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Numero do processo: 10920.001477/2001-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
A aplicação de entendimento constante de recurso repetitivo ainda não transitado em julgado, com violação do art. 62-A do RICARF, não configura pressuposto que renda ensejo à interposição de embargos de declaração.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Existindo nos autos omissão quanto à indicação da caracterização do ato de oposição estatal, acolhem-se os embargos para suprir essa omissão.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 3403-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão quanto à falta de indicação do ato de oposição estatal e explicitar que a correção pela taxa Selic incide a partir de 18/07/2003 e apenas sobre a parcela do crédito presumido que foi reconhecida pelo Acórdão nº 3403-001.211.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. A aplicação de entendimento constante de recurso repetitivo ainda não transitado em julgado, com violação do art. 62-A do RICARF, não configura pressuposto que renda ensejo à interposição de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Existindo nos autos omissão quanto à indicação da caracterização do ato de oposição estatal, acolhem-se os embargos para suprir essa omissão. Embargos acolhidos em parte.
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PRESSUPOSTOS. A aplicação de entendimento constante de recurso repetitivo ainda não transitado em julgado, com violação do art. 62A do RICARF, não configura pressuposto que renda ensejo à interposição de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. A omissão de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado rende ensejo aos embargos de declaração. Existindo nos autos omissão quanto à indicação da caracterização do ato de oposição estatal, acolhemse os embargos para suprir essa omissão. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão quanto à falta de indicação do ato de oposição estatal e explicitar que a correção pela taxa Selic incide a partir de 18/07/2003 e apenas sobre a parcela do crédito presumido que foi reconhecida pelo Acórdão nº 3403 001.211. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 14 77 /2 00 1- 73 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 340301.211, de 01 de setembro de 2011, sob o fundamento de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Segundo a Procuradoria da Fazenda, os pontos omissos foram os seguintes: 1) o colegiado ao aplicar o RESP nº 993.164, não observou que este recurso repetitivo ainda não havia transitado em julgado, o que fere o art. 62A; e 2) o colegiado não apreciou o pressuposto para a aplicação do RESP nº 993.164, pois não ficou claro que restou caracterizada a oposição estatal ao aproveitamento do crédito, uma vez que os créditos sobre os quais o interessado deseja fazer incidir a Taxa Selic foram concedidos de plano pelo Fisco, tão logo efetuados os ritos processuais próprios. Entende a Procuradoria da Fazenda Nacional que o contribuinte está pleiteando o crédito em relação ao crédito efetivamente reconhecido, em relação ao qual não houve oposição estatal. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Os embargos de declaração preenchem os requisitos formais de admissibilidade e devem ser conhecidos. No que concerne à questão do trânsito em julgado do RESP nº 993.164, verificase que conquanto o Acórdão embargado tenha sido proferido antes do trânsito em julgado do recurso repetitivo, esse fato não caracteriza nenhum dos pressupostos regimentais ensejadores dos embargos de declaração. Com efeito, aplicar o entendimento de recurso repetitivo não transitado em julgado, quando o art. 62A do RICARF estabelece que as decisões do STF e do STJ devem ser definitivas, caracteriza error in judicando, que não é passível de correção por meio do recurso manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Consultandose a página de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça verificase que o Acórdão proferido no RESP nº 993.164 foi embargado pelo Autor e pela Fazenda Nacional. Os embargos do Autor foram parcialmente admitidos para sanar a omissão quanto à verba honorária e os embargos da Fazenda Nacional foram rejeitados. Resulta daí que não houve alteração na decisão de mérito contida no RESP nº 993.164. Os dois embargos foram julgados pelo STJ em 26/10/2011, ou seja, cerca de cinquenta e seis dias após este colegiado ter proferido o Acórdão nº 3403001.211. Consultandose o andamento processual na página do STJ, verificase que houve interposição de recurso extraordinário por parte da União, cujo seguimento foi negado em 23/04/2012. A Fazenda Nacional apresentou agravo e o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 30/05/2012. O agravo foi rejeitado e o processo retornou ao STJ Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.001477/200173 Acórdão n.º 3403001.813 S3C4T3 Fl. 4 3 em 14/08/2012, sendo encaminhado à Seção de Baixa em 16/08/2012 para baixa definitiva ao TRF da 1ª Região. É certo que o RESP nº 993.164 transitou em julgado nos mesmos termos em que foi aplicado por este colegiado, pois ele foi arrolado como um dos precedentes que originaram o Enunciado nº 494 da Súmula de jurisprudência do STJ, publicado no Diário da Justiça Eletrônico de 13/08/2012, com o seguinte teor: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Assim, é evidente que se o recurso repetitivo transitou em julgado com o mesmo teor com que foi aplicado ao acórdão embargado, o erro de julgamento decorrente da inobservância do art. 62A do RICARF não implicou prejuízo econômico ou jurídico à Fazenda Pública, uma vez que o saneamento desse erro, por meio de novo julgamento, não modificaria o teor da decisão contida no Acórdão nº 3403001.211. O advento do trânsito em julgado do repetitivo com o mesmo teor com o qual foi aplicado ao Acórdão nº 3403001.211, acarretou a perda de objeto das alegações da Procuradoria da Fazenda Nacional nesta parte. No mais, analisando os elementos contidos nos autos, verificase que o contribuinte protocolou o pedido de ressarcimento em papel no dia 18/09/2001 requerendo o ressarcimento de crédito presumido de IPI do 2º trimestre de 2001 no valor de R$ 50.340,61 (fl. 01) e vinculou esse crédito à compensação declarada por meio da declaração de compensação de fl. 110, protocolada em 31/01/2003. Posteriormente, o contribuinte apresentou em 18/07/2003 (fls. 95/100) um pedido de ressarcimento complementar incluindo no cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, os serviços de industrialização por encomenda, serviços de transporte de matérias primas, as aquisições de pessoas físicas e cooperativas e a correção pela taxa Selic. Por meio do despacho decisório de fls. 113 e seguintes, a autoridade administrativa reconheceu integralmente o direito de crédito no valor de R$ 50.340,61, solicitado no pedido inaugural e homologou a compensação de fl. 110. Entretanto, indeferiu o pedido de ressarcimento complementar. Na parte em que interessa à solução destes embargos, a autoridade administrativa consignou a seguinte fundamentação (fl. 116): “(...) Tampouco, reconhecemos as despesas com "transportes de matérias primas" e "aquisições de pessoas físicas", por falta de previsão expressa nos textos da Lei 9.363/96 e 10.271/2001, além do fato de não haver incidência dessas contribuições PIS e COFINS sobre operação de venda de mercadorias por pessoa física. (...)” (Grifei) Portanto, fica explicitado em relação ao pedido de ressarcimento complementar, protocolado em 18/07/2003, a existência de ato concreto de oposição estatal, que está materializado nos autos por meio do despacho decisório da autoridade administrativa. A Procuradoria da Fazenda Nacional está correta quanto ao entendimento de que o contribuinte pleiteou a correção pela taxa Selic em relação ao total do valor solicitado. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Na parte dispositiva do Acórdão nº 3403001.211 este Relator esclarece que pretendeu conceder o direito à correção pela taxa Selic, apenas sobre a parcela do crédito que estava sendo reconhecida naquele julgado e não sobre valores anteriormente reconhecidos. A conclusão daquele voto está vazada nos seguintes termos: “(...) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento.” Esse texto, se for lido isoladamente da fundamentação, pode dar margem a dúvidas, pois não retrata com fidelidade o pensamento do Relator. Assim, serve o julgamento destes embargos de declaração também para explicitar que este Relator, no Acórdão 3403001.211, aplicou o art. 62A do Regimento Interno e o entendimento do RESP nº 993.164 para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados das contribuições ao PIS e Cofins e que a correção pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido complementar (18/07/2003), somente incide sobre a parcela do crédito presumido reconhecida por meio do Acórdão nº 001.211, a qual foi inicialmente negada pelo despacho da autoridade administrativa. Com essas considerações, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão quanto à não indicação do ato de oposição estatal e explicitar que a correção pela taxa Selic incide a partir de 18/07/2003 e apenas sobre a parcela do crédito presumido que foi reconhecida pelo Acórdão nº 3403001.211. Antonio Carlos Atulim Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721415/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO ENFRENTA SUFICIENTEMENTE ALEGAÇÃO RELEVANTE DA DEFESA. NULIDADE. Deve-se declarar a nulidade da decisão de primeira instância que não enfrenta com a desejada profundidade alegação relevante da defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NULIDADE. Devese declarar a nulidade da decisão de primeira instância que não enfrenta com a desejada profundidade alegação relevante da defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 14 15 /2 01 1- 43 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório O processo em questão abrange três lavraturas, quais sejam: a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.303.4245 (01/2008 a 13/2009) abrangendo as contribuições da empresa para o Fundo de Previdência incluindo as contribuições do SAT/RAT (para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho). b) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.303.4253 (01/2008 a 13/2009) abrangendo as contribuições da empresa para outras entidades e fundos. c) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n.º 37.303.4261 (01 a 11/2008) decorrente da não declaração das contribuições devidas pela empresa em GFIP. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 30/40, os fatos geradores foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais constantes nas folhas de pagamento da empresa MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, considerados pela fiscalização como empregados da autuada. O fisco chama atenção para a similitude das atividades desenvolvidas pelas duas empresas e para o fato de se situarem no mesmo quarteirão, tendo, inclusive interligação entre as unidades produtivas. Assevera que em verificação in loco constatou empregados da MILAN nas dependências da VESELLI. Aduz que, analisando a contabilidade da MILAN, verificou que a receita desta advém exclusivamente de vendas e prestação de serviços à autuada. Essa constatação pode também ser obtida mediante observação das notas fiscais emitidas pela MILAN, todas em nome da VERSELLI. Apresenta quadro que indica que o custo da mão de obra/encargos da MILAN correspondeu a 90% do faturamento e 102% do faturamento nos exercícios de 2008 e 2009, respectivamente. Ressalta que apresentou resultado negativo em ambos os exercícios, concluindo que a atividade empresarial para esta empresa era inviável. A Auditoria acrescenta que o custo da mão de obra/encargos da VERSELLI não ultrapassou o percentual de 2% da sua receita bruta que totalizou R$ 20.810.116,59 e R$ 24.485.912,66 nos exercícios de 2008 e 2009, respectivamente. Relata que a autuada em 01/2008 possuía 146 segurados empregados a seu serviço, reduzindose esse número para 4 empregados em 03/2008. A partir desses dados, insinua que o prosseguimento das atividades da empresa MILAN teria como objetivo absorver os trabalhadores anteriormente empregados da autuada, beneficiandose da tributação favorecida do SIMPLES. O fisco aduz que entre as competências 01 e 02/2008, 136 empregados da autuada foram demitidos, sendo admitidos na mesma data pela MILAN. Para comprovar suas alegações apresenta quadro demonstrativo. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721415/201143 Acórdão n.º 2401002.619 S2C4T1 Fl. 278 3 Sustenta ainda que a contabilidade da MILAN revela que essa empresa não possui bens alocados no ativo permanente, fato incomum para empresa que atua na prestação de serviço de industrialização para terceiros. Assevera que verificou em visita a unidade fabril que os equipamentos ali utilizados eram, em sua maioria, de propriedade da recorrente. Esse fato foi justificado mediante a apresentação de contratos de comodato. Conclui pela existência de simulação, cujo objetivo seria reduzir as contribuições previdenciárias da empresa autuada. Acrescenta que as bases de cálculo foram extraídas de folhas de pagamento, contabilidade e GFIP apresentadas pela MILAN. Faz considerações acerca do procedimento de aplicação da multa, levando em conta as alterações legislativas promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. A empresa ofertou impugnação, fls. 176/186, na qual alegou em apertada síntese que: a) em nenhum momento utilizou interposta empresa para suprimir tributos, mas firmou contrato com pessoa jurídica para a prestação de serviços, o que não representa qualquer ilicitude; b) houve inteira transparência nas suas relações comerciais com a empresa MILAN, fato que desautoriza o fisco a tirar conclusões infundadas, dissociadas da realidade fática; c) as empresas dividem prédio, que não possui qualquer ligação física, sendo errônea a conclusão do fisco de que atuavam em conluio visando reduzir a incidência tributária; d) outro fato que não pode ser aceito como comprovação de simulação é a normal cessão de equipamentos em comodato para a empresa MILAN; e) em nenhum momento cometeu qualquer tipo de omissão ou irregularidade que pudesse levar a redução ilegal tributos; f) as condutas apontadas pela auditoria não representam evasão, no máximo podem ser consideradas evasão fiscal, conforme se pode ver das lições doutrinárias que colaciona; g) sobre os valores apurados, o fisco fez incidir, além dos juros, acréscimos absurdos sob os títulos de “multa de ofício” e “multa de mora”, constituindo um inaceitável bis in idem, que torna insubsistente o AI; h) a multa deveria ter sido limitada ao patamar de 20%, i) a multa, posto que aplicada em duplicidade, mostrase inconstitucional posto que confiscatória; d) é inconstitucional a taxa SELIC quando aplicada para fins tributários. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final pede o processamento da defesa; a realização de perícia técnica e a declaração de insubsistência dos lançamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente as autuações. Após fazer uma explanação acerca da diferença entre elisão fiscal e simulação, concluiu a DRJ que, com base nas evidências apontadas pelo fisco, houve a interposição da empresa MILAN com intuito de reduzir a tributação, numa clara simulação que redundou em prejuízo à Seguridade Social. Aduziu o órgão recorrido que não poderia afastar a aplicação dos acréscimos legais, posto que fundados em normas vigentes e eficazes. Assevera que o fisco adotou a norma mais benéfica ao sujeito passivo, transcrevendo excerto do relatório fiscal que trata da comparação dos cálculos da multa conforme legislação da época dos fatos geradores e a legislação atualmente em vigor. Por fim, indeferiu o pedido de perícia, em razão da empresa não o haver formulado conforme determina a legislação. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 251/258, no qual apresenta basicamente os mesmos argumentos lançados na impugnação, acrescentando a preliminar de nulidade da decisão da DRJ em razão da indeferimento do pedido de perícia. Ao final, pede o cancelamento dos AI. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721415/201143 Acórdão n.º 2401002.619 S2C4T1 Fl. 279 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A nulidade da decisão recorrida Pediu a recorrente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de perícia. Por essa razão, não concordo com a empresa. De fato, a mesma deixou de formular os quesitos e indicar o perito, contrariando o que determina o inciso IV do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Porém há uma questão aventada no recurso que a DRJ não se pronunciou a contento. Falo da aplicação da multa em duplicidade que foi questionada pelo sujeito passivo, quando se contrapôs a exigência de “multa de mora” e “multa de ofício” num mesmo levantamento. Sobre esse ponto o órgão recorrido limitouse a afirmar que o procedimento estava de acordo com a legislação, sem se aprofundar um milímetro sobre a questão. Analisando o Discriminativo do Débito DD relativo ao AI n.º 37.303.4245, vejo que foram lançadas os seguintes percentuais de multa: COMPETÊNCIA MULTA 01 a 06/2008 75% 07 a 11/2008 24% 12 a 13/2009 150% O que é apresentado no DD como “multa de mora” corresponde ao somatório das competências em que foi aplicado o patamar de 24% (R$ 37.193,56), fixada com esteio no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991; já “multa de ofício” diz respeito ao somatório das competências em que se aplicou 75% e 150% (854.891,28), onde se tomou como base o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. Vejo que essa diferenciação não foi apresentada pela DRJ, tendo havido inclusive a aplicação de multa qualificada (150%), sem que sequer esse fato fosse ressaltado no relatório de trabalho da auditoria. Tendose em conta que essa omissão da DRJ acarretou em gritante prejuízo ao direito de defesa da impugnante, tenho que admitir que temos aí uma das hipóteses de nulidade previstas no Decreto n.º 70.235/1972, assim redigido: Art. 59. São nulos: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Deparandome com flagrante atropelo ao disposto no inciso II acima, vejo me na obrigação de declarar a nulidade da decisão da DRJ em Porto Alegre, por preterição ao direito de defesa da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto pela declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722115/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ISENÇÃO. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave se aplica exclusivamente a rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcançando rendimentos de outra natureza.
Numero da decisão: 2202-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave se aplica exclusivamente a rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcançando rendimentos de outra natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 15 /2 00 9- 79 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS, que, por unanimidade de votos, cancelou parte da autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano base 2006, sobre omissão de rendimentos de alugueres recebidos de pessoa física no valor de R$ 2.169,00, e omissão de rendimentos pelar reclassificação de isentos para tributados no valor de R$ 59.120,49, recebidos da BrasilPrev por não se enquadrar na isenção por moléstia grave e glosa de despesas medicas. A autuação (fls.5/9). Decisão recorrida a fls. 101/105 com ciência em 03/06/2011 (AR fls. 107), cancelando a exigência sobre a omissão de rendimentos de alugueres e mantendo a autuação sobre a omissão de rendimentos recebido da BrasilPrevi Seguros e Previdência S/A, por não haver a isenção da aposentadoria por moléstia grave, mas resgate do plano de previdência privada. Recurso Voluntário de fls. 109/112, sustenta em síntese, que não houve resgate do plano de previdência, ocorreu apenas a retirada única de sua aposentadoria, ante a opção oferecida pelo seu plano de previdência. Não há referência a glosa de despesas médicas, na impugnação, na decisão ou no recurso. É o breve relatório. Voto. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11080.722115/200979 Acórdão n.º 2202001.997 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A decisão recorria esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 ISENÇÃO. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave se aplica exclusivamente a rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcançando rendimentos de qualquer outra natureza. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Excluemse do lançamento os rendimentos que foram declarados pelo contribuinte. A autuação faz exigência do imposto de renda sobre: 1) glosa de despesas médicas; (2) omissão de rendimentos do recebimento de alugueres; e (3) omissão pela reclassificação dos rendimentos declarados isentos em tributados. A decisão recorrida cancelou a exigência sobre a omissão de rendimentos dos alugueres, por entender feita a comprovação na Declaração de Ajuste, mantendo a reclassificação dos rendimentos isentos em tributados por entender que não se trata de rendimento de aposentadoria, mas de resgate de previdência privada. Nas razões de recurso o autuado voltase apenas sobre os rendimentos recebidos da BrasilPrevi Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 59.120,49, declarados isentos, por se tratar aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Dessa forma, discutese neste recurso apenas a omissão de rendimentos. Pois bem. Sustenta o autuado Recorrente que o resgate feito da BrasilPrevi Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 59.120,49, foi declarado isento e não tributado, por se tratar aposentadoria, assim denominada pelo próprio plano de seguros, razão pela qual, por ser portador de doença grave faz jus a isenção, não havendo se falar em qualquer omissão de rendimentos, como fez a autuação. Nesta matéria temos duas premissas a examinar. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Primeiro, o resgate feito da previdência privada é de fato e de direito de aposentadoria? Os documentos da fonte pagadora dão conta que sim. A decisão recorrida entendeu que não. Segundo, o autuado é portador de doença grave. A decisão recorrida não apreciou esta matéria, puramente de fato. Diz o autuado que sua doença foi constada em 14.08.2006 (fls. 3), ano base da Declaração de Ajuste, mas não há nos autos laudo médico oficial para que se possa examinar o possível direito a isenção dos rendimentos auferidos. A doença grave deve ser comprovada por laudo de perito oficial do serviço médico da União, dos Estados ou dos Municípios. É certo que existe nos autos atestado médico dando conta de o autuado ser possuidor de doença, com direito a isenção (fls. 147), mas não indica qual é a moléstia e nem se cuida de laudo médico oficial. Essa prova, a cargo do autuado, seu ônus, portanto, era e é imprescindível para que se possa examinar a matéria de direito, se o resgate da previdência, objeto da atuação, decorrente de aposentadoria. Ante o exposto, pelo meu voto, por fundamento diverso da decisão recorrida, conheço e nego provimento ao recurso para manter a autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 19515.000699/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, que negava provimento, e o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, que negava provimento, e o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, que negava provimento, e o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 99 /2 00 8- 00 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório LUGANO RESOURCES DO BRASIL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: O interessado, que apresentou Declaração Anual Simplificada como Inativa, referente ao anocalendário de 2002, foi autuado no IRPJ e seus reflexos, em 30/04/2008, tendo seu lucro arbitrado, por não possuir livros, com base na receita bruta conhecida, sendo esta a receita omitida nesse anocalendário, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 1.359.800,90, incluindo imposto, contribuições, multas de ofício qualificadas de 150% em vista do evidente intuito de fraude, e juros de mora calculados até 31/03/2008 (fls. 1 a 52). A causa da autuação foi a constatação, pela fiscalização, da existência de movimentação de recursos do interessado no exterior, não declarados e estranhos à sua contabilidade, cuja origem não foi comprovada, configurando omissão de receitas. O Termo de Constatação Fiscal (TCF) dá conta (fls. 20 a 34) de que: 1 o procedimento de fiscalização tomou por base o trabalho da Equipe Especial de Fiscalização (EEF) instituída pela Portaria SRF n. 1.061, de 20 de outubro de 2006, que resultou na Nota Cofis/Difin n.º 2007/115, de 28/05/2007, em anexo, parte integrante do TCF, onde constam as informações sobre as investigações que evidenciam a manutenção, pelo contribuinte, de recursos no exterior não contabilizados; 2 o Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal apurou que a fiscalizada movimentou US$ 500.000,00 nos dias 18 e 23 de julho de 2002, totalizando US$ 1.000.000,00, tendo sido o contribuinte identificado por informações na mídia eletrônica proveniente do exterior, conforme fls. anexas, parte integrante do TCF; 3 a fiscalizada aparece como “By Order Party Name”, campo que identifica o ordenador da operação, como descrito na fl. 3 da referida Nota Cofis/Difin, constando o seu endereço nessa mesma mídia; 4 o contribuinte tomou conhecimento da autorização para reexame e foi intimado a esclarecer as razões dessas movimentações e outras informações que julgasse necessárias, em 15/10/2007, no prazo de 5 dias úteis, mas não a apresentar livros e outros documentos, em vista de terse declarado inativa no anocalendário de 2002, conforme AR (fls. 3 a 6); 5 em correspondência recebida em 22/10/2007 (fl. 19), o contribuinte informou “que desconhece as citadas movimentações financeiras, creditadas por "Brown Brothers Harriman & Company" no banco "Israel Discount Bank", as quais não foram realizadas pela Lugano Resources do Brasil Ltda., quer como ordenante, quer como remetente ou beneficiária”. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 3 O TCF traz as seguntes conclusões: 1 o contribuinte infringiu o art. 287 do RIR/99, pois movimentou recursos não declarados em instituições financeiras no exterior sem comprovar sua origem; por se tratarem de depósitos bancários, tais recursos caracterizam omissão de receita; 2 no anocalendário de 2002 entregou Declaração Anual Simplificada como Inativa, não tendo, portanto, declarado qualquer receita; dessa forma, foi autuado com base no Lucro Arbitrado, pois não possui livros ou quaisquer outros documentos; 3 a conversão dos valores foi feita pela taxa de R$ 2,8671, correspondente à cotação de venda dos dias 16 e 19 de julho de 2002, resultando no valor de R$ 2.867.100,00; 4 foi aplicada multa de 150%, em vista do evidente intuito de fraude, conforme disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, e no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, com as alterações da Medida Provisória n.º 351, de 2007, e também com base nos arts. 1° e 2° da Lei n.º 8.137, de 1990, afastando, dessa forma, a hipótese da decadência. A Nota Cofis/Difin n.º 2007/115, de 28/05/2007, de fs. 22 a 27, que relata os trabalhos relacionados com o caso Israel Discount Bank e estabelece as orientações às Regiões Fiscais quanto aos procedimentos a serem adotados, traz, inicialmente, um breve histórico das investigações, cujo resumo é o seguinte: 1 no curso das investigações da Polícia Federal em relação ao caso Banestado, foi identificada a movimentação financeira de "doleiros" e de empresas off shore controladas por brasileiros junto ao Israel Discount Bank (ISRAEL), instituição bancária com sede em Nova Iorque, EUA, com vista a movimentar recursos de pessoas físicas e jurídicas à revelia do Sistema Financeiro Nacional; 2 para aprofundar a investigação, a Polícia Federal solicitou à 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Paraná, a quebra de sigilo bancário no exterior, tendo sido decretada a transferência do sigilo das citadas contas mantidas no ISRAEL, conforme decisão de 24/05/2005, no processo n.º 2003.700003033l4 (Anexo 1); 3 por se tratar de transferência de sigilo de contas mantidas no exterior, solicitouse à Procuradoria do Distrito de Nova Iorque, EUA, a remessa dos documentos relativos à mencionada movimentação financeira; 4 a Procuradoria do Distrito de Nova Iorque, em 5/10/2005, encaminhou os documentos solicitados ao Ministério da Justiça (Anexo 2), que foram disponibilizados para exame pela Polícia Federal, em 23/11/2005 (Auto de Apreensão Anexo 3); 5 em vista da possível ocorrência de Crime Contra a Ordem Tributária, foi autorizado o compartilhamento dos referidos documentos com esta Secretaria (despacho no Processo n.º. 2003.70000303334 Anexo 4), sendo a documentação encaminhada a esta CoordenaçãoGeral por meio do Oficio n.º l44/2006GJ, de 10/08/2006. A Nota Cofis/Difin assim relata os trabalhos da Equipe Especial de Fiscalização (EEF), no que é relevante para o caso, em resumo: 1 os elementos recebidos pela EEF foram classificados em dois grupos: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 4 documentos em papel: referentes ao cadastro das contas bancárias; compreendendo cartões de assinaturas, cópias de documentos pessoais (Carteira de Identidade, passaporte etc.), formulários de cadastros bancário, procurações e fax; mídia CD: Compact Disc que contém a movimentação bancária das contas cujo sigilo foi transferido. 2 as pesquisas para identificação dos contribuintes tiveram como base os dados da própria mídia, os dados dos Cadastros CPF e CNPJ, informações obtidas na Internet e informações obtidas em lista telefônica (algumas consultas foram salvas e encontramse anexas ao Banco de Dados das representações. www.telelistas.net); A Nota Cofis/Difin assim descreve a mídia (CD Proveniente do Exterior): 1 três arquivos em formato Microsoft Excel, com 204 planilhas; cada planilha contém a movimentação de uma conta bancária; a relação das planilhas de cada arquivo está no Anexo 5, sendo o nome da planilha correspondente ao nome da conta; 2 algumas planilhas apresentam colunas sem títulos; essas colunas foram concatenadas e incluídas em um único campo criado pela EEF, denominado "Sem Título". A Nota Cofis/Difin explica, também, que “esta CoordenaçãoGeral não recebeu qualquer relatório explicativo ou laudo pericial sobre o conteúdo dos campos e operações em comento; desta forma, a análise desenvolvida pela EEF não é exaustiva”, e traz algumas informações obtidas a partir da análise comparativa com as mídias analisadas nos casos anteriores (Beacon Hill, Lespan e outros), assim interpretando os dados da mídia: 1 a espécie de transação financeira se encontra definida no campo Transaction Description, que pode apresentar os dados: Fed Out, Fed In (Sistema de liquidação e pagamento administrado pelo Federal Reserve; mais informações em www.fedwire.frb.org); Chips Out, Chips In (Sistema de liquidação e pagamento mantido pelo CHIPS Clearing House Interbank Payment System que é a maior câmara de compensação privada dos EUA; mais informações em www.chips.org); e Books (que, em regra, trata de transações entre contas da mesma instituição bancária); as transações com o final "out" (exemplo no anexo 6) indicam que o recurso está saindo da conta; as transações com o final "in" (exemplo no anexo 7) indicam que o recurso está ingressando na conta; quanto às transações do tipo "Book", é o registro do nome da conta no campo Debit Party Name (remessa) ou Credit Party Name (recebimento) que determinará se a operação é de saída ou entrada de recursos; 2 os campos de maior relevância para a análise são os seguintes: Credit Name: nas transações do tipo "in" registra o nome da conta do ISRAEL que recebeu o recurso; nas transações do tipo "out" o nome da instituição que recebeu o Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 5 recurso saído do ISRAEL; em alguns registros é encontrado o nome da pessoa beneficiária direta da transação registrada; Debit Name: nas transações do tipo "in" registra o nome da instituição que efetuou o crédito do recurso ao ISRAEL; nas transações do tipo "out" o nome da conta do ISRAEL de onde saiu o recurso transacionado; By Order Party Name: identifica o ordenador da operação, que pode ser o responsável pela conta mantida no ISRAEL ou um terceiro; Third Party Name, Fourth. Party Name e Fifth Party Name: nas operações de saída de recursos (OUT) do ISRAEL, descrevem o caminho percorrido pelo recurso até chegar ao beneficiário final, sendo que o último campo preenchido indica o beneficiário da operação; parte dos registros não tem todos estes campos preenchidos; Originating Party Name e Instruction Party Name: nas operações de entrada de recursos (IN) no ISRAEL, descrevem o caminho percorrido pelo recurso até chegar à conta; parte dos registros não tem estes campos preenchidos; Instructing Party: registra o nome da instituição financeira que intermediou a transferência do recurso para a instituição de origem do recurso ou o nome da pessoa que está remetendo o recurso; parte dos registros não tem este campo preenchido; Originating Party: registra o nome da instituição bancária de onde partiu os recursos por ordem do cliente/ordenador ou o nome deste cliente/ordenador; parte dos registros não tem este campo preenchido; Originating Bank Info: informações relativas à transação realizada (pode conter o nome do beneficiário final, nome do ordenador, da conta do remetente, número das faturas comerciais, motivo da transação etc). As planilhas anexas ao TCF constam às fls. 28 a 34. Os autos de infração e suas bases legais constam às fls. 35 a 51, sendo a do IRPJ os arts. 530, inciso I, 532 e 537 do RIR/99, bem como os arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n.º 9.430/96 (fl. 43). A empresa apresentou impugnação, em 29/05/2008 (fls. 53 a 94), por meio de seus advogados (fls. 10 a 14 e 94 a 100), dizendo que seu objeto social é “consultoria, planejamento e serviços procuratórios por conta de terceiros na área de investimentos em mercados financeiros internacionais”, conforme cláusula 2ª do contrato social anexado (fls. 10/14). Alega, em resumo, que: 1 houve erro de sujeito passivo, pois: a empresa que consta à fl. 31 como ordenante ("By Order Party Name") das movimentações é a LUGANO RESOURCES LTD., estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas, detentora de participação minoritária na impugnante; a fiscalização se ateve ao endereço da impugnante, que consta nos documentos, para presumir que a LUGANO RESOURCES LTD. seria a mesma empresa que a impugnante; as planilhas elaboradas pela fiscalização não mencionam o nome da impugnante; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 6 2 houve cerceamento de defesa, pois: não consta na Nota Cofins/Difin que só contém informações genéricas sobre as operações financeiras qualquer informação de que a impugnante teria agido como ordenante das movimentações financeiras (fl. 24); a fiscalização não anexou a mídia eletrônica proveniente do exterior, o que cerceia, sobremaneira, o direito à ampla defesa e ao contraditório, mas, apenas as planilhas por ela elaboradas (fls. 28 a 34) contendo os dados supostamente extraídos da referida mídia eletrônica (item 14 da Nota); não há nos autos o Anexo 5 e nas planilhas anexadas não constam informações claras e precisas que permitam concluir, de forma segura e incontestável, quais operações foram, de fato, realizadas, qual a totalidade das quantias movimentadas e quais as definições dos termos e siglas empregados em inglês; por exemplo: na planilha de fl. 30, há dados incompreensíveis, visto que não há qualquer definição dos termos empregados, tais como "Credit Party Name", "Comprimido", "Internal Reference Number", "Swift20" e "Swift21"; se a própria CoordenaçãoGeral de Fiscalização reconheceu na sua Nota Cofis/Díftn que a análise desenvolvida pela EEF "não é exaustiva" justamente porque não foi apresentado "qualquer relatório explicativo ou laudo pericial sobre o conteúdo dos campos e operações em comento", admitindo, assim, que os dados das planilhas são de difícil compreensão, não se pode esperar que a impugnante possa se defender apropriadamente; aliás, a única informação clara nessas planilhas é que a ordenante (By Other Party Name) é outra pessoa jurídica; o direito à ampla defesa exige que seja dado ao contribuinte a possibilidade de conhecer todas as acusações e todos os documentos que estão sendo a ele imputados; faltam os documentos necessários à instrução processual e à fundamentação das autuações, não permitindo à impugnante conhecer a origem dos fatos que lhe foram imputados; a prova primária, ou seja, toda a documentação comprobatória do suposto ilícito, requisito indispensável ao exercício da ampla defesa e do contraditório, não foi produzida, pois a fiscalização, ao invés de anexálas, preferiu mencionála no seu Termo; 3 não houve fraude, pois: não se sabe qual foi a suposta conduta ilícita praticada que fundamentaria a aplicação da multa agravada: sonegação, fraude ou conluio, que são fatos típicos diferentes entre si e que não podem ser imputados de forma genérica (artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64), que, aliás, não foram comprovadas, assim como não foi demonstrada a intenção dolosa de deixar de recolher os tributos; a fiscalização não comprovou, por meio de provas diretas, o "evidente intuito de fraude", mas, simplesmente, presumiu o cometimento desses crimes, distintos entre si, com base nos documentos genéricos anexados; não restou comprovado a prática de ação ou omissão dolosa tendente a (i) impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal do fato gerador ou a (ii) impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 7 não se demonstrou, também, o ajuste doloso com outras pessoas para impedir o conhecimento ou a ocorrência do fato gerador; ou seja: as infrações penais mencionadas nos artigos citados não foram individualizadas e comprovadas; para caracterizar o dolo, é necessário que se comprove esta intenção, não bastando a existência de crime "em tese", como supôs indevidamente a fiscalização; em outras palavras, o dolo não pode ser presumido, precisa ser provado, o que não ocorreu; 4 ocorreu a decadência, conforme argumentos de praxe; 5 houve utilização indevida de presunção para apurar a omissão de receitas, pois: as eventuais operações foram indevidamente atribuídas à impugnante apenas porque o endereço que consta nas planilhas anexadas é o seu; a Nota Cofis/Difin utilizada para "fundamentar" as autuações fiscais não comprovam a ocorrência de omissão de receitas; em resumo: a prova deve estar nos fatos e não em planilhas elaboradas pela RFB; os indícios apresentados não implicam necessariamente na ocorrência do fato gerador, visto que não restou comprovado, por meio de provas diretas, que a impugnante teria omitido receitas de US$ 1.000.000,00; 6 não cabe a aplicação do artigo 42 da lei n° 9.430/96, pois é indispensável que a pessoa jurídica, titular da conta mantida junto à instituição financeira, não comprove a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou investimento, sendo que: a fiscalização não comprovou que a conta mantida no Israel Discount Bank, onde foi supostamente creditada a quantia de US$ 1.000.000,00 por Brown Brother Harriman & Co, pertenceria à impugnante; sem a prova elementar de que Brown Brother Harriman &. Co. depositou US$ 1.000.000,00, na sua conta, não há possibilidade de incidência do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; foi acusada, com base nas planilhas, de ter atuado como ordenante da operação ("By Order Party Name''), cuja definição dada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização, na Nota da Cofis/Difin é a seguinte: "c) By Order Party Name: identifica o ordenador da operação, que pode ser o responsável pela conta mantida no ISRAEL ou um terceiro"; assim, a própria RFB reconhece, que o ordenador da operação (in casu, LUGANO RESOURCES LTD) não é, como supôs a fiscalização, o titular da conta mantida no ISRAEL na qual foram creditados os valores; a expressão "By Order Party Name", invocada para "fundamentar" as autuações, não identifica que o ordenador da operação é o titular da conta mantida no ISRAEL, mas, simplesmente, que o ordenador da operação pode ser o responsável pela conta mantida no Israel ou um terceiro (fl. 24); se a própria CoordenaçãoGeral de Fiscalização não sabe se o ordenador da operação é o titular da conta mantida no Israel, não poderia a fiscalização supor que os créditos na conta Israel representariam receita omitida; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 8 a própria fiscalização afirmou, no seu Termo que a LUGANO RESOURCES LTD. seria a ordenante da operação ("By Order Party Name"), mas, não, a titular da conta mantida na instituição financeira acima referida; em resumo: ainda que tivesse omitido receitas, decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode admitir a presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n. 9.430/96, conforme o STJ e o Conselho de Contribuintes (acórdãos que tratam da superveniência do DecretoLei n.° 2.471/88, assim como do parágrafo 5º, do artigo 6º da Lei n.º 8.021/90); 7 não cabe o arbitramento do lucro, com base no o artigo 530, inciso I do RIR/99, pois: o lucro somente pode ser arbitrado se o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração nas formas das leis comerciais e fiscais. não se enquadra nessas situações, ou seja, não está obrigada à apuração do lucro real; não se pode admitir que não mantivesse a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, pois tais fatos não foram comprovados e sequer alegados; o fundamento do arbitramento do lucro foi o de que não possuiria livros fiscais ou quaisquer outros documentos, pelo fato de ter apresentado declaração de inativa; no entanto, não foi intimada a apresentar quaisquer livros fiscais, mas caso tivesse sido intimada a apresentálos, tais como o Livro Caixa, tal documento teria sido apresentado; somente cabe arbitrar o lucro se os livros fiscais contiverem vícios insanáveis que impeçam a apuração dos resultados; a fiscalização presumiu que a contabilidade seria imprestável apenas porque declarouse inativa, mas não há qualquer nexo causal entre inatividade e escrituração irregular. 8 não cabe o arbitramento do lucro com base em receitas omitidas pois a omissão de receitas e o arbitramento do lucro possuem critérios de apuração conflitantes e, portanto, não podem ser conjugados, visto que: se é possível identificar as receitas omitidas, não há que se falar em arbitramento, vez que esse é aplicado somente em hipótese extrema, justamente em função da impossibilidade de se apurar, objetivamente, o lucro tributável; a omissão de receitas deve submeterse ao mesmo regime de tributação a que estiver sujeita a pessoa jurídica que as omitiu; caso se admita o arbitramento do lucro sobre receitas omitidas estarseia adotando critérios excludentes entre si, conforme já se posicionou o Conselho de Contribuintes; a jurisprudência administrativa, em regra, não recepciona o uso de presunções de omissão de receitas nas autuações que promovam o arbitramento do lucro, sob pena de contaminar o crédito tributário constituído com iliquidez e incerteza; 9 é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora, conforme argumentos de praxe. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 9 A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO NO EXTERIOR. DOLO. RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS E NÃO DECLARADOS MOVIMENTADOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. Movimentar no exterior, ilegalmente, recursos não contabilizados e não declarados configura procedimento doloso com evidente intuito de fraude, o que afasta a caracterização do lançamento como sendo por homologação, de forma que o prazo de decadência é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que, neste caso, não poderia ter ocorrido antes de as informações bancárias do exterior chegarem à RFB, ou seja, antes de 2006, de forma que o prazo de 5 anos para lançar iniciouse em 01/01/2007. Preliminar indeferida. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. A expressão “do Brasil” em nomes de empresas que aqui operam, frequentemente é deixada de lado, especialmente em registros informais, como os deste caso. A importância do endereço e a similaridade do nome da empresa demonstram que não há erro de sujeito passivo. Preliminar indeferida. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A não anexação ao processo da mídia eletrônica proveniente do exterior não representa cerceamento do direito de defesa, pois a impugnante compreendeu muito bem as imputações que lhe foram feitas, como demonstra a própria peça impugnatória. Sua ausência está suprida pelas planilhas elaboradas pela fiscalização. Preliminar indeferida. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. DIPJ DE INATIVA. Correto o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, no caso, a própria receita omitida, pois a impugnante possuía apenas o livro Caixa não escriturado, e ao não optar pelos regimes de tributação disponíveis, submeteuse ao regime de tributação padrão, qual seja, o do lucro real trimestral, impossível de ser apurado, neste caso, em vista da falta de escrituração comercial. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, pois não se remete recursos de forma ilegal ao exterior sem a participação de terceiros, o que configura conluio. A sonegação está configurada pelo procedimento de ordenar, de forma ilegal, remessas ao exterior de recursos não escriturados e não declarados, fatos agravados por declararse inativa, o que revela o intuito de ocultar da RFB a ocorrência do fato gerador. A evasão de divisas configura fraude ao Sistema Financeiro Nacional. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Argumentos de ilegalidade e de inconstitucionalidade não serão examinados neste voto, pois a instância administrativa não é competente para apreciálos, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 10 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ, em razão da omissão de receitas e do arbitramento do lucro, repercute na tributação reflexa. Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória, alem de contestar a incidência de juros sobre a multa de oficio e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 11 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de auto de infração calcado em omissão de receitas em face da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430 de 1996, por falta da comprovação de origem de depósitos bancários em conta no exterior. A contribuinte nega a autoria das remessas, tendo apresentado declaração de inatividade em 2002. Diante disso, a fiscalização arbitrou o lucro aplicando a multa de 150%. Passo a apreciar o recurso voluntário. Dentre as alegações recursais, há um ponto que, a meu ver, cabe razão ao contribuinte, qual seja, a insuficiência da comprovação de que as remessas foram realmente realizadas pela empresa autuada ou por seus administradores. Vejamos a transcrição das alegações da recorrente quanto a essa matéria: “(...) Em sede de preliminar, entendeu a DR.) que a Recorrente seria parte legitima para figurar como sujeito passivo dos presentes autos de infração. Confirase: "Há, de fato, o nome da LUGANO RESOURCES LTD nas planilhas de fls. 31 e 32, mas a de fl. 28 traz o nome da impugnante, que difere muito pouco, pois a expressão "do Brasil" em nomes de empresas que aqui operam, frequentemente é deixada de lado, especialmente em registros informais, como os deste caso. Como foi visto antes desse exame, depois do atentado às torres gêmeas, em 11/09/2001, o FED passou a exigir que os bancos informassem o endereço, o número do passaporte e outros dados completos dos correntistas em todas as transações interbancárias. Ou seja: é muito provável que antes dos atentados, os dados dos clientes dos doleiros fossem ainda mais precários, especialmente os registrados em sub contas (ou "contasônibus"). Vejase que para o "doleiro" no exterior, o nome exato do cliente não é muito importante, mas apenas uma referência para a sua exata identificação. 0 que para ele é importante, de verdade, além dessa identificação, é o seu verdadeiro endereço, que sempre permitirá a sua identificação correta. Tais dados da impugnante constam na planilha de fl. 32. Por outro lado, podese afirmar, com certeza, que se os recursos em tela pertencessem, de fato, à LUGANO RESOURCES LTD — que, provavelmente é uma controlada da impugnante ou do seu sócio majoritário — o endereço registrado na base de dados seria o das Ilhas Virgens Britânicas, e que, muito provavelmente, seria apenas o número de sua caixa postal. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 12 Ora, por qual razão um cliente informaria ao doleiro o endereço —dado tão importante — mais longo e errado, ao invés de um mais curto e correto? Isso não faz sentido. É óbvio que, neste caso, o endereço constante na base de dados é o correto." (fls. 148 e 149) Contudo, em que pesem os argumentos da DR], tal entendimento não poderá prosperar. De fato, a Recorrente não possui legitimidade para figurar no pólo passivo dos autos de infração, originários do presente processo administrativo, porquanto a empresa que supostamente consta como ordenante das operações questionadas pela Fiscalização ("By Order Party Name") é a LUGANO RESOURCES LTD (fls. 31), pessoa jurídica distinta da Recorrente, LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA. E o que se passará a demonstrar. De acordo com as informações contidas na planilha anexada Nota Cofis/Difln n° 2007/115 (fls. 28/34 dos autos), que foram utilizados pela Fiscalização para fundamentar as autuações fiscais, notase, com clareza hialina, que a empresa que consta às fls. 31. dos autos, como ordenante ("By Order Party Name") das movimentações dos recursos realizados por meio da conta mantida no Israel Discount Bank, não é a LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA. (Recorrente), mas sim a LUGANO RESOURCES LTD. Confira se: (...) Notase, assim, que em nenhum momento a Recorrente (LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA) foi mencionada como ordenante desses pagamentos, como supôs, indevidamente, a Fiscalização no presente caso, razão pela qual não se pode admitir que a LUGANO RESOURCES LTD seja confundida com a LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA, como equivocadamente decidiu a Turma Julgadora. Com efeito, a Fiscalização, bem como a Turma Julgadora, se ativeram exclusivamente ao endereço constante nos documentos de fls. 32 dos autos (Rua Pequetita, n° 145, conjunto 34, Brasil, CEP 04552 60) para presumir, a partir desse fato, que a empresa LUGANO RESOURCES LTD. seria a mesma que a Recorrente (LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA). Confirase: (...) Dessa maneira, não se pode admitir, com base na indevida presunção firmada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, que a LUGANO RESOURCES LTD seja a mesma empresa que a Recorrente apenas porque o endereço, que consta às fls. 32 dos autos do presente processo, é o mesmo endereço da Recorrente. Deveras, a empresa LUGANO RESOURCES LTD. ("By Order Party Name"), pessoa distinta da Recorrente, está estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas e não na Rua Pequetita, n° 145, 3 0 andar, conjunto 34, São Paulo/SP. Frisese que nesse endereço está localizada a LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA., que tem por sócia a LUGANO RESOURCES LTD ("By Order Party Name"), pessoa jurídica mencionada nas planilhas de fls. 31 e 32, conforme cláusula primeira e quarta do seu "Instrumento Particular de Constituição da Empresa" (fls. 10/13 dos autos): "Cláusula la LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA., é uma sociedade civil por quotas de responsabilidade limitada, com sede Rua Pequetita, n° 145, 3° ender, conjunto 34, Sao Paulo/SP, podendo abrir outras dependências no pais ou no Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 13 exterior por simples deliberação de seus sóciosgerentes, sem que para isso haja necessidade de qualquer modificação do contrato social." "Cláusula 4° 0 Capital Social é de R$ 1.000,00 (mil reais) dividido em 1000 (cem) quota integralizadas, neste ato, em moeda corrente nacional, com valor nominal de R$ 10,00 (dez reais) cada uma, estando assim distribuída entre os sócios: MARCELO FALLEIROS MARIANO DA CRUZ, 99 (noventa e nove) quotas, no valor total de R$ 990,00 (novecentos e noventa e nove reais); LUGANO RESOURCES LTD., 01 (uma) quota, no valor total de R$ 10,00 (dez reais)" (g.n.) Dessa forma, é possível concluir, desde já, pela análise do mencionado Instrumento Particular de Constituição da Recorrente, que o endereço (Rua Pequetita, n° 145, 3° andar, conjunto 34, São Paulo/SP) é o da ora Recorrente, LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA, que, insistase, não consta como "By Order Party Name" no documento de fls. 31 dos autos. Destaquese, ainda, que a indagação 4 da Turma Julgadora, meramente presuntiva, não faz qualquer sentido, pois em momento algum comprovouse qualquer relacionamento da ora Recorrente com "doleiros". 0 que se sabe, tão somente, pelos precários documentos anexados aos autos, é que a Recorrente (LUGANO RESOURCES DO BRASIL S/C LTDA) não figurou em quaisquer deles. Insista se: a pessoa jurídica mencionada nas planilhas de fls. 31 e 32 é distinta da Recorrente e tem por denominação LUGANO RESOURCES LTD., motivo pelo qual, diferentemente do alegado pela Turma Julgadora, a expressão "do Brasil" é importante, pois faz parte da razão social da Recorrente. Logo, a empresa indicada nos documentos de fls. 31 dos autos como ordenante das quantias movimentadas na conta Israel (LUGANO RESOURCES LTD.) não pode ser confundida com a Recorrente apenas porque o endereço que consta às fls. 32 dos autos (Rua Pequetita, n° 145, 3° andar, conjunto 34, São Paulo) é o mesmo da Recorrente. Portanto, restou demonstrado que a Recorrente não pode, sob qualquer pretexto, figurar no pólo passivo das autuações, posto que os supostos fatos infracionais não foram por ela praticados, tendo a Turma Julgadora ter ratificado a presunção do Sr. Agente Fiscal que não poderá ser mantida por esse E. Conselho. (...)” Pois bem, compulsando os autos , verificase que a Fiscalização, embora tenham diligenciado e intimado a contribuinte para prestar esclarecimento e obtido como resposta o desconhecimento das remessas por parte dos representantes da autuada, não trouxeram aos autos qualquer prova de que tais pagamentos ou remessas foram mesmo efetuadas pela contribuinte. No julgamento de outros processos relativos a chamada “operação Bacon Hills depareime com situações em que o Fisco consegue, ainda que por amonstragem, provas de que os remessas foram mesmo realizadas pela contribuinte autuada. Em outras situações empresas admitem a remessa e procuram fazer prova da origem lícita e tributada dos recursos. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000699/200800 Acórdão n.º 1402001.130 S1C4T2 Fl. 0 14 É certo que as remessas foram feitas ao exterior. Também é inquestionável o valor dos arquivos magnéticos entregues pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Polícia Federal brasileira. Todavia, inexistem nos autos provas de qualquer tipo ou natureza de que realmente partiu da empresa essas remessas. Assim, diante da negativa da contribuinte quanto a autoria das remessas, caberia a fiscalização fazer essa prova. Ora, a rigor, qualquer pessoa, física ou jurídica, conhecedora da razão social e CNPJ da contribuinte poderia ter realizado essa remessa. De fato, por se tratar de valores mantidos à margem da contabilidade, a prova fiscal é dificultada. Porém, também é certo que a recorrente não tem como fazer prova negativa de suas alegações. Inexiste nos autos qualquer outra prova ou indício, colhida da contribuinte ou pessoas/empresas com quem transacionou diretamente, que corrobore a acusação fiscal. Frisese: O ônus da prova cabe a quem acusa. Este colegiado já manifestou o mesmo entendimento no julgamento do processo 19740.000476/200617, acórdão 140200.546 de 25/05/2011, assim ementado: “OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada.” Deixo de apreciar as preliminares suscitadas pela recorrente, em face do entendimento consagrado neste Conselho no sentido que uma vez decido o mérito a favor do contribuinte, superaramse as preliminares, à inteligência do art. 59, §3o. do Decreto 70.235/1972. Conclusão Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar integralmente a exigência em face da insuficiência probatória da acusação fiscal. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.725370/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CESSÃO DE CRÉDITO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL TRIBUTÁVEL.
A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Objetivamente, a natureza e as condições do crédito importam exclusivamente entre as partes na definição do valor da cessão, mas são irrelevantes na definição do caráter tributável do montante recebido.
INDENIZAÇÃO. LUCROS CESSANTES, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Demonstrado nos autos que o valor da indenização objeto da lide tem natureza de lucros cessantes, caracteriza-se o acréscimo patrimonial tributável por envolver a compensação do valor que deixou de ser auferido.
JUROS DE MORA RECEBIDOS EM PRECATÓRIO. TRIBUTAÇÃO.
Os juros de mora pagos em precatório seguem a mesma linha do principal. No presente caso, tendo como base os lucros cessantes que representam um acréscimo patrimonial, não haveria porque ficarem albergados da incidência tributária.
Numero da decisão: 1402-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito,negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para excluir os juros de mora da base tributável. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga dee Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CESSÃO DE CRÉDITO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL TRIBUTÁVEL. A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Objetivamente, a natureza e as condições do crédito importam exclusivamente entre as partes na definição do valor da cessão, mas são irrelevantes na definição do caráter tributável do montante recebido. INDENIZAÇÃO. LUCROS CESSANTES, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Demonstrado nos autos que o valor da indenização objeto da lide tem natureza de lucros cessantes, caracteriza-se o acréscimo patrimonial tributável por envolver a compensação do valor que deixou de ser auferido. JUROS DE MORA RECEBIDOS EM PRECATÓRIO. TRIBUTAÇÃO. Os juros de mora pagos em precatório seguem a mesma linha do principal. No presente caso, tendo como base os lucros cessantes que representam um acréscimo patrimonial, não haveria porque ficarem albergados da incidência tributária.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL TRIBUTÁVEL. A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Objetivamente, a natureza e as condições do crédito importam exclusivamente entre as partes na definição do valor da cessão, mas são irrelevantes na definição do caráter tributável do montante recebido. INDENIZAÇÃO. LUCROS CESSANTES, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Demonstrado nos autos que o valor da indenização objeto da lide tem natureza de lucros cessantes, caracterizase o acréscimo patrimonial tributável por envolver a compensação do valor que deixou de ser auferido. JUROS DE MORA RECEBIDOS EM PRECATÓRIO. TRIBUTAÇÃO. Os juros de mora pagos em precatório seguem a mesma linha do principal. No presente caso, tendo como base os lucros cessantes que representam um acréscimo patrimonial, não haveria porque ficarem albergados da incidência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito,negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para excluir os juros de mora da base tributável. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 53 70 /2 01 1- 98 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga dee Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.725370/201198 Acórdão n.º 1402001.253 S1C4T2 Fl. 10 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), contribuição para o PIS/Pasep, contribuição para financiamento da seguridade social (COFINS) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, conforme autos de infração e anexos de fls.559583 e relatório de ação fiscal de fls. 584599. O crédito tributário apurado decorre do não oferecimento à tributação de valores recebidos as título de precatório em ação de execução e sentença e também de receita decorrente da cessão de direitos sobre os valores remanescentes nessa mesma ação. Os valores objeto da exigência foram contabilizados da seguinte forma: O montante de R$ 3.802.495,45 foi contabilizado em 03/05/2007 a crédito na conta de receita "3.1.1.5.7.1.01.21 00405 Precatórios Indenizatórios", tendo como contrapartida a conta contábil "1.1.1.1.02.0001 00004 Banco do Brasil SA". O extrato bancário da conta corrente mantida pelo contribuinte no Banco do Brasil (folhas 94 a 103) apresenta o crédito no valor mencionado, na respectiva data. O montante de R$ 3.802.495,45 foi excluído do lucro líquido, para apuração do Lucro Real, conforme LALUR de folhas 81 a 93. O montante de R$ 19.498.521,25 foi contabilizado em 12/09/2007 a crédito na conta de passivo "2.3.1.1.03.0001 00199 Banco Pactuai SA", tendo como contrapartida a conta contábil "1.1.1.1.02.0001 00004 Banco do Brasil SA". O extrato bancário da conta corrente mantida pelo contribuinte no Banco do Brasil (folhas 94 a 103) apresenta o crédito no valor mencionado, na respectiva data. Nada circulou por conta de resultado. Em lançamento anterior, a interessada foi tributada pelo recebimento de precatórios em 2006 e 2007. Constatado em momento posterior que os valores referentes ao anocalendário de 2007 foram bloqueados judicialmente ou recebidos em momento diverso daquele registrado na autuação, o lançamento foi cancelado e foi constituída a presente exigência, com ajuste de datas e valores em relação ao auto de infração cancelado. De acordo com o relatório que precedeu o voto do relator do Acórdão prolatado na apelação civil n° 1999.71.00.0176631 TRF4 (folhas 267 a 278), a ação judicial diz respeito à liquidação por arbitramento de sentença exarada em ação indenizatória movida por Parque dos Alpes S/A contra INFAZ (empresa absorvida pela União), sucessora de Cobec Entrepostos e Armazéns S/A. O objeto da ação de execução foi o de apurar valores que a União foi condenada a pagar à Parque dos Alpes S/A (cessionária de direitos e créditos da A. C. Indústria e Comércio, Impostação e Exportação S/A) tendo em vista sentença proferida nos autos da ação indenizatória nº 283/88, prolatada pelo Juízo da 9ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, confirmada em grau de recurso pelo Tribunal de Justiça/SP. Confirmada a sentença, foram expedidos os precatórios nº 2005.04.02.0118567 e 2006.04.02.0171380. O primeiro deles implicou no recebimento de R$ 3.802.495,46, em Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 04/05/2007; valor tributado na presente exigência. O valor restante (R$ 31.338.459,47) foi cedido ao Banco UBS Pactual por R$19.498.521,85, também considerado receita tributável. O autuante descreve que o bloqueio e estorno das parcelas depositadas, relativas a ambos os precatórios, tiveram como causa a decisão do STJ, prolatada em 03/04/2008, que deu provimento aos embargos de declaração no Recurso Especial n° 465.580 RS, declarando inexistentes os atos processuais praticados no processo de liquidação de sentença, e determinou seu reinício a partir do estágio em que se encontrava em 10/06/1994 (folhas 279 a 294). O STJ, em 17/12/2009, apreciando Medida Cautelar proposta pela Parque dos Alpes S/A, concedeu efeito suspensivo "para evitar o cancelamento do precatório n° 2005.04.02.01118567, mantidos, no entanto, os demais atos determinados pelo TRF da 4a Região, em obediência ao aresto embargado do STJ, até a prolação de decisão final nos embargos de divergência" (folhas 355 a 357). O mesmo STJ, em 23/03/2011, negou seguimento aos Embargos de Divergência no RESP n° 465580/ RS (folhas 358 a 362). Contra esta decisão foi impetrado agravo regimental, em 08/04/2011, o qual encontravase pendente de julgamento, na data da autuação. Em impugnação apresentada perante a autoridade julgadora de primeira instância, a interessada defende que: a autuação seria nula pela ausência de identificação da natureza jurídica e composição dos valores autuados; a decisão proferida nos embargos de Declaração no Resp nº 465.580/RS não possui o condão de legitimar o argumento que ignora a identificação de que trata o item anterior; os valores recebidos e aqueles cedidos a terceiros têm origem no pagamento de indenização devida pela União e dessa forma não sofreriam incidência do imposto de renda; parte substancial dos valores recebidos é composto pelos juros de mora, que não representam acréscimo patrimonial; e: não caberia a incidência do PIS e da Cofins, pela inexistência de receita tributável. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS prolatou o Acórdão 1035.073 considerando o lançamento integralmente procedente em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto e, ainda, se a descrição dos fatos é clara, congruente e adequada que permitiu o interessado Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.725370/201198 Acórdão n.º 1402001.253 S1C4T2 Fl. 11 5 compreender a infração cometida e apresentar a sua minuciosa e detalhada impugnação, o lançamento não é nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRECATÓRIO. CESSÃO DE CRÉDITO. FATO GERADOR. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O recebimento de cessão de crédito decorrente de precatório originado de decisão da Justiça Federal, que ocasiona acréscimo patrimonial, configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, está sujeito à tributação. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 RECEITAS REFERENTES A CESSÃO DE CRÉDITO. PRECATÓRIO. INCIDÊNCIA. Os valores derivados de cessão de créditos de precatórios constituem receita nova e devem integrar a base de cálculo da contribuição, pois não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 RECEITAS REFERENTES A CESSÃO DE CRÉDITO. PRECATÓRIO. INCIDÊNCIA. Os valores derivados de cessão de créditos de precatórios constituem receita nova e devem integrar a base de cálculo da contribuição, pois não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este Colegiado ratificando, em essência, as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Em sede de preliminar, a interessada suscita a nulidade do lançamento por não terem sido especificados os valores componentes da verba indenizatória. No entendimento da defesa, a decisão recorrida tentou suprir as falhas do lançamento ao discorrer sobre a natureza das verbas indenizatórias e estabelecer quais seriam ou não alcançados pela tributação. Acrescenta que ao optar pela tributação integral dos valores recebidos, a Fiscalização teria omitido na fundamentação legal os dispositivos legais que tratam da tributação das rubricas que compõem a indenização. Defende que essa nulidade atingiria, inclusive, o item 001 do auto de infração que trata da cessão de créditos pois, segundo alega, o Fisco informa que tal cessão decorreria do precatório originado da decisão judicial fato esse que seria suficiente para demonstrar que o negócio jurídico realizado (cessão de créditos) não tem o condão de alterar a natureza das verbas componentes do precatório. A alegação não merece prosperar. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que as irregularidades que implicaram na autuação são absolutamente distintas entre si. No item 002 do auto de infração foi tributada uma parcela recebida a título de precatório como resultado de sentença judicial. No item 001 foi tributado o acréscimo patrimonial decorrente do valor recebido pela cessão de direitos sobre o crédito remanescente referente àquele precatório. Não posso concordar com a afirmativa no sentido de que o pagamento pela cessão tem a mesma natureza indenizatória do que o precatório em si. A partir do momento em que o crédito é cedido, não há mais vínculo da cedente com a ação judicial e qualquer verba de natureza indenizatória recebida em decorrência da sentença diz respeito exclusivamente à cessionária. A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Objetivamente, a natureza e as condições do crédito importam exclusivamente entre as partes na definição do valor da cessão, mas são irrelevantes na definição do caráter tributável do montante recebido. O ganho patrimonial decorrente do negócio jurídico de cessão de crédito tem por objeto exclusivamente a transferência do pólo exequente de parcelas de precatório a receber. Assim, não há que se falar em verba indenizatória no ganho obtido nesse negócio jurídico. Do até aqui exposto, inaplicável ao item 001 do auto de infração (omissão de receita decorrente da cessão de créditos) a arguição de nulidade suscitada. O argumento quanto à nulidade da autuação também não se aplica ao item 002 do auto de infração. A autoridade lançadora tributou integralmente o valor do precatório recebido por entender que não caberia qualquer distinção quanto à natureza da verba indenizatória. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.725370/201198 Acórdão n.º 1402001.253 S1C4T2 Fl. 12 7 Essa questão foi suscitada apenas na impugnação, daí porque a decisão recorrida sobre ela se manifestou, sem que isso possa caracterizar alguma tentativa de corrigir supostas falhas da autuação. Se a tributação pelo total está ou não correta é questão de mérito, a ser apreciada em momento posterior deste voto. Quanto ao mérito da autuação, considerando que a principal razão de defesa dirigese à impossibilidade da tributação de verbas indenizatórias e tendo em vista, como já exposto, que o valor recebido pela cessão de créditos não tem essa natureza, voto no sentido de manter integralmente a exigência referente ao item 001 do auto de infração (omissão da receita decorrente da cessão de créditos). Relativamente à tributação do precatório, antes de ser avaliada a natureza da verba recebida é necessário estabelecer o impacto da decisão do STJ proferida no Resp 465.580RS, sobre o processo de liquidação da sentença que reconheceu o direito da interessada à indenização. A questão analisada foi a irregularidade processual representada pelo fato de que, Durante a liquidação do título executivo judicial, a INFAZ – Companhia Brasileira de InfraEstrutura Fazendária –, sociedade de economia mista ré, foi extinta, entretanto a conclusão do procedimento de quantificação da dívida foi realizado sem a participação de sua sucessora, a União. Em resumo, o STJ manifestouse no sentido de que os atos praticados sem a integração da União à lide configuramse como atos inexistentes, os quais não poderiam surtir efeitos na esfera jurídica da entidade pública. Com a extinção da pessoa jurídica que figurava na condição de ré no processo de liquidação, a lide ficou sem parte em seu pólo passivo. Demanda que não possui parte não é processo e os atos eventualmente praticados são “não atos”, por falta de pressuposto processual. A declaração de inexistência dos atos praticados após a extinção da INFAZ implicou na determinação para que o processo fosse reiniciado a partir do estágio em que se encontrava em 10/06/1994. Entretanto, a decisão deixou claro que o processo de conhecimento transitou em julgado, com reconhecimento do direito indenizatório. Assim, a dívida existiria mas carente de liquidação adequada. Sob essa ótica, assiste razão ao sujeito passivo quando sustenta que a referida decisão não tem o condão de desconstituir o direito, em especial na definição da natureza jurídica e da composição das verbas que lhe são devidas. Portanto, para efeitos tributários tal definição mostrase relevante. A decisão recorrida teceu elogiável arrazoado teórico a partir do dever de indenizar o dano patrimonial, estabelecendo a distinção entre dano emergente e lucro cessante. Valendose do posicionamento doutrinário de renomados autores, o voto condutor sustenta que o dano emergente representaria um déficit real e efetivo no patrimônio do lesado com redução do ativo ou aumento do passivo, representando um prejuízo real. Por sua vez, os lucros cessantes consistiriam em um benefício que deixou de ser ganho em razão do ato danoso, bem como à perda de uma oportunidade que caberia ao lesado, no transcurso normal dos acontecimentos. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Após considerações de natureza contábil, concluiu a decisão que o recebimento de uma indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (= dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização ultrapassar o valor do dano material verificado (= dano emergente), ou se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (= lucro cessante). A partir daí, não há dúvidas de que a tributação atingiria apenas os lucros cessantes ou na hipótese da indenização superar o valor do dano emergente. Não há controvérsia sobre essa questão, e a própria recorrente admite que os lucros cessantes seriam tributáveis. Por outro lado, a peça de defesa limitouse a questionar a tributação integral da verba indenizatória, sem apresentar qualquer contestação frente aos motivos pelos quais a decisão recorrida entendeu que a verba recebida tinha características de lucros cessantes e, portanto, tributável. Adicionalmente às razões explanadas pela primeira instância, o teor das decisões judiciais trazidas também não dá margem a dúvidas como se verá a seguir. Em manifestação na apelação cível nº 1999.71.00.0176631/RS, o TRF/4ª Região responde a questionamento da União quanto à ausência de pretensão executiva da interessada na ação indenizatória, em função do integral adimplemento de valores (destaques acrescidos): ...Ocorre que, em tal ação, reservouse, outrossim, o direito da empresa AC ser indenizada pelo prejuízo ocasionado pela supressão do capital de giro. Cedido tal direito pela empresa AC à ora exeqüente Parque dos Alpes SA, esta ajuizou a presente ação indenizatória, com o claro objeto de obter “o valor da indenização por perdas e danos decorrentes de inadimplemento contratual” (fl. 7). Com a procedência da ação, confirmada em todas as instâncias que tramitou, gerouse o título executivo ora liquidando, cujos termos e limites (indenização pela desvalorização do numerário imobilizado, pelos prejuízos decorrentes do inadimplemento da A.C. perante seus credores, e pelos lucros cessantes egressos da descapitalização da empresa) já foram citados mais de uma vez nesta decisão, não sendo o caso de nova transcrição, até para não se incorrer em tautologia. Portanto, confunde a União, com a alegação de ausência de pretensão executiva, o crédito decorrente das entregas de mercadoria com o da indenização pelo prejuízo egresso da operação frustrada, qual seja a supressão de seu capital de giro..... Vejase que o pronunciamento judicial deixa claro que a natureza da indenização envolve lucros cessantes, pois a recomposição patrimonial já ocorreu em ação de cobrança com a condenação da Cobec (depois INFAZ) ao pagamento do valor referente à entrega das mercadorias, com os consectários legais (juros de mora e honorários de sucumbência), conforme mencionado nesse mesmo pronunciamento. Por fim, na análise do Edcl no Resp 465.580RS o STJ é ainda mais explícito (Relator Ministro Castro Meira, Sessão de 03/04/2008) : Por tratarse de “nãoatos”, nem mesmo haveria que se perquirir acerca de prejuízo para a parte. De todo modo, verificase que, nesse caso, o malefício para a União foi patente, porquanto dessa situação decorreram atos praticados por um juiz que não mais detinha competência para tanto e que influenciaram diretamente no Fl. 741DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.725370/201198 Acórdão n.º 1402001.253 S1C4T2 Fl. 13 9 resultado do processo de liquidação, já que dentre esses despontam a realização de uma nova perícia e a impugnação desta por parte do credor, resultando numa conta de US$ 12.211.216,87 (doze milhões, duzentos e onze mil, duzentos e dezesseis dólares americanos e sete centavos), em 31.12.1996, conforme certidão narrativa da Justiça Federal (fl. 50). Ademais, devese considerar que o crédito em discussão se refere apenas aos lucros cessantes que seriam devidos à extinta A.C. Indústria e Comércio Importação e Exportação S/A, já tendo sido paga a indenização principal. Com relação aos juros de mora, que integrariam a verba recebida, não procede a alegação de que a decisão recorrida sobre eles teria silenciado. Ao contrário, o voto condutor enfrentou a questão nos seguintes termos: No que concerne à tributação de juros de mora, mesmo que a questão relativa à declaração de inexistência dos atos processuais praticados no processo de liquidação de sentença (RE 465.580) esteja sub judice, temse que os consectários refletem a situação do principal, assim também são tributáveis. Nesse sentido, a título ilustrativo, vale a transcrição do art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999: (.....) Nos moldes da decisão recorrida, entendo que os juros de mora pagos em precatório seguem a mesma linha do principal. No presente caso, tendo como base os lucros cessantes que, de acordo com o exposto acima, representam um acréscimo patrimonial, não haveria porque ficarem albergados da incidência tributária. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Por serem lançamentos decorrentes, devem ser mantidas as exigências da CSLL, do PIS e da Cofins. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 742DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10467.903204/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - VALORES RECOLHIDOS A MAIOR
Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.903204/200917 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.483 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente GRÁFICA SANTA MARTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 32 04 /2 00 9- 17 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.820, às fls. 26 a 31: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 02/05, por meio da qual procurou utilizar parte de pretenso crédito remanescente da PER/DCOMP Inicial de n° 32928.06525.270509.1.3.048406, que por sua vez se referia a crédito que teria origem em pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, do período de apuração de 31/12/2008, data de arrecadação 31/03/2009, sendo o “Credito Original na Data da Transmissão” declarado nesta Dcomp de fls. 02/05 no valor de R$ 463.246,71 (fl. 03), para compensar com débitos de MAI/2009, de Cofins – não cumulativa, código de receita 585601, no valor de R$ 245.055,28, e de PIS não cumulativo, no valor de R$ 53.211,90, sendo o “Total dos Débitos desta Dcomp” de R$ 298.267,18, conforme fls. 04 e 05. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, à fl. 06, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado na PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Conforme se depreende das fl. 07 e 08, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/10/2009. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 06/11/2009, conforme fl. 08, argumentando que: 3.1. “informou na DCTF de março de 2009 um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade era de apenas de RS 148.627,70”; 3.2. “Em 11.06.2009 apresentou a PER/DCOMP 12139.65563.110609.1.3.040331, originando o Processo n ° 10467.903204/200917”, e “diante da inexistência do crédito, não foi homologada a compensação”; 3.3. “Em 22.10.2009 foi feita a devida correção com apresentação da DCTF Retificadora, ficando um saldo credor de R$ 518.110,64, mais R$ 9.936,86 conforme demonstrativo COBAC anexo”; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 4 3 3.4. “Assim sendo, demonstrado e comprovado o efetivo crédito, pede que seu pedido de compensação seja reconsiderado”. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. MOTIVO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADO EM DOCUMENTAÇÃO. A alegação de erro de preenchimento em DCTF, que tivesse resultado em recolhimentos a maior, deve vir acompanhada dos documentos comprobatórios, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF, há de se manter a decisão proferida sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas, ainda mais se a retificação da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação prevista em lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de defesa e as provas documentais devem ser apresentadas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/01/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/02/2012, com os argumentos descritos abaixo: 1. SÍNTESE FÁTICA no mês de abril de 2009, o agora falecido contador da empresa prestou DCTF e DIPJ calculando a maior o valor a recolher para fins de ajuste do IRPJ (2430) no montante de R$ 666.738,39 e da CSLL na quantia de R$ 58.054,35. Em março de 2009, a empresa já havia recolhido os valores majorados pelo equívoco do contador; a falha foi verificada ante a análise comparativa com o Sped/Contábil. Daí, com o objetivo de corrigir esta falha, apresentou em 27/05/2009 a PER/DCOMP que deu origem a este processo indicando a existência de um saldo credor de R$ 518.110,64 do ajuste do IRPJ pago a maior, além de R$ 9.936,86 apresentados no demonstrativo COBAC, todavia não providenciou a retificação da DCTF e da DIPJ; em 21/10/2009, a Recorrente recebeu o despacho decisório que determinou a não homologação da PER/DCOMP, alegando que o pagamento fora “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte”, obrigandoa a “efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados”; em 22/10/2009, ou seja, um dia após receber o referido despacho, o contador percebeu que havia olvidado de retificar a DCTF e a DIPJ, fazendoo de imediato naquela mesma data e também no mesmo dia apresentou manifestação de inconformidade; a manifestação de inconformidade foi bastante sucinta, porém suficiente para conhecimento e provimento do mérito. Entretanto, entendeuse que as retificações teriam sido intempestivas, bem como que a empresa não havia apresentado provas de suas alegações, mais precisamente a contabilidade de 2008; 2. DA INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO ACERCA DO IRPJ OU CSLL DO ANO 2008/2009 TEMPESTIVIDADE DAS RETIFICAÇÕES DE DCTF E DIPJ a Autoridade Fiscal, baseandose no art. 147 do CTN, alega que a retificação da declaração não poderia ser efetuada, pois esta teria ocorrido após a notificação do lançamento, caracterizando a violação do § 1º deste artigo e a invalidade da mesma; mas em nenhum momento houve a notificação do lançamento referente ao IRPJ e a CSLL do ano 2008/2009, tornando infundado o uso deste argumento como negativa ao pedido de ressarcimento; o Fiscal considerou o despacho decisório como notificação de maneira inadequada, porque este apenas referese à não homologação da DCOMP e negativa da existência de crédito para pagar débitos de Confins e PIS de código e período distintos. Sendo, portanto, incabível classificálo como forma de notificação de lançamento dos créditos de IRPJ Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 6 5 e CSLL que o contribuinte alega ter em razão do pagamento a maior, pois o despacho decisório é direcionado à cobrança de Cofins e PIS, e não de IRPJ e CSLL; concluise, a partir do disposto no art. 142, 144 e 150 do CTN, e inciso II do art. 11 do Decreto n° 70.235/72, que o despacho não apresentou quaisquer dos requisitos legais para servir como notificação de obrigação correspondentes ao IRPJ ou à CSLL do ajuste de 2008, já que aquele despacho estabeleceu ao seu final apenas o prazo, o valor principal, a multa e os juros a serem pagos referentes à Confins e ao PIS, bem como a disposição legal infringida em relação a estes dois últimos tributos; o que se viu no despacho decisório e na decisão de primeira instância que o manteve foi a tentativa de aplicação do disposto no § 1º do art. 147 do CTN, quando em verdade deveria a autoridade fiscal ter aplicado de ofício o disposto no § 2º do mesmo art. 147, determinando que fossem realizadas as diligências fiscais com vistas à verificação do crédito alegado pelo Contribuinte, sobretudo por se tratar de pedido eletrônico de ressarcimento, o qual não comporta juntada de documentos e torna obrigatória a fiscalização, a teor do art. 74 e seus §§ 1º e 2º da Lei 9.430/1996; a autoridade fiscal sequer se deu ao trabalho de observar que o Sped/Contábil do ano de 2008 já informava como resultado IRPJ e CSLL com valores muito inferiores aos valores recolhidos e originalmente declarados em DCTF e DIPJ; de se indagar, caso a DCTF e a DIPJ tivessem sido retificadas antes do despacho decisório, se a autoridade fiscal teria homologado o crédito independente de qualquer fiscalização ou análise mais acurada. É óbvio que não; 3. DAS PROVAS PRÉEXISTENTES em relação à retificação da DCTF, foi exposto pela autoridade fazendária que não foi “apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF” e, por isso, considerou que a retificação desta última não seria válida; esta alegação não possui fundamento, porque através do Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital) a Receita Federal tem acesso aos Livros Diários, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos, livros estes que apresentam detalhadamente todas as informações necessárias para a comprovação de qualquer movimentação financeira da empresa; pelas mesmas razões a DCTF Retificadora não pode ser considerada inválida e, conseqüentemente, as alterações nela contidas devem ser aplicadas; a Autoridade Julgadora de primeira instância também acusa a Recorrente de não ter apresentado provas na própria impugnação, fato que não procede, pois a própria declaração retificadora, tempestiva que foi, serve também como comprovação de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ e à CSLL do ano de 2008/2009; em seguida, baseandose nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, a Autoridade Julgadora alega que além de não terem sido apresentadas provas na impugnação, não será possível fazêlo em outro momento, argumento que não se aplica ao caso, pois, como já foi dito, a Recorrente havia prestado o Sped/Contábil e apresentado a DCTF e DIPJ Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 7 6 retificadoras antes de qualquer notificação que impedisse tal procedimento, ou seja, a autoridade competente teve acesso à Escrituração Contábil Digital da Contribuinte e às declarações; há ainda a Instrução Normativa 787/08, que em seu art. 3º, § 2º, considera o Sped/Contábil como informação original, essencial e primordial em relação a todas as demais declarações, bem como, a teor das respostas contidas no sítio eletrônico da Receita Federal, a mesma IN considera como “formas alternativas de escrituração: em papel, em fichas, em microfichas ou digital. Assim, elas não podem coexistir em relação ao mesmo período. Ou seja, não podem existir, ao mesmo tempo, dois livros diários em relação ao mesmo período, sendo um digital e outro impresso. Em resumo, os livros digitais não precisam ser impressos”; quanto à possibilidade das provas serem apresentadas pela via digital, em nenhum momento este meio é impedido pelo Decreto n° 70.235/72; 4. REQUERIMENTO a Contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância para admitir o crédito e a compensação ou, subsidiariamente, seja reconhecida a sua nulidade, com vistas a determinar que sejam procedidas as diligências necessárias à análise do Sped/Contábil e das declarações retificadoras DCTF e DIPJ, todas já disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Este é o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente ao ajuste anual do anocalendário de 2008. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte informou ter declarado na DCTF um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade deveria ter informado R$ 148.627,70, e que retificou a DCTF para corrigir o erro. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação, destacando os seguintes aspectos em sua decisão: que a DCTF retificadora foi apresentada em 22/10/2009, após a ciência do Despacho Decisório, ocorrida em 21/10/2009; que a manifestação de inconformidade está desacompanhada de provas que atestassem a pretendida redução de IRPJ para justificar crédito como origem da pretensa compensação; que não consta dos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da Contribuinte, não tendo sido apresentada documentação que comprovasse erro que desse fundamento a seu pleito; que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa da Contribuinte, tendo, no caso, inclusive, já precluído o seu direito de apresentálas em outro momento, uma vez que não demonstrou a ocorrência de alguma das hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 9 8 A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. A Delegacia de Julgamento registrou que a retificação de DCTF somente ocorreu após a ciência do despacho decisório, destacando a regra contida no § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, que só admite a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para reduzir ou a excluir tributo, quando ela é realizada antes de notificado o lançamento. Mas o despacho decisório sobre a declaração de compensação não configura a notificação de lançamento prevista no referido dispositivo, relacionado à modalidade de lançamento por declaração, que em nada se confunde com a sistemática de processamento dos PER/DCOMP. Na DCOMP apresentada pela Contribuinte, as questões relativas ao IRPJ no ajuste anual de 2008 dizem respeito ao reconhecimento ou não de direito creditório (por pagamento a maior), e não à exigência deste próprio imposto, inclusive, porque ele já estaria pago. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo. O exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º do mesmo art. 147 do CTN, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma Declaração de Compensação – DCOMP (11/06/2009), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além disso, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, registrou que ocorreu erro na informação do débito do IRPJ/ajuste anual do anocalendário de 2008, e que retificou a DCTF para corrigir esse problema. Vêse que na mesma data em que foi retificada a DCTF, em 22/10/2009, a Contribuinte também retificou a DIPJ, conforme cópia da declaração juntada aos autos. A Ficha 12A da DIPJ retificadora registra que foram apurados R$ 2.405.604,70 a título de imposto e adicional; que foram recolhidos R$ 1.928.080,67 de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 10 9 estimativas mensais ao longo do ano de 2008; e que após a dedução destas estimativas, juntamente com valores de retenção na fonte e do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, foi apurado um saldo de IR a pagar, relativamente ao ajuste anual, no valor de R$ 148.627,70, e não R$ 666.738,34, como anteriormente informado. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o Despacho Decisório, ainda na fase de Auditoria Fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, embasada no fato de a Contribuinte ter retificado a DCTF somente após a ciência do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento também mencionou que ela não apresentou “qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis”, que viesse evidenciar o alegado erro no IRPJ informado inicialmente na DCTF. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Pesam também a seu favor a alegação de que a DIPJ retificadora servia como comprovação (ou pelo menos indicação) de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ, e que a autoridade competente tinha acesso ao Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital), contendo os seus Livros Diário, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903204/200917 Acórdão n.º 1802001.483 S1TE02 Fl. 11 10 A Administração Tributária não fez qualquer análise sobre estes elementos, que, ao que tudo indica, estavam à sua disposição. A decisão da Delegacia de origem ficou fortemente amparada na informação constante inicialmente na DCTF, e, como visto, este não é motivo suficiente para a negativa em relação à compensação, especialmente diante dos aspectos mencionados acima, que, em tese, poderiam caracterizar o direito creditório por recolhimento a maior. Deste modo, dou provimento parcial ao recurso para afastar o problema relativo à DCTF, devolvendo os autos à Delegacia de origem (DRF João Pessoa/PB), para que, à vista das considerações acima, ela reexamine a Declaração de Compensação. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13808.000069/95-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992
CRÉDITO TRIBUTÁRIO, COMPENSAÇÃO/PAGAMENTOS. SALDOS.
Os saldos da contribuição remanescentes das compensações e/ ou pagamentos são passíveis de lançamento de ofício acrescidos das cominações legais.
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTFs.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO Os valores compensados e/ ou pagos por conta da contribuição lançada e exigida de ofício devem ser deduzidos das respectivas parcelas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 CRÉDITO TRIBUTÁRIO, COMPENSAÇÃO/PAGAMENTOS. SALDOS. Os saldos da contribuição remanescentes das compensações e/ ou pagamentos são passíveis de lançamento de ofício acrescidos das cominações legais. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTFs. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 00 69 /9 5- 98 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ São Paulo que julgou improcedente, em parte, a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1992. O lançamento decorreu da falta de pagamento da contribuição devida naquele período, à alíquota de 0,5 % (meio por cento) sobre o faturamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal e Termo de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 65/66. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente apresentou impugnação (fls. 74/106), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “Inicialmente transcreve a autuação e argumenta que nada deve a título de Finsocial, pois possui duas decisões judiciais transitadas em julgado assegurandolhe o direito líquido e certo ao recolhimento dessa contribuição com alíquota de 0,5 % e que, com base no art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, realizou acertos e compensações, com as devidas comunicações e denúncias espontâneas que geraram os processos nº 13811.001276/9358, para o setor têxtil, e nº 13811.000213/9483, para o setor trigo, solicitando sua apensação ao presente processo. Para corroborar com as suas alegações transcreve ementas de acórdãos judiciais reportandose à decisão do STF no RE nº 150.764 que considerou inconstitucionais as majorações de alíquota do Finsocial. Após especificar os recolhimentos atualizados que julga indevidos, os valores devidos atualizados e com juros de 1% ao mês, concluiu, em relação ao setor têxtil, ter crédito no valor de 506.213,93 Ufir e débito de 473.577.67 Ufir, pleiteando o direito à compensação que resultaria no crédito no valor de 32.636,25 Ufir que pretende compensar com a Cofins. Quanto aos estabelecimentos do setor trigo, após os mesmo procedimentos, apurou um débito no valor de 695.687,26 Ufir, que afirma haver pago em 30/06/1993. Prossegue argumentando que tem o direito de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de Finsocial com as alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), com aqueles que deixaram de ser recolhidos no período 12/1990 a 03/1992, com juros e correção monetária, desde a data do efetivo recolhimento, e não a partir de 01/1992, conforme estabelecido na IN SRF nº 67, de 27 de maio de 1992, que julga ilegal e inconstitucional, transcrevendo decisões judiciais nesse sentido. Aduz que a referida compensação deve ser realizada sem multa, à vista da denúncia espontânea, realizada após o recolhimento do saldo devedor, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13808.000069/9598 Acórdão n.º 3301001.647 S3C3T1 Fl. 532 3 consubstanciada na comunicação oferecida nos processos nº 13811.001276/9358 e nº 13811.000213/9483, já citados, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e do art. 138 do CTN, transcrevendo trechos da jurisprudência sobre o tema da denúncia espontânea, concluindo por afirmar que a multa de mora não é devida, no caso de pagamento fora de prazo, por iniciativa do próprio contribuinte, que procura o fisco para denunciar o atraso, acompanhado do comprovante do pagamento do tributo devido, acrescido dos acessórios (juros de mora e correção monetária), que no caso, é feito via compensação, nos termos doa rt. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Insurgese também quanto à utilização de juros com base na TRD, além dos juros de mora de 1% ao mês, ressaltando que a aplicação da TRD se restringiu ao período de fevereiro a dezembro de 1991. Por fim, requer a realização de perícia técnica para averiguar se os créditos e débitos denunciados estavam corretos indicando os quesitos e nomeando seu perito às fls. 102/104.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, indeferindo a perícia solicitada e mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Decisão nº 614, datada de 22/06/2001, às fls. 275/280, sob as seguintes ementas: “FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. Em face da existência da ação judicial transitada em julgado, descabe apreciar alegações referentes à inconstitucionalidade da exigência do Finsocial. PEDIDO COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAR. A competência original para apreciar pedido de compensação dos valores exigidos no auto de infração com recolhimentos supostamente excedentes ao devido é da Delegacia da Recita Federal que jurisdiciona a peticionante, em procedimento específico. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO. Em face do princípio da retroatividade benigna, é de se reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, previsto na Lei nº 9.430, de 1996. TAXA REFERENCIAL TR. Os juros de mora serão equivalentes, a partir de 1º de julho de 1994, ao excedente da variação acumulada da Taxa Referencial – TR em relação à variação da UFIR, não podendo ser inferiores a 1% ao mês. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia considerado prescindível. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” Fl. 533DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 287/310), alegando as mesmas razões expendidas na impugnação, requerendo, em preliminar, o sobrestamento do julgamento deste processo até o julgamento final da compensação pleiteada no processo nº 13811.001276/9358, inclusive das parcelas objeto do lançamento em discussão, e, no mérito, o cancelamento do crédito tributário. Analisado o recurso voluntário, os Membros da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes anularam a decisão recorrida sob o argumento de cerceamento do direito de defesa, pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância ter indeferido o pedido de perícia e a análise conjunta deste processo com a do processo nº 13811.001276/9358, determinando retorno dos autos à DRJ para que a apreciação e decisão deste processo se façam conjuntamente com aquele processo de compensação, conforme Acórdão nº 30331.282, datado de 18/03/2004, às fls. 429/434. Em cumprimento à decisão daquele Conselho, a DRJ São Paulo I, prolatou nova decisão, Acórdão nº 1631.467, datado de 12/05/2011, às fls. 456/471, julgando procedente, em parte, a impugnação, reduzindo o percentual da multa de ofício de 100,0 % para 75,0 %, e mantendo a exigência do crédito tributário, sob as seguintes ementas: “DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO. DISCUSSÃO EM OUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. O direito creditório de Finsocial e sua utilização em compensações foram objetos de discussão em processos administrativos específicos de compensação (nº 13811.001276/9358 e nº 13811.000213/9483), não cabendo a reapreciação da matéria no presente processo. O decidido nos referidos processos de compensação deve ser observado no julgamento do presente processo. TAXA REFERENCIAL. TR. Os juros de mora serão equivalentes, a partir de 1º de julho de 1994, ao excedente da variação acumulada da Taxa Referencial – TR em relação à variação da UFIR, não podendo ser inferiores a 1% ao mês. REDUÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. De 100% para 75%, em vista do inciso I, art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a interpretação que lhe deu o ADN COSIT 01/97. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia considerado prescindível. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificada dessa nova decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 479/502), requerendo a sua reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, que: a) compensou as parcelas, objeto do lançamento em discussão, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos a maior da própria contribuição para o Finsocial; b) possui acórdãos transitados em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do Finsocial; c) em face da compensação, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, resultou um saldo devedor a favor da Receita Fl. 534DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13808.000069/9598 Acórdão n.º 3301001.647 S3C3T1 Fl. 533 5 Federal, em montante equivalente a 695.687,26 UFIRs, que foi recolhido em 30/09/1993, conforme comprovam as cópias dos DARFs acostados ao processo 13811.000213/9483 e um saldo credor a seu favor (da recorrente), equivalente a 32.636,25 UFIRs, no processo nº 13811.001276/9358; d) o crédito apurado em período anterior foi compensado com débito de período subseqüente, relativamente à contribuição da mesma espécie e natureza (Finsocial com Finsocial), nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; e) apurado saldo credor, apresentou à autoridade administrativa, na forma da IN SRF nº 67, de 1992, comunicação acerca do procedimento adotado, tendo também requerido autorização para a compensação desse saldo credor com os recolhimentos que tinha a fazer nos períodos subseqüentes à data de seu pedido (22/12/1993), com a Cofins; f) nos termos do art. 138 do CTN, tinha direito de pagar/ compensar o Finsocial, em aberto, sem qualquer multa, à vista da denúncia espontânea; e, g) nas compensações dos débitos não incidem juros de mora nem multa por terem ocorrido tempestivamente. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I – Da R. Decisão Recorrida (Acórdão 1631.367); II – Dos Fatos; III – Preliminares; IV – Da Total Improcedência da Cobrança Meses de 05/1991 a 03/1992; V – Do Direito Líquido e Certo ao Recolhimento do Finsocial à Alíquota de 0,5%; VI – Dos Recolhimentos Feitos pela Recorrente a Título de Finsocial; VII – Dos Recolhimentos Efetuados; VIII – Da Análise dos Débitos e Créditos Compensados; IX – Do Direito à Compensação (Atualização MonetáriaLei nº 8.383/91, art. 66; X – Do oferecimento de Denúncia Espontânea – art. 168 do CTN; e, XI – Da Compensação Realizada na Forma Estabelecida pela Instrução Normativa nº 67/92. concluindo, ao final, que dispunha de créditos financeiros decorrentes dos recolhimentos de Finsocial, excedentes à alíquota de 0,5 % (meio por cento) suficientes para compensar as parcelas desta mesma contribuição devida a esta mesma alíquota nos meses de competência de janeiro a março de 1992, devendo, portanto, ser cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão a ser decidida se restringe à alegada compensação do crédito tributário em discussão, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o Finsocial correspondente às competências de setembro de 1989 a novembro de 1990, nos termos da Lei nº 8.383, de 1991, Os indébitos do Finsocial foram objeto de processe específico de nº 13811.001276/9358, apensado a este. Assim, a certeza e liquidez do montante do crédito financeiro do Finsocial a que a interessada faz jus foi analisada e decidida de forma definitiva naquele processo, não cabendo nova apreciação na instância administrativa. Naquele processo, além de apurar o montante dos indébitos da contribuição para o Finsocial, a Delegacia de Administração Tributária da Receita Federal (Derat) em São Fl. 535DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Paulo convalidou, em parte, as compensações dos débitos desta mesma contribuição, efetuadas pela recorrente, nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, com aquele montante, conforme Decisão às fls. 4.656/4.665 daquele processo. Ainda, de acordo aquela decisão, os saldos de débitos de Finsocial dos demais estabelecimentos da recorrente, CNPJs nºs 61.074.092/000491; 61.074.092/002940; 61.074.092/008980; 61.074.092/007828; 61.074.092/008808; e 61.074.092/009952 foram totalmente quitados em 30/09/1993, incluindo parte dos débitos de janeiro a março de 1992, objetos do lançamento em discussão. Às fls. 4.657, daquele processo, consta a Tabela I, demonstrando a apuração do Finsocial devido para as competências de janeiro a março de 1992, os valores das parcelas lançadas, a multa e os juros, objetos do lançamento em discussão. Já as fls. 4.658, consta a Tabela II demonstrando os valores das parcelas lançadas, os valores quitados a partir do processo nº 13811.000213/9483 e o saldo remanescente de cada parcela para compensação no processo apensado de nº 13811.001276/9358 a este, conforme segue: Período de Apuração Valor Lançado no Auto de Infração (em UFIR) Valor Quitado, Processo nº 13811.000213/9483 (em UFIR) Saldo Remanescente para Compensação no processo nº 13811.001276/9358 01/1992 145.412,84 133.212,58 12.199,75 02/1992 121.834,44 106.690,93 15.143,51 03/1992 142.107,22 119.670,06 22.437,15 Às fls. 4.663, do processo apensado, consta a Tabela III em que foram apurados os indébitos do Finsocial e a suas compensações com débitos desta mesma contribuição. E, segundo, os cálculos constantes daquela tabela, os valores apurados e passíveis de repetição/compensação não foram suficientes para quitar todos os débitos em aberto desta contribuição, inclusive os saldos acima, referentes às competências de janeiro a março de 1992, objeto do lançamento em discussão. Portanto depois das convalidações das compensações, remanesceram, dentre outros, os saldos devedores demonstrados na tabela acima, objetos do lançamento em discussão. Contra a decisão da Derat em São Paulo que convalidou, em parte, as compensações efetuadas pela recorrente, nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, a recorrente interpôs recurso (manifestação de inconformidade). Contudo, considerando que as compensações efetuadas nos termos daquela lei, não se aplicavam as disposições legais relativas à Declaração de Compensação (Dcomp), a Derat em São Paulo, não submeteu o recurso apresentado contra sua decisão aos ritos do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e o recebeu como recurso hierárquico que analisado foi indeferido, conforme Decisão às fls. 4.710 do processo nº 13811.001276/9358. Intimada daquela decisão (fls. 4.711/4.715 do proc. apensado), decorrido o prazo legal, a recorrente não a contestou. Dessa forma, aquela decisão tornouse definitiva na instância administrativa. Como naquela decisão, foi convalidada a compensação parcial do crédito tributário em Fl. 536DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13808.000069/9598 Acórdão n.º 3301001.647 S3C3T1 Fl. 534 7 discussão neste processo administrativo, correta a exigência dos saldos das parcelas cujas compensações não foram consolidadas. Quanto à multa de ofício, como se trata de lançamento de parcelas declaradas DCTF cujas compensações foram convalidadas, em parte, em face da retroatividade benigna das leis, esta deverá ser excluída do lançamento, aplicandose ao caso o disposto na Lei nº 10.833, de 29 de setembro de 2003, art. 18, c/c o CTN, art. 106, II, “c”. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar parte do crédito tributário lançado e exigido que foi extinta por compensação e/ ou pagamento, mantendo apenas a exigência dos saldos devedores das parcelas lançadas e exigidas para as competências de janeiro, fevereiro e março de 1992, decorrentes da convalidação parcial de suas compensações, nos valores de 12.199,75 UFIRs (doze mil cento e noventa e nove UFIRs e setenta e cinco centésimos); 15.143,51 UFIRs (quinze mil cento e quarenta e três UFIRs e cinqüenta e um centésimos); e 22.437,15 UFIRs (vinte e dois mil quatrocentos e trinta e sete UFIRs e quinze centésimos), respectivamente, acrescidas das cominações legais, multa de mora e juros de mora à taxa Selic. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720682/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. ILEGITIMIDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Não comprovada a efetiva venda do imóvel, nos termos da legislação, e as condições em que esta se deu, não há como se responsabilizar o suposto adquirente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideram-se não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação.
Questão relativa ao arbitramento do VTN não impugnada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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SUJEIÇÃO PASSIVA. ILEGITIMIDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Não comprovada a efetiva venda do imóvel, nos termos da legislação, e as condições em que esta se deu, não há como se responsabilizar o suposto adquirente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. Questão relativa ao arbitramento do VTN não impugnada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 82 /2 00 7- 63 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720682/200763 Acórdão n.º 2101001.964 S2C1T1 Fl. 94 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 64/70) interposto em 22 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 55/59, do qual o Recorrente teve ciência em 26 de outubro de 2011 (fl. 63), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 01/03, lavrado em 19 de novembro de 2007, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 2004 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo sido apresentados documentos hábeis para comprovar que o contribuinte estivesse desvinculado do imóvel rural objeto da tributação, à época do fato gerador do ITR/2004, não há que se falar em nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. DO VTN ARBITRADO E DA ÁREA DE RESERVA LEAL MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse matérias não impugnadas a glosa da área de reserva legal e o VTN arbitrado para o ITR/2004, por não terem sido expressamente contestadas nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 55). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 64/70, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720682/200763 Acórdão n.º 2101001.964 S2C1T1 Fl. 95 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que o Recorrente não contestou o mérito da autuação, limitando se a alegar a ilegitimidade passiva em razão da venda do imóvel. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Pois bem, alega o Recorrente que não deve figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária pelo fato de que teria, supostamente, procedido à prévia venda do imóvel objeto do lançamento, sendo a responsabilidade, portanto, da empresa adquirente. Todavia, como bem decidiu a DRJ, tanto o compromisso particular de compra e venda de fls. 27/29 (aliás, sem firma reconhecida), como o rascunho de escritura pública de compra e venda de fls. 32/35, sem qualquer assinatura, não fazem prova suficiente de que houve a transferência, como pretende o Recorrente, quer da propriedade, da posse ou de qualquer ônus tributário à empresa Agropecuária Umuarama Ltda. A esse respeito, adotase como razões de decidir o quanto exposto pela DRJ: “O requerente pretende retirarse do pólo passivo da obrigação tributária, sob a alegação de ter vendido o referido imóvel rural, para a sociedade empresária Agropecuária Umuarama Ltda (CNPJ 15.320.781/000179), por meio de Contrato de Compromisso Particular de Compra e Venda de Imóvel Rural, firmado em 07/03/2001 (às fls. 27/29), portanto, antes da data do fato gerador do ITR/2004 (1º/01/2004, nos termos da legislação citada anteriormente). No entanto, o referido compromisso particular de compra e venda (fls. 27/29) não é suficiente para caracterizar a transferência de propriedade do imóvel, por não possuir o condão de efetuála. Os seus efeitos são meramente obrigacionais e não reais, pois não transfere, por si só, o domínio do bem vendido, gerando apenas, para o vendedor, a obrigação de outorgar ao comprador a escritura definitiva de compra e venda, título hábil para transferência do imóvel junto ao registro imobiliário No presente caso, a referida Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720682/200763 Acórdão n.º 2101001.964 S2C1T1 Fl. 96 4 transação deveria ter sido realizada por meio de escritura pública de compra e venda, registrada no cartório de registro de imóveis competente, nos termos do art. 531, do antigo Código Civil, combinado com o disposto nos artigos 167 e seguintes da Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos)” (fl. 58). Corrobora esse entendimento o fato de que a DITR do exercício de 2003 foi apresentada pelo próprio Recorrente (fls. 11 e seguintes). Portanto, não tendo sido produzida qualquer prova de que a suposta adquirente era a efetiva possuidora do imóvel à época do fato gerador e não sendo suficientes as provas trazidas pelo Recorrente para configurar a transferência da propriedade, de rigor a manutenção da autuação lavrada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001021/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 10 21 /2 00 9- 95 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001021/200995 Acórdão n.º 2402003.081 S2C4T2 Fl. 288 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 06/02/2009 que decorre do fato de que a recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, contrariando desta forma o que dispõe o art. 32 do inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com art. 225, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e da ementa do acórdão recorrido: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não caracteriza motivo de nulidade do lançamento quando o contribuinte não fez a escrituração contábil na forma estabelecida na legislação e a fiscalização aplica as penalidades legais cabíveis e apura os tributos devidos. ÁRBITROS Nos termos da legislação previdenciária, o árbitro e seus auxiliares que atuam em conformidade com a Lei n2 9.615, de 24 de março de 1998, são segurados obrigatórios da previdência social. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais parcelas sofrerão os efeitos da tributação. ... Tratase de infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nc ; 8.212, de 24 de julho de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, por ter a empresa autuada deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme descrito As fls.01 e no Relatório Fiscal da Infração, As fls.04. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Segundo o relatório, não foram lançadas em conta de salários os valores pagos a empregados e lançados em contas diversas, conforme demonstrativos anexos, também não foram lançadas, visto que não houve o desconto e nem recolhimento, o montante das quantias descontadas, a contribuição de empresa e os totais recolhidos dos valores pagos a contribuintes individuais, referentes As Contas Contábeis constantes da relação anexa. De acordo com o descrito is fls.01 e no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, As fls.05, foi aplicada a penalidade no valor de R$12.548,77, conforme previsto no artigo 92 e 102, da Lei n° 8.212 de 1991, combinado com os artigos 283, inciso II, alínea "a", e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 1999 e Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, publicada no Diário Oficial da Unido de 12 de março de 2008. ... A empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribui5ões de empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei 8.212/91(art. 32 II, /combinado com o art. 225= He parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social Decreto 3.048/99 Não foram lançadas em conta de Salários os valores pagos a empregados e lançados em contas diversas, conforme demonstrativos anexos; também não foram lançadas; visto que não houve o desconto e nem recolhimento; o montante das quantias descontadas, a contribuição de empresa e os totais recolhidos dos valores pagos a contribuintes individuais, referentes às Contas Contábeis constantes da relação anexa. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: Preliminarmente, aduz nulidade do lançamento, ausência de segregação por parte da fiscalização das despesas pagas pela impugnante e inexistência de hipótese legal de inversão do ônus da prova; Diz que não se pode admitir, jamais, que seja mantida a exigência sobre o resultado global — constante em todas as contas de despesas — sob a alegação de que a impugnante teria deixado de segregar os dispêndios com documentação hábil, do que decorria a impossibilidade de determinar a parcela não alcançada pela incidência tributária; Por outro lado, é dever da fiscalização apontar o montante do tributo devido, sem exigir tributação sobre a parte que se encontra fora do campo de incidência tributária, haja vista que, neste caso especifico, inexiste previsão legal de inversão do ônus da prova como existe, por exemplo, no caso das omissões de receitas apuradas em decorrência de depósitos bancários; Com efeito, ao contrário do que afirma a auditoria fiscal, a impugnante mantém escrituração contábil regular, de acordo com todos os ditames e orientações legais ou normativas, como Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001021/200995 Acórdão n.º 2402003.081 S2C4T2 Fl. 289 5 comprovam os documentos já acostados aos autos durante a fase investigatória. Aqui caberia ao fisco identificar na contabilidade o que comporta a base de cálculo tributável, respeitando as normas jurídicas que garantem a não incidência ou isenção tributária a diversas das despesas pagas pela Federação Mineira de FUTSAL; Certamente há casos em que a contabilidade está eivada de vícios que não são passíveis de identificação para a apuração da correta base de cálculo. Entretanto, há outros em que apenas não se apurou corretamente a base tributável, no caso formada pelas despesas relativas à remuneração de segurados. Mas, aqui, não é o caso; Ora, tanto a contabilidade da entidade esta regular que o fisco não procedeu ao arbitramento dos tributos devidos. Tãosomente impôs tributação sobre a totalidade das despesas, sem especificálas; Se a contabilidade está com sua escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, então obrigatoriamente o lançamento deve apurar a correta base de cálculo, obedecendo assim o disposto no art. 142 do CTN; Que o agente fiscal não deu oportunidade à impugnanre para que apresentasse a segregação das despesas conforme o critério traçado no Relatório Fiscal. O agente fiscal deveria intimar a impugnante para que promovesse a segregação,: para a apuração correta dos pagamentos alocados; Assim, levandose em conta que está incorreto o procedimento adotado pelo agente fiscal, ao considerar o resultado global das despesas como fatos geradores de contribuições previdenciárias, há de ser decretada a nulidade do lançamento; No mérito, aduz argumentos em relação a ilegitimidade passiva da impugnante no tocante aos pagamentos efetuados em decorrência de convênios firmados com o poder público; da isenção de contribuições previdenciárias no pagamento a árbitros e delegados, Lei n° 9.615/98, art. 88, parágrafo único; não incidência de contribuições previdenciárias sobre transporte, alimentação e hospedagem de empregados ou prestadores de serviços autônomos em localidades distantes; e da possibilidade de pagamento de vale transporte em pecúnia — não incidência de contribuições previdenciárias por.previsão legal: Entendera a fiscalização que a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias supostamente devidas sobre os pagamentos efetuados em decorrência de convênios firmados com o poder público, ficaria a cargo da impugnante, haja vista que os pagamentos foram efetivados pela Federação Mineira de FUTSAL; Ocorre que o lançamento deixa de observar nuances especificas a esse respeito, normas que expressamente afastam a Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 responsabilidade da Federação em caso de convênios, (transcreve o § 9° do artigo 22 da Lei 8.212, de 1991), e diz que neste caso, a federação age como mera intermediária, como mera repassadora das verbas destinadas pelo poder público à promoção do evento no torneio de FUTSAL; Assim, diante da ausência de responsabilidade tributária por parte da impugnante, no tocante aos valores repassados aos tomadores de serviços, em decorrência de pagamentos efetuados através de verbas públicas repassadas em face de convênios, há que se afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre todos estes valores; No que tange aos pagamentos efetuados a árbitros e delegados, pela Federação Mineira de FUTSAL, a que se observar a norma especial que garante a isenção de contribuições previdenciárias às federações, em tais casos (transcreve o artigo 88 da Lei n° 9.615, de 1988 e decisão judicial sobre a matéria), e conclui que diante da isenção de contribuições previdenciárias previstas no referido dispositivo legal, há que se afastar, totalmente, o lançamento efetuado sobre as remunerações pagas a árbitros e delegados; Que é manifestamente improcedente a autuação no que tange às verbas de alimentação, transporte e hospedagem, decorrentes do deslocamento de funcionários ou autônomos para execução das atividades inerentes à impugnante, isto é, para realização e promoção de torneios de FUTSAL pelo interior de Minas Gerais, bem como para a realização de escolinhas, workshops em regiões distantes; Transcreve artigo do Estatuto da Federação e o inciso I, §9°, alíneas "m" e "s", do artigo 28, da Lei n° 8.212, de 1991, e diz que na relação de pagamentos apontada pelo fisco, anexa ao relatório fiscal, verificase o pagamento de alimentação, hospedagem e transporte de empregados e autônomos, fato que se subsume perfeitamente ao comando legal transcrito, que expressamente afasta a incidência de contribuições previdenciárias em tais casos; Que o fisco não diligenciou no sentido de comprovar que tais pagamentos não se subsumem ao disposto nas alíneas "m" e "s", do §9°, do artigo 28,'da: .Lei 8.212, de 1991. Agiu, novamente, de forma discricionária, em contrariedade aos ditames legais, sendo, portanto, absolutamente improcedente a autuação para cobrança das contribuições previdenciárias sobre transporte de empregados, alimentação e hospedagem fornecidos pela impugnante aos seus empregados e/ou autônomos, por força dos deslocamentos em decorrência das atividades exercidas que são inerentes à da FMF, conforme o seu estatuto; Quanto à possibilidade de pagamento de vale transporte em pecúnia e da não incidência de contribuições previdenciárias, por previsão legal, diz que a jurisprudência pátria tem admitido a sua não vinculação ao salário, mesmo que o vale transporte seja dado em dinheiro (transcreve decisão judicial sobre a matéria); Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001021/200995 Acórdão n.º 2402003.081 S2C4T2 Fl. 290 7 Transcreve o § 1°, do artigo 2°, do Decreto n° 4.840, de 2003, e diz que o legislador reconheceu expressamente que, desde o dia 18/09/2003 (antes, portanto, dos períodos fiscalizados), o pagamento do vale transporte em dinheiro não é considerado parcela componente do salário de contribuição; É o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001021/200995 Acórdão n.º 2402003.081 S2C4T2 Fl. 291 9 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à alegada regularidade na escrituração contábil, não trouxe a recorrente quaisquer elementos que afastassem a prova de omissão de parcelas pagas a segurados, em especial as taxas de arbitragem. E, no que tange à ilegitimidade passiva em razão do recebimento de verbas públicas para a organização de eventos, não há como acolher a pretensão, pois para a ocorrência do fato gerador do tributo e o surgimento da obrigação Fl. 295DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 tributária não se considera a origem dos pagamentos efetuados pela sujeito passivo. No caso, o fato gerador é o pagamento de remuneração a segurados e quem o praticou foi a recorrente: Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No mérito As questões trazidas pelo recorrente foram examinadas e julgadas no processo nº 15504.001016/200982, onde se encontram os fundamentos adotados. Quanto à infração, o presente processo cingese ao descumprimento da obrigação acessória de escrituração em títulos próprios de fatos contábeis, a fim de permitir o exame de possíveis fatos geradores de contribuições previdenciárias. Melhor dizendo, a infração ocorre já na inobservância de que os fatos contábeis de natureza, origem e finalidade não devem ser escriturados na mesma conta e o histórico do lançamento contábil deve retratar o melhor que possível a realidade desses fatos. Quando a obrigação deixa de ser cumprida, a considerar a complexidade da escrituração fiscal, a verificação do pagamento de remuneração aos segurados tornase quase impraticável e fragiliza a credibilidade nos registros dos fatos contábeis praticados pela empresa. Daí a infração e a multa correspondente, ainda que apenas um único fato tenha sido lançado em desacordo com as normas regulamentares. As razões trazidas nas peças recursais não se fizeram acompanhadas de documentos que se contrapusessem à farta prova juntada aos autos pela fiscalização. As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade da autuação. A regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001021/200995 Acórdão n.º 2402003.081 S2C4T2 Fl. 292 11 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.001353/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/03/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 53 /2 00 9- 35 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, em razão de a empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, com informações incorretas no campo "compensação", no período de 10/2004 a 03/2006, uma vez que foram informados valores referentes a créditos advindos da compra de precatórios, créditos esses que não possuem legitimidade para efetivar a compensação informada. A DecisãoNotificação – fls 360 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A Autuada, nos termos da Emenda Constitucional n° 30, de 14.9.2000, a qual acrescenta o art. 78 no ADCT e cumprindo os requisitos do artigo 286, do Código Civil e artigo 567, III, do CPC, celebrou, mediante instrumento público, a aquisição de créditos advindos de diversos processos judiciais e passou a utilizálo nas compensações mensais de contribuições devidas à seguridade social. · O direito à compensação no caso concreto, além da Lei n° 8.383/91, está previsto no CTN, artigo 170. · Não há que se manter o lançamento efetuado, pois a legislação vigente à época do crédito não impunha resistência ao procedimento adotado pela sociedade, a Lei n° 8.383/91 apenas exigia do contribuinte declarações prévias de compensação, assim como, não se trata de crédito de terceiros, já que transferido para o patrimônio da empresa por meio de instrumento público de cessão, contabilizado e com a titularidade transferida nos termos do artigo 567, do CPC e autorização da Carta Magna, artigo 78 do ADCT , procedimento este convalidado pela EC 62/2009, motivo pelo qual deve ser revisto o lançamento. · A Emenda Constitucional n.° 62/2009, convalidou expressamente todas as cessões de créditos efetuadas antes da sua publicação, assim como convalidou todas as compensações realizadas com créditos de precatórios para pagamento de tributos vencidos até 31 de outubro de 2009. · No caso, o contribuinte adquiriu créditos judiciais já passados em julgado, que não foram adquiridos por terceiros, e cuja alteração de titularidade já foi informada ao M M . Juízo, conforme confirmam as petições protocoladas. Portanto, em se tratando de créditos provenientes de condenações judiciais, existe permissão constitucional assegurando a sua cessão, de forma expressa e clara, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 5 4 assim como, repetese, as cessões efetuadas pelo contribuinte foram convalidadas pelo artigo 5º da EC 62/2009. · Requer seja recebido e processado o presente recurso administrativo, analisandose seus fundamentos para o fim de acolher as razões expostas e declarar a desnecessidade do procedimento fiscal instaurado e a insubsistência da notificação formalizada. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase a decidir se a utilização de créditos adquiridos de terceiros – precatórios são instrumentos legítimos a serem utilizados na compensação com contribuições da empresa devidas à seguridade social. Caso afirmativa a questão, não há que se falar em GFIP com erro de declaração. A legislação previdenciária regula a hipótese onde cabível a compensação de contribuições previdenciárias, senão vejamos o que consta do Art. 89 da Lei 8.212/91, na redação à época. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios." Fl. 460DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 7 6 Verificase assim que não há previsão de compensação de valores pagos a maior por terceiros ou que não se refiram a contribuições previdenciárias. A lei possibilita a compensação apenas de créditos do mesmo contribuinte, e somente na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições à seguridade social. A utilização de créditos apurados em precatórios, seja do mesmo contribuinte, seja de terceiros, só seria possível através de expressa previsão legal, o que inocorre in casu. Nessa linha já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITOS SEM A PARTICIPAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTICULARES. 1. O § 12, II, a do artigo 74 da Lei n. 9.430 de 1996, veda expressamente a utilização de créditos de terceiro para fins de compensação. 2. O art. 123 do CTN nega validade aos negócios jurídicos entre particulares para produzir efeitos sobre os fenômenos da responsabilidade pelo pagamento de tributos. 3. A Lei n. 10637, de 2002, por seu art. 49, somente permite a compensação de débitos próprios do sujeito passivo com créditos seus. 4. Não há lei autorizando a compensação tributária com crédito de terceiros. Há, portanto, de se homenagear o princípio da legalidade. 5. No REsp 803.629, a Primeira Turma assentou que a cessão de direitos de créditos tributários só tem validade para fins tributários quando do negócio jurídico participa a Fazenda Pública. Precedente: REsp 653553/MG, Rel. Denise Arruda. 6. Recurso da Fazenda Nacional provido para denegar a segurança, impedindose, consequentemente, a compensação tributária com créditos de terceiros. RECURSO ESPECIAL Nº 962.096 – RS, DJ 29.10.2007 O recorrente também cita a lei 8.383/1991 para embasar seu direito, mas o normativo citado não autoriza o uso de crédito de terceiros, senão vejamos. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001353/200935 Acórdão n.º 2803001.949 S2TE03 Fl. 8 7 §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Igualmente não se vislumbra, no art. 170 do CTN, tampouco na Emenda Constitucional nº 62/2009, qualquer autorização nesse sentido. Temos assim que somente com autorização legislativa expressa poderia haver a compensação de valores devidos em nome próprio com créditos provenientes da aquisição de precatórios de diverso contribuinte. Dessa feita, indevidos os créditos utilizados na compensação efetuada, correta a autuação efetivada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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