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Numero do processo: 16327.000136/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
IMPUTAÇÃO. PRECATÓRIO. PEDIDO IMPOSSÍVEL.
O pedido de observância do art. 354 do Código Civil Brasileiro quando da imputação, em seu indébito de Finsocial, do montante do indébito já restituído através de precatório revela-se impossível, pois qualquer forma de imputação deveria ser discutida em sede judicial, não havendo qualquer chance de se reabrir discussão a respeito da matéria no campo administrativo.
Numero da decisão: 3302-006.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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PRECATÓRIO. PEDIDO IMPOSSÍVEL. O pedido de observância do art. 354 do Código Civil Brasileiro quando da imputação, em seu indébito de Finsocial, do montante do indébito já restituído através de precatório revelase impossível, pois qualquer forma de imputação deveria ser discutida em sede judicial, não havendo qualquer chance de se reabrir discussão a respeito da matéria no campo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 36 /2 00 9- 13 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.000136/200913 Acórdão n.º 3302006.775 S3C3T2 Fl. 315 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo partes do relatório da decisão de primeira instância : Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 142 a 160), em face do Despacho Decisório (fls. 90 a 104) exarado pela DEINF/SPO, em 03/04/2009, no qual a autoridade declarou extinto, sob condição resolutória de desfecho desfavorável, ao interessado, na Ação Rescisória 2008.04.00.0071212 (fls. 74 a 82 e 83) impetrada pela União, o débito constante da Declaração de Compensação DCOMP 23000.86864.040108.1.3.579773 (fls. 01 a 04), sendo que, nos cálculos para apuração dos saldos de indébitos, utilizou sistema de imputação proporcional, diferentemente do adotado pelo interessado. Para a compensação do débito da DCOMP constatou haver suficiência do crédito pleiteado na Ação de Execução Provisória de Sentença ES 1999.71.00.0113384 (fls. 246 a 252 do PAF 16327.001831/200650, juntado), promovida na Justiça Federal/RS e originária da Ação Ordinária 95.00002868 (fls. 16 a 34 do PAF 16327.001831/200650, juntado). 2. No Parecer de suporte à decisão, a autoridade, a par de apresentar relato detalhado da movimentação das ações judiciais instauradas e recursos interpostos pelo interessado no sentido de ver reconhecido seu direito creditório, noticia que : i) o crédito, decorrente de recolhimento indevido de FINSOCIAL dos períodos de 12/89 a 03/92, foi atualizado pela autoridade fiscal (fls. 100 e 101, itens 11 e 12), pelos índices do IGPM de 07/94 e 08/94 e, a partir de 01/01/96, por juros referenciados à Taxa SELIC, nos termos do reconhecido na Ação Ordinária 95.0000286/8 (fls. 11 a 29 do PAF 16327.00183l/200650, juntado) e na decisão transitada em julgado proferida nos Embargos à Execução 1999.71.00.016472 0/RS (fls. 23 a 36), índices de atualização estes cujo afastamento foi objeto do pedido (fl. 82) da Ação Rescisória mencionada; ii) com base nessa forma de atualização, reconhece o direito creditório de FINSOCIAL objeto do Pedido de Habilitação formalizado no PAF 16327.001831/200650, juntado, no valor de RS 1.785.845,74, à data de 31/12/95, conforme consignado em demonstrativo apresentado pelo interessado (fl. 3 do PAF 16327.001831/200650, juntado); iii) parte desse direito creditório, porém, já foi utilizado pelo interessado, no montante de RS 1.701.512,06, em 06/99, em razão da emissão do Precatório 1999.04.01.0606289 (fl. 167 do PAF 16327.001831/200650, juntado); iv) na apuração do novo saldo em 06/99, de R$ 1.614.089,14 (fls. 86 do presente e 03 do PAF 16327.001831/200650, juntado), o Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16327.000136/200913 Acórdão n.º 3302006.775 S3C3T2 Fl. 316 3 interessado teria deixado de efetuar a compensação, do valor utilizado, em termos proporcionais, com principal e juros, alegando (fls. 42 a 49 do PAF 16327.00183l/200650, juntado) ter fundamento no artigo 354 do Código Civil, para usar na compensação, primeiro, os juros e, depois, o principal; v) tal forma de imputação, porém, não pode prosperar pois que, o artigo 354 do Código Civil seria inaplicável ao caso, visto que no âmbito do Fisco Federal é adotada a metodologia da imputação proporcional consagrada pelo Parecer PGFN/CDA 1936/2005, fundamentado nos artigos 108, inciso I, e 167 do CTN; vi) se a Ação Rescisória 2007.04.00.0071212 interposta pela União for provida, em face da sentença exarada na Ação Ordinária 95.00002868, não restaria ao interessado nenhum crédito remanescente, considerado o valor já restituído pelo Precatório 1999.04.01.0606289; vii) assim, decide pela extinção do débito constante da DCOMP 23000.86864.040108.1.3.579773 (fls. 01 a 04), sob condição resolutória, até o encerramento da Ação Rescisória 2008.04.00.0071212. 3. Cientificado da decisão, em 15/04/2009 (fl. 206), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 13/05/2009 (fl. 142), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) para efeito de imputação dos valores restituídos (R$ 1.701.512,06 Precatório 1999.04.01.0606289) e dos compensados, no indébito, há necessidade de ser observado o artigo 354 do Código Civil, imputandose os valores, primeiro, aos juros, e, depois, ao capital, consoante doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, cujos excertos colaciona; ii) não havendo regramento no CTN sobre a forma de compensação do montante do indébito já restituído (pagamento) e nos autos compensado, devese aplicar, por analogia, o artigo 354 do Código Civil, o que se justifica por lacuna das normas gerais, sendo inadmissível que o Executivo venha a estabelecer o critério de imputação proporcional pela IN SRF 600/2005, atual IN SRF 900/2008, ou com base no Parecer PGFN/CDA 1936/2005; iii) ante o exposto, requer seja reformado o Despacho Decisório para se reconhecer que, para efeito de imputação no indébito do FINSOCIAL, objeto da Ação de Repetição de Indébito 95.00002868, do montante do valor já restituído e do montante compensado, deve ser observado o artigo 354 do Código Civil, imputandose aqueles valores, primeiro, aos juros, e, depois, ao capital. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.000136/200913 Acórdão n.º 3302006.775 S3C3T2 Fl. 317 4 Em 22/04/2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTR1BURÇOES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. OBRIGATORIEDADE NO AMBITO TRIBUTARIO. A separação entre capital e juros, que integra o montante devido, em que o devedor e o credor, em razão de interesses financeiros, estipulam a imputação de pagamento mais ao capital que aos juros, ou viceversa, é típica da relação jurídico financeira, regulada pelo Código Civil, não da relação jurídico tributária, disciplinada pelo CTN. Nesta a administração fiscal não pode, por expressa determinação legal, quando leva a efeito restituição ou compensação de indébito tributário composto por tributo e juros, individualizar estas duas grandezas para fins de efetuar pagamento de uma, no todo ou em parte, em detrimento da outra. Não pode restituir ou compensar tributo sem o proporcional quantum de juros a ele atribuídos, ou, de outro modo, não pode restituir ou compensar juros sem o proporcional quantum de tributo a eles correspondente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão em 02/07/2010, consoante AR de fl. 224, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30/07/2010, consoante carimbo aposto na folha de rosto do aludido recurso, fl. 247, no qual essencialmente diz que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que o acórdão ora contraditado tratou da imputação no caso específico de compensação tributária, e o que pretende a recorrente é a imputação do precatório ao crédito a restituir, observadas as ditas disposições do art. 354 do Código Civil, para, então, se chegar à apuração do crédito remanescente de Finsocial. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16327.000136/200913 Acórdão n.º 3302006.775 S3C3T2 Fl. 318 5 Em primeiro plano, notase que o pedido do recurso voluntário é bem mais restrito do que o expendido por ocasião da manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, agora em análise, o pedido é reconhecimento de que, para efeito da imputação, em seu indébito de Finsocial, do montante do indébito já restituído através de precatório, seja observada a regra contida no art. 354 do Código Civil Brasileiro. Por outro giro, anteriormente, na manifestação de inconformidade, o pedido foi para reconhecer que, para efeito de imputação em seu indébito do FINSOCIAL (Ação de Repetição de Indébito n. 95.00002868) do montante do indébito já restituído e do montante já compensado, há necessidade de observância do disposto no art. 354 do Código Civil Brasileiro. Em outras palavras, não houve equívoco da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ao se pronunciar sobre a imputação no caso de compensação tributária, uma vez que constava do pedido da manifestante o reconhecimento da imputação em seu indébito do FINSOCIAL do montante do indébito já restituído e do montante já compensado, nos moldes do art. 354 do Código Civil Brasileiro. Quanto ao pedido do recurso voluntário observância do art. 354 do Código Civil Brasileiro quando da imputação, em seu indébito de Finsocial, do montante do indébito já restituído através de precatório tratase de pedido impossível, pois qualquer forma de imputação deveria ser discutida em sede judicial, não havendo qualquer chance de se reabrir discussão a respeito da matéria no campo administrativo, nesse momento. Demais disso, se para a compensação o Poder Judiciário já cristalizou jurisprudência no sentido de valer o CTN, e não o CCB, no que tange à imputação de pagamentos (REsp 960239 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010), 1 inclusive gerando a Súmula 464 do STJ A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. (Súmula 464, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010), com mais razão ainda a regra da imputação proporcional vale para a restituição, uma vez que o art. 167 do CTN é explícito: A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. 1 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO EM PAGAMENTO. ART. 354 DO CÓDIGO CIVIL. INAPLICABILIDADE. (...) 5. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. (...) 12. Evidenciada, por conseguinte, a ausência de lacuna na legislação tributária, cuja acepção é mais ampla do que a adoção de lei, e considerando que a compensação tributária surgiu originariamente com a previsão legal de regulamentação pela autoridade administrativa, que expediu as IN's n.º 21/97, 210/2002, 323/2003, 600/2005 e 900/2008, as quais não exorbitaram do poder regulamentar ao estipular a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, reputase legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto no âmbito formal quanto no material. 13.A interpretação a contrario sensu do art. 108 do CTN conduz à conclusão no sentido de que a extensa regulamentação emanada das autoridades administrativas impõese como óbice à integração da legislação tributária pela lei civil, máxime à luz da sistemática adotada pelo Fisco, a qual respeita a integridade do crédito fiscal, cuja amortização deve engendrarse de forma única e indivisível, principal e juros, em perfeita sintonia com a legislação vigente e com os princípios da matemática financeira, da isonomia, ao corrigir tanto o crédito quanto o débito fiscais pelo mesmo índice (SELIC), mercê de se compatibilizar com o disposto no art. 167 do CTN, que veda a capitalização de juros (...) Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.000136/200913 Acórdão n.º 3302006.775 S3C3T2 Fl. 319 6 Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, não há como acatar a alegação trazida de que o acórdão contraditado tratou da imputação no caso específico de compensação tributária, e o que pretendia a recorrente era a imputação do precatório ao crédito a restituir, observadas as ditas disposições do art. 354 do Código Civil, porquanto não foi esse o pedido expressso na manifestação de inconformidade, e sim o reconhecimento da imputação em seu indébito do FINSOCIAL do montante do indébito já restituído e do montante já compensado, sendo que no tocante à aplicação da imputação proporcional à compensação, não lhe assiste razão, como já se viu. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720147/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (de R$1.000.000,00 - um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 - dois milhões e quinhentos mil reais).
Nos termos da Súmula CARF n.º 103, para fins de conhecimento de Recurso de Ofício, o limite de alçada vigente deve ser verificado na data de sua apreciação em segunda instância.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há falar em cerceamento ao direito de defesa.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidades no PAF estão arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade, pois não houve prejuízo à defesa, e tampouco eventual cerceamento de defesa. Assim, a matéria é analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. MUDANÇA DE ENDEREÇO COM PARALISAÇÃO DE ATIVIDADES. INFRAÇÃO AO CONTRATO SOCIAL.
A alteração do endereço com a paralisação das atividades da pessoa jurídica, sem baixa formal, é espécie de dissolução irregular da sociedade. Caso em que infringe os objetivos sociais da pessoa jurídica previstos no seu contrato social, sendo o sócio administrador responsável solidário pelos tributos que não foram recolhidos, durante a atividade da empresa e nem por ocasião da interrupção irregular das atividades.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Configura infração à Lei deixar a Contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária.
A contribuinte é obrigada a elaborar, conforme a legislação previdenciária, as folhas de pagamento conforme as normas estabelecidas, e na sua falta deve haver a aplicação de multa cabível ao caso.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA.
Se o ônus da prova, por presunção legal é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito.
O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador.
Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento.
(assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício).
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (de R$1.000.000,00 - um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 - dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF n.º 103, para fins de conhecimento de Recurso de Ofício, o limite de alçada vigente deve ser verificado na data de sua apreciação em segunda instância. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há falar em cerceamento ao direito de defesa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidades no PAF estão arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade, pois não houve prejuízo à defesa, e tampouco eventual cerceamento de defesa. Assim, a matéria é analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. MUDANÇA DE ENDEREÇO COM PARALISAÇÃO DE ATIVIDADES. INFRAÇÃO AO CONTRATO SOCIAL. A alteração do endereço com a paralisação das atividades da pessoa jurídica, sem baixa formal, é espécie de dissolução irregular da sociedade. Caso em que infringe os objetivos sociais da pessoa jurídica previstos no seu contrato social, sendo o sócio administrador responsável solidário pelos tributos que não foram recolhidos, durante a atividade da empresa e nem por ocasião da interrupção irregular das atividades. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Configura infração à Lei deixar a Contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária. A contribuinte é obrigada a elaborar, conforme a legislação previdenciária, as folhas de pagamento conforme as normas estabelecidas, e na sua falta deve haver a aplicação de multa cabível ao caso. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Não Conhecido.
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LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (de R$1.000.000,00 um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF n.º 103, para fins de conhecimento de Recurso de Ofício, o limite de alçada vigente deve ser verificado na data de sua apreciação em segunda instância. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há falar em cerceamento ao direito de defesa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidades no PAF estão arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade, pois não houve prejuízo à defesa, e tampouco eventual cerceamento de defesa. Assim, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 47 /2 01 1- 17 Fl. 541DF CARF MF 2 matéria é analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. MUDANÇA DE ENDEREÇO COM PARALISAÇÃO DE ATIVIDADES. INFRAÇÃO AO CONTRATO SOCIAL. A alteração do endereço com a paralisação das atividades da pessoa jurídica, sem baixa formal, é espécie de dissolução irregular da sociedade. Caso em que infringe os objetivos sociais da pessoa jurídica previstos no seu contrato social, sendo o sócio administrador responsável solidário pelos tributos que não foram recolhidos, durante a atividade da empresa e nem por ocasião da interrupção irregular das atividades. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Configura infração à Lei deixar a Contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária. A contribuinte é obrigada a elaborar, conforme a legislação previdenciária, as folhas de pagamento conforme as normas estabelecidas, e na sua falta deve haver a aplicação de multa cabível ao caso. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 345 3 que tratam de inconstitucionalidade de lei e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento. (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional e de Recurso Voluntário interposto pela NABI ANDRADE CONSTRUTORA LTDA, contra o Acórdão de Julgamento n.º 0735.995, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis SC (6ª Turma da DRJ/FNS), que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta. O Acórdão recorrido assim dispõe: "Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 41 a 109) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário nos valores de R$ 2.535.323,84 (DEBCAD 37.332.9660), R$ 940.012,23 (DEBCAD 37.332.968 7) e R$ 621.693,04 (DEBCAD 37.332.9695) valores esses já acrescidos de multas de ofício agravadas para 112,5% do valor da contribuição não recolhida, multas e juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, e, bem assim, nos valores de R$ 487.542,40 (DEBCAD 37.332.9636), R$ 15.235,55 (DEBCAD 37.332.964 4), R$ 500,00 (DEBCAD 37.332.9652) e R$ 1.000,00 (DEBCAD 37.332.9679), em razão de multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória, relacionadas às GFIP das competências 1 a 13 de 2006, 1 a 13 de 2007 e 1 a 13 de 2008. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 110 a 123), os lançamentos das contribuições, cumuladas com os mencionados consectários legais, referemse, mais precisamente, ao seguinte: a) DEBCAD 37.332.9660: Contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à Fl. 543DF CARF MF 4 contribuição da empresa (patronal), considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais; e a contribuição correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT); b) DEBCAD 37.332.9687: Contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social e arrecadadas pelo empregador concernentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais; c) DEBCAD 37.332.9695: Contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e SESCOOP), contribuições essas que foram apuradas utilizando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. Mais precisamente, relata a fiscalização que a base de cálculo das contribuições exigidas foram apuradas segundo o cotejo realizado entre a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, com as GFIP apresentadas relativamente ao período fiscalizado, ocasião em que foram identificados fatos geradores de contribuições que não foram informados nas GFIP. No ponto, esclarece a fiscalização que a empresa em relevo não atendeu às intimações fiscais a ela encaminhadas nem procedeu à alteração cadastral, além do que, foi verificado no endereço constante do cadastro da empresa que o local estava desabitado. Dado este quadro, relata o Fisco que, em virtude do não atendimento às intimações, os lançamentos foram feitos com base nas declarações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (GFIP, RAISCNISA e DIRF). As divergências entre estas declarações foram apuradas e lançadas conforme planilhas anexadas aos autos de infração. Ademais disso, foram arrolados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária n°s 01 e 02 os sócios Fernando Nabi Andrade e Eduardo Nabi Andrade, respectivamente, em virtude de terem promovido o encerramento irregular das atividades da empresa. Segundo a autoridade autuante, a apuração do crédito tributário em exame está embasada no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, uma vez que não houve atendimento às intimações, nem entrega de documentos solicitados pela fiscalização, tendo sido lançadas as remunerações de segurados empregados informados nas RAIS do período de 2006 a 2008, remunerações Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 346 5 essas que não foram declaradas na GFIP, além de remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais informados na DIRF de 2006 que também não foram informadas na GFIP, nem na RAIS, ao que assinala que a empresa fiscalizada entregou a DIRF somente até o anocalendário de 2006. Já os lançamentos das multas formais por descumprimento de obrigação acessória decorreram dos seguintes fatos geradores: a) DEBCAD 37.332.9636 (CFL68): Pelo fato de a contribuinte ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sujeitandose, assim à penalidade prevista nos termos dos art. 32, § 5º, da Lei n.º 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n.º 9.528, de 1997, e, bem assim, no art. 284, inciso II, e art. 373, todos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 1999. No ponto esclarece a fiscalização ter constatado que nas competências compreendidas no período de 01/2006 a 11/2008, a contribuinte não fez constar nas GFIP a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo que o cálculo da multa aplicável é feito com base no valor mínimo previsto na Portaria Interministerial MPS/MF n° 568 de 31/12/2010 DOU 03/01/2011, nos termos de seu art. 8°, inciso V. Aduz o Fisco que referida penalidade equivale a 100% (cem por cento) do valor devido, relativo à contribuição não declarada, por competência, sendo o seu total correspondente ao somatório da multa aplicada em cada competência, sem incluir a contribuição para outras entidades (terceiros), além do que, para fins de cálculo da multa foi observado o limite mensal fixado no § 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212, de 1991, atualizado pelo dispositivo da Portaria acima mencionada, em função do número de segurados da empresa. Relata a autoridade autuante que o valor da multa foi apurado conforme planilha integrante do Relatório Fiscal, considerando a faixa de 101 a 500 (cento e um a quinhentos) segurados. b) DEBCAD 37.332.9644 (CFL38): Pelo fato de a contribuinte ter deixado de exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8.212, de 1991, o que caracteriza infração às disposições contidas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, combinadas com as disposições contidas nos artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 1999. Fl. 545DF CARF MF 6 No ponto esclarece a fiscalização que, apesar de regularmente notificada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e demais atos de ofício subseqüentes, a empresa não apresentou nenhum dos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, referentes aos períodos de 01/2006 a 12/2008, a exemplo da folha de pagamento e dos Livros contábeis (Diário e Razão), em meio papel. Relata, ainda, a autoridade autuante que a multa aplicável para a infração capitulada é a prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, art. 283, inciso II, alínea "j" e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, cujo valor mínimo atualizado pela Portaria MPSMF N° 568 de 31/12/2010 DOU 03/01/2011, nos termos de seu art. 8°, inciso VI, corresponde a R$ 15.235,55 (quinze mil duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos). c) DEBCAD 37.332.9652 (CFL78): Pelo fato de a contribuinte ter apresentado a GFIP com incorreções ou omissões. No ponto esclarece a fiscalização ter constatado que na competência 11/2008 a contribuinte não fez constar na GFIP a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, sendo que a multa aplicada para este tipo de infração é a prevista no art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. Aduz o Fisco que, nos termos do art. 32A, § 3°, inciso II, da Lei n.º 8.212, de 1991, a multa mínima a ser aplicada é R$ 500,00 (quinhentos reais), por ocorrência, pois se trata de omissão de declaração com ocorrência de fato gerador, além do que a GFIP referente à competência 11/2008 foi entregue após edição da MP 449, de 2008, em razão de que incide a multa pelo descumprimento da obrigação acessória (código de fundamento legal 78) juntamente com a multa moratória da obrigação principal prevista na legislação anterior. d) DEBCAD 37.332.9679 (CFL77): pelo fato de a contribuinte ter deixado de enviar as GFIP relativas às competências 13/2007 e 13/2008, incorrendo, assim, no descumprimento de obrigação acessória legalmente estipulada, nos termos do art. 32, inciso IV e § 9º da lei n.º 8.212, de 1991, com a redação dada pela MP n° 49, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. No ponto esclarece a fiscalização que a multa aplicável para a infração capitulada é a prevista no art. 32A, "caput", inciso II e §§ 1°, 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pela MP n.° 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, caso em que a penalidade equivale 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 347 7 ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observada a multa mínima de R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária e de R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como a conduta foi a falta da entrega ou envio da GFIP, a multa foi aplicada no valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais) por competência. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte juntou ao processo os documentos colacionados às fls. 336 a 429, e apresentou a impugnação de fls. 293 a 335, onde, em síntese: Alega, inicialmente, que os lançamentos referentes a períodos anteriores a maio de 2006 estão prejudicados pela “prescrição”, pelo que requer a aplicação, na espécie, da Súmula Vinculante n.º 8, expedida pelo Supremo Tribunal Federal, em 20/06/2008; Em outro plano, argui a nulidade dos autos de infração combatidos ao argumento de que os feitos não cumpriram os requisitos obrigatórios e indispensáveis à validade do ato, e que se encontram previstos nos incisos I, II e V do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, isto porque, a seu ver, não há menção de quem teria recebido os autos, a data e, bem assim, respectivos documento de identificação e assinatura, tendo assim, sido descumprido o requisito primordial da ciência da impugnante; Em outro plano, ainda, argui a nulidade dos feitos ao argumento de que a notificação de lançamento não é o meio competente para a efetivação da cobrança, pois, a seu ver, pretendese transformar a notificação de lançamento em auto de infração e imposição de multa, quando, à luz do disposto na legislação, cabe à fiscalização apenas constatar e descrever a infração, mas sem aplicar a penalidade; Reclama que a aplicação da penalidade pela autoridade autuante usurpa função privativa do órgão judicante e implica o cerceamento do direito de defesa da contribuinte, pelo que entende que “a autuação sem prévia anuência do acusado é absolutamente nula”, por malferir o direito de defesa albergado no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal; Nesse rumo, sustenta que a fiscalização pode propor, mas não impor multa, uma vez que, a notificação de lançamento é meramente declaratória e não ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de ofício que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo Fl. 547DF CARF MF 8 para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito como os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos; Ademais disso, reclama que a fundamentação legal descrita nos feitos padece de falta de clareza e precisão, pois, deve ser dada ciência apenas dos dispositivos legais que embasaram a notificação e nos quais efetivamente o infrator está incurso, e não apresentar um rol de todos os dispositivos legais aplicáveis a toda e qualquer possível hipótese de infração e esperar que o contribuinte adivinhe o dispositivo no qual o Fisco deseja enquadrálo; Argumenta, no ponto, que deve ser declarada a nulidade dos feitos, uma vez que o enquadramento legal exato e harmônico com os fatos apontados não é menos importante que a descrição dos fatos, podendo equívocos cometidos, ou omissões, acarretar julgamento da improcedência da ação fiscal, pois a comprovação da tipicidade é requisito essencial para a demonstração do ilícito e, conseqüentemente, para o êxito do procedimento fiscal; Na seqüência, discorre sobre o exame de questionamentos acerca de inconstitucionalidades das leis pela autoridade administrativa, para sustentar que a autoridade administrativa, não só pode, como deve deixar de aplicar uma lei se considerá la inconstitucional, reconhecendo que a lei não tem eficácia para constituir o lançamento, pois desrespeita a Constituição Federal; Alega que foi autuada pelo fato de a fiscalização ter entendido que houve encerramento de forma irregular das atividades da empresa, deixando de recolher contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, além de ter descumprido obrigações acessórias previstas em lei, mas que basta verificar o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) para ver que a situação cadastral da autuada continua ativa e que ocorreu apenas uma mudança de endereço da empresa; Reclama, ademais disso, que os relatórios e documentos, que embasaram a fiscalização, tais como, RAISCNISA e DIRF, devem ser declarados nulos de pleno direito, pois não se prestam para tal fim, ao que aduz que os documentos que devem nortear, uma fiscalização da Previdência Social são as GFIP, que foram reenviadas ao site da Caixa Econômica Federal/INSS, via conectividade social, livros diários e outros documentos contábeis; Em outro plano, alega que, por explorar o ramo de atividade da construção civil, para cada nota fiscal de serviços que emite, a impugnante sofre uma retenção no valor de 11% do valor da nota fiscal emitida, o que veio a gerar um acúmulo de crédito contra o INSS, em razão de que o suposto débito apontado pela fiscalização deve ser deduzido pelo referido crédito, sendo, portanto, indevida qualquer cobrança a esse título; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 348 9 Neste passo, sustenta que, durante todo o período fiscalizado, houve recolhimento dos valores retidos nas suas notas ficais, por parte dos tomadores de serviços, retenções essas que estão informadas nas GFIP reenviadas, cujas cópias ficam à disposição da fiscalização na sede da empresa, além de outros recolhimentos efetuados em código de pagamento 2100, pela própria empresa, que foram desconsiderados pela fiscalização; Na seqüência, reclama que a fiscalização deve apurar o valor real dos seus créditos, mas a forma como o crédito tributário exigido foi levantado caracteriza um verdadeiro enriquecimento sem causa, pelo que os autos de infração que tratam de descumprimento de obrigação principal devem ser declarados nulos, pois não retratam a verdadeira situação fiscal da empresa autuada, ao passo que os autos de infração, que versam sobre descumprimento de obrigações acessórias, também devem ser declarados nulos, pois, sendo improcedentes os feitos relacionados às obrigações principais, não devem subsistir os que tratam das obrigações acessórias; Sustenta que, em face do art. 31 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei n.º 9.711, de 1998, a impugnante tem direito de compensar, contra os eventuais débitos levantados, todos os valores que foram deduzidos nas suas notas fiscais, conforme quadro demonstrativo elaborado na petição impugnatória, além do que devem ser considerados os pagamentos efetuados por meio de GPS, ao que aduz o entendimento de que, sabendose que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional, devem ser anulados todos os autos de infração; Em outra vertente, alega que a “multa” aplicada também deve ser declarada nula em face da sua flagrante inconstitucionalidade, por malferir o princípio da vedação ao confisco, além do que também ofende o disposto no art. 239, III, b, I, da Lei (sic) 3.048 de 1999; Dito isso, alega que a autoridade autuante poderá encontrar toda a documentação necessária para uma refiscalização no novo endereço da sede da empresa à Avenida Ipiranga, 978, sala n.º 1.016, bairro República, em São Paulo (SP), CEP n.º 01040 000, e, em face do exposto, requer: a) o cancelamento das exigências fiscais hostilizadas; b) ou, a refiscalização no novo endereço de sua sede; c) ou ainda, a homologação dos valores discriminados no quadro demonstrativo de compensações, constante da petição impugnatória, especialmente o resultado geral líquido, no valor de R$ 944.371,63 (novecentos e quarenta e quatro mil, trezentos e setenta e um reais e sessenta e três centavos), comprometendo se a, posteriormente à publicação (do acórdão), entrar imediatamente com um pedido de parcelamento do débito. Fl. 549DF CARF MF 10 Em seu recurso juntado nas efls. 484 e seguintes, a recorrente reproduz, em suma, as mesmas alegações de primeira instância, acrescentando, entre preliminares e mérito, o seguinte: benefício de ordem a ser observado pelo código civil brasileiro, por meio do artigo 50, onde impõe a comprovação de desvio de finalidade da empresa ou confusão patrimonial entre sociedade e sócios para somente aí responsabilizar os sóciosgerentes da empresa. A simples alteração contratual sem comunicação dos órgãos de fiscalização não é elemento capaz de gerar a responsabilidade dos sócios. Nulidade da autuação em razão de entrega dos documentos fiscais sem os preenchimentos formais legais, inerentes ao processo fiscalizatório. Alega a "prescrição" (conforme alegações do recurso apresentado). Contesta a ação fiscalizatória por alegar estar equivocada a premissa atuante da Fazenda. Base de calculo da autuação equivocada. Pede a compensação de possível crédito. Pede a realização de perícia. Dupla exigência do tributo em questão (bis in idem). Caráter confiscatório da multa. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator DO RECURSO DE OFÍCIO Da decisão proferida, foi interposto Recurso de Ofício: "Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, na redação conferida pelo Decreto n.º 6.224, de 2007, e arts. 25, inciso II e 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941 de 2009, combinado com a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 3, de 03 de janeiro de 2008". O auto de infração constante na efl 41, dispõe sobre quantia ora exigida: Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 349 11 Na efl. 472, constam os valores que foram exonerados do auto de infração: Do que se verifica da referida decisão, foram exonerados um total de R$ 687.079,33 (seiscentos e oitenta e sete mil, setenta e nove reais e trinta e três centavos). Ocorre que a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser aquele estabelecido na Portaria MF n.º 3, de 3 de janeiro de 2008, na quantia de R$ 1.000.000,00 um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme se transcreve os dispositivos da Portaria abaixo: "Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12). Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I d o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 551DF CARF MF 12 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008". Por outro lado, a Súmula CARF n.º 103 estabelece que o limite de alçada do Recurso de Ofício deve ser analisado na data de sua apreciação em segunda instância, conforme se transcreve abaixo: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Este Conselho em análise reiterada sobre o assunto, com a matéria já sumulada, decidiu por diversas vezes que o limite de alçada deve ser analisado na data que o recurso for julgado, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". (Processo n.° 10166.723214/201422, Acórdão n.º 2202004.316, Conselheiro Relator Martin Da Silva Gesto, publicado em 20/11/2017). Portanto, o recurso está sendo posto para julgamento na data de 12.03.2019, após a vigência da Portaria de 2017, faltando, assim, o requisito necessário para o seu conhecimento, uma vez que o recurso não ultrapassa o valor de alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Portanto, não conheço do Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso Voluntário apresentado está revestido de requisito formal de tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. Assim, passo a analisálo. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 350 13 NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA Alega a recorrente a nulidade do auto de infração, uma vez que não há menção de quem recebeu cópia do auto de infração, documento de identificação ou sequer data. Nesse sentido, as causas de nulidades no processo administrativo fiscal se limitam as que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993". Por sua vez, o art. 60, da referida Lei, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Nesse sentido, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento, pois o AI possui o indicativos dos critérios adotados, quantum autuado, bem como dos elementos que constituíram a infração, onde o recorrente foi intimado e obedecido todos os prazos legais para suas manifestações. Assim, apresentou defesa e teve ciência dos demais atos, Ademais, o endereço eleito pelo contribuinte é o que constava das intimações feitas, incluindo com diligência in locu feita pela fiscalização, conforme se constada da efl. 112, item 3.8. Fl. 553DF CARF MF 14 Portanto, afasto a alegação de cerceamento de defesa. DA PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS SÓCIOS GERENTES DA EMPRESA Conforme descrito no relatório fiscal, foi imputada a responsabilidade solidária em razão dos sócios responsáveis pela Contribuinte terem sido intimados e não respondido às informações solicitadas, bem como por terem alterado o endereço tributário sem comunicação à Fazenda, conforme se constada da apuração feita pela fiscalização: "(...) 3.9 Não tendo atendido às intimações, os lançamentos foram feitos com base nas declarações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (GFIP, RAIS CNISA e DIRF). As divergências entre estas declarações foram apuradas e lançadas conforme planilhas, anexas aos autos de infração. Assim, foram emitidos os TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA nº 01 e 02 aos sócios Fernando Nabi Andrade e Eduardo Nabi Andrade, respectivamente, por encerramento irregular das atividades da empresa". Assim, foram atribuídos aos sóciosgerentes e a responsabilidade pessoal de que trata o inciso III, do art. 135, do CTN, abaixo transcrito: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado” Quanto a esse aspecto a recorrente alega somente que a responsabilidade solidária deve observar a ordem de preferência do Código Civil, bem como que a simples alteração do endereço não seria caracterizada dolo ou máfé. Entretanto, é imprescindível que haja a comunicação quando da alteração do endereço da empresa aos órgãos públicos, em especial ao presente caso à Fazenda Nacional e demais órgãos competentes. Diferente do que alega, a jurisprudência dos Tribunais brasileiros são fartas para que seja comunicada a Fazenda da alteração de endereço, podendo caracterizar, dessa maneira, a dissolução irregular da empresa. Nesse sentido, a matéria já foi objeto de Súmula do STJ, em especial da 435, conforme se transcreve abaixo: “Sumula 435. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 351 15 comunicação dos órgãos competentes legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente” Esse Conselho assim já decidiu no processo n.º 10882.723783/201482, Acórdão n.º 1401002.084, de 20 de setembro de 2017, in verbis: "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135 DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta o administrador de fato, por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da dissolução irregular da empresa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 DO CTN. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado". Ainda, a Portaria PGFN Nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, em seu artigo 2º, assim dispõe: Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I – excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. Portanto, ainda que a recorrente venha informar posteriormente o endereço em sede de recurso, a responsabilidade dos administradores no presente auto de infração é Fl. 555DF CARF MF 16 clara, uma vez que não foi possível constatar seu endereço correto ou que ainda possam tornar duvidoso o paradeiro da empresa autuada. DA PRELIMINAR SOBRE A AUTUAÇÃO Alega a recorrente que existem vícios na exigibilidade do crédito, onde o fisco não teria obedecido as regras e normas necessárias para exigir o crédito fiscal, incluindo com a aplicação da multa. Nesse sentido, registrase que é pelo processo administrativo fiscal que a Fazenda Pública se utiliza para cobrar legalmente seus créditos, sendo eles de natureza tributária ou não. A legislação obriga o agente fiscal a realizar o ato administrativo, verificando assim o fato gerador e o montante devido, determinar a exigência da obrigação tributária e sua matéria tributável, confeccionar a notificação de lançamento, lavrandose o auto de infração, e checar todas essas ocorrências necessárias para as fiscalizações de cobrança, quando da identificação da ocorrência do fato gerador, independente da ação judicial manejada, sendo legítima a lavratura do auto de infração em conformidade com o art. 142, do CTN e com o art. 10 do Decreto n.º70.235/72, conforme dispositivos in verbis: CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". DECRETO n.º 70.235/72. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula". Verificase dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 352 17 O PAF – Processo Administrativo Fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, que realiza as atividades necessárias para obter as informações necessárias na constituição do crédito devido, conforme determina o artigo 196, do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Assim, a autoridade administrativa tem o poderdever de realizar diligências que entender devidas para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Apesar das ações de fiscalização possuírem caráter investigatório e inquisitório, realizando procedimentos unilaterais, de obediência obrigatória, que não é absoluta, o desfecho do PAF alberga os princípios da ampla defesa e contraditório, pois existe nele a possibilidade do contribuinte se manifestar, impugnar, apresentar provas, e contestar todo o apontamento realizado. O PAF, como em diversos procedimentos, é constituído de fases, e nesse sentido existe uma espécie de fase não contenciosa. Para melhor explicar é de se transcrever a lição de Hugo de Brito Machado, do qual explica: "A determinação do crédito tributário começa com a fase não contenciosa, que é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. tem início com o primeiro ato da autoridade competente para fazer o lançamento, com o objetivo de constituir o crédito tributário. Tal ato há de ser necessariamente escrito, e deve ser levado ao conhecimento do sujeito passivo da obrigação tributária correspondente, posto que só assim pode ser considerado completo. Em outras palavras: o ato inicial da fase não contenciosa da constituição do crédito tributário completa se quando é levado ao conhecimento do sujeito passivo da obrigação tributária, aquele contra quem o ato é praticado e tem, portanto, interesse em se manifestar contra ele". MACHADO, Hugo de Brito. Teoria Geral do direito tributário. Editora Malheiros, São Paulo, 2015, pág 411). Portanto, diferentemente do que alega a recorrente, no sentido de não haver ampla defesa e contraditório na constituição do crédito, o processo administrativo fiscal em algum momento deve ser constituído para aí sim ser contestado, se for o caso, com a finalidade de fazer coisa julgada material administrativa, consoante a reunião de um conjunto probatório. São procedimentos necessários para apurar e constatar as irregularidades e possíveis fraudes que possam vir a ocorrer no recolhimento dos tributos, em consonância com as normas imbuídas na Constituição Federal brasileira. Tal ato é conhecido como controle interno, ou auto controle, da legalidade dos tributos. Fl. 557DF CARF MF 18 Nesses termos, estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre o que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revelase inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada ou anulação do crédito fiscal. DA ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO Aduz a recorrente que teria ocorrido a prescrição do processo administrativo fiscal. Nesse quesito, não há falar em prescrição, uma vez que o artigo 151, inciso IV, do CTN, impõe a suspensão do crédito por meio das reclamações ou recurso. Direito que assiste ao recorrente, mas que afasta o instituto em questão. Portanto, para ocorrer a figura da prescrição deve haver necessariamente a constituição definitiva do crédito, transcorrido os direitos da ampla defesa e contraditório, para aí sim exigir o crédito público por meio de processo competente o crédito fiscal, e que a partir desse momento iniciase o prazo prescricional para a Fazenda exigir o débito. O Jurista Ernesto Toniolo explica que: "do ponto de vista constitucional, a prescrição do crédito fiscal configura um modo de composição entre o direito de a Fazenda exigirlhe a satisfação do valor devido, e, portanto, de receber, através do processo, a produção de efeitos jurídicos semelhantes ao adimplemento, e a garantia da segurança jurídica nos seus diversos desdobramentos" (Toniolo, Ernesto José. In A prescrição intercorrente na execução fiscal. 2ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, página 81). Afasto, portanto, o acolhimento do argumento de prescrição. Melhor sorte argumenta a recorrente que houve a incidência da Súmula Vinculante n.º 8 do STF. Contudo, o presente auto de infração já foi objeto de exclusão de parte do crédito fiscal por meio do reconhecimento da decadência parcial, da qual entendo haver necessária manutenção ao presente caso, tendo em vista que o instituto em questão atingiu períodos do auto de infração, mas não abrange o crédito fiscal integral. Portanto, o remanescente deve permanecer em exigibilidade fiscal. DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO A autuação referese às contribuições previdenciárias patronais, devidas nos termos do artigo 22, incisos I e II, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa autuada, (contribuição prevista no artigo 20 e obrigação de arrecadar e recolher constante do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991), contribuições para outras Entidades e Fundos – Terceiros e multas por descumprimento de obrigações acessórias à Previdência Social. Em razão da recorrente não ter fornecida as informações necessárias ao fisco, a base de calculo foi procedida por meio da aferição indireta. A aferição indireta para a determinação da base de cálculo das contribuições, encontrase legalmente autorizada nos termos das disposições contidas nos parágrafos 3º e 6º, do art. 33 da Lei 8.212, de 1991, que, na redação dada pela Lei 11.941, de 2009, determinam verbis: Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 353 19 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário". Nesse sentido, não houve por parte da recorrente nenhum argumento novo, prova idônea ou de que não houve a ocorrência do fato gerador, e até mesmo alegação de que teria sido pago o tributo devido, fato esse que era ônus provar, por presunção legal. A recorrente cita que não foram abatidos valores já recolhidos. Contudo, os valores que foram informados em GFIP e devidamente pagos foram sim considerados pela fiscalização, conforme consta dos esclarecimentos do relatório fiscal e de todo o andamento do auto de infração. Por outro lado, também cabe à recorrente apontar no processo onde estariam os documentos que dariam azo ao seu direito de forma clara e objetiva, uma vez que os argumentos citados em seu recurso (efl. 340 e seguintes) não são provas idôneas e nem se constatam como comprovantes de recolhimentos de todo o auto de infração constituído. A contribuinte também não apresentou os documentos e informações à fiscalização, o que, como visto gerou o arbitramento dos valores, com base nas informações prestadas em RAIZ e DIRF. Caberia à recorrente a prova em contrário da acusação, visto que a fiscalização apontou objetivamente as infrações ocorridas. Com isso também não vislumbro a alegação de "bis in idem" (efl. 501). Nesse contexto, segue parte do relatório fiscal: " (...) 3.1 Os fatos geradores dos Auto de Infração mencionados no processo são as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, que deixaram de ser declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fiscal: 3.2 As remunerações dos segurados empregados foram apuradas com base na Relação Anual de Informações Sociais RAIS e na Fl. 559DF CARF MF 20 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. As remunerações dos contribuintes individuais foram apuradas na DIRF. 3.3 Os valores declarados nas GFIP foram apurados com base nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil – GFIP WEB e Plenus MV2. 3.4 Foram lançadas, como bases de cálculo, as remunerações dos segurados não declarados na GFIP. 3.5 O Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, postado nos Correios em 16 de setembro de 2010 foi devolvido pelo motivo “Mudouse”, “Local Desabitado”. Em 08 de outubro de 2010 foi expedido Edital nº 165/2010 afim de dar ciência do TIPF (afixado no período de 08 a 29 de outubro de 2010). Em 16 de novembro de 2010 foi encaminhado Termo de Intimação Fiscal (1) para o endereço residencial dos sócios da empresa, com recebimento em 22/11/2010, intimando “a tomar as providências necessárias” quanto às alterações nos dados cadastrais previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.005, de 08.02.2010, art. 22, §§ 1º e 2º. Em 30 de novembro de 2010 o sócio Fernando Nabi Andrade assinou (ciência pessoal) o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. A Junta Comercial do Estado de São Paulo atendeu Ofício da RFB, encaminhando, em 13/12/2010, cópia do contrato social da empresa. O Termo de Intimação Fiscal nº 02, postado em 28 de janeiro de 2011, intimando a empresa a efetuar a atualização cadastral relativa ao seu Domicílio Fiscal, foi devolvido pelos Correios com o motivo “Mudouse” “Local desabitado”. Em 01 de fevereiro de 2011 foi expedido Edital nº 15/2011 (afixado durante o período de 01 a 17 de fevereiro de 2011), afim de que a empresa tomasse ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 02, lavrado em 26.01.2011". De outro modo, a questão de insuficiência de provas e lançamento por meio de dados coletados em GFIP, ou que não se pode realizar a cobrança por meio dessa fonte de informações, não prosperam. Isso porque o disposto no art. 32, IV, parágrafo segundo, e §9º, da Lei 8.212/91, determina que: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei" . Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 354 21 Por outro lado, as informações constantes nas GFIP foram fornecidas pela própria recorrente, constituindose em termo de confissão de dívida na hipótese do não recolhimento, conforme o art. 225, inciso IV, §1°,§2º, §3º e §4º, do Decreto n.° 3.048/99, também informam o seguinte: "Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. (...) §1ª As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações h Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social comporão base de dados para ,fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de divida, na hipótese do não recolhimento , § 2A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele que se referirem as informações.. (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) § 3 A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. §4 O preenchimento, as in formações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia elo Tempo de Service) e Informações pela Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Com isso, as informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Nesse sentido, a recorrente não aponta de forma clara e objetiva erro na base de cálculo Ressaltase que os anexos apresentados nas efls. 512 não são documentos hábeis a fazer prova da contribuição devidamente recolhida. DA COMPENSAÇÃO Fl. 561DF CARF MF 22 Caso a recorrente entenda ter devido algum tipo de valor residual ou pagamento a maior, e pretende deve requerer a restituição ou compensação em procedimento próprio, em autos específicos. Eventual abatimento, caso existisse poderia ser objeto de apreciação pela Turma, o que entendo não ser o caso. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Nesse ponto voto, também, pela manutenção da decisão de primeira instância. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA A Recorrente solicita a realização de prova pericial com o intuito de literalmente rever todo o auto de infração. Contudo, as diligências só devem ser deferidas quando restar alguma dúvida ou contiver algum fato novo extremante divergente quanto à materialidade da autuação. O que não é o caso. Nos termos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. Além disso, a existência ou não dos fatos que embasam o lançamento fiscal em julgamento baseiase exclusivamente em provas documentais, cuja produção já foi devidamente oportunizada à Recorrente. O pedido, a meu ver, não procede e deve ser indeferido. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA COMINADA Aduz a recorrente que a multa possui efeito confiscatório. Entretanto, este Conselho não é legitimado a analisar matérias Constitucionais, já que confisco possui clara pertinência constitucional, conforme se depreende do art. 26A, do Decreto 70.23572, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Não obstante, a súmula 02 do CARF dispõe que o CARF "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, o jurisprudência desse Conselho é antiga sobre o tema e não permite o debate sobre constitucionalidade de Lei tributária. Portanto, no tocante à multa e sua qualificação, caberia à recorrente demonstrar que não agiu contrário à Lei e ás normas previdenciárias, o que não foi o caso. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.720147/201117 Acórdão n.º 2301005.918 S2C3T1 Fl. 355 23 Somente há argumentações do efeito confiscatório da multa, e que dessa matéria não conheço do recurso por incompetência desse Tribunal quanto à essa ou outra matéria alega no recurso dita como inconstitucional. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por não atingir o seu valor mínimo legal de alçada para possibilitar sua apreciação, e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para não apreciar matérias que tratam de inconstitucionalidade de Lei, não acolher as preliminares alegadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 563DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902389/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 89 /2 01 4- 11 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.497. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.902389/201411 Acórdão n.º 3401005.823 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.911406/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 06 /2 00 9- 36 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911406/200936 Acórdão n.º 1402003.768 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903326/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 26 /2 01 2- 00 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito (s) nele discriminado(s) com crédito de Cofins, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior que o devido. A compensação não foi homologada, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: que o despacho decisório não preencheu os requisitos do ato administrativo, faltandolhe a forma e objeto; que a compensação pleiteada originouse de sobra de valores de Cofins pago a maior e não retificado em DCTF, sendo que, persistindo a não homologação da DCOMP apresentada, estará sendo obrigado a pagar tributos em duplicidade, em flagrante desrespeito a legislação pátria vigente e que a DCTF é apenas informativa; que é ilegal a aplicação da taxa SELIC para correção monetária do crédito tributário constituído, sendo que o correto seria aplicar o percentual de 1%, conforme CTN; que a multa aplicada fere o "princípio da proporcionalidade razoável" e possui caráter confiscatório. O colegiado a quo julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02051.780. Inconformado com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário ora em apreço, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.663, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903325/201257, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.663): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O Decreto 70.235, de 1972 prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que ora se instala que esse direito é exercido. O fundamento de fato para o indeferimento do pedido é a insuficiência do crédito utilizado na compensação e o despacho decisório demonstra isso. No quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” está indicado o débito (código da receita e período de apuração de tributo) quando o Darf foi utilizado para pagamento de tributo declarado pelo contribuinte, ou o número do PerDcomp quando o Darf foi utilizado em outro processo de compensação ou restituição. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 5 4 O fundamento legal também esta informado no despacho. Portanto, não há como se acatar a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/12/2009. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em avaliar a existência de provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Contudo, antes de entrar na análise das provas, cabe tecer algumas linhas sobre provas no processo. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 7 6 relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 8 7 interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, DARF, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 9 8 identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem nenhum documento probante. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Multa de Mora. Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10735.903326/201200 Acórdão n.º 3302006.664 S3C3T2 Fl. 10 9 Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724441/2017-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
Ação Judicial. Processo Administrativo. Propositura de Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Subvenção para Investimento. Registro Contábil. Reserva de Incentivos Fiscais.
O valor corresponde à subvenção para investimento deve ser registrado como reserva de incentivos fiscais, a fim de evitar que o respectivo valor seja distribuído a título de participação nos lucros ou dividendos.
Multas Isolada e de Ofício. Concomitância. Impossibilidade.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, a multa de ofício.
Multa de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Possibilidade.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e não conhecer do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário; b) determinar que cópia deste acórdão seja anexado ao processo nº 11516.720691/2018-13; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por lhe negar provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 Ação Judicial. Processo Administrativo. Propositura de Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Subvenção para Investimento. Registro Contábil. Reserva de Incentivos Fiscais. O valor corresponde à subvenção para investimento deve ser registrado como reserva de incentivos fiscais, a fim de evitar que o respectivo valor seja distribuído a título de participação nos lucros ou dividendos. Multas Isolada e de Ofício. Concomitância. Impossibilidade. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, a multa de ofício. Multa de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Possibilidade. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REGISTRO CONTÁBIL. RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS. O valor corresponde à subvenção para investimento deve ser registrado como reserva de incentivos fiscais, a fim de evitar que o respectivo valor seja distribuído a título de participação nos lucros ou dividendos. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 44 41 /2 01 7- 14 Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.805 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e não conhecer do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário; b) determinar que cópia deste acórdão seja anexado ao processo nº 11516.720691/201813; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por lhe negar provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.806 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0742.829 da 3ª Turma da DRJ Florianópolis (que revisou e substituiu o Acórdão 0741.368 da mesma Turma). A decisão recorrida manteve o lançamento que formalizou a exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa e juros. O fato que motivou o lançamento foram exclusões indevidas do lucro líquido. As exclusões glosadas pelo Fisco consistiram no valor correspondente à "indenização" prevista na Medida Provisória nº 579/2012, depois convertida na Lei nº 12.782/2012; e o valor correspondente à subvenção para investimento recebido pela recorrente do Banco Estatal de Desenvolvimento da Alemanha. As exclusões acabaram dando ensejo à exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. A infração foi assim descrita no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 26 a 79): Resumidamente, podemos dizer que, realizados os procedimentos fiscais, constatouse a infração tributária referente à exclusão das bases de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, de valores para os quais não existem bases legais autorizativas para a exclusão pretendida pelo contribuinte fiscalizado. Estas exclusões foram informadas na Ficha 09A da DIPJ a título de "Outras Exclusões" e também no LALUR do contribuinte, e se referem basicamente às seguintes ocorrências: a) Exclusões na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2012 e 2013 dos valores recebidos da União a título de indenização, decorrentes da Medida Provisória n° 579, de 11 de setembro de 2012, convertida na Lei n° 12.783, de 11 de Janeiro de 2013, que autorizou a prorrogação de contratos de concessão de geração e transmissão de energia elétrica vigentes. A referida indenização correspondeu às parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis ainda não amortizados ou não depreciados, conforme definido pela Portaria Interministerial n° 580/MME/MF, de 1o de novembro de 2012 (fls. 593 a 596). Em 10 de setembro de 2013 a FISCALIZADA formulou consulta à Receita Federal do Brasil por meio do processo n° 11516.723096/201317 (fls. 597 a 610), questionando a incidência de IRPJ e CSLL sobre a indenização decorrente da Lei n° 12.783/2013. Em 16 de junho de 2014 foi aprovada a Solução de Consulta n° 7.005 SRRF 07/Disit (fls. 611 a 627), vinculada à Solução de Divergência COSIT n° 22, de 19 de setembro de 2013 (fls. 628 a 644), a qual definiu que os valores indenizados devem ser computados tanto na apuração do Lucro Real, quanto na determinação da base de cálculo da CSLL, por tratarse de uma receita decorrente de alteração contratual. A FISCALIZADA teve ciência da Solução de Consulta em 24/06/2014 (fl. 645). Em 10/07/2014 a FISCALIZADA ingressou com ação judicial junto à Justiça Federal de Santa Catarina visando afastar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores da indenização recebidos da União. Em sentença proferida em 03/10/2014 (fls. 648 a 654) a 4o Vara Federai de Florianópolis julgou improcedente o pedido da ELETROSUL. Infração tratada nos tópicos 3.1 e 4.1 deste Termo. Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.807 4 b) Exclusões na apuração do Lucro Real do anocalendário de 2013 de recursos não reembolsáveis recebidos do Banco Estatal de Desenvolvimento da Alemanha KfW, cuja natureza jurídica e o tratamento contábiltributário dado pela FISCALIZADA foi o de subvenção governamental para investimentos (vide resposta de fls. 1450 a 1458 e 1676 a 1679), referentes aos projetos Megawatt Solar e Complexo São Bernardo, nos termos do acordo de cooperação financeira firmado entre os Estados Brasileiro e Alemão por intermédio da controladora Eletrobrás. Ficou constatado que a FISCALIZADA não atendeu aos requisitos mínimos insculpidos no art. 18 da Lei n° 11.941/2009 (que trata da subvenção para investimentos na vigência do Regime Tributário de Transição), especialmente o inciso III que determinava a constituição de Reserva de Lucros para a contabilização das subvenções investimento. Infração tratada no tópico 3.2 e 4.2 deste Termo. (fls. 30 e 31) Contra o lançamento foi apresentada impugnação à qual a DRJ FNS negou provimento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 CONCESSIONÁRIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. BENS REVERSÍVEIS. INDENIZAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. LUCRO REAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RESERVA DE LUCROS. A pessoa jurídica deverá manter em reserva de lucros a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício, e será tributada caso seja dada destinação diversa (art.18 da Lei n° 11.941, de 2009). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO PAGAS. MULTA ISOLADA DE 50%. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. A lei determina a imposição de multa isolada de 50% sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL após encerrado o ano Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.808 5 calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o tributo devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei n° 9.430. de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como destaca o primeiro item da ementa, a DRJ só conheceu em parte da impugnação. As alegações acerca da indenização recebida pela recorrente, na forma da Medida Provisória nº 579/2012, não chegaram a ser examinadas, porquanto o órgão julgador entendeu haver ação judicial, discutindo matéria idêntica, o que implica renúncia à esfera administrativa. Não resignada, a Eletrosul Centrais Elétricas S/A interpôs recurso, alegando, de plano, a nulidade da decisão de primeira instância. A nulidade vem do fato de o órgão julgador não ter apreciado as razões do recurso, na parte que se referia à indenização da MP nº 579/2012. A recorrente negou existir concomitância entre o presente processo administrativo e a ação judicial. Além do mais, a decisão da DRJ não pode ser irrecorrível. É necessária a possibilidade de reexame pelo CARF, via recurso voluntário. A decisão a quo, de resto, teria deixado de apreciar argumentos suficientes e autônomos para cancelar a autuação fiscal, que é nula por ter sido lavrada contra disposições expressas da MP nº 579/2012. Por outro lado, não teria sido abordado o argumento segundo o qual são distintas as causas de pedir na ação judicial e no processo administrativo. A ação judicial busca uma declaração de inexistência de relação jurídica genérica e abstrata, enquanto no presente processo se discute autuação fiscal específica. Além disso, existiriam discussões autônomas, especialmente a respeito da ilegalidade do lançamento por ofensa à MP nº 579/2012, que não consta na ação judicial. A recorrente também negou ter havido renúncia à esfera administrativa, pois para tanto seria necessário que o contribuinte ajuizasse a ação após a lavratura do auto de infração e após a instauração do processo administrativo. Ademais, no julgamento de uma ação judicial pode acontecer de o processo ser extinto sem julgamento do mérito. Seja como for, no caso concreto não existiria concomitância, dada a ausência de identidade das "causas de pedir". No mérito, insistiu em que os valores recebidos têm natureza indenizatória, não se submetendo à incidência do IRPJ, nem da CSLL. Quanto à subvenção para investimento, disse a recorrente que o motivo da glosa da exclusão foi a suposta destinação inadequada dos recursos. A presunção se baseia unicamente no descumprimento da regra contábil do art. 18, inciso III, § 3º, da Lei nº 11.941/2009, que mandava contabilizar o valor da subvenção em conta de reserva de incentivos fiscais. A presunção que nasce desse erro é relativa, podendo ser afastada por prova em contrário. Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.809 6 Na ótica da Fiscalização, os valores recebidos se enquadrariam efetivamente como subvenção para investimento e a recorrente, portanto, poderia excluir os valores na apuração do lucro real. A exclusão, todavia, não foi admitida em razão da forma errônea pela qual os valores foram contabilizados. Os valores, de aproximadamente €3,48 milhões, são oriundos da República Federal da Alemanha, entregues por meio de seu banco de desenvolvimento, visando a implementação de pequenas centrais hidrelétricas (PCH) no Estado de Santa Catarina, em conformidade com os Acordos de Cooperação Financeira firmados entre o Governo Brasileiro e o Governo Alemão, no âmbito do "Programa de Crédito Energias Renováveis". Tratavase, pois, de subvenção para investimento. Todas as exigências impostas pelo banco alemão foram atendidas, e os recursos aplicados, sem desvio, na finalidade para a qual se destinavam. Não é a constituição de reserva de lucros, por si só, que assegura a destinação adequada da subvenção. Apenas estabelece uma presunção nesse sentido. Por outro lado, o mero equívoco na contabilização desses recursos não tem o condão de autorizar a tributação dos valores pelo IRPJ e pela CSLL. Ademais, o equívoco veio a ser corrigido em 15 de março de 2018, com a constituição da conta de reserva de lucros por incentivo fiscal. A reclassificação, aprovada em Assembleia Geral Extraordinária, consta das demonstrações financeiras aprovadas e de nota explicativa. Ainda sobre essa infração, a recorrente alegou a não incidência de IRPJ e de CSLL sobre transferências patrimoniais, citando o art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017, que deu nova redação ao § 4º, do art. 30, da Lei nº 12.973/2014. No mais, a mera transferência patrimonial não se subsume ao conceito de renda ou de proventos do art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, não gerando acréscimo patrimonial tributável. A par de todos esses argumentos, a recorrente ainda invocou a existência de imunidade dos valores pagos pelo Governo Alemão. Por último, contestou a cumulação da multa isolada com multa de ofício, bem como a incidência de juros de mora sobre a multa. Com essas razões, pugnou pelo provimento do recurso. Para concluir o relatório, cabe esclarecer que o crédito tributário, originalmente exigido neste processo sofreu desmembramento. Foram formalizados mais dois processos. Para o processo administrativo nº 11516.722645/201841 foi transferida a parte do crédito relativa à indenização da MP nº 579/2012, objeto de discussão na Ação Ordinária nº 502327144.2014.404.7200/SC. O mencionado processo se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, estando o crédito tributário inscrito em dívida ativa. O processo administrativo nº 11516.720691/201813 se refere exclusivamente ao questionamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e se encontra apensado a este de nº 10980.724441/201714, que, sendo o principal, tem por objeto a parte remanescente do crédito tributário, ou seja, o crédito relativo ao valor da subvenção para investimento, tributada pela autoridade fiscal. É o relatório. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.810 7 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e está subscrito por profissionais regularmente investidos de poderes de representação. Concomitância de processo judicial com processo administrativo Na Súmula vinculante nº 1, o CARF se manifestou sobre os efeitos da propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Este é o teor da súmula: Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). De acórdão com o enunciado da súmula, implica "renúncia" ao processo administrativo o ajuizamento da ação, antes ou depois do lançamento de ofício. Esse efeito, embora indiscutível, tem sua extensão delimitada pelo momento em que a ação é ajuizada. Se a ação judicial precede o lançamento, é intuitivo que ao contribuinte se deva assegurar o direito de discutir, na esfera administrativa, os vícios e ilegalidades do ato administrativo, que não existia ao tempo do ajuizamento da ação. Tal situação ocorre, com relativa frequência, na hipótese de liminar concedida em mandado de segurança, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, quando o fato gerador é periódico e o crédito não é objeto de confissão pelo sujeito passivo. Nessa circunstância, para evitar que sobrevenha a decadência do direito de constituir o crédito tributário, o Fisco efetua lançamentos, sem multa de ofício, com o propósito específico de prevenir a decadência. Do lançamento, o contribuinte deve ser intimado mediante entrega de termo no qual as seguintes observações devem estar presentes: a) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa por decisão judicial; b) o lançamento se destina a evitar a decadência; e c) ao sujeito passivo é garantido o direito de impugnar o lançamento em 30 dias, desde que a matéria objeto da impugnação não seja também objeto de discussão no processo judicial. Se o contribuinte, no processo judicial, alega a existência de imunidade, é intuitivo que ele possa impugnar o lançamento, na esfera administrativa, alegando, por exemplo, erro na aplicação da alíquota, inclusão indevida na base de cálculo de descontos incondicionais ou de valores que não representam receitas, incompetência do agente público que lavrou o auto de infração, ou qualquer outro vício que possa comprometer a validade do Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.811 8 ato administrativo, desde que não envolva a alegação de imunidade, cuja apreciação foi entregue ao Poder Judiciário. Situação diferente se tem quando o sujeito passivo propõe a demanda depois de lavrado o auto de infração e iniciado o processo administrativo. Nesse caso, os eventuais vícios do lançamento já são conhecidos em toda a sua extensão. Portanto, ao ingressar em juízo, o contribuinte renuncia ao processo administrativo ou desiste dele (se já havia impugnação). A escolha pelo processo judicial implica discutir a validade do lançamento, em todos os seus aspectos, perante o Poder Judiciário. A concomitância, embora isso não seja pacífico dentro do próprio CARF, não se confunde com a litispendência de que trata o Código de Processo Civil (art. 337, §§ 1º, 2º e 3º). Litispendência ocorre quando se repete uma ação que já existe e está em curso. Uma ação é igual à outra quando se verifica a tríplice identidade: partes, pedido e causa de pedir. Na concomitância a questão não se vincula à repetição de ações idênticas, mas, sim, ao sistema de controle do ato administrativo. Sobre sistema de controle, ensina o professor José dos Santos Carvalho Filho: Sistemas de controle é o conjunto de instrumentos contemplados no ordenamento jurídico que têm por fim fiscalizar a legalidade dos atos da Administração. Cada ordenamento jurídico apresenta mecanismos próprios para esse controle. Esses mecanismos buscam, na verdade, evitar que a atividade Administrativa, seja no âmbito interno, seja a que se estende aos administrados, fique desprovida de controlo da legalidade. Se isso fosse admitido, a lei poderia ser a todo momento violada pelo administrador, retirando completamente a segurança da coletividade. Os sistemas sofrem sempre alguma variação, mas, com uma ou outra pequena diferença, pode dizerse que dois são os sistemas básicos de controle: o sistema do contencioso administrativo e o sistema da unidade de jurisdição. (...) O sistema do contencioso administrativo, também denominado de sistema da dualidade de jurisdição ou sistema francês, se caracteriza pelo fato de que, ao lado da Justiça do Poder Judiciário, o ordenamento contempla uma Justiça Administrativa. Esse sistema, adotado pela França e pela Itália entre outros países sobretudo europeus, apresenta juízes e tribunais pertencentes a Poderes diversos do Estado. Em ambas as Justiças, as decisões proferidas ganham o revestimento da res iudicata, de modo que a causa decidida numa delas não mais pode ser reapreciada pela outra. É desse aspecto que advém a denominação de sistema de dualidade de jurisdição: a jurisdição é dual na medida em que a função jurisdicional é exercida naturalmente por duas estruturas orgânicas independente a Justiça Judiciária e a Justiça Administrativa. A Justiça Administrativa tem jurisdição e competência sobre alguns litígios específicos. Nunca serão, todavia, litígios somente entre particulares; nos conflitos, uma das partes é necessariamente o Poder Público. Competelhe julgar causas que visem à invalidação e à interpretação de atos administrativos e aquelas em que o interessado requer a restauração da legalidade quando teve direito seu ofendido Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.812 9 por conduta administrativa. Julga, ainda, os recursos administrativos de excesso ou desvio de poder. (...) Diverso delineamento tem o sistema da unidade de jurisdição, também conhecido como sistema do monopólio de jurisdição ou sistema inglês. Por essa modalidade de sistema, todos os litígios, administrativos ou de caráter privado, são sujeitos à apreciação e à decisão da Justiça comum, vale dizer, a que é composta de juízes e tribunais do Poder Judiciário. Adotam o sistema da unidade de jurisdição os Estados Unidos, o México e alguns outros países, entre eles o Brasil. No sistema da unidade de jurisdição una lex una jurisdictio , apenas os órgãos do Judiciário exercem a função jurisdicional e proferem decisões com o caráter da definitividade. Mesmo as raríssimas exceções contempladas na Constituição, conferindo essa função ao Congresso Nacional, não servem para desfigurar o monopólio da jurisdição pelo Judiciário. O fundamento da adoção do sistema da unidade de jurisdição pelo Brasil está sufragado pelos termos do art. 5º, XXXV, da vigente Constituição: A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito. O preceito é claro: nenhuma decisão de qualquer outro Poder que ofenda direito, ou ameace ofendêlo, pode ser excluída do reexame, com foros de definitividade, por órgãos jurisdicionais. A Administração Pública em nenhum momento exerce função jurisdicional, de forma que seus atos sempre poderão ser reapreciados no Judiciário. (grifos do autor) (In Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. 17ª edição, revista, ampliada e atualizada. 2007. pp. 866 a 868) No sistema de unidade de jurisdição, só as decisões do Poder Judiciário são definitivas. Mais do que isso, elas se sobrepõem às decisões administrativas que lhes sejam contrárias. Os atos decisórios da autoridade ou do órgão administrativo não terão eficácia frente as decisões da Justiça. Portanto, não existe razão plausível para que, paralelamente, tramitem, em esferas diferentes, dois processos tendo o mesmo objeto, quando a decisão de um deles sobrepõese à do outro. De resto, essa tramitação concomitante afrontaria os princípios da eficiência da Administração Pública, e mais especificamente o princípio da economia processual. Quando o contribuinte escolhe a via judicial, o que ele busca é uma decisão definitiva. Presumese, portanto, que na ação judicial proposta sejam apresentados os fundamentos suficientes para dar suporte à respectiva pretensão. Destarte, é irrelevante o fato de não existir exata coincidência entre a "causa de pedir" (fundamentos) do processo judicial e do processo administrativo. A escolha dos fundamentos da demanda cabe ao autor. Para que se reconheça a concomitância, basta que seja comum o objetivo perseguido em ambos os processos, o administrativo e o judicial; ou que exista na ação judicial um fundamento que, uma vez acolhido, inviabilize conclusão contrária no processo administrativo. Por fim, cabe dizer que, se o contribuinte ajuizar uma ação que venha a ser extinta, sem julgamento de mérito, poderá ele ajuizar outra ação idêntica, porquanto, sem julgamento de mérito, não há coisa julgada material. No caso do concreto, os fatos ocorreram de acordo com a seguinte cronologia: Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.813 10 Em setembro de 2013, a recorrente formulou uma consulta à Receita Federal, questionando a incidência do IRPJ e da CSLL sobre verbas recebidas na forma da MP nº 579/2012, denominadas de "indenização". Em junho de 2014, foi proferida a Solução de Consulta nº 7.005 da SRRF da 7ª Região, sustentando a tributabilidade desses valores. Em julho de 2014, depois de ter ciência da resposta à consulta, a recorrente ajuizou ação declaratória de inexistência de relação jurídica com a Fazenda Nacional relativamente ao IRPJ e à CSLL, tendo em vista o recebimento daquela verba. Em outubro de 2014, sobreveio a sentença de 1ª instância, julgando o pedido improcedente. Em setembro de 2017, foram lavrados autos de infração para exigir crédito tributário de IRPJ e de CSLL referentes àqueles valores, excluídos da base de cálculo de ambos os tributos. Não há dúvida de que a ação na Justiça Federal precedeu o lançamento. Logo, na linha do que se afirmou acima, a impugnação do ato administrativo poderia versar sobre inúmeros aspectos não examinados no processo judicial. Em outras palavras, não se permite à recorrente reproduzir no processo administrativo a mesma discussão travada na Justiça. No caso dos autos, a recorrente afirmou que existem discussões autônomas, especialmente a respeito da ilegalidade do lançamento por ofensa à MP 579/2012. Diz a recorrente: Conforme será visto em detalhes adiante, a exigência relativa aos Itens 3.1 e 4.1 do TVF diz respeito à tributação, pelo IRPJ e pela CSLL, dos valores recebidos a título de indenização pela reversão antecipada dos bens empregados na concessão de serviço público explorada pela Recorrente. Tais valores foram apurados e pagos em conformidade com a Medida Provisória n° 579/2012, que estabeleceu como metodologia de cálculo da indenização o Valor Novo de Reposição (VPN) dos bens objeto da reversão. Como se verá melhor adiante, a indenização decorrente da reversão antecipada dos bens, objeto da presente autuação fiscal, deriva de alteração em sede de Medida Provisória da sistemática típica da reversão de bens no âmbito do Direito Administrativo. Até a edição dessa medida provisória, a indenização compunha parte do valor da tarifa de energia elétrica cobrada dos consumidores, conforme determinava a legislação até então aplicável. No momento da renovação da concessão, a Administração Pública entendeu por oportuno alterar essa regra indenizatória, estabelecendo que, ao invés de transferir esse ônus ao consumidor mediante inclusão na tarifa, passaria a realizar diretamente o pagamento dessa indenização. (...) Esse "valor novo de reposição", expressão financeira da indenização estabelecida em sede de norma legal, como será melhor exposto adiante, Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.814 11 corresponde ao custo que o concessionário teria para realizar um investimento equivalente na construção/aquisição do mesmo bem na atualidade. Ou seja, determinou a norma legal que o montante da indenização corresponderia ao custo que hoje a concessionária incorreria para realizar novo investimento, consoante critérios estabelecidos pelo Poder Concedente em norma infralegal regulamentar, abatidas as amortizações já realizadas. (fls. 2.683 e 2.684) (...) Na primeira fase, ora em discussão, os valores foram pagos em dinheiro sem acréscimo de tributos tendo em vista que, por se tratar de indenização, não há que se falar em exigência do IRPJ e da CSLL. Todavia, de forma contraditória com o critério adotado pelo Poder Executivo em sede de edição norma legal (medida provisória), foram lavrados os presentes autos de infração por meio dos quais se exige da Recorrente o IRPJ e a CSLL sobre tais valores. Entendeu a Autoridade Fiscal que o valor justo da indenização pela reversão antecipada dos bens somente poderia considerar o valor contábil desses ativos e não o "valor novo de reposição" determinado pela Medida Provisória n° 579/2012. Desse modo, entendeu a Autoridade Fiscal que a diferença entre o valor da indenização estabelecido nos exatos termos da legislação (MP 579/12) e o valor contábil dos ativos revertidos antecipadamente em favor da Administração Pública representaria, no caso de diferença positiva, um "ganho líquido" tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Todavia, ao assim proceder, a Autoridade Fiscal incorre em inconteste ilegalidade. Ora, a Medida Provisória n° 579/2012 é inequívoca em estabelecer que o quantum indenizatório corresponderá não ao valor contábil, mas sim ao "valor novo de reposição" dos ativos revertidos antecipadamente: (os grifos são da recorrente) (fl. 2.686) Observase do trecho reproduzido que a recorrente adota como pressuposto de sua argumentação a natureza indenizatória da verba recebida com base na MP 579/2012. Por outro lado, na peça recursal, existe um tópico dedicado exclusivamente a tratar da não incidência do IRPJ e da CSLL sobre verbas indenizatórias (fls. 2.707 a 2.714), e outro para tratar da não incidência de IRPJ e da CSLL sobre verbas pagas a título de reversão (fls. 2.714 a 2.721). Com isso, a recorrente busca reproduzir na via administrativa a mesma discussão travada na via judicial. Sobretudo, quando insiste na natureza indenizatória da verba recebida e na impossibilidade de que ela componha a base de cálculo de IRPJ e CSLL. Nesse sentido, é oportuno verificar a sentença proferida na ação judicial: Preliminarmente, aponto que a reversão é a passagem ao poder concedente dos bens do concessionário aplicados ao serviço, relacionados com a prestação do serviço público e necessários à continuidade desse serviço, bem como que, nos casos em que não há reversão dos bens não amortizados ou não depreciados, o concessionário pode depreciar o bem nos termos da legislação tributária. Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.815 12 Considerando a legislação acima transcrita, resta claro que as verbas pagas a título de reversão de bens, no caso objeto destes autos (em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão), não decorrem de expropriação ou de desapropriação, nem tampouco se assemelham a esses institutos. Por outro lado, a natureza jurídica da referida 'indenização' de bens reversíveis não é propriamente indenizatória. É que os valores recebidos a esse título decorrem de alteração contratual e correspondem à parcela dos investimentos realizados pelo concessionário dos serviços públicos, isto é, corresponde propriamente à receita decorrente de alteração contratual, de modo que legítima a incidência do IRPJ e da CSLL. Não se está diante de uma excepcionalidade a configurar uma verdadeira indenização, mas sim, repitase, decorrem de alteração contratual e correspondem à parcela dos investimentos realizados pelo concessionário dos serviços públicos, de modo a estarem sujeitas à mesma tributação aplicável às demais 'indenizações' decorrentes de reversão de bens aplicados à prestação de serviços públicos. Afinal, nos termos do CTN, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento (art. 43, § 1o). Por outro lado, há de se ter em conta que a natureza jurídica das indenizações também deve ser buscada observandose o método de cálculo da indenização correspondente, de modo que se faz imperiosa a consideração do art. 9o do Decreto n. 7.805/2012, o qual dispõe que a indenização do valor dos investimentos dos bens reversíveis ainda não amortizados ou não depreciados será calculada com base no Valor Novo de Reposição VNR, e considerará a depreciação e a amortização acumuladas a partir da data de entrada em operação da instalação, até 31 de dezembro de 2012, em conformidade com os critérios do Manual de Contabilidade do Setor Elétrico MCSE (já transcrito supra). (g.n.) (fl. 651) Como se percebe, a sentença de 1ª instância, prolatada na ação proposta pela recorrente, rejeitou a tese de que as verbas eram indenizatórias. Ao contrário, entendeu que a natureza jurídica não é dada pelo nomen juris, e, assim, sobre os valores pagos na forma da MP nº 579/2012 poderiam incidir IRPJ e CSLL. No processo administrativo fiscal não se permite examinar qualquer matéria ou alegação que possa tangenciar conclusões exaradas no processo judicial. Portanto, é correta a decisão da DRJ que, em razão da concomitância, não conheceu do recurso nessa parte. Por fim, é importante frisar que o crédito tributário relativo a esta primeira infração já se encontra inscrito em dívida ativa, razão pela qual é desnecessário apensar o processo de nº 11516.722645/201841, como pleiteava a recorrente. Subvenção para investimento No que toca ao exame da segunda infração, convém, para evitar esforço desnecessário, separar o joio do trigo. Vale dizer, delimitar a infração, separando a matéria controversa, dos pontos acerca dos quais não há discussão. Em primeiro lugar, é incontroverso que os valores entregues pelo Governo Alemão (através do banco estatal de desenvolvimento) à recorrente revestem, no aspecto formal, a natureza jurídica de subvenção governamental para investimento. Isso porque os Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.816 13 recursos se destinavam aos projetos Megawatt Solar e Complexo São Bernardo, nos termos do acordo de cooperação financeira firmado entre os Estados Brasileiro e Alemão por intermédio da controladora Eletrobrás. Esse fato não foi questionado pela Fiscalização. Também não há questionamento acerca da realização efetiva dos projetos das pequenas centrais hidrelétricas. O fato que deu causa ao lançamento foi a ausência de registro contábil do valor da subvenção em conta de reserva de lucros ou reserva de incentivos fiscais, que deveriam figurar no patrimônio líquido. O valor da subvenção integrou o lucro do exercício e ali permaneceu para todos os fins e efeitos, contábeis e societários. A respeito do real motivo da autuação, o TVF é inequívoco. Confirase: Os recursos não reembolsáveis repassados pelo banco estatal alemão KfW foram contabilizados pela FISCALIZADA a crédito da conta de resultado "Outras Receitas Financeiras" e a débito da conta do Ativo "Outros Devedores", e na sequência, a crédito da conta do Ativo "Outros Devedores" e a débito da conta "Caixa". Esses lançamentos ocorreram nas datas de recebimento dos recursos, em 19/07/2013 e 23/12/2013, conforme pode ser verificado na conta Razão 112419 de fls. 589 e 590 extraídas da Escrituração Contábil Digital ECD e também na resposta apresentada às fls. 1450 a 1458. A contabilização da destinação dos recursos aos projetos se deu a débito do Ativo Imobilizado pela construção dos ativos financiados e subvencionados (Projeto Complexo São Bernardo e Megawatt Solar) e a crédito da conta Caixa, conforme informação de fls. 1450 a 1458. Foram apresentados relatórios contábeis com os valores dos ativos investidos (fls. 1637 a 1661), tanto de origem do banco estatal alemão KfW como investimentos realizados com recursos próprios da FISCALIZADA. O art. 18 da Lei n° 11.941/2009, bem como o art. 13 da Instrução Normativa RFB n° 1.397/2013, citados anteriormente, determinam quais as condições mínimas a serem cumpridas pelos contribuintes para que possam se beneficiar da exclusão, na apuração do Lucro Real, de valores recebidos dos entes públicos cuja natureza jurídica seja de subvenção para investimento ou doação. Dentre essas condições legais a serem observadas, o inciso III, do art. 18, da Lei n° 11.941/2009 determina a constituição de Reserva de Lucros (Reserva de Incentivos Fiscais de que trata o art. 195A da Lei n° 6.404/76) para a contabilização das parcelas decorrentes de doações ou subvenções governamentais: III manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976,a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício. Cumpre salientar que a FISCALIZADA estava obrigada à adoção do Regime Tributário de Transição RTT, de que tratam os arts. 15 a 24 da Lei n° 11.941/2009, e efetivamente adotou o RTT no anocalendário de 2013, conforme pode ser observado na sua DIPJ (fls. 150 a 220), estando, portanto, sujeita ao cumprimento de todas as exigências impostas pela legislação em referência para fazer jus ao benefício. Uma vez que o tratamento tributário dado pela FISCALIZADA aos recursos não reembolsáveis oriundos do banco estatal alemão KfW foi o de subvenção para Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.817 14 investimento, lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 002 (fls. 1662 a 1667), para que fosse comprovado pela FISCALIZADA o atendimento às condições impostas pelo art. 18 da Lei n° 11.941/2009, nos seguintes termos: (...) Desse forma, é de se concluir que a FISCALIZADA, em tese, faria jus a dedução desses valores na apuração do Lucro Real, considerados como subvenção governamental para investimento, desde que cumpridas as condições estipuladas no art. 18 da Lei n° 11.941/2009, o que não aconteceu no caso concreto, pois não houve a devida constituição da Reserva de Lucros exigida no inciso III daquele artigo, conforme pode ser verificado no Razão da conta 24801 Lucros Acumulados (fl. 591) extraído da ECD e sintetizado na tabela abaixo: (g.n.) Tabela 05: Resumo da destinação do lucro do exercício (AC 2013) Data Conta Contábil Débito Crédito 31/12/2013 Lucro do Exercício 418.187.025,32 31/12/2013 Empregados 34.775.137,99 31/12/2013 Administradores 269.099,88 31/12/2013 CSLL 31.664.086,49 31/12/2013 IRPJ 86.694.025,04 31/12/2013 Reserva Legal 13.239.233,80 31/12/2013 Dividendos Obrigatórios 62.886.360,53 31/12/2013 Dividendos Adicionais 188.659.081,59 31/12/2013 Saldo 0,00 Os dividendos adicionais foram contabilizados na conta 24491 Outras Reservas de Lucros e distribuídos em 30/04/2014, conforme Razão de fl. 592. Segundo o art. 18, III e § 3° da Lei 11.941/09, para que seja permitida a exclusão no LALUR do valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimento, deve ser mantida em conta de reserva de incentivos fiscais a parcela decorrente de tais doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício (art. 18, III, Lei 11.941/09). E caso no período o contribuinte apure prejuízo ou lucro líquido inferior a parcela da subvenção excluída nos termos do inciso II do art. 18 da Lei 11.941/09, a parcela não destinada à reserva de incentivos fiscais deverá ser destinada nos exercícios subsequentes (art. 18, § 3° da Lei 11.941/09). Logo, a constituição da Reserva de Incentivos Fiscais, bem como a não distribuição/restituição aos sócios/acionistas da parcela do lucro líquido decorrente das subvenções governamentais é pressuposto à não tributação de tais subvenções. Importante frisar que a legislação em comento determina a adição ao Lucro Real dos valores de subvenção para investimento quando estes tiverem destinação diversa: Lei nº 11.941/2009 Art. 18... Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.818 15 III manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976,a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fíns de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1° As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: Concluise, portanto, que a FISCALIZADA ao não constituir a Reserva de Lucros de que trata o Inciso III, do art. 18, da Lei n° 11.941/2009, deu destinação diversa aos recursos contabilizados como subvenção para investimento, conforme demonstrado na Tabela 05 acima, devendo obrigatoriamente serem adicionados os referidos valores na apuração do Lucro Real do período. (g.n.) O objetivo principal da norma é o de evitar que pessoas jurídicas beneficiadas com incentivos e subvenções de origem governamental distribuam esses recursos aos seus sócios ou acionistas na forma de dividendos ou participação nos lucros, ou ainda, apliquem esses recursos em outras finalidades que não aquelas definidas nos acordos firmados com os entes públicos. A obrigatoriedade de se constituir a Reserva de Lucros (Reserva de Incentivos Fiscais de que trata o art. 195A da Lei n° 6.404/76) é a forma que o legislador entendeu necessária para que esses recursos permaneçam no patrimônio da empresa beneficiada com a subvenção ou recurso público e que sejam aplicados aos fins que se destinaram originalmente. (g.n.) (...) E vale também relembrar que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), por meio do CPC 07 definiu o alcance do termo Governo em relação ao tema Subvenção e Assistência Governamentais, que segundo o CPC alcança o Governo Federal, Estadual ou Municipal, agências governamentais e órgãos semelhantes, sejam locais, nacionais ou internacionais, de modo que a alegação da FISCALIZADA de que não haveria necessidade de cumprimento das condições impostas pelo art. 18 da Lei n° 11.941/2009, por tratarse de recurso financeiro de origem internacional, não merece guarida no caso aqui tratado. Como se vê, o contribuinte não atendeu aos requisitos obrigatórios estabelecidos na Lei 11.941/2009, art. 18, III e § 3º, para que fosse permitida a exclusão tanto no lucro real como na base de cálculo da CSLL das subvenções para investimento recebidas no AC 2013. Logo, os recursos de origem pública não reembolsáveis em questão não foram creditados em conta de reserva de incentivos fiscais, contrariando o disposto no art. 18, III, da Lei 11.941/09, motivo pelo qual adicionamos ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL os valores excluídos indevidamente pelo contribuinte, com fulcro no art. 18, IV, da referida Lei. (TVF: fls. 63 A 67) Como se percebe, o que deu causa ao lançamento não foi propriamente uma presunção, mas a ausência de registro, em conta de reserva de lucros ou de incentivos fiscais, do valor da subvenção para investimento, possibilitando que os montantes fossem distribuídos a título de dividendos, o que contraria a legislação em vigor. Nesse sentido, o DecretoLei nº 1.598/1977: Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.819 16 Art 38. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. A recorrente admitiu ter havido erro no registro contábil da subvenção, mas afirmou que, em 15 de março de 2018, procedeuse a uma reclassificação, aprovada em Assembleia Geral Extraordinária, nas demonstrações financeiras, corrigindo o erro com a constituição da conta de reservas de lucros por incentivo fiscal. O ajuste tardio não opera efeitos sobre o lançamento, já que, pelas circunstâncias, é inaplicável o instituto da denúncia espontânea. Notese que a reclassificação ocorreu após a decisão de primeira instância (Acórdão nº 0741.368, que é de fevereiro de 2018). Além disso, não há prova de que tenham sido revertidos os efeitos da falta de registro tempestivo da reserva de incentivos fiscais. Outro argumento do recurso é de que os valores de subvenção pública não seriam receitas e nem dariam origem a acréscimo patrimonial, por isso, não poderiam ser incluídos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A afirmação não procede, como se pode constatar do Pronunciamento Técnico CPC 07. Confirase: 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (g.n.) A recorrente invocou em seu favor as disposições da Lei Complementar nº 160/2017, que alterou dispositivos da Lei nº 12.973/2014. Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.820 17 A lei complementar inseriu, no art. 30 da Lei nº 12.973/2014, os parágrafos 4º e 5º, os quais, embora tratem de subvenção para investimento, têm aplicação restrita aos incentivos fiscais relacionados ao ICMS. Eis o teor dos dispositivos: § 4º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) A simples leitura do texto revela que sua aplicação limitase aos benefícios e incentivos fiscais relacionados ao ICMS, o que não é o caso dos autos. Por último, resta a alegação de que o lançamento fere uma regra de imunidade, já que a incidência tributária recairia sobre receitas de Estado estrangeiro. Não prospera a tese da imunidade. Em nenhum momento se tributou renda ou patrimônio de qualquer entidade internacional contemplada com imunidade, seja ela prevista em tratado ou nascida dos usos e costumes internacionais. A prova disso é que nenhum governo estrangeiro ou órgão internacional se manifestou acerca da pretensão fiscal objeto do presente processo. No mais, se fosse verídica a alegação de que o IRPJ e a CSLL estivessem recaindo sobre a renda de governo estrangeiro, faltaria à recorrente legitimidade para a defesa desse direito. Por essas razões, nessa parte, o recurso deve ser indeferido. Multa isolada A possibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício deve ser afastada. Em primeiro lugar, a multa isolada não se destina a apenar omissão de receitas, nem infrações como deduções indevidas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Para tais infrações, aplicase a multa de ofício, cobrada juntamente com o tributo, do qual ela é acessório. Tratase, portanto, de multa vinculada ao tributo, diferente da outra que se exige isoladamente. A multa isolada, diferentemente da multa de ofício, foi instituída para punir os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixam de recolher as estimativas mensais. Isso porque, encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, pois elas têm natureza de antecipação do tributo apurado no final do período. Encerrado o período de apuração, o Fisco só pode exigir o valor efetivamente devido, e não as antecipações. Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.821 18 Nesse sentido a Súmula CARF 82: Após o encerramento do ano calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. As estimativas só podem ser cobradas no curso do respectivo período de apuração. Até o advento da multa isolada, a norma que determinava o recolhimento das estimativas mensais àqueles que optassem pelo lucro real anual não era, na prática, obrigatória, pois destituída de sanção específica para seu descumprimento. Por isso, o recolhimento das estimativas se tornara mera recomendação, a qual o contribuinte atendia se lhe conviesse, porque o descumprimento não tinha qualquer consequência. É nesse contexto que surgiu a figura da multa isolada, cujo propósito específico é punir o descumprimento da norma que impõe, aos que optaram pelo lucro real anual, o recolhimento mensal por estimativa ou, opcionalmente, o levantamento de balancete de verificação, visando a suspender ou reduzir a estimativa do mês. Essa, em linhas gerais, é a finalidade da multa isolada. Para tais situações foi concebida. Aplicála a casos de omissão de receita ou de glosa de despesas, além de ser um desvio, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal para tanto. A par dessas razões, existe ainda um entendimento de que a aplicação da multa vinculada afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E. Superior Tribunal de Justiça STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a proferida no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS. Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Herman Benjamin, se pode extrair o trecho abaixo: Conforme assentado na decisão agravada, a Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996. Confiramse: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.822 19 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/9/2015). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430 96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 24/3/2015). A natureza de cada uma das multas e o entendimento pela prevalência do princípio da consunção foram suficientemente debatidos no REsp 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins. Transcrevo, por oportuno, os fundamentos declinados por Sua Excelência: Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.823 20 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, a cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Firmado nesses dois fundamentos, afastase a exigência da multa isolada, no caso em exame. Juros de mora sobre multa de ofício A matéria já foi examinada diversas vezes, com decisão invariavelmente no sentido da possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O fundamento legal está no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 10980.724441/201714 Acórdão n.º 1301003.903 S1C3T1 Fl. 2.824 21 decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. O mesmo entendimento prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. A matéria tornouse incontroversa no âmbito administrativo, com a edição da Súmula CARF 108, cujo enunciado se encontra redigido nos seguintes termos: Súmula CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com esses fundamentos, indeferese a pretensão da recorrente de impedir a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício. CSLL Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, como ocorre no caso em tela, há de ser dada a ambos a mesma decisão, ressalvados apenas os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, exceto quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário; rejeitar a preliminar de nulidade; e, no mérito, dar parcial provimento à pretensão da recorrente, afastando a multa isolada. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2824DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.911851/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.088
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.911851/200929 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.088 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente METSO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP), transmitida eletronicamente, com base em créditos relativos à Contribuição. Conforme consta do relatório que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na referida DCOMP a contribuinte declarou a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando as características do DARF correspondente. Por sua vez, o processamento eletrônico do pedido teria apontado que, a partir das características do DARF, foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 11 85 1/ 20 09 -2 9 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10855.911851/200929 Resolução nº 3302001.088 S3C3T2 Fl. 3 2 integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, sintetizada, no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Em suma, esclarece que teria declarado indevidamente o valor da contribuição do período e que teria retificado a DCTF no intuito de demonstrar a existência do crédito pleiteado. Ao final, solicita a homologação da compensação. A 4ª Turma da DRJ Brasília (DF) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa parcialmente reproduzida a seguir: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O despacho decisório eletrônico foi proferido sem a prévia intimação do recorrente para prestar os esclarecimentos necessários, cerceando o direito de defesa; b) Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, o qual foi devidamente sanado por meio da apresentação de DCTF retificadora. Com base na retificadora pode ser verificado que o real valor apurado é zero, diferentemente do alegado; Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10855.911851/200929 Resolução nº 3302001.088 S3C3T2 Fl. 4 3 c) É totalmente lícito e legítima a retificação de DCTF nos casos de erro de fato, em virtude da observância ao princípio da verdade material; e d) É imprescindível a realização de diligência para averiguação de seu direito creditório. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.076, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.911798/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.076): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10855.911851/200929 Resolução nº 3302001.088 S3C3T2 Fl. 5 4 competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório. Ocorre que cerca de um ano e oito meses depois da interposição do recurso voluntário,em 02/06/16, o recorrente apresentou petição requisitando a análise de diversos documentos, entre eles: planilha com a apuração do PIS e da Cofins, planilha com comparativo do SINTEGRA e os livros fiscais, os lançamentos no sintegra, os lançamentos nos livros fiscais, a listagem das notas fiscais, a composição das receitas de exportação, a composição das receitas de projetos de longo prazo, a composição das devoluções de vendas, o balancete mensal de setembro de 2005 e o balancete analítico. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Acontece que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10855.911851/200929 Resolução nº 3302001.088 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos acostados às efls. 140/728, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos citados/trazidos na petição, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.934806/2009-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 02 34.127, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação, por decurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 48 06 /2 00 9- 91 Fl. 146DF CARF MF 2 do prazo de 5 (cinco) anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP retificado, em 03/04/2007, e a data de arrecadação do DARF, em 24/04/2001. Transcrevo, a seguir o relatório: Cientificado do Despacho Decisório em 20/10/2009, conforme documento de fl. 93, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/09, em 12/11/2009 (vide fls. 86), tendo alegado, em síntese, o seguinte: o despacho decisório não está consoante aos ditames legais que regem à matéria, notadamente, no que toca ao prazo de decadência para pleitear restituição ou compensação; na data de 24/04/2001, recolheu indevidamente valores a título de CSLL relativos ao anocalendário de 1997, no qual apurou saldo negativo no montante de R$ 66.098,33, não havendo, portanto, CSLL a pagar. No despacho de fl. 94, a DRF de origem reconheceu a tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. Cientificada em 03/12/2011 (fl 118), a recorrente apresentou o recurso voluntário (fl 120), cuja data de recepção não foi informada nos autos. Entretanto, na fl 144, consta a informação, dada pela Delegacia da Receita de Belo Horizonte, de que foi apresentado dentro do prazo. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário que considerei tempestivo (vide o parágrafo anterior) e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente, basicamente, argumenta: · No acórdão ora recorrido, o fundamento utilizado pela turma julgadora da DRJ/BHE para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, no que diz respeito ao mérito, foi basicamente aquele no sentido de que o pagamento realizado em 24/04/2001 não se caracterizou como indevido ou a maior, uma vez que foi efetuado no exato valor da CSLL estimativa mensal devida em determinados meses de 1997. · No entanto, no referido acórdão, a ilustre turma julgadora partiu de premissa equivocada, qual seja a de que, ao final do anocalendário de 1997, os recolhimentos mensais por estimativa da CSLL eram devidos pela Recorrente, ignorando o fato de que, após o ajuste anual, ela havia encerrado esse anocalendário com prejuízo. · No anocalendário de 1997, a Recorrente, por ser optante da tributação com base no lucro real e pelo pagamento do IRPJ e da Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.934806/200991 Acórdão n.º 1001001.175 S1C0T1 Fl. 3 3 CSLL mensalmente sobre base de cálculo estimada, deixou de efetuar as antecipações a que estava obrigada; · Findo o anocalendário de 1997, a Recorrente não apurou lucro tributável, o que implica dizer que a não antecipação do IRPJ e da CSLL, não obstante seja obrigação da Recorrente, não gerou quaisquer prejuízos ao Fisco Federal, porquanto não configurada a hipótese de incidência de tais tributos. · No anocalendário de 2001, a Recorrente, equivocadamente, efetuou o recolhimento da CSLL que deveria ter sido objeto de antecipação naquele ano de 1997, ignorando o fato de que, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia. · A ineficácia do recolhimento por estimativa, na situação concreta da Recorrente, é ainda mais evidente levandose em consideração que ela não apurou lucro tributável no período, razão pela qual, ao final, não devia absolutamente nada a título de CSLL, mesmo considerando a ausência de pagamentos antecipados. · Por esta razão, requereu a restituição dos valores pagos em 2001. · Contudo, em relação à CSLL, a Recorrente não fez os recolhimentos por estimativa devidos durante o ano de 1999. Em que pese isto, a Recorrente encerrou o referido anocalendário com prejuízo, apurando base negativa da CSLL. não tendo havido, portanto, base de cálculo tributável pela contribuição à época do ajuste. Entende ter direito à restituição dos valores pagos em 2001 por conta da apuração de base negativa. Consequentemente, o pagamento realizado, após o encerramento do período, é indevido. Assim, argumenta: · Portanto, sem fundamento o acórdão ora recorrido, o qual deverá ser integralmente reformado por este egrégio Conselho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório da Recorrente e, por conseguinte, sejam homologadas as compensações realizadas. Cita vários acórdãos, deste CARF, a respeito da não eficácia do recolhimento de estimativas, após o encerramento do período de apuração, posto que prevalece o efetivamente devido, com base no lucro real. Com base nisto, entende ser sem fundamento o acórdão recorrido e culmina pedindo a sua reforma. Consoante o despacho decisório e a decisão da DRJ, este não foi o caso da recorrente. Inicialmente, a DRJ afastou a parte da decisão administrativa, relativamente à decadência: Fl. 148DF CARF MF 4 Sendo assim, resta invalido o fundamento da decadência invocado pela autoridade administrativa competente para não homologar a compensação pleiteada, devendo, assim, o mérito do pedido ser analisado. O que se faz adiante. Reproduzo (parcialmente) a decisão da DRJ: . Apreciação do mérito. Na sua manifestação de inconformidade, para comprovar a legitimidade do crédito utilizado na compensação, o contribuinte alega que teria apurado, no ano calendário 1997, saldo negativo de CSLL. Entretanto, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa. Portanto, é sob a ótica do pagamento indevido que a análise deve ser realizada. De acordo com a ficha 09 da DIRPJ/1998, anocalendário de 1997 (vide cópias de fls. 49/60), o contribuinte optou, naquele período, pela apuração anual do imposto de renda e da contribuição social, com recolhimentos mensais de estimativas, apuradas pelo levantamento de balancetes de redução/suspensão. Durante o período, apurou e pagou os seguintes débitos de estimativa de CSLL (tabela fl 99). Como se verifica, os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao mês de junho/1997, marcado em negrito no quadro acima). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. De outro lado, ainda que se considerasse o argumento do contribuinte, analisando o direito creditório não como pagamento indevido ou a maior, mas como saldo negativo, aceitando que houve erro, por parte do contribuinte, ao indicar o tipo de crédito no PER/DCOMP, mesmo assim, não há como reconhecerse a existência de direito creditório a seu favor que possa, em 19/05/2005 (data de transmissão do PER) ser objeto de pedido de restituição tempestivo ou utilizado para quitação de débitos por compensação. O crédito de saldo negativo não se confunde com o suposto pagamento indevido das estimativas. Em verdade, a quitação de débitos por estimativa é essencial para a composição do saldo negativo, no entanto, são direitos creditórios distintos, com origens distintas e termos iniciais para aproveitamento, também, distintos. Como já se viu, na preliminar, caso houvesse, de fato, a caracterização de pagamento indevido ou a maior, o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168 do CTN para restituição do indébito seria a data de arrecadação do DARF, qualseja, 24/04/2001 portanto, quando da apresentação do PER, em 19/05/2005, o pedido seria tempestivo. Entretanto, o saldo negativo não tem sua apuração vinculada à data de pagamento da estimativa, mas sim ao encerramento do período de apuração no caso em análise, em 31/12/1997. É crédito apurado na escrita contábil e fiscal do contribuinte, a partir do levantamento do balanço do período. Portanto, para o crédito constituído em 31/12/1997, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição, previsto no art. 168 do CTN, encerrouse em 31/12/2002, data anterior à da apresentação do pedido de restituição. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.934806/200991 Acórdão n.º 1001001.175 S1C0T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, DOU de 30/12/2005, que disciplinava a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, determinou: "ArL 5 Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto restituição: I—na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II — na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. " (Grifos acrescentados) Portanto, inexiste direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, seja como (i) pagamento indevido ou maior, pois o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado, seja como (ii) saldo negativo, na medida em que ainda que se admitisse o erro, por parte do contribuinte, ao indicar o tipo de crédito no PER7DCOMP, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição encerrara se em 31/12/2002, data anterior à da apresentação do pedido original de restituição, em 19/05/2005 Entendo equivocada a decisão da DRJ no que se refere ao prazo de cinco anos para pleitear a restituição, se este ocorrer antes de 9 de junho de 2005, é de 10 anos, consoante súmula CARF 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Entretanto, como o assunto não foi discutido pela recorrente e por entender de que não se trata do objeto da lide, nenhuma outra consideração será tecida. Em relação ao pedido de restituição feito, pela recorrente, observase que, com base nos registros eletrônicos (internos) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fato, ela não possui tal crédito. Em se tratando de uma situação de fato, o que ficou demonstrado é que os valores foram declarados na DCTF e, posteriormente, recolhidos, pela recorrente. Como é sabido, a DCTF constituise em confissão de dívida e, portanto, o débito, nela declarado, considerase confessado. Apenas a sua retificação alteraria essa condição. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito Fl. 150DF CARF MF 6 líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Consoante o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) Ou seja, a certeza e liquidez do crédito são condições sine qua non para autorizar a compensação. Portanto, inexiste direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte como pagamento indevido ou maior, posto que o recolhimento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.727717/2016-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.620
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 17 /2 01 6- 39 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727717/201639 Acórdão n.º 3302006.620 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.665. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727717/201639 Acórdão n.º 3302006.620 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727717/201639 Acórdão n.º 3302006.620 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727717/201639 Acórdão n.º 3302006.620 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727717/201639 Acórdão n.º 3302006.620 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903779/2009-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE.
A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1003-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 79 /2 00 9- 39 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.903779/200939 Acórdão n.º 1003000.576 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1269.402, de 20 de outubro de 2014, da 15ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 28/05/2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 831697773, emitido em 20/04/2009, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 29723.56895.220906.1.3.040820, na qual declarou ter apontado como o "tipo de crédito" no PER/DECOMP Pagamento Indevido ou a Maior", contudo o correto deveria ter sido "Saldo Negativo de IRPJ". Requerendo, ao final, o CANCELAMENTO do PER/DCOMP 29723.56895.220906.1.3.040820 e o CANCELAMENTO da cobrança do débito no valor original de R$ 1.850,00. A DRJ/RJO julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não sendo comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, há de se decidir pela não homologação da compensação declarada. DCOMP. CANCELAMENTO. O Pedido de Cancelamento de Declaração de Compensação (DCOMP) obedece a rito específico, e seu exame cabe às unidades de jurisdição e somente é admitido enquanto pendente de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constitui meio adequado para veicular o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação (DCOMP). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.903779/200939 Acórdão n.º 1003000.576 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) que, na sua manifestação de inconformidade, a Recorrente reconheceu ter havido erro formal (erro de nomenclatura) ao identificar o crédito da PER/DCOMP como "Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ", quando na realidade se tratava de "saldo negativo de IRPJ", referente ao ano calendário 2003, no valor de R$ 34.248,29. Que o crédito se tratava de adiantamento de IRPJ devido; (ii) que o r. acórdão não homologou o crédito por entender que o objeto de análise originária era avaliar se o crédito era efetivamente decorrente de "pagamento indevido ou a maior" e que a IN RFB 1.300/2012 não prevê tal procedimento, já que a manifestação de inconformidade não é meio adequado para o cancelamento do débito. Esse posicionamento da DRJ demonstra formalismo excessivo, o qual é incondizente com a recente regulamentação da Receita Federal, que deve ser regido pelos princípios da verdade material e da economia processual; (iii) que a Receita Federal argumenta inexistir previsão legal para cancelamento do PER/DCOMP, porém, independente da possibilidade de cancelamento, pode o julgador corrigir erro formal de ofício (art. 149, III, CTN). Aterse a questões formais para negar o crédito declarado equivocadamente vai de encontro aos princípios acima citados. Apresenta trecho de parecer da COSIT e doutrina sobre essa matéria; (iv) que manter a não homologação na presente situação em que existe crédito de saldo negativo para realizar a compensação, já que ocorreu mero erro formal, representa violação às regras e princípios citados; Por fim, requereu a reforma da r. decisão a quo para reconhecimento do direito da Recorrente a ver homologada a PER/DCOMP nº 29723.56895.220906.1.3.040820, para que seja reconhecido o crédito de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2004 que totalizam R$ 34.248,29 como suficiente para quitar os débitos posteriores de CSLL no montante original de R$ 1.850,00, referente à agosto de 2005. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, importante destacar que, na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, esse, após informar ter havido erro no preenchimento do PER/ DCOMP e não o ter regularizado, requereu o cancelamento da declaração de compensação. Ou seja, a Recorrente, na manifestação de inconformidade, pediu unicamente o cancelamento do PER/DCOMP 29723.56895.220906.1.3.040820 e do débito no valor original de R$ 1.850,00. Concluise pela análise da manifestação de inconformidade da Recorrente que a mesma, embora tenha informado a origem do equívoco e seu suposto direito ao crédito, não requereu a análise do crédito com base em saldo negativo, mas sim solicitou o cancelamento do PER/DCOMP, haja vista ter reconhecido erro que inviabilizou a análise correta do crédito discriminado na DCOMP. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.903779/200939 Acórdão n.º 1003000.576 S1C0T3 Fl. 5 4 Ora, a matéria objeto deste processo suposto erro formal não foi, em verdade, impugnada, não se instaurando o litígio em relação à análise do crédito propriamente. Isso porque a análise realizada pela DRJ no r.acórdão restringiuse a verificar a possibilidade de cancelamento do PER/DCOMP na fase processual na qual se encontrava o processo. Eis o Relatório da DRJ em relação à manifestação de inconformidade: Cientificado da decisão em 29/04/2009, conforme documento de fls. 34, o interessado apresentou, em 28/05/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 6/8 alegando, em síntese: a) que informara equivocadamente no PER/DCOMP que se tratava de crédito de “pagamento indevido ou a maior”; b) que, efetivamente, não tem mesmo crédito a titulo de “pagamento indevido ou a maior"; entretanto, o valor do DARF quitado faz parte do conjunto do saldo negativo da DIPJ/2004; c) que, nesse sentido, tem crédito tributário suficiente para efetuar a compensação; mas deveria ter informado na PER/DCOMP que se tratava não de “pagamento indevido ou a maior”, mas, sim, de saldo negativo de tributo apurado anualmente; d) que equivocadamente não cancelou o PER/DCOMP; e) que os débitos compensados não foram utilizados nem declarados nas DCTF; f) que, percebendo o erro cometido, pede cancelamento do PER/DCOMP em tela, pela sua não utilização em nenhuma compensação de débitos, e, por conseguinte, pede ainda o cancelamento da cobrança do débito compensados. Contrariamente ao que faz crer a Recorrente nas suas razões recursais, o que fundamentou toda a decisão recorrida foi o pedido de cancelamento do PER/DCOMP. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. No Recurso Voluntário, contudo, o pedido da Recorrente é no sentido de que seja reconhecido tratarse de mero erro formal a indicação do tipo do crédito (saldo negativo e não pagamento indevido ou a maior) e requerer o reconhecimento do crédito. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.903779/200939 Acórdão n.º 1003000.576 S1C0T3 Fl. 6 5 Claramente, a Recorrente inova o pedido no recurso voluntário, provocando pedido de uma nova análise do crédito. A fase processual para tal pedido, como já visto, deveria ter sido realizada desde a manifestação de inconformidade, o que, como demonstrado, não ocorreu. Em razão disso, entendo que está preclusa o pedido de reanálise do crédito, haja vista que esse não foi o motivo da impugnação apresentada pelo contribuinte, a qual se limitou a informar o equívoco no PER/DCOMP e requereu o cancelamento da declaração de compensação e do débito. Não obstante a clara preclusão existente nos presentes autos, é oportuno tecer alguns comentários acerca das razões opostas no recurso voluntário. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP, qual seja, a indicação errada do tipo de crédito, é mero erro de fato e que, em razão da verdade material e economia processual, deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação em relação ao tipo de crédito. Em que pese seu argumento de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impede a análise do crédito. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.903779/200939 Acórdão n.º 1003000.576 S1C0T3 Fl. 7 6 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa tratarse de pagamento indevido ou a maior é em cima dessa declaração que a análise quanto ao crédito será realizada. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A informação de que o direito creditório era de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior na Declaração de compensação revestese, pois, de inovação da matéria, porque a autoridade administrativa deverá analisar, obrigatoriamente, a regularidade da apuração do lucro real e os pagamentos realizados para identificar a liquidez e certeza do crédito. Não se acolhe a alegação de celeridade e economia processual, visto que a competência para a análise da regularidade do crédito apontado não é do CARF, mas da DRF respectiva. Outrossim, a regra é de que a declaração de compensação somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 432/2004. Por essa razão, entendo que não se trata de erro material passível de correção de ofício. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/RJO. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 144DF CARF MF
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