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Numero do processo: 10880.944987/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.561
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.944987/201394 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.561 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto Diligência Recorrente GRANOL INDUSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.529. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 7/ 20 13 -9 4 Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10880.944987/201394 Resolução nº 3201001.561 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10880.944987/201394 Resolução nº 3201001.561 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000360/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DE FISCALIZAÇÃO. NEGATIVA DE ACESSO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório.
GANHOS EM RENDA VARIÁVEL. PREJUÍZOS EM MESES SUBSQUENTES. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os ganhos líquidos em mercado de renda variável são apurados mensalmente, podendo ser compensadas as perdas apuradas em meses anteriores em operações da mesma natureza. Assim, o ganho líquido apurado em determinado mês não pode ser compensado com prejuízo apurado em períodos subsequentes.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DE FISCALIZAÇÃO. NEGATIVA DE ACESSO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. GANHOS EM RENDA VARIÁVEL. PREJUÍZOS EM MESES SUBSQUENTES. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os ganhos líquidos em mercado de renda variável são apurados mensalmente, podendo ser compensadas as perdas apuradas em meses anteriores em operações da mesma natureza. Assim, o ganho líquido apurado em determinado mês não pode ser compensado com prejuízo apurado em períodos subsequentes. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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GANHO DE CAPITAL. AÇÕES NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. Recorrente DIOGENES CORTELETTI GOMES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DE FISCALIZAÇÃO. NEGATIVA DE ACESSO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. GANHOS EM RENDA VARIÁVEL. PREJUÍZOS EM MESES SUBSQUENTES. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os ganhos líquidos em mercado de renda variável são apurados mensalmente, podendo ser compensadas as perdas apuradas em meses anteriores em operações da mesma natureza. Assim, o ganho líquido apurado em determinado mês não pode ser compensado com prejuízo apurado em períodos subsequentes. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 03 60 /2 01 0- 53 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 786 2 De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 753/774 interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 739/748 a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 675/684, lavrado em 08/03/2010, relativo ao ano calendário de 2006, com ciência do recorrente em 12/3/2010, conforme AR de fls. 699/700. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado após identificados ganhos obtidos pelo RECORRENTE no mercado de renda variável não oferecidos à tributação, além de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, gerando crédito tributário no valor de R$ 212.384,87, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 685/696, a fiscalização identificou que o contribuinte teria cometido as seguintes infrações: (i) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável referente a operações comuns; (ii) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável em operações “Daytrade”; e (iii) omissão de rendimentos recebidos pela empresa CORTELETTI & SONS FORMULÁRIOS E ETIQUETAS LTDA. Após diversas intimações, a autoridade fiscal afirmou que o contribuinte deixou de apresentar toda documentação solicitada, sobretudo a posição acionária dos ativos custodiados (estoque inicial e custo de aquisição), a qual deveria constar do Resumo de Apuração de Ganho de Renda Variável (que também não foi preenchido), além de extratos bancários em algumas instituições. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 787 3 Assim, para a correta apuração dos ganhos líquidos obtidos pelo contribuinte, foram emitidas RMFs a Bancos, Corretoras e para a BM&F Bovespa a fim de buscar as informações necessárias. Utilizando os elementos juntados no curso do procedimento, sobretudo as notas de corretagens, a fiscalização apurou o resultado obtido pelo fiscalizado em operações de renda variável. O detalhamento da apuração, de acordo com o tipo de operação, foi apresentado no demonstrativo de apuração de ganhos em renda variável (fls. 600/605), bem como nas planilhas consolidadas e individualizadas de fls. 606/638 (operações comuns) e fls. 639/663 (operações “day trade”). Ainda durante a fiscalização o contribuinte questionou o resultado final das operações apurado ao argumentar que deveria ser deduzido o prejuízo total no ano de 2006. Contudo, a autoridade fiscal afirmou que a tributação dos rendimentos auferidos, tanto em operações “Day Trade” como em operações comuns (nos mercados à vista, a termo e de opções), seja feita de forma definitiva. Assim, se obteve lucro em operações realizadas em meses anteriores, deveria ter recolhido o imposto no prazo correspondente (até o último dia útil do mês subsequente), em que pese o resultado negativo obtido nos meses seguintes. De acordo com a autoridade fiscalizadora, o resultado mensal decorrente das operações com renda variável e com daytrade podem ser compilados na tabela adiante reproduzida (fls. 692): Assim, a autoridade fiscalizadora levou à tributação os resultados positivos acima, deduzindo sempre os prejuízos acumulados nos meses anteriores. Ainda de acordo com o TVF, no curso da fiscalização, o contribuinte deixou de comprovar alguns depósitos efetuados em suas contas bancárias. Após expedição de RMFs, as instituições financeiras intimadas Caixa e Banco Real/Santander informaram que os depósitos questionados pela fiscalização haviam sido realizados pela empresa CORTELETTI & SONS FORMULÁRIOS E ETIQUETAS LTDA (R$ 5.250,00 e R$ 60.610,88, respectivamente), ao passo que o HSBC discriminou todos os depósitos, dos quais se constatou que R$ 219.918,80 foram provenientes da mencionada empresa. As planilhas com os recursos comprovadamente recebidos pelo RECORRENTE da empresa mencionada encontramse nas fls. 693/694. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 788 4 Assim, considerando que o RECORRENTE apenas declarou ter recebido R$ 4.000,00 da empresa CORTELETTI & SONS FORMULÁRIOS E ETIQUETAS LTDA, bem como em razão de a mencionada empresa não ter distribuído lucros em favor do contribuinte (fl. 528), a CORTELETTI & SONS foi intimada a esclarecer a que título foram realizadas as transferências acima. A empresa limitouse a responder que os valores “tratamse de devolução de créditos no valor de R$ 168.350,00 (Cento e Sessenta e Oito Mil e Trezentos reais) destinados a um possível aumento de capital não ocorrido” sem, contudo, apresentar documentação comprobatória. A CORTELETTI & SONS foi novamente intimada a comprovar o recebimento dos R$ 168.350,00 que alega ter recebido do contribuinte em período anterior às devoluções que alega ter feito, bem como a esclarecer a que título foram realizadas as demais transferências (correspondentes diferença entre a suposta "devolução" de recursos ao fiscalizado e o total de créditos constantes em suas contas bancárias, anteriormente relacionados). Contudo, a empresa limitouse a informar que não possuía a referida comprovação tendo em vista o encerramento de suas atividades (fl. 670). Portanto, a autoridade fiscal entendeu que tais recursos transferidos ao contribuinte caracterizam omissão de rendimentos tributáveis e efetuou o lançamento da diferença correspondente a R$ 281.779,68 (R$ 285.779,68 R$ 4.000,00 já declarados). Da Impugnação Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 789 5 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 708/725 em 12/04/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Porto Alegre/RS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Tempestivamente, o interessado, por seu representante, apresenta a impugnação da exigência às fls. 708 a 725. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. 1. Preliminarmente Ilegalidade na quebra de sigilo bancário do fiscalizado O Auditor Fiscal da Receita Federal, sem qualquer justificativa plausível ou autorização judicial, agiu completamente ao arrepio da lei e determinou, de ofício, a quebra do sigilo bancário do fiscalizado, sem que antes tivesse requerido à ele a apresentação da documentação pertinente. O sigilo bancário figura como uma garantia constitucional, prevista no art. 5o, inc. X, XI e XII da Constituição Federal. A inviolabilidade de dados está consagrada como um dos direitos fundamentais do cidadão, porquanto inserta em sua própria intimidade e vida privada. Apresenta jurisprudência judicial sobre o assunto. O sigilo dos dados bancários e operações financeiras constitui espécie do direito à intimidade, ao qual não se admite ruptura sem a provocação e e autorização do Poder Judiciário, acompanhada de decisão motivada, com justificativa razoável. Com a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, oportunizouse certa flexibilização dessas garantias individuais em detrimento dos interesses arrecadatórios do Estado. O Decreto n° 3.724, de 2001, veio com a função de regulamentar o art. 6º da Lei Complementar n° 105/2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Receita Federal e seus agentes, de informações de operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a ela equiparadas. Esse decreto estabelece um procedimento administrativo fiscal para possibilitar a quebra o sigilo bancário, onde duas são as condições indispensáveis: procedimento de fiscalização em curso e indispensabilidade da violação de dados. A invocação pelo Fisco dos dispositivos legais acima referendados não autoriza a quebra de sigilo bancário do contribuinte, nos moldes em que procedida, atualmente, atitude que se afigura nitidamente inconstitucional e ilegal. A quebra do sigilo bancário diretamente pelo Fisco ocorre por uma das partes diretamente interessadas na investigação, sem abrir espaço ao contribuinte para que se manifeste a respeito do pedido, tornando o princípio do contraditório letra morta e transgredindo a garantia de imparcialidade. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 790 6 Observase que o Auditor Fiscal expediu e enviou RMF às instituições financeiras em 05/03/2009, sendo que o Termo de início de ação fiscal fora emitido em 16/03/2009 e recebido em 17/03/2009 pelo contribuinte, ou seja, o Fisco não esperou nem mesmo que o contribuinte fosse intimado do procedimento fiscal e espontaneamente apresentasse os documentos requeridos, solicitando antes mesmos às instituições financeiras. Como se não bastasse, o RMF de fl. 159, enviado aos Bancos, foi enquadrado no inciso IV, do artigo 3o do decreto n° 3.724/2001, acusando o contribuinte de omitir rendimentos e ganhos líquidos, o que não pode prosperar. Tramitam atualmente perante o Supremo Tribunal Federal várias Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) versando sobre o tema da quebra de sigilo bancário efetuado diretamente pela Administração Pública sem autorização judicial. A quebra do sigilo bancário efetivada diretamente pela Administração, além de violar a intimidade, a vida privada, e retirar uma condição imprescindível da atividade bancária insculpida no sigilo de seus dados, ainda quebra o sentimento de confiança a relação cliente e bancos. Concluise que as irregularidades apontadas existentes no procedimento fiscal impugnado o tornam nulo. Da negativa de acesso aos autos do procedimento fiscal Durante todo o curso do procedimento administrativo, e como reiteradamente vem ocorrendo na maioria dos casos fiscalizados, a Receita Federal não permitiu ao contribuinte acesso aos autos e aos motivos pelos quais levaram ao afastamento do sigilo bancário efetuado pela autoridade fiscal, o que é flagrantemente ilegal. Teve prejudicado seu direito à ampla defesa, sendo nulo o procedimento de ofício. Da não apreciação das petições de defesa protocoladas e das provas tempestivamente apresentadas O auditor fiscal deveria obrigatoriamente ter apreciado todas as provas carreadas nos autos do procedimento fiscal, tenham sido elas produzidas pelo Fisco ou pelo fiscalizado, o que não ocorreu. Tal constatação extraise pela simples análise das notas de corretagem juntadas pelo fiscalizado, que foram totalmente ignoradas pelo Fiscal, que posteriormente oficiou diretamente ao Banco Bradesco para que apresentasse idêntica documentação. É nulo o procedimento fiscal. Da ilegalidade na prorrogação do MPF Fl. 790DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 791 7 Primeiramente quanto ao prazo de vigência e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal deve ser observado que o Agente Fiscal da Receita Federal desvirtuouse dos termos dos arts. 12 e 13 do Decreto 3.969/2001. Isso porque a prorrogação do MPF ocorreu quando já havia expirado o prazo inicialmente fixado para sua vigência, o que não pode ser admitido, por ser ilegal. Da leitura dos termos do MPF impugnado, verificase que ele foi emitido na data de 09/03/2009, com validade de 120 dias e com vencimento em 07/07/2009. Foi prorrogado, todavia, quatro vezes: até 05/09/2009, 04/11/2009, 03/01/2010 e 04/03/2010, todas sem ciência do fiscalizado e fora do prazo de vigência, o que torna ilegal o procedimento fiscalizatório. A nulidade no procedimento administrativo levado a efeito contra o Impugnante, que apurou o débito contestado, advém de duas constatações: não terem sido observados os prazos de vigência dos Mandados de Procedimentos Fiscais e pelo o fato de que não foi realizada a intimação postal do contribuinte fiscalizado dando ciência da prorrogação do prazo inicialmente fixado. Tendo sido constatado o cerceamento de defesa provocado pelo Fisco, o procedimento fiscal é nulo. Da fragilidade das provas que fundamentaram a autuação Os extratos bancários apresentados pelos Bancos, apresentados de forma magnética, constituíramse como o único fundamento da autuação fiscal, de forma que as provas constantes nos autos, baseada em arquivos eletrônicos disponibilizados pelas instituições financeiras aos Fisco, através de CDs ou emails, é demasiadamente frágil e requer cautelas no que atine à sua valorização. 2. Conclusão Não é incontroverso o fato de que o fiscalizado realizou operações de compra e venda de ativos financeiros (ações e opções) em bolsa de valores nos meses de fevereiro a novembro de 2006. Com que não se pode concordar, todavia, é com os cálculos e conclusões apresentados pela Receita Federal, no sentido de que houve omissão de ganhos por parte do fiscalizado. De forma alguma isso ocorreu, pois tais operações resultaram em um prejuízo total avaliado em mais de R$ 1.000.000,00, uma vez que alavancadas sem a autorização do fiscalizado. Fatos que estão pendentes de julgamento, por intermédio do processo judicial n° 019/1.06.00229947. No que referese aos valores recebidos pelo impugnante da empresa Corteletti & Sons Formulários e Etiquetas Ltda., o qual referese a devolução de valor destinado a um aumento de capital social que não efetivouse, o fisco, arbitrariamente, apontou como transação ilegal. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 792 8 O auto de infração é nulo, porquanto derivado de procedimento fiscal irregular e ilegal, tanto do ponto de vista da quebra do sigilo bancário em si, que chegou, inclusive, ao ponto de atingir e prejudicar terceiros não fiscalizados, quanto do procedimento fiscal adotado.” Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Porto Alegre/RS julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 739/748): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. SIGILO BANCÁRIO. Iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, independentemente de autorização judicial. GANHOS EM RENDA VARIÁVEL. Estão sujeitos à tributação os ganhos líquidos obtidos em operações em bolsa de valores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Estão sujeitos à tributação os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e não oferecidos à tributação na declaração de ajuste. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 05/10/2012, conforme AR de fls.751, apresentou o recurso voluntário de fls. 753/774 em 05/11/2012. Em suas razões, alegou principalmente a nulidade do procedimento fiscal por quebra do sigilo bancário, e pela continuação do MPF além do prazo estipulado. No mérito, alegou a necessidade de compensar as perdas com os ganhos e a fragilidade das provas que fundamentaram a autuação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 793 9 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da Quebra do Sigilo Bancário O RECORRENTE questiona a legalidade e constitucionalidade da obtenção de informações bancárias diretamente através das instituições financeiras, afirmando que tal conduta é quebra ilegal de seu sigilo bancário. Contudo, não merecem prosperar tais alegações. Em síntese, o RECORRENTE alega que apresentou todos os documentos solicitados pela fiscalização no termo de intimação fiscal de fls. 3/5 e que, por isso, não havia razões para o fisco entender como insuficiente a documentação apresentada. Acontece que a legislação outorga à fiscalização a faculdade de solicitar informações diretamente às instituições financeiras sempre que a autoridade fiscalizadora considerálas indispensáveis para o prosseguimento da fiscalização, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de fls. 161/194, e do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96 (com redação dada pela Lei nº 10.174/2001): LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Lei nº 9.311/96 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 794 10 prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) (Grifouse) Deste modo, o fato de o RECORRENTE já ter apresentado alguns documentos por conta própria não afasta o direito da fiscalização de requerer as informações complementares que julgar necessárias. Ademais, percebese do relatório fiscal (fls. 686/687) que as RMFs foram expedidas em razão do atendimento parcial da exigência contida no Termo de Início de Fiscalização. Isso porque o RECORRENTE não apresentou os extratos da CAIXA, do HSBC, do Banco do Brasil, da Diferencial Corretora, do Sudameris, bem como as notas de corretagem das operações realizadas em bolsa de valores por intermédio do BANIF BANCO INTERNACIONAL DO FUNCHAL (BRASIL), S.A., já que estas foram apresentadas parcialmente. O fiscal entendeu ser indispensáveis tais documentos, e considerando que o RECORRENTE não os apresentou espontaneamente, se fez necessária a requisição, que cumpriu todos os requisitos legais. Quanto à suposta inconstitucionalidade, o STF já julgou a legalidade e constitucionalidade dos dispositivos acima transcritos, conforme decisão proferida nos autos do processo paradigma nº RE 601314, transitada em julgado no dia 11/10/2016, em que foi fixada a seguinte tese em repercussão geral (tema 225): I O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN. Nesse sentido, não prosperam as alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE sobre a obtenção de informações bancárias obtidas diretamente junto às instituições financeiras com base na Lei Complementar nº 105/2001. Devese esclarecer, ainda, que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não prosperam as alegações de nulidade apresentadas pela defesa. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 795 11 Nulidade do lançamento por negativa do acesso aos autos do procedimento fiscal e por prorrogação do MPF Em apertada síntese, se infere do Recurso Voluntário, que o RECORRENTE alega que o lançamento é nulo pois não lhe foi concedido acesso aos autos durante o procedimento de fiscalização, bem como pela prorrogação ilegal do prazo da fiscalização. No processo administrativo federal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10, também Decreto nº 70.235/1972, elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in vebis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. O RECORRENTE alega que sua ampla defesa foi violada por ausência de acesso aos autos durante a fiscalização. Acontece que a fase litigiosa do procedimento administrativo apenas se inicia com a apresentação da impugnação, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 796 12 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que o recurso da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e a sua apresentação tempestiva confirma ter sido respeitado o princípio do devido processo legal. Durante a fiscalização, o processo administrativo tem característica inquisitória, neste sentido entende o CARF: NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório (Acórdão 1401003.108, Sessão 24/1/2019 (Grifouse) Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa por ausência de acesso aos autos durante a fiscalização, posto que apenas na fase litigiosa do procedimento é que todos os documentos devem ser disponibilizados para o RECORRENTE, o que aconteceu no presente caso. Por sua vez, quanto à alegação de que a prorrogação do MPF “indefinidamente” e sem intimação do RECORRENTE foi ilegal, considerando que não houve interposição de novas razões com o Recurso Voluntário, proponho adotar como razões de decidir o trecho do voto da DRJ, com fundamento no §3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria MF nº 343/2015: Mandado de Procedimento Fiscal O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF consiste em procedimento administrativo da autoridade fiscal e como tal deve ser interpretado. Tratase de uma ordem específica emitida por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal para que servidores a ela subordinados procedam, no caso de fiscalização, à verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo e, se for o caso, à constituição do crédito tributário devido ou à apreensão de mercadorias em situação irregular. Assim, ele tem por escopo o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal, das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições federais a serem desenvolvidas em cada exercício fiscal. É certo que o MPF visa permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada, pois, dentre outros dados, o mandado informa a natureza, a abrangência, o prazo máximo, as pessoas designadas para a execução dos trabalhos fiscais, o chefe de fiscalização responsável, com respectivo endereço e telefone, além do código de acesso à Internet que possibilita identificar a sua procedência. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 797 13 Transcrevese , por oportuno, os artigos 4º, 11 e 12 da Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007: Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 (DOU de 20.12.2007) (...) Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. O início do procedimento fiscal foi por meio do MPF nº 10.1.07.002009001565, emitido em 09/03/2009, válido até 07/07/2009. Entretanto, houve prorrogação do MPF até 05/09/2009, 04/11/2009, 03/01/2010, 04/03/2010 e 03/05/2010. Como se observa da legislação transcrita, a prorrogação do MPF pode ser feita quantas vezes forem necessárias, devendo, no entanto, ser observado o prazo de sessenta dias para cada prorrogação. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal será emitido exclusivamente de forma eletrônica bem como sua ciência se dará por meio da internet. Desta forma, o fiscal autuante estava acobertado por Mandados de Procedimentos Fiscais válidos. Perceba que a ciência do fiscalizado se deu através da Internet, através do código de acesso consignado no Termo de Início da Fiscalização. Tal código consta em destaque no Termo de Início de Ação Fiscal de fl. 04: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 798 14 Assim, a não intimação do RECORRENTE acerca das prorrogações dos MPFs se deu por culpa exclusiva do mesmo, que não acompanhou através do portal eletrônico, como determina a legislação de regência. Deste modo, não merecem prosperar as alegações de nulidade da fiscalização. MÉRITO Fragilidade das provas e não apreciação das provas No mérito, defende o RECORRENTE que a fiscalização não apreciou todas as petições de defesa e provas tempestivamente apresentadas, bem como alega que a fiscalização se baseou em provas frágeis. Quanto ao primeiro argumento, apesar da alegação ser um tópico do mérito, em verdade o RECORRENTE questiona a nulidade da fiscalização, com base em suposto cerceamento de defesa. Pois bem, ele defende que a fiscalização não apreciou todas as provas da defesa e afirma comprovar tal alegação com o fato da fiscalização ter emitido RMFs a despeito do RECORRENTE já ter apresentado todos os documentos solicitados. Acontece que este argumento de não apreciação das provas é frontalmente contrário às informações contidas no o Termo de Verificação Fiscal, fls. 685/698. Naquele documento, a fiscalização aponta todas as divergências existentes nas provas apresentadas pelo RECORRENTE, a conferir: Na mesma oportunidade em que o fiscalizado tomou ciência do termo de inicio, foi lavrado o Termo de Comparecimento e de Declaração F351/09 (fl. 04), mediante o qual o contribuinte informou seu novo domicilio fiscal, tendo em vista que esta fiscalização não o encontrou no endereço até então constante no cadastro da Pessoa Física (Rua Caramuru, n° 388, nesta cidade). Efetuouse, por conseguinte, a atualização de oficio do seu cadastro junto à RFB em 18/03/2009. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 799 15 Após uma prorrogação de 30 dias, concedida em 07/04/2009, em 07/05/2009, o representante do fiscalizado (cfe. instrumento à fl. 07/08) atendeu parcialmente ao Termo de Inicio, aduzindo uma resposta formal e alguns documentos, às fls. 05/158, porém deixou de apresentar os extratos da CAIXA, do HSBC, do Banco do Brasil, da Diferencial Corretora, do Sudameris, bem como as notas de corretagem das operações realizadas em bolsa de valores por intermédio do BANIF BANCO INTERNACIONAL DO FUNCHAL (BRASIL), S.A. (solicitados através do mencionado Termo de Inicio). Foram apresentados apenas parte dos elementos solicitados referentes ás contas mantidas junto às Corretoras Bradesco e BANIF (fls. 43/156). O fiscalizado também não identificou a posição acionária dos ativos custodiados (estoque inicial), a qual deveria constar do Resumo de Apuração de Ganho de Renda Variável (que também não foi preenchido), motivo pelo qual foram emitidas REQUISIÇÕES DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA — RMF (ás fls. 159/183), através das quais foram requisitados diretamente As Instituições Financeiras mencionadas os dados necessários para a continuidade da ação fiscal. Percebese, portanto, que as RMFs foram expedidas em razão do atendimento parcial da exigência contida no termo de início de fiscalização. Isso porque o RECORRENTE não apresentou os extratos da CAIXA, do HSBC, do Banco do Brasil, da Diferencial Corretora, do Sudameris, bem como as todas as notas de corretagem das operações realizadas em bolsa de valores por intermédio do BANIF BANCO INTERNACIONAL DO FUNCHAL (BRASIL), S.A. Como poderia a fiscalização ter percebido a ausência destes documentos se não tivesse apreciado as provas apresentadas pelo RECORRENTE? Assim, não merece prosperar a alegação de não apreciação dos documentos. Quanto aos argumentos de fragilidade das provas que fundamentam a autuação, o RECORRENTE alega que a fiscalização não poderia ter considerado como omissão de rendimentos os valores recebidos da empresa CORTELETTI & SONS, do qual era sócio, cabendo ao fisco comprovar que os rendimentos recebidos eram tributáveis, e não de qualquer outra verba. Entendo por discordar. A fiscalização comprovou, por meio da análise da movimentação financeira, que o RECORRENTE recebeu da empresa CORTELETTI & SONS valores incompatíveis com aqueles declarados. Neste sentido, assim dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 800 16 Percebese, portanto, que a legislação prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda. A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto. Como cediço, esta presunção tem efeito de inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar que se tratam de rendimentos isentos, não tributáveis ou já oferecidos à tributação. In casu, apesar do lançamento não ter sido efetuado com base neste artigo, entendo que ele serve como norte interpretativo. Isto porque a fiscalização, de início, teve como objetivo a investigação de depósitos de origem não comprovada (conforme TVF – fls. 687/689). Na ocasião, constatou a existência de depósitos recebidos da empresa CORTELETTI & SONS em montantes não declarados pelo RECORRENTE. Neste sentido, não mais caberia o lançamento com base unicamente no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (ante a constatação da origem dos depósitos). Constatado o recebimento de valores pelo contribuinte, é de rigor a investigação com a finalidade de verificar se os mesmos foram oferecidos à tributação. Portanto, ao conhecer a origem, a fiscalização passou a questionar a natureza de tais depósitos (se se tratavam de rendimentos isentos, não tributáveis ou já oferecidos à tributação), conforme procedimento comum adotado para investigação de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Assim, tal qual com os depósitos sem origem comprovada, caberia ao RECORRENTE apresentar documentação hábil e idônea capaz de comprovar que o montante recebido tinha natureza de verba não tributável, isenta, ou já oferecida à tributação. Percebese que o RECORRENTE sequer alega qual foi a natureza dos recebimentos, limitandose a afirmar, genericamente, que poderiam ser reembolsos, verbas não tributáveis, etc. Durante a fiscalização, houve a alegação (por parte da CORTELETTI & SONS) de que tais transferências representariam devoluções de créditos destinados a um possível aumento de capital não ocorrido. Contudo, não foi apresentada documentação comprobatória da alegação, assim como a empresa não comprovou que o RECORRENTE efetuou, em datas anteriores, a alegada transferência para futuro aumento de capital. Portanto, entendo que não houve comprovação suficiente para afastar a tributação dos rendimentos recebidos não declarados. Da compensação das perdas Por fim, aduz o RECORRENTE que a fiscalização deveria ter compensado as perdas com os ganhos, para tributar apenas os ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável, com base no art. 760 do RIR/1999. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 801 17 Acontece que tal determinação foi cumprida pela fiscalização, apenas não nos moldes pretendidos pelo RECORRENTE. Como dito no relatório deste voto, a autoridade fiscalizadora compensou os resultados positivos auferidos com os prejuízos acumulados nos meses anteriores (fl. 692). Para perceber que os prejuízos foram efetivamente compensados, basta analisar a tabela dos resultados mensais apurado (fl. 692) com o auto de infração. Tomando como exemplo os ganhos líquidos do mercado de renda variável das operações comuns, percebese que apenas houve tributação de R$ 3.473,42 em março/2006, equivalente ao resultado de R$ 10.956,16 auferido naquele mês subtraido do prejuízo de R$ 7.482,74 do mês de fevereiro/2006. Inferese, portanto, que o RECORRENTE questiona a possibilidade de compensação dos prejuízos auferidos nos meses posteriores ao da tributação. Acontece que a compensação de prejuizos apurados nos meses seguintes, contraria frontalmente texto expresso de lei. Com efeito, de acordo com o art. 72, da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 72. Os ganhos líquidos auferidos, a partir de 1º de janeiro de 1995, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da Legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta lei . § 1º A alíquota do imposto será de dez por cento, aplicável sobre os ganhos líquidos apurados mensalmente. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 11065.000360/201053 Acórdão n.º 2201005.123 S2C2T1 Fl. 802 18 § 2º Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata este artigo serão: a) considerados pela média ponderada dos custos unitários; b) convertidos em Real pelo valor de R$ 0,6767, no caso de ativos existentes em 31 de dezembro de 1994, expressos em quantidade de Ufir . § 3º O disposto neste artigo aplicase também: a) aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, na alienação de ouro, ativo financeiro, fora de bolsa; b) aos ganhos líquidos auferidos pelas pessoas jurídicas na alienação de participações societárias, fora de bolsa . § 4º As perdas apuradas nas operações de que trata este artigo poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos nos meses subseqüentes, em operações da mesma natureza. (...) § 7º O disposto nos §§ 4º e 5º aplicase, inclusive, às perdas existentes em 31 de dezembro de 1994 . § 8º Ficam isentos do Imposto de Renda os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a 5.000,00 Ufirs, para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, respectivamente.(Grifouse) O texto legal permite inferir que a apuração do ganho/perda será feita mensalmente (§ 1º) e que as perdas apuradas poderão ser compensadas com ganhos líquidos auferidos nos meses subsequentes (§ 4º). Assim, não existe respaldo legal para compensação das perdas apuradas nos meses posteriores ao ganho, razão pela qual não merece prosperar o argumento do RECORRENTE. CONCLUSÃO Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011686/2006-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 9202-007.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 16 86 /2 00 6- 94 Fl. 217DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280201.289, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de IRPF do exercício 2002, anocalendário 2001, para exigência de imposto de renda pessoa física de R$ 40.703,76, acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 102.984,58, em virtude de ter sido verificado que o sujeito passivo informou como isentos rendimentos recebidos no bojo de acordo trabalhista, a título de adicional de risco portuário, ao invés de declarar esse rendimento como tributável. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 104/109. A DRJ/SDR, às fls. 137, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada, considerando devido o imposto no valor de R$ 32.054,21, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, nos termos da legislação que rege a matéria. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 143/146. A 2ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 153/157, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que fosse excluída a multa de ofício. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS. Correto o lançamento de ofício pautado em omissão de rendimentos à tributação, os quais foram indevidamente declarados como isentos. IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO. IRRF. O ônus da comprovação compete a quem alega. A falta de comprovação do IRRF retido na fonte impede seu aproveitamento como imposto pago a ser utilizado na Declaração de Ajuste Anual para compensar com o imposto devido. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10380.011686/200694 Acórdão n.º 9202007.598 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA E POR ÓRGÃO ESTATAL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora e por despacho judicial, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Recurso provido em parte. A União, às fls. 162, informou não haver interesse em recorrer da decisão. Às fls. 171/176, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnê leão compensação do imposto de renda retido na fonte. Verificase que, além de analisarem rendimentos que integraram a mesma Reclamação Trabalhista Coletiva impetrada pelo Sindepor, em decorrência de Termo de Acordo celebrado no TRT, os elementos probatórios examinados no paradigma e recorrido são muito semelhantes, porém as decisões chegaram a conclusões distintas. O acórdão recorrido entendeu que não foi comprovado o recolhimento do IRRF, enquanto o paradigma entendeu que foi comprovado o recolhimento do IRRF. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 200/204, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, expondo, inicialmente, que foi interposto recurso por contrariedade à lei ou à evidência de prova, previsto no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogada, sendo importante destacar que essa hipótese recursal era privativa da Fazenda Nacional. Considerando que, na fase em que se encontra o processo, o único recurso cabível é o Especial de Divergência, o apelo do Contribuinte assim será recepcionado, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Assim, restou admitida a divergência em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnê leão compensação do imposto de renda retido na fonte. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 206/215, reiterou, no mérito, argumentos anteriormente aduzidos. É o relatório. Voto Fl. 219DF CARF MF 4 Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e no tocante aos demais pressupostos de admissibilidade, é necessário se fazer algumas considerações. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 200/204, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, expondo, inicialmente, que foi interposto recurso por contrariedade à lei ou à evidência de prova, previsto no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogada, sendo importante destacar que essa hipótese recursal era privativa da Fazenda Nacional. Considerando que, na fase em que se encontra o processo, o único recurso cabível é o Especial de Divergência, o apelo do Contribuinte foi assim recepcionado, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Assim, restou admitida a divergência em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnêleão compensação do imposto de renda retido na fonte. O Recurso deve ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração de IRPF do exercício 2002, anocalendário 2001, para exigência de imposto de renda pessoa física de R$ 40.703,76, acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 102.984,58, em virtude de ter sido verificado que o sujeito passivo informou como isentos rendimentos recebidos no bojo de acordo trabalhista, a título de adicional de risco portuário, ao invés de declarar esse rendimento como tributável. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnêleão compensação do imposto de renda retido na fonte. O presente caso exige a análise das provas anexas ao processo desde a fase da impugnação. A discussão cingese ao recolhimento de imposto de renda na fonte em razão de vínculo de emprego reconhecido em ação judicial, no qual a empregadora havia efetuado Companhia Docas do Ceará recolhimento no valor de R$ 5.568.816,53 (Principal R$ 2.615.818,75 + Multa R$ 523.163,75 + Juros SELIC R$ 2.429.834,03). Esse valor corresponde ao IRRF (27,5%) das 124 pessoas que integraram a Reclamação Trabalhista efetuada pelo SINDEPOR (Sindicato dos Portuários) face a CDC (Cia Docas), apurado sobre o Valor Bruto (R$ 9.512.068,17) repassado ao Sindicato, através dos 03 (três) cheques nominais no valor de R$ 3.170.689,39 (Três Milhões, Cento e Setenta Mil, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10380.011686/200694 Acórdão n.º 9202007.598 CSRFT2 Fl. 11 5 Seiscentos e Oitenta e Nove Reais e Trinta e Nove Centavos) cada um, em decorrência do Termo de Acordo celebrado no TRT” (constante da impugnação). Tal alegação, apesar de expressamente contida na impugnação não foi acatada pela turma ordinária, face a necessidade de comprovação da retenção que originou o pedido de compensação. Observando os presentes autos não é possível afirmar que houve retenção, cujos meios de prova seriam contracheque ou GFIP indicando que o contribuinte tivesse adiantado seu pagamento por meio de seu empregador. No caso de ações judiciais, dificilmente a retenção é calculada, isso por que o objeto da ação trabalhista não circunda as obrigações de substituição tributária do empregador. Ainda e não menos importante, observo que o Contribuinte em suas razões de recurso Especial não discute o real ponto controvertido da demanda que é a comprovação da retenção. Mas sim discute a tese de que – “o Contribuinte não é obrigado a apresentar provas, bastando que o beneficiário declare que recebeu e o que teve retido na fonte, restando a obrigação a Empresa fonte pagadora, usando como prova o pedido da ação trabalhista”, e tal argumento não possui respaldo jurídico para prosperar. Reitero aqui que compulsando os autos não se observa qualquer prova de retenção. Embora a figura da compensação de fato extinga o crédito tributário, não se depreende dos autos as verbas exatas que foram compensadas, de modo que a retenção não pode ser presumida. Neste ponto não assiste razão ao Contribuinte, isso por que nos casos de obrigação supletiva esta não exime o devedor originário, devendo este no momento de sua prestação de informações declaração de ajuste anual proceder estes apontamentos. A legislação exige a prova da retenção. Contudo, negarse a proceder qualquer comprovação foge do espírito da norma, deixando, portanto, de se desimcumbir do ônus da prova. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 221DF CARF MF 6 Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000535/2010-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-000.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 05 35 /2 01 0- 09 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10665.000535/201009 Acórdão n.º 2002000.994 S2C0T2 Fl. 183 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 17/21) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação acompanhada de documentos ratificando a dedução declarada (efls. 02/16). Os autos foram encaminhados à fiscalização em cumprimento ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.061/10 e a interessada foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas e a utilização dos serviços médicos (efls. 50). O lançamento foi revisto através de Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, restando mantida a infração apurada (efls. 98/100). A contribuinte apresentou contestação à Revisão do Lançamento (efls. 104/109) e o processo foi encaminhado para julgamento. A Impugnação foi considerada procedente em parte pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 125/135): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. MULTA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa e os juros de mora, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10665.000535/201009 Acórdão n.º 2002000.994 S2C0T2 Fl. 184 3 Cientificada do acórdão de primeira instância em 01/10/2015 (efls. 138), a contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 29/10/2015 (efls. 139/160) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta resumo dos fatos processuais. Afirma que oportunamente carreou aos autos os recibos fornecidos pelos prestadores e as declarações dos referidos profissionais, inclusive com reconhecimento de firma em suas assinaturas, fazendo prova robusta dos pagamentos efetuados e dos serviços prestados. Alega que os comprovantes de pagamento são especificados e comprovam, de modo inequívoco, a indicação do nome, endereço e número de CPF/CNPJ dos prestadores. Assevera que não há norma legal exigindo a emissão de cheques para comprovar os pagamentos efetivados com recursos que encontram em seu poder e não depositados em conta bancária. Sustenta que não há nos autos qualquer alegação no sentido de que os documentos comprobatórios apresentados se encontram viciados. Muito ao contrário, a autoridade lançadora se limitou a aduzir que a recorrente possui histórico de elevadas despesas médicas deduzidas, como se tal fato pudesse servir de fundamento à glosa das despesas médicas efetivamente comprovadas. Discorre sobre o princípio da legalidade e defende que a melhor interpretação a ser dada ao disposto no artigo 73 do RIR/99 é a de que cabe à autoridade lançadora verificar apenas e tão somente se o contribuinte preencheu os requisitos legais aptos a comprovar o efetivo pagamento e a respectiva fruição pelos serviços prestados. Expõe que não lhe é dada a faculdade de agir por juízo de valor próprio, como ocorreu na situação em apreço. Expõe que o feito fiscal teve como sustentáculo apenas presunção, divorciada da realidade fática havida. Aduz que estão ausentes todos os pressupostos legais para uma perfeita caracterização do crédito tributário, o que evidencia o cerceamento de defesa, a quebra do contraditório, e, principalmente, a presunção fiscal, porquanto não foram observadas as normas tributárias aplicáveis ao caso concreto. Alega que não houve por parte do Fisco prova de que os pagamentos não tenham sido realizados aos prestadores ou de que os recibos ou declarações são falsos. Defende que todo e qualquer fato invocado pelo titular do direito de exigir tributo, que não constitui prova cabal do fato típico previsto na lei, pode ser útil, quando muito, como indício. Sendo assim, a teor do que dispõe o artigo 112 do CTN, jamais tem como, por si só, amparar a cobrança de imposto. Aponta o caráter confiscatório da multa aplicada. Voto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10665.000535/201009 Acórdão n.º 2002000.994 S2C0T2 Fl. 185 4 Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal glosou integralmente as despesas médicas informadas na declaração em exame por falta de comprovação (efls. 20). Os autos foram encaminhados para a Revisão de Ofício e a contribuinte foi intimada a comprovar, além da utilização dos serviços médicos, o efetivo pagamento das despesas através de cópias de cheques, comprovantes de transferência ou depósito e extratos bancários com saques ou compensação de chegues em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados (efls. 50). A autoridade revisora manteve a infração apurada por não ter a interessada apresentado a documentação solicitada, limitandose a declarar que os pagamentos foram efetuados em dinheiro (efls. 98/99). O Colegiado a quo manteve parcialmente o lançamento revisto, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 125/135). Cumpre ressaltar, inicialmente, que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados na Notificação de Lançamento e no Termo Circunstanciado, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Também não merece ser acolhida a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, uma vez que esta teve pleno conhecimento dos fatos que deram origem à notificação e que lhe foram concedidas diversas oportunidades para apresentar documentos e esclarecimentos a fim de elidir a tributação contestada. Cabe esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10665.000535/201009 Acórdão n.º 2002000.994 S2C0T2 Fl. 186 5 para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta bancária e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10665.000535/201009 Acórdão n.º 2002000.994 S2C0T2 Fl. 187 6 Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, devese esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. É nesse sentido a Súmula nº 02 do CARF, de observância obrigatória por seus conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000114/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para
confirmar, apenas parcialmente, a prestação e o pagamento dos serviços.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.890
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 16.500,00.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para confirmar, apenas parcialmente, a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 16.500,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13643.000114/201016 Acórdão n.º 210101.890 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 35/37) interposto em 29 de setembro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 29/31), do qual o Recorrente teve ciência em 30 de agosto de 2010 (fl. 34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04/07, lavrado em 22 de fevereiro de 2010, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa das despesas médicas, cujos documentos não foram apresentados ou não satisfazem aos requisitos formais da legislação. Somente nos casos em que restar demonstrado que a pessoa jurídica, à época da prestação dos serviços, estava dispensada da emissão de notas fiscais admitese a utilização de outro documento equivalente para a comprovação dos gastos correspondentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 29). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 35/37, no qual acosta recibos e declarações com a discriminação dos serviços prestados, por profissionais devidamente habilitados, alegando que restou comprovada a prestação dos serviços e que, portanto, não há que se rejeitar a dedução realizada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratandose o cerne do recurso voluntário de discussão acerca da efetividade das despesas médicas glosadas, verificase que a questão debatida gira em torno da necessidade Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13643.000114/201016 Acórdão n.º 210101.890 S2C1T1 Fl. 3 3 ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma o Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13643.000114/201016 Acórdão n.º 210101.890 S2C1T1 Fl. 4 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III. limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade do recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §1º.)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13643.000114/201016 Acórdão n.º 210101.890 S2C1T1 Fl. 5 5 “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo contribuinte, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. O acórdão recorrido não aceitou os recibos apresentados pelo contribuinte à fiscalização sob o argumento de que “(...) em sentido oposto ao alegado pelo impugnante, os documentos apresentados não atendem a todos os requisitos exigidos pela legislação.” (fl. 30v). Ainda de acordo com a decisão recorrida, no caso de recibos que não atendem aos requisitos exigidos pela lei, “a afirmação do contribuinte de que os gastos foram em benefício próprio não tem o condão de sanar os vícios aqui constatados.” (fl. 30v). Diante das ponderações feitas na decisão recorrida, o Recorrente trouxe aos autos novos documentos, na tentativa de comprovar as despesas médicas efetuadas, os quais passo a analisar, em consonância com os demais documentos já acostados aos autos. Os novos documentos consistem em recibos e declarações dos prestadores de serviços médicos, fisioterápicos e odontológicos, Lucilene Ferreira Braga, Paulo Afonso de Melo Júnior, Nassim Rachid Júnior e Fabrício Ignacchti Ribeiro. Esses documentos, conforme fls. 40/47, possuem as informações legalmente exigidas para fins de deduções, quais sejam: nome completo do profissional, Cadastro da Pessoa Física ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica deste (conforme se trate de prestação por pessoa física ou por pessoa jurídica, respectivamente), cadastro no respectivo órgão de classe (no caso de prestador pessoa física) nome do beneficiário do serviço prestado, descrição do tratamento realizado, valor do serviço e forma de pagamento. Assim, entendo que a dedução de despesas médicas referentes a tais serviços, no valor total de R$ 16.500,00, deve ser reestabelecida. No entanto, nenhum documento novo foi juntado com relação aos serviços prestados pela profissional Marcelle Saraiva Fófano, sob o argumento de que não foi encontrada para oferecer detalhes dos serviços realizados. No entanto, o contribuinte “insiste que ele foi o beneficiário dos serviços e que os recibos são absolutamente hábeis” (fl. 36). Ora, em casos como o presente, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além dos recibos, como declarações dos prestadores, fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, receitas, exames, notas fiscais de aquisição de medicamentos, extratos bancários para comprovação de saques etc. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13643.000114/201016 Acórdão n.º 210101.890 S2C1T1 Fl. 6 6 Como os documentos apresentados não cumpriram os requisitos necessários e nenhum outro documento foi apresentado, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que a dedução referente aos serviços prestados pela profissional Marcelle Saraiva Fófano não deve ser reestabelecida. Por fim, cumpre esclarecer, como bem observou o acórdão recorrido, que não foram trazidos pelo Recorrente documentos para comprovar os gastos pleiteados como dedução de despesas médicas com Instituto de Previdência Servidores de MG, no valor de R$ 2.496,00. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 16.500,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914492/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/03/2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 44 92 /2 01 4- 11 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.914492/201411 Acórdão n.º 3301005.930 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarado pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/RPO, no acórdão n° 14055.446, negou provimento ao apelo.. Em recurso voluntário, aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.914492/201411 Acórdão n.º 3301005.930 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.922, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900868/201419, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.922): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur do IPI, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.914492/201411 Acórdão n.º 3301005.930 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar o IPI pago. Dessa forma, não há como se afirmar qual ou quais valores integraram a base de cálculo do IPI ao arrepio do art. 47 do CTN. Em pedido de sua iniciativa, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo do IPI; b) Sustentar o indébito no livro de apuração do IPI e em notas fiscais; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF e demais livros fiscais. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.914492/201411 Acórdão n.º 3301005.930 S3C3T1 Fl. 6 5 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.913483/2009-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 34 83 /2 00 9- 87 Fl. 60DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 0820.738, da 3ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (fl 6), da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), que concluiu pela não homologação da compensação declarada na PER/DCOMP n° 25148.10213.290408.1.3.04.1972. Transcrevo, a seguir o relatório: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), através do qual o Titular da Unidade de Jurisdição do Sujeito Passivo, após apreciar o PER/DCOMP com TIPO DE CRÉDITO, relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, referente ao anocalendário de 2004, com débitos do Interessado, e dados ali discriminados, concluiu pela não homologação da compensação declarada no citado PER/DCOMP. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, localizouse pagamento relacionado conforme Quadro do citado Despacho Decisório, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do Contribuinte, do que não restou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com o indeferimento total de seu Pleito, do qual tomara ciência em 21.10.2009, fls. 07, 31, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade em 19.11.2009, fls. 08/12, 31, requerendo que fosse reconhecido o seu direito creditório e homologada a compensação declarada, alegando em síntese: Em 27.06.2006, o Requerente entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2006 (cópias do recibo e ficha anexos), informando para o primeiro trimestre de 2005, Ficha 12A linha 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR o valor de R$ 30.925,44. Ocorre que o imposto devido foi informado incorretamente na DCTF do mês de março de 2005, já que foi informado o valor de R$ 97.677,54, valor este pago em 3 (três) quotas, no valor de R$ 32.559,18 (DARFs anexos). Após análises e verificações, foi detectado o erro cometido e o Requerente procedeu, em 24.06.2005, à retificação da DCTF relativa ao mês de março de 2005, conforme cópias dos recibos e folhas anexas, informando os valores corretos. Porém, na DCTF do mês de junho de 2005, o Requerente incorreu novamente em erro, ao informar o IRPJ devido no 1° trimestre de 2005, bem como o , pagamento das respectivas quotas, baseandose no valor informado na DCTF original do mês de março de 2005. Essa sucessão de erros fez com que a Secretaria da Receita Federal considerasse como imposto de renda devido no 1° trimestre de 2005 o valor de R$ 97.677,54 e não o valor correto de R$ 30.925,44, declarado na DIPJ 2006 e, consequentemente, não homologasse a compensação efetuada, alegando a inexistência do crédito informado. A DCTF apresentada pelo Requerente relativa ao mês de junho de 2005, indiscutivelmente, tem o condão de constituir o crédito relativo aos impostos e contribuição declarados, mas não pode estar acima da verdade material, quando esta, comprovadamente, refletir outra realidade. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10380.913483/200987 Acórdão n.º 1001001.165 S1C0T1 Fl. 3 3 O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pelo Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ 2006 e corretamente informado na DCTF do mês de março de 2005. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, ao se manifestar sobre a matéria, prezou pela verdade material em prejuízo dos rigores burocráticos, fls. 10, 11. Ademais, para enriquecer as suas alegações, o Manifestante traz à baila trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Sr. Nelson Mallmann, que conclui que erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformar se em fatos geradores de impostos. Isto posto, sendo o valor da 2a quota do imposto de renda relativo ao 1° trimestre de 2005 no valor de R$ 10.308,48 e tendo recolhido o valor R$ 32.884,77, resta claro e cristalino que o Requerente possui um crédito original equivalente a R$ 22.576,29, que atualizado pela taxa SELIC até 29.04.2008 (data da entrega do PER/DCOMP), perfaz valor suficiente para liquidação do débito compensado de R$ 11.983,69. Cientificada em 12/05/2011 (fl 45), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/06/2011 (fl 46) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente, basicamente, repete os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade e acrescenta: · O IRPJ relativo ao 1° trimestre/2005, foi declarado na DCTF do mês de março/2005 no valor de R$ 30.925,44 a ser pago em quotas. Na DCTF do mês de junho/2005, na pasta 'trimestre anterior" foi consignado como débito do trimestre anterior o valor incorreto de R$ 97.677,54 e relacionado os créditos vinculados (DARFs).). · Há, portanto, duas declarações conflitantes entre si, desta forma não basta simplesmente escolher das duas a de maior valor, cabe apurar qual estaria correta. · A fim de demonstrar que o valor declarado na DCTF do mês de março/2005 era o correto, a Requerente juntou aos autos cópia da DIPJ de 2006, onde o IRPJ apurado é de R$ 30.925,44. Porém a decisão proferida alega que a DIPJ tem caráter meramente informativo , não tendo o condão de modificar a confissão do débito declarado em DCTF e, ainda, que não havia sido juntada prova cabal que o imposto apurado na DIPJ estava correto. Fl. 62DF CARF MF 4 · A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, além de levar ao conhecimento da fiscalização as informações econômicofiscais, prestase, também, a demonstrar a regular apuração do lucro experimentado pelo contribuinte, bem como, os respectivos impostos e contribuições devidos em função desse lucro. · Convém salientar que a DIPJ goza da presunção de veracidade, somente elidida com prova em contrário. · De outra banda, se é a DCTF que possui o condão de constituição do débito, qual DCTF devemos considerar? A do mês de março/2005 onde o imposto apurado é declarado é de R$ 30.925,44 ou a de junho/2005 onde estão consignadas as quotas pagas e o valor do imposto declarado é de 97.677,54 ? · O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pela Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ de 2.006. · Assim, sendo o valor correto da 2a quota do imposto de renda relativo ao 1° trimestre de 2.005, o valor de R$ 10.308,48 e tendo recolhido o valor R$ 32.884,77, resta claro e cristalino que a Requerente possui um crédito original equivalente a R$ 22.576,29 que atualizado pela taxa Selic, até 29.04.2008 ( data da entrega da PER/DCOMP), perfaz, valor suficiente para liquidação do débito compensado no valor de R$ 11.983,69. Conclui, pedindo que seja reformada a decisão da DRJ. Entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, a qual transcrevo, parcialmente: Enquanto a DCTF constitui confissão de dívidas tributárias e instrumento hábil para inscrição na Dívida Ativa da União, como se viu acima, é também pacífico que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresenta um perfil diferente, revelandose como mero banco de informações à disposição da Receita Federal, para o planejamento de suas ações, seja sobre um Contribuinte especificamente ou até mesmo com base nos dados agregados relativamente aos diversos segmentos das atividades econômicas. Criada por meio da Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998, todas as normas referentes à DIPJ revelam esse caráter meramente informativo do instrumento. Aliás, não há no plano normativo tributário federal qualquer menção a controle de débitos por meio das DIPJ. Bem apropriadamente, o nome da Declaração já expõe o seu objetivo de coletar dados econômicofiscais, conforme se observa nos arts. 1° e 2° da citada norma: Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998: "Art. 1° Fica instituída a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIP.J Art. 2° A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de setembro, a DIPJ, centralizada pela matriz." Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10380.913483/200987 Acórdão n.º 1001001.165 S1C0T1 Fl. 4 5 Demonstrada a diferença fundamental entre a DCTF e a DIPJ, fica fácil compreender que o Fisco deve, para fins de apurar eventual direito creditório alegado pelo Sujeito Passivo, observar as informações postadas pelo Contribuinte na DCTF, a qual constitui confissão de dívida, efeito jurídico extremamente relevante para a relação FiscoContribuinte. No presente caso, por ocasião da análise do PER/DCOMP , não foi confirmada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (DRF/FOR) a existência do direito creditório, na quantia pleiteada pelo Interessado, porque o valor do pagamento recolhido mediante o DARF citado estava utilizado para quitar o débito confessado pelo próprio Contribuinte em sua DCTF entregue à RFB. Desse modo, não se pode atribuir defeito ao Despacho Decisório, uma vez que o próprio Sujeito Passivo havia confessado o débito, cuja liquidação o Fisco promoveu utilizando o valor do pagamento realizado por meio do DARF. Até aí, as informações prestadas pelo Contribuinte foram tratadas eletronicamente, ou seja, o Fisco realizou procedimentos de conferência sobre as informações prestadas pelo próprio Interessado, do que resultou a emissão do Despacho Decisório. Com relação ao citado Despacho Decisório que ensejou o conflito em exame, o Manifestante, ao tomar ciência do conteúdo resolutório, limitouse a mencionar DIPJ e DCTFs, desacompanhadas de documentos probantes, com o fim de garantir o direito creditório pleiteado. Por tal motivo, foram anexos pelo Relator deste Acórdão extratos relativos à DIPJ e às DCTF, fls. 32/35, em que se constata que descabe o valor de R$ 30.925,44 alegado pelo Contribuinte, pois prevalece o que foi confessado pela DCTF, com data de recepção em 19.01.2009, fls. 33, ou seja, R$ 97.677,54, fls. 35. Vale destacar: não foi realizado o esforço probatório necessário no sentido de demonstrar a veracidade das argumentações apresentadas; não foi apresentado nenhum Livro Contábil ou Livro Fiscal que demonstrasse a procedência das alegações acerca do valor do débito. No processo administrativo que se aprecia, o que não se pode negar é que, instaurado o contraditório, o Interessado teve a oportunidade de demonstrar a veracidade de todas as informações acerca do direito alegado. Todavia, o fato é que não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado. Assim, entendo que não há, na Manifestação de Inconformidade em exame, suporte material capaz de estabelecer o elo entre o conteúdo argumentativo da Defesa e as circunstâncias fáticas que teriam, levado à origem do direito creditório alegado pelo Contribuinte. Outrossim, tendo em vista a necessidade de liquidez e certeza do direito de crédito utilizado em compensação, conforme exige o art. 170 da Lei 5.172, de 25.10.1966 Código Tributário Nacional (CTN), resta reconhecer que o Manifestante não demonstrou ser credor da Fazenda Nacional. Não há nos autos prova robusta de que efetuara recolhimento a maior ou indevido, pois não provou que o débito era originalmente inferior ao efetivamente declarado e pago por meio de DARF. Ademais, é de se observar que a alegação do direito perseguido, desacompanhada de elementos probantes, capazes de evidenciar que o valor do débito em DIM seria menor do que aquele efetivamente confessado em DCTF e recolhido à época, constitui mera manifestação de vontade de o Contribuinte alterar o valor do citado débito que constou da mencionada DCTF. Por conclusão, não há provas da existência do erro material (pagamento indevido ou a maior) no recolhimento do DARF, como pretende o Defendente. Fl. 64DF CARF MF 6 Assim, a Administração Fiscal está impedida de deferir o Pleito de compensação do crédito que o Sujeito Passivo argumentou possuir contra a Fazenda Nacional, por não possuir o alegado crédito os atributos de certeza e liquidez, sem os quais o correspondente débito não pode ser extinto, "ex vi" da determinação contida no art. 170 do • Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Deste modo, como não foi demonstrado cabalmente o direito creditório do Manifestante, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse os débitos da Empresa, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. Quanto ao argumento da Defesa de que erros ou equívocos não teriam o condão de transformarse em fatos geradores de impostos, cabe salientar que os eventuais erros ou equívocos somente serão desconsiderados quando a alegação da Defesa de que teria cometido um mero equívoco for devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, sem o que descabe tal alegação, ressaltado outrossim o que dispõe o § 4° do art. 16 do Decreto 70.235, de 06.03.1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir transcrito: "§ 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força • maior; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei '9.532, de 1997)" Deduzse portanto, rigorosamente de acordo com a Legislação Aplicável ao assunto apreciado, que o Contribuinte não dispõe de crédito líquido e certo, requisito indispensável para que seu Pleito de compensação seja acatado. No que concerne à jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, citado pela Defesa, há de se dizer, apenas, que se considera simples exemplificação da tese defendida pelo Manifestante/Impugnante, uma vez que não se constitui em normas complementares para o Despacho/Autuação ora apreciado, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN) e, portanto, não vincula as decisões desta Instância Julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a Decisão, consoante o disposto no Parecer Normativo CST 390/71: Quanto aos argumentos de Ilustres Conselheiros e/ou Juristas que estariam contrários ao Despacho/Lançamento verificado, observase que a Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida na legislação tributária, tais como os atos constantes do citado Documento analisado. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. E inócuo, então, suscitar tais alegações na Esfera Administrativa, pois a Autoridade Fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10380.913483/200987 Acórdão n.º 1001001.165 S1C0T1 Fl. 5 7 responsabilidade funcional, desrespeitar as normas dos atos, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. Já a DIPJ tem o cunho apenas informativo. A este respeito, temos a súmula 92 do CARF: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Consequentemente, não se trata de "escolher", como afirma a recorrente. Ela própria confessou seus débitos e o Fisco nada mais fez além de considerálos para fins de análise da compensação e decidiu de acordo com o que consta em seus sistemas. Assim, nego provimento ao presente recurso. Fl. 66DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902460/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 60 /2 01 5- 19 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10680.902460/201519 Acórdão n.º 1401003.205 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903201/2009-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
INFORMES DE RENDIMENTOS EMITIDOS PELAS FONTES PAGADORAS.
Os Informes de Rendimentos emitidos por fontes pagadoras, que indiquem a natureza, o rendimento e o valor retido deve ser aceito em obediência à legislação sobre a matéria.
Numero da decisão: 1003-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aceitar os Informes de Rendimentos emitidos pelas Scania e A Guerra, apresentados no recurso voluntário, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama (relator), que negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Bárbara Santos Guedes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. INFORMES DE RENDIMENTOS EMITIDOS PELAS FONTES PAGADORAS. Os Informes de Rendimentos emitidos por fontes pagadoras, que indiquem a natureza, o rendimento e o valor retido deve ser aceito em obediência à legislação sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aceitar os Informes de Rendimentos emitidos pelas Scania e A Guerra, apresentados no recurso voluntário, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama (relator), que negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Bárbara Santos Guedes. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 01 /2 00 9- 95 Fl. 293DF CARF MF 2 Bárbara Santos Guedes Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 03052754, de 20 de junho de 2013, da 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 09999.01270.091006.1.7.020562, em 09/10/2006, efls. 37, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao exercício 2003 (01/01/2002 a 31/12/2002), no valor de R$ 62.859,59 para compensação dos débitos ali confessados. A compensação declarada no PER/DCOMP n° 09999.01270.091006.1.7.02 0562 foi parcialmente homologada, tendo sido reconhecidos os seguintes créditos relativos a imposto de renda retido na fonte (efl. 09): Parcelas confirmadas: Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 88.665.146/000105 8045 2.106,54 1.965,46 141,08 Retençao Comprovada em DIRF 96.479.258/000191 8045 15.963,78 10.895,18 5.068,60 Retençao Comprovada em DIRF Total 18.070,32 12.860,64 5.209,68 Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que alega o seguinte: FATOS No período de apuração 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2002, tivemos de imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 62.859,59, conforme página 11 e 46 da DIPJ 2003, CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Confirmado 01.353.260/000103 6800 304,69 03.010.016/000173 5706 11,88 59.104.901/000176 8045 44.265,75 59.995.639/000105 8045 11,17 76.535.764/000143 5706 195,78 Total 44.789,27 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11020.903201/200995 Acórdão n.º 1003000.654 S1C0T3 Fl. 3 3 sendo que desse valor R$ 15.963,78 é do CNPJ 96.479.258/000191 da Scania Administradora de Consórcio S/C Ltda., onde o valor confirmado pela Receita Federal é de R$ 10.895,18; e R$ 2.106,54 é do CNPJ 88.665.146/000105 da A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários, onde o valor confirmado pela Receita Federal é de R$ 1.965,46; ocasionando uma diferença no valor de R$ 5.209,68, conforme despacho decisório acima mencionado. No ano base de 2002, nos recuperamos do imposto de renda retido na fonte incidente sobre as nossas notas fiscais de comissões de vendas, de acordo com os nossos recebimentos dos destinatários, conforme cópias das mesmas em anexo, perfazendo exatamente os valores pela empresa declarados na DIPJ. 2003 Portanto o valor do saldo negativo de R$ 25.086,70 calculados na DIPJ 2003, compensado através das PER/COMP nos 09999.01270.091006.1.7.020562 e 32034.70766.101006.1.3.024370, está correto, conforme detalhamento do crédito e comprovações. Diante do exposto, requer seja recebida e acolhida a presente manifestação, a fim de que surta seus legais e administrativos efeitos, em razão do quanto exposto, para o fim de tornar nulo despacho decisório no valor de R$ 6.179,68. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO. IR FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ afirmou que considerase como retidos na fonte apenas os valores informados pelas fontes pagadoras, utilizandose de formulários padronizados, aprovados pela Receita Federal. Em relação às cópias de notas fiscais apresentadas pela contribuinte afirmou que não eram hábeis a comprovar a retenção, eis que eram meras cópias ilegíveis e portanto imprestáveis para se comprovar o valor retido do imposto. Fl. 295DF CARF MF 4 Cientificada do acórdão em 08/08/2013 (efl. 199), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 03/09/2013 (efls. 201205), no qual alega o seguinte: Esclarecimentos sobre o valor R$ 5.068,60, da Scania Administradora de Consórcio S/C., segue abaixo: 1) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu a nota fiscal nr. 61933 em 30 de novembro de 2001, no valor de R$ 304.704,00 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 4.570,56 (em anexo), que somente se compensou do imposto no ano calendário de 2002, o qual foi informado pela Scania Administradora de Consórcio S/C. na DIRF. de 2002 ano calendário 2001, conforme comprovante da DIRF e relação das notas que compõe o valor da DIRF do ano calendário de 2001, em anexo, portanto a compensação ocorreu a posterior ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. 2) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu as notas fiscais nrs. 64684 em 11 de novembro de 2002, no valor de R$ 13.145,34 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 197,18, e a 64831 em 18 de dezembro de 2002, no valor de R$ 11.640,56 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 174,61 (notas em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2002, o qual somente foi informado pela Scania Administradora de Consórcio S/C. na DIRF. de 2004 ano calendário 2003, conforme comprovante da DIRF e relação das notas que compõe o valor da DIRF do ano calendário de 2003, em anexo, portanto a compensação ocorreu normalmente no próprio ano pela Brasdiesel S.A., ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. 3) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu as notas fiscais nrs. 62108 em 20 de dezembro de 2001, no valor de R$ 8.182,50 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 122,74, e a 62110 em 20 de dezembro de 2001, no valor de R$ 6.542,68 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 98,14 (notas em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2001, conforme diário auxiliar de duplicatas a receber, ficha razão da conta de duplicatas a receber e lista lote de baixa em anexo, o qual somente foi informado pela Scania Administradora de Consórcio S/C. na DIRF. de 2003 ano calendário 2002, conforme comprovante da DIRF e relação das notas que compõe o valor da DIRF do ano calendário de 2002, em anexo, portanto a compensação ocorreu normalmente no ano de 2001 pela Brasdiesel S.A., ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11020.903201/200995 Acórdão n.º 1003000.654 S1C0T3 Fl. 4 5 4) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu as notas fiscais nrs. 63205 em 14 de maio de 2002, no valor de R$ 10.623,11 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 159,35, e a 63469 em 13 de junho de 2002, no valor de R$ 13.547,99 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 203,22 (notas em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2002, conforme diário auxiliar de duplicatas a receber, fichas razão da conta de duplicatas a receber e listas lote de baixas, comprovando a devida retenção pela Scania Administradora de Consórcio S/C., portanto a compensação ocorreu normalmente no próprio ano pela Brasdiesel S.A. 5) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu a nota fiscal nr. 59493 em 06 de abril de 2002, no valor de R$ 1.029,74 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 15,45 (relatório de nota fiscal emitida, em anexo), que não se compensou do imposto no ano calendário de 2002, mas ocorreu a devida retenção e recolhimento pela Scania Administradora de Consórcio S/C., conforme comprovante da DIRF. 2003, ano calendário 2002 em anexo Esclarecimentos sobre o valor R$ 141,08 , da A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários, segue abaixo: 1) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu a nota fiscal nr. 113733 em 15 de janeiro de 2003, no valor de R$ 932,48 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 13,99 (nota, diário auxiliar de duplicatas a receber, razão e lista de lote de baixa em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2003, o qual foi informado pela A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários na DIRF. de 2003 ano calendário 2002, conforme comprovante da DIRF, em anexo, portanto a compensação ocorreu somente no ano calendário de 2003 pela Brasdiesel S.A., ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. 2) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu as notas fiscais nrs. 7888 em 02 de julho de 2001, no valor de R$ 5.192,25 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 77,88, e a 79221 em 10 de julho de 2001, no valor de R$ 9.523,34 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 142,85 (notas em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2002, o qual foi informado pela A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários na DIRF de 2002 ano calendário 2001, pois efetuou o credito da comissão no ano de 2001, portanto a compensação ocorreu posteriormente no ano de 2002 pela Brasdiesel S.A., ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. Em anexo diário auxiliar de Fl. 297DF CARF MF 6 duplicatas a receber, lista do lote de baixa e o razão da conta de IRF. a compensar. 3) A Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora emitiu as notas fiscais nrs 90189 em 05 de janeiro de 2002, no valor de R$ 1.043,62 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 15,65, e a 94592 em 26 de março de 2002, no valor de R$ 2.055,07 com um Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 30,83 (notas em anexo), que se compensou do imposto no ano calendário de 2002, o qual foi informado pela A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários na DIRF. de 2002 ano calendário 2001, pois efetuou o crédito da comissão no final do ano 2001, portanto a compensação ocorreu normalmente pela Brasdiesel S.A. no ano de 2002 período que emitiu as notas, ocasionando o não fechamento no critério da Receita Federal, em relação a DIRF. Em anexo, razão das duplicatas a receber, lista do lote de baixa e o diário auxiliar de duplicatas a receber. 4) A A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários, informou em sua DIRF (em anexo) de 2003, ano calendário 2002, no mês de dezembro, o valor de R$ 106,88 de IRRF, o qual a Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora somente emitiu as respectivas notas fiscais em 2003, portanto esse valor de IRRF esta compensado na DIPJ ano calendário 2003 exercício 2004. 5) A A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários, informou em sua DIRF (em anexo) de 2003, ano calendário 2002, no mês de fevereiro o valor de R$ 132,67 de IRRF, o qual a Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora somente considerou para compensação o valor de R$ 127,29, ocorrendo uma diferença de R$ 5,38. Com relação a essa diferença conferimos todas nossas notas fiscais emitidas nos anos de 2002 e 2001, não sendo a mesma localizada, portanto esse valor foi informado na DIRF a maior pela Guerra, mas não foi compensado pela Brasdiesel. 6) O valor de R$ 0,12, corresponde ao arredondamento entre as notas fiscais emitidas pela Brasdiesel S.A. Comercial e Importadora e a DIRF emitida pela A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários. A Recorrente apresentou cópia de notas fiscais, já apresentadas quando da manifestação de inconformidade e novos documentos, a seguir listados: Informe de rendimentos da Scania Administradora de Consórcios, do ano base 2001, onde consta a Recorrente como beneficiária dos pagamentos (efl. 231); Relatório de movimentação de notas fiscais do período 01/01/2001 a 31/12/2001, onde consta como emitente a Recorrente (efl.232233); Relatório de notas fiscais emitidas, de emissão de sistemas internos da Recorrente; Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.903201/200995 Acórdão n.º 1003000.654 S1C0T3 Fl. 5 7 Informe de rendimentos da Scania Administradora de Consórcios, do ano base 2003, onde consta a Recorrente como beneficiária dos pagamentos (efl. 236); Relatório de movimentação de notas fiscais do período 01/01/2003 a 31/12/2003, onde consta como emitente a Recorrente (efl.237); Informe de rendimentos da Scania Administradora de Consórcios, do ano base 2002, onde consta a Recorrente como beneficiária dos pagamentos (efl. 242); Relatório de movimentação de notas fiscais do período 01/01/2002 a 31/12/2002, onde consta como emitente a Recorrente (efl.243); Lista de lote de baixa, de emissão de sistemas internos da Recorrente; Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 20/12/2001 (efl. 245); Diário auxiliar de duplicatas a receber, sem a identificação do dia e ano, apenas a identificação que seria do mês de dezembro (efl. 246); Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 03/06/2002 (efl. 252); Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 13/06/2002 (efl. 252); Diário auxiliar de duplicatas a receber, sem a identificação do dia e ano, apenas a identificação que seria do mês de junho (efl. 2459260); Informe de rendimentos da Scania Administradora de Consórcios, do ano base 2002, com informação apenas do mês de abril e com data de emissão de 14/02/2003, onde consta a Recorrente como beneficiária dos pagamentos (efl. 261); DIRF do anocalendário 2002, da fonte pagadora A. Guerra Implementos Rodoviários,em que consta a Recorrente como beneficiária (efl.264), emitida em 27/01/2003; Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 16/01/2003 (efl. 266) Diário auxiliar de duplicatas a receber, sem a identificação do dia e ano, apenas a identificação que seria do mês de janeiro (efl. 269); Diário auxiliar de duplicatas a receber, sem a identificação do dia e ano, apenas a identificação que seria do mês de julho (efl. 277278); Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 08/01/2002 (efl. 280); Razão das conta 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar , do dia 27/03/2002 (efl. 284) Fl. 299DF CARF MF 8 Diário auxiliar de duplicatas a receber, sem a identificação do dia e ano, apenas a identificação que seria do mês de março (efl. 287288); DIRF do anocalendário 2002, da fonte pagadora A. Guerra Implementos Rodoviários,em que consta a Recorrente como beneficiária (efl.289), emitida em 27/01/2003; DIRF do anocalendário 2002, da fonte pagadora A. Guerra Implementos Rodoviários,em que consta a Recorrente como beneficiária (efl.290), emitida em 27/01/2003; Ao final, a Recorrente requereu o acolhimento do recurso voluntário e a reforma do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. De início cumpre registrar, corroborando o que foi constatado pela DRJ, que as cópias das notas fiscais juntadas aos autos nesta fase recursal estão ilegíveis, impossibilitando a análise do imposto de renda retido na fonte. Também digno de nota que os "Informes de Rendimento" de Scania Administradora de Consórcios,acostados às efls. 231, 236, 242 e 261 além de não estarem no formato padrão exigido pela Secretaria da Receita Federal, não contém a assinatura dos emitentes. Além disso, os "Informes de Rendimento" de Scania Administradora de Consórcios,acostados às efls. 231,e 236 contém informações relativas a supostos pagamentos e retenções ocorridas nos anoscalendário 2001 e 2003, respectivamente,e por se referirem a período de apuração diferente do que está sendo analisado (01/01/2002 a 31/12/2002), não poderão ser considerados para fins de apuração do saldo negativo. Em relação a fonte pagadora A.Guerra S/A implementos rodoviários, a Recorrente juntou dois Informes de rendimento, estes no formato padrão exigido pela Secretaria da Receita Federal às efls 289 e 290, porém sem a assinatura dos emitentes. A Recorrente também apresentou cópia do razão das contas 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar. Porém as que foram acostadas às efls. 245 e 266 são dos anoscalendário 2001 e 2003, respectivamente. Por isso não poderão ser considerados, por serem de período diferente de apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. Além disso, o razão das contas 1.1.2.02.00005 Duplicatas a Receber e 1.1.2.27.00048 Imposto de renda a compensar às efls. 252, 280 e 284, relativas ao ano calendário 2002, não possibilitam a identificação clara da operação, impossibilitando atestar a veracidade das retenções, e por não informarem a contrapartida, não é possível verificar se foram oferecidas à tributação. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.903201/200995 Acórdão n.º 1003000.654 S1C0T3 Fl. 6 9 Ademais, vislumbro que a Recorrente ocupouse em apresentar os documentos que supõe aptos a comprovar as suas alegações. Contudo não há articulação, detalhamento analítico entre os documentos e fundamentação com análise e conclusões que se poderiam extrair da escrita contábil e fiscal a fim de demonstrar o fato jurídico de direito ao crédito pleiteado. Não cabe ao julgador, em instância administrativa do contencioso realizar o trabalho de auditoria que cabe exclusivamente a Recorrente para defesa de seus interesses. O artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; e no presente caso entendendo que apesar da quantidade de documentos apresentados pela Recorrente, não foram suficientes para formar um conjunto probatório robusto, capaz de convencer esse julgador da certeza do crédito tributário pleiteado. Dessa forma, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Voto Vencedor Conselheira Bárbara Santos Guedes, Redatora Designada Com a devida vênia ao entendimento do Ilustre Conselheiro Relator abro divergência no que se refere aos informes de rendimentos emitidos pelas empresas Scania Administradora de Consórcios Ltda. e A Guerra S/A Implementos Rodoviários, acostados aos autos no recurso voluntário. O Ilmo. Relator não acolheu os Informes de Rendimentos emitidos pela empresa Scania Administradora de Consórcios, referente ao Ano calendário de 2002, por não estarem no formato padrão exigido pela Secretaria da Receita Federal e por não conter assinatura dos emitentes. Igualmente, em relação ao Informe de Rendimento apresentado pela empresa A.Guerra S/A Implementos Rodoviários, às efls 289 e 290, o mesmo não foi acolhido por não estar assinado. Dispõe o artigo 55 da Lei n°7.450/85 (art. 943, do Decreto n° 3.000/99): Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, a legislação, nos casos como o ora analisado, condiciona a possibilidade do IRRF ser objeto de compensação (ou deduzido) com valor do Imposto de Renda a ser pago, à exibição do informe de rendimentos expedido pelo tomador do serviço ou da declaração de informações de retenções – DIRF. Neste sentido, é o entendimento deste colegiado: Fl. 301DF CARF MF 10 RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. (Acórdão nº 1801001.507, Sessão de 09 de julho de 2013) A exigência de apresentação do informe de rendimentos por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à própria contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. No caso dos autos, a Recorrente juntou os informes de rendimentos, contudo os mesmos não foram aceitos por razões formais Observese, ainda, que o Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, quando trata da obrigatoriedade do informe de rendimento, determina que poderá ser compensado o imposto retido desde que o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (§2º do art. 942). Ainda quanto às exigências, dispõe o Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, o documento deve, além de ser emitido em nome do contribuinte pela fonte pagadora, deve também indicar a natureza e o montante dos pagamentos e das deduções (art. 987 e 988). Em relação ao Informe de Rendimentos emitido pela Scania (efls. 242 e 261), verificase ter sido elaborado com papel timbrado da empresa, indicando endereço e CNPJ da fonte pagadora, bem como foi emitido em nome da empresa Recorrente, indicando o CNPJ dessa. É relevante notar que a empresa Recorrente juntou diversos Informes de Rendimentos emitidos pela empresa Scania, contudo o único referente ao ano calendário de 2002 é aquele acostado às efls. 242 e 261, os quais entendo devem ser aceitos para fins de comprovar a retenção realizada no ano de 2002. Sobre o Informe emitido pela empresa A Guerra, foi igualmente emitido indicando os dados da fonte pagadora como do contribuinte, indicando os valores do rendimento e o imposto retido no ano calendário de 2002. Vêse, portanto, que os informes de rendimentos apresentados por essas empresas atendem ao disposto na legislação e devem ser considerados para fins de comprovação da retenção sofrida pela Recorrente no ano calendário de 2002. Do exposto, voto por julgar procedente em parte o recurso voluntário, para aceitar os Informes de Rendimentos emitidos pela empresa Scania Administradora de Consórcios, referente ao ano de 2002 (efls. 242 e 261) e A Guerra Implementos Rodoviários, (efls 289 e 290), apresentados no recurso voluntário. Em razão disso, deve o processo retornar para a DRF de origem para refazer o cálculo, considerando esses informes de rendimentos, para fins de homologação da PER/DCOMP objeto deste processo total ou parcialmente. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900011/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2013 a 30/06/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.818
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900011/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.818 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2013 a 30/06/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 11 /2 01 4- 11 Fl. 612DF CARF MF Processo nº 16682.900011/201411 Acórdão n.º 3302006.818 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.963. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16682.900011/201411 Acórdão n.º 3302006.818 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16682.900011/201411 Acórdão n.º 3302006.818 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16682.900011/201411 Acórdão n.º 3302006.818 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16682.900011/201411 Acórdão n.º 3302006.818 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 617DF CARF MF
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