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Numero do processo: 13748.000649/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se conhece do recurso voluntário que o sujeito passivo não contesta o lançamento ou a decisão recorrida.
Numero da decisão: 2401-006.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.900776/2008-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
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ESTIMATIVA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 07 76 /2 00 8- 59 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10840.900776/200859 Acórdão n.º 9101004.182 CSRFT1 Fl. 226 2 Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio de recurso especial de divergência, em face de decisão que restou assim ementada: Acórdão nº 110100301, de 20/05/2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R PJ Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ARGUMENTO DE DEFESA NÃO APRECIADO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não foi exposto de forma a se caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas. APURAÇÃO DO INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ apurado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios incorridos desde 1º de fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei. O colegiado a quo decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, reconhecendo o direito creditório pleiteado e homologar a compensação do debito com os acréscimos moratórios pertinentes, até o limite do valor atualizado do crédito na data da entrega da DCOMP. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), tempestivamente, apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls.153 e ss.), suscitando dissenso jurisprudencial em relação ao seguinte acórdão paradigma, assim ementado: Acórdão nº 10708.989 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10840.900776/200859 Acórdão n.º 9101004.182 CSRFT1 Fl. 227 3 CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. Recurso parcialmente provido. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Câmara, através do despacho de admissibilidade de fls.175 e ss. Contrarrazões do contribuinte às efls.192 e ss., em que sustenta o não seguimento do recurso fazendário uma vez que a recorrente aponta como paradigma da divergência acórdão antigos do então Conselho de Contribuintes, cuja tese já está superada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sucessivamente, pede que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Tratase de analisar o recurso especial da PFN, admitido pelo despacho de de fls.175 e ss., contra decisão que reconheceu que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. A recorrente apresentou paradigma que decidiu, em sentido contrário, que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, não sendo os recolhimentos por estimativa, por si só, passíveis de restituição. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10840.900776/200859 Acórdão n.º 9101004.182 CSRFT1 Fl. 228 4 Sobre a admissibilidade do recurso especial, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, prevê em seu art. 67 do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] § 12 Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF (grifouse) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, atualmente com efeito vinculante a toda a Administração Pública, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 128, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10840.900776/200859 Acórdão n.º 9101004.182 CSRFT1 Fl. 229 5 (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário, a teor do disposto no art. 67 e §§ 3º e 12 do Anexo II do RICARF. Por fim, cabe observar que a decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório de R$ 138.688,34 relativamente ao recolhimento efetuado em 31/07/2003, e homologar a compensação do débito com os acréscimos moratórios pertinentes, até o limite do valor atualizado do crédito na data da entrega da DCOMP. Neste caso, uma vez não admitido o recurso especial da Fazenda Nacional quanto ao direito posto em discussão, prevalece a decisão recorrida que deu parcial provimento ao recurso voluntário e homologou parcialmente a compensação pleiteada. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000392/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000
ADESÃO AO PERT. CONFISSÃO DOS DÉBITOS.
O contribuinte não pode desistir de discutir Auto de Infração objeto de um processo administrativo para incluí-lo no PERT, previsto na Lei nº 13.496/2017, e simultaneamente permanecer a discutir a mesma matéria em processo distinto, versando sobre pedido de restituição.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
Numero da decisão: 3401-006.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 ADESÃO AO PERT. CONFISSÃO DOS DÉBITOS. O contribuinte não pode desistir de discutir Auto de Infração objeto de um processo administrativo para incluí-lo no PERT, previsto na Lei nº 13.496/2017, e simultaneamente permanecer a discutir a mesma matéria em processo distinto, versando sobre pedido de restituição. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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CONFISSÃO DOS DÉBITOS. O contribuinte não pode desistir de discutir Auto de Infração objeto de um processo administrativo para incluílo no PERT, previsto na Lei nº 13.496/2017, e simultaneamente permanecer a discutir a mesma matéria em processo distinto, versando sobre pedido de restituição. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 92 /2 00 5- 11 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 269 2 Relatório 1. Trata o presente processo, formalizado em 08/06/2005, de pedido de restituição de valor supostamente recolhido a maior, a título de PIS, sob código de receita 8109, relativamente ao período de apuração entre fevereiro de 1999 até maio de 2000, no montante de R$98.432,23, crédito esse consolidado em maio/2005 com base na taxa SELIC (valor original do crédito: R$49.944,98, que corresponde ao valor efetivamente recolhido, R$553.606,36, deduzido do valor que o contribuinte entende que seria realmente devido, R$503.661,38), consoante "Pedido de Restituição", à fl. 03 e "Levantamento de Valores Recolhidos a Maior", à fl. 05. 2. A base para o entendimento do contribuinte de que teria feito um recolhimento a maior é a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que passou a considerar o conceito de faturamento, base de cálculo da PIS, como sendo correspondente à receita bruta da empresa, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entende o contribuinte que esse alargamento da base de cálculo é inconstitucional. 3. Deve ser registrado, inicialmente, que o contribuinte não solicitou a restituição na forma prevista pela legislação, através do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no sítio da Receita Federal na Internet. Ao invés, utilizouse de formulário em papel, sem apresentar as razões de não ter se utilizado do referido Programa. 4. A DRF Camaçari, através do Despacho Decisório nº 073/2005 negou o pedido de restituição, com base nos seguintes fundamentos: i) em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente a 08/06/2000, estaria configurada a decadência do direito do contribuinte pleitear a repetição de eventual indébito por ele apurado, tendo em vista que o pedido só foi formalizado em 08/06/2005 e o prazo para pleitear a restituição seria de 05 anos; ii) para esses mesmos recolhimentos, anteriores a 08/06/2000, também não poderia prosperar a alegação de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, frente à inexistência de qualquer decisão do STF, a ser observada pela Administração Tributária Federal nos termos do art. 1°, caput e §§s 1° a 3°, do Decreto nº 2.346, de 1997, que declare de forma inequívoca e definitiva a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 no que diz respeito à fixação da base de cálculo do PIS; iii) em relação ao pleito de restituição dos valores recolhidos a partir de 08/06/2000 (houve um único recolhimento, efetuado em 15/06/2000, relativamente ao período de apuração de maio de 2000, no valor de R$ 78.260,59), a negativa se deu por conta da inobservância dos requisitos formais para o pedido, que deveria ter sido formulado através do programa PER/DCOMP. Assim, foi considerado não formulado o Pedido de Restituição de fl. 03. 5. Irresignado com esta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/09/2005, às fls. 46/75. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 270 3 6. A 4ª Turma da DRJSalvador (DRJSDR), em sessão datada de 17/03/2006, decidiu, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação de restituição. Todos os argumentos apresentados pelo recorrente foram julgados improcedentes. Foi exarado o Acórdão nº 09802, às fls. 77/89, assim ementado: Ementa: PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. 7. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJSDR em 06/04/2006 (conforme AR a fl. 91), apresentou Recurso Voluntário contra a decisão em 08/05/2006, às fls. 92/128, no qual, basicamente, repetiu os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 8. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em sessão datada de 04/06/2009, decidiu, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso na parte em que o mesmo versa sobre o "Pedido de Restituição" considerado corno "Não Formulado"; e II) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso em face da decadência do direito de repetir o indébito. Foi exarado o Acórdão nº 220100.303, às fls. 131/136, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/1999, 15/04/1999, 14/05/1999, 15/05/2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA "PER/DCOMP". PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 271 4 O titulo "Discussão Administrativa", constante do artigo 48 da IN SRF n° 460, de 29/12/2004, não contempla a possibilidade de se interpor Manifestação de Inconformidade contra decisão da autoridade administrativa que, na forma do artigo 31 do mesmo ato infralegal, considerou o pedido de restituição como "não formulado". Recurso Voluntário que não se conhece. Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e na Parte Conhecida, Negado Provimento. 9. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão do CARF em 12/11/2009 (conforme AR a fl. 139), apresentou Recurso Especial contra a decisão em 26/11/2009, às fls. 140/163. 10. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, em sessão datada de 09/11/2011, decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a prescrição do direito à repetição de indébito e determinar o retorno dos autos ao órgão julgador a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso, conforme Acórdão nº 9303001.786, às fls. 225/231, assim ementado: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido. 11. O processo retornou para a Turma 3401 do CARF, para cumprir a decisão da CSRF. Em sessão datada de 29/09/2016, esta Turma resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida nos processos de nº 13502.000526/200331 e 13502.000527/200386, que tratam de autuações sofridas pelo recorrente para as mesmas contribuições sociais e que abrangem os períodos de apuração e os fatos objetos deste processo, havendo relação de inter dependência entre estes, conforme Resolução nº 3401000.954, às fls. 240/253. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 272 5 12. O processo nº 13502.000527/200386 teve decisão administrativa definitiva em 17/10/2017, com o julgamento de Recurso Especial, realizado pela CSRF, o qual resultou no Acórdão nº 9303005.843. A Turma decidiu, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir o alargamento da base de cálculo e para que os juros de mora incidam sobre a multa de ofício. A ementa está nos seguintes termos: ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718. É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718. É inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Cofins previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. 13. Em 13/11/2017, o recorrente apresentou pedido de desistência total da discussão objeto do processo nº 13502.000527/200386, à fl. 255, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundava o litígio, tendo em vista sua adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496, de 24/10/2017. Quanto ao processo nº 13502.000526/200331, tratase, na verdade, de processo juntado por anexação ao de nº 13502.000527/200386, ou seja, os autos daquele passaram a integrar os deste último. 14. Nesse contexto, o presente processo retornou à pauta para continuidade do julgamento, à luz do quanto decidido no processo conexo, que tratava de questão prejudicial. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 16. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 17. Inicialmente, deve ser destacado que o pedido de restituição referente ao período de Maio de 2000 não é objeto do presente acórdão, pois já houve manifestação definitiva deste CARF sobre a matéria, através do Acórdão nº 220100.303, de 04/06/2009, que não conheceu do pedido, nos seguintes termos: A matéria remanescente, portanto, é a que trata do pedido de restituição relacionado ao pagamento efetuado no dia 15 de junho de 2009. Não obstante a DRF tivesse observado que a Manifestação de Inconformidade poderia apenas versar sobre a parte do pedido atingido pela decadência, ou seja, não poderia a mesma se referir à parte do pedido por ela considerado como "não formulado", a interessada submeteu tal matéria à DRJ, que a Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 273 6 conheceu e sobre ela deliberou, no que foi contestada no Recurso Voluntário. Todavia, a vedação à interposição de Manifestação de Inconformidade nesses casos, em que o pedido fora considerado não formulado nos termos do artigo 31 da IN SRF n° 460, de 29/12/2004, está implícita no artigo 48 da mesma instrução normativa, de sorte que as argumentações trazidas pela Recorrente nesta fase não devem ser conhecidas por este Colegiado. 18. A matéria posta sob apreciação da CSRF versava exclusivamente sobre o prazo prescricional para que o contribuinte pudesse formular seu pedido de restituição, sendo a decisão proferida unicamente sobre esta questão. O período de Maio de 2000, entretanto, não estava prescrito, sendo não conhecido o recurso, neste particular, por conta de ter sido formulado em papel, quando deveria ter sido utilizado o programa PER/DCOMP. I DO PEDIDO DE DESISTÊNCIA FORMULADO NO PROCESSO Nº 13502.000527/200386 19. Conforme exposto no Relatório, o contribuinte pleiteia a restituição de valores de PIS supostamente pagos a maior. Segundo alega em seus recursos, o fundamento para este pedido reside no fato de ter apurado uma base de cálculo superior à correta, em razão de ter incluído parcelas que não deveriam compor esta base, por conta da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. 20. Para demonstrar o valor a ser restituído, apresenta uma planilha à fl. 05, para o período entre 02/1999 e 05/2000, na qual indica a base de cálculo que entende ser a correta, o PIS calculado sobre esta nova base (PIS devido) e o PIS efetivamente recolhido (calculado sobre a base anterior, considerada pelo contribuinte incorreta), sendo o valor a restituir a diferença entre ambos. 21. O pedido de restituição destes valores foi formalizado em 08/06/2005. Ocorre que, em 14/05/2003, o contribuinte havia sido cientificado dos Autos de Infração referentes a PIS e a Cofins, objetos do processo nº 13502.000527/200386, e que tratam dos mesmos períodos de apuração do seu pedido de restituição. 22. Nestas autuações, em sentido diametralmente oposto ao pleito do contribuinte, a fiscalização entendeu que as bases de cálculo destas contribuições foram apuradas em valores inferiores aos que seriam verdadeiramente devidos. Vejamos a descrição dos fatos que levaram à autuação sobre o PIS, à fl. 548 do processo nº 13502.000527/200386: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 — PIS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 274 7 Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e pagos e os valores escriturados. Foi elaborado demonstrativo de composição da base de cálculo do PIS, em anexo, parte integrante e indissociável deste auto de infração, indicando as contas utilizadas, tendo como fonte de referência os livros razão/balancetes. Cabe ressaltar que em relação às variações cambiais dos direitos e obrigações do contribuinte em função da taxa de câmbio para 1999, 2000, 2001 e 2002 os valores computados obedeceram ao regime de competência, tendo em vista a legislação de regência da matéria que determina para 1999 tal regime, e dá opção ao contribuinte para os períodos subseqüentes (Art. 30, § 1º da MP 2.15835 de 24 de agosto de 2001). Desta feita o fiscalizado regularmente intimado a declarar qual o regime adotado para fins de tributação das variações cambiais, declarou que utilizou o regime de competência para os períodos de 2000, 2001 e 2002, para fins de tributação do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Compreendese como receita bruta a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada para sua escrituração (Art. 3º , § 1º da Lei 9718/98). 23. Com base nos demonstrativos elaborados pela fiscalização, às fls. 558 e 560 do processo nº 13502.000527/200386, e na planilha elaborada pelo recorrente, à fl. 05 do presente processo, elaborouse a tabela a seguir, demonstrando a diferença entre as duas apurações: PERÍODO DE APURAÇÃO BC (FISCO) BC (CONTRIBUINTE) FEVEREIRO 1999 4.550.775,72 3.317.762.13 MARÇO 1999 5.551.565,08 3.421.954,74 ABRIL 1999 4.722.172,90 4,074.712,16 MAIO 1999 5.022.253,47 4.377.322,47 JUNHO 1999 5.018.026,81 4.543.271,56 AGOSTO 1999 6.449.678,37 5.667,014,67 SETEMBRO 1999 7.455.079,56 6.447.585,48 JANEIRO 2000 7.199.058,51 6.394.845,84 ABRIL 2000 9.458.747,04 8.222.230,17 MAIO 2000 12.230.690,28 11.257.255,07 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 275 8 24. Como se verifica, a base de cálculo apurada pela fiscalização, em todos os períodos, é superior à apurada pelo contribuinte e que motivou seu pedido de restituição. Conforme a descrição dos fatos, observase que a Autoridade Fiscal identificou que a base de cálculo seria superior inclusive àquela calculada inicialmente pelo contribuinte, sobre a qual ele apurou as contribuições e procedeu ao seu recolhimento, como se depreende da seguinte afirmação, à fl. 548 do processo nº 13502.000527/200386: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e pagos e os valores escriturados. 25. Como em todos os períodos acima foram realizados lançamentos de tributos, a conclusão lógica é que a apuração do Fisco foi superior àquela inicialmente realizada pelo contribuinte. Logo, de acordo com a apuração fiscal, em nenhum período o contribuinte efetuou recolhimento de PIS a maior, de forma a ensejar um pedido de restituição. 26. O contribuinte recorreu destas autuações, usando como argumento de defesa, naquele processo, a mesma tese utilizada para pleitear as restituições neste processo, qual seja, a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo das contribuições em questão. 27. Nesse contexto, em sessão datada de 29/09/2016, esta Turma resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo de nº 13502.000527/200386. Ocorre que, em 13/11/2017, o recorrente apresentou pedido de desistência total da discussão objeto do já referido processo nº 13502.000527/200386, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundava o litígio, tendo em vista sua adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017. 28. Apesar de não ter apresentado pedido de desistência específico para o presente processo, o contribuinte, ao renunciar à discussão administrativa no processo nº 13502.000527/200386, admite que as bases de cálculo do tributo, naqueles períodos, devem ser aquelas apuradas pelo Fisco, abrindo mão de discutir essa apuração. Logo, não há como prosseguir discutindo, neste processo, a base de cálculo dos mesmos tributos e para os mesmos períodos. 29. A adesão ao PERT, conforme a Lei nº 13.496/2017, implica a confissão dos débitos, na forma do seu art. 1º, § 4º, inciso I, a seguir transcrito: Art. 1º Fica instituído o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) na Secretaria da Receita Federal do Brasil e na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, nos termos desta Lei. (...) § 4º A adesão ao Pert implica: I a confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, e por ele indicados para compor o Pert, nos termos dos arts. 389 e Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 276 9 395 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); 30. Os arts. 389 e 395 da Lei nº 13.105/2015 (CPC), por sua vez, determinam o seguinte: Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. (...) Art. 395. A confissão é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser invocar como prova aceitála no tópico que a beneficiar e rejeitála no que lhe for desfavorável, porém cindir seá quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção. 31. Não há dúvidas de que o contribuinte não pode desistir de discutir os débitos daquele processo para incluílos no PERT, confessandoos, e permanecer, simultaneamente, discutindo a mesma matéria neste, alegando justamente que, ao invés de um débito com a União, possui um crédito, verdadeiro venire contra factum proprium. 32. Portanto, em relação aos períodos elencados na tabela comparativa acima, não há mais litígio na esfera administrativa, face à confissão do recorrente realizada no processo nº 13502.000527/200386. Assim sendo, voto por julgar improcedentes os pedidos do recorrente em relação a tais períodos. II DOS PERÍODOS NÃO ABRANGIDOS PELO PEDIDO DE DESISTÊNCIA 33. Os períodos de Julho, Outubro e Novembro de 1999 não foram objeto de lançamentos efetuados no processo nº 13502.000527/200386. Portanto, como não houve, naquele processo, qualquer litígio em relação ao correto valor da base de cálculo do PIS nestes períodos, o pedido de desistência formalizado pelo recorrente em nada afeta o pedido de restituição objeto do presente processo referente aos mesmos. 34. Superada a questão relativa à prescrição do direito do contribuinte, conforme decidido no julgamento do Recurso Especial, deve ser retomada a análise das demais questões referentes ao pedido de restituição. 35. Inicialmente, deve ser analisado o fundamento para o pedido do contribuinte, que reside no fato deste ter, supostamente, apurado a base de cálculo do PIS com a inclusão de parcelas que não fazem parte de sua receita com a venda de mercadorias e serviços, mas que foram incluídas em decorrência do alargamento da base de cálculo desta contribuição através do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. 36. De fato, o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto no art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 277 10 Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, com repercussão geral, cujo trânsito em julgado se deu em 15/12/2008. 37. O regimento interno do CARF (RICARF), por sua vez, em seu art. 62, § 2º, determina o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38. Entretanto, apesar de correta a tese do contribuinte, há a necessidade de que este demonstre que o valor de PIS recolhido nos períodos aqui discutidos se deu com a apuração de uma base de cálculo na qual estavam inclusas parcelas estranhas ao conceito de faturamento vigente à época, e também que, após a exclusão destas parcelas, o valor obtido foi aquele que consta em seu demonstrativo, à fl. 05. 39. Compulsando os autos, verifico que o recorrente em nenhum momento anexou documentos que comprovem que os recolhimentos por ele indicados no demonstrativo à fl. 05 foram efetuados a maior, tais como DCTF retificadora, DARFs dos pagamentos, planilhas de apuração das bases de cálculo das contribuições e escrituração contábil/fiscal que embase tal apuração. 40. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. 41. Cabe destacar que a carência probatória aqui identificada também se aplicaria aos períodos em que houve desistência da discussão, caso não tivesse sido formalizada tal desistência. Sendo assim, o pedido de restituição referente àqueles períodos deveria ser igualmente indeferido. 42. Assim sendo, voto por julgar improcedente o pedido de restituição objeto do presente processo. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Acórdão n.º 3401006.155 S3C4T1 Fl. 278 11 Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901323/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 252 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 245 que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 11, restando o direito creditório não reconhecido nos moldes do Despacho Decisório de fls. 7. Como de costume desta Turma de julgamento, reproduzo o relatório da decisão de primeira instância, conforme segue: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 01 32 3/ 20 08 -6 1 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10865.901323/200861 Resolução nº 3201001.833 S3C2T1 Fl. 288 2 "Trata o presente de Declaração de Compensação DCOMP enviada eletronicamente pelo interessado, para qual proferido Despacho Decisório não homologando a compensação, à vista da inexistência de crédito. O crédito apresentado para compensação é suposto pagamento indevido ou a maior, efetuado em 15/02/2000, no valor de R$ 12.422,86. ' Cientificado da decisão, 0 interessado apresentou manifestação de inconfonnidade alegando, em breve síntese, que a não homologação decorre de informação errada em DCTF, onde foi apontado o valor de débito no mesmo valor do recolhimento correspondente. Alega que, equivocadamente, incluiu o valor correspondente a “bonificações” na base de cálculo do PIS e da COFINS e, assim, recolheu indevidamente, tributo a maior sobre tais valores. Junta cópia de balancete parcial, onde se verifica que parte das vendas realizadas está contabilizada sob a rubrica ~VENDAS BONIFICAÇÃO. Ressalta que, conforrne o disposto no inciso I, do § 2°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, que transcreve, tais valores devem ser excluídos do conceito de receita bruta. Art. 3 ° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica. . §I°... . § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contríbuiçoes a que se refere o art. 21 excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionaís concedidos, (..) Requereu a homologação da compensação. Conforme Resolução n° 1.186, fls. 31/33, o julgamento foi convertido em diligência para a necessária comprovação da incondicionalidade dos descontos concedidos (bonificações). A DRF em Limeira intimou 0 interessado que, em resposta, apresentou a documentação juntada às fls. 36/240, qual seja, cópias das Notas Fiscais de Bonificação (classificação fiscal 5.99 e 6.99) e cópia do Livro de Registro de Saídas, ambos referentes ao período de apuraçao janeiro de 2000." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: "Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2000 BASE DE CALCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais. podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Coñns. apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10865.901323/200861 Resolução nº 3201001.833 S3C2T1 Fl. 289 3 Dispositivos Legais: arts. 2° e 3°, § 2°, I. da Lei n° 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF n° 51. de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos digitais foram distribuídos e pautados para julgamento conforme regimento interno deste Conselho. Relatado o caso. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Conforme fls. 41 e seguintes, juntouse as NFs, balancetes e registros de saídas que atestam a existência das bonificações. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são expressamente excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Ao que parece, a fiscalização pressupôs a existência de duas movimentações ao existir duas NFs, mas as datas, horários das NFs e saídas (fls. 41 e seguintes) indicam que as bonificações foram concedidas em um só ato. Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, votase para que ps autos sejam convertido em diligência para que: os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização avalie na escrita fiscal, livri razão, notas fiscais, planilhas e documentos juntados aos autos se os pagamentos pelos clientes foram realizados, se os valores pagos contemplam ou não os pagamentos das NFs de bonificação e verifique se as NFs realmente guardam relação com as NFs principais. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10865.901323/200861 Resolução nº 3201001.833 S3C2T1 Fl. 290 4 Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720336/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO.
As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1302-003.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/201276 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 03 36 /2 01 2- 32 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13749.720336/201232 Acórdão n.º 1302003.512 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de ato de lançamento eletrônico por meio do qual foi imposto ao recorrente multa por falta/atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de março de 2010. Em suas razões de impugnação, sustenta o contribuinte que, por se tratar de entidade religiosa, faria jus ao gozo da regra imunizante preconizada pelo art. 150, IV, "b", da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB e, ato contínuo, estaria dispensada do cumprimento, não só da obrigação principal, mas também das obrigações acessórias tendentes à apuração de impostos e contribuições federais (DCTF). Instada a analisar a defesa oposta, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente, ao argumento sintetizado na ementa abaixo reproduzida: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 10/06/2013, tendo interposto seu recurso voluntário em 03/07/2013, por meio do qual reprisa os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1302003.502, de 16/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº13749.720339/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.502): O recurso é tempestivo e preenche todos os demais pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. A matéria aqui tratada não é, nem de longe, complexa. Outrossim, como o contribuinte se limita a reprisar os argumentos já aviados em sua impugnação, e por concordar em absoluto com os argumentes despendidos pela Turma a quo, valendo Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.720336/201232 Acórdão n.º 1302003.512 S1C3T2 Fl. 4 3 me dos preceitos do art. 57, § 3º, do anexo II, do RICARF, tomoos, agora, como minhas razões de decidir, reproduzindoos a seguir: De conformidade com o art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, que trata das DCTF com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2010, temos que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No art. 3º da mesma Instrução Normativa, que trata das pessoas jurídicas dispensadas e das hipóteses de dispensa de apresentação das DCTF, não constam as pessoas jurídicas imunes, como os templos de qualquer culto, citadas no item “b”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, que faz menção à limitação de instituição de impostos federais, estaduais e municipais, e não de obrigações acessórias, como a entrega de declarações, ou à imposição de multa punitiva por atraso na apresentação das mesmas. Assim, correta está a imposição à pessoa jurídica imune, como a interessada, da multa prevista no inciso II, do § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, por atraso na entrega da DCTF do mês de janeiro de 2010, uma vez que o prazo final para a mesma se encerrava em 19/03/2010, e a interessada somente apresentou a em 24/08/2012. Quanto a qualquer argüição de inconstitucionalidade na peça impugnatória, há que se destacar que a mesma refoge à competência desta autoridade administrativa julgadora, por ser da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei e os atos normativos tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, à 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13749.720336/201232 Acórdão n.º 1302003.512 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais e normativas vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude inconstitucionalidade. Com efeito, as regras de imunidade preconzidas pela CRFB tem razões axiológicas em outros princípios e garantias constitucionais descritos ao longo de seu texto, conformando, assim, hipótese de incompetência tributária. Nada obstante, semelhantes disposições ainda se encontram condicionadas à verificação efetiva da condição imunizante dos entes por elas "beneficiados", mormente se o resultado de suas atividades se afeiçoam, v.g., ao fim a que destina o preceitos constitucional. As obrigações acessórias, neste particular, não tem o condão de constituir, per se, a obrigação tributária (especialmente no caso de entidades imunes) e, ato contínuo, não representam ofensa à prescrição contida no art. 150, IV, "b", servindo, de outra sorte, como instrumento de confirmação das condicionantes alhures mencionadas. A míngua de determinações legais que "isentem" (e termo correto, aqui, é, de fato isenção) as entidades imunes do cumprimento da obrigação acessória, não há como dar sustento à tese exarada no recurso voluntário, restando absolutamente correta a DRJ e, também, a autoridade fiscal. A luz do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000145/2007-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Resta caracterizado o instituto da denúncia espontânea quando do pagamento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, acrescido dos juros de mora antes da apresentação da DTCF retificadora e de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização.
Numero da decisão: 3001-000.784
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Resta caracterizado o instituto da denúncia espontânea quando do pagamento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, acrescido dos juros de mora antes da apresentação da DTCF retificadora e de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 45 /2 00 7- 50 Fl. 123DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativamente a revisão interna de DCTF referente a fatos gerados ocorridos no anocalendário de 1998 em relação a exigência de multa de mora em virtude de recolhimentos de tributos fora do prazo. Inconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando denúncia espontânea. A DRJ do Rio de Janeiro II julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão no 1328.651 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Incabível a restituição da multa de mora incidente sobre valores pagos em atraso, visto que o instituto da denúncia espontânea aplicase apenas As multas de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação de denúncia espontânea e contra argumentando o disposto na decisão de piso. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19740.000145/200750 Acórdão n.º 3001000.784 S3C0T1 Fl. 326 3 Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da multa de mora aplicada em face do recolhimento em atraso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS antes de qualquer procedimento fiscalizatório. A DRJ Do Rio de Janeiro II julgou improcedente a impugnação e manteve a aplicação da multa de mora com base no art. 61 da Lei no 9.430/96 sob o fundamento de que tal multa tem natureza compensatória e que nem a denúncia espontânea pode excluir a responsabilidade por tais acréscimos. Afirma ainda que a denúncia espontânea tem a função de evitar a aplicação de multa mais gravosa, qual seja, a multa punitiva de ofício de 75% estabelecida no art. 44 do mesmo diploma legal e que as alterações estabelecidas pelo art. 18 da MP no 303 e pelo art. 14 da MP no 351/2007 excluíram tão somente a citada multa punitiva de 75%. A Recorrente rebate que se trata de pagamento espontâneo realizado antes de qualquer procedimento fiscal. Portanto este fato afasta a aplicação da multa de mora, tendo em vista que a multa possui natureza de penalidade. Afirma que o CTN não faz distinção entre multa punitiva ou simplesmente moratória. Portanto, tendo em vista que a Recorrente informou espontaneamente à autoridade fazendária o cometimento de infração fiscal antes de qualquer procedimento fiscalizatório, ficaria excluída a sua responsabilidade tributária quando do pagamento do tributo e respectivos juros de mora. Analisando os documentos acostados aos autos, constatase uma DCTF retificadora referente ao 3º Trimestre de 2003 foi entregue em 02/12/2005. Conforme consta da planilha de apuração da multa de mora constante do auto de infração, diferenças dos tributos e juros devidos pela recorrente foram corretamente recolhidos em 29/07/2005 (efls 62 a 64). Reproduzindo o que estabelece o Código Tributário Nacional sobre o instituto da denúncia espontânea, vejamos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sobre este tema a COSIT também já se pronunciou por intermédio da Nota Técnica 01 de 18 de janeiro de 2012, na qual reconheceu o benefício da denúncia espontânea conforme assim disposto: Fl. 125DF CARF MF 4 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. A ementa do julgamento do Recurso Especial n˚ 1.149.022, tramitado por intermédio das regras estabelecidas pelo art. 543C da Lei n˚ 5.869/1973 (antigo CPC), assim dispõe: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parcelamento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 19740.000145/200750 Acórdão n.º 3001000.784 S3C0T1 Fl. 327 5 O entendimento acima citado e determinado pelo STJ deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 62 [...] §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, considerando o instituto da denúncia espontânea caracterizado pelo pagamento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS referente ao 3º Trimestre de 2003, acrescido dos juros de mora antes da apresentação da DTCF retificadora e de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, entendo que se deve reverter o lançamento do presente auto de infração tendo em vista a sua efetiva caracterização. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901420/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguir na análise do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguir na análise do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
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ESTIMATIVA MENSAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguir na análise do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 14 20 /2 00 9- 12 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10166.901420/200912 Acórdão n.º 1302003.596 S1C3T2 Fl. 127 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0342.431, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 76 a 80), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 Compensação – IRPJ – Apuração Anual – Pagamento por Estimativa– Impossibilidade. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos." Por meio da Declaração de Compensação (DComp) de fls. 68 a 71, o Recorrente compensou débito de sua responsabilidade, no valor de R$ 57.534,76, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio de 2005, com suposto crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido, realizado no mesmo mês de maio de 2005, a título de recolhimento por estimativa de IRPJ relativa ao período de apuração de abril de 2005. A referida DComp foi objeto do Despacho Decisório de fl. 52, que, com base no art. 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, não reconheceu o direito creditório invocado e não homologou a compensação realizada, sob o fundamento de que, por se tratar de recolhimento efetuado a título de estimativa de IRPJ, o pagamento somente poderia ser utilizado para deduzir o IRPJ apurado ao final do anocalendário ou para compor o saldo negativo relativo ao período. O sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1 a 36, na qual sustenta que: (i) "à exceção das vedações previstas nas leis específicas de cada tributo e daquelas elencadas no §3º do art 74 da Lei nº 9.430/96 (...) é permitida a compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10166.901420/200912 Acórdão n.º 1302003.596 S1C3T2 Fl. 128 3 com débitos próprios do sujeito passivo relativos a quaisquer outros tributos e contribuições administrados por aquele Órgão"; (ii) "eventual restrição ou obrigação imposta ao contribuinte por meio de instrução normativa, ao arrepio do que determina a lei, implica manifesta violação ao princípio da legalidade inscrito no art. 5º, II, da Constituição Federal"; (iii) a vedação contida no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, não teria amparo e contrariaria os comandos postos na Lei nº 9.430, de 1996; (iv) a alteração trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, à citada Lei, vedando a compensação dos valores devidos a título de estimativas de IRPJ e CSLL, não pode ser aplicada ao caso sob exame, por força do princípio da irretroatividade da lei tributária. A decisão de primeira instância considerou que a vedação à compensação de valores recolhidos a título de estimativas de IRPJ decorre do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, que estava em vigor quando a Recorrente apresentou a DComp sob apreciação. Registrou, ainda, que as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da norma não podem ser enfrentadas pelo julgador administrativo, em decorrência do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972; e que o referido julgador deve observar o entendimento expresso pela Secretaria da Receita Federal em atos normativos, conforme art. 7º da Portaria MF nº 58, de 2006. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 83 a 100, no qual reitera as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade. Os autos foram, então, distribuídos, por sorteio, a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15 de julho de 2011 (fl. 82), tendo apresentado Recurso Voluntário em 15 de agosto daquele ano, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que a data de ciência foi uma sextafeira, de modo que o prazo recursal apenas teve início na segundafeira, 18 de julho de 2011. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 101 e 102. A matéria se insere na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10166.901420/200912 Acórdão n.º 1302003.596 S1C3T2 Fl. 129 4 Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. Do mérito Como relatado, o direito creditório invocado pelo Recorrente diz respeito a pagamento de IRPJ por estimativa mensal, na forma possibilitada pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996: "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995." (redação vigente à época dos fatos geradores e da compensação realizada nos presentes auto) Os referidos recolhimentos por estimativa, por configurarem mera antecipação do valor devido em relação ao anocalendário, a princípio, não poderão ser objeto de restituição/compensação antes do encerramento de tal período, quando serão utilizados como dedução do imposto apurado sobre o lucro real, conforme §§3º e 4º do mesmo dispositivo legal: "Art. 2º (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pela pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo." Por tal razão, portanto, a vedação contida art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, que impedia o uso de quaisquer pagamentos por estimativa como base para a apresentação de Pedidos Eletrônicos de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp). Ocorre que, a despeito do valor efetivamente devido a título de estimativa (cuja utilização deve se dar nos moldes acima prescritos), é possível que o sujeito passivo incorra em equívoco e efetue o recolhimento de valores indevidos ou a maior do que o devido. Tal conclusão encontra respaldo na jurisprudência administrativa, exemplo da seguinte ementa: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10166.901420/200912 Acórdão n.º 1302003.596 S1C3T2 Fl. 130 5 Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO O pagamento da estimativa mensal do IRPJ realizado em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos traduzse em pagamento maior que o devido e, portanto, é passível de restituição/compensação." (Acórdão nº 1201000.404, de 23 de fevereiro de 2011, Redator designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto) Deste modo, a análise dos PER/DComp que envolvam pagamentos por estimativa deve perscrutar qual o montante efetivamente devido, com base na legislação, em confronto com o recolhimento realizado. Daí a razão da Súmula CARF nº 84, por meio da qual foi superada a total impossibilidade de restituição/compensação de valores recolhidos por estimativa: "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa." O Despacho Decisório de fl. 52, porém, limitouse ao registro da referida impossibilidade, conforme vedação do já citado art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, sem qualquer análise do direito creditório invocado. Desta forma, considerando a referida Súmula, à qual a Portaria ME nº 129, de 2019, atribuiu efeito vinculante em relação a toda Administração Tributária Federal, cabe a superação do óbice apontado no Despacho Decisório e na decisão recorrida. De outra parte, uma vez que o mencionado Despacho Decisório não se manifestou sobre o mérito do direito creditório invocado pelo Recorrente, não é possível a esta autoridade julgadora fazêlo neste momento, posto que tal procedimento configuraria supressão de instância. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à Delegacia de origem para, afastado o óbice à possibilidade de restituição/compensação de valores recolhidos a título de estimativa de IRPJ, prosseguir na análise do direito creditório do Recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10166.901420/200912 Acórdão n.º 1302003.596 S1C3T2 Fl. 131 6 Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004342/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF.
Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF.
Numero da decisão: 1401-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF. Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 43 42 /2 00 7- 57 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.004342/200757 Acórdão n.º 1401003.430 S1C4T1 Fl. 311 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Tratase da manifestação de inconformidade (fls. 99/121) contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 1154/2007 (fls. 86/88), cientificado à contribuinte em 14/08/2007 (ver Termo à fl. 94), que indeferiu o pedido de restituição de crédito no valor de R$3.487.029,39, relativo a obrigações da eletrobrás (fl. 01) A autoridade fazendária decidiu no seguinte sentido, conforme item 10 do Despacho Decisório, à fl. 94: "Concluise que não há previsão legal para a restituição de títulos da divida pública, pois estes não tem natureza tributária e não são, portanto, espécie de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal". A manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente em 10/09/2007. A interessada destacou o processo legislativo que regeu o empréstimo compulsório da Eletrobrás desde sua instituição, com a Lei n° 4.156/62, transcrevendo os principais textos normativos. No seguimento, reclama do indeferimento de seu pedido pela Delegacia de origem, com suporte na seguinte linha de argumentação: as cártulas da Eletrobrás não podem ser consideradas títulos da divida pública, títulos públicos ou divida pública; a União é responsável pela devolução do valor integral dos títulos representativos do empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás, a responsabilidade do Estado não pode ser afastada por Instrução Normativa da Receita Federal; não houve decadência do direito e nem prescrição do direito do possuidor das cártulas. Transcreve jurisprudência que entende ratificar a sua tese. Requer, pois, o deferimento do pedido de restituição. É o relatório do essencial. Analisando o pedido do contribuinte a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento do pedido. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisou os argumentos apresentados no pedido original e na impugnação e solicitou o reconhecimento de seu crédito. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.004342/200757 Acórdão n.º 1401003.430 S1C4T1 Fl. 312 3 Voto Conselheiro Relator Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O pedido de restituição objeto do presente processo referese ao recebimento de obrigações da Eletrobrás especificadas da seguinte maneira conforme seu pedido. ......Constituise de titulo da Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, subscrito compulsoriamente, emitido mediante contribuições pagas pelos consumidores de energia elétrica conjuntamente com as suas contas de fornecimento do exercício de 1973, instituído pela União Federal, e que por força deste pedido sera objeto de compensação tributária. O Contribuinte acima Identificado é portador e titular de Obrigações ao Portador n°s. 1437861, 1437852 e 1437853 — Série HH, emitidas pela Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cópia(s) anexa(s), cártula(s) representativa(s) da obrigação assumida pela União de restituir o titulo da Eletrobrás, espécie tributaria, não alcançada pelo prazo decadencial previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, vez que este comando normativo disciplina apenas as hipóteses de restituição decorrentes de recolhimento indevido, previstas no seu art. 165. Ocorre que em relação a este tipo de pedido, já restou formado o entendimento de que a Receita Federal não é o órgão competente para a análise e deferimento do crédito. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 24, com efeitos vinculantes, no qual restou estabelecido o entendimento pela impossibilidade da análise pela Receita Federal. Vejamos o teor da Súmula. Súmula CARF nº 24 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes:Acórdão nº 303 32277, de 10/08/2005 Acórdão nº 301 32112, de 13/09/2005 Acórdão nº 301 32156, de 19/10/2005 Acórdão nº 302 37140, de 10/11/2005 Acórdão nº 303 32636, de 10/12/2005 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.004342/200757 Acórdão n.º 1401003.430 S1C4T1 Fl. 313 4 Neste sentido, sendo as súmulas vinculantes editadas pelo CARF de obediência obrigatória por todos os membros deste Conselho não resta, em verdade, objeto a ser analisado no presente recurso, haja vista que a Receita Federal não é o órgão competente para promover a restituição destas obrigações. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso em atendimento à Súmula CARF nº 24. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001431/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/10/2001, 20/04/2002, 20/07/2002, 20/09/2002, 30/09/2002, 10/10/2002, 31/10/2002
IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI.
OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS.
Apurada omissão de receita de origem não comprovada, e não sendo possível fazer sua separação mediante elementos da escrita do estabelecimento, considerar-se-á proveniente de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SUMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. AFASTAR. SIMPLES OMISSÃO
A simples omissão não acarreta qualificação de multa. Sumula CARF 14.
Numero da decisão: 1301-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Bianca Felícia Rothschild
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LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI. Recorrente TOP LEATHER SINTÉTICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/10/2001, 20/04/2002, 20/07/2002, 20/09/2002, 30/09/2002, 10/10/2002, 31/10/2002 IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apurada omissão de receita de origem não comprovada, e não sendo possível fazer sua separação mediante elementos da escrita do estabelecimento, considerarseá proveniente de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SUMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. AFASTAR. SIMPLES OMISSÃO A simples omissão não acarreta qualificação de multa. Sumula CARF 14. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 14 31 /2 00 7- 43 Fl. 203DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10882.001431/200743 Acórdão n.º 1301003.832 S1C3T1 Fl. 204 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em ação fiscal, conforme descrito no termo de verificação fiscal de fls. 89/93, a contribuinte acima identificada, foi intimada a apresentar a origem dos recursos depositados em sua conta, e dos utilizados nas remessas efetuadas para o exterior. Todavia, não foram localizados os respectivos lançamentos contábeis, caracterizandose a omissão de receita que deu origem ao lançamento de ÍRPJ e das contribuições sócias, formalizado no processo n° 10882.001430/200707. Em decorrência da omissão de receita apurada na ação fiscal, foi lavrado auto de infração de fls. 97/99 que, com base no Decreto n° 2.637, dc 1998 (RIPI se 1998), art. 423 e § 2o, exigiu imposto sobre Produtos Industrializados IP1, no valor de 12.179,98, acrescido de multa de oficio no valor de R$ 18.269,96 e juros de mora de R$ 10.194,59, totalizando o crédito tributário de R$ 40.644,53 (cálculo válido até 29/06/2007). A exigência da multa de ofício e a dos juros de mora foi baseada nos artigos 44, II, e 61, § 3o, da Lei n° 9.430, de 1996. Ciente do lançamento em 30/07/2007. a contribuinte ingressou em 29/08/2007 com a impugnação de fls. 111/126, na qual refuta o lançamento, em suma, sob as seguintes alegações: A omissão ou vício de qualquer um dos requisitos legais acarreta a nulidade do auto de infração, por tornar impossível o exercício da ampla defesa, previsto no art. 5° da Constituição Federal. O auditor fiscal além dc não embasar corretamente a imposição tributária, o fez de forma desconexa, o que implica em nulidade do auto de infração. Isto porque a descrição do fato constitutivo do crédito tributário não se encontra revestida das formalidades legais exigidas pelo ordenamento jurídico, pois a infração apurada foi destacada apenas como sendo falta dc lançamento de IPI caracterizada pela saída do estabelecimento dc produto sem emissão de nota fiscal, apurada mediante receita de origem não comprovada, sem, contudo, ser relacionado o dispositivo de lei infringido, em vigor. Assim a preliminar de nulidade arguida deve ser conhecida e provida a fim de ser decretada a nulidade da autuação. O passivo fictício configurase como mero indício de omissão de receitas de vendas realizadas, ou seja, presunção simples, o que é manifestamente insuficiente para ensejar tributação. As presunções legais relativas admitem prova em contrário e absolutas não admitem prova. Contudo é forçoso convir que durante o processo administrativo não se pode falar em presunção, antes da efetiva comprovação pelo Fisco. Para o estabelecimento da presunção é mister que a imputada falta seja efetivamente comprovada pelo Fisco. Deveria ter sido efetuado levantamento com base em auditoria de produção conforme previsto no art. 286, do RIR de 1999. É forçoso se falar em saída de mercadorias sonegadas com base em meros indícios, daí porque a autuação deve ser julgada totalmente improcedente. Fl. 205DF CARF MF 4 O montante da multa exigida embora previsto em lei, configura verdadeiro confisco, afrontando diretamente o art. 150, IV, da Constituição Federal. Tal percentual, sem dúvida alguma, caracterizase como um verdadeiro confisco. O Fisco ao arbitrar a multa deixou de levar em consideração a sua natureza e seu conseqüente aspecto de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento. A multa deve ser julgada improcedente e se assim não for entendido, deverá ser decretada a sua redução. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/10/2001, 20/04/2002, 20/07/2002, 20/09/2002, 30/09/2002, 10/10/2002, 31/10/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apurada omissão de receita de origem não comprovada, e não sendo possível fazer sua separação mediante elementos da escrita do estabelecimento, considerarseá proveniente de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001,2002 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não cabe falar em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este sc mostra conhecedor do motivo da autuação. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão de primeira instância, alegando que a Autoridade Fiscal valeuse apenas de indícios de prova para efetuar o lançamento tributário e indevidamente foi indeferido seu requerimento para que o Fisco procedesse ao levantamento com base em auditoria de produção, conforme previsto no art. 286 do RIR de 1999. Por fim, entende a recorrente que a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) não é razoável, sendo dessa forma, flagrantemente confiscatória e por isso, vedada pela Constituição Federal de 1988, conforme inciso IV, do art. 150. Em sessão de julgamento de 30 de junho de 2010, a 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamento deste Conselho (Ac. 340300.401) decidiu por declinar Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10882.001431/200743 Acórdão n.º 1301003.832 S1C3T1 Fl. 205 5 sua competência de julgamento à 1a Seção de Julgamento conforme o disposto no artigo 2º, Iv, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Em função do Mandado de Procedimento foi realizada diligência e constatadas as seguintes irregularidades: falta de comprovação de origem dos recursos utilizados nas remessas de divisas ao exterior; e falta de esclarecimento da origem dos recursos depositados no exterior em conta corrente da empresa. A empresa foi intimada a apresentar relação de transferências de recursos para ou do exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior, motivo das remessas, e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação. Uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nas remessas de divisas ao exterior e, também não esclareceu a origem dos recursos depositados em sua conta, considerando também que não foram localizados no Livro Diário os respectivos lançamentos contábeis, todos os valores remetidos e depositados no exterior, foram considerados como de omissão de receita. Na Tabela I, abaixo, foram discriminados os valores das remessas em dólares americanos, a cotação utilizada e o valor correspondente em reais: Pela análise da documentação contábil e fiscal verificase que a empresa é contribuinte do IPI. Conforme o disposto no § e 2° do artigo 108 da Lei 4.502, de 30/11/1964 (D.O.0 de 20/01/1965), receitas cuja origem não sejam comprovadas, considerarseão Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10882.001431/200743 Acórdão n.º 1301003.832 S1C3T1 Fl. 206 7 provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação por elementos da escrita do estabelecimento. Assim, os valores constantes na Tabela I, devem, também, sofrer a tributação do IPI, a alíquota de 10%, tendo por base a Classificação Fiscal do IPI ° 40.09.10.00, constantes nas n° NFs14.220 27.183 — 32592 — 37497 41074, e nas declarações do DIRPJ entregues pelo contribuinte. Na Tabela II, abaixo, estão discriminados os valores não comprovados, e os débitos de IPI classificados por decêndios: Processo conexo de IRPJ 10882.001430/200707 Importante mencionar a decisão deste Colegiado no processo conexo referente ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 2 DESTE CONSELHO. A jurisprudência deste Conselho se consolidou no sentido de que a análise de constitucionalidade de atos normativos é de competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 14 E 25 DO CARF. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE DOLOSA. Como é pacífico neste Conselho, a qualificação da multa de ofício só é possível quando restar cabalmente comprovada alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A mera constatação de movimentação financeira não contabilizada não possui o condão de qualificar a multa de ofício aplicada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. É cabível a presunção de omissão de receitas e a consequente tributação dos valores omitidos quando o contribuinte, apesar de intimado, não fornecer ao Fisco condições de analisar a procedência de tais valores. Fl. 209DF CARF MF 8 MULTA REGULAMENTAR. Se o contribuinte é intimado nos termos do art. 11 da Lei n° 8.218/91 a apresentar ao Fisco os arquivos magnéticos que tem o dever de escriturar e não os apresenta tempestivamente, é legítima a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da Lei n° 8.218/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Conforme se depreende da ementa acima colacionada, apesar do lançamento ter sido mantido em sua integralidade, a multa qualificada de 150% foi reduzida ao patamar de 75% por falta de comprovação das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mérito a) Ausência de provas A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de receitas, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 423 do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98) que: Art. 423. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir seá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. b) Omissão de receitas levantamento por espécie O levantamento por espécie de que trata o art. 286, do RIR de 1999, citado pela contribuinte, é um método de se apurar omissão de receita. Art. 286. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10882.001431/200743 Acórdão n.º 1301003.832 S1C3T1 Fl. 207 9 intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 1º). § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 2º). § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 3º). Todavia, no presente caso, não se fez crível posto que os valores enviados ao exterior não possuíam qualquer vinculação possível com elementos de produção. Desta forma, utilizouse a simples ocorrência de fato que a lei prevê caracterizador da omissão de receita, para inferir sua ocorrência, mais especificamente o art. 423 do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98) acima reproduzido. Desta forma, no caso, a tributação relativa à omissão de receita deuse com base em presunção legal, motivo pelo qual não há de se falar na necessidade de auditoria de produção. A norma legal que presume receita omitida, embora não determine quantidade, determina o valor da omissão decorrente da infração, por presunção legal. c) Inconstitucionalidade da multa aplicada Quanto à alegação de que a multa regulamentar possui caráter confiscatório, à autoridade administrativa cabe aplicar a lei, sem perquirir sobre sua constitucionalidade, competência privativa do Poder Judiciário. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Neste caso, ademais, cabe aplicação vinculada da Sumula CARF abaixo transcrita: Súmula n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. d) Multa qualificada Conforme sumula CARF 14, a simples omissão de receita não acarreta qualificação da multa. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 211DF CARF MF 10 Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, porém DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.903460/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 60 /2 01 3- 94 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.570. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.903460/201394 Acórdão n.º 3401005.896 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 172DF CARF MF
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