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Numero do processo: 10280.722116/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 16 /2 00 9- 02 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 131 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00209/2009 de fls. 01/05, emitida em 13.07.2009, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$192.845,85, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2005, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Manacá II”, cadastrado na RFB sob o nº 6.412.8326, com área declarada de 8.000,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00026/2009 de fls. 06/08, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º documentos que comprovem as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas, tal como Laudo elaborado por Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 132 3 Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART registrada no CREA, discriminando as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel em 01.01.2005, nos termos da alínea “a” do inciso IV, do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e art. 17 do Decreto nº 4.382/02 (RITR); 5º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 7º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 8º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2005. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte protocolou correspondência de fls. 16, acompanhada dos documentos de fls. 17/33. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2005, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente de 6.450,0 ha, glosar integralmente a área ocupada com benfeitorias de 550,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20.000,00 (R$2,50/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$433.040,00 (R$54,13/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 133 4 Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$86.590,57, conforme demonstrado às fls. 01 e 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02/03 e 05. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 15.07.2009, às fls. 34 e 36, ingressou a contribuinte, em 10.08.2009, às fls. 37, com sua impugnação de fls. 37/48, instruída com os documentos de fls. 49/52, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: entende que houve erro na base de cálculo e na alíquota do ITR, posto que declarou a área total do imóvel de 8.000,0 ha e áreas de preservação permanente de 6.450,0 ha; afirma que foi apresentada uma cópia autêntica da certidão de averbação da área constituída exclusivamente como reserva legal, correspondente ao mínimo de 80% da superfície do imóvel, e essa averbação teria ocorrido em 04.05.2006, ocorre que a Lei nº 10.267/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.449/2002, alterado pelo Decreto nº 5.570/2005, criou o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, tornando obrigatório o georreferenciamento do imóvel, condição essa necessária para que se realize qualquer alteração cartorial da propriedade, informando que não apresentou o georrefenciamento do imóvel, tornando a averbação insubsistente para fins de isenção da área de reserva legal; informa que declarou um VTN de R$3.874,00, e, que intimado a apresentar Laudo de Avaliação, para comprovação do VTN declarado, solicitou prazo, que foi concedido, e, em expediente de 28.11.2008, informa a impossibilidade de proceder à avaliação do imóvel e solicita que a avaliação seja feita pela fiscalização; preliminarmente, há que ser impugnado o lançamento, quando a própria fiscalização reconhece e declara no corpo da Notificação de Lançamento que a averbação a que se refere a área ocorrera em 04.05.2006, sendo certo que os documentos que instruíram o cadastramento em tela indicam uma Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 05.04.2006, ocasião em que a impugnante passou a fazer frente a propriedade do imóvel, sendo incontestável que anteriormente a essa nada tinha ela com mencionada área; entende que não há nenhum embasamento que pudesse dar azo a qualquer interpretação, simplesmente por não ter atendido a intimação da Receita, em decorrência de não apresentar Laudo Técnico, em virtude das terras estarem ocupadas por terceiros; da titularidade anterior aos documentos oferecidos no ato da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 134 5 inscrição junto a Receita Federal, diferentemente das datas ali constatadas e comprovadas; considera apócrifos os elementos da infração, que se referem a qualquer data anterior a 05.04.2006, ocasião em que, passou a deter, pelo menos de forma e pretensão de boafé, a propriedade a que se refere a Fazenda Manacá II; ressalta que, se não tinha nenhum vínculo com a área em datas anteriores a 05.04.2006, as menções de lançamentos efetivados pela fiscalização referentes ao ano de 2005, não passam de mera elucubração do agente fiscal, sendo nulos de pleno direito os lançamentos; discorre sobre teorias gerais do Direito e considera que o Direito não pode ser aplicado sem a formação do contraditório; entende, quanto ao mérito, o inequívoco erro na capitulação das supostas infrações fiscais, que teriam sido perpetradas, em tese, pela contribuinte; entende, ainda, que não soube o Fisco, diante da inexatidão e da insuficiência do método presuntivo aplicado, conduzir sua crítica a essa operação a partir de pressupostos inválidos, questionando de onde teria sido buscado o lançamento do exercício de 2005, aduzindo que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário; considera, desde logo, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo em guarda das supremas normas do Estado de Direito; salienta que o art. 110 do CTN prescreve que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos e conceitos e formas do direito privado utilizado pela constituição ou por leis superiores para definir ou limitar competências tributárias; ressalta que a presunção é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado, e, portanto, seriam consequências que o aplicador da lei extrai de um fato conhecido para determinar um fato ignorado; considera que o Fisco deve motivar analiticamente os lançamentos, isto é, deve provar a investigação procedida sob pena de nulidade, concluindo que é vedado o emprego das presunções em direito tributário, não tendo o Fisco qualquer poder discricionário nessa matéria, porquanto o objetivo do lançamento é exclusivamente declarar o resultado da rigorosa aplicação da lei a determinados fatos; observa que a obrigatoriedade da prova e contraprova, análise de dados e fatos, investigações e levantamentos, minuciosamente dispostos pela lei, tem em mira garantir não a prevalência da opinião dos agentes fiscais ou mesmo do interesse do estado Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 135 6 (considerado como parte no processo), mas do interesse público consistente na rigorosa observância da lei; ressalta que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão e isto não ocorreu; considera que o CTN prevê a interpretação mais benéfica ao contribuinte, principalmente nos casos de aplicações de sanções, é o que desde logo se requer; considera, também, que foi intimada a apresentar laudo de avaliação que pudesse comprovar a área de reserva de 80% da área total do imóvel, contudo, conforme documentos comprobatórios de contratação da profissional Ana Raquel Lima de Araújo, com a incumbência de proceder ao levantamento geral da área em questão, se dirigiram ao local e não lograram êxito na empreitada, uma vez que foram impossibilitados de adentrar na área por fazendeiros que ali se instalaram, ocasião registraram Boletim de Ocorrência Policial, relatando os fatos, e requer a juntada de uma cópia de respectiva fatura de contratação dos engenheiros; entende que, se o local se refere as glebas com títulos distribuídos pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Instituto de Terras do Pará, não seria possível a superposição de várias fazendas no mesmo espaço útil, sendo certo que não pode a impugnante arcar com ônus tributários e penalizadores de uma área que não detém nem a posse nem a tradição; considera que, como pode ser observado pelos documentos do processo movimentado junto à SECAT (2006/385505), o governo do Estado do Pará informa que a documentação da impugnante está lastreada em títulos outorgados pelo Governo do Estado, porém, na mesma área existem requerimento de outros títulos em favor de comunidade São Domingos Alto Tabocal 2006/133141, Alfredo Hélio Pereira TD.N.23, Edsom Muniz de Queiroz TD nº 21, Luiz Vicente Pereira dos Santos TD.N.20, Almey Lisboa Pereira dos Santos TD.n. 25 e fazenda Alto Cararí; ressalta que o mapa da situação elaborado pelo Estado do Pará demonstra a superposição de áreas, conforme cópia que se requer juntada; salienta que não pode prevalecer a imposição de multa e tampouco o lançamento tributário onde a área, que inicialmente fora considerada boa, pois titulada pelo próprio Governo do Estado do Pará, e agora se apresenta como inexistente, conforme superposições apresentadas pelo Governo do mesmo Estado; observa que, em decorrência das circunstâncias expostas, tem sido julgada pelos tribunais administrativos, insubsistente a penalidade quando o contribuinte, em caso de impossibilidade material e força maior, não fornecem os elementos solicitados na Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 136 7 intimação, determinandose o cancelamento do auto de infração, os quais são importantes precedentes para o contribuinte que estiver em idêntica situação; ante a demonstração da insubsistência da autuação e em sendo injustificada e indevida a aplicação da sanção imposta, clama por justiça e sob o manto dos princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição da República, pleiteia que o ato impugnado seja julgado IMPROCEDENTE, com desconstituição tanto da multa aplicada do lançamento do imposto, com o cancelamento da exigência fiscal; por fim, em caso de ser julgado procedente o termo, o que se admite apenas como forma de raciocínio, requerse, igualmente, a aplicação por equidade, relevandose a aplicação de qualquer penalidade. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 61/84, que restou assim ementado: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2004 (1º.01.2004), deve ser mantida a contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN) O fato de imóvel estar situado na Amazônia Legal não é suficiente para o reconhecimento de isenção de área nela Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 137 8 situada. As áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural à margem da matrícula do imóvel. DAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS A aceitação para fins de cálculo do ITR de áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel somente é possível quando apresentada prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, caracterizada a subavaliação do VTN, com base no SIPT, posto que o Laudo de Avaliação apresentado possui um VTN maior que o arbitrado pela fiscalização, e o seu acatamento implicaria em agravamento da exigência. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos. Regularmente cientificada daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 86), a interessada, representado por sua advogada (fls. 122/123), interpôs recurso voluntário de fls. 89/121, em 21/09/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · Teve ciência de fato novo, superveniente e incontroverso, devidamente comprovado neste recurso e que muda radicalmente a situação dos autos, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação o que leva, impreterivelmente, à inexistência de fato gerador e nulidade do lançamento tributário; · A questão agrária no Estado do Pará é caótica em termos de registros e até mesmo de segurança, e chegase ao ponto de existirem registros que superam a área territorial do próprio estado o que levou a Corregedoria Nacional de Justiça a tomar decisão de extrema gravidade visando restabelecer a ordem.; · O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça a pedido do próprio Estado do Pará, da Procuradoria Geral do Estado, do Instituto de Terras do Pará ITERPA, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual, da Advocacia Geral da União, da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará, da Sociedade Paraense de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 138 9 Defesa dos Direitos Humanos, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura FETAGRI, da Comissão Pastoral da Terra CPT, solicitando providências e determinando ao TJPA a baixa de atos normativos necessários ao cancelamento administrativo das matrículas irregulares, tidas como nulas de pleno direito nos cartórios de registro de imóveis nas comarcas do interior; · Alternativamente, caso não se entenda pela nulidade, requer seja suspenso o processo, em face do tumulto processual e da situação pendente de análise pelo STF que poderá repercutir sobre este caso; · Afastadas ambas as hipóteses acima, o que se admite apenas por amor à argumentação, devolve a Recorrente a matéria de fato e de direito apresentada na defesa requerendo sejam novamente analisados os argumentos para afastar o lançamento de ofício em razão de sua inadequação diante das áreas de preservação permanente e de reserva legal e valor da terra nua declarados sobretudo diante da situação de fato apresentada; · A multa de ofício deverá também ser afastada pelo seu caráter confiscatório posto que a contribuinte não cometeu infração ao fazer as declarações sobre a área já que, para tanto, levou em consideração a situação de conflito agrário específica daquela região que afeta consideravelmente o valor da terra e a declaração perante os órgãos da Receita. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita a nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. Entretanto, não traz aos autos prova alguma deste fato, mas apenas notícias de decisão do Conselho Nacional de Justiça que determinou o cancelamento de títulos irregulares no Estado do Pará, possivelmente fruto de grilagem de terras públicas. Destarte, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Na espécie, também, não se trata de reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e da determinação do sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 139 10 No que tange à exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, há que se esclarecer que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 140 11 Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Assim, em homenagem ao entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Neste processo, verificase que foi glosado o valor declarado de 6.450,0 ha de área de preservação permanente, bem como que o ADA foi apresentado em 30/01/2004 (fl. 17), contemplando uma área de preservação permanente de 800,0 ha, uma área de reserva legal de 5.760,0 ha e uma área de reserva particular do patrimônio natural de 1.440,0 ha. Em que pese a constatação de apresentação de ADA tempestivo, ainda restaria ao contribuinte a obrigação de demonstrar a existência das indicadas áreas mediante documentação comprobatória, o que não aconteceu no presente caso, pois a recorrente não logrou demonstrar a existência das áreas das áreas mediante documentação comprobatória, seja o laudo técnico hábil a provar a área de preservação permanente, seja a averbação da área de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural no Cartório de Registro de Imóveis. Desta forma, não é possível se admitir a dedução das reclamadas áreas. Registrese que a recorrente não contesta a glosa da área de benfeitorias. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, na época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 141 12 I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. “ (grifos acrescidos) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629, passou a ser a seguinte: “Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 142 13 Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitam se ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 59. Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 2801003.090 S2TE01 Fl. 143 14 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13767.000453/98-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 430 1 429 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13767.000453/9885 Recurso nº 330.202 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.795 – 3ª Turma Sessão de 9 de novembro de 2011 Matéria Restituição Finsocial Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MERCEDINHA DE COLATINA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Corintho Oliveira Machado, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Terceira Câmara do terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, conforme ementa transcrita abaixo: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, foi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. Considerando que foi reformada a decisão recorrida no que concerne à decadência, em obediência ao princípio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo,começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição do Finsocial, apresentado em 19/10/1998, relativo aos pagamentos efetuados a maior no período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13767.000453/9885 Acórdão n.º 930301.795 CSRFT3 Fl. 431 3 prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 19/10/1998, somente os pagamentos efetuados anteriormente a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, todo o período objeto do pedido de restituição encontrase dentro do período que não houve a prescrição do direito. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco inexistindo qualquer período alcançado pela prescrição, vez que o primeiro pagamento reivindicado fora efetuado em outubro de 1995. Ante o exposto voto pelo não provimento do recurso interposto pela PGFN, mantendose, na íntegra, a decisão da instância a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908872/2009-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE
Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da nãohomologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 72 /2 00 9- 48 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908872/200948 Acórdão n.º 3801001.958 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, assim expresso: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908872/200948 Acórdão n.º 3801001.958 S3TE01 Fl. 93 5 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário que resumidamente aponta que a parte não tem condições de se defender porque a autoridade julgadora não informou o por quê o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Que a r. decisão não possibilita à contribuinte, condições ideais para combatêla. No mérito, cita uma gama de conteúdo doutrinário e jurisprudência acerca do lançamento sujeito à homologação, decadência e o direito de compensar, requerendo, a final o provimento do recurso voluntário. Apresentado o Recurso Voluntário a DRF de Limeira entendeu por negar seguimento ao mesmo considerando o fato de que a DRJ não havia conhecido da manifestação de inconformidade. Em face dessa decisão a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que determinou que se desse seguimento aos recursos da mesma e a sua remessa a esse Conselho. É o que importa relatar, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço do recurso. Pelo que se pode defluir da peça recursal a Recorrente entende ser nulo o despacho decisório porque o mesmo não informou o motivo pelo qual a Fazenda concluiu que não sobreviera crédito para a compensação pleiteada. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Estamos diante de uma declaração de compensação que se opera nos termos do artigo 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim expresso (os destaques são nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O despacho decisório nãohomologou a compensação sob o seguinte fundamento: “Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada” Assim, de modo didático, se me permitem apontar meu raciocínio dessa forma, temos em confronto, por um lado, uma declaração da Contribuinte na qual informou um crédito e, por outro lado, uma decisão da autoridade que informou que esse crédito não existe em seus arquivos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908872/200948 Acórdão n.º 3801001.958 S3TE01 Fl. 94 7 Temos também a informação prestada pela contribuinte de que nos autos existem ‘fartos’ documentos que, se analisados, nos permitiria inferir a existência do crédito. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo, provavelmente na DCTF, que tem caráter de confissão de dívida. E é essa a informação do despacho decisório: a que não havia crédito disponível, é essa suficiente para avisar ao contribuinte o motivo da não homologação – a inexistência de crédito e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. Nesse sentido, entendo não haver falta de fundamento que implique em nulidade. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Assim, na hipótese da compensação declarada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário carregado de doutrina e jurisprudência escrito em linguagem profundamente empolada – quase um soneto de Francisco de Vasconcelos –, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13984.001098/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2007
Créditos Reconhecidos Judicialmente
Cabe à Administração Pública dar cumprimento à sentença que declarou o direito à apuração de créditos
Aquisição de Optantes pelo Simples
As aquisições de optantes pelo Simples que não estejam albergados por decisão judicial não geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados.
Multa de Ofício
Sobre o Imposto não recolhido no prazo legal incide multa de 75%
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer tão somente o direito a apuração de créditos na aquisição de matérias-primas isentas, não tributadas ou sujeitas a alíquota zero, relativamente às aquisições efetuadas no período de cinco anos anteriores a julho de 2003, independentemente de terem sido realizadas a optantes pelo SIMPLES. Fez sustentação oral o advogado Neibal Bier da Silva.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Maurício Veloso, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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MULTA DE OFÍCIO Sobre o Imposto não recolhido no prazo legal incide multa de 75% Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer tão somente o direito a apuração de créditos na aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas a alíquota zero, relativamente às aquisições efetuadas no período de cinco anos anteriores a julho de 2003, independentemente de terem sido realizadas a optantes pelo SIMPLES. Fez sustentação oral o advogado Neibal Bier da Silva. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 10 98 /2 00 8- 01 Fl. 13549DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.539 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Maurício Veloso, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados os Autos de Infração de fls. 4.907/4.965 no montante total de R$ 17.364.554,87, sendo R$ 8.334.486,56 de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, R$ 2.779.203,64 relativo aos juros de mora e R$ 6.250.864,67 de multa de ofício, em razão de a fiscalização ter apurado utilização de créditos indevidos. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 4.966/4.975, parte integrante dos autos de infração, descreve em detalhes a ação fiscal, apurando as seguintes irregularidades: a) apropriação indevida de créditos fictos de IPI incidente sobre: aquisições de energia elétrica e gás/oxigênio; aquisições de insumos não tributados; aquisições de insumos isentos, com alíquota zero de IPI ou nãotributados feitas de pessoa física e empresas optantes pelo Simples; aquisições sobre serviços; documentos fiscais de simples faturamento; e, créditos extemporâneos; b) aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Consta nos autos a existência do Mandado de Segurança nº 98.00072837, transitado em julgado em 07 de junho de 2005, na qual a contribuinte teria requerido ao Juízo de Direito da Vara Federal de Florianópolis/SC, o direito de creditarse do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, quando adquirisse insumos isentos, nãotributados ou submetidos a alíquota zero. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação de fls. 4.981/4.997, acompanhada da documentação de fls. 4.998/5.019, alegando, em resumo, o seguinte: a) Por força da decisão judicial transitada em julgado em 2005, a impugnante passou a creditarse, em sua escrita fiscal, do valor correspondente ao IPI decorrente das suas aquisições de produtos isentos, nãotributados ou submetidos à alíquota zero. Diferentemente da conclusão da autoridade tributária na qual considerou que a sentença de 1º grau, nem o acórdão do TRF da 4ª Região Fiscal, respaldam o creditamento das aquisições de insumos não tributados; b) A apropriação de créditos do IPI nas aquisições de energia elétrica, gás liquefeito de petróleo e oxigênio está perfeita, visto que são insumos totalmente consumidos no processo de industrialização e não se integram ao novo produto, estão perfeitamente adequados ao conceito de insumo, que abrange matériaprima e produtos intermediários. E, igualmente, estando classificados como nãotributados (NT), não há como não Fl. 13550DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.540 3 aproveitar à impugnante a decisão judicial que lhe autoriza o crédito nas aquisições nãotributadas; c) No caso das aquisições de insumos ditos nãotributados, a decisão judicial propriamente dita está descrita na parte dispositiva e, no caso da impugnante, a decisão é clara em estenderlhe o benefício de creditarse do IPI nas aquisições nãotributadas. Além do mais, as instâncias superiores, no caso em exame, não produziram qualquer modificação na sentença, que transitou em julgado autorizando o crédito nas aquisições nãotributadas, isentas ou submetidas à alíquota zero; d) As aquisições feitas de pessoa física e de empresa optante pelo Simples referemse a produtos anotados na Tabela do IPI como não tributados, sendo que a impugnante no que pertine às suas aquisições obedece à uma legislação específica, qual seja, obedece ao que foi decidido no Mandado de Segurança nº 98.00072837, por conseguinte, a impugnante está em outro patamar quanto a legislação que impede o creditamento do IPI nas aquisições de pessoa física e empresa optante pelo Simples. É desnecessária a indicação expressa na sentença, exaustivamente, de todos os produtos ou situações jurídicas que ensejariam o crédito, tendo a fazenda pública todas as oportunidades processuais possíveis para trazer todos os fatos impeditivos, modificativos, extintivos ou restritivos do direito invocado pela impugnante no processo que deflagrou; e) O exposto acima é valido, também, para as aquisições de energia elétrica, serviços, bens integrados ao ativo fixo e remessas de faturamento; f) A impugnante efetivamente possuía créditos extemporâneos acumulados, na medida em que sempre adquiriu insumos não tributados em volume considerável, frisase, inclusive, que a sentença que garantiu o seu direito de crédito retroagiu nos cinco anos anteriores à propositura da ação (art. 1º, Decreto nº 20.910/32), período não atingido pela prescrição; g) A multa aplicada no patamar de 75%, com base no art. 80, I, da Lei nº 4.502/64, com redação do art. 45, da Lei n° 9.430/96, não se aplica ao caso da impugnante, na medida em que a espécie não trata de ausência de lançamento do imposto em nota fiscal, nem, tampouco, da ausência de pagamento do imposto lançado ou de recolhimento após o vencimento do prazo para pagamento. Se persistir o lançamento, devese aplicar a multa prevista no art. 61, §2º, da Lei nº 9.430/96, limitada ao percentual de 20%. Além do mais, mesmo conhecedora do creditamento, nada fez a autoridade fiscal, permitindo a conclusão de que estava correto, como ainda entende a impugnante, como conseqüência, na eventual manutenção dos autos, deve aplicarse a regra do art. 100, III e parágrafo único do CTN; h) Por fim, requer o recebimento da impugnação e o conseqüente cancelamento dos lançamentos vinculados ao presente processo. Fl. 13551DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.541 4 Para a boa formação de convicção da Turma de Julgamento, o presente processo foi baixado em diligência (fls. 5.023/5.026), para prestação de esclarecimentos. Em resposta, a autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages elaborou o Termo de Verificação em Diligência Fiscal de fls. 6.093/6.096. Cientificada da diligência fiscal, a interessada protocolou a manifestação de fls. 6.097/6.099, reafirmando as conclusões já apresentadas em sua impugnação de fls. 4.981/4.997. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2007 GLOSA INDEVIDA. Comprovada a improcedência da glosa do crédito de IPI efetuada pela autoridade administrativa, o direito creditório deve ser reconhecido. INSUMOS COM DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. Os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os bens destinados ao ativo permanente, o material de consumo, partes e peças de máquinas, bem como energia elétrica e combustíveis em geral. CRÉDITO DO IPI. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES E PESSOA FÍSICA. As aquisições de insumos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES e de pessoas físicas não ensejarão, aos adquirentes, direito a fruição de crédito. MULTA DE OFÍCIO. Verificada a falta ou insuficiência de lançamento do imposto nas saídas do produto do estabelecimento industrial, aplicase a penalidade pecuniária cominada. Impugnação Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em seguida, a recorrente postulou a desistência parcial do recurso, onde abre mão das alegações relativas à possibilidade de creditamento nas aquisições de energia elétrica, gás liquefeito de petróleo e oxigênio, aquisições de pessoas físicas serviços bens integrados ao ativo fixo e remessas de simples faturamento. Reitera, assim, suas razões no que se refere às Fl. 13552DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.542 5 aquisições de insumos não tributados, empresas optantes do SIMPLES, créditos extemporâneos e correção monetária. Dado que o montante exonerado é superior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Demarcação do Litígio Antes de passar à análise do recurso propriamente dita, é preciso deixar claro qual é o rol das matérias que deve ser enfrentada. Chamo atenção, quanto a esse aspecto, a um dos fundamentos sobre os quais a recorrente manifestou o interesse de prosseguir no recurso, a correção monetária. Analisando as peças recursais e de impugnação, verificase que não foi trazido qualquer fundamento acerca dessa matéria. Aliás, não está claro se a recorrente pleiteia a correção monetária dos créditos ou se insurge contra a correção monetária de alguma das parcelas da exigência fiscal. Quanto a este ponto, portanto, há que se aplicar o comando do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721, para efeito de considerála estranha ao litígio e, consequentemente, dela não tomar conhecimento. Resta, assim, analisar, os seguintes aspectos recursais: aquisição de insumos NT, aquisição de optantes pelo Simples e a apuração de créditos anteriores à propositura do Mandado de Segurança nº 98.00072837. Analiso cada um desses pontos isoladamente. 2 Crédito na Aquisição de Produtos NT A possibilidade de creditamento quando da aquisição de produtos NT foi reconhecida pelo órgão julgador de primeira instância, sob o fundamento de que, diferentemente do que concluiu a autoridade fiscalizadora, a sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança nº 98.00072837, que já transitou em julgado, reconhecera expressamente tal direito. A matéria encontrase submetida a recurso de ofício. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 13553DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.543 6 Quanto a este ponto, entendo que andou bem o órgão recorrido, pois a parte dispositiva da sentença é perfeitamente clara2. Confirase: “ANTE O EXPOSTO, concedo segurança a fim de declarar direito do Impetrante ao creditamento do IPI devido nas operações anteriores, referentemente à aquisição de matérias primas isentas, não tributadas ou sujeitas a alíquota zero, nos termos da fundamentação. Sem honorários (STF, Súmula 512, e STJ, Súmula 105).Custas ex lege.” Assim, em que pese a convicção deste Conselheiro acerca da impossibilidade, regra geral, de se reconhecer a possibilidade de crédito, no caso do presente recurso, há norma individual e concreta capaz de afastar o regime jurídico geral. Nego provimento ao recurso de ofício. 3 Créditos Anteriores ao Ajuizamento Com relação a este ponto, penso que razão assiste ao sujeito passivo. Como é possível extrair do dispositivo, a recorrente obteve pronunciamento que declarou o direito à apuração de créditos em operações anteriores, não fazendo qualquer restrição acerca do marco temporal para o exercício do direito ali reconhecido. À esta altura, é importante relembrar a distinção entre a sentença constitutiva e declaratória. A primeira, como o próprio nome já sugere, cria ou modifica determinada relação jurídica; já a segunda, nada mais faz do que declarar uma relação jurídica existente. Assim sendo, como é cediço, sentenças constitutivas possuem efeitos prospectivos (ex nunc) e declaratórias, retroativos (ex tunc) É fato que a sentença em mandado de segurança, em sua forma clássica, tem natureza mandamental, determinando à autoridade coatora que pratique ou se abstenha de praticar determinado ato. Entretanto, não se pode, em nome de uma distinção didática, ignorar o conteúdo de uma ordem judicial. Se a norma individual e concreta veiculada por meio da sentença transitada em julgado declarou a existência de determinado direito, forçoso é aplicar tal comando. Assim, com base no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 19323, reconheço o direito a apuração de créditos nas operações realizadas no período de cinco anos anteriores a 07/2003, primeira competência alvo de verificação. 4 Créditos Relativos a Aquisições de Contribuintes Inscritos no Simples. Não vejo como reconhecer o direito a apuração de créditos em aquisições a contribuinte inscritos no Simples. 2 Doc. às fls. 88 a 94 (numeração eletrônica) 3 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Fl. 13554DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.544 7 O art. 166 do RIPI de 2002, que regulamenta o § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, é suficientemente claro quanto a esse aspecto. Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Notar, ademais, que a decisão judicial que ampara o pleito de reconhecimento de créditos sobre operações isentas não contém qualquer alusão às operações com optantes pelo Simples. De fato, não há qualquer menção expressa a tal direito e não há margem para, por meio de interpretação ampliativa pretender reconhecêlo, pois operações de inscritos no simples não são isentas do IPI. Vejase, a respeito, o que dizia o art. 117 do Regulamento do IPI de 2002, vigente no período dos fatos geradores objeto do presente recurso: Art. 117. A pessoa jurídica contribuinte do imposto optante pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES e que atenda ao disposto na Lei nº 9.317, de 1996, deverá recolher o imposto mensalmente em conjunto com os demais impostos e contribuições, nos termos especificados na referida Lei (Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º e 3º). Entretanto, não extraio do comando judicial a mesma interpretação da autoridade de jurisdição e que foi confirmada pelo órgão julgador de primeira instância. A meu ver, a ordem judicial determinou que as aquisições de produtos isentos, com a anotação N/T na TIPI, ou tributados à alíquota zero deveriam gerar crédito, independentemente do regime de tributação da pessoa jurídica vendedora. Ou seja, por esse comando, o regime de tributação da mercadoria se sobrepôs ao do vendedor. Cabível, portanto, o crédito em operações de aquisição de produtos isentos, tributados a alíquota zero ou N/T realizadas de pessoas jurídicas inscritas no Simples. 5 Multa de Ofício Não vejo como afastar a imposição de multa de 75% sobre o valor dos impostos que deixaram de ser recolhidos, posto que a conduta narrada nos autos (deixar de recolher imposto) encontrasse expressamente prevista no dispositivo legal que a prevê. Confirase o que dizia o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na versão que vigia no período dos fatos geradores litigiosos e que, no que interessa à solução do presente litígio, não foi alterada: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 13555DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13984.001098/200801 Acórdão n.º 3102001.772 S3C1T2 Fl. 13.545 8 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dita infração, portanto, se insere no plano da responsabilidade objetiva, delineada pelo art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 6 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer tão somente o direito a apuração de créditos na aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas a alíquota zero, relativamente às aquisições realizadas no período de cinco anos anteriores a julho de 2003, independentemente de terem sido realizadas a optantes pelo SIMPLES. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 13556DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11065.000661/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005, 2006
IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO.
A constatação da falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte autoriza o lançamento de ofício.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 08/05/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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A constatação da falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte autoriza o lançamento de ofício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 61 /2 00 7- 81 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 873 2 EDITADO EM: 08/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NAS ÁREAS DA SAÚDE LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 472/481, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, no valor total de R$ 182.784,09, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/02/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório da Ação Fiscal, fls. 465/471, foi falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre trabalho sem vínculo de emprego e o crédito tributário apurado decorreu da comparação entre as informações contidas em DIRF, DCTF, DCOMP e DARF. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 485/494, que está assim resumida no acórdão recorrido: 1. o fato de existirem DARFs com código de arrecadação diferentes de 0588 (trabalho nãoassalariado) não invalida a intenção do contribuinte de recolher o tributo incidente sobre a receita resultante de prólabore aos associados e dirigentes (fato que dá origem às REDARFs juntadas por ocasião da impugnação), tampouco pode servir de justificativa para a desconsideração dos valores recolhidos, na apuração dos valores devidos; 2. realizou, em 2006, PER/DCOMP e REDARF, visando a regularização dos procedimentos fiscais e de sua situação junto à Receita Federal, mas restou impossibilitado de fazêlo referente aos períodos de apuração 08/2004, 09/2004 e 12/2004; 3. com esse procedimento é devedora do montante de R$ 41.868,99, o qual pagou acrescido de multa de mora de 37,5%, que será compensada futuramente; 4. não deixou de recolher os tributos devidos, apenas o fez em datas diferentes do período de apuração correto e assim que verificou o erro, retificou as CFIPs e providenciou o pagamento Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 874 3 das diferenças ou as respectivas compensações, sendo beneficiada com o instituto da denúncia espontânea; 5. a medida provisória 303/2006 extinguiu a multa na denúncia espontânea. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1014.427, de 29/11/2007, fls. 802/805. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/12/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 811, a contribuinte apresentou, em 18/01/2008, recurso voluntário, fls. 812/825, onde reitera e repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação. Em sessão plenária realizada em 03/12/2009, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 21020.014: Diligências a serem efetuadas: Delegacia da Receita Federal de origem deste processo administrativo: 1) Que sejam anexados aos autos o relatório do sistema SINAL (tal como o de fls. 370/374), com a indicação de todos os recolhimentos de IRRF efetuados pela contribuinte nos anos de 2004 a 2007, especialmente aqueles relacionados ao objeto desta demanda; Contribuinte: 2) Que seja expedida intimação à Cooperativa de Prestação de Serviços nas Áreas da Saúde Ltda. CNPJ/MF 03.764.345/0001 00 para que apresente os seguintes documentos e/ou esclarecimentos: a) Apresentar todos os REDARF's relativos às retificações dos recolhimentos de IRRF relacionados com o lançamento, nos termos do que fora mencionado no Recurso Voluntário de fls. 812/825, especialmente os relacionados aos pagamentos de 28/01/2004, 24/03/2004, 28/04/2004, 23/06/2004, 28/07/2004, 25/08/2004, 27/10/2004, 24/11/2004 e 19/10/2005; b) Apresentar o(s) recolhimento(s) relativo(s) ao débito mencionado no Recurso Voluntário de fls. 812/825, cujo montante é de R$ 41.868,99; c) Apresentar todos os recolhimentos de IRRF (DARF's) relacionados ao objeto do lançamento deste processo administrativo e que tenham sido efetuados antes do início da ação fiscal (27/11/2006), especialmente os realizados em 18/08/2004, 23/09/2004 e 22/12/2004, bem como os referentes ao período de apuração 04/08/2005, 17/09/2005, 15/10/2005, 19/11/2005 e 17/12/2005; d) Elaborar demonstrativo com os recolhimentos eventualmente efetuados com código de receita incorreto e cujos valores não foram devidamente considerados pela autoridade fiscal na Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 875 4 Tabela n° 3 (IRRF declarado em DIRF não pago nem confessado) constante do Relatório da Ação Fiscal às fls. 469; f) Apresentar outros documentos não solicitados na intimação, mas que sejam hábeis e idôneos para demonstrar o efetivo recolhimento do débito de IRRF objeto de lançamento discutido no presente processo administrativo. Após, cumpridas as diligências acima requeridas, seja elaborado Relatório Fiscal de Conclusões pela Delegacia da Receita Federal de origem deste processo e, em seguida, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para análise e julgamento. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal emitiu Relatório de Diligência Fiscal, fls. 835/836, cujo teor a seguir transcrevese: Em atendimento a solicitação, procedemos consulta no Sistema SINAL10 para identificação de todos os recolhimentos efetuados pela contribuinte nos anos 2004 a 2007. O resultado da pesquisa consta do relatório "CONSULTA PAGAMENTO" em anexo as fls.837 a 865. De imediato, cabe destacar que todos os recolhimentos efetuados com código de receita 0588 já foram considerados quando da lavratura do Auto de Infração. Buscamos, ainda, identificar recolhimentos de IRRF com outros códigos (diferentes de 0588), coincidentes em valores e/ou datas de vencimento com os que foram lançados de oficio. Relacionamos, na Tabela n° 01, o resultado desse levantamento. (...) Verificase, portanto, a existência de recolhimentos com o código 3280 (IRRF Remuneração sobre Serviços Prestados por Assoc. de Cooperativa de Trabalho), em valores e/ou datas de vencimentos coincidentes com os que foram objetos do lançamento, indicando que o contribuinte pode ter efetivamente se equivocado. Todavia, para nenhum destes recolhimentos, localizamos solicitações de REDARF' s. A outra solicitação do CARF (fls. 830 a 833) foi no sentido de que o próprio contribuinte fosse intimado a prestar esclarecimentos adicionais e a anexar documentação comprobatória das suas alegações. Em atendimento a solicitação, emitimos o TERMO DE INTIMAÇÃO N° 01 (Fls.866 e 867), o qual foi enviado ao contribuinte pelo correio, conforme identificador RM073480798BR, emitido em 18/01/2011 (fls.868). Todavia, o correio, em 24/01/2011, devolveu o envelope com a informação: "destinatário mudouse" (fls. 869). Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 876 5 Diante disso, fomos pessoalmente ao endereço constante do cadastro CNPJ do contribuinte, sito à Rua Independência, 1331, Centro, São Leopoldo RS. Constatamos que no local funciona, atualmente, a Clínica Médica "VIDA" (fone: 51 30993050). Fomos atendidos pela Srta. Bruna Marafigo, que informou desconhecer o novo endereço da Cooperativa. Em consulta o sistema GFIP WEB, verificamos que a última GFIP apresentada pelo contribuinte referese à competência 06/2010, sendo que nas informações cadastrais consta o seguinte endereço: Rua Conceição, n°.1127, Centro, São LeopoldoRS (fls.870). Diligenciamos junto ao referido endereço, onde constatamos que o prédio encontrase fechado e sem movimentação de pessoas, não sendo possível localizar o contribuinte e nem obter informações. Assim, apesar das diversas tentativas (pessoal e pelo correio), não conseguimos localizar a Cooperativa, não sendo possível obter junto ao contribuinte os esclarecimentos solicitados pelo CARF. É o Relatório. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 877 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que na impugnação, assim como no recurso, a contribuinte afirma que parte do crédito tributário exigido no Auto de Infração, R$ 41.868,99, é devido, acrescentando, inclusive, que tal quantia foi recolhida com a multa, no percentual de 37,5%. Contudo, em nenhum momento a contribuinte, seja na impugnação ou no recurso, fez a indicação de quais quantias seriam devidas e quais já teriam sido recolhidas, limitandose a afirmar que houve recolhimentos com códigos incorretos, que fez Redarf e que apresentou Perdcomp. Importa destacar que no Relatório da Ação Fiscal, fls. 465/471, a autoridade fiscal especificou as quantias que não foram recolhidas na tabela nº 3, que é o resultado da diferença entre as quantias indicadas nas tabelas nºs 1 e 2, nas quais constam os valores do imposto de renda retido na fonte devido e os débitos confessados ou pagos, respectivamente. Assim, a contribuinte deveria em sua impugnação especificar quais os débitos que não poderiam ser exigidos mediante Auto de Infração. Contudo, a despeito de a impugnação e o recurso serem genéricos, mas em obediência ao princípio da verdade material dos fatos, esta Turma determinou a realização de diligência para oportunizar à contribuinte a apresentação dos elementos de prova de suas alegações e a especificação dos valores que entendia devidos e, via de conseqüência, aqueles cuja exigência seria indevida. Ocorre, que, na diligência levada a efeito pela autoridade fiscal, a contribuinte não foi localizada. Todavia, foi possível identificar recolhimentos de IRRF com outros códigos (diferentes de 0588), coincidentes em valores e/ou datas de vencimento com os que foram lançados de oficio. Nesse sentido, a autoridade fiscal elaborou a seguinte tabela: Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 878 7 Sobre o fato existência de recolhimentos no código 3280 com datas e valores coincidentes com aqueles exigidos no Auto de Infração – a autoridade fiscal assim se pronunciou, no encerramento da diligência: Verificase, portanto, a existência de recolhimentos com o código 3280 (IRRF Remuneração sobre Serviços Prestados por Assoc. de Cooperativa de Trabalho), em valores e/ou datas de vencimentos coincidentes com os que foram objetos do lançamento, indicando que o contribuinte pode ter efetivamente se equivocado. Todavia, para nenhum destes recolhimentos, localizamos solicitações de REDARF' s. Assim, considerando que a contribuinte sempre afirmou que fez recolhimentos com o código incorreto e dada a coincidência de datas e valores apontada pela autoridade fiscal, devese excluir do lançamento as quantias especificadas na tabela acima reproduzida. No que concerne à alegação da defesa de que deveria ser beneficiada com o instituto da denúncia espontânea, vale lembrar que, segundo o disposto no § único do art. 138 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Nesse sentido, correta a conduta adotada pela autoridade fiscal em não considerar no lançamento o recolhimento realizado pela contribuinte em 19/12/2006, no valor de R$ 6.916,65 (Darf. fls. 374), posto que a contribuinte na data do pagamento já se encontrava sob procedimento fiscal, pois que cientificada do Termo de Início de Fiscalização, fls. 02, em 27/11/2006. Acrescentese que a Medida Provisória nº 303, de 2006, mencionada pela defesa perdeu eficácia, desde a sua edição, conforme declarado pelo Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 57, de 2006. Por fim, vale dizer que a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, encontra amparo no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11065.000661/200781 Acórdão n.º 2102002.524 S2C1T2 Fl. 879 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, a autoridade fiscal verificou que a contribuinte deixou de recolher imposto de renda retido na fonte, conduta esta que autoriza a exigência da multa de ofício no percentual de 75%. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir do lançamento os seguintes valores: fevereiro/2004 – R$ 16,34; março/2004 – R$ 1.232,41, junho/2004 – R$ 7.618,24, agosto/2004 – R$ 19,19, setembro/2004 – R$ 17,00, outubro/2004 – R$ 17,00 e novembro/2004 – R$ 11,38. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905862/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Inexistindo nos autos mora ou resistência do fisco à utilização do crédito por parte do contribuinte, consistente na oposição de ato administrativo ou normativo, inexiste o pressuposto para a aplicação do RESP nº 993.164 com base no art. 62-A do RICARF.
Embargos acolhidos com efeito modificativo.
Numero da decisão: 3403-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no Acórdão 3403-01.472 e, no mérito, também por unanimidade de votos, alterar o resultado do julgamento de recurso provido em parte para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, para recurso voluntário desprovido.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Inexistindo nos autos mora ou resistência do fisco à utilização do crédito por parte do contribuinte, consistente na oposição de ato administrativo ou normativo, inexiste o pressuposto para a aplicação do RESP nº 993.164 com base no art. 62-A do RICARF. Embargos acolhidos com efeito modificativo.
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OMISSÃO. A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Inexistindo nos autos mora ou resistência do fisco à utilização do crédito por parte do contribuinte, consistente na oposição de ato administrativo ou normativo, inexiste o pressuposto para a aplicação do RESP nº 993.164 com base no art. 62A do RICARF. Embargos acolhidos com efeito modificativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no Acórdão 340301.472 e, no mérito, também por unanimidade de votos, alterar o resultado do julgamento de “recurso provido em parte para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento”, para recurso voluntário desprovido. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 58 62 /2 00 9- 15 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 340301.472, de 20 de março de 2012, sob o fundamento de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Segundo a ilustre Procuradora, o ponto omisso que não foi apreciado pelo colegiado consiste na inexistência do pressuposto para a aplicação do RESP nº 993.164, pois neste processo não houve oposição de ato estatal administrativo ou normativo impedindo a utilização do crédito ou, se houve, o acórdão embargado em momento algum deixou claro no que restou caracterizada a oposição estatal. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a aposentadoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, relatora originária deste processo, passo a relatar os embargos na condição de relator ad hoc. Os embargos de declaração preenchem os requisitos formais de admissibilidade e devem ser conhecidos. Analisando os elementos contidos nos autos, verificase que o contribuinte transmitiu o PER/Decomp 35630.07998.270904.1.1.014730 no dia 27/09/2004 requerendo o ressarcimento de crédito presumido de IPI do 2º trimestre de 2004 no valor de R$ 30.538,12 (fls. 58/59) e vinculou esse crédito às compensações declaradas nos dois PER/Decomp relacionados no detalhamento da compensação (fl. 71), os quais foram transmitidos em 24/07/2007 e 27/10/2004. O despacho decisório relativo ao reconhecimento do crédito no valor de R$ 29.861,07 foi proferido no dia 12/08/2009 (fls. 30/31). Em relação ao PER/Decomp transmitido em 24/07/2007 não há que se falar em correção do ressarcimento, pois a declaração de compensação antecedeu a própria solicitação do crédito, ou seja, o contribuinte extinguiu a obrigação antes mesmo de transmitir o pedido de ressarcimento. Nesta declaração o crédito do contribuinte foi suficiente para homologar apenas parcialmente a compensação, restando um saldo devedor de R$ 677,05. Em relação ao PER/Decomp transmitido em 27/10/2004, um mês após a transmissão do pedido de ressarcimento, verificase que também não houve mora da administração, pois o crédito foi reconhecido e o valor aproveitado pelo contribuinte dentro dos trinta dias referidos no art. 49 da Lei nº 9.784/99. Assim, neste processo não houve nenhum ato ilegítimo de oposição ao direito do contribuinte e muito menos mora da administração em analisar o pedido de ressarcimento, pois a decisão ocorreu nos trinta dias da data da transmissão do pedido e o contribuinte aproveitou todo o crédito disponível de forma imediata. Inexistindo mora ou resistência da administração, caracterizada pela oposição de ato administrativo ou normativo à utilização do crédito por parte do contribuinte, inexiste o pressuposto para a correção do ressarcimento por aplicação do RESP nº 993.164. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10665.905862/200915 Acórdão n.º 3403002.142 S3C4T3 Fl. 3 3 Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para sanar a omissão apontada no Acórdão embargado e alterar o resultado do julgamento de “recurso provido em parte para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento”, para recurso voluntário desprovido. Antonio Carlos Atulim Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15892.000318/2007-45
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA
VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula
Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
2. O lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do
art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-001.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em razão da decadência do crédito tributário, rejeitando os argumentos do pedido de revisão de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil - RFB em Bauru, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. O lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. O lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em razão da decadência do crédito tributário, rejeitando os argumentos do pedido de revisão de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB em Bauru, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15892.000318/200745 Acórdão n.º 280301.658 S2TE03 Fl. 194 2 Relatório Tratase de crédito lançado (NFLD 35.522.1462) pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 27/30, correspondente à contribuição devida pela empresa à Previdência Social, incidente sobre o montante pago a pessoas jurídicas, as quais tiveram sua personalidade desconsiderada pela fiscalização, sendo os trabalhadores enquadrados como empregados da fundação, período de 01/1994 a 12/1994. O contribuinte foi cientificado do crédito fiscal em 17/12/2004, fl. 02. Inconformado apresentou impugnação. A DecisãoNotificação 21.423.4/265/2005 manteve integralmente o lançamento. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese a decadência do lançamento fiscal. A Secretaria da Receita Previdenciária – SRP/Bauru/SP apresentou contrarrazões. A 4a Caj do Conselho de Recursos da Previdência Social, acórdão 2532/2005, anulou o lançamento por vício formal insanável em razão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF vencido. A Secretaria da Receita Previdenciária – SRP/Bauru/SP apresentou pedido de revisão do acórdão 2532/2005 da 4a Caj. O contribuinte apresentou contrarrazões ao pedido de revisão da SRP/Bauru/SP. A 4a Caj do Conselho de Recursos da Previdência Social, acórdão 1384/2006 anulou o lançamento fiscal em razão do enquadramento de segurado empregado não está fundamentado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB em Bauru, fls. 252/261, apresentou pedido de revisão de acórdão, face prova nova carreada aos autos, argumentando que deve ser afastada a decadência em razão de se tratar de fatos geradores ocultados via dissimulação. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15892.000318/200745 Acórdão n.º 280301.658 S2TE03 Fl. 195 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. Tratase de pedido de revisão de lançamento fiscal face prova nova carreada aos autos, argumentando que deve ser afastada a decadência em razão de se tratar de fatos geradores ocultados via dissimulação. A súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça – STJ menciona que a simples pretensão de reexame de prova não enseja motivo para recurso: SÚMULA Nº 7/STJ A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. No mesmo sentido é a decisão da Primeira Turma do STJ, AGRESP 200900824759, quando menciona que a alegação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação esbarra no reexame da prova, inviável de ser dirimida na sede do recurso: Processo AGRESP 200900824759, AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 1137836, Relator(a) HAMILTON CARVALHIDO , Sigla do órgão STJ, Órgão julgador PRIMEIRA TURMA , Fonte DJE DATA:01/07/2010 Decisão: por unanimidade. Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. ISS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. QUESTÃO DIRIMIDA EM RECURSO REPETITIVO. 1. A alegação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação esbarra no reexame da prova, inviável de ser dirimida na sede do recurso especial, sendo certo que o acórdão recorrido decidiu que, inexistindo a antecipação do pagamento, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. "O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal" (REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/9/2009). 3. Agravo regimental improvido. Data da Decisão: 15/06/2010 , Data da Publicação: 01/07/2010 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15892.000318/200745 Acórdão n.º 280301.658 S2TE03 Fl. 196 4 Referência Legislativa LEG:FED SUM:****** ***** SUM(STJ) SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SUM:000007 LEG:FED LEI:005172 ANO:1966 ***** CTN66 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ART:00150 PAR:00004 ART:00173 INC:00001 O lançamento fiscal, período 01/1994 a 12/1994, já estava decadente tanto pela regra do art. 150, § 4o, quanto pela regra do art. 173, inciso I, ambos do CTN (Lei 5.176/1966), pois transcorrido mais de cinco anos da ciência do lançamento fiscal pelo contribuinte em 17/12/2004, fl. 02. A previsão legal para que a autoridade fiscal pudesse desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimulação só se deu com o parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar Lcp nº 104, de 10.1.2001. Portanto, depois de ocorridos os fatos geradores constantes do lançamento fiscal para o período 01/1994 a 12/1994, com ciência pelo contribuinte em 17/12/2004, fl. 02. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Não se pode aplicar norma tributária para fatos geradores passados e decadentes. A lei tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e os pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do art. 116, do CTN, o que não é o caso em questão. A legislação tributária só incide sobre fatos geradores futuros ou pendente, nos termos do art. 105 do CTN e decisões dos tribunais. CTN Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. DECISÕES “Ementa: .... A lei só incide sobre fatos geradores futuros ou pendentes. (art. 105 do CTN). ....” (STF. RE 115167/SP. Rel.: Min. Carlos Madeira. 2ª Turma. Decisão: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15892.000318/200745 Acórdão n.º 280301.658 S2TE03 Fl. 197 5 20/05/88. DJ de 17/06/88, p. 15.257.)Código Tributário Nacional à luz da jurisprudência – Edição Atualizada 279 “Ementa: .... A legislação tributária aplicase aos fatos geradores futuros e pendentes e não aos pretéritos. ....” (REsp 184213/RS. Rel.: Min. Garcia Vieira. 1ª Turma. Decisão: 10/11/98. DJ de 22/02/99, p. 76.) “Ementa: .... II. Não se há de aplicar a norma do art. 105, do CTN, segundo a qual lei nova aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e os pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do art. 116, do CTN. ....” (TRF 3ª Região. AG 97.03.026799 8/SP. Rel.: Des Federal Salette Nascimento. 6ª Turma. Decisão 16/03/98. DJ de 22/07/05, p. 342) No caso em comento, o lançamento fiscal está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN, pois já havia transcorrido mais de cinco quanto do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência do crédito tributário, rejeitando os argumentos do pedido de revisão de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB em Bauru. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Relator. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002439/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os
artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais,
devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966,
Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se
o
prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de
outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
AFERIÇÃO INDIRETA. CUB
Correta se mostra a adoção da aferição indireta quando o sujeito passivo não
mantém contabilidade dos custos da obra.
SEBRAE, INCRA e SAT. INCONSTITUCIONALIDADES.
Incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de
lei. Aplicação da Sumula CARF 02.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,
do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário
Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos
termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a
redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao
contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o
Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos
geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da
fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o
Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento
parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº
9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa
aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais
alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Correta se mostra a adoção da aferição indireta quando o sujeito passivo não mantém contabilidade dos custos da obra. SEBRAE, INCRA e SAT. INCONSTITUCIONALIDADES. Incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Sumula CARF 02. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
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Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Correta se mostra a adoção da aferição indireta quando o sujeito passivo não mantém contabilidade dos custos da obra. SEBRAE, INCRA e SAT. INCONSTITUCIONALIDADES. Incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Sumula CARF 02. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.000.5244, cientificada ao contribuinte em 06/07/2007, a qual exige contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 17 a 28 que o fundamento da lavratura da referida NFLD tem por base: “O fato gerador das contribuições apuradas, relativo ao período de 01/03/2001 a 30/01/2003, é a remuneração dos segurados empregados utilizados nas obras, arbitrada por aferição indireta, obtida a partir da metodologia de cálculo do CUB — Custo Unitário Básico, efetuado pelos Sindicatos da Industria da Construção Civil. Utilizouse este critério de aferição como parâmetro de arbitramento pelo Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.004 3 fato de a empresa não apresentar contabilidade formal, conforme foi demonstrado nos capitulo anterior.” Também relata ainda que: “Constitui a base de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, o salário de contribuição obtido pela diferença entre o valor do salário de contribuição arbitrado por aferição indireta e a somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos de contribuição previdenciária do contribuinte, das empreiteiras e subempreiteiras e os resultantes da aplicação de 5% sobre as Notas Fiscais de fornecimento de concreto e argamassa usinada, conforme previsão do art. 448, inciso III da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, doravante IN 03/2005.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, a ocorrência da decadência, o cancelamento da NFLD por conta da ilegalidade do arbitramento por aferição indireta, bem como a extinção do crédito tributário em decorrência do efetivo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a obra. A DRJ de Belém/PA proferiu decisão no sentido de julgar procedente o lançamento do crédito tributário, em face da qual o sujeito passivo interpôs, após ser devidamente intimado, recurso voluntário, praticamente, renovando todos os argumentos articulados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Decadência Conforme se depreende da narrativa dos fatos, verificase que a lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.000.5244, tem por objeto o lançamento do crédito tributário a título de contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Da simples analise do Relatório Fiscal de fls. 17, constatase que, de todo o período fiscalizado, a D. Fiscalização procedeu ao lançamento do crédito tributário acima mencionado apenas do período de apuração de 03/2001 a 01/2003, o qual foi formalizado com a devida intimação do sujeito passivo acerca da lavratura da NFLD nº 37.000.5244 que se deu em 06/07/2007, conforme se depreende do Aviso de Recebimento AR (fls. 2961). Analisando o lançamento do crédito tributário ora questionado à luz do novo entendimento acerca da aplicabilidade da decadência em matéria previdenciária, é importante Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 dizer nesse diapasão que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 foram declarados inconstitucionais, o que fez prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: “Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.005 5 reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.006 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura às fl. 25, entendeu haver pagamento antecipado fazendo constar o seguinte: “Constitui a base de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, o salário de contribuição obtido pela diferença entre o valor do salário de contribuição arbitrado por aferição indireta e a somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos de contribuição previdenciária do contribuinte, das empreiteiras e subempreiteiras e os resultantes da aplicação de 5% sobre as Notas Fiscais de fornecimento de concreto e argamassa usinada, conforme previsão do art. 448, inciso III da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, doravante IN 03/2005.” Ademais, registrou que “a divisão da somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos d contribuição previdenciária do contribuinte e das empreiteiras e subempreiteiras, pelo valor da mãodeobra por m2 em cada competência, a fim de apurar a área regularizada pelos recolhimentos.” Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre março de 2001 a janeiro de 2003 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 6 de julho de 2007 (AR – fls. 2961), verificase que está decaído o período de março de 2001 a junho de 2002. Mérito De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, devidamente intimado a apresentar os livros contábeis com os registros da obra (livros diário e razão) sustentou não possuir tais documentos, mas tão somente um controle de custos da obra, razão pela qual a fiscalização procedeu ao cálculo das contribuições sociais previdenciárias por meio de aferição indireta, obtida a partir da metodologia de cálculo do CUB — Custo Unitário Básico, efetuado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Em sede de recurso o sujeito passivo insurgese novamente sobre a ilegalidade do cálculo das contribuições pelo método da aferição indireta. Ocorre que, de fato a empresa não mantinha escrituração contábil regular que possibilitasse o Fisco verificar as despesas efetuadas com a mãodeobra empregada. O livro de despesas de obra apresentado aos autos não supre a documentação contábil regular, até porque apesar de conter lançamentos com despesas de aquisição de materiais não reflete, com segurança, o montante das remunerações pagas aos segurados a seu serviço. No que diz respeito às alegações acerca do Sebrae, Incra e Sat, incide na espécie a Sumula CARF nº 02, segundo a qual esse Conselho não tem competência para afastar a legislação por motivo de inconstitucionalidade. Multa Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer, com base no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional reconhecer a decadência do período de março de 2001 a junho de 2002, bem como para aplicar a multa do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério Relator Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10680.907401/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 40 1/ 20 08 -0 8 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 421 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior''' de IRPJ no valor de R$ 1.368.389,39. 2.A compensação declarada pelo contribuinte, sinteticamente: DcompCrédito utilizadoSoma débitos DCOMP Data. Orige Valorcompensados 28828.77798.310804.1.3.049552 31/08/2004 . Pagto. Indevido RS 1.368.389,39 R$ 2.031.784,57 3.A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 775485085 anexado à fl. 06, exarado aos 18/07/2008, de onde se extrai: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". 3.1Ou seja, o fisco localizou o pagamento identificado pelo contribuinte na DCOMP mas apurou que tal recolhimento foi integralmente utilizado na extinção de débitos declarados pelo próprio contribuinte em DCTF. 3.2Neste contexto, considerando a inexistência do indébito, a DRF NÃO HOMOLOGA as compensações declaradas. 4.O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 30/07/2008, conforme documento anexado à fl. 26. Irresignado, o contribuinte apresenta em 29/08/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 04, onde resumidamente alega: 4.1A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2Que "em decorrência do recebimento do presente Despacho Decisório, efetuou levantamento dos dados consignados na PER/DCOMP em confronto com as DCTF's que declaravam débitos através das compensações realizadas com o crédito objeto da análise. Em decorrência do levantamento^efetuado, detectou inconsistência de informação consignada indevidamente em DCTF." informa que o equívoco cometido foi sanado com a simples retificação da mencionada DCTF. 4.3"Com isso, o lançamento no valor de R$ 3.544.244,99(. )," ja' acrescido dos encargos moratórios, (...) não se justifica, devendo, pois, ser anulado." 4.4Para amparar suas alegações apresenta planilha demonstrativa da retificação promovida na DCTF, ratificando que "através da simples retificação da DCTF, remanesceu o crédito consignado na PER/DCOMP". Neste contexto, acrescenta que "não há, pois, recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF”. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 422 3 4.5Contesta ainda a aplicação da multa e dos juros de mora, argumentando que "os encargos moratórios são devidos apenas quando do atraso, da delonga, do retardamento da obrigação, o que não ocorreu". 4.6Por fim, requer a procedência da manifestação de inconformidade, a fim de que "seja desconstituído e anulado o referido lançamento tributário indevidamente efetuado". 5.Para comprovar suas alegações anexa ao processo o recibo de entrega da DIPJ EX 2002/AC 2001Retificadora, a "ficha 12B" desta declaração, o recibo de entrega da DCTF Io Trimestre 2002Retificadora, a página 3 desta declaração (apuração do IRPJ AC 2001) e a DCOMP em litígio neste processo. 6.Considerando a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a DRF encaminha o processo à esta DRJ para julgamento da lide (fl. 27). 7. Diante das alegações apresentadas pelo impugnante e as informações constantes das declarações apresentadas pelo sujeito passivo à RFB, o presente processo foi convertido em diligência, no intuito de se esclarecer as alterações efetuadas pelo contribuinte em sua DIPJ, que resultaram na redução do IRPJ originalmente apurado (fls. 57 a 59). 7.1 Considerando que as divergências entre DIPJoriginal e DIPJretificadora limitaramse às "exclusões" do lucro líquido, o contribuinte foi intimado a identificar a origem destas exclusões e a apresentação das páginas do livro LALUR contendo a apuração do lucro real do período em análise. 8. Em resposta, o contribuinte apresentou os documentos anexados às fls. 62 a 85. A DRJ INDEFERIU a SOLICITAÇÃO, nos termos da ementa abaixo: As s u n t o : I m p o s t o s o b r e a R e n d a d e P e s s o a J u r í d i c a I R P J Data do fato gerador: 31/01/2002 EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO CRÉDITOS RECUPERADOS. As receitas contabilizadas somente podem ser excluídas do lucro líquido para apuração do lucro real se expressamente autorizadas pela legislação de regência. Devem ser computados na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título. SELIC JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Anexou aos autos os seguintes documentos de forma a justificar o erro cometido: Doc. anexo n° 01: Procuração, estatuto e ata da instituição financeira, bem como cópia da carteira de identidade dos procuradores; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 423 4 • Doc.. anexo n° 02: Decisão recorrida; • Doc. anexo n° 03: DIPJ Retificadora 2002/2001; • Doc. anexo n° 04: Relatório de dedutibilidade/indedutibilidade Exercício 2001; • Doc. anexo n° 05: Movimento acumulado dos créditos baixados a menos de cinco anos (controle do cliente); • Doc. anexo n° 06: Livro Razão da conta "recuperação de créditos baixados como prejuízo" base 2001; Em 06 de fevereiro de 2013, após o voto já ter sido elaborado o Contribuinte anexou aos autos memorial de fls. 322/419, juntamente com novos documentos. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 424 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Em princípio tenho o entendimento de que não se deve aceitar provas trazidas aos autos quando o voto do relator já está elaborado e pronto para votação, como foi o caso. Porém, como se verá adiante, meu voto coincidentemente naquela ocasião já inclinavase pela propositura de uma diligência, logo, é razoável e em função do princípio da verdade material que os documentos anexados às fls. 322/419 sejam também considerados pela fiscalização. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior''' de IRPJ no valor de R$ 1.368.389,39. A Receita Federal confirmou o DARF identificado pelo contribuinte na DCOMP, porém verificou que o referido DARF já havia sido alocado na extinção de débitos declarados em DCTF. A Recorrente acusa o cometimento de erro em informações prestadas na DCTF referente ao 1º trimestre de 2002. No caso, retificou o IRPJ apurado no ajuste anual de 2001 do valor de R$ 4.500.610,18 para o valor de R$ 3.132.220,80 (4.500.610,18 3.132.220,80 = 1.967.734,51) para justificar um pagamento indevido a maior de R$ 1.368.389,39. A diferença na retificação adveio de várias exclusões feitas na Ficha 06B Demonstração de resultado, especificamente na linha 27 – OUTRAS EXCLUSÕES . No caso retificou essa rubrica de R$ 65.924.704,22 para R$ 71.499.208,50. À míngua de maiores detalhes do porquê dessa retificação a DRJ baixou o feito em diligência para que o contribuinte fizesse os seguintes esclarecimentos: a)Qual a origem das "exclusões'' consignadas na FICHA 09B da DIPJ EX 2002/AC 2001retificadora, sob o título "outras exclusões" (linha 27), no importe de R$71.499.208,50. b)Cópia das páginas do livro LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) que contêm a apuração do Lucro Real apurado no AC de 2001. No caso, a Recorrente justifica a exclusão na apuração do lucro real, através do aumento do valor anteriormente declarado de "Recuperação de créditos baixados como prejuízo”. Entretanto, a DRJ manteve a decisão que não homologou a compensação, por considerar que: (1) não seria possível a retificação da DCTF realizada em 27 de agosto de 2008, tendo em vista de acordo com o art. 147, § Iº do Código Tributário Nacional, o Recorrente apenas poderia retificar a declaração visando a redução do tributo devido, antes da notificação do lançamento; (2) a redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica não estaria em consonância com a legislação vigente, e ainda que, de acordo com o art. 12 da Lei n° 9.430/96, os créditos recuperados implicariam uma adição ao cálculo do lucro real, sendo indevida a exclusão deste tipo de receita. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 425 6 Em síntese, a DRJ além de afirmar que a Recorrente não deveria computar a receita obtida com créditos recuperados como uma exclusão quando da apuração do lucro real, conforme preconizado pelo art. 343 dor RIR/99, justificou ainda o indeferimento por falta de comprovação documental "acerca da possível adição anterior dos créditos recuperados já baixados como prejuízo e nem mesmo acerca do seu cômputo na determinação do lucro real do período em análise. " A Recorrente assim justifica a referida exclusão: (...) Ocorre que, deve ser salientado, que por determinação do Banco Central do Brasil, o Recorrente é obrigado a realizar a provisão integral dos créditos não recebidos, cujos valores estejam vencidos a mais de 6 (seis) meses. Assim, nessa hipótese, os valores provisionados a título de créditos não recebidos se não atingirem os critérios de dedutibilidade determinados pelo art. 9o da Lei n° 9.430/96 não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Pois bem. Para determinar os valores que constituirão as exclusões da base de cálculo dos tributos, a Instituição possui um Sistema denominado "Dedutibilidade/Indedutibilidade da Lei n° 9.430/1996", que segrega todos os créditos objeto de provisão que tornaramse dedutíveis durante o período, e aqueles que ainda não atingiram a dedutibilidade, adicionando integralmente todos os valores de provisão, e deduzindo apenas aqueles relacionados pelo Sistema como dedutíveis. Os valores excluídos da base de cálculo pela Recorrente referemse a créditos a receber dos clientes Carlos Antonio Xerfan e Cia Ltda, no valor de R$ 2.429.412,26 (dois milhões e quatrocentos e vinte e nove mil e quatrocentos e doze reais e vinte e seis centavos), e Mineração do Rosário, no montante de R$ 4.838.704,00 (quatro milhões e oitocentos e trinta e oito mil e setecentos e quatro reais), que por já estarem a mais de 6 (seis) meses vencidos foram objeto de registro de provisão integral para a perda (R$ 1.849.534,08 e 3.724970,20, respectivamente), sendo essas quantias transferidas para "Prejuízo". Em razão de não terem atingido os critérios de dedutibilidade previstos pelo art. 9o da Lei n° 9.430/96, conforme demonstra os documentos anexos ao presente Recurso (doe. n° 04 constam no Relatório de Indedutibilidade), a provisão constituída foi integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL à época da constituição e ainda não deduzida como "perda no recebimento de crédito" até a data da retificação da DIPJ. Com efeito, os referidos valores não tendo atingido todos os critérios de dedutibilidade e, portanto, constando no Relatório de Indedutibilidade (doe. n° 04 Relatório de Indedutibilidade até dezembro/2001), não foram deduzidos da base de cálculo dos tributos a título de "perda no recebimento de crédito". Posteriormente, tais valores foram objeto de renegociação durante o ano de 2001. Tendo em vista que os referidos valores não haviam sido deduzidos da base de cálculo dos tributos (já haviam sido tributados através da constituição da provisão) e foram registrados como Recuperação de Créditos baixados como Prejuízo (Doe. n° 06) Receita, não poderiam novamente compor a base de cálculo destes tributos. Portanto, demonstrado está que não tratase de Recuperação de Créditos já deduzidos, conforme preconiza o art. 12 da Lei n° 9.430/96, devendo ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ/CSLL, conforme realizado pelo Recorrente. Vêse, portanto, que o Recorrente ratifica a comprovação, por meio da juntada de novos documentos ao presente recurso, que a provisão para "perdas com operação de créditos" não foi anteriormente excluída da apuração do lucro real, pois esse montante Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.907401/200808 Resolução nº 1401000.222 S1C4T1 Fl. 426 7 não poderia ser deduzido, ante as limitações impostas pela Lei n° 9.430/96. Repitase, o Recorrente não procedeu à exclusão dessas perdas, a fim de possibilitar uma redução da base de cálculo do IRPJ a pagar, e sim adicionou o valor quando da apuração do lucro real. Posteriormente, quando da renegociação do crédito, o Recorrente constituiu uma nova receita, e de maneira correta, excluiu esse montante da base de cálculo do IRPJ. Concluise, portanto, que o crédito recuperado, que já havia sido adicionado à base de cálculo do IRPJ, foi devidamente excluído. Diante do exposto, fazse imprescindível a reforma in totum da decisão que não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte, sendo imperioso o reconhecimento integral do crédito decorrente do pagamento a maior de IRPJ apurado no ano de 2002, exercício de 2001.” Como se vê, o seu recurso foi robustecido por uma argumentação que coloca em dúvida a conclusão chegada pela DRJ, bem assim por novos documentos contábeis e extracontábeis trazidos aos autos (Relatório de dedutibilidade/indedutibilidade Exercício 2001; Movimento acumulado dos créditos baixados a menos de cinco anos (controle do cliente); Livro Razão da conta "recuperação de créditos baixados como prejuízo" base 2001. Ou seja, foram juntados aos autos uma série de novos documentos: visando demonstrar a correção da referida exclusão Porém, os dados estão um tanto quanto dispersos e não conclusivos e alguns documentos até ilegíveis, necessitando assim de uma melhor investigação, pois se vislumbra a possibilidade de a Recorrente possuir razão em suas alegações. Diante desse contexto, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Verificar na contabilidade da Recorrente se os documentos trazidos são autênticos espelham sua afirmativa de que: (...) a provisão para "perdas com operação de créditos" não foi anteriormente excluída da apuração do lucro real, pois esse montante não poderia ser deduzido, ante as limitações impostas pela Lei n° 9.430/96. Repitase, o Recorrente não procedeu à exclusão dessas perdas, a fim de possibilitar uma redução da base de cálculo do IRPJ a pagar, e sim adicionou o valor quando da apuração do lucro real.. Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10580.724514/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Negado.
A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal.
Numero da decisão: 2401-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AMPARO EM PREVISÃO LEGAL. A correção dos valores das penalidades por Portaria do Ministério da Previdência Social/Ministério da Fazenda, encontra guarida na própria legislação previdenciária. FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 45 14 /2 00 9- 71 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.724514/200971 Acórdão n.º 2401002.969 S2C4T1 Fl. 252 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 28.622 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.056.3972. O crédito em questão referese à aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo haver deixado de preparar a folha de pagamento em conformidade com os padrões estabelecidos pela administração tributária. Segundo o relato do fisco, fl. 56, o condomínio autuado deixou de incluir nas folhas de pagamento a remuneração paga ao síndico. Cientificado do lançamento em 19/08/2009, o sujeito passivo apresentou defesa, cujas alegações não foram acatadas pela DRJ (ver fls. 230/235). Esta afastou o argumento de que a multa fora aplicada em excesso por ter sido utilizada valor fixado em Portaria editada após a ocorrência dos fatos geradores. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 239/242, no qual, em apertada síntese, alegou que a multa não pode ser reajustada por portaria, além de que o valor constante na Portaria n.º 48/2009, não pode ser utilizado retroativamente, para atingir fatos geradores ocorridos antes de sua edição. Ao final, requestou pela improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A multa aplicada Verificase do recurso que a autuada não se insurge contra a ocorrência da infração, manifestando inconformismo apenas quanto ao valor da penalidade que lhe foi imposta. Passo agora a tratar da possível ofensa ao princípio tributário da estrita legalidade em razão da atualização do valor da penalidade pela Portaria MPS n.º 479, de 07/05/2004. A Lei n.º 8.212/1991 estipula o piso e o teto de valores para fins de aplicação das penalidades decorrentes de descumprimento da legislação previdenciária. Percebase que o legislador remeteu ao RPS o disciplinamento da matéria, bem como, estabeleceu a forma de reajustamento desses valores, o qual deverá observar o mesmo índice aplicável aos benefícios pagos pela Previdência Social. Eis os dispositivos que tratam do tema: Art.92.A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. Atendendo aos comandos normativos acima, o RPS fixou a multa para a infração em tela, nos seguintes termos: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.724514/200971 Acórdão n.º 2401002.969 S2C4T1 Fl. 253 5 IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (...) Repetindo o comando da Lei n.º 8.212/1991, o RPS também tratou da questão do reajustamento dos valores das penalidades: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ocorre que os benefícios previdenciários são reajustados anualmente por Portaria do Ministro da Previdência Social, a qual atualiza, pelos mesmos índices, também outros valores, como é o caso das multas por descumprimento de obrigações acessórias, exatamente como mandam a Lei n.º 8.212/1991 e o seu Regulamento. Diante do exposto, não há o que se falar em afronta ao princípio da estrita legalidade tributária, haja vista que a lei fixa os limites entre os quais devem situarse os valores das multas e determina o parâmetro para atualização dos mesmos. Posso concluir que o agente do fisco aplicou a penalidade respeitando estritamente os ditames legais. Das considerações acima, decorre que não houve aplicação retroativa de penalidade mais gravosa ao sujeito passivo, posto que o valor fixado na Portaria MPS/MF n.º 48, de 12/02/2009, representa apenas a atualização do valor fixado no RPS. Considerando que o reajuste do valor da penalidade visa apenas a recompor a defasagem frente a perda de poder de compra da moeda, a aplicação da multa deve levar em conta o valor atualizado na data da lavratura. Era assim que previa a Instrução Normativa MPS/SRPnº 03/2005, vigente na lavratura do AI: Art. 652. O valor base da multa aplicada por infração a dispositivo da legislação previdenciária deverá ser o vigente na data da lavratura do AI, observados os critérios de sua gradação nos termos do art. 292 do RPS, se for o caso. Sobre a suposta inconstitucionalidade da previsão da Lei n.º 8.212/1991, que remete ao seu regulamento fixação das multas dentro das balizas fixadas, não cabe a esse colegiado se pronunciar. É que não é dado a órgão de julgamento administrativo lançar Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 pronunciamento sobre inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF tratando da questão: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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