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Numero do processo: 16327.909449/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO.
NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª Instância, impondo anulação do aresto recorrido e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1402-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO. NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª Instância, impondo anulação do aresto recorrido e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância.
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DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO. NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª Instância, impondo anulação do aresto recorrido e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 94 49 /2 01 2- 34 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 542 2 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 543 3 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) da DEINF/SP, nº de Rastreamento 041082401, de 05/12/2012, que não reconheceu parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte – R$ 722.637,25 , conforme reprodução abaixo (fls. 2): Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 8/29) requerendo o deferimento integral do direito creditório remanescente não reconhecido pelo DD (R$ 722.637,25). Em 19 de novembro de 2014, a 8ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão negando provimento ao pleito e mantendo o quanto decidido no DD. (Acórdão fls. 404/415)1. Referido valor – que representa o litígio aqui trazido – compõese de IRRF retido e não confirmado e estimativas igualmente não confirmadas, estando assim resumido: 1. IRRF 1 A numeração referida, quando não houver indicação em contrário, será sempre a digital. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 544 4 2. ESTIMATIVAS 3. RESUMO DO LITÍGIO 3.1 IRRF não confirmado R$ 28.324,02 3.2 Estimativas Insuficientes R$ 694.313,23 Em relação ao item primeiro, o aresto combatido entendeu não ter havido comprovação documental suficiente e necessária dos montantes apontados como retidos, por isso indeferiu inteiramente o pedido. Já acerca das estimativas não confirmadas, fragmentos da decisão contestada mostram as razões de decidir da Turma a quo (fls. 429/435): “8. A contribuinte interessada também discorda do entendimento da autoridade administrativa fiscal que apreciou Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 545 5 o direito creditório em relação à não confirmação das parcelas de CSLL estimativa mensal dos períodos de apuração 31/03/2006 e 31/01/2006, nos valores de R$ 40.136,01 e R$ 185.307,13. A autoridade detectou a diferença em decorrência do pagamento após o vencimento das estimativas (recolhimentos efetuados em junho de 2006) sem o recolhimento da multa de mora. A contribuinte por sua vez defende que o recolhimento fora feito com base em denúncia espontânea, ao abrigo do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, o que afastaria a aplicação da multa de mora. 8.1. Conforme relatado, a contribuinte traz aos autos peças do processo judicial nº 2006.61.00.0250652 em que realmente demonstra terem sido levadas à discussão judicial as parcelas do crédito de estimativa mensal glosadas pela autoridade fiscal (vide petição às fls. 286 a 289 – itens c.5 e c.6). 8.2. O protocolo da petição inicial (fls. 264) indica que o início da ação ocorreu em 17/11/2006, de forma que, em 18/05/2007, a data em que apresentada a PerDcomp 19966.77918.180507.1.3.030389 (declaração original retificada pela PerDcomp 17176.90494.161208.1.7.03 6457), a discussão sobre a procedência, ou não, da exigência dos valores de R$ 40.136,01 e R$ 185.307,13 (multa de mora) já havia sido levada ao crivo do Poder Judiciário. 8.3. Não é demais lembrar que o art. 170 do CTN autoriza, nas condições e sob as garantias que a lei estipular “a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública” e o art. 170A do mesmo Código veda expressamente o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da decisão judicial: (...) 8.4. Convém, neste ponto, assinalar que a contribuinte informa na peça de defesa que “Atualmente, o processo encontrase aguardando manifestação da União Federal quanto ao prosseguimento do recurso especial interposto (o qual, frisese, não possui efeito suspensivo, portanto, a decisão proferida pelo E. TRF da 3a Região está em pleno vigor), tendo em vista a edição dos Atos Declaratórios PGFN 4/2011 e 8/2011”. Até a presente data não consta informação alguma no presente processo sobre o trânsito em julgado da decisão proferida no processo judicial nº 2006.61.00.0250652 8.5. Portanto também em relação a essas parcelas de estimativas mensais glosadas não cabe qualquer retificação ao despacho decisório proferido. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 546 6 8.6. Cumpre ainda consignar que em relação aos argumentos quanto à adequação do caso aos Atos Declaratórios 4/2011 e 8/2011, que essa Turma de Julgamento não pode se pronunciar porquanto, como restou demonstrado, o assunto encontrase em discussão na esfera judicial, de forma que, em conformidade com o Parecer Normativo nº 7, de 22/08/2014 (cuja ementa abaixo se transcreve), não cabe qualquer manifestação administrativa a esse respeito. Também não se pode inferir que o processo tenha transitado em julgado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: (...) 8.7. Como se vê, o despacho decisório deve, à luz dos documentos apresentados pela contribuinte, permanecer incólume. 9. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise, mantendose incólume o despacho decisório de fl. 396”. O Acórdão guerreado encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DCOMP. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. Os argumentos e documentos apresentados para comprovar a existência do valor do saldo negativo glosado pela autoridade administrativa fiscal na análise do PerDComp com demonstrativo do crédito revelaramse ineficazes para afastar o valor de saldo negativo reconhecido no Despacho Decisório combatido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. É vedada a restituição/compensação mediante aproveitamento de tributo/contribuição que não possua o atributo de liquidez e certeza a que alude o artigo 170 do Código Tributário Nacional. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o interessado interpôs perante a Turma a quo, peça recursal que nominou de “embargos de declaração” (fls. 448/450) questionando o Acórdão embargado em relação ao enfrentamento da matéria que se encontrava sob discussão judicial (espontaneidade – multa de mora – artigo 138 do CTN), alegando ter havido trânsito em julgado (favorável ao recorrente) e a desistência da União no litígio. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 547 7 Ainda que não previsto no PAF “embargos” em relação às decisões de 1º Piso, o presidente da Turma Julgadora a quo entendeu por receber a peça recursal e apreciar os argumentos do contribuinte, concluindo pelo indeferimento do pedido (fls. 478/480). Cientificado do despacho retro, o contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 492/509) basicamente reproduzindo as argumentações anteriores e reafirmando o trânsito em julgado da decisão judicial sobre os pagamentos de tributos com fulcro no artigo 138, do CTN. Mais ainda, reclamou expressamente que a decisão recorrida ignorou parte de sua manifestação de inconformidade. Vejase (RV fls. 504): É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 548 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do despacho de “embargos” em 06/08/2015 – fls. 490 – protocolização do RV em 13/08/2015 – fls. 492), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 510/518) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O indeferimento do direito creditório requerido pelo contribuinte soma R$ 722.637,25 e tem duas variáveis: 1. Retenções não confirmadas – R$ 28.324,02; e 2. Estimativas não confirmadas (insuficientes) – R$ 694.313,23. Antes de qualquer análise, há que se reconhecer o reclamo da defesa de que um dos itens de sua impugnação (repetido no recurso voluntário), não foi apreciado pela Turma a quo. Trata se do tópico abaixo (MI – fls. 24): Item que se repetiu no recurso voluntário (fls. 504): De fato, a leitura do voto condutor mostra que somente foram analisadas as argumentações expendidas nos dois itens precedentes, revelando valores não confirmados de R$ 28.324,02 e R$ 225.443,14 (R$ 40.136,01 + R$ 185.307,13), omitindo o aresto recorrido em relação ao item supra referido e que atingiu montante não deferido de R$ 468.637,25. Deste modo, omitindose o Acórdão em apreciar item especificamente aventado pela defesa, impõese anular o aresto, com retorno à Turma de origem para que nova decisão seja exarada. É como voto. Brasília (DF), em 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 549 9 Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722582/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. COMPETÊNCIAS NÃO LANÇADAS. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
1. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
2. Também não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA GILRAT (SAT/RAT). FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO.
1. Conforme preleciona a Súmula 351 do STJ, "a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro".
2. Tese consolidada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IMPOSTO DE RENDA COM DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. MANUTENÇÃO.
O art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, veda a compensação de créditos de imposto de renda com débitos de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2402-005.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar do Levantamento DR2 a diferença de contribuição devida pelo estabelecimento filial.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. COMPETÊNCIAS NÃO LANÇADAS. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. 1. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. 2. Também não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA GILRAT (SAT/RAT). FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO. 1. Conforme preleciona a Súmula 351 do STJ, "a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro". 2. Tese consolidada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IMPOSTO DE RENDA COM DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. MANUTENÇÃO. O art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, veda a compensação de créditos de imposto de renda com débitos de contribuições previdenciárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar do Levantamento DR2 a diferença de contribuição devida pelo estabelecimento filial. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. COMPETÊNCIAS NÃO LANÇADAS. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. 1. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. 2. Também não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA GILRAT (SAT/RAT). FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO. 1. Conforme preleciona a Súmula 351 do STJ, "a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro". 2. Tese consolidada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IMPOSTO DE RENDA COM DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. MANUTENÇÃO. O art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, veda a compensação de créditos de imposto de renda com débitos de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 82 /2 01 2- 59 Fl. 1438DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar do Levantamento DR2 a diferença de contribuição devida pelo estabelecimento filial. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 19515.722582/201259 Acórdão n.º 2402005.901 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo o Auto de Infração DEBCAD 51.008.3382, em função das seguintes acusações: a) Diferença de GILRAT para o estabelecimento 06.936.483/000117; b) Diferença de GILRAT para o estabelecimento 06.936.483/000206; c) Glosa de compensação para o estabelecimento 06.936.483/000206. Segundo se depreende do relatório fiscal (fls. 1189 e seguintes) e do relatório da decisão recorrida (fls. 1319 e seguintes), que ora se reproduz, eis um resumo dos principais acontecimentos deste processo: Levantamento DR2 Referese às contribuições arrecadadas pela Previdência Social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Os valores apurados não foram informados na guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (GFIP). Para enquadramento no grau de incidência de incapacidade laborativa é utilizada a classificação nacional de atividade econômica (CNAE) constante do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). De acordo com o enquadramento da empresa, para o estabelecimento de CNPJ 06.936.483/000117 tem código e descrição da atividade econômica com CNAE 82.20200 (Atividades de Teleatendimento) e alíquota GILRAT de 3%. Em relação ao estabelecimento CNPJ 06.936.483/000206 o CNAE constante é o de número 62.01500 Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, cuja alíquota GILRAT é de 1%. Enquadramento utilizado para fins de informação e recolhimento do RAT pela empresa. Considerando o §3°, do art. 202, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99 é preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. No caso em questão, por tratarse de empresa com mais de um estabelecimento e mais de uma atividade econômica, deverá ser somado o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, sendo preponderante a que ocupe o maior número de segurados empregados e avulsos. Fl. 1440DF CARF MF 4 Portanto, utilizamos a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), instituída pela Portaria Ministerial n.º 397, de 09 de outubro de 2002, que tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos, para determinar qual é a ocupação que possui a maior quantidade de empregados na empresa sob fiscalização. Verificando as folhas de pagamentos apresentadas pela empresa através de arquivos magnéticos, cujos recibos encontramse em anexo, concluímos que a atividade que ocupa a maior quantidade de empregados considerados os estabelecimentos 0001 e 0002 da empresa é a de Operador de Telemarketing (CBO 422310) correspondente ao CNAE 82.20200 (3%). Em anexo planilha contendo a relação de empregados da empresa por CBO, extraída dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa. No entanto, as informações prestadas em GFIP, foram preenchidas colocando como preponderante o CNAE 62.01500 com alíquota de 1% em todos os estabelecimentos. O que não corresponde com a situação de fato verificada na empresa. Preponderante é a atividade com CNAE 82.20200 Atividades de Teleatendimento que possuem alíquota GILRAT 3%. Consta em anexo algumas GFIP extraídas do Sistema GFIP WEB comprovando tal situação. Além disso, o Contrato de Prestação de Serviços celebrado com o Banco do Brasil, que representa quase a totalidade de suas prestações, evidencia a questão ressaltando qual a atividade precípua a ser prestada, bem como a quantidade de pontos de atendimento, restando demonstrada claramente a atividade preponderante da empresa como operação de telemarketing. No contrato e alguns aditivos em anexo, encontramos os operadores de telemarketing denominados como Atendentes. Nestes aditivos podemos observar inclusive a quantidade de posições de atendimento alocadas para esta função. Diante do exposto, cobramos a diferença de 2% incidentes sobre os valores totais das folhas de pagamentos da empresa, apresentadas através de arquivos magnéticos, por estabelecimento, conforme planilha (fls. 1.190 e 1.191) para as competências de 01/2009 a 06/2010. GILRAT Ajustado A partir de 01/2010, a alíquota de contribuição, para esta empresa, de 3%, destinada ao financiamento do beneficio de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até 50%, ou aumentada em até 100%, conforme dispõe o art. 202A, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em razão do desempenho da empresa em relação a respectiva atividade econômica. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 19515.722582/201259 Acórdão n.º 2402005.901 S2C4T2 Fl. 4 5 O desempenho é aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP) que consiste em um multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. Para fins da redução ou majoração em questão, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir de um índice composto pelos índices de gravidade, de freqüência e de custo que pondera os respectivos percentuais com pesos de cinqüenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. Os índices de freqüência, gravidade e custo são calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, a partir das variáveis definidas no §4°, do art. 202A do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Cabe ao Ministério da Previdência Social publicar, anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentuais de freqüência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e divulgar na internet o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua subclasse. Como regra geral, o FAP divulgado no ano corrente será aplicado para todo o ano seguinte. O FAP para o ano de 2010 da Empresa GRENIT é de 1,7071%. Como a diferença a ser cobrada é de 2%, o valor total cobrado incidente sobre os valores da folha de pagamento foi de 3.4142%. A empresa não informou esse fato gerador em GFIP. Tal situação descrita, em tese, configura o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, previsto pelo Código Penal Decreto Lei 2.848/40, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Portanto, será este fato objeto de representação fiscal para fins penais, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. Levantamento GO O débito referese às contribuições a cargo da empresa, destinadas a Seguridade Social, compensadas indevidamente. Os valores foram informados em GFIP campo compensação, valor solicitado e conseqüentemente reduziram o valor devido à previdência social. De acordo com o art. 89, da Lei n.º 8.212/91, as contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e Fl. 1442DF CARF MF 6 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em análise a empresa protocolou Declarações de Compensação (fl. 1.194), para as competências 01/2009, 09/2009 a 13/2009 com o objetivo de compensarse de créditos provenientes do Imposto e Renda com as contribuições devidas a Previdência Social. Conforme despachos decisórios dos quais a empresa foi cientificada, fica demonstrada a impossibilidade de compensação, nos termos nos termos da Lei n° 11.457/07, de débitos previdenciários com créditos do IR. Ademais, como as declarações de compensação foram apresentadas em formulário, quando deveriam ser apresentadas eletronicamente através do PER/DCOMP, considerouse como não declaradas. A empresa foi orientada a retificar as GFIP em relação ao campo compensação, haja vista que tal conduta gera redução do valor devido à previdência social. No entanto, em relação às competências informadas, não houve retificação das GFIP, gerando desta forma glosa do valor indevidamente compensado. Já em relação às competências 07/2009, 08/2009, 02/2010 a 06/2010, verificamos que constam informações de compensação na GFIP, mas não constam Declarações de Compensação de acordo com a legislação para estas competências e nem tampouco verificamos hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, de contribuições que pudessem ser compensadas legalmente pelo contribuinte. Portanto, tais valores foram objeto de glosa por corresponderem a compensações realizadas indevidamente pela empresa. De acordo com o art. 89, parágrafo 9°, da Lei n.º 8.212/91, os valores compensados indevidamente serão exigidos com acréscimos moratórios de que trata o art.35 desta Lei. O sujeito passivo foi cientificado do AI via Aviso de Recebimento (AR), em 08/12/2012 (fl. 1.173), e apresentou impugnação em 09/01/2013 (fls. 1.197 a 1.209), alegando, em síntese, as teses que se relata a seguir. [...] A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) aplicável ao sujeito passivo é de 3% (três por cento). GILRAT AJUSTADO. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 19515.722582/201259 Acórdão n.º 2402005.901 S2C4T2 Fl. 5 7 A partir de 01/2010, a alíquota de contribuição, para esta empresa, de 3%, destinada ao financiamento do beneficio de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até 50%, ou aumentada em até 100%, conforme dispõe o art. 202A, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em razão do desempenho da empresa em relação a respectiva atividade econômica. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. RETIFICAÇÃO DE GFIP. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, nos termos do art. 44, da Lei 9.430/96. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35, da Lei n.º 8.212/91. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 09 de outubro de 2013 e interpôs recurso voluntário em 08 de novembro daquele mesmo ano, no qual se arvorou, basicamente, nos mesmos argumentos de sua impugnação, à exceção da preliminar de nulidade por ausência de motivação, que se constitui em argumento inovador. Eis um resumo dos principais pontos levantados em sede de recurso: Preliminar a) caberia à autoridade fazendária explicitar, com precisão, quais os dispositivos que impediriam o contribuinte de aplicar a alíquota GILRAT diversa para estabelecimentos com CNPJs próprios; Mérito Alíquota GILRAT b) cita a Súmula STJ 351 e o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, afirmando que alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro; c) a aplicação de alíquotas diversas decorre da adequação do grau de risco dos estabelecimentos; Fl. 1444DF CARF MF 8 d) as atividades realizadas na matriz e na filial são diversas; e) resta claro que parte do lançamento DR2 é descabido, já que decorre do entendimento no sentido de que a atividade preponderante decorre do número total de trabalhadores, independentemente do estabelecimento; f) a DRJ afirmou que o enquadramento nos graus de risco é de responsabilidade da empresa e deve ser feito mensalmente, mas a autoridade autuante não realizou uma análise pormenorizada das atividades da recorrente; g) equivocadamente, a determinação do valor devido foi extraída de planilhas demonstrativas dos prestadores de serviços elaboradas com base nas folhas de pagamento; h) a mera identificação do Código de Ocupação apresentado na folha de pagamento é insuficiente para a determinação da atividade; i) não é possível determinarse a existência e/ou valor de eventual crédito sem a realização de um estudo de profissografia ocupacional; Compensações j) competência 01/2010: a recorrente acumulava valores significativos de imposto de renda retido na fonte a compensar e as autoridades estão ignorando os seus créditos; k) competências 07/2009, 08/2009 e 02/2010 a 06/2010: a documentação comprova de maneira cabal o aproveitamento de imposto de renda retido na fonte e não existem dúvidas quanto à existência e validade dos créditos; l) competências 01/2009 e 09/2009 a 13/2009: afirma que a glosa foi realizada porque ela se valeu de formulário, e não de pedido eletrônico, de forma que as autoridades não negaram a existência do crédito, agindo de forma descabida e desarrazoada. No pedido de seu recurso, e muito embora não decorrendo da fundamentação, a recorrente ainda suscita a "prescrição" dos créditos referentes às competências setembro, outubro e novembro de 2007, bem como pede a "baixa dos autos em diligência", para produzir provas com vistas a identificar as atividades preponderantes em cada um dos períodos fiscalizados, realizar um estudo de profissografia ocupacional e identificar o montante dos tributos retidos pelas fontes pagadoras. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 19515.722582/201259 Acórdão n.º 2402005.901 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. É o que se verá nos dois tópicos seguintes. 1.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Preliminarmente, a recorrente afirma que caberia à autoridade fazendária explicitar, com precisão, quais os dispositivos que impediriam o contribuinte de aplicar a alíquota GILRAT diversa para estabelecimentos com CNPJs próprios. Essa tese, contudo, não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. Com efeito, a impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. Fl. 1446DF CARF MF 10 1.2 DA "PRESCRIÇÃO" DAS COMPETÊNCIAS SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2007 A recorrente asseverou a "prescrição" dos créditos referentes às competências setembro, outubro e novembro de 2007. Tal alegação não será conhecida por falta de interesse recursal, uma vez que tais competências não foram objeto de lançamento, conforme se vê no relatório fiscal, no Auto de Infração e no Discriminativo do Débito. O período do débito dos lançamento atinentes à diferença GILRAT e à glosa de compensação é 01/2009 a 06/2010. Destarte, também não se conhece do recurso neste ponto. 2 Do levantamento DR2 alíquota GILRAT Conforme consta do relatório fiscal, para o estabelecimento matriz, a descrição da atividade econômica (CNAE) declarada pelo próprio sujeito passivo correspondia à alíquota de 3%, ao passo que para o estabelecimento filial, a descrição da atividade econômica correspondia à alíquota de 1%. Entretanto, o sujeito passivo vinha declarando em GFIP, em ambos os estabelecimentos, a alíquota de 1%, alusiva ao CNAE 62.01500. A fiscalização, por outro lado, para efeito de determinação da atividade preponderante e consequente determinação da alíquota devida somou o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, concluindo pela cobrança do adicional de 2% em face de ambos os estabelecimentos (matriz e filial). Este mesmo critério foi acolhido pela decisão da DRJ. Vejase (fl. 1327): a.1) a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e com mais de 1 (uma) atividade econômica deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em toda a empresa e considerar preponderante aquela atividade que ocupar o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, aplicando o correspondente grau de risco a todos os estabelecimentos da empresa, exceto às obras de construção civil; A partir da competência 01/2010, a alíquota ainda foi ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP, sem que tenha havido questionamento em sede de impugnação e recurso voluntário. Pois bem. Até a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN vinha defendendo, em juízo, que a verificação do grau de risco da atividade preponderante seria na empresa como um todo, e não por cada estabelecimento. É bom lembrar que o inc. II do art. 22 da Lei 8212/91 estabelece a alíquota em 1%, 2% ou 3%, conforme o grau de risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 19515.722582/201259 Acórdão n.º 2402005.901 S2C4T2 Fl. 7 11 A PGFN igualmente defendia que o Regulamento da Previdência Social, em seu art. 202, de conformidade com o disposto no art. 26 do Decreto 2173/97, determinaria como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Contudo, e como o STJ editou a Súmula 351, depois de reiterados julgados a respeito da matéria, a Procuradoria editou o citado Parecer. Eis o teor do verbete sumular retro mencionado: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Segue, ainda, a ementa do Parecer: Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Logo, podese afirmar que a presente questão está pacificada no sentido de que a alíquota GILRAT é aferida pelo grau de risco em cada estabelecimento, individualizado pelo seu CNPJ, e não da forma como foi procedido pela fiscalização, que somou o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos. Devese, pois, ser dado provimento ao recurso neste particular, para afastar do Levantamento DR2 a diferença de contribuição devida pelo estabelecimento filial. Segundo se observa no parágrafo 33 do recurso voluntário, a propósito, o sujeito passivo não questionou a diferença de alíquota devida pelo estabelecimento matriz. Vejase: Deste modo, resta claro que parte do lançamento referente ao Código de Levantamento DR2 é evidentemente descabido, já que, reiterese, decorre do entendimento adotado no sentido de que a atividade preponderante decorre do número total de trabalhadores dedicados a uma atividade, independentemente do estabelecimento em que tais funcionários estão diretamente vinculados. Fl. 1448DF CARF MF 12 3 Do levantamento GO glosa de compensações Quanto à pretensão da recorrente de compensar seus débitos de contribuições com créditos de imposto de renda, competências 01/2010, 07/2009, 08/2009 e 02/2010 a 06/2010, acertou a decisão recorrida quando afirmou que a legislação não admite a compensação das contribuições ora lançadas com créditos de imposto de renda. A regra geral do art. 74 da Lei 9430/96 em tese admitiria a compensação dos créditos apurados pelo sujeito passivo relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal com débitos próprios relativos a tributos ou contribuições, mas o art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, veda tal forma de compensação. Isto é, o art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, veda a compensação de créditos de imposto de renda com débitos de contribuições previdenciárias. Vigente à época dos fatos geradores, a IN RFB 900/08, em seu art. 34, expressamente ressalvava, quanto à compensação de tributos administrados pela Receita, as contribuições, cujos procedimentos eram determinados pelos arts. 44 a 48. Segundo a norma infralegal então vigente, que neste ponto não foi substancialmente alterada pela IN RFB 1300/2012, a compensaria deveria ser informada na GFIP da competência de sua efetivação. Por outro lado, quanto às competências 07/2009, 08/2009 e 02/2010 a 06/2010, nem mesmo houve a apresentação de Declarações de Compensação, nem tampouco a comprovação de pagamento indevido ou maior que o devido de contribuições. Quanto às competências 01/2009 e 09/2009 a 13/2009, ao contrário do que alega a recorrente, a glosa não se deu apenas porque as declarações de compensação foram apresentadas em formulário, mas também porque há a vedação já mencionada constante da Lei 11.457/2007. Em síntese, deve ser negado provimento ao recurso neste ponto. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de afastar do Levantamento DR2 a diferença de contribuição devida pelo estabelecimento filial. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720240/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011
DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE
Constatado que a autuação fiscal descreveu adequadamente os motivos do lançamento e que eventuais informações consolidadas decorrem exatamente de critérios adotados pelo contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
FUNCIONÁRIO TEMPORÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO MUNICIPAL. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Está vinculado obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social o funcionário temporário contratado por Órgão Público Municipal, não produzindo efeitos a legislação local nos pontos em que afronte normas gerais sobre previdência social estabelecidas pela União.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PROVAS PERICIAIS. MATÉRIA DE DIREITO. DESNECESSIDADE
Tratando-se de matéria de direito, resta desnecessária a produção de provas periciais.
Numero da decisão: 2201-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. Por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Constatado que a autuação fiscal descreveu adequadamente os motivos do lançamento e que eventuais informações consolidadas decorrem exatamente de critérios adotados pelo contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. FUNCIONÁRIO TEMPORÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO MUNICIPAL. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA. Está vinculado obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social o funcionário temporário contratado por Órgão Público Municipal, não produzindo efeitos a legislação local nos pontos em que afronte normas gerais sobre previdência social estabelecidas pela União. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PROVAS PERICIAIS. MATÉRIA DE DIREITO. DESNECESSIDADE Tratandose de matéria de direito, resta desnecessária a produção de provas periciais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. Por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 40 /2 01 4- 62 Fl. 342DF CARF MF 2 voluntário. Vencida a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, relativo ao processo administrativo 10283.720240/201462, o qual inclui os seguintes autos de infração. DEBCAD 51.044.7090, no valor de R$ 15.011.011,75, já acrescido de juros e multas, referente às contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho – GILRAT. DEBCAD 51.059.3089, no valor de R$ 7.150.672,22, já acrescido de juros e multas de exigência das contribuições dos segurados empregados. A fiscalização informa que o lançamento teve como fato gerador a remuneração paga a funcionários da prefeitura, que foram considerados na ação fiscal como segurados empregados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 3 3 Cita que contribuição decorre da prestação de serviço remunerado, identificado quando do exame das Folhas de Pagamento e Notas de Empenhos Liquidadas, emitidas pelo ente federativo, enquanto sujeito passivo da obrigação tributária. Relata que os servidores vinculados ao RGPS/INSS, conforme determina a legislação, são aqueles contratados em regime diverso do Estatutário (servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios detentores de cargos efetivos). Sustenta a Emenda Constitucional n° 20 de 15 de dezembro de 1998 e a Lei n° 9.717 de 27 de novembro de 1998 DOU de 28/11/98 Lei Geral da Previdência Pública, introduziram mudanças estruturais nos sistemas de previdência dos servidores da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, instituindo novos parâmetros aos regimes de previdência no serviço público. Informa que a Emenda Constitucional nº 20, delimitou quem são os empregados segurados dos regimes próprios de previdência no serviço público (RPPS) e quem está obrigatoriamente filiado ao Regime Geral de Previdência Social RGPS administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Descreve que de acordo com o novo texto constitucional os Regimes Próprios de Previdência da União, Estados e Municípios devem abranger somente os servidores titulares de cargos efetivos e que foram admitidos por intermédio de concurso público. Que os servidores com outros tipos de vínculos laboral com a administração pública são segurados obrigatórios do RGPS na condição de empregados. Esta situação se aplica para servidores ocupantes de cargos de comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração, que não se insere na condição de titular de cargo efetivo no próprio ente público. Complementa que quanto aos servidores em cargo ou função temporária (aqueles que exercem atribuições, sem que lhes corresponda um cargo ou emprego), ou seja, os contratados temporariamente com base no art. 37, inciso IX, da Constituição Federal, a filiação está expressamente determinada no § 13. do art. 40 da Constituição Federal como segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social. Que, portanto, esta legislação se aplica a partir de 16 de dezembro de 1998, tanto para o servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, como para os servidores contratados sob Regime Temporário ou emprego publico. Cita que em face a esta situação apurada na ação fiscal, tanto o empregador, no caso o Município de Manaus Secretária Municipal de Infraestrutura SEMINF, como os segurados enquadrados como ocupantes de cargos exclusivamente em comissão, cargos temporários, celetistas e empregos públicos, Fl. 344DF CARF MF 4 ficam submetidos às normas gerais da Previdência Social, estabelecidas pelas Leis nº 8.212, de 24.07.1991. Cita que o montante pago ou creditado a titulo de salários aos segurados empregados vinculados ao RGPS/INSS que, juntamente com os dados cadastrais dos beneficiários, não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Informa que no demonstrativo analítico intitulado – “RUBRICAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO SERVIDORES VINCULADOS AO RGPS”, em anexo, estão discriminados os itens/rubricas da folha de salários utilizadas na totalização das Bases de Calculo. Que este demonstrativo foi elaborado a partir das informações da folha de pagamento, fornecida pelo sujeito passivo, em meio digital no padrão "Manad Manual Normativo de Arquivos Digitais", aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP N° 12/2006 (DOU de 04/07/06). Apresenta planilha demonstrativa, fl. 36, a qual indica, para as competências 01/2010 a 13/2010, os valores da remuneração apurada da folha de pagamento/empenhos, paga aos segurados enquadrados no RGPS, bem como o valor declarado em GFIP, o qual foi subtraído para apurar a remuneração paga aos citados servidores não declarada em GFIP, que serviu de base de calculo para a apuração da contribuição patronal e para o GILRAT objeto do lançamento fiscal. Apresenta também demonstrativo, fl. 37, para as competências 01/2010 a 13/2010, o qual indica os valores das retenções dos segurados empregados apurados da folha de pagamento, os valores a este título informados na GFIP e a contribuição não declarada, utilizada na constituição do crédito. Relata que a omissão de informações financeiras e cadastrais dos segurados da previdência social na GFIP, associada a falta de recolhimento da contribuição previdenciária que ensejou o lançamento do créditos contido nos DEBCAD n° 51.044.7090 e 51.059.3089, constituise, "em tese", crime de sonegação fiscal, previstos no artigo 337A, inciso I. do Código Penal Brasileiro (com a redação dada pela Lei N° 9.983, de 14/07/2000). tendo sido lavrada a devida representação à autoridade competente sob o N°; 10283720.241/201415, que foi apensada ao processo administrativo fiscal e cumprirá o rito processual previsto no §2" e §3°, do art. 4ª, da Portaria RFB 2.439/2010. DOU 22/12/2010. O contribuinte apresentou defesa administrativa idêntica (fls. 63/80 e fls. 160/177) relativa aos dois autos de infração inclusos neste processo, a qual, em síntese traz os argumentos a seguir relatados. Alega inicialmente que teria ocorrido no lançamento fiscal a ausência de nominação dos servidores considerados como segurados do RGPS e que este fato compromete a validade formal do lançamento, devendo o mesmo ser anulado. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 4 5 Cita que não consta do lançamento a descrição do fato que nos termos do art. 10, III do Decreto nº. 70.235/72 determina como requisito essencial do auto de infração a descrição precisa e detalhada dos fatos autuados. Que não é possível identificar a origem das parcelas que compõem a base de calculo da exação impugnada. Argumenta que se o fato gerador da obrigação tributária consiste na prestação de serviço remunerado por cada um dos aludidos empregados, seria necessário que cada servidor municipal, cujo vínculo laboral tenha sido incluído na apuração do valor total devido, fosse nominalmente identificado, para assim poder se aferir a certeza das informações manejadas pela fiscalização federal. Aduz que, no entanto, a metodologia empregada pela autoridade fiscal lançadora para quantificar o crédito tributário não segue essa premissa lógica, pois a base de cálculo descrita no auto de infração contém apenas dados genéricos, deficientes e superficiais, oriundos do cotejo da diferença entre pagamentos efeitos pelo Município aos servidores supostamente vinculados ao RGPS menos os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Providencia Social GFIP. Frisa que, muito embora o auto de infração inclua em seus anexos o quadro "RUBRICAS QUE COMPÕE A BASE DE CÁLCULO SERVIDORES VINCULADOS AO RGPS", as informações nele constantes não são suficientes para que o Município autuado possa identificar a origem da diferença apontada pela autoridade fiscal autuante, especialmente porque nem todos os servidores municipais recebem as mesmas parcelas remuneratórias, ainda que pertencentes a uma mesma categoria funcional. Questiona também que foram incluídas parcelas só percebidas por servidores municipais estatutários e que, nessa qualidade, não são contribuintes obrigatórios do RGPS. Que os relatórios que acompanham o auto de infração em lide não deixam claro porque parcelas que compõe a remuneração de servidores estatutários foram computados na base de cálculo das contribuições devidas ao INSS e tampouco qual a origem de tal informação. Cita que, em decorrência destes fatos, se configura o cerceamento dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Aduz que a lavratura do auto de infração ora impugnado partiu de uma premissa equivocada, posto ter considerado que os servidores cuja remuneração serviu de base de cálculo para a incidência tributária estariam vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), quando, na verdade, os mesmos estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) administrado pela MANAUSPREV. Relata que uma parcela muito específica de servidores públicos municipais (aproximadamente 5 mil), contratados sob a égide do Fl. 346DF CARF MF 6 Regime de Direito Administrativo (RDAs), encontramse vinculados ao RPPS. Que as contribuições incidentes sobre a sua remuneração são recolhidas para o Fundo Único de Previdência Social do Município de Manaus, administrado pela MANAUSPREV, nos termos do que estabelece o §4° do art. 6o da Lei Municipal n. 870/2005 (alterado pela Lei municipal n. 1.197 de 31/12/2007), juntamente com o disposto no parágrafo único do art. 9o da Lei n° 1.425/2010. Pondera que antes do advento da Emenda Constitucional nº 20/98, os servidores temporários encontravamse vinculados como contribuintes obrigatórios do RPPS. Que posteriormente, a fim de atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do artigo 37 da CRFB/88, esses servidores temporários passaram a ser regidos pela Lei municipal n° 336, de 19 de marco de 1996, que dispõe sobre o regime de direito administrativo de contratação de pessoal por tempo determinado. Aduz que, conquanto a Constituição Federal estabeleça o concurso público como regra para ingresso na Administração Pública (art. 37, II), existem situações excepcionais, em que se faz necessária sua dispensa, para a contratação de pessoal em caráter temporário. Infere que a referida lei foi regulamentada pelo Decreto n. 4.483, de 23 de fevereiro de 1999, o qual estabeleceu, em seu artigo 10, inciso V, dentre outros beneficio previdenciários, a concessão de aposentadoria aos servidores regidos pela Lei n° 336/96. Que foi em razão dessa disposição normativa, amparada pelos princípios federativos e, em especial, pelo princípio da autonomia administrativa, que o Município de Manaus vinculou os servidores submetidos à égide do Regime Especial ao Regime Próprio de Previdência Social RPPS, gerido pelo extinto IMPAS (atual MANAUSPREV). Alega que a legislação municipal conferiu apenas e tãosomente tratamento contributivo e previdenciário equiparado ao dos servidores estatutários, não querendo isto significar, ressaltese, transformação de cargos temporários em efetivos. Salienta que diante da celeuma jurídica, proveniente da Emenda Constitucional nº 20/98, optou a Municipalidade por conceder os benefícios previdenciários tanto de aposentadoria como pensões por morte aos dependentes e servidores vinculados ao Regime de Direito Administrativo, nas mesmas bases já fixadas para os servidores estatutários, visando a minimizar o prejuízo trazido pela EC n° 20/98 àqueles que, durante todo seu vinculo laboral contribuíram tão somente aos cofres municipais (RPPS), evitando terem tolhido o direito à inativacão remunerada e aos pensionamentos dos dependentes frente às disposições do artigo 40, § 13º da CRFB/88. Argumenta que a legislação municipal foi elaborada para adequar o quadro ao fundo previdenciário do Município as mudanças trazidas ao sistema previdenciário nacional pela EC 20/98, sem gerar prejuízo ao Fundo de Previdenciário Municipal, aos servidores admitidos para o exercido do função Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 5 7 temporária, o até mesmo aos servidores efetivo, instituindo um marco temporal para resguardar aqueles servidores ativos e inativos que, até 31/12/2007, foram admitidos com fundamento no art. 1° da Lei Municipal nº 336/1996. Que este procedimento permite a segurança jurídica, da proteção da confiança e da boa fé como projeção objetiva do principio da dignidade da pessoa humana, objetivando preservar situações já consolidadas pelo decurso de tempo. Cita que a intenção do legislador foi equiparar, tãosomente para fins previdenciários, os servidores temporários aos servidores estatutários, e não tornar efetivos servidores vinculados ao regime especial da lei municipal n. 336/1996, cujo amparo se encontra no inciso IX. do art. 37 da CRFB/88. Complementa que as citadas leis não determinam, em momento algum, a permanência no cargo, apenas garantem aposentadoria digna aos servidores que, durante todo o tempo, contribuíram para o Regime Próprio, evitandose que a mudança de regime traga maiores prejuízos aos servidores. Inclusive aos efetivos, posto que a migração de receitas do regime próprio para o regime geral poderia ocasionar um colapso do Fundo. Apresenta aos autos, o que considera como situação jurídica semelhante, o caso do Estado de São Paulo, que teria enfrentado situação análoga a esta e possui legislação similar ao do Município de Manaus, no qual, o INSS, após demanda judicial, firmou acordo com o ente federativo, responsabilizandoo pelas obrigações e reconhecendo a integração dos servidores no regime próprio. Que nesse diapasão verificase não se tratar em caso de ausência de recolhimento de contribuições providenciarias, mas sim de recolhimento para regime diverso, ou seja, para o RPPS. Questiona a interposição de crime de sonegação por parte da fiscalização, no que defende a tese de que a materialidade do crime de sonegação fiscal previdenciária somente se verifica se o crédito tributário supostamente sonegado já estiver definitivamente constituído, o que, evidentemente, não é o caso do referido lançamento, pois, com a interposição tempestiva da presente impugnação, a constituição definitiva da exigência fiscal ainda não se concretizou. Alega que somente com o término do processo administrativo fiscal contencioso instaurado com a presente impugnação e no caso de ser mantida total ou parcialmente a autuação, é que poderia darse a constituição definitiva do crédito tributário, conforme entendimento largamente pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Requer, em face de suas alegações, a revogação da representação fiscal para fins criminais ou a imediata interrupção do procedimento para investigação criminal eventualmente já instaurado. Fl. 348DF CARF MF 8 Requer ainda a produção de provas e juntada de documentos, no que alega complexidade relativa à matéria, bem como aduz a necessidade de obtenção de informações e documentos em posse da Secretaria Municipal, relativa aos fatos geradores apurados. Roga, demais disso, pela revisão da fiscalização por outro agente fiscal, e indica como assistente da perícia o Sr. Francisco Moreira Filho, Auditor Fiscal de Tributos Municipais, com endereço profissional ã Av. Brasil, 2971, Compensa, Manaus/AM, CEP 69.036110. É o relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Auto de Infração nº 51.044.7090 e 51.059.3089 de 17/03/2014. ÓRGÃO PÚBLICO. EMPREGADOS NÃO SUJEITOS AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Após a alteração da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 20/1998, somente os servidores titulares de cargo público estão sujeitos ao Regime Próprio de Previdência Social. RPPS. Os demais empregados contratados, qualquer que seja a forma de contratação, sujeitamse ao Regime Geral da Previdência Social RGPS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE NULIDADE. A notificação e seus anexos discriminam de forma clara os fatos geradores, as bases de cálculo, as contribuições devidas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais que lhe dão sustentação, não havendo que se falar em nulidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e aduziu, em síntese, que: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 6 9 a) as informações constantes do auto de infração não são suficientes para a identificação da origem da diferença apontada pela autoridade fiscal autuante, especialmente porque nem todos os servidores municipais recebem as mesmas parcelas remuneratórias, ainda que pertencentes a uma mesma categoria funcional; b) foram incluídas no quadro das parcelas remuneratórias valores recebidos por servidores municipais estatutários e que, nessa qualidade, não são contribuintes obrigatórios do RGPS; c) não ficou clara, pelo relatório, o porque das parcelas que compõem a remuneração de servidores estatutários serem computados na base de cálculo das contribuições devidas ao INSS ; d) compromete a validade formal do lançamento a impossibilidade de se individualizar, empregado por empregado, cada recolhimento cuja ausência é apontada na presente autuação; e) deve ser declarada a nulidade do auto de infração, com cancelamento do crédito; f) a lavratura do auto de infração e a decisão recorrida partiram de uma premissa equivocada, em razão de ter considerado que os servidores cuja remuneração serviu de base de cálculo para a incidência tributária estariam vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), quando, na verdade, os mesmos estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) administrado pelo MANAUSPREV; g)quanto aos servidores temporários, aqueles admitidos no serviço público até 31/12/2007 permanecem vinculados ao RPPS e aqueles admitidos após aquela data ficam submetidos ao RGPS; h) não se trata de ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias, mas sim de recolhimento para regime diverso, ou seja, para o RPPS; i) inexiste prejuízo, diante da situação em questão, aos cofres públicos federais; j) houve equívoco na análise da tabela de rubricas da folha de pagamento da recorrente, pois ocorreu inclusão indevida do salário de contribuição dos servidores estatutários e outras rubricas na base de cálculo das contribuições, sendo necessária sua exclusão da base de cálculo; k) não é possível o oferecimento de representação fiscal para fins penais, antes da constituição definitiva do crédito tributário de natureza previdenciária; l) deve ser realizada diligência para apuração dos recolhimentos efetivamente realizados para o RPPS por parte dos servidores Fl. 350DF CARF MF 10 cuja remuneração serviu de base de cálculo para o lançamento e deve ser permitida a apresentação de novos documentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relator Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Com a análise dos autos, observase que a fiscalização, ao identificar a diferença entre os valores da remuneração apurada nas folhas de pagamento/empenhos pagas aos segurados enquadrados no RGPS e o valor declarado em GFIP, fez o cálculo para a apuração da contribuição patronal e para o GILRAT objetos do lançamento fiscal. Também foi apresentado demonstrativo, fl. 37, o qual indica os valores das retenções dos segurados empregados apurados da folha de pagamento, os valores a este título informados na GFIP e a contribuição não declarada, utilizada na constituição do crédito. Assim, a omissão de informações financeiras e cadastrais dos segurados da previdência social na GFIP associada a falta de recolhimento da contribuição previdenciária ensejaram o lançamento do créditos contidos nos DEBCADs n° 51.044.7090 e 51.059.3089. A recorrente argumentou que uma parcela muito específica de servidores públicos municipais (aproximadamente 5 mil) foram contratados sob a égide do Regime de Direito Administrativo (RDAs) e encontramse vinculados ao RPPS. Que as contribuições incidentes sobre a sua remuneração são recolhidas para o Fundo Único de Previdência Social do Município de Manaus, administrado pelo MANAUSPREV. Em seu recurso voluntário, a contribuinte discorre minuciosamente sobre o histórico da legislação municipal de Manaus acerca do Regime Próprio de Previdência e sua aplicabilidade sobre os agentes não vinculados institucionalmente ao órgão, tais como os servidores temporários e ocupantes de cargo em comissão (Lei n.º 1871/86, regulamentada pelo Decreto n.º 1.588/93; Lei n.º 336/96; Decreto n.º 4.483, de 23 de fevereiro de 1999). Aduz a recorrente que, com o advento da Emenda Constitucional n.º 20/98, surgiu a discussão jurídica a respeito de qual regime de previdência a que deveriam ser filiados os servidores comissionados e temporários, sendo editada a Orientação Normativa SPS n.º 02, de 31 de março de 2009, na Previdência Social, que orientou o recolhimento previdenciário aos servidores comissionados ao Regime Geral de Previdência Social. O Ente público optou por conceder os benefícios previdenciários, tanto aposentadoria como pensões por morte aos dependentes e servidores vinculados ao Regime de Direito Administrativo, nas mesmas bases fixadas para os servidores estatutários, visando minimizar o prejuízo trazido pela EC n.º 20/98 àqueles que, durante todo seu vínculo laboral contribuíram tão somente aos cofres municipais (RPPS), evitando terem tolhido o direito à Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 7 11 inativação remunerada e aos pensionamentos dos dependentes frente às disposições do artigo 40, § 13, da Constituição Federal. Assim, foi editada a Lei Municipal n.º 1.197, de 31 de dezembro de 2007, que acrescentou p § 4º ao artigo 6º da Lei Municipal n.º 870, de 21 de julho de 2005; e a Lei Municipal n.º 1.425/2010 elaboradas para adequar o quadro previdenciário do Município às mudanças trazidas ao sistema previdenciário pela EC 20/98, sem gerar prejuízo ao Fundo Previdenciário Municipal, aos servidores admitidos para o exercício de função temporária e, até mesmo, aos servidores efetivos, instituindose um marco temporal para resguardar aqueles servidores ativos e inativos que, até 31/12/2007, foram admitidos com fundamento no art. 1º da Lei n.º 336/96. Os presentes autos não tratam efetivamente de ausência de recolhimento, mas de recolhimento para regime diverso, ou seja, para o RPPS, quando deveria ter ocorrido recolhimento ao RGPS. Considerando que as Leis Municipais regentes da matéria (RPPS) tratamse de leis flagrantemente inconstitucionais (a Lei n.º 1.197/2007 tornou efetivos os servidores admitidos por tempo determinado e a Lei n.º 1.425/2010 vinculou tais servidores ao Regime Próprio de Previdência) por inobservância do art. 37, inciso I, e do artigo 40, § 13, da Constituição Federal; realizei consulta acerca da existência de eventual ação declaratória de inconstitucionalidade no âmbito estadual, tendo em vista a salutar simetria da Constituição Estadual. No site do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, mesmo não conseguindo acesso à íntegra da decisão, identifiquei o julgamento, acerca das leis municiais mencionadas, da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 000736285.2011.8.04.0000, no qual consta a última informação, em 11/05/2017, de que o processo encontrase sobrestado e suspenso. Quanto às situações de julgamento, informa o TJAM que, em 13/12/2016, por unanimidade, o Egrégio Tribunal Pleno decidiu julgar procedente a ação direta de inconstitucionalidade e atribuir efeitos prospectivos. Não obstante tal informação, pelo que constatei, a decisão ainda não transitou em julgado. Para a melhor solução da controvérsia, fazse necessária a análise da íntegra da decisão proferida em sede de ação direta de inconstitucionalidade, após o trânsito em julgado, tendo em vista que, na hipótese de estabilização dos atos consumados durante a vigência das leis municipais referentes ao Regime Próprio, não deve ser exigido o recolhimento das contribuições ao Regime Geral relativas ao mesmo período (abarcado pela decisão judicial). Por outro lado, caso seja evidenciada a inconstitucionalidade ex tunc das leis em voga, deve ser exigida a contribuição ao Regime Geral (diante da disposição expressa da Constituição e das Leis n.º 8212/91 e Lei 8213/91). O panorama narrado decorre do fato de que a AGU, por meio da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS (na condição de amicus curiae) participou Fl. 352DF CARF MF 12 da ADI que tramitou no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, portanto necessária a observância da decisão judicial. Além disso, deve ser considerada a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, em análise de eventual Recurso Extraordinário para verificação da correção da decisão da Corte local, por se tratar de norma de repetição obrigatória, entender pela inconstitucionalidade/constitucionalidade da lei municipal, com eficácia erga omnes. Pela situação atual dos autos (suspenso e sobrestado), provavelmente há Recurso Extraordinário ou ADIS simultâneas (STF e TJ), causa especial de suspensão do processo, consoante a doutrina. Normalmente, a suspensão se justifica em razão de a decisão do STF, qualquer que seja ela (pela constitucionalidade ou pela inconstitucionalidade da lei estadual) prejudicar a do Tribunal local, no que se referem às normas constitucionais estaduais que reproduzem as federais. Com efeito, se o STF, na ADI que tramita na Corte impugnando a norma estadual em face da Constituição Federal, prolatar decisão no sentido da improcedência da ação (inconstitucionalidade da norma), a ação direta no Tribunal de Justiça será extinta sem julgamento de mérito, pela óbvia razão de ter perdido o objeto se o STF, ao determinar a inconstitucionalidade da norma, ocasiona sua retirada do ordenamento jurídico. Em contraposição, caso o STF declare a constitucionalidade da norma perante a Constituição Federal, a ação no TJ terá seu trâmite continuado. E como o TJ decidirá tendo por base outro parâmetro, a Constituição Estadual, poderá até mesmo declarar a inconstitucionalidade da norma, retirandoa do ordenamento estadual, sem que isso implique desrespeito à decisão do STF. Isso porque as decisões se basearam em paradigmas diferentes, por isso podem implicar resultados opostos. Diante desse contexto, converto o julgamento em diligência para que fique sobrestado, até decisão final proferida nos autos da ADI n.º n.º 000736285.2011.8.04.0000, em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, momento no qual deverá ser juntada aos autos a integra da decisão proferida. Vencida na diligência proposta, apreciei os argumentos constantes do recurso voluntário, conforme passo a expor. 1. Da preliminar Aduz a recorrente, consoante narrado, que compromete a validade formal do lançamento a impossibilidade de se individualizar, empregado por empregado, cada recolhimento cuja ausência é apontada na presente autuação, devendo ser declarada a nulidade do auto de infração com o cancelamento do crédito tributário. No presente caso, o Relatório Fiscal, fls. 31 e seguintes, descreveu especificamente o fato ensejador da exigência, conforme se extrai dos trechos abaixo colacionados: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 8 13 (...). Além disso, às fls. 39 e seguintes (do arquivo 3951 intitulado Documentos Diversos), constam as planilhas com as rubricas da folha de pagamento que compõem a base de cálculo da contribuição para o RGPS/INSS; e, às fls. 52 e seguintes (do arquivo 5254 intitulado Documentos Diversos) constam os totais mensais dos descontos dos segurados vinculados ao RGPS/INSS por rubricas da folha de pagamento. Conforme se extrai dos termos do relato fiscal, os fatos geradores lançados pela fiscalização foram apurados diretamente dos documentos apresentados pelo sujeito passivo e confeccionados sob seu comando e orientação, tais como as folhas de pagamento e notas de empenho. Fl. 354DF CARF MF 14 Diante desse contexto, depreendese que o Ente Público possui o pleno conhecimento do cargo, emprego ou função exercida por cada um dos agentes e respectivas remunerações e recolhimentos, de forma individualizada, de modo que não se vislumbra a nulidade pleiteada. Ademais, resta evidente nos autos que todos os valores apurados pela autoridade lançadora foram relativos aos funcionários de filiação obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. No que se referem às outras questões atinentes à base de cálculo, que estão mais ligadas ao mérito, serão analisadas adiante. 2. Do mérito Conforme narrado, o presente lançamento decorre da omissão de informações financeiras e cadastrais dos segurados da previdência social na GFIP associada a falta de recolhimento da contribuição previdenciária que ensejaram o lançamento do créditos contidos nos DEBCADs n° 51.044.7090 e 51.059.3089. Em seu recurso voluntário, a contribuinte discorre minuciosamente sobre o histórico da legislação municipal de Manaus acerca do Regime Próprio de Previdência e sua aplicabilidade sobre os agentes não vinculados institucionalmente ao órgão, tais como os servidores temporários e ocupantes de cargo em comissão (Lei n.º 1871/86, regulamentada pelo Decreto n.º 1.588/93; Lei n.º 336/96; Decreto n.º 4.483, de 23 de fevereiro de 1999). Aduz a recorrente que, com o advento da Emenda Constitucional n.º 20/98, surgiu a discussão jurídica a respeito de qual regime de previdência a que deveriam ser filiados os servidores comissionados e temporários, sendo editada a Orientação Normativa SPS n.º 02, de 31 de março de 2009, na Previdência Social, que orientou o recolhimento previdenciário aos servidores comissionados ao Regime Geral de Previdência Social. O Ente público optou por conceder os benefícios previdenciários, tanto aposentadoria como pensões por morte aos dependentes e servidores vinculados ao Regime de Direito Administrativo, nas mesmas bases fixadas para os servidores estatutários, visando minimizar o prejuízo trazido pela EC n.º 20/98 àqueles que, durante todo seu vínculo laboral contribuíram tão somente aos cofres municipais (RPPS), evitando terem tolhido o direito à inativação remunerada e aos pensionamentos dos dependentes frente às disposições do artigo 40, § 13, da Constituição Federal. Assim, foi editada a Lei Municipal n.º 1.197, de 31 de dezembro de 2007, que acrescentou p § 4º ao artigo 6º da Lei Municipal n.º 870, de 21 de julho de 2005; e a Lei Municipal n.º 1.425/2010 elaboradas para adequar o quadro previdenciário do Município às mudanças trazidas ao sistema previdenciário pela EC 20/98, sem gerar prejuízo ao Fundo Previdenciário Municipal, aos servidores admitidos para o exercício de função temporária e, até mesmo, aos servidores efetivos, instituindose um marco temporal para resguardar aqueles servidores ativos e inativos que, até 31/12/2007, foram admitidos com fundamento no art. 1º da Lei n.º 336/96. Os presentes autos não tratam somente de ausência de recolhimento, mas, parcialmente, de recolhimento para regime diverso, ou seja, para o RPPS, quando deveria ter ocorrido recolhimento ao RGPS. Cumpre ressaltar que; embora as Leis Municipais regentes da matéria (RPPS) sejam leis flagrantemente inconstitucionais (a Lei n.º 1.197/2007 tornou efetivos os servidores Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 9 15 admitidos por tempo determinado e a Lei n.º 1.425/2010 vinculou tais servidores ao Regime Próprio de Previdência) por inobservância do art. 37, inciso I, e do artigo 40, § 13, da Constituição Federal; consoante o Enunciado de Súmula CARF n.º 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não havendo decisão judicial com trânsito em julgado acerca da matéria, sob a sistemática dos recursos repetitivos ou com repercussão geral, aplico a legislação de regência vigente à época dos fatos geradores, sem juízo acerca da sua inconstitucionalidade. Assim, pelo que se extrai da Lei n.º 870/2005, são titulares efetivos os servidores admitidos para o exercício de função temporária, ativos e inativos, que na data da publicação da lei tenham sido admitidos com fundamento no art. 1º da Lei n.º 336, de 19 de março de 1996, que assim estabelece: Para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, a Administração Municipal direta poderá contratar, sob o regime de direito administrativo, pessoal por tempo determinado nas condições e prazos previstos nesta lei. Superveniente, com o advento da Lei n.º 1.425/2010, ficou estabelecida a vinculação dos servidores temporários ao Regime Geral, exceto do pessoal contratado até 31/12/2007 (art. 9º, parágrafo único). Diante desse contexto, tendo em vista que os servidores efetivos contribuem para o Regime Próprio do Município; inclusive os servidores que foram efetivados ao arrepio das disposições constitucionais acerca da necessidade de realização de concurso público; para que seja evitada a exigência de contribuição a dois regimes distintos (Geral e Próprio), impõe se a exclusão do lançamento dos valores relativos aos servidores temporários contratados até 31/12/2007, consoante a legislação regente da matéria. Portanto, nesse ponto, merece reforma a decisão recorrida. Acerca da alegações sobre a Representação Fiscal para Fins Penais, cabe aplicar o Enunciado de Súmula CARF n.º 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos aos servidores temporários contratados até 31/12/2007. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 356DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado Com a devida vênia da Ilustre Relatora, ouso discordar de suas conclusões sobre a lide administrativa em tela, já que esta Turma de Julgamento, em Sessão de 20 de setembro de 2016, debruçouse sobre o mesmo tema, mediante análise do recurso voluntário impetrado nos autos do processo 10283.720242/201451, que a mim coube a relatoria. Desta forma, adoto integralmente como razão de decidir os termos do Acórdão 2201003.329, que assim tratou das questões preliminares e de mérito suscitadas: Preliminarmente, o contribuinte alega nulidade do auto de infração, por não descrever precisa e detalhadamente os fatos, em particular por deixar de nominar todos os servidores considerados como segurados obrigatórios do RGPS ou mesmo por não individualizar os recolhimentos cuja ausência é apontada na autuação, fatos que, em seu entender, resultaria em prejuízo ao exercício pleno do seu direito de defesa. Alega que, embora a fiscalização tenha incluído, entre os anexos do auto, um quadro com as rubricas que compõem a base de cálculo dos servidores considerados submetidos ao RGPS, sua imprecisão não lhe permite aferir a exatidão das informações manejadas pela fiscalização federal. Cita a título de exemplo a sua dificuldade de entender o que estaria alcançado pela rubrica "OUTROS". A análise dos autos evidencia que a apuração da base de calculo a ser tributada foi obtida a partir dos dados de folha de pagamento do contribuinte, os quais foram apresentados à fiscalização, em atendimento à intimação de fl. 03, em meio digital, nos termos do Manual Normativo de Arquivos Digitais, de que trata a IN MPS/SRP n 12/2006, vigente à época do procedimento fiscal, tendo sido submetido a validação pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA. A intimação foi bastante clara ao definir que, no arquivo digital da folha de pagamento, as informações deveriam estar "segregadas por servidores Estatutários, Temporários, Comissionados sem vínculo e Celetistas". Em fl. 08, o relatório de resumo da validação de arquivo aponta a quantidade dos registros recepcionados, sem qualquer erro em seu processamento. A análise de tal documento evidencia que o contribuinte informou à fiscalização, dentre outros, o cadastro de trabalhadores, suas lotações, tabela de rubricas e arquivo de itens da folha de pagamentos. O Relatório Fiscal de fl. 30 a 37 descreve com clareza todas as questões de fato e de direito que levaram às conclusões da Autoridade Administrativa, de cujo teor, entendo relevante destacar os excertos abaixo: 6.5 Bases de cálculo. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 10 17 No demonstrativo analítico intitulado "RUBRICAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO SERVIDORES VINCULADOS AO RGPS", em anexo a este relatório, estão discriminados os itens/rubricas da folha de salários utilizadas na totalização das Bases de Cálculo. Esse demonstrativo foi elaborado a partir da informações da folha de pagamento, fornecida pelo sujeito passivo em meio digital...". (...) 7.2. (...) No anexo a este relatório intitulado "Totais mensais do Desconto dos segurados vinculados ao RGPS", podem ser verificados os valores descontados por rubrica da folha de pagamento. Esse demonstrativo foi elaborado a partir das informações das folhas de pagamento fornecidas pelo sujeito passivo, em meio digital..." O relatório RUBRICAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO consta de fls. 38 a 52 e segrega, de forma bastante didática, os servidores por tipo de vínculo, apontando, mês a mês, o código e a descrição das rubricas, a base de cálculo total e a base de cálculo do RGPS. Já o relatório Totais mensais do Desconto dos segurados vinculados ao RGPS consta de fls. 53 a 55, também com a segregação, mês a mês, do tipo de vínculo, código e descrição das rubricas e valor dos descontos. Como se vê, restam evidentes os critérios utilizados no lançamento para fins de apuração das bases de cálculo e eventual dúvida remanescente do contribuinte, neste caso, não deve ser suprida pelo relatório fiscal, mas pelo próprio contribuinte por meio de avaliação de seus próprios registros de controle. Veja que o contribuinte não questiona em momento algum que a rubrica "OUTROS" tenha sido uma inovação da autoridade fiscal, exatamente por que ela decorre dos próprios critérios e termos utilizados internamente pelo sujeito passivo. Portanto, não tendo observado nenhuma das hipóteses de nulidade descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e considerando presentes nos autos todos os elementos necessários ao pleno exercício do direito de defesa, rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, em apertada síntese, notase que a lide administrativa tem seu cerne no entendimento da fiscalização de que estão submetidos ao RGPS todos os contratados em regime diverso do estatutário, ao passo que o contribuinte autuado afirma que estes mesmos servidores considerados submetidos ao Regime Geral, ao contrário, estariam vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social administrado pela MANAUSPREV. Assim, passemos à análise da compatibilidade do entendimento do contribuinte com a legislação por ele citada. Fl. 358DF CARF MF 18 A Lei Orgânica do Município de Manuaus/AM, promulgada em 05 de abril de 1990, em seu artigo 106, em seu artigo 106, dispõe que a contratação por tempo determinado somente será admitida para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos e nos limites estabelecidos em lei ordinária (redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 4/1995); De forma a regulamentar tal permissivo de contratação excepcional, foi editada, em 19 de março de 1996, a Lei Municipal nº 336, de cujo teor importa destacar: Art. 1º Para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, a Administração Municipal direta poderá contratar, sob o regime de direito administrativo, pessoal por tempo determinado nas condições e prazos previstos nesta Lei. (...) Art. 3º O recrutamento do pessoal a ser contratado nos termos desta Lei, será feito mediante processo seletivo simplificado, sujeito à ampla divulgação, inclusive no Diário Oficial do Estado, prescindindo de concurso público. § 1º A contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade pública, estado de emergência e de surtos epidêmicos, ou de qualquer outra natureza, prescindirá de processo seletivo. (...) Art. 4º As contratações de que trata o art. 2º serão feitas por tempo determinado e improrrogável, observados os seguintes limites máximos: I no caso dos incisos I e II, até o exato momento em que for eliminada a causa motivadora da contratação; II até quatro anos, no caso do inciso III; III até dois anos, no caso do inciso IV; IV até um ano, no caso do inciso V e demais situações não relacionadas nesta Lei. (...) Art. 10 O pessoal integrante deste regime administrativo de pessoal vincularseá à Previdência do Município de Manaus, nos termos da Lei nº 1.541, de 31.03.81 e nos limites desta Lei. § 1º Os benefícios da previdência social restringirseão à assistência à saúde ao segurado e seus dependentes. § 2º A partir do mês da contratação, o contratado passa à categoria de segurado obrigatório do Instituto Municipal de Previdência e Assistência Social, mediante desconto da contribuição na folha de pagamento. Grifouse. Em 21 de julho de 2005, em sede de reestruturação do Regime Próprio de Previdência Social do Município de Manaus, foi editada a lei 870, que teve seu artigo 6º alterado pela Lei 1.197/2007, passando à seguinte redação: Art. 6º São segurados do RPPS: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 11 19 I o servidor público concursado e efetivado, titular de cargo efetivo estatutário dos órgãos dos Poderes Executivo e Legislativo, suas autarquias, inclusive as de regime especial e fundações públicas, cujas atribuições, deveres e responsabilidades especificas estejam definidas em estatutos ou normas estatutárias; e I os aposentados nos cargos citados neste artigo. § 1º Fica excluído do disposto no caput deste artigo o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; § 2º Na hipótese de acumulação remunerada, o servidor mencionado neste artigo será segurado obrigatório em relação a cada um dos cargos ocupados. § 3º O segurado aposentado que vier a exercer mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal filiase ao RGPS. § 4º Por terem sido admitidos para o exercício de função temporária, nos termos do disposto no inciso I deste artigo, são titulares efetivos os servidores ativos e inativos que, até a data da publicação desta Lei tenham sido admitidos com fundamento no art. 1º da Lei nº 336, de 19 de março de 1996.(parágrafo incluído, já que não existia no texto originário). Grifouse. Embora salte aos olhos uma aparente incompatibilidade dos comandos legais acima com o regramento imposto pelo Inciso II do art. 37 da Constituição Federal de 1988, em particular em relação à inovação criada pela Lei Municipal 1197/2004, ao prever que são titulares efetivos os servidores ativos e inativos contratados em caráter temporário, tendo em vista as limitações de competência desta Corte Administrativa, sigo a análise de forma restrita ao reflexos tributários discutidos no presente processo. Assim, a despeito do que foi pontuado no parágrafo precedente, em uma primeira avaliação, aparenta assistir razão à recorrente, já que, de fato, nos termos da legislação municipal, pelo menos parte do lançamento poderia restar maculada, em razão de terem sido considerados na base de cálculo para apuração da contribuição devida ao RGPS, tanto do empregado quanto do empregador, valores percebidos por servidores/funcionários submetidos a Regime Próprio. Contudo, não podemos deixar de interpretar a legislação municipal sem comparála aos demais preceitos atinentes à matéria, de modo a aferirmos sua harmonia com o ordenamento jurídico pátrio. De início, entendemos relevante destacar que, na Constituição Federal de 1988, a Seguridade Social está descrita no Título VIII, da Ordem Social, constituindose em gênero do qual a Previdência Social é uma de suas espécies. Ainda no Título VIII, mais precisamente no art. 201, há a previsão de que a Fl. 360DF CARF MF 20 Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e filiação obrigatória. Quanto à competência para legislar sobre previdência social, esta é concorrente entre União, Estados e Distrito Federal, nos termos do art. 24 da CF, cabendo à União estabelecer normas gerais e aos Estados e ao Distrito Federal a competência suplementar. Além disso, o comando constitucional deixa expresso que, inexistindo lei federal sobre normas gerais, caberá aos Estados a competência legislativa plena, mas com a ressalva de que a superveniência de lei federal suspenderá a eficácia de lei estadual, no que lhe for contrário. Em relação ao Regimes Próprios de Previdência social, as regras gerais foram estabelecidas pela lei 9.717/98. Já em relação ao Regime Geral, tais regras estão disciplinadas pelas leis 8.212 e 8.213/1991. Vejamos o que dispõe a CF/88: Art. 37 (...) IX a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; (...) Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.(...) Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 19.12.1998). (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Grifouse. Em ralação às normas gerais estabelecidas pela União para o Regime Geral, vale destacar os preceitos da lei 8.212/91: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 15. Considerase: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 12 21 I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Grifouse. Feitos os destaques legais considerados adequados, constatase que a Lei Orgânica do Município de Manaus/AM, alinhada ao texto constitucional, prevê a possibilidade de contratação por tempo determinado, objetivando atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos e nos limites estabelecidos em lei ordinária. Com o fim de regulamentar o permissivo, foi editada a Lei Municipal nº 336/1996, que estabeleceu normas para o que chamou de Regime Administrativo de Contratação de Pessoal por Tempo Determinado. Tal diploma tratou, dentre outras questões, das formas e prazo de duração dos tais contratos e previu, ainda, que os contratados temporariamente seriam segurados obrigatórios do Instituto Municipal de Previdência e Assistência Social. Ocorre que, em 1998, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, restou expresso no 40 da CF que é assegurado aos servidores titulares de cargos efetivos regime de previdência diferenciado, bem assim que aos ocupantes de cargo temporário ou de emprego público aplicase o regime geral de previdência social. Portanto, a partir das alterações introduzidas pela EC nº 20/1998, ainda que os municípios sejam competentes para instituir seus regimes jurídicos únicos, não podem fazêlo de modo desalinhado aos preceitos constitucionais e às normas Fl. 362DF CARF MF 22 gerais sobre previdência social definidas pela União, devendo, de plano, ajustar suas regras aos comandos maiores em vigor. Daí, surgiria um problema em relação aos contratados temporariamente pelo Município de Manaus em exercício na época da edição da EC nº 20. Entretanto, pelo menos em tese, estes já não teriam reflexos no período de apuração discutido no presente processo (2010), em particular pelo caráter temporário e improrrogável das contratações (art. 4º da Lei Municipal 336/96). Em momento posterior, foi editada a Lei Municipal 870/2005, que reestruturou o Regime Próprio de Previdência Social do Município de Manaus, e de forma inovadora, elevou à condição de titulares efetivos os servidores outrora contratados em caráter temporário, contrariando o inciso II do art. 37, da CF/88. Aqui vale ressalvar que o contribuinte alega que os comandos normativos municipais apenas teriam o condão de conferir tratamento contributivo e previdenciários aos funcionários contratados compatível com o dos servidores estatutários, não significando a transformação de cargos temporários em efetivos. Ora, não é bem essa a conclusão a que chegamos a partir da leitura do § 4º do art. 6º da Lei Municipal 336/1996, dispositivo que, conforme informação disponível na sitio da Câmara Municipal de Manaus na Internet, foi declarado inconstitucional. Dispositivo Declarado Inconstitucional no julgamento do Mandado de Segurança nº 4.000 808/32.2012.8.04.0000 do dia 05/11/2013 e publicado no Diário da Justiça Eletrônico no dia 14/11/2013. Também a MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE nº 0007362 85.2011.8.04.0000 de 09/01/2014, Declarou Inconstitucional o § 4.º, do art. 6.º, da Lei Municipal 870/2005, incluído pela Lei Municipal n. 1.197/2007. Parágrafo Único, do art. 9.º, da Lei Municipal 1.425/2010, publicado no DJE em 10.04.2015. Sem adentrar no fato de que, em de setembro de 2014, posteriormente à declaração de inconstitucionalidade, a Procuradoria Geral do Município de Manaus tenha lastreado seus argumentos em preceito já extirpado no mundo jurídico, entendo que resta, cristalino que a vinculação de funcionários contratados em caráter temporário ao Regime Próprio instituído pelo Município de Manaus não tem amparo nos demais preceitos que regem à matéria. Tampouco serviriam para afastar a incidência ao caso concreto dos comandos da lei 8.212/91, em particular aqueles definidos em seus artigos 12, 15, 22 e 30. A construção normativa municipal sequer guarda razão lógica, já que, a rigor, dado ao caráter excepcional das contratações, cujo prazo, como regra, não deveria ultrapassar quatro anos (art. 4º da Lei Municipal 336/96), não conduziria a uma preocupação maior da municipalidade com o futuro do contratado, em particular que justificasse a preocupação com aposentadoria, conforme noticiado pelo recorrente a partir da citação ao art. 10 do Decreto Municipal nº 4.483/99. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 13 23 Ainda que sob argumento de autonomia administrativa dos municípios, não lhe seria possível a edição de normas que contrariassem os preceitos constitucionais ou normas gerais em matéria de previdência social, mesmo que lastreadas em nobres intenções de igualdade e justiça social, as quais não afastariam a responsabilidade pela infração à legislação tributária, conforme preceitua o art. 136 da Lei 5.172/66 (CTN). Embora a recorrente alegue que, no decorrer da vigência desses contratos, tenha havido retenção e contribuição ao Regime Próprio da Prefeitura de Manaus e que, portanto, não tenha ocorrido qualquer prejuízo ao Erário Federal, tal avaliação não é relevante para verificação da ocorrência do fato gerador, do nascimento da obrigação tributária e para a constituição do crédito tributário, já que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional ( § único do art. 142 da lei 5.172/66), não competindo à autoridade administrativa fazer juízo de questões dessa natureza. Quanto à alegação da existência de caso análogo envolvendo o Estado de São Paulo, tendo em vista que o lançamento decorre de atividade administrativa plenamente vinculada, não há como tal experiência pretérita trazer algum reflexo à presente demanda. Insurgese, ainda, a recorrente contra a formalização da Representação Fiscal para fins penais, discordando da imputação de sonegação fiscal. Não obstante, tratase de ato compulsório para todo AuditorFiscal quando diante de fato que, em tese, configure crime contra ordem tributária. Valendo ressaltar que tal Representação só será encaminhada ao Ministério Público Federal no caso de tornarse definitiva a imputação fiscal objeto do Auto de Infração em discussão. Ademais, a apreciação quanto à pertinência de oferecimento de denúncia é mister do MPF. Tudo conforme a Portaria RFB nº 2439/2010. Ainda assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente sobre o tema, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, pugna o sujeito passivo pela produção de provas periciais, contudo, por tudo que está acima exposto, fica bastante claro que o cerne da celeuma fiscal está basicamente restrito a matérias de direito, evidenciando a desnecessidade de Fl. 364DF CARF MF 24 prova pericial, razão pela qual indefiro o pedido, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Por todo o exposto, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade, indefiro o pedido produção de provas periciais e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Em relação à alegação de necessidade de exclusão da base de cálculo do lançamento de rubricas consideradas indevidamente como salário de contribuição de contribuição, tratase de inovação promovida em sede de Recurso Voluntário, já que tais argumentos não foram apresentados no curso da impugnação. Sobre o tema, importante destacar o que prevê o Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, são consideradas não impugnadas e não devem ser conhecidas, as matérias que não tenham siso expressamente contestadas na impugnação, por falta de competência deste Conselho em avaliar questões que estejam fora da lide instaurada pelo contencioso administrativo. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência, Sobre a questão de juntada posterior de provas e documentos, esta deve ser de plano indeferida, em razão da previsão acima destacada sobre o momento da apresentação da prova documental. Ademais, o recurso foi formalizado há três anos, tempo mais do que suficiente para juntada de eventuais documentos complementares julgados relevantes. Conclusão Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10283.720240/201462 Acórdão n.º 2201003.791 S2C2T1 Fl. 14 25 Por tudo que consta dos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.993072/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROVA DOCUMENTAL. ENTREGA INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO.
Se o contribuinte não providenciar a entrega da prova documental juntamente com a impugnação, precluirá seu direito de apresentar documentos em outro momento, a menos que (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refira-se a fato ou a direito superveniente; (iii) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972).
PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. REQUISITOS PARA O DEFERIMENTO.
O inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o contribuinte deve expor, na peça impugnatória ou recursal, os motivos que justifiquem as diligências requeridas, com a formulação dos quesitos referentes aos exames pretendidos, sob pena de indeferimento.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PROVA DOCUMENTAL. LASTRO DE TERCEIRO.
O pretendente ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL deve estar municiado com elementos comprobatórios do direito que alega ter, fornecidos por terceiros, independentemente da obediência das fontes pagadoras das receitas auferidas ao comando da legislação que lhes determina a emissão da DIRF.
Numero da decisão: 1301-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ENTREGA INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. Se o contribuinte não providenciar a entrega da prova documental juntamente com a impugnação, precluirá seu direito de apresentar documentos em outro momento, a menos que (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. REQUISITOS PARA O DEFERIMENTO. O inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o contribuinte deve expor, na peça impugnatória ou recursal, os motivos que justifiquem as diligências requeridas, com a formulação dos quesitos referentes aos exames pretendidos, sob pena de indeferimento. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PROVA DOCUMENTAL. LASTRO DE TERCEIRO. O pretendente ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL deve estar municiado com elementos comprobatórios do direito que alega ter, fornecidos por terceiros, independentemente da obediência das fontes pagadoras das receitas auferidas ao comando da legislação que lhes determina a emissão da DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 30 72 /2 01 1- 41 Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 905 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra acórdão da DRJ que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade, apresentada em contestação a despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada por meio da DCOMP nº 18022.11319.190208.1.3.030161. Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório da autoridade julgadora a quo, adotandoo: “A interessada transmitiu, em 19 de fevereiro de 2008, a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerada 18022.11319.190208.1.3.030161, alegando dispor de direito creditório oriundo de saldo negativo de CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – apurado no exercício de 2006. DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 009884241, de 1º de novembro de 2011, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.228.284,05 Valor na DIPJ: R$ 1.228.284,05 Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 906 3 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 259.797.083,69 CSLL devida: R$ 258.568.799,64 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.122.862,58 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. De fls. 268 a 270, encontrase parte da “Análise das Parcelas de Crédito” correspondente a “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas”. Ao exame, verificase consistir em uma relação de retenções por fontes pagadoras, ordenadas segundo seu CNPJ, de 00.000.000/000434 a 00.000.000/107310, todas com o código 6190 (“SERVIÇOS RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO”). Os valores desta tabela totalizam R$ 106.523,40, dos quais R$ 1.101,93 foram considerados comprovados e R$ 105.421,47, não comprovados. A par disso, de fls. 248 a 267, encontrase a relação de “Contribuição Social Retida na Fonte – Parcelas Confirmadas”, que englobam diversas fontes pagadoras, cabendo destacar, à fl. 248, indicação da fonte 00.000.000/000191 e, de fls. 250 a 258, das fontes 00.000.000/1074 09 a 00.000.000/576220. Ciente em 21 de novembro de 2011 (fl. 247), a interessada apresentou, em 21 de dezembro de 2011, a manifestação de inconformidade de fls. 273 a 281, assim resumida: [...] Conforme consta do despacho decisório ora combatido, enquanto o valor do saldo negativo informado na DIPJ do ano base de 2005, que foi informado na DIPJ (Doc. 04) e no PER/DCOMP em comento, totaliza R$ 1.228.284,05 [...], o valor do saldo negativo reconhecido pela Fiscalização foi de apenas R$1.122.862,58 [...]. Isto porque foram apontadas como não comprovadas alguma retenções de CSLL sofridas na fonte no decorrer do anocalendário de 2005 [...] oriundas da prestação de serviços de telefonia pela ora Requerente ao Banco do Brasil [...]. Diz não ter obtido junto à fonte pagadora o comprovante destas retenções e apresenta planilha que [...] relaciona o CNPJ do órgão público tomador do serviço, o valor da operação, os montantes relativos aos tributos (IR e CSLL) que foram retidos por ocasião do serviço prestado, bem como a escorreita declaração pela Requerente, dos mencionados valores em sua DIPJ. Afirma que “a documentação apresentada é mais que suficiente para comprovar as retenções não confirmadas pela Fiscalização” e que “a falta do Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 907 4 Informe de Rendimentos [...] não pode inviabilizar o reconhecimento do crédito pleiteado”. Aduz que “a Fiscalização dispõe de todos os meios necessários para averiguar se, de fato, os valores foram efetivamente retidos pelo órgão público”. Requer seja feita [...] diligência para que a Fiscalização possa, inclusive, intimar o Banco do Brasil S/A a apresentar o competente Informe de Rendimentos [...].” No julgamento em primeira instância, verificouse que a Derat/SP admitira a comprovação de valores retidos por estabelecimentos do Banco do Brasil S/A (CNPJ básico igual a 00.000.000), no total de R$ 249.706,98. Ainda naquela instância, também constatouse, nos sistemas de informação da Receita Federal, que o estabelecimentomatriz do Banco do Brasil S/A apresentara DIRF (número do recibo 20.80.45.79.7418) com a informação de pagamentos e retenções de contribuições (código 6190), efetuados durante o anocalendário de 2005, em nome da interessada, nos montantes respectivos de R$ 24.971.843,44 e R$ 2.359.563,82. Tendo em conta que a CSLL a ser retida na fonte corresponde a 1% dos rendimentos pagos, conforme artigo 34 da Lei nº 10.833/2003 c/c artigo 64, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, o valor da retenção incidente, a título de CSLL, é R$ 249.718,43. Uma vez que a Derat/SP já reconhecera o valor de R$ 249.706,98, cumpria à DRJ atribuir à interessada, e de fato, atribuiu, o direito à diferença, qual seja, R$ 11,45. Decisão de primeira instância às fls. 744/749, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 06/07/2015, à fl. 758. Recurso a este Colegiado às fls. 760/771, com entrada na repartição de origem no dia 04/08/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: a) como narrado nestes autos, a recorrente informou, na DIPJ do anocalendário de 2005 (doc. 4 da manifestação de inconformidade) e no PER/DCOMP examinado, que dispunha do crédito proveniente de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 1.228.284,05, mas a Fiscalização só reconheceu desse saldo negativo a parcela de R$ 1.122.862,58, ao argumento de que a retenção na fonte da parte restante não fora comprovada; Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 908 5 b) as retenções reputadas como não comprovadas pela Fiscalização são oriundas da prestação de serviços de telefonia ao Banco do Brasil, ao qual impunhase a obrigação, quando do pagamento pelos serviços executados, de reter os montantes concernentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro, por força de expressa imputação do artigo 34 da Lei n° 10.833/2003 c/c artigo 64 da Lei nº 9.430/1996; c) ao final do exercício financeiro, cabia ao Banco do Brasil, tomador do serviço prestado, emitir o correspondente Informe de Rendimentos ao prestador dos serviços, com a expressa indicação do valor do serviço tomado, bem como dos valores concernentes ao IRPJ e à CSLL que foram retidos quando da realização do pagamento; d) ocorre, porém, que, não obstante as várias tentativas para obter o referido documento fiscal, até o momento o Banco do Brasil não o entregou à recorrente. Todavia, como é de conhecimento, por se tratar de instituição pública e em razão do volume de operações que executa, na maioria das vezes é inviável a entrega tempestiva do Informe de Rendimentos aos clientes e prestadores que sofreram a retenção do IRRF e da CSLL; e) diante da ausência do Informe de Rendimentos, não restou alternativa à recorrente senão a apresentação de planilha (vide doc 05 da manifestação de inconformidade), na qual relacionou o CNPJ do estabelecimento bancário tomador do serviço, o valor da operação, os montantes relativos aos tributos (IR e CSLL) que foram retidos por ocasião do pagamento do serviço prestado, bem como a escorreita declaração dos mencionados valores na DIPJ; f) pela análise do aludido documento, fica claro que todos os valores apontados como não identificados pela Receita Federal foram destacados e retidos pelo Banco do Brasil e, por isso, considerados na composição do saldo negativo da CSLL apurado em 2005, declarado pela recorrente em sua DIPJ e no PERD/COMP; g) contudo, o julgador da instância a quo entendeu que a recorrente não teria apresentado documentos capazes de ilidir o trabalho fiscal, desconsiderando a demonstração trazida na citada planilha; h) de fato, não se pode olvidar que o Informe de Rendimento é documento comprobatório da retenção do IRRF e da CSLL. Contudo, na ausência de comprovantes Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 909 6 de retenção anual, porque não fornecidos pela instituição financeira, não pode recair sobre a recorrente qualquer ônus ou sanção pela falta da entrega, como a não homologação da compensação pleiteada; i) sendo possível a comprovação do direito creditório por qualquer documento hábil e idôneo capaz de confirmar os valores efetivamente retidos, como inegavelmente providenciado pela recorrente nestes autos, a compensação pleiteada não deve restar inviabilizada, conforme Solução de Consulta DISIT/SRRF05 n° 4, de 02 de abril de 2013; j) também a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem reconhecendo que tal prova de retenção pode ser efetuada por outros meios que suportem as informações prestadas; k) como se não bastasse o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca da possibilidade de apresentação de outros documentos para fins de comprovação das retenções promovidas pelos órgãos públicos, destacase, ainda, que a Administração Pública está vinculada ao princípio da verdade material, o qual deve sempre prevalecer sobre a verdade formal; l) no caso vertente, a documentação apresentada, sem prejuízo daquela a ser posteriormente juntada, prestase a comprovar as retenções não confirmadas pela Fiscalização e, por conseguinte, o direito da recorrente à integralidade do saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário de 2005; m) como é cediço, a Fiscalização dispõe de todos os meios necessários para averiguar se, de fato, os valores foram efetivamente retidos pelo Banco do Brasil, que é obrigado a transmitir declaração acerca de todas as retenções efetuadas no decorrer do anocalendário; n) caso tenha ocorrido a retenção "não comprovada", uma vez negada a compensação, estarseá diante de cobrança em duplicidade de um mesmo tributo, o que implicará enriquecimento sem causa da União Federal; o) assim, a recorrente reitera seu pedido pela conversão do presente julgamento em diligência, caso se entenda que as provas colacionadas aos autos não sejam suficientes à comprovação das retenções sofridas, intimandose o Banco do Brasil S/A a apresentar o competente Informe de Rendimentos, a que faz jus à recorrente, para fins de comprovação do seu direito creditório; Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 910 7 p) por todo o exposto, requerse, alfim, o provimento do presente recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido, decindindose a favor da integral homologação da compensação vindicada pelo PER/DCOMP n° 18022.11319.190208.1.3.030161, com a consequente extinção de débitos relativos à PIS/PASEP, referente ao período de apuração de janeiro de 2008, uma vez comprovada a efetiva existência do crédito compensado pela recorrente; q) em caráter subsidiário, caso este Conselho considere necessária a obtenção de maiores esclarecimentos ou a apresentação de outros documentos, requer a realização de diligência, em especial, a intimação do Banco do Brasil para apresentação dos Informes de Rendimento, em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator No presente recurso, reuniramse os requisistos de recorribilidade. Dele conheço. Entende a recorrente que tem direito ao aproveitamento do saldo negativo de CSLL, apurado no calendário de 2005, no valor de R$ 1.228.284,05, decorrente da retenção da antedita contribuição, quando do pagamento de serviços prestados ao Banco do Brasil, por força do disposto no artigo 34 da Lei nº 10.833/2003 c/c artigo 64, § 6º, da Lei nº 9.430/1996. O valor de aludido crédito foi empregado pela recorrente no encontro de contas com débito de PIS/PASEP referente ao mês de janeiro de 2008, no valor de R$ 1.563.728,42, conforme PER/DCOMP de fls. 02/243. No entanto, a autoridade fiscal apenas reconheceu parcela do direito creditório reclamado, limitandoa à importância de R$ 1.122.862,58, negandose a admitir o crédito restante por falta de prova da retenção. Uma vez impugnada a decisão expressa no despacho decisório, coube à autoridade julgadora de primeira instância reconhecer o crédito adicional de R$ 11,45, valendose de pesquisa que empreendera na base de dados dos sistemas informáticos da Receita Federal, os quais revelaram a existência de DIRF apresentada em nome do estabelecimentomatriz do Banco do Brasil. Portanto, remanesce pendente de comprovação a quantia de R$ 105.410,02. Na presente instância, a recorrente renova o pedido já exposto na instância a quo, no sentido de que se acolham os dados por ela reunidos na planilha de fls. 739/741 ou, subsidiariamente, que seja determinada a realização de diligência destinada a colher daquela fonte pagadora elementos comprobatórios da retenção do valor restante. Com efeito, podese perceber que a planilha que anexara à manifestação de inconformidade é composta por uma longa lista dividida em sete colunas: a primeira, com o Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 911 8 código de retenção (sempre 6190); a segunda, com a indicação do CNPJ do estabelecimento que efetuou o pagamento do serviço prestado; a terceira, com a indicação da razão social; a quarta, com o valor do pagamento; a quinta, com o valor do imposto de renda retido na fonte; a sexta, com o valor da contribuição social retida na fonte; a sétima, com a indicação do número do item da Ficha 50 da DIPJ, correspondente à contribuição social retida na fonte. A despeito do eventual descumprimento, por parte das fontes pagadoras, quanto às entrega de DIRF e dos Informes de Rendimento, cabe à recorrente, interessada no êxito de seu pleito de restituição/compensação, comprovar o recebimento das receitas, auferidas com as aplicações financeiras, devidamente descontadas das exações incidentes. Isso porque o pretendente ao reconhecimento do crédito deve estar municiado com os elementos comprobatórios do direito que alega ter, independentemente da obediência das fontes de rendimentos ao comando da legislação que lhes determina a emissão de DIRF e dos Informes respectivos, porquanto não se ignora que, enquanto contribuinte, a recorrente necessita lastrear sua contabilidade em documentos hábeis e idôneos a evidenciar os fatos para os quais está obrigada a efetuar o devido registro. Por tal perspectiva, não se pode conceber o emprego da prova pericial ou a realização de diligência para fins de obter material probatório cuja produção esteja na órbita dos encargos do recorrente, tendo em vista a obrigação de conservar os documentos relacionados aos fatos derivados de sua atividade, em conformidade com o artigo 264 do RIR/99: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Por outro lado, também é inegável que a juntada de todo o volume documental deve ser apresentado quando da impugnação tempestiva, precluindo o direito à entrega de documentos em momento futuro, salvo nas situações do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 912 9 “Art. 16 .... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeitos) Os motivos expostos pela recorrente para a não entrega dos comprovantes do imposto de renda na fonte não são classificáveis entre os motivos de força maior. Em primeiro lugar, impende pôr em foco que a perda de prazo para a juntada de provas documentais pode decorrer da negligência do recorrente que atue em desrespeito à obrigação de guardar e preservar livros e demais documentos relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do que prescreve o artigo 264 do RIR/99, já citado. Desde o momento em que a recorrente julgou conveniente prestar serviço de telefonia para o Banco do Brasil, tornouse obrigada a corresponder ao zelo exigível na preservação das evidências da tributação, na declaração de IRPJ, dos rendimentos auferidos e a comprovação das retenções efetuadas pela fonte pagadora. Consoante o parágrafo único do artigo 393 do Código Civil em vigor, o evento de força maior verificase no fato necessário cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Fato necessário é aquele que, sendo inescapável a qualquer atitude diligente, dá causa à impossibilidade de cumprimento da obrigação. A falta de apresentação dos comprovantes aludidos não tem como fato necessário a inércia das fontes pagadoras, porque os efeitos da não apresentação eram evitáveis, se a recorrente tivesse conservado notas fiscais de suporte aos lançamentos contábeis, planilhas e outros documentos que lhe oferecessem respaldo para, (i) além de revelar o oferecimento à tributação das receitas auferidas, em harmonia com o artigo 231 do RIR/99, (ii) também comprovar a retenção do imposto de renda na fonte. A tal respeito, vale referir que a jurisprudência deste Egrégio Conselho tem acolhido a comprovação da retenção do imposto retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10880.993072/201141 Acórdão n.º 1301002.496 S1C3T1 Fl. 913 10 favorecer seu próprio interesse”1. Essa ideia, que está por trás do § 1º do artigo 9º do Decreto lei nº 1.598/1977, consolidouse numa regra geral implícita ao direito probatório, no sentido de que os fatos que impliquem efeitos tributários favoráveis a quem os declara exigem prova documental hábil, o que exclui os que são produzidos pelo próprio declarante. Nesses termos, nego provimento ao recurso, em relação a esse item. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 913DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002790/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE UM MÊS NÃO COMPROVAM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS HAVIDOS NOS MESES SUBSEQUENTES.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. (Súmula CARF nº 30).
Numero da decisão: 2202-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE UM MÊS NÃO COMPROVAM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS HAVIDOS NOS MESES SUBSEQUENTES. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. (Súmula CARF nº 30). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 27 90 /2 00 3- 38 Fl. 824DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 10616.030, cuja decisão foi proferida em 07/12/2006, pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Marcelo da Silva Vieira, qualificado nos autos, representado (mandado, fl. 58), interpõe Recurso Voluntário em face do Acórdão DRJ/RJO II n° 5.190, de 14 de maio de 2004 (fls. 88 92), mediante o qual foi mantido o lançamento do crédito tributário no valor de R$225.849,76, relativo a Imposto de Renda acrescido de multa de ofício e juros de mora, ano calendário 1998, conforme o Auto de Infração de fls. 3546, apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada no valor de R$321.013,42, tendo como fundamento as disposições do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O julgamento encontrase fundado na seguinte ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento procedente. Segundo consta do voto condutor do acórdão recorrido, o então impugnante não juntou comprovantes que pudessem justificar as informações constantes das planilhas de fls. 60 a 83, pelo que inválidas as alegações de origem dos depósitos "em aluguéis de linhas telefônicas, prolabore da empresa J. Vieira Filho Numismática, trocas de cheques a pedido de seu pai, restituições de sinal acrescido de prestações decorrentes de operação de compra e venda de imóvel que não logrou sucesso, devoluções de empréstimos, ou depósitos de sobras em dinheiro de viagens a trabalho". Também foi esclarecida a impossibilidade de afastar da base de cálculo valores inferiores a doze mil reais posto que os depósitos ultrapassaram o limite anual de oitenta mil. Do mesmo modo, não encontrou amparo legal para acolher a pretensão de Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 2202004.005 S2C2T2 Fl. 825 3 descontar da apuração do montante mensal depósitos realizados no mês imediatamente anterior. Do Recurso voluntário Do Recurso Voluntário, de destacar os seguintes pontos, conforme constante na peça: a) os fatos: prestou esclarecimentos sobre cada um dos depósitos indicando a origem e as circunstâncias que envolviam a operação, "num trabalho verdadeiramente insano de busca de detalhes e informações que lhe avivasse a lembrança, inclusive perante terceiras pessoas"; as justificativas não foram acolhidas pela Turma Julgadora porque os depósitos bancários devem estar respaldados em documentos formais; não haveria comprovação de retenção na fonte feita por empresa da qual participa do quadro societário quando dos pagamentos de prolabore; para que a parcela tributada em um mês sirva de origem como recurso já tributado para o mês seguinte, deveria o contribuinte comprovar a saída dos recursos de contas e o retorno. b) o direito: houve erro na identificação do períodobase do lançamento; a lei foi aplicada de forma literal, sem consideração aos aspectos particulares que envolvem o fato, tendo sido interpretada pelo autuante e julgador em desacordo com os objetivos sociais a que se destina; a decisão estaria em desacordo com o entendimento da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. c) da preliminar: transcritas disposições constitucionais sobre os direitos e garantias individuais (art. 5º, II) e sobre a exigência de tributos fundado em lei (art. 150, I), dos artigos 3º, 97 e 142, do Código Tributário Nacional, art. 42, §§ 1º e 4º, da Lei n° 1996, e art. 10, da Lei n° 8.134, de 1990, afirma o recorrente que o valor das receitas será considerado auferido e tributado no mês do crédito. "O autuante tributou os rendimentos na base de cálculo do ajuste anual, como somatório dos depósitos mensais" e que "o lançamento não foi feito nos meses em que recebidos, como determina a lei"; "o lançamento mensal importa em que a tributação em um mês justifique a origem dos recursos dos rendimentos Fl. 826DF CARF MF 4 depositados nos meses seguintes, realidade que se pretende afastar com a tributação anual"; d) do mérito: o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não distingue entre pessoa física e jurídica, mas o interprete tem de considerar que está lidando com presunção, devendo considerar a diferença de controle permitida às duas entidades jurídicas; a pessoa física não sendo obrigada a manter escrituração, passando muito tempo, dificilmente, terá condições "de resgatar na memória cada operação que realiza"; nas relações entre parentes, ainda mais entre pais e filhos, e até mesmo entre grandes amigos, é comum as pessoas físicas não formalizarem por escrito, ou garantidos através de títulos; tal realidade não foi levada em conta pelo julgador de primeira instância que ignorou completamente os esclarecimentos prestados minuciosamente na impugnação, num esforço hercúleo "simplesmente porque, segundo a lei, o contribuinte deveria dispor de documentos hábeis e idôneos"; "os esclarecimentos prestados pelos contribuintes só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (RIR/94, art. 894, § 1º)"; o julgamento realizado pela DRJ Curitiba, em face do processo 10950.003940/200245, teria sido ignorado, mesmo nas operações entre pais e filho e entre irmãos; a decisão de primeira instância estaria em desacordo com o entendimento da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10419.393, de 12.06.2003, ao que transcreve os fundamentos; bem como ementas dos Acórdãos n° 10419.068 e 10419.665, sobre a desobrigatoriedade de pessoa física realizar escrituração; haveria "tributação em cascata" aos moldes como o lançamento encontrase realizado; não aceitas as justificativas apresentadas na fase fiscalizatória por serem os depósitos ou parte deles fruto de pequenos negócios impunha inscrevêlo como pessoa jurídica, de modo a considerar as despesas, custos e encargos com vistas à apuração da renda. No pedido, o acolhimento do "erro na identificação do período base da tributação" julgando insubsistente o lançamento; alternativamente, que a tributação se faça por um dos critérios indicados nos anexos I e II, preferentemente o de maior depósito no mês; ou julgado improcedente por não adotar o critério de arbitramento, anexo III. À fl. 129, informações sobre o competente preparo recursal. É o relatório Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 2202004.005 S2C2T2 Fl. 826 5 (grifos do original) Na sessão de julgamento de 25/05/2006, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências (fls. 374/380): a) fazer os autos presentes ao AuditorFiscal autuante no sentido de confrontar as informações constantes da planilha de fls. 8085 com o dossiê formado a partir da documentação apresentada pelo contribuinte durante a fase investigatória, devendo esta ser juntada aos autos, emitindose o competente relatório fiscal; b) juntar aos autos cópia de declaração de ajuste anual do anocalendário de 1998, de Júlio Vieira Filho, pai do recorrente, bem como eventuais comprovantes de extratos bancários relativos a saques declarados na planilha de fls. 6083, bem como de Júlio César da S. Vieira, irmão do recorrente; c) intimar a empresa J. Vieira Filho Numismática Ltda. a comprovar a regularidade comercial e fiscal do pagamento de prólabore durante o anocalendário de 1998; d) obter junto a cartório de registro de imóveis a veracidade de ter havido a operação de compra e venda do imóvel, Apartamento 1104, da Rua Visconde de Itamarati, 15, Maracanã Rio de Janeiro, e o depósito mencionado à fl. 12;.. e) intimar o contribuinte a trazer aos autos comprovantes de contratos de aluguéis (imóveis e telefones) do recebimento dos valores por meio de depósitos bancários. As questões foram respondidas mediante o Relatório Fiscal de fls. 509/511, com os documentos de fls. 384/508. Na sessão de 07/12/2006, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência do período de janeiro a novembro de 1998 (fls. 512/540). A decisão foi assim ementada: MOMENTO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Excetuadas as hipóteses expressamente definidas em lei como de fato gerador anual, a regra de tributação dos rendimentos percebidos pelas pessoas físicas é no momento da percepção do rendimento. De acordo com o § 4º do art.42 da Lei n° 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Após o advento do Decreto — lei n° 1.968/1982 (art. 7 °), que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do CTN, o fato Fl. 828DF CARF MF 6 gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Fixada pela norma legal a tributação mensal, o termo de inicio para contagem do prazo de cinco anos para o lançamento é a ocorrência do fato gerador, ou seja, o mês em que o imposto incide. Recurso parcialmente provido. Foi interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, o qual foi provido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por unanimidade de votos, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202003.969 (fls. 813/817), de 10/05/2016, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IRPF DECADÊNCIA DEPÓSITO BANCÁRIO FATO GERADOR Conforme consolidado pela Súmula CARF nº 38, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Recurso Especial do Procurador Provido. A decisão da CSRF foi no sentido de afastar a decadência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Assim, o processo retornou a essa Turma, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação ao exercício 1999 (anocalendário 1998). A questão da decadência do lançamento tributário encontrase superada em face da decisão da Segunda Turma da CSRF, a qual deu provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, decidindo que o crédito tributário não havia sido alcançado pela decadência. Preliminarmente, alega o Contribuinte que houve erro na identificação do períodobase do lançamento, com ofensa ao princípio da legalidade, pois o autuante tributou os rendimentos na base de cálculo do ajuste anual, como somatório dos depósitos mensais, quando a lei estabelece que os depósitos devem ser tributados no mês do crédito. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 2202004.005 S2C2T2 Fl. 827 7 Não lhe assiste razão, pois o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, alega o Contribuinte que os valores depositados são decorrentes de aluguéis de linhas telefônicas, pro labore da empresa J. Vieira Filho Numismática, trocas de cheques a pedido de seu pai, devoluções de empréstimos ou depósitos de sobras em dinheiro, tendo apresentado a planilha de fls. 78/100 com as justificativas. Na sessão de julgamento de 25/05/2006, o julgamento foi convertido em diligência, para as seguintes providências (fls. 374/380): a) fazer os autos presentes ao AuditorFiscal autuante no sentido de confrontar as informações constantes da planilha de fls. 8085 com o dossiê formado a partir da documentação apresentada pelo contribuinte durante a fase investigatória, devendo esta ser juntada aos autos, emitindose o competente relatório fiscal; b) juntar aos autos cópia de declaração de ajuste anual do anocalendário de 1998, de Júlio Vieira Filho, pai do recorrente, bem como eventuais comprovantes de extratos bancários relativos a saques declarados na planilha de fls. 6083, bem como de Júlio César da S. Vieira, irmão do recorrente; c) intimar a empresa J. Vieira Filho Numismática Ltda. a comprovar a regularidade comercial e fiscal do pagamento de prólabore durante o anocalendário de 1998; d) obter junto a cartório de registro de imóveis a veracidade de ter havido a operação de compra e venda do imóvel, Apartamento 1104, da Rua Visconde de Itamarati, 15, Maracanã Rio de Janeiro, e o depósito mencionado à fl. 12;.. e) intimar o contribuinte a trazer aos autos comprovantes de contratos de aluguéis (imóveis e telefones) do recebimento dos valores por meio de depósitos bancários. Em cumprimento à diligência solicitada pela Turma de Julgamento, a autoridade fiscal emitiu o Relatório Fiscal de fls. 509/511, com os documentos de fls. 384/508. Sobre essas alegações do Recorrente e os documentos acostados aos autos em resposta à diligência, peço vênia para transcrever excerto do voto do Relator do Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 512/540), com o qual concordo nessa parte e também adoto como razões de decidir. Fl. 830DF CARF MF 8 Neste sentido, o I. AuditorFiscal autuante juntou a fl. 141, "Demonstrativo de Rendimentos" em nome Marcelo da Silva Vieira, nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, no qual constam as colunas e totais seguintes: "M Abrantes" 107/903, R$4.500,00 (12 parcelas mensais de R$375,00); "R. Haddoch Lobo, 17/205", R$1.791,50 (parcelas de R$143,50, 150,00 e R$200,00); "Av. Oswaldo Cruz", 95/505, R$8.312,00 (parcelas de R$700,00, R$432,00 e R$700,00); "Retirada, R$12.000,00 (parcelas de R$1.000,00); "Serv. P. terceiros", R$2.937,50 (parcelas inferiores a R$500,00); "Total", R$29.541,00. Releva destacar que este valor é equivalente aos rendimentos tributáveis de R$29.635,67 oferecidos à tributação mediante a Declaração de Ajuste Anual simplificada (fls. 45). Também juntado aos autos contrato de locação do apartamento 903. do edifício situado na Rua Marques de Abrantes n° 107. no Rio de Janeiro, pelo valor mensal de R$750,00 (fls. 145). Na Declaração de Bens e Direito encontrase registrado que o contribuinte é proprietário de 1/2 do imóvel. Na planilha antes mencionada, o contribuinte informa receber R$375,00 por dito aluguel. A este contrato, recibos firmados por Escritório de Advocacia indicando a importância de R$682,50 (fls. 146157), valor depositado na conta n° 033505, Ag. 576, do Banco Itaú, de titularidade de Júlio Vieira Filho, pai do recorrente. É razoável que o recorrente receba do seu pai a parte que lhe pertence o que justificaria depósitos feitos em dinheiro em sua conta. Ocorre que, conforme justifica a autoridade autuante, "devido ao grande número de créditos/depósitos existentes, analisamos somente aqueles de valores iguais ou superiores a R$500,00" (fl. 34). Visto que o recorrente informa ter recebido R$375,00 por mês deste aluguel, caso depositadas, ditas importâncias não estão incluídas no valor da omissão lançada. De fato, examinandose os extratos bancários às folhas 12 a 23, existem vários depósitos inferiores a R$500,00, não considerados na apuração fiscal. Vejase, por exemplo, à fl. 12, R$20,00, R$66,00, R$230,00, R$432,56, R$304,90, R$182,00, R$332,00. Também trazido aos autos, o contrato de aluguel do Apartamento 505. da Avenida Oswaldo Cruz n° 95, Rio de Janeiro, à prestação mensal de R$720,00, com vigência de fevereiro de 1998 a agosto de 2000. No demonstrativo supra, o contribuinte informa a mensalidade de R$750,00. Os recibos às fls. 161170, informam o valor mensal de R$655,20, também depositados na Ag. 576, conta n° 033505 do Banco Itaú, da titularidade de Júlio Vieira Filho, pai do recorrente. Não existe confirmação individualizada de que referidos valores tenham sido transferidos à conta do recorrente. Com relação ao imóvel situado na Rua Haddock Lobo, não houve juntada de contrato ou qualquer outro documento a comprovar a indicação feita no demonstrativo supra. Mesmo, assim, por rendimentos de R$143,50 mensais, se assim Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 2202004.005 S2C2T2 Fl. 828 9 depositados, não estariam abrangidos pelo levantamento do auto de infração. Com relação à comprovação dos depósitos em face de Aluguel de linhas telefônicas, juntados aos autos, contrato firmado com a Grand Amazon Turismo Ltda, com vigência de fevereiro de 1998 a fevereiro de 1999, mediante a prestação mensal de R$130,00, vencíveis todo dia 19 de cada mês e pagas mediante depósito bancário. Conforme já explicitados valores inferiores a R$500,00 não foram considerados no presente lançamento. Também apresentado o Contrato de alugues de linha a Alessandra Amélia Allegrri, no valor de R$120,00 mensais, a ser depositado em agência bancária. Também a este valor não se considera no lançamento. Acerca da diligência, no sentido de juntar cópia de declaração de ajuste anual do anocalendário de 1998, de Júlio Vieira Filho, pai do recorrente, bem como eventuais comprovantes de extratos bancários relativos a saques declarados na planilha de fls. 6083, e, ainda, de Júlio César da S. Vieira, irmão do recorrente, foram trazidas aos autos requeridas cópias (DIRPF simplificadas) fls. 171175, que nada indicam a respeito de empréstimos feitos ao recorrente, ou eventuais doações. Com relação a extratos bancários de contas correntes de Júlio Vieira Filho e Júlio César da S. Vieira, que indicassem saques declarados na planilha de fls. 6083, de fato, aparecem valores mencionados na dita planilha quanto às contas 0769.0162793 e 0576.033500 (fls. 211222) de titularidade de Júlio Vieira Filho e na conta 0576.185318, de Júlio César da Silva Vieira (fls. 223243). A diligência define a intimação da empresa J. Vieira Filho Numismática Ltda. a comprovar o pagamento de prólabore durante o anocalendário de 1998. O próprio recorrente traz aos autos Recibos de Pagamento de Salário (fls. 186192). Comprovante de Rendimentos Pagos (fl. 193) e cópia de Razão e Diário (fl. 194210), onde se verificam lançados retiradas / prolabore no valor de R$1.000,00, ao sócio gerente Marcelo Silva Vieira, durante o anocalendário de 1998, junto à empresa J. Vieira Filho Numismática Ltda.. Mencionados os documentos apresentados não indicam como foram feitos os pagamentos, ou seja, não há provas do depósito feito na conta do recorrente ao título prólabore, salário ou rubrica equivalente, muito embora isto não signifique que os depósitos não tenham sido feitos em dinheiro ou cheque patrocinados pela empresa. Acerca da diligência no sentido de obter junto a cartório de registro de imóveis a veracidade de ter havido a operação de compra e venda do imóvel, Apartamento 1104, da Rua Visconde de Itamarati, 15, Maracanã Rio de Janeiro, intimado o recorrente não comprova nada. Fl. 832DF CARF MF 10 Reitera que se tratava de "contrato de compra e venda celebrado por instrumento particular entre seu pai e o Sr. Jorge Armitrano", que não prosperou pelo que devolvido o dinheiro mediante depósito em sua conta, não houve cuidado de formalizar uma rescisão contratual. A alegação visa justificar o depósito de R$29.700,00, mediante o histórico "Doc banco 237", em 13.07.1998 (fl. 17v). Por desprovido de qualquer elemento de prova, apesar das diversas oportunidades, não há amparo legal para acolher como justificada a origem de referido valor. Do exposto, como resultado da diligência, podese constatar existir entre o recorrente, seu pai e irmão, atividades laborais e financeiras conjuntas que podem justificar eventuais movimentações bancárias com recursos uns dos outros. Vejase, que embora os imóveis alugados pertençam ao recorrente, como prova sua Declaração de Ajuste Anual, os valores dos aluguéis são depositados na conta 0576.033500 da titularidade de Júlio Vieira Filho, seu pai. Vejase, também, que o recorrente atua na condição de sócio gerente da empresa familiar J. Vieira Filho Numismática Ltda., o que pode ter levado à pouca formalidade quanto aos depósitos relativos ao prólabore. Assim sendo, posto que o lançamento decorre da presunção de omissão de rendimentos em face dos depósitos bancários, considero razoáveis as justificativas do recorrente acerca de depósitos feitos em face de retiradas de numerários de contas dos seus parentes próximos e depositados em suas contas em "dinheiro" ou "em cheques". Isto, contudo, não o exonera da tributação. Como sabido, segundo a letra do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o contribuinte deve provar que os depósitos decorrem de rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. [...] (grifos do original) Observase que diversas alegações do fiscalizado não se encontram acompanhadas de documentos que as comprovem. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Fl. 833DF CARF MF Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 2202004.005 S2C2T2 Fl. 829 11 Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. A respeito da tributação dos valores inferiores a R$ 12.000,00, também não assiste razão ao Recorrente, pois se verifica da planilha de fls. 58/63 que a soma dos referidos depósitos é superior a R$ 80.000,00, razão pela qual tais créditos devem ser tributados, pois assim dispõe o art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 834DF CARF MF 12 [...] II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Sobre esse ponto, a Súmula CARF nº 61 estabelece: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". (grifei) Por fim, também não procedem as suas alegações de que os valores tributados em um mês sirvam de origem para o mês seguinte. Nesse sentido temos a Súmula CARF nº 30: "Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes". Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 835DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.007972/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-003.996
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 72 /2 00 8- 71 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 244 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 73/81): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 245 3 necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, que impõe ao transportador a obrigação de prestar informações sobre a carga transportada, e também a do art. 107 desse mesmo Diploma Legal, definindo o descumprimento dessa obrigação como infração autônoma, sujeita à multa, nos termos do inciso IV, alínea “e”, desse artigo. 8) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 9) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 10) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 5/3/2009 e apresentou impugnação (fls. 5060) em 8/12/2008, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) O atraso na prestação da informação se deu por razões alheias à vontade da impugnante, pois os dados que deveriam ter sido disponibilizados pelos exportadores no porto de origem não foram apresentados a tempo. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 246 4 b) A conduta da impugnante (atraso no pedido de retificação) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.799 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 73/81), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/07/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 88/97), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.289– 1ª Turma Especial (fls. 129/137), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 247 5 fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 139/164 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100408 – 1ª Câmara (fls 152/153), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 174/182). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.634– 3ª Turma (fls. 222/230) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 230): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 248 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 73/81) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação CE fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 3301003.996 S3C3T1 Fl. 249 7 Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000109/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
Numero da decisão: 3201-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 09 /2 00 5- 24 Fl. 543DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 276 em face da decisão de primeira instância da DRJ/RJ de fls. 258 que manteve parcialmente o lançamento de PIS, diante de indícios de falta de recolhimento. A autoridade lavrou o Auto de Infração de PIS às fls. 141 e apresentou o Termo de Verificação Fiscal às fls. 135. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 258 apontadas acima: "Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fis. 140/150 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no período de 01/02/1999 a 31/12/2000, exigindoselhe contribuição de R$119.687,69, multa de oficio de R$89.765,68 e juros de mora de.R$96.719,30, calculados até 31/03/2005, perfazendo o total de RS306.172,67. Integra o auto de infração o "Termo de Verificação Fiscal" de folhas 134 a 139. Neste, no item de n° 2 (fis. 134 a 137) foi exposta a legislação do PIS aplicável às entidades fechadas de previdência complementar. Consta ainda, no item de n°3 um relatório da auditoria efetuada, do qual transcrevi os trechos abaixo: Em despacho de fls. 128, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf/RJO/Dicat) encaminha o processo administrativo n. 10768.020546/9963, de acompanhamento do Mandado de Segurança n° 99.00152352, ao Setor de Programação desta Delegacia (Deinf/RJO/Sapac) para que fosse constituído de oficio o crédito tributário de PIS a partir de fevereiro de 1999, sem suspensão de sua exigibilidade, tendo em vista que a referida ação judicial em nada se relaciona à Lei n° 9.718/98, cuja produção de efeito iniciouse naquele mês, conforme salientado em despachos de fls. 126 e 127. Em decorrência do exposto, foi emitida RPF/MPF n.° 2004.00.0349 para apuração e lançamento dos valores devidos de PIS, de acordo com a legislação descrita no item 2, relativos ao período compreendido entre fevereiro 1999 a dezembro de 2000. Em 25 de março de 2004, intimamos o contribuinte a apresentar, entre outros documentos, cópia das planilhas de apuração de PIS, de acordo com a IN SRF 170/2002, bem como, cópia de seus balancetes contábeis mensais, relativos ao período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 (fis. 04 a 06). Em 05 de maio de 2004, o contribuinte encaminha a esta Fiscalização as planilhas de apuração do PIS, de fevereiro 1999 a dezembro de 2000, juntamente com as cópias dos balancetes contábeis mensais solicitados. Com vistas a avaliar a veracidade e a confiabilidade das informações fornecidas, efetuamos a conferência das planilhas elaboradas pelo contribuinte (lIs. 44 a 47) com os balancetes contábeis apresentados (lis. 48 a 116), tendo sido retificadas as divergências detectadas. Desta forma, foi gerado por esta Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19740.000109/200524 Acórdão n.º 3201003.008 S3C2T1 Fl. 544 3 Fiscalização, demonstrativo de apuração da contribuição devida, de acordo com a IN SRF n° 170/2002 (lis. 129 a 132). Com base no demonstrativo citado, constituiuse de oficio os valores devidos de PIS no período compreendido entre fevereiro 1999 a dezembro de 2000, lançamento este formalizado por meio do auto de infração em tela, do qual a interessada tomou ciência em 06/04/2005. Inconformada, a interessada interpôs em 06/05/2005 a impugnação de folhas 158 a 182 na qual alega, em síntese: A ocorrência da decadência para as contribuições compreendidas no período de fevereiro de 1999 a março de 2000, com fundamento no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; Tratarse de entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, constituída em conformidade com a Lei n° 6.435/77 e LC n° 109/2001, que aplica seus recursos integralmente no pais, não distribui lucros e é mantida exclusivamente por recursos advindos da Shell Brasil Ltda. e kolub Industria de Lubrificantes S/A; Que foi instituída com a finalidade de gerir planos de concessão de beneficios previdenciarios suplementares a previdência oficial, atividade que tem nítido caráter de assistência social, já que são prestadas sem qualquer espécie de contraprestação dos beneficiários; Que as atividades desenvolvidas enquadramse no conceito de assistência social previsto artigo 203 da Constituição Federal e ainda que a Lei 6.435/77 em seu artigo 34 reconheceu expressamente a natureza de assistência social das entidades de previdência privada; Tratandose de entidade de assistência social, por prestar suas atividades sem qualquer contraprestação dos beneficiários e por enquadrarse nos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, condição já apreciada pelo STF no julgamento do RE n° 259.276, a impugnante é imune aos impostos indicados no artigo 150, VI, 'c', da CF/88. Ainda segundo a Constituição Federal, de acordo com o previsto no artigo 195, §7°, a impugn ante é também imune a tributação pelas contribuições sociais; A fiscalização pretendeu incluir na tributação das contribuições ao PIS e a COFINS os recursos recebidos das patrocinadoras a titulo de ressarcimento de despesas administrativas, contabilizados na conta 3.4.2.3 Custeio do programa Administrativo, sob o argumento de que o mero registro em conta credora de resultado configura base de calculo das referidas contribuições. Contudo, tal argumento não pode subsistir, eis que o referido crédito não corresponde a receita auferida, conforme depreendese do artigo 3°„' 2°, inciso II da Lei n° 9.718/98. Fl. 545DF CARF MF 4 Alega ainda que o conceito de receitas auferidas não se confunde com o de recuperações de despesas, sendo que estas não devem gerar a tributação pelo PIS e pela COFINS. Nesse sentido, os valores transferidos pelos patrocinadores a Impugnante não possuem natureza contábil de receita, muito embora a sua contabilização, de acordo com o procedimento adotado pela entidade, seja realizada enz contas de resultado, na rubrica de receitas; Que possui, como um de seus investimentos, participações em shopping center que proporcionam rendimentos mensais contabilizados na conta de rendimentos de aluguéis e outros investimentos imobiliários. Os valores auferidos pela Impugnante não constituem receitas de aluguéis, mas de rendimentos recebidos pela Impugnante em razão de participação societária no Barra Shopping. Embora os rendimentos auferidos nessas participações sejam contabilizados em conta de receita, tais valores não possuem natureza de receita auferida, motivo pelo qual podem ser deduzidos da base de cálculo da COFINS e do PIS, devendose, neste caso, aplicar o disposto no art. 3° , § 2° , inciso II, da Lei n° 9.718/98; Em relação ao ano de 1999, alega que durante a vigência do Fundo Social de Emergência (art. 72 de ADCT) foram editadas várias medidas provisórias para a regulamentação do PIS, posteriormente convertida na Lei 9.701/98. Tais normas, alargaram indevidamente a base de cálculo do PIS, através da ampliação do conceito de receita operacional bruta indicado no art. 72 do ADCT, criando adições e exclusões que desvirtuaram tal conceito. Dessa forma, o alargamento da base de cálculo do PIS promovido pelas medidas provisórias e pela Lei 9.701/98, ofendeu, portanto, o artigo 73 do ADCT (que proibiu a regulamentação do Fundo Social de Emergência por medida provisória) e ampliou indevidamente o conceito de renda operacional bruta delimitado pelo artigo 72 do ADCT. Assim, até o início da vigência da Lei 9.718/98 para as pessoas jurídicas indicadas no artigo 22, §1°, da Lei 8.212/91 (na qual se enquadra a Impugnante), o que ocorreu em 01.01.2000, deve ser aplicada a base de cálculo prevista no art. 72 do ADCT, qual seja, receita bruta operacional delimitada pela legislação do IR, sem as limitações previstas na Lei 9.701/98; Quanto ao ano de 2000, que a Lei 9.718/98, ao extravasar os limites do conceito de "faturamento", acabou por tentar instituir uma nova contribuição social, incidente já não sobre o faturamento, mas sobre outras receitas (como as receitas de venda de ativo imobilizado) que não aquelas que compõem propriamente o conceito de fat uramento. Em se tratando de contribuição nova, seria necessária a sua instituição por lei complementar e que fosse respeitado os limites previstos nos artigos 195, §4° e 154,1, da CF/88. Dessa forma, para o p eríodo de janeiro a dezembro de 2000, o PIS também deve ser exigido (o que apenas para argumentar se admite) utilizandose a base de cálculo prevista no artigo 72 do ADCT, sem as limitações previstas na Lei 9.701/98. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 19740.000109/200524 Acórdão n.º 3201003.008 S3C2T1 Fl. 545 5 A DRJ/RJ de fls. 258 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS . É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS. A Contribuição para o PIS, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada corn base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES. As exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores a partir de agosto/2002. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, reiterando, em síntese, as alegações da impugnação. O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que proferiu a Resolução de fls 415, nos seguintes termos: "Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Em suas alegações recursais, a Recorrente traz a informação de que o objeto do presente processo administrativo é também objeto da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2a Regido, que Fl. 547DF CARF MF 6 reconheceu a condição da Recorrente como entidade de assistência social para os fins da imunidade pretendida. Considerando que a ação judicial mencionada continua pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal, há fortes indícios de concomitância. Em face do exposto, voto por converter em diligência o processo para que a Recorrente forneça cópia da petição inicial e da sentença da ação judicial em comento." Os andamentos e peças judiciais foram juntados a partir das fls 422. Diligência cumprida. O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de falta de recolhimento de PIS, porque com o advento da Lei 9.718/98, Ato Declaratório Cosit 21/2000 e IN SRF 170/02, o PIS incidiria nos valores que ingressaram na contabilidade do contribuinte como receita bruta mensal, seja entidade fechada de previdência privada ou não. No relatório fiscal de fls. 135 a fiscalização apontou a existência do Mandando de Segurança de n.º 99.00152352, mas concluiu que não haveria concomitância ou sequer se aplicaria no presente lançamento, em razão da medida judicial não ter tratado da Lei 9.718/98. Dessa forma, prosseguiu na análise das planilhas de apuração do PIS e balancetes mensais, apurou as divergências e fez a demonstração da apuração. O contribuinte, tanto em Impugnação (fls. 160) quanto em Recurso Voluntário (fls. 276) alegou ser imune ao PIS em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação na Lei 6.435/77, Lei Complementar 109/01, Art. 203, 150, VI, c e 195, §7.º da CF/88, Art. 14 do CTN e RE STF 259.276. Em Recurso Voluntário o contribuinte juntou cópia da decisão judicial proferida no âmbito do TRF, 2.ª Região, fls. 400 do eprocesso, que afastou a cobrança de PIS do contribuinte e reconheceu a imunidade. Em consulta pública no site do TRF da 2.ª Região é possível verificar que esta decisão inclusive transitou em julgado, e por isso restam prejudicadas as demais matérias do presente recurso administrativo fiscal. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19740.000109/200524 Acórdão n.º 3201003.008 S3C2T1 Fl. 546 7 Em Resolução de fls. 415, foi determinada a juntada das cópias, petições e andamentos judiciais, para que fosse verificada a concomitância. Cumprida a diligência, os documentos foram juntados a partir da fls. 422. Analisados os pedidos constantes no Mandado de Segurança, a decisão de primeira instância e a decisão do TRF, 2.ª Região, decisão esta que é final e válida, é possível concluir que o Poder Judiciário reconheceu a imunidade ao contribuinte, situação que não pode ser alterada neste âmbito administrativo de recursos fiscais. Portanto, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário e obtido êxito, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por via de defesa que gerou a presente concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que seja reconhecida a CONCOMITÂNCIA. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934535/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 45 35 /2 00 9- 04 Fl. 616DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.449501) interposto contra decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada pelo contribuinte referente a crédito da contribuição para o PIS, período de janeiro de 2003 com débito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme se verifica na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Em sede recursal, a Recorrente pleiteou (i) o julgamento conjunto do presente processo administrativo com o processo administrativo nº 11080.003212/200969, pois são feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base exatamente os mesmos fatos e as mesma razões jurídicas; e (ii) provimento ao recurso voluntário para reformar integralmente o direito à restituição dos créditos der PIS objetos da declaração de compensação sob análise. Através da resolução nº 3803000.242 (fls.568572), o processo foi convertido em diligência para aguardar a decisão definitiva do processo administrativo nº 11080.003212/200969 nos seguintes termos: A confirmação do direito creditório oposto na(s) compensação(ões) declarada(s) é questão prejudicial ao julgamento do mérito do recurso voluntário ora Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11080.934535/200904 Acórdão n.º 3302004.787 S3C3T2 Fl. 3 3 sub judice. Por essa razão, voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o presente processo ao órgão fiscal da jurisdição do contribuinte, para que a Autoridade Preparadora ateste, nos autos, o resultado da decisão final do processo nº 11080.003212/200969, repercutindo seus efeitos na compensação de que se trata. Ato contínuo, a unidade de origem carreou cópia da decisão definitiva proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 580614), nos autos processo administrativo nº 11080.003212/200969 e, determinou o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 20/07/2012 (fls.447) e protocolou Recurso Voluntário em 20/08/2012 (fls.449501) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito Conforme exposto anteriormente, o presente processo foi sobrestado para (i) aguardar o julgamento definitivo do processo administrativo nº 11080.003212/200969, cujas questões fáticas e jurídicas são exatamente idênticas, fato este totalmente incontroverso nos autos; e (ii) repercutir a referida decisão neste processo. Tanto do PA nº 11080.003212/200969 com aqui, a discussão meritória diz respeito à caracterização do requisito de “preço determinado”, para fins de permanência no regime cumulativo de Pis e Cofins, nos termos definidos na alínea “b” do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/03 e art. 109 da Lei 11.196/05. A respeito do tema em discussão, insta tecer que este relator já se pronunciou favoravelmente ao direito perseguido pela Recorrente (acórdão 3302002.906), entretanto, não há como deixar de repercutir a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais neste processo, considerando que este foi o intuito do sobrestamento feito anteriormente determinado, o que faço nos termos dos artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 618DF CARF MF 4 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Neste cenário, adoto como fundamento de decidir, as razões de mérito apresentadas pelo i. Julgador Rodrigo da Costa Pôssas, nos autos do PA nº 11080.003212/200969 (acórdão 9303004.539), que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para reformar a decisão que dava provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte nos seguintes termos: O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11080.934535/200904 Acórdão n.º 3302004.787 S3C3T2 Fl. 4 5 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Fl. 620DF CARF MF 6 Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Observe se que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tãosomente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11080.934535/200904 Acórdão n.º 3302004.787 S3C3T2 Fl. 5 7 tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: Fl. 622DF CARF MF 8 “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11080.934535/200904 Acórdão n.º 3302004.787 S3C3T2 Fl. 6 9 Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Fl. 624DF CARF MF 10 Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11080.934535/200904 Acórdão n.º 3302004.787 S3C3T2 Fl. 7 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 626DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721362/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470).
Numero da decisão: 2201-003.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o tributo incidente sobre os juros de mora percebidos na reclamatória trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o tributo incidente sobre os juros de mora percebidos na reclamatória trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 62 /2 01 5- 01 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 69 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Foi lavrada notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física contra o contribuinte acima identificado, do exercício de 2013, no valor total de R$ 48.891,29 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 24 a 32. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte. O contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que: É isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, conforme relatório em anexo datado em 29/07/2010, ratificando a enfermidade do contribuinte desde julho de 2005; Ao receber a notificação de lançamento, revisou sua declaração de imposto de renda anocalendário 2012, exercício 2013, e não localizou o valor de R$ 38.103,71, referente à ação judicial, pois, se tivesse declarado receberia a restituição no valor de R$ 15.839,83; Para retificação, o contribuinte apresenta planilha demonstrativa com os cálculos e declarou os valores de juros como isentos e não tributáveis, de acordo com o voto do relator Ministro Mauro Campbell Marques; Requereu, por fim, o cancelamento do débito fiscal reclamado e que seja liberada a sua restituição. A decisão de primeira instância julgou improcedente o lançamento (fls. 39/41), nos termos da seguinte ementa: MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda para as pessoas físicas aposentadas ou pensionistas portadoras de moléstia profissional ou moléstias graves nos termos da legislação vigente, somente beneficia os contribuintes nessa condição, que apresentem laudo médico de serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, além de os rendimentos serem oriundos de aposentadoria ou pensão. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 70 3 Cientificado do acórdão da DRJ por via postal em 14/01/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 04/02/2016 (fls. 47/61), alegando, em síntese, que: O lançamento não é de todo incorreto, mas não pode haver a incidência de Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo recorrente no bojo de ação judicial a título de juros moratórios, oportunidade em que transcreve vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, devendo ser excluído do valor do Imposto Suplementar devido. Existe crédito a restituir em favor do recorrente, devendo ser determinada a sua restituição. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito O recorrente concentra suas razões recursais na alegativa de que não incide Imposto sobre a Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecida por decisão judicial. Todavia, razão não lhe assiste. No julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo, redator para o acórdão Ministro César Asfor Rocha, na qual se assentou que sobre os juros moratórios legais, vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, não há incidência do Imposto sobre a Renda. A ementa do julgado, após julgamento dos embargos de declaração, restou assim redigida: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 71 4 judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 72 5 vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (grifouse) No caso, temse juros de mora recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Todavia, não se tem notícia da perda do emprego pelo reclamante, ou seja, os juros não foram pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, pelo que não incide isenção prevista no art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. A prova pela perda do emprego deveria ter sido apresentada pelo contribuinte, pois é ônus que lhe incumbe. A verba principal recebida, sobre a qual incidiram os juros, tiveram a incidência do imposto de renda, conforme verificado pelo acórdão da DRJ. Logo, pela regra de que o acessório segue o principal, os juros devem submeterse à incidência do imposto de renda, por força da regra geral disposta no art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n° 4.506/64. É de bom alvitre reproduzir, no que concerne à tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas recebidas judicialmente, os artigos 43, § 3°, e 55, XIV, do RIR/1999: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3° § 4°, Lei n° 8.383, de 1991, art. 74, e Lei n° 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória n° 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1° e 2°): § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). (destaques da transcrição) Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I) : (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 73 6 Ao tratar especificamente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o mesmo Regulamento, nos artigos 56 e 640, consolida a tributação dos juros e atualização monetária: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12).” Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12, e Lei n° 8.134, de 1990, art. 30).” A Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012, por sua vez, reconhecendo a jurisprudência do STJ contrária à tributação dos juros de mora, afastou a incidência do IRPF sobre os juros de mora decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, nos seguintes termos: Em complementação à Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA n° 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que teve a precípua finalidade de esclarecer o julgado no Resp n. 1.227.133/RS. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA n° 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça, da conjugação do julgado no Resp n. 1.227.133/RS representativo de controvérsia com o Resp n. 1.089.720/RS, ambos julgados pela 1a Seção do Superior Tribunal de Justiça, que em regra incide IRPF sobre os juros de mora, excepcionalmente, o tributo será afastado quando: os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego , independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (art. 6, V, da Lei n. 7.713/88)ou; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 74 7 os juros de mora decorrem do recebimento de verbas principais que não acarretem acréscimo patrimonial ou que são isentas ou não tributadas (em razão da regra de que o acessório segue o principal). Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão do Agravo Regimental nos Embargos de Divergência do Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que fundamentou a Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PARADIGMA DA QUARTA TURMA QUE NÃO TRATOU DA MESMA QUESTÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS LIMINARMENTE INDEFERIDOS. DECISÃO MANTIDA EM SEUS PRÓPRIOS TERMOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O acórdão embargado conheceu do recurso especial “quanto à discussão sobre a incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora pagos em razão de reclamação trabalhista. ” Decidiu que, como regra, “incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal”. Anotou, no entanto, duas exceções: “O fator determinante para ocorrer a isenção do art 6o, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. ” E também “são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do ‘accessorium sequitur suum principale ’.” 2. O acórdão paradigma, por sua vez, passando ao largo da controvérsia destes autos, consignou o entendimento de que “Os juros de mora se destinam a reparar os danos emergentes, ou positivos, e a pena convencional é a prévia estipulação para reparar os lucros cessantes, que são os danos negativos, vale dizer, o lucro que a inadimplência não deixou que se auferisse, resultando na perda de um ganho esperável. Não estabelecida previamente a pena convencional, pode o juiz, a título de dano negativo, estipular um valor do que o credor razoavelmente deixou de lucrar. ” 3. A controvérsia do acórdão embargado, portanto, foi muito além daquela enfrentada pelo paradigma, razão pela qual não se abre a estreita via dos embargos de divergência. Desatendimento aos requisitos do art. 266, § 1.°, do RISTJ. Ausência de similitude fáticojurídica. 4. Agravo regimental desprovido. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 75 8 Desse modo, à vista do que rezam os diplomas acima, não incide IRPF sobre os juros de mora quando decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, nos casos da perda do emprego, independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não. Por todo o exposto, não é possível acolher o pleito recursal de exclusão dos juros e correção monetária da base de cálculo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado Em que pesem os argumentos e logicidade do voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar somente quanto a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física sobre os juros moratórios pagos em decorrência de reclamatória trabalhista. Cediça a aplicação do entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça por meio da decisão proclamada no REsp n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo. Nesse sentido não divirjo do nobre Relator. Porém, entendo que tal decisão é clara em asseverar que os juros moratórios pagos por força do término do contrato de trabalho, seja em ação judicial específica, seja por meio de ajuste entre as partes, não sofre a incidência do tributo em análise, em face de seu caráter indenizatório em sentido específico, ou seja, em razão da ausência de acréscimo patrimonial do trabalhador por força da percepção da mencionada verba. Tal afirmação consta da decisão tomada como pacificadora da controvérsia no âmbito da Corte Superior de Justiça, vejamos trecho reproduzido pelo Relator: "Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 76 9 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 2201003.829 S2C2T1 Fl. 77 10 despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (destaques não constam de decisão judicial) Ora, forçoso o entendimento de que havendo reclamatória trabalhista decorrente do fim do contrato de emprego, não se deve perquirir se a verba tem ou não natureza indenizatória, posto que, segundo o Tribunal Superior, a isenção abraça todas as verbas pagas, vez que a relação de trabalho tem proteção constitucional, ensejando, sua rescisão, dever de indenização. Tal interpretação encontra respaldo no próprio Superior Tribunal de Justiça, como se comprova pela redação do Tema 470, posto que assim se encontra explicitada a tese firmada (consulta em < http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp>, em 17 de agosto de 2017): "Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial" Do exposto, e considerando as determinações do parágrafo 2º do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 08 de junho de 2015, forçoso reconhecer a não incidência do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física sobre os juros de mora percebidos em reclamatória trabalhista. Conclusão Com base nos fundamentos e argumentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o tributo incidente sobre os juros de mora percebidos na reclamatória trabalhista (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.900674/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.989
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 74 /2 01 2- 28 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.900674/201228 Acórdão n.º 3201002.989 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.334, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.900674/201228 Acórdão n.º 3201002.989 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.900674/201228 Acórdão n.º 3201002.989 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.900674/201228 Acórdão n.º 3201002.989 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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