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Numero do processo: 10830.015194/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
IRPF. DESPESAS COM DEPENDENTE E INSTRUÇÃO.
DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, apenas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetivamente realizados a instituições de educação regularmente autorizadas, pelo Poder Público, a ministrar educação básica educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e educação superior (art. 8º, II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99). Comprovada a relação de parentesco dos dependentes com o contribuinte, a dedução deve ser aceita, até os montantes fixados no art. 8º, II, “c”, da Lei n.º 9.250/1995.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas e odontológicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é insuficiente para comprová-las.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DECLARADOS INIDÔNEOS POR MEIO DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. GLOSA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
“A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” (Súmula CARF n. 40).
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
É de ser mantida a multa de ofício agravada se o sujeito passivo não atendeu nenhuma intimação da fiscalização.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.699
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com dependentes e de despesas com instrução até os limites legalmente estabelecidos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM DEPENDENTE E INSTRUÇÃO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, apenas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetivamente realizados a instituições de educação regularmente autorizadas, pelo Poder Público, a ministrar educação básica educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e educação superior (art. 8º, II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99). Comprovada a relação de parentesco dos dependentes com o contribuinte, a dedução deve ser aceita, até os montantes fixados no art. 8º, II, “c”, da Lei n.º 9.250/1995. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas e odontológicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é insuficiente para comproválas. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DECLARADOS INIDÔNEOS POR MEIO DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. GLOSA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. “A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” (Súmula CARF n. 40). MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Fl. 195DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 196 2 É de ser mantida a multa de ofício agravada se o sujeito passivo não atendeu nenhuma intimação da fiscalização. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com dependentes e de despesas com instrução até os limites legalmente estabelecidos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 167/168) interposto em 02 de junho de 2011 contra o acórdão de fls. 136/142, do qual o Recorrente teve ciência em 05 de maio de 2011 (fl. 145), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 02/14, lavrado em 10 de novembro de 2010, em decorrência de deduções indevidas de dependente, de despesas médicas, com instrução e de previdência privada/FAPI, verificadas nos anoscalendário de 2005 a 2009. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DEDUÇÃO DE DEPENDENTE E INSTRUÇÃO. Fl. 196DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 197 3 Somente é cabível a dedução de dependente e de instrução se for devidamente comprovada a relação de dependência, sendo vedada a dedução concomitante em mais de uma declaração. Art. 8º, II, “b” e “c” e artigo 35, da Lei n.º 9.250/95. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Somente podem ser deduzidas as despesas com previdência privada se devidamente comprovada por documentos idôneos. Art. 8º, II, “e”, da Lei 9.250/95. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas realizadas em conformidade com a legislação e cujos pagamentos tenham sido efetivamente comprovados. O direito às deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Recibos ou declarações particulares não fazem, perante o fisco, prova absoluta de pagamento podendo a fiscalização exigir do contribuinte sob ação fiscal a comprovação do desembolso do valor pleiteado. Artigo 35 da Lei n.º 9.250/95; artigo 80, §1º, incisos II e III, e artigo 73 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. Tem por não impugnada a matéria não expressamente contestada, considerando definitivamente lançada a parcela correspondente do lançamento. Artigo 17 do Decreto n.º 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 136). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso de voluntário, por meio do qual apresenta vários documentos que, a seu ver, comprovam a correta dedução de despesas com seus dependentes, com instrução e médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno da possibilidade de deduções de dependente, de despesas médicas, com instrução e de previdência privada/FAPI, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2009. Considerandose que a insurgência do contribuinte se limitou à dedução das despesas efetuadas com seus dependentes, de instrução, além de parte das despesas médicas, restam inatacados os demais fundamentos utilizados na decisão recorrida, motivo pelo qual a análise a que ora se procederá está limitada aos novos documentos carreados aos autos juntamente com o recurso voluntário. Fl. 197DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 198 4 Primeiramente, no que tange às despesas com dependentes, a decisão recorrida considerou que não houve comprovação da relação de dependência de Maira e Milena Stocco Pranstete nos anoscalendário de 2005 e 2006, porém aceitou a dedução dos pais do contribuinte, motivo pelo qual somente permitiu a dedução de R$ 2.808,00 em 2005, e R$ 3.032,64, bem como houve por bem manter a glosa de R$ 1.730,40 com relação a 2009, pelo mesmo fundamento. Ocorre, porém, que o Recorrente trouxe a estes autos as certidões de nascimento das dependentes Maira e Milena (fls. 170 e 171), de modo que as glosas devem ser afastadas, fazendose mister sejam aceitas as deduções até o limite legal estabelecido no art. 8º, II, “c”, da Lei n.º 9.250/95. De igual modo, não subsistem motivos para rejeitar as deduções de despesas com instrução ante a comprovação da filiação, por meio dos documentos de fls. 175/184. Com efeito, o Regulamento do Imposto de Renda estabelece, em seu artigo 81, caput, que somente serão dedutíveis os pagamentos efetivamente realizados às instituições de ensino: “Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b”). (...).” Assim, resguardase o direito do Recorrente de proceder à dedução das despesas com instrução, ex vi dos limites previstos no art. 8º, II, “b”, da aludida Lei n.º 9.250/95. Já com relação às despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e Fl. 198DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 199 5 odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário Fl. 199DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 200 6 tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No caso dos autos, o Recorrente reitera a apresentação dos recibos emitidos pela psicóloga Solange de Fátima Sonsin Xavier da Silveira, que tem, contra si, a formalização de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (Processo Administrativo n.º 16024.000052/201028). A jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais firmouse no sentido de que, em casos como o presente, o contribuinte deve comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o respectivo pagamento, sob pena de glosa da dedução correspondente e de aplicação da multa qualificada. É o que se extrai do Súmula CARF n. 40, in verbis: “A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” Como não houve, in casu, qualquer tentativa de produção de prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços, limitandose o Recorrente a apresentar os recibos declarados inidôneos, reiteradamente, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, inclusive quanto à multa qualificada, aplicada nos casos de evidente intuito de fraude, como o presente, porquanto o contribuinte insiste na apresentação dos mesmos recibos contra os quais milita a presunção de inidoneidade; portanto cabia a ele a comprovação dos efetivos dispêndios, o que não ocorreu. No mais, foram apresentados recibos dos seguintes profissionais: a) Dr. Alexandre Vianna Marvulo (odontologia), anocalendário 2007 – R$ 4.500,00 b) Dr. Anselmo José Escodro Amstalden (fisioterapia), anoscalendário 2006 e 2007 – R$ 4.990,00 e R$ 7.500,00; Fl. 200DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.015194/201017 Acórdão n.º 210101.699 S2C1T1 Fl. 201 7 c) Dr. Renato Martucci dos Passos Crefito (fisioterapia), anocalendário 2006 – R$ 5.050,00. Ocorre, porém, que tais documentos somente têm o condão de produzir prova entre as partes no âmbito do direito civil, não podendo ser opostos ao Fisco (art. 123 do CTN), de modo que o contribuinte não logrou carrear aos autos outras formas de comprovação das despesas, que tornassem inconteste o efetivo desembolso, mormente quando se trata de dispêndio em pecúnia. Destarte, a dedutibilidade fica condicionada à efetiva comprovação dos pagamentos, o que não se verificou no presente caso. Por derradeiro, ante as considerações já tecidas quanto à escorreita aplicação de multa qualificada para a reiterada apresentação de recibos inidôneos emitidos pela profissional Solange de Fátima Sonsin Xavier da Silveira, tampouco devem ser feitos reparos no que se refere à multa agravada, pois, de fato, nenhuma das intimações foi atendida pelo Recorrente, justificando, portanto, sua manutenção. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer as deduções com dependentes e de despesas com instrução até os limites legalmente estabelecidos. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 201DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.11351.GF43. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/06/2012 09:42:20. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/06/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 05/07/2012 e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0919.11351.GF43 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 47CC9A326EBF5CE9933B2B2613E37C1FAC12B072 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.015194/2010-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10830.009213/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Artigo 332 do CPC.
DOCUMENTOS. LAUDO PERICIAL. SUPRIMENTO. TRADUÇÃO JURAMENTADA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. O laudo pericial oficial, produzido em procedimento judicial, que atesta o conteúdo de documentos estrangeiros, equivale à tradução. Nenhum vício pode ser reconhecido, se da ausência da formalidade invocada não resulta prejuízo para a defesa (pas de nulitté sans grief). Deve haver racionalidade entre os meios utilizados para o alcance de fins, sendo vedada a imposição de formalidade em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Artigo 2o, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784/99 e artigo 244 do CPC.
EMPRÉSTIMO. A justificação do acréscimo patrimonial por empréstimos de terceiros traz ao sujeito passivo o ônus de fazer prova na sua boa e devida forma, ou seja, com provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99; e art. 806 do RIR/99.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Numero da decisão: 2301-006.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para considerar, como origem dos recursos, o saldo de dinheiro em espécie de R$ 35.000,00 declarado em 31/12/2002, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wilderson Botto, que estenderam o provimento para aplicar da Súmula Carf nº 67 e para admitir os empréstimos obtidos de Adyr Moura Ferreira.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Artigo 332 do CPC. DOCUMENTOS. LAUDO PERICIAL. SUPRIMENTO. TRADUÇÃO JURAMENTADA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. O laudo pericial oficial, produzido em procedimento judicial, que atesta o conteúdo de documentos estrangeiros, equivale à tradução. Nenhum vício pode ser reconhecido, se da ausência da formalidade invocada não resulta prejuízo para a defesa (pas de nulitté sans grief). Deve haver racionalidade entre os meios utilizados para o alcance de fins, sendo vedada a imposição de formalidade em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Artigo 2 o , parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784/99 e artigo 244 do CPC. EMPRÉSTIMO. A justificação do acréscimo patrimonial por empréstimos de terceiros traz ao sujeito passivo o ônus de fazer prova na sua boa e devida forma, ou seja, com provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99; e art. 806 do RIR/99. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para considerar, como origem dos recursos, o saldo de dinheiro em espécie de R$ 35.000,00 declarado em 31/12/2002, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wilderson Botto, que estenderam o provimento para aplicar da Súmula Carf nº 67 e para admitir os empréstimos obtidos de Adyr Moura Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 92 13 /2 00 8- 43 Fl. 799DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 739/791) interposto em face do Acórdão nº 17-31.310 (e-fls 701/731) prolatado pela DRJ/SPOII em sessão de julgamento realizada em 28 de abril de 2009. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-31.310 Trata-se de Auto de Infração (fls. 3/8 1 ) referente ao ano-calendário de 2003, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 205.896,09, já incluídos a multa e os juros de mora. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 9/18 2 traz, de maneira minuciosa, os acontecimentos ocorridos no curso do procedimento e as condutas adotadas pela autoridade fiscal. O contribuinte foi notificado do Auto de Infração em 11/09/2008 (fls. 318 3 ). Apresentou, tempestivamente, a defesa de fls. 329/347 4 , alegando, em síntese: * A acusação de remessas ao exterior estaria baseada apenas em suposições e relatos do Fisco de processo iniciado nos Estados Unidos e encaminhado ao Ministério Público do Brasil, denominado “caso Banestado”; * Estar desobrigado de qualquer escrituração ou registro de operações, só mantendo arquivados os documentos relativos às informações prestadas na sua declaração de rendimentos, de forma que não dispõe dos demais elementos relacionados nos outros itens indicados na letra a do termo de intimação (declaração de 04/04/08, fls. 47/48); 1 Auto de Infração: e-fls 6/16. Numeração eletrônica dos atos processuais distinta em razão da digitalização de folhas em branco. 2 Termo de Verificação Fiscal: e-fls. 18/36. 3 E-fls. 637. 4 E-fls. 659/687. Fl. 800DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 * A supostamente “misteriosa” Representação Fiscal deve conter relato de operações a serem investigadas com profundidade e não conclusões já prontas, pois caracterizaria a combatida e ineficaz “prova emprestada”. A eventual indicação do nome do impugnante em transação financeira não é suficiente; * Protesta pela nulidade da prova, pois faltaria tradução juramentada; * Haveria nulidade por falta de intimação do co-titular de conta conjunta com o autuado (Sudameris e HSBC); * Haveria erro material na elaboração do demonstrativo de variação patrimonial. Teria havido grotesco erro de soma de valores, justamente no grupo “origens”, onde a linha intitulada “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo contribuinte-sal. De acordo com a DIRF” foi inexplicavelmente desconsiderada na soma dos valores ali indicados. Teriam sido desconsiderados os valores recebidos de pessoas físicas e jurídicas a título de aluguel (fls. 191, 305 e 311), que foram informados na Declaração de Imposto de Renda, ainda que não constem em DIRF. Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 4.031,78 4.031,78 4.031,78 3.907,25 5.969,52 1.507,05 1.507,05 1.507,05 1.507,05 4.607,71 4.607,71 4.607,71 * Aduz ainda haver erro no transporte de dados para o demonstrativo: - No grupo origens: não teria sido considerada a aplicação financeira existente no Banco Sudameris em 31/12/2002, no valor de R$ 392.966,32, nem o valor de R$ 1.009,83, no mês de dezembro/2003, que deveria ter sido lançado na linha intitulada “saldos bancários devedores no final do mês, do banco Real”; - No grupo aplicações: ao transportar o valor de R$ 1.807,13 (HSBC saldo final, 12/2003), indicado pelo contribuinte (fls. 151) para o Demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 19 – linha intitulada “Saldos bancários credores no final do mês, do banco HSBC”, dezembro/2003), teria sido apontado o valor de R$ 21.087,13, ou seja, o Fisco teria alterado em R$ 20.000,00 o valor indicado pelo contribuinte. Outrossim, no mês de abril constaria na linha “pagamento de DARF´s no valor de R$ 92.400,68, mas os DARF´s teriam sido liquidados em 30/04/2003 no Banco Safra S/A. (fls. 156), mediante débito na conta do Sr. Adyr no valor de R$ 90.000,00 (conforme extrato do Sr. Adyr, do Banco Safra S/A., que coincidiria em data e valor, doc. 01) e complemento do fiscalizado no valor de R$ 1.260,16 (mediante cheque do Banco Itaú S/A., conforme evidenciaria o respectivo extrato bancário, doc. 02); * A fiscalização teria ainda alocado desembolso de R$ 235.952,00 em novembro/2003, a título de “dispêndio no exterior”, sem qualquer prova dessa saída de recursos; * Teria havido indevida desconsideração de empréstimos recebidos de Adyr Moura Ferreira (seu pai – CPF 249.384.408-40), que estariam comprovados e declarados. Aduz que é usual empréstimo entre pai e filho ajustado verbalmente e que as duas glebas de terra adquiridas em conjunto tinham as suas parcelas ora pagas integralmente pelo Sr. Adyr, ora pelo contribuinte. Havia, portanto, um fluxo financeiro que estaria demonstrado pelos recibos assinados pelo pai do contribuinte. Outrossim, algumas contas são conjuntas com seu pai. Mostra-se irresignado com o fato de a fiscalização não considerar o fluxo pleiteado, mas considerar unicamente aquela declaração que indica desembolso de R$ 105.000,00 (abril/2003), alocado como dispêndio na aquisição do imóvel por contrato particular com o Sr. Adyr Moura Ferreira; Fl. 801DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 * Não teriam sido considerados os rendimentos “isentos e sujeitos à tributação exclusiva na fonte”, no significativo valor de R$ 124.282,63, conforme aparece na DIRPF às fls. 310; * Demonstra ainda inconformismo com a cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-31.310 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Artigo 332 do CPC. DOCUMENTOS. LAUDO PERICIAL. SUPRIMENTO. TRADUÇÃO JURAMENTADA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. O laudo pericial oficial, produzido em procedimento judicial, que atesta o conteúdo de documentos estrangeiros, equivale à tradução. Nenhum vício pode ser reconhecido, se da ausência da formalidade invocada não resulta prejuízo para a defesa (pas de nulitté sans grief). Deve haver racionalidade entre os meios utilizados para o alcance de fins, sendo vedada a imposição de formalidade em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Artigo 2 o , parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784/99 e artigo 244 do CPC. EMPRÉSTIMO. A justificação do acréscimo patrimonial por empréstimos de terceiros traz ao sujeito passivo o ônus de fazer prova na sua boa e devida forma, ou seja, com provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99; e art. 806 do RIR/99. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Artigos 113, § 1º; 139; e 161, do CTN. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 739/791) o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. 3.1. As razões recursais estão subdivididas nos tópicos relacionados como se segue: Recurso Voluntário 739/791 Razões de recurso 741 1. DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO 741/743 2. DA DECISÃO RECORRIDA 745 3. PRELIMINARMENTE 3.1. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — PRESUNÇÃO AFASTADA 747 Fl. 802DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 3.1.1. ERRO MATERIAL NA ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL 749 A) ERRO DE SOMA 749/751 B) ERRO NO TRANSPORTE DE DADOS PARA O DEMONSTRATIVO 751 B.I) NO GRUPO ORIGENS 751/753 B.II) NO GRUPO APLICAÇÕES 753/757 3.2. ERRO NO CALCULO DO SUPOSTO ACRÉSCIMO: INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS COMPROVADOS E DECLARADOS 757/763 3.2.1 NULIDADE: FALTA DE INTIMAÇÃO DO CO-TITULAR DE CONTA CONJUNTA COM 0 AUTUADO 763 3.3. DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS 763/765 4. DAS SUPOSTAS REMESSAS AO EXTERIOR — PRESUNÇÃO DE SAÍDAS 765/767 4.1. NULIDADE: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: DOCUMENTOS EM LINGUA ESTRANGEIRA E CODIFICADO 767/769 5. NO MÉRITO 769 5.1. OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL 769/771 5.2. SUPERFICIALIDADE DA INVESTIGAÇÃO — PROVA EMPRESTADA 771/783 5.3. SEM PROVA DA EXISTÊNCIA DA REMESSA, OU DA TITULARIDADE DO DEPÓSITO NO EXTERIOR, NÃO Ê POSSÍVEL 0 USO DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS 783/787 6. JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 787/791 7. DO PEDIDO 791 3.2. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 791): Ex positis, requer o Recorrente que essas Autoridades Julgadoras, no exercício da nobre missão que lhes é reservada na solução dos litígios entre Fisco e Contribuinte, venham decretar a nulidade do auto de infração lavrado, ou, subsidiariamente, a improcedência da equivocada exigência fiscal, pelos motivos de fato e de direito registrados no presente recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. Fl. 803DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. Pode-se divisar que a peça recursal repisou os argumentos ofertados na impugnação e centra o inconformismo na utilização da presunção, assim como em erros de cálculo, e na impropriedade do uso de presunções, alegações que, em nosso entendimento, foram analisadas minuciosamente pela decisão de primeira instância. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL – ALEGAÇÕES QUANTO A ERROS NO DEMONSTRATIVO 6. Concernente ao acréscimo patrimonial a descoberto, no tópico “3.1.1. ERRO MATERIAL NA ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL” a peça recursal intenta apontar equívocos ao tempo do transporte de dados, seja no grupo origens (e-fls. 751/753) seja no grupo aplicações (e-fls. 753/757). 6.1. Detendo-nos nas alegações pertinentes ao grupo origens, verifica-se inconformismo do Recorrente com a desconsideração do saldo de aplicação financeira existente no Banco Sudameris, em 31/12/2002. Porém, como se verá adiante, a decisão de primeira instância procedeu análise correta da situação 5 , ao fazer menção ao aproveitamento dos resgates especificados em planilha elaborada pela fiscalização. 6.2. Convém prosseguir na análise do grupo origens, destacadamente, em razão de alegação suscitada pelo patrono ao tempo da sustentação oral, com referência à não consideração como saldo inicial no ano-calendário de 2003, do montante em dinheiro de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), especificado no item 23 da Declaração de Bens e Direitos apresentada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2004 (e-fls. 613), por ser representativo da situação patrimonial em 31/12/2002. 6.3. Seguem-se visões do documento anexado às e-fls 613 dos autos: 6.4. Há que se considerar a plausibilidade da alegação suscitada da tribuna, uma vez que a quantia referida no subitem 6.2, de fato, não foi relacionada entre as origens de recursos no corpo do "Demonstrativo de Variação Patrimonial — Fluxo de Caixa Mensal, ano calendário de 2003" (e-fls. 38). 6.5. Segue-se visão parcial do demonstrativo, com destaque para o grupo origens: 5 Conforme fundamentação exposta no tópico intitulado “Aplicações Financeiras” às e-fls. 721/723. Fl. 804DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 6.6. Considero, portanto, que há necessidade de se reformular o demonstrativo de variação patrimonial, para se considerar como origem de recursos, o saldo de dinheiro em espécie de R$ 35.000,00 declarado em 31/12/2002. 6.7. À exceção das considerações delineadas nos subitens 6.2 a 6.6 supra, não há reparo algum a se fazer na decisão de primeira instância. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES SUSCITADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO 7. No que respeita às demais questões suscitadas no recurso voluntário, por concordar com os termos da decisão recorrida, que perfaz a análise adequada e exauriente das questões preliminares (alegações de irregularidade procedimental e cerceamento de defesa), assim como das questões de mérito suscitadas no recurso, utiliza-se a prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento interno, adotando-se como fundamentos de decidir, as razões dispostas no voto do acordão recorrido que se passa a transcrever: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-31.310 “Caso Banestado”. Aduz o contribuinte que a acusação de remessas ao exterior estaria baseada apenas em suposições e relatos do Fisco de processo iniciado nos Estados Unidos e encaminhado ao Ministério Público do Brasil, denominado “caso Banestado”. A eventual indicação do nome do impugnante em transação financeira não seria suficiente. Fl. 805DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 Acrescenta que estaria desobrigado de qualquer escrituração ou registro de operações, só mantendo arquivados os documentos relativos às informações prestadas na sua declaração de rendimentos, de forma que não dispõe dos demais elementos relacionados nos outros itens indicados na letra a do termo de intimação (declaração de 04/04/08, fls. 47/48). Conclui que a fiscalização teria alocado desembolso de R$ 235.952,00 em novembro/2003, a título de “dispêndio no exterior”, sem qualquer prova dessa saída de recursos. No caso em exame, os recursos que serviram de objeto ao lançamento foram constatados no decorrer das investigações de remessas monetárias para o exterior no conhecido “Caso Banestado”. Essas investigações evidenciaram que diversos contribuintes brasileiros enviaram ou movimentaram divisas no exterior, à revelia das autoridades monetárias e fiscais, utilizando-se de contas e subcontas mantidas no “JP Morgan Chase Bank” pela empresa “Beacon Hill Service Corporation”, a qual representava doleiros brasileiros ou empresas off shore com participação de brasileiros. Do aprofundamento das investigações, apurou-se que, além do JP MORGAN CHASE BANK, outros bancos foram utilizados pelo mesmo esquema. No curso das investigações do “Caso Banestado”, o Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba autorizou o compartilhamento com a Receita Federal (fls. 9). Cabe ressaltar, nesse ponto, que o trabalho fiscal teve origem em investigações anteriores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. As operações financeiras no exterior onde o contribuinte atuou como beneficiário/ordenante foram informadas à autoridade lançadora pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída pela Portaria SRF n° 463/04. Ao contrário do alegado pelo impugnante, a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador, que lhe cabia. O documento de fls. 23/27 comprova que o impugnante constou como ordenante / beneficiário de remessas para o exterior, e como visto, originou-se a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e dos Laudos Periciais, não havendo necessidade de qualquer outra prova adicional. A alegação da recorrente de que a autuação estaria baseada apenas em suposições e relatos, não se sustenta. Como já dito, os documentos constantes dos autos tem força probante suficiente para sustentar a ocorrência das remessas e do ordenante de tais remessas, sendo que é esse fato que dá origem à imputação de que houve acréscimo patrimonial a descoberto. Poderia, para esse fim, por exemplo, conseguir declarações dos bancos de que nunca originou remessa de recursos para quaisquer contas mantidas naquelas instituições financeiras norte-americanas e/ou de que o ordenante das remessas seria outra pessoa. Outrossim, não se verifica nos autos qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida, seja perante a Polícia ou perante o Poder Judiciário, para verificação da utilização indevida de seu nome nestas operações. Não se trata também de inverter o ônus da prova. Os documentos constantes dos autos constituem-se em provas robustas de que o contribuinte manteve, no referido exercício, transações bancárias no exterior cuja origem dos recursos não Fl. 806DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 logrou êxito em comprovar e que possibilitaram as referidas transações, seja pelo envio dos numerários do Brasil ao exterior, ou de recursos no próprio exterior. Os documentos que subsidiam o lançamento em questão são resultado de um trabalho exaustivo de diversos profissionais (peritos, delegados, promotores, juízes e auditores fiscais). Autoridades brasileiras e estrangeiras que bem desempenharam as suas funções públicas a fim de apurar fatos relacionados a um dos esquemas de ilícitos mais notórios dos últimos anos. E, conforme relatado alhures, todo o zeloso trabalho foi realizado com o mais alto grau de respeito aos direitos e garantias individuais e respeito ao devido processo legal. Com efeito, as informações obtidas em meio magnético foram analisadas pelo Instituto Nacional de Criminalística, órgão técnico do Departamento da Polícia Federal, e foram produzidos pelos laudos técnicos citados. Estes laudos cuidaram de transcrever e traduzir todos os dados obtidos e identificar todas as pessoas responsáveis pelas movimentações financeiras e não somente aquelas titulares das contas abertas no exterior. Questionamentos sobre os procedimentos policiais e judiciais devem ser feitos às autoridades competentes para tanto. O trabalho fiscal inicia-se com a comunicação dos fatos ocorridos e segue com a apuração dos fatos geradores. Assim, baseado nos documentos remetidos, em especial os laudos, a Receita Federal do Brasil procedeu a uma auditoria fiscal dos laudos, apurando as transações referidas. De posse de tais transações, a autoridade fiscal deu início ao procedimento fiscal já relatado no presente acórdão, mas, como se viu, o contribuinte quedou-se inerte, não justificando as origens. Assim, está provado o fato constitutivo. Caso houvesse fatos modificativos, extintivos ou impeditivos, caberia ao interessado o ônus da prova de suas alegações durante o procedimento fiscal ou mesmo em sua impugnação, conforme artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72 e artigo 333, I, do CPC. Em outras palavras, como desacompanhadas das devidas comprovações, ensejam a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Assim, resta claro que as alegações não bastam para invalidar o lançamento. Não procede a alegação de estar desobrigado de qualquer escrituração ou registro de operações, só mantendo arquivados os documentos relativos às informações prestadas na sua declaração de rendimentos, de forma que não dispõe dos demais elementos relacionados nos outros itens indicados na letra a do termo de intimação (declaração de 04/04/08, fls. 47/48). A obrigatoriedade não é de manter os documentos relativos às operações informadas em declaração, mas de todas as movimentações mantidas no referido ano-calendário. Aliás, consigne-se que não se mostra nada palatável. Como uma Fl. 807DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 pessoa mantém ou remete valores ao exterior e não se lembra após alguns poucos anos? O importante é que os documentos carreados são suficientes para demonstrar que os procedimentos passaram sob o crivo do Judiciário, que a Polícia procedeu a análises por meio de Peritos, que a utilização pela Receita Federal encontrava-se autorizada e que o nome do contribuinte e as operações originaram-se de mídias ópticas, sendo transcritas as operações com todos os seus dados. Portanto, não há ilegalidade procedimental ou cerceamento de defesa. Com efeito, para que o contribuinte ordenasse essas transações financeiras no exterior, era necessário que tivesse disponibilidade de recursos financeiros fora do Brasil. A disponibilidade de recursos, independentemente de sua denominação, origem e local que se encontre, caracteriza rendimentos passíveis de tributação nos termos do artigo 43, caput, e § 1º e artigo 45 do Código Tributário Nacional. Desse modo, não pairam quaisquer dúvidas acerca do rigor na elaboração do trabalho supracitado, da lisura dos peritos envolvidos e da confiabilidade das informações, haja vista a total impossibilidade de qualquer tipo de alteração dos dados registrados na citada mídia eletrônica. Prova Emprestada. Invoca ainda o contribuinte que a supostamente “misteriosa” Representação Fiscal deve conter relato de operações a serem investigadas com profundidade e não conclusões já prontas, pois caracterizaria a combatida e ineficaz “prova emprestada”. Como se disse, os documentos que subsidiam o lançamento em questão são resultado de um trabalho exaustivo de diversos profissionais (peritos, delegados, promotores, juízes e auditores fiscais). Autoridades brasileiras e estrangeiras que bem desempenharam as suas funções públicas a fim de apurar fatos relacionados a um dos esquemas de ilícitos mais notórios dos últimos anos. Com efeito, as informações obtidas em meio magnético foram analisadas pelo Instituto Nacional de Criminalística, órgão técnico do Departamento da Polícia Federal, e foram produzidos pelos laudos técnicos citados. Estes laudos cuidaram de transcrever e traduzir todos os dados obtidos e identificar todas as pessoas responsáveis pelas movimentações financeiras e não somente aquelas titulares das contas abertas no exterior. Ademais, o presente Auto de Infração, um dos frutos de toda a investigação aludida, baseia-se, de forma mediata, em todos os documentos colacionados, os quais demonstram a cronologia e o respeito ao ordenamento jurídico de tal operação e, de forma imediata, nos dados fornecidos pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463/04 (fls. 23/27). Questionamentos sobre os procedimentos policiais e judiciais devem ser feitos às autoridades competentes para tanto. O trabalho fiscal inicia-se com a comunicação dos fatos ocorridos e segue com a apuração dos fatos geradores. Quanto à alegação de utilização da denominada “prova emprestada”, deve-se observar que a doutrina processual usualmente utiliza tal denominação para a prova Fl. 808DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo. Cabe observar que o artigo 332 do Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente no processo administrativo tributário, prescreve que “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”. Sobre o tema da prova emprestada, esclarecemos que não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 . No mesmo sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE - É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de Imposto de Renda, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. (Acórdão 106-15779) NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA EMPRESTADA - A jurisprudência administrativa reconhece a validade da chamada prova emprestada, observadas as naturais cautelas na sua utilização. No caso, a autoridade administrativa bem as observou. Deve, portanto, ser considerada válida. (Acórdão 102-43475) Em adição, ressaltamos que os elementos dos autos têm em seu conteúdo informações suficientes para amparar o lançamento. A informação existe por si só no documento e o impugnante, se discorda de seu conteúdo, pode esforçar-se para demonstrar que não corresponde à realidade dos fatos. Esse sim é o crivo do contraditório que deve qualquer prova estar submetida num processo regido pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. No caso presente, em obediência ao art. 5º, LV, da Constituição, houve oportunidade para o contraditório na impugnação e no aditamento desta, permitindo concluir que nenhuma irregularidade há em relação à admissão de provas no presente processo. Tradução dos Documentos. O impugnante protesta pela nulidade da prova, pois faltaria tradução juramentada. Os documentos que embasam o lançamento, ainda que de forma mediata, não são documentos redigidos em língua estrangeira, nos termos do artigo 157, do CPC, prescindindo de uma tradução propriamente dita, por se tratarem de extratos bancários, tanto que o trabalho técnico mais apurado é do ponto de vista econômico-financeiro. Não obstante, para compreensão desses extratos, é necessário que os diversos campos tenham seus códigos devidamente explicitados, o que foi feito por ocasião da elaboração dos Laudos de Exame Econômico-Financeiro pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que constatou a participação do contribuinte como responsável de parte das movimentações realizadas. Todas estas circunstâncias infundem nestes documentos grande valor de prova. Fl. 809DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 Reputo, portanto, suficientes para comprovar a transferência financeira os documentos produzidos, que em que consta que o contribuinte manteve transações bancárias no exterior. Ademais, é preciso notar que o próprio Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, em respeito aos mais comezinhos princípios de direito, como o da razoabilidade, proporcionalidade, economia e celeridade processual, atenua os formalismos por ele mesmo impostos, como no artigo 157, ao dispor, em seu artigo 244 que o juiz deverá "considerar válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade". Portanto, verifica-se que as formalidades não são um fim em si mesmas. Antes, servem para assegurar a ampla defesa e o contraditório, de forma que sem indício de prejuízo à parte não há pecha no processo. Isso tudo nada mais representa senão o princípio da instrumentalidade das formas, que predica a racionalidade que deve existir entre os meios utilizados para o alcance de fins perante motivos circunstanciais impostos pela legislação e que encontra amparo expresso no processo administrativo, conforme Lei n° 9.784/99. Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Ademais, como já afirmado, a norma existe para que não se junte documentos referentes a terceiros ou de desconhecimento da parte contrária. No caso, o contribuinte tem plena convicção de seu conteúdo, pois representam operações por ele realizadas. Se houver algum prejuízo é ao fisco que não participou das operações e nem delas foi informado pelo contribuinte, apesar deste ser legalmente obrigado. Então, verifica-se que o contribuinte é que causou embaraço às autoridades fiscais. Primeiramente, ao não informar tais operações e submetê-las à tributação. Após, quando não esclareceu os fatos, a despeito de regularmente intimado a prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal. E, por fim, em sua defesa, na qual não consta a indicação da origem de tais valores e nem justificativas plausíveis para não terem sido submetidas à tributação na época devida. Mesmo em matéria criminal, em que o respeito aos direitos e garantias fundamentais ganham destacada proteção, há relativização quanto à necessidade de tradução juramentada: Código de Processo Penal Art.236.Os documentos em língua estrangeira, sem prejuízo de sua juntada imediata, serão, se necessário, traduzidos por tradutor público, ou, na falta, por pessoa idônea nomeada pela autoridade. Assim, o artigo 157 do CPC deve ser interpretado em conjunto com as demais disposições do Código (artigo 244), bem como em consonância com outras Fl. 810DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 disposições (tais quais o artigo 236 do CPP e o artigo 2°, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784/99) e princípios do ordenamento jurídico (razoabilidade, proporcionalidade, instrumentalidade das formas, economia e celeridade processual). Vejamos o entendimento da jurisprudência: STJ RESP n o 616103-SC, DJ 27/09/2004, Relator Ministro Teori Albino Zavascki Processo Civil. Documento redigido em língua estrangeira, desacompanhado da respectiva tradução juramentada (art. 157, CPC). Admissibilidade. Dissídio Jurisprudencial não comprovado. l. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negar-lhe eficácia de prova. O art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, no caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC. 2. Recurso especial que se nega provimento. Portanto, podemos extrair as seguintes conclusões: * o procedimento judicial/policial obedeceu rigorosamente aos direitos e garantias individuais, bem como ao devido processo legal; * eventuais questionamentos relativos ao procedimento judicial/policial deveriam ter sido questionados às autoridades competentes nessas esferas; * os documentos relacionados, de forma imediata, à auditoria fiscal estão traduzidos; * os documentos que, de forma mediata, relacionam-se ao lançamento não são textos em língua estrangeira, mas sim extratos bancários, cujas informações relevantes são o nome do contribuinte e os valores das operações e quanto a isso não há qualquer dúvida levantada pelo contribuinte. Ou seja: não há qualquer prejuízo à defesa do contribuinte (até porque representam movimentações suas), tanto é que alegou diversas outras matérias em sua impugnação e tampouco solicitou esclarecimentos específicos quanto aos documentos, seja durante o procedimento fiscal, seja em sua defesa. Intimação co-titular. Aduz o contribuinte que haveria nulidade por falta de intimação do co-titular de conta conjunta com o autuado (Sudameris e HSBC). A argumentação é falaciosa. Primeiramente, é preciso notar que, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 15), a despeito de intimado, “o contribuinte não apresentou os documentos bancários (extratos das contas correntes, cópias de cheques compensados) solicitados no termo de intimação de 06/05/2008”. Tampouco atendeu à reintimação. Por outro lado, a autoridade fiscal considerou os valores informados pelo contribuinte na sua planilha de fls. 150/151 6 , já na base de 50% para os numerários mantidos junto ao Sudameris e HSBC, em razão da co-titularidade. 6 Planilha: fls. 150 corresponde às e-fls. 300; fls. 151, às e-fls. 302. Fl. 811DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 Sendo assim, a nulidade invocada não encontra qualquer viso de lógica ou juridicidade. Rendimentos de alugueis. Haveria erro material na elaboração do demonstrativo de variação patrimonial. Teria havido grotesco erro de soma de valores, justamente no grupo “origens”, onde a linha intitulada “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo contribuinte-sal. De acordo com a DIRF” foi inexplicavelmente desconsiderada na soma dos valores ali indicados. Teriam sido desconsiderados os valores recebidos de pessoas físicas e jurídicas a título de aluguel (fls. 191, 305 e 311), que foram informados na Declaração de Imposto de Renda, ainda que não constem em DIRF. Diferentemente do que alega o contribuinte, não houve erro grotesco e tampouco atitude inexplicada. Como bem afirmou em outra passagem, os valores foram desconsiderados, pois, apesar de informados da Declaração de Imposto de Renda, não constam de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Ou seja, é uma declaração unilateral de origem, não bastando perante o fisco, pois precisaria comprovar o efetivo recebimento, o que somente poderia ser presumido se constasse em DIRF. Como bem colocado no Termo de Verificação Fiscal quanto aos critérios utilizados pela fiscalização, “as origens e aplicações de recursos inseridos no mencionado demonstrativo derivam de informações contidas em documentos, com o desprezo de simples alegações” (fls. 17). Destarte, não procede o inconformismo do contribuinte. Aplicações Financeiras. Aduz ainda haver erro no transporte de dados para o demonstrativo. No grupo origens, não teria sido considerada a aplicação financeira existente no Banco Sudameris em 31/12/2002, no valor de R$ 392.966,32, nem o valor de R$ 1.009,83, no mês de dezembro/2003, que deveria ter sido lançado na linha intitulada “saldos bancários devedores no final do mês, do banco Real”. Mais um argumento inverídico. Não foi desconsiderado o valor de R$ 392.966,32. Na realidade, a autoridade fiscal, relativamente à aplicação financeira, considerou os resgates descriminados na planilha de fls. 153. Ou seja, os R$ 392.966,32 não servem sempre como origem, mas somente no momento e no montante de resgates. Isto é evidente, mas o contribuinte ainda assim busca desprestigiar o trabalho fiscal. Mas não é só. Afirma que no grupo aplicações, ao transportar o valor de R$ 1.807,13 (HSBC saldo final, 12/2003), indicado pelo contribuinte (fls. 151) para o Demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 19 – linha intitulada “Saldos bancários credores no final do mês, do banco HSBC”, dezembro/2003), teria sido apontado o valor de R$ 21.087,13, ou seja, o Fisco teria alterado em R$ 20.000,00 o valor indicado pelo contribuinte. Outro argumento artificioso. Em primeiro lugar, na aludida linha não consta R$ 21.087,13, mas R$ 21.960,07 (fls. 19), que é o saldo inicial da conta-corrente, conforme informado pelo contribuinte às fls. 151. Como origem para cada mês, inclusive dezembro de 2003, a autoridade fiscal considerou os saldos iniciais do mês Fl. 812DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 em cada aplicação financeira ou conta corrente, pois é o valor que efetivamente representa a disponibilidade para o mês. Lembre-se da obviedade: a disponibilidade/origem é anterior ao gasto/aplicação, de forma que se o período é dezembro de 2003, o valor a considerar a titulo de disponibilidade é o do primeiro dia do mês. Considerar o valor do último dia não tem o menor cabimento. Portanto, acertada a postura da autoridade fiscal. Outrossim, no mês de abril constaria na linha “pagamento de DARF´s no valor de R$ 92.400,68, mas os DARF´s teriam sido liquidados em 30/04/2003 no Banco Safra S/A. (fls. 156), mediante débito na conta do Sr. Adyr no valor de R$ 90.000,00 (conforme extrato do Sr. Adyr, do Banco Safra S/A., que coincidiria em data e valor, doc. 01) e complemento do fiscalizado no valor de R$ 1.260,16 (mediante cheque do Banco Itaú S/A., conforme evidenciaria o respectivo extrato bancário, doc. 02); O argumento não pode ser acatado. Primeiramente, a soma de valores não bate (R$ 90.000,00 mais R$ 1.260,16 não é igual a R$ 92.400,68). Ademais, o extrato de fls. 346 sequer está identificado, assim como a operação em destaque (consta apenas CH PGTO CTA). Da mesma forma a operação constante do extrato do contribuinte de fls. 347 (consta apenas Ch Compensado 422 785408). Empréstimo. O contribuinte afirma que teria havido indevida desconsideração de empréstimos recebidos de Adyr Moura Ferreira (seu pai – CPF 249.384.408-40), que estariam comprovados e declarados. Aduz que é usual empréstimo entre pai e filho ajustado verbalmente e que as duas glebas de terra adquiridas em conjunto tinham as suas parcelas ora pagas integralmente pelo Sr. Adyr, ora pelo contribuinte. Havia, portanto, um fluxo financeiro que estaria demonstrado pelos recibos assinados pelo pai do contribuinte. Outrossim, algumas contas são conjuntas com seu pai. Mostra-se irresignado com o fato de a fiscalização não considerar o fluxo pleiteado, mas considerar unicamente aquela declaração que indica desembolso de R$ 105.000,00 (abril/2003), alocado como dispêndio na aquisição do imóvel por contrato particular com o Sr. Adyr Moura Ferreira. A despeito de ter incluído tal valor em sua DIRPF, o mesmo não foi aceito, pois não constitui prova efetiva da sua realização, além de não ter sido apresentado qualquer documento que comprovasse a transferência dos numerários. Ademais, não foi comprovada a capacidade financeira do agente do suposto empréstimo. Assim, caberia ao contribuinte fazer prova da transferência do numerário, prova simples e robusta, mas que não foi produzida, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes: Acórdão 104-23122 EMPRÉSTIMO - O mútuo deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea, não sendo suficiente estar consignado nas declarações do mutuante e do mutuário. Acórdão 106-16372 MÚTUO – A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações.. Fl. 813DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 De outra parte, é sabido o preceito geral de que quem alega deve provar. No processo administrativo não é diferente, conforme estabelece o artigo 36 da Lei n° 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Ainda que o contribuinte não tenha concordado com esse entendimento durante o procedimento fiscal e que tenha não se resignado após a autuação, é de se considerar que a postura adotada pela autoridade fiscal encontra amparo no artigo 806 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que fundamenta o dever de investigação da autoridade fiscal: Art.806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, §1º). Não se desincumbindo do seu ônus, presume-se, conforme art. 43, II, do CTN, a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Trata-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte que não lograr comprovar a origem desses valores. Portanto, resta claro que o inconformismo do contribuinte não merece prosperar, pois não se pode decidir sobre fatos alegados e não provados. Quanto ao desembolso de R$ 105.000,00 (abril/2003), alocado como dispêndio na aquisição do imóvel por contrato particular com o Sr. Adyr Moura Ferreira, não há justificativa para a elaboração de dados que prejudicariam o próprio contribuinte. Por outro lado, nada há de anormal em se exigir a comprovação de alegações que lhe beneficiem. Ademais, o desembolso não está documentado em mera declaração unilateral, mas em contrato entre o contribuinte e dois vendedores, com objeto próprio (venda e compra de imóvel) e testemunhado por duas pessoas (fls. 92/94). Quando se diz que os fatos jurídicos precisam ser provados se quer dizer que necessitam estar amparados em elementos lingüísticos por nós assimiláveis, de forma a comprovar a sua veracidade. Não se duvida que a força probante varia conforme a confiabilidade que possa atribuir ao documento. Assim, vale mais um documento emitido por um desinteressado do que um documento emitido por um que detenha interesse, vale mais um documento assinado por cinco pessoas que uma declaração unilateral. Isto parece ser de conhecimento corrente. Portanto, a autoridade fiscal baseou-se em documento fidedigno, em documento fornecido e com participação do contribuinte que vai de encontro aos seus interesses e ninguém faz declarações ou celebra contratos para prejudicar a si mesmo, de forma que não há reparação a ser feita no procedimento adotado pela autoridade fiscal. Rendimentos Isentos e Sujeitos à Tributação Exclusiva na Fonte. Aduz que não teriam sido considerados os rendimentos “isentos e sujeitos à tributação exclusiva na fonte”, no significativo valor de R$ 124.282,63, conforme aparece na DIRPF às fls. 310. Fl. 814DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.363 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009213/2008-43 Em verdade, referido valor é decorrente de ganhos de capital apurados conforme Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital de fls. 307/315 e de rendimentos de aplicações financeiras. Tais dados já constam do demonstrativo de fls. 19, discriminados mensalmente e por aplicação financeira (conforme informações prestadas pelo contribuinte – fls. 149/153) e na linha “venda de imóvel (terreno em Alphaville)”. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-31.310 8. Concernente à alegação de ter haver indevida cobrança de juros sobre a multa de ofício, a matéria já se encontra pacificada no CARF: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão 9. Diante do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para considerar, como origem dos recursos, o saldo de dinheiro em espécie de R$ 35.000,00 declarado em 31/12/2002 (subitem 6.6 supra). (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 815DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.722365/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/06/2014
CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Nos autos de infração, em seus anexos e no relatório fiscal houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pelo Recorrente dos lançamentos efetuados e das infrações imputadas pelo descumprimento das obrigações.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO LEGAL.
A autoridade lançadora, ao desenvolver suas atividades relacionadas ao lançamento tributário, deve buscar amparo nas leis e em toda regulamentação atinente à matéria, sob pena de responsabilidade funcional de sua inobservância.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados.
ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE.
A subclasse código CNAE 84.11-6/00 - Administração pública em geral compreende apenas as atividades descritas nas notas explicativas deste código, observadas as anotações da divisão 84 do CNAE. Outras atividades estão classificadas em códigos específicos do CNAE, como saúde, educação, que comportam subclassificações.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT/RAT. CNAE INFORMADO PELA EMPRESA EM DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA- GFIP. DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VINCULAÇÃO AS NOTAS EXPLICATIVAS DO ANEXO V DO DECRETO 3.048/99.
A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados varia de 1% a 3%, de acordo com os riscos de sua atividade preponderante.
O enquadramento no respectivo grau de risco é efetuado pela própria empresa, com base nas informações constantes na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes graus de risco, de acordo com o CNAE da mesma, informado em GFIP. Para correto enquadramento no código CNAE, deve o contribuinte observar as descrições contidas no Anexo V do Decreto 3.048/99.
Numero da decisão: 2201-005.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que deu provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberdo do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Nos autos de infração, em seus anexos e no relatório fiscal houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pelo Recorrente dos lançamentos efetuados e das infrações imputadas pelo descumprimento das obrigações. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO LEGAL. A autoridade lançadora, ao desenvolver suas atividades relacionadas ao lançamento tributário, deve buscar amparo nas leis e em toda regulamentação atinente à matéria, sob pena de responsabilidade funcional de sua inobservância. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. A subclasse código CNAE 84.11-6/00 - “Administração pública em geral” compreende apenas as atividades descritas nas notas explicativas deste código, observadas as anotações da divisão 84 do CNAE. Outras atividades estão classificadas em códigos específicos do CNAE, como saúde, educação, que comportam subclassificações. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT/RAT. CNAE INFORMADO PELA EMPRESA EM DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA- GFIP. DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VINCULAÇÃO AS NOTAS EXPLICATIVAS DO ANEXO V DO DECRETO 3.048/99. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 23 65 /2 01 7- 11 Fl. 232DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 empregados varia de 1% a 3%, de acordo com os riscos de sua atividade preponderante. O enquadramento no respectivo grau de risco é efetuado pela própria empresa, com base nas informações constantes na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes graus de risco, de acordo com o CNAE da mesma, informado em GFIP. Para correto enquadramento no código CNAE, deve o contribuinte observar as descrições contidas no Anexo V do Decreto 3.048/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que deu provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberdo do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 03-079.795 – 5ª Turma da DRJ/BSB, fls. 164 a 182. Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Trata-se de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, concernente à diferença da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), ajustada pelo percentual de Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e apurada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências 07/2012 a 06/2014. Os valores apurados foram constituídos por meio do lançamento consignado de Contribuição previdenciária da empresa e do empregador (auto de infração de fls. 02/07) no valor de R$ 571.651,64 (consolidado em 26/06/2017). II - DO RELATÓRIO FISCAL (fls. 33/38) O Relatório Fiscal (fls. 33/38) informa que, conforme consta no artigo 44, inciso II, da Lei 8.906/1994, a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB tem por finalidade “promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos Fl. 233DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 advogados em toda a República Federativa do Brasil”. E na sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) consta uma única atividade (atividade econômica principal) descrita como “Outras atividades associativas profissionais”, não existindo outras atividades secundárias. Afirma que a OAB se enquadra nos parâmetros legais do CNAE 9412-0/00- Atividades de organizações associativas profissionais e do FPAS 582 - Órgãos do poder público e equiparados. Com isso, a alíquota destinada ao RAT deveria ser 3% (CNAE: 9412- 0/00), conforme anexo V do Decreto 3.048/99, e não 1% como foi declarado nas GFIP’s para as competências 07/2012 a 06/2014. Diz que, da análise das GFIP'S válidas (matriz e filiais), constata-se que a empresa informou alíquotas incorretas de RAT em todo o período fiscalizado (declarou 1% quando deveria declarar 3%), e menciona que, em todas as competências a partir de julho de 2014 e até o presente momento (ano de 2017), a empresa passou a declarar a alíquota de RAT igual a 3%. Nesse contexto, informa que o contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal - TIPF, a esclarecer a inconformidade previamente identificada pela Fiscalização considerando a CNAE preponderante informado em GFIP nas competências 07/2012 a 06/2014 (CNAE 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais), cujo RAT aplicável é 3% e não 1% como declarado, ajustado pela aplicação cumulativa do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Como resposta o contribuinte declarou que: “Em relação aos itens 3 e 3.1, respectivamente, o Sujeito Passivo tem natureza de autarquia especial, justificando-se a declaração das alíquotas de RAT igual a 1% (um por cento) com amparo na NR4 – Norma Regulamentadora 4 do Ministério do Trabalho. Com efeito, referida NR4 qualifica o CNAE 94.12-00 do Sujeito Passivo à alíquota de 1% porque todos os seus colaboradores encontram-se alocados em funções meramente administrativas. Por sua vez, a alíquota máxima de 3% (três por cento) somente se justifica para aquelas atividades que ensejam risco ambiental de trabalho grave, o que, por obvio não tem qualquer cabimento em relação ao Sujeito Passivo”. Da Base de Cálculo e Alíquota. A Fiscalização informa que a base de cálculo é o valor das remunerações dos segurados empregados de cada estabelecimento da empresa, consoante os valores declarados nas respectivas GFIP, sendo que a diferença da contribuição lançada provém da alíquota do SAT/RAT declarada a menor na GFIP (declarou 1% quando o correto é 3%), multiplicado pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP) estabelecido anualmente pelos sistemas SISCOL/SAFIS para os anos 2012 a 2014. Da Multa Aplicada. Foi aplicada a multa de ofício estabelecida pelo inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo percentual corresponde a 75% (setenta e cinco por cento), incidente sobre o valor da contribuição devida. Da Ciência da Autuação. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo autuado deu-se em 28/06/2017 (fls. 02 e 118), por meio de correspondência postal com aviso de recebimento (AR). II - DA IMPUGNAÇÃO Em 27/07/2017 (fl. 123), o contribuinte apresentou peça de Impugnação de fls. 123/158. Essa Impugnação deduz questões a seguir sintetizadas. PRELIMINARMENTE: Da Ausência de Descrição dos Fatos Imponíveis. A Impugnante informa que os atos administrativos (autuações) integram o conjunto dos negócios jurídicos (lato sensu). Dessa forma, suas validades encontram-se condicionadas à observação da forma prescrita, sobremaneira valorizada ante os princípios da motivação, moralidade e vinculação. O ato constituído à revelia do Fl. 234DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 legalmente prescrito é indiferente ao direito, não encetando relações jurídicas entre os sujeitos envoltos pelo sistema. Com isso, o auto de infração, na qualidade de ato jurídico-administrativo, deve satisfazer a forma para se legitimar na produção de efeitos (matéria). Entende que, além dos requisitos legais, o auto de infração, em face de sua natureza imputativa, deve notar o devido processo legal constando em seu corpo, de forma pormenorizada, as razões (fundamentação) da imputação (conclusão). A observação desse pressuposto satisfaz por via tangencial a ampla defesa e o contraditório, permitindo a defesa ao sujeito passivo da imputação. Nessa linha de entendimento, afirma que impõe à autoridade administrativa, como pressuposto de validade do ato, a indicação específica dos fatos que justificaram a imputação, conforme previsão no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Argumenta que os requisitos legais da constituição do ato administrativo ora impugnado não foram observados pela Fiscalização. Para isso, afirma que auto de infração foi constituído à revelia de uma fundamentação clara e precisa, ainda que possa parecer que o "Relatório Fiscal" seja pormenorizado; essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo. A generalidade e padronização existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. Diz que essa postura adotada pela Fiscalização impede a defesa da Impugnante, pois o fato a ser comprovado restou omitido no ato administrativo, ou generalizado de tal forma a torná-lo imperceptível ou ambíguo. Sustenta que a Fiscalização não explicitou as razões que justificam a referida autuação, senão aspectos meramente formais e relacionados ao CNAE atribuído à Impugnante, não tendo realizado qualquer análise acerca da preponderância das atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Impugnante, elemento essencial para a correta apuração do efetivo grau de risco de acidente do trabalho existente no meio ambiente laboral. Afirma que, em razão da prevalência da verdade material sobre a verdade formal verificada nas relações existentes entre Administração Pública e seus Administrados, não poderia, em hipótese alguma, a Fiscalização ter deixado de verificar, no caso concreto, qual a correta atividade preponderante verificada no meio ambiente de trabalho da Impugnante. Por fim, a Impugnante alega a ocorrência de nulidade material do Auto de Infração ora atacado, em face de sua cristalina inobservância de requisito essencial à validade do ato administrativo de lançamento, consistente na correta descrição do método utilizado para apurar qual a atividade preponderante desenvolvida pela Impugnante que ensejou a aplicação da alíquota básica da Contribuição ao RAT/SAT de 3%, ao invés da correta aplicação da alíquota de 1%. E, na hipótese de que os julgadores entendam não se tratar de nulidade material, mas de vício formal, requer-se, subsidiariamente, seja declarada essa forma de nulidade. DO MÉRITO: Da Contribuição ao SAT/RAT Supostamente Paga a Menor - Inexistência da Diferença Autuada. Do Erro na Identificação do Sujeito Passivo. Argumenta que a Fiscalização não atribuiu a qualidade de contribuinte do SAT/RAT ao estabelecimento, e sujeitou a Impugnante na qualidade de empresa como um todo, mesmo diante da existência de estabelecimentos com CNPJ próprios, inclusive identificados no próprio Relatório Fiscal. Essa maneira de autuação altera substancialmente o quantum tributário, porque impede que cada estabelecimento com CNPJ contribua pelo risco gerado. Diz que o lançamento fiscal não é válido, já que a Fiscalização deveria ter apurado, de maneira individualizada, a atividade preponderante desenvolvida em cada estabelecimento da Impugnante dotado de CNPJ próprio, atribuindo a qualidade de Fl. 235DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 contribuinte à empresa como um todo. E informa que o contribuinte do SAT/RAT somente poderá ser considerado a empresa como um todo se somente houver um único registro de CNPJ. Sustenta que a maneira utilizada pela Fiscalização contraria não apenas o enunciado na Súmula no 351 do STJ, mas o próprio Decreto3.048/99, que impõe, através do §13 do artigo 202, que o contribuinte informe a alíquota do SAT por estabelecimento. Com isso, alega nulidade da autuação impugnada quanto à identificação do sujeito passivo, pois a Fiscalização negligenciou a lei, o regulamento e o Parecer PGFN no 2.120/14, ao atribuir sujeição à empresa, negando a condição de contribuinte ao estabelecimento dotado de CNPJ. Do Erro na Identificação da Matéria Tributável. Argumenta que, enquanto o Decreto 3.048/99 determina que a atividade preponderante será identificada pela atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos, a Fiscalização não se ocupou em verificar quais são as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Impugnante. Sustenta que houve inadequação de critérios entre a autuação e a lei e decreto. Isso porque, enquanto o auto de infração limita-se a reproduzir a atividade indicada na GFIP como sendo preponderante – sendo que esta pode ou não estar correta –, a lei e o decreto impõem a verificação da preponderância através da análise das atividades desenvolvidas por cada segurado empregado ou trabalhador avulso a serviço da Impugnante, seja tal atividade vinculada à atividade econômica de meio ou fim. Com isso, entende que, considerando que é dever da Autoridade Administrativa identificar a matéria tributável (CTN, artigo 142), em caráter privativo e vinculado à lei, e que não há suporte legal para a exclusão dos segurados vinculados a atividades meio, há defeito na aferição da alíquota do tributo lançado de ofício no presente procedimento, sendo que isso macula, de forma insanável, o lançamento ora impugnado. Passa a citar dispositivos do Decreto 3.048/1999 e decisões do CARF sobre as questões mencionadas acima. Do Amparo também na NR-4 do Ministério do Trabalho. Alega que a Fiscalização deixou também de levar em conta, ainda que alertado no decorrer da Fiscalização, que a Impugnante tem natureza jurídica de autarquia especial, justificando-se a declaração das alíquotas de RAT igual a 1% (hum por cento) com amparo na NR4 - Norma Regulamentadora 4 do Ministério do Trabalho. Para isso, afirma que referida NR4 qualifica o CNAE 9412-00 da Impugnante à alíquota de 1%, porque todos os seus colaboradores encontram-se alocados em funções meramente administrativas. Menciona ainda que a alíquota máxima de 3% (três por cento) somente se justifica para aquelas atividades que ensejam risco ambiental de trabalho grave, o que, por óbvio não tem qualquer cabimento em relação à Impugnante. Do Ilegítimo Amparo da Autuação no Decreto n. 6.957/2009. Sustenta que não se pode admitir a manutenção do Auto de Infração impugnado com base nas alterações promovidas pelo Decreto 6.957/09, responsável pela reclassificação do grau de risco de diversas atividades econômicas. Entende que houve contrariedade ao Princípio da Motivação, da Publicidade, da Livre Informação e da Transparência, na medida em que a redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social - RPS, introduzido pelo referido Decreto no 6.957/2009, promoveu o aumento generalizado nas alíquotas de contribuição para o SAT/RAT, implementando o reenquadramento dos graus de risco das atividades por meras suposições, sem qualquer justificativa plausível. Para confirmar o seu entendimento retromencionado, apresenta gráficos que ilustram essas mudanças na cobrança do SAT, evidenciando uma total falta de critério por parte Fl. 236DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 da União Federal, que manipula as alíquotas da contribuição sem divulgar qualquer estudo técnico ou estatístico que ampare tal pretensão. Passa a citar decisões judiciais sobre tal questão (Superior Tribunal de Justiça - STJ e Tribunal Regional Federal - TRF 4a Região). Dos Pedidos. Face ao exposto requer seja conhecida a presente Impugnação, devendo ser a mesma julgada procedente, para acolher os fundamentos desenvolvidos, a fim de declarar totalmente insubsistente o Auto de Infração impugnado, ratificadas todas a razões de fato e fundamentos de Direito suficientes à extinção do crédito tributário a ele vinculado, nos termos do artigo 156, IX, do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão à contribuinte, considerando a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2012 a 30/06/2014 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (Relatório Fiscal) e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento e da base de cálculo como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, não há que se falar em nulidade. A nulidade de auto de infração só será decretada quando ausentes os requisitos dos art. 10 e 11 do Decreto 70.235/1972, ou houver postergação de garantias constitucionais, hipóteses não evidenciadas nos autos. ALÍQUOTA SAT/RAT. APURAÇÃO DE DIFERENÇA. POSSIBILIDADE. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT/GILRAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, com aplicação cumulativa do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). CONSELHO REGIONAL DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB). ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. A subclasse CNAE 9412-0/00 - Atividades de fiscalização profissional compreende as atividades dos órgãos ou conselhos reguladores e fiscalizadores do cumprimento de normas profissionais. CÓDIGO CNAE. USO AUTORIZADO EM LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE DE ACORDO COM O ANEXO V DO DECRETO 3.048/1999. Fl. 237DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 O uso da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) está respaldado na Lei 8.212/1999 e no Decreto 3.048/1999. O Anexo V do referido Decreto traz a relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco e diz que a relação apresentada está em conformidade com a CNAE. A CNAE é periodicamente atualizada, seguindo calendário preestabelecido pelo IBGE, para adequar-se à natural evolução das atividades econômicas. A empresa é responsável pelo enquadramento de sua atividade econômica na CNAE apropriada e, em caso de dúvidas quanto ao código a utilizar, deverá procurar saná-las junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tempestivamente, houve a interposição de recurso voluntário pela contribuinte às fls. 191/223, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Ao iniciar seu recurso, a contribuinte discorre sobre a tempestividade, demonstrando-a, para em seguida enumerar cada tópico em que são levantados os seus questionamentos, segundo os quais maculam a autuação e consequentemente a decisão recorrida: 1 - DOS FATOS RELEVANTES AO PROVIMENTO DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO Na análise dos fatos, a contribuinte fez um histórico desde a autuação à decisão do órgão julgador originário, concluindo basicamente que: O caso foi levado ao crivo da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DRJ que, de modo rasteiro, tão somente limitou-se a repetir os fundamentos que já constaram do relatório fiscal que embasou a autuação impugnada. Nesta parte inicial do presente recurso, percebe-se que a contribuinte teceu arguições genéricas sobre a matéria, mencionando decisões judiciais e administrativas que reforçariam o seu entendimento. Em relação a este ponto inicial de contestação de seu recurso, não cabe razão à recorrente, pois em relação à jurisprudência trazida aos autos, impõe-se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a "sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros... ". Assim, não sendo Fl. 238DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 parte nos litígios objetos dos acórdãos citados na impugnação, a recorrente não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas. Vale lembrar que as decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, o que se depreende do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. No âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste, até o momento, norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Portanto, mesmo que reiteradas, as decisões administrativas e judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. 2 - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS RELEVANTES AO PROVIMENTO DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 - DA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPONÍVEIS Neste item, a recorrente ao se insurgir, defende que: Além dos requisitos legais, esse ato administrativo, em face de sua natureza imputativa, deve notar o devido processo legal constando em seu corpo, de forma pormenorizada, as razões (fundamentação) da imputação (conclusão). A observação desse pressuposto satisfaz por via tangencial a ampla defesa e o contraditório, permitindo a defesa ao sujeito passivo da imputação. 11. Não basta o atendimento desse requisito a simples fundamentação do ato, tal como pretende fazer valer o Acórdão recorrido. O princípio da estrita legalidade impõe a pormenorização, exigindo da fundamentação a descrição de todos os elementos necessários e observados à incidência da norma jurídica. O que se exige não é análise ideológica, mas uma investigação minuciosa dos elementos fáticos e do modelo jurídico descrito na hipótese. Isto não ocorreu no caso concreto relativo à Recorrente. Continuando em suas argumentações, a contribuinte alega a generalidade e padronização existente que impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. Ao analisarmos a decisão recorrida sobre o tema, verificamos que o posicionamento do órgão julgador foi no sentido de que o relatório fiscal encontra-se devidamente amparado de todos os anexos do auto de infração, sendo que todos foram concebidos conforme o disposto no artigo 142 do CTN e no e artigo 37 da Lei n° 8.212 de 1991, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e Fl. 239DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas. Na referida decisão, o órgão julgador originário, acertadamente, entre outros aspectos, se posicionou: Para isso, o Relatório Fiscal (fls. 33/38) identifica claramente a situação definida em lei que ensejou a aplicação da alíquota da contribuição destinada ao RAT/SAT de 3%, ao invés da alíquota de 1% contida na declaração da GFIP, que foi materializada pelo fato da Impugnante, na condição de um Conselho de fiscalização de profissão regulamentada, ser enquadrada no CNAE: 9412-0/00, conforme anexo V do Decreto 3.048/99. Tal situação foi delineada no Relatório Fiscal nos seguintes termos: “[...] 3) DA AUDITORIA FISCAL: (...) 3.2.1) Nesta condição a OAB se enquadra nos seguintes parâmetros legais: CNAE: 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais; FPAS: 582 - Órgãos do poder público e equiparados (União, Estados e Municípios e respectivas autarquias e fundações públicas, OAB e Conselhos de fiscalização de profissão regulamentada); RAT: 3% (CNAE: 9412-0/00 - conforme anexo V do Decreto 3.048/99); Ao analisar o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR e do CÁLCULO DA MULTA E JUROS DE MORA, constantes do auto de infração, localizado às fls. 02 a 07, corroborados e integrados com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, anexo às fls. 33 a 38 e com as diversas planilhas e demonstrativos apresentados ao longo do presente processo, percebemos que os mesmos, são muito específicos, padronizados e minuciosos ao explicitar as diferenças encontradas pela fiscalização e na descrição do enquadramento legal, não tendo como prosperar a alegação de que os mesmos são imprecisos e genéricos ao descreverem totalmente o crédito tributário constituído. Não merecem, portanto, prosperarem as alegações relacionadas a este item. 3 - MÉRITO: DA CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT SUPOSTAMENTE PAGA A MENOR - INEXISTÊNCIA DA DIFERENÇA AUTUADA Em seu recurso voluntário, ao se debater sobre este tópico, a contribuinte faz menção à legislação sobre a matéria, discorrendo sobre as alíquotas, o enquadramento, colacionando tópicos da jurisprudência administrativa e judicial, para no final informar que a cobrança sem a observância dos critérios elencados, implica, necessariamente em nulidade Fl. 240DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 material absolutamente insanável, seja por erro na identificação do sujeito passivo, seja por erro na definição da matéria tributável. 3.1 - DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Ao discorrer sobre este ponto, a recorrente começa por anunciar a súmula do STJ nº 351, que atribuiu a condição de contribuinte do SAT ao estabelecimento da empresa, desde que dotado de CNPJ próprio: "A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro." Continuando em sua defesa, incita o parecer PGFN 2.120/11, cuja ementa segue transcrita: "Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n* 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora-Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda." Ao analisarmos o posicionamento da DRJ sobre este tópico, veremos que ela inicia por discorrer sobre a legislação básica que regula as contribuições previdenciárias no que diz respeito às alíquotas de contribuição para se chegarmos ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - SAT/RAT, mais especificamente as leis 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social (RPS) e a IN RFB Nº 971/2009, sendo que a última descreve: Instrução Normativa RFB n° 971/2009: Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: I - 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57; II - para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; Fl. 241DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 c) 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; (...) § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I - o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: (...) De uma forma acertada, ao contrário do alegado neste recurso, a decisão a quo foi muito específica e certeira no sentido de justificar o seu posicionamento contrário à recorrente, senão, vejamos trechos de sua decisão que corrobora a concordância deste relator: Dentro do contexto fático (Anexo I do Relatório Fiscal, fls. 39/57), no período objeto do lançamento, constata-se que a Impugnante declarou nas GFIP’s duas subclasses da CNAE preponderante, a saber: (i) para a matriz (CNPJ .../0001-41), informou a subclasse CNAE 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais; (ii) e, para as filiais, a subclasse da CNAE 84.11-6/00 - Administração pública em geral. Desde logo, por duas razões a seguir descritas, entendo que a CNAE 84.11-6/00 (Administração pública em geral) não deve ser utilizada pela Impugnante. A uma, porque a Impugnante é qualificada como entidade ímpar no elenco das personalidades jurídicas de direito público existentes, conforme entendimento do STF (ADI 3.026, Rel. Ministro Eros Grau, 2006), e, por consectário lógico, não compõe a Administração Pública direta, nem indireta, nos moldes daquela prevista no art. 4o do Decreto-Lei 200/19673. A duas, porque a Impugnante, qualificada como Conselho Regional de Fiscalização Profissional, possui código próprio de subclasse CNAE 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais. A esse respeito dispôs a Solução de Consulta nº 44 da Cosit, de 19 de fevereiro de 2014, citando as Notas Explicativas4 da estrutura da CNAE, nos seguintes termos: “[...] 22. Atividades públicas compreendidas nos diversos códigos CNAE. Voltando ao mérito da consulta, verifica-se que o cerne da questão, conforme adiante demonstrado, está no fato do termo “Administração pública em geral”, que nomeia o CNAE 84.11-6/00, não ter o alcance comumente empregado em outras situações. 23. Ao contrário, o termo é utilizado no CNAE para abranger um conjunto restrito de atividades enumeradas nas notas explicativas, não compreendendo nem mesmo certas atividades típicas de estado como “segurança e ordem pública”, que consta no CNAE 8424-8 e Justiça, CNAE 8423-0. Também não alcança as atividades de prestação de serviços públicos como saúde e educação, conforme notas explicativas da divisão 84 do CNAE, a seguir colacionadas: Dessa Solução de Consulta nº 44 da Cosit/2014, extrai-se que a atividade da Impugnante não está relacionada nas notas explicativas relativas à CNAE 84.11-6/00 – Administração Pública em Geral. Isso significa que o Conselho Regional de Fiscalização Profissional, que é caso da Impugnante, deve ser excluído da classificação genérica “Administração Pública em Geral” e da CNAE 84.11-6-00, conforme se interpreta do item 30 dessa Solução de Consulta. Fl. 242DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 Com efeito, apoiada na condição jurídica de Conselho Regional de Fiscalização Profissional, justifica-se o seu enquadramento no código da CNAE 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais. E, considerando que o lançamento foi com base nas informações prestadas pela própria impugnante e que a GFIP se constitui em instrumento de confissão de dívida, sendo este o entendimento do STJ consubstanciado na Súmula 4365, não restou alternativa à Fiscalização, ao constatar a divergência nas alíquotas aplicadas, a não ser aplicar a alíquota então vigente de 3%. Após isso, percebe-se que a Fiscalização buscou apoio e abrigo no código da CNAE do IBGE para enquadrar a Impugnante na subclasse 94.12-0/00 - Atividades de Organizações Associativas Profissionais, sendo que o Anexo V do Decreto 3.048/1999, em consonância com o Decreto 6.957/2009, estipulou, para essa subclasse da CNAE, a correspondente alíquota do SAT/RAT de 3% (risco grave), a partir da competência 01/2010. Diante da riqueza dos argumentos utilizados pela decisão recorrida, não temos porque corrigi-la, haja vista a riqueza no detalhamento e explanação de seus argumentos. Além do mais, ao analisarmos a mesma, verificamos que foi muito objetiva e incisiva ao justificar o porquê de sua opção pela manutenção da autuação. Diante dessas considerações iniciais, passaremos então, a analisar a decisão do órgão julgador originário, que resultou no insurgimento da contribuinte implementado perante este recurso. Antes havia um mau entendido dos contribuintes ao acreditarem que se enquadrariam no CNAE 8411-6/00 - Administração pública em geral, no entanto, percebe-se que se trata de um equívoco, pois essa classificação se restringe a um número limitado de atividades, de alguns entes estatais.Vejamos então, partes da decisão recorrida nesse sentido: Em relação ao enquadramento acima, temos que o mesmo é limitado à Administração Pública típica. A Receita Federal do Brasil já se pronunciou no sentido de que as hipóteses ali elencadas são taxativas, ou seja, somente as entidades ou órgãos expressamente arrolados na descrição do citado código CNAE podem nele se enquadrar. A Solução de Consulta COSIT n 44, de 19/02/2014, dispõe nesse sentido, cuja ementa menciona basicamente: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ementa: ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. A subclasse código CNAE 84.11-6/00 - “Administração pública em geral” compreende apenas as atividades descritas nas notas explicativas deste código, observadas as anotações da divisão 84 do CNAE. Outras atividades estão classificadas em códigos específicos do CNAE, como saúde, educação, que comportam subclassificações. Portanto, não é possível enquadrarmos os órgãos públicos somente no CNAE 8411- 6/00, uma vez que este código abrange apenas algumas atividades estatais enumeradas na descrição deste código, e que outras atividades exercidas por entes públicos estão compreendidas em códigos próprios, a exemplo da saúde e educação, dentre outras, conforme descrição das respectivas notas explicativas. Conclui-se que, através da Solução de Consulta acima a questão da impossibilidade de a Impugnante se enquadrar no código relativo à Administração Pública, visto não está inscrita entre os órgãos ou entidades diretamente relacionados à atividade da Administração Pública, como detalhado no Anexo V do Decreto supracitado, sendo reservado a ela o código CNAE utilizado pela Autoridade Tributária, Diante do exposto, a partir do momento em que não foi justificado o recolhimento efetuado à alíquota de 3% a título de RAT, visto que a atividade econômica Fl. 243DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 preponderante da Impugnante, conforme por ela mesma declarado, aplica-se uma alíquota de 3%, em todas as competências do lançamento. Considerando os argumentos utilizados pela fiscalização, como também as fundamentações apresentadas por ocasião da decisão recorrida, acima expostos, apesar dos insurgimentos da contribuinte, pela análise mais aprofundada da legislação, entendo que foram corretos a autuação e sua manutenção pelo órgão julgador a quo, não devendo portanto, prosperarem os argumentos apresentados pela contribuinte. 3.2 - DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Ao se debater sobre este tema, a recorrente menciona: 40. As ilegalidades contidas na autuação em epígrafe não se resumem a identificação do contribuinte do SAT/RAT, atingindo, também, a forma de identificação da matéria tributável consubstanciada na mensuração do risco (alíquota). No entanto, o Acórdão recorrido não entendeu, lamentavelmente, dessa forma. 41. Com efeito, enquanto o Decreto n9 3.048/99 determina que a atividade preponderante será identificada peia atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos, a Autoridade Lançadora, DE MODO ARBITRÁRIO, não se ocupou em verificar quais são as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente. Continuando com suas insatisfações, a contribuinte menciona que a autuação definiu a alíquota aplicável sem promover as diligências necessárias para apurar a predominância definida pelo Regulamento da Previdência Social. Ao se debruçar sobre o assunto, o órgão julgador originário considerou que não houve erro nem na identificação do sujeito passivo, nem na definição da matéria tributável, conforme os trechos finais de sua decisão a seguir apresentados: Mais um passo, a alegação de que os seus colaboradores preponderantes estavam lotados no setor administrativo da Impugnante não deve ser acolhida, tendo em vista que houve apenas uma narrativa na peça de impugnação sem qualquer demonstração do fato e, além disso, por se tratar de um Conselho Regional de Fiscalização Profissional submetido às regras imperativas da Lei 8.906/1994 e por constar uma única atividade (atividade econômica principal) no seu Estatuto Social, a Impugnante deve ser enquadrada na subclasse CNAE 9412-0/00 - Atividades de organizações associativas profissionais, a teor do Anexo V do Decreto 3.048/1999. Dessa forma, não se vislumbra qualquer conflito na interpretação dos dispositivos legais que embasaram o lançamento, assim sendo, este pleito da defesa também não merece prosperar. E, com isso, impõe-se reconhecer que não há qualquer erro na identificação do sujeito passivo, nem na definição da matéria tributável. Conforme demonstrado pelo referido órgão julgador, como também de acordo com as explicações emanadas no item anterior por este relator, não temos porque mantermos a tese de que houve erro na matéria tributável, haja vista a especificidade do código CNAE ao determinar a alíquota para determinados setores da economia e também ao fato de que a contribuinte, por definição da legislação, já está inserida no grupo de tributação de determinada matéria e com base também em determinada alíquota. Por conta disso, não temos porque reformarmos a decisão atacada, como também não temos porque baixar o processo em diligência, pois a alíquota da matéria tributável da recorrente, já se encontra expressa pela definição da legislação, independente do número de funcionários em determinadas atividades. Fl. 244DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 3.3 - DO AMPARO TAMBÉM NA NR-4 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO A recorrente afirma que sua classificação na alíquota de suscitada, está de acordo com a NR-4 do Ministério do Trabalho, argumentando basicamente que: 49. Além do que acima já restou exposto em favor do TOTAL PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário, a autuação originária também deixou de levar em conta - ainda que alertado no decorrer da Fiscalização - que a Recorrente tem natureza jurídica de autarquia especial, justificando-se a declaração das alíquotas de RAT igual a 1% (hum por cento) com amparo na NR4 - Norma Regulamentadora 4 do Ministério do Trabalho. 50. Com efeito, referida NR4 qualifica o CNAE 9412-00 da Recorrente à alíquota de 1% porque TODOS os seus colaboradores encontram-se alocados em funções meramente administrativas. Ao negar provimento ao suscitado neste item pela recorrente, o órgão originário argumentou basicamente: Neste particular, entendo que os dispositivos da Norma Regulamentadora - NR-4 do Ministério do Trabalho não devem ser utilizados para se estabelecer a regra matriz de incidência da contribuição destinada ao SAT/RAT, nem servem para estabelecer o correto enquadramento da Impugnante em determinada alíquota dessa contribuição, já que essa contribuição tem legislação tributária especifica para sua incidência, a saber: Lei 8.212/1991 (art. 22, inciso II); Decreto 3.048/1999 (artigo 202); e Instrução Normativa RFB n° 971/2009 (artigo 72). Dessa maneira, a alegação de que a Fiscalização deixou de levar em conta a aplicação da alíquota de RAT igual a 1% (hum por cento), com amparo na Norma Regulamentadora – NR-4, não será acolhida, tendo em vista que não há previsão legal para se utilizar os dispositivos dessa norma (ato normativo administrativo), emitida exclusivamente pelo Ministério do Trabalho, na complementação da legislação tributária em questão. Analisando a objetividade da decisão recorrida, constata-se que a mesma foi bem específica e convincente ao discorrer sobre a extensão e aplicabilidade dos mandamentos da NR- 4 do Ministério do Trabalho, não deixando espaço para este Conselho complementar com novas afirmações. Destarte, ficou comprovado que, ao contrário da generalidade da decisão recorrida suscitada pela recorrente, observa-se que a mesma foi bem elaborada e que também não merece reforma neste tema. 3.4 - DO ILEGÍTIMO AMPARO DA AUTUAÇÃO NO DECRETO N* 6.957/2009 Ao tecer comentários sobre a ilegitimidade da autuação com base no Decreto 6.957/2009, entre outros argumentos, a recorrente alega que: 54. Portanto, a evidência verifica-se a falta de validade jurídica do 6.957/09. 55. Em primeiro lugar, pela contrariedade ao Princípio da Motivação, da Publicidade, da Livre Informação e da Transparência na medida em que a redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social - RPS, introduzido pelo referido Decreto n^ 6.957/09, promoveu o aumento generalizado nas alíquotas de contribuição para o SAT/RAT, implementando o reenquadramento dos graus de risco das atividades por :meras suposições, sem qualquer justificativa plausível. Não havendo dados estatísticos aptos a justificarem o reenquadramento do grau de risco de determinada atividade econômica, e sem a inspeção particular, há um aumento genérico da carga tributária imposta aos contribuintes, sendo vedada, por ofensa à Fl. 245DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 proporcionalidade e à razoabilidade, a mera reclassificação dos riscos, desacompanhada de estudos que lhe dê suporte. O órgão provedor da decisão atacada, ao negar sustentação ao requerido, utilizou- se como argumento basilar: Tal alegação não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446-SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT/RAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446-SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. - O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. - As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004). Ainda o Relator desse RE 343.446-SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídico-constitucional brasileira”. Diante da robustez dos elementos trazidos para este processo pela decisão recorrida, não temos porque reformá-la, haja vista a clareza e especificidade ao contestar os argumentos trazidos da recorrente. Vale lembrar também que não cabe ao agente autuador e nem aos órgãos julgadores administrativos deixar de aplicar as normas por considerá-las ilegais e/ou inconstitucionais, pois a atividade jurídica do lançamento é plenamente vinculada e não pode ser afastada sob os argumentos de convicção de que que a norma regente é ilegal ou injusta. Além do mais, se observarmos os autos, observamos que o fiscal autuante agiu conforme os mandamentos legais, autuação essa, confirmada pelo órgão julgador, pois como sabemos, é vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação de ato normativo em vigor por inconstitucionalidade ou ilegalidade e que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica Fl. 246DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.537 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722365/2017-11 vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Conclusão Assim, tendo em vista tudo o que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do presente recurso, para preliminarmente e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720494/2011-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2010
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE APÓS O LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Numero da decisão: 2002-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 08/10) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2010, onde se apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 04 94 /2 01 1- 06 Fl. 59DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.638 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17613.720494/2011-06 O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (e-fls. 11). Inconformado, apresentou Impugnação (e-fls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 29/32): A omissão de rendimentos não ocorreu de forma proposital, mas pela falta do fornecimento e informação dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto renda pelas fontes pagadoras. Por se tratar de serviços eventuais a autônomo e pela necessidade de afastamento das atividades por problemas pessoais de saúde agravados pelo falecimento do irmão tais acontecimentos foram involuntários e por falta de conhecimento dos referidos rendimentos. A declaração de ajuste anual, modelo completo, não foi realizada com todos os benefícios que ela se propõe, por entender, na ocasião, diante da posse dos comprovantes de rendimentos, não alterar os resultados. Entretanto com os complementos dos rendimentos, formulamos a apreciação dos lançamentos dos direitos para as deduções legais como dependentes e despesas. O interessado apresenta resumo da simulação da declaração de ajuste anual devidamente retificada e os documentos legais para sua validade. Por conseguinte, o contribuinte pleiteia correção de valores ou isenção dos mesmos. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/POA em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabível o lançamento relativo a rendimentos tributáveis não declarados. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. Comprovada a condição de dependência, o contribuinte faz jus à dedução respectiva. Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/04/2015 (e-fls. 37), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/05/2015 (e-fls. 39/40) requerendo a retificação de sua Declaração de Ajuste Anual para a inclusão de dedução de dependentes conforme documentos comprobatórios em anexo. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extrai-se da Notificação de Lançamento que a única infração apurada pela autoridade fiscal foi a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor total de R$ 12.361,35 (e-fls. 09). Em seu Recurso o interessado não apresenta qualquer argumento sobre o assunto, limitando-se a requerer a inclusão de dependentes em sua Declaração de Ajuste com base nos documentos por ele acostados. Cumpre esclarecer, contudo, que a competência deste Colegiado situa-se dentro dos estritos limites da matéria litigiosa, não cabendo a ele efetuar alterações em valores que não Fl. 60DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.638 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17613.720494/2011-06 compõem a lide. A inclusão de deduções não informadas na declaração em exame, que não foram objeto do lançamento e, portanto, não fazem parte do litígio, representaria retificação após o início da ação fiscal, procedimento expressamente vetado pela legislação pertinente, nos termos do art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional - CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904410/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DENÚNICA ESPONTÂNEA. NÃO APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA INTEGRALIDADE DOS JUROS DE MORA.
Para fins de reconhecimento da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, é necessário o recolhimento do crédito tributário, acompanhado da integralidade dos juros de mora, oportunidade na qual o contribuinte ficará dispensado do pagamento da penalidade (multa).
Não sendo verificado o recolhimento da integralidade dos juros de mora, não se pode afastar a aplicação da penalidade (multa).
Numero da decisão: 1302-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-07T12:51:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-07T12:51:06Z; Last-Modified: 2019-10-07T12:51:06Z; dcterms:modified: 2019-10-07T12:51:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-07T12:51:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-07T12:51:06Z; meta:save-date: 2019-10-07T12:51:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-07T12:51:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-07T12:51:06Z; created: 2019-10-07T12:51:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-10-07T12:51:06Z; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-07T12:51:06Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10120.904410/2009-65 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.949 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2019 Recorrente ADUBOS SUDOESTE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DENÚNICA ESPONTÂNEA. NÃO APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA INTEGRALIDADE DOS JUROS DE MORA. Para fins de reconhecimento da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, é necessário o recolhimento do crédito tributário, acompanhado da integralidade dos juros de mora, oportunidade na qual o contribuinte ficará dispensado do pagamento da penalidade (multa). Não sendo verificado o recolhimento da integralidade dos juros de mora, não se pode afastar a aplicação da penalidade (multa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. Relatório O contribuinte – Adubos Sudoeste Ltda. - ora Recorrente, transmitiu PerDcomp nº 22681.97119.270306.1.3.04-2807, na qual pretendia quitar débito de estimativa de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de dezembro de 2005, com vencimento em 31/01/2006, com crédito do mesmo tributo, oriundo de pagamento indevido ou maior de Estimativa de IRPJ, referente ao mês de 11/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 44 10 /2 00 9- 65 Fl. 239DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.904410/2009-65 O pedido de compensação foi transmitido em 27/03/2006, ou seja, após o vencimento do tributo que se pretendia quitar. Em um primeiro momento, em despacho decisório proferido (fls. 03), o direito creditório não foi reconhecido, uma vez que entendeu-se que o recolhimento indevido ou maior do IRPJ Estimativa “somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPI ou CSLL do período”. Contudo, em face da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte e, em especial, do teor da Solução de Consulta SCI Cosit nº 19, de 05/12/2011, a DRJ de Brasília converteu o julgamento em diligência, para que a “Delegacia da Receita Federal de origem para que esta se pronunciasse a respeito da existência do direito creditório pleiteado e se este seria suficiente para homologar os débitos confessados no PER/DCOMP objeto dos autos.” A diligência realizada, em síntese, constatou que a) o pagamento (receita 2362, data de arrecadação 02/01/2006, valor 26.777,56), deve ser utilizado na amortização dos imposto apurado e b) após sua utilização restou o saldo devedor de R$ 20.248,46, PA 12/2005/ vencimento 31/01/2006. Assim, em um primeiro momento, aquela DRJ entendeu por bem dar provimento ao apelo do contribuinte (Acórdão DRJ/BSA nº 03-68.225), quando “decidiu pela procedência da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar os débitos declarados”. Entretanto, com a efetivação de “cobrança”, tendo em vista que o saldo a pagar apurado pela DRF quando da liquidação do julgamento e a respectiva apresentação de nova Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, os autos retornaram para julgamento pela DRJ de Brasília, tendo em vista que “foram identificados contradições e erros na decisão exarada, uma vez que o crédito não é suficiente para homologação do débito declarado, conforme cálculos efetuados pela equipe de cobrança”. A referida remessa, para nova análise, se deu com base no § 1º, do artigo 21 da Portaria MF nº341/ 2011. Contudo, ao proferir novo julgamento, a DRJ de Brasília, ao constatar que não foram indicados os acréscimos legais (juros e multa moratória) ao débito indicado no pedido de compensação, uma vez que “a referida DCOMP foi transmitida em 27/03/2006, após a data de vencimento do tributo”, entendeu-se pela procedência parcial “da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 26.777,50, e compensar parcialmente o crédito tributário (débito) de IRPJ, código de receita 2362, período de apuração Dez/2005, no valor original de R$ 26.733,51, conforme extrato de fls. 157”. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado existe. Fl. 240DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.904410/2009-65 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ATUALIZAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, tanto o crédito quanto o débito tributário serão atualizados com o acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês, até a data de transmissão do Per/Dcomp. No presente caso, o crédito pleiteado é insuficiente para compensação do débito declarado. REVISÃO DE ACÓRDÃO. Esse acórdão revisa e substitui o de número 03-68.225, de 21 de maio de 2015, proferido por esta turma de julgamento, que apresentou inexatidões materiais em virtude de lapso manifesto. Não concordando com a decisão exarada, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, alega, em síntese, que, quando a PerDcomp é transmitida antes do início de medidas fiscalizatórias, o instituto da denúncia espontânea deve ser aplicado nos pedido de compensação, o que impediria a cobrança de multa moratória. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relatos para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias - Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 21/03/2016 (AR de fl. 190), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 11/04/2016 (comprovante de fl. 232 e 233), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NÃO APLICAÇÃO DO INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA AO PRESENTE CASO. A princípio, a matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pelo Recurso Voluntário seria, basicamente, a possibilidade de reconhecimento ao não da denúncia espontânea nos casos em que, ao invés de realizar o pagamento em espécie, o contribuinte quita os débitos "denunciados" com créditos que detém junto ao sujeito ativo da obrigação tributária, ou seja, utiliza-se da compensação. Contudo, em que pese o entendimento pessoal deste relator (já externado em outros julgados), que não é acompanhado pela maioria do colegiado, pela possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea também nos pedidos de compensação, no presente caso, não se pode acatar o pedido do Recorrente. Fl. 241DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.904410/2009-65 É que, pela inteligência do artigo 138 do CTN, para se beneficiar da denúncia espontânea, o pagamento do crédito tributário, deve ser acrescido da integralidade dos juros de mora, ficando dispensado o recolhimento da penalidade (multa). Veja-se a redação do dispositivo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (destacou-se) Não se pode perder de vista, neste sentido, que o dispositivo da denúncia espontânea, como mencionado, prestigia o adimplemento espontâneo e em boa-fé da obrigação tributária pelo contribuinte. No presente caso, entretanto, o contribuinte, ao indicar o débito devido, também não corrigiu monetariamente os valores (até a data da transmissão da PerDcomp), o que impede o reconhecimento do seu pleito, como requerido no Recurso Voluntário apresentado. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.720506/2017-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2013
ITR. ÁREAS DE PROTEÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ISENÇÃO.
O sujeito passivo logrou êxito comprovando a existência de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal através de Ato Declaratório Ambiental do exercício competente, razão pela qual tais áreas são isentas de ITR na forma do art. 10 da Lei nº 9.393/96.
Numero da decisão: 2401-007.029
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2013 ITR. ÁREAS DE PROTEÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ISENÇÃO. O sujeito passivo logrou êxito comprovando a existência de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal através de Ato Declaratório Ambiental do exercício competente, razão pela qual tais áreas são isentas de ITR na forma do art. 10 da Lei nº 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 06 /2 01 7- 98 Fl. 109DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.029 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720506/2017-98 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília - DF (DRJ/BSB) que julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 03-007.419 (fls. 66/70): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2013 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exige-se que essas áreas ambientais, declaradas para o ITR/2013 e glosadas pela autoridade fiscal, tenham Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Notificação de Lançamento emitida contra o Contribuinte (fls. 02/06), para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, no valor de R$ 1.557.034,44, relativo ao exercício de 2013, bem como de juros moratórios, no valor de R$ 661.272,52, e multa proporcional no valor de R$ 1.167.775,83. De acordo com a descrição da notificação, o contribuinte, após regularmente intimado, não comprovou a isenção das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, que foram excluídas da base de cálculo do imposto, senão vejamos o que relatou a Fiscalização (fl. 03): Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei no 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei no 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Conforme o cálculo existente na notificação, a área total do imóvel seria de 29.715,4 hectares dentre os quais o contribuinte declarou a existência de 1950,7 hectares de Área de Preservação Permanente e 8.995,0 hectares de Área de Reserva Legal. A Contribuinte tomou ciência da notificação em 07/06/2017, e, em 26/06/2017, apresentou sua Impugnação de fls. 19 a 20, instruída com diversos documentos que entendeu serem suficientes para comprovar o direito alegado. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 03-077.419 (fls. 66/70), julgou PROCEDENTE o Fl. 110DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.029 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720506/2017-98 lançamento para manter integralmente a exigência fiscal, por considerar que o contribuinte não teria cumprido o requisito de protocolização tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA no IBAMA. Em 03/11/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (fl. 78) e, em 01/12/2017, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 81/89), asseverando, em suma, que o único argumento da decisão de piso para manter a notificação de lançamento foi o de que a Recorrente não havia apresentado o Ato Declaratório Ambiental (ADA), oportunidade em que junta o recibo de protocolo do ADA junto ao IBAMA datado de 04/09/2013 e requer, consequentemente, a improcedência do lançamento em face da observância da verdade material. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do mérito O imposto sobre a propriedade territorial rural - ITR, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição Federal de 1988, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, e no art. 1º da Lei nº 9.393/96, a saber: CTN Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Lei nº 9.393/9 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Desse modo, se o sujeito passivo incorrer, de forma plena, em quaisquer das hipóteses previstas na legislação como fato gerador do imposto, quais sejam a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, não há dúvidas de que deve recolher o ITR na forma determinada pela norma. Por outro lado, a Lei nº 9.393/96 estabelece que, para efeito de definição da base de cálculo do imposto, algumas áreas deverão ser excluídas da área tributável do imóvel, senão vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e Fl. 111DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.029 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720506/2017-98 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n o 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental;(Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Pois bem. O presente processo trata da exigência do ITR por não ter a contribuinte comprovado as áreas de reserva legal e de preservação permanente do imóvel rural em debate. Por ocasião da apresentação de sua impugnação, a contribuinte ora Recorrente, apresentou os documentos constantes às fls. 21/60, no entanto, não apresentou o Ato Declaratório Ambiental. A decisão da DRJ manteve a glosa por entender que, para serem excluídas da área tributável do ITR, exige-se que essas áreas de reserva legal e de preservação permanente ambientais, declaradas para o ITR/2013 e glosadas pela autoridade fiscal, tenham Ato Declaratório Ambiental - ADA do ano de 2013. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte asseverou que, ao realizar uma revisão dos documentos apresentados em sede de impugnação, verificou que, por um lapso, não havia anexado o ADA relativo ao ano de 2013, razão porque procedeu a juntada do documento em sede de Recurso Voluntário. Dessa forma, tendo em vista que a obrigação tributária é ex lege e que o processo administrativo alberga o princípio da verdade material objetivando garantir a legalidade na apuração do crédito tributário, o documento juntado aos autos com o Recurso Voluntário deve ser acatado como prova, juntamente com as demais provas já colacionadas aos autos. Nesse contexto, considerando que a Recorrente trouxe aos autos, precisamente à fl. 107, o Ato Declaratório Ambiental - ADA expedido pelo IBAMA, cuja transmissão está datada de 04/09/2013, e no qual constam, de fato, 1.950,77 hectares de Área de Proteção Fl. 112DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art24 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm#art80 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11428.htm#art48 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art40 Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.029 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720506/2017-98 Permanente e 8.995,0 hectares de Área de Reserva Legal, necessário se faz reconhecer a isenção de ITR no que se refere às referidas áreas, por expressa previsão do art. 10, II, “a" da Lei nº 9.393/96. Dessa forma, entendo pela exoneração do crédito tributário constante no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOU-LHE PROVIMENTO para reconhecer a isenção de ITR em relação aos 1.950,77 hectares de Área de Proteção Permanente e 8.995,0 hectares de Área de Reserva Legal. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004413/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE DESCONTO DA REMUNERAÇÃO. CFL 59. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar as contribuições mediante desconto da remuneração dos empregados, conforme dever estabelecido no art. 30, inciso I, alínea 'a', da Lei n° 8.212/91, submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I, do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA AFETA À COMPENTÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. ENUNCIADO CARF Nº 2.
A de aspectos constitucionais da lei tributária extrapola a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atribuída com exclusividade pela CF/88 ao Poder Judiciário, conforme dispõe o enunciado de nº 2 da súmula de sua jurisprudência.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao reccurso voluntário.
Numero da decisão: 2402-007.415
Decisão: (assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE DESCONTO DA REMUNERAÇÃO. CFL 59. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar as contribuições mediante desconto da remuneração dos empregados, conforme dever estabelecido no art. 30, inciso I, alínea 'a', da Lei n° 8.212/91, submete se a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA AFETA À COMPENTÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. ENUNCIADO CARF Nº 2. A de aspectos constitucionais da lei tributária extrapola a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atribuída com exclusividade pela CF/88 ao Poder Judiciário, conforme dispõe o enunciado de nº 2 da súmula de sua jurisprudência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao reccurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 44 13 /2 01 0- 40 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15504.004413/201040 Acórdão n.º 2402007.415 S2C4T2 Fl. 108 2 Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0233.251, da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 46 ss.), que julgou procedente o lançamento que impôs multa ao autuado por descumprimento de obrigação acessória tipificadas no 30, I, “a”, da Lei nº 8.212/91, 4º, “caput”, da Lei nº10.666/03 e 216, I, “a”, do Decreto nº3.048/99, por ter o recorrente deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço no período de 01/2005 a 04/2005, 06/2005 e 12/2005. Em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa no valor de R$ 1.410,79, com fundamento na Lei 8.212/91, artigos 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso I, alínea "g"e artigo 373. Cientificado da autuação aos 23/03/2010 (fls. 01), o contribuinte apresentou impugnação tempestivamente (fls. 21 ss.), alegando, em síntese: decadência parcial do lançamento, referente às competências de 01/2005 a 03/2005; ilegalidade do AI, uma vez que o dispositivo legal em que fundamentado (art.92 da Lei 8.212/91) é genérico e não se presta a instituir a pena exigida; que a pena se baseia em regulamento e não em lei, e que não há previsão legal para a penalidade; que há duplicidade de punição por uma mesma infração, pois as contribuições supostamente devidas foram lançadas pela fiscalização, o que constitui uma afronta aos princípios da capacidade contributiva e da proibição do confisco; que o descumprimento de obrigação principal não pode ser punido também com aplicação de multa isolada; os juros não podem incidir sobre multa, mas somente sobre o valor do tributo; A 8ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE DESCONTAR E ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 15504.004413/201040 Acórdão n.º 2402007.415 S2C4T2 Fl. 109 3 Constitui infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea 'a' e artigo 4o da Lei 10.666/03, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada dessa decisão aos 21/05/2012 (fls. 54), a recorrente apresentou recurso voluntário aos 20/06/2012, reprodução da impugnação apresentada em primeira instância. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recuso voluntário é tempestivo mas deve ser conhecido em parte. Inicialmente, considerando que o recurso voluntário em questão se trata de reprodução da impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, com os quais estou de acordo: O sujeito passivo foi autuado por ter infringido o disposto na Lei n° 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea 'a', e na Lei n° 10.666/03, artigo 4o , "caput": Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. (...) Lei 10.666/03 Art. 4" Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo (...). Assim, ao contrário do que alega o contribuinte, a obrigação acessória ora discutida possui previsão legal, não havendo como se eximir de seu cumprimento. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15504.004413/201040 Acórdão n.º 2402007.415 S2C4T2 Fl. 110 4 Quanto à decadência, na espécie, descumprimento de obrigação acessória, a qual se converte em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, artigo 113, §3°), a autuação deveria ocorrer no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a infração poderia ter sido conhecida nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, considerando que a autuação ocorreu em 03/2010, ela poderia retroagir à competência 01/2005. A infração poderia ter sido conhecida a partir dessa data (01/2005), o prazo decadencial teria início em 01/01/2006 e término em 31/12/2010. Logo, não há que se falar em decadência, pois todas as infrações ocorreram em competências posteriores a 01/2005. Convém ressaltar, ainda, que não está havendo duplicidade de punição por uma mesma infração. As obrigações previdenciárias principais diferemse das obrigações acessórias. Pelo descumprimento da obrigação principal (obrigação de dar/pagar) surge para a fiscalização o poder/dever de constituir o crédito para Seguridade Social. Pelo descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), surge para a fiscalização o poder/dever de lavrar o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), que se converte em obrigação principal pela multa aplicada. A obrigação referente ao recolhimento das contribuições constitui uma obrigação principal, enquanto a obrigação de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, constitui obrigação acessória distinta daquela outra. Tendo em vista a infração cometida, o contribuinte sujeitouse, pelo descumprimento de obrigação acessória, à multa punitiva, que foi corretamente aplicada, conforme disposto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea 'g'. No tocante às alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade apresentadas na defesa, ressaltese que no Processo Administrativo Fiscal não se discute ilegalidade ou inconstitucionalidade, pois são questões que competem ao Poder Judiciário, devendo a Administração aterse aos enunciados da legislação que norteiam as obrigações do contribuinte perante a Seguridade Social, conforme determina o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15504.004413/201040 Acórdão n.º 2402007.415 S2C4T2 Fl. 111 5 Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Adicionalmente aos fundamentos da decisão recorrida, acima reproduzidos, salientese que a multa discutida nestes autos é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, e não se confunde com tributo sujeito a lançamento por homologação. Assim, o dispositivo que rege a contagem do prazo decadencial, no caso, é aquele previsto no art. 173, I do CTN, pelo que não se há falar em decadência neste caso. Ressaltese, ainda, que este Conselho não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de lei tributária, diante do que dispõe o enunciado de nº 2 da súmula de sua jurisprudência, abaixo reproduzido: CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, a análise de aspectos constitucionais suscitados pelo recorrente em seu recurso voluntário extrapola a competência deste Tribunal, atribuída com exclusividade pela CF/88 ao Poder Judiciário. Por todo o exposto, não assiste razão em sua irresignação. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000079/2002-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1997
FATO GERADOR. PRAZO DE RECOLHIMENTO. DCTF COM ERRO NA INDICAÇÃO DA SEMANA DE RETENÇÃO DO TRIBUTO. MULTA DE OFICIO ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. Deve-se cancelar o lançamento quando comprovado que o imposto retido pela fonte pagadora foi recolhido no prazo legal de vencimento, sendo o lançamento decorrente de erro na indicação em DCTF da semana de retenção do imposto.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2101-002.145
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1997 FATO GERADOR. PRAZO DE RECOLHIMENTO. DCTF COM ERRO NA INDICAÇÃO DA SEMANA DE RETENÇÃO DO TRIBUTO. MULTA DE OFICIO ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. Deve-se cancelar o lançamento quando comprovado que o imposto retido pela fonte pagadora foi recolhido no prazo legal de vencimento, sendo o lançamento decorrente de erro na indicação em DCTF da semana de retenção do imposto. Recurso de Ofício Negado.
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PRAZO DE RECOLHIMENTO. DCTF COM ERRO NA INDICAÇÃO DA SEMANA DE RETENÇÃO DO TRIBUTO. MULTA DE OFICIO ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. Devese cancelar o lançamento quando comprovado que o imposto retido pela fonte pagadora foi recolhido no prazo legal de vencimento, sendo o lançamento decorrente de erro na indicação em DCTF da semana de retenção do imposto. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 00 79 /2 00 2- 87 Fl. 112DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0919.13317.7U6O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 A 3ª Turma da DRJ São Paulo I recorre de ofício de sua decisão às fls. 98/106 (Acórdão nº 1616.916, de 16 de abril de 2008), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o crédito tributário do item 4.2 do Auto de Infração (fl. 70), que trata da exigência de multa isolada (R$1.204.550,39) e juros isolados (R$4.814,15) em decorrência do recolhimento fora do prazo de vencimento, sem os acréscimos legais devidos, conforme discriminado nos Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento (fl. 73 a 83) e IV – Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor (fl. 85). O presente lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF do 1º Trimestre de 1997, entregue em 09/01/1998, conforme IN SRF nº 045 e 077/98. O item 4.1 do Auto de Infração, que trata da exigência de IRRF retido e não recolhido, no valor de R$ 60.050,26 e acréscimos legais, foi revisto de ofício e cancelado pela autoridade administrativa, consoante Despacho à fl. 96, pela alocação do recolhimento no valor de R$ 62.050,26, código de receita: 0561, PA: 0501/1997, com vencimento e pagamento na data de 05/02/1997 (fls. 92 a 94). Em sua defesa (impugnação às fls. 01/08), instruída com os DARF às fls. 22/36, a contribuinte alegou que ocorreu falha quando do preenchimento da DCTF, no campo referente ao Período de Apuração, o que acarretou o "suposto" recolhimento de tributo fora do prazo legal e conseqüentemente a cobrança de juros e multa. Argumenta que o DARF retrata o pagamento do débito tributário diverso do período declarado em DCTF, entretanto, não há recolhimento a menor, se for considerado o período correto, conforme Demonstrativo às fls. 07/08. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, em votação unânime, julgou improcedente o crédito tributário em litígio, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 MULTA DE OFICIO ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. IMPROCEDÊNCIA. Evidenciado que a semana correspondente ao fato gerador foi informada em DCTF em desacordo com as instruções de preenchimento determinadas pela legislação vigente e comprovado o pagamento do débito correspondente no prazo legal de vencimento, não subsistem os lançamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 MULTA DE OFICIO ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Outrossim, seria suprimida a exigência da multa de oficio isolada, de qualquer modo, em razão de aplicação retroativa do artigo 44 da Lei n° 11.486/2007, que alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Lançamento Improcedente Fl. 113DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0919.13317.7U6O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.000079/200287 Acórdão n.º 2101002.145 S2C1T1 Fl. 110 3 Em face do montante exonerado ultrapassar R$1.000.000,00, de acordo com o art. 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3/2008, foi interposto recurso de ofício pelo Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o valor exonerado na decisão de primeiro grau ultrapassa o limite de alçada indicado na Portaria MF nº 3/2008. Inicialmente, subscrevo integralmente os fundamentos da decisão recorrida, submetida a recurso de ofício. As questões de fato e de direito foram corretamente analisadas pela 3ª Turma da DRJ São Paulo I, estando as razões de decidir indicadas no voto condutor do Acórdão nº 1616.916 (fls. 98/106), em consonância com reiterados pronunciamentos deste CARF. É cediço que o erro na indicação da semana de retenção do imposto não deve prevalecer ante a correta apuração e recolhimento no prazo legal de vencimento, como ocorreu no caso em exame. Conforme instrução constante no Programa da Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais – DCTF – versão 6.1 – utilizado no período de 1997 a 1998, disponível no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal (http:://www.receita.fazenda.gov.br) e Ato Declaratório COSAR/COTEC n° 17, de 1997, nos casos em que o inicio e o término do período de apuração recaírem em meses diferentes, os valores correspondentes deverão ser informados no mês de encerramento do período de apuração. As datas de 1° de fevereiro e 1° de março incidiram em sábado, gerando como conseqüência o equivoco do contribuinte. De fato, considerando o período de apuração e vencimento indicados nos DARF às fls. 24/36, verificase a ocorrência de erro quanto ao PA informado na DCTF, tendo sido indicada semana anterior à correta. Adicionalmente, o Órgão julgador a quo manifestou o entendimento de que anda que houvesse atraso nos recolhimentos, não haveria como subsistir o lançamento fundamentado no artigo 44, inciso I e parágrafo 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, vigente à época da autuação, pois com a publicação da Medida Provisória n°351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, essa penalidade somente pode ser admitida nas hipóteses de falta de recolhimento de valores devidos a titulo de carnêleão pela pessoa fisica (art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e de falta de recolhimento da antecipação por estimativa pelas pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no lucro real anual (art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996). Concluiu, então, que foi suprimida do ordenamento jurídico a previsão de imposição da multa de oficio isolada pelo recolhimento fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora, sendo imperativo o cancelamento da penalidade pela aplicação do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN). Acrescento outro fundamento para cancelamento da exigência tributária em litígio, pois ocorreu na hipótese em exame a denúncia espontânea da infraçao, nos termos do Fl. 114DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0919.13317.7U6O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 artigo 138 do CTN, tendo em vista o pagamento do tributo devido em momento anterior à informação em DCTF. Confirase a ementa do Acórdão nº 2101002.052, proferido por este Colegiado em sessão realizada em 19/02/2013: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 IRRF. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplica se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. No mesmo diapasão dispõe o Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36), da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do qual se autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional.”. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 115DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0919.13317.7U6O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 18/04/2013 14:15:54. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 18/04/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 19/04/2013 e JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 18/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0919.13317.7U6O Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F147F0CA55B0AABCF947D7F34070675DE2A8AD89 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11610.000079/2002-87. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10711.003774/2010-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/06/2008, 20/06/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
Os princípios do não-confisco e Proporcionalidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considera-se como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada.
Numero da decisão: 3003-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Os princípios do não-confisco e Proporcionalidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considera-se como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 37 74 /2 01 0- 18 Fl. 267DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata de auto de infração por registro extemporâneo de conhecimento de carga. Valor da autuação R$ 10.000,00. Argüi a fiscalização que a agência de navegação UNIMAR AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA informara tempestivamente o manifesto e conhecimento master eletrônicos no dia 29/05/2008, sendo que o conhecimento estava consignado à empresa autuada (FIGWALL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA). O prazo para a prestação da informação (desconsolidação) era 12/06/2008 • às 15:52, momento da atracação da embarcação. A empresa autuada procedeu a desconsolidação em 12/06/2008 às 17:14 e 20/06/2008 às 16:10. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 41-81. - Evoca dificuldades na implantação do sistema Siscomex Carga com dificuldades de implantação por parte do próprio Fisco Federal, como o fornecimento de acesso ao sistema informatizado. Cita matéria de jornal. - Não houve ausência de prestação de informação, e sim prestação de informação fora do prazo. - Era impossível para a impugnante conseguir lançar as informações necessárias antes da atracação do navio, pois só obteve realmente estas informações após a atracação do navio. - Alega efeito confiscatório haja vista que o valor da multa é maior que o • valor da própria receita de frete. - Argüi ilegitimidade passiva, sendo que a contribuinte somente recebeu "pedido” de sua empresa parceira (transportadora internacional), que verdadeiramente contratou com a empresa marítima o transporte dos produtos. A impugnante atuou somente como agente responsável pela desconsolidação da carga, e se obrigou tão somente ao recebimento dos valores envolvidos na operação, tais como frete, taxas, etc. valores devidos pelo importador. - A impugnante é somente prestadora de serviço de assessoria marítima em comércio exterior e, nesta condição, quando contrata fretes internacionais, auxilia seus clientes nas atividades de agenciamento pertinentes a transporte internacional. A impugnante participa da relação comercial apenas e tão-somente como consignatária ou mandatária das empresas marítimas, sendo certo que os fretes foram efetivamente contratados e o negócio formalizado por estas empresas marítimas. Argüi ilegitimidade passiva. - Argumenta que o auto de infração feriu princípios constitucionais, como o da vedação ao confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e outros. - A legislação e a jurisprudência não reconhecem a responsabilidade do agente de cargas/mandatário. Solicita a nulidade ou a improcedência do auto de infração. Requer produção de provas, como perícias, oitiva de testemunhas e outras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação nos termos do Acórdão nº 07-23.867. Fl. 268DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as alegações de efeito confiscatório, violação ao princípio da proporcionalidade e ilegitimidade passiva. Posteriormente, apresentou petição requerendo aditamento ao recurso com alegações sobre a incidência de denúncia espontânea. É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. (Grifado) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 04/13), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos aos conhecimentos eletrônicos (HBL) CE 130805117559046 e 130805122220396, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Sub-Master (MHBL) CE 130805109118052, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: A embarcação MOL BRAVERY chegou ao Brasil através do porto de SANTOS /SP, procedente do porto de HONG KONG/HONG KONG, no dia 31/05/2008, tendo atracado às 04:21:00 h, conforme consta nos Extratos do Manifesto n° 1308500964963 e da Escala n° 08000070411, às fls. 16 e 17, respectivamente. A data/hora da atracação supracitada estabelece o limite para que a agência de navegação preste as informações de sua responsabilidade da carga constante a bordo da embarcação, tendo como porto de destino final Rio de Janeiro, conforme prazo previsto nos arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007. A agência de navegação UNIMAR AGENCIAMENTOS MARITIMOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 00.728.995/0010-00, após ter informado o Manifesto n° 1308500964963 e efetuado sua vinculação às escalas dentro do prazo, informou tempestivamente o Conhecimento Eletrônico (C.E.-Mercante) Genérico (Máster) n° 130805109118052, no dia 29/05/2008 às 17:36:03 h, conforme extrato do C.E.- Mercante do Siscomex Carga às fls. 19 a 25. Consta como consignatário do C.E.-Mercante Genérico supracitado a empresa FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 62.145.008/0003-65, conforme tela do sistema CNPJ constante às fls. 14, cadastrada Fl. 270DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante - DEFMM - como agente de carga (desconsolidador), como se verifica no extrato do sistema Mercante, às fls. 18. A embarcação prosseguiu sua viagem e veio a atracar no Porto do Rio de Janeiro/RJ no dia 12/06 / 2008 , às 15 : 52:00 h , conforme Detalhes da Escala n° 08000075766 constante às fls. 15, sendo esta a data/hora limite para que a empresa FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007. No entanto, a empresa FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA procedeu à desconsolidação da carga informando os Conhecimentos Eletrônicos (C.E. - Mercante) Agregados (HBL) discriminados na tabela abaixo posteriormente à data e hora da efetiva atracação da embarcação no porto do Rio de Janeiro/RJ. Configuram-se, portanto, INTEMPESTIVAS as informações prestadas, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata para cada C.E.-Mercante, conforme consta nos extratos do sistema Carga a fls. 26 a 37. A seguir estão relacionados os Conhecimentos Eletrônicos (C.E.-Mercante) Agregados (HBL)com suas respectivas datas e horários de inclusão, conforme podemos verificar nos Extratos do Sistema Siscomex Carga discriminados: Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como a prestação de informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 17:14:04h do dia 12/06/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 130805117559046) e às 16:10:25h do dia 20/06/2008 Fl. 271DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 130805122220396), portanto, após a atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, ocorrida no dia 12/06/2008 às 15:52:00 h. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsume-se perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passa-se a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Conforme relatado, os pontos contestados no presente recurso cingem-se aos seguintes: violação aos princípios de vedação ao confisco e proporcionalidade e a ilegitimidade passiva da recorrente. Quanto às alegações da recorrente de eventual violação aos princípios da vedação do confisco e proporcionalidade, respeita a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciar-se sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB, estando pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 2, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a ilegitimidade passiva, a recorrente alegou que as empresas importadoras e as empresas marítimas foram as reais causadoras dos atrasos, sendo a Autuada, tão somente consignatária e representante comercial das empresas em comento. A alegação da recorrente não procede, porque, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: [...] V - transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) Fl. 272DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] O artigo 18 da IN RFB n° 800/2007 também é especifico quanto a obrigação do agente de carga que constar como consignatário do conhecimento de embarque de prestar informações da desconsolidação, in verbis: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratando-se de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decreto-lei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto-lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”. Nesse mesmo sentido, colaciono ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais que adotaram o esse entendimento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. Fl. 273DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decret-oLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Acórdão nº 9303-008.393 – 3ª Turma - Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/07/2008 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional atuava na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista. Recurso especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9303-007.908 – 3ª Turma - Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire) Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida no polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal nesse sentido. Quanto a petição denominada aditamento ao recurso com alegações sobre a incidência de denúncia espontânea, trata de nova matéria de defesa que sequer foi aduzida na impugnação e nem no recurso voluntário, sendo apresentada cerca de dois anos após a apresentação do recurso voluntário. Ou seja, além de se protocolada após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância previsto no artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972, que dispõe sobre o prazo para interposição de recurso voluntário, trata-se de inovação em relação ao pontos trazidos na impugnação pois, de acordo com o art. 16, inciso III, do mesmo Decreto, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Não obstante, tal matéria se encontra pacificada no âmbito do CARF através da Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 274DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.620 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.003774/2010-18 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.730551/2012-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2009
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO AOS CORRETORES. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Incidem contribuições sociais previdenciárias sobre o pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Empresa.
Numero da decisão: 9202-008.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO AOS CORRETORES. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições sociais previdenciárias sobre o pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 05 51 /2 01 2- 12 Fl. 821DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão 2803003.816 (fls 765 e ss), lavrado em sessão plenária de 05/11/2014, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF julgou o Recurso Voluntário , assim ementada: Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. Recurso Voluntário Provido O Recorrente visa rediscutir a seguinte matéria: comissão de corretores – base de cálculo de contribuição previdenciária. Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nº 2402003.189 e 2401003.505. Intimado, conforme termo de abertura de mensagem de efls. 2.909, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório Voto Vencido Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10166.730551/201212 Acórdão n.º 9202008.079 CSRFT2 Fl. 822 3 Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. No tocante ao mérito, entendo que o acórdão recorrido não deve ser reformado, conforme se verifica nos fundamentos: O lançamento foi realizado por aferição indireta, em virtude de o contribuinte deixar de apresentar um rol de documentos, todos requeridos no âmbito do procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário objeto destes autos. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. Quanto ao mérito, discordo do posicionamento contido no último parágrafo da fl. 13 do acórdão recorrido de que: No presente caso, a fiscalização demonstrou com clareza que a empresa M. Garzon Eugênio consolidou no seu processo de venda de imóveis a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda para o comprador, fazendo crer que o corretor presta serviço para ele (comprador), com o objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, no que se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos corretores de imóveis pelos serviços que lhe foram prestados. (...) Aliás, não vislumbrei o fiel cumprimento da lavratura de aturo de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, na forma do art. 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, in verbis: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Fl. 823DF CARF MF 4 Notase, portanto, que a autoridade lançadora, no exercício de sua competência legal, não se desincumbiu de demonstrar claramente a ocorrência dos fatos geradores alegados, conforme estabelece o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência o fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Com efeito, não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Como se pode verificar, a autoridade administrativa não realizou o lançamento de forma clara e precisa como se espera e muito menos observou as disposições contidas nos artigos 109, 100 e 142 do CTN. Portanto, padece também de vícios a aferição indireta utilizada na apuração dos supostos créditos. Sobre a aferição indireta, tendo em conta a similaridade dos casos, é Importante observar as considerações contidas no Acórdão nº 2403002.285, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, no julgamento, em 16 de outubro de 2013, do Processo nº 10166.720923/201111 (fls. 29), in verbis: De tudo o que foi exposto, resta claro, que se os compradores dos imóveis pagaram as comissões, por óbvio, não tendo saído recursos do caixa da empresa para tal finalidade, esta não pode se utilizar desses valores para efetuar lançamentos na sua Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10166.730551/201212 Acórdão n.º 9202008.079 CSRFT2 Fl. 823 5 contabilidade como despesas ou custos e assim obter até mesmo benefícios das reduções na sua declaração de renda sob pena de em o fazendo como quer a Autoridade autuante cometer ilícitos seguramente passíveis de procedentes autuações fiscais. Se na operação de compra e venda, de pleno acordo ou sob eventual coação, os compradores dos imóveis, com seus recursos próprios que não foram repassados de alguma forma pela Recorrente, assumiram pagar as comissões dos corretores, por total impossibilidade, não se pode atribuir que a recorrente os tenha efetuado de forma indireta. O presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante Destarte, tendo em vista todo o exposto, conheço do recurso aviado pelo contribuinte para darlhe provimento. de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por AFERIÇÃO INDIRETA no lançamento em comento. Em razão de tudo que foi exposto, reiterando o que fora exortado alhures, na forma do comando do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, decido pelo mérito posto que este aproveita a declaração de nulidade. In casu, não há que se falar em crédito decorrente de obrigação principal e muito menos de Analogamente ao que restou decidido no RESP 993.599/STJ, entendo que a remuneração recebida pelos corretores pela venda de imóves configura prestação de serviço autônomo, fato gerador da contribuição social previdenciária. O corretor de imóveis presta serviços tanto ao compradores quanto à construtora, pois serve como intermediário entre o beneficiário e a empresa, fazendo jus à comissão percebida em razão da intermediação realizada na celebração dos contratos, incidindo, por conseguinte, a contribuição social prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99, que é a cargo da empresa. Entendo que pretender repassar ao comprador a responsabilidade pelo pagamento das comissões de corretagem de imóvel nada mais é do que uma tentativa das construtoras de ocultar a relação com os corretores para fins de se esquivarem da obrigação previdenciária. Concluo, portanto, que a remuneração percebida pelos corretores na venda de imóves, mesmo quando realizada diretamente pelos compradores, configura prestação de serviço autônomo, incidindo, por conseguinte, a contribuição social prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91. Fl. 825DF CARF MF 6 Assim, diante de todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Com a devida vênia ao fundamentado voto proferido pela Relatora, interpreto e aplico de maneira distinta a legislação atinente ao mérito da controvérsia, com base na análise fática da situação narrada. Conforme dispõe o Relatório Fiscal, fls. 20 e seguintes, “constitui fato gerador das contribuições sociais integrantes do presente lançamento o pagamento de remuneração a título de comissão de venda efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à empresa, no período fiscalizado”. Após diligências realizadas pela fiscalização, constatouse que a situação de fato não corresponde com as alegações da empresa, pois da análise, por amostragem, de 9 adquirentes de imóveis diligenciados, todos afirmaram que: o imóvel foi adquirido por intermédio da empresa imobiliária M gArzon Eugênio; o corretor , autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal, fls. Em contatos presenciais da fiscalização junto ao estabelecimento sede da M Garzon, a auditoria fiscal constatou que a empresa mantém um departamento de vendas com corretores para atendimento do público interessado na aquisição de imóveis, inclusive, do lado externo do prédio, a empresa mantém uma placa anunciando “CORRETORES DE PLANTÃO AQUI”. Além disso, pelos contratos de prestação de serviços de intermediação imobiliária firmado pelas construtoras/intermediadoras, foi possível extrair as seguintes conclusões: eram mantidos no plantão de vendas, pela M Garzon, corretores autônomos de imóveis, nos horários indicados pela contratante; era nomeado supervisor de vendas, pela M Garzon, para orientar o trabalho dos corretores, levar e manter o material publicitário e de apoio no stand de vendas, bem como recolher propostas e atender clientes compradores; a M Garzon Garzon era obrigada a efetuar o pagamento dos corretores autônomos, dentre outras obrigações. Assim, considerando o completo relatório fiscal e o arcabouço probatório constante dos autos, não restam dúvidas sobre a ocorrência do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, no que se refere ao “pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Empresa”. Nesse contexto fático, o meu entendimento se alinha ao que foi decidido no Acórdão n.º 2401003.506, de modo que utilizo como razões de decidir os fundamentos constantes do voto vencedor do Recurso Voluntário, nos termos abaixo transcritos: O principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10166.730551/201212 Acórdão n.º 9202008.079 CSRFT2 Fl. 824 7 das contribuições previdenciárias incidentes sobres os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, por vezes até se utilizando do CRECI da própria imobiliária, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga ao representantes diretamente pelo comprador, esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os quais não mantinham qualquer vínculo. Não consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que esse é a sua principal Fl. 827DF CARF MF 8 atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Desse modo, mostrase imperioso o reconhecimento de que a recorrente utiliza a prestação de serviço (intermediação) dos corretores e dela diretamente se beneficia para atingir os seus objetivos sociais. Importante acrescentar que o Superior Tribunal de Justiça, ao se manifestar no sentido de que era devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelas seguradoras aos corretores de seguros, assim entendeu: E, no caso em análise, há sim prestação de serviços do corretor às seguradoras. Explico. Na corretagem de seguros, a função do corretor é a de intermediar o contrato entre o segurado e a seguradora, contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, ainda que o profissional não esteja vinculado laboralmente a ela. (...). Repitase: o caso é de intermediação entre as partes envolvidas, ou seja, o fato de o corretor prestar serviço também ao segurado não leva à conclusão de que não tenha prestado serviço à seguradora. Tanto é assim que, justamente em virtude dessa intermediação, a pessoa jurídica remunera o corretor mediante o pagamento de uma comissão, arbitrada com base em percentagem do contrato celebrado. (REsp 519.260/RJ, Relator Ministro Herman Benjamin, DJU de 02.02.2009). Nesse sentido, foi editado o Enunciado de Súmula n.º 458 abaixo transcrito: Súmula 458: A contribuição previdenciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. Notase, dessa forma, que o posicionamento adotado no STJ foi no sentido da incidência das contribuições previdenciárias, em caso análogo, o que corrobora o entendimento de que a remuneração percebida pelo corretor pela venda de imóveis referese à prestação de serviço para a recorrente, hipótese de incidência prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, bem como do imperioso cumprimento da obrigações acessórias relativas a tal obrigação. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10166.730551/201212 Acórdão n.º 9202008.079 CSRFT2 Fl. 825 9 Fl. 829DF CARF MF
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