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Numero do processo: 10811.000407/2010-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 144, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 04 07 /2 01 0- 26 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 88 2 12.08.2010, efl. 52, com efeitos a partir de 01.07.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em São José do Rio Preto, no uso das atribuições que lhe foram delegadas pelo inciso XXIII, art 1° da Portaria DRF/SJR n° 30, de 01/06/2010, DOU de 02/06/2010, originariamente previstas no inciso IV do art 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 17, 28 a 32 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com as alterações promovidas pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007 e Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008 , considerando o que consta do processo n° 10811.000407/201026, declara: 1º ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte LUCIANO BERNARDO ME CNPJ n° 07.029.369/000176 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, de que trata o artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 por COMERCIALIZAR MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO, de acordo com art 29, inciso VII da LC 123/2006. 2° Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art 29, inciso VII, § 1° da LC 123/2006, ou seja, a partir de 01/07/2009, estando assegurado ao contribuinte o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta publicação, manifestar por escrito sua inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, relativamente ao procedimento acima, assegurando assim o contraditório e a ampla defesa. 3° Não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.749, de 03.05.2013, efls. 7580: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 21.08.2013, efl. 83, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.09.2013, efls. 7580, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Por ser de família de poucos recursos financeiros seu genitor, residia na conhecida construção de "CASA GEMINADA" (construção interiorana de duas ou mais casas ligadas uma a outra), além do bairro ser, reconhecidamente, muito modesto (VILA PAULISTA). Existindo, portanto, a residência e domicílio de seus genitores numa parte (de trás) e noutra parte (da frente) o estabelecimento comercial, integrante do SIMPLES NACIONAL ISTO TUDO sem qualquer comunicação ou servidão entre aquelas, as quais possuem entradas e saídas totalmente independentes. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 89 3 Aliás, fato esse público, notório, incontroverso e de pleno conhecimento das Autoridades que estiveram ali presentes, AO TEMPO (CPC art. 334, I, II, III e IV). Portanto, por serem geminadas, os imóveis (casa e estabelecimento comercial) possuem um único número (125). Portanto, como é sabido, seu genitor aposentado com valor mensal na faixa de um salário mínimo, em idade avançada, não conseguindo a obtenção de emprego digno, passou a praticar atos eventualmente ilícitos, entretanto, com o fito exclusivo de sua sobrevivência e de sua esposa. A insensibilidade dos julgadores jamais poderá ultrapassar o princípio consagrador da RAZOABILIDADE. AO LADO DISSO, importante também registrar a título de lealdade procedimental, que, lamentavelmente, em função da EXCLUSÃO do SIMPLES NACIONAL, a microempresa, sem outra alternativa, encerrou as suas atividades! Concernente ao pedido expõe que: Com os doutos suprimentos dos integrantes deste Conselho Administrativo, ante as provas documentais encartadas, aguardase conhecimento e acolhimento da presente, com todas as suas consequências legais e jurídicas. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 90 4 presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 91 5 discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: I INTRODUÇÃO Senhor Delegado, Em operação realizada no dia 14/07/2009, por policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, no estabelecimento comercial Luciano Bernardo ME, CNPJ nº 07.029.369/000176, estabelecido à Rua São Vicente, n° 125 Vila Paulista, na cidade de Catanduva/SP, de propriedade de Luciano Bernardo , onde foram encontradas mercadorias estrangeiras sem a documentação comprobatória de sua importação regular. Esse lato configura infração ao disposto no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759 de 05 de fevereiro de 2009 e por conseqüência à aplicação do disposto no do artigo 29 item VII, da Lei Complementar n° 123. de 14 de dezembro de 2006. [...] III DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 92 6 Os policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, compareceram no estabelecimento comercial Luciano Bernardo ME, onde encontraram no seu interior as mercadorias de procedência estrangeira, sem prova de introdução regular no país, portanto, em desacordo com a legislação vigente configurando, em tese, crime de contrabando/descaminho. As referidas mercadorias, foram recebidas pela FERA/EFA/SAFlS/DRF/SJR/SP, em 1l/08/2009, através do oficio n° 546/2009 da Delegada de Investigações Gerais de Catanduva/SP, e foi lavrado em 26/11/2009 o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/01416/09, originando assim o processo administrativo n° 10811.000741/200946. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/01416/09, Ofício n° 546/2009, Boletim de Ocorrência n° 75/2009 e Termo de Declarações, fls. 0319. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/01416/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10811.000741/200946 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 93 7 Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 94 8 norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 95 9 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.749, de 03.05.2013, efls. 7580, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos 640 maços de cigarros (sendo 410 da marca Mil, 200 da marca TE e 30 da marca Eight), no estabelecimento comercial em epígrafe, por falta de comprovação de origem lícita, eis que não possuía qualquer documentação legal. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. O contribuinte alega que a apreensão ocorreu fora do estabelecimento comercial. A alegação não procede, uma vez que conforme o Boletim de Ocorrência nº 75/2009, a mercadoria foi apreendida no interior do estabelecimento comercial em epígrafe, localizado na Rua São Vicente, 125, Catanduva/SP. A alegação de que a mercadoria era para consumo próprio e não para comercialização também não procede. Conforme esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 96 10 Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. A alegação de que o auto de exibição e apreensão foi lavrado pela Polícia Civil em nome de Ângelo Bernardo e não em nome do contribuinte também não procede. Na verdade, a Polícia Civil foi responsável por lavrar o Boletim de Ocorrência 75/2009 da Polícia Civil que a apreensão ocorreu na Rua São Vicente, 125, Vila Paulista, Catanduva/SP, tipo de local: Comércio e Serviços – Armazém/Empório. O Auto de Infração de Apreensão de Mercadoria é de responsabilidade da RFB e foi lavrado em nome do estabelecimento em questão. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 144, de 12.08.2010, efl. 52, com efeitos a partir de 01.07.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 97 11 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720015/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASOS DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO.
Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão.
Numero da decisão: 3201-003.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CABIMENTO EM CASOS DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 15 /2 01 4- 35 Fl. 6561DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte em fls. 6542 sobre o Acórdão deste Conselho de fls. 6431 Transcrevese o Despacho de Admissibilidade do Presidente desta Turma de fls 6556 para apreciação: "O sujeito passivo interpôs embargos de declaração em face do Acórdão 3201 002.592, de 28/03/2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 PAF. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestemse da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE FRETES E SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. Para que se admita o crédito relativo à operações no mercado interno, é necessária a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda tenha sido efetivamente assumido pela vendedora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 PAF. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes Fl. 6562DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.562 3 de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestemSe da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE FRETES E SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. Para que se admita o crédito relativo à operações no mercado interno, é necessária a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda tenha sido efetivamente assumido pela vendedora. Os embargos são tempestivos: o sujeito passivo foi cientificado da decisão embargada no dia 19/02/2018, conforme Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 6538, e opôs os Embargos no dia 26/02/2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 6539. A Embargante alega que ocorreram erro e omissão no acórdão embargado. O excerto de seus embargos, transcrito a seguir, identifica os vícios suscitados: IV. DO ERRO MATERIAL 21. Cabe, por oportuno, tangenciar esse ponto, já que houve direta incongruência entre as razões de reforma do acórdão de primeira instância e o dispositivo conclusivo acerca do recurso voluntário. 22. Como acima mencionado, o acórdão proferido pela DRJ/RPO considerou que apenas as glosas referentes a frete e armazenagem teriam sido objeto da impugnação ao Auto de Infração. 23. Em matéria recursal, todavia, a Embargante delineou que sua impugnação abrangia todas as glosas efetuadas. 24. Deixando de chancelar o entendimento da DRJ/RPO, o relator argumentou que a impugnação, ao suscitar a nulidade do lançamento, também teria abarcado as demais glosas presentes no Auto de Infração. Assim, reformou o acórdão de primeira instância administrativa. Fl. 6563DF CARF MF 4 25. Por essa simples razão, o recurso voluntário em verdade teve parcial provimento, a despeito do que constou do dispositivo do acórdão embargado. 26. Desta feita, merece reparo o acórdão embargado para que esteja expresso o provimento parcial do recurso para reformar o acórdão da DRJ/RPO no que concerne à impugnação de todas as glosas constantes do Auto de Infração, afastando a consolidação administrativa dos créditos tributários. V. DA OMISSÃO 27. Patente a omissão incorrida no acórdão embargado. Ao abordar a matéria concernente às glosas efetuadas pela Fiscalização, o relator admite incontroverso que a Embargante adquire as mercadorias no mercado externo e as revende, independentemente da modalidade de importação (conta própria ou encomenda, afastandose apenas a conta e ordem de terceiros concebida como prestação de serviços). [...]29. Ocorre, entretanto, que, ao adentrar o caso concreto, especificamente quando trata do frete, revelou que tomou por verdade uma reduzida parcela dos documentos verificados em fiscalização, seguindo o raciocínio construído no Termo de Verificação de Infração, em que apenas uma parte dos fretes seriam referentes à operação logística entre as unidades das Embargante. 30. Ou seja, o relator procedeu à presunção de que tal situação particular se aplicaria a todo o universo de operações fiscalizadas, sem que houvesse qualquer constatação desse fato, ou mesmo mero indício. De maneira singela, realizou raciocínio indutivo a partir das alegações fiscais, desprovidas de lastro probatório. [...]32. Nada obstante, a seu critério, a Fiscalização realizou erroneamente procedimento de amostragem, que acabou por gerar distorção dos fatos verdadeiramente ocorridos, prejudicando o julgamento das razões levadas ao exame deste CARF. A incerteza acerca idoneidade do procedimento levado a cabo tem origem na falta de adequados parâmetros técnicos e transparência da fiscalização na elaboração do Termo de Verificação de Infração, documento em que houve mais preocupação em se fazer presunções e alegações do que propriamente dar suporte na apuração do crédito tributário lançado no Auto de Infração. 33. Nessa perspectiva, não houve a adequada verificação acerca do momento em que teriam sido incorridos os gastos com armazenagem e frete, infligindo dúvida ao relator. Tal incerteza resta evidenciada quando afirma que, ao examinar a relação de notas fiscais presentes nos autos, não consegue concluir que o custo das operações ali listadas tenha sido de fato suportado pela Embargante. São esses os fatos. Fl. 6564DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.563 5 Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Já os embargos inominados são previstos no artigo 66 do RICARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Analisando o acórdão vergastado constatase a omissão suscitada e o erro identificado. Expressamente o relator consignou em seu voto a ressalva para afastamento de cobranças de valores em razão de parcela relativa às glosas impugnadas, apesar do resultado do julgamento ter sido proferido no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, configurando o erro (inexatidão material), passível de correção. Também se configura a omissão suscitada, em virtude da não apreciação de todos os documentos acostados aos autos, que poderia alterar o entendimento da turma julgadora acerca do momento em que teriam sido incorridos os gastos com armazenagem e frete, para fins de direito ao crédito das contribuições. Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do Regimento Interno do CARF, dou seguimento aos embargos de declaração. À SECAM, para providenciar o sorteio dos presentes Embargos dentre os Conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção, para inclusão em pauta de julgamento." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Fl. 6565DF CARF MF 6 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Após a análise dos Embargos de Declaração e do Despacho de Admissibilidade em confronto com as demais peças e decisões constantes nesta lide administrativa fiscal, em especial o Acórdão embargado, é possível verificar que a inexatidão material e a omissão não ocorreram. Para ilustrar, transcrevese um primeiro trecho do acórdão embargado que trata da possível inexatidão material com relação ao provimento ter sido parcial ou não: "3 Matérias que não teriam sido impugnadas Quanto à alegação de que a Recorrente na verdade teria contestado a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização, ao contrário do que restou consignado na decisão recorrida, concordo que ao contestar a constitucionalidade das Leis que embasaram o presente lançamento e suscitar a preliminar de nulidade, podese considerar que o contribuinte teria se insurgido contra todas as glosas efetuadas no procedimento fiscal, desde a apresentação de sua impugnação. Contudo, embora o acórdão recorrido tenha declarado que as "demais glosas, não contestadas expressamente, estão consolidadas administrativamente", não existe nos autos nenhum ato que leve a crer que a administração já tenha promovido a cobrança imediata de alguma parcela do lançamento por tal motivo. Por esta razão, entendo que cabe aqui apenas apontar que tais providências não devem ser tomadas, pelo fato do contribuinte ter efetivamente contestado todas as glosas objeto do lançamento." Pela leitura acima, verificase que não houve intenção do relator em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, simplesmente houve manifestação com relação à matéria a ser apreciada nesta lide administrativa. Explicase: ao entender que toda a matéria relativa ao lançamento foi impugnada, o relator fez a sábia e cuidadosa observação de que toda a lide administrativa deve continuar sob os efeitos suspensivos do processo administrativo fiscal, de modo que nenhuma cobrança antecipada de valores poderia ocorrer. Com relação ao julgamento ter desconsiderado os documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte nos autos e, em razão disto ter concretizado uma omissão, da mesma forma, é possível verificar que não houve tal omissão. Para ilustrar, transcrevese trechos selecionados do acórdão embargado que tratam da questão das provas: Fl. 6566DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.564 7 "Por sua vez, a Recorrente procura defender que a totalidade dos seus créditos seriam apuráveis sobre o valor total do custo de nacionalização dos bens que importa e revende, onde se incluiriam todas as despesas com fretes, armazenagem e outros serviços necessários à sua operação. Transcrevo agora os incisos I e IX do Art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que autorizaria a apuração de créditos oriundos das despesas objeto de glosa: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda (...). (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação às despesas com fretes, cabe primeiro destacar que a fiscalização apontou que uma parte se referiu a fretes entre as unidades da Recorrente, em relação aos quais foi alegado que se referem à saídas de produtos já vendidos. Devese ainda mencionar que a decisão recorrida também observou, devidamente, que não houve glosa incidente sobre o custo das mercadorias adquiridas para revenda. Neste sentido, o direito à apuração de créditos oriundos de despesas com fretes e armazenagem dependeria da demonstração de que os valores relativos a estes fretes teriam sido apartados na escrituração que serviu de base para a apuração do custo das mercadorias, sendo que tal demonstração ainda não consta dos autos. De outro giro, por se tratarem de operações de importação, cabe destacar que a definição da própria base de cálculo das contribuições PIS e Cofins nestas operações é o valor aduaneiro, conforme dispõe o Art. 7 º, I, da Lei nº 10.865, de 2004. Sendo que, por definição, no valor aduaneiro não são computadas as despesas com fretes, armazenagem ou quaisquer outras inerentes ao desembaraço da mercadoria, como despachantes, taxas, etc... Também observou a decisão recorrida, o que pode ser facilmente constatado nos autos, que inexistem indicações de que, entre os valores glosados, estejam despesas incorridas especificamente nas operações de venda e suportadas pela autuada na condição de vendedora. Pelo contrário, foram eles especificamente acatados pela fiscalização, que assim consignou no Termo de Verificação Fiscal. A Recorrente também argumenta que uma parcela dos gastos com armazenagem seria relativa à operações de venda no mercado interno, após a nacionalização e emissão da nota fiscal Fl. 6567DF CARF MF 8 correspondente. Neste sentido, defende que teria direito aos referidos créditos oriundos destas despesas com armazenagem, e informa que juntou, já na sua impugnação, planilha com relação de notas fiscais que comprovariam seus argumentos. No caso, já vimos que o inciso IX do Art. 3º antes transcrito, exige a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda teria sido assumido pela vendedora, para que se admita o crédito. Contudo, ao se examinar a relação de notas trazida pela Recorrente, não se pode concluir que o custo das operações ali listadas tenha sido de fato suportado pela empresa. Ainda, deve ser destacado que a decisão recorrida já observou tal falta de demonstração, sendo que a Recorrente, agora em sede de recurso voluntário insiste que a juntada desta relação de notas seria suficiente para comprovar suas alegações. Finalmente, ainda sobre estas despesas com fretes que a Recorrente sustenta que seriam parte de operações de venda no mercado interno, ocorridas após o desembaraço, observo que para que tal creditamento pudesse ser enquadrado na hipótese prevista em lei, seria preciso que os produtos saíssem do estabelecimento da Recorrente, com destino ao terceiro adquirente, com a venda já efetuada, o que também não restou comprovado nos autos. Não tendo ocorrido tal hipótese, é impossível considerar que se trate de frete em operação de venda, como prevê a lei, descabendo o direito de crédito." Em que pese o julgamento ter sido concluído por voto de qualidade e metade do conselheiros terem votado para a conversão do julgamento em diligência para a análise pormenorizada dos documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte, há claramente no acórdão embargado uma análise sobre os documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte, razão pela qual uma omissão não pode ser concretizada. Se os documentos são suficientes ou não para o provimento ou desprovimento do Recurso Voluntário, este julgamento já ocorreu e não pode ser reavaliado em sede de embargos, somente em Recurso Especial, oportunidade em que o contribuinte poderá alegar a falta da análise de seus documentos e provas juntados aos autos. Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão. Diante do exposto, votase por conhecer mas REJEITAR os Embargos de Declaração. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6568DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.565 9 Fl. 6569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903897/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES COMPROVADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DCOMP HOMOLOGADA
Em observância ao princípio da verdade material é possível analisar em sede de recurso voluntário informes de rendimentos e retenções na fonte, visando verificar a certeza e a liquidez do crédito utilizado para extinguir débitos, por meio de DCOMP.
Numero da decisão: 1302-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita das Dcomps apresentadas, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Maria Lucia Miceli e Flavio Machado Vilhena Dias, por unanimidade de votos, em conhecer das provas juntadas no recurso voluntário, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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(ANTIGA ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES COMPROVADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DCOMP HOMOLOGADA Em observância ao princípio da verdade material é possível analisar em sede de recurso voluntário informes de rendimentos e retenções na fonte, visando verificar a certeza e a liquidez do crédito utilizado para extinguir débitos, por meio de DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita das Dcomps apresentadas, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Maria Lucia Miceli e Flavio Machado Vilhena Dias, por unanimidade de votos, em conhecer das provas juntadas no recurso voluntário, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 38 97 /2 01 0- 57 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 0236.486, de 30/11/2011, da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a juntada de novos documentos e não homologar as compensações em litígio, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF COMPROVAÇÃO A IRRF somente pode ser deduzido do IRPJ apurado no período se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção do imposto, e que as receitas advindas desta retenção foram efetivamente oferecidas à tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido manteve a decisão da DRF quanto à não homologação da DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, devido à não comprovação de IRRF no valor de R$35.480,37. Por esse motivo, também não foram homologadas quatro DCOMPs posteriores, nas quais utilizouse parte desse valor. A recorrente informou que, o imposto de renda antecipado incidiu sobre aplicações financeiras de swap, resgatadas em 2002. Todavia, somente por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente juntou os respectivos comprovantes de retenção na fonte. A fiscalização havia indeferido o pedido de juntada posterior à manifestação de inconformidade de documentos e fundamentou sua conclusão nas disposições do art. 16, parágrafo quarto, do Dec. nr. 70.235, de 06/03/1972, quanto à obrigatoriedade da apresentação de prova documental na impugnação, sob pena de preclusão. Não foi acolhido o pedido de homologação tácita das compensações. O acórdão recorrido afastou a alegação de decadência, mediante a demonstração de que a DCOMP em questão, nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, retificou a DCOMP inicial nr 13875.06462.130204.1.3.020075 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 4 3 Sendo assim, o prazo de cinco anos assegurado ao Fisco para a verificação da validade das compensações indicadas nas referidas DCOMPs teve início em 22/09/2006 (data da apresentação da DCOMP retificadora, conforme art. 80 da IN RFB nr. 900, de 2008). A DRF demonstrou que o Despacho Decisório foi proferido em 07/06/2010 e a Recorrente foi devidamente cientificada em 14/06/2010. Portanto, dentro de prazo de cinco anos. Afastandose a alegação quanto à homologação tácita das DCOMPs por decurso do prazo de cinco anos, sem decisão da DRF. Assim, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, por considerar legalmente válido o despacho decisório; indeferiu a juntada de novos documentos, sob o fundamento de que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão; não homologou as DCOMPs devido à não apresentação dos comprovantes de retenção na fonte do IRPJ. A recorrente foi intimada dessa decisão da DRJ, em 09/02/2012 e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 12/02/2012, por meio do qual reapresentou as razões registradas na manifestação de inconformidade, juntamente com os comprovantes referidos comprovantes de retenção na fonte. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 2ª Turma Ordinária entendeu que os comprovantes de retenção na fonte poderiam ser acolhidos, em atendimento ao princípio da verdade material e com base nas disposições do art. 69 da Lei nr 9.784/99 que autoriza a juntada de documentos e pareceres em toda a fase de instrução do processo administrativo. Verificouse que os informes anexados ao recurso voluntário comprovavam o recebimento de rendimentos de aplicações financeiras e as respectivas retenções na fonte do IRPJ, cuja soma totalizou o valor em questão (R$35.480,37). Todavia, em que pese a comprovação dos créditos da recorrente de imposto de renda retido na fonte no valor de R$35.480.37, conforme declarados na DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, concluiuse que não havia nos autos demonstração de que os rendimentos que ensejaram as retenções na fonte teriam sido devidamente oferecidos à tributação. Registrouse o fato de que, não é suficiente a evidenciação de que houve antecipação do pagamento de tributos. É necessária a concomitante apresentação da escrita contábil hábil a demonstrar o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Nesse sentido, converteuse o julgamento em diligência (Resolução nº 1302 000.403, 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção), determinandose o retomo dos autos à DRF para que fosse verificado se houve oferecimento à tributação dos referidos rendimentos que ensejaram as retenções na fonte em questão. A recorrente foi intimada e apresentou documentos e informações para demonstrar que os respectivos rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. É o relatório. Voto Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 5 4 Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade foram analisados na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf, sendo, portanto, o conhecido. O crédito utilizado pela Recorrente nas referidas DCOMPs referese a Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002. O primeiro documento apresentado pelo contribuinte – a DCOMP de nº 13875.06462.130204.1.3.020075 – foi protocolizado em 13/02/2004 e detalhou o crédito apurado pela contribuinte intitulado “Saldo Negativo de IRPJ AC 2002”. Essa DCOMP foi retificada posteriormente pela DCOMP nº 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006. Esse foi o documento que amparou a apresentação das demais DCOMPs, considerando que foi o único que detalhou a apuração do crédito utilizado. As demais DCOMPs mencionaram como origem do crédito: Saldo Negativo de IRPJ informado em outro PER/DCOMP. Em síntese, temse que o crédito em questão utilizado pela Recorrente nas DCOMPs nº 06208.32980.100504.1.7.020049, 14658.81217.100504.1.7.021307, 37455.32693.100504. 1.3.020521 e 31018.25976.080604.1.3.024898, referese àquele identificado na DCOMP nº 13875.06462.130204.1.3.020075, posteriormente retificada pela DCOMP de nº 12126.17715.220906.1.7.027045. Desse modo, para que as DCOMPs cujo crédito esteja vinculado à DCOMP de nº 13875.06462.130204.1.3.020075 (retificadora) sejam homologadas, é necessária a análise do crédito nessa detalhado. Considerando que este documento foi retificado em 22/09/2006, pela apresentação da DCOMP de nº 12126.17715.220906.1.7.027045, o prazo para o fisco verificar os procedimentos executados pela Recorrente, tanto na DCOMPmãe quanto nas suas vinculadas teve início com a apresentação da DCOMP retificadora (22/09/2006) que identifica o crédito utilizado (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Assim, diante do início do prazo decadencial em 22/09/2006; do Despacho Decisório da DRF de 07/06/2010; da devida ciência à Recorrente, em 14/06/2010, verificase que foram atendidas as disposições do art. 74 de Lei nr. 9.430, de 1996, no sentido de que a contribuinte, no prazo de cinco anos, foi devidamente intimada da decisão que analisou as DCOMPs em questão. Com base nesses fatos e fundamentos, entendo que está correta a decisão da DRF, ratificada pelo Acórdão recorrido, quanto à conclusão de que não há ocorrência de homologação tácita das DCOMPS. Quanto à juntada, somente no recurso voluntário, dos comprovantes dos créditos de antecipação de imposto de renda (IRRF), ratifico o entendimento de que poderiam ser acolhidos em cumprimento ao princípio da verdade material. No entanto, não obstante o fato de entende que há a possibilidade de juntada de documentos posteriormente à impugnação, o indeferimento de tal pedido pela DRF, por si, não implica nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento de defesa. Verificase que foram Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 6 5 respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Negase, assim, o pedido de nulidade apresentado pela Recorrente. Ratifico, também, o entendimento registrado na referida Resolução de que, os informes anexados ao recurso voluntário comprovam as citadas retenções na fonte de IR, decorrentes de aplicações financeiras e cuja soma totaliza R$35.480,37. Analisandose os comprovantes constatase que instituição financeira indicou como beneficiária das aplicações financeira, a empresa ACESITA ENERGÉTICA LTDA., cujo CNPJ coincide com o CNPJ da Recorrente ARCELORMITTAL BIONERGIA LTDA (18.238.980/000120). Essa alteração de Razão Social da empresa está demonstrada nos autos, iniciando por Acesita, depois Arcelormital e atualmente Aperam. Diante da comprovação dos créditos da recorrente de imposto de renda retido na fonte no valor de R$35.480,37, conforme declarados na DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, cabe verificar o resultado da diligência, quanto à demonstração de que os respectivos rendimentos foram regularmente oferecidos à tributação. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 360/361) registrou as seguintes constatações: 1. O CARF (Resolução n° 1302000.403 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária, de 04/02/2016) solicita que se verifique o oferecimento à tributação do valor de R$177.427,28, relativo a rendimento de aplicações financeiras. 2. O contribuinte informa que este valor está inserido na linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ do anocalendário 2002. Esta linha indica o valor de R$ 1.902.634,41 (outras receitas financeiras atividade rural) ver folha 321. 3. O rendimento em questão foi lançado no "Razão Sintético por Conta" na conta 545120, no valor de R$ 216.547,64, conforme folha 310. 4. À folha 313, a empresa detalha o valor de R$ 216.547,64. 5. Às folhas 295 a 296, relaciona as contas que perfazem o valor de R$1.904.405,93. 6. Desse valor de R$ 1.904.405,93 subtrai o valor de R$ 447.186,55, a título de V. M. de Impostos a Compensar. Foi, então, intimado a explicar a dedução desse valor. 7. Justifica às folhas 328 a 333 que apurou juros a receber (relativos a PIS a compensar do período de out/90 a set/95), relativos ao ano 2002, em valor maior que o que efetivamente deveria utilizar na compensação. Inicialmente apurou juros (em 2002) no valor de R$ 1.686.983,32, mas, na verdade, os juros a compensar seriam de apenas R$ 1.039.317,67 (folha 357). A diferença de juros recebidos ( R$ 647.665,65, conforme folha 332 e 349) foi debitada da conta "variação monetária" (conta 796506), gerando um valor devedor de R$ 447.186,55, que foi abatido da linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2002. 8. Dessa forma, concluise que foi oferecido à tributação o valor questionado (R$ 177.427,28). Dêse ciência ao contribuinte, e após, retornemse os autos ao CARF. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 7 6 Assim, diante das comprovações de retenção na fonte de imposto de renda (R$35.480,37) e do oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos de aplicações financeiras (R$177.427,28), voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o referido crédito da recorrente e homologar a DCOMP acima e as respectivas DCOMPs vinculadas, extinguindose o crédito tributário e reflexos de multa e juros, até o limite do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722366/2011-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 23 66 /2 01 1- 66 Fl. 120DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402006.016 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 3 de outubro de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 73: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 83 a 88, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 101 a 104, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Destacase que, para a decisão a quo, deve ser cancelada a exigência tributária, enquanto, para o acórdão paradigma, devem ser aplicadas as tabelas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos pelo contribuinte. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) temos que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 109 a 114, nas quais sustenta, em síntese: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 9202007.006 CSRFT2 Fl. 3 3 a) a manutenção do acórdão recorrido, devendo ser levado em consideração os rendimentos percebidos mensalmente sob pena de afrontar a isonomia tributária. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e Fl. 122DF CARF MF 4 porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 9202007.006 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001556/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 138 1 137 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.001556/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.502 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ALFREDO DE ALCANTARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 56 /2 00 5- 17 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 139 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.001556/200517, em face do acórdão nº 17.28.343, julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOII), em sessão realizada em 28 de setembro de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "O Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 04/06) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2000 de R$ 5.625,00, de multa de oficio de R$ 4.218,75 e de juros de mora calculados até 03/2005 de R$ 4.239,56. Em procedimento fiscal levado a efeito junto ao contribuinte apurouse a omissão de ganhos de capital na alienação do seguinte imóvel: uma parte ideal correspondente a 1,5% na área de terras, designada por gleba n° 1, situada em zona rural, neste município e comarca de Campinas, na propriedade denominada Santa Letícia do Retiro, com área de 62.733,24 metros quadrados, em 25/10/2000, conforme Escritura pública de venda e compra lavrada em 25/10/2000, do 7° Tabelião de Notas de Campinas, onde o contribuinte junto com seu cônjuge alienaram, por R$ 80.000,00 o imóvel acima descrito. De tal operação foi apurado o ganho de capital de R$ 37.500,00, para cada cônjuge. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, 16 a 22, da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 21, da Lei 8.981/95; artigo 17 da Lei 9.249/95; artigos 22 ao 24 da Lei 9.250/95. Inconformado com o lançamento, o contribuinte, cientificado em 15 de abril de 2005, apresenta a impugnação de fls. 24/30, assinada por Fábio Bezana, seu representante legal, em que alega, em síntese, que: 1 há vício de origem no presente procedimento fiscal, já que se deu início em razão da verificação de movimentação financeira acima dos valores declarados; 2 a autorização para a utilização de informações bancárias foi dada pela Lei Ordinária 10.174/2001; entretanto, tais leis sobrepõemse às garantias individuais previstas no art. 50, da Constituição Federal; 3 a referida lei entrara em vigor no ano de 2001, por outro lado o auto de infração centralizase no exercício 2000 e 2001; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 140 3 4 a fim de comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta apresentou as justificativas presentes nos autos, no sentido que são oriundos de pessoas jurídicas e tratase de distribuição de lucros e doação; 5 neste mesmo procedimento, por meio de pesquisas nos cartórios de notas, verificouse a existência de lucro imobiliário, no exercício de 2000, em razão de alienação de um bem imóvel localizado na cidade de Campina; no entanto, ao atualizar o débito foi utilizada a inconstitucional taxa Selic; 6 como a taxa selic foi criada pelo Banco Central, como instrumento remuneratório dos títulos, tendo como fator de variação as operações de venda de títulos, a sua utilização para fins tributários desvirtua a sua natureza, além do que fere o princípio da estrita legalidade. Em 31 de maio de 2005, é apresentado, em nome ao contribuinte, impugnação assinada por Lauro Augustonelli, sem a juntada do mandado de procuração, em que é contestado novamente o lançamento em questão.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendo integralmente o crédito exigido, decidindo pela legalidade da taxa Selic, a qual foi a única matéria impugnada em primeira instância administrativa. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 111/115, reiterando o afastamento da taxa Selic do cálculo do tributo, requerendo a incidência de juros de 1% (um por cento) ao mês. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 141 4 Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914278/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 78 /2 01 2- 75 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.433, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720560/2014-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA ISOLADA. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PERMITIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA.
A partir do momento que o despacho decisório fundamentado não homologa as compensações solicitadas pelo sujeito passivo, não há óbices à constituição do crédito tributário mediante o lançamento de multa isolada, o que não significa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, que a exigibilidade de tal crédito dar-se-á imediatamente.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
Numero da decisão: 1402-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Ailton Neves da Silva (Suplente convocado) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para os impedimentos).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 MULTA ISOLADA. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PERMITIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA. A partir do momento que o despacho decisório fundamentado não homologa as compensações solicitadas pelo sujeito passivo, não há óbices à constituição do crédito tributário mediante o lançamento de multa isolada, o que não significa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, que a exigibilidade de tal crédito dar-se-á imediatamente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Ailton Neves da Silva (Suplente convocado) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para os impedimentos).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PERMITIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA. A partir do momento que o despacho decisório fundamentado não homologa as compensações solicitadas pelo sujeito passivo, não há óbices à constituição do crédito tributário mediante o lançamento de multa isolada, o que não significa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, que a exigibilidade de tal crédito darseá imediatamente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 60 /2 01 4- 04 Fl. 191DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Ailton Neves da Silva (Suplente convocado) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para os impedimentos). Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 190 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 1271.446, proferido em 18 de dezembro de 2014, pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o processo de auto de infração para cobrança de multa isolada, no valor de R$ 12.726.462,94, decorrente da não homologação das DCOMP nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680, tratadas no processo administrativo nº 16682.720821/201135. Enquadramento Legal: artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96 Abaixo, tabela com o demonstrativo do cálculo: A ciência do lançamento ocorreu em 13/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fls. 31. A autuada apresentou impugnação em 11/09/2014, fls. 34/40, com as seguintes alegações: a tempestividade do recurso. a multa elege como fato típico a não homologação de compensação apresentada, que seria ilegal, pois não caracteriza qualquer ilícito. ainda que admitido, o fato jurídico da “não homologação da compensação” não está definitivamente constituído, posto que aguarda julgamento da manifestação de inconformidade no processo 16682.720821/201135, o que afronta o artigo 116 do CTN. a apresentação da manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 74, § 11 da Lei nº 9.430/96, suspendendo também o efeito normativo do despacho decisório que provisoriamente não homologou as compensações, situação que remanesce como no momento anterior à prolação da decisão, não sendo possível afirmar que os pedidos foram indeferidos até a decisão definitiva surtir seus efeitos. Fl. 193DF CARF MF 4 o §18º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 reconhece a suspensão da exigibilidade da multa no caso de apresentação de manifestação de inconformidade, mesmo que o lançamento não seja impugnado, corroborando o entendimento de que o fato gerador da multa não ocorreu. assim, provado que o fato típico da suposta conduta sancionada (não homologação das compensações pleiteadas) não ocorreu, posto que os referidos pedidos encontramse pendentes de apreciação da manifestação de inconformidade, a multa ora combatida deve ser integralmente canceladas por falta de amparo legal. caso mantido o lançamento, requer que os juros de mora tenham como marco inicial o trânsito em julgado da decisão da não homologação das compensações. Passo agora, a complementar o relatório acima colacionado. Por unanimidade de votos, a impugnação apresentada pela contribuinte não foi acolhida, e foi julgado procedente o lançamento da multa isolada no valor de R$ 12.726.462,94, com juros de mora. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO É o procedente o lançamento para cobrança de multa isolada quando a compensação não for homologada. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário (e fls. 110 a 122), reiterando os fatos alegados em sua impugnação, requerendo seja cancelado o auto de infração combatido, tendo em vista a inocorrência do fato típico previsto no art. 74, parágrafo. 17 da Lei nº 9.430/96. Requereu ainda, que no caso de entender esta Colenda Turma, que houve a ocorrência do fato típico ensejador da multa, que a incidência de juros de mora tenha como marco inicial o trânsito em julgado da decisão de "não homologação das compensações" objeto do processo administrativo nº 16682.720821/201135, uma vez que somente neste momento a mora pode ser considerada como configurada. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 191 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto em face de v. acórdão exarado pela DRJ de origem no processo administrativo nº 16682.720560/201404, que tramita em apenso ao processo administrativo nº 16682.720821/201135, já julgado por esta C. Turma, com decisão que indeferiu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Tendo em vista o indeferimento do direito creditório, a DRF de origem lançou a multa isolada prevista no art. 74, da Lei 9.430/96 tendo em conta a não homologação das compensações declaradas nas DCOMP nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680, objeto do processo principal acima indicado. Apresentada impugnação, a 5ª Turma da DRJ/RJO, através do v. acórdão 12 71.446, manteve o lançamento da multa isolada, de tal forma que o contribuinte apresentou o recurso voluntário ora em exame. Em síntese, defende a Recorrente que o simples fato de ter apresentado manifestação de inconformidade no processo principal impediria a lavratura de auto de infração e constituição de crédito tributário de multa isolada, uma vez que o recurso em questão (no processo principal) teria efeito suspensivo e, desta forma, o “fato gerador” da multa isolada – não homologação de compensação – ainda não seria definitivo e, desta forma, não haveria fundamento jurídico para a autuação. Em suas palavras “não há como admitir como existente uma ‘não homologação’ sem que exista uma decisão produzindo seus inerentes efeitos”. Adicionalmente, a Recorrente defende que a incidência de juros de mora, sobre a multa isolada constituída, só poderia incidir após o trânsito em julgado do processo principal de compensação. Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo. Neste ponto, valhome de cuidadosa análise realizada pelo I. colega Cons. Marco Rogério Borges, manifestada por ocasião do julgamento do processo 10805.720916/201309, nesta mesma Turma Julgadora, ocorrido na sessão de Maio de 2018. O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação atual assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 195DF CARF MF 6 (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade, que leva para outro enquadramento legal. A redação imediatamente anterior, com a redação promovida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do § 17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16 imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Notese que com esta alteração ocorrida no § 17 com a MP 656/2014 (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudouse a apuração da base de cálculo da multa isolada antes era sobre o crédito pleiteado, e passou para o débito objeto da declaração de compensação. Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 192 7 Transposto estes momentos de alteração legislativa, e já adentrando na análise meritória envolvida e necessária, há que se observar que o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. 1 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 197DF CARF MF 8 Analisando todo o contexto histórico jurídicoadministrativo para a construção do comando normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 , há que se ressaltar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido, pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de petição envolvido é querer limitar o seu alcance quando da apresentação, pois isso extravasa um mero pedido. Ademais, não há nenhuma coibição ao direito de petição envolvido, pois eventuais erros ocorridos no seu pleito, poderão ser sanados no transcorrer da discussão do processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente ocorre no âmbito administrativo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalhado pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 193 9 penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada, pelo conjunto de efeitos jurídicos envolvidos na sua apresentação além de meramente ressuscitar um débito que se presumia extinto de quando da sua extinção. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos erga omnes perante a esta Corte Administrativa. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. No caso concreto, o processo principal nº 16682.720821/201135 restou julgado em 20 de junho de 2017, cuja decisão restou materializada no v. acórdão nº 1402 002.601, de minha relatoria, no qual restou reconhecida a inexistência de saldo negativo de CSLL adicional apurado pelo contribuinte, não sendo homologadas as compensações Fl. 199DF CARF MF 10 declaradas nas DCOMP’s nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680. Não há que se falar, então, em óbices à constituição do crédito tributário, ou seja, ao lançamento da multa isolada, a qual difere da exigibilidade, da cobrança da penalidade, que de fato só deverá ocorrer com a definitividade da decisão administrativa exarada no processo principal nº 16682.720821/201135. O outro ponto de insurgência da Recorrente é quanto à incidência de juros de mora sobre a multa isolada constituída. Analisando o auto de infração de p. 22 a 28, verificase que não ocorreu, no lançamento da multa isolada, a incidência de juros de mora com base na Taxa Selic. A incidência dos juros de mora, no caso concreto, como bem disposto pela DRJ no v. acórdão recorrido, está disciplinada pelo parágrafo único, do art. 43, da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não se pode falar em vencimento do crédito tributário correspondente exclusivamente à multa isolada, como no caso concreto, antes de encerrado o processo administrativo principal, no qual se discutiu o despacho decisório não homologatório das compensações declaradas, justamente pela suspensão prevista no já citado §18, do art. 74, da Lei 9.430/96. Contudo, uma vez que o contribuinte seja notificado da decisão e intimado para a realização do pagamento da multa isolada constituída, não o fazendo no prazo estipulado para o vencimento, passará o crédito tributário então a estar sujeito à incidência dos juros de mora. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo íntegro o crédito tributário constituído e a r. decisão de primeira instância. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 194 11 Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.906498/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação.
Numero da decisão: 3302-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 64 98 /2 01 1- 31 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Atlas Veículos Ltda. contra Acórdão de nº. 01.25974, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) – DRJ/BEL, assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem o contribuinte apresentou DCOMP (fls 2 a 8) objetivando a compensação de supostos créditos de PIS NãoCumulativo relativos ao 1º trimestre de 2006 com débito de CSLL de abril de 2008, tendo por base legal de seu pedido o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O despacho decisório da fl. 12 não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação. A contribuinte se insurgiu contra a não homologação aduzindo, em manifestação de inconformidade, além das alegações de ausência de fundamentação e cerceamento de defesa, que desde o advento da Lei n. 10.865/04 que alterou as Lei 10.637/02 e 10.833/03 , as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação classificada legalmente de monofásica para efeitos de apuração do PIS e da COFINS passaram a ser submetidas à sistemática da nãocumulatividade, o que, combinado com o disposto no artigo 17 da lei nº. 11.033/04, autorizaria a manutenção pelo revendedor dos créditos decorrentes da venda com suspensão, isenção, alíquota 0 ou nãoincidência. Em suma, entende que, com base no que dispõe o art. 17, da Lei 11.033/04, o atacadista ou varejista de qualquer produto sujeito incidência dita monofásica, bem como a incidência nãocumulativa, teria o direito ao crédito relativo à venda de produto com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. Ainda em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alega que impedir a manutenção do crédito fere o princípio da igualdade vez que impõe a contribuinte em mesma situação tratamento diverso (colaciona soluções de consulta). Para ele, a venda, ainda que sujeita a alíquota zero, deve ser entendida como tributada, mantendose o direito ao crédito. Vejamos. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 85 3 “Embora à alíquota 0%, os distribuidores, ..., estão sujeitos, sim, à tributação pelo PIS/CONFINS ... sua apuração... não são monofásicas, porque não há única incidência na origem da cadeia de circulação interna das mercadorias... o que há, (e isto é certo), é uma cadeia plurifásica de incidência tributária, na qual a legislação determinou que a alíquota de determinados contribuintes é majorada e as alíquotas aplicáveis a outros contribuintes é 0%. ” Sustenta ainda que somente os regimes previstos nas Lei 11.116/2005 (biodiesel) e na Lei 10.560/2002 (querosene de aviação) podem ser considerados monofásicos, todos os demais, inclusive os da Lei 10.485/2002 (automóveis e autopeças), se submetem ao regime de tributação plurifásico, não sendo possível a eles aplicar a restrição contida no art. 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003. Em síntese, a DRJ/BEL não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que o artigo 17 da Lei nº 11.033 de 2004 não revogou a proibição de creditamento constante no art. 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003 que veda a manutenção de créditos em relação ao valor dos bens adquiridos para revenda enquadrados no regime monofásico , mas tão somente assegurou o direito aos créditos de PIS e COFINS nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS quando não houver vedação específica para tanto. A DRJ/BEL entendeu, ainda, não deter competência para apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos. No que diz respeito as Soluções de Consulta sustenta que estas não constituem normas complementares do Direito Tributário, sendo assim, não se aplicam a outros casos além dos que a elas foram submetidos. Entendeu, ainda, com base na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, que o artigo 17 da Lei n. 11.033/04 não alcança a manutenção de créditos cuja aquisição a lei veda (3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.637/2002). Em seu recurso voluntário o contribuinte ratifica alegações iniciais e sustenta que o fisco não pode negar direito expresso em lei com base apenas na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade e, portanto, passo a analisálo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 86 4 1 Da tributação monofásica e da nãocumulatividade. O princípio da nãocumulatividade, como sabido por qualquer neófito em direito tributário, consiste em deduzir, em cada nova etapa de comercialização, os valores debitados na etapa anterior, evitando assim o acúmulo da carga tributária e o encarecimento demasiado dos produtos em razão da exação. Cabe esclarecer ainda, que nos casos envolvendo tributos monofásicos há uma única exação tributária durante toda a cadeia produtiva, inexistindo pagamento do tributo nas demais fases. Ou seja, a indústria recolhe todo o tributo devido e os revendedores, atacadistas ou varejistas, ficam dispensados de novo recolhimento. Na revenda de produtos com tributação monofásica não são gerados novos débitos ao comerciante, pois o recolhimento efetuado na etapa anterior foi concentrado (maior), compensandose tal excesso mediante a desoneração das etapas subseqüentes. Destarte, é evidente que a tributação monofásica constituise em espécie de regime não cumulativo, vez que tal sistemática impede que se acumulem débitos ao longo das etapas de produção e comercialização, servindo ao mesmo propósito daqueles regimes em que há sucessivos débitos com aproveitamento de créditos das etapas anteriores. O mesmo se aplica à substituição tributária, que também impede os efeitos da cumulação da exação tributária, concentrando a arrecadação em uma etapa e desonerando as demais. Ademais, além de impedir o acumulo da tributação ao longo da cadeia produtiva, a tributação monofásica cumpre importante papel no combate a sonegação, pois possibilita ao fisco garantir a arrecadação prevista em lei mediante o acompanhamento de numero menor de contribuintes, incorrendo, portanto, em custos menores na atividade fiscalizatória e atendendo aos princípios da eficiência e da economicidade. Assim, urge aclarar que eventual vedação ao direito de crédito às etapas subseqüentes àquela em que ocorreu a tributação concentrada, não constitui afronta ao princípio da nãocumulatividade. Ao contrário, consagrao. 2 Da vedação legal específica ao creditamento pela aquisição de veículos para revenda. Alegando apurar as contribuições ao PIS e a COFINS em regime de não cumulatividade, pretende a recorrente utilizarse de supostos créditos decorrentes da aquisição de veículos automotores para revenda, com supedâneo no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, c/c o art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Em análise superficial, as alegações do Recorrente poderiam até se aperfeiçoar plausíveis. Ocorre, entretanto, que como dito alhures, a tributação monofásica assim entendida aquela que ocorre de modo concentrado em uma etapa da cadeia de comercialização e desonera as etapas subsequentes é espécie que serve ao princípio da não cumulatividade, não se podendo aplicála concomitantemente com outra espécie de apuração não cumulativa, qual seja, aquela em que os débitos de cada etapa podem ser aproveitados como crédito nas etapas subsequentes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 87 5 Ora, se o objetivo da não cumulatividade é, com o perdão da repetição, impedir que se acumulem exações do mesmo tributo sobre o mesmo produto ao longo da cadeia de produção e comercialização, este pode ser alcançado mediante a concentração em uma etapa e desoneração do restante da cadeia, ou mediante a dedução do montante debitado na etapa anterior do que será debitado na etapa seguinte. Observase, entretanto, que pretender utilizar somente os bônus de cada uma das espécies da não cumulatividade mencionadas sem suportar o ônus correspondente, além de desproporcional e ilógico, foi expressamente vedado pelo legislador, conforme se demonstrará adiante. Na prática, o que pretende o recorrente é creditarse das contribuições ao PIS e COFINS pela compra de veículos automotores e, ao mesmo tempo, deixar de se debitar dessas contribuições quando da revenda de tais veículos. Ou seja, para cada veículo revendido, pretende o recorrente receber do governo federal o que anteriormente foi recolhido pelo fabricante a título de PIS e COFINS, retirando totalmente do erário o produto da arrecadação obtida. Noutras palavras, tentando se albergar sob o manto da não comutatividade, pretende o contribuinte que a Fazenda Nacional lhe remunere pela revenda dos veículos. Não há como prosperar tal pretensão, expressamente vedada pelo disposto no art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, in verbis. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Verificase que o legislador excetuou do direito ao crédito a compra para revenda das mercadorias ou produtos previstos nos incisos dos §§ 1º e 1ºA do art. 2º das referidas leis. E é no inciso III, do §1º, do art. 2º que figuram os veículos automotores, comercializados pela recorrente. Art. 2o ... ... § 1o ... III ... máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; Portanto, quis o legislador vedar especificamente o crédito de PIS e COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, não cabendo qualquer interpretação em sentido diverso. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 88 6 O art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não se aplica a hipótese em análise, haja vista não ter revogado a proibição de creditamento constante no art. 3º, I, “b”, das leis do PIS e COFINS não cumulativos, mas apenas assegurado o direito aos créditos de tais contribuições sobre as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, nos casos em que a não cumulatividade se operar pela forma tradicional, ou seja, quando não for o caso de produtos sujeitos à substituição tributária ou à tributação monofásica. Em suma, a tributação monofásica imposta ao contribuinte é incompatível com o creditamento por expressa vedação legal, sendo assim, inexiste crédito a ser compensado. No mesmo sentido já decidiu esta turma no acórdão de nº 3302005.113 (Sorana Comercial e Importadora Ltda), da lavra do ilustre conselheiro José Renato Pereira de Deus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 89 7 instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. Assim, tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/961, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, e sendo o credito pleiteado expressamente vedado por Lei, não há como sustentar a sua certeza, comprometendo, por via de conseqüência, a compensação declarada. Por ser a compensação de tributos, basicamente, um encontro de contas em que cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do que dispõe o artigo 74, da Lei 9.430/96, e art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida, uma vez comprovada a insubsistência do direito creditório, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção da decisão recorrida. A fim de dirimir qualquer dúvida que paire sobre o assunto, colhese o seguinte precedente do STJ que corrobora com tal entendimento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. 1 Art. 74. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 90 8 (AgInt no AREsp 1109354/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2017, DJe 15/09/2017) 3 Da suposta autorização de crédito por programas da Receita Federal. No que concerne a alegação de que os próprios programas da Receita Federal autorizam o crédito, devese trazer à lume que tais aplicativos (Dacon e Per/Dcomp) servem ao registro e transmissão dos dados e informações dos contribuintes em geral, e não somente aos submetidos à tributação monofásica, razão pela qual possuem fichas e campos aplicáveis à todas as situações de creditamento previstas na legislação, e não somente às aplicáveis aos contribuintes do mesmo ramo da recorrente. Somente a lei pode conceder créditos tributários, devendo os softwares desenvolvidos para auxiliar no registro, controle e fiscalização dos tributos, dispor de campos necessários à correta identificação e vinculação de cada registro ao fundamento legal que o sustenta, cabendo ao sujeito passivo utilizarse dos campos e formulários adequados à apuração por ele realizada e sujeita a homologação, na forma do art. 150 do CTN. Assim, não merece prosperar alegação de que a simples existência de um campo ou uma ficha nos programas utilizados para a geração e transmissão de obrigações acessórias faz nascer o direito creditório. 4 Da Ilegalidade/Inconstitucionalidade da Portaria Nº 594, de 26 de dezembro de 2005. Por fim, insurgese a recorrente contra a Portaria nº 594, de 26 de dezembro de 2005, utilizada pela DRJ na complementação da fundamentação do acórdão recorrido, alegando que a mesma introduz vedação ao crédito em flagrante ofensa ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Consoante ao já exposto, a vedação ao crédito pretendido pelo contribuinte está expressamente prevista em lei2, não constituindo inovação da referida Portaria e não se podendo cogitar sua ilegalidade por tal motivo. Quanto a alegação de inconstitucionalidade, imperioso lembrar o que dispõe a Súmula nº 2 deste tribunal, vejamos: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ” Sendo assim, não há o que manifestar, tendo em vista a ausência de competência deste órgão para apreciar tal alegação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 91 9 Diego Weis Junior Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001678/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS. OMISSÃO.
Constatada a omissão apontada em sede de Embargos de Declaração, deve-se promover sua imediata correção.
LANÇAMENTO. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Não configura mácula ao Auto de Infração o cometimento, por parte da Autoridade lançadora, de erros de escrita ou de indicação de datas que não afetem a essência do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 2201-004.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando os vícios apontados, sem efeitos infringentes, negar provimento aos argumentos recursais relacionados às omissões identificadas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Constatada a omissão apontada em sede de Embargos de Declaração, deve-se promover sua imediata correção. LANÇAMENTO. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não configura mácula ao Auto de Infração o cometimento, por parte da Autoridade lançadora, de erros de escrita ou de indicação de datas que não afetem a essência do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando os vícios apontados, sem efeitos infringentes, negar provimento aos argumentos recursais relacionados às omissões identificadas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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OMISSÃO. Constatada a omissão apontada em sede de Embargos de Declaração, devese promover sua imediata correção. LANÇAMENTO. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não configura mácula ao Auto de Infração o cometimento, por parte da Autoridade lançadora, de erros de escrita ou de indicação de datas que não afetem a essência do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando os vícios apontados, sem efeitos infringentes, negar provimento aos argumentos recursais relacionados às omissões identificadas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 78 /2 00 5- 41 Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.218 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração propostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 2201003.076, fl. 1.159 a 1.175, exarado em 13 de abril de 2016, pela 1ª Turma Ordinária da, 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa e dispositivo restaram assim transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. PROVAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Além do mais, não tendo o suplicante logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PENALIDADE MANTIDA. A falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da auditoria fiscal enseja o agravamento da penalidade aplicada. Reiterados pedidos de dilação de prazo, sem que ao final dos prazos prorrogados sejam apresentados os esclarecimentos solicitados, não caracterizam atendimento de intimação. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.219 3 (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para incluir na planilha de APD o valor de R$ 110.000,00 em 07/02/2002, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial para também excluir da planilha de dispêndios do APD as transferências ao exterior, além de reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Cientificado do Acórdão em tela em 08 de julho de 2016, fl. 1.183, tempestivamente, o contribuinte autuado apresentou os Embargos de Declaração 1.189/1.194 apontando o que classificou como omissões e obscuridades. No Despacho de fls. 1.211/1.216, o Presidente da 1ª Turma Ordinária, da Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, no uso de suas atribuições regimentais, após avaliar os vícios apontados pelo embargante, assim se manifestou: a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 Alegase que na impugnação foi pleiteada a exclusão do valor de R$ 107.282,00, em razão da quantia não se relacionar a qualquer movimentação mencionada na acusação fiscal. No acórdão da DRJ, sustenta a embargante, o voto do Relator manifestouse no sentido de que o fisco teria se equivocado ao indicar tal quantia no mês de junho, posto que o valor estaria relacionado a remessas efetuadas no mês de julho. Todavia, o valor foi mantido, ao argumento de que não haveria prejuízo ao contribuinte, uma vez que em ambos os meses houve APD. O embargante assevera que no seu recurso argumentou que não seria possível que uma autuação fiscal baseada em determinado fato, devidamente impugnado, ser mantida com base em outro fato, sem a oitiva do sujeito passivo. Afirma que o Relator no julgamento do CARF não enfrentou essa alegação, por entender que os rendimentos recebidos no exterior não configurariam acréscimo patrimonial. Todavia, o Redator Designado simplesmente entendeu que os recebimentos no exterior deveriam ser tratados como acréscimo patrimonial, deixando de enfrentar as alegações específicas do recurso voluntário relacionadas ao valor de R$ 107.282,00, de junho de 2000. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.220 4 Vejamos. De fato, apreciando o voto condutor do acórdão embargado, de lavra do I. Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, não localizamos o enfrentamento dessa questão. Entendemos que este é um argumento autônomo e relevante que não foi analisado na decisão, o que atrai a aplicação do "caput" do art. 65 do RICARF. Nesse sentido, deve ser acolhida a alegada omissão quanto a esse ponto. b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC Segundo o embargante, na impugnação foi pleiteada a exclusão de supostos valores originados de conta mantida no HSBC, posto que nunca teria mantido conta naquela instituição. A DRJ entendeu que a indicação do HSBC decorreu de equívoco cometido pela autoridade fiscal, uma vez que os valores se referem à conta corrente mantida no Banco Real. Malgrado o erro, o órgão de primeira instância entendeu que não haveria de se alterar o lançamento, posto que a situação retratada não acarretou em prejuízo ao sujeito passivo, haja vista que os valores envolvidos eram de fato de sua titularidade. O embargante afirma que recorreu desse entendimento, sob o argumento de que o lançamento regularmente notificado e impugnado não poderia ter seus fatos alterados sem a oitiva do sujeito passivo. Alega que não houve manifestação sobre esse argumento nem por parte do Relator, tampouco pelo Redator Designado. Também nessa questão, que entendemos relevante, pois se aceita a tese do sujeito passivo o lançamento seria modificado, não houve manifestação no acórdão recorrido. Assim, por ser ponto sobre o qual a turma deveria se manifestar, a falta de seu enfrentamento representa mácula sanável pela via dos embargos. Merece portanto acolhimento a alegação de omissão quanto a essa matéria. c) obscuridade 1 falta de correlação entre o laudo pericial e os dados do embargante Sobre essa questão o embargante aduziu: Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.221 5 Quanto a essa suposta obscuridade não devemos acatála. É que a questão foi enfrentada conforme reconhece o próprio embargante. Nesse sentido, o inconformismo expresso nos aclaratórios referese a avaliação probatória. Nos termos do art. 65 do RICARF esse tipo de discordância não dá margem ao manejo dos embargos declaratórios, motivo pelo qual não há de se acolher esta mácula. d) falta de indicação das folhas onde estaria a comprovação da existência de mídias eletrônicas que atestariam as movimentações financeiras do embargante no exterior O embargante alega que no aresto embargado não se indicou as folhas do processo onde estariam as mídias computacionais apresentadas pela Promotoria do Distrito de Nova York abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC, nas quais o nome do ora embargante estaria acompanhado do endereço indicado nas suas declarações para a RFB. E aduz ainda: Vejamos o que falou o voto do Redator Designado sobre tal questão: "Os documentos e/ou informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificando as remessas efetuadas pelo contribuinte por meio da mencionada subconta ELEVEN, mantida ou administrada por “Beacon Hill Service Corporation BHSC”, com os quais embasou o Laudo Pericial, fls. 130 a 140, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Com efeito, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Registrese, ainda, que o nome do recorrente relacionado nas mídias está acompanhado de endereço, que coincide com o indicado em suas Declarações de Ajuste Anual. Ademais, até prove em contrário, o contribuinte não possui homônimos, razão pela qual considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.222 6 consciente ou inconscientemente, quanto ao nome da contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Portanto, neste ponto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal." Com todas as vênias, não há obscuridade a ser reconhecida. No voto acima vêse claramente que as conclusões foram adotadas com base no Laudo Pericial de fls. 130/140, no qual se analisou uma série de evidências que indicariam a existência de remessas em nome do sujeito passivo, inclusive as mencionadas mídias eletrônicas. Assim, a falta de indicação da numeração das citadas mídias parecenos despicienda já que a referência às mesmas é feito no próprio Laudo Pericial, este perfeitamente identificado. Destarte, devese admitir os embargos apenas parcialmente, de modo que o processo retorne ao colegiado para que se pronuncie sobre as matérias (a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 e (b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC. E o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 1.211/1.216. a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 Alega o embargante que, na impugnação, pleiteou a exclusão, do APD, do valor de R$ 107.282,00, referente ao mês de junho de 2000, sob o argumento de que tal quantia não se relacionava com qualquer outro fato do processo, provado ou não provado pela autoridade fiscal. Ao se debruçar sobre o tema, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, fl. 1.096: Contudo, não resta razão ao interessado, haja vista que a supracitada quantia tratase do somatório da remessa no valor de US$ 50.000,00 (R$ 89.454,00) em 25/07/00 e US$ 10.000,00 (R$ 17.828,00) em 28/07/00, fls 127 e 128. Ocorre que o fiscal equivocouse e inseriu o montante de R$ 107.282,00 no mês de junho, quando na verdade valor referese ao mês de julho Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.223 7 Todavia, não obstante este lapso, não houve qualquer prejuízo ao interessado, tendo em vista que tanto no mês de junho quanto no mês de julho do ano de 2000, foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto. Então, o fato do mencionado valor ter sido alocado ao mês de junho, em nada altera o valor total de acréscimo patrimonial a descoberto apurado para o anocalendário de 2000, ou seja, continuará a existir um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 563.212,69. Sendo assim, não há qualquer alteração a ser implementada, na planilha de cálculo do acréscimo, sob os mencionados argumentos do impugnante. b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC Sustenta o embargante que, em sua impugnação, pleiteou a exclusão, do APD, dos valores originados da conta alegadamente mantida no Banco HSBC, por não possuir qualquer conta neste banco. Ao se debruçar sobre o tema, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, fl. 1.097: Novamente não há como ser acatado o pleito do impugnante. A fiscalização novamente cometeu mero engano, tendo em vista que ao relacionar os dados relativos ao banco Real, redigiu de forma inapropriada o nome do banco como sendo HSBC. É muito simples confirmar que tais valores pertencem na verdade ao banco Real. Para tanto, entre outros elementos, basta observarmos a vasta documentação contida no processo às fls. 239 a 243 e fls. 257 a 262. Além disso, cabe frisar que o autuado também possui a conta nº 20016461 no banco Real. Como exemplo pode ser citada a documentação de fls. 244 a 256, 263 a 280 e 299 a 347. Na verdade no presente caso aconteceu um equívoco de ambas as partes, pois mesmo a fiscalização identificando de forma correta o número da conta no banco Real, ou seja, nº 57007176, o contribuinte, por razão desconhecida, não conseguiu lembrar que o referido número da conta bancária era de sua conta no banco Real. Inclusive, as planilhas de fls. 102 e 103, encaminhadas ao contribuinte, fazem menção ao banco Real. Destarte, não existe nenhum reparo a ser implementado, pois o que vale é a verdade material dos fatos, isso é, os valores lançados pelo Fisco estão corretos, tendo em vista que as contas bancárias utilizadas, para a elaboração do demonstrativo de acréscimo patrimonial, pertencem ao contribuinte. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.224 8 Em seu recurso voluntário, em particular no item 55, fl. 1.122, o contribuinte afirma que não pode ser autuado porque um fato ocorreu em um determinado mês, ou referindose a determinado banco para, no julgamento da impugnação, sem oitiva do recorrente, trocarse o mês e o banco, porque "o que vale é a verdade material dos fatos", reduzindo o Auto de Infração a um instrumento sem qualquer valor, que pode ser modificado conforme bem a autoridade fiscal entender, devendo o contribuinte, para dele se defender, adivinhar o que vai ser entendido. Afirma que, se ao contribuinte foi imputado determinados fatos ocorridos no Banco HSBC ou no mês de junho e esses fatos não existiram, porque teriam como origem o Banco Real e o mês seria julho, ambos devem ser extraídos do Auto de Infração, porque a descrição dos fatos há de corresponder sempre à verdade material sem arremedos. Na análise do recurso voluntário, o então Relator conduziu seu voto pelo provimento parcial, no tema que ainda interessa ao presente voto, excluindo da planilha de dispêndios do APD os valores relativos às remessas efetuadas ao exterior, o que resultaria na perda do objeto da alegação relativa ao valor de R$ 107.282,00 (item "a" dos embargos). Ocorre que a questão restou decidida nos termos do voto vencedor que, embora concluindo pela manutenção da autuação nesta parte, não tratou da questão relativa à alocação do montante despendido em mês diferente do que realmente ocorrido. O embargante apresenta uma versão bastante peculiar do que chama de verdade material, que seria uma espécie de dependência, absoluta e inafastável, da procedência da exigência fiscal a todos os termos e expressões utilizados pela Autoridade autuante. Segundo Celso Antônio Bandeira de Melho, a verdade material: Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial. (BANDEIRA DE MELLO, 2011, p. 306). Neste sentido, inequívoco que a substância dos eventos imputados ao contribuinte autuado não foi, por este, devidamente afastada. Pelo contrário, em vez de procurar comprovar sua inocorrência, prendese o autuado a um argumento frágil de que teria havido alteração do lançamento em sede de julgamento em 1ª Instância sem que fosse devidamente instado a se manifestar. Não houve alteração do lançamento. O que houve foi a constatação de dois simples equívocos cometidos pela autoridade lançadora ao planilhar informações corretas anteriormente coletadas e levadas ao conhecimento do contribuinte. Equivocouse o Fiscal ao indicar que uma aplicação de recursos teria ocorrido no mês de junho/2000, quando, na verdade, a operação teria ocorrido em julho/2000, Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.225 9 mas esse equívoco, no caso em tela, não impacta o montante do tributo devido no período, cuja totalização considera todo o anocalendário em comento. Frisese que tal equívoco se limitou à elaboração da planilha de fl. 96/97, restando evidente, em particular pelo teor da intimação de fl. 28 e dos documentos de fl. 129/130, que a questão foi acertadamente tratada pelo Agente no curso do procedimento fiscal. As mesmas conclusões são aplicáveis ao segundo equivoco identificado, segundo o qual a Fiscalização teria indicado a movimentação de valores no Banco HSBC quando, na verdade, teria sido no Banco Real. Ora, mais uma vez, um erro que não macula a integridade e legalidade do procedimento levado a termo pela Autoridade lançadora e que não exige do administrativo qualquer alteração de forma ou de conteúdo. O Termo de Verificação Fiscal, em fl. 93, é claro ao descrever: Foram solicitados os extratos bancários e os comprovantes de pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques, referentes às contas do contribuinte nos bancos ABN AMRO REAL S/A e CITIBANK N. Embora fosse absolutamente desnecessário citar exemplos, já que a decisão a quo se encarregou de apontálos, em fl. 82 consta, para o ano de 2001, de forma consolidada, a indicação de saldos iniciais e finais tanto da conta mantida no CITIBANK, quanto da conta mantida no Banco Real, sob o número 5.7007176 (vide também fl. 122) mas com o citado equivoco, que foi a indicação do nome HSBC em lugar de Real. Tudo mais está perfeitamente ajustado às provas dos autos, sem efetiva contestação do autuado. Por outro lado, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com algum vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Assim, mesmo considerando os citados equívocos cometidos pelo Agente Fiscal, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo ao recorrente, que, de tudo, foi cientificado e teve plenamente franqueado o direito de formular sua defesa sobre as imputações fiscais. Portanto, não procedem os argumentos da defesa, já que a parte mantida do lançamento é o que foi originalmente lançado, não tendo ocorrido qualquer inovação que importasse mácula à essência do lançamento a que alude o art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN), tampouco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanando as omissões apontadas, negar provimento aos argumentos recursais relacionados à exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 e à exclusão dos valores relacionados ao HSBC (Banco Real). Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.226 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904971/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 71 /2 01 0- 72 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 121 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declarações de compensação –DCOMPs – por meio das quais pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 4º trimestre calendário de 2002, conforme indicado na DCOMP nº 00677.72982.290905.1.3.016054 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951168 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$118.287,81 Valor do crédito reconhecido: R$215,68 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 141 3 O crédito reconhecido rol Insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária). 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 142DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 142 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 144DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 143 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 146DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configuram a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 144 9 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
