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Numero do processo: 11516.000925/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
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CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 25 /2 00 9- 11 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 3 2 lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.874, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008 COFINS NÃO CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 4 3 créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. ” Embargos de Declaração foram opostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, alegando que o voto condutor do acórdão não se declinou sobre o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições. O Colegiado a quo apreciando os Embargos de Declaração, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, para efeito de crédito do tributo, a legislação citada esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 5 4 que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Em Despacho às fls. 341 a 344, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando contradição e obscuridade para fins de pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentados pelo sujeito passivo, que trouxe que não se deve considerar o creditamento na apuração não cumulativa das contribuições PIS e Cofins restrito aos princípios aplicáveis à apuração do IPI e do ICMS. Em Despacho às fls. 466 a 471, os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargada. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão na parte e nos itens em que assim não proveu o recurso voluntário – gastos com pessoal, de natureza remuneratória aos respectivos funcionários pessoas físicas, mas com fornecedores pessoas jurídicas, transporte, alimentação, lanches, leite, exames clínicos e laboratoriais, uniformes a empregados, portaria, vigilância e motoristas no transporte de pessoal a trabalhos da empresa. Em Despacho às fls. 560 a 564, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, admitindo a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo que deve ser adotado no âmbito das contribuições ao PIS e Cofins não cumulativos. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, trazendo, em síntese, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar o insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 7 6 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 8 7 Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 9 8 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 10 9 cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 11 10 na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 12 11 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 13 12 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 14 13 Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 15 14 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 16 15 considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 17 16 ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 18 17 ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 19 18 do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 20 19 Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 21 20 notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 22 21 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 23 22 “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 24 23 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 25 24 prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 26 25 Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 28 27 nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 29 28 imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 30 29 (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 31 30 conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 615DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720056/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PROVAS.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, presta-se a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitando-se, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO
Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente.
OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS.
Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS.
A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplica-se às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sócios-administradores de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1401-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, tanto da Contribuinte quanto do apontado como responsável solidário, o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 PROVAS.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, presta-se a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitando-se, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplica-se às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sócios-administradores de pessoas jurídicas de direito privado.
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Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitandose, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 56 /2 01 6- 51 Fl. 1829DF CARF MF 2 fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplicase às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sóciosadministradores de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, tanto da Contribuinte quanto do apontado como responsável solidário, o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.830 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1464.763, de 16 de março de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Da Exigência Fiscal Tratase de autos de infração lavrados contra o sujeito passivo, em 9/5/2016, a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ (fls. 1.548 a 1.556), com reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL fls. 1.557 a 1.565), na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins fls. 1.566 a 1.575) e na Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep fls. 1.576 a 1.585), anocalendário 2012, acrescidos de multa de ofício qualificada (150%), além de juros de mora, no montante de R$ 19.361.509,44, assim discriminado: IRPJ CSLL COFINS Fl. 1831DF CARF MF 4 PIS Do Relatório Fiscal Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.518 a 1.547), relativamente à constituição do quadro societário da impugnante e de empresa a ela relacionada, destacamse os seguintes trechos, abaixo transcritos: [...] Conforme atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, a fiscalizada foi constituída em 08/08/2003, sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, tendo por objeto social a "industrialização e comércio de embalagens plásticas, podendo ser estendido ou modificado, a critério dos sócios e mediante alteração contratual devidamente registrada no Órgão competente”, e figurando como sócios ROSÂNGELA MARIA MARTINS THEES, CPF 604.546.44604, SÃO BARTOLOMEU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 05.663.472/000148, e PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último com poderes exclusivos para administrar a empresa. À sociedade deuse o nome empresarial de HIPERROLL EMBALAGENS LTDA, com sede na Rua Ambrosina Nunes Lima, nº 114, Jóquei Clube, CEP 36.083710, Juiz de Fora / MG [...] [...]em 25/02/2004, alterouse o endereço da Rua Ambrosina Nunes Lima, nº 114, Jóquei Clube, CEP 36.083710, Juiz de Fora / MG, para a Rua José Basílio da Costa, nº 05, Jóquei Clube, CEP 36.083720, Juiz de Fora / MG. [...] em 16/03/2004, alterouse o endereço da na Rua José Basílio da Costa, nº 05, Jóquei Clube, CEP 36.083720, Juiz de Fora / MG, para a Avenida Antônio Simão Firjam, nº 140, Distrito Industrial, Bairro Benfica, CEP 36.092000, Juiz de Fora / MG. Em 16/01/2007 (data de registro), através da 6ª Alteração do Contrato Social, retiraramse da sociedade os sócios ROSÂNGELA MARIA MARTINS Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.831 5 THEES e SÃO BARTOLOMEU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., sendo admitidos PEDRO PAULO DE ALMEIDA, CPF 093.170.58604, e JOSE VENICIO ALMEIDA DOS REIS, CPF 757.777.62620, este último com poderes para administrar a sociedade juntamente com o sócio PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. Ainda, transferiuse a filial situada na Rua Silva Vidal Lage, nº 115, bairro Jóquei Clube, Juiz de Fora / MG, para a Rua João Henrique Vila Real, nº 376, Galpão 102 A, Bairro Jardim São José – Vitorino Braga, Juiz de Fora / MG, CEP 36.060 280. [...] em 12/09/2007, efetuouse a transferência da Matriz, estabelecida na Avenida Antônio Simão Firjam, nº 140, Distrito Industrial, Bairro Benfica, CEP 36.092000, Juiz de Fora / MG, para a Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, nº 1719, CEP 25.803060, Cantagalo, Três Rios / RJ. [...] Também em 12/09/2007 (data de registro), alterouse o endereço da Matriz para a Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Duque de Caxias / RJ, CEP 25.020210. Na data de 29/04/2009 (data de registro da alteração contratual), retirouse da sociedade o sócio PEDRO PAULO DE ALMEIDA, transferindo suas cotas aos sócios PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO e JOSÉ VENICIO ALMEIDA DOS REIS. Em 23/09/2009, (data de registro da alteração contratual), retirase da sociedade JOSÉ VENICIO ALMEIDA DOS REIS, transferindo suas cotas a PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. Por Alteração Contratual registrada em 06/01/2010, é admitido na sociedade IVAN MELLO DA SILVEIRA, CPF 859.484.97704, sem poderes de administração. Também, são criadas a Filial 02, estabelecida na Rua Belo Horizonte, nº 414, Vila Isabel, Três Rios –RJ, CEP 25.815140, e a Filial 03, estabelecida na Av. Antonio Simão Firjam, nº 240, galpão 11, Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, CEP 36.092000. Conforme Alteração Contratual registrada em 16/04/2010, o sócio IVAN MELLO DA SILVEIRA transfere todas as suas cotas ao sócio PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. É admitido na sociedade, em 18/10/2010 (data de registro da alteração contratual), RENATO CESAR DE ALMEIDA, CPF 283.950.00600, sem poderes de administração. Ainda, extinguese a Filial 03, que estava estabelecida na Avenida Antonio Simão Firjam, nº 240, galpão 11, bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG. Em 22/10/2012 (data de registro), retificase o endereço da Filial 01, CNPJ 05.937.109/000254, para Avenida Antonio Simão Firjam, nº 140, bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, CEP 36.092000. A Filial 02, CNPJ 05.937.109/000335, é transferida para a Estrada União Industria, nº 40, Km 122, Anexo III, Bairro do Cantagalo, Três Rios – RJ, CEP 25.805335, conforme Alteração Contratual registrada em 16/10/2015. [...] no ano fiscalizado a sociedade era sediada na Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Duque de Caxias / RJ, CEP 25.020 210, com uma das filiais, com o CNPJ sob o nº CNPJ 05.937.109/000254, estabelecida na Avenida Antonio Simão Firjam, nº 240 (retificado para 140), bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, figurando sócios RENATO CESAR DE ALMEIDA, CPF 283.950.00600, e PAULO Fl. 1833DF CARF MF 6 ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último com poderes para administrar a sociedade. Tal situação permanece até a presente data. [...] Em ação fiscal junto à empresa REPLASTIC INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE PLÁSTICOS LTDA., desenvolvida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora, esta, por meio do Ofício nº 86/2013/SAFIS/DRF/JFAMG, obteve junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) – Delegacia Fiscal de Juiz de Fora um relatório vinculado à denominada “Operação Sudeste”, deflagrada pelo Fisco em parceria com o Ministério Público, que consistiu em ações de investigação e apreensão de documentos em empresas do grupo empresarial denominado “Papelplastic”, estando dentre os investigados HIPERROLL EMBALAGENS LTDA. e HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA. A Delegacia Fiscal de Juiz de Fora da SEF/MG descreve no “Relatório de Apuração” de 26/07/2012, cuja cópia segue anexa, os fatos que ensejaram a investigação, como segue: "[...] indício de simulação de venda de mercadoria da empresa mineira HIPERROL para a empresa HWR, em Três Rios RJ, pela metade do valor real da operação. A HWR estaria revendendo a mesma carga, pelo dobro do valor da entrada, para outro contribuinte do Rio de Janeiro, aproveitandose de benefício fiscal do Fisco fluminense" [...] Nesse sentido, identificou a seguinte fraude nas operações da fiscalizada relacionada às operações da HWR, então relatada: "[...] ficou evidenciada a fraude que demonstra que as empresas HWR e HRROLL são intimamente ligadas à HIPERROLL [...]" “Foi encontrado um pedido de compra emitido pela HIPERROLL em 15/08/2011. Em 19/08 é recebida a mercadoria encomendada por meio de uma NFe da empresa HWR. Por sua vez, a HIPERROLL emite NFe da mesma mercadoria, na mesma data, para a HWR, porém com valor cerca de 43% menor. Em data de 16/08/2011, verificase um depósito no Banco Bradesco do valor total da operação, numa conta da HRROLL.” Concluiu, ainda, que os verdadeiros proprietários do “Grupo Papelplastic” e das empresas HRROLL e HWR são PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, e FERNANDO ANTÔNIO SILVA ITAGIBA, CPF 605.821.38604 [...] As conclusões do fisco estadual de Minas Gerais estão abaixo transcritas: “As informações contidas neste relatório são suficientes para provar que a empresa que se autodenomina PAPELPLASTIC, que atua na fabricação e comércio de embalagens, composta por uma matriz e quatro filiais, é, na verdade, um grupo de treze empresas distintas, que neste relatório denominamos Grupo Papelplastic, cujos proprietários, de fato, são Paulo Roberto Paschoalino Machado e Fernando Antônio Silva Itagiba. [...] Na formação dos quadros societários dessas empresas são interpostas pessoas, tais como “laranjas” ou “testasdeferro”, para tanto utilizandose de parentes dos reais proprietários ou pessoas diversas. [...] HIPERROLL EMBALAGENS LTDA, uma das empresas do Grupo Papelplastic, vem se utilizando de empresas fictícias, criadas no Estado do Rio de Janeiro, com intuito de auferir reduções de impostos, se aproveitando de benefícios fiscais concedidos naquele estado, agindo por meio de triangulação de suas operações. A HIPERROLL vende mercadoria subfaturada para tais empresas fictícias, e estas, por sua vez, repassam a mesma Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.832 7 mercadoria pelo dobro do valor para os destinatários reais, aproveitandose de benefícios fiscais do Rio de Janeiro, tais como a Lei 4533/2005, que autoriza o recolhimento de 2% sobre o valor do faturamento. [...]" [...] Procedeuse à diligência junto à empresa HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA., CNPJ nº 07.628.008/000146, amparada no RPFD 07.1.03.002014006269. [...] [...]constatouse que HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é empresa inexistente de fato. Tal conclusão encontra amparo, ainda, nas apurações do fisco estadual mineiro, que assim se manifestou em seu “Relatório de Apuração”: “O estabelecimento matriz da HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, tinha endereço comercial no município de Cabo Frio – RJ, consoante dados da Receita Federal. Descoberta a inexistência física do estabelecimento, foi publicado Ato Declaratório em 10/8/2007, tornando falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa, autorizadas ou não. Em dezembro de 2007, esta empresa, que de fato não existia, altera seu contrato social, mudando o endereço para Duque de Caxias – RJ. Em maio de 2009, mudase novamente, desta vez para o município de Três Rios – RJ.” [...] Face ao que foi constatado pelas diversas autoridades fiscais e uma vez que improfícuas as mencionadas tentativas de entrega do Termo de Diligência, verifica se que a empresa HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA., CNPJ nº 07.628.008/000146, enquadrase na situação prevista no inciso II do art. 37, combinado com o inciso II do art. 39, da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014, o que dá ensejo à declaração de sua inaptidão. A HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda. (HWR) foi constituída em 21/9/2005, tendo por objeto indústria e comércio de embalagens, com sede na cidade de Cabo Frio/RJ, bairro Braga. Figuravam como sócios JOÃO LUCIO MATOS DE OLIVEIRA, CPF nº 969.913.64649, e IVAN MELLO DA SILVEIRA, CPF nº 859.464.97704, a quem cabia a administração da sociedade. O Relatório Fiscal destaca diversas alterações contratuais que foram realizadas na HWR, além de outros fatos, indicando a estreita relação dela com a Hiperroll, a saber: 1. Em 31/8/2006, mudança da sede para o Centro da cidade de Cabo Frio/RJ; 2. Em 7/12/2007, alteração da sede para Rua Manoel Vieira, nº 74, box 203, Centro, Duque de Caxias/RJ. No Box 207 do mesmo edifício era a sede da Hiperroll; 3. Em 29/8/2008, a HWR aprova a assunção de obrigação em favor da Hiperroll, para garantir operação de crédito no valor de R$ 3.500.000,00, junto ao Banco Industrial e Comercial S/A, conforme registro arquivado na JUCERJA; 4. Em 26/5/2009, a sede da HWR passa para a Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, nº 1719, Cantagalo, Três Rios/RJ. Este endereço constou como sede da Hiperroll, conforme alteração contratual de 1/8/2007, registrada na JUCERJA em 12/9/2007; Fl. 1835DF CARF MF 8 5. Em 6/1/2010, IVAN MELLO DA SILVEIRA retirase da sociedade e é admitido LICERIO RIBEIRO DE OLIVEIRA JUNIOR, CPF 012.601.49650. A administração da empresa passa para JOÃO LUCIO MATOS DE OLIVEIRA; 6. Em 16/4/2010, IVAN MELLO DA SILVEIRA, cerca de 3 (três) meses depois de ter saído da HWR, ingressou como sócio da Hiperroll. 7. Em 17/12/2010, a HWR autoriza prestação de garantia de cessão fiduciária relativa a obrigações assumidas por Hiperroll, em face de contratação de empréstimos junto ao Banco BVA S/A, conforme registro na JUCERJA; 8. Em 20/12/2010, o nome empresarial passa para HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda.; A autoridade autuante registra que 95,58% das vendas da Hiperroll eram destinadas à HWR, o que, por sua vez, correspondia a 98,25% das compras desta última. O Auditor Fiscal destaca que os códigos internos dos produtos vendidos pela impugnante, indicados nos documentos fiscais, eram os mesmos adotados pela HWR. A HWR foi caracterizada como inexistente de fato, a partir de várias evidências identificadas pelo Fisco Mineiro. Os sócios dessa empresa possuíam baixa capacidade econômica, incompatível com a condição de uma empresa que movimenta milhões de reais. Especificamente em relação ao sócio LICERIO RIBEIRO DE OLIVEIRA JUNIOR, foi apurado o seguinte: 1. ele reside a 360km da sede da HWR; 2. participa do como sócio na empresa Comércio de Produtos Alimentícios Itapeva Ltda., suspensa no cadastro da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Minas Gerais (SEF/MG); 3. integra como sócio a Ferluz Comércio de Sucatas Ltda., sita em Itaquaquecetuba, Estado de São Paulo, distante 430 km de seu domicílio; 4. possui dois veículos, um Volkswagen Gol, ano 2000, e um Fiat Pálio, ano 2007; 5. nos anos de 2006 e 2007 foi empregado da Center Serviços Postais e Comerciais Ltda. ME, sita em Campo Belo/MG, com remuneração média de 1,16 Salários Mínimos, e de 2008 a 2010 trabalhou na Farmácia Equilibrium Ltda. ME, também de Campo Belo/MG, com média salarial de R$ 510,00. Licério ingressou na HWR em janeiro de 2009; 6. atualmente, além de sócio da HWR e Ferluz, Licério era empregado da Café Itaú Ltda., sita em Perdões/MG, com salário contratual de R$ 939,87, na função de vendedor pracista; 7. na última DIRPF entregue por Licério, anocalendário 2012, constam como bens e direitos quotas da empresa Comércio de Produtos Alimentícios Itupeva e da HWR, da qual teria recebido R$ 40.000,00 de rendimentos tributáveis, sendo estes os únicos rendimentos informados em sua Declaração de Rendimentos. Com relação a JOÃO LÚCIO MATOS DE OLIVEIRA, a autoridade fiscal transcreve o seguinte relato do Fisco Mineiro: “João Lucio Matos de Oliveira, mineiro de Jequitinhonha, que tem endereço cadastrado na concessionária VIVO em ContagemMG, situado a mais de 600 Km da sede da empresa HWR. Além disso, sua residência, segundo e cadastro da Receita Federal, localizase em Cabo FrioRJ. Além de sócio da empresa HWR de Três RiosRJ, faz parte do Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.833 9 quadro societário da Fundição Nacional de Metais Ltda., em Cabo FrioRJ, e da Duvalle Comércio de Cosméticos Ltda. ME, em BrasíliaDF, cujas distâncias podem superar os 700 Km de sua residência em Cabo Frio ou Contagem, conforme cadastros. Curiosamente, tendo tantas participações em empresas, possui um automóvel Ford Escort ano 1986.” Na Declaração de Rendimentos de João Lúcio, anocalendário de 2013, os únicos bens e direitos informados são as quotas da HWR, da qual teria recebido rendimentos de R$ 24.000,00, e dois veículos: Ford/Escort L, ano 1986, e VW/Apolo GL, ano 1992. No Termo de Verificação Fiscal o Auditor Fiscal também registra a existência de processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde figura como requerente um empresa paulista e como requerido "Hiperroll HWR Indústria e Comércio de Embalagens Ltda. Acerca do exsócio da HWR IVAN MELLO DA SILVEIRA, o Relatório Fiscal informa que, por meio de pesquisa na internet (Google), verificou que ele foi preso em fevereiro de 2013, por formação de quadrilha especializada em sonegação, com utilização de empresas de fachada, que valiase de notas fiscais frias. Ainda no tocante à HWR, a autoridade autuante traz as seguintes informações: De acordo com consulta à Inscrição Estadual, em anexo, a empresa HWR está com sua situação cadastral enquadrada como “IMPEDIDO”, estando sua inscrição estadual (nº 78.001.593) desativada de ofício desde 27/10/2005. [...] constatouse que seu cadastro está na situação “NÃO HABILITADO”, desde de 27/10/2005, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. Corroborando os dados cadastrais, há a informação do fisco mineiro, já transcrita anteriormente, informando que, uma vez descoberta a inexistência física da empresa, foi publicado Ato Declaratório em 10/8/2007, que tornou falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa, autorizadas ou não. Também, a Inscrição Estadual da fiscalizada HIPERROLL, sob o nº 78.419.768, encontrase na situação cadastral “IMPEDIDO”, desativada de ofício a partir de 17/04/2013. No período fiscalizado, a empresa HWR possuía apenas um funcionário, conforme dados da GFIP, situação incompatível com uma empresa que no aludido ano possuía mais de 1.300 clientes (estabelecimentos destinatários de notas fiscais por ela emitidas, relativas a vendas), tendo emitido mais de 7.000 notas fiscais. Verificouse que a empresa HWR é devedora contumaz, tendo declarado em DCTF, desde sua constituição, débitos no total de R$ 10.598.071,06, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (2008 a 2012), e recolhido irrisórios R$ 3.294,21 de tributos federais, o que reforça o entendimento de que se trata de empresa de fachada. Em relação ao período fiscalizado (AC 2012), não apresentou DIPJ. Face à robustez dos fatos e indícios levantados pelas diversas autoridades do fisco, tanto estadual quanto federal, os quais estão relatados no presente Termo, concluise que a HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é na verdade empresa de fachada, “Sociedade Inexistente de Fato”, constituída por sócios “laranjas”, interpostas pessoas, com objetivo de permitir a sonegação de tributos, protegendo a fiscalizada de responsabilidade legal, e que, portanto, seus atos constitutivos estão eivados de falsidade ideológica. Fl. 1837DF CARF MF 10 Com base nas evidências acima, o Auditor Fiscal concluiu que a Hiperroll, no anocalendário de 2012, subfaturava documentos fiscais destinados para a HWR, que emitia um segundo documento fiscal para o destinatário final, por valor superior de 14% a 60% A fiscalização apurou itens de notas fiscais coincidentes em "Data de Emissão da NF", "Código da Mercadoria" e "Quantidade", e a partir dessas informações identificou vendas destinadas à HWR com valores subfaturados. A autoridade fiscal também registra que foram identificadas coincidências com relação aos transportadores, que apesar de não serem os mesmos, existiam correlações entre eles que evidenciavam ter havido uma única movimentação de mercadorias. A autoridade fiscal cita como exemplo a Transportadora Chuá Ltda. e Washington Souza Silva, sócioadministrador desta empresa, cujas operações, somadas, envolveram mais de R$ 17 milhões de notas fiscais emitidas por HWR. Também são citados como transportadores, ou do emitente ou do destinatário, Nelson Gomes Rodrigues, empregado da Papelplastic Transportes e Distribuição Ltda., e Sérgio Luiz Reis, sócio da Distribuidora Papelplastic de Embalagens e Descartáveis Ltda. Ambas as empresas pertencem ao Grupo Papelplastic. As receitas omitidas da contribuinte, para fins de exigência do IRPJ e tributos reflexos, foram apuradas pelas diferenças entre as notas fiscais emitidas pela Hiperroll e pela HWR, considerando as saídas com CFOP representativos de "receita bruta" (CFOP 6101, 6401 e 6910, da HIPERROL, e CFOP 5102, 5405, 6101, 6102, e 6404, da HWR). Tais receitas encontramse discriminadas, por mês de apuração, no "Demonstrativo de Apuração de Omissão de Receitas HWR X HIPERROLL" (fls 818 a 1.517). Com relação à Contribuição para o Pis/Pasep e à Cofins, considerando que a impugnante apurou o IRPJ pelo Lucro Real, a autoridade autuante apurou as correspondentes exigências pelo regime não cumulativo, salientando que, conforme informações na Dacon e na DCTF, não havia apuração/declaração de débitos a pagar a título dessa contribuições. No tocante aos créditos de Pis e Cofins, o Auditor Fiscal informa que os créditos remanescentes do anocalendário de 2012 foram aproveitados em períodos de apuração subsequentes, motivo pelo qual nos os considerou nos lançamentos formalizados neste processo. Em face da inexistência de fato da HWR, conforme relato da fiscalização a omissão de receitas foi direcionada integralmente para a Hiperroll, considerada como verdadeira dona e beneficiária do negócio, com base nos artigos 116, 118, 121 e 124 do da Lei 5.172/1966 (CTN) e nos artigos 104, 107, 166, 167, 168, 171 e 172 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). A autoridade fiscal identificou a caracterização de dolo, conduta fraudulenta, para os fins de formalização de Representação Fiscal para Fins Penais e aplicação de multa de ofício qualificada. Eis as conclusões da fiscalização: 36. Considerando tudo o que foi até aqui exposto, o conjunto fático resumido a seguir aponta, prima facie, para a ocorrência de dolo específico por parte do sujeito passivo, objetivando suprimir ou reduzir tributo mediante conduta fraudulenta, e indício de crimes contra a ordem tributária tipificados nos artigos Io e 2o da Lei n° 8.137/90, o que obriga a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada nos autos digitais do Processo Administrativo nº. 15563.720061/2016 64, em cumprimento ao disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/98, nos artigos 1º, 3º a 7º da Portaria RFB nº 2.439/10, com as alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11, no art. 116, incisos VI e XII, da Lei nº 8.112/90 (Regime Jurídico Único) e no art. 16 da Lei n° 8.137/90. Segue, abaixo, exposição abreviada do conjunto dos fatos apurados: · A Delegacia Fiscal de Juiz de Fora da SEF/MG identificou que a fiscalizada HIPERROLL, com outras empresas do "Grupo Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.834 11 Papelplastic", agia em conjunto com a HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA, por meio de operações simuladas, de maneira a se eximir do valor integral do imposto devido ao Estado de Minas Gerais. Na presente ação| fiscal, chegou se à conclusão que o mesmo era feito com o intuito de suprimir tributos federais. · O fisco mineiro concluiu, ainda, que os verdadeiros proprietários do "Grupo Papelplastic" São FERNANDO ANTÔNIO SILVA ITAGIBA, CPF 605.821.38604, e PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último sócio administrador da fiscalizada desde sua constituição. · Não foi possível localizar a empresa HWR, tanto no endereço do estabelecimento matriz, como nos de suas filiais. Foram efetuadas diligências no curso da presente ação fiscal, em procedimentos anteriores desenvolvidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora / MG e pelo fisco mineiro, esta última relatada no "Anexo 3" do "Relatório de Apuração" datado de 26/07/2012, ano objeto da presente fiscalização. Em nenhuma das oportunidades se logrou localizar a empresa. · O Sr. IVAN MELLO DA SILVEIRA figurou no quadro social da HWR e por um curto período no quadro social da fiscalizada HIPERROLL. Segundo informações extraídas da internet pela DRF em Juiz de Fora MG, IVAN MELLO DA SILVEIRA foi preso por formação de quadrilha especializada em sonegação, na denominada "Operação Sudeste". · Conforme Atos Constitutivos e alterações, a fiscalizada já teve sede na Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, n° 1719, CEP 25.803 060, Cantagalo, Três Rios / RJ, mesmo endereço da sede atual da HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA. · Ambas as empresas, HIPERROLL e HWR, já tiveram sede no mesmo edifício, situado Rua Manoel Vieira, Centro, Duque de Caxias RJ, diferindo apenas o box. · Os sócios da HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA, por Ata de Reunião de Sócios registrada na JUCERJA, aprovaram a assunção de obrigação em favor da HIPERROLL, para garantir operação de crédito celebrada junto ao BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL SA., no valor R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais). Também, em outro ato, autorizaram a prestação de garantia de cessão fiduciária relativas a obrigações assumidas por HIPERROLL pela contratação de empréstimos junto ao BANCO BVA SA. · A HIPERROL vendia quase toda a sua produção para a HWR (95,58%), o que, por sua vez, correspondia a 98,25% das compras desta última, consideradas as notas fiscais eletrônicas a ela destinadas. · Os códigos internos dos produtos vendidos pela fiscalizada, indicados nos documentos fiscais, são os mesmos adotados pela HWR, o que demonstra a relação íntima entre as empresas. Fl. 1839DF CARF MF 12 · Há elementos que demonstram que os sócios de direito da HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA possuem baixa capacidade econômica, incompatível com a condição de sócios de empresa que movimenta milhões de reais. · Tramitou na Justiça de São Paulo processo sob o n° 142.01.2011.000005 em que figurou como requerido "HIPERROLL HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA". · De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (nº 78.001.593) desativada de ofício desde 27/10/2005. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 27/10/2005, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. · A Inscrição Estadual da fiscalizada HIPERROLL, sob o n° 78.419.768, encontrase na situação cadastral "IMPEDIDO", desativada de ofício a partir de 17/04/2013. · A emprega HWR é devedora contumaz, tendo declarado em DCTF, desde sua constituição, débitos no total de R$ 10.598.071,06, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (2008 a 2012), e recolhido irrisórios R$ 3.294,21 de tributos federais, o que reforça o entendimento de q e se trata de "Sociedade Inexistente de Fato". Em relação ao período fiscalizado (AC 2012), não apresentou DIPJ. · Os fatos e indícios levantados levam à conclusão de que a HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é na verdade empresa de fachada, "Sociedade Inexistente de Fato", constituída por sócios "laranjas", interpostas pessoas, estando seus atos constitutivos eivados de falsidade ideológica. A conduta evidencia o objetivo de permitir a sonegação de tributos, protegendo a empresa fiscalizada de responsabilidade legal e prejudicando os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido. 37. Ademais, o conjunto fático relatado denota que o sujeito passivo e seu responsável agiram com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento ou a ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos no AnoCalendário 2012, mediante conduta fraudulenta nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que impõe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, portanto, a aplicação de multa qualificada de 150%. Com relação à responsabilidade solidária, a autoridade fiscal concluiu que pelo conjunto dos fatos relatados houve flagrante violação, dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva, da lei civil, comercial e tributária, praticadas pelo sócio administrador Paulo Roberto Paschoalino Machado. Trouxe como enquadramento legal os arts. 121, 124 e 135, caput, II e III, do CTN, art. 10, in fine, do Decreto nº 3.708/19 e Portaria RFB nº 2.284/2010. Os autos de infração foram cientificados à contribuinte, pessoalmente, por meio de seu representante legal (Procuração fls.1.590), em 12/5/2016 (fls. 1.588/1.589), e ao responsável solidário em 31/5/2016, via Postal (AR fls. 1.595) Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.835 13 Da Impugnação Irresignada, a contribuinte apresentou, em 8/6/2016 (fls. 1.650), a impugnação de fls. 1.598 a 1.649, alegando as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) Não pode ser ventilada a hipótese de ter havido simulação. Esclarece que seu principal produto industrializado consiste na fabricação de artefatos plásticos, tendo como consumidores finais mercados, supermercados e redes atacadistas; 2) Por conveniência comercial, vende seus produtos para intermediários, empresas distribuidoras, por entender que não compensa o risco de vender diretamente para seus consumidores finais. Enumera os seguintes motivos para justificar essa alegação: 2.1) Risco do Transporte: todos os custos dos transportes eram suportados pela empresa distribuidora, inclusive pela HWR, quando dos produtos por ela adquiridos, não necessitando, assim, suportar os ônus com manutenção de frota própria, encargos trabalhistas de motoristas e outras despesas. Além disso, não necessitava variar os preços finais de seus produtos, ficando refém do aumento ou diminuição do valor do frete; 2.2) Departamento Comercial Reduzido: ao vender para distribuidora, não necessitava de um grande número de vendedores ou representantes comerciais, economizando encargos trabalhistas. Esta explicação é confirmada e justificada pelo grande número de clientes que a HWR possuía; 2.3) Inadimplência e Outros Custos: vendendo para as empresas distribuidoras, reduzia os riscos com a inadimplência e não gerava um grande número de duplicatas, já que as vendas eram mais concentradas; 3) Possuía, em média, um lucro no patamar de 10%, valor este condizente com os riscos das atividades desenvolvidas. Demonstra essa afirmação com base em planilha com os custos dos produtos industrializados no período, não se opondo à realização de prova pericial para apurar os lucros; 4) Pode até parecer estranho o fato de uma mercadoria ser vendida para a HWR, no mesmo dia ou em dias seguintes, com um ágio de 20%, 30% ou até 30%, quando da venda para consumidores finais, mas a fiscalização não avaliou os custos que as empresas distribuidoras possuem quando da revenda dos produtos industrializados (transportes, departamento comercial, comissões, inadimplência etc), custos estes que inviabilizaram a impugnante vender diretamente para os consumidores finais; 5) Diferentemente do que alega o ente fiscalizatório, Paulo Roberto Paschoalino Machado, sócio da impugnante, não é dono, controlador, sócio de fato da HWR, pois as únicas tratativas que ele mantinha com a HWR eram estritamente comerciais, advindas de um contrato de distribuição de produtos. As tratativas se davam com o Sr. João Lúcio Matos de Oliveira, que se passava como sendo dono da empresa HWR, mediante contrato social apresentado quando da formalização do contrato de representação; 6) Se o Sr. Paulo fosse "proprietário de fato" da empresa HWR, não justificaria a emissão de uma infinidade de documentos envolvendo as tratativas comerciais com a impugnante; 7) Corroborando o acima defendido, vemos as declarações do Sr. João Lúcio Matos de Oliveira, sócio da HWR, prestadas junto a Polícia Civil do Estado do Rio Fl. 1841DF CARF MF 14 de Janeiro, onde afirma que as tratativas com a impugnante eram tão somente de natureza comercial, sendo que a Cláusula 10ª , Inciso 1º, do Contrato de Distribuição firmado faz menção a isenção de responsabilidade fiscal e tributária (Hiperroll) em face das negociações advindas do contrato firmado; 8) Não se encontram presentes nenhuma justificativa de formação de Grupo Econômico, estando a impugnante e a HWR vinculadas apenas por questões comerciais. A impugnante traz fundamentos doutrinários e jurisprudênciais sobre o tema para sustentar suas alegações e afirma que nos autos não há provas da ocorrência de Grupo Econômico; 9) Era de responsabilidade da HWR o transporte de todas as transações efetivadas com esta empresa, de modo que a responsabilidade da impugnante sobre as mercadorias comercializadas se exauria quando a empresa HWR as retirava do seu complexo industrial. O frete era do tipo Free on Board (FOB), onde o vendedor não tem nenhuma responsabilidade sobre o destino das mercadorias a partir do momento que elas saem de seu estabelecimento; 10) Sobre as vendas feitas para a HWR, a impugnante apurou e pagou todos os tributos devidos e, com relação. Provavelmente a HWR também apurou e recolheu os tributos por ela devidos nas vendas efetuadas posteriormente. 11) A transação original ocorreu de maneira lícita, com o recolhimento dos tributos devidos, e, não tendo a impugnante nenhuma relação com as transações efetivadas entre HWR e seus clientes, não pode responsabilizada por irregularidades eventualmente praticadas pela empresa compradora; 12) A impugnante é vendedora de boafé, não podendo ser responsabilizada por qualquer ato praticado na operação posterior. Sobre a presunção de boafé da empresa vendedora colaciona ementa de decisão do STJ; 13) Todos os valores recebidos pela impugnante (ingressos no caixa) refletem tão somente as vendas efetuadas para a HWR, não havendo que se falar em simulação, com venda de mercadorias subfaturadas, como defendido pela fiscalização, já que não houve benefícios obtidos pelas vendas; 14) O Fisco não conseguiu demonstrar o recebimento de nenhum valor, por parte da impugnante, de transações realizadas pela HWR para seus clientes, pelo simples fato de que a impugnante nunca se beneficiou de tais valores, haja vista a total independência entre as empresas; 15) É caluniosa e leviana a afirmação de que a impugnante vende mercadorias subfaturadas para a HWR, visando pagar menos tributos, pois o simples fato de vender mercadorias com valores inferiores para a distribuidora não pode presumir ter ocorrido subfaturamento, nem que as operações seriam simuladas. Configura ônus exclusivo do acusador a prova de venda de produtos subfaturados; 16) Requer, se necessário, realização de prova pericial contábil para a demonstração de que os produtos comercializados não eram subfaturados; 17) Estamos diante de uma elisão fiscal lícita, e não de uma evasão fiscal, pois a mera separação das atividades de industrialização e de distribuição de produtos não tem o condão de configurar atos dissimulados; 18) As operações realizadas pela impugnante não se enquadra como conduta abusiva ou dissimulada para atrair a aplicação do art. 116 do CTN. O próprio CARF vem legitimando a separação das atividades de industrialização e distribuição. Traz excertos de entendimentos doutrinários acerca de elisão fiscal e planejamento tributário; Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.836 15 19) Caso alguma empresa distribuidora não tenha apurado ou recolhido os tributos devidos nas operações por ela praticadas, em especial a HWR, estaríamos diante tãosomente de uma inadimplência fiscal e não sonegação fiscal, não possuindo a impugnante responsabilidade por tais fatos; 20) As transações realizadas com as empresas distribuidoras sempre foram feitas às claras, tendo como único objetivo comercializar os produtos por ela industrializados, dentro de uma margem de lucro que se pretendia obter, com o pagamento dos tributos inerentes à operação. Descreve conceitos doutrinários de simulação e cita o art. 102 do Código Civil Brasileiro; 21) Pelas razões acima, pugna pelo cancelamento dos autos de infração e, em sede alternativa, o seguinte: 21.1) Prevalecendo a desclassificação das notas fiscais das operações praticadas pela HWR a seus clientes e a tributação desses valores, se impõe o abatimento dos valores dos tributos pagos pela impugnante, bem como pela HWR, sob pena de bis in idem; 21.2) Redução da multa de 150% por configurar verdadeiro desvio de finalidade e violar a Constituição Federal e os princípios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos, sobretudo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 21.3.) Há que se impor a limitação do percentual de multa decorrente do inadimplemento de obrigações, que não poderão ser superiores a 2% do valor da prestação, conforme Código de Defesa do Consumidor; 21.4.) Caso não seja reconsiderado o pedido de redução da multa para 2%, requer a aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, que disciplina a aplicação da multa de 20%; 22) Não é possível o redirecionamento do débito fiscal para o sócio da impugnante, pois não houve a incidência de nenhum dos requisitos do art. 135, III, do CTN, pelo que se impõe a exclusão do Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado do presente auto de infração. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1464.763, de 16 de março de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento Fl. 1843DF CARF MF 16 fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROVAS.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitandose, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sóciosadministradores de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.837 17 Cientificada, eletronicamente, da decisão de DRJ em 29/03/2017 (efl. 1.709) e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 1.524 a 1.579) em 11/04/2017 (efl. 1.711), em que repete às vezes ipsis litteris os argumentos trazidos na impugnação. Na peça de recurso voluntário, percebese que somente a empresa autuada apresentou o recurso. Veja nos trechos do recurso voluntário (efls. 1.712 a 1.714): EXCELENTÍSSIMO SENHOR DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15563.720056/201651. HIPERROL EMBALAGENS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o número 05.937.109/0001 73, situada na Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Vila Meriti, Duque de Caxias, RJ, inconformado, com r. Acórdão nº 1464.763 – 13ª Turma da DRJ/RPO, de 16 de março de 2017, proferida na espécie pela I. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), nos autos do feito administrativo em epígrafe, o qual decidiu pela manutenção da exigência e prosseguimento da cobrança, razão pela qual foi mantido o crédito tributário exigido, tendo sido da mesma intimada, vem à presença de V. Sa., no aprazamento legal, interpor o seu RECURSO ADMINISTRATIVO ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com fincas nos cânones do processo administrativo próprio. Ex positis, requer a V. Exa. que se digne recebêlo e processálo, encaminhandoo para o competente julgamento na instância ad quem, colimando, ao final, restar anulada a decisão apontada, ora recorrida. Termos em que, Pede Deferimento. Minas Gerais, 07 de abril de 2017. HIPERROLL EMBALAGENS LTDA PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO EGRÉGIO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS FISCAIS CARF Fl. 1845DF CARF MF 18 HIPERROL EMBALAGENS LTDA., DA TEMPESTIVIDADE A ora Recorrente foi cientificada do acórdão proferido pela 13ª Turma da DRJ/RPO em de 28 de março de 2017, terçafeira, pelo que o prazo para apresentação do presente Recurso Administrativo, principiou a fluir em 29 de março de 2017, quartafeira nos termos do artigo 5º do Decreto nº 70.235/72. (...) Como se pode perceber, consta o nome do responsável solidário no recurso voluntário, mas percebese que ele não figura como um dos recorrentes, além da empresa autuada. E isso se confirma durante a peça recursal. Somente há pedido elaborado pela recorrente, inclusive quando se trata do afastamento da própria responsabilidade solidária. Nesse ponto (solidariedade), a empresa pede que não seja feito o redirecionamento da ação para o sócioadministrador por entender que não houve conduta praticada, por ele, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, que pudesse enquadrálo no art. 135, III, do CTN. Entretanto, compulsando os autos, verificouse que o referido responsável solidário não foi intimado da decisão da DRJ. No processo, somente constava a ciência efetuada pela empresa autuada, mas não de seu sócioadministrador. Desta forma, nos termos da Resolução nº 1401000.520, de 11/04/2018, esta turma resolveu baixar o processo em diligência para fins de dar ciência ao responsável solidário Paulo Roberto Paschoalino Machado,CPF 464.797.75600, da decisão da DRJ. Cientificado regularmente da referida decisão de piso, o responsável solidário apresentou sua peça recursal (efls. 1.789 a 1.817) dentro do prazo legal para tanto. No retorno do processo ao CARF, fui sorteado como novo relator do processo, tendo em vista que o relator originário não mais pertence ao quadro de conselheiros do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Como dito no relatório deste acórdão, a recorrente repetiu na literalidade as razões constantes na impugnação. Em razão disso e por concordar com os fundamentos da Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.838 19 DRJ, reproduzirei trechos do voto da delegacia de piso, nos termos do § 3º c/c § 1º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, abaixo transcrito, acrescentando algumas observações que este julgador entender pertinentes: § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) MÉRITO O cerne da celeuma imposta cingese a analisar se a empresa HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda existiu de fato. Em um segundo momento, devese averiguar se dita empresa pertencia ao mesmo grupo econômico da ora recorrente, o que daria azo à manutenção do lançamento fiscal. A recorrente inicia sua peça recursal traçando os motivos pelos quais comercializava seus produtos para uma empresa distribuidora, no caso a HWR, e não diretamente ao cliente final. Alegou economia de frete, otimização de funcionários e outras questões que viabilizaram seu negócio. Correto o pensamento da recorrente, se tudo fosse tão verdadeiro quanto declara. É que pelos elementos levantados pela fiscalização, vêse que na prática não foi o que ocorreu; e tal esclarecimento foi muito bem trazido pela delegacia de piso. Eis suas ponderações: (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Inicialmente, cumpre registrar que a impugnante e o sócio Paulo Roberto Paschoalino Machado foram indicados como responsáveis solidários por crédito tributário constituído contra a pessoa jurídica Replastic Indústria Comércio e Reciclagem de Plásticos Ltda (Replastic), CNPJ nº 04.563.266/000101, ano calendário 2010. Referido crédito tributário foi formalizado no Processo Administrativo nº 10640.723529/201427, tendo sido impugnado e mantido em sua integralidade, por esta 13ª Turma de Julgamento, em Sessão de 22/2/2017, Acórdão nº 1464.292. No que interessa ao presente processo, importa transcrever as seguintes ementas do citado acórdão: [...] Fl. 1847DF CARF MF 20 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. [...] RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Na decisão que julgou improcedente a impugnação da Replastic e dos responsáveis solidários, restou sedimentado entendimento pela existência da ligação entre a HWR, a Replastic e a impugnante, cujo modus operandi, relativamente às vendas subfaturadas, era o mesmo. Assim, considerando a íntima relação entre a impugnante e a Replastic, pertencentes ao mesmo grupo de empresas, muitos dos fundamentos que sustentaram a decisão do colegiado da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP serão aproveitados no presente voto, mesmo porque as infrações aqui apuradas têm origem na mesma investigação iniciada pelas autoridades fiscais do Estado de Minas Gerais. A contribuinte alega, em diversas passagens de sua peça de defesa, que sua relação com a HWR era apenas de natureza comercial, não tendo nenhuma ingerência nas ações dessa empresa, que diz ser apenas distribuidora dos produtos que fabricava. Sustenta que não há nenhum óbice na utilização de distribuidoras, enumerando diversas vantagens, principalmente financeiras, na venda de seus produtos diretamente para a HWR. Os fatos narrados e as provas trazidas aos autos pela autoridade fiscal, formando um sólido e robusto conjunto probatório, desmontam os argumentos da impugnante. De se ver. Relata a autoridade fiscal que em ação fiscal junto à empresa Replastic, foi obtido junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) relatório vinculado à denominada "Operação Sudeste", realizada em conjunto com o Ministério Público. Referida operação consistiu em ações de investigação e apreensão de documentos em empresas do grupo identificado como "Papelplastic", estando dentre os investigados a Hiperroll (impugnante) e a HWR. O AuditorFiscal descreve as constatações e transcreve alguns trechos do documento elaborado pelo Fisco Mineiro, cuja cópia encontrase anexa a este processo (fls. 673 a 704). Em seu relato a autoridade fiscal evidencia a existência de vendas de mercadorias da Hiperroll (situada no Estado de Minas Gerais) para a HWR (situada no Estado do Rio de Janeiro) por valor muito inferior ao da venda para o real adquirente, dentro do Estado do Rio de Janeiro. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.839 21 O Fisco Mineiro constatou que a HWR tratavase de uma empresa inexistente de fato, pois seu estabelecimento, então cadastrado na cidade de Cabo Frio/RJ, não fora localizado, culminando com a edição de ato declaratório, em 10/8/2007, tornando falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa inexistente. Mesmo depois da edição de tal ato declaratório pela SEF/MG, a HWR promoveu duas alterações em seu contrato social, mudando o endereço para a cidade de Duque de Caxias/RJ, em dezembro de 2007, e depois para a cidade de Três Rios/RJ, em maio de 2009. O Relatório elaborado pela SEF/MG destaca que o indício de simulação foi descoberto por um Auditor Estadual que trabalhava no Posto Fiscal de Antônio Reimão de Melo, que ao conferir uma carga transportada pela Hiperroll localizou no interior do veículo um segundo DANFE, emitido em nome da HWR, onde constavam as mesmas mercadorias com o dobro do valor, destinadas ao real adquirente. Eis o relato do Fisco Mineiro (fls.674 e 675): O ilícito foi descoberto por um colega auditor, que trabalhava no citado posto fiscal, na pista sentido MG/RJ. De posse ao DANFE objeto da NFe 1796 da empresa HIPERROLL EMBALAGENS LTD saiu para conferir a carga e localizou, no interior do veiculo, um segundo DANFE além daquele apresentado para a conferência. Tratavase de um DANFE emitido pela empresa HWR IND. E COM. DE EMBALAGENS LTDA localizada em Três Rios (DANFE 2013). Por meio deste segundo documento a mesma mercadoria já estaria sendo revendida para um terceiro estabelecimento comercial na cidade de Três Rios, só que pelo dobro do preço. Observouse que os códigos internos dos produtos das duas empresas, curiosamente, eram os mesmos. Vide documentos abaixo. Fl. 1849DF CARF MF 22 Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.840 23 A operação identificada no Posto Fiscal Mineiro foi confirmada por ocasião de auditoria da SEF/MG junto ao Mercado Fortaleza, de Juiz de Fora/MG. Ficou evidenciada a ligação entre a Hiperroll, a HWR e a HRROL (outra empresa do mesmo Grupo, que teria a mesma função da HWR). O Fisco Mineiro assim se manifesta: Foi encontrado um pedido de compra emitido pela HIPERROLL em 15/08/2011. Em 19/08 é recebida a mercadoria encomendada por meio de uma NFe da empresa HWR. Por sua vez, a HIPERROLL emite NFe da mesma mercadoria, na mesma data, para a HWR, porém com valor cerca de 43% menor. Em data de 16/08/2011, verificase um depósito no Banco Bradesco do valor total da operação, numa conta da HRROLL. A documentação abaixo mostra a transação. Os retângulos na cor laranja nos dois DANFEs abaixo mostram que a HWR deu saída aos produtos para a Mercearia Fortaleza e apenas 7 minutos após deu entrada aos mesmos produtos em seu fictício estoque, advindos da HIPERROLL. Observase que os códigos internos dos produtos são os mesmos nas empresas HIPERROLL. Fl. 1851DF CARF MF 24 Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.841 25 Outros indícios da estreita ligação entre a impugnante e a HWR referemse a supostos empréstimos obtidos, exemplificados pelos documentos abaixo, apreendidos pelo Fisco Mineiro (fls. 690 e 691): Fl. 1853DF CARF MF 26 Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.842 27 No intento de confirmar as informações coletadas junto ao Fisco do Estado de Minas Gerais, a autoridade autuante formalizou Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, mas as tentativas de cientificar a HWR do Termo de Diligência foram frustradas, dando ensejo à Declaração de Inaptidão da empresa. Por ocasião da constituição da HWR, em 21/9/2005, figuravam como sócios João Lúcio Matos de Oliveira e Ivan Mello da Silveira, a quem cabia a administração da sociedade. Além das evidências descritas e comprovadas pelo Fisco Mineiro, diversos outros fatos evidenciam a estreita relação entre a impugnante e a HWR, a saber: i. em 7/12/2007, mudança do endereço cadastral da HWR para o mesmo edifício sede da Hiperrol; ii. em 29/8/2008, a HWR assume obrigação em favor da Hiperroll, para garantir crédito no valor de R$ 3.500.000,00, junto ao Banco Industrial e Comercial; iii. em 26/5/2009, a HWR promove alteração contratual alterando seu endereço para local que fora sede da Hiperroll, na cidade de Três Rios/RJ; iv. Ivan Mello da Silveira retirase da sociedade em 6/1/2010, mas em 16/4/2010 tornase sócio da Hiperroll. Com a saída de Ivan da HWR ingressa Licério Ribeiro de Oliveira, ficando a administração sob responsabilidade de João Lúcio Matos de Oliveira; v. Em 17/12/2010, a HWR autoriza prestação de garantia de cessão fiduciária relativa a obrigações assumidas pela Hiperroll, em face de contratos de empréstimos junto ao Banco BVA S/A. Outro fato a ser considerado, que relaciona a impugnante e a HWR, referese a processo do Tribunal de Justiça de São Paulo (Processo nº 142.01.2011.000005 Sustação de Protesto), onde consta como requerente uma empresa paulista e, como requerido "HIPERROLL HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA". Como se depreende, a relação entre a Hiperroll e a HWR não era meramente comercial. Aliás, a HWR era, em verdade, uma extensão da Hiperroll, e tinha como propósito omitir, de forma deliberada, grande parte das receitas da impugnante, já que a transferência de parcela significativa do faturamento da Hiperroll para a HWR significava, no plano arquitetado pela impugnante, a transferência de possível exigência fiscal para uma empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. De fato, os argumentos que a impugnante trouxe acerca dos benefícios de vendas para distribuidoras são factíveis, e certamente propiciam economia de diversos custos e despesas. Contudo, no caso em concreto, estamos tratando de uma empresa de fachada, e não de uma real distribuidora. O conjunto de evidências não deixa dúvidas sobre a caracterização da HWR como empresa inexistente de fato, podendo ser destacada, além da inexistência de estabelecimento físico ou de estabelecimento físico incompatível com o volume de mercadorias movimentadas, constatada pelos Fiscos Estadual e Federal (fls. 705, 706, 758 e 759), a baixa capacidade econômica dos sócios que figuram em Contrato Social, Licério Ribeiro de Oliveira Junior e João Lúcio Matos de Oliveira. O primeiro: (i) faz parte do quadro societário de outras empresas, uma das quais sita na cidade de Itaquaquecetuba/SP, distante 430 km de sua residência; (ii) reside a 360 km da suposta sede da HWR; (iii) de 2007 a 2010 foi empregado de empresas Fl. 1855DF CARF MF 28 localizadas em cidades mineiras, com remunerações inferiores a 1,2 salários mínimos; (iv) possui dois veículos de baixo valor; e (v) declarou, em 2012, como únicos rendimentos tributáveis o valor de R$ 40.000,00, que teria recebido da HWR. O segundo: (i) conforme cadastro na concessionária Vivo, reside na cidade de Contagem/MG; distante 600 km da HWR, apesar de nos cadastros da Receita Federal constar como residência a cidade de Cabo Frio/RJ; (ii) integra o quadro societário de outras duas empresas, uma situada em Cabo Frio/RJ e outra em Brasília/DF, sendo esta última distante mais de 700 km de quaisquer dos endereços considerados como residência (Cabo Frio/RJ ou Contagem/MG); (iii) em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2013 constam apenas rendimentos de R$ 24.000,00, recebidos da HWR, e dois veículos de pequeno valor (Ford/Escort L, ano 1986, e VW Apolo GL, ano 1992). Causa estranheza a HWR possuir, no ano fiscalizado, mais de 1.300 clientes, destinatários de notas fiscais por ela emitidas, e possuir apenas um funcionário, conforme dados da GFIP. A autoridade fiscal apurou a emissão de mais de 7.000 notas fiscais! Verificouse, ainda, que a HWR havia declarado em DCTF, no período de 2008 a 2012, débitos tributários em montante superior a R$ 10 milhões, mas recolheu somente R$ 3,3 mil em tributos federais. A vultosa importância declarada em DCTF servia como cortina para desviar a atenção da Fisco Federal, ocultando o verdadeiro devedor: a Hiperroll. Declarando os débitos tributários em nome da HWR, a impugnante pretendia se esquivar de suas obrigações tributárias, simulando operações em nome da empresa de fachada quando, em verdade, era ela a responsável pelos tributos originados das vendas da HWR. O fato de a HWR declarar em DCTF seus débitos tributários em nada a aproveita, pois essa conduta fazia parte do esquema de sonegação arquitetado pelos efetivos administradores, já que restaria inviabilizada a execução fiscal promovida contra uma empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. A dívida tributária superior a R$ 10 milhões da HWR, declarada em DCTF, no período de 2008 a 2012, não poderá ser contra ela executada, nem contra seus sócios laranjas, eis que não possuem patrimônio capaz de responder por vultosa dívida fiscal, prejudicando, sobremaneira, o Erário Público e, por conseguinte, a sociedade. Por outro lado, o fato de João Lúcio Matos de Oliveira ter declarado à Delegacia Fazendária da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, na condição de testemunha, que a ligação da HWR com a Hiperroll era apenas na condição de distribuidora e representante, em nada aproveita a impugnante, já que é induvidoso o interesse de João Lúcio, como sócio contratual, na ocultação do administrador de fato da HWR. Aliás, chama a atenção a referência que João Lúcio faz, na declaração prestada à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, do conteúdo da Cláusula 10ª, Inciso 1º do Contrato de Distribuição e Representação celebrado entre HWR e Hiperroll, segundo a qual haveria isenção de responsabilidades fiscais e tributárias da representada (Hiperroll) em face de negociações do contrato firmado. Por óbvio, esse acordo particular, ainda que, de fato e de direito, a HWR fosse distribuidora da Hiperroll, não poderia ser oponível à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, salvo disposição de lei em contrário. É a disciplina do art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN). Os diversos documentos apresentados pela impugnante, na tentativa de provar que a HWR realizou diversos pedidos de produtos no anocalendário de 2012, juntados aos autos em arquivo nãopaginável, se a eles fosse atribuído algum valor probante, o seria em desfavor da contribuinte, pois neles constam que a HWR teria Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.843 29 adquirido milhares de toneladas de produtos. Ora, além de a HWR estar inabilitada para a comercialização de mercadorias desde a data de sua constituição, o endereço para o qual seriam destinados os produtos não existia, conforme Termo de Constatação lavrado pela autoridade autuante às fls. 758 a 760. Não é crível que a Hiperroll destinasse milhares de toneladas de produtos para um estabelecimento inexistente! Não se está, aqui a admitir que os "pedidos de compras" apresentados pela impugnante, tendo a HWR como adquirente, sejam idôneos, tampouco hábeis para fins fiscais, já que os fatos e provas dos autos convergem para veementes indícios de práticas fraudulentas, servindo esses documentos apresentados tãosomente para dar uma aparência de legalidade e licitude às operações realizadas, mesmo porque foram produzidos pela própria defendente, o que não lhes confere, salvo prova em contrário, credibilidade para o fim almejado. Com relação à alegação de que o Fisco Federal sustentou a existência de operação simulada, esclareçase que a única referência expressa que o Auditor Fiscal faz em relação à simulação, em seu relatório, é quando afirma que essa foi a conclusão do Fisco Mineiro com relação à Hiperroll, nas operações dela com as empresas Hrroll e HWR. Nessa referência à simulação, que foi a conclusão a que chegou o Fisco de Minas Gerais, a autoridade federal descreve um exemplo do modus operandi da Hiperroll, que serviu como ponto de partida para aprofundamento das verificações junto à impugnante, confirmando a identidade na prática das transações, que considerou fraudulentas. Isso é o que importa no presente caso! Com efeito, embora não tenha expressamente citado a ocorrência de simulação, a autoridade autuante comprovou a prática fraudulenta, envolvendo supostas vendas de mercadorias para a HWR, com preço subfaturado, quando, de fato, a efetiva operação era realizada com terceiros, clientes da Hiperroll, ao preço normal contratado. O esquema engendrado pela impugnante, além implicações no ICMS do Estado de Minas Gerais, visava, também, ludibriar o Fisco Federal quanto aos tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Como visto, há clara e percuciente comprovação de que as empresas HWR e Hiperroll pertenciam ao mesmo grupo econômico, que ora era comandado por Paulo Roberto Paschoalino Machado. Não há o que se acrescentar ou modificar na decisão da DRJ. Quanto à responsabilidade pela configuração do grupo econômico, assim se descreveu na decisão da instância a quo: (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Grupo Econômico e da Responsabilidade Solidária Para o deslinde das questões relacionadas à formação de Grupo Econômico, cumpre transcrever, para melhor contextualização, alguns trechos do voto que sustentou o Acórdão nº 1464.292, de 22/2/2017, já citado neste voto: Fl. 1857DF CARF MF 30 A empresa Papel Plastic Distribuidora de Embalagens Ltda. foi, conforme Relato Fiscal, o início do denominado Grupo Papelplastic, em março de 1997, figurando como um dos sócios Paulo Roberto Paschoalino Machado. Em fevereiro de 2002 o razão social foi alterado para Papelplastic Transporte e Distribuição Ltda., cujo único sócio, por ocasião do encerramento da ação fiscal, era Fernando Antônio Silva Itagiba, que ingressara na sociedade no ano de 2000. Três filhos de Fernando Itagiba transitaram pelo quadro societário da Papelplastic. (fl. 67) Em julho de 2001 foi criada a Replastic, que teve como sócia Elen Soares Marques, cônjuge de Paulo Roberto Paschoalino Machado, de setembro de 2001 a maio de 2003. Em agosto de 2002, quando ainda era sócia da Replastic, Elen Soares criou a E.S. Marques, cuja atividade era o transporte rodoviário de cargas, tendo como nome fantasia Papelplastic. Em outubro de 2005, Elen Soares concedeu, por procuração, amplos poderes para Fernando Antônio Silva Itagiba gerir sua empresa. No ano de 2003 foi criada a São Bartolomeu Empreendimentos e Participações Ltda., tendo como um dos sócios Paulo Roberto Paschoalino Machado. À época do encerramento da auditoria, a já citada Elen Soares Marques, esposa de Paulo Roberto, era a única sócia da empresa. Importa registrar, aqui, que também foram sócios da São Bartolomeu: Rosângela Maria Martins Thees e Pedro Paulo de Almeida, irmãos, respectivamente, de Margarida Maria Thees Gouvêa e de Renato César de Almeida, ambos sócios atuais da Replastic. A Hiperroll Embalagens Ltda. foi constituída em junho de 2003, em nome de Rosangela Maria Thees e de São Bartolomeu Empreendimentos e Participações Ltda. para explorar a atividade de fabricação de embalagens. Recordese que a São Bartolomeu fora criada também em 2003, com a participação de Paulo Roberto Paschoalino Machado e, posteriormente, de sua esposa Elen Soares Marques. Em setembro de 2005 surge a HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda. (já citada neste voto), na cidade de Cabo Frio/RJ. Um dos sócios da HWR, Ivan Mello da Silveira, também foi sócio da Hiperroll Embalagens Ltda. A HWR, relembrese, era uma empresa “não habilitada” e não apta a realizar operações comerciais, desde a data de seu cadastro inicial, utilizada como falsa intermediária nas transações da Hiperroll. Como já registrado neste voto, a Hiperroll, nas palavras do Fisco Mineiro, simulava vendas para a HWR. Eis as transcrições do Relatório Fiscal acerca dessa prática: "A irregularidade apurada neste caso deu inicio a uma investigação mais aprofundada nas operações de saída da Hiperroll, por parte do fisco mineiro. A conclusão foi que era prática comum por parte da Hiperroll a simulação de vendas para as empresas Hrroll e HWR [...] [...] Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.844 31 Verificouse que o pedido era sempre emitido pela Hiperroll, fabricante dos produtos. A nota fiscal para o cliente final era emitida pela HWR ou pela Hrroll no valor total da transação. A Hiperroll emitia nota fiscal para a HWR ou para a Hrroll com valor subfaturado. O pagamento do valor total era efetuado por meio de depósito na conta da HWR, da Hrroll ou da matriz da Hiperroll em Duque de Caxias. A operação de saída para as duas empresas de Três Rios de fato não acontecia. Era uma ficção criada para diminuir a base de cálculo do ICMS a ser recolhido para Minas Gerais." Ivan Mello da Silveira, além de ter sido sócio da HWR, de set/2005 a nov/2009, da Hiperroll, de mar/2010 a ago/2012, também integrou o quadro societário de outras 5 (cinco) empresas, conforme descreve o Relatório Fiscal (destaques acrescidos): "[...] O sócio Ivan Mello da Silveira, além de ter sido sócio da HWR de set/2005 a jan/2009 e da Hiperroll Embalagens Ltda de mar/2010 a ago/2012, também foi, ou ainda é, sócio das seguintes empresas: Plaspack Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 04.446.923/000122) de nov/2003 ao presente, localizada em Cariacica ES; Lidei Car Comércio e Serviços de Recarga de Cilindros em Geral Ltda (CNPJ 09.562.994/000104) de dez/2008 a ago/2009, de São Pedro da Aldeia RJ; TGC Comércio de Peças e Serviços Ltda (CNPJ 10.488.008/000100) de nov/2008 ao presente, de São Pedro da Aldeia RJ; HIS Comércio de Peças e Serviços Ltda (CNPJ 10.727.205/000107) de mar/2009 a set/2010, também de São Pedro da Aldeia RJ; e Inah e Souza Supermercado Ltda (CNPJ 04.451.579/000160) de nov/2001 ao presente, de Iguaba Grande RJ. São sete empresas localizadas em cinco cidades (Três Rios RJ, Juiz de Fora MG, São Pedro da Aldeia RJ, eu* a Grande RJ e Cariacica ES) e com atuação em setores bastante diversificados." Por meio de pesquisa na internet, na página de busca do Google, a autoridade fiscal relata que Ivan Mello da Silveira na Internet foi preso em fevereiro de 2013, na “Operação Sudeste”, por formação de quadrilha especializada em sonegação de impostos que utilizava empresas de fachada, em nome de “laranjas”, e que emitia notas fiscais frias. [...] Em que pese ter o Fisco Federal identificado 13 (treze) pessoas jurídicas no denominado Grupo Papelplastic, estão no centro do debate a Replastic, Hiperroll e HWR. As duas primeiras, confundemse uma com a outra, e estão sob a mesma gestão de fato, comandadas por Paulo Roberto Paschoalino Machado e Fernando Antônio Silva Itagiba. A última, tratase de empresa de fachada, em cujo quadro societário figuravam interpostas pessoas (laranjas). Aliás, essa era uma característica das pessoas jurídicas relacionadas à Replastic e à Hiperroll: a interposição de pessoas, que chegavam a participar de mais de uma empresa do grupo. Fl. 1859DF CARF MF 32 [...] Como se depreende, à luz do que já foi discutido neste voto, em conjunto com as questões debatidas no voto condutor do acórdão relativo à Replastic, ainda que não esteja caracterizado Grupo Econômico de direito, não há como afastar a formação de Grupo Econômico de fato. Num grupo econômico há um conjunto de empresas subordinadas a um único centro de decisões que, por meio de ligações financeiras, pessoais e, sobretudo de propriedade acionária, é capaz de exercer o poder, no mínimo, em termos estratégicos (investimentos, estratégia financeiras e operacional etc). O conceito legal de grupo econômico não é novo, tendo surgido em 1943, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que trouxe em seu art. 2º, § 2§, o seguinte enunciado: § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. O conceito acima identifica como característica dos grupos econômicos a unicidade de controle, de direção ou de administração, deixando transparente, independente de formalização perante o órgão de registro comercial da coligação ou do controle, que a comprovação do exercício de direção unificado é suficiente para fins de atribuição de responsabilidade (trabalhista, no caso do dispositivo transcrito). A Lei das Sociedades Anônimas (LSA), ainda que não tenha tratado de questões relacionadas à responsabilidade civil ou subsidiária das empresas formadoras de conglomerados, identifica os dois objetos a que se refere o vocábulo Grupo Econômico: (i) um conjunto de sociedades empresariais e a (ii) unicidade de controle e direção a que todas elas estão submetidas e, assim, vinculadas, o que denominou como comando. Vejase a dicção dos arts. 265 e 266 da Lei nº 6.404/76: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º (...) Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. No Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 1990) os grupos econômicos são lembrados em seu art. 28. Também a Lei nº 12.529, de 2011, denominada Nova Lei do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.845 33 tratou do tema, em seus arts. 33 e 34, imputando responsabilidade solidária às sociedades formadoras de Grupo Econômico, de Fato ou de Direito, pelas infrações à ordem econômica, fazendo expressa menção ao art. 50 do Novo Código Civil, que cuida da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Não obstante, o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode levar, por si só, a uma tributação solidárias de outras empresas. A atribuição de responsabilidade solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e restritiva. Com efeito, somente nos casos em que a pessoa (física ou jurídica) tem, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador, será possível imposição de responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Este é o caso em apreço! O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), recentemente, considerou que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude. O Acórdão 1101001.239, julgado em 4 de fevereiro de 2015, restou assim ementado: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Responde pelo crédito tributário lançado a pessoa jurídica cuja criação integrou a reorganização societária promovida pelo grupo empresarial, e tem seu patrimônio foi formado a partir da execução dos objetivos daquelas operações, circunstâncias que revelam confusão patrimonial contemporânea à ocorrência do fato gerador, hábil a caracterizar o interesse comum que resulta na solidariedade pelo crédito tributário devido. No caso sob exame, restou comprovado não só o interesse de fato como também o interesse jurídico, surgido a partir dos direitos e deveres comuns entre as pessoas envolvidas na mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador dos tributos ora exigidos. A íntima ligação entre Hiperroll e HWR é induvidosa, chegando elas a se confundirem na mesma pessoa jurídica, geridas de fato pelas mesmas pessoas físicas, que utilizaram de interpostas pessoas para figurarem no contrato social da pessoa jurídica de fachada, como já demonstrado neste voto. Assim, sendo a impugnante e a HWR confundidas na mesma pessoa jurídica, dado que a segunda é uma empresa de fachada, não há como afastar a responsabilidade solidária do sócioadministrador da defendente, Paulo Roberto Paschoalino Machado. Não é crível que ele, Paulo Roberto, desconhecesse os ilícitos fiscais perpetrados pela pessoa jurídica da qual era sócio majoritário e administrador, tampouco se imaginar que não teria interesse nas situações que dariam causa ao surgimento dos fatos geradores das obrigações tributárias correspondentes. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) No caso concreto restou absolutamente comprovado que, em verdade, era uma única atividade empresarial, e as empresas inexistentes de fato tão somente serviam como instrumentos para melhorar o resultado econômico. Fl. 1861DF CARF MF 34 Havia clara confusão e unicidade empresarial, razão pela qual não há como se afastar a responsabilização solidária. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Subfaturamento de Vendas Afirma a contribuinte que é caluniosa e leviana a afirmação de que vende mercadorias subfaturadas para a HWR, visando pagar menos tributos, pois o simples fato de vender mercadorias com valores inferiores para a distribuidora não pode presumir ter ocorrido subfaturamento, nem que as operações seriam simuladas. Configura ônus exclusivo do acusador a prova de venda de produtos subfaturados. Mais uma vez, as alegações da impugnante não merecem crédito. Senão vejamos. O trabalho realizado pelo Fisco Mineiro foi de fundamental importância para a realização da auditoria que resultou nos créditos tributários ora exigidos. A autoridade autuante, a partir dos indícios e provas coletados na fiscalização estadual realizou diligências, apurou fatos e obteve documentos que comprovaram que as práticas fraudulentas adotadas em anos anteriores se repetiram no anocalendário de 2012, que foi o período auditado. Comprovadamente, a HWR era empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. As operações eram realizadas, de fato, pela Hiperroll, que procurou se esconder na figura da pseudo sociedade, que de fato não existia. Nas diligências in loco, na tentativa de localizar a sede da HWR, nos endereços constantes nos cadastros dos órgãos de fiscalização, constatouse que um dos locais não possuía a menor condição de atender as supostas operações constantes das Notas Fiscais emitidas (Fisco Estadual), e outro endereço sequer foi encontrado (Fisco Federal). Os elementos que deram sustentação à autuação não foram unicamente aqueles coletados junto à SEF/MG, mas também, e principalmente, os que foram obtidos no curso da ação fiscal federal. O AuditorFiscal elaborou demonstrativo detalhado, com o cotejo entre milhares de Notas Fiscais emitidas pela impugnante e pela HWR, onde houve coincidência de "Data de Emissão da NF", "Código da Mercadoria" e "Quantidade", com o fim de mensurar as omissões de receitas nas operações de vendas de produtos. Representam provas diretas de omissão de receitas. Não se trata de mero inadimplemento, já que as operações realizadas pela HWR pertencem, efetivamente, à impugnante, e os débitos tributários declarados em DCTF pela empresa de fachada não têm o condão de constituir o crédito tributário. Aliás, o intento da impugnante era justamente se esconder, simulando um negócio jurídico para se eximir do pagamento dos tributos devidos. A autoridade tributária demonstrou tratarse da mesma empresa, não sendo possível identificar uma identidade própria, independente, autônoma, com efetiva capacidade operacional da pessoa jurídica denominada HWR, caracterizada como empresa de fachada. Quando há uma declaração enganosa, visando aparentar negócio diverso daquele efetivamente existente, estamos diante de uma simulação, nos termos do art. 167, § 1º, do Código Civil, que tem a seguinte dicção: Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.846 35 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. No caso em questão, resta claro que havia uma confusão administrativa, patrimonial, operacional e gerencial, não sendo possível conferir nenhuma identidade à empresa HWR. É dizer, não existiam duas pessoas jurídicas distintas, com direitos e obrigações próprios, mas sim uma única personalidade: a da Hiperroll. A impugnante não logrou êxito em provar, também em sede de impugnação, que a HWR era, de fato e de direito, sua distribuidora ou representante comercial. A existência de um Contrato Social, de Contratos Comerciais, de Notas Fiscais emitidas, em nada traz proveito à contribuinte, já que a HWR, composta por pessoas físicas"laranjas", jamais realizou qualquer atividade por conta própria, eis que era inexistente de fato. Assim sendo, não acolho os argumentos da impugnante sobre a inexistência de subfaturamento de vendas. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) A HWR era empresa inexistente, então as referidas operações foram absolutamente simuladas com o objetivo de gerar resultado econômico para o grupo com a redução de tributos e aproveitamento indevido de benefícios fiscais. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Multa Qualificada e Da Simulação Pelo o conjunto fático relatado, concluiu a autoridade fiscal que o sujeito passivo e seu responsável agiram com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento ou a ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos no Ano Calendário 2012, mediante conduta fraudulenta nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que impõe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Em sua defesa, aduz a impugnante que sua conduta não se enquadra como abusiva ou dissimulada para atrair a aplicação do art. 116 do CTN. Afirma que Fl. 1863DF CARF MF 36 praticou elisão fiscal lícita e não uma evasão fiscal. Traz excertos de entendimentos doutrinários. Pleiteia a redução da multa de 150% ao patamar de 2% ou 20%, sob o argumento de violação à Constituição Federal e Código de Defesa do Consumidor. O direito tributário busca nos princípios gerais de direito privado a definição, o conteúdo e o alcance do instituto simulação; todavia, os efeitos tributários são estabelecidos por regras próprias (art. 109 do CTN), sem a necessidade de reconhecimento através de sentença judicial, como é possível verificarse em várias passagens do CTN, como no art. 149, VII; 150, § 4°; art. 154, parágrafo único; art. 155, I; e art. 180, I. A desnecessidade da intervenção do Judiciário decorre do alcance do instituto, que se daria tãosomente no plano da eficácia, e não no da validade (o que seria próprio do direito civil). No mesmo sentido, transcrevo excerto da obra de Marco Aurélio Greco1: É aceito com certa tranqüilidade que o Fisco não precisa aguardar o trânsito em julgado de uma ação de anulação do ato simulado para poder autuar o contribuinte. Ou seja, o Fisco pode afastar o negócio individual e tributar conforme o negócio real e não negócio aparente, invocando simulação e demonstrando que esta ocorreu, tudo independentemente da desconstituição formal do ato. Alberto Xavier colabora com o entendimento exposto2: A verdade, porém, é que o interesse pragmático do Fisco não vai ao ponto de exigir a declaração de invalidade do ato simulado, vez que tal invalidade respeita apenas às relações entre privados, que podem ter interesse ou não na argüição da nulidade ou até ter interesses divergentes, como sucede com os terceiros de boafé interessados na validade do ato simulado que, em nome da proteção da aparência jurídica, têm interesse na preservação dos seus efeitos: pensese nos credores ou sub adquirentes do simulado adquirente. O interesse do Fisco contentase com a ineficácia relativa de tais atos, ineficácia esta que se traduz na insuscetibilidade de os atos em causa lhe causarem prejuízo, atingindo a sua esfera jurídica, independentemente de tais atos serem considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre simuladores e terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. O art. 118 do CTN reforça a dicotomia entre os planos de validade e da eficácia, ressaltando que o direito tributário pode não se preocupar tãosomente com a validade dos atos, mas principalmente com os efeitos dentro de seu espectro de incidência: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 1 Planejamento fiscal e interpretação da lei tributária, São Paulo: Dialética, 1998. p.55 2 Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva, São Paulo, Dialética, 2001, p. 69 Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.847 37 Nessa hipótese, não necessita o Fisco de norma a regulamentar seu direito e/ou de autorização judicial para que se possa tributar a real operação ocorrida, até mesmo porque, no lançamento do crédito tributário, não se desconsidera a pessoa jurídica para atingir bens patrimoniais de seus sócios, nos termos do artigo 50 do Código Civil CC, mas apenas se verifica o fato tributável. Portanto, seja com base nos princípios do parágrafo único do artigo 116, ou do artigo118, ambos do CTN, o fisco não somente pode, mas deve efetuar o lançamento de ofício relativo ao real negócio jurídico celebrado. É o que impõe o referido Código, em seu artigo 142, parágrafo único, c/c o artigo 149, inciso VII. Conforme Francisco Ferrara, a comprovação da simulação nos negócios jurídicos, na maior parte das vezes, decorre da observação dos seguintes elementos: (i) a existência de motivo sério, (ii) a falta de execução material da vontade exteriorizada, (iii) a discrepância entre esses atos e a conduta das partes, e (iv) a divergência entre a natureza e a quantidade dos bens e direitos e o preço pelo qual são negociados. Outro fator relevante é a ligação entre as partes que operam a simulação. O Relatório Fiscal é substancioso na descrição dos fatos e indícios congruentes, que demonstram o ocorrência de simulação dos valores de vendas de produtos para a HWR a preços muito inferiores aos da real operação. A existência do intuito fraudulento foi detalhadamente explicada pela autoridade fiscal, restando claro que os documentos elaborados e as Notas Fiscais emitidas pela HWR tinham como objetivo a sonegação de tributos por parte da impugnante, que procurava desviar o foco da fiscalização para uma empresa de fachada, inexistente de fato, composta por interpostas pessoas físicas. Ficou comprovado que a impugnante pretendia transferir parcela significativa de seu faturamento para uma empresa que não possuía nenhuma capacidade financeira para liquidar suas obrigações tributárias. A defendente não trouxe aos autos nenhum elemento capaz de refutar as provas juntadas pela fiscalização, deixando de apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de confirmar suas alegações. Diante do farto conjunto probatório, a conclusão não é outra senão a de que a Hiperroll evadiuse da tributação de forma dolosa, estabelecendo relações comerciais simuladas, valendose de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, para ocultar o ocorrência dos fatos geradores tributários, justificando a aplicação da multa de ofício qualificada, incidente sobre os tributos devidos no percentual de 150%. No mais, há que se observar que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Restam, desta maneira, prejudicadas as questões postas pela impugnante, no tocante ao caráter constitucional da multa de 150%, que implicariam, necessariamente, no exame da constitucionalidade dos dispositivos legais que embasaram esse aspecto do lançamento. Com relação ao pedido para a redução da multa ao patamar de 2%, com base no Código de Defesa do Consumidor, não pode ele ser acatado, pois as multas em Fl. 1865DF CARF MF 38 matéria tributária são reguladas por legislação específica e, no caso em concreto, a multa incidente sobre os tributos lançados, está em consonância com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/07/2007, os quais dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, suprareferidos, a seu turno, estabelecem, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Tampouco pode a multa ser reduzida ao patamar de 20% (art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96), já que não se trata de simples inadimplemento da obrigação de pagar o tributo, mas sim de omissão de receitas (infração tributária), sujeita à multa de ofício. Por outro lado, relativamente aos os questionamentos trazidos pela contribuinte acerca da constitucionalidade da exigência das multas de ofício, não cabe à autoridade julgadora apreciar a validade de dispositivos legais validamente editados, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Longe de se admitir que os órgãos administrativos não devem respeito à Constituição Federal. O que se pretende é conferir concretude ao princípio constitucional da separação dos Poderes, com status de cláusula pétrea (art. 60, § 4º, da CF). Não pode a Administração Pública, por iniciativa própria, e sem intervenção do Poder Judiciário, negar validade e vigência à norma regularmente editada. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.848 39 Salientese que atualmente encontrase em vigor o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que dispõe, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Decorre daí que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente sendo possível tal provimento aos casos de lei ou ato normativo: que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, o que não se configura no presente caso. Esse entendimento encontrase consolidado no CARF, por meio da Súmula nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Correta, portanto, a aplicação da multa de ofício de 150%, incidente sobre os tributos exigidos. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) A simulação e fraude realizadas de forma dolosa com o intuito de obter vantagem econômica ilegal foi absolutamente comprovada pela autoridade fiscal, e a DRJ Fl. 1867DF CARF MF 40 analisou de forma exaustiva as razões defensivas, nada mais havendo o que acrescentar sobre a questão já que nada novo foi trazido pelas Recorrentes. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Compensação de Tributos Pagos no Período da Exigência Prevalecendo a desclassificação das notas fiscais das operações praticadas pela HWR a seus clientes e a tributação desses valores, requer a impugnante o abatimento dos valores dos tributos pagos pela impugnante, bem como pela HWR, sob pena de bis in idem. Como se viu, os lançamentos tomaram por base as diferenças entre os valores das Notas Fiscais de saída emitidas pela contribuinte e pela HWR, no anocalendário de 2012, que foram consideradas como omissão de receitas. Ora, se os lançamentos se referem a valores que deixaram de ser oferecidos à tributação pela impugnante, não é crível que os correspondentes tributos tenham sido declarados em DCTF e recolhidos aos cofres públicos. É difícil acreditar que a contribuinte tenha apurado, declarado e recolhido tributos incidentes sobre as vendas informadas nas Notas Fiscais emitidas em nome da HWR! Se o fez, cabia e ela apresentar as provas dos pagamentos efetuados. Não basta alegar, tem que provar. Já do ponto de vista da HWR, no período de 2008 a 2012 foram recolhidos em tributos cerca de R$ 3,3 mil. Esta importância é irrisória se comparada aos débitos informados pela HWR no mesmo período, que somaram mais de R$ 10,5 milhões. Além disso, no anocalendário de 2012 não consta apresentação de DIPJ, de modo que não há nenhuma informação acerca dos tributos em nome da empresa de fachada. No Dacon apresentado pela contribuinte (fls. 55 a 366), anocalendário 2012, não foi apurado nenhum saldo de Pis/Pasep ou Cofins a pagar, e na DCTF, do mesmo anocalendário, foram declarados apenas débitos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, dos meses de novembro e dezembro (fls. 367 a 374), que foram compensados na apuração do IRPJ e CSLL devidos no próprio período, conforme DIPJ (fls. 22 e 28). Como o valor das estimativas pagas correspondeu exatamente ao IRPJ e à CSLL devidos no período, não restaram saldos desses tributos a pagar, tampouco saldos credores compensáveis em períodos futuros, por meio de Pedidos de Compensação Eletrônicos (PER/DComp), com os mesmos ou outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Resta, portanto, refutada a alegação de bin in idem. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Como bem evidenciado, não foi feita prova dos recolhimentos e o lançamento se deu, exatamente sobre a parcela omitida. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Requerimento de Diligências Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.849 41 Ao final, a impugnante requer realização de diligências, especialmente perícia, para a qual protesta pela formulação de quesitos e suplementação de provas. E a respeito dos temas “prova” e “juntada de documentos”, dispõe especificamente o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 1869DF CARF MF 42 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” (negrejouse e grifouse) Particularmente quanto à realização de diligências e perícias, ainda regulamenta referido diploma legal: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei nº 8.748/1993) § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei nº 8.748/93) § 2º. Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) § 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/1993) (destaques acrescidos) Como visto, a legislação transcrita determina a apresentação da prova no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na impugnação. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo. Demais disso, devem ser observados os requisitos para sua formulação. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.850 43 No caso dos autos, assim como a DRJ, entendo restarem presentes todos os elementos necessários à convicção deste Relator, sendo desnecessária a realização de diligência ou perícias requeridas. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Responsabilidade Solidário do Sócio Paulo Roberto Paschoalino Machado Relativamente à imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador Paulo Roberto Paschoalino Machado, alega a impugnante que não é possível o redirecionamento do débito fiscal, pois não houve nenhum dos requisitos do art. 135, III, do CTN. A autoridade fiscal, contudo, fundamentou a responsabilidade solidária de Paulo Roberto Paschoalino Machado nos seguintes dispositivos da legislação tributária: arts. 121, 124 e 135, caput, II e III, do CTN, art. 10, in fine, do Decreto nº 3.708/19 e Portaria RFB nº 2.284/2010. Em que pese a abrangência da capitulação legal da atribuição de responsabilidade tributária ao administrador, na descrição dos fatos a autoridade fiscal concluiu que, pelo conjunto dos fatos relatados, houve flagrante violação, dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva, da lei civil, comercial e tributária. Importa consignar que Paulo Roberto Paschoalino Machado, como sócio administrador da Hiperroll, em contrato social, e administrador de fato da HWR, agiu intencional e reiteradamente em prejuízo dos interesses da autuada, pois conhecia os riscos resultantes das práticas por ele adotadas na condução dos negócios da empresa, especialmente no que diz respeito à abertura de pessoas jurídicas com interpostas pessoas, com o fim de ocultar a ocorrência dos fatos geradores relativos a vendas de produtos. A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável subsidiariamente às Sociedades por Responsabilidade Limitada, dispõe sobre os deveres e responsabilidades dos administradores, in verbis (destaques acrescidos): Deveres e Responsabilidades Dever de Diligência Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. § 1º O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os demais, não podendo, ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram, faltar a esses deveres. Fl. 1871DF CARF MF 44 § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia; (...) Dever de Lealdade Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios, sendolhe vedado: I usar, em benefício próprio ou de outrem, com ou sem prejuízo para a companhia, as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo; II omitirse no exercício ou proteção de direitos da companhia ou, visando à obtenção de vantagens, para si ou para outrem, deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia; [...] Responsabilidade dos Administradores Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II com violação da lei ou do estatuto. § 1º O administrador não é responsável por atos ilícitos de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se negligenciar em descobrilos ou se, deles tendo conhecimento, deixar de agir para impedir a sua prática. [...] § 2º Os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles. (...) § 5º Responderá solidariamente com o administrador quem, com o fim de obter vantagem para si ou para outrem, concorrer para a prática de ato com violação da lei ou do estatuto. Diante desses preceitos legais, configurado encontrase o exercício da administração da companhia com excesso de poder ou infração de lei, na medida em que fartamente demonstrado o desvio de poder/finalidade do administrador, que não atuou para lograr os fins e no interesse da empresa, ao permitir a emissão de documentos fiscais com valores subfaturados para empresa de fachada, inexistente de fato. Nos termos do art. 121 e seu parágrafo único do CTN, o sujeito passivo é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, e dizse: contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.851 45 respectivo fato gerador; ou responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, a obrigação decorra de disposição expressa de lei. No art. 135, III do CTN, as hipóteses para a imputação de responsabilidade aos administradores pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica são obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Diante desse quadro normativo, inserese, sem sombras de dúvidas, na competência da autoridade administrativa verificar se a obrigação tributária é resultante de atos praticados pelos administradores, dentro de suas atribuições ou poderes, ou com excesso de poderes e infração de lei, contrato social ou estatutos. As obrigações tributárias ora constituídas exofficio nos lançamentos em apreço são flagrantemente resultantes de atos praticados pelo administrador com excesso de poderes e infração de lei societária e tributária (sonegação fiscal). Ao permitir que a Hiperroll se afastasse das práticas regulares e lícitas de operações de vendas, tendo competência para impedir, Paulo Roberto assumiu o risco de constituição de crédito tributário contra a impugnante, resultante de atos praticados com excesso de poder, infração de lei societária e infração de lei tributária. Agiu contra os interesses da pessoa jurídica, com desvio de poder/finalidade3, quando orientou a emissão de notas fiscais com valores inferiores aos das transações reais (causa do não pagamento dos tributos). Também infringiu as leis comercial e tributária ao deixar, como sócio administrador, de informar as bases de cálculo em sua escrita contábil, em DIPJ e em Dacon, e de constituir em DCTF o crédito tributário. Não se trata de mera inadimplência, como pretende fazer crer a impugnante, pois a declaração em DCTF dos débitos tributários em nome de empresa inexistente de fato não substitui o dever da pessoa jurídica que promoveu, efetivamente, a venda das mercadorias . Com efeito, o proveito próprio de Paulo Roberto é evidente, na medida em que como sócio majoritário da impugnante é o maior beneficiário dos resultados das atividades da sociedade. Diante do exposto, a imputação de responsabilidade tributária solidária a Paulo Roberto Paschoalino Machado deve ser mantida, por excesso de poder, infração de lei e contrato social, caracterizada pela conduta dolosa tendente à sonegação dos tributos devidos. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Restou absolutamente comprovada a atuação dolosa com a intenção de sonegar tributos, e o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado, como sócioadministrador da Hiperroll, em contrato social, e administrador de fato da HWR, agiu intencional e reiteradamente em prejuízo dos interesses da autuada, especialmente no que diz respeito à abertura de pessoas jurídicas com interpostas pessoas, com o fim de ocultar a ocorrência dos fatos geradores relativos a vendas de produtos. Fl. 1873DF CARF MF 46 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR o pedido de perícia, e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários, mantendo a responsabilidade solidária de Paulo Roberto Paschoalino Machado. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1874DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002179/2010-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 79 /2 01 0- 41 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 3 2 integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, por meio de PER/DCOMP, de PIS/PASEP, apurado no regime nãocumulativo, relativo ao 4º. trimestre de 2009. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, foram realizadas as seguintes glosas: 1) despesas com embalagens destinadas ao transporte de produtos industrializados e não caracterizados como embalagem de apresentação; 2) despesas com fretes nas operações de vendas dos produtos industrializados, tendo em vista que os referidos gastos não foram comprovados com a apresentação de notas fiscais de venda vinculadas aos respectivos conhecimentos de transporte. Em face de tais glosas, com o consequente não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que há previsão legal para o creditamento das despesas com frete, acondicionamento e armazenagem, assim como das despesas com materiais de embalagem necessários para o acondicionamento de produtos e para a garantia de sua integridade até a entrega ao cliente. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo a sua aplicação direta ao produto fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação, para fins de direito creditório da nãocumulatividade aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 4 3 conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, sustentando o seguinte: 1. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens: sustenta a recorrente que as glosas foram realizadas em virtude das embalagens terem sido consideradas embalagens de transporte. Argumenta, porém, que os gastos com materiais de embalagem são necessários para o acondicionamento e integridade do produto. Nesse caso, sustenta a recorrente, que os materiais de embalagem caixas de papelão, etiquetas, pallets, etc. não se destinam meramente ao fim de transporte, mas de materiais necessários para que o produto chegue em ótimas condições no ponto de venda. Aduz, por fim, que as referidas despesas devem ser consideradas como insumo, uma vez que necessárias para a preservação da integridade dos produtos comercializados (frutas); 2. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes: a recorrente afirma que a glosa de parte das despesas com frete se deu pela ausência se sua comprovação. A recorrente sustenta, então, que não seria necessária a comprovação das despesas com fretes, uma vez que "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Por fim, a recorrente aduz que a decisão recorrida aplicou o conceito de insumos previsto na legislação do IPI, distanciandose, assim, do entendimento de diversas decisões, inclusive do CARF, que corroboram a sua tese. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. I Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições apuradas no regime da nãocumulatividade, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e sua inerência ao processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 6 5 elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...)Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...)Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Em que pese o conceito de insumo sustentado pela corrente majoritária do CARF, há que se assinalar que tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentou que o conceito de insumos no âmbito das contribuições nãocumulativas deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos gastos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa. Eis a ementa da decisão: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Do julgamento acima, restou decidido que o conceito de insumos, no âmbito do regime nãocumulativo, abarca todos os bens e serviços empregados no processo produtivo ou de prestação de serviços e que sejam essenciais ou relevantes à atividade econômica da empresa, afastandose, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Observase, portanto, que o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. Filiome ao conceito de insumos acima esposado, afastandome, desse modo, daquelas correntes que entendem como aplicável, no âmbito das contribuições não cumulativas, o conceito de insumos restritivo previsto na legislação do IPI ou o conceito de insumos ampliativo do Imposto de Renda. Da posição firmada pelo STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, exsurge, de forma clara, a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 8 7 Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levandose em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Passo à análise das glosas. II Da glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens No caso concreto, constatase que o colegiado a quo sustentou a glosa de despesas com material de embalagem, pois, segundo seu entendimento, construído a partir da interpretação das IN´s nº 247/2002 e 404/2004, as embalagens para transporte não dão direito a créditos no regime nãocumulativo: a decisão recorrida adota a distinção entre embalagens de transporte e embalagens de representação. No tocante ao creditamento das despesas com embalagens, cabe lembrar que a 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu sobre tal matéria recentemente, tendo assumido o conceito de insumos esposado na decisão do STJ acima exposta, exarando o Acórdão nº. 9303006.068, cujos excertos importantes para a presente análise, extraídos do voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, estão a seguir transcritos (grifamos algumas partes): A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 9 8 Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. (...)Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 10 9 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Adoto os fundamentos e razões de decidir acima expostos, harmônicos com o conceito de insumos consubstanciado na decisão do STJ (Resp n.º 1.221.170 PR), afastando me, dessa maneira, do entendimento assumido na decisão recorrida, o qual está fincado em atos normativos superados. Analisando o caso concreto, e tendo em mente a atividade desenvolvida pela recorrente produção e comercialização de frutas, verificase que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente são essenciais para a conservação e integridade de seus produtos. Dos autos, observase que a própria fiscalização reconheceu a essencialidade dos materiais de embalagens à garantia da integridade dos produtos da recorrente (fl. 21). Pois bem. Diante dessas considerações, há que se reconhecer que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos devem integrar o conceito de insumos, de maneira que deve ser afastada a glosa das respectivas despesas. III Da glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes Quanto aos créditos das despesas com fretes, observase que houve glosa de créditos em virtude da ausência de documentos que comprovassem que os respectivos fretes eram decorrentes de operações de venda. Ou seja, no caso dos autos, o afastamento dos supostos créditos das despesas com fretes não se deu por questão de direito, mas pela ausência de provas. A recorrente argumenta que não haveria necessidade de comprovação das referidas despesas, pois "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Neste ponto, não assiste razão à recorrente. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, nas fases de impugnação e de recurso voluntário, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, sobretudo para confirmar que os supostos fretes realmente se tratavam de fretes nas operações de venda, os quais são passíveis de creditamento. Não basta a alegação de um direito em tese. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que estabelece o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 11 10 atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às despesas de fretes glosadas. Para fazer jus ao crédito pleiteado, a recorrente deveria ter apresentado documentos hábeis e idôneos para comprovar a natureza e extensão dos gastos com fretes, demonstrando, em especial, se aqueles dispêndios são realmente atinentes a operações de venda. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. Vinícius Guimarães Relator Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917123/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 23 /2 01 3- 08 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.415, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911681/2009-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 16 81 /2 00 9- 77 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 42/46 dos autos: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 15765.50486.200807.1.3.049792, transmitida eletronicamente em 20/8/2007, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 22), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 16.232,82. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 16/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que os sistemas da Receita Federal teriam considerado as informações constantes na DCTF original e que, teria sido transmitida uma DCTF retificadora, que já constava nos sistemas “na data da auditoria”. Argumenta que o Dspacho Decisório deveria ser cancelado, uma vez que nos próprios sistemas da RFB a DCTF original já teria sido substituída pela DCTF retificadora. Apresenta, em síntese, os seguintes pontos de discordância: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/9/2006 5856 39.678,14 13/10/2006 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 4 3 a) não foi levado em consideração a análise da DCTF retificadora que permanecia como atual na data da análise; b) não foi observado que a DCTF original já se encontrava cancelada no sistema da Receita Federal; c) o processamento da auditoria foi feito somente por meio eletrônico, não sendo analisado o caso fisicamente através dos documentos. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade". Resumindo, o contribuinte em 20/08/2007 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (15765.50486.200807.1.3.049792) (fls. 30/34) no valor de R$ 40.139,15. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 22 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) requerendo em preliminar que "diante do fato exposto, solicitamos o cancelamento do despacho decisório nº 848534160, referente ao pedido de compensação através da PER/DCOMP supracitada, uma vez que com nova apreciação da auditoria fiscal, levando cm consideração os dados constantes na DCTF RETIFICADORA. demonstra claramente a existência do crédito compensado" e no mérito "de acordo com a os Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 4 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. os valores pagos indevidamente ou a maior, torna objeto de compensação por parte do contribuinte, uma vez demonstrado claramente, através dos demonstrativos (DCTF), respalda o direito do crédito". A DRJ/BSB proferiu o Acórdão nº 0349.263 (fls. 42/46) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar a compensação do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 5 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 55/62) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade da decisão, concluindo que "não é lícito à autoridade fiscal desconsiderar o crédito fiscal que tem como origem apuração de pagamentos indevidos devidamente escriturados/fundamentados ao singelo argumento de falta de idônea comprovação". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade alegando que a "decisão imotivada é decisão nula, viciada em sua forma, nulidade que consiste "na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato" (Art. 2°, parágrafo único, „b" da Lei no 4.717/65, que regula a Ação Popular)". Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados. Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 7 6 Princípio da Razoabilidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 18490.720142/2015-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 42 /2 01 5- 72 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.792, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP inicial nº 32222.20418.170510.1.3.049827, PER/DCOMP nºs 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 5.227,84, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 5.964,59, recolhido em 23/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 225, de 02/04/2015, às fls. 19 e 20, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 32222.20418.170510.1.3.049827 (fls. 02/06), que solicita crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04; e das DCOMPs nos 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.04 0003(fls. 07/14), vinculadas à DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827. À fl. 15, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas DCOMPs, (...): Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório solicitado mediante a DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827, correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 5.227,84, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações pretendidas nas DCOMPs nos 32222.20418.170510.1.3.049827, 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.04 0003; c) DETERMINAR A COBRANÇA dos débitos confessados nas DCOMPs acima mencionadas, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para Fl. 105DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 4 3 cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa apurou CSLEstimativa (2484), referente ao mês de Agosto/2004, no valor original de R$ 5.227,84. Informa que, devido ao parcelamento PEPAR (processo 1028090129553) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 22/10/2009, via DARF, no valor de R$ 5.964,59, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827; 15675.55279.170610.1.3.04 0141 e 14635.57308.210610.1.3.040003; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido, visto que a empresa apurou CSLL Estimativa, referente ao mês de agosto/2004, no valor de R$ 5.227,84. Contudo, afirma que Fl. 106DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 5 4 devido ao parcelamento PEPAR (processo 1028090129553) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 22/10/2009, a Recorrente teria pago indevidamente, via DARF, o valor de R$ 5.964,59, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827; 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003. As PER/DCOMPs apresentadas pela Recorrente de nº 32222.20418.170510.1.3.049827 (original); 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003 (fls. 2 a 14), informam ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 5.964,59. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 19), que o DARF informado nos PER/DCOMPs como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.295/200853, não restando crédito disponível para compensação do débito informado nas DCOMPs. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 08/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Agosto/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.342,99: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Agosto/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.342,99, com saldo a pagar de R$ 5.227,85: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901295/200853 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração agosto/2004, no valor originário de R$ 5.227,84 (mesmo valor informado na DCTF), conforme telas abaixo. Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901295/200853, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de 5.964,59, recolhido em 23/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração agosto/2004. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 6 5 Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901295/200853 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.902042/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO.
A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA
A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito.
Numero da decisão: 3201-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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CREDITAMENTO Recorrente NORDISK TIMBER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 42 /2 01 4- 45 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 175 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 20) relativo ao Pedido de RessarcimentoPER nº 09065.01040.201210.1.1.088065. Referido Despacho informa que com base nas informações relacionadas no pedido de ressarcimento não há direito ao crédito pleiteado e que em razão disto não foram homologadas as compensações apresentadas nas DCOMP nºs 21027.04952.110411.1.3.080109 14441.70055.150411.1.3.08 6607 42019.41603.200411.1.3.082106. A Delegacia da Receita Federal em Belém, em 16/09/2014 emitiu o Parecer SEORT nº 807 (fls. 55 a 63) onde analisou pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte através do PER/DCOMP nº 09065.01040.201210.1.1.088065, no montante de R$ 151.279,86. Após várias intimações e análise da documentação apresentada, efetuou a glosa de notas fiscais, informando que: • A aquisição de madeira para fins específico de exportação não gera direito ao crédito pretendido, conforme estabelecido pelos artigos da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; • Não há incidência da contribuição quando da aquisição de produtos com o fim específico de exportação, conforme o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002, sendo vedada a apuração de créditos referentes às operações de exportação desses produtos, nos termos do art. 15, III da Lei nº 10.833/2003; • Para ser considerado insumo o bem ou serviço deve atuar diretamente sobre o produto em fabricação; • “Assim, foram glosados os bens/serviços que atuam indiretamente sobre o produto, bem como os bens e materiais de Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 176 3 embalagem utilizados apenas para o transporte do bem produzido;” • Várias notas fiscais, relativas a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosadas por estarem em desacordo com a definição prevista no art. 3º da lei 10.637/2002; • Após a reconstrução do DACON apresentado pelo contribuinte restou saldo a pagar de contribuição para o trimestre analisado, ao invés de direito creditório a ser ressarcido. Ciente do indeferimento seu pedido de ressarcimento, em 16/10/2014 (fl. 84), o contribuinte, em 14/11/2014, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 85 a 94) alegando em síntese, que: • Preliminarmente, deve ser nulo o Despacho Decisório por ter deixado de observar o disposto no Decreto nº 70.235/72 e as demais disposições da legislação; • O Despacho Decisório, emitido após a fiscalização, indeferiu o pedido de ressarcimento bem como glosou o valor de R$ 151.279,86. Isso vem a ferir os preceitos legais do contribuinte uma vez que este cumpriu rigorosamente todos os procedimentos da legislação em vigente. DA GLOSA DO CRÉDITO BENS PARA REVENDA • a Lei 11.033 de 21 de Dezembro de 2004 em seu art 17, diz que “As vendas efetuadas com suspensão isenção, alíquota O (zero) não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor dos créditos vinculados a essas operações”. • “Então é razoável a afirmar que a diligencia fiscal que deu origem a glosa fiscal e suas justificativas não têm fundamentos, isto porque quando esta afirma que compra com fim especifico de exportação não gera credito por não haver a incidência da contribuição o dispositivo acima a luz da legislação diz que sim, no caso para o vendedor ou seja quem compra”. • Para as notas fiscais e seus devidos conhecimentos de frete com fim específico de exportação não se justifica a glosa, uma vez que a empresa beneficiava a madeira serrada comprada e a vendia no mercado externo na forma de deck, piso e madeiras aplanadas, tendo inclusive no seu pátio industrial maquinas para este tipo de serviço. Quando se fala em compra com fim especifico de exportação este não pode sofrer qualquer alteração ou modificação sendo inclusive colocado em local aduaneiro, o que não é o caso. • Ora, o fato de tal aquisição estar submetida à alíquota zero, não obsta que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art. 17 da Lei 11.033/04. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 177 4 DA GLOSA DO CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a Lei n° 10.637/2002 em seus Art. 2º e 3º diz que do valor apurado a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. Por sua vez o § 4º do art. 8º da Instrução Normativa 404/2004, entende como insumos os bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, ou seja: “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo Imobilizado”. • nosso entender é um pouco mais amplo, pois para se definir "insumos" um bem ou serviço tem que levar em consideração, todos os gastos que contribuíram para a consecução dos objetivos comercias deste, assim sendo é razoável afirmar que devemos afastar a idéia de que insumos é somente o que é aplicável diretamente e imediatamente, na utilização de um processo produtivo de um bem a ser comercializado. • o conceito que mais se aproxima para fins tributário da questão do "insumos" é o disposto no Art. 290 e 299 do RIR ( Decreto 3.000/1999). Um bem ou serviço tem que levar em consideração, todos os gastos que contribuíram para a consecução dos objetivos comercias deste, assim sendo é razoável afirmar que devemos afastar a idéia de que insumos é somente o que é aplicável diretamente e imediatamente, na utilização de um processo produtivo de um bem a ser comercializado. DA GLOSA DO CRÉDITO DE ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO • Discorda da fiscalização porque a Autoridade Fiscal é taxativa na sua interpretação legal, seguindo em tudo o disposto na Lei 10.637/2002 Art.2° e Art. 3o, parágrafo l°e inciso III, bem como a IN 404/2004 em seus Art.7° e Art. 8o Inciso III, letras a e b, que no entender da Fazenda Nacional deve estar ligada diretamente, a produção de um bem ou serviço. • a glosa fiscal do combatido despacho decisório foi sobre Equipamentos de informática, Moveis e Utensílios e Pallets, no entanto para fins de credito e dentro da celeridade jurídica, este bens fazem parte do processo produtivo, no caso em questão "madeira Serrada". • Com relação a equipamento de informática as Estufas e Silos eram controlados de uma sala próxima a estes maquinários e equipamentos via computadores, pois as estufas eram todas informatizadas, onde se controlava a temperaturas destas e o Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 178 5 tempo de secagem da madeira ou seja totalmente programada, e a "depreciação" em questão, fazia parte do processo de produção da madeira. • Também há de se abraçar que os moveis e utensílios bem como as Palletts eram parte deste processo produtivo, uma vez que os moveis e utensílios faziam parte da sala de controle das estufas e silo, caso contrario o funcionário ficaria em pé uma vez que as estufas e silos rodavam 24 horas, com relação aos pallets podemos afirmar que este serviam de base para a madeira serrada , piso e deck sendo estes dois últimos , considerado produtos acabado. • Portanto concluímos que a glosa por parte do fisco não levou em consideração a forma de utilização destes bens na produção de um processo de um bem, neste caso madeira. QUANTO AO MÉRITO • o Despacho Decisório (eletrônico) fere o direito de ressarcimento e compensação, do contribuinte. Não há como sustentarse a pretensão do Despacho Decisório combatido diante do montante originalmente requerido e do montante reconhecido no Despacho Decisório ora impugnado. • A estes argumentos juntase o fato de que o não reconhecimento do crédito a que faz jus o contribuinte, pela não manutenção do Despacho Decisório combatido, nos moldes em que se apresenta, caracteriza inegável cerceamento do direito de credito do contribuinte. • Isso porque sem que se possa vislumbrar entre os motivos consignados no Despacho Decisório qualquer elemento (legal ou fático) que ampare a divergência que ocorre em detrimento do contribuinte. • não pode o Despacho Decisório, baseado em interpretações equivocada por parte da diligencia fiscal, alterar o montante apurado, especialmente em detrimento do contribuinte sem que seja ferido de morte o devido processo legal. Eis que em assim sendo incorreu aquele Despacho em afronta ao devido processo. • Ora, ao deixar de apontar e comprovar os dispositivos e motivos que levaram ao não reconhecimento de crédito diferente daquele apurado pelo contribuinte em sua ação o Despacho Decisório afrontou o devido processo legal colocando o contribuinte, ora Impugnante, em ilegal e inadmissível condição de ignorância quanto aos fatos que levaram ao indeferimento de parcela de sua direito liquido e certo. • Ao final requer que seja, já em sede de preliminar, considerado homologado o Pedido de Ressarcimento de 20/12/2010 de Pis não Cumulativo Exportação, referente ao 2° trimestre de 2007 com homologação do credito glosado, nos termos da legislação vigente no valor de R$ 151.279,86. Em Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 179 6 sede de mérito seja considerado homologado o Pedido de Ressarcimento de Pis não Cumulativo Exportação de 20/12/2010, do 2o Trimestre de 2007 no valor de 151.279,86." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente no seu processo produtivo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas, mas tão somente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o crédito glosado é um direito do sujeito passivo que apurou crédito passível de restituição ou de ressarcimento, o qual pode ser utilizado em compensação; (ii) o Fisco possui 5 (cinco) anos da data da protocolização do pedido para a análise do direito creditório e posterior compensação com os débitos declarados pelo sujeito passivo, bem como o ressarcimento em espécie de eventual saldo apurado após a compensação; (iii) é empresa industrial que adquire madeira a industrializa e destina seus produtos para exportação, fazendo jus aos créditos pelas aquisições; (iv) o fato de as aquisições estarem submetidas à alíquota zero, não obsta que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art 17 da Lei 11.033/2004; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 180 7 (v) que possui direito ao creditamento de bens utilizados como insumos em seu processo produtivo; (vi) o conceito de insumos para fins tributários é o previsto nos arts. 290 e 299 do RIR (Decreto 3000/99); (vii) cita jurisprudência favorável a sua tese; (viii) que a glosa se refere a material de embalagem e despesas de frete; (ix) possui direito ao crédito com depreciação do ativo imobilizado; (x) possui direito ao creditamento em relação a equipamentos de informática, pois as estufas e silos eram controlados por tais equipamentos (temperatura e tempo de secagem da madeira) e a "depreciação" fazia parte do processo de produção; (xi) os móveis, utensílios e pallets faziam parte do processo de produção; (xii) a quantificação do montante do crédito que ampara o contribuinte nos termos em que postos pelo Despacho Decisório guerreado está equivocada e não encontra fundamento fático para sustentála; (xiii) o despacho decisório incorreu em flagrante ilegalidade; e (xiv) foi ferido o devido processo legal. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Para melhor compreensão das matérias em debate, passase a análise de acordo com os tópicos postos na peça recursal. Do crédito bens para revenda e do direito creditório não reconhecido O fundamento legal para a glosa efetuada pela fiscalização se encontra no art. 3º da Lei nº 10.637/2002: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 181 8 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Correta a decisão recorrida quando aduz que: "A planilha com as notas fiscais glosadas se referem a bens para revenda, (conforme arquivos digitais fls. 47 a 52). A leitura combinada dos arts. 3º e 5º, aplicados à questão específica dos autos, deixa claro que se não houve a incidência de PIS/PASEP quando da aquisição de madeira para fim específico de exportação e, se a sua saída também é isenta desta contribuição, não há direito ao crédito informado pelo contribuinte em seu DACON. Em síntese, se não houve o pagamento da contribuição na aquisição e a saída (exportação) do produto também era isenta, não há porque o contribuinte se creditar de um encargo que não sofreu. O creditamento pretendido pelo contribuinte equivale a um benefício fiscal que somente pode ser aplicado mediante Lei específica que o autorize." Este tem sido o entendimento do CARF: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição." (Processo nº 13016.000092/200785; Acórdão nº 3803003.152; Relator Conselheiro Hélcio Lafetá Reis; sessão de 28/06/2012) Do voto condutor transcrevo: "Há a previsão de apuração de créditos somente em relação a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 a que o Recorrente faz menção não se refere à apropriação de créditos nas aquisições de produtos isentos, submetidos à alíquota zero, vendidos com suspensão ou não tributados, mas à manutenção de créditos decorrentes da incidência da contribuição na etapa anterior do processo produtivo, do qual resulte produto não tributado." "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 (...) INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 182 9 A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003." (Processo nº 10909.720242/2009 90; Acórdão nº 3302002.471; Relator Conselheiro Gileno Gurjão Barreto; sessão de 26/02/2014) Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, temse o seguinte precedente: "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE.INSUMOS e bens adquiridos para venda à alíquota zero. impossibilidade. Por expressa disposição legal, não há direito a crédito pelo regime não cumulativo de PIS e COFINS, disciplinado nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (artigo 3º, parágrafo 2º, inciso II), na hipótese de aquisição de insumos e bens para revenda à alíquota zero. Circunstância em que é inaplicável o artigo 17 da Lei 11.033/2004,por serrestrito ao REPORTO." (TRF4, AC 500129870.2013.4.04.7005, PRIMEIRA TURMA, Relator AMAURY CHAVES DE ATHAYDE, juntado aos autos em 29/07/2016) Do voto, ressalto: "Diante disso, a expressão 'não sujeitos ao pagamento dessas contribuições', abrange, obviamente, os produtos adquiridos tributados à alíquota zero, pois, nessa hipótese, também não há pagamento das referidas contribuições. (...) Todavia, se a mercadoria adquirida pela parte autora não sofreu a incidência do tributo, não há como admitir que tenha direito à apropriação de crédito algum. Se assim fosse, haveria duplo benefício não previsto em lei. Pelo regime da nãocumulatividade apenas é cabível o desconto do tributo efetivamente incidente nas operações anteriores. Ora, a isenção, a alíquota zero, a nãoincidência ou a suspensão da incidência não diferem na natureza, mas apenas na técnica legislativa. Estão todas no campo da nãoincidência em sentido lato, de modo que nenhuma delas gera crédito de PIS/COFINS, pelo simples fato de que nenhum tributo foi pago, cobrado, devido ou incidente. Logo, o reconhecimento do crédito pretendido acarretaria o enriquecimento ilícito da parte autora, na medida em que importaria em permissão para o aproveitamento de crédito inexistente. Sob o enfoque tributário, haveria benefício fiscal não previsto. E não há falar em incidência de contribuição com efeito 'cascata', pois, se não houve recolhimento da contribuição em operações anteriores, inexiste valor a ser creditado na operação seguinte. Inexiste superposição de incidência. Para existir direito a creditamento, é imprescindível que tenha havido cobrança e pagamento anteriores. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 183 10 Em conclusão, inexiste previsão legal ou constitucional que ampare o pedido da autora, não havendo qualquer afronta aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da legalidade tributária, da segurança jurídica, da razoabilidade e da isonomia." Não é diferente o posicionamento do Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. "TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. LEIS N.ºS 10.637/2002, 10.833/2003 E 10.865/2004. 1. Cuidase a espécie de mandado de segurança impetrado por Industria de Alimentos Bomgosto Ltda que atua na industrialização de produtos alimentícios, cujo desiderato precípuo é obter o reconhecimento do direito de creditarse das contribuições ao PIS e da COFINS em relação a aquisição de insumo adquirido a alíquota zero, utilizado na fabricação de produto tributado na saída. Para tanto, embasa sua pretensão no art. 15 da Lei n.º 10.865/2004 e no princípio da não cumulatividade. 2. O direito ao creditamento não é decorrência necessária do regime não cumulativo de um tributo. A não cumulatividade se expressa basicamente pela impossibilidade de o tributo incidente na etapa anterior de produção permanecer na base de cálculo da contribuição que será devida pelo próximo agente da cadeia produtiva, a fim de não permitir a oneração demasiada do produto final. De outra parte, o creditamento é um dos mecanismos contábeis utilizados para reverter o possível efeito de incidência em cascata quando as diversas operações são sujeitas a recolhimento efetivo dos tributos. Não é, porém, o único meio adotado pelo legislador para corrigir eventuais distorções. 3. Prova disso é precisamente a incidência monofásica da COFINS e da contribuição para o PIS. Com efeito, a partir do momento em que a tributação é concentrada em uma das etapas do mercado (produtor) e desoneradas as demais pela adoção de alíquota zero (distribuidores e revendedores), é evidente que as contribuições não decorreram de imposição cumulativa. Portanto, o preceito constitucional estaria atendido já por este raciocínio. 4. Ainda sob essa perspectiva, consolidouse o entendimento de que, nas hipóteses de desoneração (alíquota zero), o contribuinte somente pode escriturar o crédito de COFINS e de contribuição para o PIS não cumulativos quando a lei expressamente assegurar esse direito, dada a feição de benefício fiscal. (...) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 184 11 6. Assim, se a empresa comprou um insumo tributado na origem com alíquota zero, seu crédito de PIS e COFINS será zero, pois o fabricante do insumo não pagou nenhum imposto, não havendo, portanto, valores a serem compensados. Apelação desprovida." (PROCESSO: 00069904020124058300, DESEMBARGADOR FEDERAL MARCOS MAIRTON DA SILVA, Primeira Turma, JULGAMENTO: 23/01/2014, PUBLICAÇÃO: DJE Data::30/01/2014 Página::77) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso em referida matéria. Do crédito bens utilizados como insumos e do direito creditório não reconhecido No tópico em questão, em relação aos insumos que pretende o creditamento, limitase a Recorrente a afirmar o que segue: "Portanto, tanto material de embalagem como produto intermediário são considerados insumos, mas este julgador através de se acórdão, resolveu glosar as Notas Fiscais e seus devidos conhecimento de frete apresentados por este contribuinte, temse portanto, situação que deve seguir princípios basilares, como o devido processo legal, da legalidade, que é o princípio que norteiam o direito do contribuinte em fazer os devidos créditos, este princípio foi ignorado, como o devido respeito, no procedimento adotado por este julgador." A Recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento probatório a confirmar que os gastos incorridos com insumos que pretende se creditar estão atrelados ao seu processo de produção, ou seja, se são necessários. Não trouxe, também, elementos para se confirmar que efetivamente se tratam de material de embalagem e fretes. Ademais, em nenhuma manifestação da Recorrente constam razões específicas pelas quais teria defendido de modo justificado que o material de embalagem e frete constituiriam insumos em sua atividade, havendo apenas a argumentação antes reproduzida, não sendo possível, com precisão, enquadrar tais itens como insumos. Assim, ante a ausência de prova não há como se deferir o pleito recursal em tal matéria. Sobre a necessidade de o contribuinte provar ou demonstrar que os insumos ou os serviços são aplicados em etapas essenciais no processo produtivo, esta Turma, por unanimidade de votos, recentemente assim decidiu: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 185 12 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo." (Processo nº 10783.914097/201194; Acórdão nº 3201004.245; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 26/09/2018) Do voto do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, destaco: "Dessa forma, não comprovado pelo contribuinte a essencialidade dos serviços glosados em atividades produtivas da fabricação dos produtos destinados à venda, e tampouco se enquadrarem no conceito de insumos previsto nos dispositivos do art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento." Ainda do CARF: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012PIS NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.“Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. (...)" (destaque nosso) (Processo nº 19311.720352/201411; Acórdão nº 3401005.291; Relator Conselheiro André Henrique Lemos; sessão de 29/08/2018) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 186 13 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento." (Processo nº 11080.015203/200759; Acórdão nº 3301004.982; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 27/07/2018) Assim, ante os argumentos genéricos produzidos pela Recorrente, sem qualquer fundamentação específica e elemento probatório que justifique a tomada dos créditos, não há como se dar provimento ao Recurso em tal matéria. Do crédito de encargos com depreciação do ativo imobilizado e do direito creditório não reconhecido Consigna a Recorrente em seu recurso: "Se não vejamos, a glosa fiscal do combatido despacho decisório foi sobre Equipamentos de informática, Móveis e Utensílios e Pallets, no entanto para fins de crédito e dentro da celeridade jurídica, estes bens fazem parte do processo produtivo, no caso em questão "madeira serrada" Com relação a equipamento de informática as Estufas e Silos eram controlados de uma sala próxima a estes maquinários e equipamentos via computadores, pois as estufas eram todas informatizadas, onde se controlava a temperatura destas e o tempo de secagem da madeira ou seja totalmente programada, e a "depreciação" em questão, fazia parte do processo de produção da madeira. Também há de se abarcar que os móveis e utensílios bem como as Pallets eram parte deste processo produtivo, uma vez que os móveis e utensílios faziam parte da sala de controle das estufas e silo, que visava proporcionar um ambiente de trabalho digno e seguro a seus operadores uma vez que as estufas e silos rodavam 24 horas, com relação aos pallets podemos afirmar que estes serviam da base para a madeira serrada, piso e deck sendo estes dois últimos, considerados produtos acabados." Da decisão recorrida temse que: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 187 14 "Caso os equipamentos de informática tenham sido utilizados para manter as condições da estufa para beneficiamento da madeira a ser exportada, há a necessidade de fazer distinção entre equipamentos de informática utilizados nas unidades administrativas e os equipamentos utilizados na produção. Não houve tal distinção nem trouxe o contribuinte elementos que permitam concluir que tais equipamentos foram utilizados especificamente na produção de bens destinados à venda." Nos termos do inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, somente geram direito ao crédito os bens utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Vejamos: "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;" Novamente, entendo que a pretensão da Recorrente esbarra na ausência de prova do seu direito. Como visto, os argumentos tecidos, aliado à ausência de prova não são suficientes para prover o seu recurso, pois não atestado que os bens indicados foram utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda. O CARF entende que somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda sendo do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito. Neste sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos." (Processo nº 13502.000431/200580; Acórdão nº 3002000.374; Relator Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves; sessão de 14/08/2018) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 188 15 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13707.001953/2003-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.
Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO.
Havendo transcurso do lustro quinquenal, torna-se inafastável o reconhecimento da decadência e mister o reconhecimento da homologação tácita do crédito tributário
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1002-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. Havendo transcurso do lustro quinquenal, torna-se inafastável o reconhecimento da decadência e mister o reconhecimento da homologação tácita do crédito tributário RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. Havendo transcurso do lustro quinquenal, tornase inafastável o reconhecimento da decadência e mister o reconhecimento da homologação tácita do crédito tributário RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 19 53 /2 00 3- 31 Fl. 183DF CARF MF 2 reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 134 e 175) interposto contra o Acórdão n° 1284.022, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (efls. 127 à 229), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a Impugnação, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, convalidando parcialmente as alocações efetuadas pela DRF de origem quanto aos débitos dos 3 primeiros trimestres de 1998, mantendo, ainda, a multa, remanescendo o crédito tributário referente ao pagamento não encontrado de R$ 5.550,55, com os respectivos acréscimos da multa de ofício e juros de mora lançados. Na exordial defensiva, o Contribuinte alega essencialmente o que segue, verbis: · Em 18/11/1998 retificou as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real (procedimento admitido para o anocalendário de 1998), conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo, convertendo, assim, os códigos 2372 para 6012; · Em 28/08/1999 encontrou divergências, em favor do fisco, nas DCTF(s) retificadoras, cujas informações sobre a CSLL ficaram omissas; · Em consulta ao CAC – Madureira foi informada para juntar as novas DCTF(s) retificadoras ao processo supradito, para sem processadas de forma correta; · Assim, foram feitas as reretificações das DCTF(s) dos 2º e 3º trimestres de 1998, incluindo se, na mesma remessa, a retificação da DCTF do 4º trimestre, conforme demonstrativo, que se reproduz abaixo: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 184 3 · O processo de retificação, de acordo com os sistemas da SRF, encontrase sob análise, cópia anexa, motivo das divergências das DCTF(s) originais informadas e a sua real situação; · Destarte, face as informações prestadas solicitamos a deferência da impugnação Em sequência, a DRFB – RJ II, em análise do pedido da interessada em sua impugnação apresentou o RECÁLCULO de efls.124 e 125 , do auto de infração nº 0031063, emitindo o seguinte parecer: O Lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). 1. Trata o presente processo de Auto de Infração nº 0031063 (fls.04 a 17), lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de “inexatidão / falta de recolhimento” de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e 02, apresentando pagamentos. 3. Da análise da documentação apresentada, verificase a existência de pagamentos, referentes aos débitos constantes do Anexo III, que foram utilizados (alocados), resultando na quitação PARCIAL dos créditos tributários referentes aos Períodos de Apuração 01/97, 02/97, 03/97, 04/97, conforme Demonstrativo do Recálculo (fls. 118 a 121). 4. Quanto ao saldo remanescente, havendo pendência de julgamento para a impugnação de fls. 01 a 04, que não pode ser apreciada em sede de revisão de lançamento, deverá ser apreciado pela DRJ. 5. Diante do exposto nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), PROPONHO o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 118 a 121 e posterior encaminhamento à DRJ. (...) Fl. 185DF CARF MF 4 6. De acordo. Diante do acima exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), REVEJO o lançamento e determino o CANCELAMENTO dos créditos tributários considerados improcedentes. Encaminhese à DRJ, para apreciação. Tais aspectos pela DRFB – RJ II foram devidamente considerados no teor do Acórdão da DRJ, conforme se lê à efl. 129: (...) DO MÉRITO DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Tratase de auto de infração com origem em auditoria interna de DCTF, onde foram detectadas inconsistências nos quatro trimestres do anocalendário de 1998 quanto aos valores declarados e recolhidos. A interessada, em sua peça de defesa de fls.03/04, assevera ter retificado as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real, adianta que tal procedimento era admitido à época, conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo. A posteriori, tendo encontrado divergências nas DCTF(s), procedeu à reretificação dos 2º e 3º trimestres, aproveitando o ensejo para retificar, também, o 4º trimestre de 1998. Alega, outrossim, que o processo, em questão, encontrase sob análise, daí originando a divergência das DCTF(s). O trabalho de revisão fiscal levado a efeito pela DRFB – RJ II, em recálculo do crédito tributário, se manifestou, informando que os pagamentos por meio de DARF, do 1º, 2º 3º e 4º trimestres foram alocados, quitando, de forma parcial, os débitos do período (fls.30/32). Quanto às compensações com Darf (fls.60/115), igualmente, não lograram elidir a totalidade dos créditos tributários imputados no auto de infração, em apreço, resultando, em ambas situações, em um saldo remanescente que se encontra resumido em recálculos de fls.118/121. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Do exposto, entendo que o parecer exarado pela DRFB – RJ II deva ser ratificado, no intuito de ser expurgado do cômputo total do auto de infração nº 0031063, de fl.06/17, cujo valor Principal da Contribuição é de R$ 6.780,28, os valores comprovados de R$ 456,19 + R$ 770,54 = R$ 1.229,73, resultando no saldo remanescente de R$ 5.550,55 (fl.121). DA CONCLUSÃO Dessa forma, DECIDO pela MANUTENÇÃO do débito remanescente de R$ 5.550,55, uma vez que a interessada não logrou elidilo, sobre os quais deverão incidir a multa de ofício de 75% e os juros moratórios cabíveis. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 185 5 Já em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente acrescenta novos argumentos em longa peça, pelo que cumpre transcrevêlos em parte: Preliminares Conforme já pronunciado anteriormente por esse contribuinte, não houve ausência ou insuficiência de quaisquer pagamentos à RFB, nem no tocante à CSLL nem ao IRPJ, ou qualquer outro tributo declarado em DCTF. Na verdade, DOUTO JULGADOR, é incompreensível a manutenção, pela RFB desta cobrança POR UM SIMPLES MOTIVO: AS DCTF´S RETIFICADORAS NÃO FORAM USADAS PARA A AUDITORIA, ELAS SEQUER TINHAM SIDO PROCESSADAS!!!!. A auditoria feita pela RFB se baseou nas DCTF´s ORIGINAIS, EXATAMENTE AS QUE SE PRETENDIA RETIFICAR!!! Temos certeza dessa afirmação pois a própria RFB elucidou a questão num ofício enviado a pedido do juízo da 23ª vara federal da seção judiciária do rio de janeiro, (vide folhas 8 a 14 deste recurso). (...) Na mesma folha nº 13A constam valores menores de CSLL do 3º e 4º trimestres de 1998, com o código correto 6012. Mas novamente valores são indevidos, SEQUER CONSEGUIMOS DESCOBRIR COMO A RFB APUROU OS RESPECTIVOS, POIS, NÃO COINCIDEM COM NADA DE DECLARADO. (...) Com efeito, tratouse, na verdade, de uma questão de ordem técnica em que a própria RFB DEIXOU DE ANALISAR AS RETIFICAÇÕES DAS DCTF´s que por tratarse de retificação para mudança de regime de tributação, deveriam ser analisadas manualmente, até que a resolução 255/2002 veio em socorro e determinou, retroativamente, vários procedimentos para a regularização dessas retificações . DOS FATOS 1) DO NÃO PROCESSAMENTO PELA RFB DAS DCTF´S ORIGINALMENTE ACOSTADAS AO PROCESSO 13707.002470/9871 INDEPENDENTEMENTE do fato de não haver débito algum, o que provaremos documentalmente mais adiante, é CEDIÇO que a própria RFB, no processo de cobrança em tela, não observou as contingências prejudiciais por ela mesma causadas, que de plano, invalida a presente cobrança. Em processo judicial nº 2007.51.01.0191992, que ao nosso ver tem total pertinência e conexão com este, a pedido daquele juízo a RFB foi instada a se manifestar a cerca da situação fiscal deste Fl. 187DF CARF MF 6 contribuinte, no tocante às retificações das DCTF´s do ano de 1998, que geraram créditos tributários passíveis de compensação, compensações essas que não foram consideradas pela RFB por ERRO DESTA. Veja Sr Julgador que nas páginas anteriores o Sr. José Lima dos Santos, diligentemente foi mais longe e analisou os anos seguintes de 1999, 2000 e 2001, ainda relatando que apesar de não serem objeto deste processo foram descritos, analisados e comprovouse também que as compensações estavam corretas e que, POR ERRO A RFB INSCREVEU O PRESENTE CONTRIBUINTE EM DAU – DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. 2) DAS DECLARAÇÕES EFETIVAMENTE ENTREGUES, DCTF´s E DIPJ, DOCUMENTAÇÃO LEGAL, PROBATÓRIA DA CONDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE Com efeito, apesar do detalhado e perfeccionista relatório advindo da mesma RFB no processo judicial já citado, persistem em face desse contribuinte a exação indevida. Sendo assim, demonstraremos adiante, que apesar da grande ajuda probatória dos documentos ACIMA ACOSTADOS, temos ainda as declarações entregues pela empresa, tais como as referidas DCTF´s entregues eletronicamente, a própria DIPJ, onde se poderá verificar que os valores declarados daquelas coincidem com esta, não deixando dúvidas sobre a veracidade do alegado por nós. Numa visão mais ampla, podemos considerar que a entrega eletrônica das DCTF´s retificadoras FINALIZOU toda a sistemática processual em curso. Mesmo considerando que nas etapas anteriores ocorreram erros materiais, por parte do contribuinte, que solicitou a retificação em processo, depois re retificou dentro do mesmo processo, e mesmo considerando que essa reretificação ainda continha erros, a entrega eletrônica, autorizada por IN e ACEITA PELA RFB substituiu as demais DCTF`s contidas no processo e deveria ter sido considerada para a analise do processo administrativo em tela. É impossível considerarse que o processo existe por si só quando na verdade ele não espelha mais a situação fática da vida fiscal do contribuinte que foi autorizado a regularizar eletronicamente sua situação. (...) 3) DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DAS RETIFICAÇÕES (SALDO CREDOR DE DARF´S) E SUA RESPECTIVA ADMINISTRAÇÃO Inobstante à documentação apresentada, trazemos à luz ainda a questão relevantíssima dos saldos credores dos pagamentos efetuados, que foram efetivamente compensados com os valores devidos. Primeiramente, vale destacar que apesar de autorizado pela legislação a atualização dos valores a compensar pela SELIC, §4º do artigo 39 da Lei 9.250/95, não havia no ano de 1998, o Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 186 7 hábil instrumento que hoje chamase PERDCOMP para realizar o feito. Sendo assim, naquela época, muitos contribuintes, sem saber como proceder, acabavam por desprezar o direito à atualização e compensava somente o valor nominal do DARF. (...) 4) DO JULGAMENTO DA DRJ/RJ1 O Acórdão ora desafiado, que manteve a cobrança dos valores obtidos através de auditoria interna nas DCTF´s não observou os procedimentos contidos na IN SRF 255/2002 e as instruções da nota CORAT/TEDAT/DIPEJ. Ademais, tratandose de impostos declarados em DCTF, lançados por homologação e CONSIDERANDO TAMBÉM que as DCTF´s foram entregues eletronicamente, e aceitas nos sistemas da RFB e até serviram para autoria/levantamento pela própria RFB no processo judicial já citado, a manutenção da cobrança é totalmente ilegal. É necessário atentarse para a existência de inúmeros princípios que devem nortear a atuação da administração pública no tocante ao processo tributário, sobretudo o Princípio da Economia Processual e o da Verdade Material. (...) Essa cobrança CADUCOU no momento em que foi autorizada e recepcionada a entrega eletrônica das DCTF´s do 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres do ano de 1998 para atendimento à resolução 255/2002 . Sem prejuízo da análise da DIPJ entregue em conformidade com as mesmas DCTF´s citadas!!! Em que pese o fato de ter havido NO MEIO DO CAMINHO idas e vindas, retificações e reretificações e mais tarde uma terceira retificação, dessa vez entregue por meio eletrônico, mudanças na legislação e etc, a verdade é que OS FATOS CONTÁBEIS E FISCAIS NÃO MUDARAM. QUAIS SEJAM: NÃO HÁ PENDÊNCIA DE PAGAMENTO!!! (...) DO PEDIDO Com base nos argumentos, provas e legislação apresentados, REQUER: A PROCEDÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PARA ANULAÇÃO TOTAL DOS DÉBITOS COBRADOS, oriundos do processo administrativo 13707.001953/200331 considerando que: a) Todos os pagamentos foram efetuados e as retificações objeto do processo 13707.002470/9871 foram entregues eletronicamente e aceitas pela RFB Fl. 189DF CARF MF 8 b) Todas as provas de situação regular e quitação total dos débitos do período cobrado estão fartamente comprovadas tanto por documentos e declarações produzidas pelo próprio contribuinte (DCTF´s, DIPJ, LALUR, DARF´s e etc) quanto produzidas pela própria RFB em auditoria requisitada em processo judicial para tratar de assunto conexo à essa malsinada cobrança c) Houve inobservância procedimental da própria RFB que encaminhou cobrança baseada em informações desatualizadas do próprio contribuinte, que já sanou, há tempos todas as pendências das obrigações acessórias e principais; d) Que a RFB se baseou nas informações das DCTF´s originais, que se pretendia retificar, para levantar os valores a serem cobrados, tornando assim completamente insubsistente a presente cobrança É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, razão pela qual merece ser conhecido. Preliminar O Recorrente alega, em preliminar, que suas DCTFs Retificadoras não foram consideradas pela Fiscalização, quando da análise de seus valores. Contudo, tais argumentos não encontram amparo no que se observou no deslinde do presente PAF. Este seguiu a estreita lisura em sua fluidez, de modo que tanto o parecer da DRFB – RJ II, quanto o Acórdão da DRJ foram categóricos em afirmar que consideraram em sua análise as retificações perpetradas pelo Contribuinte. Portanto, o panorama fático está em absoluta consonância com as providências que foram perpetradas ao longo do processo. Logo, rejeito a preliminar. Mérito Da decadência No que cinge ao crédito cobrado até parte do segundo trimestre de 1998, há de se reconhecer de ofício sua decadência. Isso porque que restou incontroverso que houve pagamento naquela oportunidade (efls. 30 à 43), ainda que o Fisco tenha compreendido a quitação como parcial. De tal sorte, a contar dessa data inaugurase o lustro quinquenal, na forma do art. 150, §4°, do CTN. Noutro giro, o Auto de Infração foi recebido pelo Recorrente em 18 de agosto de 2003 (efl. 123); portanto, até esta data quedouse exaurido o prazo decadencial. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 187 9 Aliás, essa percepção é consentânea com a jurisprudência do CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 2201003.496, de lavra do i. Cons. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, na sessão de 15 de março de 2017: Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 191DF CARF MF 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 188 11 Portanto, por se tratar de matéria de ordem pública, de forçoso reconhecimento nesta instância recursal, reconheço a decadência dos valores cobrados no indigitado auto de infração, referentes ao primeiro trimestre de 1998. Da quantia residual Quanto à quantia residual, de parte do segundo e terceiro semestre de 1998, não tem razão o Recorrente, haja vista a ausência de provas aptas a chancelar seu pedido. Em que pese a juntada da DCTF e livros contábeis, esses não são suficientes para embasar o pleito, pois não comprovam o efetivo recolhimento do tributo. Impende ressaltar que aqueles são documentos produzidos unilateralmente pelo Contribuinte, razão pela qual este CARF não entende como hábeis a apontar a quitação dos valores. Noutro giro, naquelas circunstâncias em que o Recorrente apresentou seu DARF, os montantes foram devidamente expurgados pela Autoridade Fiscal de piso. Aliás, tais aspectos foram detalhadamente expostos em sede de Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: A interessada, em sua peça de defesa de fls.03/04, assevera ter retificado as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real, adianta que tal procedimento era admitido à época, conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo. A posteriori, tendo encontrado divergências nas DCTF(s), procedeu à reretificação dos 2º e 3º trimestres, aproveitando o ensejo para retificar, também, o 4º trimestre de 1998. Alega, outrossim, que o processo, em questão, encontrase sob análise, daí originando a divergência das DCTF(s). O trabalho de revisão fiscal levado a efeito pela DRFB – RJ II, em recálculo do crédito tributário, se manifestou, informando que os pagamentos por meio de DARF, do 1º, 2º 3º e 4º trimestres foram alocados, quitando, de forma parcial, os débitos do período (fls.30/32). Quanto às compensações com Darf (fls.60/115), igualmente, não lograram elidir a totalidade dos créditos tributários imputados no auto de infração, em apreço, resultando, em ambas situações, em um saldo remanescente que se encontra resumido em recálculos de fls.118/121. Portanto, em respeito à verdade material e à escorreita instrução carreada neste Processo Administrativo Fiscal, tornase mister desacatar o pleito do Contribuinte, pois não há qualquer comprovação de erro de fato, e tampouco elementos probatórios aptos a lastrear a improcedência do Auto de Infração. Da multa de ofício Fl. 193DF CARF MF 12 Outrossim, há de se reconhecer o afastamento da multa de ofício, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, consignado no art. 106 do CTN. Conforme se examina na análise intertemporal, a legislação vigente à época do lançamento era a Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor do art. 90 continha a seguinte redação: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Contudo, tal panorama legislativo foi alterado pela Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n° 11.051/04), retirando a exigibilidade da multa para as circunstâncias diversas daquelas insculpidas em seu art. 18, leiase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. (GN) Logo, tornase imperativo reconhecer o beneplácito decorrente da modificação legal, exonerando o Contribuinte da multa de ofício que lhe foi aplicada. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe parcial provimento, para declarar a decadência ocorrida até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.903883/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.630
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 83 /2 01 3- 47 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.560.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903883/201347 Acórdão n.º 3402005.630 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732369/2012-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 23 69 /2 01 2- 53 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$6.086,56, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 12 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 04/12/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Esclarece o grau de parentesco que tem com cada um dos beneficiários cujas despesas com plano de saúde foram glosadas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 12/11/2014, no acórdão 0364.643, às efls. 33 a 35, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 40 a 53 alegando, que Francisco Capistrano de Freitas, Rita de Cássia Araújo Freitas e Teresa Júlia Araújo são seus dependentes há mais de 20 anos. Suscita a aplicação do princípio da verdade material, da razoabilidade e proporcionalidade. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 31/12/2014, efls. 38, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/01/2015, efls. 40, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação consiste na glosa de despesas médicas com diversos dependentes, conforme consta o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 58 3 A DRJ manteve a autuação sob o fundamento de que o contribuinte não declarou quaisquer dependentes em sua DAA: Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda despesas médicas do próprio contribuinte e as realizadas com dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O impugnante não informou dependentes, de modo que não há como deduzir despesas médicas realizadas por terceiros, ainda que sejam parentes do contribuinte e que este tenha arcado com as despesas. Há que se esclarecer que, caso o interessado informe a existência de dependentes, os rendimentos deles devem ser adicionados aos rendimentos do sujeito passivo na apuração do imposto de renda. Desse modo, ainda que o contribuinte esclareça que os beneficiários do plano de saúde são seus parentes e alguns deles poderiam ser considerados dependentes, estes não constam da declaração de ajuste do contribuinte nem tiveram seus rendimentos adicionados aos do impugnante. . As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 59DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 59 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 61DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 60 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Conforme DAA do contribuinte às efls. 21, de fato não constam nenhum dependente elencado, motivo pelo qual mantenho a decisão de piso por seus próprios fundamenteos, Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
