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Numero do processo: 13808.000983/99-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1996
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES.
Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Recurso de ofício não conhecido.
IRRF. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 44 DA LEI Nº 8.541/92.
A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 tem natureza de penalidade, aplicando-se retroativamente o artigo 36 da Lei nº 9.249/95, que o revogou.
IRRF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/95 só pode ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado comportar efetiva distribuição de recursos a sócios ou terceiros.
DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO, À AUTORIDADE FISCAL, DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DA DEDUÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Os contribuintes devem manter em boa guarda os comprovantes de deduções e outros valores pagos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Devem ser reconhecidas, na apuração do lucro tributável, as despesas financeiras documentalmente demonstradas pelo sujeito passivo, e glosadas aquelas carentes de idêntico supedâneo.
Numero da decisão: 1803-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Recurso de ofício não conhecido. IRRF. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 44 DA LEI Nº 8.541/92. A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 tem natureza de penalidade, aplicandose retroativamente o artigo 36 da Lei nº 9.249/95, que o revogou. IRRF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/95 só pode ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado comportar efetiva distribuição de recursos a sócios ou terceiros. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO, À AUTORIDADE FISCAL, DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DA DEDUÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Os contribuintes devem manter em boa guarda os comprovantes de deduções e outros valores pagos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Devem ser reconhecidas, na apuração do lucro tributável, as despesas financeiras documentalmente demonstradas pelo sujeito passivo, e glosadas aquelas carentes de idêntico supedâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 83 /9 9- 53 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR – Relator EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A empresa acima identificada foi autuada e notificada a recolher crédito tributário ORIGINAL no valor de R$ 1.931.176,67, referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; multa e acréscimos legais. Termo de Constatação (fl. 16) apresenta as seguintes verificações: o contribuinte foi intimado a comprovar os lançamentos efetuados em suas contas 3.13.051.0090 Despesas Bancárias e 3.1.5.051.0150 Despesas Financeiras Juros, durante o período de apuração de 1995. em decorrência, a empresa apresentou inúmeros documentos, comprovando as despesas contabilizadas a que se referem cada um deles. não obstante, o contribuinte deixou de apresentar parte dos documentos solicitados. foram elaborados os Anexos 1 a 4 (fls. 18 a 30), em que estão discriminados os valores objeto dos termos intimatórios, detalhandose aqueles cujos lançamentos tiveram suas quantias comprovadas pela fiscalizada. Nas colunas "não comprovadas", por sua vez, detalhamse os valores dos lançamentos para os quais não houve comprovação da despesa realizada. no Anexo 5 (fl. 17) procedeuse à totalização das quantias mensais apuradas nos anexos citados, todas sujeitas à tributação pelo IRPJ, nos termos do art. 242 do Regulamento para o Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/1994 (RIR11994) e demais reflexos. foram lavrados, em 12/07/1999, os seguintes autos de infração: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 52 e 53), com fundamento nos arts. 197, parágrafo único; 242 e parágrafos e 318, I, do RIR/1994; CSLL (fls. 57 e 58), com fundamento no art. 2° e seus parágrafos da Lei 7.689 de 15/12/1988, e art. 57 da Lei 8.981/1995, com as alterações do art. 1° da Lei 9.065/1995; IRRF (fls. 63 e 64), com fundamento no art. 739 do RIR/1994; art. 62 da Lei 8.981/1995 e art. 44 da Lei 8.541 de 23/12/1992 com a redação dada pelo art. 3° da Lei 9.064 de 20/06/1995. Em 11/08/1999, a empresa apresentou, por seu representante, impugnação (fls. 68 a 78), alegando, basicamente, o seguinte: a autuação se deu porque a fiscalização recusou os documentos apresentados, representados por extratos bancários, contratos de financiamento e empréstimos, alegando ser indispensável para justificar a despesa operacional o "aviso de lançamento" emitido pelo estabelecimento bancário, julgando que não merecem crédito boa parte dos inúmeros documentos que lhe foram apresentados, desconsiderandoos sem qualquer razão a respeito de sua autenticidade; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 5 4 assim, dos montantes individuais que figuram como "não comprovados" dos anexos 01, 02, 03 e 04, elaborados pela fiscalização no Termo de Constatação a titulo de "despesas bancárias" e "despesas financeiras — juros", todos tiveram sua origem em documentos válidos apresentados quando da fiscalização; com a rapidez das transações bancárias, com a multiplicidade das operações, com os meios eletrônicos à disposição das instituições bancárias, o "aviso de lançamento bancário", na maioria das vezes, deixa de ser emitido, mormente quando operações são creditadas ou debitadas "online", servindo como documento para espelhar o lançamento o contrato de financiamento ou empréstimo (em que aparece, em seu corpo, o montante creditado, bem como os juros e as despesas cobradas pela instituição); da mesma foram, a cobrança das despesas bancárias, em sua multiplicidade, não mais são objeto de "avisos de débito" ou "avisos de lançamento", mas cobrados diretamente mediante débito nas contas correntes, objeto de conciliação "a posterior" quando do controle pelos extratos de lançamento elaborados e remetidos pelos estabelecimentos bancários; além de apresentar os documentos em que lastreou seus lançamentos, prontificouse a impugnante a solicitar, dos estabelecimentos de crédito, os "avisos de lançamentos". Ignorou o agente fiscalizador o esforço da defendente para superar os óbices por ele levantados; no que concerne ao IRRF, o lançamento improcede, uma vez que inexistente redução do lucro líquido (uma vez que a impugnante operou com prejuízo) determinante da exação, e ainda porque, mesmo que as deduções pudessem ser consideradas indevidas, o que se admite apenas para argumentar, não autorizam, por si só, a presunção de transferência de recursos para o patrimônio de seus sócios; reapresenta nesta oportunidade a impugnante os documentos já anteriormente fornecidos à fiscalização e mais as cartas remetidas aos estabelecimentos bancários e suas respostas, para afastar o lançamento do crédito ilegalmente exigido, vinculando cada documento ao anexo do Termo de Constatação a que se refere; observese que para os lançamentos em que os contratos e os avisos de lançamento de débito dependem de cumprimento, por parte dos estabelecimentos bancários, da solicitação de fornecimento de cópia dos mesmos, a despesa consta especificamente dos extratos bancários ora também anexados. A 2ª TURMA – DRJ EM SÃO PAULO – SP I, ao decidir a respeito da impugnação apresentada, exonerou, em parte, o crédito tributário lançado, reconhecendo a demonstração de parcela das despesas financeiras glosadas. Assim restou ementando o despacho prolatado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 6 5 Ementa: COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Aceitase a dedutibilidade de despesas cuja juntada de documentos comprovou sua efetividade; e, mantémse a tributação com relação às demais despesas não apoiadas em documentação hábil. AUTOS REFLEXOS IRRF CSLL – A procedência parcial do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção parcial das exigências fiscais dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte” Foi interposto recurso de ofício. Cientificado da decisão em 15/12/2006, apresentou o contribuinte, em 16/01/2007, recurso voluntário a este conselho, apontando, por amostragem, pretensas comprovações de despesas erroneamente desconsideradas pelo aresto recorrido, de um lado, e aduzindo, de outro, considerações já elencadas na peça impugnatória. É o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: (1) Da admissibilidade do recurso de ofício Inicialmente, devese analisar os requisitos de admissibilidade pertinentes ao recurso de ofício, proposto, pela autoridade inferior, em virtude de o acórdão ter exonerado montante de crédito tributário (principal + multa proporcional) equivalente a R$ 615.450,69 (seiscentos e quinze mil, quatrocentos e cinquenta reais e sessenta e nove centavos). À época do julgamento recorrido, vigia o artigo 2º da Portaria MF nº 375/01, responsável por determinar a necessidade de recurso de ofício sempre que decisão administrativa afastasse a cobrança de valores superiores a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais): “Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 7 6 Ulteriormente, todavia, dito dispositivo foi revogado pela Portaria MF nº 03/08, que passou a estatuir alçada mais elevada para a interposição do recurso mandatório: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Entendo, então, que os recursos oficiosos pendentes de julgamento, ao tempo da edição desta segunda Portaria, tornaramse, de pronto, carentes de condição inafastável de admissibilidade, sempre que derivados de exoneração fiscal inferior à monta de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Como a majoração do piso de alçada representa modificação de regra processual, ela deve ser aplicada, imediatamente, a todos os atos ainda não definitivamente consumados, impondose o nãoconhecimento dos recursos de ofício que com o novo valor não guardem pertinência. Este é o entendimento que vem sendo adotado por este colegiado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REEXAME NECESSÁRIO LIMITE DE ALÇADA AMPLIAÇÃO CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso de Ofício não conhecido. (Ac. 1º CC – 10423.484/08)” “RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado.” (Ac. 1º CC – 10423.391/08)” Assim, é imperiosa a inadmissão do recurso de ofício interposto. Passemos, pois, à análise do remédio formulado pelo contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 8 7 (2) Da comprovação das deduções de despesas glosadas O recurso voluntário, por sua vez, atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço, iniciando a perscrutação de seu mérito. As autuações em tela (lançamento principal e reflexos) tiveram, por fulcro, como noticiado, pretensa falta de comprovação documental das despesas financeiras alegadas pela peticionária, deduzidas dos resultados do período (anobase de 1995). O trabalho fiscal empreendido desconsiderou, originalmente, parcela aguda das provas documentais trazidas à baila pelo contribuinte, adotando como ilegítimos, arbitrariamente, contratos, extratos bancários e outros elementos similares de instrução. O subjetivismo que eivou o labor fazendário inicial foi parcialmente corrigido pelo aresto atacado. A DRJ recorrida discriminou, então, as despesas fundamentadas pelo contribuinte, de um lado, e aquelas que, em seu entender, não estavam suficientemente demonstradas, de outro, excluindo parte dos lançamentos constituídos. Buscouse, mês a mês, contabilizações por contabilizações, a existência de comprovações hábeis, dentre todo o arcabouço documental juntado pela interessada, concluindo o colegiado a quo pela aceitação de montante considerável das despesas deduzidas. Apesar disso, a postulante não se deu por contente, entendendo que todos os gastos financeiros poderiam ser comprovados, a partir do estudo dos elementos probatórios juntados. A fim, então, de analisar a lidimidade dos lançamentos, repassei cada um dos documentos comprobatórios insertos nos autos, naquilo que se reporta às despesas financeiras cujas glosas não foram infirmadas em primeira instância. Como resultado deste labor, colacionei, inicialmente, todas as despesas que, não obstante arroladas nos Anexos produzidos pelo fiscal autuante, não foram demonstradas, de forma alguma, pela peticionária: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 21 Jan R$ 15.059,87 Não comprovada Não há 42 Fev R$ 24.017,98 Não comprovada Não há 60 Mar R$ 16.926,03 Não comprovada Não há 63 Mar R$ 6.303,09 Não comprovada Não há 65 Mar R$ 565,46 Não comprovada Não há 76 Mar R$ 5.328,38 Não comprovada Não há Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 9 8 81 Mar R$ 1.000,00 Não comprovada Não há 82 Mar R$ 34.327,05 Não comprovada Não há 89 Mai R$ 363,99 Não comprovada Não há 92 Mai R$ 344,94 Não comprovada Não há 95 Mai R$ 392,35 Não comprovada Não há 96 Mai R$ 448,70 Não comprovada Não há 98 Mai R$ 394,88 Não comprovada Não há 100 Mai R$ 400,73 Não comprovada Não há 101 Mai R$ 400,97 Não comprovada Não há 102 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 103 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 104 Mai R$ 235,49 Não comprovada Não há 107 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 109 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 110 Mai R$ 9.916,00 Não comprovada Não há 111 Mai R$ 297,76 Não comprovada Não há 112 Mai R$ 473,85 Não comprovada Não há 113 Mai R$ 375,43 Não comprovada Não há 118 Mai R$ 14.916,06 Não comprovada Não há 158 Set R$ 12.726,59 Não comprovada Não há 160 Set R$ 2.970,82 Não comprovada Não há 184 Nov R$ 31,32 Não comprovada Não há TOTAL R$ 139.817,96 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 07 Abr R$ 247,95 Não comprovada Não há 08 Abr R$ 492,51 Não comprovada Não há 11 Abr R$ 492,46 Não comprovada Não há 13 Abr R$ 470,69 Não comprovada Não há 15 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 10 9 19 Abr R$ 490,61 Não comprovada Não há 20 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 21 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 23 Abr R$ 326,61 Não comprovada Não há 24 Abr R$ 387,51 Não comprovada Não há 26 Abr R$ 472,14 Não comprovada Não há 28 Abr R$ 81,33 Não comprovada Não há 30 Abr R$ 118.647,44 Não comprovada Não há 33 Abr R$ 23.250,43 Não comprovada Não há 35 Jun R$ 294,54 Não comprovada Não há 38 Jun R$ 294,55 Não comprovada Não há 40 Jun R$ 583,88 Não comprovada Não há 42 Jun R$ 349,26 Não comprovada Não há 46 Jun R$ 300,35 Não comprovada Não há 47 Jun R$ 459,21 Não comprovada Não há 48 Jun R$ 23.735,42 Não comprovada Não há 52 Jun R$ 557,80 Não comprovada Não há 56 Jun R$ 12.851,20 Não comprovada Não há TOTAL R$ 186.209,78 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 03 Jan R$ 79,03 Não comprovada Não há 04 Jan R$ 73,00 Não comprovada Não há 05 Jan R$ 18,00 Não comprovada Não há 07 Jan R$ 57,16 Não comprovada Não há 13 Jan R$ 170,00 Não comprovada Não há 17 Jan R$ 69,50 Não comprovada Não há 19 Jan R$ 95,00 Não comprovada Não há 25 Jan R$ 50,00 Não comprovada Não há 32 Jan R$ 71,54 Não comprovada Não há Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 11 10 34 Jan R$ 68,48 Não comprovada Não há 50 Fev R$ 80,30 Não comprovada Não há 53 Fev R$ 36,00 Não comprovada Não há 61 Fev R$ 97,82 Não comprovada Não há 68 Fev R$ 50,00 Não comprovada Não há 70 Fev R$ 85,50 Não comprovada Não há 96 Mar R$ 404,50 Não comprovada Não há 110 Mar R$ 50,00 Não comprovada Não há 111 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 120 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 126 Abr R$ 2.118,85 Não comprovada Não há 127 Abr R$ 404,35 Não comprovada Não há 134 Mai R$ 839,81 Não comprovada Não há 136 Mai R$ 136,30 Não comprovada Não há 143 Mai R$ 412,61 Não comprovada Não há 153 Jul R$ 3.046,06 Não comprovada Não há 155 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 156 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 157 Jul R$ 1.480,03 Não comprovada Não há 158 Jul R$ 966,90 Não comprovada Não há 159 Jul R$ 80,00 Não comprovada Não há 162 Ago R$ 58,88 Não comprovada Não há 167 Ago R$ 697,97 Não comprovada Não há 168 Ago R$ 453,81 Não comprovada Não há 174 Set R$ 116,03 Não comprovada Não há 182 Set R$ 334,44 Não comprovada Não há 183 Set R$ 5.415,65 Não comprovada Não há 184 Set R$ 55,58 Não comprovada Não há 186 Set R$ 105,12 Não comprovada Não há 189 Out R$ 9.648,45 Não comprovada Não há 190 Out R$ 53,60 Não comprovada Não há 191 Out R$ 58,69 Não comprovada Não há 192 Out R$ 72,71 Não comprovada Não há 200 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 12 11 201 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 203 Nov R$ 53,56 Não comprovada Não há 206 Nov R$ 478,44 Não comprovada Não há 208 Nov R$ 115,22 Não comprovada Não há 209 Nov R$ 399,96 Não comprovada Não há TOTAL R$ 30.335,73 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 1 Jun R$ 2.402,39 Não comprovada Não há 2 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 3 Jun R$ 49,30 Não comprovada Não há 4 Jun R$ 637,00 Não comprovada Não há 7 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 8 Jun R$ 530,40 Não comprovada Não há 9 Jun R$ 5,84 Não comprovada Não há 10 Jun R$ 896,20 Não comprovada Não há 11 Jun R$ 129,28 Não comprovada Não há 12 Jun R$ 542,96 Não comprovada Não há 13 Jun R$ 4,70 Não comprovada Não há 15 Jun R$ 553,99 Não comprovada Não há 16 Jun R$ 217,07 Não comprovada Não há 17 Jun R$ 1.156,91 Não comprovada Não há 19 Jun R$ 10,34 Não comprovada Não há 21 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 22 Jun R$ 134,25 Não comprovada Não há 23 Jun R$ 10,40 Não comprovada Não há 25 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 26 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 28 Jun R$ 13,68 Não comprovada Não há 29 Jun R$ 57,39 Não comprovada Não há Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 13 12 30 Jun R$ 3.897,80 Não comprovada Não há TOTAL R$ 11.420,90 Em segundo lugar, dei ensejo, então, à síntese daquelas despesas que, não obstante alegadamente fundadas em arrimos documentais, não puderam ser consideradas, porquanto incongruentes as cifras dos gastos, de um lado, e os montantes indicados nos pretensos comprovantes, de outro. Cuidase aqui, noutras palavras, de despesas computadas em quantias que não guardam correspondência com os valores indicados nos extratos bancários, nos avisos de lançamento de débito e nos demais documentos que, na visão do contribuinte, serviriam para respaldálas. Em parte das vezes, a impossibilidade do reconhecimento da despesa se calcou no fato de os encargos financeiros não estarem discriminados e destacados do valor global da operação correlata (em regra, mútuos tomados junto a instituições financeiras): Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 133 Jul R$ 38.286,25 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 189 185 Nov R$ 45.659,90 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 230 TOTAL R$ 83.946,15 Noutras oportunidades, foi, simplesmente, inviável apurar em quais lançamentos se incluía a despesa contabilizada, porquanto inexistente correlação entre quaisquer dos importes: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 14 13 115 Mai R$ 110.881,14 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 23 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 110.881,14 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 33 Jan R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 272 36 Jan R$ 161,33 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Itaú Doc. 04 – Aditamento ao Recurso Voluntário 40 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 51 Fev R$ 239,30 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 291 54 Fev R$ 200,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 288 57 Fev R$ 75,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 289 60 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 290 75 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 305 78 Mar R$ 52,10 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 307 103 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 15 14 109 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 309 113 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 328 114 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 330 115 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 118 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 119 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 132 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 133 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 144 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 333 149 Jun R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 152 Jul R$ 3.590,10 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 154 Jul R$ 4.789,41 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 160 Jul R$ 1.017,81 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 339 166 Ago R$ 4.043,22 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 27 – Aditamento ao Recurso Voluntário Fl. 14DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 16 15 180 Set R$ 60,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 343 181 Set R$ 965,80 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 185 Set R$ 1.036,67 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 188 Set R$ 226,20 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 344 197 Out R$ 1.981,96 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 347 TOTAL R$ 19.188,90 Em terceiro lugar, também deixei de legitimar aquelas despesas correspondentes a pagamento de juros sobre capital próprio. O não acolhimento da pretensão recursal, nesse ponto, deuse, de um lado, em virtude de os documentos carreados – consubstanciados em simples Avisos de Lançamento de Crédito, lavrados pela própria autuada em nome de seus sócios – não serem, por si só, suficientes para comprovar o efetivo suporte destes gastos. Doutro lado, imperou lembrar, no mais, que o pagamento de juros sobre capital próprio só gerou valores dedutíveis do lucro exacionável a partir do anocalendário de 1996 – átimo de início da vigência da Lei nº 9.249/95. Antes disso – inclusive, no curso do anobase de 1995, ora cuidado –, erradiava efeitos o disposto no artigo 287 do RIR/94, in verbis: “Art. 287. Não serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital (Lei n° 4.506/64, art. 49). Parágrafo único. Não são alcançados pelo impedimento a que se refere este artigo: a) a amortização dos juros pagos ou creditados aos acionistas nos termos da alínea g do inciso II do art. 266; b) os juros, pagos pelas cooperativas a seus associados, de até doze por cento ao ano sobre o capital integralizado Fl. 15DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 17 16 (Leis n°s 4.506/64, art. 49, parágrafo único, e 5.764/71, art. 24, § 3°). “ As despesas contabilizadas à conta de juros sobre capital próprio, ora mantidas como indedutíveis, são as seguintes: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 119 Jul R$ 9.200,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 194 135 Ago R$ 6.428,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 206 136 Ago R$ 7.265,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 207 152 Set R$ 5.253,60 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 214 153 Set R$ 7.238,40 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 215 TOTAL R$ 35.385,00 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 145 Mai R$ 5.323,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio Doc. 09 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 5.323,00 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 18 17 Há, por fim, no entanto, uma plêiade de despesas financeiras que, embora afastadas pelo colegiado inferior, deveriam, sim, ter sido consideradas como comprovadas. Nestes casos, entendi que os documentos anexados – quer extratos bancários, quer avisos de lançamento de débito elaborados pelas instituições financeiras – serviam, isoladamente, a atestar a veracidade de cada um dos encargos suportados. As despesas cujas glosas se deve afastar são, destarte, as adiante listadas: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 20 Jan R$ 6.022,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 06 – Aditamento ao Recurso Voluntário 62 Mar R$ 18.706,55 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 07 – Aditamento ao Recurso Voluntário 64 Mar R$ 2.018,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 70 Mar R$ 246,16 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 197 Dez R$ 3.245,44 Comprovada Extrato Bancário – Banco Cidade Doc. 14 – Aditamento ao Recurso Voluntário 114 Mai R$ 15.984,52 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 134 Jul R$ 12.470,62 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 161 Set R$ 125.028,37 Comprovada Aviso de Débito – Banco Safra 204/205 162 Set R$ 35.728,29 Comprovada Aviso de Débito – Banco 212/3 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 19 18 BBV 186 Nov R$ 290,50 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 231 190 Nov R$ 23.295,04 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 232 191 Nov R$ 7.738,30 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 204 Dez R$ 8.853,25 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 168 TOTAL R$ 259.628,82 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 32 Abr R$ 13.617,18 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 254 44 Jun R$ 89.505,85 Comprovada Aviso de Débito – Banco BMC 261/6 TOTAL R$ 103.123,03 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 107 Mar R$ 669,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Fl. 18DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 20 19 Voluntário 128 Abr R$ 87,50 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 02 – Aditamento ao Recurso Voluntário 130 Mai R$ 404,05 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 05 – Aditamento ao Recurso Voluntário 141 Mai R$ 319,07 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 24 – Aditamento ao Recurso Voluntário 164 Ago R$ 1.494,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 165 Ago R$ 60,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 195 Out R$ 1.789,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 28 – Aditamento ao Recurso Voluntário 198 Out R$ 961,70 Comprovada Aviso de Débito 348 211 Nov R$ 579,28 Comprovada Extrato Bancário – Sudameris Doc. 25 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 6.365,25 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 24 Jun R$ 13,50 Comprovada Aviso de Débito – Bicbanco 496 TOTAL R$ 13,50 Fl. 19DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 21 20 EM TEMPO: a i. conselheira Edeli Pereira Bessa pediu vistas dos autos, na sessão de 04 de agosto de 2011. Em consequência, de volta os recursos à pauta de julgamento, a douta colega, com o brilhantismo que lhe é peculiar, procedeu ao recálculo das glosas efetivadas, chegando a conclusões um pouco dessemelhantes das que alhures pugnamos. Nesse cenário, creio ser essencial que nos manifestemos acerca do trabalho da nobre conselheira, para aquiescermos com o que for pertinente ou, eventualmente, mantermos nosso posicionamento naquilo com o que não concordarmos. Inicialmente, insta pisar que reconhecemos, de fato, a existência de equívocos na decisão de primeiro grau. Com efeito, segundo bem sintetizado pela conselheira Edeli Pereira Bessa “(...) a autoridade julgadora concluiu que todas as glosas pertinentes a julho/95, apontadas no Anexo 3, restaram não comprovadas sob diversos fundamentos. Todavia, ao elaborar o quadro “Resumo dos valores comprovados e não comprovados relativos a Despesas Bancárias e Despesas Financeiras – Juros – 1995”, reconstituindo o Anexo 5 do Termo de Constatação Fiscal, a autoridade julgadora fez constar que a totalidade das glosas indicadas para julho/95 no Anexo 3 haviam sido comprovadas na impugnação. (...)” A correção destas claudicações resultaria, em princípio, em reduções de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL maiores do que as realizadas pela autoridade julgadora inferior. Similarmente, implicaria em minoração mais exígua dos valores de IRRF lançados de ofício. Ocorre, no entanto, que não parece ser possível, em meu entendimento, que se reforme in pejus o aresto recorrido. Afinal, só se conheceu do recurso voluntário, e não do recurso de ofício. O pior dos cenários, para o contribuinte, pode ser o da manutenção do acórdão recorrido, sendo inviável qualquer agravamento de sua situação anterior. O apontamento do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72, para fins de legitimação da revisão perpetrada, não muda este cenário. Este dispositivo, como se pode ver abaixo, só autoriza o saneamento de incorreções que resultem em prejuízo para o sujeito passivo – o que não é o caso, evidentemente: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver Fl. 20DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 22 21 dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (g.n.) Assim, não compactuo das emendas propostas pela i. conselheira Edeli Pereira Bessa ao acórdão de primeira instância, muito embora aplaudamos a diligência dedicada à refeitura do trabalho julgador a quo. De outro lado, devemos também atentar para o fato de a iluminada colega ter apontado supostos equívocos no labor que engendramos. Prontamente, noto que talvez tenhamos dedicado tratamento equivocado a algumas das comprovações disponibilizadas pelo contribuinte. Os apontamentos feitos pela i. conselheira Edeli Pereira Bessa, naquilo que toca às despesas arroladas pelo item 81 do Anexo I, de um lado, e pelo item 96 do Anexo III, de outro, exsurgem, com efeito, mais adequados. Por esta razão, acolhendo os apontamentos realizados, reconheço a comprovação daqueles dispêndios, cancelando as respectivas glosas. Aquiesço, também, com as demais alterações de forma realizadas, que não implicaram em alteração dos valores glosados ou comprovados. Por esta razão, reconheço como escorreitos os quadros intitulados “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação)”, “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação)” e “Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação)”, constantes da Declaração de Voto incrustada a este documento. Considerando, ainda, que os ajustes aduzidos para as planilhas nomeadas “Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação)”, “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação)” e “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação)” foram apenas formais, sem reflexo quantitativo nenhum, compactuo com as modificações propostas pela douta conselheira, por melhor auxiliar na exposição do caso. Outrossim, no que toca ao terceiro conjunto de operações, atinente ao pagamento de “juros sobre capital próprio”, informo que a natureza das despesas foi informada pelo próprio contribuinte, em suas peças. De toda maneira, sem adentrar a considerações respeitantes à efetiva qualificação destas expensas (quer como juros sobre capital próprio, quer como juros sobre capital de giro), certo é que apenas focamos na questão fática de suas comprovações. Por esta razão, nesse ponto, mantemos nosso voto, em suas feições originais. Por derradeiro, também discordo da i. conselheira revisora em relação aos itens 128 e 130 do Anexo III, resguardando meu entendimento anterior. Neste caso, especificamente, creu aquela julgadora que os históricos descritos em extratos bancários, para cada uma destas expensas, não deixariam clara a natureza dos dispêndios, dado não terem sido apresentados os respectivos avisos de lançamento de débito. De fato, vejo que a rubrica “lançamento de débito”, constante dos extratos, é bastante rasa. No entanto, creio que houve comprovação, sim, das despesas, em virtude da Fl. 21DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 23 22 identidade de valores e de datas atrelados aos apontamentos bancários, lado um, e aos respectivos lançamentos contábeis, lado outro. Pareceme certo, pois, que a glosa daquelas cifras não pode subsistir com base, exclusivamente, em aspecto colateral dos instrumentos comprobatórios – atinente não à sua efetividade, mas, sim, a sua qualificação. Acredito que estão superadas, assim, as discussões referentes à comprovação empírica das despesas infirmadas. Passo, pois, a analisar questão de direito, substancialmente levantada, em sessão, pelo patrono da recorrente, atinente à fundamentação legal da incidência de IRRF. (3) Do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 De antemão, mister relevar que a recorrida alega, erroneamente, ter havido incidência de IRRF sobre valores que, uma vez não comprovados como despesas, foram reputados como rendimentos distribuídos a beneficiários não identificados, a teor do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Com fulcro nessa errônea premissa é que, então, aventa, com alguma razão, não poder o Fisco presumir qualquer distribuição, cabendo a este, antes de tudo, provála diretamente, para fins de incidência de imposto retido na fonte. Ocorre, todavia, que o arrimo legal do lançamento de IRRF, externado no corpo do AII, correspondeu ao artigo 44 da Lei nº 8.541/92, outrora vigente: “Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.” Fl. 22DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 24 23 Ao contrário do que ocorre com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95 – que demanda mostra fazendária da distribuição a beneficiários não identificados –, o dispositivo encimado autorizava a presunção iuris tantum da repartição de lucros a sócios ou acionistas, desde que verificada a redução indevida, por qualquer meio, do lucro líquido do período. Assim, cai por terra, em princípio, a alegação ventilada, na medida em que o ônus probante tinha sido atribuído ao contribuinte, e não à Fazenda. A despeito disso, outras ilações se fazem presentes. Turno um, é fundamental notar que o artigo 44 da Lei nº 8.541/92 fora revogado, explicitamente, pelo artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/95, a partir de 01/01/1996. Não há, pois, como aplicar a incidência de IRRF a valores reduzidos incorretamente do lucro líquido, naquilo que reporta a fatos geradores perfeitos depois deste átimo. Mais ainda, entretanto, visualizo que o preceito em comento encerrava previsão de natureza punitiva. A cobrança do IRRF, aqui, parece, a mim, muito mais uma pena, cominada a quem reduzisse ilicitamente as bases de cálculo dos tributos incidentes sobre a renda ou o lucro. Enxergo, portanto, que a revogação do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 fez aplicar, à hipótese, a regra da retroatividade benigna, forte no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” A cobrança do IRRF, ora analisada, não pode, portanto, subsistir. O mecanismo presuntivo questionado não tem mais lugar, depois da edição da Lei nº 9.249/95. Acaso quisesse o Fisco cobrar imposto retido na fonte, deveria aplicar a hipótese do artigo 61 da Lei nº 8.981/95, produzindo provas diretas da distribuição de recursos a beneficiários não identificados, fruto da dedução de despesas inexistentes ou não comprovadas. Não foi esse o caso. Logo, há de serem cancelados os lançamentos de IRRF, mantendose apenas os demais, em observância às glosas de expensas acima mantidas. Este Conselho assim já se manifestou, nos seguintes termos: Fl. 23DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 25 24 “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS LUCRO ARBITRADO ANOCALENDÁRIO DE 1995 A tributação prevista nos artigos 43 e 44 da Lei n. 8541 /92, por ter natureza de norma sancionadora, aplicase, retroativamente, o art. 36 da Lei nº. 9.249/95, que os revogou, ao teor dos artigos 106 e 112 do Código Tributário Nacional. (Ac. nº 101 94.502/04).” “IMPOSTO DE RENDA NA FONTE . OMISSÃO DE RECEITAS ART. 44 DA LEI Nº 8.541/92 A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 tem natureza de penalidade, aplicandose retroativamente o artigo 36 da Lei nº 9.249/95, que o revogou. Em conseqüência, tratandose de ato não definitivamente julgado, o lucro apurado no ano de 1993, referente às receitas não declaradas, não se sujeita à incidência na fonte. (Ac. nº 10806.049/00)” Ainda que assim não se entendesse, parece claro que a mera incomprovação de dispêndios deduzidos não legitimaria a adoção da presunção esculpida pelo caput do artigo 44 acima debatido. Isto porque o próprio § 2º daquele dispositivo determinava que “o disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios”. Ora, evidente que a simples inferência de expensas incomprovadas não autoriza a presunção de repasses clandestinos de valores a sócios ou acionistas. O permissivo em tela cuida, em verdade, de outras formas mais específicas de minoração indevida do lucro líquido. Também há manifestações deste colegiado, em casos semelhantes, no sentido que ora se esposa: “IRF GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/95 só pode ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado comportar efetiva distribuição de recursos a sócios ou terceiros. (Ac. nº 107 08.638/06)” “IR FONTE RECEITA OMITIDA A tributação prevista no art. 44 da Lei n.º 8.541/92 (incorporado ao art. 739 do RIR/94) aplicase aos casos em que a redução do lucro Fl. 24DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 26 25 líquido possa de fato ensejar distribuição de valores, como, por exemplo, no caso de omissão de vendas. (Ac. nº 101 91.987/98).” Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício e CONHEÇO do recurso voluntário, a ele dando PARCIAL PROVIMENTO, para: i) cancelar todas as exigências de IRRF formatadas; ii) nulificar as glosas das despesas financeiras documentalmente comprovadas, na forma das planilhas ora encartadas ao voto, em todos os seus reflexos. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 25DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa o entendimento majoritário da Turma em face das divergências que remanesceram entre o posicionamento desta Conselheira e do I. Relator, concernentes a: 1) correção do erro na liquidação do acórdão recorrido; 2) comprovação dos itens 128 e 130 do Anexo III; 3) incidência do IRRF sobre o valor das despesas glosadas. Isto porque, após apresentação da declaração de voto desta Conselheira, o I. Relator acolheu parte do entendimento ali expresso, reduzindo as divergências inicialmente existentes. Reproduzse, a seguir, a declaração de voto apresentada na sessão de julgamento, a qual, ante a concordância da maioria da Turma Julgadora, passou à condição de voto vencedor. A decisão recorrida e o voto do I. Relator deixam claro que a solução do litígio presente nestes autos exige o exame individualizado das provas juntadas pela interessada. E, em vistas aos autos, constatei que as conclusões extraídas pela autoridade julgadora de 1a instância e pelo I. Relator são orientadas por premissas coerentes com o que as provas revelam, evidência de um exaustivo exame dos elementos que compõem os autos. Contudo, nesta análise por mim procedida, não alcancei integral concordância com o entendimento expresso pelo I. Relator, razão pela qual pontuo minhas divergências. Inicialmente no que tange ao não conhecimento do recurso de ofício, embora concordando com o I. Relator, registro que houve erro na liquidação do crédito tributário pela autoridade julgadora de 1a instância, o qual entendo passível de correção com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Isto porque, no exame de provas realizado em 1a instância, a autoridade julgadora concluiu que todas as glosas pertinentes a julho/95, apontadas no Anexo 3, restaram não comprovadas sob diversos fundamentos. Todavia, ao elaborar o quadro “Resumo dos valores comprovados e não comprovados relativos a Despesas Bancárias e Despesas Financeiras – Juros – 1995”, reconstituindo o Anexo 5 do Termo de Constatação Fiscal, a autoridade julgadora fez constar que a totalidade das glosas indicadas para julho/95 no Anexo 3 haviam sido comprovadas na impugnação. No âmbito do IRPJ e da CSLL, este equívoco resultou em reduções de prejuízo fiscal e base negativa inferiores àquelas que deveriam decorrer do que decidido. Já com referência ao IRRF, restou registrado nos sistemas informatizados da Receita Federal uma redução de crédito tributário superior àquela que deveria ser aplicada em razão da decisão. De fato, na totalização anual, o cálculo da autoridade julgadora resultou na exoneração de R$ 343.822,20, quando o correto seria R$ 338.540,65. Especificamente em julho/95, conforme demonstrativo de fl. 878, a exigência foi reduzida ao principal de R$ 20.984,90, quando o correto seria R$ 26.266,51 (35% das glosas de R$ 75.047,18, equivalente Fl. 26DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 28 27 à soma da base de cálculo mantida no Anexo 5, R$ 59.956,87, e das glosas do Anexo 3 que foram consideradas não comprovadas, R$ 15.090,31). Por tais razões, embora não conhecendo do recurso de ofício, voto por determinar a correção do erro cometido pela autoridade julgadora de 1a instância, adequandose aos fundamentos da decisão a redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa apurada em julho/95, bem como a exigência de IRRF neste mesmo período. Quanto à matéria sob exame em razão do recurso voluntário, adotando a mesma estrutura do voto do I. Relator, observei alguns elementos, nos autos, que corresponderiam a despesas por ele consideradas como não demonstradas pela recorrente. Em parte destes casos a prova seria suficiente para desconstituir a glosa, e em outros não. Aponto, inicialmente, os itens nos quais a prova, no meu entender, seria suficiente para justificar a despesa questionada: Anexo I, item 81 (R$ 1.000,00): às fls. 141/142 a impugnante apresentou contrato de empréstimo no valor principal de R$ 64.000,00, pago em 02/03/95 no valor de R$ 68.034,13, evidenciando juros incorridos de R$ 4.034,13, sendo que esta documentação foi admitida, na decisão recorrida, apenas para convalidar a despesa de R$ R$ 3.034,13, apontada no item 44 do Anexo I; Anexo 3, item 96 (R$ 404,05): houve duas despesas neste valor contabilizadas em março/95 e ambas não foram comprovadas no curso do procedimento fiscal. Na impugnação, a contribuinte juntou os elementos de fls. 329/330 que evidenciam o débito deste valor em 23/03/95, em conta mantida junto ao Banco Nacional S/A, decorrente de registro de documentação de crédito em cartório. Já no aditamento ao recurso voluntário, o documento nº 01 corresponde a extrato de conta de titularidade da empresa junto ao Banco Safra S/A, no qual o mesmo valor está debitado, em 22/03/95, sob o histórico tx reg contrato, inexistindo qualquer indício, ante os demais valores debitados e creditados nos extratos, que se tratasse, em ambos, da mesma movimentação financeira. E, prosseguindo, descrevo as despesas cuja demonstração apresentada não é suficiente para reverter a glosa procedida pela Fiscalização: Anexo I, itens 21 (R$ 15.059,87), 42 (R$ 24.017,98), 82 (R$ 34.327,05) e 118 (R$ 14.916,06), e Anexo II, item 33 (R$ 23.250,43): no documento nº 03, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apenas apresentou correspondência dirigida ao Banco Rural, solicitando segunda via de avisos de débitos que corresponderiam a juros devedores debitados em conta corrente ali indicada, normalmente ao final de cada mês de 1995; Anexo II, item 30 (R$ 118.647,44): no documento nº 18, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apenas apresentou correspondência dirigida ao Banco Safra, solicitando segunda via de aviso de débito que corresponderia ao histórico Safra Garantida 04/95 divs; Anexo III, item 127 (R$ 404,35): no documento nº 05, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apresentou extrato de conta corrente de sua titularidade mantida junto ao Banco Itaú, mas que vincula este valor a débito efetuado em Fl. 27DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 29 28 23/05/95 sob o histórico lançamento de débito, que não se presta a identificar a natureza da despesa; Assim, quanto ao primeiro conjunto analisado pelo I. Relator, consolido minha divergência nos destaques a seguir (tachando os itens que considerei comprovados e alterando a motivação daqueles cuja comprovação identificada não se prestou a desconstituir as glosas), mas antes observando que houve um equívoco na totalização original do primeiro quadro, cujas operações representariam R$ 149.733,96, e não R$ 139.817,96: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 21 Jan R$ 15.059,87 Não comprovada Não há Insuficiente 42 Fev R$ 24.017,98 Não comprovada Não há Insuficiente 60 Mar R$ 16.926,03 Não comprovada Não há 63 Mar R$ 6.303,09 Não comprovada Não há 65 Mar R$ 565,46 Não comprovada Não há 76 Mar R$ 5.328,38 Não comprovada Não há 81 Mar R$ 1.000,00 Não comprovada Não há 82 Mar R$ 34.327,05 Não comprovada Não há Insuficiente 89 Mai R$ 363,99 Não comprovada Não há 92 Mai R$ 344,94 Não comprovada Não há 95 Mai R$ 392,35 Não comprovada Não há 96 Mai R$ 448,70 Não comprovada Não há 98 Mai R$ 394,88 Não comprovada Não há 100 Mai R$ 400,73 Não comprovada Não há 101 Mai R$ 400,97 Não comprovada Não há 102 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 103 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 104 Mai R$ 235,49 Não comprovada Não há 107 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 109 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 110 Mai R$ 9.916,00 Não comprovada Não há 111 Mai R$ 297,76 Não comprovada Não há 112 Mai R$ 473,85 Não comprovada Não há 113 Mai R$ 375,43 Não comprovada Não há Fl. 28DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 30 29 118 Mai R$ 14.916,06 Não comprovada Não há Insuficiente 158 Set R$ 12.726,59 Não comprovada Não há 160 Set R$ 2.970,82 Não comprovada Não há 184 Nov R$ 31,32 Não comprovada Não há TOTAL R$ 139.817,96 R$ 148.733,96 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 07 Abr R$ 247,95 Não comprovada Não há 08 Abr R$ 492,51 Não comprovada Não há 11 Abr R$ 492,46 Não comprovada Não há 13 Abr R$ 470,69 Não comprovada Não há 15 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 19 Abr R$ 490,61 Não comprovada Não há 20 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 21 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 23 Abr R$ 326,61 Não comprovada Não há 24 Abr R$ 387,51 Não comprovada Não há 26 Abr R$ 472,14 Não comprovada Não há 28 Abr R$ 81,33 Não comprovada Não há 30 Abr R$ 118.647,44 Não comprovada Não há Insuficiente 33 Abr R$ 23.250,43 Não comprovada Não há Insuficiente 35 Jun R$ 294,54 Não comprovada Não há 38 Jun R$ 294,55 Não comprovada Não há 40 Jun R$ 583,88 Não comprovada Não há 42 Jun R$ 349,26 Não comprovada Não há 46 Jun R$ 300,35 Não comprovada Não há 47 Jun R$ 459,21 Não comprovada Não há 48 Jun R$ 23.735,42 Não comprovada Não há 52 Jun R$ 557,80 Não comprovada Não há 56 Jun R$ 12.851,20 Não comprovada Não há Fl. 29DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 31 30 TOTAL R$ 186.209,78 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 03 Jan R$ 79,03 Não comprovada Não há 04 Jan R$ 73,00 Não comprovada Não há 05 Jan R$ 18,00 Não comprovada Não há 07 Jan R$ 57,16 Não comprovada Não há 13 Jan R$ 170,00 Não comprovada Não há 17 Jan R$ 69,50 Não comprovada Não há 19 Jan R$ 95,00 Não comprovada Não há 25 Jan R$ 50,00 Não comprovada Não há 32 Jan R$ 71,54 Não comprovada Não há 34 Jan R$ 68,48 Não comprovada Não há 50 Fev R$ 80,30 Não comprovada Não há 53 Fev R$ 36,00 Não comprovada Não há 61 Fev R$ 97,82 Não comprovada Não há 68 Fev R$ 50,00 Não comprovada Não há 70 Fev R$ 85,50 Não comprovada Não há 96 Mar R$ 404,50 Não comprovada Não há 110 Mar R$ 50,00 Não comprovada Não há 111 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 120 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 126 Abr R$ 2.118,85 Não comprovada Não há 127 Abr R$ 404,35 Não comprovada Não há Insuficiente 134 Mai R$ 839,81 Não comprovada Não há 136 Mai R$ 136,30 Não comprovada Não há 143 Mai R$ 412,61 Não comprovada Não há 153 Jul R$ 3.046,06 Não comprovada Não há 155 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 156 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 157 Jul R$ 1.480,03 Não comprovada Não há Fl. 30DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 32 31 158 Jul R$ 966,90 Não comprovada Não há 159 Jul R$ 80,00 Não comprovada Não há 162 Ago R$ 58,88 Não comprovada Não há 167 Ago R$ 697,97 Não comprovada Não há 168 Ago R$ 453,81 Não comprovada Não há 174 Set R$ 116,03 Não comprovada Não há 182 Set R$ 334,44 Não comprovada Não há 183 Set R$ 5.415,65 Não comprovada Não há 184 Set R$ 55,58 Não comprovada Não há 186 Set R$ 105,12 Não comprovada Não há 189 Out R$ 9.648,45 Não comprovada Não há 190 Out R$ 53,60 Não comprovada Não há 191 Out R$ 58,69 Não comprovada Não há 192 Out R$ 72,71 Não comprovada Não há 200 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 201 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 203 Nov R$ 53,56 Não comprovada Não há 206 Nov R$ 478,44 Não comprovada Não há 208 Nov R$ 115,22 Não comprovada Não há 209 Nov R$ 399,96 Não comprovada Não há TOTAL R$ 30.335,73 R$ 29.931,23 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 1 Jun R$ 2.402,39 Não comprovada Não há 2 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 3 Jun R$ 49,30 Não comprovada Não há 4 Jun R$ 637,00 Não comprovada Não há 7 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 8 Jun R$ 530,40 Não comprovada Não há 9 Jun R$ 5,84 Não comprovada Não há Fl. 31DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 33 32 10 Jun R$ 896,20 Não comprovada Não há 11 Jun R$ 129,28 Não comprovada Não há 12 Jun R$ 542,96 Não comprovada Não há 13 Jun R$ 4,70 Não comprovada Não há 15 Jun R$ 553,99 Não comprovada Não há 16 Jun R$ 217,07 Não comprovada Não há 17 Jun R$ 1.156,91 Não comprovada Não há 19 Jun R$ 10,34 Não comprovada Não há 21 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 22 Jun R$ 134,25 Não comprovada Não há 23 Jun R$ 10,40 Não comprovada Não há 25 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 26 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 28 Jun R$ 13,68 Não comprovada Não há 29 Jun R$ 57,39 Não comprovada Não há 30 Jun R$ 3.897,80 Não comprovada Não há TOTAL R$ 11.420,90 Passando ao segundo conjunto de operações analisadas no voto do I. Relator, compartilho de suas conclusões acerca da incompatibilidade de valores entre os documentos comprobatórios apresentados pela interessada e os fatos que pretendia demonstrar. Apenas consigno algumas observações. Inicialmente quanto à falta de discriminação dos encargos financeiros acrescidos na liquidação de operações de empréstimos, registro um acréscimo quanto às folhas dos autos nas quais foram juntados os documentos trazidos na impugnação: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 133 Jul R$ 38.286,25 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 189 e 192 185 Nov R$ 45.659,90 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 230 TOTAL R$ 83.946,15 E adiciono também que: Fl. 32DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 34 33 Relativamente ao item 133 do Anexo I, a contribuinte apresentou, em aditamento ao recurso voluntário, como documento nº 19, correspondência dirigida ao Banco BMC, solicitando segunda via de avisos de débitos que corresponderiam a juros debitados em razão de empréstimo em 25/07/95, a qual nada comprova; Relativamente ao item 185 do Anexo I, a contribuinte apresentou, em aditamento ao recurso voluntário, como documento nº 11, aviso de lançamento sem identificação da instituição financeira emitente, acusando débito em conta corrente no valor de R$ 1.045.659,90, idêntico ao apresentado à fl. 230, e que não discrimina qual parcela deste débito corresponderia a despesas financeiras e/ou bancárias. Ainda neste segundo conjunto analisado pelo I. Relator, concordo com a impossibilidade de se correlacionar as demais despesas por ele apontadas, com os valores expressos nos documentos juntados pela interessada. Mas, como observei que, em alguns casos, outras seriam as folhas nas quais se localizam estes elementos nos autos, faço estes registros abaixo, depois de ser tachada a informação do quadro original: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 115 Mai R$ 110.881,14 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 23 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 110.881,14 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 33 Jan R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 272 36 Jan R$ 161,33 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Itaú Doc. 04 – Aditamento ao Recurso Voluntário 40 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 51 Fev R$ 239,30 Não comprovada Aviso de Débito – 291 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 35 34 Banco Itaú 54 Fev R$ 200,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 288 57 Fev R$ 75,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 289 60 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 290 75 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 305 78 Mar R$ 52,10 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 307 103 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 109 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 309 113 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 328 348 114 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 330 354 115 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 351 118 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 352 119 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 353 132 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 364 133 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 365 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 36 35 144 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 333 374 149 Jun R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 387 152 Jul R$ 3.590,10 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 389 154 Jul R$ 4.789,41 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 337 160 Jul R$ 1.017,81 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 339 391/399 166 Ago R$ 4.043,22 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 27 – Aditamento ao Recurso Voluntário 180 Set R$ 60,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 343 441 181 Set R$ 965,80 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 444/458 185 Set R$ 1.036,67 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 445/458 188 Set R$ 226,20 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 344 443 197 Out R$ 1.981,96 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 347 469/473 TOTAL R$ 19.188,90 Considero relevante, também, destacar que neste conjunto de operações: A contribuinte, por diversas vezes, procurou justificar despesas bancárias no valor de R$ 50,00 apresentando avisos de crédito ou de débito de valores em suas contas bancárias com diferentes valores, possivelmente correspondentes à concessão ou pagamento de empréstimos identificados como hot money. À fl. 272, inclusive, apresenta um aviso de lançamento de débito no valor de R$ 214,67 para justificar despesa de R$ 50,00 (item 33 do Anexo 3), no qual há anotação manuscrita de que cada operação de hot money tem R$ 50,00 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 37 36 de tarifa, insuficiente, como as demais, para demonstrar que assim foi contratado com a instituição financeira; A comprovação de diversas despesas foi feita mediante a apresentação de um conjunto de avisos de lançamento de débitos de tarifas neles identificadas, e esta prova foi admitida pela autoridade julgadora de 1a instância quando o seu somatório correspondia ao valor que a contribuinte pretendia comprovar. A prova somente foi rejeitada em 1a instância, e também pelo I. Relator, no que o acompanho, quando este somatório não equivale à operação a ser comprovada; O item 188 do Anexo 3 corresponde a uma despesa de R$ 226,60 registrada em setembro/95, e, para comprovála, a contribuinte juntou o documento de fl. 443, consistente em aviso de débito em conta corrente mantida pela empresa junto ao Banco Itaú no valor de R$ 226,60, mas sob o histórico de que este valor se referiria a débito de título, cujo importe correto, de R$ 181,29, teria sido posteriormente efetuado. Portanto, este débito corresponderia ao estorno do recebimento de um direito da interessada, e não poderia, em princípio, ter sido contabilizado como despesa. Adentro, então, ao terceiro conjunto de operações examinadas pelo I. Relator, compreendidas como pagamento de juros sobre capital próprio. Concordo que as despesas correspondentes aos itens por ele indicados não podem ser admitidas, mas divirjo de sua motivação, pois não vislumbro nos pagamentos a mesma natureza por ele imputada. Vejo, nos documentos apresentados, possíveis débitos lançados contra a autuada em operações de crédito eventualmente realizadas entre empresas do mesmo grupo empresarial, formalizados mediante preenchimento de aviso de lançamento com o timbre do Grupo Empresarial “Billi”, no qual o débito contra a autuada está associado a juros s/ capital de giro. Tais documentos, porém, deveriam ter sido acompanhados dos contratos formalizados entre as empresas do grupo, de modo a evidenciar a compatibilidade de empréstimos concedidos à autuada e a compatibilidade dos encargos daí decorrentes. Por estas razões, concordo que as despesas assim consolidadas pelo I. Relator são indedutíveis: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 119 Jul R$ 9.200,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 194 135 Ago R$ 6.428,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 206 136 Ago R$ 7.265,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre 207 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 38 37 Capital Próprio de Giro 152 Set R$ 5.253,60 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 214 153 Set R$ 7.238,40 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 215 TOTAL R$ 35.385,00 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 145 Mai R$ 5.323,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro Doc. 09 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 5.323,00 Quanto às demais despesas cuja glosa encontrase em litígio, admitidas como comprovadas pelo I. Relator, registro inicialmente que concordo com sua interpretação de que extratos bancários ou avisos de lançamento de débito em contas correntes mantidas pela autuada, ainda que considerados isoladamente, são provas de despesas bancárias ou financeiras. Contudo, para tanto, reputo necessário que o histórico associado à operação evidencie, minimamente, qual a natureza do valor debitado contra a empresa. Assim, considero não comprovadas algumas operações vinculadas, apenas, a extratos bancários nos quais o valor questionado está associado ao histórico lançamento de débito, casos nos quais seria necessário que o extrato bancário estivesse associado a avisos de lançamento que discriminassem a natureza dos débitos, como fez a contribuinte ao apresentar o conjunto probatório relativamente ao item 141 do Anexo III (fl.s 369/373 complementada pelo documento nº 24, juntado em aditamento ao recurso voluntário). Assim, quanto a este último conjunto analisado pelo I. Relator, consolido minha divergência nos destaques a seguir, tachando os itens que não admiti comprovados pela razão acima exposta: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 20 Jan R$ 6.022,89 Comprovada Extrato Bancário – Doc. 06 – Aditamento Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 39 38 Banco Safra ao Recurso Voluntário 62 Mar R$ 18.706,55 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 07 – Aditamento ao Recurso Voluntário 64 Mar R$ 2.018,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 70 Mar R$ 246,16 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 197 Dez R$ 3.245,44 Comprovada Extrato Bancário – Banco Cidade Doc. 14 – Aditamento ao Recurso Voluntário 114 Mai R$ 15.984,52 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 134 Jul R$ 12.470,62 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 161 Set R$ 125.028,37 Comprovada Aviso de Débito – Banco Safra 204/205 162 Set R$ 35.728,29 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 212/3 186 Nov R$ 290,50 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 231 190 Nov R$ 23.295,04 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 232 191 Nov R$ 7.738,30 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 204 Dez R$ 8.853,25 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 168 TOTAL R$ 259.628,82 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 40 39 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 32 Abr R$ 13.617,18 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 254 44 Jun R$ 89.505,85 Comprovada Aviso de Débito – Banco BMC 261/6 TOTAL R$ 103.123,03 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 107 Mar R$ 669,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 128 Abr R$ 87,50 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 02 – Aditamento ao Recurso Voluntário 130 Mai R$ 404,05 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 05 – Aditamento ao Recurso Voluntário 141 Mai R$ 319,07 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 24 – Aditamento ao Recurso Voluntário 164 Ago R$ 1.494,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 165 Ago R$ 60,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 41 40 Voluntário 195 Out R$ 1.789,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 28 – Aditamento ao Recurso Voluntário 198 Out R$ 961,70 Comprovada Aviso de Débito 348 211 Nov R$ 579,28 Comprovada Extrato Bancário – Sudameris Doc. 25 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 6.365,25 R$ 5.873,25 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 24 Jun R$ 13,50 Comprovada Aviso de Débito – Bicbanco 496 TOTAL R$ 13,50 Registro, também, que a contribuinte juntou, ao final do conjunto probatório apresentado por ocasião da impugnação, vários extratos de contas bancárias por ela mantidas, nos quais, eventualmente, poderiam estar registradas despesas que foram questionadas pela autoridade fiscal. Todavia, caberia à interessada demonstrar o fato que deseja provar, indicando nestes documentos quais itens glosados estariam ali evidenciados, à semelhança de como procedeu na maior parte das provas apresentadas. Incabível, portanto, o exame de todas as operações indicadas nestes extratos bancários, e o seu confronto com as despesas bancárias e financeiras aqui glosadas, com vistas a verificar se, eventualmente, algum indício ali presente se prestaria a desconstituir a exigência remanescente. Assiste razão parcialmente a recorrente quando discorda do fato de a autoridade julgadora de 1a instância ter reclamado a apresentação de extratos bancários como prova, mas tão só nos casos em que a única prova apresentada foram avisos de lançamento de débitos emitidos pelas instituições financeiras, devidamente associados ao item de despesa a ser comprovado. Por fim, pareceme que a recorrente apresenta um derradeiro argumento de defesa, ao contestar o fato de despesas, embora existentes, mas não comprovadas com documentos considerados aptos, gerarem pagamento a beneficiário não identificado. Mais à frente acrescenta que se despesa foi paga não há que se argumentar com distribuição. Não há fonte a ser cobrada. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 42 41 Afirma que é do Fisco o ônus da prova desta distribuição, bem como da inutilidade das provas por ela apresentadas, e discorda do lançamento que entende ter sido formalizado com base em presunção sem amparo legal, ensejando a tributação da Recorrente como se distribuído tivesse o resultado de omissão de receita. Nestes termos, penso que além de discordar da manutenção parcial das glosas promovidas no lançamento, a interessada também questiona a exigência do IRRF sobre estes valores, por entender que não seria possível presumir que eles foram distribuídos a beneficiário não identificado. Reputo, portanto, relevante acrescentar que, quanto à manutenção parcial das glosas, restou evidente no voto do I. Relator, mesmo considerando os ajustes que reputei necessários, que a autuada não logrou comprovar todas as operações que reduziram seu lucro tributável nos períodos de apuração de 1995. A apreciação da prova, em todos os momentos do contencioso aqui instaurado, foi calcada em motivos objetivamente expostos pelas autoridades que sobre elas se debruçaram, subsistindo glosas em razão da incapacidade da contribuinte de demonstrar documentalmente os fatos registrados em sua escrituração contábil. E, relativamente à incidência do IRRF, adiciono que seu fundamento legal está expresso no auto de infração questionado (fl. 64) Art. 739 do RIR/94; Art. 44 da Lei n° 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3o da Medida Provisória n°492/94, convalidada pela Lei n°9.064/95; Art. 62 da Lei n° 8.981/95; Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3o da Lei nº 9.064/95. Por sua vez, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 apresentava a seguinte redação à época dos fatos geradores, antes de sua revogação pela Lei nº 9.249, publicada em 27/12/95: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Esclareço que o art. 62 da Lei nº 8.981/95 (resultante da conversão da Medida Provisória nº 812/94) estabeleceu que a partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do Imposto de Renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%, percentual aplicado no presente lançamento. Acrescento, ainda, que a Lei nº 9.249/95 somente produziu efeitos a partir de 01/01/96, a teor de seu art. 35. Ressalto, porém, que não compartilho do entendimento antes adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca dos efeitos retroativos desta revogação. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 43 42 De fato, em consulta aos acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, observei que o posicionamento daquele órgão oscilou, em vários momentos, acerca da aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/92: Acórdão CSRF nº 0104.952, de 13 de abril de 2004: IRF — ANOCALENDÁRIO 1994 — OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA — ART. 44 DA LEI N° 8.541/92 — APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA REVOGADORA — EXCLUSÃO DO ACRÉSCIMO PENAL — Revela caráter penalizante a tributação instituída no art.. 44 da Lei n° 8.541/92 e incidente sobre o lucro indevidamente reduzido e presumido distribuído ao sócio da pessoa jurídica tributada com base no lucro real Por força do art.. 106, II, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente a revogação prevista no art 36, inciso IV, da Lei n° 9.249/95 Excluise do lançamento o excesso de alíquota que constitui acréscimo penal no anocalendário 1994, a alíquota será reduzida de 25% para 15%, percentual previsto no art. 2° da Lei n° 8.849/94 para a regular distribuição de lucros aos sócios Acórdão CSRF nº 0105.182, de 14 de março de 2005: IRFONTE — LUCRO REAL — OMISSÃO DE RECEITAS — ANO CALENDÁRIO DE 1995 Cabível a exigência do Imposto de Renda na Fonte calculado sobre a redução indevida do lucro pela pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, tendo por fundamento legal os artigo 44 da Lei n°8.541/92. Acórdão CSRF nº 0105.618, de 26 de março de 2007: IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — APLICAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADOS PELA LEI N° 9.064/95 E REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95 — RETROATIVIDADE BENIGNA: A forte conotação de penalidade da norma de incidência, combinada com a quebra da isonomia e da sistemática que instrui o lucro presumido e o conflito entre os conceitos de receita e lucro, fazem com que seja aceitável a aplicação da retroatividade benigna quando da revogação da norma de caráter punitivo, aplicandose aos casos de omissão de receitas de empresa que tributou pelo lucro presumido seus resultados do anocalendário de 1.995. Por impedimento legal, inevitável o cancelamento da exigência como um todo. Acórdão nº 910100.225, de 28 de julho de 2009: IRPJ. 1RRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, não sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna. É certo que, em sessão de 23 de fevereiro de 2010, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento em favor da retroatividade da norma revogadora, no acórdão proferido no AgRg no Recurso Especial nº 1.106.260 PR (2008/02622086): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. IRPJ. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITAS. REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI 8.541/92. PENALIDADES. RETROAÇÃO DA LEI MAIS BENIGNA. APLICABILIDADE. ART. 106 DO CTN. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 44 43 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL DO STJ. 1. Posicionamento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal no sentido de reconhecer a retroatividade benigna (art. 106 do CTN) provocada pela revogação dos artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92, que continham normas com caráter de penalidade e estabeleciam a incidência em separado do imposto de renda sobre o valor da receita omitida. 2. Precedentes citados: AgRg no REsp n. 716.208/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 6/12/2009 e REsp n. 801.447/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 26/10/2009. 3. Entendimento da Corte Especial do STJ de que, em sendo vencida a Fazenda Pública, quanto à fixação dos honorários advocatícios, fazse necessário observar a regra do § 4º do art. 20 do CPC e os requisitos das alíneas "a", "b" e "c" do § 3º do citado dispositivo processual. (EREsp 624.356/RS, Rel. Min. Nilson Naves, Corte Especial, DJ de 8/10/2009). 4. Agravo regimental provido, em parte, para fixar os honorários advocatícios, a serem suportados pela Fazenda Nacional, em R$ 1.000,00 (um mil reais). Todavia, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reafirmou seu posicionamento contrário à retroatividade da norma revogadora em sessão de 17 de maio de 2010, no Acórdão nº 910100.574, assim ementado: IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ART. 43 DA LEI N. 8.541/92. LUCRO PRESUMIDO. CARÁTER PENAL. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 43 da Lei n. 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n. 492/94, quando prevê a tributação em separado e definitiva das receitas omitidas pelo contribuinte, não tem natureza de penalidade, Tratase de norma que define a base de cálculo do imposto e da contribuição social, no caso específico da omissão de receita. Inexiste, pois, previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna ao caso. Acompanho, assim, o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contrário à aplicação da retroatividade benigna no presente caso. Quanto aos demais períodos, bem observou a autoridade julgadora de 1a instância que as despesas que não foram comprovadas ocasionaram uma redução do lucro líquido, independentemente da impugnante ter tido lucro real ou prejuízo fiscal e estão sujeitas à incidência do IRRF, pois, como visto no referido artigo, estas despesas não comprovadas, que formam a receita omitida, presumemse automaticamente recebidas pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual. Evidente está que não se trata de exigência de IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado (hipótese contida no art. 61 da Lei nº 8.981/95), mas sim de presunção de distribuição de lucros a sócios da pessoa jurídica que reduz indevidamente seus resultados. De outro lado, apesar da empresa autuada ter tido prejuízo fiscal e contábil em todos os períodos autuados (fls. 101/112), inclusive em valores superiores às glosas mantidas, quer pelo I. Relator, quer nos termos do presente voto, o §2o do art. 44 da Lei nº 8.541/92 deixa claro que somente não se sujeitam à incidência de IRRF as deduções que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 45 44 Já no presente caso, a contribuinte reduziu suas disponibilidades ou direitos mediante contabilização de despesas que não logrou comprovar, substrato fático suficiente para, com base na lei, presumir que estes valores não se destinaram a quitar despesas financeiras ou bancárias, mas sim favoreceram seus sócios, sujeitando a pessoa jurídica à tributação correspondente. Concluindo, consolido as divergências aqui apresentadas seguindo a mesma estrutura apresentada na decisão recorrida, confrontando o seu resultado com as conclusões do I. Relator e deste voto: DESPESAS BANCÁRIAS – JUROS – CONTA 3.1.5.051.0150 – ANEXO 1 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 20 jan/95 6.022,89 21 jan/95 15.059,87 15.059,87 15.059,87 42 fev/95 24.017,98 24.017,98 24.017,98 60 mar/95 16.926,03 16.926,03 16.926,03 62 mar/95 18.706,55 63 mar/95 6.303,09 6.303,09 6.303,09 64 mar/95 2.018,89 65 mar/95 565,46 565,46 565,46 70 mar/95 246,16 76 mar/95 5.328,38 5.328,38 5.328,38 81 mar/95 1.000,00 1.000,00 82 mar/95 34.327,05 34.327,05 34.327,05 89 mai/95 363,99 363,99 363,99 92 mai/95 344,94 344,94 344,94 95 mai/95 392,35 392,35 392,35 96 mai/95 448,70 448,70 448,70 98 mai/95 394,88 394,88 394,88 100 mai/95 400,73 400,73 400,73 101 mai/95 400,97 400,97 400,97 102 mai/95 380,27 380,27 380,27 103 mai/95 380,27 380,27 380,27 104 mai/95 235,49 235,49 235,49 107 mai/95 377,84 377,84 377,84 109 mai/95 377,84 377,84 377,84 110 mai/95 9.916,00 9.916,00 9.916,00 111 mai/95 297,76 297,76 297,76 112 mai/95 473,85 473,85 473,85 113 mai/95 375,43 375,43 375,43 114 mai/95 15.984,52 115 mai/95 110.881,14 110.881,14 110.881,14 118 mai/95 14.916,06 14.916,06 14.916,06 119 jul/95 9.200,00 9.200,00 9.200,00 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 46 45 133 jul/95 38.286,25 38.286,25 38.286,25 134 jul/95 12.470,62 135 ago/95 6.428,00 6.428,00 6.428,00 136 ago/95 7.265,00 7.265,00 7.265,00 152 set/95 5.253,60 5.253,60 5.253,60 153 set/95 7.238,40 7.238,40 7.238,40 158 set/95 12.726,59 12.726,59 12.726,59 160 set/95 2.970,82 2.970,82 2.970,82 161 set/95 125.028,37 162 set/95 35.728,29 184 nov/95 31,32 31,32 31,32 185 nov/95 45.659,90 45.659,90 45.659,90 186 nov/95 290,50 190 nov/95 23.295,04 191 nov/95 7.738,30 197 dez/95 3.245,44 204 dez/95 8.853,25 DESPESAS BANCÁRIAS – JUROS – CONTA 3.1.5.051.0150 – ANEXO 2 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 7 Abril 247,95 247,95 247,95 8 Abril 492,51 492,51 492,51 11 Abril 492,46 492,46 492,46 13 Abril 470,69 470,69 470,69 15 Abril 474,63 474,63 474,63 19 Abril 490,61 490,61 490,61 20 Abril 474,63 474,63 474,63 21 Abril 474,63 474,63 474,63 23 Abril 326,61 326,61 326,61 24 Abril 387,51 387,51 387,51 26 Abril 472,14 472,14 472,14 28 Abril 81,33 81,33 81,33 30 Abril 118.647,44 118.647,44 118.647,44 32 Abril 13.617,18 33 Abril 23.250,43 23.250,43 23.250,43 35 Junho 294,54 294,54 294,54 38 Junho 294,55 294,55 294,55 40 Junho 583,88 583,88 583,88 42 Junho 349,26 349,26 349,26 44 Junho 89.505,85 46 Junho 300,35 300,35 300,35 47 Junho 459,21 459,21 459,21 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 47 46 48 Junho 23.735,42 23.735,42 23.735,42 52 Junho 557,80 557,80 557,80 56 Junho 12.851,20 12.851,20 12.851,20 DESPESAS BANCÁRIAS EM 1995 – CONTA 3.1.5.051.0090 ANEXO 3 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 3 jan/95 79,03 79,03 79,03 4 jan/95 73,00 73,00 73,00 5 jan/95 18,00 18,00 18,00 7 jan/95 57,16 57,16 57,16 13 jan/95 170,00 170,00 170,00 17 jan/95 69,50 69,50 69,50 19 jan/95 95,00 95,00 95,00 25 jan/95 50,00 50,00 50,00 32 jan/95 71,54 71,54 71,54 33 jan/95 50,00 50,00 50,00 34 jan/95 68,48 68,48 68,48 36 jan/95 161,33 161,33 161,33 40 fev/95 50,00 50,00 50,00 50 fev/95 80,30 80,30 80,30 51 fev/95 239,30 239,30 239,30 53 fev/95 36,00 36,00 36,00 54 fev/95 200,00 200,00 200,00 57 fev/95 75,00 75,00 75,00 60 fev/95 50,00 50,00 50,00 61 fev/95 97,82 97,82 97,82 68 fev/95 50,00 50,00 50,00 70 fev/95 85,50 85,50 85,50 75 mar/95 50,00 50,00 50,00 78 mar/95 52,10 52,10 52,10 96 mar/95 404,05 404,05 103 mar/95 50,00 50,00 50,00 107 mar/95 669,60 109 mar/95 50,00 50,00 50,00 110 mar/95 50,00 50,00 50,00 111 abr/95 50,00 50,00 50,00 113 abr/95 50,00 50,00 50,00 114 abr/95 50,00 50,00 50,00 115 abr/95 50,00 50,00 50,00 118 abr/95 50,00 50,00 50,00 119 abr/95 50,00 50,00 50,00 120 abr/95 50,00 50,00 50,00 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 48 47 126 abr/95 2.118,85 2.118,85 2.118,85 127 abr/95 404,35 404,35 404,35 128 abr/95 87,50 87,50 130 mai/95 404,05 404,05 132 mai/95 50,00 50,00 50,00 133 mai/95 50,00 50,00 50,00 134 mai/95 839,81 839,81 839,81 136 mai/95 136,30 136,30 136,30 141 mai/95 319,07 143 mai/95 412,61 412,61 412,61 144 mai/95 50,00 50,00 50,00 145 mai/95 5.323,00 5.323,00 5.323,00 149 jun/95 50,00 50,00 50,00 152 jul/95 3.590,10 3.590,10 3.590,10 153 jul/95 3.046,06 3.046,06 3.046,06 154 jul/95 4.789,41 4.789,41 4.789,41 155 jul/95 60,00 60,00 60,00 156 jul/95 60,00 60,00 60,00 157 jul/95 1.480,03 1.480,03 1.480,03 158 jul/95 966,90 966,90 966,90 159 jul/95 80,00 80,00 80,00 160 jul/95 1.017,81 1.017,81 1.017,81 162 ago/95 58,88 58,88 58,88 164 ago/95 1.494,00 165 ago/95 60,00 166 ago/95 4.043,22 4.043,22 4.043,22 167 ago/95 697,97 697,97 697,97 168 ago/95 453,81 453,81 453,81 174 set/95 116,03 116,03 116,03 180 set/95 60,00 60,00 60,00 181 set/95 965,80 965,80 965,80 182 set/95 334,44 334,44 334,44 183 set/95 5.415,65 5.415,65 5.415,65 184 set/95 55,58 55,58 55,58 185 set/95 1.036,67 1.036,67 1.036,67 186 set/95 105,12 105,12 105,12 188 set/95 226,60 226,60 226,60 189 out/95 9.648,45 9.648,45 9.648,45 190 out/95 53,60 53,60 53,60 191 out/95 58,69 58,69 58,69 192 out/95 72,71 72,71 72,71 195 out/95 1.789,60 197 out/95 1.981,96 1.981,96 1.981,96 198 out/95 961,70 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 49 48 200 out/95 478,44 478,44 478,44 201 out/95 478,44 478,44 478,44 203 nov/95 53,56 53,56 53,56 206 nov/95 478,44 478,44 478,44 208 nov/95 115,22 115,22 115,22 209 nov/95 399,96 399,96 399,96 211 nov/95 579,28 DESPESAS BANCÁRIAS EM 1995 – CONTA 3.1.5.051.0090 ANEXO 4 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 1 Junho 2.402,39 2.402,39 2.402,39 2 Junho 50,00 50,00 50,00 3 Junho 49,30 49,30 49,30 4 Junho 637,00 637,00 637,00 7 Junho 50,00 50,00 50,00 8 Junho 530,40 530,40 530,40 9 Junho 5,84 5,84 5,84 10 Junho 896,20 896,20 896,20 11 Junho 129,28 129,28 129,28 12 Junho 542,96 542,96 542,96 13 Junho 4,70 4,70 4,70 15 Junho 553,99 553,99 553,99 16 Junho 217,07 217,07 217,07 17 Junho 1.156,91 1.156,91 1.156,91 19 Junho 10,34 10,34 10,34 21 Junho 50,00 50,00 50,00 22 Junho 134,25 134,25 134,25 23 Junho 10,40 10,40 10,40 24 Junho 13,50 25 Junho 10,50 10,50 10,50 26 Junho 10,50 10,50 10,50 28 Junho 13,68 13,68 13,68 29 Junho 57,39 57,39 57,39 30 Junho 3.897,80 3.897,80 3.897,80 TOTAL GERAL 1.001.554,66 632.424,51 631.512,01 Transporto, ainda, estes valores para o Anexo 5 elaborado pela autoridade fiscal, e reconstituído na decisão recorrida: VALORES (em R$) Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 50 49 MÊS ANEXO NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA JAN ANEXO 1 – desp financeiras juros 21.082,76 15.059,87 15.059,87 ANEXO 3 – desp bancárias 963,04 963,04 963,04 SOMA 22.045,80 16.022,91 16.022,91 FEV ANEXO 1 – desp financeiras juros 24.017,98 24.017,98 24.017,98 ANEXO 3 – desp bancárias 963,92 963,92 963,92 SOMA 24.981,90 24.981,90 24.981,90 MAR ANEXO 1 – desp financeiras juros 85.421,61 64.450,01 63.450,01 ANEXO 3 – desp bancárias 1.325,75 656,15 252,10 SOMA 86.747,36 65.106,16 63.702,11 ABR ANEXO 1 – desp financeiras juros ANEXO 2 – desp financeiras juros 160.400,75 146.783,57 146.783,57 ANEXO 3 – desp bancárias 2.960,70 2.873,20 2.960,70 SOMA 163.361,45 149.656,77 149.744,27 MAI ANEXO 1 – desp financeiras juros 157.343,03 141.358,51 141.358,51 ANEXO 3 – desp bancárias 7.584,84 6.861,72 7.265,77 SOMA 164.927,87 148.220,23 148.624,28 JUN ANEXO 2 – desp financeiras juros 128.932,06 39.426,21 39.426,21 ANEXO 3 – desp bancárias 50,00 50,00 50,00 ANEXO 4 – desp bancárias 11.434,40 11.420,90 11.420,90 SOMA 140.416,46 50.897,11 50.897,11 JUL ANEXO 1 – desp financeiras juros 59.956,87 47.486,25 47.486,25 ANEXO 3 – desp bancárias 15.090,31 15.090,31 15.090,31 SOMA 75.047,18 62.576,56 62.576,56 AGO ANEXO 1 – desp financeiras juros 13.693,00 13.693,00 13.693,00 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 51 50 ANEXO 3 – desp bancárias 6.807,88 5.253,88 5.253,88 SOMA 20.500,88 18.946,88 18.946,88 SET ANEXO 1 – desp financeiras juros 188.946,07 28.189,41 28.189,41 ANEXO 3 – desp bancárias 8.315,89 8.315,89 8.315,89 SOMA 197.261,96 36.505,30 36.505,30 OUT ANEXO 1 – desp financeiras juros ANEXO 3 – desp bancárias 15.523,59 12.772,29 12.772,29 SOMA 15.523,59 12.772,29 12.772,29 NOV ANEXO 1 – desp financeiras juros 77.015,06 45.691,22 45.691,22 ANEXO 3 – desp bancárias 1.626,46 1.047,18 1.047,18 SOMA 78.641,52 46.738,40 46.738,40 DEZ ANEXO 1 – desp financeiras juros 12.098,69 SOMA 12.098,69 TOTAL GERAL 1.001.554,66 632.424,51 631.512,01 Por todo o exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER do recurso de ofício, mas determinar a correção do erro cometido pela autoridade julgadora de 1a instância, adequandose aos fundamentos da decisão a redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa apurada em julho/95, bem como a exigência de IRRF neste mesmo período; b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: b.1) Manter as reduções de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos meses de 1995 em montantes equivalentes às despesas não comprovadas, acima consolidadas; b.2) Manter as exigências de IRRF correspondentes a 35% das despesas não comprovadas, acima consolidadas, de janeiro a dezembro/95. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 52 51 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13856.000239/2004-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE.
O regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço.
A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à pessoa jurídica vendedora (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (artigo 5o, inciso III).
Assim, seja pela própria natureza do regime da não-cumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora - e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação.
A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 - posterior aos fatos geradores -, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...], objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002.
Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada.
Recurso ao qual se nega provimento.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado.
Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE. O regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à pessoa jurídica vendedora (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da não-cumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora - e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação. A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 - posterior aos fatos geradores -, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...], objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002. Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada. Recurso ao qual se nega provimento. Direito creditório não reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE. O regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação. A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 posterior aos fatos geradores , que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...]”, objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 39 /2 00 4- 01 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002. Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada. Recurso ao qual se nega provimento. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 112 3 A contribuinte CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1433.006, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o respectivo momento, adotase o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), fl. 1. cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$ 52.136,56. A DRF/Ribeirão Preto, por meio do despacho decisório de fl. 111, não homologou a compensação, deixando de reconhecer integralmente o direito creditório postulado. Segundo os autos, a nãohomologação da compensação ocorreu porquanto, na análise da Ficha 04 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), a fiscalização constatou que a interessada empresa comercial exportadora se creditou indevidamente de valores referentes à aquisição de produtos com isenção destinados a exportação, bem assim das despesas de armazenagem e fretes. Assim, haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal; foi elaborada planilha de glosa dos citados créditos na ficha correspondente do Dacon (Anexo I fl. 26). Ainda segundo a fiscalização, a postulante considerou, como receitas de exportação, outros valores que não aqueles referentes às notas fiscais de exportação devidamente registradas no Sistema SISCOMEX, tais como complementos de preço e variações cambiais, que são tributáveis pelo PIS, assim, com base nos valores de receitas informadas pela interessada, foi refeita a base de cálculo da contribuição apurada na Ficha 05 do Dacon). Do valor da contribuição, calculado após as compensações dos novos valores de créditos apurados pela fiscalização, resultou o valor da contribuição devida, no período de dezembro de 2002 a dezembro 2004, da qual foi excluída a parcela já declarada em DCTF, sendo apurado crédito tributário que foi objeto do auto de infração formalizado no processo n° 15956.000309/200843. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 116/137, alegando, preliminarmente, que o direito do Fisco de exigir o pagamento Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referentes a fevereiro de 2003, objeto da compensação informada na DCOMP, encontrase decaído, a teor do art. 150, § 4o , do Código Tributário Nacional (CTN). Solicita, ainda em preliminar, o julgamento do presente juntamente com o processo nº 15956.000309/200843, onde foi constituído o auto de infração do PIS proveniente das mesmas glosas, por possuírem matérias coincidentes, informando ainda que a matéria de direito está integralmente consignada na impugnação ali contida, principalmente quanto às alegações da fiscalização de que a contribuinte teria considerado como faturamento no mercado externo receitas derivadas de vendas no mercado interno. Quanto ao mérito, alega que se trata de empresa preponderantemente exportadora e que foram desconsiderados, de forma infundada, pela fiscalização, os lançamentos contábeis na conta de Receita de Revenda de Exportação a título de "Complemento de Preço", "Variação Monetária" e "Estornos", levando os respectivos valores à tributação da contribuição como se receita de mercado interno fossem, algo que não se pode convalidar; todas as operações comerciais de venda, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, não tendo havido, neste período, qualquer operação de venda de produto no mercado interno. Após tecer considerações sobre os princípios contábeis atinentes a realização da receita conclui com a assertiva de que a receita de exportação somente se considera realizada no momento da transferência de propriedade dos produtos de uma entidade à outra, que se concretiza, no caso em apreço, pelo embarque das mercadorias exportadas no porto, razão pela qual, desde a emissão da Nota Fiscal de Exportação até o momento em que se apure a receita de venda efetiva, são necessariamente efetuados ajustes, a débito e crédito, nas contas correspondentes de acordo com o regime de competência, sendo portando consideradas "variações cambiais", tanto para efeitos contábeis quanto fiscais, apenas após a tradição da mercadoria "emissão do Bill of Landing'". Prossegue, afirmando que seria de praxe no mercado nacional e internacional de compra e venda de commodities, quando estas são negociadas em bolsas internacionais como é o caso do açúcar ou sujeitas a cotações diárias como é o caso do álcool , a apuração do preço de venda a posteriori, mesmo que após o embarque das mercadorias com destino ao exterior, por conta da possibilidade de fixação do preço final a critério e oportunidade do vendedor, o que gera em sua contabilidade, novamente em reverência ao princípio da competência, estornos e complementos de preço, de modo que a receita de exportação total reflita o valor final da operação. Os procedimentos legais de Despacho de Exportação, conforme consignado no termo de encerramento pela fiscalização, foram regularmente cumpridos pelo Contribuinte, não havendo determinação legal expressa de nova averbação no SISCOMEX Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 113 5 no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, nem tampouco qualquer necessidade de vinculação desta à comprovação da exportação para fins de gozo da imunidade das receitas de exportação à contribuição em apreço; ademais, o art. 160 da Portaria SECEX n° 36/07, que dispõe dos procedimentos de exportação, prevê que poderão ser efetuadas alterações no RE, e em casos bastante específicos, não havendo qualquer determinação expressa de nova averbação no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, como requer a fiscal. Em relação aos créditos na aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, alega que a Lei n° 10.637, de 2002, em sua redação original, não trazia qualquer óbice relacionado à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras, enquadrandose como pessoas jurídicas sujeitas ao regramento geral do regime da nãocumulatividade, conforme previsão contida na redação original do art 3o , de que o contribuinte poderá descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. Io. Somente com o advento da Lei n° 10.833/03, que passou a vigorar a partir de Io de fevereiro de 2004, nos termos do § 4 o do art. 6 o e disposição do art. 15, é que o direito de utilizar o crédito em virtude da imunidade das receitas de exportação e isenção nas vendas com fim específico de exportação não mais beneficiou a empresa comercial exportadora que adquirisse mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação; portanto, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, não havia qualquer vedação a apropriação de tais créditos, inclusive, entendimento já expresso pelo antigo Conselho de Contribuintes, que cita. Por fim, esclarece que, por todo o exposto e, de acordo com a legislação de regência, tem direito à compensação informada na DCOMP, não havendo que se falar em débito remanescente de IRPJ. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, contudo, não foram acatados pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que negou provimento à manifestação de inconformidade, julgando procedente a glosa de créditos e negando o direito creditório, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras tratase de caso de não incidência, que, por conseqüência natural do regime da não cumulatividade da contribuição, não resulta em direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DÉBITOS. COMPETÊNCIA DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não têm competência legal para a análise da cobrança dos débitos objetos de DComp não homologada, mas sim do despacho que indeferiu a compensação pretendida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão a quo em 05/05/11, e inconformada com seu teor, a empresa interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário em 06/06/11, aduzindo como razões para reforma da r. decisão recorrida e o consequente cancelamento da exigência fiscal, em síntese, inexistirem as irregularidades apontadas pela fiscalização, tendo em vista que: i) apenas os fundamentos referentes à “INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SEM INCIDÊNCIA DO PIS” fazem referência ao crédito objeto da Declaração de Compensação em questão, razão pela qual deve ser reformado o acórdão recorrido, para que se proceda à correta subsunção do fato à norma, tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância não deveria tratar da incidência da contribuição para o PIS sobre receitas de exportação registradas a título de complemento de preço, nem mesmo sobre as variações monetárias decorrentes de variações cambiais, uma vez que o processo administrativo em tela se restringe tão somente à legalidade do direito ao desconto de créditos de bens adquiridos para revenda (fim específico de exportação) em abril de 2003; ii) até 31 de janeiro de 2004 não havia na legislação de regência da contribuição para o PIS qualquer vedação de desconto de créditos nas aquisições tanto de comerciais exportadoras, na regra específica, quanto de produtos não sujeitos à incidência da contribuição, pela regra geral, posto que a Lei nº 10.637/02 não trazia em sua redação original qualquer óbice ao desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras (sujeitas ao regramento geral do regime), sendo certo que a restrição imposta pela Lei nº 10.833/03 somente entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2004 (art. 93, inciso I); Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 114 7 iii) a decisão recorrida é contraditória, vez que admite o conceito de não cumulatividade de tributos conforme o interesse de negar direitos creditórios à Recorrente, pois, ao mesmo tempo que afirma, com base neste conceito, que o contribuinte só possui direito ao crédito se a operação anterior foi tributada pela exação, também nega sua aplicação ao aceitar que o art. 6º, §4º, da Lei nº 10.833/03 veda o aproveitamento de crédito na aquisição de despesas de frete e armazenagem; iv) uma vez reconhecido o direito creditório da Recorrente no tocante às aquisições de mercadorias com finalidade específica de exportação em abril de 2003, por expressa previsão legal e por ausência de qualquer vedação ao contrário sua Dcomp deve ser reconhecida, não havendo que se falar em débitos remanescentes de IRPJ, vez que os mesmos foram extintos por compensação, nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Por fim, requer seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, de modo que seja homologada a Declaração de Compensação correlata, e ainda, pugna pela intimação dos procuradores subscritos acerca da inclusão do processo administrativo em pauta de julgamentos, bem como pelo apensamento deste ao processo nº 15956.000309/200843, referente à cobrança da contribuição para o PIS entre janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso merece ser conhecido, por preencher os requisitos de admissibilidade e pela sua manifesta tempestividade, nos termos do Decreto nº 70.235/72. I) Da matéria posta em análise De início, insta delimitar a abrangência da análise que será aqui realizada, uma vez que o procedimento de fiscalização que permitiu concluir pela não homologação do direito creditório pleiteado pela ora Recorrente englobou não somente outros períodos de apuração como também outros fatos jurídicos irrelevantes ao presente caso. Mediante a entrega de Declaração de Compensação datada de 28/10/04 (fls. 2/4) a contribuinte pretendia compensar débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ devido, com créditos de PIS. Compulsando os autos, verificase que os créditos de PIS que a Recorrente tinha como líquidos e certos para a efetivação da compensação pleiteada decorrem de créditos oriundos das suas atividades de exportação, incluindo certos insumos (frete e armazenagem), devidamente glosados pela autoridade fiscal responsável pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.09.002008008580, o que refletiu na lavratura do Auto de Infração que deu azo ao processo administrativo nº 15956.000309/200843. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Bem se percebe nos autos que a controvérsia perpassa por dois elementos: a) legitimidade dos créditos de PIS referentes a aquisição de mercadorias e demais insumos com o fim específico de exportação pela empresa comercial exportadora ora Recorrente na Declaração de Compensação sob exame; b) incidência, ou não, do PIS sobre as receitas resultantes de complementos de preço e variações cambiais, alegadamente auferidas em operações de exportação. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. Todavia, como o próprio contribuinte explica, o saldo credor objeto de discussão nos autos não envolve tais receitas, estando os autos circunscritos à celeuma acerca dos créditos de mercadorias adquiridas para exportação. Passase então à matéria de fundo, propriamente dita. II.1) Do direito ao crédito de PIS em relação a mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação Em manifestação de voto apresentada na última sessão de julgamento, manifesteime no sentido de que, mesmo na inexistência de norma expressa que vedasse o direito de aproveitamento de créditos com relação à aquisição de mercadorias destinadas a exportação, por empresa comercial exportadora, o fato de que elas não haviam sido tributadas anteriormente não permitiria que o sujeito passivo utilizasse suas aquisições na apuração do tributo. Finqueime, para tanto, na lógica do tributo e nos efeitos econômicos dessa operação. Assim fundamentei minha posição: Ocorre que, apesar de aparentemente corretas, tais assertivas não merecem guarida por este E. Conselho, como se passará a demonstrar. Primeiramente, convém ressaltar que a sistemática não cumulativa de apuração da contribuição ao PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02, pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta, senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária. Nesse contexto, a não cumulatividade do PIS operase por meio da concessão de créditos calculados em relação a determinados valores que representam insumos, bens instrumentais, custos ou Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 115 9 despesas da atividade econômica selecionada para ser não cumulativa, que serão deduzidos da base de cálculo encontrada pelo contribuinte (faturamento). Assim, a tributação que ocorre sobre o faturamento do contribuinte, será reduzida mediante a utilização de créditos restringidos a determinados bens e serviços, assegurandose sempre a neutralidade da tributação: esse o propósito da não cumulatividade. Até porque a não cumulatividade, tomada como princípio ou postulado da tributação por alguns doutrinadores, não possui carga valorativa, sendo sim um instrumento tributário para atingir fins de política econômica. Desde seu nascedouro no Brasil, a não cumulatividade é um critério de tributação que tem a finalidade sistêmica de neutralizar a cadeia produtiva, a fim de não haja prejuízo em conta tributária para os intermediários da cadeia, e que o ônus econômico seja integralmente direcionado sempre para o consumidor final. No caso concreto, dadas as peculiaridades das mercadorias objeto do caso, temse que não houve tributação dessas mercadorias, que foram produzidas e vendidas para a Recorrente, comercial exportadora. O art. 5º da Lei nº 10.637/02 era, desde sua redação original, assente em determinar a não incidência do PIS sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias, e das vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, impondo a não incidência do tributo sobre tais operações, que não se subsumem ao aspecto material da hipótese de incidência da contribuição. Com efeito, incontestável a finalidade específica da aquisição das mercadorias por parte da Recorrente, não havendo que se falar em necessidade de lei que trouxesse expressa vedação ou autorização ao creditamento ora pretendido, pelo simples fato de que decorre da lógica jurídica do sistema não cumulativo que a aquisição de insumos sobre os quais não incida a contribuição é ilegítima para geração de créditos deste mesmo tributo. É de notório conhecimento que as leis e demais normas jurídicas presentes no ordenamento jurídico nacional devem ser interpretadas de forma sistemática, permitindo que sua aplicação se dê de forma harmônica, a fim de garantir a efetividade dos princípios e garantias constitucionais. Deste modo, de uma breve análise do próprio propósito da não cumulatividade instituído pela Lei nº 10.637/02 é possível concluir, sem maiores dúvidas, que jamais foi da intenção do legislador (pautado pelo art. 195, § 12, da Constituição) que a empresa comercial exportadora pudesse se aproveitar de créditos de PIS oriundos da aquisição de mercadorias que já não Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 sofrem incidência da contribuição, por serem destinadas especificamente à exportação. Até porque, a rigor, permitir o desconto de créditos relativos a operações que não são tributadas, implicaria quebra da neutralidade, com mais crédito do que débito ao longo da cadeia produtiva. Isso significa assumir que o Brasil estaria concedendo subsídio econômico cruzado, rompendo diversos tratados internacionais que impedem o subsídio econômico a exportadores. Resta claramente evidenciado, portanto, que descabe o aproveitamento de créditos pleiteado pela Recorrente, relativamente a mercadorias adquiridas sem tributação, para fim específico de exportação. Isso transcende a existência de regra expressa: decorre da própria natureza econômica da não cumulatividade. Fincarse na existência de regra expressa, a rigor, seria tomar a forma em detrimento do conteúdo, com reflexos inclusive no direito concorrencial internacional. De tudo isso se conclui que não assiste direito à Recorrente pretender compensar débitos com alegados créditos de PIS oriundos de aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, por tratarse de caso de nãoincidência que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade, não dá direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente de mercadorias. No entanto, após os debates que se seguiram, iniciei longa reflexão sobre o caso, que me levou a questionar inclusive os parâmetros das decisões proferidas no CARF. Certamente a verdade material é sempre uma meta a ser atingida, sendo todavia sua busca parametrizada por regras que impedem certas considerações pelos julgadores – dentre elas, questionamentos sobre eventuais considerações de inconstitucionalidade ou mesmo de justiça provocada pelos efeitos econômicos de certos casos. O art. 62 do RICARF, por exemplo, é bem claro ao vedar a apreciação de questões de constitucionalidade pelos julgadores. Assim é que em diversas situações, mesmo percebendo que o contribuinte age buscando o que entende ser justo, ou correto, diante do fato de que normas hajam sido infringidas, nada resta ao julgador além de decidir o caso conforme o direito posto. Questionamentos de direito justo não comportam ao CARF. A rigor, mesmo diante de eventual inexistência de regras, e da necessidade de se resolver algum caso, há normas orientadoras de como se resolver a situação, no capítulo próprio do Código Tributário Nacional acerca da interpretação e integração das leis tributárias. A posição de julgador, muitas vezes, assemelhase à narrada por Amartya Sen em sua obra A ideia de justiça, ao narrar o dilema das concepções de justiça formal e consequencialista. O julgamento administrativo se comporta de modo semelhante, ainda que sem as imagens terríveis que o Mahabharata traz: o julgamento se atém ao direito posto, tendo como limites externos os efeitos econômicos diretos produzidos pelas normas vigentes. Os Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 116 11 efeitos econômicos indiretos, ou mediatos, estão situados fora do âmbito de julgamento administrativo, por aproximaremse mais de considerações de justiça próprias do Poder Judiciário, ou do meio acadêmico. Diante disso, e da inexistência de regra que me permita abstrair do direito posto (e das conseqüências fáticas do direito posto que é possível ao CARF apreciar), justifico a retificação do meu julgado na ponderação de que meu pressuposto básico – os efeitos econômicos decorrentes do procedimento adotado pelo sujeito passivo – foi equivocado. O voto, a bem da verdade, estava tão equivocado quanto um que afastasse certa regra de imposição tributária por considerar que seus efeitos econômicos são excessivamente danosos ou injustos. Assim, cercandome do direito posto e dos efeitos econômicos diretos desse direito (limite externo de apreciação de um caso pelo CARF), é de se observar que, à época da ocorrência dos fatos geradores, efetivamente não havia norma expressa que impedisse o aproveitamento de créditos, na apuração do PIS devido, relativo a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. E mais: posteriormente, essa vedação veio a ocorrer de modo expresso, por intermédio da lei 10.865/2004. Ora, a sistemática de apuração do PIS e da COFINS, para operacionalizar a não cumulatividade, dáse pela metodologia “base menos base”, diferentemente de outros tributos (como ICMS e IPI) que funcionam pelo método imposto menos imposto. É, nos dizeres da boa doutrina, metodologia de subtração indireta. Assim, diferentemente de tributos cujo fato gerador é a saída das mercadorias, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita decorrente dessas operações. Parece tratarse do mesmo fato gerador, mas a sutil diferença produz enormes diferenças. Uma dessas diferenças – e a é a que importa para este momento – é a de que a relevância, para os fins de não cumulatividade tributária, não é o ter ou não ocorrido tributação na etapa anterior, mas sim o haver ou não autorização para aproveitamento dos créditos. E não entro no mérito de a autorização ser ou não justa, ou de a vedação ser ou não justa. Não é dado ao CARF apreciar esse tipo de argumento. Ao contrário, cabe sim avaliar se há ou não a autorização. E no caso em tela, o que se tem concretamente é a inexistência, à época da ocorrência dos fatos geradores, de vedação para o aproveitamento dos créditos de PIS relativamente às aquisições efetuadas. Dois pontos merecem ser considerados no caso em tela. O primeiro deles é o de que não havia regra, à época da ocorrência dos fatos geradores, que impedisse o aproveitamento dos créditos de PIS nas aquisições de mercadorias por empresa comercial exportadora. Diante da inexistência de vedação ao aproveitamento dos créditos, a decisão que venha a restringilo é, a bem da verdade, contra legem, merecendo reparos à luz da legalidade. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 Indo mais além, é bastante plausível a interpretação que considere que a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores expressamente autorizava a utilização das despesas destinadas a aquisição de mercadorias destinadas a exportação, na apuração do PIS devido por comercial exportadora (diante da expressão poderá descontar créditos calculados com relação a bens adquiridos para revenda), como se vê: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o A rigor, a própria edição de norma posterior que vedasse a utilização desses créditos espelha que o ordenamento jurídico anterior era o de permissibilidade. Somese a isso (e então chegamos ao segundo ponto de ponderação) o fato de que o art. 105 do CTN impõe a aplicação sempre prospectiva da norma tributária, sendo reforçado pelo art. 144 do mesmo diploma, que impõe a aplicação da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores na atividade de lançamento. Decerto que estamos diante de procedimento destinado a revisar compensação realizada pelo sujeito passivo, mas o certo é que tanto o art. 105 quanto o art. 144 do CTN auxiliam a compor a árdua tarefa da lei complementar em regular as limitações ao poder de tributar – e aí temos uma clara manifestação da irretroatividade das leis tributárias. Seguramente a restrição ao aproveitamento dos créditos implicará a aplicação retroativa de uma norma que efetivamente só pode produzir efeitos futuros. E isso não pode ser considerado razoável, especialmente porque a lei 10.865/2004 não previu (como, aliás, nem poderia) aplicação retroativa, nem mesmo se destinava a interpretar normas anteriores de modo a viabilizar o raciocínio do art. 106, I, do CTN. Assim sendo, a pura aquisição de mercadorias destinadas a exportação por empresa comercial exportadora, antes da vedação imposta pela lei 10865/2004, não pode ser considerada irregular. Por outro lado, as mercadorias adquiridas com finalidade de exportação, objeto da presente celeuma, além de açúcar, eram sempre álcool etílico, o qual pode ser anidro carburante ou hidratado carburante (AEAC ou AEHC). Quanto ao álcool, a Recorrente não argüiu nos autos acerca da legitimidade do aproveitamento de créditos de PIS relativamente ao AEAC ou AEHC. Apenas em sede de memorial traz argumentos quanto à legitimidade de seu procedimento, dos quais destaco o seguinte excerto: Desta forma, concluise que o Álcool Etílico ( anidro ou hidratado) exportado pela Recorrente não está sujeito às normas da ANP, por não se destinar a distribuidores de combustíveis estabelecidos no país, razão pela qual não pode ser enquadrado na Lei n. 9847/99 e muito menos considerado como “fins carburantes”, de que resulta a impossibilidade de submetêlo ao regime monofásico das contribuições sociais. Ao meu ver, não merece guarida a consideração da Recorrente. A monofasia do PIS e da COFINS sobre o álcool etílico, instituída pela lei 10.147/2000, independe da Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 117 13 destinação da sua produção – mercado interno ou externo. Tratase de regime tributário próprio da mercadoria, seja ela destinada a exportação ou não. O argumento de estar ou não sujeito às normas da ANP, trazido pela Recorrente, não pode produzir efeitos na órbita tributária, dado que não há qualquer norma tributária que permita tal interpretação. Assim, mesmo reconhecendo que a decisão recorrida pecou por vedar o aproveitamento dos créditos por uma questão formal – a aquisição de mercadorias com finalidade de exportação por empresa comercial exportadora –, a conclusão de impossibilidade do aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de tributação é inescapável. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja parcialmente provido o recurso voluntário, reformandose a decisão de primeira instância para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO no sentido de reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios A presente lide integra um dos seis processos em nome de Crystalsev Comércio e Representações Ltda., julgados neste colegiado, os quais, por terem o mesmo objeto, serão tratados de forma conjunta neste voto. Assim, refirome aos processos nos 13856.000239/200401, 13856.000240/200427, 13856.000241/200471, 13856.000242/200416, 13856.000243/2004 61, 13856.000244/200413, os quais, de acordo com as correspondentes decisões de primeira instância, foram formalizados para discutir a nãohomologação de compensações pleiteadas pela recorrente, cujo direito creditório alegado diz respeito a suposto saldo credor do PIS relativo a receitas de exportação, apuradas segundo o regime de incidência nãocumulativa, e correspondentes, respectivamente, aos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Conforme relatórios objeto das decisões recorridas, os créditos do PIS foram calculados em relação a produtos adquiridos com isenção destinados à exportação, bem como em relação a despesas de armazenagem e fretes. Os correspondentes valores foram, contudo, glosados, com a consequente nãohomologação das compensações pleiteadas, sob o fundamento de que “haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal”. Ademais, a empresa considerou como receitas de exportação valores não correspondentes aos consignados nas notas fiscais, tais como complementos de preço e variações cambiais, tributáveis pelo PIS. Inconformada, a recorrente alega, em síntese: a) que as correspondentes lides não dizem respeito a diferenças nos preços consignados nas notas fiscais (complementos de preço, variações cambiais), mas unicamente à inexistência de direito de crédito na aquisição de mercadorias sem incidência do PIS; b) que a receita de exportação só deve ser considerada no momento da transferência da propriedade, devendo ser admitidos, até então, os ajustes: variação cambial e apuração do preço da mercadoria a posteriori; c) que o artigo 3o da Lei 10.637/02, na sua redação original, não trazia óbice à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições das comerciais exportadoras; d) que o disposto no artigo 6o, § 4o, da Lei no 10.833/03, segundo o qual o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com fins específicos de exportação, passou a produzir efeitos apenas a partir de 1o/02/2004. Sobre a alegação de que a lide não englobaria as diferenças de preços consignadas nas notas fiscais, penso diferentemente do i. relator. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, de acordo com as planilhas de fls. 29 e 93 do processo 13856.000239/200401, tais despesas não foram contabilizadas no anocalendário de 2003, razão pela qual não há porque se pronunciar a respeito delas, posto que não estão envolvidas no litígio (não há glosa a ser examinada). O mesmo se diga em relação a variações cambiais ou quaisquer outras despesas, também não incluídas na base de cálculo da contribuição no ano de 2003. Aliás, é isso que se extrai do “Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal”, onde se vê, notadamente às fls. 5 a 7, que tais glosas não são discutidas em relação ao ano de 2003 (v. fls. 99 a 101 do processo 13856.000239/200401). Passemos, pois, para o exame da lide, o qual, como se vê, é restrito ao aduzido direito creditório do PIS pela aquisição de produtos adquiridos com isenção destinados à exportação. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep (e para a COFINS) foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 118 15 A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição (§ 2º, inciso II, do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Tal alteração normativa, no caso do PIS, passou a viger a partir de 1º de agosto de 2004, conforme artigo 46, inciso IV, da Lei nº 10.865/20041, segundo o qual referida alteração passaria a produzir efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, que, no caso, ocorreu em 30/04/2004 (para a COFINS, os efeitos foram a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do artigo 93, inciso I, da Lei nº 10.833/20032). A tese sustentada pela defesa se alicerça, exatamente, no argumento de que referida alteração normativa não poderia atingir os fatos geradores em litígio, que, como ressaltado, dizem respeito ao PIS dos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Na primeira versão do voto do i. conselheiro relator, este, relativamente à finalidade da sistemática nãocumulativa do PIS, ressaltou que tal desiderato “pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta [da contribuição], senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição 1 Lei 10.865, de 30/04/2004 Art. 37. Os arts. 1o, 2 o, 3 o, 5 o, 5 oA e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] "Art. 3o..................................................................... [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. ....................................................................." (NR) [...] Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: [...] IV – nos arts. 1o, 2 o, 3 o e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 37 desta Lei. 2 Lei 10.833, de 29/12/2003 Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária”. Nesta sessão de julgamento, todavia, o i. colega reconsiderou e passou a dar parcial provimento ao recurso sob o fundamento de que, à época da ocorrência dos fatos geradores, inexistia norma expressa que impedisse o aproveitamento dos créditos na apuração do PIS devido relativamente a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. Acolheu, portanto, a tese defendida pela reclamante, segundo a qual vedação nesse sentido só teria passado a viger a partir da edição da Lei no 10.865/2004. Pelas razões que passo a expor, peço vênia para discordar. Primeiramente, entendo que o regime da nãocumulatividade das contribuições sociais (PIS e COFINS) pressupõe, efetivamente, a incidência do tributo em etapa anterior. Exatamente para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva foi que o legislador criou o regime em tela, por meio do qual viabilizou a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. Tal entendimento se extrai, primeiramente, da exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 20023 – posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002 –, conforme excertos a seguir reproduzidos: [...] 2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. 4. Cumpre esclarecer que qualquer alteração que tenha por premissa manter o montante arrecadado implica, necessariamente, a redistribuição da carga tributária entre setores. 5. No caso específico do setor agroindustrial, constatase uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estão sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. 3 Fonte: http://www.fazenda.gov.br/portugues/releases/2002/r020903_em.asp (acesso em 30/08/2012, às 12:00). Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 119 17 Isto posto, optouse por conceder um crédito presumido no montante correspondente a setenta por cento das aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Esse crédito presumido será adicionado aos créditos naturalmente já admitidos no modelo. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. [...] (grifos e destaques nossos) Da exposição de motivos da MP no 66/2002 destacamos o disposto em seu item 2, que é explícito quando se refere à introdução da sistemática de cobrança “em regime de valor agregado” – com a compensação do que foi pago na etapa anterior, portanto –, bem como as razões apostas no item 5, e seu correspondente subitem 1, onde o Exmo. Sr. Ministro da Fazenda justifica a criação de um crédito presumido para o setor agroindustrial em vista da normalmente significativa aquisição de insumos, por parte dessas empresas, de pessoas físicas, as quais, por não estarem sujeitas à contribuição, inviabilizam a transferência de créditos (e isso ocorre, precisamente, porque não há o que se transferir). Assim, para estimular tal setor e “minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos” (já que a empresa, repitase, não se credita de contribuição pelas aquisições de pessoas físicas), é que foi criado um mecanismo de concessão de crédito presumido para a empresa agroindustrial, que, a rigor, nada tem a ver com o regime compensatório da nãocumulatividade (vide § 5º do artigo 3o da MP 66/20024). Continuando com fundamentos adicionais que me fazem decidir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório guerreado, chamo atenção para o disposto no artigo 5o da Lei no 10.637/2002 (redação original): Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; 4 § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 11, e nos códigos 0504.00,07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifo nosso) O artigo 5o da Lei no 10.637/2002 relaciona as hipóteses em que não há incidência do PIS. Dentre elas, chamamos atenção para o disposto nos incisos I e III, que contemplam a exportação de mercadorias bem como as vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Na seqüência, temos o preceito de que trata o § 1o, segundo o qual, na hipótese do referenciado dispositivo (artigo 5o), “a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de”: a) dedução da contribuição a recolher (inciso I do § 1o), ou; b) para compensação com outros débitos tributários próprios (inciso II do § 1o). Como se vê, a possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da lei em evidência, para as hipóteses de que trata o artigo 5o (que, como ressaltado, contempla a não incidência do PIS em relação à exportação de mercadorias e às vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação), é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora – e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora, crédito este já contemplado em relação à empresa que vendeu os produtos à primeira com o fim específico de exportação. Vale lembrar ainda o disposto no caput do artigo 7o da mesma Lei no 10.637/2002 (abaixo transcrito), que reforçando o entendimento de que o encerramento da cadeia da nãocumulatividade se dá no vendedor à comercial exportadora, exige, da comercial exportadora adquirente de produtos para exportação que não os exportou no prazo de 180 dias, o recolhimento dos tributos não pagos pela empresa vendedora. Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000239/200401 Acórdão n.º 3802001.196 S3TE02 Fl. 120 19 exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Por fim, quanto à inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”, tal dispositivo legal objetivou alcançar as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002, conforme demonstrado. Uma vez comprovada a impossibilidade de creditamento do PIS por empresa comercial exportadora adquirente de produtos destinados especificamente para exportação, irrelevante qualquer análise adicional concernente à natureza do produto comercializado. Com essas razões, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 11065.000211/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRRF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF.
Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO.
Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito.
Numero da decisão: 1801-001.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora que negava provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Roberto Massao Chinen para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRRF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF. Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora que negava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 11 /2 00 8- 70 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 572 2 provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Roberto Massao Chinen para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 30587.7685.300104.1.3.023955 em 30.01.2004, 30587.74685.300104.1.3.013944 em 30.01.2004, 24566.05223.211204.1.7.028091 em 21.12.2004, 01235.47599.211204.1.7.020643 em 21.12.2004, 29466.75846.211204.1.7.026570 em21.12.2004, 18739.28061.211204.1.7.02 5907 em21.12.2004, 09263.69439.211204.1.7.026638 em 21.12.2004, 34045.21219.211204.1.3.026055 em 21.12.2004, 28948.46428.281204.1.3.020915 em 28.12.2004, e 10859.22492.140906.1.7.020235 em 14.09.2006, fls. 0561, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$290.261,15 do anocalendário de 2002 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Parecer DRF/NHO/RS nº 336, de 14.08.2008, fls. 322331, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas a partir das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido relativamente ao ano calendário de 2002, cujos valores estão discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Análise dos Valores Determinados pela Base de Cálculo Estimada que Compõem o Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 AnoCalendário 2002 (A) DIPJ Valores de Estimativa IRPJ R$ (B) Origem Crédito Utilizado DIPJ Valores de Estimativa IRPJ R$ (C) Compensação Não Convalidada Parecer DRF R$ (D) Compensação Convalidada Parecer DRF R$ (E) Justificativa Parecer DRF Para a Não Convalidação (E) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 573 3 Janeiro 1.150,22 Saldo Negativo Ano Calendário 2000 1.150,22 0,00 Saldo Negativo Ano Calendário 2000 Insuficiente Fevereiro 85.277,29 Saldo Negativo Ano Calendário 2000 e 2001 47.471,51 37.805,78 Saldo Negativo Ano Calendário 2000 Insuficiente Março 130.952,00 Saldo Negativo Ano Calendário 2001 0,00 130.952,00 Abril 98.434,80 Saldo Negativo Ano Calendário 1997 98.434,80 0,00 Saldo Negativo Ano Calendário 1997 Maio 57.547,21 Saldos Negativos AnosCalendário 1997 e 2001 27.018,73 30.528,48 Saldo Negativo Ano Calendário 1997 Junho 121.276,89 Saldo Negativo AnoCalendário 2001 0,00 121.276,89 Julho 2.180,82 Saldo Negativo AnoCalendário 2001 0,00 2.180,82 Agosto 143.965,91 Processo nº 11065.003686/200222 0,00 143.965,91 Setembro 117.807,81 Processo nº 11065.003684/200233 0,00 117.807,81 Outubro 288.464,89 Saldo Negativo Ano Calendário 2001 Processo nº 11065.005153/200285 0,00 288.464,89 Novembro 0,00 0,00 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 Total 1.047.057,84 174.075,26 872.982,58 Cabe ressaltar que foi confirmado o somatório de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$87.297,79 utilizado na apuração do montante de IRPJ determinado sobre base de cálculo estimada. Também foi considerado como correto o valor de R$13.038,89 de IRRF utilizado como dedução do IRPJ devido no anocalendário de 2002, observandose que não foi confirmado o valor de R$3.996,56 a título de IRRF, código 3426, de aplicação financeira de renda fixa do Banco Santander Meridional S/A. Nessa oportunidade foram retificados de ofício os dados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 153166, na Demonstração do IRRF, fls. 181183, nas DCTF, fls. 167175, nas DIRF, fls. 184188 e nos DARF, fls. 130132, na forma detalhada na Tabela 2. Tabela 2 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 Cálculo da IRPJ a Pagar Valores Valores Fl. 573DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 574 4 (A) DIPJ R$ (B) Parecer DRF R$ (C) IRPJ Devido 888.505,08 888.505,08 () Programa de Alimentação do Trabalhador 21.900,12 21.900,12 () Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente 5.475,12 5.475,12 () IRRF 17.035,45 13.038,89 () IRPJ Determinado sobre Base de Cálculo Estimada 1.134.355,63 960.280,37 (=) IRPJ a Pagar (290.261,15) (112.189,33) Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 18.09.2008, fl. 449, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.10.2008, fls. 359364, com os argumentos a seguir sintetizados. Sobre o anocalendário de 2000, suscita que o valor do saldo negativo é de R$209.369,85 e diz comprovar o IRRF das fontes pagadoras: (a) Banco Sudameris de Investimento S/A no valor de R$12.474,86 do código 6800; (b) Fiscagomma do Brasil Ltda no valor de R$882,00 do código 1708; e (c) Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A no valor de R$28.644,19 do código 6800. Em relação ao anocalendário de 2001, informa que o valor do saldo negativo é de R$462.314,78 e alega comprovar o IRRF das fontes pagadoras: (a) Artegor Laminados Especiais Ltda no valor de R$9.184,97 do código 3426; (b) Artegor Laminados Especiais Ltda no valor de R$3.791,11 do código 1708; e (c) Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A no valor de R$5.347,29 dos códigos 3426 e 5273. Conclui Uma vez avaliados todos os argumentos, justificativas e provas descritas anexas a este manifesto, solicitamos que seja revisto o valor do saldo negativo constituído no anocalendário de 2002, bem como os valores glosados relativos ao período mencionado. [...] Nestes Termos, Pede Deferimento. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 575 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1036.578, de 12.01.2012, fls. 457464: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. Cabe à contribuinte comprovar, na forma exigida pela legislação, a existência do crédito tributário que pretende utilizar para a realização e compensação, devendo a administração atender ao pedido somente diante da liquidez e certeza do referido crédito. Notas Fiscais de emissão própria e registros contábeis da contribuinte não atendem à exigência fiscal. Notificada em 12.03.2012, fls. 467, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.04.2012, fls. 469472, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para Fl. 575DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 576 6 os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente5. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 577 7 inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período6. Ademais, a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referentes aos códigos de arrecadação nºs 1708 prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); 3426 aplicações financeiras em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); 5273 – operações de swap (art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 51 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996); e 6800 – fundo de investimento financeiro renda fixa (art. 73 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 29, art. 30, art. 31 e art. 32 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em relação ao anocalendário de 2000 foram retificados de ofício os dados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 107120, na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 121123, nas DCTF, fls. 128129, na DIRF, fls. 124127 e nos DARF, fls. 130132, na forma exposta na Tabela 3. Tabela 3 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 Cálculo da IRPJ a Pagar (A) Valores DIPJ R$ (B) Valores Parecer DRF R$ (C) IRPJ Devido 1.387.576,46 1.387.576,46 () Programa de Alimentação do Trabalhador 33.877,84 33.877,84 () Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente 8.000,00 8.000,00 () IRRF 46.401,61 5.209,10 () IRPJ Determinado sobre Base de Cálculo Estimada 1.508.666,86 1.508.666,86 6 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 578 8 (=) IRPJ a Pagar (209.369,85) (168.177,34) Vale esclarecer que não foi considerado como correto o valor de R$41.192,51 a título de IRRF que a Recorrente diz correto, com conformidade com a Tabela 4. Tabela 4 – Comparativo entre os valores constantes na DIPJ e na DIRF do anocalendário de 2000 (a) Banco Sudameris de Investimento S/A no valor de R$12.474,86 do código 6800 que a Recorrente diz ter direito: na DIRF, fl. 126, consta o rendimento de R$125.010,32 e o IRRF de R$25.002,03 o qual foi considerado como correto no Parecer DRF; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 121123 a Recorrente indicou o rendimento de R$187.384,46 e o IRRF de R$37.476,89; por essa razão não foi levado em conta em conta o IRRF de R$12.474,86, por falta de comprovação: Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Banco Sudameris de Investimento S/A 71.587 0181000180 6800 187.384,46 37.476,89 DIRF Banco Sudameris de Investimento S/A 71.587 0181000180 6800 125.010,32 25.002,03 Falta de Comprovação pela Recorrente 12.474,86 (b) Fiscagomma do Brasil Ltda no valor de R$882,00 do código 1708 que a Recorrente diz ter direito: na DIRF, fl. 127, consta o rendimento de R$53.900,00 e o IRRF de R$808,50; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 121123 a Recorrente indicou o rendimento de R$58.800,00 e o IRRF de R$882,00; por essa razão não foi levado em conta em conta o IRRF de R$73,50, por falta de comprovação: Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) Fl. 578DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 579 9 DIPJ Fiscagomma do Brasil Ltda 90.992.578/00010 1708 53.900,00 808,50 DIRF Fiscagomma do Brasil Ltda 90.992.578/00010 1708 58.800,00 882,00 Falta de Comprovação pela Recorrente 73,50 (c) Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A no valor de R$28.644,19 dos códigos 6800, 3426 e 5273 que a Recorrente diz ter direito: na DIRF, fl. 127, consta o rendimento de R$292.765,69 e o IRRF de R$58.552,87; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 121123 a Recorrente indicou o rendimento de R$435.985,05 e o IRRF de R$87.197,01; por essa razão não foi levado em conta em conta o IRRF de R$28.644,14, por falta de comprovação: Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 6800 3426 5273 435.985,05 87.197,01 DIRF Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 6800 3426 5273 292.765,69 58.552,87 Falta de Comprovação pela Recorrente 28.644,14 Em relação ao anocalendário de 2001 foram retificados de ofício os dados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 133142, na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 146148, nas DIRF, fls. 149152, nas DCTF, fls. 143145 e nos DARF, fls. 130132, na forma exposta na Tabela 5. Tabela 5 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 Cálculo da IRPJ a Pagar (A) Valores DIPJ R$ (B) Valores Parecer DRF R$ (C) IRPJ Devido 0,00 0,00 () Programa de Alimentação do Trabalhador 0,00 0,00 () Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente 0,00 0,00 () IRRF 171.819,84 161.078,81 () IRPJ Determinado sobre Base de Cálculo Estimada 290.494,94 289.857,68 (=) IRPJ a Pagar (462.314,78) (450.936,49) Fl. 579DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 580 10 Vale esclarecer que não foram confirmados o valor de R$10.741,03 a título de IRRF e o valor de R$637,26 a título de IRPJ determinado sobre base de cálculo estimada que a Recorrente diz correto, com conformidade com a Tabela 6. Tabela 6 – Comparativo entre os valores constantes na DIPJ e na DIRF do anocalendário de 2000 (a) Artegor Laminados Especiais Ltda no valor de R$9.184,97 do código 3426 que a Recorrente diz ter direito: a DIRF não foi encontrada nos sistemas internos da RFB, por isso não foi considerado como correto; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 146148 o rendimento de R$45.924,80 e o IRRF de R$9.184,97; por essa razão não foi levado em conta em conta o IRRF de R$9.184,97, por falta de comprovação em Informe de Rendimentos: Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Artegor Laminados Especiais Ltda 03.133.678/000130 3426 45.924,80 9.184,97 DIRF Artegor Laminados Especiais Ltda 03.133.678/000130 3426 Não Registrada na RFB Não Registrada na RFB Falta de Comprovação pela Recorrente 9.184,97 (b) Artegor Laminados Especiais Ltda no valor de R$3.791,13 do código 1708 que a Recorrente diz ter direito: na DIRF, fl. 150, consta o rendimento de R$252.741,67 e o IRRF de R$3.791,13; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 146148, consta o rendimento de R$252.740,67 e o IRRF de R$3.791,13, cujo valor foi considerado como correto no Parecer/DRF; Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Artegor Laminados Especiais Ltda 03.133.678/000130 1708 252.740,67 3.791,13 DIRF Artegor Laminados 03.133.678/000130 1708 252.741,67 3.791,13 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 581 11 Especiais Ltda Comprovação pela Recorrente 3.791,13 (c) Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A no valor de R$5.347,29 dos códigos 3426 e 5273 que a Recorrente diz ter direito: na DIRF, fl. 152, consta (a) no código 3426 o rendimento de R$124.888,01 e o IRRF de R$24.977,15 e (b) no código 5273 o rendimento de R$79.841,05 e o IRRF de R$15.988,20; no Informe de Rendimentos Financeiros, fl. 432, consta: (a) no código 3426 o rendimento de R$152.081,41 e o IRRF de R$30.396,21 e (b) no código 5273 o rendimento de R$79.841,05 e o IRRF de R$15.988,20; na Demonstração do IRRF/DIPJ, fls. 146148, a Recorrente indicou: (a) no código 3426 o rendimento de R$26.736,50 e o IRRF de R$5.347,29 e (b) no código 6800 o rendimento de R$231.922,86 e o IRRF de R$46.384,51; no Parecer/DRF foi considerado como correto o somatório de IRRF de R$46.384,41e assim não foi considerado como correto o IRRF de R$5.347,29, uma vez que não se encontra em DIRF nos sistemas internos da RFB e ainda não foi apresentado o Informe de Rendimentos desse valor remanescente, de modo que não há comprovação: Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 3426 26.736,50 5.347,29 DIRF Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 3426 124.888,01 24.977,15 Informe de Rendimentos Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 3426 152.081,41 30.396,21 Comprovação pela Recorrente 30.396,21 Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 5273 Não Registrado na DIPJ Não Registrado na DIPJ DIRF Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 5273 79.841,05 15.988,20 Informe de Rendimentos Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 5273 79.841,05 15.988,20 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 582 12 Comprovação pela Recorrente 15.988,20 Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 6800 231.922,86 46.384,51 DIRF Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A 192 702067/000106 6800 Não Registrada na RFB Não Registrada na RFB Falta de Comprovação pela Recorrente 46.384,51 No que se refere ao valor de valor de R$637,26 a título de IRPJ determinado sobre base de cálculo estimada que a Recorrente diz correto: Saldo Negativo Ano Calendário 2000 R$ (A) Código do Débito (B) Período de Apuração Débito (C) Valor do Débito R$ (D) Juros de Mora Incidente (E) Valor do Débito Deflacionado R$ (F) Saldo Devedor do Débito R$ (G) 168.177,34 2362 02/2001 69.422,19 2,27% 67.881,28 0,00 100.296,06 2362 03/2001 104.233,06 3,29% 100.913,02 637,26 Analisando mas informações detalhadas, verificase que não Cabe razão à Recorrente. Para ambos os anoscalendário de 2000 e 2001, a Recorrente instrui os autos com as Notas Fiscais de Serviços, fls. 367377, 418429, 517528, os Demonstrativos de Investimento, fls. 381387 os Informes de Rendimentos Financeiros dos anoscalendário de 1999 e 2002, fls. 378380 e 568, os DARF e Demonstrativos de fontes pagadoras, fl. 389417, 435436, 487513, 531567 e o Livro Razão, fl. 529. Contudo, esses elementos não formam um conjunto probatório robusto de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vale ressaltar que essas divergências já eram de conhecimento da Recorrente, pois constam expressamente como fundamento do Parecer DRF/NHO/RS nº 336, de 14.08.2008, fls. 322331, e do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1036.578, de 12.01.2012, fls. 457464, dos quais da qual a Recorrente foi validamente cientificada, fls. 449 e 467. 53. Além disso, o Erário envidou todos os recursos normativos possíveis na busca verdade material, tendo em vista o princípio da moralidade administrativa7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. 7 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal e art. 18 do Decreto n. 70.235, 6 de março de 1972. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 583 13 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Roberto Massao Chinen, Redator Designado. Trata o processo de Per/Dcomps, às fls. 05/61, em que o contribuinte apresentou crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, para compensar débitos ali declarados. Na composição do saldo negativo do IRPJ, o contribuinte utilizou estimativas compensadas com crédito de saldo negativo de IRPJ dos anos calendários 1997, 2000 e 2001. Pelo despacho decisório DRF/Novo Hamburgo (fl. 332), proferido em 14/08/2008, a autoridade administrativa homologou parcialmente as compensações, com base no Parecer DRF/NHO/Seort n° 336/2008, de 14/08/2008 (fls. 322/331). Para o ano calendário de 1997, não foi reconhecido saldo negativo, já que parte das estimativas, que o contribuinte alegou terem sido compensadas, não foram reconhecidas como quitadas. Para o ano calendário de 2000, o saldo negativo foi reduzido de R$ 209.369,85 para R$ 168.177,34, já que a DRF reconheceu retenções de fonte somente de R$ 5.209,10 dos R$ 46.401,61 utilizados pelo contribuinte. Para o ano calendário de 2001, o saldo negativo foi reduzido de R$ 462.314,78 para R$ 450.936,49, resultante da redução das retenções de fonte, de R$ 171.819,84 para R$ 161.078,81, e das estimativas, de R$ 290.949,94 para R$ 289.857,68. Essas decisões tiveram impacto na apuração do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, que foi reduzido de R$ 290.261,15 para R$ 112.189,33, já que a DRF reconheceu somente R$ 13.038,89 de retenções de fonte dos R$ 17.035,45 utilizados pelo contribuinte, e R$ 960.280,37 de estimativas dos RS 1.134.355,63 utilizados na apuração. Na manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, às fls. 359/364, a interessada contestou a glosa das retenções de fonte dos anos calendário de 2000 e 2001, seus reflexos diretos nos respectivos SN e indiretos no SN de 2002. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório, conforme acórdão de fls. 457/465. No recurso voluntário (fls. 469/472), a recorrente apresenta provas das retenções de fonte glosadas dos anos calendários 2000, 2001 e 2002, compostas por notas fiscais de serviços (fls. 367/377, 418/429, 517/528), demonstrativos de investimento (fls. 381/387), informes de rendimentos financeiros dos anoscalendário (fls. 378/380 e 568), Darfs e demonstrativos de fontes pagadoras (fls. 389/417, 435/436, 487/513, 531/567) e o Livro Razão (fl. 529). Acompanho o voto da relatora, quando ela argumenta que esses elementos não formam um conjunto probatório robusto das alegações do recorrente. De fato, a mera apresentação de Darfs que não vinculam a recorrente (como beneficiária das retenções), nem trazem nexo com os empréstimos pactuados entre as empresas são documentos insuficientes para a comprovação das retenções alegadamente sofridas. Além disso, as notas fiscais fazem prova contra o contribuinte, pois expressam em seu bojo que as retenções não foram efetuadas Fl. 583DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 584 14 pelas fontes pagadoras, que pagaram, à recorrente, o valor total bruto referido nas NFs e não o valor líquido, não obstante os valores de tributos destacados. Por outro lado, convençome de que há, nos autos, outros elementos que comprovam que as retenções de fonte foram corretamente deduzidas pela empresa, conforme passo a fundamentar. Ano calendário 2000 Relativamente ao ano calendário 2000, na apuração do IRPJ ao final do período, o contribuinte utilizou deduções de IRRF no total de R$ 46.401,61, valor este que foi reduzido pela autoridade administrativa para R$ 5.209,10. Segundo explicações dadas no Parecer DRF/NHO/Seort n° 336/2008, à fl. 325, foram levadas em consideração as Dirfs declaradas pelas fontes pagadoras que constam nos sistemas da RFB (folhas 123 a 126). A análise resultou na glosa de R$ 41.192,51, conforme resumido na tabela abaixo: FONTE PAGADORA CÓDIGO RECEITA DIPJ – FICHA 43 VALOR COMPROVADO (DIRF/COMPROVANTE) VALOR GLOSADO Banco Sudameris 6800 R$ 37.476,89 R$ 25.002,02 R$ 12.474,87 Fiscagomma do Brasil 1708 R$ 882,00 R$ 808,50 R$ 73,50 Banco do Estado do RGS 6800 R$ 87.197,01 R$ 58.552,87 R$ 28.644,14 TOTAL R$ 125.555,90 R$ 84.363,41 R$ 41.192,51 Ocorre que a glosa foi calculada, não com base no valor efetivamente utilizado pela empresa na apuração do IRPJ ao final de 2000, mas sim em relação aos valores informados na ficha 43 da DIPJ. Nessa ficha, o contribuinte incluiu dados de retenção de outras fontes pagadoras, além das três analisadas pela DRF. Verificase que o contribuinte não utilizou o total de retenções informadas na ficha 43, já que a soma delas, considerando somente essas três fontes (R$ 125.555,90) é superior ao valor deduzido na apuração (R$ 46.401,61). Logo, a DRF glosou valores de IRRF que não foram deduzidos pelo contribuinte na apuração do IRPJ, procedimento este que é inaceitável. Se o próprio agente fiscal afirma que há valores comprovados por DIRF de retenções que totalizam R$ 84.363,41, o mínimo que se espera é que aceite o valor utilizado pelo contribuinte, que foi de R$ 46.401,61. Observese que, por ocasião da análise da dedução do IRRF, a DRF não questionou se as receitas correspondentes às retenções foram ou não oferecidas à tributação, eis que sua conclusão deuse somente pelo cotejo entre o valor informado na ficha 43 e o valor comprovado por DIRF. Entendo, contudo, que não há motivos para duvidar da tributação daquelas receitas, tendo em vista que os totais de receitas de prestação de serviços e de rendimentos financeiros informados na DIPJ são compatíveis com as deduções de fonte analisadas no quadro acima. De fato, as retenções decorrentes de prestação de serviços correspondem a receitas de R$ 58.800,00, e constam, na DIPJ, receitas de prestação de serviços de R$ 284.742,65. As retenções de natureza financeira correspondem a receitas de R$ 435.985,05 + R$ 187.384,46 = R$ 623.369,51, sendo que as receitas financeiras informadas na DIPJ foi de R$ 1.361.470,62. Sendo assim, considero que deve prevalecer o saldo negativo apurado pelo contribuinte, no ano calendário 2000, no valor R$ 209.369,85. Ano calendário 2001 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 585 15 Para o ano calendário de 2001, a autoridade fiscal reduziu as retenções de fonte de R$ 171.819,84 para R$ 161.078,81, e, quanto às estimativas, reconheceu somente R$ 289.857,68 dos R$ 290.949,94 deduzidos pela empresa. Como a diferença nas estimativas deveuse à retificação no saldo negativo do ano 2000, e levando em conta que esse crédito foi restabelecido, conforme acima explicado, impõese o reconhecimento da totalidade das estimativas de 2001, ou seja, R$ 290.949,94. Em relação às deduções de fonte, a DRF repetiu o procedimento adotado para o ano 2000, e glosou R$ 10.741,03 conforme abaixo resumido: FONTE PAGADORA CÓDIGO RECEITA DIPJ – FICHA 43 VALOR COMPROVADO (DIRF/COMPROVANTE) VALOR GLOSADO Artegor Laminados Ltda 3426 R$ 9.184,97 R$ 3.791,23 R$ 5.393,74 Banco do Estado do RGS 3426/5273 R$ 51.731,80 R$ 46.384,51 R$ 5.347,29 TOTAL R$ 60.916,77 R$ 50.175,74 R$ 10.741,03 Vale a mesma crítica feita anteriormente, acerca do indevido confronto entre valores comprovados e valores da ficha 43, em vez de considerar as retenções efetivamente utilizadas pelo contribuinte na apuração do IRPJ, de modo que a glosa merece ser afastada. Observese que a DRF analisou somente duas fontes pagadoras, que representam pequena parcela das retenções utilizadas pelo contribuinte na apuração do IRPJ, as quais totalizaram R$ 171.819,84. A explicação dada pela DRF, e compartilhada pela autoridade julgadora de primeira instância, foi que, apesar de o contribuinte ter apresentado os comprovantes de fls. 190/273, somente o de fl. 244 foi aceito, pois corresponde a comprovante de imposto de renda retido na fonte fornecido pela fonte pagadora. Para justificar essa decisão, a autoridade fiscal recorreu ao artigo 815 do RIR/99, segundo o qual “as pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora". Com relação à comprovação das retenções, não compartilho com a forma limitada de aceitação comprobatória adotada pela autoridade administrativa. É que, no ordenamento processual pátrio, vige a diretiva da livre apreciação das provas, previsto no art. 131 do CPC, regra essa que também é contemplada no PAF, no art. 29 do Decreto n° 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No caso, entendo que a DIRF é documento idôneo o suficiente para comprovar retenções de fonte, já que se trata de documento fiscal exigido pela Administração Tributária e fornecida pela fonte pagadora, assim como o é o comprovante de retenção fornecido em nome do beneficiário. Verifico que as DIRFs indicam um total de IRRF de R$ 178.704,09, valor este que é compatível com o valor utilizado na apuração do IRPJ (R$ 171.819,84). Observo também que a DRF não se pronunciou acerca da dedutibilidade das demais fontes pagadoras, além das duas indicadas no quadro supra, nem do oferecimento à tributação das respectivas receitas, já que a glosa deuse na forma já explanada anteriormente, e todas as retenções restantes foram aceitas. Entretanto, verifico que tampouco há indícios de Fl. 585DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 586 16 falta de tributação das receitas. Efetivamente, de acordo com as DIRFs, as retenções informadas pelas fontes pagadoras correspondem a receitas de prestação de serviços de R$ 257.746,71 e a receitas financeiras de R$ 1.131.868,40. Na DIPJ/2002, o contribuinte informou receitas de serviços de R$ 284.742,65 e financeiras de R$ 1.361.470,62, o que demonstra compatibilidade entre retenções e receitas tributadas. Sendo assim, considero que deve prevalecer o saldo negativo apurado pelo contribuinte, no ano calendário de 2001, no valor R$ 462.314,78. Ano calendário 2002 Para o calendário de 2002, a DRF reconheceu R$ 13.038,89 de retenções de fonte dos R$ 17.035,45 utilizados pelo contribuinte, e R$ 960.280,37 de estimativas dos RS 1.134.355,63 utilizados na apuração do imposto. Na análise das retenções de fonte, a autoridade administrativa adotou o mesmo critério probatório do ano anterior, e analisou somente o documento de fl. 217 (fonte pagadora Banco Santander Meridional) dentre os apresentados pela impugnante, juntados às fls. 190/273. A DRF glosou R$ 3.996,56, valor que corresponde ao informado na ficha 43 da DIPJ/2003, e justificou que a retenção não estava comprovada na DIRF nem nos documentos entregues pelo contribuinte. Por outro lado, no recurso voluntário, a recorrente juntou o comprovante de retenção emitido pelo Banco Santander, à fl. 568, demonstrando retenção de R$ 2.454,01. A glosa não se justifica, uma vez que, a exemplo do ocorrido nos anos anteriores, a análise foi baseada no indevido confronto entre valores comprovados e valores da ficha 43, em vez de se considerar as retenções efetivamente utilizadas pelo contribuinte na apuração do IRPJ. Observo ainda que a DRF novamente não se pronunciou acerca da dedutibilidade das demais fontes pagadoras nem do oferecimento à tributação das respectivas receitas, tendo sido aceitas todas as retenções restantes. Entretanto, constato que as DIRFs demonstram IRRF em valores superiores ao utilizado na apuração do IRPJ, e verifico que tampouco há indícios de falta de tributação das receitas. De fato, as DIRFs indicam um total de IRRF de R$ 103.411,27, valor este que é bem superior ao utilizado na apuração do IRPJ (R$ 17.035,45). As DIRFs atestam ainda que as retenções informadas pelas fontes pagadoras correspondem a receitas de prestação de serviços de R$ 285.559,18 e a receitas financeiras de R$ 495.590,55. Na DIPJ/2002, o contribuinte informou receitas de serviços de R$ 759.858,23 e financeiras de R$ 689.328,88, o que demonstra compatibilidade entre retenções e receitas tributadas. Apuração do saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2002 No Parecer DRF/NHO/Seort n° 336/2008, à fl. 329, ao apurar o saldo negativo do ano calendário 2002, a autoridade fiscal demonstra as glosas de estimativas e IRRF, que totalizaram R$ 178.071,82, da seguinte forma: DÉBITO CÓD RECEITA VALOR GLOSADO MOTIVO Estimativa IRPJ janeiro 2362 R$ 1.150,22 Saldo negativo 2000 insuficiente Estimativa IRPJ fevereiro 2362 R$ 47.471,51 Saldo negativo 2000 insuficiente Estimativa IRPJ abril 2362 R$ 98.434,80 Saldo negativo 1997 insuficiente Fl. 586DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN Processo nº 11065.000211/200870 Acórdão n.º 1801001.687 S1TE01 Fl. 587 17 Estimativa IRPJ maio 2362 R$ 27.018,73 Saldo negativo 1997 insuficiente IRRF R$ 3.996,56 IRRF declarado a maior que o comprovado TOTAL R$ 178.071,82 Na presente decisão, estão sendo afastadas as glosas das estimativas de janeiro e fevereiro, bem como a das retenções de fonte, lembrando que as glosas das estimativas decorrentes do saldo negativo do período 1997 não foram questionadas. Assim, as estimativas comprovadas ficam corrigidas para R$ 1.008.902,10 e as deduções de fonte devem ser restauradas pelo valor considerado pelo contribuinte. Temse assim o seguinte demonstrativo de apuração do IRPJ, em forma de quadro comparativo, com os cálculos feitos pelo contribuinte, os modificados pela DRF e mantidos na DRJ, e o julgado no presente voto. A nova apuração revela que o crédito reconhecido, a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, é de R$ 164.807,62. RUBRICA DIPJ DRF/DRJ CARF Alíquota de 15% 547.503,05 547.503,05 547.503,05 Adicional 341.002,03 341.002,03 341.002,03 () Programa de Alimentação do Trabalhador 21.900,12 21.900,12 21.900,12 () Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 5.475,03 5.475,03 5.475,03 () IRRF 17.035,45 13.038,89 17.035,45 () Imposto pago por estimativa 1.134.355,63 960.280,37 1.008.902,10 (=) IRPJ a pagar 290.261,15 112.189,33 164.807,62 Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002 no valor R$ 164.807,62, bem como homologar o direito creditório até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 30/10/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002547/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Numero da decisão: 3101-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ nº 24.968, representante do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Waldir Navarro Bezerra (suplente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ nº 24.968, representante do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Waldir Navarro Bezerra (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 47 /2 00 8- 55 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados dos embarques de mercadorias destinadas a exportação ocorridos entre 16/12/2003 e 16/12/2004, em trinta navios que atracaram no porto de Paranaguá no mencionado período, conforme planilha elaborada às fls. 16/17 destes autos. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 10, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto Lei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 04/11/2008 (fl. 01), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 20/11/2008, os documentos colacionados às fls. 169 a 175 e a impugnação de fls. 165 a 168, onde, em síntese: Alega que, por ter entregue a DDE apenas com atraso, não pode ser penalizado porquanto sua conduta não se encontra tipificada na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, com redação dada pela Lei n.° 10.833, de 2003, já que não deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga nele transportada; Aduz que esta matéria se encontra disciplinada a teor do art. 41 da IN SRF n.° 28, de 1994, segundo o qual uma cópia do manifesto de carga e uma via não negociável de cada um dos respectivos conhecimentos de carga deverão ser entregues, pelo transportador, à unidade da SRF que jurisdiciona o local do despacho de exportação, no prazo máximo de 72 horas da saída do País do veículo transportador, prazo esse que foi posteriormente ampliado para sete dias contados da saída da embarcação, mediante o SISCOMEXNOTÍCIAS, de 01/04/2003; Argumenta que, por razões alheias a sua vontade a DDE não pôde ser entregue no prazo estabelecido, mas esse pequeno atraso não pode ser interpretado como embaraço ou impedimento à ação fiscalizadora; Evoca a aplicação, em seu favor, do instituto da denúncia espontânea, previsto na forma do art. 138 do CTN, já que a entrega da DDE ocorreu antes de iniciado o procedimento fiscal; Em outro plano, alega a sua ilegitimidade passiva para figurar como autuado, já que não reveste a condição de empresa de transporte internacional, não sendo tampouco prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades do navio no porto de destino; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 3101001.460 S3C1T1 Fl. 4 3 Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0719.621 de 23 de abril de 2010, julgando procedente o lançamento, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A responsabilidade de quem representa o transportador, desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos legislação aduaneira, cuja previsão é de que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Florianópolis em 08/06/2010 interpôs o Recurso Voluntário em 23/06/2010, onde alega ilegitimidade passiva, visto que não se enquadraria como empresa de transporte internacional, nem como empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta e, nem tampouco agente de carga, mas apenas uma agência de navegação; aplicação da denúncia espontânea, visto que efetivou o registro antes de qualquer procedimento fiscal; que o atraso na informação não significou embaraço à fiscalização nem descumprimento de obrigação acessória. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda, representando a empresa de navegação, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de sete dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via marítima. A recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda, registrou em atraso o embarque de mercadorias destinadas à exportação, em prazo superior a sete dias contados do embarque. Os embarques ocorreram entre 16/12/2003 a 16/12/2004 e as informações foram prestadas entre 11/02/2004 a 27/12/2004, com atraso de 8 a 168 dias, mas antes de qualquer procedimento fiscal tendente a apurar a infração. A lavratura do Auto de Infração ocorreu em 04/11/2008, com ciência na mesma data, o que motiva o pedido de reconhecimento da denúncia espontânea. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 3101001.460 S3C1T1 Fl. 5 5 O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, a caracterização da denuncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. No presente caso, os dados de embarque foram apresentados antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do parágrafo segundo do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, sendo observado, também, a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela Medida Provisória nº 497, conforme determinado pelo artigo 106 do CTN. Essa turma de julgamento já se manifestou, por unanimidade, nesse sentido, assim como a 2ª turma de julgamento da 1ª Câmara e a 1ª turma de julgamento da 3ª Câmara: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em virtude do reconhecimento da aplicação do instituto da denúncia espontânea para o presente caso, as demais questões mérito suscitadas nesta fase recursal ficaram prejudicadas. CONCLUSÕES Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Sala das sessões, em 25 de julho de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 11030.906284/2009-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votosem NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos ddo relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira - Relator
.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votosem NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos ddo relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira - Relator . Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votosem NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos ddo relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira Relator 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 62 84 /2 00 9- 55 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA . Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Porto Alegre (RS), que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF em Passo Fundo, que não homologou a compensação declarada por ausência de direito creditório oponível contra o Fisco. A interessada, preliminarmente, defende o direito à apresentação da presente manifestação de inconformidade, a qual teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos em aberto. Entende ser possível a compensação dos débitos declarados, alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título da contribuição em tela. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveria ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III da Lei nº 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações.” A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 DIREITO CREDITÓRIO – INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo as razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade e reiterando a alegação de que é possível a compensação no caso em tela. 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Voto Conselheiro PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA No recurso voluntário interposto a contribuinte não contestou em momento algum o motivo da nãohomologação da declaração de compensação, apresentando apenas alegações com relação a fatos em nenhum momento suscitados pela Receita Federal do Brasil. No presente processo se discute se houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos ou não da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3°, § 2º, inciso III da Lei 9.718/98, o que teria gerado ou não indébitos compensáveis. No julgamento da DRJ/POA, prevaleceu o seguinte entendimento: “Verificase que o dispositivo, embora a exclusão tenha sido aventada na redação original, encontravase com sua eficácia condicionada, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídica da base de cálculo da contribuição, à regulamentação pelo Poder Executivo. Irrelevante, para este caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da autoexecutoriedade, obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produziria efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência”. O Recurso Voluntário interposto trata do direito da contribuinte de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrente dos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88, que vigoram entre 1988 e 1995. Enquanto que o processo administrativo em questão trata de COFINS, e não de PIS, e ainda, estas foram recolhidas em período totalmente diverso ao da vigência dos Decretos (entre 1988 e 1995), vejamos: “Então, uma vez reconhecido o direito da Impugnante de receber o que pagou indevidamente em razão dos referidos decretos, devese reconhecer também o seu direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos tributos próprios na forma do artigo 66 da Lei 8.393/91. Conforme restou amplamente demonstrado, a impugnante tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições.” 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Portanto, o recurso voluntário interposto está em total dissonância com o Acórdão recorrido, não o contestando, tratando de Contribuição diversa (PIS, ao invés de Cofins), de período de apuração diverso (de 1988 a 1995, ao invés de 2001), e com razões de defesa totalmente distintas aos da manifestação de inconformidade, não estando inclusive pré questionada a matéria suscitada no Recurso Voluntário. Contudo, necessário registrarse que não é possível o julgamento deste Recurso Voluntário pela verdade material, haja vista que carece prova do crédito existente, não existindo elementos suficientes nos autos suficientes para o provimento do presente recurso voluntário. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5o, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará:I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei no 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4. do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000975/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
FOLHA DE PAGAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 FOLHA DE PAGAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 75 /2 00 8- 21 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0336.286 fls. 38/46, que julgou improcedente a Impugnação apresentada mantendose incólume o crédito tributário consubstanciado no AI DEBCAD 37.142.1527, cujo importe equivale a R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2003 a 12/2006, tendo sido lavrado em 07/10/2008 e cientificado o contribuinte em 10/10/2008, foi lavrado em virtude de descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que lhes prestem serviços nos padrões e normas estabelecidos pela RFB. O Relatório Fiscal, fls. 12/22, assim consigna: 7. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO 7.1. No Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, de 29/01/2008, foi o UNICEB intimado a apresentar as folhas de pagamento de todos os segurados contribuintes individuais para o período fiscalizado (01/1998 a 12/2006), conforme item 8 do referido TIAF. 7.2. Com o advento da Súmula Vinculante 08 do Supremo Tribunal Federal, o período de fiscalização fiscou restrito a jan/2003 a dez/2006. 7.3. Não tendo apresentado as referidas folhas, após conhecimentos dos controles internos, constatouse que a empresa fiscalizada não prepara folha de pagamento para os contribuintes individuais, sendo os pagamentos e retenções realizados pela emissão individual de recibo e sua respectiva contabilização. Tal forma inclusive prejudica a declaração correta em GFIP. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou a devida Impugnação, a qual foi juntada aos autos do processo principal nº. 14041.000972/200898. DA INFORMAÇÃO FISCAL Diante da vastidão de documentos apresentados pelo contribuinte nos autos do processo principal nº. 14041.000972/200898, foi proferido despacho pela DRJ, fls. 28/29, solicitando diligência fiscal para que haja o pronunciamento do auditor notificante. A informação fiscal, fls. 30/32, consignou que não há a possibilidade de consideração de circunstâncias atenuantes, eis que o art. 291 do RPS foi revogado pelo Decreto nº. 6.032/2007, assim como foi verificada a inexistência de hipótese de circunstâncias agravantes. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000975/200821 Acórdão n.º 2403002.221 S2C4T3 Fl. 3 3 Devidamente cientificado da informação fiscal, o contribuinte apresentou sua manifestação por meio das fls. 52/94. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Brasília, DRJ/BSB, prolatou o Acórdão n° 0336.286, fls. 38/46, na qual julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendose incólume o crédito previdenciário constituído, conforme ementa que abaixo se extrai: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006. AIOA DEBCAD nº. 37.142.1527 FOLHASDEPAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 98/131, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Em sede preliminar, almeja à nulidade do lançamento em razão dos seguintes fatos: 1. não fornecimento das planilhas de forma a possibilitar o seu manuseio e total compreensão dos cálculos efetuados pelo Auditor Fiscal; 2. a inexistência da coluna utilizada pelo Auditor para fundamentar os cálculos e valores apurados; 3. desconsideração das retificações promovidas pelo Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração; 4. ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos. Ausência de remuneração indireta, eis que a concessão de descontos nas mensalidades não constitui salário, nos termos do art. 458, § 2º, da CLT. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 139, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O Recurso Voluntário interposto elenca argumentos que não trazem relação com a presente autuação fiscal, eis que se defrontam com o aspecto formal e material dos Autos de Infração de obrigação principal, lavrados e apurados no mesmo procedimento fiscal que o presente processo administrativo. A Recorrente alega que apresentou diversas retificações que não foram consideradas pela autoridade fiscal, inclusive após a lavratura do auto de infração, mas não se constatou, dentre os documentos colacionados, a correção das folhas de pagamento com a inclusão dos segurados contribuintes individuais, objeto da presente autuação. Neste sentido, a empresa violou a obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91, tendo em vista que as folhas de pagamento não abrangeram a totalidade de segurados a seu serviço, restando excluídos os contribuintes individuais, cujos pagamentos era feitos com a simples emissão de recibo. É o que se vê: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O descumprimento culminou na aplicação da multa disposta no art. 283, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, in verbis: Art. 283. (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000975/200821 Acórdão n.º 2403002.221 S2C4T3 Fl. 4 5 O referido valor foi atualizado em R$ 1.254,89, através da Portaria MPS/MF nº. 77/2008, vigente à época do fato gerador. Portanto, mesmo que a empresa houvesse corrigido as folhas de pagamento em momento posterior à lavratura do Auto de Infração em epígrafe, não haveria como afastar a imputação da multa presentemente consignada, razão pela qual correto o lançamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915959/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 45/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 31/10/2001. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 29.894,87 – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 95 9/ 20 08 -0 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915959/200801 Resolução nº 3802000.133 S3TE02 Fl. 102 2 código de receita 2172) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 04/07/2011 (vide AR de fls. 54), a interessada, em 25/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCTe artigo e artigo 14, inciso II, da MP nº 2.13535. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915959/200801 Resolução nº 3802000.133 S3TE02 Fl. 103 3 A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 45/52, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.03725, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Da necessidade de diligência A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...]A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.158 35, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915959/200801 Resolução nº 3802000.133 S3TE02 Fl. 104 4 conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...]No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915959/200801 Resolução nº 3802000.133 S3TE02 Fl. 105 5 conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.037 25, ou seja, em 22/12/2000. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de outubro de 2001, resta claro que existe fundamentação legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento da COFINS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Recentemente, ao analisar outros processos da mesma empresa, o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi constatou que a matéria probante foi toda acostado ao processo nº 10880.915886/200849, também distribuído para esta Turma Especial, mas nesse caso sob a responsabilidade do conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Diante disso, decidiu esta Turma, por unanimidade, converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. (vide, por exemplo, acórdão nº 3802000.128, de 20/08/2013, processo nº 10880.915912/200839). É no mesmo sentido, portanto, que encaminho meu voto, ou seja, para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram ou não utilizados para outras compensações, ou ainda, se foram excluídas da tributação do PIS ou da COFINS à época da ocorrência dos fatos geradores. Uma vez concluído tal levantamento, intimese o contribuinte para manifestação, e, após, sejam devolvidos os autos a esta Turma para julgamento do mérito. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000921/2009-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 21 /2 00 9- 25 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.870, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 3803004.495 S3TE03 Fl. 350 3 são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 3803004.495 S3TE03 Fl. 351 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...)[apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 3803004.495 S3TE03 Fl. 352 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13509.000068/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 10/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 10/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 9. 00 00 68 /2 01 1- 81 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de Apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Data de lavratura do Auto de Infração: 12/10/2001. Data de Ciência do Auto de Infração: 12/10/2001, Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva em Santo Antonio de Jesus/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 35.370,6914, decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP referentes às competências inclusas no período de apuração suso indicado com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 05/07. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. De acordo com a Resenha Fiscal, foram omitidos nas GFIP em relevo os fatos geradores de contribuições previdenciárias consubstanciados nas remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados contribuintes individuais, as quais se houveram por apuradas a partir do exame dos Livros Razão e listagem do Razão. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 2302002.768 S2C3T2 Fl. 68 3 As obrigações tributárias principais referentes a esses mesmos fatos geradores houveramse por lançadas mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.370.6949, lavrada na mesma ação fiscal. Informa o auditor fiscal autuante que a multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, §5º da Lei n° 8.212/91 c.c. art. 284, II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Assim, a multa para cada competência corresponde a 100% (cem por cento) do valor das contribuições sociais previdenciárias devidas ou do valor que seria devido no período em que houvesse a substituição tributária e que não foram declaradas, sendo limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, atualizados pela Portaria MPAS n° 1.987, de 04 de junho de 2001. Inconformada, a Autuada apresentou impugnação no prazo normativo, a fls. 17/19. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva em Santo Antonio de Jesus/BA proferiu Decisão Administrativa de 1ª Instância aviada na Decisão Notificação nº 04425/116/2002, a fls. 20/23, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi notificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa acima referida no dia 29/10/2002, conforme Aviso de Recebimento a fl. 26. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fl. 32, concentrando sua inconformidade na alegação de que o valor consolidado na NFLD nº 35.370.6949, que promoveu o lançamento da obrigação principal relativa aos mesmos fatos geradores objeto deste Auto de Infração, foi reduzido em sede de defesa administrativa de R$ 60.835,83 para R$ 6.693,02 (principal = R$ 4.362,64 + juros e multa = R$ 2.330,38), requerendo, ao fim, que o valor da multa a que se refere a DecisãoNotificação nº 04425/116/2002, a fls. 20/23, fosse reduzido para R$ 6.693,02. Em atenção às alegações e pedidos formulados pelo Autuado em sede de Recurso Voluntário, o Serviço de Fiscalização baixou o feito em Diligência Fiscal e, considerando que os lançamentos constantes na NFLD nº 35.370.6949 foram julgados procedentes em parte pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, mediante a DecisãoNotificação nº 04425.4/117/2004, retificou o valor da multa aplicada no vertente Auto de Infração, de acordo com os novos valores remanescentes naquela NFLD, ilustrados no Discriminativo Analítico de Débito a fls. 42/46, conforme tabela de apuração da multa aplicada a fl. 48. Nessa perspectiva, em razão da retificação ex officio promovida pela Fazenda Pública, a Delegacia da Receita Previdenciária em Salvado/BA emitiu a DecisãoNotificação nº 04.401.4/0515/2006, a fls. 50/55, julgando procedente em parte o lançamento tributário ora em litígio, e retificando o crédito tributário lançado na forma exposta na suso mencionada tabela de apuração da multa aplicada a fl. 48. O Sujeito Passivo tomou ciência do teor da DecisãoNotificação nº 04.401.4/0515/2006 acima referida no dia 08/01/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 61, deixando transcorrer in albis o prazo normativo sem interpor Recurso Voluntário Complementar em face dessa nova decisão, conforme assim atesta Despacho a fl. 63. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DA TEMPESTIVIDADE O Sujeito Passivo foi valida e eficazmente cientificado da Decisão Notificação nº 04425/116/2002 em 29/10/2002. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado no dia 13 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso em tela, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA RETIFICAÇÃO DO VALOR DA MULTA O Recorrente alega que o valor consolidado na NFLD nº 35.370.6949, que promoveu o lançamento da obrigação principal relativa aos mesmos fatos geradores objeto deste Auto de Infração, foi reduzido em sede de defesa administrativa de R$ 60.835,83 para R$ 6.693,02 (principal = R$ 4.362,64 + juros e multa = R$ 2.330,38), requerendo, ao fim, que o valor da multa a que se refere a DecisãoNotificação nº 04425/116/2002, a fls. 20/23, fosse reduzido para R$ 6.693,02. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 2302002.768 S2C3T2 Fl. 69 5 Oooops. Deve ter ocorrido algum curtocircuito na comunicação. Compulsando os autos, com a máxima atenção à cópia da DecisãoNotificação nº 04425/116/2002, a fls. 20/23, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal em que se debate a procedência da NFLD nº 35.370.6949, a qual promoveu o lançamento tributário da obrigação principal relativa aos mesmos fatos geradores objeto deste Auto de Infração, constatamos que o montante apurado naquela NFLD, após a decisão de 1ª Instância, não foi reduzido de R$ 60.835,83 para R$ 6.693,02 (principal = R$ 4.362,64 + juros e multa = R$ 2.330,38), como assim alega o Recorrente em sede de Recurso Voluntário, mas, sim, para R$ 50.453,55 (principal + multa + juros moratórios). A Tabela de Apuração da Multa Aplicada, ilustrada a fls. 48 dos presentes autos, expõe o montante da contribuição previdenciária devida (Vlr. Devido) em cada competência, após a retificação do crédito tributário decorrente da DecisãoNotificação nº 04425/116/2002, na forma assentada no Discriminativo Analítico de Débito a fls. 42/46, assim como o valor da multa a ser aplicada em cada competência, já considerando a retificação levada a efeito no lançamento aviado na NFLD nº 35.370.6949. Nessa prumada, verificase que o valor global da multa a ser impingida ao Autuado remonta à cifra de R$ 31.466,08 e não R$ 4.362,64 como assim alega o Recorrente em sede de Recurso Voluntário. Atentese que, em razão da retificação do débito lançado mediante a NFLD nº 35.370.6949, ocorrida em sede de impugnação administrativa, o valor a multa a ser aplicada mediante o vertente Auto de Infração foi reduzido para R$ 31.466,08, conforme memória de cálculo ilustrada a fl. 48, evento jurídico que motivou a emissão da DecisãoNotificação nº 04.401.4/0515/2006, a fls. 50/55, a qual julgou procedente em parte o lançamento tributário ora em litígio, e retificando o valor da multa para R$ 31.466,08, exatamente na forma exposta na suso mencionada tabela de apuração da multa aplicada a fl. 48. Devidamente cientificado do teor da DecisãoNotificação nº 04.401.4/0515/2006, no dia 08/01/2012, o Sujeito Passivo deixou escoar o prazo que lhe fora concedido pela lei processual sem se manifestar nos autos, não contestando, tampouco fazendo acostar aos autos qualquer elemento de convicção hábil a demonstrar que os valores calculados pela Fazenda Pública não eram condizentes com a realidade. Nesse contexto, considerando que os valores da multa ora aplicada, retificados pela Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador/BA, encontramse em harmonia com os montantes apurados/retificados na NFLD nº 35.370.6949 e com o mecanismo de cálculo fixado no art. 32, §5º da Lei n° 8.212/91 c.c. art. 284, II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e considerando que o Autuado, ciente do novo cálculo da multa, não impugnou a exigência, pugnamos por negar provimento ao pedido formulado pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário a fls. 32 dos presentes autos, em virtude da carência de fundamentação probatória. 2.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 2302002.768 S2C3T2 Fl. 70 7 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFB nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 2302002.768 S2C3T2 Fl. 71 9 prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13509.000068/201181 Acórdão n.º 2302002.768 S2C3T2 Fl. 72 11 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao Sujeito Passivo ser recalculada, tomandose em consideração, além da retificação do débito aviada na DecisãoNotificação nº 04.401.4/0515/2006, também as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, este último, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10980.916549/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA NA SITUAÇÃO CANCELADO NO CADASTRO DO CNPJ .
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO no cadastro do CNPJ , voto no sentido de negar provimento ao recurso.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA NA SITUAÇÃO CANCELADO NO CADASTRO DO CNPJ . São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO no cadastro do CNPJ , voto no sentido de negar provimento ao recurso. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 65 49 /2 00 8- 41 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório relativo ao IPI, do período de apuração de 01/04/2003 a 30/06/2003 (2º trimestre/2003), não sendo homologadas as compensações declaradas, pelos motivos sintetizados na ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA NA SITUAÇÃO CANCELADO NO CADASTRO DO CNPJ . São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO no cadastro do CNPJ . Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. De acordo com a decisão recorrida, a requerente teria carreado aos autos cópias de notas fiscais emitidas pela empresa EUCATEX S/A, com CNPJ 56.643.018/010390 e 56.643.018/000166, cuja numeração, em grande parte dos casos, coincide com a numeração das notas fiscais consigna das na “relação de notas fiscais com créditos indevidos – créditos por entradas no período”, todavia, as cópias apresentadas não se encontravam autenticadas e nem todas as ocorrências encartadas na sobredita planilha correspondem à documentação trazida pela interessada, sendo imprescindível, a verificação física da documentação em diligência. Em sua defesa a Recorrente, alega que a glosa ocorreu porque foi constatado pela Fiscalização que as notas fiscais teriam sido emitidas por estabelecimento com inscrição cancelada no cadastro do CNPJ, todavia, conforme cópias de notas fiscais acostadas aos autos, os créditos dizem respeito a aquisições da empresa Eucatex, com CNPJ 56.643.018/010390 ou 56.643.018/000166, sendo que havia sido digitado incorretamente o CNPJ 60.708.492/000368, que realmente se encontra cancelado, tratandose pois, de mero erro humano decorrente da própria burocracia no preenchimento das informações, a reanálise do processo com o cancelamento da cobrança de débitos. Consta ao final do relatório da decisão recorrida, que a empresa foi intimada a apresentar a documentação fiscal de interesse em 15/02/2012 (fl. 198), com ciência da intimação em 17/02/2012 (AR de fl. 199), conforme informado à fl.203, depois de esgotado o prazo estipulado de 10 dias, a interessada não se manifestou acerca da intimação. Cientificada em 29/05/2012 (AR – fl. 210), foi interposto o recurso voluntário de fls. 212 e seguintes, em 11/06/2012, onde, em síntese, reitera as alegações constantes de sua impugnação, reiterando a solicitação para que a realização de diligência para a confirmação das notas fiscais que já se encontram em posse da Recorrente, as quais haviam sido extraviadas em seu escritório. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10980.916549/200841 Acórdão n.º 3301001.923 S3C3T1 Fl. 222 3 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de recurso em face da decisão que glosou os créditos de IPI originados através de notas fiscais emitidas por empresa na situação “cadastro cancelado”. Constou da decisão recorrida que a Recorrente teria carreado aos autos cópias de notas fiscais emitidas pela empresa EUCATEX S/A, com CNPJ 56.643.018/010390 e 56.643.018/000166, cuja numeração, em grande parte dos casos, coincide com a numeração das notas fiscais consignadas na “relação de notas fiscais com créditos indevidos – créditos por entradas no período”. Todavia, as mesmas não foram aceitas porque não estavam autenticadas, pelo que seria “imprescindível, a verificação física da documentação em diligência”, mas que ficou prejudicada pelo fato da mesma não ter atendida a intimação para a apresentação dos documentos fiscais. Apesar dos indícios de possibilidade da confirmação dos documentos solicitados pela Fiscalização, a Recorrente mesmo intimada não logrou comprovar que as notas fiscais cujos créditos de IPI foram glosados, foram emitidas por empresa idôneas. Assim sendo, vez que são insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO no cadastro do CNPJ , voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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