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Numero do processo: 10580.727481/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.260
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.727481/200911 Resolução n.º 220200.260 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, RAYMUNDO DE BRITTO COSTA, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$.96.414,04, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, os seguinte pontos extraídos do relatório da autoridade recorrida: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.727481/200911 Resolução n.º 220200.260 S2C2T2 Fl. 3 3 já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia.Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJSalvador ao apreciar as razões da contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.727481/200911 Resolução n.º 220200.260 S2C2T2 Fl. 4 4 MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da Responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia, da inexistência de conduta hábil a aplicação da multa. Do efeito vinculante da resposta a consulta administrativa, tornando temerária a manutenção da multa. Da nulidade do lançamento, pela forma inadequada de apuração da base de cálculo do tributo lançado; Entende o recorrente que ao invés de ter feito o lançamento isolado em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três Dirfs (2004, 2005, 2006) do contribuinte, a fim de apurar mês a mês os valores do imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos; O cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas do imposto de renda das épocas próprias da percepção dos rendimentos; Da não incidência de IR sobre os juros moratórios e compensatórios; Da natureza indenizatórias da “URV” que se sobressai, conforme já decidiu a respeito o Supremo Tribunal de Justiça. Da ilegitimidade da União Federal, uma vez que por determinação expressa da Constituição, o produto do crédito tributário que deu origem ao presente processo é de propriedade da Fazenda Pública do Estado da Bahia; Da violação do princípio constitucional da isonomia. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.727481/200911 Resolução n.º 220200.260 S2C2T2 Fl. 5 5 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No conteúdo da acusação fiscal resta claro, nos autos de que a exigência referese a rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001969/2006-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
EMBARGOS - OMISSÃO - FATOS PARA DECADÊNCIA
Diante da renúncia da contribuinte ao direito em que se funda a lide, perdem objeto os embargos declaratórios opostos pela Fazenda. Não conhecimento.
Numero da decisão: 1103-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: EMBARGOS - OMISSÃO - FATOS PARA DECADÊNCIA Diante da renúncia da contribuinte ao direito em que se funda a lide, perdem objeto os embargos declaratórios opostos pela Fazenda. Não conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 388 1 387 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001969/200659 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1103001.038 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2014 Matéria CSLL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO JP MORGAN S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: EMBARGOS OMISSÃO FATOS PARA DECADÊNCIA Diante da renúncia da contribuinte ao direito em que se funda a lide, perdem objeto os embargos declaratórios opostos pela Fazenda. Não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 69 /2 00 6- 59 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 389 2 Relatório Tratase de lançamento da CSL dos anoscalendário de 2000 a 2004, em razão de falta de adição na determinação da base de cálculo do montante de contribuição para o PIS e COFINS com exigibilidade suspensa. A contribuinte efetuou o ajuste apenas na apuração do lucro real. A fiscalização considerou que tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões e não como despesas incorridas, pois os valores estão sendo questionados na esfera judicial cuja decisão futura não é conhecida. Assim, somente as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL, que não é o caso dos autos. As infrações apuradas reduziram as bases negativas apuradas nos anos calendário de 2001 e 2002, nos montantes de R$ 17.746.172,71 e R$ 22.038.186,66, respectivamente, bem como, aumentaram as compensações nos anoscalendário de 2003 e 2004, nos montantes de R$ 12.741.057,34 e R$ 16.170.335,39, respectivamente, ocasionando a redução do saldo da base negativa da CSL, em 31/12/2004. O crédito tributário apurado totaliza R$ 15.763.705,78, em 22/12/2006. O enquadramento legal é o seguinte: art. 2º e §§, da Lei 7689/88; art. 2º da Lei 8.034/90 c/c art. 13, I, da Lei 9.249/95; art. 1º da Lei 9.316/96; art. 28 da Lei 9.430/96; art. 7º da MP 1807/99 e reedições; art. 6º da MP 1.858/99 e suas reedições; art. 37 da Lei 10.637/02. Transcrevo do relatório da decisão de primeira instância, a síntese das principais alegações constantes da impugnação: Alega o impugnante que o art. 41 da Lei nº 8.981/95, que determina a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, referese somente à apuração do lucro real, sendo, portanto, permitida a dedução desses valores da base de cálculo da CSLL. Sustenta também que tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como despesas incorridas e não como provisões. Alega que a obrigação tributária nasce com o fato gerador e que as situações previstas no art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN apenas postergam a data do pagamento. Considerandose que a efetivação do pagamento não é condição necessária para o reconhecimento da respectiva despesa, conclui que não são dedutíveis, da base de cálculo da CSLL, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. Observou que a autuação não tomou por base o art. 41 da Lei 8.981/95, e nem poderia, uma vez que esse dispositivo trata especificamente da indedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ; que o fato de o art. 41 da Lei 8.981/95 se referir somente ao lucro real não tem por conseqüência imediata a Fl. 423DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 390 3 permissão de deduzir os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSL, significaria apenas, que esse dispositivo legal não contém tal vedação. Entendeu que, contudo, há que se verificar se as outras normas do ordenamento jurídico não proíbem essa dedução. Transcreveu o art. 2º, § 1º, alínea c, da Lei 7.689/88, com a redação dada pelo art. 2º da Lei 8.034/90 e o art. 13, I, da Lei 9.249/95, para concluir que, via de regra, as provisões não podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo da CSL, estando as exceções relacionadas no inciso I do art. 13 da Lei 9.249/95. Destacou que ao contrário do alegado pela impugnante, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa têm nitidamente a natureza de provisões, visto que não configuram obrigações efetivamente constituídas, que traduzam uma exigibilidade do passivo da mesma natureza de um tributo a recolher, uma vez que se trata de exigências tributárias que estão em discussão no âmbito judicial, podendo a decisão final decidir pela procedência ou pela improcedência das exações. Entre outros argumentos, ressaltou a Turma Julgadora que não assiste razão ao impugnante quanto ao seu argumento de que as situações previstas no art. 151 do CTN apenas postergam a data do pagamento até que seja resolvida a causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, pois, no caso de tributos e contribuições cuja exigibilidade tenha sido suspensa por medidas liminares ou antecipações de tutela, o questionamento judicial diz respeito à própria existência da relação jurídica tributária entre fisco e contribuinte. Cita os acórdãos 10808126 e 10194491. Conclui pela impossibilidade de se deduzir os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa na apuração da base de cálculo da CSLL. Indeferiu o protesto genérico por produção de provas e manteve a aplicação da taxa Selic como juros moratórios. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 17/5/2007 e o recurso foi apresentado em 15/6/2007. No recurso alegou preliminarmente a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o lançamento para o anocalendário de 2000, uma vez que o lançamento fora efetuado em 22/12/2006, tendo sido ultrapassado o prazo de cinco anos da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Seu outro argumento diz respeito à ilegitimidade da adição dos tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSL. Transcreve o art. 1º e 2º da Lei 7.689/88 e o art. 13, I, da Lei 9.249/95, para concluir que afetado o resultado da empresa negativamente pela constituição de provisões, deve o contribuinte anular o efeito contábil pela adição do valor lançado na apuração do IRPJ e CSL. Argumenta que a lei fala em provisões e não em despesas, e que estas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL, devendo afetar o resultado na determinação do lucro, sob pena de tributarse a receita e não o lucro líquido ou a renda auferida. Destaca que o autuante entendeu que os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizarseiam como provisões, e não como despesas incorridas, inovando na ordem jurídica (pois vinculou efeitos tributários não decorrentes de lei) como também a realidade contábil, trazendo significado novo aos conceitos já definidos pela ciência. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 391 4 Consigna que o termo “provisão”, conforme alertam os contadores da FEA/USP, tem sido equivocadamente utilizado como referência a qualquer obrigação, mas que, contudo, esse termo referese apenas aos passivos com prazo e valores incertos se aproximando, mas não se identificando, com os demais elementos do passivo. Dessa forma, nem todo o registro no passivo com contrapartida a débito no resultado poderia ser considerado uma provisão, e que quando há certeza quanto a valor e prazo, se tem uma obrigação de pagar, registrada antecipadamente em decorrência do princípio contábil da competência e não a uma provisão. Ressalta que a provisão se refere apenas às reservas feitas para se atender despesas em que não há certeza quanto ao prazo e valor, onde não há definitividade. Destaca que as provisões são registros com contrapartida a débito no resultado de estimativas de obrigações futuras. Quanto às “despesas” decorrentes de contas a pagar, argúi que são fatos contábeis cuja obrigação correspondente tenha grau maior de definitividade, ou ainda, são registros contábeis de obrigações que não dependem mais de qualquer fato do credor que possa afetar a certeza do valor ou do prazo daquele título. Assim, seriam contrapartidas contábeis de contas a pagar, onde há certeza quanto ao valor e prazo. Entende que essas definições trazem certeza quanto à conclusão de que os lançamentos contábeis feitos para se registrar os tributos com exigibilidade suspensa se caracterizam como despesas incorridas e não contrapartidas no resultado pelo registro de provisões, como entendeu a fiscalização e a Turma de Julgamento. Dessa forma, os tributos a pagar, ainda que questionados judicialmente, seriam despesas dedutíveis e apropriáveis no momento de seu registro, de acordo com o princípio contábil de competência. Ressalta que o fato de ter questionado administrativamente ou judicialmente, a legitimidade da cobrança, não lhe retira os atributos de certeza e liquidez. Aduz que as normas jurídicas e os atos da administração têm presunção de constitucionalidade e legalidade e que até solução final do litígio em que se discute a legitimidade da cobrança da exação, o tributo é devido. Enfatiza que a suspensão da exigibilidade do débito também não retira a certeza e determinação da obrigação tributária, uma vez que, o pagamento é postergado para momento futuro até à solução do litígio, mas permanece a presunção de legitimidade da cobrança e certeza e liquidez do débito. Argumenta que a interpretação que deve ser dada é que o lançamento contábil efetuado apenas reconhece uma obrigação de pagar, com valores certos, sem que ainda haja o desembolso de caixa, pois, um tributo com exigibilidade suspensa é uma obrigação tributária ainda não quitada, mas com todos os elementos prédefinidos. Enfatiza que a Receita Federal já se manifestou afirmando que pela aplicação do regime de competência, as despesas devem ser reconhecidas no seu período de apuração independentemente de seu pagamento. Aduz que nos tributos suspensos pelo depósito do montante integral, o argumento para caracterização da despesa é ainda mais forte, porque a obrigação de pagar, nesse caso, tem valores certos exigíveis e há, de fato, um desembolso do contribuinte. Ademais, com a alteração na matéria promovida pela Lei 9.703/98, os depósitos efetuados pelo Fl. 425DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 392 5 contribuinte para se discutir a exigibilidade do tributo são, de fato, transferidos ao patrimônio da União, não mais permanecendo, como anteriormente, à disposição do juízo. Argumenta como reforço, que em 03.10.2005, a CVM editou a Deliberação nº 489 aprovando e tornando obrigatório o Pronunciamento NPC nº 22 emitido pelo IBRACON. Transcreve trecho, para afirmar que considerando as NPC aplicáveis às empresas em geral, o registro contábil de um tributo é sempre uma obrigação legal, um contas a pagar, ainda que questionado judicialmente, e nunca uma provisão. Destaca que se os tributos com exigibilidade suspensa são realmente provisões, seria necessário editar norma específica para vedar a dedutibilidade, como fez o legislador sobre a base de cálculo do IR e que o art. 41 da Lei 8.981/95 trata exclusivamente da indedutibilidade da despesa para o lucro real, restando silente quanto à adição na base de cálculo da CSLL. Todas as despesas consideradas indedutíveis da base de cálculo da CSL, foram relacionadas taxativamente no art. 13 da Lei 9.249/95 e nos itens relacionados na lei não estão presentes as despesas glosadas. Entende que não havendo previsão legal específica a respeito da indedutibilidade, não pode a administração tributária criar a restrição. Cita o acórdão 10706215 de 23.02.2001 e 10192553 de 24.02.99. Pede o cancelamento do lançamento por figurar como ilegítima a cobrança que intenta ampliar a base de cálculo da CSL, seja pela criação de adição não veiculada em lei, seja pela aplicação de dispositivo direcionado ao IRPJ. É o relatório. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 17/6/2009, acordaram os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 140100.058, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o anocalendário de 2000 e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA FATO GERADOR. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 393 6 Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. O voto da relatora, a ilustre exConselheira Albertina Silva de Santos Lima, prevaleceu com relação ao acolhimento da preliminar de decadência para o anocalendário de 2000, e foi vencido no que tange ao mérito, conforme voto infratranscrito (fls. 296 a 299 do e processo): “O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento da CSLL dos anoscalendário de 2000 a 2004, em razão de falta de adição na determinação da base de cálculo do montante de contribuição para o PIS e COFINS com exigibilidade suspensa. A contribuinte efetuou o ajuste apenas na apuração do lucro real. No recurso, em síntese seus argumentos são: · Que o auto de infração lavrado exige débitos do ano calendário de 2000, fora do limite temporal de cinco anos de que trata o art. 150, § 4º do CTN; · Que o lançamento e a decisão recorrida desvirtuaram os conceitos de “provisão” e “obrigação de pagar” definidos pela contabilidade, com o objetivo de descaracterizar uma despesa incorrida, e assim, vedar a dedutibilidade da despesa; cita pronunciamento do IBRACON NPC 22, aprovado pela Deliberação CVM 489 de 03.10.2005; cita a Lei 9703/98; · Que a única vedação à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa está prevista em lei apenas para o IRPJ, não sendo aplicável a CSLL. Em relação à preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o lançamento para o anocalendário de 2000, tem razão a contribuinte, uma vez que o lançamento foi efetuado em 22.12.2006, tendo sido ultrapassado o prazo de cinco anos da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Nesse anocalendário, a contribuinte apurou CSLL a pagar, conforme doc. de fls. 82. Para o prazo decadencial relativo à CSLL, até as sessões do mês de maio de 2008 votei pelo prazo de 10 anos, com base na Lei Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 394 7 8.212/91, art. 45, entretanto, tendo em vista a confirmação da declaração de inconstitucionalidade desse artigo (RE 559.8829, de 12.06.2008, relator Min. Gilmar Mendes), passei a votar pelo prazo de 5 anos. Destaco que inclusive foi aprovada a Súmula vinculante nº 8 do STF, na sessão plenária de 12.06.2008. Transcrevo o teor de referida súmula: Súmula nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. Em relação à sua argumentação de que o lançamento e a decisão recorrida desvirtuaram os conceitos de “provisão” e “obrigação de pagar” definidos pela contabilidade, com o objetivo de descaracterizar uma despesa incorrida, e assim, vedar a dedutibilidade da despesa, a jurisprudência deste Conselho, com a qual concordo, adota o entendimento de que os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151, do CTN são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por se caracterizarem como provisões e não como despesas incorridas. Transcrevo ementas de alguns acórdãos: Acórdão 10196253 de 06.07.2007 (relator: Paulo Roberto Cortez) CSLL PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Acórdão 10707088 de 16.04.2003 (relator: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) CSLL DEDUTIBILIDADE DOS TRIBUTOS PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência não alcança aqueles cuja exigibilidade esteja suspensa, portanto ainda não recolhidos. Acórdão 10323031 de 24.05.2007 (relator: Aloysio José Percínio da Silva.) CSLL DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA ANOCALENDÁRIO 1998 Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. Transcrevo trecho do voto condutor do acórdão 10196253, de 06.07.2007, sobre essa matéria: Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 395 8 A recorrente alega que a natureza da conta contábil em que os tributos foram escriturados é de contas a pagar e não de provisão, por entender que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do término da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que o mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do anocalendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsumese a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. Entendo que para fins tributários, os tributos com exigibilidade suspensa, ainda que efetuado o depósito judicial e mesmo depois da Lei 9.703/98, devem ser considerados como provisão, uma vez que representam obrigações fiscais condicionadas a exigência futura e incerta e devem ser adicionados ao lucro líquido para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL. Quanto ao seu outro argumento, de que a única vedação à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa está prevista em lei apenas para o IRPJ, não sendo aplicável à CSLL, não comungo desse entendimento, pois, conforme a Lei 7689/88, art. 2º, § 1º, “c”, combinado com a Lei 9.249/95, art. 13, I, a vedação se estende à base de cálculo da CSLL. Lei nº 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 396 9 Concluo que há a necessidade de formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa, sendo vedada a sua dedução da base de cálculo da CSLL, nos termos do caput e inciso I do 13 da Lei 9.249/95. Do exposto, oriento meu voto para acolher a preliminar de decadência para o anocalendário de 2000, e no mérito, negar provimento ao recurso.” O voto vencedor, de lavra deste relator dos embargos, preponderou com relação à concessão de provimento ao recurso para afastar a exigência da CSL decorrente da não adição do montante de tributos com exigibilidade suspensa, conforme infratranscrito (fls. 300 a 305 do eprocesso): “Peço vênia à nobre relatora, mas divirjo de seu entendimento quanto à indedutibilidade das despesas com tributos com exigibilidade suspensa, pelos fundamentos que passo a deduzir. Sem dúvida que as provisões, ou melhor, as contrapartidas das provisões são despesas indedutíveis, seja na determinação do lucro real como para a apuração da base de cálculo da CSL, conforme o art. 13, I, da Lei 9.249/95. Nos moldes do mesmo preceito, as provisões, cujas contrapartidas são despesas dedutíveis, limitamse às provisões técnicas de entidades de previdência complementar, de companhias seguradoras e de capitalização, além das constituídas para pagamento de férias de empregados e 13º salário (embora as duas últimas, a bem ver, não tenham a natureza propriamente de provisões). A regra geral, pois, é a indedutibilidade das despesas de provisões. O que faz todo o sentido, na medida em que se compreenda o caráter das provisões. Qual é o caráter da provisão? Em matéria de passivo e é do que se cuida no caso vertente o que caracteriza uma provisão é a incerteza ou a iliquidez da obrigação. Ou seja, a tradução jurídica do caráter de uma provisão passiva é que esta representa uma obrigação incerta, ou mesmo uma obrigação certa mas ilíquida, ao passo que uma obrigação certa e líquida representa um contas a pagar. Juridicamente, essas são as notas distintivas de uma provisão do passivo. Ora, se uma obrigação é incerta, ou uma obrigação é certa mas ainda ilíquida, é de todo compreensível que a lei determine, como regra geral, a indedutibilidade da contrapartida do registro desse passivo, i.e., a indedutibilidade da despesa de provisão. Imaginese que um empregado demitido supostamente por justa causa ingresse com uma reclamação trabalhista, alegando que a demissão fora sem justa causa, postulando, ainda, que deveria receber remuneração equiparada à outro funcionário, incorporação de certos valores ao salário, etc. Para o empregador, tratase obrigação incerta e o passivo registrado Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 397 10 tem caráter de provisão. Sua contrapartida é uma despesa de provisão, indedutível. Imaginese, ainda, que a ação tenha transitado em julgado, mas não tenha sido liquidada a sentença, sobre o que ainda se controverte. Para o empregador a obrigação é certa, mas ilíquida: o passivo registrado tem caráter de provisão e sua contrapartida é uma despesa indedutível. Só com a liquidação da sentença transitada em julgado terseá uma obrigação líquida e certa, e, pois, sua contrapartida representará uma despesa dedutível, ou excluível do lucro líquido, caso não represente despesa “adicional” (exclusão do valor adicionado anteriormente, pela transformação da provisão em contas a pagar). Agora, suponhase que fora sancionada determinada lei tributária cujo efeito é a majoração de certo tributo. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade, por mais flagrante que possa ser ou aparentar ser inconstitucional. Esse atributo da lei, presunção de constitucionalidade e de legitimidade, é do que desfruta a obrigação ex lege tributária. Aqui, a obrigação é certa e líquida. Ainda que o contribuinte ingresse com ação judicial, enquanto não se der o trânsito em julgado favoravelmente ao contribuinte, a obrigação não se torna “incerta nem ilíquida”. A obrigação ou suposta obrigação que veiculei no exemplo anterior só desfruta do atributo de certeza e liquidez com o trânsito em julgado inclusive da liquidação da sentença. Exatamente o oposto do que se dá com uma obrigação tributária ou uma suposta obrigação tributária. Ainda que o contribuinte maneje ação discutindo a constitucionalidade da lei tributária, obtenha uma liminar, uma sentença ou mesmo um acórdão favorável, somente com o trânsito em julgado com o decreto de inconstitucionalidade da lei, a obrigação irradiada ipso facto com a incidência daquela deixa de ser uma obrigação certa e líquida. Só nesse momento o passivo deixa de representar obrigação certa e liquida, e deixa de exprimir inclusive uma obrigação. Só nesse momento posso dizer que não há obrigação certa e líquida, que não há obrigação. Tenho para mim ser muito claro que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária, mesmo que esta se encontra com sua exigibilidade suspensa, não transforma o passivo representativo de obrigação líquida e certa (contas a pagar), em obrigação incerta ou certa mas ilíquida (provisão). É certo, portanto, que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa, por ex., por liminar ou tutela antecipada, não representa contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar. É ainda obrigação certa e líquida: para falar “didaticamente”, o Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 398 11 passivo registrado passa a representar uma obrigação incerta, somente com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Disse “didaticamente”, pois, por óbvio que aí e nesse momento o passivo deixa de representar obrigação: não há mais esse passivo, que então será revertido; não há obrigação a ficar registrada a partir de então. Uma vez traduzido juridicamente o caráter de provisão, e acentuada a presunção de legitimidade e de constitucionalidade do ato legal (a lei, cuja incidência irradia, ipso facto, o nascimento da obrigação tributária), tornase fácil ver o acerto do que dispõe o item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM 489/05. O item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, ao versar sobre o passivo de tributos, deixa claro que a obrigação tributária é uma obrigação legal e que deve figurar como tal até o desfecho final da causa. O fato de a ação intentada pelo contribuinte ser julgada procedente em determinada instância não permite que a obrigação legal deixe de ser registrada como tal. Além de o passivo de tributos com exigibilidade suspensa não ter caráter de provisão, entendo que aquele não se coloca sob a incidência do art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95, para fins de CSL. Notadamente a partir da Lei 8.541/92, a lei, quando quis prescrever certo tratamento para a determinação do lucro real e também para a da base de cálculo da CSL, ela o fez expressamente. Isso fica mais evidente na Lei 8.981/95 e nas leis posteriores. Dispunha o art. 42 da Lei 8.981/95: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Os arts. 57 e 58, dessa lei preceituam: CAPÍTULO IV DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: (...) Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 399 12 Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Vejase a dicção do art. 41 da Lei 8.981/95: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. § 2º. Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. § 3º. A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. § 4º. Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5º. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Por óbvio que os parágrafos de um artigo se subordinam a seu caput, que, no caso (art. 41 da Lei 8.981/95), trata da determinação do lucro real, além do que o § 2º repete o endereçamento. Nem o § 1º do art. 41, nem os demais parágrafos, nem o caput tratam da incidência da regra do § 1º do art. 41 para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57 dessa lei é claro ao dizer que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas da CSL, com as alterações introduzidas por essa lei. Esta lei introduziu diversas alterações na determinação da base de cálculo da CSL, entre as quais não se inclui o regramento previsto no art. 41, § 1º, retrodescrito. Se a lei (art. 57, caput) fala expressamente que ficam mantidas a base de cálculo da CSL e suas alíquotas, exceto quando ela disponha de forma diversa, não vejo como se possa aplicar à CSL regra prescrita para a determinação do lucro real sem existir tal previsão para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57, caput, da Lei 8.981/95 chega a ser tautológico, mas tem a virtude de erradicar qualquer dúvida que pudesse emergir quanto à aplicabilidade de norma endereçada ao IRPJ, sem remissão à CSL. Os §§ 1º e 2º do art. 57 e o art. 58 da lei em questão trazem as alterações aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 400 13 Ora, se ainda assim fosse concluível que o preceito contido no art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 seria aplicável na determinação da base de cálculo da CSL, entendo que seria forçoso se concluir, com identidade de razões, que, por ex., as normas sobre tributação do lucro em bases universais eram aplicáveis à CSL, mesmo sem o preceito contido no art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 (pelo qual se passou a prever a tributação do lucro em bases universais para fins de CSL). Nem se diga que se houvesse artigo nessa medida provisória prevendo expressamente que o mencionado art. 21 só entraria em vigor a partir de certa data a questão não se colocaria, pois isso é de absoluta imprestabilidade para a interpretação em discussão. A questão é ser aplicável o regime de tributação em bases universais para a CSL, mesmo sem o art. 21 dessa medida provisória. Bem se sabe que concluir pela tributação da CSL em bases universais antes do advento do art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 constituiria absurdo. Argumento ab absurdo, que comete à evidência não ser aplicável, na determinação da base de cálculo da CSL, a regra do art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95, preceituada para o lucro real. A pertinência lógica e sistemática da interpretação me conduz a dizer igualmente que, se o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 fosse aplicável a CSL, também lhe seriam aplicáveis as regras dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/81, mesmo sem ou antes do advento do art. 22 da Medida Provisória 2.158/01, que preconiza a aplicação da preceituação dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/87 a CSL: Art. 22. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Mas, sabidamente o art. 22 da Medida Provisória 2.158/01 inovou o ordenamento jurídico, i.e., sua preceituação à CSL só teve cabimento a partir da introdução desse dispositivo, mediante o art. 20 da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atual art. 22 da Medida Provisória 2.158/01). Para uma interpretação sistemática, trago à colação mais algumas normas legais, como os arts. 12, 15 e 16, da Lei 9.065/95: Art. 12. O disposto nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, vigorará até 31 de dezembro de 1995. Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro liquido ajustado. Parágrafo único O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legisla Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 401 14 cão fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Também, o art. 13, I, da Lei 9.249/95, que versa sobre as provisões: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Na mesma linha, os arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 28 a 30, 55 e 71, da Lei 9.430/96, e mesmo os arts. 24A e 24B, dessa lei, e assim por diante. Entendo, pois, que as interpretações literal, lógica e sistemática não permitem extrair a exegese de que o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 seja aplicável à CSL. Por essa ordem de considerações, meu voto é para dar provimento ao recurso para afastar a exigência da CSL decorrente da não adição do montante de tributos com exigibilidade suspensa.” DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 310 a 315, arguindo, em síntese, o que segue. Afirmou que a decisão recorrida é omissa porque essa, ao reconhecer a decadência de parte do lançamento, não esclareceu se houve, ou não, pagamento parcial do tributo devido no anocalendário de 2000, tendo apenas aplicado a regra prevista pelo artigo 150, § 4º, do CTN. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 402 15 Consignou que só pode ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo supracitado, aos casos em que houver o pagamento parcial das contribuições devidas. Nesse sentido, atestou que não havendo o pagamento parcial, deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial constante no artigo 173, I, do CTN. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Acentuou que, sendo os tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso o contribuinte não declare, nem efetue o pagamento do tributo, o prazo decadencial será de 5 anos, contados do 1º dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Acerca disso, colacionou jurisprudência. Apontou que, no presente caso, como o fato gerador ocorreu em 31/12/2000, o lançamento só poderia ser realizado em 1/1/2001. Nesse sentido, acrescentou que tendo a fiscalização constituído o crédito tributário e cientificado a contribuinte em 22/12/2006, não há que se falar em decadência, pois, nos termos do artigo 173, I, do CTN, o prazo decadencial começou a fruir em 1/1/2002 e esgotouse em 31/12/2006. Por fim, requereu o recebimento do presente embargos de declaração e o saneamento da omissão quanto à existência ou não de pagamento parcial de tributos. É o relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 403 16 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 306 e 310). O acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de CSL do anocalendário de 2000, e para reconhecer que tributos com exigibilidade suspensa não são passivo de provisão, mas um passivo efetivo até que haja trânsito em julgado desfavorável à exigibilidade do tributo, sendo, pois, a contrapartida do passivo uma despesa dedutível, para fins da CSL. No acórdão embargado se reconheceu que a indedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa é para determinação do lucro real, não havendo comando para sua extensão na determinação da base de cálculo da CSL. Os embargos foram opostos pela PFN para preencher suposta omissão na matéria da decadência, pois não ficou dito se houve ou não pagamento a ensejar a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Conforme o art. 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 256 de 22/6/09 (publicação no DOU de 23/6/09), os recursos de embargos de declaração serão apreciados pela Turma de origem, caso o relator não mais pertença àquele colegiado. Por outro lado, nos termos do art. 3º, § 4º, RICARF, os recursos de embargos de declaração opostos em face de acórdãos prolatados antes da vigência do RICARF devem ser distribuídos ao relator original do processo. O art. 7º do RICARF, de seu turno, prevê que o Anexo II do RICARF produz efeitos a partir de 1º de julho de 2009. Pois bem. O acórdão embargado foi exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 17/6/09. A relatora original do feito, a ilustre exConselheira Albertina Silva de Santos Lima não se encontra mais no colegiado do CARF. Como fui designado para fazer o voto vencedor do acórdão em comentário, entendo que a interpretação adequada do art. 3º, § 4º, do RICARF combinado com o art. 49, § 7º, do Anexo II, do RICARF leva à conclusão de que o presente recurso seja a mim distribuído, como o foi. Posto isso, haveria aqui outra questão prévia. Essa questão prévia seria sobre a data do julgamento do acórdão embargado e a do REsp 973.733/SC em procedimento repetitivo que pacificou o entendimento da aplicabilidade do art. 150, § 4º, do CTN somente quanto haja algum pagamento (desde que na ausência de dolo ou fraude). Ou ainda sobre a data da publicação do REsp em questão. Porém, consta nos autos petição, de fls. 328 a 330, com protocolo no CARF datado de 23/12/13, em que a contribuinte comunica sua adesão à anistia da Lei 11.941/09, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001969/200659 Acórdão n.º 1103001.038 S1C1T3 Fl. 404 17 reaberta pela Lei 12.865/13. Em razão disso ou para isso, postula a desistência total da discussão no presente feito, com “renúncia aos argumentos de direito sobre o qual se funda a referida ação, inclusive recursos interpostos”. A bem ver, não é caso de postulação de desistência. São direitos potestativos da parte a desistência do recurso e a renúncia a direito discutido em lide, com as consequências que a desistência e a renúncia provocam. Conquanto o recurso voluntário já tenha sido julgado, o feito administrativo não se encerrou. Tanto que há os embargos declaratórios opostos pela PFN, além da plausibilidade de interposição de recurso especial no seguimento do processo. Daí a contribuinte ter falado em desistência “da discussão”. O que há aqui é a renúncia ao direito, com consequente desistência total da discussão da lide. Renúncia ao direito nos limites da lide (“renúncia aos argumentos de direito sobre o qual se funda” a lide). Ainda que não seja necessário à fixação do alcance da renúncia ao direito com consequente desistência de discussão da lide, observase na petição que a contribuinte destaca que pretende aderir “ao programa para pagamento total do débito em discussão nos autos do processo administrativo” (grifamos). Os presentes embargos perdem seu objeto. O caso, portanto, não é de provimento aos embargos, e nem mesmo de conhecimento deles (juízo de admissibilidade), em face da renúncia ao direito nos limites do processo. Sob essa ordem de considerações e juízo, não conheço dos embargos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000994/2008-90
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO.
A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO.
O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE.
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano- calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO-CALENDÁRIO 2003.
Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano-calendário 2003.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS CO-TITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVOS DOS OUTROS DOIS CO-TITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁ-LOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos co-titulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO.
No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, deve-se dar provimento ao recurso voluntário.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO. A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67 Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano- calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO-CALENDÁRIO 2003. Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano-calendário 2003. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS CO-TITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVOS DOS OUTROS DOIS CO-TITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁ-LOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos co-titulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO. No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, deve-se dar provimento ao recurso voluntário. Recurso provido.
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ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO. A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regemse conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67 Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 09 94 /2 00 8- 90 Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO CALENDÁRIO 2003. Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano calendário 2003. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS COTITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVOS DOS OUTROS DOIS COTITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁLOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos cotitulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO. No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, devese dar provimento ao recurso voluntário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 681 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2003 e 2004, anocalendário 2002 e 2003, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 528/531) decorrente de bens comuns e respectivos origens e dispêndios, rateado na proporção de 50% do que foi apurado com esse mesmo título para o recorrente e sua cônjuge, casados em comunhão universal de bens que apresentaram declaração em separado, bem como relativo às origens e aplicações de recursos específicos do recorrente. Houve aplicação de multa qualificada, no anocalendário 2002, e elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos fatos relativos a apuração de ganho de capital registrados no item 3 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 478 e seguintes, entretanto, o crédito tributário do anocalendário 2002 foi declarado extinto por decadência, em primeira instância de julgamento. O Termo de Verificação Fiscal encontrase a partir das fls. 473. As informações alusivas à fiscalização do casal consta do "Relatório de Informação Fiscal Comum ao Casal 081/2008" (fls. 488/527) e as informações específicas do recorrente foram descritas no Relatório de Informação Fiscal Especifico 083/2008 (fls. 532/557). O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, do anocalendário 2003, alusivo ao casal foi acostado às fls. 486/487, nele consta o rateio de 50% para cada um dos cônjuges, cujos valores foram transportados para o Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto específico da recorrente (fls. 530/531) no item 19. A impugnação baseouse nas seguintes alegações: a) decadência do anocalendário 2002 e do ganho de capital b) inexistência de dolo, fraude ou simulação; Fl. 890DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c) impossibilidade de tributação por presunção, não se pode presumir que a existência de dispêndios superiores aos recursos corresponda a renda não oferecida à tributação; d) improcedência da autuação por não intimação de cotitular de conta corrente, Sr. Paulo Moreira (pai) que é titular de recursos que foram computados pela fiscalização como do impugnante e sua esposa; e) ausência de demonstração dos dispêndios, pois a autoridade fiscal considerou como dispêndios todos os cheques, débitos, pagamentos, etc que não coincidiam com valores e despesas informadas; f) dispêndios computados em duplicidade; computar o desconto padrão como dispêndio é considerar despesas em duplicidade; g) não há base legal para adotar a distribuição mensal presumida em relação aos pagamentos referentes à aquisição do imóvel na Rua Almirante Cochrane, 123, ap 123; os pagamentos se deram com rendimentos do casal disponíveis em espécie e também pelos depósitos bancários; h) incorreção na alocação de pagamentos efetuados em 2002; i) foram considerados em duplicidade os dispêndios de despesas médicas da linha 3.6 do Demonstrativo 082/2008, pois também computados nas linhas 10.1 e 10.2 do demonstrativo 080/2008; j) duplicidade de dispêndios com aquisição dos veículos Scenic 03/03 e Jeep Ford linhas 11.1 e 11.2 do demonstrativo 082/2008 e 10.1 e 10.2 do 080/2008; k) erro na alocação dos valores (R$10.000,00 e R$1.000,00) repassados a pessoas físicas em aplicações de renda variável, pois havendo 3 co titulares, no máximo deveria ser rateado em 2/3; l) o dinheiro em espécie justificado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 066/2008, devem ser incluídos R$30.000,00 na linha 9 e e R$7.000,00 na linha 13 da planilha 86/2008; m) aproveitamento do saldo positivo do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para o anocalendário seguinte; n) exclusão dos saldos credores e devedores mensais das contas correntes que causaram distorções na apuração (itens 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2); o) foram aceitos como dispêndios dois recibos de R$8.000,00 acerca de intermediação de transação imobiliária sem comprovação de pagamento; todavia não adotou o mesmo critério quanto às origens; p) os débitos com ações e aplicações de renda variável na conta mantida na Corretora Theca, embora formalmente seja de sua titularidade, nela transitaram recursos da esposa e do Sr. Paulo Moreira; q) a conta poupança dos dependentes foram abertas por seu pai movimentadas por sua irmã, Neide Regina Moreira, os quais Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 682 5 depositavam, geralmente em dinheiro, a maior parte dos recursos, não se podendo presumir a totalidade dos depósitos ao recorrente e sua esposa; r) o dispêndio referente ao cheque de R$10.500,00 foi devolvido em 16/08/2002 pois foi pagamento para adquirir um veículo Palio para seu pai; s) requereu diligências para demonstrar suas alegações. A impugnação foi parcialmente deferida com o cancelamento do lançamento no anocalendário 2002 por decadência e redução de R$130,00 na base de cálculo do ano calendário 2003 assentada na fundamentação resumida abaixo: a) não procede a alegação de que o lançamento baseouse em presunção, pois a tributação dos Acréscimos Patrimoniais a Descoberto é prevista em lei e ocorre quando as aplicações de recursos superam as origens, conforme planilhas de fls. 484/487 e 528/531; b) não procede a alegação de que a falta de intimação do cotitular da conta corrente, Sr. Paulo Moreira, invalidaria o lançamento, pois este não se amparou o art. 42 da Lei 9.430/1996, logo não foram consideradas como receitas omitidas os depósitos de origens não comprovadas, os depósitos que não foram comprovados como sendo de titularidade do recorrente não foram considerados como origem de recursos; além do mais, o recorrente teve oportunidade de se manifestar sobre os valores na fase de fiscalização; cabia à impugnante provar os depósitos seus os de seu marido ou quais se referem a terceira pessoa; c) a indicação de depósitos como sendo de titularidade do Sr. Paulo Moreira (fls. 368/369) foi objeto de apontamentos da autoridade lançadora (fls. 490): não podem ser acatado sem qualquer comprovação (cópia de cheque do emitente, cópia do extrato bancário do emitente, coincidente em data e valor, etc); somente os crédito bancários cuja origem e finalidade se pode identificar, bem como os rendimentos declarados pelo contribuinte são considerados origens; o impugnante não carreou aos autos elementos de prova capazes de demonstrar que a fiscalização tenha deixado de considerar origens de recursos que seriam suas ou de seu marido, ou que teria considerado valores de titularidade de terceira pessoa; d) não procede a alegação de que a quase totalidade dos valores lançados a título de dispêndios teriam sido colhidos de extratos bancários sem a efetiva comprovação, pois o impugnante não aponta quais valores seriam inconsistentes e/ou não faz a devida prova dessa inconsistência; refutase o exemplo mencionado pelo impugnante de que saque de R$351,40 (20/06/2002) poderia ter sido empregado no pagamento da despesa médica em 24/06/2002 de R$150,00 por falta de prova robusta e porque só há como concluir que o valor sacado 4 dias antes foi utilizado para pagamento de uma despesas bem específica que não a despesa invocada; e) o impugnante não trouxe provas de que determinados dispêndios considerados pela fiscalização como alheios às contas bancárias já estariam inclusos nos dispêndios da conta bancária; f) o valor da dedução como desconto simplificado é considerado rendimentos consumido e não pode ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, conforme previsão no parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.250, de 1995 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 g) quanto aos dispêndios com a aquisição do apartamento 123 na Rua Almirante Cóchrane, não há óbice legal para a apropriação dos dispêndios mensalmente e o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cabe ao impugnante o ônus de afastar essa presunção, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, o que no caso não ocorreu; não há prova da alegação de que a aquisição se deu com recursos do casal disponível em dinheiro e no banco; h) a falta de comprovação e divergência de valores entre o cheque de R$1.365,00 e o dispêndio com o terreno em águas de Lindóia impede a vinculação intentada pelo impugnante; i) o impugnante não carreou aos autos documentos que permitam considerar que os pagamentos referentes à casa préfabricada no terreno em Águas de Lindóia ocorrem de forma diversa como considerado pela fiscalização; j) quanto ao imóvel construído na Rua Henrique Dias, não se pode acatar que a construção foi concluída até 2002 e que o recorrente errou ao informar o dispêndio de R$30.000,00 na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2002, pois, tendo finalidade de construção para aluguel de unidades e comprovado que somente uma unidade estava alugada, não há como assumir que o conjunto estivesse totalmente concluído já em 2002 e que não se fizeram obras adicionais nesse período; l) excluiu da linha 3.6 da planilha 082/2008, R$130,00 de despesa médica que estava em duplicidade; m) o impugnante não comprovou que os dispêndios com os veículos Scenic e Jeep Ford foram feitos com saques realizados, não procede a alegação de que a fiscalização poderia ter obtido informações diretamente com a revendedora de veículos, pois a documentação apresentada foi suficiente ao convencimento da autoridade fiscal; n) rejeitouse a alegação de que os repasses (aplicações de renda variável) de R$10.000,00 e R$1.000,00 a Paulo Castelhari Filho e Queila Batista Carvalho não deveriam ter sido imputados integralmente ao recorrente e sim proporcionalmente aos três cotitulares (o recorrente, cônjuge e pai), pois a operação foi informada na Declaração de Ajuste Anual do recorrente, fls. 533, a participação da esposa e do pai nas operação não foi evidenciada durante o procedimentos de fiscalização, o TED (fls. 275) emitido pela esposa não é conclusivo quanto a sua participação nas operações; o) não obstante a comprovação de saques em 27/12 e 30/12/2002 somando R$7.500,00, não se pode computar o valor alegado de R$7.000,00 como origem em 2003, devido à ausência de declaração de dinheiro em espécie na Declaração de Ajuste Anual (R$7.000,00) e de falta de prova de que o recurso sacado não foi gasto; p) quanto ao aproveitamento do saldo de 2002 para 2003, o próprio recorrente reconhece que os R$7.000,00 mantidos em espécie em 31/12/2002 não competem à sua Declaração de Ajuste Anual; q) foi correto o procedimento da fiscalização de considerar como dispêndios de recursos o saldo credor em cada conta bancária, ao final de cada mês, sendo tal valor apropriado no mês seguinte como origem de recursos, de forma que o saldo credor de dezembro de 2003 é origem em janeiro de 2004, o que está de acordo com a periodicidade do IRPF; Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 683 7 r) os dois recibos de R$8.000,00 contestados, referemse ao anocalendário 2002 alcançado pela decadência; s) quanto aos valores supostamente repassados referentes à conta mantida na corretora Theca, que o recorrente pleiteia que não sejam imputados integralmente, mas proporcionalmente, a conta está formalmente em nome do recorrente e não há prova documental de que parte dos débitos referemse a Paulo Moreira (pai), os TED e DOC citados na impugnação não são prova suficiente da cotitularidade; t) os dispêndios com previdência privada dos filhos estão vinculados ao CPF do marido, o qual as declarou como dedução na Declaração de Ajuste Anual (fls. 41), de forma que está correto o procedimento fiscal que imputou dispêndio do marido; u) o pagamento do veículo Palio referese ao anocalendário 2002, excluído por decadência; e v) a diligência é prescindível. A ciência do acórdão ocorreu em 08/10/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 08/11/2011 Em síntese, a peça recursal possui as alegações abaixo: Preliminarmente 1. o reconhecimento da conexão e julgamento simultâneo deste processo com o de nº 11634.000996/200889, relativo à esposa do recorrente, pois ambas autuações referem se ao mesmo objeto (apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal), aproveitando se as provas de ambos os processos; Preliminar de mérito 2. o Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fato gerador exclusivo e deve ser tributado mensalmente (art. 2º e 25 da Lei nº 7.713, de 1988) e a contagem do prazo de decadência previsto no §4º do art. 150 do CTN de forma mensal implica reconhecer a decadência dos valores lançados, exceto unicamente os de dezembro de 2003, pois a notificação somente ocorreu em 11/12/2008; Mérito 3. discorreu sobre lições doutrinárias acerca do acréscimo patrimonial como fato gerador do imposto de renda e afirmou que a autoridade fiscal não demonstrou a existência de acréscimo patrimonial e fundamentou o lançamento em presunções com base em levantamento de dispêndios em conta corrente sem comprovar a utilização, o que, por si só, não corresponde a Acréscimo Patrimonial, cita precedentes do CARF, sustenta que a autoridade fiscal não demonstrou a existência de riqueza nova, que houve aumento em seu patrimônio; 4. o acórdão recorrido não fez qualquer anotação quanto à individualização dos dispêndios colhidos da conta corrente conjunta em que há uma terceira pessoa como co titular, a qual não foi intimada, não obstante, quando a fiscalização não conseguiu Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 individualizar os registros apropriouos como dispêndio do casal, conforme consignado às fls. 487; ainda que não se trate de tributação com base no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, por analogia, devese empregar o enunciado da Súmula CARF nº 29; o número de lançamentos alusivos a esta conta é expressivo, constando nas rubricas 2.6, 3.2, 3.6, 4.2, 5.2, 6.4 e 7.2 (origens) e 4.6, 5.2, 6.2, 6.8, 7.2, 8.2, 9.2 e 10.2 (dispêndios), conforme demonstrativos fls. 486/487; é da autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o que neste caso não ocorreu, cita precedentes deste Conselho; 5. a quase totalidade de dispêndios considerados pela fiscalização foram colhidos de extratos de contas correntes sem a efetiva comprovação do efetivo consumo (de 339 registros apenas 15 tiveram o dispêndio identificado pela autoridade fiscal), contrariamente à jurisprudência deste Conselho e em violação à regra disposta na Súmula 67 do CARF; 6. sustenta que o saldo de dezembro, apurado no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, deve ser aproveitado no ano seguinte, pois não se pode presumir que tenha sido consumido; por esta razão, contesta o demonstrativo do anocalendário 2002, mesmo que o lançamento respectivo já tenha sido cancelado por decadência; alega que o lançamento computou os mesmos dispêndios por mais de uma vez, em razão da errônea técnica apurada pela autoridade fiscal, que de um total de 339 lançamentos a débitos, a autoridade fiscal somente identificou 15, no entanto, considerou que todas as despesas identificadas por documentos e na Declaração de Ajuste Anual são dispêndios pagos com recursos estranhos às contas bancárias; desta forma, o recorrente sustenta que se deve excluir do lançamento todos os dispêndios classificados pela autoridade fiscal como “dispêndios efetuados de forma alheia às contas correntes” e indicados no quadro constante da peça recursal (pág. 25 do recurso, fls. 846 digital); da mesma forma, devem ser excluídos os valores dos DARF de R$4.822,50 e R$7.490,52, pagos em 31/07/2002 e 21/11/2003, respectivamente, lançados na linha 4.9 do demonstrativo 080/2008, pois foram pagos por meio de débitos bancários e já computados na linha 10.1/10.2; a fiscalização não verificou o somatório dos saques bancários realizados em 31/07/2002 e 21/11/2003 (quadro 1 do atendimento ao TIF 066/2008, fls. 365) e além disso a esposa do recorrente não transferia todos seus rendimentos para alguma das contas bancárias; 7. o valor da dedução de dependentes deve ser excluído do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme precedentes deste Conselho indicados, pois não se trata de dispêndios efetivos e porque já foram computadas as despesas com dependentes, inclusive algumas que não foram suportadas pelo recorrente como será apontado em tópico específico; 8. a autoridade fiscal não pode presumir o momento de ocorrência das despesas para rateálas mensalmente, cita precedentes do CARF; ponto em que o acórdão recorrido foi omisso; 9. por dificuldades financeiras os pagamentos pela aquisição do apartamento 123 na Rua Almirante Cochrane não ocorreram como estipulado no contrato (até março de 2002) e a escritura somente foi lavrada após a quitação da dívida, não teve sucesso na tentativa de obter com a construtora os documentos alusivos aos pagamentos e acréscimos moratórios, porém provou que tentou contato com a construtora (AR, fls. digitais 760/761); a autoridade fiscal não anexou ao processo documentos apresentados em atendimento ao TIF 042/2008, anexado parcialmente a partir das fls. 287, as informações precisas sobre o saldo devedor em 31/12 constam nas Declaração de Ajuste Anual dos anocalendário 2002 e 2003; a autoridade fiscal não buscou averiguar, presumiu que os pagamentos ocorreram mensalmente e computou em duplicidade, uma vez que esses pagamentos foram feitos com recursos em espécie e da conta corrente; portanto devem ser excluídos os respectivos valores das linhas 11.1 e mantidos Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 684 9 nos mesmos valores nas linhas 10.1 e 10.2, onde se encontram os débitos efetivamente suportados; 10. relativamente à aquisição do terreno em águas de Lindóia e casa pré fabricada, pleiteia a exclusão do valor de R$1.365,00 da linha 11.2 do demonstrativo 080/2008, devido à duplicidade com o dispêndio registrado na linha 10.1 correspondente ao cheque 190618, referente à aquisição do terreno em Águas de Lindóia, esclarece que a diferença de valor (R$1.146,20 e 1.365,00) devese a inclusão de despesa acessória cobrada ou pelo cartório ou pela empresa vendedora relativamente a preparo de documentação e envio pelos correios; nesse terreno foi construída casa préfabricada cujos gastos com fundação (R$2.000,00) não ocorreram nos meses e valores adotados pela autoridade fiscal, esse valor deve ser excluído da linha 11.3 (novembro de 2002) do demonstrativo 080/2008, pois foi computado em duplicidade no mesmo mês nas linhas 10.1 e 10.2 do mesmo demonstrativo; os gastos com fundamentos (sic) e acabamento também não se deram na forma adotada no lançamento na linha 11.3 e mencionado na pág. 37 do Relatório 081/2008 (fls. 524), foram pagos por meio de débitos bancários computados nas linhas 10.1/10.2, em 2002, assim devese excluir da linha 11.3, nos meses de setembro a dezembro de 2002, por já terem sido computados nos meses de agosto a dezembro de 2002, nas linhas 10.1/10.2; 11. em relação à construção do imóvel na Rua Henrique Dias, há erro na Declaração de Ajuste Anual no tocante à informação de gasto de R$30.000,00 com tanto que na mesma declaração o valor do imóvel não é alterado quer seja em 31/12/2002 ou em 31/12/2003; o recorrente não suportou gastos com a referida construção e sim o Sr. Paulo Moreira, conforme atesta o engenheiro projetista e construtor, vários documentos (fls. 375/376 e 395/404) comprovam que no início de 2002 o imóvel já estava concluído e suas quatro unidade locadas a estudantes de faculdades; a própria autoridade fiscal reconheceu que as provas são robustas, porém não as aceitou pois dependeriam de confirmações de terceiros (final da página 38 do Relatório 081/2008; fls. 525); a autoridade fiscal não carreou aos autos prova de ter realizado circularizações aos locatários, fiadores, engenheiro ou outras pessoas indicadas pelo recorrente; é normal que os pagamentos de aluguéis não constem de Declaração de Ajuste Anual dos locatários, pois eram estudantes de faculdades que normalmente não estão obrigados a apresentálas; estes valores devem ser excluídos da linha 11.4, nos meses de janeiro a dezembro de 2002; 12. dispêndios com despesas médicas foram considerados em duplicidade nas linhas 3.6 e 10.1/10.2 do demonstrativo 080/2008, pois a autoridade fiscal somente considerou pagas em cheque quando havia os recibos e registros nos extratos coincidiam em datas e valores, ignorando os procedimentos alusivos a reembolsos do Plano de saúde e que esses mesmos pagamento com débitos em conta foram computados no item “cheques emitidos” nas linhas 10.1 e 10.2, dos anos de 2002 e 2003; o recorrente tentou localizar os cheques, porém o Banco do Brasil sequer respondeu, de outro giro, por meio de diligência/perícias dispensadas pela autoridade julgadora poderia ter sido comprovado o quanto alegado; 13. não houve tempo suficiente para reunir a documentação referente à aquisição dos veículos Scenic e Jeep Ford, a autoridade fiscal não diligenciou perante a financeira ou revendedora e considerou esses pagamentos em duplicidade (linhas 11.1 e 11.2 e 10.1/10.2); 14. os valores das transferências de R$10.000,00, em 10/07/2003 – fls. 275 e R$1.000,00 – fls. 29/08/2003 (fls. 21/22 do Relatório 083/2008) a pessoas físicas para Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 aplicação em renda variável foram indevidamente alocados exclusivamente ao recorrente, não obstante os documentos apresentados, cuja autenticidade não foi contestada pela autoridade fiscal, os quais demonstram que (a) a esposa do recorrente é citada como remetente de ambas as transferências; e (b) esses valores foram transferidos da conta no Itaú em que há três titulares, de forma que o valor deve ser excluído, alternativamente protesta para que se atribua ao casal 2/3 desse dispêndio; 15. Quanto a dinheiro em espécie declarado e sacado no final do exercício, o acórdão recorrido manifestouse exclusivamente quanto à alegada manutenção de R$7.000,00 em numerário no final de 2002 afirmando que não pode ser aceito porque não constou da DIRPF do recorrente; em razão da decadência de 2002 não houve expresso enfrentamento em relação aos R$30.000,00 no início de 2002; a disponibilidade R$30.000,00 em espécie em 31/12/2001 foi justificado e R$7.000,00 mantido em espécie em 31/12/2002 pela esposa, não incluído na Declaração de Ajuste Anual, mas comprovado pela movimentação bancária; não há base legal para presumir que os recursos sacados em 27 e 30/12/2002 foram consumidos; precedentes deste Conselho reconhecem a inexistência de previsão legal para a presunção de que o saldo foi consumido integralmente, bem como reconhecem a possibilidade de aproveitamento dos valores quando demonstrado; 15. cita precedente deste Conselho que admite o aproveitamento do saldo de dezembro para o ano seguinte; 16. o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto é distorcido pelo cômputo dos saldos credores e devedores nas linhas 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2; 18. é incorreto exigir rigor na comprovação das origens e aceitar dispêndios representados por dois recibos de R$8.000,00 sem assinaturas; 19. não se pode apurar acréscimo patrimonial do casal sem levar em conta a vinculação com os negócios do Sr. Paulo Moreira (participação na titularidade da conta no Itaú, depósitos realizados nas contas de poupança dos filhos do casal, aquisição de bens para si com cheques emitidos pelo recorrente e posterior restituição por meio de depósitos na conta mantida no Itaú, envio de recursos para aplicação de renda variável na corretora Theca e Itautrade, depósitos de alugueres de imóveis locados); 20. impossibilidade de tributar como dispêndios recursos da conta conjunta que são de titularidade do Sr. Paulo Moreira que sequer foi intimado, alternativamente deveria ter sido feito rateio de 1/3 desses dispêndios; 21. também é do Sr. Paulo Moreira a titularidade dos débitos com ações, a conta no Itaú era mantida por acordo entre o recorrente, seu pai e sua esposa para aplicação em renda variável, não há base legal para exigir coincidência de datas e valores entre os depósitos e o envio dos recursos à Corretora; por envolver pessoas da mesma família não havia contrato escrito entre as partes; no que for pertinente, as mesmas alegações se aplicam à conta no Banco do Brasil, caso não se aceite a titularidade de Paulo Moreira em relação a todos os débitos e créditos identificados nos quadros 07, 09 e 10 apresentados em atendimento ao TIF 066/2008 (fls. 374/375), há de se considerar todos os depósitos efetuados nas contas do Itaú como origem de recursos (cita precedentes); 22. a conta mantida na corretora Theca era formalmente de sua exclusiva titularidade, pois, conforme informação da funcionária da corretora, não é permitida conta conjunta para aplicações de renda variável, entretanto os recursos transitados por essa conta que foram transferidos por DOC e TED do Banco do Brasil são do casal, ao passo que os Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 685 11 demais recursos, não provenientes do Itaú, eram da esposa (Regina) ou de seu pai (Sr. Paulo Moreira); somente uma verificação nos extratos de transferência a ser solicitado ao Banco Itaú e à Theca poderá determinar individualmente a titularidade nas remessas de valores para aplicação em renda variável, providência que se requer; caso julgada dispensável, que se refaça o fluxo financeiro na proporção de 1/3 para cada um dos envolvidos nas operações; se não for julgada improcedente essa parte da autuação, ao menos se espera o rateio na proporção de 1/3 para cada recorrente; erroneamente o casal informou que a movimentação da conta no Banco do Brasil era feita pelo casal e pelo Sr. Paulo Moreira, entretanto o recorrente e esposa são os únicos titulares da conta do Banco do Brasil, de forma que a proporção de 1/3 não se aplica a essa conta; 23. a conta de poupança mantida na Caixa Econômica Federal CEF em nome dos filhos foi aberta como um presente dos avós aos netos e os depósitos nessa conta, foram efetuados nessa conta, pelos pais e pela irmã e, esporadicamente pelo recorrente e sua esposa; o plano de previdência privada foi aberto para os filhos com autorização de débitos mensais na referida conta de poupança; quando o recorrente contribuía o fazia em dinheiro com recursos sacados das contas correntes, em valores entre R$200,00 e R$500,00; o fiscal obteve extratos das contas de poupança mantidas em nome dos filhos da recorrente, diretamente da CEF, por meio de Requisição de Informação Financeira – RMF, porém a autoridade fiscal não continuou a investigação no sentido de verificar a origem dos depósitos nas contas de poupança, resolvendo atribuílos na totalidade à recorrente, se o fizesse constataria que há depósitos realizados na própria agência em datas em que o casal não poderia estar presente, pois a agência localizase em Paraguaçu Paulista, a cerca de 560 Km de Santos onde o casal residia; os depósitos eram realizados pela irmã de seu marido, funcionária da agência da CEF e parte destes depósitos foram com recursos do Sr. Paulo Moreira; 24. foi comprovado documentalmente que o pagamento do veículo Pálio foi em favor do Sr. Paulo Moreira e que o valores foram restituídos, cita precedentes e pleiteia a exclusão do dispêndio de R$10.500,00 em agosto de 2002; 25. a planilha alternativa apresentada juntamente com a impugnação demonstra inexistir Acréscimo Patrimonial a Descoberto; 26. o indeferimento do pedido de diligências cerceou seu direito de defesa, razão pela qual requer diligência, nos termos do art. 16 do Decreto n°70.235/1972 para expedição de ofício ao Banco Itaú; Intimação ao engenheiro José Aguinaldo Crispin; aos locatários do imóvel na Rua Henrique Dias, n º 225; juntada das informações das Declaração de Ajuste Anual de Paulo Moreira; intimação aos médicos constantes dos recibos de fls. 87/94, 115 a 125 e 424/430; intimação ao Banco do Brasil e à Corretora Theca (fls. 873, itens “a” a “g”); e 27. por fim requer o julgamento em sessão presencial, pois pretende realizar sustentação oral, e requer a intimação do procurador da data da sessão, por via postal . O recorrente requereu que fosse reconhecida a conexão e realizado o julgamento simultâneo deste processo com o de nº 11634.000996/200889, relativo à esposa, pois ambas autuações referemse ao mesmo objeto (apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal), aproveitandose as provas de ambos os processos. O pedido foi deferido pela Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção 9fls. 884/885), razão pela qual este processo foi redistribuído para a 2ª Turma Especial, primeira Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 mente para Conselheira Dayse Fernandes Leite, em 20/11/2013, entretanto essa Conselheira não mais integra a 2ª Turma Especial, razão pela qual o processo foi novamente redistribuído, durante a sessão de abril de 2014, por sorteio, ao atual Relator. O processo é incluído em pauta de julgamento na mesma sessão em que pautado o de nº 11634.000996/200889 para fins de julgamento simultâneo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Segundo as norma aplicáveis ao julgamento no CARF, a intimação da sessão de julgamento se dá com a publicação no Diário Oficial da União, e não de forma postal na pessoa do procurador como requer o recorrente. Pedido indeferido. Como preliminar de mérito, o recorrente sustenta que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fato gerador exclusivo e deve ser tributado mensalmente (art. 2º e 25 da Lei nº 7.713, de 1988), com a contagem do prazo de decadência previsto no §4º do art. 150 do CTN de forma mensal o que implicaria reconhecer a decadência dos valores lançados, exceto unicamente os de dezembro de 2003, pois a notificação somente ocorreu em 11/12/2008. Desde a Lei 8.134/1990 vigora o regime atual em que o IRPF é devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, sujeitandose ao ajuste anual. Somente quando houver previsão legal específica é que a tributação será definitiva (ex.: ganho de capital) ou exclusivamente na fonte (ex.: 13º salário), pondo fim à obrigação tributária e os respectivos rendimentos são classificados como de tributação definitiva ou exclusivamente na fonte. Rejeitase a alegação de decadência mensal, pois o Acréscimo Patrimonial a Descoberto é apurado mensalmente sem prejuízo do ajuste anual. Do mérito propriamente dito Da interpretação da legislação sobre tributação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A tributação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fundamento no §1º do art. 3º da Lei 7.713/1988, consolidado no inciso XIII do art. 55 do RIR1999 da seguinte forma: Art. 55. São também tributáveis (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 686 13 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; De outro giro, saques em contas mantidas em instituições financeiras e os cheques compensados, por si só, não representam acréscimo patrimonial. Em relação à utilização de saques como prova de acréscimo ao patrimônio há os precedentes a seguir: IRPF — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA — Na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, mediante confronto mensal de 'origens" e 'aplicações" imprescindível a comprovação efetiva de gastos, não subsistindo valores lançados como aplicações baseados exclusivamente em saque bancário pois não constituem, por si só, prova de gasto, sendo necessária a aprofundação investigatória.(acórdão 10417.538, de 13/07/2000) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL MENSAL. FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES. SAQUES BANCÁRIOS Incabível o lançamento fiscal formalizado em mera presunção de que saques bancários constituemse em aplicação de recursos quando não vinculados efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não comprovada sua destinação, aplicação ou consumo.(acórdão 10615.820, de 20/09/2006) Tratase de entendimento sumulado. Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Embora o Acréscimo Patrimonial a Descoberto seja hipótese de presunção legal de omissão de rendimentos que inverte a ordinária atribuição de ônus probatório, não se pode ignorar que cabe ao Fisco comprovar que houve um acréscimo no patrimônio do contribuinte que supera o valor dos rendimentos comprovadamente recebidos. Somente após ter o Fisco se desincumbido desse dever é que passa a ser do contribuinte o ônus de provar a inexistência da omissão de rendimentos, do contrário a exação carece de amparo em lei. No mesmo sentido, colhese o seguinte precedente deste Conselho: O lançamento apenas com base em valores de depósitos bancários, sem a comprovação efetiva da renda consumida, retorna à situação anterior, a qual foi amplamente rechaçada pelo Poder Judiciário, levando o legislador ordinário a determinar o cancelamento dos lançamentos tributários assim constituídos, conforme DL. 2.471. Aliás, essa é a orientação emanada do extinto C. Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula n° 182. Podese, pois, concluir que, até a edição da Lei n° 9.430/1996, depósitos bancários ou aplicações realizadas pelo contribuinte em instituição financeira podem constituir valiosos indícios, mas não prova de omissão de rendimentos e não caracterizam, por si Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 só, disponibilidade econômica de renda e proventos, sendo nulo o lançamento assim constituído, por falta de amparo legal. A colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades já se manifestou a respeito, tendo firmado pacífica jurisprudência —acórdãos CSRF/011.898 e 011.911. No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto (...), o órgão lançador não observou as determinações do artigo 3°, § 2°, da Lei n° 7.713, de 1988. O acréscimo patrimonial a descoberto deve resultar, necessariamente, do • confronto entre investimentos/dispêndios realizados e rendimentos declarados, recursos poupados ou alienações efetuadas. A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento da percepção dos valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. (Voto vencedor no Acórdão 102.47338, de 26/01/2006). Em sentido idêntico: Acórdão 10242996, de 08/10/2008 e 2802002.445, de 13/08/2013. Como a apuração é mensal, em cada mês pode haver apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto ou saldo positivo, este último deve ser aproveitado como origem de recursos nos meses subseqüentes dentro do mesmo anocalendário. Não é correto aproveitar o saldo positivo porventura apurado em dezembro no ano seguinte, pois o saldo que se utiliza no início de cada anocalendário é o que constar da Declaração de Ajuste Anual apresentada tempestivamente pelo contribuinte. Se não há recursos disponíveis declarados pelo contribuinte, cabe a este comprovar sua existência. Não se pode presumir que exista saldo no início do ano com base em saldo em demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto de ano anterior, pois este demonstrativo é o instrumento com o qual o Fisco se desincumbe do dever de comprovar o fato que por força de lei implica reconhecer a ocorrência de omissão de rendimentos. Tal demonstrativo tem finalidade própria: a comprovação de que as aplicações de recursos – que representaram o aumento patrimonial – não foram acobertadas pelo rendimentos comprovados. O saldo positivo somente permite concluir que o Fisco não comprovou Acréscimo Patrimonial a Descoberto em dezembro. Não é correto deduzir a contrario senso que o saldo esteve disponível ao contribuinte no ano seguinte, quando este não o incluiu em sua Declaração de Ajuste Anual. O aproveitamento de um mês para outro, dentro do mesmo anocalendário, justificase pela falta de informações de disponibilidades mensais na Declaração de Ajuste Anual, de forma que a situação distinta afasta a aplicação do raciocínio analógico para acolher a tese de aproveitamento para o ano subsequente. Nesse sentido, constam os precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais cujos excertos de ementas são transcritos a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 687 15 (...) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial provido em parte.(Acórdãos n° 9202002.057, sessão de 21/03/2012 e n° 9202002.057, sessão de 22/03/2012) Quanto ao aproveitamento do valor de dinheiro declarado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário anterior, ressaltase que, embora existam decisões desse Conselho no sentido de aceitála como prova da origem dos recursos nos casos de auto de infração por acréscimo patrimonial a descoberto, é certo que esse Conselho possui jurisprudência pacífica no sentido de não acatar como comprovação da origem de recursos a disponibilidade de dinheiro em espécie que se fundamente unicamente em Declaração de Ajuste Anual apresentada intempestivamente e sob procedimento de fiscalização. Ilustro essa assertiva com alguns excertos de ementas de acórdãos: (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Não tendo o contribuinte logrado comprovar a origem dos recursos aptos a justificar o acréscimo patrimonial, lícito é o lançamento de ofício, mediante arbitramento com base na renda presumida. DINHEIRO EM ESPÉCIE Valor declarado a título de dinheiro em espécie, quando a declaração é entregue a destempo e após intimação nesse sentido, só poderá ser aceito para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto, se houver prova de sua real existência no anocalendário em que foi declarado. (...)(acórdão nº 10418710, de 18/4/2002, do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) José Pereira do Nascimento) (...)IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Tributase o valor correspondente ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando este acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.(...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM ESPÉCIE Os recursos disponíveis no final do ano calendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. O dinheiro em espécie, portanto, segue esta mesma regra, nada provando pelo simples fato de constar de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física retificadora, agravado pelo fato de ter sido esta apresentada quando o contribuinte já estava sob procedimento de fiscalização. (...) (acórdão nº 10612604, de 19/3/2002, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Thaisa Jansen Pereira) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 IRPF DINHEIRO EM ESPÉCIE Valores declarados, especialmente quando sob procedimento fiscal, como “dinheiro em mãos” não podem ser aceitos para justificar acréscimo patrimonial, a menos que haja prova suficiente de sua existência na data informada. ORIGEM DOS RECURSOS Mantémse o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto se o contribuinte não prova que o incremento teve origem em rendimentos já tributados, não tributáveis, já tributados definitivamente ou exclusivamente na fonte.Recurso negado.(acórdão nº 10610999, de 19/10/1999, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Thaísa Jansen Pereira) VARIAÇÃO PATRIMONIAL COMPROVAÇÃO DINHEIRO EM ESPÉCIE MÚTUO ENTRE DESCENDENTES DECLARAÇÃO RETIFICADORA Valores declarados, a título de dinheiro em espécie e de mútuo entre ascendentes/descendentes, informados em declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, só podem ser aceitos para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto se acompanhado de provas de sua real existência, ao final do anocalendário e da efetiva entrega dos recursos objeto do mútuo.(acórdão nº 10420102, de 11/8/2004, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Passase a aplicar o entendimento acima na apreciação das alegações recursais. Alegação de que a autoridade fiscal não demonstrou a existência de acréscimo patrimonial e fundamentou o lançamento em presunções com base em levantamento de dispêndios em conta corrente sem comprovar que os valores foram efetivamente consumidos e alegação acerca da falta de intimação do Sr. Paulo Moreira, um dos cotitulares da conta no Itaú O recorrente indica o item n° 39 do voto condutor do acórdão recorrido como reconhecendo a correção do seu pleito, porém esse parágrafo não soluciona a questão completamente, é necessária uma análise do momento anterior à elaboração do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para aferir se a autoridade fiscal desincumbiuse do dever de comprovar os dispêndios que implicaram acréscimo patrimonial. No item 10.1 do Relatório Comum ao casal (fls. 510), referente ao Banco do Brasil, a autoridade fiscal registrou que todos os débitos em conta corrente em relação aos quais não foi possível identificar o titular responsável ou a espécie de despesas foram agrupados no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto no item 10.1. Esse procedimento foi assim anotado pela autoridade fiscal: Quando passível de identificação quanto a sua origem, por exemplo, débito para investimento, débito para pagamento pela aquisição de algum bem ou direito, pagamento de tributos, pagamento de despesas médicas, etc, especialmente em razão do consignado em seu histórico, data e/ou valor, tal débito foi considerado na linha própria daquele dispêndio especifico, no presente Demonstrativo, para fins de avaliação da evolução Fl. 903DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 688 17 patrimonial comum ao casal. Quando passivel de imputação a um dos titulares da conta corrente, de mesmo modo foi levado à linha própria do Demonstrativo de Evolução Patrimonial especifico àquele contribuinte. Entretanto, quando a identificação do titular responsável pelo débito, ou a classificação deste débito em quaisquer dos demais itens do presente Demonstrativo não foram possíveis de ser realizadas, agrupouse todos estes demais débitos verificados na conta corrente conjunta no banco do Brasil S/A neste item 10. São assim cheques, pagamentos e débitos diversos que, por óbvio, constituemse dispêndios de recursos. Agrupados deste modo em uma única rubrica, estão abaixo relacionados: O mesmo ocorreu em relação ao item 10.2, relativamente à conta no Itaú. Esse grupo de dispêndios é extenso e a soma mensal em 2003 foi a seguinte: Item 10.1 Item 10.2 Soma Janeiro 4.522,20 2.911,72 7.433,92 Fevereiro 3.182,08 3.493,10 6.675,18 Março 3.656,62 4.141,81 7.798,43 Abril 4.155,60 5.376,47 9.532,07 Maio 4.318,23 2.029,30 6.347,53 Junho 5.544,55 5.146,60 10.691,15 Julho 14.539,13 4.998,60 19.537,73 Agosto 6.016,79 5.712,03 11.728,82 Setembro 7.498,89 4.977,33 12.476,22 Outubro 7.979,24 1.974,64 9.953,88 Novembro 5.837,39 1.998,68 7.836,07 Dezembro 6.480,31 5.363,95 11.844,26 Ainda no item 10.1, a autoridade fiscal computou R$10.000,00 em novembro e 100,00 em dezembro como parte de valores sacados que superaram as despesas identificadas. Valores que devem ter o mesmo tratamento dos listados no quadro acima. Com base na jurisprudência do CARF, o recorrente alega que a Fiscalização não comprovou o efetivo consumo em relação aos débitos na conta corrente. Essa situação referese aos itens 10.1 e 10.2, de forma que essa alegação é abarcada nas consideração acerca desses itens.. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Apropriar como dispêndios do casal (fls. 487) os valores do item 10.1 e 10.2 sem comprovar a titularidade ou a quais despesas se referem contraria o correto entendimento da tributação por Acréscimo Patrimonial a Descoberto descrita no início desse voto, pois a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de comprovar que os saques e cheques compensados representaram acréscimo ao patrimônio do recorrente. O documento de fls. 727 comprova que a conta 682675, agência 0447, mantida no Itaú tinha como cotitulares o recorrente, a esposa e o Sr. Paulo Moreira (pai do recorrente) de forma que a impossibilidade de identificar a titularidade dos débitos não autoriza presumir que sejam apenas do casal. Ainda que não se trate de tributação com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, a falta de intimação do terceiro cotitular é relevante pois demonstra que a autoridade fiscal não usou dos instrumentos de que dispunha para averiguar e comprovar o fato que lhe autorizaria utilizarse da presunção legal. Desta maneira, impõese a exclusão dos itens 10.1 e 10.2 do cômputo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal para que se exclua os valores correspondentes (50%) considerados como dispêndio no cálculo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto da recorrente. Da alegação acerca do aproveitamento do saldo de dezembro no ano seguinte. Conforme exposto no início deste voto, o saldo positivo do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não pode ser aproveitado de um ano para outro. A improcedência dessa alegação torna dispensável a análise das demais alegações referentes ao anocalendário 2002, uma vez que este já foi objeto de decadência e não há proveito em corrigir o respectivo demonstrativo. Da alegação de duplicidade dos dispêndios classificados pela autoridade fiscal como “efetuados de forma alheia às contas correntes” e os DARF de R$4.822,50 e R$7.490,52. Nesse tópico o recorrente almeja excluir valores dos itens 10.1 e 10.2, os quais já foram excluídos em item precedente. Alegação de impossibilidade de computar o desconto de dependentes no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto como dispêndio. Por analogia com a regra do desconto simplificado, a autoridade fiscal amparouse no então §2° do art. 10 da Lei 9.250/1995, que, atualmente, corresponde ao parágrafo único do mesmo artigo incluído pela Lei n° 11.482/2007, para considerar a dedução de dependentes (R$2.544,00) como rendimento consumido que não pode justificar acréscimo patrimonial. Entretanto, esse regra que presume o desconto simplificado como rendimento consumido surge somente com a medida provisória n 232/2004, que não pode ser aplicada ao anocalendário 2003, por força do art. 144 do CTN. Outrossim, sem previsão legal não se pode presumir dispêndio para fins de demonstrar presunção legal de omissão de rendimentos, a analogia não se presta para este fim. Neste sentido citamse os precedentes abaixo: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 689 19 IRPF PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA Eventuais acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados em fluxo de caixa que leve em conta todas as disponibilidade do contribuinte até o mês da data do evento, conceituamse como rendimento a serem acrescidos à renda líquida apurada na declaração anual de ajuste. DESCONTO SIMPLIFICADO O desconto simplificado constitui alternativa de apuração de base de cálculo do tributo devido na declaração anual de ajuste, não havendo previsão legal a que seja considerado como dispêndio mensal. AUMENTO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DISPÊNDIOS COMPROVAÇÃO Na apuração de eventual aumento patrimonial a descoberto, os dispêndios a serem considerados são os efetivamente constatados pela fiscalização, não podendo ser presumidos. Eventuais deduções, como dependente, legalmente admissíveis para efeito de apuração de base de cálculo do tributo mensal ou anual, não traduzem gasto efetivo, se não comprovado pela autoridade administrativa. (...). Recurso parcialmente provido. (acórdão n° 10418214, sessão de 21/08/2001) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Caracteriza o acréscimo patrimonial a descoberto, o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. DESCONTO SIMPLIFICADO Em levantamento de Acréscimo Patrimonial, é inadequado alocar o desconto simplificado ou padrão como dispêndio, vez que pagamento não se presume. (...) Recurso parcialmente provido.(acórdão 10422021, de 08/11/2006). Desta feita, deve ser excluído do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos 12 meses o valor de R$212,00, que corresponde ao rateio mensal da quantia anual de R$2.544,00 de dedução de dependente. Alegação de que os dispêndios com o apartamento 123 na Rua Almirante Cochrane não podem ser rateados mensalmente e que devem ser excluídos das linhas 11.1, pois já constam das linhas 10.1 e 10.2. Diante dos que já foi exposto neste voto, somente interessa ao litígio a análise dos pagamentos computados no anocalendário 2003, que a autoridade fiscal rateou na proporção de 1/12 em todos os meses com base na informação da Declaração de Ajuste Anual alusiva ao aumento do valor do bem de 31/12/2002 para 31/12/2003. Esse procedimento foi registrado nos seguintes termos: Já para o ano de 2003, segundo Declaração de Ajuste Anual retificadora — DAA anocalendário 2003, quadro 9 (bens e direitos), linha 01, apresentada por Paulo R. D. Moreira (enviada em 06/07/2007 às 22:21:51 hs), consta situação em 31/12/2002 R$ 173.535,00 e situação em 31/12/2003 R$ 202.125,00, configurando aplicação de recursos no ano 2003 de R$ 28.590,00 no imóvel em tela. De igual modo, à ausência de outros elementos, atribuiuse a cada um dos meses do ano de 2003 um pagamento igual da fração de 1/12 avos do valor declarado como aplicado no imóvel em R$ 28.590,00, o que Fl. 906DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 resulta num valor mensal de R$ 2.382,50, conforme demonstrado na Planilha como dispêndio na aquisição de bens e direitos. É mais um exemplo de errônea adoção de presunção sem previsão legal para construir demonstrativo que serve de prova para adotar presunção legal. Com base nos elementos coletados, não se pode presumir o pagamento linear, mas tão só o pagamento no final do ano, pois o arbitramento deve pautarse por critério menos gravoso ao contribuinte. O contribuinte intimado pela fiscalização tem o ônus de provar suas alegações, consequentemente a falta de prova impede acatar suas alegações; diligências não se prestam a produzir provas cujo ônus compete ao recorrente. Não procede a alegação de duplicidade, pois os itens 10.1 e 10.2 já foram expurgados nesse voto. Portanto, o Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto comum ao casal dever ser alterado para que os valores rateados mensalmente de janeiro a novembro sejam computados somente em dezembro do mesmo ano, o que implicará em modificação também no item 19 do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 531), os valores de R$1.191,25 (correspondente a 50% do item 11.1 do demonstrativo comum ao casal; fls. 487) alocados mensalmente de janeiro a novembro, devem ser transferidos para o mês de dezembro do mesmo ano. Alegações acerca do imóvel em Águas de Lindóia e gastos com casa pré fabricada construída nesse terreno e construção do imóvel na Rua Henrique Dias, em Paraguaçu Paulista e sua destinação a aluguel. Diante do exposto, as análises ficaram prejudicadas porque todos os dispêndios foram computados em 2002 (fls. 486/487) Alegações sobre despesas médicas que teriam sido alocadas em duplicidade. Ao final, esperava o recorrente a exclusão de alegada duplicidade nas linhas 10.1 e 10.2, itens já excluídos no curso desse voto. Alegações referentes ao pagamento dos veículos Scenic 03/03 e Jeep Ford, valores computados pela autoridade fiscal em abril e fevereiro de 2003, nos valores de R$29.000,00 e R$5.500,00, respectivamente. A autoridade fiscal comprovou o dispêndio, de forma, por força da presunção legal do Acréscimo Patrimonial a Descoberto é ônus do recorrente comprovar fato modificativo do direito alegado pelo Fisco. A não apresentação de documentação pelo contribuinte justifica o procedimento adotado pela autoridade lançadora. Não procede a alegação de que foram computados valores em duplicidade, uma vez que os itens 10.1 e 10.2 já foram excluídos nesse voto. Alegação de que as transferências de R$10.000,00 por TED de 10/07/2003 (fls. 275) e R$1.000,00 por DOC de 29/08/2003 (fls. 276) foram indevidamente alocadas exclusivamente ao recorrente. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 690 21 Essas transferências tiveram origem na conta conjunta nº 682675, mantida na Agência 447 do Banco 341 (anteriormente comentada). A primeira foi remetida pela cônjuge, a segunda pelo recorrente. Na Declaração de Ajuste Anual do recorrente, fls. 58 foi declarado como bem ou direito repasse de valores a Paulo Castelari Filho e Queila Batista Carvalho para operarem nos mercados de renda variável no país e no exterior, cujo saldo em 31/12/2003 constou como R$10.000,00. A participação do pai nas operações não foi argumentada durante os procedimentos de fiscalização, nem comprovada em qualquer outro momento. A informação da Corretora Theca de que não era possível um mesmo número de conta ser utilizada por mais de uma pessoa não auxilia o recorrente, apenas reforça que ele era o titular. Desta forma, o recorrente não se desincumbiu de comprovar o erro em sua Declaração de Ajuste Anual., o que permite à autoridade fiscal usar a Declaração de Ajuste Anual como prova de dispêndio as transferências em comento até o limite declarado. A inclusão no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto de valor superior ao declarado requer prova segura de que a transferência tenha sido suportada pelo recorrente. O fato de as transferências serem originadas da conta conjunta e não ter havido intimação aos cotitulares fragiliza a prova produzida pela autoridade fiscal, notadamente em relação ao TED de R$10.000,00, que, embora remetido pela esposa do recorrente, esta não foi intimada para manifestarse sobre a transferência e a autoridade lançadora não imputou a ela o dispêndio, ainda que em parte. Como o Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve pautarse pelo critério menos gravoso ao contribuinte, o valor declarado somente poderia ter sido apropriado em dezembro de 2013 e não em julho e agosto. Não houve imputação fiscal no item 6.9 que cuidaria dos valores declarados. O órgão julgador não está autorizado a ocupar o lugar da autoridade lançadora e reformular a qualificação jurídica dessas transferências e o momento em que teriam ocorridos as transferências declaradas. Portanto, devese excluir o item 6.11 do demonstrativo 082/2008, fls. 531. Alegação de que havia dinheiro em espécie declarado em 31/12/2001, tema não enfrentado pela DRJ em razão da decadência, com impacto sobre a disponibilidade anos posteriores; e Alegação de disponibilidade de dinheiro em espécie sacado pela esposa no final do ano. O fato de a DRJ não ter expressamente se reportado à informação da DIRPF2003 sobre a existência de R$30.000,00 em dinheiro em 31/12/2001 não macula aquele acórdão, posto que não há necessidade de exaustivo pronunciamento do Órgão julgador, é bastante que a decisão tenha fundamentação suficiente para amparála. E foi o que ocorreu, Fl. 908DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 pois na mesma DIRPF foi informado que o saldo em dinheiro em 31/12/2002 era zero e a DRJ expurgou do lançamento o anocalendário 2002 por decadência, além de registrar que o saldo do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto de um ano não é aproveitável para anos seguintes. Os fundamentos adotados são suficientes e adequados, não há reparo ao acórdão recorrido, cujas razões são aqui adotadas para rejeitar as alegações recursais em relação aos R$30.000,00. Este relator não compartilha do entendimento externado nos precedentes mencionados pelo recorrente, cujos efeitos são restritos aos processos em que foram proferidos. Não se trata de presumir o consumo dos valores sacados em 27 e 30/12/2002. A questão é outra: a esposa do recorrente não declarou a disponibilidade do dinheiro em espécie na Declaração de Ajuste Anual e por essa razão não se pode presumir que o dinheiro estivesse disponível em espécie. A alegação de aproveitamento do saldo positivo de um ano para o seguinte já foi rejeitada no desenvolvimento deste voto. Portanto, não há razão para admitir o pleito recursal alusivo aos R$7.000,00. Alegação de que o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto é distorcido pelo cômputo dos saldos credores e devedores (linhas 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2). Esta alegação não procede. O procedimento adotado no lançamento decorre da própria sistemática de apuração mensal, na qual os saldos mensais (credores ou devedores) fazem parte do fluxo financeiro. Alegação de que é incorreto exigir rigor na comprovação das origens e aceitar dispêndios representados por dois recibos de R$8.000,00 sem assinaturas. Não há reparo ao acórdão recorrido, a exigência de comprovação das origens é decorrência lógica da forma de investigar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto e do ônus imposto ao contribuinte por força da presunção legal. Por outro lado, não há razão para o Fisco exigir idêntico rigor na comprovação de dispêndio informado pelo próprio contribuinte. Alegação de que não se pode apurar acréscimo patrimonial do casal sem levar em contra a vinculação com os negócios do Sr. Paulo Moreira (participação na titularidade da conta no Itaú, depósitos realizados nas contas de poupança dos filhos do casal, aquisição de bens para si com cheques emitidos pelo recorrente e posterior restituição por meio de depósito na conta corrente do Itaú, envio de recursos para aplicação de renda variável na corretora Theca e Itautrade (vinculada ao Banco Itaú), depósitos de alugueres de imóveis locados). As vinculações comprovadas foram consideradas. É do recorrente o ônus de comprovar os fatos que alega em sua defesa. Na falta de comprovação, não se pode atribuir a terceiros responsabilidade por fatos documentados em conta em nome do recorrente e de seu cônjuge. As questões específicas serão tratadas adiante. Das alegações acerca da cotitularidade do Sr. Paulo Moreira na conta do Itaú Fl. 909DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 691 23 Os débitos e saques nessa conta cuja individualização da responsabilidade entre os cotitulares não foi feita pela autoridade fiscal já foram excluídos nesse voto, os demais dispêndios que a autoridade fiscal considerou no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto foram os que são de responsabilidade do recorrente ou do casal e não procede o pleito para exclusão ou rateio na proporção de 1/3 para cada titular. Neste ponto do recurso, o recorrente não especifica quais seriam as “demais transações vinculadas” à conta do Itaú, o que impede analisar sob este tópico o pleito do recorrente. Das alegações referentes à prova de que os recursos depositados na conta do Itaú foram feitos pelo Sr. Paulo Moreira (cotitular) para aplicação em renda variável e que as alegações do contribuinte foram comprovadas e não podem ser refutadas por falta de coincidência de datas e valores, caberia ao AuditorFiscal realizar diligências que achasse convenientes para eliminar dúvidas que tivesse. Se de um lado, não pode a autoridade fiscal presumir que os saques e débitos correspondem a consumo ou aumento de patrimônio; de outro, para que se considere os créditos como origem de recursos cabe ao contribuinte comprovar a que título foram depositados . O recorrente alega que identificou os movimentos de titularidade do Sr. Paulo Moreira (pai) e do casal em atendimento à intimação fiscal (fls. 364/384). Como já foram excluídos os valores sem a individualização da titularidade ou sem identificação da natureza, não há razão para excluir outros valores sob as premissas analisadas neste tópico ou mesmo alterar o critério de rateio adotado, mormente quando alegação do recorrente não se faz acompanhar por documentos comprobatórios, a coincidência de datas e valores seria o único indicativo de que as alegações recursais são verdadeiras, de forma que, não existindo tal coincidência, as alegações restam não comprovadas. As alegações suportadas pela existência de conta conjunta já foram contempladas no decorrer deste voto. Das alegações referentes à conta mantida na corretora Theca. A autoridade fiscal anotou que valores de dispêndios em conta corrente em corretora de investimentos em renda variável (THECA CTVM) “mereciam da contribuinte, comprovação específica e pontual, não genérica, com uma disponibilidade global de recursos” (fls. 489) e que as alegações do contribuinte alusivas às aplicações em renda variável no Banco Itaú (Itautrade) – como sendo de seu pai não foram acompanhadas de documentação, além de haver divergência de datas e valores (fls. 508). Estes valores foram computados como dispêndios do casal R$2.758,2 em janeiro/2003, R$31.591,23 em abril/2003 e R$1.992,05 em maio/2003 (item 6.2, fls. 487), partindo da premissa que a conta era conjunta do casal, que não era possível individualizar a aplicação e que as alegações do contribuinte eram desacompanhadas de documentação e havia divergência de datas em valores. Ocorre que a conta era de titularidade também do Sr. Paulo Moreira, cuja falta de intimação demonstra que a autoridade fiscal não adotou as providências necessárias a Fl. 910DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 24 individualizar a responsabilidade e rateou somente entre o casal de forma presumida sem amparo legal. Esses valores devem ser excluídos do “demonstrativo de acréscimo patrimonial comum ao casal”, com igual efeito sobre a quantia rateada na proporção de 50% que foi computada como dispêndios no item “metade variação patrimonial a descoberto comum” do Acréscimo Patrimonial a Descoberto do recorrente (fls. 531), nos valores de: R$1.379,10 em janeiro/2003, R$15.795,61 em abril/2003 e R$996,02 em maio/2003. Das alegações inerentes à conta de poupança mantida na Caixa Econômica Federal CEF em nome dos filhos e as contribuições para previdência privada. O recorrente argumenta que as contribuições em geral eram efetuadas pelos pais e irmã e que somente esporadicamente contribua juntamente com sua esposa em dinheiro com recursos sacados das contas correntes, em valores entre R$200,00 e R$500,00 Conforme constou do “Relatório de Informação Fiscal Específico 083/2008” (fls. 554 e seguintes), a autoridade fiscal obteve diretamente da CEF, por meio de Requisição de Informação Financeira – RMF, informações acerca dos depósitos na conta de poupança de titularidade de seus filhos, vinculada ao CPF do recorrente e constatou que o mesmo declarou os filhos como dependentes e deduziu as contribuições à previdência privada feitas em favor desses filhos. A autoridade consignou que não há qualquer evidência de que as contribuições foram feitas seus terceiros e que nas Declarações de Ajuste Anual o recorrente informou que os depósitos nas cadernetas de poupança eram feitos pelo declarante e sua esposa (fls.26 e 58). A autoridade fiscal anotou (fls. 543 – numeração digital 568): De fato, o próprio contribuinte se utiliza das deduções destas aplicações em previdência privada em nome de seus dependentes, como dedução da base de cálculo de seu imposto de renda, no ajuste anual. Se os recursos aplicados em tais previdências não lhe pertencessem, como então valerse deles para dedução no cálculo de IR?. No lançamento o que se considerou como dispêndios foram os depósitos na conta de poupança da CEF e não as contribuições à previdência privada. Considerase em sua avaliação especifica, em detrimento da avaliação comum ao casal, por constar em suas DAA os dependentes titulares das contas poupanças verificadas, e por valerse das deduções de previdência, principal fim destas contas poupança, conforme verificado.(fls. 543 – numeração digital 5684) Não há prova que sustente as alegações recursais, frente às constatações da autoridade lançadora. Da alegação em torno da exclusão do dispêndio de R$10.500,00 em agosto de 2002 referente ao veículo Palio Análise prejudicada porque se refere exclusivamente ao anocalendário 2002. Do pedido de diligência Fl. 911DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000994/200890 Acórdão n.º 2802002.920 S2TE02 Fl. 692 25 A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. A desnecessidade de realização da medida foi uma legítima decisão tomada pelo órgão julgador de primeira instância no exercício do juízo de valor sobre as provas juntadas aos autos e amparada no princípio do livre convencimento. Na fase recursal o pedido de diligência deve ser indeferido, pois objetiva sanar deficiência de prova cujo ônus de produzir é do recorrente e, adicionalmente, quanto aos fatos já excluídos do lançamento, na primeira instância ou neste voto, o pedido fica prejudicado. Conclusão: 1. O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto Comum ao Casal deve ser ajustado com a exclusão dos itens 10.1, 10.2 e 6.2; e a transferência dos valores rateados mensalmente de janeiro a novembro de 2003, no item 11.1, para o mês de dezembro de 2003; 2. O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto específico da recorrente deve ser refeito com as alterações seguintes: 2.1. atualizar o item 19 das origens (metade do saldo positivo disponível ao casal) em razão da alteração do Demonstrativo Comum ao casal; 2.2. atualizar o item 19 das aplicações (metade da variação patrimonial a descoberto comum ao casal) em razão da alteração do Demonstrativo Comum ao casal; 2.2. Incluir no item 20 das origens de recursos, o saldo positivo do mês anterior decorrente do refazimento do Demonstrativo Específico tal como apontado acima; 2.3. excluir o item 6.11, referente a valores repassados a pessoas físicas para investimentos; 2.4. excluir o item 1 das aplicações, referente á dedução de dependentes; Resultado: As alterações acima são o suficiente para eliminar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto como demonstram os anexos a este acórdão (Novo Demonstrativo Comum ao Casal; e Demonstrativo Específico Ajustado). Diante do exposto voto por REJEITAR as preliminares e , no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 912DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 26 Fl. 913DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.000228/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. TRANSPORTE INTRAMUNICIPAL. COOPERATIVAS DE TRABALHO. ART. 22, IV, LEI Nº 8.212/91.
Verificação do critério pessoal (sujeição passiva) e material (materialidade do fato) da regra matriz de incidência. O sujeito passivo da hipótese de incidência é o tomador de serviços. A Recorrente não é tomadora de serviços na medida em que são os usuários do transporte público os beneficiários diretos e os responsáveis pela remuneração dos serviços das cooperativas mediante pagamento de tarifa. A Recorrente tem a função de delegar, direcionar e fiscalizar a prestação de serviço público de transporte, sendo que as cooperativas atuam por conta e risco e recebem diretamente as tarifas pagas em dinheiro.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.874
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. O conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Júlio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Carlos Henrique de Oliveira Redator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Recorrente MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DOS TRANSPORTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. TRANSPORTE INTRAMUNICIPAL. COOPERATIVAS DE TRABALHO. ART. 22, IV, LEI Nº 8.212/91. Verificação do critério pessoal (sujeição passiva) e material (materialidade do fato) da regra matriz de incidência. O sujeito passivo da hipótese de incidência é o tomador de serviços. A Recorrente não é tomadora de serviços na medida em que são os usuários do transporte público os beneficiários diretos e os responsáveis pela remuneração dos serviços das cooperativas mediante pagamento de tarifa. A Recorrente tem a função de delegar, direcionar e fiscalizar a prestação de serviço público de transporte, sendo que as cooperativas atuam por conta e risco e recebem diretamente as tarifas pagas em dinheiro. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 28 /2 00 8- 93 Fl. 4973DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 declaração de voto. O conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. Júlio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Carlos Henrique de Oliveira – Redator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 4974DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.968 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO contra decisão proferida nos autos do processo nº 19515.000228/200893, referente à NFLD 37.062.5560, prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I. O referido lançamento constituiu crédito de contribuição previdenciária incidente sobre a contratação de cooperativas de trabalho, veiculada pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Tais cooperativas firmaram contrato de permissão para prestação de serviço público de transporte intramunicipal, entre 04/2003 e 03/2007, com a Recorrente. Em diferentes períodos, houve peculiaridades na contratação, de modo, no entanto que as seguintes características podem ser reconhecidas como constantes nos contratos firmados: i) As cooperativas seriam remuneradas de acordo com as tarifas praticadas na prestação dos serviços, previstas em edital; ii) Há diferentes formas de pagamento das tarifas de transporte por seu usuário, sendo elas, principalmente, o dinheiro e o uso de bilhetes vendidos pela própria Recorrente, por via de empresa ou órgão encarregado disso; iii) Havia empresa pública, vinculada à Recorrente, encarregada de gerenciar o fluxo tarifário aproveitado pelas permissionárias, promovendo o repasse (remição) de valores arrecadados com a venda de bilhetes, na proporção em que devida a cada cooperativa; iv) Antes dos repasses, eram realizadas adequações dos valores devidos a cada cooperativa, promovendose descontos e inclusões contratualmente previstos. Para o lançamento tributário, foi considerada como valor da prestação do serviço – base de cálculo da contribuição – o valor oriundo da arrecadação tarifária pelas permissionárias, seja em dinheiro, seja por bilhete, não tendo sido dela abatidos os valores descontados pela empresa administradora do fluxo financeiro do transporte público municipal. Foi, ainda, abatida da base de cálculo o valor correspondente ao custo da prestação do serviço, conforme regras estabelecidas pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2003. Sobre tais valores foi aplicada a alíquota prevista pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, 15%. O auto de infração foi adequadamente subsidiado por documentos, dos quais destacamos a apresentação da legislação local relacionada ao assunto, termos de permissão, Fl. 4975DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 editais de concorrência pública, contratos públicos, comprovantes de fluxo de caixa relacionados à arrecadação tarifária de cada cooperativa permissionária e planilhas de cálculo. O lançamento foi impugnado pelo Contribuinte, tendo sido integralmente mantido pela Delegacia de Julgamento. Contra o acórdão foi interposto recurso voluntário pelo Contribuinte, apresentando, em suma, as seguintes alegações: i) Não há ocorrência do fato imponível da contribuição prevista pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, já que as cooperativas não eram remuneradas pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, mas diretamente pelos usuários do serviço de transporte público municipal; ii) A incidência tributária é indevida, já que inconstitucional o art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, já que os valores pagos pela contratante, neste caso, não são pagos a pessoas físicas, mas cooperativas, de modo que a competência tributária outorgada pelo art. 195, I, da Constituição Federal, teria sido extrapolada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 4976DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.969 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. NO MÉRITO 1. Da alegação de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 Merece análise, primeiramente, a alegação de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, nela incluído pela Lei nº 9.876/99. Não é possível, ao Poder Executivo, sponte propria, afastar a aplicação de dispositivo legal sob fundamento de virtual afronta à Constituição Federal. A tarefa de expulsar leis inconstitucionais do ordenamento de direito positivo é típica do Poder Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal, eleito pela própria Constituição Federal, em seu art. 102, como seu guarda. Nesse mesmo sentido, a Lei nº 11.941/09, alterou redação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, para que nele fizesse constar: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Há dispositivo correspondente no Regimento Interno deste Conselho Administrativo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Este mesmo Conselho Administrativo tem como uma de suas Súmulas: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.1 Diante disso, não compete a este Conselho Administrativo analisar a alegação de inconstitucionalidade do dispositivo legal que fundamentou o lançamento combatido. 1 Precedentes para Súmula: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Fl. 4977DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 Mantida a validade do dispositivo que fundamenta o lançamento combatido, passemos à análise da subsunção do fato praticado pela Recorrente à hipótese legal para a incidência do tributo. 2. Da incidência da contribuição prevista pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 2.1. Da hipótese de incidência É o conteúdo do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A relação jurídica prevista será determinada pela aplicação da alíquota de 15% sobre o valor total da prestação do serviço. Há, ainda, a possibilidade de redução do valor do preço de serviço, considerandose o valor correspondente a materiais e equipamentos utilizados para a prestação do serviço, sendo estabelecido limite para as deduções pelo art. 201, § 20, do Decreto nº 3.048/99: § 20. A contribuição da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho na atividade de transporte rodoviário de carga ou passageiro, é de quinze por cento sobre a parcela correspondente ao valor dos serviços prestados pelos cooperados, que não será inferior a vinte por cento do valor da nota fiscal ou fatura. Apesar do caput do art. 22 da Lei nº 8.212/91 se referir à empresa como contribuinte para o tributo, o poder público poderá ocupar essa posição na relação tributária, conforme equiparação promovida pelo art. 15 da mesma Lei: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, pessoa jurídica de direito público, caso da Recorrente, será contribuinte da contribuição, que será calculada mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal, permitidas algumas deduções. Ainda sobre a sujeição passiva, é importante reconhecer que o dispositivo determina a incidência da contribuição e não a mera responsabilidade pelo recolhimento. O tomador do serviço, portanto, é contribuinte e não responsável por eventual contribuição devida pela cooperativa. Nesse sentido, haverá incidência da contribuição em discussão sempre que pessoas físicas, por meio de uma cooperativa, prestarem serviço a empresa ou pessoa equiparada. É essencial, nesse contexto, reconhecer que a incidência dessa contribuição demanda que a relação negocial para a prestação do serviço se dê sempre por meio de uma cooperativa de trabalho. Fl. 4978DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.970 7 A cooperativa é um tipo de associação de pessoas, regulamentada pela Lei nº 5.764/71, que tem por objetivo a prestação de serviços a seus associados (cooperados). Note se, nesse sentido, que o objetivo último da cooperativa é facilitar a relação do cooperado com o ambiente econômico2. A relação negocial, então, será travada entre contratante e cooperativa, a quem caberá o recebimento das contraprestações pagas pelo serviço, sob o dever legal de repartição dos resultados entre os cooperados. Destarte, o primeiro elemento essencial da hipótese de incidência da contribuição em discussão é a contratação por meio de uma sociedade cooperativa, com quem se dará as relações inerentes à negociação comercial. O segundo elemento essencial da hipótese de incidência da contribuição está relacionado ao conceito de prestação de serviço. Nesse sentido, Aires Fernandino Barreto, a define como “prestação de esforço humano a terceiros, com conteúdo econômico, em caráter negocial, sob regime de direito privado, tendente à obtenção de um bem material ou imaterial.”3. Ressalvamos da reconhecida definição do autor a desnecessidade da prestação, para efeitos de incidência da contribuição, se dar em regime de direito privado. Isso porque, a prestação de serviço público é imune ao ISSQN, o que não é o caso das contribuições. O pagamento realizado para a cooperativa deverá retribuir uma obrigação de fazer desenvolvida pelo cooperado, de modo que haverá incidência se a obrigação tiver conteúdo econômico. Prestações de serviço gratuitas, portanto, estão a salvo da incidência do tributo. Passemos à análise dos fatos. 2.2. Do fato imponível Conforme se deixa claro no Relatório Fiscal, o lançamento tributário em discussão se refere a serviços que teriam sido contratados pela Recorrente por via de contratos de permissão para a prestação de serviços públicos. Cumpre reconhecer, nesse sentido, que a permissão é tipo de delegação de serviço público, outorgada em regime precário, revogável, portanto, a qualquer momento. Nesse sentido, Celso Antonio Bandeira de Mello: Permissão de serviço público, segundo conceito tradicionalmente acolhido na doutrina, é o ato unilateral e precário, intutu personae, através do qual o Poder Público transfere a alguém o desempenho de um serviço de sua alçada, proporcionando, à moda do que faz na concessão, a possibilidade de cobrança de tarifas dos usuários. Dita outorga se faz por licitação (art. 175 da Constituição Federal) e pode ser gratuita ou onerosa, isto é, exigindose do permissionário pagamento (s) como contraprestação.4 2 Nesse sentido: BECHO, Renato Lopes. Tributação das cooperativas. 2a. ed. São Paulo: Dialética, 1999, p. 80. 3 In Curso de Iniciação em Direito Tributário, Editora Dialética, São Paulo, 2004, p. 161. 4 Curso de Direito Administrativo, 22a. ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 731. Fl. 4979DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 8 A concessão do serviço público, por sua vez, é definida pelo mesmo autor: Concessão de serviço público é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestálo em nome próprio, por sua conta e risco, nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômicofinanceiro, remunerandose pela própria exploração do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço.5 (itálico no original) Destacamos que, em elementos essenciais, a definição de Bandeira de Mello coincide com as definições de José Cretella Júnior6 e Hely Lopes Meirelles7. A Lei Municipal nº 13.241/01, juntada aos autos às fls. 735, assim dispõe: Art. 5º Para os efeitos desta lei, consideramse: I Poder Público: a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Transportes; II objeto da concessão: delegação da prestação e exploração do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, nos Subsistemas Local e Estrutural, dentro dos limites do Município, que será condicionada a investimentos em bens reversíveis; III objeto da permissão: delegação, a título precário, da prestação e exploração do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, no Subsistema Local, nos limites do Município; IV operador do serviço: pessoas físicas ou jurídicas, inclusive consórcio de empresas, a quem for delegada a execução do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros; V poder concedente e permitente: Poder Público; VI tarifa: preço público fixado pelo Poder Público, a ser pago pelo usuário pela utilização do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros; VII remuneração dos operadores: valor a ser pago aos operadores e definido em procedimento licitatório. Art. 27 As tarifas dos serviços de Transporte Coletivo Público de Passageiros serão fixadas, e, quando necessário, revisadas e reajustadas por ato do Poder Executivo, obedecido o disposto no artigo 178 da Lei Orgânica do Município. § 1º Para determinar o valor da tarifa, o Poder Executivo deverá observar a somatória da arrecadação das receitas tarifárias e extratarifárias não previstas no edital de licitação e auferidas em função da delegação de atividades conexas aos serviços de transporte por terceiros, operadores ou não. § 2o O valor fixado para a tarifa deverá suportar os seguintes custos: a) remuneração dos operadores; b) despesas de comercialização; c) gerenciamento das receitas e pagamentos comuns ao Sistema Integrado e aos Serviços Complementares; d) fiscalização e planejamento operacional. § 3º Os valores para custeio das atividades previstas nas alíneas "c" e "d" do parágrafo 2º deste artigo corresponderão a, no máximo, 3,5% (três e meio por cento) das respectivas receitas totais. § 4º As dispensas ou reduções tarifárias de qualquer natureza, além daquelas já vigentes na data da promulgação desta lei, deverão dispor de fontes específicas de recursos. Art. 28 O operador do Sistema Integrado será remunerado com base no número de passageiros, atendidos os padrões de qualidade do serviço, definidos pelo Poder Público em decreto, e as regras estabelecidas no edital de licitação. § 1º Os valores máximos de remuneração, estabelecidos no edital de licitação, serão proporcionais ao volume de investimentos em bens reversíveis determinados pelo Poder Público. 5 Idem, p. 680. 6 Direito Administrativo Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 386 e seguintes. 7 Direito Administrativo Brasileiro. 32a. ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 260. Fl. 4980DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.971 9 § 2º A remuneração deverá sofrer reajuste, periodicamente, obedecendo às condições e aos prazos estabelecidos no edital de licitação e no contrato, com a finalidade de proceder a atualização de sua expressão numérica, e ocorrerá nos seguintes termos: a) a periodicidade de realização do reajuste será a menor prevista em lei; b) o critério para a fixação do valor do reajuste levará em conta o índice de preço que melhor reflita a variação econômica dos insumos próprios do setor. § 3º O Poder Público poderá prever em favor do operador, no edital de licitação, a possibilidade de outras fontes provenientes de receitas alternativas, complementares ou acessórias, com ou sem exclusividade, com vistas a determinar o valor da remuneração. § 4º As fontes de receita previstas no § 3º deste artigo serão obrigatoriamente consideradas para a aferição do inicial equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. § 5º Os contratos deverão prever mecanismos de revisão da remuneração, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro, na ocorrência das seguintes situações: fatos supervenientes; fatos conjunturais não previstos na ocasião da realização da licitação e da celebração dos contratos. Já o Decreto Municipal nº 42.736/02, juntado aos autos às fls. 771, assim dispõe: Art. 16 A política e a estrutura tarifária, bem como a fixação dos valores das tarifas cobradas do usuário do serviço de transporte coletivo público de passageiros serão definidas pelo Poder Público. Art. 17 Os concessionários do serviço de transporte coletivo público de passageiros serão remunerados com base no número de passageiros transportados, incluindose os titulares de isenções e reduções tarifárias. § 1º O valor da remuneração será determinado no procedimento licitatório, conforme a respectiva proposta apresentada. § 2º O valor da remuneração por passageiro transportado, indicado na proposta do licitante, será de exclusiva responsabilidade do proponente a partir de estudos próprios, não cabendo ao Poder Público qualquer responsabilidade pelo valor apresentado ou a obrigação de garantir quantidade mínima de passageiros para proporcionar rentabilidade ao operador. Art. 18 O valor da remuneração para o permissionário do subsistema local terá como base o número de passageiros transportados, incluindose os titulares de isenções e reduções tarifárias, e será previamente fixado no edital pelo Permitente. Passando às permissões em concreto, às fls. 819, consta o primeiro dos termos de permissão, que assim dispõe: 10.1. A remuneração de cada PERMISSIONÁRIA pela operação do objeto deste contrato será igual à sua arrecadação tarifária, que corresponde ao somatório dos produtos de passageiros pagantes pelas respectivas tarefas de utilização, deduzidos os valores especificados no item 10.2. O teor da cláusula se repete nos demais termos (fls. 918, 967, 1.015, 1.4358). Como grande parte dos bilhetes usados para o transporte é vendido previamente pela própria Recorrente, conforme termo de convênio firmado entre Recorrente e permissionárias (fls. 1.258 e seguintes), as permissionárias tinham prazo para entregar tais bilhetes ao órgão encarregado de administrar suas vendas, de modo que a cooperativa permissionária receberia repasse (remição) dos valores a eles relacionados. 8 Edital, com alteração de redação. Fl. 4981DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 10 Conforme aponta o Relatório Fiscal, os valores das tarifas recebidas em dinheiro não eram repassadas à Recorrente, que apenas mantinha controle dos recebimentos e movimento de catraca. As deduções previstas nos termos de permissões incidiam sobre os valores da remição. Notese, ainda, que se reconhece no Relatório Fiscal (fls. 599), que os valores decorrentes da venda de bilhetes não eram reconhecidos como receita pela SPTrans, que reconhecia que tais valores eram de propriedade das permissionárias: 3.32. Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. Cada uma das permissionárias prestadoras do serviço apresentava à SPTrans o montante de bilhetes recebidos no período, de maneira que os valores a eles correspondentes, após deduções lhes era repassado. É exemplo de um cálculo de remição (fls. 2.941): Percebese pelo cálculo demonstrativo do “acerto de contas”, que eventuais pagamentos pela Recorrente eram calculados somente sobre os bilhetes de passagem. As tarifas recebidas em dinheiro eram mantidas com o permissionário. Na tabela acima, os cálculos são feitos sobre os R$ 423.424,10 a serem pagos na remição dos bilhetes. Com essas informações se coloca o cerne da questão: a Recorrente era a tomadora do serviço prestado pelas cooperativas permissionárias? Fl. 4982DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.972 11 Inicialmente, há que se reconhecer que a utilidade advinda da prestação de um serviço pode, ou não, ser gozada pelo seu contratante, seu tomador. Não é incomum a contratação de serviço em favor de outrem. O fato, então, do beneficiário do serviço público ser o cidadão, não deve influenciar na decisão sobre a ocorrência do fato imponível da contribuição. Por outro lado, a manutenção ou não do lançamento depende do conhecimento sobre quem é o tomador do serviço prestado pelas cooperativas, o Estado ou o cidadão: i) Se for a Recorrente a tomadora do serviço, haverá a ocorrência do fato descrito pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Nesse caso, o serviço de transporte é prestado para a Recorrente, que por ele deve pagar mediante apresentação de nota fiscal ou fatura. ii) Se for o próprio cidadão o tomador do serviço, não haverá a ocorrência do fato descrito pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Nesse caso, o serviço seria prestado mediante delegação da Recorrente, diretamente para o cidadão, a quem caberá sua retribuição financeira. Em sua atuação o Estado produzirá prestação para os cidadãos sempre por meio de pessoas por ele contratadas, em seus diferentes órgãos, autarquias, fundações e empresas. Nesse contexto, pessoas prestam serviços para o Estado, mas se relacionam diretamente com os administrados. O Estado responde, nesses casos, pela qualidade da prestação, de forma objetiva, inclusive. Para prestar serviços, portanto, o Estado precisa tomar serviços de outras pessoas, seja contratandoas como servidores públicos, seja contratandoas por outros meios, inclusive por cooperativas. Essas pessoas, no entanto, agirão em nome do Estado. Diferente, no entanto, são os casos em que o Estado autoriza particulares a prestarem serviços públicos, diretamente ao cidadão, em nome e responsabilidade próprios. Nesse caso, a atuação do Poder Público ficará restrita à determinação de diretrizes e fiscalização dos serviços prestados pelo particular. Quem tomará os serviços, nesse caso, será o próprio cidadão, se dele quiser usufruir. Nesse sentido, sobre o serviço público de transporte intramunicipal, prevê o art. 30 da Constituição Federal: Art. 30. Compete aos Municípios: V organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; Caso o Município pretenda prestar o serviço diretamente ele poderá fazêlo. Evidentemente, pessoas e empresas serão contratadas para viabilizar a prestação, estabelecendose a relação prestadortomador entre Município e cidadão. Notese que a responsabilidade pela prestação, nesse caso, será do Município. Fl. 4983DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 12 Diferente, no entanto, é o caso do Município permitir que o particular – inclusive uma cooperativa – preste o serviço de transporte público por sua conta e risco, remunerandose pelas tarifas pagas pelo cidadão, tomador do serviço. Representa a diferença: Figura 1: Figura 2: No caso apresentado na “Figura 1” o Município autoriza a prestação de serviço público ao particular, seja por concessão, seja por permissão, de modo que o particular atuará por conta própria, estabelecendo relação direta com o usuário do serviço, o que o remunerará. A relação do Município com o usuário será indireta, de modo, inclusive, a ensejar somente sua responsabilidade subsidiária por eventuais ilícitos. Já na “Figura 2”, pretendendo prestar o serviço de transporte público, o Município contrata prestadores para fazêlo em seu nome. Os prestadores, portanto, atuam em nome do ente contratante, como se ele mesmo fosse. Perante os usuários a relação é direta com o Estado, primeiro responsável pelos danos decorrentes da prestação. Desta forma, na concessão (e também permissão) o particular age em nome próprio remunerandose, em regra, dos pagamentos realizados pelo cidadão, o que significa que o Estado não será tomador de seus serviços e que não será ele o obrigado ao pagamento da retribuição pela prestação, hipótese que não se enquadraria no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Da natureza da delegação A imputação da incidência tributária pressupõe o preenchimento da materialidade hipotética conjugada com a determinação da sujeição ativa, se Estado ou usuário. O reconhecimento do efetivo tomador de serviços importa na sustentação da autuação. Cooperativa Município Usuário Contratação Prestação Atuação em nome do Estado Município Cooperativa Usuário Delegação Prestação Atuação Indireta (Contratação) Fl. 4984DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.973 13 Esta análise, entretanto, deve situarse no contexto do regime jurídico tipificador do contrato de permissão (que se equivale à concessão para os fins do objeto analisado). Permissão e concessão são instrumentos normativos pelos quais o Estado transfere o encargo da prestação do serviço público ao particular, que passa a operálo com expectativa de lucro. Isso não significa, entretanto, que o delegatário é livre para atuar tal como no ambiente privado. A liberdade gerencial da operação delegada é relativizada em função da garantia da prestação de serviços públicos uniformes e que considerem, entre outras variáveis, as necessidades sociais da comunidade em contexto. Sobre isso regula a Lei 8.987/1995: Capítulo VII DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE Art. 29. Incumbe ao poder concedente: I regulamentar o serviço concedido e fiscalizar permanentemente a sua prestação; II aplicar as penalidades regulamentares e contratuais; III intervir na prestação do serviço, nos casos e condições previstos em lei; IV extinguir a concessão, nos casos previstos nesta Lei e na forma prevista no contrato; V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; VI cumprir e fazer cumprir as disposições regulamentares do serviço e as cláusulas contratuais da concessão; VII zelar pela boa qualidade do serviço, receber, apurar e solucionar queixas e reclamações dos usuários, que serão cientificados, em até trinta dias, das providências tomadas; VIII declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; IX declarar de necessidade ou utilidade pública, para fins de instituição de servidão administrativa, os bens necessários à execução de serviço ou obra pública, promovendoa diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; X estimular o aumento da qualidade, produtividade, preservação do meioambiente e conservação; Fl. 4985DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 14 XI incentivar a competitividade; e XII estimular a formação de associações de usuários para defesa de interesses relativos ao serviço. Art. 30. No exercício da fiscalização, o poder concedente terá acesso aos dados relativos à administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros da concessionária. Parágrafo único. A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder concedente ou por entidade com ele conveniada, e, periodicamente, conforme previsto em norma regulamentar, por comissão composta de representantes do poder concedente, da concessionária e dos usuários. Verificase que existe larga ingerência do poder concedente nas prerrogativas que n’uma relação privada estariam a cargo do prestador de serviços. De fato, todas as delegações de serviços públicos de representatividade, tais como o transporte urbano, transporte aéreo, a prestação de serviços de telefonia, etc., são extremamente reguladas, de modo que os contratos de concessão e permissão enumeram infindáveis obrigações mútuas, objetivando a qualidade dos serviços e a minimização de contingências, tal como ocorre no caso nos autos. As peculiaridades inerentes ao serviço de transporte urbano, entretanto, são evidentes. A complexidade deriva da enorme gama de variáveis demandadas pelos usuários, em termos geográficos, temporais, logísticos e sociais, o que demanda a constante participação do poder concedente na operação. Fato é que, na delegação do transporte público da maior metrópole do país, a complexidade da operação insere as partes em uma infinidade de obrigações recíprocas, tornandose impossível identificar relações jurídicas absolutamente “puras” no aspecto pessoal da hipótese normativa. O poder concedente nunca será puramente “fiscalizador”, devendo contribuir ativamente no auxílio do delegatário sempre que possível e necessário à melhor fruição do serviço pelo cidadão. É caso de exemplo a identificação das necessidades sociais e a fixação de horários e trajetos de transporte. Tratase, sim, no caso, de relação de cooperação, conforme ensina Marçal Justen Filho: Devese ter em vista que o contrato de concessão pressupõe atuação cooperativa e harmônica entre concedente e concessionário. Os poderes atribuídos aos concedente destinamse a assegurar a satisfação do interesse público, sem que isso importe uma espécie de locupletamento às custas do patrimônio do concessionário. Mais precisamente, é do interesse público que o concessionário obtenha êxito, desempenhe bons serviços e aufira lucros. (Concessões de serviços públicos. Dialética. p. 294). Isso não significa, entretanto, que o Estado esteja tomando os serviços do delegatário, assumindo para si a qualidade de prestador de serviços ao usuário. Tal entendimento desnaturaria o conceito dos institutos da concessão e permissão, relegando o particular a um papel de mero coadjuvante na relação. O exercício da atividade de cooperação não retira do delegatário a qualidade de explorador da atividade econômica de maneira integral, Fl. 4986DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.974 15 a quem foi transferida pelo ato de concessão ou permissão. Nisso acompanhamos novamente o citado autor: Esse tema se constitui no mais relevante aspecto da concessão. Há uma espécie de substituição de atividades. O Estado cessa a gestão direta do serviço, entregandoa a terceiro. Em contrapartida, passa a fiscalizar a atividade do concessionário. A omissão ou falha no desempenho da fiscalização propiciarão enorme risco de sacrifício do interesse público. (Concessões de serviços públicos. Dialética. p. 295). Sendo assim, entendo o seguinte: i. o ato administrativo de delegação por concessão ou permissão entrega ao particular um “todo” de relações jurídicas, inerentes ao desempenho da prestação de serviços da qual será titular, com seus ônus e bônus; ii. o poder concedente tem o poderdever de fiscalizar e regulamentar a atividade do delegatário, visando a qualidade da prestação dos serviços; iii. atividades complexas como o transporte urbano exigem participação ativa do poder concedente na condução do contrato. Essa participação se dá por cooperação, e não por substituição do delegatário das atividades delegadas; iv. Sendo o delegatário o detentor da qualidade de explorador da atividade econômica, a prestação de serviços se dá ao usuário, e não ao poder concedente; v. Entender o contrário é assumir que o poder concedente é o efetivo prestador dos serviços delegados, o que desnatura os institutos da concessão e permissão. 3. Conclusão Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOU PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 4987DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 16 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Tratase de auto de infração com base no disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, que determina que o contratante de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve recolher 15% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação desses serviços. No caso, discutese a obrigatoriedade da Secretaria Municipal de Transporte do Município de São Paulo em efetuar o recolhimento da contribuição substitutiva da quota patronal das cooperativas, representada pelos 15% sobre os valores por ela, contratante, pagos às cooperativas de trabalho que prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros, tudo conforme o relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Thiago Taborda Simões. Do exame do auto de infração, do acórdão da impugnação ao lançamento e do recurso voluntário acostado aos presentes autos, entendemos que o cerne da questão a ser debatido se desdobra em um ponto principal: o cabimento da prestação de serviços por meio de cooperados de trabalho na concessão ou permissão de serviços públicos, transporte coletivo de passageiros no caso em concreto do presente processo administrativo tributário. Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica do contrato de concessão de serviços públicos e sua compatibilidade com o instituto da prestação de serviços terceirizados. Na seqüência, partindo da cópia de instrumento da concessão acostado aos autos, analisaremos se as premissas jurídicas que embasam o contrato de concessão de serviços públicos compatibilizam com as disposições do artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social e se aplicam ao contrato em apreço. Em caso positivo, avançaremos na verificação fática, para, enfim, concluir ou não pela procedência do lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos. A concessão e a permissão de serviços públicos, previstas no artigo 175 da Constituição Federal, foi regulamentada pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que em seu artigo 2º, apresenta os conceitos legais sobre os institutos: Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; Fl. 4988DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.975 17 II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (sublinhamos) Depreendese, do texto legal, que a concessão e a permissão de serviço público são a transmissão para que o particular preste esse serviço, por sua conta e risco, durante prazo determinado. Tal outorga deve se dar sempre por contrato (artigo 4º da Lei nº 8.987), e ser precedida de licitação. O contrato de concessão de serviço público deve conter as cláusulas essenciais arroladas no artigo 23, dentre as quais destacamos: o objeto e a área da prestação; o prazo da concessão; a forma e condições de prestação do serviço; os critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; o valor e os critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; os direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; etc. Importa ressaltar que, por força do artigo 40 da mesma Lei nº 8.987/95, tais disposições igualmente se aplicam ao contrato de permissão. As cláusulas essenciais mencionadas, dentre tantas outras, são exemplos dos poderes reservados pela lei à Administração Pública quando da concessão de serviços que por ela poderiam, ou deveriam, ser prestados por serem “necessidade de interesse geral dos administrados”9, em face de seu caráter de serviço público. Maria Sylvia Zanella Di Pietro10 ensina que “é o Estado, por meio da lei, que escolhe quais as atividades que, em determinado momento, são consideradas serviços públicos” e que, no caso brasileiro, por vezes a própria Carta escolhe, como o faz quanto ao transporte coletivo (CF, artigo 30, V). Assim, podemos afirmar que decorre do interesse geral na fruição dos serviços e do fato de ser prestado pela Administração Pública, que os contratos de concessão, ou de permissão, dos serviços públicos ao particular possuam cláusulas e condições que 9 Serviço público, segundo Diógenes Gasparini, no sentido material é “uma função, uma tarefa uma atividade da Administração Pública, destinada a satisfazer as necessidades de interesse geral dos administrados” (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 293) 10 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 20 ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2007. p.89. Fl. 4989DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 18 exorbitam àqueles firmados no âmbito privado, entre particulares. Essas condições e cláusulas são chamadas de exorbitantes. Tratando das cláusulas exorbitantes Maria Sylvia Di Pietro explicita que estas “conferem ao concedente os poderes de alterar e rescindir unilateralmente o contrato, fiscalizar a sua execução, aplicar penalidades...”11, isto é, caracteriza o poder contratual exorbitante a unilateralidade das decisões, no limite da lei e do contrato referente à concessão. Apoiados nos conceitos acima expostos, podemos dizer que o contrato de concessão de serviço público é aquele que enseja a delegação da prestação de determinado serviço – previsto na lei como público – ao particular, para que este o execute, por sua conta e risco , durante todo o prazo contratualmente previsto, mediante retribuição por meio de tarifa (paga pelo usuário do serviço público). Os contratos administrativos de concessão e o de permissão, outorgam à Administração Pública poderes para – unilateralmente – alterar ou rescindir o contrato e ainda fiscalizar sua execução, aplicando, ela própria, penalidades quando for o caso. Perquirindo os pontos essenciais da definição acima, encontramos a questão da execução e a assunção dos riscos pelo concessionário/permissionário dos serviços públicos, e a forma de remuneração (tarifa paga diretamente pelo usuário). Dito de maneira diversa: cabe ao concessionário/permissionário a execução do serviço público, assumindo ele, todos os riscos desta execução e sendo remunerado por tarifa, que lhe é paga diretamente pelo usuário do serviço que ele presta em nome da Administração. Completa nossa identificação dos pontos essenciais, o entendimento de Lucas Rocha Furtado12 sobre os requisitos necessário à prestação de serviços públicos sob regime de concessão, que transcrevemos pela clareza: “1. deve tratarse de serviço privativo do Estado, definido na Constituição Federal ou em lei como serviço público 2. o serviço a ser delegado deve admitir a sua exploração em caráter empresarial, em que as receitas auferidas pelo concessionário sejam suficientes para cobrir as despesas necessárias à prestação; 3.o serviço deve ser prestado à população, sendo o concessionário remunerado pelo usuário por meio de tarifa; 4. devese tratar de serviço ‘uti singuli”; e 5.a existência de lei ou dispositivo constitucional que autorize a delegação do serviço à concessionária.” (negritamos) Cotejando as características do contrato de concessão, ou de permissão, de serviços públicos com os requisitos essenciais para a concessão/permissão, encontramos a execução dos serviços pelo concessionário/permissionário (assim entendida a prestação por sua conta e risco), e a remuneração por tarifa, paga diretamente pelo usuário. Ao se analisarmos a concessão, ou a permissão, de serviços de transporte público municipal, veremos que, em tese, tal concessão atende aos requisitos essenciais, extraídos da lei, acima observados. Observase que há disposição constitucional (CF, art. 30, 11 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. ob. cit. p. 273. 12 FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2007. p.553. Fl. 4990DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.000228/200893 Acórdão n.º 2402003.874 S2C4T2 Fl. 4.976 19 V) que definindo o transporte público urbano com serviço público, permite que ele seja prestado por meio de contrato de concessão ou de permissão. O concessionário/permissionário teria condições de prestar o serviço sob sua conta e risco, sendo remunerado por tarifa. Mas, será que é isso que ocorre no caso em apreço? Vejamos. O termo de permissão, acostado aos autos, dispõe em sua cláusula QUARTA que os serviços serão prestados pelos operadores autônomos, indicados pelo licitante. Após descrever as obrigações ordinárias de um típico contrato de permissão, determina que o permissionário deverá se compor com o concessionário da mesma área para garantir a integração operacional entre as linhas estruturais e as locais, estas de responsabilidade de operação dos permissionários. A leitura atenta desta cláusula nos comprova que a operação do sistema de transporte público local se desenvolve sob a responsabilidade do permissionário, cabendo à Administração Pública, por meio da SPTrans, gerenciadora dos serviços por delegação da SMT. Com essa verificação, nos resta analisar a forma de remuneração, uma vez que, segundo visto acima, a execução dos serviços na permissão ou concessão de transporte público deverá ocorrer por conta e risco do permissionário ou concessionário, conforme o caso. A forma da remuneração está estabelecida na cláusula quinta do termo de permissão (fls 88 do volume 3 do processo digitalizado), e é calculada somente pela quantidade de passageiros catracados multiplicada pelo valor da tarifa estipulada. Ora, tal forma de remuneração demonstra que o risco da prestação de serviços de transporte público é imputado ao permissionário, uma vez que ele está adstrito ao cumprimento da prestação do serviço de transporte de passageiros dentro da área da cidade denominada área local, nas condições constantes do termo de permissão, percebendo por esses serviços tarifa, determinada em contrato, por passageiro efetivamente transportado. Importa, para firmarmos nossa convicção, a existência do risco inerente ao serviço público delegado ao particular no contrato de concessão ou permissão especificamente quanto à relação entre o poder concedente e o permissionário, uma vez que este está substituindo aquele, no sentido da efetiva (total e completa) prestação do serviço ao particular, ao usuário. Nessa hipótese, o que ocorre de fato é que a Administração Pública se socorre do particular para a realização do serviço, restando à Administração Pública o gerenciamento, fiscalização e organização do serviço. É isso o que se verificou no termo de permissão acostado. Por meio da Secretaria Municipal de Transportes, houve a contratação de cooperados para a prestação de serviços do transporte coletivo, por intermédio de uma cooperativa de trabalho, porém seguindo as determinações do poder público, que gerencia, fiscaliza, administra. Agora, por todo o exposto, e pelo que se observa e se comprova pelos documentos acostados ao presente processo administrativo tributário, é que – no caso em apreço –há a efetiva substituição do Poder Público Municipal na prestação de serviços de transporte público de ônibus em São Paulo. Fl. 4991DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 20 Logo, verificado que na presente permissão de serviços públicos o permissionário substitui o concedente, ou seja, presta o serviço assumindo o risco e sendo remunerado diretamente pelo usuário, por tarifa, tornase incabível, a substituição tributária incidente na contratação de serviços por meio de trabalho cooperado, uma vez que a efetiva prestação, no caso em concreto, foi realizada para o usuário. Por todo o exposto, e pelas provas acostadas ao Auto de Infração, concluise que a Administração Pública contratou, por meio de permissão de serviço público, cooperativas de trabalho para que estas prestassem diretamente aos usuários os serviços especificados no termo de permissão. Em conclusão, entendo ser indevida a contribuição de 15% sobre os valores da nota fiscal/fatura de serviços prestados por meio de cooperativa de trabalho no caso da contratação, por meio do contrato de permissão anexado, de empresa prestadora de serviços de transporte público de passageiros. Por fim, em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para darlhe negarlhe provimento. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 4992DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 10855.724614/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/01/2008
MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA
A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO.
Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.196
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto De Infração de Obrigação Principal que glosou compensação indevida com fundamento na prescrição do direito e na falta de retificação das GFIP's , quanto aos fatos geradores declarados e posteriormente considerados indevidos.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/01/2008 MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 46 14 /2 01 1- 44 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto De Infração de Obrigação Principal que glosou compensação indevida com fundamento na prescrição do direito e na falta de retificação das GFIP's , quanto aos fatos geradores declarados e posteriormente considerados indevidos. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 443 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 383 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração a obrigação principal – AIOP/DEBCAD nº 37.188.2940 – lavrado em face do contribuinte acima identificado que constitui contribuições devidas à Seguridade Social, parcela patronal, decorrente de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pelo sujeito passivo, importando em crédito tributário na monta de R$ 315.023,51 (Trezentos e quinze mil, vinte e três reais e cinqüenta e um centavos), valor consolidado em 23/12/2011, composto pelo valor atualizado da obrigação inadimplida acrescidos dos juros e da multa de mora. De acordo com o relato fiscal, o contribuinte realizou compensações em suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs que se revelaram efetuadas em desconformidade com os ditames da legislação de regência. Segundo consta, são elas: 1 – compensação (12/2006 a 03/2007) das contribuições previdenciárias recolhidas sobre os pagamento feitos aos agentes políticos entre 08/1998 e 09/2004; 2 – compensação (01/2008) da multa paga no recolhimento em atraso de contribuição previdenciária referente à competência 13/2007, recolhida em 10/01/2008; 3 – compensação (08 a 11/2010) de valores pagos a maior ou formulada com erros; 4 – compensação (03/2011) efetuada sem informação quanto à origem dos recolhimentos, supostamente havidos entre 13/2007 e 06/2011 e tidos por indevidos; 5 – compensação (07 e 08/2011) sobre verbas de caráter indenizatório, recolhidas entre 07/2006 a 05/2011; Informase que em decorrência da estrutura dos sistemas informatizados internos da Receita Federal do Brasil (RFB) os lançamentos da glosa foram distribuídos em dois processos: o presente, onde se constituem os valores pertinentes até a competência 12/2008, e o processo 10855.724.615/201199, composto pelos Autos de Infração nº 51.017.3969 (valores lançados a partir da competência 01/1999) e nº 51.017.3977 (aplicação da multa isolada). Portanto, nos presentes autos Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 apenas estão constituídas as compensações indevidas dos itens 1 e 2 acima. As inconsistências legais, regulamentares e normativas apontadas pela fiscalização dãonos conta de que os pagamentos efetuados aos agentes políticos foram totalmente glosadas, seja porque i) se encontravam prescritos – recolhimentos efetuados até 02/12/2001, considerandose o início da compensação em 11/2006 , seja porque ii) as GFIPs não foram retificadas (exigência disposta na Instrução Normativa nº 15/2006, c/c o art.225, § 1º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social – RPS) ou ainda iii) os fatos geradores das contribuições originais foram declarados com irregularidades, tais como ausência de declaração em GFIP, ausência de folha de pagamento que sustente a declaração, PIS informado com erro, recebimentos em outros cargos que não os de agentes políticos e remuneração informada com erro (planilhas demonstrativas anexas ao Relatório Fiscal). No que tange à compensação da multa por pagamento em atraso relativa à competência 13/2007 houve também a glosa total daquele valor, já que os acréscimos ali cobrados estavam em conformidade com a legislação de regência, não sendo passível de compensação, portanto. (...) Por seu turno o contribuinte apresentou, através de representante formalmente constituído, impugnação tempestiva ao lançamento fiscal, consubstanciando seu inconformismo nas seguintes alegações, em síntese: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 609 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * nulidade por vencimento do MPF, pois a prorrogação foi postada em 15/12/2011, sendo recebida em 19/12/2011, quando o MPF original já estava vencido (06/12/2011); * o prazo prescricional para compensar os valores pagos a maior é de dez anos em relação aos créditos anteriores à edição da Lei Complementar n° 118/2005; * desnecessidade de retificação da GFIP; * o engano no preenchimento ou mesmo a não apresentação da folha de pagamento não é razão impeditiva da compensação; * há crédito decorrente das contribuições indevidamente recolhidas e que incidiram sobre os subsídios dos detentores de cargo em comissão (Secretários Municipais); * necessidade de realização de perícia para a apuração e verificação dos valores de créditos não aproveitados; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 444 5 * há créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias e sobre o valor de horasextras, que não estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi MPF. Alega a recorrente a nulidade por vencimento do MPF, pois a prorrogação foi postada em 15/12/2011, sendo recebida em 19/12/2011, quando o MPF original já estava vencido (06/12/2011). De largada, é preciso consignar que todo o procedimento fiscal foi realizado durante o prazo de vigência dos Mandados de Procedimento Fiscal, tendo ocorrido a mera ciência da prorrogação, via postal, após o vencimento do prazo do MPF original. Ademais, é assente o entendimento de que mesmo “a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não acarreta nulidade do lançamento”, como pacificado pelo Enunciado nº 25 da Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social (Resolução MPS/CRPS nº 1/2006) De toda sorte, a fim de explicitarmos nosso entendimento quanto às conseqüências da irregularidade suscitada, se é que se pode afirmar tratarse de irregularidade, adotamos alguns destaques de aprofundado estudo, que se encontra estampado na declaração de voto do Conselheiro Mauro José da Silva (acórdão 2301019606, Sessão de 16 de março de 2011): No que tange às contribuições previdenciárias, o MPF foi criado pelo Decreto 3.969/2001, publicado em 16/10/2001, tendo mantido sua vigência até a edição do Decreto 6.104/2007, publicado em 02/05/2007. (...) Em resumo, o MPF, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, segundo o texto do art. 2º do Decreto 3.969/2001, é definido como uma ordem específica que instaura o procedimento fiscal, podendo ser um MPF destinado à fiscalização (MPFF) ou destinado a realização de diligência (MPFD), sendo sua emissão realizada por algumas autoridades definidas no art. 6º daquele Decreto. (...) o art. 16 do mesmo Decreto estabelece que a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido para a conclusão do procedimento fiscal. Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, podemos sugerir três violações possíveis às disposições do Decreto 3.969/2001 no seguintes casos: 1. Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF; 2. Prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 445 7 3. Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPFF e sem que um MPFC ou um novo MPF tenha sido emitido. Para a primeira delas instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF o Decreto 3.969/2001 não previu, diretamente, qualquer conseqüência jurídica. No entanto, o descumprimento de tal norma pode ensejar responsabilização funcional por desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares, conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90. Em relação à segunda violação – prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF – o Decreto 3.969/2001 determinou no art. 16 que a extinção do MPF não implica em nulidade dos atos praticados. Mais uma vez poderia o servidor ser chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que determinou o Decreto 3.969/2001, os atos praticados seriam válidos. No caso da terceira violação possível conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPFF e sem que um MPFC ou um novo MPF tenha sido emitido – o Decreto 3.969/2001 afirma que os atos não são nulos e que pode haver a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. O Decreto não obriga a emissão de novo MPF, pois utiliza o verbo “podendo” e não “devendo”. A primeira parte do art. 16 do Decreto 3.969/2001, portanto, não deixa dúvidas de que não há nulidade nos atos praticados após a extinção do MPF, sendo que a segunda parte do mesmo dispositivo não obriga que haja emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.979/2001 em relação ao MPF não gera conseqüências para a relação jurídica fisco x contribuinte, podendo, a depender do caso e de instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar punição administrativa aos envolvidos. (...) Existem julgados do antigo 2º Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já consideraram que problemas no MPF não acarretam nulidade no lançamento por vício de competência. Tratavam de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui sobre as nulidades do ato administrativo do lançamento não dependem de norma específica aplicável somente às contribuições previdenciárias. Vejamos dois Acórdãos: 20214693 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, principalmente, prestase Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pelo MPF, se não forem lavrados os termos que indiquem o início ou o prosseguimento do procedimento fiscal. E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. CSRF/0202.543 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Do detalhado retrato da natureza jurídica do Mandado de Procedimento Fiscal e de sua normatização, concluise que sua emissão resumese a um mecanismo interno de planejamento e controle das atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil e não instrumento de outorga de competência. Assim, eventuais lapsos em sua emissão, renovação ou cientificação não tem o condão de extirpar a legalidade do lançamento, a não ser que, no caso concreto, reste caracterizada a ocorrência de prejuízos irreparáveis aos direitos do contribuinte, o que não restou comprovado. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 446 9 Prescrição. Aduz a recorrente que o prazo prescricional para compensar os valores pagos a maior é de dez anos em relação aos créditos anteriores à edição da Lei Complementar n° 118/2005. Não é verdade. No artigo 165 do CTN constam as hipóteses de restituição, sendo devida a devolução do tributo pago em desconformidade com as circunstâncias materiais ou em duplicidade, ou quando houver erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito. A restituição pode ser feita diretamente em moeda ou por compensação com tributos de mesma espécie, vencidos ou vincendos, que é o caso dos autos. Portanto, podese afirmar que a compensação é uma modalidade de restituição, aplicandoselhe, as mesmas regras relativas àquela. Fixou o artigo 168 do CTN o prazo de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, para a apresentação de requerimento de restituição de tributos que tenham sido pagos indevidamente ou a maior. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza interpretativa, dispondo que a extinção do crédito tributário ocorrerá no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. Lei Complementar nº 118/2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Dessa forma, a princípio, a compensação de contribuições previdenciárias deve obedecer ao do prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Esse foi o entendimento adotado pela autoridade fiscal lançadora e chancelado pela DRJ. Ocorre que, mesmo tendo a Lei Complementar no 118/2005 se a auto proclamado interpretativa e, portanto, aplicável a ato ou fato pretérito (art. 106, I, do CTN), restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu também já ocorreu: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (destaques nossos) Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC, o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 447 11 Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo (compensação efetuada). Aos pleitos formalizados a partir de 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. No caso em comento, a fiscalização considerou prescritos os créditos referentes às contribuições recolhidas antes de 12/2001, as quais foram compensadas a partir de 12/2006, época em que já era aplicável o entendimento trazido pela LC 118/2005. Cumpre esclarecer, por fim, que não há que se cogitar da contagem do prazo prescricional a partir da publicação da Resolução do Senado Federal que reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuições sobre o subsídio de agentes políticos. Tal entendimento, fundamentado no artigo 168, II, do CTN, e que já encontrou amparo nos Tribunais Superiores (AgRg no Recurso Especial n° 506.127 PR, publicado em 01/03/04), hoje encontrase superado, conforme Resp 1.110.578SP. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1110578/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) (destaques nossos) Assim, do quanto exposto até aqui, podemos afirmar que, as compensações, na época em que efetuadas pelo sujeito passivo, já se encontravam vitimadas pela prescrição, em razão do advento da Lei Complementar n° 118/2005. Retificação de GFIP. Defende a recorrente a desnecessidade de retificação da GFIP para o gozo dos créditos. Como já afirmado, a compensação efetuada pela recorrente foi considerada indevida não só com fundamento na prescrição do direito, mas também pelo fato de parte dos fatos geradores referentes aos valores recolhidos e depois compensados pelo município, declarados em GFIP, não foram excluídos pelo Município das GFIP´s da competência do recolhimento. Antes de avançarmos para as especificidades do caso em questão, cumpre observar ainda que a Constituição Federal, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 448 13 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) (destaques nossos) Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo art. 66, assim dispôs: LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.069/95) (destaques nossos) E, especificamente quanto às contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, ainda acima da disciplina infralegal, está o artigo 89 da Lei nº 8.212/91, que estabeleceu alguns pressupostos da compensação. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Do que se expôs até aqui, mister se faz ressaltar que o exercício do direito à compensação, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos e ao ônus do interessado. Ademais, como se viu, não só pelo artigo 170 do CTN, mas também pelo que estabeleceu a Lei n° 8.383/91, foi atribuída competência à RFB para expedir as instruções necessárias ao exercício do direito de o contribuinte efetuar a compensação desses valores com importâncias devidas em períodos subsequentes. Especificamente quanto às compensações em comento, cumpre relembrar que, após o Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, assentar o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, o Senado Federal, exercendo a competência prevista no artigo 52, X, da CF (suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal), editou a Resolução n° 26/2005, suspendendo a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. E, para regulamentar e uniformizar a situação específica da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a Secretaria da Receita Previdenciária publicou, em 18/09/2006, a Instrução Normativa SRP nº 15/2006 dispondo sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a obrigatoriedade, a condição de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito passivo não opte pela compensação. Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. (...) Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 449 15 base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. (destaques nossos) Portanto, mostrase indispensável que as GFIP originárias em que figuravam os nomes dos agentes políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. Tal exclusão decorre da mais perfunctória lógica do pedido de restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital e municipal, ao fundamento de que tais trabalhadores não se configuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Por tal motivo, não se enquadrando os agentes políticos em foco como segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária, instituída por mera lei ordinária, Lei nº 9.506/97, sendo demandado para tanto, um instrumento legislativo do status de Lei Complementar. Assim, enquanto não for promovida a exclusão dos agentes políticos da base de dados da Seguridade Social, mediante a entrega das respectivas GFIP retificadoras, obstada se manterá a constituição do respectivo crédito em favor do contribuinte. E nem se diga que se tratam de determinações infralegais, pois a normatização pelo órgão administrativo está determinada pelo próprio artigo 170 do CTN e também pela Lei n° 8.383/91, como visto alhures. Ademais, a obrigação de declarar, com correção, os fatos geradores em GFIP, tem fundamento na Lei n° 8.212/91. Verbas Supostamente Indenizatórias. A recorrente traz argumentação no sentido de que há créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias e sobre o valor de horasextras, que não estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária. Ocorre que, como destacado no relatório supra, o Auto de Infração de que tratam os autos referemse apenas a: 1 – compensação (12/2006 a 03/2007) das contribuições previdenciárias recolhidas sobre os pagamento feitos aos agentes políticos entre 08/1998 e 09/2004; 2 – compensação (01/2008) da multa paga no recolhimento em atraso de contribuição previdenciária referente à competência 13/2007, recolhida em 10/01/2008; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.724614/201144 Acórdão n.º 2302003.196 S2C3T2 Fl. 450 17 As verbas invocadas pela recorrente estão sendo discutidas no processo n° 10855.724.615/201199, composto pelos Autos de Infração nº 51.017.3969 (valores lançados a partir da competência 01/2009) e nº 51.017.3977 (aplicação da multa isolada). Portanto, tais argumentos não serão tratados no presente voto. Erros em folhas de pagamento. Alega o recorrente que o engano no preenchimento ou mesmo a não apresentação da folha de pagamento não é razão impeditiva da compensação. Além de todas as razões supra aludidas, é preciso destacar a falta de liquidez da compensação invocada pela recorrente, que é uma razão a mais para a glosa e poderia mesmo figurar como razão única, pois, como visto, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação realização com créditos líquidos e certos. Sendo assim, os diversos erros e inconsistências constituem sim razão para a glosa de compensações. Secretários Municipais. Aduz também a recorrente que há crédito decorrente das contribuições indevidamente recolhidas e que incidiram sobre os subsídios dos detentores de cargo em comissão (Secretários Municipais). Tratase de argumentação desconexa com o que se apurou durante o procedimento fiscal e, de qualquer forma, vazia, pois que a condição de segurado dos ocupantes de cargo em comissão está expressamente estabelecida em lei (art. 12, g, da Lei n° 8.212/91), não havendo que se falar em inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre os denominados subsídios, que, diferentemente do que afirma a recorrente, não constituem forma de remuneração exclusiva dos agentes políticos. A menção aos Secretários, constante do Relatório Fiscal se deu apenas porque se verificou que alguns agentes políticos recebiam seus subsídios como Secretários Municipais. Isto posto, não procede a argumentação da recorrente. Prova pericial. Afirma a recorrente a necessidade de realização de perícia para a apuração e verificação dos valores de créditos não aproveitados. Ocorre que a recorrente descumpriu o artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, que ora regulamenta todo o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, inclusive o julgamento do recurso em comento. Com efeito, a disposição retro citada exige que, no caso de solicitação de perícias, no corpo da própria impugnação, devem ser indicados os “quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 profissional do seu perito”, sob pena de ser considerado não formulado (artigo 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) É verdade que o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como visto anteriormente, não há que se cogitar de maiores investigações sobre o fato em debate se a própria recorrente não apresenta a documentação necessária. Outrossim, consignese que, diferentemente do que pretende a recorrente, a realização da prova pericial não constitui direito subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. Assim, sendo a prova pericial forma inadequada de comprovação da questão controvertida e considerandose que a recorrente descumpriu dos requisitos necessários ao seu pleito, concluise que nenhum reparo há que ser feito na fundamentação, pelo órgão a quo, do indeferimento do pedido de perícia. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13748.720327/2011-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1802-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 03 27 /2 01 1- 71 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720327/201171 Acórdão n.º 1802002.173 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento por meio da qual é exigida da interessada a multa por atraso na entrega da sua Declaração deDébitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, correspondente ao mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). A autoridade fiscal alega que o prazo final da entrega era 20/5/2011 e o interessado fez a entrega em 24/5/2011. Da Impugnação Cientificada da notificação de forma eletrônica quando da transmissão da DCTF, a interessada apresentou impugnação tempestiva, na qual alegou, em síntese, ser sediada no município de Petrópolis – RJ, e ter entregue a Declaração tempestivamente, com base na Instrução Normativa nº 1.122, de 18 de janeiro de 2011. Do Acórdão da DRJ Em 23/11/2011, a 5ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu Acórdão 12042299, NEGANDO PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00. Do Recurso Voluntário Inconformada, a interessada interpôs Recurso Voluntário, reiterando, em síntese, os argumentos constantes da impugnação. É o Relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720327/201171 Acórdão n.º 1802002.173 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro:Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 8/2/11 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/2/12. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento de tributos federais, no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, na situação em que os vencimentos dos tributos estivessem previstos para o período de 11 de janeiro a 31 de março de 2011. Também suspendeu os atos processuais com termo inicial em 11 de janeiro de 2011, até o dia 31 de julho de 2011. A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou para 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para janeiro a março de 2011, das entregas das declarações à RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. , conforme abaixo: “Art. 1º Ficam prorrogados até o dia 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2011, relativos a declarações concernentes aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os sujeitos passivos domiciliados nos seguintes municípios do Estado do Rio de Janeiro: Areal, Bom Jardim, Nova Friburgo, Petrópolis, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Teresópolis”. (grifo nosso). Já o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, quando não respeitadas as disposições da IN RFB nº 1.122/2011. É meu entendimento que a IN RFB nº 1.222/2011 não alterou o prazo previsto para entregas de declarações que venciam em 20/5/2011, mas sim para aqueles prazos previstos originalmente para janeiro a março de 2011. Em consequência, não se aplica ao caso presente o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10/2011. CONCLUSÃO Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$500,00. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 50DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720327/201171 Acórdão n.º 1802002.173 S1TE02 Fl. 5 4 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000418/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO REFLEXO.
Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao denominado lançamento reflexo o decidido no processo principal do qual ele representa mera decorrência.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Nos termos do disposto no art. 448 do Regulamento do IPI, apurada omissão de receitas cuja origem não seja comprovada, exigir-se-á o imposto correspondente, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, com base nas alíquotas e preços mais elevados.
Numero da decisão: 1301-001.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2004, 2005 Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO REFLEXO. Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao denominado lançamento reflexo o decidido no processo principal do qual ele representa mera decorrência. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Nos termos do disposto no art. 448 do Regulamento do IPI, apurada omissão de receitas cuja origem não seja comprovada, exigir-se-á o imposto correspondente, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, com base nas alíquotas e preços mais elevados.
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LANÇAMENTO REFLEXO. Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aplicase ao denominado lançamento reflexo o decidido no processo principal do qual ele representa mera decorrência. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Nos termos do disposto no art. 448 do Regulamento do IPI, apurada omissão de receitas cuja origem não seja comprovada, exigirseá o imposto correspondente, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, com base nas alíquotas e preços mais elevados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 04 18 /2 00 7- 34 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 421 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 422 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, relativa aos anos calendário de 2003 e de 2004, formalizadas em razão da apuração de omissão de receitas em procedimento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, conforme processo administrativo nº 10932.000417/200790. Transcrevo, a seguir, excertos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal constantes na decisão exarada em primeira instância. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao contido no MPF acima referido, efetuamos os procedimentos necessários para verificarmos a regularidade fiscal do contribuinte quanto ao IRPJ/2004 e IRPJ/2005, anoscalendário de 2003 e 2004 respectivamente, em razão da movimentação de recursos no exterior em face dos fatos identificados pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída nos termos da Portaria SRF n°. 463 de 30/04/04. Em 16 de dezembro de 2003, o Juiz da Suprema Corte, Honorable John Cataldo, expediu o documento denominado "Order to Disclose" visando liberar à CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "Internacional Money Laundering by John Doe". Em 29 de abril de 2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria Distrital de Nova York, relativamente às contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. No item 26 da mesma decisão, o Juízo autoriza, também, o compartilhamento de todos estes dados com a Receita Federal, Bacen, e Coaf, para instruir as atividades específicas desses órgãos. Em 24 de novembro de 2004, Laura Billings, Assistant District Attorney of the County of New York, emitiu documento em que autoriza representantes do Congresso e da Polícia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. Os dados obtidos foram certificados por laudos de Exame Econômico Financeiro realizados pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, entre outros pelos de n°s. 1.284/2005 e 1.412/2005 (fls. 194/224), atestando a autenticidade dos documentos apresentados e conferindo veracidade às operações realizadas. A fim de proceder ao exame dos fatos e documentos mencionados, foi constituída a Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da portaria SRF n°. 463, de 30/04/2004, integrando representantes das áreas de Fiscalização, Aduana e Pesquisa e Investigação. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 423 4 Visando evitar eventuais argüições quanto à prova obtida sem a interveniência do Juízo natural do feito, foi concedida a quebra do sigilo bancário, via MLAT (Mutual Legal Assistence – Acordo de Assistência Mútua em Assuntos Penais) de diversas contas correntes mantidas em diversos bancos nos Estados Unidos da América, com a conseqüente extensão das informações à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil, cuja decisão judicial foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba em 29 de abril de 2004, (fls. 158/162). Com base nestes elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas e subcontas mantidas em diversas instituições financeiras, dentre os quais o MTB Hudson Bank e Lespan. O contribuinte acima referido foi identificado no campo "Other Bank Information" – Outras informações bancárias – nos documentos emitidos pelo banco MTB Hudson Bank e no campo "ORP AD LNI TX" – Ordenante – nos arquivos encaminhados pelo Bank of America relativo às transferências de recursos realizadas pelo Lespan TBL. (...) Os arquivos relativos às transferências eletrônicas de recursos das contas do MTB HUDSON Bank foram encaminhados via MLAT sendoos trazidos para o país pela Autoridade Policial. Baseada na documentação acima citada, a Equipe Especial de Fiscalização identificou as operações de movimentação de recursos no exterior, bem como os beneficiários das mesmas, realizadas pelo contribuinte em epígrafe, as quais se encontram discriminadas no relatório às folhas 08/14. (...) Em resposta ao Termo de Início da Ação fiscal, o contribuinte apresentou os livros caixa referentes ao período de janeiro/03 a dezembro/04, bem como correspondência datada de 05/03/07 (fls. 15/22), onde resumidamente, apresenta os seguintes esclarecimentos e documentos: 4 – Destaca que o objeto social da empresa, conforme consta no item 1 do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação Contratual, é: "COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PEÇAS PARA RÁDIO, TELEVISORES E APARELHOS ELETRÔNICOS". 5 – Confirma que entre seus fornecedores do exterior encontramse as empresas “P and C Schwick GMBH”, “Minato Ásia Company” e “Nedis electronic Components” (fl. 17). 6 – Afirma desconhecer as operações referentes à movimentação de recursos no exterior realizadas através do MTB Hudson Bank e da Lespan. 7 – Apresenta descrição de operações de importação realizadas, "Que, nas datas questionadas ou próximas, houve contratos de câmbio, porém, não nos valores indicados, mas sim valores inferiores, porém existiram e estão documentados" (fl. 17), que representamos no quadro abaixo: (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 424 5 Para estas operações foram apresentadas cópias dos contratos de câmbio de venda, bem como os respectivos lançamentos no extrato de conta corrente no Banco do Brasil e no livro Caixa. Da análise da documentação apresentada.concluímos o que segue: 8 – As operações de importação listadas pelo contribuinte encontramse adequadamente escrituradas e documentadas e foram realizadas conforme as exigências do Sistema Financeiro Nacional, porém não são e não representam as operações objeto desta fiscalização, abaixo discriminadas, pois estas foram realizadas à margem do Sistema Financeiro Nacional e em datas e valores diferentes, o que, obviamente, caracteriza operações diferentes. Data Reme Valor US$ Taxa Câmbio Valor R$ Instituição Financeira Beneficiário 20/05/03 55.843,43 3,0141 168.317,68 MTB Hudson Bank Minato Asia Company 25/06/03 30.335,60 2,8788 87.330,30 MTB Hudson Bank P&C SCHWICK GMBH 15/07/03 15.586,99 2,9029 45.247,47 MTB Hudson Bank Nedis Electonic Componentes 31/10/03 5.623,03 2,8562 16.060,50 MTB Hudson Bank Nedis Electonic Componentes 15/03/04 81.488,07 2,9132 237.391,05 Lespan TBL P&C SCHWICK GMBH Os valores em Reais, da tabela acima, foram obtidos conforme o disposto na IN SRF n° 41 de 19 de abril de 1999, a qual preconiza que: (...) 9 – Importante salientar que os beneficiários das remessas ao exterior efetuadas à margem do Sistema Financeiro Nacional são fornecedores do contribuinte em epígrafe, conforme informação do próprio contribuinte (fl. 17). 10 – Constatamos que as operações objeto da presente fiscalização não se encontram escrituradas no livro Caixa e também não foi apresentado pelo contribuinte nenhum documento que comprove e identifique a origem das transações, tais como: cheque emitido, saque bancário, contrato de câmbio, registro contábil, etc. Desta forma, ante a falta de documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos utilizados para pagamento de fornecedores no exterior, fica caracterizado a infração ao IRPJ em razão de Omissão de Receitas por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade. Tal infração está sendo exigida através de auto de infração (processo administrativo n°. 10932.000417/200790), do qual este Termo é parte integrante. (...) Já para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, o parágrafo 2º do artigo 448 do Decreto 4.544/02 determina que as omissões de receitas apuradas decorrentes de origem que não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal. A classificação fiscal dos produtos industrializados/importados e comercializados pelo contribuinte que utilizamos para a constituição do crédito Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 425 6 tributário é a 8522.90.90, referente a "unidade de leitura ótica" conforme consta nas notas fiscais de entrada de n°s. 3840, 3841, 4177 e 4178; notas fiscais de saída de n°s 5421, 4427e 4872 e das fichas 33 "Entradas de Insumos/Mercadorias" e 35 "Saídas de produtos/Mercadorias/lnsumos" constantes em sua DIPJ/04 (fls. 225/238), sendo a alíquota incidente de 25%. O lançamento de ofício se deu em auto de infração apartado (processo administrativo n°. 10932.000418/200734), do qual este Termo é parte integrante. Na apuração dos débitos do IPI constituídos de ofício, levouse em conta os saldos credores escriturados no livro registro de Apuração do IPI (fls. 239/274), ratificados pelo contribuinte no preenchimento da ficha 29 das suas DIPJ/2004 e DIPJ/2005 (fls. 233/238). Para esta apuração elaboramos os demonstrativos "Conversão dos Valores Transferidos e Cálculo do IPI Devido" e "Reconstituição da Escrita do IPI"(fls. 276/277), que contemplam os saldos escriturados, os valores do IPI devido pela omissão de receita e os débitos a serem constituídos por período de apuração. Lembramos que o art. 40 da Lei 9.430/96 estabelece presunção legal de Omissão de Receita, presunção esta relativa, pois admite prova em contrário, ocasionando a inversão do ônus da prova, isto é, passa a atribuir ao contribuinte a incumbência para afastar a referida presunção e provar que o fato presumido não existe no caso concreto. Considerandose que no decorrer da fiscalização o contribuinte não logrou êxito em provar sua alegações, restou não comprovada a origem dos recursos transferidos para o exterior, para pagamento de fornecedores, no montante de US$ 188.877,18, no período examinado. Salientamos que o contribuinte praticou, em tese, crimes previstos no artigo 1º da Lei 8137/90, sendoo em razão destes fatos, objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo 10932.000419/200789, que será apensado ao processo administrativo 10932.000417/200790, referente ao auto de infração de IRPJ. (GRIFOS DO ORIGINAL) Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 300/316), por meio da qual argumentou: que a relação das transações foram apresentadas pelo agente fiscal com base em planilhas eletrônicas por ele recebidas, não havendo nelas qualquer ordem firmada por ela ou conta bancária movimentada, e nem aparece citada como ordenante ou beneficiária dos valores relacionados pela fiscalização; que sempre procedeu aos registros contábeis de todas as suas operações, nunca deixando de declarar qualquer rendimento em suas Declarações de Imposto de Renda, de modo que todo o rendimento, seja por venda ou qualquer outro meio, foram devidamente registrados e declarados por ela, sendo os tributos decorrentes devidamente pagos; que a partir de singela referência ao seu nome, os valores movimentados no exterior por terceiros foram considerados movimentação de recursos efetuada por ela, o que gerou a suposta omissão de receitas ora tratada; que não haveria provas de que ela era a titular dos recursos, de modo que tanto o MTB Hudson Bank como a Lespan LTB poderiam ter feito a operação em nome Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 426 7 próprio ou de qualquer outra empresa e indicado o nome dela, cujos dados principais são públicos e acessíveis por quaisquer terceiros; que não teria havido investigação específica dos fatos imputados à ela, mas, apenas, aproveitamento de provas emprestadas de um procedimento criminal contra outrem para acusála, e que teve pouquíssimo tempo para tentar recuperar sua documentação bancária dos anos de 2003 e 2004, a fim de refutar acusação fundada em frágeis suposições levantadas pela fiscalização federal; que o processo administrativo busca a verdade material, esmerandose em alcançála mediante a produção de todas as provas possíveis, porém, os presentes lançamentos decorrem de meras suposições e recursos imaginativos da Fiscalização, na tentativa de imputar à empresa a movimentação de valores no exterior, e, omissão de receitas; que a planilha apresentada não aponta remessa dela ao exterior, nem tampouco recebimento do exterior de qualquer recurso; que, da forma como efetivado o lançamento, a administração impõe à autuada o ônus de produzir prova negativa a fim de afastar a autuação; que, se a empresa não remeteu ou recebeu os valores apontados, a comprovação requerida pelo Fisco tornase impossível; que a ausência de clareza do Termo de Verificação Fiscal e a lavratura da autuação com base nas planilhas advindas do exterior cerceiam o seu direito de defesa; que seria vedado alicerçar um lançamento fiscal em suposição, ainda mais quando decorrente de planilhas preparadas e posteriormente remanufaturadas, sem a devida instrução e confrontação com as pessoas havidas por ordenantes e beneficiários, e sem qualquer elemento que vincule e comprove que os dados da planilha são verdadeiros; que sem provas ou indícios muito fortes, não pode haver autuação fiscal; que, relativamente aos laudos econômicofinanceiros n.º 1.284/2005 e 1.412/2005, que supostamente validariam a análise sobre as contas pertencentes ao MTB Hudson Bank, os quais sequer estão assinados pelos peritos técnicos, devese mencionar que não há nenhuma referência ao seu nome; que, no caso em exame, há um único indício de menção do seu nome, com a grafia incorreta do nome empresarial e sem qualquer assinatura, sendo esta a base utilizada pela Fiscalização para justificar a autuação; que os fatos referidos no auto de infração foram retirados de procedimento criminal (Processo n° 2004.70000082670) em curso perante o MM Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba – PR, tratando claramente de hipótese que a doutrina denomina "prova emprestada", a qual é integralmente repelida pelo direito brasileiro quando não for destinada a outro processo com as mesmas partes; que nenhum dos requisitos da prova emprestada teria sido cumprido na espécie, isto é, a prova não respeitou o contraditório e ela não era parte no processo criminal no Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 427 8 âmbito do qual ela foi produzida, e, mais grave ainda: ela não tem pleno conhecimento das acusações que sobre ela recaem; que o auto de infração padeceria de erro de identificação de alíquota, pois o auditor fiscal, desprezando as operações do ano de 2004, cingiuse a tomar algumas notas fiscais de 2003 para eleger a alíquota do IPI de 25%; que bastaria verificar o Demonstrativo de IPI constante da Declaração de Imposto de Renda de 2004, (doc.04), para verificar que a maior alíquota de IPI das suas operações é 5%, decorrente da classificação fiscal 8542.2129; que a aplicação da taxa Selic seria inconstitucional, devendo os juros de mora serem aplicados linearmente, à razão de 1% ao mês nos termos previstos no § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional; que, de igual forma, pelas razões já invocadas, restaria impugnada a multa de ofício aplicada, que, assim como demais itens do auto de infração, não pode prevalecer. A contribuinte requereu a nulidade do auto de infração e o consequente cancelamento do débito fiscal reclamado, e, por fim, fazendo referência ao princípio da verdade material, protestou pela comprovação de suas alegações por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 1530.130, de 20 de março de 2012, pela procedência do lançamento tributário. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. No presente processo, as informações que embasaram a autuação foram colhidas não somente através do MLAT (Mutual Legal Assistence Acordo de Assistência Mútua em Assuntos Penais), mas também por minucioso levantamento realizado pelo fiscal responsável. Ademais, tendo tido o contribuinte irrestrito acesso aos autos, podendo exercer livremente seu direito de defesa através do contraditório, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. PROVA. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS ORDENANTES. Tendo em conta que as operações foram propositadamente ocultadas, mediante a utilização de contas de interpostas pessoas, prestigiase a identificação da autuada como responsável pelas remessas de recursos ao exterior, na medida em que há expressa vinculação à sua razão social e aos seus fornecedores. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 428 9 Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA. Apuradas receitas de origem não comprovada, exigese o imposto devido com base na alíquota de IPI mais elevada incidente sobre os produtos da autuada, quando não for possível identificar aqueles que corresponderam às saídas não registradas. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 382/404), no qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustenta: a ocorrência de cerceamento do direito de defesa; a inexistência da conduta apontada pelo Fisco (“exercício de atividade sem emissão de nota fiscal”); a inexistência de omissão de receitas de qualquer espécie; impossibilidade de aplicação da alíquota de 25%; a inconstitucionalidade dos dispositivos que aplicam a SELIC na “correção” de tributos; impossibilidade da aplicação da multa de ofício em virtude da improcedência do auto de infração, além do fato de o percentual revelarse exacerbado e desproporcional, contrariando o princípio da razoabilidade e da vedação ao confisco. O presente processo foi inicialmente encaminhado para a Terceira Seção deste Colegiado, que, por meio de despacho fundamentado (fls. 415/416), declinou da competência para apreciálo, haja vista o fato de o lançamento tributário que constitui o seu objeto ser de natureza reflexa. É o Relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 429 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A exigência tratada no presente processo, relativa a Imposto sobre Produtos Industrializados dos anoscalendário de 2003 e de 2004, decorre diretamente de procedimento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, objeto do processo administrativo nº 10932.000417/200790. Tratase, pois, da denominada exigência reflexa. Em tal circunstância, como é cediço, a decisão prolatada em relação ao chamado processo matriz (no caso, processo administrativo nº 10932.000417/200790), necessariamente deverá ser estendida ao presente. Nessa linha, registro que o processo administrativo nº 10932.000417/200790 já foi julgado em segunda instância pela Segunda Turma Especial desta Primeira Seção, conforme reprodução abaixo. Processo n° 10932.000417/200790 Recurso n° 166.465 Voluntário Acórdão n° 180200.073 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria IRPJ e Outros Recorrente Eletrônica Diadema Ltda. Recorrida 2ª Turma DRJ Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004, 2005 Ementa: PAF NULIDADE INOCORRÊNCIA PROVA EMPRESTADA – no caso presente, as informações que embasaram a autuação foram colhidas não somente através do MLAT (Mutual Legal Assistence Acordo de Assistência Mútua em Assuntos Penais), mas também, por minucioso levantamento realizado pelo fiscal responsável. Ademais , tendo tido o contribuinte irrestrito acesso aos autos, podendo exercer livremente seu direito de defesa através do contraditório, não há o que se falar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO constatada a existência de valores que, apesar de escriturados, não foram devidamente declarados ao Fisco e oferecidos à tributação, caracterizada está a infração e correta a aplicação de multa de oficio. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 430 11 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos exatos termos (Sumula n° 02). JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Sumula n° 04) No referido julgado, a Turma Julgadora, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negou provimento ao recurso interposto pela autuada. Descabe, portanto, no presente processo, apreciar as questões em relação as quais já houve pronunciamento por parte desta segunda instância julgadora, quais sejam: cerceamento do direito de defesa; inocorrência de omissão de receitas; prova emprestada; juros selic; e multa de ofício. No que tange especificamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, entretanto, as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário devem ser analisadas. Nessa linha, observo que a ora Recorrente sustenta ter havido “erro de identificação de alíquota”, pois, segundo afirma, o agente fiscal, desprezando as operações do ano de 2004, limitouse a considerar algumas notas fiscais de 2003 para eleger a alíquota de 25%. Alega que jamais poderia ter sido utilizada tal alíquota, vez que o Demonstrativo de IPI constante da Declaração de Imposto de Renda de 2004 indica que a maior alíquota de IPI foi de 5%. Destaco, preliminarmente, que a contribuinte não juntou à peça recursal qualquer documento para comprovar a sua alegação. A Fiscalização, em sentido contrário, aplicou a alíquota de 25% amparada nas disposições do parágrafo 2º do art. 448 do Regulamento do IPI, fazendo juntar aos autos cópias de notas fiscais que indicam a comercialização de produtos sujeitos a alíquota de 25% (fls. 225/231). A afirmação da Recorrente no sentido de que a Fiscalização cingiuse a considerar algumas notas fiscais de 2003, não encontra respaldo nos autos, eis que, como assinalado na decisão recorrida, às fls. 229, foi juntada cópia de nota fiscal emitida em 11 de agosto de 2004, na qual encontrase descrito o produto que serviu de suporte para o lançamento tributário. O voto condutor da decisão de primeiro grau, ao tratar da matéria, já havia rebatido a argumentação expendida pela Recorrente, senão vejamos: [...] Quanto ao percentual de alíquota aplicada na apuração do imposto, verificase que o autuante utilizou a classificação fiscal, código TIPI 8522.90.90, adotada pela própria contribuinte em diversos documentos emitidos no período de apuração do presente processo, conforme notas fiscais de entrada emitidas pela impugnante, nº Fl. 430DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10932.000418/200734 Acórdão n.º 1301001.396 S1C3T1 Fl. 431 12 3840, de 17/06/2003; nº 3841, de 17/06/2003; nº 4177, de 18/06/2003; nº 4178, 18/06/2003; nº 5421, 11/08/2004; nº 4427, 05/08/2003; e nº 4872, de 12/12/2003; e notas fiscais de saída de nº 5421, 4427 e 4872 e das fichas 33 "Entradas de Insumos/Mercadorias" e 35 "Saídas de produtos/Mercadorias/Insumos" constantes em sua DIPJ/04 (fls. 225/238). Portanto, não sendo possível a identificação dos produtos vendidos e considerando que o presente processo referese ao período de apuração de abril/2003 a março/2004, cuja classificação fiscal adotada pela contribuinte em diversos produtos corresponde a alíquota de 25%, correta a aplicação desta alíquota na apuração do imposto, a teor do disposto no art. 448, § 2º, de RIPI/2002: [...] (GRIFEI) Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, determinando que o presente processo, após ciência da autuada e, se for o caso, da impetração de Recurso Especial, seja apensado ao de nº 10932.000417/2007 90, que se encontra na Segunda Câmara desta Primeira Seção para análise de admissibilidade de Recurso Especial interposto pela contribuinte. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 431DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10768.100221/2004-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE NÃO DEPENDENTES.
A dedução de despesas com instrução para fins de Ajuste do Imposto de Renda se restringe a despesas efetuadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes, nos termos do disposto no art. 8º, inc. II, b, da Lei nº 9.250/95.
Numero da decisão: 2102-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE NÃO DEPENDENTES. A dedução de despesas com instrução para fins de Ajuste do Imposto de Renda se restringe a despesas efetuadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes, nos termos do disposto no art. 8º, inc. II, b, da Lei nº 9.250/95.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 66 1 65 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.100221/200409 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.528 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF, Despesas com Instrução, Dependentes Recorrente MARCOS REBIBOUT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE NÃO DEPENDENTES. A dedução de despesas com instrução para fins de Ajuste do Imposto de Renda se restringe a despesas efetuadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes, nos termos do disposto no art. 8º, inc. II, b, da Lei nº 9.250/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 21 /2 00 4- 09 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 15/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11/13 para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas com instrução no valor de R$ 8.706,00, relativamente ao anocalendário 2002. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, por meio da qual alegou que as despesas com instrução foram incorridas com seus filhos Marcelo, Rafael e Daniel, por força de acordo judicial em 1995. Reconheceu ter cometido um equivoco ao não respeitar o limite de R$1.998,00 de dedução com instrução por dependente, de forma que deveria ser mantida no lançamento a diferença de R$745,80. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção integral do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. As despesas com instrução dedutíveis são aquelas comprovadas nos termos da legislação vigente. Conseqüentemente, não tendo sido juntada nenhuma documentação para demonstrar inequivocamente a ocorrência das alegadas despesas, cabe manter a glosa. Lançamento Procedente Consideraram como não impugnada a parcela do lançamento relativa ao limite de dedução com despesas com instrução, com a qual o contribuinte expressamente concordou. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 40/41, ao qual anexou os recibos das despesas pleiteadas e requereu ao fim que o lançamento fosse julgado improcedente, reconhecendose que as despesas em questão foram tidas com seus dependentes e não com ele próprio. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 15/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10768.100221/200409 Acórdão n.º 2102002.528 S2C1T2 Fl. 67 3 O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.03.2008, como atesta o AR de fls. 38v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 14.04.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas com instrução declaradas pelo Recorrente. Em sede de Impugnação o contribuinte reconheceu ter pleiteado a dedução de valores superiores ao limite legal para tanto, reconhecendo que parte do crédito tributário seria, de fato, devida. Requereu, porém, que fosse reconhecido o seu direito à dedução das despesas tidas com a instrução dos seus filhos dentro dos limites permitidos por lei. A decisão recorrida deixou de acolher este pedido sob a alegação de que o contribuinte deixara de trazer os comprovantes das despesas em questão, nos seguintes termos: Embora a dedução com despesa de instrução de dependentes esteja prevista no art. 8, inc. II, alínea "b", da Lei n 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e na separação judicial (fl. 17) esteja previsto que o contribuinte arcaria com estas despesas de seus filhos, ocorre que, por força do art 11, § 3' do DecretoLei n" 5.844, de 23 de setembro de 1943, e do art. 73 do Decreto n" 3.000 (RIR/99), de 26 de março de 1999, todas as deduções estão sujeitas comprovação. (...) No presente caso, o contribuinte não juntou nenhum documento que comprove o pagamento das alegadas despesas, cabendo, portanto, manter o lançamento Assim, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe os comprovantes de fls. 43/63. As despesas em questão foram tidas com a instrução de Marcelo Rebibout (nascido em 20.12.1976) e Rafael Rebibout (nascido em 21.09.1982), ambos filhos do Recorrente – mas que não eram seus dependentes à época dos fatos geradores que originaram o lançamento (cf. DIRPF acostada às fls. 10). Não sendo seus dependentes, não poderia o Recorrente ter deduzido as despesas em questão, nos termos do disposto no art. 8º, inc. II, b, da Lei nº 9.250/95. Cumpre esclarecer, porém, que de acordo com a documentação acostada aos autos (fls. 12/19), o Recorrente se divorciou de sua esposa, ocasião em que foi homologado acordo entre as partes do qual constava que além de pagar uma pensão alimentícia aos três filhos do casal assim como à exesposa, o Recorrente estaria obrigado a: (...) efetuar os pagamentos das despesas com educação, vestuário, assistência medica e dentaria dos menores. Por este motivo, poderia – se fosse o caso o Recorrente deduzir os valores pagos com a instrução dos filhos como se pensão fossem. No entanto, os valores pagos a título de pensão pelo Recorrente já foram devidamente declarados e deduzidos por ele (cf. DIRPF de fls. 10), conforme segue: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 15/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI 4 a) em favor de Marcelo Rebibout, as quantias de R$ 6.480,00 + R$ 2.804,00; b) em favor de Rafael Rebibout, as quantias de R$ 6.480,00 + R$ 2.951,00. Ressaltese que não há, na referida DIRPF qualquer discriminação sobre a composição destes pagamentos, sendo certo ainda que a soma dos mesmos é superior ao montante da pensão estipulada no acordo homologado judicialmente (que seria de 3 salários mínimos por filho – considerando o salário mínimo de R$ 200,00 em 2002). Diante do exposto, é forçoso concluir que está correta a glosa com as despesas com instrução pretendidas pelo Recorrente, seja porque seus filhos não eram seus dependentes no anocalendário em questão, seja porque o mesmo já deduzira em sua DIRPF os valores pagos a eles a título de pensão. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 15/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 13888.916051/2011-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/06/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/06/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 51 /2 01 1- 20 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 340,23, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de junho de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916051/201120 Acórdão n.º 3802002.822 S3TE02 Fl. 87 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 02/07/2013 (fls. 57 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 12/07/2013 (fls. 84), o recurso voluntário de fls. 59/76, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 82/83, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916051/201120 Acórdão n.º 3802002.822 S3TE02 Fl. 88 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 82/83). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916051/201120 Acórdão n.º 3802002.822 S3TE02 Fl. 89 7 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10803.720078/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 07 8/ 20 11 -1 3 Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.053 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado por AUXTER SOLUÇÕES EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, em face do acórdão da DRJ que manteve integralmente a autuação fiscal relativa ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo aos anoscalendário de 2006 e 2007. A autuação decorreu da reabertura da fiscalização anteriormente realizada por força do MPF 08.190.0020090165, que foi encerrada sem resultado (fls. 25). A recorrente teve ciência da nova fiscalização em 19/08/2009 (fl. 27). Considerando que o relatório da decisão da DRJ bem resume o que ocorreu no curso da fiscalização, passo a utilizálo: Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.054 3 Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.055 4 Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.056 5 Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.057 6 Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.058 7 Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.059 8 Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.060 9 Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.061 10 Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.062 11 Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.063 12 Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.064 13 Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.065 14 Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.066 15 A recorrente apresentou em sua impugnação (fls. 1818/1871) os seguintes argumentos, em resumo: (i) É nula a reabertura da fiscalização por meio de mera “autorização” (art. 59, I e II, Dec. 70.235/92), uma vez que esta não preenche os requisitos taxativamente previstos no art. 906, RIR/99, quais sejam (item 5.1): a. A lei exige “ordem escrita”, que é comando imperativo. Contudo, a reabertura foi determinada por “autorização”, que carece de pedido prévio e dá margem a praticar ou não o ato; b. A lei exige que se trate de ordem de “Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal”, entretanto a autorização partiu de “Superintendente adjunto”. Ou seja, foi praticado por autoridade incompetente; c. Não existe motivação no ato, não sendo suficiente a menção ao “interesse público” e a “substituição administrativa”, pois se tratam de conceitos jurídicos indeterminados; d. Não existe finalidade prédeterminada para a reabertura da fiscalização, pois a “autorização” não esclarece qual o objetivo da reabertura da fiscalização anteriormente encerrada, o que violenta os direitos do contribuinte. (ii) A nova fiscalização exigiu documentos já entregues à fiscalização anterior, o que impossibilitou a recorrente de atender todas as intimações expedidas. Há ofensa à segurança jurídica e à confiança legítima entre o fisco e o contribuinte (item 5.2); (iii) Houve excesso na atividade fiscalizatória, que expediu 13 (treze) termos de intimação e ignorou as respostas e documentos apresentados pela recorrente, bem como a impossibilidade de atendimento integral em face da entrega de documentos à fiscalização precedente (item 5.3); (iv) É inconstitucional utilizar o “cálculo reverso”, ou seja, usar os dados da CPMF para averiguar a compatibilidade da movimentação financeira com os valores declarados em documentos fiscais. Dessa forma, foi violado o sigilo bancário da recorrente (art. 5º, inc. X e XII, CF/88) (item 5.4); (v) A fundamentação do termo de embaraço não condiz com o que consta nos autos, uma vez que a recorrente sempre atendeu a todas as intimações, deixando de entregar somente os documentos que já estavam em poder da fiscalização. Ainda, o pedido de desconstituição do termo de embaraço apresentado pela recorrente não foi sequer apreciado, o que ofende o direito de petição (item 5.5); (vi) É incorreto o arbitramento do lucro em razão de a contabilidade ser imprestável (art. 530, inc. II, a, RIR/99), uma vez que (item 5.6): Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.067 16 a. A movimentação financeira ocorrida nas duas contas correntes não contabilizadas foram plenamente identificadas e quantificadas pela fiscalização; b. As despesas com construção só não foram comprovadas porque os documentos pertinentes foram entregues à primeira fiscalização; c. A própria fiscalização declara que não serão tributados os pagamentos efetuados, mas não escriturados. Logo, estes também não podem dar causa ao arbitramento. (vii) É impróprio utilizar a divergência entre a DIPJ e a GIA da recorrente como forma de comprovar omissão de receita, uma vez que (item 5.7): a. A base de cálculo do IRPJ é a receita bruta; da CSLL é o lucro líquido; do PIS e da COFINS é o faturamento (receita bruta). Nenhum desses conceitos se identifica com a base de cálculo do ICMS. Discorre sobre os conceitos; b. Não existe relação direta entre a GIA e a DIPJ, de modo que não se pode concluir, sem a análise de outros elementos, que a diferença entre tais documentos gera a incidência de IRPJ; c. Não há relação direta entre os registros de saídas de mercadorias e a receita informada em DIPJ; d. Quanto à desconsideração das vendas de veículos usados, em sendo conhecido o valor de venda, o correto tratamento é tratala como consignação em pagamento, como determina a legislação, ao invés de simplesmente realizar o arbitramento. É indiferente que essa atividade não conste no contrato social da recorrente (como determina a legislação aplicável), uma vez que devem ser considerados os fatos e não a forma jurídica declarada ou convencionada. (viii) A multa de 150% aplicada pela fiscalização possui efeitos confiscatórios (art. 150, inc. IV, CF/88) (item 5.7). Em face das considerações da recorrente, a DRJ decidiu nos termos em que segue resumidamente (1905 a 1943): (i) As únicas causas que tornam o auto de infração nulo são as dispostas no art. 59, I e II, Dec. 70.235/72, quais seja, a incompetência da pessoa para prática de atos ou a preterição do direito de defesa. Nenhuma das situações ocorreu, pois atuaram no feito as autoridades competentes e foi respeitado o direito de defesa, tanto é que a recorrente defendeuse pormenorizadamente do auto de infração; (ii) Não procede o argumento de que não foi respeitado o direito de petição, uma vez que a primeira fase da fiscalização tributária é eminentemente inquisitorial. Somente após a formalização da exigência tributária é que se aplicam os princípios do contraditório e ampla defesa. Ademais, a Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.068 17 documentação entregue à primeira fiscalização foi requerida pelos fiscais que realizaram a segunda fiscalização; (iii) Foi correto o arbitramento do lucro, uma vez que a recorrente não apresentou os livros contábeis e fiscais. Além disso, a escrituração apresentada não estava na forma das leis comerciais e fiscais; continha vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável; (iv) Quanto a divergência entre os valores da GIA e DIPJ, aduz que também foi constatada movimentação financeira incompatível com a receita declarada no anocaledário de 2006; que há discrepância entre a GIA e DIPJ do ano calendário de 2007; que a divergência entre o livro de saídas do ano calendário de 2007 e a DIPJ não se justifica apenas pela fato de terem sido comercializados veículos usados, uma vez que somente a receita da venda de veículos novos (cerca de R$ 16 milhões) já ultrapassa o declarado na DIPJ/2008 (cerca de R$ 6,7 milhões); (v) Os depósitos bancários mantidos nas contas não escrituradas não foram devidamente justificados pela recorrente, mesmo após intimações, razão pela qual incidiu a presunção legal de omissão de receita do art. 42 da Lei n. 9.430/86; (vi) Não procede a alegação de bis in idem quanto a apuração da base de cálculo do lucro arbitrado, pois a recorrente era optante do lucro presumido e regime de caixa, pois: a. Foram excluídos os créditos bancários que não corresponde a nova entrada de recursos, bem como os de origem justificada; b. Foi deduzido os valores declarados em DCTF da exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (vii) Não foram apresentadas provas para desconstituir as demais infrações constantes no termo de descrição dos fatos de fls. 1683 e 1760; (viii) A quebra do sigilo bancário sem autorização do Poder Judiciário tem previsão legal (LC 105/01). Ademais, o sigilo bancário não é absoluto, podendo ceder em face do interesse público. Por fim, não houve quebra de sigilo bancário, mas apenas “transferência do sigilo”, que antes era assegurado apenas pela instituição financeira; (ix) A multa qualificada tem previsão legal para ser aplicada em casos de fraude, o que se verifica no presente caso; (x) As jurisprudências judiciais e administrativas não possuem eficácia normativa e não são normas complementares do Direito Tributário. Logo, não podem ser aplicadas genericamente ao caso concreto; (xi) No que toca às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade, este juízo cabe apenas ao Poder Judiciário. Ao Poder Executivo cabe a aplicação Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.069 18 da lei, sem a emissão de qualquer juízo de valor, como está pacificado pela súmula 2 do CARF; (xii) Aplicase o exposto à tributação reflexa, devido à íntima relação de causa e efeito, sobretudo porque não foram aduzidas razões específicas. Em face da improcedência integral da impugnação, o recurso voluntário se destina a repisar e transcrever os fundamentos da impugnação. Convém, apenas, resumir os contraargumentos à decisão da DRJ: (i) Mesmo a fase inquisitorial da fiscalização possui limites. A fiscalização é nula por ter se iniciado por meio de ”autorização”. Além disso, o art. 59 do Dec. 70.235/72 não é taxativo, exemplo disso é a necessidade de motivação do ato administrativo, o que não existe nem na “autorização” e nem no “termo de embaraço” (item 6.1). É o relatório. Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.070 19 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso é tempestivo e apresenta todas as condições de admissibilidade, então dele conheço. O tema acerca da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pelo Fisco (poder Executivo), sem intermédio do Poder Judiciário, está sob repercussão geral no Supremo Tribunal Federal. No presente caso, a recorrente foi instada a entregar o extrato das contas correntes contabilizadas, quais sejam: cc 356100 (Banco Itaú); cc 5.0276401 (ABN AMROReal); cc 147.2704 (Bradesco). Ocorre que tais contas correntes não justificavam a totalidade das movimentações da recorrente. Assim, expediuse o Termo de Intimação nº 2 (fls. 152/153), para que a recorrente apresentasse extratos complementares. A recorrente apresentou, então, os extratos de contas correntes não contabilizadas, quais sejam: cc. 30276410 (Banco Real); e cc. 030004/100.000 (Banco Itaú). Não obstante a recorrente tenha apresentado os extratos das contas contabilizadas e não contabilizadas, o AFRFB lavrou Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 426/428), pelos seguintes motivos: [...] Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.071 20 Assim, o AFRFB entendeu ser o caso de solicitar informações diretamente às instituições financeiras – Banco Itaú e Banco Real (RMF de fls. 467 e ss.) quebrando o sigilo bancário por meio da autorização do art. 6º da LC 105/01. O AFRFB, além de solicitar os extratos bancários (que já haviam sido entregues pela recorrente), solicitou outros documentos, como cópias de cheques, contas dos sacados, comprovantes de TED, contratos de leasing back, etc., da seguinte maneira: (i) Banco Itaú Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.072 21 (ii) Banco Real As informações adicionais solicitadas pelo AFRFB foram prestadas. O Banco Itaú respondeu às fls. 484/532, apresentando: O Banco Santander (Banco Real) apresentou os documentos solicitados às fls. 553/663. Indiscutivelmente, essas informações também são abarcadas pelo sigilo bancário. Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.073 22 O objeto da relação jurídica é o dever jurídico imposto ao sujeito passivo desta relação. A Lei Complementar 105/2001 determina em seu artigo 1o a abrangência do sigilo bancário, vejamos: Art. 1o.As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Portanto, devem as instituições financeiras (sujeito passivo) conservar sigilo sobre as operações passivas, ativas e serviços prestados (objeto). A título elucidativo, a atividade bancária pode ser dividida em típica e atípica, compreendendo a primeira as operações passivas e ativas e a segunda, os serviços prestados pela instituição financeira 1. As operações ativas/passivas são definidas pelo polo que a instituição financeira integra na obrigação. As operaçõespassivas têm por objeto a captação de recursos junto à coletividade dos quais a instituição financeira necessita para processar sua atividade, são exemplos: depósitos à vista e a prazo, poupança, operações de câmbio. Já nas operaçõesativasos bancos concedem crédito aos clientes, em operações como empréstimos em conta corrente, operações de câmbio, o desconto de títulos, etc. A atividade bancária atípica, por sua vez, tem por objeto a prestação de serviços pela instituição financeira como corretagem e administração de recursos de terceiros. Assim também definiu o Superior Tribunal de Justiça, vejamos: Por isso, cumpre às instituições financeiras manter sigilo acerca de qualquer informação ou documentação pertinente a movimentação ativa e passiva do correntista/contribuinte, bem como dos serviços bancários a ele prestados 2 (grifo nosso). É no mesmo sentido que Sérgio Carlos Covello define sigilo bancário, como “obrigação imposta aos bancos de não revelar, sem justa causa, os dados referentes a seus clientes que cheguem a seu conhecimento como consequência das relações jurídicas que os vinculam” 3. Portanto, considero que o presente caso está adstrito à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade do art. 6º da LC 105/01. O AFRFB não teria arrecadado a quantia de informações necessárias para a lavratura do auto de infração caso não tivesse acesso às informações complementares da movimentação financeira da empresa fiscalizada. Exemplificativamente, as informações prestadas pelo Banco Itaú (fl. 509), em resposta à RMF, foram necessárias para o AFRFB concluir, analisando os depósitos da referida conta, que alguns “pagamentos para fornecedores” constantes no Livro Diário, na realidade constituíam transferência de recursos entre as contas correntes de titularidade da própria 1 GOMES, Orlando. Contratos, 18 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 361. 2 BRASIL. STJ. REsp 37566 / RS. 3 COVELLO, Sergio Carlos. O sigilo bancário: (com particular enfoque na sua tutela civil). 2 ed. São Paulo: Editora Universitária de Direito, 2001, p. 83. Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.074 23 recorrente, da seguinte forma: conta corrente registrada na escrituração contábil (Banco Real) para conta não registrada (Banco Itaú). Assim, foi decisiva no desenrolar deste feito a autorização constante nos art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso à movimentação financeira da recorrente. Isto posto, cumpre recordar que, no âmbito administrativo, impera o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, o qual segue adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.075 24 I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue4: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147575: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – 4 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. 5 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.076 25 AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543936: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). Decisão: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). 6 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10803.720078/201113 Resolução nº 1302000.217 S1C3T2 Fl. 2.077 26 Tenho por certo, assim que: (i) O presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) Ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e Recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. (iii) Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, julgo pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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