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Numero do processo: 10855.720938/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012
DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos do PIS omitidos na DCTF, mesmo que conste do DACON ou de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte e considerada não declarada em face do crédito utilizado na compensação referir-se a títulos da dívida pública federal.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF.
É cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados e informados no Dacon, ou incluídos em DCOMP considerada não declarada, mas não confessados na DCTF.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos do PIS omitidos na DCTF, mesmo que conste do DACON ou de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte e considerada não declarada em face do crédito utilizado na compensação referir-se a títulos da dívida pública federal. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. É cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados e informados no Dacon, ou incluídos em DCOMP considerada não declarada, mas não confessados na DCTF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
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DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos do PIS omitidos na DCTF, mesmo que conste do DACON ou de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte e considerada não declarada em face do crédito utilizado na compensação referirse a títulos da dívida pública federal. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. É cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados e informados no Dacon, ou incluídos em DCOMP considerada não declarada, mas não confessados na DCTF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 09 38 /2 01 3- 75 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: A contribuinte supracitada foi lançada de oficio devido a constatação de falta/insuficiência de recolhimento PIS não cumulativo, de novembro de 2010 a janeiro de 2012, com multa ordinária de 75% (setenta e cinco por cento). Resultou num crédito tributário de R$ 1.628.587,25, conforme Auto de Infração de fls.782/788, cientificado em 11/04/2013 (A. R. de fl.794). A falta/insuficiência de recolhimento, conforme Relatório Fiscal de fls.778/781, que faz parte da descrição dos fatos do Auto de Infração (fls.783/784), ocorreu porque a contribuinte apresentou declaração de compensação que foi considerada não declarada, face o impedimento legal para que os alegados créditos utilizados, decorrentes de título público sob a denominação de “Obrigações do Reaparelhamento Econômico”, fossem utilizados para compensação tributária no âmbito da RFB. Então, foram lançados os valores de débitos contidos nas DCOMPs consideradas não declaradas para fins de constituição e exigibilidade destes. A legislação infringida consta de fls.783/784, compondo o Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, de fls.798/828. Nesta, começa descrevendo o fundamento do lançamento fiscal, para depois atacálo. Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento. Argumenta que os valores objetos de confissão de dívida, em declaração de compensação considerada não declarada, são objetos de cobrança imediata, nos termos do art.74 da Lei 9430/1996 e nos artigos 34 e 39 da IN 900/2008. Como os débitos do presente litígio seriam objeto de DCTFs (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais), conforme constaria de documentos anexados aos autos, que são confissões de dívidas (DecretoLei 2.124/1984), não necessitariam de nova constituição e/ou lançamento fiscal, devendo ser anulado o Auto de Infração e exigido multa de mora sobre os valores confessados em DCTF. No mérito, argumenta fez as compensações utilizando créditos decorrentes de empréstimo compulsório cobrado como adicional de imposto de renda, oriunda do processo administrativo nº 18186.721901/201215, cujo arrimo legal está amparado na Lei 1.474/1951, vulgarmente denominado como Fundo de Reaparelhamento Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 4 3 Econômico. Tais créditos não poderiam ter sido considerados como não tendo natureza tributária, utilizando o §12º do art.74 da Lei 9.4340/1996 para indeferir o pleito compensatório, pois, segundo a contribuinte, eles teriam natureza tributária. Os créditos apresentados nas declarações de compensação teriam natureza tributária porque o empréstimo compulsório teria natureza tributária, nos termos da Emenda Constitucional nº 1/1969, que deu nova redação ao art.21, §2º, II, da Constituição Federal de 1967, muito menos na Constituição Federal de 1988, pois é previsto no art. 148, apresentando doutrina e jurisprudência. Por isso, as cártulas vinculadas às Obrigações do Reaparelhamento Econômico não se caracterizariam como títulos públicos adquiridos pelos particulares em livre manifestação de vontade contratual, pois tal caracterização seria uma interpretação reducionista, mas sim como títulos (função instrumental e documental comprobatória dessa relação extracontratual entre o estado e particulares) decorrentes da natureza jurídica do empréstimo compulsório. Fazendo uma evolução histórica, argumenta os títulos vinculados às Obrigações do Reaparelhamento Econômico não poderiam ser consolidadas como dívida pública interna fundada e nem trocados por títulos de recuperação financeira (Lei 4.069/1962, art.12 e art.53, caput e §2º), pois representavam obrigações vincendas de natureza tributária. Posteriormente, o Banco Central, através da Resolução nº 65, de 05.09.67, determinou que as devoluções do empréstimos, pagos de 1952 a 1957, fossem garantidas pela entrega compulsórias das Obrigações do Reaparelhamento Econômico, enquanto que para os adicionais pagos, a título de empréstimo compulsório, de 1958 a 1964, com base na lei deles institutiva, foi autorizada a compensação com IR devido a partir de 1968 e observada escala do DecretoLei 349/1968. Então caberia ao Banco Central proceder a restituição do empréstimo. As Delegacias Fiscais que passaram a denominarse “Receita Federal” (cf. Dec. 63.659, de 20.11.68) em 1968 se responsabilizariam pela restituição (ou compensação) de tais débitos perante os demais contribuintes. Tempos após, a vigência desse empréstimo foi prorrogada pela L. 2.973, de 26.11.56, sem modificação das condições jurídicas anteriores. Diante da evolução histórica, a contribuinte reafirma que as cártulas vinculadas às Obrigações do Reaparelhamento Econômico se caracterizariam como créditos originários de exigência de empréstimos compulsório e passíveis de compensação com créditos tributários da União, conforme doutrina e jurisprudência do STF, de 05/09/78, no RE 87.045SP. Por conseguinte, segundo a litigante, são as Obrigações do Reaparelhamento Econômico oriundas dos empréstimos arrecadados como adicional do imposto de renda e, portanto, administrados os respectivos recursos pela Secretaria da Receita Federal, ao contrário de outros títulos, como os empréstimos compulsórios em favor da Petrobrás e da Eletrobrás, que foram administrados pelo Ministério das Minas e Energia. Então, o valor das cártulas poderia servir para o encontro de contas ou compensação, visto representarem créditos devidos e ainda não pagos, nos termos do art.74 da Lei 9.430/1996. Continuando a contestação, é alegado o afastamento da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), no caso de nulidade do lançamento, devendo ser exigido a multa moratória no percentual de 20% (vinte por cento), nos termos do art.61 da Lei 9.430/1996, sobre os tributos declarados, mas supostamente não recolhidos. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 5 4 Ainda alega a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora, trazendo jurisprudência do STJ para fundamentar seu argumento, e/ou porque pode ser a vir declarada inconstitucional, e a impossibilidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, quando esta é lançada conjuntamente com o principal do débito, nos termos da jurisprudência do CARF. Por fim, solicita a realização de diligência a fim de comprovar a veracidade e/ou existência dos documentos ora juntados, visando um melhor convencimento, caso conveniente e necessário. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1046.996, de 24/10/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 NULIDADE/ANULABILIDADE HIPÓTESES NORMATIVAS. A declaração de nulidade/anulabilidade do lançamento ocorre quando os fatos se enquadram as hipóteses descritas no art.59 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Não se encontrando os fatos nas hipóteses legais, concomitante com o conhecimento dos fatos que fundamentam o lançamento demonstrado pela interposição de impugnação referente ao mérito do litígio, não cabe se falar de nulidade/anulabilidade do Auto de Infração. DCOMPS NÃO DECLARADAS INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA CONTRIBUINTE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. A inexistência de crédito tributário da contribuinte pleiteado em Dcomps consideradas não declaradas gera o lançamento de ofício sobre os débitos tributários desta indevidamente compensados. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA APLICAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora aplicados nos ditames da legislação de regência devem ser mantidos, haja vista que não se aprecia alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade na esfera administrativa, por ser prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Ciente desta decisão em 22/11/2013 (conforme Termo de Abertura de Documento), a interessada ingressou, no dia 12/12/2013, com Recurso Voluntário, no qual renova os fundamentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de auto de infração lavrado em razão de PER/DCOMP apresentado pela Recorrente ter sido considerada "não declarada", em face do impedimento legal previsto no art. 74, § 12º, inciso II, alíneas "c" e "e", da Lei nº 9.430/96, com as alterações posteriores. O valor da contribuição lançada em cada período de apuração foi o valor informado na referida DCOMP, que representa o valor não declarado em DCTF ou não pago. Não há questão preliminar a ser analisada, tendo em vista que a única preliminar suscitada na impugnação foi transportada, pela Recorrente, para o mérito do Recurso Voluntário. Passemos ao exame das questões de mérito. Alega a Recorrente que não é necessário efetuar o lançamento de ofício porque os débitos foram confessados no DACON e na DCOMP, tendo o Fisco se utilizado dessas informações para efetuar o lançamento, devendo ser afastada a multa de ofício e aplicado a multa de mora. Entende a Recorrente que o DACON e a DCOMP representam confissão de dívida, passível de inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Como brilhantemente disse a decisão recorrida, na compensação considerada não declarada não ocorre confissão de dívida (§ 13º do art. 74 da Lei nº 9.430/96), devendo a autoridade efetuar o competente lançamento de ofício, conforme dispõe o art. 46, § 3º, da IN RFB nº 1.300/2012. Logo, não servindo a DCOMP apresentada pela Recorrente para confessar dívida, o débito deve ser lançado de ofício com a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Em relação as alegações sobre a possibilidade de utilização das chamadas Obrigações do Reaparelhamento Econômico que, segundo a Recorrente, são oriundos dos empréstimos arrecadados como adicional do imposto de renda (portanto, têm natureza tributária), certo é que hoje as mesmas não são nem receita, nem indébitos de impostos ou contribuições administradas pela SRF e, muito menos, são ditas obrigações administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, correta a decisão da Autoridade da RFB de indeferir o pedido de restituição e de considerar "não declarada" a Declaração de Compensação, por força do que determina o art. 74, §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96. No que tange à cobrança da multa de ofício, a recorrente alegou que, por ter confessado os débitos em DACON e DCOMP, e a Fiscalização se utilizado dessa informação para lavrar o Auto de Infração, não procede o lançamento da multa de ofício, devendo incidir somente a multa de mora. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 7 6 Não procede alegação da recorrente, haja vista que, conforme demonstrado no tópico anterior, os débitos lançados não eram exigíveis da Recorrente, por não estarem confessados em DCTF ou DCOMP regular, devendose efetuar o seu lançamento de ofício com a competente multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Há provas nos autos, não contestadas pela recorrente, que demonstram que a recorrente omitiu, nas respectivas DCTFs, parte considerável dos débitos de PIS, ensejando a aplicação da multa de ofício tipificada no citado preceito legal. Por todas essas razões, fica demonstrada a procedência aplicação da multa de ofício em questão e, por conseguinte, rejeitada a alegação de insubsistência da dita multa de ofício, suscitada pela recorrente. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009), abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.720938/201375 Acórdão n.º 3302002.862 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10855.909689/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Relatório
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o “arquivo não paginável” e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 09 68 9/ 20 09 -8 9 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 185 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 25/06/2009, o PER/DECOMP nº 07621.19040.250609.1.3.048447, através da qual compensou o crédito ,de COFINS, no valor original de R$ 132.022,55, proveniente do DARF no valor de R$ 498.522,85 pago a maior, com a COFINS (código 5856) no valor de R$ 16.359,53 e PIS (códigó 6912) no valor de R$110.577,71, referente ao período de maio/ 2009, considerando o crédito indicado acima em virtude do recolhimento a maior. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720516 (fl. 5), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 8/9. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 35/38, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720516, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 07621.19040.250609.1.3.048447. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 132.022,55, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/05/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 185DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 186 3 O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a DCTF retificadora apresentada em 10/11/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 44). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 46/60), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no que se refere ao presente PAF, a Recorrente, na competência de abril de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 498.522,85. Tal valor foi recolhido por meio de DARF, cuja arrecadação se deu em 20.05.2008. Esse mesmo valor foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentado neste processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de abril de 2008, ocorreu um pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 132.022,55, gerando desta forma um crédito a ser utilizado. Por esta razão, transmitiu o PER/DCOMP em questão, o qual utilizou somente parte do crédito acima, no valor de R$ 126.937,24, apurado no mês de maio de 2009, conforme demonstrativos dos valores e dos PAF´s respectivos, representado no corpo do recurso voluntário (fl. 52); f) desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de abril de 2008. Assim, em 10/11/2009, os Fl. 186DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 187 4 referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; g) que, apesar da Recorrente ter apresentado o DACON e a DCTF retificadores do mês de abril de 2008 posteriormente à prolação do Despacho Decisório, é evidente a existência de seu direito creditório, o qual restou devidamente comprovado quando da apresentação dos referidos DACON e DCTF retificadores e que os julgadores administrativos originários sequer analisaram a documentação apresentada, a qual comprovava de forma idônea a veracidade dos créditos alegados; h) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF e do DACON retificadores, mesmo que apresentado fora do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; i) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP referenciado. Solicita ainda que o presente processo seja julgado em conjunto com outro PAF,s que relaciona, por possuírem PER/DECOMPs vinculados ao mesmo crédito apurado no mês de abril de 2008. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DCOMP colacionada aos autos. Observase ainda que, que na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora e também cópia do DACON retificado, uma vez que os mesmos foram entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório. Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 188 5 (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Da mesma forma, a retificação da DCTF não produz efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 2010, art. 9º, § 2º, I, c). A DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório, em razão da não homologação da compensação ou do indeferimento da restituição, não tem nenhuma força de convencimento. Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PER/DECOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue. Por outro lado a Recorrente, aduz em seu recurso que por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de abril de 2008 no momento oportuno. Assim, em 10/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 189 6 anexados), o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório. Ademais, como justificativa, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso (fls. 82/87) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), que encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Alega que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 10/11/2009 (fl. 16), ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 19/10/2009 (fl. 7). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme art. 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento fiscal ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 190 7 “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a Recorrente recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue (grifouse). Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo, vários documentos citados, quais sejam: cópia da DCTF e DACON originais e retificadores, trabalho de auditoria realizado pela empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), cujo resultado encontrase no relatório sintético (fls. 82/87) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Informa que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Alega que tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Ou seja, a recorrente apresentou uma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 191 8 O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente alega que acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarada na DCTF originária. Por consequência, aduz que restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que foi decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável e cópias de documentos), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário na origem, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 82 a 163 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer, demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls 82/87), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário às fl. 49, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e v) bens do ativo imobilizado. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909689/200989 Resolução nº 3802000.372 S3TE02 Fl. 192 9 Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10384.901116/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 11 16 /2 01 1- 15 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 2/20) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 37) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao segundo trimestre de 2005, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 01/10/ 2005, no valor de R$ 943,31. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 4 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.100, de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 5 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 22722.48795.051007.1.3.043158, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 1.023,48, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/06/2005; Data de Arrecadação: 28/07/2005, no valor de R$ 4.111,12. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 4.111,12, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 6 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2005, apresentada em 22/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 22722.48795.051007.1.3.043158, sem retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005 e procedeu a retificação da DIPJ/2006 somente em 30/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2006 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 4.111,12, relativo ao 2º trimestre de 2005 mediante o DARF em 28/07/2005, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 1.023,48 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2005, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2005 ....R$ 48.544,72”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 48.544,72, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 7 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/2006 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2005 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2005 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 1° Trimestre de 2005 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2006, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2005. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2005 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 8 7 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901116/201115 Acórdão n.º 1802002.531 S1TE02 Fl. 9 8 obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10860.721016/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Júlio César Alves Ramos. Esteve presente ao julgamento o Dr. Douglas G. Odonizi OAB/SP 207.535.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Júlio César Alves Ramos. Esteve presente ao julgamento o Dr. Douglas G. Odonizi OAB/SP 207.535. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de auto de infração que constitui e exige crédito tributário referente a IPI, multa proporcional e acréscimos, decorrente das seguintes infrações, conforme Relatório Fiscal de fls. 17/42: a) Recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto. São eles Componentes, acessórios, partes e peças’ adquiridos pela contribuinte e cujas notas fiscais de aquisição deveriam constar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 21 01 6/ 20 13 -1 4 Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 3 2 a obrigatória indicação de suspensão do IPI por força do disposto no art. 5o da Lei n ° 9.826, de 1999, com nova redação dada pelo art. 4o da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002. O que implica que os créditos de IPI relacionados a esses bens devem ser retirados da escrita da contribuinte por terem propiciado créditos de IPI em contrariedade com determinação legal de suspensão. A autoridade fiscal os lista no Anexo 22. b) Recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos relativos à devolução e retorno de produtos. De acordo com a autoridade fiscal, a contribuinte "não possui registro de controle de produção e estoque ou sistema equivalente, tendo apresentado cópias de folhas do Registro de Saídas/de Entradas, de registros totalmente indistintos de valores inscritos no Livro Diário (registros contábeis de saídas/retornos) e de planilhas Excel com dados também indistintos, incongruentes, contraditórios, denominando os de “sistemas internos”." in verbis: Anexo 12 planilhas intituladas ‘DEMONSTRATIVO DE RETORNO DE VEÍCULOS’ que as datas em que os veículos ‘entraram no estoque’ de VW e as datas das respectivas emissões de Notas fiscais de entrada data do ‘efetivo retorno’a VW são díspares. Veículos saíram da Montadora, foram para as transportadoras, os Clientes desistiram das compras, veículos voltaram para o ‘estoque’ da Montadora e, dias, semanas, meses depois, VW resolve emitir Notas fiscais de entrada e estornar o IPI apurado dias, semanas, meses antes. Sem mais documento algum a não ser Notas fiscais de entrada por Ela própria emitidas. O que, sem dúvida, demonstra que planilhas excel de VW o que VW pretendia ser ‘equivalente’ ao Controle da Produção e Estoque não eram muito fidedignas, pois careciam de requisitos mínimos de consistência e, por conseguinte, de veracidade. ‘Sistemas internos’ indescritíveis, apesar de nossas reiteradas solicitações para que fossem descritos e enumerados. ‘Sistemas internos’ que, para serem conhecidos e revelados, demandaram a descrição de Termo recém relatado. Que, em sua concretude, eram tão só Registro de Entradas e Livro Diário! Debalde, intentamos obter de VW comprovações, no mínimo, críveis do efetivo retorno dos veículos à sua planta; de que os carros realmente entraram em sua planta e retornaram ao estoque que lhes seria competente. Registro de Saídas/de Entradas/Livro Diário e planilhas, só isto. Sem mais registrados sob os CFOP 1.410 e 2.410. Advieram da devolução ficta, com estorno de IPI antes destacado, prevista no Decreto 6.687/2008. Entretanto, semelhante ‘benefício’, para ser fruído, tinha que atender a todas as condições das devoluções ordinárias, sobretudo, ao requisito de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, como abaixo se verifica negrito/ sublinhado de nossa inserção: (...) ‘O produtor deverá registrar a devolução do veiculo em seu estoque’ era a condição para a legitimidade das devoluções fictas em tela. Controle inexistente em VW, como ficou fartamente demonstrado anteriormente. Razão, assim, de também retirálos de sua escrita. c) Recolhimento a menor do imposto no PA 07/2008 em decorrência da escrituração e utilização de estorno de débito indevido. Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 4 3 A contribuinte apresentou impugnação (fls. 568/585) na qual: a) Informa haver optado pelo recolhimento referente à infração do item“c” acima; b) alegou, no que diz respeito aos créditos decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto, ao contrário do entendimento do fiscal, que: os insumos adquiridos cujos créditos foram glosados são relacionados a produtos classificados em códigos da NCM distintos daqueles arrolados no artigo 5º da Lei 9.826/99. ...... De fato, os produtos objeto das CFOPs 1.101 e 2.101 integram as posições da NCM 2834, 32141 3824, 7 209, 7210, 7211 9 8415 e 87.08. Ou seja, são espécies outras de componentes de veículos não integrantes do rol de itens sujeitos à suspensão do imposto na saída do fabricante. Assim, ainda que houvesse alguma irregularidade na saída das mercadorias com o débito do imposto, o que se admite meramente a título de argumentação, a Impugnante, na condição de adquirente das mercadorias, não poderia ser responsabilizada, pois agiu de boa fé ao se apropriar dos créditos de IPI não cumulativos.” c) Alegou, quanto aos créditos apropriados em decorrência da devolução de mercadorias, ter apresentado conjunto probatório suficiente para demonstrar a correção desse créditos. Explicou: O material apresentado pela Impugnante ao longo da auditoria fiscal é formado por: 1. Documentos contábeis. Compostos pelas rubricas próprias que revelam a saída das mercadorias dos estabelecimentos da Impugnante (contas 80000001 a 80000004, 80000008 a 800000014) e ulterior recebimento em devolução (contas 36030400 e 36030402). Os veículos nela mencionados podem ser identificados a partir dos seus números de chassis, coincidentes tanto das rubricas de saída, quanto de entradas; 2. Notas fiscais. Revelam as saídas e ulteriores entradas das mercadorias nos estabelecimentos da Impugnante, com a identificação dos produtos mediante indicação dos números de chassis de cada um deles, dentre outras características (docs. 5 e 6 — novas notas, juntadas de forma exemplificativa, além daqueles já apresentadas no curso da auditoria); 3. Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque. Nele estão identificados os produtos a partir, dentre outras características, dos números de chassis dos veículos (doc. 7). A partir dele, é possível saber o que aconteceu com o automóvel que deu saída do estabelecimento da Impugnante, como, no que interessa ao presente caso, a ulterior entrada, seja por Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 5 4 cancelamento ou devolução, com identificação em campo próprio. 4. Livro Registro de Entradas. Semelhantemente ao item anterior, os veículos são identificados, dentre outras informações, pelos seus números de chassis; e 5. Planilhas e prints de sistema interno. Demonstrativos com as indicações de CNPJs, inscrições estaduais, números de notas fiscais emitidas, valor das operações, IPI e, sobretudo, chassis de veículos. O conjunto probatório enumerado permite à Impugnante individualizar os veículos recebidos em devolução pelos seus números de chassis. Com isso, fica comprovado que o produto que a outrora se deu saída é o mesmo que retorna ao estabelecimento industrial, sendo identificado no estoque, o que, inclusive, tem correspondência com a documentação contábil apresentada. Especificamente em relação às devoluções e saídas fictas feitas em dezembro de 2008, são apresentados, em adição aos documentos já referidos — registros contábeis, notas fiscais, Livros de Registros de Controle de Produção e do Estoque e de Entradas, planilhas e prints de sistema interno notas fiscais exemplificativas, emitidas pelos próprios revendedores, de saída ficta dos produtos em devolução à Impugnante, juntamente com as ulteriores notas de saídas, também fictas, desses mesmos bens (vide os números de chassi), promovidas pela Autuada, destinadas aos mesmos remetentes (docs. 4). Os respeitáveis Julgadores da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte apreciaram os documentos que instruem o processo e a impugnação e proferiram as considerações e conclusões resumidas a seguir: o Aquele Colegiado não acolheu a argumentação da impugnante e manteve o entendimento da autuação de recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto. E explicou: o ",,, ainda que com a diferença nas descrições contidas nas notas e na relação elaborada pela fiscalização, não existem dúvidas de que tais produtos referemse a insumos (componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças) que irão compor os produtos fabricados pela impugnante, estes sim classificados nas posições relacionadas na Lei nº Lei 9.826/99, estando sujeitos à suspensão do IPI, motivo pelo qual não haverá direito a crédito." o com relação à infração relativa à utilização de créditos decorrentes da devolução e retorno de produtos, não considerou improcedentes as razões expostas pela impugnante e manteve o entendimento da autuação. E explicou: Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 6 5 19. A fiscalização acusa que a empresa não possui registro de controle de produção e estoque ou sistema equivalente, tendo apresentado cópias de folhas do Registro de Saídas/de Entradas, de registros totalmente indistintos de valores inscritos no Livro Diário (registros contábeis de saídas/retornos) e de planilhas Excel com dados também indistintos, incongruentes, contraditórios, denominandoos de “sistemas internos”. O direito ao creditamento em questão não decorre imediatamente do registro isolado, no Livro de Registro de Entradas, do retorno dos produtos ao estabelecimento industrial. E, quanto às planilhas “Registro de Estoque” apresentadas pela impugnante como se fora o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, verificase que o referido documento não exibe, induvidosamente, os mesmos elementos do livro a que pretende substituir e nem representa um controle quantitativo de produtos que permita a perfeita apuração do estoque permanente e de seu fluxo. Como se vê, a quantificação do crédito ficto a que teria direito a impugnante necessita, da mesma forma que o crédito regular referente ao retorno de produtos, do devido controle de estoque da impugnante, cujas carências já foram apontadas na análise acima. Ao final, concluíram os E. Julgadores pela improcedência da Impugnação, e o Acórdão n. 0128.283, de 15/01/2014 teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO. IMPOSTO DESTACADO INDEVIDAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Mantémse a glosa de créditos de IPI relativos a aquisições de insumos com destaque indevido do imposto nas notas fiscais; compete às empresas fornecedoras impetrar administrativamente pedidos de restituição do imposto indevidamente pago e à adquirente requerer, na esfera civil, devolução do valor pago indevidamente. IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, a contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, por meio do qual argumenta suas razões: 1. Inaplicabilidade do regime de suspensão do IPI aos produtos constantes das notas fiscais enumeradas pela Fiscalização. Mesmo que a suspensão fosse cabível, o registro do crédito não implicou prejuízo ao Erário, vez Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 7 6 que os insumos foram adquiridos com débito do imposto em observância à não cumulatividade do imposto. Boafé na conduta da Recorrente. 2. o exame da documentação fiscal revelou que integravam as posições da NCM 2834, 3214, 3824. 7209, 7210, 7211, 8415 e 87.08. Em conseqüência, tratandose de componentes não enumerados no rol do artigo 5º da Lei 9.826/1999 não havia que se cogitar da suspensão do imposto, sendo legítimo o lançamento do IPI na venda da peça e o respectivo registro do crédito pela Recorrente. 3. A suspensão de incidência do IPI na saída de produto industrializado é norma de caráter excepcional, posto que, como regra, o imposto incide sobre todas as operações que envolvam a venda de mercadorias por estabelecimentos fabricantes ou equiparados. Seguese daí a conclusão decorrente de que o regime de suspensão do imposto deve ser interpretado de forma estrita (CTN, art. 111), por representar uma exceção à sistemática geral de incidência e lançamento a débito do IPI a cada saída da mercadoria industrializada (RIPI/02, arts. 34, II e 39). 4. os demais produtos, não apontados no texto legal que instituiu a suspensão, sujeitamse ao regular recolhimento do imposto quando da saída do estabelecimento, ainda que possam se enquadrar no mesmo gênero daqueles cuja tributação seja suspensa, como são os casos dos componentes de veículos não numerados no artigo 5° da Lei 9.826/99, a exemplo dos itens de que ora se cuida (vide doe. 3 anexo à impugnação). 5. Na hipótese em exame, não há nenhuma prova de que as mercadorias adquiridas pela Recorrente tenham sido destinadas à fabricação de novas peças, componentes ou mesmo de veículos. Notese que elas poderiam ser revendidas no estado em que adquiridas como itens de reposição, usualmente instalados pelos distribuidores Volkswagen em veículos usados, na medida em que envolvem, dentre outros, para lamas (traseiros e dianteiros) e painéis (internos, externos e laterais). 6. Diversamente do alegado, não se tem a comprovação de que o destino dos produtos exame tenha sido veículos em fabricado pela Recorrente. Para que a alegação fosse procedente, caberia ao Fisco demonstrar que os produtos objeto dos CFOPs 1.101 e 2.101 foram necessariamente destinados à fabricação de peças, componentes ou veículos da Recorrente, o que inexiste nos autos. 7. Os créditos apropriados em decorrência da devolução de mercadorias estão lastreados em documentação probatória idônea e suficiente a comprovar a saída e retomo dos produtos. 8. O Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque utilizado contempla as mercadorias fabricadas pela Recorrente, as datas em que industrializadas, as datas em que comercializadas, os destinatários, as datas em que retomaram ao seu estabelecimento, os números das notas fiscais, dos CFOPs, os tributos IPI e ICMS devidos, as NCMs e os chassis. (...) O acórdão recorrido afirma que não seria possível fazer a Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 8 7 prova de retomo da mercadoria ao estoque da Recorrente. No entanto, não faz qualquer exposição no sentido de demonstrar porque chegou a essa conclusão. Pior do que a ausência de exposição da fundamentação que serviu à conclusão é a constatação de que, a partir da leitura dos arquivos da Recorrente, há uma diferente gama de informações que, contrariamente à convicção da DRJ, comprova haver o rigoroso sistema de controle de entrada e saída de mercadorias no estoque da Recorrente. Depreendese de tudo isso que o acórdão recorrido desprezou as provas integrantes dos autos, pois só assim teria condições de manter o lançamento, entendimento que não pode subsistir. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Recurso tempestivo e atendidos demais requisitos de admissibilidade. Com relação ao recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos relativos à devolução e retorno de produtos, após consultar os documentos que instruem o processo, não consigo formar convicção para concluir este ponto. O contribuinte alega o contrário. Afirma ter juntado elementos nesse sentido. Entretanto, sinto que esse conjunto de dados deveria demonstrar que os produtos retornados foram efetivamente recebidos no estabelecimento em devolução, que entraram realmente nos estoques do contribuinte e, em adição, que ocorreu o ressarcimento àquele que devolveu o produto. O mesmo com relação às devoluções fictas, nos termos previstos pelo Decreto n. 6.687, de 2008. A sistemática da contabilidade empresarial e da contabilidade de custos, com seus registros relatórios, quando corretamente efetivada, consegue proporcionar as informações desejadas pela administração fiscal e tornar evidente cada uma das operações de devolução e suas implicações tributárias, integrando os processos, as operações e os registros de interesse gerencial e os de fiscal. Um dos controles indispensáveis é o que permite a apuração dos estoques, de sua movimentação, saldos e de cada uma das operações de entrada e saída, conhecendo sua motivação e correlação com as outras operações da empresa. E com a apreciação desse conjunto, conseguir verificar que há correspondências dos registros com a realidade das operações e, também, o atendimento das prescrições legais. Mas não logrei esse resultado com o conjunto de documentos e informações oferecidas pela contribuinte. Sem dúvida que esse resultado não corresponde à expectativa da contribuinte. Há que se verificar a funcionalidade do seu sistema interno e que ele atende à hipótese prevista no artigo 388 do RIPI, e dele ser capaz em termos analíticos, gerenciais, operacionais, fiscais , de permitir o acompanhamento e a apuração do estoque e a identificação individualizada das operações, observadas as prescrições do art. 3º do Decreto n. 6.687, de 2008. Fl. 4161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Resolução nº 3401000.872 S3C4T1 Fl. 9 8 Proposta de conversão do julgamento em diligência: A recorrente insiste que os seus registros estão em condições de atender á prescrição da legislação a respeito. Explica que o conjunto de documentos resulta de um sistema informatizado, e que ele pretende estar consoante o disposto no artigo 388 do RIPI e do art. 3º do Decreto n. 6.687, de 2008. Tenho como profissão de fé que a observação das formalidades prescritas, em linhas gerais, não podem se sobrepor à verdade material, à justiça e aos princípios que orientam os atos administrativos. Nesse sentido, ressalto a importância da contabilidade e dos registros fiscais, valorizados pela ordem jurídica; e a expectativa que os avanços tecnológicos e as funcionalidades e benefícios dos sistemas informatizados atendam às normas que disciplinam as práticas contábeis e as referentes aos registros fiscais. Sendo assim, em nome da posição que acima defendo, proponho a conversão do julgamento em diligência para: 1. ser verificada a conformidade e a correção dos registros de devolução, inclusive as fictas. 2. A obtenção dos meios de demonstração que os produtos tributados foram recebidos em devolução, ingressaram no estoque do sujeito passivo e de que houve ressarcimento ao comprador do valor dos produtos devolvidos, quais sejam: mediante exibição do Livro de Registro de Saídas, do Livro de Registro de Entradas, do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou de Fichas impressas com os mesmos elementos do livro substituído ou, ainda, de Controle Quantitativo de Produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente), sem prejuízo da apresentação dos demais documentos contábeis e fiscais obrigatórios (Livro de Registro de Apuração do IPI e de Registro de Inventário, v.g.). 3. Seja dada ciência à contribuinte dessa decisão e da informação fiscal resultante do atendimento da diligência e que, em cada uma delas, ela possa apresentar suas considerações no prazo de 30 dias da ciência. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13676.720082/2013-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. MICROANGIOPATIA. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DE LEI QUE OUTORGA ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A DOENÇA COMPROVADA CORRESPONDE A ALIENAÇÃO MENTAL.
A comprovação da doença que ampara a isenção deve ser feita por laudo expedido por serviço médico oficial. A lei que outorga isenção deve ser interpretada de forma estrita. Embora tenha sido comprovada a Microangiopatia, não há um laudo emitido por serviço médico oficial que comprove a correspondência da doença com a alienação mental. Além disso, evidências nos autos impedem concluir pela correspondência, apesar dos relatórios médicos particulares.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. MICROANGIOPATIA. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DE LEI QUE OUTORGA ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A DOENÇA COMPROVADA CORRESPONDE A ALIENAÇÃO MENTAL. A comprovação da doença que ampara a isenção deve ser feita por laudo expedido por serviço médico oficial. A lei que outorga isenção deve ser interpretada de forma estrita. Embora tenha sido comprovada a Microangiopatia, não há um laudo emitido por serviço médico oficial que comprove a correspondência da doença com a alienação mental. Além disso, evidências nos autos impedem concluir pela correspondência, apesar dos relatórios médicos particulares. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 6. 72 00 82 /2 01 3- 34 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2012, anocalendário 2011, cuja impugnação foi indeferida na parte em que se pleiteou isenção sobre proventos de aposentadoria recebidos do INSS. A decisão recorrida fundamentouse na interpretação literal da isenção (art. 111, II do CTN) e no fato de a doença comprovada (microangiopatia – CID G 31) como existente desde setembro de 2009, não estar prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713, de 1988. A ciência do acórdão ocorreu em 11/11/2013 e o recurso voluntário foi interposto no dia 03/12/2013 assentado na alegações adiante resumidas: 1. tem direito à isenção do imposto de renda por ser portador de microangiopatia cerebral/Gliose, desde setembro de 2009, em virtude do que se aposentou pelo Regime Geral da Previdência Social – RGPS; 2. a doença foi confirmada por perícia oficial do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; 3. o laudo médico pericial descreve a doença como “degenerativa do sistema nervoso central”, bem como os sintomas: “perda parcial da memória, dificuldade de escrita e distúrbios de comportamento”; 4. o laudo pericial baseouse em laudos que indicaram o quadro sintomático de “déficit cognitivo com características demências com prejuízo da memória” e “demência vascular” associada a “afasia progressiva”, 5. sustenta ser uma espécie de alienação mental e indica definição dada pelo TRT da 1ª Região para essa doença para efeitos de aposentadoria de servidor; 6. indica precedente judicial que reconheceu ser a microangiopatia amparada pela isenção; 7. o médico do INSS reconheceu o direito à isenção; Requereu prioridade de tramitação com base no Estatuto do Idoso. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de outubro de 2014. É o Relatório. Voto Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13676.720082/201334 Acórdão n.º 2802003.296 S2TE02 Fl. 63 3 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Acertadamente o acórdão recorrido indicou a necessidade de interpretação estrita do dispositivo legal que outorgou a isenção. Discutese se a doença comprovada (microangiopatia – CID G 31) corresponde à alienação mental que é prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713, de 1988. Os documentos são: a) Laudo pericial (fls. 4 e novamente 54); b) Laudo e exame particular fls. 55/57; c) consulta ao sistema informatizado do INSS, atestando aposentadoria por invalidez pelo INSS desde 16/12/2010, DIB (fls.59). Para fins da isenção é preciso que a doença seja indicada em laudo médico expedido por serviço médico oficial. O laudo de fls. 4 foi expedido por PSF Centro – S.M.S Oliveira, pelo Dr. José Serrano. Embora seja atestado o tratamento de doença degenerativa do sistema nervoso central, incapacidade para o trabalho devido a perda parcial da memória e déficit de escrita e distúrbios do comportamento e de que se trata de doença irreversível, esse laudo não assinala que se enquadra como “alienação mental”, ainda que o laudo tenha adotado formulário padronizado em que existe este campo. Pelo carimbo aposto na parte superior direita a indicar que esse laudo foi protocolado no INSS, Agência Oliveira, o que leva a concluir que o laudo não foi emitido pelo INSS. Às fls. 5 (idem fls. 58) consta o despacho da Agência do INSS referindose a um laudo médico para isenção de Imposto de Renda assinado pelo perito Dr. Gustavo que estaria anexado às fls. 8 do processo protocolado naquela Agência. Esse despacho também indica o encaminhamento ao Supervisor de Perícia Médica, Dr. Silvimar, o qual homologa a isenção do IR. Contudo, essa homologação ocorre em 24/06/2013 e não consta dos autos o Laudo emitido pelo médico perito do INSS, Dr. Gérson, o que impede reconhecer o que foi homologado pela Perícia do INSS. Dessa feita, não se sabe que doença e a partir de que data. Ademais, a aposentadoria por invalidez a partir de 16/12/2010, sem que o INSS desde aquela data cessado a retenção do Imposto de Renda não labuta no sentido de reconhecer a alienação mental àquela época. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De outro giro, demonstra que o INSS não se limitou ao Laudo apresentado pelo recorrente, tanto que outro precisou ser emitido pelo perito da autarquia previdenciária. Os demais laudos e relatórios médicos são de difícil leitura. Ainda que aparentem atestar o que o corrente afirma: “déficit cognitivo com características de demências com prejuízo da memória” e “demência vascular” associada a “afasia progressiva”, esses documentos não constituem prova inequívoca de que a doença se enquadrava como alienação mental e não foram emitidos por serviço médico oficial (foram emitidos por médicos particulares; fls. 55/57), portanto, não são hábeis para o fim almejado, sobretudo em razão das demais circunstâncias dos autos. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11444.001833/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/12/2008
MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL
Constitui infração deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua responsabilidade no prazo de 30 dias do início das atividades. Artigo 49, § 1º, alínea b, da Lei n.º 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.726
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Artigo 49, § 1º, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 18 33 /2 00 8- 51 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em 24/12/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 30/12/2008, em virtude do descumprimento do artigo 49, inciso II, parágrafo 1 , letra “b”, da Lei n. 8.212/91, por ter deixado de matricular, junto ao INSS, obra de construção civil sob sua responsabilidade, no prazo de trinta dias do seu início. Aduz o Relatório Fiscal de fls. 38 que foi emitida matrícula CEI exoffício sob n° 38.010.04879‹73, tratandose de construção em convênio com o CDHUCompanhia de Desenvolvimento Habit.Urbano, para a execução conjunto habitacional, com 596 unidades habitacionais, cujo contrato foi assinado em 03/07/2002 . Após a apresentação de defesa, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde alega a) que a obra não é de propriedade do Município e foi edificada em regime de mutirão; b) que isto equivale a dizer que não houve mão de obra assalariada; c) que se não houve mo assalariada não há incidência de contribuição previdenciária, não havendo como cobrar obrigação acessória; d) que já se passaram mais de cinco anos, nada havendo a ser cobrado e que exibiu documentos para comprovar. e) Por fim, requer a anulação da autuação. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.001833/200851 Acórdão n.º 2302003.726 S2C3T2 Fl. 131 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Assim, no caso em questão temos que é obrigação da empresa matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade ou de sua responsabilidade dentro do prazo legal de trinta dias contados do início da mesma.conforme disposto no artigo 49, §1º, alínea “b” da Lei n.º 8.212/91. O INSS procederá à matrícula de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 dias contados do início de suas atividades. A fiscalização constatou que a obra de propriedade do recorrente iniciou em 07/2002, de acordo com os contratos apresentados, mas não foi efetuada a matrícula da mesma, de forma que se mostrou procedente a autuação, nos termos da legislação acima citada: Art. 49. A matrícula da empresa será feita: (...) II perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no prazo de 30 (trinta) dias contados do início de suas atividades, quando não sujeita a Registro do Comércio. § 1º Independentemente do disposto neste artigo, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS procederá à matricula: a) de ofício, quando ocorrer omissão; b) de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo do inciso II. (...) § 3º O não cumprimento do disposto no inciso II e na alínea "b" do § 1º deste artigo, sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei. Destarte, ao efetuar a matrícula de ofício, a fiscalização apenas cumpriu a legislação vigente. A alegação da recorrente de que teria se operado a decadência não foi comprovada, tampouco carreada aos autos qualquer prova que dirimisse o assunto. Da mesma forma, é inócua a assertiva quanto a edificação ter se dado em regime de mutirão, porque além da recorrente não ter juntado qualquer prova da alegação, o fato também não ilide o descumprimento da obrigação acessória de proceder à matrícula da obra de construção civil, independentemente da forma com que a mão de obra foi prestada. Como já referido em parágrafos anteriores é obrigação da empresa efetuar a matrícula de obra de construção civil de sua propriedade e por força do artigo 15, I, da Lei n.º 8.212/91, o município equiparase à empresa para os efeitos da citada Lei: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.001833/200851 Acórdão n.º 2302003.726 S2C3T2 Fl. 132 5 Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008562/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 08 56 2/ 20 10 -7 9 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 649 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em razão de resultados da investigação realizada pela Polícia Federal denominada Operação Vulcano, foi iniciado procedimento de fiscalização em nome do recorrente, para apurar a existência de omissão de rendimentos. Cumpre salientar, a utilização, pela Receita Federal, das matérias coletados na investigação policial, foi autorizada judicialmente (fl. 346 do eprocesso). Em 23/03/09, o recorrente foi intimado, mediante Termo de início de Procedimento Fiscal (fls. 23) a apresentar, no prazo de 20 dias, em relação aos anos calendários de 2004 a 2007: a) documentação comprobatória de bens e direitos alienados e/ou adquiridos; b) relação dos nomes dos bancos, números de agências e números de contas correntes, poupança e investimento, de todas as instituições financeiras nas quais manteve conta; c) extratos bancários de contas correntes, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança de todas contas mantidas pelo contribuinte e das mantidas pelos dependentes; d) comprovantes dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis discriminados mensalmente, auferidos pelo contribuinte e dependentes; e) contratos sociais e respectivas alterações, de todas as pessoas jurídicas em que figurava como sócio ou acionista; f) em relação a atividade rural, preencher as planilhas anexadas; g) documentação hábil e idônea que comprove os empréstimos contraídos e feitos em eu nome, além de veículos adquiridos e alienados; Ciente em 30/03/09 (fl. 4), apresentou resposta em 22/04/09, juntando extratos bancários do Bancos Bradesco e Real (fls. 6111). Em 03/08/09, a fiscalização emitiu Termo de Intimação Fiscal nº 0001 (fls.112 117), solicitando que o contribuinte apresentasse, em relação aos anos calendários de 2004 a 2007, (a) extratos Bancários das cadernetas de poupança e extratos bancários de aplicações financeiras que possuía junto ao BANCO ABN AMRO REAL S.A (b) a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação em anexo. O recorrente ofereceu resposta em 14/08/09, aduzindo que não manteve caderneta de poupança e que, conforme informação da instituição bancária, a Conta 37.12965 7, era uma conta remunerada na qual os saldos positivos eram aplicados em CDI/CDB com Fl. 649DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 650 3 baixa automática. Arguiu, ainda, que a comprovação das origens dos valores creditados ou depositados contas correntes já havia sido encaminhada. Quanto às receitas, referiu que foram devidamente informadas e tributadas nas Declarações de Imposto de Renda 2005 a 2008. Em 16/10/09, a Fiscalização intimou novamente o recorrente (fls. 122126), solicitando mais esclarecimentos sobre a documentação já apresentada. Em 16/11/09, o recorrente manifestouse informando novamente que não manteve caderneta de poupança de Banco Real e que, quanto às demais solicitações, as informações foram negadas pela Instituição Bancária. O recorrente foi intimado ainda mais uma vez (fls. 129130) a apresentar esclarecimentos quanto a sua movimentação bancária e quanto a suas despesas com atividade rural. Em resposta, o recorrente procurou justificar o empréstimo de R$ 98.000,00 registrado em sua DIRPF como contraído junto à Babilônia Drinks Ltda, bem como justificou a despesa da atividade rural com vacinas bovinas, adquiridas da Pantanal Produtor Agropecuário Ltda. (fls. 132133). Em razão da negativa de existência de contas poupança na Instituição Banco ABN AMRO REAL S/A, a fiscalização emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls. 134136). O requerimento foi atendido em 15/10/2009 (fls. 137166) e 10/11/2009 (fls. 167188). Em 17/11/09 o contribuinte foi novamente intimado para prestar esclarecimentos (fls. 189192), oportunidade em que respondeu (fl. 194) (a) reiterando que as siglas utilizadas pela instituição financeira só serão informadas diretamente a Receita Federal (b) informando que o credito lançado em conta corrente com o titulo de sinistro referese a indenização de seguro referente a lancha roubada, e os créditos com o titulo de financiamento foram empréstimos efetuados, cujos contratos estão em posse da instituição bancária devendo ser requeridos diretamente (c) alegando que os valores creditados em conta corrente em 2004 estão devidamente declaradas em DIRPF 2004/2005, pois a receita declarada para a atividade rural foi de R$ 435.234,00, e os depósitos totalizaram R$ 138.449,05. Intimado novamente por mais duas vezes (fls. 195198) e (fls. 207211), para apresentar comprovantes de despesas de atividade rural e para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente conforme relação anexada, o recorrente respondeu (fls. 214217) arguindo que os valores movimentados em sua conta corrente no ano base de 2005 constam em sua declaração de IRPF, conforme planilha juntada. Aduziu que o valor de RS 107.162,15 foi fruto de indenização referente a sinistro de seu carro, dentre outras informações. Juntou livro caixa da atividade rural (fls. 217233 e 245250) e notas fiscais de produtor (fls. 235244 e 251278). 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 06/10/10 (fls. 301310), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário de 2005, 2006, 2007 apurando crédito tributário no valor de R$ 681.324,79, incluindo imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. 3 Impugnação Fl. 650DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 651 4 Inconformado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 318331), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) sustenta ter apresentado os documentos hábeis e idôneos a comprovação da origem dos depósitos; b) em relação aos anos calendários de 2005 e 2006, conforme levantamento da própria fiscalização, o valor total da movimentação bancária é inferior ao declarado pelo recorrente; c) reconhece que o valor declarado, em relação ao ano calendário de 2007 é inferior à movimentação bancária, não impugnando o ponto e declarandose devedor de imposto referente a diferença apurada; d) a administração não pode simplesmente desconsiderar a documentação comprobatória apresentada pelo impugnante, o que evidentemente caracteriza cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; e) é prerrogativa dos órgãos administrativos manifestarse sobre constitucionalidade de lei, a fim de garantir a aplicação da Constituição Federal. Em caso contrário, perdese a finalidade do contencioso administrativo. Ademais, a limitação do livre convencimento da autoridade administrativa julgadora, bem como não permitir o conhecimento da matéria constitucional implica cerceamento de defesa e consequente ofensa à Constituição Federal. Juntou precedentes que reiteram sua tese. f) A multa de 75% possui caráter evidentemente confiscatório e desproporcional. Aduz que o STF já julgou no sentido do judiciário deter competência para reduzir o valor de multas consideradas abusivas. g) não encontra fundamento a cumulação atualização monetária, multa moratória e juros de mora, que caracteriza evidente enriquecimento ilícito do Poder Público. No mesmo sentido, incabível a utilização da taxa SELIC como indexador, que representa correção monetária vedada pela legislação; 5. Acórdão de Impugnação Em 17/01/10, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 3ª Turma da DRJ/BSB (fls. 380388), mantendo o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) o art. 42, a Lei n.º 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente independentemente da constatação direta de dispêndios ou acréscimo patrimonial que era exigida pela legislação anterior. Quando não comprovada a origem dos recursos aportados na conta corrente do sujeito passivo, tem o fiscal o poder/dever de autuar como omissão de rendimentos o valor dos depósitos bancários recebidos, em cumprimento ao princípio da legalidade; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 652 5 b) depósitos devem ser justificados individualizadamente, não sendo possível que se justifique depósitos bancários de forma geral, ou seja, comprovar que tinha renda compatível com a movimentação. Cada depósito deve ser justificado, com sua origem e motivação identificadas, de modo a permitir sua eventual tributação com a aplicação de legislação específica a cada caso. O recorrente não fez a prova individualizada dos depósitos; c) os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, falecendo, assim, competência a esta autoridade para pronunciarse sobre a validade de Lei regularmente editada. Esse é o entendimento pacificado na súmula nº 2 do CARF. d) quanto à multa de 75%, essa constitui mera sanção por ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, razão pela qual se revela inaplicável o princípio da vedação de confisco, previsto no art. 150, IV da Constituição Federal; e) a utilização da taxa SELIC está disposta na Lei nº 9.065/95, e a discussão sobre sua constitucionalidade não é competência da autoridade administrativa. 6. Recurso Voluntário Ciente em 12/04/12, o recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, em 11/05/12 (fls.880909), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando: a) o recorrente comprovou, por meio de notas fiscais de venda de gado, a origem dos depósitos, juntamente com toda documentação relevante a comprovação da atividade rural. Ademais, a própria fiscalização intimou todos os compradores e vendedores citados pelo recorrente, que confirmaram os negócios efetuados, fato desconsiderado pelo Fisco no lançamento; b) o recorrente apresentou durante todo o procedimento de fiscalização, as suas DIRPF’s, bem como extratos bancários, livros caixas, notas fiscais de venda de gado e recebimento de sinistros. A documentação, apesar de apta a comprovar a origem dos depósitos, foi desconsiderada pelo Fisco; c) quanto ao ano calendário de 2005, os valores de sua movimentação bancária correspondem a renda de atividade rural. Os valores foram utilizados para quitação de despesas cotidianas e cartão de crédito; d) quanto ao ano calendário de 2006, o recorrente recebeu o valor de R$ 107.162,15 referente ao pagamento pelo sinistro de um veículo. As transferências entre contas bancárias ocorreram entre contas de titularidade do recorrente; e) quanto ano calendário de 2007, os valores depositados no mês de maio (R$ 352.757,00), correspondem a venda de gado realizada no mês de abril. Nos Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 653 6 meses de setembro a dezembro o recorrente efetuou empréstimos, que geraram movimentação bancária decorrente das transações; f) citou parecer da PGFN que defende a competência do Conselho de Contribuintes para decidir matéria constitucional. Juntou precedente do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 654 7 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Relator Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls 134135). Conquanto exista processo criminal instaurado em face do contribuinte na esfera judicial, de acordo com os relatos presentes nos autos do presente processo, não há quebra judicial de sigilo bancário. Segundo relato da própria fiscalização, as ordens concedidas no processo judicial restringemse a permitir o acesso dos documentos apreendidos na “Operação Vulcano”, nos quais não se encontravam grande parte dos extratos bancários utilizados para constituir o crédito tributário no auto de infração ora analisado. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 655 8 Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 656 9 Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 657 10 origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.008562/201079 Resolução nº 2202000.501 S2C2T2 Fl. 658 11 termos, considerando tratarse de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13631.000286/2003-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente.Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os embargos no sentido de esclarecer que o vício era de natureza material.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Cassio Schappo e Flávio De Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO OCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente.Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os embargos no sentido de esclarecer que o vício era de natureza material. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 1. 00 02 86 /2 00 3- 08 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Cassio Schappo e Flávio De Castro Pontes. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13631.000286/200308 Acórdão n.º 3801004.750 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes Embargos de Declaração de omissão da decisão da 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou os primeiros Embargos de Declaração, dos quais acolheu com efeito de modificar o trecho que outrora contraditória. Cumpre memorar que o recurso voluntário do Contribuinte, às fl. 103 a 118, argumentava que o direito da Fazenda Nacional sobre o crédito é decadente, tendo em vista o lapso temporal entre o fato gerador e o lançamento, bem como que tem direito a restituição de crédito conforme decisão judicial transitada em julgado no que preferiu requerer a compensação de créditos pelo valor que teria a receber. A 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou o Recurso Voluntário conferindolhe provimento, conforme a seguinte ementa (fls. 222 a 225): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Períodos de apuração – 10º ao 40º trimestres de 1998 DECADENCIA PARCIAL DO LANCAMENTO AUTUAÇÃO POR SUPOSTA NÃO COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL PROVA FEITA ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA MANUTENÇÃO DA EXAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional, às fls. 228 a 230, opôs os embargos de declaração, nos quais alega contradição na decisão que deu provimento ao Recurso Voluntários, posto que o relator ao longo do acórdão relata sobre a anulação do lançamento e no resultado do acórdão vota pelo seu cancelamento, assim como deixa de indicar a natureza do vício que ocasionou o vício do lançamento. A 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou os Embargos de Declaração, acolhendo com efeito de modificar o trecho que restou contraditório conferindo a seguinte ementa (fls. 386 a 391): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO VERIFICADA. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos para sanar a omissão e contradição, quando verificado que o acórdão embargado deixou de fundamentar adequadamente matéria do recurso de ofício. EXISTÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 Comprovada a existência do processo judicial impõese a anulação do lançamento, cabendo ao Fisco, se entender devido, efetuar novo lançamento, sob os novos pressupostos desde que respeitado o prazo decadencial. Embargos de Declaração Acolhidos. A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 392 a 393), alegando a ocorrência de omissão, em razão de não haver o acórdão se pronunciado quanto à natureza do equívoco evidenciado no acórdão da 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento que deu provimento ao recurso voluntário determinando o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13631.000286/200308 Acórdão n.º 3801004.750 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. A apresentação dos Embargos de Declaração é tempestiva e atende aos demais pressupostos, portanto dele tomase conhecimento. Cumpre salientar que a competência do CARF para a apreciação de Embargos de Declaração decorre dos art. 64 e art. 65 de seu Regimento Interno, os quais colaciono: PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. Nestes termos, passo a analisar os referido. Alegase ao presente caso a presença de omissão, face à ausência de menção expressa quanto ao tipo de vício apontado pelo no acórdão embargado. O auto de lançamento está eivado de vício formal e por esta razão foi anulado. Ao invés de ter o fisco produzido outro auto de lançamento, sanando o que a ausência de análise dos documentos colacionados pela parte causou, este apenas modificou a fundamentação do auto de lançamento inicial, durante o curso ao processo administrativo. Neste caso, é cediço que a dívida tributária não deixou de existir, apenas seus fundamentos foram corrigidos a margem do procedimento correto, ou seja, apenas a formalização no lançamento restou viciada. Conforme interpretação da Solução de Consulta Interna nº8 Cosit, de 08 de março de 2013, o vício formal ocorreria: “(...) O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (atofato administrativo). É quando o produto do lançamento está corretamente direcionado ao sujeito passivo, ou seja, está correto o critério pessoal da regra matriz de incidência. Contudo, há erro formal no instrumento de lançamento (auto de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 infração ou notificação de lançamento) que tem o condão de prejudicar o direito de defesa do autuado ou notificado.” No caso dos autos, não houve a analise dos documentos apresentados pelo contribuinte e o auto de lançamento baseouse juntamente na carência de demonstração da existência do Mandado de Segurança que originou o direito do contribuinte, o que prejudicou o seu requerimento. Uma vez observado este erro, deve ser reanalisada a questão, sendo incompatível a simples modificação da fundamentação do auto de lançamento, quando já houve defesa inicial. É necessário primar pelo direito à ampla defesa e ao contraditório, princípios defendidos também no processo administrativo fiscal, bem como o art. 145 e 149 do CTN, em que há previsão expressa das hipóteses em que um auto de lançamento pode ser alterado. Cita se: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13631.000286/200308 Acórdão n.º 3801004.750 S3TE01 Fl. 5 7 omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O erro formal é passível de correção e por este motivo, no resultado o acórdão, restou expresso que o fisco deveria promover o novo lançamento, dentro do prazo decadência. Diante do exposto, entendo que os presentes embargos devem ser rejeitados os embargos, por ausente a omissão apontada. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.913899/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-002.445
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 38 99 /2 00 9- 64 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 296 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 297 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 264/287 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 258/261) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que em 11/03/2005, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 3393 8.55551.110305.1.3.040199 (efls. 01/05), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA fevereiro/2005, data de vencimento 31/03/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 343.633,62; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 343.633,62. b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 336.170,63 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA dezembro/2004, DARF no valor de R$ 12.417.374,18, data do recolhimento, arrecadação, 31/01/2005. Cópia do DARF (efl. 256). Valor crédito na data de transmissão (valor original): R$ 336.170,63. Em 18/02/2009, a DERAT/São Paulo, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 06, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 336170,63. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Socíaí sobre o Lucro Líquido (CSLLJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 298 4 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art . 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 , de 2005. Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Ciente desse despacho decisório em 03/03/2009 conforme consta (efl.259 ), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 31/03/2009 (efls. 10/20), juntando ainda documentos (efls. 21/256), aduzindo em suas razões, em síntese: que não pode prosperar o decidido pelo despacho decisório, por falta de amparo legal; que o decidido pelo despachio decisório, ainda, colide, vai de encontro aos precedentes do CARF; que é possível a compensação de valores pagos indevidamente a título de estimativas mensais, quandos valores recolhidos não se vinculam à sistemática do inciso IV do § 3º do art. 2º da Lei 9.430/96; que, de acordo com a sistemática de recolhimento por estimativa, a contribuinte deveria antecipar pagamento de CSLL Estimativa Mensal de dezembro/2004, código de receita 2484, o montante de R$ 11.187.335,28 (vide cópia Ficha 16 da DIPJ 2005/retificadora, de 11/07/2006 – efls. 53 e 69), porém procedeu a recolhimentos de: a) R$ 12.417.374,18 (principal), data do recolhimento 31/01/2005 – cópia do DARF de pagamento (efl. 56); b) R$ 12.739,78 (complemento de principal), mais multa de mora de R$ 2.547,95 + juros de mora de R$ 2.188,69 = Total R$ 17.476,42, conforme cópia do DARF de pagamento em 31/01/2006 (efl. 57). que a diferença de R$ 1.242.778,68 configura pagamento indevido de estimativa mensal da CSLL, e não submetida à sistemátiva introduzida pelo inciso IV do § 3º do art. 2º da Lei 9.430/96; que, além do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos R$ 336.170,63, utilizou R$ 906.608,05 na DCOMP nº 02819.58566.240706.1.3. 041035, Processo nº 10880.684046/200918, transmitida em 24/07/2006; que, por se tratar de pagamento indevido da CSLL – Estimativa Mensal de dezembro/2004 (referida diferença recolhida indevidamente), aplicase o entendimento do art. 165, I, do CTN; que, valores excedentes recolhidos, em relação aos apurados na escrituração, configuram pagamentos indevidos, não abarcados, não regulados, pela legislação que trata da antecipação de pagamento por estimativa mensal, e que são passíveis de restituição Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 299 5 imediata, com correção da Taxa SELIC, não necessitando compor o saldo negativo do AC (declaração de ajuste anual); que, nesse sentido, são os precedentes do CARF (por exemplo, Acórdão 10516.205, de 06/12/2006); que o procedimento adotado não gerou qualquer prejuízo ao Erário; que, se não tivessse apresentado as DCOMP, poderia ter feito a compensação direta nos balancetes de suspensão/redução que daria na mesma; que, diante do exposto, deve ser reformado o despacho decisório, para reconhecimento do crédito pleiteado e extinção do débito confessado na DCOMP, pela homologação da compensação objeto dos autos. A DRJ/São Paulo I (5ª Turma), sem adentrar no mérito quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado em face de óbice na legislação infralegal para restituição de mera antecipação de CSLL – Estimativa Mensal (IN SRF nº 600/2005, art. 10), julgou, de plano, a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 10/05/2011 (efls. 258/261), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2005 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente dessa decisão em 09/06/2011 – Aviso de Recebimento AR(efl. 263), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/06/2011 (efls.264/287), juntando ainda os documentos de efls. 288/292, reiterando as razões constantes da impugnação apresentada na instância a quo e já resumidas neste relatório. Acrescentando, ainda, precedentes recentes do CARF: da inaplicabilidade do art. 10 da IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 (Acórdão nº 140100.420, de 26/01/2011); da aplicação retroativa da IN RFB 900/2008 (Acórdão nº 120200.466, de 25/01/2011); Fl. 299DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 300 6 que o crédito pleiteado não foi levado para a declaração de ajuste anual (na apuração de saldo), que o procedimento – compensação mediante apresentação de DCOMP não configurou prejuízo à Fazenda Nacional, tampouco implicou utilização em duplicidade do crédito pleiteado, pugnando então pelo reconhecimento do crédito/restituição, pela aplicação do mesmo entendimento do precedente do CARF (Acórdão nº 180200.042, de 28/05/2009). Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o reconhecimento do direito creditório e extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 301 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório (crédito pleiteado contra o fisco) no valor de R$ 336.170,63 (valor original), e utilização/aproveitamento desse crédito, caso reconhecido, para quitação/extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. Vale dizer, em 11/03/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP a compensação tributária nº 3393 8.55551.110305.1.3.040199 (efls. 01/05), onde informa: a) débito compensado (CSLL do PA fevereiro/2005), sob condição resolutória; b) crédito utilizado: R$ 336.170,63 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA dezembro/2004, DARF no valor de R$ 12.417.374,18, data do recolhimento, arrecadação, 31/01/2005 . Valor crédito na data de transmissão (valor original): R$ 336.170,63. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição da CSLL Estimativa Mensal, mas sim apenas saldo negativo do anocalendário, apurado na declaração anual de ajuste. Nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96. que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que no ano calendário 2004 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de efetuar antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário (CTN, art. 165, I). No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 302 8 a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final do ano calendário (encerramento do exercício), exigindose a apresentação de declaração de ajuste anual; b) não há falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; Não obstante, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso indevido do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (pagamento não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo no ajuste anual, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente (Súmula CARF nº 84) e, ainda, pelo fato da contribuinte, nas duas oportunidades que teve nos autos (por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário) não ter produzido prova cabal do alegado erro de fato que levara ao recolhimento indevido da CSLL do PA dezembro 2004 (deixou de juntar prova de escrituração contábil/fiscal, como cópia dos livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc, para confrontar a DIPJ e a DCTF), entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, uma vez que eventual pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição ou por erro com base em balancete de suspensão/redução, é possível o aproveitamento/restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Como dito, ainda há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide (quanto ao fato constitutivo do crédito pleiteado e à liquidez e certeza), pois quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA dezembro/2004: a) sequer há cópia completa, nos autos, da DIPJ 2005, anocalendário 2004 (retificadora) (efls. 54/55) e também não há cópia da DIPJ primitiva; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 303 9 b) sequer existe nos autos cópia da DCTF, quanto ao anocalendário 2004, mormente quanto ao PA dezembro/2004; c) ainda não consta dos autos cópia da escrituração contábil: embora a recorrente alegue pagamento em excesso (pagamento indevido), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2004 que pudesse comprovar, de forma cabal, a existência de erro de base de cálculo estimada da CSLL do PA dezembro/2004 ou na apuração com base em balancete de suspensão/redução, e que pudesse justificar a formação e existência do direito creditório pleiteado. Tendo por escopo a busca da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição do saldo negativo, pois, diversamente, é possível sim a devolução de direito creditório decorrente de pagamento em excesso (pagamento antecipado indevido), por erro de fato ou material na base de cálculo estimada ou na apuração da exação fiscal com base em balancete de suspensão/redução, sem necessidade de levar referido excesso de pagamento para o saldo negativo na declaração de ajuste anual, conforme Súmula CARF nº 84. Ainda, para evitar supressão de instância de julgamento (não houve análise de mérito pelas decisões anteriores nos presentes autos) e para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório (necessidade de saneamento – instrução processual complementar), devem ser devolvidos os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DERAT/São Paulo, para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado e a compensação efetuada pela recorrente, tomando, antes, as seguintes providências: a) intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato na apuração da CSLL sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA dezembro/2004, que teria culminado no pagamento indevido dessa exação fiscal (apresentar a escrituração contábil/fiscal livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc para confrontar a DIPJ e a DCTF quanto aos dados de apuração da CSLL do referido PA do crédito pleiteado); b) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, o alegado erro material na determinação do valor da base tributável ou na apuração da exação fiscal, quanto ao PA dezembro/2004 que teria gerado o suposto pagamento indevido; c) verifique, ainda, a situação do PER/DCOMP nº 02819.58566.240706.1.3. 041035, transmitido em 24/07/2006, não objeto do presente processo, mas que também utiliza crédito do mesmo DARF objeto deste processo (diferença de crédito de R$ R$ 906.608,05) para evitar decisões contraditórias (vide processo nº 10880.684046/200918); d) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de exação fiscal do mencionado PA por erro material (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo na declaração de ajuste do anocalendário 2004; Vale dizer, quanto ao PA dezembro/2004 apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de fato na base de cálculo estimada ou erro de fato com base em balancete de suspensão/redução (pagamento indevido) ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.913899/200964 Acórdão n.º 1802002.445 S1TE02 Fl. 304 10 efetuada na forma da legislação de regência, ou se é nenhuma dessas hipóteses (inexistência de valor a restituir). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 600/2005, e determinar a devolução dos autos à unidade de origem da RFB, no caso DRF/DERATSão Paulo, para que proceda julgamento de mérito quanto à lide objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 304DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001388/2007-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2001
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO.
O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2803-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da concomitância de instância.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO. O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não conhecido.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO. O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da concomitância de instância. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 13 88 /2 00 7- 41 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BERTIN LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Previdenciária de Araçatuba, que indeferiu a defesa apresentada pela recorrente e manteve o lançamento. Segundo relatório fiscal (fl. 273) foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) referente a contribuições do produtor rural pessoa física devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 25 da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 10.256 de 09/07/2001, na qual a empresa adquirente pessoa jurídica fica sub rogada, face o que dispõe o art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação da Lei n. 9.528/97, referente ao período de 01/2001 a 05/2005. Destaco trecho extraído do relatório fiscal: DOS VALORES DA COMERCIALIZAÇÃO E DAS ALIQUOTAS APLCIADAS 8. Os valores da comercialização da produção rural, referente compra de gado, foram extraídos das Notas Fiscais de Entrada conforme discriminado no anexo de folhas 277 a 299, onde consta o número e data da nota fiscal, nome do produtor e valor da aquisição. Já os valores de compra de lenha de produtor rural pessoa física foram extraídos das notas fiscais e da contabilidade conforme no anexo de folhas 300 a 324. Sobre tais valores foram aplicadas as alíquotas a seguir, de acordo com o código Fundo da Previdência e Assistência Social – FPAS 744.2: Rubrica jan/2001 a dez/2001 jan/2002 a mai/2005 Previdência Social 2,0% 2,0% Financiamento das prestações por acidente do trabalho 0,1% 0,1% DAS CONTRIBUIÇÕES DEDUZIDAS 9. Das contribuições apuradas foram deduzidos os valores parcialmente recolhidos nas Guias da Previdência Social – GPS, conforme se verifica no Discriminativo Analítico do Débito – DAD (fls. 04/05), no campo “Créditos Considerados”. (fls. 274/275) Após devidamente intimada em 14/10/2005, a empresa apresentou impugnação tempestiva, em 27/10/2005 às fls. 492/514. Ao analisar os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Previdenciária de Araçatuba por meio da Decisão Notificação n. 21.421.0/080/2006 considerou o lançamento procedente. A decisão restou ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIDÇÃO PREVIDECIÁRIA. LANÇAMENTO AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS (SUBROGAÇÃO). CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10820.001388/200741 Acórdão n.º 2803004.086 S2TE03 Fl. 885 3 Lançamento emitido de acordo com o que preceitua o artigo 142 do CTN e de acordo com disposto nos artigos 33 e 37 da Lei 8.212/91. É obrigação da empresa adquirente o recolhimento da contribuição devida pelos produtores rurais pessoas físicas, incidentes sobre o valor da receita bruta de comercialização de sua produção rural, em razão da subrogação (art. 30, IV, Lei n. 8.212/91), ainda que não tenha sido retida. Inconstitucionalidade da lei não se discute em instância administrativa tais teses deverão ser discutidas na esfera própria – Supremo tribunal Federal, conforme competência estabelecida no Capítulo III, da Constituição Federal (art. 102, inciso I, alínea “a”). Lançamento procedente. (fl. 695) A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão supramencionada, em 19/04/2006 e apresentou recurso tempestivo, em 09/05/2006 às fls. 726/747, no qual aduz em síntese os seguintes argumentos: Preliminarmente: Sustenta que a NFLD merece ser cancelada por desrespeitar a decisão judicial nos autos da MAS nº 2000.61.00.0000013 proferida pela colenda Quinta Turma do Egrégio TRF da terceira região que considera inconstitucional o art. 25 da Lei n. 8.212/91 a qual ampara a recorrente. Entende que a NFLD também merece ser cancelada tendo em vista que existe multiplicidade de lançamento, tendo em vista que na NFLD foi constituído crédito tributário já contido em outras NFLD’s relativo ao período de 01/2001 a 07/2001. Sustenta os MPF’s emitidos não legitimavam os auditores fiscais a fiscalizar e constituir contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização. Ainda que os MPF’s garantissem à fiscalização tais poderes, permaneceriam irregularidades no procedimento fiscalizatório, uma vez que ao longo da fiscalização foram feitas prorrogações e emissões de novos MPF’s todos referentes ao mesmo procedimento fiscal, procedimento totalmente irregular. Aduz que os auditores deixaram de especificar o código do tipo de débito no Discriminativo Analítico do Débito (DAD) relacionado ao contestado lançamento o que gera nulidade da Notificação de Lançamento, tendo em vista que o Programa Informatizado de Ação Fiscal – PIAF prevê códigos para os tipos de débitos, os quais devem ser especificados na NFLD. A NFLD deve ser cancelada pois o lançamento é precário, pois os auditores não analisaram o livro diário e razão da contribuinte, limitandose a analisar a folha de salários e outros dados não relacionados com o valor das aquisições de produtos rurais. Considera motivo de cancelamento também o fato de comporem o lançamento, valores de notas que estavam amparas por decisão judicial impeditiva do desconto da contribuição denominada de novo Funrural. A NFLD é nula por ter sido lavrada por autoridade incompetência para o ato, pois tendo em vista que os procedimentos fiscais foram iniciados na esfera da atual delegacia da RFB – Previdenciária em São Paulo, deveriam ter sido finalizados naquela localidade. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Ainda sobre incompetência dos auditores, argumenta que é de competência da Delegacia da RFB Previdenciária em São Paulo lavrar o débito, uma vez que este é o local onde a empresa a sede da empresa. Defende que a NFLD deve ser cancelada porque os relatórios e arquivos da construção do processo administrativofiscal somente foram entregues em arquivos digitais. No mérito: Aduz que o lançamento deve ser cancelado porque a legislação que fundamentou a constituição do crédito tributário foi revogada pela Emenda Constitucional nº20/98 e a partir dela a contribuição em comento passou a ser inexigível. A responsabilidade por subrogação, imputada à recorrente é inconstitucional, em razão da inconstitucionalidade da tributação diferenciada de contribuições sociais aplicada aos empregadores rurais pessoa física. A cobrança da de juros de mora corridos pela taxa SELIC é ilegal como foi definido pelo STJ. Por fim argumenta que, por cerceamento de defesa, a NFLD deve ser cancelada, tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência feito pela recorrente. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram enviados à análise desse Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É relatório. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10820.001388/200741 Acórdão n.º 2803004.086 S2TE03 Fl. 886 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo, mas necessita de maior análise para o seu conhecimento. Ora, comforme se observa dos autos, a recorrente informa em suas razões recursais que discute judicialmente a constitucionalidade do art. 25 da Lei n. 8.212/91, ou seja, a mesma matéria discutia no presente PAF. Verificase, portanto, que o próprio recorrente suscita a concomitância de processos judiciais com o presente apelo administrativo. Tratase, portanto, da chamada dupla impugnação, vedada pelo art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80: Art. 38 [...] Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 3. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 1 do Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A concomitância de processos em esferas de impugnação distintas constitui ato incompatível com o exercício do direito de recorrer administrativamente, ante a prevalência da função judicante pelo Poder Judiciário (art. 2º da CF). O Conselho tem precedentes em uníssono: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2005. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.A PROPOSITURA PELA RECORRENTE, CONTRA A FAZENDA NACIONAL, DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01 (CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO), NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA.” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial. Acórdão nº 180100539. Processo 11610003705200700. Data 30/03/2011, Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 26/06/1995 A 30/08/1996 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO, RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1.IMPORTA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A PROPOSITURA PELO SUJEITO PASSIVO DE AÇÃO JUDICIAL POR QUALQUER MODALIDADE Fl. 888DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DO LANÇAMENTO DE OFICIO, COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR MAIORIA DE VOTOS, EM NÃO CONHECER DO RECURSO EM FACE DA CARACTERIZAÇÃO DA CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. VENCIDO O CONSELHEIRO DALTON CÉSAR. CORDEIRO DE MIRANDA QUE NÃO RECONHECERA A CONCOMITÂNCIA E, POR CONTA DISSO, APRESENTARÁ DECLARAÇÃO DE VOTO” (CARF 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 340100913 do Processo 10920003412200413 Data28/07/2010. Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho) Ademais, o entendimento deste Conselho já foi pacificado no sentido de que a discussão judicial da matéria enseja a desistência da discussão administrativa, nos termos da Súmula 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não merece conhecimento o recurso voluntário apresentado. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância entre o processo judicial e este PAF. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 889DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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