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Numero do processo: 10680.910379/2010-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 39 1 38 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910379/201090 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.786 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAGGA AUTO PECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 79 /2 01 0- 90 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910379/201090 Acórdão n.º 3801002.786 S3TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511444 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 13, referente ao PER/DCOMP nº 42377.59447.250107.1.3.040540 (doc. de fls. 712). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.559,61, representado por Darf recolhido em 15/03/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 29/02/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 14/05/2004; que o mesmo foi recolhido em 13/02/2004 no valor de R$ 3286,61; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 727,00, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910379/201090 Acórdão n.º 3801002.786 S3TE01 Fl. 41 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910379/201090 Acórdão n.º 3801002.786 S3TE01 Fl. 42 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 29/02/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910379/201090 Acórdão n.º 3801002.786 S3TE01 Fl. 43 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900878/2008-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2003
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 78 /2 00 8- 88 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 154 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 155 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 156 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 157 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 158 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900878/200888 Acórdão n.º 9303002.479 CSRFT3 Fl. 159 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13971.001953/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/04/2002 a 16/12/2004
Ementa:
VOTO VENCEDOR. DECLARAÇÃO DE VOTO EM MATÉRIA VENCIDA. Não há contradição no Acórdão se o voto vencedor, além de abordar a matéria para a qual foi designado, expedir interpretação acerca das demais matérias julgadas, ainda que tenha ficado vencido, quando tal circunstância ficou evidenciada na parte dispositiva do Acórdão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO IMPROVIDOS
Numero da decisão: 3101-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos embargos de declaração.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Macahdo, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 04/04/2002 a 16/12/2004 Ementa: VOTO VENCEDOR. DECLARAÇÃO DE VOTO EM MATÉRIA VENCIDA. Não há contradição no Acórdão se o voto vencedor, além de abordar a matéria para a qual foi designado, expedir interpretação acerca das demais matérias julgadas, ainda que tenha ficado vencido, quando tal circunstância ficou evidenciada na parte dispositiva do Acórdão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO IMPROVIDOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/04/2002 a 16/12/2004 Ementa: VOTO VENCEDOR. DECLARAÇÃO DE VOTO EM MATÉRIA VENCIDA. Não há contradição no Acórdão se o voto vencedor, além de abordar a matéria para a qual foi designado, expedir interpretação acerca das demais matérias julgadas, ainda que tenha ficado vencido, quando tal circunstância ficou evidenciada na parte dispositiva do Acórdão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO IMPROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos embargos de declaração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Macahdo, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 53 /2 00 5- 72 Fl. 12394DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Contribuinte Recorrente que alega não terem sido respondidas as alegações formuladas nos primeiros embargos de declaração opostos, em especial no que concerne à alegada contradição / omissão em relação à legitimidade passiva da Embargante, cujo voto deste Relator Designado ao interpretar “que o lançamento comporta equívoco insuperável, uma vez que, de acordo com os fatos ocorridos e relatados, a Recorrente não poderia ter sido objetivada diretamente como contribuinte do fato jurídico tributável, mas sim como responsável” estaria contraditório com a parte dispositiva do Acórdão, tendo ocorrido “error injudicando”. Alega, ter havido omissão quanto a tributação das empresas excluídas do pólo passivo, uma vez que deixou de se manifestar quanto aos reflexos tributários decorrentes da exclusão das demais empresas do pólo passivo deste processo administrativo. Por fim, aduz que houve omissão quanto à irregularidade na Valoração Aduaneira dos produtos importados, uma vez que o Colegiado não apreciou a relação de pertinência entre os valores aduaneiros fixados pelo Fisco e os documentos que forneceram os subsídios materiais a tal valoração. Entende que em suas razões de recurso demonstrou que os valores existentes no ‘‘sistema informatizado da Receita’, são exatamente aqueles anotados nos sites dos fabricantes (MSRP – preço máximo sugerido para a venda final, no varejo)”. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo As questões trazidas nos embargos de declaração cuidam de matéria já apreciada e não comportam reapreciação nesta instância. A título de esclarecimento, haja vista a informalidade cabível no processo administrativo fiscal. Quanto à alegada contradição do voto vencedor, é certo que no exercício da função judicante o Conselheiro pode e deve expressamente expor sua posição acerca das matérias julgadas. Nesse sentido é que o Relator, designado para fazer o voto vencedor para exclusão da exigência do tributo e da multa proporcional, pertinentes a fatos geradores ocorridos até 30.12.2003, exigidos cumulativamente com a multa do artigo 463 do RIPI 1998, não estava vencido para expor os motivos pelo qual entendia pelo provimento do Recurso, ainda que tivesse sido vencido nesse ponto, conforme expressamente indicado na parte dispositiva do Acórdão. Assim, ainda que o voto vencedor aborde outras matérias é importante salientar que o Acórdão é resultado decorrente do voto dos Conselheiros e pode não alcançar ou acolher o conteúdo do voto do Conselheiro na parte em que ficou vencido. Quanto à alegada omissão na manifestação do Colegiado sobre os reflexos tributários decorrentes da exclusão das demais empresas do pólo passivo do processo, cumpre esclarecer que, considerando que tais empresas não foram intimadas, a questão não é relativa à Fl. 12395DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001953/200572 Acórdão n.º 3101001.384 S3C1T1 Fl. 12.395 3 exclusão, mas da não integração. Ora, se tais empresas sequer integraram o pólo passivo da demanda, não há que se cogitar a manifestação do Colegiado sobre terceiro que não participaram do feito. Por fim, no que se refere à valoração aduaneira, o acórdão expôs a interpretação dos fatos e do direito atinentes à matéria, não tendo ocorrido omissão. Qualquer insurgência será cabível em juízo de revisão da instância ad quem. Diante do imposto, NEGO PROVIMENTO aos Embargos de Declaração. Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 12396DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10435.720148/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS.
Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS. Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 11 25.722, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação, PER/DCOMP n° 25618.92528.140606.1.1.099422 (fls. 01/04), de 14/06/2006, visando o Ressarcimento de crédito da Cofins não — cumulativa Exportação, relativo ao 4° trimestre de 2005, no valor de R$ 143.490,72 (cento e quarenta e três mil, quatrocentos e noventa reais e setenta e dois centavos). 2. O Despacho Decisório n° 516 de 10.10.2007 (fl. 78) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, com fulcro em Parecer Fiscal (fls. 72/77), decidiu DEFERIR PARCIALMENTE o PER/DCOMP n° 25618.92528.140606.1.1.099422, no valor de R$ 93.804,28 (noventa e três mil, oitocentos e quatro reais e vinte e oito centavos). 3. Cientificada de tal decisão, em 26/09/2008 (fl. 87), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 90/96), de 28/10/2008, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. a contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, pertencente ao sistema agroindustrial de bovinocultura de corte, tendo por objeto social a industrialização e a comercialização de couros e peles; 3.2. para atingir seus objetivos, adquire o seu principal insumo — couro — diretamente de pessoas físicas, em percentual bem próximo da integralidade das aquisições. Em tal contexto, as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 trazem a instituição da sistemática do PIS/Cofins não — cumulativos, as quais permitem que a base de cálculo de tais contribuições seja reduzida em virtude dos créditos sobre insumos, custos e despesas incorridos ou pagos à pessoa jurídica domiciliada no país; 3.3. entretanto, o art. 3 0, § 3°, inciso I, das referidas leis ao dispor que darão direito de crédito apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, restou por vedar, expressamente, o creditamento da Cofins e PIS nas aquisições de produtos de pessoas físicas; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 10435.720148/200610 Acórdão n.º 310201.097 S3C1T2 Fl. 155 3 3.4. ocorre que dita vedação ao direito de crédito não está em conformidade com a Constituição Federal, que atribui às contribuições PIS/Cofins o princípio da não — cumulatividade, que, na hipótese estabelecida no nível constitucional, não permite que haja restrições ao direito de abatimento, senão as previstas no texto constitucional; 3.5. tal afirmativa não se trata de mero exercício de argumentação, porquanto a Emenda Constitucional n° 42/2003, quando criou o sistema de não — cumulatividade para as contribuições incidentes sobre faturamento e receita bruta, permite, tão — somente, que a lei infraconstitucional apenas defina os setores para os quais será aplicado tal princípio; 3.6. ou seja, a norma infraconstitucional pode apenas definir quais grupos de contribuintes estão sujeitos à não — cumulatividade, não podendo restringir o direito de crédito decorrente de tal princípio; 3.7. não se pode admitir o provável argumento de que a CF tornou a nãocumulatividade das contribuições PIS/Cofins um instrumento de escopo extrafiscal, stando proceder a leitura do art. 195, § 12 da CF; 3.8. se o legislador constituinte nada dispôs a respeito de limitações à não —cumulatividade estabelecida para essas contribuições, não pode o legislador infraconstitucional fazêlo sem qualquer autorização para tanto. Ao contribuinte é assegurada a não — cumulatividade plena, vedada qualquer limitação, não podendo a novel legislação beneficiar poucos segmentos econômicos em detrimento de outros, em clara ofensa a inúmeros princípios, em especial o da isonomia tributária; 3.9. reitera que o § 12 do artigo 195, da Constituição Federal não previu hipóteses de restrição de crédito quanto a insumos ou bens adquiridos de pessoas físicas, não podendo as leis n° 10.637/02 e 10.833/03 assim prever, restringindo o alcance da norma constitucional, razão pela qual a vedação de crédito nesta hipótese tornase manifestamente inconstitucional; 3.10. os produtores rurais, pessoas físicas, adquirem diversos insumos para obter o couro, todos sujeitos à incidência de PIS/Cofins, os quais evidentemente oneram os custos dos produtores pessoas físicas, sem poder ser transferido aos adquirentes do couro, logo, não havendo a possibilidade de crédito na espécie, está sendo violado, novamente, o princípio da não —cumulatividade, instituído pela Emenda Constitucional n° 42/03, o qual deve ser observado em todas as etapas do processo produtivo; 3.11. se for eliminada a possibilidade de aproveitamento, estar seia anulando o sistema não — cumulativo, pois o setor agroindustrial de curtume suportaria maior ônus tributário, pela absorção de grande de seus créditos de PIS e Cofins; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 4 3.12. requer a reconsideração do Despacho Decisório e o deferimento da totalidade do pedido de ressarcimento. Ao apreciar o feito, a DRJ de Recife/PE, como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: no que se refere as argüições de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 teriam extrapolado suas competências ao vedar, sem que a Constituição Federal assim o fizesse ou outorgasse poderes a tanto, a tomada de créditos sobre as aquisições de pessoas físicas, deixou de se manifestar suscitando limitação regimental à análise quanto a constitucionalidade de leis e atos normativos; que o contribuinte não se enquadraria na hipótese do §5o, do art. 3o, da Lei n.º 10.833/2003, que assegura crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas àquelas empresas produtoras de bens destinados à alimentação humana ou animal. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Da análise detida da peça recursal do contribuinte fica claro que toda a sua argumentação está no sentido de que a legislação de regência da Cofins não cumulativa, no caso, a Lei n.º 10.833/2003, ao vedar o crédito sobre as aquisições empreendidas às pessoas físicas, teria ido de encontro ao sentido da não cumulatividade da contribuição desenhada no texto constitucional. Enfim, o acatamento da pretensão do recorrente perpassaria necessariamente pelo afastamento da regra do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003 sob o pálio de sêla inconstitucional, o que é vedado ao CARF por limitações regimentais, ex vi do art. 62 do seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O tema também merece enunciado sumular, assim vazado: Súmula n.º 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da análise infraconstitucional do tema, não resta dúvidas que outra interpretação não merece ser extraída do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003, senão a de que apenas as aquisições de pessoas jurídicas ensejarão o direito ao crédito. Por consectário, as aquisições de pessoas físicas estariam vedadas. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 10435.720148/200610 Acórdão n.º 310201.097 S3C1T2 Fl. 156 5 Chamese a atenção de que o legislador criou exceções a esta regra geral, quando pelo §5o do mesmo artigo 3o acima citado assegurou crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas ao produtor de bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, em clara demonstração de que quando pretendeu o legislador conferir o crédito na hipótese versada o fez. Isto posto, nego provimento ao presente recurso voluntário em prestígio à Súmula n º 2 do CARF. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915508/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância.
PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE.
O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 73 1 72 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.915508/201149 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.241 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente CÁPSULA CINEMATOGRÁFICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OABRS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 55 08 /2 01 1- 49 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de processo constituído para tratamento de DComp eletrônica que utiliza crédito de pagamento a maior ou indevido de Cofins, no valor de R$ 468,01, do total pago em DARF de R$ 719,58, referente ao mês de março de 2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a Compensação sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada a empresa, em síntese, alegou que o débito de Cofins relativo ao período de apuração de 03/2003 não corresponde ao DARF de pagamento. Entende que apesar de ter informado em DCTF que o valor efetivamente apurado estava de acordo com o despacho decisório da DRF, a existência do crédito independe dos valores informados em suas declarações. Aduziu que as DCTFs não são documentos legitimadores do crédito, pois isso poderia causar distorções. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre referiu que o despacho decisório está de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo recolhido via DARF, e que para contrapor tais dados verificou que a Manifestante não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Aduziu, ainda, que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da Cofins são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DCTF E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, e o recolhimento em DARF, estão de acordo com o valor considerado pela DRF jurisdicionante. Cientificada da decisão em 16 de agosto de 2013, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 13 de setembro de 2013, em que: a) reclama pela nulidade da decisão recorrida por não ter o Colegiado promovido a instrução do processo mediante solicitação/intimação à Manifestante para apresentação dos documentos contábeis/fiscais que comprovassem o montante das receitas que haveriam de lhe conferir o direito ao crédito utilizado na DComp; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.915508/201149 Acórdão n.º 3803005.241 S3TE03 Fl. 74 3 b) no mérito, inova no argumento trazido na manifestação de inconformidade pretendendo a reprodução no presente julgamento da decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62A do RI/CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de Nulidade No voto condutor o Julgador a quo mencionou, de forma expressa, a necessidade de anexação dos elementos de verificação e mensuração do reclamado direito, consubstanciados na escrita contábil e fiscal. De fato, a decisão proferida por meio de despacho decisório eletrônico suprime a manifestação esclarecedora prévia do contribuinte, em resposta a intimação. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 elucida todas as providências que o contribuinte inconformado com o despacho decisório deve tomar na feitura da sua defesa, inclusive determinando a anexação das provas que possuir. Nada obstante isso dado ser o primeiro esclarecimento que presta há situações em que os elementos de prova colacionados na defesa possam ser insuficientes ao juízo do julgador de primeira instância e, por isso, ao invés de permitir a complementação das provas, por meio de diligência, pode ocorrer que julgue pelo desprovimento da manifestação de inconformidade. Por essa razão e com arrimo no princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal , não se tratando de processo de determinação e exigência de crédito tributário, não se deve levar a extremo o princípio da preclusão da prova. Contudo, para afastálo é imperioso que o recorrente preencha a lacuna da sua defesa, conforme apontado pela decisão de primeira instância, suprindo o recurso voluntário com as provas que possuir e, de preferência, se necessário, de acordo com a conformação da causa, aparelhandoo com demonstração gráfica do direito em disputa. A decisão de primeiro grau já lhe deve dar esse norte, de modo a poder o recorrente aprumar a sua defesa. Somente diante de provas cabais com que instrumentalizar o recurso poderia o julgador de segunda instância propugnar: (i) pelo seu provimento, se abraçasse tese distinta da decisão recorrida ou diante de causa madura, na hipótese de mérito não apreciado na primeira instância; (ii) pela anulação da decisão de primeiro grau para apreciação do mérito, caso este não o tenha sido. Não é o que se dá neste processo, em que o recurso voluntário novamente não se fez acompanhar das provas do direito alegado. É dever do inconformado com decisão administrativa juntar à sua defesa as provas que possuir, segundo o ditame da norma que regula, em específico, o processo administrativo fiscal, segundo disposição do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Esta norma mandamental não é ofuscada pela norma genérica do art. 29 da Lei nº 9.784/99[1] (que regula a atividade de instrução pertinente à Administração, para tomada de decisões, seja de ofício ou por impulsão do órgão responsável pelo processo), que não possui um comando para a Administração, sobretudo quando a decisão em meio eletrônico se dá sobre as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte. Não resta, pois, configurado o direito à ampla defesa, que daria ensejo à nulidade da decisão. De mais a mais, restaria ineficaz a decretação de nulidade de decisão de piso, vez que a questão da prova é prejudicada pelo direcionamento dado à decisão. Ante o exposto, rejeito a preliminar. Mérito Na manifestação de inconformidade a Manifestante nada aduz acerca da origem do seu crédito perante a RFB. E como não trouxe elementos de prova a decisão de piso ficou circunscrita à questão da falta de prova do alegado. No recurso voluntário, a Recorrente vem sustentar que o crédito utilizado na DComp sob análise decorre de pagamento indevido de Cofins vinculado a receitas de cessão de uso de fonogramas, que por sua natureza não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição, valores pagos que estão regidos pela sistemática de apuração cumulativa, prevista na Lei nº 9.718/98. Tal questão não foi prequestionada perante o órgão julgador de primeira instância, tendo precluído o direito de a Recorrente apresentála em grau de recurso. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.915508/201149 Acórdão n.º 3803005.241 S3TE03 Fl. 75 5 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.908021/2011-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 80 21 /2 01 1- 88 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908021/201188 Acórdão n.º 3801002.782 S3TE01 Fl. 68 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 930818892 emitido eletronicamente em 04/05/11, fls. 42, referente ao PER/DCOMP nº 11266.75925.300707.1.3.040591 (doc. de fls. 4346). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.094,89, representado por Darf recolhido em 12/11/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/10/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 14/02/2005; que o mesmo foi recolhido em 12/11/2004 no valor de R$ 4062,60; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 967,71, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908021/201188 Acórdão n.º 3801002.782 S3TE01 Fl. 69 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908021/201188 Acórdão n.º 3801002.782 S3TE01 Fl. 70 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/10/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908021/201188 Acórdão n.º 3801002.782 S3TE01 Fl. 71 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002558/00-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.096
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/lª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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Numero do processo: 10730.005550/2003-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - É necessária a qualificação e individualização da conduta nos tipos dos artigos 71, 72, e 73 da Lei 4.502/64. A tipificação e individualização deve se reportar aos fatos ocorridos no respectivo período de apuração do tributo cujo lançamento se acompanhou da imputação de multa qualificada.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. MAJORAÇÃO. CABIMENTO.
O não atendimento a reiteradas intimações fiscais, mesmo diante do alerta de que a sua desatenção poderia ter como conseqüência a majoração da multa de ofício, por embaraço à fiscalização, evidenciando absoluto descaso quanto aos trabalhos a serem desenvolvidos pela autoridade fiscal, enseja a majoração da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, declarar, de oficio, a decadência da Cofins/CSLL para fatos geradores até 30/11/1998. 2) Por voto de qualidade, restabelecer a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Relatora designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. 3) Por voto de qualidade, restabelecer a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Lima Júnior, que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Oliveira de Eduardo Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
(assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sergio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Júnior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plinio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, declarar, de oficio, a decadência da Cofins/CSLL para fatos geradores até 30/11/1998. 2) Por voto de qualidade, restabelecer a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Relatora designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. 3) Por voto de qualidade, restabelecer a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Lima Júnior, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Oliveira de Eduardo Santos - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sergio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Júnior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plinio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É necessária a qualificação e individualização da conduta nos tipos dos artigos 71, 72, e 73 da Lei 4.502/64. A tipificação e individualização deve se reportar aos fatos ocorridos no respectivo período de apuração do tributo cujo lançamento se acompanhou da imputação de multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. MAJORAÇÃO. CABIMENTO. O não atendimento a reiteradas intimações fiscais, mesmo diante do alerta de que a sua desatenção poderia ter como conseqüência a majoração da multa de ofício, por embaraço à fiscalização, evidenciando absoluto descaso quanto aos trabalhos a serem desenvolvidos pela autoridade fiscal, enseja a majoração da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, declarar, de oficio, a decadência da Cofins/CSLL para fatos geradores até 30/11/1998. 2) Por voto de qualidade, restabelecer a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Relatora designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. 3) Por voto de qualidade, restabelecer a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Lima Júnior, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 55 50 /2 00 3- 85 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 Luiz Oliveira de Eduardo Santos Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sergio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Júnior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plinio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN (fls. 542/573), com espeque no art. 7º, inciso I, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007, cujo dispositivo dispõe que cabe recurso especial da PFN de decisão não unânime da Câmara quando "for contrária à lei ou à evidência de prova". Os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 26/12/2003, conforme AR de fls. 313, referindose a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 2002, relativos ao IRPJ e CSL (apuração trimestral nos cinco anos fiscalizados), PIS e COFINS. O acórdão recorrido, na parte submetida à apreciação deste Colegiado, está assim ementado (fls. 511 e 512): (...). ARBITRAMENTO DOS LUCROS NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS DEDUÇÃO DOS VALORES INFORMADOS NA DIPJ A falta de apresentação, pelo sujeito passivo, de seus livros e documentos fiscais implica na hipótese legal de arbitramento dos lucros, computandose tanto as receitas declaradas espontaneamente como aquelas apuradas por presunção legal, a teor do art. 42 da Lei n° 9.430/96. De se observar, ainda, que o Fisco, ao efetuar o lançamento deduziu o imposto espontaneamente declarado pelo contribuinte. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS COFINS – CSL Por uma relação direta de causa e efeito, o decidido no lançamento principal se estende aos lançamentos conexos, que devem ser mantidos em sua íntegra. IRPJ PIS DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação Fl. 624DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 624 3 impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração acontecido em 26 de dezembro de 2003, cabível a decadência suscitada para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998. MULTA QUALIFICADA – APLICAÇÃO LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL Incabível a qualificação da multa de ofício quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa exacerbada. TRANSFERÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A TERCEIRO NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que as pessoas sejam consideradas "laranjas" pela fiscalização, não encontra fundamento legal para aplicação da multa qualificada de 150% do inciso II do art. 44 da Lei 9430/96, pois não pode ser considerada como fraude relativa ao fato gerador. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Incabível o agravamento da multa de ofício, quando o contribuinte não exibe à fiscalização os livros comerciais e fiscais que amparariam a tributação com base no lucro presumido e que foi o motivo do arbitramento do lucro por parte da autoridade lançadora. O que justifica o agravamento da multa de ofício é o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, não a prestação de forma insatisfatória na apresentação de livros contábeis e fiscais. Para embasar a acusação fiscal, de que teria sido simulada a alienação para terceiros de quotas do capital da empresa, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de fls. 14 a 35, do qual, pela sua extensão e ilustração fotográfica, extraio as partes que descrevo em nota de rodapé1. 1 Os autuantes desconsideraram o instrumento de alteração de contrato social (fIs. 239/245), registrado na Junta Comercial em 15/01/2001, por meio do qual foi formalizada a mudança de endereço da sede social e da filial e a retirada dos três sócios da empresa, Moysés Liberman, Lídia Serebrenick e Eduardo Liberman cedendo de forma onerosa suas quotas para dois novos sócios: Conceição Ferrreira Chagas Ramos (Santiago) e Dondinho Moreira da Silva, passando cada um a ser titular de 50.000 quotas no valor de R$ 50.000,00). Entendeu, pois, a fiscalização, que a alteração do contrato social teria correspondido a uma simulação, em face dos seguintes dados obtidos por meio da investigação fiscal: a empresa não existia no novo endereço constante do instrumento de alteração contratual e nos cadastros da Receita Federal (fls. 18/23 e 219); Fl. 625DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 4 Aduz a recorrente (PFN) que foram contrariados os dispositivos do art. 44, II, e seu § 2º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, no art. 45 da Lei 8212/91 que dispõe o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais para a seguridade social, e no art. 135 do CTN. O recurso especial logrou seguimento apenas quanto à argüida contrariedade ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996, consoante Despacho nº 108292009, de 12/02/2009 (fls. 595), nos termos a seguir: A PFN alega que o acórdão atacado teria contrariado o art. 44 da Lei n° 9.430/96, ao desqualificar a multa. Assim, contrariado "em tese" a lei admito o recurso nesta parte. Quanto à contrariedade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, não admito seguimento por conta da súmula do STF. A recorrente discorreu a respeito da qualificação da multa de ofício bem como da sua majoração, fazendo ver que teria ocorrido casos típicos de sonegação fiscal e de conluio, ex vi dos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Ao justificar as razões expendidas acerca do agravamento da multa de ofício qualificada, a recorrente deduziu que no presente caso ocorrera seu fato gerador, representado pelo não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos no prazo marcado, porquanto as intimações teriam se estendido por um período de sete meses (dezembro de 2002 até junho de 2003), cujo espaço de tempo teria sido mais do que suficiente para que os livros e documentos contábeis fossem providenciados, assim como prestados os esclarecimentos devidos. No entender da recorrente a Câmara a quo julgou que, por ter a autoridade fiscal procedido ao arbitramento do lucro, não caberia a aplicação da multa agravada, entendimento que reputa equivocado, porquanto o correto seria a decisão a quo fazer a distinção entre a hipótese de incidência da norma que prevê tributo (art. 47, III, da Lei nº 8.981/1995), e a hipótese de incidência da norma que prevê multa (art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996), mencionando, a título de exemplo, o Acórdão CSRF/010.017. o instrumento de alteração do contrato social referese a Conceição Ferreira Chagas Ramos (inexistente nos cadastros da SRF) no texto inicial e na cláusula quarta e a Conceição Ferreira Santiago na página em que constam as assinaturas dos envolvidos (fls. 239/245), sendo o CPF atribuído no documento ao primeiro pertencente ao segundo (Santiago); os pretensos novos sócios têm o seu domicílio fiscal em áreas de difícil acesso, caracterizadas notoriamente como áreas de risco (Morro do Tuiuti e Vila do Cruzeiro); impossibilidade material das pessoas físicas Dondinho Moreira da Silva e Conceição Ferreira Santiago serem quotistas da interessada, tendo em vista o apurado nas tentativas de diligências em seus endereços e o que consta nos cadastros da Receita Federal sobre as suas declarações de rendimentos, além da falta de registro de veículos em seus nomes no Sistema Renavam, da falta de registro de movimentação financeira considerada como fato gerador de CPMF e da sua incapacidade financeira para suportar o ônus do pagamento das quotas que montaram a R$ 100.000,00; os números de CPF das pretensas testemunhas constantes do documento de alteração contratual são inexistentes; à alusão no documento de duas pessoas físicas distintas representando uma só (Conceição Ferreira Chagas Ramos, inexistente nos cadastros da Receita, e Conceição Ferreira Santiago, que assina tal documento). o Sr. Eduardo Liberman consta como representante da interessada tanto nas DIPJ 1999, 2000 e 2001 como também nas DIPJ 2002 e 2003; na documentação enviada, em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira, pelo Banco Safra, constam cópias de cheques emitidos pela interessada em datas posteriores à alegada alteração contratual nos quais a assinatura corresponde à da pessoa física Moisés Liberman. A autoridade fiscal concluiu , por fim, que os sócios de fato da interessada seriam as pessoas físicas constantes do quadro societário da empresa no contrato social original e suas válidas alterações, vale dizer Moisés Liberman, Lídia Serebrenick e Eduardo Liberman, responsáveis pelo crédito tributário constituído de ofício. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 625 5 Argüiu a recorrente, ainda, que a hipótese de incidência do tributo é distinta da hipótese que impõe a aplicação da multa agravada. Conclui que a aplicação do arbitramento como forma de apuração dos resultados da pessoa jurídica não exclui a possibilidade de a multa agravada também ser aplicável, se ao caso for cabível. Portanto, ocorridos os fatos dispostos nas leis acima citadas, ocorreria, ao mesmo tempo, o arbitramento e a cobrança da multa agravada, sem que se possa falar que o arbitramento exclui a multa, pois não há previsão legal neste sentido. Conclui a recorrente que (fls. 572/573): i) é evidente que a Recorrida, dolosamente, não informou ao Fisco as receitas de sua atividade, de forma reiterada, nos anos calendário de 1998 a 2002; ii) os sócios da pessoa jurídica fiscalizada praticaram a situação prevista no art. 71, II, c/c art. 73 da Lei nº 4.502/64.; iii) a partir de 2001, praticaram ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; iv) os sócios da fiscalizada pretenderam, consciente e voluntariamente, que a autoridade tributária não tivesse conhecimento de suas condições pessoais (sócios efetivos da pessoa jurídica autuada) suscetíveis de afetar o crédito tributário correspondente (impossibilidade de responsabilização dos verdadeiros sócios pelo inadimplemento da obrigação tributária), razão pela qual devem ser mantidas a qualificação da multa e a responsabilidade tributária; v) a multa por não atendimento à fiscalização está baseada em dispositivo legal plenamente aplicável, fundamentada também em artigos do próprio Código Tributário Nacional, é plenamente aceita pela doutrina e pela jurisprudência destes Conselhos de Contribuintes, não sendo cabível deixar de aplicála, quando está plenamente configurado o seu fato gerador, como acontece no caso em análise; e vi) (...). A recorrida ofereceu contrarrazões ao recurso especial em 05/06/2009 (fls. 589/591), pugnando pela manutenção do acórdão guerreado e, ainda, pelo parcelamento da dívida, no prazo de 180 meses, por ser de direito. É o relatório. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. O recurso especial preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante Despacho nº 108292009, de 12/02/2009 (fls. 595), devendo ser conhecido. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento no então vigente art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contrapõese à decisão da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão 108 09.361, por entender que essa decisão foi contrária à lei ao conceder a redução da multa de ofício de 112,50% para 75%, relativa aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1998 a 2000, que fora majorada em virtude da falta de atendimento às intimações fiscais, bem como ao reduzir essa mesma multa de 225% para 75%, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro de 2001 a dezembro de 2002 que, além de majorada, fora qualificada. A Câmara a quo decidiu ainda pela caducidade dos lançamentos referentes ao IRPJ e ao PIS, relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/11/1998, em face de a ciência dos autos de infração ter ocorrido em 26/12/2003, portanto após o transcurso do prazo qüinqüenal, considerandoos como sendo lançamentos por homologação e regendose, portanto, pela regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Essa matéria não logrou seguimento a esta CSRF, em face de a recorrente haver argüido contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91, já superada por Súmula do STF2. A decisão em causa foi proclamada nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e reconhecer a decadência de IRPJ e PIS relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/11/98. Vêse, pois, que a maioria do Colegiado decidiu pela desqualificação da multa de ofício, bem como pela sua desoneração, as quais tinham sido lançadas respectivamente nos percentuais de 225% e 112,5%, sendo ambas reduzidas para 75%, em todos os períodos fiscalizados. A autuada fizera a opção pelo lucro presumido. No entanto, em razão de não ter apresentado os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termos lavrados no curso da ação fiscal, teve seu lucro arbitrado da seguinte forma: · com base em depósitos bancários de origem não comprovada, à alíquota de 9,6%, nos trimestres encerrados em 31/03/1998 a 31/12/2002 (item 1 do auto de infração), e 2 O recurso foi equivocado, porquanto essa contrariedade somente poderia ser arguida se a decadência fosse em relação às Contribuições CSL e COFINS, cujos lançamentos não foram considerados decaídos pela decisão recorrida muito possivelmente em face do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 626 7 · com base em receitas operacionais, à alíquota de 9,6%, referentes à revenda de mercadorias, já declaradas nas DIPJ dos exercícios 1999 a 2002, relativas aos trimestres encerrados em 31/03/1998 a 31/12/2002 (item 2 do auto de infração). Como já informado, a multa de ofício foi majorada em todo o período fiscalizado, pelo não atendimento às intimações da autoridade fiscal, sendo que sobre o imposto apurado nos períodos de 31/03/1998 a 31/12/2000 essa multa foi da ordem de 112,5% (multa de oficio de 75% agravada) e, a partir de janeiro de 2001, trimestres encerrados em 31/03/2001 a 31/12/2002, foi também qualificada, aplicandose a alíquota de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, entendendo a fiscalização que a alteração contratual realizada em 2001, objetivando a inclusão de novos sócios, fora ato simulado, sendo essa a razão que ensejou sua elevação para 225%. O arbitramento do lucro foi realizado com fulcro no inciso III do art. 530, do RIR/99. Feita essa descrição dos fatos, passo à sua apreciação, iniciando pela análise do agravamento da multa de ofício, de 75% para 112,5%, lançada em relação a todos os períodos fiscalizados, em razão do não atendimento às intimações fiscais com vistas à apresentação dos livros da sua escrituração e de outros elementos necessários à realização da auditoria fiscal. Neste ponto, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada, porquanto não se trata de mera falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais, mas de não atendimento a reiteradas intimações e até mesmo de descaso às investidas da autoridade fiscal na penosa busca empreendida para a localização dos seus responsáveis, consoante se pode extrair da descrição contida no Termo de Constatação Fiscal de fls. 14 a 35. Importante ressaltar que nas repetidas intimações a fiscalização fez ver que o não cumprimento ao que se estava solicitando poderia ter como conseqüência a majoração da multa de ofício, por embaraço à fiscalização, alerta que de nada serviu para que fosse dispensada a atenção que, por lei, é obrigatória para o desenvolvimento da ação fiscal. Referindome agora à decadência dos lançamentos efetuados sobre fatos geradores ocorridos até 30/11/1998, tendo a ciência dos autos de infração ocorrido em 26/12/2003, a Câmara recorrida, por maioria, adotou o entendimento de que o IRPJ inserese entre os tributos cuja modalidade de lançamento é definida pelo CTN no art. 150. Vale dizer, lançamento por homologação, onde se leva em consideração a data da ocorrência do fato gerador do tributo. Eis os fundamentos do voto vencedor: ...“já há algum tempo, por conveniência da administração tributária, por facilitar os procedimentos arrecadatórios e pelo ingresso mais célere dos recursos, a quase totalidade dos tributos passou a submeterse àquele regime de constituição do crédito tributário conhecido como lançamento por homologação. Como se percebe, o termo inicial da contagem do quinquênio decadencial passa a ser o momento da ocorrência de cada fato gerador que venha a ensejar o nascimento da obrigação tributária. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 8 A condição necessária para tal enquadramento, representada pela existência de pagamento antecipado, encontrase implementada pela apuração e o recolhimento do imposto a pagar sobre o lucro presumido e também das Contribuições CSL, PIS e COFINS, consoante declarações (DIPJ) referentes aos anos calendário de 1998, 1999 e 2000 e extratos de fls. 102/218. Sendo assim, estando confirmada a antecipação do pagamento e tendo a contribuinte sido cientificada dos autos de infração em 26/12/2003, conforme aviso de recebimento de fls. 313, considero que os fatos geradores ocorridos no período de 03/1998 a 11/1998 estão realmente alcançados pela decadência. Ressaltese que estamos tratando de agravamento da multa efetuada por falta de atendimento aos pedidos reiterados de elementos necessários à realização do trabalho fiscal, não da sua qualificação pela prática de infração tipificada como dolosa. Essa observação fazse necessária em face de a recorrente ter colocado ambas as situações no mesmo nível de gravidade, com vistas a justificar a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, I, do CTN, conforme se infere dos excertos do seu recurso a seguir transcritos (fls. 548/549): 15. Em primeiro lugar, não há a menor dúvida de que a contribuinte, ao não informar suas receitas ao Fisco, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Tal fato restou provado nos autos, e, salientese, foi confirmado no r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo. (...). 18. Com efeito, é evidente que a mera declaração inexata não significa prova de evidente intuito de sonegar tributo. O evidente intuito corresponde ao dolo de sonegar, que existe quando o agente omite, de forma voluntária e consciente, receitas, declarações e informações ao Fisco. Entretanto, essa decadência deve ser admitida também quanto às Contribuições CSL e COFINS, já que a situação é idêntica ao ocorrido com o IRPJ e o PIS, ou seja, houve recolhimentos e os fatos geradores ocorreram nos mesmos períodos. Verificase que o já referido engano da recorrente (consignado no início deste voto na nota de rodapé nº 2) fica evidenciado, porquanto a decisão recorrida não considerara decaídos esses lançamentos, muito provavelmente, em face de, àquela época, ainda estar sendo discutida a constitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Sendo assim, submeto, de ofício, essa extensão da caducidade, para considerar decaídos também os lançamentos das citadas contribuições CSL e COFINS com fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998 (a ciência dos autos de infração deuse em 26/12/2003). Refirome, agora, à qualificação da multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2001, compreendendo os trimestres civis de 03/2001 a 12/2002, a qual fora agravada de 75% para 150%. O acórdão recorrido entendeu que não ficou caracterizada a situação de conduta dolosa praticada pela empresa que motivasse a qualificação da multa de oficio no percentual de 150%, arguindo que o fato apurado teve por base a utilização de presunção legal, uma prova indireta, relativa à omissão de receitas por falta de comprovação da origem dos depósitos em conta corrente bancária da autuada, constante do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Dessa forma, por se tratar de presunção, seria incabível a aplicação da multa exacerbada, já que, para sua qualificação, a autoridade fiscal deveria ter identificado e comprovado a ocorrência de dolo, Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 627 9 fraude ou simulação, elementos que seriam de difícil caracterização no caso de lançamento fundamentado em prova indiciária. Assevera que esse é o entendimento que se extrai da Súmula Carf nº 25, conforme segue: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A propósito, peço vênia para transcrever excerto do voto vencedor da decisão recorrida, a cujos fundamentos me associo, conforme segue (fls. 534 e 535): (...). Além disso, não se sustenta a fundamentação adotada pelos auditores autuantes para a imposição da multa qualificada, a simulação da transferência da empresa para terceiros (laranjas) para que os sócios de fato escapassem da responsabilização por dívidas fiscais, porque neste caso estaria ocorrendo uma fraude à execução do crédito tributário pelo direcionamento da cobrança para não responsáveis, impossibilitados economicamente de arcar com os pagamentos, e não uma fraude na caracterização do fato gerador, esta sim sujeita à multa exacerbada de 150%. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já analisou a matéria, concluindo pela impossibilidade da qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. Esse posicionamento está expresso pela seguinte ementa: "Acórdão n°: CSRF/0105.435 TRANSFERÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A TERCEIRO NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas "laranjas" pela fiscalização, não encontra fundamento legal para aplicação da multa qualificada de 150% do inciso II do art. 44 da Lei 9430/96, pois não pode ser considerada como fraude relativa ao fato gerador.” Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, restabelecendo a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, e, de ofício, considerar decaídos também os lançamentos referentes à CSL e à COFINS sobre fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos necessários à sua admissibilidade, consoante Despacho nº 108292009, de 12/02/2009 (fls. 595), pelo que dele tomo conhecimento. Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de decisão contrária à lei ou à evidência de prova. Conforme resultado de julgamento, fiquei vencida quanto ao agravamento da penalidade, portanto, nessa parte prevaleceu entendimento do voto do Conselheiro Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, assim como quanto as demais matérias, inclusive a preliminar. De outra parte, o Conselheiro Relator ficou vencido quanto à qualificação da penalidade, sendo que nessa parte, sem arranhar o brilhantismo do seu voto, fui designada para redigir o voto vencedor, o qual reitero, restringese à qualificação da multa de ofício. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe3. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas4 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em 3 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 4 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 628 11 decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Afirmase que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não Fl. 633DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 12 impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido5. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse ponto, para a falta de pagamento do imposto aplicase a responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do Código Tributário Nacional: “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Sobre este aspecto, nunca é demais lembrar que a mera falta de pagamento de tributo não é crime, tampouco ato doloso. Arrematando a questão, o saudoso Ministro Aliomar Baleeiro6 também pugna pela responsabilidade pessoal do agente por infrações decorrentes de dolo específico, firmando o seguinte entendimento: “RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. Em princípio, a responsabilidade tributária por infrações da legislação fiscal cabe ao contribuinte ou ao coresponsável, como tais definidos no CTN Mas este, como vimos, em certos casos taxativos, também a estende a terceiros os arts. 134 e 135). Em certos casos especiais, a responsabilidade será de quem cometeu a infração o agente sem que nela se envolva o contribuinte ou sujeito passivo da obrigação tributária. Isso acontece, em princípio, quando o ato do agente também se dirige contra o representado ou quando se reveste de dolo específico. O CTN distingue três hipóteses. A primeira é a de a falta constituir ao mesmo tempo um crime ou contravenção penal. Mas, nesse caso, também, responde o contribuinte fiscalmente, se o agente estava no exercício regular de administração, 5 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. 6 Arquivo Judiciário 71/10, Revista Forense 115/143, in Trabalhos da Comissão Especial do CódigoTributário Nacional, Ministério da Fazenda, 1954. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 629 13 mandato, função, emprego ou no cumprimento de ordem expressa de quem podia expedila. No terceiro caso, há diferentes hipóteses de o agente ter praticado atos contra os seus representados, mandantes, preponentes, patrões, etc. seria demais punilos quando já são vítimas e culpa não revelaram nas faltas dos prepostos. Mas entendase: a responsabilidade é exclusiva do agente quanto aos efeitos das infrações (multa, inclusive moratória, se se apossou dos fundos do mandante ou patrão e correção monetária,). Mas se o sujeito passivo continua responsável pelo imposto devido por atividade, ato ou coisa que fez surgir a obrigação tributária.” Concluise, assim, que a qualificação pressupõe a existência intuito doloso. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Voltando ao presente caso, a qualificação da penalidade estaria motivada pela prática de simulação na alienação das quotas do capital da sociedade. Consoante Termo de Verificação Fical (fls. 14), a alteração contratual realizada pelo contribuinte foi desconsiderada em razão de evidenciar uma série de elementos caracterizadores da fraude, quais sejam: (i) A empresa não existia no novo endereço, constante do instrumento de alteração contratual e nos cadastros da Receita Federal (fls. 18/23 e 219). (ii) O instrumento de alteração contratual se refere a Conceição Ferreira Chagas Ramos (inexistente nos cadastros da SRF) no texto inicial e na cláusula quarta e a Conceição Ferreira Santiago na página em que constam as assinaturas dos envolvidos (fls. 239/245), sendo o CPF atribuído no documento ao primeiro pertencente ao segundo (Santiago). (iii) Impossibilidade material das pessoas físicas Dondinho Moreira da Silva e Conceição Ferreira Santiago serem quotistas da interessada, tendo em vista o apurado nas tentativas de diligência em seus endereços e o que consta nos Cadastros da Receita Federal sobre as suas declarações e rendimentos (...) falta de registro de movimentação financeira considerada como fato gerador de CPMF e da sua incapacidade financeira para suportar o ônus do pagamento das quotas que montaram a R$100.000,00. (iv) Números de CPF das pretensas testemunhas constantes do documento de alteração contratual são inexistentes Fl. 635DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 14 (v) Alusão no documento de duas pessoas distintas representando uma só. Com base em tais fatos, a fiscalização entendeu, a meu ver de maneira acertada, que a suposta alteração contratual consubstanciavase em evidente simulação, mormente porque, em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira pelo Banco Safra, foram encontrados documentos emitidos pela interessada que eram posteriores à alegada alteração contratual, nos quais constavam as assinaturas dos antigos integrantes do quadro societário, evidenciando que os sócios de fato não correspondiam aos supostos sócios constantes do novo documento societário. Tal situação revela evidente intuito doloso, pelo que o presente caso enquadrase ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, sendo, portanto, correta a qualificação da penalidade. Ante o exposto, voto de sentido de restabelecer a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Declaração de Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior. A presente declaração de voto visa a contribuição para o debate jurídico relativamente ao agravamento da multa de ofício. O entendimento por mim adotado segue no sentido de que a majoração, no caso, não deve prevalecer, pois não ficou caracterizada situação de recusa de atendimento à intimação fiscal que motivasse o agravamento da multa. A base legal para a imposição da penalidade foi o § 2°, do artigo 44, da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela lei 9.532/97, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta lei. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10730.005550/200385 Acórdão n.º 9101001.487 CSRFT1 Fl. 630 15 A partir da redação do artigo transcrito notase que a lei pretendeu restringir os casos para aplicação da penalidade em discussão, elegendo as três hipóteses dispostas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do artigo 44, §2º, da lei 9430/96. Assim, não há previsão legal para sua imposição nos casos de não apresentação de documentação nos termos solicitados pela fiscalização. Para melhor elucidação vale analisar as situações passíveis de agravamento da penalidade trazida pelo artigo 44, conforme segue. Primeiramente, quanto à prestação de esclarecimento prevista na alínea “a” do artigo transcrito, temse que consiste em tornar claro ou compreensível determinado fato. O conhecimento do fato é pressuposto para que sobre ele sejam prestados esclarecimentos. Desse modo, a prestação de esclarecimento não se confunde com a entrega de documentos contábeis, isto porque na primeira situação o fato já é conhecido pela autoridade fiscal e sobre ele são esclarecidas dúvidas específicas e, diferentemente, na segunda situação o fato não é conhecido, razão pela qual é necessária a análise dos livros para constatação de suposta infração. Notase, ainda, que a legislação apresenta rol taxativo de documentos que, se não entregues no prazo estipulado na intimação, autorizam o agravamento. A alínea “b” remete aos artigos 11 a 13 da lei 8.218/91 que tratam da necessidade de manutenção de arquivos magnéticos pelas pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar de livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. E a alínea “c” remete ao artigo 38 da lei 9.430/96, o qual prevê que “o sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada”. Nesse ponto, cumpre salientar que não consta nos autos informação acerca da utilização ou não pelo contribuinte do sistema de processamento eletrônico. Ora, se o objetivo da lei fosse abranger a falta de entrega de qualquer documento, sua redação original, a qual era genérica, não seria alterada pela lei 9.532/97, que trouxe nova redação ao artigo, limitando a possibilidade de interpretação a partir das indicações especificas das alíneas “b” e “c”. Transcrevo a redação original do artigo: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. O artigo 44, §2º, da lei 9430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, é exaustivo e não permite a interpretação extensiva pelo aplicador da lei, já que estabelece uma penalidade. Desse modo, em vista do intuito da legislação, o agravamento é previsto para os casos em que o contribuinte impede ou dificulta o exercício da fiscalização pela autoridade Fl. 637DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 16 competente, em razão de não atendimento, no prazo marcado, de intimação para (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar arquivos magnéticos (pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico) de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, de escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal e (iii) documentação técnica e completa e atualizada do sistema de processamento de dados. No caso dos autos tanto os sócios de direito quanto os sócios de fato deixaram de apresentar os livros contábeis e fiscais. Tal situação justificou a inversão do ônus da prova, permitindo a presunção de que os valores movimentados nas contas bancárias do contribuinte são receitas e autorizou a autuação pelo artigo 42 da lei 9430/96. Ademais, a não apresentação de livros contábeis e fiscais por empresa tributada pelo Lucro Presumido caracteriza a infração capitulada no inciso III, art. 530, do RIR/99, com o consequente arbitramento do lucro tributável, não se enquadrando no § 2°, art. 44, da Lei n° 9.430/96). Por todo o exposto, entendo que no caso dos autos é incorreto o agravamento da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Fl. 638DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 2/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digita lmente em 20/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 15940.000251/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PASSIVO FICTÍCIO. MANUTENÇÃO NA CONTABILIDADE DE VALOR JÁ PAGO. MOMENTO DO FATO GERADOR CARACTERIZADOR DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA
A manutenção na contabilidade de obrigação já paga caracteriza presunção de omissão de receita. Em assim sendo, se o pagamento foi realizado com recursos provenientes de receita omitida a materialização da omissão só pode ter ocorrido até a data em que o pagamento foi efetivado e nunca em período posterior. Assim o é porque não pode se falar em pagamento com recursos provenientes de receita omitida no futuro, mas sim no passado, isto é, em data anterior ao pagamento.
O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por mais de um período de apuração, obrigação já quitada, não desloca o critério temporal de verificação do fato gerador para exercícios futuros.
A omissão de receita, no caso de passivo fictício, se verifica no período em que o sujeito passivo utilizou os recursos para realizar os pagamentos que manteve em aberto na contabilidade. Não se pode confundir o critério material da descrição do fato (realizar pagamento), com a prova do fato, no caso manter o registro na contabilidade. O elemento caracterizador da omissão é a realização do pagamento e não a manutenção do registro contábil de que o débito encontra-se em aberto.
CONTRATO DE MÚTUO UTILIZADO PARA JUSTIFICAR PAGAMENTOS OU SALDO CREDOR DE CAIXA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA. MOMENTO DO FATO GERADOR.
Do registro de ingresso de recursos lastreado em contrato de mútuo inexistente para justificar pagamentos ou saldo credor de caixa decorre a presunção de que os recursos contabilizados são provenientes de receita omitida, que se materializa na data em que se efetivou o registro contábil que serviu de base para o saldo credor de caixa e/ou pagamentos efetivados.
O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por um ou mais exercícios, obrigação decorrente de contrato de mútuo inexistente ou já quitado não desloca a data da presunção de omissão de receita para exercícios futuros. Inteligência do artigo 116, I, do CTN.
Recurso parcialmente provido para excluir da exigência do passivo fictício os valores correspondentes ao contrato de mútuo e pagamentos realizados em data anterior ao período de apuração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o montante de R$ 602.504,43, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PASSIVO FICTÍCIO. MANUTENÇÃO NA CONTABILIDADE DE VALOR JÁ PAGO. MOMENTO DO FATO GERADOR CARACTERIZADOR DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA A manutenção na contabilidade de obrigação já paga caracteriza presunção de omissão de receita. Em assim sendo, se o pagamento foi realizado com recursos provenientes de receita omitida a materialização da omissão só pode ter ocorrido até a data em que o pagamento foi efetivado e nunca em período posterior. Assim o é porque não pode se falar em pagamento com recursos provenientes de receita omitida no futuro, mas sim no passado, isto é, em data anterior ao pagamento. O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por mais de um período de apuração, obrigação já quitada, não desloca o critério temporal de verificação do fato gerador para exercícios futuros. A omissão de receita, no caso de passivo fictício, se verifica no período em que o sujeito passivo utilizou os recursos para realizar os pagamentos que manteve em aberto na contabilidade. Não se pode confundir o critério material da descrição do fato (realizar pagamento), com a prova do fato, no caso manter o registro na contabilidade. O elemento caracterizador da omissão é a realização do pagamento e não a manutenção do registro contábil de que o débito encontrase em aberto. CONTRATO DE MÚTUO UTILIZADO PARA JUSTIFICAR PAGAMENTOS OU SALDO CREDOR DE CAIXA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA. MOMENTO DO FATO GERADOR. Do registro de ingresso de recursos lastreado em contrato de mútuo inexistente para justificar pagamentos ou saldo credor de caixa decorre a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 51 /2 00 7- 26 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 3 2 presunção de que os recursos contabilizados são provenientes de receita omitida, que se materializa na data em que se efetivou o registro contábil que serviu de base para o saldo credor de caixa e/ou pagamentos efetivados. O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por um ou mais exercícios, obrigação decorrente de contrato de mútuo inexistente ou já quitado não desloca a data da presunção de omissão de receita para exercícios futuros. Inteligência do artigo 116, I, do CTN. Recurso parcialmente provido para excluir da exigência do passivo fictício os valores correspondentes ao contrato de mútuo e pagamentos realizados em data anterior ao período de apuração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o montante de R$ 602.504,43, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório A presente autuação diz respeito ao anocalendário de 2002, lavrado em face da empresa antes indicada que é tributada com base no lucro real trimestral. O auto de infração de fls. 535 e seguintes, notificado à recorrente em 30 de agosto de 2007, encontrase acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 551 e seguintes, indicando as seguintes infrações: a) manutenção no passivo de obrigações já pagas às empresas Gerdau S/A (R$ 32.087,27; Cimento Rio Branco S/A (R$ 76.927,76) e, novamente, Comento Rio Branco S/A (R$ 76.480,56) fl. 553. Item 5.1 do Termo de Verificação Fiscal TVF. b) Contrato de mútuo. Para justificar o saldo credor de R$ 170.000,00 na conta do Passivo de Longo Prazo a contribuinte apresentou contrato de mútuo de 10/09/2001, sem prova da efetiva transferência dos recursos (fl. 554) Item 5.2 do TVF; c) Empréstimos bancários. De acordo com os livros da contribuinte ela teria realizado vários empréstimos bancários. O saldo credor de R$ 602.645,571, em 30/09/2002, é resultante de vários empréstimos bancários efetuados mensalmente, aproximadamente 47 no total. Entretanto, no decorrer desse período não se constatou nenhuma amortização desses empréstimos na referida conta, o que não é compatível com o procedimento habitual dessas instituições financeiras. Ainda, a contribuinte não apresentou qualquer contrato realizado com as instituições financeiras, nem extrato bancário ou qualquer outro elemento que comprove a efetividade das transações e os valores mantidos na escrita fiscal (fl. 554) Item 5.3 do TVF; d) Contas sem movimentação. Existência de contas do Passivo Circulante sem alteração em saldo nos três primeiros trimestres do anocalendário de 2002, conforme planilha de fl. 555 Item 5.4 do TVF. Destaca o TVF que "tendo em vista que a empresa contribuinte não apresentou elementos que comprovassem em sua totalidade os saldos existentes no seu passivo, procedeuse à glosa de tais valores, sintetizados nas contas abaixo (fl. 557). conta 2.01.01 fornecedores a curto prazo R$ 401.559,52 conta 2.01.02 adiant. empréstimo financiamento R$ 671.153,11 conta 2.01.02 fornecedores a curto prazo R$ 402.734,15 Além dos demonstrativos relacionados à empresa Gerdau e Cimento Rio Branco, acima referidos, com planilhas às fls. 572 e 573, os demais valores considerados não comprovados (passivo fictício) constam da planilha de fl. 574. 1 O valor correto, conforme indicado na fl. 12 do anexo I, é R$ 602.545,56. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 5 4 Por oportuno, observo que a planilha de fl. 574 consolida todos os valores que se encontravam em aberto na contabilidade e que foram considerados como quitados, incluindose a subconta da Gerdau (2.01.01.990012 R$ 32.087,27), e as subcontas da Cimento Rio Branco. Subconta nº 2.01.01.990029 R$ 80.415,57 e 2.01.01.99030 R$ 69.009,34, indicadas nos demonstrativos de fls. 572/573. As datas de quando os pagamentos foram considerados realizados constam das planilhas de fls. 572/573 e no planilha de fls. 559/571 (Anexo I). Quanto aos demais aspectos, a acusação fiscal assim pode ser resumida: "5.1. Títulos não baixados fl. 553 "Restou comprovado que a empresa contribuinte manteve no seu Passivo, obrigações já pagas, o que configura a presunção legal de omissão de receitas. De acordo com os demonstrativos obtidos das empresas circularizadas, Cimento Rio Branco S/A (fls. 513 a 520), CNPJ 64.132.236/000911, e Gerdau S/A (fls. 506 a 508), CNPJ 36.611.500/0126 30, se constatou que vários títulos quitados no decorrer dos três primeiros trimestres do anocalendário 2002 não foram baixados nos livros fiscais. Os ANEXOS 2 e 3, sintetizados na tabela abaixo, fazem um comparativo entre as informações prestadas pelos fornecedores circularizados e a escrita fiscal da contribuinte. .... 5.2. Contrato de mútuo (fl. 127) Para justificar o saldo credor de R$ 170.000,00 na conta do Passivo LP nº 2.02.01.010005 a contribuinte apresentou o original de contrato de mútuo, datado de 10/09/2001, no qual a empresa COPAN Engenharia e Construção Ltda., CNPJ 02.693.972/000134, a mutuante, entregaria o valor acima mencionado para somente ser restituída em setembro de 2008, acrescido de juros e correção monetária. Entretanto, verificando tal contrato, se observa o seguinte: No contrato, as assinaturas do mutuante e da mutuaria aparentemente pertencem A mesma pessoa (ver fl. 127); No local reservado as assinaturas do mutuante e da mutuaria não há indicação dos nomes dos subscritores (ver fl. 127); 0 contrato não foi oficialmente registrado, nem as firmas reconhecidas (ver fl. 127); 0 representante da empresa COPAN Engenharia e Construção Ltda. constante no corpo do contrato, o Sr. EDUARDO ROGÉRIO PEREZ, sócioadministrador, inscrito no CPF sob o no 118.343.83897, é descendente direto da Sra. Edna Lapera Perez, CPF 093.199.44890, e do Sr. Aparecido Cervantes Perez, CPF 487.889.53815, ambos proprietários da empresa contribuinte em tela. Além disso, segundo a base de dados da RFB, todos os três possuem o mesmo domicilio fiscal, A Praga Antonio Henrique da Cunha no 2322, Marrecas, Panorama (fls. 128 a 132); Finalmente, a empresa contribuinte não apresentou qualquer outro elemento que comprovasse a efetiva transferência dos fundos. Devido as circunstâncias citadas, a fiscalização entende que há fortes indícios que descaracterizam a efetividade da transferência de fundos entre as partes. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 6 5 5.3. Empréstimos Bancários De acordo com os livros fiscais, a contribuinte realizou vários empréstimos bancários em diversas instituições financeiras, como os bancos Banespa, Itaú, HSBC, Sudameris, e Banco do Brasil. Tais empréstimos foram contabilizados em conta do Passivo de curto prazo, no grupo de Adiantamentos, Empréstimos e Financiamentos, discriminados nas folhas 11 e 12 do Anexo 1. A Tabela a seguir mostra a evolução dessa conta segundo os balanços trimestrais de encerramento do Livro Diário da empresa (fls. 255 a 257, 305 a 307, 362 a 365). 5.4. Contas sem movimentação Observase também nos registros contábeis constantes nos Livros Diário e Razão da contribuinte (fls. 133 a 357), que diversas contas do Passivo Circulante não apresentaram alteração em saldo nos três primeiros trimestres do anocalendário de 2002. A Tabela 5.1 abaixo, baseada nos Balanços Trimestrais de encerramento, agrupa algumas dessas contas. (Omis... ver tabela fl. 555). ..... Algumas dessas contas, 2.01.02.010001 Banco do Brasil ou 2.01.02.01 0008 Banco Bamerindus, por exemplo, mantêm o mesmo saldo desde o inicio do anocalendário. Também improvável é a manutenção do saldo de R$ 22.066,52 na conta 2.01.01.010016, em 30/09/2002, com a empresa Cimento Rio Branco S.A., pois, de acordo com o demonstrativo apresentado por essa empresa (fls. 519/520), não se observa prazo de pagamento superior a 30 dias. 5.5. Considerações finais Devido as irregularidades e inconsistências acima observadas, e a falta de apresentação de elementos probatórios, a fiscalização decidiu pela não aceitação dos saldos das contas fiscalizadas do Passivo, por entender que contrariam o disposto no art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), conjuntamente com os demais artigos constantes no item 6 abaixo. Entretanto, a fiscalização decidiu proceder a ajustes nos saldos de tais contas, retirando dessas as obrigações baixadas na escrita fiscal logo após 30/09/02 (ver Anexo 1). Tais saldos, abaixo sumarizados, estão discriminados no Anexo 4. 2.01.01 Fornecedores (Curto Prazo): R$ 401.559,52 2.01.02 Adiant. Emprést. Financiamentos: R$ 671.153,11 2.02.01 Fornecedores (Longo Prazo): R$ 402.734,15 Notificada, a empresa juntou a impugnação de fls. 583/602, sustentando a insubsistência da autuação, sendo que a DRJ, por meio do acórdão de fls. 652/672 julgou improcedente a impugnação. Desta decisão a parte interessada foi intimada em 08/03/2013 (fl. 576) e em 02/04/2013 ingressou com o recurso de fls. 766/690, repisando as alegações constantes da impugnação, assim resumidas: a) que o passivo fictício se forma e resulta caracterizado na data em que se verifica as condições materiais que o ensejaram. Assim, se o passivo resultou caracterizado em 30/03/2002, ou em período anterior, o fato de continuar constando da contabilidade nos exercícios seguintes não altera a data da ocorrência do fato gerador (fl. 588/589); Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 7 6 b) que nos termos do artigo 116, I, do CTN, tratandose de situação de fato, a ocorrência do fato gerador considerase ocorrido desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios (fl. 588); c) Não é facultado ao digno representante do Fisco escolher entre diversos períodos, em que aparece o mesmo saldo de passivo fictício, aquele em que ele acha mais conveniente estabelecer a omissão de receita. Assim, ocorrendo o mesmo saldo de passivo não comprovado em diversos períodos, ou sendo o mesmo valor formador do saldo em diversos períodos, a omissão de receita só ocorreu no período contábil em que o passivo não comprovado foi gerado. (fl. 587); d) O Auditor Fiscal escolheu o período a ser tributado que lhe era mais conveniente, ou seja, setembro de 2002. Acontece que os saldos de passivo não comprovado foram gerados em períodos contábeis anteriores a setembro de 2002, e, assim, os fatos geradores do imposto de renda acompanham a geração do passivo, e os saldos autuados pelo representante do Fisco estavam sob o domínio da decadência por homologação. Não lhe é possível escolher livremente o período contábil a ser tributado pela ocorrência do passivo fictício. e) que não existe o passivo fictício, como entendeu a autoridade autuante (fl. 678); f) que apresentou toda documentação hábil e idônea comprovando os saldos em 30/09/2002, entre elas o contrato de mútuo no valor de R$ 170.000,00 com a empresa COOPAN (fl. 678); g) que está demonstrado que o saldo bancário de empréstimo no valor de R$ 602.645,772, em 30/09/2002, foi resultante de vários empréstimos, conforme demonstrativos juntado aos autos (segundo o TVF 47 lançamentos fl. 555); h) que a "conta sem movimentação", narrada no auto de infração, por si só, não presume passivo fictício. Diz que "esse passivo foi constituído em 31/03/2002 ou anteriormente a esta data, já que a autuada não havia procedido o pagamento dos fornecedores. Assim, se não houve pagamento não houve lançamento contábil e, por sua vez, não houve movimentação nestas contas (fl. 678); i) que o anexo IV deveria discriminar o nome dos fornecedores que tiveram valores no passivo fictício não comprovado (fl. 679); j) que não tem amparo a cobrança de juros de mora em valor superior a 1% e que a multa aplicada tem natureza confiscatória (fl. 684). É o relatório. 2 O valor correto, conforme planilha de fls. 570 é R$ 602.545,57 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão modificada e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas. Pelo que se extrai do auto de infração, à fl. 536, tratase de exigência caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga, resultando infração ao artigo 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda o qual dispõe que "caracterizase omissão de receita a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." A realização de pagamento sem a existência, de forma contabilizada, dos recursos destinados à quitação faz presumir que dito débito foi quitado com o lucro decorrente de receita omitida no período de apuração ou em data anterior a do pagamento. Assim, tratandose passivo decorrente de obrigação já paga o critério temporal do período de apuração da receita omitida, ainda que por presunção, há de corresponder àquele em que ocorreu o pagamento. Isto decorre de simples aspecto lógico, pois o débito não pode ser pago com recursos provenientes de receita omitida no futuro, mas sim no passado, isto é, em data anterior ao pagamento. Na sessão de julgamento enfrentouse a questão quanto ao momento em que resultaria caracterizada a omissão de receita relacionada ao passivo fictício. Para alguns, o fato gerador darseia no momento da intimação para que fosse demonstrada a origem dos recursos utilizados na quitação do débito. O fundamento defendido pelos Conselheiros que assim pensam está no verbo "manter". A materialidade da omissão de receita não seria o pagamento realizado no passado, mas sim a "manutenção" deste no passivo. Por outro lado, para o relator, no que foi acompanhado pela douta maioria, não se pode confundir a materialidade da omissão de receita caracterizada pelo pagamento sem disponibilidade de recursos em caixa, com a prova quanto à omissão. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada diz respeito à prova da ocorrência do fato e com este não se confunde. Uma coisa é o fato gerador e outra a prova de sua existência. A prevalecer a tese defendida pelos Conselheiros que votaram vencidos a autoridade fiscal poderia escolher a data do fato gerador. No caso do contrato de mútuo, por exemplo, firmado em 10/09/2001, com vencimento previsto para o ano de 2008, a autoridade fiscal poderia escolher qualquer data entre 2001 e 2008 como sendo o evento material caracterizador do fato gerador, argumento que não encontra amparo no artigo 116 do CTN. Outrossim, também não nos parece lógico o argumento de que o verbo "manter", inserido no artigo 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda, permite que se formule conclusão de que o fato gerador darseia no momento da intimação feita pela autoridade fiscal para que fosse comprovada a origem dos recursos utilizados no pagamento. Se assim fosse, em relação ao contrato de mútuo, para continuar com o mesmo exemplo, a Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 9 8 omissão de receita não seria nem a dada do contrato e tampouco setembro de 2002, data considerada pela autoridade fiscal, mas sim setembro de 2007, quando deuse a intimação feita pela autoridade fiscal, argumentos estes que não subsistem. I. Da análise da questão relacionada ao Contrato de mútuo. Item 5.2 do TVF (fl. 128 e 554) Conforme destacado no relatório, em 10/09/2001 a empresa recorrente celebrou contrato de mútuo para justificar o ingresso de R$ 170.000,00 na contabilidade. Analisando a prova a autoridade fiscal firmou convencimento de que este contrato materialmente não existiu e que apenas serviu para acobertar lançamento contábil de ingresso de recursos para justificar saldo credor de caixa caracterizado por receita omitida. Como dito anteriormente, a presunção de omissão de receita tanto decorrente de passivo fictício quanto de saldo credor de caixa resulta caracterizados na data em que se verificam as condições materiais que o ensejaram. Assim, se em 10/09/2001, o contribuinte firmou contrato de mútuo para justificar o ingresso de recursos para lastrear pagamentos realizados ou saldo credor de caixa, tendo a autoridade fiscal formado convencimento de que o aludido contrato materialmente não existiu e que não houve a efetiva transferência dos recursos, a conclusão a que se chega é que os recursos contabilizados como sendo oriundos de contrato de mútuo tratavase de recursos advindos de receita omitida. Chegado a conclusão de que os recursos lançados a título de empréstimo em 10/09/2001 são oriundos de receita omitida, isto é, não contabilizada, temse caracterizada a omissão de receita neste período, data em que foi considerado o ingresso dos recursos no caixa da empresa. É neste momento em que resulta caracterizada a omissão de receita. Não fosse assim poderseia autuar o contribuinte em todos os períodos em que o mesmo saldo de passivo aparecesse na contabilidade. A circunstância de o alegado empréstimo conter previsão de vencimento para em 2008, isto é, após a autuação, não descaracteriza a data do fato gerador, devendo ser observado as disposições do artigo 116 do CTN, que prevê que se tratando de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. A propósito, transcrevo o texto da norma aqui destacada: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” Se materialmente não houve a efetiva transferência de recursos, como concluiu a autoridade fiscal, a presunção de omissão de receita há de ser considerada no terceiro trimestre de 2001, data em que foi firmado o contrato para justificar o saldo credor na conta passivo a longo prazo, sendo impossível lançar omissão de receita ocorrida no passado (setembro de 2001) para pretender caracterizar fato gerador em período de apuração subsequente, não atingido pela decadência. A questão aqui nem é de decadência, mas sim de erro no critério temporal de apuração do fato gerador. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 10 9 Neste sentido, dado ao erro na identificação do aspecto temporal da omissão de receita correspondente ao contrato de mútuo datado de 10/09/2001 (R$ 170.000,00), que teria resultado em saldo credor de caixa da conta Fornecedores a Longo Prazo em 30/09/2002, excluo este valor da base de cálculo da exigência. II Da análise da infração indicada no item 5.1 do TVF Títulos não baixados fls. 553, 572 e 573 Segundo a autoridade fiscal, de acordo com os demonstrativos obtidos das empresas circularizadas, Cimento Rio Branco S/A (fls. 513 a 520), CNPJ 64.132.236/000911, e Gerdau S/A (fls. 506 a 508), CNPJ 36.611.500/012630, se constatou que vários títulos quitados no decorrer dos três primeiros trimestres do anocalendário 2002 não foram baixados nos livros fiscais. Os ANEXOS 2 e 3, fazem um comparativo entre as informações prestadas pelos fornecedores circularizados e a escrita fiscal da contribuinte. Em síntese, diz o termo de verificação fiscal, à fl. 553, que a empresa possuía em sua contabilidade títulos já quitados caracterizando, desta forma, omissão de receita. Conforme fundamentos anteriores, em se tratando de presunção de omissão de receita por passivo fictício, caracterizado pela manutenção na contabilidade de títulos já quitados, a conclusão a que se chega é que o título foi quitado com recursos oriundos de receita omitida. Assim, tal omissão resulta caracterizada quando do pagamento dos respectivos títulos. No caso concreto, considerando que a autoridade fiscal considerou como período de apuração do passivo fictício (omissão por presunção) valores pagos em períodos anteriores e também no terceiro trimestre de 2002, seguindo o mesmo critério em relação aos empréstimos, deve ser excluído da exigência, por erro no critério temporal de apuração, os pagamentos/empréstimos ocorridos em data anterior ao período de apuração, qual seja, terceiro trimestre de 2002, conforme planilha que segue: EMPRESA Gerdau S/A subconta 2.01.01.990012 Data Valores lançados Data/período referente ao 1º e 2º trimestre 2002 Valores excluídos Data/período apuração 3º trimestre 2002 Valores mantidos 09/05 R$ 1.466,54 07/05 R$ 1.466,54 29/04 R$ 531,18 29/04 R$ 531,18 29/04 R$ 1.675,82 29/04 R$ 1.675,82 29/04 R$ 394,80 29/04 R$ 394,80 13/05 R$ 1.561,38 13/05 R$ 1.561,38 01/06 R$ 752,14 01/06 R$ 752,14 03/06 R$ 627,52 03/06 R$ 627,52 10/06 R$ 5.355, 87 06/06 R$ 5.355,87 Total R$ 12.365,25 19/09 R$ 12.792,14 05/07 R$ 12.792,14 19/08 R$ 6.929,88 05/07 R$ 6.929,88 TOTAL R$ 32.087,27 TOTAL R$ 19.772,02 Quanto à empresa Cimento Rio Branco S/A Votorantim, as planilhas de fl. 573, quer em relação à subconta 2.01.01.990029, quer em relação à subconta 2.01.01.990030, indicam a data em que cada um dos títulos foram pagos. Esta informação a autoridade fiscal colheu junto ao próprio fornecedor, sem que a fiscalizada trouxesse provas capaz de refutálas. Contudo, em sendo a empresa tributada com base no lucro trimestral, não se pode considerar que os títulos pagos no primeiro e no segundo trimestre de 2002 o foram com receitas presumidamente omitidas no terceiro trimestre do mencionado anocalendário. Assim, os Fl. 702DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 11 10 fundamentos acima destacados aplicamse ao caso em exame, razão pela qual, neste ponto, mantenho a tributação caracterizada pela presunção de omissão de receita somente em relação aos valores pagos no terceiro trimestre de 2002, conforme planilhas abaixo: Empresa Cimento Rio Branco S/A Votorantim subconta 2.01.01.990029 Data Valores lançados Data/período referente ao 1º e 2º trimestre 2002 Valores excluídos Data/período apuração 3º trimestre 2002 Valores mantidos 21/01/2002 R$ 3.781,44 21/01/2002 R$ 3.781,44 06/02/2002 R$ 2.780,96 06/02/2002 R$ 2.780,96 21/01/2002 R$ 1.260,48 21/01/2002 R$ 1.260,48 25/01/2002 R$ 3.837,60 25/01/2002 R$ 3.837,60 29/01/2002 R$ 3.837,60 29/01/2002 R$ 3.837,60 04/02/2002 R$ 7.675,20 04/02/2002 R$ 7.675,20 19/02/2002 R$ 3.837,60 19/02/2002 R$ 3.837,60 13/02/2002 R$ 7.675,20 13/02/2002 R$ 7.675,20 20/03/2002 R$ 3.644,16 20/03/2002 R$ 3.644,16 25/03/2002 R$ 3.853,20 25/03/2002 R$ 3.853,20 04/04/2002 R$ 3.644,16 04/04/2002 R$ 3.644,16 08/04/2002 R$ 3.853,20 08/04/2002 R$ 3.853,20 11/04/2002 R$ 3.853,20 11/04/2002 R$ 3.853,20 23/04/2002 R$ 3.853,20 23/04/2002 R$ 3.853,20 01/06/2002 R$ 3.853,20 15/04/2002 R$ 3.853,20 TOTAL R$ 61.240,40 24/07/2002 R$ 3.931,20 24/07/2002 R$ 3.931,20 23/07/2002 R$ 3.931,20 23/07/2002 R$ 3.931,20 05/08/2002 R$ 3.931,20 05/08/2002 R$ 3.931,20 05/08/2002 R$ 3.893,76 05/08/2002 R$ 3.893,76 30/09/2002 R$ 6.347,81 30/09/2002 R$ 6.347,81 30/09/2002 (R$2.860,00) 30/09/2002 (R$2.860,00) TOTAL R$ 80.415,57 TOTAL R$ 19.175,17 Empresa Cimento Rio Branco S/A Votorantim subconta 2.01.01.990030 Data Valores lançados Data/período referente ao 1º e 2º trimestre 2002 Valores excluídos Data/período apuração 3º trimestre 2002 Valores mantidos 19/02/2002 R$ 7.403,19 19/02/2002 R$ 7.403,19 20/03/2002 (R$ 7471,22) (R$ 7.471,22) 02/04/2002 R$ 7.465,92 02/04/2002 R$ 7.465,92 23/04/2002 R$ 7.542,88 23/04/2002 R$ 7.542,88 13/05/2002 R$ 7.686,21 13/05/2002 R$ 7.686,21 18/06/2002 R$ 7.646,39 18/06/2002 R$ 7.646,39 24/06/2002 R$ 7.367,72 24/06/2002 R$ 7.367,72 25/06/2002 R$ 7.842,79 25/06/2002 R$ 7.842,79 TOTAL R$ 45.483,88 05/08/2002 R$ 7.713,04 26/08/2002 R$ 7.778,80 05/08/2002 R$ 7.713,04 11/09/2002 R$ 8.033,62 26/08/2002 R$ 7.778,80 TOTAL R$ 69.009,34 11/09/2002 R$ 8.033,62 TOTAL R$ 23.525,46 Os quadros acima analisam os casos das empresas Gerdau e Cimento Rio Branco expressamente destacados nas planilhas de fls. 572 e 573, anexas ao termo de verificação fiscal. Contudo, quando se analisa o Anexo I (fls. 559/571), com valores consolidados na planilha de fls. 574, temse que além destas três contas, do contrato de mútuo de R$ 170.000,00 e, ainda, dos contratos bancários lançados à fl. 570, integram os valores do Fl. 703DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 12 11 passivo fictício outros montantes especificados em mais de 70 (setenta) subcontas listadas à fl. 574. Desta forma, mantendo o mesmo critério, qual seja, excluindo da base de cálculo da exigência os valores pagos e ou empréstimos anteriores ao terceiro trimestre de 2002, segue planilha com os valores mantidos e os incluídos em relação a cada uma das contas e subcontas: A primeira planilha com a conta 2.01.01 corresponde aos fornecedores a curto prazo, a segunda com a conta 2.01.02 a adiantamentos empréstimos e a terceira com a conta nº 2.02.01 a fornecedores a longo prazo. Conta 2.01.01 Fornecedores a curto prazo Fornecedores (fl. 559) e valores considerados não comprovados à fl. 574 SUBCONTA FORNECEDOR VALOR LANÇADO VALOR EXONERADO VALOR MANTIDO 010001 Polato Com. Ferro/Aço R$ 18.920,46 R$ 18.920,46 R$ 0,00 010002 Benedito Martinatti R$ 3.165,69 R$ 3.165,69 R$ 0,00 010003 Porto de Areia R$ 440,00 R$ 440,00 R$ 0,00 010005 Gerdau R$ 27.086,06 R$ 27.086,06 R$ 0,00 010006 Clóvis R$ 8.468,60 R$ 8.468,60 R$ 0,00 010007 Emp. Miner. Panorama R$ 346,00 R$ 346,00 R$ 0,00 010008 G. Arcanjo R$ 600,00 R$ 600,00 R$ 0,00 010010 Gama Extratação R$ 587,00 R$ 587,00 R$ 0,00 010011 Corbaki Eng. Ind. Com R$ 4.412,00 R$ 4.412,00 R$ 0,00 010012 Metarlugica Diao Ltda R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 R$ 0,00 010014 GF Autopeças R$ 975,00 R$ 975,00 R$ 0,00 010015 Vieira de Souza & Sig. R$ 15.009,10 R$ 15.009,10 R$ 0,00 010016 Cimento Rio Branco R$ 22.066,52 R$ 22.066,52 R$ 0,00 010017 Dicibral Dist. Cim. BR R$ 237,30 R$ 237,30 R$ 0,00 010018 Valdir Calderan R$ 1.892,00 R$ 1.892,00 R$ 0,00 010019 Mecanica Lidinel R$ 310,00 R$ 310,00 R$ 0,00 010020 Apalan Stones Com R$ 2.100,00 R$ 2.100,00 R$ 0,00 010021 Emp. Miner. Castilho R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 0,00 010022 Wolf Hacher & Cia R$ 297,50 R$ 297,50 R$ 0,00 010025 Acessórios Polidoro R$ 87,00 R$ 52,00 R$ 35,00 010027 Appendiesel R$ 27,70 R$ 0,00 R$ 27,70 010028 Lapônia Sudeste Ltda R$ 471,17 R$ 97,29 R$ 373,88 010029 Irmãos Fratini Ltda R$ 241,75 R$ 28,00 R$ 213,75 010030 Takahsshi Pneus Ltda R$ 140,82 R$ 464,40 (R$ 323,58)* 010031 Hiraguim Prod. Quim. R$ 317,80 R$ 317,80 R$ 0,00 010032 Caiado Pneus Ltda R$ 299,88 R$ 323,80 (R$ 23,92)* 3 010033 M. Lucente e Cia R$ 346,20 R$ 346,20 R$ 0,00 010034 Pedro Janini & Cia Ltda R$ 780,00 R$ 780,00 R$ 0,00 010035 Cometa Equip. Rod. R$ 860,13 R$ 447,42 R$ 412,71 010036 Dracerauto Com. R$ 133,55 R$ 133,55 R$ 0,00 010039 Sudoeste Edições Ltda R$ 1.200,00 R$ 1.200,00 R$ 0,00 010041 Quinta Roda Maq. R$ 274,41 R$ 274,41 R$ 0,00 3 * O valor com registro negativo (....), é para viabilizar a fórmula no excel para efeito de correção do cálculo Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 13 12 010046 Ind. Maq. Peneumat. R$ 630,00 R$ 630,00 R$ 0,00 010049 Grupotelhas Industria R$ 747,50 R$ 747,50 R$ 0,00 010052 SP Cardans Comercio R$ 218,50 R$ 0,00 R$ 218,50 010056 Scala de Drac. Auto R$ 113,00 R$ 113,00 R$ 0,00 010060 Dist. Filtor Óleo Bauru R$ 346,50 R$ 0,00 R$ 346,50 010061 S&S Ind. Com. Maq. R$ 275,00 R$ 0,00 R$ 275,00 010066 Com. Artf. Borracha R$ 53,00 R$ 0,00 R$ 53,00 010068 Tekub Panorama Ltda R$ 825,50 R$ 0,00 R$ 825,50 010071 Fluv. Paul. Cisalpina R$ 86,40 R$ 0,00 R$ 86,40 010072 Concrereti M. Toreti R$ 2.125,00 R$ 0,00 R$ 2.125,00 010074 Promax Prod. Maximo R$ 425,88 R$ 0,00 R$ 425,88 990001 Polato Com. Ferro/Aço R$ 8.298,61 R$ 0,00 R$ 8.298,61 990005 Cia Industrial H. C. Schnei R$ 1.571,22 R$ 1.571,22 R$ 0,00 990006 HK Lemarc Ind. E Com R$ 741,74 R$ 0,00 R$ 741,74 990007 Isdralit Ind e Com Ltda R$ 9.180,13 R$ 2.042,25 R$ 7.137,88 990008 Unipetro Tup G Dist. R$ 25.089,60 R$ 14.751,60 R$ 10.338,00 990009 Promax Prd. Mas. R$ 234,00 R$ 234,00 R$ 0,00 990010 Gerdau S/A R$ 21.962,35 R$ 0,00 R$ 21.962,35 990011 Gerdau S/A R$ 5.695,35 R$ 876,64 R$ 4.818,71 990012 Gerdau S/A R$ 32.087,27 R$ 12.365,25 R$ 19.722,02 990013 Permatex Ltda R$ 423,18 R$ 228,73 R$ 194,45 990014 Infibra Ltda R$ 6.711,31 R$ 2.580,41 R$ 4.130,90 990017 Gerdau S/A R$ 1.612,73 R$ 1.612,73 R$ 0,00 990019 Cerâmica Modelo Ltda R$ 163,78 R$ 0,00 R$ 163,78 990020 Gama Ext. de Areia R$ 587,50 R$ 0,00 R$ 587,50 990021 Jeruel Plast. De Jundiai R$ 174,00 R$ 0,00 R$ 174,00 990022 P. Areia Ilha Carolina R$ 640,00 R$ 0,00 R$ 640,00 990023 Vibrafot Ind. R$ 265,00 R$ 0,00 R$ 265,00 990026 Silva & Henrique R$ 77,08 R$ 77,08 R$ 0,00 990029 Cimento Rio Branco R$ 80.415,57 R$ 61.240,40 R$ 19.175,17 990030 Cimento Rio Branco R$ 69.009,34 R$ 53.196,92 R$ 15.812,42 990031 Hiraquem Ind. Com. R$ 507,00 R$ 507,00 R$ 0,00 990033 Comercial Metalpar R$ 2.504,74 R$ 0,00 R$ 2.504,74 990034 M. Toreti R$ 1.500,00 R$ 0,00 R$ 1.500,00 990035 Belgo Bexaert Arames R$ 11.148,10 R$ 0,00 R$ 11.148,10 TOTAL R$ 401.559,52 R$ 267.172,83 R$ 134.386,69 R$ 401.559,52 Conta 2.02.01 Fornecedores a longo prazo Valor considerado não comprovado à fl. 574 e indicação do Fornecedor obtido a partir da fl. 559 Subconta Fornecedor Valor lançado em R$ Valores/excluídos em face de pagto. anterior Valor Mantido Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 14 13 ao 3º trimestre/2002 2.02.01.010001 Volvo Do Brasil Veículos 30.439,26 4 30.439,26 0,00 2.02.01.010002 Scania Latin Americana 85.131,14 5 85.131,14 0,00 2.02.01.010003 54.769,00 0,00 2.02.01.010004 Estas duas contas não constam da descrição dos fatos do anexo I e tampouco no corpo do TFV, razão pela qual os valores são excluídos por falta de descrição adequada dos fatos. Não é possível identificar de que fornecedor se referem. 62.394,75 Vide observação ao lado contendo as razões da exclusão 0,00 2.02.01.010005 Contrato de Mútuo COPAN 170.000,00 170.000,00 0,00 Total 402.734,15 402.734,15 0,00 Conta 2.01.02 Adiantamentos/empréstimos Valor considerado não comprovado à fl. 574 e indicação do Fornecedor obtido a partir da fl. 559 Subconta Fornecedor Valor lançado em R$ Valores/excluídos em face de pagto. anterior ao 3º trimestre/2002 Valor Mantido 2.01.02.010001 Banco do Brasil S\A 19.703,00* 19.703,00 0,00 2.01.02.010007 HSBC 37.913,30** 37.913,30 0,00 2.01.02.010008 Banco Bamerindus 4.441,41* 4.441,41 0,00 2.01.02.020001 Cheques em Trânsito 6.449,78 6.449,78 0,00 2.01.02.020002 EMPRESTIMOS DIVERSOS 602.545,576 283.677,61 318.867,96 OBS. *Em relação às razões das exclusões aqui assinaladas (19.703,00, 4.441,41 e 6.449,78), a planilha de fls. 555/556 demonstram que são valores que já se encontravam em período anterior ao terceiro trimestre de 20027. **Quanto ao valor de R$ 37.913,30 o demonstrativo de fl. 569 indica que se trata de valor que já existia em 01/01/2002. II Da análise da questão relacionada aos empréstimos bancários fl. 554 Item 5.3 do TVF Além dos detalhes acima, destaco especial atenção à conta nº 2.01.03.02 0002, que se refere a supostos empréstimos bancários para justificar ingresso de recursos nas datas que indica. 4 À fl. 570 se verifica que em 01/01/2002 já existia nesta conta, como se estivesse em aberto, valor superior ao que foi considerado de passivo fictício. 5 À fl. 571 se verifica que em 01/01/2002 já existia em aberto nesta conta valor superior ao que foi considerado de passivo fictício. 6 O valor correto conforme fl. 12 do ANEXO I é o aqui indicado e não R$ 602.645,57 7 Quando me reporto a pagamentos ou situações correspondentes a períodos anteriores ao terceiro trimestre de 2002 estou considerando, inclusive, que os saldos lançados na décima coluna da planilha de fl. 559 e seguintes, como valor a pagar em 01/01/2002 não podem ser considerados para efeitos de apuração de passivo fictício no terceiro trimestre de 2002. Tais valores, se já quitados, só podem ter sido pagos com receita omitida em data anterior a 01/01/2002. Ninguém quita débito no passado com recursos provenientes de receita ainda não auferida. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 15 14 Segundo a autoridade fiscal, "de acordo com os livros fiscais, a contribuinte realizou vários empréstimos bancários em diversas instituições financeiras, como os bancos Banespa, Itaú, HSBC, Sudameris, e Banco do Brasil. Tais empréstimos foram contabilizados em conta do passivo de curto prazo, no grupo de Adiantamentos, Empréstimos e Financiamentos, discriminados nas folhas 11 e 12 do Anexo 1. Diz a autoridade autuante que o saldo credor de R$ 602.645,578 (leiase R$ 602.545,74) em 30/09/2002 é resultante dos vários empréstimos efetuados mensalmente, aproximadamente 47 lançamentos no total, sumarizados à fl. 570 (fl. 12 do Anexo 1). Entretanto, no decorrer desse período não se constatou nenhuma amortização desses empréstimos na referida conta, o que não é compatível com o procedimento habitual dessas instituições financeiras. Ainda, a contribuinte não apresentou qualquer contrato realizado com as instituições financeiras, nem extrato bancário ou qualquer outro elemento que comprove a efetividade. Pois bem, não se tem empréstimo bancário sem o respectivo contrato ou ao menos extrato demonstrando o crédito em conta bancária. Assim, entendo que os empréstimos bancários relacionados na fl. 12 do anexo 1 (fl. 570), efetivamente não existiram e não passam de lançamentos contábeis, nas datas indicadas no anexo 1 da fl. 570 para justificar pagamentos feitos com recursos oriundos de omissão de receita verificada nos períodos de apuração correspondentes ao ingresso de tais recursos, conforme planilha abaixo, devendo ser excluídos da base de cálculo da exigência, pelos fundamentos anteriormente declinados, os valores cujos ingressos se deram em data anterior ao período de apuração, no caso o terceiro trimestre de 2002, conforme planilha que segue, indicando o total excluído correspondente ao terceiro trimestre de 2002 e o total mantido correspondente aos ingressos no terceiro trimestre de 2002. Saldo em 01/01/2002 Valor excluído correspondente a período anterior a 01/07/2002 Valor mantido correspondente ao terceiro trimestre de 2002 Banco Data Valor R$ Banespa 03/01 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Banespa 07/01 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Banespa 15/01 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 HSBC 24/01 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 Banespa 01/02 R$ 20.000,00 R$ 20.000,00 Banespa 01/02 R$ 20.261,75 R$ 20.261,75 Sudameris 04/02 R$ 6.078,00 R$ 6.078,00 Banespa 05/02 R$ 4.400,00 R$ 4.400,00 Banespa 06/02 R$ 15.000,00 R$ 15.000,00 Banespa 07/02 R$ 13.163,00 R$ 13.163,00 Banespa 07/02 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Banespa 26/02 R$ 15.000,00 R$ 15.000,00 HSBC 06/03 R$ 11.126,00 R$ 11.126,00 Sudameris 25/03 R$ 6.381,00 R$ 6.381,00 Banespa 01/04 R$ 20.161,75 R$ 20.161,75 Banespa 01/04 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 Banespa 03/04 R$ 11.200,00 R$ 11.200,00 Sudameris 09/04 R$ 31.000,00 R$ 31.000,00 Banespa 13/05 R$ 19.706,11 R$ 19.706,11 Banespa 31/05 R$ 18.000,00. R$ 18.000,00. 8 O valor correto, conforme fl. 12 do anexo I, (fl. 570), é R$ 602.545,57. Houve erro material na transcrição da fls. 570 para a fl. 574. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 16 15 HSBC 18/06 R$ 13.600,00 R$ 13.600,00 HSBC 28/06 R$ 10.600,00 R$ 10.600,00 Banespa 02/07 R$ 14.400,00 R$ 14.400,00 Banespa 02/07 R$ 14.590,89 R$ 14.590,89 HSBC 05/07 R$ 12.450,00 R$ 12.450,00 Banespa 16/07 R$ 7.000,00 R$ 7.000,00 Itaú 16/07 R$ 11.636,00 R$ 11.636,00 Banespa 22/07 R$ 11.256,25 R$ 11.256,25 Sudameris 24/07 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Sudameris 30/07 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Banespa 30/07 R$ 2.808,98 R$ 2.808,98 Banespa 31/07 R$ 11.070,00 R$ 11.070,00 Banespa 31/07 R$ 22.698,00 R$ 22.698,00 Banespa 05/08 R$ 1.067,42 R$ 1.067,42 Banespa 05/08 R$ 13.132,00 R$ 13.132,00 Banespa 15/08 R$ 9.349,24 R$ 9.349,24 Banespa 16/08 R$ 13.600,00 R$ 13.600,00 Banespa 22/08 R$14.100,00 R$14.100,00 Banespa 30/08 R$ 21.500,00 R$ 21.500,00 Banespa 30/08 R$ 9.927,30 R$ 9.927,30 BBrasil 09/09 R$ 11.968,44 R$ 11.968,44 Banespa 10/09 R$ 8.600,00 R$ 8.600,00 Banespa 12/09 R$ 22.613,44 R$ 22.613,44 Banespa 16/09 R$21.500,00 R$21.500,00 Banespa 23/09 R$ 12.700,00 R$ 12.700,00 Banespa 24/09 R$ 9.400,00 R$ 9.400,00 Banespa 30/09 R$ 21.500,00 R$ 21.500,00 Banco do Brasil S\A R$ 19.703,00* R$ 19.703,00* 0,00 HSBC R$ 37.913,30** R$ 37.913,30** 0,00 Banco Bamerindus R$ 4.441,41* R$ 4.441,41* 0,00 Cheques em Trânsito R$ 6.449,78* R$ 6.449,78* 0,00 Total R$ 671.053,06 R$ 352.185,10 R$ 318.867,96 OBS. *Em relação às razões das exclusões aqui assinaladas (19.703,00, 4.441,41 e 6.449,78), a planilha de fls. 555/556 demonstra que são valores que já se encontravam em período anterior ao terceiro trimestre de 20029. **Quanto ao valor de R$ 37.913,30 o demonstrativo de fl. 569 indica que se trata de valor que já existia em 01/01/2002, portanto, igualmente anterior ao período de apuração. Se de um lado não se reconhece a existência dos empréstimos acima referidos indicando que se tratou de procedimento contábil para justificar a existência de recursos para pagamentos que foram feitos com receita omitida, por outro, há que se ter coerência para reconhecer que a omissão resultou caracterizada na data dos lançamentos contábeis ou em período anterior, razão pela qual mantenho somente os valores referentes aos terceiro trimestre de 2002. Se as supostas entradas foram realizadas em datas anteriores para pagar débitos daquela época ou formar saldo credor de caixa, já que inexistiam disponibilidades para tal, não se pode dizer que as omissões ocorreram todas no terceiro trimestre de 2002. III Da análise de exigência do item 5.4. do TVF Contas sem movimentação 9 Quando me reporto a pagamentos ou situações correspondentes a período anterior ao terceiro trimestre de 2002 estou considerando, inclusive, que os saldos lançados na décima coluna da planilha de fl. 559 e seguintes, como valor a pagar em 01/01/2002. Tais valores, já quitados, só podem ter sido pagos com receita omitida em data anterior a 01/01/2002. Ninguém quita débito no passado com recursos provenientes de receita ainda nãu auferida. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 17 16 Em momento anterior já analisei cada uma das contas indicadas no item 5.4. do TVF Contas sem movimentação. Ao se reportar a elas, à fl. 555, a autoridade fiscal observou que diversas contas do Passivo Circulante não apresentavam alteração de saldo nos três primeiros trimestres de 2002. Assim, relacionou ditas contas, conforme tabela abaixo que extraio do TVF: Tabela 5.4 Balanço Trimestral Livro Diário Ano calendário 2002 30/set 30/jun 31/mar 2.01.01 FORNECEDORES NACIONAIS / 2.01.02 ADIANT. EMPRÉSTIMOS 2.01..01.010001 Polato Com. Ferro/Aço R$ 18.920,46 R$ 18.920,46 R$ 18.920,46 2.01..01.010003 Porto de Areia R$ 440,00 R$ 440,00 R$ 440,00 2.01..01.010007 Emp. Miner. Panorama R$ 346,00 R$ 346,00 R$ 346,00 2.01..01.010008 G. Arcanjo R$ 600,00 R$ 600,00 R$ 600,00 2.01..01.010010 Gama Extratação R$ 587,00 R$ 587,00 R$ 587,00 2.01..01.010011 Corbaki Eng. Ind. Com R$ 4.412,00 R$ 4.412,00 R$ 4.412,00 2.01..01.010012 Metarlugica Diao Ltda R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 2.01..01.010015 Vieira de Souza & Sig. R$ 15.009,10 R$ 15.009,10 R$ 15.009,10 2.01..01.010016 Cimento Rio Branco R$ 22.066,52 R$ 22.066,52 R$ 22.066,52 2.01..01.010017 Dicibral Dist. Cim. BR R$ 237,30 R$ 237,30 R$ 237,30 2.01..01.010018 Valdir Calderan R$ 1.892,00 R$ 1.892,00 R$ 1.892,00 2.01..01.010019 Mecanica Lidinel R$ 310,00 R$ 310,00 R$ 310,00 2.01..01.010020 Apalan Stones Com R$ 2.100,00 R$ 2.100,00 R$ 2.100,00 2.01..01.010021 Emp. Miner. Castilho R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 2.01..01.010022 Wolf Hacher & Cia R$ 297,50 R$ 297,50 R$ 297,50 2.01..01.010031 Hiraguim Prod. Quim. R$ 317,80 R$ 317,80 R$ 317,80 2.01..01.010034 Pedro Janini & Cia Ltda R$ 780,00 R$ 780,00 R$ 780,00 2.01.01.990005 Cia Industrial H. C. Schnei R$ 1.571,22 R$ 1.571,22 R$ 1.571,22 2.01.01990006 HK Lemarc Ind. E Com R$ 741,74 R$ 741,74 R$ 741,74 2.01.02.010001 Banco do Brasil S/A R$19.703,05 R$19.703,05 R$19.703,05 2.01.02.010008 Banco Bamerindus R$4.441,41 R$4.441,41 R$4.441,41 2.01.02.010009 Cheques em Trânsito R$6.449,78 R$6.449,78 R$6.449,78 Do exame das contas acima, em relação a elas, verificase que os valores existentes em março e que foram considerados passivo fictício repetiramse em julho e setembro. Assim, se tais contas pudessem caracterizar omissão de receita seria no primeiro trimestre de 2002 e não no terceiro trimestre de 2002, razão pela qual, em relação a este item, excluo da tributação os valores aqui referidos. Em síntese, em relação a cada uma das contas indicadas no lançamento excluo os valores que seguem: Conta Descrição Valor lançado Valor excluído Valor mantido 2.01.01 Fornecedores (Curto Prazo): R$ 401.559,52 R$ 267.172,83 R$ 134.386,69 2.01.02 Adiant. Emprést. Financiamentos R$ 671.053,06 R$ 352.185,10 R$ 318.867,96 2.02.01 Fornecedores (Longo Prazo): R$ 402.734,15 R$ 402.734,15 0,00 Total R$ 1.475.346,73 R$ 1.022.092,08 R$ 453.254,65 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15940.000251/200726 Acórdão n.º 1402001.511 S1C4T2 Fl. 18 17 Observados os cálculos e demonstrativos acima, meu voto é por considerar que os pagamentos realizados no primeiro e segundo trimestre de 2002, ou em data anterior, o foram com receita omitida nestes trimestres ou em período anterior, não podendo servir de base de cálculo para a exigência como omissão de receita no terceiro trimestre de 2002. Desta forma, de cada uma das contas indicadas no anexo 4 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 574), excluo da exigência os valores correspondentes a pagamentos ou situações relacionadas a período anterior ao terceiro trimestre de 2002, por erro no critério temporal de apuração. Quanto a alegação de juros de mora, a jurisprudência deste colegiado já se encontra consolidada e sumulada no sentido de que são devidos juros de mora pela taxa SELIC, conforme observado no lançamento fiscal, motivo pelo qual, neste ponto, não procede o recurso da parte recorrente. ISSO POSTO, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 602.504,43 (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10530.002917/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE. SÚMULA Nº 35 DO CARF.
As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindo-se a produção de provas e aos poderes de investigação, aplicam-se aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. Violação a irretroatividade e anterioridade tributárias não configuradas, aplicação do art. 144 §1 do CTN. Aplicação da Súmula nº 35 do CARF.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. SÚMULA Nº 38 DO CARF.
Uma vez que o enunciado da Súmula nº 38 do CARF estabelece que o fato gerador do imposto de renda sobre rendimentos omitidos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada ocorre no último dia do ano calendário, não havendo pagamento de imposto, a decadência rege-se pelo art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus de comprovar a origem dos depósitos e do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO.
Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE. SÚMULA Nº 35 DO CARF. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindose a produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. Violação a irretroatividade e anterioridade tributárias não configuradas, aplicação do art. 144 §1 do CTN. Aplicação da Súmula nº 35 do CARF. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. SÚMULA Nº 38 DO CARF. Uma vez que o enunciado da Súmula nº 38 do CARF estabelece que o fato gerador do imposto de renda sobre rendimentos omitidos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada ocorre no último dia do ano calendário, não havendo pagamento de imposto, a decadência regese pelo art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus de comprovar a origem dos depósitos e do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 29 17 /2 00 5- 27 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls.70, lavrado em 09.12.05 exigese do contribuinte o montante de R$ 386.074,13 título de imposto de renda, R$ 296.525,40 de juros de mora e R$ 868.666,77 de multa de ofício referente a rendimentos omitidos nos exercício 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 anos calendários 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, apurados com base em depósitos bancários de contas conjuntas de origem não comprovada. Sobre o total do imposto apurado foi qualificada a multa de ofício em 150% em virtude de evidência de crime de sonegação, comprovado pela prática habitual de declaração de valores muito inferiores aos rendimentos revelados pelos depósitos bancários. Esta multa foi agravada em para 225%, porque a contribuinte deixara de atender as intimações para apresentação dos extratos e demais documentos solicitados. Os rendimentos apurados com base em depósitos em conta conjunta com o cônjuge foram tributados na proporção de 50%. Os valores atribuídos ao cônjuge, cotitular, são objeto do processo nº 10530.2916/200582. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.002917/200527 Acórdão n.º 2201002.241 S2C2T1 Fl. 3 3 A Recorrente impugnou o lançamento (fls. 91). O Acórdão proferido pela DRJ em Salvador – BA (fls. 130) julgou improcedente as preliminares para no mérito julgar procedente em parte o lançamento efetuado, afastado a multa de qualificada de 150%, mas mantendo o agravamento da multa de 75% para 112% pelo não atendimento às intimações pelo contribuinte. Cientificado da decisão em 18.04.06 (fls. 136) a Recorrente apresentou, tempestivamente, em 10.05.13 Recurso Voluntário (fls. 138), requerendo a improcedência total do lançamento com base nos mesmos fundamentos aduzidos em sua Impugnação, em síntese: a) Já haveria decaído o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento em dezembro de 2005 para fatos ocorridos há mais de cinco anos, entre janeiro e novembro de 2000, uma vez que no lançamento por homologação o prazo decadencial de cinco anos contar seia a partir da data de ocorrência do fato gerador. b) A Lei Complementar n° 105/2001 não poderia retroagir para justificar a quebra de sigilo bancário com relação a fatos anteriores à sua promulgação. c) A Lei 9.430/1996, que em seu artigo 42 estabeleceu a presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários, revogou apenas o § 5° do art. 6° da Lei 8.021/1990. Conseqüentemente, continua válido o procedimento estabelecido neste artigo 6°, que prevê o arbitramento de rendimentos omitidos com base em sinais exteriores de riqueza e gastos incompatíveis com a renda declarada. De acordo com o principio do artigo 112 do Código Tributário Nacional, existindo dois procedimentos concorrentes, o arbitramento, por ser mais benéfico ao contribuinte, deveria ser observado no presente caso. Pois os depósitos bancários, como não representam por si só rendimentos, somente poderiam servir como indícios para arbitramento da renda, cabendo ao Fisco comprovar o nexo causal entre estes depósitos e os rendimentos que alega omitidos. d) No final do ano de 1999 possuía disponibilidade financeira originária de rendimentos pagos ao cônjuge por sua empresa Centro Administradora de Imóveis Ltda. Por erro do contador, estes recursos não foram informados na declaraçã correspondente. Os saldos de recursos verificados no final de cada ano devem ser considerados como origens dos depósitos, não se podendo presumir o seu consumo integral. e) Os rendimentos isentos e não tributáveis informados na declaração IRPF 2003/2002 do cônjuge, relativos a lucros distribuídos pela Farmácia do Caroá Ltda. no valor de R$ 1.290.000,00, estão atestados no comprovante de rendimentos agora apresentado As fls. 197 do processo do cônjuge. f) Entre os depósitos, detectou alguns que seriam provenientes de transferências entre contas de sua titularidade, o que contraria o disposto no inciso 1, do §3 do art. 42 da Lei 9.430/1996. Não os relaciona porque não lhe foi possível no prazo disponível. g) Quanto à multa qualificada, argumenta que para a sua aplicação seria necessário que o Fisco comprovasse o dolo na prática do ato. Por este mesmo motivo, a representação para fins penais foi formulada indevidamente. 0 agravamento da multa para 225% não se justifica, pois o não atendimento As intimações fora motivado por transtornos familiares, ameaças de seqüestro e extorsão que vinha sofrendo, fatos de conhecimento da Policia, apesar de não formalmente registrados, além de doença grave de um dos seus familiares, conforme laudo médico anexado As fls. 207 do processo do cônjuge. Por fim, a Recorrente requer o provimento do Recurso Voluntário e declara que não possui bem ou direito para arrolamento. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 177), com fulcro no princípio da verdade material, converteu o julgamento do recurso em diligência afim Fl. 919DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 de que fosse juntado aos presentes autos a diligência solicitada no procedimento administrativo do Sr. João Alves Borges, cotitular, processo nº 10530.2916/200582 que visou apurar o que se segue: (a) Apreciados os elementos de prova juntados pelo Contribuinte e, ato contínuo, fosse emitida conclusão fundamentada a respeito da comprovação ou no da origem dos recursos creditados nas contas bancárias do Contribuinte; (b) Confrontados os elementos de prova com as informações contidas tanto nas DIRPJs das pessoas jurídicas em questão, quanto nas DIRPFs do Contribuinte; (c) Juntadas as DIRPJs das empresas citadas, referentes aos períodos envolvidos nos litígios; e (d) Juntada a DIRPJ, anocalendário 1999, da empresa CENTRO ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS LTDA (CNPJ 01.925.2791000187). Durante a diligência foi apurado que as páginas dos livros Diários colacionados pelo Sr. João Alves Borges, referentes aos anos calendários 2002, 2003 e 2004 divergiam das originais apresentadas pela pessoa jurídica, em especial no que diz respeito aos valores de lucros distribuídos àquele. O Sr. João Alves Borges intimado às fls. 367 e re intimado às fls. 369 para apresentar esclarecimentos se quedou silente. O Termo de Diligência Fiscal foi concluído nos seguintes termos: “a) os elementos de prova juntados pelo Contribuinte tiveram sua presunção primeira de veracidade afastada, motivada pela ausência de formalidades, bem como, não lograram provar de forma hábil e inequívoca a origem dos depósitos bancários; b) inexiste compatibilidade de data e valores entre os depósitos bancários e os elementos de prova juntados pelo Contribuinte ao processo; c) inexiste compatibilidade de data e valores entre os depósitos bancários e a distribuição de lucros escriturada nos livros da empresa FARMÁCIA REMÉDIO BARATO LTDA; d) a escrita da empresa FARMÁCIA REMÉDIO BARATO LTDA, no que se refere aos lucros distribuídos, foi afastada pela ausência de documento hábil que a amparasse; e) a verificação da disponibilidade financeira da empresa CENTRO ADMNISTRADORA DE IMÓVEIS LTDA restou prejudicada pela não apresentação dos livros comerciais/fiscais; f) os lucros distribuídos informados nas DIPJs das empresas (R$ 1.593.443,00) são inferiores aos valores dos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 4.772.403,77); g) as DIRPFs do Contribuinte não trazem informações relativas a RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS (R$ 1.721.583,00) na proporção do quanto alegado pelo Contribuinte (R$ 3.516.443,00); h) o valor total da distribuição de lucros alegada pelo Contribuinte (R$ 3.516.443,00) é inferior ao montante total de depósitos bancária origem não comprovada (R$ 4.772.403,77); i) afastadas as alegações do Contribuinte quanto a origem dos recursos, permanece perfeitamente válida a regra exarada no artigo 42, § 6° da Lei nº 9.430196 (divisão proporcional dos recursos, cuja origem não foi comprovada, pela quantidade de titulares das contas bancárias conjuntas); E, pelo tudo quanto acima exposto, concluímos pela consequente não comprovação da origem dos depósitos bancários por parte do Contribuinte.” A Recorrente foi intimada do resultado do processo de diligência, mas não apresentação manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia Fl. 920DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.002917/200527 Acórdão n.º 2201002.241 S2C2T1 Fl. 4 5 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Das Preliminares 1.1. Inversão do Ônus da Prova A partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva, confirase: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). (grifos nossos) Nesta senda, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Em face da Lei nº 9.430/96 não resta mais necessário para fins de lançamento tributário que a autoridade fiscal estabeleça nexo de causalidade entre o depósito e o consumo da renda, a simples ausência de comprovação do contribuinte da origem dos depósitos já é suficiente para o lançamento tributário. O ônus de prova recai sobre o contribuinte. O presente posicionamento já se encontra pacificado na presente Corte conforme enunciado da Súmula nº 26 do CARF: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não deve prosperar a preliminar quanto a ausência de constituição de prova pela autoridade tributária, tendo em vista que cabe ao contribuinte provar a origem dos depósitos, conforme disposição legal. 1.2. Aplicação da Lei no Tempo Conforme bem apontou a DRF Salvador/BA a Lei Complementar nº 105/01 especifica que a informações bancárias se incluem entre aquelas que podem ser comunicas à administração tributária. A Lei Complementar nº 105/01 aborda a produção de provas e os poderes administrativos de investigação no âmbito do processo administrativo fiscal (art. 6º), tratando se, portanto, de norma de natureza procedimental e não de direito material, aplicandose, desta feita, todos os casos ainda não julgados. O § 1º do art. 144 determina que se aplica ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades tributárias, confirase: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O presente ponto já se encontra pacificado no STJ através do julgamento do REsp 1.134.66/SP, Min. Rel. Luiz Fux,(DJ 18.12.19) em sede de Recurso Repetitivo, vide ementa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE.” Logo inexiste impedimento legal à aplicação imediata de norma que apenas define a natureza não sigilosa das informações bancárias para fins de investigação fiscal, não havendo de cogitar de retroatividade da legislação. No mesmo sentido, não há violação ao princípio da anterioridade tributária, pois, conforme já apontado, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 dispõe de norma de direito procedimental e não norma de direito material que venha a instituir ou majorar tributo (art. 150, III, b e c): Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.002917/200527 Acórdão n.º 2201002.241 S2C2T1 Fl. 5 7 financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Na mesma linha a Constituição Federal complementa: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Essa Corte Adminisrativa também já pacificou o tema com a edição da Súmula nº 35 do CARF: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Portanto, também não deve prosperar o argumento que a aplicação da Lei nº 105/01 deve ser afastada, pois essa foi promulgada posteriormente a ocorrência dos fatos geradores em questão. O Art. 144 do CTN é claro ao dispor que a lei procedimental se aplica à época do lançamento e não à época da ocorrência do fato gerador, distintamente do caso da lei material. Logo, como o lançamento ocorreu após a promulgação da Lei Complementar nº 105/01 não há que se cogitar aplicação retroativa da norma. 1.3. Decadência O argumento da Recorrente de que já haveria ocorrido decadência na constituição do crédito tributário referente aos depósitos do ano de 2000, pois o fato gerador do Imposto de Renda seria mensal, com base no art. 2º e §1º do art. 3º, da Lei 7.713/88, c/c art. 150 §4º do CTN, não procede. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa é considerado complexivo, se aperfeiçoando, para o ano calendário de 2000, no dia 31.12.2000, momento a partir do qual a autoridade tributária pode efetuar o lançamento. Desta feita, o início do prazo decadencial do direito do fisco constituir o crédito tributário dos rendimentos auferidos pelo contribuinte durante todo o ano calendário de 2000 iniciase no dia 01.01.2001. Nesta senda, como o lançamento do imposto de renda se dá na modalidade de lançamento por homologação, não tendo havido qualquer pagamento antecipado do tributo devido, aplicase ao caso o disposto no art. 173, I do CTN e não a regra contida no art. 150, § 4º do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados. I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; o fato gerador seria mensal. O STJ já pacificou o entendimento sobre o tema, confirase: "nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN" (Resp 183.603/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 13.08.2001) Esta Corte Administrativa, acompanhando o entendimento do STJ, para fins específicos de depósitos bancários, editou Súmula nº 38 do CARF estabelecendo que o fato gerador do imposto de renda sobre rendimentos omitidos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada ocorre no último dia do ano calendário: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Uma vez que o prazo para decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário, quando não declarado e inadimplido, referente às omissões de receitas decorrentes de depósitos com origem não comprovada ocorridos no ano calendário de 2000 teve início no dia 01.01.01 (primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado) a decadência opera apenas após o dia 31.12.05. Neste contexto, haja vista que a Recorrente foi notifica do Auto de Infração no dia 15.12.05 (fls. 86) o lançamento referente ao crédito tributário do ano calendário de 2000 é tempestivo. 1.4. Representação para Fins Penais Não cabe neste processo analisar o mérito da representação para fins penais, que tem curso próprio, conforme já pacificado pela Súmula nº 28 do CARF: Súmula nº 28 do CARF – O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.002917/200527 Acórdão n.º 2201002.241 S2C2T1 Fl. 6 9 2. Do Mérito 2.1. Ausência da Comprovação dos Depósitos A Recorrente alega que alguns valores autuados se referem à transferência entre suas próprias contas, valores estes, que devem ser excluídos na forma do inciso I, do §3º do art. 42 da Lei 9.430/96. Todavia, a Recorrente não elaborou planilha destacando os referidos valores em razão do exíguo prazo do Recurso Voluntário. A aplicação do supramencionado dispositivo legal demanda prova a ser elaborada pelo contribuinte demonstrando, através de documentos hábeis e idôneos, a coincidência dos débitos e créditos entre suas contas, prova esta que o contribuinte teve amplo prazo para elaborar, uma vez que a alegação de exíguo prazo para elaboração da planilha referente aos depósitos que se subsumiram no inciso I, do §3º do art. 42 da Lei 9.430/96 é realizada desde a Impugnação ao Auto de Infração. Além disso, a Recorrente ainda teve oportunidade de juntar provas ao Recurso Voluntário, bem como no processo de diligência que foi deferido por essa Corte para que o Princípio da Verdade Material fosse respeitado. O Termo de Diligência Fiscal de fls. 373 que não só não galgou êxito em apurar a coincidência entre os valores e datas dos depósitos e os valores e datas do dos lucros distribuídos, como também apurou não casamento entre os respectivos valores globais. O Termo de Diligência Fiscal apurou ainda que o valor de lucro distribuído comprovado pelo contribuinte com base nos documentos das empresas que colacionou aos autos é distinto dos valores constantes nos documentos originais das mesmas empresas. Divergência que a Recorrente intimada e reintimada não veio aos autos justificar. Assim, uma vez que a Recorrente não comprovou, durante o curso do procedimento fiscal, a origem dos depósitos mantémse a presunção de omissão de receita dos depósitos relacionados no Auto de Infração de fls. 70 conforme determina o art. 42 da Lei 9.430/96. 2.2. Agravamento da Multa de Ofício Quanto ao agravamento da multa de 75% para 112% pelo não atendimento às intimações por parte do contribuinte, meu posicionamento é não ser cabível o agravamento da multa de ofício em razão de não ocorrer prejuízo ao fisco em face da inércia da contribuinte, devido à presunção legal que corre em favor da autoridade tributária e contra o contribuinte em se tratando de depósito bancário, na forma do art. 42 da Lei. 9.430/96. O entedimento da Turma é no sentido de que em havendo resposta do contribuinte, ainda que não satisfatória, não cabe o agravamento da multa de ofício. Como no caso em questão houve resposta da Recorrente à fiscalização, ainda que não adequada, entendeu a Turma ser a manifestação da Recorrente em sede de fiscalização suficiente para afastar o agravamento da multa de ofício. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Cabe pontuar que a multa qualificada, apesar de pleiteada seu afastamento em sede de Recurso Voluntário, já foi afastada na decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e dar parcial provimento ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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