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Numero do processo: 10950.721026/2013-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
IRPF. ISENÇÃO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. LUCRO EXCEDENTE AO PRESUMIDO. APURAÇÃO. REGIME DE CAIXA.
Embora as pessoas jurídicas tributada com base no lucro presumido estejam autorizadas a adotar o regime de caixa no reconhecimento de receitas e despesas, para fins de apuração dos seus lucros e resultados, a apuração do lucro presumido, tributado pela pessoa jurídica, e do lucro excedente ao presumido, apurado com base na escrituração, e que pode ser distribuído com isenção do imposto, devem ser apurados com base no mesmo critério de reconhecimento de receitas.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO.
A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação, sujeitando-se à incidência do imposto sobre o ganho de capital.
Numero da decisão: 9202-007.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ISENÇÃO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. LUCRO EXCEDENTE AO PRESUMIDO. APURAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Embora as pessoas jurídicas tributada com base no lucro presumido estejam autorizadas a adotar o regime de caixa no reconhecimento de receitas e despesas, para fins de apuração dos seus lucros e resultados, a apuração do lucro presumido, tributado pela pessoa jurídica, e do lucro excedente ao presumido, apurado com base na escrituração, e que pode ser distribuído com isenção do imposto, devem ser apurados com base no mesmo critério de reconhecimento de receitas. IRPF. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação, sujeitandose à incidência do imposto sobre o ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 10 26 /2 01 3- 32 Fl. 2330DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Contribuinte contra acórdão julgado em sessão plenária de 07 de junho de 2017, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201003.677, assim ementado: Exercício: 2010, 2011 LANÇAMENTO. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. Segundo dispõe o artigo 156 do CTN, o pagamento é causa extintiva do crédito tributário. Comprovando o contribuinte o pagamento parcial do crédito tributário, a parcela a ele correspondente deve ser excluída do litígio. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada pelo impugnante deverá ser considerada como “não impugnada” e, por consequência, consolidase administrativamente o crédito tributário a ela relativa. NULIDADE. LANÇAMENTO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o lançamento foi realizado com atendimento às formalidades legais e permitiu o pleno exercício do direito de defesa, deve ser afastada a preliminar de nulidade. NULIDADE. PESSOA FÍSICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem intrínseca conexão com o contribuinte pessoa física sócio das empresas averiguadas, é impossível reconhecer que Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.331 3 não há sua relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade fiscal. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, não se sujeitam à incidência do imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, desde que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação e, assim sendo, enseja apuração de imposto de renda sobre o ganho de capital. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DA PESSOA FÍSICA. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO. O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis no modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo, por conseguinte, considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a tributação sobre os lucros distribuídos. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Na origem: Auto de Infração (fls. 1446/1465), cujas constatações foram relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.384/1.429) e Anexos (fls. 1.430/1.445), tendo a descrição dos fatos do mencionado auto apurando as seguintes condutas, assim resumidas no relatório do Acórdão da DRJRJI (fls. 1.670/1.671): “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, no valor de R$ 5.576,00 para o anocalendário 2010. Consignou o Autuante como fonte pagadora a empresa ARGUS – EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; Fl. 2332DF CARF MF 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, no valor de R$ 543.404,42 para o ano calendário 2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram recebidos da pessoa jurídica ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, decorrentes da disponibilização/creditamento pela empresa de juros sobre capital próprio excedentes ao limite passível de dedutibilidade na empresa; OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE RESGATE DE RECURSOS DE PLANO DE SEGURO DE VIDA VGBL, no valor de R$ 17.333,83 em 28/02/2010. Consignou o Autuante como fonte pagadora a BRASILPREV; OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO, no valor de R$ 1.531.000,00 em 20/07/2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram disponibilizados/creditados, mediante simulação, a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida à época da apuração ao regime de tributação com base no Lucro Real, excedente ao valor escriturado/declarado, pois que apurado prejuízo fiscal e efetivamente disponibilizado ao sócio na opção da empresa pelo Lucro Presumido; OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE LUCRO PRESUMIDO, no valor de R$ 3.352.546,07 em 29/12/2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram disponibilizados/creditados a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido, excedente ao Lucro Presumido diminuído de impostos e contribuições, pois o Demonstrativo com base na escrituração contábil utilizado pela pessoa jurídica para justificar distribuição de lucros com isenção superior ao Lucro Presumido, foi elaborado partindose de receitas não oferecidas à tributação; ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO nos meses de 02/2010 (R$ 253.027,01) e 03/2010 (R$ 26.828,93); OMISSÃO APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS, no valor de R$ 104.231.657,00, em 26/02/2010; Das condutas acima, decorreram as seguintes multas: MULTA no percentual de 75%, no valor total de R$ 989.875,72; MULTA no percentual de 150%, a apenar a infração OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO (R$ 1.531.000,00), no valor total de R$ 421.025,00; MULTA ADMINISTRATIVA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO, no valor de R$ 7.583,87 em 30/04/2010 e R$ 17.358,18 em 29/04/2011. Consignou o Autuante que o contribuinte deixou de informar pagamentos realizados na Declaração de Ajuste Anual, no quadro Relação de Pagamentos e Doações Efetuadas Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.332 5 Cientificado do auto de infração em 26/02/2013 (fls. 1.467), em 24/03/2013 o Recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.469/1.552), contestando parte da autuação e reconhecendo as seguintes matérias juntando o comprovante de recolhimento conforme fls. 1.676 do voto da DRJ, verbis: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO, no valor de R$ 1.531.000,00 em 20/07/2009. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, no valor de R$ 5.576,00 para o ano calendário 2010. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE RESGATE DE RECURSOS DE PLANO DE SEGURO DE VIDA VGBL, no valor de R$ 17.333,83 em 28/02/2010. MULTA no percentual de 150% sobre a omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído excedente ao escriturado (r$ 1.531.000,00), no valor total de R$ 421.025,00. MULTA ADMINISTRATIVA pela falta de informação de pagamento efetuado, no valor de R$ 7.583,87 em 30/04/2010 e R$ 17.358,18 em 29/04/2011. Diante deste contexto, se conclui ser a matéria não impugnada, tornando imediatamente exigível o crédito tributário correspondente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Por oportuno, destacase existir cópia de DARF à fl 186, donde se constata o pagamento da multa no percentual de 150% (R$ 421.025,00) e multa administrativa (R$ 24.942,05) com aproveitamento da redução de 50% e o recolhimento do imposto correspondente.” Do Recurso da Fazenda Nacional: O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 05/07/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1914). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre em 30 (trinta) dias da remessa do processo à PGFN. Em 28/07/2017, tempestivamente portanto, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1915/1929 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1929). O apelo visa a rediscutir a seguinte matéria: incidência do imposto de renda sobre lucros distribuídos a sócio por pessoa jurídica sujeita ao regime do lucro presumido, com apuração de receitas pelo regime de caixa para determinação de sua tributação. Como paradigma, foi indicado o Acórdão nº 2202003.018, de 10/03/2015. A divergência foi descrita pela Fazenda Nacional da seguinte forma (destaques da Recorrente): Fl. 2334DF CARF MF 6 "Com a devida vênia, notase que o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, mais especificamente no tocante ao art. 10, da Lei nº 9.249/95, tendo, no ponto, contrariado também a jurisprudência desse Eg. Conselho Administrativo. Doravante se passará a demonstrar que a r. decisão merece ser reformada por esta Col. CSRF. Nesse ponto, o Termo de Verificação Fiscal entende que “Conforme esta resposta da ARGUS, a opção da empresa foi pela tributação como lucro presumido, e regime de reconhecimento de receitas pelo fluxo de caixa. Mas apenas para fins de tributação. O que a empresa denominou “contabilidade societária” foi realizada no regime de competência, segundo informado, e daí se realizaram o Balanço Patrimonial e a DRE, com a consequente geração de lucros em montantes superiores ao que se apuraria pelo regime de caixa. A cisão transferiu parte desses lucros à P8 e esta distribuiu ao sócio FRANCISCO com isenção.” (...) Em contraponto, em caso em tudo semelhante ao ventilado neste feito, o aresto colacionado como paradigma adotou tese jurídica diversa do acórdão recorrido. (...)" Para melhor demonstrar o dissídio suscitado, a Fazenda Nacional transcreveu excerto do voto vencedor do recorrido e a ementa e excertos do relatório e voto condutor do paradigma, da forma como se segue (destaques da Recorrente): Acórdão recorrido: Voto “Há expressa determinação da legislação no sentido que a distribuição de lucros ou dividendos das pessoas jurídicas que apurem o IRPJ devido com base no lucro presumido se dê com respeito ao limite dos valores de lucros obtidos como decorrência da presunção da lei, ou com base no lucro devidamente apurado com base na escrituração contábil, após os ajustes determinados pela lei tributária, consoante a disposição do artigo 238, II da novel IN RFB nº 1700, acima transcrito. Decerto que o limite para tal distribuição é a existência do lucro. Ora, se houve a devida escrituração contábil, e se houve o registro das receitas da empresa com base no regime de caixa, tendo o Fisco dúvida sobre o montante distribuído, deveria ele, Autoridade Lançadora, ter verificado se tal montante extrapolou o limite do lucro apurado e não simplesmente asseverar, como feito, que a apuração das receitas com base no regime de caixa é incompatível com a escrituração contábil com base no regime de competência. Por ser matéria afeta a constituição do direito do Fisco ao crédito tributário, cabe à Autoridade Fiscal sua comprovação. Logo, por haver expressa legislação que permita ao Recorrente a apuração da tributação devida sobre suas receitas ser realizada com base no regime de caixa e a escrituração contábil, com consequente apuração do lucro, com base no regime de Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.333 7 competência não se pode admitir o lançamento como realizado, restando comprovado o cumprimento da legislação pelo sujeito passivo e não tendo o Fisco comprovado a distribuição de lucro acima do montante permitido pela legislação.” Acórdão nº 2202003.018: Ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE COMPARABILIDADE No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. Uma vez que o critério de contabilização comercial é o regime de competência e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa, estamos diante de critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção. Recurso negado." Relatório: "Segundo consta no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, a exigência é decorrente da constatação de que houve omissão e falta de recolhimento do imposto relativo aos valores recebidos da pessoa jurídica Florença Administradora de Bens e Participações Sociais Ltda (CNPJ 10.750.799/000197), excedentes ao lucro presumido da mesma, diminuído dos impostos e contribuições. Esses valores totalizaram R$ 1.400.556,00 e foram recebidos no dia 22/11/2010. O contribuinte havia informado esses valores em sua declaração de ajuste anual como isentos (capitalização de lucros), baseando se em Demonstrativo de Resultado do Exercício – DRE e Balanço Patrimonial BP elaborados com base na escrituração contábil da pessoa jurídica, na qual foi apurado lucro contábil consideravelmente superior ao lucro presumido que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições devidos pela empresa. Contudo, esse lucro contábil foi desconsiderado pela fiscalização, por ter sido apurado a partir de receitas não Fl. 2336DF CARF MF 8 oferecidas à tributação. Como a pessoa jurídica, cuja atividade se desenvolvia no ramo imobiliário, estava submetida à tributação pelo lucro presumido com reconhecimento de receitas pelo regime de caixa, a fiscalização entendeu que ela não poderia utilizar o lucro apurado em sua escrituração contábil como referência para distribuição de lucros com isenção, pois esse lucro contábil é decorrente do reconhecimento de receitas pelo regime de competência, o que não guarda coerência e não pode ser comparado com o lucro presumido apurado com base no regime de caixa." Voto: O Auto de Infração tem por objeto o lançamento de imposto de renda incidente sobre os valores que o contribuinte autuado recebeu da pessoa jurídica Florença Administradora de Bens e Participações Sociais Ltda (CNPJ 10.750.799/000197) a título de distribuição de lucros, em montante excedente ao lucro presumido utilizado como base de cálculo para os tributos devidos pela empresa. Da Isenção dos Lucros Distribuídos A isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: ... Tratandose de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, para que a distribuição aos sócios do valor excedente aos lucros tributados seja considerada rendimento isento é necessário observar o disposto no art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 21 de fevereiro de 1996: ... Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes aos calculados através da base de cálculo do imposto, diminuído dos impostos e contribuições devidas, desde que demonstrado, através de escrituração contábil com observância da lei contábil, que o lucro efetivo é maior. Artigo 10 da Lei n° 9.249/05 e art. 51, § 2°, da IN SRF n° 11/1996 c/c art. 48, § 2°, da IN n° 93/1997. Por sua vez a INSRF nº 104, de 1998, foi normatizada a apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa, cujo art 1º preceitua: ... Nesse contexto, está se permitido um novo sistema de apuração do Lucro Presumido, dando ao contribuinte, a partir de agosto de 1998, a opção de reconhecer as receitas – base de cálculo do lucro, à medida do recebimento. Notase portanto que a regra de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, na apuração do Lucro Presumido, é posterior a autorização da distribuição do lucro excedente, no caso das pessoas jurídicas que mantêm escrituração contábil (art. 48, IN 93/97) e, na nova regra (IN 104/98). Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.334 9 As duas normas devem ser interpretadas em conjunto, é o operador do direito deve formular mentalmente a regra para lidar com as situações prescritas nesta legislação. O que se perquire neste processo é responder tal como sustentado pela autoridade fiscal: Incide a tributação sobre o excedente do lucro liquido contábil distribuído pelas empresas que adotam o regime de tributação do Lucro Presumido e reconhecem suas receitas com base no regime de caixa? Pessoalmente entendo que sim, como se procurará explicar a seguir . Da Contabilidade Juridicizada e os valores da Consistência e Comparabilidade ... Isto posto a comparabilidade e a consistência são valores que devem ser seguidos no processo de analise de qualquer informação contábil. Comparar lucro presumido apurado pelo regime de caixa com lucro contábil apurado pelo regime de competência, para identificar o que é excedente de lucro. É um absurdo contábil que não é passível de ser aceito. Não é possível afirmar que um é maior que outro, pois ambos são elaborados com critérios distintos. Se a legislação efetivamente prevêse essa possibilidade não haveria nada a fazer, entretanto a legislação não trouxe esse condicionamento, momento em que se aplica os valores próprios da contabilidade. O fato da norma não condicionar no que se refere a necessidade de regimes consistentes e comparáveis, não libera o empresa a apurar de acordo com sua conveniência, pois isso fere os valores contábeis da comparabilidade e da consistência. Embora a nova norma não tenha condicionado expressamente que o contribuinte só pode distribuir o excedente de lucro apurado na contabilidade desde que aplique o mesmo regime de reconhecimento de receitas, e esse o princípio que se extrai da aplicação estrita das normas de contabilidade. Feitas essas considerações, podese afirmar que os princípios e normas contábeis são fontes do direito equivalentes aos costumes e têm aplicação nas matérias em que não haja lei expressa em contrário. Da Incongruência de Critérios no caso concreto Urge registrar a incongruência dos critérios utilizados para determinação do lucro distribuído pela empresa (apurado por meio de escrituração contábil, utilizando o regime de competência) e para determinação do lucro que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições (apurado com reconhecimento de receitas pelo regime de regime de caixa). Fl. 2338DF CARF MF 10 O procedimento adotado pelo contribuinte fiscalizado é incompatível, pois utiliza dois regimes contábeis distintos, um mais favorável para a tributação e outro para a assegurar que os lucros distribuídos evidentemente sejam apurados com base em receitas que não serviram de base para apuração dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Na língua inglesa há um ditado: “You cannot compare apples and oranges” (“não compare maçãs e laranjas”, em tradução livre). Basicamente, usase a metáfora para descrever coisas que, apesar de guardarem semelhanças, no fundo são muito diferentes. Desse modo não há como comparar, um resultado apurado pelo regime de caixa e outro pelo regime de competência. Cabe destacar que a fiscalização destacou que embora se adote o regime de caixa para apuração do lucro presumido, a empresa fiscalizado não mantém contas específicas em sua contabilidade para controlar os valores efetivamente recebidos. O que em última instância revelaria também um descumprimento das obrigações contábeis. A escrituração contábil realizada pela empresa, salvo melhor juízo, não se presta assim a demonstrar que seu lucro efetivo é superior ao seu lucro presumido. Isto porque tal escrituração foi realizada com base no regime de competência, e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa. Critérios contábeis distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do excedente de lucro a ser distribuído com isenção. Acrescentese, por pertinente, que na visão deste julgador, é irrelevante a destinação do lucro após a sua distribuição, seja este disponibilizado ao recorrente, ou mesmo que num momento imediatamente subseqüente, os recurso sejam utilizados pelo beneficiário numa nova capitalização de uma empresa. No gênero ocorreu uma distribuição de dividendos, sujeita a tributação conforme argumentado neste voto. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso.” Do despacho de admissibilidade: No acórdão recorrido, entendeuse que os valores distribuídos a sócio, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando a pessoa jurídica, submetida ao regime do lucro presumido, utilizou o regime de competência para a determinação do lucro distribuído e o regime de caixa para reconhecimento de receitas para fim de apuração da base de cálculo de seus impostos e contribuições. Já no acórdão paradigma, entendeuse haver "incongruência" nos critérios utilizados para a determinação do lucro distribuído pela empresa apurado por escrituração contábil, regime de competência e para determinação dos valores que serviram de base de cálculo para os impostos e contribuições apurados pelas receitas recebidas, regime de caixa. Em decorrência, julgouse procedente o lançamento do imposto de renda incidente sobre os valores que o contribuinte autuado recebeu da pessoa jurídica a título de lucros distribuídos, em montante Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.335 11 excedente ao lucro presumido utilizado como base de cálculo para os tributos devidos pela pessoa jurídica. O Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com especial relevo: Em primeiro lugar há que se destacar que, segundo a legislação brasileira e as normas internacionais contábeis, a escrituração dos registros contábeis SOMENTE pode ser realizada pelo regime de competência, inexistindo outra forma de escrituração possível, como bem preceitua o art. 177, da Lei n.º 6.404/1976 (Lei das S.A.), in verbis: Escrituração Art. 177: A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. ...art. 9.º da Resolução CFC n.º 750/93, in verbis: Art. 9.º O Princípio da COmpetência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se refere, independentemente do recebimento ou pagamento. Dentre os Pronunciamento já publicados, o CPC00 trata da "Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil Financeiro" o qual foi aprovado pelo CFC através da Res. CFC n.º 1.121/08, que assim versava: Regime de Competência 22. A fim de atingir seus objetivos, demonstrações contábeis são preparadas conforme o regime contábil de competência. Segundo esse regime, os efeitos das transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem (e não quando caixa ou outros recursos financeiros são recebidas ou pagas) e são lançadas nos registros contábeis dos períodos a que se referem. As demonstrações contábeis dos períodos a que se referem. As demonstrações contábeis preparadas pelo regime de competência informam aos usuários não somente sobre transações passadas envolvem o pagamento e recebimento de caixa ou outros recursos financeiros, mas também sobre obrigações de pagamento no futuro e sobre recursos que serão recebidos no futuro. Dessa forma, apresentam informações sobre transações passadas e outros eventos que sejam as mais úteis aos usuários na tomada de decisões econômicas. O regime de competência pressupõe a confrontação entre receitas e despesas que é destacada nos nos itens 95 e 96. Fl. 2340DF CARF MF 12 Logo, em observância a normas contábeis nacionais e internacionais, os registros contábeis não podem ser realizados de outra forma senão pelo regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte trouxe as seguintes matérias: a) preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por não analisar matéria de ordem pública, que teria sido suscitada nos memoriais e na sustentação oral; b) preliminarmente, deficiência na fundamentação do lançamento constitui vício material do lançamento; c) preliminarmente, necessidade de manifestação de ofício sobre vício da fundamentação do lançamento, pois seria matéria de ordem pública; d) preliminarmente, nulidade do lançamento relativo ao ganho de capital na incorporação de ações por ausência de fundamentação legal correta; e) natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não; e f) aplicação do regime de caixa ao IRPF, do que resultaria a inexigência do imposto na incorporação de ações devido à ausência de recebimento de dinheiro. E do despacho de admissibilidade: Em relação à matéria do item "a" preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por não analisar matéria de ordem pública, que teria sido suscitada nos memoriais e na sustentação oral , o recurso caracterizase pela absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. Verificase que o sujeito passivo objetiva que se reconheça que foram apresentados memoriais de julgamento, bem como arguido em sustentação oral o suposto vício na fundamentação do lançamento, o que fora refutado pelo despacho de rejeição de embargos, no seguinte trecho transcrito pelo sujeito passivo: Despacho de rejeição de embargos "Esta alegação não merece acolhimento. É que sequer consta dos autos os memoriais que o sujeito passivo alega trazerem argumentos relativos à nulidade do lançamento. Por outro lado, também não consta da ata da sessão de julgamento qualquer menção que o patrono do embargante tenha feito esta arguição da tribuna. Nesse sentido, não há de se acatar a omissão relativa ao enfrentamento da nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal. Mas ainda que houvesse o registro de tal alegação, entendemos que teria ocorrido preclusão processual, posto que essa matéria não foi tratada na impugnação, tampouco no recurso e, em absoluto, tal questão pode ser entendida como matéria de ordem pública, a ser conhecida em qualquer fase do processo, uma vez que não é questão que transcenda ao interesse das partes, mas restrita ao enquadramento legal de fatos específicos tratados na autuação." (grifei) Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.336 13 ... No que tange à matéria do item "b" preliminarmente, deficiência na fundamentação do lançamento constitui vício material do lançamento , foram indicados como paradigmas os Acórdãos 9303005.459 e 9303004.603, os quais constam do sítio do CARF na Internet e até a data da interposição do recurso não haviam sido reformados. Com o objetivo de demonstrar o dissídio interpretativo, o sujeito passivo transcreve as seguintes passagens dos paradigmas: Paradigma Acórdão 9303005.459 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. (...) Paradigma Acórdão 9303004.603 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NATUREZA DO VICIO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte, com a norma legal que fundamenta a autuação, o auto de infração deve ser nulo por vicio material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional e por nos termos dos requisitos do art. 10 do Decreto n.° 70.235/72. Salta aos olhos que o sujeito passivo toma por comprovado que há deficiência na fundamentação do lançamento uma suposta ausência de fundamentação legal correta , mas isso é o que o recorrente gostaria de ver comprovado e não o que foi comprovado. Na verdade, essa suposta comprovação de ausência de fundamentação legal correta constitui a matéria do item "d" preliminarmente, nulidade do lançamento por ausência de fundamentação correta , que será analisada adiante. Ressalta se que o eventual seguimento da matéria do item "b" somente seria possível com o concomitante seguimento da matéria do item "d" que lhe serve de esteio. Nesse seara, a apresentação de acórdãos nos quais considerou se que "deficiência na fundamentação do lançamento" constitui vício material, por si só, não traz proveito ao apelo do sujeito passivo. Efetivamente, a divergência somente seria demonstrada com a colação de paradigma no qual não só se tenha classificado a "deficiência na fundamentação do lançamento" Fl. 2342DF CARF MF 14 como vício material, mas que tenha laborado em situação similar à do acórdão recorrido. Ocorre que, sob esse prisma, o sujeito passivo não se desincumbiu do ônus de demonstrar a divergência. Mesmo que houvesse tentado, não obteria êxito em demonstrar o dissídio, pois as situações tratadas nos paradigmas não guardam semelhança com a do recorrido. Na verdade, arguir a ausência de fundamentação legal correta em caso de incorporação de ações implica o ônus de apresentar paradigma que tenha lidado com essa mesma questão nos termos em que provocada na matéria do item "d". Mas não é o caso dos paradigmas, como se passa a explicitar. No caso do primeiro paradigma tratouse de Auto de Infração por meio do qual fora exigida multa regulamentar do Imposto de Importação, por alegados erros no preenchimento das Declarações de Importação e, em se tratando de recurso especial de divergência, o julgado limitouse a dirimir o dissídio em relação à natureza do vício, se material ou formal. Vejase: Paradigma Acórdão 9303005.459 "Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Tratase de questão estritamente processual, qual seja, na nulidade por cerceamento de defesa aduzida em razão de má ou incompleta descrição da infração ou dos fundamentos da autuação." No que toca ao segundo paradigma, analisouse questão específica da legislação aduaneira. Vejase: Paradigma Acórdão 9303004.603 "O lançamento ora combatido, teve como base a conversão da pena de perdimento em multa, devido a saída de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, utilizando produtos estrangeiros, sem a suposta emissão de Notas Fiscais. Já a base legal utilizada, descreve como punível com a multa no valor da mercadoria, aqueles que entregarem ao consumo produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente. Pela descrição da base legal, fica cristalino que a penalidade é aplicada a produtos estrangeiros, que tenham sido importados irregularmente ou de forma fraudulenta.." (grifei) Assim, não restou demonstrada a divergência arguida, logo, o recurso não pode ter seguimento em relação à matéria do item "b" preliminarmente, deficiência na fundamentação do lançamento constitui vício material do lançamento. Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.337 15 Alusivamente à matéria do item "c" preliminarmente, necessidade de manifestação de ofício sobre vício da fundamentação do lançamento, pois seria matéria de ordem pública , foram colacionados os Acórdãos 3402 002.920 e 2201004.031 como paradigmas, os quais constam do sítio do CARF na Internet e até a data da interposição do recurso não haviam sido reformados. Quanto ao primeiro paradigma, o sujeito passivo transcreveu os seguinte: Paradigma Acórdão 3402002.920 Ementa (...) QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EX OFFICIO. VÍCIO NA LEGITIMIDADE PASSIVA DO RESPONSÁVEL ELEMENTO ESSENCIAL DO ATO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. EXCLUSÃO DO RESPONSÁVEL As questões de ordem pública não estão sujeitas à preclusão temporal, podendo ser conhecidas a qualquer tempo, inclusive de ofício, pelos julgadores. O responsável não exercia qualquer cargo de gestão durante o período da autuação, razão pela qual não pode ser considerado responsável apenas por ser gestor da empresa à época da autuação. (...) (Destaques do sujeito passivo) Voto "Nos termos do § 6.° do art. 9.° da Portaria MPS/GM n.° 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.° 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Dita referência, consuma o conceito de preclusão no âmbito do direito processual. A mestra Ada Pellegrini Grinover leciona que 'a preclusão 'não apenas proporciona uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem a litigância de máfé". Tal expediente todavia, não é absoluto. Há casos em que as questões estão além da disponibilidade das partes, gozando de um status de questão de ordem pública, sujeitandose a um regime processual distinto. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido arguida. Encontramse dentre matérias que não são alcançadas pela preclusão: condições da ação, pressupostos processuais, nulidades absolutas, erros materiais e prescrição." Fl. 2344DF CARF MF 16 Ora, o sujeito passivo parte da premissa de que houve erro na fundamentação do lançamento, pois considera que a operação de incorporação de ações não se subsumiria às normas jurídicas que irradiam dos dispositivos legais que serviram de fundamentação legal do auto de infração. Por outro lado, nesse primeiro paradigma discutiuse a legitimidade passiva do sócio, uma temática sem similaridade com a do recorrido. Observase no excerto do voto condutor do paradigma (transcrito pelo recorrente) que o instituto da preclusão foi relativizado para a situação específica da legitimidade passiva do sócio, essa sim tida como de ordem pública. Confirase: Paradigma Acórdão 3402002.920 Voto "I) Da exclusão da responsabilização tributária do sócio com fulcro no art.135, III do Código Tributário Nacional. No momento da lavratura do Auto de Infração, o Sr. Antônio Gomes de Melo foi indicado pela autoridade fiscalizadora como responsável solidário, sob a seguinte motivação (fl. 1133): Conforme descrição dos fatos expostos no Termo de Verificação Fiscal anexo, a empresa apresentou divergência entre as informações prestadas nos Dacons dos anoscalendário 2010 e 2011 e aquelas prestadas em DCTF, posto que nada informou sobre débitos de PIS e da Cofins nas DCTFs. Como a pessoa aqui qualificada era, à época dos fatos geradores e da transmissão das declarações, sócio administrador da empresa, o mesmo, omissiva ou comissivamente, tentou impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do PIS e da Cofins devidos pela empresa, na sistemática nãocumulativa, de forma a não recolher a totalidade destes tributos, ficando caracterizada, assim, a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/64, especificamente na modalidade do seu inciso I. Como a conduta do sócioadministrador foi contrária à lei (art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90; art. 56 da Lei nº 8.981/95; art. 71 da Lei nº 4.502/64), resta caracterizada sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos autos de infração do PIS e da Cofins, os quais foram formalizados no processo administrativos em epígrafe, conforme art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Entretanto, devese enfrentar primeiro a possibilidade de análise dessa questão diante da omissão da impugnação em aviála oportunamente." Salientase que demais afirmações sobre matérias de ordem pública podem, no máximo, ser consideradas como obiter dictum, sem aptidão para sustentar uma demonstração de divergência. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.338 17 Nesse quadro de ausência de similitude fática não se pode presumir qual seria a solução dada no paradigma se houvesse sido analisada a mesma questão que foi objeto do acórdão recorrido, de maneira que a divergência não restou demonstrada. Assim, esse primeiro paradigma não é hábil à demonstração do dissídio de interpretação. Por seu turno, o segundo paradigma indicado pelo sujeito passivo é o Acórdão 2201004.031, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 09/11/2017, a mesma Turma Julgadora que proferiu o aresto recorrido, o que contraria o caput do art. 67, do Anexo II, do RICARF: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF." (grifei) Dessarte, esse segundo paradigma não serve de paradigma. Como nenhum dos dois acórdãos cotados à guisa de paradigma são hábeis à demonstração da divergência alegada, o recurso não pode ter seguimento em relação à matéria do item "c" preliminarmente, necessidade de manifestação de ofício sobre vício da fundamentação do lançamento, pois seria matéria de ordem pública. No que se trata da matéria do item "d' preliminarmente, nulidade do lançamento relativo ao ganho de capital na incorporação de ações por ausência de fundamentação legal correta , de início, convém esclarecer que o auto de infração contém diversas infrações e a presente matéria referese ao inconformismo do sujeito passivo em relação àquela que trata do ganho de capital na incorporação de ações. O sujeito passivo considera que, em se tratando de incorporação de ações, não houve fundamentação legal correta porque o auto de infração teria se amparado no art. 117 do RIR1999 sem indicar de qual forma o ganho de capital ocorrera e teria se baseado no art. 123 do RIR1999 sem a especificação de qual de seus incisos seria aplicável ao caso concreto. Essa é uma questão que não consta do acórdão recorrido e que foi objeto de embargos de declaração, em que se alegou omissão na apreciação de alegações feitas em memoriais e na sustentação oral. Fl. 2346DF CARF MF 18 Na análise da matéria do item "a" já se expôs que a decisão de rejeição dos embargos é definitiva. Em tal decisão consignouse que não foram juntados memoriais nem houve comprovação de alegação em sustentação oral, essa discussão não pode ser reinaugurada em sede de recurso especial de divergência, mormente porque exigiria ultrapassar a questão da preclusão o que não ocorreu no exame da matéria do item "a" e não constitui o cerne da presente matéria. Dessarte, a ausência de manifestação do acórdão recorrido, bem como do despacho de rejeição dos embargos, relativamente à alegada ausência de fundamentação correta sob a perspectiva dos arts. 117 e 123 do RIR1999, o seguimento do recurso esbarra na ausência de prequestionamento. Assim, por não ter sido prequestionada, a matéria em questão não atende ao pressuposto de admissibilidade do Recurso Especial descrito no § 5º do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, transcrito abaixo: § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.” Dada a ausência de prequestionamento, o Recurso Especial não pode ter seguimento, relativamente à matéria do item "d'. Ainda que fosse possível superar o referido óbice o que se admite somente para argumentar outras razões impediriam o seguimento do apelo. Explicarseá. O sujeito passivo indicou vários paradigmas para a questão (2403002.960, 2403002.880, 2302003.210, 2402 004.102, 1301001.314, 2302002.399 e 20501.531), consequentemente, devese aplicar a norma prevista no §7º do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, abaixo reproduzido: § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. De outro giro, consignase que acórdão do Poder Judiciário não serve de paradigma foi falta de previsão regimental. Assim, apenas os dois primeiros citados serão analisados: acórdãos 2403 002.960 e 2403002.880, os quais constam do sítio do CARF na Internet e até a data da interposição do recurso não haviam sido reformados. Com a finalidade de demonstrar o dissentimento interpretativo, foram transcritos os seguintes trechos dos paradigmas: Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.339 19 Paradigma Acórdão 2403002.960 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO. NULIDADE. Apresentação de fundamentação legal genérica, sem exatidão, representa vício material insanável que torna nulo o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Paradigma Acórdão 2403002.880 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Apresentação de fundamentação legal insuficiente caracteriza vício material. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. Põese em evidência que o recurso especial não constitui uma terceira instância de julgamento, na qual seria possível reapreciar provas e, sob um amplo âmbito de cognição, decidir se foi ou não empregada fundamentação legal correta. Na atual fase recursal, o âmbito cognitivo é limitado, uma vez que restrito à aferição de divergência de interpretação. Assim, não é permitido ao recorrente construir suposta divergência já tomando como comprovada a premissa de que não houve fundamentação legal correta, visto que o acórdão recorrido disse o contrário. Antes disso, cabe ao recorrente indicar paradigma que tenha tratado de situação fática similar à do recorrido e que, interpretando a mesma legislação, tenha reputado que a fundamentação legal adotada não estava correta, razão pela qual a nulidade fora declarada. O sujeito passivo considera que, em se tratando de incorporação de ações, não houve fundamentação legal correta porque o auto de infração amparase no art. 117 do RIR1999 e no art. 123 do RIR1999 sem especificar um dos incisos deste último. Antes de ser uma questão de interpretação do CTN ou do Decreto 70.235, de 1972 como o recurso sugere , cuida se de interpretação da legislação do IR. Para fins de aferir a existência de divergência, indagase: os paradigmas analisaram operação de incorporação de ações e emprego do art. 123 do RIR1999? A resposta é um retumbante não. Os paradigmas ocuparamse de interpretar legislação previdenciária alusiva ao FNDE. Vejase: Paradigma Acórdão 2403002.960 "Temse em pauta Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) relativa a contribuições ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (salárioeducação), incidentes Fl. 2348DF CARF MF 20 sobre as remunerações dos segurados que prestaram serviços ao Notificado no período de 01/1999 a 06/2002." (grifei) Paradigma Acórdão 2403002.880 "Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, que decidiu pelo deferimento parcial da defesa apresentada pela empresa, reconhecendo que quando do lançamento não foram abatidos os pagamentos parciais efetuados pela empresa por meio dos Comprovantes de Arrecadação Direta." (...) O contribuinte foi intimado a recolher valores, tendo para tanto, a autoridade competente à época do Fato Gerador elaborado planilha de cálculo, sucinto relatório, bem como Notificação para Recolhimento de Débito NRD, fl. 43. Ocorre que nestes documentos, não consta a tipificação exata da contribuição sob exigência, trazendose apenas os diplomas normativos, in verbis: Fundamentação Legal: DecretoLei n° 1.422, de 23/10/1975; Decreto n°76.923, de 26/12/1975; Decreto n°87.043, de 22/03/1982; Decreto no 88.374, de 07/06/1983; Lei no 7.787, de 30/06/1989; Lei n°8.212, de 24/07/1991; Lei n°8.383, de 30/12/1991; Lei n° 8.620, de 05/01/1993; Lei n° 8.981, de 20/01/1995; Lei 9.065, de 20/06/1995; Lei n° 9.424, de 24/12/1996; Lei n° 9.528, de 10/12/1997; Lei 9.601, de 21/01/1998; Lei 9.766, de 18/12/1998; Decreto n° 3.034, de 27/04/1999; Decreto n°3.048, de 06/05/1999; Decreto n°3.142, de 16/0811999 e Lei n°9.876, de 26/11/1999. Constatado que os paradigmas não trataram de situação fática similar e sequer interpretaram a mesma legislação, a divergência não restou demonstrada. Diante das razões acima, quer por ausência de prequestionamento, como também por não demonstração de dissentimento interpretativo, o recurso não pode ter seguimento em relação à matéria do item "d" preliminarmente, nulidade do lançamento relativo ao ganho de capital na incorporação de ações por ausência de fundamentação legal correta. Em relação à matéria do item "e" natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não , a título de paradigmas, foram indicados os Acórdãos 9202.003.579 e 10617.104. No que tange ao primeiro paradigma 9202 003.579 , o sujeito passivo leva a cabo o cotejo adiante reproduzido: Acórdão recorrido Ementa Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.340 21 "GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação e, assim sendo, enseja apuração de imposto de renda sobre o ganho de capital." Acórdão Paradigma 9202003.579 Ementa "IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. (...) Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado." Voto "Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, §3°, da Lei n° 7.713/88. (...) Estão citados como enquadramentos legais da infração, dentre tantos outros, o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, segundo os quais: (...) A defesa, por outro lado, sustentou que não houve transferência das participações a terceiros, tendo ocorrido apenas uma troca de posições, ou seja, a contribuinte que era acionista da REFLA passou a ser da BRATIL, por idêntico valor, pois não houve circulação de numerário, sendo que os ganhos de capital das pessoas físicas somente são tributáveis pelo regime de caixa. (...) O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na Fl. 2350DF CARF MF 22 medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. (...) Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembleia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. (...) Ato contínuo, pretendeu a Autoridade Fiscal justificar a tributação por meio da aplicação do disposto na Lei n. 7713, de 22 de dezembro de 1988, que altera a legislação do imposto de renda e dá outras providências: (...) De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. (...) A incorporação tem como um de seus efeitos a transformação da sociedade incorporada em sua subsidiária integral – e não a sua extinção, como ocorre com a incorporação tradicional – da qual a incorporadora passa a ser a única acionista. Ato contínuo, a incorporadora emite ações em seu nome, para substituir aquelas que foram incorporadas, cujo valor pode ser idêntico, inferior ou superior ao valor de custo. Daí o caráter de permuta: o acionista entrega a sua participação societária, e recebe em troca novas ações, agora da empresa incorporadora. Trocamse, portanto, títulos por outros títulos. O fato de as novas ações serem eventualmente superiores ao valor contabilizado (ou valor de custo), não permite dizer que houve acréscimo patrimonial, visto que não há qualquer disponibilidade efetiva de renda. Esta somente se verificará Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.341 23 quando o contribuinte efetuar a alienação da participação societária, recebendo, em contrapartida, o preço. O ganho de capital, portanto, depende da realização da renda. (...) Desta forma, ainda que se possa aceitar a ocorrência de uma transferência de ações (dos acionistas da incorporada à incorporadora), não há recebimento de preço pelos títulos, mas sim de novas ações, cujo valor total, ainda que superior, poderá ser momentâneo, diante das variáveis acima mencionadas. Assim, inexiste qualquer ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda quando ocorre a denominada incorporação de ações. A situação descrita não se amolda ao critério material da norma tributária. Não há efetivo acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações. Por conseguinte, exigir o tributo da pessoa física, nestas situações, não só afronta o conceito constitucional de “renda e proventos de qualquer natureza” porquanto tributase patrimônio e não renda como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da Lei Constitucional de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo Diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria Carta Magna). (...) Com tais considerações, entendo que não merece ser reformado o decisum recorrido" De plano, constatase que o acórdão recorrido e esse primeiro paradigma tratam da mesma matéria: lançamento de IRPF relativo a ganho de capital decorrente de operação de incorporação de ações. A leitura dos trechos colacionados não deixa dúvidas acerca da demonstração da divergência jurisprudencial. No caso do acórdão recorrido, considerouse que a operação de incorporação de ações está sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital. No caso desse primeiro paradigma, ao contrário, o entendimento foi no sentido de que inexiste fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na operação em questão. Em suma, o recurso deve ter seguimento em relação à matéria "e" natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não com base, exclusivamente, no primeiro paradigma. No que diz respeito à matéria do item "f" aplicação do regime de caixa ao IRPF, do que resultaria a inexigência do imposto na incorporação de ações devido à ausência de recebimento de Fl. 2352DF CARF MF 24 dinheiro , o sujeito passivo indica o Acórdão 10617.104 o mesmo citado como segundo paradigma da matéria anterior. Conforme demonstrado na análise do item precedente, o Acórdão 10617.104 já se encontrava reformado antes da data de interposição do recurso especial, de modo que não serve de paradigma, o que implica o não seguimento dessa matéria do item "f". Dessa decisão o Contribuinte interpôs AGRAVO que teve a seguinte decisão: 1) ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria de mérito "aplicação do regime de caixa ao IRPF, do que resultaria a inexigência do imposto na incorporação de ações devido à ausência de recebimento de dinheiro" (apreciada no item "f" do Despacho agravado), mas apenas em relação ao paradigma nº 9202003.579; e 2) REJEITADO relativamente às matérias preliminares (apreciadas nos itens "a", "b", "c" e "d" do Despacho agravado), prevalecendo, nesta parte, as negativas de seguimento ao recurso especial expressas pela Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões, pugnando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Admissibilidade: Entendo tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Especial do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Mérito O Recurso Especial da Fazenda Nacional visa a rediscutir incidência do imposto de renda sobre lucros distribuídos a sócio por pessoa jurídica sujeita ao regime do lucro presumido, com apuração de receitas pelo regime de caixa para determinação de sua tributação. O Conselheiro Relator do a quo assim descreveu a imputação fiscal: “Como se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal (1.384/1.429), a fiscalização apontou que a empresa Argus utilizou ambos os regimes de caixa e de competência para determinar o lucro distribuído (competência) e o lucro oferecido Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.342 25 à tributação (caixa), conforme trechos do documento mencionado, abaixo transcritos: “114. Portanto, ao optar pela tributação de suas receitas com base no regime de caixa, a empresa acabou por impactar a apuração de seu lucro com base na escrituração contábil, pois que ambos os elementos a serem comparados, para fins de distribuição de lucros isentos, deveriam ser passíveis de comparação, obtidos segundo as mesmas condicionantes ou, dito de outro modo, obtidos a partir das mesmas receitas tributadas. 115. Assim, não se pode permitir à empresa utilizarse dos dois regimes de escrituração e reconhecimento de receitas, competência e caixa, simultaneamente, cada um para justificar um fim específico que lhe seja mais favorável. Um para justificar recolhimento de tributos reduzidos, e outro para distribuir lucros isentos elevados. A comparação entre o lucro presumido e o lucro contábil deve guardar coerência. 116. Há, portanto, necessidade de que a demonstração da qual eventualmente resulte lucro superior ao apurado nos critérios de presunção, demonstração essa baseada na escrituração contábil, seja feita coerentemente à opção e ao regime de reconhecimento de receitas adotado pela empresa. Como a comparação deve ser feita a partir da base de cálculo do lucro presumido e esta no caso concreto, foi apurada com base no regime de caixa, não se pode admitir que a empresa utilize demonstrativos contábeis elaborados com base em receitas obtidas mediante regime de competência para demonstrar lucro superior, e assim justificar isenção na distribuição desses lucros aos sócios.” Verificase que o cerne da questão, o motivo fundante do lançamento é que – segundo a autoridade lançadora – a empresa escriturava sua contabilidade pelo regime de competência e tributava sua renda pelo regime de caixa, permitido para sua atividade. Entendo, não obstante as razões apresentadas pela Fazenda Nacional, irrepreensíveis as fundamentações trazidas pelo ilustre Conselheiro Carlos Henrique, que passo a reproduzir e trago como razão de decidir: Posta a situação fática, recordemos a legislação aplicável. O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, explicita: Art. 654. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior Tal disposição regulamentar encontra seu fundamento de validade no artigo 10 da Lei nº 9.249/95. Recordemos sua redação: Fl. 2354DF CARF MF 26 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Ora, claríssima a disposição da lei tributária: os lucros ou dividendos apurados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real ou presumido, não ficaram sujeitos ao imposto de renda do beneficiário pessoa física ou jurídica. Assim, resta verificar se há restrição na legislação tributária sobre o montante do lucro a ser distribuído. Vejamos as disposições da Instrução Normativa nº 1700/17 que recentemente consolidou as disposições sobre o tema, sem porém inoválo: Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. (…) § 9º O lucro presumido e o resultado presumido serão determinados pelo regime de competência ou de caixa. (…) Art. 238. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica; Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.343 27 II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período base não encerrado, que exceder o valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. (…) Art. 225. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; e III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica e os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I do caput não se aplica à pessoa jurídica que no decorrer do ano calendário mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. De todo o exposto, podemos inferir sem nenhuma dúvida que há permissivo legal para a distribuição de lucros ou dividendos da pessoa jurídica, qualquer que seja a base de sua tributação pelo IRPJ, desde que tais lucros sejam Fl. 2356DF CARF MF 28 apurados com base em sua escrituração contábil e respeito as normas tributárias. Há expressa determinação da legislação no sentido que a distribuição de lucros ou dividendos das pessoas jurídicas que apurem o IRPJ devido com base no lucro presumido se dê com respeito ao limite dos valores de lucros obtidos como decorrência da presunção da lei, ou com base no lucro devidamente apurado com base na escrituração contábil, após os ajustes determinados pela lei tributária, consoante a disposição do artigo 238, II da novel IN RFB nº 1700, acima transcrito. Decerto que o limite para tal distribuição é a existência do lucro. Ora, se houve a devida escrituração contábil, e se houve o registro das receitas da empresa com base no regime de caixa, tendo o Fisco dúvida sobre o montante distribuído, deveria ele, Autoridade Lançadora, ter verificado se tal montante extrapolou o limite do lucro apurado e não simplesmente asseverar, como feito, que a apuração das receitas com base no regime de caixa é incompatível com a escrituração contábil com base no regime de competência. Por ser matéria afeta a constituição do direito do Fisco ao crédito tributário, cabe à Autoridade Fiscal sua comprovação. Logo, por haver expressa legislação que permita ao Recorrente a apuração da tributação devida sobre suas receitas ser realizada com base no regime de caixa e a escrituração contábil, com consequente apuração do lucro, com base no regime de competência não se pode admitir o lançamento como realizado, restando comprovado o cumprimento da legislação pelo sujeito passivo e não tendo o Fisco comprovado a distribuição de lucro acima do montante permitido pela legislação. Outrossim, conheço o do Recurso Especial da Fazenda Nacional e no mérito NEGOLHE provimento. Do Recurso Especial do Contribuinte Admissibilidade Tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual conheço o Recurso Especial do Contribuinte. Mérito Ressaltese que o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido quanto aos seguintes portos: e) natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não; e Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.344 29 f) aplicação do regime de caixa ao IRPF, do que resultaria a inexigência do imposto na incorporação de ações devido à ausência de recebimento de dinheiro. Quanto a natureza jurídica da incorporação de ações e aplicabilidade do regime de caixa O trabalho fiscal tratou de lançamento de IRPF em virtude de omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício em relação à pessoa jurídica ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA (ARGUS); omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA (ÉVORA), relativos a juros sobre o capital próprio excedentes ao limite dedutível pela sociedade empresária; omissão de rendimentos de resgate de recurso de plano de seguro de vida – VGBL; omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva a título de lucros excedentes aos escriturados pela sociedade empresária respectiva; omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva recebidos a título de lucros distribuídos de maneira a exceder o lucro presumido; acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário de 2010; omissão de lucros recebidos em virtude de ganho de capital decorrente de incorporação de ações; multa no percentual de 75%; multa no percentual de 150% sobre o valor recebido em virtude de simulação no recebimento de lucros distribuídos de maneira a exceder o escriturado e multa administrativa pela falta de informação de pagamento na Declaração de Ajuste Anual. Neste tópico, sustenta o Recorrente a inaplicabilidade do artigo 23 da Lei 9.249/1995 à incorporação de ações, pois apesar do § 1º do artigo 252 da Lei n° 6.404/1976 afirmar que a sociedade incorporadora das ações deve autorizar o aumento de capital, esta operação não deve ser confundida com a integralização de capital social a que alude o artigo 23 da Lei nº 9.249/1995. Alega que a decisão recorrida confunde o momento da ocorrência do fato gerador do ganho de capital com o momento em que o tributo deve ser recolhido. Aduz que não nega a ocorrência do fato gerador, mas sim a inocorrência de obrigação de recolhimento de imposto, diante da substituição (incorporação) de ações. Neste ponto, entendo não prosperarem as alegações do Recorrente, pois conforme se verá adiante, a operação de incorporação de ações consiste em espécie de alienação tributada pelo IR a título de Ganho de Capital. Vejamos. A operação sub judice se encontra pormenorizadamente no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.411/1.426, cujos trechos primordiais se transcreve abaixo: “GANHO DE CAPITAL Incorporação de ações da EVORA pela CSD Ano calendário 2010 Alienação em sentido amplo Valor das ações alienadas superior ao valor informado na declaração de bens Disponibilização jurídica/econômica e ganho patrimonial 185. Consta na DAA do contribuinte, anocalendário 2010, quadro Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, valor de R$ 104.231.657,00 (cento e quatro milhões, Fl. 2358DF CARF MF 30 duzentos e trinta e um mil, seiscentos e cinquenta e sete reais) consignado sob informação “DIFERENCA NA SUBSTITUICAO DE ACOES EVORA / CSD”. (...) 187. O contribuinte alega, portanto, ter havido uma mera substituição de ações da EVORA por ações da CSD. Ou seja, FRANCISCO cede o total das ações da EVORA, todas de sua titularidade, à CSD, tornandose aquela uma subsidiária integral desta. Em contrapartida, ou como se alega, “em substituição às ações cedidas”, a CSD entrega a FRANCISCO novas ações da companhia, integralizadas com as ações da EVORA cedidas. Tal operação ocorreu em fevereiro de 2010. Em momento posterior, julho de 2010, a CSD realiza a incorporação da EVORA, com a consequente extinção da empresa incorporada. (...) Da incorporação de ações 190. Segundo descrito tanto por FRANCISCO quanto pela empresa CSD, face os documentos apresentados, temse que a operação realizada se caracteriza como uma incorporação de ações. 191. Essa operação é uma maneira de se transformar uma sociedade por ações em subsidiária integral de outra sociedade por ações, convertendoa em sociedade de um único sócio. 192. Nos termos do § 2o. do copiado art. 251, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra companhia brasileira, deve ser feita observandose o previsto no art. 252 da mesma Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléia geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléia geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.345 31 companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléia geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” 193. Em resumo aos textos legais copiados, destacamse algumas das regras de conversão de uma sociedade em subsidiária integral de outra: a operação deve ser aprovada em Assembléia Geral (AG) das duas companhias envolvidas; as duas AG deliberam com base em protocolo e justificação (documento que assenta as condições da operação, e o interesse das duas sociedades na celebração do negócio); ser realizado com as ações a serem incorporadas; nomear peritos para avaliálas e aprovar o laudo pericial53; AG da sociedade cujas ações serão incorporadas deve aprovar a operação por maioria das ações com direito a voto, autorizando a diretoria a subscrever o aumento de capital da incorporadora54; é dado o direito aos dissidentes de se retirarem da companhia que se tornará subsidiária integral, mediante o recebimento do valor de suas ações; os titulares das ações incorporadas recebem suas ações diretamente da incorporadora. 194. Resta claro que a incorporação de ações não se confunde com o instituto da incorporação de companhias. Em que pese a similaridade das denominações, os institutos produzem consequências jurídicas distintas e particulares, dentre as quais destacamse os efeitos sobre o patrimônio das empresas: na incorporação de sociedades, o patrimônio da sociedade incorporada passa a integrar o patrimônio da sociedade incorporadora, ao passo que, na incorporação de ações, não há extinção da empresa. Na incorporação de ações mudase a composição societária da subsidiária integral, mas sua personalidade jurídica, seus direitos e deveres e seu patrimônio mantêmse intactos. 195. Tratase de operação que propicia a concentração empresarial sem que se tenha de negociar a aquisição de participações societárias com cada um dos sócios. Realizase Fl. 2360DF CARF MF 32 sob a condição de observar rito peculiar. Por subverter as regras usuais de integralização de capital e de alienação de ações, a incorporação de ações exige a manifestação de ambas as sociedades, que deliberam sobre a operação em respectivas Assembléias Gerais. Para os sócios que deliberam pelo aumento de capital, a decisão implica perda do direito de preferência na integralização; para os sócios que integralizam capital com suas ações, a decisão majoritária de autorizar a diretoria a transferilas implica a necessidade de cada um optar entre aderir à vontade social ou exercer seu direito de retirada. Os sócios perdem o poder de fixar o preço de suas ações individualmente, mas não são vítimas de negociação feita à sua revelia. O ingresso em uma sociedade acarreta a aceitação das regras vigentes que a regem, o que pressupõe acatar as decisões societárias regulares, tanto as dos seus administradores, no uso dos seus poderes de representação, como as resultantes de deliberação de sócios votantes em assembléias, as quais indubitavelmente influenciam no valor das ações. (...) 197. Para o caso concreto sob análise, a incorporada EVORA se constituía à época como sociedade unipessoal, sendo FRANCISCO seu único sócio. Sua vontade pessoal, majoritária pois que única na sociedade EVORA, se confunde com a própria deliberação da sociedade, embora pessoas distintas. Não se pode, assim, sequer aventar que a operação se realizou à margem da vontade de FRANCISCO, pois que este votou na AG, aprovou o Laudo de Avaliação, a Justificação da Incorporação, a incorporação das ações pela CSD, entregou suas ações da EVORA e recebeu as ações da CSD. Na incorporadora CSD, passou a ser o acionista majoritário, com 49,9977% das ações. Eventualmente somadas sua participação à de sua mãe Deolinda Brioli Nogaroli, com 0,0023% das ações, lhes daria deter 50,00% do capital. Portanto, difícil sustentarse uma eventual tese de que a incorporação das ações foi realizada à revelia de vontade dos sócios, fruto apenas de negociação ocorrida entre empresas. Da incidência de imposto de renda na incorporação de ações 198. Do instituto da incorporação de ações acima descrito, temse claro que a operação realizada não pode ser entendida à luz de uma mera substituição sem efeitos tributários, de ações da CSD (à época denominada Companhia Sulamericana de Comercialização CSC), por ações da EVORA e do então Supermercados Cidade Canção (SCC). Isto porque a relação de troca utilizada baseouse no valor econômico das empresas cujas ações foram cedidas (ou valor de mercado, conforme citado na resposta do FRANCISCO ao TIF 017/2012). 199. De fato, e analisandose especificamente a parcela relativa a FRANCISCO, a CSD emitiu 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações ao preço unitário de R$ 1,00 (um real), as quais foram integralizadas com 6.626.000 (seis milhões, seiscentos e vinte e Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.346 33 seis mil) ações da EVORA, avaliadas, aceitas e recebidas pela CSD ao preço unitário aproximado de R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) por ação. O beneficiário desta operação foi FRANCISCO, ora fiscalizado, pois que cedente da titularidade das ações da EVORA, e recebedor da parcela de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD. 200. Destacase que o valor unitário de cada ação da EVORA em R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) utilizada na integralização das ações recebidas ou subscritas na CSD (valor esse aceito pelas partes como valor econômico, ou valor de mercado da empresa EVORA), era superior ao valor patrimonial das mesmas ações, apurado pela empresa de consultoria contratada em R$ 1,58 (um real e cinquenta e oito centavos) por ação. Essa diferença gerou um ágio56 na aquisição dessas ações, contabilizado pela CSD, com possibilidade de amortização nos termos da legislação aplicável, e redução dos efetivos tributos federais a serem eventualmente apurados. (...) 202. Portanto, contabilizando e apropriandose do ágio, a empresa CSD considerouse efetivamente onerada no valor de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais), relativamente às ações da EVORA. 203. Em movimento seguinte, FRANCISCO utiliza esse montante de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais) representativo das ações recebidas da CSD para, acrescido a R$ 215.000,00 (duzentos e quinze mil reais) em moeda corrente, integralizar à vista 111.072,657 (cento e onze mil, setenta e duas, seiscentos e cinquenta e sete milésimos) quotas do Fundo de Investimento em Participações DVA CNPJ 09.172.825/000168 (doravante FUNDO DVA), administrado pelo Banco Modal S.A. CNPJ 30.723.886/000162, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Nos termos do Boletim de Subscrição de Cotas n. 01, apresentado por FRANCISCO57 e confirmado pelo Banco MODAL58, o valor unitário de cada quota se fazia em R$ 1.000,00 (um mil reais), totalizando um patrimônio em quotas, de titularidade de FRANCISCO, em R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 204. O mesmo FRANCISCO, em sua DAA ano calendário 2010, quadro Declaração de Bens e Diretos, informa possuir “COTAS NO FIP DVA CNPJ 09.172.825/000168”, situação em 31/12/2009 R$ 0,00 e situação em 31/12/2010 R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 205. Adicionalmente, temse o Livro Registro de Ações Nominativas n. 01 da CSD, consignando que FRANCISCO Fl. 2362DF CARF MF 34 integralizou em 26/02/2010 quantidade de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD ao valor realizado de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). Consta ainda, no mesmo Livro, à mesma data 26/02/2010, transferência do total dessas ações de FRANCISCO com aquisição por parte do FUNDO DVA.” Não obstante o contribuinte alegar em seu recurso que a operação foi tida indevidamente como alienação e na verdade se tratou de uma união de duas empresas (Évora e SCC) através de um acordo com fins de expansão e consolidação de suas atividades no mercado. Explica: "Na prática foi como se estas duas empresas (Évora e SCC) tivessem se fundido numa só (CSD), contudo, tendo em vista a maior complexidade da operação de fusão, resolveram realizar apenas a substituição de suas ações (Évora e SCC) por ações da nova empresa (CSD), tomandose aquelas subsidiárias integrais desta, mantendoas com personalidade jurídica ativa. Neste particular, me filio ao voto vencedor constante do Acórdão 9202.003579, da lavra do ilustre Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, verbis: Como dito acima, a matéria envolve a exigência de imposto de renda incidente sobre ganho de capital apurado em operação denominada “incorporação de ações”, a qual se encontra disciplinada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76, da seguinte forma: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.347 35 A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º. A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirar se da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3º. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Estão citados como enquadramentos legais da infração, dentre tantos outros, o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, segundo os quais: Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei (...) § 3°. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. ... De acordo com o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.11a, Alienar significa “Transferir para outrem o domínio de; tornar alheio; alhear;”. Sob minha ótica, “incorporação de ações” não se confunde com “incorporação de sociedades” nem tampouco com “subscrição de capital em bens” e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já a integralização de capital consiste na subscrição de capital, quando uma sociedade comercial é constituída, ou seja, os Fl. 2364DF CARF MF 36 sócios assinam um termo prometendo injetar valores na empresa, quer sob a forma de dinheiro ou de bens e direitos. A integralização do capital é o cumprimento da promessa, quando do sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembleia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional – CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. Importante, neste momento, trazer à colação trecho da obra Sociedade Anônima – 30 Anos da Lei 6.404/76, coordenada por Rodrigo Monteiro de Castro e por Leandro Santos de Aragão, Editora Quartier Latin, 2007, p. 119143, contém artigo de autoria de Alberto Xavier, chamado Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário, que muito bem esclarece a questão: [...] Na verdade, incorporação de ações e incorporação de sociedades são fenômenos radicalmente distintos. As características essenciais da incorporação de sociedades consistem na transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, ocorrendo uma sucessão a título universal (art. 227, “caput”), bem como na extinção da sociedade incorporada¸ sem liquidação, a qual ocorre precisamente em decorrência da transmissão do seu patrimônio a título universal (art. 227, § 3°). (...) Na figura da incorporação de ações não ocorre nenhum dos traços essenciais da incorporação de sociedades. Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto, não a totalidade de um patrimônio¸ mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não ocorre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da “incorporação” a que se refere o art. 252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a respectiva personalidade jurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade pré existente em subsidiária integral da “companhia incorporadora” das ações. (...) Pode, pois, concluirse não existir qualquer relação de Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.348 37 identidade nem sequer de analogia entre a figura da incorporação de ações, regulada no art. 252, e a figura da incorporação de sociedades, regulada no art. 227. Também são totalmente distintas a figura da incorporação de ações e a figura da subscrição de capital em bens, regulada nos artigos 7° a 10. (...) A figura da subscrição de capital em bens reveste, pois, a natureza jurídica de um contrato entre o acionista e a sociedade, pelo qual o acionista transfere a titularidade de um bem ou direito préexistente no seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, a qual, afetando esse bem ao seu próprio capital social, emite ações que são atribuídas ao acionista em contrapartida dos bens ou direitos conferidos. (...) A conferência de bens para a subscrição de capital é um ato de alienação cuja especificidade radica no fato de a contraprestação correlativa à entrega pelo sócio dos bens conferidos para integralização do capital estar na entrega pela sociedade, não de dinheiro ou bens de pagamento (como sucede na compra e venda), nem de bens de primeiro grau (como sucede na permuta), mas de bens de segundo grau, que são as ações ou quotas representativas do status de sócio do subscritor. (...) Fácil se torna, pois, demonstrar que a figura da incorporação de ações regulada no art. 252 é radicalmente distinta da figura de subscrição de aumento de capital em bens. Tenhase presente que o objetivo essencial da figura da “incorporação de ações” consiste na “incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira para convertêla em subsidiária integral” (art. 252 “caput”). Ora, se a incorporação de ações se fizesse pelo mecanismo da subscrição de capital em bens, isto é, pelo mecanismo de subscrição entre os sócios e a sociedade, o objetivo de constituição de subsidiária integral exigiria, necessariamente, a unanimidade dos sócios da sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, de tal modo que bastaria a discordância de um para que a operação se tornasse inviável. Precisamente porque a lei pretendeu viabilizar a formação superveniente de subsidiária integral, prescindindo a regra da unanimidade, ela foi forçada a abandonar a construção jurídica da figura da incorporação de ações baseada numa pluralidade de contratos de subscrição em bens, para optar pela configuração jurídica da operação como um contrato não já entre sócio e sociedade, mas entre duas sociedades, a companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e a companhia incorporadora. Este contrato resulta da convergência da vontade das duas companhias, expressa nas deliberações das respectivas assembléias gerais, a que se referem os §§ 1° e 2° do art. 252. A configuração da operação de incorporação de ações como um contrato entre duas sociedades, e não como um contrato entre sócio e sociedade (como é a conferência de bens), resulta da necessidade de permitir que ela seja aprovada pela maioria e não pela unanimidade dos sócios, sendo que a maioria na sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas é uma maioria qualificada, exigindo o voto da metade, no mínimo, das ações com direito a voto (art. 252, § 2°). (...) Se bem se reparar, em parte alguma o art. 252 atribui relevância à manifestação de vontade do sócio na sua qualidade de subscritor, como sucederia Fl. 2366DF CARF MF 38 se se tratasse de subscrição de capital em bens, atuando apenas o sócio nas vestes de membro de um órgão da companhia – a assembléia geral – na qual pode exprimir o seu direito de voto. O objeto do contrato de incorporação de ações é precisamente a totalidade das ações do capital social de uma companhia que será objeto de ato de subscrição a ser praticado pela própria companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e de ato de aumento de capital na companhia incorporadora das ações. É precisamente da fusão destes atos unilaterais praticados ao nível corporativo de cada uma das sociedades que resulta o contrato de incorporação de ações. (...) Um dos efeitos típicos do contrato de incorporação de ações consiste precisamente na substituição no patrimônio dos sócios das ações previamente existentes, representativas do capital da sociedade da qual originariamente participavam, por ações da sociedade incorporadora emitidas em conseqüência da incorporação das mesmas ações. Tratase de fenômeno meramente substitutivo, que não decorre de uma transmissão, seja ope voluntaris, seja ope legis. O único fenômeno de transmissão em sentido técnico que existe não tem como transmitente o titular das ações a serem incorporadas, pois não existe manifestação de vontade deste, na sua qualidade de proprietário das ações, mas sim a sociedade incorporadora das ações, uma vez que, nos termos do § 3° do art. 252, “aprovado o laudo de avaliação pela Assembléia Geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhe couberem.” O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase “passivamente” a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de subrogação real. Das considerações precedentes acerca da natureza jurídica da incorporação de ações resulta claramente que se trata de um instituto de direito societário dotado de características próprias e que impedem a sua identificação, seja com a figura da incorporação de sociedades, seja com a figura de subscrição de aumento de capital em bens. (...) No que concerne às pessoas físicas, tratase de saber se, caso o aumento de capital da companhia incorporadora de ações se tenha baseado em laudo de avaliação que fixe o valor das ações a preço de mercado, superior ao valor pelo qual tais ações constam da declaração de bens dos sócios, será a diferença a maior tributável como ganho de capital, nos termos do art. 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (...) Em face das considerações pendentes, relativas à natureza jurídica da figura de incorporação de ações e à nítida distinção relativamente à figura de subscrição de aumento de capital em bens, fácil se torna concluir que o art. 23 acima citado é exclusivamente aplicável a esta última figura, como aliás resulta do seu próprio caput¸ que se refere a uma transferência “a título de integralização de capital”. Ora, como atrás já largamente se demonstrou, enquanto na subscrição de bens para aumento de capital a operação é realizada entre o sócio e a sociedade¸ na figura da incorporação de ações a operação é realizada entre suas sociedades, a sociedade incorporadora das ações e a sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, sendo que o aumento de capital será subscrito por esta última. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.349 39 Conseqüentemente, na figura da incorporação de ações o acionista não transfere bens ou direitos de qualquer natureza, limitandose, de modo estático e passivo (como numa “quase desapropriação”), a ter no seu patrimônio substituídas as ações que previamente detinha pelas novas ações emitidas pela companhia incorporadora, ocorrendo um fenômeno de sub rogação real. Não sendo aplicável à hipótese de incorporação de ações o art. 23 da Lei n° 9.249/95, os sócios pessoas físicas poderão manter o mesmo valor das ações da companhia incorporada, constante das declarações anteriores, limitandose a informar que esse mesmo valor se refere às ações da companhia incorporadora que as substituíram. A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens. Tenhase finalmente presente que esta é a solução que melhor se adequa ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois só neste momento ocorrerá realização efetiva de um ganho, até então meramente potencial, pois precisamente neste momento é que ocorrerá a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda. No mesmo sentido, leciona NELSON EIZIRIK [Incorporação de ações: aspectos polêmicos. São Paulo: Editora Quartier Latin do Brasil, 2009, p. 7899]: A incorporação de ações constitui a operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/1976. A incorporação de ações para o fim de constituição de subsidiária integral constitui manifestamente um instituto jurídico decorrente do processo crescente de concentração empresarial. O moderno capitalismo caracteriza se, conforme pode ser observado na prática de negócios, por um alto grau de concentração econômica , o qual decorre de três fatores essenciais: a) da existência de economias de escala que a concentração possibilita, quer ao nível da unidade técnica de produção, quer ao nível da gestão empresarial, dado que os empresários buscam sempre minimizar seus custos de produção e de distribuição dos produtos; b) o impacto dos avanços tecnológicos na produção econômica; como a inovação tecnológica constitui uma das principais fontes de lucros das empresas e dada a maior dificuldade de seu desenvolvimento em unidade isoladas de produção, há uma tendência crescente para a concentração; c) da necessidade de diversificação na produção e distribuição dos produtos, com a consequente diminuição dos riscos inerentes a uma atividade monoprodutora. É inegável que uma das funções básicas do moderno direito societário é a de prover os instrumentos jurídicos adequados à instrumentalização e disciplina legal do processo de concentração empresarial. Nesse sentido, podemos verificar, conceitualmente, a existência de dois grandes grupos de instrumentos jurídicos societários aptos a instrumentalizarem a concentração empresarial: a dois institutos que permitem a conjugação de atividades, porém mantida a personalidade jurídica das empresas, como ocorre com os grupos de Fl. 2368DF CARF MF 40 sociedades; e a dois institutos que instrumentalizam a concentração por integração ou interpretação societária, como ocorre nas fusões e incorporações , em que desaparece a personalidade jurídica de uma das empresas envolvidas. Além dos institutos clássicos acima referidos, a disciplina jurídico societária prevê determinados institutos híbridos, como é o caso da incorporação de ações para constituição de subsidiária integral, na qual procedese a uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando ela, porém a ter apenas um acionista. [...] Tratase, portanto, de típica operação de integração empresarial, que não se confunde com a operação de aumento de capital, embora traga, como uma de suas consequências, por força da incorporação das ações da incorporada ao capital da incorporadora, o aumento de capital desta última. [...]A subscrição constitui o ato pelo qual alguém transfere a título de propriedade bens ou direitos de seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, passando tais bens ou direitos a integrar o fundo comum ou social. Em contrapartida à conferência dos bens para a integralização do capital social, são atribuídas ao subscritor, que passará a gozar, a partir de então, do ‘status socii’. A subscrição de capital em bens, está prevista nos artigos 7º a 10 da Lei das S.A, encerra um contrato entre a sociedade e o novo acionista. Na incorporação de ações, por outro lado, é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. [...] Uma outra diferença entre a subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tornar acionista da sociedade manifesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Na incorporação de ações, assim, haverá subscrição, independentemente da vontade do acionista minoritário, de ações da sociedade incorporadora com a totalidade das ações do capital social da companhia cujas ações serão incorporadas. [...] Na incorporação de ações, assim como ocorre na incorporação de sociedades, os acionistas da companhia incorporada perdem a titularidade das ações de sua propriedade e, em contrapartida, recebem ações de emissão da incorporadora. Contudo, a operação de incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei Societária, não se confunde com a incorporação de sociedades. Nos termos do artigo 227 da Lei Societária, a incorporação de sociedade constitui operação mediante a qual uma das sociedades é absorvida por outra, que lhe sucede em todos os Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.350 41 direitos e obrigações. Assim, em decorrência da incorporação, a sociedade incorporada desaparece e o seu patrimônio é incorporado à sociedade incorporadora, que realiza um aumento de capital a ser subscrito com a versão do patrimônio da incorporadora. Os acionistas da incorporadora perdem os direitos que tinham em relação ao patrimônio da sociedade extinta e passam a ser acionistas da sociedade incorporadora, recebendo, em substituição às suas antigas ações, ações de emissão da sociedade incorporadora. A Lei n. 6.404/76 especificou, nos três parágrafos do artigo 227, o procedimento a ser observado tanto pela companhia incorporadora quanto pela incorporada. Por sua vez, a incorporação de ações, como antes referido, constitui operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/76. Não há, na hipótese prevista no artigo 252 da Lei das SA, embora a norma mencione “incorporação” de ações, incorporação de uma sociedade por outra. A doutrina, aliás, tem criticado a utilização, pelo legislador, da palavra “incorporação”, conhecida como uma operação em que se extingue a sociedade incorporada, sendo sucedida pela incorporadora, o que não ocorre na incorporação de ações. [...]A incorporação de ações disciplinada no artigo 252 da Lei das S.A constitui negócio plurilateral, cujo objeto é a integração de participação societária, mediante a agregação de todas as ações da incorporadora ao patrimônio da incorporadora, mantida a personalidade jurídica da incorporada. Ou seja, não há, na incorporação de ações, a extinção da sociedade, cujas ações foram “incorporadas”, muito menos a sucessão em seus direitos e obrigações. [...] A operação prevista no artigo 252da Lei das S.A, tem por objetivo a transformação de sociedade pluripessoal em subsidiária integral, mediante a “incorporação” da totalidade das ações de sua emissão ao patrimônio da companhia “incorporada”. Uma das principais características da operação de incorporação de ações é a compulsoriedade da transferência das ações dos acionistas, independentemente de seu consentimento. Isto é, verificase a total ausência do elemento volitivo para a efetivação e concretização deste tipo de operação. A operação de incorporação de ações decorre unicamente da deliberação assemblear, a cuja decisão os acionistas eventualmente discordantes não poderão oporse, estando impossibilitados de impedir a operação. É nas assembleias gerais que será verificada a vontade social das duas sociedades: a incorporadora e a da que terá suas ações incorporadas. Uma vez adquirida a personalidade jurídica como registro de seus atos constitutivos, sociedade passa a ter existência distinta da de seus membros, sendo considerada uma pessoa, a quem a Lei atribui capacidade para adquirir e transmitir direitos. [...] Na hipótese de incorporação de ações, a assembleia geral da sociedade cujas ações serão incorporadas delibera, por maioria, realizar a operação. Tratase de manifestação da vontade social, tendo em vista os interesses da sociedade e não os dos acionistas individualmente considerados. [...] Após a aprovação da operação de incorporação de ações Fl. 2370DF CARF MF 42 pela maioria na assembleia geral, a diretoria da companhia que terá suas ações incorporadas, ao subscrever o aumento do capital da sociedade incorporadora com ações dos acionistas, está executando a vontade social.[...] Como referido, o ato jurídico de subscrição não é praticado, portanto, pelos acionistas, mas pela diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas. No caso, não ocorre uma integralização de capital pela pessoa física, tratandose de operação levada a efeito pelas pessoas jurídicas envolvidas no processo de incorporação de ações. Outrossim, não se tem transferência, por ato de alienação, de bens da pessoa física para uma pessoa jurídica. Ocorre apenas uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas de outra, e isso por força de lei. Conforme a lição de Maria Helena Diniz (in Curso de Direito Civil Brasileiro, 2º Volume, São Paulo, Editora Saraiva, 19ª ed., p. 264, 2004), o termo subrogação advém do latim subrogatio, designando substituição de uma coisa por outra, com mesmos ônus e atributos, caso em que se tem a subrogação real. Nesse sentido, entendo que não há como se comparar, para fins de justificar a tributação, integralização de capital social por pessoa física com incorporação de ações entre pessoas jurídicas. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional – CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos – base de cálculo e alíquota Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo e o quantum debeatur. Nesse sentido, cumpre destacar as seguintes lições de Roque Antonio Carrazza: Portanto, o princípio da legalidade, no Direito Tributário, não exige, apenas, que a atuação do Fisco rime com uma lei material (simples preeminência de lei). Mais do que isto, determina que cada ato concreto do Fisco, que importe exigência de um tributo, seja rigorosamente autorizado por uma lei. É o que se convencionou chamar reserva absoluta de lei formal (Alberto Xavier) ou de estrita legalidade (Geraldo Ataliba). Também a conduta da Fazenda Pública, ao cobrar um tributo (atividade tipicamente administrativa), deve vir disciplinada numa lei ordinária, que minudencie os casos e o modo como deve ser aplicada. Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abstratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são ‘elementos essenciais’ do tributo os que, de algum modo, influem no an e no quantum da obrigação tributária. (Curso de Direito Constitucional Tributário, 12. ed., Malheiros: 1999, p. 178179) Ato contínuo, pretendeu a Autoridade Fiscal justificar a tributação por meio da aplicação do disposto na Lei n. 7713, de 22 de dezembro de 1988, que altera a legislação do imposto de renda e dá outras providências: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.351 43 imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. Resta claro que os arts. 1º e 2º tratam da hipótese que define incidência da ocorrência do fato gerador, que só ocorre, como definido em Lei, quando os rendimentos são percebidos por pessoas físicas. Além disso, define claramente, que o imposto será devido, pelas pessoas físicas, à medida em que os rendimentos e ganho de capital foram percebidos. É certo que a Constituição da República de 1988 outorgou competência tributária aos entes federativos por meio de regras compostas por expressões que denotam riqueza tributável (os “fatossignos presuntivos de riqueza”, conforme expressão cunhada por Alfredo Augusto Becker). Dada a vaguidão e a ambiguidade dos vocábulos, é patente a dificuldade de se precisar, semanticamente, o que deve ser entendido por “renda e proventos de qualquer natureza”, “faturamento”, “receita”, Fl. 2372DF CARF MF 44 “salários”, dentre outros. O legislador constituinte se utilizou de conceitos fechados e determinados, que vinculam a atividade do legislador infraconstitucional, como forma de se garantir a segurança jurídica e a legalidade. Quis o legislador constituinte repartir, com rigidez e precisão, o espaço de tributação de cada ente federativo, evitando, desta forma, conflitos de competência. Se com a rígida discriminação de competências tributárias, vemos a todo o tempo situações de bitributação, certamente a adoção de tipos aumentaria, sobremaneira, as invasões de competência. Os conceitos constitucionais não poderão ser alterados pelo legislador infraconstitucional, a quem caberá, tão somente, definilo por meio de instrumento normativo próprio (a Lei Complementar prevista no artigo 146 da Lei Constitucional de 1988, que será objeto de análise em tópico próprio). Qualquer atuação que extrapole o conceito constitucional, implica reconhecimento do vício de inconstitucionalidade da norma jurídica tributária. A regra prevista no inciso III do artigo 153 da Constituição da República de 1988, outorga competência à União para instituir imposto sobre a “renda e proventos de qualquer natureza”. Nesse diapasão, cumprenos construir o conceito constitucional de renda7, fixando as balizas constitucionais à atuação do legislador infraconstitucional. Em sua acepção de base, identificamos no vocábulo “renda” diversos significados que nos orientam neste trabalho de construção de sentido; dentre elas, destacamos: (i) produto anual ou mensal de propriedades rurais ou urbanas, de bens móveis ou imóveis, de benefícios, capitais em giro, empregos, inscrições, pensões etc.; produto, receita, rendimento; (ii) rendimento líquido depois de deduzidas as despesas materiais. (iii) totalidade dos rendimentos que entram num cofre geral. (iv) importância superior a determinado limite e estabelecida pelas leis fiscais como rendimento da atividade econômica do indivíduo8. Por sua vez, o vocábulo “provento” tem como acepção de base os significados de “ganho”, “lucro”, “proveito” ou “rendimento”. Tratase de espécie do gênero, “renda”. Como se percebe, a acepção de base é insuficiente para que se conceitue juridicamente “renda e proventos de qualquer natureza”. Cumpre analisar a regra do artigo 153, III, com outras regras e princípios do Texto Constitucional. Não obstante, é decisivo apartar a palavra “renda” de outros vocábulos, que dela se aproximam ou, ao menos, tangenciamna. Contudo, é importante distanciar “renda” de “faturamento”, “receita”, “patrimônio”, “capital”, “ganho”, “rendimentos” e “lucro”. “Faturamento” é fonte de custeio prevista no artigo 195, I, b, da Constituição Federal de 1988 para a instituição de contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, não podendo ser confundida com o vocábulo ora investigado. Faturamento consiste no ato ou efeito de faturar, isto é, extrair uma fatura relacionada à uma venda mercantil ou prestação de serviço, conforme disposto na Lei nº 5.474/68. Tratase de conceito oriundo do direito privado incorporado pelo legislador constituinte. A riqueza tributável consiste na soma dos valores auferidos constantes nas faturas emitidas. Não se confunde, portanto, com “renda”. “Receita” também é fonte de custeio prevista no artigo 195, I, b, do Diploma Constitucional, constituindo gênero do qual o “faturamento” é uma espécie. Na lição de Paulo de Barros Carvalho2 : Receita é a entrada que, Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.352 45 integrandose ao patrimônio sem quaisquer reservas ou condições, vem acrescer seu vulto como elemento novo positivo. Assim, quando o particular vende determinado bem que lhe pertence, o dinheiro recebido é receita, uma vez que altera a situação patrimonial do vendedor. O emprego do vocábulo deixa clara a diferença existente entre “renda” e “receita”, conquanto a presença daquela pressuponha a existência desta. O legislador constituinte também diferencia “patrimônio” de “renda”. Isso fica nítido, por exemplo, pelo disposto no artigo 150, VI, a e c e os §§1º, 2º e 4º, do Texto Constitucional, em que são mencionados no mesmo enunciado, denotando conteúdo semântico diverso. Tratase de conceito oriundo do direito privado, que designa o conjunto de bens e direitos de determinada pessoa, física ou jurídica (pública ou privada), estaticamente considerados. Renda também não se confunde com “capital”, que é empregada pelo constituinte como espécie de investimento permanente. É quantia, pertencente ao patrimônio de um indivíduo, utilizada para produzir bens de capital (juros, correção monetária, lucro, dentre outros). “Ganho” e “rendimentos” consistem em entradas no patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, mas também não podem ser equiparadas à renda, visto que a Lei Maior de 1988 também as utiliza em acepção, muito similar ao de receita. “Lucro”, por fim, consiste no resultado positivo de uma determinada atividade econômica, obtida por uma pessoa física ou jurídica. O lucro é materialidade empregada pelo constituinte para fins de custeio da seguridade social por meio de contribuição (artigo 195, I, c). Para José Artur Lima Gonçalves3 , tratase de “noção parcial em relação à renda”. Por outro lado, não obstante as delimitações negativas que buscamos realizar, é importante salientar que o Texto Constitucional consagra o direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). A tributação consiste em invasão no patrimônio do contribuinte, relativizando o seu direito de propriedade, que destaca parte de sua riqueza (a ser calculada de acordo com o referencial adotado – renda, patrimônio, faturamento, receita, dentre outros) e a entrega ao Estado, como forma de abastecimento dos cofres públicos e concretização dos valores constitucionais perseguidos pela sociedade. Esta invasão, no entanto, não pode aniquilar direitos fundamentais. A capacidade contributiva, a seu turno, impõe que o legislador capte as manifestações de riqueza, previamente estipuladas pelas regras de competência tributária. Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. Nesse diapasão, parecenos que o vocábulo renda só pode significar o acréscimo de riqueza definitivo ao patrimônio do contribuinte, obtido após a dedução das despesas indispensáveis à manutenção da fonte produtora, verificada em determinado período de tempo. O conceito em tela distinguese Fl. 2374DF CARF MF 46 principalmente da noção de “patrimônio” (que é o conjunto estático de bens) e de “receita” (ingresso patrimonial), vez que sua configuração depende da dedução de determinadas saídas. Do contrário, terseia renda como sinônimo de receita. Posto isso, cabe analisar se a definição do conceito de “renda e proventos de qualquer natureza” realizada pelo legislador nacional complementar, é compatível com a regra de competência do artigo 153, III, da Carta Magna de 1988. Coube à Lei Complementar, nos termos do artigo 146, III, a, da Constituição da República, definir os conceitos constitucionais, a fim de delimitar e balizar o legislador ordinário na expedição da regramatriz de incidência dos tributos de sua competência. O legislador complementar, portanto, deve se ater ao conceito constitucional de renda, sem prejuízo das demais limitações formais e materiais ao poder de tributar previstas na Carta Magna de 1988. Nesse diapasão, o legislador complementar definiu o conceito de renda, conforme o artigo 43, I e II, do CTN – Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A definição do legislador complementar coadunase com o conceito constitucional de renda construído, razão pela qual inexiste incompatibilidade vertical. O legislador ordinário poderá eleger como hipótese de incidência do tributo em análise a conduta pela qual o contribuinte aufere um acréscimo patrimonial em caráter definitivo, seja ele enquadrado na definição de renda (definida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (todo e qualquer acréscimo que não advenha do capital ou do trabalho, tais como alugueis, royalties, dentre outros). A tributação da renda só é possível quando configurada a disponibilidade – econômica ou jurídica – que denote manifestação de capacidade contributiva por parte do contribuinte. A disponibilidade econômica referese à efetiva disponibilidade dos recursos financeiros em caixa, enquanto a disponibilidade jurídica consiste em título jurídico, líquido e certo, que lhe permite obter, incontestavelmente, a realização em dinheiro. O importante, para que se viabilize a incidência do tributo, é que o contribuinte adquira esta disponibilidade e manifeste capacidade econômica para arcar com a carga tributária que lhe será imposta em razão deste acréscimo. Definir se a incorporação de ações enseja ganho de capital aos acionistas, pessoas físicas da empresa incorporada, exige domínio do conceito constitucional de renda, da sua definição à luz do Código Tributário Nacional e se há subsunção deste evento, ou não, ao critério material da hipótese de incidência da norma tributário. Ademais, é decisivo saber se esta operação societária equiparase à alienação de bens ou direitos por meio de subscrição de ações, conforme disposto no §3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.353 47 de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. Os acionistas da incorporada deliberam sobre a formalização da operação, mas não se exige votação unânime. O sócio que tenha recusado a incorporação, caso não exerça o seu direito de retirada, sofrerá os efeitos da operação societária, passando a ser considerado acionista da incorporadora, de quem receberá novas ações, em substituição àquelas que possuía, cabendolhe efetuar as alterações necessárias em sua declaração de bens. A incorporação tem como um de seus efeitos a transformação da sociedade incorporada em sua subsidiária integral – e não a sua extinção, como ocorre com a incorporação tradicional – da qual a incorporadora passa a ser a única acionista. Ato contínuo, a incorporadora emite ações em seu nome, para substituir aquelas que foram incorporadas, cujo valor pode ser idêntico, inferior ou superior ao valor de custo. Daí o caráter de permuta: o acionista entrega a sua participação societária, e recebe em troca novas ações, agora da empresa incorporadora. Trocamse, portanto, títulos por outros títulos. O fato de as novas ações serem eventualmente superiores ao valor contabilizado (ou valor de custo), não permite dizer que houve acréscimo patrimonial, visto que não há qualquer disponibilidade efetiva de renda. Esta somente se verificará quando o contribuinte efetuar a alienação da participação societária, recebendo, em contrapartida, o preço. O ganho de capital, portanto, depende da realização da renda. Relevante salientar que este ganho verificado em razão da substituição dos títulos é meramente potencial. Como é cediço, o mercado de capitais é sazonal, de modo que o contribuinte pode sofrer a desvalorização de suas ações, nova valorização, e assim sucessivamente. Somente quando ocorrer a alienação efetiva da participação, com recebimento das quantias pela sociedade empresária, é que se poderá verificar a existência, ou não, de ganho de capital tributável. Desta forma, ainda que se possa aceitar a ocorrência de uma transferência de ações (dos acionistas da incorporada à incorporadora), não há recebimento de preço pelos títulos, mas sim de novas ações, cujo valor total, ainda que superior, poderá ser momentâneo, diante das variáveis acima mencionadas. Assim, inexiste qualquer ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda quando ocorre a denominada incorporação de ações. A situação descrita não se amolda ao critério material da norma tributária. Não há efetivo acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações. Por conseguinte, exigir o tributo da pessoa física, nestas situações, não só afronta o conceito constitucional de “renda e proventos de qualquer natureza” porquanto tributase patrimônio e não renda como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da Lei Constitucional Fl. 2376DF CARF MF 48 de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo Diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria Carta Magna). A partir dessa conclusão, surgem algumas indagações: a) o contribuinte que consta da autuação pessoa fisica percebeu/recebeu algo em operação? Entendo que não, pois não houve a venda de ações. Não houve realização monetária neste momento; b) Ocorreu integralização de capital por pessoa física, sujeita a tributação pela Lei 9.249? Entendo que não, pois houve incorporação de ações, entre pessoas jurídicas, instituto jurídico definido em lei, diverso da integralização de ações; c) Há hipótese de incidência do IRPF nessa operação, sobre a pessoa física? Entendo que haverá quando a pessoa física vender suas ações. Aliás, é bom destacar que a Declaração de Rendimentos da Pessoa Física do contribuinte, sujeito passivo da relação jurídicotributária, não foi alterada, persistindo com o mesmo valor, mesmo após a incorporação de ações, haja vista que não houve alteração do patrimônio. Não se deve esquecer as lições do Professor Alberto Xavier que leciona: "A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho a diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens" ... Haverá ganho de capital, sim, quando o contribuinte alienar, por valor superior ao custo de aquisição, a participação societária recebida em razão da incorporação de ações ora apreciada. Outrossim, conheço e dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi da Relatora quanto ao mérito, tanto em relação ao recurso da Procuradoria quanto ao recurso do Contribuinte, pelas razões que passo a expor. Sobre o recurso da Procuradoria, a matéria em litígio é a validade ou não do procedimento da empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA da qual o contribuinte é sócio, glosado pela Autoridade Fiscal, que apurou lucro presumido com base em receitas reconhecidas com base o regime de caixa, e distribuiu esses lucros ao ora recorrente, que os declarou como rendimentos isentos. O que fez a autoridade lançadora, em síntese, foi tributar o lucro excedente ao lucro presumido. Conforme descrito no Relatório Fiscal, o contribuinte informou rendimentos isentos percebidos a título de lucros da empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA em montante de R$ 4.605.000,00 no anocalendário de 2009. A autoridade fiscal reclassificou como tributáveis o valor de R$ 3.352.546,07. O lucro distribuído, de R$ 4.605.000,00 tiveram Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.354 49 origem na reversão de patrimônio ocorrida na empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, que era optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010, e tinha seu patrimônio representado por ativos a receber da atividade imobiliária. O seguinte trecho do Relatório Fiscal mostra os fundamentos da autuação: 100. Conforme esta resposta da ARGUS, a opção da empresa foi pela tributação como lucro presumido, e regime de reconhecimento de receitas pelo fluxo de caixa. Mas apenas para fins de tributação. O que a empresa denominou “contabilidade societária” foi realizada no regime de competência, segundo informado, e daí se realizaram o Balanço Patrimonial e a DRE, com a consequente geração de lucros em montantes superiores ao que se apuraria pelo regime de caixa. A cisão transferiu parte desses lucros à P8 e esta distribuiu ao sócio FRANCISCO com isenção. 101. Tomese, a título amostral, as receitas oferecidas à tributação pela ARGUS no anocalendário 2010, no montante de R$ 5.635.236,08 (cinco milhões, seiscentos e trinta e cinco mil, duzentos e trinta e seis reais, e oito centavos), segundo DIPJ Ficha 14A, consideradas receitas brutas tributadas a 8% de R$ 5.227.454,59, receitas brutas tributadas a 32% de R$ 353.955,57, e demais receitas e ganhos capital de R$ 53.825,92. Entretanto, as receitas que geraram seus lucros ditos contábeis ou societários totalizaram no mesmo ano R$ 40.378.450,42 (quarenta milhões, trezentos e setenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais, e quarenta e dois centavos) segundo DRE à folha 389 de seu Livro Diário n. 11, consideradas as rubricas de vendas de lotes em R$ 30.609.290,42, receitas financeiras em R$ 9.346.814,49, e outras receitas em R$ 422.426,51. 102. Expressivas as diferenças. Expressivos os lucros gerados por resultados não oferecidos à tributação por conta da adoção de regime de competência para distribuição de lucros e regime de caixa para tributação. Como se vê, o que a empresa ARGUS fez foi adotar dois regimes contábeis paralelos, um, de caixa, pelo qual apurou o resultado da empresa, e outro de competência, pelo qual apurou o lucro a distribuir. Em seguida, o patrimônio a empresa ARGUS foi revertida para a empresa V8 e com essa reversão vieram lucros a distribuir, apurados, conforme acima descrito, os quais foram efetivamente distribuídos. O que se discute, portanto, é a validade desse procedimento, consistente na adoção simultânea de dois regimes contábeis, competência e de caixa. Entendeu a Relatora pela regularidade do procedimento do contribuinte com base, em síntese, nos fundamentos do acórdão recorrido. E aí a minha divergência. O fundamento do acórdão recorrido, em síntese, é o de que a empresa poderia livremente optar pela apuração dos lucros com base no regime de caixa ou do regime de competência, e que a legislação autorizaria a adoção dos dois regimes. como fez a empresa neste caso. Não autoriza. Pelo contrário. A possibilidade de a empresa realizar registros contábeis paralelos e apurar resultados diferentes com base em um e outro afigurase algo inaceitável do ponto vista legal. Fl. 2378DF CARF MF 50 Vejamos o que diz a Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, que detalha o disposto o art. 10 da Lei nº 9.249, sobre o regime de apuração dos lucros: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. § 5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º.” Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.355 51 Por sua vez, sabese que a partir da Instrução Normativa, nº 104, de 1.998 as pessoas jurídica poderiam optar por reconhecer suas receitas com base no regime de caixa. Confirase; O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista as disposições do parágrafo único do artigo 10 da Lei Complementar No 70, de 30 de dezembro de 1991, do artigo 44, do parágrafo único do art. 45 e do artigo 57 da Lei No 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a nova redação dada pelo art. 1o da Lei No 9.065, de 20 de junho de 1995, e do artigo 3o da Medida Provisória No 1.67635, de 29 de julho de 1998, resolve: Art. 1o A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2o Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3o Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4o O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2o O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Fl. 2380DF CARF MF 52 Art. 3o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. O que dizem essas normas, em síntese, é que a empresa pode distribuir lucros além do lucro presumido, com isenção, desde que demonstre a existência desse lucros com base na escrituração contábil. Diz ainda, que a empresa pode optar por apurar o lucros valendo se do regime de competência ou do regime de caixa. O que a lei não diz, e nem precisava dizer, pois é o óbvio, é que a empresa não pode utilizar o regime de caixa para apurar o lucro tributável da pessoa jurídica, o que deixaria de fora receitas referentes a operações de venda à prazo, comuns no caso de operações imobiliárias, e o regime de competência para apurar o lucro a distribuir. Aliás, a hipótese de utilização simultânea dos dois regimes de reconhecimento de receitas é teratológico, pois significaria que a empresa deveria manter dois livroscaixa, dois livros razão, realizar dois balanços,um para cada situação. Isso a norma não autoriza. Ao contrário. O que a norma diz é que a empresa tributada pelo lucro presumido pode adotar o regime de caixa, no reconhecimento de suas receitas e despesas. Registradas as receitas, pelo regime de caixa, apurase o lucro presumido, mas se o confronto dessas receitas – escrituradas com base no regime de caixa com as despesas, enfim, o lucro contábil, for maior, poderá distribuir a diferença também com isenção. Notese que não está em discussão o direito à isenção, mas a definição do valor que pode ser distribuído com isenção. E essa definição é clara: ou é o lucro presumido ou o lucro contábil, se este for maior. O que se discute é a possibilidade de se adotar critérios de apuração distintos para os lucros a serem tributados pela pessoa jurídica e os lucros a serem distribuídos. Falar em lucros ou dividendos excedentes ao lucro presumido, como referido no inciso II, do § 2º, do art. 48, da Instrução Normativa nº 93, de 1.997, só tem sentido se são comparadas lucros apurados com base na mesma escrituração, uma com base na presunção, outra com base na escrituração. Fora disso, entrase no campo do absurdo. Destaco, também, por pertinente, a observação feita no Voto Vencido do Acórdão Recorrido de que a Instrução Normativa que previu a possibilidade de adoção do regime de caixa no lucro presumido é posterior à Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997. Vejamos: Observese que a Instrução Normativa que previu a possibilidade de adoção do regime de caixa no lucro presumido é posterior à Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997. Assim, é certo que, quando a Instrução Normativa nº 93 estabeleceu que para distribuição de lucros em montante superior ao lucro presumido bastaria que o lucro distribuído fosse apurado em escrituração contábil feita de acordo com a lei comercial, o que se tinha em mente era que a comparação sempre seria feita entre o lucro contábil e o lucro presumido apurados com base no regime de competência, haja vista que esse era o único regime existente naquela época. Prova disso é o fato de que a própria Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, em seu artigo 36, § 2º, previa expressamente que o lucro presumido deveria ser determinado pelo regime de competência, sem exceções. Vejase: Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.356 53 “Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: … § 2º O lucro presumido será determinado pelo regime de competência.” Portanto, com o advento da Instrução Normativa SRF nº 104, de 1998, a disposição contida no inciso II do § 2º do artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, perdeu o sentido, ou no mínimo deve ser olhada com muita cautela, para os casos em que a empresa optante pelo lucro presumido adote o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento (regime de caixa). Por fim, é relevante destacar o fato de que a empresa, embora tenha adotado o regime de caixa para apuração do lucro presumido, não observou a exigência do §1º do art. 1º da Instrução Normativa nº 104, de 1998, e do art. 85 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, de manter contas específicas em sua contabilidade para controlar os valores efetivamente recebidos. fato esse apontado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal. Vejamos: “121. O fato de utilizarse ora o regime de caixa, ora o de competência, à medida do que se apresenta mais favorável à empresa no momento ou situação, traz ainda outras implicações. A pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, e que tenha adotado regime de caixa, deve observar as regras de controle e escrituração nos termos do art. 85 da IN/SRF n. 247, de 2002, especialmente seu §1º: [...] 122. Verificase que, o fato da empresa manter escrituração contábil, na forma da legislação comercial, não a autoriza a distribuir seus lucros assim apurados com isenção, mas sim a segregar seus recebimentos pelo regime de caixa em conta específica, para fins de determinação exatamente desse eventual lucro passível de isenção na distribuição. 123. A empresa foi então intimada mediante TDF 033/2012, em seu item 04, a comprovar o atendimento §1º do art. 85 da IN/SRF n. 247, de 2002, demonstrando a apuração de seu lucro pelo regime de caixa, com base em sua escrituração contábil apresentada. Como resposta, simplesmente alega que “... a empresa atende a todas as exigências compreendidas no conteúdo do art. 85 da IN/SRF n. 247 de 2002, especialmente em seu §1º.” 124. Em fato, não se observam nos Livros Diário e Razão apresentados, contas específicas nas quais sejam controlados os efetivos recebimentos de suas receitas, face o respectivo documento fiscal. A contabilidade está sim, estruturada apenas para as contas versadas ao regime de competência, não se prestando, portanto, a demonstrar que seu lucro efetivo é Fl. 2382DF CARF MF 54 superior ao seu lucro presumido. Isto porque tal escrituração foi realizada exclusivamente com base no regime de competência, e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa. Critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção.” Vale dizer, além de valerse de artifício para gerar lucro a distribuir com isenção maior do que poderia, a empresa sequer observou as normas no caso da opção pelo reconhecimento de receitas e despesas pelo regime de caixa. Ante o exposto, concluo pela procedência do Recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao Recurso Especial do contribuinte, o que se discute é se a incorporação de ações configura alienação para fins de incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. O lançamento considerou que sim, ensejando o lançamento de ofício para exigência do ganho de capital que não foi apurado e pago. Entendeu o Acórdão Recorrido pelo acerto do lançamento, e é contra isso que se insurge o Recorrente. Para maior clareza, convém transcrever alguns trechos do Relatório Fiscal que descrevem a operação e os fundamentos da autuação: 187. O contribuinte alega, portanto, ter havido uma mera substituição de ações da EVORA por ações da CSD. Ou seja, FRANCISCO cede o total das ações da EVORA, todas de sua titularidade, à CSD, tornandose aquela uma subsidiária integral desta. Em contrapartida, ou como se alega, “em substituição às ações cedidas”, a CSD entrega a FRANCISCO novas ações da companhia, integralizadas com as ações da EVORA cedidas. Tal operação ocorreu em fevereiro de 2010. Em momento posterior, julho de 2010, a CSD realiza a incorporação da EVORA, com a conseqüente extinção da empresa incorporada. [...] 190. Segundo descrito tanto por FRANCISCO quanto pela empresa CSD, face os documentos apresentados, temse que a operação realizada se caracteriza como uma incorporação de ações. 191. Essa operação é uma maneira de se transformar uma sociedade por ações em subsidiária integral de outra sociedade por ações, convertendoa em sociedade de um único sócio. 192. Nos termos do § 2o. do copiado art. 251, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra companhia brasileira, deve ser feita observandose o previsto no art. 252 da mesma Lei n. 6.404, de 1976: [...] 194. Resta claro que a incorporação de ações não se confunde com o instituto da incorporação de companhias. Em que pese a similaridade das denominações, os institutos produzem consequências jurídicas distintas e particulares, dentre as quais destacamse os efeitos sobre o patrimônio das empresas: na Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.357 55 incorporação de sociedades, o patrimônio da sociedade incorporada passa a integrar o patrimônio da sociedade incorporadora, ao passo que, na incorporação de ações, não há extinção da empresa. Na incorporação de ações mudase a composição societária da subsidiária integral, mas sua personalidade jurídica, seus direitos e deveres e seu patrimônio mantêmse intactos. 195. Tratase de operação que propicia a concentração empresarial sem que se tenha de negociar a aquisição de participações societárias com cada um dos sócios. Realizase sob a condição de observar rito peculiar. Por subverter as regras usuais de integralização de capital e de alienação de ações, a incorporação de ações exige a manifestação de ambas as sociedades, que deliberam sobre a operação em respectivas AssembleiasGerais. Para os sócios que deliberam pelo aumento de capital, a decisão implica perda do direito de preferência na integralização; para os sócios que integralizam capital com suas ações, a decisão majoritária de autorizar a diretoria a transferi las implica a necessidade de cada um optar entre aderir à vontade social ou exercer seu direito de retirada. Os sócios perdem o poder de fixar o preço de suas ações individualmente, mas não são vítimas de negociação feita à sua revelia. O ingresso em uma sociedade acarreta a aceitação das regras vigentes que a regem, o que pressupõe acatar as decisões societárias regulares, tanto as dos seus administradores, no uso dos seus poderes de representação, como as resultantes de deliberação de sócios votantes em assembléias, as quais indubitavelmente influenciam no valor das ações. [...] 197. Para o caso concreto sob análise, a incorporada EVORA se constituía à época como sociedade unipessoal, sendo FRANCISCO seu único sócio. Sua vontade pessoal, majoritária pois que única na sociedade EVORA, se confunde com a própria deliberação da sociedade, embora pessoas distintas. Não se pode, assim, sequer aventar que a operação se realizou à margem da vontade de FRANCISCO, pois que este votou na AG, aprovou o Laudo de Avaliação, a Justificação da Incorporação, a incorporação das ações pela CSD, entregou suas ações da EVORA e recebeu as ações da CSD. Na incorporadora CSD, passou a ser o acionista majoritário, com 49,9977% das ações. Eventualmente somadas sua participação à de sua mãe Deolinda Brioli Nogaroli, com 0,0023% das ações, lhes daria deter 50,00% do capital. Portanto, difícil sustentarse uma eventual tese de que a incorporação das ações foi realizada à revelia de vontade dos sócios, fruto apenas de negociação ocorrida entre empresas. 198. Do instituto da incorporação de ações acima descrito, tem se claro que a operação realizada não pode ser entendida à luz de uma mera substituição sem efeitos tributários, de ações da CSD (à época denominada Companhia Sulamericana de Comercialização CSC), por ações da EVORA e do então Fl. 2384DF CARF MF 56 Supermercados Cidade Canção (SCC). Isto porque a relação de troca utilizada baseouse no valor econômico das empresas cujas ações foram cedidas (ou valor de mercado, conforme citado na resposta do FRANCISCO ao TIF 017/2012). 199. De fato, e analisandose especificamente a parcela relativa a FRANCISCO, a CSD emitiu 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações ao preço unitário de R$ 1,00 (um real), as quais foram integralizadas com 6.626.000 (seis milhões, seiscentos e vinte e seis mil) ações da EVORA, avaliadas, aceitas e recebidas pela CSD ao preço unitário aproximado de R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) por ação. O beneficiário desta operação foi FRANCISCO, ora fiscalizado, pois que cedente da titularidade das ações da EVORA, e recebedor da parcela de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD. 200. Destacase que o valor unitário de cada ação da EVORA em R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) utilizada na integralização das ações recebidas ou subscritas na CSD (valor esse aceito pelas partes como valor econômico, ou valor de mercado da empresa EVORA), era superior ao valor patrimonial das mesmas ações, apurado pela empresa de consultoria contratada em R$ 1,58 (um real e cinquenta e oito centavos) por ação. Essa diferença gerou um ágio na aquisição dessas ações, contabilizado pela CSD, com possibilidade de amortização nos termos da legislação aplicável, e redução dos efetivos tributos federais a serem eventualmente apurados. [...] 202. Portanto, contabilizando e apropriandose do ágio, a empresa CSD considerouse efetivamente onerada no valor de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais), relativamente às ações da EVORA. 203. Em movimento seguinte, FRANCISCO utiliza esse montante de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais) representativo das ações recebidas da CSD para, acrescido a R$ 215.000,00 (duzentos e quinze mil reais) em moeda corrente, integralizar à vista 111.072,657 (cento e onze mil, setenta e duas, seiscentos e cinquenta e sete milésimos) quotas do Fundo de Investimento em Participações DVA CNPJ 09.172.825/000168 (doravante FUNDO DVA), administrado pelo Banco Modal S.A. CNPJ 30.723.886/000162, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Nos termos do Boletim de Subscrição de Cotas n. 01, apresentado por FRANCISCO e confirmado pelo Banco MODAL, o valor unitário de cada quota se fazia em R$ 1.000,00 (um mil reais), totalizando um patrimônio em quotas, de titularidade de FRANCISCO, em R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 204. O mesmo FRANCISCO, em sua DAA anocalendário 2010, quadro Declaração de Bens e Diretos, informa possuir “COTAS Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 9202007.835 CSRFT2 Fl. 2.358 57 NO FIP DVA CNPJ 09.172.825/000168”, situação em 31/12/2009 R$ 0,00 e situação em 31/12/2010 R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 205. Adicionalmente, temse o Livro Registro de Ações Nominativas n. 01 da CSD, consignando que FRANCISCO integralizou em 26/02/2010 quantidade de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD ao valor realizado de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). Consta ainda, no mesmo Livro, à mesma data 26/02/2010, transferência do total dessas ações de FRANCISCO com aquisição por parte do FUNDO DVA.” O que o Relatório Fiscal descreve é uma operação por meio da qual o Contribuinte integraliza capital na empresa CSD mediante a entrega de ações da Évora, da qual era o único dono. Pois bem, entendeu o Recorrido, corroborando o entendimento que lastreou a autuação, que essa operação caracteriza alienação pra fins de apuração do Imposto sobre Ganho de Capital. Penso da mesma Forma. O art. 3º, da Lei nº 7.713, de 1.988, assim dispõe sobre a incidência do imposto sobre ganho de capital: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” A legislação tributária referese a alienação em sentido lato, a qualquer título, de bens ou direitos, de cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. E é esse o caso da incorporação de ações, como neste caso. Aqui facilmente se entende que a incorporação de ações da empresa Évora, de titularidade inicial do Recorrente, pela empresa CSD, foi uma alienação, sujeita, portanto, sendo este o caso, a imposto sobre o ganho de capital. As ações que antes pertenciam ao ora contribuinte passaram a pertencer à empresa CSD. Por sua vez, o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1.995 assim dispõe: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor Fl. 2386DF CARF MF 58 constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. No presente caso, como se viu, a integralização das ações da Évora se deu com ágio, incidindo, portanto, a regra do § 2º, acima reproduzido. A alegação do contribuinte de que o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995 não se aplica ao caso não procede. A pretensão do contribuinte é a de que teria havido uma espécie de permuta, entre as ações da Évora e as ações da CSD. Mas não é esse o caso. As ações da CSD que o contribuinte recebeu não existiam previamente; foram criadas com o aumento de capital. O que houve de fato foi um aumento de capital, seguido de sua integralização, mediante incorporação de ações, típico caso de alienação. Foi esse o entendimento esposado pelo Acórdão Recorrido ao qual me filio integralmente. Ante o exposto, conheço dos recursos interpostos pelo contribuinte e pela Fazenda Nacional, e no mérito, dou provimento a este e nego provimento àquele. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 2387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900057/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: Wesley Rocha
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900057/200803 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.386 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 57 /2 00 8- 03 Fl. 241DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15374.900057/200803 Acórdão n.º 2301005.386 S2C3T1 Fl. 3 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 243DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15374.900057/200803 Acórdão n.º 2301005.386 S2C3T1 Fl. 4 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 245DF CARF MF 6 Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900352/2008-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 03 52 /2 00 8- 26 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 11-12) da interessada contra o Despacho Decisório eletrônico (fl. 07) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não homologou a compensação declarada, visto que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, o direito creditório pleiteado já teria sido utilizado em pagamento de outro débito confessado. No PER/DCOMP (fls. 01-05), a interessada pretendia utilizar um crédito referente a um pagamento a maior ou indevido de PIS, do período de apuração de junho de 2001, para compensar um débito próprio também de PIS, do período de apuração de dezembro de 2002. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: • Para o mês de junho de 2001, o valor a pagar de PIS seria de R$ 177,93, mas, por erro, foi pago o valor de R$ 3.434,06. A DCTF do período foi preenchida com base no DARF recolhido, ficando também errada. • Posteriormente, ao verificar o recolhimento a maior, a empresa utilizou o crédito para compensação de débitos vincendos, porém não teve o cuidado de retificar a referida DCTF, o que ocasionou a não homologação da compensação. • Identificado o problema, tentou-se retificar a DCTF em questão, mas o sistema da Receita Federal não aceitou. Mas a DIPJ 2002 (A/C 2001) apresenta a exatidão do valor do PIS para junho de 2001. A 4ª Turma da DRJ em Salvador negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/08/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Com o recurso, a recorrente apresenta, entre outros documentos, páginas dos livros Diário e Razão a fim de comprovar suas alegações. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS, período de apuração de junho de 2001. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o crédito indicado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 contribuição declarada. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou erro no valor do PIS, período de apuração de junho de 2001, informado em DCTF original. Sustenta que tentou transmitir DCTF retificadora, mas não conseguiu, uma vez que os sistemas da Receita Federal não teriam aceitado a retificação. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, tendo sustentado, em síntese, que à época da compensação não havia crédito disponível, uma vez que o crédito indicado teria sido utilizado na extinção do valor de PIS constituído em DCTF. Eis alguns excertos fundamentais do voto condutor do aresto recorrido (grifei partes): Diga-se, por oportuno, que a DCTF não constitui uma mera formalidade. É na DCTF que a contribuinte declara seus débitos e faz as devidas vinculações a pagamentos e possíveis compensações, sendo que a DCTF possui caráter de confissão de dívida, conforme entendimento já pacificado nas esferas administrativa e judicial. Portanto, ao manter o recolhimento vinculado a um débito declarado em DCTF, a própria contribuinte afasta a possibilidade de se caracterizar parte desse recolhimento como pagamento indevido ou a maior. Tampouco socorre a interessada a alegação de que tentou retificar a DCTF, porém sem sucesso, pois não há maiores detalhes sobre essa suposta tentativa de retificação, nem mesmo a data em que teria ocorrido. Ademais, a manifestante deixa de embasar sua alegação em documentos hábeis de sua contabilidade. Por fim, alega a interessada que a DIPJ apresentada traria o valor correto para o PIS de junho de 2001. Todavia, a DIPJ é declaração de natureza meramente informativa, não possuindo o caráter vinculante da DCTF. A DIPJ foi criada com a edição da Instrução Normativa SRF n°127, de 30 de outubro de 1998, tendo natureza informativa, não se constituindo em instrumento próprio para a cobrança do crédito tributário ali informado. O mesmo ato normativo que criou a DIPJ também extinguiu a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica — DIRPJ, esta sim, por sua vez, constituía confissão de dívida, conforme constava em seu recibo de entrega. Em substituição à extinta DIRPJ foi instituída, através da Instrução Normativa SRF n°126, também de 30 de outubro de 1998, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, sendo esta um instrumento de confissão de dívida nos termos do artigo 5°, do Decreto-lei 2.124, de 13 de junho de 1984, vindo permitir a cobrança pela Fazenda Nacional dos créditos tributários ali declarados, sem a necessidade, por exemplo, da realização do lançamento de oficio. Como visto, a simples informação em DIPJ não constitui confissão de dívida, sendo que a partir do ano-calendário de 1999, a DCTF era o instrumento hábil para tanto. Em resumo, quando da transmissão e também da análise do PER/DCOMP em tela, o alegado crédito não existia. Logo, não há reparo a ser feito no Despacho Decisório guerreado. Como se vê, o aresto recorrido assinala que o crédito pleiteado foi utilizado integralmente para a extinção de tributo regularmente constituído em DCTF. Ainda, segundo o entendimento do colegiado a quo, apesar da alegação de tentativa de retificação, a manifestante não teria trazido maiores detalhes sobre o fato, "nem mesmo a data em que teria ocorrido". Além disso, como apontou a decisão recorrida, não houve qualquer juntada de documentos hábeis da contabilidade para sustentar as alegações trazidas pela manifestante. Nesse contexto, as informações trazidas em DIPJ não seriam capazes de infirmar o débito declarado em DCTF, porque enquanto aquela declaração tem caráter meramente informativo, esta representa instrumento de confissão de dívida. Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 Os fundamentos da decisão recorrida são precisos. De fato, analisando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos suficientes para demonstrar o direito creditório alegado, ou seja, não há como afirmar que o débito de PIS, cujo pagamento a maior teria gerado o suposto crédito invocado pela recorrente, realmente é menor do que aquele constituído em DCTF. A mera apresentação de alegações e declarações não é suficiente para afastar débito tributário regularmente constituído em DCTF. A DIPJ juntada ao processo não se presta a infirmar o débito de PIS constituído em DCTF, uma vez que a DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida, por falta de previsão normativa. Importa lembrar que a compensação tributária - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional -, pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Pode-se dizer, assim, que a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário revela-se pressuposto fundamental para a efetivação da compensação. Em casos como o presente, a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado exige que as alegações e declarações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a sustente. Nesses casos, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso dos autos, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) Fl. 74DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente apresentou, junto ao recurso voluntário, páginas do Diário e Razão (fls. 44 a 49). No entanto, a recorrente não apresentou qualquer explicação analítica a fim de demonstrar o suposto equívoco na apuração do PIS de junho de 2001: os registros contábeis foram meramente juntados sem qualquer demonstração, pela recorrente, de como aqueles elementos se integram com suas alegações e como poderiam servir para sustentá-las. Além disso, um exame mais detido dos autos revela que não foram apresentados os registros contábeis da conta PIS a recolher, fundamental para eventual demonstração do suposto erro na apuração do PIS declarado na DCTF original. De semelhante modo, não foram apresentados os lançamentos posteriores, na conta PIS Faturamento a Compensar - neste ponto, sublinhe-se, a propósito, que todos os registros contábeis constantes da escrituração apresentada são relativos ao dia 30/06/2001. Partindo, pois, da restrita escrituração contábil apresentada, em especial as páginas do Razão Analítico das contas PIS RECEITAS OPERACIONAIS (fl. 44) e PIS FATURAMENTO A COMPENSAR (fl. 45), chego às seguintes constatações: 1. A conta PIS FATURAMENTO A COMPENSAR fechou o mês com saldo de créditos de PIS a compensar em períodos posteriores. Tal conclusão pode ser obtida pela leitura dos registros abaixo: 2. Dos lançamentos, depreende-se que parte do saldo credor de PIS se deve a "PIS CALCULADO E RECOLHIDO A MAIOR COMPETÊNCIA JUN/2001 A COMPENSAR", perfazendo o valor de R$ 3.256,14. Não há, contudo, qualquer explicação, pela recorrente, sobre tal lançamento e como, eventualmente, ele serviria para infirmar o débito de PIS declarado em DCTF. Dos registros acima, o que se conclui, certamente, é que o saldo credor a compensar ali representado não decorre do pagamento indicado como origem do crédito na PER/DCOMP apresentada, pois o suposto pagamento a maior, indicado na declaração de compensação, se refere a recolhimento em DARF (fl. 50) efetuado em 13/07/2001, ou seja, em período posterior ao lançamento a crédito na conta de PIS a compensar, e em valor diverso (R$ 3.434,06). Fl. 75DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 3. Não há como saber se (e como) o referido saldo credor de PIS a compensar foi utilizado em períodos subsequentes, uma vez que só foram apresentados, lembre-se, os registros contábeis do dia 30/06/2001. 4. Da conta PIS RECEITAS OPERACIONAIS, a recorrente apresentou os seguintes lançamentos : Compulsando tais registros (em conta de despesa), pode-se verificar o lançamento, em contrapartida, daquele lançamento feito na conta de PIS FATURAMENTO A COMPENSAR, no valor de R$ 3.256,14. Neste caso, o registro poderia apontar para um pagamento indevido no mês de junho: pagamento indevido pressupõe, de um lado, lançamento a débito na conta do ativo circulante PIS a compensar, e, por outro, lançamento a crédito na conta de despesa PIS sobre Receitas. Não há como afirmar, contudo, se esse é o caso, uma vez que não há os registros completos das contas envolvidas nem explicação, com documentação própria, trazida pela recorrente. O que se pode dizer é que eventual pagamento indevido representado pelo registro em análise não se confunde com aquele recolhimento em DARF (fl. 50), efetuado em 13/07/2001, uma vez que são de períodos e valores distintos. Ou seja, pode-se concluir, com toda a certeza, que o registro acima, na conta de despesa, no valor de R$ 3.256,14, não se refere ao suposto pagamento indevido apontado como origem do direito creditório da compensação declarada. Observa-se, ainda, o lançamento a crédito, na conta PIS RECEITAS OPERACIONAIS, do valor de R$ 3.432,11 a título de "PIS S/OUTRAS RECEITAS MES JUNHO/2001". Neste caso, o lançamento aponta para débito de PIS, no mês de junho de 2001, no valor de R$ 3.432,11 - destoando, portanto, do valor alegado pela recorrente. Em tal lançamento, a contrapartida da conta de resultado deveria ser a conta do passivo Pis a Recolher. No entanto, não há, como já assinalado, os registros da conta do passivo e os registros da conta de despesa são incompletos para se chegar a uma conclusão definitiva. A recorrente não apresentou qualquer explicação sobre a natureza dos lançamentos ora analisados nem esclarecimentos de como eles serviriam para infirmar o débito de PIS declarado em DCTF. Dos registros acima, o que se pode concluir, de forma inequívoca, é que o lançamento a crédito, na conta de resultado, não se refere ao pagamento indicado como origem do crédito na PER/DCOMP apresentada, pois o suposto pagamento a maior, indicado na declaração de compensação, se refere a recolhimento em DARF (fl. 50), efetuado em 13/07/2001, ou seja, em período posterior ao lançamento a crédito na conta de despesa, e em valor diverso (R$ 3.434,06). Além disso, conclui-se, ainda, que o lançamento a débito, na conta de despesa, não serve para infirmar o valor apurado do PIS do período de apuração 06/2001 - tal lançamento aponta, na verdade, para a consistência do valor declarado na DCTF original. Verifica-se, portanto, a partir da análise da escrituração apresentada, que não há elementos para sustentar as alegações da recorrente e infirmar o débito regularmente constituído na DCTF original. Sublinhe-se, mais uma vez, que a recorrente não apresentou escrituração contábil suficiente - nem elementos e documentos para sustentá-la - para comprovar o suposto erro na constituição do débito de PIS. Fl. 76DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.467 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10510.900352/2008-26 Ademais, deve-se assinalar que a recorrente deixou de apresentar os registros contábeis atinentes à compensação declarada (como, por exemplo, os lançamentos nas contas do Razão do PIS a Compensar e do PIS a Recolher, no período de julho de 2001) e ao suposto pagamento indevido. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF transmitida, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida. A recorrente deveria ter trazido documentos pertinentes, suficientes e necessários, a fim de comprovar o crédito utilizado na compensação não homologada: escrituração contábil- fiscal, demonstrando a apuração da contribuição social, juntamente com todos os demais documentos que a suportam. Não tendo logrado êxito em provar suas alegações, manifesta-se improcedente o pleito da recorrente. Em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000222/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001, 2002
ABONO VARIÁVEL. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
A verba denominada abono variável e provisório foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda.
O abono variável, estendido aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.631/2005 também possui natureza indenizatória.
Numero da decisão: 2402-007.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. A verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. O abono variável, estendido aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.631/2005 também possui natureza indenizatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 22 /2 00 6- 31 Fl. 331DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 13-18.716 (fl. 189), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do Termo de Constatação de fls. 115 e seguintes, tem-se que: O contribuinte apresentou, no prazo legal, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (DIRPF), e, posteriormente, apresentou declaração retificadora, com a qual alterou os valores dos rendimentos tributáveis e dos isentos e não-tributáveis. O contribuinte informa que as declarações retificadoras tiveram a finalidade da adequar a situação do contribuinte, por orientação do Egrégio Tribunal da Justiça, que emitiu novos comprovantes da rendimentos, relativos aos Exercícios da 2002 e 2003 (documentos anexa, tendo em vista ABONO VARIÁVEL PROVISÓRIO, abjeto da Lei nº. 9.655, na forma descrita pelo art. 2º. da Lei no. 10.474/02, verba do natureza indenizatória, livre da incidência tributária, devida aos Magistrados deste Estado. Constata-se que o contribuinte apresentou declaração retificadora baseando-se no novo informe de rendimentos apresentado pela fonte pagadora, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que excluiu dos rendimentos que já tributados na fonte, nos anos-calendário da 2001 e 2002, parcela paga a título de Abono Variável Provisório, classificando-o como rendimento isento, citando a Resolução STF nº. 245/02. A Resolução 245 do STF, de 12 de dezembro de 2002, dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º. e parágrafos da Lei nº. 10.474, de 27 de junho de 2002. A lei nº. 10.474, por sua vez, dispõe sobre a remuneração da magistratura da União. O contribuinte informa no Quadro "IDENTIFICAÇÃO DO DECLARANTE", como ocupação principal: "MEMBRO DO PODER JUDICIÁRIO (MINISTRO, JUIZ E DESEMBARGADOR), porém, verificamos que não faz parte dos quadros da magistratura da União, e sim do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Considerando que o contribuinte não é membro da magistratura da União, e o que dispõe o artigo 111 em seu inciso II, do CTN, desconsideramos a alteração efetuada em relação aos rendimentos reclassificados. Cientificado, o Contribuinte apresentou a impugnação de fl.141, defendendo a natureza indenizatória dos valores recebidos. A DRJ, por meio do susodito Acórdão nº 13-18.716 (fl. 189), julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA -IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste embaraço ao exercício do direito de defesa se o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao Impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, não dando margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida. Fl. 332DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 PRELIMINAR DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Tratando-se de omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, está correto o lançamento nome do contribuinte do imposto e não no da fonte pagadora, não se cogitando de erro na identificação do sujeito passivo. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10.474, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Lançamento Procedente Cientificado da decisão exarada pela DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 215 e seguintes, reiterando os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de lançamento fiscal em face da apuração, pela fiscalização, da seguinte infração supostamente cometida pelo Contribuinte: 001 - CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício – abono variável. A DRJ, como visto, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, tendo concluído, em síntese, que: Não merece guarida a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Nesse particular, é imperativo recordar que o contribuinte do imposto na hipótese em tela é o Interessado e não o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O Autuado possui a obrigação de declarar todos os rendimentos tributáveis recebidos, independentemente do comprovante de rendimentos fornecido por sua fonte pagadora, sendo o conteúdo e veracidade das informações constantes das declarações de ajuste anual de responsabilidade exclusiva do Autuado e não da fonte pagadora. (...) Em suma, conclui-se que o abono variável tratado na Lei n° 10.474, de 2002, aplicável aos Magistrados Federais, não se sujeita à incidência do imposto de renda. Todavia, no caso em estudo, o Impugnante não faz parte dos quadros da Magistratura Federal, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na Lei Estadual nº 4.631, de 2005. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono Fl. 333DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 variável da Lei nº 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Assim, descabe na hipótese em tela atribuir aos rendimentos recebidos pelo Interessado a mesma natureza do abono variável pago aos membros do Poder Judiciário Federal, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), haja vista inexistir lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas importâncias. Com relação à multa de oficio lançada, o Impugnante argumenta que a responsabilidade seria exclusiva da fonte pagadora, não podendo se cogitar de sua culpa quanto à classificação indevida de rendimentos. No entanto, conforme aduzido preliminarmente no presente acórdão, a responsabilidade do Autuado é pessoal e intransferível, sendo incabível qualquer exclusão da responsabilidade do Interessado pelas infrações decorrentes da classificação indevida de rendimentos em suas declarações de ajuste anual. O Recorrente, por seu turno, defende a natureza indenizatória de tais rendimentos, trilhando a seguinte linha de raciocínio: I) Natureza Indenizatória: a) O “Abono Variável" da Magistratura Federal; b) O STF Reconheceu a Natureza Indenizatória do “Abono Variável"; c) A PGFN e o Ministro da Fazenda reconheceram a natureza indenizatória do “Abono Variável"; d) O “Abono Variável" da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro; e) A PGFN, a AGU e a PGR reconhecem Que o “Abono Variável" da Magistratura Estadual é idêntico ao da Lei 10.474; f) O "Abono Variável" da Magistratura Estadual também Tem Natureza Indenizatória; II) Ilegitimidade Passiva; e III) Inexigibilidade de Multa e Juros (CTN, art. 100, parágrafo único). Da Natureza Indenizatória dos Rendimentos Recebidos A questão de mérito tratada nos presentes autos se refere, pois, à atribuição dada pelo Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou não-tributáveis. Com efeito, as Leis nº 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei nº 10.477/2002, aos membros do Ministério Público Federal. O STF, em sua Resolução nº 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual nº 4.631/2005, que concedeu aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Fl. 334DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 A todo rigor, a lei estadual não criou novo abono, apenas se utilizou do abono e da legislação federal para adotá-lo em relação aos membros da Magistratura Estadual do Rio de Janeiro. E, para tal abono, a natureza indenizatória restou conferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Por esta razão, o Recorrente procedeu à retificação de sua DIRPF, para dar nova classificação aos rendimentos recebidos do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro a título de abono variável, desta vez como isentos ou não-tributáveis, diminuindo, dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do período. Sob tais premissas, analisando as leis federais que instituíram o abono variável aos membros da Magistratura Federal, bem como a lei estadual que concedeu o abono aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, verifica-se que ambos os abonos são idênticos, tendo sido instituídos para os mesmos fins e com a mesma natureza jurídica. Dessa forma, considerando que o STF já reconheceu a natureza indenizatória do abono variável, faz-se mister conceder ao abono variável dado aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o mesmo tratamento tributário, isentando tais valores da tributação pelo imposto de renda. Por fim, mas não menos importante, tem-se que o entendimento aqui exposto encontra guarida na jurisprudência emana do TRF 2ª Região, órgão do poder judiciário que já teve oportunidade de se manifestar em diversas ocasiões acerca do tema em análise, in verbis: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. ABONO VARIÁVEL. LEI ESTADUAL Nº 4.631/05 DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. RESOLUÇÃO Nº 245/2002 DO STF. VIOLAÇÃO DO ART. 111, II, DO CTN. INOCORRÊNCIA. 1. Remessa necessária e apelação da UNIÃO FEDERAL. O A controvérsia dos autos cinge-se à incidência do imposto de renda sobre o abono variável pago aos magistrados estaduais por força da lei do Estado do Rio de Janeiro nº 4.631/2005. 2. O abono variável refere-se ao pagamento de diferenças de vencimentos decorrentes das Leis Federais nº 10.474/2002 e nº 9.655/1998, sendo satisfeitas em 24 parcelas mensais e sucessivas (art. 2, § 2º, da Lei nº 10.474/2002). 3. O Supremo Tribunal Federal, ao dispor sobre a forma de cálculo do referido abono, editou a Resolução nº 245, de 12 de dezembro de 2002, cujo art. 1º define o abono variável como possuindo natureza jurídica indenizatória. 4. É cediço que o imposto de renda não incide sobre verbas que tenham natureza indenizatória (AC 00094429820124025101, Rel. Des. Fed. LANA REGUEIRA, TRF2 – Terceira Turma Especializada, EDJ2F 11/05/2016; AC 00115212120104025101, Rel. Des. Fed. FERREIRA NEVES, TRF2 – Quarta Turma Especializada, EDJ2F 19/08/2013). 5. Não se trata de concessão de isenção tributária com uso da analogia, como afirma a UNIÃO FEDERAL, alegando violação ao art. 111, II, do CTN. No caso, a não incidência do imposto de renda sobre o abono variável tem como fundamento o caráter indenizatório da verba, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal. É certo, ademais, que não existe fundamento para aplicar distinção, em relação à magistratura estadual, do entendimento do Supremo Tribunal Federal. Portanto, não se trata de dar interpretação extensiva à regra de isenção, mas de aplicação da orientação do Supremo Tribunal Federal em hipótese que não admite que seja feita distinção. 6. Quanto à antecipação dos efeitos da tutela concedida, decorre da aplicação do art. 273, do Código de Processo Civil de 1973, vigente à época. Conforme fundamentou o Juízo a quo, além da presença da verossimilhança das alegações reconhecida na Fl. 335DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 sentença de mérito, há fundado receio de dano irreparável, uma vez que o Fisco poderia ingressar com a cobrança judicial do débito anulado na sentença em exame, eis que, na esfera administrativa, não haveria óbice para o prosseguimento da execução nos autos do processo administrativo nº 17883.000272/2005-37. 7. Quanto à atualização dos honorários advocatícios pela taxa SELIC, de fato, assiste razão à União Federal, uma vez que tal índice é aplicável apenas na atualização dos créditos tributários federais, na forma do artigo 39, parágrafo 4º da Lei 9.250/95, o que não é o caso dos honorários advocatícios, que deverão ser atualizados conforme índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. No ponto, é de ser dado provimento à apelação. 8. Remessa necessária e apelação parcialmente providas. (...) VOTO A controvérsia dos autos cinge-se à incidência do imposto de renda sobre o abono variável pago aos magistrados estaduais por força da lei do Estado do Rio de Janeiro nº 4.631/2005. O supracitado dispositivo legal determinou a aplicação do art. 2º, caput, e § 1 º da Lei Federal nº 10.474/2002 aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. A Lei Federal nº 10.474/2002 trata da remuneração da magistratura da União. O art. 2º do diploma legal em questão manteve o abono variável previsto no art. 6º da Lei nº 9.655/1998, o qual passou a corresponder à diferença entre a remuneração percebida pelo magistrado vigente à data desta lei e a decorrente daquela. Em resumo, o abono variável refere-se ao pagamento de diferenças de vencimentos decorrentes das Leis nº 10.474/2002 e nº 9.655/1998, sendo satisfeitas em 24 parcelas mensais e sucessivas (art. 2, § 2º, da Lei nº 10.474/2002). O Supremo Tribunal Federal, ao dispor sobre a forma de cálculo do referido abono, editou a Resolução nº 245, de 12 de dezembro de 2002. O art. 1º da supracitada resolução define o abono variável como possuindo natureza jurídica indenizatória. O artigo 43 do Código Tributário Nacional define como fato gerador do imposto sobre a renda a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica "I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos" e "II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." É possível afirmar, portanto, que o pagamento de montante que não seja produto do capital ou do trabalho ou que não implique acréscimo patrimonial afasta a incidência do imposto de renda e, por esse fundamento, não deve ser cobrado o tributo sobre as indenizações que visam a recompor a perda patrimonial. Como a exação não incide sobre valores com natureza indenizatória, deve ser afastada a cobrança do imposto de renda sobre o abono variável, o qual ostenta caráter indenizatório. Ambas E. Turmas Especializadas em Direito Tributário desta corte já decidiram nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. MAGISTRADO ESTADUAL. IMPOSTO DE RENDA. ABONO VARIÁVEL. LEI ESTADUAL Nº 4.631/05 DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. APELAÇÃO PROVIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Resolução nº 245/2002, reconheceu a natureza indenizatória do abono variável de que trata a Lei nº 10.474/2002, pago aos membros da Magistratura Federal, introduzido no ordenamento pela Lei nº 9.655/98 (art. 6º), entendimento que deve ser estendido ao membros da Magistratura Estadual. 2.Precedentes do STJ e desta Corte Regional. 3. Recurso de Apelação Provido. A C O R D Ã O Vistos e relatados estes autos, em que são as partes acima indicadas: Decide a Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por maioria, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, de 2015. LANA REGUEIRA DESEMBARGADORA FEDERAL. (AC Fl. 336DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 00094429820124025101, Rel. Des. Fed. LANA REGUEIRA, TRF2 – Terceira Turma Especializada, EDJ2F 11/05/2016) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - ABONO INSTITUÍDO PELA LEI ESTADUAL 4.333/2004 - MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL -. - Procedimento administrativo n. 17883.000287/2005-03, decorrente do auto de infração - cópias às fls. 67/77-, anulado, pois a Receita Federal, pretende cobrar da autora imposto de renda, acrescidos de juros de mora e de multa de 75%, já recolhidos por ocasião das declarações originais de ajuste anual dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, o que configura verdadeiro bis in idem. - O Supremo Tribunal Federal, por meio da Resolução nº 245/2002, reconheceu que o abono variável de que trata a Lei nº 10.474/2002 possui natureza indenizatória:"Art 1º. É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." - Portanto, o abono variável, estendido aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.433/2004 tem natureza indenizatória. - No âmbito administrativo há também o reconhecimento da natureza indenizatória das referidas verbas (Parecer PGFN 529 / 2003, em relação à Magistratura, e Parecer PGFN 923 / 2003, em relação ao MPF), ambos aprovados pelo Ministro da Fazenda. - Na lição de SAVATIER, "dano moral é todo sofrimento humano que não é causado por uma perda pecuniária" e, in casu, não foi comprovada qualquer lesão causada ao patrimônio moral da autora, em razão do indeferimento dos processos administrativos. - Remessa necessária e apelações desprovidas. (AC 00115212120104025101, Rel. Des. Fed. FERREIRA NEVES, TRF2 – Quarta Turma Especializada, EDJ2F 19/08/2013). Ao contrário do que sustenta o APELANTE, não se trata de concessão de isenção tributária com uso da analogia, em confronto com o art. 111, II, do CTN. A não incidência do imposto de renda sobre o abono variável tem como fundamento o caráter indenizatório da verba, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, o que impede que a referida verba constitua hipótese de incidência do imposto de renda, sendo certo, ademais, que não existe fundamento para aplicar distinção, em relação à magistratura estadual, do entendimento do Supremo Tribunal Federal. Portanto, não se trata de dar interpretação extensiva à regra de isenção, mas de aplicação da orientação do Supremo Tribunal Federal em hipótese que não admite distinção. Neste contexto, impõe-se o reconhecimento da procedência do recurso voluntário neste particular, o que, por si só, já implica no cancelamento da autuação fiscal. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando o lançamento fiscal. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 337DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.502 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000222/2006-31 Declaração de Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, peço vênia para dele divergir nos termos que segue. Conforme informado no voto em apreço, lei estadual estendeu à Magistratura do Estado do Rio de Janeiro os efeitos da Resolução n. 245/2002, da lavra do Supremo Tribunal Federal (STF), afastando, assim, a incidência de IRPF sobre verbas pagas a título de abono variável. Ocorre que a competência para legislar sobre IRPF é da União Federal, nos termos do art. 153, III, sendo a hipótese de incidência tributária delineada no art. 43 e ss. do CTN. Nessa perspectiva, ao afastar a tributação do IRPF sobre as verbas recebidas a título de abono variável, a lei estadual promoveu verdadeira isenção heterônoma, caracterizada quando um ente federativo diferente daquele que detém a competência para instituir o tributo, concede o benefício fiscal da isenção tributária. O instituto da isenção tributária tem previsão nos arts. 176 e ss. do CTN, e constitui-se forma de exclusão do crédito tributário, caracterizando-se como óbice ao seu lançamento, ainda que materializada a hipótese de incidência tributária. Todavia, aplicando-se, por simetria, o art. 151, III, da CF/88, não caberia ao Estado do Rio de Janeiro intervir na esfera de atuação da União Federal e promover isenção de IRPF. Nessa perspectiva, e sem qualquer pretensão de discutir a constitucionalidade da lei estadual do Estado do Rio de Janeiro, até porque tal mister é defeso ao julgador administrativo, pugno pela incidência do IRPF em face das verbas recebidas a título de abono variável, em observância à simetria da vedação consignada no art. 151, III, da CF/88, bem assim ao comando do art. 153, III, e arts. 176 e ss. do CTN. (documento assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903067/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2013
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.542
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2013 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 30 67 /2 01 5- 71 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.903067/201571 Acórdão n.º 3401006.542 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.009852/2008-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. VGBL . FALTA DE PREVISÃO LEGAL
As contribuições para planos por sobrevivência de seguro de pessoas na modalidade VGBL - Vida Gerador de Benefício Livre não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda.
Numero da decisão: 2001-001.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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VGBL . FALTA DE PREVISÃO LEGAL As contribuições para planos por sobrevivência de seguro de pessoas na modalidade VGBL - Vida Gerador de Benefício Livre não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, em que foi glosada dedução indevida de previdência privada e FAPI, no valor de R$ 9.893,90. Do campo "descrição dos fatos” da notificação de lançamento: “Glosa do valor de R$ 9.893,90, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 98 52 /2 00 8- 22 Fl. 42DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.405 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.009852/2008-22 tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes.” Conforme se extrai do acórdão da DRJ no Rio de Janeiro(2)/RJ (fl.24), a contribuinte apresentou impugnação acompanhada de declaração do Banco Itau. Transcrito do acórdão: “Através de sua DIRPF, verificamos que a Contribuinte declarou os pagamentos nos valores de R$ 135.000,00 – Itaú VGBL – e de R$ 720,00 – Itaú FAPI (fl. 16). Estando limitada a dedução ao percentual de 12% dos rendimentos tributáveis declarados, a teor dos dispositivos acima, o valor pleiteado resultou em R$ 10.613,90 (= 88.449,24 x 12%)(fl. 14), que, excluído do valor de R$ 720,00 (Itaú FAPI), resultou no valor glosado de R$ 9.893,90. Para comprovação das despesas, a Impugnante apresentou uma declaração emitida pela instituição financeira (fl. 13), que informa acerca de uma contribuição única no valor de R$ 135.000,00, em seu plano VGBL PLUS RF, na qual figura como única titular. Informa, também, acerca da existência de seu plano PVBL FAPI. Não se trata aqui de questionar a efetividade do pagamento da despesa no valor de R$ 135.000,00, mas sim de sua natureza. O VGBL corresponde a um plano de cobertura por sobrevivência em apólices de seguros de vida, enquanto o PGBL corresponde a um plano de previdência. O primeiro não é considerado dedutível, a teor do art. 6o, §3º, da IN SRF no 588/05, enquanto o segundo o é. Através de consulta ao sítio na Internet do Itaú, verificamos que a instituição descreve o VGBL como “seguros estruturados na forma de planos de previdência” e indica que “são perfeitos para quem faz declaração simplificada, é isento do pagamento do IR ou para quem já aplicou até o limite de 12% em um plano PGBL ...”(fl. 22). Em relação ao PGBL, informa ser “planos de previdência indicados para quem faz a declaração completa do IR, pois o cliente pode deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda até o limite de 12% de sua renda bruta tributável anual” (fl. 23). Desta maneira, concluímos por não acatar a despesa com VGBL como dedutível na DIRPF, motivo por que mantemos a glosa em seu valor integral.” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela total improcedência da impugnação, para manter o crédito tributário lançado. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de fls. 34 e segs., por meio do qual tenta, em síntese, caracterizar o VGBL como sendo plano de previdência privada e não prêmio de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Requer ao final provimento para que se reconheça a nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Fl. 43DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.405 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.009852/2008-22 Do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda(RIR), temos a autorização para dedução das contribuições à previdência privada: Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V): I - as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. (grifei) § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplica-se exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no ano-calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à dedução prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11).(grifei) Da Instrução Normativa SRF no 588/05, sobre o tema: Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplica-se, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuam-se da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual.(grifei) A contribuinte realizou dispêndio único no ano de 2004 com plano VGBL do Banco Itau, no valor de R$ 135.000,00, o qual utilizou, após aplicado o limite de 12%, como dedução da base tributável do IR. Dos autos do processo e de tudo o acima já exposto, não se aprecia aqui a efetividade do pagamento, de quem foi o ônus ou o tipo de plano contratado (se VGBL ou PGBL), matérias a esta altura já incontroversas. O que se avalia é se o dispêndio com VGBL pode ou não ser enquadrado como contribuição para entidade de previdência privada para fins de dedução no cálculo do IR, como quer a contribuinte. O mercado disponibiliza os planos por sobrevivência denominados PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre, e o VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre. Em se tratando de dois produtos, mesmo com características similares, não podem por óbvio ser exatamente iguais. Fl. 44DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.405 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.009852/2008-22 A SUSEP, autarquia vinculada ao Ministério da Economia, criada pelo Decreto- lei nº 73/66, que é o órgão responsável no país pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro esclarece em seu sítio na internet (pesquisa realizada em 16/05/2019): “1- Qual a diferença entre o VGBL e o PGBL? VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) e PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) são planos por sobrevivência (de seguro de pessoas e de previdência complementar aberta, respectivamente) que, após um período de acumulação de recursos (período de diferimento), proporcionam aos investidores (segurados e participantes) uma renda mensal - que poderá ser vitalícia ou por período determinado - ou um pagamento único. O primeiro (VGBL) é classificado como seguro de pessoa, enquanto o segundo (PGBL) é um plano de previdência complementar. A principal diferença entre os dois reside no tratamento tributário dispensado a um e outro. Em ambos os casos, o imposto de renda incide apenas no momento do resgate ou recebimento da renda. Entretanto, enquanto no VGBL o imposto de renda incide apenas sobre os rendimentos, no PGBL o imposto incide sobre o valor total a ser resgatado ou recebido sob a forma de renda.(grifei) No caso do PGBL, os participantes que utilizam o modelo completo de declaração de ajuste anual do I.R.P.F podem deduzir as contribuições do respectivo exercício, no limite máximo de 12% de sua renda bruta anual. Os prêmios/contribuições pagos a planos VGBL não podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual do I.R.P.F e, portanto, este tipo de plano seria mais adequado aos consumidores que utilizam o modelo simplificado de declaração de ajuste anual do I.R.P.F ou aos que já ultrapassaram o limite de 12% da renda bruta anual para efeito de dedução dos prêmios e ainda desejam contratar um plano de acumulação para complementação de renda.” Ainda do sítio da SUSEP na internet, na mesma data: “Cobertura por Sobrevivência: a que garante o pagamento de benefício pela sobrevivência do participante ao período de diferimento contratado” De fato, o VGBL constitui um produto semelhante ao PGBL, na medida em que visa acumulação de recursos e a transformação em renda futura. Entretanto, apresenta como principal diferença exatamente o tratamento tributário conferido a um e outro. Como a tributação de IR no VGBL incide somente sobre os rendimentos (diverso do que ocorre com o PGBL, onde a incidência do IR se dá sobre o valor total do saque), no VGBL não é possível deduzir as contribuições da base de cálculo do imposto de renda. Desta forma, quanto à dedução efetuada pela contribuinte referente ao VGBL contratado junto ao Banco Itau, entendo que deva ser mantida a glosa imposta pelo Fisco. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 45DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.405 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.009852/2008-22 Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001059/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA
INTEMPESTIVO,
O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do ITR.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.691
Decisão: Acordam os membros o colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
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ADA INTEMPESTIVO, O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do ITR. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os jnef-nbros o colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos jC1711-10S do votOda Relatora. GiOvanni ChristiadNVIM gaillos — Presidente ttia_Mat6-s MotXra Relliora EDITADO EM: 18/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. 4,0 Relatório Contra CELINA VARGAS DO AMARAL PEIXOTO, foi lavrado Auto de Infração, fls. 33/36, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Bonança, com área de 625,3 ha (NIRF 3822.563- 8), relativo ao exercício 2001, no valor de RS 41373,42, incluindo multa de oficio e juros de mora, calculados até 31/08/2005. A infração imputada à contribuinte no Auto de Infração, fls. 34, foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total das áreas de preservação permanente (212,111a) e de reserva legal (49,9 ha), em virtude da apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 44/54, que se encontra assim resumida no Acórdão DRI/REC n o 11-21.511, de 29/01/2008, fls. 98/107: I — que "em grande síntese, o auto de infração em questão foi lavrado por um único motivo: A APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) da Fazenda Bonança"; II — que apresenta Laudo Técnico de Vistoria elaborado em 10/11/2004; III — que "não há que se . falar em obrigatoriedade de apresentação de Ato Declaratório Ambiental, eis que tal exigência foi abolida de nosso ordenamento jurídico através do art, .3° da Medida Provisória n° 2.166-67/01, que alterou a redação do art. 10 da Lei n° 9..393/96"; IV — que "desde que as áreas de reserva legal efetivamente existam, a falta de averbação não pode ensejar em argumento para a lawatura de autuação"; V — transcreve ementas do Conselho de Contribuintes e de decisão do Superior . Tribunal de Justiça, A DR.I Recife/PE apreciou a impugnação e, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 126, a contribuinte apresentou, em 19/05/2008, recurso voluntário, fls. 112/123, trazendo as alegações a seguir resumidamente transcritas: (i) a DITR autuada refere-se ao ano-calendário 2001, na qual a Recorrente declarou a existência de 212,00 hectares de área de preservação permanente e 49,90 hectares de área de utilização limitada; (ii) a única . fundamentação da autuação diz respeito à apresentação intempestiva do ADA da Fazenda Bonança; (iii) através de documentos idôneos, inclusive através do ADA intempestivo, a Recorrente comprovou a existência de 212,00 2 Processo n" 10725.001059/2005-16 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.691 Fl. 131 hectares de área de preservação permanente e 49,90 hectares de área de utilização limitada; (iv) a existência de ambas as áreas .foi reconhecida pela decisão de I" instância, que apenas manteve a autuação pela apresentação intempestiva do ADA; (h) o ADA do imóvel autuado efetivamente foi apresentado de .forma intempestiva (após o prazo de seis meses da apresentação da DITR/2002), mas antes da lavratura do auto de infração em debate; e (v) o Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionaram no sentido de que a comprovação da existência das áreas não sujeitas ao 1TR pode ser .feita mediante a apresentação de ADA, ainda que de forma intempestiva, ou laudos técnicos, como ocorreu na presente demanda. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Trata-se de glosa de áreas de preservação permanente (212,1 ha) e de reserva legal (49,9 ha), em razão da apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Logo, a lide que se impõe gira em torno de saber se a apresentação do ADA, fora do prazo estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 73, de 18 de junho de 2000, impede a contribuinte de usufruir do beneficio de excluir da área tributável as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Tal questão, embora tenha sido por diversas vezes apreciada no antigo Terceiro Conselho de Contribuinte, não tem jurisprudência assentada. Contudo, em recente voto proferido no Acórdão 2102-00.528, de 14/04/2010, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, fez brilhante estudo da questão para ao final concluir que comprovada a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do ITR. Mais uma vez, entretanto, como a Lei n" 6,938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência .feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da D1TR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja 3 provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, somente veio a ser fixado na Instrução Normativa SRF if 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 67, de 1 de setembro de 1997. Tal prazo permaneceu nas redações das Instruções SRF n's 73, de 18 de junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002, que posteriormente foi alterada pela Instrução Normativa RFB n° 861, de 17 de julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, conforme infere-se da atual redação do parágrafo 3" do art. 90 da IN SRF n° 256, de 2002: § 3" Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão... 1 - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ([boina) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela IN RFB n" 861, de 17 de julho de 2008) II - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VIII do caput em I" de . janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do 1TR, observado o disposto nos arts 10 a 14-A, (Redação dada pela IN RFB n" 861, de 17 de julho de 2008) No presente caso, verifica-se nos autos a existência de ADA, fls. 13, apresentado intempestivamente em 20/12/2002 e laudo técnico agronômico de vistoria, fls, 15/20, emitido por engenheiro agrônomo, porém sem Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Por oportuno, transcreve-se a conclusão do referido laudo: Concluímos que a área declarada a Secretaria da Receita Federal COMO de preservação permanente, possui pelo menos 260,0 hectares de Mata Atlântica, distribuída pelo imóvel, atendendo a Legislação pertinente. É bem verdade, que o laudo trazido pela defesa não contém a anotação de responsabilidade técnica, porém vale lembrar que o lançamento calcou-se exclusivamente na intempestividade do ADA e que no Termo de Intimação, fis. 04/05, do qual a contribuinte foi cientificada durante o procedimento fiscal, lhe foi solicitada a apresentação de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo, não sendo mencionada a necessidade da anotação de responsabilidade técnica., Nessa conformidade, há de se concluir que o laudo apresentado pela contribuinte é suficiente para comprovar a existência da área de preservação permanente de 212,1 ha, conforme consta da DITR/2001, de sorte que a glosa da área de preservação permanente não pode prosperar. Já no que concerne à área de reserva legal, deve-se observar que a autoridade fiscal limitou-se a solicitar da contribuinte durante o procedimento fiscal a apresentação do ADA, conforme infere-se do Termo de Intimação Fiscal, fls, 04/05. A comprovação da existência da área de utilização limitada não foi questionada pela autoridade fiscal, que sequer solicitou a sua comprovação, tampouco questionou a averbação da referida área. Logo, tem-se que a fundamentação do lançamento calcou-se exclusivamente na falta de ADA, 4 Processo n° 10725.001059/2005-16 Acórdão n.° 2102-00491 82-C11-2 Fl 132 Nestes termos, considerando que a intempestividade na apresentação do ADA, por si só, não é fato impeditivo para a fruição do beneficio e que esta foi a única motivação do lançamento, há de se concluir pela improcedência da glosa da área de reserva legal. Ante o exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. ig,L.V.,411<0t01 Núbia Matos Moura - Relatara 5
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901377/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. POSSIBILIDADE.
Constatando-se que as informações constantes nos sistemas de controle da RFB confirmam as alegações do recorrente e viabilizam a existência de pagamento a maior em benefício do mesmo. Aplicando-se o princípio da Verdade Material, reconhece-se o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1401-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$90.000,00 relativos ao pagamento indevido de CSLL do mês de agosto de 2003, homologando as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. POSSIBILIDADE. Constatando-se que as informações constantes nos sistemas de controle da RFB confirmam as alegações do recorrente e viabilizam a existência de pagamento a maior em benefício do mesmo. Aplicando-se o princípio da Verdade Material, reconhece-se o crédito pleiteado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-31T00:41:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-31T00:41:43Z; Last-Modified: 2019-07-31T00:41:43Z; dcterms:modified: 2019-07-31T00:41:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-31T00:41:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-31T00:41:43Z; meta:save-date: 2019-07-31T00:41:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-31T00:41:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-31T00:41:43Z; created: 2019-07-31T00:41:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-31T00:41:43Z; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-31T00:41:43Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.901377/2008-17 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401-003.616 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2019 Recorrente PETROQUIMICA TRIUNFO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. POSSIBILIDADE. Constatando-se que as informações constantes nos sistemas de controle da RFB confirmam as alegações do recorrente e viabilizam a existência de pagamento a maior em benefício do mesmo. Aplicando-se o princípio da Verdade Material, reconhece-se o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$90.000,00 relativos ao pagamento indevido de CSLL do mês de agosto de 2003, homologando as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 13 77 /2 00 8- 17 Fl. 104DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.616 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901377/2008-17 Relatório Inicio com a transcrição do resumido relatório da Decisão de Piso. A contribuinte apresentou a PER/DCOMP 16295.84777.190104.1.3.04- 2719, (fls. 09-14). em 19/01/2004, com vistas a compensar os débitos nela discriminados com crédito no valor original de R$90.000,00 oriundo de pagamento indevido ou a maior, realizado em 19/01/2004 (DARF de R$731.422,70), a título de CSLL, código de receita 2484. Em 24/04/2008, a autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório eletrônico, não reconheceu o direito creditório, afirmando que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP", (fl. 01). A ciência da decisão acima referida ocorreu em 02/05/2008 (fl. 41). Em 29/05/2008, a contribuinte apresentou petição (fl. 06), na qual afirmou, em síntese, que o crédito foi constituído de pagamento indevido ou a maior oriundo de recolhimento efetuado em 30/09/2003, referente a período de apuração 31/08/2003, código de receita 2484. Analisando a manifestação do contribuinte, a Delegacia de Julgamento não conheceu da manifestação de inconformidade por considerar que o contribuinte não apresentou contradita ao indeferimento do seu crédito, tendo anuido com a análise formulada. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual suscita a nulidade da decisão da DRJ e que, caso entenda por conhecer do crédito, que seja reconhecido o direito de crédito ao recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A Delegacia de Julgamento entendeu que o contribuinte não apresentou contradita ao auto de infração, concordando com os mesmos com base nos seguintes argumentos. Consoante se depreende do relatório, a contribuinte não ataca os fundamentos do Despacho Decisório que não lhe reconheceu o direito creditório e não homologou a Fl. 105DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.616 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901377/2008-17 compensação por ela efetuada; pelo contrário, o Despacho Decisório lastreou-se nas informações declaradas em DCTF espontaneamente entregue. No intento de ser reconhecido seu direito creditório, alterou questão de fato. ou seja, retificou a DCTF em 28/05/2008, depois de ter sido cientificada do Despacho Decisório. Assim procedendo, expressou tacitamente concordância com o Despacho Decisório, expedido em face da situação fática e jurídica existente antes da entrega da DCTF retificadora. A nova situação de fato originada a partir da entrega desta nova DCTF não pode ser conhecida por esta Delegacia de Julgamento, por não ser objeto de apreciação prévia por parte do órgão de origem, não tendo sido firmada a necessária competência da DRJ - determinada pelo art. 229, IIJ. do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria n° 587, de 21 de dezembro de 2010 - , que é restrita ao julgamento de questões previamente apreciadas: Por isso foi mantido o indeferimento das compensações. Ocorre que, apesar de ser muito sucinta a manifestação de inconformidade, esta tentou demonstrar que o crédito efetivamente existia e que o erro teria derivado de informação incorreta na DCTF. Antes de analisar os demais termos do recurso, verifiquei, em consulta aos sistemas da RFB, que assim consta a DCTF no sistema de controle de créditos tributários. Fl. 106DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.616 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901377/2008-17 Assim temos que, de alguma forma, os sistemas informatizados da RFB já reconheceram que o valor devido de CSLL no período de apuração de agosto/2003 era apenas de R$ 641.422,70. Por outro lado, consultando as DIPJ apresentadas pela empresa verificamos que o valor do débito de CSLL de agosto;2003 foi sempre o mesmo, igual ao que consta na DCTF registrada nos sistemas de controle, conforme abaixo: Assim, na verdade o motivo que a Delegacia de Julgamento utilizou para não conhecer da manifestação em razão de não poder tratar da DCTF retificadora apresentada deixou de existir, haja vista que a própria RFB já reconheceu, por meio de seus sistemas, que o débito de Fl. 107DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.616 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901377/2008-17 CSLL de agosto/2003 é o apontado na sua manifestação de inconformidade e, assim, o próprio sistema de controle já reconhece a existência de saldo de pagamento a maior no montante de R$ 90.000,00. Assim, tendo em vista o princípio de que não se deve reconhecer uma nulidade quando, no mérito, se puder decidir em favor do recorrente, entendo que, dadas as informações acima e o reconhecimento da existência do pagamento a maior nos próprios sistemas de controle da RFB, deve esta turma decidir no mérito este recurso. Desta forma, constatando a existência de crédito em favor do contribuinte, voto no sentido dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$90.000,00 relativos ao pagamento indevido de CSLL do mês de agosto de 2003, homologando as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003010/2009-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito de COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes.
Numero da decisão: 9303-009.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação (e-fls. 02 a 09), de créditos de Cofins não cumulativa - Mercado Interno, apurada no mês 2º trimestre de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 10 /2 00 9- 75 Fl. 235DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.126 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003010/2009-75 2006, no valor originário de R$ 18.605,11, que foi utilizado para compensações de débitos de IRPJ, CSLL e IRRF. A DRF em Joaçaba emitiu despacho decisório, às e-fls. 71 e 72, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 2.902,72, e homologando as compensações até aquele limite. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às e-fls. 76 a 86. Já a 4ª Turma da DRJ/FOR, no acórdão nº 08-33.973, considerou improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 122 a 133, onde argumenta, em suma: materiais de embalagem são indispensáveis ao acondicionamento do produto para manter suas características, papel de seda, fita cantoneira e outros são insumos na produção da maçã ; despesa com condomínio tem a mesma natureza da despesa com aluguel; não existe lei que determine a aplicação do conceito do IPI ao crédito de Cofins. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 22/03/2018, resultando no acórdão nº 3301-004.488, que tem a seguinte ementa: COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. O acórdão foi assim redigido: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro. Designada como redatora a Conselheira Liziane Angelotti Meira.. Recurso especial da Fazenda Fl. 236DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.126 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003010/2009-75 Cientificada do acórdão de recurso voluntário em 11/06/2018, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, em 18/06/2018. O recurso especial se estribou nos acórdãos paradigmas nº 3101-00.759 e nº 9303-005.531, os quais não admitem que embalagens de transporte seja tomadas por insumos, em oposição ao recorrido que assim o admite. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em despacho de admissibilidade, no qual deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial em 03/09/2018 (e-fl. 208), a contribuinte apresentou contrarrazões em 17/09/2018, às e-fls. 220 a 231, requerendo que não seja provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para manutenção da decisão recorrida, pois as embalagens são necessárias para manutenção das características do produto - frutas. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Em regra, não há que admitir a inclusão de embalagens de transporte dos produtos para a venda como insumo, por isso não dariam direito ao crédito. Porém, no caso, como o produto é alimentício, as referidas embalagens são necessárias para manter as características do produto. Isso bem compreendeu a i. Conselheira Maria Alencar Câmara Simões, relatora do acórdão recorrido, na matéria em que foi vencedora, e por isso adoto os argumentos expendidos em seu voto, cujos excertos peço vênia para reproduzir: 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papel-seda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Fl. 237DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.126 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003010/2009-75 Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens apresentando-se essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verifica- se que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: (...) Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papel-seda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. Fl. 238DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.126 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003010/2009-75 No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorpora-se ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. Dessarte, para o caso concreto, devem os gastos com embalagens serem utilizados na apuração dos créditos de Cofins, como insumos, e por isso os fretes dessa embalagens também fazem jus ao crédito. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904222/2012-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 3003-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, apresentado por meio do PER/Dcomp nº 34004.03975.300110.1.1.11-9174, referente ao crédito de Cofins não cumulativa – mercado interno do 3º trimestre de 2006, nos termos do despacho decisório emitido em 04/09/2012 pela DRF/Florianópolis (rastreamento nº 031054658). O despacho decisório aponta, no campo 3, a fundamentação para o deferimento parcial do PER/Dcomp em tela, como se vê a seguir: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 42 22 /2 01 2- 82 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.430 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904222/2012-82 Cientificada dessa decisão em 27/09/2012 a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, relaciona os pedidos de ressarcimento transmitidos com os valores que foram indeferidos pela DRF/Florianópolis, como demonstrado a seguir: (...) A seguir, informa que trabalha com beneficiamento do arroz e que essa atividade é beneficiada com o crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores. Constatou a requerente que os créditos que não foram reconhecidos se referem justamente ao crédito presumido anteriormente referido. Aduz que considerando o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, cumpriu todas as formalidades legais, tendo inclusive realizado os registros em sua contabilidade. Desse modo, solicita a reconsideração e liberação dos valores dos créditos ainda não concedidos por questão de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa, vedado o seu ressarcimento ou compensação. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.430 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904222/2012-82 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. O direito creditório referente à Cofins não cumulativa – mercado interno do 3º trimestre de 2006 foi reconhecido parcialmente conforme despacho Decisório de fls. 08. Aduz a interessada que os créditos que não foram reconhecidos se referem ao crédito presumido (atividades agroindustriais) de PIS∕COFINS. Nesta esteira, argumenta que a sua atividade se refere ao beneficiamento e industrialização do arroz e, portanto, tem direito de apurar crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores com fulcro no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A decisão recorrida não acolheu a pretensão da recorrente, sob o fundamento de que com a vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob exame somente poderia ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devido em cada período de apuração, não havendo previsão legal para a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação ou ressarcimento. De fato, não assiste razão à recorrente. Na ficha 16A da Dacon (Apuração dos créditos da Cofins– Aquisições no mercado interno) a contribuinte informou os seguintes valores: Verifica-se assim que os valores glosados nos pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente correspondem aos créditos presumidos na aquisição dos insumos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, assim dispondo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.430 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904222/2012-82 todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011)(Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Há previsão legal, no caso das operações com arroz em casca, para que o interessado calcule crédito presumido à alíquota de 35% sobre o valor dessas aquisições, nos termos do disposto no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição, não servindo para ser ressarcido ou compensado com outros créditos tributários devidos pela contribuinte. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referem-se, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 660/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 1 , não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, citado na decisão recorrida, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. 1 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: (...) II - 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I - não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II - não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Fl. 38DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.430 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904222/2012-82 Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC 2 , Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Este também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), expresso no Acórdão nº 9303-008.258, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 2 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido.Diário da Justiça Eletrônico. 31/08/2010. p. Fl. 39DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.430 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904222/2012-82 O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da não-cumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. CONCLUSÕES Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendo-se a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 40DF CARF MF
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