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Numero do processo: 10073.720475/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF).
ITR. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua declaração, posto que é seu o ônus da prova.
ITR. BENS DECLARADOS. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Tendo o contribuinte apresentado a DITR e havendo títulos e certidões que o indique na qualidade de proprietário do imóvel rural, descabe a alegação de ilegitimidade passiva.
ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedade rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equipará-las ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram.
ITR. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45)
ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. EXIGÊNCIA LEGAL. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO ESPECÍFICA DO PODER PÚBLICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INDEVIDA
O fato de uma propriedade estar localizada dentro de uma Área de Proteção Ambiental não a torna, de forma automática, integralmente isenta. Cabe a exoneração apenas às Áreas de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico contidas no imóvel rural, sejam aquelas definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público, quando cumpridas as exigências legais para tal exclusão tributária.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇAO DO VTN MÉDIO. IMPOSSIBILIDADE.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base na média de VTNs obtidos nas DITRs, ainda que constante na tela do SIPT, tendo em vista que a respectiva média não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/96.
Numero da decisão: 2201-002.476
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.269,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Redator designado.
EDITADO EM: 08/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). ITR. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua declaração, posto que é seu o ônus da prova. ITR. BENS DECLARADOS. LEGITIMIDADE PASSIVA. Tendo o contribuinte apresentado a DITR e havendo títulos e certidões que o indique na qualidade de proprietário do imóvel rural, descabe a alegação de ilegitimidade passiva. ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. 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(Súmula CARF nº 45) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 75 /2 01 3- 49 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. EXIGÊNCIA LEGAL. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO ESPECÍFICA DO PODER PÚBLICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INDEVIDA O fato de uma propriedade estar localizada dentro de uma Área de Proteção Ambiental não a torna, de forma automática, integralmente isenta. Cabe a exoneração apenas às Áreas de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico contidas no imóvel rural, sejam aquelas definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público, quando cumpridas as exigências legais para tal exclusão tributária. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇAO DO VTN MÉDIO. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base na média de VTNs obtidos nas DITRs, ainda que constante na tela do SIPT, tendo em vista que a respectiva média não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.269,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Redator designado. EDITADO EM: 08/12/2014 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio da Notificação de Lançamento (fls. 469 e seguintes) lavrada em 08/04/2013, exigese do Contribuinte LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A o montante de R$ 5.661.567,52 de imposto territorial rural, R$ 1.885.301,98 de juros de mora e R$ 4.246.175,64 de multa de ofício, totalizando R$ 11.793.045,14 (atualizado até a data da autuação) referente ao exercício de 2009, incidente sobre o imóvel rural denominado Áreas em Rio Claro no Município de Rio Claro/ RJ. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 471 e seguintes, a Autoridade Lançadora relata que: (i) glosou integralmente a Área de Preservação Permanente (APP) vez que, embora o Contribuinte tenha apresentado ADA tempestivo, o Laudo Técnico relativo à APP não está acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e nem reúne informações detalhadas acerca da localização e dimensão da referida área; além disso o Contribuinte não apresentou certidão de órgão público atestando que o imóvel ou parte dele se encontra inserido em APP e (ii) o Contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação hábil do imóvel o Valor da Terra Nua (VTN) declarado, assim arbitrouse o VTN de R$ 580,84 ha, para R$ 1.140,44 ha com base no VTN Médio apurado no universo das DITR’s do Sistema de Preços de Terras (SIPT). O Contribuinte foi cientificado do lançamento, em 16/04/2013, havendo apresentado, em 16/05/2013, Impugnação, tempestiva, de fls. 486 e seguintes, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: · Entende que a capitulação legal seria insuficiente, considerando que os dispositivos legais mencionados não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram o lançamento, deles não se extraindo qualquer infração legal, o que contraria o art. 11, III, do Decreto nº 70.235/72, impedindo a perfeita compreensão das acusações, impondo a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa (art. 59, II do Decreto nº 70.235/72). · Alega descrição insuficiente da infração imputada de que não teria apresentado CCIR e que teria apresentado “número insuficiente de certidões de registro de imóveis”, impossibilitando que entenda do que é acusado, cerceando seu direito de defesa, o que acarreta a nulidade do lançamento. · Entende improcedente o lançamento em razão da impossibilidade de utilização do SIPT para as sociedades empresárias de energia elétrica, em face do DecretoLei nº 3.128/41, que disciplina o tombamento de seus bens, nos termos de seus artigos 4º e 6º; cita Decisão do Conselho de Contribuintes (Acórdão 30332027 de 19/05/2005), para referendar sua tese de que os bens das sociedades empresárias de eletricidade devem ser avaliados por seu custo histórico, o qual, não sendo possível de comprovação documental, deve ser apurado por perícia e, assim, revelase descabido o arbitramento, o que compromete a apuração da base de cálculo do lançamento e, por isso, deve ser julgado improcedente. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Considera que, em virtude do disposto no § 7º, art. 10 da Lei nº 9.393/96, a CSRF firmou jurisprudência no sentido de que, para fins, de isenção do ITR, basta a simples declaração do contribuinte, o qual responderá pelo imposto em caso de declaração falsa. · Entende que em relação à área de preservação permanente, para fins de isenção do ITR, mais de que desobrigar o contribuinte de fazer “prévia comprovação”, o citado § 7º atribui à fiscalização o ônus de comprovar que a área declarada não ostenta essa condição. Aduz que a fiscalização não se desincumbiu do seu ônus probatório, posto que a Notificação de Lançamento é fundada, apenas, em supostos vícios formais do Laudo Técnico, que atesta o que consta da DITR/2009, que, inclusive, serviu de amparo para Acórdão do CARF, que cancelou o lançamento do Processo Administrativo nº 13009.000015/200417, além do ADA de 2009 e de 2008 apresentados em resposta à intimação (fl. 448 e 450) e assim, impõese a improcedência do lançamento. · Discorre sobre o princípio da verdade material e no que toca à comprovação da área de preservação permanente (APP), para fins de não incidência do ITR, cita e transcreve Ementa de Decisão do CARF, para embasar sua tese. · Apresenta Laudo Técnico (fls. 546), com ART (fls. 598), elaborado pelo Engenheiro Florestal Jorge Jacob Neto, que atesta que de um total de 4.764,0 ha, 89,39% ou 4.259,0 ha correspondem a áreas não sujeitas à tributação, referentes a áreas de preservação permanente, interesse ecológico e alagadas para fins de constituição de usinas hidrelétricas (Lei nº 9.303/96, art. 10, § 1º, “a”, “b” e “f”). · Considera que o citado Laudo atesta que parte significativa do imóvel está em Unidades de Conservação, notadamente o Parque Estadual Cunhambebe (Estadual/INEA), a APA Guandu (Estadual/INEA) e a APA do Alto Piraí (Municipal/Prefeitura de Rio Claro), criados, respectivamente, pelos Decretos Estaduais nº 41.458/2008 e 40.670/2007, bem como pela Lei Municipal nº 385/2008. · Registra que informou, em resposta à intimação que o imóvel estava inserido na APA Guandu, informação essa que foi ignorada pela fiscalização, assim como que parcela significativa do imóvel é alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, o que demonstra a fragilidade do procedimento fiscal. · Salienta que estando comprovado que parte da área é submersa, utilizada como reservatório de usinas hidrelétricas, fazse necessário o afastamento da tributação sobre essas terras, conforme jurisprudência do CARF, inclusive, objeto da Súmula nº 45. · Ressalta que o referido Laudo atesta, ainda, que o imóvel é composto por fragmentos florestais que, juntamente com a APP e as áreas que integram as Unidades de Conservação, integram o “Corredor de Biodiversidade Tinguá Bocaina”, sobre o qual tece considerações e transcreve excertos do Laudo, para afirmar que isso deixa patente o enorme e especialíssimo interesse ecológico que cerca todo o imóvel. · Considera que pela sua singular importância ambiental e ecológica, já em 1991, a Secretaria de Cultura/RJ pelo Edital expedido por meio do Processo Administrativo E18/ 000.172/91, publicado em 06/03/1991, tombou provisoriamente áreas englobadas pela Serra do Mar e Mata Atlântica em 36 municípios, dentre os quais os de Piraí, Barra do Piraí e Rio Claro, nos termos transcritos. · Entende que tais características atraem a aplicação do art. 225, § 5º, da Constituição da República (CR) e do art. 268 da Constituição do RJ, cujas disposições, por imposição do Princípio da Interpretação Conforme a Constituição devem servir de norte no enquadramento legal e interpretação da matéria e transcreve tais dispositivos. · Sintetiza com o entendimento de estar comprovado que o imóvel é composto por APP, fragmentos florestais, áreas de especial interesse ecológico e alagadas para reservatórios de usinas hidrelétricas, por sua localização e integração no “Corredor da Biodiversidade Tinguá Bocaina”, no âmago da Serra do Mar, em uma das últimas áreas com Mata Atlântica preservada, ficando atestada sua importância ecológica e a condição de preservação Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 4 5 permanente, que impõem o reconhecimento de que o imóvel é integralmente composto por áreas não tributáveis, nos termos do art. 10, § 1º da Lei nº 9.393/96. · Considera que a fragilidade do lançamento fica demonstrada, também, pelo fato de a fiscalização ao tributar 100% do imóvel, ter desconsiderado o art. 20, VIII, da CR, que estabelece serem “bens da União” “os potenciais de energia elétrica”. · Salienta que a fiscalização não atentou, ainda, para a Lei nº 9.427/96, que ao disciplinar o “regime econômico e financeiro das concessões de serviço público de energia elétrica”, estabelece no art. 14, II e V, respectivamente, que o contrato de concessão deve prever “a responsabilidade da concessionária em realizar investimentos em obras e instalações que reverterão à União na extinção do contrato”, bem como a indisponibilidade, pelo concessionário, dos bens reversíveis. · Entende que o imóvel tributado configura bem público, da União, por definição constitucional e por afetação, cuja tributação pelo ITR, portanto, contraria a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, da CR. · Conclui, sobre o tema, que se tratando de bens públicos, indisponíveis ao concessionário, encontramse fora do comércio, sem valor aferível, o que os torna insuscetíveis de tributação do ITR, cuja base de cálculo é o valor do imóvel e cita e transcreve Ementas excertos de Decisões do CARF, para referendar seu argumento. · Entende que a fiscalização não observou a isenção de ITR prevista no art. 1º do Decreto Lei nº 2.281/40 e transcreve esse artigo. A 1º Turma da DRJ/BSB em 30/10/2013 através do Acórdão nº 0356.398 de fls. 638 e seguinte julgou procedente em parte a Impugnação reconhecendo que, não obstante o Contribuinte tenha protocolado o ADA/2009 informando uma área de preservação permanente de 24.821,9 ha, igual a área total do imóvel, compreendeu restar cumprida, também, a segunda exigência para a exclusão de uma área de preservação permanente de 9.545,0 ha, uma vez que o Laudo Técnico de Caracterização Ambiental elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado do ART anotado no CREA, reconheceu tais áreas, mantendo a Notificação de Lançamento, nos seguintes termos: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA INCIDÊNCIA DO ITR Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. Essas sociedades empresárias concessionárias, submetemse quanto à apuração do ITR, às mesmas regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. DA IMUNIDADE RECÍPROCA. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS. INAPLICABILIDADE Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Às concessionárias de serviços públicos constituídas como pessoas jurídicas de direito privado deve ser dado o mesmo tratamento tributário dispensado às demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição da República. DA ÁREA ALAGADA DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDRELÉTRICAS AUTORIZADA PELO PODER PÚBLICO Para efeitos do ITR, a existência de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, cabe ser devidamente comprovada nos autos com documentos hábeis. DA ISENÇÃO PREVISTA NO DECRETOLEI nº 2.281/1940 Encontramse revogados todos os incentivos fiscais de natureza setorial que não foram confirmados por lei após dois anos, contados a partir da data da promulgação da Constituição da República, inclusive a isenção prevista no art. 1º do Decreto Lei nº 2.281/1940. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para que a área de Preservação Permanente possa ser considerada isenta de tributação, além da comprovação da efetiva existência dessa área no imóvel, devidamente dimensionada e classificada como tal, em conformidade com o Código Florestal, por meio de laudo técnico específico, elaborado por profissional habilitado, ou por Ato do poder público que assim as tenham declarado, exigese que essas áreas tenham sido objeto de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado em tempo hábil no IBAMA. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO PARQUE A alegação de que as áreas pretendidas como de preservação permanente ou de interesse ecológico estariam localizadas dentro dos limites de Parque Estadual cabe ser devidamente comprovada nos autos, para fins de justificar a exclusão de tais áreas de tributação, imprescindível a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do ADA no IBAMA, além da existência de Ato de órgão ambiental competente reconhecendo, de forma inequívoca, as áreas como sendo de interesse ecológico. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas ou pretendidas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 5 7 O Contribuinte tomou ciência do Acórdão em 22/11/2013(fls. 694) vindo a apresentar Recurso Voluntário em 23/12/2013 (fls. 671) reproduzindo os argumentos da Impugnação, resumidamente: · Nulidade do lançamento por cerceamento de defesa decorrente de capitulação legal insuficiente e descrição insuficiente da infração imputada impossibilitando que entenda do que é acusado. · Impossibilidade de utilização do SIPT para as sociedades empresárias de energia elétrica, uma vez que os bens das sociedades empresárias de eletricidade devem ser avaliados por seu custo histórico. · Para fins, de isenção do ITR, basta a simples declaração do contribuinte, competindo à Fiscalização a produção de prova de que a declaração é falsa. Junta jurisprudência. · Não se furtou a apresentar ADA e Laudo Técnico acompanhado de ART, que atesta que a parte significativa do imóvel está em Unidade de Conservação, tendo desincumbido do seu ônus probatório, tendo apresentado prova documental por si só suficiente para o reconhecimento da improcedência do lançamento. · O laudo acompanhado de ART atesta que de um total de 4.764 ha, 89,3999% ou 4.259 ha correspondem a áreas não sujeitas à tributação, porquanto referentes a áreas de preservação permanente, áreas de interesse ecológico e alagadas para fins de constituição de usinas hidrelétricas (Lei 9.393/96, art. 10, §1º, “a”, “b” e “f”). · Alega que a Autoridade Fiscal não pode desconsiderar a existência da área alagada para constituição do reservatório de usina hidrelétrica, tão somente pelo fato de não ter sido declarado no ADA. Assim protesta pelo reconhecimento e não incidência de ITR sobre terras submersas, conforme súmula 45 do CARF. Junta jurisprudência administrativa. · Contrariedade do acórdão haja vista que para reconhecer a existência de uma área de preservação permanente de 9.545,0 ha, entendeu possível desconsiderar a declaração contida no ADA, em que consta que a área total do imóvel correspondia à área de preservação permanente. · Ressalta que o referido Laudo atesta, ainda, que o imóvel é composto por fragmentos florestais que, juntamente com a APP e as áreas que integram as Unidades de Conservação, integram o “Corredor de Biodiversidade Tinguá Bocaina”, sobre o qual tece considerações e transcreve excertos do Laudo, para afirmar que isso deixa patente o enorme e especialíssimo interesse ecológico que cerca todo o imóvel. · Ilegitimidade passiva, pois tratase de bem público da União por definição constitucional (art. 20, VIII da CFRB/88). · Reconhecimento da imunidade recíproca, pois o imóvel é afetado ao serviço público (art. 14, II e V da Lei 9.427/96). Junta jurisprudência administrativa. Com base no art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008, e também, previsto no art. 70 do Decreto nº 7.574/2011, o crédito tributário exonerado pela decisão da DRJ é devolvido para apreciação por esse Colegiado em razão de recurso necessário. É o relatório. Voto Vencido Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No tocante ao recurso necessário, esse também atendo aos requisitos dispostos nas normas pertinentes, portanto também conheço do mesmo. I. Do Recurso de Ofício No tocante ao Recurso de Ofício é devolvida a esse Colegiado a apreciação da exoneração ao crédito tributário referente à área de 9.545 ha a título de preservação permanente. A decisão aquo entendeu que restou comprovada pelo Contribuinte a referida área como sendo de preservação permanente, pois há declaração da mesma em ADA tempestivo, o Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte referenda a referida área como sendo relativa ao art. 2º da Lei nº 4.771/65, não sendo necessário Ato do Poder Público para comprovar a área como sendo de preservação permanente, como ocorre com as áreas dispostas no art. 3º da mesma Lei. Como se verifica dos autos do processo, o Contribuinte logrou êxito em apresentar documentação que comprova a área de 9.545 ha como sendo de preservação permanente, quer seja por meio de entrega de ADA tempestivo, quer seja por Laudo Técnico elaborado por técnico com ART que também comprova a referida área como tal Desta feita, entendo que a área de 9.545 ha deve ser reconhecida como sendo de preservação permanente, pois o Contribuinte a comprovou por documentação hábil e idônea, devendo o crédito tributário lançado em relação a mesma ser exonerado. II. Do Recurso Voluntário II.1. DAS PRELIMINARES II.1.1. Cerceamento de Defesa Afastase a alegação do Contribuinte de nulidade do Auto de Infração por capitulação legal insuficiente e descrição insuficiente dos fatos, o que resulta em prejuízo à defesa, uma vez que a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 313 relata de forma clara os fatos e os dispositivos legais, quais sejam: · Área de Preservação Permanente não comprovada. Enquadramento legal: art. 10,§1º, inciso II, alínea “a” da Lei nº. 9.393/96; e · Valor da Terra Nua Declarado não Comprovado. Enquadramento legal: art. 10,§1º, inciso I e art. 14 da Lei nº. 9.393/96. Ademais, o Contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, atestando assim não haver capitulação legal insuficiente ou descrição insuficiente dos fatos. Preliminar rejeitada. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 6 9 II.1.2. Sujeição Passiva Tributária O Contribuinte pugna pelo reconhecimento da ilegitimidade passiva, pois o imóvel é bem público da União por definição constitucional (art. 20, VIII da CFRB/88) e por afetação (art. 14, II e V da Lei nº 9.427/96), vindo ao fim da concessão ser revertido ao poder concedente. Junta jurisprudência administrativa. O Acórdão recorrido concluiu que o Contribuinte é legitimo proprietário dos imóveis incorporados ao seu patrimônio, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União (serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica), corroborando o fato de que o Contribuinte é realmente o sujeito passivo da obrigação tributária, seja por ser proprietário do imóvel rural, seja por ser seu possuidor a qualquer título, uma vez que: · Quem tem a posse de imóvel, público ou não, por ocupação, autorizada ou não, deve apresentar a declaração do ITR, concluindo que, não obstante essa posse não gere efeitos para fins de usucapião ela configura fato gerador do imposto, pois a tributação da terra é função do seu valor econômico (fator de produção). De modo que a incidência do imposto decorre do uso e fruição do imóvel pelo particular, onde o aproveitamento econômico do imóvel é igual ao fator de produção; e · Os bens adquiridos por desapropriação pertencem à sociedade empresária expropriante, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público privativo da União. Pois, enquanto os bens pertencentes à União são imunes a tributos, em regra, aqueles pertencentes à citada sociedade empresária ficam sujeitos à incidência de tributos, em função das atividades econômicas remuneradas que exercem (inclusive serviço público). O Acórdão recorrido, ao invocar a norma do art. 32 do Código Tributário Nacional (CTN) não atentou à circunstância de que o art. 32 do CTN não pode ser interpretado como tendo englobado, o conceito de posse, de forma indiscriminada. No que concerne à natureza da posse que gera a sujeição passiva tributária, o Supremo Tribunal Federal (STF) vem compreendendo que somente a posse exclusiva é hipótese de incidência de imposto sobre a propriedade territorial urbana (IPTU). Quando há desdobramento da posse, como no caso de locação e comodato o possuidor direto não responde pelo referido tributo (RE 599417 AgR / RJ, rel. Eros Grau, 2ª Turma, DJe 22/10/2009, RE 451152/RJ Rel. . Min. Gilmar Mende, 2ª Turma, DJe 22/08/2006). Ambos os julgados citados reconheceram que as concessionárias de serviço público exercem uma posse desdobrada, não suscetível de incidência de IPTU. Confirase: RE 599417 AgR / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPTU. IMÓVEL DE PROPRIEDADE DA UNIÃO. CONTRATO DE CONCESSÃO DE USO. POSSE PRECÁRIA. PÓLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, "A", DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DA TRIBUTAÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em caso análogo ao presente, o RE n. 451.152, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJ de 27.4.07, fixou entendimento no sentido da Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 impossibilidade do detentor da posse precária e desdobrada, decorrente de contrato de concessão de uso, figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Precedentes. 2. Impossibilidade de tributação, pela Municipalidade, dos terrenos de propriedade da União, em face da imunidade prevista no art. 150, VI, "a", da Constituição. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. No que concerne a propriedade observase que os lagos, rios e correntes de água em territórios da União, ou que banhem mais de um Estado, bem como os terrenos marginais são bens da União (CF/88, art. 20, II), assim como os potenciais de energia hidráulica (CF/88, art. 20, VIII). Quando constatado que determinado rio possui potencial energético, ele pode ter seu uso cedido à concessionária, que deterá a posse precária das estruturas que construir sobre os rios e em suas margens, não figurando, assim, como proprietário do imóvel. Ressaltase que o STF já se manifestou que os imóveis que compõem o acervo patrimonial do Porto de Santos integram o domínio da União, logo o concessionário do serviço público não seria o contribuinte do IPTU: TRIBUTÁRIO. IPTU. IMÓVEIS QUE COMPÕEM O ACERVO PATRIMONIAL DO PORTO DE SANTOS, INTEGRANTES DO DOMÍNIO DA UNIÃO. Impossibilidade de tributação pela Municipalidade, independentemente de encontraremse tais bens ocupados pela empresa delegatária dos serviços portuários, em face da imunidade prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Dispositivo, todavia, restrito aos impostos, não se estendendo às taxas. Recurso parcialmente provido. (RE 253.394/SP Rel. Min. Ilmar Galvão. 1ª Turma, DJe 11.04.03) Considerando que IPTU e ITR são tributos incidentes sobre a propriedade, entendo que a interpretação ofertada ao IPTU, no tocante à posse precária, se aplica ao ITR. A presente Corte Administrativa vem acompanhando o posicionamento do STF, no tocante à sujeição passiva do ITR no caso de posse precária, conforme caso análogo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 SÚMULA CARF Nº 45. ITR. USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ILEGITIMIDADE PASSIVA. CONCESSÃO DE USO DE IMÓVEL DO DOMÍNIO PÚBLICO DA UNIÃO PARA EXPLORAÇÃO DO POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. Incabível equiparar de forma indiscriminada, no conceito de posse: o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e o possuidor com animus domini. Dos três, somente o último é contribuinte do ITR incidente sobre o imóvel de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário ou do titular do domínio útil. Recurso Voluntário provido. (Acórdão 2202002.086, Rel. Rafael Pandolfo, 2ª Câmara/2ª Turma, sessão 20/11/2012). Diante do exposto, entendo que em relação à área do imóvel rural na qual o Contribuinte não é proprietário, detentor da posse exclusiva ou de domínio útil, o mesmo não pode figurar no pólo passível da obrigação tributária para cobrança do Imposto Territorial Rural. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 7 11 Desta feita, acolho a preliminar de ilegitimidade passiva do Contribuinte. Porém, o Colegiado, por maioria, entendeu pelo não acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva. Portanto, passamos à análise do mérito. II.2. DO MÉRITO II.2.1. Do Ônus da Prova O Contribuinte sustenta, com base no disposto no § 7º, art. 10, da Lei nº 9.393/96, que para fins de isenção do ITR compete ao Fisco o ônus de comprovar o erro da declaração prestada pelo contribuinte. Logo, entende o Contribuinte que não necessita comprovar a existência da Área de Preservação Permanente através de documentação, mas sim a Autoridade Fiscal deve produzir prova quanto à inexistência da APP, ônus esse do qual a Autoridade Lançadora não se desincumbiu: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão ambiental; (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Em que pese a argumentação levantada pelo Contribuinte, entendo que não é esta a melhor compreensão do tema. A dispensa de comprovação prévia relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, referese unicamente a desnecessidade de comprovar a efetiva existência de tais áreas no imóvel, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, atestar com Fl. 707DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 documentos hábeis o cumprimento de exigências previstas nas legislações ambiental e tributária, para justificar a exclusão dessas áreas declaradas da incidência do ITR. O acórdão recorrido destacou com precisão que não compete à Autoridade Administrativa produzir provas relativas às matérias tributadas ou mesmo em relação a qualquer outra matéria relacionada, como alega o Contribuinte, isto porque, nos termos dos artigos 40 e 47, ambos do Decreto nº 4.382/02 (DITR), o ônus da prova, no caso, documental, é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir até a data da homologação do auto lançamento os documentos necessários à comprovação dos dados informados na sua DIT: Documentos Comprobatórios Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único). CAPÍTULO III DA REVISÃO DA DECLARAÇÃO Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Em relação às ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes transcritas pelo Contribuinte, temse que as mesmas, além de se aterem às situações circunstanciadas naqueles autos, não afetam o presente lançamento, uma vez que os julgados, especialmente os do Conselho de Contribuintes não possuem efeito vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. II.2.2. Da Área de Preservação Permanente e Áreas de Interesse Ecológico O Contribuinte informou em ADA, tempestivamente entregue (protocolado em 06/08/2009 – fls. 448 a 450) que a área total do imóvel se encontra integralmente abrangida por Área de Preservação Permanente (24.821,9 ha), também apresentou Laudo Técnico com a área de 9.545,00 ha como sendo área de preservação permanente, 2.536 ha como área de interesse ecológico, 3.361 ha como área coberta por floresta nativa, 2.269 ha como área alagada para usina hidrelétrica e 1.948 ha como áreas de fragmentos espaçados de pastagens e vegetação inicial (fls. 594). O Acórdão recorrido acatou o pleito do Contribuinte em aceitar como APP a área de 9.545,00 ha declarada no Laudo Técnico e manteve o lançamento em relação ao restante da área por entender que não basta a declaração no ADA e Laudo Técnico como prova, também é necessário ato do Poder Público que reconheça tais áreas. Como o Contribuinte não apresentou o referido ato, o lançamento foi mantido nesse aspecto. Confirase o trecho do Acórdão recorrido que reconheceu a APP: Verificase do teor do referido Laudo que essa exigência foi cumprida na fase da impugnação, para uma área de preservação permanente (APP) de 9.545,0 ha, sem sobreposição, enquadrada no art. 2º, alíneas “a” a “h”, da Lei nº 4.771/1965, conforme consta às fls. 591 e 594, que correspondem as APP: nas nascentes (alínea Fl. 708DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 8 13 “c”) às fls. 583; cursos d’água (alínea “a”) e ao redor de reservatórios (alínea “b”) às fls. 598/585; com declividade superior a 45º (alínea “e”) às fls. 586 e no topo de morro (alínea “d”) às fls. 586/587. Como o efeito tributário, para fins de ITR, em relação às áreas detalhadas no Laudo Técnico é o mesmo daquele reportado no ADA, ou seja, todos afastam a incidência do ITR, entendo que o fato de o Contribuinte ter reportado no ADA a área total do imóvel rural como sendo APP, afasta a incidência do ITR (fungibilidade de rubricas). Além disso, entendo que o ADA tempestivo aliado ao Laudo Técnico elaborado por profissional com ART no CREA são provas suficientes para comprovar as áreas como não alcançadas pelo ITR. Ainda, em relação às áreas de declarado interesse ecológico, o Contribuinte apresentou a Lei Municipal nº 385/08 e Decretos 41.358/08 e 40.670/07 que criaram a APA Guandu, APA do Alto Piraí e Parque Estadual Cunhambebe. De acordo com o Laudo Técnico, parte da área do imóvel rural do Contribuinte encontramse dentro dos limites dessas unidades de conservação. No tocante às áreas de interesse ecológico (1.198 ha), o Contribuinte alega que seu imóvel é englobado pela referidas áreas e que as mesmas foram tombadas provisoriamente por restarem incluídas no “corredor de bidiversidade” da Serra do Mar e Mata Atlântica (Secretaria de Cultura do ERJ, por meio de edital expedido no processo E 18/000.172/91, publicado em 06/03/1991). O Laudo Técnico (fl. 594) determina que 1.948 ha enconotrase englobado por áreas de fragmentos espaçados de pastagem e vegetação inicial que fazem parte do referido “corredor de biodiversidade”. Desta feita, entendo que a área de 19.660 (fls. 594 e 595) apresentadas no Laudo Técnico como sendo área total do imóvel deve ser excluída da tributação do ITR. Confirase: Área de Preservação Permanente 9.545 ha Área de Interesse Ecológico 2.536 ha Área coberta por floresta nativa 3.361 ha Área alagada (usina hidroelétrica) 2.269 ha Áreas de fragmentos espaçados de pastagem e vegetação 1.948 ha TOTAL 19.660 ha Tendo em vista que da área total do imóvel apresentada no Laudo Técnico de 19.660 ha, a área de 9.545 ha já foi excluída da tributação em face da negativa de provimento do Recurso de Ofício. Desta forma, do Recurso Voluntário excluise a área de 10.115 ha. II.2.3. Das Áreas Alagadas Ainda, em relação às áreas alagadas, o Contribuinte solicitou a exclusão de 2.269 ha apresentada no Laudo Técnico na forma do art. 10, §1º, II, f da Lei nº 9.393/96 e Enunciado nº 45 da Súmula do CARF. O acórdão recorrido não reconheceu a isenção para as áreas alagadas na forma da alínea f, do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, em razão da inexistência de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Ato Declaratório Ambiental neste sentido, conforme determinação do art. 10, § 3º do Decreto nº 4.382/02 e respostas 111 e 112 do Manual de Perguntas e Respostas do ITR/2009. O juízo aquo compreendeu que no ADA acostado aos autos de fls. 448 consta a declaração de uma área de preservação permanente de 24.821,9 ha, que corresponde à área total do imóvel e, portanto, não haveria a possibilidade da existência concomitante de área alagada para constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, na forma alegada pelo Contribuinte. De fato a Súmula nº 45 do CARF dispõe que o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas, porém para que haja a aplicação da referida Súmula é necessário que o contribuinte comprove a área alagada para tal fim. Compulsando os autos, verifico que o Contribuinte não declarou no ADA áreas alagadas, mas reportou a totalidade da área do imóvel como área de preservação permanente. Porém, o mesmo apresentou Laudo Técnico apontando a área de 2.742 ha como área alagada. Considerando a divergência entre as declarações do Contribuinte, ou seja, no ADA reporta a área total do imóvel como APP e, posteriormente, em Laudo Técnico apresenta parte da área como alagada, entendo que não resta comprovada a área alagada. Logo, entendo que deve ser aplicada a Súmula nº 45 do CARF, afastando de tributação da área alagada de 2.742 ha. II.2.4. Do Valor da Terra Nua Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua, entendeu a Autoridade Fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), razão pela qual arbitrou o VTN declarado para o imóvel na DITR/2009, de R$14.417.552,00 (R$ 580,84/ha) para R$28.307.887,64 (R$ 1.140,44/ha), valor este apurado com base no VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs processadas, do exercício de 2009, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Rio Claro/RJ, consoante informação do SIPT, às fls. 467. O Acórdão recorrido confirmou o lançamento por entender não haver dúvidas de que o VTN declarado de R$ 580,84 por hectare encontrase, de fato, subavaliado por ser muito inferior ao VTN médio, por hectare, de R$ 1.140,44/ha, apurado no universo das DITR/2009 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Rio Claro/RJ. O Contribuinte defende que o SIPT não é meio legítimo para valorar áreas de empresas concessionárias de energia elétrica, em razão do disposto no Decreto Lei nº 3.128/41 que disciplina o tombamento dos bens de empresas de eletricidade. Defende que tais áreas devem ser valoradas pelo seu custo histórico e quando não sendo passível de comprovação, cabe perícia. Acredito que a argumentação do Contribuinte é procedente, pois, de fato, os bens das concessionárias de energia elétrica, especialmente a propriedade rural não são passíveis de precificação a mercado, tendo em vista sua função exclusiva. Desta feita, resta Fl. 710DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 9 15 incongruente fazer uma pesquisa de preços com áreas próximas, pois tais áreas não se assemelharão à afetação que tal propriedade apresenta – produção de energia elétrica. Não obstante, acatar o pleito do Contribuinte, é imperioso destacar que a página do SIPT de fls. 467 informa não haver encontrado VTN médio para o Município de Rio Claro. Assim, a Autoridade Lançadora e o Acórdão aquo adotaram o VTN médio das DITRs. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra contrariando o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393/96, in verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Ora, se a fixação do VTN médio não teve por base esse levantamento (por aptidão) utilizandose do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN médio adotado para proceder ao arbitramento pela Autoridade Lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo Contribuinte, devendo, assim, ser reestabelecido o VTN declarado pelo Contribuinte. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e no tocante ao Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e acolher a preliminar de erro de sujeição passiva. Porém, vencida quanto ao acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva, no mérito, oriento meu voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Reportome ao relatório e voto, na parte da decisão que trata do recurso voluntário, de lavra da ilustre Conselheira Relatora, de quem ouso divergir da tese sustentada, arguida em sede de preliminar pela contribuinte, de que haveria ilegitimidade passiva do Fl. 711DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 recorrente nas áreas de domínio útil, bem como não ser tributável as áreas de interesse ecológico e os fragmentos espaçados de pastagens e de vegetação inicial. De acordo com a Contribuinte, deveria haver o reconhecimento da imunidade recíproca, pois o imóvel seria um bem público da União por definição constitucional e por afetação, nos termos do art. 20, VIII, da Constituição da Federal, que estabelece ser “bens da União” “os potenciais de energia elétrica”. Por isso, a sua tributação seria contrária a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, também da Carta Magna, uma vez que o imóvel seria revertido ao poder concedente ao fim da concessão. Na decisão de primeira instância o entendimento foi de que a empresa recorrente seria a legitima proprietária dos imóveis incorporados ao seu patrimônio, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União (serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica) e, neste caso, seria o sujeito passivo de fato da obrigação tributária, seja por ser proprietário do imóvel rural, seja por ser seu possuidor a qualquer título, como já reproduzido pela Conselheira Relatora. Inicialmente, cabe observar que o inciso VIII do art. 20 da Constituição Federal trata de potencial de energia elétrica e não dos imóveis onde se encontram estes potenciais, e que uma coisa não implica a outra, já que são distintas, como disposto no art. 176 da CF. Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. Conforme texto publicado no sítio da Agencia Nacional de Águas1, nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão, quais sejam: o potencial de energia hidráulica e a água. Nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão pelo poder público: o potencial de energia hidráulica e a água. Anteriormente à licitação da concessão ou à autorização do uso do potencial de energia hidráulica, a autoridade competente do setor elétrico deve obter a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica DRDH junto ao órgão gestor de recursos hídricos. Posteriormente, a DRDH é convertida em outorga em nome da entidade que receber, da autoridade competente do setor elétrico, a concessão ou autorização para uso do potencial de energia hidráulica, conforme disposições dos Arts. 7º e 26º, da Lei 9.984, de 2000, Art. 23º do Decreto nº 3.692, de 2000, e Art. 9º da Resolução CNRH nº 37, de 2004. No caso de corpos de água de domínio da União, a ANA emite a DRDH e a converte em outorga conforme os procedimentos estabelecidos na Resolução da ANA nº 131/2003. (grifos nossos) Os imóveis, no caso as propriedade rurais, não estão inseridos no objeto da concessão. Também, não é possível equiparar potencial de energia hidráulica ao imóvel no qual tal potencial se encontra. Logo, o imóvel em questão não é bem da União. Quanto à argumentação utilizada pela recorrente de que ao fim da concessão o imóvel seria revertido ao poder concedente, em razão da afetação ao serviço público, afirmando assim que não seria proprietária do imóvel, destacamse na jurisprudência as lições de Carvalho Filho2: 1 http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/outorgaefiscalizacao/drdh.aspx. (Acessado em 26.06.14) 2 CARVALHO FILHO, José do Santos Manual de Direito Administrativo 24º Edição. Ed. Lumen Juris, Rio de Janeiro: 2011. pág. 375. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 10 17 A reversão é a transferência dos bens do concessionário para o patrimônio do poder concedente em virtude da extinção do contrato. O termo em si não traduz a fisionomia do instituto. De fato, reversão é substantivo que deriva de reverter, isto é, retornar, dando a falsa impressão que os bens da concessão vão retornar à propriedade do concedente. Na verdade, os bens nunca foram de propriedade do concedente; apenas passa a sêlo quando se encerra a concessão. Antes, integravam o patrimônio do concessionário. O sentido melhor do termo, portanto, não tem conotação como os bens, mas sim com o serviço delegado. Com efeito, o que reverte para o concedente não são os bens do concessionário, mas sim o serviço público que constitui objeto de anterior delegação pelo instituto da concessão. O ingresso dos bens no acervo do concedente, quando ocorre, é mero corolário da retomada do serviço.” Os apontamentos do ilustre jurista demonstram que o poder concedente não é, e nem nunca foi proprietário dos bens integrantes da concessão. Logo, se o ao fim desta o imóvel no qual se encontra o potencial de energia hidráulica tiver que ser incorporado à União, isto não significa que o referido bem já tenha integrado ou integre o patrimônio da União. Reforça o presente ponto com fato de que a reversão dos bens pode ser onerosa ou gratuita. No primeiro caso, o concedente tem o dever de indenizar o concessionário, porque os bens foram adquiridos com seu exclusivo capital (art. 36 da Lei nº. 8.987/95). Na reversão gratuita, a fixação da tarifa já levou em conta o ressarcimento do concessionário pelos recursos que empregou na aquisição dos bens, de forma que ao final tem o concedente o direito à propriedade desses bens sem qualquer ônus. Notase que o poder público irá adquirir os bens ao fim da concessão, seja pelo pagamento parcelado diluído no preço da concessão ou pela indenização ao fim da mesma, in verbis: “Art. 36. A reversão no advento do termo contratual farseá com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido.” Como destacou a decisão recorrida, o CTN (arts. 29 e 31) e a Lei 9.393/1996 (arts. 1º, caput, e 4º) “não faz distinção entre o proprietário e o possuidor da terra, nem indica a prioridade que poderia ocorrer em relação à responsabilidade pelo pagamento do imposto”, estando correto o “o lançamento do imposto em nome daquela que tem a propriedade ou a posse do imóvel, com base nas informações cadastrais prestadas por ela própria à Receita Federal”. Neste contexto, uma vez que as diversas certidões de RGI apontam a recorrente como proprietária do imóvel, reconhecese esta como legítima contribuinte. Em relação às áreas declaradas como de preservação permanente, observase que a empresa apresentou um ADA (fl. 448) incluindo, de forma genérica, a área integral da propriedade (24.821,9 ha). Intimado pela fiscalização, apresentou um Laudo Técnico (fl. 295) destacando as seguinte áreas: Preservação Permanente 9.545 ha Interesse Ecológico 2.536 ha coberta por floresta nativa 3.361 ha alagada (usina hidroelétrica) 2.269 ha Total das áreas de APP, AIE, AFN e AUH 17.712 ha Fl. 713DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 fragmentos espaçados de pastagens e vegetação inicial 1.948 ha Total do imóvel 19.660 ha A decisão recorrida restabeleceu parcialmente, com base no Laudo Técnico, para fins de exclusão do cálculo do ITR/2009, uma área de preservação permanente de 9.545,0 ha. A Conselheira Relatora, por sua vez, acatou 2.269 ha como área alagada para usina hidrelétrica. Portanto, restam apreciar os 2.536 ha informados no Laudo como área de interesse ecológico, os 3.361 ha como área coberta por floresta nativa, e 1.948 ha como áreas de fragmentos espaçados de pastagens e vegetação inicial (fls. 594). A recorrente afirma que a apresentação do ADA estaria dispensada em razão do disposto no parágrafo 7º do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001 e que teria apresentado junto à impugnação um laudo técnico acompanhado de ART, assinados por engenheiro florestal, que atestaria significativa parte do imóvel como inserida em Unidades de Conservação, notadamente no Parque Estadual Cunhambebe e nas Área de Proteção Ambiental Grandu e Alto do Pirai. Porém, o acórdão recorrido teria reconhecido apenas uma área de preservação permanente (APP) de 9.545,0ha correspondente às nascentes, os cursos de água, e aos terrenos com declividade superior a 45 graus e nos topos dos morros. Nos autos não se discute a existência ou inexistência dessas áreas, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à admissibilidade de outros meios de prova capazes de comprovar a existência das áreas de preservação. Em relação à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos, a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) assim expõe: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifos nossos) Por sua vez, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142. Como o ITR é um tributo da modalidade denominada lançamento por homologação, o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10 da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 11 19 Porém, essa sistemática não dispensa os requisitos previstos em lei, pois a isenção de caráter especial impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. O ADA, como já se viu na decisão recorrida, foi apresentado de forma genérica e não atende à exigência da lei. Assim, correto o posicionamento da autoridade fiscal em solicitar a comprovação para observar o correto cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte. Contrariamente ao defendido pela recorrente, o fato de uma propriedade encontrarse dentro de uma Unidades de Conservação Ambiental não a torna, de forma automática, integralmente isenta. A benesse se aplica apenas as APP ou ás áreas de interesse ecológico contidas no imóvel rural, sejam aquelas definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público, quando cumpridas as exigências legais para tal exclusão tributária. A Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, revogando o art. 5º da Lei nº 4.771/1965, estabeleceu critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, assim definidas e categorizadas: Art. 2º Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Art. 7º As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; II Unidades de Uso Sustentável. §1º O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. §2º O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Art. 14. Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes categorias de unidade de conservação: I Área de Proteção Ambiental; II Área de Relevante Interesse Ecológico; III Floresta Nacional; IV Reserva Extrativista; V Reserva de Fauna; VI Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e VII Reserva Particular do Patrimônio Natural. Art. 15. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 § 1º A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas. § 2º Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental. § 3º As condições para a realização de pesquisa científica e visitação pública nas áreas sob domínio público serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade. § 4º Nas áreas sob propriedade privada, cabe ao proprietário estabelecer as condições para pesquisa e visitação pelo público, observadas as exigências e restrições legais. § 5º A Área de Proteção Ambiental disporá de um Conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e da população residente, conforme se dispuser no regulamento desta Lei. Como se vê, a Lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), diz, no artigo 7º, que essas áreas se dividem em (I) Unidades de Proteção Integral e (II) Unidades de Uso Sustentável. As primeiras são compostas por estações ecológicas, reservas biológicas, parques nacionais, monumentos naturais e refúgios de vida satélites. Estas, quando permitidas à visitação pública, são de posse e domínio públicos. As áreas particulares incluídas em seus limites no momento da constituição são objeto de desapropriação. Para as segundas é permitido compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. As APAs (art. 15), têm como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, portanto, sem impedimento para a exploração econômica direta ou indireta, desde que observadas as normas e restrições para o seu uso, que variam de acordo com as peculiaridades de cada região e, dentro destas, do zoneamento ecológicoeconômico. A jurisprudência a seguir transcrita, acórdão AG 2005.01.00.0187053, do TRF1, ilustra bem a questão da exigência de comprovação da áreas inseridas dentro de APA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL – ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC) AGRAVO PROVIDO. (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Nãotributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova (...) (Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, Julgamento: 18/07/2006, Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA, Publicação: 04/08/2006, DJ p.76) Da mesma forma, não se pode considerar, genericamente, como preservação permanente, as áreas informadas no Laudo coberta por floresta nativa e os fragmentos Fl. 716DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201002.476 S2C2T1 Fl. 12 21 espaçados de pastagens e vegetação inicial, ainda que tais áreas estejam dentro de Unidade de Conservação Ambiental ou sejam marginais aos reservatórios das usina hidrelétrica. Acatar a área genericamente declarada como não utilizável é interpretar equivocadamente a questão e desconsiderar totalmente as exclusões admitidas na referida Lei. Assim, o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Assim sendo, nos aqui aspectos tratados, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Francisco Marconi de Oliveira Fl. 717DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA , Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.720960/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. PERIODICIDADE.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000.
É até intuitiva a construção lógica pela qual, quando não ocorre a exceção, incide a regra. Assim, se há o descumprimento fático de um pressuposto normativo da regra excepcional, não se pode afirmar que não há consequência ou sanção prevista em lei. A consequência ou sanção é exatamente a incidência da regra geral, no caso, a vinculação do pagamento à remuneração (artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91).
A descaracterização do plano de participação nos lucros ou resultados atinge todas as regras e pagamentos a ele relativos. Não se pode cindi-lo para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pelo exceção legal e parte não. Não podem ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reporta-se ao somatório do plano.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito do lançamento, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso, sob o argumento de que a afronta ao disposto na Lei n° 10.101/2000, no que se refere ao acordo de pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano civil descaracteriza todo o plano, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam por excluir da rubrica PLR, apenas o pagamento da parcela excedente a duas no mesmo ano civil. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará Declaração de Voto. Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela inexistência de fatos geradores a ser informados em GFIP.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
(assinado digitalmente)
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. PERIODICIDADE. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. É até intuitiva a construção lógica pela qual, quando não ocorre a exceção, incide a regra. Assim, se há o descumprimento fático de um pressuposto normativo da regra excepcional, não se pode afirmar que não há consequência ou sanção prevista em lei. A consequência ou sanção é exatamente a incidência da regra geral, no caso, a vinculação do pagamento à remuneração (artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91). A descaracterização do plano de participação nos lucros ou resultados atinge todas as regras e pagamentos a ele relativos. Não se pode cindilo para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pelo exceção legal e parte não. Não podem ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do plano. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 60 /2 01 1- 89 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito do lançamento, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso, sob o argumento de que a afronta ao disposto na Lei n° 10.101/2000, no que se refere ao acordo de pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano civil descaracteriza todo o plano, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam por excluir da rubrica PLR, apenas o pagamento da parcela excedente a duas no mesmo ano civil. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará Declaração de Voto. Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela inexistência de fatos geradores a ser informados em GFIP. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 250 3 (assinado digitalmente) LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 203/211), que bem resume o quanto consta dos autos: DA AUTUAÇÃO O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: • AI DEBCAD nº 37.344.3935: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a legislação específica, e auxílionatalidade, no montante de R$ 205.541,41 (duzentos e cinco mil, quinhentos e quarenta e um reais e quarenta e um centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 02/2007, 03/2007, 06/2007, 10/2007, 12/2007, 06/2008, 11/2008 e 12/2008, consolidado em 10/08/2011; • AI DEBCAD nº 37.344.3951: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a legislação específica, e auxílio natalidade, no montante de R$ 56.256,28 ( cinqüenta e seis mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e vinte e oito centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 02/2007, 03/2007, 06/2007, 10/2007, 12/2007, 06/2008, 11/2008 e 12/2008, consolidado em 10/08/2011; • AI DEBCAD nº 37.344.3943: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, código de fundamento legal (CFL) 68. Foi aplicada a multa prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373, no montante Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 251 5 de R$ 4.573,29 ( quatro mil, quinhentos e setenta e três reais e vinte e nove centavos), abrangendo as competências 06/2007, 12/2007 e 06/2008, consolidado em 10/08/2011. O Relatório Fiscal de fls. 66 a 77, comum aos três Autos de Infração, informa que: O débito apurado referese a fatos geradores específicos que foram diferenciados através de "siglas", denominadas de códigos de levantamento, diferenciados pela multa cobrada e que serão objeto de detalhamento à luz da legislação previdenciária e outras normas legais que lhe revistam de legalidade, como segue: AN1 – auxílio natalidade – multa atual; PL – participação nos lucros e resultados – multa anterior; PL1 – participação nos lucros e resultados – multa atual, e; PL2 – participação nos lucros e resultados – lei 11.941/09. O débito relativo ao código de levantamento AN1, nas competências de 02/2007 e 03/2007, referese às contribuições arrecadadas pela Previdência Social para o fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e às destinadas aos terceiros conveniados ao INSS. De acordo com o disposto no art. 28, I, da lei 8.212/91, todos os rendimentos recebidos pelo empregado, a qualquer título, compõe a sua remuneração, e o auxilio natalidade não está especificada no § 9º, do art. 28 da lei 8.212/91, portanto, esta verba foi paga por mera liberalidade da empresa, integrando, assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros. O débito relativo aos códigos de levantamento PL/PL1/PL2, referese às contribuições arrecadadas pela Previdência Social para o fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e às destinadas aos terceiros conveniados ao INSS, incidentes sobre os pagamentos realizados a título de PLR, em desconformidade com a lei específica (...) Ressalta que, de acordo com a Lei 8.212/91, art. 28, § 9°, alínea "e" item "j" não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, as importâncias pagas aos segurados empregados relativas a participação nos lucros ou resultados da empresa, de acordo com lei específica, no caso, a Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000, transcrevendoa. Todavia, quando os pagamentos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa são pagos em desconformidade com a referida lei, tais valores constituem base Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 de cálculo das contribuições previdenciárias. Neste caso específico, a empresa descumpriu o previsto no § 2° do art. 3° da Lei 10.101/00, realizando pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme pode ser verificado na tabela às fls. 72/73, onde constam três pagamentos em 2007 e três pagamentos em 2008. Na cópia das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa, em anexo, comprovamse os referidos pagamentos. Apurouse as contribuições devidas nos levantamentos acima descritos aplicandose a alíquota prevista no art. 22, I, II, da lei 8.212/91. Para enquadramento no grau de incidência de incapacidade laborativa foi utilizada a classificação nacional de atividade econômica (CNAE) constante do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) n° 64.62000 Holdings de Instituição não financeiras, cujo grau de risco de 1%. As contribuições devidas aos terceiros foram lançadas com base no disposto no art. 33 da Lei 8.212/91. de acordo com o FPAS 515, da empresa. Tendo em vista que a Lei nº 11.941 de 27/05/2009 (conversão da MP 449/2008) alterou a Lei nº 8.212/91 quanto aos cálculos das multas previstas no parágrafo 5º do artigo 32 e no inciso II do artigo 35, foi feita a comparação da situação anterior com a nova sistemática imposta pela MP 449, conforme tabela às fls. 69/70, para fins de constatar qual a norma mais benéfica ao Contribuinte, e, conseqüentemente, de eventual retroação nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. De acordo com a referida tabela, que contempla todos os códigos de levantamento (AN1, PL1 e PL), verificase que a multa em relação aos códigos AN1 e PL1 deve ser aplicada nos moldes da legislação atual por ser benéfica ao contribuinte, já em relação ao código PL, a multa a ser aplicada é a anterior. Em relação ao código PL2, haja vista, compreender apenas a competência 12/2008, posterior a entrada em vigor da MP 449/2008, a multa aplicada foi de 75%. A empresa não informou esses fatos geradores na Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, motivo pelo qual foi lavrado o AI Debcad n° 37.344.394 3, acima descrito. A situação descrita, em tese, configura o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, previsto pelo Código Penal – DecretoLei 2.848/40, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Portanto, será este fato objeto de representação fiscal para fins penais, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. O crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo Fundamentos Legais de Débito FLD. Os valores apurados (valor originário, juros e multa) encontramse no Discriminativo de Débito DD. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 252 7 Inconformada com as autuações, a Autuada, tempestivamente, apresentada impugnação, às fls. 162/179, relativa aos 03 Autos de Infração, acima descritos. Após um breve relato dos fatos, após argüir sobre sua tempestividade, alega em síntese que: II – DO DIREITO II1. AUXÍLIO NATALIDADE: INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A impugnante reconhece a legalidade da cobrança referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre auxílio natalidade, portanto, anexa as Guias da Previdência Social, comprovando o recolhimento das exigências fiscais referentes a tal verba (Doc. 3). II2 PLR: NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Inicialmente enfatiza a Autuada que promoveu pagamentos a título de PLR para seus empregados, nos anoscalendários 2007 e 2008, em 2 (duas) parcelas anuais, nos meses de junho e dezembro, cada qual referente a um semestre civil, sendo que parte da 2ª parcela, referente ao 2º semestre civil, foi adiantada aos funcionários nos meses de outubro de 2007 e novembro de 2008, conforme tabela de fls. 7/8 do auto de infração. Dessa forma, todos os funcionários indicados receberam dois pagamentos anuais à título de PLR e um pagamento referente ao adiantamento de parte da 2ª parcela anual de PLR, conforme se verifica das folhas de pagamento analíticas anexas ao auto de infração. Têmse pelo AI ora impugnado que os pagamento realizados pela impugnante a contribuintes individuais, a título de PLR, foram considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois segundo a fiscalização foram efetuados “três pagamentos no ano” em desacordo com a legislação específica, ou seja, o §2º do art. 3º da lei 10.101/00. Todavia tal entendimento mostrase equivocado em dois pontos essenciais. Primeiro, a acusação de que o pagamento levado a cabo pela Impugnante está em desconformidade com a lei não procede. De fato, o modo como foi "operacionalizado" o pagamento não altera a natureza da verba paga, sujeitandoo à incidência de contribuições previdenciárias. Segundo, ainda que a Fiscalização tenha considerado que os pagamentos foram feitos em desconformidade com a autorização legal, a lei não estabelece que a penalidade aplicável aos pagamentos realizados em desconformidade com o disposto no § 2º do art. 3º da Lei n°. 10.101/00 seja a desconsideração de todo o programa, como se passa a expor. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI: NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS VERBA INDENIZATÓRIA IMUNIDADE OBJETIVA Neste tópico ressalta a Impugnante que a CF/88 em seu art. 7º, XI, expressamente desvinculou da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados, afastando assim a incidência dos tributos que recaem sobre a folha de pagamento, mormente o recolhimento previdenciário, constituindo hipótese de imunidade tributária objetiva. Assim sendo, nos termos do que estabelece a alínea j, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91, temse que "não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica". A "lei específica" a que se referiu o legislador, para fins de caracterização da hipótese de não incidência tributária acima transcrita, é a Lei n.° 10.101/00, especificamente em seus art. 1º e 3º, transcrevendoos. Portanto, não pairam dúvidas quanto às disposições da Lei, de que, independentemente da forma como é paga tal verba, ela não poderá compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias, tendo, evidentemente, a fiscalização para fundamentar a autuação fiscal, inovado ao desconstituir a natureza de todos os pagamentos realizados pela Impugnante, extrapolando os limites fixados na lei instituidora da verba. Se não bastasse a caracterização da hipótese de não incidência tributária para macular o lançamento fiscal levado a efeito, a verdade é que o PLR pago pela Impugnante não possui natureza salarial, conforme dispôs a CF, razão pela qual jamais poderia compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Acresce ainda que os pagamentos a título de PLR somente integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias se fossem vinculados à remuneração (salário), o que não ocorreu no presente caso. Transcreve julgado do TST a respeito. Afirma ainda que, nesse contexto, o fato de tais pagamentos, fixados em periodicidade semestral, serem pagos em mais de duas parcelas, não os transforma automaticamente em remuneração do empregado, cuja incidência de contribuição previdenciária se justifica, principalmente porque tal parcelamento decorre de norma coletiva trabalhista, tendo a fiscalização, presumido que o fato de os pagamentos de PLR, frisese, fixados em periodicidade semestral, realizados em mais de duas parcelas, denotaria que se tratam de pagamentos destinados a retribuir o trabalho, sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias. Deveria a fiscalização, em respeito ao princípio da legalidade e da tipicidade cerrada, comprovar a adequação destes pagamentos ao evento descrito na hipótese de incidência do tributo, o que não se verifica possível nesta hipótese. Cita Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes. Conclui afirmando que (i) seja pela não subsunção do fato à hipótese de incidência tributária da contribuição social, (ii) seja Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 253 9 pela regra de isenção estabelecida na alínea "j", do § 9o, do art. 28, da Lei n° 8.212/91 ou pela imunidade tributária conferida pela CF, a contribuição social não incide sobre o pagamento do PLR levado à cabo pela Impugnante, sendo improcedente o entendimento do fisco. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO QUE SUBMETE À TRIBUTAÇÃO TODOS OS PAGAMENTOS A TÍTULO DE PLR Neste tópico argúi a impugnante que, ainda que admita que a Lei n°. 10.101/00 teria autorizado a fiscalização a modificar a natureza da verba paga a título de PLR, transformandoa em verba de natureza salarial, não é possível, por nenhuma forma, entender que o pagamento da "antecipação" levada a cabo nos meses de outubro/2007 e novembro/2008, tenha como conseqüência a desconsideração de todos os pagamentos realizados a este título nos referidos anos. Afirma que o artigo 3º, § 2°, que suporta a acusação fiscal nestes autos, veda a "...antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil". No caso, o fisco identificou que a empresa realizou três pagamentos nos anos citados. Os pagamentos, conforme se verifica da planilha anexada pelo Sr. Agente Fiscal, às fls. 7, se referem ao pagamento da parcela relativa ao primeiro semestre de cada um dos anos, de uma "antecipação" relativa à parcela do segundo semestre e do próprio pagamento da parcela relativa ao segundo semestre, descontados os valores "antecipados". Sustenta que a chamada “antecipação” não é o pagamento de uma terceira parcela de PLR, mas sim parte da parcela do segundo semestre, adiantado aos beneficiários por força de norma coletiva, e devidamente descontado do valor pago ao final do semestre, apurado em conformidade com a norma coletiva. O pagamento deste adiantamento não se subsume à vedação prevista no §2º acima citado, já que aquele dispositivo tem claramente a função de impedir que se substitua a remuneração do empregado pelo pagamento de PLR mediante pagamentos de valores em desconformidade com a norma coletiva que fixa o pagamento da PLR. Neste caso, o adiantamento pago é parte da PLR fixada na norma coletiva, tanto que descontada da parcela fixada para o segundo semestre, e não antecipação ou distribuição de valores relativos à remuneração do empregado. Ademais a lei para simplificar sua dicção e entendimento VEDA a "antecipação" de valores a título de PLR. No mesmo dispositivo legal, a lei estabelece o ato ilícito = é vedada a antecipação de valores dentro do mesmo semestre, assim como estabelece a sanção = as antecipações não podem ser feitas a titulo de PLR. Pondera ainda que a norma jurídica não é meramente o texto da lei. A lei traz enunciados que permitem ao intérprete construir a norma, que é o "mínimo deôntico" que tenha sentido completo para determinar a conduta. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 No caso dos enunciados trazidos pelo §2º citado, o “mínimo deôntico”, ou seja, o conteúdo da norma jurídica que estabelece a proibição e conseqüência para o seu descumprimento, pode ser desenhado da seguinte forma: Antecedente: É proibida a antecipação de valores a título de PLR. Conseqüente: Os valores antecipados não terão a natureza de PLR, ou seja, não há enunciados na lei nº 10.101/00 que permitam construir a norma sancionatória que o fisco o fez: Antecedente: É proibida a antecipação de valores a título de PLR. Conseqüente: Nenhum valor pago durante o ano terá natureza de PLR. Portanto, no caso de antecipação, os valores antecipados é que poderiam perder a natureza de PLR, jamais todos os valores pagos de acordo com o programa de participação nos lucros e resultados. Como se trata de norma sancionatória, a interpretação extensiva, como quis fazer o Sr. Agente Fiscal, é absolutamente incabível. Por fim ressalta que os pagamentos da forma como foram feitos, além de refletir a vontade das partes, não trouxeram qualquer prejuízo aos trabalhadores, mesmo porque não restou evidenciado pela fiscalização que a empresa estivesse mascarando uma recomposição salarial através do adiantamento de uma das parcelas do PLR. Portanto, sob qualquer ângulo que se analise, verificase de que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Observa a Autuada que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre as multas lançadas, por absoluta ausência de previsão legal. O art 13 da lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da lei nº 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Passa a discorrer sobre os conceitos de tributo e multa, cita o disposto nos art. 3º e §1º do art. 113 do CTN, destaca suas diferenças, e ressalta que cobrança de juros sobre a multa efetuada pela RFB no calculo para atualização dos créditos tributários deste processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da CF, o que não pode ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Ademais, a atividade administrativa é subalterna à lei, ou seja, a Autoridade Fiscal não poderá fazer qualquer exigência, salvo se embasada em expressa disposição legal. A função da Administração é concretizar os comandos existentes no ordenamento jurídico pátrio, dando efetividade aos textos legais, sendolhe vedado extrapolar os limites delineados pelo legislador. Transcreve julgado a respeito. Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa, neste caso, estaria amparada pelo art. 43 da Lei n°. 9.430/96, pois este dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. Portanto, a impugnante aguarda que determine expressamente o Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 254 11 cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração contestados na presente impugnação. DO PEDIDO Face ao exposto, requer a Impugnante o conhecimento da presente Impugnação, com a imediata expedição de guia para pagamento da exigência fiscal que recai sobre o auxílio natalidade e, ao final, seu provimento para cancelar as exigências fiscais relacionadas aos pagamentos por ela efetuados à título de PLR. Alternativamente, caso não seja este o entendimento, requer o cancelamento da exigência fiscal relacionada aos pagamentos à título de PLR, mantendose, apenas, a exigência fiscal sobre os adiantamentos de valores por ela pagos à título de PLR. (destaques nossos) A DRJ Belo Horizonte, conforme acórdão de fls. 203/218, rechaçou os argumentos de defesa, mantendo os créditos tributários lançados e observando que: Quanto aos recolhimentos efetuados em data posterior à dos lançamentos, em 16/09/2011, referente às contribuições devidas incidentes sobre a verba auxílionatalidade levantamento AN1 (AI nº 37.344.3935 e AI nº 37.344.3951), competências 02/2007 e 03/2007, fls. 195 e 196, a verificação quanto a sua regularidade e eventual apropriação deverá ser analisada e concluída pelo setor competente responsável pela cobrança do crédito da Delegacia de jurisdição do Contribuinte. A recorrente foi intimada do acórdão em 03 de janeiro de 2013 (fls. 221), tendo apresentado, em 01 de fevereiro de 2013, o Recurso Voluntário de fls. 225/244, no qual, reprisando parte dos argumentos da defesa, alega, em apertada síntese, que: * Quanto aos fatos, descreve que promoveu pagamentos a título de PLR para seus empregados, nos anoscalendário de 2007 e 2008, em duas parcelas anuais, nos meses de junho e dezembro, cada qual referente a um semestre civil. Além disso, pagou ainda a parcela denominada “Adicional”, que corresponde a 8% (oito por cento) da variação em valor absoluto do crescimento do lucro líquido do exercício, em relação ao lucro líquido do exercício anterior, dividido entre os seus empregados em partes iguais, com limite individual de R$ 1.800,00 (um mil e oitocentos reais). Este “Adicional”, por força de Convenções Coletivas de Trabalho – CCT´s realizadas nos meses de outubro de 2007 e novembro de 2008, foi parcialmente antecipado aos empregados. Em suma, cada funcionário recebeu dois pagamentos anuais a título de PLR e um pagamento referente à antecipação do “Adicional”. Diante de tal situação, entende equivocado o lançamento e a decisão a quo, pois o modo como foram “operacionalizados, por força das CCT´s, não alteraria sua natureza”; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 * Ademais, ainda que se reconheça a irregularidade, a lei não estabelece consequência para tal fato. Para sustentar tal entendimento, cita a Orientação Jurisprudencial Transitória – SDII n° 73, do Colendo Tribunal Superior do Trabalho; * Suscita ainda que eventual reconhecimento da irregularidade do adiantamento do referido “Adicional” não teria o condão desnaturar todas as parcelas pagas a título de PLR; * Aduz também que não há previsão legal para a incidência da Taxa Selic sobre as multas lançadas. Ao final, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que a decisão a quo seja reformada, cancelandose as exigências fiscais. Alternativamente, requer o cancelamento da exigência fiscal relacionada aos pagamentos a título de PLR, mantendose apenas a exigência fiscal sobre os valores do Adicional adiantados pela recorrente aos seus empregados. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 255 13 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Admissibilidade. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, sendo de se destacar que, conforme já consta no acórdão a quo, não houve contestação do levantamento AN1 – auxílionatalidade, nem tampouco da íntegra do Auto de Infração n° 37.344.3943 (CFL 68). Participação nos Lucros ou Resultados para os segurados empregados. Como bem apontado na decisão de primeiro grau, a Lei 10.101/2000 estabelece os contornos gerais da participação nos lucros, ou resultados. E assim o faz para dar efetividade ao direito social estatuído no artigo 7°, XI, da CF: Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (destaques nossos) No caso concreto, o objeto da discórdia cingese à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os pagamentos título de Participação nos Lucros, vez que efetuados em três ocasiões durante um mesmo ano civil. Sustenta a autoridade fiscal e a decisão a quo que houve ofensa ao parágrafo segundo do artigo 3° da referida lei regulamentadora do instituto, a qual veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores (...) mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, descumprida a periodicidade dos pagamentos, a verba perderia a natureza jurídica de direito social insuscetível de tributação previdenciária. Por outro lado, defende a recorrente que o modo como os pagamentos foram “operacionalizados, por força das CCT´s, não alteraria sua natureza jurídica”. Acrescenta também que não houve previsão de consequência legal para o descumprimento da periodicidade. Em que pese a argúcia dos argumentos da recorrente, entendemos que, em razão da clareza do texto constitucional, que condiciona a desvinculação da parcela da Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 remuneração aos termos da lei, qualquer ofensa aos condicionamentos normativos tem o condão de desnaturar seus pagamentos. E isso ocorre até porque a regra é a integração de todas as parcelas pagas à remuneração. É só estarmos atentos ao conceito de saláriodecontribuição: artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91. Portanto, a exceção é a desvinculação e, a regra, a vinculação do pagamento à remuneração. É até intuitiva a construção lógica pela qual quando não ocorre a exceção, incide a regra. Assim, se há o descumprimento fático de um pressuposto normativo da regra excepcional, não se pode afirmar, como fez a recorrente, que não há consequência ou sanção prevista em lei. Há sim e é ínsita a este tipo de estruturação normativa. A consequência ou sanção é a incidência da regra geral, no caso, a vinculação do pagamento à remuneração (artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91). Este é o entendimento prevalecente no STJ: PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. MEDIDA CAUTELAR. RECURSO ESPECIAL. EFEITO SUSPENSIVO. IMPOSSIBILIDADE. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA. 1. Em circunstâncias excepcionais, admitese a concessão de efeito suspensivo a recurso especial por meio de medida cautelar inominada, quando satisfeitos concomitantemente os requisitos fumus boni iuris e periculum in mora. 2. A probabilidade de êxito do recurso especial deve ser verificada na medida cautelar, ainda que de modo superficial. Assim, não comprovado de plano a fumaça do bom direito apta a viabilizar o deferimento da medida de urgência, é de rigor o seu indeferimento. 3. Na hipótese, o fumus boni iures não foi demonstrado, isto porque as empresas não se submetem à incidência da contribuição previdenciária se a distribuição de lucros e resultados for realizada na forma da lei. 4. "O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou o critério básico, no que interessa à demanda, qual seja a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a 6 (seis) meses" (REsp 496949/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 25.8.2009, DJe 31.8.2009). 4. A mera alegação de receio de dano irreparável ou de difícil reparação não é, isoladamente, suficiente para a concessão da tutela cautelar. Não basta a existência de receio estritamente subjetivo, pois deve referirse a uma situação objetiva, baseada em fatos concretos situação que não identifico nos autos. Medida cautelar improcedente. Prejudicado o agravo regimental. (MC 20.790/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/06/2013, DJe 01/08/2013) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 256 15 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS. NECESSIDADE. 1. A teor da jurisprudência desta Corte, somente a existência de omissão relevante à solução da controvérsia, não sanada pelo acórdão recorrido, caracteriza a violação do art. 535 do CPC, o que de fato ocorreu na hipótese em apreço. 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Omisso o Tribunal de origem quanto à observância dos requisitos estabelecidos na Medida Provisória 794/94 e na Lei n. 10.101/00, apesar da oposição de embargos de declaração. Caracterizada a violação do art. 535 do CPC. Recurso especial provido. (REsp 1264410/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/05/2012, DJe 11/05/2012) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REEMBOLSO POR USO DE VEÍCULO PRÓPRIO. OMISSÃO EXISTENTE. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS. 1. A teor da jurisprudência desta Corte, somente a existência de omissão relevante à solução da controvérsia, não sanada pelo acórdão recorrido, caracteriza a violação do art. 535 do CPC, o que de fato ocorreu na hipótese em apreço. 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 16 4. Sobre o auxílioquilometragem, a contribuição previdenciária só incidirá se caracterizada a sua habitualidade, pois as verbas pagas por ressarcimento de despesas por utilização de veículo próprio na prestação de serviços a interesse do empregador têm natureza indenizatória. Precedentes. 5. Omisso o Tribunal de origem quanto à observância dos requisitos estabelecidos na Medida Provisória 794/94 e na Lei n. 10.101/00, como também quanto à habitualidade do uso do veículo próprio, apesar da oposição de embargos de declaração. Caracterizada a violação do art. 535 do CPC. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1197757/ES, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/09/2010, DJe 13/10/2010) (sempre destaques nossos) Portanto, não merecem guarida, nesses aspectos, os argumentos da recorrente. Quanto ao pleito alternativo de que seja cancelada a exigência fiscal relacionada aos pagamentos a título de PLR, mantendose apenas a exigência fiscal sobre os valores do “Adicional”, adiantados pela recorrente aos seus empregados, cumpre destacar nosso entendimento de que a natureza do plano, ou do conjunto de pagamentos referentes ao plano, é uma só, de sorte que não se pode cindila para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pela exceção legal e parte não. Entendemos que não se trata de analisar cada um dos pagamentos, mas sim o conjunto de regras do Plano, sejam as regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, sejam as condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador. Portanto, uma vez descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do Plano. Não fosse assim, seria possível passar a se desconsiderar partes de um determinado Plano de Participação nos Lucros para o seu aproveitamento na exceção legal. Exemplo: um determinado Plano estabelece, dentre as condições para adquirir o direito à Participação nos Lucros, uma regra pouco clara ou de natureza subjetiva (v.g. avaliação sem critérios previamente estabelecidos), o que representa infringência ao parágrafo 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000. Se abstrairmos tal regra subjetiva, as demais, por serem objetivas (v.g alcance do lucro pela empresa), subsistiriam e poderiam ser utilizadas como supedâneo para que os respectivos pagamentos não sofressem incidência de contribuição previdenciária. Não nos parece que esta seja a melhor solução hermenêutica. Com efeito, a legislação estabelece um conjunto de regras para que determinada rubrica seja considerada como participação nos lucros ou resultados. Somente em caso de seu cumprimento integral é que se pode afirmar que a rubrica tem natureza jurídica de participação nos lucros. Repisese, a regra é o pagamento integrar a remuneração e somente quando pertencente a um plano de participação nos lucros e resultados, inteiramente de acordo com a lei, nos termos do artigo 7°, XI, da CF, é que se pode atribuir a natureza excepcional de pagamento não integrante da remuneração. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 257 17 Assim, entendemos que, para cada grupo de trabalhadores, o Plano deve estabelecer um conjunto de regras que devem ser avaliadas como um todo, a fim de se definir a sua natureza jurídica, não podendo ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Multa. Juros. Aduz a recorrente, ainda, que não há previsão legal para a incidência da Taxa Selic sobre as multas lançadas. Para tanto, afirma que o artigo 13 da Lei n° 9.065/95 remeteria ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabeleceria a incidência de acréscimos legais apenas sobre tributos. Equivocado o entendimento da recorrente, pois a previsão legal referida trata do recolhimento espontâneo, hipótese em que, por óbvio, não há incidência de multa de ofício e, conseqüentemente, não haveria porque dispor a respeito da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No entanto, apenas para que não pairem dúvidas quanto à legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vejamos o que determina a legislação a respeito: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Lei n.º 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (destaques sempre nossos) É sabido que, no Direito, as relações jurídicas obrigacionais pressupõem a existência de credores e devedores (vide nomenclatura classicamente adotada pelos nossos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 18 Códigos Civis de 1916 e 2002). Portanto, podemos afirmar que, a cada obrigação, há um correspondente um crédito e um respectivo débito. No entanto, o Código Tributário Nacional e a legislação tributária em geral atribuem um sentido particular ao crédito tributário, de sorte que ele não surgiria concomitantemente à obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN), como se imaginaria em uma relação jurídica de qualquer outro ramo do direito, mas somente com a sua devida formalização, em regra pelo lançamento tributário (artigo 142 do CTN). Aqui cabe fazer algumas ressalvas. O fato de o Direito Tributário definir a constituição do crédito tributário como uma etapa evolutiva na formação da exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação tributária, não impede que reconheçamos a existência de um crédito jurídico, na acepção comum do Direito, até porque não há obrigação sem crédito e débito correspondente, como afirmado anteriormente. Tal concepção apenas representa uma posição garantista do legislador face a eventuais abusos do Estado, até porque o Estado é o único ente de nossa sociedade que pode constituir, unilateralmente, um crédito líquido, certo e, futuramente, exigível. Portanto, a estrutura normativa da obrigação tributária não é excludente do conceito vulgar de crédito (e de débito), apenas devemos estar atentos que este crédito é diferente daquele constituído na forma da legislação tributária. Pois bem. Estabelece o artigo 142 do CTN que a autoridade administrativa constitui o crédito tributário pelo lançamento e que este inclui a obrigação tributária principal e, ser for o caso, a “penalidade cabível”. Ora, a própria recorrente reconhece que a multa é penalidade. Portanto, é inequívoco que a multa de ofício faz parte do crédito tributário e, assim, incluise na referência que o artigo 161 do CTN faz à incidência de juros de mora. Quanto ao conceito de débito, referido pelo artigo 61 da Lei n. 9.430/96, podese afirmar, após a prévia incursão nos conceitos gerais do Direito, que o débito corresponderá à obrigação não paga no vencimento. Este inadimplemento, no Direito Tributário, pode ocorrer sem formalização da exigência pela autoridade administrativa (crédito jurídico na acepção geral do Direito ou mera obrigação tributária, como afirmado anteriormente); ou com a formalização da exigência, seja pela autoridade administrativa, seja por ato do contribuinte (crédito tributário constituído). Em ambos os casos, teremos o débito, sendo que na hipótese de formalização pela autoridade administrativa, o débito será integrado pelo tributo e também pela penalidade (multa de ofício), nos termos do já referido artigo 142 do CTN . Ademais, a previsão do caput do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é ampla, incluindo qualquer débito decorrente de tributos não recolhidos. Repetimos aqui o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mencionado na decisão a quo: Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 258 19 (...) Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. (...) Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. (...) O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. (...) Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. (...) (grifos nossos) Outra não é a conclusão que se extrai da Súmula CARF n° 4, que também faz referência à incidência ampla, de todos os “débitos tributários”: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, é bom que se ressalte que a matéria encontrase pacificada no STJ: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 20 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Demonstrada a legalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, concluise ser improcedente o inconformismo da recorrente. Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada quanto aos Autos de Infração impugnados. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 259 21 notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 22 devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN , prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 260 23 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que aplicase a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, para as competências até novembro de 2008, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 24 (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, quanto aos Autos de Infração relativos à obrigação principal (debcad´s 37.344.3935 e 37.344.3951), especialmente quanto aos levantamentos AN1 e PL1, a autoridade fiscal foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente (atual) seria mais benéfica (multa de ofício de 75%). Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Da mesma forma, quanto Auto de Infração relativo à obrigação acessória (debcad 37.344.3943), deixouse de proceder o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte, sendo imperioso o cotejamento dos arts. 32, § 5º, com o art. 32 A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, devendo ser aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, (debcad´s 37.344.3935 e 37.344.3951), ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive (levantamentos AN1 e PL1). Quanto à multa por obrigação acessória (debcad 37.344.3943), deve a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 261 25 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes declaração de voto Após análise das razões contidas no voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Relator, peço a máxima vênia para divergir do seu entendimento, quanto a desconsideração total do Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR da Recorrente, pelos fundamentos a seguir expostos: No recurso em comento, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, de forma a não incidir a contribuição previdenciária sobre pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Resultados, em virtude da inexistência de quaisquer fatos geradores que dessem causa à incidência daquela contribuição. A Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. A PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PRL é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Assim, por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei 10.101/2000, que versa sobre o PLR dos empregados, não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 26 exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Vejae que a Lei não faz qualquer limitação quando a estipulação da periodicidade da distribuição, nem qualquer exigência quanto ao mesmo percentual de lucro para todos os empregados e colaboradores da empresa, pois é perfeitamente possível que haja uma distribuição conforme o cargo ou função desempenhado. O fato de haver o pagamento de PLR por 02 (duas) vezes num ano civil não tem o condão de descaracterizar as verbas disponibilizadas a este título como PLR, uma vez que obedece o Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR da elaborado pela empresa Recorrente. É possível, portanto, que sejam estipuladas periodicidades diversas para o pagamento da PLR, como também que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida por cada um. É importante frisar que quanto mais específico for o Programa, estabelecendo o período de aferição e pagamento, bem como, a meta a ser atingida por um determinado cargo, maior objetividade haverá no critério estabelecido e mais fácil será a aferição dos resultados alcançados, o que, por sua vez, facilitará a execução do PLR, dado o fato de ter sido elaborado em função das especificidades de cada serviço desempenhado pela empresa. Destarte, é pacífico que, quanto ao Programa de PLR, o que não se pode admitir é o estabelecimento de percentuais diferentes de participação nos lucros e resultados em função dos cargos desempenhados, pois tal política serve não só como um estímulo ao crescimento pessoal do funcionário, mas também para o desenvolvimento coletivo da empresa. Desta forma, vêse que o que não é possível é a diferença nos percentuais de participação distribuídos entre o mesmo nível hierárquico, o que, de fato, fere o ideal de isonomia e desenvolvimento coletivo da empresa, mas que não ocorre no caso concreto em análise. Percebese, pois, que as regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos, tendose em vista, por outro lado, que a finalidade do Programa é desenvolver a empresa com a participação do empregado nos resultados alcançados. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 19515.720960/201189 Acórdão n.º 2302002.844 S2C3T2 Fl. 262 27 O que o legislador quis dizer ao estabelecer a clareza e a objetividade das regras como um dos pressupostos para a validade do PLR foi que tais premissas apresentam um eminente caráter teleológico, ou seja, que devem tem por escopo o desenvolvimento coletivo dos funcionários, diretores e da própria empresa, devendo, portanto, os critérios estabelecidos serem condizentes com tal finalidade, o que é verificado no PLR ora em análise. Assim, como os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 foram devidamente observados pela Recorrente, não há, no caso concreto, o dever de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as verbas repassadas a título de PLR, em virtude da ausência de fato gerador de obrigação principal, pois o PLR da Recorrente obedeceu aos critérios legalmente exigidos. Todavia, consta nos autos que, em alguns períodos, o valor repassado a título de verbas decorrentes do PLR excedeu a periodicidade prevista no próprio programa pela Recorrente formulado, devendo, portanto, apenas sobre a parcela excedente haver incidência da contribuição previdenciária correspondente, em razão de seu caráter remuneratório. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento, apenas, no que se refere à distribuição de valores superiores aqueles devidos no acordo de Participação nos Lucros e Resultados da empresa. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 15521.000245/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA NÃ IMPUGNADA.
Comprovado que o julgamento deixou de julgar matéria por falta de contestação, e ante a existência de impugnação devidamente protocolizada, devolve-se o processo para a turma de julgamento se pronunciar sobre a matéria.
Numero da decisão: 1302-001.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que os autos retornem a DRJ para julgamento da CSLL, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea do conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MATÉRIA NÃ IMPUGNADA. Comprovado que o julgamento deixou de julgar matéria por falta de contestação, e ante a existência de impugnação devidamente protocolizada, devolve-se o processo para a turma de julgamento se pronunciar sobre a matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que os autos retornem a DRJ para julgamento da CSLL, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea do conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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Comprovado que o julgamento deixou de julgar matéria por falta de contestação, e ante a existência de impugnação devidamente protocolizada, devolvese o processo para a turma de julgamento se pronunciar sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que os autos retornem a DRJ para julgamento da CSLL, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea do conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 45 /2 00 9- 71 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora, lançados pelo fato da Interessada ter aplicado incorretamente, os coeficientes de 8% e 12%, respectivamente, ao invés de 32% previstos na legislação para a determinação do Lucro Presumido. Cientificada do Auto de Infração em 31/11/2009, a Interessada apresentou Impugnação tempestiva em 29/12/2009, com os documentos anexos de fls. 239/285, alegando o seguinte: que seu objetivo é “comércio varejista de peças e equipamentos elétricos, hidráulicos, comercio varejista de peças para mototres, serviços de engenharia, montagem e manutenção de instrumentação industrial, mecânica, elétrica e calderaria, serviçoes de construção civil e manitenção de plataformas”, cujos serviços incluem o fornecimento de materiais. que desde 97 o ADN nº 6, já definia o percentual de 8% para a construção por empreitada, quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade e de 32% quando aplicado unicamente mão de obra. que a Solução de Consulta nº 278 de 08/11/2004 da 8ª RF, decidiu que “para efeito de determinação na base de cálculo do IR pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida em decorrência de prestação de serviços de instalação elétrica, com fornecimento de material. A decisão considerou a ADN nº 6. que todas as notas juntadas contem referências aos pedidos, propostas, ordens de serviço, contratos e detalham os serviços, sempre incluindo o fornecimento de material e o fato de por equivoco não constar nas notas especificamente o fornecimento de materiais não pode ser óbice a busca da verdade operacional. A 9ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão 1258.875, decidiu por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDIC IRPJ Anocalendário: 2006 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil pó empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 8% em vez de 32%. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15521.000245/200971 Acórdão n.º 1302001.643 S1C3T2 Fl. 772 3 Entendeu a DRJ que a CSLL não fora impugnada e portanto determinou que este lançamento fosse apartado para cobrança. Cientificado da decisão em 20/09/13, o contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 17/10/13, reiterando os argumentos de impugnação e acrescentando em apertada sintese que a CSLL foi impugnada especificamente, como se vê pela petição protocolizada no mesmo dia e hora da referente ao IRPJ. Assim o erro deverá ser suprido com o envio dos autos a instância inferior para julgamento da referida impugnação. É o relatório. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e assim sendo, dele conheço. Vislumbro na matéria levantada em preliminar uma prejudicial ao julgamento da presente lide. A decisão recorrida assim se pronunciou sobre a CSLL; “9. A Interessada não apresentou impugnação ao Auto de Infração da CSLL (fls. 222 a 229), a ela cientificado em 30/11/2009 (fl. 223). 10. Assim sendo, há que se apartar o crédito de CSLL deste processo, R$ 129.212,24 de principal, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, para que seja efetuada a sua devida cobrança.” Em preliminar a Recorrente alega que a CSLL foi especificamente impugnada, como se vê pela petição protocolizada no mesmo dia e hora da referente ao IRPJ. Compulsando os autos, especificamente às fls. 763/766, vejo que realmente existe uma impugnação referente à CSLL, com protocolo de 29/12/2009, mesmo dia da impugnação do IRPJ. Diante do exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno do presente processo para que a DRJ/RJ1profira nova decisão apreciando a CSLL, tida como não impugnada. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 774DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.735707/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ART. 150, § 4º, DO CTN - APLICABILIDADE. O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado.
CERCEAMENTO DE DEFESA - DEVIDO PROCESSO LEGAL - PREJUÍZO - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO - INSTRUMENTALIDADE. Previsto no art. 5º da Constituição, o direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo definido na Lei nº 9.784/99. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM PESSOA FÍSICA OU PESSOA JURÍDICA - CONHECIMENTO PELA FISCALIZAÇAO - ERRO NA TIPIFICAÇÃO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo a Fiscalização conhecimento de que os depósitos bancários glosados como omissão de rendimento de origem não comprovada, decorrem, na verdade, de créditos efetuados por pessoa física e por pessoa jurídica, o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Havendo erro na tipificação e no enquadramento legal os valores devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte.
INCOMPATIBILIDADE DE CRITÉRIOS JURÍDICOS CONCOMITANTES. NÃO CONFIGURAÇÃO - MESMO SUPORTE PROBATÓRIO. O uso do mesmo suporte probatório para embasar distintas infrações não caracteriza a utilização de critérios jurídicos concomitantes.
DESPESAS ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinando-se à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos.
ATIVIDADE RURAL - DESPESAS - VEÍCULO - AERONAVE - USO EXCLUSIVO - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE. Havendo prova em contrário de que aeronave era utilizada para outros fins que não a atividade rural, impossível a sua dedução, por inteligência do art. 62, § 2º, III, do RIR/99.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.943
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente convocada) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ para redigir o voto vencedor nesta parte. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração: i) R$ 42.134,40 do item 2 do auto de infração (Omissão de rendimentos da atividade rural) e ii) R$ 2.522.578,35 do item 3 do auto de infração (Omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não comprovados). Vencida a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que provia parcialmente em menor extensão o item 3 do auto de infração. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Dorival Padovan, OAB/DF 32.782.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ART. 150, § 4º, DO CTN - APLICABILIDADE. O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. CERCEAMENTO DE DEFESA - DEVIDO PROCESSO LEGAL - PREJUÍZO - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO - INSTRUMENTALIDADE. Previsto no art. 5º da Constituição, o direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo definido na Lei nº 9.784/99. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM PESSOA FÍSICA OU PESSOA JURÍDICA - CONHECIMENTO PELA FISCALIZAÇAO - ERRO NA TIPIFICAÇÃO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo a Fiscalização conhecimento de que os depósitos bancários glosados como omissão de rendimento de origem não comprovada, decorrem, na verdade, de créditos efetuados por pessoa física e por pessoa jurídica, o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Havendo erro na tipificação e no enquadramento legal os valores devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. INCOMPATIBILIDADE DE CRITÉRIOS JURÍDICOS CONCOMITANTES. NÃO CONFIGURAÇÃO - MESMO SUPORTE PROBATÓRIO. O uso do mesmo suporte probatório para embasar distintas infrações não caracteriza a utilização de critérios jurídicos concomitantes. DESPESAS ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinando-se à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos. ATIVIDADE RURAL - DESPESAS - VEÍCULO - AERONAVE - USO EXCLUSIVO - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE. Havendo prova em contrário de que aeronave era utilizada para outros fins que não a atividade rural, impossível a sua dedução, por inteligência do art. 62, § 2º, III, do RIR/99. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA PAGAMENTO ANTECIPADO ART. 150, § 4º, DO CTN APLICABILIDADE. O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. CERCEAMENTO DE DEFESA DEVIDO PROCESSO LEGAL PREJUÍZO NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO INSTRUMENTALIDADE. Previsto no art. 5º da Constituição, o direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo definido na Lei nº 9.784/99. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 57 07 /2 01 1- 97 Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM PESSOA FÍSICA OU PESSOA JURÍDICA CONHECIMENTO PELA FISCALIZAÇAO ERRO NA TIPIFICAÇÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo a Fiscalização conhecimento de que os depósitos bancários glosados como omissão de rendimento de origem não comprovada, decorrem, na verdade, de créditos efetuados por pessoa física e por pessoa jurídica, o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Havendo erro na tipificação e no enquadramento legal os valores devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. INCOMPATIBILIDADE DE CRITÉRIOS JURÍDICOS CONCOMITANTES. NÃO CONFIGURAÇÃO MESMO SUPORTE PROBATÓRIO. O uso do mesmo suporte probatório para embasar distintas infrações não caracteriza a utilização de critérios jurídicos concomitantes. DESPESAS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinandose à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos. ATIVIDADE RURAL DESPESAS VEÍCULO AERONAVE USO EXCLUSIVO COMPROVAÇÃO NECESSIDADE. Havendo prova em contrário de que aeronave era utilizada para outros fins que não a atividade rural, impossível a sua dedução, por inteligência do art. 62, § 2º, III, do RIR/99. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente convocada) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ para redigir o voto vencedor nesta parte. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração: i) R$ 42.134,40 do item 2 do auto de infração (Omissão de rendimentos da atividade rural) e ii) R$ 2.522.578,35 do item 3 do auto de infração (Omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não comprovados). Vencida a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que provia parcialmente em menor extensão o item 3 do auto de infração. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Dorival Padovan, OAB/DF 32.782. Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.494 3 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch. Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas — dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras — para os anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009 a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF dos referidos anoscalendário. O recorrente foi intimado do termo de início de fiscalização, em 02/03/11, requisitando: a) extratos bancários, em papel de todas as contas bancárias movimentadas no Brasil e no Exterior; b) alternativamente, autorizar por escrito a RFB a requisitar diretamente às instituições financeiras os extratos solicitados no período de 01/01/06 a 31/12/09; c) informação, caso não tivesse mantido contas no exterior; d) livro caixa com resultado da exploração da atividade rural; e) todas as notas fiscais de vendas dos produtos rurais; f) relação dos empréstimos rurais, discriminando nome do credor, saldo em 01/01/06, datas de liberação e pagamento, valor da liberação e pagamento, juros pagos e/ou debitados e saldo em 31/12/09; g) comprovante de recebimento, no ano 2006, do valor de R$ 30.000.000,00, a título de adiantamento de entrega futura de produtos rurais, bem como discriminar as datas, números de documentos e valores dos produtos rurais entregues por conta desse adiantamento (fls.0203 do eprocesso). Em decorrência da recusa do contribuinte em apresentar os extratos bancários (tendo em vista que seu contador, em 23/03/11, pediu prorrogação do prazo para atendimento da intimação, prometendo entregar os documentos em 25/04/11, sem fazêlo), a fiscalização, em 12/07/11, entendeu necessária a emissão de RMF (fl. 47 do eprocesso) Assim, em 12/07/11 foi expedida RMF ao Banco Bradesco S/A, ao Banco Daycoval S/A, ao Banco do Brasil S/A, ao Banco Indusval S/A, ao Banco Real S/A, ao Banco Safra S/A, ao Banco Santander Banespa, ao Banco Santander Meridional, à Cooperativa de Crédito Rural da Alta Paulista, ao HSBC Bank Brasil S/A, ao JBS Banco S.A e à Votorantim Corretora de Títulos e Valores Imobiliários Ltda. (fl. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 66, 68 e 70 do eprocesso). Os extratos apresentados pelo Banco Bradesco S.A foram juntados às fls.12481364 e fls. 20972307 do eprocesso; os do Banco do Brasil foram juntados às fls.13651423 do eprocesso; os apresentados pelo Banco Santander foram juntados às fls.15211950 do eprocesso; e os extratos apresentados pela Votorantim Corretora de Títulos e Valores foram juntados às fls.19511977 do eprocesso. O recorrente foi intimado, em 25/07/11, a apresentar os documentos registrados em seus Livros Caixas referentes aos anoscalendário 2006 a 2009 (fls. 72143 do eprocesso). Em resposta, o recorrente apresentou caixas contendo documentos dos seguintes períodos: a) janeiro a junho de 2008; b) julho a dezembro de 2008; c) janeiro a junho de 2009; d) julho a dezembro de 2009. Também apresentou: a) cópia da escritura pública de compra da Fazenda Santa Izabel em Pontal do Araguaia MT; b) relação de pagamentos de Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.495 5 juros 2008 com os seus respectivos informes de rendimento; c) relação de pagamentos de juros 2009 com os seus respectivos informes de rendimento (fl. 144 do eprocesso). Após, a autoridade administrativa lavrou Termo de Constatação Fiscal, constando planilha onde foram relacionados os lançamentos de depósitos e créditos bancários. O recorrente foi intimado a: a) informar o nome e CPF ou CNPJ da pessoa que depositou ou creditou os recursos financeiros e a natureza dos recursos depositados ou creditados; b) em se tratando de atividade rural, informar as datas e as folhas em que tais receitas foram registradas nos Livros Caixa e, se os valores não fossem coincidentes, informar quais os valores que somados perfazeriam o montante do depósito ou crédito; c) apresentar todos os comprovantes disponíveis que pudessem comprovar a origem dos recursos e sua natureza (fls. 145694 do e processo). O contribuinte foi reintimado, em 03/10/11, a apresentar os documentos registrados em seus Livros Caixa referentes aos anoscalendário 2006 e 2007 (fl. 695 do e processo). Em 30/09/11, requereu a dilação do prazo por 15 dias (fls. 697698 do eprocesso), o pedido foi deferido (fl. 701 do eprocesso). O recorrente entregou à Fiscalização, em 07/10/11: a) uma caixa contendo documentos do período de fevereiro, agosto e dezembro de 2007; b) cópia do contrato de comodato da Fazenda Coqueiro (fl. 703 do eprocesso). A Fiscalização intimou o recorrente, em 07/10/11, a: a) informar por escrito as aeronaves de sua propriedade em uso no período de 01/01/06 a 31/12/09, e sua identificação, e a apresentar os documentos de aquisição desses veículos; b) apresentar o Diário de Bordo e cópia dos planos de voos completos (PVC) de todas as aeronaves utilizadas no período de 01/01/06 a 31/12/09 (fl.704 do eprocesso). Em 31/10/11, a fiscalização intimou o contribuinte André Carlini a informar o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferência bancária (fls. 1978 1979 do eprocesso). O referido contribuinte informou que nunca efetuou qualquer envio de numerário ao recorrente (fls. 1982 do eprocesso). Foi lavrado termo de entrega de documentos, em 31/10/11, informando que a contadora do contribuinte entregou à Fiscalização os seguintes documentos: a) cópia de contrato de comodato firmado entre os comodantes Nelson Paschoal Biazzi Junior e Nelson Paschoal e o recorrente, comodatário, com firma reconhecida, mas sem registro no Cartório de Registro de Imóveis; b) documentos referentes aos meses de janeiro e maio de 2007, solicitados em 22/07/11 (fls. 705 do eprocesso). Na mesma data, em resposta à intimação, o recorrente apresentou os seguintes documentos: a) duas caixas contendo documentos do período de março a julho, setembro a novembro de 2007; b) contrato particular de compromisso da Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; c) DITR 2010 e 2005 da Fazenda Perpétuo Socorro (fl. 708 do eprocesso). Após, em 04/11/11, a empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda. foi intimada a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferência bancária; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09, além dos relacionados na intimação, e, em caso positivo, informar as datas, valores e motivo dos pagamentos, bem como apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) se o Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 motivo dos pagamentos fosse a concessão de empréstimos, informar as datas em que foram devolvidos os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, se houvesse; se fosse devolução de empréstimos, informar as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, se houvesse; bem como apresentar todos os documentos que comprovassem tais pagamentos (fls. 19831991 do eprocesso). A empresa não se manifestou. O Sr. Sergio Regis de Oliveira foi intimado em 18/10/11 a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente; b) se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, informar os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, bem como apresentar todos os documentos comprobatórios (fl. 2094 do eprocesso). O Sr. Sergio Regis alegou que o motivo dos pagamentos foi a aquisição da Forradeira Autopropelida, Marca John Deere, Modelo 7.300, com Plataforma de Chassi nº 196x104830 (fls. 20952096 do eprocesso). Na mesma data, a empresa Marlin Veículos e Peças Ltda. foi intimada a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09, além dos relacionados na intimação, e, em caso positivo informar as datas, valores e motivo dos pagamentos, bem como apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) se o motivo dos pagamentos for a concessão de empréstimos, informar, também as datas em que foram devolvidos os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, se houvesse; se for devolução de empréstimos, informar as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, se houvesse; bem como apresentar todos os documentos que comprovem tais pagamentos (fls. 19931994 do e processo). A empresa informou que os pagamentos foram realizados a título de devolução de empréstimo entre as parte e apresentou comprovantes de pagamento e o contrato de empréstimo em conta corrente (fls. 19962055 do eprocesso). A Fiscalização também intimou a empresa NB Noroeste Borracha Indústria e Comércio Ltda. a informar o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias (fls. 20562058 do eprocesso). Em atenção à intimação, a empresa, alegou que os pagamentos referiamse à compra de borracha natural (fl.2059 do eprocesso). Em 18/10/11, o Sr. Nelson Paschoal Biazzi foi intimado a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias; b) se existem outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09, além dos relacionados na intimação, e, em caso positivo informar as datas, valores e motivo dos mesmos, bem como apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) se o motivo dos pagamentos fosse a concessão de empréstimos, informar as datas em que foram devolvidos os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros; se fosse devolução de empréstimos, informar as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juro, bem como apresentar todos os documentos que comprovem tais pagamentos (fls. 20602061 do eprocesso). O contribuinte informou que realizava transações com o recorrente, relacionadas à compra e venda de gado, e que a transferência do numerário de R$ 250.000,00 em 18/12/06 teve relação com a negociação entabulada que culminou por não realizada, sendo tal importância devolvia em seu favor (fls. 20632064 do eprocesso). O Sr. Paulo Bentivoglio Filho também foi intimado, em 21/10/11, a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09 e, em caso positivo, prestar as informações e apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, os valores do principal e dos juros, se o motivo dos Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.496 7 pagamentos foi a concessão de empréstimo (fls. 24392437 do eprocesso). Em resposta, o Sr. Paulo Bentivoglio Filho informou que: a) em 2006, seu pai efetuou a aquisição de uma propriedade rural no município de Água ClaraMS, tendo como procurador o recorrente; b) os pagamentos a que se refere o termo de intimação fiscal foram efetuados por ele, uma vez que tem uma relação familiar atuando na exploração agropecuária (fls. 24442448 do eprocesso). A Fiscalização também intimou o Sr. Assis Silverio da Silva a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias; b) as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo (fls. 2449 2450 do eprocesso). O Sr. Assis Silverio alegou que efetuou os seguintes pagamentos ao recorrente: R$198.250,15 em 30/01/06, R$401.750,00 em 08/05/06, R$178.000,00 em 13/07/07, R$232.500,00 em 18/09/09, sendo todos decorrentes de aquisição do imóvel rural Fazenda São Francisco, localizada no Município de Alta Floresta – MT (fls. 24512462 do e processo). O Sr. Assis Silverio da Silva também foi intimado a apresentar cópia do instrumento de contrato firmado com o recorrente, referente à compra da Fazenda São Francisco, cuja transação foi efetivada por intermédio da Agropecuária Rio José S.A., negócio que segundo informação prestada pelo contribuinte foi “entabulado em 02/04/03” e que motivou os pagamentos ao recorrente de R$ 198.250,15, R$ 401.750,00, R$ 178.000,00 e R$ 232.500,00 (fl. 2453). O contribuinte encaminhou à fiscalização a cópia do contrato solicitado (fls. 2455 2462 do eprocesso). Em 18/11/11, o Sr. Paulo Bentivoglio Filho foi reintimado a informar o motivo dos pagamentos efetuados ao recorrente por meio de transferência bancária, pois havia confirmado que pagou a quantia de R$ 186.631,80, em 08/09/06, ao recorrente e forneceu cópia de escritura pública em que se verifica que seu pai comprou uma fazenda localizada em Água Clara, pelo valor de R$ 850.000,00, e o recorrente atuou como procurador dos vendedores. Contudo, a escritura pública foi lavrada em 12/07/06 (fls. 24372438). Em resposta, o Sr. Paulo Bentivoglio Filho esclareceu que: a) apesar da escritura de compra e venda estar datada de 12/04/06, ocorreram os pagamentos posteriores apontados na reintimação, como pode ser comprovado pelas transferências efetuadas em nome do recorrente que atuou como procurador dos vendedores; b) acredita ter havido um equívoco por parte do cartório (fl. 2448 do eprocesso). Ainda em 21/10/11, a autoridade fiscal intimou o Sr. Nelson Paschoal Biazzi a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias no valor de R$250.000,00 em 18/12/06; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09 e, em caso positivo, apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, informar as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, e, no caso de devolução de empréstimos, informar as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, e apresentar todos os documentos comprobatórios (fls. 20602062 do eprocesso). O Sr. Nelson Paschoal Biazzi aduziu que: a) desde o ano de 2005 realiza transações com o recorrente relacionadas à compra e venda de gado; b) realiza as transações em nome próprio ou em nome de terceiros Malibu Confinamento de Bovinos Ltda.; c) a transferência do numerário decorreu de negociação entabulada que culminou por não realizada, sendo a importância devolvida a seu favor em 03/10/07 (fls. 20632064 do eprocesso). Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 A Fiscalização intimou, em 24/10/11, o contribuinte Rominex Indústria Comércio e Exportação de Alimentos Ltda. a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias no valor de R$130.680,00 em 26/12/06; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09 e, em caso positivo, prestar as informações, e apresentar todos os documentos que os comprovem; c) se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, informar as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, e, no caso de devolução de empréstimos, as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, bem como apresentar todos os documentos comprobatórios (fls. 20852087 do eprocesso). Atendendo à solicitação, a intimada alegou que efetuou o pagamento ao recorrente em decorrência da nova fiscal de entrada, referente à compra de bovinos, e que não localizou outros pagamentos realizados ao recorrente no período de 01/01/06 a 31/12/09 (fls. 20882093 do eprocesso). Na mesma data, o Sr. Milton Casari foi intimado a informar o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancária, ressaltouse que se os pagamentos foram realizados pela Casari Imobiliária e Administração de Bens S/S Ltda., este fato deveria ser informado. A Casari Imobiliária e Administração de Bens S/S Ltda. foi intimada a informar: a) o motivo dos pagamentos, no total de R$ 566.986,50, realizados ao contribuinte por meio de transferências bancárias; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09 e, em caso positivo, prestar as informações e apresentar todos os documentos que os comprovassem; c) as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, e informar, no caso de devolução de empréstimos, as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, bem como apresentar todos os documentos comprobatórios (fls. 2487 2489 do eprocesso). O Sr. Milton Casari referiu que os depósitos foram feitos a pedido da Agropecuária Rio Jacaré S/A, em razão das terras adquiridas por ele (fls. 24902504 do e processo). Em 22/10/11, o Sr. Milton Casari foi intimado a apresentar cópia do contrato particular e da escritura pública referente à compra de terras da pessoa jurídica Rio Jacaré, cujos pagamentos foram feitos mediante créditos em contas correntes bancárias do recorrente no valor de R$ 566.986,50 (fl. 2498 do eprocesso). Atendendo à intimação o Sr. Milton apresentou matrícula constando a dívida (R$ 1.020.493,00 para 28/02/05 e R$ 1.000.000,00 para 28/02/06), informou que: a) não conseguiu fazer o pagamento em 28/02/06 e pediu uma renegociação; b) o saldo a pagar (R$ 566.986,50) foi quitado em 13/06//08, e foi depositado na conta corrente do recorrente (fls. 25002504 do eprocesso). Em 25/10/11 a empresa Oeste Plaza Administradora de Shopping Center Ltda., foi intimada a informar: a) o motivo dos pagamentos realizados em favor do recorrente por meio de transferências bancárias; b) se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09 e, em caso positivo, prestar as informações, bem como apresentar todos os documentos que os comprovem; c) se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, informar as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando as datas, os valores do principal e dos juros, e, no caso de devolução de empréstimos, informar as datas em que foram recebidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, bem como apresentar todos os documentos comprobatórios (fls. 20652067 do eprocesso). Em resposta, a Oeste Plaza esclareceu que os depósitos ocorreram por ordem de sua sócia, MCL Empreendimentos e Negócios Ltda., proprietária do Shopping Center, e que os valores eram provenientes de alugueis recebidos pela Oeste Plaza Administradora e repassados a MCL (fls. 20682084 do eprocesso). Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.497 9 Foi lavrado Termo de Constatação Fiscal em 03/11/11, no qual se observou que: a) nos anoscalendários 2006 e 2007 o contribuinte escriturou nos Livros Caixas despesas de CPMF em valores superiores à movimentação financeira dessa atividade; b) a contribuição paga em razão da movimentação financeira que não se relaciona com a atividade rural não é despesa dedutível na apuração do resultado da atividade; c) a legislação do IR somente permite considerar como despesas/investimentos aqueles relacionados com a atividade rural necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora; d) a CPMF era calculada à alíquota de 0,0038% sobre a movimentação financeira relativa às saídas de recursos financeiros de contas bancárias, de modo que, o máximo que o contribuinte poderia escriturar como despesas com CPFM, em cada mês, seria a contribuição devida em razão do pagamento de despesas de custeio/investimento da atividade rural; e) a partir dos valores registrados nos Livros Caixas e nas Declarações de Ajuste Anual, constatouse valores de despesas com CPFM excedentes a 0,0038% das despesas de custeio/investimento. Por tal razão, o recorrente foi intimado a prestar esclarecimento quanto aos itens constantes em planilha (fls. 709715 do e processo). Em 03/11/11, a Sra. Andrea Carlini foi intimada a: a) informar o motivo do pagamento realizado ao recorrente por meio de transferência bancária no valor de R$135.000,00 em 13/11/06; b) informar se existiam outros pagamentos no período de 01/01/06 a 31/12/09, e, em caso positivo, prestar informações e apresentar todos os documentos que o comprovassem; c) se o motivo dos pagamentos foi a concessão de empréstimo, informar as datas em que foram devolvidos e os respectivos valores, discriminando os valores do principal e dos juros, bem como apresentar todos os documentos que comprovem tais pagamentos (fls. 19781979 do eprocesso). Em resposta, a Sra. Andrea Carlini informou que nunca efetuou qualquer pagamento, empréstimo, transferência, depósito, cessão de dinheiro, ou outro meio de envio de numerário ao recorrente, nem o conhece, e que não possui os recursos financeiros mencionados (fl. 1982 do eprocesso). O recorrente, em 04/11/11, entregou à fiscalização os seguintes documentos: a) documentos do período de janeiro a dezembro de 2006; b) contrato do Banco Daycoval nº 600134/08; c) extratos da COSAN referente à cana; d) três contratos de adiantamento de cana (fl. 716 do eprocesso). Na mesma data, a empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda foi intimada a informar o motivo dos pagamentos realizados ao recorrente por meio de transferências bancárias (fls.19831992 do eprocesso). Em 10/11/11, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, justificando a possível glosa de determinados valores escriturados nos livros caixa, pelas seguintes razões: a) comprovante inidôneo – comprovantes que não continham elementos suficientes para identificar a natureza do pagamento que podia não ser destinada à atividade rural; b) CPMF; c) despesas com aeronaves – veículos de passageiros de emprego não exclusivo na exploração da atividade rural. O contribuinte seria dono de duas aeronaves de passageiros, e apropriou como despesas da atividade rural os gastos com combustíveis dessas aeronaves, todavia, para a dedução como despesa, a lei exige que o veículo seja de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; d) despesas de terceiros – comprovantes em nome de terceiros que não se tratam de despesas/investimentos do contribuinte; e) despesa/investimentos desnecessários – despesas/investimentos realizados, mas que não são necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora; f) duplicidade de lançamento – lançamento da mesma despesa duas ou mais vezes ou lançamento do valor na Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 nota fiscal e lançamento das parcelas; g) lançamento a maior – lançamento feito em valor acima do que consta do documento comprobatório; h) receita lançada como despesa – recebimento de receita que fora lançado como despesa; i) não apresentação de comprovante da despesa/investimento (fls. 717719 do eprocesso). O contribuinte foi intimado a: a) manifestarse por escrito e apresentar outros documentos que pudessem excluir o motivo da glosa das despesas/investimentos listadas; b) apresentar documentos comprobatórios das despesas/investimentos identificadas com o motivo “Não apresentou comprovante da despesa/investimento” (fls. 719761 do eprocesso). A Sra. Juçara Eliani Storti Correia Lopes, cônjuge do recorrente, informou, após intimação, que as despesas e receitas da atividade rural do ano calendário 2006 estão todas escrituradas em conjunto no livro caixa da atividade de seu cônjuge, e que os documentos de receitas e despesas, bem como o livro caixa do anocalendário 2006 já foram entregues à autoridade fiscal. (fls. 762 do eprocesso). O recorrente, em 23/11/11 prestou os seguintes esclarecimentos: a) as despesas referentes aos juros de financiamento rural foram devidamente comprovadas nas contas gráficas apresentadas dos financiamentos concedidos pela COSAN, e nos informes de rendimentos emitidos pelos bancos financiadores da atividade rural empreendida; b) no que tange às despesas com a aeronave Cessna Aircraft modelo 182J, ano 1966, Prefixo PTCTS e a aeronave Cessna Aircraft modelo C500, ano 1973, prefixo PTLBN, verificase o pleno atendimento aos princípios da necessidade, compatibilidade e efetividade, não sendo admitida a glosa sem a acuidade necessária nas verificações. Ademais, não existe nenhum impedimento à dedução das despesas com aquisição de combustíveis para essas aeronaves, pelo contrário, as deduções encontram amparo legal no art. 62, §1º e 2º, III, do Decreto nº 300/99, e nos arts. 7º e 8º, III, da IN SRF nº 83/2001; c) quanto à CPMF, os valores constantes nos livros caixas, lançados como despesas dedutíveis na apuração do resultado da atividade rural, foram declarados em conjunto com sua esposa, de modo que o valor da CPMF destacado na intimação contempla as despesas de custeio e investimento de ambos, embora estejam todas escrituradas no livro caixa em seu nome; d) referente às demais despesas, os esclarecimentos necessários, assim como os elementos probatórios já se encontram sob análise (fls. 766768 do eprocesso). Posteriormente, em 30/11/11, o recorrente manifestouse afirmando: a) seu inconformismo com o acesso não autorizado às suas movimentações financeiras em instituições bancárias, tendo em vista que a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, é ato manifestamente ilegal; b) o valor de R$ 85.712.921,79, referente a suas movimentações financeiras, não indica necessariamente a ocorrência de operações tributáveis, tendo em vista que o crédito representa o valor total de R$ 56.174.134,21, sendo que o valor residual corresponde a registros de débitos e entradas no livro caixa; c) o valor de R$ 32.057.681,02 já foi devidamente identificado pela fiscalização; d) as justificativas do valor residual estão inseridas no “Demonstrativo de depósitos e créditos bancários” (fls. 769722 do eprocesso). A documentação comprobatória apresentada pelo contribuinte foi juntada aos autos às fls. 7731247 e 14241520 do eprocesso. 2 Notificação do Lançamento Em 01/12/11, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.23082436 do eprocesso), embasado no argumento de que houve: a) omissão de rendimentos de pessoas jurídicas recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; b) omissão de rendimentos da atividade rural; c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.498 11 O total do crédito tributário constituído foi de R$ 10.801.950,21, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios. 3 Termo de Constatação Fiscal Em 14/12/11 foi lavrado termo de improficuidade dos meios de intimação fiscal, justificando a intimação por edital feita ao recorrente (fls. 24632485 do eprocesso). O edital foi afixado em 13/12/11 e em 14/12/11 (fls. 25122514 do eprocesso). 4 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 2518 2573 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a luz do art. 150, §4º, do CTN não poderia o Fisco proceder em 28/12/11 aos lançamentos objeto deste processo, relativos a hipótese de incidência pretensamente realizadas entre 01/01/06 e 31/12/06, pois estaria completo o quinquênio decadencial relativo aos meses de janeiro a novembro de 2006; b) a consagração, pelo art. 5º, caput, da CF, da inviolabilidade do direito à liberdade que abarca a privacidade, a liberdade e o sigilo, de forma que não seria admissível em processo judicial, ou administrativo, o uso de provas obtidas por meios ilícitos, tais como as obtidas por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; c) a incompatibilidade entre os dois critérios jurídicos concomitantes empregados pelo Fisco para determinar a matéria tributável e calcular o montante do imposto que entende devido; d) a simples disponibilidade econômica ou jurídica não realiza por si a hipótese de incidência do IR, pois esta hipótese só se realiza no momento em que se dá a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza; e) a impossibilidade de ampliação dos elementos que formam o fato gerador em decorrência de ausência de lei expressa, sob pena de violação de disposições gerais do CTN; f) depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, por si só, não realizam a hipótese de incidência do IRPF; g) a inconstitucionalidade da inversão do ônus da prova; h) os R$1.639.739,76 tidos como omissão de rendimentos da atividade rural nada mais são do que o resultado da soma algébrica que antes apontava o “resultado da atividade rural apurado”, o qual, a seguir, é dividido por dois, para apuração da quantia a ser arbitrada a cada cônjuge; i) o art. 60 do RIR/99 exige apenas a identificação do adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação; Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 j) a ausência do nome do depositante nos extratos bancários arbitrariamente consignados não é argumento juridicamente aceitável para justificar a tributação de quantias como depósitos de origem não comprovada; k) não admitir que o pai tome de empréstimo o crédito do filho é um atento aos parâmetros que garantem a harmonia familiar; Anexas à impugnação, foram juntadas fotos de bovinos (fls. 25712573 do e processo). 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 15ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade (fls.25792612 do eprocesso), afastada a preliminar de decadência e mantido o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) o IRPF, apesar de devido mensalmente, é apurado, definitivamente, na Declaração de Ajuste Anual, de modo que o fato gerador só se completa em 31 de dezembro do respectivo ano, conforme a Súmula nº 38 do CARF; b) o direito da Fazenda Pública, para constituir o crédito tributário, extinguese após cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tronar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme o art. 173 do CTN. c) nos termos do art. 5º da Lei Complementar nº 105/01, dos arts. 1º e 11, §3º, da Lei nº 10.174/01, dos arts. 1º a 5º, e 7º a 12 do Decreto nº 3.724/01, o acesso às informações bancárias pelo Fisco independe de autorização judicial, não constituindo quebra de sigilo. Não se vislumbra qualquer irregularidade no procedimento fiscal que deu origem ao auto de infração, nem as provas obtidas pelo fisco mostramse ilícitas, pois o acesso da autoridade fiscal às operações bancárias dos contribuintes é absolutamente legal, independentemente da autorização judicial; d) a alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo só é passível de acolhimento pela DRJ na hipótese de declaração de inconstitucionalidade pelo STF em via direta ou indireta, com ou sem suspensão da execução da norma pelo Senado Federal. Não cabe às autoridades julgadoras administrativas a apreciação de questões referentes à constitucionalidade de atos legais; e) o recorrente não impugnou a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada e/ou FAPI; f) o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação de origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras; g) não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar s valores depositados como rendimentos Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.499 13 tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; h) o procedimento fiscal é ato impessoal e plenamente vinculado à lei, do qual a autoridade administrativa não pode se furtar; i) o contribuinte alega exercer unicamente a atividade rural, mas não há nos autos elementos que permitam chegar a essa conclusão. Assim, a constatação de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada concomitantemente se mostra coerente; j) para que as despesas de custeio ou investimento sejam deduzidos das receitas na apuração do resultado da atividade rural, é preciso que se refiram a essa atividade e sejam necessários à percepção de rendimento e à manutenção da fonte produtora. A autoridade fiscal referese a essa prova faltante, não fazendo exigências além das determinadas pelo art. 60, §1º, do RIR/99; k) os documentos acostados aos autos comprovam que as aeronaves não são utilizadas exclusivamente para a atividade rural, razão pela qual as despesas com tais veículos não podem ser deduzidas na apuração do resultado da atividade; l) o contribuinte não faz nenhuma alegação específica, nem traz qualquer elemento comprobatório quanto às despesas e investimentos que foram considerados não necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora; m) apenas os juros referentes ao financiamento da própria pessoa podem ser deduzidos para apurar o resultado da atividade rural, independentemente da preservação da harmonia familiar. Se houve empréstimo de credito, para que seja formada convicção a respeito, não basta a mera alegação, é preciso provala mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/01/13, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.26182648 do eprocesso) em 05/02/13, repisando alguns argumentos da impugnação e acrescentando os seguintes: a) ao contrário do afirmado pela 15ª Turma da DRJ/DP1, cabe às autoridades julgadoras administrativas o enfrentamento da inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/01, sobretudo por já ter havido manifestação do STF sobre o assunto; b) apresentou, oportunamente, documentos e informações suficientes para comprovar que os depósitos e créditos bancários com origem desconhecida pelo fisco eram provenientes de sua atividade rural; Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 c) a origem dos créditos foi tida como não comprovada pela ausência da identificação dos depositantes, entretanto, quando comprovou, através de seus livros e notas ficais, que os recursos provinham de sua atividade rural, o Auditor Fiscal não quis recebelos sob argumento de que os extratos bancários não identificavam os depositantes; d) a receita de atividade rural, no exercício de 2006, foi de R$ 20.668.446,07, desse valor, somente as operações de venda de gado para o JBS/FRIBOI representavam a quantia de R$ 18.817.909,31, valor, inclusive, superior às movimentações bancárias de “origem não comprovada”; e) a Fiscalização fez tabula das provas apresentadas e que comprovavam toda a receita, inclusive com venda de adubo, borracha, silagem de milho em grãos, feijão, soja, madeira, caroço de algodão, maravalha de pinos, sorgo e silagem; f) todas as operações que originaram os créditos foram devidamente informadas em sua declaração de renda, e demonstradas por meio de documentos e livros fiscais. Caberia ao Fisco acatar os esclarecimentos apresentados, ou, se entendesse de forma diversa, manifestarse em sentido contrário, demonstrando os elementos da sua convicção a fim de invalidar os documentos apresentados, o que não ocorreu; g) é fato incontroverso que o enquadramento fiscal do contribuinte é a atividade rural e que todos os rendimentos tributáveis provêm, única e exclusivamente da atividade rural. Mesmo que houvesse rendimentos tributáveis provenientes de outras atividades exercidas pelo contribuinte, isso não seria suficiente para desconsiderar os rendimentos oriundos da atividade rural, devendo o Fisco comprovar a ocorrência daqueles fatos geradores, o que não fez; h) a glosa das despesas/investimentos na atividade rural não pode prosperar, pois a fiscalização simplesmente ignorou os documentos apresentados e que demonstravam o pleno atendimento aos requisitos legais de dedutibilidade; i) as despesas decorrentes de juros dos contratos de financiamento rural foram devidamente comprovadas através dos contratos de empréstimos firmados entre o contribuinte e as instituições bancárias financiadoras da atividade rural, sendo possível a identificação dos valores e da natureza dos pagamentos em estrita conformidade com as informações registradas no Livro Caixa, razão pela qual devem ser excluídas da base de cálculo apurada, nos termos do art. 67, § 11, da Lei nº 8.023/90; j) as aeronaves são veículos de pequeno porte e são a melhor alternativa para seu deslocamento rápido nas várias propriedades rurais onde desenvolve suas atividades, além de possibilitarem o transporte de pequenos volumes, como medicamentos para gado, sementes para pastagens, instrumentos para proteção do trabalho individual dos funcionários, etc; Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.500 15 k) os documentos apresentados à fiscalização demonstram cabalmente que os gastos com as aeronaves atendiam aos princípios da necessidade, compatibilidade e efetividade, razão pela qual a glosa de tais despesas mostrase um ato arbitrário que não pode prosperar. Além disso, as aeronaves são voltadas ao exercício da atividade rural, que não se limita a aplicação de agrotóxicos ou fertilizantes; l) não existe impedimento à dedução das despesas com aquisição de combustíveis para as aeronaves, pelo contrário, as deduções encontram amparo legal no art. 62, §§ 1º e 2º, III, do RIR/99, e nos arts. 7º e 8º, III, da IN SRF nº 83/01. A Lei nº 8.023/90 não exige emprego exclusivo do veículo na exploração da atividade rural, de modo que a IN SRF nº 83/01 não pode criar uma vigência que a lei não impôs, sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade; m) as despesas com CPMF referemse, exclusivamente, à movimentação financeira no exercício da atividade rural, o que justifica sua dedução na apuração do resultada do atividade. Se no entender da fiscalização essa despesa não se refere à atividade do recorrente, caberia a ela demonstrar essa situação, o que repetidamente não aconteceu; n) quanto às demais despesas mencionadas no item 3.3 do Termo de Constatação Fiscal o contribuinte salienta que todos os documentos e esclarecimentos necessários a sua justificação foram submetidos ao exame da fiscalização; 6 Resolução nº 2202000.576 Em 18/03/14, esta Turma (fls. 26622677 do eprocesso) converteu o julgamento destes autos em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: a) intimação da empresa JBS Friboi para que apontasse todos os pagamentos realizados ao recorrente no anocalendário 2006, esclarecendo a origem (compra, empréstimo ou outra) e se os mesmos foram realizados através de depósitos em conta corrente do recorrente (indicando Banco, Agência, Conta e data); b) após esclarecimentos, fossem intimados o contribuinte e a Fazenda da diligência para que se manifestassem. 7 Intimação da empresa JBS Friboi Em 07/06/14, a empresa JBS Friboi foi intimada a: a) informar todas as compras (bovinos, etc) correspondentes ao ano de 2006 junto ao recorrente e a apresentar todos os documentos comprobatórios; b) (fls. 26822683 do eprocesso) Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 16 Em resposta, informou que não há previsão expressa para a guarda de documentos fiscais depois de decorridos cinco anos, de modo que ficaria prejudicada a apresentação de documentação correspondente ao ano de 2006 (fls. 26842686 do eprocesso). 8 Termo de Constatação Fiscal Em face da negativa de cumprimento da intimação por parte da JBS Friboi, oram acostados aos autos, pela autoridade fiscal documentos decorrentes de intimação feita à empresa, em 09/12/11, no processo nº 15868.72013/201201, cujo objeto era idêntico àquele requerida por esta Turma (fls. 26883368 do eprocesso). A partir desses documentos e da intimação da empresa JBS Friboi, a Fiscalização lavrou, em 03/07/14, Termo de Constatação Fiscal (fls. 33693413 do eprocesso), revisando o lançamento no tocante aos depósitos bancários. Foram alinhados os seguintes argumentos: a) no processo administrativo nº 15868.72013/201201, lavrado em face do recorrente, constam os elementos necessários ao trabalho solicitado pelo CARF; b) restou comprovado, pela documentação apresentada pela empresa JBS Friboi, a origem de R$ 512.721,96 autuados como omissão de rendimento caracterizada por depósito bancária sem origem comprovada, que foi excluída da base de cálculo; A Fiscalização produziu sete planilhas para analisar os documentos apresentados pela referida empresa: a) PLAN 1 – todos os pagamentos realizados pela JBS Friboi no anocalendário 2006 (incluídos pagamentos feitos ao recorrente e a terceiros); b) PLAN 2 – pagamentos realizados pela JBS Friboi a terceiros; c) PLAN 3 – pagamentos realizados pela JBS Friboi ao recorrente e já considerados justificados; d) PLAN 4 – pagamentos realizados pela JBS Friboi ao recorrente que foram considerados justificados pelo Termo de Constatação Fiscal; e) PLAN 5 – pagamentos realizados pela JBS Friboi que não foram correlacionados pela Fiscalização; f) PLAN 6 – depósitos com origem não comprovada e que não guardam congruência com a documentação apresentada pela JBS Friboi; g) PLAN 7 – depósitos com origem não comprovada após a diligência (fls. 33773413 do eprocesso). 9 Manifestação do contribuinte Em 14/07/14, o recorrente foi intimado da Resolução nº 2202000.576 do CARF, do Termo de Constatação Fiscal e dos documentos que o acompanham (fl. 3414 do e processo. O contribuinte, em 13/08/14, apresentou manifestação (fls. 34193426 do e processo), com os seguintes argumentos: a) a diligência requerida por esta Turma foi ampliada unilateralmente pela autoridade fiscal, pois exigiu da empresa diligenciada a informação e a comprovação de todas as compras de 2006 realizadas junto ao recorrente, o que não foi solicitado pela Resolução; b) o curto espaço de cinco dias concedidos pela Fiscalização à empresa JBS Friboi fez com que a empresa preferisse optar pela alternativa de alegar esgotado o prazo da obrigação de guardar documentos fiscais. Se o Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.501 17 exímio prazo influenciou a JBS Friboi em sua resposta, o direito de defesa do recorrente restou prejudicado pelo excesso do pedido constante na diligência; c) somente agora o Fisco apresentou os motivos da lavratura do auto de infração; d) não foram juntadas ao presente processo as provas trazidas pela empresa JBS Friboi; e) quando da lavratura do auto de infração, encontravase pendente uma resposta da JBS Friboi sobre as operações realizada com o recorrente; f) ao notar que a resposta da empresa JBS Friboi chegaria somente em 2012, após 31/12/11, a Fiscalização antecipou a lavratura do auto de infração utilizandose da falsa premissa do instituto da prevenção da decadência tributária. Ocorre que o lançamento fiscal destinado a prevenir a decadência encontrase regulamentado pelo art. 63 da Lei nº 9.430/96, unicamente para as hipóteses do crédito tributário com exigibilidade suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, hipóteses totalmente alheias ao presente processo, de maneira que o procedimento de fiscalização desenvolveuse em total descompasso com o art. 142 do CTN; g) somente em face da diligência o recorrente teve conhecimento que as provas do processo nº 18568.720137/201201 foram tomadas de empréstimo como proposta da Fiscalização para solução deste litígio, de maneira que o recorrente protesta pela apresentação de provas documentais e de novos argumentos de defesa. 10 Memoriais O recorrente apresentou memoriais às vésperas da sessão de 03/12/04, reiterando as alegações da manifestação apresentada em 13/08/14, e apresentando comprovantes de origem de depósitos. Às vésperas desta sessão, o recorrente novamente apresentou memoriais, sustentando que a Autoridade Fiscal destruiu os documentos referentes às TED do Banco Santander do ano de 2006, tendo anexado e digitalizado aos autos apenas as TED referente aos anos 2007 a 2010. Acrescentou que as TED de 2006 seriam determinantes para o deslinde deste processo e comprovariam a origem de uma série de depósitos bancários. O recorrente também alegou que comprovou a origem de todos os depósitos e que as despesas glosadas eram necessárias à atividade rural. Na oportunidade, apresentou uma planilha com os valores que teriam seriam comprovados se as TED de 2006 não tivessem sido destruídas e comprovantes de depósito. É o relatório. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 18 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1 PRELIMINAR 1.1 Das alegações feitas em memoriais Inicialmente, é preciso observar as alegações feitas pelo recorrente nos memoriais apresentados às vésperas da sessão de 03/12/04 e às vésperas desta sessão. O recorrente apresentou uma série de comprovantes de origem dos depósitos bancários, alegando que havia comprovado a origem de todos os depósitos glosados pela Fiscalização. Ocorre que, da análise dessa documentação, observase que todas as movimentações financeiras nela informadas referemse aos anoscalendário 2007, 2009 e 2011. Entretanto, conforme planilha de fls. 33993400 do eprocesso, onde consta os depósitos de origem não comprovada pelo contribuinte após as diligências requeridas por esta Turma, vêse que o anocalendário objeto da autuação de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte é, exclusivamente, o ano 2006 (depósitos feitos do dia 02/01/06 ao dia 29/12/06). Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar a origem de parte do crédito tributário não se referem ao período da autuação, não podendo, pois servir de base para comprovar a origem dos depósitos. Ademais, o recorrente sustenta que a Fiscalização teria destruído, no processo administrativo nº 15868.720137/201201, as TED do Banco Santander do anocalendário 2006. Segundo o contribuinte, a destruição dessas provas prejudica o seu direito de defesa, pois as mesmas seriam determinantes para o deslinde do presente processo, pois ao menos 89 TED, cujo montante totaliza R$ 7.337.618,73 comprovariam a origem dos depósitos bancários. No tocante a esse argumento, é preciso atentar que: a) o contribuinte foi intimado do Termo de Início de Fiscalização (MPF nº 08.1.02.002011002570) em 01/03/11 (fl. 04 do eprocesso); b) em 18/07/12, o contribuinte foi intimado a, no prazo de três dias úteis, comparecer à Seção de Fiscalização para retirar todas as mídias e documentos fornecidos por instituições financeiras (inclusive TEDs), mas não o fez. A Fiscalização salientou que a ausência do contribuinte implicaria na destruição dos documentos; c) considerando que o contribuinte não atendeu à intimação para resgatar a referida documentação, a Fiscalização determinou a destruição de uma série de documentos referentes aos anos 2006 a 2010, em 26/07/12, conforme Termo de Destruição de Documentos e Mídias (MPF nº 08.1.02.002011002570). Como se percebe o contribuinte, ciente da existência de mandado de procedimento fiscal contra si não atendeu à intimação da Fiscalização para buscar as mídias e os documentos fornecidos por instituições financeiras, mesmo consciente de que sua ausência implicaria na destruição das provas. Não merece, portanto, amparo a alegação de a ação da Fiscalização implicou em prejuízo de sua defesa, pois realizada em conformidade com os arts. Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.502 19 7º e 13 do Decreto nº 3.724/01, regulamentado pelo art. 8º, § 2º, da PortariaSRF nº 180/01, pois ao não comparecer à repartição fiscal, o contribuinte aceitou o ônus do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e até onde consta, não apresentou qualquer documento que indicasse que após ter ciência da destruição das TED do Banco Santander, solicitou os referidos documentos ao banco, o que é plenamente factível. 1.2 Da nulidade das provas obtidas através da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização do Poder Judiciário e da interpretação conforme a Constituição O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 20 telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.503 21 A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 22 Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não tivesse os dados de CPMF anteriores à vigência da Lei nº 10.174/01, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Assim, entendo que deve ser acolhida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração. Vencido na preliminar suscitada, ingresso na análise dos demais argumentos suscitados pelo recorrente. 1.3 Da Decadência Sustenta o recorrente a decadência do direito de lançamento da fiscalização relativo ao período entre 01/01/06 e 31/12/06. Defende a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN e que a ausência do pagamento do imposto não altera a natureza do lançamento, que continuaria sendo por homologação. Não assiste razão ao recorrente. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo que, por sua natureza, é sujeito ao lançamento por homologação, modalidade na qual o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, o procedimento considerase tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.504 23 Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto no rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 do Regimento Interno, entendeu que no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação somente é aplicado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver o pagamento antecipado, desde que não comprovada a ocorrência de dolo, de fraude ou de simulação, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 24 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Tal entendimento se aplica, inclusive, nos casos em que o pagamento foi parcial, conforme o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo colacionada: “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL A CONTAR DO FATO GERADOR. 1. É firme o entendimento desta Corte Superior de Justiça de que o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, é contado da ocorrência do fato gerador. 2. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1182862/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011) No presente caso, conforme se decalca da DIRF, houve antecipação do recolhimento imposto devido no ano de 2006, de modo que a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN, tornase aplicável. De outro lado, não houve, no presente processo, a comprovação da ocorrência de dolo, de fraude e de simulação, que seriam capazes de elidir a aplicação da regra prevista no §4º, do art. 150, do CTN. Isto porque, todos os elementos utilizados pela fiscalização para o lançamento de ofício foram devidamente informados pelo Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.505 25 recorrente e por sua companheira, nas DAAs. Ou seja, se a fiscalização não concordou com a natureza atribuída pelo recorrente e por sua companheira aos rendimentos declarados como isentos, desconsiderou a data de conclusão do imóvel, reduzindoo para dois anos (ao invés dos quatro anos que haviam sido declarados) ou não conseguiu se convencer dos esclarecimentos e documentos comprobatórios entregues durante a fiscalização, que pretendiam demonstrar a origem de recebimentos, isto não revela a ocorrência do dolo, da fraude ou da simulação. Nesse mesmo sentido é a Súmula nº 14, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Contudo, mesmo com a aplicação do o art. 150, § 4º, do CTN, não há decadência, pois o fato gerador ocorreu em 31/12/06, e aplicandose o prazo quinquenal o prazo decadencial é 31/12/11, data posterior ao lançamento e ciência do contribuinte, ocorrido em 01/12/11. Nesse sentido é o entendimento desta Câmara: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma do imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que faz com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação de Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 26 lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201001.859. Rel. Rodrigo Santos Masset Lacombe. Jul. 16/10/12). Portanto, não merece ser acolhida a preliminar de decadência. 1.4 Da Nulidade do Processo por Cerceamento de Defesa e violação ao Devido Processo Legal Na manifestação apresentada após as diligências requeridas por esta Turma na Resolução nº 2202000.576 (fls. 26622677 do eprocesso), o recorrente sustenta que o processo deva ser declarado nulo, pois houve cerceamento de defesa, uma vez que: a) a providência determinada por esta Turma foi ampliada unilateralmente pela Fiscalização, que teria exigido da empresa diligenciada a informação e comprovação de todas as compras por ela realizadas no ano de 2006 junto ao recorrente; b) o prazo dado à empresa JBS Friboi foi exímio e prejudicou o pedido constante na intimação fiscal objeto da matéria diligenciada; c) a informação de que houve empréstimo de provas do processo nº 15868.720137/201201 somente foi trazida no Termo de Verificação Fiscal lavrado após a diligência (fls. 34433451 do eprocesso), momento em que, segundo o recorrente, os motivos da autuação foram revelados; e d) de acordo com as alegações da Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de fls. 34433451 do eprocesso, quando da lavratura do auto de infração, encontravase pendente uma resposta da JBS Friboi sobre as operações realizadas com o recorrente, mas, ao notar que a resposta chegaria somente após 31/12/11, a Fiscalização antecipou a lavratura do auto de infração utilizandose da falsa premissa do instituto da prevenção da decadência tributária. Não assiste razão ao contribuinte. O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, e está explicitado na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, reforçandose os seguintes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.506 27 Ainda, no âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo mínimo definido na Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como: o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, instrumentalidade das formas, dentre outros: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 28 § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, é assentado da doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). No caso em análise, não ocorreu, em momento algum, desrespeito à forma, nem prejuízo ao direito de defesa da recorrente, como passo a analisar. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, a providência determinada por esta Turma não foi ampliada unilateralmente pela Fiscalização. A Resolução nº 2202000.576 determinou que a Fiscalização intimasse a empresa JBS Friboi para que apontasse todos os pagamentos realizados ao recorrente no anocalendário 2006, esclarecendo a origem (compra, empréstimo, ou outra). Ora, era preciso que se tivesse conhecimento da razão pela qual foram efetuados os pagamentos ao recorrente, de maneira que não vejo qualquer prejuízo ao contribuinte no fato da Fiscalização requerer informações a respeito das compras realizadas pela JBS Friboi junto ao Sr. Mario Celso Lopes no anocalendário 2006 (fl. 2682 do e processo) que sequer foram realizadas pela empresa. No tocante à alegação de que foi dado prazo exímio à empresa JBS Friboi, o que teria prejudicado a intimação fiscal objeto de diligência, a mesma não merece prosperar. A empresa intimada informou que não havia previsão legal expressa para a guarda de documentos fiscais depois de decorridos cinco anos, de maneira que se fossem dados trinta, sessenta ou mesmo cinco dias para o cumprimento da diligência, isso em nada alteraria o argumento da empresa JBS Friboi. Diferentemente do que alega o recorrente, não foi com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 33433451 do eprocesso que os motivos da autuação foram revelados. Quando da lavratura do auto de infração, em 01/12/11, a Fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal (fls. 23192347 do eprocesso), onde, em mais de trinta páginas, além de observar que a atividade rural foi apurada nos termos do art. 64 do RIR/99, descreve as razões pelas quais o contribuinte foi autuado por: a) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuição de previdência privada e FAPI; b) omissão de rendimento de atividade rural (b.1 receita bruta recebida no anocalendário 2006 e lançada no anocalendário 2007; b.2 receita bruta omitida em face de ausência de escrituração de receitas correspondentes a reembolso de ICMS; b.3 glosa de despesas/investimentos da atividade rural em face de apresentação de comprovante inidôneo, de pagamentos de CPMF, de despesas com aeronave, despesas de terceiro, despesas/investimentos desnecessários, duplicidade de lançamento, lançamento a maior, juros de terceiros, e ausência de comprovante de despesa/investimentos); c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. O item 23 do Termo de Constatação Fiscal, ao contrário do alegado, analisa a situação fiscal, referente aos depósitos bancários, após o cumprimento da diligência. Quanto ao argumento de que houve empréstimos de provas do processo nº 15868.720137/201201, o que acarretaria prejuízo ao contribuinte, devese esclarecer que a Fiscalização apenas tomou emprestada as provas do referido processo, pois a empresa JBS Friboi não apresentou qualquer documento requerido. Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.507 29 É preciso salientar que, ao contrário do alegado pelo recorrente, as provas apresentadas pela JBS Friboi, no processo nº 15868.720137/201201, foram realmente muito elucidativas para estes autos: como descreve o Termo de Constatação Fiscal: a partir dos dados apresentados pela JBS Friboi (fls. 26883368 do eprocesso), a Fiscalização conseguiu correlacionar o total de R$ 512.721,96, informados pela empresa como pagamentos feito ao contribuinte, com os créditos submetidos à tributação objeto de controvérsia deste processo. Ora, a consideração, pela autoridade fiscal, da comprovação da origem de R$ 512.721,96 e, sua posterior exclusão da base de cálculo, não pode, em momento algum, ser considerada prejudicial ao contribuinte, não havendo qualquer prejuízo ao recorrente no empréstimo de provas. Por fim, o argumento de que a Fiscalização antecipou a lavratura do auto de infração utilizandose da falsa premissa do instituto da prevenção da decadência tributária, também não merece prosperar. De fato, a Fiscalização pode realizar o lançamento para evitar a decadência quando está suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Contudo, nada impede que o Fisco realize o lançamento antes de recebidas todas as diligências por ele requeridas, se considerar que as provas colhidas são suficientes para formar a sua convicção. Dessa forma, embora a Fiscalização tenha realizado o lançamento sem as provas apresentadas pela JBS Friboi, as mesmas foram posteriormente consideradas e valoras de forma benéfica ao contribuinte, tendo ele prazo para manifestarse contrário a elas, como fez às fls. 26622677 do eprocesso, não sendo cabível a solicitação de prazo para apresentar argumentos em relação a essas provas, uma vez que já foi dado ao recorrente essa oportunidade. Assim, não tenho havido qualquer prejuízo ao recorrente, entendo que não restou configurado cerceamento de defesa e/ou violação ao devido processo legal. 2. MÉRITO 2.1 Dos depósitos bancários O recorrente sustenta que todos os depósitos bancários havidos em suas contas bancárias têm origem na atividade rural por ele exercida. Com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 30 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualizadamente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Desta forma, passo à análise individualizada das provas apresentadas pelo contribuinte e dos depósitos cuja glosa foi mantida pela Fiscalização, após o cumprimento da diligência determina por esta Turma, conforme tabela de fls. 34723487 do eprocesso. A) DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COM COMPROVADA Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, é possível concluir que o mesmo não exerce, exclusivamente, atividade rural. O contribuinte atua, também, no ramo imobiliário, seja fazendo parte do quadro societário de uma imobiliária, seja fazendo parte do quadro societário de uma administradora de lojas de Shopping Center, seja Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.508 31 intermediando contratos de compra e venda de imóveis rurais. Ademais, a atividade rural exercida pelo contribuinte não se encerra na criação de bovinos, o recorrente também exercia atividades relacionadas ao extrativismo vegetal – borracha natural, por exemplo. Ao longo do procedimento fiscal, a Fiscalização intimou os contribuintes Assis Silvério, NB Noroeste Borracha Indústria e Comércio Ltda., Milton Casari e Paulo Bentivoglio para que justificassem os motivos de determinados pagamentos realizados ao recorrente. Todos os contribuintes atenderam à solicitação fiscal e apresentaram os motivos pelos quais realizaram os ditos pagamentos, apresentando comprovantes de depósito e contratos, em alguns casos. Entretanto, embora os referidos contribuintes tenham informado a causa e o modo dos pagamentos efetuados ao recorrente, a Fiscalização manteve a autuação referente aos depósitos bancários abaixo listados, sem, contudo, justificar no Termo de Constatação Fiscal (fls. 23192347 do eprocesso), ou em outro momento, o motivo pelo qual não aceitou a documentação e os argumentos apresentados pelos quatro contribuintes anteriormente referidos. Data Depósito/ Histórico Extrato Valor Depositante Causa Diligência 30/01/06 Depósito em cheque no caixa 198.250,15 Assis Silvério Pagamento de operação imobiliária Sr. Assis Silvério confirma o pagamento feito ao recorrente em decorrência de operação imobiliária (fls. 24492462 do eprocesso) 13/02/06 TEDTRANSF ELETR DISPON REMET. NB NOROESTE IN COM LTDA 25.740,65 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 03/03/06 TEDTRANSF ELETR DISPON REMET. NB NOROESTE IN COM LTDA 38.419,90 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 10/04/06 DOC CREDITO AUTOMATICO’ NB NOROESTE BORRACHA INDUSTRA 2.014,31 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 10/04/06 DOC CREDITO AUTOMATICO’ NB NOROESTE BORRACHA INDUSTRA 4.990,00 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 10/04/06 DOC CREDITO AUTOMATICO’ NB NOROESTE BORRACHA INDUSTRA 4.990,00 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 10/04/06 DOC CREDITO AUTOMATICO’ NB NOROESTE BORRACHA INDUSTRA 4.990,00 NB Noroeste Borracha Industria e Comércio Ltda. Pagamento decorrente de compra de borracha natural Intimada às fls. 20562057 do eprocesso, a empresa esclareceu que os valores decorrem de pagamento efetuado em face da compra de borracha natural 08/05/06 TEDTRANSF ELET DISPN REMET. ASSIS SILVÉRIO DA 401.750,00 Assis Silvério Pagamento de operação imobiliária O Sr. Assis Silvério confirma o pagamento feito ao recorrente em Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 32 SILVA decorrência de operação imobiliária (fls. 24492462 do eprocesso) 07/04/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. CASARI IMOBILIARIA E ADM 230.000,00 Casari Imobiliária Pagamento de terras adquiridas, feito pelo Sr. Milton Casari O Sr. Milton Casari, após intimação informou que os valores foram depositados a pedido da Agropecuária Jacaré S/A, referentes às terras adquiridas pela mesma (fls. 24872492 do eprocesso) 01/06/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. MILTON CASARI 50.000,00 Milton Casari Pagamento de terras adquiridas O Sr. Milton Casari, após intimação informou que os valores foram depositados a pedido da Agropecuária Jacaré S/A, referentes às terras adquiridas pela mesma (fls. 24872492 do eprocesso). Contrato de compra e venda: fls. 25012504 do e processo 08/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. PAULO BENTIVOGLIO EOU ALDA 18.328,60 Paulo Bentivoglio Pagamento pelos serviços de procurador na compra de imóvel rural O contribuinte Paulo Bentivoglio Filho, após intimação, informou que os pagamentos foram efetuados como pagamento ao Sr. Mario Celso Lopes por ser procurador de seu pai na aquisição de uma propriedade rural no município de Água Clara – MS (fls. 24372448 do e processo) 08/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. PAULO BENTIVOGLIO 21.671,40 Paulo Bentivoglio Pagamento pelos serviços de procurador na compra de imóvel rural O contribuinte Paulo Bentivoglio Filho, após intimação, informou que os pagamentos foram efetuados como pagamento ao Sr. Mario Celso Lopes por ser procurador de seu pai na aquisição de uma propriedade rural no município de Água Clara – MS (fls. 24372448 do e processo) 08/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. PAULO BENTIVOGLIO FILHO 146.631,80 Paulo Bentivoglio Pagamento pelos serviços de procurador na compra de imóvel rural O contribuinte Paulo Bentivoglio Filho, após intimação, informou que os pagamentos foram efetuados como pagamento ao Sr. Mario Celso Lopes por ser procurador de seu pai na aquisição de uma propriedade rural no município de Água Clara – MS (fls. 24372448 do e processo) 09/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. MILTON CASARI 100.000,00 Milton Casari Pagamento de terras adquiridas O Sr. Milton Casari, após intimação informou que os valores foram depositados a pedido da Agropecuária Jacaré S/A, referentes às terras adquiridas pela mesma (fls. 24982500 do eprocesso). Contrato de compra e venda: fls. 25012504 do e processo Total 1.247.776,81 Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.509 33 Como referido, a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 tratase de presunção relativa, de modo que uma vez comprovada a origem dos recursos utilizados nos valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, tornase ônus da Fiscalização apresentar as razões pelas quais não aceita a origem devidamente comprovada, o que não ocorreu neste caso. Desta forma, entendo que o total de R$ 1.247.776,18 deva ser excluído da base de cálculo, por ter sido justificada sua origem, não podendo ser aplicada a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. B) DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM DISCRIMINADA NO HISTÓRICO Da análise da tabela feita pela fiscalização (fls. 34723488 do eprocesso) onde constam os depósitos de origem não identificada correspondentes à base de cálculo, existe coluna que informa a origem dos depósitos abaixo listados. Em tal coluna consta informação obtida junto às instituições financeiras. Data Histórico do extrato Valor 20/03/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* OTAMIR CUSTODIO QUEIROZ E. NEUSA 4.000,00 07/04/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. JOSÉ GOMES DOS SANTOS 18.000,00 02/06/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 45.000,00 05/06/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* SERAFIM DE ANDRADE 3.234,00 16/06/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 46.735,00 29/06/06 TRANSF ENTRE AGENC DINH MARCELO E SINVAL 145.000,00 30/06/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 37.985,00 14/07/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 30.435,00 17/07/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* JAIR RODRIGUES 3.773,00 11/08/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* ORESTES P TIBERY JR 1.600,00 11/08/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 24.985,00 22/08/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 7.677,06 06/09/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* ORESTES P TIBERY JR 1.600,00 21/09/06 TRANF CP AUTOAT Celia Regina Vital Balieiro 1.200,00 21/09/06 DEPOSITO EM DINHEIRO MAURO SCARABELLI 2.700,00 22/09/06 TRANF CP AUTOAT Celia Regina Vital Balieiro 1.200,00 22/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. LIDIA ABRANTKOSKI GARCEZ 5.400,00 22/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 30.465,00 27/09/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 5.787,53 20/10/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. CASA DO SERINGUEIRO LTDA 33.165,00 23/10/06 TED. TRANSF ELET DISPON REMET. O SERAFIM DE ANDRADE 16.602,30 10/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. O SERAFIM DE ANDRADE 30.000,00 13/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 14.985,00 14/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 16.170,90 24/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 15.000,00 29/11/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 28.061,85 15/12/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET. ANTONIO DE ABREU MARIANI 7.487,04 15/12/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 20.000,00 19/12/06 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.O SERAFIM DE ANDRADE 18.400,45 20/12/06 TRANSF. DE RODRIGO GERALDI 2.236,11 26/12/06 RECEBIMENTO FORNECEDOR TATUIBI INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA 130.680,00 28/12/06 DOC CREDITO AUTOMATICO* JAIR RODRIGUES 3.894,00 Total 753.459,24 C) DO DEPÓSITO EFETUADO PELA JBS FRIBOI Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 34 A Fiscalização aceitou uma série de depósitos como decorrentes da empresa JBS Friboi, contudo, não observou que o documento de fl. 2754 do eprocesso, indica a existência de um depósito, cujo valor e data convergem com aqueles que foram objeto de glosa pela fiscalização. Abaixo transcrevo: Banco, ag. e conta Data Nº do doc. Histórico dos extratos e dos Livros Caixa Valor a justificar 033.43010155139 25/08/06 3620 DOC E RECEBIDOTIT DISTINTA 3.725,29 Desse modo, no tocante aos itens B e C ora analisados, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Relativamente aos depósitos descritos nos itens B e C, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois identificados os depositantes e indicada a origem, a situação não mais se subsume à hipótese de omissão por depósitos bancários, mas omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Assim, entendo que o total de R$ 757.184,53 (referente aos itens B e C) deve ser excluído da base de cálculo. D) DEMAIS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Quanto aos demais depósitos bancários, o Livro Caixa apresentado pelo contribuinte, bem como as poucas notas fiscais e os demais documentos trazidos aos autos, ou ainda os documentos apresentados pela JBS Friboi, não informam valores congruentes em dia e data com aqueles apresentados na planilha feita pela fiscalização e intitulada como “demonstrativo de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada” (fls. 34723488 do eprocesso), de modo que deve ser mantida a autuação referente aos depósitos bancários remanescentes. No tocante aos depósitos bancários remanescentes, entendo que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 deva ser aplicada, mantendose a autuação, tendo em vista que o Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.510 35 recorrente não comprovou de forma individualizada a origem dos depósitos feitos em sua conta corrente, conforme previsão do § 3º do referido artigo, é necessário comprovar individualizadamente a origem desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). 2.2 Da Incompatibilidade de Critérios Jurídicos Concomitantes O recorrente sustenta que sua atividade enquadrase, unicamente, como atividade rural, e que quem detém imóveis urbanos é a pessoa jurídica da qual ele participa como sócio, de maneira que todos os seus rendimentos tributáveis provêm, única e exclusivamente, da atividade rural. Acrescenta ser incompatível a aplicação concomitante de dois critérios jurídicos para determinar a matéria tributável e calcular o montante do imposto devido por ele, pois a única atividade de natureza econômica que exerce é a atividade agropecuária. Não merece prosperar a irresignação neste ponto. É necessário ressaltar que a alegação de que todos os proventos do contribuinte decorrem da atividade rural por ele exercida não guarda congruência com as informações de sua DIRPF 2006: da análise da Declaração de Bens e Direito do contribuinte, vêse que o contribuinte possui uma série de imóveis urbanos e rurais, bem como uma quantia significativa de quotas em diversas empresas (a título exemplificativo cito Império Agropecuária S/A; Agropecuária Pombo Verde Ltda.; Transportadora MC Mouran Ltda.; MCL Empreendimentos e Negócio Ltda.; Marlin Veículos e Peças Ltda.; e Malibu Confinamento de Bovinos Ltda.) (0724 do eprocesso). Como já referido, o contribuinte não logrou êxito ao buscar comprovar que todos os seus proventos passíveis de tributação são decorrentes, unicamente, da atividade rural, o que por si só frustra o argumento de utilização de critérios jurídicos concomitantes. O recorrente foi autuado por três infrações concomitantes: a) omissão de rendimento de pessoa jurídica recebido a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; b) omissão de rendimentos da atividade rural (receita e despesa); e c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cada uma delas decorre de um critério jurídico distinto. O que ocorreu foi a utilização do mesmo suporte probatório – extratos bancários e livro caixa da atividade rural – para embasar distintas infrações, o que não é vedado à Fiscalização, não podendo, portanto, persistir o argumento do recorrente. Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 36 3 Das Despesas da Atividade Rural O recorrente alega que a glosa das despesas não merece prosperar, pois a fiscalização ignorou os documentos apresentados por ele e que demonstravam o pleno atendimento aos requisitos legais da dedutibilidade. As despesas de custeio são gastos necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados diretamente com a natureza da atividade exercida. Enquanto as despesas de investimento decorrem da aplicação de recursos financeiros que visem ao desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da produtividade, conforme arts. 7º e 8º da IN SRF nº 83/01, in verbis: Art. 7 º Considerase despesa de custeio aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade rural e à manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades rurais exercidas. Art. 8 º Considerase investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, reparos, bem assim de limpeza de diques, comportas e canais; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de cargas e utilitários rurais, utensílios e bens de duração superior a um ano, bem assim de botes de pesca ou caíques, frigoríficos para conservação da pesca, cordas, anzóis, bóias, guinchos e reformas de embarcações; IV animais de trabalho, de produção e engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para elevação da produtividade, tais como reprodutores, aquisições de matrizes, alevinos e girinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos de solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente à elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação, bússola, sonda, radares e de energia elétrica; Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.511 37 X bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Parágrafo único. Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. O art. 18, § 1º, da Lei nº 9.250/95, impõe ao contribuinte a obrigação de comprovar a veracidade das receitas e despesas por ele lançadas em seu Livro Caixa. Essa imposição, abaixo transcrita, foi completamente recepcionada pela IN SRF nº 17/96, em seu art. 22, § 1º. Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeios, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documento idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor, a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. Além do ato da escrituração, compete ao contribuinte comprovar as receitas e as despesas escrituradas em Livros Caixas, através de documentação idônea que identifique o adquirente, o valor e a data da operação. Tais documentos devem ser mantidos, em seu poder, e ficar à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. O art. 10 da IN SRF nº 83/01 alude àqueles documentos que podem ser ditos idôneos para comprovar a despesa da atividade rural de pessoas físicas: Art. 10. As despesas de custeio e os investimentos são comprovados mediante documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, recibo, contrato de prestação de serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamento de empregados, identificando a destinação dos recursos. No mesmo sentindo, é o entendimento desta Turma: “(...) ARBITRAMENTO – ATITIVIDADE RURAL – ESCRITURAÇÃO EXIGIDA O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o beneficiário, o valor e a data da operação, a qual é mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer à (sic) decadência. Assim, se o contribuinte for intimado a apresentar o Livro Caixa a que estava obrigado a escriturar, e não tendo cumprido a exigência, é cabível o arbitramento realizado com base no parágrafo 2º do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995. (...)” Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 38 (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.181. Rel. Pedro Anan Júnior. Jul. 30/07/09). Assim, passo à análise das despesas glosadas. A) DAS DESPESAS COM AERONAVE A fiscalização autuou as despesas abaixo listadas, que foram escrituradas no Livro Caixa da atividade rural do recorrente, por entender que as mesmas seriam despesas com aeronave – veículo de passageiros de emprego não exclusivo na exploração da atividade rural. Ordem Data Histórico do livro caixa glosa 22 13/03/06 Vr.ref.a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2802 Zoom Comercio de Combustíveis Ltda. 195,00 29 03/04/06 Vr.ref.a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2690 Zoom Comercio de Combustíveis Ltda. 928,20 32 06/04/06 Vr.ref.a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2691 Zoom Comercio de Combustíveis Ltda. 655,20 37 24/04/06 Vr.ref.a Pgto. de duplicata nr 9562 – Cruzeiro do Sul Aviação Ltda. 697,60 38 27/04/06 Pgto. de duplicata nr. 9578 – Cruzeiro do Sul Aviação Ltda. 1.732,50 45 18/05/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 2719 Zoom Com de Comb e Lubrificantes 3.900,00 61 10/07/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 27558 – Zoom Com de Combustível Ltda 3.090,00 62 12/07/06 Vr. ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2761 – Zoom Com. de Combustível Ltda. 924,00 63 17/07/06 Vr.ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2762, 2763 Zoom Com. de Com Ltda. 4.143,00 72 10/08/06 Vr.ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2785 Zoom Com. de Combustíveis Ltda. 3.630,00 74 18/08/06 Vr.ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2791 Zoom Com. de Combustíveis Ltda. 957,00 84 29/09/06 Vr.ref a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2809 Zoom Com de Comb Ltda. 4.290,00 94 13/10/06 Vr. ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2816 – Zoom 2.289,00 98 16/10/06 Vr. ref a pgto de Nota Fiscal Nr. 2819 – Zoom 4.836,00 99 09/10/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 2823, 2822 – Zoom Com. de Combustível Ltda. 5.496,00 108 30/10/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 2829 – Zoom Com de Combustível Ltda 1.050,00 113 06/11/06 Vr. ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2851 – Zoom – Com. de Combustíveis Ltda. 1.200,00 114 06/11/06 Vr. ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2834 – Zoom Com. d Combustíveis Ltda. 900,00 122 11/12/06 Vr. ref. a Pgto de Nota Fiscal Nr. 2854 Zoom Comercio de Combustíveis Ltda. 750,00 Total 41.663,50 O recorrente sustenta que os veículos são de pequeno porte, sendo a melhor alternativa para seu deslocamento nas propriedades rurais onde desenvolve suas atividades, e meio de transporte de pequenos volumes, como medicamentos para gado, sementes para pastagem, instrumentos para proteção do trabalho individual dos funcionários, dentre outros. Acrescenta que os documentos apresentados à Fiscalização demonstravam, cabalmente, que os gastos com as aeronaves atendiam aos princípios da necessidade, compatibilidade e efetividade, e que os veículos são voltados ao exercício da atividade rural que não se limita à aplicação de agrotóxicos ou fertilizantes. Não assiste razão ao recorrente. Conforme art. 4º da Lei nº 8.023/90, o resultado da atividade rural é a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no ano base. O RIR/99 prevê, em seu art. 62, que os investimentos devem ser considerados despesas no mês do pagamento. In verbis: Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês de pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.512 39 que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e que seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): III – aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamento, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; Da leitura do artigo acima transcrito concluise que as despesas de custeio na atividade rural são aquelas necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produto, relacionados com a natureza da atividade exercida, e que os investimentos (aplicações de recursos financeiros, ao longo do ano calendário, com vistas ao desenvolvimento, expansão e melhoria da atividade rural) a elas serão equiparados. Em igual sentido, a Instrução Normativa SRF nº 83/01, em seus arts. 7º e 8º define despesas de custeio e investimentos: Art. 7º Considerase despesa de custeio aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade rural e à manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades rurais exercidas. Art. 8º Considerase investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: I – benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, reparos, bem assim de limpeza de diques, comportas e canais; II – culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III – aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquina, motores, veículos de cargas e utilitários rurais, utensílios e bens de duração superior a um ano, bem assim de botes de pesca ou caíques, frigoríficos para conservação da pesca, cordas, anzóis, bóias, guinchos e reformas de embarcações; IV – animais de trabalho, de produção e engorda; V – serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI – insumos que contribuam destacadamente para elevação da produtividade, tais como reprodutores, aquisições de matrizes, alevinos e girinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos de solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII – atividades que visem especificamente à elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 40 trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII – estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX – instalações de aparelhagem de comunicação, bússula, sonda, radares e de energia elétrica; X – bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Parágrafo único. Os investimentos serão considerados despesas no mês do efetivo pagamento. A Fiscalização alega que “para a dedução como despesa a lei exige que o veículo seja de carga ou utilitário de emprego exclusivo na exploração da atividade rural” (fl. 2322 do eprocesso). Como se vê, o art. 62, § 2º, III, do RIR/99 estabelece que para se deduzir investimentos decorrentes de aquisição de veículos, é preciso que os mesmos sejam de carga ou utilitários e de emprego exclusivo na exploração da atividade rural. Como bem salientou a decisão de Primeira Instância, os documentos acostados aos autos comprovam que as aeronaves não eram usadas exclusivamente para a atividade rural, como impõe o art. 62, § 2º, III, do RIR/99, de modo que os investimentos decorrentes de gastos com aeronaves não podem ser deduzidos na apuração do resultado da atividade rural. É possível observar nos Diários de Bordo que as aeronaves deslocaramse para várias cidades do país (como Belo Horizonte – MG, Boa Vista – RR, Brasília – DF, Goiânia – GO, Porto Alegre – RS, Porto Velho – RO, Rio de Janeiro – RJ, Uberlândia – MG, dentre outras) e realizaram, inclusive, voos internacionais, dentre os quais se destaco Córdoba e Buenos Aires – Argentina. Ressalto que os imóveis rurais onde o contribuinte desenvolve suas atividades, consoante sua DIRPF, localizamse nos Municípios de Castilhos – SP e Torixoreu – MT, relativamente distantes dos locais para onde as aeronaves voaram, não podendo ser admitida, por ausência de provas, que esses veículos se prestavam exclusivamente para a atividade rural. Sendo assim, entendo que valor referente às despesas com aeronave deve mantido, uma vez que o uso das aeronaves não se destinava exclusivamente à atividade rural. B) DOS JUROS DO FINANCIAMENTO RURAL E DOS EMPRÉSTIMOS A Fiscalização autuou as despesas abaixo listadas, que foram escrituradas no Livro Caixa da atividade rural do recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou sua vinculação com a atividade rural: algumas despesas seriam decorrentes de financiamentos que não financiamento rural, bem como dos juros desses contratos, enquanto outras seriam despesas de terceiros, como, por exemplo, os filhos do recorrente. Ordem Data Histórico do livro caixa Valor glosa 24 15/03/06 Pgto. de Juros s/ contrato 162396/6 – Mario Celso Lopes 10.124,24 10.124,24 25 15/03/06 Pgto. de Juros s/ contrato 164758/9 21.280,07 21.280,07 39 02/05/06 Pgto. de Juros s/ financ. 605012/9 4.046,60 4.046,60 40 02/05/06 Pgto. de Juros s/ contrato 505011/1 4.046,60 4.046,60 52 09/06/06 Pgto. de Juros s/ contrato 05010943 1.288,56 1.288,56 70 09/08/06 Pagto. de Juros s/ contrato 05010943 1.572,00 1.572,00 71 09/08/06 Pagto. de Juros s/ contrato 05010943 2.250,00 2.250,00 77 05/09/06 Pagto Juros Banco Bradesco 1.687,20 1.687,20 Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.513 41 78 11/09/06 Pgto. de Juros s/ contrato 05010943 1.286,54 1.286,54 80 15/09/06 Pgto. de Juros s/ contrato 30365/8 Mario Celso Lopes 17.100,52 17.100,52 81 15/09/06 Pgto. de Juros s/ contrato 162396/6 Mario Celso Lopes 10.297,21 10.297,21 89 09/10/06 Pgto. de Juros s/ contrato 05010943 1.002,57 1.002,57 90 09/10/06 Pgto. de Juros s/ contrato 05010943 1.442,18 1.442,18 91 10/10/06 Pgto. de Juros s/ contrato 605078/6 1.342,15 1.342,15 95 16/10/06 Pgto. de Juros s/ contrato 28297/9 Mario Celso Lopes 23.260,99 23.260,99 97 16/10/06 Pgto. de juros s/ contrato 23.260,99 23.260,99 115 09/11/06 Pgto. de juris s/ contrato 05010943 1.603,65 1.603,55 124 31/12/06 Pgto. de juros s/ desc. títulos NPR 121.900,69 121.900,69 Total 248.792,66 O recorrente afirma que as despesas foram devidamente comprovadas através dos contratos firmados entre ele e instituições bancárias financiadoras da atividade rural, sendo possível verificar a congruência entre as informações registradas em seu Livro Caixa e as constantes nos contratos. Giza que quanto aos juros decorrentes dos financiamentos contratados em nome de Mário Celso Lincoln Lopes e Lívia Correa Lopes, seus filhos, inadmitir que o pai tome de empréstimo o crédito do filho é um atento aos parâmetros que garantem a harmonia familiar, e que foram apresentados ao Auditor Fiscal todos os documentos necessários para o reconhecimento da legitimidade dos mútuos pactuados entre o contribuinte e seus filhos. Quanto aos documentos juntados às fls. 10861093 do eprocesso, que apontam para a existência contratos de financiamento, os mesmos não referem ao valor financiado, nem ao dia em que o pacto ocorreu, apenas informa parcelas que foram descontas, e que os valores das movimentações referentes aos descontos das parcelas não são congruentes com os valores lançados no livro caixa do recorrente como despesa. No que refere ao contrato de mútuo firmado junto à Usina da Barra e apresentado às fls. 10941098 do eprocesso, embora o mesmo informe um valor tomado pelo recorrente, não informa as datas e as quantias dos pagamentos. A cláusula segunda do contrato alude para o fato de que o recorrente deveria reembolsar à Usina da Barra a quantia de R$ 3.500.000,00, atualizada monetariamente, com base na variação do IGPM (FGV), desprezadas as variações negativas, e acrescida de juros mínimos de 1% ao mês, sendo que ambos os encargos ficariam fixados em 15% ao ano, e seriam apurados na data do reembolso. Como mencionado, o contrato não faz qualquer referência à data do reembolso e, se tomado como valor mínimo para o pagamento a quantia de R$ 3.500.000,00, constatase que esse valor não consta em qualquer das despesas glosadas pela fiscalização. De modo que o contrato não se mostra hábil a comprovar qualquer das despesas declaradas como empréstimo. Compulsando os autos, não encontrei os demais contratos aludidos pelo recorrente. Ademais, em sede de recurso voluntário não foram apresentados documentos que pudessem corroborar o alegado pelo contribuinte, razão pela qual entendo que devem ser mantidas as seguintes glosas em decorrência de ausência de prova que comprove que os referidos valores decorrem de empréstimos tomados em decorrência da atividade rural exercida pelo contribuinte. C) DOS LANÇAMENTOS A MAIOR A fiscalização autuou seis despesas que teriam sido lançadas a maior. Ordem Data Histórico do livro caixa Valor glosa Motivo da Glosa 75 01/09/06 Vr. ref. a Pgto. diversos conf.docs 70.000,00 70.000,00 Lançamento a maior. Pagou somente 35.000,00 Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 42 92 13/10/06 Pgto de Nota Fiscal Nr 10380052, 10380088, 10380053, 10380051 – Darcy Montagna 44.34040 20.340,00 Lançamento a maior. São quatro notas fiscais de 6.000,00, no total de 24.000,00 93 13/10/06 Pgto de Nota Fisca Nr. 10380126 – Darcy Montagna 8.200,00 2.200,00 Lançamento a maior. Uma nota fiscal de 6.000,00 111 03/11/06 Pgto de Nota 10491792, 10491820, 10491821, 10491822 – Fernandes e Petroli Ltda 59.242,40 29.242,40 Lançamento a maior. O vr de todas as NFs é de 6.000,00, totalizando 30.000,00 112 03/11/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 103804211038042010380422 27.049,00 12.424,00 Lançamento a maior. Os vrs das NFs são 4.500,00, 6.000,00 e 4.125,00, somando 14.625,00 118 21/11/06 Pgto. de duplicata nr. 492014/492013492015 Luiz Carlos Rotilli 33.824,00 15.824,00 Lançamento a maior. As três NFs são de 6.000,00, somando 18.000,00 Total 150.030,40 Da análise de todas as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, observase que apenas às fls. 1032 e 1042 e seguintes constam as notas referentes às despesas acima descritas. A soma de cada uma dessas notas, como bem mencionou a Fiscalização evidencia despesas com valores bastante inferiores àqueles escriturados pelo recorrente em seu livro, nos exatos valores mencionados pela autoridade administrativa. Considerando que o contribuinte não apresentou quaisquer documentos que possam corroborar o total das despesas por ele declaradas, deve ser mantida a autuação no total de R$ 80.030,40. D) DA DESPESA DE TERCEIROS A Fiscalização glosou a quantia de R$ 10.614,80 lançada pelo recorrente como despesa em razão do pagamento de duplicata da nota fiscal nº 145152. A nota fiscal, juntamente com o comprovante de pagamento, foi apresentada às fls. 10151017 do eprocesso. Contudo, a Fiscalização constatou que a mesma fora emitida em nome de terceiro, empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda. e por conta disso a suposta despesa foi glosada. Ordem Data Histórico do livro caixa Valor glosa Motivo da Glosa 64 24/07/06 Vr.ref. a Pgto. De duplicata nr. 145252 – Oleos Menu Ind. e Com. Ltda 10.614,80 10.614,80 Despesas de terceiros. NF emitida em nome de Malibu Confinamento de Bovinos Ltda, CNPJ 06.043.226/000156 Entendo que a glosa deve ser mantida, pois além de não ter sido objeto de contestação, e de não ter sido apresentado documento que pudesse afastála, tratase de despesa cujo comprovante de pagamento e a nota fiscal (fls. 10151016 do eprocesso) apontam como adquirente a empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda., e não o recorrente. Da análise dos autos, é possível afirmar que o recorrente é acionista majoritário da referida empresa, e que, inclusive a Estância do contribuinte recebe o nome da mesma. Assim, embora o contribuinte Mario Celso Lopes esteja vinculado à pessoa jurídica Malibu Confinamento de Bovinos Ltda., não é possível afirmar que a despesa de R$ 10.614,80 lançada no Livro Caixa do recorrente, decorre da atividade rural exercida pela pessoa física, não podendo, portanto, ser excluída da autuação. E) DO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE Os lançamentos 4723 (R$ 10.333,00) e 4728 (R$ 10.570,00) feitos no Livro Caixa do recorrente, no dia 30/10/06, referemse às notas fiscais nº 5242 e 5240, ambas no valor de R$ 5.016,50 foram feitos em duplicidade, e como bem apontou a fiscalização. Deste modo, não tendo havido qualquer manifestação do recorrente em sentido contrário, ou apresentada prova atestando que os lançamentos não foram dúplices, deve ser mantida a autuação abaixo especificada: Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.514 43 Ordem Data Histórico do livro caixa Valor glosa Motivo da Glosa 107 30/10/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 5242, 5240 – Fazenda Buriti 10.507,00 10.507,00 Duplicidade de lançamento. As NFs 5242 e 5240, as duas no valor de R$ 5.016,50, foram lançadas duas vezes nesta data F) DAS DESPESAS E INVESTIMENTOS CONSIDERADOS DESNECESSÁRIOS A Fiscalização procedeu a glosa dos valores abaixo especificados, escriturados no Livro Caixa do recorrente, por consideralos despesas/investimentos realizados, mas que não eram necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. Ordem Data Histórico livro caixa Glosa Motivo para glosa 28/04/06 TARIFA 1.158,71 Despesa/investimentos desnecessários. Juros e comissões sobre limite, conforme lançamento a debito da c/c 033 43 010155139. Só é dedutível juros do financ rural (art. 16 da IN SRF 83/2001) 60 28/06/06 Pagto juros 1.186,55 Despesa/investimentos desnecessários. Juros e comissões sobre limite, conforme lançamento a debito da c/c 033 43 010155139. Só é dedutível juros do financ rural (art. 16 da IN SRF 83/2001) Ao contrário do que alega a Fiscalização, o art. 16 da IN SRF 83/2001, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural das pessoas físicas, não estabelece como requisito para a dedução de juros, que esses sejam relativos ao financiamento rural. Conforme, o referido art. 16: Art. 16. Os encargos financeiros efetivamente pagos em decorrência de empréstimos contraídos para o financiamento de custeio e de investimentos da atividade rural podem ser dedutíveis na apuração do resultado. Como se percebe, o único requisito para a dedução de encargos financeiros pagos em razão de empréstimos, é que esses tenham sido contraídos para financiar a atividade rural. O contrato de financiamento rural seria, por sua essência, destinado ao custeio da atividade rural, contudo, nada impede que um contribuinte realize outros contratos de crédito para o financiamento do custeio e do investimento de sua atividade rural. Ocorre que embora o recorrente tenha trazido aos autos os contratos de financiamento, não correlacionou os mesmos com a sua atividade rural, isto é, não apresentou qualquer motivo que vinculasse o valor tomado como empréstimo e, posteriormente, pago a título de juros, com as despesas e investimentos necessários à sua atividade rural. O contribuinte se limita a alegar que exerce unicamente a atividade rural, argumento que, como amplamente referido, não condiz com a realidade. Desta forma, entendo que deve ser mantida a autuação, pois não comprovada a necessidade da despesa. G) DAS DESPESAS COMPROVADAS POR TED, DOC TRANSFERÊNCIA, CHEQUE, MAS SEM NOTA FISCAL OU RECIBO O contribuinte foi autuado, pois não teria comprovado as despesas abaixo listadas. Consoante a Fiscalização, o recorrente os comprovantes (TED, Ordem data Histórico livro caixa Glosa Motivo para glosa fl. ted 5 11/01/06 Vr. ref. a Pagto Parceiro 14.644,20 Comprovante inidôneo. Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 44 Nelson dos Santos Jardim Comprovante de emissão de TED sem recibo ou NF que identifique o tipo de despesa/investimento Doc. Transferência, e cheque) apresentados pelo recorrente seriam inidôneos, já que desacompanhados de recibos ou notas fiscais que identificasse o tipo de despesa/investimento. 6 11/01/06 Vr.ref a Pagto a Sergio Sampaio Nogueira – Parceiro Nelson da Silva Jardim 78.631,11 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo ou NF que identifique o tipo de despesa/investimento 83 20/09/06 Vr.ref. a Pagto. Lauro Sorita 7.155,00 Comprovante inidôneo. Cheques 329 (3.155,00) e 327 (4.000,00), sem nota fiscal, recibo, etc. que comprove a natureza do pagamento 86 06/10/06 Pgto conf recibo – noboru Yamashita e Guilherme Agustín 60.500,00 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo ou NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1025, 1026 100 23/10/06 Vr ref ao pgto de nota fiscal n 18257 – pedroso com. de cereais 43.289,15 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1036 101 23/10/06 Vr ref ao pgto de nota fiscal n 18287 – d.f. representações e corr. De mercadorias ltda 30.167,10 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1035 103 27/10/06 Pgto conf recibo – d.f repres e corretora de mercadorias ltda 70.000,00 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 104 27/10/06 pgto de nota fiscal n 80358, 80247, 80249 – luiz carlos rotilli 108.566,80 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1038 105 27/10/06 pgto de nota fiscal n 248, 80246, 80245 – luiz carlos ritilli 33.467,50 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1039 106 27/10/06 Pgto conf recibo – df repre1sentações e cor de mercadoria 30.000,00 Não apresentou comprovante de despesas/investimento 1040 110 31/10/06 Pgto conf recibo – d f representações e corretora 98.000,00 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 116 10/11/06 Pgto conf recibo – rosemar aparecida carvalho 42.647,25 Comprovante inidôneo. Comprovante de emissão de TED sem recibo de NF que identifique o tipo de despesa/investimento 1067 1069, 1073 Total 617.068,11 Como referido, é necessária a apresentação de nota fiscal, recibos, ou outros documentos idôneos semelhantes aos descritos no art. 10 da IN SRF nº 83/01 para que reste comprovada a despesa de atividade rural declarada em Livro Caixa. Portanto, a mera apresentação de TED de depósito ou transferência bancária, ou ainda cópia de cheque, não se mostra suficiente para comprovar a despesa, eis que não identifica a causa da operação. No caso dos valores acima especificados, o recorrente apresentou apenas o TED bancário, Doc de transferência, ou cheque, não tendo trazido aos autos as notas fiscais que identificassem o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, ou ainda informado o motivo pelo qual os pagamentos decorreram. Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.515 45 Cumpre sinalar que, embora a Fiscalização aponte que o recorrente apresentou comprovante de emissão de documento bancário (pagamento) em todas as despesas, apenas as despesas de “Ordem” 86 (fls. 10251026 do eprocesso), 100 (fl. 1036 do e processo), 101 (fl. 1035 do eprocesso), 104 (fl. 1038 do eprocesso), 105 (fl. 1039 do e processo), 106 (fl. 1040 do eprocesso) e 116 (fls. 10671069 e 1073 do eprocesso) possuem comprovante de pagamento, o qual não indica o motivo e encontrase desacompanhado de qualquer recibo ou nota fiscal que possa atestar a sua vinculação à atividade rural. Assim, entendo que a glosa das referidas despesas deve ser mantida, pois ausente comprovação de suas origens. H) DA DESPESA DA ARAÇABOI A fiscalização glosou a quantia de R$ 42.134,40, despesa declarada no Livro Caixa do contribuinte como decorrente de pagamento de frente à empresa Araçaboi, pois ausente conhecimento de transporte e porque o comprovante de pagamento apresentado está em nome de “Associação dos Postos do Estado do Mato Grosso”, conforme tabela abaixo: Ordem Data Histórico livro caixa Glosa Motivo para glosa 73 15/08/06 Pgto Conf. Recibo De Frete da Araçaboi 42.134,40 Despesa/investimentos desnecessários. Juros e comissões sobre limite, conforme lançamento a debito da c/c 033 43 010155139. Só é dedutível juros do financ rural (art. 16 da IN SRF 83/2001) Entendo, contudo, que tal valor deve ser excluído da glosa, pois comprovada a despesa. O conhecimento de transporte expedido pela empresa Araçaboi Transporte de Gado (fl. 1020 do eprocesso) indica que entre os dias 26/07/06, 29/07/06 e 31/07/06, o contribuinte contratou os serviços da empresa para transportar 940 cabeças de gado, do Município de Torixoréu, no Mato Grosso, para o Município de Castilho, em São Paulo, bem como informa o valor a ser pago pelo contribuinte. Esse documento é claro no sentido de que a ordem de pagamento deveria ser feita em nome da Associação de Postos do Estado do Mato Grosso, na conta bancária ali descrita (Banco Bradesco S/A; Agência 26476; Conta corrente 35; CNPJ: 06.961.10.0001 48). O recorrente apresentou o comprovante de depósito efetuado em 15/08/06 em favor da Associação de Postos do Estado do Mato Grosso (fl. 1021 do eprocesso), como previa o conhecimento de transporte expedido pela empresa Araçaboi. Dessa forma, entendo que o contribuinte comprovou a despesa no total de R$ 42.134,40, e que esta é absolutamente vinculada à atividade rural por ele exercida, devendo a mesma ser excluída da glosa das despesas. I) DA CPMF O recorrente sustenta que as despesas com CPMF referemse, exclusivamente, à sua movimentação financeira no exercício da atividade rural, o que justifica sua dedução na apuração do resultado da atividade. Acrescenta que, se a fiscalização entende que tais despesas não se referem a sua atividade, caberia a ela demonstrar tal situação. Ordem Data Histórico do livro caixa glosa 2 05/01/06 CPMF 713,25 3 05/01/06 CPMF 18,21 Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 46 4 06/01/06 CPMF 411,15 7 12/01/06 CPMF 25,38 8 12/01/06 CPMF 1.361,89 9 13/01/06 CPMF 314,76 10 19/01/06 CPMF 1.036,89 11 19/01/06 CPMF 41,35 12 23/01/06 CPMF 17,38 13 26/01/06 CPMF 291,29 14 27/01/06 CPMF 196,06 15 02/02/06 CPMF 742,79 16 09/02/06 CPMF 736,95 17 16/02/06 CPMF 25,79 18 16/02/06 CPMF 1.580,67 19 23/02/06 CPMF 133,89 20 23/02/06 CPMF 532,55 21 01/03/06 CPMF 2,32 30 03/04/06 CPMF 880,58 31 03/04/06 CPMF 239,36 33 11/04/06 CPMF 1.207,78 34 11/04/06 CPMF 26,48 35 24/04/06 CPMF 1.649,44 36 24/04/06 CPMF 34,44 41 03/05/06 CPMF 5,09 42 11/05/06 CPMF 2.887,96 43 12/05/06 CPMF 2.270,00 46 23/05/06 CPMF 95,54 47 23/05/06 CPMF 448,23 48 01/06/06 CPMF 2.394,05 49 01/06/06 CPMF 164,44 54 12/06/06 CPMF 2.746,42 55 12/06/06 CPMF 162,10 58 21/06/06 CPMF 1.775,53 66 01/08/06 CPMF 193,86 67 01/08/06 CPMF 4.877,39 76 04/09/06 CPMF 822,24 Total 31.063,50 Não assiste razão ao recorrente neste ponto. A fiscalização, no Termo de Constatação e Intimação Fiscal – 03/11/2001, aduz que: a) nos anoscalendário 2006 e 2007 o recorrente escriturou, em seus Livros Caixas, despesas com CPMF em valores superiores à movimentação financeira dessa atividade; b) a contribuição paga em razão de movimentação financeira que não se relaciona com a atividade rural, uma vez que não é despesa dedutível na apuração do resultado dessa atividade; c) a legislação do IRPF apenas permite considerar como despesa/investimento aqueles valores relacionados à atividade rural e necessários à percepção dos rendimentos; d) à época dos fatos, a CPMF era calculada à alíquota de 0,38% sobre a movimentação financeira relativa às saídas de recursos financeiros de contas bancários, de modo que o contribuinte apenas poderia escriturar como CPMF, em cada mês, a contribuição devida em razão dos pagamentos das despesas de custeio/investimento da atividade rural (fls. 709715 do eprocesso). No Termo de Constatação Fiscal 01/12/2011 é feita ressalva no sentido de que os valores apurados no Termo de Constatação Fiscal 03/11/2011, referentes à parcela dedutível da CPMF, foram alterados em decorrência da informação prestada pelo recorrente, pois foi considerado como despesa declarada somente os 50% do recorrente, esquecendose dos 50% de seu cônjuge (fls. 23192347 do eprocesso). A Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Crédito e Direito de Natureza Financeira (CPMF) foi instituída pela Lei nº 9.311/96, vigeu até 31/12/07. Nos termos do art. 1º, parágrafo único, da referida lei: Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.516 47 Art. 1º É instituída a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPFM. Parágrafo único. Considerase movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira qualquer operação liquidada ou lançamento realizado pelas entidades referidas no art. 2º, que representem circulação escritural ou física de moeda, e de que resulta ou não transferência da titularidade dos mesmos valores, créditos ou direitos. Igualmente, a Lei nº 9.311/96 determinava como necessária à ocorrência do fato gerador da CPMF a movimentação de valores dos titulares nas contas mantidas em instituições financeiras, que representassem circulação escritural ou física de moeda. Vale ressaltar que o art. 2º, IV, da Lei nº 9.311/96 previa que outras movimentações ou transmissões de valor e de créditos e direitos de natureza financeira, cuja finalidade e características sugerissem a existência de um sistema organizado para sua ocorrência deveriam ser equiparados ao fato gerador descrito no art. 2º: Art. 2º O fato gerador da contribuição é: VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizala. Ocorre que, no caso, o contribuinte não conseguiu comprovar a vinculação entre seus depósitos bancários e a atividade rural por ele exercida, de maneira que não é possível considerar que as despesas havidas com CPMF decorriam, exclusivamente, de despesas de custeio ou de despesas de investimentos, à luz dos arts. 7º e 8º da IN SRF nº 83/01, da atividade rural, não podendo, portanto, ser admitida sua escrituração no Livro Caixa. Assim, entendo como correta a autuação no tocante às despesas declaradas como decorrentes de CPMF. J) DAS DEMAIS DESPESAS A Fiscalização glosou as despesas abaixo descritas, pois o contribuinte não teria apresentado comprovante de despesa/investimento. Ordem Data Histórico do Livro Caixa Glosa 1 04/01/06 Pgto. Conf. Recibo a Leandro Atti Testa res. 80 CBS 54.742,74 28 17/03/06 Vr. ref. a Reembolso Granol Ind e Com. Exportação 8.550,00 53 12/06/06 Vr. ref. a Pgto.Conf.Recibo –Elieser Pancini Sanches 2.820,00 56 21/06/06 Pgto.Conf.Recibo – Erinaldo Fernandes Santos 11.306,75 57 21/06/06 Vr..ref.a Pgto. Conf. Recibo Denise Souza de Freitas 2.886,82 59 28/06/06 Pgto. Conf. Recibo – Erinaudo F. Santos 17.744,62 65 31/07/06 Pgto. ICMS gado de criar 17.202,00 79 13/09/06 Vr. ref. a Pagto Serv Plantio Cana 39.190,04 85 30/09/06 Pgto. ICMS gado de criar 26.015,52 102 24/10/06 Pgto. de Nota Fiscal Nr. 265550, 265667, 265672, 265697, 265765 – Cargil Agrícolas S.A 59.387,95 Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 48 109 31/10/06 Pgto. ICMS gado de criar 163.359,09 119 21/11/06 Pgto de Nota Fiscal Nr. 10492014 10492013 – 10492015 – Pgto da Compra de Milho 33.824,00 120 30/11/06 Pgto. ICMS gado de criar 92.697,86 121 11/12/06 Vr. ref. a Pagto Prest Serv cana 31.511,38 123 12/12/06 Pagto MDN Consultoria e Acessoria 10.222,00 Total 571.460,77 O recorrente alega, genericamente, que essas despesas (constantes no item 3.3 do Termo de Constatação Fiscal, anexo ao Auto de Infração) foram devidamente justificadas através dos documentos e esclarecimentos apresentados. Contudo, não consta nos autos qualquer documento referente a essas despesas, ou seja, não existem documentos hábeis e idôneos a comprovar que as despesas glosadas são, de fato, referentes à percepção dos rendimentos e à manutenção da atividade rural. Dessa forma, entendo que a glosa dessas despesas deve ser mantida, por ausência de documento apto a comprovar a despesa/investimento. Ante o exposto, VENCIDO na preliminar de ilicitude da prova, voto por REJEITAR as demais preliminares, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o montante total de R$ 2.047.090,79. Os montantes excluídos estão decompostos da seguinte forma: a. com relação aos depósitos bancários: a.1. R$ 1.247.776,81, pois identificada a origem do depósito bancário através de diligência realizada pela Fiscalização, não podendo ser aplicada a presunção inserida no art. 42 da Lei nº 9.430/96; b.2. R$ 753.454,29, pois identificado o depositante e identificada a origem no histórico do extrato bancário, não podendo ser aplicada a presunção inserida no art. 42 da Lei nº 9.430/96; b.3. R$ 3.725,29, pois comprovada a origem como referente à empresa JBS, não podendo ser aplicada a presunção inserida no art. 42 da Lei nº 9.430/96; c. com relação às despesas da atividade rural: c.1. R$ 42.134,40, pois comprovada a despesa decorrente do pagamento de transporte de 940 cabeças de gado, do Município de Torixoréu/MT para o Município de Castilho/SP; (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.517 49 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO 50 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10880.735707/201197 Acórdão n.º 2202002.943 S2C2T2 Fl. 3.518 51 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 11634.001025/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008
SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.
Numero da decisão: 2302-003.618
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LiegeLacroixThomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.
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PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LiegeLacroixThomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 25 /2 00 9- 37 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001025/200937 Acórdão n.º 2302003.618 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 37.310.4928, e DEBCAD nº 37.310.4936, referente aos respectivos deveres instrumentais, consolidados em 05/07/2011, em face da ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT AACRT, no valor total de R$3.835.346,61 (três milhões, oitocentos e trinta e cinco mil, trezentos e quarenta e seis reais esessenta e um centavos)referente às contribuições previdenciárias sobre remunerações pagas a cooperados da Unimed Porto Alegre, que prestaram serviços à entidade,no período de 01/2007 a 12/2008. Segundo relatório fiscal, a entidade ora Recorrente quedouse inerte quanto ao adimplemento das respectivas obrigações tributárias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, e pela omissão, nas GFIPs apresentadas no período fiscalizado, os pagamentos efetuados a profissionais da Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico LTDA., cooperativas de trabalho – Unimed. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RSentendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARTE DA EMPRESA.COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. ÁREA DA SAÚDE.INCONSTITUCIONALIDADE. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP.DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES.COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. ÁREA DA SAÚDE.CONSTITUCIONALIDADE. Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração àlegislação previdenciária. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo porinconstitucionalidade ou ilegalidade. A constitucionalidade das leis évinculada para a Administração Pública. Estando discriminados, na fatura da cooperativa da área da saúde, osvalores dos serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoasfísicas ou jurídicas ou os materiais fornecidos, a contribuição deve sercalculada sobre o valor real dos serviços prestados. Impugnação Improcedente Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001025/200937 Acórdão n.º 2302003.618 S2C3T2 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) no mérito, após discorrer acerca da possibilidade dessa Corte analisar a constitucionalidade de normas jurídicas, pugnou pela improcedência da ação fiscal em tela, fundamentando o pleito na inconstitucionalidade formal e material do dispositivo legal utilizado como base da autuação; b) em vista da inconstitucionalidade suscitada, afirmou que, assim como a obrigação principal, é indevido o lançamento fiscal em relação as obrigações acessórias; c) que o NFLD é nulo por desconsiderar os termos do art. 291, I, A, da Instrução Normativa 03/2005, que limita a base de cálculo da contribuição em fustigo ao percentual de 30% do valor bruto das cobranças; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Da inconstitucionalidade Alega o contribuinte ser inconstitucional o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, visto que instituiu a contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de15% do total das importâncias pagas, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001025/200937 Acórdão n.º 2302003.618 S2C3T2 Fl. 5 4 distribuídas ou creditadas a seuscooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços queprestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. De proêmio, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais do inciso IV, do art. 32, da Lei nº 8.212/91, em sede de apreciação de Recurso Repetitivo RE595838 , nos termos abaixo transcritos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001025/200937 Acórdão n.º 2302003.618 S2C3T2 Fl. 6 5 custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. De fato, a redação do inciso declarado inconstitucional subverte a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária, prevista no art. 195, I, da Lei Maior, ao eleger o tomador do serviço como sujeito passivo da obrigação, desconsiderando a existência da relação jurídica contratualmente firmada com a cooperativa, como se o prestador de serviço cooperado fosse uma pessoa física genuinamente autônoma. Em verdade, nesse tipo de relação contratual, a cooperativa é a contratada como prestadora do serviço, e ninguém mais. Destarte, ainda que a concretização dos serviços contratados seja viabilizada pelos cooperados, estes, apenas mantêm vínculo jurídico com a cooperativa, conforme dispõe a inteligência da Lei nº 5.764/71: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Outrossim, como bem obtempera Andrei Pitten Velloso, ao comentar o artigo em vergaste, em Constituição Tributária Interpretada, p. 585, “somente podem ser tributadas as remunerações pagas a pessoas físicas que prestem serviço aos empregadores, às empresas ou às entidades que lhes são equiparadas. As remunerações pagas a pessoas jurídicas, mesmo decorrentes de prestação de serviços, não estão sujeitas à incidência da contribuição do art. 195, I, a”. Em vista disso, é defeso ignorar a natureza jurídica da sociedade cooperativa, assim como deturpar os aspectos individuais dos contratos convencionados, a fim de tributar fatos que não se adequam a materialidade do tributo, consoante preconiza o art. 110, do CodexTributário. Convém salientar, que a melhor doutrina ratifica este entendimento, como se vê pela transcrição abaixo: Sobre o equívoco de se dar prevalência a argumentos de ordem meramente prática ou de conveniência: “A conjugação desses fatores conduz à prevalência dos argumentos lingüísticos e sistemáticos sobre os meramente práticos. Essas regras de prevalência são decisivas para a interpretação dos limites à instituição de contribuições. Isso porque estabelecem que argumentos meramente práticos, como são os argumentos relacionados à Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001025/200937 Acórdão n.º 2302003.618 S2C3T2 Fl. 7 6 necessidade de aumentar a arrecadação ou à importância do financiamento da saúde, não poderão prevalecer sobre os argumentos lingüísticos e sistemáticos, como são aqueles que se deixam reconduzir à estrutura do Sistema Tributário Nacional e às regras de competência.” (ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 161) Desse modo, inarredável a conclusão de que o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, não encontra fundamento de validade nas competências específicas do art. 195, incisos I ao IV, da CF/88, levando a conclusão insofismável de que é flagrantemente inconstitucional. No caso dos autos, verificase que a autuação decorreu do inadimplemento das respectivas obrigações tributárias, principais e acessórias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviçosprestados por cooperativas de trabalho, e declarações inexatas em GFIP, exatamente a hipótese tratada no RE595838. Portanto, diante da citada declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento legal o dispositivo em vergaste. Conclusão Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2015. 10 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10980.005840/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999
RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na Lei nº 11.051/2004, artigo 25, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN.
NORMAS PROCESSUAIS. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Não deve ser conhecido recurso interposto pela Fazenda Nacioanl contra dispositivo do acórdão que lhe foi favorável, observando-se, nesta parte, nítida falta de interesse de agir.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à multa de oficio e, no mérito, negar-lhe provimento; e II) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, por aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Bernardes de Queiroz, OAB/PR n° 51.120, advogado do sujeito passivo.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999 RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 40 /2 00 3- 87 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. Devese aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na Lei nº 11.051/2004, artigo 25, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. NORMAS PROCESSUAIS. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Não deve ser conhecido recurso interposto pela Fazenda Nacioanl contra dispositivo do acórdão que lhe foi favorável, observandose, nesta parte, nítida falta de interesse de agir. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à multa de oficio e, no mérito, negarlhe provimento; e II) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, por aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Bernardes de Queiroz, OAB/PR n° 51.120, advogado do sujeito passivo. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 543DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 532 3 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 376 a 381) e de recurso especial interposto pela United Colors of Benetton do Brasil Ltda (fls. 417 e 448) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 359 a 372) que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar as multas dos períodos de março de 1998 a março de 1999 e manteve a decisão recorrida no tocante ao prazo decadencial de dez anos, à legalidade da aplicação do juros de mora com base na taxa SELIC, à impossibilidade de apresentação de pedido de compensação antes do trânsito em julgado em ação judicial, e quanto ao respeito à coisa julgada, que determinou a compensação do PIS recolhido a maior somente com débitos do mesmo tributo. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. 0 prazo de decadência da Cofins é de dez anos,contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. SELIC. Os juros de mora, legalmente calculados com base na taxa Selic, são devidos na falta de pagamento ou pagamento do tributo fora do prazo de vencimento legal, qualquer que seja a causa determinante da falta. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. A compensação entre tributos e contribuições de destinação constitucional distinta, anteriormente à instituição da declaração de compensação, pressupunha a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. FATO QUE DEIXOU DE SER CONSIDERADO INFRAÇÃO POR LEI POSTERIOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase retroativamente a lei (Lei d 11.051, de 2004, art. 25) que tenha limitado a aplicação de multa de oficio, relativamente à compensação informada em DCTF, aos casos de dolo, fraude ou simulação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999 Ementa: PIS. INDÉBITOS. COMPENSAÇÃO COM COFINS. AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. LANÇAMENTO. Tendo sido a questão da compensabilidade entre PIS e Cofins submetida à apreciação do Judiciário, caberia ao Fisco proceder ao lançamento da exigência da Cofins, ficando o lançamento submetido ao destino da ação judicial, nesta matéria. Transitada em julgado a ação em desfavor do sujeito passivo, não subsiste argumento contra a legitimidade do lançamento efetuado. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional apresentou o já referido recurso especial, que foi recebido na integralidade pela Presidente da Primeira Câmara no que se refere (i) "à compensação indevida de PIS com COFINS, uma vez que a decisão judicial restringiu o direito à compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS” e (ii) “quanto à manutenção da multa de oficio" (fls. 384 a 386). Por outro lado, a contribuinte no seu recurso especial asseverou (i) que o prazo decadencial para as contribuições é de cinco anos, conforme determina o § 4º do artigo 150 do CTN, e (ii) que não cabe o lançamento de ofício quando o tributo foi declarado em DCTF. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido em sua totalidade através do r. despacho de fls. 384 a 386 e o Recurso Especial do contribuinte foi admitido através do r. despacho de fls. 529 a 530 somente no tocante ao prazo decadencial. Contrarrazões do Contribuinte e da Fazenda Nacional as fls. 396 a 416 e fls. 533 e 540, respectivamente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 533 5 Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso do Contribuinte merece ser conhecido e o recurso da Fazenda Nacional merece ser conhecido somente no tocante à aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte. No tocante ao mérito, a primeira questão controversa diz respeito ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Desta forma, prazo decadencial a ser adotado é o de cinco anos, contados de seu fato gerador, nos exatos termos do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional, uma vez que o contribuinte apresentou pedidos de compensação, os quais foram indeferidos por haver ação judicial ainda não transitada em julgado, como constata o Termo de Encerramento do Auto de Infração, às fls 45: A empresa solicitou compensação de débitos da COFINS, com crédito do processo n°. 10.980.000061/9816, de restituição de PIS, da empresa Benetton do Brasil Têxtil Ltda, através dos pedidos de compensação, de fls 05a 19. Considerando que o citado processo de Pedido de Restituição foi indeferido, conforme cópia de Despacho Decisório de folhas 20/22, em razão do contribuinte ter impetrado Ação Ordinária n o . 99.0003001 0 na 3a. Vara da Justiça Federal de Curitiba, a qual ainda não transitou em julgado e, para atender ao despacho de folhas 24 do processo n°. 10980.008467/200235, os valores compensados indevidamente são agora submetidos à tributação através do Auto de Infração de f1s.41/42, do qual este Termo parte integrante e indestacável. Cumpre salientar que o contribuinte informou nas DCTFs como liquidados por pagamentos os débitos de COFINS referentes aos meses de março a junho de 1998 (cópia às fls.05/09 ), cujos pagamentos inexistem. Salientamos ainda, que o débito relativo ao período de apuração do mes de junho/99, no valor total de R$ Fl. 546DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 34.772,12, o contribuinte efetuou o recolhimento da importância parcial de R$ 20.641,66 , sendo levado a tributação a diferença de R$ 14.130,46. Concluise, assim, que os fatos geradores ocorridos em março, abril e maio de 1998 foram atingidos pela decadência, tendo em vista que a autuação ocorreu em junho de 2003, razão pela qual não pode subsistir esta parte na exigência fiscal. No tocante à incidência da multa de 75% pela compensação indevida, lastreada no Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91, e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é de se destacar, inicialmente, quanto à hipótese ora sub judice, que os Pedidos de Compensação foram apresentados entre os meses de abril de 1998 a julho de 1999 (fls 07 a 21). Quanto ao substrato legal de incidência da penalidade, é de se destacar que a multa isolada de ofício surgiu com a Lei nº 10.833/2003, de 29/12/2003, especificamente no seu artigo 18 e parágrafo 2º, cuja redação original era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Assim, nos termos da redação original da Lei nº 10.833/2003, as únicas hipóteses de imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevidas eram (i) crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; (ii) crédito ser de natureza não tributária; e (iii) ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. A multa isolada aplicável, nos termos da redação da Lei nº 9.430/96 vigente à época, com a redação dada pela Lei nº 10.892/2004, de 13/07/2004, era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 534 7 (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Assim, nos casos de (i) o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal e (ii) o crédito ser de natureza não tributária, a multa era devida no percentual de 75%. No caso de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, a multa era devida no percentual de 150%. O § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, como visto, cuida das hipóteses em que o prazo para responder a intimações para se prestar esclarecimentos não são obedecidos, situações em que a multa tem os seus percentuais agravados. Voltando à Lei nº 10.833/2003, ela foi alterada pela Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, passando o artigo 18 a ter a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Assim, com o advento da Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, no caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi mantida a multa por compensação indevida apenas nos casos de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, sendo que o § 2º fez remissão à alíquota, cujo percentual era de 150% (inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96). Pareceme, portanto, que uma vez que legislação superveniente deixa de apenar determinado fato (no caso, a compensação indevida sem dolo, fora das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), deixando de definilo como infração, tal legislação deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Neste sentido, aliás, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez López, em julgamento realizado nesta mesma assentada e em que figura como interessado o mesmo contribuinte do presente processo (10580.006996/200479), pedindo vênia para destacar os seguintes excertos do seu voto, verbis: A Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa Fl. 548DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei n° 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Por fim, a MP 351/07, convertida na Lei n° 11.488/07, restringiu ainda mais as hipóteses de cabimento da multa isolada, determinando sua imposição apenas quando a compensação não seja homologada em vista da comprovação de falsidade na declaração do contribuinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como anteriormente dito, a multa isolada foi lançada em razão de compensação indevida por se tratar de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, não havendo comprovação e nem sequer indicio de falsidade em declarações apresentadas pela contribuinte. Por oportuno, observo que neste processo descabe cogitar da nova alteração na redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, estabelecida pelo art. 117 da Lei n° 11.196, de 21/11/2005, e que só possui efeitos a partir de 22/11/2005 (data da publicação da Lei n° 11.196). Referido art. 117, que alterou a redação do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP n° 252, de 15/06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei n° 11.196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n° 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas. Daí ser mais correto considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Segundo essa nova redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, a multa de oficio, no percentual básico ou qualificado, também se aplica nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, ou seja, nas seguintes hipóteses em que a compensação é considerada não declarada: a) crédito de terceiros; b) crédito referente ao créditoprêmio instituído pelo art. 1° do DecretoLei n°491, de 5 de março de 1969; c) crédito referente a título público; d) crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) crédito não referente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Como o lançamento é anterior a 22/11/2005 e não se verifica nenhuma das hipóteses que ensejam a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a Fl. 549DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 535 9 redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004 tanto assim que foi aplicada a multa básica de 75%, em vez da multa qualificada , cabe invocar o art. 106, inciso II, do CTN, que prevê a retroatividade da lei a ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A confirmar a aplicação da retroatividade benigna, o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação — Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna n° 3, de 8 de janeiro de 2004 (que se refere apenas ao caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, por haver sido expedida antes das modificações introduzidas pela Lei n° 11.051, de 2004): EMENTA: (...) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n°2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. No mais, tendo em vista que a própria Administração já reconhece a retroatividade benigna (vejase Solução de Consulta Interna nº 03, de 08 de janeiro de 2004, proferida pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que em seus itens 13 a 22 aborda o assunto de forma completa e exaustiva, manifestandose sobre a exclusão da multa) nenhum reparo há de se fazer na decisão recorrida. Dessa forma, as alterações no art. 18 da Lei nº 10.833/03 trazidas pela Lei n° 11.051/04 e posteriormente pela Lei n° 11.488/07 devem ser aplicadas retroativamente em benefício dos contribuintes, razão pela qual deve ser exonerada a multa isolada. Por fim, a Fazenda Nacional também pugna pela reforma do acórdão ora recorrido visto que objetiva o reconhecimento da compensação indevida de PIS com COFINS, uma vez que a decisão judicial restringiu seu direito à compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS. Neste ponto, entendo que a Fazenda Nacional restou vencedora tendo visto que não houve reconhecimento da extinção dos créditos tributários lançados por meio do Auto de Infração sub judice em virtude da compensação realizada pela Contribuinte, razão pela qual o Recurso Especial não atende um dos seus requisitos formais, qual seja, o interesse de recorrer. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Desta forma, por falta de interesse de recorrer da Fazenda Nacional, entendo que o Recurso Especial não merece ser conhecido no tocante à reforma da decisão para restringir o direito à compensação de créditos de PIS com débitos do próprio tributo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso especial da Fazenda Nacional apenas quanto à questão da multa de ofício, e, nesta parte, NEGARLHE PROVIMENTO, e, por outro lado, DAR PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte quanto à decadência. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 551DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 536 11 Voto Vencedor O relator baseia toda a sua argumentação na tese jurídica de aplicação do art. 150, §4º do mesmo código, independentemente de se haver ou não pagamento, a mesma adotada pela decisão ora recorrida. O que houve foi uma compensação dos valores em discussão. Em nenhum momento contesta a ausência de pagamento. Inclusive a razão de decidir do relator do acórdão recorrido foi que se aplica o termo inicial previsto no art. 150 §4º, independentemente de ter havido o pagamento. A PGFN pugna pela aplicação do art. 173, I do CTN, onde em contrarazões requer a manutenção da decisão anterior. O ponto de discordância em relação ao relator é que ele considerou a compensação como pagamento, o que não encontra guarida em nosso arcabouço jurídico tributário. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005840/200387 Acórdão n.º 9303002.998 CSRFT3 Fl. 537 13 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Como se verificou que não houve pagamentos referentes ao período ora analisado, conforme explicita o próprio relator do acórdão recorrido, mas tão somente compensação, assim, não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4º do CTN e tampouco em decadência para esse período. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Assim, nego provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Fl. 555DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11060.000866/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. MATÉRIAS NAO IMPUGNADAS.
Afere-se a definitividade na esfera administrativa das matérias não impugnadas.
OMISSOES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado a fazê-lo, não comprova a origem e tributação dos valores.
Numero da decisão: 1301-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente INSTITUTO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL IDS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. MATÉRIAS NAO IMPUGNADAS. Aferese a definitividade na esfera administrativa das matérias não impugnadas. OMISSOES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado a fazêlo, não comprova a origem e tributação dos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 08 66 /2 00 9- 79 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Tuma da DRJ em Santa Maria/RS. Trata o presente processo de suspensão da isenção tributária usufruída pelo sujeito passivo, relativamente ao período de 01/2004 a 12/2007, por inobservância às disposições contidas no art. 15 e no art. 12, § 2°, alíneas “a” a ”e”, combinados com o art. 15, § 3°, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, efetuada por meio o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 10, de 03 de junho de 2009 (fl. 270). Decorrente da suspensão da isenção acima referida, foram lavrados os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 1.351/1.421). Relativamente à suspensão da isenção, registrou a Fiscalização que em 05/11/2008, por ordem judicial emanada nos autos do processo n° 2008.71.02.00045272, foi procedida por Oficiais de Justiça Avaliadores Federais busca e apreensão de bens, conforme descrito no Auto de Busca e Apreensão de Bens e Nomeação de Depositário (fls. 06), que foram depositados na DRF/Santa Maria e serviram de base para o trabalho fiscal e, na análise da documentação apreendida foram identificados fatos, ocorridos nos anoscalendário 2004 a 2007, que configuram infrações ao disposto no art. 12 § 2°, alíneas “a” a “e”, c/c o art. 15, §, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Com base no disposto no art. 32, §§ 1° e 10, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fiscalização tributária da Delegacia da Receita Federal em Santa Maria emitiu o Termo de Notificação Fiscal (fls. 01) notificando o sujeito passivo das irregularidades encontradas, conforme descrito no Relatório de Fiscalização de folhas 02 a 10. O recorrente apresentou suas alegações em relação à referida notificação (fls. 237/264) e o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Maria julgou improcedentes as justificativas e suspendeu o benefício da isenção tributária usufruída pelo sujeito passivo, consubstanciando sua decisão no Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 10, de 03 de junho de 2009 (fls. 270). A contribuinte foi regularmente cientificada dessa decisão (fl. 272), e não apresentou Impugnação ao Ato Declaratório, conforme lhe facultava 0 § 6°, inc. I, do art. 32 da Lei 11° 9.430, de 1996. Relativamente à apuração do crédito tributário oriundo da receita de prestação de serviços, assinalou a Fiscalização que dentre os documentos apreendidos foram identificadas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelo sujeito passivo. Em razão disso, foram obtidas junto à secretaria de Município de Finanças em Santa Maria/RS Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11060.000866/200979 Acórdão n.º 1301001.708 S1C3T1 Fl. 3 3 informações sobre as notas fiscais de serviços relacionadas ao contribuinte, tendo sido encaminhado o Extrato de Lançamentos Detalhado e Relatório de Documentos Fiscais Declarados pelo Prestador (fls. 382/421). Assinalouse assim, que nos anoscalendário de 2004 e 2005 o sujeito passivo escriturou somente parte das notas fiscais, além de outras receitas, nada declarando nos anos calendário de 2006 e 2007, conforme demonstrado no Anexo I Demonstrativo das Notas Fiscais e das Receitas Escrituradas (fls. 1366). Quanto aos “depósitos bancários”, apurou a Fiscalização que a recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários de todas as contas mantidas junto às instituições financeiras referentes aos anoscalendário de 2004 a 2007, registrandose que 02/03/2009, a contribuinte apresentou extratos do anocalendário de 2006 e informou possuir três contas no BANRISUL. Em 25/03/2009, apresentou os extratos relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2007. Nessa data, autorizou a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria, na pessoa da AuditoraFiscal Vera Maria Brondani Antoniazzi, a solicitar ao Banco do Brasil, ao Banco Bradesco, ao Banco do Estado do Sergipe e a Caixa Econômica Federal os extratos bancários de todas as operações realizadas, bem como as informações cadastrais do período 01/01/2004 a 31/12/2007. Além das três contas mantidas no BANRISUL foram identificadas contas no BRADESCO (uma conta), Banco do Brasil em Nova Roma do Sul (uma conta), Banco do Estado do Sergipe (cinco contas). Os extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo e pelas instituições bancárias encontramse às fls. 426 à 775. Assentou a Fiscalização que a escrituração efetuada pelo sujeito passivo resumese ao Livro Caixa, Livro Razão e Livro Diário do anocalendário 2004 e folhas soltas dos Livros Diário e Razão do anocalendário de 2005, apreendidos conforme Auto de Busca e Apreensão de Bens e Nomeação de Depositário (fls. 06), os quais, apesar de não compreenderem todo o período fiscalizado e ter sito motivador da suspensão tributária, foi analisado para fins de determinação do crédito tributário. Foi efetuada uma reconciliação entre as contas, excluindose os créditos decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica e os créditos contabilizados nos anoscalendário 2004 e 2005 cujos valores coincidiam em datas e valores, restando os depósitos escriturados relacionados no Anexo I Créditos/Depósitos Escriturados (fls. 783) do Termo de Verificação Fiscal e Intimação (fls. 780/782), que o sujeito passivo foi intimado a esclarecer e comprovar a origem dos recursos e o reconhecimento de tais recursos como receita nos períodos correspondentes. Da analise dos extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo e pelas instituições bancárias, a Fiscalização identificou depósitos não escriturados, conforme Anexos II a V (fls. 784/795) do Termo de Verificação Fiscal e Intimação (fls. 780/782), os quais o contribuinte foi intimado a comprovar a origem. Segundo registrouse nesses autos, o contribuinte efetuou pedido de prorrogação do prazo para atendimento da referida intimação, esclarecendo que os valores escriturados conferem com os valores apresentados pela fiscalização e que a receita seria comprovada com a apresentação de contratos e termos de parceria e devidos empenhos (fls. 797/801). Considerado o silêncio do sujeito passivo, foi emitido Temo de Reintimação (fls. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 804) reintimandoo a apresentar a documentação antes solicitada, tendo o contribuinte apresentado os documentos (fls. 805 a 1345). Dos depósitos escriturados não foram comprovados os valores relacionados no Anexo 2 Depósitos/Créditos Bancários Escriturados (fls. 1367). Em relação aos depósitos não escriturados, foram confrontados os documentos apresentados pelo sujeito passivo, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, etc., considerandose como omissão de receita os depósitos coincidentes em datas e valores e como depósitos bancários de origem não a comprovada os demais, conforme demonstrado nos Anexos 3, 4, 6, 8 (fls. 1368/1371; 1373/1386; 1388/1393). O Anexo 9 (fls. 1394) apresenta o demonstrativo dos depósitos/créditos com o resumo da análise efetuada pela fiscalização, bem como a totalização dos valores lançados como omissão de receita em decorrência da presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O Anexo 10 (fls. 1395) apresenta o total da receita apurada pela Fiscalização nos anoscalendário de 2004 a 2007. Para a constituição do crédito tributário o sujeito passivo foi intimado em 30/07/2009 e em 01/10/2009 a apresentar a opção pelo regime de tributação do IRPJ e da CSLL, não tendo apresentado qualquer manifestação a respeito. Diante da ausência de manifestação a respeito do regime de tributação e a consequente falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa, somado às constatações relativas a contabilização dos atos e fatos contábeis, que comprovam a impossibilidade de apuração do Lucro Real, foi procedido o arbitramento do lucro nos anoscalendário de 2004 a 2007, nos termos do art. 47, inc. II e III, da Lei n° 8.981, de 1995. Assinalouse que a falta de recolhimento dos tributos, a omissão de receitas ao longo dos anoscalendário de 2004 a 2007, caracterizada pela falta de escrituração de notas fiscais emitidas e depósitos bancários de origem não comprovada, aliados à adoção de uma personalidade jurídica sem fins lucrativos sem o devido cumprimento das exigências legais, são procedimentos que se caracterizam como sonegação fiscal, pois impediram ou retardaram, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ensejou a aplicação da multa de ofício prevista qualificada. Devidamente cientificado das imputações fiscais, o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 1442/1457), alegando em síntese que a presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa, podendo ser afastada se não houver elementos que, somados aos depósitos bancários, demonstrem a omissão de rendimentos. Logo, embora seja pacífica a possibilidade de lançamento tributário com base em depósitos em conta corrente cuja origem não seja comprovada, não se admite que o lançamento seja exclusivamente baseado nos depósitos bancários de origem não comprovada, sendo necessária investigação no sentido de verificar a origem dos recursos, bem como a intimação do contribuinte para sua comprovação. Sustentou ser o entendimento que vem sendo manifestado de longa data pelos nossos tribunais (Súmula 182 do extinto TFR), sendo passível de tributação não os depósitos bancários, mas os rendimentos assim identificados, de sorte que não se pode tributar simplesmente os depósitos bancários de forma isolada, sem que haja demonstração de sinais exteriores de riqueza ou efetivo acréscimo patrimonial, o que não ficou demonstrado no procedimento administrativo, defendendo que apesar de a escrituração apresentada à autoridade administrativa não estar completa, as informações mantidas por ela recorrente foram Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11060.000866/200979 Acórdão n.º 1301001.708 S1C3T1 Fl. 4 5 utilizadas na determinação do crédito tributário, devendo ser consideradas como prova da origem dos valores investigados. Além disso, sustentou que ao atender as intimações, apresentou à autoridade administrativa os documentos hábeis a demonstrar a existência das relações jurídicas que embasaram os depósitos em suas contas correntes e que apresentou documentos idôneos das contratações efetuadas, com a previsão dos valores ajustados para a execução dos serviços, comprovando a origem dos recursos que ingressaram nas suas contas de depósito junto às instituições financeiras, o que é admitido pela própria autoridade administrativa, não sendo legitimo concluir que omissões ou erros de escrituração contábil na instituição, justificassem a presunção estabelecida pela autoridade administrativa, situação que se admitida implicaria em sobrepor a formalidade contábil sobre a realidade dos acontecimentos. Reputou assim, que elucidada a origem dos valores a que dizem respeito os depósitos analisados, identificandose a relação jurídica em que são baseados, não é configurado o enquadramento da situação em análise na presunção legal de omissão de rendimento estabelecida pelo art. 42 da lei n° 9.430, de 1996. Quanto à COFINS, aduziu a contribuinte que os arts. 13 e 14, inc. X, da MP n° 2.158, de 2001, combinado com o art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997, outorgaram isenção relativamente às receitas de associações sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades e que o entendimento da autoridade administrativa no sentido de que essa isenção restringe o benefício às receitas provenientes das contribuições de seus instituidores, mantenedores e associados, subvenções e doações por elas recebidas e os recursos gerados pelo seu patrimônio constitutivo original não pode prosperar. Segundo a contribuinte, mesmo que se admitisse a as irregularidades contábeis, as atividades desenvolvidas pela instituição se inserem nos seus objetivos institucionais, de modo que deve prevalecer a regra isentiva. Por fim, aduziu que a multa de ofício, aplicada para os fatos geradores ocorridos até 21/01/2007, apesar de ter sido aplicado o art. 44, inc II, da Lei n° 9.430, de 1996, utilizandose o percentual de 150%, que era prevista na redação original do dispositivo, deve ser reduzida para o percentual de 50%, conforme prevê a atual redação do referido dispositivo dada pela Lei n° 11.488, de 2007, pois a lei tributária nova retroage para beneficiar o contribuinte quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, conforme dispõe o art. 106, inc. II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional e que para os fatos geradores ocorridos após 21/01/2007 foi duplicada a multa de 75% em razão da ocorrência dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°,4.502, de 1964, porém, seria preciso observar que as condutas previstas nesses artigos são tipificadas quando envolvem um comportamento doloso, com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária de algum dos elementos relacionados ao crédito tributário, situação que não se visualizaria nos autos, tendo em vista que foram apresentadas declarações e apresentava, anteriormente, condição de pessoa jurídica isenta, não havendo dolo para justificar a imposição de penalidade mais gravosa, no patamar de 150%. Requere, destarte, a desconstituição, ainda que parcial, do crédito tributário originado das regras de presunção, bem como do PIS/COFINS, relativamente as atividades que se inserem nos seus objetivos institucionais, e a multa agravada, pela ausência do suporte fático necessário ao seu reconhecimento, bem como o afastamento cumulativo da multa de ofício e da multa isolada. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 A 1ª Turma da DRJ em Santa Maria/RS, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.699 em diante, julgou o lançamento procedente ficando o aresto assim ementado: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUSPENSÃO DA ISENÇAO TRIBUTÁRIA. REGIME DE TRIEUTACAO. MATERIAS NAO IMPUGNADAS. EFEITOS Tornase definitiva na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente impugnada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUSPENSAO DA ISENÇAO TRIBUTARIA. CONSEQUENCIAS Suspensa a isenção tributária pela autoridade competente, a entidade sujeitase às mesmas regras de tributação aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFICIO Não se aplica retroativamente a lei que tenha alterado a estrutura de artigo de lei anterior, quando a nova redação não deixar de definir os atos praticados pelo sujeito passivo como infração. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO A falta de escrituração de notas fiscais e de movimentação bancária, a não comprovação da origem de depósitos bancários, desvirtuamento da natureza das atividades, são condutas dolosas que justificam a duplicação da multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSOES DE RECEITAS. DEPOSITOS EANCARIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos correspondentes a esses depósitos. OMISSÁO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA Constitui omissão de receitas da atividade os valores correspondentes aos depósitos bancários de origem comprovada cuja receita correspondente não tenha sido escriturada. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11060.000866/200979 Acórdão n.º 1301001.708 S1C3T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSOES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos correspondentes a esses depósitos. OMISSÁO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA Constitui omissão de receitas da atividade os valores correspondentes aos depósitos bancários de origem comprovada cuja receita correspondente não tenha sido escriturada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. CONSEQUÊNCIAS A suspensão dos benefícios da isenção tributária traz como consequência a sujeição do sujeito passivo às mesmas normas de tributação das demais pessoas jurídicas, que calculam as contribuições com base no faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. CONSEQUÊNCIAS A suspensão dos benefícios da isenção tributária traz como consequência a sujeição do sujeito passivo às mesmas normas de tributação das demais pessoas jurídicas, que calculam as contribuições com base no faturamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] Devidamente cientificada da decisão mencionada acima (fl. 1.723), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.724 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão da DRJ com o provimento do seu Recurso. É o relatório. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como anotado no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de dois tópicos distintos, a suspensão da isenção tributária usufruída pelo sujeito passivo, relativamente ao período de 01/2004 a 12/2007, por inobservância às disposições contidas no art. 15 e no art. 12, § 2°, alíneas “a” a ”e”, combinados com o art. 15, § 3°, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, efetuada, a dita suspensão, por meio o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 10, de 03 de junho de 2009 (fl. 270), e o corolário autos de infração, relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 1.351/1.421). Já anotouse acima que, relativamente à suspensão da isenção, registrou a Fiscalização que em 05/11/2008, por ordem judicial emanada nos autos do processo n° 2008.71.02.00045272, foi procedida por Oficiais de Justiça Avaliadores Federais busca e apreensão de bens, conforme descrito no Auto de Busca e Apreensão de Bens e Nomeação de Depositário (fls. 06), que foram depositados na DRF/Santa Maria e serviram de base para o trabalho fiscal e, na análise da documentação apreendida foram identificados fatos, ocorridos nos anoscalendário 2004 a 2007, que configuram infrações ao disposto no art. 12 § 2°, alíneas “a” a “e”, c/c o art. 15, §, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, sendo que as exigências fiscais decorreram, em resumo, da presunção legal de omissão de receitas ante a constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. No que toca à suspensão do benefício da isenção tributária, para o período em questão, assinalou a decisão recorrida que o contribuinte teve efetivada a suspensão por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 10, de 03 de junho de 2009 (fls. 270), não tendo apresentado impugnação contra o referido ato, conforme lhe facultava o § 6°, inciso I, do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que a decisão recorrida não analisou o mérito da suspensão do benefício da isenção tributária, assinalando a definitividade, na esfera administrativa, acerca da suspensão da isenção. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte de igual forma não se insurge contra a suspensão da isenção, afirmando expressamente que pretende demonstrar a improcedência dos autos de infração lavrados ante a constatada presunção legal de omissão de receitas. Diante disso, está correta a decisão recorrida ao proclamar a definitividade, na esfera administrativa, da suspensão da isenção para o período comentado. Quanto à apuração do crédito tributário, registrese que a Fiscalização apurou receita de prestação de serviços, sendo que dentre os documentos apreendidos foram identificadas notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo, de sorte que, foram obtidas junto à secretaria de Município de Finanças em Santa Maria/RS informações sobre as notas fiscais de serviços relacionadas ao contribuinte, tendo sido encaminhado o Extrato de Lançamentos Detalhado e Relatório de Documentos Fiscais Declarados pelo Prestador (fls. 382/421). Foi diante disso, que a Fiscalização observou que nos anoscalendário de 2004 e 2005 a recorrente escriturou somente parte das notas fiscais, além de outras receitas, nada declarando nos anos Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11060.000866/200979 Acórdão n.º 1301001.708 S1C3T1 Fl. 6 9 calendário de 2006 e 2007 (vide Anexo I Demonstrativo das Notas Fiscais e das Receitas Escrituradas fls. 1366). Para além desta inegável omissão de receitas, a Fiscalização intimou a recorrente a apresentar os extratos bancários de todas as contas mantidas junto às instituições financeiras referentes aos anoscalendário de 2004 a 2007, registrandose que 02/03/2009, a contribuinte apresentou extratos do anocalendário de 2006 e informou possuir três contas no BANRISUL. Em 25/03/2009, apresentou os extratos relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2007. Nessa data, autorizou a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria, na pessoa da AuditoraFiscal Vera Maria Brondani Antoniazzi, a solicitar ao Banco do Brasil, ao Banco Bradesco, ao Banco do Estado do Sergipe e a Caixa Econômica Federal os extratos bancários de todas as operações realizadas, bem como as informações cadastrais do período 01/01/2004 a 31/12/2007. Além das três contas mantidas no BANRISUL foram identificadas contas no BRADESCO (uma conta), Banco do Brasil em Nova Roma do Sul (uma conta), Banco do Estado do Sergipe (cinco contas). Os extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo e pelas instituições bancárias encontramse às fls. 426 à 775. Assentou a Fiscalização que a escrituração efetuada pelo sujeito passivo resumese ao Livro Caixa, Livro Razão e Livro Diário do anocalendário 2004 e folhas soltas dos Livros Diário e Razão do anocalendário de 2005, apreendidos conforme Auto de Busca e Apreensão de Bens e Nomeação de Depositário (fls. 06), os quais, apesar de não compreenderem todo o período fiscalizado e ter sito motivador da suspensão tributária, foi analisado para fins de determinação do crédito tributário. Foi efetuada uma reconciliação entre as contas, excluindose os créditos decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica e os créditos contabilizados nos anoscalendário 2004 e 2005 cujos valores coincidiam em datas e valores, restando os depósitos escriturados relacionados no Anexo I Créditos/Depósitos Escriturados (fls. 783) do Termo de Verificação Fiscal e Intimação (fls. 780/782), que o sujeito passivo foi intimado a esclarecer e comprovar a origem dos recursos e o reconhecimento de tais recursos como receita nos períodos correspondentes. Da analise dos extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo e pelas instituições bancárias foi que a Fiscalização identificou depósitos não escriturados, conforme Anexos II a V (fls. 784/795) do Termo de Verificação Fiscal e Intimação (fls. 780/782), os quais o contribuinte foi intimado a comprovar a origem. Segundo registrouse nesses autos, o contribuinte efetuou pedido de prorrogação do prazo para atendimento da referida intimação, esclarecendo que os valores escriturados conferem com os valores apresentados pela fiscalização e que a receita seria comprovada com a apresentação de contratos e termos de parceria e devidos empenhos (fls. 797/801). Considerado o silêncio do sujeito passivo, foi emitido Temo de Reintimação (fls. 804) reintimandoo a apresentar a documentação antes solicitada, tendo o contribuinte apresentado os documentos (fls. 805 a 1345). Dos depósitos escriturados não foram comprovados os valores relacionados no Anexo 2 Depósitos/Créditos Bancários Escriturados (fls. 1367). Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Em relação aos depósitos não escriturados, foram confrontados os documentos apresentados pelo sujeito passivo, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, etc., considerandose como omissão de receita os depósitos coincidentes em datas e valores e como depósitos bancários de origem não a comprovada os demais, conforme demonstrado nos Anexos 3, 4, 6, 8 (fls. 1368/1371; 1373/1386; 1388/1393). O Anexo 9 (fls. 1394) apresenta o demonstrativo dos depósitos/créditos com o resumo da análise efetuada pela fiscalização, bem como a totalização dos valores lançados como omissão de receita em decorrência da presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O Anexo 10 (fls. 1395) apresenta o total da receita apurada pela Fiscalização nos anoscalendário de 2004 a 2007. Para a constituição do crédito tributário o sujeito passivo foi intimado em 30/07/2009 e em 01/10/2009 a apresentar a opção pelo regime de tributação do IRPJ e da CSLL, não tendo apresentado qualquer manifestação a respeito. Diante da ausência de manifestação a respeito do regime de tributação e a consequente falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa, somado às constatações relativas a contabilização dos atos e fatos contábeis, que comprovam a impossibilidade de apuração do Lucro Real, foi procedido o arbitramento do lucro nos anoscalendário de 2004 a 2007, nos termos do art. 47, inc. II e III, da Lei n° 8.981, de 1995. Assinalouse que a falta de recolhimento dos tributos, a omissão de receitas ao longo dos anoscalendário de 2004 a 2007, caracterizada pela falta de escrituração de notas fiscais emitidas e depósitos bancários de origem não comprovada, aliados à adoção de uma personalidade jurídica sem fins lucrativos sem o devido cumprimento das exigências legais, são procedimentos que se caracterizam como sonegação fiscal, pois impediram ou retardaram, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ensejou a aplicação da multa de ofício prevista qualificada. Observase assim, que a Fiscalização apurou, de forma detida e contundente, a existência de depósitos bancários não levados à escrituração e de origem não comprovada, desencadeando a presunção legal de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A recorrente, a seu turno, tem argumentado que a presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa, podendo ser afastada se não houver elementos que, somados aos depósitos bancários, demonstrem a omissão de rendimentos. Logo, embora seja pacífica a possibilidade de lançamento tributário com base em depósitos em conta corrente cuja origem não seja comprovada, não se admite que o lançamento seja exclusivamente baseado nos depósitos bancários de origem não comprovada, sendo necessária investigação no sentido de verificar a origem dos recursos, bem como a intimação do contribuinte para sua comprovação. Colocados os fatos, observase que a despeito de a recorrente aduzir que a Fiscalização tributou parcela que não correspondia à renda, faltoulhe desincumbirse dos elementos de prova que assim indicassem. Digo isso, dada a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual, presumese receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11060.000866/200979 Acórdão n.º 1301001.708 S1C3T1 Fl. 7 11 Para além de alegar tratarse de parcela não tributável, cumpria à contribuinte demonstrar o fidedigno liame documental que assim traduzisse, situação que não verifico na espécie. Convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a Recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. DAS MULTAS Conforme bem demonstrou a fiscalização, o contribuinte, ao longo dos anos calendário de 2004 a 2007, não escriturou integralmente as notas fiscais e depósitos bancários decorrentes de origem comprovada. Também, não escriturou e não comprovou a origem de um grande volume de depósitos bancários. Além disso, houve um desvirtuamento da natureza das Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 suas atividades, na forma de seu estatuto, haja vista que os documentos constitutivos não estão em consonância com os fatos. Todos esses fatos demonstram a conduta dolosa do sujeito passivo, cujo objetivo era impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente, situações tipificadas como sonegação fiscal pelo art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, passíveis de duplicação da multa de ofício. Em razão de o sujeito passivo requerer o afastamento cumulativo da multa de ofício e da multa isolada, deve ser esclarecido que não há nos autos lançamento concomitante de multas, de sorte que deixase de analisar tal tema. Diante do exposto encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 25 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001388/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.
Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a patrona do recorrido, Dra. Vivian Casanova de C. Eskenazi OAB/RJ 128.556.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a patrona do recorrido, Dra. Vivian Casanova de C. Eskenazi OAB/RJ 128.556. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a patrona do recorrido, Dra. Vivian Casanova de C. Eskenazi OAB/RJ 128.556. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 88 /2 00 7- 60 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001388/200760 Acórdão n.º 2101002.708 S2C1T1 Fl. 241 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (efls. 166/176), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 41/45, lavrado em 01 de outubro de 2007, em virtude da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimento de mútuo, nos anoscalendário de 2002 a 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRRF NÃO RETIDO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, depois da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto é do contribuinte, não mais da fonte pagadora. IRRF NÃO RETIDO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Verificada a falta de retenção após a data prevista para o encerramento do período de apuração, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica. Lançamento Procedente em Parte” (efl. 166). Intimada, a Recorrida apresentou as contrarrazões de efls. 206/212, pedindo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001388/200760 Acórdão n.º 2101002.708 S2C1T1 Fl. 242 3 Tratase de lançamento de IRRF sobre juros creditados pela Recorrida à BP Brasil entre 31/01/2002 e31/12/2005, em virtude de obrigatoriedade de retenção, nos termos do art. 94, III, da Lei 10.833/2003. A decisão recorrida julgou procedente em parte o auto de infração, aplicando o Parecer 1/2002, segundo o qual: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” Em casos como o presente, a jurisprudência deste CARF fixouse no mesmo sentido da decisão recorrida, conforme se extrai do acórdão que teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1999, 2000 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado. Recurso de ofício negado.” (CARF, 1a. T.O./1a. C./2a. S., Processo 16327.000583/200468, Acórdão 2101002.365, j. 20/11/2003, v.u.). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001388/200760 Acórdão n.º 2101002.708 S2C1T1 Fl. 243 4 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13839.000287/2002-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RESSARCIMENTO DE IPI. PERDCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Demonstrada a ocorrência de erro de preenchimento do PERDCOMP, de fácil verificação, deve ser corrigido em nome da verdade material.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. PERDCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Demonstrada a ocorrência de erro de preenchimento do PERDCOMP, de fácil verificação, deve ser corrigido em nome da verdade material. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
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PERDCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Demonstrada a ocorrência de erro de preenchimento do PERDCOMP, de fácil verificação, deve ser corrigido em nome da verdade material. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 02 87 /2 00 2- 37 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13839.000287/200237 Acórdão n.º 3301002.369 S3C3T1 Fl. 207 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo ao 4º trimestre/2001, no valor de R$ 43.916,69. Posteriormente, em 29/06/2005, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP para aproveitamento do referido crédito. Diligência fiscal foi realizada, constatando a existência de saldo credor do IPI correspondente a R$ 26.666,46. A DRF/JUNDIAÍ proferiu despacho decisório, fls. 78/81, homologando parcialmente a compensação até o limite deste crédito reconhecido. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve mero equívoco no preenchimento do número do CNPJ do estabelecimento detentor do crédito no pedido de ressarcimento. Houve inversão do número do CNPJ entre o presente processo e o processo de nº 13839.000286/200292. Na verdade o crédito de IPI no valor de R$ 43.916,69 pertence ao estabelecimento com CNPJ 07.332.190/002307 cujo pedido de ressarcimento foi efetuado naquele processo com o valor de R$ 26.666,46. Afirma que esta divergência foi reconhecida pela fiscalização quando da elaboração dos relatórios de conclusão fiscal de cada um dos processos. Ao julgar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1439.406, de 28/11/2002, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO PERANTE AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, é admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Considerase pendente de decisão administrativa, a declaração de compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual volta a reafirmar o equívoco cometido, cita jurisprudência do CARF, e solicita o reconhecimento do seu direito creditório em nome da verdade material. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13839.000287/200237 Acórdão n.º 3301002.369 S3C3T1 Fl. 208 3 É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13839.000287/200237 Acórdão n.º 3301002.369 S3C3T1 Fl. 209 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. De fato o relatório de conclusão fiscal do presente processo, fl. 67, assim concluiu: (...) “Verificamos que o saldo credor acumulado no final do 4° trimestre calendário de 2001 é de R$ 26.666,46. Em razão disso, procedemos a retificação do Pedido de Ressarcimento apresentado às fls. 01 do Processo n ° 13839.000.287/200237, passando de R$ 43.916,69 para R$ 26. 666,46.” (...) O contribuinte afirma que no relatório de conclusão fiscal do processo nº 13839.000286/200292, a conclusão foi justamente inversa: “Verificamos que o saldo credor acumulado no final do 4º trimestre calendário de 2001 é de R$ 43.916.69. Em razão disso, procedemos a retificação do Pedido de Ressarcimento apresentado às fls. 01 do Processo n° 13839.000.286/200292, passando de R$ 26.666,46 para R$ 43.916,69". (trecho copiado da manifestação de inconformidade). De fato, o trecho acima corresponde ao decidido no citado processo, conforme constatei em consulta ao sistema eprocesso. Portanto, pode se confirmar que se trata de erro de preenchimento de fácil verificação e deve ser corrigido em nome da verdade material. Não entendo que a Fazenda Nacional possa ser favorecida e, no caso, em prejuízo do contribuinte, em face de um equívoco tão simples de ser confirmado e corrigido. Quanto à impossibilidade de retificação do PERDCOMP após o seu indeferimento parcial, já é pacífica esta possibilidade no âmbito do CARF, desde que a retificação decorra de meros erros de fato e suportados por documentação idônea que demonstre de forma inequívoca o erro apontado. Desta forma, voto em dar provimento ao recurso voluntário para que sejam corrigidos os equívocos na forma em que foram apontados, revertendo a análise na forma como solicitado. A correção dos equívocos apontados também não pode favorecer o contribuinte, devendo ser verificado, o estorno do excesso de crédito apurado no processo nº 13839.000286/200292, caso tenha sido aproveitado em favor do contribuinte naquele processo. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13839.000287/200237 Acórdão n.º 3301002.369 S3C3T1 Fl. 210 5 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11080.723093/2012-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS.
Evidenciado nos autos que os serviços prestados correspondem a serviços de fisioterapia, há que ser restabelecida a dedução dos valores correspondentes.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da despesas médicas glosadas no valor de R$865,00 (oitocentos e sessenta e cinco reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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score : 1.0
