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Numero do processo: 11052.000443/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura - ou seja, que não em dinheiro -, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO em razão da aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 às hipóteses de fornecimento da utilidade alimentação em tickets. Os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA divergiram por entenderem que a aplicação do referido parecer restringe-se à hipótese de fornecimento da alimentação propriamente dita.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura - ou seja, que não em dinheiro -, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO em razão da aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 às hipóteses de fornecimento da utilidade alimentação em tickets. Os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA divergiram por entenderem que a aplicação do referido parecer restringe-se à hipótese de fornecimento da alimentação propriamente dita. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO em razão da aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 às hipóteses de fornecimento da utilidade alimentação em tickets. Os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA divergiram por entenderem que a aplicação do referido parecer restringese à hipótese de fornecimento da alimentação propriamente dita. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 04 43 /2 01 0- 91 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000443/201091 Acórdão n.º 2401003.980 S2C4T1 Fl. 409 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 303 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado correspondente à parte dos terceiros destinadas à Seguridade Social. O crédito apurado, consolidado em 17/09/2010, com ciência pessoal pelo interessado na mesma data, consubstanciouse no valor originário de R$107.198,12, que acrescido de multa e juros totalizou a quantia de R$181.894,25, e é relativo ao período de 01/2006 a 12/2006. (DEBCAD: 37.274.1983). De acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições lançadas incidiram sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados celetistas e temporários. As remunerações foram apuradas nas folhas de pagamento. O estabelecimento CNPJ 03.573.863/000146 possui convênio com o FNDE para pagamento de salárioeducação. As bases de cálculo não foram incluídas pela empresa nas GFIPs enviadas antes do início da ação fiscal. Da impugnação O interessado contesta parcialmente o lançamento, aduzindo as seguintes razões, expostas a seguir, em síntese. (...) Dos procedimentos administrativos após a impugnação Tendo em vista a impugnação parcial e a solicitação de desmembramento para pagamento da parte não impugnada, os autos foram desmembrados e emitida guia para pagamento. À época, a empresa não efetuou o pagamento da parte incontroversa, motivo pelo qual foi lavrado o Termo de Revelia. (...) Como afirmado, a impugnação, restrita aos valores relativos ao fornecimento de alimentação, foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 315 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 * em dezembro de 2004, quando possuía a denominação de Select Investimentos, incorporou a empresa RH Internacional, passando, a partir de então, a ter todos os seus direitos e deveres, em especial a inscrição junto ao PAT, válida até o ano de 2007; * acrescenta que, após a incorporação, a Select Investimentos alterou sua denominação para RH Internacional, mas manteve o seu CNPJ; * aduz que a teor do art. 1.116 do CC e do art. 227 da Lei das S/A., na incorporação, a sucessão atinge todos direitos e obrigações; * jurisprudência, RFB e PGFN entenderiam que não incide contribuição previdenciária no auxílioalimentação, mesmo sem inscrição no PAT; * solicitação redução da multa em 50% É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000443/201091 Acórdão n.º 2401003.980 S2C4T1 Fl. 410 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Alimentação. Ticket A discussão dos presentes autos cingese à alimentação fornecida em ticket aos segurados. O lançamento decorreu do fato de a recorrente não ostentar a inscrição no PAT, a despeito de ser sucessora de empresa que se encontrava inscrita no PAT. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Todavia, é preciso considerar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Como na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura e o referido Parecer referese a pagamentos in natura, concluo que a não Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , incluindo tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT. No caso sob exame, o fornecimento ocorreu em ticket, razão pela qual, independentemente da inscrição, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Portanto, assiste razão à recorrente, devendo o recurso ser provido, restando prejudicada as demais razões recursais, em especial aquela relativa ao pleito de redução da multa em 50%. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000050/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA.
Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário .
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000050/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.920 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente BERENICE DE SOUZA RODRIGUEZ DEL RIEGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 50 /2 01 0- 81 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário . Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402004.920 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 17ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, para manter o crédito tributário exigido através de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor total de R$ 7.436,11, exercício 2009, anocalendário 2008. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 14.990,00. Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que: · em anexo à impugnação, estaria fornecendo novas cópias dos recibos médicos, com anotação do endereço do consultório, vez que a segunda intimação recebida no transcorrer da fiscalização não teria consignado a necessidade de apontamento do endereço; · não seria um pedaço de papel perfeitamente preenchido que lhe daria o direito à dedução, mas sim ter feito realmente a despesa; · teria cumprido todos os pormenores estabelecidos na lei fiscal; · as despesas declaradas não seriam exageradas, tanto porque representariam pouco mais de dez por cento da sua receita bruta, como porque ela (contribuinte) seria sexagenária, já com uma série de comprometimentos de saúde; · a RFB teria acesso irrestrito aos dados da contribuinte e dos prestadores dos serviços, a fim de fazer as necessárias verificações; · a lei não exigiria um detalhamento das despesas realizadas, mas apenas se elas teriam efetivamente ocorrido; · os profissionais da área de saúde, por questão de sigilo, estariam proibidos de fornecer à RFB cópias dos laudos, exames, prontuários, etc; · a própria CF protegeria o direito à intimidade; · o RIR/2005 não proibiria o contribuinte de contratar um familiar. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que não teria havido a comprovação por meio de documentação hábil e idônea da efetividade dos serviços prestados, nem tampouco da transferência de numerário. Notificada da decisão em 25/11/2013, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/12/2013, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 · nos termos do RIR/2005, a comprovação das despesas seria feita mediante documento (recibo) com o nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem recebeu os pagamentos e que a RFB estaria fazendo exigências sem amparo legal; · o recibo seria um documento apto a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo, absolutamente, de qualquer outro documento para que adquira validade ou força comprobatória; · os recibos não poderiam ser desconsiderados com base em meras presunções, suposições ou incertezas; · a glosa teria se dado de forma frágil, pois baseada em suposições, desconfianças e incertezas; · ao fazer a sua declaração, a recorrente teria cumprido os ditames da lei; · a decisão da DRJ teria que ser reformada, para que sejam anuladas as glosas. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402004.920 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80 do RIR/2005. O seu § 1º, inciso III, preleciona o seguinte a respeito da comprovação: Art. 80. [...] § 1º O disposto neste artigo: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destacouse) A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. Vale lembrar que lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, no qual não há margem para discricionariedade, conforme regra expressa do art. 142, parágrafo único, do CTN. Segundo o Professor Paulo de Barros Carvalho, “o ato jurídico administrativo do lançamento é vinculado, significando afirmar que se coloca entre aqueles para a celebração dos quais não atua o agente com qualquer grau de subjetividade” (Curso de Direito Tributário. 22. Ed. – São Paulo : Saraiva, 2010, p. 463.), de tal modo que a comprovação das deduções deve ser efetuada em conformidade com a Lei, e não de acordo com o juízo da autoridade administrativa. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Da própria definição de tributo, contida no art. 3º do Código, depreendese a natureza vinculada do ato de lançamento. Nesse sentido, o professor e juiz federal Leandro Paulsen observa que “da própria definição legal de tributo (art. 3º do CTN) tirase que é prestação pecuniária cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 987.). O único critério aceitável, portanto, é o critério legal, que, digase de passagem, não varia de pessoa para pessoa, tampouco está sujeito a variações de humor. Destarte, a hipótese em estudo é regida pelo art. 80, § 1º, inciso III, do Regulamento, segundo o qual os pagamentos devem ser comprovados “com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu”. A par desse dispositivo, o art. 320 do Código Civil Brasileiro preleciona que o recibo é o meio de prova do pagamento, isto é, do fato de o devedor ter solvido a obrigação entabulada junto ao credor. A Fazenda Pública tem exacerbado a exigência a respeito da comprovação dos pagamentos em função da prática infeliz da utilização de despesas de modo simulado, o que não significa que todas as situações nas quais não haja a exibição de movimentação bancária possa ser subjetivamente considerada como fraudulenta. Por se colocar entre os atos administrativos vinculados, não se pode admitir que a simples vontade do agente fiscal seja suficiente para obrigar o contribuinte a apresentar outros meios de prova, até porque não há como demonstrar um pagamento em dinheiro, senão por intermédio do recibo ou da nota fiscal. Em todas as relações do Estado com o cidadão ainda se nota uma predominância exagerada do poder estatal, sobretudo na relação jurídicotributária, que é, por essência, uma relação de poder. Todavia, e como sabido, as normas limitadoras desse poder estão erigidas em patamares superiores, fundadas que estão na Lei Maior, segundo a qual a máfé não se presume, mormente em função da extensão do princípio fundamental da presunção de inocência. A infeliz utilização de recibos fraudulentos deve, efetivamente, ser coibida e combatida pelo Estado, mas somente mediante os meios legais e justificáveis. Não se pode esquecer que a possibilidade de dedução das despesas médicas não é nenhum favor legal. O Estado é quem deveria fornecer um serviço de saúde adequado (art. 6º da Constituição Federal). Não o faz pelo mal uso dos recursos públicos, obrigando os bons cidadãos a se utilizarem de serviços privados de saúde, educação, segurança, etc. No caso concreto, verificase que o lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 14.990,00, das quais R$ 10.700,00 teriam sido pagas à cirurgiã dentista Fúlvia Regina S. Franco, R$ 200,00 a Alcides Pereira de Souza Filho, R$ 3.840,00 à cirurgiãdentista Karen Bygdal Andreasen e R$ 250,00 a Jaime Anger. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402004.920 S2C4T2 Fl. 5 7 Os recibos comprobatórios dos pagamentos efetuados em favor das cirurgiãs dentistas (fls. 21/29) contém todos os requisitos arrolados no RIR/2005, tais como nome, endereço e número de inscrição da profissional. O seu somatório coincide também com os valores declarados pela contribuinte no anocalendário a que se referem. A par disso, a recorrente dignouse de juntar à impugnação as declarações firmadas pelas profissionais (fls. 12/13), nas quais igualmente se observam o atendimento dos requisitos legais, inclusive havendo expressa menção ao tratamento prestado e ao seu beneficiário, o que afasta as alegações em contrário constantes da descrição do fatos e enquadramento legal, bem como do acórdão da impugnação. Nada havendo que possa infirmar a veracidade desses documentos (e a veracidade deles não foi contestada em momento algum), não se mostra razoável exigir a exibição de cheques, extratos, transferências ou qualquer outro documento comprobatório, mormente porque os pagamentos foram efetuados em espécie e diluídos mensalmente em pequenas quantias. Por outro lado, e muito embora pudesse ter comprovado o contrário, a RFB não negou que os beneficiários dos recibos tenham recebido os pagamentos. Isto é, podese presumir que os valores já foram oferecidos à tributação. A não aceitação dos recibos traz em seu bojo, ainda que implicitamente, uma série de ilações infundadas, em prejuízo, inclusive, dos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio segundo o qual a boafé se presume, devendo a máfé ser provada pelo interessado. A par disso, e como demonstrado pela recorrente, os valores pagos são efetivamente compatíveis com os seus rendimentos declarados, representando pouco mais de dez por cento deste montante. Até pela idade da recorrente, a propósito, essa fração, que já não é elevada, é totalmente compreensível, como demonstram as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). O próprio valor absoluto também não é elevado. Nesse contexto, cumpre observar que o § 1º do art. 73 do RIR/2005 preceitua que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, o que, como a recorrente comprovou, não é o caso dos autos, em que as despesas são realmente compatíveis com seus vencimentos de aposentada de Procuradora do Estado. Eventual relação de parentesco entre a recorrente e o profissional também não tem o condão de lançar qualquer suspeita sobre as deduções, pois entre um estranho e um parente é explicável e louvável que ela tenha optado por este. E mais, não há como se admitir qualquer conclusão no sentido da prática de fraude pela recorrente com base em meras presunções ou suspeitas. Ao contrário, à vista do conjunto probatório constante dos autos, deve prevalecer a sua presunção de boafé. De todo modo, e diferentemente do que decidiu a DRJ, não há registro claro nos autos de que a dentista Fúlvia Regina S. Franco seja filha da recorrente. Muito embora a própria recorrente não tenha trazido uma informação mais clara a esse respeito, na descrição dos fatos e enquadramento legal consta, textualmente, que Gerson Gattei seria "filha da contribuinte", e não a dentista Fúlvia. Vejase: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Foi apresentada cópia de cheque para comprovar pagamento de despesas médicas declarada com o profissional Gerson Gattei CPF: 894.925.95834, em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO N.º 2005/608375567991192, onde indica que essa profissional tem conta corrente conjunta em banco com a contribuinte. Foi verificado nos sistemas da Receita Federal do Brasil que essa profissional é filha da contribuinte. odavia, os recibos comprobatórios dos pagamentos supostamente realizados em favor de Alcides Pereira de Souza Filho (fls.19) e de Jaime Anger (fl. 20) estão em desacordo com os ditames do Regulamento, mormente com o seu art. 80, § 1º, inc. III. A olho nu, percebese que o endereço dos profissionais foi serodiamente preenchido, o que foi levado a cabo pela mesma pessoa (provavelmente a própria contribuinte), o que se conclui pelo tipo de letra cursiva ali constante. No meu modo de ver, essa circunstância não só retira a fidedignidade dos citados documentos, como também os torna irregular para fins de comprovação. Expressandose de outra forma, a decisão da DRJ é incensurável neste ponto. Na qualidade de destinatário das provas colhidas nestes autos, portanto, entendo que as deduções das quantias de R$ 10.700,00 e de R$ 3.840,00, pagas, respectivamente, à cirurgiãdentista Fúlvia Regina S. Franco e à cirurgiãdentista Karen Bygdal Andreasen, devem ser restabelecidas, mantendose as demais glosas, devendose, assim, ser retificado o lançamento. Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10830.002667/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2000 a 31/03/2006
PRAZO DE DECADÊNCIA SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC. SUSPENSÃO DO PRAZO. INEXISTÊNCIA.
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e não havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não desloca o prazo decadencial, que só seria diverso se houvesse ordem judicial específica impedindo a glosa de créditos ou o lançamento tributário.
MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO SEM EFEITO SUSPENSIVO. CABIMENTO.
Tendo sido cassada a decisão antecipatória de tutela que garantia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabe lançamento de multa ofício, uma vez que o recurso especial e o recurso extraordinário interpostos pelo contribuinte não possuem efeito suspensivo automático.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
É aplicável a taxa de juros Selic sobre o crédito tributário cobrado via lançamento de ofício, nos termos das Súmulas CARF n. 4. e 5, restando excetuada tão somente a situação de depósito integral dos valores discutidos em juízo.
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA.
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
Numero da decisão: 3402-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e quanto às compensações realizadas e, na parte conhecida, também por unanimidade, dar-se provimento parcial para cancelar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos entre 31/08/2000 e 31/03/2001, em virtude da decadência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael Paula Gomes, OAB/DF 26.345.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/08/2000 a 31/03/2006 PRAZO DE DECADÊNCIA SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC. SUSPENSÃO DO PRAZO. INEXISTÊNCIA. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e não havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não desloca o prazo decadencial, que só seria diverso se houvesse ordem judicial específica impedindo a glosa de créditos ou o lançamento tributário. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO SEM EFEITO SUSPENSIVO. CABIMENTO. Tendo sido cassada a decisão antecipatória de tutela que garantia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabe lançamento de multa ofício, uma vez que o recurso especial e o recurso extraordinário interpostos pelo contribuinte não possuem efeito suspensivo automático. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. É aplicável a taxa de juros Selic sobre o crédito tributário cobrado via lançamento de ofício, nos termos das Súmulas CARF n. 4. e 5, restando excetuada tão somente a situação de depósito integral dos valores discutidos em juízo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 937 1 936 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.002667/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.875 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IPI outros Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2000 a 31/03/2006 PRAZO DE DECADÊNCIA SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC. SUSPENSÃO DO PRAZO. INEXISTÊNCIA. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e não havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não desloca o prazo decadencial, que só seria diverso se houvesse ordem judicial específica impedindo a glosa de créditos ou o lançamento tributário. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO SEM EFEITO SUSPENSIVO. CABIMENTO. Tendo sido cassada a decisão antecipatória de tutela que garantia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabe lançamento de multa ofício, uma vez que o recurso especial e o recurso extraordinário interpostos pelo contribuinte não possuem efeito suspensivo automático. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. É aplicável a taxa de juros Selic sobre o crédito tributário cobrado via lançamento de ofício, nos termos das Súmulas CARF n. 4. e 5, restando excetuada tão somente a situação de depósito integral dos valores discutidos em juízo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 26 67 /2 00 7- 11 Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e quanto às compensações realizadas e, na parte conhecida, também por unanimidade, darse provimento parcial para cancelar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos entre 31/08/2000 e 31/03/2001, em virtude da decadência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael Paula Gomes, OAB/DF 26.345. Antonio Carlos Atulim Presidente. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora e multa de ofício de 75%, lavrado em 21/05/2007 e levado a ciência do contribuinte em 25/05/2007. Por bem consolidar os Fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Fl. 938DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 938 3 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A DRJ de Ribeirão Preto julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 03/08/2007 (fls 774), concluindo pela procedência da autuação fiscal, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Cientificado do resultado do julgamento em 27/08/2007, na data de 26/09/2007 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, diferenciandose tão somente no seguinte: i) alega erro na decisão de primeira instância quando, mesmo aplicando o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional (“ CTN”), conclui pela inexistência de decadência com relação ao período 31/08/2000 a 31/03/2001; ii) afirma que no período fiscalizado houve saldo do imposto a recolher e, por conseguinte, o efetivo pagamento de montantes a título de IPI, fatos que acarretam na necessidade da contagem do prazo decadencial nos moldes do artigo 150, §4º do CTN; iii) alega necessidade de compensação entre processos administrativos, sem citar quais processos seriam estes, em razão de suposta conexão entre os feitos. Por fim, consta nos autos Requerimento de desistência parcial de impugnação de recurso administrativo, de 19/11/2009, tendo em vista a adesão ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009. De fato, nos termos da Medida Provisória n. 470/2009, a Recorrente requereu a desistência parcial do recurso voluntário, no que se refere aos seguintes débitos: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 939 5 Pelos expedientes da Receita Federal, os débitos objeto de parcelamento foram transpostos para outro Processo Administrativo (10830.013322/201080), restando no presente processo unicamente os débitos que não foram objeto de desistência (débitos de 2000 a 2003). É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Tendo em vista as diversas preliminares levantadas pelo contribuinte, trato de cada uma separadamente nos itens abaixo, alcançando em seguida o mérito do recurso voluntário. 1. PRELIMINARES 1.1. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Recorrente afirma que há erro na autuação fiscal, fato que acarretaria em nulidade da mesma. Faz tentativa de explicar que a autuação deve se basear na glosa dos créditos efetuada, ao tempo e ao valor do crédito glosado e não na reconstituição da escrita fiscal, como teria sido feito. Isso teria feito com que a constituição do crédito baseasse no reflexo na conta gráfica da Recorrente, ou seja, momento subsequente ao creditamento indevido. Assim como afirmando pelo acórdão da DRJ, não possui razão o contribuinte. Para fins de cobrança de valores devidos a título de IPI, em função de tomada de créditos indevidos, o procedimento é justamente a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, na qual, ao lado dos créditos do período, débitos do período, saldo do período, a fiscalização destaca os créditos glosados desse mesmo período, ajustando assim o resultado referente, por óbvio, ao mesmo período. Chegase, assim, ao IPI a recolher e a dar ensejo aos juros e a multa aplicável. Exatamente desta forma foi feito no Demonstrativo de Reconstituição de escrita fiscal (fls 17), cujos valores e datas batem precisamente com o Demonstrativo dos créditos de IPI de fls 32. Por esse motivo, não existe o alegado erro. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 1.2. FALTA DE CAPITULAÇÃO DAS INFRAÇÕES COM BASE NO REGULAMENTO DO IPI, QUE FERE O DIREITO A AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO Tal alegação do contribuinte não merece grandes delongas, pois tratase de tese sem embasamento jurídico. Afinal, não há dispositivo legal que determine que os lançamentos para cobrança de determinada espécie de tributo, o IPI no caso, deve se basear tão somente na legislação específica sobre esse mesmo tributo, in casu o Regulamento do IPI. O Direito Administrativo determina que um dos requisitos do ato administrativo é o “motivo”. O Código Tributário Nacional corrobora tal requisito em diversas passagens e o Decreto n. 70.235/72 é hialino ao dispor, em seu artigo 10, que “o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável.” Ou seja, basta que exista a referência aos dispositivos de lei que foram infringidos, levando a cobrança do tributo, bem como aqueles fundadores dos juros e da multa cobrados, exatamente como ocorreu no presente caso. Ora, é certo que a legislação tributária é extensa e, muitas vezes, determinados veículos normativos trazem disposições referentes às mais diversas matérias em seu corpo, o que não é desejável do ponto de vista da segurança jurídica e da efetividade da justiça. Contudo, isso não faz com que haja a obrigatoriedade aventada pelo contribuinte, de a autoridade fiscal se basear unicamente na legislação do IPI para fundamentar o auto para cobrança desse imposto e respectivos encargos. A legalidade, que guia o lançamento tributário, foi cumprida, à medida que o auto de infração trouxe em seu texto os dispositivos legais que baseiam o tributo, os juros de mora e a multa de ofício cobrada, o que é o suficiente para garantir a plena defesa e o contraditório do contribuinte. 1.3. DECADÊNCIA Analisando o presente processo, verificase que i) tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação (IPI); ii) não há prova nos autos de antecipação parcial do pagamento; 1 iii) o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 25.05.2007; iv) a autuação se refere a fatos ocorridos entre 31.08.2000 a 31.03.2006. Desse modo, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de exigir parte dos créditos tributários em discussão (período de 2000 a 2001), uma vez que, não havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte, e não do fato gerador do tributo. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado: 1 Cabe ao contribuinte fazer prova do seu direito (artigo 36 Lei n. 9.784 , de 29 de janeiro de 1999.) Fl. 942DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 940 7 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo) (grifei) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, muito embora não exista a dissonância entre fundamento e decisão, no acórdão da DRJ, como alega o contribuinte (houve, isto sim, entendimento pela suspensão do prazo decadencial, como será destacado a seguir), deve ser acolhida a arguição de decadência com relação aos débitos oriundos dos fatos geradores de 31/08/2000; 30/09/2000; 31/10/2000; 30/11/2000; 31/01/2001; 10/02/2001; 20/02/2001; 20/03/2001 e 31/03/2001. Afinal, a ciência do lançamento ocorreu em 25/05/2007, mas, pela aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, o prazo fatal para o lançamento ocorrera em 01/01/2006, com relação aos fatos geradores de 2000; e em 01/01/2007, com relação aos fatos geradores de 2001. Vejase que a fluência do prazo decadencial não fica em aberto em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como a tutela antecipada em favor do contribuinte, por exemplo. Não é por outra razão que existe o famigerado “lançamento para prevenir decadência”, ao qual alude o artigo 63 de Lei n. 9.430/96. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não deixa dúvidas sobre o assunto: Fl. 943DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174,PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. 1. O acórdão rescindendo concluiu que a defesa apresentada pelo município em ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária promovida pelo contribuinte revela o interesse do Fisco municipal em proceder à cobrança do imposto. Entendeu, também, que o prazo decadencial deve manterse suspenso durante o processamento do feito, já que a questão de direito material não estaria definitivamente dirimida. 2. Alega a autora que o acórdão rescindendo, ao fixar causa suspensiva do prazo decadencial, violou frontalmente o disposto no art. 173, parágrafo único, e 174, parágrafo único, inciso IV, ambos do Código Tributário Nacional CTN. 3. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário não se interrompe nem se suspende, diferentemente do prazo de prescrição para o ajuizamento da execução fiscal, que aceita as causas interruptivas previstas no art. 174 do CTN. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. 5. O art. 174, parágrafo único, do CTN, prevê regras interruptivas somente aplicáveis à prescrição e não à decadência tributária. (...) 9. Pedido rescisório que se julga procedente. (AR 2159 / SP AÇÃO RESCISÓRIA 2002/00090624, Relator(a) Ministro CASTRO MEIR, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 22/08/2007, Data da Publicação/Fonte DJ 10/09/2007 p. 176) Assim, merece de fato ser retificado o entendimento que prosperou no acórdão da DRJ, no sentido de que a antecipação de tutela em favor do contribuinte no Agravo de Instrumento n. 2000.03.00.0113655, por supostamente impedir a glosa de créditos pelas autoridades fiscais, teria suspendido o prazo decadencial, o qual só teria começado a correr depois que tal tutela em favor do contribuinte foi reformada pelo julgamento do Recurso de Apelação (01/01/2007). Fl. 944DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 941 9 Isto porque, embora em abstrato uma decisão que impede o lançamento tributário tenha o condão de deslocar o prazo decadencial, como assume a mais abalizada doutrina,2 no caso concreto não existia ordem judicial nesse sentido. Vejamos. HISTÓRICO DO PROCESSO N. 2000.61.05.0003903, brevemente descrito no relato acima A Recorrente é empresa fabricante de sabões, que em sua maioria são tributados à alíquota de 10% (dez por cento) ou 5% (cinco por cento), nos termos do Capítulo 34 da Tabela do IPI (“TIPI”). Parte dos insumos aplicados são desonerados do IPI, vale dizer, são tributados pela alíquota zero ou não tributados. Buscando o direito ao creditamento do IPI incidente sobre as aquisições desses insumos, impetrou o Mandado de Segurança n. 2000.61.05.0003903 (fls 35). Ao final de suas razões de fato e de direito, traz o seguinte pedido, que é de fundamental observação, uma vez que é o que dá os limites da lide e a amplitude da coisa julgada. In verbis A liminar, que realmente pleiteava o impedimento do direito de glosar o crédito, foi indeferida, razão pela qual foi interposto Agravo de Instrumento, ao qual foi atribuído o n. 2000.03.00.0113655 (fls 62) e cujo pedido de efeito ativo (artigo 527, inciso III do Código de Processo Civil) foi concedido pelo Tribunal Regional da Terceira Região 2 “Sendo assim, mão se cogita que a suspensão da exigibilidade do crédito possa impedir a prática do lançamento. Nesse caso, como diz o Min. Ari Pargendles ‘a Fazenda pode constituir o crédito tributário, só não sendo lícito exigilo’. Consequentemente não há que falar em suspensão do prazo decadencial direito de o Fisco lançar, a menos que tenha havido liminar proibindo expressamente a efetivação do lançamento, mas, nesse caso, o que ocorre é a suspensão da possibilidade de lançar. Sendo cassada a medida, aplicase a regra do direito de lançar sem pagamento antecipado, deslocandose o início do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a medida foi cassada, conforme prescreve o artigo 172, inciso I do CTN.” (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, 4ª ed, p. 130) Fl. 945DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 (“TRF3”) em 15/03/2000 (publicação de 05/04/2000), permitindo tão somente o creditamento de IPI (fls 78). Destaco abaixo o pedido do citado Agravo de Instrumento que, no mesmo sentido de sua fundamentação intitulada “preliminar do efeito ativo” (fls 64), não toca na questão do impedimento de glosa de créditos ou de lançamento tributário: Pois bem. Na data de 18/01/2002 a sentença de primeira instância (fls 83) julgou improcedente o pedido, denegando a segurança requerida. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso de apelação ao TRF3, requerendo “o total provimento ao recurso de Apelação, (...), para conceder a segurança no sentido de garantir à Recorrente o direito de aproveitar o crédito presumido de IPI gerado na entra da matéria prima isenta, não tributada ou tributadas sob a alíquota zero, em respeito ao princípio constitucional da não cumulatividade que informa toda a sistemática desse imposto”, o qual, em 22/04/2002, foi recebido com efeito suspensivo ativo (fls 96), para manter a decisão proferida no Agravo vigente, nos seguintes termos: Destarte, o estabelecimento industrial calculou e escriturou no livro registro de apuração do IPI os créditos em questão, os quais foram integralmente utilizados na dedução do IPI devido nas saídas tributadas. Ocorre que em 23/08/2006 a Sexta Turma do TRF3 negou provimento à apelação. Segue abaixo transcrito a ementa que foi atribuída ao acórdão: Fl. 946DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 942 11 Pela análise das petições e decisões acima citadas, não restam dúvidas de que o pedido de suspensão do direito do fisco glosar o crédito tributário em discussão, constante da petição inicial do mandado de segurança, nunca foi garantido pelo Poder Judiciário. Tal pedido, isto sim, foi indeferido no julgamento da liminar do Mandado de segurança e, quando da interposição do Agravo de Instrumento n. 2000.03.00.0113655, não foi devolvido do TRF3. Ou seja, o contribuinte deixou de recorrer quanto a este específico pedido, limitando a pleitear o direito ao creditamento do IPI. Cumpre, nesse ponto, lembrar que recurso devolve ao tribunal tão somente o exame da matéria impugnada, segundo o princípio do tantum devolutum quantum apelatum (art. 515 do CPC), Nestes termos, o julgamento em favor do contribuinte que permaneceu vigente de 05/04/2000 até 23/08/2006 permitia tão somente o credimento do IPI de forma presumida, restando suspensa a exigibilidade do crédito em questão, nos exatos termos do pedido do Agravo de Instrumento n. 2000.03.00.0113655 supra colacionado. Não havia, portanto, decisão judicial impedindo a glosa dos créditos em questão. Por conseguinte, deve ser reformado o entendimento consolidado no acórdão recorrido, na parte em que descolocou o dies a quo da contagem do prazo decadencial para 01/01/2007, uma vez que não havia impedimento para que o Fisco efetuasse o lançamento em questão. Assim, confirmase a conclusão adiantada alhures, de decadência com relação aos débitos oriundos dos fatos geradores de 31/08/2000; 30/09/2000; 31/10/2000; 30/11/2000; 31/01/2001; 10/02/2001; 20/02/2001; 20/03/2001 e 31/03/2001. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 1.4. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em suas razões recursais, o contribuinte alega a suspensão da exigibilidade do crédito tributário sub judice, com base no artigo 151, inciso IV do CTN, quando da lavratura do auto de infração, razão pela qual não poderia ser imputada multa no lançamento, a teor do artigo 63 da Lei n. 9430/96. Nestes termos, pleiteia a Recorrente que seja afastada a multa de ofício, alegando que a questão de direito sob análise lhe era favorável, existindo inúmeros julgados do STF a favor da tese do contribuinte, sendo evidente que a manutenção da multa aplicada se apresenta injusta. Não assiste razão à Recorrente. O auto de infração foi lavrado em 21/05/2007, sendo notificado o contribuinte do seu teor em 25/05/2007. Nesta data já não existia mais a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que cessara em 23/08/2006, pelo julgamento da Apelação pelo TRF3, que cassou o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário em favor do contribuinte, que vigorava desde 05/04/2000. É fato que o contribuinte interpôs Recurso Especial e Recurso extraordinário (fls 730 e seguintes) contra o acórdão que lhe fez sucumbente. Contudo, tais espécies recursais não são dotadas de efeitos suspensivo automático (artigo 497 do CPC), 3 o qual só poderia ser conseguido em medida cautelar apresentada pela Recorrente ou nas excepcionais situações elencadas no artigo 558 do CPC. Não há notícia nos autos de quaisquer dessas circunstâncias. Em conclusão, em 23/08/2006 deixou de existir a causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário que antes beneficiara o contribuinte, nos termos do inciso V do artigo 151 do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Disto percebese que o lançamento tributário em análise, datado de 21/05/2007, não constitui lançamento para prevenir a decadência do crédito tributário, não se aplicando, destarte, o artigo 63 da Lei n. 9430/96, que é claro em exigir a existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário para isentar a aplicação da multa de ofício, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Como visto, a situação concreta não se encaixa na hipótese de exclusão da multa de ofício. Afinal, à época do lançamento não vigorava qualquer medida suspendendo a exigibilidade ou mesmo reconhecendo o direito de o contribuinte se creditar de IPI quanto aos insumos sujeitos à incidência de alíquota zero, isenção ou não tributado. 3 Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. Art. 542. Recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindoselhe vista, para apresentar contrarazões. (...) § 2º Os recursos extraordinário e especial serão recebidos no efeito devolutivo. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 943 13 Sendo assim, não há como a afastar a aplicação da presente multa. A circunstância de existir à época decisões do STF favoráveis à tese da Recorrente, proferidas em controle difuso e em relação a terceiros, em nada beneficia a Recorrente 1.5. DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC Muito embora haja identidade entre o presente processo e o Mandado de Segurança n. 2000.61.05.0003903 no que tange ao mérito (direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos tributados à alíquota zero, isenção ou não tributados, como será pormenorizadamente descrito abaixo), a questão da aplicação dos juros Selic à cobrança de IPI em análise não é objeto do Processo n. 2000.61.05.0003903, devendo ser avaliada por este Conselho. Contudo, maior sorte não resta ao Contribuinte recorrente sobre este ponto. Em seu recurso voluntário, o contribuinte afirma que o acórdão recorrido errou ao tratar a questão como um problema inconstitucionalidade, o qual não poderia ser enfrentado em âmbito administrativo. Efetivamente, os argumentos apresentados na SEXTA PRELIMINAR do recurso são de índole legal, não constitucional. Contudo, tratase de assunto pacificado pela jurisprudência do CARF, sendo o precedente colacionado pelo Contribuinte ultrapassado. Ademais, a Recorrente insiste que se trata de lançamento para prevenir decadência, o que, ao seu sentir, não permitiria a aplicação de juros. Ocorre que, como destacado nos itens acima, o auto de infração não foi lavrado para prevenir decadência, pois não existia mais a causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário quando da sua lavratura. E ainda que assim não fosse, mesmo nos lançamentos para prevenir decadência o CARF entende pela aplicação da taxa Selic sobre o valor principal do tributo lançado. Com efeito, a questão já é pacífica no CARF, como se depreende do texto das Súmulas n. 4 e 5, a seguir transcritas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não há nos autos notícia de depósito do montante integral do tributo cobrando no auto de infração em questão, razão pela qual são devidos os juros aplicados pela autoridade fiscal. Por fim, ressaltese que a Recorrente despende diversas laudas ao fim de sua petição, mais uma vez sobre os juros enquanto pedido subsidiário caso não prosperem seus Fl. 949DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 demais argumentos: trata do histórico e natureza da taxa Selic, buscando sustentar que se trata de gravame que impõe penalização insuportável e odiosa ao contribuinte, além de causar enriquecimento sem causa do credor. Propõe a utilização de outros índices para a correção. Porém, como já expostos linhas acima, a utilização da taxa Selic como juros aplicáveis aos débitos federais está sumulada no CARF, não sendo assim procedentes as alegações do contribuinte. 2. MÉRITO 2.1. CONCOMITÂNCIA ENTRE AS VIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA O mérito do caso resumese, basicamente, à verificação de concomitância entre o Processo n. 2000.61.05.0003903 e o presente processo administrativo. Pois bem. Analisando a fundamentação do auto de infração, verifico que a autoridade lançadora deixou claro que o presente lançamento diz justamente respeito aos créditos pleiteados na citada Ação Judicial. Nas palavras da autoridade fiscal: Com efeito, no caso concreto está evidente a identidade de objetos. Não bastassem os claros elementos apresentados na decisão recorrida, o próprio contribuinte confirma a identidade de objetos em seu Recurso (crédito de IPI advindo de insumos isento, não tributado ou tributado com alíquota zero), resumindose a requerer a suspensão da exigência tributária enquanto mantida a decisão judicial, sem nem mesmo tentar afastar a concomitância. Por conseguinte, entendo que, quanto ao mérito, a defesa administrativa efetivamente não dever ser conhecida, dada a identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo relativamente à cobrança do IPI. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. Nesse sentido, o enunciado sumular n. 1 do CARF é hialino: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002667/200711 Acórdão n.º 3402002.875 S3C4T2 Fl. 944 15 Sendo assim, igualmente não procede o pedido da Recorrente de garantia do direito ao crédito do IPI e consequente extinção o processo administrativo, uma vez que a questão será decidida pelo Poder Judiciário. 2.2. DAS COMPENSAÇÕES REALIZADAS Como segundo ponto do mérito, a Recorrente apresenta questão referente às compensações realizadas (fls 849) que, além de parecer dissociada do presente processo administrativo, não foi trazida na impugnação, e, portanto, não foi analisado pela DRJ em seu julgamento. Destarte, não pode agora esse ponto ser julgado em sede de recurso voluntário. Tratase do limite do efeito devolutivo, segundo o qual somente são devolvidas ao CARF as matérias alegadas no recurso e que já foram apresentadas na impugnação, a teor do artigo 17 do Decreto 70.235/72, que determinar que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Assim, não conheço deste argumento. 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar a cobrança do crédito tributário decaído, referente aos fatos geradores de 31/08/2000 a 31/03/2001. Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 951DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001547/98-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1994
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — Serão acolhidos os embargos
interpostos no sentido de retificar o Acórdão prolatado na parte em que foi constatada a contradição, ratificando-se todos os seus demais termos.
Numero da decisão: 1802-000.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar a ementa do Acórdão n° 1802-00.043 e ratificar os demais termos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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'''' - MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 13808.001547/98-66 , Recurso n° 163.792 Embargos Acórdão n° 1802-00.290 — 2" Turma Especial Sessão de 7 de dezembro de 2009 Matéria CSLL Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado MARQUES GODOI CONSTRUTORA LTDA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1994 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — Serão acolhidos os embargos interpostos no sentido de retificar o Acórdão prolatado na parte em que foi constatada a contradição, ratificando-se todos os seus demais termos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar a ementa do Acórdão n° 1802-00.043 e ratificar os demais termos, nos termos do relatório e voto qintegto presente julgado. --------- - __—_---------- ---,--- _---- R MR___________/ A' QUES LINS DE SOUSA — Pr- -idente e Relatora EDITADO EM: 26 JAN 2n10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisc /Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz 1 Corrêa, Leonardo Henrique Magalhães/de Oliveira (Suplente convocado), Nelso Kichel (Suplente convocado) e Edwal Casoni dê Paula Fernandes Junior. 1 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no acórdão n°. 1802- 00.043, de 28/05/2008, opôs os Embargos de Declaração com Pedido de re-ratificação (fls.119/121), com fulcro no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n°. 256 de 22 de junho de 2009. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 24/09/2009, conforme Relação de Movimentação — RM n° 14075 à f1.117, considerando-se intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7° ao 9°, do art.23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.547, de 16/03/2007, D.O.0 de 19/03/2007). Os embargos foram protocolizados em 28/09/2009 (fls.119/121), portanto, dentro do prazo de 05 (cinco) dias fixado no art.65, §, 1°, do RICARF. A embargante afirma que a autuação se referiu à CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) no entanto a ementa do Acórdão embargado versa sobre IRPJ — Imposto de Renda da Pessoa Jurídica que nem foi objeto da autuação. Eis a contradição apontada. É o relatório. 2 Processo n° 13808.001547/98-66 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.290 Fl. 2 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Vejamos as hipóteses para interposição de embargos de declaração estabelecidas no artigo 65 do RICARF: Art.65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.(Grifei) Com efeito, o Acórdão embargado em nenhum momento tratou de matéria relativa a IRPJ, porém há equívoco na ementa a seguir transcrita ao se referir a IRPJ quando deveria constar Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL ,vejamos: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de Apuração: 31/01/1993 e 31/05/1993 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA - Sendo o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Grifei) Assim, deverão ser acolhidos os embargos interpostos no sentido de retificar o Acórdão prolatado na parte em que foi constatada a contradição, ratificando-se todos os seus demais termos. Com essas considerações, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos, para retificar o Acórdão n° 1802-00.043, de 28/05/2008, que deverá ser aplicado com a seguinte ementa, ratificando-se todos os seus demais termos.: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de Apuração: 31/01/1993 e 31/05/1993 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA - Sendo a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação,. o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. -- ora-ESTER-MARQU INS D OUSA 3 Processo n° 13808.001547/98-66 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.290 Fl. 3 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, q-6 / 0 1 / • /e< ‘i OSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 5
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Numero do processo: 11444.000773/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Omissão de Receitas. Incompatibilidade entre as receitas apuradas na escrituração contábil da Recorrente e os montantes declarados/pagos.
Caracteriza-se como omissão de receitas obtida por prova direta a divergência apurada na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo ao Fisco e o constante em sua escrituração contábil no período fiscalizado.
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR o sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor acerca do sobrestamento rejeitado, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.840
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Incompatibilidade entre as receitas apuradas na escrituração contábil da Recorrente e os montantes declarados/pagos. Caracteriza-se como omissão de receitas obtida por prova direta a divergência apurada na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo ao Fisco e o constante em sua escrituração contábil no período fiscalizado. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR o sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor acerca do sobrestamento rejeitado, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Nulidade. Inocorrência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. A mera correção de erro material não gera a nulidade da decisão proferida por ausência de intimação do Acórdão corrigido. Artigo 62A do RICARF Sobrestamento. Requisitos. O Regimento Interno do CARF só admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo princípio constitucional da celeridade processual. O sobrestamento indevido de processo no CARF pode levar à prescrição de ação penal vinculada ao lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Prova. Extratos Bancários. Obtenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 73 /2 00 9- 30 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 441 2 Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Juros de Mora. Selic. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Incompatibilidade entre as receitas apuradas na escrituração contábil da Recorrente e os montantes declarados/pagos. Caracterizase como omissão de receitas obtida por prova direta a divergência apurada na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo ao Fisco e o constante em sua escrituração contábil no período fiscalizado. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 442 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR o sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor acerca do sobrestamento rejeitado, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 443 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão exarado pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que manteve a exação do crédito tributário. A Ação Fiscal teve início em 16/12/2008 (proc. fls. 92 a 94). Segundo consta do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a Autoridade Fazendária afirmou que “face à apuração de movimentação financeira nos anos referidos, nas instituições financeiras a seguir indicadas, em montante incompatível com as receitas declaradas à Receita Federal do Brasil”, o contribuinte deveria apresentar no prazo de 20 dias: “a) contrato social e alterações; b) extratos de contas bancárias que deram origem à movimentação financeira; c) livros diário e Razão ou Livro Caixa, em que a movimentação financeira esteja regularmente escriturada, bem assim a documentação que comprove a origem dos recursos depositados; d) os livros Registro de entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do IPI”. Ainda no Termo de Início de Ação Fiscal, o Auditor Fiscal acrescentou que os valores foram “apurados com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à RFB e sua utilização facultada, para instaurar procedimento administrativo, conforme estabelece o art. 11, §§ 2º e 3º da Lei nº 9.311/96”. Em 09/01/2009, a contribuinte enviou alguns documentos e requereu dilação de prazo, o que foi concedido (proc. fl. 95). Tendo em vista que transcorreu o prazo concedido sem que a contribuinte ofertasse a documentação solicitada, foram enviadas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras nas quais a contribuinte mantinha conta bancária (proc. fls. 108 a 122). Foi expedido, em 11/05/2009, o Termo de Constatação Fiscal por meio do qual se intimou a contribuinte para apresentar documentação hábil a comprovar a origem das receitas apuradas constantes do anexo de 492 folhas (proc. fls. 129 a 626). Em 19/05/2009, a contribuinte solicitou e recebeu o demonstrativo constante do Termo de Constatação Fiscal em meio magnético. Um novo Termo de Intimação foi expedido requisitando a apresentação do Livro Caixa, documentação apta a comprovar a origem dos recursos apurados nas contas bancárias da interessada, bem como os livros de entrada, saída e apuração de IPI. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 444 5 Consignouse que a não apresentação da escrituração fiscal ensejaria o arbitramento do lucro (proc. fls. 429 e 430). Após a realização de Diligência junto à sede da fiscalizada em 10/08/2009, a contribuinte, em 14/08/2009 e em 18/08/2009 (proc. fls. 634 e 637), apresentou os livros de registro de apuração do IPI – RAIPI, número 08 e 09, relativos ao período sob fiscalização, os quais foram utilizados para apuração das vendas sujeitas à tributação. Foram acostados aos autos as DIPJs 2007 e 2008, bem como as DCTFs de 2006 e 2007 (proc. fls. 641 a 837). No entanto, mesmo após diversas intimações, a contribuinte não apresentou os Livros Caixas, nem a documentação que comprovasse a origem dos recursos questionados. Entendeu a autoridade fiscalizadora que a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal ensejaria o arbitramento do lucro nos termos do art. 530, III do RIR/99. Desta forma foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ (proc. fls. 02 a 16), PIS (proc. fls. 29 a 35), COFINS (proc. fls. 47 a 54) e CSLL (proc. fls. 66 a 77). De acordo com os Autos de Infração, foram apuradas 3 infrações: i) receita operacional omitida (atividade não imobiliária) relativa às receitas escrituradas nos códigos fiscais de operações e prestações – CFOP 5101 e 6101, com multa no percentual de 150%; ii) receita operacional omitida (atividade não imobiliária) relativa às receitas de exportação apuradas com o código fiscal de operações e prestações – CFOP 7101, com multa qualificada de 150%; iii) depósitos bancários de origem não comprovada, com multa de ofício no percentual de 75%. A Autoridade Fazendária ressaltou que, dos valores sujeitos à comprovação de origem, foram excluídos os originários de transferências de outras contas do mesmo titular, os cheques depositados devolvidos, bem como foram deduzidos os valores declarados em DCTF. Em 17/12/2009, a contribuinte apresentou Impugnação (proc. fls. 845 a 892). Em sede de preliminar, arguiu a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que a documentação que o embasou foi obtida por meios ilícitos. Alegou que os dispositivos legais nos quais a Receita Federal se fundamentou para ter acesso a documentos bancários protegidos pelo sigilo de dados são inconstitucionais, tendo em vista que não houve prévia autorização do Poder Judiciário. Ao juntar os Acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes, a interessada afirmou que inclusive na esfera administrativa já está pacificado o entendimento de que extratos e depósitos bancários não se prestam ao lançamento do imposto de renda arbitrado. Ademais, entendeu que o Fisco não respeitou os limites objetivos traçados pela súmula 182 do TFR. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 445 6 Dissertou sobre os direitos e garantias fundamentais e concluiu que o sigilo bancário é um direito constitucionalmente tutelado e que as leis que fundamentam a quebra do sigilo pelo Fisco não encontram fundamento de validade na Constituição Federal. A Contribuinte justificou a incompatibilidade entre a movimentação bancária e sua receita bruta declarada afirmando que movimenta em suas contas “valores afetos a operações comerciais de outra empresa do mesmo grupo econômico, qual seja MD INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA – ME”. Requereu a juntada posterior de perícia técnica realizada no sentido de comprovar o alegado. No mérito, alegou que a base de cálculo do IRPJ utilizada pelo Auditor Fiscal está eivada de vício, pois incluiu “toda a importância apurada a título de suposta receita omitida – a totalidade dos valores creditados nas contas bancárias da empresa Impugnante”. Entendeu ainda que a totalidade dos valores movimentados não se coaduna com o conceito de renda, componente do critério quantitativo da regra matriz de incidência do tributo em tela. Salientou que a universalidade de valores movimentados em suas contas bancárias destinavase ao adimplemento das obrigações a que se vincula (aquisição de veículos para os consorciados). Desta forma, apenas uma ínfima parcela destinase à Impugnante. Asseverou que o procedimento fiscalizatório ofendeu diversos Princípios Constitucionais tais como o do contraditório e da ampla defesa, pois a União aproveitou informações sigilosas para outra finalidade ao vasculhar a intimidade do contribuinte, mesmo sabendo que eventuais apontamentos bancários não significam renda. Asseverou que não foi observado o Princípio da capacidade contributiva, pois é inadmissível que seja revelada capacidade contributiva em decorrência da renda auferida, não podendo contribuinte ser obrigado a pagar tributo sobre o que não corresponde a acréscimo patrimonial. No que toca à multa, a Impugnante manifestouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa no percentual de 225% (art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96). Segundo seu entendimento, “foi aplicada a multa de 50% (inciso II) acrescida de 25% (§ 1º), sua metade, perfazendo um total de multa de 75%. O parágrafo segundo do citado artigo determina o aumento de metade da multa aplicada anteriormente. Assim, a multa que soma o percentual de 75% deve ser acrescida de 37,5%, perfazendo o total de 112,5%”. Ressaltou que o percentual de 112,5% já se mostra flagrantemente abusivo, caracterizandose como verdadeira multa punitiva, e, portanto, inconstitucional. Por fim, alegou que a taxa Selic é inconstitucional e ilegal, e requereu que a Representação Fiscal para Fins Penais somente seja encaminhada ao Ministério Público, após a prolação de decisão definitiva, desde que subsista o crédito tributário, o que admite apenas em tese. Em 28/01/2010, a DRJ em Ribeirão Preto exarou Acórdão julgando improcedente a Impugnação apresentada (proc. fls. 902 a 920). Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 446 7 De início a Turma manifestouse quanto às alegações de inconstitucionalidade. Afirmou que os órgãos administrativos atuam de forma vinculada à legislação vigente. Desta forma, não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob o pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade. Ressaltou ainda o preceituado na súmula nº 2 do CARF. Neste diapasão, o Colegiado alertou que resta ao contribuinte levar suas considerações ao Poder Judiciário, que detém o “monopólio” da análise de eventuais ilegalidades e/ou inconstitucionalidades do direito positivado. Relativamente à posterior juntada de laudo técnico apto a comprovar a origem dos depósitos bancários, o órgão julgador a quo manifestouse de forma contrária. Ressaltou que a legislação vigente não prevê tal possibilidade (art. 16, §4º da Lei nº 9.532/97) e que, embora a legislação anterior permitisse a juntada de documentação, tal requerimento não poderia implicar impedimento para apreciação da Impugnação com base nos documentos que a instruíssem. O Colegiado ainda afirmou que, desde 11/05/2009, a contribuinte foi intimada a fazer prova da origem dos valores em questão, e, passados 8 meses, não o fez a contento. Ademais, tais valores deveriam estar regularmente registrados em sua escrituração, que deveria ser mantida em ordem, juntamente com os documentos que lhe deram suporte, conforme o disposto no art. 264 do RIR/99. Concernente à alegação de violação do sigilo bancário, os membros da DRJ mais uma vez mencionaram que não possuíam competência para manifestação de suposta inconstitucionalidade. A Turma asseverou que a Lei Complementar nº 105/01 regulou com detalhes a solicitação de informações às instituições financeiras. Em seguida, foi editada a Lei nº 10.174/01, bem como o Decreto nº 3.724/01, ambos visando regrar com mais precisão a obtenção de dados. Neste panorama, a Turma concluiu que a autoridade fiscal está autorizada, em conformidade com o previsto em lei, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Ressaltou ainda, que não há previsão expressa na Constituição quanto à inviolabilidade do sigilo bancário. Desta feita, o Colegiado afirmou que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, a quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5º, § 5º, e art. 6º, parágrafo único, ambos da Lei Complementar nº 105/01. No mérito, a DRJ ressaltou que a contribuinte não contestou o arbitramento e a omissão de receitas com base nas divergências entre os valores escriturados e os declarado/pagos, tampouco o valor dos tributos lançados. Limitouse a contestar a omissão de receitas com base nos depósitos bancários. Portanto, entendeu definitiva, na esfera administrativa, a exigência dos tributos, excetuandose a multa e os juros. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 447 8 No que toca aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela Impugnante, a Turma alegou que a presunção de omissão de receitas se deu com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Quanto à aplicação da súmula nº 182 do TFR, os julgadores declararam que tal enunciado não encontra mais fundamento legal em nosso ordenamento, visto que vai contra o preceituado na Lei supramencionada. Ressaltouse que apesar de intimada por diversas vezes a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrente, a contribuinte não o fez. Destarte, a DRJ manifestouse no sentido de ser incabível qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores depositados como base de cálculo dos tributos lançados. Em relação à aplicação de multas, o Colegiado esclareceu que foram aplicadas multas distintas de acordo com a infração verificada. Aplicouse multa no percentual de 75% no tocante aos créditos apurados pela omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. Já quanto à omissão de receita apurada com base nos valores declarados/pagos e os lançados no Livro RAIPI sob os códigos CFOP 5101, 6101 e 7101, foi imputada a multa na sua forma qualificada (150%), pois se considerou que a omissão sistemática não pode ser atribuída a mero erro, configurando sonegação. O órgão julgador a quo ressaltou que a contribuinte não contestou a cominação da multa, refutou apenas o percentual aplicado sob a alegação de inconstitucionalidade. No que concerne ao questionamento da Interessada quanto à utilização da taxa Selic, a Turma repisou o entendimento de que não cabe à autoridade administrativa deixar de aplicar o direito positivado a pretexto de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades. Desta forma, entendeu cabível a aplicação da taxa Selic, sendo ainda mencionado o teor da súmula nº 4 do CARF. Por fim, quanto ao requerimento da Impugnante de que a Representação Fiscal para fins Penais seja encaminhada somente após encerrado o processo administrativo, a autoridade julgadora afirmou que tal questão está fora do escopo daquele colegiado. O litigio em análise limitase à inconformidade em relação aos tributos lançados, não sendo possível qualquer manifestação quanto a Representação Fiscal para Fins Penais. Em 01/04/2010, a DRJ exarou novo Acórdão apenas para corrigir erro de fato constante na tabela relativa à CSLL cujos valores foram declarados definitivos (proc. fls. 925 a 944). A contribuinte teve ciência do Acórdão corrigido em 07/06/2010, e interpôs Recurso Voluntário em 29/06/2010 (proc. fls. 951 a 1002). De início a Recorrente alegou a nulidade do Auto de Infração em razão da não intimação do Acórdão proferido em 28/01/2010. Asseverou que foi prejudicada em sua defesa, uma vez que não se manifestou a respeito da decisão que foi revista. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 448 9 No mais, a Postulante transcreveu ipsis litteris o disposto na Impugnação. Ou seja: · Questionou a possibilidade de quebra do sigilo bancário por autoridade fazendária; · Alegou que movimenta valores de outra empresa do mesmo grupo econômico; · Requereu a posterior juntada de perícia técnica; · Afirmou que houve erro na composição da base de cálculo dos tributos; que se verificou ofensa ao Princípio da capacidade contributiva; · Refutou o percentual da multa punitiva aplicada, pois entende ser inconstitucional; alegou a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic; e · Requereu que a Representação Fiscal para Fins Penais somente se inicie depois de encerrado o processo administrativo. Segundo manifestação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat, da DRJ em Marília (proc. fl. 1004), os créditos tributários não expressamente contestados tiveram seu controle transferido para o processo administrativo nº 15901.000074/201040 (proc. fls. 945 e 946). É o relatório. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 449 10 Voto Vencido PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso interposto preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 450 11 recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. No entanto, não é este o entendimento desta Turma. Destarte, passo à análise do Recurso interposto. Em sede de preliminar, a Postulante alega a nulidade da decisão recorrida, pois não foi intimada do teor do primeiro acórdão proferido pela DRJ, posteriormente revisto. Não assiste razão a Recorrente. A substituição do Acórdão proferido em 28/01/2010 pelo Acórdão de 01/04/2010 se deu em virtude de mero erro material quanto ao valor da CSLL apurada sem a multa e os juros. Vale mencionar que não houve alteração do conteúdo da decisão proferida restando o teor do Acórdão revisor exatamente igual ao anteriormente exarado. Seguem as planilhas constantes dos Acórdãos e objeto de revisão: Acórdão de 28/01/2010 (proc. fl. 916) ANO TRIMESTRE VALOR 1 6.648,15 2 143.462,43 2006 3 149.045,41 4 166.463,61 1 156.833,50 2 179.988,55 2007 3 179.494,79 4 202.293,33 TOTAL 1.179.229,77 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 451 12 Acórdão de 01/04/2010 (proc. fl. 940) ANO TRIMESTRE VALOR 1 4.432,10 2 95.641,62 2006 3 99.363,61 4 110.975,74 1 104.555,67 2 119.992,37 2007 3 116.329,86 4 134.862,22 TOTAL 786.153,19 A mera correção de erro material não gera a nulidade da decisão proferida por ausência de intimação do Acórdão corrigido. Como é sabido, a Administração pode rever a qualquer tempo os seus atos para corrigir eventuais erros, inclusive erros materiais. Neste panorama, é meu entendimento que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da Postulante vez que o conteúdo e fundamentação dos Acórdãos é o mesmo, verificandose apenas a correção de erro material. Ainda em preliminar, a Recorrente questionou a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem a devida autorização do Poder Judiciário. De acordo com o discorrido no Termo de Início do Procedimento Fiscal (proc. fls. 92 a 94), a Autoridade Fiscalizadora teve ciência da movimentação financeira da contribuinte por meio das informações prestadas pelas instituições financeiras nos termos do art. 11, §§ 2º e 3º da Lei nº 9.311/96. Lei 9311/96 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 452 13 porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Diante de tais informações, instaurouse procedimento administrativo sendo solicitado à Recorrente a apresentação de extratos de suas contas bancárias, o que não foi atendido. Em face à negativa do contribuinte em apresentar tais comprovantes, a autoridade fiscalizadora expediu RMF com fundamento tanto na Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01. Portanto, a autoridade fazendária se valeu de dispositivos legais plenamente em vigor em nosso ordenamento para ter acesso à movimentação financeira da Postulante. Vale mencionar que a constitucionalidade ou não de tais dispositivos não pode ser aferida por órgãos administrativos, o que incluiu este Colegiado. Neste sentido há inclusive súmula desse Egrégio Conselho, vide: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De posse das informações prestadas pelas instituições financeiras por meio de RMFs, a fiscalização constatou a incompatibilidade entre a receita declarada e os valores constantes em mencionadas contas, o que caracteriza a presunção de omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É importante ressaltar que tal presunção pode ser ilidida pelo contribuinte mediante a apresentação de documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos. Até o presente momento, nenhum documento foi apresentado com tal fim. Verificouse apenas manifestação da Recorrente alegando que movimenta valores de outra empresa do grupo econômico e rogando por juntada de perícia técnica comprobatória do alegado, o que também não foi se verificou. É fato que meras alegações não comprovadas não afastam a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o silêncio da Recorrente, a autoridade lançadora arbitrou o lucro com base nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, bem como nas divergências apuradas entre os valores escriturados nos RAIPI e os declarados/pagos. Urge salientar que a Recorrente em nenhum momento contestou o arbitramento, a omissão de receitas ou mesmo o valor dos tributos lançados. Apenas se opôs quanto à omissão de receita com base em depósitos bancários, sem, no entanto fazer prova dos valores questionados. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 453 14 Foram aplicadas multas nos percentuais de 75% para infração de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, e de 150% referentes à incompatibilidade entre as receitas apuradas na escrituração contábil da Recorrente e os montantes declarados/pagos. A Recorrente apenas refutou o percentual aplicado, pois entende inconstitucional por afronta ao Princípio do Não Confisco, não havendo qualquer manifestação contrária à cominação das multas. Os percentuais aplicados pela Autoridade Lançadora estão previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96 nos incisos I (75%) e I c/c § 1º (150%). Tendo em vista que tais penalidades estão devidamente fundamentadas em legislação tributária plenamente em vigor, como já mencionado neste voto, ao teor da súmula nº 2 deste Conselho Administrativo, não compete este colegiado se manifestar sobre a constitucionalidade ou não das normas que compõem o ordenamento jurídico pátrio. Este mesmo raciocínio é fundamento para a aplicação da taxa Selic. A Recorrente entende que tal taxa é inconstitucional. Este Colegiado possuiu súmula que determina a aplicação da Selic de forma que a mesma não pode ser afastada pela autoridade fazendária, confirase: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, quanto ao requerimento da Postulante para que a Representação Fiscal para Fins Penais somente seja encaminhada ao Ministério Público após o encerramento deste processo administrativo, não é competência dos órgãos administrativos a análise de tal Representação, tratandose o seu encaminhamento ao órgão competente de atividade plenamente vinculada. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendose a exação dos créditos tributários em análise. Sessão, 04 de dezembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 454 15 Voto Vencedor Tema: Sobrestamento CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado ad hoc para a formalização do presente Acórdão e redação do voto vencedor na parte em que restou vencida a I. Relatora. Nesta condição de redator ad hoc designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro original durante a sessão de julgamento, consignando, porém, que o faço meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não estou vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais posso ou não concordar em situações concretas. Passo, a seguir, à transcrição do voto. Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO O art. 62A, § 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF (Portaria MF nº 256/2009), estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (nossos grifos) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme o texto do RICARF, para que o julgamento de recurso fique sobrestado no CARF, é preciso que o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Portanto, não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral (sistemática do artigo 543B do CPC). Isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. É preciso ato específico do STF sobrestando o Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11444.000773/200930 Acórdão n.º 1101000.840 S1C1T1 Fl. 455 16 julgamento da matéria no próprio STF, para que seja possível o sobrestamento do julgamento no CARF. Além disso, o processo administrativo é pautado pelo princípio da celeridade processual, previsto no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição. Deste modo, o sobrestamento do julgamento no CARF só é possível nos exatos termos estabelecidos no RICARF, não havendo espaço para interpretação que desborde da letra do dispositivo. Ademais, diversos processos em julgamento no CARF estão vinculados a representações fiscais para fins penais, que só serão encaminhadas para o Ministério Público Federal após a decisão definitiva da administração que mantenha a exigência. Portanto, o sobrestamento de processos em julgamento no CARF pode levar à prescrição da ação penal. Dessarte, a interpretação proposta pela Relatora ultrapassa e letra do regimento interno e pode levar a um prejuízo do interesse público referente à celeridade processual e à punição penal. Por tais razões, voto por não sobrestar o julgamento do presente processo, eis que não estão presentes as circunstâncias exigidas no art. 62A do RICARF. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2012. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Redator designado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10855.723463/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011
EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
Reconhecer que a multa de ofício prevista em lei tem caráter confiscatório, implicaria em reconhecer sua inconstitucionalidade, o que é defeso na instância administrativa. Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, relatora, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro, que entendiam pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins. Por unanimidade de votos negou-se o caráter confiscatório à multa de ofício. Voto vencedor a cargo do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e redator designado.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Semíramis de Oliveira Duro, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-22T22:35:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-22T22:35:22Z; Last-Modified: 2016-03-22T22:35:22Z; dcterms:modified: 2016-03-22T22:35:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:370fd29f-44b5-4c54-ab60-ee21f8c8da56; Last-Save-Date: 2016-03-22T22:35:22Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-22T22:35:22Z; meta:save-date: 2016-03-22T22:35:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-22T22:35:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-22T22:35:22Z; created: 2016-03-22T22:35:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2016-03-22T22:35:22Z; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-22T22:35:22Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 467 1 466 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.723463/201450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.833 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS Recorrente ITABA INDUSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Reconhecer que a multa de ofício prevista em lei tem caráter confiscatório, implicaria em reconhecer sua inconstitucionalidade, o que é defeso na instância administrativa. Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Reconhecer que a multa de ofício prevista em lei tem caráter confiscatório, implicaria em reconhecer sua inconstitucionalidade, o que é defeso na instância administrativa. Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 34 63 /2 01 4- 50 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 468 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, relatora, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro, que entendiam pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins. Por unanimidade de votos negouse o caráter confiscatório à multa de ofício. Voto vencedor a cargo do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e redator designado. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Semíramis de Oliveira Duro, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 469 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida, proferida pela DRJ em Salvador em 28 de abril de 2015, conforme teor abaixo transcrito: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de março de 2010 a dezembro de 2011. O autuante informa no Relatório Fiscal (fls. 298/300) ter constatado insuficiência de recolhimento dos valores devidos, declarados a menor nas DCTF em confronto com os valores informados nos DACON. Cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte apresenta impugnação com as seguintes razões de defesa, em síntese: 1. Recolheu corretamente os valores devidos a título de PIS e Cofins, haja vista que a Autoridade Fiscal simplesmente incluiu na base de cálculo das contribuições o valor devido a título de ICMS, o que é inconstitucional, uma vez que não representa renda ou faturamento, conforme doutrina e jurisprudência que transcreve, entendimento, aliás, da maioria dos ministros integrantes do plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785; 2. A inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins afronta aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da imunidade recíproca, previstos, respectivamente, no artigo 150, inciso II, no artigo 145, § 1º, e no artigo 150, inciso IV da CF/88, bem como ofende aos artigos 155, inciso II, e § 2º, e 158, inciso IV, da CF/88; 3. No que tange à penalidade aplicada, tem efeito confiscatório e despreza a capacidade contributiva da contribuinte. A referida decisão concluiu pela improcedência da impugnação, com base nos seguintes fundamentos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 470 4 A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2011 INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. Impugnação Improcedente O contribuinte tomou ciência desta decisão em 07/05/2015 e, irresignado com o seu teor, interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/06/2015, por meio do qual reproduziu os argumentos trazidos em sua impugnação administrativa. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do recurso voluntário interposto. É o breve relatório. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 471 5 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante narrado acima, o cerne da presente demanda é avaliar se está correto o procedimento adotado pelo contribuinte ao excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em seu recurso, o contribuinte apontou, resumidamente, que: 1. Recolheu corretamente os valores devidos a título de PIS e Cofins, haja vista que a Autoridade Fiscal simplesmente incluiu na base de cálculo das contribuições o valor devido a título de ICMS, o que é inconstitucional, uma vez que não representa renda ou faturamento, conforme doutrina e jurisprudência que transcreve, entendimento, aliás, da maioria dos ministros integrantes do plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785; 2. A inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins afronta aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da imunidade recíproca, previstos, respectivamente, no artigo 150, inciso II, no artigo 145, § 1º, e no artigo 150, inciso IV da CF/88, bem como ofende aos artigos 155, inciso II, e § 2º, e 158, inciso IV, da CF/88; 3. No que tange à penalidade aplicada, tem efeito confiscatório e despreza a capacidade contributiva da contribuinte. Ao se manifestar quanto a tais alegações, a decisão de primeira instância administrativa assim dispôs: A autuação decorreu da insuficiência de recolhimento dos valores devidos a título de PIS e de Cofins por terem sido declarados a menor nas DCTF, em confronto com os valores informados nos DACON. A contribuinte alegou em sua defesa ser inconstitucional a inclusão do ICMS nas bases de cálculo das contribuições. Observese, contudo, que a legislação referente a essas contribuições, desde a sua instituição até a presente data, vem sofrendo inúmeras alterações, inclusive por intermédio de Medidas Provisórias. Porém, não apresenta dentre esses dispositivos modificados, suprimidos ou criados, qualquer embasamento legal permitindo a exclusão pretendida, porquanto o ICMS, por guardar proporcionalidade com o preço das mercadorias e dos serviços, é imposto incidente sobre as mesmas, compondo, portanto, a receita de vendas e de serviço da empresa. Quisesse o legislador contemplar os valores correspondentes ao ICMS com o benefício da exclusão em apreço, o teria feito de forma expressa. Somente há previsão legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins na condição de substituto tributário, que não é o caso ora em litígio. A propósito, o Parecer Normativo CST nº 77, de 23 de outubro de 1986, definiu que o ICMS referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 472 6 O ICM referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto incidente sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL. É verdade que temos em pauta no STF o julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, exatamente acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Mas em 10/10/2007 o Presidente da República propôs Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 18) com a finalidade de legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos a título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, desde que não se tratasse de substituição tributária. O STF, no julgamento da ADC 18, entendeu que deveria julgála, não prosseguindo com o julgamento do RE nº 240.785MG. Assim, a questão da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins está na dependência do julgamento de mérito da ADC 18, não podendo a autoridade administrativa se antecipar à decisão do Supremo Tribunal Federal para negar validade à lei tributária vigente. Enquanto não julgada a ADC 18, a regra atual é pela inclusão do ICMS para fins de tributação. Em inexistindo decisão judicial da qual a contribuinte seja parte, a atribuição dos julgadores está limitada a observar apenas as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais. Destaquese que alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade não podem ser apreciadas na esfera administrativa, por falta de competência. Sobre o tema, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, conforme súmula a seguir transcrita: SÚMULA CARF Nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, deu a seguinte redação ao caput do artigo 26A ao Decreto nº 70.235/1972 abaixo transcrito, perfeitamente aplicável à espécie uma vez que não presentes as hipóteses de seus incisos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, os argumentos despendidos sobre violação aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da imunidade recíproca, e outros lastreados nos artigos 145, 150, 155 e 158 da Constituição Federal, não serão aqui analisados. Ou seja, entendeu a DRJ em Salvador/Bahia, que não haveria na legislação em vigor embasamento legal permitindo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E quanto ao pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto, asseverou que a questão da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS estaria na dependência do julgamento de mérito da ADC 18, e que o STF, nesta ADC, teria entendido que deveria julgála, não prosseguindo com o julgamento do RE nº 240.785. Importante aqui que sejam feitos alguns esclarecimentos pertinentes à solução da presente demanda. Inicialmente, é cediço que a matéria em questão (exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS) é objeto de três ações judiciais perante o Supremo Tribunal Federal: ADC 18, RE nº 240.785 e RE nº 574.706, esta última com repercussão geral reconhecida. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 473 7 E, ao contrário do que constou da decisão recorrida, o STF não entendeu pelo não prosseguimento do julgamento objeto do RE nº 240.785 em razão do ajuizamento da ADC 18. Ao contrário, vêse que o RE 240.785 já havia sido definitivamente julgado quando da decisão recorrida, proferida em 28 de abril de 2015, consoante decisão abaixo colacionada, cuja publicação ocorreu em 16 de dezembro de 2014: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15122014 PUBLIC 16122014 EMENT VOL0276201 PP00001) Tanto que no próprio ADC 18, foi proferido despacho em que o Relator se manifestou expressamente sobre a impossibilidade de o ADC 18 suspender o curso do RE nº 240.785, consoante se extrai do teor a seguir transcrito: DESPACHO: O pleito ora formulado pela Confederação Nacional do Transporte – CNT, que entendo plenamente acolhível, há de ser dirigido, no entanto, para efeito de sua apreciação, ao eminente Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, em face da competência que lhe confere o RISTF, notadamente o que dispõem os seus arts. 13, III, 125, IV, 134 e 138. Observo, por relevante, que se iniciou, em 24/08/2006, o julgamento do RE 240.785/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, cujo “thema decidendum” coincide com o deste processo, valendo destacar que 07 (sete) votos já foram nele proferidos, faltando colher, unicamente, os votos dos eminentes Ministros GILMAR MENDES, ROSA WEBER e JOAQUIM BARBOSA, além do meu próprio. Cabe assinalar, ainda, que o julgamento do RE 240.785/MG, suspenso em decorrência de pedido de vista formulado pelo eminente Ministro GILMAR MENDES, já está em condições de prosseguir, eis que o Ministro GILMAR MENDES, segundo registra o sistema de consulta processual desta Corte, já devolveu os autos em 04/12/2007 para efeito de continuação do julgamento em referência. Nem se diga, de outro lado, que o ajuizamento da ADC 18/DF impediria o prosseguimento do julgamento em causa, pois a medida cautelar deferida em mencionado processo objetivo, mesmo que ainda vigente e eficaz, não impediria o exame do RE 240.785/MG, pois – é importante relembrar – o Plenário desta Suprema Corte, ao deferir o provimento cautelar em questão (hoje não mais subsistente), suspendendo o julgamento das demandas que envolvessem a aplicação do art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98, expressamente excluiu do alcance de referida suspensão cautelar “os processos em andamento no Supremo Tribunal Federal”. Cumpre ressaltar, por relevante, que a existência de ações diretas ou de ações declaratórias de constitucionalidade, bem assim de arguições de descumprimento de preceito fundamental, não impede que se julguem recursos extraordinários (como o RE 240.785/MG) ou outras causas em cujo âmbito tenha sido instaurado idêntico litígio constitucional. A prática processual do Supremo Tribunal Federal tem revelado a possibilidade de o julgamento de processos subjetivos (como aquele a que se refere o RE 240.785/MG) preceder ao exame de processos objetivos de controle abstrato que versem o mesmo “thema decidendum”, como sucedeu, p. ex., com o RE 595.838RG/SP (em relação à ADI 2.594/DF) e com os RREE 377.457/PR e 381.964/MG (em relação à ADI 4.071/DF), valendo destacar, nesse mesmo sentido, outro precedente firmado pelo Plenário desta Suprema Corte: “ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. DIREITO MONETÁRIO E ADMINISTRATIVO. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 474 8 SERVIDOR PÚBLICO. A LEI ESTADUAL Nº. 6.612/94 TEVE A SUA INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA NO RE Nº 561.836 TORNANDO PREJUDICADA A APRECIAÇÃO DA PRESENTE AÇÃO. ARGUIÇÃO JULGADA PREJUDICADA.” (ADPF 174/RN, Rel. Min. LUIZ FUX – grifei) Desse modo, tenho para mim que o pleito formulado pela Confederação Nacional do Transporte – CNT haverá de ser por ela dirigido, diretamente, ao Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal, a quem incumbe compor a pauta do Plenário desta Corte e apregoar os processos cujo julgamento deva prosseguir após a devolução da vista solicitada pelos Ministros do Tribunal. Publiquese. Brasília, 20 de junho de 2014. Ministro CELSO DE MELLO Relator. Como se não bastasse, consoante narrou o Relator no despacho acima transcrito, o provimento cautelar outrora concedido na ADC 18 para fins de suspensão de demandas sobre o tema não mais subsiste. Isso porque o Plenário do STF, em decisão proferida em 25/03/2010, entendeu por prorrogar, pela última vez, por mais 180 (cento e oitenta) dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, resolveu a questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Gilmar Mendes (Presidente) e Eros Grau e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso (VicePresidente). Plenário, 25.03.2010. E M E N T A: TERCEIRA QUESTÃO DE ORDEM AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE PROVIMENTO CAUTELAR PRORROGAÇÃO DE SUA EFICÁCIA POR MAIS 180 (CENTO E OITENTA) DIAS OUTORGA DA MEDIDA CAUTELAR COM EFEITO “EX NUNC” (REGRA GERAL) A QUESTÃO DO INÍCIO DA EFICÁCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR EM SEDE DE FISCALIZAÇÃO ABSTRATA DE CONSTITUCIONALIDADE EFEITOS QUE SE PRODUZEM, ORDINARIAMENTE, A PARTIR DA PUBLICAÇÃO, NO DJe, DA ATA DO JULGAMENTO QUE DEFERIU (OU PRORROGOU) REFERIDA MEDIDA CAUTELAR, RESSALVADAS SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS EXPRESSAMENTE RECONHECIDAS PELO PRÓPRIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PRECEDENTES (RCL 3.309MC/ES, REL. MIN. CELSO DE MELLO, v.g.) COFINS E PIS/PASEP FATURAMENTO (CF, ART. 195, I, “B”) BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO DO VALOR PERTINENTE AO ICMS LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, INCISO I PRORROGAÇÃO DEFERIDA. Sendo certo que já transcorreu o referido prazo de 180 (cento e oitenta) dias, não há qualquer provimento cautelar em vigor apto a ensejar a suspensão de julgamentos sobre a matéria em questão. Nesse contexto, podese resumir a situação atual da matéria perante o Supremo Tribunal Federal da seguinte forma: (i) o RE nº 240.785 já foi definitivamente julgado pelo Plenário do STF a favor do contribuinte, no sentido de que o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS (decisão sem efeito vinculante, produzindo efeitos imediatos apenas às partes envolvidas); (ii) o ADC 18 encontrase no aguardo de julgamento; (iii) o RE nº 574.706, em que houve o reconhecimento da repercussão geral, encontrase no aguardo de julgamento. Quanto a este último processo, trazse a seguir o teor da decisão em que restou reconhecida a repercussão geral: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 475 9 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Feitos tais esclarecimentos quanto o status atual do tema perante o Supremo Tribunal Federal, passase à análise do mérito da presente demanda. Da leitura da decisão recorrida, extraise que a DRJ entendeu que não poderia se pronunciar pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que não haveria disposição legal prevendo tal exclusão e que, não poderia a autoridade administrativa se antecipar à decisão do Supremo Tribunal Federal. Concluiu que, enquanto não julgada a ADC nº 18, a regra atual seria de inclusão do ICMS para fins de tributação. Entendeu ainda pela aplicabilidade à hipótese da súmula 02 deste Conselho Administrativo Fiscal, bem como do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõem, respectivamente: Súmula nº 2 do CARF: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Dada a devida vênia aos fundamentos constantes da decisão recorrida, ouso discordar das conclusões constantes da referida decisão, consoante fundamentos a seguir explanados. Quanto à base de cálculo do PIS e da COFINS, esta encontra previsão na Lei nº 9.718/1998, in verbis: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 476 10 IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e (Redação dada pela Lei nº 13.043 de 2014) (Vigência) V (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Ou seja, a legislação pátria determina que o PIS e a COFINS deverá ser calculado com base no faturamento da empresa, compreendendo este a receita bruta nos moldes do disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977, o qual, por seu turno, assim dispõe: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O entendimentos constante da decisão recorrida, portanto, é no sentido de que, não tendo o parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 excluído expressamente da receita bruta o valor correspondente ao ICMS, este deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Acontece que a essência da questão não está na ausência de previsão expressa determinando tal exclusão, mas sim na possibilidade de se considerar que o ICMS integra o conceito de faturamento, nos moldes do que dispõe a legislação pátria. A exclusão disposta no referido parágrafo segundo não pode ser interpretada no sentido de incluir na base de cálculo dessas contribuições valor que não integra o conceito de faturamento. Nesse sentido, transcrevese abaixo trecho do voto vencedor proferido pelo Ministro Marco Aurélio nos autos do RE nº 240.785: (...) As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. Por isso mesmo, esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição, na redação primitiva da Carta, sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa, emprestando, assim, ao vocábulo “salários”, o sentido técnicojurídico, ou seja, de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128.5192/DF. Jamais imaginouse ter a referência à folha de salários como a apanhar, por exemplo, os acessórios, os Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 477 11 encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional, revelador da incidência sobre o faturamento. Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. No caso dos autos, muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte, terseá, a prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a possibilidade de incluirse, na base de incidência da Cofins, o valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti, em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71.758: “se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” RTJ 66/165. Conforme salientado pela melhor doutrina, “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que, conforme visto, é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. A contrário sensu, qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins.Há de se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondo se que o texto constitucional mostrese fiel, no emprego de institutos, de expressões e de vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Por isso mesmo, o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que, para mim, surge simplesmente pedagógica, com sentido didático, a revelar que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de terse, na expressão “folha de salários”, a inclusão do que satisfeito a administradores, autônomos e avulsos, não pode, com razão maior, entender que a expressão “faturamento” envolve, em si, ônus fiscal, como é o relativo ao ICMS, sob pena de desprezarse o modelo constitucional, adentrandose a seara imprópria da exigência da contribuição, relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria, quer de serviço, como é o relativo ao ICMS. Se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. Admitir o contrário é querer, como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins Ampliação da base de cálculo e Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 478 12 compensação do aumento de alíquota”, em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PROBLEMAS JURÍDICOS”, que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional, alterando, assim, a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. Conforme previsto no preceito constitucional em comento, a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado, ao valor da mercadoria ou do serviço, não englobando, por isso mesmo, parcela diversa. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto, que é o faturamento, implica manipulação geradora de insegurança e, mais do que isso, a duplicidade de ônus fiscal a um só título, a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor, a cobrança considerado, isso sim, um desembolso. Por tais razões, conheço deste recurso extraordinário e o provejo para, reformando o acórdão proferido pela Corte de origem, julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória intentada, assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição, considerado o faturamento, o valor correspondente ao ICMS. Com isso, inverto os ônus da sucumbência, tais como fixados na sentença prolatada. Tragase, ainda, os fundamentos do voto proferido pelo Ministro Celso de Mello, que seguiu o voto do Relator: O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Peço vênia, Senhor Presidente, para, acompanhando o voto do eminente Ministro MARCO AURÉLIO, conhecer e dar provimento ao presente recurso extraordinário, por considerar incompatível com o modelo constitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Também desejo reafirmar, Senhor Presidente, antes de mais nada, observações que fiz, a propósito do tema, no julgamento do pedido de medida cautelar formulado na ADC 18/DF. Tenho salientado, em diversas decisões que proferi no Supremo Tribunal Federal (RTJ 144/435436, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RE 428.354/RS, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), que os desvios inconstitucionais do Estado, no exercício do seu poder de tributar, geram, na ilegitimidade desse comportamento do aparelho governamental, efeitos perversos, que, projetandose nas relações jurídicofiscais mantidas com os contribuintes, deformam os princípios que estruturam a ordem jurídica, subvertem as finalidades do sistema normativo e comprometem a integridade e a supremacia da própria Constituição da República. Cumpre assinalar, por isso mesmo, que o caso ora em exame justifica, plenamente, que se reiterem tais asserções, pois é necessário advertir que a prática das competências impositivas por parte das entidades políticas investidas da prerrogativa de tributar não pode caracterizarse como instrumento, que, arbitrariamente manipulado pelas pessoas estatais, venha a conduzir à destruição ou ao comprometimento da própria ordem constitucional. A necessidade de preservação da incolumidade do sistema consagrado pela Constituição Federal não se revela compatível com pretensões fiscais contestáveis do Poder Público, que, divorciandose dos parâmetros estabelecidos pela Lei Magna, busca impor ao contribuinte um estado de submissão tributária absolutamente inconvivente com os princípios que informam e condicionam, no âmbito do Estado Democrático de Direito, a ação das instâncias governamentais. Bem por isso, tenho enfatizado a importância de que o exercício do poder tributário, pelo Estado, deve submeterse, por inteiro, aos modelos jurídicos positivados no texto constitucional, que institui, em favor dos contribuintes, decisivas limitações à competência estatal para impor e exigir, coativamente, as diversas espécies tributárias existentes. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 479 13 O fundamento do poder de tributar – tal como tem sido reiteradamente enfatizado pela jurisprudência desta Suprema Corte (RTJ 167/661, 675676) – reside, em essência, no dever jurídico de estrita fidelidade dos entes tributantes ao que imperativamente dispõe a Constituição da República. Cabe relembrar, neste ponto, consideradas as observações que venho de fazer, a clássica advertência de OROSIMBO NONATO, consubstanciada em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 18.331/SP), em acórdão no qual aquele eminente e saudoso Magistrado acentuou, de forma particularmente expressiva, à maneira do que já o fizera o Chief Justice JOHN MARSHALL, quando do julgamento, em 1819, do célebre caso “McCulloch v. Maryland”, que “o poder de tributar não pode chegar à desmedida do poder de destruir” (RF 145/164 – RDA 34/132), eis que – como relembra BILAC PINTO, em conhecida conferência sobre “Os Limites do Poder Fiscal do Estado” (RF 82/547562, 552) – essa extraordinária prerrogativa estatal traduz, em essência, “um poder que somente pode ser exercido dentro dos limites que o tornem compatível com a liberdade de trabalho, de comércio e de indústria e com o direito de propriedade” (grifei). Daí a necessidade de rememorar, sempre, a função tutelar do Poder Judiciário, investido de competência institucional para neutralizar eventuais abusos das entidades governamentais, que, muitas vezes deslembradas da existência, em nosso sistema jurídico, de um verdadeiro “estatuto constitucional do contribuinte”, consubstanciador de direitos e garantias oponíveis ao poder impositivo do Estado (Pet 1.466/PB, Rel. Min. CELSO DE MELLO, “in” Informativo/STF nº 125), culminam por asfixiar, arbitrariamente, o sujeito passivo da obrigação tributária, inviabilizandolhe, injustamente, o exercício de atividades legítimas, o que só faz conferir permanente atualidade às palavras do Justice Oliver Wendell Holmes, Jr. (“The powerto tax is not the power to destroy while this Court sits”), em “dictum” segundo o qual, em livre tradução, “o poder de tributar não significa nem envolve o poder de destruir, pelo menos enquanto existir esta Corte Suprema”, proferidas, ainda que como “dissenting opinion”, no julgamento, em 1928, do caso “Panhandle Oil Co. v. State of Mississippi Ex Rel. Knox” (277 U.S. 218). É por isso que não constitui demasia reiterar a advertência de que a prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental, constitucionalmente assegurados ao contribuinte, pois este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos (ou ilicitudes) cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelas instâncias governamentais. Assentadas tais premissas, que reputo necessárias ao julgamento deste recurso extraordinário, passo a apreciar o litígio constitucional em exame. Como resulta claro dos votos já proferidos, a controvérsia instaurada na presente causa concerne à discussão em torno da possibilidade constitucional, ou não, de se incluir, na base de cálculo da COFINS (e da contribuição ao PIS), o valor correspondente ao ICMS. Não se desconhece, Senhor Presidente, considerados os termos da discussão em torno da noção conceitual de faturamento, que a legislação tributária, emanada de qualquer das pessoas políticas, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias. Vejase, pois, que, para efeito de definição e identificação do conteúdo e alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, “faz prevalecer o império do Direito Privado – Civil ou Comercial...” Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 480 14 (ALIOMAR BALEEIRO, “Direito Tributário Brasileiro”, p. 687, item n. 2, atualizada pela Professora MISABEL ABREU MACHADO DERZI, 11ª ed., 1999, Forense – grifei), razão pela qual esta Suprema Corte, para fins jurídico tributários, não pode recusar a definição que aos institutos é dada pelo direito privado, sob pena de prestigiar, no tema, a interpretação econômica do direito tributário, em detrimento do postulado da tipicidade, que representa, no contexto de nosso sistema normativo, projeção natural e necessária do princípio constitucional da reserva absoluta de lei em sentido formal, consoante adverte o magistério da doutrina (GILBERTO DE ULHÔA CANTO, “in” Caderno de Pesquisas Tributárias nº 13/493, 1989, Resenha Tributária; GABRIEL LACERDA TROIANELLI, “O ISS sobre a Locação de Bens Móveis”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 28/711, 89). (...). É importante ressaltar, neste ponto, que a orientação que venho de mencionar encontra apoio em autorizado magistério doutrinário (JOSÉ ALFREDO FERRARI SABINO, “Da NãoInclusão dos Reembolsos, pelos Distribuidores, do ICMS Retido pela Indústria na Base de Cálculo do PIS e da Cofins”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário nº 42, p. 59, item n. 4, 1999; HUGO DE BRITO MACHADO, “Cofins: Ampliação da Base de Cálculo e Compensação do Aumento de Alíquota”, “in” “Contribuições Sociais: Problemas Jurídicos: COFINS, PIS, CSLL e CPMF”, p. 95/113, 1ª ed., 1999, Dialética; DIEGO DINIZ RIBEIRO, “PIS e COFINS na Importação: Base de Cálculo e Questões Controvertidas”, “in” Repertório de Jurisprudência – IOB nº 11, vol. I/425, item n. 3, 2005; CARLOS ALEXANDRE DE AZEVEDO CAMPOS, “Exclusão do ICMS da Base de Cálculo de Tributos Federais”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário nº 145, p. 22, out/07; ALLAN MORAES, “ICMS na Base de Cálculo do PIS e da Cofins não Cumulativos”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário nº 141, p. 30/32, jun/07; SOLON SEHN, “PIS – COFINS – Não Cumulatividade e Regimes de Incidência”, p. 240/243, item n. 4.3.4, 2011, Quartier Latin, v.g.), cabendo ressaltar, no ponto, a precisa lição do ilustre jurista e tributarista ROQUE ANTONIO CARRAZZA, de quem tive a honra de haver sido colega no Ministério Público paulista, exposta em conhecida monografia que escreveu como doutrinador eminente (“ICMS”, p. 530/542, 12ª ed., 2007, Malheiros): “‘Faturamento’ não é um simples ‘rótulo’. Tampouco, ‘venia concessa’, é uma ‘caixa vazia’, dentro da qual o legislador, o intérprete ou o aplicador podem colocar o que bem lhes aprouver. Pelo contrário, ‘faturamento’, no contexto do art. 195, I, da CF (que menciona este instituto próprio do Direito Comercial), tem uma acepção técnica precisa, da qual o Direito Tributário não pode afastarse. De fato, desde as clássicas lições de Gian Antonio Micheli (exCatedrático da Universidade de Roma) aceitase que o Direito Tributário é um ‘Direito de superposição’, na medida em que encampa conceitos que lhe são fornecidos pelo Direito Privado (Direito Civil, Comercial, do Trabalho etc.). Assim, por exemplo, quando a Constituição, em matéria de IPTU, alude à propriedade, é preciso buscar no Direito Civil a noção de propriedade. Quando a Constituição, em matéria de ICMS, trata de operação mercantil, é preciso buscar no Direito Comercial a noção de operação mercantil. Muito bem, quando a Constituição, em matéria de contribuições sociais para a seguridade social, alude a ‘faturamento’, é preciso buscar no Direito Comercial (art. 187, I, da Lei 6.404/1976, que se encontrava em vigor quando da promulgação da Constituição Federal) este conceito. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 481 15 Depois, é certo que quando o texto constitucional alude, sem reservas ou restrições, a um instituto ou a um vocábulo jurídico, endossa o sentido próprio que possuem, na doutrina e na jurisprudência. Ora, faturamento, para o Direito Comercial, para a doutrina e para a jurisprudência, nada mais é do que a expressão econômica de operações mercantis ou similares, realizadas, no caso em estudo, por empresas que, por imposição legal, sujeitamse ao recolhimento do PIS e da COFINS. O ‘faturamento’ (que, etimologicamente, advém de ‘fatura’) corresponde, em última análise, ao ‘somatório’ do valor das operações negociais realizadas pelo contribuinte. ‘Faturar’, pois, é obter ‘receita bruta’ proveniente da venda de mercadorias ou, em alguns casos, da prestação de serviços. Noutras palavras, ‘faturamento’ é a contrapartida econômica, auferida, como ‘riqueza própria’, pelas empresas em razão do desempenho de suas atividades típicas. Conquanto nesta contrapartida possa existir um componente que corresponde ao ICMS devido, ele não integra nem adere ao conceito de que ora estamos cuidando. Indo ao encontro desta linha de raciocínio, a Suprema Corte pacificou e reafirmou, no julgamento dos RE 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, em sessão do dia 9.11.2005, a distinção entre ‘faturamento’ e ‘receita’. Mais: deixou claro que ‘faturamento’ é espécie de ‘receita’, podendo ser conceituado como o ‘produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviço (...). ....................................................................................................... O ‘punctum saliens’ é que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS leva ao inaceitável entendimento de que os sujeitos passivos destes tributos ‘faturam ICMS’. A toda evidência, eles não fazem isto. Enquanto o ICMS circula por suas contabilidades, eles apenas obtêm ‘ingressos de caixa’, que não lhes pertencem, isto é, não se incorporam a seus patrimônios, até porque destinados aos cofres públicos estaduais ou do Distrito Federal. Portanto, a integração do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS traz como inaceitável conseqüência que contribuintes passem a calcular as exações sobre receitas que não lhes pertencem, mas ao Estadomembro (ou ao Distrito Federal) onde se deu a operação mercantil (cf. art. 155, II, da CF). A parcela correspondente ao ICMS pago não tem, pois, natureza de ‘faturamento’ (e nem mesmo de ‘receita’), mas de simples ‘ingresso de caixa’ (na acepção ‘supra’), não podendo, em razão disso, compor a base de cálculo quer do PIS, quer da COFINS. Ademais, se a lei pudesse chamar de ‘faturamento’ o que ‘faturamento’ não é (e, a toda evidência, empresas não faturam ICMS), cairia por terra o rígido esquema de proteção ao contribuinte, traçado pela Constituição. Realmente, nos termos da Constituição, o PIS e a COFINS só podem incidir sobre o ‘faturamento’, que, conforme vimos, é o somatório dos valores das operações negociais realizadas. ‘A contrario sensu’, qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo destes tributos. Enfatizese que, se fosse dado ao legislador (ordinário ou complementar) redefinir as palavras constitucionais que delimitam o ‘campo tributário’ das várias pessoas políticas, ele, na verdade, acabaria guindado à posição de Constituinte, o que, por óbvio, não é juridicamente possível. Foi o que, ‘venia concessa’, fez o legislador da União ao não contemplar, na alínea ‘a’ do parágrafo único do art. 2º da Lei Complementar 70/1991, a possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. A perplexidade que a omissão causa é tanto maior em se atentando para o fato de o aludido dispositivo haver (corretamente, digase de passagem) determinado a exclusão do IPI. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 482 16 Com efeito, inexiste justificativa lógicojurídica para este tratamento diferenciado, já que ambos os impostos têm estrutura semelhante (são ‘tributos indiretos’), não integrando o ‘faturamento’, tampouco a receita, das empresas. ....................................................................................................... Irrelevante, portanto, que o parágrafo único do art. 2º da Lei Complementar 70/1991 não tenha se referido expressamente ao ICMS como passível de exclusão da base de cálculo da COFINS, já que tal exclusão é conseqüência inexorável da definição da ‘base de cálculo’ contida no ‘caput’, além de consagrada pelo art. 195, I, da CF. ....................................................................................................... Em boa verdade científica, não é possível inserir na base de cálculo do PIS e da COFINS algo que ‘faturamento’ não é. Fazêlo enseja a cobrança de novo tributo, que refoge à competência tributária federal. ....................................................................................................... Isto desconsidera, a todas as luzes, direito subjetivo fundamental dos contribuintes, qual seja, o de só serem tributados na ‘forma’ e nos ‘limites’ permitidos pela Constituição. Em suma, a inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor corresponde ao ICMS pago abre espaço a que a União Federal locupletese com ‘exações híbridas e teratológicas’, que não se ajustam aos modelos de nenhum dos tributos que a Constituição, expressa ou implicitamente, lhe outorgou. ....................................................................................................... Daí por que a inclusão, na base de cálculo da COFINS, de elemento (o valor do ICMS) que não reflete receita própria do sujeito passivo distorce sua efetiva aptidão para contribuir e acarreta aumento indevido e – pior – inconstitucional da carga tributária.” (grifei) Registro, finalmente, que essa orientação doutrinária – que censura, de modo inequívoco (e correto), a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS – é perfilhada por ROBERTO CARLOS KEPPLER e por ROBERTO MOREIRA DIAS (“Da Inconstitucionalidade da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário nº 75, p. 178, item n. 4, 2001), que assim se pronunciam sobre a matéria: “(...) o ICMS não poderá integrar a base de cálculo da Cofins pelos seguintes motivos: (i) o alcance do conceito constitucional de faturamento e receita não permite referida dilação na base de cálculo da exação; (ii) isso representaria afronta aos princípios da isonomia tributária e da capacidade contributiva; e (iii) o previsto no art. 154, I, da Constituição Federal seria afrontado.” (grifei) Com estas considerações, Senhor Presidente, dou provimento ao recurso extraordinário interposto pela empresa contribuinte. É o meu voto. Como se vê das razões supra transcritas, a decisão do STF proferida nos autos do RE nº 240.785 não concluiu pela inconstitucionalidade de nenhum dispositivo legal. Apenas esclareceu que o ICMS não poderia integrar o conceito de faturamento nos moldes do que determina a legislação pátria em vigor. Razões estas das quais compartilho. Para que fique ainda mais claro que a decisão do STF não declarou a inconstitucionalidade de lei tributária, mas apenas esclareceu o conceito de faturamento, colacionase abaixo trecho do inteiro teor da referida decisão: (...) O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Senhora Presidente, na verdade, lembrome que participei desse intenso debate, mas nunca tive dúvida de que, tal como a questão se colocara época, o tema era, sim, constitucional. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 483 17 Na verdade, a minha divergência com o Ministro Cezar Peluso e os que o seguiram dizia respeito à compreensão do conceito no contexto geral e dos precedentes, inclusive, que se desenvolveram a partir da própria ADC n° 1. Entendo até que estamos diante daquilo que a doutrina e a teoria do direito chama de garantia de perfil institucional. Claro que podemos ter um debate, dependendo da singularidade, de perfil infraconstitucional. Mas, no caso específico, o que está em jogo é o próprio conceito. Porque podemos estar a discutir conceito de faturamento, conceito de propriedade, conceito de casamento ou de renda, e neste caso é evidente que a discussão se põe como discussão constitucional. Tanto é que temos tantos debates irrelevantes na alçada do Superior Tribunal de Justiça sobre o mesmo tema. Por quê? Claro que podemos ter detalhamentos outros, ou má ou boa aplicação da lei, mas, aqui, a indagação que se faz é sobre a substância do próprio conceito: se o legislador teria, ou não, extrapolado ao regular um determinado instituto. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Ministro, Vossa Excelência me permite? O artigo 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 não versa a inclusão ou a exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. O SENHOR MINISTRO SEPULVEDA PERTENCE Sim, é uma interpretação a contrario. Mas para mim o problema é irrelevante, porque não é preciso declarar a inconstitucionalidade da lei para dizermos que a inclusão do ICMS na sua própria base de cálculo é inconstitucional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Exatamente. (Grifos apostos). Nesse contexto, entendo que a adoção das razões dispostas nos votos dos Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, que restaram vencedores no julgamento final do RE nº 240.785, não encontra óbice na súmula 2 deste CARF, ou mesmo no art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, pois não se está declarando a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao contrário, estáse reconhecendo a sua constitucionalidade, porém, aplicandoa nos seus exatos termos, ou seja, tomandose por base o efetivo e correto conceito de faturamento, para fins de tributação do PIS e da COFINS. Não fazendo o ICMS parte desse conceito, não há que se falar em sua inclusão na base de cálculo de tais contribuições. Embora a decisão do STF no RE nº 240.785 não vincule o julgamento a ser proferido nesta esfera administrativa, a adoção dos seus fundamentos por este Conselho tampouco se encontra vedada, em especial quando se vê que não se está diante do reconhecimento de inconstitucionalidade de dispositivo legal, mas de reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança de PIS e COFINS sobre o valor do ICMS, quando tal exigência não encontra respaldo legal ou mesmo constitucional, face ao conceito de faturamento definido pelo Plenário do STF. Por fim, é válido mencionar que, uma vez acolhido o pleito de mérito do contribuinte, resta prejudicada a análise do pedido subsidiário de reconhecimento do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa, para fins de reconhecer a correção da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 484 18 Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de determinar que seja exonerado do auto de infração o crédito tributário oriundo da inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 485 19 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: Em que pese o bom e fundamentado voto da conselheira relatora, peço licença para discordar, o que faço com os seguintes argumentos bem simples. A matéria objeto da discórdia é relativa ao entendimento da relatora de que é possível a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins sem que se declare a inconstitucionalidade da lei tributária. Nesse sentido bastaria dar a lei a melhor interpretação, seguindo a linha de exegese adotada pelo STF no julgamento do RE nº 240.785. Como bem acentuou a relatora essa matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. Em primeiro lugar a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins não traz qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Nesse sentido vinha decidindo o Superior Tribunal de Justiça, cuja matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 486 20 Quanto ao argumento utilizado pela relatora de que no conceito legal de faturamento definidos pelas Leis 9.718/98 e DecretoLei nº 1.598/77, não consta a inclusão do ICMS, volto a transcrever abaixo esses dispositivos legais, para concluir que o ICMS está sim incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins: Até o advento da Lei nº 12.973/14 assim era a redação dos art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Vêse que havia uma exclusão expressa somente do IPI e do ICMS Substituição Tributária. Ora só se exclui algo que está dentro do conceito de receita bruta. Sendo que pelos mesmos argumentos utilizados no voto da relatora de que o ICMS não estaria incluso no conceito de faturamento assim também não estaria o IPI e o ICMS Substituição Tributária. Partindo então do princípio de que a Lei não traz palavras desnecessárias, forçoso concluir que, diante da redação acima transcrita, que somente o ICMS Substituição Tributária estaria fora do seu campo de incidência. Assim o ICMS normal certamente estaria diante da sistemática de seu cálculo que é efetuado por dentro, ou seja, ele está dentro da sua própria base de cálculo que é o valor da operação de venda das mercadorias. Mas para concluir o seu raciocínio a relatora transcreve a atual redação da Lei 9.718/98, com destaque para o conceito de receita bruta remetida para o DecretoLei nº 1.598/77, conforme abaixo: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 487 21 § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e (Redação dada pela Lei nº 13.043 de 2014) (Vigência) V (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Ou seja, a legislação pátria determina que o PIS e a COFINS deverá ser calculado com base no faturamento da empresa, compreendendo este a receita bruta nos moldes do disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977, o qual, por seu turno, assim dispõe: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10855.723463/201450 Acórdão n.º 3301002.833 S3C3T1 Fl. 488 22 § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Tenho para mim que os §§ 4º e 5º acima transcritos deixam expressamente claros que o ICMS integra a receita bruta que corresponde ao faturamento que é a base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, no meu entender, afastar essa tributação seria ir de encontro ao disposto na Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O contribuinte alega ainda que o valor cobrado configura confisco, pois o total da multa e juros estaria superando o valor do tributo devido. A Constituição Federal em seu art. 150, inc. IV, abaixo transcrito, veda a utilização do tributo com efeito de confisco. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Ocorre que este dispositivo constitucional é destinado ao legislador infra constitucional. Se a lei instituidora do tributo e de seus acréscimos legais está vigente, ao aplicador da lei, no caso, as autoridades lançadoras e de julgamento, só cabem o seu cumprimento, estando vedado a esta instância administrativa de julgamento a análise de sua constitucionalidade. Nestes termos a Súmula CARF nº 2, já transcrita logo acima. Diante do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11052.000439/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura - ou seja, que não em dinheiro -, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO em razão da aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 às hipóteses de fornecimento da utilidade alimentação em tickets. Os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA divergiram por entenderem que a aplicação do referido parecer restringe-se à hipótese de fornecimento da alimentação propriamente dita.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 356 1 355 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.000439/201023 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.979 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente RH INTERNACIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO em razão da aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 às hipóteses de fornecimento da utilidade alimentação em tickets. Os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA divergiram por entenderem que a aplicação do referido parecer restringese à hipótese de fornecimento da alimentação propriamente dita. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 04 39 /2 01 0- 23 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000439/201023 Acórdão n.º 2401003.979 S2C4T1 Fl. 357 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 531 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado correspondente à parte da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Foi lançada também a contribuição social sobre a mão de obra nas notas fiscais dos prestadores de serviço mediante empreitada (calculada) e a contribuição social sobre a prestação de serviço de cooperativa de trabalho. O crédito apurado, consolidado em 17/09/2010, com ciência pessoal pelo interessado na mesma data, consubstanciouse no valor originário de R$ 699.463,56, que acrescido de multa e juros totalizou a quantia de R$ 1.540.359,40, e é relativo ao período de 01/2006 a 12/2006. (DEBCAD: 37.274.1967). De acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições lançadas incidiram sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e foram apuradas nas folhas de pagamento e livro diário apresentados em meio magnético, resumo das folhas de pagamento, recibo de prestação de serviço de contribuinte individual e notas fiscais de serviço. Os fatos geradores foram identificados da seguinte forma: (a) a remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregados e contribuinte individuais; (b) a prestação de serviços remunerados pelo cooperado intermediado por cooperativa de trabalho; (c) a prestação de serviço remunerado pelos segurados empregados da empresa prestadora de serviço mediante empreitada, obtida nas notas fiscais de serviço. Tratase de antecipação de contribuição previdenciária da prestadora do serviço que é retida e recolhida pela tomadora do serviço. As bases de cálculo não foram incluídas pela empresa nas GFIPs enviadas antes do início da ação fiscal. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Da impugnação O interessado contesta parcialmente o lançamento, aduzindo as seguintes razões, expostas a seguir, em síntese. (...) Dos procedimentos administrativos após a impugnação Tendo em vista a impugnação parcial e a solicitação de desmembramento para pagamento da parte não impugnada, os autos foram desmembrados e emitida guia para pagamento. À época, a empresa não efetuou o pagamento da parte incontroversa, motivo pelo qual foi lavrado o Termo de Revelia. (...) Como afirmado, a impugnação, restrita aos valores relativos ao fornecimento de alimentação, foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 545 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * em dezembro de 2004, quando possuía a denominação de Select Investimentos, incorporou a empresa RH Internacional, passando, a partir de então, a ter todos os seus direitos e deveres, em especial a inscrição junto ao PAT, válida até o ano de 2007; * acrescenta que, após a incorporação, a Select Investimentos alterou sua denominação para RH Internacional, mas manteve o seu CNPJ; * aduz que a teor do art. 1.116 do CC e do art. 227 da Lei das S/A., na incorporação, a sucessão atinge todos direitos e obrigações; * jurisprudência, RFB e PGFN entenderiam que não incide contribuição previdenciária no auxílioalimentação, mesmo sem inscrição no PAT; * solicitação redução da multa em 50% É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000439/201023 Acórdão n.º 2401003.979 S2C4T1 Fl. 358 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Alimentação. Ticket A discussão dos presentes autos cingese à alimentação fornecida em ticket aos segurados. O lançamento decorreu do fato de a recorrente não ostentar a inscrição no PAT, a despeito de ser sucessora de empresa que se encontrava inscrita no PAT. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Todavia, é preciso considerar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Como na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura e o referido Parecer referese a pagamentos in natura, concluo que a não Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , incluindo tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT. No caso sob exame, o fornecimento ocorreu em ticket, razão pela qual, independentemente da inscrição, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Portanto, assiste razão à recorrente, devendo o recurso ser provido, restando prejudicada as demais razões recursais, em especial aquela relativa ao pleito de redução da multa em 50%. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13856.000021/2003-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.
Por força do que restou decidido no RESP nº 993.164, decidido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC, reverte-se a glosa em relação às aquisições de pessoas físicas.
CRÉDITO PRESUMIDO ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa efetuada em relação às aquisições de cana-de-açúcar de pessoas físicas. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Elise Oliveira Rodrigues, OAB/SP 308.824.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Por força do que restou decidido no RESP nº 993.164, decidido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC, revertese a glosa em relação às aquisições de pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Recurso Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 00 21 /2 00 3- 67 Fl. 927DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa efetuada em relação às aquisições de cana deaçúcar de pessoas físicas. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Elise Oliveira Rodrigues, OAB/SP 308.824. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI com base na Lei nº 9.363/96, relativo ao 3º Trimestre de 2001, protocolado em 29/01/2003, cumulado com as declarações de compensação anexadas aos autos. Em diligência fiscal na empresa, a fiscalização efetuou as seguintes glosas no valor do ressarcimento (fls. 508/510): 1) Aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas, por serem aquisições em relação às quais não ocorre a incidência do PIS e da COFINS.; 2) Utilização de canadeaçúcar de produção própria, pois não houve aquisição de insumo. Não houve incidência das contribuições ao PIS e COFINS, não havendo direito ao ressarcimento; 3) Transferências de produtos industrializados do estabelecimento BONFIM para o TAMOIO e viceversa, consideradas como base de cálculo para a apuração do crédito presumido, uma vez que os produtos não são utilizados no processo produtivo da empresa adquirente, servindo apenas para comercialização e, somandose a isto o fato de que, na transferência entre estabelecimentos, não há incidência de PIS e/ou COFINS; 4) Vendas de produção de um estabelecimento para outro, de produtos industrializados — da unidade BONFIM para a TAMOIO e vice versa — os produtos não são utilizados no processo produtivo, da empresa, servindo apenas para comercialização; 5) As aquisições de adubos, fertilizantes, defensivos e demais insumos da atividade agrícola, utilizados no cultivo da cana de açúcar, próprio ou através de parcerias agrícolas onde a empresa fornece os insumos. Tais aquisições não dão direito ao beneficio, pois os insumos não se integraram ao produto final e nem foram consumidos no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final Fl. 928DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000021/200367 Acórdão n.º 3402002.863 S3C4T2 Fl. 3 3 6) Aquisições de produtos diversos, Energia Elétrica e Combustíveis— partes e peças de máquinas, equipamentos e veículos, materiais de manutenção, serviços, combustíveis, energia elétrica e diversos; 7) Transferências de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros material de embalagem e matéria prima da unidade BONFIM para TAMOIO. Na transferência entre estabelecimentos não há incidência de PIS e/ou COFINS. Como consequência, foi deferido parcialmente o valor do ressarcimento e homologadas parcialmente as compensações até o limite suportado pelo crédito reconhecido ao contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) É ilegal excluir da base de cálculo do crédito presumido os valores que não sofreram incidência do PIS e da COFINS, pois o art. 2º da Lei nº 9.363/96 estabelece que a base de cálculo é o total das aquisições de insumos empregados no processo produtivo. Essas contribuições oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidas no produto final. O mesmo raciocínio se aplica à canadeaçúcar de produção própria; b) Tem direito ao valor dos insumos empregados na produção agrícola, pois estão diretamente ligados ao processo produtivo. Adubos, defensivos e fertilizantes são essenciais à produção de canadeaçúcar. O calcário por exemplo, é utilizado tanto como insumo industrial, como insumo agrícola. Ora é empregado na correção do PH dos caldos ou águas no processo de produção do açúcar e do álcool, ora consiste em indispensável insumo agrícola para redução dos altos índices de alumínio contidos no solo. O mesmo raciocínio se aplica a adubos minerais e químicos e a outros produtos aplicados na lavoura, cuja função está diretamente ligada ao desenvolvimento, à melhor qualidade e à maior produção da matéria prima; c) Alegou que seu processo produtivo tem uma fase agrícola e uma fase industrial (atividade agroindustrial integrada). Sendo assim, tem direito ao crédito pelas aquisições de insumos diversos, tais como peças de máquinas; combustíveis e energia elétrica; mel ou melaço; calcário dolomítico; cal virgem; kit claripol; hidrato de hidrazina; antiespumante; dispersante; alcadisper 560; bactericidas; polímero catiôico; hidróxido de amônia; corantes; clareadores; amaciantes de fibras; e sulfato de alumínio. Os fundamentos pelos quais existe o direito de crédito em relação a esses itens são basicamente os mesmos elencados nos itens anteriores: são essenciais ao processo produtivo do açúcar e do álcool; d) As Leis nº 9.363/96 e 10.276/2001 não se referem à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, combustíveis e energia elétrica consumida diretamente no processo de beneficiamento ou industrialização do produto exportado, mas a insumos utilizados para essa finalidade, não cabendo ao fisco impor limitações onde a lei não as impõe. Por meio do Acórdão nº 24.330, de 27 de maio de 2009, a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi negado direito do contribuinte incluir as aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas porque não ocorre a incidência do PIS e da COFINS sobre essas aquisições. Foi negado o direito do contribuinte apurar o crédito presumido sobre a canadeaçúcar de produção própria porque neste caso não Fl. 929DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ocorre aquisição de insumo e nem de produto industrializado. No que concerne à energia elétrica, combustíveis e demais produtos aplicados na lavoura, o direito de apuração do crédito presumido sobre tais aquisições foi negado porque esses insumos não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação, ou seja, não são considerados matériaprima, produto intermediário e nem material de embalagem (PN CST nº 65/79). A inclusão da energia elétrica no cálculo do crédito presumido só é admitida quando a apuração é feita com base no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 (fls. 271/636). Regulamente notificado daquele julgado em 15/10/2009 (AR de fls. 647), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 651 a 670 em 16/11/2009, no qual basicamente reapresentou os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO QQUUAANNTTOO ÀÀSS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPRROODDUUTTOOSS EEMMPPRREEGGAADDOOSS NNAA FFAASSEE AAGGRRÍÍCCOOLLAA Segundo alegou a recorrente, seu processo produtivo é integrado, constituindose de uma fase agrícola e de uma fase industrial. Na fase agrícola, que se destina basicamente ao cultivo da canadeaçúcar, haveria o consumo de adubos, defensivos agrícolas, produtos químicos para correção do solo, combustíveis utilizados por máquinas e caminhões, assim como peças e outros equipamentos aplicados nessas máquinas. A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo do açúcar e do álcool deve ser buscado nas leis que instituíram o incentivo. A defesa entende que tem direito de apurar o crédito presumido sobre todos os insumos aplicados na fase agrícola porque o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não estabelece nenhuma limitação, referindose ao "total das aquisições". O referido dispositivo legal estabelece o seguinte: Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)" Já o art. 3º da referida Lei estabelece que: Art.3oPara os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a Fl. 930DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000021/200367 Acórdão n.º 3402002.863 S3C4T2 Fl. 4 5 incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se pode verificar, ao mesmo tempo em que o art. 2º se refere ao "total das aquisições", o art. 3º, parágrafo único, estabelece que o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem deve ser fixado com base no que estabelece a legislação do IPI. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de “estabelecimento produtor” (art. 3º da Lei nº 4.502/64), de “operação de industrialização” (art. 4º do RIPI/2002) e de “produto industrializado” (art. 3º do RIPI/2002). Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (leiase: que estão no campo de incidência do imposto). Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento). Segundo o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Embora a recorrente tenha alegado que seu processo produtivo é integrado, ou seja, que possui uma fase agrícola na qual produz sua própria matériaprima, e uma fase industrial propriamente dita, é de clareza vítrea que o cultivo da canadeaçúcar é um processo biológico, que não se enquadra no conceito legal de operação industrial previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando o cultivo da canadeaçúcar de uma operação de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização (Planilhas I, II e III), incluídas aqui as glosas relativas à canadeaçúcar de produção própria, pois o cultivo próprio dessa matériaprima não configura aquisição de um bem, uma vez que ninguém adquire algo de si mesmo. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO AA PPRROODDUUTTOOSS IINNTTEERRMMEEDDIIÁÁRRIIOOSS Fl. 931DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Relativamente aos produtos intermediários empregados na fase industrial, ou seja, a partir do ingresso da canadeaçúcar na indústria para moagem, a questão que se coloca é quanto aos produtos que são aptos a gerarem créditos do imposto. O argumento utilizado pela recorrente é o mesmo que foi utilizado em relação aos insumos da fase agrícola, qual seja, a Lei nº 9.363/96 não impõe nenhuma limitação ao direito de crédito por ter se referido ao "total das aquisições". Entretanto, conforme já foi registrado, o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, determina que para fins de apuração do crédito presumido, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser os mesmos do âmbito da legislação do IPI. E segundo a legislação do IPI, não é qualquer insumo aplicável ao processo produtivo que gera crédito de IPI, mas somente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem nunca representaram um problema para a aferição do direito ao crédito do imposto. Mas o mesmo não se pode dizer em relação aos produtos intermediários que participam do processo produtivo sem se integrarem ao produto em fabricação. No intuito de dirimir as controvérsias então existentes, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja ementa resume com maestria o entendimento que se tornou pacífico no CARF, in verbis: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74.” Sendo assim, os produtos intermediários glosados na fase agrícola nem sequer podem ser considerados neste tópico, pois a legislação só admite a tomada do crédito em relação a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados em atividade que o regulamento considere como industrial. E a atividade consistente no cultivo da cana não se enquadra no disposto no art. 4º do RIPI/2002. Assim, resta analisar os produtos citados pela defesa que foram empregados na fase industrial. Para que os produtos intermediários empregados nesta fase possam gerar créditos de IPI é preciso que se consumam em contato direto com o açúcar e o álcool em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. A análise da impugnação e do recurso apresentados revelam que a preocupação da defesa foi demonstrar que o consumo dos produtos intermediários ocorreu no processo produtivo do açúcar e do álcool e não que esse consumo se deu em contato físico direto com os produtos fabricados, tal como exige o Parecer Normativo CST nº 65/79. Também não houve nenhuma preocupação da defesa em demonstrar se esses produtos preenchiam ou não os requisitos que obrigam o contribuinte a ativálos. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000021/200367 Acórdão n.º 3402002.863 S3C4T2 Fl. 5 7 Contudo, a leitura das planilhas de glosa da fiscalização e o uso do senso comum permitem verificar se os produtos intermediários são ou não consumidos em contato físico direto com os produtos em fabricação. Exemplo disso são os bens elencados nas planilhas I e II consistentes em peças e equipamentos destinados à manutenção dos bens de produção da empresa. Tais produtos não se enquadram nos conceitos de matériaprima e de material de embalagem. E também não se enquadram no conceito de produto intermediário, pois não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação. É nítido que o consumo desses bens se dá como decorrência do desgaste natural do maquinário, por atritos, movimentos e choques de uns em relação aos outros e não por ação direta sobre o açúcar e o álcool em fabricação. Não estão aptos a gerarem crédito presumido, pois não se enquadram no disposto no Parecer Normativo CST nº 65/79. A defesa alegou que alguns produtos químicos são consumidos tanto na fase industrial, quanto na fase agrícola. Citou expressamente o calcário, que ora seria utilizado para correção do PH do solo e hora seria adicionado aos caldos na fase industrial. Ora, se uma parte do calcário ou mesmo de outro produto químico é consumida na fase industrial em contato direto com o produto em fabricação, em tese, haveria o direito de apurar crédito presumido sobre a parte que se desgasta ou se consome em contato direto sobre o produto em fabricação (Parecer Normativo CST nº 65/79). Entretanto, tratase de uma alegação que encerra um fato modificativo da pretensão fazendária, cujo ônus da prova incumbia à recorrente, a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. E a defesa não se desincumbiu desse ônus, uma vez que não trouxe aos autos nenhuma prova de que o mesmo produto foi consumido tanto na fase agrícola, quanto na fase industrial, e muito menos da eventual segregação dos valores consumidos em cada fase. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização quanto às aquisições de produtos agrícolas (Planilhas I, II e III). DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO ÀÀSS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPEESSSSOOAASS FFÍÍSSIICCAASS Insurgiuse a defesa quanto à glosa das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoas físicas, sob o argumento de que a IN 23/97 foi declarada ilegal e que Lei nº 9.363/96 autoriza que o crédito seja calculado sobre o valor total das aquisições. Essa questão está pacificada nesta instância em face do art. 62 do Regimento Interno do CARF e do que restou decidido pelo STJ no Recurso Especial nº 993.164. Desse modo, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, Recurso Especial nº 993.164, verbis: "RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA ADVOGADO : ADRIANO FERREIRA SODRÉ E OUTRO(S) Fl. 933DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO EVERTON LOPES NUNES E OUTRO(S) RECORRIDO: OS MESMOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e Fl. 934DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000021/200367 Acórdão n.º 3402002.863 S3C4T2 Fl. 6 9 autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS Fl. 935DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). (...).” Com base nesta decisão do STJ, extraída da página de jurisprudência do Tribunal, e no art. 62 do RICARF os Conselheiros do CARF devem obrigatoriamente aplicar tal entendimento a este caso concreto, razão pela qual deve ser revertida a glosa relativa às aquisições de pessoas físicas. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO ÀÀSS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE EENNEERRGGIIAA EELLÉÉTTRRIICCAA EE CCOOMMBBUUSSTTÍÍVVEEIISS Em relação ao direito de crédito presumido sobre energia elétrica e combustíveis, tal questão está ligada ao direito de crédito em relação a materiais intermediários que não se consomem ou se desgastam em contato direto com o produto em fabricação, já enfrentada neste voto em tópico anterior. Adicionalmente, em reforço à manutenção dessa glosa no regime de apuração do crédito presumido pela Lei nº 9.363/96, como é o caso deste processo, invoco a Súmula CARF nº 19, in verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa relativa às aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 936DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13856.000021/200367 Acórdão n.º 3402002.863 S3C4T2 Fl. 7 11 Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13971.001529/2001-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vicio apontado.
Embargos Providos
Numero da decisão: 9303-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 724 1 723 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.001529/200102 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303003.382 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria Embargos Embargante BUNGE ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vicio apontado. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 29 /2 00 1- 02 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 725 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 0203.405, por meio do qual a CSRF julgou os recursos especiais interpostos pela contribuinte e pela Fazenda Nacional. A ementa dessa decisão está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRFnº 88/99. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a Fl. 725DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 726 3 receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte provido em parte. Por sua vez, o texto da decisão do referido acórdão foi redigido nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) quanto ao recurso especial do contribuinte: a) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria compreendida na Súmula n° 12 do Segundo Conselho de Contribuintes e à matéria para a qual não foi apresentado o paradigma necessário à formação da divergência (inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos à revenda de produtos); b) na parte conhecida: b.1) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para que a receita de exportação de produtos NT seja incluída no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; b.2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto a inclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas na base de cálculo do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Entende a embargante ter ocorrido dois erros materiais (contradição/omissão) no acórdão. Nesse sentido seguem excertos dos embargos interpostos pela contribuinte: (...) Os erros materiais constatados na parte dispositiva do 'acórdão' são os seguintes, posto que no mesmo consta nas fIs. 663: 1) PRIMEIRO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Procuradoria Fl. 726DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 727 4 1 Na parte dispositiva, contudo, surge o erro material pela falta de referência ao não conhecimento de parte do recurso da Procuradoria; vejamos: "ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional (...) " No entanto, no VotoVencido de lavra do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, às fls. 677678, o mesmo deu provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, nos seguintes termos : "Em face do exposto, voto no sentido de: l) Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos;"(grifo nosso) Não há no VotoVencedor, do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, às fls. 688, qualquer referência a este ponto, já que restringiuse a questão das aquisições de MP, ME e MI em que não houve incidência de PIS/PASEP e COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) 2) SEGUNDO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Empresa: Consta da ementa: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF n° 88/99." (...) No VotoVencedor, do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, conforme referido anteriormente, e que se ressalta novamente, o mesmo aborda favoravelmente a inclusão na base de cálculo do crédito das aquisições de MP, ME e MI em que não houve Fl. 727DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 728 5 incidência de PIS/PASEP e COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) Designada esta conselheira "ad hoc", manifestouse favoravelmente à admissibilidade dos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pelo contribuinte. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Assiste razão à embargante pelas seguintes razões: Recurso especial da Fazenda Nacional: Analisando o acórdão vergastado, percebese uma contradição no voto vencido do i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em relação ao recurso interposto pela d. Procuradoria. Confirase: Estando devidamente fundamentado o entendimento expresso pela Fazenda do que considera contrariedade a lei é patente o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do referido recurso, não merecendo prosperar a preliminar apresentada. Contrariamente, ao acima exposto consta da conclusão do voto do nobre Conselheiro relator: 1. Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; Consta, no entanto, do acórdão: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 729 6 ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nas palavras do voto do Conselheiro relator: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; Pela motivação exposta no voto, o correto é ter constado também do acórdão, no que se refere ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, "recurso conhecido em parte". Recurso especial da contribuinte: Já em relação ao recurso da contribuinte, há contradição do texto da ementa, devendo ser excluído o seguinte: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF nº 88/99. Isto porque, a um, independentemente do período dos autos, o voto vencedor do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, foi por reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, o valor relativo aos insumos adquiridos tanto das pessoas físicas como de cooperativas. A dois, pelo fato de a matéria pertinente às cooperativas, já se encontrar na mesma ementa constante do acórdão embargado. Confirase: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Por derradeiro, devese também corrigir o texto da ementa, de forma a explicitar o resultado final no que diz respeito à taxa SELIC. Assim, onde se lê: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS, FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Deve se ler: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. A exclusão da palavra "SELIC" se faz necessário, tendo em vista já constar da ementa, em outro item específico. Confirase: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 730 7 Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Desta forma, concluo como correto: I em relação ao recurso da Fazenda: Pela motivação exposta no voto, o correto é ter também constado do Acórdão, "recurso conhecido em parte". II em relação ao recurso do contribuinte, conforme anteriormente exposto, o acerto de redação de forma a explicitar o que decidido nos votos vencido e vencedor. Dessa forma a ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001529/200102 Acórdão n.º 9303003.382 CSRFT3 Fl. 731 8 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em parte. Na parte conhecida providos em parte. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 731DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19647.003911/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1202-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/2004-97.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/2004-97. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Relatório
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/200497. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 03 91 1/ 20 06 -1 5 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.003911/200615 Resolução nº 1202000.163 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls. 01/04; 05/08; 09/12; 13/17 e 18/21), em que o contribuinte declarou a compensação de diversos débitos com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, exercício de 2003, no total de R$ 5.092.706,93. A DRF/RecifePE não homologou a compensação pretendida, pelas razões expostas no Relatório de Diligência Fiscal (fls.2225), por considerar que os créditos alegados, relativos a pagamentos por estimativa e a retenções na fonte, foram integralmente utilizados para compensar débitos apurados em auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497, referente ao mesmo tributo e mesmo anocalendário. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pediu a homologação da compensação, alegando, em síntese, que: i) a declaração de compensação foi apresentada antes da lavratura do auto de infração, o que confirma o direito creditório à época da declaração e, ii) o débito lançado no auto de infração está com a exigibilidade suspensa em face de recurso voluntário interposto contra a decisão de 1ª instância. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, consignando que “nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Cientificado dessa decisão em 25/02/2009 (cfe AR, fl.225), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 26/03/2009 (fls.160 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, e acrescenta: “caso porém se entenda que as declarações de compensação só poderiam ser homologadas caso provido o recurso do Recorrente interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.013200/200497, requer então seja sobrestado o julgamento do presente feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário”. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.003911/200615 Resolução nº 1202000.163 S1C2T2 Fl. 4 3 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Conforme relatado, a interessada pleiteou a compensação de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2002, exercício de 2003, com débitos tributários de outras espécies vencíveis em períodos posteriores. Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, incluindo o anocalendário de 2001, que ensejou o lançamento do auto de infração formalizado no Processo nº 19647.013200/200497, no qual foi procedida a compensação de ofício do imposto apurado com os valores referentes ao IRRF e os valores pagos por estimativa naquele período. De acordo com a autoridade fiscal, o saldo negativo do IRPJ antes apurado pela contribuinte revelouse incorreto, pois as antecipações mensais e as retenções na fonte foram integralmente absorvidas pelo lucro apurado de ofício. A decisão recorrida, por sua vez, sustentou que mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instância, haveria de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. (destacouse) A recorrente insiste em argumentar que, por ser a PER/DCOMP anterior à lavratura do Auto de Infração, deve prevalecer a compensação declarada, visto que, na data em que protocolizada, o crédito “efetivamente existia”. De fato, a compensação deve obedecer ao disposto no art. 170 do CTN, acima transcrito. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.003911/200615 Resolução nº 1202000.163 S1C2T2 Fl. 5 4 Já o art. 2º da Lei nº 9.430/96 determina o procedimento de apuração do saldo de imposto a pagar ou a restituir ao final do período, a partir das antecipações mensais ocorridas durante o anocalendário: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A mesma Lei nº 9.430/96, dispõe sobre a homologação da compensação tributária declarada pelo contribuinte, prevendo um prazo para que a Administração Tributária se manifeste: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destacouse) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.003911/200615 Resolução nº 1202000.163 S1C2T2 Fl. 6 5 O legislador estabeleceu que a compensação de qualquer crédito, inclusive resultante da apuração do “Saldo Negativo de IRPJ”, é declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, compete à autoridade fiscal realizar diligências com vistas à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado através da compensação, antes de esgotado o prazo de homologação, quando, por meio da denominada homologação tácita, serão considerados extintos os débitos tributários compensados, na forma do art. 156, inciso II, do CTN. No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao ano calendário de 2002, recompôs o lucro no respectivo período utilizando os valores relativos ao IRRF e os valores pagos por estimativa correspondentes ao mesmo período utilizado na apuração do saldo negativo informado na PER/DCOMP. O auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497 foi reduzido pela compensação do IRPJ pago por estimativa e do IRRF lançados nas DIPJ, nos anos calendários de 2001 e 2002, conforme Fichas 12A, linha 18 – Imposto de Renda a pagar, nos valores apurados de R$ (11.413.421,21) e R$ (11.924.782,29), respectivamente. Assim, não procede a alegação da recorrente de que apresentação da PER/DCOMP se deu antes da formalização do auto de infração em comento e que, por isso, deveria prevalecer a compensação declarada, independentemente do resultado do julgamento daquele processo. Quando da verificação da procedência do crédito utilizado na PER/DCOMP – Saldo Negativo de IRPJ, a autoridade fiscal apurou IRPJ a pagar, após deduzidas todas as antecipações efetuadas no período, em função da verificação de exclusões indevidas nos anos calendário 2001, 2002 e 2003. Ao proceder dessa forma, a Administração Tributária sinaliza que o crédito alegado pela recorrente não é o que ela informou na PER/DCOMP, mas aquele que a fiscalização apurou, que, no caso concreto, corresponde à inexistência de crédito. Na desconstituição do crédito alegado pela recorrente com a apuração de IRPJ a pagar, como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. A recorrente argumenta que não há que se falar em “efetiva utilização do crédito para compensação de débitos tributários” enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado. Nesse sentido, tem razão. Definida a “compensação”, pelo legislador, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, do CTN), sua homologação exige que seja pautada em créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do CTN, já referido. Tendo sido constatado que o crédito utilizado na PER/DCOMP anexada ao processo é, em razão de auto de infração, inexistente, não cabe neste momento reconhecêlo como válido, nem tampouco como inválido, enquanto não se tornar definitivo o lançamento que resultou em IRPJ a pagar, visto que poderá ser restabelecido, total ou parcialmente, o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, caso seja considerado improcedente ou parcialmente procedente o lançamento. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19647.003911/200615 Resolução nº 1202000.163 S1C2T2 Fl. 7 6 Essa conclusão decorre da premissa de que o processo administrativo fiscal deve obedecer aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, sob pena de invalidade dos atos nele praticados. O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 19647.013200/200497, assim como o crédito tributário indevidamente compensado na PER/DCOMP em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151 do CTN, até que sejam definitivamente julgados. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no processo 19647.013200/200497 já foi submetido à análise da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, através do Acórdão n.º 1201000.285, de 09/07/2010, deu provimento parcial ao recurso, determinandose à unidade de os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do termo de verificação fiscal). Atualmente, o referido processo encontrase aguardando a análise da admissibilidade do recurso especial apresentado pela PGFN. Considerandose a suspensão da exigibilidade da exigência no processo 19647.013200/200497, resta prejudicada a verificação da compensação declarada pela recorrente neste processo. Aplicase ao presente caso, subsidiariamente, a regra de direito processual civil que determina a suspensão do processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente” (art. 265, inciso IV, alínea “a”, do Código de Processo Civil). Em vista disso, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva sobre o crédito, a ser exarada no processo nº 19647.013200/200497, para, em seguida, devolver os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento da compensação. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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