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Numero do processo: 10469.725087/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.873
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 87 /2 01 2- 20 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.725087/201220 Acórdão n.º 3302003.873 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.440. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.725087/201220 Acórdão n.º 3302003.873 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10469.725087/201220 Acórdão n.º 3302003.873 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10469.725087/201220 Acórdão n.º 3302003.873 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10469.725087/201220 Acórdão n.º 3302003.873 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904346/2012-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.744
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 46 /2 01 2- 85 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10280.904346/201285 Acórdão n.º 9303004.744 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.648, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10280.904346/201285 Acórdão n.º 9303004.744 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10280.904346/201285 Acórdão n.º 9303004.744 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10280.904346/201285 Acórdão n.º 9303004.744 CSRFT3 Fl. 6 5 Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900338/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência.
Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso.
Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação.
A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 185 1 184 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900338/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.228 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2017 Matéria NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CARGILL SPECIALTIES INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 AUSÊNCIA DE QUESTÃO FÁTICA A SER ESCLARECIDA. ERRO DE DIREITO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO DE DILIGÊNCIA. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. COMPENSAÇÃO. ALEGADO PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 38 /2 00 8- 11 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1429.592, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 11 de junho de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 187 3 que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia às autoridades fiscais diligenciar junto à. empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao principio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que "a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário"; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. É o relatório Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório e requerendo sejam conhecidas as provas juntadas, em atendimento ao princípio da busca da verdade real, provas que alega comprovarem a existência de saldo negativo passível de recuperação; que houve um erro de forma em seu pedido, não podendo restar frustrado seu direito líquido e certo ao indébito e; que já foi atingido pela decadência o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, não podendo ser este alterado. Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal de existência de processos do mesmo contribuinte com a mesma causa de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 188 4 pedir, solicitei a distribuição dos nove processos, entre os quais o presente, por conexão, independentemente de sorteio, para que os recursos pudessem ser analisados conjuntamente, conforme art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo tal requisição deferida pelo Presidente da 1ª da Seção, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 189 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em sede preliminar, sustenta o interessado a impossibilidade de revisão do saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, diante do transcurso do prazo qüinqüenal, afirmando ter ocorrido homologação tácita em 2007, ocasião em que extinguiuse o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a lide não diz respeito ao prazo decadencial para se proceder ao lançamento, mas da análise da compensação realizada pelo contribuinte. Nesses termos, estarseia tratando de algo de outra natureza: aferição da liquidez e certeza do pleito creditório de interesse da interessada e não simplesmente de lançamento. Assim, não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de CSLL, e proceder à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Nesse sentido, embora o Fisco não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos a fatos acontecidos, atingidos pelo prazo decadencial, por haver decorrido o prazo legal para tanto, por outro lado, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Logo, não há razão em se afirmar, como o fez o contribuinte, que no ano de 2007 o saldo negativo de CSL não era mais passível de análise. Por outro lado, devese verificar se ocorreu a chamada homologação tácita do débito declarado pelo contribuinte por Per/Dcomp, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. De acordo com este disposto legal, começa a fluir o prazo qüinqüenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, na data da entrega da respectiva declaração de compensação, sendo considerado tacitamente homologado o débito (ou crédito tributário) após o decurso do prazo de cinco anos. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). No caso em tela, tendo sido apresentada a DComp retificadora na data de 08/03/2004, deslocase o citado prazo a quo para a data da entrega dessa DComp retificadora. Nesse sentido, dispõe o art. 91 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 190 6 Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve nem mesmo homologação tácita da compensação declarada, pois na data que ocorreu o despacho decisório (em 24/04/2008), ainda não havia se consumado o citado prazo qüinqüenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência. DA PRELIMINAR DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas, exclusivamente. Não há como negarlhe o direito ao crédito, enquanto que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Convergente a este entendimento, o Colegiado que primeiro analisou o processo nº 10865.900336200813, que motivou o despacho de conexão, resolveu converter os autos em diligência, esclarecendo, naquela oportunidade, inclusive, suas razões pelas quais desconsidera o erro formal de o contribuinte indicar nos PER/DCOMP como crédito os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. De acordo com a resolução anterior, se o método de solicitar a restituição, o ressarcimento e a compensação se mostrou inadequado sob a ótica formal, o processo administrativo fiscal é que deve acertar o procedimento guiandose pelo princípio matriz, da busca pela verdade real. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 191 7 Porém, esta diligência não se realizou, em face da informação fiscal da existência de outros processos desse mesmo contribuinte que objetivam a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, no mesmo anocalendário, propondo sejam analisados conjuntamente, além de noticiar que esta foi a solução dada nos processos relativos ao IRPJ deste mesmo ano, onde o relator daqueles processos solicitou que lhe fossem distribuídos tais processos por conexão Foi exatamente por esta razão, foi requisitada a distribuição do presente processo a este relator, em conformidade com o despacho de conexão anteriormente mencionado e deferido pelo Presidente da 1ª Seção. Sendo assim, entendo que deve ser permitido retificar a Per/Dcomp, por ser patente o erro no seu preenchimento, configurado em divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado, como já se disse, no próprio contexto em que foi feita a declaração. Assim, inclinome pela realização de uma diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido; c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. DO MÉRITO Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era, fato este admitido pela Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 192 8 própria recorrente. Tratavase, segundo seu recurso, de recolhimento de estimativas que formavam o saldo negativo, apurado no final do anocalendário 2001. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo: o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa; o período de apuração indicado também é o da estimativa. Portanto, de acordo com o documento, o crédito mencionado é pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Porém, para atingir seu êxito dentro do presente processo, necessário seria a correção de sua declaração, através de proposta de diligência, oportunidade em que seria intimado a apresentar suas informações ou retificações. Porém, como se viu, em face do indeferimento pelo Colegiado da proposta de conversão do julgamento em diligência, tal oportunidade não ocorreu, restando, unicamente, a retificação da declaração no âmbito extraprocessual, na forma da legislação em vigor, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado O exame da preliminar que propõe a conversão do julgamento em diligência se confunde com o próprio exame do mérito. Na proposta, o ilustre Conselheiro relator afirma estar convencido de que, no caso concreto, não ocorreu mesmo pagamento indevido de estimativa. O crédito seria saldo negativo apurado no final do período. A requerente teria apenas confundido crédito de saldo negativo com as estimativas que o compõem. Aqui está o problema: o erro cometido pela contribuinte não consiste em mera imprecisão material ou em simples erro de preenchimento da declaração. É erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência. Para sanar o problema seria necessário refazer integralmente a declaração de compensação, o que já não se admite nesta fase. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 193 9 A diligência seria cabível apenas se houve alguma questão de fato a ser esclarecida, mas não há. Os fatos são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em saldo credor apurado no final do período base. A matéria não é nova. Esta turma, em outra oportunidade, já teve chance de se manifestar sobre problema idêntico. Nessa ocasião, prevaleceu entendimento no sentido de rejeitar a diligência e negar provimento ao recurso. Estes foram os fundamentos que então embasaram a decisão deste Colegiado: A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10865.900338/200811 Acórdão n.º 1301002.228 S1C3T1 Fl. 194 10 A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Com esses fundamentos, voto por rejeitar a preliminar. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721166/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 17/12/2010
MULTA DO ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI 4.502/1964.
Comprovado que a Fiscalização apresentou elementos de prova quanto à infração tipificada, não tendo o contribuinte logrado impugnar qualquer uma das provas apresentadas, legítima a cobrança a multa aplicada pela constatação de que a autuada comercializou mercadorias importadas irregularmente.
Numero da decisão: 3201-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 17/12/2010 MULTA DO ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI 4.502/1964. Comprovado que a Fiscalização apresentou elementos de prova quanto à infração tipificada, não tendo o contribuinte logrado impugnar qualquer uma das provas apresentadas, legítima a cobrança a multa aplicada pela constatação de que a autuada comercializou mercadorias importadas irregularmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 11 66 /2 01 0- 21 Fl. 5491DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 1650.188 da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do interessado a fiscalização constatou o cometimento da infração “produto estrangeiro em situação irregular – consumo ou entrega a consumo” e aplicou a multa capitulada no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, no valor de R$ 1.579.905,67. Segundo a “descrição dos fatos” do auto de infração (fls. 4 e ss. do "eprocesso"): 1. Tratase de lançamento substitutivo de lançamento anterior, considerado improcedente pela DRJ/Florianópolis (acórdão 0712.614– processo 11020.005141/200781). Os documentos que constituem os fundamentos de fato do lançamento anulado agora constituem os fundamentos de fato do presente lançamento e que constam juntados na íntegra. 2. O autuado comercializou mercadorias importadas irregularmente. 3. A fiscalização concluiu que: a. A autuada utilizouse de notas fiscais “calçadas”: dados constantes na via do comprador diferentes dos constantes da via fixa do bloco de notas fiscais. b. Valores inferiores aos praticados na venda. c. Utilização de notas fiscais de outras empresas. d. Não emissão de notas fiscais de venda. e. Apesar do grande número de equipamentos importados comercializados, somente foi encontrado registro de um equipamento regularmente importado pela autuada. f. Falta de apresentação de documentos que comprovam a aquisição no mercado interno dos equipamentos comercializados. g. Os equipamentos de informática eram fornecidos com programas “piratas” (sem licença de uso) já instalados. 4. Os documentos apresentados variam de contribuinte (cliente DOTCOM) para o contribuinte (cliente DOTCOM), conforme pode ser visto nesses documentos juntados ao presente processo, o valor comercial da mercadoria, base do presente lançamento, Fl. 5492DF CARF MF Processo nº 11020.721166/201021 Acórdão n.º 3201002.863 S3C2T1 Fl. 5.492 3 foi obtido desses documentos e enquadrouse numa das seguintes situações para apuração da multa igual ao valor comercial da mercadoria, cuja planilha demonstrativa dos cálculos é juntada em anexo: 1º) as mercadorias estrangeiras consideradas no lançamento anulado são praticamente as mesmas do presente lançamento, destacandose que não foram consideradas as seguintes peças indicadas nos documentos fiscais, conforme expressamente excluído na nossa planilha de cálculos: caixa de som, estabilizador, monitor, gabinete, impressora, drive 1.44; 2º) tratandose o documento comprobatório e/ou indicativo dos valores da venda de Nota Fiscal emitida por sistema eletrônico de processamento de dados e/ou com sistema interno de Impressão de Nota Fiscal da DOTCOM, foi lançado diretamente o valor de venda por peça indicado na Nota Fiscal; 3º) tratandose o documento comprobatório e/ou indicativo dos valores da venda de Nota Fiscal manual foi lançado o valor total da via do contribuinte (1ª VIA da NOTA FISCAL manual), com diminuição dos valores atinentes as peças não consideradas; 4º) tratandose o documento comprobatório e/ou indicativo dos valores de venda do próprio pedido, foi lançado o valor por peça indicado no pedido, que na quase totalidade foram lançadas as indicações constantes na via da DOTCOM (2º ARQUIVO), considerando que as eventuais cópias de PEDIDO das vias dos clientes DOTCOM (1º CLIENTE) não constam indicações de valores por peça. Algumas Notas Fiscais emitidas por terceiros não foram lançadas devido a impossibilidade de vinculálas às intimações/respostas dos contribuintes. 5. A multa aplicada é regulamentada pelo artigo 704 do Regulamento Aduaneiro. 6. Obtido o valor total das vendas de mercadorias estrangeiras no período, foi efetuada a diminuição dos valores referentes às entradas (aquisições) de mercadorias estrangeiras comprovadas por documentos idôneos. 7. Está caracterizada no presente caso a infração do artigo 83, inciso I, da lei 4.502, de 1964, considerando que o contribuinte DOTCOM comercializou mercadorias de procedência estrangeira sem que comprovasse por documentação idônea a origem dessas mercadorias, ou seja, no caso, pelos elementos que se dispõe, especificamente no montante dos valores apurados no presente lançamento, não existe a documentação da origem das mercadorias consumidas e/ou entregues a consumo pela empresa DOTCOM, e como conseqüência é aplicada a multa exigida no presente Auto de Infração. Em fls. 5.328 a 5.330 foram juntadas cópias de ofícios do Ministério Público Federal, nos quais é requerido que seja refeito o trabalho de constituição do crédito tributário cancelado no processo 11020.005141/200781. O interessado foi intimado do auto de infração em 17/12/2010 (fl. 5.331). Fl. 5493DF CARF MF 4 Apresentou impugnação (intitulada “manifestação de inconformidade”) em 18/1/2011 (fls. 5.335 e ss.). Alega: 1. O auto de infração é substitutivo de lançamento anterior, julgado improcedente pela DRJ/Florianópolis (acórdão 0712.614, processo 11020.005141/200781). 2. O lançamento tem como escopo a punição com a pena de perdimento de mercadorias comercializadas pela impugnante em 2005 e 2006 (dano ao Erário – artigos 604 e 618 do Regulamento Aduaneiro). 3. Considerando que parcela das mercadorias já havia sido comercializada, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (Decreto nº 4.543/2002, artigo 618, X e § 1º). 4. Foi ignorado o voto do relator no acórdão que julgou processo anterior improcedente. 5. A impugnante não é e nunca foi importadora. 6. O artigo 618, inciso X, do Regulamento Aduaneiro necessita da prova da infração. 7. Questionase se a obrigação de provar a importação de determinada mercadoria compete ao real importador ou a quem a adquiriu no mercado interno. 8. A comprovação da regular importação deve ser feita por aquele que de fato importou e não aquele que a adquiriu de boa índole no mercado interno. 9. O ramo da impugnante é o de revenda de produtos de informática e prestação de serviços de assistência técnica, não a atividade importadora. 10. Não compete à impugnante figurar no polo passivo do lançamento. 11. Não há indício de que a impugnante efetuou operações de importação. 12. O artigo 70 da Lei nº 10.833/2003 determina ao importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem a obrigação de conservar os documentos relativos a essas transações. 13. A impugnante não tem como cumprir tal determinação se adquiriu as mercadorias no mercado interno, não sendo responsável por importação alguma. 14. O sujeito passivo dos impostos incidentes na importação é a pessoa em cujo nome se opera a importação. 15. Não estão presentes os requisitos do artigo 603 do Regulamento Aduaneiro para que a impugnante responda pelo perdimento. Fl. 5494DF CARF MF Processo nº 11020.721166/201021 Acórdão n.º 3201002.863 S3C2T1 Fl. 5.493 5 16. Foi violado o princípio da estrita legalidade e a tipicidade tributária. Cita julgado (acórdão 10247.181, processo 10865.002036/200281) (fl. 5.341). 17. O impugnante não é responsável pela importação das mercadorias e não se configura a subsunção do fato à norma. 18. Em caso de dubiedade, devese aplicar a interpretação benigna (Código Tributário Nacional, artigo 112). 19. A autoridade recusouse a procurar a verdade material. Partiu de premissas falsas, presumiu sonegação. 20. A fiscalização não consigna qualquer irregularidade cometida pela impugnante e não lançou qualquer suspeita contra a impugnante. 21. Não há indício de que a impugnante foi responsável pela importação. Apenas vende mercadorias de informática e tecnologia da informação. 22. A fraude não se presume, depende de prova para sua caracterização. 23. O Código Tributário Nacional, artigo 142, dispõe que o ônus da prova compete à autoridade lançadora. O lançamento é ilegal, cita doutrina. 24. A base de cálculo deve ser clara e inequívoca. A autoridade deve determinar a base de cálculo. 25. Questiona por que a fiscalização não apreendeu as mercadorias no momento adequado, se as mesmas ingressaram no território nacional de forma ilegal. 26. Ulteriormente à entrada, segundo o Fisco, ilegal das mercadorias no país, ulteriormente à venda no mercado interno, o Fisco age sobre aquele que apenas foi comprador das mercadorias no mercado interno. 27. Determinar o desapossamento das mercadorias da impugnante, simplesmente pelo fato de que a vendedora – terceira empresa – não comprovou o pagamento de tributos devidos na importação ou promoveu o ingresso irregular da mercadoria no território nacional, é solução drástica que viola a Constituição Federal, artigo 5º, XLV – a sanção não deve passar da pessoa do infrator. 28. O direito penal inadmite a responsabilidade objetiva do agente. Fl. 5495DF CARF MF 6 29. Compete ao Fisco exibir os fundamentos concretos da presença de dolo ou culpa. A fiscalização deve demonstrar a materialidade do evento e o elemento volitivo do infrator. 30. No auto de infração, o fiscal limitase a breve alusão ao suposto cunho doloso ou culposo do administrado. Cita julgado. 31. Servese a autoridade fiscal do apelo à presunção, que equipara infrações subjetivas às objetivas. Não se permite ao funcionário da Fazenda o emprego de recursos imaginativos, por mais evidente que pareça ser o comportamento delituoso do sujeito passivo. Cita doutrina. 32. O Código Penal (artigo 91) resguarda o direito de terceiros de boafé. Cita julgados do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. 33. O Poder Judiciário afasta a aplicação da pena de perdimento na hipótese de a mercadoria ter sido adquirida no mercado interno por terceiro de boafé. Deve ser afastada a multa exigida da impugnante. 34. A Constituição Federal garante os direitos ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Cita doutrina. Impõese a participação popular nas decisões que dizem respeito aos próprios cidadãos. Sem contraditório e ampla defesa não há decisão válida. Faz citações. 35. No caso concreto não foi oportunizada à impugnante a defesa no processo de perdimento, ou seja, a pena de perdimento foi aplicada e convertida em multa. Não houve intimação para a apresentação de defesa no processo de perdimento. A pena de perdimento já é uma pena. Não houve devido processo legal. É fato. 36. A autoridade administrativa extrapolou suas atribuições, agindo como acusador e julgador. Os tribunais reconhecem a ilegalidade da aplicação da pena de perdimento sem a observância ao devido processo legal. 37. As mercadorias são adquiridas pela impugnante no cumprimento de seu objeto social de comércio. A aplicação da medida drástica de busca e apreensão de mercadorias é necessário que seja observado um mínimo de razoabilidade e proporcionalidade. Faz citações. 38. Reafirma que eventual crime foi cometido pela importadora e não pela impugnante. Caberia à Receita Federal ter tomado as providências no sentido de verificar a regularidade do ingresso das mercadorias no território brasileiro, a fim de inclusive resguardar os possíveis compradores, como é o caso da impugnante. Fl. 5496DF CARF MF Processo nº 11020.721166/201021 Acórdão n.º 3201002.863 S3C2T1 Fl. 5.494 7 39. Concluise que é ilegal a aplicação da pena de perdimento e a consequente conversão dessa pena em multa, eis que o impugnante adquiriu as mercadorias no mercado interno. É terceiro de boafé. 40. Os critérios para arbitramento da multa fogem a qualquer análise razoável. 41. O critério utilizado para apuração do crédito tributário é mera presunção. Não há sustentação documental ou legal para justificar a lista de produtos escolhida para atribuir valores e presumir custos. 42. Supostas irregularidades nas operações internas não autorizam a presunção de que os bens foram importados de forma irregular. Presumese que a impugnante promoveu a importação – um absurdo. Cita doutrina a respeito da inidoneidade de documentos. 43. Impende a quem alega o ônus da prova. Cabe à administração o ônus da prova do ato ilícito, sob pena de se instalar o arbítrio. 44. O Fisco, baseado unicamente em supostas irregularidades nas empresas que venderam matériasprimas à impugnante, entendeu por descaracterizar as operações e lançar crédito tributário. 45. A fiscalização preferiu, de forma cômoda e inapropriada, presumir que a impugnante promoveu a importação de bens. Faz citações. 46. A relação dos produtos presumidamente importados não passa de uma fantasia. Não há fundamento fático ou material para amparar a escolha dos produtos sobre os quais recaiu o lançamento. 47. Indaga: como pode a autoridade administrativa intencionar a aplicação de multa à impugnante se nem ao menos ilustra os critérios utilizados para a efetuação do cálculo, segundo o qual foi obtido o valor da multa a ser aplicada? 48. Não há subsunção dos fatos à norma relativa à pena de perdimento das mercadorias. Permanece o mesmo vício apontado na decisão anterior que cancelou a multa. 49. Questiona: Qual a base de cálculo da multa? Quais os documentos que embasam o arbitramento da multa? Qual o dispositivo legal a impugnante infringiu? 50. Não há respostas. O auto de infração nada refere. Cita julgado. 51. O Fisco enfrenta o estabelecido no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, ignorandoo como se relevância nenhuma fizesse ao presente litígio. Fl. 5497DF CARF MF 8 52. Requer o cancelamento do auto de infração. A aplicação da pena de perdimento é medida inaplicável à espécie e a exigência de multa é manifestamente ilegal. O processo foi encaminhado à DRJ/São Paulo em 1/8/2013 e distribuído ao relator. Após análise da Impugnação apresentada, a DRJ manteve integralmente o lançamento, em acórdão assim ementado: MULTA DO ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI 4.502/1964. A fiscalização constatou que a autuada comercializou mercadorias importadas irregularmente. O procedimento fiscal consistiu em analisar a contabilidade da empresa e documentos fiscais, bem como em intimar os compradores a apresentar as respectivas notas fiscais dos equipamentos adquiridos da autuada. Os fundamentos apresentados pela fiscalização ensejam o convencimento de que o autuado comercializou mercadorias de procedência estrangeira, as quais foram importadas irregularmente. Correta a aplicação da multa. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, com as mesmas razões já aduzidas em sede de impugnação. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e Tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente inicialmente alega que não poderia figurar no pólo passivo da autuação, uma vez que não foi a importadora das mercadorias, mas apenas adquirente, e, portanto, não lhe competiria fazer acerca da regularidade das importações. Prossegue, nesse aspecto, alegando violação aos princípios da ampla defesa e contraditório. A Recorrente também questiona o procedimento de valoração aduaneira realizado pela Fiscalização, apresentando como fundamentação os mesmos aspectos atinentes à atividade do lançamento, privativa da Fiscalização, e do ônus da prova relativamente aos fatos alegados. Pois bem. Como se constata, tratase e operação de fiscalização acerca da regularidade de operações de importação realizadas de modo irregular, onde se imputou à Fl. 5498DF CARF MF Processo nº 11020.721166/201021 Acórdão n.º 3201002.863 S3C2T1 Fl. 5.495 9 Recorrente, adquirente das mercadorias importadas, a penalidade prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, em decorrência da aquisição de “produto estrangeiro em situação irregular – consumo ou entrega a consumo”, verbis: “Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso” Nesse aspecto, ressalta o acórdão recorrido: Ressalto, novamente, que este processo não trata da pena de perdimento. A despeito das alegações citadas, verificase no auto de infração (fl. 4) que a fiscalização constatou que a autuada comercializou mercadorias importadas irregularmente. O procedimento fiscal consistiu em analisar a contabilidade da empresa e documentos fiscais, bem como em intimar os compradores a apresentar as respectivas notas fiscais dos equipamentos adquiridos da autuada (Dotcom). Pontua, ainda, os fatos que justificaram o lançamento ora em análise: a. A autuada utilizouse de notas fiscais “calçadas”: dados constantes na via do comprador diferentes dos constantes da via fixa do bloco de notas fiscais. b. Valores inferiores aos praticados na venda. c. Utilização de notas fiscais de outras empresas. d. Não emissão de notas fiscais de venda. e. Apesar do grande número de equipamentos importados comercializados, somente foi encontrado registro de um equipamento regularmente importado pela autuada. f. Falta de apresentação de documentos que comprovam a aquisição no mercado interno dos equipamentos comercializados. g. Os equipamentos de informática eram fornecidos com programas “piratas” (sem licença de uso) já instalados. Ou seja, os trechos extraídos do acórdão recorridos, conforme análise dos documentos juntados aos autos pela Fiscalização, de fato comprovam que não se está discutindo no presente feito a operação de importação em si, mas o fato de a Recorrente, ao ser fiscalizada, não apresentou documentação relativa à importação dos produtos adquiridos. Fl. 5499DF CARF MF 10 Nesse sentido, novamente cito o acórdão recorrido: É certo que, não havendo registro de que o autuado tenha efetuado importação de mercadorias, não lhe cabe apresentar os respectivos documentos comprobatórios da importação (artigo 70 da lei 10.833/2003). Entretanto, se Dotcom alega que é terceiro de boafé e adquirente no mercado interno, deveria apresentar documentos comprobatórios de tais aquisições. O que não ocorreu, conforme item “f” acima. Devo observar que as provas apresentadas pela Fiscalização são robustas, sendo o Auto de Infração composto de mais de 5.000 folhas. A Recorrente, a seu turno, limita se a apresentar argumentos de caráter genérico, notadamente quanto ao ônus da prova acerca da operação de importação, sem, contudo, refutar qualquer uma das provas apresentadas. Tenho, desse modo que, diferentemente do que alega a Recorrente, a Fiscalização efetivamente produziu prova da infração que lhe foi imputada, sendo, nesse aspecto, dever da autuada contestar, também por meio de provas ou refutando aquelas apresentadas pelo Fisco, a legitimidade destas. Logo, o mero argumento acerca do ônus probatório do Fisco de provar a conduta atribuída ao contribuinte, sem a efetiva desconstrução das provas apresentadas, não são capazes de infirmar o lançamento tributário. Restando tipificada a conduta prevista na norma punitiva, sua aplicação ao caso concreto é inconteste. Desse modo, mantenho integralmente as razões de decidir utilizadas pelo Acórdão Recorrido Por fim, quanto à legalidade do lançamento, verifico que melhor sorte não socrre à Recorrente. O Auto de Infração é bastante claro na descrição dos fatos e dos valores exigidos, ressaltando, quanto à valoração, que os preços utilizados como base de cálculo para a aplicação da penalidade foram fornecidos pela própria Recorrente. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Relator Fl. 5500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903034/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/02/2004
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 10/02/2004
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/02/2004 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 10/02/2004 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado.
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/02/2004 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 34 /2 01 2- 95 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 3 2 da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, apurou incorretamente a contribuição ao PIS, pois efetuou o recolhimento sobre o ICMS, cujos valores não compõem a base de cálculo das contribuições sociais, o que resultou em recolhimento indevido com base no art. 165 do Código Tributário Nacional; (ii) não procedeu à retificação de suas declarações (DIPJ e DCTF) para que restasse evidenciado o pagamento indevido, o que levou a autoridade fiscal a não constatar o recolhimento a maior; (iii) o mero erro de preenchimento da DCTF não possui o efeito de constituir a obrigação tributária, devendo a Administração, em prestígio à verdade material, rever de ofício os erros formais quando constatados. Foi proferido Acórdão DRJ nº 14053.266, julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/02/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 4 3 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.627 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.903037/201229, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, (Acórdão 3401003.627): "7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, que a DCTF é um instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, em conformidade com o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a obrigação acessória em referência. Desta forma, quando da transmissão da PER/DComp, diante da inexistência do crédito em virtude de o pagamento estar integralmente alocado ao débito, não houve outra possibilidade à autoridade fiscal senão indeferir o pleito formulado. 9. Contudo, ainda que transposto tal obstáculo, e ainda que se compreenda que a DCTF apresentada com erro jamais poderá afastar a existência de pagamento indevido, justamente por não guardar entre seus predicados o condão de definir o conteúdo material e quantitativo do fato gerador, cabendolhe unicamente refletir a obrigação tributária, declarandoa, e não criála, ainda que constitua o crédito correspondente, há de se perquirir a questão de fundo que fundamentou a pretensão da contribuinte: a possibilidade ou não da exclusão dos valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS. 1 Da necessidade do sobrestamento do presente feito (...)1 Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Cons. Relator, peço vênia para dele divergir quanto à proposta de sobrestamento deste processo administrativo, a fim de se aguardar a publicação da decisão exarada no RE nº 574.706RG, que fixou a tese consoante a qual o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins. Nesse passo, a remissão ao RE nº 566.622/RS, como paradigma da providência indicada, a meu sentir, não serve ao caso dos autos, haja vista que naquela situação, como destacado pelo próprio Relator, houve ordem expressa do Min. Marco Aurélio, a pedido de parte interessada, para que o presidente do CARF suspendesse o curso de todos os processos administrativos que versassem sobre a matéria discutida no recurso extraordinário, o que inocorre em relação ao RE 574.706RG, não podendo serlhe estendido os efeitos daquele por analogia. 1 Não foi transcrita a parte do voto do relator do paradigma que tratou do sobrestamento por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tão somente, o entendimento que prevaleceu sobre a questão. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 6 5 Respeitante às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015, arts. 927 e 928), não é demais lembrar que sua admissão no processo contencioso administrativo se faz de maneira subsidiária, acaso inexistente norma que regule a questão processual. No caso vertente, a possibilidade de sobrestamento dos processos administrativos, ante o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, encontrava expressa previsão no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, incluído pela Portaria MF nº 586/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (destacado) Aludida previsão de sobrestamento, no entanto, foi posteriormente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013: “Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Com o advento da Portaria MF nº 343/2015, que veiculou o novo regimento interno do sodalício, não foi reproduzido o instituto, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil, de modo que a sua reimplantação significaria, por via oblíqua, repristinálo na contramão das disposições e alterações regimentais havidas ao longo do tempo. A ausência de referência ao sobrestamento, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema, não denota omissão regimental, como pode parecer, mas intenção deliberada de não adotar a providência em sede administrativa, o que implica no necessário julgamento do processo no estado em que se encontra, à luz da legislação e jurisprudência vinculante vigentes nessa ocasião. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ex vi do art. 62 do RICARF/15, somente é exigível após o respectivo trânsito em julgado, consoante inteligência do art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 7 6 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 574.706RG, cuja decisão plenária sequer foi publicada e ainda sujeita a recursos. Com essas considerações, voto por não acolher o sobrestamento proposto. ... 2. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS 20. Uma vez não acolhida a proposta de resolução deste relator, em conformidade com o resultado do julgamento registrado em ata, passa se ao exame do mérito. 21. Excelentes argumentos militam em favor das contribuintes no sentido da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, entre os quais se destacam: (i) a existência de destaque do ICMS que torna possível se aferir o montante exato que se inclui na base de cálculo das contribuições, (ii) a existência de repercussão jurídica, no sentido de que o imposto se materializa em um valor repassado juridicamente à contribuinte tendo como destino os cofres públicos, o que implica a ideia de mera transferência ou repercussão, (iii) configuração de situação nãoisonômica, uma vez que contribuintes que exercem a mesma atividade passam a ser tratados desigualmente a depender da alíquota aplicável de ICMS. 22. Entendemos, contudo, que o ICMS integra o valor final da operação de venda e compra, e a chamada "incidência por dentro" não é vedada, salvo nos casos específicos previstos pela legislação. Assim, não há vedação genérica para que um tributo inclua outro, ou até mesmo ele próprio, em sua base de cálculo, e este é o caso do IPI ao incidir sobre o ICMS ou do ICMS, ao incidir não apenas sobre o próprio ICMS, como também sobre o IPI. Tal circularidade em nada destoa das normas de regência do sistema tributário nacional: a incidência por dentro convive em igualdade de condições com a incidência por fora, como ocorre no caso da CSL, hipótese em que se verifica a exclusão do tributo da sua base de cálculo. Há de se destacar, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 (arts. 1o ao 11) e a Lei nº 10.833/2003 (arts. 1o ao 16) não contemplam a hipótese da exclusão do ICMS incluído no preço de venda. Destacase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes para subsidiar a argumentação do presente voto: "(...) a COFINS não incide sobre a renda, sobre o incremento patrimonial líquido, que considera custos e demais gastos que viabilizaram a operação (como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro), mas sobre o produto das operações (antes da EC 20/1998: as operações restringiamse a vendas e prestações de serviços), da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Com efeito, a imposição sobre o produto de vendas e prestação de serviços como ocorre com a COFINS, o ICMS e o ISS cuida de tributo real (Objektsteuer), que não exige a observação das circunstâncias pessoais do contribuinte (...). Logo, a receita bruta (faturamento, produto das operações) em oposição à receita líquida compreende a importância total recebida pelo contribuinte sem exclusão a priori de quaisquer componentes independentemente de sua destinação ou natureza como margem de lucro, custos diretos, custos indiretos ou ônus tributário. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 8 7 Ora, se a importância correspondente ao ICMS integra o valor da operação final, na linha do decidido pelo Plenário no RE 212.209/RS, constitui também produto da venda ou da prestação de serviço e faturamento do contribuinte, da mesma maneira que os outros fatores do preço das mercadorias e serviços. Em outras palavras, o montante relativo ao ICMS incorporase ao preço, de forma que é pago pelo comprador e é recebido pelo vendedor ou pelo prestador de serviço, ingressando em seu domínio, em consequência da respectiva operação. Em se tratando de tributos reais, como a COFINS, a exclusão de qualquer fator que componha seu objeto na espécie, o produto da operação, deve ser expressamente prevista , seja por meio de imunidade, como no art. 155, § 2º, XI, da Carta Magna que retira o montante do IPI da base de cálculo do ICMS; seja por meio de isenção, como disposto no art2º, parágrafo único, da Lei Complementar 70/1991, que excepciona o valor correspondente ao IPI da base de cálculo da COFINS. De fato, as expressões faturamento e receita bruta, por si só, não distinguem quaisquer ingressos operacionais percebidos nem excluem de antemão qualquer elemento do resultado da operação. Portanto, montante subtraído do resultado das operações, a qualquer título, é exceção à base de cálculo e depende de previsão legal. Interpretação diversa entenderia como inócuos os citados arts. 155, § 2º, XI, a Carta Magna e 2º, parágrafo único, da LC 70/1991, o que não é razoável. (...) Com efeito, se excluída da base de cálculo da COFINS a importância correspondente ao ICMS, questiono: por que não retirar o valor do ISS, do Imposto de Renda, do Imposto de Importação, do Imposto de Exportação, das taxas de fiscalização, da taxa do IBAMA, do PIS, além da própria COFINS? Obviamente, o simples fato de fundarse em ônus tributário não desqualifica a parte do preço como receita bruta. Além disso, também não impressiona o argumento de que o valor do ICMS seja destinado não ao contribuinte, mas ao estado federado. De fato, é necessário dissociar o preço das mercadorias e serviços, ou seja, o quantum entregue pelo comprador e recebido pelo vendedor, das obrigações decorrentes e atreladas à operação. Caso contrário, também as comissões de intermediários, a participação dos empregados, royalties, licenças, direitos autorais, seguro, frete, despesas aduaneiras, além de tarifas de crédito, por exemplo, também deveriam ser subtraídas do resultado. Na verdade, o acolhimento do entendimento da recorrente abrirá diversas fragilidades no sistema da COFINS, criando outro tributo pautado pelas circunstâncias pessoais do contribuinte e de cada parcela que integra o resultado das operações. Indevidamente, passase a tratar a presente contribuição como tributo pessoal, aproximandoa de tributo sobre a renda ou sobre o lucro. Rigorosamente, os fundamentos aqui apresentados para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS poderiam também ser aplicados para afastar diversos custos que viabilizam as operações de compra e venda e de prestação de serviço, sejam de natureza tributária, sejam de natureza civil. Ainda que transferido apenas temporariamente ao contribuinte, qualquer parcela do valor do preço das vendas e dos serviços (após a EC Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 9 8 20/1998, também outras operações) irrefutavelmente faz parte do faturamento. De fato, após a entrega do numerário, o contribuinte dispõe dela da forma que entender conveniente: utilizando para quitar outros débitos que vencem primeiro, movimentando como capital de giro até a apuração, investindo em aplicações financeiras, etc. Repitase que a COFINS cuida de tributação sobre o faturamento, a receita bruta, o produto das vendas, não de imposição sobre a renda ou o lucro. O fundamento ou a destinação final do quantum não é relevante para a base de cálculo da COFINS, apenas o recebimento pelo contribuinte no curso de suas atividades. (...) Em primeiro lugar, conforme já destacado, esta Corte reconheceu no RE 212.209/RS, Redator para o acórdão Min. Nelson Jobim, DJ 14.2.2003, que o quantum referente ao ICMS compõe o valor da operação e, por isso, também está incluído, como outros custos de viabilização, em sua própria base de cálculo . Consequentemente, o destaque do ICMS é apenas para controle fiscal, não para diferenciar a natureza da parcela. Em segundo lugar, frisese que o ICMS não funciona como imposto retido. De fato, o ICMS não é recolhido automaticamente com a ocorrência da operação, mas é recebido pelo vendedor, que o integra ao seu caixa, ao seu patrimônio e, apenas ao término do período de apuração, repassao ao Estado federado, depois de considerada a compensação de créditos. Em terceiro lugar, é importante destacar que nem sempre a totalidade do valor correspondente ao ICMS recebido pelo contribuinte será repassado ao Estado , seja porque em muitos casos há crédito de operações anteriores a serem considerados, consoante o princípio da não cumulatividade, seja porque o fenômeno da substituição tributária pode ter exigido antes o recolhimento do tributo" (seleção e grifos nossos). 23. Logo, insubsistente é o crédito, pois amparado em concepção equivocada do vocábulo "receita": o ICMS, pelos motivos acima dispostos, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. 24. De toda sorte, diante da inexistência de amparo legal que fundamente a pretensão da contribuinte, ou tampouco de decisão judicial (norma individual e concreta) que a lastreie, o que se observa é que, no momento da transmissão da PER/DComp, a recorrente não apenas não procedeu à retificação de seus registros contábeis e fiscais, como tampouco comprovou o erro que fundamentaria a oportuna retificação da declaração, não restando, portanto, saldo de crédito de tributo indevido a compensar no momento do encontro de contas, o que milita em favor da correção do despacho decisório que não homologou o pleito formulado. 25. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.903034/201295 Acórdão n.º 3401003.628 S3C4T1 Fl. 10 9 ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".2 26. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 27. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da inexistência de crédito a compensar. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.720006/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. MÉTODO PIC.
De acordo com o art. 18, § 2°, da Lei n° 9.430/96, inexiste óbice à consideração, na apuração de preços parâmetros, de operações e de compra e venda, realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes.
APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO CPL. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE.
É preciso que o auto de infração fundamente adequadamente as situações que ensejaram a desqualificação de determinado método relativo ao preço de transferência. Se os documentos apresentados pela contribuinte são insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos, mas desde que tenha antes intimado o contribuinte a apresentar tal documentação de forma específica.
Numero da decisão: 1401-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. MÉTODO PIC. De acordo com o art. 18, § 2°, da Lei n° 9.430/96, inexiste óbice à consideração, na apuração de preços parâmetros, de operações e de compra e venda, realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO CPL. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. É preciso que o auto de infração fundamente adequadamente as situações que ensejaram a desqualificação de determinado método relativo ao preço de transferência. Se os documentos apresentados pela contribuinte são insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos, mas desde que tenha antes intimado o contribuinte a apresentar tal documentação de forma específica.
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MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. MÉTODO PIC. De acordo com o art. 18, § 2°, da Lei n° 9.430/96, inexiste óbice à consideração, na apuração de preços parâmetros, de operações e de compra e venda, realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO CPL. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. É preciso que o auto de infração fundamente adequadamente as situações que ensejaram a desqualificação de determinado método relativo ao preço de transferência. Se os documentos apresentados pela contribuinte são insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos, mas desde que tenha antes intimado o contribuinte a apresentar tal documentação de forma específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 72 00 06 /2 01 4- 66 Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0957.602 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Em nome da interessada foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 1.168.671.436,84, com juros de mora calculados até novembro de 2014. Os tributos exigidos correspondem aos valores abaixo discriminados, sobre os quais ainda incidem multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 859.317.232,97 CSLL 309.354.203,87 0 lançamento de CSLL é reflexo do realizado para o IRPJ. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" constante do Auto de Infração de IRPJ, a autoridade lançadora relatou o seguinte (grifos do original): 001 ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA 1 Durante a ação fiscal restou constatado ter a pessoa jurídica informado em sua DIPJ/2011, anocalendário de 2010, especificamente, na ficha 32, Operações com Exterior Importações (Saídas de Divisas), valores referentes aos ajustes dos preços de transferência que teriam sido apurados pela Declarante, mediante a adoção dos métodos PIC Preços Independentes Comparados e PRL Preço de Revenda menos Lucro (20%). E o ajuste total calculado, ainda de acordo com as informações da DIPJ/2011, teria sido na ordem de R$ 24.293.972,39, conforme demonstrado na linha 09 Ajustes Decorr. Métodos Preços de Transferências, da ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, da DIPJ/2011. 2 Instada a apresentar a documentação que teria dado suporte ao cálculo dos métodos indicados em sua Declaração de Imposto de Renda, o sujeito passivo apresentou arquivos digitais com planilhas, memórias de cálculo e alguns documentos. 3 Após análise dos elementos apresentados, a Fiscalização observou que a documentação apresentada referiase não só aos métodos apontados na DIPJ/2011, mas também ao método CPL Custo de Produção mais Lucro. 4 Todavia a aludida documentação, na parte concernente ao PIC e ao CPL, não observou as regras expressas nas normas tributárias regentes da matéria, mormente as previstas no art. 8° e parág. único, assim como as insculpidas no art. 12, e parágrafos, todos da IN SRF n ° 243/2002, vigente à época dos fatos, bem como nas orientações da Receita Federal do Brasil, espelhadas nas orientações de preenchimento da DIPJ/2011 e no "Perguntas e Respostas " da Pessoa Jurídica, considerados normas complementares nos termos do art. 100, do CTN, tornando Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 70 4 desta forma insuficiente e imprestável a retro citada documentação, para a convicção dos preços de transferência calculados e adotados pela pessoa jurídica. 5 Destaquese também que no tocante ao PRL 20%, o contribuinte informou na DIPJ/2011, na ficha 32, da DIPJ/2011, ter apurado um ajuste no montante de R$ 8.088.043,94, entretanto o próprio demonstrativo apresentado pela empresa revela um valor de R$ 38.384.803,73, denotando assim uma diferença de R$ 30.296.759,79. 6 Cumpre observar que a supra mencionada não observância às normas tributárias pelo sujeito passivo, assentase basicamente, no caso do PIC, na adoção para efeito de edificação do preço parâmetro, de documentos fiscais que teriam sido expedidos por terceiros na operação de venda para a empresa ligada estrangeira. E, em relação ao CPL, não foram apresentados todos os documentos fiscais e contábeis das empresas alienígenas fabricantes, relativos ao processo produtivo dos bens importados, adquiridos pela pessoa jurídica fiscalizada junto a empresas ligadas residentes no exterior. 7 Dessarte, em função do exposto acima, a Fiscalização passou a adotar, com fulcro no art. 40, parág. único, da IN SRF n° 243/2002, o método PRL (60%), no tocante aos bens importados de pessoas ligadas, utilizados na industrialização de produtos do sujeito passivo. 8 Prosseguindo na ação fiscal, a pessoa jurídica foi intimada a apresentar o cálculo dos preços de transferência, com base no PRL (60%), conforme modelo de demonstrativo apresentado pelo Fisco à empresa, referente à parte dos bens importados e utilizados como insumos nos produtos por ela fabricados. 9 Após o prazo solicitado o sujeito passivo apresentou planilha, com as respectivas memórias de cálculo, onde vislumbrase um ajuste total no valor de R$ 1.654.335.671,95, cuja composição assim se mostra: PRL 60% 1.615.950.868,22 PRL 20% 38.384.803,73 TOTAL 1.654.335.671,95 10 Todavia para efeito do montante a ser considerado no presente lançamento de ofício, foram efetuadas alguns acertos, conforme demonstrase a seguir: PRL 60% R$ 1.615.950.868,22 () Valor informado na DIPJ/2011, dos ajustes referentes ao PIC e às importações não especificadas R$ 16.205.928,45 Valor do ajuste tributado de ofício R$ 1.599.744.939,77 11 Quanto ao PRL 20%, o ajuste tributado atinge o valor de R$ 30.296.759,79, de acordo com as explicações supra apresentadas no item 5. De maneira que o montante total do ajuste que se tributa mediante este lançamento de ofício, atinge a casa de R$ 1.630.041.699,56 ( 1.599.744.939,77 + 30.296.759,79). Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 71 5 Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2010 1.630.041.699,56 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3o da Lein°9.249/95. Arts. 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Cientificada do lançamento em 04/11/2014, a contribuinte apresentou impugnação em 02/12/2014, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final assim pediu (grifos do original): Diante de todo o exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade de se cancelar integralmente a cobrança dos créditos de IRPJ e CSLL perpetradas no Auto de Infração ora combatido, posto demonstrado: (i) a nulidade do lançamento tributário ora combatido ante a ausência dos requisitos legais previstos no art. 10, incisos III e V, e art. 9o, do Decreto n° 70.235/1972 e art. 142 do Código Tributário Nacional, decorrentes da falta de indicação de motivação com suporte probatório para desconsideração dos métodos PIC e CPL aplicados pela Impugnante para apuração dos preços parâmetros e dos critérios e cálculos referentes à quantificação do valor total do ajuste de preço de transferência adotado como base para a exigência dos créditos de IRPJ e CSLL, em patente ofensa ao direito da Impugnante à ampla defesa e ao contraditório; (ii) a nulidade do lançamento tributário ora combatido ante a precariedade do trabalho fiscal que não analisou os documentos e cálculos apresentados pela Impugnante para comprovação da regularidade dos métodos PIC e CPL aplicados, inclusive o Relatório elaborado pela Ernst & Young a esse respeito, em ofensa ao princípio da verdade material; (iii) a não aplicação do método mais favorável à Impugnante, conforme determina o art. 18, § 4o, da Lei n° 9.430/1996, sendo certo que a D. Fiscalização dispunha de todos os documentos, informações e cálculos para atendimento ao referido dispositivo legal; (iv) a adoção de premissa equivocada quanto à existência de diferença decorrente da apuração do ajuste de preço de transferência pelo método PRL 20%; (v) a desconsideração do lucro da exploração apurado pela Impugnante no ano de 2010 na determinação da base de cálculos dos créditos de IRPJ e CSLL cobrados, o que inclusive ratifica a já mencionada precariedade do trabalho da D. Fiscalização; vi) a desconsideração do valor de ajuste de preço de transferência já indicado anteriormente pela Impugnante quando da apresentação da DIPJ/2011; (vii) a regularidade dos cálculos de preços de transferência com base no método CPL, demonstrando o custo da matériaprima para os bens importados na forma de "CKD", produtos acabados e semiacabados, nos termos definidos pela legislação, levandose em conta especificidades da atividade da Impugnante; (viii) a regularidade dos cálculos de preços de transferência com base no método PIC, demonstrando que as operações utilizadas pela Impugnante para Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 72 6 calcular os preços parâmetros estão abrangidas pelas situações dispostos na Lei n° 9.430/96 e na IN SRF n ° 243/2002; (ix) na remota hipótese de não serem reconhecidos os preços parâmetros cálculos pela Impugnante com base nos métodos PIC, CPL e PRL 20% e PRL 60% (nos termos da Lei n° 9.430/1996), o que se admite a título de argumentação, a ilegalidade dos cálculos pelo método PRL 60% com base na Instrução Normativa SRF n ° 243/2002, já que referida norma é absolutamente ilegal, posto ter extrapolado os limites da Lei n° 9.430/1996. Por todos estes motivos, a ora Impugnante requer o conhecimento e a procedência integral da presente Impugnação, para o fim de que seja decretada a nulidade do presente Auto de Infração, ou, quanto ao mérito, sua total improcedência, extinguindo os créditos tributários de IRPJ e CSLL pretendidos com o consequente cancelamento do Auto de Infração em comento. É o relatório do necessário. A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa que lhe cabe, mas não uma imposição à fiscalização ou aos órgãos julgadores. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECÁLCULO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VEDAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo do benefício fiscal. Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 73 7 CSLL. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: que demonstrou cabalmente a nulidade do Auto de Infração, seja em razão da falta de descrição dos fatos e determinação da exigência, seja em razão da ausência de motivação do lançamento, seja em razão da não indicação dos critérios adotados para o ajuste de preço de transferência pelo método PRL, seja em razão de sua total precariedade, o que foi apenas rechaçado de forma genérica pela DRJ/JFA; que o fiscal valeuse da suposição de que os documentos e cálculos empregados pela Recorrente para a aplicação dos métodos PIC e CPL seriam imprestáveis, aplicou indistintamente o método PRL 60% nos termos da IN SRF n° 243/2002 para os bens importados utilizados no processo produtivo da Recorrente. E ainda assim nem se dando ao trabalho de examinar esses cálculos, pois valeuse exclusivamente de memória de cálculo solicitada à Recorrente, conforme se atestou a própria decisão da DRJ/JFA; que o fundamento da decisão recorrida, de que "não havendo um efetivo prejuízo à defesa, não há que se falar em nulidade", é de todo absurdo, pois os esforços empregados pela Recorrente na tentativa de delimitar o objeto autuado e, assim, elaborar a sua defesa, não podem ser utilizados como forma de chancelar o procedimento fiscal eivado de nulidades; além de ter inutilizado toda a documentação apresentada pela Recorrente no que concerne à comprovação dos custos inerentes à aplicação do método CPL, o que foi corroborado pela decisão de primeira instância, os preços parâmetros utilizados pela Recorrente como referência na aplicação do PIC foram também desconsiderados. MÉTODO PIC no que se refere ao PIC, consta da decisão recorrida que "a não aceitação como paradigma das operações de compra da mesma exportadora vinculada ao sujeito passivo se deve à possibilidade de se majorar o ajuste exigido do próprio sujeito passivo, em face de eventual desconsideração da margem de lucro da empresa exportadora", como se a Recorrente tivesse apenas se valido de preços praticados entre terceiros e a empresa exportadora vinculada, esta na condição de compradora; embora a legislação não imponha restrições no que tange às operações entre terceiros e a empresa vinculada exportadora, não se pode desconsiderar as demais operações de referência indicadas pela Recorrente, tais como: operações entre a empresa exportadora (vendedora) e terceiros não vinculados (compradores), e operações da Recorrente (compradora) e terceiros não vinculados (compradores), que se amoldam perfeitamente nas hipóteses descritas inc. I e II do art. 8o da Instrução SRF n° 243/2002; Além disso, no que concerne ao PRL20%, a Fiscalização valendose da suposta discrepância entre o valor declarado na DIPJ/2011, na Ficha 32, de R$ 8.088.043,94 e Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 74 8 demonstrativo de apuração de ajuste da Recorrente, de R$ 38.384.803,73), lançou de oficio da diferença entre ambos os valores, de R$ 30.296.759,79. Ocorre que o ajuste de ofício em razão dessa suposta discrepância não foi acompanhado da devida análise dos itens de ajuste que compõem o item 50 da Ficha 32 da DIPJ/2011, nem mesmo da existência de outros métodos quando da apuração realizada pela Recorrente, o que mais uma vez deflagra a precariedade do trabalho fiscal; Como se isso não bastasse, após a intimação da Recorrente quanto à lavratura do Auto de Infração e antes da apresentação de Impugnação Administrativa pela Recorrente, a Receita Federal do Brasil incluiu diversos documentos no eCAC, para os quais não foi dada a devida ciência à Recorrente, dentre eles, a memória de cálculo apresentada pela Recorrente no que concerne à aplicação do método PRL60%, e que, segundo a decisão recorrida, teria embasado os cálculos da fiscalização. O lançamento desses documentos no e CAC após a intimação da Recorrente para a apresentação de sua Impugnação Administrativa apenas corrobora a nulidade do Auto de Infração, e chancela a alegação da Recorrente de que, na lavratura do Auto de Infração, sequer houve a anexação da planilha demonstrativa da apuração do valor de ajuste indicado. MÉTODO CPL em relação ao CPL, a Fiscalização apenas afirma que não foram apresentados todos os documentos fiscais e contábeis das empresas fabricantes, sediadas no exterior, relativos aos processos produtivos dos bens importados pela Recorrente, sem que em nenhum momento indicasse quais seriam os documentos supostamente não apresentados pela Recorrente, muito menos esclarecesse os motivos pelos quais os documentos que foram apresentados, que foram, aliás, solicitados pela própria Fiscalização, não serveriam para demonstrar a regularidade dos cálculos pelo CPL; se de fato a afirmação vaga e imprecisa de que nem todos os documentos contábeis e fiscais necessários à verificação da regularidade dos cálculos pelo CPL foram apresentados pela Recorrente, indaga por qual razão a Fiscalização não os solicitou durante o procedimento fiscalizatório. A descrição dos fatos não responderia a essa sua indagação; E por fim, alega que da leitura dos poucos e confusos argumentos trazidos pela Fiscalização para afirmar a contrariedade dos documentos relativos ao método CPL às regras legais previstas na IN SRF n° 243/2002, vêse a ocorrência de um evidente erro de tipificação, já que o art. 12 da referida IN mencionado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que sequer trata do método CPL, o que foi reconhecido pelo próprio julgador de primeira instância. Apesar de a DRJ alegar se tratar de mero lapso na capitulação legal, causa verdadeira confusão à Recorrente, já que, como salientado anteriormente, todos os documentos e cálculos solicitados durante o procedimento fiscalizatório foram devidamente apresentados, conforme demonstram as intimações fiscais emitidas durante o procedimento fiscalizatório e as correlatas respostas apresentadas pela Recorrente a estas intimações; Passa então a listar toda a documentação trazida aos autos referente ao método CPL. É o relatório, no essencial. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 75 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente enfileira uma série de nulidades contra os autos de infração muitas das quais se confundem com o mérito. De toda sorte, ultrapasso as preliminares de nulidade suscitadas, adentrando no mérito, tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 59 do DecretoLei 70.235/1972, segundo o qual, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. MÉRITO MÉTODO PIC (Preços Independentes Comparados) Vejamos os termos do auto de infração que praticamente se resumiram a 3(três) parágrafos para tratar tanto da desconsideração do método CPL quanto do PIC, que é o alvo do nosso interesse agora: (...) 4 Todavia a aludida documentação, na parte concernente ao PIC e ao CPL, não observou as regras expressas nas normas tributárias regentes da matéria, mormente as previstas no art. 8° e parág. único, assim como as insculpidas no art. 12, e parágrafos, todos da IN SRF n° 243/2002, vigente à época dos fatos, bem como nas orientações da Receita Federal do Brasil, espelhadas nas orientações de preenchimento da DIPJ/2011 e no "Perguntas e Respostas" da Pessoa Jurídica, considerados normas complementares nos termos do art. 100, do CTN, tornando desta forma insuficiente e imprestável a retro citada documentação, para a convicção dos preços de tranSferência calculados e adotados pela pessoa jurídica. (...) 6 Cumpre observar que a supra mencionada não observância às normas tributárias pelo sujeito passivo, assentase basicamente, no caso do PIC, na adoção para efeito de edificação do preço parâmetro, de documentos fiscais que teriam sido expedidos por terceiros na operação de venda para a empresa ligada estrangeira. (grifei) Como relatado, a Recorrente se valeu do método Preços Independentes Comparados PIC na determinação de preços parâmetros de algumas matériasprimas. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 76 10 De outro lado, consoante alegado no relato fiscal, mesmo que de forma muita sucinta, do exame dos documentos apresentados pela Recorrente, mostram a utilização, como parâmetro, de operações de empresa estrangeira ligada à contribuinte com terceiros. Assim dispõe a legislação de regência quanto ao Método PIC: Lei n° 9.430/96 Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços, aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; (...) §2° Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. Vêse que, no cálculo, somente podem ser consideradas as operações de compra e venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, entre pessoas não vinculadas, realizadas no mercado brasileiro ou de outros países, em condições de pagamento semelhantes. A Recorrente defende que poderia se valer de preços que qualquer empresa ligada a ela praticasse com terceiros independentes, na compra de mercadorias similares, pois inexistiria vedação legal. A DRJ, por sua, vez mantém o lançamento, nos seguintes termos: O inciso III limita expressamente a sua aplicação a "outras pessoas jurídicas' [grifei], logicamente, que não aquelas citadas nos incisos I e II, ou seja, a exportadora e a importadora. A interpretação da impugnante, de que o inciso III referese somente à não vinculação de pessoas jurídicas entre si, tornaria completamente inúteis as disposições dos incisos I e II. É princípio básico da hermenêutica jurídica que a lei não contém expressões ou palavras inúteis. Assim, pela redação art. 8° da IN SRF n° 243/2002, são permitidas as seguintes operações na apuração dos Preços Independentes Comparados PIC: • as vendas realizadas pela mesma exportadora (vinculada ao sujeito passivo) a terceiros não vinculados ao sujeito passivo (inciso I); (...) (gráfico) (...) Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 77 11 Desse modo, "a contrario sensu", não podem ser considerados no cálculo do PIC: • As compras realizadas pela exportadora (vinculada ao sujeito passivo); • As vendas realizadas pela importadora (o próprio sujeito passivo); • As compras e vendas realizadas entre terceiros vinculados (ao sujeito passivo); Se a legislação tributária quisesse, por exemplo, também admitir como parâmetro as compras realizadas pela exportadora vinculada ao sujeito passivo, não teria explicitamente permitido como paradigma apenas as vendas realizadas "pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes" (inciso I supracitado). Provavelmente, a não aceitação como paradigma das operações de compra da mesma exportadora vinculada ao sujeito passivo, se deve à possibilidade de se majorar o ajuste exigido do próprio sujeito passivo, em face de eventual desconsideração da margem de lucro da empresa exportadora na revenda destes produtos adquiridos de pessoas jurídicas não vinculadas à contribuinte. Isso porque, em regra, o preço de compra pago pelo revendedor (exportador) é menor que o preço de revenda. Tal possibilidade foi ventilada no Acórdão CARF 110100.747, de 13 de junho de 2012, citado na impugnação. Entretanto, não se aplicava àquele caso concreto. Veja o respectivo trecho do voto condutor do referido Acórdão: Eventualmente esta hipótese [compras pela mesma empresa exportadora de pessoas jurídicas não vinculadas acrescentei] não foi cogitada na Instrução Normativa porque, em outras circunstâncias, poderia majorar o ajuste exigido por desconsiderar, na operação paradigma, a margem de lucro da empresa exportadora na revenda destes produtos adquiridos de pessoas jurídicas não vinculadas à contribuinte. Contudo, na medida em que a margem de lucro não é praticada, em regra, pela exportadora que atua como central de compras de grupo empresarial, é compreensível a adoção, pela contribuinte, de suas operações como referência para preço parâmetro, e não é possível desqualificar o método adotado apenas com base na interpretação adotada pela autoridade lançadora. De forma semelhante, as operações de venda realizadas pela importadora (o próprio sujeito passivo) também poderiam implicar distorção no preço parâmetro, uma vez que se configurariam, na verdade, em revenda de produtos adquiridos da exportadora que lhe é vinculada. No caso, em que pesem os cenários de operações traçados na defesa, o exame dos documentos juntados por amostragem à impugnação (DOCs. 8 a 17), especialmente os "invoices" traduzidos, mostra a utilização de operações não amparadas pelo já referido art. 8°, quais sejam, operações envolvendo empresa vinculada à impugnante no exterior, incluindo situações de compra pela exportadora. A planilha abaixo resume as operações documentadas nos autos: Preço Praticado Preço Parâmetro Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 78 12 Item Doc fls. Empresa exportadora País Fatura (fl.) Vendedor Comprador 0902-002426 10 1574/1579 Samsung Eietronics Suzhou Computer China 1579 Intel 4 Samsung Eietronics H.K. CO Ltd BN07-00631A 11 1580/1591 Samsung Eietronics H.K. CO Ltd Hong Kong 1584 Beijing Boe Optoelectronics Technology Samsung Eietronics H.K. CO Ltd GH59-07345A 12 1592/1604 Samsung Eietronics H.K. CO Ltd Hong Kong 1600 Tianjin Jinping Eietronics CO Ltd Samsung Eietronics H.K. CO Ltd BN07-00675D 13 1605/1683 Samsung Semiconductor Inc. Samsung Eietronics America Inc EUA EUA 1661 1668 1679 Samsung Eietronics Bejing Service Samsung Eietronics Bejing Service Samsung Eietronics Argentina Chengdu Jinwei Eletronic Service Tianjin Zhenxing Eletronic Ltd Galander SA BN07-00800A 14 1684/1712; 84/146 Samsung Semiconductor Inc. EUA 112 Samsung Eietronics Corporation SSCS(K) CO BN07-00807A 15 147/199 Samsung Semiconductor Inc. EUA 165 Samsung Eietronics Corporation SSCS(K) CO BN07-00808A 16 200/256 Samsung Semiconductor Inc. EUA 222 Samsung Eietronics Corporation SSCS(K) CO BN07-00916A 17 257/267 Samsung Semiconductor Inc. EUA 265 Samsung Japan Corporation Toshiba Entregue á exportadora Samsung Eletronics Suzhou Computer. Dessarte, à luz do art. 8° da IN SRF n° 243/2002, não configurada a regularidade dos preços parâmetros adotados pela contribuinte com base no método PIC, correta a sua desconsideração. Não concordo com a DRJ, a mera vinculação a uma pessoa jurídica em uma ponta apenas não pode invalidar a conclusão de que os preços dessa empresa seriam "preços de mercado", mesmo que ligada, se praticadas com terceiros não vinculados. E de fato não vejo como o art.18, §2°, da Lei n° 9.430/96 possa limitar que se considere preço parâmetro de mercado as operações de compra e venda realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes. O dispositivo legal ao se referir a "operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados", tem como norte principal afirmar que os polos sejam independentes, bastando um polo apenas, ou obviamente os dois, que seria o melhor caso. A Instrução Normativa SRF n° 243/02, que regulamentou essa matéria assim dispõe: Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) Art. 8° A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 79 13 Há uma clara confusão que se faz à referência a "outras pessoas jurídicas não vinculadas", disposta no inciso III do parágrafo único do art.8° da IN SRF n° 243/02. Tendo como norte o art.18°, §2°, da Lei n° 9.430/96, a menção claramente às pessoas, cujas operações serão consideradas no cálculo do preço parâmetro e não a pessoa a que apura os preços parâmetros. Nesse sentido, é pacífico que as instruções normativas não podem inovar o que dispõe a Lei. Dessa forma, equivocouse a fiscalização ao fazer a desconsideração do método PIC baseada apenas no fato de em uma das pontas das operações de compra e venda consideradas no cálculo haver sociedade vinculada ao sujeito passivo. Por todo o exposto, dou provimento a este item e afasto o método PRL aplicado no lugar do PIC para essas situações. 2) MÉTODO CPL Se a motivação para a desconsideração do PIC foi sucinta, pelo menos ela foi específica o suficiente para compreensão da defesa. Nesse outro caso, além de muita sucinta, que por si só, não seria nenhuma mácula, ela não foi específica, sendo por demais evasiva. Instada a apresentar a documentação que teria dado suporte ao cálculo dos métodos indicados em sua Declaração de Imposto de Renda, o sujeito passivo apresentou arquivos digitais com planilhas, memórias de cálculo e alguns documentos. Vejamos os termos do auto de infração que praticamente ser resumiram a 3(três) parágrafos para tratar tanto da desconsideração do método PIC quanto do CPL que é o alvo do nosso interesse agora: (...) 3 Após análise no elementos apresentados, a Fiscalização observou que a documentação apresentada referiase não só aos métodos apontados na DIPJ/2011, mas também ao método CPL Custo de Produção mais Lucro. 4 Todavia a aludida documentação, na parte concernente ao PIC e ao CPL, não observou as regras expressas nas normas tributárias regentes da matéria, mormente as previstas no art. 8° e parág. único, assim como as insculpidas no art. 12, e parágrafos, todos da IN SRF n° 243/2002, vigente à época dos fatos, bem como nas orientações da Receita Federal do Brasil, espelhadas nas orientações de preenchimento da DIPJ/2011 e no "Perguntas e Respostas" da Pessoa Jurídica, considerados normas complementares nos termos do art. 100, do CTN, tornando desta forma insuficiente e imprestável a retro citada documentação, para a convicção dos preços de tranferência calculados e adotados pela pessoa jurídica. Cumpre observar que a supra mencionada não observância às normas tributárias pelo sujeito passivo, assentase basicamente, no caso do PIC, na adoção para efeito de edificação do preço parâmetro, de documentos fiscais que teriam sido expedidos por terceiros na operação de venda para a empresa ligada estrangeira. E, em relação ao CPL, não foram apresentados todos os documentos fiscais e Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 80 14 contábeis das empresas alienígenas fabricantes, relativos ao processo produtivo dos bens importados, adquiridos pela pesssoa jurídica fiscalizada junto a empresas ligadas residentes no exterior. (grifos nossos) Em sua defesa, a Recorrente aduz: "(...) em relação ao CPL, a Fiscalização apenas afirma que não foram apresentados todos os documentos fiscais e contábeis das empresas fabricantes, sediadas no exterior, relativos aos processos produtivos dos bens importados pela Recorrente, sem que em nenhum momento indicasse quais seriam os documentos supostamente não apresentados pela Recorrente, muito menos esclarece os motivos pelos quais os documentos que foram apresentados, que foram, aliás, solicitados pela própria Fiscalização, não servem para demonstrar a regularidade dos cálculos pelo CPL. Se de fato a afirmação vaga e imprecisa de que nem todos os documentos contábeis e fiscais necessários à verificação da regularidade dos cálculos pelo CPL foram apresentados pela Recorrente, indaga por qual razão a Fiscalização não os solicitou durante o procedimento fiscalizatório. A descrição dos fatos não responderia a essa sua indagação. A DRJ, por sua vez, faz um esforço extraordinário para suprir a deficiência na motivação do auto de infração, praticamente fazendo uma nova fundamentação no que diz respeito à sistemática do preço de transferência relacionado ao método CPL. Ora, tudo que foi afirmado e explicado pela DRJ deveria constar do auto de infração ou pelo menos se pudesse extrair algum conteúdo das intimações fiscais que também faz parte do chamado "diálogo das provas". Mas nem isso é possível se dizer. Segue abaixo a fundamentação da DRJ, rejeitando a preliminar: 1.1.2. Método do Custo de Produção mais Lucro CPL Em relação à desconsideração desse método, a motivação adotada pela fiscalização foi a não apresentação de "todos os documentos fiscais e contábeis das empresas alienígenas fabricantes, relativos ao processo produtivo dos bens importados, adquiridos pela pessoa jurídica fiscalizada junto a empresas ligadas residentes no exterior". Segundo o relato fiscal, teriam sido descumpridas normas contidas no art. 12 da IN SRF n° 243/2002 e orientações da RFB, constantes do "Perguntas e Respostas" e das orientações de preenchimento da DIPJ/2011, tornando insuficiente e imprestável a documentação apresentada, para a convicção dos preços de transferência calculados e adotados pela contribuinte. De fato, o fiscal autuante laborou em erro ao citar o art. 12 da IN SRF n° 243/2002, que trata do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, em vez de citar o art. 13, esse sim, que trata do método do Custo de Produção mais Lucro CPL. Todavia, tal erro não prejudicou o direito de defesa da contribuinte, haja vista a alentada impugnação quanto ao método CPL. Destaco que já no Termo de Início do Procedimento Fiscal (ciência em 03/06/2013), a contribuinte foi intimada a apresentar planilhas de memória de cálculo para apuração dos preços parâmetros a serem utilizados para comparação com os preços praticados nas importações. Nesse Termo constou a necessidade de observância do art. 13 da IN SRF n° 243/2012, quanto ao CPL, senão vejamos: Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 81 15 III, QUANDO SE TRATAR DE CUSTO DE PRODUÇÃO NO PAÍS ONDE TIVEREM SIDO ORIGINALMENTE PRODUZIDOS CPL (ARTIGO 13 da IN SRF M& 243/2002): para cada um doe itens importados, discriminar por componente* valores e respectivos fornecedores os seguintes custos: custo de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; custo de pessoal aplicado na produção; custo de locação, manutenção e reparo; encargos de depreciação, amortização ou exaustão e, ainda* valores das quebras ou perdas razoáveis, Os custos serão considerados proporcionalmente às quantidades destinadas à empresa no Brasil (custo médio parâmetro), valor e tipo de ajuste (se for bem, serviço ou direito similar). Assim, não havendo um efetivo prejuízo à defesa, não há que se falar em nulidade. Esse entendimento é pacífico na jurisprudência, expressado, por exemplo, no Agravo Regimental no Recurso Especial n° 819011/MA, da 2a Turma do Superior Tribunal de Justiça, de 16/04/2009: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INDICAÇÃO ERRÔNEA DO NÚMERO DA LEI APLICÁVEL. ANÁLISE PELO TRIBUNAL, QUE CONSIDEROU MÍNIMO O ERRO E NÃO PREJUDICADO O DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 463 E 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. Hipótese em que o Tribunal de origem analisou o auto de infração e concluiu que, apesar da indicação errônea da legislação aplicável, não houve prejuízo à defesa e, portanto, nulidade (pas de nullité sans grief). O agente fiscal indicou os artigos aplicáveis, mas, em vez de referirse à Consolidação das Leis Tributárias do Município de São Luís (CLTMSP Decreto 2.609/1982), citou a Lei 2.609/1982. De qualquer forma, "entre parênteses, fez menção expressa ao aludido Decreto e também no bojo da exposição do fato que deu origem ao auto de infração (...), indicou que a citada Lei encontrase consolidada no texto do Decreto". 3. A Corte Estadual julgou a demanda e fundamentou adequadamente seu entendimento, o que afasta a alegada ofensa aos arts. 463, II, e 535 do CPC. 4. Agravo Regimental não provido. Com relação aos documentos que comprovariam a regularidade dos cálculos efetuados pelo método CPL, cabe um breve histórico do ocorrido durante o procedimento fiscal. Cerca de oito meses após o início da ação fiscal, em resposta de 10/02/2014 (fl. 1.312), a contribuinte afirmou que, conforme orientação do AuditorFiscal, a documentação relativa aos cinco maiores itens do método CPL estava sendo providenciada. Veja: No tocante a documentação que comprovará os métodos demonstrados de CPL e PIC, seguindo a orientação do Sr. Auditor Fiscal, a empresa elegeu os 5 maiores itens de. cada método para, informálos em base de teste. Estes documentos estão no processo final de tradução juramentada e serão entregues no dia 28 de fevereiro de 2014. Nada obstante a apresentação da referida amostragem nos moldes solicitados, empresa reitera que, se necessário, mediante a disponibilização do tempo suficiente para tal, estará apta a fornecer a extensão da amostra do material comprobatório relativamente aos referidos métodos. Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 82 16 Em 28/02/2014, a contribuinte pediu prorrogação de prazo para "entrega da documentação acerca dos métodos PIC e CPL [...], tendo em vista que a orientação da fiscalização é para que toda documentação seja entregue de uma só vez" (fl. 1314). Em 13/03/2014, a contribuinte apresentou "documentação suporte referente às metodologias PIC e CPL" (fls. 1315/1317). De outro lado, as orientações da RFB constantes das "Perguntas e Respostas", disponíveis no "site" da Receita Federal e citadas no auto de infração, especificam, na resposta à pergunta n° 42, a documentação hábil a comprovar os custos relativos ao método CPL. Com isso, foi possibilitado à contribuinte, mediante o cotejo entre a documentação apresentada no curso da ação fiscal, com o teor da intimação supracitada e as orientações da RFB, elaborar sua defesa quanto à documentação hábil a comprovar a regularidade dos cálculos efetuados pelo método CPL. Não é sem razão que a impugnação traz, inclusive na matéria de mérito, tópico específico quanto à regularidade desses cálculos. Dessa forma, não tendo sido evidenciado o prejuízo à elaboração da defesa da contribuinte, quanto a esse item, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento. E no mérito, o esforço é maior ainda, fazendo às vezes do fiscal. Se tudo do quanto foi explicado pela DRJ pelo menos uma parcela mínima tivesse sido fundamentada no auto de infração, a situação seria outra. Vejamos o esforço no mérito para complementar e de forma específico tudo aquilo que já deveria compor a descrição dos fatos da autuação: (...) A fiscalização considerou essa documentação "insuficiente e imprestável" para comprovar os cálculos relativos ao CPL, tendo apontado no auto de infração que a contribuinte não observou, dentre outras, orientações da Receita Federal contidas no "Perguntas e Respostas" da pessoa jurídica. Na resposta à pergunta n° 42 é esclarecido quais os documentos hábeis a comprovar os custos de produção dos bens e serviços importados, segundo o método do CPL: 042 Quais seriam os documentos hábeis para a comprovação dos custos de produção dos bens e serviços importados, segundo o Método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), fornecidos por pessoa jurídica vinculada, domiciliada no exterior? Os documentos hábeis para a comprovação dos custos de produção dos bens e serviços importados poderão ser as cópias dos documentos que embasaram os registros constantes dos livros contábeis, tais como, faturas comerciais de aquisição das matérias primas e outros bens ou serviços utilizados na produção, planilhas de rateio do custo de mão de obra e cópias das folhas de pagamentos, comprovantes de custos com locação, manutenção e reparo dos equipamentos aplicados na produção, demonstrativos dos percentuais e dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão utilizados e das quebras e perdas alocadas, observandose o disposto no § 4° do art. 13 da INSRFn° 243, de Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 83 17 2002. Devendo ainda apresentar a cópia da declaração do imposto sobre a renda entregue ao fisco do outro país, equivalente a DIPJ do Brasil. Esclarecese, outrossim, que qualquer documento de procedência estrangeira, para produzir efeitos legais no País e para valer contra terceiros e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal, deve ser vertido em vernáculo. Além disso, deve ser legalizado em seu país de origem, ou seja, notarizado, consularizado e registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Normativo: Código Civil Lein° 10.406, de 2002, art. 224; Código de Processo Civil Lei n° 5.869, de 1973, arts. 129 e 148; Lei n° 6.015, de 1973; e PNCSTn°250, de 1971. [Grifei]. Naturalmente, para a utilização do CPL, a contribuinte deve demonstrar que sua documentação comprobatória está também adequada ao disposto no art. 13 da IN SRF n° 243/2002, mormente no que tange ao § 4° supracitado: Art. 13. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, ainda, ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. [...] § 4° Para efeito de determinação do preço por esse método, poderão ser computados como integrantes do custo: I o custo de aquisição das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção do bem, serviço ou direito; o custo de quaisquer outros bens, serviços ou direitos aplicados ou consumidos na produção; o custo do pessoal, aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção e os respectivos encargos sociais incorridos, exigidos ou admitidos pela legislação do país de origem; os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação, amortização ou exaustão dos bens, serviços ou direitos aplicados na produção; V os valores das quebras e perdas razoáveis, ocorridas no processo produtivo, admitidas pela legislação fiscal do país de origem do bem, serviço ou direito. [...] Na impugnação apresentada em 02/12/2014, cerca de um ano a meio após o início da ação fiscal, a contribuinte juntou os mesmos documentos apresentados à fiscalização, dos quais, em resumo, se destacam: Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 84 18 Demonstrativos de cálculo (DOC 19 fls. 269 e seguintes); Detalhes do Comprovante de Imposto de Renda Corporativo da SAMSUNG ELECTRONICS CO., LTD. SEC (fls. 291 e ss); Relatório de Auditoria Independente das "declarações financeiras consolidadas" da Samsung Electronics Co., Ltd. SEC (fls. 343 e seguintes); Relatório das "Demonstrações Financeiras Não Consolidadas" (fls. 362 e ss); Relatório financeiro e de auditoria da TIANJIN SAMSUNG OPTO ELECTRONICS CO., LTD. (fls. 420 e ss); Análise do Sistema de Custeio (fls. 446 e ss); Relatório "Análise do Sistema de Custeio 2010" EY, (DOC 20 fls. 510/1.074). A análise da documentação apresentada pela contribuinte mostra que não foram trazidas cópias de muitos documentos que embasam registros de livros contábeis e são considerados hábeis a comprovar os custos de produção dos bens e serviços importados, pelo método CPL. Estão ausentes cópias, devidamente traduzidas, de faturas comerciais, de folhas de pagamentos e de comprovantes de custos com locação, manutenção e reparo dos equipamentos aplicados na produção. A "Análise do Sistema de Custeio 2010" EY (DOC 20 fls. 510/1.074), por exemplo, tem por finalidade "fornecer evidências para a aplicação do método CPL (...) de acordo com as exigências contidas na legislação brasileira de preços de transferência acerca da documentação necessária para esse método" (fl. 512). Esse relatório mostra, por meio de telas de sistemas da Samsung Electronics Co., Ltd., alocações de custo de mão de obra, depreciação e outros custos ao módulo contábil e financeiro da Samsung, em relação aos itens e ao período ali analisados, bem como traz telas relativas ao "Bill of material" (BOM) do item importado pela contribuinte. Entretanto, não traz os documentos supracitados como ausentes, devidamente traduzidos para o vernáculo. Com efeito, o método do CPL não é de fácil comprovação por parte dos contribuintes, haja vista a necessidade de ser revelado todo custo de produção do exportador, bem como a necessidade de comproválo com uma gama enorme de documentos, devidamente traduzidos, como, exemplo, a folha de pagamentos, que pode incluir centenas ou milhares de empregados. Não é sem razão que a experiência mostra que na maioria das vezes os contribuintes não logram comprovar os custos de produção pelo método do CPL. Entretanto, uma vez escolhido um método de preço parâmetro pelo contribuinte, é de sua obrigação manter em boa guarda a documentação que respalda o método adotado. Assim, não tendo sido apresentados documentos hábeis a comprovar os custos de produção dos bens e serviços importados, segundo o método CPL, não há como acatar o cálculo de preços parâmetros apresentado por essa metodologia. Como se percebe, a fiscalização não intimou o contribuinte a apresentar de forma específica os documentos e livros necessários para ser possível a avaliação do referido método, deixando que ele o fizesse a partir de uma mera referência indireta ao "Perguntas e Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 85 19 Respostas". Pecou por falta de especificidade e, ao fazêlo, tornou deficiente a motivação mínima do auto de infração, a ponto cercear o direito de defesa do contribuinte. Destaco uma vez mais o trecho da DRJ em que ela avança naquilo que deixou de fazer o fiscal, sendo bastante específica quanto aos documentos que deixaram de ser apresentados ou possíveis inconsistências: (...)A análise da documentação apresentada pela contribuinte mostra que não foram trazidas cópias de muitos documentos que embasam registros de livros contábeis e são considerados hábeis a comprovar os custos de produção dos bens e serviços importados, pelo método CPL. Estão ausentes cópias, devidamente traduzidas, de faturas comerciais, de folhas de pagamentos e de comprovantes de custos com locação, manutenção e reparo dos equipamentos aplicados na produção. A “Análise do Sistema de Custeio – 2010” EY (DOC 20 – fls. 510/1.074), por exemplo, tem por finalidade “fornecer evidências para a aplicação do método CPL (...) de acordo com as exigências contidas na legislação brasileira de preços de transferência acerca da documentação necessária para esse método” (fl. 512). Esse relatório mostra, por meio de telas de sistemas da Samsung Electronics Co., Ltd., alocações de custo de mão de obra, depreciação e outros custos ao módulo contábil e financeiro da Samsung, em relação aos itens e ao período ali analisados, bem como traz telas relativas ao “Bill of material” (BOM) do item importado pela contribuinte. Entretanto, não traz os documentos supracitados como ausentes, devidamente traduzidos para o vernáculo. (...) Ademais, a Recorrente em sua resposta ao termo de intimação fiscal foi bastante transparente em sua resposta ao que fora solicitado pela fiscalização, contextualizando sua dificuldade, nos seguintes termos: A Samsung opera em bases mundiais com um único sistema de controle de custos e preços, ou seja, possui um ERP "mundial". Em outros termos, todas as empresas coligadas estão integradas em um sistema único, sendo que esse elevado grau de horizontalidade permite que o padrão de qualidade de seus produtos seja o mesmo, de forma que os produtos fabricados no Brasil tem o mesmo padrão de qualidade e eficiência dos demais fabricados em qualquer local do mundo. Esse sistema permite que: a) O controle de todos os custos e preços seja feita automaticamente num sistema único, operado pela administração do grupo, que fica na Coréia. b) Para efeitos de PIC, identificar todas as vendas de produtos similares feitas mundialmente pelo grupo para terceiros, e, c) Para efeitos de CPL qual o efetivo custo de cada componente ou peça, desenvolvido de forma padrão para todos os produtos mundiais. Para cada item é ainda feito o cálculo pelo método PRL, e então comparando os valores obtidos em cada método, utilizase aquele que produz o menor ajuste. Lembrando que não existe um padrão definido para a demonstração dos cálculos dos ajustes de preços de transferência, a estrutura dos arquivos atualmente Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 86 20 gerados pelo sistema foi definida por ocasião no atendimento a outras fiscalizações, passando a ser gerada automaticamente. Por isso, para dispor os dados em outro formato, como solicitado pelo Sr auditor, será necessário modificar o programa, para extraílos novamente dos arquivos do sistema, ordenandoos e agrupandoos no "lay out" e forma solicitada, levandose em consideração ainda o que segue: (...) 5 B III — Os demonstrativos de CPL são produzidos diretamente pelo sistema integrado de custos. Considerando o enorme volume de informações a ser auditado, o sistema gera telas sintéticas para consulta e análise, sendo possível a geração de relatórios analíticos, caso a caso. Sendo assim, a Samsung está pronta a disponibilizar os cálculos analíticos que o Sr auditor solicitar por amostragem para validar os ajustes feitos pelo método CPL. 6 Como explicitamos, toda a documentação de suporte fica guardada de forma digital no sistema, e é bastante vasta. Está disponível para ser extraída e entregue á fiscalização na medida em que for solicitada, precisando apenas ser estruturada no formato e ordem solicitada. Por exemplo, no caso de um PIC pode ser solicitada a base (planilha) e então serem escolhidas amostras das notas fiscais (internacionais) utilizadas para compor a base, para validação. No caso do CPL pode ser escolhido um determinado componente e solicitado a demonstração da composição do custo num determinado mês. Todas essas ações demandam prazo para o atendimento, pois é impossível baixar e manter disponível toda a documentação a uma só vez para consulta imediata: são milhares de documentos. III — Do pedido de prazo Em resumo, com relação ao item 5 (e seus subitens) da intimação, será necessário reprocessar os demonstrativos dos preços de transferência, adaptando os arquivos á estrutura de dados solicitada pela fiscalização o que será feito conjuntamente com a administração na Coréia, no intuito único de melhor subsidiar os trabalhos de auditoria, e para isso solicitamos um prazo de sessenta dias. Quanto ao item 6 da intimação, uma vez indicado pelo Sr auditor quais os itens a serem auditados, a Samsung solicita um prazo de trinta dias para processar a extração dos documentos no formato requerido (pdf ou impresso). Como se vê, a Recorrente aparenta ter um sistema organizado para processar esses ajustes por esse método, mas que precisa de certas adaptações e diante do volume de dados, não era de se esperar que a Recorrente tivesse trazido toda a documentação referida indiretamente no "perguntas e Respostas" da Receita Federal. A Recorrente até se prontifica que seja produzido alguma amostra, diante do volume de provas, se a fiscalização entendesse necessário. Porém, não encontramos "um diálogo" a esse respeito, a não ser a autuação nos moldes já relatados. Não se encontra nos autos qualquer ação por parte do fiscal no sentido de não aceitar as provas trazidas pela Recorrente ou de afirmar que seriam insuficientes. Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 87 21 É certo que na fase inquisitória o fiscal não é obrigado a "dialogar" com o contribuinte, mas no contexto em que se colocou a situação em comento, de total generalização a respeito do seu pedido, a falta desse "diálogo" compromete com mais força ainda a lacônica e imprecisa e incompleta fundamentação do auto de infração. Dessa forma, dou provimento para cancelar os ajustes feitas pelo PLR em relação aos produtos que foram utilizados o método CPL cujos ajustes foram desconsiderados pelo fiscal. E por conseguinte, DOU provimento integral ao recurso, ficando prejudicada as demais questões de mérito como a questão da legalidade da IN 243/2002; os reclames da falta de recálculo do lucro da exploração e da falta utilização do método mais benéfico ao contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 14367.720006/201466 Acórdão n.º 1401001.844 S1C4T1 Fl. 88 22 Fl. 1945DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000127/2007-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA.
A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
Numero da decisão: 9101-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, acolhendo inaplicabilidade da IN 243 no ano de 2002. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado).
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, acolhendo inaplicabilidade da IN 243 no ano de 2002. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, acolhendo inaplicabilidade da IN 243 no ano de 2002. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 27 /2 00 7- 98 Fl. 32497DF CARF MF Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 9101002.839 CSRFT1 Fl. 11.933 2 Relatório Conselheiro Luís Flávio Neto, relator Tratase de recurso especial interposto por CLARIANT S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), contra o acórdão nº 1402001.863 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela então 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”), o qual julgou improcedente o recurso voluntário. O caso trata da exigibilidade de ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSL, exigidos pela fiscalização especialmente quanto: (i) não incidência da IN 243/02 no próprio exercício de 2002 (ii) à legalidade da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo do Método do Preço de Revenda menos Lucro com a margem de lucro de 60% (doravante “PRL 60”), utilizado para o controle dos preços de transferência, sob a regência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000; (iii) a necessidade de inclusão ou não das despesas de frete, seguro e tributos incidentes na importação, na grandeza considerada como sendo preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro e, ainda, (iv) adoção do método mais favorável. O contribuinte interpôs recurso voluntário, em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 32421 e seg.): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. Após o início do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. A fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Fl. 32498DF CARF MF Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 9101002.839 CSRFT1 Fl. 11.934 3 Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. O contribuinte interpôs, então, recurso especial (efls. 32163 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 32421 e seg.), no qual suscita a divergência jurisprudencial quanto aos temas acima apontados. Em apertada síntese, sustenta a recorrente que a fórmula estabelecida pela IN 243/02 conduziria a resultados diversos daqueles obtidos pela metodologia da Lei 9.430/96, conduzindo a resultados incoerentes. A MP n. 478/09 teria buscado incluir a sistemática de cálculo da IN 243/02 na lei, o que evidenciaria que a sua sistemática não estaria contida no regramento legal original. O custo com frente, seguros e tributos devidos na importação cumprem todos os requisitos legais não comporiam o preço parâmetro. Tais valores, na verdade, seriam dedutíveis sem os ajustes típicos da legislação de preços de transferência, especialmente em face do art. 18, § 6º, da Lei 9.430/96. A fiscalização estaria vinculada à adoção do método mais vantajoso ao contribuinte, o que não teria sido respeitado no caso concreto. A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 32464 e seg.), arguindo, em apertada síntese, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. Destacase que a PFN não se opôs, em suas contrarrazões, à admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte. Concluise, com isso, o relatório. Voto Em seu recurso especial, o contribuinte apresentou analiticamente argumentos para a demonstração da divergência jurisprudencial arguida, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade, não merecendo reparos. Adentrando ao mérito, na sessão de julgamento, cumpre observar que o Colegiado compreendeu que a inaplicabilidade da IN 243/2002 ao próprio anocalendário de 2002 seria prejudicial a todos os demais. Ocorre que a fórmula adotada no auto de infração baseouse nos parâmetros dos referido ato infralegal. Fl. 32499DF CARF MF Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 9101002.839 CSRFT1 Fl. 11.935 4 No caso, a IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, revogou a IN 32/2001, estabelecendo fórmula mais gravosa para o cálculo do PRL60. Assiste razão ao contribuinte quando reclama que os seus efeitos apenas passaram a surtir efeitos a partir de 01.01.2003, em respeito ao princípio da segurança jurídica, materializado especialmente pelo respeito à anterioridade, irretroatividade e pela proteção da confiança legitima. Tratase do entendimento adotado no âmbito da Solução de Consulta COSIT n. 2/08: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) No caso, é incontroverso que a IN 243/2002 estabeleceu fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa ao contribuinte que as fórmulas até então previstas pela IN 38/1997 e 32/2001. A alegação dos que sustentam a legalidade da IN 243/2002 parte do pressuposto que a fórmula por ela estabelecida para o cálculo do método PRL60 é suportada pela Lei n. 9.430/96, mesmo que mais gravosa que as fórmulas previstas nas instruções normativas anteriores. Nesse seguir, se a lei em sentido estrito deve respeitar o princípio da anterioridade sempre que estabelecer ou majorar o ônus tributário em face do patrimônio particular, certamente atos infralegais não podem receber tratamento menos rigoroso. Ao estabelecer fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa que aquela até então prevista por outras instruções normativas até então vigente, requer o princípio da anterioridade que os seus efeitos apenas passem a afetar o patrimônio particular no exercício seguinte à sua instituição, sendo vedada a retroatividade. Ademais, destacase outro julgado do CARF sobre a mesma matéria, indicada como paradigma neste caso: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/2002. LEGALIDADE. O cálculo dos preços de transferência pelo método do preço de revenda menos lucro de 60% (PRL 60), tal como estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou Fl. 32500DF CARF MF Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 9101002.839 CSRFT1 Fl. 11.936 5 inferiores àquelas calculadas com base no art. 18, II, “d”, item 1, da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, não havendo o mencionado ato normativo aumentado o IRPJ e a CSLL que seriam devidos segundo a referida lei, não há que se falar em afronta ao princípio da legalidade tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA LEGÍTIMA. A interpretação que o próprio Fisco vinha atribuindo ao art. 18, II, “d”, item 1, da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Instrução Normativa SRF nº 32/2001, era ainda mais benéfica ao contribuinte do que aquela vazada no termos da Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13/11/2002. Nesse sentido, viola o princípio da proteção à confiança legítima a pretensão do Fisco em aplicar a sua nova interpretação aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos no próprio anocalendário de 2002. Apoiado nos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança legítima, o i. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, relator do acórdão paradigma, acertadamente explicitou em seu voto, in verbis: "Nesse sentido, como a Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13/11/2002, alterou a interpretação que o próprio Fisco, através da Instrução Normativa SRF nº 32/2001, vinha emprestando ao art. 18, II, “d”, item 1, da Lei nº 9.430/96, entendo que, por ser mais gravosa (em relação à IN 32/2001, e não à correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.439/96), não pode o Fisco exigir sua aplicação no próprio ano de 2002, surpreendendo assim o contribuinte que, confiando na interpretação oficial até então vigente, praticou preços de transferência pelo método PRL60 que resultaram em adições inferiores ao lucro líquido." Dessa maneira, ausente fundamento para a adoção da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o próprio ano de 2002, como o fez a autoridade fiscal, deve ser PROVIDO o recurso especial do contribuinte, a fim de que seja reformada a decisão recorrida e, assim, cancelado o lançamento tributário em questão. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 32501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721546/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.
ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA-PRIMA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE.
Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não-cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à decadência do direito do Fisco de glosar créditos de IPI, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen. No mérito, o recurso voluntário foi negado por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA-PRIMA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não-cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIAPRIMA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à decadência do direito do Fisco de glosar créditos de IPI, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen. No mérito, o recurso voluntário foi negado por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 46 /2 01 2- 78 Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.490 2 Relatório Tratase de autuação fiscal decorrente da glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. As glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. O auto de infração impôs a exigência do crédito tributário no montante de R$ 3.674.863,68, correspondente ao IPI, Multa Proporcional e Juros de Mora, calculados até 29/06/2012. A auditoria constatou que a empresa adquiriu preponderantemente os insumos Preformas PET (TIPI 3923.300), com alíquota de IPI de 15% e Tereftalato de Polietileno (TIPI 3907.6000, com alíquota de 5%). Significativa porcentagem dos créditos de IPI decorreu das entradas da empresa Valfilm Amazônia, na aquisição de Preforma PET, que são originários da Zona Franca de Manaus, portanto isentos. A fiscalização observou, nos livros de registro de entradas e nas notas fiscais de entrada, nos anos de 2007 e 2008, que inexistiam destaques de IPI nas notas fiscais de entradas emitidas pela Valfilm Amazônia e a empresa Lorenpet se creditou indevidamente como se IPI houvesse sido destacado, calculado com a alíquota de 15% sobre o valor das referidas compras. Entendeu a fiscalização que não há previsão legal para o creditamento pretendido pela Recorrente. Conforme o relato da autoridade fiscal, a Lorenpet calculou os créditos de IPI aplicandose a alíquota de 15% indicada na TIPI/2002 para a classificação fiscal informada na nota fiscal emitida pelo fornecedor do produto, VALFILM AMAZÔNIA. A Recorrente entende que é legítima a apuração de créditos sobre a aquisição de insumos que não sofreram a incidência do IPI, baseando seu entendimento nos art. 164, II do RIPI, art. 11 da Lei nº 9779/99 e no princípio da nãocumulatividade, bem como no julgamento pelo STF do RE nº 212.4842/RS. Cito trecho do relatório da decisão de piso, que resume a fundamentação da fiscalização para a glosa dos créditos, bem como os tópicos alegados pela Recorrente em sua impugnação: Na sequência a autoridade fiscal passa a tecer considerações acerca da alíquota de 15% utilizada pela contribuinte para se creditar do IPI como se devido fosse na entrada dos produtos isentos, e, após questionar a classificação fiscal e a insuficiente descrição do produto na nota fiscal emitida pelo fornecedor VALFILM que possibilitasse a verificação da atribuição correta da classificação fiscal da mercadoria, conclui que deixou de solicitar ou examinar outros Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.491 3 elementos/documentos, “posto que qualquer que fosse a alíquota aplicada pelo fiscalizado, a mesma estaria sendo atribuída indevidamente”. Destacou, ainda, a justificativa do contribuinte de que tal creditamento atenderia o disposto no art. 190I do RIPI/2002, e acrescenta que tal dispositivo não embasa a pretensa escrituração e que tais registros contrariam o disposto nos arts. 378 e 379 do mesmo regulamento, notadamente no §2º, VIb e VIIa do primeiro artigo indicado. Ponderou a autoridade fiscal que “o pretenso creditamento, indevidamente aproveitado pela empresa, tratase, na verdade, apenas de uma tese, sem amparo na legislação, e o contribuinte sequer possui ação judicial discutindo tal assunto, apropriandose na verdade, de créditos indevidos”. A seguir discorre sobre o princípio da nãocumulatividade e a regulamentação que lhe foi dada pelo CTN e legislação do IPI [Lei nº 4.502/64] e decretos regulamentares; fala da impropriedade da aplicação de alíquotas genéricas [das saídas] sobre o valor das entradas não oneradas para geração de créditos; cita jurisprudência e doutrina contrárias ao creditamento quanto às entradas desoneradas [RE 353657]; discorre sobre o RE 212.8482/RS citado pelo contribuinte como precedente jurisprudencial a lhe embasar o creditamento realizado, e pondera que por tratar de situação específica o mesmo não pode ter sua aplicação estendida a todas as situações semelhantes; destaca os julgamentos dos RE 566.819, 562.983 e 561.676, no sentido da impossibilidade de creditamento quando a entrada é isenta, em face de não ter havido valor cobrado na operação anterior, citando e transcrevendo, ainda, outros exemplos de jurisprudência administrativa e judicial no mesmo sentido. E ao final concluiu: Por todo o exposto, os créditos relativos à aquisição de produtos isentos da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., destacados no Livro de Entradas AC 2007 e AC 2008 (períodos sob exame), repassados aos LIVROS DE APURAÇÃO DO IPI AC 2007 e 2008, nos montantes demonstrados nas planilhas Nº 11 e 12, que se seguem anexas, denominadas “NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA VALFILM AMAZÔNIA” (que discriminam individualmente as Notas Fiscais de Entrada e respectivos créditos de IPI), são considerados improcedentes e desconsiderados por esta fiscalização. (...) A ciência do auto de infração se deu por via postal, ocorrida em 17/07/2012, conforme AR fl. 1323. A insurgência da autuada se deu por intermédio do arrazoado de fls. 1328/1375, protocolado em 07/08/2012, no qual, em síntese: · inicialmente descreve os fatos que redundaram na presente autuação; · alega, EM PRELIMINAR, a decadência do direito do Fisco glosar os créditos do IPI regularmente apropriados [haja vista que atinentes a aquisições de insumos adquiridos para emprego na industrialização] e reconstituir a escrita fiscal relativamente ao período de janeiro a junho/2007; argumenta que “a glosa de créditos na forma praticada pela fiscalização corresponde ao lançamento do crédito tributário nos termos do art. 150 e §§, do CTN, e legislação do IPI”, haja vista que resultará na redução do saldo credor ou mesmo em saldo devedor ao final do período, devendo, portanto, submeterse ao disposto no §4º do citado artigo, que estabelece o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador para ação do Fisco; Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.492 4 · pondera que o RIPI/2002 em seus arts. 124 e 126, ao tratar do lançamento por homologação e do seu prazo, considera pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, situação ocorrida no período de janeiro a junho/2007 conforme PLANILHA 01 RECONSTITUIÇÃO DO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DE IPI AC 2007 E 2007; · argumenta que os atos por ela praticados no período em questão se amoldam à atividade inerente ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150, do CTN, submetendose, assim, ao prazo previsto no §4º, o que leva a concluir que o auto de infração cientificado em 17/07/2012 o fora depois do transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados do creditamento do imposto nos períodos encerrados entre janeiro e junho/2007; · cita julgados do Segundo Conselho de Contribuintes [Acórdãos nº 201 80.078, de 28/02/2007 e 20178.694, de 13/09/2005] favorável à sua tese; · e conclui, quanto ao tema: Por conseguinte, a atividade do contribuinte que culminou na escrituração e apuração do imposto naqueles períodos restou tacitamente homologada, e os saldos credores então apurados não mais poderiam ser modificados pela autoridade administrativa, tornandose líquido e certo para todos os fins legais. NO MÉRITO, alega que “não se pode concordar com as glosas dos créditos em tela, vez que efetuada ao desamparo das normas aplicáveis, contrapondo ainda a posição doutrinária e a jurisprudência da instância superior do poder judiciário (o STF)”; · pondera que está incorreto o Saldo Credor Inicial de 01/01/2007, zerado na Planilha nº 01, enquanto no RAIPI escriturado era R$ 1.282.373,64, valor este a ser considerado como saldo de partida na reconstituição; · a propósito das glosas dos créditos atinentes às aquisições da empresa VALFILM situada na Zona Franca de Manaus sem destaque do IPI, alega que é direito inalienável seu se apropriar dos créditos do IPI calculados sobre as operações oriundas da Zona Franca de Manaus, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/9, no princípio da nãocumulatividade e na jurisprudência do STF [RE 212.484/RS], que inclusive reconheceu a repercussão geral da matéria no RE 592.891; · argumenta, quanto aos questionamentos acerca da classificação fiscal e a alegada insuficiência na descrição do produto na nota fiscal emitida pelo fornecedor VALFILM que possibilitasse a verificação da atribuição correta da classificação fiscal da mercadoria: i) não existe tal impossibilidade, uma vez que o elemento determinante na identificação do produto é a classificação fiscal inserida na nota fiscal, que no caso é a 3923.30.00, que segundo informa a fornecedora referese a preformas PET sem rosca, cuja alíquota atribuída na TIPI é 15%; ii) por intermédio do Acórdão 1435769, de 08/10/2010, a 8ª Turma da DRJ/RPO, no julgamento do processo 16045.000480/200715, decidiu que o produto esboço de garrafa plástica PET, ou preforma, não munido de rosca, não deve ser classificado no EX 01 da subposição 3923.30.00 conforme levantado pela AFRFB na presente autuação; Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.493 5 · acrescenta que, ante a constatação acima, não é de se admitir a suposição de que a alíquota de 15% utilizada para o creditamento se refira à alíquota incidente nas saídas e nem mesmo a alíquota genérica, como afirma a fiscalização; tratase da alíquota prevista para o produto classificado na posição 3923.30.00, inserida na nota fiscal da fornecedora VALFILM, equivalente a 15% segundo a TIPI/2002; · esclarece que referido produto goza da isenção regional atribuída aos produtos industrializados na Zona franca de Manaus e comercializados em qualquer ponto do Território Nacional, com fulcro no art. 9º do DL nº 288/67 e art. 1º da Lei nº 8387/91, incorporados no art. 69II do RIPI/2002; · pondera que, ao contrário do que supõe a Fiscalização, não existe posicionamento contrário do STF negando créditos de produtos isentos originários da Zona Franca de Manaus; que as decisões nos RE 370.682 e 353.657 referemse a créditos originários de insumos não tributados ou alíquota zero; que o RE 566.819 cuida do crédito da diferença por aplicação de alíquota menor e isenção de caráter geral e não da isenção regional outorgada a produtos da Zona Franca de Manaus e, portanto, prevalece até o momento a decisão do STF no RE 212.4842/RS, eis que a mesma reportase especificamente a crédito de IPI de produto saído da Zona Franca de Manaus sob regime de isenção; · destaca o reconhecimento da repercussão geral, pelo STF, no julgamento do RE 592.891, atinente ao direito de crédito do IPI na entrada de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus e argumenta que “isso tudo converge ao entendimento de que a Impugnante agiu regularmente ao apropriarse do crédito presumido calculado sobre as compras da empresa VALFILM AMAZÔNIA estabelecida na Zona Franca de Manaus” e que “a alíquota aplicada no cálculo dos créditos é aquela que seria devida se os produtos não estivessem isentos, que é de 15%, conforme determina a TIPI”; · argumenta que o direito de crédito do IPI sobre os produtos isentos da Zona Franca de Manaus, com fulcro no art. 69II do RIPI/2002 decorre do basilar princípio da nãocumulatividade; · pondera que “diferentemente do ICMS, em relação ao IPI o texto constitucional não estabelece qualquer restrição, ressalva ou limitação ao direito de crédito que emerge do princípio da nãocumulatividade”, levando a concluir que, “a isenção do IPI na operação anterior não inibe o aproveitamento do crédito (presumido) para compensação com o montante devido nas operações seguintes”; · menciona e reproduz doutrina e jurisprudência (administrativa e judicial) favoráveis à sua tese, destacando, uma vez mais, a decisão do STF no RE 212.4842/RS, no sentido de que “a aquisição de insumos beneficiados com isenção do IPI dá ao adquirente direito de crédito, na sua escrita fiscal, correspondente ao montante do imposto que teria sido cobrado se a isenção não houvesse sido concedida”; · reforça que, “o crédito presumido de insumos isentos originários da ZFM é baseado no princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto tal como prescrito na Carta Magna (art. 153, §3º, II) e proclamado pelo E. Supremo Tribunal Federal no RE nº 212.4842/RS; Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.494 6 pelo TRF da 3ª Região, e inclusive pelo então Segundo Conselho de Contribuintes, conforme os acórdãos transcritos acima e, como se viu, referendado pela doutrina de renomados juristas”. · requer, ao final, “seja julgado improcedente o auto de infração e extinto o crédito tributário em constituição e, se assim não for, que seja acolhida a decadência arguida, conforme plenamente justificado na presente impugnação”. O acórdão nº 0957.855, da 3ª Turma da DRJ/JFA, indeferiu a pretensão da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 I GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE É o saldo devedor do IPI apurado do confronto escritural no RAIPI que se torna passível de, se não pago/compensado/confessado, conformarse, por meio do lançamento de ofício, em crédito tributário da União, elemento este que compõe o objeto do instituto da decadência no âmbito tributário. Assim, a decadência operase sobre o saldo devedor do IPI e não sobre cada qual dos créditos escriturais não admitidos pela legislação tributária, indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo e pontualmente glosados pelo Fisco. II CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI, e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Pede o sobrestamento do processo administrativo fiscal até decisão final de mérito no RE nº 592.891; Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.495 7 · Aponta a nulidade do auto de infração, por impossibilidade de glosa de créditos anteriormente objeto de pedidos de compensação regularmente formalizados; · Alega a decadência do direito de reconstituição da escrita fiscal e da glosa de créditos para o período de janeiro a junho de 2007; · Defende a legalidade do creditamento de IPI de aquisições da empresa Valfilm Amazônia, localizada na Zona Franca de Manaus, sob isenção fiscal. Entende que agiu corretamente na apuração dos créditos de IPI ao aplicar a alíquota prevista para o produto classificado no código 3923.3000 (classificação fiscal inserida nas notas fiscais da Valfilm Amazônia), no percentual de 15% segundo a tabela TIPI, que seria devida se os produtos não estivessem com isenção regional. Ressalta que é equivocada a alegação da DRJ de não existir posicionamento assentado do STF sobre a possibilidade de crédito em relação a aquisições de insumos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, uma vez que, instado a se manifestar após o RE n° 212.4842/RS, o tribunal reconheceu repercussão geral do tema, que aguarda julgamento. Requer ao final, integral provimento do recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, para o fim de determinar o cancelamento do auto de infração, reconhecendose a decadência em relação ao período de janeiro a junho de 2007 e a legitimidade do crédito de IPI relativo às aquisições de produtos com isenção da empresa Valfilm, sediada na Zona Franca de Manaus. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Os principais pontos controvertidos nestes autos são: a ocorrência de decadência do direito de glosar os créditos escriturais do IPI para o período de janeiro a junho de 2007, base no parágrafo 4º do art. 150, do CTN e, a glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI, da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., situada na Zona Franca de Manaus. Nulidade do auto de infração, glosa de créditos objeto de pedidos de compensação Alega a Recorrente que o auto de infração é nulo ab initio, uma vez que a fiscalização glosou os créditos de IPI que formaram o saldo credor objeto dos pedidos eletrônicos de ressarcimento e declarações de compensação, devidamente transmitidos, então essa análise tem rito próprio estabelecido no art. 74 da Lei n° 9.430/96, que deve ser observado. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.496 8 Não vislumbro nulidade no auto de infração, pois diante da constatação decorrente do trabalho da auditoria fiscal, se o contribuinte apropriouse de créditos não autorizados pelo RIPI, então a autoridade fiscal deve glosar esses créditos e proceder a reescrita fiscal da empresa e, havendo saldo devedor, este se tornará exigível após sua constituição pelo auto de infração, observado o disposto no art. 142 do CTN. E ainda, não se observa outras nulidades do auto de infração, uma vez que ausente qualquer violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Decadência do Direito de Glosar Créditos Escriturais A Recorrente alega a ocorrência da decadência do direito do Fisco de glosar os créditos de IPI regularmente apropriados em decorrência das aquisições de insumos para emprego na industrialização e de reconstituir a escrita fiscal relativamente ao período de janeiro a junho/2007. Salienta que a glosa de créditos corresponde ao lançamento do crédito tributário nos termos do art. 150 e §§, do CTN, por isso deve ser aplicado o prazo do parágrafo 4º, dessa forma, como a notificação do auto de infração se deu em 17/07/2012, não seria mais possível as glosas referentes aos meses de janeiro a junho de 2007. Ressaltese que para o período de janeiro a junho/2007, a glosa dos créditos não gerou saldos devedores passíveis de serem constituídos mediante lançamento de ofício, então entende a empresa que mesmo essa auditoria não mais poderia ter sido efetuada, por força da decadência. Entendo que não há razão nesse argumento. Explico. Diferese a glosa de crédito escritural e reescrita fiscal, de constituição do crédito tributário pelo lançamento. A glosa decorre de créditos escriturais não admitidos pelo RIPI, mas que foram utilizados pelo contribuinte na sua escrita fiscal atinente à apuração do IPI sob a égide da nãocumulatividade. Já a constituição do crédito tributário referese à exigibilidade do pagamento do saldo devedor do IPI, o qual foi apurado na escrita fiscal do RAIPI, mas não espontaneamente pago ou compensado (DCOMP) ou confessado (mediante DCTF). A constituição do crédito tributário pelo lançamento é que deve se dar no prazo de 5 anos. Se da glosa dos créditos escriturados resultar a apuração de saldos devedores, estes serão passíveis de exigência mediante lançamento de ofício se relativos aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário foi tratada pelo STJ, no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no qual se pacificou que a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento lançamento por homologação regese pelo art.150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.497 9 o do art.173, I, do CTN, ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Dessa forma, a decadência operase em relação ao crédito tributário decorrente da existência de saldo devedor do IPI apurado no RAIPI e não em relação à glosa de ofício dos créditos escriturais indevidos. Nesse sentido: Acórdão CARF nº 3403003.172 DECADÊNCIA.TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do §4º do art.150 do CTN. Acórdão CARF nº 3403003537 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA A decadência fulmina o direito de a fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. Ressaltese que o prazo para homologação da compensação declarada (DCOMP) pela autoridade fiscal, é aquele prescrito no § 5º, do art.74 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando que o art. 150 do CTN não se aplica ao direito da administração de glosar os créditos escriturais indevidos do IPI, deve ser afastada a preliminar de decadência das glosas do período de janeiro a junho de 2007. Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.498 10 se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência), então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI: IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.499 11 por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.500 12 pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou: TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.501 13 Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403 003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 19515.721546/201278 Acórdão n.º 3301003.626 S3C3T1 Fl. 1.502 14 Sala de Sessões, 23 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1503DF CARF MF
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Numero do processo: 36378.004484/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 22/10/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP RECLAMATÓRIAS
TRABALHISTAS E CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULOS EMPREGATÍCIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 22/10/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO
DE VÍNCULO EMPREGATÍCIOS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP MULTA
RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.587
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/10/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIOS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36378.004484/200629 Acórdão n.º 240101.587 S2C4T1 Fl. 472 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.091 da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 455 a 458. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 22/10/2004. Os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram entre as competências 06/2003 a 05/2004. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP a exposição dos empregados aos agentes nocivos – aposentadoria especial de 25 anos. no período compreendido entre as competências junho/2003 a 05/2004, conforme relatório fiscal. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.189 a 201. Foi emitido DespachoDecisório, fls. 391 a 394, retificando o valor da multa aplicada. Devidamente cientificada a recorrente aditou a defesa às fls. 403 a 419. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 422 a 426, determinando a procedência da autuação. Inconformada com o resultado do julgamento, a empresa apresentou recurso às fls. 432 a 447. Alega em síntese: Equivoco no enquadramento legal da infração, tendo sido aplicado para o mesmo fato, duas faltas,tendo o auto sido separado por períodos, contudo corresponde a uma única falta. A multa ainda encontrase indevida, uma vez que o mero erro de código, nada tem a ver com o fato gerador, assim a multa pela entrega da GFIP com dados não correspondentes ao fato gerador não alcança a falta praticada pelo recorrente. Não pode existir pena sem prévia cominação legal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A não inserção dos dados referidos não ocorreu por desídia ou negligência da recorrente, mas à sua absoluta convicção de que nenhum dos empregados encontra se exposto a ruído superior ao limite de tolerância, portanto indevida a multa. A recorrente já foi autuada e devidamente penalizada por não declarar/recolher a contribuição adicional incidente sobre os riscos ambientais do trabalho, o que evidentemente impede seja novamente punida pelo mesmo motivo. Não cabe a fiscalização fracionar a conduta da contribuinte para, à título de uma suposta inobservância de dever acessório (que não houve) extrair novas infrações. O recorrente provará que os requisitos legais necessários a não incidência de contribuição adicional para aposentadoria especial foram cumpridos. Se o trabalhador está protegido contra ruído externo superior ao limite de tolerância e contra os agentes químicos porventura existentes, é óbvio que ele não fará jus à aposentadoria especial. Antes o exposto requer a reforma da decisão de primeiro grau, para que julgue nula a autuação e cancele a multa aplicada. A Receita Previdenciária apresentou contrarazões, adotando os mesmos argumentos já descritos na Decisão Notificação. É o relatório. A DRFB prestou informações no sentido de que a NFLD 35.524.8115, Processo 37.172.001315/200525, encontrase no âmbito deste Conselho e portanto encontrase impossibilitada de dar cumprimento a diligência, para prestação das informações requeridas. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36378.004484/200629 Acórdão n.º 240101.587 S2C4T1 Fl. 473 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em se tratando de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenhome de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Argumenta o recorrente que equivocado encontrase o enquadramento legal da infração, tendo sido aplicado para o mesmo fato, duas penalidades ,tendo o auto sido separado por períodos, contudo corresponde a uma única falta. Neste ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. A aplicação de penalidades distintas remete aos instruções normativas previdenciárias, que destacam autuações distintas para cada um dos períodos. Assim não agiu a autoridade fiscal no intuito de onerar o contribuinte ou mesmo penalizálo em excesso, posto que sua atividade é vinculada. Este argumento já restou devidamente esclarecido pela autoridade julgadora, fl. 424. Em decorrência da infração cometida, fica a infratora sujeita a multa no valor de R$ 435.086,40 nos termos do art. 32, IV, §5°, da Lei 8212/91, acrescentado pela Lei 9528/ e inciso II do art. 284 (com redação dada pelo Decreto 4729/2003) e art.373, ambos do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Portaria MPS 479, publicada no DOU de 10/05/2004. Correspondendo a 100% das contribuições para a Seguridade social, devidas e não declaradas, observados os limites previstos no §4° do art. 32, da mesma lei. Com as alterações introduzidas no inciso II do art. 284 do RPS pelo Decreto 4729/2003, as informações incorretas nos campos da GFIP que reduzem o valor das contribuições apuradas, como no caso da presente autuação, que anteriormente consistiam em infração ao art. 32, IV, §6° da lei 8212/91, acrescentado pela lei 9528/97 (Cod. 69) passaram a ser incluidas entre as infrações capituladas no art. 32, IV, §5° da mesma lei (Cod. 68). Assim, com base no entendimento manifestado pelaAdministração Previdenciária, a fiscalização lavrou duas autuações pelas infrações cometidas, sendo uma fundamentada no art. 32, IV §6°, da Lei 8212/91, acrescentado pela lei 9528/97 (cod. 69) para o período de 04/1999 a 05/2003 e outra com fundamento no art. 32, IV, §5° da lei 8212/91 com redação dada pela lei 9528/97 cod. 68) para as competências posteriores a 06/2003 a 05/2004. Portanto, nçao merece acolhida o pedido de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 cancelamento de um dos AI (35.524.8158) ou (35.524.8131), pois embora o fato que ensejou a lavratura seja o mesmo, a infração foi dividida em dois períodos, para fins de aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte relativa ao período anterior ao Decreto 4729/2003. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, ou descumprimento de obrigação acessória, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito e/ou Auto de Infração, de forma vinculada. DO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência a decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fezse imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a improcedência da multa aplicada, entendo tratarse de duas punições para o mesmo fato, bem como destacar que a não informação deuse face o contribuinte entender não existirem empregados expostos a agentes nocivos. Contudo, não há como prosperar a alegação do recorrente, tendo em vista, ser a legislação previdenciária é clara no sentido de que os fatos geradores de contribuições devem ser devidamente informados em GFIP. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36378.004484/200629 Acórdão n.º 240101.587 S2C4T1 Fl. 474 7 primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. Também não há que se confundir a obrigação principal, que é o não pagamento da alíquota adicional para os empregados que estavam expostos aos agentes nocivos, que constitui obrigação principal, com a obrigação acessória de informar em GFIP dita exposição. Nesse sentido, cumprenos, por fim, apenas apreciar a procedência da autuação a luz do resultado dos demais lançamentos realizados durante o procedimento fiscal, lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento, mais especificamente NFLD 35.524.8115, Processo 37.172.001315/200525. No caso, observase os resultados proferidos nos acórdãos 20600542 e no acórdão 240201038 que acolheu embargos para reratificar a decisão. Assim, no julgamento observase a procedência da NFLD quanto a exposição a agentes nocivos, devendo neste ter sido prestada a informação em GFIP de acordo com os termos da NFLD. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36378.004484/200629 Acórdão n.º 240101.587 S2C4T1 Fl. 475 9 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10865.720170/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO.
Declara-se nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação.
Numero da decisão: 1401-001.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão da DRJ e avançar no mérito em relação ao conhecimento de documentos considerados intempestivos pela primeira instância.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão da DRJ e avançar no mérito em relação ao conhecimento de documentos considerados intempestivos pela primeira instância. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 01 70 /2 01 4- 00 Fl. 1778DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 1267.824 15ª Turma da DRJ/RJ1 que por unanimidade, e nos termos do voto do Relator, negou provimento à impugnação da Interessada, para: a) indeferir o pedido de realização de diligência; e b) no mérito, julgou procedentes os lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 8.461.124,40, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 3.388.463,26, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 986.624,22, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINs, no valor de R$ 4.553.650,27, todos acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente. Em suma as acusações fiscais foram: Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 3 a 56 e Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 57 a 76), foram apurados os fatos abaixo descritos. Foram lançadas as seguintes infrações: i Ausência de declaração de receitas na DCTF em confronto com a DIPJ, sendo autuados o 2º, o 3º e o 4º trimestre do anocalendário de 2009. ii Omissão de receita bruta de revenda de mercadorias. Arbitramento. Anocalendário de 2011. iii Omissão de receita nãooperacional ocorrida em 03/03/2011. O contribuinte apresentou, em 30/08/2010, a DIPJ ref. ao A/C 2009 (arquivamento ND 0000898524); em 08/07/2011, a DIPJ ref. ao A/C 2010 (arquivamento ND 0001418739); e em 26/06/2012, a DIPJ ref. ao A/C 2011 (arquivamento ND 0001445629), tendo feito a opção nos três períodos pelo regime de tributação sob a forma do Lucro Real. Nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), o PIS e COFINS foram apresentados no regime não cumulativo. O fiscalizado apresentou DCTF consignando valores zerados para 2009 a 2011. Entretanto, apurouse, no anocalendário 2010, recolhimentos efetuados através de DARF de IRPJ e CSLL, pagos/recolhidos por estimativas em levantamento do balanço de suspensão. Em virtude dessa situação esses pagamentos pelos DARF ficam disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil sem as devidas alocações. Através de processo administrativo eletrônico n° 10865.720284/201441 serão efetuadas as correções necessárias. Por intermédio do Termo de Início e Intimação Fiscal de 04/04/2013, a fiscalizada foi intimada a apresentar: Procuração do representante da empresa, cópia do último Contrato Social vigente e Alterações posteriores, elaborar, em papel e em meio magnético, com as devidas explicações, demonstrativo analítico que justifique as divergências verificadas nos montantes de receita bruta declaradas nas GIA à Receita Estadual, do período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011 com as Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401001.869 S1C4T1 Fl. 1.779 3 declarações: DIPJ, DCTF, e balancetes contábeis dos anos calendário 2009, 2010 e 2011; Livro de Registro de Apuração do ICMS dos anoscalendário de 2009 a 2011; planilhas ou arquivos em meio magnéticos, Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR Parte A e B), inclusive dos balanços e balancetes de monitoramento das estimativas mensais de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2011; arquivos magnéticos da escrituração contábil, dos anoscalendário 2009 a 2011; apresentar demonstrativo analítico e explicações pertinentes referentes aos ajustes de acordo com o Regime Tributário de Transição (RTT — Lei 11.638/2008). Foram apresentados somente os seguintes documentos: 1. Procuração do Representante Legal da Empresa; 2. Cópia do último Contrato Social e alterações posteriores; 3. Livro de Saídas 2010 e 2011; 4. Livro de Apuração de ICMS 2010 e 2011; 5. Demonstrativo analítico e explicações pertinentes referentes aos ajustes, de acordo com o Regime Tributário de Transição (RTT Lei 11.638/2008). Na mesma data, apresentou documento intitulado "Justificativa Contabilidade 2009" e anexos contendo as justificativas da não apresentação da contabilidade do ano calendário de 2009, e solícita prorrogação de prazo. Foi constatado o cumprimento parcial das obrigações acessórias, onde demonstrase a inexistência de apresentação da contabilidade com dados necessários à apuração dos tributos e contribuições do anocalendário de 2011, de acordo com artigo 265 do RIR/1999, ficando sujeita à apuração do lucro arbitrado pela fiscalização nesse período. Anocalendário 2009 IRPJ Após análise da documentação entregue, informações contidas na DIPJ com as da DCTF, verificouse que a fiscalizada declarou valores a pagar de IRPJ na DIPJ, relativamente aos seguintes trimestres/2009: 2° trimestre R$ 22.488,55 3º trimestre R$ 6.815.23 e 4º trimestre R$ 190.803.65. No entanto, constatouse a ausência dessas quantias declaradas na DCTF, as quais serão lançadas de ofício, com base no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. Anocalendário 2009 CSLL Os valores das bases de cálculo apurados pela fiscalizada, e declarados na DIPJ do A/C 2009, referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foram os seguintes: 2º trimestre = R$ 113.954,20; 3º trimestre = R$ 45.434,84 e 4º trimestre = R$ 787.214,61. Estes valores deixaram de ser declarados em DCTF. Assim sendo, essas quantias serão lançadas de ofício. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS DE NATUREZA CONTÁBIL E FISCAL À FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835, DE 2001) Falta dos livros fiscais e registros contábeis – Anocalendário 2011 De acordo com o art. 11 da Lei n° 8218/1991 as pessoas jurídicas ficam obrigadas a manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos Fl. 1780DF CARF MF 4 arquivos digitais e sistemas. A fiscalizada utilizou sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros e elaborar documentos de natureza contábil e fiscal e foi intimada à apresentação (item 8 do Termo de Intimação n° 001/2013) do período de janeiro a dezembro de 2011. Conforme ficou constatado em consulta à Escrituração Contábil Digital (ECD), embora tenha sido entregue pela fiscalizada a contabilidade referente ao ano calendário 2011 na data 29/06/2012, verificouse pela fiscalização, em consulta "Situação de Escrituração Contábil" no Sped (Sistema público de Escrituração Digital) e baixa da contabilidade no aplicativo da Receita Federal "Contagil", a omissão de prestação de informações fiscais e contábeis, impossibilitando a apuração dos tributos e contribuições. Falta de apresentação do LALUR – Anocalendário 2011 De acordo com o art. 260 do RIR/1999, inciso III, o Livro de Apuração do Lucro Real é obrigatório para a pessoa jurídica fiscalizada. Entretanto, ainda que intimada a apresentálo conforme item da Intimação Fiscal n° 001/2013 deixou de entregálo e impedindo a fiscalização de verificar as operações que influenciaram, direta e indiretamente, imediata ou futuramente, a composição da base de cálculo e o valor devido do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2011. Segundo o artigo 258 do RIR/99 é obrigatório o uso de Livro Diário, em que serão lançados, dia a dia, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica. O § 4o do citado artigo estabelece que os livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. O artigo 259 preceitua que a pessoa jurídica deverá manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou sub conta, os lançamentos efetuados no Diário. Além disso, deverá possuir o Lalur, no qual deverão ser lançados os ajustes do lucro líquido do período de apuração e ser transcrita a demonstração do lucro real, servindo também para o registro e controle de outras circunstâncias que afetarão os resultados fiscais, na forma prevista pelos artigos 260, inciso III, e 262 do aludido Decreto. Portanto, a base de cálculo do IRPJ do anocalendário 2011 será apurada em conformidade com a sistemática do Lucro Arbitrado, seguindo os mandamentos contidos no artigo 1ºda Lei 9.430/96 e na alínea "a" do inciso II do artigo 47 da Lei 8.981/95 c/c art. 530 do RIR/99. Conforme disposto nos artigos 519 e 532 do RIR/99, e considerando a receita bruta conhecida através da apresentação dos livros de Registro de Apuração de ICMS Saídas, bem como apurado nas Gias estaduais entregues pela fiscalizada apensados no presente processo eletrônico, procedeuse o arbitramento, aplicandose os percentuais do IRPJ e CSLL acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Registrese que foram deduzidas dos faturamentos mensais as devoluções de produtos, segundo Gias apresentadas. PIS E COFINS ANOCALENDÁRIO 2011 Conforme dispõe os art. 4º e 8º da Lei 10637/2002; arts. 5º e 10 da Lei n°. 10833/2003, o regime da nãocumulatividade para o PIS e COFINS aplicase às Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401001.869 S1C4T1 Fl. 1.780 5 pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real, seja trimestral ou anual. Conforme já explicado, foi feita a apuração do lucro pelo regime de arbitramento, em razão do não atendimento integral da Intimação n° 001/2013. Assim será efetuado o lançamento das contribuições PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, no ano calendário 2011. APURAÇÃO DE RECEITA NÃOOPERACIONAL ÁGIO De acordo com o artigo 442 do Decreto n° 3.000/1999, o ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinados à formação de reservas de capital, não será computado na determinação do lucro real. A interpretação literal do art. 111 do CTN leva a concluir que a isenção fiscal aplicase exclusivamente para as sociedades por ações tributadas pelo lucro real, portanto, outras formas de tributação não gozam da isenção fiscal. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 024/2013/006, a fiscalizada foi intimada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade do recebimento da quantia de R$ 18.500.000,00 recebida da empresa Insight Participações Ltda, referente à integralização e subscrição de ações, e apresentou a seguinte documentação: Procuração, Documento de encaminhamento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP; duas folhas de extratos bancários do Banco Itaú S/A; Ata de Assembléia Geral Extraordinária datada de 02/03/2011; Estatuto Social da Kabum Comércio Eletrônico S.A., com registro na Jucesp e Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 06/08/2013. Após análise do extrato bancário, constatouse que o valor de R$ 18.500.000,00 foi depositado na conta corrente da fiscalizada n° 264675, agência 0279, do Banco Itaú S/A, na data de 03/03/2011 – Lançamento TED 745.0001 DJCPE: Tal sigla se refere à empresa DJCPE Empreendimentos e Participações S.A., CNPJ n° 12.771.260/000176, constituída na data de 25/10/2010 e, conforme alteração do Estatuto Social, registro na Jucesp sob n° 057.234/115 em 22/09/2011 sessão 09/02/2011, sua razão social passouse a Insiqht Participações S.A. Documentos indicam que R$ 11.613,00 foram destinados para o Capital Social e R$ 18.488.387,00 destinados a Reserva de Capital no ano de 2011 A norma é dirigida a sociedades anônimas tributadas pelo Lucro Real. Considerando que a fiscalizada está sendo tributada pelo Lucro Arbitrado, por falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis (Art. 530 do RIR/1999), o ágio recebido na emissão das ações constitui receita não operacional que deve ser acrescida ao resultado para fins de apuração da base de cálculo. Assim, o valor recebido pela fiscalizada a título de ágio na emissão de ações no valor de R$ 18.488.387,00, foi tributado para fins de incidência do IRPJ e da CSLL. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Em face do exposto, foram lançados de ofício, relativamente ao ano calendário de 2009, os valores de IRPJ e CSLL apurados na DIPJ e não informados em DCTF. Fl. 1782DF CARF MF 6 Já no anocalendário de 2011, foram exigidos IRPJ e CSLL, com base no lucro arbitrado, além de PIS e COFINS pelo regime cumulativo. O lucro arbitrado foi obtido a partir da receita bruta operacional conhecida, tributandose, também, ainda a receita não operacional referente ao ágio na emissão de ações. Apreciada as impugnação, o lançamento foi mantido integralmente, uma vez que o acórdão DRJ considerou preclusos os documentos referidos na peça impugnatória, entendeu desnecessária a realização de diligência e no mérito verificou a existência de IRPJ (ano calendário 2009) a pagar, apurado na DIPJ, sem que tenha havido o respectivo pagamento ou confissão do débito em DCTF, manteve o arbitramento relativo ao IRPJ (ano calendário 2011) tendo considerada imprestável a escrituração apresentada pelo contribuinte, consignando ainda que a não tributação do ágio na emissão de ações só se dá na sistemática de apuração pelo lucro real e uma vez arbitrado o lucro, o ágio deve ser considerado na base de cálculo do imposto. Sob os mesmos fundamentos, mantiveramse os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS e mantida a multa de ofício em 75%. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, no qual levanta preliminar de nulidade da decisão da DRJ pela falta da análise das provas tempestivamente juntadas repisa os argumentos da impugnação, reforçando em sede de memorais: a) o equívoco do lançamento ao adotar o procedimento de arbitramento para o ano de 2011; b) Da equivocada indicação do valor registrado contabilmente como reserva de capital para compor integralmente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar Falta de apreciação de elementos de prova A recorrente aponta flagrante nulidade na decisão de piso, por ter ela deixado de apreciar os documentos apresentados por ocasião da defesa administrativa. Os documentos considerados preclusos são os presentes nos autos às fls. 704 a 1332, arquivos nominados: 1 Speed Contábil; 2 Comparação DIPJxBalancete; 3 Balancete 2011; 4 Demonstração CSLL 2011; 5 LALUR 2011; 6 DIPJ 2009 e 2011; 7 DACON 2011; 8 DCTF 2009 e 2010 e; 9 RECIBO SVA. A decisão da DRJ deixou de conhecêlos sob argumento de que o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, introduzido pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997, condicionou a aceitação de prova documental, após a impugnação, aos casos de força maior, fato ou direito superveniente e, ainda, para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. A Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401001.869 S1C4T1 Fl. 1.781 7 juntada de documentos, nesse caso, deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, fundamentadamente, a ocorrência de uma dessas condições. Conforme demonstrado nos autos a impugnação foi protocolizada em 20.03.2014, e os documentos apontados como preclusos foram recebidos pela autoridade fiscal via mídia digital CD em 24.03.2014, tendo ambos sido certificados como tempestivos pela autoridade fiscal que recebeu tais documentos conforme demonstra Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1333 em conjunto com os Despachos de Encaminhamento de fls. 1342 e 1344. Em seu Recurso, a Recorrente esclarece o ocorrido com os seguintes dizeres: "Para aqueles que atuam diariamente junto aos CACs e Delegacias da Receita, o que ocorreu nesse processo, especificamente no protocolo da Impugnação, é questão costumeira. Antes do protocolo digital havia a regra citada no Recurso COAEF 01 DE 24/01/2014 que tinha por matriz a IN 1412/2013. Por primeiro é certo que tais regras INTERNAS da RFB não podem de modo algum, restringir ou diminuir o direito à ampla defesa do contribuinte. Tanto isso é verdade que era praxe nos CACs ou Delegacias que fosse feito o protocolo e, apenas posteriormente o funcionário verificaria se a digitalização estava correta (em algumas Delegacias continuouse a fazer a digitalização dos documentos pela própria RFB, e em muitos casos, a digitalização não era feita no momento do protocolo e sim posteriormente) e se tivesse algum problema, o contribuinte era chamado a substituir o CD. O que aconteceu nesse caso foi isso: a Recorrente levou para protocolo a Impugnação e os documentos. A RFB – pela DRF de Limeira – recebeu a Impugnação e os documentos de representação processual e devolveu os demais documentos impressos determinando que fossem passados para o CD nos termos da Norma COAEF 01/2014 e de forma alguma, fazendo qualquer termo de perempção. Na sequência a Recorrente levou o CD. O CD, conforme informou o servidor, ainda não estava de acordo com a citada Norma, sendo que no dia 24/03, a Recorrente entregou um novo CD que foi conferido e por estar regular teve o seu conteúdo inserido no PAF, sem qualquer ressalva e sendo atestada a tempestividade da juntada da documentação. Assim, não há que se alegar preclusão dos documentos". Por isso, com base nos esclarecimentos trazidos pela Recorrente, respaldados pelos Despachos de Encaminhamento que certificam a tempestividade tanto da Impugnação, como dos documentos recebidos pela autoridade fiscal e anexados aos autos via mídia digital CD, afasto o argumento da preclusão apontado na decisão recorrida, quando esquivouse a analisálos e ratifico a tempestividade já atestada pela autoridade fiscal que os recebeu e determinou seu processamento, sendo de rigor que estes autos sejam remetidos à origem para sua análise, sob pena de nulidade. Não bastassem tais argumentos, ainda que se tratase intempestiva a prova, em prol da verdade material, não poderia a DRJ se esquivar de analisar os documentos trazidos aos autos pela Recorrente em momento precedente ao julgamento de 1a. Instancia. Fl. 1784DF CARF MF 8 Isto porque, aduz a Recorrente que a prova da regularidade de sua contabilidade apta a afastar a causa do arbitramento esta nos documentos de fls. fls. 704 a 1332, arquivos nominados: 1 Speed Contábil; 2 Comparação DIPJxBalancete; 3 Balancete 2011; 4 Demonstração CSLL 2011; 5 LALUR 2011; 6 DIPJ 2009 e 2011; 7 DACON 2011; 8 DCTF 2009 e 2010 e; 9 RECIBO SVA, que não foram analisados por terem sido considerados preclusos. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que o órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Acórdão nº 2301003.742– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401001.869 S1C4T1 Fl. 1.782 9 Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa e em prol da verdade material, aceito referidos documentos, sendo necessário o retorno dos autos à DRJ para sua apreciação. Diante dos elementos dos autos, temse claro que a omissão do julgador na apreciação de elementos de prova trazidos pelo sujeito passivo ao processo administrativo, quando da apresentação da impugnação, configura negativa de prestação jurisdicional, acarretando cerceamento de defesa decorrente da falta de análise de argumentos essenciais quanto à matéria controvertida, em flagrante prejuízo concreto à parte. Por outro lado, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveita a declaração de nulidade do ato administrativo, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato (art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Entretanto, o estágio atual de instrução dos autos não contribui para tal medida de economia processual, dado inexistir certeza de uma decisão integralmente favorável à recorrente. É que, sem prejuízo de avaliação percuciente e definitiva a respeito da necessidade de elementos adicionais de convicção para o deslinde da controvérsia, verifico que os documentos carreados pela recorrente à Impugnação, ainda que via CD, entregue no 3o. dia seguinte ao protoloco na repartição, por própria orientação da autoridade fiscal que recepcionou os documentos. Até porque, os documentos mencionados na peça impugnatória e constantes na mídia digital, quais sejam: 1 Speed Contábil; 2 Comparação DIPJxBalancete; 3 Balancete 2011; 4 Demonstração CSLL 2011; 5 LALUR 2011; 6 DIPJ 2009 e 2011; 7 DACON 2011; 8 DCTF 2009 e 2010 e; 9 RECIBO SVA, são imprescindíveis ao deslinde da controvérsia posta a respeito da legitimidade do procedimento do arbitramento e demonstração da sua causa, ou seja, a imprestabilidade da contabilidade da autuada. Torna se inviável, portanto, a apreciação da matéria controvertida em sede recursal, antes da prévia manifestação da autoridade "a quo" sobre os documentos contábeis anexados pelo contribuinte, que apontam a presença de fortes indícios no que diz respeito ao aproveitamento de sua contabilidade para fins de tributação pelo lucro real. Vale também destacar que da análise do conteúdo da Súmula 59 do CARF, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal, importa considerar que os julgadores de 1ª. Instância teriam que ter analisado as provas trazidas junto à Impugnação até para constatar se eram provas que deveriam ter sido apresentadas no curso da fiscalização, o que, efetivamente, não foi feito, ou se seriam provas que indicariam que o arbitramento não era cabível ao caso. E, uma vez que os documentos juntados regularmente pelo Recorrente não foram analisados, a decisão de 1ª. Instância é nula de pleno direito. Fl. 1786DF CARF MF 10 Ainda, nem se cogite de que não há nulidade porque no Acórdão é mencionado que os documentos do processo (sem os juntados pelo Recorrente) seriam suficientes para o julgamento da questão. Assim, assiste razão à recorrente quando sustenta que o julgador tem o dever de analisar todas as provas trazidas pelas partes, sob pena de nulidade, ainda que para demonstrar que eles não teriam o condão de alterar o lançamento, mas os documentos tem que ser analisados. O artigo 59 do Decreto 70.235/72 é expresso em afirmar que são nulos os despachos e as decisões proferidos com preterição ao direito de defesa. Tal providência, além de prestigiar o duplo grau de jurisdição no âmbito do contencioso administrativo, possibilitará ao contribuinte, caso lhe seja novamente desfavorável a decisão de primeira instância, a interposição de recurso voluntário com os eventuais acréscimos de provas documentais pertinentes à comprovação do que vem alegando. Neste sentido, Acórdão CARF 2401004.389 da 4a. CAM/ 1a. TO/ 2a Seção em 14/06/2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os comprovantes de pagamento anexados pelo impugnante com a finalidade de contraporse à pretensão fiscal de glosa de despesas médicas, acarretando a conduta do julgador "a quo" prejuízo concreto ao sujeito passivo. Decisão anulada Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em seu lugar, apreciando, dessa vez, os documentos contábeis apresentados tempestivamente pela recorrente por ocasião de sua impugnação e que dariam suporte a sua tributação na sistemática do Lucro Real. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento declarando a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas à apreciação de todas as questões ventiladas Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401001.869 S1C4T1 Fl. 1.783 11 na impugnação do sujeito passivo, cotejandoas com as provas anexadas via mídia digital CD em momento sequencial ao protocolo da Impugnação. É como voto (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 1788DF CARF MF
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