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Numero do processo: 10980.001486/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de leis, aplicando-se ao caso a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3302-005.276
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de leis, aplicando-se ao caso a Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciarse sobre inconstitucionalidade de leis, aplicandose ao caso a Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 86 /2 00 2- 31 Fl. 169DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o processo de Auto de Infração de COFINS, de fls. 15/19, decorrente de auditoria interna na DCTF do segundo e terceiro trimestres de 1997, onde constatouse “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”, exigindo R$ 14.462,08 de contribuição à COFINS, R$ 10.846,56 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais. No “DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS” (fl. 17/19), constam valores informados em DCTF a título de “COMP S/ DARF – OUTROS JUD”, referente ao Processo nº 95.001441070, nos valores de R$ 1.691,33, R$ 1.245,38, R$ 921,47, R$ 271,82 e R$ 10.332,08, relativos aos períodos respectivos de 05/1997, 06/1997, 07/1997, 08/1997 e 09/1997, cujos créditos não foram confirmados. Tem como enquadramento legal os arts. 1º a 4º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art 57 da Lei nº 9.069, de 1995 e arts. 56, parágrafo único, e arts. 60 e 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A multa de ofício está fundamentada no art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 1º da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1º, I, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou por intermédio de seu representante legal, a impugnação de fls. 01/11, em 10/01/2002, argüindo em preliminar a nulidade do auto de infração, por não ter sido lavrado no estabelecimento do fiscalizado e por não haver menção à tipificação tributária e à sanção aplicável, em desacordo com o que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Alega que inexistindo a descrição dos fatos em que se baseou a autoridade fiscal para promover a autuação, deixaram de ser fornecidos elementos fundamentais perante o texto legal, que implicam o cerceamento ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta que os créditos vinculados que não foram confirmados referemse à Medida Judicial em trâmite sob nº 95.00144107 perante o Superior Tribunal de Justiça, conforme extrato que anexa, estando inclusive suspensa a exigibilidade de tais créditos. Entende que não houve qualquer ocorrência de ato de transgressão pela autuada, inexistindo a figura da multa, porque falta relação jurídica de direito material a lhe dar causa Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10980.001486/200231 Acórdão n.º 3302005.276 S3C3T2 Fl. 170 3 de existência. Diz que sendo os fatos geradores exigidos posteriores a 1º de janeiro de 1997 é impossível a aplicação do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E que a aplicação do percentual de 75% caracteriza em verdadeiro confisco tributário. Por fim, questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Em 20 de outubro de 2004, foi julgado o processo pela 3ª Turma desta Delegacia de Julgamento, proferindo o Acórdão nº 7.201, onde foram rejeitadas as preliminares de nulidade, considerando procedente o lançamento efetuado. Analisando o recurso interposto pela interessada, o então Segundo Conselho de Contribuintes emitiu o Acórdão nº 20401.007, em 20/02/2006, que decidiu, por maioria de votos, anular o processo a partir da decisão recorrida, por ser considerado nulo o ato administrativo praticado com cerceamento de direito de defesa do contribuinte, uma vez que a DRF de origem não analisou os documentos trazidos aos autos pela contribuinte para elidir o lançamento e a decisão recorrida manteve o lançamento sob fundamento diverso do qual se fundamentou a acusação fiscal. Em 08/08/2011 os autos retornaram à repartição de origem para ciência da interessada e demais providências. A DRF em Curitiba, em atendimento à decisão do então Conselho de Contribuintes, realizou revisão de ofício do lançamento, manifestandose de acordo com a Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19 de fevereiro de 2002, sobre a documentação trazida aos autos pela contribuinte, sendo acordado pela manutenção do lançamento, dada a impossibilidade de compensação de Cofins com créditos oriundos da ação judicial. Cientificada da revisão de ofício, em 17/11/2014, a interessada apresentou impugnação em 08/12/2014, pela qual acrescenta aos argumentos já lançados a incidência de prescrição intercorrente do Processo Administrativo Fiscal, já que, apesar de suspensa a exigibilidade do crédito, diz que o prazo para conclusão do processo administrativo não é indefinido e que o atraso na apreciação do processo, sem justificativa plausível que o embase, comprova verdadeira desídia da Administração Pública. Por isso, entende que deve ser reconhecida a prescrição, já que decorridos quase doze anos de sua tramitação, sob pena de se aceitar a própria imprescritibilidade da exação. Cita o art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal e a Lei nº 11.457, de 2007, que estabeleceu em seu artigo 24 o prazo máximo para decisões administrativas como sendo de 360 dias, contados a partir da apresentação do pleito do contribuinte. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 171DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 LOCAL DA LAVRATURA. O fato de a fiscalização proceder à lavratura do auto de infração fora do estabelecimento da fiscalizada não caracteriza a nulidade do procedimento, já que a determinação legal é que se faça a lavratura no local de verificação da falta. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Contendo no lançamento a descrição dos fatos e enquadramento legal suficiente para o conhecimento da infração cometida, referindose à falta de recolhimento e declaração inexata, pela não localização de pagamento e não confirmação de créditos vinculados, decorrentes de processo judicial, informados em DCTF, o procedimento encontrase em conformidade com os dispositivos legais que regem a matéria, não havendo que se falar em nulidade. PRAZO PARA CONCLUSÃO DE LITÍGIO. Inexiste previsão legal que autorize a extinção de obrigação tributária devidamente formalizada em função da mera demora da autoridade administrativa em concluir o litígio instaurado em procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO INEXATA. Presente a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, uma vez que os créditos vinculados decorrentes de processo judicial e utilizados para a redução do débito declarado não foram confirmados, autorizada está a formalização de ofício do crédito tributário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados com base na taxa Selic são exigidos por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10980.001486/200231 Acórdão n.º 3302005.276 S3C3T2 Fl. 171 5 Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 26/05/2015, conforme AR de fl. 152, apresenta em 11/06/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 153, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 154/166, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Prescrição Intercorrente Quanto à prescrição intercorrente arguida no curso do processo administrativo fiscal, em razão da demora da Administração Pública para conclusão do processo administrativo, cabe destacar que embora a Lei nº 11.457, de 2007, tenha introduzido no âmbito administrativo um prazo para análise das petições e recursos, esse prazo é considerado impróprio para ultimar a tutela administrativa já que não existe nas normas especificas, ex vi do Decreto nº 70.235, de 1972, um lapso temporal para findar o processo administrativo fiscal. Ainda quanto à prescrição intercorrente, referida matéria encontrase sumulada por esse Egrégio Conselho, conforme a seguir transcrito. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Da multa confiscatória Com relação à natureza confiscatória das multas, por forma regimental, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Quanto à suposta ilegalidade/inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, a matéria também se encontra sumulada neste E. Conselho, conforme transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 4, cujo enunciado segue transcrito: Fl. 173DF CARF MF 6 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.002491/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF.
O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de ser por homologação o lançamento do referido tributo
A simples reiteração da suposta prática de omissão, por si só, não enquadraria o contribuinte na hipótese de dolo, fraude ou simulação, mormente diante dos demais indícios e da atividade por ele desenvolvida. Caberia ao autuante se aprofundar na produção probatória. Aplicação da Súmula 14 do CARF.
Numero da decisão: 1401-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de ser por homologação o lançamento do referido tributo A simples reiteração da suposta prática de omissão, por si só, não enquadraria o contribuinte na hipótese de dolo, fraude ou simulação, mormente diante dos demais indícios e da atividade por ele desenvolvida. Caberia ao autuante se aprofundar na produção probatória. Aplicação da Súmula 14 do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 716 1 715 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.002491/200513 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401002.311 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALL SEVEN ADMINISTRAÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de ser por homologação o lançamento do referido tributo A simples reiteração da suposta prática de omissão, por si só, não enquadraria o contribuinte na hipótese de dolo, fraude ou simulação, mormente diante dos demais indícios e da atividade por ele desenvolvida. Caberia ao autuante se aprofundar na produção probatória. Aplicação da Súmula 14 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 24 91 /2 00 5- 13 Fl. 716DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP) que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reconhecer a decadência do direito do Fisco de lançar o crédito tributário. As exigências são relativas aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1999 e 2000, decorrente de supostas infrações a legislação tributária, em virtude do contribuinte não ter realizado a escrituração contábil de depósitos efetuados em contas correntes dos Bancos Unibanco, Bradesco, Sudameris e Real e não ter apresentado a comprovação da origem desses depósitos. Assim, a Autoridade Fiscal tributou como omissão de receitas, para cobrança de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. Ciente da autuação, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 05/10/2005 (fls. 571/575), na qual alegou: 1. PRELIMINARMENTE – DA DECADÊNCIA: Afirma que os créditos bancários apontados no termo dos Autos de infração, são relativos a movimentações ocorridas no ano de 1999 a julho de 2000. O fato gerador considerase ocorrido ou se completaria, já que constituise em fato gerador complexivo, em 30 de agosto de 2000. Cinco anos após, em 30 de agosto de 2005, alcançada é pelo 'instituto da decadência. É pacifica a jurisprudência no sentido que a decadência do IRPJ se dá no prazo do art. 150, §4 0 do CTN. 2. NO MÉRITO: Alega que “não existem nos autos qualquer extrato emitido por uma Instituição bancária que pudessem respaldar as alegações da Receita Federal, digase, que entendeu que os supostos depósitos apontados não foram justificados”. ”O Sr. Auditor Fiscal simplesmente considerou os depósitos como se fossem receitas do contribuinte, aplicando multa relativa ao não recolhimento do imposto de renda”. 3. Afirmando ainda, “o que demonstra de forma cristalina que os depósitos que aparecem nas contas correntes do Contribuinte, não são receitas e sim, depósitos de clientes para repasse a terceiros”. 4. Aduz que “os demonstrativos juntados pela Receita Federal, poderemos com clareza verificar que: a) os depósitos entravam e, saiam praticamente no mesmo dia das contas; b) Tal movimentação caracteriza, também de forma cristaliza, que se tratava de intermediação de negócios; c) A All Seven Administração Ltda, tinha Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10735.002491/200513 Acórdão n.º 1401002.311 S1C4T1 Fl. 717 3 como atividade a intermediação de negócios, recendo pela intermediação a comissão que variava de 0,5% até 1%”. 5. Diz por fim, “que não existe qualquer elemento que justifique a aplicação da multa arbitrada pelo Ilustre Auditor Fiscal, em cima dos valores identificados como depósitos, vez que tais valores não pertencem ao contribuinte. São depósitos de clientes para a intermediação de negócios”. O Acórdão ora Recorrido (1211.140 6a Turma da DRJ/RJOI) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Exercício: 1999, 2000 Ementa: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de ser por homologação o lançamento do referido tributo desde o advento da Lei n° 8.383, de1991. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1999, 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O \LUCRO LIQUIDO (CSLL). DECORRÊNCIA. Os feitos decorrentes colhem a sorte do principal, em função da relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Improcedente. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “com a edição da Lei n° 8.383, de 1991, o lançamento tanto do imposto de renda quanto da CSL passou a ser por homologação. Assim, desde então o termo de início da contagem do prazo decadencial do direito de lançar esses tributos é a data da ocorrência do seu fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4 0, do CTN”. Considerou, que “não houve dolo, fraude ou simulação" e, portanto, a norma a ser aplicada aqui é sem dúvida a do art. 150, § 4°, do CTN, o que conduz à conclusão segura de que, à época do lançamento do imposto de renda, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançálo”. Reconheceuse, “que para a determinação das bases de cálculo do PIS e da Cofins, no entanto, seria imprescindível o aprofundamento da investigação para demonstrar a Fl. 718DF CARF MF 4 correlação da movimentação bancária da interessada com os dados internos e externos relativos ao seu movimento”. Diante do julgamento que reconheceu a improcedência do lançamento tributário Recorreuse de Ofício – Fls. 621 dos autos. Às fls. 642 dos autos Acórdão de nº 10708.921 que deu provimento ao Recurso de Ofício interposto, para modificar a decisão da DRJ, solução da questão da decadência, mantendose às exigências fiscais, conforme ementa a seguir transcrita: Acordão de nº 10708. – 6ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP1 IRPJ — DECADÊNCIA — RECURSO DE OFÍCIO — MULTA QUALIFICADA — MANUTENÇÃO — APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN — PROVIMENTO. A atitude do contribuinte — pela relevância dos valores mantidos à margem, a quantidade de contas bancárias suprimidas da contabilidade e o período de sua supressão , leva à conclusão de que seu comportamento teria sido doloso, a justificar, portanto, a aplicação da multa qualificada, razão pela qual, para efeitos de decadência, a regra aplicável deve ser a do art. 173, I, do CTN. Ciente da decisão do Acórdão em 04/07/2007(fls.655), que manteve o crédito tributário, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 01/11/2007 (fls. 656/665), recurso cabível à época, alegando as seguintes razões: 1. DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DE CONSTITUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO: Afirma que “a Secretaria da Receita Federal, atribuiu como movimentação financeira da Recorrente, valores que a critério do Ilustre Fiscal da Secretaria da receita Federal, representaram movimentação financeira da Recorrente, efetuando o lançamento de crédito tributário correspondente, e que não existiu no termo de verificação fiscal, bem como, na representação fiscal e nos próprios autos, qualquer documento que se revestisse com as características legais, que pudesse respaldar o lançamento do crédito tributário”. “Que o documento utilizado pela Secretaria da Receita Federal, não se presta para provar os lançamentos de créditos tributários efetuados. Não se pode aceitar que a Fiscalização tenha informação a respeito da movimentação bancária e não tenha os respectivos documentos comprobatórios. Ainda mais na fase de investigação. O que torna imprestável os documentos juntados aos autos como comprovantes de movimentação financeira da Recorrente”. 2. DA DECADÊNCIA: Aduz que “a Secretaria da Receita Federal por não ter feito o lançamento na época própria, decaiu o seu direito de constituir o crédito tributário, sendo improcedentes os lançamentos relativos aos anos de 1999 e 2000. Inclusive esse foi o entendimento lançado no ACORDÃO n° 12.11.140, proferido pela 6ª Turma da DRJ/ROOI”. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10735.002491/200513 Acórdão n.º 1401002.311 S1C4T1 Fl. 718 5 3. NO MÉRITO: Diz que, “não bastasse à lavratura de auto de infração após a data fatal de decadência, a fiscalização aduziu a ocorrência da omissão de receita tendo como prova documentos que de forma alguma se revestem em condições para sêlo. E que “observase que o Sr. Auditor Fiscal, simplesmente, limitouse em considerar os depósitos como receita do Contribuinte, sem aprofundarse nas investigações. Bastaria uma análise um pouco mais acurada para que o mesmo verificasse que os depósitos entrar saíram praticamente no mesmo dia. O que certamente caracteriza a intermediação do Contribuinte em negócios”. 4. Requereu o acolhimento do presente recurso voluntário para reformar o acordão recorrido, cancelando integralmente os autos de infração, extinguindose a ação fiscal. Às fls. 683/688 dos autos CONTRARRAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. DA APLICAÇÃO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 173,1 DO CTN PARA O CASO EM TELA: Diz que “é de se concluir que, havendo, por parte do sujeito passivo, dolo, intuito de fraude ou de simulação, a disciplina da contagem do prazo decadencial deslocase daquela mais benéfica ao contribuinte, prevista no art. 150, §4 0 do CTN, e passa a recair na regra geral, prevista no art. 173, I, segundo a qual o prazo decadencial somente inicia seu fluxo no exercício seguinte àquele cm que se torna possível ao Fisco efetuar o lançamento tributário. Tratase o caso em questão, realmente, de um comportamento planejado com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo pela autoridade fiscal. Logo, a disciplina da contagem do prazo decadencial passa a recair na regra geral, prevista no art. 173, I do CTN. Notese, ainda, que a aplicação do art. 173, I do CTN se impõe não apenas em razão cia conduta dolosa acima evidenciada, mas também porque, no caso dos autos, não houve antecipação do pagamento dos tributos lançados”; 2. DA APLICABILIDADE DA MULTA DE 150%: Afirma que “para que a multa de lançamento de oficio de 75% seja elevada para 150% é necessária à demonstração do evidente intuito de fraude, caracterizado nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. E que a Recorrente, durante anos consecutivos, deixou de declarar parcela significativa de suas receitas. De fato, ao não declarar parte significativa de sua renda, a contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos devidos. Não há como se acatar a tese de mero erro. Tratase, sim, de ato consciente direcionado a retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, Fl. 720DF CARF MF 6 das circunstâncias materiais da obrigação tributária, o que caracteriza evidente intuito de fraude”. 3. Requereu o desprovimento do recurso interposto pela Recorrente. Às fls. 692 dos autos – Acórdão de nº 9101002.029 da 1ª Turma da Câmara Superior, declarando nula a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 PRELIMINAR NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Em casos nos quais o Conselho de Contribuintes julga recurso de ofício e discorda da tese acolhida pela DRJ, restabelecendo a exigência, deve enfrentar os demais tópicos suscitados pelo contribuinte em sede de impugnação, para evitar cerceamento do direito de defesa e, também, supressão de instância. Caso contrário, em relação às matérias não apreciadas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais funcionaria como primeira instância. Declaração de nulidade do acórdão recorrido, para que o processo retorne à Câmara de origem a fim de que sejam apreciadas todas as questões contidas na impugnação apresentada pela autuada. Isto porque, entendeu a 1ª turma que “o acórdão da Delegacia tratou não só da multa qualificada e, por decorrência, da decadência, mas também e principalmente adentrou ao mérito da questão. Isto porque, segundo entendimento da DRJ à época, mesmo desqualificando a multa, não foi acolhida decadência para a CSLL e Contribuições. Assim, a Delegacia, também no mérito, proveu a Impugnação, por entender, dentre outras razões, que seria o caso de arbitramento. Assim, não foi analisada, pelo CARF, a natureza do ingresso, se era receita própria ou não da recorrente, quando a própria DRJ, em suas razões de decidir, menciona ser plausível que se tratasse de recursos de terceiros, dada a natureza da atividade da contribuinte (intermediação de negócios), tampouco foi analisada a necessidade de arbitramento em face da movimentação ser muito superior à renda declarada, motivou que ensejou o cancelamento do lançamento no primeiro acórdão. Também deixaram de ser apreciados argumentos da impugnante, que no âmbito da DRJ não haviam sido apreciados (haja vista o cancelamento do lançamento), dentre os quais: (i) a suposta falta de juntada dos documentos (extratos, que verifiquei que foram anexados) emitidos pelas instituições financeiras; (ii) a falta de timbre ou vinculação da Receita Federal nas determinações da Fiscalização; (iii) a suposta quebra ilegal do sigilo fiscal e bancário da recorrente, dentre outros”. Dessa forma, declarouse a nulidade do Acórdão nº 10708.921 proferido pela Sétima Câmara, para que seja realizado novo julgamento, que deverá analisar todos os argumentos argüidos pelo contribuinte em sede de Impugnação. Às fls. 713 dos autos – ciência do contribuinte. É o relatório do essencial. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10735.002491/200513 Acórdão n.º 1401002.311 S1C4T1 Fl. 719 7 Tabela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente, cumpre ressaltar que nos termos do Acórdão de nº 9101002.029 da 1ª Turma da Câmara Superior, declarando nulo o Acórdão nº 10708.921, devolvese a este colegiado o julgamento do Recurso de Ofício. Por se tratarem de tributos sujeitos à lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo decadencial do direito de lançar esses tributos é a data da ocorrência do seu fato gerador, de acordo com o art. 150, §4o., do CTN. Como bem ressalvado na decisão recorrida, os depósitos em contas bancárias dos quais o autuante presumiu ter havido omissão de receitas foram efetuados em 1999 e até junho de 2000. Levando em conta que é por homologação o lançamento do imposto de renda, não haveria dúvida de que o direito de lançálo sobre receitas presumidamente omitidas a partir de tais depósitos teria decaído em 30.06.2005, quando se completou o quinto ano subseqüente à ocorrência do seu fato gerador, se não houvesse a aplicação da multa agravada, que traduz a acusação de procedimento eivado de dolo, fraude ou simulação. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, os fatos geradores dos tributos escapam ao alcance do citado parágrafo quarto e passaria a ser aplicável o art 173 do CTN, deslocandose o termo de início de contagem para o primeiro dia do exercício seguinte. No presente caso resta claro que, a se aplicar o art. 150 o lançamento estaria decaído, no entanto, aplicandose o art. 173 o lançamento poderia, a princípio, ser mantido. Para tanto, tornase imprescindível perquirir se, no caso concreto, existe prova efetiva de ter o contribuinte agido com dolo, fraude ou simulação. Ressaltese, por oportuno, que tais agravantes precisam ser comprovadas, não presumidas. De fato, não existe no presente lançamento, nenhuma explicação do autuante para o fato de a multa aplicada ter sido a prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. As supostas justificativas constam de processo diverso, o de n° 10735.002524/200517, apenso a este, cujo objeto é uma representação fiscal para fins penais. Nele, o autuante explica, em resumo: i) que a movimentação financeira da interessada nos anos de 1999 e 2000 foi incompatível com as suas receitas declaradas à Secretaria da Receita Federal; Fl. 722DF CARF MF 8 ii) que ela optou pela tributação com base no lucro presumido, mas não registrou, na sua escrita fiscal e comercial a sua movimentação financeira; e, iii) que o fato de ela não ter comprovado a origem dos créditos verificados em suas contas bancárias e nem registrálos em seus livros, autoriza a presunção de omissão dolosa de receitas. Não há como negar que a defesa da contribuinte foi muito mal conduzida. Entretanto, uma das alegações da interessada é a de que a sua atividade é a intermediação de negócios e administração de imóveis. Tal fato é corroborado pelo seu Contrato Social e sua DIPJ (fls. 4), onde consta que ela se dedica a "outros serviços prestados principalmente às empresas", atividade condizente, pois, com a alegada. Outrossim, outro fato relevante e que se coadunaria com tal fundamentação, é o de que os recursos depositados, em quase sua totalidade, saiam da conta corrente da autuada (às vezes no mesmo dia), o que seria um indício de que, de fato, tais recursos apenas transitariam em conta corrente. Nesta esteira cumpre ressaltar que, no procedimento de fiscalização, após intimar o contribuinte para justificar tal movimentação o mesmo trouxe tal fundamentação e, embora desacompanhado de provas, entendo que cumpriria ao autuante aprofundar a fiscalização, solicitando contratos de prestação de serviços, ou prova do destino dos recursos sacados, isto para efetivamente comprovar o dolo para aplicação da multa qualificada. E assim não o fez. Simplesmente entendeu não restar comprovado e lançou aplicando a presunção de dolo e multa de 150%. Ressalto, neste momento, que este Relator não está validando ou entendendo como corretos os procedimentos adotados pelo contribuinte. Da análise dos autos apenas vejo indícios de que suas alegações podem ser verdadeiras, entretanto não há prova concreta do alegado, bem como, toda a contabilização realizada foi equivocada. Assim é que, ainda que ficasse provado que os depósitos efetuados em suas contas bancárias constituíam mesmo receitas e não simplesmente recursos de terceiros que por elas transitaram em virtude da intermediação de negócios, o fato de eles não terem sido escriturados não configuraria dolo, fraude ou simulação. Revelaria uma simples e ordinária omissão de receitas. Ao meu ver, a simples reiteração da suposta prática de omissão, por si só, não enquadraria o contribuinte na hipótese de dolo, fraude ou simulação, mormente diante dos demais indícios e da atividade por ele desenvolvida. Caberia ao autuante se aprofundar na produção probatória. Este também é o entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10735.002491/200513 Acórdão n.º 1401002.311 S1C4T1 Fl. 720 9 Ademais, caso ultrapassa a questão relativa à decadência, ainda entendo que outra razão levaria o lançamento à improcedência, qual seja, a incorreção na forma de apuração do lançamento. Isto porque, se verdadeiros os fatos aduzidos pelo autuante, quase que a totalidade da receita da contribuinte teria sido omitida, bem como não foram apresentados documentos contábeis legalmente exigíveis, o que me levaria a concluir pela imprestabilidade dos documentos contábeis e, ao meu ver, outra não seria a hipótese senão a de se aplicar o procedimento de arbitramento. Diante do exposto, entendo que não restou comprovado o dolo, fraude ou simulação" e, portanto, a norma a ser aplicada aqui é sem dúvida a do art. 150, § 4°, do CTN, o que conduz à conclusão segura de que, à época do lançamento do imposto de renda, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançálo. Assim, voto pelo não provimento do Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000364/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO DE FATO
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir a omissão e erro de fato apontados sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.201
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO DE FATO Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir a omissão e erro de fato apontados sem atribuição de efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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OMISSÃO. ERRO DE FATO Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir a omissão e erro de fato apontados sem atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 03 64 /2 01 0- 42 Fl. 399DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhêlos para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13873.000364/201042 Acórdão n.º 2401005.201 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.923 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 04 de julho de 2017 (fls. 279/292), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. Existindo decisão judicial que suspendia decisão anterior que conferiu ao contribuinte o direito ao crédito, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal, por ausência de permissão legal, via ação judicial, para a realização das compensações por parte do contribuinte. A postulante apresentou embargos de declaração alegando (i) omissão no julgado, pois não houve pronunciamento quanto à alegação de nulidade do acórdão da DRJ por inovação ao fundamento jurídico do lançamento; (ii) omissão/erro de fato quanto à premissa adotada pelo voto condutor quanto à decisão proferida em sede de embargos; (iii) omissão quanto ao direito creditório reconhecido em sede de mandado de segurança; (iv) omissão quanto ao atual status dos embargos à execução. Em despacho do dia 14 de novembro de 2017 (fls. 389/396), os embargos de declaração foram admitidos parcialmente com relação à omissão no pronunciamento de alteração de critério jurídico pela DRJ e para saneamento do erro de fato apontado. O processo devolvido a esta Relatora para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Fl. 401DF CARF MF 4 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Da omissão do julgado quanto ao pronunciamento da alegação de nulidade do acórdão da DRJ por inovação ao fundamento jurídico do lançamento Assevera a Embargante que ocorreu a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ, pois trouxe novo fundamento jurídico para o indeferimento das compensações, qual seja, a existência de ação judicial em trâmite. Aduz que o auto de infração assentase tão somente na inexistência de renúncia formal à execução do julgado em processo de restituição e no direito à restituição (apenas judicial). Passo, assim, à análise. O Relatório Fiscal de lançamento distingue a compensação da restituição e afirma que a decisão da Justiça Federal condenou o IAPAS a restituir ao contribuinte as importâncias recolhidas indevidamente. Afirma que ocorreu equívoco na compensação e que os embargos à execução opostos pelo INSS encontrase sub judice com sentença procedente. Aduz ainda que não consta que o contribuinte tenha renunciado ao processo de restituição para valerse da compensação. Informa que a empresa, via execução do julgado, requereu e aguarda decisão definitiva acerca da compensação. Assim, procedeu a glosa das compensações realizadas, por entender que não existia autorização judicial expressa para fazêla, na medida em que a demanda judicial tinha como objeto a restituição e não a compensação. A decisão da DRJ enfrenta a questão colocada em julgamento sob a ótica estabelecida no lançamento de que a restituição não se confunde com a compensação e que o direito à compensação encontrase sub judice: [...] é fato que a decisão judicial no processo original foi no sentido do INSS restituir ao contribuinte os valores considerados como pagos indevidamente. O direito à compensação ainda está sub judice. E foi exatamente por esse motivo que foi efetuado o lançamento com o intuito de prevenir a decadência. Somente após o trânsito em julgado do processo nº 00186022002.4.03.6100 é que ficará definido o direito à compensação efetuada, bem como o valor do crédito. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13873.000364/201042 Acórdão n.º 2401005.201 S2C4T1 Fl. 4 5 Assim, não entendo que o Acórdão da DRJ tenha alterado a fundamentação inserida no lançamento com afronta ao art. 146 do CTN, razão pela qual, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira instância. Dessa forma, resta sanada a omissão apontada. Do erro de fato quanto à decisão judicial proferida em sede de embargos Segundo a Embargante, o processo administrativo trata de indeferimento de compensações realizadas pela contribuinte, sendo que a decisão mencionada pelo voto condutor que impôs óbice à compensação, somente fora publicada em 13/05/2009. Alega erro de fato, pois não havia, à época das compensações, efetuadas entre 07/2005 a 12/2007, decisão judicial que retirasse o efeito da sentença que reafirmou o direito creditório da embargante. Com efeito, os embargos à execução interpostos pelo INSS, foram julgados procedentes para declarar a nulidade da execução da sentença promovida pela contribuinte em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito, com publicação ocorrida em 13/05/2009. Ocorre que o Voto condutor do julgado aduziu que à época das compensações realizadas, a contribuinte tinha óbice judicial para a apresentação das mesmas ante a existência de sentença nos embargos que anulava a decisão judicial que reconheceu o direito creditório da recorrente. Realmente, há um erro de fato na informação prestada no voto vencedor que deve ser corrigido, cabendo, nesse caso, o saneamento e a integralização da decisão embargada, com a fundamentação aqui desenvolvida. Destarte, a maioria do colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário decidindo pela manutenção do lançamento, efetuado em 16/6/2010. O fundamento do voto condutor será ora esclarecido. A contribuinte pleiteou junto ao poder judiciário, o reconhecimento, especificamente, do seu direito de efetuar a compensação dos valores reconhecidos como recolhidos indevidamente. A decisão judicial existente favorável à contribuinte foi no sentido de determinar ao INSS restituir os valores considerados como indevidos, razão porque a empresa optou por requerer judicialmente a compensação. Justamente por tal motivo, teria que aguardar a decisão judicial pleiteada na execução do título em que requereu a autorização para compensar. A primeira decisão que teve no processo foi a proferida dos embargos de declaração. Assim, somente após o trânsito em julgado da decisão é que ficará definido o seu direito a compensação, razão porque a maioria do colegiado firmou entendimento pela manutenção do lançamento. Resta assim sanado o erro de fato/omissão no julgado. Fl. 403DF CARF MF 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, para, na parte conhecida DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão e erro de fato apontados, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001717/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL.
Admite-se como prova da data e do custo de aquisição do imóvel alienado constantes do contrato de promessa de compra e venda do imóvel, desde que, à época, o instrumento tiver sido registrado no Registro imobiliário ou no Registro de Títulos e documentos.
O Reconhecimento de Firma é uma declaração pela qual o tabelião confirma a autenticidade ou semelhança da assinatura de determinada pessoa em um documento. Não se refere ao conteúdo do documento, mas tão somente à autenticidade da assinatura.
Numero da decisão: 2401-005.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. Admite-se como prova da data e do custo de aquisição do imóvel alienado constantes do contrato de promessa de compra e venda do imóvel, desde que, à época, o instrumento tiver sido registrado no Registro imobiliário ou no Registro de Títulos e documentos. O Reconhecimento de Firma é uma declaração pela qual o tabelião confirma a autenticidade ou semelhança da assinatura de determinada pessoa em um documento. Não se refere ao conteúdo do documento, mas tão somente à autenticidade da assinatura.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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GANHO DE CAPITAL. Admitese como prova da data e do custo de aquisição do imóvel alienado constantes do contrato de promessa de compra e venda do imóvel, desde que, à época, o instrumento tiver sido registrado no Registro imobiliário ou no Registro de Títulos e documentos. O Reconhecimento de Firma é uma declaração pela qual o tabelião confirma a autenticidade ou semelhança da assinatura de determinada pessoa em um documento. Não se refere ao conteúdo do documento, mas tão somente à autenticidade da assinatura. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 17 17 /2 01 0- 61 Fl. 191DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11060.001717/201061 Acórdão n.º 2401005.237 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 96/100, acompanhado do demonstrativo de fls. 89/95 e do Relatório Fiscal de fls. 81/88, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2007, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 266.245,33, composto da seguinte forma: R$ 132.177,60 relativo ao Imposto; R$ 34.934,53 de Juros de mora (calculados até 31/05/2010); e R$ 99.133,20 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 98), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujo fato gerador ocorreu em 10/09/2007. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 103/104), alegando, resumidamente, o que segue: (i) a fiscalização considerou incorretamente como custo total de aquisição da área de térreas de 152,7020ha o valor de R$ 294.086,00 (valor do hectare de R$ 1.925,818) e como data de aquisição 25/08/2006 ; (ii) na alienação de 60,0000 hectares (desmembrado de 152,7020ha ) foi considerado como custo de aquisição o montante de R$115,552,91 (60 x R$1.925,8818, todavia conforme contrato de compra em venda ocorrida em 02/09/2003, devidamente registrado no Cartório dos Registros Especiais o custo de aquisição foi de R$ 1.162.630,00 (valor do hectare R$ 7.613,81) portanto, não houve ganho de capital nessa transação; (iii) conforme contratos datados de 05/02/2004 ora juntados ao processo o imóvel constante da matrícula 4057 o pago pela área de 39,6880225 foi de R$ 382.272,00 (o hectare de R$ 8.166,66). Ao final, conclui que a dação em pagamento ao Sicredi das áreas de terras:1) matrícula 351 pelo valor de R$ 8.166,66 o hectare; 2) matrícula 4.057 pelo valor de R$ 8.185,84 o hectare não resultou em ganho de capital, devendo, portanto, ser cancelado o Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1041.810 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 118/124, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Fl. 193DF CARF MF 4 Admitese como prova da data e do custo de aquisição do imóvel alienado constantes do contrato de promessa de compra e venda do imóvel, desde que, à época, o instrumento tiver sido registrado no Registro imobiliário ou no Registro de Títulos e documentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 27/12/2012, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 155. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 162/166), argumentando, resumidamente, que em relação à aquisição da área com 39.68.80.225 há pelo preço de R$ 328.272,00, em 05 de fevereiro de 2004, objeto da matrícula 14 e 16 R.4057, objeto de improcedência na primeira instância, tais documentos não foram registrados nos Cartórios de Títulos e Documentos e tampouco no órgão imobiliário, entretanto, foram assinados em cartório com as firmas devidamente reconhecidas no Tabelionato de Júlio de Castilho/RS sob a responsabilidade da Tabeliã Eliane Messerchimidt Rigol, demonstrando claramente a certeza quanto ao valor da aquisição dos referidos imóveis, data que os mesmos ocorreram e a forma de pagamento. Requer a procedência do presente recurso com o objetivo de reformar a decisão de primeira instância para extinguir integralmente o crédito tributário exigido. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11060.001717/201061 Acórdão n.º 2401005.237 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 27/12/2012 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 155, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/01/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital na alienação de bens e direitos. Inferese dos autos, que a Turma julgadora em primeira instância administrativa deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, no que se refere a alienação da área de 60,0000 hectares, considerando a data de aquisição em 02/09/2003 e como custo de aquisição da área de 152ha 7020m2 o valor de R$ 1.162.630,00, porquanto o contrato de fls.133/137 comprova que o mesmo foi registrado no Cartório dos Registros Especiais Antonio Castilhos – Antonio Augusto s. Castilhos em Julio de Castilhos/RS, conforme carimbos em fls. 134 e 136. Quanto à parte mantida, o Recorrente se insurge no sentido de que a aquisição da área com 39.68.80.225 há pelo preço de R$ 328.272,00, em 05 de fevereiro de 2004, objeto da matrícula 14 e 16 R.4057, tais documentos não foram registrados nos Cartórios de Títulos e Documentos e tampouco no órgão imobiliário, entretanto, foram assinados em cartório com as firmas devidamente reconhecidas no Tabelionato de Júlio de Castilho/RS sob a responsabilidade da Tabeliã Eliane Messerchimidt Rigol, demonstrando claramente a certeza quanto ao valor da aquisição dos referidos imóveis, data que os mesmos ocorreram e a forma de pagamento. Em que pese o esforço do Recorrente, não vislumbro razões de reforma na decisão objurgada. Isso porque, conforme bem pontuado pela instância a quo, no Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Rural (fls. 141/142) datado de 05/02/2004 relativo a aquisição de 39.68.80.225 ha pelo preço de R$ 328.272,00 objeto da matrícula R14/4.057 e R16/4.057 não consta qualquer registro, à época, em cartório que pudesse convalidar para efeitos de autenticação de data e valores nele constante. Sobre o reconhecimento de firma alegado pelo Recorrente, cumpre esclarecer que tal ato é uma declaração pela qual o tabelião confirma a autenticidade ou semelhança da assinatura de determinada pessoa em um documento. Não se refere ao conteúdo do documento, mas tão somente à autenticidade da assinatura. Fl. 195DF CARF MF 6 Dessa forma, reputo como correta a decisão de primeiro grau administrativo, mantendoa em sua integralidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.913530/2009-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham julgado questões diversas daquela sustentada pela recorrente e também incomparáveis entre si, impedindo o estabelecimento da divergência.
Numero da decisão: 9101-003.455
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham julgado questões diversas daquela sustentada pela recorrente e também incomparáveis entre si, impedindo o estabelecimento da divergência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.913530/200913 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.455 – 1ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BV FINANCEIRA SA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham julgado questões diversas daquela sustentada pela recorrente e também incomparáveis entre si, impedindo o estabelecimento da divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 35 30 /2 00 9- 13 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação (Efls. 01 ss.) apresentada em 01.10.2009 para a recuperação de IRPJ apurado a maior em agosto de 2008 e pago assim indevidamente, pleito ao qual sucedeu a retificação da DCTF, gerando inconsistência nas informações cruzadas, uma vez que somente identificado equívoco pela contribuinte com o despacho decisório da DEINF (Efl. 18) que indeferiu sua pretensão, sob o fundamento de insuficiência do crédito em questão. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 02 ss.) esclarecendo que, em agosto de 2008, teria declarado e recolhido o IRPJ no valor de R$ 8.168.332,05, enquanto sua correta apuração seria de R$ 1.069.983,52, levandoa à apresentação de PER/DCOMP para recuperação do crédito correspondente a esse pagamento a maior, mas que restou discordante de sua DCTF original, que apenas teria sido retificada com a percepção do erro pelo indeferimento do pedido. Com a referida correção, uma vez se tratando de erro de preenchimento de DCTF, haveria correspondência entre o valor declarado e o recolhido, o qual se encontraria extinto nos termos do artigo 170 do CTN, possibitando a recuperação do citado crédito, que, diferentemente do que decidido no mencionado despacho, não teria sido integralmente consumido com a quitação do valor verdadeiramente devido. Sustentou, assim, que seria dever da Administração Pública, seguindo os artigos 37 da Constituição Federal e 20 da Lei n. 9.784/99, a busca da verdade material, no lugar de prontamente não homologar a compensação, intimandoa a apresentar os documentos comprobatórios da existência do crédito. Julgada pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo I (Efls. 98 ss.), a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pelo acórdão n. 16 35.863, com os fundamentos resumidos na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2008 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, cabendo ao contribuinte a comprovação da necessidade de alteração do valor originalmente declarado. Se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado, deve ser mantido o valor do débito declarado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que fundamentem a defesa. Alegações desacompanhadas Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 4 3 de documentos comprobatórios não são suficientes para alterar o despacho decisório contestado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Substancialmente, na referida decisão compreendeuse suficiente o fato de a DCTF constituir confissão de dívida para a exigência do crédito, sendo que a retificadora transmitida em 16/11/2009, após a ciência do despacho decisório ocorrida em 19/10/2009, não produziria efeitos, de modo que a alegação da contribuinte de erro no seu preenchimento somente poderia ser acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de atestálo (“no caso, documentos contábeis e escrituração da empresa, comprovando, de fato, a necessidade de redução da base de cálculo da referida contribuição”), não bastando a apresentação de cópia parcial da DIPJ 2009 e do DARF de pagamento realizada nos autos. A contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 107 ss.) com as razões resumidas pelo relatório da decisão recorrida, o qual ora se aproveita: “Relata que em agosto/2008 apurou antecipação mensal de IRPJ com base em balanço de suspensão e redução, verificandose lucro real de R$ 347.899.443,76 e imposto devido de R$ 86.958.910,94, impropriamente reduzido, apenas, por IRPJ pago de janeiro a julho/2008 em valor inferior ao efetivamente recolhido (R$ 84.936.993,51 e não R$ 78.790.528,89), além de não ter sido descontado o incentivo fiscal referente ao Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT (R$ 951.883,92). Dai o recolhimento a maior de R$ 7.098.348,53 naquele período de apuração. Reconhece que a retificação da DCTF somente foi promovida depois da emissão do despacho decisório, mas anota que tal declaração atualmente registra o correto valor devido, e observa que a Turma Julgadora desconsiderou esta informação, bem como o regular registro do débito em DIPJ. Questiona, assim, desde quando os recolhimentos de IRPJ a maior, efetivados ao próprio fisco federal, precisam ser comprovados por "documentos hábeis"? Em seu entendimento, a prova desses recolhimentos não se faz pela contabilidade, mas pelos registros que estão disponíveis no sistema informatizado da própria Receita Federal do Brasil, podendo ser consultados a qualquer momento. Destaca que não houve alteração do lucro tributável ou no saldo do IRPJ sobre ele calculado, mas tão somente alteração das deduções. Deste modo, de nada adiantaria a documentação contábil para demonstrarse as receitas e despesas do período. Enfatiza que a guia de recolhimento e a demonstração do tributo devido estampada na DIPJ são suficientes para evidenciação do pagamento a maior. Transcreve sua apuração em agosto/2008, indica o débito de IRPJ contabilizado naquele período, frisa que não houve alteração da base de cálculo, observa que não houve troca de sistemática de recolhimento das estimativas nos meses anteriores de 2008, e relaciona os pagamentos promovidos até julho/2008 e a correspondente forma de quitação. Junta registros do Livro Razão acerca da contabilização destas antecipações e especifica quais antecipações foram esquecidas na apuração de agosto/2008. Ainda, ressalta seu direito à dedução do PAT e junta registros do Livro Razão para demonstrar a apuração desta dedução. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 5 4 Invoca o principio da verdade material, transcreve doutrina e ementas de julgados administrativos, e observa que não houve juntada de novas provas, mas sim o reforço de provas originalmente apresentadas. Pede, assim, a reforma da decisão recorrida e a definitiva homologação da compensação.” Ao recurso foi dado provimento pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que assim registrou na ementa do acórdão n. 1101000.876 (Efls. 374 ss.): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. ERRO NA APURAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DE DÉBITO DE IRPJ APURADO NO AJUSTE ANUAL DO MESMO PERÍODO. COMPENSAÇÃO DO DÉBITO EM ATRASO COM ACRÉSCIMOS MORATORIOS. Se o não reconhecimento do indébito na apuração de estimativa resulta na redução do tributo devido no ajuste anual que o sujeito passivo pretendeu liquidar em atraso mediante compensação, apresentandose o acréscimo moratório do débito superior à atualização do crédito, resta inócuo o ato de nãohomologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (E fls. 382 ss.), alegando divergência em relação aos acórdãos n. 3803003.851 e n. 9202 001.948, uma vez que o acórdão recorrido teria entendido não haver irregularidade na apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP, ao passo que os referidos paradigmas, ao afastar a tal irregularidade, fosse analisado o mérito, sob pena de supressão de instância e prejuízo ao direito à ampla defesa e contraditório da União. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 438 ss.) apenas com relação ao primeiro paradigma apresentado (acórdão n. 3803003.851), afastandose o segundo deles em função de seu distanciamento fáctico. Por fim, o contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 223 ss.) (i) sustentando, primeiramente, (i) a impossibilidade de conhecimento do recurso fazendário, diante da ausência de similitude fáctica, uma vez que no primeiro paradigma os documentos comprobatórios do crédito teriam sido apresentados juntamente com a manifestação de inconformidade, deixando de ser analisados sob a justificativa de que a retificação da DCTF teria ocorrido depois do prazo devido, enquanto no presente caso parte dos documentos acompanharam o recurso voluntário, porque a decisão de primeira instância teria sido no sentido de que a contribuinte deveria apresentar documentos para Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 6 5 demonstrar o erro no preenchimento da DCTF original, (ii) complementando que poderia a segunda instância analisar tais documentos diretamente, sem violação do duplo grau, e (iii) reiterando a existência do crédito. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase que a divergência alegada diz respeito ao fato de que o acórdão atacado teria entendido não ter ocorrido irregularidade na apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP, ao passo que os referidos paradigmas, ao afastar a irregularidade, teriam determinado que os autos retornassem à instância de origem para que fosse analisado o mérito, sob pena de supressão de instância e prejuízo ao direito à ampla defesa e contraditório da União. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 7 6 Analisandose o acórdão n. 3803003.851, único paradigma aceito pelo despacho de admissibilidade, identificase que a sua razão de decidir pelo retorno dos autos à instância a quo baseouse exclusivamente no fato de a autoridade julgadora não ter apreciado nenhum dos documentos que a contribuinte teria juntado com a sua manifestação de inconformidade, direito lhe conferido pela legislação, que obrigaria então ao relator minimamente ter mencionado a documentação em seu voto. Como isso não teria ocorrido, mesmo que por um entendimento de que a DCTF retificadora não teria efeito, a decisão deveria ser anulada, com a devolução do processo para que a DRJ se manifestasse sobre os documentos apresentados. Registrase, a partir da leitura de todo o voto do acórdão n. 3803003.851, não se tratar de uma hipótese em que a segunda instância afasta a inexistência de efeitos da DCTF retificadora e determina a apreciação da higidez do crédito pela instância a quo, mas anulou sua decisão pela falta de qualquer apreciação ou menção dos documentos apresentados, como lhe ordenam as normas sobre elaboração de decisões administrativas. Por seu turno, no caso concreto, o acórdão recorrido partiu da decisão da DRJ que compreendeu que a DCTF retificadora não produziria efeitos, de modo que competiria à contribuinte a apresentação de documentos contábeis que comprovassem o erro no preenchimento de sua declaração original, o que não teria sido feito, mantendose assim a não homologação da compensação. Nesse contexto já diferenciado, entendeuse no acórdão recorrido que "poderia a contribuinte simplesmente ter classificado a parcela do recolhimento de agosto/2008, no valor de R$ 7.098.348,53, também como estimativa de IRPJ no ano calendário 2008, e deduzido este valor no ajuste anual de 2008, e nenhum débito restaria a pagar. Ao contrário, em principio haveria excedente de R$ 227.531,71", concluindo "daí ser dispensável a compensação aqui em debate, como evidenciado no seguinte quadro comparativo, que reconstituindo as operações da contribuinte sem os efeitos desta compensação, resulta na necessidade de pagamentos de IRPJ, no ajuste anual, inferior aos promovidos pela contribuinte:(...)". E prosseguiu no sentido de que, uma vez escolhida a via da compensação, como lhe permitia a Súmula CARF n. 84, o crédito deveria ser analisado e a autoridade administrativa poderia negarse a fazêlo diante da apresentação extemporânea da DCTF, demandando, na linha do que decidiu a DRJ, a apresentação de documentos pela contribuinte. Leiase, a respeito, o seguinte trecho: " De toda sorte, a contribuinte optou por constituir seu indébito no momento da apuração da estimativa, e a jurisprudência administrativa já está consolidada em favor desta possibilidade, consoante recente Súmula aprovada pela Câmara Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 8 7 Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 10 de dezembro de 2012: Súmula CARF n° 84. Pagamento indevido ou a maior a titulo de estimative caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração daquele débito de agosto/2008 e, por conseqü.ncia, o recolhimento a maior argüido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cumpre observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito, e a DIPJ somente foi apresentada em 16/10/2009 (fl. 32), depois da emissão do despacho decisório, em 01/10/2009. Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir dai, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Indispensável, assim, a demonstração de fatos anteriores a ciência do despacho de nãohomologação que motivaram a declaração de compensação. Não se olvide, ainda, que o reconhecimento do indébito decorrente de estimativa está condicionado, necessariamente, a não utilização do mesmo valor como antecipação na apuração do ajuste anual correspondente, in casu em 31/12/2008. Logo, a mera juntada da ficha de apuração das estimativas de julho a setembro/2008, transcritas na DIPJ/2009, como feito pela interessada na manifestação de inconformidade (fls. 32/33), é insuficiente para afirmar a existência e disponibilidade do indébito para sua utilização em 24/04/2009, data da transmissão da DCOMP. Diante deste contexto, sera na escrituração contábil e fiscal da contribuinte que tais fatos estarão refletidos. Ainda que o indébito não decorra de equívocos na apuração da base de cálculo, as deduções do imposto devido também resultam de fatos escriturados e podem ser, por aquele meio, demonstrados. Por fim, sera na escrituração contábil e fiscal que se confirmarão as demais apurações mensais e o ajuste anual, de modo a dar suporte as informações da DIPJ entregue posteriormente à DCOMP. Nos documentos juntados pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, vêse que não foi juntada demonstração da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ em agosto/2008. A contribuinte apenas se reporta ao Anexo 11 de seu recurso voluntário como prova de que até então havia sido contabilizado IRPJ devido de R$ 86.958.860,95, o que, de fato, está apontado no saldo final da conta n° 4.94.10.06.00.00.007 IMP DE RENDA S/ L.REAL EX CORRE, integrante do Balancete de verificação analítico/sintético referente a agosto de 2008, a fl. 316. Por sua vez, para justificar o indébito, a contribuinte enfatiza que não houve alteração na apuração do IRPJ devido até agosto/2008, mas apenas no valor das deduções que foram computadas a menor no momento da determinação do recolhimento promovido em 30/09/2008. E, frente a este contexto, a recorrente junta os documentos de fls. 240/302 para demonstrar as estimativas pagas até agosto/2008, bem como as deduções de PAT a que teria direito naquele período. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 9 8 Relativamente às estimativas pagas até agosto/2008, a contribuinte apresenta recolhimentos efetuados até agosto/2008 que totalizam R$ 77.645.439,48, bem como duas compensações formalizadas em 30/06/2008 que totalizam R$ 1.024.199,62. Comprova, ainda, ter sofrido retenção de imposto na fonte, em abril/2008, no valor de R$ 120.889,79. Para além disso, junta outros recolhimentos de estimativas devidas até agosto/2008, mas que somente foram promovidos em 28/11/2008, com acréscimo de multa de mora e juros. Tais recolhimentos totalizam R$ 6.146.464,62 e, somados à dedução de PAT no valor de R$ 951.883,92, resultam no indébito aqui em debate de R$ 7.098.348,53. Os mencionados recolhimentos promovidos em 28/11/2008, segundo a contribuinte, teriam sido esquecidos no momento da apuração da estimativa a ser recolhida em 30/09/2008 (relativa ao mês de agosto/2008). Em verdade, porém, estes recolhimentos ainda não existiam ao ser levantado o balancete de suspensão em 31/08/2008, mas posteriormente foram promovidos e, por consequência, alteraram o resultado a pagar naquele momento passado. Admissivel, portanto, a reconstituição da apuração de agosto/2008 para contemplalos, até porque o atraso no recolhimento foi compensado com o acréscimo de multa de mora e juros. Por fim, para justificar a dedução de PAT, a contribuinte apresenta razão contábil da conta if 8.1.7.27.20.00.00.002 Despesa com Vale Refeição (PAT), que acumulava em 31/08/2008 o saldo de R$ 1.670.317,72 (fls. 299/300), valor também estampado no Balancete de verificaodo analítico/sintético referente à agosto de 2008 A. fl. 321. Assevera a recorrente que as despesas demonstradas nestes documentos corresponderiam a R$ 6.345.892,82, mas não esclarece qual a origem desta apuração. Há lançamentos a débito e a crédito para determinação do saldo de R$ 1.670.317,72 ao final de agosto/2008, mas nenhum esclarecimento foi feito acerca da natureza destes valores e de quais deveriam ser selecionados para resultar no montante de despesas alegado. Considerando que o art. 2°, §4°, inciso I da Lei n° 9.430/96 autoriza esta dedução na apuração das estimativas de IRPJ, mas o art. 581, parágrafo único do RIR/99, limita esta dedução a 15% das despesas período, o montante pretendido pela recorrente seria admissivel até o limite de R$ 250.547,70, e seu direito credit6rio, em conseqüência, reduzido em R$ 701.336,26. Contudo, como dito no inicio, somente a estimativa considerada devida em agosto/2008, no valor de R$ 1.069.983,51, foi computada na apuração do ajuste anual de 2008. Na medida em que se afirma que o débito de estimativa daquele período deveria ser acrescido de R$ 701.336,26, necessariamente o ajuste anual restaria reduzido deste montante, pois a estimativa a ser computada no ajuste anual passaria a ser de R$ 1.771.319,77. Em conseqüencia, também o débito que a contribuinte pretendeu extinguir por meio de compensação aqui em debate seria reduzido. Significa dizer que, mesmo reconhecendose parcialmente o indébito (R$ 6.397.012,27, do total de R$ 7.098.348,53), e homologandose apenas parcialmente o débito declarado na DCOMP (R$ 6.191.961,32 do principal de R$ 6.870.816,82, considerando acréscimos de multa e juros e mora nos percentuais informados pela contribuinte), na medida em que o reconhecimento parcial do indébito resulta na redução do IRPJ devido no ajuste anual, ainda assim os pagamentos feitos pela contribuinte seriam suficientes para liquidálo, como a seguir demonstrado por meio da inclusão de uma coluna intermediária no quadro apresentado no inicio deste voto: (...) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 10 9 Por estas razões, apesar de não confirmado integralmente o direito creditório alegado pela recorrente, inexiste débito a ser cobrado. A conexão entre a apuração do indébito e do débito veiculados na DCOMP em litígio impede qualquer resultado desfavorável contribuinte. Por oportuno registrese que não cabem, aqui, manifestações acerca da regularidade da retificação de DIPJ promovida em 29/04/2011, e da conseqüente redução do IRPJ anual devido. Os quadros apresentados evidenciam que em ambas as apurações não se justificaria a nãohomologação parcial da compensação veiculada nestes autos, de modo que as retificações promovidas só poderiam interessar em outro procedimento fiscal tendente a confirmar o IRPJ devido no ajuste anual de 2008, ou questionar a eventual utilização de indébito decorrente daquela retificação. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar o ato de nãohomologação questionado. EDELI PEREIRA BESSA — Relatora” Assim, após a análise do crédito, a ilustre relatora conclui que "mesmo reconhecendose parcialmente o indébito (...), e homologandose apenas parcialmente o débito declarado na DCOMP (...), na medida em que o reconhecimento parcial do indébito resulta na redução do IRPJ devido no ajuste anual, ainda assim os pagamentos feitos pela contribuinte seriam suficientes para liquidálo (...)" Por esses motivos, "apesar de não confirmado integralmente o direito creditório alegado pela recorrente, inexiste débito a ser cobrado. A conexão entre a apuração do indébito e do débito veiculados na DCOMP em litígio impede qualquer resultado desfavorável contribuinte." Vêse, pois, da análise dos acórdãos recorrido e paradigma, em primeiro lugar, que não cuidaram propriamente do que defende a recorrente no sentido de terem se pronunciado sobre a devolução dos autos a partir da desconsideração dos efeitos de uma DCTF retificadora extemporânea. Repitase: no acórdão n. 3803003.851 o colegiado determinou o retorno dos autos à DRJ por ter anulado a sua decisão em função da não apreciação de provas juntadas validamente em sede de manifestação de inconformidade, por isso que a análise do crédito poderia eventualmente vir a ser feita pela DRJ, mas não necessariamente, porque na linha do que decidido pelo paradigma, esta poderia se manifestar sobre os documentos apresentados e manter seu entendimento de que não adentraria na questão, por considerar sem efeito a DCTF retificadora. Por sua vez, a decisão recorrida detevese sobre tema completamente distinto do objeto do recurso, como lido acima, analisandose especificamente o débito, de modo que se teria que fazer uma inferência para se construir que ela teria superado a questão da retificação da DCTF tardiamente, para se adentrar na análise do crédito, sem devolver os autos à isntância a quo, sendo que não foi esse notadamente o seu critério de decidir, não abordando esse tema, impossibilitando o conhecimento de sua posição. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.913530/200913 Acórdão n.º 9101003.455 CSRFT1 Fl. 11 10 Em segundo lugar, vêse igualmente, então, o distanciamento não só fático entre às situações subjacentes aos dois julgados, como também entre os acórdãos comparados, não permitindo assim o estabelecimento de uma divergência entre eles. A confirmar essa assertiva, temse que na circunstância do paradigma os documentos foram juntados com a manifestação de inconformidade e o colegiado a quo, porque estabelece um paralelo seu com a impugnação administrativa, entendeu ser direito da contribuinte, tornando obrigatória a sua apreciação pela DRJ, o que não foi realizado. Já no acórdão recorrido, a turma a quo se debruçou sobre os documentos, pois apresentados juntamente com o recurso, uma vez que ditos não feitos pela decisão da DRJ. Assim sendo, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000268/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO.
Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto-Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas).Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
Numero da decisão: 9303-006.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo DecretoLei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de nãocontribuintes (cooperativas e pessoas físicas).Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 68 /2 00 2- 01 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 862 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão nº 20313.310, 07 de outubro de 2008 (fls. 621 a 635 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, decisão que: I) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso referente ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoa física para fins de crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins; II por maioria de votas; deu provimento ao recurso quanto às vendas realizadas pelo contribuinte para "comercial exportadora, uma vez que o recorrente comprovou a quantidade exportada"; e III) por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, quanto às demais matérias. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte do ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, e a Portaria MF n° 38/97, no valor total de R$ 2.060.120,04, relativamente ao 2° trimestres do ano de 2000. Apresentou também Declarações de Compensação, neste processo e em processos distintos que encontramse apensados ao presente. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 863 3 O pedido foi indeferido em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, nos termos do Despacho Decisório, em resumo, relatado a seguir: utilização, como valor das receitas de exportação, dos valores consignados nas notas fiscais, e não pelo valor do despacho de exportação, como havia sido realizado pela empresa; exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso 1, art. 2° do DecretoLei n° 1.248/72 (tradingcompany); exclusão na receita de exportação, do valor de revenda de mercadorias • adquiridas no mercado interno, que não foram produzidas pelo estabelecimento; exclusão do valor das exportações realizadas no ano de 1999, que não podem ser incluídas no cálculo do incentivo no ano de 2000. Com as retificações na Receita de Exportação, não há direito ao crédito presumido no período; exclusão do custo, de materiais adquiridos que não se enquadram no conceito de insumo, tais como retifica de motores, despesas de serviços de concretagem, ferramentas, etc.; exclusão das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas; exclusão dos valores consignados como "cana própria"; exclusão do total de custo dos insumos, do valor da energia elétrica. Em razão do indeferimento do pleito, não foram homologadas as compensações declaradas. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 864 4 defende a inclusão, na receita de exportação, dos valores relativos às variações cambiais, por fazerem parte do valor total da operação, e não somente do valor das notas fiscais; devem ser consideradas, na receita de exportação, as exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma tradingcompany, pois se encontra atendido o fim específico de exportação; as receitas decorrentes da exportação de mercadorias adquiridas no mercado interno devem ser incluídas no valor da receita de exportação, em razão do disposto no art. 2° da Lei n° 9.363/96; sustenta a inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando que a instrução normativa não pode limitar o que o texto legal não limita. Submeteu a matéria em questão ao Poder Judiciário que julgou procedente a sua pretensão; equivocase a fiscalização ao negar o crédito sobre a canadeaçúcar própria, pois como sabido, para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente às exportações de produtos não tributados; encontrandose a canadeaçúcar na categoria de produto não tributado, é ilegítima a recusa da fiscalização em negar o ressarcimento pretendido; os combustíveis e energia elétrica enquadramse no conceito de insumos, e por isso devem ser incluídos no cálculo do benefício. Por fim, requer a reforma da decisão, com a concessão do ressarcimento nos termos do pedido. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado decidiu: I) pelo voto de qualidade, negar provimento ao Fl. 865DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 865 5 recurso referente ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoa física para fins de crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins; II por maioria de votas; dar provimento ao recurso quanto às vendas realizadas pelo contribuinte para "comercial exportadora, uma vez que o recorrente comprovou a quantidade exportada"; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto às demais matérias, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PRODUTORES RURAIS. PESSOAS FÍSICAS. O valor da matériaprima, do produto intermediário e do material de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes do PIS e da Cofins não integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. VARIAÇÃO CAMBIAL. Integra o valor das exportações a ser utilizado no cálculo do incentivo a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de câmbio, quando a variação cambial engloba o preço do produto exportado, sendo, inclusive, emitida nota fiscal complementar. Recurso provido em parte. VENDA A TRANDING COMPANY. EXPORTAÇÃO COMPROVADA. Não obstante o adquirente dos produtos não comprovar sua qualificação como "trading company", a efetiva comprovação da exportação dos produtos vendidos a tal empresa é suficiente para deferir o crédito presumido do IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 866DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 866 6 A legislação de regência não exclui da base de cálculo do crédito presumido, aquisições de insumos produzidos por pessoas físicas e cooperativas. A Instrução Normativa como norma complementar da lei, não é dotada de suporte legal para modificar o texto legal. SÚMULA N° 12 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 639 a 641, sendo que estes não foram acolhidos, nos termos do despacho de fls.645 e 646. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 690 a 701) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, diz respeito a parte que admite, como mercado externo, as vendas a empresas comerciais exportadoras que não satisfaçam os requisitos do Decretolei nº 1.248/72, desde que comprovada a operação de exportação, para fins de apuração do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Também argumenta a Fazenda Nacional contrariedade à Lei. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 20211.297, conforme documento juntado às fls. 702. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 725 e 726, sob o argumento que no tocante ao recurso de contrariedade à lei, embora não previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 867 7 Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Nesta toada, o aresto recorrido foi decidido por maioria de votos, de modo a atrair o recurso de contrariedade à lei, anteriormente previsto. Ainda, no tocante à existência de divergência, também procedeu o dissídio interpretativo apontado. Destarte o paradigma de divergência, como se constatou de sua própria ementa, concluiu que a empresa que não preenche os requisitos do DL 1.248/72 não se enquadra na acepção de “empresa comercial exportadora”, para fins de fruição do incentivo estatuído na Lei nº 9.363/96. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 732 a 739, manifestando que seja negado provimento ao Recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão no sentido de conceder o direito ao crédito presumido de IPI de todas as vendas realizadas às empresas comerciais exportadoras. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 741 a 755) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito ao computo das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo dos valores ressarcíveis a título de Crédito Presumido de IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 9303001.946 e CSRF/0203.651. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 782 a 803. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 805 e 806, sob o argumento que pelo simples confronto das ementas fica comprovada a divergência jurisprudencial. Ao contrário da decisão recorrida, os acórdãos paradigmas decidiram que aquisições de pessoas físicas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 803 a 813, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 868 8 É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Os recursos especiais interpostos pela FAZENDA NACIONAL e por USINA DA BARRA S/A AÇUCAR E ÁLCOOL (NOVA DENOMINAÇÃO DE AÇUCAREIRA CORONA S/A) atendem aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua interposição, e reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com alterações posteriores, devendo, assim ser conhecidos. No mérito, o Recurso Especial da Fazenda Nacional diz respeito sobre a condição para utilização do crédito presumido do IPI, conforme previsto na Lei nº 9.363. No acordão recorrido restou decidido que o gozo do referido crédito presumido de IPI não está condicionado necessariamente ao atendimento dos requisitos dispostos no art. 2º do Decreto Lei nº 1.248/72. Portanto, entendeuse equivocada a glosa efetuada pela fiscalização das receitas de exportação efetuadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não constituídas ao amparo do Decreto Lei nº 1.248/72. De outro lado, o Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições de pessoas físicas. Passase, então, ao exame do mérito da demanda. DO RECURSO DA FAZENDA Quanto ao tema referente ao direito ao credito presumido na venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação, é importante lembrar que recentemente está Câmara Superior em Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 869 9 sessão do dia 16 de agosto de 2017, analisou um caso semelhante no processo Relatado pelo Ilustre Conselheiro Relator Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.556, processo administrativo nº 10840.902783/200895, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: "Como relatado, a matéria objeto de análise por este Colegiado restringese somente à discussão sobre a condição para utilização do crédito presumido do IPI, conforme previsto na Lei nº 9.363. No acórdão recorrido restou decidido que o gozo do referido crédito presumido de IPI não está condicionado necessariamente ao atendimento dos requisitos dispostos no art. 2º do Decretolei nº 1.248/72. Portanto, entendeuse equivocada a glosa efetuada pela fiscalização das receitas de exportação efetuadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72. Por sua vez, a PFN afirma que para o contribuinte valerse do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363, deve atender à condição instituída pelo DecretoDF lei nº 1.248/72, art. 2º e do artigo 1° da Portaria MEFP n° 438/92. Correto então estaria o entendimento da autoridade administrativa singular, ao glosar as receitas de exportação. Aduz ainda que as notas fiscais juntadas aos autos fazem prova contra a interessada, ao mostrar que a empresa Lumbertreade Comercial Exportadora Ltda. é uma sociedade constituída por cotas de responsabilidade limitada, condição esta, segundo alega, não permitida pela legislação. Pois bem. Como apontado no voto do acordão recorrido, a glosa foi efetuada pela autoridade fiscal pelo fato de a venda com fim específico de exportação ter sido realizada para uma empresa que não atendia aos requisitos previstos no art. 2º do Decreto Lei n 1.248/72, que assim dispõe: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 870 10 Art. 2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Contudo, o dispositivo legal que estabeleceu o crédito presumido do IPI, para fins de ressarcimento do PIS e Cofins pagos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados – art. 1º da Lei n° 9.363/96 –, não estipulou qualquer restrição nesse sentido, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (destaquei) Vêse pela leitura do dispositivo acima transcrito que a Lei autorizou a obtenção do crédito presumido do IPI “inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior” e nada mais disse. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 871 11 Não há qualquer comando no texto legal restringindo a utilização do incentivo apenas às empresas comercial exportadoras constituídas ao amparo do Decreto Lei nº 1.248/72 – as “trading companies”. Destarte, se a lei não restringiu, não cabe ao intérprete ou aplicador da norma fazêlo. Por esse motivo entendo que, para efeito de aplicação do incentivo fiscal em debate, equiparase a receita de exportação as vendas, com fim específico de exportação, realizadas a toda e qualquer empresa comercial exportadora, desde regulamente habilitadas no Siscomex, compreendendo tanto as trading companies quanto as empresas comerciais exportadoras comuns. Ademais, nem mesmo na IN SRF nº 23/97, vigente à época dos fatos, ao regulamentar a utilização do incentivo fez qualquer restrição ou menção ao DecretoLei nº 1.248/72, conforme se depreende de seu texto: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; Fl. 872DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 872 12 II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Assim, correto o entendimento adotado no acórdão recorrido ao afastar a restrição imposta pela autoridade fiscal que excluiu as receita de exportação indireta do cálculo do crédito presumido em razão da empresa comercial exportadora não atender aos requisitos do Decreto Lei nº 1.248/72, por falta de amparo legal. Para reforçar o argumento, transcrevo trecho do voto proferido pelo ex Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401002.984, de 19/03/2015, processo administrativo nº 13866.000310/200266, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto: Fl. 873DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 873 13 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Pública. DO RECURSO DO CONTRIBUINTE Tratase de matéria que não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior, pois o tema, foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), nos autos do REsp n° 993.164MG, de relataria do Ministro Luiz Fux, , decidindo a questão, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Fl. 874DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 874 14 contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 875 15 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). Fl. 876DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 876 16 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e Fl. 877DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 877 17 suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, cumpre ressaltar que quanto ao cômputo das aquisições não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, existe Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN dispensando apresentação de contestação para esses casos nos seguintes termos: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 878 18 A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. E no âmbito do STJ , existe inclusive Súmula do STJ a respeito deste tema, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Por essas razões, voto no sentido dar o provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para reconhecer o direito do crédito em relação aos valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 879DF CARF MF Processo nº 13856.000268/200201 Acórdão n.º 9303006.352 CSRFT3 Fl. 879 19 Fl. 880DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900324/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 24 /2 01 2- 75 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900324/201275 Acórdão n.º 3301004.206 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.741. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900324/201275 Acórdão n.º 3301004.206 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900324/201275 Acórdão n.º 3301004.206 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.905870/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 70 /2 01 2- 71 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.906. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905870/201271 Acórdão n.º 3302005.028 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008270/2009-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 377 1 376 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.008270/200996 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.525 – 2ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 70 /2 00 9- 96 Fl. 377DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301004.105, prolatado em 12/08/2014, pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária , interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Na origem, a autuação por descumprimento de obrigação acessória, deu origem ao DEBCAD 37.235.9922. Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 240100.127 (proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF) e nº 9202003.401 (da 2ª Turma da CSRF), considerados aptos para embasar a divergência. O Contribuinte apresenta Contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. Apresentou, ainda, Recurso Especial que restou não conhecido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10830.008270/200996 Acórdão n.º 9202006.525 CSRFT2 Fl. 378 3 Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV Fl. 379DF CARF MF 4 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10830.008270/200996 Acórdão n.º 9202006.525 CSRFT2 Fl. 379 5 previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 381DF CARF MF 6 dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10830.008270/200996 Acórdão n.º 9202006.525 CSRFT2 Fl. 380 7 somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira Fl. 383DF CARF MF 8 “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10830.008270/200996 Acórdão n.º 9202006.525 CSRFT2 Fl. 381 9 (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de Fl. 385DF CARF MF 10 auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10830.008270/200996 Acórdão n.º 9202006.525 CSRFT2 Fl. 382 11 acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.720043/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
TRANSAÇÕES. LEGALIDADE. LEGITIMIDADE
O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar aparente legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio.
AUTO-ORGANIZAÇÃO. MOTIVAÇÃO NEGOCIAL.
O princípio da liberdade de auto-organização, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de direito assegurado aos contribuintes.
DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA
Além da previsão do artigo 299, do RIR/1999, de que as despesas sejam usuais, normais e necessárias às atividades da pessoa jurídica, é imprescindível que sejam lastreadas em documentação hábil e idônea, conforme disposto no artigo 923, do mesmo diploma regulamentar. Não logrando comprovar o contribuinte os registros de despesas efetuados em sua escrituração com referida documentação, irrepreensível a glosa perpetrada pelo Fisco
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN.
Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme preceituado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.877
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência e à multa qualificada; e ii) por voto de qualidade em relação à responsabilidade solidária dos coobrigados e à multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar essa penalidade e excluir os coobrigados do polo passivo da relação jurídico -tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 TRANSAÇÕES. LEGALIDADE. LEGITIMIDADE O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar aparente legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUTOORGANIZAÇÃO. MOTIVAÇÃO NEGOCIAL. O princípio da liberdade de autoorganização, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de direito assegurado aos contribuintes. DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA Além da previsão do artigo 299, do RIR/1999, de que as despesas sejam usuais, normais e necessárias às atividades da pessoa jurídica, é imprescindível que sejam lastreadas em documentação hábil e idônea, conforme disposto no artigo 923, do mesmo diploma regulamentar. Não logrando comprovar o contribuinte os registros de despesas efetuados em sua escrituração com referida documentação, irrepreensível a glosa perpetrada pelo Fisco ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 43 /2 01 2- 12 Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.825 2 ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme preceituado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência e à multa qualificada; e ii) por voto de qualidade em relação à responsabilidade solidária dos coobrigados e à multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar essa penalidade e excluir os coobrigados do polo passivo da relação jurídico tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.826 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/SDR em sessão de 17 de maio de 2012 (fls. 4535/4597)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos de IRPJ e de CSLL perpetrados pelo Fisco, anocalendário 2007, relativamente às seguintes infrações estampadas nos autos de infração (fls. 3/29), assim resumidas: Infração 01 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUEL. Infração 02 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – SERVIÇOS PRESTADOS PJ. Infração 03 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – FRETES. Infração 04 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – DESCONTOS COMERCIAIS CONCEDIDOS. Infração 05 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – COMISSÕES. Infração 06 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – BONIFICAÇÕES. Infração 07 – ALUGUÉIS OU “ROYALTES” GLOSA DE DESPESAS “ROYALTES. Infração 08 – PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS GLOSA DE DESPESAS PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Infração 09 – MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Infração 10 MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Foi aplicada multa de 150% sobre as infrações 01, 02 e 07, Nas demais, a penalização foi de 75%. Também foi imputada sujeição passiva solidária às pessoas físicas de Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804 e Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, com base no inciso I do art. 124 da Lei nº 5.172/66, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Pelo amplo detalhamento dos fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, com eventuais acréscimos, se necessário: DA ACUSAÇÃO FISCAL (TVF fls. 34/63) 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.827 4 “O Termo de Verificação que integra o presente lançamento (fls. 34 a 62), traz como preâmbulo um minucioso estudo sobre a evolução histórico/societário do Grupo CBA – Central Brasil, do qual faz parte a Autuada segundo constatação do fisco. Como justificativa preliminar do lançamento, afirma a Autoridade Fiscal que, Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, primos entre si, e Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804, proprietários do chamado grupo CBA, classificado pela imprensa nacional e por si mesmo como maior empresa de alimentos e cestas básicas do país (www.cba.com.br), utilizam sistematicamente interpostas pessoas na constituição de empresas deles para desviarse de suas responsabilidades tributárias. Entre elas, Savon, a fiscalizada, onde interpôs Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, irmão de Simon, e apropriou despesas sem fundamentos para dedução do imposto de renda das pessoas jurídicas, usando principalmente Colorado Participações e Consult Consultoria, a eles pertencentes. Em reforço à sua tese, a Autoridade Fiscal relaciona as seguintes constatações societárias: 1. Simon, Edison, Emílio transferiram suas quotas sociais em Cesta Brasileira de Alimentos Ind Com Imp e Exp Ltda para seus interpostos Janesville Participações e Locações Mobiliarias S/C Ltda. e para Milton Alves; alterou a denominação social para CBA/Central Brasil; passou o controle formal Central Brasil para as Ilhas Virgens; carregou nela o faturamento do grupo CBA. 2. A Receita Federal constata a interposição e Central Brasil foi declarada inapta (processo 10735.001246/200319). 3. O grupo passa a carrear o faturamento para CBA/Cestas Nordeste, também constituída por interpostas pessoas. Inicialmente as mesmas de Central Brasil: Milton e Janesville; em seguida Antonio Bruno e Márcio Guida. 4. A Receita Federal constata a interposição e simultaneamente a utilização de Colorado Participações. É proposta a inaptidão de Cestas Nordeste (processo 13839.001254/200476). 5. O grupo passa a operar com Serra Leste, constituída inicialmente pelos mesmos interpostos sócios de Central Brasil e Cestas Nordeste, Milton Alves e Janesville, em seguida as quotas são transferidas para Martin Afonso e Brantley Participações. Mas controle formal continua nas Ilhas Virgens, desta feita com a estrangeira Brantley Trading, controladora de Brantley Participações. Brantley Participações é alterada para Masb Participações Ltda. Brantley estrangeira retirase de MASB, restando Martin Bueno como único sócio. 6. A Receita Federal constata a interposição e Serra Leste é declarada inapta (processo 10314.005333/200568). 7. O grupo passa a operar com Savon. Despesas com Aluguel Intimada na inicial à comprovação das despesas de aluguel, a empresa nada apresentou sobre os aluguéis contabilizado com histórico "Colorado Participações S/C Ltda". Trouxe unicamente contrato de locação firmado com LP Administradora de Bens Ltda, CNPJ 06.193.516/000186. Sabendose Martin Bueno irmão de Simon Bueno, e constatada a participação de Simon em Colorado, a fiscalizada foi intimada a informar grau de parentesco entre Simon Bolivar da Silveira Bueno, Edison Donizete Benette, Emilio Maioli Bueno, Lucia Marina Siqueira Bueno. Em resposta, informou que o senhor Simon casado com a senhora Lúcia, é primo do senhor Emílio e não tem parentesco com o senhor Edison. Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.828 5 Já demonstrada a inidoneidade das informações contábeis registradas por Savon em favor de Colorado Participações, fruto de manipulações societárias, mas convém, ainda, expor o quadro abaixo, demonstrativo da incoerência dos valores de aluguel registrados para Colorado. Neles, vêse, após verificação exaustiva de todos os lançamentos da conta, os únicos com alguma relevância de valores. O aluguel mais alto envolvendo terceiros é o de LP Administradora, no valor de R$ 184 mil, saltando para o alegado 1,18 milhão de Colorado. Savon tinha dez estabelecimentos ativos em 2007. Valor Mensal Beneficiário 2.301,00 ADCIP ADM CORRETORA IM PTA S/C LTDA 32.000,00 CONSTRUTORA INTERNACIONAL LTDA 6.335,00 CLUBE CONCORDIA 5.000,00 EROS SCHANE 1.793,00 FERNÃO CARLOS BOTELHO 184.997,34 LP ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. 11.597,00 REGIONAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS 5.000,00 RICARDO SCHANE 1.793,00 SONIA MARIA SAWAYA BOTELHO BRACHER 1.186.100,00 COLORADO PARTICIPAÇÕES. E no imóvel informado pela fiscalizada como objeto do contrato de aluguel, funcionaram em 2007, além do estabelecimento 0004 de Savon, os seguintes empreendimentos relacionados ao grupo: • Estabelecimentos 0018 e 0021 de Serra Leste • Estabelecimento matriz da própria Colorado Participações • Estabelecimento matriz de Econ Distribuição S/A • Estabelecimento 10.922.572/000181 (matriz) de Coroa Participações Ltda. • Estabelecimento 13.992.955/000114 (matriz) de ESCC Empresa de Serviços Combinados Coroa Ltda. • Estabelecimento 05.126.906/000170 (matriz) de Vendin Brasil Ltda. • Estabelecimento 02.404.349/000114 (matriz) de Cba Nutriz Comércio de Alimentos Ltda. • Estabelecimento 05.763.337/000174 (matriz) de D'Hoje Supermercados S/A. • Estabelecimento 02.404.349/000114 (matriz) de CBA Nutriz Comércio de Alimentos Ltda. Fica claro que os pagamentos realizados por Savon a Colorado refletem distribuição disfarçada de lucros a seus reais sócios Simon, Emílio, Edison, por via indireta. Contudo, há indicativos de verdade no informe de que a fiscalizada não possui imóvel próprio. E é inegável que no referido endereço funciona a sua filial 0004 de Savon. Donde se conclui que, não obstante a conduta de confundir dos reais sócios de Savon e de Colorado, ainda há alguma separação de entre as duas empresas, e, por conseguinte, também de suas personalidades jurídicas. Logo, razoável apropriação, em valores também razoáveis, de aluguel pelo uso do imóvel. Observase que Savon contabiliza ordinária e mensalmente o valor de R$ 32.137,00 a título de aluguel por parcela de um imóvel onde funcionam as diversas empresas do grupo acima relacionadas. Concomitantemente paga mensalmente a LP Administradora aluguel de R$ 184.000,00 por outro imóvel de 11.000m2 na mesma rodovia. Evidencia que R$ 32.137,00 é o real valor da despesa. Além da não habilitação e não idoneidade dos elementos apresentados, a glosa do excesso desta despesa encontra amparo no inciso I, §1°, art. 351 do RIR/99, que preceitua "Não são dedutíveis: os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.829 6 empresas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder ao preço ou valor de mercado". Ante o exposto, glosamse as despesas da conta Despesas de Aluguel/Condomínio/IPTU (Conta 421301) com histórico "Colorado Participações" no valor mensal excedente a 32.137,00. Tendo a fiscalizada apropriado mensalmente R$ 1.153.963,00, resulta glosa mensal de R$ 1.121.826,00. Bonificações Intimada a se manifestar sobre as condições de dedutibilidade das bonificações contabilizadas, afirmou a Impugnante que “as bonificações concedidas em mercadorias configuram despesas de vendas. Esta prática configura necessidade para venda da empresa, sendo usual para apresentação dos produtos ao mercado”. As notas fiscais trazidas ora denotam lançamentos alheios a qualquer fundamento, ora trazem ares de doação (bonificações a Ass Benef dos Amigos Tribunal de Justiça, a Associação de Educação Infantil Nos, a Assoc Educ Benef Sta Catarina de SE) ora se mostram absurdas (as notas fiscais n° 223346, 032947, 052408, 052405, 047528, 047527, tem como destinatário a própria Savon), ou simplesmente denotam a tão relatada manipulação de sociedade (bonificações a Econ Distribuição S/A , a Cestas Nordeste Com de Alim Imp Exp Ltda). Nenhuma veicula bonificação dedutível. Se reportando ao Parecer CST/SIPR n° 1.386/82 que trata sobre o conceito de bonificação e com apoio no art. 365 do RIR/1999, conclui o Autuante pela glosa de “ todas as despesas escrituradas a título de Bonificação (Conta 421936), nos seguintes valores: janeiro, R$ 139.684,02; fevereiro, R$ 105.197,31; março, R$ 100.968,77; abril, R$ 127.506,39; maio, R4 147.725,15; junho, R$ 143.049,17; julho, R$ 144.878,59; agosto, R$ 189.572,64, setembro, R$ 151.027,37; outubro, R$ 183.635,59; novembro, R$ 218.048,47, dezembro, R$ 330.998,65”. Comissões Sobre tal matéria, alega o Fisco que “a fiscalizada comprovou o pagamento integral dos serviços, à exceção do lançamento n° 34, no valor de R$ 28.152,00, para o qual apresentou nota fiscal emitida por ATM Prestação de Serviços Técnicos de Vendas Ltda em 30/10/2007 e comprovação de pagamento onde se vê que a despesa efetiva de R$ 9.708,85. Glosase a diferença de R$ 18.443,15. Descontos comerciais concedidos Exposto à fiscalizada que o lançamento n° 14, de fevereiro/2007, no valor de R$ 55.276, refere a fatos ocorrido em dezembro/2006 e que a empresa nada apresentara sobre os seguintes lançamentos: R$ 229.865,48 em 31/01/2007; R$ 27.396,67 em 31/01/2007; R$ 40.042,13 em 31/01/2007 (que não se anula com o igual valor e mesma data); R$ 194.151,70 em 31/01/2007; R$ 23.809,16 em 31/01/2007; R$ 32.444,96 em 28/02/2007, R$ 48.293,95 em 28/02/2007; R$ 32.703,57 em 01/04/2007, R$ 27.053,44 em 01/04/2007; R$ 33.226,54 em 01/04/2007; R$ 25.594,30 em 01/04/2007; Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.830 7 R$ 20.024,63 em 09/04/2007 e R$ 31.275,39 em 07/12/2007. Intimada, reconheceu que o lançamento n° 14 não obedece ao regime de competência e sua contabilização em 2007 se deu por atraso em remessa de documentos. E que não possui as notas fiscais dos demais lançamentos listados na intimação. Logo, glosamse os seguintes valores deduzidos a título de Descontos Comerciais Concedidos (Conta 421960): Janeiro, R$ 515.265,14; fevereiro, R$ 136.014,91; abril, R$ 138.602,48. Frete sobre Vendas Intimada a apresentar notas fiscais referentes aos lançamentos n° 6, n° 27, n° 28, n° 30, n° 33 e n° 35, a fiscalizada: Comprovou efetividade e pagamento parcial do lançamento 06, referente a Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas no valor de R$ 9.557,19, emitido por Transportadora Porto Esperança Ltda em 12/02/2007. Os elementos apresentados, contudo, mostram que o valor efetivo da despesa foi R$ 9.557,19, não os R$ 34.198,50 contabilizados. Glosase a diferença de R$ 24.641,31. Informou não possuir as notas fiscais dos demais lançamentos, a saber: lançamento n° 27, R$ 33.274,70; lançamento n° 28, R$ 35.571,43; lançamento n° 30, R$ 34.338,02; lançamento n° 35, R$ 76.731,12. Glosamse integralmente estes valores. Intimada comprovar pagamentos de todas notas fiscais apresentadas, inclusive as retro solicitadas, a fiscalizada: Comprovou pagamento integral dos lançamentos n° 03, 05, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 31, 32, 34 e 36. Comprovou pagamento de R$ 9.653,3 9 referente ao lançamento n° 02,' de R$ 36.293,39, restando não comprovado R$ 26.640,00. Glosase a diferença. Não comprovou pagamento do lançamento n° 04, no valor de R$ 46.219,66. Glosase integralmente. Não comprovou pagamento do lançamento n° 13, no valor de R$ 69.160,42. Glosase integralmente. Comprovou pagamento de R$ 22.530,37 referente ao lançamento n° 29, de R$ 84.530,37, restando não comprovado R$ 62.000,00. Glosase a diferença. Não apresentou documento hábil à comprovação do lançamento n° 27. Trouxe simples fatura no valor de R$ 33.274,70 (e relatório interno), emitida por Rodomilli Transportes Rodoviários Ltda, datada de 09/11/2007. Também não comprovou Pagamento. Glosase integralmente. Não apresentou documento hábil à comprovação do lançamento n° 28.Trouxe simples fatura no valor de R$ 35.571,43, emitida por Transnova Transportes Ltda, datada de 30/11/2007. Também não comprovou pagamento. Glosase integralmente. Não apresentou documento hábil à comprovação do lançamento n° 30. Trouxe simples fatura no valor de R$ 34.338,02, emitida por Bora Transportes Ltda, datada de 12/12/2007. Também não comprovou pagamento. Glosase integralmente. Não apresentou documento hábil à comprovação do lançamento n° 35. Trouxe simples pedido de pagamento e relatórios internos valor de R$ 59.784,38 em favor de Eduardo de Oliveira Afonso Jundiaí ME, datado de 28/11/2007. Também não comprovou pagamento. Glosase integralmente. Perdas no Recebimento de Crédito Intimada a apresentar títulos e comprovar satisfação aos requisitos estabelecidos pelos artigos 340 e 341 do Decreto n° 3.000/99 (RIR), a fiscalizada reconhece que não observou as regras. Glosamse, portanto, todas Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.831 8 as despesas deduzidas a título de Perdas no Recebimento de Créditos (Conta 421958) relacionadas no anexo ao Termo de Início, a saber: março, R$ 1.349.234,47; abril, R$ 4.176.511,62; setembro, R$ 2.715.388,87, dezembro, R$ 90.001,95. Royalties Apresentado inicialmente apenas contrato firmado em 01/01/2007 com Consult Consultoria Empresarial S/C Ltda, CNPJ 03.308.922/000159, para utilização das marcas CBA, PALADAR e PALATE, Impugnante foi intimada a apresentar cópia completa do processo de averbação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, e informa que os contratos firmados não foram averbados no INPI. A averbação no INPI é condição de dedutibilidade imposta pelo artigo 355 do RIR/99, em seu parágrafo 3º. A fiscalizada informa que "os contratos firmados não foram averbados no INPI". Intimada com mesmo teor, a Consult silenciou. Pesquisas em www.inpi.gov.br mostram que Consult vem tentando registrar as marcas CBA, PALATE e PALADAR desde novembro/2008 em diversas classes de produtos. Enquanto a mesma marca, também em diversas classes, estão sob a titularidade de Bônus Brasil, mas antes estivera sob a titularidade da tão citada Serra Leste. Consult é mais uma empresa do trio Simon (60%), Emílio (20%), Edison (20%), verdadeiros sócios de Savon. Dizse proprietária das marcas CBA, Paladar, Palate e por elas receberia de Savon a fortuna de 19,0 milhões a título de royalties somente em 2007. E ainda terlheia prestado serviços de R$ 920 mil no mesmo ano. Consult, optante pelo lucro presumido, declara em sua DIPJ ter em Savon sua única fonte de receita, da qual teria auferido R$ 920.000,00 em 2007. Informa ter distribuído lucros R$ 693.000,00 aos sócios Simon, Emílio, Edison neste mesmo ano: R$ 231.000,00 para cada. Os sócios trazem informações semelhantes em suas declarações da pessoa física: Consult foi a única empresa a lhes distribuir lucros. Segue nesse mesmo passo 2008, 2009. Consult declara receitas de R$ 4.539.158,20 e de R$ 4.691.265,57; e cada sócio declara recebimento de lucros unicamente dela no valor de R$ 1.200.000,00 cada, em cada ano, respectivamente (um pouco mais para Simon, que informa 1.370.000,00 em 2009). Não é natural que os sócios do Grupo CBA, um dos maiores do país, com participação comum formal pelo menos em Consult, Bônus Brasil, D'HOJE Supermercados, Checom Cheque, Coroa Indústria, Coroa Participações, Colorado Participações, Unialimentar, ERJ Adm, Plan Serviços receberiam lucros unicamente de Consult. E todo o lucro ele vindo de Savon. O contrato de royalties entre Savon e Consult é mais uma simulação do grupo. O que se vê é que Consult além de utilizada para distribuição disfarçada dos lucros de Savon e demais companhias, o é também para criação de despesas fictícias na contabilidade de Savon. A confusão é tão consolidada que Consult sequer observa a composição formal do seu capital. Enquanto Simon deteria 60% , Emílio 20%, Edison 20%, os lucros seriam distribuídos uniformemente. Diante disso, na hipótese, não plausível, mas que devemos respeitar a quem eventualmente a adote, de ser considerada verdadeira a negociação de uso de marcas veiculada no instrumento contratual apresentado pela fiscalizada; de ser acatado o argumento da fiscalizada na apropriação das despesas todas Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.832 9 pagas nos quatro seguintes e de serem afastados os limites e condições do artigo 355 do RIR, ainda assim, restaria mais um óbice à sua dedutibilidade. É que o artigo 353, inciso I, do mesmo RIR regula que "Não são dedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes". E está provado que Consult é utilizada como mero instrumento de repasse de dinheiro a Simon, Emílio, Edison. É interessante relembrar que Savon é formalmente propriedade de MASB. MASB é 100% de Martin Bueno, logo, Martin é único dono formal de Savon. E que Martin é o "principal executivo de CBA". Pois bem, MASB, a dona de Savon, está cadastrada no CNPJ com endereço à Rua Portugal, 68, bairro Jardim São Luis, Santana de Parnaíba/SP. Consult, que recebe de MASB royalties pelas marcas CBA, Paladar, Palate está cadastrada no CNPJ quase no mesmo endereço, diferencia somente o número: 72. Postada intimação simultânea para ambas as empresas, ambas as correspondências foram recebidas na mesma data, pela mesma pessoa: Jéssica Lourenço de Lima. Ou seja, tratamse imóveis compartilhados e mesmo efetivo domicílio Por tudo quanto exposto, são glosadas as despesas deduzidas a título de Royalties (Conta 421957), no valor de R$ 9.500.000,00 em novembro/2007 e R$ 9.500.000,00 em dezembro/2007. Serviços Prestados Pessoa Jurídica Foram auditados lançamentos com históricos de serviços prestados por Consult Consultoria Empresarial S/C Ltda, CNPJ 03.308.922/000159, e por Renovare Com. e Repres. Ltda EPP, CNPJ 05.067.091/000104. Intimada a apresentar contratos firmados com Consult e com Renovare, a especificar os serviços prestados e a expor e comprovar as condições de dedutibilidade destas despesas e pagamentos, a fiscalizada trouxe somente o contrato de Renovare e expôs que os serviços prestados por Consult correspondem a assistência técnica e administrativa vinculadas ao uso de marcas de seu domínio e, quanto a Renovare, assessoria empresarial. E que tais serviços e atividades são dedutíveis por se relacionarem diretamente com o objeto e operação da empresa. No que se refere ao contrato com Renovare, vêse que resultou de negociação envolvendo Central Nacional dos Aposentados e Pensionistas do Brasil, Banco BVA S/A e a fiscalizada, visando ao incremento de vendas aos filiados daquela, o que se coaduna ao seu objeto social e às suas atividades e operações. Diferente das despesas com Consult, que sequer foi entregue contrato. As razões e fundamentos para a não dedutibilidade destas despesas são os mesmos já expostos acima sobre Royalties. Não há necessidade de redundância. Oportuno, contudo, esclarecer que os serviços prestados por terceiros devem ser comprovados através de documentação hábil acompanhada de outras provas subsidiárias, provando sua efetiva prestação, pagamento do preço e sua necessidade frente aos objetivos sociais. (Acórdão 10176.510/86, do 1° Conselho de Contribuintes) Pelo exposto, são glosadas as despesas deduzidas a título de Serviços Prestados PJ (Conta 421901), alusivas a Consult Consultoria Empresarial S/C Ltda, nos valores e datas demonstrados acima. Compensação de Prejuízos Como demonstrado na anexa "Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ", as despesas glosadas compensadas com prejuízo declarado pela fiscalizada no período fiscalizado, resultaram lucro real de R$ 44.344.378,72. Por outro lado, a fiscalizada possuía saldo de prejuízos acumulados de R$ 13.351.995,33 em 21/12/2006, dos quais R$ 13.303.313,62 (30% do lucro real Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.833 10 anual) foram compensados na presente autuação, restandolhe lhe saldo ajustado de prejuízos fiscais de R$ 48.681,72. Semelhantemente procedimento relativo à CSLL está demonstrado na também anexa "Planilha de Compensação de Base Negativa da CSLL", restandolhe saldo de base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 48.681,72. A fiscalizada deverá ajustar o LALUR. O limite de 30% na compensação está previsto no artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995. Multa por Não Recolhimento de Estimativa Tendo a fiscalizada optada pela apuração anual com recolhimentos mensais baseados na estimativa (art. 2º, Lei 9430/96) e não o tendo efetuado, aplicase a multa isolada de 50% determinada pela alínea "a", inciso II, artigo 44 da mesma Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os valores das multas aplicadas e forma de apuração estão explicados nos anexos " Demonstrativo de Multa Isolada Estimativa IRPJ" e "Demonstrativo de Multa Isolada Estimativa CSLL". Esclarecese que por força do artigo 35 da Lei n° 8.981/95, aplicase mensalmente a multa de menor valor resultante do cotejo entre o devido por estimativa e o devido apurado em balanço de suspensão. Multa Qualificada A conduta dolosa dos envolvidos, classificada como de sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei n° 4502, de 30 de novembro de 1964, implica lançamento tributário com multa de ofício duplicada nos lançamentos de glosa das despesas de Aluguel, Serviços Prestado PJ e Royalties, conforme determinado pelo § 1º, art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e o oferecimento de Representação Fiscal para Fins Penais com fulcro no inciso II, artigo 1o, da Lei 8.137/90. Sujeição Passiva Anotase a sujeição passiva solidária das pessoas físicas Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.318 49, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804, Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado e a eles cientificados. À vista do exposto, concluise que está caracterizado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária nos termos do inciso I do art. 124 da Lei n° 5.172/66, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)”; DA IMPUGNAÇÃO (fls. 4333/4370) Ainda de acordo com o relatório da decisão recorrida, estes foram os argumentos apresentados pela autuada na defesa inaugural: “Cientificada da autuação pessoalmente em 01/02/2012, em 02/03/2012 a interessada protocoliza impugnação aos lançamentos (fls. 4.333 a 4.370), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos”: “Nunca a fiscalização solicitou ou intimou para prestar esclarecimentos qualquer uma dessas pessoas físicas. A fiscalização chega a ser confusa e milita exclusivamente no campo especulativo para chegar a tais conclusões, sem qualquer prova da acusação. Aliás, não faz prova sequer de um único ato de gestão de Simon, Emilio e Edison na administração e representação da recorrente, como tinha o dever, já que o ônus da prova é da fiscalização”. Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.834 11 “Como não provou nenhum ato de gestão de Simon, Edison e Emilio e ao contrário, constatou até por matéria Jornalística que Martin é o principal executivo da empresa, o que mostra a confusão e obscuridade do trabalho fiscal, que para tentar dar ares de veracidade e fundamento para o seu trabalho vazio e seu sustentação probatória, tenta distorcer a realidade fática para agasalhar sua pretensão absurda, fazendo "contexto histórico societário" com o seu olhar míope e distorcido, juntando cópia de parte de processos administrativos ainda não findos de outras empresas, que tiveram administrativamente proposta de inaptidão do CNPJ, uma delas pertencente a Martin Afonso, denominada Serra Leste, os quais não são capazes de fundamentar a alegação da fiscalização e nem a desconsideração da personalidade jurídica da recorrente”. Tratando especificamente do processo onde é tratada a inaptidão do CNPJ da empresa Serra Leste, por interposição fraudulenta de terceiros, afirma que “a juntada de procedimento administrativo ainda não findo, que não é suficiente e não guarda vínculo de pertinência lógico com a intenção da fiscalização ora impugnada de tentar comprovar a presente autuação, não passa de tentativa para tentar encobrir a sua falta de comprovação e prova do que seria necessário e essencial para fundamentar a sua autuação, que imaginou ser suprida, só por só, com volume de procedimento inútil para o deslinde da presente ou mínimo elemento probatório eficaz para fundamentar sua autuação fiscal e o crédito lançado”. “Martin Afonso é o sócio administrador, principal executivo, da recorrente e é quem conduz os negócios empresariais da recorrente e de suas outras empresas. O fato de ser irmão de Simon e primo de Emilio, à toda evidencia, em qualquer lugar do mundo civilizado, família, não pode significar sinônimo de ilícito ou algo contrário a lei ou aos bons costumes, parece que só na cabeça da fiscalização. De qualquer forma, o fato da família não é suficiente para ensejar a glosa de despesas e fundamentar autuação fiscal, nem desconsiderar personalidade jurídica. À fiscalização competia fazer a prova das acusações de que a recorrente Savon não pertence a Martin e de que Martin é interposta pessoa, e que na realidade a recorrente é de Simon, Emilio e Edison como alegou”. “As pessoas jurídicas são distintas e possuem seu objeto social e atividades próprias, não estando sequer sob o mesmo controle, já que a recorrente pertence a Martin Afonso e por ele é administrada unicamente, tanto que não logrou comprovar a fiscalização qualquer ato de gestão que possa ser atribuído a Simon, Edison e Emilio em representação da recorrente.Não resta a menor dúvida de que as empresas possuem sua autonomia e objeto e atividade sociais distintos, sendo que as atividades são licitas e suas receitas são oferecidas à tributação normalmente por força de suas atividades”. “Ora, uma despesa não pode ser glosada pelo simples fato de entre pessoas jurídicas distintas que desenvolvem atividade lícita, mas que no seu quadro social possuem pessoas que possuem parentesco. Tanto é assim, que mesmo para empresa que possui o mesmo sócio pessoa jurídica controlador não pode ser glosado o pagamento das despesas, o que dirá quando tais pessoas jurídicas, além de distintas, não possuírem o mesmo quadro social, como é o caso ora impugnado”. “Portanto, o trabalho fiscal, com a devida vênia, não pode subsistir, pois não logrou comprovar que a Savon não é empresa pertencente a Martin Afonso, tanto que não fez prova de um único ato de gestão de Simon, Emilio e Edison, pessoas as quais alegou que Martin seria "interposta pessoa", bem como, quanto as glosas de despesas, não é possível tornar despesa dedutível em indedutível ao bel prazer da fiscalização, pelo simples fato de entre as pessoas jurídicas, no quadro social, existir parentesco, deixando de considerar a realidade e as regras elementares de dedutibilidade, sob pena de tributar patrimônio e não renda em afronta a legalidade e capacidade contributiva”. “A seguir, serão impugnadas, especificamente cada uma das glosas das despesas como levantado pela fiscalização”: Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.835 12 “ALUGUEL – A Savon, que no ano de 2006, incorporou parte do patrimônio da empresa Serra Leste que também é pertencente unicamente a Martin Afonso, que já atuava no seguimento de cestas de alimentos, portanto, não havendo qualquer irregularidade em assumir os alugueis de cada um dos prédios onde a incorporada desenvolvia suas atividades”. “Neste sentido, em São Paulo a Savon também passou a ocupar as instalações em que anteriormente a Serra Leste(empresa cindida parcialmelmente) ocupava para o desenvolvimento de atividades licitas de indústria alimentícia, e de cestas básicas que ostentam a marca CBA”. “Aliás, deve ser levado em consideração que também em sua unidade de Jundiaí em São Paulo, desenvolvia as atividades no ano de 2007 de indústria alimentícia, produzindo vários itens, tais como, misturas para bolos e outras preparações alimentares e, também o achocolatado da marca Palate, além de produzir para diversas outras empresas, a chamada comercialmente marca própria”. “Para a produção das cestas sazonais natalinas a Savon alugava, por 03 ou 04 meses a cada ano, imóveis que estavam desocupados e que por ser uma oportunidade de locação para o proprietário, já que imóveis com dificuldade de venda ou locação que passam a ter cliente esporádico e temporário é uma boa oportunidade. Porém, em razão de ser esporádico e temporário, consistindo em oportunidade única para o proprietário minimizar seus gastos fixos com impostos incidentes sobre a propriedade, o valor do aluguel é muito vantajoso para o locatário temporário que consegue bons preços”. “No caso em questão de cestas natalinas, em 2007, a Savon localizou o prédio de propriedade da LP e alugou por apenas 04(quatro) meses para desenvolver sua atividade sazonal a um preço de ocasião de R$ 184.997,34 para as suas características, dimensões, localização e etc, justamente por ser uma condição de oportunidade esporádica para o proprietário, conforme contrato anexo”. “Ora, a fiscalização não mencionou que o prazo contratual era de apenas 04 meses para o atendimento de atividade sazonal, o que serve de parâmetro para se verificar sem maiores esforços que o valor que ele admitiu como despesa de aluguel no imóvel que a Savon aluga da Colorado como dedutível em aproximados R$ 32.000,00 não possui qualquer fundamento e nem é razoável”. “Do contrato de locação firmado com a Colorado podese claramente perceber que o mesmo mostrase compatível com suas atividades e a sua produção para a geração de auferir as receitas, sendo claramente dedutível. Portanto, desprezou o Sr. Auditor Fiscal a realidade fática e operacional e as informações prestadas pela Autuada de que o aluguel mensal contratado é de R$ 1.186.100,00 (um milhão, cento e oitenta e seis mil e cem reais) com base em contrato firmado entre a Autuada e a proprietária do imóvel”. “Aliás, o referido valor de R$ 1.186.100,00 (um milhão, cento e oitenta e seis mil e cem reais) mostrase compatível com as características do imóvel, especialmente a sua dimensão, conforme atestam as inclusas fotos aéreas do imóvel do qual a Savon aluga em parte, que além de revelar a sua grandeza demonstram as instalações internas necessárias ao regular desenvolvimento das atividades empresariais da Autuada”. “Também não seria possível que a despesa de aluguel fosse indedutível pelo simples fato de a Savon alugar o imóvel de empresa da qual participe como sócio seu irmão Simon. A indedutibilidade baseada nisso sequer encontra fundamento legal ou no RIR que considera ser indedutíveis os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes, em relação à parcela que exceder ao preço ou valor de mercado (RIR/99, art. 351, § Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.836 13 1º, I). Assim, não poderia ter sido glosadas as despesas com o aluguel, devendo pois, ser afastada a glosa imposta pela fiscalização”. “ROYALTIES A fiscalização considerou indedutíveis as despesas de Royalties pela exploração por parte da Savon das marcas CBA (utilizada para a produção e comercialização de cestas básicas e de natal), Palate (achocolatados) e Paladar (indústria alimentícia em geral). Como já mencionado acima, os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda para serem dedutíveis os royalties, estabelece que serão dedutíveis quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. (Lei n° 4.506/64, art. 71; RIR/99, art. 351,1)”. “A empresa proprietária das marcas exploradas pela Savon possuem em seu quadro social o primo e irmão de Martin, mas isso não estabelece vínculo societário entre eles e nem pode ser motivo para fundamentar indedutibilidade. Aliás, não resta dúvida de que as receitas auferidas pela Savon derivam da industrialização, produção e da comercialização de produtos que ostentam as marcas licenciadas por força do contrato celebrado entre as partes”. “Com efeito, se até mesmo para empresas que pagam royalties para domiciliado no exterior, ainda que sócia controladora de empresa brasileira é admitida a dedutibilidade, a teor do art. 50 da lei 8383/91, seria uma verdadeira afronta a isonomia e aos princípios da atividade econômica e ordem econômica, estabelecer limitação ou restrição pelo fato de ser o detentor do direito uma empresa brasileira. Como não poderia ser diferente, o próprio Conselho de Contribuintes considera que ainda que o direito seja pertencente a uma sócia da empresa que paga o royalties, ainda assim deve ser admitida a dedução pois não houve tal limitação pela lei de regência, consoante decisão abaixo”. (...) “Ora, o direito a dedução não pode ser limitado e até contrariado por atos administrativos expedidos pelo Executivo, ainda que Decretos, Instruções Normativas, já que seriam contrários a legalidade. Pois bem, o art. 71 da Lei n° 4.506/64 disciplinou inteiramente a matéria relativa à dedutibilidade dos aluguéis e royalties. Em relação aos royalties pagos a beneficiário no Brasil, a única limitação específica estabelecida na lei é que são indedutíveis os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes (art. 71, parágrafo único, alínea d). É oportuno observar que todas as demais restrições se dirigem a royalties pagos, direta ou indiretamente, a beneficiário no exterior. Para esses, se comparados à lei anterior, as condições foram abrandadas. Esse o entendimento do Conselho de Contribuintes abaixo”. “O entendimento do E. Supremo Tribunal Federal, também é no sentido de que o artigo 71, da Lei n° 4.506/64, apenas estabeleceu limites à dedução de despesas, a título de royalties pagos ou creditados a beneficiários domiciliados no exterior, não modificando a regra geral que estabelece o teto percentual da dedutibilidade estabelecido no artigo 74 da Lei n° 3.470/58, qual seja, a de que somente poderão ser reduzidos do lucro bruto a soma das quantias devidas a título de royalties, pela exploração de marcas de indústria e de comércio e patentes de invenção, por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes até o limite máximo de cinco por cento da receita bruta do produto fabricado ou vendido”. “Portanto, nenhum dos motivos apontados pela fiscalização são válidos para limitar ou afastar o direito à dedução dos valores pagos à titulo de royalties, consoante análise adequada da legislação e jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes e STF acima. Vale também mencionar decisão do Conselho de Contribuintes que afastou o percentual de 1% como limite de dedução”. (...) Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.837 14 “Por oportuno, vale também mencionar, que quando entendeu ser aplicável limitação, o Conselho de contribuintes decidiu que para produtos alimentícios, o valor da dedução seria de 4%. Portanto, resta comprovado que manifestamente indevida a glosa a titulo de royalties”. “BONIFICAÇÕES E DESCONTOS – A fiscalização glosou legitimas despesas de bonificação e descontos comerciais concedidas pela empresa para a venda de seus produtos. Não procede a glosa já que como indústria e comercio de alimentos e fornecendo para o varejo e redes de supermercados, todos que atuam junto a tais clientes sabem que é usual, para o incremento de venda e promoção dos produtos que sejam concedidas bonificações em mercadorias e descontos comerciais”. “Não resta dúvida de que os tais gastos tiveram como objeto a promoção e incentivo da atividade fim da empresa, visando a manutenção e ampliação de seu mercado e que isso, reiterese, é prática usual no seu ramo de atividade, em que a concorrência é muito grande e acirrada. Resta evidenciado o seu enquadramento no parágrafo 2º do artigo 299 do RIR/99, que define como despesas operacionais às "usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa", tratandose de manutenção da fonte produtora dos rendimentos, não podendo ser classificada como uma mera liberalidade”. “Como prova de comprovar ainda mais que tal pratica é normal e usual no ramo de atividade da recorrente e que não pode ser glosada já que necessária ao desenvolvimento da atividade da empresa, vale trazer à colação decisão do Conselho de Contribuinte de empresa do ramo alimentício”. “COMISSÕES – Não cabe a glosa parcial de um único titulo que foi pago a titulo de comissão e representação de venda para a empresa ATM. A empresa comprovou o pagamento e a necessidade da despesa, logo sendo indevida a glosa”. “FRETES SOBRE VENDAS E SERVIÇOS PRESTADOS POR PJ A fiscalização glosou despesas legitimas de frete para o transporte de produtos da empresa e serviços prestados. O formalismo exacerbado chegou a tal ponto de glosar despesa, ainda que comprovado o pagamento integral, a descrição dos produtos, o numero da nota fiscal da empresa e o da minuta do transporte e o local para onde foi transportada as mercadorias, pois apenas foi apresentada fatura do serviço e não o conhecimento do transporte. Ora, em nenhum momento a fiscalização aponta que a prestação do serviço de transporte não existiu”. “A empresa necessita de fretes para o transporte de seus produtos e mercadorias, notadamente para os pontos de vendas e entrega a seus clientes e de serviços prestados para o desenvolvimento das atividades empresariais, como consultoria. Sendo usual e necessária, não poderia ser glosada por pequenas falhas formais e que nada interferem na realidade fática e inconteste de que tal gasto se deu a titulo de frete, despesa usual, normal e necessária para as atividades exercidas pela empresa”. “PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO – A fiscalização glosou as perdas que a empresa teve no recebimento de seus créditos sob a alegação de que não foram observadas as regras do RIR e por ter perdas de créditos de empresas interligadas. Se considerado o faturamento da empresa no ano de 2007, facilmente podemos perceber que as perdas relacionadas não são excessivas e anormais no seu ramo de atividade”. “Aliás, estaria dentro de parâmetros estatísticos do segmento, mas que foram desprezados pela fiscalização. Não cabe a fiscalização diante de realidade de fato e efetiva perda descaracterizar e glosálas por não conformidade com o formalismo”. Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.838 15 “MULTA ISOLADA – ESTIMATIVA – Em razão das indevidas glosas que realizou, a fiscalização ao reapurar o lucro real chegou a diferenças que supostamente seriam devidas, e mais, além de efetuar o lançamento de ofício do IRPJ e da CSSL que mais adiante será demonstrado ser integralmente indevido, aplicando multa de ofício de 75% e até de 150% para aluguel, royalties e serviços prestados, aplicou multa isolada de 50% por falta de recolhimento e diferenças de estimativa”. “Ao proceder desta maneira a fiscalização chega a penalizar a empresa duas vezes sobre o mesmo fato, já que ambas referemse a suposta falta de recolhimento do imposto sobre a renda. Nesse sentido é a decisão do Conselho de Contribuintes pela CSRF, conforme decisão abaixo”. (...) “Se não bastasse, ainda que devida fosse a diferença apontada do IRPJ e da CSSL, ainda assim não caberia a cobrança isolada da multa, pois o não recolhimento da estimativa no decorrer do ano é uma conduta meio para o não pagamento do imposto apurado no final do ano, ou seja, a infração já estaria absorvida pelo lançamento de ofício do imposto e da respectiva multa de oficio. A estimativa não pode ser cumulada com a multa de oficio do lançamento, conforme pacifica orientação do Conselho de Contribuintes pela CSRF”. “Portanto, ainda que fossem mantidas as glosas das despesas, seria incabível a aplicação concomitante de multa isolada por estimativa, conforme jurisprudência pacifica do Conselho de Contribuintes, uma vez que seria aplicar duas penalidades a uma mesma natureza e pelo fato de que a multa de oficio aplicada em eventual lançamento quando do fechamento do exercício teria o condão de absorver o não recolhimento do imposto por estimativa, devendo assim ser afastada a aplicação da multa isolada para a recorrente”. “DAS DIFERENÇAS APURADAS DE IRPJ E CSSL – Como demonstrado amplamente acima, não procedem as glosas das despesas. Como conseqüência, não há que se falar em diferenças apuradas de IRPJ e CSSL. As despesas são necessárias à manutenção da respectiva fonte produtora e necessárias a atividade da empresa. Sendo assim, uma vez afastadas as glosas indevidas, não haveria imposto de renda ou contribuição social eventualmente devidos. Sendo que em relação à Contribuição Social se mostra ainda mais indevida e sem qualquer suporte legal já que não há previsão legal”. “CSLL Em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sua base de cálculo está estabelecida no art. 2º da Lei 7.689/88. Portanto, a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido parte do resultado do exercício apurado de acordo com os princípios da legislação comercial. Não há previsão para a inclusão das despesas indedutíveis para fins de apuração do imposto de renda. Com efeito, como comprovado que a glosa das despesas não foi motivada pela falta de comprovação e/ou suposta inexistência das despesas deduzidas, a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro não foi afetada. Nesse sentido a decisão do Conselho de Contribuintes abaixo aplicável à espécie”. “DA MULTA INDEVIDA E CONFISCATÓRIA DE 150% Não provou a fiscalização que tenha havido evidente intuito de fraude, dolo ou máfé ou qualquer ilícito. Com efeito, as glosas das despesas são indevidas já que são usuais, necessárias para as atividades e manutenção da fonte produtora das receitas. Como consequência não cabe o agravamento da multa de ofício aplicada pela fiscalização”. “Com efeito, a aplicação e exigência das penalidades, embora sem qualquer respaldo legal, conforme demonstrado acima, ainda que por hipótese fossem admitidas, seriam descabidas por serem confiscatórias. Devemos ter presente que os princípios constitucionais Fl. 4838DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.839 16 assegurados ao contribuinte norteiam a criação do tributo e a validade da cobrança de seus assessórios. Se a multa não atender a esses princípios, a mesma restará comprometida”. “Demonstrado de forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo que exarou o auto de infração, inclusive no que tange à liquidez e certeza do crédito, não havendo sido comprovado a alegada interposição fraudulenta e de que Martin não seja o sócio da recorrente e muito menos qualquer ato de gestão das pessoas apontadas pela fiscalização como sendo os reais sócios, bem como, uma vez comprovado de que as glosas das despesas são inadmissíveis já que atendem a todos os requisitos legais exigidos como condição para a dedutibilidade e estão em conformidade com jurisprudência do Conselho de Contribuintes, requer seja declarada a nulidade do auto de infração, ou, se superadas, seja julgado improcedente o auto de infração, em sua totalidade, e declarada a sua insubsistência, por ser medida de JUSTIÇA”. DAS IMPUGNAÇÕES DOS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (fls. 4456/4533) Continuando a lançar mão do relatório da decisão de 1º Pìso, seguem os argumentos apontados pelos sujeitos passivos solidários em suas defesas: “Por serem exatamente iguais, as impugnações de Edison Donizete Benette e Emílio Maioli Bueno, serão analisadas de forma conjunta. As impugnações, em síntese, trazem os seguintes argumentos: 01 – Simon Bolívar da Silveira Bueno. O recorrente sem qualquer fundamento ou motivo foi incluído como sujeito passivo solidário de autuação lavrada contra a empresa autuada, tendo a fiscalização feito alegação de que o recorrente, mais Emilio Maioli Bueno e Edison Donizete Benette seriam os reais sócios da autuada e que o Sr. Martin, verdadeiro sócio, seria interposta pessoa. Baseado nesta premissa, desconsiderou legitimas operações e relações jurídicas próprias e existentes entre empresas da qual o recorrente é sócio(Colorado) e da qual o recorrente, mais Emilio e Edison são sócios(Consult) e a empresa autuada que é de propriedade de Martin, irmão do recorrente. Mesmo sendo os negócios válidos celebrados entre empresas distintas, a fiscalização os desconsiderou e lavrou auto de infração relativo ao IRPJ e CSSL, relativo ao ano calendário 2007 em valor absurdo de R$ 30.774.980,33. A fiscalização indicou como fundamento legal para incluir o recorrente como responsável solidário tributário na presente autuação o artigo 124,1 do Código Tributário Nacional. Fez uma série de ilações desprovidas de comprovação de que o recorrente, mais Emilio e Edison, utilizamse de interpostas pessoas na constituição de empresas com a finalidade de desviarse de suas obrigações tributárias, uma delas seria a empresa autuada, tendo juntado cópia parcial de procedimento administrativo que o recorrente foi incluído indevidamente no pólo passivo e que encontrase pendente de decisão final no âmbito administrativo. O recorrente é sócio da Colorado que é proprietária do imóvel em Jundiaí, onde parte dele é alugado para a autuada em operação lícita e baseada em padrões normais de mercado, tanto que a fiscalização não comprovou que a locação estive fora de realidade de preços praticados pelo mercado. O recorrente também é sócio da empresa de consultoria para desenvolvimento de negócios e que é proprietária das marcas CBA, Palate e Paladar, a qual prestou serviços e licencia para a empresa autuada os direitos quanto ao uso e exploração industrial e comercial de direitos relacionados às referidas marcas. Fl. 4839DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.840 17 O recorrente e nem seus sócios Emilio e Edison utilizamse de interpostas pessoas na constituição de empresas, muito menos de seu irmão que é dono da empresa autuada. A qualidade de sócio não pode ser um critério a ser definido pela fiscalização. O recorrente não é sócio da empresa autuada, que pertence ao seu irmão Martin. A fiscalização não poderia incluir como responsável o recorrente que não pertence ao quadro social da empresa autuada e que jamais praticou qualquer ato de gestão representando a empresa autuada, e jamais praticou ato ou fato junto com a autuada, na qualidade de sujeitos de relação jurídica que tenha dado nascimento às obrigações tributárias lançadas no presente, capaz de gerar a sua responsabilidade pessoal solidária, especialmente na forma do disposto no artigo 124,1 ou art. 135, III do CTN, devendo ser reconhecida a sua ineficácia e nulidade, conforme será demonstrado abaixo. Numa lamentável tentativa de incluir o recorrente como responsável pela infração, além de fazer ilações desprovidas de qualquer fundamento lógico ou jurídico para respaldar sua autuação e até mesmo em descompasso com a realidade fática, fez juntar parte de processo administrativo ainda não findo da empresa Cestas Nordeste. O recorrente não praticou conjuntamente com a autuada qualquer ato ou fato que pudesse gerar o fato gerador da obrigação tributária objeto do lançamento tributário do IRPJ e CSSL, relacionado ao presente. Mesmo em relação às indevidas glosas no relacionamento que a autuada teve com a COLORADO e a CONSULT empresas da qual o recorrente é sócio, não é necessário maiores delongas para saber que as personalidades jurídicas da pessoa física do recorrente e das pessoas jurídicas das quais ele é sócio são distintas e por isso não haveria a menor possibilidade da pessoa física do recorrente ter realizado qualquer ato ou fato solidariamente com a autuada que tivesse levado ao fato gerador da obrigação tributária ora impugnada. Só por tal motivo já seria inadmissível e nulo incluir o recorrente com base no disposto no art. 124,1 do CTN. As empresas das quais é sócio, manteve relação jurídica lícita na locação do imóvel e quanto aos serviços e uso de marca, como alegado anteriormente, mas ainda que suas empresas formassem grupo econômico com a autuada, o que não é o caso, ainda assim, o simples fato de duas empresas fazerem parte do mesmo grupo econômico não justifica a existência de interesse comum para efeitos tributários, que implica a existência da premissa de serem ambas sujeitos passivos da relação jurídica que embasa a presente. Novamente chamamos atenção para o fato de que tal alegação é absurda e não condizente com a realidade e não houve qualquer prova por parte da fiscalização. O recorrente não é sócio da autuada. Seu irmão Martin não é interposta pessoa. Alegando ausência de descrição dos fatos e da individualização das condutas dos infratores que dão suporte à autuação afirma que “o auto de infração deve conter a exposição minuciosa dos atos ou fatos ilegais ou administrativamente ilícitos atribuídos ao contribuinte e demais pessoas que porventura sejam alcançados pelo ato, com a indicação da norma infringida, sob pena de nulidade. Da análise dos fatos ofertados pelo Sr. AFRFB que ensejaram a lavratura do auto de infração não é possível identificarmos os fatos que possam ser atribuídos ao recorrente para ensejar a lavratura do auto de infração e a sua conseqüente responsabilidade tributária. Aliás, houve a descrição fática única para sustentar a penalidade para diversas pessoas sem a individualização dos fatos e da respectiva penalidade aplicada para cada uma das pessoas. Ora, agindo assim, resta comprometido o auto de infração por intolerável cerceamento de defesa e contrariedade a certeza e segurança jurídica, sem contar, a ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Fl. 4840DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.841 18 Face ao exposto, requer seja reconhecida a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo do presente, bem como, a nulidade do auto de infração e a sua total improcedência por ser medida de justiça fiscalIRPJ e CSSL, relacionado ao presente. 02 Edison Donizete Benette e Emílio Maioli Bueno. O recorrente sem qualquer fundamento ou motivo foi incluído como sujeito passivo solidário de autuação lavrada contra a empresa autuada, tendo a fiscalização feito alegação de que o recorrente, mais Simon Bueno e Edison Donizete Benette seriam os reais sócios da autuada e que o Sr. Martin, verdadeiro sócio, seria interposta pessoa. Baseado nesta premissa, desconsiderou legitimas operações e relações jurídicas próprias e existentes entre empresas, Colorado da qual Simon é sócio, e a Consult que são sócios Edison, Simon e o recorrente e a empresa autuada que é de propriedade de Martin. Dentre os negócios que desconsiderou e glosou despesas, foi o aluguel celebrado entre Colorado Participações (empresa que Simon é sócio) e a autuada e os royalties pagos pela autuada para uso e exploração dos direitos das marcas CBA para cestas de alimentos (básica e de natal), Palate (achocolatado) e Paladar(itens diversos para indústria alimentícia) e mais serviços prestados de Consult, da qual o recorrente, Edison e Simon são sócios. Não há dúvida quanto à existência da propriedade quanto ao imóvel e os direitos relacionados às marcas objeto da celebração de contratos entre as empresas correspondentes, notadamente da qual o recorrente faz parte com a autuada. Mesmo sendo os negócios válidos celebrados entre empresas distintas, a fiscalização os desconsiderou e lavrou auto de infração relativo ao IRPJ e CSSL, relativo ao ano calendário 2007 em valor absurdo de R$ 30.774.980,33. A fiscalização indicou como fundamento legal para incluir o recorrente como responsável solidário tributário na presente autuação o artigo 124,1 do Código Tributário Nacional. A qualidade de sócio não pode ser um critério a ser definido pela fiscalização. O recorrente não é sócio da empresa autuada, que pertence ao seu primo Martin. A fiscalização não poderia incluir como responsável o recorrente que não pertence ao quadro social da empresa autuada e que jamais praticou qualquer ato de gestão representando a empresa autuada, e jamais praticou ato ou fato junto com a autuada, na qualidade de sujeitos de relação jurídica que tenha dado nascimento às obrigações tributárias lançadas no presente. O recorrente não é sócio da empresa autuada, não é diretor, e nunca praticou qualquer ato de gestão em representação da empresa autuada, nem mesmo como mero mandatário.O recorrente não praticou conjuntamente com a autuada qualquer ato ou fato que pudesse gerar o fato gerador da obrigação tributária objeto do lançamento tributário do IRPJ e CSSL, relacionado ao presente. Logo, não há que se falar em interesse comum com a autuada, em situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária objeto do lançamento da fiscalização. Como alegado anteriormente, mesmo em relação às indevidas glosas no relacionamento que a autuada teve com a COLORADO, da qual Simon é sócio e a CONSULT empresa da qual o recorrente é sócio, não é necessário maiores delongas para saber que as personalidades jurídicas da pessoa física do recorrente e da pessoa jurídica da qual ele é sócio são distintas e por isso não haveria a menor possibilidade da pessoa física do recorrente ter realizado qualquer ato ou fato solidariamente com a autuada que tivesse levado ao fato gerador da obrigação tributária ora impugnada. Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.842 19 A empresa da qual é sócio, manteve relação jurídica lícita quanto aos serviços e uso de marca, como alegado anteriormente, mas ainda que sua empresa formasse grupo econômico com a autuada, o que não é o caso, ainda assim, o simples fato de duas empresas fazerem parte do mesmo grupo econômico não justifica a existência de interesse comum para efeitos tributários, que implica a existência da premissa de serem ambas sujeitos passivos da relação jurídica que embasa a presente. O auto de infração deve conter a exposição minuciosa dos atos ou fatos ilegais ou administrativamente ilícitos atribuídos ao contribuinte e demais pessoas que porventura sejam alcançados pelo ato, com a indicação da norma infringida, sob pena de nulidade. Aliás, houve a descrição fática única para sustentar a penalidade para diversas pessoas sem a individualização dos fatos e da respectiva penalidade aplicada para cada uma das pessoas. 03 – Martin Afonso de Souza Bueno. Para a fiscalização, as glosas das despesas, sobretudo, foram motivadas pelo seu equivocado entendimento de que o recorrente não seria o verdadeiro sócio da empresa autuada, de forma desrespeitosa, leviana, sem fundamento e despido de qualquer prova, que o recorrente seria interposta pessoa, sendo que no entendimento subjetivo e muito particular da fiscalização, já que sem qualquer comprovação, os sócios da empresa autuada seriam na verdade. Simon Bolívar da Silveira Bueno, irmão do recorrente, Emilio Maioli Bueno, primo do recorrente e Edison Donizete Benette, tendo incluído todos como responsáveis solidários pelos créditos tributários ora impugnados, apontando como fundamento legal o artigo 124,1 do Código Tributário Nacional. A fiscalização jamais intimou o recorrente para prestar esclarecimentos, mas mesmo assim, teve a ousadia de fazer ilações infundadas e que chegam a ser até desrespeitosas para o recorrente que, desde já, manifesta ser o sócio administrador proprietário da empresa autuada. A fiscalização chega a ser confusa e milita exclusivamente no campo especulativo para chegar a tais conclusões, sem qualquer prova da acusação. Aliás, se entendeu que o recorrente seria apenas interposta pessoa, deveria fazer prova inequívoca de sua alegação, mas não o fez, já que o ônus da prova é da fiscalização. Portanto, o trabalho fiscal, com a devida vênia, não pode subsistir, pois não logrou comprovar que a autuada não é empresa pertencente ao recorrente, tanto que não fez prova de um único ato de gestão em representação da autuada das pessoas que apontou serem os "verdadeiros" sócios da autuada. Também não é possível tornar despesa dedutível em indedutível ao bel prazer da fiscalização, pelo simples fato de entre as pessoas jurídicas, no quadro social, existir parentesco, deixando de considerar a realidade e as regras elementares de dedutibilidade, sob pena de tributar patrimônio e não renda em afronta a legalidade e capacidade contributiva. Importante observar, que a fiscalização alegou que o recorrente não seria o real sócio da autuada mas meramente interposta pessoa. O Sr. AFRFB não aponta os motivos, fatos concretos e específicos desencadeadores de responsabilização pessoal do recorrente e muito menos fundamento legal que pudesse amparar a sua inclusão no pólo passivo da autuação. Ora, em nenhuma das situações descritas consta a pessoa física do recorrente participando com interesse comum de ato, situação, que constitua o fato gerador da obrigação principal. O recorrente não pode ser incluído no pólo passivo da presente autuação com base no art. 124, I do CTN, pois não realizou conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que deu origem à tributação ora impugnada”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 4535/4597) Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.843 20 Apreciando a lide, a 1ª Turma da DRJ/SDR, depois de fazer um amplo retrospecto e estudo sobre a evolução histórica da composição societária do grupo CBA, do qual a ora recorrente é participante, e afastar a preliminar de nulidade suscitada, por unanimidade, negou provimento às impugnações da contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo os lançamentos, inclusive com a qualificação da multa e a inserção no pólo passivo dos SPS. Quanto ao mérito, a decisão combatida analisou profundamente todos os argumentos e documentos eventualmente comprobatórios apontados pela autuada para contraporse aos argumentos fiscais para glosar as despesas objeto dos lançamentos, valendo reproduzir, por relevante, os seguintes excertos: “Com referência às despesas objeto deste lançamento, afirma o fisco que a Impugnante optou pela tributação pelo lucro real, com apuração anual do IRPJ e da CSLL, apresentando na DIPJ e na contabilidade elevadas deduções de despesas a título de Aluguel/Condomínio/Iptu (R$ 15,6 milhões); Bonificação (R$ 1,9 milhão) ; Comissões (R$ 6,1 milhões); Descontos Comerciais Concedidos (R$ 3,5 milhões); Fretes s/ Vendas (R$ 16,3 milhões); Perdas no Recebimento de Créditos (R$ 8,5 milhões); Serviços Prestados PJ (R$ 7,4 milhões); Royalties (R$ 19,0 milhões)”, matérias que serão a seguir individualmente analisadas. 9 ALUGUEL Tratando especificamente da conta alugueis, constata o fisco, e existência de 02 pagamento que extrapolaram excessivamente o valor médio dos alugueis normalmente pagos aos demais contratos de locação contabilizados, valores estes que coincidentemente foram pagos à Colorado Participações, empresas que tem como sócio de fato e de direito, Simon, e a LP Administradora de Bens Ltda. que tem a própria Colorado como fiadora. Intimada a informar a relação de parentesco entre os sócios da Savon (Martim) e da Colorado (Simon) e o parentesco destes com os demais sócios, a fiscalizada informa que Simon é irmão de Martin e casado com a senhora Lúcia além de ser primo do Emílio e não tem parentesco com o senhor Edison. Nesta mesma intimação, solicitouse da Impugnante que comprovasse as despesas com pagamento de aluguéis a Colorado Participações e demonstrasse a necessidade de tais despesas para suas atividades. A empresa apresentou comprovantes de transferências bancárias e pagamentos de boletos dos anos 2007 a 2011, extrapolando o período fiscalizado, mas não apresentou contrato firmado com a empresa Colorado Participações. Com referência aos valores pagos em excesso, afirma o fisco, que “os pagamentos realizados por Savon à Colorado refletem distribuição disfarçada de lucros a seus reais sócios Simon, Emílio, Edison, por via indireta”, além de infringir o inc. I, §1°, art. 351 do RIR/99, “verbis”: (...) Como já visto em item precedente deste voto, além de ser irmão do sócio de direito da autuada, restou comprovada a condição Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.844 21 de Simon, Édison e Emílio como sócio de fato de todas as empresas criadas desde 1995 para comercializar os produtos do Grupo CBA. Comprovouse, ainda, que a mesma Colorado do qual Simon é sócio de direito, já simulava aluguéis em valores excessivos em contratos mantidos com a empresa Serra Leste, empresa esta alvo de processo para inaptidão do CNPJ em razão de interposição de sócios fictícios, fato apurado pela unidade da RFB em Jundiaí. No caso específico, o fisco apura o valor de mercado demonstrando com base em documentos contábeis, a média dos aluguéis pagos pela própria Impugnante, aos demais locadores dos seus imóveis situados na mesma localidade, e a discrepância dos valores pagos às empresas que possuem Simon como sócio de direito, conforme abaixo: (...) 1.186.100,00 COLORADO PARTICIPAÇÕES. Além da indedutibilidade prevista no inciso I, § 1º do art. 351, do RIR/1999, o art. 406 do mesmo regulamento, reforça o entendimento do fisco, de que a contratação de alugueis entre pessoas ligadas, presume a distribuição disfarçada de lucros, verbis: (...) Assim independentemente da comprovada simulação da despesa, comprovase, também, o parentesco, a interligação e a gestão comum das empresas por parte dos verdadeiros sócios (Simon, Édison e Emílio), fatos que justificam a glosa efetuada, razão pela qual o lançamento deve ser mantido. 10 Royalties No caso específico dos royalties, o fisco aplicou o mesmo entendimento aplicado às despesas de aluguéis. Concluiu que seriam negócios jurídicos criados artificialmente, que teriam a função de distribuir lucros ou dividendos de forma disfarçada por meio de simulação ou elevação artificial do valor das despesas, em benefícios dos verdadeiros controladores do Grupo CBA. Acrescenta o fisco, que independente de tal constatação, pela falta de averbação dos contratos no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI e em função da interligação dos sócios e das empresas que efetuaram o negócio jurídico, seriam passíveis de glosas, as despesas deduzidas a título de Royalties (Conta 421957), no valor de R$ 9.500.000,00 em novembro/2007 e R$ 9.500.000,00 em dezembro/2007, pagos à empresa Consult Empresarial, da qual Simon é sócio de direito, pelo uso das marcas CBA utilizadas para produção e comercialização de cestas básicas e de natal, Palate (achocolatados) e Paladar (alimentos em geral). Afirma o autuante que “intimada a apresentar cópia completa do processo de averbação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, a empresa informa que os contratos firmados não foram averbados no INPI. A averbação no INPI é condição de dedutibilidade imposta pelo artigo 355 do RIR/99, em seu parágrafo 3º. A fiscalizada informa que os contratos firmados não foram averbados no INPI". Intimada com mesmo teor, Consult silenciou”. Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.845 22 Pesquisas em www.inpi.gov.br mostram que Consult vem tentando registrar as marcas CBA, PALATE e PALADAR desde novembro/2008 em diversas classes de produtos. Enquanto a mesma marca, também em diversas classes, está sob a titularidade de Bônus Brasil, mas antes estivera sob a titularidade da tão citada Serra Leste. (...) Como visto, além do fato dos sócios das empresas contratantes, Simon e Martin serem irmãos, a Impugnante foi intimada e confirmou a inexistência de averbação no INPI, dos contratos referentes a royalties pagos à Consult, fato por si só, suficiente para justificar a glosa efetuada. Ademais, o inc. I do citado art. 353 do RIR/1999, veda expressamente a dedução de royalties pagos a sócios, pessoa física ou jurídica. A comprovação da interligação das empresas e a relação de parentesco entre os sócios já foi objeto de análise em item anterior. Aqui se repete o que foi constatado no caso dos alugueis pagos pela Savon à Colorado, empresa também pertencente a Simon, onde ali se concluiu, que tais despesas geradas de forma artificial e pagas a empresas do mesmo grupo e sob controle do mesmo sócio, além de não atenderem às condições legais de dedutibilidade, se caracterizam como atos simulados e forma de distribuição disfarçada de lucros. Resta sobejamente comprovado neste PAF, que a logística montada pela impugnante, tinha como finalidade única e exclusiva a redução da sua carga tributária, simulandose a existência formal de empresas constituídas em nome de interpostas pessoas, e geração de despesas inexistentes para redução do lucro tributável, quando na verdade, todo empreendimento era de fato gerido e comandado por um único grupo de pessoas, fatos que se constituem em simulação, e por conseqüência, eivados de nulidade, na forma do art. 167, do Código Civil, e inoponíveis ao fisco. (..) Quanto ao argumento de que a glosa de despesas motivada pelo limite e dedutibilidade estabelecido na legislação do Imposto de Rendo de Pessoa Jurídica não afeta a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, há que se esclarecer que a referência à ultrapassagem dos limites de dedutibilidade citadas no Termo de Verificação, foi apenas ilustrativa, já que a glosa foi fundamentada na ausência de efetividade das despesas, uma vez que foram simuladas, o que afasta a sua condição de dedutibilidade impedindo que possam se enquadrar no conceito legal de despesas, seja para o IRPJ ou para a CSLL, conforme se verá no item específico onde será analisada a base de cálculo desta contribuição. Concluise desta forma, que as despesas de royalties objeto das glosas aqui analisadas, decorreram de contrato assinado entre empresas ligadas criadas em nome de irmãos além de descumprirem a obrigatoriedade de registro do contrato no INPI, também decorreram de atos simulados, que pela sua ilicitude, são incapazes de produzir qualquer efeito tributário perante o fisco, e, por conseguinte, sem os atributos Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.846 23 imprescindíveis (necessidade, normalidade, efetividade e usualidade) para que sejam alçadas à categoria de despesa dedutível, tanto no IRPJ como na CSLL, motivo pelo qual mantenho integralmente o lançamento quanto a este tema. 11 Despesa com Serviços Prestados por PJ e Fretes O item 02 do lançamento trata da glosa de despesas com serviços de assistência técnica e consultoria, despesas estas que decorreram de serviços prestados pela empresa Consult, que como já visto, tem Simon como sócio de fato e direito, que é irmão de Martin, sócio formal da impugnante. Tratase da mesma empresa que se diz detentora das marcas comercializadas pelo Grupo CBA, e gerou despesas de royalties para a Impugnante da ordem de 19 milhões de reais, cuja glosa foi mantida, por se concluir que seriam negócios jurídicos criados artificialmente, que teriam a função de distribuir lucros ou dividendos de forma disfarçada por meio de simulação ou elevação artificial do valor das despesas, em benefícios dos verdadeiros controladores do Grupo CBA. (...) Já com relação ao item 03 do lançamento referente a glosa de despesas com fretes, as justificativas do fisco referemse basicamente a ausência de documentos comprobatórios, cuja relação consta no relatório deste voto. A defesa se manifesta sobre os 02 itens de forma conjunta, alegando sem apresentar nenhum documento comprobatório, que “a fiscalização glosou despesas legitimas de frete para o transporte de produtos da empresa e serviços prestados. O formalismo exacerbado chegou a tal ponto de glosar despesa, ainda que comprovado o pagamento integral, a descrição dos produtos, o numero da nota fiscal da empresa e o da minuta do transporte e o local para onde foi transportada as mercadorias, pois apenas foi apresentada fatura do serviço e não o conhecimento do transporte. Ora, em nenhum momento a fiscalização aponta que a prestação do serviço de transporte não existiu”. “A empresa necessita de fretes para o transporte de seus produtos e mercadorias, notadamente para os pontos de vendas e entrega a seus clientes e de serviços prestados para o desenvolvimento das atividades empresariais, como consultoria. Sendo usual e necessária, não poderia ser glosada por pequenas falhas formais e que nada interferem na realidade fática e inconteste de que tal gasto se deu a titulo de frete, despesa usual, normal e necessária para as atividades exercidas pela empresa”. Observase aqui, com relação aos serviços de consultoria prestados pela Consult, o mesmo procedimento adotado com referência aos aluguéis e aos royalties, onde os negócios jurídicos são montados de forma simulada, como se tratassem de contratos entre empresas independentes, quando na verdade se tratam de empresas que integram o mesmo grupo empresarial e são geridas pelas mesmas pessoas. Tais contratos se caracterizam ao final, como forma de distribuição de lucros ou dividendos de forma disfarçada por meio de Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.847 24 simulação ou elevação artificial do valor das despesas, em benefícios dos verdadeiros controladores do Grupo CBA. A simulação do negócio jurídico na contratação de serviços de consultoria entre empresas ligadas e pertencentes a parentes e sócios comuns se insere nas mesmas condições que sustentaram a manutenção do lançamento dos alugueis e royalties já objeto de análise neste voto, além do fato de que, mesmo intimada regularmente, a Impugnante não apresentou contrato ou qualquer documento que provasse a efetividade dos serviços de consultoria ou os documentos comprobatórios dos fretes contratados, o que impede que tais dispêndios sejam considerados dedutíveis tanto no IRPJ como na CSLL, pelo que, mantêmse os lançamentos. 12 BONIFICAÇÕES/ DESCONTOS COMERCIAIS CONCEDIDOS Intimada a se pronunciar sobre as condições de dedutibilidade das despesas com bonificações, a Impugnante apresenta Notas Fiscais em nome de entidades beneficentes, associações e outras empresas do Grupo CBA envolvidas em irregularidades fiscais. Em seu Termo de Verificação Fiscal, esclarece o autuante, que as notas fiscais trazidas ora denotam lançamentos alheios a qualquer fundamento, ora trazem ares de doação (bonificações a Ass Benef dos Amigos Tribunal de Justiça, a Associação de Educação Infantil Nós, a Assoc Educ Benef Sta Catarina de SE) ora se mostram absurdas (as notas fiscais n° 223346, 032947, 052408, 052405, 047528, 047527, tem como destinatário a própria Savon), ou simplesmente denotam a tão relatada manipulação de sociedade (bonificações a Econ Distribuição S/A, a Cestas Nordeste Com de Alim Imp Exp Ltda).Nenhuma veicula bonificação dedutível. Em resposta à intimação, a Impugnante afirma apenas que “as bonificações concedidas em mercadorias configuram despesas de vendas. Esta prática configura necessidade para venda da empresa, sendo usual para apresentação dos produtos ao mercado. Já com referência à glosa de valores na conta descontos comerciais concedidos, alega o fisco que a empresa, apesar de intimada, não apresentou os documentos fiscais que respaldaram os lançamentos contábeis que relacionou na intimação, além de indevidamente ter contabilizado despesas do exercício de 2006 (lançamento nº 14). Em resposta à intimação, alega a empresa que “o lançamento n° 14 não obedeceu ao regime de competência e sua contabilização em 2007 se deu por atraso na remessa de documentos. E que não possui as notas fiscais dos demais lançamentos listados na intimação”. Na impugnação apresentada, a autuada trata de forma conjunta, os itens de bonificações e descontos comerciais, alegando em síntese que: (...) Não há dúvida de que a prática de bonificações ou concessões que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada, é Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.848 25 prática comum adotada na área comercial para o incremento de venda e promoção dos produtos, e, de forma isolada, desde que os documentos se apresentem de forma a identificar de forma clara esta intenção, tais despesas poderiam se enquadrar nos critérios exigidos para sua dedutibilidade, na forma do art. 299, do RIR/1999. Ocorre que no presente caso, a maioria das despesas com bonificações ocorreram em transações comerciais cujo destinatário é a própria SAVON ou empresas do Grupo CBA, algumas inclusive, alvo de processo para inaptidão do CNPJ por interposição de sócios e importação fraudulenta (Cestas Nordestes). Despesas de bonificações são também registradas em nome de associações e entidade beneficentes com forte característica de doação, cuja dedutibilidade é vedada pelo art. 365, do RIR/1999. Para que fossem dedutíveis, deveria a Impugnante demonstrar de forma clara, a vinculação das bonificações com o incremento das suas vendas ou promoção dos seus produtos o que não ocorreu. Quanto aos descontos comerciais, como visto, mesmo intimada a Impugnante não apresentou os documentos fiscais que respaldaram os lançamentos, cuja relação foi apresentada na intimação fiscal e reconheceu que lançou em 2007, despesas do exercício de 2006. Ante exposto, mantenho os lançamentos referentes a glosa de bonificações e descontos comerciais concedidos. 13 COMISSÕES A Impugnante foi intimada a comprovar as condições de dedutibilidade para 35 pagamentos de comissões efetuados no anocalendário de 2007, apresentando prova satisfatório para todos exceto para o lançamento nº 34 no valor de R$ 28.152,00, para o qual apresentou nota fiscal emitida por ATM Prestação de Serviços Técnicos de Vendas Ltda em 30/10/2007 e comprovação de pagamento onde se vê que a despesa efetiva foi de R$ 9.708,85, glosandose a diferença de R$ 18.443,15. Sobre o fato, a impugnante, sem apresentar qualquer documentação comprobatória, apenas alega que: (...) Não há dúvida de que a prática de bonificações ou concessões que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada, é prática comum adotada na área comercial para o incremento de venda e promoção dos produtos, e, de forma isolada, desde que os documentos se apresentem de forma a identificar de forma clara esta intenção, tais despesas poderiam se enquadrar nos critérios exigidos para sua dedutibilidade, na forma do art. 299, do RIR/1999. Ocorre que no presente caso, a maioria das despesas com bonificações ocorreram em transações comerciais cujo destinatário é a própria SAVON ou empresas do Grupo CBA, algumas inclusive, alvo de processo para inaptidão do CNPJ por interposição de sócios e importação fraudulenta (Cestas Nordestes). Despesas de bonificações são também registradas em nome de associações e entidade beneficentes com forte Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.849 26 característica de doação, cuja dedutibilidade é vedada pelo art. 365, do RIR/1999. Para que fossem dedutíveis, deveria a Impugnante demonstrar de forma clara, a vinculação das bonificações com o incremento das suas vendas ou promoção dos seus produtos o que não ocorreu. Quanto aos descontos comerciais, como visto, mesmo intimada a Impugnante não apresentou os documentos fiscais que respaldaram os lançamentos, cuja relação foi apresentada na intimação fiscal e reconheceu que lançou em 2007, despesas do exercício de 2006. Ante exposto, mantenho os lançamentos referentes a glosa de bonificações e descontos comerciais concedidos. 13 COMISSÕES A Impugnante foi intimada a comprovar as condições de dedutibilidade para 35 pagamentos de comissões efetuados no anocalendário de 2007, apresentando prova satisfatório para todos exceto para o lançamento nº 34 no valor de R$ 28.152,00, para o qual apresentou nota fiscal emitida por ATM Prestação de Serviços Técnicos de Vendas Ltda em 30/10/2007 e comprovação de pagamento onde se vê que a despesa efetiva foi de R$ 9.708,85, glosandose a diferença de R$ 18.443,15. (...) 14 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO No caso específico, foram glosadas todas as despesas deduzidas a título de Perdas no Recebimento de Créditos, registradas na Conta 421958, cujos valores são os seguintes: março, R$ 1.349.234,47; abril, R$ 4.176.511,62; setembro, R$ 2.715.388,87, dezembro, R$ 90.001,95. Intimada a apresentar títulos e comprovar satisfação aos requisitos estabelecidos pelos artigos 340 e 341 do Decreto n° 3.000/99 (RIR), a fiscalizada reconhece que não observou as regras. Glosamse, portanto, todas as despesas deduzidas a título de Perdas no Recebimento de Créditos (Conta 421958) relacionadas no anexo ao Termo de Início, a saber: março, R$ 1.349.234,47; abril, R$ 4.176.511,62; setembro, R$ 2.715.388,87, dezembro, R$ 90.001,95. Na defesa apresentada o fato é contestado pelas seguintes razões: Se considerado o faturamento da empresa no ano de 2007, facilmente podemos perceber que as perdas relacionadas não são excessivas e anormais no seu ramo de atividade. Aliás, estaria dentro de parâmetros estatísticos do segmento, mas que foram desprezados pela fiscalização. Não cabe a fiscalização diante de realidade de fato e efetiva perda descaracterizar e glosálas por não conformidade com o formalismo. As regras e condições exigidas para dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos estão estabelecidas no art. 340, do RIR/1999, verbis: (...) A empresa confessa que não cumpriu as regras e condições estabelecidas razão pela qual mantenho o lançamento”. Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.850 27 Quanto a outros itens da autuação, como “multa isolada”, multa de ofício” e “lançamentos de CSLL”, neste caso em relação a questionamento da contribuinte que tratarse iam de legislações diferentes (IRPJ/CSLL), a decisão recorrida afastou os argumentos e manteve as imputações. Finalmente, em relação à responsabilização dos sujeitos passivos, decidiu a Turma de 1º Grau pela mantença de Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804 e Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, com base no inciso I do art. 124 da Lei nº 5.172/66, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no pólo passivo da lide. A decisão recorrida encontrase assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CUSTOS E DESPESAS. DEDUTIBILIDADE Somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. TRANSAÇÕES. LEGALIDADE. LEGITIMIDADE O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar aparente legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUTOORGANIZAÇÃO. MOTIVAÇÃO NEGOCIAL. O princípio da liberdade de autoorganização, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de direito assegurado aos contribuintes. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a ocultar o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Os percentuais da multa de ofício qualificada são determinados expressamente em lei, não dispondo a autoridade julgadora da competência para apreciar questões atinentes à legalidade ou constitucionalidade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.851 28 DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento decorrente dos mesmos pressupostos fáticos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, no que couber, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE Cientificada do R. decisum em 04/06/2012 (fls. 4603), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/12/2012 (fls. 4604/4641), no qual contrapôsse ao decidido em 1ª Instância e, quanto às matérias tratadas nos lançamentos, basicamente repete o aduzido na impugnação e especificamente pontua sobre os lançamentos: 1. Despesas com aluguéis que celebrara contrato de aluguel por quatro meses para produzir cestas natalinas, o que seria compatível com a geração de suas receitas. “...Também não seria possível que a despesa de aluguel fosse indedutível pelo simples fato de a Savon alugar o imóvel de empresa da qual participe como sócio seu irmão Simon”; 2. Despesas com pagamentos de royalties que a fiscalização não teria comprovado que Simon, Emílio e Edison seriam seus verdadeiros sócios e que o fato de no quadro societário da proprietária das marcas exploradas constarem parentes de Martin (primo e irmão) não justificaria a indedutibilidade. Diz que, conforme precedente da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão CSRF/0104.629), ainda que o direito pertença a sócio do pagador dos royalties, admitirseia a dedução. Quanto aos royalties pagos a beneficiário no Brasil, a única limitação seria relativa a pagamentos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, devendo ser afastada qualquer outra limitação (acórdãos nº 10514.640, 10322.104, 10707.514 e 10192.519); 3. Despesas com bonificações e descontos comerciais que as glosas não procederiam, “...já que como indústria e comércio de alimentos e fornecendo para o varejo e redes de supermercados, todos que atuam junto a tais clientes sabem que é usual, para o incremento de venda e promoção dos produtos que sejam concedidas bonificações em mercadorias e descontos comerciais”; 4.Despesas com Comissões que restara comprovado o pagamento e a necessidade das despesas; 5. Despesas com fretes sobre vendas e com serviços prestados por pessoa jurídica que a fiscalização não teria comprovado a inexistência da prestação do serviço de transporte; 6. Despesas com perdas no recebimento de créditos Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.852 29 que, considerando o faturamento em 2007, perceberseia facilmente que as perdas relacionadas não foram excessivas e anormais ao seu ramo de atividade; 7. Multas que, conforme decisões administrativas, seria indevida a exigência concomitante das multas isoladas por falta/insuficiência de estimativas com a multa de ofício proporcional aos tributos; especificamente quanto à CSLL, as exigência não teriam suporte legal, pois a regra da indedutibilidade restringir seia à apuração do imposto de renda; que, a multa de ofício no percentual de 150% seria indevida, pois a fiscalização não demonstrou o evidente intuito de fraude, dolo, máfé ou qualquer outra conduta ilícita, além de a exigência ter caráter confiscatório e violar o princípio da capacidade contributiva. Nesta fase recursal, os sujeitos passivos solidários, Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804 e Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, por não terem sido cientificados da decisão de 1º Piso, não acostaram RV. Subindo os autos à apreciação deste Colegiado Administrativo a então 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul editou a Resolução nº 1103000.172 (fls. 4697/4701), determinando, com fulcro no PAF e Enunciado nº 71 do CARF, que considera que “Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade”, pela conversão do julgamento em diligência para que “a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil verifique se há comprovação da ciência dos responsáveis tributários sobre o acórdão de primeira instância. Caso inexista, cientifique os responsáveis tributários do inteiro teor de tal decisão, facultandolhes a apresentação de recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual os autos devem ser devolvidos ao CARF para julgamento”. Cumprido o determinado, com a ciência dos sujeitos passivos solidários e juntada de recursos voluntários Simon (fls. 4720/4741); Edson (fls. 4744/4764); Emilio (fls. 4768/4788) e Martin (fls. 4791/4801), nos quais são repetidos os argumentos expostos na primeira impugnação, os autos voltaram para julgamento. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 4852DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.853 30 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Os Recursos Voluntários são tempestivos, os interessados estão corretamente identificados e representados e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que os recebo e deles conheço. Não havendo preliminares, passo ao mérito. Analiso inicialmente os argumentos da autuada, Savon. No caso, os lançamentos perpetrados tiveram sustentação em dois fatos que se interligam, a saber: 1. A estrutura histórico/societário do Grupo CBA – Central Brasil, do qual faz parte a Autuada, e que teria visado, no entendimento da acusação, reduzir substancialmente os valores dos tributos devidos, mediante artifícios que, mesmo atendendo exigência de cunho formal, não tinham propósito negocial; e, 2. Os lançamentos de glosas de despesas, que teriam restado não comprovadas sua necessidade, usualidade e normalidade, além de não suportadas por documentação hábil e idônea. Acerca do primeiro tópico, pela análise profunda, detalhada e suportada por sólidos argumentos, por com ela perfilar, adoto integralmente, como razões de decidir, os argumentos da decisão recorrida expressos no Acórdão de 1ª Instância (fls.4558/4571), a seguir alinhavados: “As provas diretas e indiretas anexadas ao PAF pela Autoridade autuante comprovam de forma insofismável, que, apesar de formalmente se apresentarem como unidades independentes, a gestão e o funcionamento das empresas integrantes do Grupo CBA, de fato, se caracterizam pela mais completa confusão funcional, administrativa e contábil. Tal fato demonstra claramente que os Impugnantes, valendose do direito assegurado na Constituição Federal, que concede liberdade a todos os contribuintes para organizar seus negócios da maneira que melhor lhes convier, sem nenhuma motivação empresarial válida, constituíram uma rede de empresas em nome de sócios interpostos ou sócios localizados em paraísos fiscais, que, simulando a existência de empreendimentos independentes, se traduziam ao final em um único empreendimento conduzido pelos efetivos sócios (Simon, Emílio e Édison), operando os negócios de importação e comercialização dos produtos controlados pelo Grupo CBA. Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.854 31 Em criterioso trabalho de pesquisa cadastral e provas diretas e indiretas que serão analisadas no decorrer deste voto, o fisco desnuda toda a engrenagem montada à partir da base logística do Grupo CBA, montada na Rodovia Anhangüera, KM 51 + 360 metros, Pista Norte, bairro de Terra Nova em Jundiaí estado de São Paulo, onde, sem nenhuma razão empresarial lógica, os diversos negócios jurídicos eram contratados em série através de passos previamente elaborados, cuja finalidade exclusiva, era fugir da tributação ou obter vantagens fiscais e tributárias, por meio de passos semelhantes a um planejamento tributário, o que não seria possível, uma vez que o planejamento não abriga atos ilícitos. Os fatos e o histórico da evolução cadastral a seguir demonstrados, cujos documentos comprobatórios integram o presente PAF, nos levam a concluir que desde 1995, quando Simon, Emílio e Édison constituíram a CBA – Central Brasil de Alimentos, até a presente data, o Grupo CBA vem operando na importação e comercialização dos seus produtos, com utilização do mesmo modus operandi e tendo como base logística e operacional, a estrutura montada em Jundiaí –SP. Assim, as empresas são montadas em nome de pessoas sem capacidade econômica, quase sempre com sócios majoritários localizados em paraísos fiscais, que operam até o início das fiscalizações, momento a partir do qual o faturamento vai paulatinamente sendo transferido para outras empresas do grupo, montadas com as mesmas características que passam a comercializar os mesmos produtos do Grupo CBA como se tratasse de empreendimentos autônomos. Com base em extratos cadastrais e provas diretas anexadas ao PAF, o fisco demonstra de forma clara, a evolução históricocadastral do Grupo CBA e a relação íntima entre as diversas empresas criadas pelo grupo, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal, abaixo resumidos: CBA – Central Brasil Em março de 1995 Simon, Emílio e Edison constituíram Cesta Brasileira de Alimentos Ind Com Imp e Exp Ltda, CNPJ 00.530.540/0001 87, cada um com 60%, 20%, 20% do capital social, respectivamente. Em outubro de 1998, os três retiraramse da sociedade, transferindo suas quotas para Janesville Participações e Locações Mobiliarias S/C Ltda, CNPJ 02.721.825/000120, (99%) e para Milton Alves, CPF 888.443.828 49, (1%), e alterou a denominação social para Central Brasil de Alimentos Comércio Importação e Exportação Ltda. Janesville, a nova sócia de Central Brasil, por sua vez, era constituída por Janesville Busines Corporation, localizada nas Ilhas Virgens, sem inscrição no CNPJ, representada no Brasil por Milton Alves, com 99% do capital social e o restante (1%) pertencente ao seu procurador Milton Alves. Nesta época o faturamento anual declarado saltou de R$ 638.882,28 no anocalendário 1995; R$ 4.246.468,08 em 1996 e R$ 7.095.245,59 em 1997 para R$ 114.490.675,22 em 1998; R$ 140.748.634,73 em 1999; R$ 183.577.032,70 em 2000 e zero em 2001, ano que registrou na Receita Federal a constituição da filial n° 0025 na Rod. Anhanguera, KM 51 + 360 metros, Pista Norte, bairro Terra Nova, Jundiaí/SP, com nome fantasia Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.855 32 CBA, endereço este, que passará a ser o centro de decisões e operações do grupo e domicílio de diversos CNPJ por ele manipulados. Foi declarada inapta em 27/06/2003, processo administrativo n° 10735.001246/200319, quando AuditoresFiscais da aduana de Nova Iguaçu/RJ constataram interposição de pessoa. Permanecendo nesta condição até hoje. CBA Comércio/Ceará Brasil/Cestas Nordeste Enquanto o faturamento de CBA Central Brasil foi de 183 milhões para zero entre 2000 e 2001, o faturamento do grupo foi carreado para CBA Comércio, Importação, Exportação Ltda, CNPJ 04.175.078/000106, iniciando com 92 milhões em 2001 e chegando a 261 milhões em 2003 Constituída no final de 2000 com o mesmo quadro social de Central Brasil (Milton Alves (1%) e Janesville Participações (99%), em março de 2001 CBA Comércio transferese para o mesmo endereço da já antiga CBA Central Brasil, em Jundiaí. Em 2002 Milton e Janesville foram substituídos no quadro social por Antonio Carlos Bruno, CPF 148.407.27821, e por Marcio Pascoal Guida, CPF 029.838.668 23, passando a denominarse Ceará Brasil Comércio de Alimentos Importação e Exportação Ltda. Finalmente, em 2007, Antonio Carlos Bruno foi substituído por Queimados Rio Participações S/A, CNPJ 08.737.243/000119, e adotada a atual denominação Cestas Nordeste Comércio de Alimentos Importação e Exportação Ltda. Queimados Rios S/A, por sua vez, foi constituída 2007 com as mesmas pessoas naturais de CBA/Cestas Nordeste: Márcio Guida, Presidente; Antonio Carlos Bruno, Diretor. Em 2004 Cestas Nordeste foi submetida a procedimento fiscal pela Delegacia da Receita Federal em Jundiaí/SP, quando se constatou, além da sonegação de impostos em grande proporção, que os sócios não possuíam capital para justificar a integralização do capital social e que a empresa era dirigida, de fato, pelo mesmo responsável pela Central Brasil, Simon Bolivar da Silveira Bueno, pelo que foi formalizada proposta de inaptidão, em 29/04/2004, no processo 13839.001254/200476. Neste procedimento fiscal os auditores contataram, em síntese, que: • A empresa vinha realizando importações acima da capacidade de recursos; • Márcio Guida também é interposta pessoa de Simon, Emílio, Edison; • Márcio Guida informa o falecimento de Milton Alves em maio/2002; • Na tentativa de comprovar a integralização do capital social de CBA Comércio (Cestas Nordeste) por parte de Janesville Participações, é apresentado Documento de Crédito DOC onde se via o contrário: CBA é que deposita dinheiro na conta de Janesville. Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.856 33 Mais ainda: utilizando o CNPJ de Central Brasil, que no relatório os AuditoresFiscais chamam CBA/Rio de Janeiro (a sucedida no faturamento do grupo); • Simulava obrigações de aluguéis mensais com Colorado Participações no valor de R$ 360.000,00. Adiante verseá que Simon é, hoje, o único sócio formal de Colorado. Serra Leste Após a formalização da proposta de inaptidão, Cestas Nordeste transferiu seu domicílio tributário para Fortaleza/CE, tendo reduzido o faturamento declarado de 261 milhões em 2003 para 65 milhões em 2004 e 25 milhões em 2005, ao tempo que as operações do grupo passavam a se concentrar em outra empresa do grupo Serra Leste Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.017.711/000167, cujo faturamento passou de 22 milhões em 2003 para 334 milhões em 2004 e 394 milhões em 2005. Constituída em março de 1999 com o mesmo quadro social de Central Brasil e de Cestas Nordeste (Milton Alves, 1%; Janesville Participações, 99%), em novembro deste mesmo ano Serra Leste transferese para o mesmo endereço do grupo em Jundiaí. Ainda em novembro de 1999, Milton e Janesville foram substituídos por Martin Afonso de Sousa Bueno (1%), CPF 690.278.11172, e por Brantley Participações e Locações Mobiliarias S/C Ltda (99%), CNPJ 03.431.511/000156. Brantley Participações, a nova sócia de Serra Leste, era constituída à época por Brantley Trading S/A (99%), estrangeira situada nas Ilhas Virgens, sem registro no CNPJ, e por seu Procurador no Brasil, Martin Afonso de Souza Bueno (1%). Contra Serra Leste, foi formalizada representação para inaptidão em 09/06/2005, pelo mesmo motivo, constituição por interpostas pessoas, com aplicação de recursos de origem não comprovada na importação de mercadorias, através do processo administrativo fiscal n° 10314.005333/200568. Serra Leste manifestou administrativamente inconformidade com a inaptidão. Perdeu. Recorreu à justiça, processo judicial n° 2005.61.00.0258531. Após decisões interlocutórias (inclusive do STJ), o juízo de primeira instância sentenciou reconhecendo a interposição e a não comprovação da origem dos recursos aplicados no comércio exterior. Alterou unicamente seus efeitos, subsumindo os fatos ao artigo 33 da Lei 11.488/07 e comutando a declaração de inaptidão em aplicação de multa. A partir daí o faturamento declarado de Serra Leste cai de 394 milhões em 2005 para 31 milhões em 2006, enquanto o grupo passa a operar com Savon, cujo faturamento pula de 20 milhões em 2005 para 271 milhões em 2006 e para 399 milhões em 2007, sem o correspondente pagamento de tributos. Em setembro de 2005 a estrangeira Brantley Trading S/A é retirada do quadro de Brantley Participações, que passa a se denominar Masb Participações Ltda, com 100% do capital social concentrandose em Martin Fl. 4856DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.857 34 Afonso de Souza Bueno. Desde então Serra Leste, que se debate contra a inaptidão, é constituída por essa irregular sociedade de sócio único, com 99,99%, e pelo único sócio dela, Martin Afonso de Souza Bueno, 0,01%. Ou seja, Martin Afonso é, formalmente, a única pessoa natural proprietária de MASB e de Serra Leste. Quem é Martin Bueno? Irmão de Simon Bueno, Martin possuía o singelo patrimônio de R$ 59.091,00 em 31/12/2000. Informam os quatro envolvidos em suas respectivas declarações do imposto de renda que no curso do ano 2001, Simon, Emílio e Edison emprestaram a Martin R$ 1.176.000,00 e que este emprestou a mesma quantia a Brantley Participações (MASB). E que todos devolveram o que tinham a devolver, restando somente débito de R$ 40.000,00 de Martin com Simon. Ao cabo desta operação, em 31/12/2003, o patrimônio de Martin Bueno permaneceu em R$ 58.853,47. Desde o anocalendário 2008 Martin está omisso na entrega de declaração do imposto de renda. Savon Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda Em 2006 Serra Leste cindese parcialmente, vertendo R$ 42.300.000,00 do seu capital social para Savon Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 04.184.711/000114. O ativo patrimonial vertido para Savon é composto basicamente por “Outra contas a receber” no valor de R$ 34,3 milhões, ao tempo que Serra Leste lhe transfere diversos contratos de fornecimentos de cestas básicas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a folha de pagamento de funcionários e a posse de imóveis das suas 20 filiais, acompanhado dos respectivos encargos, tais como: funcionários, aluguel, tributos, taxas e tarifas públicas. Vê se, entretanto, no contrato social de Serra Leste, consolidado após a cisão, que esta permaneceu com as mesmas 20 filiais, resultando compartilhamento da posse dos imóveis. A cisão/incorporação resumiuse à transferência das operações para Savon. No processamento da cisão/incorporação, Martin Bueno assina Protocolo de Justificação por MASB e por si mesmo, na qualidade de únicos sócios de Serra Leste, e Gabriel Eustáquio de Resende assina na qualidade de sócio de Savon. Além dos mencionados elementos convergentes de que Savon, tal qual Milton Alves, Antonio Carlos Bruno, Marcos Pascoal Guida, Martin Bueno (e CNPJ por eles instituídos), é mero instrumento sucessor na ocultação por Simon, Emílio e Edson das operações realizadas pelo conhecido "Grupo CBA", restou provado que estes utilizaram também Gabriel Eustáquio de Resende, CPF 140.107.80606, como laranja no quadro societário de Savon. Da Constituição da SAVON Constituída em 2000 por MASB (Martin Bueno), Luiz Augusto Peixoto e Ricardo Peixoto de Castro com capital social de R$ 100.000,00, Savon sucedeu inicialmente a Sulfoquímica do Nordeste Industria e Comércio Ltda, CNPJ 41.986.845/000185, na fabricação de sabões e detergentes na Avenida Probahia, SN, Centro Industrial do Subaé, bairro Tomba, Feira de Santana/BA. Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.858 35 Sucedeu materialmente, mas não formalizou, constituiu novo CNPJ e manteve o da Sulfoquímica ativo,em paralelo. Em maio de 2001 Luiz Augusto e Ricardo transferem suas quotas no valor de R$ 49.000,00 para Gabriel Eustáquio. Em junho de 2001 MASB integraliza R$ 2.400.00,00, aumentando sua participação para 2.451.000,00 e o capital social para R$ 2.500.000,00. Em novembro de 2002 MASB integraliza mais R$ 4.918.000,00, aumentando sua participação para R$ 7.369.000,00 e o capital social para 7.418.000,00. Em maio de 2006 Savon incorpora parte de Serra Leste, como já relatado. A pessoa física Martin Bueno ingressa na sociedade com R$ 1.000,00 e o sócio Gabriel Eustáquio tem sua participação reduzida de R$ 49.000,00 para 48.000,00. O capital social fica assim composto: MASB 49.668.000,00 Gabriel 48.000,00 Martin 1.000,00 Em fevereiro de 2007 Gabriel retirase da sociedade, cedendo suas cotas para Martin Afonso Bueno. Sobre Gabriel Eustáquio, é interessante ressaltar que consta do PAF, declaração formal assinada de próprio punho informando que tramita na 1ª Vara do Trabalho de Feira de Santana, Reclamação Trabalhista tombada sob o n° 000040888.2010.5.05.0191, movida contra a SAVON INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, UNIALIMENTAR COMÉRCIO E SERVIÇOS DE ALIMENTOS LTDA., SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO e MARTIN AFONSO DE SOUSA BUENO, para fins de anulação das sucessivas fraudes realizadas pelas Reclamadas e reconhecimento de vínculo de emprego. O processo está na fase de conhecimento. Acrescenta o ex sócio da SAVON: que nunca adquiriu quotas da empresa Savon Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda, inscrita no CNPJ sob o n° 04.184.711/000114, assim como jamais recebeu valores a título de alienação de participação. Em verdade, o Intimado foi vítima de sucessivas fraudes; que em 26.12.2002, SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO determinou a realização de um depósito de R$ 49.000,00 (quarenta e nove mil reais) na conta corrente do Intimado, a fim de "comprovar" a suposta compra de 4.900 cotas da empresa; que, em 27.12.2002, exatamente um dia após a transação acima relatada, SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO determinou que o Intimado devolvesse o montante utilizado para a suposta aquisição de cotas da SAVON, o que foi realizado através de um cheque nominal do Banco Bradesco, depositado na conta particular dele; Fl. 4858DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.859 36 que carente de recursos para sustentar a si e seu filho, foi vítima de sua condição de hipossuficiente e teve o nome dele vinculado ao contrato social da SAVON até o ingresso de MARTIN AFONSO DE SOUSA BUENO, irmão de SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO. Do interrelacionamento da Impugnante com outras empresas do Grupo CBA, sócios de fato e interpostas pessoas – Sustento Alimentos Em junho de 2007, a Receita Federal em Salvador/Ba lavrou auto de infração no valor de R$ 23,9 milhões sobre a empresa Sustento Alimentos Comércio Importação Exportação Ltda, CNPJ 04.838.459/000110. Esta empresa, cuja assessoria jurídica era também prestada por Marcos Melo, advogado do Grupo CBA e da Savon, hoje declarada inapta, tinha como sócios Marcio Guida e Antonio Carlos Bruno, mesmo quadro de Cestas Nordeste à época da constatação da fraude em JundiaíSP. Na representação penal foi relacionado, ainda, Estilaque Oliveira Reis na qualidade de contabilista de Sustento Alimentos. “Antes disso, porém, em 2004, os Auditores Fiscais da Receita Federal em Jundiaí já apontavam a utilização de Sustento pelo grupo. É o que se vê à folha 29 do processo administrativo fiscal n° 13839.001254/200476, quando relataram: "o senhor Márcio Pascoal Guida faltou com a verdade quando disse que a Sustento Alimentos e Sul Brasil Alimentos não têm qualquer ligação com a CBA/Jundiaí, pois isso foi comprovado por diversas vezes, seja através da propaganda da CBA/Jundiaí veiculada pela internet (doc. fls. 286 a 2 92), seja através do depósito bancário feito pela CBA/Jundiaí para a Sustento Alimentos (doc. fls. 173)". Marcos Guida e Estilaque Oliveira Reis, integram a relação de 28 procuradores nomeados com amplos poderes para representar a SAVON perante os órgãos públicos em geral. Coroa Industria e Comercio Ltda. Sobre a citada empresa, informa o fisco que “em agosto de 2006, é registrado na Juceb Ata de Assembléia de Fundação de Coroa Participações S/A, CNPJ 0'.269.454/000174, com sede na Rua São Domingos, 498, Feira de Santana/BA, onde participaram como fundadores Lucia Marina Siqueira Bueno (esposa de Simon), Emilio Bueno, Edison Benette, com Capital de R$ 10.000,00, sendo R$ 6.032,00 de Lucia, R$ 2.051,00 de Emilio e R$ 1.917,00 de Edison Benette. Informam a participação em outras sociedades como objeto social. Marcos Roberto Melo assinou a Ata de Fundação como Advogado”. “Em outubro do mesmo ano Simon é eleito presidente; Emilio Bueno, DiretorFinanceiro; Edison Benette, DiretorAdministrativo; Sergio Bracco e Marcos Melo, Conselheiros, quando alteram a denominação para Coroa Indústria e Comércio S/A. Ato contínuo alteram o objeto social da companhia para: atuação no ramo de indústria e comércio de detergentes em pó, demais produtos fitossanitários (o mesmo de Savon), bem como benefício de gêneros alimentícios e montagem e comercialização de cestas de alimentos e de natal (o mesmo de CBA) e participação em outras sociedades”. Fl. 4859DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.860 37 “Em 27/06/2007 registra na Juceb Ata de Assembléia onde altera o endereço para a Avenida Probahia, S/N, CIS (mesmo endereço de Savon) e autoriza a criação de uma filial na Avenida Banco do Nordeste, S/N, Lote 07 e 08, Quadra C, CIS (em terreno próximo ao fundo de Savon)”. “Em 31/10/2007 registra na Juceb Ata de Assembléia onde altera o endereço da filial de Av Banco do Nordeste para Avenida Probahia, Quadra C, Lote 09, CIS (Mesmo Endereço de Savon) e altera o endereço da sede para Avenida Banco do Nordeste, S/N, Lote 07 e 08, Quadra C, CIS. Na mesma data assina protocolo de intenções com SAVON, onde esta cede sua planta industrial com todo o maquinário e estrutura apta a produção para Coroa Indústria e Comércio S/A”; e “SAVON transfere para esta os benefícios fiscais de que usufruia. Intimada sobre os benefícios concedidos por Savon e contrapartidas a ela oferecidas, Coroa Indústria manteve silêncio. O correio eletrônico informado à Receita Federal por Coroa Indústria é silvana.savon@cba.com.br. Fica claro, mais uma vez, a utilização Savon como instrumento de manipulação dos reais sócios do grupo CBA, agora por intermédio de sua empresa Coroa Indústria e Comércio S/A”. Ado Participações Ltda. No curso da fiscalização o fisco constatou, que no mesmo endereço da SAVON, e da Coroa Ind e Comércio, também funcionava a empresa Ado Participações. Sobra a cita empresa, afirma o fisco que “inquiridos sobre a existência de Ado Participações naquele endereço, tanto a procuradora de Savon, senhora Silvana Souza e Souza, CPF 689.183.48568, quanto o gerente comercial e responsável pelo expediente, senhor Antonio Fernandes Amaral, CPF 876.781.01872, afirmaram desconhecêla. Por conseguinte, foi proposta inaptidão de Ado Participações. Ado Participações foi constituída em 21/11/2001 em São Paulo/SP. Até 14/11/2007 denominavase Ado Participações SC Ltda, nesta mesma data alterou domicílio para Feira de Santana, mesmo endereço de Savon. Teve ADO COMMAL. INC (estrangeira, Ilhas Virgens, empresa que tem Edison Benette como Procurador) como sócia (99,90%) e Edison Benette (0,10%) até 11/2007. Notase mais uma estranha utilização de Savon por sócio do grupo CBA. Consult – Consultoria Empresarial S/C Ltda. Segundo o Fisco, a Consult Consultoria Empresarial S/C Ltda, CNPJ 03.308.922/000159, optante pela tributação mais favorecida do Lucro Presumido, dentro da estrutura formal montada pelo Grupo CBA, “teria em sua composição societária Simon (60%), Emílio (20%), Edison (20%), verdadeiros sócios de Savon. Seria, também, proprietária das marcas CBA, Paladar, Palate e por elas receberia de Savon a fortuna de 19,0 milhões a título de royalties somente em 2007 e ainda teria recebido por serviços de consultoria R$ 920 mil no mesmo ano. Acrescenta a Autoridade Fiscal que Consult, declara em sua DIPJ ter em Savon sua única fonte de receita, da qual teria auferido R$ 920.000,00 Fl. 4860DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.861 38 em 2007. Informa ter distribuído lucros R$ 693.000,00 aos sócios Simon, Emílio, Edison neste mesmo ano: R$ 231.000,00 para cada. Os sócios trazem informações semelhantes em suas declarações da pessoa física: Consult foi a única empresa a lhes distribuir lucros. Segue nesse mesmo passo 2008, 2009. Consult declara receitas de R$ 4.539.158,20 e de R$ 4.691.265,57; e cada sócio declara recebimento de lucros unicamente dela no valor de R$ 1.200.000,00 cada, em cada ano, respectivamente (um pouco mais para Simon, que informa 1.370.000,00 em 2009). Não é natural que os sócios do Grupo CBA, um dos maiores do país, como participação comum formal pelo menos em Consult, Bônus Brasil, D'Hoje Supermercados, Checom Cheque, Coroa Indústria, Coroa Participações, Colorado Participações, Unialimentar, ERJ Adm, Plan Serviços receberiam lucros unicamente de Consult. E todo o lucro ele vindo de Savon. Além dos fatos acima citados, a Autoridade Fiscal encarregada do procedimento fiscalizatório, traz ao PAF diversas provas diretas e indiciárias a seguir detalhadas, que entendo como suficientes a comprovar a ligação da impugnante, com os verdadeiros proprietários do Grupo CBA: ∙ A concentração de faturamento do grupo CBA acompanha a movimentação societária e a interposição de pessoas nos CNPJ mencionados. ∙ Nenhuma das pessoas físicas utilizadas na composição societária das empresas investigadas tem capacidade financeira/econômica para tal. ∙ As empresas estrangeiras envolvidas são domiciliadas no paraíso fiscal Ilhas Virgens e controladas formalmente pelas mesmas interpostas pessoas físicas detentoras do controle formal das brasileiras, sem justificativa. ∙ Cestas Nordeste já simulava aluguéis a Colorado Participações desde antes de 2004, mesmo fato verificado em Savon. ∙ Márcio Guida e Antonio Bruno, os mesmo interpostos de Cestas Nordeste, também foram utilizados fraudulentamente na composição de Sustento Alimentos. Márcio Guida é um dos procuradores de Savon. ∙ Estilaque Oliveira, contador de Sustento Alimentos, também é um dos procuradores de Savon. Marcos Melo, advogado, exerceu atividade para Sustento Alimentos; exerce para Savon; fez a defesa administrativa e judicial de Cestas Nordeste e de Serra Leste. ∙ O mesmo Marcos Melo participou da fundação e constituição de Coroa Indústria (Conselheiro) em Feira de Santana, empresa do grupo que hoje apoderouse de Savon. Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.862 39 ∙ Coroa Indústria e Comércio, fundada por Marcos Melo, Simon, Emílio, Edison apoderouse das instalações de Savon e de seus benefícios fiscais, sem nenhuma contrapartida ou justificativa, para produção de cestas básicas dos grupo CBA. ∙ Coroa Indústria e Savon tem hoje o mesmo gerente no diaadia: Antonio Fernandes do Amaral, pessoa sem vínculo formal presente ou pregresso com nenhuma empresa. ∙ O correio eletrônico de Coroa Indústria perante a Receita Federal indica uma funcionária e procuradora de Savon e o grupo CBA. ∙ O endereço de Savon, além de coincidir com filial de Coroa Indústria, é o domicílio tributário de Ado Participações, controlada formalmente pela estrangeira Ado Commal, de Edison Benette. ∙ Martin Bueno, irmão de Simon Bueno e único proprietário formal de Masb, Serra Leste e Savon, além de não possuir capacidade financeira, teria constituído as empresas com empréstimos de Simon, Edison, Emílio, devolvidos no ano seguinte, segundo as DIRPF anexada ao PAF. ∙ Martin Bueno se apresenta à imprensa como principal executivo do grupo CBA. ∙ Serra Lesta, ao incorporarse a Savon, mantém os mesmo imóveis das filiais para si, compartilhandoas. ∙ Serra Leste, ao incorporarse a Savon compartilhando os mesmo imóveis de filiais, tem três filiais com endereço coincidente com filiais da inapta Central Brasil e uma coincidente com filial de Cestas Nordeste. ∙ Gabriel Eustáquio, exsócio de Savon, confirma tudo quanto constatado pela Receita Federal: Savon pertence a Simon Bueno. ∙ Gabriel Eustáquio informa que ele próprio foi utilizado como laranja no quadro societário de Savon. ∙ Antes mesmo da "cisão/incorporação" Savon já constituira filial em endereço comum a Cestas Nodeste e Serra Lesta: Avenida Pe. Pedro de Alencar, n° 2300, Messejana, Fortaleza/CE. ∙ Savon oferece garantias por empresas pertencentes a Simon, Edison, Emílio sem nenhuma contrapartida ou justificativa (Econ Distribuição, Bônus Brasil, Coroa Participações Ltda). ∙ Savon arrendou e importou uma aeronave em substituição a Colorado Participações. ∙ MASB, a principal sócia de Savon, e Consult, a maior beneficiária de despesas de Savon , tem o mesmo domicílio tributário. (...) As provas diretas e indiretas anexadas ao PAF pela Autoridade autuante, comprovam de forma insofismável, que, apesar da existência de Fl. 4862DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.863 40 vários estabelecimentos formalmente independentes, estes se caracterizavam pela mais completa confusão funcional, administrativa e contábil, o que demonstra o acerto do Fisco em não aceitar os efeitos fiscais desta simulação, apurando os tributos federais segundo a forma prevista para o caso concreto, independente da formulação jurídica abusivamente adotada. A corroborar o entendimento acima exposto, algumas decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) A jurisprudência e a doutrina já pacificaram o entendimento, de que a montagem de complexas estruturas, como a aqui apresentada, com a utilização de atos e negócios jurídicos das mais diversas configurações, além de provas diretas, podem também ser comprovadas de forma indireta, por meio de indícios, vez que em face da própria natureza do mencionado ardil resta muito difícil, para não dizer impossível, comproválo integralmente por meio de prova direta. A presunção é um meio de prova, conforme especifica o art. 212 do Código Civil, construído a partir de um substrato fático formado pela reunião de indícios. Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário, Resenha Tributária, São Paulo, 1991, p. 3/4) ensina: (...) Moacyr Amaral Santos (Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º volume, 3ª ed., São Paulo, Ed. Saraiva, 1977, p. 436/437), leciona: (...) Sobre o assunto, vale ainda transcrever o ensinamento do Prof. Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direto Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 341: (...) Observese o que diz Paulo Celso B. Bonilha (Da prova no Processo Administrativo Tributário, Dialética, São Paulo, 1997, p. 92): (...) No caso específico, observase que lançamento está fundamentado em provas diretas e numa quantidade expressiva de indícios e presunções que em nada o desabona, pois são os indícios, ou fatos conhecidos, as bases para construção da prova. Ante o exposto, entendo restar devidamente comprovado no presente PAF, que, apesar de formalmente montadas por meio de interposição de terceiros e funcionarem como empresas independentes, desde o ano de 1995 até a presente data, as empresas Cesta Brasileira de Alimentos Ind Com Imp e Exp Ltda, CNPJ 00.530.540/000187 (1995 a 2000), CBA Comércio, Importação, Exportação Ltda, CNPJ 04.175.078/000106 (2000 a 2003), Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.864 41 Serra Leste Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda. CNPJ 03.017.711/000167(2003 a 2005) e à partir de 2006 SAVON Comercio Importação e Exportação Ltda. CNPJ –04.184.711/000114, integram o Grup CBA, e são empreendimentos de fato gerido pelos verdadeiros sócios Simon, Emilio e Edison. Estes senhores, em conjunto ou isoladamente, são formalmente sócios das empresas Consult, Bônus Brasil, D'HOJE Supermercados, Checom Cheque, Coroa Indústria, Coroa Participações, Colorado Participações, Unialimentar, ERJ Adm, Plan Serviços, que atuam em conjunto com as empresas montadas em nome de terceiros acima citadas, na condução do empreendimento único que tem por objetivo empresarial, importar, montar e comercializar os produtos que compõe o portfólio do Grupo CBA. Por esta razão, os efeitos tributários decorrentes desta simulação de estrutura formal montada pelo contribuinte, sem nenhuma motivação empresarial e cujo objetivo final foi simplesmente omitir ou reduzir a carga tributaria, são inoponíveis ao fisco, que no caso específico, tem o dever de exigir os tributos correspondentes, segundo o fato gerador efetivamente ocorrido”. No que tange ao segundo ponto dos autos e que diz respeito aos lançamentos de “glosas de despesas” procedidas pelo Fisco, passo à sua análise: Segundo o TVF, foram dez as infrações constatadas, devendo se destacar que, nos casos das infrações 01, 02 e 07, aplicouse a multa qualificada de 150%: Infração 01 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUEL. Infração 02 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – SERVIÇOS PRESTADOS PJ. Infração 03 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – FRETES. Infração 04 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – DESCONTOS COMERCIAIS CONCEDIDOS. Infração 05 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – COMISSÕES. Infração 06 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS – BONIFICAÇÕES. Infração 07 – ALUGUÉIS OU “ROYALTES” GLOSA DE DESPESAS “ROYALTES. Infração 08 – PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS GLOSA DE DESPESAS PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Infração 09 – MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Fl. 4864DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.865 42 Infração 10 MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Segundo o Fisco, os motivos que levaram às glosas tiveram como motivação, individual ou concomitantemente, fatores como não apresentação de documentação hábil e idônea, estrutura societária (já tratada antes) que implicou em despesas desnecessárias ou cujos pagamentos tiveram como beneficiárias as pessoas físicas identificadas pela Autoridade Fiscal como verdadeiras sócias/proprietárias da recorrente ou pessoas jurídicas a elas ligadas; pagamentos de aluguéis por valor infinitamente superior ao de mercado e a pessoa jurídica vinculada, royalties sem registro no INPI, etc. Não é necessária maior digressão para se concordar que as “despesas”, na acepção de dedutibilidade tratada no artigo 299, do RIR/1999, devem se revestir de “normalidade, usualidade e necessidade, além de estarem suportadas por documentação hábil e idônea e contemporânea aos fatos. Nesse sentido, remansosa e torrencial jurisprudência do Colegiado e desta Turma. Em última palavra, tratase de matéria de cunho fático e que exige prova, não bastando meras alegações de que a despesa “x” ou “y” seria necessária, usual e normal. Mais que isso, precisa correlacionarse com a atividade da empresa, estar de acordo com a legislação e possuir documentos probantes. Em suma, lançamentos inseridos nos livros contábeis de nada valem se não acompanhados e suportados por PROVAS documentais lhes deem lastro. A respeito: √ RIR/1999 (Decreto nº 3.000): Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). §1º A escri turação mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis , segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por Fl. 4865DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.866 43 documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). √ Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade nº 563/83, de 28/10/1983, que aprovou a NBC T 2 “Da Escrituração Contábil” – NBC T 2.1 “Das Formalidades da Escrituração Contábil”: 2 (...) 2.1.5 – O "Diário" e o "Razão" constituem os registros permanentes da Entidade. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos gerais da escrituração contábil, observadas as peculiaridades da sua função. No "Diário" serão lançadas, em ordem cronológica, com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. De outro giro, há despesas lançadas que, mesmo tendo documentação a lhes dar apoio, afrontam dispositivos explícitos da legislação tributária, levando à sua desconsideração. Dito isto, passo à análise de cada item glosado. 1. Despesas com Aluguéis Comprovadamente o Fisco apontou a existência de dois pagamentos que extrapolaram o preço de mercado para a região e, “coincidentemente”, pertenciam a empresas ligadas aos verdadeiros sócios da contribuinte, no caso a Colorado, destacandose que, enquanto a “média” local era de R$ 32.137,00, o valor pago foi de R$ 1.186.100,00 (mensais). Com isso, ainda que a recorrente tente justificar ser este o efetivo preço do aluguel, não há dúvidas, pela discrepância de montantes, que tal “despesa” mais se assemelha a uma verdadeira distribuição de lucros, por isso, como corretamente entendeu a Fiscalização, indedutíveis. É o dizer do artigo 351, do RIR/1999: Art. 351. A dedução de despesas com aluguéis será admitida (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71): I quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e II se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros, ressalvado o disposto no art. 356. § 1º Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): 2 Referida Resolução, vigente à época dos fatos, foi revogada pela Resolução CFC nº 1.300/2011, de 18/03/2011, que aprovou a ITG 2000 Escrituração Contábil, sendo mantidas, na nova norma, essencialmente, as mesmas determinações do texto revogado, com as adaptações e ajustes resultantes das evoluções legislativa e administrativa ocorridas. Fl. 4866DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.867 44 I os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder ao preço ou valor de mercado; Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. 2. Despesas com pagamentos de royalties Sem necessidade de maiores aprofundamentos, a dedução tentada pela recorrente a título de despesas com royalties, mais não fosse, esbarra em descumprimento de regra letal: a falta de averbação do contrato de royalties no INPI, requisito obrigatório a dar suporte à dedutibilidade, conforme artigo 353, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativas ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Acresçase que a própria recorrente, literalmente, reconhece não haver tal averbação. Mantida a glosa e NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. 3. Despesas com bonificações e descontos comerciais Ainda que a recorrente alegue que “como indústria e comércio de alimentos e fornecendo para o varejo e redes de supermercados, todos que atuam junto a tais clientes sabem que é usual, para o incremento de venda e promoção dos produtos que sejam concedidas bonificações em mercadorias e descontos comerciais” e que esta prática de bonificações ou concessões que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada, seja comumente adotada na área comercial para o incremento de venda e promoção dos produtos, não é menos certo que como nos demais casos já vistos as negociações, em sua esmagadora maioria, envolveram a própria SAVON ou empresas do Grupo CBA, algumas inclusive, alvo de processo para inaptidão do CNPJ por interposição de sócios e importação fraudulenta (Cestas Nordestes). Despesas de bonificações são também registradas em nome de associações e entidade beneficentes com forte característica de doação, cuja dedutibilidade é vedada pelo art. 365, do RIR/1999. Caberia à recorrente demonstrar em que tais bonificações com empresas ligadas incrementaram suas vendas. Não o fez. Fl. 4867DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.868 45 Já no que se relaciona com os “descontos comerciais”, a recorrente, mesmo intimada pelo Fisco, sequer apresentou os documentos fiscais que respaldaram os lançamentos, cuja relação foi apresentada na intimação fiscal e reconheceu que lançou em 2007, despesas do exercício de 2006. NEGADO PROVIMENTO. 4. Despesas com Comissões Intimada a apresentar a comprovação dos pagamentos de comissões em 2017, a recorrente deixou de fazêlo somente para o item 34, no valor de R$ 28.152,00, para o qual apresentou nota fiscal emitida por ATM Prestação de Serviços Técnicos de Vendas Ltda em 30/10/2007 e comprovação de pagamento onde se vê que a despesa efetiva foi de R$ 9.708,85, pelo que glosado e mantido o valor residual de R$ 18.443,15. NEGADO PROVIMENTO. 5. Despesas com fretes sobre vendas e com serviços prestados por pessoa jurídica Este item engloba duas infrações e a recorrente, para ambas, fez as mesmas alegações, assentando que “a fiscalização glosou despesas legitimas de frete para o transporte de produtos da empresa e serviços prestados. O formalismo exacerbado chegou a tal ponto de glosar despesa, ainda que comprovado o pagamento integral, a descrição dos produtos, o numero da nota fiscal da empresa e o da minuta do transporte e o local para onde foi transportada as mercadorias, pois apenas foi apresentada fatura do serviço e não o conhecimento do transporte. Ora, em nenhum momento a fiscalização aponta que a prestação do serviço de transporte não existiu”. Mais, que "a empresa necessita de fretes para o transporte de seus produtos e mercadorias, notadamente para os pontos de vendas e entrega a seus clientes e de serviços prestados para o desenvolvimento das atividades empresariais, como consultoria. Sendo usual e necessária, não poderia ser glosada por pequenas falhas formais e que nada interferem na realidade fática e inconteste de que tal gasto se deu a titulo de frete, despesa usual, normal e necessária para as atividades exercidas pela empresa”. Pois bem, acerca dos chamados serviços de consultoria e assessoria, pela alta subjetividade que comportam, exigem, além da indispensável comprovação documental, que se demonstre a efetiva prestação de tais serviços. Nos autos, segundo trazido objetivamente pelo Fisco, o que se vê é que foi engendrado o mesmo procedimento havido em outras situações aqui já analisadas, ou seja, a utilização de empresa ligada para "serviços de consultoria", no caso a Consult, para montar negócios jurídicos de forma simulada, como se tratassem de contratos entre empresas independentes, quando na verdade se tratam de empresas que integram o mesmo grupo empresarial e são geridas pelas mesmas pessoas. Tais contratos se caracterizam, ao final, como forma de distribuição de lucros ou dividendos de forma disfarçada por meio de simulação ou elevação artificial do valor das despesas, em benefícios dos verdadeiros controladores do Grupo CBA. A simulação do negócio jurídico na contratação de serviços de consultoria entre empresas ligadas e pertencentes a parentes e sócios comuns se insere nas mesmas condições que sustentaram a manutenção do lançamento dos alugueis e royalties já objeto de análise neste voto, além do fato de que, mesmo intimada regularmente, a Impugnante não apresentou contrato ou qualquer documento que provasse a efetividade dos serviços de consultoria. Fl. 4868DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.869 46 Ainda a respeito de serviços de consultoria e assessoria, a jurisprudência deste CARF solidamente sustenta o que atrás se delineou. DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para a apuração do lucro tributável as despesas decorrentes de "serviços de consultoria" tomados pelo contribuinte quanto este, devidamente intimado, não faz prova da efetiva fruição dos mesmos. (Acórdão 10323336 – Relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Sessão de 22.01.2008) Igual posição estampada no recente Ac. 1402002.447, desta Turma, relatoria do Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, sessão da qual participei: DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.GLOSA. Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes. Finalmente, por bem resumir o tema, cabe reproduzir excerto do voto condutor do Ac. da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, relatoria Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, plenamente aplicável: “(...) Trabalhos de assessoria e de consultoria não se perfazem apenas com uma menção lacônica assentada em notas fiscais dando conta de que um serviço genérico fora prestado, pois, é fundamental que os documentos expressem com detalhes os serviços efetivamente contratados e que se façam acompanhar de contratos, propostas técnicas, papéis de trabalho, relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, discriminação das técnicas utilizadas, discriminação dos profissionais envolvidos e sua qualificação técnica, a metodologia empregada, etc.”. Quanto ao outro tópico, a alegação da recorrente sem trazer documentos probantes foi no sentido de que "a empresa necessita de fretes para o transporte de seus produtos e mercadorias, notadamente para os pontos de vendas e entrega a seus clientes e de serviços prestados para o desenvolvimento das atividades empresariais, como consultoria. Sendo usual e necessária, não poderia ser glosada por pequenas falhas formais e que nada interferem na realidade fática e inconteste de que tal gasto se deu a titulo de frete, despesa usual, normal e necessária para as atividades exercidas pela empresa”, e que, "em nenhum momento a fiscalização aponta que a prestação do serviço de transporte não existiu”. Ora, ninguém seria ingênuo de asseverar que empresas, de modo geral, em um país cujo transporte é feito quase 100% por rodovia, necessita de "fretes" para transportar seus produtos. O que se discute é que tais pagamentos, tais despesas, necessitam como sempre ser comprovadas. Não foram. Por isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho as glosas de despesas com fretes sobre vendas e com serviços prestados por pessoa jurídica. 6. Despesas com perdas no recebimento de créditos Fl. 4869DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.870 47 A dedutibilidade das chamadas "perdas no recebimento de créditos" tem matriz legal no artigo 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, trazida para o RIR/1999 em seu artigo 3403) e que exige fiel cumprimento dos valores, prazos e condições ali estampadas. Em outro dizer, não se nega que perdas existam e que muitas vezes os valores ultrapassam as limitações legais ou ocorram antes que medidas judiciais de cobrança sejam feitas, mas, como sabido, uma coisa é o gasto, assim entendido em seus aspectos financeiro e econômico. Outras, bem diversa, é a permissão para sua dedutibilidade. 3 Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas "a" e "b" do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 2º). § 3º Para os fins desta Subseção, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 3º). § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 4º). § 5º A parcela do crédito, cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 5º). § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Fl. 4870DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.871 48 Descumpridos os impositivos legais, descabe a dedução dos valores, por isso a glosa é procedente e deve ser mantida. Por fim, mas não menos importante, vejase que o único argumento da recorrente foi de que "se considerado o faturamento a empresa no ano de 2007, facilmente podemos perceber que as perdas relacionadas não são excessivas e anormais no seu ramo de atividade" (RV fls. 4629), como se esta alegação, sem provas e sem observância dos preceitos da Lei retro citada pudessem validar a dedução intentada. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RV e mantenho a glosa deste item. 7. Multa Isolada Estimativas A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Fl. 4871DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.872 49 Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minhas as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. Fl. 4872DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.873 50 É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O Fisco arrolou como sujeitos passivos solidários as pessoas físicas Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804 e Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado. A tipificação foi a artigo 124, I, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Pareceme incontroverso, por tudo que se traduziu nestes autos, a vinculação dos imputados com os fatos e o interesse comum que eles tinham com o resultado a ser auferido por força das operações societárias engendradas e os benefícios financeiros advindos destas operações. Por bem retratar a situação, adoto como razões de decidir a manifestação do voto condutor da decisão recorrida, que abaixo reproduzo: "A conclusão que se extrai do exame do dispositivo acima citado, é que para a sua correta aplicação, há que se comprovar que as pessoas responsabilizadas solidariamente, tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal. A interligação da estrutura jurídica, contábil, logística e operacional entre todas as empresas citadas, além do suporte Fl. 4873DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.874 51 financeiro concedido para as pessoas sem capacidade econômica que foram interpostas como sócios de direito, fato constatado e comprovado pelo fisco em todas as fiscalizações realizadas na Bahia e no estado de São Paulo, inclusive com processos para inaptidão dos respectivos CNPJ, demonstram o interesse comum dos solidários no resultado que seria alcançado. Tal interesse comum é cristalinamente comprovado no presente PAF, pela participação efetiva dos solidários nos resultados da empresa autuada por meio da geração artificial de despesas tipo aluguéis, royalties, assessoria, garantias de empréstimo junto a instituições financeiras, arrendamento de aeronaves etc., obrigações assumidas sem qualquer contrapartida, em favor de empresas que de direito pertencem aos solidários, conforme fatos relatados e comprovados pelo fisco, que abaixo relacionamos: 01 Savon registrou na Juceb Ata de Reunião de Quotistas Realizada 22/09/2008, onde autoriza os sócios a "... assinar ... contratos em geral, nota promissória, cédula de crédito bancário e prestar garantias reais, inclusive assinar instrumentos particulares de cessão fiduciária em garantia e/ou alienação fiduciária em garantia, e, através dos quais, ceder fiduciariamente a titularidade sobres quaisquer bens móveis e imóveis, inclusive a título de crédito, direitos creditórios, aplicações financeiras e outras, bem como, alienar fiduciariamente em garantia bens, fungíveis e infungíveis, nas operações a serem realizadas junto ao Banco Safra S/A, a favor da empresa Econ Distribuição S/A, CNPJ 03.764.058/000108 até o limite de R$ 2.800.000,00 e ratificar todas as operações já realizadas anteriormente". Registrou, também na Juceb, Ata de Reunião de Quotistas Realizada em 05/01/2010 onde autoriza a conceder aval e garantia nas operações de leasing, e também prestar aval, fiança e garantias em operações de CDC junto a Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil, celebrado pela empresa Econ Distribuição S/A, no valor de até R$ 500.000,00 pelo prazo de cinco anos. Econ Distribuição, chamado Econ Supermercados na página internet de CBA, foi adquirido por Simon, Emilio e Edison em 2004, segundo noticiado acima e confirmado por suas declarações do imposto de renda. Intimada a esclarecer as razões das operações e informar contrapartidas oferecidas a Savon, Econ silenciou. 02 – SAVON registrou na Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb) Ata de Reunião de Quotista Realizada em 15/09/2007, presente unicamente a pessoa natural Martin Bueno, onde os únicos sócios MASB e Martin Bueno autorizam a concessão de aval e garantia fidejussórias em operações/contratos de abertura de crédito em qualquer modalidade junto ao Banco Bradesco, celebrado pela empresa Bônus Brasil Serviços de Alimentos Ltda, Fl. 4874DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.875 52 de até R$ 3.000.000,00 pelo prazo de 180 dias renováveis por mais 180 dias. Bônus Brasil Serviços de Alimentos Ltda, CNPJ 79.080.131/000186, nome fantasia Bônus Refeição, comercializa cartões e vales alimentação relacionados ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT estampando as marcas BÔNUS/CBA.Teve MASB (Martin Bueno) como sócia até maio de 2010. Tem como sócios atuais Simon, Edison, Emílio e Coroa Participações (a eles pertencentes). Intimada a esclarecer as razões das operações e informar contrapartidas oferecidas a Savon, Bônus Brasil silenciou. 03 Savon registrou também, na Juceb, Ata de Reunião de Sócios, realizada em 08/04/2008 na Rodovia Anhanguera, KM 51, 360, Jundiaí/SP, onde aprova arrendamento de uma aeronave. Referese à aeronave Hawker Beechcraft Premier 1A, número de série RB 222, modelo 390, importada dos EUA em nome de Savon ao amparo da Declaração de Importação n° 08/069177029, registrada em 12/05/2008, submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária. Ao formular o requerimento de admissão temporária, Martin Bueno apresentou à Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos/SP o Termo de Responsabilidade n° 173/2008, contendo fiança dada por Colorado Participações Ltda, CNPJ n° 02.856.349/000155, do valor IPI que ficou suspenso em função da aplicação do regime de admissão temporária. A Aduana de Viracopos oficiou Federal Aviation Administration (FAA), vinculado ao U.S. Department of Transportatition, sobre a exportação, nos EUA, da aeronave. Os documentos obtidos de FAA mostram que a aeronave foi encomendada por Colorado Participações Ltda, domiciliada na Rodovia Anhanguera, km 51 + 360m, Pista Norte, Terra Nova, Jundiaí, Brasil. Pesquisas da equipe aduaneira mostram que no dia 25/01/2008, por ocasião do preenchimento do Termo de Entrada e Admissão Temporária de Aeronave N° 009/2008, formalizado junto à DRF em Macapá (AP), ponto de entrada da aeronave no Brasil, foi indicado, pela vendedora do avião e representante brasileiro oficial do fabricante, que a finalidade da entrada era "nacionalização por Colorado Participações Ltda.". O que ocorreu é que Colorado não poderia realizar a importação porque não possuía habilitação no Siscomex, razão pela qual tentaram utilizar a SAVON. É bom lembrar que Colorado pertence Simon, que já a utilizou, juntamente Emílio e Edison, para simular despesas de aluguel de Cestas Nordeste no início dos anos 2000, conforme constatado pela Receita Federal em Jundiaí. Fl. 4875DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.876 53 04 Savon registrou, também na Juceb, Ata de Reunião de Quotistas realizada em 18/02/2010 onde autoriza a concessão de aval e garantias fidejussórias, bem como demais garantias, em operações/contratos de abertura de crédito em qualquer modalidade junto ao Banco Safra S/A, celebrado pela empresa Coroa Participações Ltda, CNPJ 10.922.572/000181 no valor de até 30.000.000,00 (trinta milhões de reais) pelo prazo de cinco anos. Coroa Participações Ltda, que teve homônima fundada pelo grupo em Feira de Santana e tem participação societária em Bônus Brasil, é composta por Emílio, Edison, Simone sua esposa Lúcia Marina. Coroa Participações Ltda, que teve homônima fundada pelo grupo em Feira de Santana e tem participação societária em Bônus Brasil, é composta por Emílio, Edison, Simon e sua esposa Lúcia Marina. 05 Consult, optante pelo lucro presumido, declara em sua DIPJ ter em Savon sua única fonte de receita (royaltes, consultoria e aluguéis), da qual teria auferido R$ 920.000,00 em 2007. Informa ter distribuído lucros R$ 693.000,00 aos sócios Simon, Emílio, Edison neste mesmo ano: R$ 231.000,00 para cada. Os sócios trazem informações semelhantes em suas declarações da pessoa física: Consult foi a única empresa a lhes distribuir lucros" Assim, comprovada a participação e o interesse comum de todos os arrolados como solidários, nos fatos que ensejaram o lançamento, correta a ação do fisco, que aplicou aos responsáveis pelos citados atos, as disposições contidas no art. 124, inc. I do CTN. Nesse quadro, a jurisprudência deste Tribunal Administrativo Tributário Federal (Ac. 1401002.117–4ªCâmara/1ªTurma Ordinária Sessão de 18 de outubro de2017): Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN. Mantenho, pois a sujeição passiva de Simon Bolívar da Silveira Bueno, CPF 974.777.02887, Emílio Maioli Bueno, CPF 908.346.31849, Edison Donizete Benette, CPF 735.161.71804 e Martin Afonso de Souza Bueno, CPF 690.278.11172. DA MULTA QUALIFICADA Segundo o TVF (fls. 63), em função da "conduta dolosa dos envolvidos, classificada como de sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei nº 4502, de 30 de novembro de 1964, implica lançamento tributário com multa de ofício duplicada nos lançamentos de glosa das despesas de Aluguel, Serviços Prestado PJ e Royalties, conforme determinado pelo § 1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e o oferecimento de Representação Fiscal para Fins Penais com fulcro no inciso II, artigo 1º, da Lei 8.137/90". Fl. 4876DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.877 54 É entendimento pacífico na seara administrativa que o procedimento do contribuinte em buscar, mediante ação ou omissão dolosa, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou, ainda, excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento, leva inevitavelmente à qualificação da multa. Os fatos narrados e as provas acostadas aos autos demonstram, à abundância, o procedimento doloso da recorrente de carrear à sua escrituração despesas sem sustentação documental e que, em última análise, tiveram como fim reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL. Com isso, indiscutível, como bem apontado pela Autoridade Fiscal, a submissão ao artigo 71, da Lei nº 4.502/1964 e artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, impondo a qualificação da multa, como corretamente feito. A jurisprudência administrativa é nesta linha: Acórdão 120100205 Relator: Guilherme Adolfo dos S. Mendes MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Além disso, segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria deste ramo do direito, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas sim da existência de dolo direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida no procedimento típico de sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64, e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007), que implicou, ainda, redução ou supressão de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou seja, Fl. 4877DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.878 55 reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante a realização das condutas descritas nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/90). Adicionalmente, constatouse durante a ação fiscal a existência de uma estrutura montada na empresa de forma a ocultar os verdadeiros sócios da mesma, artifício usado mediante sucessivas alterações contratuais, como exaustivamente descrito nos autos, procedimento que mais ainda imprime caráter de dolo aos atos da recorrente, impondo a qualificação da multa. Deste modo, presentes os requisitos exigidos por lei para a exasperação da multa de ofício ao patamar de 150%, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho do Fisco, pela sua procedência. Por esse motivo, mantenho a qualificação da multa aplicada sobre as infrações nºs. 01, 02 e 07. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Vale exprimir, a decisão a ser dada nos presentes autos em relação ao IRPJ constituirá matéria julgada para as demais exações lançadas e seguirá a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Negado provimento aos lançamentos relativos ao IRPJ, igual decisão atinge os reflexos, de modo que, nessa linha, NEGO PROVIMENTO ao recurso relativamente à CSLL. Em suma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários da recorrente e dos sujeitos passivos solidários, mantendo os lançamentos, a sujeição passiva solidária, a multa isolada e a multa qualificada. É como voto. Fl. 4878DF CARF MF Processo nº 10530.720043/201212 Acórdão n.º 1402002.877 S1C4T2 Fl. 4.879 56 Brasília (DF), em 19 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 4879DF CARF MF
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