fornecimento contrato de pessoas jurídicas de direito público pelo regime de caixa, transcrevendo às fls. 1218/1219 seu art. 30. Alega que a instrução normativa nº 11/1996 apenas repetiu, em seu artigo 5º, os comandos legais já introduzidos pelos DL 1598 e Lei 8.981. Nesse diapasão, aduz que como a LC 70/91 não faz qualquer menção explícita sobre o regime de reconhecimento de receitas a ser adotado, justo que seja usada subsidiariamente a legislação do IRPJ. Contraargumenta aduzindo que a procuradoria da Fazenda Nacional sustenta com bastante contradição ao permitir o uso subsidiário da legislação do IRPJ ao mesmo tempo que relata impossibilidade de uso da multireferida instrução normativa nº 11 por tratar exclusivamente do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.000746/0016 Acórdão n.º 9303002.255 CSRFT3 Fl. 1.360 5 Além disso, relata que a Contribuinte não aufere receita com vendas de bens imóveis, razão pela qual a ela não cabe a solução de divergência trazida no Recurso Especial da Recorrente. Argumenta que é irrelevante a discussão acerca da retroatividade da Lei nº 9.718, pois à época do lançamento realizado, períodos entre 1996 a 1997, tal regra estampada no art. 7º da Lei referida já era vigente pela combinação da LC nº 70 com a legislação do IRPJ. Corroborando com a contratese trazida, transcreve parecer Cosit nº 56/1998 às fls. 1221/1223 e Parecer PGFN/PGA nº 799/1992 às fls. 1223/1227. Faz também transcrição de ementa de julgado deste CARF à fl. 1227 dando sustentação à tese trazida. Por fim, relata que os valores lançados no auto de infração acaso seja dado provimento ao Recurso Especial – foram efetivamente pagos, entretanto, quando deveria ter sido efetuado com amparo nas legislações multireferidas. Requer seja negado provimento ao Recurso Especial, mantendose incólume o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cuidase em saber se o regime legal de reconhecimento de receitas na hipótese de atividade imobiliária para implementação da base de cálculo da COFINS é ou não o de caixa. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Para mim irrepreensíveis a razões expendidas no voto vencedor da lavra da Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira. Isto porque desde ao ano de 1991 quando surgiu a LC nº 70, que o imposto sobre a renda foi consignado no seu art. 10, parágrafo único, como fonte subsidiária aos procedimentos relativos ao recolhimento da COFINS, in verbis: “Parágrafo único. A contribuição referida neste artigo aplicam se as normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, bem como, subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao imposto de renda, especialmente quanto a atraso de pagamento e quanto a penalidades.” Esse dispositivo emanado do ano de 1991 torna para mim claro, não ser importante para o deslinde desta matéria, considerarse a impossibilidade Lei nº 9.718/98 retroagir efeitos para alcançar lançamentos ocorridos anteriormente à sua vigência, que alvejaram os anos de 1996 e 1997. O que de fato se projeta na direção da opção pelo regime de caixa é a subsidiariedade dos ditames relativos ao imposto de renda que já no ano de 1977 reconhecia através do Decretolei nº 1.598, art. 29, as receitas a prazo, com vencimento após o término do períodobase da venda, como sendo albergado pelo regime de caixa. Colho igualmente do voto vencedor mencionado antes, o registro do art. 30 da Lei nº 9.065/95, in verbis: “Art. 30. As pessoas jurídicas que exporem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas.” De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional por reconhecer a legalidade do acórdão recorrido. Sala das Sessões, 08 de maio de 2013 FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.000746/0016 Acórdão n.º 9303002.255 CSRFT3 Fl. 1.361 7 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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