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Numero do processo: 11030.904404/2012-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 04 /2 01 2- 85 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 90 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 91 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/07/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 92 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 94 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904404/201285 Acórdão n.º 3801003.218 S3TE01 Fl. 95 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726067/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.169/260) interposto em 03 de agosto de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls.159/165), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de julho de 2011, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/11, lavrado em 09 de outubro de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos tributáveis na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 26 06 7/ 20 09 -9 4 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726067/200994 Resolução nº 2101000.134 S2C1T1 Fl. 271 2 Declaração de Ajuste Anual, como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, nos anos calendários de 2004 a 2006, no valor de R$ 79.427,58 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do artigo 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls.169/260), por meio do qual reitera as razões apresentadas na impugnação à quo, alegando, em síntese: I – Preliminarmente: a) a ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e b) a quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem; II – Mérito: a) a natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; b) a violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal; c) a aplicação de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, uma vez que o imposto deveria incidir isoladamente sobre cada parcela mensal, conforme Instrução Normativa nº 1.127/2011; d) a exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva; e) a responsabilidade tributária da fonte pagadora e a boafé do contribuinte; f) a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 267, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726067/200994 Resolução nº 2101000.134 S2C1T1 Fl. 272 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar no mérito, propriamente dito, das alegações veiculadas na peça recursal, observo que o presente recurso versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Nesse esteio, compulsando os autos, especialmente em razão da decisão de fls. 159/165 e do demonstrativo de fl. 10, verifico que o lançamento tributário, precisamente no que atine à alíquota aplicável, seguiu orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614.406 AgRQORG, Relatora Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043, DIVULG 03/03/2011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema, pois, pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN n.º 287/09, utilizado como fundamento para o cálculo do tributo devido na espécie, consoante se extrai do “Demonstrativo Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726067/200994 Resolução nº 2101000.134 S2C1T1 Fl. 273 4 do Imposto de Renda Apurado”, anexo ao auto de infração, teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN n.º 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, utilizado para a lavratura do auto de infração, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do recurso voluntário em espeque. Vale frisar, nesse sentido, que foi alterado (Portaria MF n.º 586/2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256/09, determinandose, explicitamente, o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal. A este respeito, confirase o teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, in verbis: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator . Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001782/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
MULTA. EMPRESA COM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL DECRETADA. INAPLICABILIDADE.
De conformidade com a legislação de regência, notadamente artigos 18, f, e 34, da Lei n° 6.024/74, c/c artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decreto n° 7.661/45, vigentes à época da decretação da liquidação extrajudicial da contribuinte, não se aplica multa na constituição de créditos tributários constituídos em face de empresas naquela condição.
JUROS DE MORA. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICABILIDADE.
Tratando-se de empresas em estado de liquidação extrajudicial, impõe-se a exigência de juros de mora anteriores à decretação daquele regime, bem como posteriores, os quais somente serão excluídos na hipótese de o ativo apurado se apresentar insuficiente para o pagamento do passivo, fato futuro e incerto que não tem o condão de macular a sua exigência no crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir a exigência da multa aplicada.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. MULTA. EMPRESA COM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL DECRETADA. INAPLICABILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, notadamente artigos 18, f, e 34, da Lei n° 6.024/74, c/c artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decreto n° 7.661/45, vigentes à época da decretação da liquidação extrajudicial da contribuinte, não se aplica multa na constituição de créditos tributários constituídos em face de empresas naquela condição. JUROS DE MORA. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICABILIDADE. Tratando-se de empresas em estado de liquidação extrajudicial, impõe-se a exigência de juros de mora anteriores à decretação daquele regime, bem como posteriores, os quais somente serão excluídos na hipótese de o ativo apurado se apresentar insuficiente para o pagamento do passivo, fato futuro e incerto que não tem o condão de macular a sua exigência no crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir a exigência da multa aplicada. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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MASSA FALIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. MULTA. EMPRESA COM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL DECRETADA. INAPLICABILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, notadamente artigos 18, “f”, e 34, da Lei n° 6.024/74, c/c artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decreto n° 7.661/45, vigentes à época da decretação da liquidação extrajudicial da contribuinte, não se aplica multa na constituição de créditos tributários constituídos em face de empresas naquela condição. JUROS DE MORA. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICABILIDADE. Tratandose de empresas em estado de liquidação extrajudicial, impõese a exigência de juros de mora anteriores à decretação daquele regime, bem como posteriores, os quais somente serão excluídos na hipótese de o ativo apurado se apresentar insuficiente para o pagamento do passivo, fato futuro e incerto que não tem o condão de macular a sua exigência no crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 82 /2 01 0- 11 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir a exigência da multa aplicada. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001782/201011 Acórdão n.º 2401003.387 S2C4T1 Fl. 160 3 Relatório INTERCLÍNICAS SERVIÇOS MÉDICOHOSPITALARES LTDA. MASSA FALIDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1633.199/2011, às fls. 105/118, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 30/06/2010, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 07/2004 a 02/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 24/27, consubstanciadas nos seguintes Levantamentos: 1) GF – LEVANTAMENTO “GFI” – contribuições previdenciárias declaradas em GFIP, antes do início da ação fiscal; 2) GP– LEVANTAMENTO “GFP” – contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP’s, apuradas por aferição indireta; Esclarece o fiscal autuante que o presente lançamento fora lavrado em substituição das NFLD’s n° 35.765.0638; 35.765.0646 e 35.765.0654, anuladas por vício formal, mais precisamente em razão do erro na identificação do sujeito passivo, ou seja, falta de enquadramento no regime especial de liquidação extrajudicial do sujeito passivo. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 149/152, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, pugna pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência em sua plenitude, suscitando que o julgador de primeira instância ignorou o fato de que a Recorrente esteve sob o regime de liquidação especial desde 22/02/2005, como alias, foi mencionado no relatório. Contrapõese aos juros e multa exigidos no crédito tributário, por entender que o artigo 401 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, c/c artigo 310 da Instrução Normativa RFB n° 971/09, determinam a aplicação, no que couber, das disposições referentes à falência, também a liquidação extrajudicial, impondo sejam levados a efeitos os preceitos contidos no artigo 389 da IN SRP n° 03/2005, tomandose como marco temporal de sua incidência a data do decreto da liquidação extrajudicial e não a data do protocolo da petição inicial de falência, como se fez. Neste sentido, com arrimo no § 1°, do artigo 389 da IN SRP n° 03/2005, os créditos constituídos após a liquidação extrajudicial não serão acrescidos de correção e juros de mora, tampouco multas de qualquer espécie, impondo sejam excluídos da presente exigência fiscal. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001782/201011 Acórdão n.º 2401003.387 S2C4T1 Fl. 161 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada em razão da constatação da ausência de recolhimento das contribuições sociais, concernentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, consubstanciadas nos levantamentos acima elencados. Esclarece, ainda, o fiscal autuante que o presente lançamento se deu em substituição das NFLD’s n° 35.765.0638; 35.765.0646 e 35.765.0654, anuladas por vício formal, mais precisamente em razão do erro na identificação do sujeito passivo, ou seja, falta de enquadramento no regime especial de liquidação extrajudicial do sujeito passivo. Afora a vasta argumentação suscitada pela contribuinte em sede de impugnação, devidamente rechaçada pelo julgador recorrido, nesta segunda instância a autuada limita seu insurgimento à cobrança de juros e multa de mora. Com mais especificidade, aduz que o julgador de primeira instância ignorou o fato de que a Recorrente esteve sob o regime de liquidação especial desde 22/02/2005, como alias, foi mencionado no relatório. Contrapõese aos juros e multa exigidos no crédito tributário, por entender que o artigo 401 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, c/c artigo 310 da Instrução Normativa RFB n° 971/09, determinam a aplicação, no que couber, das disposições referentes à falência, também a liquidação extrajudicial, impondo sejam levados a efeitos os preceitos contidos no artigo 389 da IN n° 03/2005, tomandose como marco temporal de sua incidência a data do decreto da liquidação extrajudicial e não a data do protocolo da petição inicial de falência, como se fez. Neste sentido, com arrimo no § 1°, do artigo 389 da IN SRP n° 03/2005, os créditos constituídos após a liquidação extrajudicial não serão acrescidos de correção e juros de mora, tampouco multas de qualquer espécie, impondo sejam excluídos da presente exigência fiscal. DA MULTA Antes mesmo de contemplar as razões recursais, impende elucidar os fatos que permeiam a demanda, de maneira a verificar quais devem ser os dispositivos legais aplicados ao caso vertente. Em primeiro plano, ressaltase que a contribuinte teve decretada sua Liquidação Extrajudicial, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS conforme Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Resolução Operacional R.O. n° 248, de 21 de fevereiro de 2005, publicada no DOU de 22 de fevereiro de 2005 (informação constante do Relatório Fiscal, às fls. 24/27). Por sua vez, extraise do Acórdão recorrido (fl. 113), que a contribuinte teve a petição inicial do processo falimentar distribuído em 24/03/2009 e a decretação da falência ocorrida em 16/04/2009, sob a regência da nova Lei de Falências n° 11.101, de 09/02/2005. Diante de tal fato, concluiu o julgador de primeira instância que, até a data da falência, incidem multas tributárias, de ofício ou de mora, nos exatos termos dos artigos 83 e 124 da Lei n° 11.101/2005, c/c artigo 389 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Em outra via, a contribuinte requer seja admitido como marco a data da decretação da liquidação extrajudicial (22/02/2005), aplicandose a este regime especial, no que couber, as disposições referentes à falência, nos termos do artigo 401 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito constantes do Acórdão recorrido, constatase que a pretensão da contribuinte, quanto à multa aplicada, merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cumpre destacar que a interpretação da legislação conferida pelo julgador recorrido não encontra guarida nas normas que regulamentam o tema. Isto porque, afastou a aplicação dos ditames da Lei n° 6.024/74, bem como do DecretoLei n° 7.661/45, a pretexto deste último Diploma legal haver sido revogado pela Lei n° 11.101/2005. Aliás, contrariou, ainda, as disposições contidas nas Instruções Normativas SRP n° 03/2005 e RFB n° 971/2009. Olvidouse, porém, o julgador de primeira instância que a Lei n° 11.101 fora publicada em 09/02/2005, somente entrando em vigor 120 (Cento e vinte) dias após, nos termos do seu artigo 201. Dessa forma, o caso sob análise deve observância às disposições inscritas no DecretoLei n° 7.661/1945, na forma, inclusive, que o artigo 192 da Lei n° 11.101/2005 estabelece, in verbis: “Art, 192. Esta Lei não se aplica aos processos de falência ou de concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência, que serão concluídos nos termos do DecretoLei n° 7.661, de 21 de junho de 1945.” Portanto, a decretação da liquidação extrajudicial da contribuinte, ocorrida em 22/02/2005, encontravase sob a égide dos preceitos da Lei n° 6.024/74, c/c DecretoLei n° 7.661/45, que em seus artigos 18, “f”, e 34, e artigo 23, parágrafo único, inciso III, respectivamente, assim estabeleciam: “Art. 18. A declaração de liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: [...] f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. Art. 34. Aplicamse a liquidação extrajudicial no que couberem e não colidirem com os preceitos desta Lei, as disposições da Lei Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001782/201011 Acórdão n.º 2401003.387 S2C4T1 Fl. 162 7 de Falências (decretolei n° 7.661, de 21 de junho de 1945), equiparandose ao síndico, o liquidante, ao juiz de falência, o Banco Central do Brasil [...] Art 23.[...] Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas.” Constatase, assim, que as normas legais encimadas, aplicadas à espécie, vedam a aplicação de multas de qualquer natureza à contribuinte submetida à liquidação extrajudicial e/ou à qual tenha sido decretada a falência. Observese, ainda, pelo teor dos dispositivos legais retro, que o regramento a ser adotado para as empresas em estado falimentar se aplica, no que couber, às empresas em liquidação extrajudicial. Tal determinação, aliás, consta das Instruções Normativas SRP n° 03/2005 e RFB n° 971/2009, em seus respectivos artigos 401 e 310, como segue: “Art. 401 . O tratamento dispensado às empresas em estado falimentar aplicase, no que couber, às empresas em liquidação extrajudicial, observado o disposto na Lei nº 6.024, de 1974. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) Parágrafo único. Enquanto não for aprovada a lei específica, a Lei nº 11.101, de 2005, é aplicada subsidiariamente, no que couber, aos regimes de intervenção e de liquidação extrajudicial, previstos na Lei nº 6.024, de 1974. Art. 310. O tratamento dispensado às empresas em estado falimentar aplicase, no que couber, às empresas em liquidação extrajudicial, observado o disposto na Lei nº 6.024, de 1974. Parágrafo único. Enquanto não for aprovada a lei específica, a Lei nº 11.101, de 2005, é aplicada subsidiariamente, no que couber, aos regimes de intervenção e de liquidação extrajudicial, previstos na Lei nº 6.024, de 1974.” Não há dúvidas, assim, da aplicabilidade às empresas em liquidação extrajudicial das determinações pertinentes às pessoas jurídicas em estado falimentar. Na esteira desse entendimento e, na linha do disposto no artigo 23, parágrafo único, inciso III, do DecretoLei n° 7.661/45, ainda vigente à época da decretação da liquidação extrajudicial da contribuinte, não se pode cogitar em exigência de multa no presente lançamento. A propósito da matéria, convém frisar que a expressão “pena pecuniária” abarca a multa de mora e de ofício, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça, um dos quais com sua ementa abaixo transcrita: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, MULTA FISCAL MORATÓRIA, EXCLUSÃO. ART, 23, III, DA LEI DE FALÊNCIAS C/C ART. 34, DA LEI 6024/74. JUROS MORATÓRIOS INCIDÊNCIA, ART. 26 DA LEI DE FALÊNCIAS Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 I Como já definiu a jurisprudência desta Corte e do Co lendo Supremo Tribunal Federal, a multa fiscal moratória tem característica de pena administrativa. Neste panorama, é vedada a sua inclusão no crédito habilitado em falência e, por extensão, em face do artigo 34 da Lei nº 6.024/1974 que determina a aplicação subsidiária da Lei de Falências, também é interditada a inclusão de tal verba na liquidação extrajudicial. II O mesmo entendimento não se aplica aos juros de mora anteriores à decretação da liquidaçãoextrajudicial, os quais são devidos, bem assim os posteriores que somente serão excluídos se o ativo apurado for insuficiente para pagamento do passivo. III Recurso especial parcialmente provido” (Resp n° 532.539/MG, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, DJ 16/11/2004, RSTJ 193/122) Outro não é o entendimento da jurisprudência administrativa, mais precisamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao se debruçar sobre o tema assim se manifestou: “INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL — APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM AUTO DE INFRAÇÃO — IMPOSIÇÃO POSTERIOR À DECRETAÇÃO DA LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL: Quando da lavratura de auto de infração exigindo tributo, ocorrida após a decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira, é inadequada a imposição da multa de oficio. Essa conclusão defluiu do entendimento de que a liquidação extrajudicial é o sucedâneo administrativo da falência (Art. 34 da Lei n° 6.024/74) e diante do teor da Súmula n° 565 do Egrégio STF. Recurso Especial Negado.” (Acórdão CSRF/0105.389, Recurso de Divergência 107 127547, Rel. Cons José Carlos Passuello, j. 20/03/2006) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA – Incabível a exigência de multa de oficio em instituição financeira em liqüidação extrajudicial. (Lei n° 6024/74 .art. 18 c/c 1o e 34. DL n° 7661/45. Sumulas n°s: 195 e 565 do STF).” (Acórdão CSRF/0105387 , Rel. Cons. José Clóvis Alves, j. 20/03/2006) Partindo dessas premissas, impõese excluir a multa de mora exigida no crédito tributário lançado, em observância a legislação de regência, a qual resta transcrita acima. DOS JUROS DE MORA Em arremate, com fundamento no artigo 124 da Lei n° 11.101/2005, pretende a contribuinte sejam, igualmente, excluídos os juros de mora, entendimento que não merece prosperar. Primeiramente, não se aplica à hipótese vertente as determinações contidas na Lei n° 11.101/2005, em face dos aspectos temporais acima elucidados, o que, por si só, seria capaz de rechaçar o pleito da contribuinte. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001782/201011 Acórdão n.º 2401003.387 S2C4T1 Fl. 163 9 Entrementes, ainda que por amor ao debate, levandose a efeito a legislação aplicável, notadamente o artigo 26 do DecretoLei n° 7.661/45, c/c artigo 18 da Lei n° 6.024/74, da mesma forma, não merece guarida a pretensão da recorrente, senão vejamos: “Art. 26. Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal. Art. 18. A declaração de liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: [...] d) não fluência dos juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo;” Não se trata, pois, de impedimento absoluto de aplicação dos juros de forma objetiva, uma vez que depende de outros fatores que somente serão apurados com a concretização da liquidação extrajudicial ou da falência. Depende, portanto, de fato futuro e incerto, não passível de constatação no procedimento fiscal de constitução do crédito tributário. Aliás, não merece ressalva o voto condutor do Acórdão recorrido quando afirma que “referido artigo de lei não estabelece de forma categórica que os juros não são exigíveis da massa falida, pelo contrário, são exigidos até a data da falência, eles apenas NÃO SÃO EXIGÍVEIS APÓS A DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA SE O ATIVO APURADO NÃO BASTAR PARA O PAGAMENTO DOS CREDORES SUBORDINADOS, na linha da jurisprudência do STJ supratranscrita, não havendo se falar em exclusão dos juros do mora do crédito sob análise. Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá las, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir a exigência da multa de mora, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720112/2007-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
SENTENÇAS DEFINITIVAS DE MÉRITO. REPRODUÇÃO PELO CARF.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as sentenças definitivas de mérito do Superior Tribunal de Justiça, proferidas no rito do art. 543-C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1803-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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MULTA DE MORA. Recorrente AGROPALMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. Resta configurada a denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, demonstrado o prévio pagamento do tributo acompanhado dos respectivos juros de mora e posterior entrega de DCTF retificadora, elidindo nestes casos a incidência da multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SENTENÇAS DEFINITIVAS DE MÉRITO. REPRODUÇÃO PELO CARF. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as sentenças definitivas de mérito do Superior Tribunal de Justiça, proferidas no rito do art. 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 12 /2 00 7- 10 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AGROPALMA S/A, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. AGROPALMA S/A, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 04.102.265/000151, teve contra si lavrado o Auto de Infração (fls 23/33) n° 1004452, referente ao IRPJ emitido eletronicamente e onde foi apurado um crédito tributário total na ordem de R$ 156.485,52. Referido Auto de Infração teve como fato gerador o primeiro trimestre de 2004 e deveuse a recolhimento em atraso de tributo informado na DCTF. Tomando ciência e inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls 1/12) em 27.04.2007, onde aduz em síntese que: Não procede a cobrança já que efetuou o recolhimento da diferença paga a menor, referente ao IRPJ/2004, declarado em DCTF, espontaneamente, após procedimento de auditoria interna. Ocorreu, assim, o instituto da denúncia espontânea. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer cancelamento do Auto. A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0113.456, de 02 de abril de 2009 (fls. 73/78), julgou procedente o lançamento de ofício, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. É cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo. Lançamento Procedente Ciente do acórdão, apresentou em 06/12/2010 o recurso voluntário reiterando os argumentos da inicial de ser incabível a exigência da multa de mora considerando estar ao abrigo do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.720112/200710 Acórdão n.º 1803002.086 S1TE03 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Inexistente nos autos, conforme reconhece o despacho de fls. 97, o AR da ciência do acórdão da DRJ conheço do recurso considerandoo tempestivo. Trata o presente processo de lançamento de ofício para exigência de multa de mora não recolhida por ocasião do pagamento em atraso de tributos relativos ao 1º e 2º trimestres de 2004. Alega a recorrente em síntese, que efetuou o pagamento dos tributos em atraso retificando em seguida a DCTF procedimento que afastaria a multa de mora ante a jurisprudência de transcreve no recurso voluntário. Assiste razão à interessada. Com efeito, o art. 138 do Código Tributário Nacional dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Com relação ao tema, a celeuma acerca do alcance e configuração da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN foi dirimida pela decisão do Superior Tribunal de Justiça contida no RE 1.149.022, submetida ao rito do art. 543C do CPC, assim ementada: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido o julgado do STJ, igualmente submetido ao rito do art. 543C do CPC: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.720112/200710 Acórdão n.º 1803002.086 S1TE03 Fl. 100 5 RECURSO ESPECIAL Nº 886.462 RS (2006/02031840) TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Destarte, para que reste caracterizada a denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, deve haver o prévio pagamento e a posterior confissão de dívida em DCTF, conforme entendimento contido nos arestos judiciais do STJ. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas emanadas do Superior Tribunal de Justiça e submetidas ao rito do art. 543C do CPC, devem ser obrigatoriamente reproduzidas por este colegiado julgador administrativo. No presente caso, conforme se constata dos DARF de recolhimento (fls. 44/46 e 61/63) e das DCTFS originais (fls. 39/43 e 54/60) e DCTFs retificadoras (fls. 47/53 e 64/70), a recorrente adotou procedimento que se amolda exatamente aos enunciados judiciais acima transcritos. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13401.000651/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2001, 2002
MULTA - NATUREZA CONFISCATÓRIA - Conforme determina a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC - Conforme determina a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO- Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator
Numero da decisão: 1201-001.031
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 06 51 /2 00 5- 41 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 6/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13401.000651/200541 Acórdão n.º 1201001.031 S1‐C2T1 Fl. 103 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo à insuficiência de recolhimentos por utilização indevida do percentual do SIMPLES. Consta do Relatório Fiscal (fls. 70/76) que: “5.1 Insuficiência de Débitos Declarados e/ou Recolhidos (...) analisouse os débitos declarados pelo contribuinte nas suas Declarações Anuais de Rendimentos dos anoscalendário de 2001 e 2002 e, como o contribuinte não apresentou sua escrituração, a verificação restringiuse a estas declarações, visto que as planilhas de saídas de mercadorias fornecidas por ele divergem dos valores declarados. Então, como este afirmou, folha 08, que não possuía os livros de apuração do ISS por não ser empresa prestadora de serviços, considerouse como revenda de mercadorias, “as receitas brutas constantes nas Declarações do SIMPLES. (...) 5.1.1 insuficiência de Débitos Declarados e/ou Recolhidos SIMPLES Da análise da informações disponíveis, verificouse que no ano calendário de 2001, o contribuinte não apurou corretamente o SIMPLES a ser recolhido, de acordo com o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS, folhas 36 a 38, o qual decorre do DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA, folha 35. Neste Demonstrativo dos Percentuais, da folha 35, percebese que no mês de abril de 2001, o contribuinte ultrapassou o limite da Receita Bruta acumulada para as Micro Empresas (ME), que é de R$120.000,00, e assim as alíquotas a serem utilizadas no valor excedente neste mês e nos seguintes passam a ser as utilizadas para as Empresas de Pequeno Porte (EPP), de acordo com o § 2° do artigo 25 da Lei 9317 de 5 de dezembro de 1996. Desta forma, foram lavrados os autos de infração, folhas 39 a 40, 43 a 44, 47 a 48 e 49 a 50, referentes ao anocalendário de 2001. (...) 5.2.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Reflexo Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 6/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13401.000651/200541 Acórdão n.º 1201001.031 S1‐C2T1 Fl. 104 3 Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas infrações que ocasionaram, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta Contribuição. (...) 5.2.3 Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis/Pasep) Reflexo Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas infrações que ocasionaram, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta Contribuição no períodobase de 2002. (...) 5.2.4 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Reflexo Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas infrações que ocasionaram, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta Contribuição no períodobase de 2002. (...)” A partir do exposto foi lavrado o auto de infração de fls. 39/58. O contribuinte apresentou impugnação às fls. O contribuinte apresentou impugnação, por meio da qual insurgiuse contra a fundamentação legal da autuação (art. 43 da Lei 8.541/92, 523, §3º, 739 e 892 do RIR/94), pois esta somente teria eficácia para contribuintes optantes ou obrigados à tributação pelo lucro real, o que não seria o caso dos autos. Afirmou que não procede o lançamento com base em tributação sobre a receita, devendo esta ocorrer sobre o lucro auferido, observado o conceito de fato gerador do imposto de renda contido no artigo 43 do CTN, isto porque, só pode ser considerado renda o acréscimo de patrimônio. Por fim, requereu a exclusão da exigência do IRPJ e demais reflexos em face de a fundamentação legal e as bases de cálculo estarem incorretas. A DRJ de Recife julgou procedente o lançamento. Nesse ponto cumpre a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão recorrido: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 6/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13401.000651/200541 Acórdão n.º 1201001.031 S1‐C2T1 Fl. 105 4 “(...) O lançamento em lide não se refere a qualquer omissão de receita, mas sim, a insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições acima citados em face de a contribuinte ter utilizado o percentual do SIMPLES para empresa enquadrada como microempresa enquanto que, no mês de abril de 2001 havia ultrapassado o limite de permanência no sistema simplificado nesta condição (R$ 120.000,00) ensejando a utilização de o percentual de 5,4% a partir de 04/2001. Ressaltase que no mês de janeiro de 2001 a contribuinte declarou o SIMPLES a pagar em um percentual inferior a 3%, diferença esta que também está sendo cobrada no lançamento em lide. As razões apresentadas pela autuada em sua impugnação, em síntese, dizem respeito à tributação de omissão de receita, e o respectivo tratamento relativamente ao lucro presumido, arbitrado e real. Os lançamentos em lide não se referem a qualquer omissão de receita, portanto, deixamos de apreciar neste voto as alegações trazidas pela impugnante. A matéria que não tenha sido expressamente contestada pela autuada, considerarseá não impugnada, conforme prevê o art 17 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. (...) Portanto, haja vista que a autuada não se insurgiu contra o mérito da autuação, mantémse integralmente os valores da lançados nos Autos de Infração em lide.” O contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual: (i) insurgiuse contra a taxa Selic aplicada, alegando a sua inconstitucionalidade, bem como (ii) afirmou ser a multa de 75% confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 6/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13401.000651/200541 Acórdão n.º 1201001.031 S1‐C2T1 Fl. 106 5 O objeto a ser analisado cingese aos argumentos suscitados pelo Contribuinte em Recurso Voluntário, quais sejam: inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e confiscatoriedade da multa de 75%. Primeiramente, em relação a multa de ofício aplicada em 75%, é sabido que a mesma está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, plenamente vigente no ordenamento jurídico. A discussão sobre a legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria restrita ao âmbito do poder judiciário, como determina a sua Súmula CARF nº 2, nos seguintes termos: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Do mesmo modo, a aplicação da taxa SELIC encontra respaldo no art. 13 da Lei nº 9.065/95, não cabendo à esfera administrativa afastar a aplicação de norma vigente, tendo em vista se tratar de atividade vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Corroborando com esse entendimento, foi editada a Súmula CARF nº 04, que determina a correção dos débitos tributários pela SELIC a partir de 1º de abril de 1995, conforme segue: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 6/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904434/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904434/201285 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.784 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 34 /2 01 2- 85 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904434/201285 Acórdão n.º 3803004.784 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904434/201285 Acórdão n.º 3803004.784 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904434/201285 Acórdão n.º 3803004.784 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011322/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO.
Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento.
PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA - EQUIPARAÇÃO - EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE.
A pessoa física será equiparada à pessoa jurídica quando enquadrar-se em uma das hipóteses previstas no art. 150, § 1º, I, II e III, do RIR/99. O contribuinte deve comprovar o efetivo de exercício de uma das atividades econômicas elencadas no referido artigo, sob pena de que não seja enquadrado como pessoa jurídica.
FACTORING - ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 51/94.
O Ato Normativo COSIT nº 51/94 deve ser aplicado apenas a empresas de factoring, não havendo previsão para sua aplicação a pessoas físicas que não são equiparadas a pessoas jurídicas.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA - EQUIPARAÇÃO - EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE. A pessoa física será equiparada à pessoa jurídica quando enquadrar-se em uma das hipóteses previstas no art. 150, § 1º, I, II e III, do RIR/99. O contribuinte deve comprovar o efetivo de exercício de uma das atividades econômicas elencadas no referido artigo, sob pena de que não seja enquadrado como pessoa jurídica. FACTORING - ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 51/94. O Ato Normativo COSIT nº 51/94 deve ser aplicado apenas a empresas de factoring, não havendo previsão para sua aplicação a pessoas físicas que não são equiparadas a pessoas jurídicas. Recurso voluntário não provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 438 1 437 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.011322/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.582 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MOACIR RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA EQUIPARAÇÃO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA COMPROVAÇÃO NECESSIDADE. A pessoa física será equiparada à pessoa jurídica quando enquadrarse em uma das hipóteses previstas no art. 150, § 1º, I, II e III, do RIR/99. O contribuinte deve comprovar o efetivo de exercício de uma das atividades econômicas elencadas no referido artigo, sob pena de que não seja enquadrado como pessoa jurídica. FACTORING ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 51/94. O Ato Normativo COSIT nº 51/94 deve ser aplicado apenas a empresas de factoring, não havendo previsão para sua aplicação a pessoas físicas que não são equiparadas a pessoas jurídicas. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 13 22 /2 00 8- 13 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 439 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a ausência de declaração de renda do Sr. Diego Libardi Rodrigues e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas — dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras — para o anocalendário 2005 a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido anocalendário. Em 06/03/08, o Sr. Diego Libardi Rodrigues foi informado pela Receita Federal que não constava nos sistemas a entrega de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário 2005. Ainda, foi intimado a: a) apresentar, caso tivesse entregado sua declaração de ajuste, o recibo da entrega da referida declaração à RFB; b) na hipótese de omissão quanto à apresentação da declaração daquele exercício, providenciar entrega da mesma através da internet (fls. 0809). O Sr. Diego Libardi Rodrigues prestou esclarecimentos, em 12/03/08, no sentido de que: a) a declaração de ajuste do exercício 2006 não foi entregue por esquecimento de sua parte; b) à época era estudante e incapaz de auferir renda que lhe retirasse da faixa de isenção dos contribuintes do imposto de renda; c) no referido exercício foi declarado como dependente de sua mãe, Sra. Noêmia Fátima Rodrigues; d) o único bem que possui é um veículo que sempre foi declarado em suas declarações de isento; e) a única fonte de renda que possui são as chamadas “mesadas” que recebe dos pais; f) sempre teve como limite do cartão de crédito a quantia de R$ 110,00; g) possui conta corrente, desde o ano de 2001, no Banco do Brasil, agência 18996, conta corrente 153958. Em anexo, apresentou: a) cópia do diploma da faculdade e da inscrição nos cursos de pósgraduação e mestrado; b) cópia dos extratos e faturas do cartão de crédito; c) cópia dos extratos bancários (fls. 1122). Após, em 18/03/08, o Sr. Diego Libardi Rodrigues foi intimado a: a) informar se efetivamente movimentou a conta corrente junto ao Banrisul no anocalendário 2005; b) na hipótese de ocorrência de conta conjunta, informar quem movimentou e a quem pertenciam os recursos movimentados na referida conta. Tal informação foi solicitada, pois apesar do Sr. Diego Libardi Rodrigues informar que à época dos fatos era estudante e possuía conta unicamente no Banco do Brasil S/A, segundo informações prestadas pelo Banrisul à Receita Federal, teria havido uma movimentação significativa de valores em conta corrente de titularidade do Sr. Diego. (fls. 2324). Em atendimento à intimação fiscal, o Sr. Diego Libardi Rodrigues esclareceu que: a) movimentou conta corrente junto ao Banrisul no anocalendário 2005, contudo, ressalta que é estudante, dependente de seus pais, logo, sua movimentação financeira enquadrase na faixa de isenção do imposto de renda; b) a conta corrente do Banco Banrisul é uma conjunta com seu pai, Sr. Moacir Rodrigues, e os recursos tributáveis movimentados na referida conta no anocalendário 2005 pertenciam a ele. Na oportunidade, requereu: a) a reabertura dos prazos para apresentação dos esclarecimentos e documentos, pois o que o motivou a perder o prazo foi a greve dos auditoresfiscais, em virtude da qual foi informado pela SRF que os prazos para os Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 esclarecimentos estavam suspensos; b) o cancelamento da continuação do procedimento fiscal até o seu adequado apuramento, pois conforme demonstrado é contribuinte que se encaixa na faixa de isenção do IR, não devendo, portanto, sofrer as agruras do procedimento fiscal (fls. 2627). Restando inequívoco que os recursos movimentados em 2005 na conta corrente e poupança integrada junto ao Banrisul eram de propriedade do Sr. Moacir Rodrigues, foi aberta fiscalização quanto ao referido contribuinte, tendo por escopo as divergências entre os rendimentos declarados e a sua movimentação financeira. A fiscalização intimou o Sr. Moacir Rodrigues, em 12/06/08, a apresentar: a) cópias dos comprovantes dos rendimentos auferidos que deram suporte à Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário 2005; b) cópia dos extratos das contas bancárias movimentadas no anocalendário 2005 (fls. 2829). Em resposta, o recorrente apresentou: a) dois comprovantes de rendimentos; b) extratos bancários do Banrisul, Ag. 0831, anocalendário 2005. Ressaltou que não possuía e não possui contas em outras instituições bancária (fls. 3145). Posteriormente, o recorrente apresentou novos extratos bancários do Banco Banrisul (fls.4678). O recorrente foi intimado, em 09/07/08, a: a) esclarecer se a conta nº 39.8514512.96 também é conjunta e, na ocorrência dessa hipótese, informar o nome da outra pessoa que participou da referida conta, bem como apresentar comprovante onde conste seu nome; b) informar quem efetivamente a movimentou e a quem pertenciam os recursos nela movimentados durante o anocalendário 2005; c) informar e comprovar, através de documento hábil e idôneo coincidente em valores e datas, a origem dos valores creditados na conta nº 39.851412.96, conforme discriminado em planilha elaborada com base nos extratos entregues pelo contribuinte (fls. 7986). O recorrente prestou os seguintes esclarecimentos: a) a conta nº 39.851.412.96 é conjunta com seu filho, Sr. Diego Libardi Rodrigues; b) a conta corrente 35.851.412.06 é integrada com a conta 39.851.412.96, chamada pelo Banco de “poupança integrada”; c) sempre efetuou seus depósitos na conta 35.851.412.06, porém, os recursos vão automaticamente para a segunda conta, pois o sistema de poupança integrada é usada pelo Banco para todos os seus clientes, conforme lhe informou sua gerente; d) dos extratos trazidos em anexo vêse que as contas estão sempre com o mesmo saldo, sendo integradas, o que comprova suas alegações; e) suas alegações podem ser comprovadas, também, pelo depósito de R$ 1.707,00, realizado em 11/06/08, que foi lançado simultaneamente em ambas as contas. Ademais, em ambas constam os chamados “resg. poupança", que demonstram que o dinheiro sempre passa de uma para outra automaticamente, sendo ambas integradas, consistindo em uma conta só; f) conforme extrato de ambas as contas, podese observar nelas consta os nomes de Diego Libardi Rodrigues e Moacir Rodrigues; g) os valores movimentados são de sua propriedade, e foi ele, o recorrente, quem efetivamente movimentou a conta. Requereu a dilação do prazo para a juntada da documentação e a cópia dos extratos de conta já juntados nas solicitações anteriores (fls. 8890). Em seguida, o recorrente requereu a dilação do prazo por mais 30 dias (fl. 91). Por conta disso, o contribuinte foi intimado da Continuidade do Procedimento Fiscal (fl. 92). Quanto à intimação de 09/07/08, o recorrente prestou as seguintes informações: a) o Banrisul utiliza da sistemática de poupança integrada, para cada conta corrente aberta há uma conta poupança vinculada para a qual são deslocados os valores Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 440 5 creditados na conta corrente e de onde são retirados também os valores que são sacados ou estornados. A poupança integrada é um sistema integrado do banco e existente independentemente do correntista querer ou não. No caso, a conta corrente é a 35.851.412.06 e a poupança integrada é a 39.851.412.96; b) os mesmos titulares da conta corrente são titulares da poupança integrada, porém, seu filho, o Sr. Diego Libardi Rodrigues, não auferiu renda durante o ano de 2005; c) o extrato elaborado pelo Banrisul é um extrato que não espelha as movimentações efetivamente feitas na conta, pois os valores lançados na planilha elaborada pela fiscalização correspondem a vários depósitos de valor inferior, mas que como realizados no mesmo dia, são contabilizados pelo banco como sendo uma coisa só; d) é impossível “comprovar através de documentação hábil e idônea coincidente em valores e datas, qual a origem dos valores creditados na conta 39.851.412.96”, pois em se tratando de uma referência única para vários valores menores somados, nunca será possível coincidir qualquer documento que o recorrente possua com os valores apontados na planilha; e) nos lançamentos do extrato há o registro de um depósito anterior e, logo abaixo, no dia seguinte, o estorno de vários cheques menores, o que evidencia que os registros do Banrisul referemse ao somatório dos valores depositados sem discriminar um a um os valores depositados; f) a pessoa física não é obrigada a manter a contabilidade de sua conta pessoal; g) foram depositados valores de suas economias, valores em dinheiro que sobravam dos rendimentos auferidos com o aluguel de um imóvel para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, valores cujo imposto de renda é retido na fonte e que constam da sua DIRPF; h) foram depositados cheques originados da cessão de cheques prédatados por comerciantes ao recorrente em troca da quantia em dinheiro; i) boa parte dos depósitos contabilizados pelo Banrisul voltou por duas vezes, de modo que os cheques que voltam não podem ser considerar como renda para fins do imposto; j) nem todas as operações de cessão de crédito foram documentadas; k) os valores dos depósitos não resultaram em acréscimo de seu patrimônio pessoal, o que pode ser comprovado pela comparação entre sua DIRPF de 2004 e sua DIRPF de 2005. Não houve aquisição de patrimônio significativo para que os valores que ingressaram na conta sejam considerados renda para fins de imposto, a única modificação patrimonial no ano de 2005 foi a venda da caminhonete Chevrolet 1998, dada de entrada na compra de uma caminhonete ano 2005; l) a operação que consta registrada na data de 22/07/05 referese a crédito de financiamento do veículo. Em anexo o recorrente apresentou: a) planilhas demonstrativas dos depósitos e cheques devolvidos; b) recibos; c) cópias da DIRPF 2004 e da DIRPF 2005; d) extrato de operação de financiamento bancário. (fls. 94171). Prestados os referidos esclarecimentos, a fiscalização encerrou o procedimento fiscalizatório. 2 Notificação do Lançamento Em 25/09/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 180186), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Considerando o período apurado, estabeleceuse a quantia R$ 1.276.745,23. A esse valor, foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.584,20, restando como imposto devido o valor de R$ 354.529,73. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 711.689,68, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 O contribuinte tomou ciência da notificação em 02/10/08. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 191 208) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o extrato fornecido pelo Banrisul, no qual se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento, não espelha as movimentações efetivamente feitas em sua conta bancária; b) os valores creditados em sua conta não são os valores lançados na planilha elaborada pela fiscalização. Cada um dos cheques de pequeno valor deve ser individualmente considerado tanto para fins de exclusão daqueles devolvidos por insuficiência de fundos, quanto para a correta aferição do quantum a ser tributado de acordo com a legislação pertinente ao caso em tela; c) todos os cheques depositados em sua conta bancária são oriundos das operações de aquisição de direitos creditórios realizadas com um grupo de comerciantes conhecidos e vizinhos. O recorrente nunca pretendeu exercer a atividade de forma profissional, nem almejava alcançar lucro com tais operações, pretendia, apenas, auxiliar os comerciantes conhecidos a enfrentar um período de crise; d) a aquisição dos cheques se dava mediante o pagamento em dinheiro, à vista, pelo recorrente ao tomador do título. O pagamento, em dinheiro, era realizado com valores sacados da conta bancária em comento; e) grande parte dos cheques depositados era devolvida por insuficiência de fundo, portanto, os cheques devolvidos devem ser desconsiderados para fins de mensuração da movimentação financeira do recorrente, porque não refletem acréscimo patrimonial de qualquer ordem; f) o lançamento levado a cabo pela fiscalização foi prematuro na medida em que não oportunizou ao contribuinte demonstrar que o acréscimo patrimonial do ano de 2005 corresponde à diferença entre os valores pagos pelos cheques e o montante resultante da liquidação dos mesmos, excluídas as perdas correlatas aos cheques devolvidos por insuficiência de fundos; g) o real acréscimo patrimonial decorrente das operações de aquisição de cheques não ultrapassava o valor oferecido pelo impugnante à tributação no ano de 2005 sob a rubrica de “rendimentos recebidos de pessoa física”. O recorrente não omitiu o resultado das operações realizadas, ao contrário, ofereceu à tributação o valor de R$ 9.700,00; h) a presunção relativa estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que deve ser utilizada para instaurar o procedimento de fiscalização, foi distorcida e empregada para pôr fim, prematuramente, às diligências de averiguação e para antecipar o lançamento, o que implica na nulidade do procedimento fiscal; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 441 7 i) o lançamento encontrase dissociado da realidade, não respeitando a capacidade contributiva, pois as entradas na conta bancária não correspondem a rendimentos auferidos pelo recorrente no período; j) embora a movimentação financeira possa representar indício de capacidade contributiva, a simples caracterização de depósitos bancários como renda para fins de incidência do IRPF é uma distorção que afronta o princípio do devido processo legal e a materialidade do imposto sobre a renda estabelecido pela Constituição; k) é impossível produzir prova negativa de que os valores depositados não representam riqueza nova, ainda mais no caso em tela em que o contribuinte foi primeiramente intimado a comprovar informações que não coadunam com a realidade; l) para que se pudesse considerar válida a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, seria necessário que, além dos depósitos bancários de origem não comprovada, houvesse ainda outro aspecto capaz de exteriorizar sinais de riqueza não declarada e, portanto, omissão de rendimentos. Tal aspecto somente poderia ser verificado pela autoridade fazendária após a verificação dos fatos alegados pelo contribuinte em suas respostas, o que foi sonegado. Disso, decorre a nulidade do procedimento fiscalizatório; m) a caracterização de sinal exterior de riqueza depende da demonstração da natureza tributável do rendimento e da verificação de que tal renda não foi anteriormente tributada, o que a mera constatação da existência de depósitos, por si só, não é capaz de fazer. A presunção trazida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 foi indevidamente aplicada no caso, resultando na nulidade do procedimento fiscal; n) a materialidade estabelecida pela Constituição para o IRPF não pode ser alterada nem pelo legislador ordinário, nem pela administração pública na missão de lançar tributos, razão pela qual a simples identificação de depósitos sem a devida comprovação não é suficiente para caracterizar a omissão de rendimentos e permitir o lançamento do imposto; o) o recorrente requer, alternativamente ao cancelamento da exigência consubstanciada no lançamento impugnado e à declaração de nulidade do procedimento de fiscalização, o enquadramento como pessoa jurídica nos termos da jurisprudência administrativa; p) deve aplicarse ao caso a mesma disciplina estabelecida no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94, considerando como rendimento apenas a diferença entre o valor expresso nos cheques adquiridos pelo impugnante e o valor pago; Anexos à impugnação, foram juntadas: a) auto de infração (fls. 211218); Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 b) solicitações de demonstrativo dos valores depositados em conta corrente feitos junto ao Banrisul (fls. 219220); c) demonstrativos dos valores depositados na conta corrente do recorrente nos meses de novembro e dezembro de 2005 (fls. 222243); d) cópias de cheques (fls. 244253); e) recibo de entrega da declaração de ajuste anual simplificada (fls. 254 262) Em 08/12/08, o recorrente solicitou a juntada da relação detalhada de todos os cheques depositados em sua conta bancária durante o ano de 2005 (fls. 263363). 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade (fls. 381389 do eprocesso), rejeitadas as preliminares, considerado não formulado o pedido de perícia e, no mérito, julgada improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes: a) todos os atos e termos foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura, não havendo falar em nulidade. Quanto ao auto de infração, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 foram plenamente observados em sua lavratura; b) apenas com a impugnação do auto de infração se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, a partir daí, falar em ofensa a ampla defesa ou em cerceamento de defesa; c) a DRJ deve se ater à verificação da adequação do lançamento às normas legais vigentes, porque cabe à esfera administrativa somente aplicar as normas legais, haja vista que a atividade de lançamento é vinculada, conforme o art. 142, parágrafo único, do CTN. Portanto, não é objeto do julgamento verificar eventual ofensa a princípios constitucionais ou apreciar conjecturas acerca da legalidade de legislação validamente editada; d) não há ofensa ao princípio da legalidade, pois a base de cálculo está claramente definida, assim como as alíquotas aplicáveis, os prazos de vencimento e os demais aspectos materiais do lançamento; e) a jurisprudência apresentada, mesmo que proferida por órgãos colegiados, não constitui norma complementar de direito tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia, não podendo, ser estendida genericamente a outros casos, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios; f) a doutrina não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade; g) a tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautase no art. 42 da Lei nº 9.430/96, que estabelece uma presunção legal Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 442 9 de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; h) para a comprovação da origem dos depósitos é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos; i) a presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, trata se de presunção relativa, passível de prova em contrário. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anal, efetuando o lançamento do imposto correspondente; j) o lançamento não é de acréscimo patrimonial a descoberto como entende a defesa, o que está sendo tributado é o rendimento omitido, apurado por meio de presunção legalmente estabelecida não afastada pelo contribuinte; k) o contribuinte limitase a juntar demonstrativos de movimentações de cheques, reproduzindo os depósitos sem origem comprovada, todavia, a origem dos depósitos, se proveniente de rendimentos (tributáveis ou não, tributados exclusivamente na fonte) continua não comprovada; l) as cópias de cheques trazidas aos autos por si só não servem como documento de prova da origem dos depósitos, pois não se sabe a natureza dos valores ali consignados; m) os demonstrativos apresentados são insuficientes para elidir a infração, tendo em vista a necessidade de documentos individualizados de cada operação; n) deve ser rechaçada a alegação de que os cheques devolvidos por insuficiência de fundos constaram várias vezes no lançamento, pois desacompanhada de qualquer documentação comprobatório nesse sentido. O interessado sequer discrimina quais valores teriam sido computados em duplicidade. Por ocasião do lançamento foram excluídos os depósitos estornados e créditos justificados; o) o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 trata da alienação de duplicata nas empresas de fomento comercial (factoring), não sendo aplicável para as pessoas físicas; p) na falta de documentação hábil e idônea comprovando a natureza de todas as operações realizadas pelo recorrente no anocalendário 2005, não há como cogitar o “enquadramento como pessoa jurídica”, como requer a defesa, nem tampouco considerar comprovada a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 q) quanto ao pedido de perícia, o recorrente deixou de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 07/03/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 396415) em 09/04/12, repisando os argumentos da impugnação. Acrescentou que tanto o enquadramento como pessoa jurídica, quanto a aplicabilidade do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 poderiam ter sido demonstrados por meio de provas caso o procedimento não tivesse sido prematuramente encerrado. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 443 11 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 Dos Depósitos Bancários Alega o recorrente que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não tem o condão de alterar os critérios de fundamentação do lançamento tributário a ponto de ignorar o devido processo legal. Acrescenta que para que possa ser considerada válida a presunção do art. 42 é necessário que, além dos depósitos bancários de origem não comprovada, haja ainda outro aspecto capaz de exteriorizar os sinais de riqueza não declarada e, portanto, a omissão de rendimentos, e que tal aspecto, entretanto, somente poderia ser verificado após a análise dos fatos alegados pelo contribuinte, o que foi sonegado no caso e implica a nulidade do procedimento fiscalizatório. Sustenta, ainda, que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Não lhe assiste razão, entretanto. O Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pelo contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda. Ademais, as provas trazidas por ele não foram suficientes para infirmar a presunção gerada pelos depósitos bancários, considerandose acertada a autuação, eis que os cheques e as declarações apresentadas não se mostraram satisfatórias para comprovar suas alegações. 2 Dos Extratos Fornecidos pelo Banco e dos Valores Contidos da Planilha da Fiscalização O recorrente aduz que os extratos fornecidos pelo Banrisul não espelham as movimentações efetivamente feitas em sua conta bancária, pois os valores neles lançados não são aqueles lançados na planilha elabora pela fiscalização. Não assiste razão ao recorrente. Conforme comparação feita entre os extratos bancários apresentados pelo recorrente (fls. 3478) e a planilha elaborada pela fiscalização (fls. 146154), percebese que os valores neles constantes são absolutamente congruentes, ou seja, a planilha da fiscalização espelha as movimentações financeiras constantes no extrato fornecido, de modo que inclusive os cheques de pequeno valor foram considerados individualmente. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11080.011322/200813 Acórdão n.º 2202002.582 S2C2T2 Fl. 444 13 Ademais, os cheques devolvidos por insuficiência de fundos foram excluídos pela fiscalização do rol do “demonstrativo de valores creditados em conta corrente” (fls. 148 154). 3 Do Enquadramento como Pessoa Jurídica e do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 O recorrente requer, alternativamente ao cancelamento da exigência consubstanciada no lançamento impugnado e à declaração de nulidade do procedimento de fiscalização, o enquadramento como pessoa jurídica, nos termos na jurisdição administrativa. Ademais, solicita a aplicação da mesma disciplina estabelecida no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 para o caso, a fim de que seja considerado como rendimento apenas a diferença entre o valor expresso nos cheques adquiridos por ele e o valor pago. Para efeitos de imposto de renda, a legislação determina que as pessoas físicas caracterizadas como empresa individual serão equiparadas à pessoa jurídica. A pessoa física é equiparada à empresa individual, consoante art. 150, §1º, I a III, do RIR/99, apenas nas seguintes hipóteses: a) quando em nome individual, explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiro de bens ou serviços, quer se encontrem, quer não se encontrem regularmente inscritas no órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil, exceto quanto às profissões de que trata o art. 150, § 2º, do RIR/99; ou b) quando promova a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos. No caso, não é possível enquadrar o recorrente como pessoa jurídica. Como referido, para que haja tal equiparação é necessário, incialmente, a exploração habitual e profissional de atividade econômica, e, como referido pelo próprio recorrente, “o impugnante nunca pretendeu exercer tal atividade de forma profissional, nem almejava alcançar lucro com tal operação” (o empréstimo de dinheiro em “troca” de cheques prédatados com o mesmo valor). Uma vez não comprovado pelo recorrente o exercício de atividade econômica, nos termos do art. 150, §1º, I, II e III, do RIR/99, resta impossibilitado a sua equiparação à pessoa jurídica. Nesse sentido: CONTRIBUINTE QUE DESENVOLVE ATIVIDADE EMPRESARIAL EM NOME PRÓPRIO – EQUIPARAÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL – IMPOSSIBILIDADE Apenas se demonstrou que pequena fração dos depósitos bancários tinha origem a partir de empresas do segmento calçadista, fração essa que foi afastada da tributação. Os demais valores, em um montante muito mais expressivo, restaram sem comprovação. Ademais, o recorrente não demonstrou que desempenhasse atividade comercial, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica. Nos autos, há um longo rol de depósitos bancários sem origem comprovada. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Ac. 10617.254. Rel. Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Julg. 05/02/09). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 O Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 determinou quanto às operações de factoring que: I a diferença entre o valor de face e o valor de venda oriunda da alienação de duplicata a empresa de fomento comercial (factoring), será computada como despesa operação, na data da transação; II a receita obtida pelas empresas de factoring, representada pela diferente entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido do períodobase, na data da operação. Conforme já mencionado, o recorrente não comprovou o exercício de atividade econômica, não podendo assim ser equiparado à pessoa jurídica. Como bem salientou a Julgadora de Primeira Instância: “na falta de documentação hábil e idônea comprovando a natureza de todas as operações realizadas pelo contribuinte, no anocalendário de 2005, não há como cogitar o ‘enquadramento como pessoa jurídica’ como (sic) requer a defesa (...)”. Da leitura do Ato Normativo COSIT percebese que o mesmo deve ser aplicado apenas a empresas de factoring, não havendo previsão para sua aplicação a pessoas físicas que não sejam equiparadas a pessoas jurídicas, ainda que essas se dediquem, aparentemente, à atividade informal de factoring. Logo, não é possível aplicar ao caso o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51/94 como pleiteia o recorrente. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 11516.001163/2009-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES.
Configuram insumos da atividade produtiva os custos dos serviços de retificação de motores que não acresça aos bens vida útil superior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado quando acresça aos bens vida útil superior a um ano.
Numero da decisão: 3803-005.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos de serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo, desde que não acresça aos bens retificados vida útil superior a 1 (um) ano, e para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados com vida útil superior a 1 (um) ano.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Configuram insumos da atividade produtiva os custos dos serviços de retificação de motores que não acresça aos bens vida útil superior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado quando acresça aos bens vida útil superior a um ano. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 63 /2 00 9- 62 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo, desde que não acresça aos bens retificados vida útil superior a 1 (um) ano, e para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados com vida útil superior a 1 (um) ano. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A formulou Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativa, no valor de R$ 537.633,47, decorrente de operações no mercado interno não tributadas, referentes ao período de apuração de 01/10/2005 a 31/12/2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC deferiu o pleito parcialmente, autorizando o ressarcimento de R$ 401.777,69. Foram efetuados os seguintes ajustes no saldo credor passível de ressarcimento: a) glosa da base de cálculo do crédito a título de insumos de: i. custos de aquisições dos produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, comissões de vendas, assessoria fiscal e contábil, diversos cursos, despesas com alimentação dos trabalhadores, transporte dos empregados, despesas com vigilância e limpeza etc.); ii. parte dos valores pagos a GR Terraplanagem Ltda., arrolados na planilha juntada as fls. 170 a 171; iii. custos de aquisição de bens usados, como motores retificados; iv. custos de aquisições de instalações, e máquinas ou motores novos, que somente geram créditos decorrentes de suas amortizações e depreciações b. glosa dos créditos sobre encargos de depreciação na hipótese de aquisição de bens usados, expressamente vedados no inc. II do §3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 18 de outubro de 20041; 1 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11516.001163/200962 Acórdão n.º 3803005.219 S3TE03 Fl. 11 3 c. exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas financeiras indevidamente incluídas. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual o requerente rechaça a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 404 de 12 de março de 2004, defendendo que, para fins de determinação e apuração dos créditos, bastam as normas e as disposições contidas na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tacha de ilegal qualquer restrição ou ressalva ao conceito de insumo introduzidas pelas referidas instruções normativas. Partindo deste pressuposto, defende que geram crédito todas as aquisições de bens e serviços aplicados na "produção de carvão mineral", "indispensáveis e obrigatórios" para "manter a mina em pleno funcionamento e operação". Explica que, na atividade de mineração, há vários itens a serem "observados e realizados tanto no interior como no exterior das respectivas minas", de "presença obrigatória para se produzir carvão mineral de forma regular e em estrita e perfeita observância às normas impositivas que se aplicam a este tipo de exploração econômica", os quais, ante as exigências de conservação e recuperação ambiental, devem "ser obrigatoriamente custeados e efetivamente realizados pela empresa mineradora, junto e concomitantemente a mineração do carvão propriamente dita, inclusive para que os órgãos estatais permitam que as minas permaneçam "abertas" e em funcionamento/operação". Cita os serviços de turfas ambientais, terraplanagem, análise da água dos córregos e rios e outros impostos por meio do Termo de Ajuste de Conduta celebrado ante o Ministério Público Federal e o Estadual, a FATMA e o DNPM. Contesta a glosa dos valores referentes a aquisições de bens usados, que diz "intrinsecamente utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral", com base no argumento de que a lei não prevê vedação ao aproveitamento de créditos decorrentes destas aquisições. Em relação aos bens do ativo imobilizado, alega que há os que "têm duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta ser “regular o creditamento integral quando da sua aquisição ou construção". Quanto aos "que tivessem que ter regularmente os respectivos créditos apurados sobre os montantes de inerente depreciação ou amortização", reclama que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes, e sim os ter apurado, considerandoos no cálculo do crédito reconhecido; assevera ser "obrigação inarredável dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face à expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nº 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e nº 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1o de outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3º Fica vedada a utilização de créditos: I sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); e II – na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Em relação aos gastos com mãodeobra, aduz que o que se encontra vedado em lei é exclusivamente a remuneração paga a pessoa física em contrapartida ao serviço prestado, não, havendo, portanto, vedação em relação a todo e qualquer outro custo pago a pessoas jurídicas, contribuintes da Contribuição, que esteja obrigada a fazer para manter esta mãodeobra trabalhando regularmente e assim produzindo. Nesse sentido, defende o crédito em relação aos gastos com pessoal, de natureza não remuneratória, aos quais esteja obrigada por força de Convenção Coletiva de Trabalho, indispensáveis para manutenção da força de trabalho, tais como: transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação e transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte. Defende ainda o direito de creditarse de gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas, igualmente contribuinte da Contribuição Social, que sejam indispensáveis à manutenção de sua atividade produtiva, tais como: gastos com portaria, vigilância, motoristas para transportes e manutenção e conservação dos estabelecimentos das minas. Ainda em relação às glosas de gastos com serviços, a contribuinte defende que os prestados pela empresa GR Terraplanagem Ltda. consistem em insumos indispensáveis a produção (que diz tratarse de "uma espécie de mineração de superfície") dos rejeitos carbonosos finos depositados nas bacias de decantação (depósitos de carvão mineral já na superfície depositados, portanto, já anteriormente minerados e ali deixados), as quais adquiriu da Companhia Siderúrgica NacionalCSN, para adequada entrega e fornecimento à sua cliente Tractebel. Na sequência, alega ainda que geram créditos os demais custos relacionados e indissociáveis à prestação deste serviço, no caso: os custos dos "serviços e os insumos de e para obrigatória recuperação ambiental assumida"; "custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. desta GR Terraplenagem Ltda. como integrantes do preço de venda dos serviços cobrados por essa mesma empresa contratada". A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Eis a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11516.001163/200962 Acórdão n.º 3803005.219 S3TE03 Fl. 12 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à sua obrigatoriedade ou à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem, e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde rechaça a assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados e afirma que a suposta inexistência do direito creditório advém, exclusivamente, da alegação de que os mesmos não seriam admitidos como créditos regularmente consideráveis e aproveitáveis para fins da apuração não cumulativa das contribuições sociais não cumulativas. Pugna que se adote o conceito de insumo plasmado no Acórdão nº 320200.226, de 8 de dezembro de 2010, cuja ementa transcreve. Segundo o julgado citado, insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária á atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Nesse contexto, ensejam direito à apuração e ao aproveitamento de créditos de Contribuição no regime da nãocumulatividade todas as aquisições de bens e serviços de outras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da Contribuição, que sejam assim indispensáveis e obrigatórios à exploração, ao beneficiamento e à final produção do carvão mineral em que se constitui o objeto social da empresa aqui recorrente. Na continuação, reproduz literalmente, em Recurso Voluntário, todos os argumentos expedidos em sua Manifestação de Inconformidade no tocante a: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 a) gastos obrigatórios e impositivos com conservação e recuperação ambiental; b) aproveitamento de créditos pela aquisição de bens usados, utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral, por se tratar de restrição carente de previsão legal; c) gastos com aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado e à falta de creditamento pela depreciação desses bens; d) gastos com transportes, alimentação, lanche, leite, exames e tratamentos médicos e laboratoriais, uniformes etc., aos respectivos empregados; e) gastos com portaria, vigilância e motoristas para transportes; f) os custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda. Discorre ainda sobre o conceito de insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins e pugna para que se releve os erros cometidos no preenchimento do DACON, em homenagem ao princípio da verdade material, para autorizar integralmente o ressarcimento pleiteado. Pede provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Ressaltamos que o mesmo assunto já foi discutido por essa turma em agosto de 2012 no processo nº 11516.001160/200929, sob pretensão do mesmo contribuinte. Onde foi exarado o entendimento dessa turma sobre o conceito de insumos: Já está pacificado nesta 3ª Turma Especial o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é aquele deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11516.001163/200962 Acórdão n.º 3803005.219 S3TE03 Fl. 13 7 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). O recurso voluntário do processo supracitado foi parcialmente provido para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no Termo de Ajustamento de Conduta TAC, e dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do recorrente, desde que os bens tenham vida útil SUPERIOR a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens usados. Isto posto, me utilizarei das conclusões exaradas nesse julgamento para exprimir o atual posicionamento de forma a evidenciar a distinção. Gastos vinculados ao processo produtivo obrigatórios por força de lei. No acórdão citado reverteramse as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no Termo de Ajustamento de Conduta – TAC com a seguinte justificativa: Como salientou o recorrente, as atividades de recuperação ambiental incluem análise da qualidade das águas, recursos hídricos, transporte, manuseio e destinação de rejeitos e respectivos depósitos, recomposição topográfica, bacias de decantação, recomposição da vegetação nativa imprescindível a correspondente terraplenagem e turfas ambientais, etc.,e outras tantas e impositivas obrigações consignadas neste TAC. Em função do TAC, essas atividades tornaramse obrigatórias sob pena de interdição da atividade de lavra do carvão lato sensu. Em face da obrigatoriedade dos gastos com a recuperação ambiental e sua estrita vinculação com a viabilização legal do processo produtivo do recorrente, julgo que os custos das atividades inerentes aos compromissos assumidos no TAC subscrito pelo ora recorrente devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos da Contribuição, pois atendem os critérios de pertinência e essencialidade. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Coaduno com este pensamento, porém, por decorrência lógica mudei de entendimento quanto a manutenção das glosas referentes ao benefício dos trabalhadores previstos por força da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), visto que, também por força de lei, se faz necessário para a continuação da atividade mineradora. A essencialidade vista no cumprimento do TAC deve se estender ao cumprimento da CCT, pois também se trata de uma imposição normativa. Interessante perceber que se por um lado o TAC preserva o meio ambiente, a CCT preserva o trabalhador, ambos envolvidos diretamente na atividade mineradora, de forma que, para reconhecimento da qualidade de insumos, não se pode qualificar um e desqualificar o outro. Inferese que se o cumprimento de obrigação normativa inclui os gastos decorrentes do cumprimento do TAC na classificação de insumos, também estão incluídos os gastos em cumprimento da CCT. O contribuinte, porém, não anexou aos autos cópia do TAC ou da CCT, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11516.001163/200962 Acórdão n.º 3803005.219 S3TE03 Fl. 14 9 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos as cópias dos referidos Termo de Ajustamento de Conduta e da Convenção Coletiva de Trabalho, nem quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência dessas normas. Custos de aquisição de bens usados. A decisão recorrida afirmou: Em relação a máquinas e equipamentos (novos) e edificações e benfeitorias, que nos termos dos incisos VI, VII e §1º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 e art. 1º da IN SRF nº 457/2004 , a previsão de geração de crédito é somente em relação aos encargos de depreciação e amortização, conforme o caso, e se verificados os requisitos postos nos mencionados dispositivos legais para tanto, e não do valor das aquisições destes informados a título de insumos como pretende a contribuinte. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 O mesmo se aplica a máquinas e equipamentos adquiridos já usados. Neste caso, nada há que aqui se dizer ante a expressa vedação de tomada de créditos por conta dos encargos de depreciação, vedação prevista no inciso II do §3º do art. 1º da IN SRF nº 457/2004, ato que possui caráter vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. Portanto, não há previsão legal para tomada de créditos em relação aos valores de aquisição de máquinas e equipamento, novos ou usados, mesmo que estes estejam diretamente inseridos na cadeia produtiva da empresa. Em semelhante modo ao exarado no processo nº 11516.001160/200929, o recorrente argumenta que tais gastos referemse, na verdade, a serviços de conserto e manutenção de motores, conforme atestariam as cópias das notas fiscais, que a decisão recorrida afirma terem sido aportadas aos autos até a Manifestação de Inconformidade, emitidas por retificadores de motores. Isto posto me aproprio das razões lá expostas: Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Tais serviços, em tese, subsumirseíam no conceito de insumo esposado nesta decisão, a depender da destinação dos motores retificados. Esse entendimento consta de algumas soluções de consulta, como a Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010 e a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie.” Nesse sentido, admitamse, na base de cálculo dos créditos da Contribuição, o valor dos custos efetivamente comprovados nos autos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano – condição para a sua não imobilização. Por outro lado, os custos dos serviços de retificação de motores não relacionados com o processo produtivo, que não estejam devidamente comprovados nos autos, não serão admitidos, ou que tenham vida superior a 1 (um) ano, não são admitidos. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11516.001163/200962 Acórdão n.º 3803005.219 S3TE03 Fl. 15 11 Depreciação de bens usados adquiridos para o ativo imobilizado. No acórdão que tomo por referência o relator teve o voto vencido por razão de uma única glosa que manteve, todos os outros pontos foram mantidos. O voto vencedor, em referência ao art. 1º, §3º, inc. II, da IN SRF nº 457, de 20042, baseou seu entendimento da seguinte forma: [...] entenderam os demais conselheiros, na discussão antecedente à tomada dos votos, que a disciplina veiculada pela citada instrução normativa, de excluir expressamente os créditos ora em foco, não é consentânea com o disposto legal, seja na Lei nº 10.637/2002 ou na Lei nº 10.833/2003. Em torno disso, pode se afirmar que existe nessa regência restrição não fixada no texto legal, e que erige um entendimento a que não se chega por meio de leitura integrativa do preceito legal com outros. De forma que, em concordância com esse entendimento, voto no sentido de reverter as glosas sobre depreciação de bens usados adquiridos para o ativo imobilizado. Custos de produção de carvão pagos a GR Terraplanagem Ltda Em exame aos autos percebese que não foram glosados os créditos referentes aos serviços prestados pela GR Terraplanagem Ltda., o acórdão recorrido assim dispõe: Observese que não foram glosados os valores dos serviços prestados pela GR Terraplanagem Ltda., mas somente os valores descritos como “DESPESAS COM MÃODEOBRA+ FAXINA”, “DESPESAS DE MATERIAIS” e “VIGILÂNCIA ½ RDMETRO”, gastos que, a teor do acima firmado, não geram créditos por não consistirem de insumo. Tendo em vista o reconhecimento dos créditos de custos de produção de carvão pagos a GR Terraplanagem Ltda, não há lide neste aspecto. Princípio da verdade material O princípio da verdade material foi preservado nesse julgamento, de forma que os erros cometidos no preenchimento do DACON foram relevados, para autorizar parte do ressarcimento pleiteado. As provas trazidas pelo contribuinte foram analisadas, porém, o princípio da verdade material não supre a inércia do interessado. Nesse sentido, apenas foram admitidos os créditos devidamente comprovados, uma vez que lhe competia o ônus da prova. 2 §3º. Fica vedada a utilização de créditos: [...] II na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 A referência ao artigo 142 do CTN é imprópria, pois trata de crédito tributário de natureza diversa ao pleiteado. Conclusão Pelo exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE O RECURSO para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que a retificação não acrescente ao bem vida útil superior a 1 (um) ano e ainda para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados quando estes acresçam aos bens vida útil superior a 1 (um) ano e NEGAR quando aos demais pedidos. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10480.900244/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
PAF - CONCOMITÂNCIA - INOCORRÊNCIA -
A existência de ação judicial para discutir a legitimidade do crédito tributário restituendo objeto de compensação, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide (art. 471 do CPC), sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF). Entretanto inocorre concomitância quando a decisão judicial transitada em julgado, com base na qual se pleiteia a restituição foi desconstituída pela via rescisória na própria instância judicial.
PAF - RECURSO - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - LIMITES - PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ.
É assente na jurisprudência administrativa que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais., eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado.
Numero da decisão: 3402-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 PAF - CONCOMITÂNCIA - INOCORRÊNCIA - A existência de ação judicial para discutir a legitimidade do crédito tributário restituendo objeto de compensação, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide (art. 471 do CPC), sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF). Entretanto inocorre concomitância quando a decisão judicial transitada em julgado, com base na qual se pleiteia a restituição foi desconstituída pela via rescisória na própria instância judicial. PAF - RECURSO - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - LIMITES - PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais., eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
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Não comprovada a liquidez e certeza do valor do suposto crédito restituendo, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 PAF CONCOMITÂNCIA INOCORRÊNCIA A existência de ação judicial para discutir a legitimidade do crédito tributário restituendo objeto de compensação, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF). Entretanto inocorre concomitância quando a decisão judicial transitada em julgado, com base na qual se pleiteia a restituição foi desconstituída pela via rescisória na própria instância judicial. PAF RECURSO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI LIMITES PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 02 44 /2 00 9- 39 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais., eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/REC nº 1133.697 de 12/05/11 constante de fls. 62/67 exarado pela da 2ª Turma da DRJ de Recife PE que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a manifestação de inconformidade de fls. 11/13, mantendo o r. Despacho decisório (fls. 01) da DRF de Recife PE que indeferiu o foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP, etiquetado sob o n° 15708.66845.270505.1.3.048034 (fls. 05/09) no montante originário inicial de R$ 23.879,76, relativo a suposto pagamento indevido da COFINS (cód. 2172) do período de apuração de maio/2000, realizado aos 15/06/2000, vez que estaria isenta do recolhimento da COFINS, por força do inciso II do art.6° da Lei Complementar n°70/91. Por seu turno a decisão de fls. 62/67 da 2ª Turma da DRJ de Recife PE, houve por bem “indeferir” a manifestação de inconformidade de fls. 11/13, mantendo o r. Despacho decisório (fls. 01), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.900244/200939 Acórdão n.º 3402002.381 S3C4T2 Fl. 3 3 SOCIAL COFINS Período de apuração: 0110512000 a 31/05/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO JUDICIAL. inexigível o titulo judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o Despacho Decisório que não homologa compensações nas quais é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da r. decisão recorrida por ter suposta variação de motivação do indeferimento da restituição; b) a violação de coisa julgada relativamente a Mandado de segurança impetrado pela OAB transitado em julgado que referendado a inconstitucionalidade da revogação da isenção por lei ordinária; c) no mérito sustenta a vigência da isenção de COFINS das sociedades civis de profissão regulamentada prevista no art. 6 º da LC nº 70/91 e a inconstitucionalidade de sua revogação pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96 em face do princípio constitucional da hierarquia das leis; e) finalmente sustenta seu direito subjetivo à compensação e a suspensividade do crédito compensando. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 O Recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, mas no mérito não merece provimento. Preliminarmente rejeito a preliminar de nulidade da r. decisão recorrida por suposta variação de fundamentação em relação ao r. despacho decisório que lhe antecedeu, por entender que a variação se justifica em função de fatos novos, igualmente aptos para justificar o indeferimento do pleito. Da mesma forma, inicialmente anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). E isto porque, como também esclareceu o E. STJ, “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186). Nessa ordem de ideias verifico que a questão constitucional objeto do recurso relativa à revogação da isenção da COFINS (art. 6 º da LC nº 70/91) pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96 , já foi definitivamente decididas pela Suprema Corte como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “Ementa: embargos de declaração no agravo regimental no recurso extraordinário. Processual civil. Omissão. Inexistência. Efeitos infringentes. Impossibilidade. rejeição. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição ou obscuridade, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 3. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8.9.2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9.9.2011. 4. A existência de precedente firmado pelo Pleno desta Corte autoriza o julgamento imediato de causas que versem sobre a mesma matéria, independentemente da publicação ou do trânsito em julgado do paradigma. (Precedentes: RE n. 408.167AgR, 2ª Turma, Relator o Ministro Celso de Mello, DJ de 04.03.05, entre outros) 5. In casu, a decisão recorrida assentou: “Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.900244/200939 Acórdão n.º 3402002.381 S3C4T2 Fl. 4 5 REGULAMENTADA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O FATURAMENTO COFINS. ISENÇÃO. ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE. MODULAÇÃO DE EFEITOS. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. 1. A constitucionalidade do artigo 56 da Lei n. 9.430/96, que revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis prestadoras de serviços profissionais pelo art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70/91, foi reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos REs ns. 377.457 e 381.864, ambos da Relatoria do Ministro Gilmar Mendes. Na oportunidade, rejeitouse pedido de modulação de efeitos da decisão e permitiuse a aplicação do artigo 543B do CPC. A ementa dos referidos julgados restou consignada nos seguintes termos, verbis: “EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.” 2. Ainda nesse sentido, os seguintes precedentes de ambas as Turmas desta Corte: AI n. 551.597AgRterceiro, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, 2ª Turma, DJe de 19.12.11; RE n. 583.870AgR, Relator o Ministro Ayres Britto, 2ª Turma, DJe de 01.06.11; RE n. 486.094AgR, Relator o Ministro Dias Toffoli, 1ª Turma, DJe de 22.11.10; RE n. 511.916AgR, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 09.10.09; RE n. 402.098AgREDED, Relator o Ministro Cezar Peluso, 2ª Turma, DJe de 30.04.09; RE n. 515.890 AgR, 1ª Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 06.02.09; RE n. 558.017AgR, 2ª Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 24.04.09; RE n. 456.182AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, 2ª Turma, DJe de 05.12.08, entre outros. 3. As decisões tomadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal não possuem, por si, eficácia geral e vinculante, no entanto, formam orientação jurisprudencial dominante, pois são prolatadas pela expressão maior do princípio da colegialidade do órgão que ocupa a posição central no sistema jurisdicional. Vale dizer, as decisões proferidas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, têm densidade normativa suficiente para autorizar o julgamento monocrático, nos termos do art. 557 do Código de Processo Civil (cf., em reforço, o art. 101 do RISTF)” (RE n. 518.672AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, 2ª Turma, DJe de 19.06.09). 4. In casu, o acórdão originariamente recorrido assentou: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 COFINS. ISENÇÃO. ART. 6º, II. L. C. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56, LEI 9.430/96. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA DE HIERAQUIA ENTRE LEI COMPLEMENTAR E ORDINÁRIA. PRECEDENTES. STF. 1. Dispensável a lei complementar para veicular a instituição de Cofins conforme assentado na ADC nº 1/DF, Rel. Min. Moreira Alves, j. 01/12/93). 2. A isenção conferida pelo art. 6º da LC 70/91 pode, validamente, ser revogada, como o foi, pelo art. 56 da Lei 9.430/96, independentemente de ofensa aos princípios constitucionais, vez que ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, atuando, tais espécies normativas em âmbitos diversos. Precedentes. 3. Apelo improvido.” 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 6 . Embargos de declaração REJEITADOS.” (cf. Acórdão da 1ª Turma do STF no RE 677589 AgRED, em sessão de 28/08/12, Relator(a): Min. LUIZ FUX, ACÓRDÃO ELETRÔNICO publ. in DJU185 DIVULG 19092012 PUBLIC 20092012) “Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REVOGAÇÃO. HIERARQUIA DE NORMAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. LEI Nº 9.430/96. SOBRESTAMENTO REVOGADO. ALEGAÇÃO DE NÃO ESGOTAMENTO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. ACÓRDÃO DA ORIGEM EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO. PRECEDENTE DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 377457. DESPROVIMENTO. 1. A exigência contida na norma do artigo 102, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no que diz respeito à ultima instância de julgamento, referese ao pronunciamento de órgão colegiado de Tribunal ou Turma Recursal, sendo cabível a interposição do extraordinário contra acórdão de embargos de declaração, ainda que a apelação, recurso ordinário ou inominado tenham sido decididos, antes, monocraticamente. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de mérito da repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 377457, Relator Ministro Gilmar Mendes, assim se pronunciou: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. 3. O pronunciamento exarado pelo Tribunal de origem não divergiu desse entendimento. 4. Agravo regimental desprovido.” (cf. Acórdão da 1ª Turma do STF no AI 702533 AgR, em sessão de 02/04/13, Rel. Min. LUIZ FUX, ACÓRDÃO ELETRÔNICO publ. in DJUe078 DIVULG 25042013 PUBLIC 26042013) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.900244/200939 Acórdão n.º 3402002.381 S3C4T2 Fl. 5 7 Superada a prejudicial de constitucionalidade passo à questão da prejudicial de concomitância. Realmente, desde logo, verificase que a mera existência de ação judicial para discutir a legitimidade do crédito tributário restituendo objeto de compensação, já impediria o reexame da mesma matéria de mérito objeto do presente processo, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão a Jurisprudência Administrativa tem reiteradamente proclamado, que “a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Ac. nº 20177.493, Rec. nº 122.188, da 1ª Câm. do 2º CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão no 20177.519, Rec. no 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1º CC cristalizada na Súmula nº 1, que expressamente dispõe: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (cf. DOU1 de 26/6/06, p. 26 e RDDT vol. 132/239). Como é curial, embora não produza “efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria” (cf. Súmula 271 do STF), a decisão em Mandado de Segurança sobre a legitimidade revogação da isenção da COFINS (art. 6 º da LC nº 70/91) pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96, dado o seu caráter urgente e autoexecutório (cf. Ac. da 3ª Turma do STJ no AgRg na MC nº 4637 GO, Reg. nº 2002/00043998, em sessão de 11/06/02, Rel. Min. ARI PARGENDLER, publ. in DJU de 05/08/02 p. 322; Ac. da 5ª Turma do STJ no REsp nº 490884RJ, Reg. nº 2002/01621649, em sessão de 15/04/03, Rel. Min. FELIX FISCHER, publ. in DJU de 02/06/03 p. 337), no caso obviamente determinaria a procedência ou improcedência da repetição do indébito administrativa, que portanto já se encontraria adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Por esta razão, no intento de coordenar as instâncias administrativa e judicial, a lei de um lado estabelece que a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF), e de outro lado, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial” (art. 170A do CTN inserido pela LC nº 104, de 10 de janeiro de 2001. Entretanto no caso verificase que a decisão judicial com base na qual a ora Recorrente pleiteia a restituição foi desconstituída pela via rescisória na própria instância judicial, razão pela qual a r. decisão recorrida merece subsistir, por seus próprios e jurídicos fundamentos quando assevera que: “15. Evidenciase acima que o E. TRF da 5ª Região desconstituiu, com efeitos ex nunc, os efeitos da decisão por ela proferida na AMS n° 2001.83.00.0145250; todavia, na parte em que lhe foi conferida eficácia prospectiva, o acórdão proferido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 na ação rescisória ainda em tramitação, mercê dos embargos infringentes interpostos foi suspenso por decisão liminar de autoria do Exmo. Sr. Ministro Joaquim Barbosa nos autos da Reclamação n° 6.917/PE, fls. 57/60, abaixo parcialmente reproduzida: "Tratase de reclamação, com pedido de medida liminar, ajuizada pela União contra ato praticado pelo Tribunal Regional Federal da 5° Região, nos autos de ação rescisória. Narra a reclamante que o tribunalreclamado flexibilizou o alcance temporal dos efeitos do acórdão que julgou procedente ação rescisória, tendente a desconstituir e substituir sentença favorável à Ordem dos Advogados do Brasil — Subsecção de Pernambuco quanto à validade da Contribuição destinada ao Custeio da Seguridade Social — Cofins devida pelas sociedades civis de profissão regulamentada. Segundo entende a reclamante, apenas o Supremo Tribunal Federal tem competência para realizar a modulação dos efeitos de decisões jurisdicionais. Observa que a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/1996, que teria revogado a isenção concedida pelo art. 6°, II da Lei Complementar 70/1991, foi reconhecida pela Corte em diversas oportunidades (cita o RE 377.457, o RE 381.964 e a ADI 4.071, rel. min. Menezes Direito, decisão monocrática). Lembra, nesse sentido, que o pedido de modulação dos efeitos fora, na oportunidade, rejeitado. (...) Ante o exposto, pede a concessão de medida liminar para "a suspensão da eficácia, da decisão usurpadora de competência desse Supremo Tribunal Federal [...] na parte em que conferiu efeitos ex nunc ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória" (Fls. 14). (...) Ante o exposto, concedo a medida cautelar pleiteada, para suspender o acórdão reclamado na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória." 16. Logo, tanto em observância ao comando do art. 741, II e parágrafo único, do Código de Processo Civil, quanto em cumprimento às decisões proferidas nas citadas Ação Rescisória e Reclamação, concluise ser inexigível o titulo judicial, representado pelo acórdão transitado em julgado em 09/09/2004 na AMS n° 2001.83.00.0145250, ancoradouro do pretenso indébito. 17. Demonstrado inexistir direito A. repetição dos valores da COFINS recolhidos, por ser inexigível o titulo judicial que lhe reconhece isenção, é inócua a apreciação da alegação da contribuinte de que o fato dela não ter retificado sua DCTF não anularia o alegado direito á repetição do pagamento do tributo. 18. Diante do que consta acima, é improcedente, na forma do art. 165, I, do CTN, o pedido de restituição analisado, e, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.900244/200939 Acórdão n.º 3402002.381 S3C4T2 Fl. 6 9 conseqüentemente, é impertinente a compensação de débitos da contribuinte com o pretendido valor a repetir, nos termos do art. 170, do CTN, segundo o qual a compensação de débitos da contribuinte pressupõe haver, em favor desta, crédito liquido e certo, que na situação aqui tratada inexiste.” De fato, embora não se ignore que “transitado em julgado, o acórdão que declare ser o crédito compensável servirá de título para a compensação no âmbito do lançamento por homologação” (Resp. 78.270 MG 95.565013 2ª Turma do STJ Rel. Ministro Ari Pargendler j. unânime 28.03.96 DJU 1 29.04.96 pág. 13.406/07), também não se pode ignorar que “o pagamento ou a compensação, propriamente, enquanto hipóteses de extinção do crédito tributário, só serão reconhecidos por meio da homologação formal do procedimento ou depois de decorrido o prazo legal para a constituição do crédito tributário, ou de diferenças deste (CTN, art. 156, incisos VII e II, respectivamente). O procedimento do lançamento por homologação é de natureza administrativa, não podendo o juiz fazer as vezes desta. Nessa hipótese, estáse diante de uma compensação por homologação da autoridade fazendária. (...). O juiz não pode, nessa atividade, substituirse à autoridade administrativa.” (cf. Ac. da 1ª Seção do E. STJ nos Embargos de Divergência no REsp. nº 100.523RS Reg. 97.46460, em sessão de 11/07/97, Rel. Min. Ari Pargendler, publ. in DJU de 30/06/97). Por outro lado, também já assentou o E. STJ que “só pode haver compensação se o crédito do contribuinte for líquido e certo, isto é, determinado em sua quantia” sendo que “só após esse estado de liquidez e certeza é que o contribuinte pode fazer o lançamento, efetuando a operação de compensação, sujeita a homologação pelo Fisco”, ou seja, “a liquidez e certeza só podem ser apuradas mediante operação que demanda provas e contas” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp. nº 100.523, Reg. 96/00427453, em sessão de 07/11/96, Rel. Min. José Delgado, publ. in DJU de 09/12/96), obviamente só apuráveis através da liquidação da decisão (administrativa ou judicial) que reconhece o direito à repetição do indébito tributário. Nesse sentido, o artigo 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública – dada a inexistência do título que autorizaria a restituição , os de débitos vincendos de tributos administrados pela SRF, eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto para manter a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11968.001031/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a reclassificação decorre da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizando-se, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH).
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR INDEFERIR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA.
Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em nulidade em razão de não haver deferido o pedido de perícia formulado pela então impugnante, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal.
CONSULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA.
A consulta que vincula a Administração é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO.
De acordo com os laudos constantes dos autos, o porcelanato é revestimento cerâmico, devendo ser classificado no código 6908.90.00, se vidrado ou esmaltado, ou no código 6907.90.00, não sendo vidrado nem esmaltado.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL.
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, na parte conhecida, recurso negado.
Numero da decisão: 3202-001.157
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Frederico C. dos Santos, OAB/PE nº. 20.653.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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IPI. PIS. COFINS. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Recorrente SUAPE PORCELANATO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a reclassificação decorre da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizandose, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH). NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR INDEFERIR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em nulidade em razão de não haver deferido o pedido de perícia formulado pela então impugnante, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal. CONSULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA. A consulta que vincula a Administração é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO. De acordo com os laudos constantes dos autos, o porcelanato é revestimento cerâmico, devendo ser classificado no código 6908.90.00, se vidrado ou esmaltado, ou no código 6907.90.00, não sendo vidrado nem esmaltado. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 10 31 /2 00 8- 31 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 690 2 Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, na parte conhecida, recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Frederico C. dos Santos, OAB/PE nº. 20.653. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (5) lavrados para a desclassificação fiscal de produto importado pela empresa autuada, através das Declarações de Importação registradas em abril e maio de 2008 (nove DIs, ao todo, relacionadas às fls. 07 e 08 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos, correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP, à Cofins e à multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria). Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 691 3 Os cinco Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1° Auto de Infração: para cobrança da diferença do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 12.186,32 (doze mil, cento e oitenta e seis reais e trinta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 457,85 (quatrocentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto o valor de R$ 12.644,17 (doze mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e dezessete centavos). 2° Auto de Infração: para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (1PI), no valor original de R$ 17.060,89 (dezessete mil, sessenta reais e oitenta e nove centavos), acrescido de juros de mora, no montante de R$ 571,76 (quinhentos e setenta e um reais e setenta e seis centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto R$17.632,65 (dezessete mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos), 3° Auto de Infração: para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ 108,95 (cento e oito reais e noventa e cinco centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 4,04 (quatro reais e quatro centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto R$112,99 (cento e doze reais e noventa e nove centavos). 4º Auto de Infração: para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 501,72 (quinhentos e um reais e setenta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 18,82 (dezoito reais e oitenta e dois centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este AutoR$520,54 (quinhentos e vinte reais e cinquenta e quatro centavos). 5º Auto de Infração: para a cobrança da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) n°2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003, no valor de R$ 4.539,37 (quatro mil, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e sete centavos). O valor total do crédito tributário, considerados os cinco Autos de Infração, perfaz R$ 5.449,72 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e setenta e dois centavos). A descrição dos fatos, às fls.04 a 08 do Auto de Infração relativo ao II, repetida nos demais AI, será, a seguir, resumida: a) O importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 07 e 08 do AI referente ao II (repetidas nos demais Autos), submeteu a Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 692 4 despacho mercadoria descrita como: "ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo cai revestimento de pisos, na construção em geral”, classificando a na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 6810.19.00, como: "Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas", com alíquotas de 8% de II, 0% de 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. b) Tendo em vista o exame da mercadoria, objeto de diversos laudos e análises, e considerando as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n's 1 e 6, incorporadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM) e pela Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) (entendimento corroborado pela Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para o código 6907.90.00 da NCM/TEC e da NBM/TIPI, como "Placas (lages) de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento". c) A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente ao II, ao PIS/PASEP e à COFINS, e imposto a pagar no que toca ao IPI, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC, tudo conforme Demonstrativos de Apuração desses impostos, contribuições e multa. Fazem parte dos Autos de Infração, a cópia da Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 6.08.2007, as fls. 104 a 107 (Anexo 01), e a cópia da Decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, impetrado pela empresa contra o Inspetor da ALF/SPE, às fls. 65 a 69 (Anexo 02), Extratos do Processo, As fls.71 a 77, Relação de Processos e Telas, obtidas no Sistema COMPROT, As fls.78 a 82, além do despacho de fl.83. DA IMPUGNAÇÃO Intimado nos respectivos Autos de Infração, em 06.11.2008, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, às fls. 85 a 99 do Volume I, a ela anexando os documentos de fls. 100 a 249 do mesmo Volume, além dos de fls. 252 a 264 do Volume II. A defendente alega que importou matériaprima, classificandoa no código NCM/TEC 6810.19.00, classificação essa consolidada pela RFB em diversas importações e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria ALF/SPE. Diz que foi surpreendida pela alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a impetração de Mandado de Segurança n°2008.83.00.0066185, com o objetivo exclusivo de desembaraçar as Fl. 692DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 693 5 mercadorias importadas mediante o depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado. Na Preliminar, argüiu: 1) Ausência de Concomitância: O MS impetrado teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento pretendeu discutir no Mandamus a classificação fiscal do produto importado ou qualquer outra matéria de direito. 2) Nulidade da autuação afronta ao Principio da Verdade Material: A autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, o que vai de encontro ao principio da verdade material. E no Mérito: 3) Mudança de Critério Jurídico: A mudança de critério jurídico foi fruto da insistência da Secretaria da Fazenda do Estado de PE que, baseada em questionável laudo e informações de concorrentes que produzem produtos diversos do importado e industrializado pela impugnante, pretendem alterar a classificação fiscal do produto por ela importado há anos, tendo sido, inclusive, objeto de previa e regular Consulta, conforme provam os documentos anexos. (Grifei) 4) Inadequação da Classificação imposta: Na realidade, "...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura cientifica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada (item 25 da defesa). O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral findente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do 1PT, de São Paulo (item 26 da defesa). Fl. 693DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 694 6 O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400°C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210° C a 1.2500 C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1.150° C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000° C, donde se conclui, quanto à cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. "Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. ...quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, tem se como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou dúvidas quanto às característica de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica." 5) Multa regulamentar incabível: A imposição da multa regulamentar decorreria do suposto erro quanto à classificação da mercadoria importada. Contudo, não se trata de erro, mas de divergência de interpretação. "... há uma divergência de interpretação das regras de classificação fiscal”. 6) Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, de acordo com o artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, ás fls.97 e 98). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes do MF, que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável a produção de perícia. Anexa, além dos documentos de constituição e de representação da empresa, o Parecer Técnico n° 8.202, de agosto de 2002, do IPT, de São Paulo, do Fl. 694DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 695 7 qual fazem parte o Relatório Técnico n° 58.258, Relatórios de Ensaio n's 888 054 e 882052, além de outras análises. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado.” A DRJ Recife/PE julgou improcedente a impugnação (fls. 262/280), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC E NBM/TIPI. MULTA. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pela Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. À mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, e Lei e 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 696 8 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatado o não recolhimento do imposto sobre a mercadoria importada objeto de nova classificação tarifária, cabe o lançamento desse imposto,nos termos do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIM/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto n°4.543, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 REVISÃO DE OFICIO Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 697 9 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA. Tomase conhecimento da impugnação, no tocante à matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 301/316), alegando, em síntese: a) Preliminarmente: nulidade da decisão de primeira instância, por não ter determinado necessária realização de perícia. Alega que em outro processo administrativo, o qual versa sobre o mesmo tema, de nº. 19647.013825/200882, foi determinada a produção de prova pericial. Aduz, ainda, que os pareceres e laudos constantes deste processo não levaram em consideração a real composição do produto comercializado pela recorrente; e nulidade do auto de infração, vez que, ao se fundamentar na Nota COANA/COTAC/DINON nº.2007/0319, a Fiscalização não adotou qualquer procedimento para apurar a composição das mercadorias importadas, pois não solicitou a retirada de amostras. Afirma que a autoridade fiscal baseouse em presunções, dados subjetivos e informações de empresas concorrentes. b) No mérito: que está sendo prejudicada por força de abrupta mudança de entendimento da Receita Federal do Brasil quanto à classificação fiscal que deve adotar. Afirma que tal mudança é fruto de insistência da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco que, baseada em laudo e informações sobre concorrentes que produzem mercadorias diversas daqueles importadas e industrializadas pela recorrente, pretende alterar a classificação fiscal que há anos tem sido aceita no âmbito da Receita Federal; que o porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e argila em quantidade inferior a 15%. Afirma que tal composição é diversa da cerâmica e mais se assemelha a um granito, consoante laudo técnico emitido pelo ITP (doc. 06 da impugnação); que, para proceder à classificação fiscal da mercadoria, não é o processo produtivo o elemento determinante, mas sim as matériasprimas que compõem o produto, daí a necessidade de análise específica do produto importado pela recorrente; que o produto importado pela recorrente foi submetido a 1 laudo técnico, emitido pelo IPT (doc. 04), não tendo havido posterior análise de composição do produto a permitir uma alteração de classificação; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 698 10 que, enquanto o porcelanato importado utiliza até 15% de argila em sua composição, a cerâmica é composta basicamente por argila. Aduz que as características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica: 75% do porcelanato são compostos por matérias duras, tratandose de um produto estável e mais resistente a temperaturas baixas, enquanto que a cerâmica, com a oscilação do tempo, sofre mais retração e expansão. Afirma que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, daí ser compatível com a classificação fiscal costumeiramente adotada; alega que, quanto à cozedura e o ponto de fusão, há substancial diferença entre o porcelanato e a cerâmica, o que demonstra incorrer em grave equívoco a Nota COANA/COTAC/DINON nº. 2007/0319. Afirma que o ponto de fusão do porcelanato é acima de 1.400ºC, enquanto que o da cerâmica é de 1.000ºC; que é incabível a multa por erro na classificação fiscal, vez que não houve erro, mas sim divergência de interpretação das regras de classificação fiscal; e que, uma vez efetuado o depósito judicial do montante integral correspondente aos tributos entendidos pela Receita Federal como devidos, deve ser cancelada a exigência de juros. Ao final, requer a nulidade do auto de infração ou, ainda, a nulidade da decisão recorrida. No mérito, requer a improcedência da autuação. Através da Resolução nº 3202000.087, de 19 de março de 2013, que através do voto vencedor desta relatoria converteu o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal da DRF competente intimasse a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (UNICAMP, INT ou alguma Universidade Federal que se destaque no tema aqui discutido) para realização do Laudo Técnico. Em resposta à intimação da autoridade fiscal, a Recorrente alegou que nova perícia era desnecessária, em razão dos laudos já apresentados no processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Através de sustentação oral, a Recorrente apresentou a notícia de que em outro processo da mesma contribuinte, a DRJ teria solicitado novo laudo técnico de avaliação da mercadoria e, a partir deste, julgado procedente a impugnação apresentada pela recorrente. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 699 11 Diante dessas informações e das divergências apresentadas nos laudos constantes no presente PAF, foi proposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, que houvesse a apresentação de novo laudo, para atendimento a novos questionamentos deste Conselho sobre os fatos. Ocorre que, a Recorrente, ao invés de atender à intimação deste Conselho, alegou que tal laudo não seria necessário, em razão dos outros já apresentados no processo, especialmente aquele juntado em outro processo e produzido pela UFSCAR, ignorando as divergências apontadas entre eles e os novos questionamentos apresentados. Como dormientibus non sucurrit jus (“O direito não socorre os que dormem”), adoto o voto vencido da ilustre Presidente desta 2a Turma lido em plenário, verbis: Da Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, aduz a querelante a nulidade do Auto de Infração em razão deste fundamentarse na Nota COANA/COTAC/DINON nº. 2007/0319, sem lhe haver sido solicitado qualquer retirada de amostra para apurar a composição das mercadorias importadas. De plano, há que se notar que a referida Nota foi elaborada pela autoridade administrativa para dirimir divergência de classificação que havia exatamente em relação ao porcelanato importado pela Suape Porcelanatos. Demais disso, a reclassificação decorreu da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias, e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizando se, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH). Por fim, temse que não há, nos autos, qualquer discordância em relação aos elementos que compõem o produto importado, mas apenas em relação à sua classificação fiscal. É de se salientar, ainda, que a própria recorrente reconhece que o laudo elaborado pelo IPT analisou a mercadoria que efetivamente foi importada (efl. 311). Desta forma, temse incabível a nulidade suscitada. Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância Ainda em preliminar, alega a contribuinte nulidade da decisão de primeira instância, por esta não haver determinado realização de perícia. Aduz que, em outro processo administrativo, o qual versa sobre o mesmo tema, de nº. 19647.013825/200882, foi determinada a produção de prova pericial. Quanto à realização de perícia, estatui o caput do art. 18 do Decreto nº. 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 700 12 Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine Assim, conforme previsto em lei, é perfeitamente admissível, no processo administrativo fiscal, o indeferimento do pedido de perícia pela autoridade julgadora a quo, uma vez que a esta cabe avaliar os elementos constantes dos autos capazes de firmar a sua convicção. In casu, concluiu a autoridade julgadora ser prescindível a realização de perícia, por entender que os elementos constantes dos autos se mostravam suficientes para dirimir o cerne da questão litigiosa, utilizandose, portanto, da faculdade que a lei lhe assegura, não merecendo, pois qualquer reparo referida decisão. Da Alegada Consulta Quanto à Classificação da Mercadoria Informa a recorrente que já havia procedido outras importações das mesmas mercadorias utilizando o código 6810.19.00, sem que a Receita Federal houvesse manifestado qualquer óbice, e que a matéria foi objeto de regular e prévia consulta. O fato de a contribuinte haver adotado, em outras importações, outro código de classificação fiscal que não 6907.90.00 ou 6908.90.00, tal fato não vincula a Administração, o que somente ocorreria se tivesse havido algum processo de consulta formal, efetuada pela contribuinte, e a Administração, neste processo, indicasse aquela classificação 6810.19.00 como a correta. Esclareçase que, diferentemente do que afirma a interessada, não há qualquer consulta formulada, pela querelante, quanto à classificação fiscal da mercadoria, que confira efeito vinculante à Administração Pública. Isto porque a consulta vinculante é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, que rege o processo de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96. Deste modo, não tendo sido atendidos os requisitos legais, o documento às fls. 226/227 não se constitui em processo de consulta capaz de vincular a Administração. Da Classificação Fiscal das Mercadorias Importadas A mercadorias importadas foram reclassificadas, pela autoridade aututante, do código NCM 6810.19.00 para os códigos NCM 6907.90.00 e 6908. 90.00. Vejamos os textos das descrições de cada um dos códigos pretendidos para a mercadoria denominada “porcelanato”: Código pretendido pela contribuinte: SEÇÃO XII – OBRAS DE PEDRA, GESSO, CIMENTO, AMIANTO, MICA OU DE MATÉRIAS SEMELHANTES; PRODUTOS CERÂMICOS; VIDRO E SUAS OBRAS Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 701 13 CAPÍTULO 68 – OBRAS DE PEDRA, GESSO, CIMENTO, AMIANTO, MICA OU MATÉRIAS SEMELHANTES 6810.19.00 – outras obras de cimento, de concreto (Betão) ou de pedra artificial, mesmo armadas. Códigos pretendidos pela Fiscalização: CAPITULO 69 PRODUTOS CERÂMICOS 6907.90.00 – outros ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica 6908.90.00 – outros ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, vidrados ou esmaltados, de cerâmica. A contribuinte, ao classificar o produto no código 6810.19.00, pretende que a mercadoria conhecida como “porcelanato” seja identificada como “outras obras de pedra artificial”. Para tanto, alega em seu recurso voluntário que o porcelanato é feito de pó de pedra, mais especificamente de feldspato, e que, por conter somente até 15% de argila, não poderia ser considerado um material cerâmico. O Laudo Técnico elaborado pelo IPT(fls. 108/119) colide com as pretensões da recorrente, pois afirma que a argila é o principal componente, sim, das cerâmicas tradicionais, podendo, entretanto, as cerâmicas técnicas e avançadas ser constituídas por feldspato, dependendo do tipo e da classe do produto cerâmico. Vejase: “2.1. Definir o que é uma cerâmica. (...) Constatase pelas definições acima que existem dois níveis de definição de cerâmica: um de âmbito geral (...), que abarca desde artigos domésticos (por ex.,vaso de plantas), passando por biomateriais, e indo até componentes sofisticados de engenharia (por ex., material para espelho espacial), e outro de aplicação restrita (...), envolvendo principalmente materiais tradicionais de uso cotidiano de natureza argilosa (por ex., telhas e pisos), que neste texto serão denominados de cerâmica "tradicional". É importante salientar que todas as definições gerais de cerâmica incluem tanto as cerâmicas tradicionais, como as cerâmicas técnicas e avançadas (por ex., alumina, zircônia, carbeto de silício, e nitreto de silício). Algumas também incluem os vidros, as vitrocerâmicas e os semicondutores 2.2 Quais são as matériasprimas básicas (naturais e sintéticas) utilizadas para a produção de um produto cerâmico? Considerando um produto de cerâmica tradicional, como definida na questão 2.1, a matériaprima básica para a sua produção é a argila, que é natural. Considerando um produto de cerâmica no âmbito geral, definida na questão 2.1, existem diversas matériasprimas naturais e sintéticas empregadas na sua produção. As matériasprimas básicas são definidas para cada tipo ou classe de produto cerâmico. Alguns exemplos de matériaprima sintética são alumina, Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 702 14 carbeto de silício, nitrato de alumínio, e zircônia, e de matériaprima natural são quartzo, feldspato e talco.” (grifos não constantes do original) Assim, diferentemente do que alega a recorrente, o fato de o porcelanato possuir baixo percentual de argila em sua composição, bem como de ser constituído por pó de feldspato, não é suficiente para descaracterizálo como revestimento cerâmico. Por outro lado, temse que o laudo trazido pela contribuinte, em sede de recurso, não pode ser considerado, pois faz a análise do produto somente em relação ao produto cerâmico comum, feito exclusivamente de argila (cerâmicas tradicionais), e leva em consideração a similitude estética do porcelanato com a pedra natural, o que não é critério a ser levado em conta para fins de classificação merceológica, como a seguir restará demonstrado. De outro giro, em relação à classificação pretendida pela querelante, temse que as NESH, ao trazerem esclarecimentos sobre a posição 6810, manifestam o entendimento que se deve ter por “pedra artificial”. Vejase: “A presente posição engloba as obras de cimento, concreto (betão) ou pedra artificial, obtidas por moldagem, extrusão ou centrifugação (...) Por “pedra artificial” designamse as imitações de pedra natural que se obtêm aglomerandose com cimento, cal ou outros aglutinantes (plásticos, por exemplo), fragmentos, grânulos ou pó, de pedra natural (mármore e outras pedras calcárias, granito, pórfiro, serpentina, por exemplo). Os artefatos em granito ou em terrazzo também são variedades de pedra artificIal.” Assim, para que seja admitido o porcelanato na posição 6810, como outras obras de pedra artificial, necessário se faz que ele seja obtido aglomerando se fragmentos, grânulos ou pó de pedra natural com cimento, cal ou outros aglutinantes. Quanto a tal questão, temse que o Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco ITEP assim informa (fls. 236/249): “7.6 Está correto afirmar que as mercadorias importadas e comercializadas por SUAPE PORCELANATO são obtidas aglomerando fragmentos, grânulos ou pó de pedra natural com cimento, cal ou outros aglutinantes, e por moldagem, extrusão ou centrifugação? RESPOSTA: Não.” Deste modo, não é possível o enquadramento na posição 6810, conforme pretende a recorrente. O ponto crucial para a classificação do porcelanato pode ser extraído das Considerações Gerais relativas às Notas Explicativas do Capítulo 68, abaixo transcritas, verbis: “SEÇÃO XIII Capítulo 68 CONSIDERAÇÕES GERAIS Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 703 15 As obras obtidas por cozedura de terras previamente enformadas pertencem à indústria cerâmica, estão na maior parte dos casos incluídas no Capítulo 69 (com exceção de certas obras da posição 68.04) enquanto que as fibras de vidro e as obras de vidro vidrocerâmica, quartzo e outras sílicas fundidos se incluem no Capítulo 70.” Assim, resta claro que, não fazendo parte da exceção prevista na NESH, referente à posição 6804, nem se enquadrando como aquelas mercadorias pertencentes ao capítulo 70, o porcelanato, para enquadrarse no capítulo 69, deve ser obtido por cozedura e deve ser previamente enformado, conforme claramente posto na Nota 1 do Capítulo 69 e nas Considerações Gerais abaixo transcritas: “Capítulo 69 – Produtos Cerâmicos Notas 1. O presente Capítulo apenas compreende os produtos cerâmicos obtidos por cozedura depois de previamente enformados ou trabalhados. As posições 69.04 a 69.14 abrangem unicamente os produtos não suscetíveis de serem classificados nas posições 69.01 a 69.03. Considerações Gerais: A expressão “produtos cerâmicos” designa os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matérias primas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias siliciosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como óxidos, os carbonetos, os nitratos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, esteatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor. A fabricação dos produtos cerâmicos por cozedura de matérias não metálicas inorgânicas (alínea a) compreende, essencialmente, seja qual for a natureza da matéria constitutiva, as seguintes operações: Preparação da pasta: Em certos casos (por exemplo, na fabricação de artefatos de alumina sinterizada), a matéria utilizase diretamente, em pó, adicionada de uma pequena quantidade de lubrificante. No entanto, na maior parte das vezes, é transformada em pasta. A preparação da pasta efetuase por dosagem e mistura dos diversos constituintes e, conforme o caso, por trituração, peneiração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração (extração do ar). Certos produtos refratários são igualmente obtidos a partir de uma mistura doseada de elementos grosseiros e mais finos, à qual se adiciona urna pequena quantidade de aglutinante, sob forma aquosa ou não (alcatrão, matérias resinosas, ácido fosfórico, licor de lignina, por exemplo). Enformação: Esta operação tem por fim dar ao pó ou à pasta assim preparada urna forma tão aproximada quanto possível da forma pretendida. A enformação efetuase por estiragem ou extrusão (passagem à fieira), prensagem, moldagem, vazamento, modelagem, operações que, em certos casos, são seguidas de um tratamento mais ou menos adiantado. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 704 16 Secagem dos artefatos obtidos. Cozedura: Esta operação consiste em submeter os artefatos "crus" a uma temperatura de 800°C ou mais, consoante a natureza dos produtos. Esta cozedura permite obter uma ligação intima dos grãos quer por difusão, quer por transformação química, quer ainda por fusão parcial. Não são considerados cozidos, no sentido da Nota I do presente capítulo, os produtos que tenham sido aquecidos em temperaturas inferiores a 800°C para provocar o endurecimento das resinas que eles contêm, a aceleração das reações de hidratação ou eliminação da água ou de outras substâncias voláteis eventualmente presentes. Estes produtos estão excluídos do Capitulo 69. Acabamento: As operações de acabamento variam em função da utilização do artefato acabado. Podem consistir, quando necessário, num trabalho suscetível de atingir elevado grau de precisão ou em algumas operações tais como a aposição de marcas, a metalização ou a impregnação. Muitas vezes, na fabricação de produtos cerâmicos entram cores e opacificantes especialmente preparados, composições vitrificáveis chamadas "vernizes" ou "esmaltes", engobos, lustres e outras composições análogas, para neles serem incorporados ou lhes darem aspecto envernizado, vidrado ou ainda constituírem motivos decorativos.” O Laudo do IPT, às fls. 111/112, esclarece as etapas do processo produtivo do porcelanato. Vejase: 2.5. Em termos Gerais, o processo produtivo do porcelanato envolve as seguintes operações seqüenciais descritas abaixo? a) Preparação da pasta (massa) — Dosagem e mistura dos diversos constituintes e/ou trituração, peneiração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração. b) Enformação (conformação) — Dar ao pó ou à pasta assim preparada seu formato aproximado quando possível da forma pretendida. Efetuase por estiragem ou extrssão, prensagem, moldagem, vazamento ou modelagem. c) Secagem. d) Cozedura — Submeter os artefatos "crus'? a uma temperatura de 800 °C ou maior, permitindose obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, transformação química ou ainda fusão parcial. e) Acabamento — Operações variadas em função da utilização do artefato acabado (aposição de marcas, materialização, impregnação, vernizes, esmaltes, engobes, lustres, "polimentos"). O processo produtivo do porcelanato envolve algumas operações descritas acima, assim como outras operações. O processo produtivo básico do porcelanato pode ser melhor apresentado como sendo constituído de: a) Moagem; intensa moagem das matériasprimas para diminuição do tamanho da partícula; etapa necessária em decorrência da alta quantidade de minerais duros (rochas) utilizados na formulação dos porcelanatos; b) Atomização: etapa de secagem da barbotina para produção do pó granulado ou grânulo; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 705 17 c) Regranulação: etapa inovadora para se obter grânulos grandes, milimétricos, para se alcançar aspectos visuais ("design") de algumas pedras naturais; d) Prensagem: prensagem uniaxial ou isostática com elevada pressão, com sistema sofisticado de alimentação dos grânulos para se alcançar aspectos visuais ("design") de algumas pedras naturais; e) Sinterização ou queima: etapa em que o corpo verde é exposto a altas temperaturas e ocorre o processo de sinterização; no porcelanato o grau de densificação que se alcança nesta etapa é muito superior aos níveis alcançados por produtos convencionais baseados em argilas; f) Polimento: etapa inovadora no processo produtivo de revestimentos e tem a função de dar brilho superficial no porcelanato, similar ao processamento final de rocha ornamental, como granito e mármore.” Ressaltese que, segundo afirma a querelante, à efl.312, o porcelanato, no seu processo produtivo, sofre cozimento na temperatura entre 1.210 a 1.250ºC, a saber: “Podese dizer sem dúvidas que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1400ºC, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210ºC a 1.250ºC, de sorte que seus elementos não chegam ao ponto de fusão, são apenas aglutinados.” O laudo do ITEP informa, ainda, o seguinte: “7.2. As mercadorias importadas e comercializadas pela SUAPE PORCELANATO são obtidas por cozedura de matérias não metálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas ou a partir de rochas que, depois de moldadas, soa submetidas à ação do calor? RESPOSTA: (...) são obtidos pela monoqueima de uma massa cerâmica refratária de alta tecnologia composta basicamente de um blende de argilas, feldspato e aditivos.” Ao final, temse que ambos os laudos oficiais concluem que o porcelanato caracterizase como produto cerâmico. Vejase: Laudo do ITEP: “Embasado nas considerações e nos resultados dos ensaios executados, a comissão responsável pela elaboração do presente parecer conclui que, as amostras dos produtos coletados pelo ITEP na SUAPE PORCELANATO S/A caracterizase[sic] como produto cerâmico”. Laudo do IPT: “2.4. O porcelanato é, em termos gerais, um produto cerâmico obtido por cozedura (cozedura conforme definida no item "2.5d" abaixo) da massa (pasta) básica depois de previamente enformado ou trabalhado? No âmbito geral, sendo constituído de materiais inorgânicos não metálicos, o porcelanato pode ser classificado como um produto cerâmico. Entretanto não pode ser confundido com uma cerâmica tradicional de natureza argilosa, apesar de ser submetido a tratamento térmico, pois não é Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 706 18 produzido majoritariamente a partir de argila, e tem distintas propriedades físicas e comportamento mecânico. Não se pode dizer que, pelo simples fato de o porcelanato, muitas vezes, imitar uma pedra natural, como o granito, tal característica faça dele uma pedra artificial, constituindose tal semelhança em mero fator decorativo. É o que se infere da resposta ao item 2.9 do laudo do IPT. “2.9. Explanar sobre todo o processo produtivo do grés porcelanato, comparandoo com o processo produtivo das outras cerâmicas comuns. O processo produtivo do (grés) porcelanato pode ser considerado uma nova tecnologia, pois apresenta uma combinação única de etapas de processamento que garantem a produção de um material de elevada performance, ao mesmo tempo que resultam em decorações sofisticadas com excelentes imitações de rochas ornamentais naturais, cujo processo produtivo das cerâmicas tradicionais (comuns) não é capaz de realizar. (...)” Assim, entendo restar cabalmente comprovado nos autos que o porcelanato é um produto cerâmico, e, como tal, por aplicação da RG/SHI nº. 01, deve ser classificado no capítulo 69, na posição 6907(se não vidrado nem esmaltado) ou na posição 6908 (se vidrado ou esmaltado), razão pela qual mostrase correta a reclassificação procedida pelo Fisco. Da Multa por Errônea Classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM No tocante à manutenção da exigência fiscal pertinente à multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, por erro na classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, também não merece reprimenda o acórdão vergastado, vez que a imposição dessa penalidade decorre de texto literal de lei, mais precisamente, do disposto no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, o qual assim dispõe: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." As condições para aplicação dessa multa são objetivas, não figurando, portanto, no campo discricionário da autoridade administrativa decidir por sua aplicação ou não. Ao contrário, presentes as hipóteses tipificadas na lei, o agente do fisco está vinculado e obrigado a infligir a sanção cominada, sob pena de responsabilidade funcional e, também, da seara penal. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 707 19 In casu, a reclamante, de fato, praticou a conduta proibida pela norma, qual seja, proceder à classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul; por conseguinte, tornouse paciente da sanção cominada: multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Se a causa da classificação incorreta foi a divergência de entendimento, tal questão não se mostra relevante para a caracterização da conduta sancionada pela norma. Da aplicação dos Juros de Mora Por último, afirma a recorrente que seria indevida a exigência dos juros de mora, tendo em vista ter realizado, em juízo, o depósito do montante integral do valor dos tributos e contribuições exigidos pela Receita Federal. Acontece que tal alegação não foi deduzida quando da apresentação da impugnação, sendo defeso à querelante alargar os limites do litígio, já instaurado por meio da impugnação. Não é lícito ao querelante inovar na postulação recursal, incluindo questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da apresentação da impugnação perante a instância julgadora a quo, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, vez que, em relação à matéria não impugnada, não se tem por instaurado o litígio. Isto porque as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, não se admitindo, em regra, ressuscitarse questões já ultrapassadas em fases anteriores. Daí que , não tendo sido deduzida a tempo a razão apresentada somente na fase recursal, não se pode dela conhecer. Assinalese, por último, que, consultandose o site da Justiça Federal em Pernambuco, inferese, pelo teor da sentença proferida nos autos judiciais, que sequer houve o alegado depósito. Vejase: “(...) A uma, a sentença ressalvou expressamente que "as decisões de fls. 530/531 e 622, deferindo o pedido de desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, restaram inúteis, visto que sua eficácia estava condicionada ao depósito judicial de valores exigidos pela Receita Federal a título de IPI, II Imposto de Importação, Pis Importação e Cofins Importação, o que não foi comprovado até o momento da prolação desta sentença terminativa, sendo, portanto, desnecessária a revogação dessas decisões". (sublinhado não constante do original) Ressaltese, entretanto, que, por óbvio, a repartição de origem, na execução do Acórdão proferido por este CARF, irá verificar a conversão em renda de depósito judicial porventura existente nos autos da medida cautelar inominada 2008.83.00.0134489, e efetuará a devida atualização do crédito tributário pertinente. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Acórdão n.º 3202001.157 S3C2T2 Fl. 708 20 Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas; no mérito, conheço em parte do recurso e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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