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Numero do processo: 10166.908441/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 57 1 56 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.908441/200969 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.750 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto IPI Recorrente SCHIPPER CONSULTORIA INTERNACIONAL, COMÉRCIO E INDÚSTRIA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em discussão, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Juiz de Fora/MG quando da lavratura do acórdão n. 0936.804 (fls. 34/42), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em análise no presente processo a DCOMP n° 01589.32666.150205.1.3.048350, transmitida pela contribuinte retro identificada em 15/02/2005, por meio da qual pretendeu a extinção de débito do IPI sob código 5123 no montante originário de R$2.066,91 do mês de dezembro/2004, tendo como lastro para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 08 44 1/ 20 09 -6 9 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 58 2 crédito decorrente de pagamento indevido/a maior do IPI, no mesmo valor originário do crédito, recolhido por DARE (código 1097) em 10/01/2005. A análise da DCOMP do interessado se deu por via eletrônica, da qual resultou o despacho decisório de fl. 06, que reconheceu o crédito informado na DCOMP, mas homologou em parte a compensação declarada, fundamentando que o crédito reconhecido era insuficiente para quitar a integralidade do débito confessado na DCOMP. (...). O detalhamento relativo ao direito creditório reconhecido no despacho decisório acima se encontra na fl. 27. Cientificado do despacho decisório supra em 18/06/2009 (conforme consulta ao sistema Sucop Imagem — fl. 24), a interessada manifestou em 17/07/2009 sua inconformidade de fls. 01/04 nos termos transcritos abaixo: (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 10/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Os débitos declarados em DCOMP revestemse, nos termos da legislação tributária, do status jurídico de "débitos confessados" pelo sujeito passivo, ficando a parcela não compensada apta à cobrança executiva (§ 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Tal status jurídico de confissão de divida para os débitos declarados na DCOMP não possui caráter exclusivamente formal, assumido também uma conotação material, já que: 1) o débito declarado/confessado na DCOMP traduzse de imediato em crédito tributário da Unido dotado da presunção legal de certeza, liquidez, validade e eficácia, ficando, assim que transmitida a DCOMP e em razão da compensação nela declarada, extinto sob condição resolutória nos termos do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (incluido pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 2002); it) a DCOMP se conforma em titulo executivo extrajudicial relativamente aos débitos nela declarados/confessados e cuja compensação não foi homologada. O crédito tributário da Unido decorrente da confissão de divida declarada em DCOMP regularmente transmitida só tem a presunção legal de veracidade afastada pelo sujeito passivo transmitente se ele realizar a contento os procedimentos determinados na legislação de regência, dentre eles o cancelamento de DCOMP antes de ter tomado ciência do despacho decisório que apreciou a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 59 3 Data do Fato Gerador: 10/01/2005 DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Desconsiderase o pedido de realização de diligência que se revelam prescindíveis ao deslinde e solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 48/52, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme se observa do recurso voluntário interposto, bem como da manifestação de inconformidade e, em especial, dos documentos com ela acostados (fls. 22/27), o presente caso se resume a discussão quanto a erro formal promovido pelo contribuinte quanto ao procedimento para a recuperação de valores supostamente pagos a maior por parte do contribuinte. Tal equívoco, por seu turno, é bem explicitado pela decisão recorrida nas seguintes passagens do voto: (...). No mérito, verificase que a interessada pretende, em síntese, que o débito originário do IPI de codificação 5123, referente ao período de apuração mensal dezembro/2004, cuja data de vencimento foi 14/01/2005 (conforme estabelecido pela agenda tributária indicada no Anexo do Ato Declaratório Normativo n° 97, de 24 de novembro de 20042), assim declarado/confessado na DCOMP n° 589.32666.150205.1.3.048350 transmitida em 15/02/2005, seja extinto integralmente com crédito seu decorrente de pagamento indevido do IPI de codificação 1097 realizado por DARF em 10/01/2005 no mesmo valor originário. A pretensão acima se funda na simples alegação da reclamante de que o IPI de código 1097 recolhido em 10/01/2005 era, na verdade, exatamente aquele de código 5123 que se visava extinguir na DCOMP, tendo ela apenas errado na identificação do tributo quando preenchera o DARF, bem no instrumento utilizado para correção desse erro: transmissão de DCOMP em vez de REDARF. (...). Por pertinente, vale destacar que, se o intento da interessada era corrigir informações constantes do DARF pelo qual recolhera o IPI de código 1097 em 10/01/2005, o procedimento correto que ela deveria ter tomado era protocolar perante a Receita Federal um REDARF com indicação das correções pretendidas no recolhimento efetuado, e, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 60 4 ainda, antes da emissão do despacho decisório de fl. 06, ter cancelado a DCOMP transmitida. Mas nada disso foi efetuado pela interessada, tornandose preclusos os exercícios dos direitos a correções via REDARF ou a cancelamento da DCOMP transmitida. (...). 6. Da análise dos documentos acostados nos autos e, ainda, conforme constatado pela própria decisão recorrida, o que aconteceu aqui foi um erro no preenchimento da sua DCOMP decorrente da inexistência de emissão de um REDARF por parte do contribuinte, o qual teria por escopo ajustar os códigos de recolhimento do IPI pago em 10/01/2005. 7. Diante deste cenário fático e levando em consideração o princípio do formalismo moderado, resolvo baixar o presente caso em diligência para que, diante dos documentos já acostados nos autos e de outros que possam vir a ser solicitados junto ao contribuinte: (i) a unidade preparadora esclareça se o DARF de fls. 22 materialmente se refere ao IPI de código 5123, ou seja, se o preenchimento do código 1097 de fato foi um erro formal indevidamente cometido pelo contribuinte. 8. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, (ii) o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 8. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003225/2005-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2004
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Às instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento a legislação vigente (Súmula CARF nº 02).
DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3001-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo para REJEITAR as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIF-PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento a legislação vigente (Súmula CARF nº 02). DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo para REJEITAR as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIF-PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrente INFORMANET EDITORA DE PUBLICAÇÕES PERÍODICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento a legislação vigente (Súmula CARF nº 02). DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 32 25 /2 00 5- 06 Fl. 90DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo para REJEITAR as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFPAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir a controvérsia posta à exame nestes autos, adoto, por transcrição, o relatório que lastreou o v. acórdão recorrido (fls. 63/64), verbis. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 36/39, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). 0 crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao 1º trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 15.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505, e parágrafo único, c/c art. 368, ambos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 4° do DecretoLei n° 1.680/79, c/c art. 10 c/c art. 1°, ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.01.002004 007534 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 05). 0 sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 3 3 recebida em 14/04/2005 (fl. 41), tendo protocolado sua impugnação em 16/05/2005, conforme peça de fls. 42/45 (firmada por procuradora regularmente estabelecida, fls. 46/53), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que a obrigação de entregar a DIFPapel Imune não foi instituída por lei, o que ofende o principio constitucional da legalidade (art. 5°, inciso II), o qual deve nortear a interpretação do artigo 115 do Código Tributário Nacional (CTN). E, para aquele fim, não é suficiente a previsão legal contida no artigo 16 da Lei n°9.779/99; b) que não há que se falar em aquisição de papel por parte da impugnante porquanto é apenas "editora VIRTUAL de periódicos informativos (INFORMANET). Tal fato é facilmente constatável mediante o acesso ao seu portal de serviços na rede mundial de computadores (internet), onde são efetivamente publicados seus periódicos"; c) que agiu com "absoluto excesso de zelo" ao requerer sua inscrição no Registro Especial para utilização de papel imune, "pois seu contrato social é genérico e não especifica que sua atividade dispensa a utilização do produto descrito na referida norma". Também por excesso de zelo vinha entregando normalmente as DIFsPapel Imune, "mas hoje nota que tal obrigação não lhe é exigível". Neste sentido, em nome do principio da verdade material, pleiteia a realização de diligências in loco, para que seja constatado que não se enquadra entre as empresas sujeitas A entrega da declaração; d) que o art. 2° do Ato Declaratório que deferiu sua inscrição no Registro Especial já prevê a punição de cancelamento da inscrição em razão da não entrega das DIFsPapel Imune, o que, aliás, "não surtirá efeito devido a absoluta relação do mesmo (registro) com a atividade da impugnante". Conclui a impugnante requerendo a "anulação" do lançamento, "por ser esta a mais correta aplicação do principio da legalidade e da verdade material". A empresa foi intimada dos termos do Acórdão recorrido em 23.09.2008 (fls. 72/74) e ingressou com Recurso Voluntário em 23.10.2008 (fls. 75/87), para reiterar seus argumentos impugnatórios relativamente aos seguintes tópicos: (i) inconstitucionalidade do estabelecimento de multa por decreto, instrução normativa ou regulamento (fls. 77/80); (ii) inexigibilidade da multa aplicada (fls. 80/86); (iii) competência do Conselho de Contribuintes para análise de constitucionalidade de lei ou ato normativo (fls. 86/87); e, (iv) requerer a "reforma da decisão atacada reconhecendo a ilegalidade/inconstitucionalidade/arbitrariedade da multa aplicada e anulando o lançamento efetuado" (fls. 87, parte final). É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF 4 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Intimada dos termos do acórdão recorrido em 23.09.2008 (fls. 72/74), a empresa ingressou com Recurso voluntário em 23.10.2008 (fls. 75/87), firmado por seu representante legal (fls. 47) e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar Rejeito a preliminar de inconstitucionalidade suscitada pela recorrente, coerente com iterativa jurisprudência do CARF e tendo em vista que a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já editou a Súmula CARF nº 02 (Vinculante), verbis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mérito Como bem resumido pelo v. Acórdão recorrido, quanto ao mérito a recorrente não questiona a situação fática que originou o lançamento combatido que foi a falta de entrega da declaração. E acrescenta: "Ao contrário, assevera que efetivamente não entregou a declaração porquanto não estava sujeita à obrigatoriedade, dado que, por atuar apenas virtualmente, não utiliza papel. Combate, outrossim, a própria legalidade da norma que instituiu a obrigatoriedade" (fls. 64). Entendo que a decisão recorrida analisou detalhadamente a questão posta a exame, à luz da firme e reiterada jurisprudência deste Colegiado, no sentido de que toda pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIPPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. A não apresentação, ou apresentação da DIPPapel Imune após os prazos estabelecidos para sua entrega, sujeita o contribuinte à imposição da multa capitulada no art. 57 da MP 2.15834/2001. Este fato, porém, não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. Na hipótese destes autos, comungo da posição defendida pelo v. acórdão guerreado, relativamente à penalidade imposta ao contribuinte, merecendo transcrever a parte final e conclusiva da mencionada decisão (fls. 69), verbis. Como já assinalado alhures, a penalidade pela não entrega da DIFPapel Imune nos prazos normativos está prescrita no artigo 57, inciso I, da MP n° 2.15835/2001, e corresponde ao valor de R$ 5.000,00 por mêscalendário de atraso. No caso em apreço, como efetivamente não houve entrega da declaração, o termo final considerado para a aplicação da multa foi a data do lançamento. Portanto, a aplicação da penalidade decorreu de imperativo legal. Por sua vez, o cancelamento do registro em virtude do descumprimento das normas que regem a matéria, conforme restou prescrito no art. 2° do Ato Declaratório que deferiu a inscrição da impugnante (ADE DRF Curitiba n° 109, fl. 57, acostado pela própria impugnante), é medida meramente Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 4 5 administrativa que não obsta a aplicação da penalidade imposta pela medida fiscal ora impugnada. 0 sujeito passivo foi intimado a regularizar sua situação de omissão, sob pena do cancelamento do registro. A eventual apresentação de declaração omissa, em atenção à intimação fiscal, somente se prestaria a sanear a irregularidade da omissão, evitando o cancelamento do registro, mas não evitaria a aplicação da penalidade em virtude da mora, assim como o eventual cancelamento do registro não se prestaria a eximir o contribuinte da incidência da penalidade pecuniária. Repitase que a matéria é bastante conhecida deste Conselho, com farta e reiterada jurisprudência, merecendo transcrever a ementa do Acórdão nº 9303006.669, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 26 de junho de 2018, na relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. .......................................(omissis)........................................ DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO. Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Fl. 94DF CARF MF 6 Salientese, de outra parte que, através do Acórdão CSRF/3ª Turma nº 9303 004.953, proferido em 10 de abril de 2017, foi cristalizado também o entendimento de que, em casos que tais, devese aplicar o princípio da retroatividade benígna de que trata a letra "c", inciso II, art. 106, do Código Tributário Nacional, como se extrai do seguinte trecho do voto do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, verbis. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIFPapel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) Assim, deve a autoridade recorrida, através da repartição de origem, verificar se a empresa é uma pequena, micro ou empresa individual optante pelo Sistema SIMPLES, para apurar a redução da penalidade aplicada. e, como tal, se ela estaria beneficiada pela retroatividade benigna (CTN, art. 106IIc), seja para ser apenada, como aliás vem decidindo a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para confirmar o entendimento final da fundamentação deste voto, registre se, ademais e em complemento a tudo que já foi fundamentado que, somente no período de 26 de junho a 16 de novembro do ano passado, foram publicados diversos outros Acórdãos, com o mesmo entendimento esposado no Acórdão CSRF nº 9303006.669 acima referenciado (Acórdãos nºs 3201004.121, 3201004.122, 3402005.378, 3402005.343, 3201003.937, 3201003.938, 3201003.935, 9303006.734 e 3001000.627). Diante do exposto, e coerente com outros entendimentos já esposados nesta 1ª Turma Extraordinária, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares aduzidas e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna de que cuida o inciso II, art. 1º, da Lei 11.945/2009, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 5 7 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951723/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 17 23 /2 01 0- 44 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16031.408, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.905793/2009-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 05 79 3/ 20 09 -2 1 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 132 2 Pedido de Compensação Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 18.344,77, através do qual o contribuinte compensou débito de IRPJ do 4° trimestre de 2004, valendose de um crédito declarado a título de pagamento a maior de COFINS do período de apuração de 09/2004, no valor de R$ 20.904,68. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo a restituir. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a manifestante alega que para efeito de compensação do(s) valor(es) de R$ 18.344,77 refere(m) se ao pagamento a maior do COFINS com data de apuração de 30/09/2004 e arrecadado(s) em 15/10/2004 e que esta(ão) relacionado(s) na declaração débitos e créditos tributários federais (DCTF) 3° trimestre de 2004, a qual se encontra retificada e em anexo. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0828.583 – 5ª Turma da DRJ/FOR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA "ZERAR" O DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO PELO CONTRIBUINTE. Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entendeu a DRJ, que contribuinte não articula nenhuma razão ou anexa provas capazes de justificar as causas em que se fundou a retificação redutora do débito original, restando inexistente a ocorrência de pagamento a maior. Conclusão do voto Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante, salientando que não tendo o contribuinte apresentado as justificativas e provas do seu pleiteado direito na manifestação de inconformidade, precluiu o direito de fazêlo em outro momento processual, nos termos do § 40 do art. 16 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 133 3 Em setembro de 2004, a Recorrente alega ter apurado um direito creditório de R$ 20.904,68, decorrente de um recolhimento a maior de COFINS, realizado em 15.10.2004, no valor de R$ 24.329,03 (doc. 03), ao passo que o valor efetivamente devido era de R$ 3.424,35. Em manifestação de inconformidade, para corroborar com o alegado, o contribuinte aduz ter apresentado: (i) Extrato Comprobatório do recolhimento do valor de R$ 24.329,03, obtido na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (doc. 03); (ii) DIPJ referente ao anocalendário de 2004, na qual se pode verificar que o valor efetivamente devido no período a título de COFINS foi de R$ 3.424,35 (página 27 doc. 04); e (iii) Livro Razão Analítico (doc. 05), no qual se pode constatar o valor do crédito (R$ 20.904,68) referente ao período de setembro de 2003 (folhas 75 e 132). No entanto, aduz que as autoridades fiscais desconsideraram a retificação da DCTF após a prolação do despacho decisório como meio de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, que segundo a mesma, encontrase lastreado em sua escrita fiscal. Segundo a recorrente, não existe qualquer disposição na legislação da Secretaria da Receita Federal do Brasil que vede a retificação de DCTF após a prolação do despacho decisório. Alega que o entendimento aduzido pelas d. autoridades fiscais viola frontalmente um dos princípios basilares do processo administrativo fiscal que é o da verdade material. Por fim, requereu pelo provimento de seu Recurso Voluntário para que seja reformado o v. acórdão, no sentido que seja reconhecido o direito creditório e efetuada a devida compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 20.08.2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 45, nos termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 134 4 Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 17.09.2014, conforme comprova o carimbo da DRF da Barra da Tijuca RJ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, a ocorrência de pagamento a maior. DOS FATOS Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de COFINS, no valor de R$ 18.344,77, tendo em vista que a recorrente alega ter apurado crédito a maior de R$ 20.904,68, sendo que o valor efetivamente devido era de R$ 3.424,35, relativo ao 4° trimestre de 2004. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, por entender que o direito creditório em discussão já teria sido utilizado para quitar outros débitos da Recorrente. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, demonstrando que o entendimento manifestado no r. despacho decisório foi decorrente de mero erro material de preenchimento de DCTF, a qual foi devidamente retificada pela Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. Da Conversão em Diligência Foi alegada a ocorrência de erro material que teria motivado a origem do crédito. Por este motivo, ante a alegada alegação de erro com a possibildiade de documentos que comprovem a correta formação da base de cálculo, justificase a conversão em diligência. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 135 5 Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão Fl. 135DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 136 6 somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 137 7 nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 138 8 Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 139 9 disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando os valores incluídos em sua base de cálculo.. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 140 10 Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.000142/96-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido".
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.000142/9659 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.115 – 3ª Turma Data 24 de janeiro de 2019 Assunto SANEAMENTO DA ADMISSIBILIDADE Recorrente COMPANHIA NÍQUEL TOCANTINS Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI efetuado com base na MP nº 948, de 23/03/95, relativo ao anocalendário de 1995, no valor de R$ 591.412,82. Referido pedido foi cumulado com alguns pedidos de compensação, com débitos próprios e de terceiros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 00 14 2/ 96 -5 9 Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 3 2 Ao analisar o pedido a Unidade de Origem, deferiuo parcialmente no montante de R$ 2.170,17. Além das glosas de energia elétrica, fretes e óleos combustíveis, excluiu valores da receita de exportação, afetando o coeficiente de exportação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi totalmente indeferida pela DRJ/Ribeirão Preto. Ao apreciar o recurso voluntário, a então 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 20300626, e fls. 804 e seg. Após a realização da diligência, o recurso voluntário foi julgado e resultou no acórdão nº 340101081, de 28/10/2010, o qual possui a seguinte ementa: Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 EMENTA:. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS. Geram crédito presumido de IPI apenas matériaprima, produtos intermediários que são efetivamente consumidos no processo de fabricação, incorporandose ao produto em fabricação ou caso contrário sendo consumidos em decorrência de ação direta sobre o produto. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. Não ha previsão legal para que considere o frete na base de cálculo do credito presumido, uma vez que não se enquadra como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS Mesmo antes da Medida Provisória n° 1.48427/96, que estendeu o credito presumido a essas exportações, tal já se dava, por força do DecretoLei nº 1.248, de 29.11.72, que assegurava ao produtorvendedor, nas remessas para empresa comercial exportadora com fim especifico de exportação, os beneficios concedidos por lei como incentivo à exportação, tal como o crédito presumido em tela. Recurso provido em parte. Referido acórdão reconheceu o crédito presumido proveniente da energia elétrica em razão da comprovação de que era consumida em ação direta com o produto em fabricação, negando provimento quanto ao frete dos insumos e o óleo combustível. Reconheceu ainda como receitas de exportação os valores das vendas às trading companies. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência quanto ao reconhecimento dos créditos advindos da aquisição de energia elétrica e da questão das vendas Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 4 3 às trading companies, efls. 1044 e segs. Tal recurso não foi admitido, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, efls. 1072/1073, e também pelo despacho de reexame de admissibilidade efetuado pelo então presidente do CARF, efl. 1074. Cientificado do referido acórdão, o contribuinte apresentou embargos de declaração, efls. 1086/1096, nas quais alegou em síntese que o acórdão recorrido foi omisso ao não analisar o parecer técnico apresentado no sentido de que o uso do óleo combustível no processo produtivo decorre mais de sua composição química do que à sua capacidade como fonte energética. Alegouse também contradição na análise do direito de crédito relativo aos fretes na aquisição de insumos. Referidos embargos foram rejeitados por meio de despacho do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, efls. 1127/1128. Por fim o contribuinte apresentou o recurso especial de divergência, efls. 1134 e segs, no qual suscita a nulidade do acórdão recorrido por ter deixado de apreciar o parecer técnico relativo ao uso do óleo combustível e no mérito defende o direito de crédito presumido nos valores relativos aos fretes nas aquisições dos insumos. O recurso especial foi admitido em sua íntegra, por meio do despacho de exame de admissibilidade de efls. 1289/1293. Porém o despacho foi omisso e nada dispôs sobre a questão posta no recurso especial a respeito da nulidade do acórdão recorrido. Contrarrazões da Fazenda Nacional, defende o improvimento do recurso especial e trata exclusivamente da matéria relativa aos fretes na aquisição de insumos. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Como visto o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial do contribuinte deixou de analisar a admissibilidade do recurso em relação à alegação de nulidade do acórdão recorrido. Tal fato já aconteceu em outros processos vindos a julgamento na atual composição desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nas outras oportunidades Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 5 4 fiquei vencido, pois defendia que este colegiado poderia suprir a omissão e fazer a admissibilidade integral do recurso especial, podendo conhecer ou não a matéria não apreciada no despacho de admissibilidade. Portanto, me rendo ao princípio do colegiado e adoto esta posição neste voto. Assim, a posição adotada, é que nestas circunstâncias o processo deve retornar à Câmara recorrida para que providencie o complemento do exame de admissibilidade do recurso especial em relação à matéria não apreciada, seguindo os trâmites normais da admissibilidade, com ciência ao contribuinte no caso de negativa de seguimento ao recurso nessa parte, e ciência à Fazenda Nacional, no caso de seguimento do recurso, para que esta possa apresentar suas contrarrazões, caso entenda necessário. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Câmara recorrida providencie o complemento do exame de admissibilidade do recurso especial impetrado pelo contribuinte. Após tomadas estas providências, o processo deve ser distribuído ao mesmo relator, para que se prossiga no julgamento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721064/2015-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 178 1 177 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.721064/201512 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.474 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Recorrente VENTANA SERRA DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 10 64 /2 01 5- 12 Fl. 177DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 103 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) caráter confiscatório, desproporcional, lesivo e inconstitucional da multa aplicada, a qual feriria, ainda, o princípio da isonomia por tratar de forma mais grave a prestação de informações sobre cargas do que sobre passageiros; iii) desrespeito aos princípios da motivação e da razoabilidade; iv) ocorrência de denúncia espontânea. Requereu, ao fim, julgamento pela insubsistência da autuação e seu consequente cancelamento. Juntou os documentos de fls. 63/96, que são: documentos de constituição e representação da empresa, documentos de identificação da signatária da impugnação e cópia de decisões administrativas. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 101/106) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.721064/201512 Acórdão n.º 3002000.474 S3C0T2 Fl. 179 3 procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 15/02/18 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl.111 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, tempestivamente (vide registro de solicitação de juntada do recurso em 16/03/18, à fl. 113), Recurso Voluntário (fls.114/135). Em seu recurso, o contribuinte alegou, preliminarmente, nulidade do auto de infração por contrariedade a decisão judicial proferida no processo nº 0005238 86.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Argumentou, ainda, pela existência de nulidade relacionada à suposta ausência de individualização das condutas, alegando que deveria ter sido lavrado um auto para cada evento ou aplicada uma única multa de R$ 5.000,00, se lavrado um único auto. Ainda na indicação de nulidades, afirmou que a conduta tipificada se referiria ao armador transportador, figura que não se confundiria com o recorrente. Ademais, repisou os argumentos de sua impugnação, que são: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) desrespeito ao princípio da motivação; iii) ocorrência de denúncia espontânea. Ao final, pediu a suspensão do crédito tributário até o julgamento final do recurso, a anulação da autuação e seu definitivo cancelamento e arquivamento. Juntou, com seu recurso, cópia da Solução de Consulta Interna nº 8 – Cosit (fls. 136;167). O contribuinte juntou nova petição (fls. 171/172), se insurgindo contra a existência de pendência em seu relatório de situação fiscal, argumentando ter protocolizado tempestivamente seu recurso voluntário. Requereu, assim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a retirada da referida informação do seu relatório de situação fiscal. Juntou os documentos de fls. 170 e 173/174. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido De início, é importante tratar de tema preliminar essencial à solução da presente contenda. Ao analisar o presente caso, foi possível constatar que o acórdão recorrido se Fl. 179DF CARF MF 4 apresenta nulo, visto que não traz em seu conteúdo elementos necessários à motivação do julgamento proferido. Consoante acima narrado, o contribuinte apresentou impugnação no presente caso, por meio da qual argumentou, em síntese: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) caráter confiscatório, desproporcional, lesivo e inconstitucional da multa aplicada, a qual feriria, ainda, o princípio da isonomia por tratar de forma mais grave a prestação de informações sobre cargas do que sobre passageiros; iii) desrespeito aos princípios da motivação e da razoabilidade; iv) ocorrência de denúncia espontânea. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Como se vê, há uma certa dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, ao passo que deixou de tratar de fundamentos que constaram da defesa apresentada pelo contribuinte, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Mencionese, por exemplo, o argumento relacionado à ausência de motivação e tipicidade. Sobre estes fundamentos, o acórdão recorrido assim se manifestou: De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Ou seja, limitouse a DRJ a dispor que “qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação” deveria “cair por terra” pois não haveria “coadunação com o que se Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.721064/201512 Acórdão n.º 3002000.474 S3C0T2 Fl. 180 5 verifica nos autos”. Percebese, portanto, que o acórdão recorrido afastou tais argumentos, contudo, não trouxe motivação suficiente à compreensão das razões que a levaram a esta conclusão. A resumida fundamentação no sentido de que não haveria coadunação com o que se verifica nos autos, sem maiores esclarecimentos, não supre o vício de motivação aqui verificado. É importante destacar que não se está aqui antecipando qualquer juízo de valor acerca da procedência ou não quanto a este argumento apresentado pelo contribuinte, mas apenas destacando que a decisão recorrida não analisou adequadamente os fundamentos de defesa apresentados, tornandoa nula de pleno direito, por cerceamento de direito de defesa do contribuinte. Verificase, portanto, que o acórdão recorrido julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito as devidas considerações acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto. Tanto que foi possível identificar que esta mesma decisão fora proferida para vários processos distintos, sem que tivesse sido realizada a adaptação necessária para cada caso concreto. Sendo assim, no meu entender, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Em razão da decretação da nulidade do acórdão recorrido, resta prejudicada a análise dos argumentos constantes do Recurso Voluntário interposto. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida Fl. 181DF CARF MF 6 nova decisão, em que sejam analisados, de forma motivada, os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003898/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015).
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.222
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015). Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
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Numero do processo: 13884.720122/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2010
ACÓRDÃO DE PISO. NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA.
É nula a decisão da DRJ na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando aquela instância administrativa não mais detinha cognição sobre o contencioso (inciso I do mesmo diploma normativo).
Numero da decisão: 3401-005.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2010 ACÓRDÃO DE PISO. NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA. É nula a decisão da DRJ na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando aquela instância administrativa não mais detinha cognição sobre o contencioso (inciso I do mesmo diploma normativo).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2010 ACÓRDÃO DE PISO. NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA. É nula a decisão da DRJ na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando aquela instância administrativa não mais detinha cognição sobre o contencioso (inciso I do mesmo diploma normativo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 22 /2 01 4- 73 Fl. 330DF CARF MF 2 Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório da DRJ de Ribeirão Preto/SP (efls. 239 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: “Tratam os autos de impugnação contra o lançamento de multa isolada no montante de R$ 149.091,41, decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedido(s) de ressarcimento efetuado(s) por meio de PER/DCOMP, conforme disciplinado pelo § 15 do art.. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249, de 2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) .............................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido Regularmente cientificada da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual trouxe os argumentos e razões que achou necessários para a sua contestação. (Negrito do Relator).” A DRJ de piso, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, de acordo com a seguinte ementa: “MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada” À efl. 247 consta a seguinte informação: “De acordo com o teor do documento juntado às folhas 235, consta das folhas 207 a 231 Manifestação de Inconformidade Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 331 3 apresentada contra o Despacho Decisório proferido no processo 13884.720.079/201446, o qual se encontra apensado ao presente processo. Considerando que procedemos ao encaminhamento do Acórdão 1455.273 8ª Turma da DRJ/POR para ciência da contribuinte, retornese o presente ao SECOJ/DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP para julgamento da Manifestação de Inconformidade” Já à efl. 250 informa o Despacho de Encaminhamento: “Senhor Presidente da 4ª Turma,Considerando o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, art. 77, § 6º, que prevê o julgamento simultâneo da manifestação de inconformidade e impugnação, em casos como o presente, proponho o encaminhamento deste processo à 8ª Turma desta Delegacia, com proposta de revisão do acórdão de fls. 239/294.Luís Sérgio Borges Fantacini AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (negrito do Relator).” À efl. 252 e ss., sobreveio novo acórdão, no qual, à unanimidade de votos, anulou o anterior acórdão, por meio da seguinte ementa: REVISÃO DE ACÓRDÃO. Este acórdão revisa o Acórdão nº 1455.273 que foi proferido com erro no que diz respeito a legislação aplicável. NULIDADE. A Administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade. Esclareceu o voto (efl. 253): No entanto, o relator deixou de verificar que a conduta, na realidade, tratava de compensação e não de ressarcimento, e estava também capitulada no § 17 do mesmo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e que o documento referiase a Dcomp e não a PER, portanto, apesar da mudança ocorrida no dispositivo legal quanto a sua redação, este ainda estaria em vigor. Nesse passo, as razões de mérito opostas pelo impugnante deveriam ser apreciadas, sob pena de prejuízo à defesa do contribuinte. O Acórdão revisto também deixou de observar o disposto no artigo 77, §6º3, da IN/SRF nº 1.300, de 2012 que determina que a impugnação em referência seja julgada Fl. 332DF CARF MF 4 juntamente/simultaneamente com a manifestação de inconformidade apresentada no processo 13884.720079/201446 (apenso a este processo). Desta forma, o acórdão foi proferido com erro na base legal indicada e com prejuízo à defesa do contribuinte. Com base nisto e fundamentado no artigo 53, da Lei 9.784/99, anulouse o acórdão anterior e encaminhouse o feito à DRJ de origem para novo julgamento, a qual, à unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, no termos da ementa abaixo: PERDCOMP. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A existência de indébito para compensação deve ser evidenciada por meio da apresentação de DCTF retificadora, acompanhada da documentação comprobatória do erro alegado. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. Aplicase a multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2010 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DILIGÊNCIA. PROVA. Indeferese o pedido de diligência quando desnecessária para o deslinde do processo, a qual não é hábil para substituir a prova que deve ser constituída pela defesa. Disse o voto que a Postulante apresentou cópias do razão contábil, mas que tais documentos não comprovam os alegados erros de preenchimento da ficha 16A, de Apuração dos Créditos da COFINS em seu DACON (efl. 224), mas que tais erros deveriam ser comprovados por meio de sua escrituração fiscal, notas fiscais de aquisições e despesas, relação dos itens adquiridos e despesas geradoras de crédito, detalhamento da utilização dos bens para enquadramento como insumos. Houve intimação do acórdão por meio de caixa postal em 24/08/2016 (efl. 277) e interposição de recurso voluntário em 23/09/2016 (efl. 278), no qual, em resumo, defendeu a Recorrente: 1) Preliminar. Violação à coisa julgada administrativa em relação ao acórdão 1455.273 que cancelou a multa isolada. Defendeu que os casos de nulidade são os dos incisos I e II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 e que da decisão não houve interposição de recurso de ofício, vez que o valor cancelado não ultrapassava a alçada. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 332 5 Como não recorreu, houve preclusão ao direito de recurso. 2) Nulidade do acórdão recorrido, por violar a ampla defesa e o contraditório. Diz a Recorrente que em suas razões da Manifestação de Inconformidade, demonstrou o seu direito de crédito a partir de seus livros contábeis (ECDSPED), informando o erro de preenchimento do DACON e da DCTF, suplicando pela verdade material, protestando, inclusive por diligência a qual foi indeferida, entendida como desnecessária. 3) Nulidade em razão do artigo 76 da IN/RFB 1.300/2012, devendo se ter a busca pela verdade material. Deveria se ter solicitado esclareceimento da contribuinte e análise dos documentos disponíveis em seu sistema, em especial a Escrituração Contábil Digital – ECD, a qual comprova de fato qual o valor apurado da COFINS no mês de dezembro de 2010. Seque analisou o demonstrativo analítico de créditos de COFINS (Anexo 8 da Manifestação de Inconformidade). 4) Nulidade em razão da indevida motivação do cerceamento de defesa. Entende que pagou R$ 822.332,21 de COFINS, sendo R$ 366.762,50, a maior e que tal constatação seria possível pela análise dos arquivos eletrônicos (DCTF x DARF). 5) Mérito, em razão o erro de fato, seja retificada de ofício a obrigação acessória DCTF, e ainda, a retificação de ofício dos dados demonstrados no DACON – Ficha 16A. Diz que juntou na Manifestação de Inconformidade seu Razão contábil “COFINS A RECUPERAR” e “COFINS A PAGAR”, bem como demonstrativo analítico de cada crédito aproveitado e sua respectiva origem (Anexos 08 e 09). Que as notas fiscais não foram juntadas pelo grande volume, e que por isso, requereu diligência. 6) A multa do parág. 17, do artigo 74 da Lei 9.430/96 não existia em si mesmo (este, o fundamento da multa aplicada), pois o referido parágrafo previa uma hipótese de incidência de aplicação de multa, sendo que a multa aplicável era a do parág. 15, do mesmo dispositivo legal. Revogado o parág 15, evidente a revogação do parág. 17, logo, aplicável a retroatividade benigna do artigo 106 do CTN, do contrário haveria inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc Fl. 334DF CARF MF 6 O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O voto foi, no entanto, adaptado em excertos destacados por este redator Ad Hoc, em função de ter o relator original alterado seu posicionamento durante os debates, no colegiado, acolhendo o que foi objeto de consenso entre os demais membros da turma. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. Viuse que a DRJ de piso em seu último acórdão, à unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade não reconhecendo o direito creditório da Recorrente, dizendo que esta não fizera prova. Diversamente entendeu a Recorrente que a fez, por meio de ECDSPED, demonstrativo analítico de créditos de COFINS e Razão contábil, desde a manifestação de inconformidade. Temse que os elementos contidos em tais documentos, parecem seguir uma lógica, porém, se a origem do crédito existe e se quantum tem a exatidão do postulado é algo impossível de se saber no estágio em que chegou o contencioso a este Tribunal. A fim de se perseguir a justiça tributária, fazendo com que, de um lado, a Administração arrecade exatamente o que lhe é devido, e de outro, o contribuinte pague estritamente o que lhe é imposto, bem como se busque a verdade real, e ainda, evitandose o enriquecimento sem causa, prudente que o julgamento seja convertido em diligência, retornando os autos à Unidade de Origem se manifeste sobre a existência e disponibilidade do crédito alegado pela Recorrente. A fim de se escoimar a dúvida, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, fazendo com que a Unidade de Origem elabore Relatório Fiscal conclusivo sobre a apuração, dentre outros dados, confrontando os recolhimentos efetuados, as informações prestadas em ECDSPED, bem como no Razão Contábil juntado e no demonstrativo analítico de créditos, e se for o caso, algum outro documento que corrobore a origem dos créditos, frisese, ratificando as informações contidas nos documentos já juntados, como por exemplo, notas fiscais; o quanto possível seguido de tabela, possibilitando que o feito chegue maduro para julgamento, poupandose futura litigiosidade. Após, deverá o sujeito passivo ser cientificado do resultado da realização da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias, de acordo com o parágrafo único do artigo 35 do Decreto 7.574/2011.” Nota do redator ad hoc: nesse ponto do julgamento, o colegiado passou a verificar se as sucessivas decisões da DRJ foram proferidas em momento no qual esta detinha competência para se manifestar. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 333 7 Conforme Relatório Fiscal (efl. 24), a empresa efetuou compensações que não foram homologadas, no processo n. 13884.720079/201446 (apensado ao presente). Em decorrência, foi exigida, mediante lançamento, a multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17 da Lei no 9.430/1996 (auto de infração às e fls. 18 a 23). Em sua impugnação, a empresa questiona a aplicação da multa e informa que há manifestação e inconformidade pendente de julgamento em relação á compensação (efl. 31). A primeira decisão da DRJ (Acórdão de Impugnação n. 1455.273), datada de 25/11/2014 (efls. 239 a 241), que entendeu procedente a impugnação apresentada, com fundamento em retroatividade benigna em relação à multa prevista no art. 74, § 15 da Lei no 9.430/1996, foi cientificada ao sujeito passivo em 05/02/2015 (efl. 248), e não tratou da compensação. Nesse momento, deixou a DRJ de ter cognição sobre o processo, que aguardava eventual recurso voluntário sobre a matéria não analisada, a ser apresentado ao CARF (isso porque não há, na legislação referente ao processo administrativo, previsão para interposição de embargos por omissão em relação a decisões das DRJ). Em 07/06/2016, a DRJ, em novo Acórdão de Impugnação (n. 1461.181 efls. 242 a 254), decide revisar o Acórdão de Impugnação n. 1455.273, por ter deixado o relator de verificar que a conduta não estava inserida no art. 74, § 15 da Lei no 9.430/1996, mas no art. 74, § 17 da referida lei, que não foi objeto de revogação, o que demandaria a apreciação das razões de mérito expostas pela empresa impugnante. Em 28/06/2016, a DRJ profere ainda Acórdão de Manifestação de Inconformidade (n. 1461.637, efls. 256 a 264), em relação à não homologação da compensação, mantendo o entendimento pela impossibilidade de homologação. A empresa tomou ciência destes dois novos acórdãos da DRJ em 24/08/2016 (efl. 277), apresentando recurso voluntário em relação a ambos os temas (efls. 279 a 320), e sustentando, entre outras alegações, que não foi cientificada sobre a decisão da DRJ de revisar o Acórdão de Impugnação n. 1455.273, para que a autuação fosse apreciada em conjunto com a manifestação e inconformidade, e que seria nula a revisão, por ser coisa julgada administrativa o acórdão que cancelou a multa (não tendo havido interposição de recurso de ofício). Ao analisar esse cenário, o colegiado entendeu que a DRJ, ao apreciar, no Acórdão de Impugnação n. 1455.273, apenas parte dos argumentos de defesa, sequer tratando da análise da compensação (detalhada no processo que já estava apenso a este, desde 28/03/2014, cf. efl. 236 ), incorreu em cerceamento do direito de defesa, sendo nula a decisão, por força do art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, que regula com estatura legal o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. E entendeu ainda a turma que as demais decisões da DRJ foram proferidas em momento no qual já não detinha cognição o colegiado para apreciação do tema, incorrendo na nulidade prevista no inciso I do mesmo art. 59 do Decreto no 70.235/1972. Assim, deve a DRJ proferir decisão(ões) que contemplem todo o conteúdo discutido neste processo, de modo a permitir a regular sequência do contencioso, e que cheguem a este CARF os autos maduros para julgamento. Fl. 336DF CARF MF 8 Após tal discussão, no seio do colegiado, o relator abdicou de sua tese pela realização de diligência, perfazendose unanimidade no sentido de que são nulas as três decisões exaradas pela DRJ, pelas razões aqui expostas, devendo os autos retornarem àquela instância de piso, para nova apreciação de ambos os temas a ela originalmente submetidos. Ante o exposto, voto dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720497/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/01/2011 a 31/03/2013
CRÉDITO . INSUMOS.
Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação.
SUSPENSÃO.
Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse.
Numero da decisão: 3401-005.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. SUSPENSÃO. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 97 /2 01 4- 73 Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 571 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta no acórdão DRJ recorrido: Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, tendo sido constituído crédito tributário total de R$ 1.545.092,85, incluídos nesse valor o IPI, juros de mora, multa proporcional, multa isolada incidente sobre o imposto não lançado por haver cobertura de crédito, além de multa regulamentar aplicada em decorrência de pedido de ressarcimento indeferido, esta última decorrente dos processos que serão julgados em conjunto com o presente. 2. Segundo Relatório Fiscal de fls. 02/09, a ação fiscal decorreu da análise dos pedidos de ressarcimento dos períodos compreendidos entre o segundo trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2013, tendo sido apuradas as seguintes irregularidades: a) Saídas com suspensão do IPI, com fundamento no art. 29, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, sem as declarações das empresas adquirentes de que as mesmas são empresas que se dedicam, preponderantemente, à elaboração dos produtos relacionados no caput do artigo; b) Saídas com erro de alíquotas do IPI, tendo havido destaque a menor; c) Utilização indevida de créditos de aquisições de materiais destinados a reformas e construções, os quais não se caracterizam como insumos do processo produtivo. 3. Diante das constatações acima citadas, a Autoridade Fiscal reconstituiu a escrita do estabelecimento, decorrendo disso o indeferimento total dos pedidos de ressarcimento do 2º T/2010 ao 1º T/2012 e indeferimento parcial dos restantes, além do lançamento do imposto não coberto com crédito, juntamente com multa proporcional e de multa isolada sobre o imposto não lançado por haver cobertura de crédito. 4. Cientificada em 26.03.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 24.04.2014, impugnação na qual apresenta as alegações abaixo: “.........Por outro lado, importante destacar que a fiscalização não é clara nem conclusiva, no que concerne ao por que não reconheceu o credito pretendido, praticando com isto cerceamento ao direito da contribuinte de saber, com segurança, porque foi autuada. Se o Fisco entende que ocorreram erros na classificação fiscal dos produtos – NCM, para os quais foram utilizadas incorretamente a alíquota do IPI (item SAÍDAS COM ERRO DE Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 572 3 ALÍQUOTA), deveria demonstrar comparativamente o critério adotado pela autuada e aquele entendido como correto pelo Fisco. Ensejando, portanto, nulidade no processo administrativo fiscal, em conformidade com previsto no an. 59 do Decreto nº 70.235/72: ......... SAÍDAS SEM DÉBITO DO IPI – SUSPENSÃO.......... Não consta da acusação outro ponto que possa ensejar a manutenção do auto de infração, a não ser este. E, este facilmente poderia ser cumprido ou complementado se a fiscalização tivesse notificado a autuada dentro do processo de ressarcimento para exibir estes documentos ou transformar em diligência o pedido para que fossem intimada as destinatárias a fazêlo. Não obstante, a autuada tenha sido intimada a apresentar as declarações de preponderância, tratandose de obrigação que envolve terceiros e que. podem ser cumpridas a qualquer momento. pois não são ensejadoras de confissão de falta praticada, a não ser que efetivamente inexistentes, a autuada está buscando junto aos terceiros adquirentes, tais documentos ensejadores do beneficio pretendido, pois, efetivamente, as operações praticadas com estas empresas admitem e estão amparadas pelo beneficio pretendido. Portanto, com a devida vênia, entende a autuada que, tratando se de prova, e estando buscando com os terceiros tais documentos, isto não impede que o Fisco pudesse ter intimado tais terceiros, para que, em diligência, dentro do processo de ressarcimento, confirmasse ou não a preponderância antes de ser lavrado esta auto de infração. Independentemente, a autuada está buscando tais documentos e os apresentará quando os obtiver (doc. 2 e 3). Por todo o exposto, pela ausência da caracterização de procedência da acusação deste item do AI, por estar calcado cm presunção, deve ser esta acusação afastada. CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS..... No que concerne a acusação de que a contribuinte teria se creditado de imposto de IPI. contido em materiais que vieram a ser utilizados em reforma ou construção da própria autuada, quais sejam BRONZE, AÇO 1010, AÇO 1020, AÇO 1045, ALUMÍNIO, COBRE, AÇO A36, AÇO VC131, AÇO 4340, AÇO D2. AÇO VC131, AÇO 8620, AÇO VW3, entende a contribuinte que a acusação é inconsistente. ....... Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 573 4 A sua atividade contratual é a fabricação de peças e acessórios para veículos cm geral, estamparia, serviços de usinagem, fabricação de ferramentas industriais (ferramentaria), serviços de cessão de mão de obra terceirizada de atividades industriais, desenvolvimento de projetos industriais e comercio de metais, importação e exportação. Neste contexto, a autuada apresenta detalhamento do seu processo produtivo (doc. 4) e esclarece que os produtos glosados são produtos intermediários que se encontram relacionados com o produto final e todos, sem exceção, têm vida útil interior a 12 meses (a maioria apenas alguns meses), não detendo característica essencial para a sua caracterização como bem do ativo permanente. ....... Não existe nos autos prova cabal de que este fato, levantado pela fiscalização proceda, visto que tratando se ‘de reforma ou construção’, estes valores deveriam ler sido levados as contas próprias e nada se sabe a respeito. No momento em que a autuada se creditou do imposto contido nestes materiais, não significa dizer que eles ‘todos’ estejam irregulares, pois seria necessário mostrar, o Fisco, que tantos e tantos por cento de determinada compra teria sido ‘desviado’ para a citada reforma ou construção, ou seja, deveria ficar demonstrado através de planilha fiscal, para que pudesse a autuada contrapor em perícia espontânea contábil, que tais valores pudessem ter sido ou não efetivamente utilizados nas citadas reforma e construção ou que tais valores integraram os produtos finais fabricados pela contribuinte. ......... MULTA DE OFÍCIO ........ Repitase, desde logo, que o Auto de Infração questionado foi lavrado com base cm documentos e livros apresentados espontaneamente pela autuada quando de seu pedido de ressarcimento de imposto pago a maior, ou seja, não se trata de acusação formulada com base na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante do acima exposto, no caso dos autos, não devem prosperar as infrações descritas no AI, consequentemente, as multas calculadas no AI devem ser canceladas, tendo em vista que, conforme as provas constantes desta peça, restaram corretos os procedimentos adotados pela autuada, não havendo qualquer irregularidade ou até mesmo valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, que possam ensejar multa. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE MULTA........ Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 574 5 A multa de ofício aplicada não está sujeita aos juros de mora pela taxa SELIC, pelo fato do que a multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Sua origem decorre dos termos do artigo 43 da lei n 9.430/96, de forma a que descabe a aplicação da SELIC sobre multa. ....... DA VIOLAÇÃO DOS POSTULADOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Os valores expressivos das multas (de oficio e regulamentar) apresentamse totalmente dissociados da finalidade pretendida com sua aplicação, fazendose com que, no caso vertente, não se verifique a necessária relação de proporcionalidade entre o meio adotado (multa) e o respectivo fim pretendido pela norma punitiva. ......... Com efeito, a acusação fiscal lavrada de forma ilegal e arbitrária, impõe multa com nítido caráter confiscatório e notadamente desproporcional. ............... DO PEDIDO A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. E, caso assim, não seja entendimento, pede prazo para exibição das declarações de preponderância, ou intimação dos terceiros para que a apresentem. E, no tocante a multa, a sua relevação ou redução em razão da ocorrência da espontaneidade.” A DRJ Belém, julgou o processo, Acórdão nº 0133.441, em 10/01/2017, julgando procedente em parte a impugnação e cancelando em parte o crédito tributário exigido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/01/2011 a 31/03/2013 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. SUSPENSÃO. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 575 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea é princípio consagrado pelo art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a responsabilidade do infrator é excluída pela comunicação voluntária da infração antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a mesma. Importante notar que o citado artigo impõe ainda que a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou ainda do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. MULTA DE OFÍCIO. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir se de efetuálo. MULTA REGULAMENTAR. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. Deixase de aplicar a multa isolada prevista nos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, revogados pela Medida Provisória nº 656, de 7 de 2014, e pela Medida Provisória nº668, de 30 de 2015, convertida na Lei A empresa apresentou Recurso Voluntário: 1) Não indicação da NCM que o fisco entendeu correta para demonstração que a alíquota utilizada pelo contribuinte está equivocada; 2) Das saídas com suspensão do IPI. Ausência de intimação dos terceiros para apresentação das declarações. Presunção insuficiente para afastar a suspensão; 3) créditos básicos (bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço a36, aço vc131, aço 4340, aço d2, aço 8620 e aço vw3). Produtos intermediários: possibilidade de crédito de IPI. Parecer normativo CST 65/79, solução de consulta Disit nº 7/2004 e solução de consulta Cosit nº 24/2014; 4) impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Inexistência de fundamento legal expresso. Posicionamento do carf; 5) desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas. Efeito confiscatório. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 576 7 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. 1) Não indicação da NCM que o fisco entendeu correta para demonstração que a alíquota utilizada pelo contribuinte está equivocada A recorrente alega que alega que a fiscalização trouxe relação de notas fiscais de saídas com diferença de alíquota, onde houve a apresentação da nova alíquota TIPI por considerar que a utilizada pela empresa estava equivocada, mas em nenhum momento trouxe a base legal que utilizou para determinar a alíquota correta, qual seja, o código NCM que entendia ser correto. No item 3.2 do relatório fiscal consta que algumas vendas de produtos tributados foram efetuadas em desacordo com a legislação vigente, e a relação de notas fiscais em que foi apurado o erro no destaque do IPI encontrase às fl. 413 a 420: 3.2 – SAÍDAS COM ERRO DE ALÍQUOTA => O sujeito passivo realizou vendas de produtos tributados em desacordo com a legislação vigente, ou seja, com o destaque a menor do IPI por erro de alíquota em relação à TIPI, conforme “Relação das Notas Fiscais de Saídas com Diferença de Alíquota” (em anexo). Não houve reclassificação fiscal dos produtos na NCM mas apenas apuração da alíquota correta que estava vigente à época da emissão das notas ficais. No auto de infração, fls. 13 a 15 consta a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para aplicar a alíquota correta do IPI, com a indicação de quais os diplomas legais que foram utilizados para se apurar a alíquota vigente à época: 0002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com falta de lançamento de imposto, por erro de alíquota, conforme Relatório Fiscal em anexo. ... Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2010 e 31/05/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 577 8 Arts. 15, 16, 17, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 1º da Lei nº 8.850/94, com as alterações introduzidas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 11.933/09; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Fatos geradores ocorridos entre 01/09/2010 e 31/03/2013: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 15, 16, 17, 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Portanto, não merece prosperar a alegação da recorrente, pois está perfeitamente delineado no auto de infração e relatório fiscal qual o enquadramento legal utilizado, e diferentemente do que foi alegado não houve reclassificação fiscal das mercadorias, apenas identificação de que foi utilizada a alíquota incorreta. 2) Das saídas com suspensão do IPI. Ausência de intimação dos terceiros para apresentação das declarações. Presunção insuficiente para afastar a suspensão. Alega a recorrente que o Fisco prendeuse “ao fato da autuada não ter apresentado as declarações de preponderância das empresas adquirentes relativamente às notas fiscais relacionadas no Auto de Infração” e ao fato de ter a ora Recorrente apresentado referida declaração de uma das empresas sem a devida assinatura. O artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, prevê o seguinte: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 578 9 a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; ... § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos.” (grifouse) O tema já foi analisado em voto de minha relatoria, acórdão nº 3401005.100, de 20/06/2018, com quase a mesma composição que a atual, os membros do colegiado, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cássio Schappo. Na ocasião discorri que da leitura do dispositivo legal depreendese que alguns são os requisitos que devem ser atendidos pelo produtor e pelo adquirente: 1 – saída de estabelecimento industrial; 2 destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos citados; 3 – atendimento dos termos e condições estabelecidos pela RFB; e 4 – declaração do adquirente ao vendedor que atende aos requisitos estabelecidos. No presente caso após intimação da fiscalização a empresa não apresentou as declarações de todas empresas adquirentes relativamente às notas fiscais que constam nos anexos ao relatório fiscal. Apresentou a declaração de uma empresa adquirente Faurecia Emoissions Control Technologies Limeira Ltda. CNPJ nº 08.515.211/000179 sem a devida assinatura, ou seja, sem validade nenhuma para amparar as operações. Entendo que conforme disciplinado pelo RIPI/02 a saída dos produtos dos estabelecimentos industriais devem seguir as normas expressas no RIPI e as expedidas pela RFB, e quando não forem satisfeitos os requisitos para a suspensão o imposto tornase imediatamente exigível como se a suspensão não existisse. Art. 40. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 579 10 normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art.42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2o Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos. Claro que só se pode exigir o imposto daquele que deixou de recolhêlo. Assim é que a empresa adquirente declara que irá cumprir os requisitos da lei, por isso a empresa produtora vende os produtos com base nessa declaração e dá saída nos produtos com suspensão. Mas em procedimento de fiscalização se ficar comprovado que os produtos não foram utilizados conforme determina a legislação devese retroagir na cadeia e cobrar daquele que deu saída com suspensão. Esse entendimento está confirmado pela Solução de Consulta nº 199, de 17/11/2003 e o acórdão nº 20174603, de 22/05/2001: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI EMENTA: IPI. SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO DE NORMAS E REQUISITOS. RESPONSABILIDADE. As pessoas que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão de IPI estão obrigadas ao pagamento do imposto. ACÓRDÃO 20174603 – 2º Conselho. EMENTA : IPI SUSPENSÃO ART. 3o DA LEI N° 8.402/92 E DECRETO N° 452/88 – RESPONSABILIDADE Descumprindo o adquirente da mercadoria requisito de suspensão da incidência do IPI, sujeitase ao recolhimento imediato do imposto, a teor do artigo 35, I, do RIPI/82. Recurso Negado. No caso em análise não foram apresentadas as declarações, diferentemente do acórdão citado de minha relatoria, em que foram apresentadas declarações que não condiziam com a realidade. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 580 11 A recorrente alega que está providenciando os documentos, que não apresentou até o momento, e que já encontrase precluso seu direito de apresentálos. Também reclama da falta de intimação dos terceiros envolvidos. Ora a Lei é clara ao dispor que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor que atendem aos requisitos da lei. Assim é que a recorrente que deveria ter diligenciado para ver cumprido os requisitos da Lei e não usufruir os beneplácitos legais sem a contrapartida imposta legalmente. Quanto a declaração que conseguiu juntar acompanho o já decidido pela DRJ: 11. Com referência às declarações apresentadas, temse que na “Relação das Notas Fiscais de Saídas sem Amparo da Declaração da Preponderância da Produção”, elaborada pela fiscalização (fls. 42/145), não consta saída para o CNPJ nº 08.515.211/000179 (existente até 30.12.2011). Já no que diz respeito à declaração de fl. 483, a mesma foi feita em período posterior aos da ação fiscal, sem identificação do signatário, não podendo ser reconhecida sua validade. 3) Créditos básicos (bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço a36, aço vc131, aço 4340, aço d2, aço 8620 e aço vw3). Produtos intermediários: possibilidade de crédito de IPI. Parecer normativo CST 65/79, solução de consulta Disit nº 7/2004 e solução de consulta Cosit nº 24/2014. A recorrente alega ser seu processo produtivo preponderante o fornecimento de peças e acessórios para veículos e que a fabricação de ferramentas industriais é parte integrante do processo, e sem as mesmas não é possível a fabricação das referidas peças e acessórios. Para ela essas ferramentas constituem produto intermediário relacionado ao produto final, e possuem vida útil inferior a 12 meses, não sendo bens de ativo permanente. E para fabricação de ferramental são utilizadas matérias primas, tais como: bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço A36, aço VC131, aço 4340, aço D2, aço VC131, aço 8620. Para efeitos do crédito do IPI o regulamento determina a inclusão de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo os que não se integrando o produto final sejam consumidos no processo de industrialização. É certo que o insumo aceito para fins de creditamento do IPI deve ser aquele que tem ação direta sobre o produto produzido. Assim é que o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, embora antigo é o que ainda esclarece a matéria: 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 581 12 ... 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ora os insumos glosados foram consumidos na fabricação de ferramentas utilizadas no processo produtivo. E não existe previsão legal no regulamento do IPI para se aproveitar esses créditos. Assim, não se admite o crédito dos produtos excluídos pela fiscalização (fls. 421/424), pois não se enquadram no conceito de MP, PI, ou ME. Ou seja, o termo “insumo” para fins de IPI possui conceito jurídico, e não contábil ou econômico. Como foi seguido estritamente o direito a crédito relativo a MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização, portanto, não há que se falar em violação ao art. 25, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. 4) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Inexistência de fundamento legal expresso. Posicionamento do carf. Quanto a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício entendo cabível conforme tenho votado e consta de pronunciamento não unânime dessa turma. Os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A pena pelo Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 582 13 atraso no pagamento é resolvida pela multa de mora. O juro não possui caráter punitivo. Reproduzo o esclarecimento do Dr. Paulo de Barros Carvalho: Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem os retardatários ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume manterse constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionados à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A multa de ofício é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento, a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento, não existindo nenhuma determinação legal para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há como separar a multa de ofício do total do crédito exigido. Ademais foi publicada recentemente a súmula CARF tornando obrigatória a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 5) Desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas. Efeito confiscatório. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 583 14 Quanto desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas, a sua imposição está prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” E o art. 44 da Lei nº 9.430/96 não permite qualquer mitigação, sendo categórico em determinar a incidência do percentual fixo de 75% (setenta e cinco por cento) aos casos de falta de pagamento de tributos nos casos de lançamento de ofício. E cabe lembrar que às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões que tanjam à constitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo. Esse assunto já restou sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900337/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.995
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 33 7/ 20 11 -5 6 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10467.900337/201156 Resolução nº 3301000.995 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10467.900337/201156 Resolução nº 3301000.995 S3C3T1 Fl. 4 3 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 137DF CARF MF
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