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Numero do processo: 10380.006474/2004-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 15, c/c art. 13, da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-007.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 15, c/c art. 13, da Lei nº 10.833/2003).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 15, c/c art. 13, da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 74 /2 00 4- 23 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10380.006474/200423 Acórdão n.º 9303007.142 CSRFT3 Fl. 231 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 193 a 199 / 204 a 208 – foram anexados dois, o que depois será tratado), contra Acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 116 a 122), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 310200.830 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso. Recurso Voluntário Negado O que aparentaria ser o “primeiro” Recurso Especial é datado de 10/11/2011 e foi protocolizado no Seort/DRF/Fortaleza em 11/11/2011 (fls. 193), tendo sido encaminhado pelo mesmo Seort para o CARF em 23/11/2011 (fls. 210). O que foi anexado depois do primeiro é datado de 26/09/2011 (fls. 208). Considerando que o contribuinte somente tomou ciência do Acórdão recorrido em 27/10/2011 (fls. 185), certamente houve aí um “equívoco processual” (há vários Processos desta empresa tratando do mesmo assunto, o que talvez o justifique), havendo que ser tratado como válido somente o primeiro – que, além disto, efetivamente traz um Acórdão paradigma, o que o anexado na seqüência não faz. O Acórdão paradigma, nº 930301.547 (inteiro teor às fls. 200 a 203) trata da aplicação da Taxa SELIC sobre o Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96), e utiliza como razão de decidir jurisprudência do STJ, a qual, da mesma forma, é utilizada como argumento basilar pelo contribuinte, qual seja, a mais que conhecida descaracterização do crédito do IPI como escritural decorrente de oposição estatal ilegítima no reconhecimento do direito creditório – que o contribuinte entende se configura tãosomente pela demora em fazê lo. O recorrente ainda lista outros paradigmas – sendo quatro da mesma empresa, que inclusive estão na Pauta de Julgamento desta mesma Sessão, mas não os anexa, pela “lamentável” demora na sua publicação. No Exame de Admissibilidade (fls. 211 e 212) é transcrita a Ementa do que seria ainda outro paradigma, na qual o entendimento é pelo cabimento da SELIC em razão do ressarcimento ser “uma espécie do gênero restituição”. E ainda inova trazendo o argumento de que, para o período a que se referiria o pleito (3º trimestre de 2004 – quando o correto é segundo, Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10380.006474/200423 Acórdão n.º 9303007.142 CSRFT3 Fl. 232 3 mas para a qual a argumentação também seria válida) já havia previsão legal expressa na Lei nº 10.833/2003 vedando a aplicação da SELIC. Em suas Contrarrazões (fls. 215 a 223), a PGFN (i) pede o não conhecimento do recurso, pelo fato do paradigma tratar do IPI – e aí não haver a devida demonstração da divergência com o cotejo analítico – , e (ii), no Mérito, diz que há vedação expressa na Lei nº 10.833/2003 (art. 15, c/c art. 13) – da mesma forma que é aventado no Exame de Admissibilidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso Especial, a rigor, não deveria ser conhecido, pois o Acórdão paradigma trata de ressarcimento do IPI e o recorrido da Contribuição para o PIS/Pasep. Mas, como a discussão sobre a incidência da Taxa SELIC sempre é aventada como de “caráter geral” nos Pedidos de Ressarcimento, entendo ser coerente enfrentar o assunto, para bem aclarar que há, sim, diferenças – e, mesmo que não houvesse, em casos como este, nem para o IPI seria cabível. Conheço, assim, do Recurso Especial. No Mérito, efetivamente existe dispositivo legal que veda a incidência de juros/correção monetária no ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa na Lei nº 10.833/2003 (já em sua redação original), a qual, apesar de, basicamente, reger a cobrança da Cofins, faz várias remissões à Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ................... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto ... nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Há Acórdãos recentes desta mesma Turma neste sentido, como exemplificado a seguir (este, inclusive, de minha lavra): Acórdão nº 9303006.305 (de 26/01/2008) .................... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10380.006474/200423 Acórdão n.º 9303007.142 CSRFT3 Fl. 233 4 Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Como é cediço dizer, “a lei me basta”, mas, sabendo da sistemática alegação desta analogia com o IPI, utilizome, em caráter enfático, de jurisprudência do STJ (inclusive vinculante), para demonstrar, justamente, que a relativa aos créditos do IPI não se aplica às contribuições, analisando, primeiramente, a contrario sensu, o que diz o Ministro Luiz Fux logo ao início da Ementa do Acórdão no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Notese também, que a Súmula nº 411, do mesmo STJ, só fala do IPI: Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Complementando (pois, conforme já dito, a lei me dá guarida, de forma expressa, ao não reconhecimento da aplicação da Taxa SELIC) as minhas razões de decidir, grifei o Item 2 da Ementa acima transcrita – e também parte da Súmula nº 411 –, para consignar que, ainda que aquele julgamento fosse aplicável também para PIS/Cofins, no caso concreto não houve oposição estatal ilegítima (que se configura somente quando a decisão da Unidade de Origem foi revertida nas instâncias administrativas de julgamento). No Despacho Decisório (fls. 048) o Pedido de Ressarcimento foi deferido integralmente, tanto é que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 050 a 064), só fala em SELIC. Por derradeiro, afasto aqui o argumento de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a aplicação da Taxa SELIC, pois, efetivamente, há determinação legal expressa para tal, em se tratando de repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.006474/200423 Acórdão n.º 9303007.142 CSRFT3 Fl. 234 5 lei (a regra geral é só a possibilidade da compensação dos créditos da nãocumulatividade com débitos do próprio tributo). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.900648/2016-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte (inclusive, rótulos e etiquetas).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
Na forma da legislação de regência, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado no regime não cumulativo do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos períodos seguintes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-004.052
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhe dava provimento parcial, apenas para manter a glosa sobre o frete da filial para a matriz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte (inclusive, rótulos e etiquetas). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Na forma da legislação de regência, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado no regime não cumulativo do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos períodos seguintes. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhe dava provimento parcial, apenas para manter a glosa sobre o frete da filial para a matriz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.900648/201691 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.052 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria COFINS. INSUMO. Recorrente MINERAÇÃO CURIMBABA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte (inclusive, rótulos e etiquetas). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Na forma da legislação de regência, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado no regime não cumulativo do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos períodos seguintes. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 06 48 /2 01 6- 91 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhe dava provimento parcial, apenas para manter a glosa sobre o frete da filial para a matriz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito oriundo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa, apurado no 3º trimestre de 2012. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa – Mercado Interno, relativo ao 3º trimestre de 2012, no valor de R$ 349.526,80, cumulado com declaração de compensação. A unidade de origem, por intermédio do despacho decisório de fls. 326, reconheceu o crédito de R$ 118.052,73, homologando parcialmente as compensações declaradas e assentando inexistir qualquer valor remanescente a ser restituído/ressarcido. Consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 322/325: a) A empresa tomou créditos de devolução de vendas (linha 12 da ficha 06 A do DACON), nas colunas de aquisições vinculadas a receitas tributadas no mercado interno, aquisições vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno e aquisições vinculadas a receitas de exportação, sendo que somente enseja a tomada de crédito a devolução de venda tributada no mercado Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 4 3 interno. Observado o equívoco da empresa procedeuse aos ajustes necessários. b) Foram confirmadas as receitas de exportação da empresa para o período em tela, bem como as receitas tributadas à alíquota zero em razão da fábrica de fertilizantes que é filial da requerente, acatandose os percentuais de rateio utilizados pela empresa na ficha 06A do DACON. c) Os créditos tomados na linha 13 da ficha 06A do DACON, em setembro/2012, referemse a notas fiscais dos anos de 2007 e 2008, ou seja, extemporâneas. Créditos extemporâneos podem ser requeridos, porém, devem ser solicitados em PER indicando o trimestre calendário a que se referem e não conjuntamente com PER de outro trimestre calendário, motivo pelo qual estes créditos foram desconsiderados. d) A mina de bauxita de Barro Alto/GO é filial da Mineração Curimbaba, havendose constatado a tomada de crédito sobre frete no transporte desta bauxita de Barro Alto para a fábrica em Poços de Caldas/MG (planilha de fls. 200/202), caracterizandose a apuração de crédito sobre frete na transferência de produto entre filial e matriz, motivandose a glosa de tais valores (planilha de fls. 289/311). e) Foi elaborada a planilha de fls. 183/191, consolidando os posicionamentos administrativos em relação a bens e serviços em relação aos quais podem ser tomados créditos, constando desta planilha 95 motivos de glosa, com a respectiva fundamentação legal. f) Conforme planilha de fls 301/318, o Fisco se posicionou sobre cada aquisição e foram apontados os respectivos motivos de glosa, os quais constam das colunas “E” e “AC” (“REGRA” e “MOTIVO DE GLOSA”, respectivamente), para cada linha em que houve glosa do credito tomado pela empresa. Como resultado desta planilha, apurouse os valores dos créditos reconhecidos para as linhas 02, 04, 07, 12 e 13 da ficha 06A do DACON, seguindose a reconstituição deste. g) Conforme demonstrado nas telas da DIRF anexas às fls. nº 319/321, não houve retenção na fonte de PIS informado na linha 19 da ficha 15B do DACON no mês de agosto/2012. Cientificado em 18/04/2017 (fl. 328), o contribuinte apresentou, em 17/05/2017, a manifestação de inconformidade de fls. 332/358, na qual alega: a) Houve cerceamento ao direito de defesa e violação ao princípio da motivação, uma vez que a planilha descritiva das glosas de créditos de insumos feita pela Fiscalização não permite verificar exatamente o motivo de cada glosa, pois são indicados para cada insumo várias Soluções de Consulta, cada uma contendo o entendimento do Fisco sobre o direito ao crédito em relação a diversos tipos de insumos. Para Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 5 4 alguns itens, sequer foi indicado o fundamento da glosa, pois a célula destinada a esta informação está em branco, não havendo sequer o cuidado de citar um dispositivo legal, uma decisão ou uma solução de consulta. Com maior clareza se revela a nulidade das glosas fundamentadas com a frase “Base de cálculo apurada incorretamente”, na medida em que a Manifestante efetivamente não pôde compreender o motivo das citadas glosas, já que nenhum equívoco na apuração da base de cálculo é indicado pelo Termo de Constatação Fiscal e nenhum outro documento juntado pela Fiscalização faz qualquer menção a qual teria sido a incorreção na apuração da base de cálculo dos créditos (de qualquer forma, a Manifestante verificou que não há qualquer erro na apuração da base de cálculo destes créditos, conforme consta da planilha anexa). O mesmo vale para as glosas fundamentadas com a frase “Descrição do serviço é incompatível com operação com direito a crédito”, que equivocadamente é utilizada para fundamentar a glosa de créditos sobre despesas como aquelas incorridas com a aquisição de telas para laboratório e big bags, que sequer são itens de serviço, mas sim bens utilizados como insumo na forma da jurisprudência pacífica do CARF. A deficiência na motivação das glosas caracteriza grave violação ao princípio da motivação, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, bem como resulta caracterizada violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, sendo que, em casos como este, a jurisprudência do CARF é unânime em reconhecer a nulidade da exigência. Adicionalmente, o artigo 489, § 1º, I, III, e VI do CPC determina expressamente que não se considera fundamentada a decisão que se limita a invocar precedentes sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso em exame se ajusta àqueles fundamentos. b) A legislação relativa ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS permite que o crédito que, por qualquer razão, não tenha sido aproveitado em determinado mês, o seja nos períodos subsequentes, conforme §4º do art. 3º da Lei n 10.833. Já expôs o CARF que quando o contribuinte verifica que tinha direito a crédito não aproveitado em período anterior dispõe de ao menos duas alternativas reconhecidas pela doutrina e pela jurisprudência e amplamente utilizadas na prática. A primeira é retificar o DACON do mês em que o crédito foi gerado, incluindose o valor deste crédito que não havia sido considerado anteriormente. Uma segunda forma de aproveitar o referido crédito é exatamente aquela adotada pela Manifestante, e consiste em apropriálo no DACON do período de apuração presente, na forma de um crédito extemporâneo. A segunda forma de aproveitamento é a forma mais favorável ao Fisco, porque neste procedimento os créditos não sofrem atualização monetária ou a incidência de juros, já que são tratados apenas como créditos escriturais no sistema da nãocumulatividade. Embora a IN RFB nº 1.015/2010 autorize a retificação do Dacon Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 6 5 e da DCTF para fins de alteração do valor dos créditos, não se pode dizer que a norma exige a prévia retificação das declarações para o aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS e COFINS. Importa lembrar que as obrigações acessórias, inclusive, contém campos específicos para a indicação de créditos extemporâneos. A RFB e o CARF já se posicionaram no sentido de que podem ser objeto de pedido de ressarcimento referente a um determinado trimestre os créditos apurados em trimestres anteriores. c) A manifestante elaborou a planilha anexa, na qual indica todos os itens glosados pela Fiscalização e a sua aplicação enquanto insumos, ratificada por fotos e identificada pela coluna X da anexa planilha “Glosa” do arquivo “Composição de Créditos Justificativa”. c.1) Materiais e utensílios para análises de laboratório. Por meio do Acórdão nº 3803005.294, o CARF manifestouse favoravelmente à apropriação de créditos sobre “materiais e utensílios para análise de laboratório: especificados como peneiras e bastões de revestimentos teflon”, conforme descrito no relatório – ou seja, tratase de itens extremamente semelhantes àqueles glosados no presente caso. O mesmo entendimento foi manifestado nos Acórdãos nº 3401001.713, nº 3302002.064 e nº 3102002.297. c.2) Produtos intermediários. A Fiscalização glosou créditos apropriados com base nos custos com aquisição de cal hidratada, que se ajusta perfeitamente à definição de produto intermediário, tratandose de insumo que é consumido ou sofre desgaste no processo de produção, conforme se observa da planilha anexa. Não por outra razão, o direito ao crédito sobre produtos intermediários está expressamente previsto na IN SRF nº 404/2004. Ademais, no exame de caso que envolvia empresa com atividade semelhante àquela desempenhada pela Manifestante, o CARF já afirmou expressamente o direito de crédito sobre cal hidratada (Acórdão nº 3301003.064). c.3) Materiais de embalagem para armazenagem e/ou transporte de produto final, inclusive paletes, big bags, etiquetas e rótulos para identificação do produto. O direito ao crédito sobre materiais de embalagem está expressamente previsto na IN SRF nº 404/2004. Interpretando o dispositivo, o CARF, por meio do Acórdão nº 330200.766, reconheceu o direito de crédito sobre diversos dos itens glosados em desfavor da Manifestante, o mesmo se dando nos Acórdãos nº 3102002.297, nº 3201 001.425, nº 380302.986, nº 3402003.097, nº 3403003.168, nº 3301002.411 e nº 3201000.845. O entendimento aplicado pelo CARF nestes casos encontrase também sedimentado na jurisprudência do Poder Judiciário, conforme ilustra o acórdão do Superior Tribunal de Justiça proferido no exame do Agravo Regimental em Recurso Especial nº 1.125.253. c.4) Transporte de bauxita in natura entre estabelecimentos da Manifestante. A esse respeito, vejase que a jurisprudência do CARF é em favor do direito à apropriação de créditos sobre despesas com transporte de insumos entre estabelecimentos Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 7 6 da mesma empresa (Acórdão nº 3302003.206), sendo diversas as decisões em igual sentido. De fato, mesmo o frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, que não se reveste da mesma pertinência ao processo produtivo assumida pelo frete de matériaprima, dá direito ao crédito no entendimento do CARF, conforme se verifica no Acórdão nº 3402002.173. d) Foram glosados os créditos sobre a aquisição de cal hidratada, sob o fundamento de que se trata de insumo sujeito à alíquota zero, sem que tenha a Fiscalização apontado a base legal da aplicação da alíquota zero. Pesquisando a legislação, inclusive consultando as tabelas disponibilizadas no sítio da RFB, a Manifestante não identificou qualquer benefício fiscal para o citado insumo. Adicionalmente, conforme se observa das anexas notas fiscais e DANFEs, as operações objeto de creditamento efetivamente foram tributadas pelos fornecedores da Manifestante. Dessa forma, resta demonstrada a improcedência da glosa em exame. e) foram glosados os créditos de devoluções informados nas colunas 2 e 3 da linha 12 da ficha 06A dos DACONs, por se tratarem de colunas referentes aos créditos vinculados a receitas não tributadas. Contudo, conforme se verifica da planilha anexa que lista as operações de devolução (pelo CFOP atribuído às operações), todas essas devoluções foram provenientes de contribuintes do mercado interno, e se referem a produtos tributados, de forma que todas as devoluções objeto de creditamento correspondem a operações de venda que efetivamente foram tributadas pela Manifestante, que acabou se equivocando no preenchimento dos DACONs neste aspecto. Ou seja, a conclusão da Fiscalização de que estas operações consistiam em devoluções de produtos que não foram tributados na operação de venda é decorrente do erro formal de preenchimento da Manifestante, conforme comprovado. f) caso não acolhido o pedido anterior, em razão dos vícios formais alegados, requerse a conversão do julgamento em diligência para que seja o direito de crédito reanalisado. Protestase pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, principalmente pela juntada dos documentos que a Manifestante não foi capaz de localizar em tempo hábil. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 34.924, de 27/11/2017 (fls. 423 e ss.), assim ementado: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PAF. ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS/PASEP E COFINS. RESSARCIMENTO. REQUISITOS NORMATIVOS. O ressarcimento de valores decorrentes da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INSUFICIÊNCIA. A homologação da declaração de compensação condicionase à comprovação da existência do crédito apontado como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 675 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. Nada falou, no entanto, a respeito das glosas sobre a aquisição de cal hidratada (sujeita à alíquota zero) e sobre devoluções. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, de crédito de Cofins não cumulativa, com origem no 3º trimestre de 2012. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 9 8 Deferido em parte o pedido e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente. Em síntese, a Recorrente repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa, exceto com relação às glosas sobre a aquisição de cal hidratada e sobre devoluções. Preliminarmente, sustenta a nulidade do Despacho Decisório, por cerceamento ao direito de defesa e violação ao princípio da motivação. Afirma que as planilhas descritivas das glosas de créditos elaboradas pela Fiscalização não permitem verificar exatamente o motivo de cada glosa. Contudo, o Despacho Decisório, além de acompanhado do Termo de Constatação Fiscal SAORT nº 066/2017 (fls. 322 e ss.) e planilhas a que este se refere (fls. 213 e ss.), trouxe, ainda, a seguinte observação: "Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.833, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012." . (g.n.) Portanto, além das planilhas acostadas ao Despacho Decisório (RELATÓRIO DE SALDOS PASSÍVEIS DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO e DETALHAMENTO DOS ITENS DAS NOTAS FISCAIS), ao interessado foi informado que a razão para o deferimento parcial do pedido estava detalhada no sítio eletrônico da RFB, onde poderia ser obtida. Além do que a Fiscalização trouxe, para cada uma das glosas efetuadas, a Solução de Consulta ou de Divergência que as fundamenta (fls. 87 e ss.). Nesse contexto, descabe a alegação de cerceamento ao direito de defesa, tanto assim é que a Recorrente compareceu aos autos demonstrando a sua perfeita compreensão da controvérsia. Rejeitada a preliminar, vemos que, em parte, o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 10 9 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a Recorrente dedicase à seguinte atividade, conforme ela mesma descreveu: As glosas referemse aos seguintes itens: a) materiais e utensílios para análise de laboratório (peneiras e bastões de revestimentos teflon); b) materiais de embalagem para armazenagem e/ou transporte de produto final, inclusive pallets, big bags, etiquetas e rótulos para identificação do produto. Reclama, ainda, da glosas sobre as despesas de transporte de bauxita in natura entre seus estabelecimentos e sobre créditos extemporâneos. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 11 10 Argumenta que os materiais e utensílios para análise de laboratório são utilizados nos testes dos produtos finais, motivo pelo qual a DRJ considerou correta a glosa do crédito correspondente, uma vez que adotou a tese mais restritiva para a definição do termo "insumos", em conformidade com o exposto nos atos normativos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Todavia, parecenos que em consonância com os critérios de essencialidade e relevância e dada a utilização dos produtos fabricados, a Recorrente faz jus ao crédito glosado, como, aliás, em caso semelhante, já decidiu esta mesma Turma de Julgamento: BENS E SERVIÇOS. ATIVIDADES EM LABORATÓRIOS. CONTROLE DE QUALIDADE. INSUMOS E PRODUTOS FINAIS. DIREITO AO CRÉDITO Despesas com bens e serviços destinados às atividades laboratoriais na indústria de beneficiamento de minério são essenciais e pertinentes ao processo produtivo, permitindo a tomada do crédito de PIS/Cofins, exceto quando ativáveis. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.575, de 20/03/2018). Assim também, e pelo mesmo motivo, em relação aos materiais de embalagem e/ou transporte de produto final, inclusive pallets, big bags, etiquetas e rótulos para identificação do produto. No ponto, cabe assinalar que a CSRF vem entendendo que as embalagens (também as etiquetas e rótulos) destinadas a viabilizar a preservação de suas características do produto durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. Confirase: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. (3ª CSRF, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Acórdão nº 9303004.174, de 15/06/2016). PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 12 11 diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. (3ª CSRF, rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Acórdão nº 9303005.672, de 19/09/2017). No voto condutor do primeiro acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) No concernente ao transporte da bauxita entre a filial (mina de Barro Alto/GO) e a matriz (a Recorrente), glosouse o crédito, ao fundamento de tratarse de frete oriundo da transferência entre estabelecimentos da própria empresa. É bem verdade que a RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 13 12 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 14 13 instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Todavia, como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF tem entendido que a transferência entre estabelecimentos da mesma empresa enseja o creditamento (v.g., estabelecimento industrial para armazém geral), mas tão somente quanto às transferências de produtos acabados (Acórdão: 9303006.724 , de 21/06/2018), não de insumos. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 15 14 Por último, temos reconhecido a possibilidade de aproveitamento de créditos extemporâneos no regime não cumulativo de apuração do PIS/Cofins. A matéria também já foi apreciada pela 3ª Turma da CSRF, em julgamento que resultou no Acórdão nº 9303004.562, de 08/12/2016, do qual fomos redator para o voto vencedor, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Conforme defendemos na ocasião, nada obsta, a nosso juízo, que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como os motivos do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever, também aqui, o voto do seu relator, o il. exConselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como razão de decidir: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS nãocumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 16 15 ConselheiraPresidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) FDemais Documentos e Operações MApuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] 2.6.1.7. Bloco 1 [...] bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – PIS/PASEP 1101 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1100 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – PIS/PASEP 1102 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1101 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) [...] Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 17 16 bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – COFINS 1501 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1500 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – COFINS 1502 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1501 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 18 17 efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 19 18 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 20 19 acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 21 20 Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 22 21 Feitas as devidas adaptações ao caso julgado, cabe destacar, por fim, que o Ato Declaratório Executivo ADE Cofins nº 20, de 14/03/2012, que revogou o ADE nº 34, de 2010, manteve a previsão para os lançamentos de créditos extemporâneos de PIS/Cofins. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para permitir o creditamento sobre: a) os materiais e utensílios para análise de laboratório (peneiras e bastões de revestimentos teflon); b) os materiais de embalagem para armazenagem e/ou transporte de produto final, inclusive paletes, big bags, etiquetas e rótulos para identificação do produto; c) os créditos extemporâneos. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13656.900648/201691 Acórdão n.º 3201004.052 S3C2T1 Fl. 23 22 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado Fui designado para redigir o acórdão no que pertinente ao direito de crédito, no regime da não cumulatividade de Pis e Cofins, calculado sobre dispêndios para transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Os fretes ou os dispêndios para transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa compõem o custo de produção, e como custo de produção, devem gerar crédito, nos termos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. Diferenciamse do frete na venda, porque este é posterior à produção, e, ainda assim, gera direito ao crédito, por força de outro dispostivo legal, inciso IX do mesmo artigo. Com efeito, os dispêndios essenciais à produção geram direito ao crédito, segundo o Resp 1.221.170/PR, decidido em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que estabeleceu o conceito de insumos, no regime da não cumulatividade do Pis e da Cofins, como aqueles que se inserem no contexto da produção; de fato, firmouse a representatividade da controvérsia “com a finalidade de definir o conceito de insumo, tal como empregado nas Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, para o efeito de reconhecer (ou não) o direito ao crédito de Pis e Cofins dos valores incorridos na aquisição coisas empregadas na elaboração de produtos, visando à sua aplicação, direta e indireta, no processo de produção respectivo”; O Tribunal decidiu que “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, os fretes ou dispêndios para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, de produtos não acabados, também devem ser admitidos, como insumos necessários à produção do bem, sem os quais a produção seria interrompida ou severamente dificultada. Precedentes do Carf no mesmo sentido, Acórdãos 330100.424, 3402002.113. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Fl. 560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721179/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.396
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrente SARTCO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para a exigência de PIS e COFINS não cumulativos relativos ao ano calendário de 2011 em razão da identificação pela fiscalização de aproveitamento indevido de crédito sobre os valores dos combustíveis pagos pela pessoa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 17 9/ 20 15 -5 5 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 19515.721179/201555 Resolução nº 3402001.396 S3C4T2 Fl. 625 2 jurídica aos carreteiros pessoas físicas, superior ao limite de 75% previsto em lei. Como indicado no Termo de Verificação Fiscal: “C – CONSTATAÇÃO E CONSIDERAÇÕES 1 – No transcorrer da ação fiscal verificamos que o pagamento do combustível utilizado pelos transportadores autônomos a serviço da empresa fiscalizada, foi por ela realizado, diretamente aos postos conveniados de combustível, por intermédio de cartão administrado pela empresa REPOM S/A, CNPJ: 65.697.260/000103, referentes aos serviços prestados por eles, e que este combustível não foi incluído nem considerado como custo do Frete nos respectivos RPAs, embora fossem incluídos no valor do serviço conforme consta na planilha contábil denominada LIVF_F0361 anexa ao processo. 2 – Como as notas fiscais referentes aos combustíveis foram emitidas em nome da empresa Sartco S/A, e constatado que as utilizaram em sua totalidade como créditos para o PIS e para a COFINS entendemos ser necessário glosar em 25% os créditos de PIS e COFINS sobre o valor do combustível utilizado pelos carreteiros, pois conforme o art. 23 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, é permitido a utilização de 75% desses valores como crédito, por ser por esta fiscalização considerado como parte do custo do serviço de transportadores autônomos. 3 Os valores referentes ao combustível utilizado pelos transportadores rodoviários autônomos por intermédio de administrador de cartões de eletrônicos foram extraídos através da contabilidade da empresa em conformidade com a planilha LIVF_F0361, mês a mês, fornecido pela empresa fiscalização devidamente autenticada pelo SVA, sendo esta planilha anexada ao processo como arquivo não paginável." (efls. 425/426) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão n.º 1059.152 da 2ª Turma da DRJ/POA, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSPORTE DE CARGA PRESTADO POR PESSOA FÍSICA. O montante do crédito presumido será calculado mediante a aplicação de alíquota correspondente a 75% sobre o valor dos pagamentos efetuados pelos serviços de transporte de carga prestados por pessoas físicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 558) Intimada desta decisão em 14/07/2017 (sextafeira, efls. 574/575), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 14/08/2017 (efls. 576/591) alegando, em síntese, a possibilidade de utilização integral dos créditos oriundos da aquisição de combustível para empresas transportadoras, vez que os valores foram pagos diretamente aos postos de gasolina, e não aos transportadores autônomos contratados. Afirma que o valor do combustível não integra o valor do frete pago ao carreteiro, tratandose de um insumo da prestação de serviço prestada pela pessoa jurídica, como transportadora. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19515.721179/201555 Resolução nº 3402001.396 S3C4T2 Fl. 626 3 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como relatado, tratase de Auto de Infração para a cobrança de PIS/COFINS decorrente da glosa de parcela do crédito tomado pela empresa sobre os combustíveis adquiridos. Afirma a fiscalização que parcela do combustível adquirido pela empresa foi pago, na verdade, aos carreteiros autônomos, sujeita à limitação do crédito à 75% do valor da despesa na forma do art. 23, da Lei n.º 11.051/2004. Segundo indicado no item 3 do Termo de Verificação Fiscal, os valores autuados estariam de acordo com planilha apresentada pelo contribuinte à época da fiscalização (planilha LIVF_F0361), juntada como arquivo não paginável (efl. 91). Vejamos novamente os exatos termos do TVF: "3 Os valores referentes ao combustível utilizado pelos transportadores rodoviários autônomos por intermédio de administrador de cartões de eletrônicos foram extraídos através da contabilidade da empresa em conformidade com a planilha LIVF_F0361, mês a mês, fornecido pela empresa fiscalização devidamente autenticada pelo SVA, sendo esta planilha anexada ao processo como arquivo não paginável." (efls. 426 grifei) Contudo, atentandose para essa planilha, não é possível verificar qual o valor correspondente aos combustíveis que teriam sido pagos aos carreteiros. Isso porque a referida planilha não identifica de forma segregada um valor correspondente aos combustíveis, mas apenas uma coluna intitulada "Vl. Servico" que aparentemente se refere ao valor global do frete pago aos carreteiros. Com isso, considerando as informações prestadas no Termo de Verificação Fiscal, não foi possível localizar a memória de cálculo da fiscalização para a composição do valor autuado conforme planilha da efl. 426 do TVF, abaixo reproduzido: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 19515.721179/201555 Resolução nº 3402001.396 S3C4T2 Fl. 627 4 Cumpre mencionar que consta dos autos, às efls. 93/106 uma planilha denominada "Demonstrativo da composição dos contratos de frete" apresentada pelo sujeito passivo na fiscalização na qual segrega, dentro do valor do frete, uma coluna de "Combustível", identificada com o nome dos carreteiros contratados. Somente para facilitar a visualização, vejamos trecho da planilha da efl. 93: Contudo, essa planilha somente se refere aos fretes cujos contratos foram acostados aos autos, cuja soma dos valores dos combustíveis do ano de 2011 alcança a soma de R$ 108.691,87 (efl. 106), valor muito inferior ao autuado. Assim, mostrase relevante que a fiscalização (a) esclareça qual a memória de cálculo na qual se baseou para alcançar os valores identificados como "Combustível pago aos carreteiros autônomos" da planilha do TVF às efls. 426, fazendo referência aos documentos nos quais se baseou para compor os valores considerados de forma globalizada, por mês, na referida planilha. Neste ponto, importante que a fiscalização esclareça, ainda, (b) se os valores foram informados pelo próprio sujeito passivo no curso da fiscalização, fazendo referência às folhas do processo; e (c) se é possível segregar, por carreteiro, o valor do combustível que teria sido pago, por mês, pela pessoa jurídica, cuja soma totaliza exatamente o valor indicado no TVF. Além destas questões em torno da origem dos valores autuados, observase pela leitura do referido TVF e do Recurso Voluntário que remanescem algumas dúvidas que devem ser sanadas para o devido julgamento do processo. (d) Não obstante a empresa afirmar em seu Recurso Voluntário que o valor do combustível não integra o valor do frete pago ao carreteiro, observase pela amostragem dos contratos de frete acostados aos autos à época da fiscalização (efl. 92) que há expressa referência aos combustíveis, sendo indicado em todos os contratos a seguinte observação: "Relação de Adiantamento: 1 Real de abastecimento para 2 Real(is) de Saque Relação de Quitação: 1 Real de abastecimento para 2 Real(is) de Saque" Da mesma forma, consta uma referência aos combustíveis na mencionada planilha das efls. 93/106 na qual os valores dos fretes pagos são discriminados. Contudo, afirma a fiscalização que os valores dos combustíveis eram pagos aos postos de combustíveis por intermédio de cartões eletrônicos. Diante disso, para o devido julgamento da presente questão, mostrase relevante que seja oportunizado à Recorrente esclarecer a forma como procedia com o pagamento dos Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19515.721179/201555 Resolução nº 3402001.396 S3C4T2 Fl. 628 5 carreteiros e dos valores correspondentes ao combustível. Isso porque, pela análise dos autos, possível levantar os seguintes questionamentos: (d.1) qual a forma de pagamento dos carreteiros do valor do frete devido, somente por meio de transferência bancária ou por meio dos cartões de combustível emitidos? Como é operacionalizada a emissão e pagamento desses cartões eletrônicos mencionados pela fiscalização? Como esses valores são contabilizados pela pessoa jurídica (contas contábeis)? Importante que a Recorrente esclareça, nesse ponto a razão pela qual entende que o valor do combustível não poderia ser admitido como um componente do valor do frete contratado com os carreteiros pessoas físicas. (d.2) como os valores dos combustíveis eram pagos pela empresa autuada aos postos de gasolina, por meio dos cartões eletrônicos, ou por meio das notas fiscais emitidas pelos postos de gasolina? Quais aquisições de combustíveis estão envolvidas nas notas fiscais emitidas pelos postos de gasolina, cuja amostragem foi acostada aos autos (efls. 328/329)? Como esses valores são contabilizados pela pessoa jurídica (contas contábeis)? Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização DEFIS/SPO): (i) oportunizar à empresa Recorrente a apresentação de laudo técnico e/ou documentação complementar para que esclareça a forma como procedia com o pagamento dos carreteiros e dos valores correspondentes ao combustível, esclarecendo os questionamentos formulados nos itens (d.1) e (d.2) acima. (ii) elaborar relatório fiscal enfrentando os documentos e esclarecimentos apresentados pelo sujeito passivo, identificando seus reflexos no Auto de Infração lavrado, bem como esclarecendo as questões trazidas nos itens (a) e (c) acima, quais sejam: (ii.1) qual a memória de cálculo na qual se baseou para alcançar os valores identificados como "Combustível pago aos carreteiros autônomos" da planilha do TVF às efls. 426, fazendo referência aos documentos nos quais se baseou para compor os valores considerados de forma globalizada, por mês, na referida planilha; (ii.2) se os valores foram informados pelo próprio sujeito passivo no curso da fiscalização, fazendo referência às folhas do processo; e (ii.3) se é possível segregar, por carreteiro, o valor do combustível que teria sido pago, por mês, pela pessoa jurídica, cuja soma totaliza exatamente o valor indicado no TVF. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 628DF CARF MF Processo nº 19515.721179/201555 Resolução nº 3402001.396 S3C4T2 Fl. 629 6 Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014494/00-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES A VIGÊNCIA DA LEI.
De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal
COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificando-se a definitiva liquidação do tributo.
Numero da decisão: 9202-007.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES A VIGÊNCIA DA LEI. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificando-se a definitiva liquidação do tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES A VIGÊNCIA DA LEI. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificandose a definitiva liquidação do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 44 94 /0 0- 55 Fl. 350DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802001.797, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de pedido de restituição e compensação, protocolado em 06/09/2000, referente a créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Serviços prestados a Terceiros Pessoas Jurídicas, PIS e COFINS, crédito oriundo da Empresa "Grande Moinho Potiguar e Indústria de Massas Ltda.", incorporada em 28.01.2000, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária no valor nominal de R$ 6.607,48. O pedido referese a recolhimentos indevidos ou maior realizados de 16/06/1999 a 20/01/2000, alusivo a IRRF (1708), COFINS (2172) e PIS (8109), conforme discriminado na tabela de fls. 01. No pedido de compensação datado de 13/10/2000 estão débitos de IRRF da 4ª semana de setembro de 2000 e PIS e COFINS de setembro de 2000 (vide petição de fls. 26/27). Posteriormente o contribuinte requereu que fosse desconsiderado o pedido de compensação referente ao PIS, competência setembro de 2000, no valor de R$ 1.059,27 (fls. 50). Em 16/02/2005 foi expedido despacho decisório pela DRF Fortaleza, reconhecendo o direito creditório de R$ 6.607,48, acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic, na forma do art. 51 da IN SRF 460/2004, e homologada a compensação declarada no processo, até o limite do crédito reconhecido (fls. 79/82). Em 23/08/2007, a DRF Fortaleza constatou (fls. 100) que um dos pagamentos considerados indevidos não se encontra disponível nos sistemas de controle da Receita Federal, portanto, sendo impossível a utilização em procedimento de restituição/compensação. Em razão da constatação acima, com base nos art. 53 e 54 da Lei 9.784/1999, e considerando que os pagamentos que o contribuinte afirmou ter feito em duplicidade foram Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 9202007.134 CSRFT2 Fl. 10 3 alocados pelo próprio nas competências 0311/1999 e 0112/1999, foi retificado de ofício o valor do direito creditório reconhecido, de R$6.607,48 para R$6.307,48 (fls. 105/106). A partir daí foi gerada uma carta cobrança, tendo o contribuinte apresentado manifestação de inconformidade que, em síntese, assentouse na homologação tácita em 17/10/2005 da compensação declarada desde 17/10/2000, com base nos § 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei 10.383/2003, e em precedentes deste Conselho (fls. 121/122) e na nulidade dos atos administrativos expedidos pelo chefe do SEORT por não estarem amparados pela Portaria de delegação de competência que foi indicada para realizar a revisão de ofício (Portaria DRF/FOR 74/2007), uma vez que esta não estabelecia a referida competência ao chefe do SEORT e sim ao chefe do SECAT. A DRJ, às fls. 161/171, indeferiu o pedido de restituição (R$ 300,00) e não homologou a compensação indicando que as normas que dispuseram sobre a homologação tácita das declarações de compensação aplicamse somente a partir de 30/10/2003 e que era dever da autoridade que proferiu o despacho decisório revêlo de ofício , dentro do prazo de cinco anos contados a partir de 30/10/2003, data da edição da medida provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003 que deu nova redação ao § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, indicando, quanto a este último ponto precedente deste Conselho e decisão do STJ por analogia (fls. 163). O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 173/197, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e alegando aplicável a retroatividade das normas que instituíram a homologação tácita das declarações de compensação. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 254/260, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos mais de cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação e a ciência do despacho da autoridade fiscal negando a legitimidade do encontro de contas, ocorre a homologação tácita da compensação, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 352DF CARF MF 4 Recurso voluntário provido. Às fls. 264/278, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: reconhecimento de homologação tácita de declarações de compensação pedido de compensação efetuado anteriormente a 30 de outubro de 2003. A e. Turma a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP N.º 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96. Porém, o acórdão paradigma, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pela e. câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, § 5º da Lei n.º 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n.º 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003. Em síntese, resumiu o Recorrente que, se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5º da Lei n.º 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos da data da protocolização do pedido, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 293/295, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria reconhecimento de homologação tácita de Declarações de Compensação. Cientificado à fl. 307, o Contribuinte apresentou as Contrarrazões às fls. 309/335, arguindo, preliminarmente, não haver divergência a fundamentar a admissibilidade do Recurso Especial. No mérito, arguiu, em síntese, que a interpretação da matéria sob lide é a mais simplista possível, e não leva em conta a disposição do § 4º, do art. 74 da Lei 9430/96, bem como desconsidera as demais disposições do Sistema Tributário Nacional, uma vez que o § 5º do art. 74 da mesma Lei, veio para equalizar a relação entre o contribuinte. Requereu, ao fim, a manutenção da homologação tácita das compensações. Às fls. 343/345, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais requereu a redistribuição do feito, tendo em vista a matéria de propriedade da 2ª Turma desta C. Câmara Superior. À fl. 349, o Contribuinte peticionando requerendo a regular tramitação para o julgamento imediato julgamento do feito. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 9202007.134 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e quanto aos demais pressupostos passo ao seguinte esclarecimento: A e. Turma a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP N.º 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96. Porém, o acórdão paradigma, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pela e. câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, § 5º da Lei n.º 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n.º 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003. Entendo que resta clara a divergência, pois com base no mesmo dispositivo legal, os colegiados chegaram a entendimentos diametralmente distintos. Isso por que o recorrido manifesta que o prazo para homologação é de 5 anos, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP N.º 135, de 30/10/2003, enquanto que o paradigma afirma que é de 5 anos apenas para situações constituídas após a vigência da mesma norma. Assim, demonstrada a similitude e a divergência, conheço do Recurso apresentado pela Fazenda Nacional. DO MÉRITO Tratase o presente processo de pedido de restituição e compensação, protocolado em 06/09/2000, referente a créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Serviços prestados a Terceiros Pessoas Jurídicas, PIS e COFINS, crédito oriundo da Empresa "Grande Moinho Potiguar e Indústria de Massas Ltda.", incorporada em 28.01.2000, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária no valor nominal de R$ 6.607,48. O pedido referese a recolhimentos indevidos ou maior realizados de 16/06/1999 a 20/01/2000, alusivo a IRRF (1708), COFINS (2172) e PIS (8109), conforme discriminado na tabela de fls. 01. No pedido de compensação datado de 13/10/2000 estão débitos de IRRF da 4ª semana de setembro de 2000 e PIS e COFINS de setembro de 2000 (vide petição de fls. 26/27). O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à reconhecimento de homologação tácita de Fl. 354DF CARF MF 6 declarações de compensação pedido de compensação efetuado anteriormente a 30 de outubro de 2003. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo tem se alinhado com a jurisprudência dos Tribunais, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, vem declarando que o Fisco perde o direito de não homologar a compensação, sendo, desta forma, homologada tacitamente. Com fulcro no Acórdão nº 9303003.456 de 23 de Fevereiro de 2016. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. A presente contenda envolve a questão da compensação de tributos, mais especificamente, o prazo para homologação da compensação de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, e se é possível em qualquer tempo ou só é aplicável a partir de 30/10/2003 quando da edição da Medida Provisória n° 135. Com o advento da Lei n° 8.383/91 foi admitida a compensação de tributos federais da mesma espécie, o que gerou inúmeras discussões na doutrina e na jurisprudência, se era ou não possível compensar somente impostos com imposto, contribuições com contribuições e ainda no que tange as suas subespécies, como por exemplo, PIS com PIS, FINSOCIAL com FINSOCIAL etc. A IN n° 67/SRF limitou a compensação aos mesmos códigos de receitas, o que foi rechaçado pelo Poder Judiciário. Posteriormente foram publicadas a Lei n° 9.032/1995, que em outras providências tratou da compensação da contribuição para o INSS de pagamento ou recolhimento indevido; a Lei n° 9.250/95, admitindo a compensação de tributos desde que sejam da mesma espécie e terem a mesma destinação constitucional, e a Lei 9.430/96, que permitiu a compensação de tributos recolhidos indevidamente com parcelas vincendas independente da espécie e da destinação constitucional. Desta rápida retrospectiva legal sobre a compensação tributária, a questão específica envolve a restituição e compensação de tributos e contribuições e, no caso, a aplicação do art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com as alterações da MP n° 135 de 30/10/2003, convertida em lei por intermédio da Lei n° 10.833 de 29/12/2003, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (…) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 9202007.134 CSRFT2 Fl. 12 7 Na relação entre o fisco e o contribuinte, cabe à administração tributária, no exercício de sua atividade fiscalizadora, acompanhar as atividades dos contribuintes, e, em especial, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. É próprio desta espécie de lançamento o acompanhamento por parte do fisco e, conforme fixado no Código Tributário Nacional. Importa ressaltar que a questão já gerou inúmeras discussões, contudo entendo que o tema restou bem definido nos posicionamentos abaixo citados: Acórdão n° 20402.964 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 1/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO HOMOLOGATÓRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para examinar a regularidade das compensações declaradas por meio da Declaração instituída pela Lei nº 10.637/2002 é de cinco anos contados da data de entrega. Findo o prazo sem pronunciamento pela autoridade administrativa consideramse homologadas as compensações e definitivamente extintos os créditos tributários ali informados. Recurso Voluntário Provido. Acórdão n° 10809.565 COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificando se a definitiva liquidação do tributo. Recurso Voluntário Provido. Desse modo, se à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 356DF CARF MF 8 Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.723637/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
FRAGMENTAÇÃO DE RECEITAS. CONCENTRAÇÃO DOS RESPECTIVOS CUSTOS. ALEGAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
Alegações no sentido de existência de propósito negocial, razões de ordem comercial e administrativa e de direito à livre iniciativa, não são hábeis a afastar a autuação por omissão de receitas se não afastada a constatação fiscal de que, apesar de concentrar todos os custos e a quase totalidade das despesas, a autuada (optante pelo lucro real) transferiu para outras empresas do mesmo grupo (tributadas pelo lucro presumido) quase toda receita de serviços, receitas essas que, posteriormente, retornam à sua efetiva detentora a título de mútuos que não são pagos, mas são baixados em contrapartida de distribuição de lucros.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE.
Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como afastar a multa aplicada no percentual de 150%.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS.
Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica.
ANTECIPAÇÕES. RETENÇÕES NA FONTE. VALORES CONSIDERADOS NA FISCALIZAÇÃO E NÃO INCLUÍDOS NOS CÁLCULOS EFETUADOS EM DILIGÊNCIA. NECESSIDADE DE CORREÇÃO
À vista da ressalva quanto ao fato de que o Relatório de Diligência Fiscal não registrou nas respectivas planilhas, os valores integrais de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que já haviam sido considerados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), cumpre acolher tal pedido para que a DRF assim reconsidere.
Numero da decisão: 1302-002.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para aproveitamento, nesta autuação, do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL restabelecidos em face do acórdão proferido no julgamento do processo nº 10120.730439/2012-08; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa isolada de estimativas, vencidos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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CONCENTRAÇÃO DE CUSTOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Recorrente NOVO MUNDO MÓVEIS E UTILIDADES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 FRAGMENTAÇÃO DE RECEITAS. CONCENTRAÇÃO DOS RESPECTIVOS CUSTOS. ALEGAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Alegações no sentido de existência de propósito negocial, razões de ordem comercial e administrativa e de direito à livre iniciativa, não são hábeis a afastar a autuação por omissão de receitas se não afastada a constatação fiscal de que, apesar de concentrar todos os custos e a quase totalidade das despesas, a autuada (optante pelo lucro real) transferiu para outras empresas do mesmo grupo (tributadas pelo lucro presumido) quase toda receita de serviços, receitas essas que, posteriormente, retornam à sua efetiva detentora a título de mútuos que não são pagos, mas são baixados em contrapartida de distribuição de lucros. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como afastar a multa aplicada no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica. ANTECIPAÇÕES. RETENÇÕES NA FONTE. VALORES CONSIDERADOS NA FISCALIZAÇÃO E NÃO INCLUÍDOS NOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 36 37 /2 01 4- 79 Fl. 32260DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 3 2 CÁLCULOS EFETUADOS EM DILIGÊNCIA. NECESSIDADE DE CORREÇÃO À vista da ressalva quanto ao fato de que o Relatório de Diligência Fiscal não registrou nas respectivas planilhas, os valores integrais de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que já haviam sido considerados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), cumpre acolher tal pedido para que a DRF assim reconsidere. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para aproveitamento, nesta autuação, do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL restabelecidos em face do acórdão proferido no julgamento do processo nº 10120.730439/201208; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa isolada de estimativas, vencidos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pela Contribuinte e dois Responsáveis Tributários, face ao Acórdão nº 1457.0723, de 4 de março de 2015, da 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente suas impugnações, para rejeitar a arguição de nulidade, indeferir o pedido de diligência/perícia, manter integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e manter a atribuição de responsabilidade tributária às pessoas físicas indicadas na autuação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Fl. 32261DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 4 3 Não se cogita cerceamento de defesa se todos os interessados foram regularmente cientificados dos autos de infração e deles se defenderam apresentando impugnação em que demonstram ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INEXISTÊNCIA A autoridade fiscal está autorizada a requerer informações necessárias à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas ligadas ao fato investigado e a utilização dessas informações para demonstrar e comprovar as infrações imputadas autuada, não caracteriza quebra de sigilo fiscal, sobretudo se referentes a empresas do mesmo grupo, com administração e/ou sócios em comum. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação, além de outras condições, deve mencionar os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação, sobretudo se sequer foram individualizados pelos Impugnantes os pontos de divergência ou os valores alegadamente faltantes em relações de despesas detalhadas na autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 FRAGMENTAÇÃO DE RECEITAS. CONCENTRAÇÃO DOS RESPECTIVOS CUSTOS. ALEGAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Alegações no sentido de existência de propósito negocial, razões de ordem comercial e administrativa e de direito à livre iniciativa, não são hábeis a afastar a autuação por omissão de receitas se não afastada a constatação fiscal de que, apesar de concentrar todos os custos e a quase totalidade das despesas, a autuada (optante pelo lucro real) transferiu para outras empresas do mesmo grupo (tributadas pelo lucro presumido) quase toda receita de serviços, receitas essas que, posteriormente, retornam à sua efetiva detentora a título de mútuos que não são pagos, mas são baixados em contrapartida de distribuição de lucros. LANÇAMENTO ANTERIOR. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA OUTRO LANÇAMENTO. REPERCUSSÃO. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. Existindo regular autorização para novo exame, a pendência de decisão administrativa definitiva acerca de lançamento anterior, com outra motivação e que alterou os resultados informados em DIPJ de alguns períodos e saldos de prejuízos compensáveis, não impede a formalização de segundo lançamento partindo do resultado do primeiro. Os efeitos de eventual decisão definitiva favorável ao contribuinte em lançamento anterior e que repercuta no lançamento em questão devem ser Fl. 32262DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 5 4 verificados e considerados pela autoridade preparadora nos valores a serem cobrados quando da execução do acórdão definitivo. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE Questionamentos acerca das despesas admitidas na autuação devem ser acompanhados da identificação individualizada dos valores pretendidos e das provas de sua necessidade, usualidade e normalidade, além da sua vinculação às receitas consideradas na reconstituição do resultado. RECONSTITUIÇÃO DO RESULTADO. APURAÇÃO UNIFICADA. A reconstituição de resultado da autuada (revendedora de mercadorias) motivada pela constatação de que, apesar de concentrar os dispêndios, as receitas por eles propiciadas foram transferidas para outras empresas do grupo (prestadoras de serviços), não constitui apuração unificada, mas reflete observância do Princípio da Entidade. A pretensão de que a reconstituição do resultado efetuada na autuação contemplasse outra empresa do grupo, sob alegação de mesmo objeto social (revenda de mercadorias com atuação em outra área geográfica), mas para a qual não verificada transferência de receitas da autuada, não encontra amparo na legislação comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como afastar a multa aplicada no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Os autos de infração (IRPJ e CSLL, anoscalendário de 2009 a 2012), totalizaram R$80.478.129,08, já com acréscimos (multa qualificada,150%, juros e multa de ofício isolada, por falta de recolhimento de estimativa). As exigências de PIS e COFINS foram formalizadas no Proc. 10120.723638/201413. Fl. 32263DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 6 5 A fiscalização destacou que a recorrente fragmentou suas atividades em várias pessoas jurídicas (satélites). Ressalva, porém, que os custos relativos às compras para revenda seriam concentrados na recorrente, tributada pelo Lucro Real. Verificouse que, uma parte das receitas inicialmente auferida pela recorrente seria transferida para as demais pessoas jurídicas do grupo. As receitas decorrentes da venda de mercadorias financiadas e com seguro ou garantia estendida seriam retiradas e levadas às empresas satélites, tributadas pelo lucro presumido.' Assim, na recorrente (lucro real) seriam concentradas todas as despesas, enquanto parte de sua receita seria transferida para as empresas satélites (lucro presumido). Com essa fragmentação, a recorrente teria passado a ter prejuízos ano após ano, não pagando valor algum a título de IRPJ e CSLL. No entendimento da fiscalização, em decorrência dos prejuízos, o patrimônio líquido da recorrente teria ficado comprometido. A partir de 2010, ela teria passado a receber aumento no capital social como investimentos da controladora, retornando para ela recurso que sempre teria lhe pertencido. Registra que, na prática, o que teria ocorrido, teria sido a transferência constante de valores financeiros das contas bancárias das empresas criadas pela fragmentação para as contas bancárias da recorrente, operações contabilizadas como mútuo. Posteriormente, tais contas tinham seus saldos baixados como distribuição de lucros para controladora, chamada Martins Ribeiro. Salientouse que, a Martins Ribeiro, controladora de todas as sociedades do grupo Novo Mundo, era a empresa que fazia a ponte para os valores financeiros de receitas, como comissões, retornarem para a recorrente. Ela recebia os lucros e baixava contabilmente os saldos destes lucros distribuídos como investimento na empresa mãe (recorrente). Essa, por sua vez, providenciava a alteração contratual com o registro do aumento de capital, fechando o ciclo do retorno do valor financeiro para ela. A fiscalização detalha todas as provas produzidas, no intuito de demonstrar a "artificiosa" criação de mini empresas, por iniciativa das empresas de porte, com os mesmos sócios da empresa mãe. Essa forma de atuar, foi considerada que teria, por intuito, a evasão fiscal. A Fiscalização concluiu que, não haveria como se aceitar que a receita de uma atividade própria da recorrente fosse alocada em outras empresas criadas pelos mesmos sócios e os custos decorrentes da execução desta atividade fossem alocados na recorrente. Ressaltouse que, esse modus operandi, quanto à transferência de toda receita de comissões de vendas para as empresas fragmentadas lesaria o Fisco Federal, gerando uma tributação mais favorecida com a redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL, sobre as receitas transferidas, bem como a redução da tributação do PIS e Cofins, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo) considerando que as empresas auxiliares são optantes do regime Lucro Presumido. Por essa razão, a autoridade fiscal recalculou o lucro operacional da recorrente, atribuindo a ela receitas de comissões, que foram deslocadas para as empresas criadas pela fragmentação. Fl. 32264DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicou, ainda, multa de ofício no percentual de 150%, tendo em vista a comprovação de fraude, e multa isolada sobre a redução indevida das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Indicaramse como responsáveis solidários os senhores Agenor Braga e Silva Filho e Carlos Luciano Martins Ribeiro. A contribuinte, NOVO MUNDO MOVEIS E UTILIDADES LTDA, e os responsáveis tributários AGENOR BRAGA E SILVA FILHO, CARLOS LUCIANO MARTINS RIBEIRO (fl.31.361), foram intimados do Acórdão recorrido, em 17/03/2015 (fl. 31359), via DTE. Interpuseram recursos voluntários, em 16/04/2015 (fl. 3578). As partes estão regularmente representadas (Novo Mundo, Agenor e Carlos foram representados pela Advogada Fernanda e Advogado Sidinei – procuração juntada à impugnação). Recursos Voluntários As razões de recursos são idênticas, podendo ser sintetizadas da seguinte forma: a) recomposição da base de cálculo do lançamento em face de decisão definitiva em favor da NM Móveis e Utilidades no PAF 10120.730439/201208: a empresa obteve decisão definitiva em PAF, no qual discutiuse a natureza de valores recebidos pelo Estado de Goiás. Ao final, decidiuse que os valores têm natureza de subvenção de investimento, não devendo ser considerados nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Consequentemente, deve ser recomposta a base de cálculo dos tributos ora exigidos, adequandose a decisão definitiva do mencionado processo. b) nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa: houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços do Grupo Novo Mundo sem, contudo, intimálas do procedimento fiscal. Logo, não foi oportunizada a participação das empresas diretamente afetadas pelo lançamento. É pressuposto de validade do PAF a intimação de todos os envolvidos no lançamento. c) nulidade do acórdão recorrido por inovação dos fundamentos do lançamento: o auto de infração teve como fundamento a desconsideração da personalidade jurídica das empresas. No entanto, a DRJ adotou entendimento distinto, de que a autuação teve como objeto principal a desconsideração das operações de transferência de receitas, e não da personalidade jurídica das sociedades prestadoras de serviços. Por essa razão, a decisão de primeira instância deve ser anulada, para que outro acórdão seja proferido nos limites da fundamentação utilizada no lançamento de ofício. d) legalidade da reestruturação empresária do grupo Novo Mundo. Discricionariedade na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. A reorganização empresarial do Grupo teve como escopo efetuar a divisão do comércio varejista da prestação de serviços. Com isso, a responsabilidade e a receita pela prestação de serviços de financiamento e seguros ficaram com as empresas especializadas; enquanto a responsabilidade e a receita do comércio varejista permaneceram com a NM Móveis e Utilidades e a Novo Mundo Amazônia Móveis e Utilidades. Para a fiscalização, porém, as empresas satélites (Novo Mundo Gestora, Novo Mundo Serviços e Novo Mundo Promotora) eram apenas simulacro de pessoa Fl. 32265DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 8 7 jurídica, pois quem efetivamente prestava os serviços de financiamento e de seguros era a empresa que comercializada os produtos varejistas (NM Móveis e Utilidades). As empresas satélites funcionavam como meros departamentos da autuada. Ora, as premissas adotadas pela fiscalização permitem concluir que a empresa autuada, ao prestar serviços de financiamento e seguros para a Novo Mundo Amazônia, também agiu como uma empresa de fato. Se a atividade e receita de financiamento e seguros pertenciam à autuada, pois as empresas satélites inexistiam, ao prestar serviços para a Novo Mundo Amazônia, agiu como simulacro de empresa, estando presente a subsidiariedade apontada no auto de infração. A composição contábil realizada pela fiscalização não espelha a realidade, devendo ser afastada: (1) seja por nulidade em face da ausência de fundamentação da autuação, o que causa grave prejuízo à defesa, pois a contribuinte não sabe em que medida as operações utilizadas para desconsiderar a realidade econômica das empresas são, de fato, vedadas, tendo em vista que, nesse sentido, a Novo Mundo Móveis deveria ser considerada integrante da Novo Mundo Amazônia; (2) seja diante da improcedência da autuação, uma vez que agiu de forma discricionária, pois afastou o princípio da entidade arbitrariamente, não realizando a composição contábil em consonância com a sua argumentação. e) da improcedência dos argumentos utilizados pelo acórdão recorrido para manter a autuação fiscal: a estrutura das empresas não pode ser motivo para manter a autuação fiscal, porquanto os serviços que prestam não demandam grande estrutura física ou de um alto número de funcionários, mas sim de especialização em relação aos serviços que realizam; a transferência e a utilização de funcionários de empresas integrantes do mesmo grupo econômico são justificadas, pois eles já conhecem o funcionamento do grupo e apresentam qualificação profissional; as empresas prestadoras de serviços foram criadas para especializar os serviços de financiamento e de seguros, dando maior racionalidade e eficiência à estrutura empresarial; informações do Banco Fibra confirmam que as empresas prestadoras de serviços realizaram as atividades para as quais foram criadas; as despesas relacionadas à prestação de serviços estavam alocadas nas empresas que desenvolviam essa atividade. Não houve desvinculação entre receitas e despesas, pois as empresas desconsideradas efetivamente prestavam serviços e tinham despesas vinculadas a essas atividades; a forma pela qual a administração qualificou as operações financeiras realizadas no grupo Novo Mundo demonstra que, de fato, ela não analisou todo o contexto em que ocorreu a reorganização societária do grupo. A reorganização teve como escopo garantir maior racionalização empresarial, por meio de uma divisão fixa de atividades entre as diversas sociedades que compõem o grupo. O fato de uma empresa apresentar problemas financeiros não compromete as demais. Por essa razão, as empresas realizaram empréstimos para a Novo Mundo Móveis. A recorrente não precisou pagar, pessoalmente, pelos empréstimos, pois as empresas integravam o mesmo grupo empresarial e tinham a obrigação de distribuir o lucro aos seus sócios, que escolheram utilizálo para garantir a saúde financeira das Fl. 32266DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 9 8 deficitárias; o Carf rechaça análise subjetivista fundamentada no 'propósito negocial da operação'; f) necessidade de recompor a base de cálculo para incluir a Novo Mundo Amazônia, pois ela participou do mesmo plano de reorganização societária. Ambas as empresas (recorrente e Novo Mundo Amazônia) que atuam no comércio de mercadorias e recebem serviços das empresas desconsideradas devem compor a presente autuação; g) caráter idêntico das operações financeiras entre a Novo Mundo Amazônia e a Novo Mundo Móveis e Utilidades: a Novo Mundo Amazônia também realizava operações financeiras com a recorrente. Assim, se os mútuos realizados pelas empresas prestadoras de serviços configuraram transferência de receita para autuada, deve ser reformado o acórdão recorrido, para haver a recomposição da base de cálculo para incluir a Novo Mundo Amazônia no lançamento; h) das despesas operacionais não consideradas: caso o lançamento seja mantido, o acórdão recorrido deve ser reformado, para admitir as despesas operacionais suportadas pelas empresas prestadoras de serviços. i) improcedência da multa isolada por configurar bis in idem punitiva. j) improcedência da multa qualificada: não foi provada fraude, pois a reorganização societária foi realizada com escopo eminentemente extra fiscal. Não há fundamento para aplicação da multa em 150%. l) improcedência da responsabilização solidária dos administradores, pois não há prova de que agiram de forma dolosa. A PFN apresentou contrarrazões reforçando os fundamentos da fiscalização e da DRJ. Requereu a manutenção do auto de infração e o improvimento do recurso voluntário. Diligência. Créditos. Incentivos Fiscais do Estado de Goiás. Proc. 10120.730439/201208 Na primeira oportunidade em que os recursos voluntários foram submetidos a julgamento neta Turma, acolheuse o pedido preliminar dos recorrentes, para que fosse realizada a recomposição da base de cálculo do lançamento, para considerar os efeitos de decisão definitiva que lhe foi favorável, proferida nos autos do PAF n° 10120.730439/201208. Na forma demonstrada, haveria a possibilidade de se compensar créditos tributários relativos a subvenções concedidas pelo Estado de Goiás. Assim, o julgamento foi convertido em diligência e os autos retornaram à DRF para a seguinte verificação: a) qual o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL que restaram disponíveis, após o provimento do recurso voluntário no âmbito do referido PAF n° 10120.730439/201208; b) esclarecer se os referidos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL foram utilizados em períodos de apuração posteriores e/ou em parcelamentos especiais a que eventualmente a recorrente aderiu, detalhando o referido aproveitamento; Fl. 32267DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 10 9 c) qual o impacto do aproveitamento desse crédito no lançamento deste processo; d) apresentar relatório a respeito; e) intimar a recorrente para manifestarse no prazo de 30 dias. A diligência realizada foi registrada nos termos do Relatório de Diligência Fiscal e Planilhas Anexas de fls. 31906/31915, dos quais destacamse os seguintes pontos: a) a fiscalização compensou prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL em favor do sujeito passivo, reduzindo a autuação, em montantes permitidos pela legislação de regência, considerando os saldos disponíveis, por ocasião da lavratura, controlados pela Receita Federal no Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Sapli), cujo controle pelo sujeito passivo consta dos Livros de Apuração do Lucro Real (Lalur); b) diante do provimento do recurso voluntário (Proc. 10120.730439/201208), relativo a períodos anteriores, os saldos precisam ser reajustados, com efeitos na autuação; c) em atendimento à Resolução nº 1302000.497, 1ªS,3ªC, 2TO, de 21/06/2017, anexou planilhas demonstrando em detalhes as alterações de saldos e os ajustes necessários na autuação. Realizouse a recomposição do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, reduzindose os valores do auto de infração (valor principal). O recálculo apurou saldo zero em determinados períodos e IRPJ e CSLL devidos em outros, conforme planilhas de fls. 31906/31915. Resposta da Recorrente à Intimação do Resultado da Diligência Da resposta à intimação do resultado da diligência, destacamse os seguintes pontos: a) as duas autuações lavradas (PAF 10.120.730439/201208 IRPJ e CSLL; e PAF 10.120.731185/20123 PIS e COFINS), 2009/2010, decorreram de questionamento a respeito do benefício de ICMS, como subvenção para custeio. Ao final, comprovouse tratar de subvenção para investimento; b) na recomposição do IRPJ e CSLL, houve redução do valor dos tributos autuados, contudo, não foi realizada a compensação de todas as deduções legais a título de pagamento e/ou retenções (IRRF) consideradas na autuação original. Apresentou quadros demonstrativos (fls. 32250/32256) que indicam os valores de IR Fonte consignados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 55/119); c) para a unificação das empresas, como procedeu a fiscalização, deveria também ter incluído a Novo Mundo Amazônia; d) a segregação das atividades da recorrente em empresas auxiliares teria resultado, no aumento da tributação, em relação à tributação unificandose as empresas, o que teria levado ao recolhimento de R$14 milhões. Apresenta quadros demonstrativos, por meio dos quais pretende indicar que seriam maiores os valores de saldos negativos, do que aqueles apurados na diligência; e) concordou com a diligência fiscal e requereu: Fl. 32268DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 11 10 1. saneamento dos valores já reconhecidos pela fiscalização; 2. baixa do arrolamento de bens da recorrente; 3. compensação de todo o IRRF não considerado na diligência; 4. inclusão da Novo Mundo Amazônia para unificação das operações, dizendo que com isso haveria a anulação do crédito tributário; 5. anulação da multa qualificada, por não haver dolo na segregação de atividades; e 6. improcedência do auto de infração. Os autos retornaram para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os recursos voluntários são tempestivos e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço dos recursos. Preliminar de Recomposição da Base de Cálculo do Lançamento em face de decisão definitiva no PAF n° 10120.730439/201208. A DRF de origem respondeu aos itens da resolução desta Turma, cujos novos saldos apresentados nas planilhas de fls. 31906/31915 considero corretos para prosseguimento no julgamento dos recursos voluntários. Todavia, diante da ressalva apresentada pela recorrente, no que diz respeito ao fato de que o Relatório de Diligência Fiscal não registrou nas respectivas planilhas anexas, os valores integrais de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que já haviam sido considerados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), cumpre acolher tal pedido para que a DRF considere, devidamente, o IR FONTE que já havia sido considerado pela fiscalização (planilhas apontadas pela recorrente, em sua manifestação de fls. 32250/32256). Assim, considerando que, já por ocasião da fiscalização, houve o reconhecimento de direito creditório da recorrente, referente a retenções na fonte e, diante da não inobservância a esse direito, por ocasião da referida diligência, cabe nesse ponto, dar provimento ao recurso voluntário da recorrente para que a DRF restabeleça, como consignado no TVF, os citados valores relativos às antecipações (IRRF). Preliminar de Nulidade do Acórdão Recorrido por Inovação dos Fundamentos do Lançamento Os recorrentes alegam que existe um descompasso entre o termo de verificação fiscal e a decisão de primeira instância, caracterizando inovação nos fundamentos do lançamento. Fl. 32269DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 12 11 Contudo, razão não lhes assiste, pois as conclusões da DRJ não destoam da autoridade fiscal. Como segue. De acordo com o TVF: 167. O fato contábil comum a estas empresas criadas pela fragmentação é a inexistência de custos, pois as mesmas nunca efetuaram qualquer compra de mercadorias para revenda, todos os custos são concentrados na empresa fragmentada (Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda.), que é quem compra, revende e suporta todos os custos e despesas de vendas, e com a diminuição de Receitas de Comissões, a fiscalizada passa a ter PREJUÍZOS ano após ano. 168. Assim, a fiscalizada, a partir da venda de mercadorias financiadas e com seguro ou garantia estendida, definia que as despesas, relativas a estas vendas, deveriam ser mantidas agregadas em sua contabilidade (Lucro Real) e as receitas deste mesmo fato contábil deveriam ser retiradas e levadas à outra sociedade que possui regime tributário mais favorecido para esta receita (Lucro Presumido). Temos receitas, portanto, desprovidas de custos/despesas em sua contrapartida. Sobre os efeitos tributários da fragmentação realizada pelo grupo Novo Mundo, a fiscalização conclui o seguinte: 173.Não há como se aceitar que a receita de uma atividade própria da fiscalizada seja alocada em outras empresas criadas pelos mesmos sócios e os custos decorrentes da execução desta atividade sejam alocados na fiscalizada. Esta transferência de toda receita de comissões de vendas para as empresas fragmentadas, lesa o Fisco Federal, gerando uma tributação mais favorecida com a redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre as receitas transferidas, bem como a redução da tributação do PIS e Cofins, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo) considerando que as empresas auxiliares são optantes do regime Lucro Presumido. 174.Desta forma a fiscalização fará a recomposição das Receitas e Despesas que efetivamente pertenceram à fiscalizada, fazendo assim a correta tributação das mesmas. Já a DRJ confirma a acusação fiscal, pois, segundo constou do voto do Relator: A motivação fática dos Autos de Infração não foi apenas a opção da empresa de reestruturar suas atividades dividindoas entre outras pessoas jurídicas criadas para tanto, mas sim a constatação de que receitas da empresa autuada foram desvinculadas das despesas, ou seja, de que receitas da Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda. foram transferidas para outras pessoas jurídicas do grupo, mas os dispêndios (custos e despesas) necessários para gerar tais receitas foram mantidas integralmente na empresa principal (...) Em suma, os interessados não apenas reestruturam suas atividades mediante criação de novas empresas fato que, por si só, não foi o motivo da autuação , mas concentraram dispêndios em uma só pessoa jurídica e distribuíram receitas entre outras empresas do grupo, com regimes de tributação diferentes para cálculo tanto do IRPJ e CSLL, como para cálculo de PIS e COFINS. No tocante ao lançamento, e os efeitos do planejamento tributário, a decisão de primeira instância confirmou o procedimento adotado pela fiscalização, que recalculou o Lucro Operacional da fiscalizada, nos anoscalendário 2009, 2010, 2011 e 2012, com todas as Receitas Fl. 32270DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 13 12 de Comissões atribuídas às empresas criadas pela fragmentação, diminuídas das receitas correspondentes a Novo Mundo Amazônia, das deduções admitidas na legislação (vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos sobre vendas) e das despesas citadas no parágrafo anterior (despesas operacionais das auxiliares). No que diz respeito à desconsideração de personalidade jurídica, o Termo de Verificação Fiscal tratou do assunto, assentando que: 165. Desta forma, a fiscalização não está fazendo a desconsideração da personalidade jurídica das empresas criadas pela fragmentação, mas está atribuindo as receitas detalhadas nos parágrafos 77 a 95 pertencentes a NOVO MUNDO MÓVEIS E UTILIDADES LTDA, empresa ora fiscalizada. Verificase, portanto, que os trechos confrontados acima comprovam que não há a inovação apontada pelos recorrentes. Os fatos são os mesmos e a decisão de primeira instância confirmou o auto de infração, entendendo que receitas da NM Móveis e Utilidades foram fraudulentamente deslocadas para empresas satélites, o que autorizou a recomposição da base de cálculo de IRPJ e CSLL. Registrese, ainda, que o direito de defesa foi devidamente exercido pelos recorrentes, que demonstraram conhecer a acusação fiscal, apresentando longa e detalhada impugnação e, posteriormente, recursos voluntários. Logo, por não existir a alegada inovação rejeito a preliminar de nulidade. Preliminar de Nulidade do Lançamento por Cerceamento do Direito de Defesa Os recorrentes defendem que as empresas chamadas de satélites (Novo Mundo Serviços Ltda., Novo Mundo Gestora de Negócios Ltda. e Novo Mundo Promotora de Vendas Ltda.) deveriam ter sido intimadas do lançamento tributário. A acusação fiscal é de que tais empresas foram utilizadas para gerar efeitos tributários favoráveis à Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda. Receitas antes auferidas pela autuada, tributada pelo lucro real, foram deslocadas para as satélites, incluídas na sistemática do lucro presumido, reduzindo, assim, a carga tributária do grupo. A fiscalização promoveu a realocação para a autuada das receitas decorrentes de financiamentos, seguros ou garantia estendida, pois a ela pertenciam, gerando o auto de infração. Logo, a NM Móveis e Utilidades foi corretamente apontada como sujeito passivo, por ter realizado o fato jurídico tributário. Já as pessoas físicas foram incluídas na qualidade de responsáveis (artigo 121, § único, II, CTN), com base no artigo 135, inc. III do CTN. Registrese, portanto, que o lançamento atinge apenas a NM Móveis e Utilidades, por ser ela a verdadeira titular das receitas. Além disso, nessa fiscalização, não foram apurados tributos devidos e não recolhidos nas demais empresas do grupo. Assim, cumpre rejeitar a preliminar, pois o direito de defesa foi devidamente oportunizado para os sujeitos passivos (NM Móveis e Utilidades e responsáveis), além de representantes das empresas Novo Mundo Serviços, Novo Mundo Gestora e Novo Mundo Promotora integrarem o auto de infração. Fl. 32271DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 14 13 Do Mérito Ilegalidade das Operações Realizadas pelo Grupo Novo Mundo. Simulação na Transferência de Receitas. A fiscalização consignou que, os controladores da recorrente NM Móveis e Utilidades criaram e utilizaram empresas auxiliares, no intuito de deslocar receitas que pertenciam à empresa principal, para serem tributadas pela sistemática do lucro presumido. As despesas, por sua vez, foram mantidas na empresa fiscalizada, tributada pelo lucro real. Os recursos, posteriormente, retornaram para a autuada, na forma de mútuo e investimentos. Com essas operações, segundo o Fisco, a empresa conseguiu uma economia de 32% na base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre as receitas transferidas, bem como a redução da tributação do PIS e COFINS, com aplicação de alíquotas menores, próprias do regime cumulativo (fls. 37 do TVF). Comprovouse que houve simulação, pois a transferência de valores não se mostrou real; as receitas pertenciam à empresa responsável pela venda de mercadorias, sendo as empresas auxiliares utilizadas no intuito de se atingir a forma menos onerosa de tributação. Posteriormente, por meio de mútuos e investimentos, os recursos retornam para a verdadeira titular, ou seja, para autuada. As provas que embasaram a conclusão da fiscalização foram as seguintes: A empresa autuada, Novo Mundo (NM Móveis e Utilidades), foi constituída em 1960, tendo como objeto social o comércio de máquinas, aparelhos, equipamentos elétricos e eletrônicos, móveis em geral, etc. Atuando no mercado de revenda de produtos ao consumidor final há mais de 50 anos, e com mais de 100 lojas, a Novo Mundo efetuava vendas com opção de garantia estendida, seguros e financiamentos, muito antes da criação das empresas auxiliares. Os contratos mais recentes com as empresas Banco Fibra S.A, Credifibra, Virginia Surety CIA de Seguros do Brasil, TWG Warranty Serviços do Brasil Ltda e Cardif do Brasil Vida e Previdência S/A (contratos anexados ao processo) mostram que a autuada fazia uma parceria com elas, por meio da qual efetuava vendas de mercadorias com financiamento, seguros ou garantia estendida. Por essas operações, recebia uma receita de comissão, declaradas em DIRF pelas empresas, com IRPJ e CSLL retidos na fonte. Com o objetivo de evitar a tributação mais onerosa, pelo Lucro Real, o grupo familiar resolveu se fragmentar, criando a primeira empresa auxiliar, NM Serviços, em 2001. A primeira empresa auxiliar, chamada Novo Mundo Serviços (NM Serviços) foi criada em 15/08/2001, com objeto social de prestação de serviços de promoção de vendas, crédito, cobrança e gestão de negócios. Em 2002, a sede da empresa foi transferida para o endereço 2a Avenida, Quadra 1 B, Lote 424344, Edifício Atlanta Business Center, 4° andar, sala 10, Condomínio Cidade Empresarial, em Aparecida de Goiânia, Goiás. Fl. 32272DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 15 14 Em 31/10/2010, ocorreu nova mudança na localização da sede, que passou a ocupar o seguinte endereço: Lotes 55/56, Condomínio Cidade Empresarial, Aparecida de GoiâniaGO, na sala 3. Desde sua criação, essa empresa auxiliar passou a registrar em sua contabilidade a quase totalidade das receitas de serviços referentes à venda de garantia estendida, seguros e financiamentos, auferidas por meio de vendas efetuadas pela empresa principal, a Novo Mundo. Só no anocalendário de 2009, foi contabilizado o valor de R$ 47.038.031,90 com comissões. Ocorre que, no fechamento do anocalendário de 2009, o grupo familiar verificou que as receitas de serviços registradas na NM Serviços estavam chegando ao limite permitido para a continuidade da opção pelo lucro presumido no ano seguinte. Novamente, para evitar a tributação na forma mais onerosa, o grupo familiar criou, no ano de 2010, duas novas empresas auxiliares, a NM Gestora de Negócios e a NM Promotora de Vendas, para que as três auxiliares pudessem continuar declarando suas receitas sob a forma de tributação do lucro presumido. As duas últimas empresas satélites do grupo, chamadas de Novo Mundo Gestora de Negócios (NM Gestora) e Novo Mundo Promotora de Vendas (NM Promotora), foram criadas no mesmo dia, em 27/02/2010. O objeto social da primeira era a prestação de serviços de gestão de negócios, consultoria e assessoria empresarial, apoio operacional, além de serviços combinados de apoio de escritório e apoio administrativo. Da segunda, era a prestação de serviços de promoção de vendas e demonstração de produtos em pontos de vendas, distribuição de material promocional, análise de cadastro e recomendação para aprovação de créditos, compilação e consulta sobre histórico de crédito de pessoas. Ambas as empresas apresentavam o mesmo endereço, com alteração apenas no número da sala. Inicialmente, a sede de ambas ficava na 2a Avenida, Quadra 1B, Lote 424344, Edifício Atlanta Business Center, 4° andar, Condomínio Cidade Empresarial, em Aparecida de Goiânia, Goiás. Em 31/10/2010, as duas empresas mudaram para Lotes 55/56, Condomínio Cidade Empresarial, Aparecida de Goiânia GO. A NM Gestora e NM Promotora foram constituídas no mesmo dia, pelos mesmos sócios, com a mesma participação societária. Destacase que, com exceção do número da sala, o endereço da sede de todas as empresas satélites, no momento da criação, era idêntico. Posteriormente, na mesma data, 31/10/2010, todas as três sociedades tiveram a sede alterada para o mesmo local. Todas as empresas satélites têm como estrutura física, para realizar todas as atividades a que se propõem, apenas uma sala. Será demonstrado adiante que, no ano de criação, as empresas NM Gestora e NM Promotora auferiram vultosas receitas, mesmo não tendo qualquer funcionário registrado. Sobre as empresas do grupo, ainda são importantes as seguintes informações, que demonstram que todas eram administradas e controladas pelas mesmas pessoas. A composição societária de todas é muito similar, tendo sempre como sócio majoritário, com 96% ou mais de quotas, a pessoa jurídica Martins Ribeiro Fl. 32273DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 16 15 Participações Ltda. As demais quotas pertencem sempre as mesmas pessoas físicas: Luziano Martins, Carlos Luciano Martins Ribeiro, Ednara de Oliveira Martins Braga e Patrícia Auxiliadora de Oliveira Martins. Apenas uma pessoa física é sócia da empresa principal sem também ser quotista das demais: Edna de Oliveira Martins. Logo, os sócios das empresas auxiliares são os mesmos da empresa principal. Os representantes de todas as pessoas jurídicas são sempre os mesmos. A NM Móveis e Utilidades e a NM Serviços, no período de 2009 a 2012, tinham como representante Agenor Braga e Filho. Já as empresas NM Promotora e NM Gestora tinham como representante, de 2010 a 2012, o senhor Carlos Luciano Martins Ribeiro. Nos contratos denominados de Instrumento Particular de Acordo Operacional, realizados entre a NM Móveis e Utilidades e as empresas seguradoras, quem assina por todas as empresas do grupo são os senhores Carlos Luciano Martins Ribeiro e Agenor Braga e Silva Filho, que atuam como os únicos representantes de todo o grupo. Os contadores do grupo também são os mesmos, senhores Vanderlei Gonçalves do Couto e Eber Takahashi de Oliveira. Sobre os empregados das empresas satélites, no ano de criação, as empresas NM Gestora e NM Promotora auferiram vultosas receitas, mesmo não tendo qualquer funcionário registrado (GFIP com status 'sem movimento'), tampouco estrutura para a atividade desenvolvida (a sede era uma única sala, sem funcionários). Em 2011, a empresa NM Serviços e a fiscalizada transferiram para as demais empregados que antes estavam vinculados a elas. Ações trabalhistas (fls. 11 TVF) propostas contra a NM Serviços mostram que, a pedido da primeira reclamada, a empresa principal passou a compor o polo passivo da demanda. Em audiência na vara do trabalho, figura como preposta da NM Móveis e Utilidades e da NM Serviços a senhora Aparecida Moreira, empregada da primeira. Na carta de preposto, quem outorga os poderes à senhora Aparecida Moreira é o senhor Sílvio Alves Lima, CPF n° 058.483.93168, empregado da NM Móveis e Utilidades. Existe também, no bojo dessa reclamatória, uma procuração onde a NM Móveis e Utilidades outorga poderes ao senhor Sílvio Alves Lima. Porém, não existe na reclamatória outorga de poderes da NM Serviços ao referido representante. Apesar disso, como descrito em parágrafo anterior, o senhor Sílvio designou preposto a NM Serviços, sem mandato desta. Também, o advogado de ambas as empresas, na reclamatória, era o mesmo, tanto para NM Serviços quanto para a NM Móveis e Utilidades, muito embora inexistam, na contabilidade da NM Serviços, quaisquer despesas a título de honorários advocatícios. Obviamente, tais honorários foram suportados unicamente pela empresa principal. Em verdade, se a NM Serviços fosse empresa independente da principal, com estrutura adequada para as atividades a que se propôs realizar, razão não assistiria Fl. 32274DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 17 16 para a NM Móveis e Utilidades fazer parte da lide e, tampouco suportar as despesas inerentes à reclamatória, designando preposto e advogado. Ainda que na esfera trabalhista todas as empresas do grupo possam figurar como ente único e respondam solidariamente pelos débitos, isso não autoriza que, contabilmente, despesas com honorários advocatícios de uma das empresas sejam assumidas integralmente por outra, ainda que do mesmo grupo. Outra ação trabalhista citada pela fiscalização é a ação ajuizada pela senhora Rosimeire da Silva Cruz, em 2009, contra a NM Móveis e Utilidades, Processo n° 00912200901218000, da 12a Vara do Trabalho de Goiânia. Consultando o sistema CNIS, constatase que, de fato, a reclamante teve vínculo empregatício com a NM Móveis e Utilidades, de 22/07/2002 a 04/06/2007. Porém, na fase recursal desse mesmo processo, o reclamado passou a ser, não a empresa principal, mas a NM Serviços. A única justificativa para a NM Móveis e Utilidades integrar e suportar o ônus de todas as lides é pelo fato de as empresas auxiliares terem sido utilizadas no interesse da pessoa jurídica principal, para receber receitas que antes pertenciam a ela. Ademais, analisando os contratos relativos a seguros e garantia estendida, denominados de 'Instrumento Particular de Acordo Operacional', a fiscalização constatou o seguinte: A Virginia Surety Companhia de Seguros do Brasil consta como Seguradora. Já a NM Móveis e Utilidades, denominada de estipulante, é a pessoa jurídica que comercializa e financia diversos artigos, produtos e bens, e dispõe de infraestrutura necessária e adequada para disponibilizar o programa aos seus consumidores. Empresa que deseja contratar o programa, atuando como estipulante das apólices de seguros, tornandoo disponível aos seus consumidores que venham adquirir ou não os seus produtos, de forma contributária ou não contributária. A NM Serviços, denominada subestipulante, é descrita como empresa do grupo econômico da estipulante e tem como objeto, entre outros, a promoção de vendas, a cobrança e a gestão de negócios. Segundo a sistemática adotada na venda de seguros e garantia estendida, a seguradora recebe o prêmio por meio de repasse estipulante e, no momento posterior, a seguradora remunera a estipulante de acordo com critérios previamente estabelecidos (comissão). Apesar de constar do contrato que a NM Móveis e Utilidades é quem tem infraestrutura para comercializar os produtos e poder vender o programa de seguros para os consumidores, é determinada uma remuneração de apenas 10% para ela e a maior parte, 90% para a NM Serviços. Esta última empresa foi incluída nos contratos, apesar de não ter estrutura ou efetuar qualquer despesa para promover vendas. Para confirmar a utilização das empresas para atender interesses da principal, consta, no contrato, que quaisquer avisos, pedidos ou comunicações entre as partes referentes ao acordo deverão ser feitos por escrito e enviados com protocolo de entrega aos cuidados do senhor Carlos Luciano Martins Ribeiro, tanto quando o destinatário for a estipulante, como a subestipulante. Fl. 32275DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 18 17 Verificase ainda, que são as mesmas pessoas, Carlos Luciano Martins Ribeiro e Agenor Braga e Silva Filho, que assinam os contratos pela principal e satélite. A análise da Escrituração Contábil Digital ECD da empresa NM Móveis e Utilidades, nos anoscalendário de 2009 a 2012, nos créditos realizados na conta 2.01.05.02.0001 VIRGINIA SURETY CIA SEG BRASIL, demonstrou que quase a totalidade dos créditos realizados nesta conta decorreram de venda de garantia para consumidor final, com NF de venda de mercadorias. A receita decorrente da remuneração paga pela seguradora pertence, única e exclusivamente, ao estipulante, no caso a fiscalizada, mas os valores recebidos a título de garantia não transitam pelo resultado do exercício dela, sendo desviados para as empresas auxiliares e declaradas no Lucro Presumido. No contrato entre a NM Móveis e Utilidades e as financeiras, a fiscalização observou: Ao ser firmado convênio de abertura de linha de crédito para financiamento de bens e serviços direto ao consumidor (CDC), este é realizado entre o Banco Fibra e Credifibra e a NM Móveis e Utilidades, sendo a fiscalizada designada como 'VENDEDORA' dos serviços adquiridos através de financiamento. Também é apresentado outro Contrato denominado de prestação de serviços e outras avenças, que além das partes já citadas no parágrafo anterior, tem ainda a NM Serviços, designada como 'CONTRATADA' ao banco, para os serviços de análise de crédito, formalização de operações de financiamento, cobrança extrajudicial ou judicial e outros. Como pode ser verificado nas assinaturas do contrato, são as mesmas pessoas físicas que assinam tanto para NM Móveis e Utilidades Ltda como para NM Serviços. Dessarte, para justificar o pagamento de comissões para as empresas auxiliares da Novo Mundo, é prevista uma prestação de serviços entre elas e as financeiras e seguradoras. A análise da Escrituração Contábil Digital ECD da empresa NM Móveis e Utilidades, nos anoscalendário de 2009 a 2012, na conta 2.01.05.02.0002 FIBRA S/A FINANCEIRA demonstrou que quase a totalidade dos créditos realizados nessa conta decorrem do pagamento de prestação de vendas financiadas. A receita decorrente da remuneração paga pela financeira pertence, única e exclusivamente, ao vendedor da mercadoria financiada, no caso a empresa fiscalizada. No entanto, os valores recebidos a título de vendas financiadas não transitam pelo resultado do exercício da autuada, sendo desviado para as empresas auxiliares e declaradas no Lucro Presumido. Como o valor de receitas de serviços contabilizados na NM Serviços totalizou em 2009 o montante de R$ 47.038.031,90, e sendo o limite máximo para permanência no Lucro Presumido o valor de R$ 48.000.000,00 de receitas anuais (art. 46 da Lei n° 10.637, de 2002), o grupo familiar, dando continuidade ao planejamento tributário abusivo, criou mais duas empresas no anocalendário de 2010, para que a divisão das receitas não ultrapassasse o limite anual em nenhuma delas, como se verifica no quadro de fl. 17 do TVF. Empresa auxiliar, NM Gestora, criada em 2010, registrou em sua contabilidade, no ano de sua criação, uma receita de serviços de R$ 11.277.150,26, proveniente da Fl. 32276DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 19 18 empresa Virginia Surety Cia de Seguros do Brasil, conforme dados do livro Razão anexados ao processo. Já a outra empresa auxiliar criada em 2010, a NM Promotora, registrou R$ 28.721.153,58 de receita de serviços, oriunda da empresa Credifibra S/A, conforme dados do livro Razão anexado ao processo. Em 2011, a estratégia se repete. Foi contabilizado na NM Serviços o montante de R$ 6.613.058,66 de receita de serviços, oriundo da empresa Credifibra S/A. A NM Gestora registrou, em sua contabilidade, receitas nos seguintes valores: origem Virginia Surety Cia de Seguros do Brasil, valores R$ 105.096,67 e 22.375.506,66; origem Twg Warranty Servicos do Brasil Ltda, valor R$ 2.300.666,64. Já a NM Promotora registrou em sua contabilidade e declarou à Receita Federal o valor de R$ 47.946.702,64 de receita de serviços provenientes da empresa CREDIFIBRA S/A, conforme dados contábeis fornecidos pela fiscalizada, razão da conta de receita de serviços anexado ao processo. Esse valor é quase o limite máximo estabelecido pelo art. 46 da Lei n° 10.637, de 2002 (48.000.000,00 quarenta e oito milhões de reais) para que a empresa continue a optar pelo Lucro Presumido no ano posterior. Ou seja, não é a prestação de serviços que estabelece quem deve declarar determinada receita de comissão, e sim o limite estabelecido para declaração como Lucro Presumido. No ano de 2012 não foi diferente, quadro elaborado pela fiscalização, às fl. 19 do TVF, mostra que, mais uma vez, houve a distribuição das receitas entre as empresas satélites, sempre no intuito de garantir a permanência na sistemática do lucro presumido. Passo à análise desses pontos. Como visto, não obstante a empresa principal ser a responsável pela venda das mercadorias financiadas, seguradas ou com garantia estendida, as receitas com comissões eram, indevidamente, registradas como se pertencessem às pessoas jurídicas auxiliares, tributadas pelo regime favorecido. As despesas relativas à revenda, manutenção de estrutura e custos para realizar a comercialização das mercadorias, por sua vez, eram concentradas na NM Móveis e Utilidades, tributada pelo lucro real. A partir de tais operações, a recorrente passa a ter prejuízo, ano após ano. Nas empresas auxiliares, destinatárias de vultosas receitas, existiam algumas poucas despesas, relativas à manutenção de salas alugadas, encargos trabalhistas e pagamentos de serviços de terceiros. Os passos realizados pelo grupo, com relação à criação e utilização de empresas para a transferência de receitas de serviços e comissões, não evidenciam que teriam sido pautados em fundamentos econômicos e propósitos negociais. Tais empresas, quanto a receitas de comissões, foram utilizadas para que a pessoa jurídica principal, a recorrente, tivesse a tributação reduzida. Fl. 32277DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 20 19 A partir da fragmentação da atividade, um grande volume de receitas foi tributado nas empresas auxiliares, optantes pela sistemática do lucro presumido, menos onerosa que a forma de tributação do lucro real, à qual estava obrigada a fiscalizada. Não há prestação de serviços pelas empresas auxiliares, mas apenas circulação dos valores. Ao final das operações, as receitas retornam para a autuada, sendo ela beneficiada com uma tributação favorecida (lucro presumido), a qual não teria direito. Os recursos eram de titularidade da NM Móveis e Utilidades, que desde sua criação já comercializava mercadorias ao consumidor final, com a opção de garantia estendida, seguros e financiamentos. As receitas decorrentes dessas operações, portanto, pertenciam a Novo Mundo, por ser a responsável pela venda dos produtos. As provas apuradas ao longo desse processo administrativo fiscal e sintetizadas pela fiscalização, deixam patente que houve ações deliberadas para se deslocar receitas da empresa principal para gerar tributação indevidamente reduzida para o grupo empresarial. Os recursos, posteriormente, regressavam para a empresa principal, por meio de mútuos e investimentos. Não se nega que as operações, isoladamente consideradas, estão perfeitamente formalizadas, apresentando contornos de regularidade. Essa caracterização, quanto à forma, sempre está presente na simulação, com o objetivo claro de tentar convencer o observador, em relação à aparência para que coincida com a realidade. Porém, o conjunto de atos praticados, analisados no todo, denotam que o real objetivo da recorrente não era segregar atividade, mas sim diminuir a tributação, deslocando para as empresas auxiliares receitas que lhe pertenciam. Ao final, não obstante todas as operações realizadas, nada mudou: não há prestação de serviços pelas satélites e as receitas retornam para a verdadeira titular, ou seja, para a autuada, responsável pela comercialização das mercadorias que geraram o pagamento de comissões. A única justificativa para o planejamento é a economia tributária gerada para o grupo. Como as receitas de comissões eram decorrentes da venda de mercadorias realizadas pela NM Móveis e Utilidades, concluise que é correto o procedimento da fiscalização, que realizou uma recomposição das receitas e despesas que efetivamente pertenceram à autuada. A fiscalização não tolheu o direito de a recorrente, quando possível, se valer da tributação pela sistemática do lucro presumido. Não foi essa a acusação fiscal. O que a autoridade condenou foi a transferência fraudulenta e simulada de receitas, unicamente com a finalidade de tributálas de maneira indevidamente mais benéfica (lucro presumido e regime cumulativo), opção vedada à empresa objeto da auditoria. Não há, portanto, como acolher os efeitos tributários buscados pelas partes, para tributar a operação real, atribuindo a receita à verdadeira titular. A simulação está comprovada, autorizando o lançamento de ofício (artigo 149, inciso VII, do CTN), razão pela qual as receitas foram atribuídas à verdadeira titular. Fl. 32278DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 21 20 Por essas razões, demonstrada a simulação, o lançamento deve ser mantido. Do Pedido de Inclusão da Novo Mundo Amazônia na Unificação Não obstante a Novo Mundo Móveis e Utilidades e a Novo Mundo Amazônia desenvolverem atividades similares, são, a princípio, autônomas e independentes. No presente feito, a ação fiscal englobou apenas a Novo Mundo Móveis e Utilidades e as empresas que receberam receitas que pertenciam à pessoa jurídica principal. Caso seja realizada ação fiscal na Novo Mundo Amazônia e a autoridade competente constatar a prática de idêntico planejamento tributário, a consequência será a lavratura de auto de infração. Nesse mesmo sentido, a DRJ decidiu que: A eventual ocorrência de irregularidades na empresa Novo Mundo Amazônia, como a transferência de suas receitas próprias para as empresas auxiliares, a exemplo do que constatado no presente caso em relação a Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda., deve ser verificado por meio de procedimento fiscal específico, cuja realização é questão inerente a programação fiscal, não se inserindo na esfera de competência do julgamento administrativo. E, ainda que viesse a ser constatada, na empresa Novo Mundo Amazônia, em decorrência de procedimento fiscal próprio, a mesma irregularidade de transferências de receitas inerentes à sua atividade para as empresas auxiliares, tal constatação ensejaria a reconstituição do seu resultado, por meio de Autos de Infração específicos, independentemente da autuação ora em questão. Em suma, uma vez encerrada a fiscalização, não pode ser trazida para o polo passivo do lançamento contribuinte que sequer participou da investigação, apenas por vontade daquele que foi autuado. Não existe fundamento para inclusão, nesse momento, de pessoa jurídica no auto de infração. O simples requerimento da recorrente não é suficiente para tanto, devendo ser rejeitado. Multa Isolada. Inocorrência de bis in idem. De acordo com o artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96, a "multa isolada" é aplicada em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que a empresa tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. No caso, não há dúvida de que a recorrente optou por recolher o IRPJ e a CSLL pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não há dúvida de que ela descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente o tributo, e não justificou o não recolhimento mediante a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução. A recorrente defende a impossibilidade de se aplicar multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, por não poder incidir duas penalidades sobre a Fl. 32279DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 22 21 mesma infração. Porém, há equívoco na afirmação de que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração ou que estaria ocorrendo uma "dupla punição". É certo que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão de uma mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo mesmo ilícito. Por outro lado, não há óbice para que sejam aplicadas duas penalidades distintas, diante de duas infrações tributárias também distintas. A proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito. No caso, a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real, relativamente aos anos calendário de 2009, 2010, 2011 e 2012 (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). A denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento do pagamento por estimativa (art. 2° da Lei 9.430/96). Assim sendo, as infrações apenadas pela chamada "multa de ofício" e pela "multa isolada" são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento ou pagamento insuficiente de tributo. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Observese que a sistemática de recolhimento de estimativa se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, no intuito de custear as despesas do período. Caso não ocorresse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do ajuste anual. Sob essa ótica, o não pagamento de tributos sobre bases estimadas é infração bastante diversa daquela aplicada em razão do desrespeito às regras de determinação do lucro real. Nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a multa isolada prevista no art. 44, II, alínea "b" da mesma Lei. Notese que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do ajuste anual. Já a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher. É o que se extrai do art. 44, II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Ademais, a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Enquanto a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo e apurado quando do ajuste anual, a multa isolada deve incidir sobre a base de cálculo estimada. As antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente Fl. 32280DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 23 22 devido, já que, no cálculo do tributo, feito por ocasião do ajuste anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no ano. Em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configura nenhum bis in idem. Por consequência é indevida a aplicação do princípio da consunção nessa hipótese. Como a recorrente cometeu dois atos ilícitos previstos em lei, sofrerá duas sanções distintas. O fato de estar sendo exigido da empresa a multa de ofício decorrente do não pagamento de tributo não impede a incidência da multa prevista no art. 44, II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, o entendimento contrário acaba por criar nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, o que não pode ser admitido. De todo o exposto, resta claro que sempre foi cabível a cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Entretanto, após o advento da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) A celeuma já foi enfrentada pela Primeira Seção do CARF, no acórdão n° 1401000.761, Processo n° 19311.000021/201020. Na ocasião, pelo voto de qualidade, a Turma entendeu que, a partir de 2007, após as alterações ocorridas na Lei n° 9.430/96, poderiam ser aplicadas cumulativamente a multa de ofício e a multa isolada. Frisese que até as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Segundo texto dado pela Lei n° 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de Fl. 32281DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 24 23 ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no acórdão n° 910100.947: É necessário destacar que a Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: (...) Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de ofício passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. Outrossim, a lei não restringiu a aplicação da multa isolada ao lançamento efetuado antes do término do anocalendário. Pelo contrário, a expressão ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário leva à conclusão de que o lançamento pode ser efetuado após o seu encerramento. Isso porque antes do encerramento do exercício não se sabe qual será o resultado do período e, portanto, se o lançamento apenas pudesse ser realizado durante o ano calendário, a expressão não teria razão de existir. Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do sujeito passivo ao disposto no art. 44, II, "b" da Lei n° 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP n° 351/2007 (convertida na Lei n° 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Fl. 32282DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 25 24 Multa de Oficio Qualificada Os recorrentes questionam a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), ao argumento de que não houve fraude para justificar a penalidade, sendo a finalidade da reorganização societária eminentemente extrafiscal. De acordo com o artigo 44, § 1° da Lei n. 9.430/96, § 1o, o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 especificam os casos de sonegação, fraude e conluio. A sonegação, pela definição do artigo 71 da Lei n. 4.502/64, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação ou crédito tributário. Já a fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. As provas trazidas pelo fiscal comprovam que houve um descompasso entre a realidade e a aparência: as empresas auxiliares foram utilizadas para deslocar receitas que pertenciam à autuada, possibilitando a tributação em regime benéfico. Posteriormente, retornavam para a verdadeira titular, por meio de mútuos e aumentos de capital. Nesse sentido, o contexto demonstrado pelo fiscal autuante deixa clara a fraude e a intenção dos recorrentes de reduzir indevidamente a tributação sobre as comissões provenientes de vendas financiadas, seguros e garantia estendida, ainda que por meios ilícitos. Considerando a complexidade do planejamento, somente de forma consciente, intencional e dolosa poderia ser montado um esquema tão completo, realizado sem qualquer propósito negocial. Nesse caso, tornase imperiosa a aplicação de multa qualificada. Em casos semelhantes, o CARF já decidiu pela manutenção da multa no percentual de 150%. Confirase: MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. (Acórdão 1302001.330) MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, deixar de recolher os Fl. 32283DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 26 25 tributos devidos, mediante a simulação de operações, com a realização de atos e contratos que não correspondem à realidade dos fatos, é cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. (acórdão 340100.726) Pelas razões expostas, deve ser mantida a penalidade aplicada. I) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Determina o art. 135, III, do CTN que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Após muitos debates a respeito da correta interpretação desse artigo, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento pela responsabilidade das pessoas físicas, não por serem sócias, mas sim por exercerem a gerência ou administração da sociedade e, nessa atividade, praticarem atos ilícitos (infração à lei ou excesso de poderes). Por outro lado, a respeito da necessidade de presença de ato doloso ou apenas de culpa por parte do administrador, a PGFN assentou o seguinte Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009: Devese observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tãosó a presença de 'infração de lei' (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupase com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. Em essência, temos, então, que dois são os elementos relevantes para a responsabilização nos termos do art. 135, III, do CTN: que a pessoa indicada (a) seja administrador ou gerente e (b) tenha cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. É a ilicitude que permite a responsabilização, ilicitude esta que deve ter sido praticada durante o exercício da gerência. No caso dos presentes autos, as ilicitudes cometidas pelos recorrentes na administração da Novo Mundo foram exaustivamente demonstradas pela fiscalização. Fl. 32284DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 27 26 Responsabilidade Tributária (art. 135, inc. III, CTN) Com efeito, o sr. Carlos Luciano Martins Ribeiro, sócioadministrador da empresa principal, juntamente com o representante da empresa, o sr. Agenor Braga e Silva Filho, criaram todas as empresas auxiliares: NM Serviços, NM Gestora de Negócios e NM Promotora de Vendas. Além disso, assinaram os contratos de prestação de serviços com as empresas que pagaram comissões sobre vendas financiadas, seguros e garantia estendida. Constou do TVF (fl. 5): 24. Nos contratos, denominados como "Instrumento Particular de Acordo Operacional", realizados entre a Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda (denominada de estipulante nos contratos) e as empresas Seguradoras, quem assina pelas empresas do grupo Novo Mundo (empresa mãe e empresas criadas pela fragmentação) são exatamente os senhores CARLOS LUCIANO MARTINS RIBEIRO e AGENOR BRAGA E SILVA FILHO, confirmando que os mesmos são os únicos representantes de todas estas empresas do grupo. Logo, foram diretamente responsáveis pelo planejamento identificado nos autos, tomando a decisão empresarial pelo deslocamento de receitas de uma empresa para as outras. Frisese que é contrário à lei a prática de simulação, objetivando tributação em regime favorecido, o qual não faria jus a verdadeira titular dos valores. Presentes, portanto, todos os requisitos que autorizam a responsabilização dos administradores incluídos no auto de infração. Não se pode perder de vista que as pessoas jurídicas, conquanto possuam personalidade distinta dos seus sócios, não agem nem praticam atos jurídicos por si sós, mas por meio de seus administradores. Sendo a vontade da pessoa jurídica, em verdade, a expressão da vontade majoritária de seus dirigentes, por óbvio que todas as simulações, fraudes e infrações imputadas pela fiscalização foram concretizadas por seus administradores, sobre quem deve recair a responsabilidade tributária pelos débitos tributários lançados, em cumprimento às determinações do art. 135, inc. III, CTN. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa contribuinte para que sejam considerados os créditos de IRRF que já haviam sido consignados no TVF (fls. 32250/32256); e negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 32285DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Acórdão n.º 1302002.986 S1C3T2 Fl. 28 27 Fl. 32286DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906609/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. ERRO NO PREENCHIMENTO. PER/DCOMP..
Há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente.
Numero da decisão: 3001-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ERRO NO PREENCHIMENTO. PER/DCOMP.. Há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 09 /2 00 8- 31 Fl. 173DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de Dcomp, em razão de, analisadas as informações prestadas, não foi possível confirmar a existência do crédito informado, tendo em vista que o DARF indicado como elemento material do pagamento indevido, não ter sido localizado nos sistemas de controle da autoridade fazendária. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega ter apresentado regular declaração de compensação, na qual solicitou a liquidação de débitos apontados e devidos. Pagamento a maior Para a quitação destes débitos, a contribuinte socorreuse de seu direito a compensação em razão da existência de pagamento a maior, por meio de DARF, a título de PIS (cód. 6912). Das informações constantes em DCTF Informa a recorrente, que em análise da DCTF do trimestre relativo, posteriormente retificada, consta a informação, que a seu ver é suficiente, para a constatação da existência do crédito. A partir daí, colaciona planilha resumo de ficha da DCTF, na qual se arrebatam os valores de débito apurado e o respectivo crédito vinculado, mediante o pagamento constante em DARF, que, no caso portanto, é superior ao informado em DCTF. Ao subtrair o saldo do débito apurado com o valor efetivamente recolhido em DARF, constata a existência de saldo a seu favor, invocando, para si, as prerrogativas constantes no artigo 74 da Lei 9.430/96. DCTF Retificadora A recorrente retificou sua DCTF, conforme documentos acostados antes da emissão do Despacho de Decisório. Do erro no preenchimento da Dcomp Além da ocorrência do pagamento indevido, que, conforme acima, denotase que a contribuinte busca comprovar sua ocorrência com o exame das fichas da DCTF, informa, ainda, outro equívoco, agora, no preenchimento da própria Dcomp. Referese a recorrente, ao fato de ter preenchido, na Dcomp em comento, informações equivocadas a respeito da DARF, cuja referência no despacho decisório, foi pela sua não localização. Segundo consta dos presentes autos, a linha "Data da Arrecadação" do DARF, incorreu em erro material, o que gerou o dificuldade pelo sistema informatizado em compensar o referido pedido. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.906609/200831 Acórdão n.º 3001000.493 S3C0T1 Fl. 173 3 Da possibilidade de Revisão de Ofício Em se tratando de erro de fato, segundo seu entendimento, de fácil verificação, pugna a recorrente pela revisão de ofício do ato administrativo, com fundamento no artigo 149 do CTN. Da suspensão da exigibilidade do crédito Requer, ainda, a declaração de suspensão da exigibilidade do crédito tributário levado à compensação. Desistência da Compensação Cumpre ressaltar que a recorrente apresenta petição requerendo a desistência, exclusivamente no tocante à compensação pleiteada, tendo em vista que procedeu à liquidação dos débitos indicados na Dcomp. No entanto, ratifica que não renuncia ao direito creditório pleiteado, requerendo sua apreciação pela DRJ. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0533.784 3 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 175DF CARF MF 4 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) houve erro de preenchimento na DCOMP no tocante às informações relativas ao DARF que teria originado o pagamento indevido; no caso, teria ocorrido erro de digitação no campo DATA DE ARRECADAÇÃO; b) a compensação deve ser prontamente homologada tendo em vista que erro de fato não constitui fato gerador de obrigação tributária; a verdade material deve ser buscada pela esfera administrativa; c) o despacho decisório deve ser declarado nulo; d) os débitos devem ter sua exigibilidade suspensa até o término da discussão na esfera administrativa. A contribuinte, posteriormente, fez juntar aos autos a desistência das compensações declaradas, apresentando DARFs de recolhimento dos débitos, pagos com as condições estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009. Informa que a desistência em tela restringese à compensação efetuada e não ao direito de crédito pleiteado no Pedido de Restituição. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal para contestar a ausência de documento DARF, conforme alegado pelo voto condutor do mencionado acórdão de primeira instância administrativa. Manifestação de Inconformidade como meio adequado à oposição ao DD Sob a alegação esposada a respeito do meio processual apto à discussão do tema trazido em destaque, combate o argumento utilizado, no qual o meio adequado para o fim intentado seria a retificadora da Dcomp. Invocou o artigo 77 da IN 900/08, concluindo que, uma vez analisada a Dcomp pela RFB e expedido o competente despacho decisório, descabida seria a entrega de Dcomp retificadora. Da existência do DARF A recorrente argumenta que, em que pese a desqualificação da manifestação de inconformidade como meio processual apto a discutir o erro ocorrido em Dcomp, a DRJ enfrenta a questão de mérito, sendo rebatida neste tópico do recurso voluntário ora relatado. Neste ponto, a recorrente repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, no sentido de ter havido, mero erro de digitação, fazendo constar data equivocada na linha "Data de Arrecadação", razão pela qual, fez com que o sistema informatizado da RFB não localizasse o referido DARF. Concluiu, ao final, por rebater o argumento no qual não existe o documento DARF, com o pagamento a maior, mas, tão somente, que, ao preencher a ficha competente da Dcomp, referiuse ao mencionado documento DARF de forma equivocada, colocando erroneamente a data, ressalta a existência do DARF, que foi acostado nos autos juntamente com a peça impugnatória. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.906609/200831 Acórdão n.º 3001000.493 S3C0T1 Fl. 174 5 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso Cabimento da Manifestação de Inconformidade O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Considero, neste caso, que a manifestação de inconformidade é o meio adequado para a discussão do tema posto em líde. Conforme se constata, tratase aqui, da negativa de restituição, vez que a compensação fora liquidada e devidamente extintos os débitos indicados à extinção mediante a compensação, o que leva à aplicação do artigo 74 da Lei 9430/96. Da mesma forma, o Decreto nº 7.574, de 2011, em seu art. 61, trata da competência para julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e os pedidos que podem ser feitos por meio de manifestação de inconformidade nos seguintes termos: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: [...] II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI; (grifei) DOS FATOS A recorrente recolheu, por meio de DARF, determinado valor a título de PIS. No entanto, alega que ao analisar a DCTF do trimestre relativo, identificou a existência de um pagamento a maior, ou seja, o montante efetivamente devido a título de PIS Fl. 177DF CARF MF 6 pela recorrente seria inferior ao efetivamente recolhido, o que foi posteriormente retificado pela mesma. Com isso, a contribuinte apresentou DCOMP, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. No entanto, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Campinas – SP, que não homologou a compensação pleiteada por não ter localizado nos sistemas da RFB o DARF discriminado em Documento 02. A data inserida, conforme se constata, tratase da data de envio do documento de Compensação Dcomp. A recorrente alega que o sistema informatizado da RFB não localizou o crédito da contribuinte por mero erro de fato na informação prestada no PER/DCOMP. Deveras, ao analisar a DCOMP apresentada pela recorrente, podese inferir que a mesma preencheu o DARF com data equivocada MÉRITO O tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. O voto condutor do acórdão recorrido enfrentou o mérito trazido em sede da manifestação de inconformidade, concluindo pela não existência do crédito requisitado haja vista a falta de documento DARF comprovando a efetividade do pagamento. Seguese a excertos da mencionada decisão de piso que revelam os fundamentos do raciocínio jurídico empreendido para concluir pela negativa do crédito: O ato combatido aponta como causa da não homologação a não localização do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito. Inexistente o pagamento dado por indevido e fonte do direito creditório, impossível a extinção do débito declarado por meio de compensação. Assim, o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária, informações estas oriundas de documentos e declarações cuja origem é a própria contribuinte. A correção do despacho é admitido pela própria interessada quando reconhece a inexistência de um documento de arrecadação com as características indicadas na Declaração de Compensação. Ocorre, como já se esclareceu que, inexistente o documento DARF, não há que se falar em direito creditório dele originado. Mero Erro Material no Preenchimento da DCOMP Neste ponto, o despacho decisório, por basearse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabou por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pago, no DARF competente, terem sido alocados equivocadamente no campo relativos às informações necessárias ao seu reconhecimento. Destacase, então, que da análise do documento acostado sob código Documento 01, efls 31, Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.906609/200831 Acórdão n.º 3001000.493 S3C0T1 Fl. 175 7 consta a data de 23 de junho de 2004, quando, o dado correto a ser inserido seria a data de 14 de fevereiro de 2003, data do efetivo recolhimento dos valores relacionados no DARF, consoante de depreendo do DARF acostado em Documento 02 efls 37. Com isso, é factível absorver o fundamento exposto no voto condutor do acórdão sob vergasta, cuja tese central baseavase na inexistência de DARF comprovando o pagamento realizado de forma indevida. Em havendo a juntada deste documento, e sendo constatado os equívocos de preenchimento na linha data de vencimento do DARF (troca das data correta, qual seja, 14.02.2003 pela data equivocada 11.02.2003) e o preenchimento equivocado da data de arrecadação do DARF, há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente. Aponto que este tem sido o entendimento conforme se denota do acórdão cuja ementa segue transcrita: Acórdão: 1803001.646 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ERRO DE FATO, NO PREENCHIMENTO DA PER/DCOMP EXIGE EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E ADEQUADA VALORAÇÃO DAS PROVAS, QUE SE APRECIE O PEDIDO, AFASTANDO ÓBICES FORMAIS QUE SUPOSTAMENTE PRECONIZAM A INTANGIBILIDADE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso e voto por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006010/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO.
A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.
PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.
O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento.
VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.
A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF.
A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 60 10 /2 00 7- 21 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 3 2 elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10120.005592/200728, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo administrativo fiscal, em face do acórdão julgado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tratase de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe, por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relacionado às contribuições destinadas à Seguridade Social referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída em obra. Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e 6°. Assim, o critério adotado pela Fiscalização para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra objeto da fiscalização. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, sendo julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos: Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 5 4 (i) Requer a nulidade do Acórdão Argumenta que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n.8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo Entende a contribuinte que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Aduz a contribuinte que uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram, no entender da contribuinte, rebatidas em impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente, já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. (iv) Princípio da imparcialidade Para a contribuinte resistiram, sob a complacência da DRJ de origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras NFLDs utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Questiona ela por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 6 5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador não observa, o princípio da imparcialidade. Sustenta que a junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: no relatório fiscal afirmam que evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação Sustenta a recorrente que o item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório. Argui a contribuinte que esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. Entende que a não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova Trata a contribuinte a previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 7 6 lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) Bis in idem A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". Para a contribuinte, a leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima e outros trechos do acórdão reocrrido, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF). Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas em NFLD's. A segunda Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 8 7 questão seria a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Sustenta que em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação". A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Destaca, ainda, que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos. Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada em NFLD's (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Aduz a contribuinte que a DRJ também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. Defende que as notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação. Argumenta ser absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requer a recorrente seja dado às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 9 8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Defende que não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em duplicidade. (xiii) Bitributação Argumenta a contribuinte que afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)". Para ela repetese o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Aduz que, ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Finaliza este tópico, argumentando que os levantamentos representados pelas NFLD somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem. (xiv) Perícia Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 10 9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Argumenta a contribuinte o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. A recorrente sustenta que o reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável Traz a contribuinte a alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra e está é a realidade dos fatos. Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório." Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10120.005592/200728, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Decadência das competências até junho/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado. Nesse sentido, a simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Rejeito a preliminar, portanto. 1.2 Perícia Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do processo administrativo tributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. 1.3 Das inconstitucionalidades Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 12 11 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. 1.4 Nulidade do lançamento O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Arezzo, matricula CET é 39.380.00370/70, correspondendo a 8.712,49 m². Registrouse que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela execução da obra da empresa notificada é de 84%, correspondendo a 7.318,49 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 13 12 contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005. Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 14 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD – Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS – Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 15 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. 1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. 2. Mérito 2.1 Contabilização por centro de custo A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os auditoresfiscais a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 16 15 Alega que, uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente foram rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Argumenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis". Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, razão pela qual mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. 2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais Insurgese, sob a complacência da DRJ, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 17 16 NFLD's utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem teria ocorrida, segundo a contribuinte, porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD's. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi consta nos autos planilha contendo detalhamento das notas fiscais os valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. 2.3 Ausência de motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto, teria sido somente citado no relatório. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 18 17 Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicandose de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a análise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços, bem como dos arquivos digitais. Não é difícil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. 2.4 Inversão do ônus da prova Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 19 18 Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, , muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. 2.5 Aplicação retroativa da legislação Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Inicialmente, a Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 20 19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecêlos. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. 2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é numerus clausus. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 21 20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD que se referem a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante. 2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 03/2005, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 22 21 2.8 Excesso de exação A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Diz que A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mãodeobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ de origem. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 23 22 precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. 2.9 Retificações Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a informação prestada aos autos. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas aos autos, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10120.006010/200721 Acórdão n.º 2202004.470 S2C2T2 Fl. 24 23 sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados em planilha elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1010DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000195/2004-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO SIMPLES
Ano-calendário:
SIMPLES. OPÇÃO. VEDAÇÃO.
Não poderá optar pelo Simples, à pessoa jurídica cujo titular ou sócio, participe com mais de 10% do capital de outra empresa, se a receita bruta global ultrapassar o limite.
EFICÁCIA.
Só o arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passa a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes.
Recurso Voluntário Provido.
Sem Crédito em Litígio.
Numero da decisão: 1301-001.024
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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OPÇÃO. VEDAÇÃO. Não poderá optar pelo Simples, à pessoa jurídica cujo titular ou sócio, participe com mais de 10% do capital de outra empresa, se a receita bruta global ultrapassar o limite. EFICÁCIA. Só o arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passa a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Recurso Voluntário Provido. Sem Crédito em Litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório O Contribuinte foi excluído de ofício do Simples a partir do dia 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 461.513, de 7 de agosto de 2003, pela ocorrência da situação excludente. A data da opção pelo Simples foi 01/01/1997 e a situação excludente, foi Pelo fato do sócio/titular participar de outra empresa com mais de 10%, e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite legal. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples, onde alegou que participaria do quadro societário da outra empresa, como tal apontada no ADE, com precisos 10,00% (dez por cento), o que não contrariaria a vedação imposta pela legislação de regência. Acompanha a solicitação: 1 o "Nono Instrumento de Alteração Contratual" da empresa CORETEX INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., CNPJ 83.445.288/000135, datado de 01/07/2003 e arquivado em 15/09/2003; 2 a Alteração Contratual de 10/07/2000, arquivada em 27/09/2000; 3 extrato, obtido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, concernente à participação do titular da interessada na referida empresa onde consta a participação de 11,50%. A 4ª Turma da DRJ/BH, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do Contribuinte, alegando em síntese que: a Lei n.° 9.317, de 1996, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e instituir o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), estabeleceu: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar seá: obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 90; Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 90 desta Lei; (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982000195/200401 Acórdão n.º 1301000.024 S1C3T1 Fl. 2 3 § 3° A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei n°9.732, de 11.12.1998) Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” ao oferecer a exame o instrumento da 9ª alteração contratual da empresa, reconhece que tal alteração só ocorreu depois de julho de 2003 aliás, examinandose o verso da cópia deste instrumento, verificase que tal instrumento só veio a ser registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 15/09/2003. por outro lado, de acordo com dados obtidos junto aos arquivos da RFB, o titular da interessada detinha, até então, 11,5% (onze e meio por cento) do capital de CORETEX INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. uma vez que o ADE n° 461.513, de 2003, procedeu à exclusão da interessada em face da ocorrência em data anterior (qual seja, em 31/12/2001) da situação excludente nele descrita, tal Ato é inteiramente correto. Intimado da decisão em 13/10/2009, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 11/11/2009 alegando em síntese que: em 07/08/2003 foi editado o Ato Declaratório Executivo n° 461.513, através do qual o Recorrente foi excluída do SIMPLES. De acordo com o mesmo Ato, a data de ocorrência da situação caracterizadora da exclusão teria sido 31/12/2001 e a Recorrente teria sido excluída do simples à partir do dia 01/01/2002. consta do referido Ato que o motivo ensejador da referida exclusão teria sido o fato do " sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário 2001 ultrapassou o limite legal. CPF. 520.829.54900 CNPJ N° 83.445.288/000135." o Recorrente então, sustentou já naquela oportunidade, que desde 01/07/2000 (alteração contratual arquivada na JUCESC em data de 27/09/2000), com a transferência parcial e redução das cotas do Sr. Célio Imianosky na empresa CORETEX (CNPJ \83.445.288/00135) de 11,50% para 10,00% (dez por cento limite legal) a situação excludente estaria completamente suprimida. a legislação é bem clara. Somente existe óbice a participação no sistema do SIMPLES, para quem possua MAIS DE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Quem possui até o limite de 10% (dez por cento) tem sua opção ao SIMPLES assegurada por Lei. é desnecessário efetuar aqui qualquer outra ponderação neste particular, sendo claro pois, que a decisão se mostra nitidamente equivocada. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 os documentos dão conta de que o sócio CÉLIO IMIANOSKY já possuía 10,00 % (dez por cento) das quotas societárias da empresa CORETEX, mas não dá conta de QUANDO tal situação ocorreu. Já o INSTRUMENTO DE ALTERAÇÃO CONTRATUAL DA FIRMA CORETEX, constante dos autos às fls. 22 e 23, dá conta da anterior transferência parcial de 4.500 (quatro mil e quinhentas) cotas societárias do Sr. CÉLIO IMIANOSKY para o Sr. ALEX IMIANOSKY, havida em 01 de junho de 2000 CONFORME REGISTRO N° 20 0 0050554 4, PROTOCOLO 00/0505544, NA JUCESC EM DATA DE 27.09/2000. percebese assim que A PARTIR DE 01 DE JUNHO DE 2000 (ou no máximo 27.09.2000, data do Registro da Alteração na JUCESC), JÁ NÃO HAVIA MAIS SITUAÇÃO IMPEDITIVA OU CRIADORA DE ÓBICE para que a empresa aderisse ao regime tributário do SIMPLES. os documentos mencionados pelo Julgador Relator, obtidos do Banco de Dados da RFB, também se apresentam obscuros, senão vejamos. O documento revela ainda em data de 08.08.2007, que o Sr. CÉLIO IMIANOSKY figura como sócio da empresa CORETEX com percentual de 11,5% (onze e meio por cento). Já os documentos (também de emissão da Receita Federal) constantes de fls. 24 a 26, dão conta, que no ano de 2003, o Sr. CÉLIO IMIANOSKY possuía apenas 10,00% (dez por cento) das cotas societárias da empresa CORETEX. Novamente percebese claramente que no ano de 2003 a situação excludente já havia sido sanada no ano de 2000 pela alteração e registro da transferência de cotas societárias perante à JUCESC. encerrando o tema, na forma do artigo 16, a empresa estaria sujeita SOMENTE ENTÃO à partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Temse então que : "ART. 1° Fica o contribuinte a seguir identificado, excluído do simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo". evidentemente, os efeitos da exclusão somente são capazes de ser "processados" APÓS a data de 01.01.2002, QUANDO, CONFORME JÁ RESTOU EVIDENCIADO, INEXISTIA QUALQUER SITUAÇÃO CARACTERIZADORA DE EXCLUSÃO.(desde o ano de 2000). registrese ainda, que ao lado do percentual superior a 10,00% (dez por cento) seria necessária a averiguação da receita bruta global não mais do ano de 2001 (como apontado pelo Ato Declaratório objurgado), mas sim do ano anterior (2000) ou mesmo (1999), razão a mais para se ter o Ato como inaproveitável. nunca houve maldade ou máfé, apenas a proximidade do óbito de seu pai fez com que o mesmo tomasse a medida, e frente a desencontros de informação, por curto lapso de tempo houve uma ínfima e quiçá desprezível extrapolação da quantidade de cotas admitidas em Lei, cujos ínfimos reflexos, ainda assim poderiam gerar um eco desastroso. estamos tratando aqui de urna fabriqueta de tapetes que somente graças ao SIMPLES consegue manter em dia suas obrigações previdenciárias e fiscais. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982000195/200401 Acórdão n.º 1301000.024 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Relator Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade, motivo pelo qual o admito para julgamento. Quanto as alegações de princípios constitucionais violados, é preciso lembrar que a competência deste colegiado administrativo é limitada tendo em vista o caráter vinculado da atividade fiscal, onde o administrador é um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou inconstitucionalidade de comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de atos e de leis é privativa do Poder Judiciário, conforme a Súmula CARF nº 2 que determina: “LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. “ Compulsando os autos, verificase que o ADE n° 461.513, excluiu a interessada do SIMPLES tendo em vista o sócio participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite legal e teve como data da ocorrência 31/12/2001. Através da decisão Secretaria da Receita Federal que julgou improcedente o pedido de revisão de exclusão do SIMPLES de fls. 14 e 15, destaco o seguinte trecho da decisão: “Então vejamos, na razão apresentada o contribuinte alega que sua participação é de só 10%, interpretando que só seria incluída em tal vedação a participação de 10,01% em diante, o que não é verdade, a legislação é bem clara, a participação com 10,00% ou mais no capital de outra empresa será calculado o limite de receita bruta global para permanência no sistema. Portanto, julgo improcedente o pedido de revisão da exclusão do simples, tomando os efeitos de exclusão a partir de 01/01/2002 conforme ato declaratório executivo n°461.513.” A DRJ para manter a exclusão chegou a seguinte conclusão: “A interessada alega apenas que o Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 461.513, de 2003, seria incorreto porque seu titular, CÉLIO LMIANOSKY, deteria apenas 10,00% do capital social da empresa CORETEX INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., CNPJ 83.445.288/000135. Entretanto, a interessada, ao oferecer a exame o instrumento da nona alteração contratual desta terceira empresa (fls. 6 a 9), reconhece que tal alteração só ocorreu depois de julho de 2003 — aliás, examinandose o verso da cópia deste instrumento, também juntada (fls. 10 a 13), verificase que tal instrumento só veio a ser registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 15 de setembro de 2003. Por outro lado, de acordo com dados obtidos junto aos arquivos da RFB, o titular da interessada detinha, até então, 11,5% (onze e meio por cento) do capital de CORETEX Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. Uma vez que o ADE n° 461.513, de, 2003, procedeu à exclusão da interessada em face da ocorrência em data anterior (qual seja, em 31 de dezembro de 2001) da situação excludente nele descrita, tal Ato é inteiramente correto e, assim sendo, voto pelo indeferimento da solicitação de fls. 1 a 3.” Ora Senhores Conselheiros não há como comungar com estes entendimentos da DRF e da DRJ por dois motivos. Inicialmente porque não concordo que a autoridade julgadora, para justificar a exclusão do contribuinte do simples afirme que o art. 9º da Lei nº 9.317/96 determina que a participação de 10% ou mais no capital de outra empresa seja motivo excludente. Na verdade o dispositivo legal, não enseja qualquer tergiversação quando dispõe que não poderá optar pelo simples quando o “titular ou sócio participe com mais de 10% no capital de outra empresa”. Não há como discordar do contribuinte quando ele afirma não ter infringido o limite de mais de 10% estabelecido no IX do art. 9º da Lei n.° 9.317, de 1996, “in verbis”: “Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso li do art. 2°; Mesmo assim não fora a decisão da DRJ se baseia na 9ª alteração contratual quando na verdade o sócio Célio passa a ter 10% da empresa através da alteração contratual anterior, assinada em 01 de junho de 2000 e registrada em 27 de setembro de 2000 onde ele cede e transfere 1,5% a seu irmão. A DRJ se ateve à 9ª alteração que simplesmente encerra a filial da Rua Henrique Lage nº455, sem fazer qualquer alteração no quadro social. Em relação ao extrato da RFB em que consta o percentual de 11,50% para o Sr. Célio, ficou óbvio que se tratava de informação desatualizada, uma vez que a alteração de 01/07/2000, arquivada na Junta Comercial em setembro de 2000 comprova que desde 2000 o recorrente possuía na verdade somente 10% do capital social da empresa. Portanto, o extrato da RFB que é mero cadastro, se mostrou desatualizado. Só o arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passa a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Assim, desde 27/09/2000, com o registro da alteração contratual na Junta Comercial, este ato jurídico produziu todos os efeitos legais, de modo, inclusive, a comprovar que a Recorrente podia sim fazer parte do Simples Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para tornar sem efeito o ADE nº 461,513 de agosto de 2003 e manter o recorrente no SIMPLES. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982000195/200401 Acórdão n.º 1301000.024 S1C3T1 Fl. 4 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002240/2001-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL E MONTANTE.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL E MONTANTE. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 22 40 /2 00 1- 59 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 407 2 contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de ambas as partes do processo: a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, com fulcro no art. 56, inciso II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes combinado com o art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.º 147/2007, vigentes à época da sua interposição; de outro lado, a Contribuinte SADIA S/A (Sucessora de Granja Rezende S/A) maneja insurgência por divergência jurisprudencial, com base nos artigos 64, inciso II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Cada qual busca a reforma, na parte que lhe fora desfavorável, do Acórdão n.º 20402.387 (fls. 224 a 240) proferido pela outrora Quarta Câmara do Segundo Conselho Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 408 3 de Contribuintes, em 26 de abril de 2007, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE 'PI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS Excluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e a Cofins no fornecimento ao produtorexportador. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES COOPERATIVAS. A partir da revogação da isenção deferida as cooperativas de produção, em relação as contribuições ao PIS e à Cofins, legitima a inclusão das aquisições a essas entidades na base de calculo do crédito presumido instituído pela Lei n" 9.363/96. IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é urna espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito em relação as aquisições de cooperativas e a incidências da Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres que negavam provimento ao recurso, Jorge Freire quanto as cooperativas; Júlio Cesar Alves Ramos quanto a Taxa Selic; Rodrigo Bernardes de Carvalho, Leonardo Siade Manzan (Relator) e Flavio de Sá Munhoz quanto as aquisições de pessoas físicas. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto quanto as pessoas fisicas. O Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 409 4 Conselheiro Júlio César Alves Ramos apresentará declaração de voto quanto as cooperativas. [...] Inconformada com a parte do julgado que lhe fora desfavorável, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, insurgindose quanto às seguintes matérias: (a) inclusão de insumos adquiridos de cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, por contrariedade aos artigos 1º a 4º da Lei nº 9.363/96 e 150, §6º e 111, ambos do Código Tributário Nacional CTN; e (b) impossibilidade de aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento, sob pena de afronta ao art. 39, §4º da Lei n.º 9.250/95. O recurso especial foi admitido, consoante despacho n.º 340000.057, de 21 de fevereiro de 2014 (fls. 266 e 267), pois embora não previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, é possível o seu processamento em razão da regra de transição: " [...]recurso especial por contrariedade A lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF)". A Contribuinte, por sua vez, apresentou contrarrazões (fls. 381 a 391) ao recurso especial da Fazenda Nacional, postulando a sua negativa de provimento. Na mesma oportunidade, a empresa interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Como paradigma para comprovar o dissenso, trouxe o Acórdão n.º 9303001.934 e 3202001.100. O recurso foi admitido nos termos do despacho s/nº, de 26 de junho de 2015 (fls. 398 a 402), pois comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional, devidamente cientificada, deixou de apresentar contrarrazões (fl. 404). O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 410 5 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial por contrariedade à lei apresentado pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 4º do RICARF, aprovado pela Portaria n.º 256/2009 o acórdão recorrido é não unânime e foi prolatado em sessão de julgamento anterior a 30/06/2009 razão pela qual deve ter prosseguimento conforme rito previsto no RICSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007, vigente à época de sua interposição. O requisito do prequestionamento não é aplicável aos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional, mas tão somente aos recursos interpostos pelo Sujeito Passivo, nos termos do art. 7º, §5º do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, e reproduzido no art. 67, §5º do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015. Além disso, restou demonstrado nas alegações da Fazenda Nacional o seu entendimento de que a decisão recorrida implicou violação à dispositivo de lei artigos 1º a 3º da Lei n.º 9.363/96. Também o recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta nos recursos especiais cingese às seguintes matérias: (i) inclusão de insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) possibilidade de aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 411 6 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 412 7 exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 413 8 pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Por força do art. 62, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, foi determinada a incidência da taxa Selic a partir do protocolo do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, a recair sobre o valor a ser ressarcido (fl. 231). Alega a Fazenda Nacional que referido entendimento afronta o disposto no artigo 39, §4º da Lei n.º 9.250/95. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 414 9 CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado exemplificativamente citamse os acórdãos n.º 9303007.011, 9303006.884, 9303007.155 e 9303006.998. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi deferido parcialmente e as compensações homologadas até o limite do crédito reconhecido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de Joaçaba/SC (fls. 156 a 157), direito de crédito posteriormente ampliado em sede de julgamento de recurso voluntário, nos termos do Acórdão n.º 20402.387 (fls. 224 a 240). Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 415 10 Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Com relação ao termo inicial da incidência da taxa Selic, tem prevalecido neste Colegiado entendimento no seguinte sentido, do qual não compartilha esta Relatora: é cabível a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído a título de crédito presumido de IPI, a contar do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração Pública para análise do pedido, independentemente da época do protocolo do requerimento (art. 24 da Lei nº 11.457/07); referida construção de entendimento veio embasada no Resp nº 1.138.206/RS, submetido a julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual restou definido como prazo razoável para a Administração analisar processo o interregno de 360 (trezentos e sessenta dias); além disso, quando inaugurada a posição nesta 3ª Turma da CSRF, foi invocado o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, cujo Relator é o Ministro Sérgio Kukina, não submetido ao rito dos recursos repetitivos, no qual foi externado o posicionamento de que, tendo em vista o prazo de 360 dias estabelecido no Resp nº 1.138.206/RS, a partir do final do referido prazo é que deveria incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante objeto do pedido de ressarcimento, por ter entendido o Ministro, naquele caso específico, que somente a partir dessa data caracterizarseia a mora administrativa. Anteriormente, nos julgamentos realizados por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9303005.172, de 17/05/2017, o posicionamento que prevalecia é de que tendo ocorrido o indeferimento injustificado do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, o qual posteriormente vem a ser reconhecido em sede de julgamento pela DRF ou pelo CARF, a correção monetária pela taxa Selic deveria incidir sobre o valor inicialmente indeferido, e desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Há também corrente segundo a qual deverá incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante deferido nas instâncias de julgamento após o despacho decisório, desde a data do protocolo do pedido, até o efetivo recebimento, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Este o posicionamento adotado por esta Conselheira, por entender que a demora do aproveitamento do crédito de IPI dáse a partir do momento em que veiculado o pedido de ressarcimento, quando optou a Contribuinte por exercer o seu direito e restou caracterizada a mora do Fisco. Portanto, temse o entendimento de que: (a) é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI quando o seu aproveitamento decorre de oposição ilegítima do Fisco, nos termos do Resp nº 1035847/RS, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), de observância obrigatória Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 416 11 pelos conselheiros do CARF, consoante art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; e (b) o termo inicial da correção monetária deve ser a data do protocolo do pedido de ressarcimento, até o efetivo recebimento do crédito, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Com referido posicionamento acerca do termo inicial da incidência de correção monetária pela taxa Selic, não se está descumprindo a exigência regimental de observância dos julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2009). Explicase: (i) no Resp nº 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), a questão submetida a julgamento referiuse "à fixação, pelo Poder Judiciário, de prazo razoável para a conclusão de processo administrativo fiscal", tendo sido firmada a tese de que "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)". Não houve no julgamento a fixação de termo inicial para a incidência de correção pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído nos processos administrativos. A ementa do referido julgado foi redigida nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 417 12 aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1138206/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 01/09/2010) (ii) o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, de Relatoria do Ministro Sérgio Kukina, trouxe o entendimento de que a correção monetária pela taxa Selic do montante a ser ressarcido deve darse a partir do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração para apreciar o pedido de ressarcimento, pois, no seu entender, a partir daquele momento estaria caracterizada a mora administrativa, tendose embasado no Resp nº 1.138.206/RS, citado anteriormente. O AgRg no recurso especial nº 1.467.934/RS não foi submetido ao rito do art. 543C do CPC/73 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC), razão pela qual não é de observância obrigatória. Os fundamentos do julgado foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 418 13 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1467934/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 06/03/2015) Com relação ao AgRg no REsp 1467934/RS, foram opostos embargos de divergência pela empresa recorrente naquele processo perante o Superior Tribunal de Justiça, alegando que o termo inicial para a incidência da correção monetária pela taxa Selic deveria ser a data do protocolo do pedido. O recurso foi conhecido e, no julgamento de mérito concluído em 22/02/2018, negado provimento, por maioria de votos, mantendose o termo inicial da incidência da taxa Selic a partir dos 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido. Não obstante o resultado do julgamento, cujo acórdão ainda não foi publicado, mantémse posicionamento no sentido de que : é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ; a incidência da correção monetária darseá desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até o efetivo recebimento do crédito pela Contribuinte, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos, sobre o valor a ser ressarcido, conforme determinado no acórdão recorrido. Portanto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional também nesse ponto. Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Além disso, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 419 14 É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator designado Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. Os Recursos foram apresentados tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 420 15 Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 421 16 enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 422 17 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 423 18 somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)2 No primeiro cenário (civil law, 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 424 19 statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10675.002240/200159 Acórdão n.º 9303007.433 CSRFT3 Fl. 425 20 Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675130/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 51 30 /2 00 9- 32 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.675130/200932 Acórdão n.º 1201002.455 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP transmitida pelo contribuinte para fins de compensar crédito de estimativa de IRPJ com débitos próprios. A Derat, por meio de despacho decisório, não homologou a compensação sob o argumento de inexistência do crédito, tendo em vista sua alocação a débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em resumo, que o crédito é legítimo em face da apuração de prejuízo fiscal e base negativa no período, que a vedação da compensação de estimativas prevista na IN 900 não poderia retroagir e que ao menos a multa e os juros deveriam estar com a exigibilidade suspensa. A DRJ julgou a manifestação improcedente. Entendeu que, como o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. Aduz a decisão, ainda, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, nos termos da IN 600/2005, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou incluílo na composição do Saldo Negativo do período. A empresa interpôs recurso voluntário contra a decisão, reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.444, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.675129/2009 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de novembro de 2003. O direito creditório pleiteado no presente processo tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, referente ao mês de julho de 2003. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.675130/200932 Acórdão n.º 1201002.455 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.444): "O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. É importante observar que, ao contrário do que possa parecer, a compensação objeto de análise não foi homologada em razão da insuficiência do crédito, uma vez que o montante de estimativa foi declarado em DCTF pelo contribuinte, conforme consta do despacho decisório. O argumento de que crédito de estimativa não poderia ser compensado em razão da vedação prevista no artigo 10, da IN 600/2005, foi inserido pela DRJ na decisão de piso no contexto daquilo que se denomina de dialética processual, mas nunca foi, repitase, o fundamento de validade do despacho decisório. O objeto da presente lide, na verdade, diz respeito ao direito ou não da contribuinte compensar o recolhimento feito a título de estimativa de novembro de 2003, cujo débito foi declarado por ela em DCTF não retificada. Pois bem. Do exame dos documentos trazidos aos autos, verificase que a Recorrente não conseguiu demonstrar ou provar que o pagamento da estimativa em questão de fato foi feito a partir de erro ou equívoco, o que lhe tornaria um efetivo indébito. Pelo contrário, o contribuinte questiona a não homologação da compensação em face da pretensa ausência do débito que foi compensado, em razão da apuração de prejuízo fiscal no ano, prejuízo este que, digase, também não restou demonstrado. Nesse estado de coisas, o que precisa ficar claro é que a fiscalização motivou a não homologação por considerar corretos os valores declarados em DCTF que constitui instrumento de confissão de dívida e, como conseqüência, corretamente alocou o pagamento efetuado ao débito informado, não restando nenhuma diferença credora. Já a contribuinte faz menções genéricas de erros e equívocos, mas não apresenta nenhuma demonstração analítica ou prova em seu favor. Ora, alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino: "alegar e não provar é quase não alegar" (allegatio et non probatio quasi non allegatio) ou "alegar e não provar o alegado importa nada alegar" (niagara ilia et allegatum nom probare paria sunt). Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.675130/200932 Acórdão n.º 1201002.455 S1C2T1 Fl. 5 4 Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Tratase, assim, de uma compensação cujo crédito não restou comprovado, prejudicando o alegado direito. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, é firme no sentido de que compete ao contribuinte a comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito, sob pena de indeferimento do pedido. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102 000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.675130/200932 Acórdão n.º 1201002.455 S1C2T1 Fl. 6 5 homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da comprovação do crédito informado na DCOMP, a decisão pela não homologação não merece reforma. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 61DF CARF MF
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