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Numero do processo: 10680.907251/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 72 51 /2 00 8- 24 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.907251/200824 Acórdão n.º 1001000.635 S1C0T1 Fl. 93 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte /MG, mediante o Acórdão nº 0224.721, de 02/12/2009 (efls. 64/67), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto com a conclusão do voto condutor. Transcrevo a seguir: O recolhimento efetuado por meio do DARF indicado no PER/DCOMP analisado não constitui crédito passível de compensação, uma vez que totalmente utilizado para quitar débito confessado de mesmo valor, cuja inexistência ou inexatidão o impugnante não logra comprovar. É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica. O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 24/05/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 72, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 01/07/2010 (efl. 74/76), conforme carimbo aposto à e.fl. 74, alegando, em suma, o seguinte: Que a empresa exerce uma atividade hospitalar, desta forma a Lei 11.727/2008, em seu artigo 29, que alterou o artigo 15 da Lei n° 9.249/1995, estabelece a base de calculo do IRPJ será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. Como utilizou o percentual de 32%, requer o reconhecimento do direito creditório da quantia paga à maior. É o Relatório. Voto Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.907251/200824 Acórdão n.º 1001000.635 S1C0T1 Fl. 94 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 24/05/2010 (segundafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na terçafeira, dia 25/05/2010. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de 30 (trinta) dias, ou seja, em 23/06/2010 (quartafeira), mas o recurso voluntário somente foi apresentado em 01/07/2010, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720852/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. LANÇAMENTO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO.
Comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, necessário se faz a correção da base de cálculo do lançamento.
REVERSÃO DE PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. CUSTO COMPROVADO.
Mantém-se a exigência fiscal relativa à exclusão das reversões de provisões indedutíveis, quando não ficar comprovado que tais valores foram efetivamente creditados em conta de resultado. A reversão e baixa da provisão de perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. Trata-se de efetiva perda. E os negócios foram realizados dentro da realidade negocial da atividade da Recorrente.
GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO E REQUISITOS LEGAIS.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem. Somente são dedutíveis as despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida.
Numero da decisão: 1401-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer como devida a correção da DIPJ/2012, relativa às adições indevidas de variações cambiais passivas. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para exonerar do lançamento tão somente a glosa de exclusão relativa à provisão para perdas decorrente do adiantamento a fornecedores de cana. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Cláudio de Andrade Camerano. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. LANÇAMENTO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, necessário se faz a correção da base de cálculo do lançamento. REVERSÃO DE PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. CUSTO COMPROVADO. Mantém-se a exigência fiscal relativa à exclusão das reversões de provisões indedutíveis, quando não ficar comprovado que tais valores foram efetivamente creditados em conta de resultado. A reversão e baixa da provisão de perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. Trata-se de efetiva perda. E os negócios foram realizados dentro da realidade negocial da atividade da Recorrente. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO E REQUISITOS LEGAIS. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem. Somente são dedutíveis as despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-17T14:00:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-17T13:56:51Z; Last-Modified: 2018-07-17T14:00:39Z; dcterms:modified: 2018-07-17T14:00:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ee476e87-ae6e-45b6-81b6-0606bda27582; Last-Save-Date: 2018-07-17T14:00:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-17T14:00:39Z; meta:save-date: 2018-07-17T14:00:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-17T14:00:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-17T13:56:51Z; created: 2018-07-17T13:56:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 60; Creation-Date: 2018-07-17T13:56:51Z; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-17T13:56:51Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.402 1 3.401 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720852/201611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.649 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente RENUKA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. LANÇAMENTO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, necessário se faz a correção da base de cálculo do lançamento. REVERSÃO DE PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. CUSTO COMPROVADO. Mantémse a exigência fiscal relativa à exclusão das reversões de provisões indedutíveis, quando não ficar comprovado que tais valores foram efetivamente creditados em conta de resultado. A reversão e baixa da provisão de perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. Tratase de efetiva perda. E os negócios foram realizados dentro da realidade negocial da atividade da Recorrente. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO E REQUISITOS LEGAIS. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem. Somente são dedutíveis as despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 08 52 /2 01 6- 11 Fl. 3402DF CARF MF 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer como devida a correção da DIPJ/2012, relativa às adições indevidas de variações cambiais passivas. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para exonerar do lançamento tão somente a glosa de exclusão relativa à provisão para perdas decorrente do adiantamento a fornecedores de cana. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Cláudio de Andrade Camerano. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da Contribuinte (v. efls. 3.346/3.387) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (v. efls. 3.298/3.324) que manteve parcialmente as autuações lavradas contra a Recorrente, referentes ao IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.403 3 75%, multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e juros de mora, relativos ao ano calendário de 2011. Segundo o Termo de Constatação Fiscal de efls. 2.127/2.173, o procedimento fiscal teve por objeto a verificação dos ajustes ao lucro líquido na apuração do lucro real, tendo sido apontadas as seguintes infrações: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS; 2) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO COMPROVADAS – REEMBOLSOS; 3) AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL RECONHECIDO A MENOR; 4) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDAS – ADIANTAMENTO A FORNECEDORES DE CANA; 5) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDA DE ESTOQUE; 6) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO CONTRIBUIÇÃO SINDICAL; 7) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – OUTRAS EXCLUSÕES; 8) MULTA OU JUROS ISOLADOS: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA; 9) REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO – RTT: AJUSTE DE RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE – AJUSTE A MENOR; Vamos tratar cada uma das infrações, individualizadamente, relatando os argumentos utilizados pela Fiscalização para a constituição do respectivo crédito tributário e, em contraponto, as alegações da Contribuinte para rechaçar o lançamento. Para tanto, vamos nos utilizar, em boa medida, do Relatório da decisão recorrida (v. efls. 3.299/3.326), que bem resume os fatos apontados pela Autoridade Fiscal. 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS; Fl. 3404DF CARF MF 4 2) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO COMPROVADAS – REEMBOLSOS; Segundo a Autoridade Fiscal, o sujeito passivo demonstrou a apuração de suas despesas na ficha 05D Despesas Operacionais, chamando a atenção o expressivo valor do montante incluído na linha 34 Outras Despesas Operacionais (R$ 29.359.944,35), particularmente considerando o total apurado naquela ficha (R$81.168.924,93). Intimado a apresentar as contas que compuseram o total informado na linha 34 da ficha 05D da DIPJ 2012, o sujeito passivo apresentou memória de cálculo que se mostrou divergente das informações constantes da declaração. Foram demandados novos esclarecimentos ao sujeito passivo, que os apresentou, contudo, ainda com inconsistências. Por fim, apresentou memória de cálculo na qual reconheceu erro no preenchimento da ficha 05D, pois parte do valor considerado na linha 34 deveria ser incluída na linha 22 da mesma ficha, pois se tratava de encargo de depreciação (que possui linha própria, precisamente a linha 22). Embora tenha logrado esclarecer o excessivo valor informado da linha 34, o exame dos valores escriturados nas demais contas revelou que o sujeito passivo considerou dedutíveis diversas despesas que efetuou por mera liberalidade e outras que não podem ser consideradas dedutíveis por não estarem suportadas por documentos hábeis e idôneos. As primeiras delas são as despesas com reembolsos (R$ 221.250,20), escrituradas nas contas 4.2.1.02.10.350 QUILOMETRAGEM; 6.1.1.04.10.290 QUILOMETRAGEM; 4.2.1.02.10.430 VIAGENS E ESTADIAS; 6.1.1.04.10.390 VIAGENS E ESTADIAS; 4.2.1.02.10.170 VALE ALIMENTAÇÃO; 4.2.1.01.10.160 ALIMENTAÇÃO; 4.2.1.02.10.060 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; 4.2.1.02.10.080 COMUNICAÇÕES; 4.2.1.02.10.100 CORREIOS E TELÉGRAFOS; e 4.2.1.02.10.021 LOCAÇÃO DE MÁQUINAS/VEÍCULOS E EQUIP, onde o sujeito passivo apropriou diversas despesas comprovadas mediante notas de débitos. Essas despesas corresponderam a valores incorridos por seus prestadores de serviços (consultorias e outros) que foram repassados para a fiscalizada sem que o valor fosse incluído no preço serviço, portanto, foram pagos a título de reembolso. Nos dizeres da Autoridade Fiscal, a receita do prestador de serviço deve corresponder à despesa suportada pelo tomador do serviço, contudo, no caso em apreço, essa relação estaria distorcida, pois se o prestador reduziu sua receita mediante o artifício do recebimento através de reembolsos, de outro lado a tomadora pretende deduzir essas despesas comprovandoas por meio de "nota de débito" como se fossem despesas de sua operação, quando, em verdade, são valores que deveriam ser suportados pelo prestador de serviços. E ainda, constatou que os documentos apresentados não apresentam coerência entre si, pois os valores são cobrados via boleto bancário no qual se identifica como sacado a Renuka do Brasil S/A, contudo, no detalhamento do valor de R$ 23.361,09 (que compõe o total de R$ 29.408,87 cobrado no boleto bancário juntamente com parcela de R$ 6.047,78) do qual se retirou o valor de R$ 12.104,90, questionado pela fiscalização aponta como cliente a Shree Renuka do Brasil Participações Ltda enquanto o detalhamento dos R$ 6.047,78 aponta como cliente a Renuka do Brasil S/A, ou seja, num mesmo boleto, existem cobranças relativas a duas empresas diferentes, sendo que o valor questionado pela fiscalização sequer se trata de despesa da fiscalizada. Ademais, a empresa escritura despesas que sequer dizem respeito a sua atividade, mas se trata, sim, de um ativo pertencente às empresas agropecuárias ligadas ao grupo ao qual pertence a tomadora do serviço. Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.404 5 E mais, as despesas reembolsadas não foram provadas com documentos fiscais que contenham elementos que permitam vincular o adquirente e o vendedor. Outro grupo de despesas glosado pela Fiscalização diz respeito a encargos de responsabilidade de terceiros ou não necessárias, escriturados na conta nº 4.2.1.02.10.400 – TAXAS DIVERSAS (R$387.202,95). A Fiscalização fundamenta a glosa na afirmação de que algumas das despesas escrituradas nessa conta estão relacionadas às atividades relacionadas a outras empresas do grupo ou não são despesas necessárias à manutenção da fonte produtiva. Dentre as despesas com essa característica está o pagamento feito à CETESB em razão da queima de palha de canadeaçúcar em diversas fazendas cuja produção é feita por empresas agropecuárias pertencentes ao grupo da Renuka do Brasil S/A. Desse modo, as taxas exigidas pela legislação estadual não devem ser suportadas pela empresa que apenas compra o produto da lavoura de canadeaçúcar. As taxas de queima de palha são de obrigação de quem efetua a colheita, tarefa que não compete à fiscalizada, razão pela qual as taxas para tal fim apropriadas ao resultado não podem ser consideradas dedutíveis. Nesse sentido, o valor de R$ 40.309,50 pago à CETESB correspondente à NF 4715209 liquidado mediante depósito bancário em 06/04/2011 , deve ser considerado indedutível uma vez que se trata de despesa não relacionada à atividade executada pela empresa sob fiscalização. O segundo item de despesa glosado por desnecessidade diz respeito a encargos suportados por acordos firmados com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêutica e da Fabricação de Álcool Bioetanol e Biocombustível de Araçatuba e Região em razão dos quais foram pagos R$ 99.660,00. Há mais um suposto acordo com o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Lins, em razão do qual foram pagos R$ 48.000,00. No primeiro acordo feito com o Sindicato dos Trabalhadores tomaram parte a Renuka do Brasil S/A e a Revati S/A – Açúcar e Álcool. Segundo esse acordo, as empresas se comprometiam a pagar R$ 60,00 por funcionário integrante da categoria vinculada ao sindicato dos trabalhadores da indústria ligada à produção de biocombustível e açúcar em razão de uma chamada “taxa para o fundo de inclusão social”. Em razão desse acordo foi pago R$ 51.660,00 ao Sindicato (levado a resultado em 01/08/2011). O segundo acordo trata da realização de projetos a cargo do Sindicato com vistas ao aprimoramento do atendimento aos empregados ligados à categoria (não existe detalhe de que tipo seriam esses projetos). Desse segundo contrato também tomaram parte as mesmas empresas mencionadas no primeiro e o valor da contribuição foi fixado em R$48.000,00 (levado a resultado em 11/08/2011). Não foram apresentados documentos relacionados ao pagamento feito em favor do Sindicado dos Condutores de Veículos de Lins contabilizados por R$ 48.000,00 (também levado a resultado em 11/08/2011). (...) É evidente que as empresas são livres para fazer acordos com os sindicatos de empregados para alguma melhoria de interesse de seus funcionários, contudo, os pagamentos feitos em razão de acordos realizados por mera liberalidade da empresa não correspondem a obrigações legais, portanto, não são dispêndios necessário à formação do resultado. Em vista do exposto, é seguro afirmar a contribuição com um 'fundo de inclusão social" do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêutica e da Fl. 3406DF CARF MF 6 Fabricação de Álcool Bioetanol e Biocombustível de Araçatuba e Região deve ser considerada indedutível para fins de apuração do lucro real, ou seja, tratase de despesa que deveria ser adicionada ao resultado do período. O terceiro grupo de despesas glosado referese a contas designadas de “Formação de Pessoal”, escrituradas sob os nsº 4.2.1.01.10.220; 4.2.1.03.10.220 4.2.1.04.10.027; e 6.1.1.01.10.210. A partir dessas contas foi levado a resultado um total de R$275.032,05 (64.593,38 + 6.814,50 + 107.917,91 + 95.706,26). Atendendo à intimação Fiscal, o sujeito passivo apresentou diversos documentos (folhas analíticas e telas de sistema) que demonstram que os valores foram pagos através de folha de pagamento, contudo, os beneficiários, os tipos de curso e os critérios de reembolso não foram informados. A legislação do imposto de renda (art. 923 do RIR/99) determina que os valores registrados na contabilidade devem ser suportados por documentos hábeis e idôneos. Se o sujeito passivo não é capaz de comprovar que a despesa levada a resultado é necessária à manutenção da fonte produtiva, essa despesa não pode ser considerada dedutível. O quarto grupo de contas glosado intitulase “AUXÍLIO”, e recebe o nº 4.2.1.04.11.011, onde diversas despesas aparentemente feitas por mera liberalidade. Em relação a essas despesas o sujeito passivo foi intimado a apresentar documentos comprobatórios e esclarecer a necessidade da despesa para a formação do resultado. Inicialmente foram apresentados um extrato bancário (adulterado por tarjas) através do qual se demonstrou a compensação de cheque em valor coincidente com valor aquele escriturado em 01/07/2011 pelo total de R$ 2.757,70 e outros três documentos foram apresentados como comprovantes de transferência nos valores de R$ 2.150,72; R$4.642,87; e R$ 44.750,00. Nenhum documento que comprove a necessidade da despesa e sua relação com a fonte produtora de recursos foi apresentado. A insuficiência de informações em relação a escrita foi relatada ao sujeito passivo através do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal. Novamente, os esclarecimentos apresentados não relacionaram as atividades da empresa com a necessidade das despesas. De acordo com o histórico da escrita fiscal, apenas a título de reembolso de óculos, foram escriturados nessa conta R$ 20.087,60. Outras despesas a título de "auxilio" foram pagas a diversas prefeituras e somaram, durante o ano de 2011, R$ 18.777,44. Das despesas em relação às quais foram requeridos documentos, R$49.392,87 correspondem a despesas da Associação Desportista Classista dos Funcionários do Grupo Equipav, sendo uma das despesas relativa ao pagamento de energia elétrica (R$ 4.642,87) e outra pelo reparo no telhado do prédio da associação (R$ 44.750,00). Outras despesas questionadas estão relacionadas a ajuda prestada a Neci Alves da Silva (identificada como colaboradora) em razão de cirurgia e tratamento a que se submeteu seu filho (R$ 5.685,61) e também pagamento de plano de saúde, como o identificado em nome de José Benedito Moreira (R$ 6.452,16), também despesas médicas que sequer se identificou a pessoa tratada, como no caso do documento fiscal n° 4555, emitido por SMR Serviço Médico e Radiológico de Lins S/C Ltda no valor de R$ 2.820,00 (valor glosado de R$ 3.906,60). Em relação às glosas acima, as alegações da Contribuinte trazidas em seu Recurso Voluntário são cópia das argüições já constantes de sua impugnação. Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.405 7 Segundo a Reccorente, asdespesas glosadas pela fiscalização dizem respeito especificamente a atividades necessárias à atividade da empresa e, por conseguinte, à manutenção da fonte pagadora. Com relação às despesas não comprovadas – reembolsos, o argumento da defesa é de que os pagamentos reembolsados aos prestadores de serviços decorrem do pagamento de despesas específicas, como bem citou a Fiscalização, tais como quilometragem, locação de veículos e etc, não podendo ser considerados inerentes à atividade da empresa de consultoria, muito menos parte de sua RECEITA, uma vez que a empresa de consultoria cobra determinado valor para a realização da sua atividade fim: CONSULTORIA. Os valores pagos pela Impugnante à título de reembolso seriam despesas inerentes à atividade da empresa, ou seja, ao contratar determinada empresa para realização de parecer técnico, por exemplo, a contribuinte dispõese ao ressarcimento dos valores alheios ao cumprimento do contrato firmado, não se tratando de acréscimo patrimonial para a reembolsada. Quanto à comprovação, existiriam muitos julgados do Carf que aceitam a Nota de Débito para comprovação do reembolso de despesas. Salienta, ainda, que a Impugnante é Sociedade Anônima, estando adstrita à Lei n° 6.404/76, de modo que a realização anualmente de auditoria externa da sua escrituração é obrigatória, nos termos do art. 177, § 3o da Lei n° 6.404/76. As empresas de auditoria externa contratadas estão, geralmente, situadas em São Paulo, de modo que o reembolso dos custos com deslocamento dos funcionários para comparecimento na sede da empresa autuada é medida que se impõe, não podendo ser considerados inerentes à atividade da empresa de consultoria, muito menos parte de sua RECEITA. “Dessa forma, ante a inocorrente redução indevida do pagamento de Imposto de Renda e Contribuição social sobre o lucro nos períodos a que se referiam tais despesas, nos quais, ressaltase, não houve redução indevida do recolhimento do imposto (prejuízo fiscal em 2011), respeitandose o disposto no artigo 299 do RIR, requer a Impugnante seja JULGADO TOTALMENTE IMPROCEDENTE O LANÇAMENTO ORA QUESTIONADO.” 3) AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL RECONHECIDO A MENOR Neste ponto, apurou a Fiscalização que a Recorrente teria adicionado valores a menor na apuração do Lucro Real. Segundo a Fiscalização, O sujeito passivo informou na linha 44 da ficha 09A da DIPJ 2012 o valor correspondente a OUTRAS ADIÇÕES em montante equivalente a R$ 97.808.133,67. Intimado a apresentar memória de cálculo, apresentou planilha na qual se verificou que o valor informado na linha deveria ser de R$ 111.060.572,89. A primeira memória de cálculo entregue à fiscalização não apresentava a composição dos valores que resultaram em tal quantia. Fl. 3408DF CARF MF 8 Uma segunda memória foi apresentada em razão, particularmente, de divergências entre LALUR e DIPJ e nela foi possível constatar a composição do montante de R$ 111.060.572,89 que pode ser assim descrito: Onde R$ 108.972.663,55 + R$ 2.087.909,34 = R$ 111.060.572,89. A “integralização imobilizado Renuka” é expressão semelhante a outra utilizada no LALUR, cuja expressão é: “2.9 Receita Integralização Ativo Imobilizado” e cujo valor ali informado é de R$ 126.562.145,00. Portanto, o valor é diferente daquele constante da memória de cálculo em exatos R$ 18.075.693,79. Ocorre que tal montante encontrase escriturado no LALUR como exclusão sob a rubrica “3.5 Baixa Custo Imobilizado Integralização”, ou seja, 126.562.145,00 – 18.075.693,79 = 108.486.451,21. O exame da contabilidade da fiscalizada revela que a operação resultou, em resumo, no seguinte: a. Foram lançados débitos e créditos em três contas de resultado, são elas: 4.3.1.02.10.020; 4.3.1.02.10.030; e 4.3.1.02.10.040 cujo saldo final foi DEVEDOR em R$ 126.562.145,00; b. Esse saldo DEVEDOR foi transferido para a conta de ativo 1.3.1.01.10.010 – PARTICIPAÇÕES EM CONTROLADAS E COLIGADAS em 21/12/2011; c. A conta de resultado recebeu lançamentos a débito para baixa do ativo que somaram R$ 146.923.696,18 e lançamentos a crédito (também contra conta de ativo para baixa da depreciação acumulada) cuja soma foi de R$ 20.361.551,18 conforme discriminado a seguir. d. Sendo assim, no valor de R$ 126.562.145,00 estavam incluídos o valor da aquisição do bem (valor contábil original) e também o acréscimo decorrente da “reavaliação” (“deemed cost”) com a dedução dos valores de depreciação (valores realizados por meio de ajustes do RTT), portanto, para se apurar o ganho na realização dos bens alienados necessário se faz excluir do valor da “venda” (R$ 126.562.140,00) a parcela correspondente ao custo contábil do bem para fins de imposto de renda. Esse valor contábil é obtido pela Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.406 9 diferença entre o preço de aquisição e os encargos de depreciação apurados segundo os critérios da legislação tributária até a data da alienação. e. Segundo planilha apresentada pelo sujeito passivo, esse custo seria equivalente a R$ 18.075.693,79. Concluise que a apuração da memória de cálculo está correta; f. Tendo em vista que na linha 44 da ficha 09A da DIPJ 2012 o valor adicionado foi de R$ 97.808.133,97 e o total constante da memória de cálculo foi de R$ 111.060.572,89, a diferença entre as duas expressões numéricas no montante de R$ 13.252.438,92 – deve ser adicionada de ofício ao resultado a fim de apurar o lucro real. Em sua defesa, alegou em sua Impugnação a Recorrente que a linha 44 da Ficha 09A da DIPJ/2012 remonta à rubrica "outras adições", as quais somam a quantia de R$ 100.424.523,21. Neste ponto, de fato, teria havido um equívoco na apuração da Recorrente, o que, se por acaso o Fiscal tivesse realizado o batimento dos livros, declarações e razões contábeis, haveria constatado o erro cometido em suas declarações. Ressaltou a Contribuinte que o equívoco cometido não teria causado qualquer prejuízo à Fazenda Pública, máxime quando esta apurou prejuízo no anocalendário em questão. Como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas quanto ao suposto acréscimo patrimonial não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Impugnante em 2011. Dessa forma, como não houve postergação indevida de tributo nos períodos, não há que se falar em irregularidade do procedimento, em conformidade com o entendimento do Conselho administrativo de recursos fiscais — CARF. Fl. 3410DF CARF MF 10 A decisão recorrida assim se manifestou: Examinando a documentação juntada no processo, constatase que assiste razão à contribuinte, pois consta na ficha 9A da DIPJ o valor de R$ 100.424.523,21 e deve ser alterado para R$ 10.636.049,68, o valor da infração relativa ao Acréscimo Patrimonial Reconhecido a Menor (R$ 111.060.572,89 – R$ 100.424.523,21). Observase, quanto à CSLL, que o valor declarado na ficha 17 da DIPJ é aquele indicado pelo fisco, ou seja, R$ 97.808.133,67, razão pela qual não se altera o valor da CSLL exigida no auto de infração. Quanto à afirmação de que não houve prejuízo ao fisco, uma vez que as diferenças tributadas não seriam suficientes para alterar o prejuízo por ela apurado, como já mencionado nesse voto, enganase a contribuinte conforme se percebe no demonstrativo de fl.2225, uma vez que o prejuízo fiscal apurado foi de R$ 53.357.474,33 e as infrações apuradas somam R$ 109.910.492,61. Assim, a DRJ/RPO deu parcial provimento ao recurso neste ponto, reduzindo a infração apurada conforme acima relatado. Salientese que a decisão recorrida deu guarida à impugnação da Recorrente tão somente neste ponto e que o Recurso Voluntário, por óbvio, não se manifesta a respeito da respectiva infração. 4) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDAS – ADIANTAMENTO A FORNECEDORES DE CANA Segundo a Fiscalização, ao apurar o lucro real, o sujeito passivo efetuou exclusões no valor de R$ 66.503.982,94 (linha 46 da ficha 09Ada DIPJ 2011) correspondentes à reversão do saldo de provisões. Intimado a esclarecer a origem desse montante, foi apresentada memória de cálculo da qual constou o seguinte: Como é possível se verificar na tabela acima, parte do valor considerado na linha 46 da ficha 09A da DIPJ 2012 tem origem, segundo informações prestadas na elaboração da memória de cálculos, em saldos de contas de ativo (1.1.2.03.10.900 e 1.1.2.03.10.901) que teriam afetado o resultado do exercício de 2011 através das contas de resultado 4.2.3.01.10.010 e 4.2.3.01.10.020. Examinando a contabilidade, entretanto, o que se verifica é situação diversa. Primeiramente, é relevante que se consigne que as receitas de reversão das Provisões para Perdas com Adiantamento a Fornecedores de Cana não foram consideradas na ficha 06A da DIPJ 2012, ou seja, na apuração do lucro líquido demonstrado ao fisco não houve lançamento a crédito correspondente à reversão dessas provisões. Sendo assim, é de se estranhar que tais valores tenham sido excluídos na apuração lucro real na medida em que os ajustes feitos na apuração do lucro líquido para determinação do resultado fiscal devem buscar a neutralidade dos efeitos decorrentes da constituição e da baixa de provisões consideradas indedutíveis. Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.407 11 Continua a Autoridade Fiscal, demonstrando que o montante de R$ 50.085.915,57, com origem na conta 1.1.2.03.10.901 ()PROVISÃO PARA PERDAS DE ADTO. FORNECEDORES DE CANA, indicado na memória de cálculo do sujeito passivo e transcrita acima, não poderia ter sido excluído na apuração do lucro real, seja porque se trata de provisão que não afetou a apuração do resultado do período, seja porque a origem dos valores provisionados é estranha às atividades da empresa. Para demonstrar tal assertiva a Autoridade Fiscal examinou a escrita contábil entregue ao SPED. Transcrevese a seguir o Razão com contrapartidas da conta 1.1.2.03.10.901 do SPEDECD: A partir do "razão", seria possível constatar que o lançamento do estorno da provisão foi feito não como um estorno, mas sim como uma baixa pela concretização da previsão de perda correspondente a tal provisão, pois a empresa reduziu o valor de seu ativo controlado nas contas de adiantamento a parceiros agrícolas/fornecedores (contas 1.1.2.03.10.020 ADTO PARC. AGRIC. FORNEC. SF 2006/2007; contas 1.1.2.03.10.021 ADTO PARC. AGRIC. FORNEC. SF 2007/2008; 1.1.2.03.10.022 ADTO PARC. AGRIC. FORNEC. SF 2008/2009: 1.1.2.03.10.023 ADTO PARC. AGRIC. FORNEC. SF 2009/2010; e 1.1.2.03.10.024ADTO PARC. AGRIC. FORNEC. SF 2010/2011) Aqui dois aspectos devem ser observados. O primeiro diz respeito à forma de constituição dessa provisão para perdas. A partir do "Razão", é possível notar que essa provisão é feita diretamente contra a conta de patrimônio líquido 2.4.3.01.10.020 LUCRO / Fl. 3412DF CARF MF 12 PREJUÍZO DO EXERCÍCIO, conforme lançamento feito em 31/03/2011 pelo valor de R$ 19.585.501,31. Isso implica dizer que o modo de escriturar adotado pelo sujeito passivo não afeta o resultado do período, portanto, não se justificaria qualquer ajuste para apuração do lucro real, seja a título de adição, seja a título de exclusão. Deixando de lado os motivos que levaram à realização da provisão, sobre a qual tratarei adiante, o problema do sujeito passivo foi exatamente baixar a conta de provisão contra a conta de ativo. Esse procedimento não permitiu que o resultado contábil fosse afetado e, para imputar essas supostas perdas no resultado fiscal (lucro real), o sujeito passivo foi obrigado a lançar mão de um expediente cuja previsão legal se encontra no art. 250 do RIR/99. Da leitura do citado artigo, vêse que para que um valor que não afetou o lucro líquido seja considerado no lucro real, ele há de ser considerado dedutível para fins de apuração do imposto de renda. Antes de seguir adiante, é relevante que reste consignado que o valor de R$ 50.085.915,57 NÃO AFETOU o resultado do exercício embora tenha sido escriturado em conta de resultado, conforme resposta fornecida pelo sujeito passivo ao Termo de Intimação Fiscal 001, isso porque os lançamentos contábeis apontados pelo sujeito passivo foram feitos a débito e a crédito na mesma conta 4.2.3.01.10.010 PERDAS DIVERSAS, conforme razão abaixo transcrito. Portanto, demonstrado que os R$ 50.085.915,57 não afetaram o resultado do período e o que ajuste feito para apuração do lucro real somente se justificaria se a despesa provisionada em desacordo com legislação pudesse ser considerada dedutível para fins do imposto de renda, passo agora a examinar a origem das perdas que motivaram a constituição da provisão e também sua baixa. Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.408 13 As quebras ou perdas de estoque são admitidas nos termos do que prescreve o artigo 291 do RIR/99, contudo, nesse caso, os bens que pereceram devem estar no estoque, o que não é caso. Também são admitidas perdas por impossibilidade de recebimento de clientes, essa sim, uma situação mais próxima daquela que se verifica na escrita do sujeito passivo. A origem das perdas que o sujeito passivo pretende ver refletida em seu resultado fiscal são adiantamentos feitos em dinheiro para PARCEIROS AGRÍCOLAS. Após transcrever e analisar o que a dispõe o art. 340 do RIR/99, a Autoridade Fiscal chegou à conclusão que nenhuma das situações previstas na legislação para as perdas no recebimento de créditos foram observadas, ou seja, os valores entregues aos parceiros agrícolas não tiveram qualquer tipo de cobrança ou sequer se buscou receber, de alguma forma, os valores que haviam sido antecipados. Apenas foram reconhecidas as perdas e apropriadas ao resultado fiscal. Segundo a Fiscalização, essas perdas jamais poderiam ter sido reconhecidas a não ser por mera liberalidade da fiscalizada, isso porque, em primeiro lugar, é da maior relevância que os contratos de parceria agrícola disciplinados pelo art. 96 da Lei n° 4.504/1964 (Estatuto da Terra) – não admitem esse tipo de perda na medida em que o que os diferencia do contrato de arrendamento rural é, precisamente, o risco a que estão sujeitas as partes. A seguir, a Autoridade Fiscal transcreve o citado dispositivo legal e conclui que no contrato de parceria, ambos os contratantes (parceiro outorgante e parceiro outorgado) correm o risco da produção. Se a produção perece para um, deverá perecer para o outro também. Desse modo, se o parceiro outorgado (aquele que se compromete a exercer a atividade agrícola em propriedade alheia) efetua adiantamentos financeiros em razão de uma safra esperada e essa não acontece, o parceiro outorgante (o proprietário rural) não poderia ficar com esse recurso em prejuízo do parceiro outorgado sob pena de haver enriquecimento sem causa. Os adiantamentos pagos em função do contrato de parceria, pela natureza desse tipo de contrato, somente podem dizer respeito à parte da safra que cabe ao parceiro proprietário (chamado de parceirooutorgante), ou seja, sua natureza é de contrato de mútuo caso o parceirooutorgante não tenha se comprometido a vender a parte que lhe cabe na produção ao parceirooutorgado ou pode ter a natureza de "antecipação do preço" a ser pago caso de contrato de compra e venda de coisa futura. Seja qual for a situação, os recursos não pertencem ao parceirooutorgante, portanto, como regra, se a coisa não é entregue, o contrato de compra e venda não se resolve e o adiantamento deve ser devolvido. Por essa razão, não poderiam ter sido deduzidos na apuração do lucro real como perdas. Ademais, as parcerias rurais são formalizadas em nome de diversas empresas do grupo ao qual pertence a RENUKA DO BRASIL S/A, tais como: Barreirinha / Topecuária (anteriormente Agronew Agropecuária); Agropav Agropecuária (atualmente Revati Agropecuária); Novagropav (atualmente Renuka Agropecuária). Se de um lado os adiantamentos decorrentes de parcerias rurais não são de interesse da fiscalizada na medida em que ela não toma parte nesses contratos (que representam quase 82% do total de todos aqueles relacionados na planilha BaseBaixa Cana Bisada_2011 .xls), de outro, os contratos de compra e venda de safra futura (que corresponde aos outros 18% se tomado o nome da conta contábil em que estão registrados "ADTO. PARC. AGR") também não autorizam o reconhecimento dessas perdas, ainda que houvesse a efetividade de adiantamentos o que não ocorreu em todos os contratos , pois os contratos são aleatórios do Fl. 3414DF CARF MF 14 tipo "emptio rei speratae", no qual o comprador assume o risco pela quantidade da coisa futura, assim, não se trataria de perda, mas sim de custo em relação ao qual o sujeito passivo estaria obrigado a emissão de nota fiscal complementar para fins de aumentar o custo por tonelagem de cana no caso da colheita ser inferior àquela esperada no respectivo período. Se o contrato não fosse aleatório, o que se admite apenas por hipótese, com mais razão os valores entregues aos proprietários rurais a título de adiantamento pela venda de canadeaçúcar deveriam ser devolvidos sob pena de enriquecimento sem causa do proprietário rural. Nesse caso, tais valores não poderiam simplesmente ser reconhecidos como perdas antes de receber o tratamento de empréstimos conforme disposto no art. 340 do RIR/99, transcrito acima. Situação análoga ao que se apurou em relação aos R$ 50.085.915,57 lançados a crédito na conta 4.2.3.01.10.010 PERDAS DIVERSAS também se verificou em relação ao valor de R$ 7.040.125,06 com origem na mesma conta retificadora de ativo 1.1.2.03.10.901. O valor de R$ 7.040.125,06 foi, em 30/06/2011, levado a resultado e, na mesma data, o mesmo montante foi creditado na conta de ativo 1.2.1.10.10.010. Esse procedimento anulou os efeitos da apropriação do crédito de R$ 7.040.125,06 no resultado do período e, simultaneamente, importou na baixa dos direitos frente a terceiros controlados nessa conta de ativo. Sem que o efeito da baixa tenha se produzido no resultado do período, a suposta perda somente poderia ser considerada no resultado fiscal se, cumulativamente, o sujeito passivo tivesse adicionado o valor da provisão ao resultado fiscal quando de sua constituição, controlandoo na parte B do LALUR e se a despesa fosse dedutível para fins de apuração dos tributos, o que, como se demonstrou acima, não se verifica. Portanto, ainda que se demonstre haver valores controlados na Parte B do LALUR relativamente às provisões para perdas com adiantamentos a "parceiros" ou a "fornecedores de cana", a baixa dessas provisões em razão das perdas eventualmente virem a se tornar efetivas não autoriza que as correspondentes despesas sejam consideradas dedutíveis se elas não estão relacionadas às operações da empresa fiscalizada (caso das parceiras agrícolas) ou se não correspondam a perdas, mas sim a valores que deveriam ser devolvidos na hipótese de descumprimento de contrato (caso dos adiantamentos a fornecedores de cana decorrentes de contratos de compra e venda de safra futura). A parcela de R$ 1.005.148,00 lançada no resultado a crédito foi reconhecida na DIPJ 2012 no preenchimento da linha 27 da ficha 05D – conforme memória de cálculo apresentada pelo sujeito passivo. Esse procedimento corresponde à reversão de provisão indedutível e a exclusão desse montante na apuração do lucro real está condicionada à existência do valor na Parte B do LALUR – o que somente é possível se no momento da constituição da provisão o sujeito passivo efetuou adição do valor correspondente. Segundo a Fiscalização, não restou demonstrado que, ao constituir a provisão ora baixada, o sujeito passivo efetuou a devida adição ao resultado, concluindo não haver como reconhecer a dedutibilidade dessa despesa. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repete as mesmas alegações já exposadas quando da impugnação. Inicia arguindo que a Fiscalização desconsiderou os contratos de parceria agrícola e os contratos de compra e venda de safra futura de canade açúcar firmados pela Contribuinte e os proprietários de terras produtoras da região em que estão localizadas as suas usinas. Neste contexto, entendeu o d. Julgador de Primeiro Grau que: Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.409 15 “Quanto aos contratos que a fiscalizada alega possuir com os proprietários rurais para compra e venda de safra futura da parte que cabe a esse proprietários nas parcerias que realizam com as empresas do grupo RENUKA, são aleatórios do tipo "emptio rei speratae", no qual o comprador assume o risco pela quantidade da coisa futura. Assim, não se trata de perda, mas sim de custo em relação ao qual o sujeito passivo está obrigado a emissão de nota fiscal complementar para fins de aumentar o custo por tonelagem de cana no caso da colheita ser inferior àquela esperada no respectivo período.” Com a devida vênia ao entendimento eleito, a decisão ignora que a Recorrente efetuou as provisões quando não havia cana a ser colhida, e também ignora que a reversão e baixa da provisão dessa perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. OU SEJA, não tratase de custo, mas sim de perda! Justificase, pois, a obrigação de adimplemento dos contratos de “Compra e venda de safras de canadeaçúcar para entrega futura”, porque a Cia não efetuou a colheita da canadeaçúcar, conforme se comprova através da análise dos contratos (doc. 06 da Impugnação) e Laudo (doc. 03 da Impugnação). Estes procedimentos (provisões perdas futuras e reversão das provisões) estão em conformidade com as disposições do art. 6º, § 2º, alínea “a” do DecretoLei nº 1.598/1977, bem como, no art. 4º da IN/SRF nº 412/2004. O Acórdão recorrido, bem como o Sr. Fiscal não comprovaram que os referidos negócios jurídicos teriam sido praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, tendo em conta o comando do art. 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A partir dos comandos da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra) e do Decreto 59.566/66, que dispõem sobre as operações de parceria agrícola, identificase que o traço característico dessa operação, resumidamente, é “(...) a partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (...)" (art. 4º do Decreto 59.566/66). A partir desse comando, e dos demais constantes na legislação referida, analisandose o contrato padrão de parceria agrícola firmado pelas empresas do Grupo Renuka, não há quaisquer elementos que o descaracterizem, podendo ser destacadas as seguintes disposições padrão nesse documento: a. Alínea "h" e Cláusula Quarta dos termos e estipulações: Definição das condições de partilha da produção; b. Cláusula Segunda e Terceira dos termos e estipulações: Definição dos direitos e obrigações de ambas as partes; e c. Cláusula sexta dos termos e estipulações: Disposição prevendo que, diante de caso fortuito ou força maior que venha a resultar perda total ou parcial da produção, as perdas serão havidas por ambas as partes, na proporção dos custos e despesas incorridas; Fl. 3416DF CARF MF 16 Ademais, Senhores, com a máxima vênia, entende a Recorrente que o acórdão recorrido incide na mesma confusão do lançamento sobre quem deveria firmar o contrato de parceria e quem deveria firmar o contrato de compra da cana. Explicamos: No acórdão recorrido restou firmado o entendimento de que: “[...] a origem das perdas que o sujeito passivo pretende ver refletidas em seu resultado fiscal são adiantamentos feitos em dinheiro para parceiros agrícolas. Ocorre que a contribuinte não firmou os alegados contratos de parcerias com proprietários rurais. As parcerias rurais foram formalizadas em nome de diversas empresas do grupo ao qual pertence a Renuka tais como: Barreirinha Agropecuária, Agropav Agropecuária e Novagropav. Assim, referidos valores não poderiam ser dedutíveis.” Neste ínterim, importante observar que os contratos eram firmados com empresas diferentes. Enquanto a antiga CANAPAV AGROPECUÁRIA, firmava contratos de parceria agrícola puro, em que se obrigava a plantar e tratar a terra, a antiga EQUIPAV S.A. adquiria a cana produto da parceria, através de contratos de compra e venda de safra futura com os produtores rurais parceiros da CANAPAV e também da própria, para a industrialização, sendo que cada qual vendia sua parte. Quanto aos contratos firmados entre a EQUIPAV e os Produtores de aquisição prévia da canadeaçúcar que caberia a estes em razão da parceria, não há qualquer vedação ao procedimento adotado nos comandos constantes da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra) e do Decreto 59.566/66, de modo que não há como entendêlos ilícitos. Ademais, tratandose de um Grupo Empresarial ostensivo, a previsão constante do art. 96, §3° da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra), de que "eventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria (...)" mesmo o pagamento ao ParceiroProprietárioVendedor antes da safra, não pode ser considerado irregular, na medida em que se deu em regular operação de aquisição de cana a ser colhida. Já com relação às despesas posteriormente reconhecidas pela EQUIPAV, a Recorrente assinala 3 (três) pontos que devem ser avaliados de forma segregada. Tendo em conta que a CANAPAV obrigavase com produtores, através de contratos de parceria agrícola, a plantar a cana e tratar terra, oferecendo a estes em média 20% do produto final, e a EQUIPAV obrigavase a adquirir esses mesmos 20% da plantação que caberiam aos produtores, encontramse contratualmente justificadas as aquisições prévias de canadeaçúcar. Os "Considerandos” dos "Termos e Estipulações" do contrato padrão da Cia de "Compra e venda de safras de canadeaçúcar para entrega futura" explica a necessidade da empresa de garantir o fornecimento constante da cana, de modo que não há como se afastar aplicação ao caso das disposições do art. 47 da Lei n. 4.506/65 e do art. 299 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Nessa linha, as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), e que estava à sua disposição, justificase na obrigação de adimplemento dos contratos de "Compra e venda de safras de canadeaçúcar para entrega futura" porque a Cia não efetuou a colheita da canadeaçúcar. Logo, não sendo este um dos riscos inerentes ao contrato, teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.410 17 honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. Dessa forma, com relação à postergação do reconhecimento das perdas decorrentes da "cana bisada", tais valores, apropriados ao resultado em exercícios posteriores, caracterizam a inobservância do regime de competência, situação regulada pelo art. 273 do RIR, Decreto n. 3000/99. Todavia, o que ocorreu foi a apropriação de despesas em período posterior àquele em que incorridas, o que não causa qualquer prejuízo à fazenda pública, máxime quando a Impugnante apurou prejuízo no anocalendário em questão. De fato, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas na baixa de provisões não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Impugnante em 2011. Como não houve postergação indevida de tributo nos períodos em que as perdas foram apenas provisionadas, não há que se falar em irregularidade do procedimento. 5) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDA DE ESTOQUE Segundo informações fornecidas pelo sujeito passivo em sua memória de cálculo, parte do valor de R$ 66.503.982,94 – excluído na apuração do lucro real conforme informado na linha 46 da ficha 09A da DIPJ 2012 – corresponde a “estorno de provisão para perda de Estoque no montante de R$ 1.818.443,20. Esse valor o sujeito passivo vincula à conta 1.1.3.03.10.110 () PROVISÃO PARA PERDAS DE ESTOQUE. A Fiscalização assevera que a única hipótese que se vislumbra para que o valor de uma provisão não esteja controlado na Parte B do LALUR seria aquela em que a mesma é constituída e baixada no mesmo período, situação na qual a provisão poderá ser excluída na apuração do lucro real desde que tenha sido igualmente adicionada, ou seja, ela não produzirá efeito no resultado fiscal na medida em que também, nesse caso, não afetou o resultado contábil. Examinando o LALUR de 2011 não foi possível identificar uma rubrica em sua Parte B que correspondesse ao montante de R$ 1.818.443,20 que foi excluído como parte do valor informado na linha 46 da ficha 09A. A única conta identificada que mantém relação com “Provisão para Perda de Estoque” é a rubrica relacionada a Provisão de Estoque cujo valor coincide com aquele relacionado à conta 4.1.1.01.10.010 que o sujeito passivo identificou em sua memória de cálculo como “estorno de provisão para redução de valor de mercado versus conta contábil 1.1.3.03.10.120”, ou seja, R$ 126.740,86. Desse modo, o valor de R$ 1.818.443,20 foi adicionado pela Autoridade Fiscal ao lucro líquido para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como forma de reverter a exclusão indevida feita pelo sujeito passivo. Segundo a Recorrente, a Fiscalização teria entendido que "Examinando o LALUR de 2011 não foi possível identificar um rubrica em sua Parte B que correspondesse ao Fl. 3418DF CARF MF 18 montante de R$ 1.818.443,20 que foi excluído como parte do valor informado na linha 46 da ficha 09a. A única conta identificada que mantém relação com Provisão para Perda de Estoque é a rubrica relacionada a Provisão de Estoque cujo valor coincide com aquele relacionado à conta 4.1.1.01.10.010 que o sujeito passivo identificou em sua memória de cálculo como 'estorno de provisão para redução de valor de mercado versus conta contábil 1.1.3.03.10.120, ou seja, RS 126.740,86". Com a devida vênia ao exposto no Termo de Verificação Fiscal que culminou no lançamento ora combatido, a "provisão para perda de estoque" não foi relacionado à conta 1.1.3.03.10.120, mas sim à conta 1.1.3.03.10.110, de modo foi devidamente escriturado o valor de R$ 1.818.443,20. Assim, ainda que tenham sido perpetrados equívocos na tributação, importante é observar que a Impugnante não causou qualquer prejuízo ao fisco, apurando prejuízo no anocalendário 2011, de modo que, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas na tributação não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Impugnante em 2011. 6) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO CONTRIBUIÇÃO SINDICAL Segundo a Autoridade Fiscal, o estorno da provisão controlada na conta de passivo 2.1.1.01.10.010 FORNECEDORES DE MATERIAIS possui características semelhantes ao estorno da provisão para perda de estoque sobre a qual tratouse no item 5 acima, ou seja, o valor de R$ 605.225,43 (soma de R$ 388.198,52 com R$ 217.026,91) foi levado a resultado mediante lançamento a crédito na conta 4.2.1.02.10.180 DESPESAS SINDICAIS E ASSOCIATIVAS de forma que afetou o resultado do período. Ocorre que, como já mencionado anteriormente, a reversão de provisão para ser objeto de exclusão na apuração do lucro real deve corresponder a uma provisão anteriormente adicionada ao resultado de forma que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não seja influenciado por esses registros contábeis. Se não resta demonstrado que o valor estornado na contabilidade estava controlado na Parte B do LALUR por ter sido adicionado em período anterior, não há direito à exclusão, devendo ser o valor adicionado de ofício. A Recorrente em seu recurso voluntário, novamente, reproduz na íntegra os mesmos argumentos já trazidos quando da Impugnação. Segundo a Contribuinte, o acórdão em discussão mantém na íntegra a glosa realizada pelo Auditor Fiscal, não se atentando aos argumentos trazidos pela Recorrente em sede de Impugnação que demonstram que o posicionamento apresentado pela autoridade fiscal não demonstrase correto. No lançamento realizado pelo auditor ele afirma que o “Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, conforme item 2.3 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal 003 em anexo. A exclusão se mostra indevida em virtude de não se comprovar que a provisão para contribuição sindical foi adicionada ao resultado do período em que foi constituída, aspecto confirmado pela inexistência do valor na Parte B do LALUR.”. Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.411 19 Neste item, a teor do exposto no item anterior, a Fiscalização entendeu que: “o estorno da provisão controlada na conta de passivo 2.1.1.01.10.010 – FORNECEDORES DE MATERIAIS possui características semelhantes ao estorno da provisão para perda de estoque sobre a qual tratouse no item 2.2 acima, ou seja, o valor de R$ 605.225,43 (soma de R$ 388.198,52 com R$ 217.026,91) foi levado a resultado mediante lançamento a crédito na conta 4.2.1.02.10.180 – DESPESAS SINDICAIS E ASSOCIATIVAS de forma que afetou o resultado do período”. Concluindo, que: “[...] a reversão de provisão para ser objeto de exclusão na apuração do lucro real deve corresponder a uma provisão anteriormente adicionada ao resultado de forma que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não seja influenciado por esses registros contábeis. Se não resta demonstrado que o valor estornado na contabilidade estava controlado na parte B do LALUR por ter sido adicionado em período anterior, não há direito de exclusão, devendo ser o valor adicionado de ofício.”. Abaixo demonstramse as razões (desconsideradas pela autoridade julgadora e pelo Julgador de Primeiro Grau da d. Delegacia Regional de Julgamentos de Ribeirão Preto) que asseguram o direito da Recorrente em face dos argumentos apresentados Sr. Agente Fiscal. Da análise dos documentos contábeis da empresa, os quais foram integralmente entregues à Fiscalização, denotase, claramente, que foram adicionadas provisões decorrentes da chamada “mensalidade associativa de classe”, na conta 2.1.1.01.10.010: Ou seja, a reversão de provisão é plenamente possível, e legal, do ponto de vista contábil e jurídico, uma vez que estas foram anteriormente adicionadas ao resultado, não influenciando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Novamente, Senhores Julgadores, acaso houvesse realizado o batimento dos livros, declarações e razões contábeis da Recorrente, haveria o Senhor Auditor Fiscal constatado o erro cometido pela Recorrente em suas declarações, de modo que, ainda que tenham sido perpetrados equívocos na tributação, importante é observar que a Recorrente não causou qualquer prejuízo ao fisco, apurando prejuízo no anocalendário 2011, de modo que, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas na tributação não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Recorrente em 2011. Fl. 3420DF CARF MF 20 Dessa forma, ante a inocorrente redução indevida do pagamento de Imposto de Renda e Contribuição social sobre o lucro nos períodos a que se referiam tais despesas, nos quais, ressaltase, não houve redução indevida do recolhimento do imposto (prejuízo fiscal em 2008 e 2009), requer a Recorrente sejam acatadas as suas alegações para desconstituir o lançamento neste ponto. 7) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – OUTRAS EXCLUSÕES Segundo a Fiscalização, a DIPJ 2012 informa que o sujeito passivo efetuou exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real mediante preenchimento da linha 61 da ficha 09A – “outras exclusões” da declaração no valor R$ 28.168.286,91. Examinando as rubricas constantes da apuração do lucro real presentes no LALUR foi possível verificar que os valores estavam relacionados da seguinte forma: Notase a priori que existe diferença de R$ 6.272.676,23 (28.168.286,91 – 21.895.610,68) entre o valor informado na DIPJ 2012 e aquele constante do LALUR. Essa diferença não possui qualquer explicação quanto a sua origem, seja na memória de cálculo seja nas respostas apresentas às intimações fiscais, portanto, será adicionado ao resultado de ofício para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Outrossim, os valores constantes do LALUR também não foram confirmados quando da apresentação da memória de cálculo – inclusive, na última apresentada, a linha 61 – Outras Exclusões – está zerada. Ademais, as expressões utilizadas no LALUR conforme transcrito acima para os itens 3.3 e 3.4 parecem estranhos a qualquer tipo de ajuste permitido pela legislação. Em relação ao item “3.2 Outras Exclusões Comuns ao IRPJ e CSL”, não é possível conhecer sua origem quando o próprio sujeito passivo o abandona na oportunidade que tem de esclarecêlo na medida em que não apresenta sua origem na elaboração da memória de cálculo. Por fim, o valor do item “3.5 Baixa Custo Imobilizado Integralização” guarda relação com a operação descrita no item 3 deste Relatório, ou seja, está relacionado à baixa de ativo que foi transferido para empresa ligada mediante reavaliação em contrapartida de aumento de investimento na empresa ligada (uma forma de troca de ativos que estavam subavaliados na escrita da fiscalizada por participação em outra empresa). Segundo a memória de cálculo apresentada, o valor do acréscimo patrimonial – calculado da forma como consta do LALUR – foi incluído nas adições da DIPJ 2012 quando do preenchimento da linha 37 da ficha 09A. O valor informado na memória é de R$ 111.060.572,89 – sendo que é composto das seguintes parcelas: R$ 108.972.663,55 e R$ 2.087.909,34. O montante de R$ 108.972.663,55 corresponde precisamente à diferença entre o valor do acréscimo patrimonial resultante da operação (R$ 126.562.145,00) e o valor informado no LALUR correspondente ao item “3.5 Baixa Custo Imobilizado Integralização” (R$ 18.075.693,79). Fl. 3421DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.412 21 Portanto, se o sujeito passivo reduziu a adição daquilo que entendeu ser acréscimo patrimonial quando do preenchimento da linha 37 – Outras Adições – da ficha 09A da DIPJ 2012, não haveria razão para considerar novamente o valor como exclusão sob pena de excluir duas vezes o mesmo valor. Diante do exposto, a totalidade do valor preenchido na linha 61 da ficha 09A da DIPJ 2012, em montante de R$ 28.168.286,91 deve ser adicionado ao resultado para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo a Recorrente, também reproduzindo, ipsis litteris, o que já havia alegado na impugnação, o Auditor Fiscal entendeu que na apuração do lucro real constante de folha do LALUR entregue em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 001 havia valores que, excluídos aqueles informados na linha 39 da ficha 09A (R$ 66.503.982,94) somavam R$ 21.985,610,68", decorrentes das seguintes rubricas: 3.2 Outras Exclusões Comuns ao IRPJ e CSLL 1.315.084,79 3.3 Renegociação de Empréstimos 2.497.250,00 3.4 Multas descontadas 7.582,10 3.5 Baixa Custo Imobilizado Integralização 18.075.693,79 A Fiscalização aduz que a Impugnante teria reduzido "a adição daquilo que entendeu ser acréscimo patrimonial quando do preenchimento da linha 37 — Outras Adições— da ficha 09A da DIPJ 2012, não haveria razão para considerar novamente o valor como exclusão sob pena de excluir duas vezes o mesmo valor". Por sua vez, diferente do alegado pelo Senhor Agente Fiscal, a Impugnante não informou o valor decorrente de acréscimo patrimonial nas adições da DIPJ/2012 quando do preenchimento da linha 37 da Ficha 09A, pelo contrário, o fez quando do preenchimento da Linha 44 da referida ficha. Os R$ 21.985.610,68 não fazem parte da composição dos R$ 66.503.982,94 excluídos do lucro real na linha 46, mas sim, foram "adicionados" na DIPJ — o que significou no caso a redução real do valor adicionado —, e no LALUR, consta expressamente como exclusão no cálculo do Lucro Real. Em total consonância com a apuração anotada no LALUR (página 47), a qual demonstra a baixa dos referidos valores, ou seja, a adição no lucro real: Fl. 3422DF CARF MF 22 Dessa forma, ante a inocorrente redução indevida do pagamento de Imposto de Renda e Contribuição social sobre o lucro nos períodos a que se referiam tais despesas, nos quais, ressaltase, não houve redução indevida do recolhimento do imposto (prejuízo fiscal em 2008 e 2009), requer a Recorrente seja o acórdão reformado, também neste ponto. 8) MULTA OU JUROS ISOLADOS: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Neste ponto, a Fiscalização aduz que as infrações verificadas no procedimento fiscal resultaram em apuração de tributos a menor, contudo, as reduções indevidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL não foram as únicas vantagens obtidas pela fiscalizada, que ao deduzir indevidamente as despesas apontadas acima ou ao fazer os ajustes no lucro líquido nos balancetes de suspensão cujos resultados foram informados na DIPJ 2012, apurou estimativas de IRPJ e de CSLL menor que o devido. O recolhimento de estimativas a menor que o devido impõe a aplicação de multa isolada, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9 .430/1996, com alterações posteriores. Sendo assim, o lançamento de ofício incluirá multa isolada conforme apurado no demonstrativo que acompanha esse Termo (Anexo 3) Os lançamentos das multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas totalizaram R$ 5.181.947,78 (sobre as estimativas de IRPJ) e R$ 1.865.501,20 (sobre estimativas de CSLL). Já a Recorrente, neste ponto, deixou de se manifestar no Recurso Voluntário. Fl. 3423DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.413 23 9) REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO – RTT: AJUSTE DE RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE – AJUSTE A MENOR Segundo a Autoridade Fiscal, ao cotejar as informações constantes da memória de cálculo apresentada pelo sujeito passivo com os dados de preenchimento da DIPJ 2012 foram identificadas duas diferenças importantes. Cumpre notar que o LALUR entregue inicialmente pelo sujeito passivo não contém a assinatura do representante legal e apura lucro real negativo de R$ 67.806.474,33 enquanto a DIPJ 2012 aponta para um resultado negativo de R$ 53.357.474,33. Desse modo, o documento que deveria dar suporte à Declaração apresentada ao fisco, além de não conter formalidade essenciais, ainda não permite a análise dos valores declarados, não servindo de parâmetro para confirmar ou infirmar possíveis erros sem o exame de outras fontes, como a contabilidade. A primeira diferença diz respeito ao valor do lucro líquido transportado da ficha 06A. Na DIPJ, o valor informado na linha 01 da ficha 06A foi um prejuízo contábil de R$ 273.312.710,60. Esse valor é confirmado pela memória de cálculo, contudo, é diferente do constante do LALUR, no qual foi apontado prejuízo de R$ 277.668.163,61. O DRE apresentado no SPED apura prejuízo de R$ 277.594.793,61 que somado à provisão da CSLL (R$ 4.355.453,01), resulta em R$ 273.239.340,60. Embora não exatamente iguais os valores do DRE e da memória de cálculo, a partir deles é seguro afirmar que o valor apontado no LALUR como lucro líquido do exercício não está correto. Por outro lado, os ajustes do RTT constantes do LALUR somam R$ 16.434.359,36 enquanto na DIPJ 2012 o valor preenchido na linha 02 da ficha 09A foi de R$ 4.502.068,46. Segundo as memórias de cálculo apresentadas pela fiscalizada, esse ajuste deveria ser de R$ 11.779.005,97 – valor que foi possível aferir através do SPED – ECD em face das informações constantes da memória de cálculo. Fruto dos ajustes do RTT, o lucro líquido utilizado como base para apuração do lucro real apontado pelo sujeito passivo pode ser assim demonstrado: Antes de prosseguir, é relevante notar que o valor do lucro líquido que sofrerá o ajuste do RTT deve ser transportado da linha 80 da ficha 06A da DIPJ 2012, consoante orientação do programa. O caminho da orientação constante do PGD DIPJ 2012 é o seguinte: Ajuda – DIPJ 2012 – Instruções de Preenchimento – Abertura e Preenchimento da DIPJ – Pasta IRPJ – Ficha 09A – Linha 09A/01 – Lucro Líquido Antes do IRPJ – Valor da Linha 06A/80. Fl. 3424DF CARF MF 24 Na linha 06A/80 da DIPJ 2012 apresentada pelo sujeito passivo, o valor apurado foi prejuízo de R$ 273.312.710,60 – valor idêntico ao constante da memória de cálculo e ao do DRE se for considerada a provisão da CSLL. Com isso se demonstra que o LALUR parte de valor incorreto, pois inclui no Lucro Líquido o valor da provisão da CSLL no montante de R$ 4.355.453,01 (277.668.163,61 4.355.453,01 = 273.312.710,60), contudo, parcela bastante próxima a esse valor corresponde à diferença entre o ajuste do RTT informado no LALUR e aquele apurado e demonstrado na memória de cálculo (16.434.359,36 – 11.779.005,97 = 4.655.353,39), o que significa que no ajuste do RTT informado no LALUR incluí a parcela correspondente à provisão da CSLL. Enfim, após o ajuste do RTT, na DIPJ 2012 apurouse um Lucro Líquido Ajustado (na verdade prejuízo líquido) de R$ 268.810.642,14 enquanto na memória de cálculo esse total correspondeu a um resultado negativo de R$ 261.533.704,66 – valor muito próximo ao apurado no LALUR – R$ 261.233.804,25), o que implica dizer que a base para apuração do lucro real deve partir do valor informado na memória de cálculo, pois nesse demonstrativo partese de lucro líquido correto (tal qual informado na linha 80 da ficha 06A da DIPJ 2012) e considera os ajustes do RTT que puderam ser confirmados através do SPEDECD. Diante do exposto, será lançado de ofício o valor correspondente à diferença entre o valor constante da linha 03 da ficha 09A da DIPJ 2012 (268.810.642,14) e o valor constante da memória de cálculo (261.533.704,63), portanto, será acrescido ao lucro real, mediante lançamento de ofício, a parcela de R$ 7.276.937,51 que deixou ser considerada na DIPJ. Segundo a Recorrente, novamente reproduzindo suas alegações já trazidas na impugnação, o Agente Fiscal procedeu com o lançamento de ofício do "valor correspondente à diferença entre o valor constante na linha 03 da ficha 09A da DIPJ 2012 (268.810.642,14) e o valor constante da memória de cálculo (261.533.704,63), portanto, será acrescido ao lucro real, mediante lançamento de ofício, a parcela de R$ 7.276.937,51 que deixou de ser considerada na DIPJ". Todavia, esqueceuse de tratar o agente fiscal que a Impugnante não causou qualquer prejuízo à fazenda pública, máxime quando apurou PREJUÍZO no anocalendário em questão. De fato, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças supostamente havidas no ajuste do RTT não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Impugnante em 2011. Além das alegações reproduzidas acima em relação a cada uma das infrações, a Recorrente ainda apresenta os seguintes pontos para a nossa análise: 1) PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA BASE DE CÁLCULO 2) O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL DEVE PREVALECER NA ANÁLISE E LEVANTAMENTO DOS NÚMEROS ATINENTES AO LANÇAMENTO ORA IMPUGNADO, NÃO SENDO ADMISSÍVEL QUE DIPJ E LALUR, À DESPEITO DOS DADOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE, PREVALEÇAM NA IDENTIFICAÇÃO DOS SALDOS CORRETOS DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES QUE DEVERIAM SER CONSIDERADAS EM 31/12/2011 Fl. 3425DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.414 25 3) VARIAÇÃO CAMBIAL. ADIÇÃO INDEVIDA NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. ANOCALENDÁRIO 2011. REGIME DE COMPETÊNCIA 4) REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL À exceção do item 4, relativo ao pedido de perícia, os três primeiros não trouxeram nada de novo em relação ao que já havia sido exposado quando da impugnação. Na realidade, o presente recurso é cópia integral da impugnação, não atacando, sequer dialogando, com a decisão recorrida e seus fundamentos. Passemos ao relato de cada um deles. 1) PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA BASE DE CÁLCULO Segundo a Recorrente, é nulo o lançamento de ofício ora promovido, na medida em que houve erro na constituição da sua base de cálculo. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, é competência privativa da autoridade administrativa constituir o crédito tributário por lançamento, “assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.”. (grifo nosso) Reitera que, em que pese a discussão dos autos não envolver a tributação das Variações Cambiais da Recorrente, acaso o Sr. Fiscal tivesse analisado todo o arcabouço contábil da contribuinte, sobretudo DIPJ, DCTF e LALUR – todos documentos aos quais possuía acesso – teria evidenciado que a Recorrente, equivocadamente, adicionou na linha 12 – Variações Cambiais Passivas da Ficha 09A da DIPJ o valor de R$ 58.500.777,42, quando, em se tratando de regime de competência (conforme expressamente requerido pela Recorrente em sua DCTF), não seria correta a realização de adições. Assim, a partir de dados extraídos da sua contabilidade e declarações remetidas à Receita Federal do Brasil (documentos de livre acesso do Fiscal), deveria este ter evidenciado a adição indevida de R$ 58 milhões na apuração do lucro real da Recorrente, os quais majoraram amplamente a base de cálculo de IRPJ e CSLL da empresa. Todavia, a Fiscalização deixou de fazer uma análise efetiva com o batimento dos livros, declarações e razão contábil da Recorrente, deixando de excluir referidos valores da tributação e promovendo o lançamento de oficio ora combatido. Alega que a composição da base de cálculo do lançamento pela Fiscalização demonstrase totalmente contrária à realidade fática. A teor do que já teria sido demonstrado na Impugnação e novamente é apresentado no presente Recurso, contudo, ainda que equivocadamente declarada, não se pode ter como correto a adição pura e simples do montante de R$ 58.500.777,42 na apuração encerrada em 31/12/2011, pois, a partir dos números da empresa e, sobretudo, da escolha pelo Regime de Competência, estas variações cambiais não Fl. 3426DF CARF MF 26 poderiam ter sido incluídas nas adições da Ficha 09A, tendo sido oferecidos valores indevidos à tributação. Anexa jurisprudência do CARF e dos TRFs da 3ª e 5ª Regiões. (...) Continua sua análise declarando que, em razão da autoridade administrativa exercer atividade vinculada, e entendese por vinculada “a atividade que não pode se separar da legalidade, tanto no que respeita ao conteúdo, quanto à forma”, não pode esta agir de forma arbitrária (“ação contrária ou excedente à lei”) descrevendo fatos que não condizem com a realidade, sob pena de restar caracterizada a dissociação do ato administrativo à legalidade, vez que infirmada sua motivação. Passa a discorrer sobre a Doutrina de Marçal Justem Filho e Hely Lopes Meirelles. (...) Portanto, considerando que a validade do ato administrativo é diretamente dependente da validade dos motivos que lhe dão origem, forçoso concluir que o ato ora questionado, carecendo de motivos válidos nos termos da legislação, deve ser cancelado. Como a partir dos registros contábeis da Recorrente, que confirmariam a impossibilidade de uma adição na tributação das variações cambiais de 2011 da ordem de R$ 58.500.777,42, não se poderia ter como correta a conclusão da fiscalização sobre a composição da base de cálculo para fins do lançamento de ofício perpetrado, viciando, por conseguinte, a base de cálculo do presente lançamento, em total desrespeito ao art. 142, parágrafo único do CTN, o que não pode ser aceito, pois, distante do princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V, e 112, ambos do CTN. Diante do erro na apuração da base de cálculo eleita pela fiscalização o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF entende que a infração deve ser julgada improcedente, como se denota do acórdão abaixo transcrito: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. NÃO ESTANDO OS AUTOS DEVIDAMENTE INSTRUÍDOS, apesar da tentativa infrutífera em procedimento de diligência, a impossibilidade de resolver a questão por falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito dá ensejo à IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO imputada ao interessado. Recurso Voluntário Provido. Sobre o assunto colacionase, ainda, acórdão proferido pela Primeira Seção de Julgamentos – Quarta Turma Especial: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE PROVAS DO ILÍCITO. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser cancelados os autos de infração que não estão instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (grifo nosso) Fl. 3427DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.415 27 Tendo em vista que o Agente Fiscal não se desincumbiu do ônus da prova que lhe competia, nulo é o lançamento. É nesse sentido que se posiciona a jurisprudência majoritária do CARF, conforme se extrai: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. [...] Diante de todo o exposto, ante a incorreta formação da base de cálculo do presente lançamento, que equivocadamente considera a possibilidade de adição na tributação das variações cambiais de 2011, mesmo tendo a Recorrente optado pelo Regime de Competência, devese cancelar o lançamento ora impugnado, nos termos do Artigo 61 do Decreto nº 70.235/72. Ainda que assim não se entenda, requerse seja anulado o acórdão ora recorrido, determinandose que o Julgador de Primeira Instância analise a prova constante dos autos, para determinar, ou não, o saneamento do vício apontado – incorreção da base de cálculo do lançamento –, em respeito ao disposto no artigo 60 do DecretoLei nº 70.235/1972. 2) O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL DEVE PREVALECER NA ANÁLISE E LEVANTAMENTO DOS NÚMEROS ATINENTES AO LANÇAMENTO ORA IMPUGNADO, NÃO SENDO ADMISSÍVEL QUE DIPJ E LALUR, À DESPEITO DOS DADOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE, PREVALEÇAM NA IDENTIFICAÇÃO DOS SALDOS CORRETOS DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES QUE DEVERIAM SER CONSIDERADAS EM 31/12/2011 Segundo a Recorrente, a teor do princípio da verdade material, eventual confusão decorrente do errôneo preenchimento de declarações pelo contribuinte não justifica a cobrança de tributo, muito menos a aplicação de penalidade, máxime, quando verificado no período a ocorrência de prejuízo. Nessa toada, como afirmado no presente Recurso, na identificação do saldo correto a ser adicionado e excluído em 31/12/2011 devem ser considerados os registros contábeis da Recorrente em detrimento dos números meramente declarados em DIPJ e LALUR, solenemente ignorados pela Fiscalização. Outro não é o entendimento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1997 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Fl. 3428DF CARF MF 28 Comprovado o mero erro material no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado o lançamento de ofício efetuado em sede de auditoria interna daquela declaração. Recurso de ofício negado. Bem como: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Colaciona jurisprudência do STJ nesse sentido. (...) Ressalta que a legislação pátria veda a utilização seletiva das provas, como a desconsideração dos registros contábeis e LALUR pela fiscalização, por exemplo. Neste sentido, já se manifestou a antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: RECURSO VOLUNTÁRIO – OMISSÃO DE RECEITA PRESUNÇÃO SIMPLES – Incumbe à fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. Se remanescer uma dúvida razoável da improcedência da exação, o julgador não poderá decidir contra o acusado. No estado de incerteza, o Direito preserva a liberdade em sua acepção mais ampla, protegendo o contribuinte da interferência do Estado sobre seu patrimônio. (GRIFO NOSSO) E mais: PROVA – PRESUNÇÃO SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS – a prova que decorre de presunção simples é tida pelo Direito como precária, pois normalmente sacrifica o que raramente ocorre pelo que se verificou repetidamente em situações idênticas no passado. Por isso, a evidência que se infere a partir de um indício deve ser aceita com a devida cautela. A constatação de um indício é apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência do fato gerador do tributo. Improcede o lançamento de ofício que não está respaldado em provas consistentes dos fatos alegados. Recurso de ofício negado. (GRIFO NOSSO) Neste ponto relembra o Contribuinte que, diferentemente da esfera civil, as exigências tributárias decorrem SEMPRE de lei, nos termos do art. 5º, II, e 150, I, da Constituição Federal25, e arts. 3º, 97, I e III, do CTN26, de modo que qualquer interpretação em sentido contrário esbarra na vedação do art. 108, inciso I, §1º do CTN. Fl. 3429DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.416 29 Aduz novamente que, acaso a Fiscalização efetuasse uma análise cuidadosa do razão contábil da Recorrente, concluiria que não há como se admitir como válida a existência do valor de R$ 109.910.492,61 como base de cálculo para o lançamento de ofício procedido pela Autoridade Fiscal. Acaso houvesse realizado o batimento dos livros, declarações e razões contábeis da Recorrente, haveria o Senhor Auditor Fiscal constatado o erro cometido pela Recorrente em suas declarações. Assim, ainda que tenham sido perpetrados equívocos na tributação, importante é observar que a Recorrente não causou qualquer prejuízo ao fisco, apurando prejuízo no anocalendário 2011, de modo que, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas na tributação não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Recorrente em 2011. O Artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) prevê expressamente que a inexatidão quanto à apuração, escrituração e reconhecimento de lucro (como é o caso dos autos) somente constitui fundamento para lançamento do imposto quando houver a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, in verbis: (...) No caso em tela, não haveria o que se falar em postergação do pagamento, tampouco em redução indevida do lucro tributável, na medida em que a Recorrente apurou PREJUÍZO no ano de 2011, de modo que a base de cálculo desses anoscalendários foi sempre negativa. Dessa forma, ante a comprovação de que houve erro de declaração da Recorrente no ano em análise, no qual, ressaltase, não houve redução indevida do recolhimento do imposto (prejuízo fiscal em 2011), requer a Recorrente seja JULGADO TOTALMENTE IMPROCEDENTE O LANÇAMENTO ORA QUESTIONADO. 3) VARIAÇÃO CAMBIAL. ADIÇÃO INDEVIDA NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. ANOCALENDÁRIO 2011. REGIME DE COMPETÊNCIA Aduz a Recorrente que, em que pese a discussão dos autos não envolva a tributação das Variações Cambiais da Recorrente, conforme anteriormente salientado, mister se faz analisar a escrituração das variações cambiais no anocalendário 2011, haja vista que a Recorrente equivocadamente adicionou na linha 12 – Variações Cambiais Passivas da Ficha 09A da DIPJ o valor de R$ 58.500.777,42, quando, em se tratando de regime de competência (conforme expressamente requerido pela Recorrente em sua DCTF), não seria possível a realização de adições. Neste ponto, segundo a Recorrente, o acórdão recorrido teria, equivocamente, decidido que: Fl. 3430DF CARF MF 30 “[...] somente agora na fase impugnatória é que a contribuinte pretende que sejam aceitos os valores que alega serem relativos às variações cambiais ativa e passiva. Segundo o art. 147, já mencionado, somente seriam aceitáveis tais alterações informadas na impugnação se fossem comprovadas com documentação hábil.” A Recorrente trouxe aos autos provas hábeis a comprovar o equívoco na escrituração das variações cambiais no anocalendário 2011, senão vejamos. As variações cambiais são regidas pelos comandos da Medida Provisória nº 2.15835/2000, que assim regulava: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2o A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Como descreve a legislação, a tributação dessas variações cambiais não apresenta maior complexidade, pois, seus efeitos financeiros somente deverão ser considerados quando da liquidação da correspondente operação. Logo, a regra é a sua tributação pelo regime de CAIXA. À opção da pessoa jurídica, que deverá ser expressa, tais variações poderão ser tributadas segundo o regime de COMPETÊNCIA, como foi o caso da autuada. No regime de competência, a variação cambial é reconhecida a cada período, independentemente da liquidação da operação. Assim, se ocorrer no período uma variação cambial passiva (despesa), já nesse período ela irá reduzir o lucro da empresa e, talvez, o montante do imposto de renda devido. Ao contrário, caso ocorra no período uma variação cambial ativa (receita), ela irá implicar aumento no lucro e, talvez, a majoração do tributo devido. Ao contrário, no regime de caixa, apenas quando da liquidação da operação é que será reconhecido o ganho ou a perda cambial. Fl. 3431DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.417 31 Ou seja, as variações cambiais passivas, no regime de competência, não transitam pelas “adições” na apuração do lucro real. Por se tratar de regime de competência, estas devem ser escrituradas diretamente nas exclusões. O contrário também é válido, por óbvio. Acaso houvessem variações cambiais ativas naquele período (competência), deveriam diretamente ser escriturados na adição para apuração do lucro real, majorando a base de cálculo do IRPJ e CSLL devidos. Mutatis mutandis, outro não é o entendimento deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “IMPOSTO COMPLEMENTAR. INEXISTÊNCIA. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. LANÇAMENTO DECORRENTE CANCELADO. Quando o contribuinte comprova ter se equivocado no preenchimento de declaração de ajuste retificadora, informando imposto complementar inexistente, o lançamento decorrente desta glosa deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. (Acn 2401004.712, Processo 10840.724099/201412, Contribuinte Adalberon Celio Lopes de Faria, Tipo do Recurso Recurso Voluntario, Data da Sessão 03/04/2017, Relator(a) Marcio de Lacerda Martins)” (grifo nosso) IRPJ. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO EQUIVOCADO. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material rege os processos administrativos fiscais, deste modo, os erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, consoante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. (Ac nº 1302001.961, Processo 13896.000485/9516 Contribuinte Kitt Empreendimentos Agropecuarios Ltda – Me, Tipo Do Recurso Recurso Voluntario, Data Da Sessão 10/08/2016, Relator(A) Rogerio Aparecido Gil) PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n° 11). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, não tendo sido corretamente computados os prejuízos fiscais, deve ser cancelado o lançamento de ofício em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. (Ac nº 1301001.994, Processo 13771.000412/9848, Contribuinte SEDUCAO AGROPECUARIA IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO, Data da Sessão 03/05/2016, Relator(a) MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO) (grifo nosso) “Confirmado erro de fato no preenchimento da declaração do imposto, mesmo que na rase recursal, não há como subsistir o Fl. 3432DF CARF MF 32 lançamento de ofício. Recurso Procedente (Ac. Nº 10227.319, DOU de 07.02.95, pg. 1564, Rel. Cons. Francisco de Paula Correa Carneiro Giffoni).” “Na modalidade de lançamento por declaração, os erros de fato contidos da declaração de rendimentos e apuráveis pelos seu simples exame ou processamento, serão retificados de ofício pela autoridade lançadora, e não ensejarão aplicação de multa”. (Ac. N. 10229.554, DOU de 27.03.95, pg. 4.156, Rel. Cons. Carlos Emanuel dos Santos Paiva.)” (grifo nosso) Assim, a partir de dados extraídos da sua contabilidade (documentos de livre acesso do Fiscal), deveria este ter evidenciado a adição indevida de R$ 58 milhões na apuração do lucro real da Recorrente, os quais majoraram amplamente a base de cálculo de IRPJ e CSLL da empresa. Dessa forma, deveria o Sr. Fiscal ter excluído os R$ 58.500.777,42 da base de cálculo apurada para lançamento de ofício R$ 109.910.492,61, de modo que restariam como base de cálculo – cujos valores foram integralmente impugnados – R$ 51.409.715,19. 4) REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL Segundo a Recorrente, ante o requerimento de Perícia, restou o Acórdão a indeferilo simploriamente alegando que: “Quanto ao pedido de perícia, indefiroo por entender dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida e depende de apresentação de provas pela impugnante”. No entanto, tal entendimento, data vênia, não mereceria prosperar visto que, conforme largamente demonstrado no presente Recurso Voluntário e na Impugnação apresentada, o Sr. Auditor Fiscal não analisou todo o arcabouço contábil da contribuinte, sobretudo DIPJ, DCTF e LALUR e, reiterase, todos documentos aos quais possuía acesso. Além, disso, como se demonstrou, não se atentou que a recorrente efetuou, equivocadamente, adição na linha 12 – Variações Cambiais Passivas da Ficha 09A da DIPJ o valor de R$ 58.500.777,42, quando não deveria ter feito desta maneira, em vista do regime de competência eleito. Portanto, os argumentos para indeferimento do pedido de perícia não demonstram de maneira precisa o motivo pelo qual entende ser prescindível o seu deferimento. E, além disso, como se viu no decorrer do acórdão, foi desconsiderada toda a argumentação que demonstra que o auditor fiscal desconsiderou o equívoco na declaração feita pelo contribuinte. Destarte, a necessidade de perícia é imprescindível para que um especialista contábil demonstre que houve equívoco por parte da recorrente e que se houvesse o auditor se atentado para referido fato a Base de Cálculo seria inferior a da autuação, ou seja, haveria uma alteração na base de cálculo, o que, por si só, enseja na anulação do lançamento. Esclarece Leandro Paulsen que “A perícia é prova produzida por especialista que opina sobre questões técnicas relevantes ao deslinde do litígio. A perícia será deferida obrigatoriamente quando for necessária à solução da lide, assim entendida a perícia que influencie a decisão a ser proferida.” Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.418 33 Destarte, como se vê, acaso na análise o Sr. Perito demonstre que houve o equívoco do auditor, haverá alteração na decisão proferida. Assim, o indeferimento do presente pedido de perícia tratase de cerceamento de defesa! Diante de toda a fundamentação exposta, a Contribuinte vem requerer o retorno dos presentes autos à Delegacia de Julgamentos para realização da perícia contábil, afim de que sejam analisadas pormenorizadamente toda a prova documental já carreada nos autos, em conjunto com eventuais documentos que venham a ser juntados posteriormente ou solicitados pelo perito, razão pela qual, em atenção ao disposto nos artigos 16, inciso IV e 18 do Decreto nº 70.235/70, novamente, expõe os motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. QUESITOS: 1) Analisando os registros contábeis da Recorrente, e quaisquer outros documentos que venha a solicitar para a realização do seu mister, informe o senhor perito se é possível identificar que elementos compõem o número declarado pela Recorrente à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente; 2) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se o montante de R$ 63.020.090,60 pode ser identificado com inserido no total declarado à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente; 3) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se o montante de R$ 63.020.090,60, inserido no total declarado à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente, encontrase registrado no LALUR como Variação Cambial a ser adicionada (paginas 62 – 63variação cambial); 4) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, uma vez comprovada a possibilidade de adição de R$ 63.020.090,60 em 31/12/2008 a título de variação cambial pela Recorrente, pode ser tida como prejudicada a conclusão da fiscalização de que as suas variações cambiais de 2008 foram tributadas pelo regime de COMPETÊNCIA; 5) Analisando os registros contábeis da Recorrente, e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, informe o senhor perito se os valores adicionados e excluídos pela Recorrente na tributação da sua variação cambial nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 encontramse respaldados na sua escrita contábil; Fl. 3434DF CARF MF 34 6) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, quais seriam os valores corretos que deveriam ter sido adicionados e excluídos pela Recorrente na tributação da sua variação cambial nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010; 7) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, na tributação das variações cambiais da Recorrente, a exclusão realizada em 31/12/2009, de R$ 156.546.523,09, deve ser avaliada em correlação à adição de R$ 136.050.141,75 efetuada em 31/12/2008; 8) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, na tributação das variações cambiais da Recorrente, tendo em conta a possibilidade de que a exclusão realizada em 31/12/2009, de R$ 156.546.523,09, tenha correlação com a adição de R$ 136.050.141,75 efetuada em 31/12/2008, é possível entenderse como válida a existência de saldo ainda a tributar de variação cambial em 31/12/2010, no montante de R$ 156.546.523,09. Essas foram as alegações trazidas, tanto pela Autoridade Fiscal para embasar o lançamento em relação a cada uma das infrações apuradas, quanto pela defesa em sua peça recursal ao CARF. Como vimos, a Recorrente reproduziu em seu recurso voluntário praticamente todos os argumentos já trazidos quando da impugnação, não inovando nem acrescentando praticamente nada que seja relevante para contrapor as razões constantes da decisão recorrida, que lhe foi amplamente desfavorável. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1465.280 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011 REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA DE CRÉDITO EM CONTA DE RESULTADO. Mantémse a exigência fiscal relativa à exclusão das reversões de provisões indedutíveis, quando não ficar comprovado que tais valores foram efetivamente creditados em conta de resultado. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO E REQUISITOS LEGAIS. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos. DIPJ. RETIFICAÇÃO. Incabível, depois de efetuado o lançamento de ofício, a retificação de valores declarados em DIPJ de anocalendário anterior, que vise reduzir a infração apurada pelo fisco, quando não comprovada com documentação hábil. Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.419 35 ADIÇÃO AO LUCRO REAL. ERRO. Constatandose erro no cálculo da adição ao lucro real tributada, alterase o IRPJ exigido no auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. Incabível a alegação de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. O julgamento acima reduziu o crédito tributário relativo ao IRPJ, de R$9.872.778,20 para R$9.218.680,88, tendo mantido integralmente a exigência relativa à CSLL, não havendo recurso de ofício a ser apreciado. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Do mérito da autuação Fl. 3436DF CARF MF 36 Conforme podemos depreender da leitura do Relatório, a matéria tributária posta em discussão é bastante extensa, haja vista o nº de infrações apontadas pela Autoridade Fiscal. As infrações verificadas foram as seguintes: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS; 2) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS: DESPESAS NÃO COMPROVADAS – REEMBOLSOS; 3) AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL RECONHECIDO A MENOR; 4) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDAS – ADIANTAMENTO A FORNECEDORES DE CANA; 5) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO PARA PERDA DE ESTOQUE; 6) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – PROVISÃO CONTRIBUIÇÃO SINDICAL; 7) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: EXCLUSÕES INDEVIDAS – OUTRAS EXCLUSÕES; 8) MULTA OU JUROS ISOLADOS: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA; 9) REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO – RTT: AJUSTE DE RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE – AJUSTE A MENOR. De todas as infrações acima, apenas a relativa ao acréscimo patrimonial reconhecido a menor e que deveria ter sido adicionado ao lucro líquido quando da apuração do lucro real (item 3) foi afastada pela decisão de piso, ainda assim, somente em relação ao IRPJ, eis que a exigência da CSLL resultante de tal infração permaneceu incólume. Já a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não foi objeto de irresignação por parte da Recorrente em seu recurso voluntário. O recurso voluntário rebate cada uma das infrações apontadas pela Autoridade Fiscal, entretanto, praticamente, não dialoga com a decisão recorrida, pois limitase a repetir os mesmos argumentos já exposados na impugnação de efls. 2.270/2.315. Uma única exceção a essa constatação referese ao pedido de diligência, conforme veremos no momento oportuno. Além dos argumentos trazidos para combater as infrações levantadas pela Fiscalização, a Recorrente apresenta mais outros quatro pontos para análise: 1) PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA BASE DE CÁLCULO; Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.420 37 2) O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL DEVE PREVALECER NA ANÁLISE E LEVANTAMENTO DOS NÚMEROS ATINENTES AO LANÇAMENTO ORA IMPUGNADO, NÃO SENDO ADMISSÍVEL QUE DIPJ E LALUR, À DESPEITO DOS DADOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE, PREVALEÇAM NA IDENTIFICAÇÃO DOS SALDOS CORRETOS DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES QUE DEVERIAM SER CONSIDERADAS EM 31/12/2011; 3) VARIAÇÃO CAMBIAL. ADIÇÃO INDEVIDA NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. ANOCALENDÁRIO 2011. REGIME DE COMPETÊNCIA; 4) REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL Também nesses casos, os mesmos argumentos já apresentados quando da impugnação são repetidos (à exceção do pedido de perícia), ipsis litteris, no recurso voluntário, sem que a decisão recorrida seja objeto de contestação direta. As duas primeiras foram apresentadas no recurso como preliminares de nulidade do Auto de Infração, mas tem relação direta com a terceira, pois a Recorrente alega ter cometido erro no preenchimento da DIPJ/2012. Alega que a composição da base de cálculo do lançamento realizada pela Fiscalização demonstrase totalmente contrária à realidade fática. A teor do que já teria sido demonstrado na Impugnação e novamente é apresentado no presente Recurso, contudo, ainda que equivocadamente declarada, a Fiscalização não poderia ter considerado como correta a adição pura e simples do montante de R$ 58.500.777,42 na apuração encerrada em 31/12/2011, pois, a partir dos registros contábeis da empresa e, sobretudo, da escolha pelo regime de competência (conforme expressamente informado pela Contribuinte em sua DCTF), estas variações cambiais não poderiam ter sido incluídas nas adições da Ficha 09A da DIPJ/2012, em sua linha 12. Da forma como foi preenchida a declaração, teriam sido oferecidos valores indevidos à tributação. Assim, ante a incorreta formação da base de cálculo do lançamento, que segundo a Recorrente, equivocadamente considera a possibilidade de adição na tributação das variações cambiais de 2011, mesmo tendo a Contribuinte optado pelo regime de competência, deverseia cancelar o lançamento, nos termos do Artigo 61 do Decreto nº 70.235/72. Também segundo a Recorrente, a teor do princípio da verdade material, eventual confusão decorrente do errôneo preenchimento de declarações pelo contribuinte não justifica a cobrança de tributo, muito menos a aplicação de penalidade, máxime, quando verificado no período a ocorrência de prejuízo. Assim, deveriam ser considerados os registros contábeis da Recorrente em detrimento dos números meramente declarados em DIPJ e LALUR, que teriam sido "solenemente ignorados pela Fiscalização". Ressalta, ainda, a Recorrente, que mesmo que tenham sido perpetrados equívocos na tributação, seria importante observar que a Contribuinte não teria causado qualquer prejuízo ao Fisco, pois apurou prejuízo no anocalendário 2011, de modo que, como demonstrariam seus registros contábeis, as diferenças identificadas na tributação não seriam suficientes para alterar o mesmo. Fl. 3438DF CARF MF 38 O erro a que se refere a Contribuinte foi apontado tão somente na fase de impugnação ao auto de infração. Apesar disso, a Recorrente tenta transferir à Autoridade Fiscal a responsabilidade pelo levantamento e correção de erro cometido por ela mesmo na sua declaração, justificando, assim, o pedido de declaração de nulidade do lançamento. Nulidade, nos termos em que alegada pela Recorrente, não existiu. Em nenhum momento, durante todo o procedimento fiscal, o aventado erro no preenchimento da DIPJ, relativo às adições de variações cambiais passivas, foi levado ao conhecimento da Autoridade Administrativa. Se a Fiscalização tivesse tido conhecimento de tal fato e não realizasse as diligências necessárias para sua verificação, poderíamos estar discutindo o assunto em termos de nulidade. Em regra, eventuais erros cometidos pela Autoridade Fiscal na determinação da base de cálculo não ensejam nulidade, podendo ser corrigidos no decorrer do processo tributário, desde que tais correções não impliquem em agravamento da exigência ou sejam tais que descaracterizem por completo a mesma, a exemplo da mudança de critério jurídico do lançamento. Mas, não foi o que ocorreu. Diante do Auto de Infração lavrado contra si, tenta a Recorrente desconstituílo com base em alegações infundadas de existência de nulidade no lançamento. Sobre o assunto poderia colacionar uma infinidade de precedentes deste Tribunal, mas resolvi prestigiar o Ilustre Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, componente desta Turma, que no Acórdão nº 1401002.286, de 14/02/2018, assim se manifestou: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE POR ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O erro de apuração de base de cálculo dos tributos lançados, e corrigidos durante a fase processual, não inviabilizam o processo administrativo fiscal a ponto de causar sua nulidade ou improcedência, por se tratar de mero erro material. Assim, rejeito as arguições de nulidade do Auto de Infração em decorrência de erro na apuração da base de cálculo e desrespeito ao princípio da verdade material. Com relação ao alegado erro de preenchimento da DIPJ/2012, assim se pronunciou a DRJ/RPO (v. efls. 3.333): Vêse que a contribuinte pretende, na fase impugnatória, retificar o citado valor informado em sua DIPJ do AC de 2011, como adição ao lucro líquido na apuração do lucro real. A esse respeito, o art. 147, § 1º, do CTN, dispõe que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, somente agora na fase impugnatória é que a contribuinte pretende que sejam aceitos os valores que alega serem relativos às variações cambiais ativa e Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.421 39 passiva. Segundo o art. 147, já mencionado, somente seriam aceitáveis tais alterações informadas na impugnação se fossem comprovadas com documentação hábil. Assim, o ônus da prova recai sobre a contribuinte que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato alegado. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possuir, que possam influir na solução do litígio. E o novo Código de Processo Civil (CPC), determina em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, não tendo sido apresentadas provas, não se pode acatar a alegação feita pela autuada. Percebese que a DRJ/RPO indeferiu o pedido da Recorrente de ver reconhecido o seu erro na DIPJ, com sua consequente consideração na apuração do quantum devido no lançamento, pela falta de apresentação de provas do respectivo erro cometido. Entretanto, acredito que a constatação desse erro poderia ser realizada a partir da análise tão somente do LALUR/2011, da DIPJ/12 e da DCTF de janeiro de 2011, todos documentos que já constam do processo (v. efls. 1.681/1.750, 887/940 e 2.355 respectivamente). O LALUR/2011 não apresenta nenhum valor escriturado ou controlado em sua parte B a título de variações cambiais passivas ou ativas no período. A DIPJ/2012 informa o seguinte em suas Fichas 6A (v. efls. 895/896) e 9A (v. efls. 899/900): Fl. 3440DF CARF MF 40 Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.422 41 Já a DCTF de janeiro de 2011 informa a opção pela qual a Contribuinte passou a tributar as variações cambiais a partir do respectivo ano: Fl. 3442DF CARF MF 42 Conforme informado na DCTF, o critério de reconhecimento das variações cambiais adotado pela Recorrente para o ano de 2011 foi o de competência. Assim, as receitas/despesas decorrentes das variações cambiais de contratos firmados pela Contribuinte devem ser reconhecidas a cada período de apuração, e não somente quando da liquidação das respectivas obrigações/créditos. Se fosse esse o caso, reconhecimento pelo regime de caixa, ou liquidação, os valores incorridos em determinado período e que deveriam ser tributados em períodos futuros (quando do vencimento das obrigações/créditos), comporiam a escrituração contábil (apuração do resultado) devendo ser objeto de ajuste (por adição ou exclusão) na apuração do lucro real. No caso em apreço, verificase que a Contribuinte auferiu e trouxe para a apuração do resultado receitas de variações cambiais no importe de R$137.265.903,61 (v. linha 19, Ficha 06A) e despesas de variações cambiais passivas de R$58.500.777,42 (v. linha 45, Ficha 06A). Destes valores, apenas o relativo às variações cambiais passivas foi adicionado na Ficha 09A, em sua linha 12. Tendo a Recorrente optado pela tributação das variações cambiais com base no regime de competência, realmente, não se justifica a referida adição. Assim, s.m.j., considero que existem, sim, provas suficientes para demonstrar que a adição de R$58.500.777,42 informada na DIPJ/2012 foi feita indevidamente. Portanto, a base de cálculo do lançamento deverá ser objeto de ajuste, considerando a informação erroneamente declarada. Passemos, pois, à análise de cada uma das infrações apontadas pela Fiscalização. Adotei a sistemática de, primeiramente, colacionar os trechos do acórdão recorrido que tratam de cada uma das infrações, pois, adianto, neguei provimento a todos os casos, para, após, declarar meu voto pela manutenção do lançamento com fundamento nas razões de decidir albergadas na decisão de piso, utilizandome da prerrogativa delineada no art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 329/2017). Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.423 43 1) Custos, despesas operacionais e encargos: despesas não necessárias – R$436.721,81; 2) Custos, despesas operacionais e encargos: despesas não comprovadas – reembolsos – R$221.250,20; Decidiu o Acórdão recorrido no seguinte sentido: Quanto aos valores deduzidos a título de Taxas Diversas, correspondentes a quantias entregues à Cetesb, a Sindicatos de Empregados, pagos a título de auxílio e de formação de pessoal, a contribuinte apenas afirma que são despesas necessárias a sua atividade. A respeito das taxas pagas à Cetesb, a fiscalização afirma que estão relacionadas às atividades de outras empresas do grupo ou não são necessárias à manutenção da fonte produtora. Relatou o fisco que, dentre elas, existem as que foram pagas em razão da queima de palha de canadeaçúcar em diversas fazendas cuja produção é feita por empresas agropecuárias pertencentes ao grupo da Renuka do Brasil S/A. As taxas de queima de palha são de obrigação de quem efetua a colheita, tarefa que não é da contribuinte. Por essa razão, não devem ser suportadas por ela que apenas compra o produto da lavoura da canadeaçúcar. Não sendo uma despesa indispensável para a formação do resultado da empresa, deve ser considerada indedutível. Com relação às taxas pagas a sindicatos de empregados, relata o fiscal que se referem a pagamento de taxa para o fundo de inclusão social (no valor de R$ 51.660,00), para a realização de projetos para aprimoramento do atendimento aos empregados ligados à categoria dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêutica e da Fabricação de Álcool Bioetanol e Biocombustível de Araçatuba e Região, no valor de R$ 48.000,00 e a taxa de R$ 48.000,00 paga em favor do Sindicato dos Condutores de Veículos de Lins, a qual não foi comprovada. Verificase que tais valores, ainda que resultantes de acordos firmados com sindicatos, foram pagos por mera liberalidade da contribuinte, pois não correspondem à obrigação legal e não estão vinculados à previdência. Assim, devem ser consideradas indedutíveis para fins de apuração do lucro real. Relativamente à quantia paga a título de “formação de pessoal” (R$ 144.450,13), a contribuinte, sendo intimada, apresentou documentos que demonstraram que foram pagas por meio de folha de pagamento, mas não informou os beneficiários, os tipos de curso e os critérios de reembolso. Cabe ressaltar que as despesas relativas a treinamentos de empregados somente são dedutíveis quando vinculadas à atividade fim da empresa. Vejase a ementa do CARF que reforça este entendimento: IRPJ. DESPESAS NECESSÁRIAS Demonstrado nos autos que as despesas com cursos e treinamentos bem como os valores pagos a título de pagamento de licença para uso da marca estão vinculados ao objeto social da empresa, cabível sua apropriação como despesa operacional. (Ac. 10322516, 22/06/2006, 3ª Câmara, 1º Conselho) Dessa forma, não comprovada a necessidade de tal despesa para a manutenção da fonte produtiva, mantémse o lançamento nessa parte. Quanto ao total de R$ 104.302,28, pago a título de “auxílio” (reembolso de óculos – R$ 20.087,60, auxílio pago a diversas prefeituras, despesas da Associação Fl. 3444DF CARF MF 44 Desportista Classista dos Funcionários do Grupo Equipav – energia elétrica, reparo no telhado, despesas médicas), a contribuinte não comprovou, com documentação hábil e idônea, a indispensabilidade de tais desembolsos para a atividade da empresa. Dessa forma, mantémse o lançamento nessa parte. Perfeito o entendimento da DRJ/RPO. Algumas despesas não foram objeto de comprovação por parte da Recorrente, seja em sede de impugnação, seja no presente recurso voluntário. Outras, devido à sua patente desnecessidade (p.ex. reembolso de óculos, auxílio pago a diversas prefeituras, despesas da Associação Desportista Classista dos Funcionários do Grupo Equipav etc), foram glosadas acertadamente. Ainda temos despesas que se mostraram de responsabilidade de outras empresas que não a Recorrente, a exemplo das taxas pagas à CETESB. Mesmo se tratando de grupo econômico, constituído de várias empresas, devese ter em conta que cada unidade revestese de um centro de custos único. Em havendo custos/despesas comuns, sua comprovação e repartição deve seguir regras próprias e perfeitamente demonstráveis ao Órgão Fiscalizador, o que não aconteceu no presente caso. Continuando nossa análise, assim decidiu o acórdão recorrido a respeito das glosas com reembolsos. Quanto aos reembolsos não comprovados alega a contribuinte que “As empresas de auditoria externa contratadas estão, geralmente, situadas em São Paulo, de modo que o reembolso dos custos com deslocamento dos funcionários para comparecimento na sede da empresa autuada é medida que se impõe, não podendo ser considerados inerentes à atividade da empresa de consultoria, muito menos parte de sua RECEITA”. Defende que não houve redução indevida do pagamento de IRPJ e CSLL nos períodos a que se referiam tais despesas, nos quais, ressalta, não houve redução indevida do recolhimento do imposto (prejuízo fiscal em 2011), respeitandose o disposto no artigo 299 do RIR. Verificase que a contribuinte pretende deduzir tais despesas ancorada em simples “notas de débito” como se fossem despesas resultantes de suas atividades, quando são valores que deveriam ser suportados pelo prestador dos serviços. Além disso, constatou o fisco que “os documentos apresentados não apresentam coerência entre si”: citese,como exemplo, o caso em que os valores são cobrados via boleto bancário no qual se identifica como sacado a Renuka do Brasil S/A, contudo, no detalhamento do valor de R$ 23.361,09 (que compõe o total de R$ 29.408,87 cobrado no boleto bancário juntamente com parcela de R$ 6.047,78) do qual se retirou o valor de R$ 12.104,90 questionado pela fiscalização aponta como cliente a Shree Renuka do Brasil Participações Ltda enquanto o detalhamento dos R$ 6.047,78 aponta como cliente a Renuka do Brasil S/A, ou seja, num mesmo boleto, existem cobranças relativas a duas empresas diferentes, sendo que o valor questionado pela fiscalização sequer se trata de despesa da fiscalizada. Dessa forma, à míngua de provas hábeis de tais despesas mantémse a glosa. Em seu recurso, alega a Recorrente que muitos são os julgados do CARF que aceitam a nota de débito como comprovação do reembolso de despesas, citando o seguinte Acórdão: [...] GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. NOTAS DE DÉBITO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A nota fiscal/fatura se reserva à prestação de serviços. Reembolso, ajustado como tal, i.e., sem compor o preço de Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.424 45 prestação de serviço questão não questionada no feito, inclusive por ser afeta à contratada nem poderia constar em nota fiscal/fatura. Nesse contexto, as notas de débito com os respectivos relatórios de tarifador do PABX, constantes nos autos, são provas hábeis e suficientes para a comprovação da consecução das despesas de reembolso, independentemente de pagamento efetivo. Glosas insubsistente. (Ac. 1103001.044, de 06/05/2014) O precedente não ajuda a Recorrente, pelo contrário, atrapalha, na medida que é claro ao afirmar que “as notas de débito com os respectivos relatórios de tarifador do PABX, constantes nos autos, são provas hábeis e suficientes para a comprovação da consecução das despesas de reembolso”. Ora, onde estão as demais provas que dão suporte às referidas notas de débito? A Recorrente não logrou fazer essa prova, por isso teve as despesas glosadas. Sigamos mais além, analisando o seguinte parágrafo de seu recurso: As empresas de auditoria externa contratadas estão, geralmente, situadas em São Paulo, de modo que o reembolso dos custos com deslocamento dos funcionários para comparecimento na sede da empresa autuada é medida que se impõe, não podendo ser considerados inerentes à atividade da empresa de consultoria, muito menos parte de sua RECEITA. A pergunta que me faço é a seguinte: se pode ser considerada como despesa para a Recorrente, como poderia deixar de ser receita para a beneficiária, neste caso, as empresas de consultoria tributária? Tem caráter indenizatório, recompõe o patrimônio de alguém? Evidentemente que não. Assim, mantenho a decisão de piso por seus próprios fundamentos. 3) ajustes do lucro líquido: adições não computadas na apuração do lucro real – acréscimo patrimonial reconhecido a menor – R$13.252.438,92; Como vimos, esta infração foi afastada, em parte, pela decisão recorrida, conforme podemos ver abaixo: Ajustes do Lucro Líquido do Exercício. Infração: adições não computadas na apuração do Lucro Real Acréscimo Patrimonial Reconhecido a Menor, no valor de R$ 13.252.438,92 Na impugnação, a contribuinte alega que, diferente do alegado pela fiscalização (de que foi adicionado o valor de RS 97.808.133,97), a linha 44 da Ficha 09A da DIPJ/2012 remonta à rubrica "outras adições", as quais somam a quantia de R$ 100.424.523,21. A contribuinte admite que cometeu erro em suas declarações e demonstra que a diferença relativa à linha 44 da ficha 09 A da DIPJ é R$ 10.636.049,68. Examinando a documentação juntada no processo, constatase que assiste razão à contribuinte, pois consta na ficha9 A da DIPJ o valor de R$ 100.424.523,21 e deve ser alterado para R$ 10.636.049,68, o valor da infração relativa ao Acréscimo Patrimonial Reconhecido a Menor (R$ 111.060.572,89 – R$ 100.424.523,21). Fl. 3446DF CARF MF 46 Observase, quanto à CSLL, que o valor declarado na ficha 17 da DIPJ é aquele indicado pelo fisco, ou seja, R$ 97.808.133,67, razão pela qual não se altera o valor da CSLL exigida no auto de infração. Quanto à afirmação de que não houve prejuízo ao fisco, uma vez que as diferenças tributadas não seriam suficientes para alterar o prejuízo por ela apurado, como já mencionado nesse voto, enganase a contribuinte conforme se percebe no demonstrativo de fl.2225, uma vez que o prejuízo fiscal apurado foi de R$ 53.357.474,33 e as infrações apuradas somam R$ 109.910.492,61. Portanto, nesse caso, em relação ao IRPJ, a base de cálculo da infração foi reduzida em R$2.616.389,24 (R$13.252.438,92 R$10.636.049,68), não tendo havido recurso por parte da Recorrente em relação ao restante mantido da infração. Também não houve recurso por parte da Contribuinte em relação à CSLL, razão pela qual permanece a exigência, não havendo o que se falar a respeito. 4) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real: exclusões indevidas – provisão para perdas – adiantamento a fornecedores de cana – R$58.131.188,63; Tratase da infração de maior monta, perfazendo um total de R$58.131.188,63 que teriam sido excluídos da apuração do lucro real indevidamente. Assim decidiu o acórdão recorrido: O cerne da acusação fiscal pode ser resumido nas palavras do Autuante, abaixo reproduzidas e constantes do Termo de Verificação Fiscal às efls. 2.141. Como é possível se verificar na tabela acima, parte do valor considerado na linha 46 da ficha 09A da DIPJ 2012 tem origem, segundo informações prestadas na elaboração da memória de cálculos, em saldos de contas de ativo (1.1.2.03.10.900 e 1.1.2.03.10.901) que foram teriam afetado o resultado do exercício de 2011 através das contas de resultado 4.2.3.01.10.010 e 4.2.3.01.10.020. Examinando a contabilidade, entretanto, o que se verifica é situação diversa. Primeiramente, é relevante que se consigne que as receitas de reversão das Provisões para Perdas com Adiantamento a Fornecedores de Cana não foram consideradas na ficha 06A da DIPJ 2012, ou seja, na apuração do lucro líquido demonstrado ao fisco não houve lançamento a crédito correspondente à reversão dessas provisões. Sendo assim, é de se estranhar que tais valores tenham sido excluídos na apuração lucro real na medida em que os ajustes feitos na apuração do lucro líquido para determinação do resultado fiscal devem buscar a neutralidade dos efeitos decorrentes da constituição e da baixa de provisões consideradas indedutíveis. Conforme se demonstrará a seguir, o montante de R$ 50.085.915,57 com origem na conta 1.1.2.03.10.901 – ()PROVISÃO PARA PERDAS DE ADTO.FORNECEDORES DE CANA indicado na memória de cálculo do sujeito passivo e transcrita acima não poderia ter sido excluído na apuração do lucro real, seja porque se trata de provisão que não afetou a apuração do resultado do período seja porque a origem dos valores provisionados é estranha às atividades da empresa. Para demonstrar tal assertiva passo, inicialmente, ao exame da escrita contábil entregue ao SPED. A decisão recorrida está espelhada abaixo (v. efls. 3.329/3.330): Com relação aos valores excluídos do lucro líquido (para determinação do lucro real) a título de provisão para perdas de adiantamento para fornecedores de cana, Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.425 47 alega a contribuinte que a fiscalização desconsiderou os contratos de parceria agrícola e os contratos de compra e venda de safra futura de canadeaçúcar firmados pela contribuinte e os proprietários de terras produtoras de canadeaçúcar da região em que estão localizadas as usinas da Impugnante. Afirma que a fiscalização não comprovou que os referidos negócios jurídicos teriam sido praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, tendo em conta o comando do art. 116, parágrafo único do CTN. Temse que a contribuinte registra a provisão diretamente contra a conta de patrimônio líquido 2.4.3.01.10.020 LUCRO/PREJUÍZO DO EXERCÍCIO, o que implica dizer que esse modo de escriturar não afetou o resultado contábil do período, portanto, não se justificaria qualquer ajuste para apuração do lucro real, seja a título de adição, seja a título de exclusão. Já a baixa da conta de provisão é feita contra a conta de ativo. Dessa forma, para que esses valores, que não afetaram o lucro líquido, sejam considerados no lucro real, têm que ser considerados dedutíveis para fins de apuração do imposto de renda (art. 250 do RIR/1999). Vêse do que consta no processo que a origem das perdas que o sujeito passivo pretende ver refletidas em seu resultado fiscal são adiantamentos feitos em dinheiro para parceiros agrícolas. Ocorre que a contribuinte não firmou os alegados contratos de parcerias com proprietários rurais. As parcerias rurais foram formalizadas em nome de diversas empresas do grupo ao qual pertence a Renuka tais como: Barreirinha Agropecuária, Agropav Agropecuária e Novagropav. Assim, referidos valores não poderiam ser dedutíveis. E mesmo se tais contratos de parceria tivessem sido firmados pela contribuinte, as despesas não seriam dedutíveis como perda, pois, pela natureza desse tipo de contrato, ambos os contratantes (parceiro outorgante e parceiro outorgado) correm o risco da produção. Desse modo, se o parceiro outorgado (aquele que se compromete a exercer a atividade agrícola em propriedade alheia) efetua adiantamentos financeiros em razão de uma safra esperada e essa não acontece, o parceiro outorgante (o proprietário rural) não poderia ficar com esse recurso em prejuízo do parceiro outorgado sob pena de haver enriquecimento sem causa. Quanto aos contratos que a fiscalizada alega possuir com os proprietários rurais para compra e venda de safra futura da parte que cabe a esse proprietários nas parcerias que realizam com as empresas do grupo RENUKA, são aleatórios do tipo "emptio rei speratae", no qual o comprador assume o risco pela quantidade da coisa futura. Assim, não se trata de perda, mas sim de custo em relação ao qual o sujeito passivo está obrigado a emissão de nota fiscal complementar para fins de aumentar o custo por tonelagem de cana no caso da colheita ser inferior àquela esperada no respectivo período. Sendo assim, mantémse a glosa. (grifos nossos) Já a Contribuinte, em seu recurso, rebate a decisão recorrida tão somente nos seguintes trechos (v. efls. 3.365 e ss): Neste contexto, entendeu o d. Julgador de Primeiro Grau que: “Quanto aos contratos que a fiscalizada alega possuir com os proprietários rurais para compra e venda de safra futura da parte que cabe a esse proprietários nas parcerias que realizam com as empresas do grupo RENUKA, são aleatórios do tipo "emptio rei speratae", no qual o comprador Fl. 3448DF CARF MF 48 assume o risco pela quantidade da coisa futura. Assim, não se trata de perda, mas sim de custo em relação ao qual o sujeito passivo está obrigado a emissão de nota fiscal complementar para fins de aumentar o custo por tonelagem de cana no caso da colheita ser inferior àquela esperada no respectivo período.” Com a devida vênia ao entendimento eleito, a decisão ignora que a Recorrente efetuou as provisões quando não havia cana a ser colhida, e também ignora que a reversão e baixa da provisão dessa perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. OU SEJA, não tratase de custo, mas sim de perda! Justificase, pois, a obrigação de adimplemento dos contratos de “Compra e venda de safras de canadeaçúcar para entrega futura”, porque a Cia não efetuou a colheita da canadeaçúcar, conforme se comprova através da análise dos contratos (doc. 06 da Impugnação) e Laudo (doc. 03 da Impugnação). (...) No acórdão recorrido restou firmado o entendimento de que: “[...] a origem das perdas que o sujeito passivo pretende ver refletidas em seu resultado fiscal são adiantamentos feitos em dinheiro para parceiros agrícolas. Ocorre que a contribuinte não firmou os alegados contratos de parcerias com proprietários rurais. As parcerias rurais foram formalizadas em nome de diversas empresas do grupo ao qual pertence a Renuka tais como: Barreirinha Agropecuária, Agropav Agropecuária e Novagropav. Assim, referidos valores não poderiam ser dedutíveis.” Os contratos eram firmados com empresas diferentes: Enquanto a antiga CANAPAV AGROPECUÁRIA, firmava contratos de parceria agrícola puro, em que se obrigada a plantar e tratar a terra, a antiga EQUIPAV S.A. adquiria a cana produto da parceria, através de contratos de compra e venda de safra futura com os produtores rurais parceiros da CANAPAV e também da própria, para a industrialização, sendo que cada qual vendia sua parte. Quanto aos contratos firmados entre a EQUIPAV e os Produtores de aquisição prévia da canadeaçúcar que caberia a estes em razão da parceria, não há qualquer vedação ao procedimento adotado nos comandos constantes da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra) e do Decreto 59.566/66, de modo que não há como entendêlos ilícitos. As provisões atinentes a perda de cana de açúcar foram realizadas e efetivamente revertidas, conforme denotase da conta 1.1.2.03.10.901 – () PROVISÃO PARA PERDAS DE ADTO. FORNECEDORES DE CANA. Ademais, tratandose de um Grupo Empresarial ostensivo, a previsão constante do art. 96, §3º da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra), de que “(...) eventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria (...)”, mesmo o pagamento ao ParceiroProprietárioVendedor antes da safra, não pode ser considerado irregular, na medida em que se deu em regular operação de aquisição de cana a ser colhida. Diante das alegações da Recorrente em contraposição a tão somente dois trechos do acórdão recorrido, e dos demais argumentos já trazidos quando da impugnação Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.426 49 (reproduzidos em seu recurso voluntário, ipsis litteris), considero adequada a decisão da DRJ/RPO no sentido de manter as glosas. Primeiramente, a Recorrente não conseguiu se defender, de forma satisfatória, em relação à acusação fiscal de que teria adotado um método nada ortodoxo para escriturar essas provisões. Vejam que a Fiscalização assim assentou (v. efls. 2.143): Em verdade, o procedimento do sujeito passivo de constituir provisão mediante lançamento feito diretamente contra conta do patrimônio líquido não encontra amparo em nenhuma orientação exarada pelos órgãos que ditam regras sobre o assunto, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários. Ao agir dessa forma, o sujeito passivo cria para si próprio um problema, pois se for necessário estornar a provisão, basta efetuar o lançamento contrário, ou seja, bastaria lançar a débito da conta de provisão (retificadora de ativo) e crédito da conta de patrimônio líquido, contudo, o mesmo não se verifica quando a provisão se realiza. Deixando de lado os motivos que levaram à realização da provisão, sobre a qual tratarei adiante, o problema do sujeito passivo foi exatamente baixar a conta de provisão contra a conta de ativo. Esse procedimento não permitiu que o resultado contábil fosse afetado e, para imputar essas suportas perdas no resultado fiscal (lucro real), o sujeito passivo foi obrigado a lançar mão de um expediente cuja previsão legal se encontra no art. 250 do RIR/99, que se transcreve a seguir: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Como se pode notar da leitura do texto acima transcrito, para que um valor que não afetou o lucro líquido seja considerado no lucro real, ele há de ser considerado dedutível para fins de apuração do imposto de renda. Antes de seguir adiante, é relevante que reste consignado que o valor de R$ 50.085.915,57 NÃO AFETOU o resultado do exercício embora tenha sido escriturado em conta de resultado, conforme resposta fornecida pelo sujeito passivo ao Termo de Intimação Fiscal 001, isso porque os lançamentos contábeis apontados pelo sujeito passivo foram feitos a débito e a crédito na mesma conta 4.2.3.01.10.010 – PERDAS DIVERSAS, conforme razão abaixo transcrito. Fl. 3450DF CARF MF 50 Limitouse a Recorrente ao seguinte: Dessa forma, Senhores Julgadores, demonstrase completamente descabida a alegação da Fiscalização de que “[...] o problema do sujeito passivo foi exatamente baixar a conta de provisão contra a conta de ativo. Esse procedimento não permitiu que o resultado contábil fosse afetado e, para imputar essas supostas perdas no resultado fiscal (lucro real), o sujeito passivo foi obrigado a lançar mão de um expediente cuja previsão legal se encontra no art. 250 do RIR/99 [...]”. Neste ponto, cabe ressaltar que a ocorrência de grande índice de chuva na região, dentre outros fatores, acarretou na grande quantidade de cana bisada, uma vez que a empresa não conseguiu efetuar a colheita nos dias programados, o que é amplamente comprovado através do Parecer elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Agroindustrial – IDEA, o qual, inclusive, foi confeccionado em momento anterior à autuação ora impugnada. Ora, me pergunto qual seria a relação entre a forma de contabilização e a quantidade de cana bisada resultante do excesso de chuvas. Por certo, não existe nenhuma relação, a não ser a ausência de argumentos para rebater a acusação fiscal. Em segundo lugar, não são convincentes as alegações da Parte em relação a custos/despesas que seriam de responsabilidade de outras empresas do grupo. Os contratos de parceria foram firmados não pela Recorrente, mas por outras empresas do mesmo grupo econômico. Esse fato é declarado pela própria Contribuinte: Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.427 51 A partir desse comando, e dos demais constantes na legislação referida, analisando se o contrato padrão de parceria agrícola firmado pelas empresas do Grupo Renuka, não há quaisquer elementos que o descaracterizem, podendo ser destacadas as seguintes disposições padrão nesse documento: (...) Os contratos eram firmados com empresas diferentes: Enquanto a antiga CANAPAV AGROPECUÁRIA, firmava contratos de parceria agrícola puro, em que se obrigada a plantar e tratar a terra, a antiga EQUIPAV S.A. adquiria a cana produto da parceria, através de contratos de compra e venda de safra futura com os produtores rurais parceiros da CANAPAV e também da própria, para a industrialização, sendo que cada qual vendia sua parte. (...) Ademais, tratandose de um Grupo Empresarial ostensivo, a previsão constante do art. 96, §3º da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra), de que “(...) eventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria (...)”, mesmo o pagamento ao ParceiroProprietárioVendedor antes da safra, não pode ser considerado irregular, na medida em que se deu em regular operação de aquisição de cana a ser colhida. Percebese que a Recorrente tenta induzir o julgador a acreditar que os contratos firmados entre as empresas do grupo como um todo e os respectivos parceiros agrícolas (proprietários da terra) seriam oponíveis, indistintamente, ao beneficiário ou cliente final do produto da parceria (canadeaçúcar), ela mesma, a Contribuinte. Não consigo ver dessa forma, pois não considero que os efeitos desses contratos possam ser opostos diretamente à Recorrente. A partir do exame dos contratos apresentados à Fiscalização foi traçado o modus operandi do grupo empresarial: as empresas agrícolas do grupo do qual faz parte a fiscalizada realizam contratos de longo prazo com diversos proprietários rurais; os contratos entre as empresas agrícolas e os proprietários rurais é de parceria; nesses contratos, o parceiro outorgante (dono da terra) não participa da produção (preparação da terra, plantio, colheita etc), ficando tudo ao encargo do parceiro outorgado (produtor rural), a quem compete, como regra, entregar ao parceiro outorgante parte da produção em moeda corrente; os percentuais de participação do parceiro outorgado são variados, mas sempre próximos de 20%; sempre há, também, uma obrigação do parceiro outorgado de pagar adiantamentos ao parceiro outorgante; a fiscalizada também possui contratos com os proprietários rurais para compra e venda de safra futura da parte que cabe a esse proprietários nas parcerias que realizam com as empresas do grupo RENUKA; em razão desses contratos aleatórios de compra de safra futura também são feitos adiantamentos. Então, há que se distinguir os negócios realizados entre as empresas que compõem o grupo RENUKA e aqueles firmados em nome próprio pela Fiscalizada. Em relação a esses fatos, não creio que a Recorrente tenha se desincumbido satisfatoriamente de convencer a este Julgador de que seu entendimento, no sentido de que tudo se trataria de uma coisa só, albergado sob o manto do instituto das parcerias agrícolas, estaria correto. Em verdade não é o que acontece no caso em tela. Fl. 3452DF CARF MF 52 Por isso, o entendimento da Fiscalização de que as ditas perdas contabilizadas pela Recorrente e excluídas da apuração do lucro real não seriam dedutíveis para fins de imposto de renda está correto. Conforme bem dito e fundamentado no Termo de Verificação Fiscal, "as quebras ou perdas de estoque são admitidas nos termos do que prescreve o artigo 291 do RIR/99, contudo, nesse caso, os bens que pereceram devem estar no estoque, o que não é caso. Também são admitidas perdas por impossibilidade de recebimento de clientes, essa sim, uma situação mais próxima daquela que se verifica na escrita do sujeito passivo. (...)Perscrutando a legislação vamos encontrar o fundamento legal para as perdas no recebimento de créditos no artigo 340 do RIR/99", porém, "Nenhuma das situações previstas na legislação para as perdas no recebimento de créditos foram observadas, ou seja, os valores entregues aos parceiros agrícolas não tiveram qualquer tipo de cobrança ou sequer se buscou receber, de alguma forma, os valores antecipados. Apenas foram reconhecidas as perdas e apropriadas ao resultado fiscal. Em verdade, essas perdas jamais poderiam ter sido reconhecidas a não ser por mera liberalidade da fiscalizada. Primeiramente, é da maior relevância que os contratos de parceria agrícola disciplinados pelo art. 96 da Lei n° 4.5 04/1964 (Estatuto da Terra) – não admitem esse tipo de perda na medida em que o que os diferencia do contrato de arrendamento rural é, precisamente, o risco a que estão sujeitas as partes." Não sendo dedutíveis do imposto de renda, as exclusões realizadas pela recorrente se mostram indevidas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 5) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real: exclusões indevidas – provisão para perda de estoque R$1.818.443,20 A decisão recorrida foi vazada nos seguintes termos em relação a este ponto (v. efls. 3.330/3.331): Relativamente à exclusão indevida efetuada a título de provisão para perda de estoque, a contribuinte apenas afirma que a "provisão para perda de estoque" não foi relacionado à conta 1.1.3.03.10.120, mas sim à conta 1.1.3.03.10.110, e acrescenta que, ainda que tenham sido perpetrados equívocos na tributação, não houve qualquer prejuízo ao fisco, uma vez que as diferenças identificadas na tributação não são suficientes para alterar o prejuízo apurado em 2011. Verificase que a fiscalização não discorda da impugnante quanto à conta à qual estava relacionado o valor de R$ 1.818.443,20, ou seja, a conta 1.1.3.03.10.110 (provisão para perdas de estoque). Apenas cita a conta 1.1.3.03.10.120 quando relata que não foi possível identificar uma rubrica no Lalur de 2011, parte B, que correspondesse ao valor citado. Foi constatado que a contribuinte reverteu a citada provisão a crédito da conta “outras despesas operacionais” no valor de R$ 1.818.443,20, mas fez a exclusão desse valor na apuração do lucro real (DIPJ, ficha 9A, a título de Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis), sem que fosse comprovada a sua adição em períodos anteriores. Na impugnação, a contribuinte não se manifesta a respeito dessa constatação fiscal, tampouco apresenta qualquer documento. Somente alega que não houve prejuízo ao fisco, uma vez que as diferenças tributadas não seriam suficientes para alterar o prejuízo por ela apurado. Enganase a contribuinte como se percebe no Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.428 53 demonstrativo de fl.2225, uma vez que o prejuízo fiscal apurado foi de R$ 53.357.474,33 e as infrações apuradas somam R$ 109.910.492,61. Dessa forma, à míngua de provas hábeis a alterar as constatações fiscais, mantémse a glosa da exclusão indevida aqui tratada. O recurso voluntário não inova em relação à impugnação, nem dialoga com a decisão recorrida. Assim, adoto como meus os fundamentos exposados no acórdão de piso, usando da prerrogativa concedida pelo § 3º do art. 57 do RICARF, para negar provimento ao recurso também em relação a este ponto. 6) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real: exclusões indevidas – provisão contribuição sindical R$605.225,43 O acórdão recorrido tratou deste ponto nos seguintes termos: A contribuinte alega que a reversão de provisão é plenamente possível, uma vez que foi anteriormente adicionado ao resultado, não influenciando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Afirma que, se o fisco tivesse realizado o batimento dos livros, declarações e razões contábeis da Impugnante, teria constatado que não houve qualquer prejuízo ao fisco, uma vez que, como demonstram seus registros contábeis, as diferenças identificadas na tributação não seriam suficientes para alterar o prejuízo apurado pela Impugnante em 2011. Observase que a contribuinte apenas alega, mas não junta qualquer comprovante da alegação de que adicionou a provisão para contribuição sindical ao resultado. No Lalur anexado ao processo não consta qualquer adição a esse título. Dessa forma, à míngua de provas hábeis a alterar as constatações fiscais, mantémse a glosa da exclusão indevida aqui tratada. O recurso voluntário não inova em relação à impugnação, nem dialoga com a decisão recorrida. Assim, adoto como meus os fundamentos exposados no acórdão de piso, usando da prerrogativa concedida pelo § 3º do art. 57 do RICARF, para negar provimento ao recurso também em relação a este ponto. 7) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real: exclusões indevidas – outras exclusões R$28.168.286,91 Em relação a este ponto, verificamos que o acórdão recorrido foi escrito nos seguintes termos: Segundo a fiscalização, a contribuinte declarou como exclusão do lucro líquido, como ‘outras exclusões” o valor de R$ 28.168.286,91, mas no Lalur excluiu o valor de R$ 21.895.610,68, o que, de início, já demonstra uma exclusão a maior na DIPJ, sem qualquer justificativa, na quantia de R$ 6.272.676,23. Fl. 3454DF CARF MF 54 Durante a fiscalização, apresentou a memória de cálculo do lucro real (fl.641), na qual consta apenas o valor de R$ 772.824,55, sem indicação da origem e sem apresentação de qualquer comprovação. Na impugnação, a contribuinte não apresenta provas e somente alega que os valores de R$ 1.315.084,79 e R$ 18.075.693,79 estariam incluídos no total adicionado na linha 44 da ficha 09 A da DIPJ. Entretanto, vêse que essa alegação é improcedente, pois foi informado na referida linha (na memória de cálculo) o valor de R$ 111.060.572,89, no qual, segundo a própria contribuinte, estaria incluído o valor relativo à integralização de imobilizado no total líquido de R$ 108.486.451,21 (R$ 126.562.145,00 – R$ 18.075.693,70) e não o valor bruto de R$ 126.562.145,00, conforme consta no Lalur (fl.1729). Se foi adicionado o valor líquido relativo à integralização de imobilizado, não cabe a exclusão do valor do custo de tal imobilizado. Quanto aos demais valores incluídos no total tributado a título de outras exclusões, não foram apresentadas quaisquer provas. Dessa forma, mantémse a exigência quanto a essa infração. O recurso voluntário não inova em relação à impugnação, nem dialoga com a decisão recorrida. Assim, adoto como meus os fundamentos exposados no acórdão de piso, usando da prerrogativa concedida pelo § 3º do art. 57 do RICARF, para negar provimento ao recurso também em relação a este ponto. 9) Regime Tributário de Transição – RTT: ajuste de RTT efetuado indevidamente – ajuste a menor R$7.276.937,51 O acórdão recorrido assim decidiu: Quanto a esse item a contribuinte, na impugnação, apenas afirma que, de acordo com seus registros contábeis, as diferenças supostamente havidas no ajuste do RTT não são suficientes para alterar o prejuízo apurado em 2011. Entretanto, repitase que não assiste razão à impugnante, uma vez que as infrações apuradas somam R$ 109.910.492,61 e o prejuízo fiscal apurado foi de R$ 53.357.474,33. O recurso voluntário não inova em relação à impugnação, nem dialoga com a decisão recorrida. Aliás, o teor das alegações constantes, tanto da impugnação quanto do recurso voluntário, revestese de confissão expressa do cometimento da infração, tentando afastála, tão somente, pelo fato de ter auferido prejuízo fiscal no ano calendário de 2011. Assim, adoto como meus os fundamentos exposados no acórdão de piso, usando da prerrogativa concedida pelo § 3º do art. 57 do RICARF, para negar provimento ao recurso também em relação a este ponto. 8) Multa ou juros isolados: falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada Neste ponto, a Fiscalização aduz que as infrações verificadas no procedimento fiscal resultaram em apuração de tributos a menor, contudo, as reduções indevidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL não foram as únicas vantagens obtidas Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.429 55 pela fiscalizada, que ao deduzir indevidamente as despesas apontadas acima ou ao fazer os ajustes no lucro líquido nos balancetes de suspensão cujos resultados foram informados na DIPJ 2012, apurou estimativas de IRPJ e de CSLL menor que o devido. O recolhimento de estimativas a menor que o devido impõe a aplicação de multa isolada, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9 .430/1996, com alterações posteriores. Sendo assim, segundo a Fiscalização, o lançamento de ofício deverá incluir a imposição de multa isolada, conforme apurado no demonstrativo de efls. 2.252/2.259 (Anexo 3 ao Termo de Verificação Fiscal de efls. 2.127/2.173). Os lançamentos das multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas totalizaram R$ 5.181.947,78 (sobre as estimativas de IRPJ) e R$ 1.865.501,20 (sobre estimativas de CSLL). A Recorrente, neste ponto, deixou de se manifestar no Recurso Voluntário. Por último, em relação ao pedido de perícia realizado pela Recorrente, assim se manifestou a decisão recorrida: Quanto ao pedido de perícia, indefiroo por entender dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida e depende da apresentação de provas pela impugnante. Cumpre esclarecer que nenhum dos quesitos formulados exige perícia para ser respondido. Como ensina Antônio da Silva Cabral, a perícia “supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo” (Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, São Paulo, 1993, pág. 320). E acrescenta que: “antes de tudo, portanto, é necessário que o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto”. Algumas perguntas formuladas pela impugnante já foram respondidas e outras são passíveis de serem respondidas por esta autoridade julgadora, dependendo apenas da apresentação de documentos pela autuada. Já o recurso voluntário aduz o seguinte: No entanto, tal entendimento, data vênia, não mereceria prosperar visto que, conforme largamente demonstrado no presente Recurso Voluntário e na Impugnação apresentada, o Sr. Auditor Fiscal não analisou todo o arcabouço contábil da contribuinte, sobretudo DIPJ, DCTF e LALUR e, reiterase, todos documentos aos quais possuía acesso. Além, disso, como se demonstrou, não se atentou que a recorrente efetuou, equivocadamente, adição na linha 12 – Variações Cambiais Passivas da Ficha 09A da DIPJ o valor de R$ 58.500.777,42, quando não deveria ter feito desta maneira, em vista do regime de competência eleito. Portanto, os argumentos para indeferimento do pedido de perícia não demonstram de maneira precisa o motivo pelo qual entende ser prescindível o seu deferimento. E, Fl. 3456DF CARF MF 56 além disso, como se viu no decorrer do acórdão, foi desconsiderada toda a argumentação que demonstra que o auditor fiscal desconsiderou o equívoco na declaração feita pelo contribuinte. Destarte, a necessidade de perícia é imprescindível para que um especialista contábil demonstre que houve equívoco por parte da recorrente e que se houvesse o auditor se atentado para referido fato a Base de Cálculo seria inferior a da autuação, ou seja, haveria uma alteração na base de cálculo, o que, por si só, enseja na anulação do lançamento. Esclarece Leandro Paulsen que “A perícia é prova produzida por especialista que opina sobre questões técnicas relevantes ao deslinde do litígio. A perícia será deferida obrigatoriamente quando for necessária à solução da lide, assim entendida a perícia que influencie a decisão a ser proferida.” Destarte, como se vê, acaso na análise o Sr. Perito demonstre que houve o equívoco do auditor, haverá alteração na decisão proferida. Assim, o indeferimento do presente pedido de perícia tratase de cerceamento de defesa! Diante de toda a fundamentação exposta, a Contribuinte vem requerer o retorno dos presentes autos à Delegacia de Julgamentos para realização da perícia contábil, afim de que sejam analisadas pormenorizadamente toda a prova documental já carreada nos autos, em conjunto com eventuais documentos que venham a ser juntados posteriormente ou solicitados pelo perito, razão pela qual, em atenção ao disposto nos artigos 16, inciso IV e 18 do Decreto nº 70.235/70, novamente, expõe os motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. QUESITOS: 1) Analisando os registros contábeis da Recorrente, e quaisquer outros documentos que venha a solicitar para a realização do seu mister, informe o senhor perito se é possível identificar que elementos compõem o número declarado pela Recorrente à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente; 2) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se o montante de R$ 63.020.090,60 pode ser identificado com inserido no total declarado à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente; 3) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se o montante de R$ 63.020.090,60, inserido no total declarado à linha 39 – Outras Adições (total: R$ 293.149.353,97) da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da Recorrente, encontrase registrado no LALUR como Variação Cambial a ser adicionada (paginas 62 – 63variação cambial); 4) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, uma vez comprovada a possibilidade de adição de R$ 63.020.090,60 em 31/12/2008 a título de variação cambial pela Recorrente, pode ser tida como prejudicada a conclusão da fiscalização de que as suas variações cambiais de 2008 foram tributadas pelo regime de COMPETÊNCIA; 5) Analisando os registros contábeis da Recorrente, e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, informe o senhor perito se os valores adicionados e excluídos Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.430 57 pela Recorrente na tributação da sua variação cambial nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 encontramse respaldados na sua escrita contábil; 6) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, quais seriam os valores corretos que deveriam ter sido adicionados e excluídos pela Recorrente na tributação da sua variação cambial nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010; 7) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, na tributação das variações cambiais da Recorrente, a exclusão realizada em 31/12/2009, de R$ 156.546.523,09, deve ser avaliada em correlação à adição de R$ 136.050.141,75 efetuada em 31/12/2008; 8) Tendo em conta a resposta ao questionamento acima, informe o senhor perito, tendo por base os registros contábeis da Recorrente e quaisquer outros documentos que venha a solicitar, se, na tributação das variações cambiais da Recorrente, tendo em conta a possibilidade de que a exclusão realizada em 31/12/2009, de R$ 156.546.523,09, tenha correlação com a adição de R$ 136.050.141,75 efetuada em 31/12/2008, é possível entenderse como válida a existência de saldo ainda a tributar de variação cambial em 31/12/2010, no montante de R$ 156.546.523,09. Também neste ponto, vou adotar como minhas as razões exposadas no acórdão recorrido para negar o pedido de perícia solicitado pela Recorrente. Primeiro, porque o motivo principal desse pedido referiase ao erro cometido pela Recorrente no preenchimento da DIPJ, relativo à adição indevida de variação cambial passiva. Em segundo lugar, os quesitos apontados pela Recorrente em seu recurso voluntário são totalmente inconsistentes e em nada tem a ver com o presente processo. A recorrente incorreu em erro ao inserir neste recurso voluntário os quesitos que faziam parte de outro recurso, referente a outro processo, justamente o de nº 10314.725309/201511, relativo a auto de infração lavrado no âmbito deste mesmo procedimento fiscal encerrado que foi parcialmente no ano de 2015. Ao reconhecer que as variações cambiais passivas, no importe de R$58.500.777,42, foram adicionadas indevidamente, o prejuízo fiscal apurado pela Contribuinte no ano de 2011 elevarseia para R$111.858.251,75 (R$58.500.777,42 + R$53.357.474,33). Como os ajustes realizados pelo auto de infração importaram em R$107.294.103,37 (já líquido do valor exonerado relativo à infração correspondente ao acréscimo patrimonial reconhecido a menor R$2.616.389,24), o resultado do exercício ainda seria negativo, importando em R$4.564.148,38. Assim, não restaria nenhum valor a ser cobrado por meio do presente Auto de Infração, à exceção das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais relativas aos meses de março, abril e junho de 2011, no montante de R$5.181.947,78, no caso do IRPJ, e de R$1.865.501,20 referente à CSLL. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo como devida a correção da DIPJ/2012, relativa às adições indevidas de variações cambiais passivas. Em assim sendo, o Auto de Infração deverá ser ajustado, remanescendo tão Fl. 3458DF CARF MF 58 somente a exigência relativa à multa isolada incidente sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que deixaram de ser pagas durante o respectivo ano calendário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Voto Vencedor Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Redator Designado. Com a devida vênia ao brilhante voto proferido pelo nobre colega Relator, dele divirjo tão somente no que se refere à glosa de exclusão relativa à provisão para perdas decorrente do adiantamento a fornecedores de cana. Tratase da infração de maior monta, perfazendo um total de R$58.131.188,63 que teriam sido excluídos da apuração do lucro real indevidamente, por entender o autuante e a DRJ que a origem dos valores provisionados é estranha às atividades da empresa. Entendeu ainda a DRJ que as despesas não seriam dedutíveis como perda, pois, pela natureza desse tipo de contrato, ambos os contratantes (parceiro outorgante e parceiro outorgado) correm o risco da produção. Desse modo, se o parceiro outorgado (aquele que se compromete a exercer a atividade agrícola em propriedade alheia) efetua adiantamentos financeiros em razão de uma safra esperada e essa não acontece, o parceiro outorgante (o proprietário rural) não poderia ficar com esse recurso em prejuízo do parceiro outorgado sob pena de haver enriquecimento sem causa. Com a devida vênia, o entendimento do fiscal e da DRJ vão de encontro com a realidade dos fatos e as obrigações assumidas contratualmente, no qual o comprador assumiu o risco pela quantidade da coisa futura. Ora, a Recorrente é empresa dedicada à produção e refino da cana. Os contratos de parceria ou de pagamento para compra futura são negócios atípicos absolutamente comuns no meio agrícola, e alinhados à atividade da recorrente. Imputar à Recorrente a indedutibilidade do custo operacional com um adiantamento feito a seus parceiros, que veio a se converter em perda diante da inviabilidade econômica comprovada da colheita da cana é absolutamente incompreensível. De fato, o prejuízo que teve a Recorrente com o adiantamento aos parceiros de uma cana que não veio a ser colhida por inviabilidade econômica é um risco do negócio desenvolvido, mas é, por natureza, uma despesa de natureza operacional, dedutível para fins de apuração do IRPJ. Argüir que o Recorrente deveria exigir do parceiro a devolução da quantia antecipada é defender um direito contrário às obrigações livremente e legalmente pactuadas via contrato. Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 10314.720852/201611 Acórdão n.º 1401002.649 S1C4T1 Fl. 3.431 59 Outrossim, seria absurdo presumir que a recorrente faz as antecipações de forma voluntária. Ora, se fosse possível garantir o negócio sem qualquer desembolso antecipado, certamente a Recorrente o faria, por ser uma situação mais vantajosa economicamente. Se as antecipações são feitas elas os são diante da realidade negocial a que a Recorrente está envolvida, e tratase de atividade operacional da empresa. Sempre tenho me posicionado em sentido contrário a certas ingerências do Fisco nas atividades negociais dos contribuintes. No caso concreto os contratos foram livremente firmados dento da atividade negocial da Recorrente, e não foram invalidados pela Fiscalização. Não houve abuso de formas ou de direito, isso não é a base da acusação. As antecipações são despesas operacionais decorrentes da atuação empresarial da Recorrente. Por sua vez, a inviabilidade da colheita da cana restou comprovada. Em resumo, no caso concreto seria mais caro colher do que assumir o prejuízo. Isso não afasta a natureza operacional da despesa realizada com o referido adiantamento. Desta feita, entendo que a reversão e baixa da provisão dessa perda foi um procedimento legal, pois as perdas incorridas em razão da não colheita voluntária da cana adquirida por contrato (CANA BISADA), não podem ser consideradas um dos riscos inerentes ao contrato, eis que a Recorrente teve de arcar com a obrigação previamente ajustada, honrando a compra da cana a que o produtor rural teria direito em razão da parceria caso esta fosse colhida conforme ajustado. Tratase de efetiva perda. Assim, por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso neste ponto. Desta feita, entendo que a glosa de R$58.131.188,63, relativa à infração "exclusões indevidas provisão para perdas adiantamento a fornecedores de cana" teria sido indevida. Desta feita, não restaria nenhum valor a ser cobrado por meio do presente Auto de Infração, à exceção das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais relativas aos meses de março, abril e junho de 2011, no montante de R$5.181.947,78, no caso do IRPJ, e de R$1.865.501,20 referente à CSLL. Entretanto, diante da decisão tomada pela Turma, fazse necessário que a Autoridade Preparadora faça a readequação (recálculo) da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais apuradas conforme os quadros abaixo para verificar se subsistirá crédito a ser exigido: Fl. 3460DF CARF MF 60 É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 3461DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720195/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-005.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720195/201109 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.004 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 95 /2 01 1- 09 Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59249DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59250DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720246/2016-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3001-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em lhe negar provimento, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não conheceu do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em lhe negar provimento, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não conheceu do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 02 46 /2 01 6- 57 Fl. 168DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração Do texto agora apreciado, extraise, de sua extensão, trechos que merecem ser trazidos à tona em razão de demonstrar os fundamentos legais e o raciocínio jurídico empreendido para alcançar a devida aplicação das normas em debate. Como fundamento para a aplicação da multa, indica o Art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Extraise destes autos o relato da ocorrência, em data de referência, 22/02/2012, que O Agente de Carga INTERNATIONAL FIRST SERVICE DO BRASIL LOGISTICA DE TRANSPORTES E CARGAS LTDA ME, CNPJ Nº10315060000157, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205028175666 a destempo em/a partir de 22/02/2012 12:26, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205032808848. com atracação registrada em 20/02/2012 08:21. IN 800/2007 SISCOMEX carga A legislação em referência estabelece que o controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades destas em portos alfandegados será processado mediante o módulo chamado Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga Sujeição Passiva A classificação do agente de carga como transportador e da abrangência do termo o agente de carga é legitimada pela IN RFB nº 800, de 2007, no seus arts. 2.º 3°, 4° e 5° Ainda, a fim de reforçar o argumento da viabilidade da sugeição passiva do autuado, o auto de infração faz menção ao conceito de intervenientes aduaneiros, presente no aritgo 76, parágrafo segundo Lei n° 10.833, de 2003, considerase o interveniente as pessoas físicas ou jurídicas citadas no art. 76, § 2° CONHECIMENTO ELETRÔNICO Crava importante conceito ao determinar a natureza jurídica do conhecimento eletrônico demontrando o respaldo regulamentar previsto no artigo 2.º , XI da Normativa RFB n. 800/07. PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 169 3 Conforme a norma estatuiu, o prazo mínimo permitido é de 48 horas anteriores à atracação no porto de destino, via de regra, considerando também prazos excepcionais estabelecidos para algumas rotas. O agente de carga, classificado pela norma RFB em exame como transportador, está obrigado a prestar informação sobre as cargas, informação esta lançada nos documentos eletrônicos gerados a partir da desconsolidação do conhecimento eletrônico máster (submaster), o que as faz pela inclusão dos conhecimentos eletrônicos house no sistema de controle. A realização da desconsolidação deve ser feita, via de regra, até o limite das quarenta e oito horas que antecedem ao registro da atracação no porto de destino, considerando prazos inferiores estabelecidos em rotas de exceção, pois é o porto de referência para este tipo de operação. Se realizada após, o próprio sistema está programado para promover o bloqueio, impedindose o prosseguimento das operações de despacho aduaneiro Impugnação Em sede de sua impugnação, comprova a tempestividade de sua peça e argui pela suspensão da exigibilidade do crédito em razão do artigo 151, III. Denúncia Espontânea Retroavidade benigna da nova redação do artigo 102, parágrafo 2.º DL 37/66 Em sua defesa a recorrente, admitindo haver suposto atraso na prestação das informações, evidencia que, mesmo assim, foram apresentadas anteriormente a qualquer ato fiscalizatório, determinando, assim a ocorrência de denuncia espontânea, e sua possibilidade em matéria aduaneira. Considera indevida a autuação por ter sido a informação prestada antes de qualquer ato de fiscalização, não restando à RFB, nenhum tipo de prejuízo Pugna pela aplicacao do 112 do CTN, no sentido de atrair a norma mais favorável ao contribuinte Existência de Liminar vigente Indica a existência de processo judicial 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite na 14.º Vara Federal de São Paulo, anexando, aos autos, a liminar deferida em 29 6 2015 e sua comprovação ao SINDIMIS. DRJ/SPO A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1675.409 22ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2012 REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. Fl. 170DF CARF MF 4 O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O relatório da decisão de primeira instância, por representar de forma fidedigna os eventos ocorridos, merece ser transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para exigência da multa "por não prestação de informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executar", na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 5.000,00. Conforme relato da autoridade fiscal, para o caso concreto em análise, a perda de prazo pela interessada se deu pela inclusão de conhecimento eletrônico – house em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico, conforme descrito na ocorrência 1. Cientificada da autuação, a interessada apresentou defesa, alegando, em síntese, que: a existência de liminar judicial impede a União Federal de exigir penalidades de empresas associadas à SINDICOMIS/ACTC, como é o caso. mesmo tendo havido atraso na prestação de informações através das retificações efetuadas no sistema, foram anteriores ao início da ação fiscal, o que caracteriza denúncia espontânea. em caso de dúvidas, a aplicação do art. 112 do CTN interpreta a lei tributária favoravelmente ao contribuinte. Preliminar de nulidade em função de decisão judicial Alega a impugnante que o Auto de Infração seria nulo em função da decisão judicial nos autos da Ação Ordinária n° 0005238 86.2015.4.03.6100 da 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Analisando a referida decisão, percebese que ela beneficia a Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) e seus associados. Em nenhum momento a referida decisão judicial beneficiou terceiras empresas, alheias ao referido processo, que se encontrem na mesma situação de fato. Compulsando os autos não encontramos qualquer prova de que a impugnante faz parte do rol de associadas da ACTC. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 170 5 Da interpretação à legislação tributária A afirmação da interessada de que deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que prevê tratamento favorável ao contribuinte em caso de dúvidas não se aplica ao caso uma vez que a penalidade descrita pelo art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, transcrita a seguir, é clara ao dizer que deixar de prestar informação, na forma e prazo estabelecidos, é passível de multa, A impugnante não contesta que a informação sobre a carga foi prestada de forma intempestiva, apenas afirma que prestou todas as informações antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização sobre a mesma. Defende assim a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Conclui a autoridade julgadora: inaplicável a instituto da denúncia espontânea em função da maneira como foi instituída a multa em questão. Recurso Voluntário Repisa os argumentos exposta na impugnação; denuncia espontanea e da interpretação mais favorável ao contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa no Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205032808848. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Denúncia Espontânea ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 172DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL. DOS FATOS CE 151205032808848 Consta dos autos a respeito da data inclusão dos dados no sistema da RFB, o dia 22 02 2012 as 12:26:54. A atracação foi registrada em 20/02/2012 08:21. Fundamento Legal da Multa A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 171 7 CONCOMITÂNCIA Foi apresentado em sede de impugnação, o argumento no qual a recorrente faria parte de sindicato autor de ação com identidade de pedido de causa de pedir. Juntou cópia da sentença que se confirma ao compulsar o sítio do TRF3, seção judiciária de São Paulo, no link <<http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=00052388620154036100>>, e consta com último andamento, a data de 24 / 04 /2018. Com o objetivo de comprovar sua inscrição ao ente ativo do processo judicial, traz aos autos cópia do sitio do SINDICOMIS, com menção ao logo da recorrente, conforme o documento de fls. 60. Ainda, a Recorrente trouxe aos autos, cópia da sentença, da qual se extrai os seguintes trechos, a fim de demonstrar a identidade de conteúdo. PROCESSO: 000523886.2015.4.03.6100 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 29/06/2015 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tratase de ação ajuizada por Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966. Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66. Por se tratar de discussão acerca da multa prevista nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, clarificase a identidade de pedido e causa de pedir entre a ação mencionada e os presentes autos administrativos. Deste forma, dáse o entendimento predominante neste Conselho: Acórdão nº 3402001.780 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Fl. 174DF CARF MF 8 A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Recurso Voluntário Negado. E, também, de acordo com a súmula 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Decido Ante o exposto, reconheço a concomitância dos processos. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO TOTALMENTE do recurso para NEGAR PROVIMENTO em razão da CONCOMITÂNCIA. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Conselheiro Relator do Voto Condutor e concessa venia aos meus pares, que entendem diferentemente, pontuo, desde já, que a presente restringese tão somente à questão atinente ao conhecimento do Recurso Voluntário. Da ementa do acórdão, conforme proposta pelo Relator Transcrevo a respectiva ementa, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 172 9 A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Dos termos do voto condutor Reproduzo os trechos do Voto Condutor que referemse à respectiva matéria, ipsis litteris: (...) Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Denúncia Espontânea (...) ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL. (...) CONCOMITÂNCIA Foi apresentado em sede de impugnação, o argumento no qual a recorrente faria parte de sindicato autor de ação com identidade de pedido de causa de pedir. Juntou cópia da sentença que se confirma ao compulsar o sítio do TRF3, seção judiciária de São Paulo, no link <<http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=0005 2388620154036100>>, e consta com último andamento, a data de 24 / 04 /2018. Com o objetivo de comprovar sua inscrição ao ente ativo do processo judicial, traz aos autos cópia do sitio do SINDICOMIS, com menção ao logo da recorrente, conforme o documento de fls. 60. Ainda, a Recorrente trouxe aos autos, cópia da sentença, da qual se extrai os seguintes trechos, a fim de demonstrar a identidade de conteúdo. PROCESSO: 000523886.2015.4.03.6100 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 29/06/2015 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tratase de ação ajuizada por Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de Fl. 176DF CARF MF 10 penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966. Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66. Por se tratar de discussão acerca da multa prevista nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, clarificase a identidade de pedido e causa de pedir entre a ação mencionada e os presentes autos administrativos. Deste forma, dáse o entendimento predominante neste Conselho: Acórdão nº 3402001.780 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Recurso Voluntário Negado. E, também, de acordo com a súmula 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Decido Ante o exposto, reconheço a concomitância dos processos. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO TOTALMENTE do recurso para NEGAR PROVIMENTO em razão da CONCOMITÂNCIA. Dos fundamentos quanto a discordância deste conselheiro Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 173 11 De plano, convém pontuar que no caso destes autos resta evidente que os únicos argumentos traçados pelo recorrente dizem respeito ao tema "Denúncia Espontânea", mantendose absolutamente silente quanto a questão respeitante a um possível vício formal na decisão recorrida, em face de sua não desistência da discussão da matéria em âmbito administrativo. Pelo contrário, embora tratase de matéria preclusa, uma vez que não mais suscitada em sede de Recurso Voluntário, como já dito, apenas para salientar, temse que em sua Impugnação (efls. 47 a 52), o reclamante, naquela oportunidade havia suscitado o cancelamento da penalidade imposta justamente por entender que estava albergado por Liminar deferida em Decisão Judicial. Vejamos, verbis: IV Da existência de Liminar vigente no âmbito da Justiça Federal. VEDANDO a União Federal de exigir penalidades (multas) à empresas associadas ao órgão representativo da classe SINDICOMIS / ACTC. Não bastassem todas as argumentações acima expostas que ensejariam o cancelamento da referida penalidade de plano, ainda há uma liminar judicial vigente, que proíbe a União Federal (Receita Federal do Brasil), de exigir multas e penalidades, inclusive a combatida na presente impugnação: Tratase de ação ajuizada em 12/03/2015, pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (SINDICOMIS / ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do u ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, Processo nº 0005238 86.2015.4.03.6100, que tramita pela 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo/SP. Nos autos do referido processo judicial a liminar foi deferida na data de 29/06/2015, onde foi determinada judicialmente, que a UNIÃO FEDERAL se abstenha de cobrar tais penalidades de multas, de todas as empresas associadas da ACTC / SINDICOMIS, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, o que ocorre exatamente na presente impugnação. Liminar vigente. Sendo a ora impugnante INTERNATIONAL FIRST SERVICE DO BRASIL LOGÍSTICA DE TRANSPORTES CARGAS LTDA.ME, associada da ACTC / SINDICOMIS, autora daquele processo, possui sobre si, os efeitos de tal decisão que lhe garante juridicamente o não recebimento de tal penalidade. Fl. 178DF CARF MF 12 Desta forma, a aplicação desta penalidade pela RECEITA FEDERAL, ainda está claramente desacatando ordem judicial; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Faço questão de prestar esse esclarecimento preliminar, pois em processos recentes em que fui o Relator, a exemplo do Processo 15771.727118/201439 (Acórdão 3001 000.389), suscitouse questão semelhante, com o diferencial que nestes referidos processos, diversamente do que aqui observase, o recorrente reafirmou seu interesse, independentemente da existência de ação coletiva que o albergava, na manutenção da discussão da matéria em âmbito administrativo, ocasião em que, por razões diversas da chegada no presente Voto Condutor, conclui pelo conhecimento das questões de mérito do feito administrativo, ainda que tivessem sido suscitadas também, pela entidade de classe, perante o Poder Judiciário. É o que expressa a ementa da citada Decisão, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/11/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Ultrapassados esses esclarecimentos preliminares, retornando para minhas razões de divergência, entendo que não há como juridicamente, em face da legislação de regência, harmonizar o conhecimento integral do presente Recurso Voluntário com o entendimento esposado no sentido de que no caso sob exame ocorreu a concomitância, em face da identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Explico. Uma vez que tais alegações, de mérito, já foram submetidas ao Poder Judiciário, não cabe a sua apreciação pelas Instâncias de Julgamento Administrativo, cabendose tão somente aguardar a decisão definitiva a ser proferida naqueles autos judiciais. Sobre essa questão o Parecer Normativo Cosit 07 de 2014, cuja ementa transcrevo, é suficientemente esclarecedor, verbis: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 174 13 A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Conforme vêse, ao submeterse determinada matéria à apreciação judicial, em regra, o interessado, ao pretender ver tal ser discutida administrativamente está a desprezar o princípio da unicidade de jurisdição, orientador do sistema jurídico pátrio, na medida em que vinculouse ao deslinde do feito a ser proferido pelo órgão judicante, pois o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 atribui ao poder judiciário o monopólio estatal de dizer o direito no caso concreto; noutros termos, infirmando a competência administrativa para decidir de modo diverso. Com efeito, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Em suma, a opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitantemente à esfera administrativa, torna completamente estéril, pois, a discussão em âmbito não jurisdicional. Não havendo, pois, como conhecerse do Recurso Voluntário, quanto as questões submetidas ao Poder Judiciário, e, ao mesmo tempo concluir que estáse diante de caso típico de concomitância, em face da identidade do pedido e a causa de pedir do processo administrativo e judicial. É como penso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000683/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 01/05/2004
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE.
A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento.
Numero da decisão: 9202-006.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 01/05/2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE. A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE. A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 06 83 /2 00 8- 67 Fl. 612DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 02/705/2006, proferido pela então Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social em 29/03/2007 (fls. 292/299), interpôs pedido de UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA, nos termos do art. 63 do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria n° 88 de 22/01/200, fls. 465/476. EMENTA 'PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM IDÊNTICO 'ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA JUROS E • MULtA, MdRATÓRIA EM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CUJA EXIGIBILIDADE ENCONTRASE SUSPENSA. Depósitos' judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do • implemento do depósito. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO PARCIALMENTE NA PARTE CONHECIDA. Dessa forma, certificado o cabimento do presente recurso, em face do entendimento emanado pelo decisum recorrido, contrario, em diversos aspectos, à interpretação proferida pela Camara de Julgamento do CRPS, devendo o mesmo ser recebido e, posteriormente, julgado procedente pelo Conselho Pleno, anulando, assim, a decisão a quo, ou reformandoa para ser reconhecida a necessidade de serem devidamente expostas as bases de cálculo, aliquotas e fatos geradores d contribuições no comprovado inepto lançamento fiscal, reconhecendose, neste o, a nulidade da NFLD. Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias (artigo 4º), prevê que os recursos com base no inciso II do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Insurgese o contribuinte contra a decisão da Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social que deu provimento parcial ao recurso para excluir do levantamento os acréscimos legais (juros e multa) em face dos depósitos judiciais que foram efetuados tempestivamente pela notificada, considerando que pedira a anulação da NFLD pelo fato de ter o auditor notificante lançado diretamente os valores de contribuição apurados pela contribuinte (os depositados em juizo) em lugar de apurar os valores devidos, demonstrando as bases de cálculo e a aplicação da alíquota. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao SEBRAE. O período do presente levantamento abrange as competências março de 2001 a maio de 2004. Os valores ora lançados estão sendo depositados judicialmente. Decidindo o recurso voluntário o CRPS não reconheceu razão a essa alegação, indeferindo, pois tal pedido de anulação da NFLD. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 613 3 A contribuinte então pede uniformização de jurisprudência transcrevendo vários acórdãos da então 4ª Câmara do CRPS em que, segundo ela, a exigência da demonstração das bases de cálculos e da aplicação da aliquota foi tida como condição da validade do lançamento. As fls. 477/566 junta os acórdãos paradigmáticos. Dos votos da Ilma. Relatora Sandra Regina Macedo destacamse os seguintes ensinamentos. Vejam: "CONSIDERANDO que a NFLD Notificaçdo Fiscal de Lançamento de Débito é clara, informando, por competência, o saláriodecontribuição encontrado, a contribuição dos segurados, as deduções de saláriofamília, bem como a fonte onde foram obtidos tais valores (Relatório de Fatos Geradores), trazendo no Discriminativo Analítico de Débito, por competência, os valores de saláriodecontribuição, de segurados, do SAT, de Terceiros e de Deduções, com as respectivas aliauotas aplicadas discriminadas ao lado desses lançamentos, informando, ainda, os valores recolhidos e as diferenças apuradas, juntamente com o código de fundamentação legal, o qual está minuciosamente detalhado no Relatório de Fundamentos Legais do Débito, trazendo os valores de juros e multa com os respectivos códigos de fundamentação legal; CONSIDERANDO que a leitura desatenta da NFLD, por parte da notificada, não caracteriza cerceamento de defesa, sendo improcedentes suas alegações nesse sentido."( 4a CAJ Camara de Julgamento; Acórdão n.° 533/2003; Protocolo do Recurso n.°: 37177.001015/200147; Relatora Sandra Regina Gomes da S. Macedo) Do voto do Relator Fabio Pereira Fonseca Aires tem se o seguinte entendimento: "Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo o recurso e comprovado o recolhimento de depósito recursal, passo, então, ao exame das alegações da recorrente. Preliminarmente, quanto ao cerceamento de defesa pela ausência de discriminação do cálculo do débito constituído, razão não assiste a recorrente. No relatório fiscal de fls. 25/27, há informações detalhadas sobre as contribuições • lançadas, fatos geradores e bases de cálculo apuradas e ás fls. 28/31 foi juntada planilha identificando as ações trabalhistas e valores das sentenças e acordos considerados. As aliquotas aplicadas estão especificadas no Discriminativo Analítico de Débito de fls. 04/07. "(4a CAJ Camara de Julgamento; Acórdão n.° 669/2006; Protocolo do Recurso n.°: 37172.000008/200527; Relator: Fábio Pereira Fonseca Aires) No mesmo sentido, admitindose a necessidade de serem identificadas as aliquotas, bases de calculo e fatos geradores na Notificação Fiscal, pronunciou em seus votos a Ilma. Relatora Hilda de Oliveira Ramalho: Fl. 614DF CARF MF 4 "Considerando que a alegação da Recorrente de ter a notificação sido lançada com preterição do direito de defesa é improcedente, pois temos o fato gerador das contribuições devidas; a base de cálculo das contribuições; as ali uotas a ilicadas para o cálculo das contribuições a cargo da empresa e as dest das a terceiros e Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 614 5 Fl. 616DF CARF MF 6 Por fim requer a NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em Contrarrazões a Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Estão presentes os requisitos para a interposição de pedido de uniformização de jurisprudência. Inicialmente, registrase que se trata de Pedido de Uniformização de Jurisprudência interposto contra acórdão da Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social recebido pelo CARF como Recurso Especial, conforme despacho nº 1300336/2013. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 615 7 O crédito em discussão referese ao lançamento relativo às contribuições para Terceiros – SEBRAE, devida no período de 03/2001 a 05/2004, cujos valores encontramse depositados judicialmente. Conforme Relatório da Notificação de Lançamento de Débito, o lançamento fiscal em discussão visou à prevenção da decadência, uma vez que as contribuições lançadas são “objeto de discussão judicial através do processo judicial nº 2000.38.00.0313540 da 10ª Vara da Justiça Federal com os valores, objeto desta NLFD, depositados em juízo”. A Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os acréscimos legais, em face dos depósitos judiciais. Irresignada insurgese contra tal decisão afirmando que NFLD é nula, pelo fato de ter o auditor notificante lançado diretamente os valores de contribuição apurados pela própria contribuinte (os depositados em juízo) em lugar de apurar os valores devidos, demonstrando as bases de cálculo e a aplicação da alíquota. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Outrossim, o art. 63 da Lei nº 9.430/96, autoriza que em casos como esses o Fisco proceda ao lançamento de ofício, visando prevenir a decadência do crédito tributário. Nesse sentido, Alberto Xavier na obra “Do Lançamento: Teoria do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, pág. 428, leciona, verbis: “A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo do lançamento, decorrente da atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o deposito, nem a liminar em mandado de segurança têm eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poder dever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito.” Outrossim, quanto à alegação de nulidade da NFLD melhor razão não assiste à recorrente. Cabe ressaltar que ao contrário do que afirmou a impugnante, a NFLD com todos os seus anexos, o Relatório Fiscal, contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado foi aquele obtido das folhas de pagamento elaboradas e apresentadas pela empresa à Auditoria da Previdência, sendo de seu total conhecimento a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi a própria impugnante que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento. Fl. 618DF CARF MF 8 Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, o auto de infração e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Ante o exposto, conheço o Recurso Especial do Contribuinte para no mérito, NEGARLHE seguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721297/2011-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 12 97 /2 01 1- 35 Fl. 100DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62A do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões e, na oportunidade, interpôs recurso ao qual foi negado seguimento por ausência de preenchimento dos requisitos formais. É o relatório. Voto Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10860.721297/201135 Acórdão n.º 9202006.848 CSRFT2 Fl. 101 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos passarmos ao mérito, julgo necessário que este Colegiado faça uma reanálise quanto ao cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recurso. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva o critério de apuração do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. Me refiro ao fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Fl. 102DF CARF MF 4 Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre decisão ainda não existente no mundo jurídico, entendo que estamos diante de situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001920/2002-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997, 01/07/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
A decisão embargada deve registrar:
Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN artigo 173, inciso I.
Numero da decisão: 9303-006.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303-004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 865 1 864 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.001920/200247 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303006.840 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante SADIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997, 01/07/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A decisão embargada deve registrar: “Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 20 /2 00 2- 47 Fl. 865DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela SADIA S.A contra o Acórdão nº 9303004.249, de 14 de setembro de 2016, fls. 820 a 8251, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997,01/07/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Consta do respectivo acórdão: · Devese ler: Não constatei nenhuma forma de pagamento no restante dos períodos base lançados o que torna alcançáveis os períodos base setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998, com amparo no art. 173,I do CTN. Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 866 3 A Recorrida, ora Embargada, interpôs Recurso Especial de divergência objetivando a reforma do Acórdão proferido pelo então 2° Conselho de Contribuintes em razão, entre outros, da aplicação do prazo decadencial previsto pelo CTN artigo 150, 4° em detrimento do CTN artigo 173, inciso L. Ao apreciar o Recurso Especial de divergência, entretanto, o v. Acórdão de fls. 644/666 deu parcial provimento ao recurso especial para determinar a aplicação da contagem do prazo decadencial com base no CTN artigo 174, inciso I. Em razão do flagrante erro material, a ora Recorrida/PGFN opôs embargos de declaração visando a correção e ou saneamento do equívoco incorrido para constar a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN ao invés do artigo 174, I do mesmo diploma legal. Ocorre que, ao acolher os embargos de declaração opostos pela Recorrida, o v. Acórdão ora embargado, por unanimidade, afastou a decadência do período de setembro/1996 a dezembro/1998 com base na seguinte premissa: a aplicação do artigo 173, inciso I do C IN afastaria a decadência relativa à cobrança do período de setembro/1996 a dezembro / 1998. Os Embargos foram admitidos conforme despacho de fls 861. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Os Embargos Declaratórios são tempestivos e apontam a contradição, merecendo ser conhecidos. O voto condutor da decisão embargada registra que tratam os autos de “...auto de infração lavrado em 18/09/2002, por falta de recolhimento do PIS nos períodos de 07/96 a 12/96 e 07/98 a 09/98 e 11/98. “ (fls. 821). Na verificação da ocorrência de Fl. 867DF CARF MF 4 decadência, aplicou expressamente a regra do art. 173, inc. I, do CTN, com o seguinte resultado (fls. 824, sublinhado no original): (...) Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. (...) Ora, tomando o período de apuração mais remoto, setembro de 1996 – o dies a quo do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 01/01/1997. O mesmo vale para os PAs de outubro e novembro de 1996 (o termo inicial do prazo decadencial do fato gerador ocorrido em 31/12/1196 é 01/01/1998, já que o lançamento só poderia ser efetuado depois do vencimento da obrigação, em meados de janeiro de 1997). O direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nesses períodos de apuração decaiu, portanto, em 01/01/2002, antes da lavratura do Auto de Infração de que se trata, em 18/09/2002. Ou seja, em se aplicando o prazo decadencial de que trata o CTN em seu artigo 173, inciso I, o termo a quo do prazo quinquenal 'T do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", referentes às cobranças dos fatos geradores objeto dos períodos de setembro/1996 a dezembro/1996, teria início em 01/01/1997, encerrandose em 31/12/2001. Nesse sentido, é equivocada a premissa fática de que a aplicação do prazo decadencial do CTN artigo 173, inciso I afastaria a decadência das cobranças objeto do período de setembro/1996 a dezembro/1998. Dessa forma, afigurase como essencial a correção do erro material e consequente eliminação da contradição apontada a fim de que seja retificada a parte dispositivo v. Acórdão para que seja reconhecida a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes para reretificar o acórdão embargado, a fim de sanar o erro material nos termos acima expostos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 867 5 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 869DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003905/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO
PRESUMIDO/ARBITRADO.
O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa
foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1301-000.578
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO PRESUMIDO/ARBITRADO. O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 280 2 Relatório CONTENPLAC INDÚSTRIA DE COMPENSADOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR. Trata a lide de Pedido de Restituição (fl. 01), protocolizado em 30/03/2007, mediante o qual a interessada pleiteia a restituição de R$ 790.639,48, alegadamente pagos a maior a título de IRPJ sobre o Crédito Presumido de IPI de que tratam as Leis nº 9.363/1996 e nº 10.276/2001, “posto que estes créditos foram adicionados integralmente a base de cálculo presumida do IRPJ e CSLL no regime de tributação do Lucro Presumido/Arbitrado” nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. Seu principal argumento é de que os valores do ressarcimento do IPI, registrados como recuperação de custos, não se constituiriam em receita, não sendo também alcançados pela legislação do imposto de renda e da contribuição social. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR) os indeferiu, mediante o Despacho Decisório de fls. 86/89, por concluir que os valores relativos ao ressarcimento do IPI não seriam dedutíveis da base de cálculo dos tributos aqui discutidos. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 118/123), trazendo argumentos que foram assim resumidos pelo ilustre relator do processo, em primeira instância: 6. O art. 53 da Lei nº 9.430/96 expressa categoricamente sobre os valores recuperados com ressalva de sua não incidência quando o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido no período a que se refere a origem dos valores recuperados. 7. Além disso, o STF limita o conceito de faturamento para atingir tão somente a venda de mercadorias e serviços, excluindo quaisquer outros ingressos, inclusive excluindo a recuperação/ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, para qualquer forma de apuração do lucro, real, presumido ou arbitrado. Colaciona a decisão do STF no RE 346.0846/PR. 8. Deve ser aplicada a taxa Selic na restituição em razão de pagamento indevido, conforme o art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95, e do art. 52 da IN SRF n° 600/2005. 9. Por fim, requer o deferimento do Pedido de Restituição, corrigido pela taxa Selic. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0625.579, de 25/02/2010 (fls. 235/237v), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 281 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. As receitas relativas ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins sofrem tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ciente da decisão de primeira instância em 10/03/2010, conforme documento de fl. 239, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 19/03/2010 (registro de recepção à fl. 241, razões de recurso às fls. 241/249), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: • A recorrente reclama que o acórdão recorrido em nenhum momento se teria manifestado sobre seu “principal alicerce”, o acórdão nº 10196.877, em caso que entende similar ao seu. Sustenta que aquela decisão, por ela colacionada, se teria espelhado no art. 53 da Lei nº 9.430/1996, “que prevê a ressalva para as empresas que apuram o Lucro na modalidade de Lucro Presumido ou Arbitrado, em não adicionar valores recuperados para determinação da apuração do Imposto de Renda”. • Acrescenta que o embasamento legal mencionado no acórdão combatido não guarda relação com a matéria discutida, e que meras instruções normativas ou instruções de preenchimento de declarações não se poderiam sobrepor a lei específica versando sobre o assunto. • Invoca jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região, no sentido de que o ressarcimento do crédito presumido do IPI não se constitui em receita da empresa, mas tão somente incentivo fiscal destinado a desonerar as exportações. • Faz acostar aos autos cópias de recibos de entrega de suas DIPJ, com as quais pretende comprovar que, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, apurou seu lucro sob o regime do lucro arbitrado. • Reitera as razões acerca da incidência da taxa Selic sobre as restituições aqui pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 282 4 Preliminarmente, cabe observar que o recurso voluntário, na trilha do que já havia acontecido por ocasião da manifestação de inconformidade, não alcança a totalidade do direito creditório pleiteado. É que, ao longo do processo, toda a argumentação do contribuinte se dirige para o IRPJ incidente sobre os valores ressarcidos de créditos presumidos de IPI originários da Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/2001. Isto se torna especialmente claro diante da leitura do pedido original (fls. 02/17), em que nenhum outro tipo de crédito é mencionado. Não obstante, no demonstrativo de fl. 26, aparecem valores, entre aqueles adicionados no quarto trimestre de 2004, que correspondem a outras rubricas, identificadas simplesmente como “conta gráfica”, nos montantes de R$ 16.208,40, R$ 19.439,43, R$ 78.300,00, R$ 144.358,47, R$ 106.000,00, R$ 79.746, 96 e R$ 46.000,00. O exame de outros documentos acostados ao processo (por exemplo, fls. 209, 201, 220, 224, 230) leva ao entendimento de que se trataria do direito de manutenção do crédito de IPI incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei nº 491/69, art. 5º e Lei nº 8.402/92, artigo 1º, inciso II). Embora tais valores estivessem contidos no pedido original de R$ 790.639,48, o fato é foram negados pela DRF Curitiba, e a manifestação de inconformidade sobre eles silenciou, não se estabelecendo o litígio. Corretamente, também a DRJ Curitiba deixou de abordar o assunto e, mais uma vez, o contribuinte, em seu recurso voluntário, não teceu qualquer comentário sobre essa matéria. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Ainda que houvesse sido trazida à baila no recurso voluntário (e não o foi), descaberia sobre ela qualquer apreciação. Passo então à análise do recurso voluntário interposto, o qual discute o direito creditório decorrente da incidência (equivocada, no entender da interessada) do IRPJ sobre os créditos presumidos de IPI. Tais créditos, que teriam sido erroneamente adicionados à base de cálculo do imposto, totalizam R$ 467.961,18 (1º trimestre de 2002); R$ 228.912,23 (2º trimestre de 2002); R$ 270.245,26 (3º trimestre de 2002); R$ 291.385,85 (2º trimestre de 2003); e R$ 1.414.000,15 (4º trimestre de 2004). Conforme se pode depreender do relatório que antecede a este voto, a lide gira, em última análise, em torno da natureza do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/1996, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos a serem utilizados no processo produtivo de produtos a serem exportados. No bojo da discussão se encontra também a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) sobre esses valores. A discussão sobre a natureza desses créditos não é nova, e tem gerado manifestações e decisões não uniformes. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, filiome à corrente que entende que se trata da recuperação de custos anteriormente incorridos, ainda que por presunção legal. Para minha convicção é decisiva a disposição expressa da lei que instituiu o benefício, no sentido de que o crédito constitui ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos. Não se poderia cogitar de ressarcimento se não estivesse o custo dos insumos onerado pelas contribuições. Firmado esse ponto, a aplicabilidade do art. 53 da Lei nº 9.430/1996, invocado pela recorrente, é indiscutível. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 283 5 A questão foi abordada de forma clara e objetiva no acórdão nº 110300.3591, no excerto que transcrevo a seguir. Embora naquela oportunidade se cuidasse de CSLL, o raciocínio é integralmente aplicável também ao IRPJ. Quanto à questão de mérito, se analisado o mecanismo criado pela Lei nº 9.363/96, inferese que este objetiva o ressarcimento de parcela dos custos, correspondente ao acréscimo aos preços, pelo fornecedor, que repassa os encargos de PIS e COFINS incidentes sobre as vendas por ele efetivadas. É o que se infere do art. 1º, que diz: Art 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo (grifei) Diante disso, por se tratar de recuperação de custos, o art. 53 da Lei nº 9.430/96 (art. 521, § 3º, e 536, § 3º, do RIR/99) é categórico quanto à tributação, ou não, pela CSLL, dessa rubrica, com definição, no caso, favorável ao pleito da recorrente: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram ao período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Portanto, conforme se infere do artigo acima reproduzido, associado à definição, quanto à natureza do beneficio concedido, fornecida pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96, não existe espaço para outra interpretação que autorize contornar a determinação direta contida na ressalva do art. 53, suso reproduzido, de que as recuperações de custos não integram o lucro presumido ou arbitrado, isto quando as recuperações se refiram a períodos em que foram adotadas tais formas de tributação. Observo que o reconhecimento da natureza da rubrica como recuperação de custos não implica, de forma automática, sua não tributação pelo IRPJ. Ao contrário, o raciocínio contábil leva ao entendimento, confirmado pelo artigo 53 acima reproduzido, de que a regra é a da incidência tributária. Senão vejamos: No momento da aquisição dos insumos, no valor pago pelo adquirente se encontram embutidos, ainda que por presunção da lei, as contribuições pagas nas etapas anteriores da cadeia produtiva. O valor da aquisição, assim majorado, é levado inicialmente a débito de estoques e posteriormente transferido para a conta de resultado representativa dos custos. Desta forma, o resultado contábil apurado é reduzido. Se esse resultado contábil é o ponto de partida para o resultado tributável (lucro real), então este também é reduzido. Em caso 1 Processo nº 10980.003912/200785, Acórdão 110300.359, de 11/11/2010. Relator Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 284 6 contrário (lucro presumido ou arbitrado, baseado somente nas receitas), o resultado tributável não sofre alteração. Em um segundo momento (geralmente, em outro período de apuração), ao obter, amparado na lei, o ressarcimento de parte do custo dos insumos, não é mais possível fazer o ajuste nos custos, anteriormente levados à apuração de um resultado já encerrado. O crédito correspondente é feito, então, em conta de resultado e, aqui, pouco importa sua natureza, desde que o resultado contábil restará majorado. Não tenho dúvidas de que, em se tratando de contribuinte tributado com base no lucro real, o resultado tributável será também majorado, de forma a equilibrar a redução no período anterior. Se, por outro lado, a tributação for feita com base no lucro presumido ou arbitrado, impõese a adição à base de cálculo, ressalvadas as situações excepcionadas pelo anteriormente mencionado art. 53 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, as situações que não conduziram, no período anterior, à redução do resultado tributável. No caso concreto, as adições feitas pelo contribuinte, correspondentes aos créditos presumidos de IPI, ocorreram no primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano calendário 2002, no segundo trimestre do anocalendário 2003 e, ainda, no quarto trimestre do anocalendário 2004 (vide demonstrativo à fl. 26). Nesses períodos, sua tributação foi feita com base no lucro presumido (anoscalendário 2002 e 2003) e no lucro arbitrado (anocalendário 2004), conforme se verifica nos documentos de fls. 251/258. Por outro lado, os créditos se referem à recuperação de custos incorridos na aquisição de insumos nos quatro trimestres dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 e, ainda, no primeiro trimestre do anocalendário 2003, conforme se depreende do demonstrativo de fl. 26 e dos demais documentos acostados ao processo. Em todos esses anos o contribuinte foi tributado com base no lucro presumido, pelo que se revela descabida a adição à base de cálculo do imposto dos valores do crédito presumido de IPI. Quanto ao pleito referente ao acréscimo de juros SELIC aos valores a serem restituídos, tenhoo por inócuo, desde que essa incidência é definida por lei (art. 39 da Lei nº 9.250/1996) e não consta que haja qualquer litígio ou dúvida a esse respeito. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, reconhecendo ter sido indevida a adição da recuperação de custos em foco (Crédito Presumido de IPI) à base de cálculo do IRPJ. Em decorrência, reconheço como indevido o imposto incidente sobre tal acréscimo à base de cálculo, o qual deve ser restituído, após confirmação dos pagamentos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 285 7 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.000636/2010-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007
EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO.
Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas.
Numero da decisão: 1003-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO. Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO. Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 36 /2 01 0- 04 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão DRJ/FNS nº 07 31.941, de 11.07.2013, da 5ª Turma DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Por economia processual e por entender estar bastante detalhado, utilizarei o relatório elaborado pela primeira instância administrativa, conforme abaixo: I DA REPRESENTAÇÃO FISCAL Tratase da exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, mediante o Ato Declaratório Executivo – ADE n° 14, de 23 de fevereiro de 2010, em face da CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS (inciso IV, artigo 14 da Lei n° 9.317/96, de 05 de dezembro de 1996, e inciso IV, artigo 23 da IN SRF 608/06) e, conseqüentemente, por incidir na vedação imposta pela alínea f, inciso XII, artigo 9º da referida lei (CESSÃO OU LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA). Consoante o Termo de Representação Fiscal, a ação fiscal foi desenvolvida nas empresas Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. – ME, ora Excluída, e Vale Norte Industrial Mercantil Ltda. (CNPJ nº 02.682.551/000108), onde foram identificadas situações que corroboram com o referido ADE, as quais passo a relatar, resumidamente, a seguir: a) com base nos contratos sociais das empresas, e alterações posteriores, constatase o uso do mesmo espaço físico pelas empresas e que o objeto social das duas se completam desde o início de suas atividades “Comércio Atacadista de Madeira; Representações de Madeiras e Compensados; Desdobramento de Madeira; Fabricação de Madeira Laminada e de Chapas de Madeira Compensada ou Aglomerada e Fabricação de Portas de Madeira”. b) inferese do quadro de pessoal que a Interessada opera com locação de mão de obra, tendo em vista que, até 2007, a Vale Norte não possuía nenhum segurado sob seu registro. c) verificase que a totalidade da atividade é feita pela Vale Norte, sob a direção do casal Wilfried e Eliana: a administração, o atendimento, o financeiro, o acabamento, a produção (a serra de toras era dentro da empresa mãe até meados de 2007), o expediente, a execução do serviço, compra e venda de mercadorias, almoxarifado, estoque de mercadoria acabada, transportes etc.. d) constatase que a Excluída utilizada imóvel, equipamentos, máquinas e meios de transportes de propriedade da Vale Norte por meio de comodato contrato de cessão gratuita de uso (...).O contrato de aluguel somente teve início em 2010 com a presença Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 4 3 fiscal, ainda assim, apenas do terreno e da construção pré moldada. As ferramentas para a execução do trabalho continuam incluídas no contrato de cessão gratuita de uso. e) concluise que o faturamento da Pinheiro é basicamente para pagar a sua folha de pagamento e os seus encargos. Enquanto isso a Vale Norte que encaminha toda a matéria prima através de uma nota de remessa para industrialização da Defendente, ficou apenas com os custos sobre o prólabore de seus dois administradores. Em outras palavras, o que se constata é a simulação de terceirização de mãodeobra, quando da criação da Excluída no regime simplificado de tributação, e a existência de grupo econômico controlado pela Vale Norte. f) verificase que, apesar de ter empregado registrado em 2002, a Pinheiro não teve movimentação financeira sequer para pagar os seus empregados. g) da analise nos livros contábeis apresentados pela Pinheiro não foram constatados lançamentos de custos e despesas necessários (ou imprescindíveis) ao desenvolvimento de suas atividades como energia elétrica, água, telefone etc. Mesmo com a criação de novo parque industrial (a serraria em 2007), a Vale Norte continua pagando a conta de luz em seu nome. Tal fato demonstra que os custos das empresas se confundem e que o controle contábil da Interessada é meramente figurativo. h) constatase que a Excluída depende 100% da Vale Norte, visto que em sua contabilidade não há registros com encargos, despesas com luz, água, telefone, matéria prima, aquisição de ativo imobilizado, existem apenas lançamentos com notas de remessa para industrialização, emitidas pela Vale Norte. i) a Vale Norte, através de seus administradores, nomeia seus próprios familiares procuradores com poderes ilimitados para gerir seus negócios e movimentar contas bancárias. (vide procurações). Após todas as constatações, a autoridade fiscal concluiu que as empresas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, evidenciado pela unicidade de comando exercida pelos representantes legais da Vale Norte, Srs. Wilfried Prachthauser e Eliana Prachthauser, e pela UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS (seus filhos), que não os verdadeiros donos, na formação do quadro societário da empresa Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. ME. Bem como, que a conduta foi tomada com intuito de afastar a incidência das contribuições previdenciárias (cota patronal) da empresa Pinheiro, por meio da opção indevida pelo SIMPLES FEDERAL, no período de 01/2002 e 06/2007, motivo pelo qual deve ser vedada a sua permanência na sistemática de arrecadação simplificada. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 5 4 II DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada da exclusão, a Interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, por meio de procurador legalmente constituído, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir sintetizadas: Esclarece que os argumentos que motivaram a expedição do ADE nº 14, de 23 de fevereiro de 2010, não coadunam com a realidade, posto que não foi constituída por interposta pessoa, tampouco realiza operação de prestação de serviços de locação/cessão de mãodeobra. Prossegue contrapondo, por tópico, os fatos levantados pela autoridade fiscal, como segue: 1. DA REALIDADE FÁTICA Nesse tópico a Interessada aborda questões como: composição societária, sede e objeto social das empresas e os verdadeiros motivos que conduziram a sua constituição; inexistência de transferência de empregados, de simulação de terceirização e de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas; dos custos e despesas da atividade e da administração e gerenciamento financeiro. Diz que, embora a autoridade fiscal tenha relatado com exatidão a sequência com que se deu a alteração formal da participação no capital social, os argumentos de que se utilizou não são hábeis a caracterizar constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco formação de grupo econômico de fato. Discorre, ampla e exaustivamente, sobre os motivos que levaram a sua constituição, tais como: a) os atuais sócios da manifestante entenderam que seria interessante que ambas as empresas funcionassem próximas uma da outra, não só porque os custos (especialmente com transporte de mercadorias) seriam menores, mas, também, porque, em sendo assim, o auxilio do Sr. Wilfried seria mais efetivo e constante. Por isso se instalou nas proximidades da Vale Norte Ltda. b) no ano de 2007, então, o seu sócio menor de idade, Felipe Anel Prachthauser, atingiu a idade de 20 (vinte) anos e como já se sentia preparado para, juntamente com sua irmã, administrar a Excluída, o Sr.Wilfried deixou a sociedade, embora até os dias atuais permaneça auxiliandoos. Nesse mesmo ano ampliou suas atividade para atender a demanda que provinha da Vale Norte. c) dado que não dispunha de recursos suficientes para adquirir maquinários necessários para executar as suas novas atividades, a Vale Norte emprestou gratuitamente não só equipamentos como também, móveis, utensílios de escritório e um espaço maior para sua nova sede. Segue reforçando a tese de que a forma de composição do quadro societário e, bem assim, as alterações da sede e do objeto social da peticionaria (Pinheiro Indústria de Madeiras Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 6 5 Ltda. ME) e da empresa Vale Norte Industrial Ltda. não são circunstâncias capazes de caracterizar eventual constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco fraude/subterfúgio no intuito de ludibriar o fisco, sobretudo porque, como visto, a criação da primeira (ou seja, da peticionária) é fruto único do auxilio que o Sr.Wilfried e sua esposa Eliana deram e continuam dando a seus filhos, os quais compõem o seu quadro societário. Esclarece cada uma das situações que podem resultar em grupo econômico, a fim de provar que nenhuma das empresas participa no capital da outra, tampouco exerce o controle da outra. Discorda da autoridade lançadora quando afirma que o objeto social das duas empresas é semelhante, porque foi criada por sócios com a finalidade de prestar serviços à Vale Norte. Assevera que as empresas não foram constituídas no mesmo pátio, mas, sim, próximas uma das outras para facilitar o auxílio prestado por seus pais Wilfried e Eliana (sócios da Vale Norte), e nem executam suas atividades no mesmo pátio, posto que a atividade de uma é diferente da outra. Contesta a alegação de que houve transferência de empregados da Vale Norte apenas porque ela possui mais empregados e, também, não concorda com informação de que parte de seus empregados trabalha na Vale Norte. Esclarece que desde o inicio de sua constituição presta serviços à Vale Norte, os quais antes eram executados por ela própria. O que implicou na admissão de grande parte dos empregados dispensados da Vale Norte, porque eles possuíam muita experiência no que faziam. Frisa que essa situação não comprova a formação de grupo econômico ou a utilização de interposta pessoas. Aduz que, esporadicamente, alguns dos seus empregados ingressam no estabelecimento da Vale Norte para a realização dos serviços contratados com a Excluída. Reforça que não existe relação de subordinação na prestação de serviços realizada por seus funcionários na sede da Vale Norte, razão pela qual não há que se falar em locação de mãodeobra. Prossegue afirmando a inexistência dos requisitos legais para caracterização de locação de mãodeobra. Discorda dos argumentos apresentados pela fiscalização que deram suporte ao Ato de Exclusão, e que, por consequência, lastrearam o presente auto de infração, por entender que são insuficientes, inexistentes e não encontram guarida na legislação. Fala sobre o mercado e a crise econômica a fim de justificar o seu baixo faturamento. Sustenta que o fato da Vale Norte ser seu principal cliente não pode caracterizar fraude/simulação de serviços terceirizados, posto que é uma situação comum entre diversas empresas no país. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 7 6 Registra que foi criada com a ajuda de seus pais porque não desfrutava de experiência, capacidade e estrutura suficientes para competir com empresas do mesmo porte. Afirma que se presta serviço para Vale Norte para o qual foi contratada –recebendo a matéria prima e transformando em produto industrializado — não há que se falar em simulação, pois “tal não implica conferência ou transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem, declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, tampouco pósdatação ou antedatação de documentos”. Diz que as benesses que recebem da Vale Norte decorrem da relação de parentesco existente ente os sócios das empresas, e se justificam dado o desejo de seus pais (sócios da Vale Norte) em auxiliarem os seus filhos (sócios da Excluída) na edificação e constituição de seu próprio negocio. Reforça que a sua administração não se confunde com a da Vale Norte, ainda que receba auxílio informal de seus pais (sócios da Vale Norte), haja vista tratarse de pessoas jurídicas distintas, sem dependência hierárquica ou comando de uma sobre a outra. 2. DO DIREITO 2.1. Da Prescrição Administrativa/Decadência Esclarece que a legislação estabelece o prazo de 05 (cinco) anos para que a administração reveja seus próprios atos, assim sendo, tendo se passado mais de 8 (oito) anos de sua inscrição no SIMPLES sem qualquer oposição ao pedido de inscrição, decaiu o direito da administração excluíla do referido regime simplificado de tributação. 2.2. Da inexistência de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas Reprisa a questão da independência administrativa, das benesses recebidas da Vale Norte, do auxílio informal dos pais, da ausência dos requisitos legais para configuração de grupo econômico, da independência das sedes, da inexistência de transferência de empregados entre as empresas, do faturamento inexpressivo em face da pouca experiência no mercado, em fim, tudo que já foi abordado nas tópicos anteriores. 2.3. Da não realização pela autuada de operação de prestação de serviços de locação de mãodeobra Apresenta a legislação e jurisprudência que tratam da conceituação de mãodeobra, a fim de se ver afastada da imputação de locação de mãodeobra. Narra, exaustivamente, sobre os requisitos legais necessários para caracterização de cessão/locação de mãodeobra, onde alega que seus serviços não se enquadram em nenhuma das hipóteses lá previstas. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes que tratam de locação de mãodeobra com o fim de justificar o eventual Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 8 7 deslocamento de seus empregados para executar os serviços no estabelecimento da tomadora de serviços, no caso a Vale Norte. 2.4. Da aplicação de analogia para a exigência de tributo Sustenta que a autoridade fiscal utilizouse da legislação comercial e/ou trabalhista para reputar configurada a existência de grupo econômico, bem como ter caracterizado os serviços prestados como cessão/locação de mãodeobra sem ao menos estarem listados no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Reprisa as situações necessárias para se configurar grupo econômico, reforçando a tese de que a autoridade fiscal criou hipótese de incidência, por analogia, para exigir tributos sem lei que previamente o estabelecesse. 2.5. Da impossibilidade de desconsideração dos atos jurídicos de constituição da autuada Alega ilegalidade do ADE nº 14/2010 por ter considerado que foi constituída mediante simulação/fraude, e como conseqüência ter desconsiderado o ato jurídico de sua constituição e têla excluída do SIMPLES FEDERAL. Defende que os atos e negócios jurídicos não podem ser desconsiderados pela autoridade administrativa antes que seja editada legislação própria. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. A manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente, mantendose o Ato Declaratório DRF/FNS nº 14, de 23/02/0210 e a conseqüente exclusão da empresa do Simples. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário ratificando os fatos e fundamentos apontados na manifestação de inconformidade e requerendo a reforma do acórdão DRJ/FNS nº 0731.941, de 11.07.2013, e o cancelamento do ADE nº 14, de 23/02/0210. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Inicialmente, importante observar que esse processo foi inicialmente distribuído para a 2ª Seção. Em despacho constante nos autos, fls. 286 e 287, o Ilmo. Conselheiro declinou da competência e informou que a citada empresa também foi excluída do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 9 8 Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), mediante ADE nº 15/2010, com tramitação no Processo de nº 13971.000635/201051, o qual, segundo informações do Comprot, também está pendente de julgamento de recurso voluntário. O objeto deste processo é a exclusão do SIMPLES Federal. Ainda consta nos presentes autos, através de despacho de encaminhamento, a notícia de que há outros três processos que discutem crédito tributário previdenciário os de nºs 13971.000642/201053,13971.000643/201006 e 13971.000644/201042, que estão vinculados aos presentes autos (processo de nº13971.000636/201004), e encontramse sobrestados, aguardando julgamento do presente processo por Resolução do colegiado na SECAM da 4ª Câmara da 2ª Seção de julgamento. Feitos esses esclarecimentos, iniciamos a análise dos fatos apontados no Recurso Voluntário. A Recorrente aponta em seu recurso fatos que entende ser suficientes para justificar a criação da empresa conforme ocorreu. Aduz que o motivo principal era a intenção dos pais em ajudar o negócio dos filhos, tendo socorridoos não apenas financeiramente, mas também através de instrumentos necessários para início no negócio. Que todo o desenvolvimento da empresa girou em torno da VALE NORTE porque essa seria o início mais vantajoso, haja vista a proximidade de objetos sociais e, como também, para ser um primeiro cliente da empresa iniciante. Ocorre, contudo, que tais justificativa não desmentem os fatos evidenciados na fiscalização, que apontou, desde o início de atividade da Recorrente, está subordinada ao comando e supervisão do Sr. Wilfried. Tanto é que, no início, um dos sócios era, inclusive, de menor. Aponta que o Sr. Wilfried sempre procurou socorrer a empresa, que, conforme demonstrado na auditoria fiscal, não possuía faturamento suficiente para manter os empregados que possuía e ainda auferir lucro. Segundo as alegações da Recorrente em suas peças de defesa, a VALE NORTE Ltda estava intimamente relacionada com a Recorrente, e que, em inúmeras situações, socorreu financeiramente, inclusive pagando impostos e encargos, como também ajudou através de instrumentos e imóvel e, principalmente, através da experiência administrativa dos administradores da VALE NORTE. A fiscalização ainda apurou que os empregados, embora admitidos formalmente pela Recorrente, trabalhavam na estrutura da VALE NORTE. É certo que duas empresas podem atuar num mesmo espaço, desde que seja possível identificar seus funcionários, os ativos e espaços de cada empresa individualmente, o que não ocorre no presente caso. A Recorrente, em seu recurso voluntário, busca fundamentar a independência das empresas, alegando inclusive que a Recorrente possuía outros clientes, no entanto não colacionou aos autos qualquer prova de suas alegações. O planejamento das empresas de um mesmo grupo tem que ser revestido não só de economia tributária, mas também de um propósito negocial. Nos presentes autos, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar o propósito negocial das empresas, limitandose a justificar os fatos unicamente em razão de relação de parentesco. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 10 9 Na verificação in loco realizada pela fiscalização, bem como pelas alegações da Recorrente, restou evidenciado que toda a administração e controle dos funcionários era exercida pelo VALE NORTE, a própria sóciagerente da Recorrente, inclusive, se apresentou como funcionária do grupo no momento da fiscalização. Não logrou êxito a Recorrente em justificar o fato de a VALE NORTE não possuir funcionários desde 2002 e todos os funcionários da Recorrente estarem trabalhando para a VALE NORTE, inclusive dentro do espaço físico dessa. Apenas em meados de 2007 a VALE NORTE efetuou contratações de empregados. É digno registrar que essa prova caberia à Recorrente e não à fiscalização, que se limitou a consignar aquilo que estava verificando in loco. Logo, não há como acolher as alegações de que as duas empresas seriam distintas e independentes entre si, cada uma com seus próprios administradores. Em razão do conjunto probatório colacionado aos autos, conclui.se que existe confusão administrativa e de funcionários, o que leva ao fato de que a existência autônoma da recorrente não está configurada, não se vislumbrando outra razão para a separação formal entre as empresas que não reduzir a incidência de tributos. As operações se revestem de aparente legalidade, contudo apurando os fatos a conclusão leva a outro resultado que não está amparado na legislação. Atinente à realização de operações relativas à cessão de mão de obra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. No caso em tela, não há dúvidas de que a Recorrente colocou à disposição da contratante sua mão de obra, cujo trabalho foi realizado primordialmente nas dependências da VALE NORTE, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. A Recorrente, em 2004 e 2005 chegou a ter uma média de 70 funcionários, os quais trabalhavam na execução de serviços para a VALE NORTE e, muitas vezes, nas dependências dessa. A Alegação de que estavam lá executando serviços contratados não restou comprovado, visto que a fiscalização encontrou a maior parte dos funcionários trabalhando na VALE NORTE. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço e empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Os sujeitos do contrato de trabalho são: (a) o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação e (b) o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 11 10 Assim, podese inferir que a pessoa jurídica empregadora não realiza operação relativa à locação de mão de obra .Para contextualizar a questão vale transcrever excertos da Solução de Consulta COSIT nº 312, de 06 de novembro de 2014, que apresenta outros elementos: 10. Concluise, assim, que quando uma empresa cede trabalhadores a outra empresa, ela transfere a essa outra empresa a prerrogativa que era sua de comando desses trabalhadores. Ela abre mão, em favor da contratante, do seu direito de dispor dos trabalhadores que cede; abre mão do seu direito de coordenálos. Dizer, então, que trabalhadores de uma empresa contratada estão à disposição de uma empresa contratante de serviços significa dizer que essa empresa contratante pode deles dispor; pode deles exigir a execução de tarefas dentro dos limites estabelecidos, previamente, em contrato, sem que eles necessitem, para executálas, reportarem se à empresa que os cedeu. Nesse tipo de contrato o objeto é a mão de obra. Nesse tipo de contrato a empresa contratante define a quantidade de trabalhadores que ela necessita para executar serviços que são de sua responsabilidade. [...] 14. Esse, inclusive, tem sido o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme pode ser constado na ementa de acórdão proferido por esse Tribunal, abaixo transcrita (destacouse):TRIBUTÁRIO. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE DO ATO.1. A prestação de serviços pela empresa contratada, com a utilização de mãodeobra própria, a qual permanece sob a sua direção e dependência exclusiva, havendo apenas o deslocamento dos trabalhadores até o local da execução, seguindose a prestação do serviço sob as ordens da contratada não se confunde com a atividade de locação de mãodeobra, que pressupõe que a empresa simplesmente coloque os seus empregados à disposição do tomador de serviços, o qual determina as diretrizes de trabalho e comanda a realização do serviço.2. Não tendo restado evidencia, na representação fiscal, de forma inequívoca, a cessão de mãodeobra, deve ser declarado nulo o ato que determinou a exclusão da autora do SIMPLES.(Processo 500421972.2013.404.7208, Segunda Turma, D.E. 27/05/2014) É fato incontroverso que a administração era exercida pelo Sr. Wilfried, visto que a própria Recorrente confirma ter esse orientado e atuado internamente na administração da Recorrente. É incontroverso ainda que a VALE NORTE não possuía nenhum funcionário, exceto os administradores até meados de 2007. Diante de todas as provas nos autos, entendese ter havido a utilização de mãodeobra da Recorrente na empresa VALE NORTE, sem a devida formalização necessária. O acórdão de piso acertadamente destacou: Destaco que não se trata de analisar o objeto social da empresa como locação de mãodeobra, mas, sim, de se verificar se a prestadora, para atingir o seu objetivo social – que no presente Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 12 11 caso é industrialização de madeiras presta serviços com a natureza de cessão de mãodeobra. No presente caso, à vista dos elementos constantes dos autos, verifico que estão presentes os requisitos essenciais na caracterização da cessão de mãodeobra. E, ainda, robustecendo as evidências do caso aqui tratado, destaco as seguintes declarações prestadas pela Excluída: “(...) alguns serviços são prestados dentro do estabelecimento da Vale Norte para facilitar a sua execução”. “(...) que os empregados da peticionária não são locados ou colocados no ambiente ou estabelecimento de seus clientes, mas neles ingressam com o simples propósito de realizarem sua atividade, ou seja, com o objetivo de ali realizarem a prestação de serviços contratada”. “(...) a peticionária não recebem ordens dos representantes ou funcionários de seus clientes, tampouco de seus funcionários e/ou representantes legais, mas, apenas, eventualmente, algumas instruções e diretrizes, acerca da forma como almejam o serviço contratado, o que, como visto, não configura subordinação ou hierarquia”. Ora, não se pode falar em “eventualidade” quando se estar diante de um cliente exclusivo (Vale Norte). Quero dizer que, se os serviços são prestados com habitualidade à Vale Norte, utilizandose de recursos e estrutura por ela providos e, como dito pela própria Excluída, dentro das sua dependências e sob suas instruções e diretrizes, é irrelevante para o processo identificar os motivos que a levaram a adotar tal procedimento. A Recorrente aduz ainda a existência de decadência administrativa, sob o fundamento de que teria decaído o prazo de análise da exclusão do Simples por parte do Fisco, visto estar a empresa há 8 anos na sistemática. Ocorre, porém, que a Recorrente comete equívoco quanto a essa questão, haja vista que inexiste crédito em litígio nos presentes autos. Por concordar com os fundamentos do acórdão de piso, transfiro abaixo seus argumentos: A interessada sustenta que decaiu o direito da administração excluíla do SIMPLES FEDERAL, porquanto o prazo para rever seus próprios atos é de cinco anos. De se dizer de início, que a tese levantada pela Interessada é equivocada. Explico: Primeiro, porque o caso que aqui se discute é exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 13 12 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES e não da constituição de crédito tributário. Depois, porque contrariamente a atividade de lançamento de crédito tributário, que estaria limitada aos prazos previstos pelos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN, a administração pode rever seus atos a qualquer tempo. Por essa razão, não há que se falar em perda do direito de excluir a Interessada do SIMPLES FEDERAL, posto que não se tratar de lançamento de crédito tributário. A Recorrente ainda busca caracterizar a existência de analogia para cobrança de tributos, no entanto, o caso dos presentes autos se limita ao objeto de exclusão da empresa do Simples Federal em razão de auditoria fiscal realizada na Recorrente que apontaram a existência de interpostas pessoas e cessão de mãodeobra. A exigência de quaisquer tributos não poderá ser analisado neste processo. Por fim, a Recorrente destaca ter havido desconstituição de ato jurídico de constituição da Recorrente, porém tal fato não corresponde à realidade. A fiscalização limitou se unicamente à verificar fatos e coletar provas que demonstraram não ter a Recorrente o direito de fazer parte do sistema simplificado de pagamento dos tributos Simples Federal em razão de vedações impostas pela lei. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.006711/2010-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 67 11 /2 01 0- 84 Fl. 104DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. Lançamento e acórdão de impugnação entendem insuficientes para a comprovação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O litígio é apenas sobre os pagamentos de despesas médicas a fisioterapeuta Ana Claudia, dentista Helga Ferreira e pagamentos a Unimed, plano de saúde, conforme indicado no recurso voluntário. Outras despesas não foram objeto do recurso. A fundamentação para a recusa, em relação aos documentos litigados, restringiuse a recusar por falta de identificação do beneficiário; falta de previsão legal, assim genericamente. Contribuinte apresentou declaração das profissionais, e da Unimed indicando o beneficiário, motivo da glosa. Essa comprovação é suficiente para aceitar os documentos. De toda maneira, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 3 3 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Fl. 106DF CARF MF 4 V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Assim, satisfeita a fundamentação do lançamento e na ausência de indicação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 4 5 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 108DF CARF MF
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