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Numero do processo: 19515.003029/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2803-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Ausência momentânea: Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Ausência momentânea: Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 29 /2 00 9- 18 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 116 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRATECNO LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. O Auto de Infração em análise foi lavrado pela fiscalização em 03/08/2009, contra a empresa acima citada e referese às contribuições devidas e não recolhidas integralmente à Seguridade Social, correspondentes as parcelas a cargo da empresa, inclusive a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período entre 01, 04 a 07, 12/2004, inclusive 13° salário. 3. Narra o relatório fiscal da infração fls. 61/62: “(...). 3. Pelo exame das folhas de pagamento, verificouse que constam pagamentos referentes a Ticket refeição, valores lançados na contabilidade na conta 3.1.1.2.001.00013 Alimentação. Segundo consultas efetuadas no site do Ministério do Trabalho e informações obtidas na empresa, não consta cadastro no PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, e portanto os valores pagos foram considerados como base e cálculo do salário de contribuição. 4. Verificouse também que os vales transporte foram pagos em dinheiro, procedimento vedado pela legislação e por este motivo foi considerado como base de calculo do salário de contribuição. Os valores foram levantados tendo como base as folhas de pagamento e os lançamentos efetuados na conta 3.1.1.2.001.00013 Transporte. 5. Os valores foram extraídos dos lançamentos contábeis escriturados no Livro Diário no. 08, autenticado na JUCESP Junta Comercial de São Paulo, sob no. 69304, em 22/05/2009, fls.01 a 62, período escriturado de 01 a 12/2004. 6. Foi utilizado o código de levantamento VTR para os valores pagos a titulo de vale transporte e vale refeição e as contribuições dos segurados foram calculadas conforme as faixas salariais, considerando os valores já pagos nas folhas de pagamento. Os valores individualizados do vale transporte e vale refeição estão discriminados na planilha anexa. 7. Nas GFIP entregues, a empresa declarou ser optante do simples, embora conste do cadastro que a opção ocorreu em 01/07/2007 e por este motivo foram lavrados AI Autos de Infração para a constituição de créditos referentes a contribuições de terceiros, empresa e SAT. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 117 3 8. Nas competências 03 a 13/2004 foram entregues GFIP sem a totalidade .das remunerações das folhas de pagamentos e os valores não declarados foram lançados no código de levantamento GAP e o 13°. salário está lançado no código 13S. No código SP estão lançados os valores que foram declarados antes do inicio da ação fiscal, em GFIP preenchida como optante do simples. 9. Foram considerados todos os recolhimentos que constam do conta corrente da empresa, e lançados como "Documentos Apresentados" e no” RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados" estão demonstrados as apropriações dos recolhimentos, sendo que a prioridade na apropriação foi nos levantamentos SP e GAP. 10. Quanto aos valores da multa, foi feita a comparação entre a penalidade aplicada conforme a legislação à época da infração cometida (artigo 32, inciso IV e § 5 o da Lei n° 8.212/91, com a redação anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009) e a penalidade aplicada de acordo com a redação atualizada da Lei 8.212/91. As tabelas abaixo demonstram a comparação entre as duas penalidades, considerando as contribuições devidas, exceto terceiros. (...).” 4. O julgador de primeira instância ao apreciar a impugnação manteve o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, proferindo acórdão assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. OBRIGATORIEDADE Cabe à empresa o recolhimento das contribuições sociais devidas à Previdência Social, incidentes sobre a remuneração dos seus empregados. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO São devidas as contribuições previdenciárias e sociais do empregador incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de valetransporte, em desacordo com a Lei n.° 7.418/85 e o Decreto n.° 95.247/87, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea "f', da Lei n.° 8.212/91. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fl 83). 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando as alegações postas em sede de impugnação, qual seja: a não inclusão dos valores a título de vale transporte na base de cálculo da contribuição a terceiros, pois a base de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 118 4 cálculo dessas contribuições é o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir trabalho, sendo que dentre as verbas excluídas pelo art. 28, § 9º, da Lei n.º 8.212/91 destacase a parcela paga a título de vale transporte. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 119 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Inicialmente, enfrento a preliminar de intempestividade, eis que o Recurso Voluntário foi protocolizado posteriormente ao prazo de trinta dias, como demonstra o Despacho de fls. 114. 2. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 3. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 4. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 5. Com efeito, o artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 preceitua que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. 6. Ademais, a Lei nº. 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe que os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. 7. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 120 6 II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...]. Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 9. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 10. In casu, compulsando os autos, verificase que a empresa foi cientificada do Acórdão nº. 1624.615 – prolatado pela 11º Turma da DRJ/SP – no dia 17/05/2010 (segundafeira), conforme cópia do AR juntado à fl. 92, e seu recurso foi postado em 24/06/2010 (quintafeira), nos termos do documento de fls. 93/97, portanto, fora do prazo recursal (último dia: 16/06/2010 – quartafeira), motivo pelo qual não deve o recurso ser conhecido, não constando dos autos, inclusive, documentos que justifiquem a desídia do contribuinte.. CONCLUSÃO 11. Ante ao exposto, não conheço do recurso voluntário por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.003029/200918 Acórdão n.º 2803002.062 S2TE03 Fl. 121 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10580.720285/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO.
A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o ano-calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barretos, que davam provimento. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barretos, que davam provimento. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 85 /2 00 9- 15 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração que constituiu multa por suposto atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições ao PIS e COFINS DACON, relativo o mês de abril de 2008 (fl. 28/29) – modalidade mensal. A Recorrente alega em sua Impugnação (fls. 02/07) que a multa não poderia ser aplicada porque, em realidade, não houve atraso na apresentação do demonstrativo, mas sim erro de fato em seu preenchimento. Embora a DACON em questão se referisse aos 06 primeiros meses do ano de 2008, quando de seu preenchimento a Recorrente cometeu um erro e, ao invés de indicar se tratar de DACON Semestral, fez constar no formulário que se tratava de DACON Mensal. Embora o prazo para entrega da DACON Semestral ainda estivesse vigente, o da DACON Mensal não estava, razão pela qual, quando do processamento das informações, em virtude de constar a informação (equivocada) que se tratava de demonstrativo na modalidade Mensal, o sistema identificou atraso na entrega. A Recorrente alega que a multa não poderia ser mantida, pois se trata de mero erro de fato no preenchimento do demonstrativo. Informa que a legislação lhe permitia optar pela entrega mensal ou semestral, e que sempre fez a entrega de suas DACON’s na modalidade semestral – assim como também fazia a entrega semestral de suas DCTF’s (fls. 10/15 e 25). Esclarece ainda, que o fato de ter entregue a DACON ainda no prazo de entrega da modalidade semestral, porém, após o encerramento do prazo para entrega dos demonstrativos mensais dos 06 primeiros meses de 2008, evidencia o erro no preenchimento (opção semestral x mensal). Isto porque, se ainda estava em curso o prazo para entrega do demonstrativo na modalidade semestral, a Recorrente poderia entregálo nesta modalidade porque a lei assim permitia, não teria nenhuma razão para optar pela entrega na modalidade mensal (à qual não estava obrigada e cujo prazo para entrega já havia expirado, sujeitandose à aplicação da penalidade). Informa, ainda, que quando percebeu o erro cometido – antes ainda do prazo final para entrega dos demonstrativos semestrais – dirigiuse à Receita Federal, e apresentou pedido para que fosse efetuada a retificação dos demonstrativos (período), na medida em que não conseguiu fazêlo por meio eletrônico (fls. 75/98). Obteve, contudo, resposta de que não poderia promover a retificação, pois a única maneira seria através do sistema eletrônico a que tinha acesso, o qual, entretanto, não aceita retificação do período (mensal x semestral). A DRJ julgou improcedente a Impugnação, por entender que, tendo entregue a DACON na modalidade mensal, o fez com atraso, o que justificaria a aplicação da penalidade (fls. 36/39). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720285/200915 Acórdão n.º 3302001.964 S3C3T2 Fl. 104 3 Sobreveio o Recurso Voluntário da contribuinte (fls. 43/48), no qual reitera seus argumentos, anteriormente apresentados em sede de Impugnação. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Cingese a controvérsia à questão da possibilidade ou não de aplicação de multa por atraso na entrega da DACON, sob a alegação de que o contribuinte cometeu mero erro de fato no preenchimento do demonstrativo. Da análise dos autos pareceme que realmente ocorreu erro de fato quando do preenchimento dos demonstrativos em questão. Afinal, não é mesmo razoável supor que um contribuinte que já vinha apresentando suas DACON’s na modalidade semestral, como é o caso da Recorrente, viesse a optar efetivamente pela entrega do demonstrativo mensal, quando o prazo deste já havia se esgotado, e enquanto ainda vigente o prazo para a entrega do demonstrativo semestral. Vale dizer, não seria razoável que um contribuinte, habituado a entregar demonstrativos semestrais, no curso do prazo para apresentação deste e podendo optar por tal modelo, optasse pelo demonstrativo mensal quando há muito já havia se esgotado o prazo para entrega da DACON na modalidade mensal, sujeitandose à penalidade em virtude da alteração de procedimento. Importa destacar que segundo informações constantes dos autos, a entrega das DCTF’s e DACON’s relativas aos anos de 2006 e 2007, foram feitas na modalidade semestral, como confirma a decisão da DRJ. Assim como em relação ao primeiro semestre de 2008, conforme relatório da própria Receita Federal (fls. 35). Ademais, a Recorrente promoveu, na mesma data – 07/10/2008 – a apresentação do DACON relativo não apenas ao mês/competência objeto deste processo, mas sim, dos meses do primeiro semestre de 2008 – a exceção daquela relativa ao mês de janeiro/08 que foi entregue na véspera (fls. 16/23). Vale dizer, na mesma data, a Recorrente apresentou DACON relativa aos meses do primeiro semestre de 2008, equivalente, portanto, à forma de apresentação que seria prestada por meio de DACON Semestral. As provas, ainda que na forma de indícios e procedimentos, levam à conclusão que a opção pretendida era mesmo a semestral. Corrobora esta conclusão o fato de que, assim que percebeu que havia cometido o erro no preenchimento dos demonstrativos, a Recorrente ter se dirigido à Receita Federal para solicitar a retificação da informação equivocada, na medida em que não conseguiu fazêlo diretamente de seu sistema (petição endereçada à Receita Federal às fls. 07). Tal atitude comprova que a Recorrente agiu de boafé, informando a Receita Federal antes mesmo do esgotamento do prazo para entrega do DACON Semestral. Neste sentido, de se observar que se Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 houvesse possibilidade via sistema, a Recorrente teria realizado a retificação da informação, o que a eximiria da incidência em comento. Todavia, conforme informações da própria Receita Federal, a alteração pretendida não era possível. Pareceme evidente que a Recorrente tomou todas as providências a seu alcance, reconhecendo a ocorrência do erro e agindo, com rapidez, nos limites das suas possibilidades para corrigilo. Foi o sistema eletrônico que, ao não permitir a retificação, inviabilizou que a questão fosse corrigida e esclarecida, acarretando o lançamento da multa ora sob análise. Em virtude destes fatos, é de minha opinião que a Recorrente demonstrou que incorreu em erro formal – erro de preenchimento – na elaboração da DACON. Assim, em observância à verdade dos fatos, devese reconhecer o equívoco ocorrido bem como os efeitos decorrentes da correção deste. Independentemente do momento em que se toma conhecimento da verdade dos fatos, esta verdade tem de prevalecer. Afinal, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equívoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720285/200915 Acórdão n.º 3302001.964 S3C3T2 Fl. 105 5 circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Não bastassem as considerações acima, importa também ressaltar que este mesmo contribuinte já teve caso idêntico julgado por este Tribunal Administrativo, naquela ocasião a 3ª Turma Especial da 1ª Seção entendeu pelo cancelamento do lançamento, por ter entendido se tratar de mero erro de fato na indicação do período a que se referia o DACON, em decisão publicada em 30/03/12 e assim ementada, verbis: “MULTA ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2009 EMENTA: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. DACON MENSAL. DACON SEMESTRAL. ERRO DE FATO. Caracteriza erro de fato a opção feita pela apresentação de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) pela sistemática de apuração mensal, não obrigatória, em vez de semestral, quando comprovada a apresentação de DCTF nesta última forma de apuração, tendo, ainda, a empresa notificado, por escrito, a Receita Federal acerca do equívoco no preenchimento da declaração, anteriormente ao vencimento do prazo para sua entrega na versão semestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 que integram o presente julgado. Ausente justificadamente a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.” Diante do exposto, concluo pela ocorrência de mero erro de fato no preenchimento da DACON da Recorrente, que indicou periodicidade mensal quando, em verdade, pretendeu apresentar o demonstrativo semestral. Assim, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reformar integralmente o v. acórdão recorrido, cancelandose a multa aplicada por atraso na entrega da DACON objeto destes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Embora vários fatos sugiram que a Interessada possa ter cometido um erro de fato na apresentação dos demonstrativos, há inconsistências em suas alegações que fazem pensar tenha cometido erro mas não da forma alegada. Alegou a Interessada que somente teria indicado o demonstrativo incorretamente como mensal e não semestral. Entretanto, para o ano de 2008 ( http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/LegisAssunto/dacon.htm ), havia só um PGD (Dacon semestral e mensal) e, na 1ª ficha, o contribuinte teria que escolher, de início, se seria o demonstrativo mensal ou semestral e os dados alimentados seriam só os relativos a um mês. Vejase, o nome do PGD é “Dacon mensalsemestral” e, de início, deve haver a opção pelo tipo de demonstrativo, sendo apresentadas ao contribuinte aos contribuinte as opções de mensal ou semestral. Assim, não há como ter ocorrido o erro da forma como o contribuinte alegou, uma vez que selecionou e preencheu, no primeiro dia, somente os dados do mês de janeiro e assim os transmitiu. O que houve foi que, posteriormente, percebeu que fez a opção inadequada para a sua situação, o que não equivale a um erro no momento de fazer a opção. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720285/200915 Acórdão n.º 3302001.964 S3C3T2 Fl. 106 7 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 37299.007475/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DO ART. 150, §4º ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, o mérito é controverso, suscitando divergência de interpretação, o que autoriza a aplicação do dies a quo do art. 150. §4º até o momento no qual o fisco pronuncia-se, com o início da fiscalização, no sentido de que não permitirá a homologação tácita.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa.
Numero da decisão: 2301-001.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos para provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN até o mês de início da fiscalização, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que aplicavam o artigo 173, I; e para o período subseqüente, por voto de qualidade, a aplicação do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de
Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que mantiveram a aplicação do artigo 150, §4°. No mérito, por maioria de votos, mantidos os demais valores, vencido o conselheiro
Damião Cordeiro de Moraes. Quanto às outras preliminares, por maioria de votos, entendeu-se desnecessária a intimação dos prestadores de serviços, vencidos os conselheiros Damião
Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal e, por unanimidade de votos, rejeitadas as demais preliminares.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos para provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN até o mês de início da fiscalização, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que aplicavam o artigo 173, I; e para o período subseqüente, por voto de qualidade, a aplicação do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que mantiveram a aplicação do artigo 150, §4°. No mérito, por maioria de votos, mantidos os demais valores, vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Quanto às outras preliminares, por maioria de votos, entendeu-se desnecessária a intimação dos prestadores de serviços, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal e, por unanimidade de votos, rejeitadas as demais preliminares.
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Recorrente METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DO ART. 150, §4º ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, o mérito é controverso, suscitando divergência de interpretação, o que autoriza a aplicação do dies a quo do art. 150. §4º até o momento no qual o fisco pronunciase, com o início da fiscalização, no sentido de que não permitirá a homologação tácita. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos para provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN até o mês de início da fiscalização, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que aplicavam o artigo 173, I; e para o período subseqüente, por voto de qualidade, a aplicação do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que mantiveram a aplicação do artigo 150, §4°. No mérito, por maioria de votos, mantidos os demais valores, vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Quanto às outras preliminares, por maioria de votos, entendeuse desnecessária a intimação dos prestadores de serviços, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal e, por unanimidade de votos, rejeitadas as demais preliminares. (assinado digitalmente) Júlio César Vieira Gomes Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva (relator) e Júlio César Vieira Gomes(presidente). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 421 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.753.8226, lavrada em 30/11/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados cujo vínculo foi atribuído diretamente à fiscalizada, no período de 01/2000 a 02/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.268.621,52, fls. 01. A autoridade fiscal considerou como empregados da recorrente aqueles profissionais, sócios de pessoas jurídicas e titulares de firmas individuais, cujo trabalho exercido preenche todos os requisitos para configuração da qualidade de empregado contidos no art. 3° da Consolidação das Leis do Trabalho. No período de 01/2000 a 12/2001 os fatos geradores referemse à empresa Svedala que foi incorporada pela Metso. Foi realizada uma análise individual dos 31 trabalhadores de modo a enquadrar, caso a caso, nos requisitos para caracterização da relação de emprego. Analisando os contratos anexados aos autos, a fiscalização anotou no Relatório Fiscal que foram preenchidos os requisitos para a caracterização de empregado. Reproduzimos a seguir o relato fiscal de fls. 424(vol. 1): 10.3 Observase em várias cláusulas contratuais nos contratos de prestação de serviços (cópias anexas) a obrigação do contratado em cumprir determinadas rotinas, demonstrando a subordinação jurídica dos serviços prestados, destacandose: • O prestador dever emitir relatórios em impresso da METSO/SVEDALA; • Em algumas situações o contratado deve realizar contato imediato com a contratante; • O pagamento é realizado em dia certo, normalmente, no mês seguinte a prestação dos serviços; (...) • O pagamento de despesas de viagens do contratado segue as normas internas da empresa; • Na prestação dos serviços a decisão final de como proceder é sempre da empresa contratante. 10.4 A subordinação jurídica destes trabalhadores para com a Contratante também é identificada nos documentos relativos à prestação de contas de despesas (cópias anexa). Os contratados preenchem relatórios de despesas, anexando recibos e notas fiscais, estas emitidas em nome da contratante, sendo que esses relatórios são aprovados por funcionários da METSO/SVEDALA. Observase, ainda, que há até valores pagos a título de adiantamento de viagem. Procedimento esse que é Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 normal para empregados da empresa, e não para prestadores de serviços terceirizados. 10.5 Ainda, a maioria dos cargos exercidos fazem parte da estrutura organizacional da empresa e, conseqüentemente, as atividades desempenhadas estão subordinadas à política administrativaprodutivo/econômica da Metso Indústria e Comércio Ltda. 10.6 Nas prestações de contas de despesas (cópias anexas por amostragem), fica evidenciado o nome da pessoa que prestou o serviço. Observase que tais empresas foram contratadas visando à pessoa do sócio identificada em cada contrato, caracterizando assim, a pessoalidade. 10.7 Através do sistemas informatizados da Previdência Social, a pessoalidade também é verificada pela ausência de empregados nas empresas prestadores de serviços, 10.8 Quanto à onerosidade, no contrato ficou pactuada uma remuneração, que em muitos casos é pago conforme as horas trabalhadas no mês. Essa característica também pode ser observada nos lançamentos contábeis (Relatório Fato Gerador). 10.9 As notas fiscais emitidas em seqüência numérica, em ordem cronológica, atestam a nãoeventualidade na prestação de serviço. Em diversos casos o prestador de serviços somente emitiu nota fiscal contra a METSO/SVEDALA, por longo período de tempo (anos até) como pode ser constado no relatório fato gerador (anexo), através dos lançamentos contábeis. Esse requisito também pode ser observado pelas características dos serviços prestados, haja vista a necessidade sistemática da empresa nesses tipos de serviços, fazendo parte da atividade normal da empresa. A autoridade fiscal citou o Parecer/CJ 1652/99 que tratou da descaracterização de microempresário quando presentes os elementos constituintes da relação empregatícia e afirmou que a desconsideração da personalidade jurídica no caso não desconstituiu a pessoa jurídica, mas apenas tomou a realidade fática da execução do serviço. Após tomar ciência pessoal da autuação em 01/12/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 793/826(vol. 2) na qual, além de apresentar idênticos argumentos jurídicos do recurso voluntário, reclamou de excesso no lançamento conforme planilha que anexou. A DRPSorocaba determinou a realização de diligências, fls. 989, para que a autoridade fiscal verificasse uma das alegações da então impugnante. Como resultado da diligência, a autoridade fiscal informou que de fato havia considerado algumas notas fiscais em duplicidade, fls. 995. Na DecisãoNotificação de fls. 254/264, a DRP/Sorocaba acatou o resultado da diligência para reduzir a base de cálculo e nos demais aspectos do fato gerador manteve o lançamento, afastando os argumentos da recorrente, sendo que esta foi cientificada do decisório em 31/07/2006, fls. 1281. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 422 5 O Recurso Voluntário foi apresentado em 30/08/2006, fls. 1.292/1.326 com os argumentos que resumimos a seguir. Argumenta que seria necessária a intimação das 31 empresas contratadas, pois têm direitos ou interesses que podem ser afetados pela decisão a ser adotada. Nesses casos, conforme art. 9º, inciso I da Lei 9.784/99, os interessados devem ser intimados. Deixar as empresas fora da discussão seria atentar contra o devido processo legal. Assim, requer a intimação pessoal das empresas e de seus sócios. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entende que a NFLD descumpriu diversos requisitos legais, pois não houve uma descrição clara e precisa dos fatos geradores, tão somente argumentos vagos e imprecisos. O lançamento não estaria fundado em provas de que teria havido simulação ou fraude. Salientou que todas as empresas contratadas estão regularmente inscritas no CNPJ e os contratos de prestação de serviços não padecem de nenhum vício; os serviços prestados possuem nota fiscal e os tributos respectivos foram recolhidos; não há nem houve qualquer reclamação trabalhista vitoriosa. Insiste que se houve fraude, esta devia estar demonstrada por provas claras, precisas e indubitáveis. Argumenta que somente o Poder Judiciário pode desconsiderar a personalidade jurídica e a lei ordinária exigida pelo parágrafo único do art. 116 do CTN ainda não existe. Assim, há afronta à legalidade e mesmo os requisitos da IN 11/1998 não foram obedecidos. Sustenta que a fiscalização não tem competência para declarar a relação empregatícia, pois somente a Justiça do Trabalho pode fazêlo, segundo determinação constitucional. Além de serem vedados pela lei, os procedimentos adotados ferem os princípios da legalidade, do ato jurídico perfeito e da liberdade de contratar. Ainda que se admitisse a competência dos agentes fiscais para reconhecer a relação de emprego, não há no caso os elementos constitutivos de tal relação, especialmente a subordinação. A subordinação exigida para caracterizar a relação de emprego seria situação fáticojurídica na qual o empregado, por força do contrato, submetese ao poder de mando do empregador. Deve atender à suas ordens e mandamentos, sob pena de rescisão do vínculo. è subordinação distinta da subordinação técnica que corresponde à obediência de normas técnicas especificas da empresa. Não se confundem, pois, já que esta última existe apenas para manter a qualidade e o nível técnico do produto ou serviço. Insiste que a prestação de serviços sob coordenação não gera relação de emprego, é imprescindível a subordinação total, inclusive com o poder de punir, o que não ocorre nos contratos em análise. No caso dos autos haveria apenas rigor técnico e não subordinação. Ressalta que mantido o atual estado de coisas, estará caracterizado o bis in idem, pois em decorrência do mesmo fato gerador, serão recolhidos tributos diversos e incompatíveis entre si. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Pretende a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria determinado que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços sejam tratadas como tais pelo fisco. Esclarece que a NFLD foi entregue após a publicação da referida Lei. Se assim não fosse, a aplicação retroativa estaria autorizada pelo art. 106 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Intimação das empresas citadas pela fiscalização A recorrente alega que as 31 empresas citadas durante o trabalho fiscal são parte interessada no presente processo por força do art. 9º da Lei 9.784/99. Embora possam ser consideradas indiretamente interessadas no presente processo, tal situação não obriga a intimação das 31 empresas citadas, pois não fazem parte diretamente da relação jurídica tributária ora em discussão, uma vez que não são contribuintes ou mesmo responsáveis. Como indiretamente interessadas, poderiam apresentar voluntariamente alguma manifestação ou esclarecimento, mas não há qualquer obrigação legal de serem intimadas para tanto. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 423 7 Afasto a preliminar de nulidade suscitada nesse sentido. Decadência A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 424 9 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 425 11 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 426 13 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. O não recolhimento das contribuições no caso presente decorreu de divergência de interpretação quanto à legislação aplicável ao caso e não de omissão da recorrente. A recorrente apresentou suas justificativas jurídicas para cada um dos levantamentos incluídos no lançamento, de modo a permitir concluirmos que não houve omissão no presente caso e sim não recolhimento em virtude de divergência de interpretação jurídica da legislação. Assim, a atividade da recorrente que antecedeu mensalmente o pagamento antecipado das contribuições considerava os fatos apontados pela fiscalização como não pertencentes ao campo da incidência do tributo. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 06/2005, fls. 403, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 05/2000. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Caracterização do contrato de trabalho. Qualificação jurídica dos fatos. Presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade. A matriz legal da caracterização de empregado na seara tributária é o art. 12, inciso I da Lei 8.212/91: DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A lei tributária, portanto, definiu o empregado como “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Ao assim definir, destacou a necessidade de três requisitos para caracterização do empregado: não eventualidade, subordinação e onerosidade. São requisitos totalmente alinhados com o que prevê a legislação trabalhista por intermédio da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 427 15 Tomando a legislação trabalhista, a doutrina estabeleceu como requisitos para a relação de emprego: a continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Parecenos que a lição de Amauri Mascaro do Nascimento é perfeitamente cabível também para a lei tributária acima citada, pois a pessoalidade adviria da expressão “as seguintes pessoas físicas” contida no caput do art. 12. Assim, assumimos os quatro requisitos apontados pelo doutrinador como necessários para que um prestador de serviço seja considerado empregado. Nesse cenário, cabe à autoridade fiscal demonstrar que, em dada situação, tais requisitos foram constatados para que o prestador seja considerado empregado e os pagamentos feitos a ele sejam tidos como remuneração que deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Se o contratante e o prestador ajustaram entre si que haveria a interposição de uma pessoa jurídica para a formalização da prestação de serviço, isso em nada altera a situação fática, pois, por exemplo, não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as conseqüências que a legislação tributária prescreve. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Ou seja, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do referido contrato é oferecer uma prestação de serviço eventual e não pessoal. Evidente que quem contrata deseja que o serviço seja executado segundo sua orientação ou necessidade, daí a presença da subordinação técnica nesse tipo de contrato. Mas a ausência de pessoalidade não permitirá que o contratante exija que o contratado se submeta a todo o seu comando, inclusive, por exemplo, o modo de proceder no decorrer da execução. A subordinação técnica não permite que a contratante exerça todo os eu poder de direção. De outro modo, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Portanto, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do negócio jurídico denominado contrato de trabalho é permitir uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Assim, embora os contratos de prestação de serviço possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente desejava contratar uma prestação de serviço contínua, pessoal e a ela subordinada, o que é causa objetiva, função práticosocial ou econômicosocial, não do contrato de prestação de serviços pretendido pela recorrente, mas do contrato de trabalho. Em situação similar, este Colegiado já se manifestou pela consideração de rendimentos do trabalho mesmo com a existência de pessoa jurídica que foi interposta na relação entre contratado e contratante. Vejamos: Acórdão 10421.954 CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 428 17 denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Em suma, na presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade, teremos a caracterização de um contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos feitos ao prestador do serviço serão considerados parcela remuneratória que está no campo de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. Passemos à análise fática do caso dos autos. Inicialmente, ressalto que não vemos qualquer violação ao art. 11 da IN 11/1998 no procedimento da fiscalização, na medida em que a autoridade fiscal procurou identificar, como veremos a seguir, todos os elementos caracterizadores do contrato de trabalho. A pessoalidade fica evidenciada na medida em que a fiscalização assinalou que não constam nos sistemas do órgão informação quanto à existência de empregados em todas as 31 empresas. Acrescentamos que os contratos formalizados e os recibos de pagamentos foram sempre assinados pelo sócio proprietário de cada uma das empresas, não havendo qualquer indício de que outra pessoa física tenha participado da prestação de serviço. A continuidade está presente em todos as 31 prestação de serviços, pois em todas temos vários meses, e até anos, de prestação de serviços, fls. 410/411. A prova da subordinação reside em cláusula do instrumento de contrato formalizado e que está presente em 28 casos. Vejamos o texto a que nos referimos: “Ao prestar serviços objeto deste contrato a CONTRATADA usará seu melhor entendimento e julgamento, mas a decisão final de como proceder será sempre da CONTRATANTE” Não há maneira mais explícita de demonstrar a subordinação existente nas relações entre a Metso e seus prestadores do que a presença de tal cláusula. Não se trata de subordinação técnica, como quer a recorrente, pois o empregado submeteu ao empregador a “decisão final de como proceder”. Vinculado por um contrato de trabalho, o empregado é, segundo a lição de Amauri Mascaro do Nascimento (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 155): “um subordinado porque ao se colocar nessa condição consentiu por contrato que o seu trabalho seja dirigido por outrem, o Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 empregador. Este pode dar ordens de serviço. Pode dizer ao empregado de que modo deverá trabalhar, o que deverá fazer, em que horário, em que local etc.” Veja que o autor enxerga a subordinação naqueles casos nos quais o empregador pode dizer ao empregado “de que modo deverá trabalhar”, o que equivale ao empregador ter a “decisão final de como proceder” como ficou demonstrado no caso presente. Parecenos fora de dúvida, portanto, a presença de subordinação nesses 28 casos. Em três contratos tal cláusula não aparece, sendo que correspondem aos seguintes levantamentos: E05Bengt, E13Odair, E16Rudinei. O Sr. Bengt Hasns Sandell – levantamento E05, foi empregado da Svedala até 15/10/2001, fls. 583, e em 01/10/2001 celebra contrato de prestação de serviços por meio de pessoa jurídica com a mesma empresa, fls. 447/449. Como se vê, a subordinação que já havia por conta de contrato de trabalho vigente foi mantida com a continuação da prestação de serviço até 2004. A contratação do Sr. Odair Valério teve como finalidade a prestação de serviços de Análise e Programação de Sistemas, fls. 485. Nesse caso, o item 5.2 do contrato indica que o Sr. Odair teria acesso externo às informações da Metso, ou seja, não estaria trabalhando nas dependências da contratante, o que sugere a ausência de subordinação. Apesar de a pessoalidade estar evidenciada no caso, uma vez que foi declarado que somente o Sr. Odair prestaria serviço, não temos provas da subordinação deste à Metso. Consideramos, portanto, indevida a caracterização de contrato de trabalho entre o Sr. Odair Valério e a recorrente, o que resulta na necessidade de exclusão do levantamento E13 do lançamento. A contratação do Sr Rudinei Florindo de Faria – levantamento E16 teve como finalidade a prestação de serviços de supervisão de montagem mecânica, fls. 499. A subordinação do Sr. Rudinei ao seu empregador fica demonstrada no documento de fls. 505 no qual está consignado o seguinte: “Este profissional ficará a disposição da Metso e executará atividades conforme planejamento a ser estabelecido pela Metso Paper”. Aplicação do art. 129 da Lei 11.196. Impossibilidade. Inteligência do art. 105 do CTN Pretende a recorrente a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria autorizado a prestação de serviços por pessoas jurídicas em casos similares aos dos autos. Sem entrar no mérito do conteúdo do dispositivo mencionado, não é possível sua aplicação ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à publicação da lei. Como é cediço, o art. 105 do CTN estabelece que “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. Já temos jurisprudência do CARF nesse sentido que citamos não em relação ao mérito da Lei, mas em relação ao aspecto intertemporal: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301001.735 S2C3T1 Fl. 429 19 Acórdão 10421.954 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR – AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Assim, como a Lei 11.196/2005 foi publicada em 22/11/2005 e os fatos geradores são de 01/2000 a 02/005 não é possível considerarmos sua aplicação ao caso. Não vislumbro a ocorrência de bis in idem, pois eventual contribuição previdenciária recolhida sobre as notas fiscais dos prestadores tinham aqueles como contribuintes e nos autos o contribuinte é a contratante. Quanto aos valores recolhidos pelas empresas prestadoras, estes poderão ser objeto de pedido de restituição protocolizado pelas interessadas. No tocante às alegações quanto à desconsideração da pessoa jurídica, nos alinhamos com o que ficou consignado na decisão a quo, in verbis: “21. A atuação do fisco não foi além das prerrogativas que a lei e a jurisprudência lhe permitem conforme afirma a impugnação. A personalidade jurídica da pessoa jurídica não foi desconsiderada, pois esta se mantém incólume. A auditoria fiscal desconsiderou, apenas, o contrato de prestação de serviços existente entre a terceirizada e a tomadora dos serviços, com o fim único de atribuir a esta, a responsabilidade previdenciária que emerge da vinculação fáticojurídica que se estabeleceu entre ela e os sócios das empresas contratadas. Nessa linha, seguem os ensinamentos do ilustre Rubens Requião: Não se trata, é bom esclarecer, de considerar ou declarar nula a personificação da pessoa jurídica, mas de a tornar ineficaz para determinados atos (Curso de Direito Comercial, vol. 1, 14a ed., São Paulo, Editora Saraiva, 1994).” Por fim, registramos que o reconhecimento da relação de emprego de forma a gerar efeitos jurídicos na relação entre empregado e empregador é, de fato, de competência da Justiça do Trabalho, mas o que aqui foi discutido é a natureza dos pagamentos feitos aos trabalhadores e seu reflexo na relação entre fisco e empregador. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar os fatos geradores ocorridos até 05/2000 e excluir do lançamento o levantamento E13. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13856.000217/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2012 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 204 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de abril a dezembro de 1998, tendo em vista que RFB não aceitou as compensações declaradas pela recorrente em suas DCTFs, como tendo sido realizadas com DARF e sem processo. Inconformada com a autuação, no dia 25/07/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório de fls. 56/57. Diante da impugnação da empresa interessa, a DRF efetuou a revisão de ofício do lançamento para concluir pela inexistência de erro de fato, mantendoo integralmente, nos termos do Despacho Decisório de fls. 58. Ciente do referido despacho, ingressou a empresa recorrente com “recurso voluntário”. O apelo da recorrente foi apreciado e julgado pela DRJ que, antes de fazêlo, baixou o processo em diligência para as seguintes providências: Assim sendo, voto pela conversão do presente julgamento, em DILIGÊNCIA, para que os autos sejam baixados à DRF em Ribeirão Preto para que apure, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive adotandose a semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, os indébitos mensais e o montante a que a interessada faz jus, a valores de 15/05/1998, data da primeira compensação alegada por ela, decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS nos termos dos Decretoslei n° 2.44 n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as Leis Complementares (LC) n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, sobre os fatos geradores dos meses de competência de setembro de 1995 a fevereiro de 1996. Na oportunidade, solicitamos também a intimação da interessada para que comprove, em sua contabilidade, as compensações alegadas por ela, e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ ou utilizados por ela em outras compensações, cientificandoa de todos os atos praticados, em face da diligência solicitada, inclusive, reabrindolhe prazo para se manifestar a respeito. (grifei) Realizado a diligência, concluiuse pela inexistência de crédito no período de 09/95 a 02/96, nos seguintes termos: Adotandose a semestralidade, o período de apuração setembro/95 tem como base de cálculo o faturamento de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 205 3 março/95 e assim sucessivamente. De acordo com a LC 07/1970 e LC 17/1973, a alíquota devida é de 0,75%. Desta forma, para efeito de cálculo dos eventuais créditos da contribuinte, no período em questão, foram utilizadas as bases de cálculo da COFINS declaradas pela contribuinte em DIRPJ (fls. 107), quais eram, A época, de idêntico conceito ao do PIS sob a vigência das referidas leis complementares, ou seja, o conceito restritivo de faturamento. Ocorre que, mesmo utilizandose de base de cálculo menor, efetuados os cálculos através do CADJUD (fls. 115/122), verificouse que não há créditos a compensar pela contribuinte nos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, uma vez que os supostos pagamentos a maior, imputados aos respectivos débitos, foram insuficientes até mesmo para liquidação destes. Diante do exposto, proponho que se de ciência à contribuinte de todos os atos praticados em face da diligência solicitada, inclusive reabrindolhe prazo para manifestarse a respeito, bem como esta seja intimada para que comprove, em sua contabilidade as compensações alegadas por ela e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ou utilizados em outras compensações. Assim, atendidas as solicitações, retorne se o processo ã DRJ/RPO. Ciente do resultado da diligência (AR de fl. 127), a manifestase para apresentar “os DARF's que comprovam a origem do credito; a planilha de apuração de credito e o controle de compensação”, silenciando quanto a contabilização das compensações que alega ter efetuado. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1416.603, de 06/08/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: DCTF. TRIBUTO DECLARADO. CRÉDITO VINCULADO A COMPENAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos tributários declarados nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs), vinculados a compensações com créditos financeiros nãoreconhecidos, estão sujeitos a lançamento de oficio, acrescidos de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação do pagamento e/ ou compensação informada na DCTF. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 206 4 o mesmo objeto, importa renúncia As instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial. Ciente desta decisão em 22/10/2007 (AR de fl. 178), a interessada ingressou, no dia 19/11/2007, com o recurso voluntário de fls. 179/188, no qual alega, em apertada síntese, que as compensações foram efetuadas com base na inconstitucionalidade declarado dos DecretosLeis nº 2445/88 e 2449/88 e que o mandado de segurança por ela impetrado não trata de compensação e nem serviu de fundamento para as ditas compensações. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Postula a recorrente o cancelamento do auto de infração sob a alegação de que fez a compensação com base na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e não com base no mandado de segurança que impetrou, no ano de 2000, contra a Fazenda Nacional. Com razão, em parte, a recorrente. Realmente a recorrente não informa, nas DCTF, que efetuou as compensações com base em decisão judicial proferida no mandado de segurança que impetrou no ano 2000. As compensações foram declaradas antes da data da impetração do mandado de segurança a que se refere o Despacho Decisório da DRF e a decisão recorrida. Nas DCTF a recorrente declarou que efetuou a “compensação c/Darf e s/Processo”, fato perfeitamente possível de acontecer, desde que provado a efetiva realização e escrituração da compensação na contabilidade do contribuinte. No caso dos autos, foi realizado diligência onde um dos objetivos era intimar a recorrente a comprovar, por meio de sua contabilidade, que efetuou as compensações alegadas e declaradas em DCTF. Regularmente intimada a comprovar que escriturou as compensações alegadas, a empresa não se manifestou quanto a esta matéria e nem providenciou a juntada de cópia dos livros Razão e Diário onde os lançamentos contábeis das compensações teriam sido efetuados. Como bem disse a recorrente, à época da apresentação da DCTF a compensação poderia ser feita sem prévio requerimento à RFB (art. 14 da IN 21/97), que tem o Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 207 5 dever de apurar a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Se o crédito foi apurado pelo contribuinte e utilizado em compensações na forma do art. 14 da IN 21/97, tem ele contribuinte a obrigação de escriturar em sua contabilidade o referido crédito e a operação de compensação efetuada e declarada à RFB. E à RFB cabe apurar a veracidade dos dados declarados e lançados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte (Parágrafo Único do art. 7º da IN 21/97). No caso dos autos, intimada a comprovar a escrituração do crédito e das compensações efetuadas, a recorrente silenciou. Portanto, à mingua de prova do declarado em DCTF, não há como reconhecer a legitimidade das compensações declaradas em DCTF pela recorrente. Digase, por oportuno, que as planilhas de fls. 161/163 não substituem a escrituração contábil e fiscal da recorrente e, portanto, não fazem prova da efetiva realização das compensações declaradas em DCTF. Considerando que a decadência é matéria de interesse público e deve ser levantada de ofício, este Conselheiro Relator constatou que, para os períodos de apuração de 04/98 a 06/98, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento pelas razões a seguir expostas. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastada a aplicação dos citados dispositivos legais, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento é a tratada no § 4º do art. 150, do CTN, posto que a recorrente efetuou pagamento antecipado em todos os períodos de apuração objeto do lançamento, conforme Darf de fls. 25/29. Consequentemente, ao caso não se aplica o art. 173, inciso I, do CTN, nos exatos termos da decisão proferida pelo STJ, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu no dia 01/07/2003, estão extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 30/06/1998, inclusive. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a extinção, pela decadência, dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de abril a junho de 1998. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 208 6 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.002828/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
RENDA DE ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
A inconformidade/inexistência de escrituração regular da atividade rural enseja arbitramento de 20% da receita como renda da atividade para fins de tributação pelo Imposto sobre a Renda. No entanto, tal forma de arbitramento não pode ser utilizada para lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no qual devem ser contrapostos receitas e dispêndios.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou através de registros que demonstrem que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juro;
GANHO DE CAPITAL. VENDA DE BENS MÓVEIS. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO.
Quando constatada adulteração nos valores declarados a título de alienação de bens, o ganho de capital deve ser recalculado de acordo com os verdadeiros montantes do negócio, e é cabível a qualificação da multa por omissão dolosa.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto as receitas da atividade rural nos valores de R$ 62.904,55; R$ 67.824,80e R$ 41.639,20, correspondentes aos anos-calendários de 2006 a 2008, respectivamente, bem como excluir da base de cálculo da apuração do ganho de capital os valores de R$ 4.664,66, relativo a 30/04/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/10/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/01/2010; R$ 26.845,00, relativo a 30/04/2010 e R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2010.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 RENDA DE ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A inconformidade/inexistência de escrituração regular da atividade rural enseja arbitramento de 20% da receita como renda da atividade para fins de tributação pelo Imposto sobre a Renda. No entanto, tal forma de arbitramento não pode ser utilizada para lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no qual devem ser contrapostos receitas e dispêndios. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou através de registros que demonstrem que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juro; GANHO DE CAPITAL. VENDA DE BENS MÓVEIS. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Quando constatada adulteração nos valores declarados a título de alienação de bens, o ganho de capital deve ser recalculado de acordo com os verdadeiros montantes do negócio, e é cabível a qualificação da multa por omissão dolosa. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto as receitas da atividade rural nos valores de R$ 62.904,55; R$ 67.824,80e R$ 41.639,20, correspondentes aos anos-calendários de 2006 a 2008, respectivamente, bem como excluir da base de cálculo da apuração do ganho de capital os valores de R$ 4.664,66, relativo a 30/04/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/10/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/01/2010; R$ 26.845,00, relativo a 30/04/2010 e R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2010. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
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ARBITRAMENTO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A inconformidade/inexistência de escrituração regular da atividade rural enseja arbitramento de 20% da receita como renda da atividade para fins de tributação pelo Imposto sobre a Renda. No entanto, tal forma de arbitramento não pode ser utilizada para lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no qual devem ser contrapostos receitas e dispêndios. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou através de registros que demonstrem que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juro; GANHO DE CAPITAL. VENDA DE BENS MÓVEIS. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Quando constatada adulteração nos valores declarados a título de alienação de bens, o ganho de capital deve ser recalculado de acordo com os verdadeiros montantes do negócio, e é cabível a qualificação da multa por omissão dolosa. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto as receitas da atividade rural nos valores de R$ 62.904,55; R$ 67.824,80e R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 28 28 /2 01 0- 61 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 41.639,20, correspondentes aos anoscalendários de 2006 a 2008, respectivamente, bem como excluir da base de cálculo da apuração do ganho de capital os valores de R$ 4.664,66, relativo a 30/04/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/10/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/01/2010; R$ 26.845,00, relativo a 30/04/2010 e R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2010. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 553 3 Relatório 1 Procedimento Fiscal O recorrente foi intimado do Termo de Início da Fiscalização/Intimação Fiscal nº 001/2010 (fls. 3839), em 01/02/10, sendo instado a apresentar: a) extratos de movimentações financeiras em todas as instituições financeiras em que possuísse conta, para os anos de 2006, 2007 e 2008, bem como informar se e quais contas possuem cotitulares; b) talões de notas fiscais de produtor rural e comprovantes das despesas e gastos efetuados com a atividade rural; c) escritura pública de aquisição da área rural objeto da atividade rural, ou contrato de arrendamento e/ou parceria; d) contratos de construção de pavilhões declarados em suas despesas da atividade rural, bem como comprovantes dos pagamentos realizados à construtora e comprovantes dos demais gastos realizados com a obra; e) comprovação do recebimento e da quitação dos empréstimos declarados em suas DIRPF’s, mediante cópia dos recibos de transferência bancária entre os mutuantes ou comprovação de saques bancários; f) comprovação dos rendimentos isentos declarados; g) escritura e/ou contrato particular de venda do terreno urbano lote nº 18, com casa, no bairro Planalto em Caixas do Sul/RS, bem como demonstrativo de ganho de capital e a justificativa de não ter sido pago Imposto sobre a Renda sobre o ganho de capital nessa venda; h) escritura e/ou contrato particular da compra do terreno urbano situado na esquina da rua Simão Cembrani com a rua Gerônimo Ferreira Porto, em Porto Alegre, com a comprovação de todos os pagamentos efetuados; i) documento que originou a relação de notas promissórias a receber no valor de R$ 200.000,00 de Oneide de Farias, declaradas no ano calendário de 2008; j) comprovante de compra do caminhão trator Volvo em 21/07/08; k) comprovante do financiamento/empréstimo obtido para pagamento do caminhão Volvo, bem como dos pagamentos efetuados no ano de 2008; Em 03/03/10, o recorrente protocolou resposta à intimação (fls. 4142), com as seguintes informações: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 a) uma das contas poupança do recorrente possui cotitular: Mario Bonalume Filho, que é menor de idade; b) alguns dos talões de notas fiscais de produtor rural foram incinerados por engano, pois estavam misturados a notas de anos anteriores a 2006; c) os únicos gastos são os com pessoas da família, que auxiliaram no plantio e na colheita dos produtos; d) os pagamentos à construtora dos pavilhões foi efetuado em espécie, conforme acordado no contrato de autorização de serviços por empreitada, inexistindo comprovantes de pagamento; e) os demais gastos realizados são relativos aos anos de 2002, 2003 e 2004, já estando prescritos à data da intimação; f) os empréstimos foram pagos em espécie, e, tão logo quitados, foram eliminadas as notas promissórias e contratos; Junto à resposta, o recorrente apresentou os seguintes documentos: a) Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel; b) NF da empresa Dipesul Veículos Ltda; c) extratos bancários da conta corrente no Banco do Brasil, de jan/07 a dez/07, e de poupança; d) certificado e registros de veículos de placas GLS IJH 3333 (fl. 303); AEO3055(fl. 273), IAH9645 (fl. 274), IJG1516 (fl. 275) e ICS4660 (fl. 322); e) extratos bancários da conta corrente no Banco do Brasil do ano de 2006, e mais extratos de poupança; f) contrato de autorização de serviços de empreitada (fls. 283286); g) planilha de parcelas do pagamento dos pavilhões (fls. 287289,305 e 326); h) escritura pública nº 17.593059 de compra e venda de terreno urbano no loteamento Santa Marta (fls. 271272); i) escritura pública nº 17.930012 de compra e venda de terreno urbano (fls. 266270); j) escritura pública de confissão de dívida de Oneide Urbano de Farias para com o recorrente (fls. 327328); k) escritura pública nº 19.424043 (fls. 331333); l) nove talões de produtor rural (não presentes no processo, pois foram entregues ao contribuinte, conforme Termo de Verificação Fiscal à fl. 404); A Dipesul Veículos Ltda. foi intimada, por meio da Intimação Fiscal nº 001/2010 (fl. 334), em 30/03/10, a esclarecer como foi realizado o pagamento de R$ 339.000,00, referente à venda do caminhão trator Volvo Mod FH 440 a Mario Bonalume, indicando o nº do mesmo e a cópia, se possível. Em reposta (fls. 338340), a empresa apresentou cópia de extrato de conta corrente, na qual é possível observar que o pagamento foi realizado através de TED movimentado a partir da conta do recorrente, em 23/08/08. Em 05/04/10, a Fiscalização oficiou (fl. 160) o CRVA de Farroupilha a apresentar cópia dos registros de veículos adquiridos e os já vendidos no período de janeiro/06 a dezembro/06 em nome de Mario Bonalume, principalmente em relação ao caminhão IMP/VOLVO, vendido em junho/06. O ofício foi respondido em 12/04/10 (fls. 162163), informando o valor de R$ 97.000,00 para a venda. Em 29/04/10, o Sr. Hélio José Muller foi intimado, por meio da Intimação Fiscal nº 003/2010 (fl. 345), a apresentar cópia dos extratos bancários mensais onde constassem os saques bancários utilizados para cobrir empréstimo efetuado a Mario Bonalume, intimação que foi reiterada em 01/05/10 (fl. 347). Em resposta apresentou contrato de mútuo com Mario Bonalume (fls. 349350). Fl. 555DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 554 5 Em 08/04/10 foi a vez de Alcencio Luiz Bonalume, pai do recorrente, ser intimado, por meio da Intimação Fiscal nº 004/2010 (fl. 351), para comprovar a transferência de R$ 339.000,00 para Mario Bonalume a título de empréstimo no ano de 2008. A intimação foi reiterada em 01/05/10 (fl. 353). A resposta, apresentada em 27/07/10, requisitou prazo adicional para esclarecer este ponto, já que os bancos não apresentaram os extratos no prazo concedido. Em 05/08/10, apresentou finalmente informações acerca da transferência dos valores para Mario Bonalume (fls. 363368). Segundo o Sr. Alcencio, R$ 250.000,00 foram decorrentes de numerário mantido em espécie, conforme registrado na declaração do ano calendário de 2007, e R$ 89.000,00 referentes a rendimentos obtidos no ano de 2008. Em seguida, foi a vez de Daniela Nazario, companheira do recorrente, ser intimada, em 05/04/10, por meio da Intimação Fiscal nº 005/2010 (fl. 369) a comprovar a transferência de R$ 42.000,00, informados na Declaração de Ajuste Anual como empréstimos efetuados a Mario Bonalume. A intimação foi reiterada em 28/05/10 (fl. 371). Em resposta (fls. 373385), apresentou extrato bancário que registra a transferência de R$ 50.000,00 através de cheque ao recorrente, dos quais R$ 8.000,00 já haviam sido restituídos, motivo pelo qual restou o saldo de R$ 42.000,00. O recorrente foi novamente intimado, por meio da Intimação Fiscal nº 006/2010 (fls. 4458), em 26/04/10, a apresentar os seguintes documentos e esclarecimentos: a) extratos bancários mensais de todas as aplicações financeiras em seu nome e no nome de seus dependentes e cônjuge; b) comprovação da titularidade da conta 021525153469034 do Banrisul, na qual foram movimentados os valores da compra do caminhão Volvo FH 440, ano 2008 pelo recorrente; c) informar se existem outros titulares da conta bancária nº 39016961 do Banrisul e conta bancária nº 6128 do Banco do Brasil; d) comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, mantidas junto ao Banrisul e ao Banco do Brasil nos anos de 2006 a 2008 (demonstrativo anexo à intimação, às fls. 4755); e) comprovar as informações sobre os valores mensais pagos a título de pensão alimentícia nos anos de 2006 a 2008; f) comprovação dos empréstimos declarados em sua DIRPF, demonstrando a efetividade do recebimento e da quitação destes; g) documento original ou cópia do documento de transferência do caminhão Imp/VOLVO, vermelho, ano 1994, placas AEO3055, com venda registrada em 12/06/06; h) comprovantes da compra de veículo aquático marca Yamaha 1052cc, ano 2005, adquirido em 20/03/06 por R$ 29.500,00; i) comprovante da compra de 50% de caminhão Mercedes Benz L 1618, ano 1994, em 02/02/07, por R$ 21.500,00; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 j) comprovante da compra de veículo Honda Civic LXS Flex ano 2007, mod. 2008, placa IPP 0333, adquirido em out/ 2008; k) contrato particular ou escritura pública da venda do lote urbano nº 11 da rua Antonio Boscardin em Caxias do Sul, informado na Declaração de Bens como vendido em 21/12/05 por R$ 35.000,00; l) informar e comprovar os gastos com a produção de produtos agrícolas com a aquisição de sementes, adubo, calcário, inseticidas, sacaria, etc e com mão de obra, citando o nome das pessoas envolvidas no trabalho; m) comprovação dos pagamentos mensais do arrendamento rural; Após reedição da intimação, em 28/05/10 (fls. 6074), o recorrente apresentou resposta (fls. 7677), em 07/06/10, apresentando os seguintes esclarecimentos: a) informou que a demora na resposta à intimação se deu pelo fato de o carro em que estavam os documentos para serem entregues à fiscalização foi assaltado e estes foram levados em conjunto, e somente após algum tempo o veículo foi encontrado; a) os bancos do Brasil e Banrisul erroneamente enviaram os extratos das contas correntes (fls. 166261), ao invés dos de aplicações financeiros, motivo pelo qual pediu mais prazo para apresentalos; b) o recorrente acreditava que houve erro na informação do número da conta corrente com o CPF seu e de sua cônjuge; c) informou que a conta cuja informação de titularidade foi requisitada não existe, e que por este motivo pediram informações de outra conta de número parecido de titularidade do recorrente, que ainda não foram remetidas; d) devido à grande quantidade de depósitos elencados, pede dilação de prazo para poder identificalos; e) os empréstimos registrados eram realizados entre familiares, motivo pelo qual as únicas formalidades eram contrato de mútuo e notas promissórias, sendo que estas eram eliminadas após a quitação. Ainda, como os parentes realizam diversos negócios rurais de compra e venda com bancas, estabelecimentos rurais e pessoas físicas em virtude de sua atividade rural, muitos dos empréstimos eram pagos através do repasse de notas promissórias, motivo pelo qual não existe comprovação adequada dos negócios jurídicos; g) quanto ao caminhão Volvo FH12 380, 1994, placa AOE 3055, está aguardando a resposta do DETRAN/RS, motivo pelo qual só apresentou cópia do recibo de venda que o recorrente possuía; h) reconhece que algumas vezes ocorre divergência entre as notas fiscais de produtor e os valores informados nas declarações; i) quanto aos gastos com a atividade rural, volta a dizer que os produtos foram comprados por pessoas da própria família, e que os documentos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 555 7 foram extraviados e queimados. Ainda, a mão de obra é completamente familiar, sem remuneração pelo serviço, apenas sendo dividido o produto das vendas de acordo com as necessidades; j) não existem gastos com arrendamento, pois tudo foi realizado em terras da família; Tendo sido concedida a prorrogação do prazo para apresentação dos documentos em 40 dias por meio da Intimação Fiscal nº 008/2010 (fls. 8082), em 30/06/10, o recorrente apresentou nova resposta (fls. 8488), em 27/07/10, concedendo as seguintes informações: a) o contribuinte não possui aplicações financeiras. Além das contas correntes, possui as seguintes contas poupança: nº 02153901696195S no Banrisul; nº 010.006.1826 no Banco do Brasil; nº 010.012.1861 no Banco do Brasil; nº 010.012.187X; nº 010.012.5484 no Banco do Brasil; b) o TED realizado para a Dipesul Veículos S/A foi realizado da conta nº 021541553469034, do Banrisul, que não pertence ao recorrente; c) o caminhão Volvo foi pago mediante empréstimo no valor de R$ 339.000,00 tomado junto a seu pai Alcêncio Bonalume, em 21/07/08, conforme contrato de mútuo que está em anexo á resposta (fls 142143); d) foi elaborada tabela que demonstra a origem de cada um dos depósitos, identificando o montante tributável (fls. 120138); e) quanto aos empréstimos: e.1) R$ 50.000,00 com Daniela Nazario: foi contraído junto a sua atual companheira, proveniente da conta nº 35.058789.02, do dia 23/07/08, cheque de nº 208899, sendo que desta quantia foram restituídos somente R$ 8.000,00, restando saldo credor de R$ 42.000,00; e.2) R$ 122.000,00 com Daniela Nazário: foi contraído junto a sua atual companheira, como consolidação dos débitos para com a companheira. R$ 80.000,00 relativos a mútuo anterior, de 2005, e os R$ 42.000,00 restantes do empréstimo de R$ 50.000,00 do item anterior. O contrato foi firmado em 12/01/08 (fls. 140141); e.3) R$ 339.000,00 com Alcencio Luiz Bonalume: referese a contrato de mútuo realizado com seu pai (fls. 142143), na data de 21/07/08, destinado à compra de um caminhão, que está em garantia do mútuo; f) junta certidão requisitada junto ao DETRAN/RS com a cadeia sucessória do caminhão Imp/Volvo, vermelho, ano 1994, placa AEO3055; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 8 g) quanto às despesas com atividade rural, apresenta demonstrativo com identificação da NF, data de emissão e valor por ano case do calendário fiscal, pois os demais documentos (notas fiscais de produtos e declarações de IR) já se encontram em poder da Receita Federal; h) ainda em relação à atividade rural, juntou lista com nome das pessoas que trabalharam na produção rural, bem como planilha discriminando os gastos e receitas totais da produção rural efetuada em família (fls. 147 156), inclusive apresentando as declarações de imposto de renda de seu pai, Alcencio Luiz Bonalume (fls. 157159), para os anos de 2006, 2007 e 2008. Apresentou, ainda, cópia de extrato de aplicação financeira no Banrisul (fls. 9092); declaração do Banrisul acerca da titularidade da Conta nº 35.016961.9 (fl. 93); extratos bancários da conta do Banrisul (fls. 94118); Declaração do Banrisul atestando a inexistência da conta corrente nº 45153469034, acerca da qual o Fisco demandou informações (fl. 119); 2 Auto de Infração Com base nas informações obtidas no procedimento de fiscalização, o Fisco lavrou auto de infração (fls. 403446) em face do recorrente, constituindo crédito tributário de R$ 530.619,08, incluídos imposto, juros de mora e multa de ofício de 75%, sendo esta qualificada em 150% sobre o ganho de capital da venda do caminhão IMP/Volvo, devido à adulteração da nota fiscal para tentar modificar o valor de venda, e sobre os acréscimos patrimoniais que foram encobertos por empréstimos pretensamente forjados. As infrações imputadas foram: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício (anoscalendário 20062008): omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente de compra e venda de ativos, conforme planilha apresentada pelo sujeito passivo, que correspondem aos valores da rubrica “CR TÍTULOS”; b) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas jurídicas (anocalendário de 2006): o valor total anual informado na DIRF da fonte pagadora era de R$ 39.866,40, sendo retidos na fonte R$ 4.092,39. O valor declarado pelo contribuinte foi de R$ 36.677,16, com a mesma retenção; c) Acréscimo Patrimonial a Descoberto (anoscalendário 2006, 2007 e 2008): diferença apurada entre os dispêndios e as rendas apuradas do recorrente (demonstrativo às fls. 398400). Foi qualificada a multa sobre os Acréscimos Patrimoniais a Descoberto dos meses de 12/07, 07/08, 11/08 e 12/08, devido à fraude constatada pela declaração de falsos mútuos para com Hélio José Muller e Alcêncio Bonalume; d) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos: d.1) caminhão Volvo, ano 1994, placa AOE 3055, adquirido em 30/08/01 por R$ 30.000,00 e vendido por R$ 97.000,00 em 12/06/06, estando sujeita a diferença de R$ 67.000,00 à tributação Fl. 559DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 556 9 pelo IRPF pela alíquota de 15%. Devido à adulteração dos documentos de venda do veículo com fins de reduzir o valor de venda, foi aplicada multa de 150%; d.2) dois terrenos urbanos, de matrículas nº 40285 e 18203 no Registro de Imóveis da 2º Zona de Caxias do Sul. O valor dos imóveis na declaração era de R$ 114.300,00 (R$ 30.000,00 para um e R$ 84.300,00 para o outro), e foram vendidos por R$ 300.000,00. Sendo assim, foi apurado um ganho de capital de R$ 161.095,31, devendo incidir alíquota de 15% sobre este montante, de acordo com o recebimento das parcelas (foi lançado de 2008 a 2010); e) omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada (2006, 2007 e 2008): depósitos bancários que, após intimação do sujeito passivo não tiveram sua origem identificada. 3 Impugnação Notificado do lançamento em 17/09/10, o recorrente apresentou impugnação (fls. 453474), tempestiva, em 19/10/10, alinhando os seguintes argumentos: a) preliminarmente, alega ser inconstitucional e ilegal o arrolamento de bens, com base no sigilo fiscal, consagrado no art. 198 do CTN, e no §1º do art. 145, da CF; b) os valores de R$ 78.630,69 (2006), R$ 84.781,00 (2007) e R$ 52.049,00 (2008), já foram declarados e tributados como receita de atividade rural, devendo ser glosados em sua totalidade; c) os contratos de mútuo devem ser aceitos como origem, já que observam a forma legal e são considerados títulos executivos extrajudiciais, sendo diluído o Acréscimo Patrimonial a Descoberto; d) os R$ 3.189,24 lançados como omissão de renda de aluguéis corresponde à comissão da imobiliária pela administração do imóvel e cobrança do aluguel, que não integra a base de cálculo do tributo, forte no art. 14, da Lei 7.739/89; e) o caminhão Volvo/IMP, ano 1994, placa AEO 3055, foi vendido por R$ 35.000,00, conforme atesta o documento de venda do caminhão, sendo que já foram tributados os R$ 5.000,00 apurados como ganho de capital. Sendo assim, o ganho de capital imputado pelo Fisco deve ser reduzido em R$ 5.000,00, para R$ 62.000,00; f) quanto à venda de terrenos, desde 20/04/09 as parcelas não são recebidas, conforme prova através do protesto realizado em 20/04/10 (fl. 469), e o contrato foi rescindido. Por este motivo, inclusive ajuizou ação de reintegração de posse. Devido ao fato de o contrato ter sido rescindido, é provável que os valores tenham de ser devolvidos ao comprador, motivo pelo qual não será apurado ganho de capital algum. As parcelas já Fl. 560DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 10 recebidas totalizavam R$ 100.000,00, e serão devolvidas aos compradores pelo desfazimento do negócio; g) os depósitos bancários sem origem comprovada restaram completamente identificados conforme tabela ás fls. 120138, onde constam os valores pertinentes a prólabores, aluguéis, receitas de produtor rural e das compras de ativos financeiros; h) os valores tributados como rendimento recebido pela compra e venda de ativos está errada, pois a tabela apresentada às fls. 422424 está em desconformidade com a tabela apresentada pelo recorrente às fls. 120 136. A remuneração do capital nestas vendas é de 5%, devendo ser tributada apenas esta parcela; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada parcialmente procedente, por unanimidade, pela 8ª Turma da DRJ/POA, com base nos seguintes fundamentos: a) não cabe aos órgãos julgadores administrativos a análise da validade de dispositivos legais, motivo pelo qual não será avaliada a validade do arrolamento de bens; b) o lançamento não foi feito com base em mera presunção, pois apurouse o acréscimo patrimonial acima do declarado à Receita Federal, possibilidade ventilada no art. 3º, §1º, do Decreto 3.000/99; c) é correta a desconsideração dos valores declarados como de receita rural como origem, pois não foi comprovada a receita da atividade, e os custos informados são incompatíveis com a cultura e a extensão das plantações, além da inexistência de custo com mão de obra no período; d) também é correta a desconsideração dos empréstimos, pois não foi comprovada a efetividade do recebimento dos valores. Em relação a Alcêncio Bonalume, nem sequer havia capacidade econômica deste para realizar este empréstimo ao recorrente; e) em relação à redução de ganho de capital na venda do caminhão Volvo, não procede o pedido do recorrente, vez que à época o ganho de capital de R$ 5.000,00 foi considerado como isento, motivo pelo qual tal parcela não sofreu qualquer tributação. Devido à adulteração dos documentos de venda, foi constatado dolo do recorrente e imputada multa de 150% pela Fiscalização. f) é correta a revolta do recorrente contra a tributação dos R$ 3.189,24, pretensamente lançada como omissão de rendimentos de aluguéis, pois correspondem à comissão da imobiliária; g) o ganho de capital na alienação dos imóveis em Caxias do Sul não deve ser inteiramente glosada, vez que foi apenas comprovada a inadimplência da parcela de R$ 50.000,00 vencida em 20/04/10. Desse modo, apenas devem ser excluídos R$ 4.026,75 de imposto e multa de R$ 3.020,06 do auto de infração; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 557 11 h) por fim, as alegações de que os depósitos bancários eram decorrentes de prólabores, aluguéis, receitas de produtor rural e a compras de ativos financeiros, dos quais obtinha rendimento a uma taxa de remuneração de capital de 5% não prosperam, pois não apresentou fundamentos ou provas capazes de respaldalos. 5 Recurso Voluntário Notificado do resultado do julgamento, em 12/04/11, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 06/05/11, repisando os argumentos da impugnação, e reforçando os seguintes: a) os contratos de mútuo estão de acordo com a legislação civil, e não podem ser desconsiderados como origem na apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto; b) por fim, apresenta cópia da petição inicial e extrato de movimentação atualizado da ação de reintegração de posse movida contra a compradora dos imóveis em Caxias do Sul, Processo nº 010/1.10.00340929. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 12 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Devido à multiplicidade de métodos utilizados para apurar a omissão de rendimentos da tributação pelo imposto sobre a renda, é necessária análise tópica dos protestos do recorrente. 1 Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto 1.1. DAS RECEITAS COM ATIVIDADE RURAL Na apuração das origens no quadro de variação patrimonial, a Fiscalização arbitrou o valor da renda com atividade rural. O recorrente havia declarado os valores de R$ 78.630,69 (2006), R$ 84.781,00 (2007), R$ 52.049,00 (2008), mas durante o procedimento de fiscalização apresentou notas fiscais de apenas R$ 75.926,07 (2006), R$ 64.625,56 (2007) e R$ 30.972,19 (2008). Devido à não apresentação de tabela de custos da produção, a Fiscalização entendeu que não poderia ser considerada a receita inteira como renda da atividade rural, arbitrando o valor de 20% da receita bruta como renda presumida a integrar as origens para o acréscimo patrimonial, com base na Lei nº 8.023/90: Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. No entanto, o recorrente se insurge contra este critério, alegando que os custos da atividade eram baixos, pois o plantio era realizado pelos próprios membros da família, e que as notas de custeio não foram juntadas, pois foram descartadas. Sendo assim, requer que seja considerada como fonte para a cobertura do acréscimo patrimonial a totalidade das receitas de atividade rural. A falta de escrituração autoriza a tributação pela base de cálculo reduzida de 20%. A legislação, no entanto, não faz restrição quanto ao valor que deve ser aceito como origem para acréscimo a patrimonial e, no caso, a Fiscalização aceitou tão somente os 20% da base de cálculo reduzida como renda auferida capaz de respaldar o acréscimo patrimonial. Ou seja, não se pode confundir o regime de tributação especial dos rendimentos da atividade rural com o real resultado da atividade rural. Esta Turma, com a ressalva deste Relator, entende que a legislação de Imposto de Renda, ao determinar que é considerada tributável 20% da receita da atividade rural, não estipula um regime de lucro presumido para a atividade rural, mas sim um benefício que isenta 80% da receita da atividade rural. Tal posicionamento, inclusive, implica no entendimento de que 20% da receita da atividade rural é o limite da tributação, mesmo que na Fl. 563DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 558 13 apuração das despesas a Fiscalização chegue à conclusão de que os custos são inferiores a 80% da receita, podendo, no entanto, serem tributados menos de 20% caso seja comprovado que o lucro da atividade é inferior a este percentual, conforme pode ser verificado em trecho de voto proferido pelo douto Presidente desta Turma, o Conselheiro Nelson Mallmann: Finalmente é de se ressaltar, que considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Assim sendo, na apuração anual da base de cálculo da omissão de rendimentos da atividade rural, deve ser respeitada a limitação de vinte por cento da receita bruta total (declarada + a apurada de ofício), já que este tipo de apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural, que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do anobase. Assim sendo, o meu entendimento é que a base de cálculo da omissão de rendimentos da atividade rural deve ser limitado a 20% da receita bruta apurada/declarada. Ou seja, ano calendário de 2005 – receita bruta total da atividade rural = R$ 2.393.183,86 = 20% = R$ 478.636,77. Como a autoridade fiscal apurou um resultado tributável de R$ 1.096.794,21. Este resultado tributável deve ficar limitado a R$ 478.636,77 (20% da receita bruta total apurado na atividade rural). (CARF. 2ª Sessão. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202 01.432. Rel. Conselheiro Nelson Mallmann. Julg. 25/10/11) O lançamento chegou à conclusão de que seria impossível a alegação do recorrente de ausência de custos através de consulta a site especializado, que lhe deu estimativa da quantidade de insumos necessários à produção do contribuinte. Ao tratar do ponto, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 409410) traz à baila pequeno guia do site <www.batatas.com.br>, no qual estão listados os insumos necessários à produção de batatas no espaço de 1 ha. No mesmo relatório, é referido que o contrato de arrendamento de terras estipulava como de 15 ha o terreno no qual era desenvolvida a atividade rural do recorrente. No entanto, embora bastante diligencioso nestes pontos, ao passar à determinação da quantia transportável para a tabela de variação patrimonial da receita da atividade rural o auto de infração possui erro no arbitramento. O dever de fiscalização e busca da verdade material inerente ao princípio da legalidade que rege o procedimento de lançamento demanda que os lançamentos à tabela de variação patrimonial sejam efetuados da forma receita/origem x despesa/dispêndio. Dessa forma, sabendo da real receita do negócio — R$ 78.630,69 (2006), R$ 84.781,00 (2007), R$ 52.049,00 (2008) — e na impossibilidade de chegar ao valor real das despesas pela falta de escrituração regular, o correto seria arbitrar o custo, ao invés de utilizarse da isenção inscrita no art. 5º da Lei 8.023/90 como base parra determinação do resultado. O próprio critério suscitado no Termo de Verificação Fiscal, de alinhar os materiais necessários à realização da atividade rural, combinado com o levantamento dos custos dos insumos necessários, seria suficiente para aferir as despesas e demonstrar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, pois na apuração desta infração cabe à Fazenda comprovar os dispêndios que indicam o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, enquanto cabe ao fiscalizado comprovar que possuía rendimentos Fl. 564DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 14 não tributáveis ou já oferecidos à tributação capazes de justificar o acréscimo patrimonial apurado. No entanto, devido ao lapso em comprovar os custos/dispêndios com a produção, entendo que deve ser reformado o quadro de variação patrimonial a descoberto para acolher a integralidade das receitas como origem para fins de respaldo do acréscimo patrimonial, sem contrapartida de despesas por falta de sua comprovação ou arbitramento. Conforme quadro abaixo: Anocalendário Valores da Receita Rural Valores a serem excluídos (80%) 2006 R$ 78.630,69 R$ 62.904,55 2007 R$ 84.781,00 R$ 67.824,80 2008 R$ 52.049,00 R$ 41.639,20 1.2. CONTRATOS DE MÚTUO O recorrente declarou dois contratos de mútuo que foram desconsiderados pela Fiscalização como origem de recursos. Um deles, no montante de R$ 339.000,00 com Alcêncio Bonalume, pai do recorrente, e outro de R$ 50.000,00 junto a Hélio Muller. Pela falta de provas os empréstimos não foram acolhidos como origem na tabela de variação patrimonial, e ainda foi lançada multa de ofício qualificada sobre esta quantia pelo dolo na declaração de falsos mútuos. Os documentos apresentados para comprovar a existência de ambos os mútuos foram tão somente as DIRPF’s que registravam os valores a título de empréstimo e os contratos de mútuo (fls. 142143 e 349350). Embora a ausência de registro, isoladamente, não infirme a existência do mútuo, somado a outras circunstâncias, pode justificar a glosa. No caso em tela, deve ser considerado que: (i) não há prova da transferência dos valores — ambos teriam sido contraídos em espécie; (ii) e o pai do recorrente, de acordo com as informações contidas em sua DIRPF, sequer possuiria capacidade econômica para realizar mútuo de montante tão expressivo. Sendo assim, devido à insuficiência probatória, correta a posição da Fiscalização de não considerar os contratos de mútuo como origem para cobrir o acréscimo patrimonial. 2 Ganho de Capital 2.1. ALIENAÇÃO DO CAMINHÃO IMP/VOLVO, ANO 1994: O recorrente alienou, em 12/06/06, o caminhão IMP/Volvo, ano 1994, placa AOE 3055, por R$ 97.000,00. Este caminhão foi adquirido em 30/08/01 por R$ 30.000,00. Desse modo, foi apurado ganho de capital de R$ 67.000,00 na venda no bem. Entretanto, o recorrente havia declarado o preço da venda como R$ 35.000,00, tendo rasurado o documento de venda para refletir o valor falso. Sendo assim, foi aplicada multa de ofício qualificada sob esta quantia devido ao evidente intuito de fraude do contribuinte ao adulterar os documentos de transferência para coadunar a declaração falsa. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11020.002828/201061 Acórdão n.º 2202002.132 S2C2T2 Fl. 559 15 Em relação a este ponto o recorrente defende que, por já ter declarado R$ 5.000,00 de ganho de capital, deveria ser subtraído esse valor do ganho de capital apurado. No entanto, não procede o pedido do recorrente. Ocorre que, à época da alienação, era isento o ganho de capital em alienação cujo valor da venda não ultrapassasse R$ 35.000,00, motivo pelo qual a venda foi declarada neste valor, ou seja, nada foi tributado à época. A isenção está prevista no art. 22 da Lei nº 9.250/95: Art. 22. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a: II R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos demais casos. Parágrafo único. No caso de alienação de diversos bens ou direitos da mesma natureza, será considerado, para os efeitos deste artigo, o valor do conjunto dos bens alienados no mês. Sendo assim, com a correção do valor de venda para R$ 97.000,00, não há parcela a ser deduzida do ganho de capital, que foi corretamente identificado como de R$ 67.000,00 pela Fiscalização. 2.2. DA VENDA DE IMÓVEIS Em 27/02/08, o recorrente alienou dois imóveis em Caxias do Sul, totalizando R$ 300.000,00 o preço em conjunto. O custo de aquisição registrado na DIRPF era de R$ 114.300,00, significando que a alienação resultou em um ganho de capital, após as devidas reduções, de R$ 161.095,31. Sendo aplicada a alíquota de 15% sobre este ganho de capital, o imposto a pagar foi de R$ 24.164,30. As parcelas foram multiplicadas pela proporção do ganho de capital em relação ao valor total da venda, resultando em ganho de capital apurado em parcelas. No entanto, o recorrente reclama que o contrato será desfeito, vez que houve inadimplemento de determinadas parcelas, tendo sido inclusive protestada a parcela de R$ 50.000,00 devida em 30/04/2009, motivo pelo qual não deve ser apurado imposto de renda sobre este ganho de capital. A 8ª Turma da DRJ/POA julgou parcialmente procedente a manifestação do recorrente, entendendo que deveria ser excluído da tributação a parcela de R$ 50.000,00 que fora protestada, ressalvando que as demais parcelas não poderiam ser excluídas, pois não havia comprovação de seu atraso, e também pelo fato de os documentos apresentados apontarem para uma resolução do conflito sem a rescisão do contrato. No entanto, ao verificarse a proposta enviada pelo devedor por meio de e mail, acostada junto à impugnação (fls. 472474), restariam ainda R$ 210.000,00 a pagar, ou seja, o próprio devedor reconheceria que não havia adimplido todas as parcelas. Ainda, a Petição Inicial da Ação de Rescisão Contratual c/c Reintegração de Posse e Indenização por Perdas e Danos c/c Pedido de Antecipação de Tutela, anexa ao recurso voluntário, traz narrativa dos fatos e relata que recebeu até o momento R$ 141.311,87 (fl. 543 do eprocesso) dos R$ 300.000, restando saldo devedor de R$ 233.406,93, conforme atualização, juros, multa contratual e débitos acessórios. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 16 Considero suficientes as provas de que não foram recebidos estes valores, à medida que a prova apresentada pela Fazenda se restringiu à presunção do cumprimento estrito do contrato. Sendo assim, devem ser excluídas as parcelas de 07/09 a 07/10 do lançamento, e realizada a redução proporcional da parcela de 04/09, considerando como parcialmente adimplida no valor de R$ 41.311,87 (fl. 543 do eprocesso), conforme tabela abaixo: Fatos Geradores da Autuação Valor do ganho de capital a ser excluído 30/04/2009 R$ 4.664,66 31/07/2009 R$ 5.369,00 31/10/2009 R$ 5.369,00 31/01/2010 R$ 5.369,00 30/04/2010 R$ 26.845,00 31/07/2010 R$ 5.369,00 Total R$ 52.985,66 A exclusão dos demais valores recebidos, no entanto, não é devida, pois até o presente momento não foi rescindido o contrato, nem desconstituída a titularidade jurídica do recorrente em relação a estas quantias já recebidas. Ressalto, por fim, que a qualificação da multa não foi questionada pela parte recorrente, remanescendo incólumes as premissas trilhadas pela fiscalização. Com base no acima exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, a fim de excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto as receitas da atividade rural nos valores de R$ 62.904,55; R$ 67.824,80 e R$ 41.639,20, correspondentes aos anoscalendários de 2006 a 2008, respectivamente, bem como excluir da base de cálculo da apuração do ganho de capital os valores de R$ 4.664,66, relativo a 30/04/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/10/2009; R$ 5.369,00, relativo a 31/01/2010; R$ 26.845,00, relativo a 30/04/2010 e R$ 5.369,00, relativo a 31/07/2010, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13710.002978/2003-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1983
PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo a adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, não se sujeitam a incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual, desde que o conjunto das provas apresentadas pelo autuado aponte ser esta a natureza dos rendimentos recebidos.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Tendo em vista que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601, de 2008, foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008), vinculando toda a Administração Pública, é de se reconhecer o direito à aplicação dos denominados expurgos inflacionários, procedendo ao cálculo da atualização monetária conforme item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à restituição referente ao imposto de renda que incidiu sobre a verba denominada "Gratificação Especial por Tempo de Serviço", no valor de Cr$ 14.264.250,00, paga em 22/02/1983, com a correção do indébito inclusive com os expurgos inflacionários, nos termos do Ato Declaratório nº 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008).
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo a adesão a Programas de Desligamento Voluntário PDV, não se sujeitam a incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual, desde que o conjunto das provas apresentadas pelo autuado aponte ser esta a natureza dos rendimentos recebidos. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Tendo em vista que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601, de 2008, foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008), vinculando toda a Administração Pública, é de se reconhecer o direito à aplicação dos denominados “expurgos inflacionários”, procedendo ao cálculo da atualização monetária conforme item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à restituição referente ao imposto de renda que incidiu sobre a verba denominada "Gratificação Especial por Tempo de Serviço", no valor de Cr$ 14.264.250,00, paga em 22/02/1983, com a correção do indébito inclusive com os expurgos inflacionários, nos termos do Ato Declaratório nº 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 29 78 /2 00 3- 01 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1332.041, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ2 (fl. 197), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, negando o direito creditório reclamado pelo contribuinte, decorrente de adesão ao plano de demissão voluntária estabelecida pela IBM BRASIL – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. Em sede de manifestação de inconformidade foram aduzidas as seguintes alegações: A natureza da verba advinda de PDV é tipicamente indenizatória, não cabendo incidência de IR, conforme já declarou a doutrina, bem como a jurisprudência dos tribunais. Posteriormente, por meio da IN SRF nº 165/98, a própria Receita Federal reconheceu o dever de repetir o indébito aos contribuintes participantes de PDV, que tivessem sido tributados em suas verbas rescisórias. O fato de que a legislação pertinente, à época do fato gerador, não previa a isenção dessa verba não significa que sua natureza não fosse indenizatória. A negativa ao pedido de restituição baseouse no desatendimento das exigências elencadas na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 02/1999. Tal norma foi editada pela própria Receita Federal e estabelece a necessária vinculação do direito de crédito à exibição de certos documentos, em afronta clara ao princípio da legalidade. Somente a lei em sentido estrito pode criar obstáculo, condição, ao exercício de um direito. Diferentemente do afirmado na decisão recorrida, já foram trazidos aos autos documentos suficientes à comprovação material de que recebeu uma indenização identificada pela IBM, exempregadora, em um típico Programa de Desligamento. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13710.002978/200301 Acórdão n.º 2101002.015 S2C1T1 Fl. 237 3 Contudo, se eventualmente alguma dúvida ainda pairar, a melhor solução não é mero indeferimento do pedido de restituição, mas sim a realização de diligência junto à exempregadora IBM. A decisão recorrida também deve ser reformada no que diz respeito à correção monetária pleiteada com base nos expurgos inflacionários. A correção monetária é mero instrumento de neutralização dos efeitos adversos do processo inflacionário, não aumenta o valor patrimonial dos bens ou direitos, mas apenas atualiza sua expressão monetária. Esse entendimento é compartilhado pela doutrina e pacificado na Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo Parecer n° 01/96, da Advocacia Geral da Unido, a correção monetária nas restituições é dever do Estado e independe de lei especifica. É inaceitável que a vinculação a norma interna (Norma de Execução Conjunta n° 08/97) possa significar um impasse ao exercício desse direito. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau indeferiu a solicitação de restituição, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1983 PROVA DA PARTICIPAÇÃO EM PDV. Não restando comprovada a instituição de programa de demissão voluntária pelo exempregador, tornase inaplicável a nãoincidência tributária prevista nas normas pertinentes às verbas obtidas na rescisão do contrato de trabalho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao solicitante o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu apelo ao CARF (fls. 206/213) o recorrente discute os fundamentos da decisão a quo e requer o provimento do recurso, nos exatos termos do requerimento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Inicialmente, cumpre ressaltar que a análise da decadência do direito para pleitear a restituição do indébito já foi afastada pelo Acórdão nº 10247.413 (52/58). O presente litígio trata da comprovação da adesão do contribuinte ao programa de desligamento voluntário (PDV) promovido pela empresa IBM BRASIL – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. Como sabido, os programas de demissão voluntária são procedimentos de corte de empregos com o objetivo de ajustar o quadro de pessoal das empresas As necessidades provocadas por inovações tecnológicas, quedas de produção ou mudanças estruturais. Aos empregados são oferecidas vantagens financeiras, adicionais às percebidas em caso de despedida comum, para que adiram ao programa. Essas vantagens financeiras adicionais, que em outro contexto poderiam ser entendidas como liberalidade do empregador, têm sido enquadradas pelo Poder Judiciário no conceito de indenização pela perda do emprego, nos termos da Súmula 215 do STJ. Os elementos de prova nos autos dão suporte ao pleito do recorrente, especialmente a Declaração da IBM à 234, que espanca qualquer dúvida acerca da natureza e dos motivos do desligamento do funcionário Paulo Duarte Lomar. Confirase: Assunto.: Programa de Demissão Voluntária PDV A/C.: Ministério da Fazenda Secretaria da Receita Federal Delegacia da Receita Federal Senhores: Declaramos que nosso(a) exfuncionario(a), Paulo Duarte Lamar, portador(a) da Carteira Profissional nº 086221 série 275, participou de programa de PDV (Programa de Demissão Voluntária) patrocinado por esta empresa com o objetivo de incentivar o desligamento voluntário de seus empregados. Em função de sua participação e conseqüente desligamento em 22/02/1983, recebeu verbas de incentivo no valor total de CR$ 14.264.250,00 e liquido de rescisão de CR$ 14.504.491,30. (grifei) Ficamos à inteira disposição para todo e qualquer esclarecimento que venha a ser necessário. E por ser expressão da verdade, assinamos o presente. Com efeito, é fato público e notório que a IBM vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários Programa de Desligamento, que tem como objetivo o pagamento de incentivo por desligamento. Neste sentido dispõe outra Declaração dirigida à Secretaria da Receita Federal, juntado ao processo em diversas oportunidades fl. 12, 166 e 214. Consta na referida Declaração que o Sr. Paulo Duarte Lomar, portador do CPF 027.718.45768, foi desligado em 22/02/83 e recebeu um incentivo a titulo de Gratificação Especial por Tempo de Serviço no valor de Cr$ 14.264.250,00. A Carteira Profissional do Ministério do Trabalho e Previdência Social nº 86.221, série 275 (fls. 08/10, 168/170) informa expressamente que o contribuinte era funcionário da IBM e que rescindiu o contrato de trabalho em 22/02/1983. Da mesma forma, o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (fl. 167, 215 homologado e autenticado) é conclusivo e concordante com as informações prestadas pela IBM e os dados acima transcritos, pois indica a rescisão contratual de Paulo Duarte Lomar Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13710.002978/200301 Acórdão n.º 2101002.015 S2C1T1 Fl. 238 5 na mesma data e o recebimento da verba denominada “gratificação especial por tempo de serviço”, no montante de Cr$ 14.264.250,00. O sujeito passivo ainda trouxe aos autos reportagem da revista Veja (fl. 132), noticiando o programa de redução de pessoal patrocinado pela IBM do Brasil do ano de 1983 e 1985 e o manual denominado “Perguntas e Respostas” com esclarecimentos aos interessados em aderir ao PDV (fls. 117/122), carta informando às gerências o estabelecimento do PDV (fl. 114) e carta oferecendo o PDV aos funcionários elegíveis (fls. 115/116), relacionado ao PDV de 1985. Enfim, os documentos aduzidos aos autos demonstram que a empresa IBM BRASIL Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, instituíra vários programas de desligamento voluntário de funcionários. De fato, o conjunto probatório logrou demarcar que a gratificação especial por tempo de serviço auferido pelo contribuinte na rescisão do contrato de trabalho com a IBM decorre da adesão a programa de demissão voluntária, apto a se enquadrar na categoria daqueles sobre os quais não deve incidir o imposto sobre a renda. Se a indenização por adesão ao PDV encontrase fora do campo de incidência do imposto de renda, o reconhecimento deste fato e a restituição do pagamento indevido independem do contribuinte estar obrigado ou não a entregar declaração de rendimentos. A declaração de ajuste anual é o instrumento adequado para o contribuinte pleitear aquele imposto que continua sendo legalmente devido, contudo, não no montante antecipado. Pareceme evidente, portanto, diante do teor e da indicação explícita da adesão do contribuinte ao programa de desligamento, bem assim da data e valor do benefício oferecido, que o interessado faz jus à repetição do indébito que incidiu sobre referida indenização de Cr$ 14.264.250,00, em que pese o sujeito passivo ter pleiteado a restituição do valor total do IRF incidente sobre as verbas rescisória. Por fim, a utilização dos denominados “expurgos inflacionários” foi matéria tratada no Parecer PGFN/CRJ nº 2.601, aprovado pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional em 20.11.2008, que, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, foi aprovado, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório nº 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008). Diante disso, frente ao que preceitua o artigo 42 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, as diretrizes constantes do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, de 2008, vinculam a Administração Federal. Nesse sentido, ficou assim estipulado, nos termos do mencionado Parecer: “19. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Por essa razão, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem se manifestando de forma favorável a pleitos tais como o deste processo, a exemplo dos Acórdãos n.º 3202000.009, de 13 de agosto de 2009, e n.º 9303001.917, de 8 de março de 2012, cujas ementas transcrevo a seguir: RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ADIÇÃO DOS ÍNDICES INFLACIONÁRIOS EXCLUÍDOS PELOS DIVERSOS PLANOS ECONÔMICOS. POSSIBILIDADE. Nos termos da consolidada jurisprudência oriunda dos Tribunais Superiores, já objeto de acatamento inclusive pela Fazenda Nacional – Ato Declaratório PGFN nº 10/2008 – é cabível a inclusão, entre os índices inflacionários aplicáveis para efeito de atualização monetária do indébito tributário postulado em restituição, daqueles expurgados pelos diversos Planos econômicos e que constam da Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal. (CSRF, Acórdão n.º 9303001.917, de 8 de março de 2012, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1990 a 30/04/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n 561 do Conselho da Justiça Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (CARF, Terceira Seção, 2.ª Câmara, 2.ª Turma Ordinária, Acórdãos n.º 3202000.009, de 13 de agosto de 2009. Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari). Entendo que, ante essas circunstâncias, devemse aplicar ao caso os denominados “expurgos inflacionários” na atualização dos valores de tributo recolhidos indevidamente, a serem compensados com os débitos da interessada. Sendo assim, de acordo com o item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal (que revogou a Resolução n.º 561, de 2007, do CJF): “EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral (descontando o BTN ou outro índice utilizado, evitando bis in idem), já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72%; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13710.002978/200301 Acórdão n.º 2101002.015 S2C1T1 Fl. 239 7 fev/89 = 10,14%; mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período.” Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à restituição referente ao imposto de renda que incidiu sobre a verba denominada "Gratificação Especial por Tempo de Serviço", no valor de Cr$ 14.264.250,00, paga em 22/02/1983, com a correção do indébito, inclusive, com os expurgos inflacionários, nos termos do Ato Declaratório nº 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008). (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10240.001754/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL.
ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA
LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência
firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n°
8.212/91, vigente à época do lançamento.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidenta Substituta. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 2 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Tratase de auto de infração de obrigação principal – AIOP lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, que, segundo o Relatório FiscalREFISC de fls. 43/50, referese ao período de 01/2007 a 12/2008 relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre: (i) Da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; (ii) Multa sobre recolhimento em atraso – diferenças de acréscimos legais; (iii) Consta do REFISC que o fato gerador das contribuoções previdenciárias lançadas é o exercício de atividade remunerada, prestada por segurados empregados e contribuintes individuais; (iv) A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e a remuneração aos contribuintes individuais; (v) Foram utilizados os seguintes levantamentos: a. FP (01/2007 a 11/2008) e FP3 (12/2008 e 13/2008) – remuneração empregados da folha em GFIP – compreende as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o valor da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados. O valor da remuneração dos segurados empregados lançado foi apurado com base na GFIP; b. FP2 (01/2007 a 11/2008) e FP4 (12/2008) – remuneração de contribuintes individuais em GFIP – compreende a contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre o valor da remuneração paga ou creditada aos contribuintes individuais a seu serviço. As remunerações apuradas com base em GFIP. Narra ainda o REFISC: (vi) a empresa teve cancelada a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n. 8.212/91, por meio do Ato Cancelatório n. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 001/2005, de 21/02/2005, por infração ao artigo 55, da Lei n. 8.212/91, uma vez que, as entidades de fins filantrópicos devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. (vii) Por meio do Mandado de Segurança n. 2006.41.00.0010845, o sujeito passivo obteve medida liminar, em 31/06/2006, que suspendeu o Ato de Cancelamento de Isenção de Contribuições Previdenciárias Sociais n. 001/2005. E, 01/11/2006, o Juízo da 2ª Vara Federal denegou a segurança vindicada e, por conseqüência, revogou a liminar; (viii) No período fiscalizado, a empresa efetuou informações incorretas na GFIP, alterando o valor da contribuição devida, reduzindo seu valor, vez que declarou no FPAS o 639, quando o correto seria o 515; (ix) A fiscalização efetuou o cálculo da multa mais benéfica em decorrência da MP n. 449/2008 c/c o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Devidamente cientificada da notificação, em 21/12/2009 [fl. 171], o Sujeito Passivo apresentou impugnação [fls. 173/181] que, sem síntese, suscitou: (i) o Ato de Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias Sociais n. 001/2005 é nulo, posto que o enquadramento legal utilizado pelo mesmo encontrase sob efeito suspensivo, desde 16/06/2000 [Acórdão do STF na ADIN n. 20285/DF]; (ii) Ato de Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias Sociais n. 001/2005 é ilegal e abusivo, por vulnerar o artigo 146, II, da CF/88; (iii) Em decorrência da suspensão da eficácia do §4º, acrescido pelo artigo 55 da Lei n. 8.212/91, pelo artigo 1º da Lei n. 9.732/98, o INSS está impedido de cancelar as isenções em fruição, à míngua de norma válida e eficaz que lhe outorgue competência; (iv) Em decorrência do previsto no art. 35, da Lei n. 8.212/91, alterado pela MP n. 449/2008 c/c art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, conclui que percentual de 20% e não devendo ser aplicada a alíquota de 24%. Em 12 de novembro de 2010, a DRJ em Belém/PA entendeu ser improcedente a impugnação apresentada [fls. 247/250]. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 3 5 Devidamente intimado do decisum [04/04/2011], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 03/05/2011 que, em síntese, repetiu as argumentações dispostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 4 7 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2 APLICABILIDADE DO ARTIGO 14, CTN VS ART. 55, DA LEI N. 8.212/91 Necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Prova disso está no texto de DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição da República, nos seguintes termos: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a ADIN n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, contatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. A respeito do tema, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 5 9 rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como segue: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 6 11 oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 7 13 A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado pela Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Como dito no relatório, a empresa teve cancelada a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n. 8.212/91, por meio do Ato Cancelatório n. 001/2005, de 21/02/2005, por infração ao artigo 55, da Lei n. 8.212/91, uma vez que, as entidades de fins filantrópicos devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Registrese que houve contencioso administrativo [Acórdão n. 2115/2005, exarado pela 4ª Turma de Julgamento do CRPS – fls. 237/244], tendo sido mantida validade e eficácia do ato cancelatório. Nesse sentido, entendo improcedentes as alegações recorrentes. 3 MÉRITO 3.1 OBRIGATORIEDADE DO RECOLHIMENTO O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 8 15 recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamento foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. 3.2 DA MULTA QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10240.001754/200954 Acórdão n.º 2302002.068 S2C3T2 Fl. 9 17 Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. 3.3 SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo NEGAR PROVIMENTO do recurso. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10830.006217/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Omissão de Receita – IRPJ/PIS/COFINS/CSLL
Exercício: 2001, 2002
Ementa: Art 24 da Lei no. 9.249/95. A omissão de receitas exige que o processo seja instruído de elementos probantes suficientes, fortes e inegáveis para atribuir a veracidade fática, real e indiscutível que deram origem ao lançamento.
Numero da decisão: 1202-000.785
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Omissão de Receita – IRPJ/PIS/COFINS/CSLL Exercício: 2001, 2002 Ementa: Art 24 da Lei no. 9.249/95. A omissão de receitas exige que o processo seja instruído de elementos probantes suficientes, fortes e inegáveis para atribuir a veracidade fática, real e indiscutível que deram origem ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) NELSON LÓSSO FILHO Presidente (documento assinado digitalmente) Relator Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O 2 Relatório Tratase de autuação para exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos exercícios de 2001 a 2002, por acusação da infração: de omissão de receitas – receitas não contabilizadas. Por sua vez, a autoridade fiscal assim se manifestou no Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/27: “Diante dos fatos a fiscalizada foi intimada, via postal em 22.08.2005, através de Termo de Inicio de Fiscalização, apresentar relação das operações de transferências para o exterior por meio de contas titulados por residentes ou domiciliados no exterior, a qualquer titulo, nos anos calendários de 2000 e 2001, discriminando a data, valor , beneficiário no exterior, motivo das remessas,e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação, anexando documentação hábil e idônea que comprovem tais transferências. Em 30 de agosto de 2005, declarou: "A requerente não efetuou operações de transferência de recursos para o exterior por meio de contas tituladas ou domiciliadas no exterior, a qualquer titulo, nos anos calendários de 2000 e 2001". A empresa foi reintimada, via postal, em 12/09/2005, apresentar no prazo de 10 (dez) dias : "1Informação por escrito a esta fiscalização federal, que justifique a remessa das importâncias abaixo relacionadas 6 empresa Greatnet International Trading, por meio da empresa Beacon Hill Corporation, sediada na cidade de Nova Iorque — USA. As justificativas devem estar acompanhadas de toda a documentação hábil e idônea que deram suporte para a realização das referidas transações . Em se tratando de importações de mercadorias e/ou serviços às justificativas deverão ser acompanhadas da documentação aduaneira". '2 Todos os dados constantes desta intimação, foram obtidos em razão da quebra do sigilo bancário da empresa Beacon Hill Service Corporation, pela Justiça da Suprema Corte do EEUU. A transferência do sigilo bancário e demais documentos, foi repassada 6 Secretaria da Receita Federal através de decisão judicial da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, datada de 20/04/204, no processo n° 2003.70000303334'. Abaixo do termo fiscal está relacionada analiticamente a remessa "". Em resposta declarou em 22/09/2005. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202000.785 S1C2T2 Fl. 2 3 "A requerente reitera que não efetuou operações de transferência de recursos para o exterior". "A requerente esclarece, ainda, que desconhece as operações referidas no termo de reintimação, estando a disposição da fiscalização para apresentar seus livros contábeis, nos quais não constam quaisquer registros das referidas operações". Procedida analise da escrituração fiscal e contábil, não foi identificada, qualquer lançamento das operações financeiras questionadas, ficando demonstrado tratase de operações a margem da sua escrituração, caracterizandose omissão de receitas, com presunção legal autorizada pelo artigo 281, ll do RIR199 e artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional — Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 com dos §§ redação dos §§ 1.° e 2.°, do Artigo 43, acrescentado pela Lei Complementar Federal n.° 104/2001, vigente desde 11.01.2001. O sujeito passivo, por sua vez, apresentou sua impugnação ao lançamento de ofício, reiterando a afirmação, feita à fiscalização quando questionada sobre as operações que lhe foram imputadas, de que não remeteu recursos para o exterior e jamais autorizou a remessas de divisas ao exterior. Inclusive, alega não haver qualquer prova de que referidas remessas tenham sido realmente realizadas pela Impugnante, restando impugnados os documentos a que teve acesso a fiscalização, oriundos de Laudo Pericial, vez que tais documentos não provam a participação direta ou indireta do Contribuinte nas operações, não havendo nenhuma assinatura ou outro elemento que ateste que tenha autorizado as indigitadas operações. Aduz, o Contribuinte, que os documentos a que teve acesso a fiscalização oriundos de Laudo Pericial, não são suficientes para fundamentar a remessa de divisas ao exterior apontadas pela Fiscalização e, por consequência, a presunção de omissão de receitas. Em suas palavras: ‘(...)7. Mas, não é esse o caso. Aaui, o contribuinte nega veementemente que tenha realizado as operacões, das quais não se tem qualquer prova de que tenham sido realmente realizadas pela impugnante. 8. Bem por isso, ficam impugnados os documentos a que teve acesso a fiscalização, oriundos de Laudo Pericial, no qual teria sido identificada a impugnante como beneficiária, ordenante e/ou remetente nas indigitadas operações de remessas de divisas ao exterior. Tal impugnação se deve ao fato de que tais documentos não provam a participação direta ou indireta da impugnante nas operações. A esse respeito, vejase que não há assinatura ou qualquer outro elemento que ateste que a impugnante tenha autorizado as indigitadas operações. 9. Na verdade, a impugnante sempre negou que tenha sido beneficiária, ordenante e/ou remetente de divisas para o exterior, e, de fato, jamais autorizou quaisquer das remessas Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O 4 referidas na autuação, no tendo participado ou ordenado, de qualquer modo, remessas de quaisquer divisas ao exterior. 10. Por óbvio, então, a conclusão é que, se alguém fez alguma das remessas em questão, o fez utilizandose indevidamente do nome da impugnante.” A DRJ de Campinas julgou o lançamento procedente em parte, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 PROVA. MÍDIAS ELETRÔNICAS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado e cuja regularidade foi atestada por Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalistica INC, do Departamento de Policia Federal. PROVA. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS ORDENANTES. Tendo em conta que as operações foram propositadamente ocultadas, mediante a utilização de contas de interpostas pessoas, prestigiase a identificação da autuada como responsável pelas remessas de recursos ao exterior, na medida em que há vinculação a sua razão social. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001,2002 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. Lançamento Procedente. O sujeito passivo recorre, tempestivamente, utilizandose dos mesmos argumentos já apresentados em sua impugnação. Eis o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202000.785 S1C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por tempestivo o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. O objeto da autuação deste processo administrativo fiscal já é de conhecimento desta segunda instância recursal. Vale relembrar, que se trata de imputação de omissão de receitas com base em levantamento investigativo, decorrente de ação da Polícia Federal, sobre remessas de numerário (dólares) ao exterior, com a utilização da conta CC5, mais conhecida a operação como “Beacon Hill Service Corporation”. Como se constata nos autos, a autoridade fiscal iniciou seu trabalho por força de determinação superior – representação fiscal da CoordenaçãoGeral de Fiscalização, com base em cópias fornecidas pelo Departamento de Polícia Federal, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros, Força Tarefa CC5, sendo que, nas referidas cópias de contas (autenticadas pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York) consta o sujeito passivo como ordenante de remessa de valores, conforme fls. 117 a 119, tendo intimado o sujeito passivo para apresentar a relação das operações de transferências para o exterior por meio de contas titularizadas por residentes ou domiciliados no exterior, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do libro diário em que a operação foi contabilizada. A Recorrente responde asseverando que não efetuou operações de transferência de recursos para o exterior por meio de contas tituladas ou domiciliadas no exterior, a qualquer titulo, nos anos calendários de 2000 e 2001. A matriz legal do enquadramento da infração é o artigo 24 da Lei nº. 9.249/95, conforme consta na fundamentação legal do lançamento de ofício do IRPJ. Pois bem, o enunciado daquele dispositivo é claro quando adota a expressão, textual: “verificada a omissão de receita”, assim analisando adota o verbo “verificar” para fixar como ação prévia e necessária a conclusão de omissão de receita. E esse verbo, utilizado pelo legislador, deve ser entendido, no ato de subsunção da ação fiscal, como conclusivo e inquestionável a fim de caracterizar o ato infracional a qual precede para completarse como figura jurídica reportandose ao mundo dos eventos investigados pela referida autoridade fiscal. Na lexicologia, o verbo “verificar”, significa, “indagar ou examinar a veracidade, averiguar, investigar, corroborar, confirmar, etc” (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), denotando uma ação com sentido de algo a ser efetuado, a ser confirmado, a ser corroborado, portanto, construído um procedimento operativo no sentido de descobrir, de analisar, de averiguar e confirmar alguma situação concreta. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O 6 Só se pode examinar alguma coisa que se pressupõe existir, somente se confirmar algo se esse algo préexiste, ou ainda que se suponha existir para ser examinado em sua veracidade, em sua verdade material, em sua verdade fática. A constituição do crédito tributário, o lançamento de ofício, ou mesmo o de homologação sempre se realiza sobre fatos já ocorridos, fatos jurídicos tributários consumados. Com essa breve análise semântica pretendese trazer maior lucidez ao ato procedimental, inserido na hipótese legal da regramatriz de incidência da lei tributária acima citada. Lembrese, a regra tributária referida diz claramente que “verificada a omissão de receita...”, determinando que incumbe à autoridade fiscal esse ato de verificar, e, a rigor técnico semântico, a verificação que expressa o conteúdo de significado vocabular do aludido verbo transitivo e, assim o é, pois, racionalmente, manifesta uma ação que caminha para confirmação da veracidade de um evento, no caso, um fato jurídico tributário: a omissão de receita. Isto posto, inegavelmente, o trabalho da auditoria fiscal iniciouse com o ato de iniciativa da CoordenaçãoGeral de Fiscalização que baixou a representação fiscal, a fim de que o sujeito passivo, dentre outros, fosse auditado em face ao elemento indiciário, qual seja, seus dados constarem de operações de remessas de dinheiro ao exterior, na condição de “ordenante”, conforme documentação apresentada por investigação da Polícia Federal. Tal documentação, cabe esclarecer, é “relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como Beneficiário, Ordenante e/ou Remetente de divisas através de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC – Beacon Hill Service Corporation, independente de documentação em papel”, conforme documento a fls.116 destes autos. Pois bem, na posse dessa ordem fiscalizadora a autoridade administrativa intimou o sujeito passivo, em 22 de agosto de 2005, para apresentar relação das operações de transferências de recursos para ou do exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior, a qualquer titulo, nos anoscalendário de 2000 e 2001, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação, conforme documento a fls. 29. O sujeito passivo formulou sua resposta na data de 30 de agosto de 2005, conforme documento a fls. 38, asseverando que não efetuouoperaçõesde transferência de recursospara o exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliadas no exterior, a qualquer título, nos anoscalendário de 2000 e2001. Diante dessa resposta, a autoridade fiscal reintimou o sujeito passivo, o qual reiterou a resposta anteriormente apresentada e acrescentou a informação de que desconhece as operações referidas no termo de reintimação. Ato contínuo, em 06/12/2005 a autoridade fiscal lavra a respectiva autuação fiscal, com seu termo de verificação, conforme documentos a fls. 24 e seguintes. Assim, remanesce a indagação: a autoridade fiscal cumpriu corretamente o preceito legal que fundamenta o lançamento de ofício, qual seja, o art. 24 da Lei no. 9.249/95 ? Quer me parecer que há deficiência probatória, insanável nessa altura deste processo administrativo fiscal. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202000.785 S1C2T2 Fl. 4 7 O diploma legal pertinente – Lei no. 9.249/95 – igualmente em seu art. 24 determina que a apuração da obrigação tributária se regerá de acordo com o regime de tributação do contribuinte, e no caso, o regime de lucro real trimestral. Pois bem, isso é importante para a análise da subsistência e/ou validade do trabalho acusatório fiscal, sempre considerando a apuração da infração e respectiva matéria tributável, à luz do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo, cabia a autoridade tributária conduzir seu procedimento não açodadamente, como o fez, posto que, ciente do regime aplicável e opção do sujeito passivo lucro real certamente a autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte a exibir todos os livros contábeis e fiscais obrigatórios e vinculados a esse regime tributário, assim como auditar todas as suas operações de exportações e contabilidade para extrair novos elementos, ainda que negativos, a confirmar, a corroborar que as supostas operações apuradas pela polícia federal efetivamente não foram escrituradas, e restaram à margem dessa mesma escrituração contábil, fiscal e cambial. Ademais caberia ainda o auditor fiscal aprofundarse nessa investigação, em busca da certeza dessa omissão de receitas junto a autoridade cambial Banco Central do Brasil para constituir o perfil e a existência efetiva de eventuais ou similares operações no período fiscalizado, onde figurasse a Recorrente, sempre no intuito de produzir outros elementos indiciários que pudessem, em seu conjunto, convergir para corroborar a acusação e suspeita inicial com a documentação fornecida pela polícia federal. Entretanto, o auto de infração apenas se sustenta na relação de operações fornecidas com valores e sujeitos, apurada pela polícia federal, a qual, podese até comparála similarmente com os extratos bancários fornecidos pelas instituições bancárias quando intimadas a fornecêlos para a auditoria fiscal, nos termos do art. 42 da Lei no. 9.430/96, em casos específicos dessa presunção legal. Esse dispositivo autoriza tal dedução se o contribuinte, intimado, não comprova a origem dos valores depositados em contas bancárias. No caso analisado, milita a favor da Fazenda Nacional a presunção legal de omissão de receitas com referência apenas a um extrato de conta em remessa ao exterior perante instituição bancária estrangeira? Quer me parecer que a dicção do preceito legal – art. 24 da Lei n. 9.249/95 – é bem diferente da dicção do enunciado no art. 42 da Lei no. 9.430/96. Naquele prevalece, nuclearmente, o verbo transitivo “verificada a omissão de receita...” pressupondo procedimento conclusivo que tenha efetuado a autoridade tributária para a confirmação, a averiguação da omissão de receita, enquanto na Lei no. 9.430/96 o legislador afirma, categoricamente que, não comprovada a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias, caracterizase a omissão de receitas. São duas situações diferentes que, coincidem apenas sobre o resultado: a apuração de omissão de receitas. Não posso singelamente concordar também com a autoridade julgadora de primeira instância sobre a proposição de que deve prevalecer a presunção uma vez não elidida pelo contribuinte, eis que a regra do art. 24 é clara ao prescrever à autoridade tributária a busca de elementos que confirmasse e corroborasse a operação cambial em comento, que, por si mesma apenas denota a existência de um ato cambial, mas, para a constituição do crédito tributário, como já disse, à luz do preceito maior insculpido no art. 142 do CTN se faz indispensável a reunião de outros elementos probatórios convergentes para a defesa dos interesses creditórios da Fazenda Nacional. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O 8 Entendo ser necessária prova efetiva de omissão de receita e não apenas um indício isolado. E indicio não é prova. O indício pode conduzir a produção de prova, porém no caso examinado, temse apenas um indício, nada mais. A negativa do contribuinte só poderia ser lógica negativa geral, posto que, como consta do Laudo Pericial no qual se embasou a Autoridade Fiscal, a própria contradição e dubiedade do documento acusatório, a fls. 116, diz expressamente “independente de documentação em papel”. Ora se a própria autoridade tributária toma por suporte para seu lançamento tal imprecisão, não se pode esperar, ingenuamente, após intimado o sujeito passivo, que o mesmo confesse suposta infração tributária. A auditoria fiscal deveria, sim, ter executado com maior profundidade e consistência seu trabalho de busca da verificação, que visa a certeza do crédito tributário, inclusive, se fosse o caso se valer das autoridades superiores e diplomáticas para corroborar a sustentabilidade da suspeita de omissão de receitas, a fim de confirmála como manda o preceito legal que fundamenta a autuação. A condescender com tal viabilidade, de se tributar com base em mero indício, ainda que não elidido por prova em contrário, enveredase para o superado entendimento, inclusive por esse colegiado administrativo fiscal, que se deve tributar sobre meros depósitos bancários, como se fazia antes do advento da Lei n.9.430/96, como se depósito fosse receita, ao completo arrepio da regramatriz do imposto de renda, conceitual e legalmente definido pelo Código Tributário Nacional como acréscimo patrimonial. É patente que a autoridade fiscal, cujo entendimento foi reforçado pela autoridade julgadora de primeira instância, seguiu o silogismo básico da lógica tradicional, qual seja, premissa maior, premissa menor e conclusão, isto é, tese, antítese e síntese. Contudo essa racionalidade lógica comum pode ser aplicada linearmente no caso do ato de verificar a omissão de receita com base em extrato bancário de operação de remessa de dinheiro ao exterior? Entendo que tal raciocínio pode ser tranquilamente aplicável no campo do Direito Tributário quando o comando legal assim o permita, como é o caso citado da presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei no. 9.430/96, assim: premissa maior: existência de depósito bancário; premissa menor: falta de comprovação de origem; conclusão: omissão de receita. E no caso examinado, como ficaria o silogismo básico: premissa maior: existência de valor depositado em conta no exterior; premissa menor: não comprovação da operação; conclusão: omissão de receita. O art. 24 da Lei no. 9.249/95 contempla e permite tal raciocínio ao prescrever o comando: “verificada a omissão de receita...” ? No presente caso, o raciocínio lógico imposto pelo legislador está a exigir um avançar nessa investigação para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, como reza o artigo 142 do CTN; em outras palavras, cabe uma tese, um antítese, e não a simples síntese, com base em único indício e sim a análise do caso em si, notadamente perante a fragilidade do elemento indiciário a apontar possível infração fiscal, que se pretende caracterizar para a determinação da matéria tributável, conferindo a certeza jurídica e fática da existência e/ou ocorrência do fato gerador e o crédito tributário. Assim, é um raciocínio lógico analítico e realista, e não sintético, simplesmente sobre um indício, ainda que revestido de presunção de veracidade, mesmo que aperfeiçoado e qualificado pelos estudos dogmáticos e colocações jurídicas formais da autoridade julgadora “a quo”, sem lastro, contudo, em robusta e contudente confirmação fática probatória, relativamente a omissão de receitas como lançada. A expor a precariedade da acusação fiscal se verifica a listagem a fls. 117 a 119, também citada pela autoridade julgadora de primeira instância, que somente se refere ao nome SONABYTE, estabelecida à Av. Faria Lima, 1107, cj. 122, diferente do que consta no Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202000.785 S1C2T2 Fl. 5 9 contrato social e no cadastro da própria Receita Federal do Brasil, indicando que somente se atribuiu responsabilidade tributária pelo primeiro nome coincidente com a Recorrente, sem maiores informações ou investigações para afastar a possível homonímia comum. Nesse sentido, uma vez carente a instrução do processo de elementos probantes suficientes, fortes e inegáveis para atribuir a veracidade fática, real e indiscutível sobre a ocorrência da omissão de receitas, nos dizeres precisos do art. 24 da Lei no. 9.249/95, sou por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 13896.001807/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:1998
Ementa: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento.
Numero da decisão: 1401-000.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento apenas para desconsiderar a referência feita à multa de mora pela DRJ, prejudicada as demais matérias do recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento apenas para desconsiderar a referência feita à multa de mora pela DRJ, prejudicada as demais matérias do recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 250 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0533.626, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, lavrado em 12/06/2003 (fls. 40) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 02/07/2003 (fls. 161), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 101.890,70, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação do débito declarado sob código 2362 para o período de maio de 1998. Inconformado com a presente exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 01/25, em 28/07/2003, juntando os documentos de fls. 26/88 e apresentando, em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas. Expõe que a impugnação versa tão somente sobre a não incidência de multa e juros de mora, não se confundindo com o objeto da medida judicial proposta em 28/04/1998. Argúi a ocorrência de decadência, dado o decurso do prazo de cinco anos previsto no § 4o do art. 150 do CTN. Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a inaplicabilidade da multa e dos juros de mora, alegando que: a tributação ora debatida está sendo discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 98.00165614, impetrado perante a Ia Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, visando o afastamento da disposição do § 1º do artigo 41 da Lei n° 8.981/95, garantindo seu direito líquido e certo de realizar, nos períodos de 1997 e seguintes, a dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional, pelo regime de competência, na base de cálculo do IRPJ; foi deferida liminar em 30 de abril de 1998, restando suspensa a exigibilidade ocasião em que já havia sido entregue a DIPJ do anocalendário de 2007 acompanhada do respectivo comprovante de recolhimento do imposto devido (doc. 07), resultado da aplicação da alíquota devida sobre a base de cálculo completa, sem as exclusões autorizadas pela decisão proferida; apresentada DIPJ retifícadora, com alteração do montante do imposto devido, foi gerado crédito advindo do recolhimento a maior efetuado na entrega a primeira DIPJ, crédito este utilizado para compensação quando da entrega da DCTF do 2° trimestre de 1998; encontrandose devidamente suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em incidência de multa e juros de mora. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 251 3 Reportase a certidão de objeto e pé (doc. 10) e invoca o art. 63 da Lei 9.430/96 para defender que a existência de liminar torna patente que a Impugnante não descumpriu qualquer dever jurídico, não lhe podendo ser imputada qualquer penalidade. Finaliza requerendo o conhecimento da impugnação, a decretação da decadência do direito de efetuar o presente lançamento, ou, se assim não entender, a desconstituição do crédito tributário exigido, notadamente no que concerne aos valores relativos à multa e aos juros de mora, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Após intimar a empresa autuada (fls. 98 e 129) e noticiar a abertura de processo administrativo para acompanhamento do Mandado de Segurança alegado (fls. 154/155), a autoridade preparadora informou às fls. 158/159 o que segue: "O presente processo administrativo referese a uma impugnação referente ao lançamento do crédito tributário pelo auto de infração eletrônico n° 008353 (vide fls. 01/25) onde a requerente afirma que o tributo em questão estava sendo discutido nos autos do Mandado de Segurança n°98.00165614. Em observância ao declarado em DCTF (vide fl. 85) o valor ora debatido fora informado como compensado em função do processo judicial 98.00165614. O contribuinte apresentou DIRPJ retifícadora para o exercício de 1998 (vide fls. 93/94), onde houve alteração do valor informado no campo "OUTRAS ADIÇÕES" de R$ 1.235.462,67para R$ 1.095.379, o que reduziu o valor do IRPJ a pagar de R$ 1.626.7020,61 para R$ 1.594.891,85. Intimado a prestar informações sobre a alteração acima apontada (vide fl. 95), o contribuinte justificou que em razão de decisão judicial favorável, proferida nos autos do MS n° 98.00165614, a intimada apresentou DIPJ retifícadora para reduzir o saldo da Linha 14 da Ficha 07, referente a "Outras Adições " (vide fl. 136). Formalizado o processo administrativo n° 13603.001461/201032 para acompanhamento da ação judicial citada, há que se informar que em 30/04/1998 fora deferida liminar no Mandado de Segurança assegurando ao impetrante o direito de deduzir os tributos e contribuições, cuja exigibilidade estivesse suspensa nos termos dos incisos II e IV do art. 151 do CTN, pelo regime de competência na base de cálculo do IRPJ, para o períodobase de 1997 e seguintes (vide fl. 154). Posteriormente adveio sentença publicada em 10/01/2007, denegando a segurança, revogando então a liminar concedida (vide fl. 154). Atualmente a ação encontrase em recurso de Apelação distribuída à Sexta Turma do TRF em 19/12/2007 sob o n°2007.03.99.0514126 (vide fl. 156). Com a cassação da liminar, FIAT SERVIÇOS TÉCNICOS EM ADMINISTRAÇÃO LTDA. recolheu em 31/08/2007 o DARF referenciado ao presente processo administrativo, no valor total de RS 95.302,18 (vide fl. 151). Cumpre observar que o recolhimento fora efetivado sem multa, contrariando o disposto no § 2o do art. 63 da Lei 9.430/96, ou seja, o mencionado pagamento fora efetuado após trinta dias da publicação da sentença que caçara a liminar, restando um saldo a cobrar do contribuinte. Há que se atentar que o presente processo de impugnação ainda se encontra pendente de julgamento... Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 252 4 Por meio do despacho de fls. 161, foi o processo encaminhado para julgamento. A DRJ, manteve em parte o lançamento, cancelando a multa de ofício em face da retroatividade benigna, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. DECADÊNCIA. Incabível discutir o prazo para formalização do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. ESTIMATIVA DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. PAGAMENTO APÓS O LANÇAMENTO. Diante do pagamento do valor principal lançado, inexiste litígio acerca desse valor a ser apreciado no âmbito do julgamento administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submetese à gradação definida no art. 61 da Lei n° 9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, à multa e aos juros de mora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração referente a débito de estimativa de IRPJ do período de maio/1998 declarado em DCTF como compensado por processo judicial, que foi lançado com acréscimo de multa de ofício e juros de mora. Entretanto, o valor principal exigido, de R$ 37.458,44, fora recolhido em 31/08/2007 (fls. 158/159 e fls. 152), após o lançamento, com acréscimo apenas de juros de mora. Assim, em face do pagamento, conforme já colocado pela DRJ: (...) restam prejudicados os argumentos relacionados ao valor principal (no sentido de que estaria sendo discutido judicialmente, tanto que a impugnação restringese à inaplicabilidade de multa e juros), impondose a sua manutenção, atentandose para a necessidade de, anteriormente à cobrança, proceder a alocação do pagamento. A DRJ, por sua, exonerou a multa de ofício não em face da suspensão da exigibilidade, mas, sim, por conta da superveniência de legislação que tornou inócua a presença da multa de ofício. Por outro lado comandou a alocação do pagamento ao débito lançado. Nesse contexto, ficam prejudicadas as demais questões de mérito, inclusive quanto à decadência. Não teria nada reparar em tese quanto ao Acórdão da DRJ recorrido quanto à incidência da multa de mora, uma vez que é automática nos casos de tributo pago em atraso. Porém, a multa de mora não é objeto de lançamento de ofício, mas paga espontaneamente ou imposta automaticamente no próprio procedimento executivo fiscal. Portanto, referida matéria não faz parte do litígio administrativo não devendo ter sido abarcada pela decisão de piso. Este tipo de crédito tributário só se sujeita à multa de mora quando de sua eventual liquidação/execução. Esse é inclusive o entendimento da CSRF através do Acórdão nº 9101 00.759, de 13 de dezembro de 2012: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 254 6 lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso, apenas para afastar manifestação da decisão de piso sobre a multa de mora, por não fazer parte do litígio, estando prejudicada as demais matérias em função do recolhimento efetuado com os acréscimos legais de juros selic. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000671/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2009
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 75 1 74 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000671/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.112 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente INDEL INDUSTRIA ELETRONICA LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 30/08/2012 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 76 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 59 a 61: O auto de infração de fls. 0411, exige do contribuinte já identificado, R$ 24.265,25 de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre trabalho assalariado, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 e 31/12/2008. 2. O lançamento está amparado nos artigos 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 e 646 do Decreto nº 3.000 de 1999, combinado com o disposto no artigo 1º da Lei nº 9.887, de 1999. 3. Os fatos que originaram a lavratura do auto de infração estão minuciosamente descritos no Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 1216. Cientificado da exigência, em 02/03/2010 (fl.17), apresentou impugnação tempestiva ao feito, fls. 3541, onde inicialmente faz um histórico da autuação para, ao final, pedir a anulação da exigência. 4. Alega, em preliminar que o auto de infração é nulo, por ofensa aos princípios constitucionais e à legislação emanada da própria Receita Federal, em particular a Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, que regula a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB e que impõe que o auto de infração deve ser precedido do competente Mandado de Procedimento Fiscal MPF, a ser emitido por via eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, conforme disposto no art. 4º da referida Portaria. 5. Sustenta que no presente caso não ocorreu obediência a tal preceito, tendo o auto de infração sido lavrado sem ser precedido do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Transcreve manifestações jurisprudenciais sobre a necessidade da emissão daquele documento e afirma que sua situação não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 10 da Portaria nº 11.371/2007, razão pela qual o MPF se torna indispensável. Pede a nulidade do auto de infração. 6. Na seqüência, alega ofensa ao princípio constitucional da legalidade, posto que no seu entender a falta do MPF caracterizaria exemplo de ditadura fiscal e, ao princípio da segurança jurídica, uma vez que o contribuinte deve ser protegido contra intemperanças do poder público, o que justifica o pedido de anulação do auto de infração. 7. Ao final requer a nulidade do auto de infração: i) por ofensa ao princípio da legalidade; ii) por ofensa ao princípio da segurança jurídica e; iii) por ofensa ao art. 2º da Portaria RFB nº 11.371, de 1007. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 77 3 unânime, afastou as preliminares argüidas e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. A falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte enseja o seu lançamento de ofício, com os devidos acréscimos legais pertinentes, multa de ofício e juros de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA. Afastase a alegação de ofensa a princípios constitucionais posto que nos procedimentos de revisão interna de declarações dos contribuintes fica dispensada a emissão de MPF, conforme disposição expressa na Portaria nº 1.265, de 1999, que instituiu o referido veículo como controle da administração sem restrição à competência do auditor fiscal da RFB. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 66 a 72, repetiu os argumentos de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. MPF. DA MANIFESTA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ocorre, contudo, que no presente caso não há obediência aos preceitos acima delineados. Em arrepio às normas que reqem a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o Auto de Infração foi lavrado sem ser precedido de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); II. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. a) O principio da legalidade, na medida em que há inobservância do estabelecido na Portaria n°. 11.371/2007. Verdadeiramente, na lei não se atribui à autoridade administrativa poderes para dispor de forma ampla e livre de quaisquer restrições. b) O principio da segurança jurídica (art. 50, inciso XXXVI, da CF) e III. DOS PEDIDOS. a) Anular o Auto de Infração n°. 10950.000671I201075, por ofensa ao principio da legalidade; b) Anular o Auto de Infração n°. 10950.000671/201075, por ofensa ao principio da segurança jurídica e c) Anular o Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 78 4 Auto de Infração n°. 10950.000671/201075, por ofensa ao art. 2° da Portaria RFB n°. 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Limitouse o recorrente a repetir alegações de inconstitucionalidades e ilegalidades no procedimento administrativo fiscal. Em relação as inconstitucional ides, essa matéria não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) As demais alegações de ilegalidades são relativas ao Mandato de Procedimento Fiscal. O auto de infração teve origem em procedimentos de revisão interna de malha fiscal, portanto, dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal pelo artigo 11 da Portaria nº 3007, de 26 de novembro de 2001, in verbis: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). (g.n) Oportuno ressaltar que, mesmo não sendo o caso da dispensa supra, a falta do MPF inicial não acarreta a nulidade do procedimento, mas tãosomente uma irregularidade administrativa. Neste sentido, filiome ao entendimento majoritário expressado em diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes MPF – FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR – NULIDADE – INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 79 5 SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (CSRF/0105.189, Sessão de 14/03/2005). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. (ACÓRDÃO 20308483, Sessão de 16/10/2002) NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 10808091, Sessão de 01/12/2004). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10707756, Sessão de12/08/2004) Assim, o MPF é instrumento administrativo que não impede o lançamento e sua falta não o torna nulo. Dessa forma, não há como acatar a nulidade argüida. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 80 6 contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências autuadas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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