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Numero do processo: 10675.000584/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento.
No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
Numero da decisão: 2401-006.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas pagas aos profissionais Roberta da Costa Borges (R$ 12.800,00), Rute José Rocha (R$ 11.200,00) e Tufi Bittar (R$ 4.000,00). Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas pagas aos profissionais Roberta da Costa Borges (R$ 12.800,00), Rute José Rocha (R$ 11.200,00) e Tufi Bittar (R$ 4.000,00). Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 05 84 /2 00 6- 38 Fl. 302DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 275/280). Pois bem. Trata o presente processo de lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fls.30/33, lavrado pela Fiscalização em 27/12/2005, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2003 apresentada pelo contribuinte retro identificado, cópia apensada às fls.182/ 185, que, conforme Termo de Acerto de Declaração de fls.l81, alterou o valor requerido como dedução de “despesas médicas” de R$ 34.333,89 para R$ 2.219,66, resultando, em conseqüência, a diminuição do “Imposto a Restituir” apurado na referida declaração de rendimentos de R$ 11.458,40 para R$ 2.626,99. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” do Auto de Infração ora contestado, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Dedução indevida a título de despesas médicas - O contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas seja mediante comprovação do pagamento ou apresentação de exames/laudos/radiografias/etc. com os profissionais Márcia Cristina Alves, Roberta da Costa Borges, Rute José Rocha e Tufi Bitar. Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. Valor comprovado da UNIPLAN Nacional: R$ 383,48. Em sua peça impugnatória às fls.01/04, o contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: (a) Quando da primeira intimação fiscal, apresentou os recibos emitidos pelos citados profissionais, “em que constam o carimbo de cada profissional, seus números de registro em seus respectivos Conselhos Profissionais, todos devidamente datados e assinados pelos próprios emitentes”; (b) Atendeu prontamente à nova intimação fiscal, para comprovar tais serviços e seus pagamentos, apresentando “declarações em que os profissionais confirmam os respectivos tratamentos, descrevendo a forma de pagamento acertada entre as partes e emitindo laudo profissional para descrição dos tratamentos pertinentes”, a exceção da Dra. Márcia Cristina Alves, que não foi localizada; (c) “As declarações emitidas pelos profissionais indicam que os pagamentos das despesas se deram em moeda corrente no ato de cada sessão de cada um dos tratamentos, o que, por si só, configura a comprovação do pagamento efetuado aos respectivos profissionais”, “Cada profissional emitiu laudo técnico descrevendo os tratamentos pelos quais eu e meu filho passamos e suas respectivas motivações”, “Todas essas despesas tiveram motivações devido a fatos graves que atingiram minha pessoa e minha família”. (d) O contribuinte passa a relatar os fatos graves acima mencionados, notadamente o acidente automobilístico que sofreu e o nascimento prematuro de seu filho Rafael Henrique Koppe e, após, indaga “o que mais devo comprovar perante a Receita Federal para ter meu direito a restituição garantido?”. Fl. 303DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 Para corroborar seus argumentos, o autuado trouxe aos autos, para apreciação da autoridade julgadora, os documentos de fls.05/39 (Anexo I), fls.40/49 (Anexo II), e fls.50/ 178 (Anexo III). Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 09-21.769 (fls. 275/280), cujo dispositivo considerou o lançamento procedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido a falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, não há justificativa para seu restabelecimento sem a confirmação do efetivo desembolso. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O impugnante contesta a glosa, na dedução requerida a título de “despesas médicas” em sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2003, dos pagamentos referentes aos cirurgiões-dentista Dra. Márcia Cristina Alves (R$ 4.000,00) e Dr. T uti Bitar (R$ 4. 000,00), a psicóloga Dra Roberta da Costa Borges (R$ 12.800,00) e a fisioterapeuta Dra. Rute José Rocha (R$ 11.200,00). Quanto à glosa do pagamento efetuado a UNIPLAN Nacional, o contribuinte se manteve silente. 2. Conforme Termo de Intimação Fiscal de fls.07, o contribuinte foi intimado pelo Fisco, em relação aos gastos financeiros relativos aos profissionais liberais da área de saúde retro mencionados, a apresentar “em complemento à intimação anterior, comprovantes de pagamento (cópia de cheque, ordem bancária, recibo de depósito, etc.) e documentos que evidenciam a efetividade da realização das despesas médicas (exames, radiografias, laudos, etc. )”. 3. Em sua defesa, o interessado afirma que já trouxe no decorrer da ação fiscal – e reapresenta nesta fase impugnatória - diversos exames, resultados de radiografia e ultra-som, relatórios e laudos médicos, demonstrando a necessidade e efetiva realização dos serviços contratados, que lhe foram prestados e a seus familiares, bem como os recibos emitidos e as declarações prestadas pelos respectivos profissionais liberais, nas quais confirmam os tratamentos correspondentes e a forma de pagamento acertada entre as partes. 4. Ainda que se considerasse, no presente caso, comprovada a prestação dos serviços através da análise dos documentos pertinentes, o impugnante não logrou êxito na comprovação dos pagamentos correspondentes. 5. Em princípio, admite-se, sim, como prova de pagamento os recibos emitidos por profissionais liberais, desde que em consonância com as Fl. 304DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 disposições contidas nos incisos II e III do §l° do precitado artigo 80 do RIR/1999 vigente. 6. Entretanto, existindo dúvidas por parte do Fisco quanto à veracidade dos gastos declarados, pode a autoridade fiscal, visando formar sua convicção sobre o assunto em pauta, exigir da contribuinte outros meios complementares de provas, tais como cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados em relação aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. 7. Vale também observar que os recibos são documentos particulares e, como tais, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, mas não fazem prova da efetividade de sua ocorrência (CPC, art.368) e as declarações presumem-se verdadeiras apenas em relação ao signatário (Código Civil, art. 219); quando enunciam o recebimento de um crédito fazem prova tão-somente contra quem os escreveu (CPC, art. 376) e valem entre as partes neles consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil, art. 221). 8. Portanto, o autuado, na fase impugnatória, perdeu a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pelo Fisco, não acostando aos autos documentos e/ou provas adicionais que robustecessem as informações expressas no Quadro 07 - Pagamentos e Doações Efetuados - de sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2003. 9. Assim, conclui-se que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução requerida a este título e a tributação dos valores correspondentes. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 287/289), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Quanto aos pagamentos efetuados a psicóloga Dra. Roberta da costa, mesmo com tal tratamento tendo sigilo protegido pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo – Resolução CFP n° 02/87 de 15 de agosto de 1987, foi prontamente apresentada a declaração firmada pela profissional, comprovando a exatidão dos tratamentos e dos valores pagos. Tratamento este, necessário devido a elaboração de luto psicológico ao qual foi preparado o contribuinte pelo motivo do nascimento prematuro de seu filho Rafael, conforme demonstrado nos laudos, exames e relatórios médicos apresentados. b. Através de toda documentação apresentada como laudos, declarações, exames e relatórios médicos, fica mais que explícito a necessidade dos Fl. 305DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 tratamentos fisioterápicos do contribuinte (devido ao seu acidente automobilístico), e de seu filho Rafael Henrique Koppe (devido ao seu nascimento prematuro). c. Quanto aos pagamentos efetuados ao cirurgião dentista Tufi Bittar, foram corretamente informados como dedução na declaração de ajuste, conforme recibos de pagamento e declaração expedida pelo próprio profissional prestador dos serviços e no tocante aos pagamentos à cirurgiã dentista Márcia Cristina Alves, conforme impugnação anterior, a mesma não foi localizada para emitir laudo específico, entretanto, os pagamentos a ela efetuados estão claramente evidenciados mediante os recibos apresentados. d. Está claramente evidenciada a efetividade e a realização dos tratamentos, mediante toda documentação apresentada, ainda assim, a Receita Federal do Brasil, glosa a dedução a título de despesas médicas declaradas pelo contribuinte, utilizando como artifício que “se revela de difícil comprovação a utilização de dinheiro”, mas que por outro lado, até mesmo a autoridade fiscal concorde que não haja nenhum impeditivo legal na utilização de dinheiro em qualquer tipo de operação financeira e mesmo assim, mantém a glosa da dedução informada. e. Visto que, os recibos, declarações, exames e laudos, comprovam a efetividade dos procedimentos efetuados, solicita-se a este conselho a revisão e reconsideração das informações declaradas e que sejam devidamente consideradas as despesas médicas informadas na DIRPF como dedução. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. A acusação fiscal, no que interessa para o debate recursal, consiste na dedução indevida de despesas médicas, por entender que o contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas, seja mediante a comprovação do pagamento ou apresentação de exames/laudos/radiografias/etc, com os profissionais Márcia Cristina Alves, Roberta da Costa Borges, Rute José Rocha e Tufi Bittar. Entendeu a fiscalização que os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar a realização dos serviços. Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Fl. 306DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 307DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebe-se que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Fl. 308DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. 2.1. Despesas médicas com a profissional Márcia Cristina Alves. Em relação às despesas médicas com a profissional Márcia Cristina Alves, que, segundo o contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento de substituição de grande parte das obturações de amálgama por resina, consta nos autos, os recibos de fls. 13 e 214/216, que alcançam o montante de R$ 4.000,00. No documento de fl. 240, o contribuinte afirma que os pagamentos dos valores referentes ao tratamento efetuado com a profissional Márcia Cristina Alves, foram efetuados em dinheiro e divididos ao longo do ano de 2002. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Márcia Cristina Alves (R$ 4.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento e da efetiva prestação do serviço. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 2.2. Despesas médicas com a profissional Roberta da Costa Borges. Em relação às despesas médicas com a profissional Roberta da Costa Borges, que, segundo o contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento psicológico, em razão do nascimento prematuro do seu filho, consta nos autos, os recibos de fls. 14/16 e 218/224, que alcançam o montante de R$ 12.800,00, declaração emitida pela profissional, constante nas fls. 20/21 e 242/244, bem como laudo profissional com a descrição da demanda e procedimento de fls. 22/23 e 246/248. Apesar da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo que não há dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, o que, ao meu ver, torna desnecessária a complementação da prova, para além dos documentos que já constam nos autos. Ao meu juízo, os valores estão compatíveis com o mercado, sendo que os serviços foram realizados durante o ano de 2002, não havendo, nos autos, indícios que possam levantar suspeitas em desfavor do recibo emitido pela profissional de saúde, bem como das respectivas declarações sobre o tratamento. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjuntos com a declaração, que descreve o procedimento realizado, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas médicas com a profissional Roberta da Costa Borges, no valor de R$ 12.800,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). 2.3. Despesas médicas com a profissional Rute José Rocha. Em relação às despesas médicas com a profissional Rute José Rocha, que, segundo o contribuinte, estariam relacionadas a tratamento fisioterápico, consta nos autos, os recibos de fls. 17/19, que alcançam o montante de R$ 11.200,00, declaração emitida pela Fl. 309DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.678 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10675.000584/2006-38 profissional, constante nas fls. 24/25, bem como laudo profissional com a descrição da demanda e procedimento de fl. 26. Apesar da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo que não há dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, o que, ao meu ver, torna desnecessária a complementação da prova, para além dos documentos que já constam nos autos. Ao meu juízo, os valores estão compatíveis com o mercado, sendo que os serviços foram realizados durante o ano de 2002, não havendo, nos autos, indícios que possam levantar suspeitas em desfavor do recibo emitido pela profissional de saúde, bem como das respectivas declarações sobre o tratamento. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjuntos com a declaração, que descreve o procedimento realizado, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas médicas com a profissional Rute José Rocha, no valor de R$ 11.200,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). 2.4. Despesas médicas com o profissional Tufi Bittar. Em relação às despesas médicas com o profissional Tufi Bittar, que, segundo o contribuinte, estariam relacionadas a cirurgia para tratamento de infecção na gengiva e um processo de clareamento a laser, consta nos autos, os recibos de fl. 12, que alcançam o montante de R$ 4.000,00, declaração emitida pelo profissional, constante nas fls. 27/28, bem como laudo profissional com a descrição da demanda e procedimento de fl. 29. Apesar da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo que não há dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, o que, ao meu ver, torna desnecessária a complementação da prova, para além dos documentos que já constam nos autos. Ao meu juízo, os valores estão compatíveis com o mercado, sendo que os serviços foram realizados durante janeiro a março de 2002, não havendo, nos autos, indícios que possam levantar suspeitas em desfavor do recibo emitido pelo profissional de saúde, bem como das respectivas declarações sobre o tratamento. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjuntos com a declaração, que descreve o procedimento realizado, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas médicas com o profissional Tufi Bittar, no valor de R$ 4.000,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas aos profissionais Roberta da Costa Borges (R$ 12.800,00), Rute José Rocha (R$ 11.200,00) e Tufi Bittar (R$ 4.000,00). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722487/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/08/2006
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO POR QUEM NÃO IMPUGNOU O AUTO DE INFRAÇÃO.
Não se conhece o Recurso Voluntário apresentado por quem não impugnou o Auto de Infração eis que em relação a eles sequer restou inaugurada a fase litigiosa do processo administrativo, e eventual análise implicaria supressão de instância.
INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece, por intempestividade, o Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO INTERESSADO NA IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
As multas aduaneiras estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66. O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
NÃO LOCALIZAÇÃO DE MERCADORIA. PENA DE PERDIMENTO.
A afirmação de que a mercadoria não foi localizada pressupõe o seu consumo.
ARBITRAMENTO DO PREÇO DA MERCADORIA. FRAUDE
A comprovação da fraude na declaração do preço efetivamente praticado na importação autoriza o arbitramento do preço da mercadoria.
MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAIS E A PENA DE PERDIMENTO.
A pena por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente somente pode ser aplicada no caso de não haver sido aplicada a pena de perdimento dos bens, na forma do artigo 631 do Decreto 4.543/2002, que excepciona a aplicação da referida multa no caso de já haver sido aplicada pena de perdimento.
INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE BENS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO QUE NÃO TENHA SIDO LOCALIZADA.
Não há óbice jurídico à incidência de tributos sobre bens que foram objeto de pena de perdimento e que não tenha sido localizada, tenha sido consumida ou revendida.
RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para apreciar pedido de relevação de pena de perdimento.
Numero da decisão: 3302-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos interpostos por ÉRICA DEBOSSAN REINERT, pelo Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN e YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Quanto ao recurso da D&A COMERCIO SERVICOS IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, não conhecer da matéria referente a relevação da pena de perdimento, e na parte conhecida, em acolher a preliminar de decadência das declarações de Importação registradas anteriormente a 24/09/2006, negando as demais. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para afastar a multa por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente no país, nos termos do voto relator.
(assinatura digital)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Não se conhece o Recurso Voluntário apresentado por quem não impugnou o Auto de Infração eis que em relação a eles sequer restou inaugurada a fase litigiosa do processo administrativo, e eventual análise implicaria supressão de instância. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece, por intempestividade, o Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO INTERESSADO NA IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. As multas aduaneiras estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. NÃO LOCALIZAÇÃO DE MERCADORIA. PENA DE PERDIMENTO. A afirmação de que a mercadoria não foi localizada pressupõe o seu consumo. ARBITRAMENTO DO PREÇO DA MERCADORIA. FRAUDE A comprovação da fraude na declaração do preço efetivamente praticado na importação autoriza o arbitramento do preço da mercadoria. MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAIS E A PENA DE PERDIMENTO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 87 /2 01 1- 19 Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 3 2 A pena por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente somente pode ser aplicada no caso de não haver sido aplicada a pena de perdimento dos bens, na forma do artigo 631 do Decreto 4.543/2002, que excepciona a aplicação da referida multa no caso de já haver sido aplicada pena de perdimento. INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE BENS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO QUE NÃO TENHA SIDO LOCALIZADA. Não há óbice jurídico à incidência de tributos sobre bens que foram objeto de pena de perdimento e que não tenha sido localizada, tenha sido consumida ou revendida. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para apreciar pedido de relevação de pena de perdimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos interpostos por ÉRICA DEBOSSAN REINERT, pelo Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN e YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Quanto ao recurso da D&A COMERCIO SERVICOS IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, não conhecer da matéria referente a relevação da pena de perdimento, e na parte conhecida, em acolher a preliminar de decadência das declarações de Importação registradas anteriormente a 24/09/2006, negando as demais. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para afastar a multa por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente no país, nos termos do voto relator. (assinatura digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinatura digital) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Tratase de processo administrativo no bojo do qual discutese suposto dano ao erário por infração na importação, especialmente por uso de informação falsa nas Declarações de Importação. Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 4 3 Por bem redigir os fatos, transcrevese o minucioso relatório elaborado pela DRJ, de lavra do Ilmo Sr. Jorge Lima Abud e que embasou a decisão ora recorrida. "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro e multa regulamentar do IPI no valor de R$ 3.005.659,01 em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através das Declarações de Importação arroladas no Relatório Fiscal, em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, comprevisão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Foi ainda autuado como responsável solidário: • YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA E como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. O contribuinte YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA se fez representar nos autos pelo mesmo procurador que os demais contribuintes, o advogado Nelson Antonio Reis Simas Junior, OAB/SC 22.332, conforme procuração juntada às folhas 634 do processo digital. O referido advogado tomou ciência pessoal do Auto de Infração, em nome de TODOS os autuados, inclusive em nome da empresa YELLOW MERCANTIL, conforme folhas 896. Contudo, a empresa YELLOW MERCANTIL não apresentou impugnação, consoante despacho de folhas 1102 do processo digital. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 24/11/2011 (fls. 896 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN, Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 5 4 ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 26/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 900 à 967, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e da e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 6 5 a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendo se declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 7 6 autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2o e 3o da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa YELLOW MERCANTIL seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 8 7 Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Erica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídico legais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante / adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 9 8 Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. INOCORRÊNCIA DE SUBFATURAMENTO. A autoridade fiscal faz toda uma digressão acerca de 'preços mínimos' de importação, alegando que a Impugnante mantinha tabelas de controle desses preços, que isso por si só já evidenciaria o intuito de fraude, para concluir que as faturas comerciais teriam sido forjadas apresentando em alguns casos o superfaturamento das mercadorias. Após idealizar que o motivo para o suposto sub/superfaturamento seria a existência de controle de 'preços mínimos', em um certo parágrafo a autoridade fiscal menciona que "tudo que se disser acerca preço mínimo nesta peça é questão meramente ilustrativa, acessória", como se quisesse dizer: "veja bem, fundamentamos a presente autuação com base nos preços mínimos, mas isso não existe". Um total descaso com o contribuinte. Pois bem. Quanto às alegações de superfaturamento cumpre destacar desde o início que a D&A não possuía qualquer ingerência sobre as negociações com o exportador estrangeiro nas operações que efetuava por conta e ordem da YELLOW. Muito menos, então, no que tange as operações de importação direta da YELLOW, na qual sequer participava da operação. Além disso, no que tange ao frete e os embarques das mercadorias, estes eram sempre gerenciados e controlados pela Yellow e não pela D&A. O contato com os armadores e agentes de carga pela D&A era exclusivamente para receber os documentos finais instrutivos do despacho. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 10 9 Alguns contrapontos às falaciosas argumentações fiscais constantes no seu relatório são imperativos. Alega a autoridade fiscal que a simples manutenção de uma tabela de controle de preços mínimos "por si só, já sinaliza a inequívoca intenção da burla à sistemática do controle do comércio exterior, mormente quanto ao controle do deferimento de LIs (pg. 230 do Relatório Fiscal)". Tais argumentos não merecem o mínimo de consideração. Verificado que no país há, sim, a prática de preços mínimos pela administração pública, assim como seus demais atos, os preços mínimos deveriam obedecer ao princípio da publicidade, principalmente no que tange aos fundamentos para a estipulação de cada valor mínimo. Contudo, como se sabe, tal informação não é publicada. Não existe uma 'pauta de valores mínimos', por exemplo. Assim, resta ao importador fazer seu controle individual. Em havendo preços mínimos para o deferimento de Lis pelo DECEX, nada mais natural que o importador acompanhe tais preços através de uma tabela de controle contendo o histórico de suas Lis deferidas. Em suma, o que se quer dizer é que, em todos os casos em análise, jamais houve a prática de superfaturamento ou subfaturamento, não podendo a simples manutenção de histórico de preços de Lis deferidas pelo DECEX ter o condão de caracterizar tais práticas. Em verdade, pelo que consta nos autos as mercadorias eram negociadas o cada embarque, ao preço certo estipulado entre o comprador (YELLOW) e o fornecedor estrangeiro (ou seu representante no país), justamente ao preço de mercado, que, por sua vez, estavam dentro dos valores mínimos de importação adotados pela administração pública. Prova disso são os Licenciamentos de Importação deferidos para cada embarque das mercadorias constantes em cada DI objeto do presente auto de infração. O documento fiscal que reflete o valor negociado entre as partes no comércio exterior é a Fatura Comercial ou Commercial Invoice. Já a Proforma Invoice ou Fatura Proforma, demonstra simplesmente um pedido, uma intenção de compra, onde os valores e quantidades podem sofrer alterações de acordo com as negociações das partes, ou, até mesmo sequer ser concretizada. A autoridade fiscal embasa suas teses de superfaturamento em planilhas, emails e proformas que não refletem as negociações finais entre o comprador e o vendedor, mas se prestam tão somente como meros indicativos das negociações preliminares que as antecederam. Contudo, pela análise das Faturas Comerciais anexas aos autos (esta sim presentando os valores finais negociados entre as partes), percebese que aqueles documentos refletem perfeitamente os valores apresentados nas Declarações de Importação. Por sua vez, os contratos de câmbio vinculados às Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 11 10 DIs, comprovam que aqueles valores constantes nas Declarações de Importação (DIs) e nas Faturas Comerciais, são justamente os preços efetivamente pagos pelas mercadorias. Vejase que o art. 1o, 1 do acordo deixa claro que o valor aduaneiro a ser adotado é o preço efetivamente pago pelas mercadorias. E certo que tal valor pode ser ajustado nos teremos do art. 8o do AVA, contudo, não se encontra presente no caso qualquer das hipóteses ensejadores de tais ajustes, essas elencadas nas alíneas 'a' a 'd' do art. 1.1. Aliás, se assim o fosse, caberia à Autoridade Fiscal demonstrar tal hipótese e comprovála, mas não o fez. Assim, onde a fiscalização enxergou ter ocorrido o superfaturamento das mercadorias nada mais houve senão o acordo comercial entre o Importador e Exportador, estipulando o preço da transação em valores próximos aos 'preços mínimos'. DA INDEVIDA REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO (VALOR DA TRANSAÇÃO) Certo é que o processo de valoração aduaneira deve ser pautado em alguns critério, dentre eles, o da preferência pelo valor declarado. Essa preferência pelo valor declarado é extraída do próprio Acordo de Valoração Aduaneira AVA, que, em sua introdução geral, expressa: "1. A base primeira para a valoração aduaneira, em conformidade com este Acordo, é o Valor de transação', tal como definido no Artigo 1o." Assim, o ponto de partida da mensuração da conduta tributável pelos impostos aduaneiros é o valor declarado. Essa quantidade de moeda, consignada nos documentos formalizadores das operações, que deve ser considerada verdadeira, salvo prova em contrário. A prova em contrário, por sua vez, haverá de ser produzida pela autoridade aduaneira, a qual dispõe de informações suficientes para determinar a acuidade ou não do valor aí consignado, contudo, jamais poderá partir de meras presunções ou indícios para descaracterizar o valor declarado. Junta textos da Jurisprudência Administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito do assunto. Assim, a rejeição do método do valor de transação há que estar devidamente fundamentada na comprovação inequívoca de fraude ou falsa declaração do preço. Mas, mesmo nas situações em que este valor pode ser afastado (art. 17 do AVA), ainda assim, é imprescindível a participação do contribuinte no processo de valoração aduaneira, o que, in casu. não aconteceu. Por todo o exposto, mostramse descabidas as alegações da autoridade fiscal no que tange práticas fraudulentas pelas autuadas, eis que não se evidencia nem se comprova a ocorrência de qualquer fraude, sonegação ou conluio, também não há que se cogitar a ocorrência de subfaturamento ou Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 12 11 superfaturamento, razão a mais para se julgar integralmente improcedente o presente auto de infração. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da Dl, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. INOCORRÊNCIA DA SUPOSTA 'FORJA' DE DOCUMENTOS. A autoridade fiscalizadora também não demonstra e muito menos comprova que havia faturas idênticas sendo uma 'original' e outra 'forjada'. Da Correta Declaração dos Pesos Líquidos. Jamais houve qualquer irregularidade dos pesos líquidos constantes nos documentos de importação. Tais informações sempre refletiram o real peso líquido dos brinquedos importados. Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 13 12 A autoridade fiscal, mais uma vez, baseada em meros indícios (emails, rascunhos e proformas) que não podem ser utilizados como prova fidedigna para a imposição de da mais severa pena aduaneira . Sua tese de ocorrência de forja documental está baseada em planilhas, emails e proformas que não refletem as negociações finais entre o comprador e o vendedor, mas se prestam tão somente como meros indicativos das negociações preliminares que as antecederam. Contudo, pelos documentos constantes nos autos (invoice, packing list e BLs originais), verificase que os pesos líquidos declarados guardavam íntima relação com o que analisado pelo próprio INMETRO quando da Emissão dos Certificados de Conformidade de Brinquedos e também pelo DECEX quando da análise e Deferimento das LIs. Ora, como pode os documentos terem passado ao crivo do INMETRO (que aliás realizou ensaios e testes laboratoriais com os itens importados, não constatando qualquer divergência de pesos), e também pelo crivo do DECEX (que, analisando as informações constantes nas faturas comerciais, packing lists. Se fosse possível se aceitar o argumento de que houve a 'forja' de documentos, ainda assim somente poderseia condenar a impugnante pela efetiva 'forja' de tais documentos, mas nunca pela mera manutenção de carimbos em suas dependências. Da DI 06/10687985 (Ref. 1984) Correta Data do Embarque. A Autoridade fiscal aplica a multa de 30% do valor aduaneiro da mercadoria referente à DI n° 06/10687985, pois, baseado em meros indícios (emails e conversas de MSN), concluiu que a mercadoria teria sido embarcada antes do deferimento da LI. Contudo, mais uma vez equivocase a autoridade fiscal, pois o que houve in casu, foi a simples correção de um erro do armador. Fato é que aquela mercadoria embarcou no exterior exatamente no dia 05/Ago/2006, conforme consta no House BL. Não pode, portanto, ser o importador penalizado por um erro de terceiro (informação incorreta da data do embarque pelo armador no BL), principalmente quando a verificação de tal erro foi feita em tempo e modo para sua correção. INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS "INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS" ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido "consumida", autuou a Impugnante duplamente com multa "de 100% do valor da mercadoria". Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 14 13 XXII c/c seu §1°, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente. Transcreve o art. 631 do Decreto 4.543/02. Ocorre que a Autoridade Fiscal simplesmente ignorou o disposto no Parágrafo Único do artigo que a multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem. AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 15 14 conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Conforme demonstrado, ao se confrontar o a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Dos Pedidos DIANTE DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscai (tópico 2.2); Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individuaiização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração (tópico 2.5); Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 16 15 Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tão somente ao real encomendante/ adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.8); mercadorias a serem destinadas ao perdimento No mérito, os Impugnantes ainda requerem: Seja reconhecida a inocorrência de subfaturamento ou superfaturamento dos preços praticados na importação, com o conseqüente cancelamento das multas de 100% da diferença entre os preços declarados e os efetivamente praticados tópico Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou superfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta, reconhecendose inaplicabilidade da multa de ofício agravada de 150% sobre o valor dos tributos cobrados Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira das DIs registradas há mais de 5 (cinco) anos e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento parcial do Auto de Infração Seja anulado o Auto de Infração, por vício material, consistente no erro de enquadramento legal, por conta da inaplicabilidade da multa prevista no art. 83, I da Lei 4.502/64 c/c art. 631 do Decreto 4.543/02 ao caso concreto, sob pena de ocasionar, ainda, manifesto bis in idem Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável É o relatório." Sobreveio então o julgamento pela DRJ, cuja ementa proferida segue abaixo transcrita. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/08/2006 Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 17 16 Dano ao Erário por infração na importação se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Declarações de Importação submetidas à despacho aduaneiro estavam instruídas com documentação que continha informação falsa para ajustar à razão Valor FOB (US$) / Peso Líquido (kg), de modo a atender o limite mínimo de valores tolerados pelo DECEX. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Irresignados, D&A COMÉRCIO, SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN, ERICA DEBOSSAN REINERT e YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentaram Recurso Voluntário a este Colegiado por meio do qual reiteram os argumentos que foram aduzidos perante a DRJ, e que agora submetem ao CARF. Na Sessão de 29 de março de 2017 o presente processo foi submetido a julgamento que culminou na sua conversão em diligência em razão dúvidas acerca da tempestividade dos Recursos (efls. 1426) Às efls. 1434 há manifestação do SACAT por meio da qual esclareceu que a YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. não apresentou impugnação. Esclareceu ainda que: I. O Recurso Voluntário apresentado D&A COMÉRCIO, SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO. é tempestivo. II. O Recurso Voluntário apresentado por ÉRICA DEBOSSAN REINERT foi apresentado de forma INTEMPESTIVA. III. O Recurso Voluntário apresentado por CAIO MARCELO DEBOSSAN foi apresentado de forma INTEMPESTIVA. IV. YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou recurso embora não tenha apresentado impugnação. Da informação prestada pela SACAT todas as pessoas acima mencionadas foram intimadas, contudo nenhuma delas dela se manifestou. É o Relatório. Voto Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 18 17 Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. 1. Admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado pela Sra ÉRICA DEBOSSAN REINERT e pelo Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN. Os Recursos Voluntários apresentado por ÉRICA DEBOSSAN REINERT e por CAIO MARCELO DEBOSSAN foram protocolizados de forma INTEMPESTIVA, eis que apesar de intimados 19.10.2013 e 18.10.2013, respectivamente, apresentaram Recurso Voluntário apenas no dia 25.11.2013, razão pela qual deles não é de se conhecer os recursos por eles apresentados. 2. Admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado por YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. O Recurso Voluntário apresentado por YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não pode ser conhecido em razão do fato de que a Recorrente não protocolizou qualquer impugnação válida, sendo que em relação a ela sequer restou inaugurada a instância administrativa, razão pela qual voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário por eles apresentados. 3. Admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado por D&A COMÉRCIO, SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. O Recurso Voluntário é TEMPESTIVO, a matéria é de competência deste colegiado e revestese dos demais requisitos legais, razões pelas quais dele é de se conhecer. Passo então a analisar as matérias lançadas no Recurso Voluntário levando em consideração o próprio Sumário elaborado pelo Recorrente. 4. Preliminares. 4.1. Preliminar de decadência no Recurso apresentado por D&A COMÉRCIO, SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (Item 2.12.) A Recorrente sustenta que o direito de lançar os tributos em análise teria sido fulminado pela decadência, o que faz com fulcro no artigo 139 do Decreto Lei n. 37/1966, bem como no artigo 753 do Regulamento Aduaneiro, que apontam o prazo decadencial como de cinco anos a contar da data da infração, ou seja do Registro da DI. Esta discussão acerca do prazo decadencial já foi submetida à Câmara Superior de Recursos fiscais que, em 19 de fevereiro de 2019 prolatou os acórdãos 9303 007.981 e 9303007.982 que reconheceram, por maioria de votos e sob relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que as multas aduaneiras estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do DL n. 37/66, qual seja o de cinco anos a contar da data da infração, no caso a declaração da DI verbis. "Pareceme que a questão controvertida quanto à decadência traz três vertentes principais para decisão: a) a multa aplicada, por dano ao erário, não é matéria tributária e seu prazo Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 19 18 decadencial para aplicação da multa é o do art. 139 do Decreto lei nº 37/1966 com início da contagem do prazo a partir da ciência inequívoca da infração pelo órgão de controle aduaneiro; b) a multa aplicada é matéria tributária, há duas possibilidades i) utilização do art. 139 do Decretolei º 37/1966, com início da contagem a partir da data de registro da DI, adotada pelo recorrido, ou ii) do art. 174 do CTN, com contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado, adotada pelos paradigmas no recurso especial. No caso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que a contagem do prazo seguiria a sistemática do artigos 138 e 139 do Decreto Lei n. 37/1966 (Imposto de Importação) com redação dada pelo Decreto Lei n. 2.472/1988, no sentido de que o direito de exigir o tributo se extingue em cinco anos a contar da data da infração. "Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração." (destaques nossos) No mesmo sentido é o artigo 669 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro revogado pelo Decreto 6.759/2009 mas vigente à época dos fatos) que prevê que o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos a contar da data da infração, sem a condicional contida no CTN. Este prazo está em harmonia com o previsto no artigo 570 do mesmo Decreto, quando dispõe que o prazo para revisão aduaneira é de cinco anos contado da data do Registro da Declaração de Importação. "Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto lei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto lei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decreto lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 20 19 I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º);" Por estes motivos, sendo a contagem do prazo decadencial do art. 669 do Decreto nº 4.543/2001 fundada no art. 139 de início citado, Decretolei nº 37/1966, a argumentação acima leva à mesma conclusão do acórdão recorrido. Tendo a Recorrente sido notificada no dia 24 de novembro de 2011, qualquer Declaração de Importação lavrada antes de 24 de novembro de 2006 encontrase fulminada pela decadência. 4.2. Preliminar de Ilicitude e Imprestabilidade das Provas Emprestadas por alegada ausência de provas, nulidade do Auto de Infração por ausência de contraditório (item 2.1 do Recurso Voluntário, incluindo subitens, todos detalhamentos do mesmo argumento) A Recorrente sustenta que as provas utilizadas no presente procedimento são ilegais, em razão de não haverem sido submetidas ao contraditório, serem de outra empresa para a qual não havia mandado judicial para realizar buscas e apreensões, bem como a busca e apreensão haver sido determinada por outro motivo. A Recorrente alega que o MPFD tinha validade de sessenta dias para sua conclusão, mas ela não foi cientificada das prorrogações, sendo que o procedimento foi concluído apenas mais de um ano após o seu início e que portanto não sabia que ainda estava sendo fiscalizada. Alega ainda, assim como fez em sua impugnação, que não teve a oportunidade de se manifestar sobre aquelas provas que considera emprestadas. Acerca de tais argumentos, é de se registrar que as provas foram obtidas com autorização do poder judiciário em inquérito policial, e compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por expressa ordem judicial. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 21 20 Ademais, o Poder Judiciário pode autorizar o compartilhamento de provas para instruir processo fiscal para exigência de tributos e seus consectários legais. Passada mais de uma década dos fatos, houve tempo suficiente para o Poder Judiciário apreciar eventuais nulidades, ilegalidades ou inconstitucionalidades de tais procedimentos, não havendo nos autos qualquer informação de que foram retirados do mundo jurídico, razão pela qual presumese que são válidos. Ademais, a eventual existência de discussão judicial acerca da legalidade das provas teria o condão de, em conformidade com a Súmula CARF 01, impedir a análise da questão por este colegiado. Este Colegiado recentemente já teve a oportunidade de empregar a teoria dos frutos da árvore envenenada, cotejada com a teoria da descoberta inevitável, declarando a nulidade de provas produzidas de forma ilegal, contudo a declaração da ilegalidade veio do próprio Poder Judiciário, a quem compete realizar esta análise. Por todos estes motivos, a questão da ilegalidade das provas encontrase fora da competência deste Colegiado, razão pela qual dela ele é vedado a manifestarse. Contudo, ainda que o Poder Judiciário eventualmente viesse a declarar a ilegalidade das provas obtidas por meio dos mandados judiciais, as provas obtidas no curso da ação fiscal seriam suficientes para demonstrar que a operação de importação não foi direta como consignada na DI, mas sim uma operação de importação por conta e ordem de terceiros, com adulteração da documentação que instruiu a operação de importação e o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Em relação à suposta falta de oportunidade de contraditório, vale destacar que este Colegiado prima pela busca da verdade material, desde que em inafastável harmonia com o ordenamento jurídico em vigor, e a Recorrente teve a oportunidade, quando da Impugnação ao Auto de Infração ou ainda no Recurso Voluntário de tecer quaisquer considerações que quisesse acerca dos FATOS que lhe foram atribuídos, o que, dependendo do caso poderia gerar uma diligência, contudo não o fez, limitandose a pugnar pela ilegalidade das provas, mas não combatendo os fatos jurídicos nelas evidenciados. Vale destacar que o contribuinte teve plena ciência dos documentos que foram utilizados no processo, bem como oportunidade de deles se manifestar. Por estes motivos, afasto a preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. 4.3. Preliminar de Nulidade do Procedimento Fiscal e do Auto de Infração por Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização, por haverem sido apreendidos documentos na sala vizinha, por excesso de prazo na conclusão procedimental, por ausência de notificação sobre as prorrogações do MPFF nulidade do Auto de Infração (Itens 2.2 e 2.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurgese contra o fato da fiscalização haver sido realizada alegadamente sem competente Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), mas tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 22 21 O MPFD apenas foi convertido em MPFF em 16 de junho de 2011, razão pela qual entende que todos os atos anteriores são nulos. Afirma que o procedimento fiscal levou em consideração não apenas documentos localizados na sala da Recorrente (sala 4), mas também na empresa vizinha, denominada "Debossan Despachos Aduaneiros Ltda" localizada na Sala 5, o que teria o condão de gerar a nulidade de todo o procedimento o que já foi analisado no tópico referente à nulidade do procedimento. Em relação aos Mandados de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) e de Diligência (MPFD), a competência para fiscalização decorre de lei e é um poderdever do agente sob pena de responsabilidade funcional e eventual prática do crime de prevaricação. Semelhante entendimento foi adotado quando da apreciação do processo 13971.722502/201111, que resultou na prolação do Acórdão 3402003.145. "Se o procedimento de diligência destinase justamente "às ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual", nada há de mais regular que, verificando a fiscalização a necessidade de apuração mais detalhada, instaure depois o procedimento de fiscalização, obviamente com o aproveitamento das provas já coletadas." Esta matéria foi apreciada quando do julgamento, por voto de qualidade, por esta mesma Turma, com outra composição, quando da prolação do Acórdão 3302002.870 nos autos do processo 13971.720747/201375, que trata da mesma matéria com as mesmas partes, de relatoria do Ilmo. Conselheiro Walber José da Silva, verbis: "Quanto as alegações relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registre se que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. No caso vertente, o MPFF foi emitido antes da lavratura do auto de infração e em substituição em MPFD em curso. O fato da D&A ter tomado ciência do MPFF no mesmo dia da ciência do Auto de Infração não representa infração às normas de regência do MPF, posto que o Auto de Infração encontrase acobertado por MPFF. Não há, portanto, nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração suscitadas pelas Recorrentes e acima referidas." Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 23 22 Quanto aos documentos apreendidos na sala vizinha, por meio das provas juntadas aos autos concluise que é uma única empresa de fato, situação esta até confessada pela Recorrente, sob o argumento de que havia propósito comercial e estratégia de marketing nesta união, fato este que será discorrido oportunamente. Em relação ao alegado excesso de prazo, a competência para a autoridade fiscal efetuar o lançamento decorre da lei. Nessa linha, a jurisprudência no CARF caminha no sentido de que eventual irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarretaria a nulidade do lançamento (vide Acórdãos nºs 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; e 3401002.564, de 23/04/2014; e 13971.722502/201111, de 19.07.2016.) Também por estes motivos, rejeito a preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. 4.4. Preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de haver dois sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração Ausência de individualização do Lançamento. (item 2.4 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurgese contra o fato de contra ela haver sido lavrado o mesmo auto de infração que foi lavrado em face da YELLOW MERCANTIL, alegadamente real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A Recorrente insurgese também contra o fato de haver sido aplicada pena de perdimento à Yellow e à D&A, sem qualquer distinção, naquilo que ela denominou por "pena de perdimento solidária". Ao contrário do que alega a Recorrente não há qualquer vedação legal a que um Auto de Infração seja lavrado em face de duas pessoas distintas, especialmente quando no próprio processo esteja sendo sustentado que se trata de um grupo econômico mantido com o objetivo de, mediante fraudes, praticar a sonegação fiscal. Este argumento já foi igualmente decidido no processo 13971.722502/2011 11, que resultou na prolação do Acórdão 3402003.145, no qual foi dada igual solução ao mesmo contribuinte, verbis. "Quanto à alegação de falta de individualização do lançamento não assiste razão às recorrentes, vez que os lançamentos objeto do presente processo foram legitimamente efetuados, nos termos do art. 142 do CTN, apontando como sujeito passivo a referida contribuinte e os responsáveis solidários pelos tributos e pelas infrações, em conformidade com o disposto no CTN e com o art. 95 do Decreto lei nº 37/66. Não se vislumbra a possibilidade de se lavrar um auto de infração para cada integrante do polo passivo, vez que significaria exigir o mesmo montante, de forma independente, várias vezes, da contribuinte e dos responsáveis. As exigências tributárias são únicas, mas, em virtude do que dispõe a lei, são efetuadas em face de vários sujeitos passivos, com a reunião das provas necessárias para a caracterização dos responsáveis para a satisfação do crédito tributário, sendo que o pagamento Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 24 23 efetuado por um dos autuados aproveita aos demais e o pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais." No caso concreto há duas empresas que agiam conjuntamente, havendo confusão entre os integrantes de cada uma dela que trabalhavam em imóveis vizinhos, sendo no caso concreto impossível individualizar a conduta em diversos autos de infração. 5. MÉRITO do Recurso Voluntário apresentado por D&A COMÉRCIO, SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A Recorrente insurgese contra as seguintes multas que lhe foram aplicadas, conforme itens a seguir relacionados. A Recorrente afirma que realizava importação por conta e ordem de terceiros, mas que também realizava operações por conta própria, para encomendantes pré determinados e próprias para revenda. Que nas importações por conta e ordem e nas encomendas, a Recorrente não negociava as mercadorias, e iniciava seus trabalhos a partir da transação já realizada. Sustenta que não há provas do alegado sub ou superfaturamento, nem da informação errada do peso das mercadorias. A documentação carreada aos autos, especialmente as trocas de informações entre as empresas, que o preço e o peso das mercadorias eram absolutamente dissociados da realidade e informados de maneira fictícia e arbitrária com o único motivo de evitar que as mercadorias fossem enquadradas no "preço mínimo". 5.1. Análise da conduta da qual a Recorrente é acusada de praticar. Antes de dar seguimento à análise do presente Recurso Voluntário é necessário adentrar na interpretação da conduta praticada pela Recorrente, à luz da documentação carreada aos autos e do ordenamento jurídico pátrio. Compulsando os autos é possível notar que a Recorrente realizava as importações informando o preço das mercadorias como o menor preço possível que permitissem reduzir a tributação sem despertar suspeitas acerca dos valores, buscando o preço mínimo. Esta conduta pode ser ilustrada pelo email acostado às efls. 186 dos autos, por meio do qual Erica ,da D&A onde afirma: "Caio hoje está em contato com outra pessoa, (...) precisamos descobrir o preço mínimo, é uma informação sigilosa... então estamos sondando o pessoal do banco do brasil que vc. já conhece..." O email de efls. 195 redigido por Ana Maria Furlani, também da D&A também ilustra a questão do preço mínimo e da confusão entre as empresas ao afirmar que "... o Banco do Brasil não irá mais deferir LI com o Certificado do INMETRO em nome da YELLOW, tem que ser feita em Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 25 24 nome da D&A ou estaremos registrando tudo em nome da YELLOW, e desta forma haverão (sic) informações nos custos finais, pois não será mais conta e ordem e sim direto do nome da Yellow." As conversas retratadas nas efls. 202 e seguintes também ilustram que os valores das mercadorias não eram os valores reais, mas valores combinados com o intuito de reduzir a base de cálculo do tributo, desde que não fosse tão baixo a ponto de despertar suspeitas. Sob o aspecto processual merece destaque o fato de que em nenhum momento das mais de oitenta páginas do Recurso a Recorrente teceu qualquer defesa acerca do mérito daquilo que está sendo acusado, limitandose a suscitar a ilegalidade das provas, mas não o seu teor. O Auto de Infração de efls. 636 e seguintes, especialmente efls. 656 em diante, ilustra perfeitamente a conduta realizada pela Recorrente, em cuja sede foram apreendidos carimbos de dezenas de empresas, inclusive estrangeiras, que não tem o seu mérito contestado neste processo, nem traz aos autos eventual decisão eventualmente obtida na esfera judicial que tenha declarado a ilegalidade das provas que afirma haverem sido produzidas por meios ilícitos. Estando este colegiado submetido à regra do livre convencimento motivado, admitese que o amplo acervo probatório trazido aos autos, cuja legalidade da forma de produção não foi em nenhum momento rechaçada pelo Poder Judiciário, indica a existência de uma operação orquestrada entre D&A Comércio e Serviços Importação e Exportação LTDA, YELLOW MERCANTIL COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e os sócios de fato CAIO MARCELO DEBOSSAN e ERICA DEBOSSAN REINERT, com o objetivo de utilizar meios fraudulentos (especialmente forjando informações sobre o peso e o valor da mercadoria) com o objetivo de reduzir a incidência tributária. 5.2. Ilegitimidade passiva da D&A para sofrer pena de perdimento e multa de conversão. (item 2.7) A Recorrente insurgese contra a aplicação cumulativa da multa do artigo 23 V do Decreto Lei 1.455/76 (perdimento por fraude / simulação por ocultação do sujeito passivo) com a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/07 (multa de 10% por cessão de nome) invocando, portanto, a conjugação do artigo 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23 V do Decreto Lei 14.555/76. O artigo 23, V do Decreto Lei 1.455/76, inciso este incluído pela lei 10.637/2002, prevê que a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, gera a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não tenha sido localizada ou haja sido consumida. O artigo 33 da lei 11.488/07 consigna a aplicação de multa, no montante de 10% do valor da operação, à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários, vedada a penalidade de inaptidão de CNPJ. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 26 25 Desde 2010, contudo, o CARF já firmou entendimento (casos piloto processos n.ºs 10314.010132/200744 e 10314.013716/200691) no sentido de que mesmo após o advento da lei 11.488/07 o importador ostensivo deve responder pela multa substitutiva do perdimento de mercadoria prevista no art. 23, V, §§ 1.º e 3 .º do decreto lei 1.455/76, eis que ambos convivem harmonicamente no ordenamento jurídico, sem que exista qualquer espécie de revogação expressa ou tácita de um ou outro e o importador que ceder seu nome para acobertamento de terceiros em operação de comércio exterior deverá responder tanto pela multa substitutiva prevista no art. 23, V, §§ 3.º, do decretolei 1.455/76 como pela multa do art. 33 da lei 11.488/07, até mesmo em atenção ao que dispõe o art. 95, I, V e VI, do decretolei 37/66. A Recorrente insurgese ainda contra a aplicação solidária (adquirente e importador) da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/07, o que faz com arrimo no artigo 100 do DecretoLei 37/66, que prevê "Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido." A Recorrente equivocase a respeito da exegese do referido dispositivo legal que, ao determinar a cada uma delas a pena relativa à infração, autoriza que cada um deles seja punido pelo mesmo fato, sem que isto signifique uma dupla aplicação da pena, e não a necessidade, conforme ela sustenta. Esta questão já foi debatida neste CARF em relação à mesma Recorrente no processo 13971.722502/201111 (acórdão 3402003.145), no processo 13971.722490/201124, em acórdão de Recurso Especial n. 9303004.905, processo 13971.722503/201165, em Acórdão de Recurso Especial n. 9303007.706, merecendo destaque o voto da I. Conselheira Erika Costa Camargos Autran, adotado e reproduzido pelo I. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, respectivamente, que também adoto e reproduzo. "Quanto a inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do Decretolei n.º 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais específica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n.º 11.488/07, entendo que o artigo 33 da Lei n.º 11.488/07, foi incluído no ordenamento jurídico visando a penalizar com multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, não inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a conduta de cessão do nome pelo importador ostensivo visando a ocultar os reais intervenientes da operação de importação. Vejamos: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 23 do Decretolei n.º 1.455/76, que teve a redação alterada pela lei n.º 10.637/02, prevê a aplicação da pena de perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 27 26 equivalente ao valor aduaneiro, pela ocorrência de dano ao erário, relativo às mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, senão vejamos: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” Analisando o dispostos acima verificase que há dois tipos de interposição fraudulenta: a interposição fraudulenta propriamente dita ou comprovada, ou seja, quando resta caracterizada a fraude (artigo 23, V, Decreto lei n.º 1.455/76, caput e artigo 13 da Instrução Normativa n.º 228/02); b a interposição fraudulenta presumida, que tem sua definição no §2º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455/76. As referidas condutas ainda culminavam em inaptidão do CNPJ do importador, a teor do disposto no art. 81, §º 1, da Lei n.º 9430/96 e parágrafo único do artigo 11 da Instrução Normativa n.º 228/02, cumulativamente. “Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 28 27 “§ 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” “Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).” Tal imputação gerava transtornos para as empresas que tinham patrimônio e não eram somente criadas para realizar a operação fraudulenta. Assim, foi publicada a Lei n.º 11.488/07, que no parágrafo único do artigo 33, tentou corrigir tal distorção legislativa a fim de adequar a cominação de inaptidão de CNPJ àquela empresa criada somente para efetuar importações irregulares sem existir de fato, ou seja, dita “de fachada”. Porém, para a empresa que existisse de fato haveria a cominação de uma multa de 10% sobre o valor da operação, limitada a R$5.000,00. Para reforçar esse entendimento, pela leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória n.° 351/07 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei n.º 11.488/07, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva: "Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. "(grifo nosso) Essa interpretação fica clara pela análise do disposto no parágrafo único do artigo 33 da Lei n.º 11.488/07, o qual faz referência expressa à inaptidão de CNPJ da pessoa jurídica que não comprove a origem, disponibilidade e transferências dos recursos (artigo 81 “§1º da Lei n.º 9439/96), e essa é a definição de interposição fraudulenta presumida (art.23, V, “§2°, do Decreto lei n.º 1.455/76). É de se ressaltar, ainda, que não houve revogação do comando normativo inserto no artigo 23, V, do Decreto lei n.º 1.455/76. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 29 28 Conforme a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro (Decreto lei n.º 4.657/42), a revogação legislativa assim dispõe sobre a revogação “Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.” Deste modo, uma lei só será revogada com o advento de outra com ela incompatível. Analisando os dois dispositivos, embora o artigo 23, V, do Decreto lei n.º 1.455/76, traga como penalidade a perda da mercadoria e isto afetaria diretamente o real adquirente, quem comete a infração, ou seja, o sujeito ativo da interposição fraudulenta comprovada é tanto o importador ostensivo, quanto o real importador e adquirente, em co autoria, em razão de previsão da “solidariedade” entre as condutas, com base nos artigos 124, I, do Código Tributário Nacional e 95 do Decreto lei n.º 37/66. E o artigo 33 da Lei n.º 11.488/07 nada previu sobre o assunto, mas somente a cominação de uma nova penalidade para a conduta de interposição fraudulenta presumida, sem, portanto, a comprovação da fraude e simulação propriamente dita, mas decorrente de presunção legal. A pena seria de 10%, mais branda, e se aplicaria somente ao importador ostensivo. Dessa forma, depreendese que não houve revogação tácita e inaplicáveis as disposições do artigo 2º, §1º da LICC, em razão da inexistência de incompatibilidade e inexistência de inteira regulação da matéria. Citase a ementa de acórdão da 2ª turma do TRF4 (AMS 2005.72.08.0051666/ SC, publicado em 1/8/2007, relator Otávio Roberto Pamplona), o qual vai ao encontro do presente artigo no sentido de que não houve revogação do artigo 23, V, do Decretolei 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 30 29 Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (g.n.) De tudo que foi esclarecido acima, entendo que a pena instituída no art. 33 da Lei n.º 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). E prevê multa de 10% sobre o valor da operação, limitada a R$ 5.000,00, para o importador ostensivo que praticar interposição fraudulenta presumida, conforme disposição expressa da infração no § 2º do artigo 23 do Decreto lei n.º 1.455/76. E o art. 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76 pune, com multa de 100% sobre o valor da operação, tanto o importador ostensivo, quanto o real adquirente, em conjunto ou isoladamente, quando praticarem a interposição fraudulenta propriamente dita ou comprovada. Desta feita, as normas têm situações fáticas de aplicação diferenciadas, sendo que o diferencial reside na comprovação da fraude, simulação e conluio para o artigo 23, V, Decreto lei n.º 1.455/76, bem como o sujeito passivo, que pode ser o importador ostensivo e o real adquirente; ao passo que o artigo 33 da Lei n.º 11.488 traz penalidade mais branda para a infração de interposição fraudulenta presumida, sem prova de fraude, e tem por sujeito passivo somente o importador ostensivo que possui existência fática não só jurídica." 5.3. Ausência de prova do consumo de mercadorias, presunção de consumo, cerceamento de defesa, impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa (item 2.8) A Recorrente insurgese contra a forma com que foi convertida a pena de perdimento em multa, alegando que não lhe foi conferida a oportunidade (por intimação) de apresentar as mercadorias. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 31 30 Sustenta que tanto o artigo 23, §3º do DL 1.455/76 como o Artigo 689, §1º do Regulamento Aduaneiro pressupõem o consumo, a revenda ou a não localização da mercadoria para que seja aplicada a pena de perdimento. No caso concreto a Recorrente afirma (efls. 1303) que no dia 11.10.2011 a empresa Yellow Mercantil foi intimada para em dez dias apresentar a mercadoria em referência, mas no dia 26.10.11 afirmou que não as localizou. A Recorrente contesta o reduzido prazo de dez dias que lhe foi conferido para tanto. No caso concreto há afirmação de que a mercadoria "não foi localizada", sendo esta prova suficiente da não localização da mercadoria. Em relação a este ponto, tendo sido a Yellow Mercantil intimada apresentar as mercadorias, e tendo a mesma afirmado que "não as localizou", este fato encontrase perfeitamente subsumido à hipótese de "não localização" que autoriza a conversão da pena de perdimento em multa. No que diz respeito à intimação da D&A, admito que é providencia desnecessária uma vez que a mercadoria não era dela. 5.4. A inocorrência de Subfaturamento ou Superfaturamento (item 2.9 efls. 1306) A Recorrente alega que não possuía qualquer relação com as negociações ocorridas entre a Yellow e as exportadoras no exterior, bem como que era a Yellow quem gerenciava e controlava fretes e embarques. Afirma ainda que jamais houve qualquer superfaturamento ou subfaturamento, sustenta que deveria ter uma pauta de valores mínimos e que apenas intermediava as operações realizadas pela Yellow e os fornecedores estrangeiros. Que a "proforma invoice" ou "fatura proforma" era apenas um pedido ou uma intenção de compra. Que a Autoridade fiscal embasa suas teses de superfaturamento em planilhas, emails e "proforma invoices" que não refletem as negociações finais, por sua vez demonstradas nas "faturas comerciais" ou "comercial invoices". Que o valor aduaneiro é o preço efetivamente pago pelas mercadorias. O acervo probatório juntado aos autos demonstra que havia uma verdadeira confusão entre a Yellow e a D&A, que por sua vez tinha sócios informais, que representavam a empresa e discutiam o preço e o peso que atribuiriam às mercadorias que seriam adquiridas, como bem demonstram os documentos que embasaram a autuação, documentos estes que a Recorrente jamais impugnou o teor, apenas a forma de produção, e que serviram para a elaboração do livre convencimento motivado por meio do qual concluiuse trataremse de operações fraudadas. As mensagens trocadas entre as empresas, e que integram o presente processo revelam detalhes acerca da forma com que eram tratados os valores cheios e subfaturados, como eram atribuídos ficticiamente os pesos às mercadorias, tudo de forma irrefutável e cabalmente demonstrado no Auto de Infração e confirmado pela DRJ. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 32 31 5.5. Da rejeição do primeiro método valor da transação. A Recorrente alega que a desconsideração do primeiro método de valoração aduaneira não ocorreu em conformidade com a legislação aplicável, qual sejam os requisitos estabelecidos no Acordo Internacional aprovado pelo Dec. n. 1.355/94. No caso concreto, a partir da conclusão de que o valor aduaneiro das mercadorias foi estipulado de forma arbitrária e fictícia pela Recorrente, (merecendo destaque a planilha Excell “inf.ncm com preço mínimo” de 22/03/07, com a observação “acompanhar sempre se não houve mudança nos preços e nas descrições”), a fiscalização aplicou artigo 86 do Regulamento Aduaneiro, lote a lote, o que foi confirmado pela DRJ, verbis: “Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”). Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado.” Isto porque a dúvida razoável sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado e a insuficiência das explicações apresentadas pelo importador podem ser fundamentos para afastamento do método do valor da transação declarado. 5.6. Inexistência de sonegação, fraude ou conluio. (item 2.10 do RV, item 5 e 5,2 deste voto) Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 33 32 A Recorrente alega que não houve qualquer espécie de sonegação, fraude, conluio ou qualquer outra espécie de atuação dolosa no sentido de evasão fiscal ou prejuízo ao erário, ao contrário do que sustenta a fiscalização. Contudo, como já tratado em tópicos anteriores, a documentação trazida aos autos aponta para a existência de um verdadeiro mecanismo criado com o objetivo de praticar fraudes nas importações, onde os preços e pesos das mercadorias eram combinados. No caso concreto o recolhimento ou não do tributo é irrelevante para a presente discussão. Por este motivo, não há como sustentar a inexistência de fraude e de sonegação. 5.7. Da data do embarque da DI 06/10687985 (1984) e da multa de 30% A Recorrente insurgese contra o fato da Autoridade Fiscal haver aplicado multa pelo fato da mercadoria referente à DI 06/10687985 supostamente haver sido embarcada em 01.08.2006 (mas alegadamente embarcada 05.08.2006), antes do deferimento da LI. No entanto, resta prejudicada a análise em razão da decadência já abordada no tópico anterior. 5.8. Da declaração do peso líquido da mercadoria. A Recorrente alega que as mercadorias não tiveram seus pesos líquidos forjados, e que todos os argumentos lançados pelos fiscais são baseados em planilhas, emails e proformas que não refletem as negociações finais entre o comprador e vendedor. Sustenta que a ausência de perícia e, consequentemente, laudo técnico, o impede de exercer o direito de defesa, mormente o de provar que o preço e o peso atribuídos às mercadorias era correto A falsa atribuição do peso das mercadorias importadas decorreu do fato de que há nos autos documentação na qual a Recorrente negocia o preço e o peso que atribuirá a cada mercadoria, fazendo das declarações de importação uma verdadeira obra de ficção, evidenciando que o objetivo é fraudar o fisco evitando a aplicação do preço mínimo. Nos autos há demonstração de que a mercadorias iguais eram atribuídos pesos diferentes, como se pode exemplificar pela DI n. 07/02536606, tendo sido descoberto um BL real, com 4.680kg e um BL falso, onde consta 2.178kg de mercadorias, tendo sido encontrado um arquivo eletrônico onde resta demonstrado o rateio individual dos pesos de forma a alcançar o peso declarado, uma verdadeira obra de ficção. Por meio do rateio do peso real das mercadorias foi possível à fiscalização chegar ao peso líquido real. Por derradeiro cumpre destacar que a Recorrente jamais trouxe aos autos qualquer documento que viesse a trazer qualquer demonstração acerca do peso correto das mercadorias. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 34 33 5.9. Inaplicabilidade da multa por consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, enquadramento legal incorreto, vício material, anulação do Auto de Infração. (item 2.13 do RV) A Recorrente insurgese contra a aplicação da “multa por consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no país” sob o argumento de que o consumo delas foi presumido e, ainda que superada esta hipótese, não poderia ter sido aplicada conjuntamente com a “pena de perdimento”. A solução da análise de tal tópico passa pela análise se as mercadorias foram ou não introduzidas fraudulentamente no país, bem como, na confirmação do seu consumo, ou não. Neste aspecto, nos tópicos anteriores já restou demonstrado que as mercadorias foram introduzidas no Brasil mediante fraude e que não foram encontradas, portanto foram consumidas, na forma da lei. A Recorrente afirma que, ainda que as mercadorias houvessem sido introduzidas fraudulentamente no Brasil, e que tivessem sido consumidas, a pena pelo consumo não poderia ter sido aplicada em conjunto com a pena de perdimento. Efetivamente a pena por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente somente poderia ser aplicada no caso de não haver sido aplicada a pena de perdimento dos bens, na forma do artigo 631 do Decreto 4.543/2002, que excepciona a aplicação da referida multa no caso de já haver sido aplicada pena de perdimento. Por estes motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para que seja exonerada a multa pelo consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no Brasil. 5.10. Da incidência de tributos sobre mercadorias objeto da pena de perdimento. (Item 2.14 do RV.) A Recorrente sustenta que não deve incidir o Imposto de Importação, PIS e COFINS devidos na importação sobre as mercadorias que sofreram pena de perdimento. Todavia, o ordenamento jurídico em vigor prevê a incidência do Imposto de Importação e das contribuições ao PIS e COFINS quando da aplicação da multa substitutiva do perdimento face à sua não localização, consumo ou revenda. O artigo 1o do DecretoLei 37/66 e a Lei 10.833/2003 determinam que incidirão os referidos tributos (Imposto de Importação e as referidas contribuições) quando as mercadorias não tenham sido localizadas, tenham sido consumidas ou revendidas. Art. 1º O impôsto de importação incide sôbre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. Parágrafo único. Considerarseá entrada no território nacional, para efeito de ocorrência do fato gerador, a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 35 34 Isto porque a imposição de tributos não se confunde com a imposição de multas, eis que enquanto estas são sanções pela práticas de um ilícito, aqueles não passam de deveres jurídicos ex lege e, uma vez consumidas as mercadorias introduzidas fraudulentamente no pais, elas devem ser tributadas com a mesma intensidade do que as legalmente importadas, sob pena de manifesta infração à isonomia, bem como o indesejável prejuízo à indústria nacional, que passaria a competir com produtos importados de fraudulenta e ainda não tributados. A Lei no 10.833/2003 veio a dar nova redação ao art. 1o, § 4o, III do Decreto Lei no 37/1966, dispondo: “Art.1o O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (...) § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida.” (grifo nosso) Desta feita, concluo que não há qualquer óbice jurídico à incidência cumulativa da pena de perdimento com os tributos incidentes sobre o comércio exterior. 5.11. Da ausência do elemento danoso relevação da pena de perdimento. (Item 2.15) A Recorrente requer a aplicação do instituto da relevação da pena de perdimento na forma dos artigos 712 e 737 do Regulamento Aduaneiro, que tem lugar quando a conduta não resulta em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos, que ela entende ser aplicável ao caso concreto. “Art. 712. Aplicase ao importador a multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese de relevação da pena de perdimento de que trata o art. 737 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67, caput e parágrafo único). Art. 737. A pena de perdimento decorrente de infração de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais poderá ser relevada com base no disposto no art. 736, mediante a aplicação da multa referida no art. 712 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67). § 1o A relevação não poderá ser deferida: I mais de uma vez para a mesma mercadoria; e II depois da destinação da respectiva mercadoria. § 2o A aplicação da multa a que se refere este artigo não prejudica: Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 36 35 I a exigência dos tributos, de outras penalidades e dos acréscimos legais cabíveis para a regularização da mercadoria no País; ou II a exigência da multa a que se refere o art. 709, para a reexportação de mercadoria submetida ao regime de admissão temporária, quando sujeita a licença de importação vedada ou suspensa. § 3o A entrega da mercadoria ao importador, na hipótese deste artigo, está condicionada à comprovação do pagamento da multa e ao cumprimento das formalidades exigidas para o respectivo despacho de importação, sem prejuízo do atendimento das normas de controle administrativo. Art. 738. O Ministro de Estado da Fazenda poderá, em ato normativo, dispor sobre relevação da pena de perdimento de bens de viajantes, mediante o pagamento dos tributos, acrescidos da multa de cem por cento do valor destes (DecretoLei nº 2.120, de 1984, art. 6º, inciso I). Art. 739. A pena de perdimento a que se refere o inciso VII do art. 688, enquanto não efetuada a destinação do veículo, poderá ser relevada à vista de requerimento do interessado, desde que recolhido o montante correspondente a duas vezes o valor da multa inicialmente aplicada (Lei nº 10.833, de 2003, art. 75, § 7º). Parágrafo único. A relevação a que se refere o caput compete ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil responsável pela apuração da infração. Todavia, como se pode aferir pela simples leitura do citado artigo 739, parágrafo único, tal ato não é da competência deste Colegiado, razão mais que suficiente para este pedido sequer seja conhecido, por incompetência deste CARF. 5.12. Necessidade de aplicação de pena mais favorável. A Recorrente alega que eventuais irregularidades ocorridas no processo de importação das mercadorias, caso ocorridas, foram apenas de ordem formal, razão pela qual requer que, em último caso, lhe seja aplicado o artigo 711, III e § 1º do Regulamento Aduaneiro, qual seja a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro das mercadorias, por omissão ou prestação de informação inexata. Requer ainda a aplicação do artigo 112 do CTN, que preconiza que a lei deve ser interpretada na maneira mais favorável ao acusado no caso de dúvida. Efetivamente o referido artigo 112 do CTN decorre do princípio "in dubio pro reo", que norteia todo o direito punitivo e deve ser aplicado nos casos em que exista dúvida acerca da ocorrência ou não dos fatos. Ademais, o CTN tratandose de matéria aduaneira, o Código Tributário Nacional deve ser aplicado em conjunto com toda a legislação específica. Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Acórdão n.º 3302006.905 S3C3T2 Fl. 37 36 Contudo, como já mencionado, o seu emprego pressupõe a ausência de certeza acerca do que ocorreu no mundo fenomênico, e no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ocorrência dos referidos fatos utilizados como motivo para a aplicação das normas jurídicas, fatos estes exaustivamente comprovados pela fiscalização. Por todo o exposto, voto por não conhecer dos recursos interpostos por ÉRICA DEBOSSAN REINERT, pelo Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN e YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Quanto ao recurso da D&A COMERCIO SERVICOS IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, voto por não conhecer da matéria referente a relevação da pena de perdimento, e na parte conhecida, em acolher a preliminar de decadência das declarações de Importação registradas anteriormente a 24/09/2006, negando as demais. No mérito, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a multa por consumo de mercadoria introduzida fraudulentamente no país. Fl. 1564DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920250/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/12/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.058
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 50 /2 01 2- 77 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.058 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920250/2012-77 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.058 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920250/2012-77 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.058 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920250/2012-77 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.058 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920250/2012-77 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 82DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.058 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920250/2012-77 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900093/2017-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DESNECESSÁRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE.
No caso concreto, a procedência do pedido de restituição transmitido dependia da manutenção de crédito tributário constituído em outro processo, no entanto, a impugnação naquele apresentada foi apreciada em primeira instância, com decisão pela exoneração do tributo lançado, bem como foi negado provimento ao recurso de ofício no âmbito do CARF.
Como consequência da exoneração do crédito tributário naquele outro processo administrativo, resta claro que os créditos aqui utilizados para compensação eram devidos, de forma que não merece prosperar o pedido de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
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SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DESNECESSÁRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. No caso concreto, a procedência do pedido de restituição transmitido dependia da manutenção de crédito tributário constituído em outro processo, no entanto, a impugnação naquele apresentada foi apreciada em primeira instância, com decisão pela exoneração do tributo lançado, bem como foi negado provimento ao recurso de ofício no âmbito do CARF. Como consequência da exoneração do crédito tributário naquele outro processo administrativo, resta claro que os créditos aqui utilizados para compensação eram devidos, de forma que não merece prosperar o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 93 /2 01 7- 73 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10850.900093/201773 Acórdão n.º 1201002.941 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do r. acórdão n. 1157.522 (fls. 3138) proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do r. despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteado através do PER/DCOMP n. 34531.70993.310516.1.2.049234. Adoto o relatório da r. DRJ, complementandoo ao final com o necessário. Tratam os autos de Pedido de Restituição (PER) nº 34531.70993.310516.1.2.049234, com cópia às fls. 19 a 21, por intermédio do qual o contribuinte pleiteou a restituição de suposto pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no montante de R$ 130.827,48, decorrente de Darf de mesmo valor, relativo ao período de apuração 4º trimestre de 2011, arrecadado em 31/01/2012. 2. Como resultado da análise do PER foi expedido o Despacho Decisório com nº de rastreamento 119553701, em 03/02/2017, com cópia às fls. 22, 25 e 26, decidindo por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, indeferir o pedido. 2.1. Consoante a decisão, o Darf foi integralmente utilizado na liquidação de débito de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2011, confessado na DCTF nº 100201120121861134752.1. Consoante a decisão, o Darf foi integralmente utilizado na liquidação de débito de CSLL referente ao 4º trimestre de 2011, confessado na DCTF nº 100201120121861134758. 3. Cientificado da decisão em 21/02/2017, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 24, em 20/03/2017 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 04 a 10, instruída com os documentos às fls. 11 a 18, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. A empresa Cerradinho Participações S/A (Cerrapar), da qual é acionista, sofreu lavratura de auto de infração sob o argumento de que teria deixado de recolher IRPJ e CSLL sobre ganho de capital obtido na alienação de ações da NG Bioenergia S/A NG (antes denominada Jarsy Holdings S/A Jarsy) à empresa Noble Comercializadora de Energia Ltda (Noble). Segundo a peça fiscal, houve planejamento fiscal abusivo, que teria propiciado que a venda dos ativos à Noble se desse pelos acionistas (em sua maioria pessoas físicas) e, assim, resultasse em tributação do ganho de capital pelo IRPF (à alíquota de 15%), ao invés do IRPJ e da CSLL (às alíquotas somadas de 34%). Assim, ignorando os recolhimentos sobre o ganho de capital efetuados pelos acionistas, a autoridade fiscal exigiu IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital na Cerrapar; 3.2. Os autos de infração foram impugnados pela Cerrapar e seus acionistas pessoas físicas (responsáveis solidários pelo crédito tributário), sendo que a apreciação das impugnações ainda não foi realizada na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ); Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10850.900093/201773 Acórdão n.º 1201002.941 S1C2T1 Fl. 4 3 3.3. Em vista do auto de infração, e visando resguardar seu direto contra efeitos da prescrição/decadência, os acionistas pleitearam a restituição do tributo por eles recolhido sobre o ganho de capital apurado na alienação da participação societária em questão. Isto porque, na hipótese de manutenção das autuações na Cerrapar (processo nº 16561.720044/201618), é de rigor a devolução do tributo pago pelos acionistas; 3.4. Para evitar que sejam proferidas decisões distintas acerca dos mesmos fatos e sobre a mesma questão jurídica, é imperioso que o presente feito seja reunido àquele processo, com fundamento no art. 6º, §1º, I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e no art. 55 do Código de Processo Civil (CPC); 3.5. Alternativamente, no mínimo deve ser sobrestada a decisão a ser dada aqui até a definição quanto à procedência das exigências objeto daquele processo, em razão da prejudicialidade entre ambos; 3.6. Requer a compensação do valor objeto do PER aqui tratado com os valores que vierem a ser devidos em definitivo pela Cerrapar caso a decisão no processo na qual esta é parte lhe seja desfavorável. 4. Em 03/07/2017 os autos foram encaminhados a esta DRJ/Recife PE para a apreciação da manifestação de inconformidade, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 2.231, de 2017 (fl. 30). Em 11 de setembro de 2017, a 04ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Recife proferiu o Acórdão DRJ nº 1157.522, situado às fls. 31 a 38, de relatoria do AuditorFiscal Luciano de Oliveira Valença, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DESNECESSÁRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. No caso concreto, em que a procedência do pedido de restituição transmitido depende da manutenção de crédito tributário constituído em outro processo, e a impugnação naquele apresentada já ter sido apreciada em primeira instância, com decisão pela exoneração do tributo lançado, o sobrestamento do julgamento da restituição tornase desnecessário, sendo devido ratificar o seu indeferimento. Não obstante ter havido recurso de ofício da decisão que afastou os lançamentos, o julgamento do pedido de restituição não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte, haja vista a que ambos os processos serão apreciados pelo Carf. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que aduz a necessária conexão do presente com o processo administrativo nº 16561.720044/201618, em Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10850.900093/201773 Acórdão n.º 1201002.941 S1C2T1 Fl. 5 4 que se discute a validade da operação subjacente que originou o crédito pleiteado. Alternativamente, requer o sobrestamento do feito até que aquele processo seja julgado. Por fim, sustenta que: Na hipótese de eventual manutenção das autuações fiscais que deram origem ao PA nº 16561.720044/201618, é de rigor a devolução do imposto pago pelos acionistas de CERRAPAR ou, quando menos, a sua compensação com os valores que vierem a ser devidos em definitivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O Recurso é tempestivo e interposto por parte constituída, cumprindo os requisitos, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Analisando os autos verifico que o indeferimento do crédito pleiteado decorreu da incerteza quanto à existência ou não de pagamento indevido a ser restituído, o que dependia do resultado do processo administrativo nº 16561.720044/201618, em que se discutiu se a operação subjacente foi válida ou não, o que implicaria na validade da lavratura dos autos de infração e na existência ou não de valores a serem restituídos. Referido processo foi objeto de análise desta r. Turma na sessão de 17 de abril de 2018, em que se proferiu acórdão, sob a relatoria da Conselheira Gisele Bossa, em que acordaram os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXERCIDA. Constatado que o real alienante de participação societária eram as acionistas pessoas físicas/jurídicas (acionistas controladores), incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica (holding). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. Diante das circunstância fáticoprobatórias, verificase que o objetivo central da reestruturação societária adotada era permitir a liberação do preço de venda antes do vencimento das obrigações financeiras pactuadas com os credores e não reduzir o ônus fiscal. Daí se explica a opção pela cisão parcial (em detrimento de capitalização de uma controlada), incorporação do acervo em empresa já existente e sem operação (ao invés de outra que poderia ser criada) e cisões de CAEE e CERRAPAR na mesma data. O curto espaço de tempo entre a cisão parcial e a alienação, por si só não configura planejamento tributário abusivo. No mais, o reinvestimento imediato do valor da alienação não demonstra ilicitude do planejamento. ILICITUDE DE CISÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA. Em atos de fusão, cisão ou incorporação, os fins dizem respeito aos propósitos a que servem as operações. Tais reestruturações têm por função possibilitar as alocações de patrimônio em diferentes sociedades, nos termos do artigo 225, I c/c artigo 229, § 3º, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/As). Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10850.900093/201773 Acórdão n.º 1201002.941 S1C2T1 Fl. 6 5 A cisão da Recorrida permitiu atribuir àquele que negociou a venda obter o ativo antes de alienálo. Por isso, constou da justificação que a cisão visava "racionalizar a estrutura societária'', com a "reorganização dos ativos'', nos "legítimos interesses da Cindida e da Incorporadora, assim como de seus acionistas e administradores''. Só cabe cogitar inexistência de causa à cisão se, por hipótese, o patrimônio cindido (ou recursos equivalentes) tivesse retornado a Recorrida. Tal fato não ocorreu no presente caso, ela deixou de deter ativos e desobrigouse de passivos. Houve, portanto, conferência patrimonial. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. EFETIVO PROPÓSITO NEGOCIAL. VERIFICAÇÃO. A construção de cenários de impacto fiscal permitiu a averiguação de como a adição do ganho de capital ao resultado tributável de CAEE e CERRAPAR influiria nas base de IRPJ e CSLL de ambas de forma a evidenciar, complementarmente às demais provas dos autos, que o propósito da reestruturação societária praticada não foi a redução do ônus fiscal sobre o ganho de capital. INCORRETA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. É nula a imputação de responsabilidade tributária por ausência de termo e falta de motivação, nos termos do artigos 10, incisos III e IV, 31 e 59, II do Decreto nº 70.235/1972 c/c os artigos 12, inciso II, 39, incisos III e IV, do Decreto nº 7.574/2011 c/c artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.785/1999. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Como se verifica, esta Turma entendeu pela validade da operação carreada e por exonerar totalmente o crédito tributário, de sorte que são devidos os recolhimentos realizados pela Recorrente, não havendo que se falar em pagamento indevido. Isto posto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negarlhe provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10850.900093/201773 Acórdão n.º 1201002.941 S1C2T1 Fl. 7 6 É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900834/2010-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. INOCORRÊNCIA.
É dever do contribuinte comprovar, através de documentos hábeis, o erro no preenchimento de declaração destinada à informação do fisco. A Ausência de comprovação adequada impede o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário declarado.
Numero da decisão: 1003-000.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. INOCORRÊNCIA. É dever do contribuinte comprovar, através de documentos hábeis, o erro no preenchimento de declaração destinada à informação do fisco. A Ausência de comprovação adequada impede o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
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ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. INOCORRÊNCIA. É dever do contribuinte comprovar, através de documentos hábeis, o erro no preenchimento de declaração destinada à informação do fisco. A Ausência de comprovação adequada impede o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 02-43.873, de 12 de abril de 2013, da 3ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 08 34 /2 01 0- 95 Fl. 609DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.727 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900834/2010-95 A Recorrente transmitiu 58 PER/DCOMPs para utilização de saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada pela Kadron, no ano calendário de 2006, no valor de R$ 786.683,95. A Autoridade administrativa proferiu despacho decisório nº de rastreamento 869626555, emitido em 03/08/2010 (fls. 121 a 129 do volume I), que reconheceu parte do crédito relativo .ao saldo negativo de IRPJ. apurado no ano-calendário de 2006, no valor .de R$127.422,98, e homologou parcialmente as compensações declaradas Pela Requerente, até o limite do crédito reconhecido. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, com os argumentos devidamente sintetizados no Relatório do r. acórdão, o qual passo a transcrever: Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 11/08/2010, conforme documento à fl. 255. Irresignado, o contribuinte apresenta em 06/09/2010 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 256 a 268, onde, em síntese, argumenta: 4.1 Dentre as receitas declaradas que sofreram IRRF estão aquelas oriundas de pagamento de juros sobre capital próprio referentes às vendas de ações de empresas de telefonia e de juros decorrentes de contratos de mútuo firmados com as empresas Magneti Marelli Escapamentos Ltda e Magneti Marelli Sistemas Automotivos Indústria e Comércio Ltda. 4.2 A parcela do IRF validada pelo fisco é aquela correspondente às receitas financeiras informadas na linha 21 da ficha 6A da DIPJ/2007 – R$ 1.305.071,01. Esse entendimento é totalmente equivocado, pois o valor em comento corresponde apenas às receitas financeiras auferidas no AC de 2006 que foram oferecidas à tributação pelo regime de competência. 4.3 Entre 2002 e 2006 a empresa KADRON S A, incorporada pela requerente, contabilizou os rendimentos brutos auferidos em razão do contrato de mútuo firmado com a empresa MAGNETI MARELLI ESCAPAMENTOS LTDA em 26/04/2002. 4.3.1 Os rendimentos informados na DIPJ refletem os lançamentos contábeis, por meio do regime de competência, enquanto os rendimentos declarados em DIRF pela fonte pagadora obedecem ao regime de caixa. No período de 2002 a 2006 a requerente auferiu um total de R$ 5.232.559,97 a título de rendimentos decorrentes do contrato de mútuo firmado com a empresa MAGNETI MARELLI ESCAPAMENTOS LTDA. Menciona a anexação das contas 723000 e 723010 do razão contábil. 4.3.2 O crédito referente ao IRF no valor de R$ 905.73,65 somente foi aproveitado pela requerente no AC de 2006 quando os juros decorrentes do contrato de mútuo foram efetivamente recebidos e lhe foi fornecido pela fonte pagadora o respectivo comprovante de rendimentos e IRF. 4.4 No AC de 2006 a requerente recebeu em espécie o rendimento no valor de R$7.852,74, correspondente aos juros de mútuo pagos pela empresa MAGNETI MARELLI SISTEMAS AUTOMOTIVOS, apropriando-se do IRF no importe de R$ 1.672,01. 4.5 Quanto à glosa referente ao IRF decorrente dos juros sobre capital próprio, no valor de R$ 444,62, esclarece que o rendimento no importe de R$ 78.163,30 foi informado na linha 27 – Outras receitas operacionais – da ficha 06-A da DIPJ/2007. Menciona que Fl. 610DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.727 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900834/2010-95 parte da receita de juros sobre capital próprio decorre da venda de ações de empresas de telefonia. Apresenta planilha demonstrativa. 4.6 Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade com a reforma do Despacho Decisório e a homologação integral das compensações em litígio neste processo. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 330). A 3ª Turma da DRJ/BHE julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, reconhecendo o direito à utilização do Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 658.816,23 e homologando parcialmente as compensações em litígio, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente foi intimada da decisão supra mencionada no dia 05/06/2013, em razão de decurso de prazo a contar da disponibilizarão no sistema e-CAC (e-fl.597) e, inconformada, apresentou recurso voluntário aos 19/06/2013 (e-fls. 598 a 607) que, em síntese, destacou: (i) Defende fazer jus ao crédito decorrente do IRRF incidente sobre os rendimentos referentes aos Juros sobre Capital Próprio, no importe de R$ 444,74, por estar comprovado nos autos que a receita foi oferecida à tributação; (ii) Aduz ter ocorrido equívoco no preenchimento da DIPJ/2007, pois o rendimento de Juros sobre Capital Próprio, no valor de R$ 78.163,30 foi informado, por equívoco, na Linha 27 - Outras Receitas Operacionais da Ficha 06A da DIPJ/2007, quando deveria ter sido informado na linha 20 - Receitas de JUros sobre o Capital Próprio da Ficha 06 A; (iii) Destaca que, não obstante o equívoco cometido, pela análise da DIPJ/2007 percebe-se que a Recorrente ofereceu o rendimento de Juros sobre Capital Próprio à tributação e que o erro no preenchimento não elide o fato de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, impondo-se o reconhecimento do direito creditório; (iv) Reforça que os documentos colacionados aos autos são suficientes para demonstrar ter o rendimento sido oferecido à tributação, pois junta a tela do SAP, utilizado e aceito pela DRJ para reconhecer o crédito de IRRF relativo aos rendimentos auferidos de aplicações financeiras, comprovante de que essa receita sofreu retenção de IRRF no mesmo ano calendário de 2006 e DIPJ/2007; Fl. 611DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.727 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900834/2010-95 (v) Ao final, requereu a procedência do recurso voluntário e a reforma do r. acórdão, com o reconhecimento do direito da Recorrente à integralidade do crédito de IRRF referente aos rendimentos decorrentes de Juros sobre Capital Próprio. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente defende em seu recurso voluntário que a receita decorrente dos rendimentos de Juros sobre Capital Próprio foi oferecida à tributação e, por conseguinte, faz jus ao crédito decorrente do IRRF, no importe de R$ 444,74. A DRJ reconheceu parte do crédito pleiteado no importe de R$ 658.816,23 e, em relação ao crédito dos rendimentos referentes ao código 5707 – Juros sobre Capital Próprio(JCP), a mesma negou por entender que a Recorrente não teria comprovado o efetivo oferecimento das receitas correspondentes à tributação, com base no fundamento abaixo extraído do voto do r. acórdão: 14. Quanto aos rendimentos referentes ao código 5707 – Juros sobre Capital Próprio(JCP), o contribuinte apresenta a planilha à fl. 267, com o detalhamento das “outras receitas operacionais” no valor total de R$ 78.163,31. Entretanto, a planilha apresentada não comprova o oferecimento à tributação das receitas que originaram a retenção pleiteada, ressaltando que, tal como afirma o próprio manifestante, estas receitas não constam da linha 20 da Ficha 06/A da DIPJ 2007/AC 2006. 14.1 Cabe esclarecer que para que o IRF seja deduzido da apuração do imposto de renda é necessário que os rendimentos correspondentes estejam oferecidos à tributação. Quando aos rendimentos referentes ao JCP, mesmo ciente da motivação da glosa pela DRF, o manifestante não comprovou o efetivo oferecimento das receitas correspondentes à tributação, de modo que o IRF no importe de R$ 444,74 não pode ser validado. A Recorrente, em sua peça recursal, destaca que eventual erro no preenchimento da DIPJ não desqualifica o fato de ter a mesma oferecido a receita à tributação e explica que o rendimento de Juros sobre Capital Próprio, no valor de R$ 78.163,30 foi informado, por equívoco, na Linha 27 - Outras Receitas Operacionais da Ficha 06A da DIPJ/2007, quando deveria ter sido informado na linha 20 - Receitas de Juros sobre o Capital Próprio da Ficha 06 A. Verificando os documentos colacionados à manifestação de inconformidade, é possível identificar, no documento 6 (fls. 178 e 179 do volume I) que, na FIcha 06 A - Demonstração de Resultado - PJ em Geral, a Recorrente informou no item 27 (Outras Receitas Operacionais) o valor de R$ 78.163,30. Fl. 612DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.727 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900834/2010-95 No documento 11, juntado na manifestação de inconformidade (fls. 202 e 203 do volume I), a Recorrente apresenta uma tela SAP da empresa, com a razão contábil. Porém, não acosta aos autos documentos contábeis e ficais da empresa para corroborar a tela SAP acostada ao processo. A DRJ não acolheu esse documento (fls. 202 e 203 do volume I) sob a alegação de que a planilha apresentada não comprova o oferecimento à tributação das receitas, pois as receitas não constam da linha 20 da Ficha 06/A da DIPJ 2007/AC 2006. A Recorrente defende que a DRJ deveria ter aceitado a tela SAP acostada ao processo na sua manifestação de inconformidade no tocante ao tópico remanescente, visto que teria aceitado as mesmas telas para exonerar o que foi reconhecido em primeira instância. Contudo, tal conclusão não corresponde com a verdade dos fatos. No r.acórdão, a DRJ menciona as telas SAP juntadas na defesa, porém fundamenta sua decisão nas conclusões extraídas a partir das declarações (DIPJ e DIRF) apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal (e-fls. 331 a 496 e 497 a 540). Quanto aos rendimentos referentes ao código 5707 – Juros sobre Capital Próprio (JCP), verifica-se que o IRRF (JCP) não consta na DIRF referente ao ano-calendário de 2006, e- fls. 497 a 505 (nem nos demais anos-calendário). A Recorrente tampouco apresenta Informes de Rendimentos que demonstrassem a retenção do valor em análise. Observe-se, ainda, que o Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, quando trata da obrigatoriedade do informe de rendimento, determina que poderá ser compensado o imposto retido desde que o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (§2º do art. 942). Ainda quanto às exigências, dispõe o Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, o documento deve, além de ser emitido em nome do contribuinte pela fonte pagadora, deve também indicar a natureza e o montante dos pagamentos e das deduções (art. 987 e 988). Outrossim, conforme observado pela DRJ nos fundamentos do acórdão recorrido não há coincidência de valores na DIPJ. Vide trecho do r.acórdão: 14. Quanto aos rendimentos referentes ao código 5707 – Juros sobre Capital Próprio(JCP), o contribuinte apresenta a planilha à fl. 267, com o detalhamento das “outras receitas operacionais” no valor total de R$ 78.163,31. Entretanto, a planilha apresentada não comprova o oferecimento à tributação das receitas que originaram a retenção pleiteada, ressaltando que, tal como afirma o próprio manifestante, estas receitas não constam da linha 20 da Ficha 06/A da DIPJ 2007/AC 2006. 14.1 Cabe esclarecer que para que o IRF seja deduzido da apuração do imposto de renda é necessário que os rendimentos correspondentes estejam oferecidos à tributação. Quando aos rendimentos referentes ao JCP, mesmo ciente da motivação da glosa pela DRF, o manifestante não comprovou o efetivo oferecimento das receitas correspondentes à tributação, de modo que o IRF no importe de R$ 444,74 não pode ser validado. Diante disso, entendo não ter a Recorrente comprovado o erro de fato alegado e, por conseguinte, não restou demonstrado a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado (art. 170 do CTN). Fl. 613DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.727 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900834/2010-95 Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.001779/2008-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR.
A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária.
A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
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CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindose assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 17 79 /2 00 8- 37 Fl. 188DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo Relatório Tratase Auto de Infração (Debcad n° 37.198.1450) para cobrança de contribuições sociais destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, devidas por subrogação pelos adquirentes de produto rural de pessoa física, nos termos do artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. O período de apuração abrange 01/2003 a 12/2004. A subrogação está fundamentada no art. 30, inciso III da Lei nº 8.212/91 (efls. 18). Nos termos do relatório fiscal (efls. 21 e seguintes) a infração foi assim resumida: 3DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 3 . 1 0 objeto do lançamento são as contribuições previdenciárias não recolhidas, devidas a Receita Federal do BrasilRFB incidentes sobre a aquisição de produto rural, identificados pela aquisição de gado para abate de produtor rural pessoa física. 3.2 São contribuições devidas pela empresa na condição de sub rogada, destinadas a outras entidades (TERCEIROS)SENAR, apurada com alíquota de 0,20% 3.3 Foi emitido outro AIOP Debcad n° 37.198.1441, com o mesmo fato gerador e mesma base de cálculo para as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e contribuições previdenciárias rurais. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento haja vista declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no recurso extraordinário nº 363.852/MG. Acórdão 2401003.254 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 3 3 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado. Recurso Voluntário Provido. Intimada a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, recurso especial. Citando como paradigmas os acórdãos 230201.599 e 2402001.724, a Recorrente assim resumiu a divergência: Observase que nos paradigmas, assim como no acórdão recorrido, tratavase da discussão a respeito da constitucionalidade das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural. Contudo, enquanto na decisão hostilizada concluiuse pela sua inconstitucionalidade, nos acórdãos paradigmas, refutouse tal argumentação, mantendose o lançamento, com base na Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98. Como se vê, os acórdãos paradigmas acima transcritos, ao tratarem de casos idênticos ao dos autos, adotaram entendimento diametralmente oposto ao firmado no acórdão recorrido. Nessas condições, demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas em anexo, nos termos do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, afiguram se presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial. Contrarrazões do contribuinte juntada às fls. 155 e seguintes. Defende a recorrida a manutenção do acórdão sob o argumento de que a inconstitucionalidade do FUNRURAL declarada pelo RE 363.852/MG não teria sido superada com a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 e Lei n° 10.256/2001. Faz considerações sobre o princípio da isonomia reiterando argumentos apresentados no seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 190DF CARF MF 4 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos formais e deve ser conhecido. Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pela Turma a quo que cancelou o lançamento cujo objeto é exigência de contribuições sociais destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, devidas por subrogação pelos adquirentes de produto rural de pessoa física, nos termos do artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. No entendimento do Colegiado a subrrogação prevista no art. 30, IV da Lei 8.212/91 foi declarada inconstitucional pelo STF no recurso extraordinário nº 363.852/MG. Importante destacar que o lançamento ora discutido abrange fatos geradores ocorridos já na vigência da nova redação dada pela Lei nº 10.526/2001 ao art. 6º da Lei nº 9.528/97 e, ao contrário do citado na decisão recorrida, a responsabilidade pelo recolhimento da referida contribuição foi atribuída à Autuada também com base no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica do auto de infração lavrado, e sobre tal dispositivo não há qualquer manifestação de inconstitucionalidade. Na verdade, há decisão do Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática da Repercussão Geral, no RE nº 718.874/RS concluindo no sentido de ser constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O julgado recebeu a seguinte ementa: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 4 5 Neste cenário, e considerando que as contribuições do art. 25 também são recolhidas pelo adquirente por força do mesmo art. 30, III da Lei nº 8.212/91, dispositivo cuja validade nunca fora questionada, deve o acórdão recorrido ser revisto. No entendimento desta Conselheira, por meio do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, vício que ainda subsistiria, entretanto é notável que o presente lançamento não está baseado exclusivamente no mencionado inciso. A exigência ora discutida tem como fundamento também o inciso III do mesmo art. 30, o que por si só afastaria a argumentação de inconstitucionalidade suscitada, uma vez que sobre este dispositivo o STF não faz qualquer consideração. Vale destacar que o entendimento da maioria do Colegiado vai além, entendendo pela inexistência de qualquer vício/inconstitucionalidade sobre o art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91. Por diversas vezes o tema já foi submetido a apreciação desta Câmara Superior. Recentemente, por meio do acórdão nº 9202007.280, o Colegiado, por unanimidade, entendeu pela legalidade da cobrança do SENAR e pela previsão de regra normativa para exigência da contribuição por subrrogação. As contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991 e das contribuições instituídas a título de substituição. A Conselheira Relatora, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, após discorrer acerca das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e sobre seu entendimento acerca da abrangência da inconstitucionalidade declarada pelo STF inclusive tratando sobre o inciso IV do art. 30 concluiu pela legalidade da cobrança. Pela relevância transcrevo parte do voto proferido: SENAR CONTRIBUIÇÃO SOBRE AQUISIÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS ... A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: ... Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula Fl. 192DF CARF MF 6 dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) É de se destacar, também, o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, parcialmente reproduzidos a seguir. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. (...) (grifos nossos) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852, como citado pelo recorrente. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Assim, importante destacar que não mais paira qualquer duvida acerca da constitucionalidade aplicável ao caso, conforme veremos a seguir. Possibilidade de exigência via subrrogação. A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: ... Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 5 7 por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Lei 8315 Art. 3º § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) ... Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. ... Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a Fl. 194DF CARF MF 8 ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2008 a 08/2008, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Embora já se aplicasse esse entendimento, ao apreciar apressadamente a decisão do STF tevese a idéia de que a subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, teria sido por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, essa possibilidade já foi por deveras superada nos mais diversos acórdãos deste conselho, de tribunais e por decisões posteriores do próprio STF. ... Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 2302 02.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 6 9 §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... Fl. 196DF CARF MF 10 §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 7 11 inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou, em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 198DF CARF MF 12 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a sub rogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 8 13 pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. ... Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) ... Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 200DF CARF MF 14 (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10325.001779/200837 Acórdão n.º 9202007.843 CSRFT2 Fl. 9 15 Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Assim, considerando que a imputação fiscal também se baseia no art. 30, inciso III da Lei nº 8.212/91 e no art. 216 do Decreto nº 3.048/99, dispositivos que prevêem expressamente a cobrança e a responsabilidade do adquirente pelo recolhimento da contribuição devida pelo produtor rural, e considerando que, como dito, as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991, devese afastar a inconstitucionalidade arguida. Importante destacar que o recurso voluntário, além da tese ora enfrentada, apresenta como linha de defesa outras fundamentações que não foram apreciadas pelo Colegiado recorrido, entre elas a própria discussão acerca da aplicação do princípio da isonomia trazida em sede de contrarrazões. Diante do exposto, dou provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 202DF CARF MF 16 Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721978/2016-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. EFEITOS DAS DECISÕES JUDICIAIS. REGRAMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO.
1. O Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB.
2. Ademais, o art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos.
3. O direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseada no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo das decisões com repercussão geral, das decisões proferidas em recursos repetitivos, ou as próprias súmulas vinculantes deste CARF.
NOVA CLT. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 611-A da CLT não pode retroagir para alcançar situações que já estavam definitivamente consolidadas quando da sua entrada em vigência.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PERIODICIDADE. PAGAMENTOS RELATIVOS A PLANOS DE DIFERENTES EXERCÍCIOS. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
1. O que a lei veda é o pagamento antecipado ou a distribuição antecipada de valores que descumpra a periodicidade mínima estabelecida, até mesmo para que a participação não substitua e nem complemente a remuneração.
2. Os pagamentos de 01/2012 e 06/2012 são relativos a programas distintos, pois o primeiro corresponde ao PLR 2011 e o segundo à antecipação do PLR 2012, não tendo havido infringência à norma.
PLR. ACORDO. APLICAÇÃO. EMPREGADOS. SINDICATO. BASE TERRITORIAL.
O acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) se aplica, tão somente, aos empregados que pertençam à base territorial do sindicato signatário do acordo.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. REEMBOLSO ESCOLAR DESTINADO AOS EMPREGADOS. CURSOS SUPERIORES. NÃO INCIDÊNCIA.
A hipótese de exclusão da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei 8212/91 abrange, expressamente, tanto a educação tecnológica, quanto a educação profissional dos empregados, bastando que o curso esteja vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa.
Numero da decisão: 2402-007.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, em relação à extensão do acordo coletivo da matriz para os empregados dos escritórios regionais, negado provimento por voto de qualidade, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Em relação ao aditamento do acordo de PLR, negado provimento por maioria de votos, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Em relação aos reembolsos escolares, dado provimento por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INAPLICABILIDADE. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. EFEITOS DAS DECISÕES JUDICIAIS. REGRAMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO. 1. O Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. 2. Ademais, o art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos. 3. O direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseada no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo das decisões com repercussão geral, das decisões proferidas em recursos repetitivos, ou as próprias súmulas vinculantes deste CARF. NOVA CLT. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 611A da CLT não pode retroagir para alcançar situações que já estavam definitivamente consolidadas quando da sua entrada em vigência. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PERIODICIDADE. PAGAMENTOS RELATIVOS A PLANOS DE DIFERENTES EXERCÍCIOS. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 19 78 /2 01 6- 72 Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.713 2 1. O que a lei veda é o pagamento antecipado ou a distribuição antecipada de valores que descumpra a periodicidade mínima estabelecida, até mesmo para que a participação não substitua e nem complemente a remuneração. 2. Os pagamentos de 01/2012 e 06/2012 são relativos a programas distintos, pois o primeiro corresponde ao PLR 2011 e o segundo à antecipação do PLR 2012, não tendo havido infringência à norma. PLR. ACORDO. APLICAÇÃO. EMPREGADOS. SINDICATO. BASE TERRITORIAL. O acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) se aplica, tão somente, aos empregados que pertençam à base territorial do sindicato signatário do acordo. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. REEMBOLSO ESCOLAR DESTINADO AOS EMPREGADOS. CURSOS SUPERIORES. NÃO INCIDÊNCIA. A hipótese de exclusão da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei 8212/91 abrange, expressamente, tanto a educação tecnológica, quanto a educação profissional dos empregados, bastando que o curso esteja vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, em relação à extensão do acordo coletivo da matriz para os empregados dos escritórios regionais, negado provimento por voto de qualidade, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Em relação ao aditamento do acordo de PLR, negado provimento por maioria de votos, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Em relação aos reembolsos escolares, dado provimento por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.714 3 Relatório A 10ª Turma da DRJ/RPO fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio de Auto de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado, verificado em 22 estabelecimentos da empresa em diversos municípios nos estados de SP, RJ, DF, MG, PR, SC, RS, BA e PE, lançado em 20/06/2016 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 29/06/2016 (fls. 1596/1599), com lançamento das seguintes contribuições previdenciárias: Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas as seguintes verbas: PRL Excedente: valores pagos a título de participação nos resultados aos empregados em cargos subordinados em período inferior a seis meses, no período de 01/2012 a 12/2012; PRL a Líderes Excedente no Semestre: valores pagos a título de participação nos resultados aos empregados em cargos de líderes ou superiores em período inferior a seis meses, no período de 01/2012 a 12/2012; PRL em Unidades sem Acordo Coletivo: valores pagos a título de participação nos resultados aos empregados de unidades sem Acordo Coletivo ou qualquer outro instrumento de negociação coletiva, no período de 01/2012 a 12/2012; PRL Líderes: valores pagos a título de participação nos resultados aos empregados em cargos de líderes ou superiores sem Acordo Coletivo ou qualquer outro instrumento de negociação coletiva, no período de 01/2012 a 12/2012; e Reembolso Escolar: valores pagos a título de reembolso escolar em desacordo com a legislação. A fiscalização informa que aplicou a alíquota GILRAT declaradas pela própria empresa em GFIP para todo o período, em concordância com decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 2007.61.14.0004617 da 2ª Vara Federal da 14ª Subseção Judiciária de São Bernardo do Campo – SP, que garantiu ao contribuinte o direito de recolher Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.715 4 conforme o enquadramento decorrente da atividade preponderante de cada estabelecimento. Foi aplicada a multa de 75% decorrente do lançamento de ofício realizado. O contribuinte apresentou impugnação, em 28/07/2016 (Termo de Solicitação de Juntada a fl. 1604), às fls. 1605/1634, e anexos, com as considerações a seguir descritas. 1. Reclama a tempestividade da impugnação, afirmando ter sido cientificado em 29/06/2016 e que o prazo para impugnação se encerraria somente em 29/07/2016. 2. Alega ausência de motivação adequada para identificação do fato gerador da obrigação tributária constituída, com base na afirmação de que não teria sido desconstituída a natureza indenizatória das verbas tributadas, condição necessária para aplicação do art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991, como fundamento do lançamento. Constrói raciocínio segundo o qual a incidência das contribuições sociais é primariamente estabelecida sobre verbas de natureza remuneratória, nos termos do art. 11, da Lei nº 8.212/1991, e do art. 195, da CF. Reforça com decisão administrativa do CARF, sob a égide dos recursos repetitivos, que estabelece não ser taxativo o referido rol do art. 28, §9º, devendo ser examinado, no caso concreto, se a parcela paga ao empregado possui natureza salarial, devendo ser excluídas dessa incidência as que tenham natureza indenizatória. Considera que o PLR estaria abrangido por imunidade tributária, que o reembolso escolar não teria natureza contraprestativa e, mais especificamente, que o PLR referente à unidade de Sorocaba remete a pagamentos de 06/2011, que não foram objeto do lançamento (06/2012), resultando em insanável vício material do lançamento por imprecisão na identificação e discriminação da matéria tributária e conseqüentemente com preterição do direito de defesa. 3. Insurgese contra a tributação dos pagamentos de PLR por periodicidade inferior a um semestre, alegando que há somente dois pagamentos de PLR para cada funcionário em cada ano civil, portanto estaria atendida a condição legal que proíbe “periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil”. Fundamenta sua posição com trechos da exposição de motivos na MP nº 794/1994, que deu origem a regulamentação do PLR e à Lei nº 10.101/2000 usada pela fiscalização para fundamentar o lançamento, com a Consulta Técnica INSS nº 507/2004, que conclui pela possibilidade de pagamento de PLR em “no máximo duas vezes no ano civil, ainda que no mesmo semestre civil”, e traz decisões do CARF e do TST no mesmo sentido. Ressalta que os pagamentos considerados referemse a programas e acordos coletivos distintos, o que já foi motivação para decisão do CARF favorável ao contribuinte em outro processo. Reforça que a interpretação da fiscalização foi demasiadamente formalística e literal, inclusive apontando que a legislação imediatamente Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.716 5 posterior, a Lei nº 12.832/2013, passou a aceitar pagamentos de PLR com intervalos mínimos de 3 meses, invocando também o princípio da retroatividade da norma favorável. 4. Combate a imposição do lançamento ao PLR pago aos empregados em cargos de liderança de unidades que a fiscalização considerou não abrangidas pelos acordos coletivos por entender que todos esses empregados estariam abrangidos pelos acordos firmados. Expõe haver cláusula nos Acordos Coletivos de São José dos Campos, Sorocaba, Mogi das Cruzes, São Paulo e Gravataí prevendo expressamente a possibilidade de inclusão deeses funcionários mediante simples aditamento e que havia acordo coletivo específico para todos esses funcionários provendo tal aditamento e contemplando todos os estabelecimentos da impugnante na PLR de 2011. Para a PLR de 2012, havia previsão expressa da possibilidade de antecipação do pagamento da PLR para as unidades de São Paulo, Mogi das Cruzes, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador, o qual não teria sido considerado pela autoridade lançadora. Reforça que esses acordos não estabeleceram qualquer formalidade para o aditamento e tampouco exigiram nova anuência dos respectivos sindicatos, pois já haviam autorizado o aditamento com expresso respaldo dos sindicatos signatários. Traz decisão administrativa do CARF. Menciona que a própria fiscalização reconheceu que a PLR paga a esse empregados no estabelecimento matriz observou todos os requisitos legais. Acrescenta que os acordos têm abrangência nacional, conforme estatuto social do sindicato signatário, que anexa, e entende que a lei não veda a extensão do PLR do estabelecimento matriz para os estabelecimentos filiais. Ressalta a inclusão, no lançamento do PLR de líderes e superiores proveniente de São José dos Campos, de funcionário que não ocupava nenhuma das funções discriminadas (seria horista e não líder ou superior) e tampouco era proveniente da fábrica de São José dos Campos. 5. Contesta o lançamento do PLR pago a funcionários lotados em pequenos escritórios regionais por falta de cobertura de acordo coletivo, sob a alegação de que eles estariam cobertos pela extensão do acordo coletivo da matriz, pois a limitação territorial da abrangência do sindicato não possuiria um caráter absoluto. Traz Portaria do MTE que admite tal extensão para empresa que presta serviço em local diverso da sua sede. Defende que a interpretação do PLR, enquanto integrante do contrato de trabalho, deve se dar de forma mais favorável ao trabalhador, nos termos da CLT. Justifica essa extensão com os altos custos envolvidos na mobilização de outros sindicatos. Destaca que o sindicato signatário do acordo coletivo da matriz possui notória credibilidade no território nacional, não havendo prejuízo ao trabalhador, conforme extratos da imprensa que cola aos autos, e traz decisão do CARF sobre extensão do acordo em caso de prestação de serviço em localidade fora da abrangência do sindicato. Acrescenta que o referido PLR teve um sucesso estrondoso e não representou prejuízo aos empregados. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.717 6 6. Refuta a incidência da contribuição previdenciária sobre despesas escolares dos funcionários custeadas a título de reembolso escolar afirmando não haver nenhuma vedação legal ao custeio de cursos de nível superior voltados para capacitação profissional dos funcionários. Sustenta que a lei adota um conceito amplo de educação profissional e tecnológica que também abrange os cursos de nível superior e pósgraduação, exigindo apenas a vinculação com a atividade desempenhada. Entende ser exatamente esse o escopo de seu tradicional programa de reembolso escolar implementado desde 1970, esclarecendo que os cursos abrangidos referemse, entre outros, a cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Administração, Gestão de Negócios, Gestão de Produção, os quais apresentam inequívoca vinculação com as atividades desenvolvidas pelo impugnante. Traz comprovantes a título de exemplo, decisões de Turma e da CSRF do CARF e jurisprudência do STJ. 7. Reclama a exclusão do lançamento do GILRAT, adjetivando de imprecisa e incongruente sua apuração a partir da aplicação de FAP superior ao obtido pelo impugnante em decisão administrativa (1,7724 e 1,770, ao invés de 1,4074), conforme havia informado à fiscalização em resposta ao TIF nº 06, o que teria caracterizado atribuição de critério de lançamento distinto do efetivamente lançado. Traz decisão administrativa. Esclarece que o impugnante teria sido orientado pela própria RFB a informar em GFIP o FAP de 1,0000 para 2012 por ter apresentado impugnação à majoração de seu FAP. 8. Taxa de irregular a incidência de juros moratórios sobre a multa sancionatória de ofício de 75%, por ser desvinculada da obrigação tributária principal. Traz decisão administrativa e jurisprudência do TRF da 4º Região. Encerra requerendo a improcedência dos lançamentos fiscais e de toda e qualquer exigência fiscal que deles decorram e, alternativamente, a nulidade do lançamento sob a rubrica GILRAT e o afastamento da incidência de todo e qualquer juros sobre a multa de ofício de 75% sobre eventual saldo remanescente. A 10ª Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão cujo acórdão e ementa são, respectivamente, as seguintes: Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para excluir os valores lançados no levantamento “PLR EXCEDENTE”, mantendose o restante do crédito tributário, nos termos do voto do relator. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.718 7 março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força de recurso necessário, considerando a exoneração do crédito tributário no valor total de R$ 69.360.582,71, considerando tributo e multa, portanto superior ao valor de alçada. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. ......................................................................................................... NULIDADE. ARGÜIÇÃO DE MOTIVAÇÃO INADEQUADA. INAPLICABILIDADE. Não caracteriza fundamento de preliminar de nulidade a argüição de motivação inadequada decorrente de eventual erro de interpretação na qualificação jurídica dos fatos verificados, por se tratar de análise afeta ao mérito e não a vício de natureza processual. PLR. PERIODICIDADE SEMESTRAL. CRITÉRIO DE APLICAÇÃO. A vedação legal ao pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, não atinge o pagamento de parcelas dessa natureza que porventura ocorram em intervalo inferior a seis meses, desde que se refiram a programas de exercícios distintos ou que não seja caracterizada a periodicidade pela constatação de pelo menos dois intervalos subseqüentes inferiores a seis meses. ACORDO COLETIVO. PLR. EXTENSÃO A EMPREGADOS DE UNIDADES SOB CIRCUNSCRIÇÃO DE SINDICATO DIVERSO DO SINDICATO SIGNATÁRIO. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical e da territorialidade, não é admissível a extensão de acordo coletivo, ou de cláusulas específicas relativas a instituição de participação nos lucros e resultados, assinado por um sindicato para abranger empregados de unidades sujeitas à representação sindical distinta da signatária do acordo, por falta de representatividade. REEMBOLSO ESCOLAR. GRADUAÇÃO FORA DO CONCEITO LEGAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise ao custeio de curso de Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.719 8 graduação fora do conceito legal de educação profissional e tecnológica de empregados. CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. ALÍQUOTA PONDERADA PELO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO ESTABELECIDO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO AO FATOR APURADO. Não comprovada a existência de contestação administrativa, direcionada ao órgão competente, pendente de decisão, a alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho deve ser ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP estabelecido por aquele órgão. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ......................................................................................................... O montante exonerado implicou a interposição de recurso de ofício. Intimado da decisão em 11/04/2017, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário em 10/05/2017, no qual basicamente reiterou os fundamentos da impugnação a respeito da (i) natureza não tributável da PLR e dos reembolsos escolares e da (ii) não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Iniciado o julgamento neste Conselho, o representante do contribuinte apresentou petição requerendo a aplicação do DecretoLei nº 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB), com as alterações dadas pela Lei nº 13.655/2018, assim como a aplicação do art. 611A da CLT, que, no seu entender, teria caráter interpretativo. Na sequência, a Fazenda Nacional requereu sua notificação formal de referida petição. Em virtude disso, o processo foi retirado de pauta com vista ao atendimento da solicitação da PGFN. Em sua manifestação, a Procuradoria basicamente pediu o indeferimento da aplicação do art. 24 da LINDB e do art. 611A da CLT. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. O recurso de ofício também deve ser Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.720 9 conhecido, porque a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total de R$ 69.360.582,71, montante este superior a R$ 2.500.000,00, conforme previsto na Portaria MF nº 63/2017. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 2 LINDB Basicamente, e no entender da recorrente, a revisão quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve levar em consideração as orientações gerais da época, entre as quais se incluiria a jurisprudência judicial ou administrativa, tendo em vista a norma do art. 24 da LINDB. Vejase o texto legal: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Em sendo assim, e de acordo com a tese do sujeito passivo, a observância do artigo retro mencionado implicaria afastar os efeitos do lançamento. No entanto, entendo que o Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.721 10 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sobre esse dispositivo, segue a inexcedível doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri: Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as "normas complementares" a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa seja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sua adoção consistente, entretanto, poderá indicar "prática reiterada", como se verá abaixo. Tratandose solução de consulta Cosit ou solução de divergência, seu efeito vinculante é assegurado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa (RFB) n. 1.396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa (RFB) n. 1.434/20131. Quer dizer, em confronto com o art. 100, a recorrente pretende atribuir eficácia normativa às decisões do Conselho, com efeitos ainda mais extensos do que aqueles atribuídos pelo Código (o art. 24 afastaria todo o lançamento, diferentemente do art. 100), o que me parece equivocado. Vejase que a observância das decisões a que a lei atribua eficácia normativa excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, mas não o próprio tributo; e a doutrina retro mencionada evidencia que, "por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento". O art. 146, inc. III, da Constituição Federal, preleciona que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, entre as quais se 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 133. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.722 11 inclui a norma do art. 100 do CTN, que enumera as normas complementares das leis, das convenções internacionais e dos decretos. Além disso, o próprio art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente. Por outro lado, a interpretação da recorrente não resiste às normas processuais que tratam, entre outras questões, das decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, dos enunciados de súmula vinculante, dos acórdãos em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos, etc, estes sim de observância obrigatória por parte deste Conselho, ex vi do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno. No mais, adiro às seguintes razões de decidir, do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, no PAF 16561.720065/201382, neste ponto julgado por unanimidade de votos: Não há como negar que o valor que se busca com tal norma é nobre, qual seja, o de garantir a segurança jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa. Entretanto, entendo que não se pode buscar, sob esse pretexto, ampliar o alcance ou impor a aplicação de uma norma (expressiva de um valor jurídico importante), sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a segurança gerando ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico. É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de autoria do Senador Antônio Anastasia: Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.723 12 imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Outrossim, exatamente por isso que o texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. [...] Como bem manifestado pela Conselheira Livia Di Carli em voto sobre o tema: A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. [...] Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroducaonormasdireit obrasileirolindbobjetivandoprincipiosestruturantesd). Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.724 13 No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Permitome citar, novamente, trecho de voto da Conselheira Livia Di Carli sobre o tema: o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Nesse contexto, entendo que uma interpretação do sistema jurídico constitucional, tributário e processual resulta na conclusão de que o art. 24 não tem os efeitos pretendidos pela recorrente. Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.725 14 Quanto ao art. 202, igualmente sem razão o sujeito passivo, pois, como frisado pela Procuradoria, "a tributação de valores pagos a título de PLR com base na legislação de regência não está alicerçada em abstrações ou normas indeterminadas". Muito pelo contrário, a presente autuação está objetivamente calcada no descumprimento dos requisitos previstos nas legislações que desvinculam a PLR, o plano educacional e a bolsa de estudo da remuneração dos trabalhadores, vendose, ainda, que a autoridade lançadora não lançou mão de valores jurídicos abstratos. 3 Nova CLT No meu entender, a tese de que o art. 611A da CLT3 é norma de “eminente caráter interpretativo” está equivocada. Tal norma estabelece a prevalência da convenção coletiva e do acordo coletivo de trabalho sobre a lei, quando dispuserem sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa, mas as situações pretéritas, objeto do lançamento, já estavam definitivamente consolidadas quando da entrada em vigência do novo dispositivo legal. O art. 6º da LINDB, em consonância com a Constituição Federal (art. 5º, inc. XXXVI), preleciona que "a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada", não se admitindo, assim, a aplicação retroativa da nova lei, para alcançar e modificar os efeitos dos atos já praticados pelas partes, sob pena, inclusive, de violação ao princípio da segurança jurídica. O CTN excepciona a aplicação da lei a fatos futuros, em se tratando de lei expressamente interpretativa, o que não é o caso do art. 611A, como já frisado, e até porque o legislador não afirmou, de forma expressa, que tal regra seria meramente interpretativa. Quando da formulação dos planos e dos pagamentos, a recorrente estava ciente de que deveria cumprir rigorosamente a Lei 10101/00. Ela estava igualmente ciente dos requisitos para a desvinculação do reembolso escolar da remuneração dos trabalhadores. 4 Recurso de ofício A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, porque, em relação à acusação relativa ao descumprimento da regra da periodicidade, entendeu que os pagamentos de 01/2012 e 06/2012 são relativos a programas distintos, pois o primeiro corresponde ao PLR 2011 e o segundo à antecipação do PLR 2012. Neste tocante, a interpretação da DRJ está de acordo com a lei e o recurso de ofício deve ser desprovido. 2 Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 3 Art. 611A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017). XV participação nos lucros ou resultados da empresa. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.726 15 O que a lei veda é o pagamento antecipado ou a distribuição antecipada de valores que descumpra a periodicidade mínima estabelecida, até mesmo para que a participação não substitua e nem complemente a remuneração. A regra da periodicidade está inserida no art. 3º abaixo transcrito, que trata exatamente da impossibilidade de a participação substituir ou complementar a remuneração devida ao empregado, para não ficar caracterizada a habitualidade, que é própria dos salários, os quais sabidamente integram a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, diferentemente da PLR. Art.3oA participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) A própria fiscalização asseverou no relatório fiscal que o pagamento final relativo ao ano de 2011 foi efetuado em 01/2012, e que o pagamento efetuado em 06/2012 seria atinente à antecipação relativa a esse ano. Vejase: 75. Conforme Acordos Coletivos apresentados, para os empregados horistas e mensalistas, excetuados líderes e acima, a empresa efetuou o pagamento final relativo ao ano de 2011 em 01/2012 [...]. Fica evidente, no entender deste relator, a inexistência de descumprimento da regra da periodicidade, pois a empresa não antecipou valores em dissonância com a regra do § 2º do art. 3º vigente à época dos fatos geradores, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. 5 Recurso voluntário 5.1 EXTENSÃO DO ACORDO COLETIVO DA MATRIZ PARA OS EMPREGADOS DOS ESCRITÓRIOS REGIONAIS DA RECORRENTE Neste ponto, a recorrente afirmou que os empregados dos escritórios regionais estariam cobertos pela extensão do acordo coletivo da matriz, pois a limitação territorial da abrangência do sindicato não possuiria caráter absoluto, conforme Portaria do Ministério do Trabalho. Ela defendeu, ainda, que a interpretação da PLR, enquanto integrante Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.727 16 do contrato de trabalho, deve se dar de forma mais favorável ao trabalhador, nos termos da CLT. A DRJ divergiu desse entendimento, arvorandose no alegado princípio da unicidade, segundo o qual o sindicato teria competência territorial. Pois bem. Neste ponto, é necessário recordar que a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade, mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido, não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.728 17 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal." (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182) Deve ser abandonado, pois, o eventual rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, inclusive para viabilizar a fruição do direito à PLR pela maioria dos trabalhadores da empresa, sendo oportuno rememorar a seguinte lição doutrinária: [...] numa primeira acepção, representa o princípio protetor a atuação sobre as normas disponíveis, para que, havendo duas ou mais soluções possíveis, seja priorizada aquela que melhor atende aos anseios do direito do trabalho do ponto de vista da decência do trabalho, da dignidade do trabalhador e do avanço da legislação social, o que pode ser resumido pela expressão da norma mais favorável4. O sindicato da matriz ou do estabelecimento que concentra a produção da empresa tem grande representatividade sobre os direitos dos trabalhadores, sendo razoável admitir a extensão do acordo coletivo por ele firmado, para outras localidades, mormente para empregados lotados em escritórios regionais. Tal circunstância não passou despercebida por este Conselho no julgamento do PAF 10805.721660/201519, da mesma empresa recorrente, como se vê no seguinte trecho do voto condutor do acórdão, de autoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira: Ora, havendo determinação do Direito do Trabalho do uso de norma mais favorável e não havendo vedação do Direito Tributário para tanto ainda mais quanto ao gozo de direitos constitucionais é forçoso reconhecer que a extensão de acordo sobre a PLR firmado com sindicato representativo da categoria profissional de determinada localidade que contém quantidade representativa de trabalhadores da empresa (matriz ou estabelecimento que concentra o cerne da produção), pode ser estendido aos demais trabalhadores sem descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/00. 4 Homero Batista Mateus da Silva, Curso de Direito do Trabalho Aplicado, Parte Geral, Ed. Elsevier, fls. 224. Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.729 18 Ademais, e como bem pontuado no PAF 10805.723248/201363, também do mesmo sujeito passivo: [...] a questão a ser apreciada diz respeito a possibilidade de aplicabilidade do Acordo Coletivo de Trabalho supra mencionado amparar os trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. Em regra, o enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Entretanto, o entendimento do Ministério do Trabalho e Emprego, sintetizado na Ementa nº 12, aprovada pela Portaria nº 1, de 22 de março de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 25 de março de 2002, é no sentido de que esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado, in verbis: CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Empresa que presta serviço em local diverso de sua sede, independentemente de possuir filial neste local, deve atender às condições de trabalho e salariais constantes do instrumento coletivo firmado pelos sindicatos do local da prestação do serviço, em virtude das limitações decorrentes dos critérios de categoria e de base territorial, ainda que não tenha participado da negociação de que resultou a convenção coletiva. Ficam ressalvados os princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e de direito adquirido, bem como as hipóteses de transferência transitória do empregado, nos termos do § 3º, do art. 469, da Consolidação das Leis do Trabalho” Por certo, o pagamento da PLR nos termos do Acordo Coletivo negociado, inclusive para trabalhadores que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, configura direito adquirido dos empregados que se enquadrem nos critérios estabelecidos no instrumento coletivo. Destarte, concluo que o referido acordo coletivo de trabalho tem o condão de amparar a PLR paga aos seus empregados, inclusive, aos trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Ou seja, a extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.730 19 5.2 ADITAMENTO DA PLR: FUNCIONÁRIOS LÍDERES DE GRUPO Tratase, aqui, do levantamento PLR LÍDERES, relativo à participação paga aos empregados lotados em cargos de liderança e diretoria, vinculados aos estabelecimentos de São Paulo, Mogi das Cruzes, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. De acordo com a fiscalização, os valores teriam sido pagos sem Acordo Coletivo ou qualquer outro instrumento de negociação coletiva. O sujeito controverteu, ao argumento de que a cláusula 4ª, § 2º, dos Acordos Coletivos das PLRs 2011/2012, de São José dos Campos, Sorocaba, Mogi das Cruzes, São Paulo e Gravataí teria previsto expressamente a possibilidade de inclusão daqueles funcionários mediante simples aditamento. Diante de tal possibilidade, teria sido firmado acordo coletivo específico para todos os funcionários de cargos de supervisão e acima, em aditamento à cláusula 4ª, § 2º, dos Acordos Coletivos anteriormente mencionados, contemplando todos os estabelecimentos da recorrente na PLR de 2011. Igualmente, haveria acordo coletivo específico para esses funcionários, firmado por sindicato com abrangência nacional, contemplando todos os estabelecimentos da recorrente na PLR 2012. Neste particular, e segundo se observa na decisão recorrida, a DRJ não discordou da possibilidade de aditamento dos planos e nem dos aditamentos em si, mas sim da possibilidade de sua assinatura por outro sindicato, que não a própria entidade sindical signatária do acordo original. Vejase: Portanto, mesmo existindo previsão de aditamento ao acordo para inclusão de disposições adicionais, esse aditamento não poderia ser suprido por instrumento assinado por outro sindicato que não o próprio signatário do acordo original, sob pena de violação do princípio da unicidade estabelecido na norma constitucional. Ocorre que o § 2º da cláusula 4ª supra mencionado realmente não exigiu nenhuma formalidade específica para o aditamento. Mais importante ainda, tal dispositivo facultou à própria empresa realizar o citado aditamento em favor dessa categoria especial de empregados (vide abaixo). Quer dizer, o acordo originário não só não proibiu que outro sindicato viesse a firmar as novas condições em favor de tais funcionários, como também determinou que a própria empresa poderia fazêlo. De todo modo, às fls. 562 e seguintes vislumbrase o acordo coletivo específico para os empregados ocupados em cargos de liderança alocados na unidade de Mogi das Cruzes; e às fls. 584 e seguintes vêse o acordo coletivo dessa categoria, firmado pela Fl. 2730DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.731 20 empresa e pelo Sindicato de Metalúrgicos de São Paulo, abrangendo os funcionários estabelecidos em escritórios regionais de São Paulo, Sorocaba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. Logo, equivocouse a fiscalização quando afirmou que inexistiriam acordos coletivos para essa categoria especial, ou qualquer outro instrumento de negociação coletiva. A recorrente demonstrou a existência dos supra citados instrumentos negociais, de tal maneira que a autoridade administrativa deveria ter demonstrado outras infringências aptas a desconstituir os pagamentos efetuados a título de PLR. Nesse contexto, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto. 5.3 REEMBOLSOS ESCOLARES O lançamento foi efetuado ao argumento genérico de que os cursos superiores não estariam enquadrados na hipótese de exclusão do art. 28, § 9º, “t”, da Lei 8212/91. Vejase: O acórdão de impugnação teve até um entendimento diverso da fiscalização, pois afirmou que um curso de "educação profissional de nível superior, graduação e pós graduação (inciso III, § 2º, art. 39 da Lei nº 9.394, de 1996, introduzido pela Lei nº 11.741, de 2008)" realmente teria o seu custo não integrante do salário de contribuição. Vejase: Combinando o o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com o art. 39, § 2º, inciso III, da Lei 9.394/1996, temos que, se o curso patrocinado pela sociedade empresária atender aqueles prérequisitos, estará sim albergado pela norma isentiva de contribuições previdenciárias. Ainda sobre o tema, o Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006, dispõe em seu art. 42: Art. 42. A autorização, o reconhecimento e a renovação de reconhecimento de cursos superiores de tecnologia terão por base o catálogo de denominações de cursos publicado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. (Redação dada pelo Decreto nº 6.303, de 2007) (grifouse) A versão mais recente do referido catálogo é aquela referente ao ano de 2016 publicada no sítio do MEC na internet, no endereço http://portal.mec.gov.br/catalogonacionaldoscursosuperiores detecnologia. Como se vê, com esta nova legislação, foi instituído um curso qualificado como educação profissional de nível superior, graduação e pósgraduação (inciso III, § 2º, art. 39 da Lei nº Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.732 21 9.394, de 1996, introduzido pela Lei nº 11.741, de 2008), cujo custo é passível de não integração ao salário de contribuição, nos termos da alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, a DRJ realmente acabou por introduzir um novo fundamento para manter a autuação, pois, diferentemente da autoridade fiscal, a qual se arvorou no argumento genérico segundo o qual a educação superior não estaria abrangida pela hipótese de exclusão, o acórdão de impugnação asseverou que a recorrente não teria informado e comprovado um rol de cursos custeados a seus empregados. Vejase: Não obstante, a empresa deixou de informar e comprovar um rol de cursos custeados a seus empregados, conforme descrito pela fiscalização em seu relatório (itens 11 a 198, fls. 1086/1087), e, daqueles que foram informados e comprovados, custeou tanto cursos de formação profissional e tecnológica, que foram devidamente afastados do objeto do lançamento (planilha às fls. 1371/1392), como cursos de graduação fora desse grupo (Administração, Engenharia, Gerenciamento de Projetos) [...] A rigor, poderseia afirmar que a decisão a quo seria nula neste particular, pois, ao inovar, preteriu o direito de defesa da contribuinte, na dicção do inc. II do art. 59 do Decreto 70235/72. Todavia, o § 3º deste artigo preleciona que, quando puder decidir de mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. É o caso dos autos. Primeiramente, cabe observar que o reembolso escolar objeto da autuação é aquele relativo aos valores pagos aos empregados, e não aos seus dependentes. Isso está muito claro no item 196 do relatório fiscal e no excerto transcrito acima, do acórdão recorrido, que alude expressamente a "cursos custeados a seus empregados". Em segundo lugar, vejase que a hipótese de exclusão da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei 8212/91 abrange, expressamente, tanto a educação tecnológica, quanto a educação profissional dos empregados, bastando que o curso esteja vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Do acórdão de impugnação, observase que se trataria de cursos de administração, engenharia, gerenciamento de projetos, etc (vide excerto acima), os quais, por razões óbvias, estão vinculados às atividades fins de uma empresa que tem entre os seus objetos sociais as seguintes atividades: Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.733 22 Ademais, tais verbas não têm natureza salarial porque não se destinam a retribuir o trabalho prestado ou colocado à disposição do empregador. São, em verdade, verbas empregadas para o trabalho, e não pelo trabalho, como já consignado pelo STJ no julgamento do REsp 324.178 PR, ressalvadas, evidentemente, as hipóteses em que ficar comprovado o pagamento de salários através de reembolsos escolares pagos de forma simulada. Segue o entendimento deste Conselho a respeito da matéria: [...] BOLSAS DE ESTUDOS. REEMBOLSO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. EXCLUSÃO DE PARTE DOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. AVALIAÇÃO DO CASO CONCRETO. NÃO INCIDÊNCIA. Avaliado o caso concreto à luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, as despesas relativas a reembolso de educação superior aos segurados empregados, quando comprovadamente se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, mesmo que excluídos do benefício os menores aprendizes, os empregados contratados por prazo determinado e os empregados afastados do trabalho por motivo de doença ou acidente de trabalho, não integra a base de cálculo previdenciária. [...] (CARF, Relator(a) CLEBERSON ALEX FRIESS, Acórdão 2401 004.212, julgado em 08/03/2016) ......................................................................................................... [...] SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.734 23 (CSRF, Acórdão 9202006.578, Relator(a) ANA PAULA FERNANDES, Redator designado MÁRIO PEREIRA DE PINHO FILHO, julgado em 20/03/2018) Logo, o recurso voluntário deve ser provido também neste tocante. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso de ofício, e de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado. Acompanho o Ilustre Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à extensão do acordo coletivo para os empregados dos escritórios regionais da Recorrente e quanto à assinatura de aditamento do acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) por sindicato não signatário do acordo original. Da extensão do acordo coletivo De fato, a PLR é um direito do trabalhador, previsto na Carta Republicana. Dessa forma, visando proteger esse direito, o Estado estabeleceu regras que devem ser rigorosamente observadas. Uma dessas regras diz respeito à participação da entidade sindical dos empregados na negociação para pagamento de PLR. Vejamos: Lei 10.101, de 9/12/00: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. Da exegese dos dispositivos acima, temse que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e os empregados e que tal negociação deverá ser realizada mediante comissão paritária ou convenção/acordo coletivo. Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.735 24 Pois bem, no caso sob análise, cada um dos sindicatos envolvidos na negociação para pagamento da PLR possui uma área territorial específica de abrangência, o que torna injustificável a extensão do acordão a empregados de regiões não abrangidas pelos sindicatos signatários, sendo nessa linha a decisão recorrida: Ora, o núcleo da questão aqui é a representatividade sindical para determinado grupo vinculado a determinada localidade associado à abrangência estabelecida no acordo coletivo. A representatividade de um sindicato é estabelecida em seu instrumento de constituição e engloba um ou mais municípios, sendo o município a área mínima de abrangência e esta deve se submeter ao princípio da unicidade sindical, tudo nos termos do art. 8º, II, da CF1. Por seu turno, a abrangência do acordo coletivo é estabelecida em cláusula específica e fica restrita à abrangência territorial do sindicato. No caso concreto, temse diversos sindicatos, cada um signatário de um acordo coletivo específico e com cobertura territorial expressa sobre as respectivas áreas de abrangência. Portanto, o princípio da unicidade sindical impõe que não é possível a extensão de qualquer desses acordos para áreas abrangidas por outros acordos ou por outros sindicatos à revelia dessas entidades. (Grifos no original) Em suma, ao se aceitar a extensão dos acordos a empregados de regiões não abrangidas pelos sindicatos signatários, estarseá aceitando que empregados recebam valores a título de PLR sem que os sindicatos, ao qual estejam filiados, tenham participado efetivamente da negociação, o que viola o regramento protetivo do direito em tela. Sobre a base territorial do sindicato, vide o que dispõe o art. 520 da CTL5: Art. 520. Reconhecida como sindicato a associação profissional, serlheá expedida carta de reconhecimento, assinada pelo ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, na qual será especificada a representação econômica ou profissional conferida e mencionada a base territorial outorgada. Insta trazermos à baila, também, a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, consignada no Acórdão nº 9202007.292, de 23/10/18: ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. 5 Consolidação das Leis do Trabalho, DecretoLei nº 5.452, de 1/5/43. Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.736 25 (Grifo nosso) Destacase, ainda, que os próprios acordos coletivos firmados entre a empresa e as entidades sindicais estabeleceram, expressamente, a sua abrangência territorial, como se vê nesse excerto do relatório fiscal, fl. 1.063, referente ao sindicato de São Caetano do Sul/SP: 46. A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico, Siderúrgicas, Veículos e de Autopeças de São Caetano do Sul, estado de São Paulo, acordo específico sobre a PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS – ANO 2012, datado de 24 de maio de 2012, com vigência de 1° de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2012. 47. Na Cláusula Segunda o Acordo estabelece sua abrangência territorial: São Caetano do Sul/SP. (Grifos no original) Logo, não se trata de mero rigor interpretativo, mas sim de proteção ao direito dos empregados de verem a sua representação sindical participando efetivamente da negociação para pagamento da PLR. Sendo assim, não há como se acolher a defesa em relação à extensão dos acordos a empregados situados fora da abrangência territorial dos sindicatos signatários. Do aditamento do acordo Aqui também não merece guarida a defesa apresentada. Segundo o Relator, a fiscalização teria se equivocado ao afirmar que inexistiriam "acordos coletivos para funcionários líderes de grupo ou qualquer outro instrumento de negociação coletiva", uma vez que a Recorrente teria "demonstrado a existência dos instrumentos negociais, de tal maneira que a autoridade administrativa deveria ter demonstrado outras infringências aptas a desconstituir os pagamentos efetuados a título de PLR". Todavia, o relatório fiscal, fls. 1.082 e 1.083, demonstra, de forma clara, as unidades sem acordo coletivo. Confirase: XII – DAS UNIDADES SEM ACORDO COLETIVO PARA PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS 173. Ocorreram pagamentos a título de participação nos resultados aos estabelecimentos 59.275.792/001121, 59.275.792/001202, 59.275.792/001393, 59.275.792/002365, 59.275.792/002527, 59.275.792/003094, 59.275.792/003175, 59.275.792/008134 e 59.275.792/009378 no período de 01 a 06/2012. Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.737 26 174. Conforme resposta ao TIF nº 4, entregue pela empresa em 02/03/2016, as unidades, exceto Joinville, seguem o Acordo Coletivo da planta matriz. 175. Neste ponto ressaltamos a Cláusula Segunda do Acordo citado, segundo a qual a abrangência territorial é São Caetano do Sul/SP (2012 item 39 – 2011 item 53), a Cláusula Quinta, segundo a qual o adiantamento será concedido mediante depósito bancário em contacorrente dos empregados no âmbito de representação do Sindicato (2012 item 42 – 2011 item 56), e a Cláusula Décima Primeira, segundo a qual estão abrangidos pelo Acordo os empregados que integram o estabelecimento da General Motors do Brasil Ltda em São Caetano do Sul (2012 item 50 – 2011 item 60), e, portanto, o Acordo não é extensivo a outros municípios. 176. Assim sendo, em relação às unidades indicadas no item 173, todos os pagamentos a título de participação nos resultados, rubrica 302P – PRÊMIO PART. RESULTADO da folha de pagamento, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. [...] 178. Para os empregados de nível de liderança e Diretoria, a empresa apresentou Acordos Coletivos de Trabalho 2012 – Liderança / Diretoria com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo e Mogi das Cruzes de um lado e de outro as filiais e escritórios regionais em Recife, CNPJ 59.275.792/001121, Belo Horizonte, CNPJ 59.275.792/001202, Porto Alegre, CNPJ 59.275.792/001393, Brasília, CNPJ 59.275.792/002527, Rio de Janeiro, CNPJ 59.275.792/003094, Salvador, CNPJ 59.275.792/009378 , os quais, nas respectivas Cláusula Quinta, estabelece a data de 29/03/2013 para pagamento, estando, portanto, fora do período estabelecido no presente procedimento fiscal. 179. Em relação a unidade Joinville, CNPJ 59.275.792/002012, a empresa apresentou Acordo Coletivo para pagamento de participação nos resultados, o qual estabeleceu o pagamento em 31/01/2013. (Grifo no original) Como se percebe, a própria Recorrente informou, à fiscalização, que as unidades sem acordo específico, à exceção da unidade de Joinville, seguem o acordo coletivo da planta matriz. Ora, sem adentrarmos na possibilidade ou não dos aditamentos, as cláusulas Segunda, Quinta e Décima Primeira do acordo coletivo da planta matriz, como visto na transcrição acima, fixam a abrangência do acordo, inclusive em relação aos aditamentos, apenas para os empregados que integram o estabelecimento da General Motors do Brasil Ltda. de São Caetano do Sul/SP, não sendo, portanto, "extensivo a outros municípios". Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10805.721978/201672 Acórdão n.º 2402007.237 S2C4T2 Fl. 2.738 27 Ademais, para os empregados de nível de liderança e Diretoria, vinculados aos estabelecimentos de São Paulo, Mogi das Cruzes, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador, os acordos apresentados se referem à PLR paga em ano calendário não abarcado pelo procedimento fiscal sob análise. Dessa forma, cotejandose esse quadro fático com a necessidade de efetiva participação do sindicato, na negociação, conforme tratado no item anterior desse voto, entendemos por correto o posicionamento do órgão julgador de primeiro grau ao não aceitar que o aditamento seja "assinado por outro sindicato que não o próprio signatário do acordo original", pois tal situação importaria em "violação do princípio da unicidade estabelecido na norma constitucional". Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, cancelando o lançamento apenas em relação aos valores pagos a título "reembolsos escolares", nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2738DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720490/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter os autos em diligência para que a responsável solidária Luciana Adriano Franco seja intimada da decisão de primeira instância para, querendo, apresentar recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. O conselheiro Wilderson Botto (Suplente convocado) atuou em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter os autos em diligência para que a responsável solidária Luciana Adriano Franco seja intimada da decisão de primeira instância para, querendo, apresentar recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. O conselheiro Wilderson Botto (Suplente convocado) atuou em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em face do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nos exercícios 2014 e 2015, com ciência do contribuinte em 01/12/2016. De acordo com a fiscalização o autuado omitiu rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, por meio de e interpostas pessoas tendo havido também a omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Sobre os valores de impostos apurados decorrentes de omissão de rendimentos recebidos, por meio de interposta pessoa, nos anos-calendário de 2013 e 2014, foi aplicada multa de ofício qualificada. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a conduta dolosa do contribuinte visava impedir a autoridade fazendária de conhecer e mensurar rendimentos milionários auferidos, de maneira ilícita. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 72 .7 20 49 0/ 20 16 -2 4 Fl. 1275DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2301-000.823 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720490/2016-24 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal - TVF, o procedimento fiscal iniciado contra o contribuinte se relaciona aos fatos apurados no âmbito da denominada “Operação Lava Jato, em trâmite perante a 13ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Curitiba, onde o sujeito passivo firmou Termo de Colaboração Premiada, com apresentação de diversos depoimentos e entrega de provas, os quais foram compartilhados com a Receita Federal do Brasil por meio de autorização judicial. Os rendimentos omitidos referem-se ao recebimento de vantagens indevidas, pagas por intermediários, provenientes das empresas/consórcios contratados pela Petrobrás para execução de diversos projetos, sendo que a maior parte dos recursos foram recebidos em depósitos/transferências realizados no exterior, em contas de off-shore, cujo beneficiário e titular de fato é o fiscalizado. Os recursos recebidos estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, conforme fundamento de direito previsto no Código Tributário Nacional (Art. 43, §1º), Lei 7.713/88 (Art. 3º, §4º), e, em especial, a hipótese contida no art. 26 da Lei nº 4.506/64, em que se assinala que os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. Argumentou que o autuado também auferiu vantagens indevidas por meio de um outro artifício ilícito, não informado nos Termos de Colaboração Premiada, o qual consistia em forjar receitas fictícias de prestação de serviços, por meio de pessoas jurídicas, com a apropriação dos recursos. Foi aplicada multa qualificada, de 150%, prevista no §1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em razão de o fiscalizado ter incorrido nas práticas de sonegação, fraude e conluio, pois os rendimentos omitidos foram depositados em contas abertas em nome de empresas off-shore, para dissimular o real titular das mesmas, em conluio com os operadores das empresas/consórcios praticantes de ilícitos criminais, com o objetivo específico de ocultação e dissimulação das importâncias recebidas. Cientificado do Auto de Infração em 01/12/2016, fls. 1.133/1.135, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls1.169/1.171, apresentou impugnação em 29/12/2016, efls. 1.144/1.152. Foi atribuída responsabilidade tributária, com base no interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, à pessoa física Luciana Adriano Franco, CPF nº 051.825.087-35, e à pessoa jurídica Several Patrimonial e Participações Ltda., CNPJ nº 17.330.262/0001-17. Argumenta que a Several Patrimonial e Participações Ltda. era sócia majoritária da Concept Consultoria em Petróleo e Gás Natural Ltda., com 99% das quotas sociais, e que Luciana Adriana Franco detinha participação social na primeira sociedade empresária, variando de 39,5% a 50,94% no período de sua constituição social até a quarta alteração contratual, vindo a se tornar sócia majoritária e administradora a partir de 12/12/2014. Luciana apresentou impugnação às efls. 1172 e sgts e a Several às efls. 1195 e sgts.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 4.923 em Belo Horizonte (MG) julgou procedente a autuação (efls. 1223 e sgts.) Contra referida decisão apenas o autuado apresentou recurso (efls 1245/1260) Fl. 1276DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2301-000.823 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720490/2016-24 É o relatório necessário. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Antes de adentrar nas razões recursais apresentadas entendo necessária a baixa dos autos em diligência para corrigir uma falha procedimental que pode vir a prejudicar o julgamento do processo. Do que se depreende dos autos, foi imputada responsabilidade tributária à Luciana Adriano Franco e à Several Patrimonial e Participações Ltda, que apresentaram tempestivamente impugnação, tendo estas sido devidamente enfrentadas pela decisão de primeira instância. Ao analisar os autos verifica-se que apenas o autuado Pedro Barusco foi cientificado do teor do Acórdão 02-72.463 - 7ª Turma da DRJ/BHE. Para que não seja configurado um eventual cerceamento do direito de defesa entendo necessária a baixa dos autos em diligência para cientificar as responsáveis solidárias Luciana Adriano Franco e Several Patrimonial e Participações Ltda do inteiro teor da decisão de primeira instância afim de que estas, querendo, apresentem Recurso Voluntário. Ante ao exposto, voto no sentido de converter os autos em diligência para cumprimento do acima determinado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.901251/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-25T13:29:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-25T13:29:51Z; Last-Modified: 2019-06-25T13:29:51Z; dcterms:modified: 2019-06-25T13:29:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-25T13:29:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-25T13:29:51Z; meta:save-date: 2019-06-25T13:29:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-25T13:29:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-25T13:29:51Z; created: 2019-06-25T13:29:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-25T13:29:51Z; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-25T13:29:51Z | Conteúdo => 0 S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13629.901251/2011-39 Recurso Voluntário Resolução nº 1401-000.644 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2019 Assunto PER/DCOMP Recorrente ENGECEL CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 775 a 784) interposto contra o Acórdão nº 12- 52.491, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 57 a 62), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .9 01 25 1/ 20 11 -3 9 Fl. 790DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.644 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Trata o presente processo de declaração de compensação DCOMP nº 32201.51117.191007.1.3.048773, objeto de Despacho Decisório – DD (fl. 44) emanado pela Autoridade Administrativa que analisou e não homologou a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. 1.1. De acordo com os sistemas da Receita Federal do Brasil, o DARF discriminado na referida DCOMP possui: período de apuração – 31/03/2005; data de arrecadação – 31/01/2006; código de receita – 2372 (CSLL PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO); valor original total R$9.694,23. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado na DCOMP é de R$5.194,96. A transmissão da DCOMP ocorreu em 19/10/2007. 1.2. O Despacho Decisório, emitido eletronicamente em 02/08/2011, informa o valor original utilizado de R$9.694,23. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 3/5), acompanhada de documentos (fls. 6/52), alegando, em síntese, que: (...) Ocorre que a aludida decisão não merece prevalecer, eis que pautada em falsa premissa, notadamente, suposta inexistência de crédito do contribuinte junto a Receita Federal do Brasil. Com efeito, entendeu-se que todo o valor recolhido em DARF no código 2372 R$ 9.694,23 foi utilizado para quitação da contribuição social devida (PA 31/12/2005) 2 A premissa, porém, não é verdadeira, já que, conforme entendimento exarado pelo próprio fisco federal Solução de Consulta exarada no processo 13629.000405/200797 (documento anexo) o coeficiente de presunção de lucro para cômputo da CSLL devida em relação a receitas decorrentes de construção civil com emprego de materiais é 12% e não 32%. Veja-se, por oportuno, trecho conclusivo da Solução: Fl. 791DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.644 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 "À vista do exposto, respondo a consulente que, a partir da vigência da IN SRF n° 480/2004, as receitas relativas as atividades de construção civil, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base da CSLL". Decorre exatamente daí o crédito do contribuinte utilizado para compensação tributária. Vejamos. 3 Fato é que o contribuinte, em 31/01/06, efetuou pagamento no valor de R$ 9.694,23, referente à CSLL PA 31/12/2005. O pagamento, contudo, foi parcialmente indevido, eis que apurado com base no coeficiente de 32% de presunção de lucro (base de cálculo), e não de 12% como permitido pela legislação. Ora, tratando-se de receitas decorrentes de obras de construção civil em que há emprego de materiais em qualquer quantidade, o percentual aplicado para apuração da base de cálculo deveria ser de 12%. Assim, o valor de CSLL devido era de R$ 4.499,27 e não R$ 9.694,23. Cristalina, destarte, a existência de crédito no valor de no valor de R$ 5.194,96, resultante da diferença entre o valor recolhido e o valor devido. 4 Resta inconteste, pois, que o débito de IRPJ de R$ 1.531,89 deve ser extinto por compensação tributária, tal como devidamente declarado em PER/DCOMP, sendo certo que na data de transmissão havia crédito original suficiente para legitimar a compensação. DO PEDIDO Face ao exposto, requer seja julgada procedente a presente manifestação, para fins de reformando o Despacho Decisório exarado, homologar a compensação declarada na PER/DCOMP n° 32201.51117.191007.1.3.048773. Na oportunidade, protesta por produção de novas e eventuais provas. 3. Conforme Histórico das Comunicações, às fls. 47, a ciência do DD ocorreu em 16/08/2011 e a Manifestação de Inconformidade foi protocolada em 15/09/2011 (fl. 3)." O acórdão de primeira instância rechaçou os argumentos da Interessada sob o fundamento de que esta não teria apresentado provas que demonstrassem o preenchimento dos requisitos para a redução do percentual de presunção do Lucro Presumido para 12%. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise juntando uma série de novos documentos e demonstrativos, buscando comprovar o seu direito alegado. É o relatório. Voto Fl. 792DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.644 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP (fl. 48 a 52) apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o recolhimento que ampararia o crédito a ser utilizado já teria sido integralmente alocado para quitação de outro débito. Por sua vez a Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, vez que alega prestar serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na SOlução de Consulta n° 077 SRRF/6ª RF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/200797 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120). Por oportuno, replico a conclusão da mesma: "(...) Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento)." Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente trouxe em seu recurso diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Inclusive, se faz oportuno considerar também como prova neste feito os documentos apresentados no bojo do processo nº 13629.900806/2011-25 e nº 13629.900730/2011-38, autos correlatos ao presente que são objetos desta mesma sessão de julgamento. Os contratos apresentados (fls. 442 a 608) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com a Prefeitura Municipal de Coronel Fabriciano/MG incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, prédios e demais componentes da Fl. 793DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.644 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a empresa CAF Santa Bárbara LTDA, do Grupo Arcelor, para a construção de fornos de alvenaria. Em todos estes contratos há a previsão expressa de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (fls. 250 a 439 do presente processo; e fls. 376 a 584 do processo nº 13629.900806/2011-25) e Razão (fls. 70 a 247 do presente processo; e fls. 156 a 373 do processo nº 13629.900806/2011-25) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. As cópias do Livro Razão que foram digitalmente protocoladas neste processo estão absolutamente ilegíveis, não permitindo a este julgador que as apreciem. Já os Livros Diários mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo dos Recursos Voluntários dos Processos nº 13629.901251/2011-39, 13629.900806/2011-25 e 13629.900730/2011-38, podendo, se for necessário, intimar a Recorrente a reapresentar novamente o Livro Razão de forma legível, e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 794DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1401-000.644 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Fl. 795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720628/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N° 122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passive de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor.
Numero da decisão: 2401-006.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13971.720616/2007-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N° 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passive de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13971.720616/2007-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 28 /2 00 7- 74 Fl. 183DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.513 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720628/2007-74 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.511, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13971.720616/2007-40, paradigma deste julgamento. “BERNARDO HERMANN WOLFGANG WERNER, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de utilização limitada por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo ter apresentado inventário florestal elaborado por engenheiro florestal, demonstrando que a maior parte da propriedade esta ocupada por mata atlântica em avançado grau de regeneração. Alega que também anexou parecer técnico elaborado por engenheiro florestal e croqui da área em questão, indicando que o imóvel tem grande parte de sua área constituída de terreno acidentado, considerada de preservação permanente. O croqui também demonstra a ocupação arbórea da quase totalidade da área por mata atlântica e avançado estagio de regeneração. Ressalta que o imóvel encontra-se situado no Parque Nacional da Serra do Itajai, estando impedida a sua exploração econômica. No tocante ao valor da terra nua - VTN aduz ter anexado aos autos laudo de avaliação do imóvel, comprovando a veracidade da declaração prestada à fiscalização o laudo de avaliação em questão afasta o arbitramento efetuado pela autoridade lançadora, citando jurisprudência do TRF. Pugna pela realização e produção de prova pericial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Fl. 184DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.513 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720628/2007-74 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.511, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13971.720616/2007-40, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.511, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.511 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito da recorrente. MÉRITO ÁREA RESERVA LEGAL Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa parcial da área declarada como de reserva legal, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais, conforme averbações na matricula. O recorrente alega, em síntese, que a isenção relativa às áreas de reserva legal dá-se pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeita a nenhuma formalidade adicional. Sustenta, ainda, que a legislação que rege a matéria determina que estas áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do contribuinte. Fl. 185DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.513 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720628/2007-74 Aduz que a área está localizada na Mata Atlântica, em avançado grau de regeneração, sofrendo limitações à exploração econômica. In casu, relativamente à Área de Reserva Legal, o fiscal autuante reconheceu como isenta à área declarada pelo contribuinte e averbada na matrícula do imóvel, glosando apenas a diferença. Ao analisarmos os autos, agiu da melhor forma a autoridade lançadora, pois não há nenhuma documentação hábil e idônea para rechaçar a pretensão fiscal. Vale salientar que não estamos diante do clássico caso de exigência do ADA para comprovação da área pleiteada, o que, no entendimento deste Relator, é totalmente descabido. Aliás, afora o posicionamento pessoal acerca do momento da averbação, o Pleno da CSRF aprovou a Súmula CARF n° 122, contemplando o tema, senão vejamos: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Portanto, com relação à área de reserva legal, conforme já mencionado, deveria ser apresentada a Certidão da Matricula do Imóvel, na qual deveria constar a averbação da área declarada. Assim, julgo procedente a referida glosa. VALOR DA TERRA NUA - VTN O contribuinte discorda do valor atribuído à terra nua, argumentando que não foi considerado o fato de que a propriedade é coberta pela mata atlântica, o que lhe retira quase a totalidade do valor comercial. Pede que seja aceito o valor proposto por Engenheiro Civil, em parecer anexado. Pois bem, uma vez que o contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural e não junta novos documentos, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotá-los como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pelo autuado e documentos acostados aos autos, in verbis: (...) É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico revestido de rigor cientifico suficiente a firmar a convicção da autoridade. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.3.5, alínea "b", da Norma NBR 14.653-3, da ABNT, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados". Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR. Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. O documento apresentado pelo impugnante e anexado folha 83 é datado de 12 de outubro de 1997 e se trata de mera opinião, haja vista que se refere a valor estimado, aquela época, de quatro areas de propriedade do próprio impugnante. Fl. 186DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.513 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720628/2007-74 É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 14.653-3, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não ha como, em sede de julgamento, acatar-se levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Sobre a metodologia de cálculo do valor da terra nua, é necessário desfazer o equivoco manifestado na impugnação. Afirma o impugnante que a valoração do imóvel não atentou para o fato a área estar inserida na Região da Mata Atlântica. Incorre em erro o impugnante. A exclusão da area de preservação permanente e de reserva legal— se estas forem comprovadas— é sempre feita no sistema de cálculo do ITR. Ê s6 observar, no Demonstrativo de f. 03 (assim como no Quadro de Cálculo de Imposto da DITR), que a areas de preservação permanente e de reserva legal são excluídas quando do cálculo do valor da terra nua tributável (Linha 18). Desta forma, uma area de preservação permanente ou de utilização limitada comprovada nunca comporá a base de cálculo do ITR. Essas são as razões de decidir do órgão de primeira instância, as quais estão muito bem fundamentadas, motivo pelo qual, após análise minuciosa da demanda, compartilho das conclusões acima esposadas, especialmente do trecho grifado. Mais uma vez, repiso, o contribuinte nada se esforça ou traz novos documentos sobre a infração que lhe foi imputada e/ou contrapõe sobre os fundamentos da decisão de piso, uma vez "entregue o caminho das pedras" pela autoridade julgadora de primeira instância, caberia ao contribuinte instruir seu recurso com a documentação hábil e idônea capazes de justificar seus argumentos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, a, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, a, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 187DF CARF MF
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