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Numero do processo: 10935.724414/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO NO SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO'.
Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como valida alienação. de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE.
Deve-se cancelar o auto de infração quando for observado erro na construção no lançamento, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTA DE OFÍCIO.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 2201-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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APURAÇÃO NO SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO'. Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como valida alienação. de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. Devese cancelar o auto de infração quando for observado erro na construção no lançamento, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 44 14 /2 01 3- 63 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 725 2 JUROS DE MORA. SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 694/714, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 661/682, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 459/469, lavrado em 12/11/2013, decorrente das seguintes infrações: (i) Omissão de rendimentos em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, relativo a fatos geradores ocorridos em fevereiro/2009, março/2009, maio/2009 e junho/2009, que resultou no imposto de renda devido (sujeito à tabela progressiva anual) no valor de R$ 9.409,75, com aplicação da multa de 75%; (ii) Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fatos geradores ocorridos em fevereiro, março e maio Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 726 3 de 2009 (total de R$ 20.393,26 no ano); junho, julho, agosto, outubro e dezembro de 2010 (total de R$ 19.147,01 no ano); e abril, agosto e dezembro de 2011 (total de R$ 23.905,43 no ano), com aplicação da multa qualificada de 150%. A ciência do RECORRENTE ocorreu em 19/11/2013 (fl. 487). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 196.087,16, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura), multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora de 150%. Do Ganho de Capital De acordo com o Termo de Verificação e Fiscal – TVF de fls. 475/479, a infração decorrente da omissão de ganho de capital teve origem com a venda, em março de 2009, de imóvel rural (Fazenda Rancho Eldorado, matrícula 5125 no Registro de Iguatemi/MS) cujos coproprietários (50% para cada) eram Juscelino do Reis e o RECORRENTE (casado em regime de comunhão universal de bens com a Sra. Cristina Pertile), com valores da alienação recebidos de forma parcelada ao longo dos anos 2009, 2010 e 2011. A autoridade fiscal apurou uma simulação na alienação da Fazenda, pois a despeito de o imóvel estar em nome de pessoa jurídica (da qual Juscelino do Reis e a esposa do RECORRENTE são sócios), os valores da venda teriam sido repassados de imediato aos sócios mediante empréstimos. A descrição dos fatos envolvendo o ganho de capital foi assim apresentada no TVF (fls. 475/479): “A Ganho de Capital na venda de imóvel rural em Iguatemi/MS: Os coproprietários (50% cada) Juscelino do Reis e Marcelo Luiz Pertile adquiriram em junho de 2003 por R$ 480.000,00 (R$ 240.000,00 cada) área rural de 1.233,6225 há (Fazenda Rancho Eldorado matrícula 5125 no Registro de Iguatemi/MS). Constituíram empresa (Inajá Agroflorestal Ltda CNPJ 10.329.553/000146) em 10/08/2008 tendo como sócios Juscelino dos Reis e a esposa do sócio Marcelo Luiz Pertile, Cristina Possato Duarte Pertile, casado em regime de comunhão universal de bens, conforme contrato social. Conforme cláusula primeira o objetivo social é a exploração de atividades agropastoris em geral, abrangendo a criação e manejo de gado bovino, eqüinos e tratos culturais. Conforme cláusula quarta do contrato social Cristina Possato Duarte Pertile é nomeada representante do condômino Marcelo Luiz Pertile e conforme cláusula quinta integralizam o capital de R$ 480.000,00 pela entrega da área rural pelo valor de aquisição, que é o mesmo constante na Declaração do ITR 2003 feita pelo adquirente. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 727 4 Em 09/09/2008 consta nos livros da Inajá a conta 13210007 "imóveis próprios" o reajuste do valor do imóvel pela entrega em 03/09/2008 da declaração do ITR 2008, em nome dos sócios incorporadores, de R$ 2.320.000,00, para se chegar ao valor de R$ 2.800.000,00. A sede da empresa, conforme cadastro e primeira alteração contratual de 08/11/11 é na residência do sócio Marcelo Luiz Pertile à R Juraci Antonio Capra 861, casa 32, Country , Cascavel PR. Conforme CNAE (Cód. Nac. Ativ. Econ.) os sócios Jucelino dos Reis e Marcelo Luiz Pertile, já exerciam desde maio de 2008 atividade rural (reflorestamento) através de outra empresa e com um terceiro sócio, na PAR Agroinvest LTDA CNPJ 09.571.975/000144. Conforme os livros, a Inajá não apresenta receita ou resultado em 2008, 2009, em 2010, praticamente apenas despesas financeiras de R$ 4.141,14, sobressaindo em 25/10/10 o IOF de R$ 3.269,50, em 2011 apenas despesas de R$ 25.606,29, sobressaindo em 15/08/11o pagamento de ITBI de R$ 23.000,00, relativo a terreno recebido em pagamento da fazenda. No SPED (Sist. Público de Escrit. Digital) consta Receita Operacional Bruta Igual à despesa de R$ 194,30 em 2009, receitas e despesas de R$ 4.533,06 em 2010, receitas e despesas de R$ 25.633,71 em 2011. Em 08/11/2011 alteram o objeto social para a exploração de atividades agropastoris em geral , abrangendo a criação e manejo de gado bovino, equinos e tratos culturais, a administração, compra, venda e locação de imóveis próprios. Conforme escritura de 10/12/2009 a Inajá Agroflorestal Ltda vende essa área de 1.233,6225 em Iguatemi para o falecido Ricardo Santos CPF 001.825.91972 pelo valor ajustado na Declaração ITR de R$ 2.800.000,00 pagos R$ 800.000,00 em 01/03/2009, R$ 1.000.000,00 em 01/03/2010 e R$ 1.000.000,00 em 01/03/2011. A Inajá Ltda repassa de imediato em 2009 e 2010 os valores recebidos aos sócios mediante empréstimos. Assim temos que a venda da área foi feita mediante passagem pela titularidade de empresa, sem faturamento, cujos sócios são as pessoas físicas que originariamente eram os proprietários da terra. Ao depararse com a ocorrência de simulação, a autoridade fiscal tem o dever aplicar a legislação sobre os fatos efetivamente ocorridos, desconsiderando aqueles fatos constituídos apenas formalmente, sem nenhuma consonância com a realidade. Esse dever decorre do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade administrativa Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 728 5 que vai realizar o lançamento deve "verificar a ocorrência do fato gerador" e "determinar a matéria tributável". Evidentemente, quando o legislador estabeleceu esse dever, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a verdadeira matéria tributável, não ficando a autoridade fiscal limitada aos aspectos formais dos atos praticados. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no art. 149, VII, do Código Tributário Nacional: ‘Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;’ Diante dos dispositivos acima mencionados, constantes do Código Tributário Nacional desde seu advento no ano de 1966, resta evidente a possibilidade de a autoridade fiscal desconsiderar o ato simulado e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Importa destacar que essa atitude impõese como um dever à autoridade fiscal e nada mais é do que uma decorrência do princípio da verdade material. Ainda, conforme a Lei 7.450 de 23/12/1985. ‘Art 51 Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital , qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda.’ Multa agravada de 150% conforme art. 957 II do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e arts. 71 a 73 da Lei 4502/1964: ‘Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 729 6 ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 . Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.’ Diligenciado adquirente acerca dos pagamentos, a viúva enviou cópia da escritura. Assim sendo foi calculado o ganho de capital de CADA UM dos dois proprietários da fazenda em Iguatemi considerando o custo para cada proprietário de R$ 240.000,00 pago em junho de 2003 e a venda, conforme escritura, no recebimento da primeira parcela em março de 2009 por R$ 1.400.000,00 para cada proprietário, diferindose a tributação conforme o recebimento de cada uma das três parcelas (R$ 400.000,00 em mar/2009, R$ 500.000,00 em mar/2010 e R$ 500.000,00 em mar/2011 para cada proprietário). A aplicação dos fatores de redução do ganho de capital da Lei 11.196/2005 faz com que o lucro tributável caia de R$ 1.160.000,00 para R$ 843.101,55, ou seja, 60,22% do valor de venda. Se tivessem recebido, conforme escritura de dez/2009, 28,57% do pagamento em março de 2009 o lucro nesse mês seria de R$ 240.886,16, recebendo 35,71 % do pagamento em março de 2010 e março de 2011 o lucro tributável em cada um desses meses seria de R$ 301.107,69. Intimada a empresa compradora, a sócia Cristina Pertile, juntando cópia de notas promissórias, apresentou o cronograma da quitação com R$ 628.000,00 recebidos em fevereiro/2009, R$ 172.000,00 em março/2009, R$ 100.000,00 em maio/2010, R$100.000,00 em junho/2010, R$ 100.000,00 em julho/2010, R$ 150.000,00 em agosto/2010, R$ 200.000,00 em outubro/2010, R$ 295.000,00 em dezembro/2010, R$ 55.000,00 em abril de 2011, R$ 400.000,00 em agosto de 2011 na forma de terreno conforme DOI (Decl. de Oper. Imob.) em que constam como alienantes a viúva e as filhas e R$ 600.000,00 em dezembro de 2011 através de diversos cheques, perfazendo o total de R$ 2.800.000,00. Nos livros da Inajá constam detalhadamente os valores recebidos em dez/2011 e cheques devolvidos. Assim, devido a doença em 2010 e falecimento do comprador, os recebimentos não foram exatamente conforme a escritura de dez/2009. Dessa forma, o lucro tributável de cada um dos dois sócios é de R$ 845.942,55 ou 60,43% do valor da venda diferido pelos valores das parcelas recebidas (divididas por cada sócio) conforme planilha em anexo (documentos Diversos Outros Ganho capital da Faz Iguatemi MS). O ganho de capital do sócio Marcelo foi dividido com a esposa Cristina que declarou em separado.” Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 730 7 Através da planilha de fl. 471 a autoridade fiscal demonstra a apuração do ganho de capital, e do lucro tributável relativo a cada parcela recebida. Notase que o valor do ganho de capital tributável foi dividido entre o RECORRENTE e o seu cônjuge. Conforme exposto, a autoridade fiscal aplicou multa de 150% por entender que houve simulação no caso da alienação do imóvel através de pessoa jurídica. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A autoridade fiscal apurou APD no anocalendário 2009 com a construção de residência no lote 32 no Condomínio Vinícius de Moraes. O RECORRENTE declarou ter gasto R$ 335.000,00 para construção do imóvel, dos quais R$ 90.000,00 foram em 2008 e R$ 245.000,00 em 2009. A autoridade fiscal detalhou essa infração da seguinte forma no TVF: “B Variação Patrimonial a Descoberto: Intimado a apresentar documentação referente às aquisições/financiamentos de bens/participações societárias, o contribuinte/cônjuge Marcelo apresentou os documentos em cópia que foram usados para, juntamente com DIRFs (Declarações de Imposto Retido na Fonte, enviadas à Receita pelas fontes pagadoras), DARFs (Recolhimentos de Tributos à Receita) e DIRPF (Decl. De Imp. De Renda Pessoa Física) montar planilha de origens e aplicações de recursos. Conforme planilha de origens e aplicações de recursos em anexo, no início de 2009, o contribuinte efetuou aportes na Agroinvest Par conforme livro razão. Declara ter gasto R$ 90.000,00 em 2008 com a construção de residência no lote 32 de 988,12 m2 no Condomínio Vinícius de Moraes e gasto R$ 245.000,00 em 2009 totalizando R$ 335.000,00. Considerados os pagamentos de financiamento de construção pagos à caixa econômica em 2009 (R$ 20.915,50) temos então que os demais gastos com a construção em 2009 ficariam em R$ 224.084,50. Início da obra em 15/05/2008 (conforme Aviso de Regularização de Obra ARO) conclusão em 09/06/2009 (conforme protocolo do Certificado de conclusão de obra e notandose aumento de consumo da Copel de 27 KWH em junho para 142 KWH em julho), enquadrada como padrão alto RI com 358,19 m2 (conforme matrícula e Aviso de Regularização de Obra ARO) temos 384 dias de construção. Fazendo uma proporcionalidade dos dias de cada mês no total de dias calculase o número de metros quadrados de construção por mês que são multiplicados pelo custo unitário básico mensal do Sinduscon PR do respectivo mês. Totalizando os dispêndios Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 731 8 mensais teríamos uma total de R$ 418.351,14 conforme planilha no final de "docs construção", bem superior aos R$ 335.000,00 declarados, durante todo o período da obra. Sabendose que o acabamento é mais custoso do que as fundações, levantamento de paredes e lages, a ponto do CUB variar em torno de 45% entre o CUB de padrão baixo e alto, é razoável supor que os custos maiores sejam no final da obra, talvez até com pagamentos parcelados além do término da obra, dos quais não se dispõe dos carnes de prestação, salientando que mobiliário (que se pode transportar sem alterar sua condição de móvel) não compõe o custo do imóvel. Os valores de variação patrimonial a descoberto foram divididos entre os cônjuges. Para a esposa, ao se acrescentar nos rendimentos metade da variação patrimonial do casal, o desconto simplificado aumenta (gerando uma "Dedução no Imposto" nos cálculos) e acrescentase ao saldo de imposto a pagar, o imposto já restituído na declaração.” Em síntese, a fiscalização constatou que, tirando os pagamentos de financiamento de construção pagos à caixa econômica em 2009 (R$ 20.915,50), os demais gastos com a construção em 2009 ficariam em R$ 224.084,50. Assim, o que a autoridade fez foi dividir esse valor por 06, que representa o número de meses em que houve a obra naquele ano (de janeiro a junho), o que resulta em R$ 37.347,42 para cada mês. Munida do valor acima e dos outros valores de origens e despesas, foi elaborada a planilha de fl. 456, onde constatou a variação patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. A metade dessa variação foi atribuída ao RECORRENTE e a outra metade ao seu cônjuge. A planilha com estimativas de gastos com a construção foi acostada à fl. 472. Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 490/512 em 16/12/2013. A DRJ de origem assim resumiu as razões de defesa do RECORRENTE: “Preliminares de nulidade · A autoridade lançadora desconsiderou operações realizadas pela pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda e lançou o imposto de renda sobre ganho de capital em nome das pessoas físicas de seus sócios, tudo isso à revelia da referida pessoa jurídica, a qual tem interesse e direito em promover os esclarecimentos acerca dos fatos, sendo, assim de litisconsórcio passivo necessário, que deveria ter sido chamado ao processo, sob pena de cerceamento de direito de seu direito de defesa e dos sócios, razão pela qual deveria ser declarada a nulidade do lançamento; Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 732 9 · Se houvesse alguma irregularidade fiscal na venda do imóvel rural, a responsabilidade tributária deveria ser imputada à sociedade Inajá Agropecuária Ltda, motivo pelo qual se deve anular o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo; Desconsideração de ato ou negócio jurídico · Os procedimentos para desconsideração de ato ou negócio jurídico dependem ainda da edição de lei ordinária, conforme previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN; · A fundamentação no inciso VII do art. 149 do CTN é equivocada, pois referido dispositivo apenas poderia ser aplicado em caso de revisão de ofício dos lançamentos; · Além disso, não houve comprovação de que tenha havido simulação, pois se assim fosse, teria havido comprovação de que os alienantes do imóvel seriam as pessoas físicas sócias da pessoa jurídica, o que não houve no caso em pauta; · A alienação do imóvel rural pela pessoa jurídica é comprovada por meio de escritura pública e contrato particular. Desconsideração da personalidade jurídica · A autoridade fiscal não possui competência legal para desconsiderar a personalidade jurídica, conforme regras do art. 50 do Código Civil, cabendo tal ofício apenas ao Poder Judiciário. Ganho de capital · Não há se falar em ganho de capital dos sócios pessoas físicas, pois a sociedade Inajá Agroflorestal Ltda foi devidamente constituída, não há interposta pessoas em seu quadro societário, possui contabilidade regular, a qual foi utilizada, inclusive, para se apurar o suposto ganho de capital em nome dos sócios pessoas físicas, motivo pelo qual se refuta o argumento de que a pessoa jurídica teria sido constituída apenas para servir de passagem para alienação do imóvel rural. Inexistência de simulação · A incorporação do imóvel rural de propriedade dos sócios pessoas físicas ao capital social da pessoa jurídica não implicou ganho de capital, pois isso se deu pelo valor histórico do bem; · Posteriormente, houve adequação do valor do imóvel rural ao preço de mercado que foi registrado contabilmente, conforme permitia o §2º do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 733 10 · O imóvel rural estava sendo reflorestado entre os anos de 2004 e 2005, motivando a diminuição das atividades de pecuária até cessar, o que explica o fato de não se ter auferido resultado nos anos de 2008 a 2010; · Não havendo faturamento ou lucro da empresa, também não houve nas pessoas físicas dos sócios; · A sociedade foi constituída visando à venda de madeira ou a sua transformação em cavaco, biomassa voltada para a indústria frigorífica da região, mas a área rural, em razão da parte reflorestada, tornouse atrativa, surgindo oportunidade de venda, o que motivou a mudança nos planos originais, considerando que o negócio era atraente; · Não há irregularidade no fato de o endereço da sociedade ser o mesmo de um dos sócios, e isso até facilita a entrega de correspondência e também estabelece uma referência para a pessoa jurídica; · A venda, diferentemente do que alega a fiscalização, não foi feita pelo valor ajustado na DITR, mas sim pelo valor de mercado, o qual foi informado em DIAT/2008 conforme determina a Lei nº 9.393, de 1996; · O repasse dos valores recebidos pela venda do imóvel não foram repassados de forma imediata às pessoas físicas de seus sócios, mas conforme estes tiveram necessidade, o que foi feito em 04/03/2010, 13/10/2010 e 14/05/2012 por meio de legítimos contratos de mútuo, com recolhimento de IOF; · Tudo isso mostra que não houve a alegada simulação, a qual não foi provada de forma concreta pela autoridade lançadora. Equivoco na data de recebimento de parcela · Se eventualmente subsistir a exigência do crédito tributário, há que se corrigir a data do recebimento da parcela de R$ 100.000,00 ocorrido, efetivamente, em 28/05/2010 conforme informado corretamente pela autoridade lançadora no relatório fiscal, mas que na apuração do tributo devido considerouse 28/05/2009, o que implicaria uma incidência de juros maiores que o devido. Inexistência de variação patrimonial a descoberto · O valor de construção declarado no anocalendário 2009 é superior ao ocorrido efetivamente, e tratouse de mera estimativa lançada quando da elaboração da declaração de ajuste anual; · Foi emitido habitese em junho de 2009 antes do término da obra, que se deu em agosto de 2009, para permitir a Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 734 11 obtenção de financiamento junto à Caixa Econômica Federal, e essa emissão de habitese é permitida desde que preenchidos requisitos mínimos previstos na legislação; · Se for considerar o valor de construção declarado, devese registrar que houve uma concentração de pagamentos em agosto e setembro de 2009, o que motivou a obtenção de empréstimo de R$ 100.000,00 em agosto de 2009 conforme contrato juntado à impugnação, além de comprovantes de saques bancários para fazer frente as dívidas de construção pagas em agosto de 2009; · Assim, o valor da construção deve ser rateado entre os meses de janeiro até setembro de 2009, devendo ser considerado o valor de R$ 80.000,00 no mês de agosto de 2009 e o saldo remanescente nos meses de janeiro a setembro; · Para comprovar o alegado, junta laudo técnico assinado pelo engenheiro responsável pela obra, bem como declaração do mestre de obra, ambos sinalizando conforme o alegado na impugnação; · Houve uma incorreção da planilha da fiscalização, pois nesta consta devolução de empréstimo obtido de Thays Cristina Pertile de Anchieta em agosto de 2009, quando o correto seria R$ 50.000,00 em agosto de 2009 e o restante em dezembro de 2009, conforme declaração da referida credora; · Apresenta nova planilha com as referidas modificações para comprovar a inexistência de variação patrimonial a descoberto. Multa qualificada · Não se justificou o motivo da aplicação da multa de ofício de 150%, citando apenas os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não sendo demonstrada e comprovada a conduta praticada pelo sujeito passivo, ou seja, a que ele tenha agido com consciência e vontade de praticar o fato descrito na norma; · A mera alegação de insuficiência de recolhimento de tributos, principalmente quando o contribuinte apresenta as diversas declarações exigidas pelo Fisco além de manter escrita contábil regular, não é motivo para se aplicar a multa qualificada; · A jurisprudência administrativa vai ao encontro desse entendimento. Impossibilidade de correção da multa de ofício · Se persistir a exigência da multa de ofício, sobre esta não poderá incidir a Selic. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 735 12 Pedidos Ao final, pleiteouse: · nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa pela ausência de litisconsórcio envolvendo a empresa Inajá Agroflorestal Ltda; · nulidade do lançamento em razão de ser vedado à autoridade administrativa efetuar a desconsideração de ato jurídico perfeito, por ausência previsão legal; · nulidade do lançamento em razão de a autoridade administrativa não possuir competência para desconsideração da personalidade jurídica da empresa Inajá Agroflorestal Ltda; · exonerar os créditos tributários fundados em suposto ganho de capital; · exonerar os créditos tributários fundados em suposta variação patrimonial a descoberto; · redução da multa de 150% para 75%; · a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; · a procedência total da impugnação.” Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente em parte o lançamento (fls. 667/688). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LITISCONSORTE NECESSÁRIO. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física deve ser feito em nome desta, e não em nome de pessoas jurídicas, as quais não são sujeito passivo do referido tributo, motivo pelo qual não devem ser chamadas para compor a lide processual, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 736 13 A simulação resta caracterizada quando se constata divergência entre a exteriorização e a volição, isto é, quando são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente os que se praticam são outros. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária na sua essência, não levando em conta negócios jurídicos simulados com o fim de ocultar a realidade dos fatos. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO. Deve ser lançado de ofício o imposto de renda sobre omissão de ganho de capital decorrente da alienação de propriedade rural. VARIAÇÃO PATRIMONIAL DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Presumese a omissão de rendimentos decorrente da variação a patrimonial a descoberto apurada em fluxo de caixa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de fraude, sonegação e conluio, conforme prevê a lei. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O crédito tributário abrange também a multa de ofício, motivo pelo qual sobre esta, uma vez não paga no vencimento, incidem juros de mora conforme determina a legislação tributária. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO. Deve ser revisado o lançamento para fins de correção do período correspondente ao fato gerador informado incorretamente em auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto proferido na ocasião, a autoridade julgadora rebateu os argumentos do RECORRENTE e findou por manter o lançamento do crédito exigido. Apenas julgou a impugnação procedente em parte para alterar a data do fato gerador do imposto lançado em decorrência da omissão de ganho de capital correspondente à parcela recebida de R$ 50.000,00 (metade referente a cada cônjuge) de 28/05/2009 para 28/05/2010, conforme especificado abaixo: Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 737 14 Isto porque a DRJ verificou que, a despeito da autoridade fiscal ter informado corretamente no relatório fiscal o recebimento de R$ 100.000,00 em maio/2010 (fl. 477), considerou na apuração do imposto de renda que o mencionado valor foi recebido em 28/05/2009. E tal equivoco implicou na incidência de juros de mora por um ano a mais que o devido. O Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 25/06/2014, conforme AR de fl.686, apresentou o recurso voluntário de fls. 688/714 em 25/07/2014. Em suas razões, praticamente reitera o alegado na Impugnação. Apenas acrescenta argumentos sobre a inaptidão do CNPJ da Inajá. Afirma que, quando da lavratura do auto de infração, a fiscalização lavrou representação para que fosse tornado inapto o CNPJ da empresa Inajá Agroflorestal Ltda., o que foi atendido pela Administração Tributária, conforme Ato Declaratório Executivo nº 02, de 29/01/2014 (fl. 716). No entanto, afirmou que, motivada pela premência de alienar imóvel urbano na cidade de Ponta Grossa/PR (de propriedade da empresa), solicitou a reativação do CNPJ e teve seu pleito atendido (fls. 718 e 720/721). Com isso, entendeu que a própria Receita Federal reconheceu que a empresa existe de fato e de direito, o que implica reconhecer que a pessoa jurídica é que deveria sofrer a presente autuação, e não seus sócios, pois quem de fato alienou o imóvel foi a pessoa jurídica. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Erro na Construção do Lançamento – Ganho de Capital Conforme relatado, a autoridade lançadora entendeu ter havido uma simulação quando da venda do imóvel rural (Fazenda Rancho Eldorado), pois entendeu que a Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 738 15 pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda. foi constituída pelos proprietários do imóvel rural com o único objetivo de efetuar a venda do bem. Assim, o repasse do resultado da venda pela Inajá aos seus sócios, mediante empréstimos, aliado a uma série de outros fatos, revelaria o caráter simulado da operação, eis que, no entender da autoridade fiscal, os proprietários do imóvel ainda seriam as pessoas físicas, e em desfavor destes é que deveria ser lavrado o auto de infração para apuração do ganho de capital. No entanto, não compartilho do mesmo entendimento da autoridade lançadora. É que, no caso concreto, não verifico no lançamento o motivo fundamental pelo qual uma simulação de venda do imóvel através da empresa beneficiaria os seus sócios pessoas físicas. Alguns dos motivos apresentados pela autoridade fiscal para fundamentar a sua conclusão de que a Inajá Agroflorestal Ltda. (cujos sócios são o Sr. Jucelino dos Reis e a esposa do RECORRENTE) foi constituída com o propósito de não apurar ganho de capital com a venda do bem imóvel rural foram os seguintes: o fato de a empresa, constituída em agosto/2008, ter ficado até 2011 sem explorar a atividade para a qual foi criada (exploração de atividades agropastoris em geral, abrangendo a criação e manejo de gado bovino, equinos e tratos culturais); afirma que em setembro/2008 a empresa reajustou o valor do imóvel integralizado pelos sócios para o montante de R$ 2.800.000,00, conforme última declaração de ITR (diferença de R$ 2.320.000,00 para o valor original integralizado); a sede da empresa é o endereço residencial do RECORRENTE; o Sr. Jucelino dos Reis e o RECORRENTE (que não é sócio da Inajá Agroflorestal Ltda.) já exerciam atividade rural com um terceiro sócio por meio de outra empresa; citou também o fato de a pessoa jurídica ter repassado os valores das vendas, em 2009 e 2010, aos seus sócios através de empréstimos. Assim, mediante os argumentos acima, a autoridade fiscal entendeu que “a venda da área foi feita mediante passagem pela titularidade de empresa, sem faturamento, cujos sócios são as pessoas físicas que originariamente eram os proprietários da terra”. Consequentemente, afirmou ter havido simulação na venda e apurou o ganho de capital em nome dos seus sócios. Contudo, a fundamentação do ato supostamente simulado não explica como a operação teria sido arquitetada pelos sócios para ocultar a ocorrência do fato gerador em nome deles. É preciso ter em mente que os fatos relatados pela fiscalização apontam indícios de que houve uma tentativa de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento do fato gerador do ganho de capital. Mas isso não significa que essa simulação teve como Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 739 16 beneficiário os sócios pessoas físicas. Afinal, a empresa Inajá Agroflorestal Ltda. é dotada de personalidade jurídica própria, detentora de direitos e deveres. Portanto, ela pode (e deve) responder na esfera fiscal por suas operações. O ato simulado passível de investigação pelo Fisco foi, no meu entendimento, o reajuste de R$ 2.320.000,00 no valor do imóvel integralizado pelos sócios (passou de R$ 480.000,00 para o R$ 2.800.000,00). Contudo, este ato foi praticado pela própria pessoa jurídica. Ou seja, caso a autoridade fiscal constatasse que o ato foi tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador, poderia evidenciar tal conduta, desconstituir o ato de reajuste do valor do imóvel, e apurar o ganho de capital. No entanto, esse lançamento deveria ser apurado em nome da pessoa jurídica, e não em desfavor das pessoas físicas sócias da empresa, sob o pretexto de simulação. Ademais, entendo ser frágil a fundamentação do ato supostamente simulado. Ora, talvez o maior indício de simulação levantado pela fiscalização tenha sido o fato de a Inajá Agroflorestal Ltda. ter repassado aos seus sócios, mediante empréstimos em 2009 e 2010, os valores recebidos em decorrência da venda do bem imóvel. Contudo, para a premissa adotada pela fiscalização fosse válida, entendo que todo o valor da venda deveria, necessariamente, ser repassado aos sócios, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, os valores decorrentes da venda foram recebidos em 2009, 2010 e 2011, conforme discriminado a seguir (TVF – fls. 477/478): “(...) cronograma da quitação com R$ 628.000,00 recebidos em fevereiro/2009, R$ 172.000,00 em março/2009, R$ 100.000,00 em maio/2010, R$100.000,00 em junho/2010, R$ 100.000,00 em julho/2010, R$ 150.000,00 em agosto/2010, R$ 200.000,00 em outubro/2010, R$ 295.000,00 em dezembro/2010, R$ 55.000,00 em abril de 2011, R$ 400.000,00 em agosto de 2011 na forma de terreno conforme DOI (Decl. de Oper. Imob.) em que constam como alienantes a viúva e as filhas e R$ 600.000,00 em dezembro de 2011 através de diversos cheques, perfazendo o total de R$ 2.800.000,00.” Notase que a empresa recebeu boa parte do valor da venda (R$ 1.055.000,00) apenas em 2011, quando sequer foram repassados valores aos sócios a título de empréstimos. Dentre os valores recebidos em 2011, uma parte (R$ 400.000,00) foi paga através de terreno urbano situado em Ponta Grossa/PR (fls. 283/285), o qual permanece em nome da pessoa jurídica Aliás, em seu recurso voluntário, o RECORRENTE afirma que foi justamente a possibilidade de vender tal imóvel em Ponta Grossa/PR que motivou o pedido de reativação do CNPJ da Inajá Agroflorestal Ltda., o que foi atendido pela autoridade responsável, conforme documento de fls. 720/721. O documento de fl. 245 aponta que, no final do anocalendário 2011, a Inajá Agroflorestal Ltda. possuía pouco mais de R$ 900.000,00 em disponibilidades (bancos, caixa e aplicações). Esta quantia mais o valor representado pelo bem imóvel recebido como pagamento (R$ 400.000,00) resulta em quase metade do valor da venda da Fazenda Rancho Eldorado. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 740 17 Ou seja, ante as constatações acima, verificase que boa parte do valor recebido em decorrência da venda permaneceu com a pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda., sendo frágil a premissa adotada pela fiscalização (de que os empréstimos seriam repasse do valor da venda) para efetuar o lançamento em nome dos sócios. A simulação, aqui, pode ter residido no ato de repassar verbas tributáveis disfarçadas de empréstimos. Porém, o mútuo poderia ser descaracterizado para constatar, por exemplo, o recebimento de renda tributável pelas pessoas físicas ou o pagamento sem causa. Contudo, a fiscalização foi além e entendeu que os empréstimos representariam a transferência do valor da venda do imóvel, quando sequer houve o repasse do valor total da transação. Os pontos acima levantados expõem a fragilidade do lançamento, que se encontra envolvido mais em dúvidas do que certezas. Ora, é certo que o imóvel foi integralizado pelos sócios da Inajá Agroflorestal Ltda. quando da sua constituição, conforme cláusula quinta de seu contrato social (fls. 161/170): A referida incorporação foi devidamente anotada no registo do imóvel em 29/09/2008 (fl. 97) Também é certo que a venda do imóvel se deu em nome da pessoa jurídica como alienante, sendo os recursos transferidos diretamente a ela (seja em conta corrente de sua propriedade, ou através de transferência de bem imóvel para seu nome). Diante dessas certezas, questionase: por que pretender tributar a operação em desfavor dos sócios? Seria mais preciso e verossímil trabalhar com o fato de o imóvel ser de propriedade da pessoa jurídica. Neste sentido, caberia à autoridade fiscal desconstituir o ato de reajuste do valor do imóvel (pois realizada sem amparo legal) e apurar o ganho de capital em desfavor da pessoa jurídica. Ao invés disso, a autoridade fiscal preferiu percorrer caminho mais complexo ao pretender tratar a operação como ato simulado dos sócios e tributar o ganho de capital em Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 741 18 nome deles, pessoas físicas. Contudo, a opção tomada pela autoridade necessitaria estar respaldada em provas mais robustas, o que não ocorreu no presente caso, conforme acima exposto. Repitase: o lançamento não explica o motivo fundamental pelo qual a venda do imóvel através da empresa traria benefícios a seus sócios pessoas físicas. Suponhamos, hipoteticamente, que a operação de venda do bem imóvel tivesse isenção/redução de ganho de capital caso fosse efetuada através daquela pessoa jurídica específica. Este, então, seria o motivo ensejador da simulação. Mas não. A alienação, mesmo realizada pela pessoa jurídica, era passível de apuração do ganho de capital tributável. Neste sentido, o correto era apurar o ganho de capital em nome da empresa Inajá Agroflorestal Ltda., pois esta era a real proprietária do bem imóvel alienado. Verifico que a falha relativa à eleição do sujeito passivo, no meu entender, macula o lançamento do crédito tributário. Ora, os documentos acostados aos autos convergem para o entendimento de que a Inajá Agroflorestal Ltda. era a proprietária do bem imóvel alienado. Neste caso, s.m.j., deveria a autoridade fiscal apurar o ganho de capital obtido pela empresa, e não em nome dos sócios da mesma (Sr. Jucelino dos Reis e Sra. Cristina Pertile – cônjuge do RECORRENTE). Assim, entendo que ocorreu erro na construção do lançamento, eivandoo de vicio, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração relativo a omissão de ganho de capital. Observese que, segundo o art. 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a correta identificação do sujeito passivo são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” No caso concreto, o erro na indicação do sujeito passivo torna o lançamento ineficaz. Conforme acima exposto, caberia à autoridade fiscal ter apurado o ganho de capital auferido pela Inajá Agroflorestal Ltda., haja vista que o imóvel objeto de alienação era, para todos os efeitos, de sua propriedade, tanto que a empresa foi quem recebeu os valores e bens decorrentes da operação de venda do bem. Está, portanto, eivado de vício material o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital, devendo o mesmo ser extinto por ofensa ao art. 142 do CTN. Tendo em vista o cancelamento da infração relativa ao ganho de capital, deixo de analisar as razões de defesa sobre a aplicação da multa qualificada, pois esta englobou somente o lançamento decorrente do ganho de capital. MÉRITO Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 742 19 Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A fiscalização elaborou a planilha de fl. 456 considerando todas as origens e aplicações do RECORRENTE e de seu cônjuge (Sra. Cristina Pertile) e constatou que houve acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. O RECORRENTE contesta variação a descoberto apontada pela fiscalização e acosta aos autos outra planilha (elaborada por ele – fl. 657) que difere em apenas dois parâmetros da planilha elaborada pela fiscalização, ambos relativos a despesas (aplicações): Construção da casa no condomínio Vinícius de Morais, no valor de R$ 224.084,50: enquanto a autoridade fiscal distribuiu o valor de forma equivalente nos meses de janeiro a junho (R$ 37.347,42/mês), o RECORRENTE rateou o mesmo valor nos meses de janeiro a setembro (R$ 18.010,56/mês), exceto em agosto, quando apurou despesa de R$ 80.000,00; Devolução do empréstimo de R$ 100.000,00 a Thays/Aldrei: enquanto a fiscalização computou que o pagamento do empréstimo ocorreu integralmente em agosto, o RECORRENTE informa que o valor foi pago em duas parcelas de R$ 50.000,00, sendo uma no mês de agosto e outra em dezembro. Em princípio, verifico que a questão envolvendo o pagamento de empréstimo de R$ 100.000,00, que o RECORRENTE reporta ter ocorrido por meio de duas parcelas (uma em agosto e outra em dezembro), em nada influencia na apuração da variação a descoberto. É que a presunção da omissão de rendimentos ocorreu nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. Sendo assim, eventuais alterações nas despesas relativas a meses posteriores à ocorrência dos fatos não têm o poder de alterar a variação a descoberto detectada. Portanto, mesmo que se acate o argumento do RECORRENTE, de que o empréstimo foi pago em duas parcelas de R$ 50.000,00, uma em agosto e outra em dezembro, tal fato não altera a variação a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. No que diz respeito ao pagamento do valor de R$ 224.084,50 para a construção da casa no condomínio Vinícius de Morais, o RECORRENTE afirma que o valor de construção declarado no anocalendário 2009 “é superior ao efetivo, tratandose de mera estimativa lançada quando da elaboração da declaração de ajuste anual”. Assim, mesmo que se considere o valor de construção declarado, afirmou que a obra se estendeu até setembro/2009 (e não até junho, como entendeu a fiscalização) e que houve uma concentração de gastos no mês de agosto. Na tentativa de comprovar suas alegações, acosta cópia de contrato de empréstimo de R$ 100.000,00 adquirido no mês de agosto (fls. 330/331) além de comprovantes de saques, da ordem de R$ 45.000,00 cada, realizados em 17 e 18 de agosto (fl. 634). Com isso, conforme já exposto, entendeu que deveria ser considerado como despesa da construção o valor de R$ 80.000,00 no mês de agosto de 2009 e o saldo remanescente (R$ 144.084,50) rateado nos meses de janeiro a setembro (R$ 18.010,56/mês). Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 743 20 Contudo, a documentação apresentada pelo RECORRENTE não é suficiente para comprovar que os dispêndios com a obra em agosto foram da ordem de R$ 80.000,00, bem superiores aos outros meses. O remanejamento de valor na planilha de despesas somente pode ser acatado mediante a apresentação de documentos que comprovem a efetiva realização da despesa em determinado período. O contrato de empréstimo e os saques de quantias vultuosas no mês de agosto não significam, necessariamente, que todo o valor foi utilizado na construção da casa. Seria necessário o RECORRENTE apresentar recibos, notas fiscais de compras/serviços, etc. demonstrando que despendeu tal quantia naquele mês de agosto. Portanto, em razão da não comprovação de que houve uma concentração maior de despesas em determinado mês, o procedimento correto é o rateio da despesa de forma equivalente nos meses em que houve a obra, conforme adotado pela fiscalização. Neste ponto, esclareço que, mesmo tendo autoridade fiscal apurado o custo da obra de construção civil segundo índice do SINDUSCOM, tal valor não foi considerado na planilha de fluxo de caixa para apuração do APD. Notase que a fiscalização optou por utilizar o valor declarado pelo RECORRENTE como custo da construção, e rateálo entre os meses de janeiro a junho, quando foi concluída a obra, conforme protocolo do Certificado de Conclusão de Obra – COO (fl. 447). Neste sentido, o laudo técnico fornecido pelo RECORRENTE, indicando que o padrão da construção é de nível médio, não tem o condão de alterar o lançamento (fls. 636/650). No que diz respeito ao momento de término da obra, o RECORRENTE argumenta que o “habitese” foi emitido antes do término da obra (em junho de 2009), o que é permitido segundo o art. 18, § 2º, da Lei do Município de Cascavel/PE nº 2.582/96, desde que preenchidos requisitos mínimos previstos na legislação. Alegou que, naquela oportunidade, “a obra carecia ainda de rebocos externos, parte de pintura, parte das calçadas e acabamentos”, inclusive seria o entendimento da vigilância sanitária do município de Cascavel/PR para a concessão do “habitese”. Desta forma, entendeu que os valores lançados como dispêndios com a construção devem ser recalculados estendendo o rateio até o mês de setembro/2009. Ocorre que, conforme exposto, o RECORRENTE não apresenta qualquer documento que corrobore suas alegações. O único documento idôneo nos autos que indica com certa margem de segurança quando a obra foi concluída é o Certificado de Conclusão de Obra – COO (fl. 447), o qual indica a data de 09/06/2009. Para fazer valer suas alegações de que teve dispêndios ainda nos meses de agosto e setembro, deveria acostar aos autos comprovação idônea de suas alegações, como recibos, notas fiscais de compras/serviços, etc. tudo a fim de demonstrar que efetuou despesas após o mês de junho (data do Certificado de Conclusão de Obra). Sem essa comprovação, entendo que não merece reparos o demonstrativo mensal de evolução patrimonial, referente ao anocalendário 2009, elaborado pela fiscalização à fl. 456 para verificação do APD. É que a fiscalização, munida de documentos relativos às origens e aplicações do RECORRENTE e de seu cônjuge, montou a já mencionada planilha de fluxo financeiro de Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 744 21 fl. 456, contabilizando, mês a mês, todos os recursos/origens verificados e todos os dispêndios/aplicações comprovados. Deste modo, foi verificado acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro (R$ 14.967,45), março (R$ 18.255,22), maio (R$ 14.426,55) e junho (R$ 20.785,40), tendo sido lavrado o imposto de renda sobre os respectivos valores, sujeito à tabela progressiva anual. O RECORRENTE, em nenhum momento de sua defesa, apresenta comprovação de recebimento de quaisquer rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, como forma de comprovar recebimento de recursos/origens que pudessem justificar o acréscimo patrimonial identificado nos meses de fevereiro a junho. Considerando os sinais exteriores de riqueza, a autoridade realizou o lançamento com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 745 22 (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Em sua defesa, poderia ter apresentado comprovação de que percebeu outros rendimentos durante o anocalendário 2009, ou ainda demonstrar que houve custo com a construção da casa além do mês de junho, quando foi expedido o Certificado de Conclusão de Obra. Contudo, apenas se limitou a alegar que concentrou a maior parte dos gastos com a obra no mês de agosto e que houve custo também no mês de setembro, sem fazer provas de suas alegações. Portanto, entendo que deve ser mantido o lançamento do imposto de renda relativo ao APD apurado. Juros sobre multa de ofício O RECORRENTE insurgese também contra a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega, em suma, que não há na legislação previsão de juros sobre a multa, mas apenas sobre o valor do imposto devido. No entanto, a despeito dos argumentos do RECORRENTE, entendo que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal e, consequentemente, o crédito tributário. Neste sentido, os arts. 113, §1º, e 139 da CLT dispõem o seguinte: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ou seja, apesar de não ser tributo (art. 3º do CTN), a penalidade pecuniária possui natureza de obrigação tributária principal. E, da leitura dos dispositivos acima, verifica se que a penalidade pecuniária faz parte do crédito tributário estando, pois, sujeita às regras que estabelecem a cobrança de juros de mora sobre os créditos tributários. Neste sentido, transcrevo o art. 161 do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 746 23 Portanto, entendo que o crédito tributário referente à penalidade pecuniária (multa de ofício) não paga no respectivo vencimento está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic. Neste sentido é a jurisprudência das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 (...) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180; 1ª Turma da CSRF; sessão de 19/01/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 (...) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821; 2ª Turma da CSRF; sessão de 08/03/2016) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10935.724414/201363 Acórdão n.º 2201004.116 S2C2T1 Fl. 747 24 (Acórdão 9303003.385; 3ª Turma da CSRF; sessão de 26/01/2016). Portanto, não merecem prevalecer as alegações do RECORRENTE acerca da suposta ausência de previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a infração decorrente do ganho de capital, por erro na identificação do sujeito passivo, devendo ser mantido o lançamento do crédito tributário decorrente do APD. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902102/2008-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo a decisão recorrida adequada fundamentação quanto às questões decididas, não restando configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, nem restando comprovada incompetência das autoridades administrativas que participaram do julgamento, rejeita-se a preliminar suscitada.
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF.
A isenção da Cofins, atinentes às sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal, que posteriormente foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF-, cuja decisão possui eficácia ex tunc, alcançando, por conseguinte, todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da referida norma revogadora.
Numero da decisão: 3001-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo a decisão recorrida adequada fundamentação quanto às questões decididas, não restando configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, nem restando comprovada incompetência das autoridades administrativas que participaram do julgamento, rejeita-se a preliminar suscitada. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, atinentes às sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal, que posteriormente foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF-, cuja decisão possui eficácia ex tunc, alcançando, por conseguinte, todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da referida norma revogadora.
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VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo a decisão recorrida adequada fundamentação quanto às questões decididas, não restando configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, nem restando comprovada incompetência das autoridades administrativas que participaram do julgamento, rejeitase a preliminar suscitada. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, atinentes às sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal, que posteriormente foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, cuja decisão possui eficácia ex tunc, alcançando, por conseguinte, todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da referida norma revogadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 21 02 /2 00 8- 25 Fl. 91DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1131.486, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 14.10.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório postulado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 44 a 50), que segue transcrito: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP transmitida pela contribuinte em 25/05/2004 (nº 27218.919l6.250504.1.3.044029), por intermédio da qual compensa débito de Imposto Sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (código de receita 20891, relativo ao período de apuração 1º trimestre de 2004, com vencimento em 31/05/2004), no valor de RS 759,87, com alegado crédito relativo à Cofins (código de receita 2172) derivado de “pagamento indevido ou a maior”, efetuado em 12/08/1999, período de apuração julho de 1999. Foram acostados aos autos cópias da PER/DCOMP (fls. 01/05). 2. Em 20/05/2008, o Delegado da Receita Federal do Brasil no RecifePE proferiu o DESPACHO DECISÓRIO (nº de rastreamento 763938420, às fls. 06), que se fez acompanhar de INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES DA ANÁLISE DO CRÉDITO e do DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, VALORES DEVEDORES E EMISSÃO DE DARF (fls. 07 e 08, respectivamente), por intermédio do qual resolveu não homologar a compensação pleiteada pela contribuinte na referida PER/DCOMP, por inexistência de crédito, nos seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP; R$ 415,55. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em seguida, foram indicadas as características do Darf, cujo valor original total e original utilizado era de R$ 415,55. 3. Regularmente cientificada em 03/06/2008 (fls. 09/10 e 39) do referido despacho decisório e intimada para pagamento dos débitos indevidamente compensados, a interessada apresentou, em 11/06/2008, manifestação de inconformidade (fls. 12/14), acompanhada de documentos, que vêm a ser cópias: i) da sétima alteração contratual da pessoa jurídica e respectivo registro na Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pernambuco OABPE Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 92 3 (fls. 15/18); ii) dos documentos de identificação do subscritor da impugnação (fls. 19); iii) do despacho decisório (fls.20); iv) do acórdão proferido em 17/09/2002 pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF5ª Região, relator o Desembargador Federal convocado Hélio Silvio Ourem Campos, na AMS nº 80.558PE, processo nº 2001.83.00.0145250 (fls.2l/36); v) de certidão subscrita pela Coordenadora da Segunda Turma da Diretoria Judiciária do Superior Tribunal de Justiça (fls. 37). Naquela peça de defesa, argúi e requer o que segue. 3.1. Discorda da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP hajam sido integralmente utilizados para quitar os débitos da empresa e acrescenta que, consoante informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da Delegacia da Receita Federal no Recife DRF/Recife, tal afirmativa decorreu “(...) do fato de a empresa, ao elaborar as declarações de compensação, não ter realizado a retificação das respectivas DCTFs para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados”. 3.2. Aduz que, portanto, apenas ocorrera falha procedimental da empresa, ao ter deixado de retificar as DCTF, o que “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada (sic), garantindo a isenção de COFlNS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas.” 3.3. Então, segundo documento relativo à ação judicial impetrada pela OABPE, com decisão transitada em julgado, restou garantido seu direito a isenção da Cofins, do que resulta que “(...) todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal.” 3.4. Provada a existência dos créditos relativos a pagamentos a maior de Cofins, requer seja julgada procedente sua manifestação de inconformidade, para ter reconhecido o seu direito sobre tais créditos e, em conseqüência, homologadas as compensações realizadas nas PER/DCOMP que os utilizaram, relacionadas neste processo. Da decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/REC, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o supra mencionado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 93DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para aduzir, em síntese, o que segue: Em preliminar, que a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/REC merece reparo, por ter cerceado seu direito de defesa "ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentados ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, da Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa." Sedimenta este inconformismo no fato de "que as decisões proferidas pela DRF/Recife e pela DRJ/Recife são totalmente diferentes", pois a "decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa", porém, "em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão da decisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto". Por fim, questiona "se seria possível à DRJ/Recife, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, inovar completamente ante a decisão proferida pela DRF/Recife ao ponto de indeferir a Manifestação de Inconformidade apresentada com base em argumento completamente novo, sem que tenha sido intimada a empresa a contraargumentar acerca destes novos fatos". No mérito, pretende "demonstrar que a argumentação da DRJ/recife não condiz com a realidade dos fatos". Alega que "a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS". Salienta que a "decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da empresa da COFINS já havia sido encerrada e tendo reconhecido o direito". Tanto que somente "em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 93 5 efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o beneficio de isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos". Salienta que tão somente "contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória", que, "como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar". Concluindo entende que está "plenamente demonstrada a realização da hipótese do art. 165, I, do CTN, qual seja a realização de pagamentos a maior por parte da empresa, haja vista a desconformidade da apreciação do caso por parte da DRJ/Recife". Neste sentido, "requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de COFINS e, conseqüentemente, homologar as compensações realizadas nas PER/DCOMP relacionadas a este processo que utilizaram tais créditos". Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, segundo a intimação de efls. 47 e o Aviso de Recebimento AR de efls. 49), em 16.03.2011 tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade. O recorrente, conforme o carimbo aposto por servidor da CAC/DRF/REC na "folha de rosto" da petição juntada à efl. 50, em 13.04.2011 protocola o recurso voluntário apresentado. Compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Ressaltese, de plano, que os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 95DF CARF MF 6 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes, conforme dispõem os incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal, os artigos 142 e 195 do Código Tributário Nacional, o artigo 6º da Lei 10.593 de 06.12.2002, os artigos 9º, 10, 23 e 59 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, o Decreto 6.104 de 30.04.2007, os artigos 2º e 4º da Lei 9.784 de 29.01.1999 e as Súmulas CARF 6, 8, 27 e 46. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo e como uma espécie de ato jurídico deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (i) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (ii) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (iii) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (iv) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (v) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais, conforme dispõem o artigo 179 da Constituição Federal, o artigo 2º da Lei 4.717 de 29.06.1965, o parágrafo 2º do artigo 9º do DecretoLei 1.598 de 26.12.1977 e a Lei 9.317 de 05.12.1996. Isto posto, não há como concordar com os argumentos do recorrente, pois não se vislumbra qualquer hipótese de nulidade. Não se pode falar em preterição do direito de defesa previamente, in casu, à expedição do despacho decisório, pois é somente depois de realizada sua ciência que abrese o prazo para o contribuinte apresentar sua manifestação de inconformidade, e nesse momento, deve apresentar os argumentos e documentos que entender necessários a albergar sua defesa. Igualmente, diversamente do alegado pelo recorrente, inexiste vício na decisão a quo que pudesse inquinála de nulidade, pois todas as questões abordadas pela decisão recorrida estão fundamentadas, conforme se observa do conteúdo do seu voto condutor. Por certo que a falta de fundamentação tem o condão de gerar nulidade de decisão, que não é o caso destes autos, pois a decisão atacada tem respectiva fundamentação. A alegada inovação jurídica nos argumentos apresentados nas decisões proferidas pela DRF/REC e pela DRJ/REC não configura vício que pudesse macular a decisão recorrida de nulidade, pois não há caracterização de cerceamento do direito de defesa, na medida em que todas as questões enfrentadas pela decisão recorrida estão fundamentadas. O despacho decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais artigo 74 da Lei 9.430 de 1996 e Decreto 70.235 de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, conforme dispõem os artigos 142 e 195 do CTN, o artigo 6º da Lei 10.593 de 06.12.2002, os artigos 10 e 59 do Decreto 70.235 de 1972 e os artigos 2º e 4º da Lei 9.784 de 1999. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 94 7 Evidenciase também que as autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme dispõem o artigo 116 da Lei 8.112 de 11.12.1990, o artigo 2º da Lei 9.784 de 1999 e o artigo 37 da Constituição Federal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual o recorrente foi regularmente cientificado. Ainda, na apreciação dos argumentos de defesa apresentados, o colegiado a quo formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional, conforme dispõe o artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972. Dito isto, é de se ver que o Despacho Decisório nº de rastreamento 763938420 e o Acórdão 1131.486 da 2ª Turma da DRJ/REC, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos fiscais em apreço. Em assim sendo, a tese exposta pelo defendente não restou demonstrada. A propósito, as divergências suscitadas pelo recorrente quanto a inovação do conteúdo do indeferimento inicial das compensações são matérias de mérito, e assim devem ser enfrentadas, e não como questões para serem enfrentadas em sede de preliminar. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade de cerceamento do direito de defesa suscitada. Dos contextos fático e jurídico Conforme depreendese do relatório do acórdão recorrido, aqui reproduzido, tratase de processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP 27218.919l6.250504.1.3.044029, transmitida pelo contribuinte em 25.05.2004, por intermédio da qual compensa débito de IRPJ, relativo ao período de apuração do 1º trimestre de 2004, com vencimento em 31.05.2004, no valor de R$ 759,87, com alegado crédito relativo à Cofins, derivado de “pagamento indevido ou a maior”, efetuado em 12.08.1999, referente ao período de apuração julho de 1999. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o despacho decisório que indeferiu o direito creditório e não homologou a referida PER/DCOMP, sob o fundamento da inexistência de crédito, nos seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 415,55. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Fl. 97DF CARF MF 8 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando que o indeferimento do pleito decorreu “do fato de a empresa, ao elaborar as declarações de compensação, não ter realizado a retificação das respectivas DCTFs para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados”. Aduziu que apenas ocorrera falha procedimental da empresa, ao ter deixado de retificar as DCTF, o que “não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, (...), garantindo a isenção de COFlNS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas”. E mais, segundo documento relativo à ação judicial impetrada pela OABPE, com decisão transitada em julgado, restou garantido seu direito a isenção da Cofins, do que resulta que “todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal". Neste contexto, temse que a manifestação foi julgada improcedente sob os fundamentos a seguir reproduzidos, colhidos do voto condutor do acórdão vergastado: 5. Consoante já relatado, o pedido de restituição/compensação efetivado pela interessada por meio do PER/DCOMP de fls. 01/05 foi indeferido pela autoridade administrativa o Delegado de Receita Federal do Brasil no RecifePE em face da constatação de que o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, qual seja, aquele relativo à Cofins, período de apuração julho de 1999. Não restara, portanto, segundo explicitado no DESPACHO DECISÓRIO (fls. 06), crédito disponível para a compensação do débito indicado na citada PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada. 6. Segundo explicitado no item 3 do Relatório, a contribuinte, na sua manifestação de inconformidade, alega ter sido beneficiada por decisão judicial transitada em julgado de iniciativa da OAB PE, da qual é substituída processual, e na qual restou garantido o seu direito à isenção da Cofins. Por esta razão, entende que “(...) todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal.” E aduz, em relação à alegada informação obtida junto ao CAC da DRF/Recife acerca do fato de não ter retificado as DCTF, que isso “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada (sic), garantindo a isenção de COFINS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas.” 7. De princípio, cumpre trazer à baila os arts. 170 e 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional (CTN) que cuidam do instituto da compensação, a seguir transcritos, in verbis: (...) 8. Da leitura dos textos acima, depreendese que a compensação tributária, além de estar submetida à verificação dos créditos e dos débitos pela autoridade administrativa, os quais deverão estar revestidos dos atributos de liquidez e certeza, não poderá ser homologada pela referida autoridade mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 95 9 sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 9. Neste ponto, cabe esclarecer que o PER/DCOMP sob análise foi apresentado em 25/05/2004 portanto, antes do trânsito em julgado da decisão judicial, ocorrido em 09/09/2004. Acrescentese que a contribuinte, ao preencher o PER/DCOMP (fls. 01), i) no campo relativo ao tipo de crédito, informou “pagamento indevido ou a maior”; e ii) no campo em que se indaga se o crédito é oriundo de ação judicial, respondeu “NÃO”. Não havia, pois, crédito líquido e certo a compensar, no momento da transmissão do pedido de compensação. 10. E, tendo em vista que a decisão judicial favorável transitou em julgado posteriormente à apresentação do PER/DCOMP, passase, agora, a analisar a alegação relativa a existência do crédito oriundo da ação judicial patrocinada pela OABPE, em substituição processual dos seus associados. Inicialmente, traça se breve histórico da ação judicial referenciada. (...) 11. Diante do exposto, o que interessa, para deslinde da questão ora sob apreciação, é a determinação dos limites da decisão judicial proferida no bojo da ação de mandado de segurança nº 2001.83.00.0145250, após os desdobramentos posteriores, em especial as decisões proferidas em sede da ação rescisória nº 5471PE e da Rcl nº 6917. 12. De pronto, cumpre trazer a lume entendimento já proferido pelo STJ, ao negar provimento ao REsp nº 522.475AL (2003/00550328), relator o Ministro Luiz Fux, cuja ementa reza, in litteris : (...) 13. Cumpre, também, transcrever as Súmulas de nºs 269 e 271, também do STF :: (...) 14. Aplicandose ao caso concreto em que o contribuinte pretendeu compensar débito posterior à impetração do mandado de segurança, antes do trânsito em julgado da decisão favorável, com alegado crédito anterior à impetração os entendimentos constantes das Súmulas do STF de nºs 239, 269 e 271, reproduzidas nos itens anteriores, temse que a decisão proferida na ação de mandado de segurança nº 2001.83.00.0145250, que transitara em julgado em 09/09/2004, não alcança créditos porventura existentes relativos a períodos de apuração da Cofins anteriores a impetração da ação, bem como só alcança o(s) exercício(s) financeiro(s) albergado(s) pela impetração. 15. Observase, portanto, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004 não se apresenta exigível, faltandolhe, portanto, condição essencial para sua validade, nos termos do inciso II e do parágrafo único do art. 741 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil CPC). (...) Fl. 99DF CARF MF 10 16. É que, tendo o STF reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogador da isenção outrora concedida pela LC nº 70, de 1991, objeto do mandado de segurança impetrado pela OABPE, alcançadas estão as decisões judiciais que reconheceram a inconstitucionalidade daquele diploma legal com base na ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Vêse, assim, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004, que lastreia a suposta inexigibilidade da Cofins das sociedades civis prestadoras de serviços relacionados ao exercício da advocacia, devidamente registradas na OABPE, não goza do requisito da exigibilidade, pois o STF firmou entendimento pelo reconhecimento da constitucionalidade da revogação da isenção das sociedades referenciadas pela Lei nº 9.430, de 1996. 17. Desta forma, resta claro que, em virtude da decisão na ação rescisória AR 5471PE / Processo nº 2006.05.00.0442426 e da liminar na Reclamação junto ao STF Rcl/6917, a isenção reconhecida judicialmente, transitada em julgado em 09/09/2004 (processo nº 2001.83.00.014520, deixou de existir. Não há, portanto, qualquer possibilidade de considerar indevidas as contribuições para a Cofins recolhidas pela contribuinte. E, por conseguinte, inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados. 18. No que se refere à menção que a contribuinte faz, na peça de defesa, a respeito de ter obtido junto ao CAC da DRF/Recife a informação de que a nãohomologação do pedido de compensação decorrera do fato de não ter retificado a respectiva DCTF, para ajustála aos novos valores dos débitos apurados, e que tal fato “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE (...)”, tudo o que já se expôs neste Voto mostra ser desnecessário proceder à sua apreciação. Cumpre relembrar que a compensação, como forma de extinção de crédito tributário, somente pode ser autorizada por lei e nos exatos limites fixados pelo Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Esclareçase que o parágrafo 1º do artigo 66 da Lei 8.383 de 1991, posteriormente alterada pela Lei 9.065 de 1995, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja: débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de receitas patrimoniais. Ainda, a referida lei determinou que os débitos e créditos tributários deveriam corresponder à mesma espécie de tributo ou contribuição, na medida em que a compensação era feita sem pedido, e somente com esta limitação não haveria reflexos na repartição de receitas tributárias: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 96 11 contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (...) Com a edição da Lei 9.430 de 1996, acresceuse a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, na forma do inciso I do artigo 73 daquela lei, ao qual se reporta o artigo 74: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: (...) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Quanto aos direitos creditórios objeto de contestação judicial, a Instrução Normativa SRF 21 de 10.03.1997, alterada pela Instrução Normativa SRF 73 de 15.09.1997, estipulava procedimento específico, nos seguintes termos: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (...) Em 2001, porém, o Código Tributário Nacional foi alterado para contemplar expressamente a vedação à compensação de direitos creditórios objeto de discussão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Na sequência, a alteração do artigo 74 da Lei 9.430 de 1996, ocorrida em 2002, já se fez neste contexto, em que proíbe a compensação tendo por referência direito creditório objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, ainda sem trânsito em julgado. Destaquese, ainda, que a partir deste momento a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, por ocasião de sua declaração à Receita Federal, nos termos da Medida Provisória 66, convertida na Lei 10.637, ambas editadas em 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 101DF CARF MF 12 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Pois bem, quanto ao aspecto fático, o que denotase dos autos é que as decisões proferidas no despacho decisório e na decisão recorrida divergiram tão somente em função dos argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte, quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade, ocasião em que, instaurado o litígio, deu a conhecer da existência do Mandado de Segurança 2001.83.00.0145250, e desdobramentos posteriores; e não poderia ser diferente, pois referida ação transitou em julgado somente em 09.09.2004, ou seja, depois da apresentação do PER/DCOMP sob análise, ocorrido em 25.05.2004, razão pela qual, em face da legislação de regência, preferiu manterse silente quanto a origem do alegado direito creditório vindicado. Desse modo, não assiste razão ao recorrente quando este pretende a invalidade dos atos administrativos que questiona, quais sejam, o despacho decisório proferido pela DRF/REC e o próprio acórdão recorrido, na medida em que, como visto alhures, tais decisões apenas e tão somente trataram de sopesar os argumentos por este apresentados, à luz dos elementos fáticos disponibilizados pelo interessado e da legislação de regência. Do mérito propriamente dito Restanos analisar os argumentos trazidos no recurso voluntário, quais sejam: (i) que "a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da empresa da COFINS já havia sido encerrada e tendo reconhecido o direito"; (ii) que "em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o beneficio de isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos"; (iii) que tão somente "contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória"; (iv) e que "como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, (...), os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar". O pedido de reconhecimento do indébito albergado nestes autos, conforme restou sobejamente evidenciado na manifestação de inconformidade e no acórdão recorrido, tem por "pano de fundo", por óbvio, a alegação de inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei 9.430 de 1996, que revogou a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar 70 de 1991. Porém, antes de analisar os argumentos declinados no recurso voluntário acerca da questão da inconstitucionalidade da norma em referência art. 56 da Lei 9.430/96, peço licença para, de plano, alertar que a Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10480.902102/200825 Acórdão n.º 3001000.249 S3C0T1 Fl. 97 13 AR 3.761PR, na sessão de 12.11.2008 (DJe 20.11.2008 ed. 262), deliberou pelo cancelamento da Súmula 276 (DJ 02.06.2003, p. 365), cujo verbete enunciava: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado", tendo por referência a Lei Complementar 70 de 1991 (art. 6º, II), a Lei 8.541 de 1992 (arts. 1º e 2º) e a Lei 9.430 de 1996, que revoga o DecretoLei 2.397 de 1987 (arts. 1º e 2º). Retomando ao tema cerne do litígio, basta, para o completo deslinde da questão meritória aqui suscitada, esclarecer ao recorrente que tal questão encontrase, a quase uma década, absolutamente pacificada. É que a constitucionalidade da citada norma ordinária foi declarada, pelo STF, no Recurso Extraordinário 377.4573, julgado em 17.09.2008, em relação ao qual foi declarada a repercussão geral, nos termos do artigo 543B do CPC Lei 5.925 de 1973, ocasião em que foi também negada a modulação dos efeitos da decisão. Desse modo, em atenção ao que determina o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STF, sob a sistemática do artigo 543B do CPC, no Recurso Extraordinário 377.4573, verbis: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721.5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Por fim, cabe evidenciar a presente decisão judicial possui eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei 9.430 de 1996, sendo afastada, inclusive, a mencionada jurisprudência e revogada a Súmula 276 do STJ. Razão pela Fl. 103DF CARF MF 14 qual não merece qualquer reparo a decisão proferida no Acórdão 1131.486, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC, notadamente ao que restou expresso no itens 16 e 17 do voto condutor do referido acórdão, na medida em que corretamente pontuou que tendo o STF reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogador da isenção outrora concedida pela LC nº 70, de 1991, objeto do mandado de segurança impetrado pela OABPE, alcançadas estão as decisões judiciais que reconheceram a inconstitucionalidade daquele diploma legal com base na ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Vêse, assim, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004, que lastreia a suposta inexigibilidade da Cofins das sociedades civis prestadoras de serviços relacionados ao exercício da advocacia, devidamente registradas na OABPE, não goza do requisito da exigibilidade, pois o STF firmou entendimento pelo reconhecimento da constitucionalidade da revogação da isenção das sociedades referenciadas pela Lei nº 9.430, de 1996 e que, em virtude da decisão na ação rescisória AR 5471PE / Processo nº 2006.05.00.0442426 e da liminar na Reclamação junto ao STF Rcl/6917, a isenção reconhecida judicialmente, transitada em julgado em 09/09/2004 (processo nº 2001.83.00.014520, deixou de existir. Não há, portanto, qualquer possibilidade de considerar indevidas as contribuições para a Cofins recolhidas pela contribuinte. E, por conseguinte, inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados. Da conclusão Diante do todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, ante a inexistência do cerceamento do direito de defesa e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900545/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 05 45 /2 01 1- 01 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10950.900545/201101 Acórdão n.º 3302005.068 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.040. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10950.900545/201101 Acórdão n.º 3302005.068 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10950.900545/201101 Acórdão n.º 3302005.068 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10950.900545/201101 Acórdão n.º 3302005.068 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978915/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido.
2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.932
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 15 /2 01 2- 60 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.978915/201260 Acórdão n.º 3302004.932 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trato presente processo de declaração de compensação (DComp) em que foi informada a compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS, com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. O Despacho Decisório proferido pelo titular da unidade da Receita Federal unidade de origem não homologou a compensação declarada porque não havia crédito disponível, uma vez que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação do débito vinculado ao correspondente pagamento.. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que fazia jus a homologação integral da compensação declarada, uma vez que o crédito informado era proveniente de recolhimento da multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea da infração. Para a recorrente, como cumprira, espontaneamente, o dever de recolher o tributo devido, a referida multa de mora recolhida era indevida, nos termos do art. 138 do CTN. Em decorrência, o valor do crédito informado era passível de compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 14 053.298. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que não cabe a exclusão da Multa de mora em casos de denúncia espontânea, devendo o Pagamento extemporâneo ser feito com os acréscimos legais. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância e inconformada, protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, após discorrer sobre o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, alegou que a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.978915/201260 Acórdão n.º 3302004.932 S3C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.927, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.688913/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.927): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do valor do crédito informado para compensar o débito confessado e as razões foram consignadas no despacho de decisório colacionado aos autos (fls. 5/6). Segundo o citado despacho, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP nº 16516.34621.310306.1.3.041964 o sistema localizara o valor do pagamento informado, mas ele encontravase integralmente vinculado à quitação da correspondente parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003, logo não restava crédito disponível para compensação dos débitos informado na citada PER/DCOMP. Na peça impugnatória, a recorrente alegou que o valor do crédito informado referiase a pagamento indevido da multa de mora incidente sobre a parcela do débito complementar da citada contribuição do mês de outubro de 2003, que fora paga antes da retificação da DCTF do período, o que configurava denúncia espontânea da infração. Com base no entendimento de que a multa de mora não era passível da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, por não ter natureza punitiva e sim natureza indenizatória, o órgão julgador a quo manteve a não homologação da compensação, baseada no entendimento de que não havia crédito disponível para compensação, uma vez que o valor informado na citada PER/DCOMP fora integralmente utilizado no pagamento da multa de mora de devida em decorrência do pagamento em atraso da parcela complementar da contribuição do citado mês. De outro parte, a recorrente alegou a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Com base no breve resumo dos dois entendimentos distintos ficam evidenciadas as duas divergências. Uma de cunho jurídico, referente a natureza da multa de mora, ou seja, se a multa moratória tem natureza indenizatória ou punitiva. A segundo de cunho fáticoprobatório, isto é, se a denúncia realizada pela recorrente atende os requisitos do art. 138 do CTN, de modo a isentála da cobrança do tributo. Até a decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, tais questões Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.978915/201260 Acórdão n.º 3302004.932 S3C3T2 Fl. 5 4 geraram ampla controvérsia no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Para facilitar a compreensão, o enunciado da ementa do referido julgado segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.978915/201260 Acórdão n.º 3302004.932 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.1 A partir da referida decisão definitiva, por força do que determina o art. 62, § 2º, do RICARF/2015, o entendimento manifestado no referido julgado passou a ser de adoção obrigatória nos julgamentos deste Conselho. Dessa forma, a controvérsia em torno da questão jurídica restou dirimida, haja vista o entendimento esposado no citado julgado definiu que, na seara tributária, o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias ou multas e que estas têm natureza punitiva, inclusive, as multas moratórias decorrentes do atraso ou impontualidade no pagamento dos tributos. No que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que há declaração e pagamento parcial dos débitos, o referido julgado também definiu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração decorrente da mora ou impontualidade no pagamento do tributo. E neste caso, as condições objetivas configuradoras da denúncia espontânea são as seguintes: a) o prévio pagamento da diferença a maior do tributo acrescidos dos juros moratórios; e b) a apresentação concomitante ou posterior da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, em que informada a parcela do tributo a maior paga e ainda não declarada. Após a referida decisão, a PGFN passou a adotar o mesmo entendimento manifestado no referido julgado, conforme se lê no enunciado da ementa do Parecer PGFN/CRJ nº 2.124/2011, que segue reproduzido: A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 BRASIL. STJ. REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.978915/201260 Acórdão n.º 3302004.932 S3C3T2 Fl. 7 6 No caso, há provas nos autos (fls. 80/82), que a recorrente declarou na DCTF e pagou dentro do prazo de vencimento a Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 2.994.807,61. Em seguida, no dia 27/2/2004, após o prazo de vencimento, realizou o pagamento complementar da referida contribuição no valor de R$ 266.755,76, acrescido de juros moratórios de R$ 9.709,91. Após o referido pagamento e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, no dia 18/6/2004, a recorrente apresentou a DCTF retificadora com acréscimo do referido valor complementar (fls. 83/84). Em seguida, no dia 20/7/2004, a recorrente realizou o pagamento da multa de mora, referente ao referido valor complementar recolhido fora do prazo de vencimento (fl. 78), objeto do presente do procedimento de compensação. Assim, resta demonstrado que a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumpriu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumprindo as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido.. Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000335/2008-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 01/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 01/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 01/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 35 /2 00 8- 41 Fl. 4310DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 9202006.622 CSRFT2 Fl. 3 3 pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 4312DF CARF MF 4 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 9202006.622 CSRFT2 Fl. 4 5 "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Fl. 4314DF CARF MF 6 Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 9202006.622 CSRFT2 Fl. 5 7 também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Fl. 4316DF CARF MF 8 III Recurso provido." 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 9202006.622 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 4318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002150/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO.
Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para fins de apuração da validade de parte do crédito glosado, não aceita pelos demais Conselheiros do colegiado; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Conselheiro suplente convocado).
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para fins de apuração da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 50 /2 00 6- 27 Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 3 2 validade de parte do crédito glosado, não aceita pelos demais Conselheiros do colegiado; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Conselheiro suplente convocado). Relatório Versam os autos lançamento de IPI, cujo objeto, conforme descrito no TVF de fls. 530/537, foram 1 glosa de crédito indevidos (créditos básicos indevidos que não geram crédito, tais como produtos e equipamentos a serem incorporados a instalações industriais e/ou partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos) relacionados no anexo I; 2 glosa de créditos lançados em duplicidade, relacionados no anexo III, 3 glosas de créditos de aquisições cujos pagamentos, consoante informação do contribuinte, foi anulado ou cancelado (anexo IV). Também foram glosados 4 créditos de insumos aplicados em produtos não tributados NT (anexo V) e 5 cobrada diferença de IPI em função de operação com erro de alíquota. Por fim, 6 foi cobrado IPI de produtos que saíram, erroneamente no entender da fiscalização, com suspensão de IPI com base na Lei 9.826/99 (anexo IX), 7 quer por não atenderem as condições de suspensão, quer porque algumas notas fiscais não atenderam o disposto no § 4º do art. 5º daquela Lei, não constando a expressão "Saído com suspensão de IPI" (anexo X). O contribuinte impugnou a exigência fiscal, porém, expressamente, concordando com os valores lançados de ofício relativos à: 1) operações com erro de alíquota; e 2) créditos básicos indevidos, subdivididos em: (i) aquisição de insumos que não se desgastam ou não se consomem durante a industrialização; (ii) lançamento em duplicidade de alguns créditos; e (iii) falta de estorno de créditos de aquisições que, posteriormente, vieram a ser canceladas e/ou anuladas. Portanto, tais questões refogem ao alcance da lide. A DRJ em Belém/PA, em 08/11/2011, julgou a impugnação (fls. 1362/1378) parcialmente procedente, reconhecendo a decadência, com base no art. 173 I, do CTN, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2000, uma vez a ciência da exação ter se dado em 23/11/2006. Não resignado com a r. decisão, foi interposto o presente recurso (fls. 1476/1494), no qual, em suma, a empresa alega: 1 Estar decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário relativo a períodos anteriores a novembro de 2001, por entender que deve ser aplicado o art. 150, § 4º do CTN, e não o art. 173, I, conforme o entendimento da decisão recorrida; Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 4 3 2 Que pode manter os créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, em produtos não tributados (NT), com fundamento nos art. 153, § 3º, da CF, pois a seu juízo "o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito", e art. 11 da Lei 9.779/99; 3 Que é errônea a leitura de que a suspensão a que alude a Lei 9.826/99 se aplicava apenas para as saídas destinadas a veículos. Entende que o art. 5º ao determinar que a suspensão se aplica à "saída do estabelecimento industrial, ou..., destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 87.01 a 87.05 e 87.11 da TIPI", não vincula o benefício da suspensão "à natureza do destinatário (fabricante de veículo), mas sim, ao destino dado aos produtos (montagem de veículos)". Afronta o entendimento vazado na r. decisão que seria bastante para desqualificar a suspensão o fato de que uma vez que "não foram observadas as condicionantes da suspensão do imposto, fazse exigível o tributo respectivo", quando aborda o fato de que nas notas fiscais não constou a expressão "Saído com suspensão de IPI". Alega que não pode prevalecer a forma sobre a substância. E conclui, pedindo o provimento integral do recurso: É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. DECADÊNCIA Questão assaz controvertida neste sodalício, mas com posições sedimentadas. Como pontuado na r. decisão, e não controvertido no recurso, nos meses objeto do lançamento não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, o que, em consequência, determina a aplicação, in casu, do art. 173, I, para contagem do termo a quo para a Fazenda constituir o crédito tributário. E a r. decisão já emendou o lançamento, declarando decaídos os valores lançados anteriores ao período de apuração dezembro/2000. Entendo escorreita a r. decisão neste ponto, pois em se tratando de créditos ilegítimos, como na sequência se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não incide, uma vez esse dispositivo regulamentar referirse, expressamente, a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 5 4 II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a glosa dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Assim, rechaçase essa preliminar de mérito, restando mantida a decadência declarada pela r. decisão. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS NT O núcleo da questão a ser solvida é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), como aqueles objeto da lide, permitem creditamento dos valores de seus insumos. Entendo que se aplica na hipótese a Súmula 20 do CARF, que dispõe: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. A transcrita Súmula é clara, hialina, no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, impertinente, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam ou não no campo de incidência do IPI. É ela, fundamentalmente, que respalda a conclusão deste voto. Contudo, teço alguns comentários a título de ilustração acerca do mérito. No que tange ao princípio da nãocumulatividade, por ser matéria de índole constitucional, descabe a este Colegiado decidir sobre seu mérito. Entretanto, certo que o próprio STF no REsp 398.365, dentre outros, julgado pelo Plenário em repercussão geral em 27/08/2015, ao não admitir o creditamento de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero e isentos modulou os efeitos desse princípio. Só este fato já é suficiente para afastar a afirmação da recorrente de que "o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito". Essa leitura, com a devida vênia, é velha é quer fazer renascer uma tese vetusta e já moribunda. Quanto à Lei 9.779/99, seu artigo 11, não faz menção à produtos NT. Veja se: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 6 5 conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Salientese que esta legislação mudou radicalmente a sistemática do IPI, que tinha por fundamento a nãocumulatividade, consubstanciada na possibilidade de compensação do "que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Ou seja, os valores passíveis de creditamento somente eram legítimos em relação ao que a doutrina veio denominar de créditos básicos, pois não havia que se falar em crédito quando este era zero, ou não havia incidência da norma impositiva. Contudo, notese, que esta norma inovadora, não fez menção a produtos NT, até porque a Constituição, ao referirse ao IPI, estatui que: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo, abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores”. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Pois bem, até a edição da 9.779, o que tínhamos eram os referidos créditos básicos e aqueles apelidados de incentivados. Estes eram, e são, créditos que fogem à natureza do IPI, mas que têm por escopo incentivo fiscal, como aqueles, v. g., da DL 411/99 (incentivo à política de exportação), dos produtos egressos da Amazônia ocidental (DL 1.435/75 (política de incentivo à economia e povoamento dessa região do Brasil), e tantos outros visando algum tipo de política governamental em relação a certos segmentos econômicos. A IN SRF 33/99, foi editada especificamente para regulamentar o art. 11 da Lei 9.779. A recorrente entende que essa IN ao fazer menção, em seu art. 4º, ao aproveitamento dos insumos, a que se refere a Lei, aplicados em produtos imunes, ipso facto, reconheceu que se referia a todo e qualquer produto industrializado imune. Não teceu a recorrente qualquer comentário quanto ao fato de que o art. 11 da Lei 9.779/99 não faz menção a produtos imunes, desta feita apegandose à norma administrativa. Mas será que frente a este fato a Administração não extrapolou seu poder regulamentar? Certamente, não, e não poderia! Os créditos em relação a produtos imunes são aqueles que decorrem de lei específica do favor legal (benefício/incentivo fiscal), onde é criado, por mandamento legal strictu sensu, um crédito ficto de natureza incentivada ( a lei garante a manutenção e utilização dos créditos, mesmo que não haja cobrança do IPI na saída). Esse é o caso do DecretoLei 411/69 em relação a produtos industrializados exportados. Mas para isso, antes, o produto exportado deve ser industrializado. A esses casos que se aplica o art. 4º da IN 33/99. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4º da IN SRF nº 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, presentes no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 7 6 matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. Contudo, a mesma Normativa, disso se esqueceu de fazer referência a peça recursal, no § 3º do art. 2º, dispôs que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Mas, em qualquer hipótese, a legislação, lato sensu, sempre fez menção a produtos industrializados. Pois bem, justamente em função dessa leitura desvirtuada da recorrente é que veio a Receita Federal expedir ato no sentido de esclarecer esse eventual conflito entre o que dispôs o § 3º do art. 2º, a respeito do qual a recorrente silencia, e o artigo 4º da IN 33/99. Assim, para mais aclarar o já aclarado, a RF editou o ADI nº 5, de 17/04/2006, que prescreve: “Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior”. Por fim, o fato é que em todos os casos aludidos, sempre a legislação fez menção a produtos industrializados. E, indubitavelmente, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há direito a crédito algum. Igualmente, sem reparos à r. decisão neste tópico. AS SAÍDAS COM DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO Em relação ao descumprimento das condições de suspensão, alega a recorrente que o respectivo beneficio, na vigência da Lei nº 9.826/1999, não se aplicava apenas Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 8 7 para as saídas destinadas a “fabricantes de veículos”, aduzindo que, suas saídas destinavamse exatamente a empresas que lidam com “(...) peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 87.01 a 87.05 e 87.11 da TIPI”, cuja suspensão não era e não é vinculada à natureza do destinatário (fabricante de veiculo), mas sim, ao destino dado aos produtos (montagem de veículos), devendo prevalecer a substância sobre a forma. Entende que o simples fato de não haver mencionado no corpo da nota fiscal de saída que o IPI estava suspenso, não seria o bastante para desqualificar a suspensão, posto que o descumprimento de simples obrigação acessória poderia redundar na exigência de imposto e acréscimos moratórios. Primeiramente, o fato gerador do IPI, conforme dispõe o art. 2º da Lei nº 4.502/1964, “é a saída de produto do estabelecimento industrial”, verificandose o fato imponível independentemente da finalidade a que se destine o produto ou o título jurídico de que decorra a saída, bastando que o estabelecimento esteja definido como contribuinte do imposto (art. 39 do RIPI/2010). Logo, ocorrida a saída do produto do estabelecimento industrial, presente estará o fato imponível. No caso concreto, sustenta a recorrente que a saída dos bens em questão deu se com suspensão do imposto. Neste passo, gizese que somente será permitida a saída de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas regulamentares1 que delimitam a hipótese. E, nos termos do art. 5º da Lei nº 9.826/1999, com a redação vigente no período de interesse à autuação, assim se encontrava delimitada a suspensão ora sob análise: “Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI. § 1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto a fim diverso do ali estabelecido. § 2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto. § 3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas.” Logo, a suspensão originalmente prevista no art. 5° da Lei n° 9.826/99 referiase, de fato, às saídas de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças destinados à montagem de veículos automotores, vinculandose expressamente a fabricantes de veículos, com se vê no § 1º acima transcrito. Somente com a nova redação dada pela Lei nº 10.485/2002 ao art. 5º da Lei nº 9.826/1999 é que foi autorizada a saída com suspensão de bens destinados a estabelecimentos responsáveis pela produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados, bem como aos 1 RIPI/2002, Art. 37 Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expendidas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 9 8 responsáveis pela montagem de tais produtos autopropulsados. Vejase a nova redação do referido art. 5º da Lei 9.826/99: "Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002)" Assim, as saídas realizadas para fabricantes de autopeças, até 01/11/2002, não se encontravam amparadas com a suspensão do IPI. E, por decorrência, tais saídas caracterizaram fato gerador do IPI, com a imediata exigibilidade da obrigação tributária (posto que inexistente qualquer suspensão da mesma). Em relação à essas saídas (NF emitidas entre 09/12/1999 a 19/07/2002 fl. 1228), por "Destinatário do produto que não atende às condições da suspensão" (item 2.31 fl. 535) foi constituído o crédito tributário corretamente, pois limitouse às notas fiscais emitidas entre 09/12/1999 a 19/07/2002 (nf listadas à fl. 1228, anexo IX do lançamento), período não abrangido pela nova redação do art. 5º da Lei 9.826/99, com a redação da Lei 10.485/2002. Esta Lei, publicada em 03/07/2002, nos termos de seu art. 7º, passou a produzir efeitos "a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação", ou seja em 01/11/2002. Portanto correta a exigência fiscal. No que diz respeito ao fato de não haver menção no corpo de determinadas notas fiscais de produtos saídos com suspensão (item 2.3.2 do TVF, fl. 536), reafirmase que os artigos 39 e 41 do RIPI/2002 (com previsões equivalentes nos arts. 37 e 39 do RIPI/1998) estabeleciam, de forma unívoca, que a inobservância das normas e requisitos estabelecidos para o controle da saída com suspensão tornariam o imposto imediatamente exigível, como segue: “Art. 39. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10882.002150/200627 Acórdão n.º 3402004.979 S3C4T2 Fl. 10 9 (...) Art. 41. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse.” Então não se venha falar de prevalência da forma sobre a matéria, pois, em verdade, a lei criou condicionantes ao exercício do benefício fiscal, o qual deve ser interpretado literalmente, no caso a saída com a suspensão do IPI. A exação, nesse ponto (item 2.3.2 do TVF, fl. 536), deuse em relação às notas fiscais nas quais não constou a expressão "saído com suspensão de IPI", as quais encontramse arroladas às fls. 1229/1230, todas emitidas contra a empresa Scania Latin America (CNPJ 59.104.901/000176). Portanto, estreme de dúvida, a saída com suspensão de IPI foi indevida nas duas hipóteses elencadas. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.726214/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/11/1999 a 30/08/2003
VALORES DECLARADOS EM DCTF. INDICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS JUDICIAIS PRECÁRIOS, DE TERCEIROS E RELATIVOS A CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
A exigência de valores de débitos declarados em DCTF, indicando compensação com créditos judiciais precários, de terceiros e relativos a crédito-prêmio de IPI, dispensa a formalização de lançamento de ofício, por já estar confessado o débito.
Numero da decisão: 3401-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição a Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 509 1 508 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.726214/201329 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.406 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO PARCELAMENTO Recorrente LESTE PARTICIPAÇÕES LTDA (nova denominação de LESTE PARTICIPAÇÕES S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/11/1999 a 30/08/2003 VALORES DECLARADOS EM DCTF. INDICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS JUDICIAIS PRECÁRIOS, DE TERCEIROS E RELATIVOS A CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A exigência de valores de débitos declarados em DCTF, indicando compensação com créditos judiciais precários, de terceiros e relativos a créditoprêmio de IPI, dispensa a formalização de lançamento de ofício, por já estar confessado o débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição a Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 72 62 14 /2 01 3- 29 Fl. 509DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fls. 3/41, datado de 12/11/2013, em relação a parcelas pagas em Programa de Parcelamento instituído pela Medida Provisória no 470/2009, alegando a recorrente que constatou, após a quitação, que haveria períodos afetados pela decadência. No pedido de restituição, detalhase (fls. 19 a 34) que: (a) a empresa utilizou, de 1999 a 2003, para quitação de tributos, compensações com “créditoprêmio de IPI” e “crédito de IPI sobre insumos” cedidos por terceiros (DecretoLei no 491/1969), com fundamento em decisões judiciais; (b) em que pese o decurso de prazo de cinco anos sem manifestação de discordância com o procedimento realizado, a empresa aderiu ao Programa de Parcelamento instituído pela Medida Provisória no 470/2009, e incluiu os referidos tributos no programa; (c) apesar de os procedimentos sujeitaremse ao competente lançamento de ofício, este não foi efetuado no prazo de cinco anos, pois, segundo entendimento da RFB e da PGFN, tais compensações são consideradas “não declaradas”; (d) portanto, no momento da adesão ao parcelamento, tais tributos já estavam afetados pela decadência; e (e) há precedente administrativo assegurando o direito a restituição em situação idêntica, e decisão do STJ em sede de recursos repetitivos (REsp no 1.355.947/SP) sobre o tema. Em 28/05/2014, noticiase (à fl. 307) a apensação a este processo do processo administrativo no 11610.011624/200937, que trata do parcelamento. Às fls. 333 a 338 há cópia de ofício da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (Justiça Federal), recebido em 23/03/2015, noticiando decisão liminar em mandado de segurança impetrado pela recorrente, entre outras empresas, determinando a análise dos pedidos de restituição em cinco dias. No Despacho Decisório de fls. 339 a 345, informase que “o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória (DCTF) comunica a existência de crédito tributário e constitui confissão de dívida” e que, “nesses casos, o próprio sujeito passivo constitui o crédito tributário, mediante a entrega da declaração que configure confissão de dívida, sem necessidade de realização do ato administrativo de lançamento, razão pela qual descabe cogitar a ocorrência de decadência tributária”, pelo que deve ser indeferido o pedido. Ciente do despacho decisório em 06/04/2015 (fl. 347), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 24/04/2015 (fls. 371 a 394), reiterando o alegado no pedido, e afirmando que: (a) a RFB confundiu as situações que envolvem declaração de tributos em DCTF, e que as DCTF “podem ou não representar confissão de dívida”, e que quando “o contribuinte declara o tributo devido, mas informa sua quitação por qualquer meio, não há nenhuma confissão de tributo devido”, sendo que para débitos declarados em DCTF como compensados, é indispensável o lançamento, como já decidiu o STJ; (b) o artigo 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, não se aplica ao caso; e (c) as alterações promovidas pela Medida Provisória no 135/2003 somente são aplicáveis a lançamentos referentes a fatos geradores posteriores a sua vigência. Em 29/06/2016 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 455 a 460), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) não há sentido na interpretação de que 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 510 3 somente estão confessados os valores registrados como saldos a pagar do débito, pois os valores informados como créditos vinculados demonstram que os débitos foram reconhecidos e de alguma forma pagos ou compensados; (b) a aplicação da Lei no 10.833/2003 foi imediata, não sendo mais possível o lançamento em casos de débitos confessados em DCTF, mesmo em períodos anteriores, como se revela em precedente do CARF; e (c) a lavratura de auto de infração em 2006, em caso análogo, para a exigência de débitos, foi desnecessária, já que, como discorrido, os valores já estavam confessados. Cientificada da decisão de piso em 14/09/2016 (fl. 462), a empresa apresentou recurso voluntário em 13/10/2016 (fls. 476 a 496), reiterando as razões expressas em sua manifestação de inconformidade, e endossandoas com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303003.506). O processo foi enviado ao CARF em 07/02/2017 (fl. 499). Em 30/01/2018, juntouse ao processo mandado judicial (fls. 502 a 508), com decisão proveniente da 16ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, determinando o julgamento de diversos processos, entre os quais o presente, em 30 dias. No CARF, o processo foi a este relator distribuído, por sorteio, em 28/02/2018, e incluído em pauta na primeira sessão subsequente do colegiado correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O processo é submetido a julgamento na presente sessão, imediatamente posterior à distribuição, por força de decisão judicial. O cerne da discussão jurídica travada no presente processo se refere a ter ou não havido confissão de dívida em DCTF, em relação aos montantes que foram indicados como vinculados a compensações e posteriormente incluídos em parcelamento. Nem a Fazenda nem a recorrente parecem discordar que os débitos foram informados em DCTF. Na manifestação de inconformidade, demonstra a defesa, exemplificativamente, como foram declarados em DCTF os valores posteriormente informados em compensações e incluídos em parcelamento (fl. 386): Fl. 511DF CARF MF 4 Às fls. 422 a 437, a defesa traz DCTF referentes aos demais períodos de apuração, todas na mesma situação da apresentada como exemplo. Assim, é incontroverso que os valores referentes aos débitos em discussão no presente processo foram, de fato, declarados em DCTF como compensados com “crédito prêmio de IPI” (DecretoLei no 491/1969) de terceiros, por força de decisão judicial, resultando em DCTF com resultado, em tese, “zerado”. Nas folhas 60 a 66, são encontradas cópias de seis “Pedidos de Compensação de Créditos Com Débitos de Terceiro” registrados, indicando créditos (“créditoprêmio de IPI” decorrente de decisão judicial não transitada em julgado) de outros CNPJ, nos seguintes valores: Valor do crédito R$ e data do pedido Processo Justificativa 80.253,00 (08/01/2003) 10410.000029/0023 (p. jud. 99.00080785 – “Coopertrading”) Crédito originário do CNPJ 08.426.389/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial. 25.414,50 (03/02/2003) 10410.000030/0011 (p. jud. 99.00080319 – “Ind. Porto Rico”) Crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial. 194.248,00 (26/07/2002) 10410.000030/0011 (p. jud. 99.00080319 – “Ind. Porto Rico”) Crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial. 195.745,37 10410.000034/0063 (p. jud. 99.00080319 – Sem detalhamento da origem do crédito, mas remetendo a ação ajuizada por “Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 511 5 (17/05/2002) “Usina Sta. Clotilde”) Álcool e outros”, versando sobre créditoprêmio de IPI. Compensação considerada não declarada em 01/06/2009, nos autos do processo n. 10410.002720/200210, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados (fl. 42 daqueles autos). Cartacobrança recebida em 1/10/2009, cf. fl. 62 daqueles autos. 122.625,64 (29/12/2000) 10410.004676/9917 (p. jud. 99.00046390 – “Central Açucareira Santo Antonio”) Sem detalhamento da origem do crédito, mas remetendo a ação ajuizada por “Central Açucareira Santo Antonio S.A.”, versando sobre créditoprêmio de IPI e crédito de IPI referente a matéria prima e insumos. Dados coletados nos autos do processo n. 10410.006273/0027. 89.350,63 (17/01/2001) 10410.004676/9917 (p. jud. 99.00046390 – “Central Açucareira Santo Antonio”) Sem detalhamento da origem do crédito, mas remetendo a ação ajuizada por “Central Açucareira Santo Antonio S.A.”, versando sobre créditoprêmio de IPI e crédito de IPI referente a matéria prima e insumos. Dados coletados nos autos do processo n. 10410.000255/200193. Não constam no presente processo maiores detalhamentos sobre o andamento dos pedidos de compensação ou dos processos judicias e administrativos correspondentes. A única menção a tais andamentos consta à fl. 102, onde se noticia que a empresa possui decisão desfavorável em duas das três ações que movia, havendo apenas uma decisão parcialmente favorável (em Mandado de Segurança impetrado em Alagoas sob o no 99.00046390, para suspender a cobrança dos débitos relativos às compensações já realizadas até julgamento do RE no 886.074/AL, em nome de “Central Açucareira Santo Antonio LTDA”). Em nome da verdade material, pesquisei a situação do referido RE no 886.074/AL, no sítio web do STJ, encontrando como transitada em julgado (em 17/08/2010) decisão judicial que acolhe renúncia da “Central Açucareira Santo Antonio LTDA”, efetuada em 03/12/2009 (no que concerne ao créditoprêmio do IPI e ao creditamento de IPI decorrente de aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero). Não encontrei, na referida ação, menção a outras empresas que teriam cedido créditoprêmio de IPI à recorrente. E não foi possível verificar se o crédito demandado nas compensações se refere efetivamente a tais rubricas, objeto da desistência. Não obtive sucesso, ainda, nas consultas ao sítio web da Justiça Federal em Alagoas, no que se refere aos processos judiciais n. 99.00080785 e n. 99.00080319, assim como no que se refere ao já citado processo judicial n. 99.00046390. No entanto, como as razões de indeferimento do despacho decisório constante neste processo não passam pelo andamento das ações judiciais, mas pelo fato de estarem os débitos compensados inseridos em parcelamento previamente confessados em DCTF, sigo na análise das compensações e do parcelamento. Às fl. 72 a 74, consta discriminação de débitos incluídos em parcelamento, conforme solicitação datada de 26/11/2009. Entre os débitos a parcelar estão os relacionados nos citados seis pedidos de compensação: Fl. 513DF CARF MF 6 No entanto, figuram no parcelamento ainda outros débitos, não referentes aos pedidos juntados neste processo, mas que estão relacionados em Declaração de Compensação (DCOMP) datada de 12/09/2003, que figura no processo administrativo no 10410.003930/200306, e faz menção ao processo judicial no 2002.80.00.0068575, também invocando créditos da empresa “Coopertrading Comércio Exportação e Importação S.A., CNPJ 08.426.389/000143”. Os processos foram consolidados no correspondente ao parcelamento (processo administrativo no 11610.011624/200937, apenso). Às fls. 87 a 100 constam cópias de pagamentos do parcelamento, referentes aos períodos de 11/2009 a 09/2010, tendo sido recolhidos valores distintos do referente à parcelabase (R$ 77.587,02) nos meses de outubro/2010 (R$ 11,01 + R$ 12.412,23) e julho de 2012 (R$ 642,42). No despacho de fls. 80 a 83, datado de 19/11/2012, consta que foi deferido o pedido de parcelamento, e, em ato contínuo, foi rescindido o parcelamento, por irregularidade quanto aos montantes declarados de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da CSLL e por falta de pagamento de até duas prestações. Não consta, no processo apenso, ter havido oposição da empresa à rescisão do parcelamento: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 512 7 Até o momento, temse, em síntese, que a recorrente informou em DCTF que débitos seus, relativos aos períodos de 12/1999, 06/2000, 09/2000, 12/2000, 11/2001, 12/2001, 01/2002, 06/2002, 11/2002, 03/2003 e 07/2003 foram objeto de “outras compensações e deduções”, detalhando em Pedidos de Compensação e DCOMP registrados em 29/12/2000, 17/01/2001, 17/05/2002, 26/07/2002, 08/01/2003, 03/02/2003 e 12/09/2003, que tais compensações se referiam a “créditoprêmio de IPI” (DecretoLei no 491/1969), de terceiros, e “créditos de IPIinsumos”, também de terceiros, por força de decisões judiciais não definitivas, em relação às quais houve desistência, para adesão a parcelamento, parcelamento este que foi rescindido por descumprimento. E o valor que deseja restituir se refere exatamente às parcelas pagas em tal programa de parcelamento. Alega a recorrente que não havendo cobrança pela fiscalização, via auto de infração, de tais débitos, à data em que solicitou seu parcelamento (26/11/2009), os respectivos montantes estariam afetados pela decadência, em face de sua não constituição. Um dos argumentos que a recorrente usa para endossar seu raciocínio é o fato de que débitos que estariam em situação idêntica, mas relativos a CPMF, de outra empresa, foram objeto de lavratura de Auto de Infração, no processo administrativo no 19515.001185/200600 (fl. 26): Consultando o referido número de processo, no sistema eprocessos, obtive a informação de que a numeração era inexistente. Pelo número do CNPJ constante à fl. 104 (61.490.561/000100), consultei todos os lançamentos constantes no sistema eprocessos no ano de 2006, também sem sucesso. De qualquer modo, eventual lançamento efetuado por unidade da RFB em relação a sujeito passivo diverso não enseja necessidade de lançamento no presente caso, nem enseja o entendimento de que estariam não constituídos os montantes em discussão no presente processo. Fl. 515DF CARF MF 8 Tomese o já citado processo administrativo no 10410.002720/200210, que trata exatamente de uma das compensações presentes neste contencioso, referente a R$ 195.745,37 (= R$ 7.078,54 + R$ 110.219,18 + R$ 78.447,65, cf. Pedido de Compensação registrado em 17/05/2002), vinculado ao processo judicial no 99.00080319, ajuizado por “Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool e outros”, versando sobre “crédito prêmio de IPI”. Como se narra naqueles autos, após o julgamento da AC no 236.037AL, pelo TRF5, o STJ deu provimento ao recurso da Fazenda (no REsp no 582.776AL), considerando que o pedido havia sido efetuado em 1999, mais de cinco anos depois de extinto o benefício fiscal do créditoprêmio do IPI, aplicável às exportações realizadas após 04/10/1990. E a reclamação da empresa no STF (Rcl. no 7.772AL) não obteve êxito quanto à liminar, e, no mérito, a questão ficou afeta aos RE no 577.302 e no 577.348. Em consulta ao sítio web do STF, percebese que o tribunal, por unanimidade de votos, não conheceu do RE no 577.302, e negou provimento ao RE no 577.348, em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II – Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III – O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido.” (DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 26/02/2010 ATA Nº 4/2010. DJE nº 35, divulgado em 25/02/2010) Aliás, tal entendimento restou consagrado com Repercussão Geral no julgamento do RE no 561.485/RS, publicado em 26/02/2010, vinculando as decisões judicias e administrativas, e está também assentado na sistemática dos recursos repetitivos, no STJ, cf. tema 226 (termo final de vigência do créditoprêmio). Recordese, no caso, que a compensação levada a cabo no processo administrativo no 10410.002720/200210, e que versa sobre crédito que aqui se objetiva restituir, foi considerada não declarada em 01/06/2009, nos autos do referido processo administrativo, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados. Nos dizeres da decisão (fl. 42 daqueles autos), datada de 01/06/2009: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 513 9 Proclamo nãodeclaradas as compensações objeto do presente processo. Dêse prosseguimento à cobrança dos débitos confessados, com as providências de estilo, conforme proposto. (grifo nosso) Ao ser cientificada da cobrança, em 01/10/2009, naqueles autos, a recorrente indicou que havia peticionado em juízo, nos autos do processo no 2001.80.00.0004570, determinando o Poder Judiciário, em 13/08/2009, que os débitos em cobrança não fossem incluídos em Dívida Ativa, até o trânsito em julgado da ação, e que a RFB se abstivesse de negar o fornecimento de Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa no que pertine aos referidos débitos. Em 27/11/2009, reconhece a RFB que passa a existir “óbice ao prosseguimento da cobrança dos débitos compensados com os supostos créditos” (fl. 71 do processo administrativo no 10410.002720/200210). Reiterese: a cobrança já havia iniciado, sendo obstado apenas seu prosseguimento. A invocada isonomia, para casos semelhantes, alegada pela defesa, parece melhor se amoldar, a nosso ver, ao caso aqui citado do que à pretensa autuação de CPMF de empresa diversa. Adicionese que um dia antes, em 26/11/2009, a recorrente já havia, recorde se, solicitado a inclusão dos débitos em parcelamento, desistindo de eventuais recursos interpostos. Vejase que há, em relação aos citados débitos, expressa cobrança administrativa, e que a empresa busca, com sucesso, em juízo, obstar tal cobrança, ao menos até o trânsito em julgado de ação judicial. Ação judicial esta da qual desiste, passando a incluir os débitos em parcelamento, parcelamento este que sustenta agora tratar de débitos para os quais operou a decadência, pois não constituídos. A negativa de direito ao crédito, no caso, é tão flagrante que a recorrente limitase a afirmar que as quotas pagas no parcelamento (que, digase, a empresa descumpriu e teve rescindido) são indevidas porque teria se configurado decadência. Decadência esta que teria ocorrido em função de a RFB não exigir mediante auto de infração quantias que derivariam de compensações registradas pela empresa, fundadas em ações judicias a respeito das quais a própria empresa desistiu, para aderir a parcelamento. Diante desse cenário, remete a empresa seus argumentos pela ocorrência de decadência ao Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, e a precedentes do STJ (REsp no 1.205.004/SC) e do CARF (Acórdãos no 9303001.956 e no 3401001.746). A tese encampada nos julgados é a de que só haveria confissão de dívida no caso de haver saldo devedor em DCTF, e não no caso de declaração em DCTF de débitos compensados (“zerando os débitos com os créditos a compensar, ainda que pendentes de evento futurohomologação das compensações”). Passamos a analisar os principais argumentos externados em tais julgados (essencialmente os administrativos, que analisam mais detalhadamente o tema), iniciando pela fundamentação legal explícita que relaciona a declaração do sujeito passivo disciplinada em norma infralegal (no caso, a DCTF) à “confissão de dívida” o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984: Fl. 517DF CARF MF 10 “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” (grifo nosso) A normatização infralegal estava a cargo da IN SRF no 126/1998 (que expressamente afirmava disciplinar o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984, assim como a Portaria MF no 118/1984), e que estabelecia, em seu art. 7o, na redação original: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5o do Decretolei No 2.124, de 13 de junho de 1984, e na Portaria MF No 118, de 28 de junho de 1984, resolve: (...) Art. 7o. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. (...) § 3o Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF No 094, de 24 de dezembro de 1997, e No 077, de 24 de julho de 1998.” (grifo nosso) Daí alguns sustentarem que naquele período somente o “saldo a pagar” é que constituía confissão de dívida, privilegiando tal comando infralegal em detrimento do dispositivo legal que ele disciplina. Não é esse o entendimento externado por nós, e, ao que parece, nem pelo precedente invocado pela defesa, o Acórdão no 3401001.746, no qual o voto condutor, majoritariamente acolhido pelo colegiado, consigna: “Então, nessa linha, podese dizer que até esse momento, e, especialmente em face do §2o do artigo 7 da IN SRF 126, de 1998, com a redação que lhe deu a IN SRF 16, de 2000, acima Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 514 11 transcrito, não somente o “Saldo a Pagar” informado em DCTF restaria confessado, mas, também, os débitos informados em compensação.”(grifos no original) Percebase que, sem que houvesse qualquer alteração legal, a redação do dispositivo infralegal (IN SRF no 126/1998) foi modificada pela IN SRF no 16/2000, para melhor adaptação ao comando legal, passando a dispor: “Art. 7o. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2 o Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF Nos 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF No 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento.” (grifo nosso) Foi nesse período (fatos geradores de 12/1999 a 01/2001) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seus pedidos de compensação datados de 29/12/2000 e 17/01/2001. Em 27/08/2001, no entanto, com a publicação da 35ª edição da Medida Provisória no 2.158, foi a ela acrescentado um artigo 90, dispondo: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” A norma é procedimental: diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo (o que incluiria, em tese, a DCTF) decorrentes de compensação, indevida ou não comprovada, ensejavam lançamento (e não mais remessa direta a cobrança e inscrição em Dívida Ativa). Aliás, foi exatamente isso que desejou o Poder Executivo, como se percebe do item 13 da Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda no 163, de 22/08/2001: 13. Quanto ao art. 90, este objetiva, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estabelecer, com precisão, o tratamento a ser dispensado nas hipóteses em que haja diferenças, apuradas nas declarações prestadas pelos sujeitos passivos, em decorrência de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, hipótese em que se propõe a Fl. 519DF CARF MF 12 adoção do lançamento de ofício para fins de constituição do consequente créditos (sic) tributário”. Assim, acordamos, a priori, com os precedentes, e com o próprio intuito do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001, no sentido de que após 27/08/2001, as compensações, ainda que declaradas em DCTF, mas consideradas em auditoria interna como indevidas ou não comprovadas, deveriam ser objeto de lançamento de ofício, e não mais de imediato encaminhamento para cobrança (salvo que norma legal ulterior alterasse tal comando que, recordese, é procedimental). Mas a exegese do dispositivo não é tão simples. A norma não deixa claro se abrange somente compensações registradas a partir de 27/08/2001, ou se estabelece, a partir de 27/08/2001, procedimento a ser aplicado pelo fisco em relação a compensações (sejam elas anteriores ou posteriores a 27/08/2001, confessadas ou não). Entendemos que a norma é procedimental (recordese, na exposição de motivos, que o objetivo é “estabelecer, com precisão, o tratamento a ser dispensado”), e faz com que, a partir de 27/08/2001, toda exigência de crédito tributário decorrente de compensações, ainda que declaradas em DCTF, mas consideradas em auditoria interna como indevidas ou não comprovadas, seja efetuada por meio de lançamento de ofício. Por óbvio, a norma que estabelece o procedimento não prejudica as exigências até então efetuadas de outro modo, seguindo o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984, e não implica “desconfissão” de débitos já confessados. Apenas estabelece rito procedimental a ser seguido para uniformizar a exigência. Por isso é inadequada a menção, no caso, a dispositivos do CTN atinentes ao lançamento, reportados ao “fato gerador” (abrangendo disposições materiais como base de cálculo, alíquota, hipótese de incidência...). O que o comando legal estabelece, no caso, é a simples forma de exigência. Por certo que se uma norma extingue, v.g., o documento intitulado “notificação de lançamento” em 2003, e afirma que as exigências serão feitas via “auto de infração”, uma exigência efetuada em 2004, relativa a fato gerador de 2002, será efetuada via “auto de infração”, embora remeta à legislação substantiva/material (alíquota, base de cálculo...) de 2002. Foi nesse período (fatos geradores de 11/2001 a 06/2002) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seus pedidos de compensação datados de 17/05/2002, 26/07/2002. Recordese que a compensação registrada em 17/05/2002, no processo administrativo no 10410.002720/200210, foi considerada não declarada em 01/06/2009, nos autos do referido processo administrativo, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados. Antes que houvesse disciplina infralegal, outra Medida Provisória, de no 66, foi editada sobre o tema, em 30/08/2002, estabelecendo, em seu art. 49, nova redação ao art. 74 da Lei no 9.430/1996, que institui a previsão legal para a declaração de compensação. Tal Medida Provisória foi convertida na Lei no 10.637/2002, em 31/12/2002, que assim dispõe em seu art. 49, dando nova redação ao citado art. 74 da Lei no 9.430/1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 515 13 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (...)." A RFB editou, então, a IN SRF no 210, de 30/09/2002, que trata, entre outros temas, de compensação, esclarecendo em seus arts 22 e 23: “Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência.” (grifo nosso) Pareceu aí a RFB se distanciar da restrição estabelecida no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001, ou interpretar que tal restrição não se aplicava a casos em que a declaração prestada configurasse confissão de dívida (em entendimento de que não teria o art. art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984 sido mitigado pelo art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001). Fl. 521DF CARF MF 14 O tema é, certamente, controverso, e chamou a atenção da Administração para a abrangência que se estava dando à leitura do art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001. Isso certamente foi decisivo para a edição de outra Medida Provisória, de no 75, em 25/10/2002 (com republicação em 28/10/2002), passando a limitar a leitura do citado art. 90: “Art. 3o A aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fica caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” (grifo nosso) Nesse cenário, foi editada outra disciplina infralegal, já tomando em conta as duas Medidas Provisórias citadas. A IN SRF no 255, de 11/12/2002, que revogou a de no 126/1998, dispôs, em seu art. 8o: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III e XVIII do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n o 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 5 o do Decretolei n o 2.124, de 13 de junho de 1984, no art. 16 da Lei n o 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001, no art. 90 da Medida Provisória n o 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 7 o da Lei n o 10.426, de 24 de abril de 2002, e nos arts. 2 o e 3 o da Medida Provisória n o 75, de 24 de outubro de 2002, resolve: (...) Art. 8o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. (...) Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 516 15 § 3o Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 4o Serão objeto de lançamento de ofício, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 3o, quando decorrerem de: I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” (grifo nosso) Art. 9o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos.” (grifo nosso) Vejase que a nova IN harmonizava as disposições do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001 à Medida Provisória no 66 (à época já convertida na Lei no 10.637/2002) e à Medida Provisória no 75 (à época ainda não convertida em lei, nem rejeitada). A Medida Provisória no 75/2002 acabou, no entanto, rejeitada em 18/12/2002. Foi nesse período (fatos geradores de 11/2002 a 07/2003) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seus pedidos de compensação datados de 08/01/2003, 03/02/2003, e a DCOMP datada de 12/09/2003. Fl. 523DF CARF MF 16 A restrição ao art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001 veio novamente (embora com outra roupagem) no texto do art. 18 da Medida Provisória no 135, de 31/10/2003, que acabou convertida na Lei no 10.833/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...)” Desde então, embora tenha havido várias alterações ao citado dispositivo (que atualmente vige com a redação dada pela Lei no 11.488/2007), jamais se voltou a afirmar que devem ser lançados de ofício valores correspondentes a tributos, limitandose o lançamento de ofício sempre à multa correspondente. E a mesma Lei no 10.833/2003 alterou o art. 74 da Lei no 9.430/1996, que passou a contar com os §§ 5o a 12 (aqui transcritos somente os diretamente relacionados à análise do contencioso): “§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (...)" (grifo nosso) Reparese que o texto do § 6o parece desafiar os exegetas que se apegam à expressão “confissão de dívida” para afirmar que ela se referiria apenas a saldo, por não haver propriamente uma “dívida” a confessar. Após a vigência da Lei no 10.833/2003, não há dúvidas em relação ao fato de que não devem mais ser lançados tributos, em caso de compensação indevida, mas apenas multas. Tal disciplina restou evidenciada também nas normas infralegais posteriores: IN SRF Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 517 17 no 482/2004, que revoga a de no 255/2002 (sobre DCTF), e IN SRF no 460/2004, que revoga a de no 210/2002 (sobre compensações, entre outros). Ambas as normas infralegais, atualmente, já foram substituídas por outras, sem alteração substancial de conteúdo no que se refere ao tema aqui analisado. Há que se trazer à baila também norma constante da Lei no 11.051, de 29/12/2004, que deu a seguinte redação aos §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei no 9.430/1996: “§ 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo.” Veja que o legislador determinou não se aplicarem as disposições dos §§ 2o (que afirma estar o crédito tributário extinto pela compensação, sob condição resolutória da homologação) e 5o a 11 (que tratam de prazo para homologação, consideração da DCOMP como confissão de dívida, e rito processual de exigência/contencioso) exatamente a casos que as compensações eram expressamente vedadas pela legislação, mas ainda assim registradas pelos sujeitos passivos. No caso em análise, as compensações versavam sobre “créditoprêmio”, se referiam a créditos de terceiros e estavam calcadas em decisão judicial precária, embora registradas antes da referida lei. Mas as vedações já existiam na legislação anterior, como se comenta no Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, adiante. A recorrente, por paradoxal que pareça, busca se utilizar da agravante de que tentou efetuar compensação triplamente vedada, justamente em seu benefício, afirmando que o fato de a compensação ser considerada não declarada ensejaria o lançamento de ofício dos tributos, o que não foi feito no prazo decadencial. E invoca em seu favor o Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, que dispôs: Fl. 525DF CARF MF 18 Percebase que o parecer, apesar de enfatizar que as disposições da Lei no 11.051/2004 somente se aplicam a compensações pretendidas a partir de sua publicação (o que não é o caso deste contencioso, em que todas as compensações são registradas antes de 2004), deixa claro que os pedidos de compensação fundados em “crédito prêmio”, assim como os decorrentes de créditos de terceiros (ambos os atributos presentes no caso em análise) não foram convertidos em declarações de compensação, e não constituem “confissão de dívida”. Isso não significa, no entanto, que seja obrigatório o lançamento de ofício. Vejase que o próprio parecer exemplifica a questão com a DCTF: E, no caso, é incontroverso que os valores de créditos e débitos referentes às compensações estavam declarados em DCTF. Ao tratar de decisões judiciais não transitadas em julgado, o mesmo parecer traz semelhante raciocínio, novamente afirmando que o lançamento de ofício não constitui a única solução ao caso, e mencionando expressamente que o lançamento será restrito a valores não confessados: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 518 19 Mais adiante, o parecer trata do art. 18 da Lei no 10.833/2003, esclarecendo que: E, pelo parecer, deveria ter a autoridade fiscal, no presente caso, efetuado o lançamento da multa isolada a que alude o referido art. 18 da Lei no 10.833/2003: De fato, não consta ter sido lançada, no caso, a citada multa, assunto que aqui assume menor importância, pelo fato de a multa ter sido dispensada no parcelamento no qual foram incluídos os débitos. No entanto, não vemos no referido parecer, lido sistematicamente, nenhuma obrigação de lançamento de ofício em relação a débitos confessados em DCTF e vinculados a compensações. Pelo contrário, a única obrigação de lançamento de ofício, após a Lei no 10.833/2003, se refere a multa. Pelo exposto, o raciocínio empreendido no Acórdão no 9303001.956, citado pela defesa, e majoritariamente acolhido no colegiado administrativo (em que pese tratar Fl. 527DF CARF MF 20 aquele processo de discussão sobre pertinência do lançamento, e não sua obrigatoriedade), merece aparas: “Realmente, tem razão a Câmara quando reafirma que no momento da lavratura do auto de infração já vigiam as novas disposições legais que apenas obrigavam ao lançamento da multa isolada. Além disso, acrescento, vigia também a Instrução Normativa 462 da SRF, que, modificando a de no 16/2000, expressamente restabelecia o atributo de confissão de dívida pleno às DCTF.” Há, no excerto, claro equívoco em relação à vigência das IN SRF, pois a IN SRF no 462 (em verdade, no 482/2004) nem modifica a de no 16/2000, que já estava revogada, por limitarse a alterar a IN SRF n no 126/1998, posteriormente revogada pela IN SRF no 255/2002, por sua vez revogada pela no 482/2004, nem é responsável pelo restabelecimento da chamada “confissão de dívida plena” às DCTF. A declaração em DCTF, como aqui esclarecido, sempre constituiu confissão de dívida, mesmo no período que vai da publicação da Medida Provisória no 2.15835/2001 à publicação da Lei no 10.833/2003. O único efeito da alteração em tal interregno é procedimental, dirigido à autoridade fiscal, buscando uniformizar procedimentos, com o lançamento de ofício das diferenças, em caso de lavratura de auto de infração, comando superado por norma procedimental superveniente, Lei no 10.833/2003, que estabeleceu que apenas a multa, restrita a determinados casos, é que deveria ser objeto de lançamento. A decisão, a nosso ver, confunde a aplicação ao lançamento, no tempo, de normas materiais/substantivas (v.g., hipótese de incidência, base de cálculo) e procedimentais/adjetivas (forma de exigência). E também há equívoco da defesa ao interpretar a referida decisão. No caso analisado pelo Acórdão no 9303001.956, houve lançamento de ofício em 2006 para exigir débitos de COFINS de fatos geradores ocorridos entre maio de 2002 e fevereiro de 2003. E em tal lançamento de ofício constaram os tributos e a multa (multa essa afastada na DRJ, em função da restrição imposta ao art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001 pela legislação posterior). A decisão do colegiado foi no sentido de que o lançamento dos tributos, ainda que efetuado em 2006, deveria se reportar à legislação procedimental vigente à época dos fatos geradores (2002/2003), e, por isso, seria procedente mesmo sendo efetuado após o advento da Lei no 10.833/2003, que o restringiu à multa. Eis o que foi, de fato, julgado. Aplicando tal raciocínio ao caso em análise, que tem fatos geradores de 1999 a 2003, (P.A. de 12/1999, 06/2000, 09/2000, 12/2000, 11/2001, 12/2001, 01/2002, 06/2002, 11/2002, 03/2003 e 07/2003), apenas parte constituiria dívida “confessada”, no entender do relator daqueles autos, pois anterior à Medida Provisória no 2.15835/2001, quando ainda não havia sido “mitigado”, na visão ali externada, o comando do art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984. No outro Acórdão mencionado pela defesa, de no Acórdão no 3401001.746, o voto condutor majoritariamente acolhido pelo colegiado expressa: “tenho que admitir – revendo posicionamento anterior que de 14/02/2000 até 24/08/2001, o procedimento para se exigir um crédito tributário decorrente de compensações informadas em DCTF e posteriormente não confirmadas pelo Fisco, deveria se Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 519 21 dar unicamente por meio de lançamento de ofício, e não mais por meio de mera cobrança de um valor tido como confessado. Essa necessidade do lançamento de ofício para esses casos vigorou até a dição da MP no 135, de 30/10/2003, convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003... ...ou seja, a partir de 31/10/2003, o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário, mesmo no caso de DCTF apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal”. (grifo nosso) Tal caso trata de auto de infração lavrado em 28/05/2003, portanto, antes da vigência da Lei no 10.833/2003. E cabe destacar que o teor da decisão, se lido sistematicamente, é absolutamente avesso ao precedente anterior, que permitiu o lançamento de tributos em 2006. Em síntese, os precedentes invocados e o citado parecer da PGFN, além de não vincularem o entendimento deste colegiado, não colaboram para remediar a inconsistência da argumentação da defesa. Ademais, as situações analisadas em tais julgamentos, recordese, estão longe de corresponder à presente neste processo: compensações declaradas em DCTF, remetendo a créditos prêmio de IPI de terceiros, fundados em decisão judicial precária (na qual houve posterior desistência/julgamento desfavorável), tendo a empresa obstado judicialmente a cobrança em um processo, e depois inserido todos os débitos em programa de parcelamento, desejando agora restituir o valor das parcelas pagas. Difícil apresentar, então, precedente mais conectado à realidade fática deste contencioso, encontrando julgamento que abarque tamanho número de variáveis. No entanto, entendo oportuno trazer à discussão julgado recente deste colegiado, no qual se decidiu unanimemente: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendose adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA. Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio Fl. 529DF CARF MF 22 contribuinte, não acolhe a sua realização.” (grifo nosso) (Acórdão 3401003.789, de 23/05/2017, unânime, composição do colegiado: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl (relator), Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (o processo se refere a lançamento efetuado em relação a débitos anteriores e posteriores à Lei no 10.833/2003). Além de estarem, no caso em análise, os montantes declarados em DCTF (não só os créditos, que se soube serem posteriormente indevidos, seja pela improcedência ou pela desistência detectada em juízo ou por se tratarem de “créditoprêmio” de terceiro – mas também os débitos), não foram os pedidos de compensação convertidos em declaração, com os efeitos correspondentes, conforme legislação de regência, não havendo que se falar em prazo fatal de homologação, ou em obrigatoriedade de lançamento de tributo, em período posterior à Lei no 10.833/2003 (embora pudessem eles ser lançados, dentro do que decidiu a turma). Assim, quando a recorrente aderiu ao parcelamento, desistindo de ações judiciais e, inclusive, ingressou com novas ações, para impedir a continuidade de cobrança administrativa, não se configurava qualquer vestígio de decadência. Ademais, endossamos as considerações da DRJ, no que se refere à inquestionável informação dos valores compensados em DCTF (ainda mais após o advento da Lei no 10.833/2003): ...não há sentido na interpretação de que somente estão confessados os valores registrados como saldos a pagar do débito. Na verdade, o valor reconhecido é o débito apurado. Os valores informados como créditos vinculados demonstram que os débitos foram reconhecidos e de alguma forma pagos ou compensados. O fato de declarar que o débito foi apurado e informar erroneamente que o débito foi compensado, não anula o reconhecimento do débito. E, havendo confissão em DCTF, não cabe suscitar decadência, nem confundir tal confissão com eventual outra decorrente das compensações ou do pedido de parcelamento. Eis, claramente, as razões de indeferimento do pedido (fl. 342), que invoca, ainda, precedentes em seu favor: “Nesses casos, não cabe cogitar contagem de prazo decadencial, exatamente porque não existe crédito tributário a ser constituído pelo fisco, mediante lançamento. Os valores informados na declaração que revista a natureza de confissão de dívida – situação em que se enquadram as DCTF – estão aptos a ser inscritos na Dívida Ativa da União, sem que caiba pugnar pela necessidade de realização de lançamento tributário. A esse respeito, colacionamse, a título exemplificativo, os seguintes julgados:” (grifo nosso) Vejase que as eventuais (re)confissões posteriores figuram apenas como argumento paralelo, endossando a negativa (fl. 343): “Paralelamente, é imperioso denotar aqui ainda que o presente processo trata de contribuinte Pessoa Jurídica Limitada cuja principal atividade é a participação em outras sociedades, como Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 520 23 acionista, quotista ou associada e a administração de bens próprios. Este contribuinte reconheceu por várias vezes o crédito tributário alegado aqui como indevido: primeiramente efetuando a compensação; posteriormente confessando a dívida; e por último realizando os pagamentos.” (grifo nosso) E, tendo havido confissão de dívida em DCTF, não há que se falar em “nova confissão” em compensação ou em sede de parcelamento, não havendo relação do presente contencioso com o disposto no precedente do STJ, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, por meio do REsp no 1.355.947/SP, obviamente limitado a parcelamento de débitos não confessados anteriormente. Entende a defesa que estaria sendo ignorado tal precedente do STJ, cuja ementa abaixo se transcreve: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça analisar a existência de "jurisprudência dominante do respectivo tribunal" para fins da correta aplicação do art. 557, caput, do CPC, pela Corte de Origem, por se tratar de matéria de fato, obstada em sede especial pela Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 2. É pacífica a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o julgamento pelo órgão colegiado via agravo regimental convalida eventual ofensa ao art. 557, caput, do CPC, perpetrada na decisão monocrática. Precedentes de todas as Turmas: AgRg no AREsp 176890 / PE, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18.09.2012; AgRg no REsp 1348093 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19.02.2013; AgRg no AREsp 266768 / RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 26.02.2013; AgRg no AREsp 72467 / SP, Quarta Turma, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 23.10.2012; AgRg no RMS 33480 / PR, Quinta Turma, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, Des. conv., julgado em 27.03.2012; AgRg no REsp 1244345 / RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13.11.2012. 3. A decadência, consoante a letra do art. 156, V, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP, etc.). Fl. 531DF CARF MF 24 4. No caso concreto o documento de confissão de dívida para ingresso do Parcelamento Especial (Paes Lei n. 10.684/2003) foi firmado em 22.07.2003, não havendo notícia nos autos de que tenham sido constituídos os créditos tributários em momento anterior. Desse modo, restam decaídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e anteriores, consoante a aplicação do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008.” (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe 21/06/2013 – grifo nosso) Ocorre que o referido precedente, como resta claro na própria ementa, impede que o crédito não constituído seja “reavivado” após a inclusão em parcelamento, ou seja, impede constituição do crédito decaído, por qualquer forma, após a inclusão em parcelamento. E não é disso que trata o presente processo, no qual a imputação fiscal é no sentido de que o crédito não estava decaído, como resta claro do despacho decisório (fl. 339): “DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF. EXIGIBILIDADE DOS/ /DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória (DCTF) comunica a existência de crédito tributário e constitui confissão de dívida. Nesses casos, o próprio sujeito passivo constitui o crédito tributário, mediante a entrega da declaração que configure confissão de dívida, sem necessidade de realização do ato administrativo de lançamento, razão pela qual descabe cogitar a ocorrência de decadência tributária.” (grifo nosso) Por óbvio, se o crédito tributário não estava decaído ao tempo do parcelamento, não há que se falar na aplicação do referido precedente do STJ. Assim, ainda que encontremos irregularidades em relação ao parcelamento (rescisão não contestada), somadas à derradeira inexistência de amparo administrativo e judicial para as compensações de fato apresentadas, que são triplamente avessas à legislação (crédito tributário por decisão judicial precária/não procedente ao fim, de terceiros, e referente a “créditoprêmio”), cabe restringir a análise à motivaçãomor para o indeferimento alegada pela unidade da RFB, e mantida pela DRJ: inexistência de decadência, com a consequente alocação dos pagamentos aos débitos confessados em DCTF, amparada no CTN, no citado Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005 e no DecretoLei no 2.124/1984, alegação esta que, como se destaca no presente voto, mantémse hígida sob o ponto de vista jurídico e lógico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13804.726214/201329 Acórdão n.º 3401004.406 S3C4T1 Fl. 521 25 Fl. 533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000442/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/11/2003
Constitui descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização (CFL 35).
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
As discussões acerca da constitucionalidade de lei ou ato normativo são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2401-005.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/11/2003 Constitui descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização (CFL 35). CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. As discussões acerca da constitucionalidade de lei ou ato normativo são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 04 42 /2 00 7- 60 Fl. 533DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15889.000442/200760 Acórdão n.º 2401005.178 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de AutodeInfração, lavrado em 28/11/2003, por ter a autuada descumprido o artigo 32, inciso III da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 225, III do Regulamento da Previdência Social, Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que deixou de apresentar à fiscalização da Receita Federal Previdenciária os documentos relacionados no Relatório Fiscal da Infração, fls. 03/16. A multa correspondente à infração está prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "b" e art. 373, sendo que o valor foi elevado em 2 (duas) vezes, conforme determina o art. 292, III, do Decreto n° 3.048/99, tendo em vista a ocorrência da agravante prevista no art. 290, IV, do mesmo Regulamento, perfazendo o montante de R$19.820,42 (dezenove mil e oitocentos e vinte reais e quarenta e dois centavos), tendo sido atualizada de acordo com a Portaria MPS n° 727, de 30.05.2003. Cientificada em 01/12/2003, a autuada, ingressou por intermédio de seu sócio, e procuradora, fls. 360, em 16/12/2003 e 22/12/2003, com a tempestiva impugnação de fls. 84/95 e 359, argumentando que: não há enquadramento do fato narrado com o texto legal supra citado, vez que a justificativa apresentada pela fiscalização foi a não exibição de documentos, durante a ação fiscal os documentos exigidos foram entregues à fiscalização; muitos dos documentos considerados não apresentados foram verificados e exibidos ao INSS por ocasião da "baixa sumária"; realizou contratos verbais com empreiteiras na maioria das vezes; a aplicação de agravantes é ilegal, porque o Decreto ampliou suas determinações e contém conceito indefinido; pede ajuntada de documentos e produção de provas periciais. Considerando a impugnação apresentada, fls. 84/94, solicitouse à fiscalização que se manifestasse sobre a mesma, fls. 372. A fiscalização juntou aos autos diversos documentos, fls. 374/403, e apresentou as seguintes informações fiscais, fls. 373 e 404/411: durante a fiscalização a autuada sempre apresentava os documentos de forma mutilada, com forte resistência e hesitação na entrega, o que serviu de obstáculo para o andamento normal da auditoria; somente após a conclusão da Auditoria Fiscal e a análise da documentação apreendida foi possível identificar a presença de inúmeros documentos que não haviam sido Fl. 535DF CARF MF 4 exibidos espontaneamente pela autuada, mesmo assim ainda restaram diversos documentos que não foram localizados e nem exibidos, conforme quadro fls. 406/409; os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD são independentes, e nenhum TIAD substitui o anterior; teve de recorrer ao Ministério Público Federal, mediante relatório confidencial circunstanciado, acompanhado de farta prova material. A autuada foi cientificada das informações fiscais acima mencionadas, tendo se manifestado acerca das mesmas nos seguintes termos, fls. 434/447: na mesma ação fiscal, foram lavrados dois autosdeinfração pelo mesmo motivo (35.391.2395 e 35.391.2409); durante a ação fiscal, os documentos solicitados já se encontravam na posse dos fiscais, motivo pelo qual ocorreu redundância de TIADs; a fiscalização realizada teve um único intuito. prejudicar a empresa, que já estava entrando em estado de insolvência; portanto, não merece credibilidade; com o advento da Lei n° 11.941/09 a inclusão dos sócios/diretores no pólo passivo da Execução Fiscal foi totalmente abolida; o uso a taxa SELIC é inconstitucional, pois a mesma não foi instituída por lei. É o relatório. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15889.000442/200760 Acórdão n.º 2401005.178 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate, no dia 13/12/2013, conforme AR de fl. 516/517, e apresentou seu recurso voluntário em 10/01/2014. Assim, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES O autodeinfração foi devidamente lavrado com base na legislação acima mencionada. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal todos os documentos não apresentados pela autuada, os quais foram solicitados para fins dos necessários esclarecimentos à fiscalização, por meio dos TIADs anexos ao processo. A autuada apenas argumenta que todos os documentos solicitados foram apresentados, porém não faz prova de suas argumentações. As argumentações no sentido de que os documentos exigidos estavam de posse da fiscalização do INSS não prosperam, uma vez que, conforme esclarecido pela fiscalização nas informações fiscais complementares, após a análise da documentação apreendida foi possível identificar a presença de inúmeros documentos que não haviam sido exibidos espontaneamente pela autuada, mesmo assim ainda restaram diversos documentos que não foram localizados e nem exibidos, conforme quadro fls. 406/409. A argumentação de que na mesma ação fiscal, foram lavrados dois autosde infração pelo mesmo motivo não tem fundamento, uma vez que o AI n° 35.391.2395 foi lavrado em virtude do descumprimento de outra obrigação acessória, qual seja, aquela prevista Lei n° 8.212/91, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto n° 3.048/99, pela não apresentação de documentos relacionados às contribuições previdenciárias; constituindo, portanto, outro autodeinfração. Com relação à agravante para fins do cálculo da multa aplicada, a autoridade fiscal esclareceu que durante a fiscalização a autuada sempre apresentava os documentos de forma mutilada, com forte resistência e hesitação na entrega, o que serviu de obstáculo para o andamento normal da auditoria, tendo, inclusive, de recorrer ao Ministério Público Federal, mediante relatório confidencial circunstanciado, acompanhado de farta prova material. As alegações de que a fiscalização realizada teve como intuito prejudicar a empresa que já estava entrando em estado de insolvência é desprovida de qualquer fundamentação jurídica ou fática, não merecendo prosperar; Quanto à inclusão dos sócios no pólo passivo da responsabilidade, cumpre esclarecer que o crédito previdenciário, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da empresa em epígrafe. Somente em caso de eventual e futura execução fiscal Fl. 537DF CARF MF 6 poderão os coresponsáveis ser cobrados judicialmente nos termos do art. 4% inciso V da Lei n° 6.830/80, sendo, então, a eles conferido o direito a ampla defesa e ao contraditório. Quanto às argumentações referentes à inconstitucionalidade da taxa SELIC, da violação do princípio constitucional da legalidade tributária, e da legalidade do Decreto n° 3.048/99, as mesmas são impertinentes no presente processo administrativo, uma vez que as discussões acerca da constitucionalidade de lei, da violação de princípios constitucionais, ou da legalidade de Decreto, são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, devendo vigorar o texto legal, enquanto não retirado do ordenamento jurídico. Existindo norma legal em vigor que discipline a matéria, não cabe às instâncias administrativas oporse à sua aplicação, conforme determinação expressa do Decreto n° 70.235/72, art. 26A e §6°' Quanto à juntada posterior de documentos, somente seria possível se demonstrada a ocorrência de uma das exceções previstas no art. 16, §4° do Decreto n.°70.235/72, o que não aconteceu. No tocante à perícia, esta somente seria possível se a notificada houvesse exposto o motivo que a justificasse, o que também não ocorreu. Logo, indefiro tanto o pedido. Posto isso, merece a IMPUGNAÇÃO SER JULGADA IMPROCEDENTE, MANTENDOSE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume o v. Acórdão proferido pela instância a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.989995/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.082
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 99 95 /2 00 9- 83 Fl. 139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.989995/200983 Acórdão n.º 3402005.082 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 141DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.989995/200983 Acórdão n.º 3402005.082 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 143DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.989995/200983 Acórdão n.º 3402005.082 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722831/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.
A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73).
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE.O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Súmula STJ nº 430.A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa.
Numero da decisão: 1401-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares levantadas e, no mérito, excluir a responsabilidade solidária do Sr. VINICIUS STUDART ALCÂNTARA COSTA. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE.O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Súmula STJ nº 430.A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares levantadas e, no mérito, excluir a responsabilidade solidária do Sr. VINICIUS STUDART ALCÂNTARA COSTA. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.437 1 1.436 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722831/201516 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.190 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ LUCRO ARBITRADO Recorrente BLOKOS ENGENHAIA LTDA (SUJ. PASSIVO VINICIUS STUDART ALCÂNTARA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE.O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Súmula STJ nº 430.A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 28 31 /2 01 5- 16 Fl. 1437DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares levantadas e, no mérito, excluir a responsabilidade solidária do Sr. VINICIUS STUDART ALCÂNTARA COSTA. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Iniciamos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Relatório Por meio dos Autos de Infração às folhas 640 a 706, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 5.663.766,87 a título Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ acrescida de multa de ofício (qualificada e agravada) de 225% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes aos fatos geradores trimestrais ocorridos no período de janeiro de 2010 a junho de 2011, apurado sob as regras do Lucro Arbitrado. Em consulta à “ Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, verificase que a autuação se deu em razão de “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais.” Tratou, portanto, a autoridade fiscal de apurar os valores devidos, a título de IRPJ e contribuições sociais, com base no Lucro Arbitrado, nos termos do inciso I do artigo 530 do Regulamento do Imposto sobre a Renda 1999 RIR/1999 (artigo 47 da Lei n.º 8.981/95). Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.438 3 Conforme consta no referido Auto de Infração, a base de cálculo do Lucro Arbitrado foi composta de (i) Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada e (ii) Receitas da Atividade. Consta também no Auto de Infração, como DEMAIS SUJEITOS PASSIVOS, as pessoas físicas de PEDRO ALCÂNTARA COSTA e VINICIUS STUDART ALCÂNTARA COSTA, na condição de Responsáveis Solidários. Em decorrência deste lançamento (IRPJ), foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nas importâncias de R$ 2.022.606,17, R$ 3.488.865,37 e de R$ 755.903,49, respectivamente, acrescidas, também, da multa de ofício de 225% e de juros de mora à época do pagamento. Do Termo de Constatação Fiscal, extraise: III – A AÇÃO FISCAL Conforme informações constantes dos Cadastros da Receita Federal do Brasil e da Jucesp – Junta Comercial do Estado de São Paulo, a empresa estaria sediada à Avenida Dr Cardoso de Melo, 1460 –CONJ 41, em São Paulo – SP. O Termo de Início de Ação Fiscal foi enviado a este endereço, primeiramente em 21/01/2013 e posteriormente em 06/02/2013. Ambas retornaram com a informação “MUDOUSE”. Em contato com o contador José Luiz Zen, responsável pelo preenchimento da DIPJ da empresa na filial da cidade de Vitória/ES, o mesmo relatou que trabalhava na empresa e que contactaria o sócio Pedro Alcantara da Costa. Este compareceu à DRF/Piracicaba, quando foi cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal, em 25/02/2013. Nesta ocasião, relatou que a empresa não possuía sede na cidade de São Paulo e que seu endereço constante da DIRPF estava incorreto (o endereço informado era o mesmo da empresa, supracitado). No referido termo foram solicitados os seguintes documentos, a serem atendidos no prazo de vinte dias: – Cópia do Contrato Social e alterações; – Informações Contábeis e Fiscais – Escrituração Contábil Digital (ECD) e a Escrituração Fiscal Digital (EFD); – Alteração/regularização dos dados cadastrais da empresa e dos sócios perante a RFB. Em resposta, enviou o Contrato Social e alterações, e solicitou prorrogação do prazo de sessenta dias para atendimento às demais solicitações. Solicitou ainda que os termos fossem provisoriamente enviados à filial em Vitória localizada à Rua Saturnino de Brito, 645. Não sendo este o endereço cadastrado perante a RFB, não houve resposta expressa ao pedido de prorrogação. A fiscalização aguardou o prazo requerido, porém o contribuinte não atendeu aos demais itens solicitados. Fl. 1439DF CARF MF 4 Em prosseguimento, esta fiscalização compareceu ao endereço da empresa na cidade de São Paulo e tomou depoimento do funcionário do prédio comercial endereço da empresa informado à RFB, Daniel Rodrigues, CPF 267.946.27850. Ele declarou que a mesma havia se mudado do local há aproximadamente um ano e que as correspondências eram devolvidas aos Correios uma vez que não tinha conhecimento do novo endereço da empresa. Foi feita Representação para Inaptidão da empresa, conforme arts. 37, inc. II e 39 inc. II da IN/RFB nº 1183/2011. O Ato Declaratório Executivo nº 192, de 21 de agosto de 2013 foi publicado no Diário Oficial da União, seção 1 nº 165, de 27 de agosto de 2013. A Representação foi formalizada através do processo nº 10880.722359/201350. Em 09/10/2013, foi emitido Termo de Intimação Fiscal, cuja ciência ocorreu via edital, solicitando os seguintes documentos: – Informação acerca de processo judicial relativo aos tributos fiscalizados, cópias das petições iniciais e decisões judiciais, caso houvesse; – Documentação comprobatória das compensações informadas em DCTF relativas ao PIS e COFINS apurados entre 01/01/2010 e 31/12/2011; Mais uma vez, não houve retorno por parte de fiscalizada. Em 25/11/2013, foi publicado edital eletrônico solicitando novamente a entrega da Escrituração Contábil Digital. O contribuinte não se manifestou. Por fim, em 18/12/2013 foi emitido edital eletrônico, cientificandoo do arbitramento do Lucro tendo em vista a falta de entrega da Escrituração a que estaria obrigado, nos termos da IN/RFB nº787/2007. IV – DA DECRETAÇÃO DE FALÊNCIA DA EMPRESA E DE SUA REVOGAÇÃO [...] Desta forma, entre a decretação e a revogação da Falência, o Administrador Judicial (síndico) tornase o responsável pelos atos praticados durante o período, fato que deveria ter sido comunicado à RFB, nos termos do Art. 134, inc. V do CTN – Código Tributário Nacional. Considerando que neste período foram publicados Editais destinados à empresa fiscalizada, e que a revogação da Falência retorna a responsabilidade à empresa, esta fiscalização decidiu, por cautela, intimar novamente A EMPRESA com relação à documentação/esclarecimentos solicitados àquele tempo. Para tanto, foi publicado Edital, em 16/04/2015, solicitando: Informação acerca de processo judicial relativo aos tributos fiscalizados, cópias das petições iniciais e decisões judiciais, caso houvesse; Documentação comprobatória das compensações informadas em DCTF relativas ao PIS e COFINS apurados entre 01/01/2010 e 31/12/2011; Reintimação para entrega da ECD (feita anteriormente no Termo de Início do Procedimento Fiscal); Ciência do arbitramento do Lucro caso a Escrituração supra, a que estaria obrigado nos termos do Art. 530 do RIR, não fosse entregue no prazo previsto no Edital (o erro contido naquela intimação, qual seja, número do MPF, fica suprido pelo presente edital). Novamente, o contribuinte não se manifestou. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.439 5 V – DAS INFORMAÇÕES UTILIZADAS PARA A APURAÇÃO DOS TRIBUTOS Primeiramente, verificamos em Dirf – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – empresas que efetuaram a retenção de IRRF, bem como de PISCOFINS CSLL, da empresa fiscalizada, demonstradas abaixo (seguem abaixo apenas as empresas que efetuaram a retenção sob os códigos 1708, 5952 e 6147): ANOCALENDÁRIO 2010: FUNDACAO DOS ECONOMIARIOS FEDERAIS FUNCEF – CNPJ 01.599.296/000171 – Rendimentos tributáveis: RS 1.261.046,15 Imposto Retido: R$ 18.915,74 MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO – CNPJ 02.558.157/000162 – Rendimentos tributáveis: RS 2.744.072,83 Imposto Retido: R$ 41.161,09 0,00 (sic) DNITDEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAEST DE TRANSPORTES – CNPJ 12.795.625/000176 – Rendimentos tributáveis: RS 2.431.244,02 Imposto Retido: R$ 14.2227,77 PREF MUNIC DE CARIACICA – CNPJ 27.174.101/000305 Rendimentos tributáveis: RS 117.570,04 Imposto Retido: R$ 0,00 SECRETARIA MUN DE SAUDE E SANEAMENTO DE ALEGRE – CNPJ 33.010.851/000174 Rendimentos tributáveis: RS 261.119,01 Imposto Retido: R$ 3.916,79 ANOCALENDÁRIO 2011 MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO – CNPJ 02.558.134/000158 Rendimentos tributáveis: RS 3.623.093,77 Imposto Retido: R$ 54.346,38 DNITDEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAEST DE TRANSPORTES – CNPJ 28.127.603/000178 Rendimentos tributáveis: RS 1.409.901,78 Imposto Retido: R$ 82.479,27 Esse dado permitiu que fossem feitas circularizações às empresas supracitadas, solicitando as Notas Fiscais de Prestação de Serviços à fiscalizada. Verificamos que a totalidade havia sido emitida pelo Município de São Paulo. Fl. 1441DF CARF MF 6 Dando prosseguimento à Fiscalização, foi enviado Ofício ao Município de São Paulo, nos termos do Convênio firmado entre este Órgão e a RFB, publicado no Diário Oficial da União em 08 de junho de 2006 para a troca de informações entre eles (anexo). O arquivo enviado por este Órgão ratificou as informações prestadas pelas empresas. De posse da documentação acima, foi possível mensurar a Receita Bruta auferida pela empresa no Município de São Paulo (notese que a empresa prestava serviços dentro e fora do Município). Além disso, foi solicitada RMF – Requisição de Movimentação Financeira – procedimento detalhado no item VIII. VI – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO E DA BASE DE CÁLCULO PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS A legislação vigente no caso em questão, transcrita abaixo, obriga a empresa à transmissão da ECD: “Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: I – em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1 º de janeiro de 2008, as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômico tributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB n º 11.211 , de 7 de novembro de 2007, e sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) II – em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1 º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009).” A empresa, não tendo atendido à intimação para entrega da escrituração contábil digital na forma da IN/RFB nº 787/2007, sujeitase ao arbitramento do lucro, conforme previsto no RIR – Regulamento do Imposto de Renda – em seu At. 530: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; [...]” Por todo o exposto, não existindo ou não sendo apresentada ao Fisco a escrituração regular, descabe pretender que os lançamentos obedeçam ao regime supostamente adotado pela autuada, no caso, o Lucro Real, impondose a apuração da base de cálculo dos tributos na sistemática do Lucro Arbitrado, utilizandose como “receita conhecida” as Notas Fiscais emitidas pelo Município de São Paulo. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.440 7 Assim sendo, a empresa foi cientificada do arbitramento do lucro e da extensão para os demais tributos incidentes sobre a receita da atividade de empresa – IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS – em 24/04/2015. O arbitramento foi feito com base nas receitas descritas acima, na forma do Art. 532 do RIR/99, quando conhecida a receita bruta. A base de cálculo do IRPJ é determinada mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, §1º e art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). A tabela abaixo demonstra os valores mensais de Receita – com base nas Notas Fiscais emitidas pela PMSP – ao longo dos anoscalendário 2010 e 2011 (as tabelas detalhadas mensalmente, discriminando o Município/Órgão para o qual houve a prestação dos serviços, encontramse nos autos): [...] VII – DA CONFRONTAÇÃO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS COM AS NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS ENVIADAS PELO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO O Art. 3º, inciso VII, alínea B do Decreto nº 3.724/2001, que regulamenta a Lei Complementar nº105/2001, autoriza a RMF – Requisição de Movimentação Financeira – tornandoa inclusive indispensável nos casos em que a situação da empresa esteja enquadrada como inapta nos cadastros da RFB: § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) (…) Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) (…) VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996; Após os procedimentos descritos acima, cotejamos a Movimentação Financeira do contribuinte, informada à RFB através da DIMOF – Declaração sobre Informações Financeiras – à qual estão obrigadas as Instituições Financeiras e através das quais temos acesso aos montantes mensais movimentados a débito e a crédito, discriminados por Instituição, com os valores e a Receita Bruta demonstrados no item anterior. O quadro abaixo demonstra a diferença entre o valor total das Notas Fiscais correspondentes à Receitas da atividade do Fl. 1443DF CARF MF 8 contribuinte e os valores globais de movimentação financeira, resultando na diferença abaixo: Após receber das Instituições Financeiras os registros de créditos bancários do contribuinte, esta fiscalização examinou os valores, desconsiderando as operações comprovadas de transferências entre contas identificadas do mesmo titular, os valores estornados, os cheques devolvidos e contratos de mútuo de instituições financeiras e aqueles já identificados como oriundos de sua atividade, não tendo sido verificados resgates de aplicações financeiras. O contribuinte foi intimado, em 16/05/2014, e reintimado em 03/07/2014, a justificar os créditos não identificados, porém não se manifestou. Com isso, considerando o Art. 849 do RIR – Regulamento do Imposto de Renda – tais créditos foram caracterizados como omissão de receita cuja origem não pode ser identificada: [...] Estes valores estão demonstrados às Tabelas “EXTRATOS BANCÁRIOS BRADESCO – Ag. 2846 – Cc. 97039” e 'EXTRATOS BANCÁRIOS BANESTES – Ag. 574 – Cc. 1826858”. Excluídas as operações comprovadas de transferências entre contas identificadas do mesmo titular, os valores estornados, os cheques devolvidos e contratos de mútuo de instituições financeiras e aqueles já identificados como oriundos de sua atividade, os valores somaram R$ 4.497.231,96 no Banco Bradesco e R$ 22.718.060,73 no Banco Banestes. As demais contascorrentes da empresa não possuíam créditos de origem não identificadas; referiamse a transferências entre agências, pagamentos e estornos de valores referentes a processos judiciais e resgates de Aplicações Financeiras. O somatório das tabelas citadas acima constam do lançamento denominado “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA” VIII – DO AGRAVAMENTO E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, no percentual de 75% sobre os tributos exigidos em face das receitas omitidas, foi duplicada no caso em questão. Verificamos que a empresa entregou Dacon com valores de Receita Bruta demonstrados na tabela abaixo. Paralelamente, apurou os demais tributos, na DIPJ, baseado em valores diferentes. Por fim, entregou DCTF com valores significativamente inferiores à receita declarada na Dacon e na DIPJ. Apesar de regularmente intimado, não justificou tal diferença. Os valores constantes da DCTF foram flagrantemente inferiores aos da Dacon, desde 01/04/2010 a 31/12/2011. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.441 9 As planilhas abaixo demonstram a proporção entre os valores declarados em DCTF e em DACON: [...] Ressaltase que parte destes valores foram objeto de compensações mediante a DCOMP nº11543002012/200902, não declarada por esta RFB, conforme Despacho Decisório e Auto de Infração relativo à multa nos termos da Lei nº 11.488/2007, anexo aos autos. Tratamse de compensações instituídas pela Lei nº 1.474/51 art. 3º e revogado pela Lei nº 4.506/64, art. 15. Como se depreende no Despacho Decisório emitido pela Derat, bem como pela DRJ/SP1, tratamse de Títulos da Dívida Pública, portanto não administrados pela RFB. Tal processo encontrase arquivado, com decisão administrativa definitiva. Em consulta à página da Jucesp pela empresa Blokos Engenharia Ltda, foram encontradas quatro empresas, sendo que em todas constam o Sr. Pedro e membros de sua família como sócios. Chama a atenção empresa cadastrada sob o NIRE 35222595310 – ora fiscalizada – à Rua Saturnino de Brito, 645, Praia do Canto em Vitória, posteriormente transferida para a RUA DR. CARDOSO DE MELO, 1460, CJ. 41 VILA OLIMPIA São Paulo, EM 21/01/2009. Além disso, pelos cadastros da RFB, há duas filiais 000500 e 000702 à Rua Saturnino de Brito, 645, Praia do Canto, além de outras em Fortaleza CE, Serra – ES, Itabira – MG e Rio de Janeiro – RJ. Vejamos: 1. A empresa, apesar de ter sua sede alterada para São Paulo em 2009, não mais se encontra no local pelo menos desde 2012, segundo Termo de Declaração supra, tomado no local, do qual foram tiradas fotos que relatam a presença de empresa diversa no local; 2. As Notas Fiscais emitidas pela empresa no Município de São Paulo, em sua grande maioria, foram para fora do município durante o período fiscalizado – pelas tabelas anexadas aos autos, vêse que os serviços eram prestados, em grande parte, a municípios e órgãos do Estado do Espírito Santo; 3. Não houve a entrega da ECD – Escrituração Contábil Digital – para o período fiscalizado. 4. Por fim, verificase que o endereço do sócio administrador Pedro Alcantara, no Registro da Jucesp referente à empresa em questão, foi alterado para RUA JACQUES FELIX, 450, APTO. 31A, VILA NOVA CONCEIÇÃO, SAO PAULO – SP, apesar de constar na DIRPF 2013 anocalendário 2012 – última entregue pelo contribuinte, que se encontra omisso de entrega da Declaração de Pessoa Física exercício 2014 – que o mesmo reside à RUA DR. CARDOSO DE MELO, 1460, CJ.41, VILA OLIMPIA. Tratase de sala localizada em prédio comercial, onde pudemos aferir que funciona outra empresa, e imprópria para residência, dada a estrutura e dimensão do local. [...] Fl. 1445DF CARF MF 10 Além da omissão de receitas claramente demonstrada nos autos através de circularização às empresas tomadoras e ao Município de SP – em diversos meses, apenas o valor das receitas comprovadas da atividade já ultrapassam os valores informados em Dacon – e dos depósitos bancários não identificados, quando comparados com os valores declarados não somente em DCTF, mas em Dacon, os fatos descritos acima demonstram indício nítido de que a empresa, apesar de ter alterado seu endereço para São Paulo – SP, exercia suas atividades em Vitória. Este dado, acompanhado da ausência de entrega da ECD, bem como as inconsistências entre DIPJ, DACON e DCTF, demonstram claro intuito de se esquivar da fiscalização, senão vejamos: IN/RFB Nº 1.183/2011 DA ALTERAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. Primeiramente, não houve a comunicação da mudança de endereço à Jucesp ou à RFB, tampouco da retirada do sócio Vinícius Studart Alcantara, em 01/06/2011, a qual permanece unipessoal até a presente data. Depreendese, por todo o exposto, evidente a intenção da empresa em se esquivar da fiscalização, uma vez que altera seu endereço para São Paulo no ano de 2009 mas continua suas atividades em Vitória – indício claro desta situação é que o sócio comparece à unidade da RFB, onde é cientificado PESSOALMENTE do Início da Fiscalização em fevereiro de 2013 e posteriormente solicita à fiscalização que envie correspondências ao endereço em Vitória, ato não previsto em lei, uma vez que Decreto nº 70.235/72 define claramente o domicílio tributário do contribuinte para fins de intimação: “§ 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) I – o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária;” O contribuinte solicita, em 13 de maio de 2013, dilação de 60 dias de prazo para a alteração de seu Domicílio Tributário; entretanto não efetiva a mudança, bem como não se comunica de maneira formal com a RFB desde aquela data. Além disso, não atualiza seus dados cadastrais na Declaração de Pessoa Física, mantendo endereço em prédio comercial onde funciona outra empresa. A reiterada omissão na prestação de informações nas declarações apresentadas à RFB e o não cumprimento de obrigação acessória, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração. Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.442 11 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Por fim, solicitado a apresentar esclarecimentos acerca das divergências apuradas em suas declarações e a se manifestar durante diversas vezes ao longo da fiscalização – esclarecimentos acerca da divergência entre a DIMOF e a receita auferida, identificação da origem dos créditos bancários não identificados , a empresa jamais se manifestou. Resta, portanto, caracterizada a incidência nos parágrafos primeiro e segundo do Art. 44, Lei nº 9.430/96, ensejando a aplicação de penalidade no montante total de 225% sobre os valores apurados, tendo em vista os fatos acima descritos. IX – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Nos termos da Portaria SRF 2.439/2010 alterada pela Portaria RFB nº 3.182/2011, protocolizouse processo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 10880.723550/201581, acompanhado dos elementos de prova, uma vez que ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. X – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Sobre responsabilidade pessoal a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – em seu art. 135 dispõe: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Sobre este assunto, o parecer da Procuradoriageral da Fazenda Nacional resume: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009: (...) Fl. 1447DF CARF MF 12 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; ... u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. É válido salientar que a infração a lei a que se refere o artigo não precisa ser necessariamente infração a uma lei tributária, porém, deve ter consequências tributárias. Também, o elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. No caso em questão, além de constatado o ilícito tributário nos termos do Art. 135 do CTN, houve a Declaração de Inaptidão da empresa, vez que não foi encontrada pela Fiscalização no seu Domicílio Fiscal. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. "Súmula STJ n.º 435: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". Ora, a dissolução irregular da pessoa jurídica configura a hipótese de responsabilização dos administradores descrita no art. 135, III, do CTN, conforme entendimento também já pacificado no STJ. Tendo havido o enquadramento dentro do que prevê o artigo 72, da Lei nº 4.502/64, bem como nos artigos 1º, inciso I e 2º inciso II da Lei nº 8.137/90, com consequente aplicação de multa qualificada, fica presente, também, a condição prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Do exposto, ficam responsabilizados pessoalmente, nos termos do Art. 135, III, do CTN, o Sr.Pedro Alcantara, CPF nº 042.780.62320, na qualidade de sócio administrador desde 05/08/2008, e o Sr. Vinicius Studart Alcantara, CPF 302.688.04850. A presente situação será formalizada mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, da qual o sujeito passivo tomará ciência acompanhado do presente Termo de Constatação. [...] XII – CONCLUSÃO Em face do acima exposto, procedese ao lançamento de ofício em relação aos valores apurados, exigindo o crédito tributário com os devidos acréscimos legais, demonstrados no presente Auto de Infração. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.443 13 A fiscalização atevese ao levantamento das diferenças relativas ao IRPJ e reflexos decorrentes do arbitramento do lucro, relativamente ao período entre 01/01/2010 e 01/06/2011, período em a empresa era administrada pelo Sr Vinícius Studart Alcantara, CPF 302.688.04850, e pelo Sr Pedro Alcantara da Costa, CPF 042.780.62320. O presente lançamento consta dos autos do Processo nº108880.722831/201516. Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de realizar novas verificações no futuro, em relação a fatos ou circunstâncias não observadas nesta oportunidade, inclusive no período fiscalizado. O presente termo foi lavrado em 2 (duas) vias de igual forma e teor, sendo assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte fiscalizado, que será cientificado via edital. DA IMPUGNAÇÃO Feitas as devidas cientificações das peças fiscais, conforme noticiado no Termo supra, apenas o Responsável Solidário Sr. Vinicius Studart Alcântara Costa apresentou impugnação, que a seguir se resume: que a exigência fiscal não pode prosperar, pois ingressou na empresa fiscalizada em 03/07/2007 como detentor de apenas uma quota no valor de R$ 1,00, que lhe foi dada pelo sócio majoritário Pedro Alcântara Costa; que ingressou na empresa apenas para que fosse cumprido o requisito formal previsto no artigo 1.033, IV, da lei 10.406/2002, em razão da retirada da sócia originária Maria Luiz S. Alcântara Costa; que em setembro de 2009 retirouse da empresa, tendo regressado no mesmo mês, com apenas uma quota, exclusivamente por questões de ordem formal, tendo se retirado definitivamente em 01/06/2011; preliminarmente, entretanto, entende que o procedimento fiscal que deu origem à lavratura dos autos de infração padece de vício formais, a saber: (i) o Mandado de Procedimento Fiscal foi executado em prazo superior ao estabelecido no Decreto 70.235/72 (art.7º, §2º), que eventuais Portarias da RFB não podem prorrogar prazos em período superior ao do referido Decreto e (ii) quebra de sigilo bancário por requisição administrativa, que o acesso a informações bancárias deve ser previamente autorizado judicialmente, trazendo excerto de decisão proferida pelo STF, RE 389808, julgado em 15/12/2010; quanto ao mérito, alega que não é sócio da empresa BLOKOS ENGENHARIA LTDA. e muito embora tenha integrado o quadro societário da autuada no período objeto dos autos de infração, o fez para cumprimento de exigências formais; se sempre deteve apenas uma quota do capital, como pretender responsabilizar o IMPUGNANTE, sócio largamente minoritário e sem poderes de gestão, por um débito apontado nos autos de infração no valor total de R$ 43.998.993,68?; Fl. 1449DF CARF MF 14 a responsabilidade solidária, cujo fundamento no artigo 135 do CTN restou apontada nos autos de infração, não há que ser atribuída ao simples sócio ou mesmo ao administrador da empresa (ainda que fosse esta a hipótese do IMPUGNANTE!) por mera falta de recolhimento de tributo; ademais, a responsabilidade tributária somente é imputável à pessoa física no caso do sócio agir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou Estatuto; e, tal como já restou definido pela Jurisprudência Pátria, “infração a lei” não significa infração à lei tributária, o não recolhimento de tributo, mas, sim, um comportamento ilegal da pessoa física que venha prejudicar os próprios negócios da pessoa jurídica, uma prática dolosa; que os Auditores Fiscais em momento algum indicaram qualquer atuação do IMPUGNANTE com a finalidade de lesão a direito, infração da lei ou confusão patrimonial com intenção de fraude; assim, não havendo sequer indicação da presença de tal comportamento, não poderiam os fiscais, incluir o IMPUGNANTE nos autos de infração como responsáveis tributários (sic) nos moldes do artigo 135 do CTN; requer, por fim, além do já demandado em sua peça, que os advogados cujos nomes constam da procuração sejam intimados dos atos e decisões proferidos na presente. Analisando os argumentos da autuação e do sujeito passivo solidário a Delegacia de Julgamento emitiu o seguinte julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/01/2010 a 30/06/2011 Sujeição Passiva. Sócios Administradores. Responsabilidade Tributária Solidária. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Sociedade Extinta Ir regularmente. Responsabilidade Solidária dos Sócios. A sociedade que deixar de funcionar em endereço cadastrado junto à Receita Federal do Brasil, sem a devida informação ao órgão, caracteriza a sua dissolução regular, de forma que responderão pela obrigação tributária, em caráter solidário, todos aqueles que houverem sido identificados como sócios, que possuíam poder de gestão. Sigilo Bancário. Precedente. STF. Decisão Inter partes. A decisão no RE 389.808/PR não tem a característica de definitividade necessária para o reconhecimento, em sede do processo administrativo fiscal, da inaplicabilidade da norma que confere ao Fisco o acesso à movimentação financeira do contribuinte sem a prévia autorização judicial, conforme exigido pelo § 6º, inc. I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.444 15 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2010 a 30/06/2011 Intimação à Advogado. Falta de previsão legal. indeferimento. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do advogado. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Prazos. Decreto n.70.235/72. Nos termos do art.7º § 1º do Decreto 70.235/72, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Já o § 2° determina que, para os efeitos do disposto no §1º, os atos que determinam o início do procedimento valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O referido prazo de sessenta dias pode ser prorrogado sucessivamente, não havendo nenhuma limitação no que diz respeito ao número máximo de prorrogações possíveis, de sorte que os trabalhos podem, sim, prosseguir após o prazo de cento e vinte dias. Tanto a Portaria RFB nº 11.371, de 2007, como a Portaria RFB nº 3.014, de 2011, que a revogou, e a atual, de nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, dispunham que o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderia ser prorrogado “tantas vezes quantas necessárias”, não se verificando hipótese de prazo máximo de encerramento de fiscalização. De qualquer forma, é tão somente para fins de exclusão da espontaneidade que ocorre a perda de validade, por decurso de tempo, do ato que determina o início do procedimento fiscal. Noutras palavras, essa perda de validade não produz nenhum outro efeito além de restituir a espontaneidade do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento o sujeito passivo Vinicius Studart Alcântara Costa, único a ter apresentado impugnação, apresentou recurso voluntário no qual apresenta os seguintes argumentos: Preliminares 1 Extrapolação do prazo para execução do Mandado de Procedimento Fiscal. Alega que o auto foi lavrado após o prazo de 120 dias para sua realização, sendo irregular a autuação; Fl. 1451DF CARF MF 16 2 Da quebra de sigilo bancário por requisição administrativa. Alega que não poderia ser quebrado o sigilo bancário da empresa sem ordem do Poder Judiciário constituiria procedimento ilegal. Mérito 3 Alega que ingressou na sociedade com apenas uma cota em 2007, com apenas uma cota doada pelo outro sócio. Que se retirou em 06/2011.Que nunca foi sócio da empresa, possuindo apenas esta cota no período e que nunca participou de sua administração. Que a responsabilidade solidária do art. 135, do CTN não pode ser atribuída ao sócio apenas por mera falta de recolhimento do tributo. Esta somente poderia ser imputada se este tivesse agido com excesso de poderes, infração ao contrato social ou outros dos requisitos que autorizassem a responsabilização solidária. Que a dissolução da sociedade somente foi decretada em 2013, assim, como teria saído da mesma desde 2011, não poderia sofrer os efeitos da dissolução. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais assim dele tomo conhecimento. O objeto de análise deste recurso é a peça apresentada pelo responsável solidário Vinicius Studart Alcântara Costa. passamos a analisar os pontos de discordância levantados. 1 Extrapolação do prazo para execução do Mandado de Procedimento Fiscal. Alega que o auto foi lavrado após o prazo de 120 dias para sua realização, sendo irregular a autuação; Em relação a esta preliminar o contribuinte alega que a fiscalização teria extrapolado o prazo de validade do MPF e que, assim, todo o procedimento seria passível de nulidade. Além disso, alega que a notificação do lançamento foi deficiente. Em relação à notificação do lançamento, mesmo em se considerando todos os percalços e desencontros para que fosse dada ciência de todos os documentos ao contribuinte, Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.445 17 este mesmo entende que tomou ciência de toda a documentação em 08 de abril de 2014. Verificamos, conforme informado na própria decisão recorrida, que foi considerado como data de ciência o dia 09 de abril de 2014. Assim, nenhum prejuízo ocorreu à defesa pois todo o prazo de impugnação lhe foi concedido. Com relação à alegada nulidade em função de o MPF em razão de o procedimento ter continuado após o término de sua validade, possíveis vícios na emissão do MPF não tem o condão de causar nulidade ao procedimento, haja vista que a emissão do MPF visa ao controle interno das atividades da administração. Eventuais incorreções em sua emissão não ensejam a nulidade do procedimento, visto não causarem prejuízo à defesa do contribuinte. Pelo contrário, no caso do contribuinte, em se considerando que a expiração do prazo de validade do MPF torna o contribuinte novamente espontâneo, poderia ter aproveitado o retorno à espontaneidade para regularizar pagamentos que acaso entendesse devidos. Mas somente essa expiração não pode ser ensejadora de nulidade do procedimento. Vejase, abaixo, precedente desta mesma câmara neste sentido. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção QUARTA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 1401001.783 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Depois de instaurado o procedimento de fiscalização a contribuinte não mais dispõe de espontaneidade para regularizar suas obrigações tributárias visando afastar a formalização da exigência e imposição da multa de ofício estabelecidas na legislação pertinente. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF. O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. A responsabilidade pessoal dos solidários não pode ser conhecida face das alegações apresentadas somente na fase recurso, respeito a impossibilidade de supressão de instancia, nos limites do que determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; Fl. 1453DF CARF MF 18 e II) Por unanimidade, em não conhecer dos recurso dos responsáveis em parte (responsabilidade tributária, multas qualificada e agravada), por serem matérias preclusas. Na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos solidários e da empresa. (assinado digitalmente) ANTÔNIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. À vista do exposto, quanto a este item, rejeito a preliminar levantada. 2 Da quebra de sigilo bancário por requisição administrativa. Alega que não poderia ser quebrado o sigilo bancário da empresa sem ordem do Poder Judiciário constituiria procedimento ilegal. Com relação a esta alegação do recorrente verificamos da leitura do processo que a empresa foi intimada, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal a regularizar sua situação cadastral perante a Receita Federal e apresentar os documentos de sua contabilidade e contratos sociais a partir de 2010 (fls. 02/04), isto em janeiro/2013. Em sua resposta a empresa apresentou apenas as alterações do contrato social solicitando mais trinta dias de prazo para apresentar o restante. Não tento apresentado nenhuma documentação em face de a empresa ter sido declarada inapta em razão de não ter sido localizada no endereço constante do cadastro do CNPJ, foi emitida a requisição de movimentação financeira RMF. Ora, como se percebe a empresa foi regularmente intimada por meio de seu representante legal, que somente foi encontrado após contato com o contador da empresa. No entanto não regularizou sua situação cadastral, nem apresentou qualquer documento à fiscalização. Verificando esta situação e que a movimentação financeira da empresa nos anos de 2010 e 2011 tinha ocorrido em montante quase 100% maior do que o declarado pela empresa, a RMF foi emitida a fim de verificar a compatibilidade da movimentação com as declarações apresentadas pela empresa. Tal procedimento em nada tem de ilegal, posto que baseado nas normas permissivas que já foram, inclusive referendadas pelo Egrégio STF e consolidadas neste CARF, conforme demonstram os seguintes precedentes deste Colegiado. DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.446 19 de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (Acórdão nº 1302002.342, de 16/08/2017) OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES. QUEBRA DE SIGILO. Atendidas as condições previstas na LC nº 105, de 2001, a obtenção de provas pelo Fisco junto às instituições financeiras não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente, sobretudo quando o STF decreta a constitucionalidade da referida Lei, por entender que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (Acórdão nº 1401001.755, de 24/01/2017) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). (Acórdão nº 2301005.099, de 10/08/2017) Como se percebe dos precedentes acima apresentados, corroborados por decisão do Egrégio STF, não há ilegalidade na requisição pelo fisco das informações da movimentação bancária da empresa para fins de fiscalização quanto à regularidade dos recolhimentos tributários. Sendo assim, rejeito também esta preliminar. Fl. 1455DF CARF MF 20 Mérito 3 Alega que ingressou na sociedade com apenas uma cota em 2007, cota doada pelo outro sócio. Que se retirou em 06/2011.Que nunca foi sócio da empresa, possuindo apenas esta cota no período e que nunca participou de sua administração. Que a responsabilidade solidária do art. 135, do CTN não pode ser atribuída ao sócio apenas por mera falta de recolhimento do tributo. Esta somente poderia ser imputada se este tivesse agido com excesso de poderes, infração ao contrato social ou outros dos requisitos que autorizassem a responsabilização solidária. Que a dissolução da sociedade somente foi decretada em 2013, assim, como teria saído da mesma desde 2011, não poderia sofrer os efeitos da dissolução. Com relação à contestação do Sujeito Passivo Solidário Vinicius Studart Alcântara Costa, devemos observar, de início, que esta foi estabelecida em face da norma do art 135, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tratandose da análise de responsabilização solidária de sócio da empresa na forma do art. 135, do CTN, havemos de verificar que a solidariedade, neste caso, não decorre da simples condição de sócio da empresa, mas sim da verificação e imputação de atos que possam se caracterizar como infração à lei ou ao contrato social, posto que o simples inadimplemeto de tributos não pode se caracterizar como infração à lei passível de solidarização. Para tanto, me utilizo do brilhante voto proferido pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, consubstanciado no Acórdão nº 1402002.257, de 09 de agosto de 2016: O termo responsabilidade, em sentido amplo, possui estreita ligação com o direito civil, em especial com o direito das obrigações. Karl Larenz aduz que a possibilidade de o devedor responder, em regra, com seu patrimônio perante o credor surgiu de longa evolução do direito de obrigações e do direito de execução.1 A obrigação, em sentido técnico, tem origem em uma relação jurídica entre duas ou mais partes, na qual o pólo ativo (credor) passa a ter o direito de exigir do pólo passivo (devedor) uma prestação, ou, de modo contrário, o 1 LARENZ, 1958, apud GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.447 21 devedor passa a ter obrigação de determinado comportamento ou conduta para com o credor.2 No bojo dessa relação jurídica obrigacional, temse como elemento necessário o denominado vínculo. Este pode se originar de inúmeras fontes e obriga o devedor a cumprir determinada prestação para com o credor. Subdividese em débito (prestação a ser cumprida conforme pactuado) e responsabilidade (o direito de o credor exigir o cumprimento da obrigação quando não satisfeita a prestação, podendo esta exigência incidir, inclusive, sobre os bens do devedor). Segundo Gonçalves A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz.3 No âmbito da responsabilidade civil e tributária, a sujeição tem como limite o patrimônio do responsável, ainda que não seja este, necessariamente, o infrator da norma de conduta desrespeitada. Já o termo responsabilidade tributária, em sentido ainda amplo, é entendido como a sujeição do patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, ao cumprimento de obrigação tributária inadimplida por outrem. Assim, podese afirmar que “responsabilidade tributária” possui conceito próximo a “sujeição passiva tributária”, porém, ressaltese que há diferenças entre estes conceitos: enquanto a sujeição tributária nasce a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, a responsabilidade exsurge somente se a pretensão tributária tornarse exigível, ou nas palavras de Luciano Amaro, “a presença do responsável como devedor na obrigação tributária traduz uma modificação subjetiva no pólo passivo da obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte”.4 É importante distinguir a responsabilidade tributária da responsabilidade civil. Esta advém da prática de ato ilícito lato sensu causador de dano a terceiro, sobrevindo a obrigação de indenizar, enquanto aquela, em que pesem algumas hipóteses de surgimento a partir de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137 do CTN), possui também como propulsor atos lícitos.5 Assim discorre Maria Rita Ferragut sobre a responsabilidade: É a ocorrência de um fato qualquer, lícito ou ilícito (morte, fusão, excesso de poderes etc.), e não tipificado como fato jurídico tributário, que autoriza a constituição da relação 2 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 22. 3 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. 4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. atual. – São Paulo: Saraiva, 2004, p. 295. 5 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. Fl. 1457DF CARF MF 22 jurídica entre o Estadocredor e o responsável, relação essa que deve pressupor a existência do fato jurídico tributário. 6 Ao ponderar sobre a matéria, Marcos Vinícius Neder anota que a responsabilidade tributária tem respaldo no CTN, o qual consagra normas gerais sobre sujeição passiva de tal forma a redirecionar a responsabilidade pela dívida tributária do contribuinte para um terceiro, facilitando e tornando mais efetivo o trabalho dos órgãos da administração tributária7, e afirma que a “lei tributária autoriza ao Fisco incluir terceira pessoa, distinta da que pratica o fato jurídico tributário, no pólo passivo da obrigação tributária como responsável pelo pagamento do crédito tributário”.8 O CTN contempla em seus artigos 128 a 138 os casos de responsabilidade tributária, assim distribuídos: Disposição geral (art. 128); Responsabilidade dos sucessores (arts. 129 a 133); Responsabilidade de terceiros (art. 134 e 135) e Responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138). O que nos interessa, no momento, é a análise da responsabilidade dos representantes legais de empresas a que se refere o art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Doravante, de modo genérico, o tema será tratado como responsabilidade dos representantes legais de empresas. Elementos da Responsabilidade Tributária do Representante Legal de Empresas Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença de dois elementos: Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na 6 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. 7 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. 8 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.448 23 realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto.9 Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”.10 Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes para representála, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento.11 Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Notese que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considerase o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados.12 Maria Rita Ferragut assim conceitua representante: é a pessoa física ou jurídica que, em função de um contrato mercantil, obrigase a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pelo representado, não tendo poderes para concluir a negociação em nome do representado. Não possui vínculo empregatício, e sua subordinação tem caráter empresarial, cingindose à organização do exercício da atividade econômica.13 Percebese que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, fazse necessária a coexistência de dois elementos essenciais em 9 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 124. 10 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 99. 11 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. 12 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. 13 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. Fl. 1459DF CARF MF 24 relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Dada a fundamentada e escorreita análise empreendida no voto acima transcrito, passemos a verificar os precedentes do CARF a respeito da solidariedade imputada na forma do art. 135, do Código Tributário Nacional. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. (Acórdão nº 1402002.687, de 26/07/2017) SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Súmula STJ nº 430. A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Matéria julgada sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 no REsp 1.101.728/SP. (Acórdão nº 1402002.518, de 17/05/2017) No caso em análise, apesar da existência de lavratura de lançamento com multa qualificada, verificase que o sujeito passivo solidário, detentor de apenas uma única cota da empresa, não detinha poderes de administração ou gerência da sociedade. Além disso não se verificou a juntada ao processo de qualquer documento, contrato ou elemento de prova que pudesse demonstrar a participação do Sr. Vinícius na administração da sociedade ou que pudesse demonstrar a realização de ato com excesso de poderes ou infração contratual. Ora, dada a condição de sócio extremamente minoritário e que a representação da sociedade, inclusive em relação à apresentação inicial à fiscalização foi do Sr. Pedro Alcântara, e, ainda, considerando a inexistência de qualquer prova da participação de Sr. Vinícius em atos irregulares, entendemos que o Sr. Vinícius não teve comprovada participação em atos irregulares e, assim, não deve ser responsabilizado solidariamente pelos dábiros tributários em face da inexistência de demonstração de sua culpabilidade. Pelo exposto, entendo por excluir a responsabilidade solidária do recorrente. Ao final, voto no sentido de rejeitar as preliminares levantadas e, no mérito, excluir a responsabilidade solidária do Sr. Vinicius Studart Alcântara Costa Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10880.722831/201516 Acórdão n.º 1401002.190 S1C4T1 Fl. 1.449 25 Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1461DF CARF MF
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