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Numero do processo: 10725.000015/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, sem vínculo com o fato gerador do tributo, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. DCTF. PLEITO AO INGRESSO NO SIMPLES DENEGADO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA.
Numero da decisão: 1803-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator que integra o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, sem vínculo com o fato gerador do tributo, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. DCTF. PLEITO AO INGRESSO NO SIMPLES DENEGADO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator que integra o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrente SHIMMER MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, sem vínculo com o fato gerador do tributo, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. DCTF. PLEITO AO INGRESSO NO SIMPLES DENEGADO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator que integra o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 00 15 /2 00 8- 11 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10725.000015/200811 Acórdão n.º 1803001.433 S1TE03 Fl. 111 2 Relatório Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao segundo semestre do ano calendário de 2005. O Enquadramento Legal indicado no auto de infração é: art 113, § 3 o e 160 do Código Tributário Nacional Lei n° 5172/66 (CTN); art. 11 do DecretoLei n° 1968, de 23/11/1982, com redação dada pelo art. 10 do Decreto Lei n° 2.065 , de 28/10/1983; art. 30 da Lei n° 9249/1998; art. I o da Instrução Normativa SRF n° 18, de 24/02/2000 e art. 7 o da Lei n° 10.426/2002. Cientificada do feito a Recorrente aduziu em síntese: a) Que apresentou a DCTF intempestivamente mas espontaneamente, razão pela qual faz jus ao benefício da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN; b) que o auto de infração só poderia ter sido feito após intimação para a apresentação da DCTF conforme dispõe o caput do artigo 7o da Lei n° 10426/2002; c) que pleiteara sua reinclusão no Simples por meio do processo de n° 10725.000133/200597, em 03/02/2005, quando cumpriu com todas as obrigações principais e acessórias correspondentes ao sistema simplificado, tendo o seu pedido indeferido em 31/07/2006, não recorrendo de tal decisão, momento em que tomara todas as medidas corretivas para o cumprimento espontaneamente. d) que o fundamento da decisão monocrática que negou o reenquadramento no Simples restou despiciente pela chegada da nova Lei do Simples geral, que incluiu o objeto empresarial da impugnante no rol das atividades permitidas, o que estaria agasalhado então pelo art. 106 do CTN à outrora atividade excluída, com os efeitos nas sanções decorrentes. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou os argumentos sustentados pela Recorrente e manteve o lançamento em questão. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntários sustentando os mesmos argumentos lançados na oportunidade da impugnação. É o simples relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10725.000015/200811 Acórdão n.º 1803001.433 S1TE03 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Quanto a questão da aplicabilidade da denúncia espontânea referente a entrega da DCTF fora do prazo, sustenta a empresa contribuinte que a mesma deveria ser previamente intimada para cumprir a obrigação. Portanto, à luz do artigo 7º da Lei n° 10426/2002 a mora decorre da ausência da entrega tempestiva da declaração, resultando assim na denominada mora “ex re” (ao contrário da mora ex persona conforme defendido nas razões recursais). Entrementes, depreendese que em nenhum momento a lei impôs a obrigatoriedade da prévia intimação conforme defende a Recorrente. Aliás, extraíse da redação do parágrafo 2º do artigo 7º alhures mencionado, que a penalidade será reduzida a metade quando for efetivada a entrega da declaração fora do prazo. Ou seja, a pretensão defendida pela Recorrente induz a total inutilidade da regra alhures mencionada. Por oportuno, cai como uma luva o clássico ensinamento do Prof. AGUSTÍN GORDILLO, conforme extraise da obra “Interpretação e Aplicação do Direito”, 2ª edição, Ed. da Livraria do Globo, 1933, pág. 183, in verbis: “Deve o Direito ser interpretado inteligentemente, não de modo a que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter a conclusões inconsistentes”. E para colocar uma pá de cal no assunto, temse que essa questão está sumulada pelo CARF, verbis: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Relativamente ao argumento de que pleiteara sua reinclusão no Simples por meio do processo de n° 10725.000133/200597, depreendese importante salientar que tal questão não tem o condão de afastar os efeitos da mora: a uma, porque a Recorrente não demonstrou que teria sido deferido o seu pedido; a duas, porque eventual recurso contra tal indeferimento não é recebido com o efeito suspensivo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10725.000015/200811 Acórdão n.º 1803001.433 S1TE03 Fl. 113 4 Por derradeiro, sustenta a Recorrente que a atividade exercida pela empresa tornou a ser enquadrada no rol daquelas que à luz da LC 123/06 e, nesse sentido, deverseia ser aplicada no caso vertente a retroatividade benigna conforme prevista no artigo 106, II do CTN. Todavia, tal sistemática não se aplica no caso vertente, uma vez que conforme amiúde referido, não houve prova de que a Recorrente foi incluída no Simples Nacional, além de que, nos moldes do artigo 144 do CTN, o lançamento se reporta a data do fato gerador (devendo pois, ser aplicada a regra prevista no artigo 7º da Lei n° 10426/2002). Em virtude do exposto, conheço do inconformismo porém negolhe provimento. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900612/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 06 12 /2 01 2- 11 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900612/201211 Acórdão n.º 3801003.678 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10940.905537/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 1803-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 37 /2 00 9- 48 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HOBI & CIA LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) que não considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. 2. Os autos em questão cuidam de Declaração de Compensação Eletrônica, transmitida em 20/05/2009, na qual a empresa pretendia compensar débito de IRPJ – lucro presumido relativo ao 1º trimestre de 2009, com crédito de CSLL pago a maior referente ao 3º trimestre de 2007. 3. Após análise da declaração, a DRF de Ponta Grossa, por meio do Depacho Decisório nº 848588605, não homologou a compensação ados valores apresentados por entender qua o crédito informado pela empresa seria inexistente. 5. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 21/10/2009, e apresentou declaração ode inconformidade às fls. 02/09 em 19/11/2009. 6. Diante das razões apresentadas pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), emitiu o Despacho nº 30 – 1ª Turma da DRJ/CTA no qual propôs realização de diligência sob os seguintes argumentos: “4. Comparandose a DIPJ original, de fls. 40, corn a DIPJ retificadora, de fls. 60, constatase que o motivo da diminuição do valor da CSLL A PAGAR foi a representativa reclassificação da Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%, em Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 12%. 5. Assim, a decretação da procedência ou improcedência do Direito Creditório alegado pelo interessado passa necessariamente pela análise da reclassificação que o mesmo perpetrou em suas Receitas Brutas, quanto à submissão aos percentuais de tributação de 12% ou 32%. 6. Isto posto, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, para subsidio deste órgão julgador quanto ã apreciação das provas, proponho que seja realizada diligência pelo órgão preparador, para que se audite as Receitas Brutas em questão, aferindo a correção da aplicação das alíquotas de 12% c 32%, cm relação ã legislação regente da matéria, e, após, tragamse aos autos relatório fiscal fundamentado e conclusivo, quanto à procedência ou improcedência da tributação informada da DIPJ retificadora. (fls. 97/98)” 7. O resultado da diligência foi apresentado pelo Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 219/222), que concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta Informada na DIJ e DCTF retificadoras para todo o período de apuração do ano de 2007. 8. Na sequência a DRJ de Curitiba, considerou a manifestação de inconformidade apresente improcedente. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905537/200948 Acórdão n.º 1803002.439 S1TE03 Fl. 3 3 “PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO NA DCTF E DIPJ. MOTIVO ALEGADO DO ERRO NÃO PROCEDENTE. Não pode prosperar a alegação de erro de preenchimento na DCTF e na DIPJ, onde constou valor de débito que se pretende diminuir, quando o motivo alegado do erro não encontra guarida na interpretação da legislação tributária. (fls. 230/244)” 9. Cientificado da decisão em 05/03/2012, conforme AR de fl. 247, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 249/273), o qual em síntese tem como argumentos recursais o que segue: a) preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão de 1ª instância dada a ausência de intimação da recorrente quanto ao resultado da diligência fiscal realizada; b) no mérito, em busca da homologação da Declaração de Compensação e aplicação do percentual de 12% para o cálculo da CSLL a recorrente alega a existência de manifestação expressa da Receita Federal do Brasil no que tange ao resultado da consulta administrativa nº 13936.000173/200370, postulada pela recorrente; c) Que houve equívoco cometido pelos julgadores de 1ª instância ao afastarem a aplicação da IN nº 11/96, do ADN nº 06/97 e da consulta administrativa nº 13936.000173/200370; d) Argui que não deve existir tratamento diferenciado entre a atividade da recorrente e outras atividades de prestação de serviços, pois em ambas há o fornecimento de materiais; e e) Por fim, sustenta a existência do crédito objeto da declaração de compensação não homologada. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade da decisão proferida pela instância a quo, sob o argumento de que não teria sido intimada da diligência realizada nos autos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Consta nos autos que às fls. 97/98 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerou necessária e imprescindível ao deslinde da controvérsia, a realização de diligência. Em resposta, a DRF de Ponta Grossa emitiu o Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 219/222) o qual concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta informada na DIPJ e DCTF retificadoras para todo o período de apuração civil com fornecimento de materiais. Compulsando os autos, percebese que após a emissão do referido Parecer, não constam dos autos nenhum documento que ateste a ciência da recorrente, quanto ao resultado deste último ato. Tampouco houve a reabertura do prazo de defesa para que a empresa apresentasse sua defesa quanto à conclusão da diligência. Cumpre mencionar que segundo os artigos 26 e 28 da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, o contribuinte deve ser devidamente intimado de quaisquer decisões ou diligências que ocorram no decorrer do processo. “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimações os autos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” O crédito fiscal cristalizado no ato de lançamento e notificado ao contribuinte exprime pretensão do ente tributante sobre o patrimônio do cidadão. Ressaltese que tal pretensão submete à clausula constitucional segundo a qual ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal e tal ato, somente será válido no universo jurídico quando obedecer às garantias materiais e processuais dos contribuintes. Um processo administrativo constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas a provas necessárias à comprovação de suas alegações. Assim, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa, manifestandose o Fisco após a impugnação, deve ser dada ciência desse ato ao contribuinte, com a consequente abertura de prazo para que, caso queira, apresente novos argumentos impugnatórios. Nesse sentido cumpre mencionar o que determina o artigo 59, inciso Ii, do Decreto nº 70.235/72, o qual considera nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa, como no caso dos autos. Dessa forma, quando patente a ofensa a princípios constitucionais, não resta outra medida, senão anular a decisão proferida de forma viciada. CONCLUSÃO Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905537/200948 Acórdão n.º 1803002.439 S1TE03 Fl. 4 5 Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para acolher a preliminar apresentada pela recorrente, a fim de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por vício formal, haja vista a ausência de intimação da empresa quanto ao resultado da diligência efetuada pela Receita Federal. Assim, sejam os presentes autos, remetidos à origem para intimar a recorrente acerca do Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 219/222), com a consequente reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.720558/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA.
A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS.
Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
A não observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 58 /2 01 1- 02 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 3 2 VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório O litígio posto a julgamento trata, exclusivamente, de responsabilidade tributária atribuída a terceiro, relativa a autos de infração lavrados contra a empresa Onicron Trading Comércio de Vestuário Ltda., relativo a Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins do ano calendário de 2006, com imposição de multa qualificada. A decisão de primeira instância contém minucioso relato dos fatos, que reproduzo: “Segundo a fiscalização, dedicada ao comércio atacadista de vestuário e acessórios, a empresa teria por único sócio o Sr. Edgard de Mello Netto, CPF nº 219.728.938 15. No ano calendário de 2006, apesar de ter informado, na DIPJ, a opção pelo Lucro Presumido, os campos para informação acerca das receitas auferidas na atividade estariam “zerados”, e nas DCTF do 1º e 2º semestres não teriam sido informados débitos de tributos e contribuições federais. Em contrapartida, as instituições financeiras informaram à RFB que a empresa teria movimentado em suas contas correntes e de investimentos, no ano calendário de 2006, a importância de R$ 5.403.781,33. Em 04/11/2010, teria sido feita uma tentativa de ciência pessoal do termo de início de fiscalização, no domicílio fiscal da pessoa jurídica (ou endereço cadastrado no CNPJ) – Rua Benedito Lupin, 93, Conj. 01, Itaim Bibi, São Paulo/SP. Entretanto, não teria sido possível localizar a empresa no endereço, conforme termo de constatação lavrado naquela data. A fiscalização fez constar que teria se deparado com uma casa assobradada, aparentemente vazia, com a porta de entrada trancada, pelo lado externo, com corrente e cadeado. Existiam na parede frontal da casa várias placas de imobiliárias com dizeres ‘Vendese’ e ‘Alugase’. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 4 3 O termo de início foi então encaminhado, por via postal, ao endereço cadastral do único sócio do empreendimento, Sr. Edgard de Mello Netto (Rua Armindo Hahne, 41, Presidente Altino – Osasco/SP), mas a correspondência foi devolvida pelos Correios, com a informação “Desconhecido”. Por conta das dificuldades em localizar a pessoa jurídica ou qualquer dos responsáveis pelo empreendimento, a ciência do termo de início teria sido efetivada pelo Edital nº 285/2010, afixado na Delegacia, em 04/11/2010, tendo sido a empresa intimada a apresentar, entre outros, os seguintes documentos, relativos ao ano calendário 2006: (i) Livro Diário e Razão, ou, alternativamente, o Livro Caixa; (ii) Livros Registro de Entradas e Saídas; (iii) Livros Registro de Apuração ICMS e ISS; (iv) Extratos bancários das contas correntes e aplicações financeiras de titularidade da pessoa jurídica. Expirado o prazo de 20 (vinte) dias, diante da falta de apresentação dos extratos bancários pela pessoa jurídica regularmente intimada, e constatada hipótese de indispensabilidade prevista no art. 3º, XI do Decreto nº 3.724, de 2001, ou seja, indícios de que o titular da conta corrente seria interposta pessoa, por conta de a movimentação financeira, foi efetuada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, na qual foram solicitadas cópias dos dados cadastrais, extratos das contas correntes e aplicações financeiras, referentes ao ano calendário de 2006, cópias de cheques, TED e DOC emitidos pela pessoa jurídica com valores superiores a R$ 30.000,00, e ainda, cópias das procurações outorgadas para movimentar tais contas. Da análise da documentação obtida junto à instituição financeira, a fiscalização teria extraído as seguintes informações: Ø No início de 2006, a pessoa jurídica era titular, no Bradesco, agência nº 01252, da conta corrente nº 58.1003. A conta corrente teria sido aberta em 06/05/2005; Ø Em 07/04/2006, o saldo da conta corrente acima foi transferido para a agência nº 01333, conta corrente nº 106.0066; Ø Não foi encontrada procuração com outorga de poderes a terceiros para movimentação dos recursos; Ø A pessoa de contato identificada na Ficha Cadastral era o Sr. Maurício Boulos; Ø Os Srs. Edgard de Mello Netto e Nelson Rodrigues, identificados como sócios do empreendimento, detinham poderes para assinar cheques e outras movimentações bancárias, sendo que todos os cheques solicitados na amostra (acima de R$ 30.000,00) teriam sido assinados pelo Sr. Edgard de Mello Netto; Ø Com base nas cópias dos cheques, TED e DOC, foi elaborado um demonstrativo (Anexo C) dos principais beneficiários e remetentes de recursos para as contas correntes da pessoa jurídica fiscalizada. Com base nos extratos, foi efetuada a conciliação entre a movimentação financeira das contas correntes, tendo sido providenciada a exclusão dos depósitos/créditos Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 5 4 correspondentes a transferências entre contas correntes, poupanças e aplicações financeiras, e a resgates de poupança, estornos, empréstimos bancários, etc. Em 17/01/2011, foi lavrado um termo de intimação, no qual a pessoa jurídica foi instada a comprovar, com base em documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados/creditados, no ano calendário de 2006, em suas contas correntes, discriminados no anexo e resultantes da conciliação bancária acima mencionada. Novamente a ciência teria se dado por Edital (Edital nº 12/2011), afixado na Delegacia, no dia 17/01/2011. Expirado o prazo concedido de 20 (vinte) dias, não teria sido apresentada qualquer resposta. Posteriormente, em pesquisa na Ficha Cadastral da JUCESP, foi verificado que a empresa havia sido constituída em 20/04/2005, com um capital social de R$ 500.000,00, pelos sócios AFRICAN FOOD & COMMODITY TRADING (R$ 247.500,00 – 49,5%), PREMIUM RICE TRADING INC. (R$ 247.500,00 – 49,5%) e Sr. EDGARD DE MELLO NETTO (R$ 5.000,00 – 1%). As sócias pessoas jurídicas, ambas sediadas no exterior, respectivamente, no Reino Unido e nas Ilhas Cook, teriam designado o sócio minoritário como procurador no País. Constava ainda da Ficha Cadastral que, em 01/11/2005, ambas as empresas estrangeiras teriam se retirado da sociedade, e as quotas do capital social teriam sido assim redistribuídas: (i) R$ 350.000,00 – 70% para o Sr. EDGARD DE MELLO NETTO, CPF nº 219.728.93815; e (ii) R$ 150.000,00 – 30% para o Sr. NELSON RODRIGUES, CPF nº 92.414.24800. O sócio majoritário teria sido designado o administrador da empresa. Em seguida, em 19/04/2006, o Sr. NELSON RODRIGUES teria se retirado da sociedade, que remanesceria apenas com o sócio Sr. EDGARD DE MELLO NETTO. Em 05/07/2007, o Distrato Social, datado de 22/01/2007, foi registrado na JUCESP, ficando a guarda dos livros e documentos sob a responsabilidade do Sr. EDGARD DE MELLO NETTO, domiciliado à Rua Pratápolis, 480, Butantã, São Paulo/SP. Entretanto, não teria sido providenciada a baixa do CNPJ junto à RFB. Foi então providenciado o encaminhamento de nova intimação ao endereço do sócio administrador, obtido na Ficha Cadastral da JUCESP, para que fossem apresentados os livros contábeis e fiscais da empresa do ano calendário 2006, e para comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da pessoa jurídica, conforme relação anexa. No AR consta que a intimação foi recebida em 07/02/2011, e em 22/02/2011, o administrador teria solicitado uma prorrogação de prazo de 90 (noventa) dias para atendimento, justificando que os livros e documentos fiscais da empresa estariam com os antigos contadores, com os quais não teria conseguido contato, e que a recomposição da movimentação financeira demandaria tempo. Em 28/03/2011, outra intimação foi formalizada e encaminhada ao mesmo endereço, para que o administrador da empresa comparecesse à Delegacia, às 14 horas, do dia 13/04/2011, para responder a questionamentos sobre as operações da sociedade fiscalizada. Entretanto, a correspondência foi devolvida pelos Correios com a informação “Mudouse”. Em 18/04/2011, o Sr. EDGARD DE MELLO NETTO, agora por intermédio de seu advogado e bastante procurador, Sr. DANIEL GLAESSEL RAMALHO, requereu nova prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias, alegando a recusa do antigo contador em devolver Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 6 5 os livros e documentos da fiscalizada, com base em Notificação Extrajudicial, datada de 15/03/2011, e recebida pelo destinatário em 18/03/2011. Na mesma data, o Sr. EDGARD DE MELLO NETTO teria sido novamente intimado, por intermédio de seu advogado e procurador, a comparecer à Delegacia, às 14 horas do dia 04/05/2011, para responder a questionamentos acerca das operações da fiscalizada. O Sr. EDGARD DE MELLO NETTO compareceu e prestou o depoimento, cujo conteúdo teria sido abaixo resumido. De qualquer forma, ressalta a fiscalização que transcorridos mais de 150 (cento e cinquenta) dias da ciência postal do termo de intimação de 02/02/2011, com ciência em 07/02/2011, e expirados todos os prazos solicitados, não foi apresentado qualquer livro ou documento requerido. Passa, então, o agente fiscal a discorrer sobre a identificação dos reais beneficiários dos cheques, TED e Doc. emitidos pela fiscalizada, assim como, dos remetentes de recursos depositados/creditados nas contas correntes, no demonstrativo “BENEFIC./REMET. DE CHEQUES/TEDS/DOCS EMITID./RECEB. PELO CONTRIB (ACIMA DE R$ 30.000,00)” – Anexo C. Segundo a fiscalização, entre os principais remetentes de recursos para as contas correntes de titularidade da fiscalizada estariam grandes redes de supermercados (WAL MART e BOM PREÇO), empresas de fomento mercantil (DANIELE BANCO FOMENTO COML e TREND SETTER FOMENTO MERCANTIL), empresas dedicadas à comercialização de produtos de informática (TECNO SHOP e SLOT LINE – ambas baixadas no CNPJ, por inaptidão – e ALINFO INTERNET BUILDER), e empresas que operam na área de câmbio (LUCKY TOUR AGENCIA DE VIAGENS E TURISMO e WORKS ASSESSORIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO – identificada em ação fiscal anterior como interposta pessoa da HAVAÍ CAMBIO E TURISMO LTDA.). Na tentativa de identificar a atividade que teria dado origem aos recursos depositados, teria sido efetuada circularização junto ao WAL MART BRASIL LTDA. (intimação de 06/05/2011), que foi instado a apresentar a documentação hábil e idônea referente aos depósitos efetuados na conta corrente da fiscalizada, mediante TED, no valor total de R$ 588.032,30. Em resposta, datada de 08/06/2001, foram fornecidas cópias de notas fiscais de venda da ONICRON, relativas a mercadorias diversas (tênis, sapatos e projetores de multimídia). Posteriormente, em 20/06/2011, teriam sido apresentados os comprovantes de pagamento, cujos valores seriam inferiores aos dos documentos fiscais por conta de descontos praticados por antecipação de pagamento. De outro lado, no que se refere aos beneficiários dos pagamentos efetuados por intermédio das contas correntes sob fiscalização, teriam sido identificadas inúmeras pessoas físicas e algumas pessoas jurídicas que recebiam recursos através de TED, tais como a LUCKY TOUR AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO e a CREATIVE BUSINESS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ALIMENTOS E CONGÊNERES, de propriedade do Sr. MAURICE ALFRED BOULOS JUNIOR). Quanto aos pagamentos efetuados por meio de cheques, a grande maioria (80%) teria sido emitido em favor da própria ONICRON ou do BRADESCO, sendo Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 7 6 endossados em branco e descontados no próprio caixa. Entretanto, teria sido possível identificar o Sr. JEFFERSON MARINS, CPF nº 097.878.97840, como beneficiário de 8 (oito) dos cheques, no valor total de R$ 509.000,00. Foi registrado também que em mais de 40% dos cheques da amostra, em favor de JEFFERSON MARINS, BRADESCO ou da própria ONICRON, havia a anotação no verso do nome da pessoa que confirmou os respectivos pagamentos. Os nomes eram “MAURICE” e “FABIANA”, pessoas posteriormente identificadas como MAURICE ALFRED BOULOS JUNIOR, CPF nº 117.782.21807, sócio proprietário da CREATIVE BUSINESS e sua funcionária FABIANA RODRIGUES FERREIRA, CPF nº 314.175.68801. Em algumas das anotações no verso dos cheques constava o número do telefone de contato do Sr. MAURICE BOULOS, registrado na ficha cadastral bancária da ONICRON – 31677999. Constatouse ainda que o número do telefone atual da empresa ONICRON, extraído do cadastro do CNPJ (31677400), seria o mesmo da CREATIVE BUSINESS, obtido no site da empresa, conforme cópias juntadas aos autos. Consignouse então a existência de fortes indícios de que a ONICRON (fiscalizada) teria sido utilizada como interposta pessoa da CREATIVE BUSINESS, para encobrir os reais beneficiários da movimentação financeira. Para aprofundar a investigação e identificar a função de cada envolvido, as pessoas abaixo designadas foram intimadas a comparecer à DRF para prestar esclarecimentos sobre as operações da fiscalizada: Nome CPF Indício Apurado Termo de Intimação Data de comparecimento à DRF Jefferson Marins 09787897840 Beneficiário nominal de vários cheques emitidos pela Onicron 02/02/2011 01/03/2011 Maurice Alfred Boulos Junior 11778221807 Possível administrador de fato da Onicron 02/02/2011 01/03/2011 Edgard de Mello Netto 21972893815 Único sócio da Onicron 18/04/2011 04/05/2011 Peter Reich 06294138868 Possível envolvido na criação da Onicron 06/05/2011 Ausente do País Os depoimentos, tomados em separado, foram formalizados em termos, lavrados nas mesmas datas e juntados aos autos, a partir dos quais, segundo a fiscalização, teriam sido esclarecidos os seguintes fatos, em resumo: 1. Sr. JEFFERSON MARINS Ø Apresentou se como soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que na época dos fatos e nos horários de folga, exercia atividades de office boy não registrado para a Sra. VERA LUCIA NATAL DE OLIVEIRA, conhecida “doleira” da cidade de São Paulo; Ø Entre outras atividades, a Sr. VERA LUCIA solicitava, eventualmente, ao depoente a retirada de cheques de emissão da ONICRON, no escritório do Sr. MAURICE BOULOS, na sede da Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 8 7 CREATIVE BUSINESS, à Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, 110 , cj. 42, Itaim Bibi, São Paulo/SP; Ø Os cheques eram descontados no Banco Bradesco, em seu nome, e o dinheiro sacado era levado para a Sra. VERA LUCIA. Posteriormente, ele se dirigia a diversos bancos e depositava o dinheiro sacado em diversas contas previamente determinadas pela própria Sra. VERA LUCIA; Ø Alegou que desconhecia a origem dos cheques, mas que, em conversas paralelas, teria ouvido que o dinheiro seria proveniente de comércio de divisas – operações de câmbio, tendo como destinatários diversas pessoas físicas, normalmente titulares de contas correntes de agências bancárias no interior do País; Ø Afirmou que a Sra. FABIANA RODRIGUES THOMAZ, atualmente FABIANA RODRIGUES FERREIRA, era secretária do Sr. MAURICE, e que tinha conhecimento das operações em questão. A fiscalização, em pesquisa às últimas DIRPF apresentadas pelo depoente, verificou se tratar de pessoa de baixo poder aquisitivo, em situação financeira incompatível para ser o real beneficiário dos 8 (oito) cheques que descontou, num valor total superior a R$ 500.000,00, em menos de 4 (quatro) meses. 2. MAURICE ALFRED BOULOS JUNIOR Ø Apresentouse como empresário e proprietário da CREATIVE BUSINESS IMP. E EXP. DE ALIMENTOS E CONGÊNERES LTDA. (atual CREATIVE BUSINESS TRADING, IMP. E EXP. LTDA); Ø Informou que não tinha relações comerciais com a ONICRON e que apenas conhecia socialmente o Sr. EDGARD DE MELLO NETTO, a ele apresentado por seu sogro, Sr. JORGE CURY. Afirmou que teria ajudado o Sr. EDGARD com a apresentação de potenciais clientes (magazines) e obtenção de crédito bancário; Ø Esclarece que o seu nome e telefone, registrados como contato, no cadastro bancário da ONICRON, seria justificado porque ele teria apresentado o Sr. EDGARD ao Banco Bradesco; Ø Afirma desconhecer a razão pela qual o telefone da CREATIVE ser o mesmo da ONICRON, no cadastro CNPJ; Ø Afirma desconhecer os cheques sacados das contas da ONICRON, e também a razão pela qual o seu nome e o de sua secretária constarem no verso de vários cheques emitidos pela ONICRON. Supôs o depoente que pelo fato de ter apresentado o Sr. EDGARD ao Banco, faria com que ligassem para a sua empresa para se certificarem que os cheques poderiam ser descontados. Fez consignar que o gerente das contas da ONICRON e da CREATIVE seria o mesmo – Sr. Weriton; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 9 8 Ø Afirma desconhecer a origem e o destino dos recursos movimentados nas contas correntes da ONICRON; Ø Afirma desconhecer o Sr. JEFFERSON MARINS; Ø Informou conhecer a Sra. VERA LUCIA desde 2005 e que teria emprestado dinheiro a ela, o que lhe causou problemas, ainda pendentes, na RFB e na Justiça Federal. A fiscalização consignou que o Sr. MAURICE teria sido preso temporariamente pela Polícia Federal, em junho de 2006, na Operação “Violeta”, acusado de fazer parte de uma rede de doleiros que atuava na troca irregular de moedas e remessa ilegal de recursos para o exterior, na modalidade dólar cabo. Foi juntada reportagem obtida no site do jornal “O Estado de São Paulo”, de 06/06/2006. 3. Sr. EDGARD DE MELLO NETTO Ø Apresentouse como aposentado e não exercendo atividade profissional naquela oportunidade; Ø Informou que trabalhou na ONICRON desde a sua constituição em 2005 até a sua extinção em 2007. Disse que a empresa atuava na importação e exportação de diversos tipos de mercadorias (alimentos, vestuário, etc.), tendo como clientes, entre outros, CAMISARIA COLOMBO e ATACADÃO. Como atuava na área comercial, disse que desconhecia os fornecedores. Afirmou que os verdadeiros administradores da empresa eram Sr. PETER REICH e MAURICE ALFRED BOULOS JUNIOR; Ø Afirmou desconhecer o trâmite de constituição da empresa, levado a cabo pelo Sr. PETER REICH, e de inclusão de seu nome como sócio. Confirma não ter aportado qualquer recurso na empresa; Ø Disse que recebia e assinava os cheques da empresa já preenchidos pela secretária, sob as ordens dos Srs. PETER REICH e MAURICE BOULOS. Afirmou desconhecer a origem e o destino dos cheques apresentados, e o Sr. JEFFERSON MARINS, beneficiário de vários cheques; Ø Informou desconhecer que as contas correntes da empresa fossem utilizadas no mercado de câmbio; Ø Informou que o Sr. MAURICE BOULOS, administrador de fato do empreendimento, deveria autorizar os pagamentos dos cheques de acordo com as anotações de confirmação no verso de alguns deles. Confirmou que o telefone de contato da ONICRON era do da CREATIVE, empresa de propriedade do Sr. MAURICE, que ao lado do Sr. PETER REICH, eram os responsáveis de fato pelos negócios da ONICRON; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 10 9 Ø Informou não conhecer pessoalmente a Sra. VERA LUCIA NATAL DE OLIVEIRA. Apenas soube de seu envolvimento com as operações da empresa, quando foi intimado a prestar depoimento, na Justiça Federal, sobre a “Operação Violeta”, que envolvia uma rede de doleiros; Ø Informou que seu atual endereço seria na Rua Joaquim Floriano, 209, apto 1515, Itaim Bibi, São Paulo/SP. Apesar da alteração de endereço informada e de ter sido regular e especificamente intimado, passados mais de 90 (noventa) dias de seu depoimento, anotou o agente fiscal responsável pelo feito, que o Sr. EDGARD ainda não teria providenciado a alteração de seu endereço no cadastro do CPF. 4. PETER REICH Em função de ter sido citado nominalmente pelo Sr. EDGARD como um dos administradores de fato do empreendimento sob fiscalização, o Sr. PETER REICH foi intimado, por via postal, a comparecer à DRF para os devidos esclarecimentos. Entretanto, em resposta, a sua esposa informou que ele se encontrava no exterior, e com retorno agendado apenas para o 2º semestre de 2011. II – Dos lançamentos No termo de verificação, consta que o lançamento de ofício foi efetivado, porque, no ano calendário de 2006, a ONICRON, apresentou DIPJ com valores “zerados” de receitas auferidas, e em decorrência sem apuração e pagamento dos tributos e contribuições devidos no período. Entretanto, no curso do procedimento fiscal teria sido apurada omissão de receitas, com base em duas fundamentações: (i) receita omitida, por conta da apuração de depósitos/créditos em conta corrente de titularidade da empresa, cuja origem não foi comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996); (ii) receita omitida, por conta da apuração de vendas de mercadorias ao WAL MART BRASIL. A determinação da base de cálculo do IRPJ foi efetivada mediante a sistemática do Lucro Arbitrado porque, diante da falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais do período, teria se tornado impraticável a obtenção da base imponível real (art. 530, III, do RIR/99). Como a atividade econômica da empresa, informada no CNPJ, era o comércio atacadista de equipamentos de informática, o percentual de determinação do lucro arbitrado seria 9,6%. De acordo com o art. 24, §2º da Lei nº 9.245, de 1995, o valor da receita omitida foi considerado na determinação das bases de cálculo da CSLL, PIS e Cofins. Quanto às penalidades, segundo a fiscalização, a sonegação fiscal (art. 71, I, da Lei nº 4.502, de 1964) ficou caracterizada pela comprovação de que parte dos depósitos/créditos nas contas correntes se referiam a receitas não declaradas de vendas comprovadamente efetuadas ao WAL MART BRASIL LTDA. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 11 10 Ademais, com o objetivo de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária e modificar fraudulentamente as condições pessoais do contribuinte, os verdadeiros administradores da empresa teriam se valido da utilização de interpostas pessoas, o que teria caracterizado o evidente intuito de fraude, definida no art. 72 da mesma Lei nº 4.502, de 1964. Justificase assim a aplicação da multa qualificada de 150% (art. 44, §1º da Lei nº 9.430, de 1996). Por outro lado, como após regularmente intimada a pessoa jurídica não teria apresentado os livros e documentos, foi também aplicado o agravamento da penalidade (em 50%, conforme art. 44, §2º da Lei nº 9.430, de 1996,), por falta de atendimento a intimações para prestar esclarecimentos a que estava obrigado pela Medida Provisória nº 2.15834, de 2001 (art. 959 do RIR/99). A multa qualificada e agravada foi exigida no percentual de 225%. III – Da imputação de responsabilidade tributária a terceiros Foi formalizada a imputação responsabilidade pelo crédito tributário constituído ex officio contra a ONICRON às seguintes pessoas físicas e jurídica: (i) MAURICE ALFRED BOULOS JUNIOR (CPF nº 117.782.21807) ; (ii) CREATIVE BUSINESS TRADING IMP. E EXP. LTDA. (CNPJ nº 03.415.216/000106) ; e (iii) EDGARD DE MELLO NETTO, CPF nº 219.728.93815. No caso do Sr. MAURICE e da CREATIVE, a fundamentação fática adotada pela fiscalização foi a seguinte: 1. o Sr. Maurice seria a pessoa de contato da ONICRON perante a instituição financeira, constando inclusive o telefone de sua empresa, a CREATIVE, como telefone da ONICRON no cadastro do banco; 2. em diversos cheques emitidos pela ONICRON teriam sido anotados no verso o nome do Sr. Maurice ou de sua secretária (Fabiana), a indicar a prévia confirmação, por eles, via telefone, dos pagamentos; 3. o número do telefone atual da ONICRON no cadastro do CNPJ seria o mesmo da CREATIVE, informado no site da empresa na internet (31677400) ; 4. o depoimento do Sr. Jefferson Marins confirmaria que os cheques emitidos pela ONICRON e por ele descontados, seriam retirados no escritório da CREATIVE, com o Sr. Maurice, proprietário da empresa, ou com sua secretária (Fabiana); 5. a confissão do Sr. Edgard que se apresentou apenas como interposta pessoa para encobrir os verdadeiros sócios e administradores, Sr. Maurice e Sr. Peter; 6. apesar de o Sr. Maurice negar qualquer relacionamento comercial dele ou da CREATIVE com a ONICRON, a fiscalização teria localizado uma transferência bancária, através de TED, em 27/03/2006, no valor de R$ 110.081,02, originada na conta corrente da ONICRON e destinada à conta corrente da CREATIVE; Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 12 11 7. o Sr. Maurice não teria conseguido explicar a coincidência de telefones da ONICRON e da CREATIVE, no banco e na RFB, e o motivo de seu nome e o de sua secretária aparecer no verso dos cheques emitidos pela ONICRON. Conclui assim a fiscalização que as justificativas apresentadas pelo Sr. Maurice seriam insuficientes para afastar a prova de que a movimentação financeira da ONICRON beneficiava o Sr. Maurice e a sua empresa CREATIVE, principalmente quando se verifica que grande parte dos pagamentos com os cheques emitidos pela ONICRON somente teriam sido efetivados com a confirmação e autorização de desconto diretamente pelo Sr. Maurice e sua secretária. Quanto ao Sr. EDGARD, a responsabilidade tributária decorreu dos seguintes fatos: (i) de ser sócio e administrador designado no contrato social da ONICRON, no ano calendário de 2006; (ii) de ser representante da empresa perante a instituição financeira, com poderes de assinar cheques; (iii) de ser o responsável pela empresa perante o CNPJ e JUCESP; (iv) de ter assinado todos os cheques emitidos pela ONICRON selecionados por amostragem; (v) de ser o responsável pela guarda dos livros e documentos contábeis e fiscal da empresa, conforme Distrato Social registrado na JUCESP. Segundo a fiscalização, todas as pessoas físicas e jurídica designadas como responsáveis participavam das operações da ONICRON apuradas na ação fiscal, como o Sr. EDGARD, sócio e administrador, na abertura das contas bancárias e na assinatura de cheques, ou como o Sr. MAURICE, sócio e administrador de fato do empreendimento, na autorização de desconto dos cheques, e a CREATIVE, na apropriação de parte dos recursos depositados (TED de R$ 110.081,02). A atribuição da responsabilidade tributária ao administrador, Sr. EDGARD, fundamentouse nas disposições do art. 135, III, do CTN. Já a responsabilidade tributária do Sr. MAURICE e da CREATIVE foi feita com base nos preceitos do art. 124, I do CTN. Foram ainda formalizadas a representação fiscal para fins penais no processo nº 19515.001295/201121; e a representação fiscal para fins de baixa de ofício do CNPJ no processo nº 19515.720666/201177. Inicialmente, para dar ciência do termo de verificação fiscal e responsabilidade tributária e dos autos de infração, foi formalizado o Edital nº 118/2011 (fls. 347), afixado em 20/07/2011. Posteriormente, em 27/07/2011, foi providenciado o encaminhamento, por via postal ao endereço cadastral da pessoa jurídica Rua Benedito Lupin, 93, Conj.01, Itaim Bibi, São Paulo/SP, documentação que teria sido recebida em 28/07/2011 (fls. 348). A correspondência encaminhada ao endereço cadastral do Sr. EDGARD Rua Armindo Hahne, 41, Presidente Altino – Osasco/SP – teria sido devolvida sem recebimento (fls. 349/350), com a informação “Desconhecido”. A documentação foi então encaminhada ao endereço obtido na Ficha Cadastral da JUCESP Rua Pratápolis, 480, Butantã, São Paulo/SP, mas também retornou sem recebimento, com a informação “Mudouse”, dada pelo porteiro/síndico (fls. 351/352). Em seguida, foi feito o encaminhamento da correspondência e da documentação ao endereço por ele fornecido no depoimento prestado na DRF (Rua Joaquim Floriano, 209, apto 1515, Itaim Bibi, São Paulo/SP), entretanto, novamente a correspondência foi devolvida sem recebimento com a informação “Mudouse” (fls. 353/354). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 13 12 A correspondência encaminhada ao endereço cadastral do Sr. MAURICE (Rua Leiria, 139 – Jardim Luzitânia – São Paulo) foi recebida em 28/07/2011 (fls. 355). A notificação da CREATIVE BUSINESS encaminhada ao seu endereço cadastral (Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, 110 , cj 42, Itaim Bibi, São Paulo/SP) foi recebida também em 28/07/2011 (fls. 356). Este o relato dos fatos, contido na decisão de primeira instância, do qual me servi, para conhecimento dos meus pares, por sua clareza Foi apresentada impugnação exclusivamente pelo Sr. Maurice, questionando a responsabilidade que lhe foi atribuída, assim resumida pelo relator do voto condutor do acórdão de 1ª instância: Afirma a tempestividade da impugnação e a nulidade das autuações, por cerceamento ao direito de defesa. Transcreve diversos preceitos da Lei nº 9.784, de 1999, discorre com base em doutrina sobre os princípios da legalidade, da motivação dos atos administrativos e da garantia de ampla defesa. Segundo a defesa, verificase no presente caso a ocorrência de cerceamento de defesa, “vez que cabia ao Fisco notificar Maurice Alfred Boulos Junior para que apresentasse documentos ou informações que comprovassem ou, de outra forma, o absolvesse sumariamente da responsabilidade solidária a que está sujeito” (destaques do original). A medida seria de vital importância para o exercício da ampla defesa e do contraditório, já que os lançamentos foram calcados em fatos que o Impugnante desconhecia, e lhe foi atribuída responsabilidade conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária. Segundo a Impugnante, o processo administrativo fiscal não seria o veículo ideal para que fosse demonstrada a ausência de fundamento de sua inclusão no polo passivo dos lançamentos, deveria o Fisco ter realizado diligências para provar a relação do Sr. MAURICE com a ONICRON. Para a defesa, o art. 124, I do CTN não poderia ser interpretado isoladamente, mas analisado juntamente com o art. 135, III do CTN, na medida em que para a caracterização da responsabilidade solidária é necessário que a pessoa física tenha praticado atos de gerência e de administração da pessoa jurídica fiscalizada, ou que tenha refletido na atividade geradora do fato imponível. Em sua ótica, o “interesse comum”, hipótese de incidência da responsabilidade tributária do art. 124, I, do CTN, não se resume ao interesse econômico, mas necessariamente interesse jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo, o que torna imprescindível que a pessoa física tenha exercido poderes de direção para ser responsabilizada. Sob o tópico “Da responsabilidade por infrações”, com fundamento nos preceitos do art. 137 do CTN, que prescreve a responsabilidade pessoal do agente, defende que responsabilidade pela multa decorrente de infração tributária praticada pela ONICRON não poderia ser repassada ao Impugnante, porque não sujeita à solidariedade passiva tributária. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 14 13 Da mesma forma, com base no art. 124, I, e no art. 114, ambos do CTN, advoga que a solidariedade somente se refere à obrigação principal gerada pela ocorrência do fato imponível. Lança mão de doutrina acerca da definição de fato gerador, para concluir que as multas aplicadas contra a ONICRON não podem ser exigidas do Impugnante, porque a responsabilidade é pessoal a quem deu causa a infração (art. 137 do CTN), e porque não se trata de obrigação principal (art. 124, I, do CTN). Traz jurisprudência e doutrina para reiterar que a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN deve ser interpretada em consonância com os preceitos do art. 135, III do CTN, porque a definição contida no art. 124, I, do CTN não teria trazido ao mundo jurídico a segurança adequada e requerida para o assunto. Assim, para o designado responsável o art. 135, III do CTN complementaria o art. 124, I do CTN, na medida em que delimitaria o alcance da responsabilidade solidária aos agentes que tiverem exercido a administração e gestão da pessoa jurídica. Tal interpretação seria compatível inclusive com os preceitos do art. 1.016 do Código Civil, segundo o qual os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Diz o Impugnante que não teria praticado qualquer ato de gerência, administração ou direção, no que diz respeito à empresa ONICRON. Contradita as acusações fiscais de que (i) o Sr. MAURICE era a pessoa de contato da ONICRON perante o BRADESCO, constando o número do telefone da CREATIVE, empresa de propriedade do Sr. MAURICE no cadastro bancário da ONICRON; (ii) a autorização de pagamento dos cheques emitidos pela ONICRON, via telefone, era feita pelo Sr. MAURICE ou por sua secretária, conforme anotações efetuadas no verso dos documentos; e (iii) o número do telefone atual na ONICRON no cadastro do CNPJ era o mesmo do telefone da CREATIVE, informado no site da internet (31677400). Afirma que já teria explicado no depoimento que (i) por possuir relacionamento antigo e de confiança com o Bradesco, teria apresentado o Sr. EDGARD, sócio administrador da ONICRON para ser correntista da instituição financeira; (ii) o gerente das contas correntes da ONICRON e da CREATIVE era o mesmo; e (iii) “os nomes escritos no verso dos cheques (...) representam tão somente um aval formal em decorrência do já comentado relacionamento bancário do Sr. Maurice, quem assinava os cheques era o próprio senhor Edgar”. Assevera ainda que o fato de constar em um cadastro bancário o número do telefone de uma empresa ou o nome de uma pessoa no verso de um cheque não significaria que as empresas se confundiriam ou seriam responsáveis tributárias uma da outra. Haveria que ser feita a prova da efetiva participação, poder de gerência e administração, o que não ocorreu no seu entendimento. Para o Impugnante não poderiam merecer relevo as declarações do Sr. EDGARD DE MELLO NETTO de que seria apenas formalmente sócio do empreendimento, servindo de interposta pessoa para encobrir os verdadeiros administradores, os Srs. MAURICE e PETER REICH, porque se trata de pessoa ligada/interessada diretamente no crédito tributário. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 15 14 Defende que não haveria qualquer ato de administração ou gerência que o Sr. MAURICE tivesse praticado em nome da ONICRON a contribuir ou determinar a realização do ilícito tributário. Diz que a fiscalização teria se limitado a indicar fatos coincidentes com menção ao nome do Sr. Maurice Alfred Boulos Junior, mas teria deixado de demonstrar quais teriam sido suas decisões ou atos perante ONICRON, que teriam contribuído para a ocorrência do ilícito fiscal. Nesse contexto reitera que caberia ao Fisco provar os atos de administração ou gerência praticados pelo Sr. Maurice em nome da ONICRON, com o intuito de fraudar o Fisco, e assim demonstrar o nexo entre o ato da pessoa física e o resultado percebido pela pessoa jurídica fiscalizada. Mais à frente aduz que toda ação fiscal teria se baseado em presunções, não havendo prova de que o designado responsável tributário tenha se beneficiado do suposto ilícito tributário ou tenha contribuído na sua execução. Transcreve jurisprudência administrativa. Questiona a ausência de intimação prévia para que o Sr. Maurice apresentasse documentos ou informações visando a demonstrar sua participação ou interesse no fato gerador do suposto ilícito tributário. Para a defesa, os autos não estariam instruídos com as provas da materialidade e da autoria da infração. Conclui a impugnação, nos seguintes termos: “Não há nos autos qualquer prova de que Maurice Alfred Boulos Junior possua ligação com o fato gerador, e dele tenha se beneficiado, do imputado ilícito tributário à empresa Onicron. A responsabilização do Impugnante além de prematura, Douto Julgador, é infundada, não possuindo o condão de responsabilizar solidariamente um particular por suposto ato de pessoa jurídica a ele estranha. Levar a presente responsabilização tributária adiante é medida de extrema violência, já que não obstante seja juridicamente inconcebível a medida aqui guerreada, não há nos autos qualquer prova de eventual interesse jurídico de Maurice Alfred Boulos Junior no suposto ilícito tributário imputado à Onicron Trading Comércio de Vestuários Ltda”. Traz à colação o Acórdão do STJ na apreciação do Recurso Especial nº 1.001.450, em que afastada a solidariedade tributária passiva, porque o fato de pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico não configuraria a hipótese de “interesse comum” prevista no art. 124, I, do CTN. Reitera com base na doutrina de Paulo de Barros Carvalho a seguinte interpretação: “(...) o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inciso I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 16 15 não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação (...)” E de Fábio Fanucchi ao defender que terceiros não poderiam ser responsabilizados, com base na hipótese da solidariedade de fato se não tiverem se beneficiado/participado ou interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária.” A relatora do processo concluiu haver completa convergência dos fatos apurados no sentido de ser o Sr. MAURICE o real administrador do empreendimento fiscalizado (ONICRON), e o responsável pela expressiva movimentação de recursos nas contas correntes de titularidade da empresa à margem da tributação. E que, como administrador/sócio de fato do empreendimento, o Sr. MAURICE e a ONICRON estão no mesmo polo das relações jurídicas instauradas e que teriam dado causa às entradas e saídas de recursos nas contas correntes da empresa, principalmente porque, na sociedade de fato, não há distinção jurídica possível entre as pessoas físicas dos sócios e a pessoa jurídica. A Turma de Julgamento, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação do responsável tributário. Ciente da decisão em 26 de abril de 2013, o interessado apresentou recurso em 28 de maio, no qual reedita a preliminar de cerceamento de defesa e as razões da impugnação, em resumo: (a) que o art. 124, I, do CTN deve ser interpretado em conjunto com o art. 135,III; (b) que a responsabilidade só pode ser atribuída a quem praticou atos de gerência; (c) que a responsabilidade por infração tributária não pode ser repassada ao recorrente; (d) que cabia ao Fisco provar que o Sr. Maurice praticou atos de administração ou gerência; (e) não há qualquer prova nos autos de que o Sr Maurice possua ligação com o fato gerador do tributo, ou dele tenha se beneficiado. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo. Dele conheço. O Recorrente alega cerceamento de defesa pelo fato de o Fisco não têlo notificado, no curso do procedimento de fiscalização, para que apresentasse documentos ou informações que comprovassem ou, de outra forma, o absolvessem sumariamente da responsabilidade solidária. É preciso compreender que o procedimento para apuração e exigência do crédito tributário compreende uma fase inquisitorial, em que o Fisco se utiliza de todos os meios que lhe são acessíveis, entre os quais intimações ao contribuinte para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, informações acessadas em seus cadastros ou obtidas junto a terceiros, etc., para formar sua convicção sobre a existência (ou não) de infração à legislação tributária e consequente formalização da exigência. A partir daí, caso o contribuinte não concorde com a conclusão do Fiscal, abrese uma fase processual propriamente dita, conduzida segundo os princípios do contraditório e da ampla defesa. Segundo Alberto Xavier1, no procedimento administrativo do lançamento, “ o fato de ser assegurada a existência de um direito à defesa e à audiência não envolve necessariamente um modo contraditório do seu exercício, podendo a Administração limitarse a considerar as razões apresentadas pelo administrado, sem contudo se envolver num diálogo procedimental primário......Dificilmente se concebe, na verdade, que o lançamento tributário deva ser precedido de uma necessária audiência prévia dos interessados. Duas razões desaconselham tal audiência: em primeiro lugar, o caráter estritamente vinculado do lançamento quanto ao seu conteúdo torna menos relevante a prévia ponderação de razões e interesses apresentados pelo particular do que nos atos discricionários; em segundo lugar, o fato de se tratar de um ‘procedimento de massas’, dirigido a um amplo universo de destinatários e baseado em processos tecnológicos informáticos, tornaria inviável o desempenho da função, se submetida ao rito da prévia audiência individual ” No caso sub judice, que corresponde a exigência de crédito tributário formalizado em face do contribuinte Onicron, observados todos os procedimentos previstos para a apuração do crédito tributário, foi lavrado o auto de infração contra a pessoa jurídica e intimado (também) o Recorrente, na qualidade de responsável solidário. A partir desse momento, abrese para todos os notificados a oportunidade de contestar a acusação, com garantia do contraditório e da ampla defesa. É exatamente essa possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa que concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos a execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. A autoridade fiscal, no curso do procedimento de fiscalização, trouxe aos autos todos os elementos que a levaram a concluir pela responsabilidade do Recorrente. 1 Xavier, Alberto Do lançamentoTeoria geral do Ato do Procedimeto e do Processo Tributário Forense, 1997, pág.163 e seguintes Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 18 17 Aberta a fase do contraditório e ampla defesa, cabe ao acusado trazer todos os meios de prova ao seu alcance para desconstituir a acusação, isto é, para demonstrar o desacerto da conclusão fiscal. Ao julgador compete, apreciando os elementos contrapostos nos autos pelos litigantes, formar sua livremente convicção e decidir o litígio. Relembro que não está em discussão o crédito tributário, que não foi impugnado, mas exclusivamente a responsabilização do Sr. Maurice Alfred Boulos Junior. O Sr. Maurice Alfred Boulos Junior recorre de sua designação como responsável solidário pelo crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa, alegando que o art. 124, I, do CTN deve ser analisado em conjunto com o art. 135, III, e que caberia ao Fisco provar que ele teria praticado atos de gerência e administração em relação à pessoa fiscalizada ou, que de qualquer forma, tenha refletido na atividade geradora do fato imponível. O relato minucioso de todo o procedimento fiscal, que resultou na exigência dos créditos tributários não impugnados, não deixa a mais leve dúvida quanto à sonegação, consistente na prática dolosa de atos tendentes não só à subtração ao conhecimento das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, mas também das condições pessoais do contribuinte, de maneira a atingir o crédito tributário correspondente, dificultando seu recebimento pelo credor. Por óbvio, a prova direta de atos que as partes procuram ocultar é árdua, quando não impossível. Por isso, no mais das vezes ela é obtida indiretamente, por presunção decorrente de indícios convergentes. Este é o caso. Relembro os motivos que levaram a autoridade fiscal a responsabilizar pessoalmente o Sr. Maurice Alfred Boulos Junior e sua empresa, a Creative Busines Trading Importação e Exportação Ltda. pelo crédito tributário constituído em face da ONICRON: 1. o Sr. Maurice seria a pessoa de contato da ONICRON., perante a instituição financeira diligenciada (Banco Bradesco), inclusive constando o número telefone de sua empresa, a CREATIVE, no cadastro bancário da ONICRON;; 2. em diversos cheques emitidos pela ONICRON consta, anotado no verso, o nome do Sr. Maurice ou de sua secretária (Fabiana), indicando que confirmavam, via telefone, os pagamentos desses títulos ao banco; em alguns cheques está anotado no verso o nº do telefone do Sr. Maurice, fornecido como contato da Onicron no cadastro do banco; 3. o número do telefone atual da ONICRON no cadastro do CNPJ é o mesmo da empresa CREATIVE, de propriedade do Sr. Maurice, informado no site da empresa na internet (31677400) ; 4. o depoimento do Sr. Jefferson Marins, que descontou diversos cheques da empresa fiscalizada, confirmou que, a mando da Sra. Vera Lúcia Natal de Oliveira, comparecia no escritório da CREATIVE, e que retirava cheques emitidos pela empresa ONICRON fornecidos pelo próprio Sr. Maurice ou sua secretária Sra. Fabiana; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 19 18 5. no depoimento do Sr. Edgard de Mello Netto ele se apresentou apenas como sócio formal (de direito) da ONICRON, servindo, portanto, de interposta pessoa para encobrir os verdadeiros administradores da empresa, Sr. Maurice Alfred Boulos Junior e Sr. Peter Reich; 6. em seu depoimento, o Sr. Maurice alegou que nem ele nem sua empresa tiveram qualquer relacionamento comercial com a ONICRON, mas a fiscalização identificou uma transferência bancária, através de TED, em 27/03/2006, no valor de R$ 110.081,02, originada na conta corrente da ONICRON e como destino a empresa CREATIVE; 7. em seu depoimento pessoal, prestado em 02/03/2011, o Sr. Maurice não conseguiu explicar a coincidência do número de telefones da ONICRON e da CREATIVE, tanto no banco Bradesco como na Receita Federal do Brasil, e o motivo de seu nome e o de sua secretária aparecer no verso dos cheques emitidos pela ONICRON. A autoridade fiscal informa que, para tentar justificar esses fatos, o Sr. Maurice alegou apenas que apresentou o Sr. Edgard ao gerente do banco Bradesco (Sr. Werinton) que, inclusive, seria o responsável por ambas as contascorrentes (da Onicron e da Creative). E assenta que “evidentemente, essas suposições não podem ser aceitas por esta fiscalização, uma vez que tratamse de empresas independentes, sem vínculos comerciais, segundo o próprio Sr. Maurice, e não existiria, portanto, nenhuma razão para o Sr. Maurice ser o contato da empresa Onicron perante o Banco, inclusive para confirmar e autorizar o desconto de cheques emitidos por esta última.” Concluiu a fiscalização que o Sr. Maurice participava de fato das operações da empresa fiscalizada, atuando “como administrador de fato e beneficiário das operações desenvolvidas pela empresa ONICRON, autorizando o desconto de cheques emitidos por ela e se apropriando desses recursos financeiros (...)”, indicando como capitulação legal o art. 124, I, do CTN. Um primeiro ponto a ser registrado é que, conforme jurisprudência deste Conselho, a incorreta ou incompleta indicação do dispositivo legal que a fundamenta não invalida a acusação contestada, sendo suficiente a perfeita descrição dos fatos que permitem concluir pela consequência imputada. O relato dos fatos permite identificar, com precisão, que a autoridade fiscal acusa o Sr. Maurice de ser administrador de fato da Onicron e responsável por sua substancial movimentação financeira. Como administrador de fato, estaria inserido no inciso III do art. 135, e seria responsável pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei. Portanto, inobstante tenha indicado como fundamento legal para sua responsabilização apenas o art. 124, I, do CTN, a análise há que ser feita, também, à luz do art. 135, III, do Código. Dispõe a Lei nº 5.172, de 1966:. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 20 19 (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os vários indícios convergentes apontados pela fiscalização conduzem à convicção de que o Recorrente era, efetivamente, administrador da Onicron. O fato de o número de telefone informado no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) pela Onicron ser o mesmo informado no site da empresa Creative Business Importação e Exportação, de propriedade do Sr. Maurice, aliado ao fato de ser o Sr. Maurice a pessoa identificada na ficha cadastral da Onicron junto ao Bradesco como contato da empresa, e ainda, ao fato de o nome anotado no verso de mais de 40% dos cheques emitidos pela Onicron, como pessoa que confirmou a emissão (para autorizar o pagamento) ser “Maurice” ou “Fabiana” (identificada pela fiscalização como Fabiana Rodrigues Ferreira, sua funcionária na Creative Business) apontam nesse sentido. O depoimento pessoal do Sr. Jefferson Marins (beneficiário nominal de vários cheques emitidos pela Onicron) corrobora o acerto da convicção formada. Não logrou, o Recorrente, trazer qualquer elemento de prova que fragilizasse essa convicção. O fato de possuir relacionamento antigo e de confiança com o Bradesco e ter indicado o sócio da empresa Onicron para ser correntista não justifica que o Banco a ele ou à sua secretária se dirigisse para confirmar cheques emitidos pela Onicron. Não se trata, simplesmente, de seu nome constar no cadastro bancário da Onicron. Uma pessoa pode constar numa ficha cadastral em um banco (obviamente, não como contato da empresa, como é o caso, mas como “referência”), e isso não significa que ela tenha poder de praticar atos pela empresa. Contudo, constar como “contato da empresa” e ser acionada para autorizar o pagamento de cheques emitidos pela empresa indicam, efetivamente, poder de administração. A coincidência do número de telefone da Onicron, constante de sua ficha cadastral no CNPJ, com o número de telefone da empresa de propriedade do Recorrente. é outro indício que converge para a conclusão acima apontada. A meu juízo, a fiscalização demonstrou que Sr. Maurice era administrador de fato da Onicron. A infração à lei, a meu ver, está caracterizada pelas circunstâncias que envolveram a extinção da sociedade. Explico. A extinção regular de uma sociedade pressupõe uma fase de liquidação (realização do ativo para pagamento do passivo), seguida de averbação do ato na Junta Comercial. Para essa averbação (registro), a Junta exige a apresentação de certidões, entre elas a Certidão Negativa de Débitos junto à SRFB e junto à PFN. A dissolução irregular da sociedade constitui infração à lei, enquadrandose na situação de atribuição da responsabilidade de terceiros prevista art. 135, III do CTN. Walmir Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 21 20 Barroso, advogado especializado em Direito Empresarial; Pós Graduado em Direito Privado pela Universidade Federal Fluminense, escreveu sobre o tema2: A legislação pertinente determina a observação de solenidades no ato da criação e da dissolução da sociedade, conforme asseveram os artigos 338 do Código Comercial e o parágrafo 2º do artigo 51 do Novo Código Civil, a saber: Art. 338. O distrato da sociedade, ou seja voluntário ou judicial, deve ser inserto no Registro do Comércio, e publicado nos periódicos do domínio social, ou no mais próximo que houver, e na falta deste por anúncios fixados nos lugares públicos; pena de subsistir a responsabilidade de todos os sócios a respeito de quaisquer obrigações que algum deles possa contrair com terceiro em nome da sociedade. Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que está se conclua. §1º Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. Todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção. A não observância desta norma, enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular que, conforme asseverado pelo Desembargador. Antônio Felipe da Silva Neves3: "...a não localização da empresa, ou sua extinção irregular, sem antes cumprir cabalmente todas as suas obrigações, é atentatório à dignidade da Justiça, devendo serem tomadas todas as providências para a obtenção de seus bens, sob pena de, com a ocultação dos mesmos, se abrir oportunidade à fraude, de legítimos créditos, que a executada e seus sócios objetivam frustrar." No caso concreto, formalmente, a dissolução da sociedade não se apresenta como “irregular”, pois foi assinado o distrato social e promovido seu registro na JUCESP. Contudo, a “regularidade” foi apenas formal, pois embasouse em um conjunto de atos e omissões dolosos para frustrar a realização dos créditos tributários pela Fazenda Pública realizar procedida de forma a frustrar Entre esses atos inserese a apresentação da DIPJ (e DCTF) do único ano calendário em que esteve ativa com todos os valores “zerados”. Embora o fato isolado de entrega de declaração com os valores ‘zerados”, eventualmente, pudesse ser tratado apenas como declaração inexata, tal não se aplica ao presente. A empresa foi constituída em 2005 e apresentou declaração do mesmo ano como 2 http://www.walmirbarroso.com.br/advocaciaempresarialnoticias. Acessado em 25 de abril de 2014. 3 Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, 11ª Câmara Cível, julgamento do agravo de instrumento nº 01990/2002, em 08/05/2002. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.720558/201102 Acórdão n.º 1301001.536 S1C3T1 Fl. 22 21 inativa. Para o anocalendário de 2006 (único em que teria operado e para o qual foi apurado o crédito tributário exigido), em 29 de junho de 2007 apresentou declaração na condição de ativa, mas com todos os valores “zerados”. Em 22 de janeiro de 2007 efetuou o distrato social, registrado na JUCESP em julho de 2007. A declaração do anocalendário de 2007, na condição de “extinta”, foi transmitida em 07 de agosto de 2007 (porém não foi efetuada a baixa no CNPJ). A apresentação da DIPJ em junho do 2007 com os valores “zerados” tornou possível o registro do distrato na Junta em julho, pois naquela data não contavam débitos. Sem dúvida, no caso concreto, a apresentação da declaração naquelas condições, longe de configurar tão somente declaração inexata, fez parte de um conjunto de atos dirigidos a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária por parte das autoridades fazendárias, e frustrar o recebimento do crédito, caracterizando infração à lei. Assim entendo ter restado caracterizada a dissolução irregular da sociedade por sua extinção sem observância da norma que impõe o prévio cumprimento de todas as suas obrigações representando infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade do administrador de fato, assim identificado por prova indireta. Isto posto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2014 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10830.003927/2006-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PROCESSO. CONHECIMENTO.
Descabe conhecimento de recurso especial quando não resta demonstrada similitude ou proximidade fática do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, mormente quando a normas interpretadas nos acórdãos recorrido e paradigma são de naturezas diferentes.
Numero da decisão: 9101-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROCESSO. CONHECIMENTO. Descabe conhecimento de recurso especial quando não resta demonstrada similitude ou proximidade fática do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, mormente quando a normas interpretadas nos acórdãos recorrido e paradigma são de naturezas diferentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROCESSO. CONHECIMENTO. Descabe conhecimento de recurso especial quando não resta demonstrada similitude ou proximidade fática do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, mormente quando a normas interpretadas nos acórdãos recorrido e paradigma são de naturezas diferentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 39 27 /2 00 6- 86Fl. 941DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO S/A, já qualificada neste processo, recorre a este Colegiado, através da petição de f1s. 819/842 da decisão prolatada às fls. 772/798, pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ CAMPINAS (SP), que julgou procedente, Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos, cientificado ao contribuinte em 08 de agosto de 2006. Consta do Auto de Infração, fls. 623/657, que a fiscalizada cometeu as seguintes irregularidades à legislação do imposto de renda, nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 2004 e 2005. 1. Registrou indevidamente como despesas de variações monetárias passivas valores que deveriam ter sido lançados no Ativo para futura integração ao custo de aquisição do imóvel ‘SEDE DA SENASA’. 2. Compensou indevidamente prejuízos fiscais, tendo em vista a existência de saldos insuficientes de prejuízos. Inconformada com o lançamento a contribuinte apresentou IMPUGNAÇÃO às fls. 658/681. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme decisão n ° 0515.726 de 25 de setembro de 2006, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ AnoCalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: IRPJ. CSLL. AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. O registro de ajustes de exercícios anteriores pressupõe a regular demonstração dos valores que deixaram de ser apropriados c dos seus efeitos nos períodos de apuração correspondentes. ATIVO PERMANENTE. Os bens do ativo permanente, entre os quais os imóveis para uso, devem ser registrados pelo custo de aquisição, independentemente da sua representatividade em relação ao valor de mercado ou em relação a qualquer outro parâmetro. Somente quando da alienação do bem; sua desapropriação; baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão ou na sua liquidação, que os resultados dai decorrentes (resultados não operacionais) serão classificados como ganho ou perda de capital e computados no lucra real. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10830.003927/200686 Acórdão n.º 9101002.034 CSRFT1 Fl. 3 3 CUSTO FINANCEIRO. A eventual diferença entre o custo de aquisição cio imóvel e o seu valor de mercado, ainda que restasse comprovada, não tem o condão de transformar parte do valor da transação, pago ou a pagar pela adquirente ao alienante, em custo financeiro do contrato de compra e venda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As exigências decorrentes devem seguir a mesma orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista serem fundadas nos mesmos fatos. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instancia em 24.10.2006 a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 22.11.2006, protocolo as fls. 819, onde apresenta, basicamente, as seguintes alegações: Informa que impetrou Mandado de Segurança, protocolado sob nº 2006.61.05.0138185, em tramite na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Campinas São Paulo, tendo obtido em 14 de novembro do corrente ano, medida liminar pleiteada, determinando o recebimento, o processamento e o julgamento do presente recurso administrativo, independentemente do prévio arrolamento de bens e direitos ou de 30% das exigências fiscais. Quanto ao mérito alega a Recorrente que com base em critérios atuais de interpretação dos princípios contábeis, impugnou os mencionados autos de infração, demonstrando que o registro do imóvel adquirido pelo montante de R$ 5.118.785,67, após trânsito em julgado da ação que reconheceu a efetiva propriedade do terreno, está em conformidade com o princípio do custo histórico corrigido com base de valor, posto que nenhum ativo pode ser registrado por importância superior ao de sua recuperação por alienação ou utilização e os encargos relativos ao fornecimento de água de 2001 até 2021, bem como variação das tarifas d'água de 1991 a 2001, tem natureza jurídica de custo financeiro do contrato de venda e compra, não podendo ser escriturados como valor do ativo imobilizado, mais sim como despesas financeiras, dedutíveis, nesta qualidade, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega a Recorrente que o efetivo preço da operação de compra e venda do imóvel é de CR$ 500.000.000,00, desta forma somente este valor poderia ter sido tornado como índice para registro do terreno, ma medida em que foi este o seu custo de aquisição, ou seja, a Recorrente se obrigou a entregar a. vendedora a quantia de Cr$ 500.000.000,00, a título de contraprestação do terreno. Ocorre que, por um acordo de vontades, os contratantes deliberaram que parte deste valor não seria pago em pecúnia, mas sim por meio de fornecimento d’água, o qual, reafirmese estava relacionado ao valor líquido e certo de Cr$ 20.000.000,00, que, por sua vez, foi estipulado a partir de uma projeção do custo com fornecimento d'água ao longo do período convencionado, calculado com base na tarifa d'água praticada à época. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Acrescenta que desta maneira o contrato tem preço certo e determinado. Continua a Recorrente. Feitas essas considerações, inferese que, admitindose que o princípio contábil do custo como base de valor estabelece que o registro de bens imóveis deva utilizar como parâmetro apenas o custo de aquisição, então deve ser a reforma da decisão recorrida, para fim de reconhecer que a ‘SEDE SANASA’ deveria ter sido registrada no valor de Cr$ 500.000.000,00, corrigidos monetariamente ate o final de 1995, e não no montante de composto pela somatória de Cr$ 480.000.000,00 como encargos totais relativos ao fornecimento d’água por 30 anos, tendo em vista que o contrato foi celebrado por preço certo. Esclarece ainda a Recorrente que o contrato de promessa de venda e compra celebrado entre a ora Recorrente e a Irmandade de Misericórdia de Campinas previu como valor total do terreno a quantia de Cr$ 500.000.000,00, a ser paga da seguinte forma: Cr$ 200.000.000,00 naquela data; Cr$ 100.000.000,00 em dez parcelas mensais. Cr$ 180.000.000,00 (em substituição à permuta da gleba 26 da Fazenda Boa Vista) e Cr$ 20.000.000,00 por meio de fornecimento de água tratada por 30, anos. Que até dezembro de 2001, a Recorrente escriturou todos os pagamentos efetuados em dinheiro, bem como os encargos relativos ao fornecimento d’água, como adiantamentos para futura imobilização. Que após o trânsito em julgado da ação de reintegração de posse movida pela Fazenda do Estado de São Paulo, pelo qual se conferiu, definitivamente, o domínio do imóvel, para a Recorrente, então, de acordo com o regime de competência, o saldo da conta adiantamentos para futura imobilização, no valor de RS 5.118.758,67, foi transferido para a conta de Terrenos. Ocorre que o correto seria a escrituração do valor de Cr$ 500.000.000,00, corrigidos monetariamente até 1995, em razão da aplicação do princípio contábil do custo histórico corrigido como base de valor, na feição que lhe atribuem a Teoria Tradicional cia Contabilidade, a Fiscalização e o próprio órgão julgador. Sendo assim, fica muito claro que os encargos relativos ao fornecimento de água que excederam o valor de Cr$ 20.000.000,00, corrigidos monetariamente até o final de 1995, consubstanciam verdadeiro custo financeiro do contrato de venda e compra do terreno. Destaca não proceder a alegação da autoridade administrativa de primeiro grau de que ainda que os dispêndios da compradora com fornecimento de água viessem a superar o valor de Cr$ 20.000.000,00, em função de eventual reajustamento da tarifa média usada, tal diferença equivaleria a correção monetária e, como visto, continuaria integrando o custo do bem transacionado, pois tal fornecimento foi na qualidade de preço indeterminado. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10830.003927/200686 Acórdão n.º 9101002.034 CSRFT1 Fl. 4 5 Requer seja reformado o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, cancelandose, integralmente, os Autos de Infração. É o Relatório. Os membros da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes a variação monetária passiva referente a valores correspondentes à variação tarifaria ocorrida para a água durante os anoscalendário em que ocorreu a autuação, extendendo a decisão ao Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Mantiveram a glosa das diferenças relacionadas a períodos subseqüentes, cujo fornecimento ainda não ocorrera, nas datas dos fatos geradores considerados. Proferiram decisão consubstanciada por meio do Acórdão nº 10516.401, que foi assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2002, 2003, 2004. 2005, 2006 ATIVO PERMANENTE MOMENTO DA CONTABILIZAÇÃO DO BEM Os bens do ativo permanente devem ser registrados contabilmente pelo custo de aquisição, na efetiva data da aquisição do referido bem, devendo parcelas de pagamentos porventura convencionados a ocorrer em mercadorias e/ou serviços a que se destina a atividade da adquirente ser registrado em conta de passivo para posterior baixa quando do efetivo fornecimento/pagamento. VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA RECONHECIMENTO Admitese como variação monetária passiva o valor correspondente às variações de tarifa ocorridas entre a data da aquisição do ativo, cuja parte será paga em fornecimento de bens e/ou serviços, e a data do efetivo fornecimento, devendo permanecer a glosa das diferenças relacionadas períodos subseqüentes, cujo fornecimento ainda não ocorreu, nas datas dos fatos geradores considerados. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Legitima a glosa de compensação de prejuízos fiscais quando tais prejuízos são decorrentes de ajustes inadequados procedidos pelo contribuinte, contrariando a boa técnica contábil e a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A decisão da 5ª Câmara do 1º CC deu “ provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes a variação tarifária ocorrida para a água durante os anoscalendário em que ocorreu a autuação da mesma, extensivo ao Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido.” Fl. 945DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Inconformada a contribuinte apresenta Recurso Especial por divergência (fls. 893/897). O recurso foi admitido pelo presidente da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que entendeu haver divergência. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 918/921. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso é tempestivo, porém, verificados o teor do recurso especial e seu paradigma e as contrarrazões, dele não conheço pelos motivos adiante expostos. O único acórdão paradigma (AC. 30333365) trazido pelo recorrente em seu recurso especial (de fls. 894897) versa sobre lançamento relativo a ITR, onde foi discutido aspecto formal do lançamento (consistente na insuficiência na descrição dos fatos, pois o tamanho da área que embasou o lançamento não foi evidenciado, também seu enquadramento legal), lendo –se na ementa do acórdão paradigma que: A imprecisão do lançamento é particularmente notada na identificação do sujeito passivo, na caracterização do imóvel sobre o qual deve recair o lançamento, e na descrição da motivação e respectivo enquadramento legal para a autuação. Recurso de oficio negado. Lêse também no Relatório e Voto do acórdão paradigma: 6. 0 lançamento infringiu ainda os requisitos indispensáveis: ao auto de infração previstos, no art.5° da IN , SRF 94/97 que trata dos trabalhos das malhas fiscais e lançamentos suplementares. Ou seja, o que se discutiu no paradigma, em sede de recurso de ofício, foi a higidez das provas e do enquadramento legal, e problemas formais na lavratura do auto de infração, o que redundou na anulação do lançamento por vício formal, assim discutiuse determinados aspectos do lançamento implicariam ou não a existência de vício formal (matéria puramente procedimental). Contudo, não há, no acórdão, recorrido a discussão acerca deste tema, a matéria foi sequer tangenciada quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário, quando o recorrente insistiu em fazer prevalecer suas teses contábeis relativas à Teoria Tradicional da Contabilidade e ao custo financeiro para fundamentar a dedução pretendida. Vejase que no relatório e voto (unânime) do acórdão recorrido há sequer discussão sobre erro de enquadramento legal, mas sim da configuração contábil de existência ou não da despesa. Trata da discussão acerca variação monetária passiva e compensação de prejuízos fiscais, discutindose seus limites e metodologias in concreto, no caso de tarifas de água dadas como pagamento. Em nenhum momento no recorrido se discute imprecisão na identificação do sujeito passivo ou nas características dos fatos ocorridos, mas tão somente seus efeitos contábeis e fiscais, concluindo o acórdão recorrido pelo provimento parcial, como segue: Contudo há de haver ainda ajustes quanto ao reconhecimento de tais despesas financeiras uma vez que as mesmas somente Fl. 946DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10830.003927/200686 Acórdão n.º 9101002.034 CSRFT1 Fl. 5 7 poderão ser alocadas ao resultado de cada exercício após a sua realização, quero dizer, após o efetivo fornecimento da água em cada anocalendário. Como levado a efeito, a Recorrente apropriou ao resultado do exercício valores de diferenças de tarifas que ainda estão por se realizar, porque ainda não houve o fornecimento da água. Concluise, deste modo, que a compensação indevida de prejuízo é fato causado pelos ajustes incorretos efetuados pela Recorrente, devendo permanecer em função do reconhecimento da irregularidade dos referidos ajustes, exceto quanto à parcela da variação monetária decorrente do reajuste da tarifa de fornecimento de água, nos respectivos períodos em que foram efetuados os lançamentos. Em outras palavras a diferença de tarifa relativa a exercícios cujo fornecimento de água ainda não havia ocorrido, na data do fato gerador do lançamento, deve ser mantida, em respeito ao regime de competência. Deste modo, dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes a variação tarifaria ocorrida para a agua durante os anoscalendário em que ocorreu a autuação da mesma, extensivo ao Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Não há, portanto, similitude fática, temas debatidos, ou mesmo identidade da norma discutida que tenha sido aplicada de forma contraditória, que implique em divergência das decisões a ensejar recurso especial. A norma debatida no recorrido é norma material do Imposto de Renda; as normas que dão supedâneo ao paradigma são normas de natureza processual (IN SRF 04/97; Parecer Cosit 09/99; arts. 142 e 173, II, do CTN; arts. 10 e 11 do Decreto n. 70.235/72; art. 5º da CF88 – são os dispositivos mencionados como fundamento do paradigma). Data venia, o que o recorrente pretende é inserir tema novo na discussão em sede recurso especial, ventilando matéria que sequer foi debatida no recorrido. Do exposto, não conheço do recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 947DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 13807.002696/00-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DESPESAS - COMPROVAÇÃO - DEDUTIBILIDADE.
As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Não há, na legislação do Imposto de Renda, exigência de documentação pré-estabelecida a fim de se comprovar a dedutibilidade do gasto. A empresa deve fazer prova da ocorrência do gasto e que estes preenchem os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade.
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE.
Não se aplica o princípio da anterioridade (art. 150, III, 'b' da CR/88) às contribuições sociais (conforme disposto no art. 195, §6°). IRRF - OMISSÃO DE RECEITAS - LEI N° 8.541/92
Segundo a jurisprudência deste Conselho, a exigência de IRRF sobre receitas omitidas não se configura como aplicação de penalidade pois configura hipótese de incidência de imposto, cuja lei aplicável será a vigente à época do fato gerador.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.119
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, afastaram as preliminares e, no mérito, negaram provimento ao recurso. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Numero do processo: 10580.721196/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Numero da decisão: 2201-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 11 96 /2 00 9- 96 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721196/200996 Acórdão n.º 2201002.520 S2C2T1 Fl. 3 3 Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 126.850,30, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Cláudio Augusto Daltro de Freitas apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 14 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.756, decidiram por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Posteriormente, em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, o Colegiado, por meio do Acórdão nº 2201 001.975, de 23 de janeiro de 2013, acolheu os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.756, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721196/200996 Acórdão n.º 2201002.520 S2C2T1 Fl. 4 5 Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar suscitada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No que tange à alegação de constituição inadequada da exigência, como a matéria se confunde com o mérito, será examinada mais adiante. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e Ministério Público Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721196/200996 Acórdão n.º 2201002.520 S2C2T1 Fl. 5 7 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões da STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) (grifei) Depreendese da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora. Por fim, cumpre registrar que as decisões administrativas ou judiciais, sem caráter vinculante, não obrigam os julgadores dos processos administrativos fiscais, assim como os pareceres emitidos por ilustres doutrinadores, a exemplo do Dr. Roque Antônio Carrazza e do Dr. Paulo Modesto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721196/200996 Acórdão n.º 2201002.520 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10920.003521/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
GLOSA. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de glosa por parte do Fisco em procedimento de ressarcimento acumulado com compensação, a princípio o ônus da prova cabe ao contribuinte, deixando de fazê-la cabe manter o indeferimento. No caso da tomada de crédito relativa à transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, logrou se desincumbir do ônus da prova, as planilhas elaboradas não são suficientes provar exclusão do cálculo do crédito.
CRÉDITO. GLOSA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PROVA. ÔNUS.
Procedida glosa de crédito sobre acusação de que se tratam aquisições de pessoas físicas, cabia a Administração Fiscal provar por meio de documentos o acontecimento de que o contribuinte de fato teria tomado o crédito de fornecedor pessoa física, planilha não configura prova. Não provado o fato, cabe reverter à glosa.
CREDITO DE AQUISIÇÕES ISENTAS E TRIBUTADAS PELA ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
Há vedação expressa no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 alteração introduzida pela Lei nº 10.965/2004, que alterou o regime que assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidência da contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa dos créditos tomados por aquisições de pessoa física.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de glosa por parte do Fisco em procedimento de ressarcimento acumulado com compensação, a princípio o ônus da prova cabe ao contribuinte, deixando de fazêla cabe manter o indeferimento. No caso da tomada de crédito relativa à transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, logrou se desincumbir do “ônus da prova”, as planilhas elaboradas não são suficientes provar exclusão do cálculo do crédito. CRÉDITO. GLOSA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PROVA. ÔNUS. Procedida glosa de crédito sobre acusação de que se tratam aquisições de pessoas físicas, cabia a Administração Fiscal provar por meio de documentos o acontecimento de que o contribuinte de fato teria tomado o crédito de fornecedor pessoa física, planilha não configura prova. Não provado o fato, cabe reverter à glosa. CREDITO DE AQUISIÇÕES ISENTAS E TRIBUTADAS PELA ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 alteração introduzida pela Lei nº 10.965/2004, que alterou o regime que assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidência da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 35 21 /2 00 8- 56 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa dos créditos tomados por aquisições de pessoa física. Antonio Carlos Atulim – Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuida o presente Recurso Voluntário interposto por ABI BELÉM & CIA LTDA. ver modificado o v. Acórdão que manteve o indeferimento de ressarcimento de saldo credor de contribuições sociais para a COFINS e PIS decorrentes da apuração do período de 01.01.2008 a 31.03.2008. A controvérsia se resume as seguintes questões: 1) Aproveitamento de créditos de bens adquiridos de pessoa física; 2) Aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos; 3) Aproveitamento de créditos decorrentes de compra de produtos não sujeitos à incidência. Não se discute interpretação do texto legal da legislação disciplinadora, mas sim, o modo pelo qual se apura o crédito e o débito. Assevera a Interessada que houve equivoco por parte do auditor fiscal encarregado de verificar a certeza e a liquidez do crédito. Diz textualmente que não tomou crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas. Também não aproveitou créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da empresa, bem como, não se apropriou de crédito oriundo de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. Há demonstrativos tanto da fiscalização quanto do contribuinte que revela o modo pelo qual foram apurados os débitos em relação às receitas de saídas e os créditos oriundos da aquisição de mercadorias e outros insumos relacionados com a atividade empresarial. A decisão recorrida enfatiza ausência de prova, que na sistemática não cumulativa é vedado tomar créditos de bens adquiridos de pessoa física, transferência entre estabelecimentos e insumos tributados à alíquota zero. Devido divergências entre os demonstrativos elaborados pela Interessada e a Fiscalização, essa Turma decidiu transformar o julgamento em diligência para verificar os itens: 1) Adição (à base de cálculo das receitas (saídas), assim como, das entradas as transferências entre estabelecimentos; 2) exclusão da base de cálculo das receitas dos produtos sujeitos à alíquota zero e os produtos Fl. 626DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.003521/200856 Acórdão n.º 3403003.302 S3C4T3 Fl. 8 3 monofásicos, bem como, substituição monofásica e 3) exclusão (estorno) dos valores relativamente de bens adquiridos para revenda de pessoas físicas. Declinado os autos à origem para realização da diligência, retorna o processado a essa Turma confirmado o Despacho Decisório e a inexistência do direito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Celeuma trazida no bojo deste caderno processual se refere ao modo pelo qual se apura o crédito e o débito. Assevera a Interessada que houve equivoco por parte do auditor fiscal encarregado de verificar a certeza e a liquidez do crédito, visto que, o contribuinte não manteve crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas, não aproveitou créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da empresa, bem como, não se apropriou de crédito oriundo de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. O contribuinte destaca que a planilha por ele elaborada de fls. 482, 511 e 542 (e – processo) que o efeito de incluir entre os créditos “bens recebidos de transferência” e na apuração dos débitos as “saídas em transferência” o efeito é nulo quando se apura o saldo final. Examinando as planilhas de fls. 482, 511 e 542, que o efeito de inclusão de créditos “bens recebidos de transferência” e na apuração dos débitos as “saídas em transferência” é nulo quando se apura o saldo final. Examinando as citadas planilha verifico que as saídas em transferência foram adicionadas as receitas de vendas e no quadro “entradas” (custos e despesas) no que se refere “crédito”, o valor das transferências foram adicionados ao custo das mercadorias adquiridas. Assim como, constata da mesma planilha o “estorno”, não inclusão à base de cálculo no sentido de apurar o crédito das mercadorias adquiridas junto a Pessoas Físicas. Nas planilhas denominadas de “Relatório Auxiliar de Estornos de Créditos”, onde se vê item a item dos créditos estornados. Nos mesmos relatórios “Relatório Auxiliar de Exclusões das Bases de Cálculo” de Produtos sujeitos à alíquota zero e sujeito a incidência monofásica. Diante da sustentação de que as aquisições de pessoas físicas e a transferência entre estabelecimentos incluídos no cálculo de apuração do crédito se restringem a metodologia empregada pelo contribuinte, e, ao afirmar que não fez incluir na apuração do crédito as aquisições de Pessoas Físicas e as transferências entre estabelecimento da Recorrente, assim, resta saber a verdade. Em sendo assim, passo fazer cotejo entre os dados trazidos nos respectivos demonstrativos elaborados pelo contribuinte e o fisco. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O Recorrente intimado a apresentar documentos, atendeu à intimação, desincumbindo em parte do "ânus da prova" do fato constitutivo do direito alegado perante DRF. Analisados os documentos pela Autoridade Administrativa chegou à conclusão de que o contribuinte não tem o crédito pleiteado por três motivos: primeiro fato o contribuinte adquiriu de pessoas físicas; segundo fato o contribuinte tomou crédito nas transferências entre estabelecimentos; terceiro fato o contribuinte tomou crédito de produto sujeito a alíquota zero. Em relação aos três motivos existem três fatos que foram invocados pela fiscalização para negar o direito. E assim cabe a fiscalização o ônus de provar esses fatos para fundamentar a glosa. Sendo o despacho decisório ato administrativo vinculado deve ser motivado, ou seja, indicar os pressupostos de direito e de fato da decisão adotada. Os pressupostos de direito foram declinados, mas nem todos os pressupostos de fato foram provados pela auditora, passase análise de cada item da glosa procedida pela fiscalização. Da glosa de aquisições de pessoas físicas. Observase dos autos que a fiscalização não juntou nada, absolutamente nada ao processo, além dos demonstrativos que estão inseridos no despacho decisório e da listagem de notas fiscais que o contribuinte apresentou junto com Dacons. Nesses demonstrativos do despacho decisório estão indicados os números das notas fiscais, o CNPJ do fornecedor, código fiscal de operações, e valores. Com isso, a fiscalização não provou o primeiro fundamento de fato: não provou que houve aquisição de pessoa física. Não aponta uma linha sequer nesse sentido para saber se o fornecedor era pessoa física? No demonstrativo que ela apresentou está especificado o CNPJ, não tem nenhum CPF. Então onde está à prova que o contribuinte comprou de pessoa física? A glosa tem que ser fundamentada e comprovada e neste caso o julgador não tem como conferir se a aquisição foi de pessoa física porque as notas fiscais não estão no processo. Diante da negativa do fato pelo contribuinte de que não aproveitou créditos de pessoa física, que esses créditos foram estornados. Em sendo assim, cabia a DRJ provar que houve inclusão de aquisição de pessoas físicas na tomada do crédito, o que deveria ter sido realizado mencionando os documentos fiscais, um a um, deixando de assim proceder, não justificou a glosa procedida. De modo que, impõe afastar a glosa relativa à suposta inclusão de aquisição de pessoas físicas no cálculo da tomada de crédito sobre aquisições de pessoas físicas por falta de prova por parte da fiscalização. Da inclusão das transferências entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Em relação às transferências entre estabelecimentos, as notas fiscais trazem os CFOP de transferência. A fiscalização também não juntou as notas. Mas além do CFOP ser o de transferências para comercialização, o contribuinte admite as transferências, mas diz que não tomou o crédito sobre elas, pois seu procedimento nulificou esses créditos. A DRJ concorda com isso, mas nega o direito de crédito sob dois fundamentos: a) o procedimento do contribuinte acarreta discrepância entre a realidade e o DACON; e b) as planilhas do contribuinte não comprovam que nelas estão incluídos os números da fiscalização. As mesmas planilhas apresentam transferências superior a glosa da fiscalização. Não dá para saber se o valor apurado na planilha elaborada pela Recorrente está Fl. 628DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.003521/200856 Acórdão n.º 3403003.302 S3C4T3 Fl. 9 5 contido no valor apontado pela fiscalização, pois o contribuinte não detalhou as planilhas. Os números estão apresentados de forma sintética. Nesse caso tenho que o contribuinte não logrou se desincumbir do “ônus da prova” e assiste razão a DRJ, pois não dá para saber se a glosa fiscal está contida na planilha do contribuinte. Ao contrário do contribuinte, a fiscalização comprovou as transferências pela indicação do número das notas fiscais e do CFOP. O contribuinte acatou a existência do fato e alegou fato modificativo da pretensão fiscal, mas não comprovou o fato modificativo alegado. Em sendo assim, a glosa é pertinente aos valores das transferências entre estabelecimentos da recorrente deve ser mantida. Passo examinar as glosas relativamente às aquisições de produtos isentos e alíquota zero. O PIS e a COFINS e seus regime de apuração. É oportuno trazer à baila a lição de Ricardo Mariz de Oliveira: “De fato desde logo se pode perceber que, neles (PIS/COFINS), por incidirem sobre receitas em geral, ocorre um fenômeno diferente do que se dá como o IPI e o ICMS, pois elas não têm, rigorosamente falando, uma incidência multifásica, mas sempre necessariamente unifásica, no sentido de que cada receita é fato isolado de todas as demais receitas, ainda que duas ou mais advenham da circulação de um mesmo bem, pois este não é elemento essencial para a definição de receita e não estabelece qualquer relação entre uma e outras.” Dispõe o art. 1º da Lei nº 10.637/2002: “A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Também é o que disciplina o art. 1º da Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o financiamento da /seguridade social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independemente de sua denominação ou classificação contábil.” Como é de conhecimento geral a apuração do crédito dáse a partir dos custos e despesas apropriadas exclusivamente para auferimento das respectivas receitas ou proporcionalmente ao volume de cada um dos tipos de receitas, nos casos em que o contribuinte tiver parte de suas receitas sujeitas ao regime não cumulativo, o crédito é apurado apenas em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essa operação. No caso dos autos o contribuinte pretende manter o crédito decorrente de aquisições de bens vinculados às vendas sujeitas à incidência da alíquota zero com fundamento na norma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Sendo assim, só pode ser mantido aquilo que se tem. A aquisição de produtos destinados à revenda que sofreram incidência de alíquota zero dá direito apuração de crédito, essa é a controvérsia a ser decidida. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 O entendimento expressado pela Receita Federal em Solução de Consulta nº 19/2008, que os insumos sujeitos a alíquota zero, não assistem direito ao contribuinte tomar crédito, mesmo que a operação subseqüente seja tributada. “AQUISIÇÃO DE INSUMO COM ALÍQUOTA REDUZIDA A ZERO DIREITO A CREDITO. Não dará direito a crédito, para fins de determinação da COFINS, o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição, utilizados como insumo, à exceção dos adquiridos com isenção, quando da saída tributada dos produtos”. A norma originária da Lei nº 10.833/2003, assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidências de contribuição. Com o advento da Lei nº 10.865/2004, que fez incluir dois incisos no § 2º do art. 3º da lei nº 10.833/2003, afastou esse direito, conforme restou disciplinado: “II – da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0(zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Desse modo o legislador ordinário criou óbice à tomada de crédito sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, incluindo no rol a isenção, e, quando o produto produzido for tributado alíquota zero” É certo que os produtos comercializados pelo Recorrente estão incluídos entre aqueles sujeitos a alíquota zero e isentos como se vê dos autos. Sendo assim, não vislumbro possibilidade de acudir a tese da recorrente de que devem ser incluídos no cálculo da tomada do crédito de todos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país. Inexistindo resistência aos valores glosados pela fiscalização, tenho como certo. De modo que, cabe manter a glosa quanto à tomada de crédito decorrente de aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição por estarem incluídas no rol das isentas e tributadas com alíquota zero. Assim, conheço do recurso e dou provimento parcial para reverter às glosas de pessoas físicas, por carência probatória da fiscalização. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 630DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.003521/200856 Acórdão n.º 3403003.302 S3C4T3 Fl. 10 7 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10580.011736/2005-04
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício:2001,2002,2003
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votou pelas conclusões a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Relator
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 17 36 /2 00 5- 04 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 743 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votou pelas conclusões a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0922, com a exigência do crédito tributário no valor de R$84.853,87, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro real e multa de ofício isolada por falta de recolhimento do tributo determinada sobre a base de cálculo estimada nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Consta na Descrição dos Fatos: 001 – CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados [...] 002 MULTAS ISOLADAS MULTA DECORRENTE DA FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos. O lançamentos fundamentase na insuficiência de recolhimento de CSLL apurados pelo cotejo entre os dados informados nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 536652, e aqueles contidos nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 525535, bem como no Livro Razão, fls. 103305 e 368417, no Livro Diário, fls. 306326, na Planilha de Consolidação das Receitas, fls. 327367 e 431 e 438501, nos extratos da conta corrente nº 2047791 da agência nº 00800 do Banco Safra S/A, fls. 5283 e 509515, da conta corrente nº 223454 da agência nº 3888 do Banco Itaú Fl. 743DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 744 3 S/A, fls. 8492, da conta corrente nº 1294063694/005 da agência nº 129 do Banco Bandeirantes S/A, fls. 93102, nas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, fls. 424430 e 432437. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 77 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de dezembro de 1943, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 664676, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos e que apresenta a peça de defesa tempestivamente suscitando que: 1. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permitila, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários obtidos. 2. Esse dissenso ganha contornos singulares na medida em que o assunto abrange alguns dos valores mais caros aos cidadãos e ao próprio Estado brasileiro, tanto que mereceram proteção especial no corpo da Constituição Federal de 1988, especificamente no art. 5°, incisos X e XII [...]. 3. Como é notório, tais prescrições normativas encontramse no seio dos direitos e garantias fundamentais do cidadão, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda A Constituição. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais A intimidade e A inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. [...] 5. Dai se conclui que o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob a intervenção e o crivo do Poder Judiciário. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. 6. Quanto às circunstâncias autorizadoras da quebra do sigilo bancário e desde já se depreende que este direito não é absoluto elas devem ter fundamento legal, respeitada a legalidade cerrada ou típica, bem como possuir relevância jurídicosocial, ou seja, realizar o interesse público, que não se confunde com interesse da Fazenda Pública. 7. Sobre o procedimento a ser adotado, indispensável a intervenção do Poder Judiciário, que deve autorizála no âmbito de um expediente oficial previamente instaurado (administrativo ou judicial), não se olvidando dos rigorosos limites impostos ao órgão requisitante, que deve utilizar os dados para o fim anteriormente definido, mantendo o sigilo perante terceiros. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 745 4 8. São, portanto, requisitos de validade da quebra do sigilo bancário: a) existência, no mundo fenomênico, de circunstância legalmente prevista que a autorize; b) relevante interesse público; c) autorização de autoridade judiciária; d) curso de um procedimento oficial (administrativo ou judicial); e) respeito A finalidade definida quando da requisição dos dados; f) manutenção do sigilo perante terceiros. 9. Por conseguinte, o desrespeito a um destes pressupostos torna o procedimento ILEGAL, nulificando o expediente fiscalizatório comandado pelo Poder Público. E é por isso que o procedimento realizado pela Receita Federal é absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração recorrido. Vejamos. 10. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legitimo, a começar pela fundamentação apresentada para sua realização. De fato, de uma simples análise concluise que a autoridade fiscal requisitante apresentou como fundamento o art. 33, da Lei Federal nº 9.430/96, que trata das hipóteses ensejadoras do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo. 11. Não assinalou, contudo, qual a circunstância especifica, no âmbito do dispositivo, que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da impugnante que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, d.v., coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. 12. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público não se pode falar em requisição coercitiva de informações bancárias. Além do mais, anotese que esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento procedimento adotado. 13. Mas, neste caso, o vício acima apontado, em que pese gravíssimo e capaz, per si, de nulificar todo o auto de infração, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal. [...]. 15. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e eqüidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornadose, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. [...] Fl. 745DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 746 5 18. Não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da lº Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n°. 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder Judiciário para sua quebra. 19. Vale dizer: a LC 105/01 não permite que as autoridades fazendárias determinem a quebra do sigilo bancário de determinado contribuinte sem a intervenção e o crivo do Poder Judiciário. [...] 24. É inconteste, portanto, que a quebra do sigilo bancário, uma vez que representa uma atenuação da garantia constitucional da inviolabilidade dos direitos individuais, exige como pressuposto de validade a interferência e a analise de autoridade judiciária, sob pena de ilegalidade da medida. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração ora recorrido. 25. Além do mais, o posicionamento majoritário dos Tribunais pátrios aponta no sentido de que a Lei Complementar n° 105/01 não excluiu do Poder Judiciário a atribuição de analisar os pedidos de quebra do sigilo bancário, determinando a efetivação da medida conforme o caso. 26. E se assim é, a impugnante requer seja acolhida a presente impugnação, com a conseqüente declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo exposto, demonstrada de forma irrefutável a irregularidade da ação fiscal, pois foi realizada mediante quebra de sigilo bancário da impugnante sem a devida autorização judicial, sendo, portanto, insubsistente e nula, espera e requer a impugnante que por essa Eg. Delegacia de Julgamento seja acolhida a presente impugnação, julgando IMPROCEDENTE o auto de infração, com a conseqüente extinção do débito fiscal reclamado e o arquivado do Processo Administrativo Fiscal n°. 10580.011736/200504 (CSLL). Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDS/BA nº 15 15.792, de 21.05.2008, fls. 681692: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 747 6 Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA. Descabem as alegações acerca da ilegalidade da prova, pois, no caso concreto, além de os extratos bancários das contas mantidas pela contribuinte terem sido fornecidos pelas instituições bancárias, A SRF, com fundamento na Lei Complementar n° 105, de 2001, o lançamento em exame não se baseou em informações contidas em extratos bancários, mas sim, na escrituração contábil da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E 0 DECLARADO. Mantémse o lançamento da CSLL correspondente diferença entre o valor da contribuição devida com base nas Demonstrações de Resultado do Exercício escrituradas em Livro Diário e aquele declarado em DCTF e ou pago. FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. cabível a multa de oficio isolada, prevista na legislação de regência, incidente sobre o valor das estimativas não recolhidas ou sobre a insuficiência de recolhimentos mensais, durante o anocalendário de 2000, em que a contribuinte optou por elaborar balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e não os fez na forma da legislação de regência, como também, nos anoscalendário de 2001 e 2002, em que a pessoa jurídica adotou a forma de tributação pelo Lucro Real Anual com recolhimentos mensais baseados na receita bruta e acréscimos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. de se reduzir o percentual da penalidade imposta para 50% (cinqüenta por cento), em função de legislação superveniente e em obediência ao principio da retroatividade da lei mais benigna. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 748 7 Cabível a aplicação da multa qualificada quando comprovado nos autos que os atos praticados pelo contribuinte tiveram o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência ou o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária. Notificada em 10.07.2008, fl. 697, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.07.2008, fls. 698713, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que apresenta a peça de defesa tempestivamente arguindo que: 2. Esse dissenso ganha contornos singulares na medida em que o assunto abrange alguns dos valores mais caros aos cidadãos e ao próprio Estado brasileiro, tanto que mereceram proteção especial no corpo da Constituição Federal de 1988, especificamente no art. 5°, incisos X e XII [...]. 3. Como é notório, tais prescrições normativas encontramse no seio dos direitos e garantias fundamentais do cidadão, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. [...] 5. Dai se conclui que o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob a intervenção e o crivo do Poder Judiciário. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstancias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. 6. Quanto às circunstâncias autorizadoras da quebra do sigilo bancário e desde já se depreende que este direito não é absoluto elas devem ter fundamento legal, respeitada a legalidade cerrada ou típica, bem como possuir relevância jurídico social, ou seja, realizar o interesse público, que não se confunde com interesse da Fazenda Pública. 7. Sobre o procedimento a ser adotado, indispensável a intervenção do Poder Judiciário, que deve autorizála no âmbito de um expediente oficial previamente instaurado (administrativo ou judicial), não se olvidando dos rigorosos limites impostos ao órgão requisitante, que deve utilizar os dados para o fim anteriormente definido, mantendo o sigilo perante terceiros. 8. São, portanto, requisitos de validade da quebra do sigilo bancário: a) existência, no mundo fenomênico, de circunstância legalmente prevista que a autorize; b) relevante interesse público; c) autorização de autoridade judiciária; d) curso de um procedimento oficial (administrativo ou judicial); e) respeito à finalidade definida quando da requisição dos dados; Fl. 748DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 749 8 f) manutenção do sigilo perante terceiros. 9. Por conseguinte, o desrespeito a um destes pressupostos torna o procedimento ILEGAL, nulificando o expediente fiscalizatório comandado pelo Poder Público. E é por isso que o procedimento realizado pela Receita Federal é absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração recorrido. Vejamos. 10. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legitimo, a começar pela fundamentação apresentada para sua realização. De fato, de uma simples análise concluise que a autoridade fiscal requisitante apresentou como fundamento o art. 33, da Lei Federal nº 9.430/96, que trata das hipóteses ensejadoras do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo. 11. Não assinalou, contudo, qual a circunstância especifica, no âmbito do dispositivo, que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da recorrente que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, d.v., coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. 12. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem a demonstração do relevante interesse público não se pode falar em requisição coercitiva de informações bancárias. Além do mais, anotese que esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento procedimento adotado. 13. Mas, neste caso, o vício acima apontado, em que pese gravíssimo e capaz, per si, de nulificar todo o auto de infração, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal. [...] 15. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e eqüidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornadose, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. [...] 18. Não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da lª Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n° 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder Judiciário para sua quebra. [...] 24. É inconteste, portanto, que a quebra do sigilo bancário, uma vez que representa uma atenuação da garantia constitucional da inviolabilidade dos direitos individuais, exige como pressuposto de validade a interferência e a análise de Fl. 749DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 750 9 autoridade judiciária, sob pena de ilegalidade da medida. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração ora recorrido. 25. Além do mais, o posicionamento majoritário dos Tribunais pátrios aponta no sentido de que a Lei Complementar n° 105/01 não excluiu do Poder Judiciário a atribuição de analisar os pedidos de quebra do sigilo bancário, determinando a efetivação da medida conforme o caso. 26. E se assim é, a recorrente requer o provimento do presente recurso, com a conseqüente declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo exposto, demonstrada de forma irrefutável a irregularidade da ação fiscal, pois foi realizada mediante quebra de sigilo bancário da recorrente sem a devida autorização judicial, sendo, portanto, insubsistente e nula, espera e requer a recorrente que por esse Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes seja acolhido o presente recurso e determinada a reforma do julgamento da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de SalvadorBA (Acórdão DRJ/SDR n°. 1515.792 de 21/05/08), para que seja cancelado o débito fiscal reclamado e arquivado o Processo Administrativo Fiscal n°. 10580.011736/200504. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Resolução 3ª TE/4ª Câmara/1ª SJ/CARF nº 1803000.054, de 10.04.2012, fls. 735739), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo, foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está sob a análise do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 6011314, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 750DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 751 10 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 752 11 operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 0922 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDS/BA nº 1515.792, de 21.05.2008, fls. 681692, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do lançamento de ofício, tendo em vista a quebra do sigilo bancário. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 753 12 vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Concernente à aplicação da aplicação das multas de ofício isoladas, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 754 13 lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna7. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação dos ilícitos tributários previsto na legislação de regência, ou seja, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Distintas, são as aplicações das multas de ofício isoladas por falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no anocalendário correspondente8. Essas infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação, por essa razão não há que se falar em duplicidade ilegal de aplicação de multas de ofício. Vale esclarecer que a previsão legal que possibilita a imposição de mais de uma penalidade no mesmo Auto de Infração é admissível, desde que se trate de ilícitos distintos9, como é o caso tratado no presente processo. No caso em que obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna10. Pertinente a matéria, temse que o enunciado da Súmula CARF nº 93 determina que “a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa”. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo11. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade12, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir 7 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 8 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legaç: art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 10 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 11 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 12 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 755 14 quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Ademais, essa questão é objeto do Tema nº 225 “a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência”, cujo leading case é o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 6011314, cujo Relator é o Ministro Ricardo Lewandowski e que se encontra pendente de decisão final13. Por essa razão, não tem cabimento a aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamentos fundamentase na insuficiência de recolhimento de CSLL apurados pelo cotejo entre os dados informados nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 536652, e aqueles contidos nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 525535, bem como no Livro Razão, fls. 103305 e 368417, no Livro Diário, fls. 306326, na Planilha de Consolidação das Receitas, fls. 327367 e 431 e 438501, nos extratos da conta corrente nº 2047791 da agência nº 00800 do Banco Safra S/A, fls. 5283 e 509515, da conta corrente nº 223454 da agência nº 3888 do Banco Itaú S/A, fls. 8492, da conta corrente nº 1294063694/005 da agência nº 129 do Banco Bandeirantes S/A, fls. 93102, nas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, fls. 424430 e 432437, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Falta de recolhimento de CSLL nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 Meses do Ano Calendário (A) Valor Escriturado R$ (B) Valor Declarado R$ (C) Diferenças Apuradas de Ofício R$ (D) Multas de Ofício Isolada R$ E = (D x 75%) 13 Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&nu meroProcesso=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 08 out. 2014. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 756 15 AnoCalendário 2000 Janeiro 298,71 287,72 10,99 8,24 Fevereiro 258,50 130,69 127,81 95,86 Março 246,49 0,00 246,49 184,87 Abril 188,53 0,00 188,53 141,40 Maio 380,44 0,00 380,44 285,33 Junho 280,74 0,00 280,74 210,55 Julho 703,58 0,00 703,58 527,69 Agosto 316,44 0,00 316,44 237,33 Setembro 748,71 0,00 748,71 561,53 Outubro 491,23 460,33 30,90 23,17 Novembro 941,34 0,00 941,34 706,00 Dezembro 5.454,40 2.013,34 3.441,06 AnoCalendário 2001 Janeiro 665,31 402,84 262,47 196,85 Fevereiro 194,81 125,15 69,66 52,24 Março 2.274,24 198,56 2.075,68 1.556,76 Abril 252,26 220,50 31,76 23,82 Maio 312,63 261,33 51,30 38,48 Junho 495,98 186,96 309,02 231,77 Julho 283,37 187,25 96,12 72,09 Agosto 411,36 294,18 117,18 87,88 Setembro 276,55 193,93 82,62 61,96 Outubro 503,70 289,89 213,81 160,36 Novembro 371,56 221,80 149,76 112,32 Dezembro 19.287,72 4.582,39 14.705,33 AnoCalendário 2002 Janeiro 334,01 223,14 110,87 83,16 Fevereiro 224,43 130,46 93,97 70,48 Março 296,56 217,23 79,33 59,49 Abril 386,08 267,28 118,80 89,10 Maio 207,60 138,48 69,12 51,84 Junho 360,48 285,75 74,73 56,04 Julho 170,36 237,73 0,00 0,00 Agosto 286,90 129,80 157,10 117,82 Setembro 425,08 339,63 85,45 64,09 Outubro 262,67 175,56 87,11 65,33 Novembro 251,87 128,14 123,73 92,80 Dezembro 374,60 255,15 119,45 89,58 Dezembro 9.210,83 2.528,35 6.682,48 *Os valores destacados foram objeto da ação fiscal Sobre a multa de ofício isolada por falta de recolhimento do tributo determinada sobre a base de cálculo estimada nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, está registrado no do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDS/BA nº 1515.792, de 21.05.2008, fls. 681 692: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 757 16 de se reduzir o percentual da penalidade imposta para 50% (cinqüenta por cento), em função de legislação superveniente e em obediência ao principio da retroatividade da lei mais benigna. [...] Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por julgar PROCEDENTE o lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$24.828,87 (vinte e quatro mil oitocentos e vinte e oito reais e oitenta e sete centavos), acrescido da multa de oficio qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e dos juros de mora, e PROCEDENTE EM PARTE o lançamento relativo à Multa Isolada por Falta de Recolhimento da CSLL sobre Bases de Cálculo Estimadas, no valor de R$4.277,51 (quatro mil duzentos e setenta e sete reais e cinqüenta e um centavos), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Desse modo, em sede de primeira instância de julgamento houve a redução do percentual da multa de ofício isolada por falta de recolhimento do tributo determinada sobre a base de cálculo estimada para 50% nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, tendo em vista a aplicação do princípio da retroatividade benigna. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 2328, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 2. DA AÇÃO FISCAL 2.1 DA OPERAÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO Em 18/9/2003 foi realizada no estabelecimento da empresa indicado no quadro acima operação de busca e apreensão de livros e documentos fiscais por determinação judicial consubstanciada no mandado de busca e apreensão no. 091/2003, expedido pelo Exmo. Sr. Antônio Oswaldo Scarpa, Juiz Federal da 17ª. Vara Especializada Criminal da Seção Judiciária da Bahia. O mandado incluía, além da SP, todas as demais empresas dos mesmos sócios que funcionassem no endereço indicado no quadro inicial deste termo. Nessa operação de busca e apreensão foram apreendidos alguns documentos que indicavam operações dos sócios da empresa, notadamente no campo imobiliário, mais especificamente compra e venda de imóveis, além de planilhas que pareciam indicar o seu movimento com clientes. 2.2 DA FISCALIZAÇÃO E m decorrência dessa operação, foi determinada, pelo Mandado de Procedimento Fiscal no. 0510100 2003 7343, abertura de ação fiscal de fiscalização na empresa, englobando os anos de 1998 a 2002. Em dezembro de 2004, o Auditor Fiscal da Receita Federal Júlio César Alves Ramos, Matricula SIPE n° 11.185, então responsável pelos trabalhos lavrou Auto de Infração, relativo às infrações de omissão de receitas, apuradas até dezembro de 1999, protocolado no Ministério da Fazenda sob n° 10580.013613/200419. As mencionadas receitas foram baseadas nas movimentações financeiras obtidas mediante extratos bancários, pois a não apresentação dos documentos solicitados desde o inicio da ação fiscal, em especial os extratos bancários de sua movimentação Fl. 757DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 758 17 financeira, autorizou a requisição da movimentação financeira diretamente ás instituições, na forma da Lei Complementar 105/2001. E salutar acrescentar que os citados extratos foram utilizados para consolidar a base de cálculo da infração de omissão de receitas do presente auto de infração, a qual será demonstrada neste termo no momento oportuno. Em 15/03/2005, o Delegado da Receita Federal em Salvador, Dr. Tito Augusto César Pires de Viveiros, emitiu Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, do qual o Sujeito Passivo tomou ciência em 04/04/2005, excluindo o AFRF Júlio César Alves Ramos e incluindo os AFRF’s Raimundo Pires de Santana Filho, Matricula SIPE no 76.314, e João Fábio Paolilo Calazans, Matricula SIPE n° 64.927, os quais passaram a ser responsáveis pela condução dos trabalhos de fiscalização. A partir de 1999 a empresa apresentou suas DIPJ pelo lucro real como está obrigada a fazer. Com isto também passa a ser obrigada a manter escrituração completa em obediência às normais legais previstas na lei 6.404/76 e no Decretolei 1.598/77. Após reiteradas intimações desde o inicio da fiscalização, o contribuinte em epígrafe finalmente apresentou, nos meses de maio e junho de 2005, os livros obrigatórios da contabilidade, conforme abaixo discriminados: 03 (três) Livros Diário, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, registrados na Junta Comercial do Estado da Bahia JUCEB; 03 (três) Livros Razão, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002; 01 (um) Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR; 01 (um) Livro de Registro e Apuração de ISS. 2.2.1 DOS "LIVROS" CONTÁBEIS Dos livros apresentados, consoante art. 258, do RIR/99, somente ao livro Diário cabe atender à formalidade de registro na JUCEB. Dos livros Diário apresentados todos cumprem a sobredita determinação legal da seguinte forma: Livro Diário 2000 – registrado sob n° 970613385 – em 26/05/2001; Livro Diário 2001 – registrado sob n° 02/0195672 – em 28/04/2002; Livro Diário 2002 – registrado sob n° 03/0148952 – em 22/08/2003. Em face do sobremencionado, causanos estranheza, primeiramente, o fato de em resposta ao OF/GAB/DRF/SDR/N° 1.649/2004, de 22/12/2004, no qual foi solicitada informação referente a número e data de registro dos livros Diário relativos aos anoscalendário de 1999 a 2003, o Dr. Elmer M. Pereira, Presidente da JUCEB, ter encaminhado o OF/PRES/2979/04, de 22/12/2004, ao Delegado da Receita Federal em Salvador, Dr. Tito Viveiros, informando constar apenas o registro n° 970274254, de 28/07/2000, relativo ao anocalendário 1999, apreendido durante o cumprimento do Mandado de Busca e supramencionado. Acrescentese, também, a constatação que o dia 26/05/2001, corresnponde a um sábado, e o dia 28/04/2002, corresponder a um domingo, dias que, normalmente, não tem expediente na JUCEB. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 759 18 Porém, embora diante das supracitadas constatações, foram levadas em conta as informações constantes dos livros diário acima elencados, para efeito da execução dos trabalhos de fiscalização, de acordo com o disposto no art. 226, do Novo Código Civil, abaixo transcrito, in verbis: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não 6 bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Entretanto, as certificações retro não deixarão de ser objeto de Representação á autoridade competente para adoção das medidas cabíveis. 2.2.2 DAS CONTAS BANCÁRIAS A partir da comparação entre os extratos bancários, relativos ao período da fiscalização, obtidos por meio de Requisições de Movimentação Financeira solicitados das instituições financeiras, na forma da Lei Complementar 105/2001, e os dados escriturados nos livros Diário e Razão, verificouse o seguinte [...] Desta forma, lavramos Termos de Intimação Fiscal, cientificados em 02/08/2005, solicitando a comprovação das origens dos valores creditados/depositados na ContaCorrente no 204.7791, Agência 00800, mantida junto ao Banco SAFRA, bem como na ContaCorrente n° 22.3454, Agência 3888, mantida junto ao Banco ITAÚ S.A.. Em 09/09/2005, a fiscalizada apresentou resposta ao referido termo justificando apenas uma transferência no valor de R$120.000,00 (cento e vinte mil reais), oriunda da ContaCorrente no 103214, Agência 3001, mantida junto ao Banco BRADESCO, para ContaCorrente n° 204.7791, Agência 00800, mantida junto ao Banco SAFRA. Quanto aos demais depósitos/créditos, nenhum foi justificado pela empresa na sua resposta. Portanto, por não ter apresentado comprovação convincente presumese, segundo arts. 27, I, e 42, caput e § 1 0 , da lei n° 9.430/96, como omissão de receita denominada de depósitos bancários de origem não comprovada. [...] A omissão de receita acima acarretou na falta de recolhimento de IRPJ e CSLL com base na Receita Bruta e Acréscimos, conforme explicitado no item 2.2.3.2 do presente Termo de Verificação Fiscal, decorrendo, então, o lançamento de oficio da respectiva multa isolada no valor de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o montante de tributo apurado. 2.2.3 DAS VERIFICAÇÕES PRELIMINARES 2.2.3.1 Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago A partir dos valores de receitas mensais escriturados nos livros RAZÃO, referente aos anoscalendário 2000 a 2002, nas seguintes contas: RECEITA BRUTA DE SERVIÇOS — ADM. CAPITAL; RECEITA BRUTA DE SERVIÇOS — FACTORING; RECEITAS COM FACTORING. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 760 19 ratificados nos livros DIÁRIO, respectivos, constatouse diferenças de PIS e COFINS, entre os valores apurados, conforme base de calculo supra, e os declarados/recolhidos presente na Declaração de Contribuição e Tributos Federais — DCTF. Prosseguindo com as verificações preliminares, a partir da Demonstração do Resultado do Exercício — DRE, referente aos anoscalendário 2000 a 2002, transcritas nos respectivos livros DIÁRIO, detectouse divergência entre os valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL escriturados e os declarados/recolhidos presentes na DCTF. 2.2.3.2 Multas Isoladas Em cumprimento às determinações previstas para a Operação "Verificações Preliminares", foi detectado também que o Sujeito Passivo optou pela forma de tributação do lucro real anual, determinando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, no anocalendário de 2000, e com base na Receita Bruta e Acréscimos, nos anoscalendário de 2001/2002, conforme se depreende das informações prestadas à SRF mediante as DIPJ dos mencionados anoscalendário, especificamente nas fichas: 01 — Dados Iniciais; e Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa. Por determinação legal, cabia ao sobremencionado contribuinte recolher, mensalmente, o IRPJ e a CSLL POR ESTIMATIVA, ou poderia suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstrasse, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excedia o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso. Os mencionados balanços ou balancetes mensais, para efeito de determinação do resultado do período em curso, devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes supraditos deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano calendário; e as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Ademais, a não escrituração do livro Diário e do LALUR, ate a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução, acarretando a aplicação da multa de oficio sobre os valores indevidamente reduzidos ou suspensos. Dando seguimento aos procedimentos de Verificações Preliminares, constatamos que não há escrituração de Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução mensais, tanto nos livros Diário como no LALUR do anocalendário 2000. Tal ausência acarreta o não cumprimento de uma obrigação acessória, implicando no lançamento de oficio, mediante aplicação isoladamente de multa. A sobrecitada multa representa 75% (setenta e cinco por cento) do IRPJ e da CSLL apurados a partir da Receita Bruta e mensal e acréscimos. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 761 20 Quanto aos anoscalendário de 2001 e 2002, onde a fiscalizada optou pela apuração do IRPJ e da CSLL mensal com base na Receita Bruta e Acréscimos, apuramos a diferença entre os valores obtidos a partir da escrituração confrontando os com os valores declarados/recolhidos. A determinação da Receita Bruta e Acréscimos levou em conta as receitas escrituradas pela fiscalizada acima citadas (item 2.2.3.1), bem como a omissão de receita decorrente de depósitos bancários não contabilizados, conforme acima salientado (item 2.2.2). Encontramse as referidas apurações nas planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA — IRPJ e CSLL", parte integrante deste Auto de Infração. Procederseá abaixo a descrição dos fatos que levaram ao lançamento de oficio em epígrafe. 3— DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 3.1 — CSLL — DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E 0 DECLARADO/PAGO Segundo já mencionado neste Termo, das diferenças entre os valores escriturados na DRE e os declarados/recolhidos na DCTF, ao longo do respectivo anocalendário, consolidados na coluna "créditos apurados" da planilha "DEMONSTRATIVO DA SITUAÇÃO FISCAL APURADA", advieram os montantes constantes da planilha "DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E 0 DECLARADO/PAGO". 3.2 — CSLL — MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA De acordo com o acima disposto, a base de cálculo estimada envolveu a Receita Bruta e Acréscimos, relativa às receitas escrituradas pela fiscalizada nos livros RAZÃO e DIÁRIO, supracitadas (item 2.2.3.1), bem como as decorrentes dos depósitos bancários não contabilizados, conforme sobredito (item 2.2.2). Disto acarretou a elaboração da planilha "CONSOLIDAÇÃO DE RECEITAS", cujo total esta repetido mensalmente na planilha "CSLL APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO". Apurados os valores do principal devidos, estes foram confrontados com os débitos declarados e os créditos recolhidos, acarretando as diferenças de CSLL Estimativa não recolhidas, sobre as quais se aplicou o valor da multa isolada, cujo comentário foi exaurido no item 2.2.3.2. É prudente informar que a mencionada apuração encontrase descriminada na planilha "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA". 3.3 — DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO A qualificação da multa de oficio, quer dizer, a aplicação da multa de 150% [...] sobre os valores da contribuição acima elencados oriundos dos lançamentos mencionados, segue a determinação do Art. 957, II, do RIR 99, concomitante com o Art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, vez que indubitavelmente visou a impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores do imposto e contribuições, quando apresenta as suas declarações, DCTF e DIPJ, conforme já salientado no corpo deste termo, com valores inferiores ao apurado, fato este que só veio ao conhecimento por parte das autoridades fazendárias no momento em que foi submetido aos procedimentos de fiscalização. Do sobredito fato culminou em Representação Fiscal para fins Penais. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurouse como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão Fl. 761DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 762 21 legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados foram ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Houve procedimento administrativo instaurado e a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constituiindo quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.011736/200504 Acórdão n.º 1803002.399 S1TE03 Fl. 763 22 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000203/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS EM DCTF. ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANO CALENDÁRIO.DESCABIMENTO.
Descabe o lançamento de IRPJ efetuado após o término do ano calendário, por eventual falta pagamento de imposto incidente sobre base de cálculo estimada.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.183
Decisão: Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANO CALENDÁRIO.DESCABIMENTO. Descabe o lançamento de IRPJ efetuado após o término do ano calendário, por eventual falta pagamento de imposto incidente sobre base de cálculo estimada. Crédito Tributário Exonerado Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 02 03 /2 00 2- 71 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13706.000203/200271 Acórdão n.º 1401001.183 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão que julgou improcedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: “Versa o presente processo sobre auto de infração nº 0000304, constante de fls. 10 a 18, por meio do qual é exigida da interessada acima qualificada Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) (cód 2917) no valor de R$ 902.366,61, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, lançados em razão de auditoria interna de pagamentos informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 1º trimestre de 1997. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 12, a autuação teve como fundamento a falta de recolhimento ou pagamento de parte do principal de débitos confessados de IRPJ dos períodos de apuração de fevereiro e março de 1997, cujo números são 1504293 e 1504294, nos valores de R$ 578.536,41 e R$ 754.365,94, respectivamente, compensados indevidamente com pagamentos não localizados, resultando nos saldos em aberto para cada um dos débitos mencionados de R$ 308.589,14 e R$ 593.777,47. Cientificada do lançamento em 28/12/2001, conforme extrato do processo de fl. 139. inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória à exigência de fls. 3 a 6, protocolada em 08/01/2002, acompanhada dos documento de fls. 7 a 116, alegando, em síntese, que procedeu o recolhimento do IRPJ dentro do prazo legal, o que comprova com a apresentação de cópia de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais, de fls. 70 à 73. Por fim, requereu, a vista da demonstração que todos os impostos foram integralmente recolhidos, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Efetuei a juntada de telas do sistema SIEF – Documentos de Arrecadação – Consulta – Pagos, a qual atesta a alocação dos pagamentos efetuados pela interessada adébitos de IRPJ dos períodos de apuração de 01/01/1997 e 01/04/1997. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 5ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deferir a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13706.000203/200271 Acórdão n.º 1401001.183 S1C4T1 Fl. 4 3 AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS EM DCTF. ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANO CALENDÁRIO.DESCABIMENTO. Descabe o lançamento de IRPJ efetuado após o término do ano calendário, por eventual falta pagamento de imposto incidente sobre base de cálculo estimada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do referido acórdão o Presidente da 5ª Turma, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro interpôs Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso de Ofício apresenta todos os pressuposto de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, Auto de Infração nº 0000304, constante de fls. 10 a 18, por meio do qual é exigida da interessada acima qualificada Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) (cód 2917) no valor de R$ 902.366,61, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, lançados em razão de auditoria interna de pagamentos informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 1º trimestre de 1997. A autuação tem como fundamento a constatação, em procedimento de auditoria interna da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao 1º trimestre de 1997, da existência de créditos tributários, decorrentes de confissão de dívida, aos quais a interessada não teria comprovado os respectivos pagamentos relativos ao IRPJ dos períodos de apuração de fevereiro e março de 1997. Em sua defesa a autuada alega que já efetuara a liquidação dos débitos confessados em sua DCTF do 1º trimestre de 1997, e que estão sendo feitas cobranças em duplicidade dos pagamentos por ela já efetuados, tendo inclusive efetuado pagamento maior que o devido nos meses de competência 02/97, 06/97, 08/97 e 09/97. Conforme consta no acórdão da DRJ, a análise da auditoria apresentou o seguinte resultado, aqui reproduzo: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13706.000203/200271 Acórdão n.º 1401001.183 S1C4T1 Fl. 5 4 Em uma primeira análise da autuação verificase que a contribuinte procurou se utilizar mais de uma vez dos pagamentos por ela efetuados para saldar débitos distintos confessados na mesma DCTF. Em verdade, os pagamentos efetuados pela contribuinte, constantes das fls. 70 à 73, constam da base de dados da Receita Federal, porém foram alocados a outros débitos confessados constantes da mesma DCTF, não restando, portanto, saldo disponível para alocação dos débitos confessados pela contribuinte, razão pela qual os pagamentos não foram localizados pela administração tributária. De fato, tais pagamentos foram declarados pela contribuinte nas DCTFs do 1º trimestre de 1997, para quitar os débitos do IRPJ dos períodos de apuração de janeiro e abril daquele ano, sendo por isso alocados aos débitos do período. No entanto, os débitos confessados de que trata a autuação decorrem da apuração de estimativas mensais de IRPJ, as quais deveriam ser recolhidas sob o código da receita 2362, em conformidade com o art. 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Com efeito, a contribuinte no ano calendário de 1997 foi tributada do IRPJ na sistemática do lucro real, com apuração anual, efetuando o pagamento do imposto mensal através de estimativas por ela calculadas, conforme consta de sua DIPJ e da DCTFs do período. Assim, conforme brilhantemente decidida pela Turma Julgadora de 1ª Instância, descabe o lançamento da eventual diferença de IRPJ, devida em razão de apuração mensal do imposto sobre base de cálculo estimada, uma vez que o fato gerador do IRPJ, nestes casos, ocorre somente ao final do exercício, sendo o pagamento por estimativa apenas uma hipótese legal de antecipação do tributo. Tal entendimento é corroborado pelo disposto nos arts. 15, § 1º e 16, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, conforme a redação a seguir: Art. 15 O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o “caput” sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13706.000203/200271 Acórdão n.º 1401001.183 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 16 Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano calendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II – O imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido da multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. (grifos acrescidos) Assim, diante dos apontamentos acima alinhados, nego provimento ao recurso de ofício, e mantenho a exoneração completa do crédito tributário. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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