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Numero do processo: 15540.000208/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL.
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 08 /2 00 8- 54 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15540.000208/200854 Acórdão n.º 2302003.460 S2C3T2 Fl. 354 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, mantendo em parte o crédito tributário lançado. Consta dos autos que o lançamento referese, exclusivamente, às contribuições previdenciárias patronais, destinadas ao custeio da Seguridade Social, no percentual de 15% (quinze por cento) incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativo a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 – AI 37.362.1884). A DRJ julgou a impugnação procedente em parte para excluir as competências até 05/2003, em razão do reconhecimento da decadência do direito de lançar. A recorrente foi intimada do Acórdão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 333. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Contribuição Previdenciária. Cooperativas de Trabalho. Inconstitucionalidade Declarada pelo STF. Analisando os autos, verifico que a única exação em discussão referese à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Sendo assim, não mais existe base jurídica para a manutenção do lançamento. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 12466.003289/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 29/10/2004
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 29/10/2004 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 32 89 /2 00 9- 77 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 2.682.492,92 referente a PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de oficio e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada impetrou a ação judicial nº 2004.50.01.0052060 2006 na qual a Justiça Federal determinou que a aplicação das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação fosse feita, única e exclusivamente, sobre o valor aduaneiro das mercadorias. Ao amparo da decisão liminar, cuja comunicação à autoridade aduaneira se procedeu em 10/05/2004, a interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/10/2004 a 29/10/2004 adotando a base de cálculo reduzida. A liminar foi revogada em 16/10/2006 e a segurança foi denegada. A interessada apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal. O auto de infração foi lavrado para a prevenção da decadência do crédito tributário, enquanto aguarda decisão final da Justiça Federal. Cientificada pela via pessoal a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que impetrou ação judicial para contestar a exigência das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação calculadas sobre a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, pois há violação do artigo 149, II, “a”, da Constituição Federal, além de que somente Lei Complementar poderia instituir e dispor sobre a base de cálculo referida. Alega que a discussão judicial ainda persiste. Requer seja anulado ou julgado totalmente improcedente ou insubsistente o auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis indeferiu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/FNS n.º 29.538: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 29/10/2004 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.003289/200977 Acórdão n.º 3201001.783 S3C2T1 Fl. 442 3 As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. Impugnação Improcedente Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo. Discutese nos autos a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação, mais especificamente quanto ao entendimento do valor aduaneiro. A decisão recorrida não conheceu do recurso por concomitância do debate com o processo judicial n.º 2004.50.01.0052060, onde também é discutida a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação. Correta a decisão, já que a discussão travada é a mesma. Podemos ver dos documentos juntados que ambos os processos tratam da mesma questão, o que impede a análise do recurso interposto, em face da Súmula n. 01 desta Corte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 15 de outubro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 752DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000618/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Não compete ao órgão de julgamento administrativo proferir juízo quanto à constitucionalidade de norma vigente.
Aplica-se ao lançamento da CSLL, PIS e COFINS o decidido para o de IRPJ em função de decorrerem dos mesmos elementos fáticos e probatórios.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 1401-001.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao órgão de julgamento administrativo proferir juízo quanto à constitucionalidade de norma vigente. Aplica-se ao lançamento da CSLL, PIS e COFINS o decidido para o de IRPJ em função de decorrerem dos mesmos elementos fáticos e probatórios. Recurso desprovido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao órgão de julgamento administrativo proferir juízo quanto à constitucionalidade de norma vigente. Aplicase ao lançamento da CSLL, PIS e COFINS o decidido para o de IRPJ em função de decorrerem dos mesmos elementos fáticos e probatórios. Recurso desprovido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 18 /2 00 9- 44 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.000618/200944 Acórdão n.º 1401001.097 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra decisao que julgou procedente o auto de infraçao. Por bem resumir a questão aqui posta eu adoto o relatório da primeira instância: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), consubstanciados nos autos de infração às fl. 01/155, referentes ao anocalendário 2005, com crédito tributário total de R$ 5.575.522,11. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (TVF) integrante dos autos de infração, fl. 37/46, instruído com as tabelas às fl. 47/155, foi apurada omissão de receitas com base em créditos em contascorrentes mantidos junto ao Banco de Brasília S/A (BRB), ao Banco do Brasil S/A (BB), à Caixa Econômica Federal (CEF) e ao Banco Brasileiro de Desconto (Bradesco), cuja origem não restou comprovada pelo contribuinte regular intimação, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. O lucro foi arbitrado com base no art. 530, II do Decreto n° 3.000/99 (RIR199), tendo em vista deficiências da escrituração que a tornam imprestável para a identificação e a conciliação da sua efetiva movimentação fmanceira. Cientificado pessoalmente do lançamento em 09/11/2009, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 781/795 em 09/12/2009, instruída com os documentos às fl. 796/817, cujo teor está resumido a seguir: • Da inexistência de fato gerador Forneceu os extratos bancários do Bradesco e da CEF que deram suporte aos seus lançamentos contábeis, comprovando, assim, a origem dos valores questionados, não cabendo a presunção de omissão de receita do art. 42 da Lei n° 9.430/96; Fl. 874DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.000618/200944 Acórdão n.º 1401001.097 S1C4T1 Fl. 4 3 o A presunção a que se refere esse dispositivo legal tem aplicação apenas em relação a valores creditados em conta de poupança ou conta de investimento: "(...) valores creditados em conta de depósito ou de investimento (...)" (grifo no original). No caso, os créditos foram em contacorrente. Por essa razão não cabe a presunção, sob pena de violação do princípio da legalidade; o Cumpre ao fisco comprovar que os valores creditados/depositados na contacorrente do impugnante representam efetivo acréscimo patrimonial. Não houve qualquer prova nesse sentido; o Lançamento feito apenas com base em extratos bancários é imprestável para comprovar a ocorrência do fato gerador, ou seja, os depósitos por si só não têm o condão de justificar o lançamento tributário Há diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes nesse sentido; • Quanto à Multa de oficio — o Ao aplicar a multa de 75% o Fisco agiu desproporcionalmente ao valor econômico envolvido e extrapolou os limites da razoabilidade, caracterizando confisco, abuso e ilegalidade, bem assim, olvidando a sua natureza jurídica de media punitiva e educativa; o Ausência de intuito de fraude ou sonegação por parte da impugnante; Há decisões judiciais do Tribunal Regional Fede • da 1Região e o Supremo Tribunal Federal no sentido de que .multa de 75% é confiscatória; • Solicita, ao fim, a improcedência dos lançamentos, haja vista cobrança excessiva de valores a título de multa, bem assim porque não estão aptos a converteremse em título executivo (CDA) líquido e certo, carecendo de pressuposto de validade. Ao menos, solicita a redução da multa ao percentual de 5%. Em face de tais argumentos, entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o auto de infração. Em face do referido acórdão de Primeira Instância o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado. É o relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.000618/200944 Acórdão n.º 1401001.097 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Maurício Pereira Faro O art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispõe de forma clara que os valores 'creditados em contas de depósito ou investimento para os quais o contribuinte não comprovar, após devidamente intimado, a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, devem ser considerados receita omitida. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diferentemente do entendimento defendido pelo sujeito passivo, a expressão "conta de depósito" não se restringe a contas de poupança. Tanto a contacorrente como a conta de poupança são contas de depósito, sendo a primeira considerada de "conta depósito à vista", regulada pela Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) n° 2.025/1993 e alterações posteriores, e a segunda, de "conta especial de depósito", regulada pela Resolução CMN n° 3.211/2004. Então, no caso, como o lançamento foi efetuado com base em créditos efetuados em contacorrente, o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96 é aplicável. Na espécie, o contribuinte foi intimado por diversas vezes a comprovar a origem dos créditos bancários, não tendo sido apresentada documentação hábil e idônea para tanto relativamente aos créditos constantes nas planilhas às fl. 47/155. Em vista disso, a autoridade fiscal cumpriu o procedimento estabelecido no art. 42 para que tais créditos pudessem ser considerados como receitas omitidas por presunção legal. Frisese, conforme esclarecimento do TVF à fl. 45, que foram excluídas as transferências entre contas do contribuinte. Não prospera a alegação de que os créditos em contacorrente foram devidamente comprovados com a apresentação de extratos bancários. Na realidade, tais extratos são o ponto de partida para a verificação da ocorrência dos referidos créditos por parte da autoridade fiscal, cabendo ao contribuinte, nos termos do art. 42, comprovar individualmente a origem de cada um deles, ou seja, de que operações da empresa os mesmos resultaram. É devido salientar também que a norma não estabeleceu a necessidade de comprovação por parte da autoridade fiscal de que os créditos efetuados em contacorrente do contribuinte representaram acréscimo patrimonial como condição para o lançamento com base na presunção legal de omissão de receitas. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.000618/200944 Acórdão n.º 1401001.097 S1C4T1 Fl. 6 5 O dispositivo legal é claro no sentido de que para a caracterização da omissão de receitas é necessário apenas que o contribuinte tenha sido intimado a comprovar a origem de cada crédito efetuado em sua conta de depósito (ou de investimento) e que o mesmo não tenha apresentado documentação hábil e idônea para tanto. Consoante já mencionado, a autoridade fiscal seguiu exatamente o procedimento estabelecido em norma, sendo, portanto, legítimo o lançamento realizado com base em extratos bancários. Nesse sentido, já se manifestou a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa E física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(AC 10197063, de 16/12/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n°9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea , a origem dos recursos utilizados nessas operações. (AC 10249302, de 08/10/2008) Verificada, pois, a omissão de receitas, a autoridade fiscal agiu em conformidade com a lei ao considerar o seu montante na base de cálculo do IRPJ e das contribuições, de acordo com a determinação contida no art. 24, § 2°, da Lei n° 9249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. á' 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS, da Contribuição para o PIS/PASEP e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No que se refere à multa de oficio aplicada, uma vez que o Recorrente traz argumento quanto à sua inconstitucionalidade, é devido delimitar a competência do julgador administrativo. O administrador é um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido dispõe a súmula 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.000618/200944 Acórdão n.º 1401001.097 S1C4T1 Fl. 7 6 Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Fl. 878DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.004679/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - SÚMULA 99 DO CARF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face à aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito dar provimento aos recursos em relação aos AI: I) DEBCAD n.º 37.253.007-9, Processo n. 19515.004679/2009-81, II) AI DEBCAD n.º 37.253.009-5, Processo n. 19515.004676/2009-47 III) AI DEBCAD n.º 37.253.008-7, Processo n. 19515.004677/2009-91. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face à aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito dar provimento aos recursos em relação aos AI: I) DEBCAD n.º 37.253.007-9, Processo n. 19515.004679/2009-81, II) AI DEBCAD n.º 37.253.009-5, Processo n. 19515.004676/2009-47 III) AI DEBCAD n.º 37.253.008-7, Processo n. 19515.004677/2009-91. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004679/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.761 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO Recorrente ROCHE DIAGNÓSTICO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PATRONAL, SEGURADOS NÃO DESCONTADOS E TERCEIROS ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT Acredito que o lançamento, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ALIMENTAÇÃO IN NATURA SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 79 /2 00 9- 81 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face à aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito dar provimento aos recursos em relação aos AI: I) DEBCAD n.º 37.253.0079, Processo n. 19515.004679/200981, II) AI DEBCAD n.º 37.253.0095, Processo n. 19515.004676/200947 III) AI DEBCAD n.º 37.253.0087, Processo n. 19515.004677/200991. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela ROCHE DISGNÓSTICA BRASIL LTDA. aos seus empregados, no período de 01/2004 a 12/2004, conforme abaixo especificado: 1. (1) AI DEBCAD n.º 37.253.0079, Processo n. 19515.004679/200981, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. Conforme consta do relatório fiscal fls. 183, foram arbitrados como base de cálculo das contribuições patronais e Sat/Gilrat os montantes lançados na conta contábil 43.190.103 "Despesas com Restaurante", referentes aos gastos com fornecimento de refeições aos empregados em restaurante próprio da empresa, à vista da não apresentação de informações solicitadas através do Termo de Intimação Fiscal n.o 06 emitido em 22/10/2009, a saber: Planilha contendo a individualização por empregado dos valores lançados, mês a mês, na conta contábil em pauta, para fins de correto enquadramento da alíquota de segurados. Tendo em vista a não apresentação da informação solicitada, foi emitido o Auto de Infração 37.253.0060 com fundamentação legal "35". 2. (2) AI DEBCAD n.º 37.253.0095, fls. 319, Processo n. 19515.004676/200947 referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. Conforme consta do relatório fiscal fls. 335, foram arbitrados como base de cálculo das contribuições patronais e Sat/Gilrat os montantes lançados na conta contábil 43.190.103 "Despesas com Restaurante", referentes aos gastos com fornecimento de refeições aos empregados em restaurante próprio da empresa, à vista da não apresentação de informações solicitadas através do Termo de Intimação Fiscal n.o 06 emitido em 22/10/2009, a saber: Planilha contendo a individualização por empregado dos valores lançados, mês a mês, na conta contábil em pauta, para fins de correto enquadramento da alíquota de segurados. Tendo em vista a não apresentação da informação solicitada, foi emitido o Auto de Infração 37.253.0060 com fundamentação legal "35". 3. AI DEBCAD n.º 37.253.0087, fls. 473, Processo n. 19515.004677/200991 referente a parcela destinada a terceiros. Conforme consta do relatório fiscal fls. 335, foram arbitrados como base de cálculo das contribuições patronais e Sat/Gilrat os montantes lançados na conta contábil 43.190.103 "Despesas com Restaurante", referentes aos gastos com fornecimento de refeições aos empregados em restaurante próprio da empresa, à vista da não apresentação de informações solicitadas através do Termo de Intimação Fiscal n.o 06 emitido em 22/10/2009, a saber: Planilha contendo a individualização por empregado dos valores lançados, mês a mês, na conta contábil em pauta, para fins de correto enquadramento da alíquota de segurados. Tendo em vista a não apresentação da informação solicitada, foi emitido o Auto de Infração 37.253.0060 com fundamentação legal "35". Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2009 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, conforme segue: AI DEBCAD n.º 37.253.0079 – fls. 206 a 224, onde alega inexistir natureza salarial no fornecimento de alimentação in natura, independente da inscrição no PAT. AI DEBCAD n.º 37.253.0095 – fls. 346 a 364, Processo n. 19515.004676/200947 AI DEBCAD n.º 37.253.0087, fls. 484 a 502, Processo n. 19515.004677/200991. Foi exarada a Decisão de 1 instância, em relação a cada autuação constante do presente processo, conforme segue: AI DEBCAD n.º 37.253.0079 – Processo n. 19515.004679/200981:, fls. 254 a 274, parcela patronal e SAT, cujo encaminhamento foi pela improcedência da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 4 5 A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou infh sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federai do B RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever~der~oí importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar seá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido AI DEBCAD n.º 37.253.0095, fls. 413 a 424, Processo n. 19515.004676/200947, parcela dos segurados não descontada, cujo encaminhamento também foi pela improcedência da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARBITRAMENTO. ;Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informada )^ ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal (¿aJSr^sil RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofícüo importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDEN CIARIA DOS SEGURADOS EMPREGADOS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE ARRECADAR E RECOLHER. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado, nos prazos definidos em lei. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 5 7 Integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar seá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido AI DEBCAD n.º 37.253.0087, fls. 542, Processo n. 19515.004677/2009 91, parcela destinada a terceiros, cujo encaminhamento também foi pela improcedência da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. % AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao Fl. 604DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCLÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou inforr sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições devidas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALIMENTAÇÃO E M DESACORDO C O M O PAT. Integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias e de Terceiros os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. PRODUÇÃO D E PROVAS. APRESENTAÇÃO D E DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO D E PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar seá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 306 a 350, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 6 9 AI DEBCAD n.º 37.253.0079 – Processo n. 19515.004679/200981, fls. 279 a 301: 4. Decadência Parcial do Debito Levantado Diferenças de Fatos Geradores Aplicação do artigo 150, parágrafo 4o , do CTN 5. Da Nulidade Absoluta da Notificação de Débito / \ Afirma que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa coftro foram apurados os valores lançados e a base de cálculo, na medida em que ignorou os documentos apresentados e informações prestadas pela Impugnante. 6. Mérito Da Alimentação Fornecida In Natura No presente caso não foi observado que a alimentação in natura fornecida não tem natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de inscrição da empresa no programa de alimentação do trabalhador PAT. Ressalta que tal entendimento já foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça há muito tempo. 7. Inexistência de Benefício Salarial Do Real Alcance da Expressão "Folha de Salários" Alega que desde a Constituição Federal de 1988 a Impugnante tem recolhido a contribuição à Seguridade Social conforme estipulado no artigo 195, inciso I, agora alterado pela Emenda Constitucional 20/98. Transcreve o dispositivo legal, bem como julgados do Supremo Tribunal Federal, e discorre sobre o conceito de folha de salários. 8. A Ausência de Inscrição no PAT não Altera a Natureza da Alimentação Fornecida aos Empregados Transcreve o artigo 3 o da Lei n° 6321/76 e observa que a lei declara como não integrativa da remuneração a parcela paga "in natura" nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Tal determinação decorre do fato de que em tais programas a alimentação é paga pelo trabalhador, o trabalhador compra a alimentação fornecida pela empresa. 9. A Alimentação era Fornecida para Facilitar a Execução do Trabalho Transcreve doutrina e afirma que é totalmente diversa a natureza das utilidades fornecidas pelo empregador para que o empregado possa executar os serviços aos quais se obrigou, e as prestações in natura, substitutivas do salário em dinheiro, concedidas como remuneração pelo trabalho prestado. 10. Conclusão Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. Reprisou os mesmos argumentos em relação ao AI DEBCAD n.º 37.253.009 5, fls. 430 a 450, Processo n. 19515.004676/200947. Reprisou também em relação ao AI DEBCAD n.º 37.253.0087, fls. 569 a 590, Processo n. 19515.004677/200991, terceiros os mesmos argumentos da parcela paronal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constantes nos autos. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 7 11 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (ALIMENTAÇÃO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão dos pagamentos indiretos firma entendimento de que em se tratando de salário indireto o recolhimento de qualquer montante, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 8 13 consequência a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2009. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2004 a 12/2004, sendo assim a luz do 150 , § 4º , devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 10/2004. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente fundase em um único ponto. A alimentação in natura, mesmo que fornecida sem adesão ao PAT. Assim, descreveu o auditor: Foram arbitrados como base de cálculo das contribuições patronais e Sat/Gilrat os montantes lançados na conta contábil 43.190.103 "Despesas com Restaurante", referentes aos gastos com fornecimento de refeições aos empregados em restaurante próprio da empresa, à vista da não apresentação de informações solicitadas através do Termo de Intimação Fiscal n.o 06 emitido em 22/10/2009, a saber: Planilha contendo a individualização por empregado dos valores lançados, mês a mês, na conta contábil em pauta, para fins de correto enquadramento da alíquota de segurados. Tendo em vista a não apresentação da informação solicitada, foi emitido o Auto de Infração 37.253.0060 com fundamentação legal "35". Conforme mencionado anterior, o art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, assim específica as condições para exclusão do valor da alimentação fornecida ao ao empregado do conceito de salário de contribuição. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento jurisprudencial a respeito do tema. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004679/200981 Acórdão n.º 2401003.761 S2C4T1 Fl. 9 15 Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Neste ponto, entendo assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “alimentação” razão pela qual dou provimento ao recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos, 1) AI DEBCAD n.º 37.253.0079, Processo n. 19515.004679/200981, (2) AI DEBCAD n.º 37.253.0095, Processo n. 19515.004676/200947 III) AI DEBCAD n.º 37.253.0087, Processo n. 19515.004677/200991 para rejeitar a preliminar de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004 face a aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito DARLHES PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001394/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL
A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário.
A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório.
Recurso Voluntário Não Provido.
Numero da decisão: 3301-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. Recurso Voluntário Não Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas - Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
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A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. Recurso Voluntário Não Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 13 94 /2 00 5- 66 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por BHP Billiton Metais S.A contra Acórdão n. 1340.250, de 08 de março de 2012 (fls. 321/328), proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que manteve o indeferimento da solicitação do contribuinte, formalizado através da Declaração de Compensação de débitos de IRPJ, do período de apuração 30/09/2005, nos valores de R$ 1.746.833,26 e R$ 1.242.821,16 (com crédito oriundo da incidência nãocumulativa da COFINS dos períodos 07/2005 e 08/2005). A delegacia de origem (DRF1 RJ), por meio do despacho decisório (fls. 199/201), indeferiu a solicitação do contribuinte, sob o argumento de não ter sido comprovado o pagamento a maior ou indevido das contribuições. Devidamente cientificada do despacho, a interessada apresentou, tempestivamente, em 04/10/2010 a Manifestação de Inconformidade (fls. 208/214), alegando em síntese que: “1. Cumpre salientar que, a apresentação unicamente da planilha, elaborada pelo consórcio do qual a Requerente e integrante, se deu pelo grande volume de notas fiscais e demais documentos que, embora não tivessem sido apresentados em tempo hábil a resposta a intimação recebida, já estão a disposição do Sr. Auditor Fiscal; 2. Por entender que a referida decisão deixou de atentar ao princípio do inquisitório e da verdade material, que regem o processo administrativo, a requerente apresenta sua manifestação de inconformidade a fim de que seja verificada a existência do direito creditório e consequente extinção dos débitos compensados; 3. Preliminarmente, nada obsta que essa Delegacia aprecie a documentação ora apresentada, uma vez que a mesma é necessária a comprovação da verdade material, sendo essa posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais; 4. Devese verificar que a nãohomologação da compensação ora em causa é consequência da postura da requerida, que deixou de cumprir com seu dever de oficio de realizar as diligências necessárias aos esclarecimentos dos fatos; 5. Contudo, a análise em questão em face do princípio inquisitório e ao princípio da verdade material que orientam o processo administrativo fiscal como corolários do princípio da legalidade aplicável ao Direito Tributário, há de se concluir pela homologação dos procedimentos realizados pelo contribuinte; 6. Apesar de possuir meios para identificar que a interessada possuía todos os créditos objeto da Declaração de Compensação realizada, a autoridade administrativa nada fez para esclarecer a origem dos créditos objeto da compensação, descumprindo com seu dever de investigação; 7. As decisões das Autoridades Administrativas devem sempre observar para com o seu encargo de prova e dever de investigação, realizandose todas as diligências necessárias a busca da verdade; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301002.136 S3C3T1 Fl. 3 3 8. Desse modo, comprovada a origem e existência de créditos em montante suficiente é forçoso reconhecer a validade das compensações realizadas e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários a que eles se referem; 9. E nem se diga que a existência do Acordão da DRJ/JFA deve ser aplicada ao presente caso, uma vez que o Consorcio Aluar, do qual a pessoa jurídica e integrante, possui todas as características necessárias para a constituição de um Consórcio, tais como (i) tem por objeto um empreendimento determinado; (ii) e um consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos a atividade industrial determinada e (iii) há prazo de duração determinado; 10. Restando demonstrada a possibilidade da apuração dos créditos em causa e, estando documentalmente comprovada a sua apuração, deve ser inequivocadamente reconhecida à possibilidade da compensação realizada pela requerente nos autos o presente processo administrativo; 11. Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para: 11.1. anular o despacho decisório, determinando seja proferida nova decisão que, mediante a apreciação de toda a prova digital constante dos autos, análise a suficiência dos créditos de Cofins NãoCumulativo e PIS Não Cumulativo para a realização das compensações pretendidas; ou 11.2. reformar o despacho decisório, reconhecendose – em face da prova acostada aos autos – a suficiência dos créditos de Cofins NãoCumulativo e PIS NãoCumulativo para a realização das compensações pretendidas e determinandose o cancelamento da cobrança ora recorrida. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento do direito pleiteado, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, e ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas e sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas a dirimir dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazelo em outro momento processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do referido acórdão em 19 de marco de 2012 (fl. 351), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 18 de abril de 2012 (fls. 355/ a 365), pleiteando a reforma do acórdão, reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ e juntando nova documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. De acordo com o mérito do acórdão da DRJ, verificase que a decisão não homologou a compensação pleiteada pelo contribuinte, por entender que não houve comprovação do direito creditório, já que segundo o seu entendimento, a empresa havia juntado apenas algumas planilhas em meio magnético que não teriam o condão de comprovar o crédito objeto da compensação. Por sua vez, o contribuinte ao interpor o seu Recurso Voluntário, anexou à petição vários recibos complementando as supostas provas que já tinham sido apresentadas. É importante ressaltar que houve por parte da empresa, pedido de reforma integral do acórdão proferido pela DRJ, e como pedido alternativo, caso não houvesse entendimento pela reforma do decisium, que o processo fosse baixado em diligência para confrontar as provas juntadas nos autos até o presente julgamento. Com isso, delimitase análise do presente caso, ao acolhimento ou não das provas juntadas no recurso voluntário. Como é sabido, o Processo Administrativo Fiscal Federal, é instaurado e conduzido pelo Decreto n. 70.235/72, e foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei ordinária. As limitações à atividade probatória do contribuinte trazida pelo parágrafo 4º do artigo 16 têm, ainda, provocado divergências de posicionamento entre os julgadores de segunda instância administrativa. Na jurisprudência do CARF, há precedentes acolhendo três grandes correntes. A primeira seria em princípio, as decisões que não aceitam a apresentação de documentos (provas) após a impugnação; a segunda, as que aceitam, desde que apresentadas até o julgamento em primeira instância; e a terceira e última, as que aceitam a apresentação de documentos em qualquer fase do julgamento administrativo, até em fase de recurso especial. No acórdão da DRJ (fls. 318/319), fica claro que o posicionamento adotado, condiz com a primeira corrente, bastando observar o seguinte trecho do acórdão que diz: “Além disso, não há nos autos qualquer elementos de convicção que de motivo a uma nova diligência, alertando ainda que, já na fase litigiosa que caracteriza a presente manifestação de inconformidade, o momento propício para a apresentação de prova documental é, justamente, a impugnação da exigência, in casu, a presente manifestação de inconformidade”.(Grifo Nosso) Em contra partida, nesta Colenda Câmara, tem se adotado o entendimento de que as provas e documentos podem ser aceitos excepcionalmente, desde que caracterizem informações suplementares à Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301002.136 S3C3T1 Fl. 4 5 impugnação, principalmente quando se refira à matéria originalmente contestada e quando apresentada antes da decisão de primeira instância. Com o intuito de ilustrar esse entendimento, temos o registro da sessão de julgamento ocorrida em 12/02/2007, no PA 10814.008031/9875, em que a CSRF proferiu a seguinte decisão: “... a apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para a interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto n. 70.235/72. Com redação dada pela Lei n. 9532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material”. Nesse sentido, podemos nortear o presente julgamento, utilizando a inteligência do acórdão n. 30334.308/2007, que diz o seguinte: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PENALIDADE ISOLADA. DECADÊNCIA. Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei complementar. O CTN, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 40, especifico para tributos pagos sem prévio exame da autoridade administrativa; e no artigo 173, inciso I, que alcança o lançamento das penalidades. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Caracterizado o cerceamento ao direito de defesa pela não apreciação de parecer jurídico trazido aos autos antes do julgamento, bem como pela recusa da administração em juntar aos autos cópias de documentos que estavam em seu poder, considerados pelo sujeito passivo como provas das suas razões de impugnação. Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive”. No mérito da decisão supra citada, foi utilizado o seguinte fundamento: “(a) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de apreciação do Parecer Jurídico apresentado em 11.01.2005, como complementação da defesa, antes da realização do julgamento. O referido parecer elaborado por jurista, especialista em direito tributário e em processo administrativo fiscal, foi ignorado sob a alegação de não atendimento às condições previstas no § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72 (PAF). Entretanto, tal norma disciplina tãosomente a apreciação de prova documental no PAF, e evidentemente não abrange a hipótese de apresentação de parecer jurídico em complemento à impugnação. As interessadas citaram oportunamente a doutrina de Sérgio Ferraz e de A. A. Dallari para explicitar a natureza de um parecer jurídico. No caso, a disciplina adequada seria efetivamente a do art. 38 da LGPAF (Lei 9.784/99), utilizada subsidiariamente, já que o PAF (Decreto 70.235/72) é omisso quanto a isto. A norma evocada prevê que antes da decisão, na fase de instrução, podese juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 processo. Portanto, a recusa de apreciação do parecer jurídico juntado aos autos na fase de instrução, antes da tomada de decisão, caracteriza cerceamento ao direito de defesa, eivando de nulidade absoluta a decisão recorrida. (Grifos nossos) Enfatizase que nesta situação a juntada do parecer não afetou de forma alguma o trâmite processual, não o prolongou, e não se justifica a recusa de conhecimento de matéria de defesa que necessariamente haveria de ser apreciada também em segunda instância, de forma que a omissão do julgador a quo também afronta o direito do contribuinte ao duplo grau de jurisdição. Houve claro cerceamento ao direito de ampla defesa. (b) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de juntada de documentos solicitada pelas impugnantes e que estavam em poder da Administração. Na ótica das ora recorrentes tais documentos visavam a demonstrar a inexistência de fraude na importação. Ora, durante a fase de impugnação todos os documentos das ora recorrentes estavam em poder da Administração. As impugnantes, então, com base no art. 37 da lei 9.784/99, que apenas expõe norma processual já assentada no ordenamento pátrio, válida também no processo civil, requereram a juntada de certos documentos que consideravam essenciais a provar a regularidade das operações de importação praticadas. Aqui não importa o juízo prévio da autoridade julgadora de primeira instância quanto à necessidade ou prescindibilidade de tais provas, entre outras razões porque era interesse da defesa apresentalas e circunstancialmente se encontravam em poder da administração, além do mais deveriam ser passíveis de apreciação também pela segunda instância julgadora em caso de insucesso no primeiro julgamento. A recusa em permitir essa produção de provas por parte das impugnantes, em relação a documentos que estavam em poder da administração, fulmina de nulidade absoluta a decisão de primeira instância por interferência perniciosa no contraditório e impor indevida limitação à defesa”. Pelas conclusões do Acórdão n. 30334.308, acima transcritas, verificase que o documento (parecer jurídico) não foi considerado como “prova” no conceito estabelecido pelo parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, por ser considerado complemento da impugnação e, por conseguinte, o prazo para sua apresentação seria o estabelecido no artigo 38 da LGPF. Referida decisão se assemelha com as decisões anteriores, que por meio de construções de ordem argumentativa, excepcionam os documentos da aplicação do prazo de preclusão estabelecido pelo PAF. No presente caso não houve recusa na apresentação da documentação, o que ocorreu é que a mesma não foi apresentada no momento oportuno, ou melhor, dizendo foi apresentada de forma incompleta. Assim sendo, não podemos considerar que tenha havido cerceamento de defesa. Assim, a depender da documentação juntada pelo contribuinte, os órgãos administrativos se posicionam ora no sentido de aplicarem a literalidade da restrição do artigo 16 do PAF, ora no sentido de caracterizarem a inocorrência da preclusão, adequando a situação como excepcionais e em conformidade com as exceções elencadas no dispositivo legal. Para tanto, ainda que o contribuinte faça a juntada de documentos após o prazo legal, parece inconteste que deve existir uma prévia análise destes, mesmo que para se recursar a documentação, já que determinados documentos comprobatórios podem ser aceitos a qualquer momento por se referirem a fatos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301002.136 S3C3T1 Fl. 5 7 Estando assegurado, por lei, o direito a apresentação de alegações e provas que caracterizam o contraditório e a ampla defesa e, sendo a verdade material o objeto do Processo Administrativo Fiscal, assim como a celeridade processual, a oficialidade, entre outros princípios, não se pode falar em desrespeito ao direito de defesa do contribuinte, pela aplicação do prazo de preclusão para apresentação das provas, já que é a própria aplicação do principio da verdade material, que confere ao julgador a prerrogativa de verificar a legalidade do lançamento, independentemente das provas trazidas ao processo. Mesmo entendimento encontrado nos seguintes acórdãos: “Acórdão: 10809655/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO – PRÍNCIPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. Recurso Voluntário Provido”. “Acórdão: 20311384/2006 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes portanto, da decisão, fere o princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Recurso anulado” “Acórdão: 30239.947/2008 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. “No processo Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento”. (Ac. 10318789 – 3ª Câmara – 1º.C.C). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371) Recurso Voluntário Provido”. Ademais, princípios de índole programática não são aptos a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva, possuindo como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tão somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detêm a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. Parecenos, portanto, que a tendência das decisões da Câmara de Recursos Fiscais reside na aplicação de critérios de pertinência e utilidade na aceitação da documentação apresentada. Acertadas estão as decisões que conforme documentações juntadas pelo contribuinte se posicionam alternativamente ora no sentido de aplicarem a literalidade da restrição do art. 16 do PAF (acórdãos n. 10614.361, 10611530 e CSRF/0105778), ora no sentido de caracterizarem a inocorrência da preclusão, adequando a situação como excepcionais e em conformidade com as exceções elencadas no dispositivo legal e, para tanto, deve existir uma prévia análise dos documentos juntados, mesmo que para se recusar a documentação, em respeito a livre convicção do julgador na apreciação das provas, conforme determina o artigo 29 do Decreto n. 70235/72 “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Nesse sentido, a DRJ acertou ao afirmar que: “É basilar, ainda, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, ou no caso em tela, planilhas, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se têm inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios”. Portanto, verificase que a empresa acostou aos autos, vários recibos (fls. 384/473) sem a devida correspondência entre as provas apresentadas até então. Não cabendo acatar o pedido alternativo, que era de baixar em diligência em caso de dúvida. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301002.136 S3C3T1 Fl. 6 9 Por fim, sabendo que: o Processo Administrativo Fiscal caracterizase como uma sequência ordenada de atos rumo à solução final – decisão e que para impedir que este caminho se prolongue por tempo indeterminado, a lei fixa o espaço de tempo máximo dentro dos quais os atos processuais devem ser validamente praticados, quer para a Fazenda, quer para o contribuinte; que estando assegurado por lei, o direito a apresentação de alegações e provas que caracterizam o contraditório e a ampla defesa e, sendo a verdade material o objeto específico do Processo Administrativo Fiscal, não se pode falar em desrespeito ao direito de defesa do contribuinte, pela aplicação do prazo de preclusão para apresentação das provas e, muito menos, em prejuízo a verdade material, já que é a própria aplicação deste príncipio que confere ao julgador a prerrogativa de verificar a legalidade do lançamento, independentemente das provas trazidas ao processo; que nem todo documento juntado aos autos pode ser chamado de “prova”, como também é verdade que alguns fatos não necessitam ser provados, como os fatos notórios ou incontroversos. Assim, nesse sentido, determinados documentos comprobatórios podem ser aceitos a qualquer momento por se referirem a fatos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador; que na prática, cada caso vai requerer uma análise mais apurada e que o direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. Concluise por negar provimento ao recurso voluntário, por insuficiência de provas que fossem capazes de comprovar o direito creditório do contribuinte. Reiterase que, não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2013 Fábia Regina Freitas Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.001555/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001
Ementa:IRPJ - DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES
As despesas com viagens, incentivo às vendas, propaganda, amostras e etc., oferecidas pela empresa aos seus funcionários, a título de reconhecimento e incentivo, pelo cumprimento de metas de vendas, representam gastos normais e usuais na atividade comercial. Sua dedutibilidade, todavia, está condicionada a que a empresa identifique, claramente, os beneficiários dos prêmios, bem como sua comprovação documental e contábil.
ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVAS TIDAS POR INSUFICIENTES.
Na situação em que os demonstrativos acostados aos autos com a impugnação foram considerados insuficientes para provar a alegação, inclusive por falta de clareza, podem ser admitidos em fase recursal novos demonstrativos e/ou outros documentos com maiores detalhes e esclarecimentos, com o objetivo de complementar a prova anterior e tempestivamente apresentada. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1301-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) por unanimidade de votos, recurso voluntário provido em parte. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Eloísa de Almeida Rego Barros Curi (OAB 117304.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 10 1 9 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001555/200609 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.305 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria IRPJ/GLOSA DE DESPESAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL E AVON COSMÉTICOS LTDA. AVON COSMETICOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 Ementa:IRPJ DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES As despesas com viagens, incentivo às vendas, propaganda, amostras e etc., oferecidas pela empresa aos seus funcionários, a título de reconhecimento e incentivo, pelo cumprimento de metas de vendas, representam gastos normais e usuais na atividade comercial. Sua dedutibilidade, todavia, está condicionada a que a empresa identifique, claramente, os beneficiários dos prêmios, bem como sua comprovação documental e contábil. ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVAS TIDAS POR INSUFICIENTES. Na situação em que os demonstrativos acostados aos autos com a impugnação foram considerados insuficientes para provar a alegação, inclusive por falta de clareza, podem ser admitidos em fase recursal novos demonstrativos e/ou outros documentos com maiores detalhes e esclarecimentos, com o objetivo de complementar a prova anterior e tempestivamente apresentada. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) por unanimidade de votos, recurso voluntário provido em parte. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Eloísa de Almeida Rego Barros Curi (OAB 117304. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 55 /2 00 6- 09 Fl. 11885DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 11886DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Tratase de ação fiscal realizada na empresa acima identificada com a lavratura dos autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, crédito tributário de R$ 26.542.091,92 (fls. 171 a 173) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, crédito tributário de R$ 9.555.152,97 (fls. 177 a 179), com juros de mora calculados até 31/07/2006 e multa de ofício de 75%, referentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001. Conforme o TVF, a empresa foi intimada a apresentar o nome e número das contas escrituradas no Livro Diário e Razão que compõem os valores declarados no item 30, Ficha 05 A — "Outras Despesas Operacionais" de sua DIPJ/2002. Em resposta, a empresa apresentou planilha com 69 contas que compõem o item "Outras Despesas Operacionais" e, em razão desta grande quantidade a fiscalização selecionou 26 contas com totais anuais superiores a um milhão de reais, correspondentes ao valor total de R$.173.954.852,19, (95% aproximadamente do total declarado de R$.183.895.008,65). Em 23/02/2006, intimouse o contribuinte a comprovar 258 lançamentos das contas selecionadas, escolhidos por critério de amostragem, mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Em decorrência das comprovações apresentadas em atendimento à intimação, que se mostraram autuáveis, lavrouse em 29/05/2006, intimação complementar para que se fizesse as devidas comprovações para outros 589 lançamentos com valores iguais ou superiores a dez mil reais, limitação esta imposta pela grande quantidade de lançamentos inferiores a este limite, observandose que o total dos lançamentos inferiores a este limite, não é de grande monta, quando comparado ao total dos lançamentos intimados que é de R$.75.852.902,38. De acordo com o TVF, o Anexo 1 apresenta os lançamentos de 8 contas que se enquadram pela sua não comprovação da real necessidade à atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 299 e parágrafos do RIR/99 e inúmeros acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes. A fundamentação para cada lançamento é apresentada na coluna "Observação", dentre elas: "Despesa não necessária à atividade da empresa/manutenção da fonte produtora"; "Não comprovação da operação/causa de origem do lançamento"; "Despesa não necessária para manutenção da fonte produtora de receitas — Não Identificada a relação do beneficiário com a operação/causa de origem do lançamento". Justifica, a autoridade autuante, que há vários lançamentos sem a apresentação de contratos de prestação de serviços, notas fiscais sem especificação/natureza dos serviços, etc., estando em desacordo com o artigo 304 do RIR/99 e acórdãos do C.C. sobre a necessidade da comprovação, de pormenores a respeito da operação que dê causa à concessão do beneficio auferido, com a indicação das operações/causas que deram origem. Fl. 11887DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 0 Anexo 2 apresenta estes mesmos lançamentos do Anexo 1, agrupados mensalmente, que é a base de cálculo da autuação. O Anexo 3 do TVF apresenta os lançamentos de 17 contas que não foram comprovadas pela não apresentação de quaisquer documentações comprobatórias. Destaca, o auditorfiscal, que além de não caracterizar a operação/causa de origem do lançamento e seus efetivos pagamentos, não foi possível verificar as condições para o enquadramento do artigo 291 (quebras e perdas) para a conta 58570010 — MERC. DESTR/SIN e o artigo 366, inciso V do RIR/99 (despesas de propaganda, dedução de despesas de amostras) para a conta 58670010 — AMOSTRAS. O Anexo 4 apresenta estes mesmos lançamentos agrupados mensalmente, base de cálculo da autuação. O contribuinte foi cientificado das autuações e do Termo de Verificação Fiscal em 31/08/2006 e apresentou em 02/10/2006 (fl. 186), a impugnação de fls. 187 a 209, acompanhados dos documentos de fls. 210 a 7311 alegando, em apertada síntese, o que se segue: I. 0 lançamento de CSLL deve ser considerado nulo de pleno direito por vicio formal de competência, visto que os termos de inicio de fiscalização e reintimação não fizeram qualquer menção de que se estivesse inspecionando o recolhimento de CSLL. II. Tendo sido a impugnante notificada em 31/08/2006, os períodos de apuração encerrados em 31/03/2001 e 30/06/2001 encontramse extintos pelo instituto da decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cujo recolhimento constitui obrigação do contribuinte, independentemente de prévia manifestação do sujeito ativo, dispõe a autoridade administrativa do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador para homologar os lançamentos ou constituir o crédito tributário, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. III. A empresa tem como objeto social o comércio, distribuição, importação e exportação de cosméticos de qualquer forma ou tipo e se vale, desde a sua fundação, de um modo peculiar de vendas realizadas exclusivamente por pessoas físicas autônomas, chamadas "Revendedoras" que exercem atividade comercial autônoma, independente, adquirindo produtos para posterior revenda e auferindo lucro nessa transação. Atualmente, a Avon Cosméticos possui em seus cadastros mais de 1 milhão de Revendedoras ativas. A estrutura de vendas é composta por uma Vice Presidência de Vendas, 4 Gerentes Regionais de Vendas, 32 Gerentes de Vendas e 700 Gerentes de Setor em todo o pais. As estratégias de motivação utilizadas para estimular suas gerentes e revendedoras para realizar o maior número possível de vendas se vale, de forma relevante, de bonificações consistentes em premiações de diferentes tipos, concedidas no âmbito de planos de incentivo que prevêem metas a serem atingidas. Sendo sua força de vendas constituída principalmente por mulheres, os planos de incentivos costumam conceder prêmios tais como: jóias de valor considerável, viagens e até mesmo carros às gerentes e revendedoras que atingem metas excepcionais. IV. Despesas listadas no Anexo 1 do TVF. Aduz o impugnante que em momento algum o agente fiscal fundamentou o porquê de as despesas listadas não serem necessárias às atividades da empresa, limitandose a indicar numa tabela os itens glosados, indicando ao lado: "despesas não necessárias". É necessário que a autoridade lançadora justifique de forma clara e precisa as razões de sua decisão, o que não ocorreu. V. A impugnante já sofreu autuação de mesma natureza, na qual foi realizada glosa de despesas de promoção de vendas, sendo que quanto a este item foi integralmente cancelado em 1a instância administrativa. Fl. 11888DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 12 5 VI. Conta 54540010 — Recreação e Cultura. Comprovada mediante juntada da nota fiscal (doc. 13). Foram adquiridas 1276 cestas de natal, de valor unitário de R$.61,95, o que demonstra a total razoabilidade da despesa. VII. Conta 54520010 — Treinamento. Os documentos que comprovam estas despesas foram juntados à presente (docs. 14 a 20). Não foi questionada a idoneidade da documentação comprobatória, mas apenas sua necessidade, justificada por se tratar de treinamento de empregados para o desempenho de suas atividades. VIII. Conta 54520010 — Conferências e Viagens. Despesas com transporte, principalmente aéreo, de empregados a serviço da empresa, conforme docs. 21 a 49. Anexa sua Política de Viagens e os contratos firmados com as agências de viagem (doe 6). IX. Conferências de Natal — 54910050. Anexa folder (doc. 7) onde se observa realização de palestras sobre estratégias de marketing, premiação por metas de produtividade, treinamento das gerentes de setor. Sua dedutibilidade é patente. A comprovação de sua natureza e efetividade consta da ampla documentação anexada (docs. 50A a G). X. Programa de Incentivos — 56250010 e Lit Programa de Incentivos — 56250011. Estas despesas consistem nos custos de todas as viagens e prêmios, itens e literatura, concedidos como prêmios. Os itens de literatura relacionados aos programas são registrados na conta Lit Programa de Incentivos — 56250011. Ao serem atingidas as metas estipuladas, são concedidos prêmios, desde conjuntos de panela ate viagens e carros (doc.8 e doe 9). As despesas relacionadas a planos de incentivo, cujos documentos comprobatórios são anexados (docs. 89 a 223) devem ser consideradas dedutíveis. As despesas relativas a literatura relacionada a programas de incentivos constam nos documentos anexos (docs. 62 a 67). XI. Clube das Estrelas 56250014. Programa de incentivo aplicável a certas revendedoras que alcançam as metas préestabelecidas (regulamento — doc. 10). Oferece prêmios mais vultosos como carros e viagens, devendo ser consideradas dedutíveis, conforme docs. 68 a 88. XII. Reconhecimento de Gerente de Setor — 56220010. As despesas glosadas consistem em pagamentos efetuados às empresas Incentive House S.A. e Mark Up Ltda para implementação de programa de incentivo realizados em favor das gerentes de vendas e gerentes de setor, conforme contratos (docs. 51 A). As notas fiscais de prestação de serviços, bem como os extratos bancários que demonstram o seu pagamento são anexados (docs. 51B a 61). XIII. Despesas listadas no Anexo 3 do TVF. Não obstante a pouca fundamentação, que lhe obriga a produzir nos autos toda a documentação que deveria ter sido analisada no curso da fiscalização, a impugnante passará a demonstrar a natureza dessas despesas, necessárias às suas atividades, juntando documentos que comprovam a sua efetividade. XIV. Desp. Div. Adm. Geral — 58890100. Esta conta consiste em despesas operacionais variadas. Foram glosadas despesas, sob esta rubrica, com recolhimento de tributos, conforme demonstrado nos docs. 224 e 225, itens 12 e 13 do Anexo 3. Desnecessário justificar a dedutibilidade das despesas com tributos, decorrente de regra expressa do caput do art. 344 do RIR/99. XV. Contribuições — 58010100. Esta conta deve incluir os custos de donativos a instituições de caridade. Todavia a conta glosada se tratou de despesa de propaganda, pois consistiu em patrocínio de banner em site na internet (doc. 226). Despesas com publicidade, devidamente comprovadas, são dedutíveis. XVI. Circulo de Excelência — 56350010. Foram glosados gastos relativos a rateio de despesas de evento realizado em Paris (doc 12) para a premiação das maiores revendedoras, denominado Circulo de Excelência (doc. 227) que é um programa semelhante ao Clube das Estrelas, a Fl. 11889DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 nível mundial, premiando as revendedoras que se destacam nos respectivos países. Em 2001, o evento foi organizado pela Avon México e realizado em Paris. As despesas foram rateadas entre as empresas dos países participantes, sem qualquer ganho para a empresa realizadora. XVII.Suprimentos de Expedição — 52010010. Esta conta inclui custos de embalagens de papelão, fitas adesivas e outros para embalar as mercadorias. Foram despesas desta natureza que foram glosadas. Todavia, estes dispêndios são imprescindíveis atividade da empresa (doc. 229). No que se refere ao item 23, sua comprovação é feita por amostragem. No que tange ao valor de R$.230.000,00, junta cópia de relatório interno, planilha de consumo e notas fiscais dos fornecedores (doc. 228). XVIII. Desp.Prog. Serv. Cont. — 55620010. Esta conta inclui custos relativos a serviços prestados por trabalhadores autônomos para desenvolvimento de programas de software. Foram glosados gastos decorrentes de rateio de custos de infraestrutura para internet disponibilizada pela matriz nos Estados Unidos (Global ITS) — docs. 230 a232. XIX. Folhetos — 57220010. 0 agente fiscal entendeu que as despesas com catálogos e folhetos não teriam sido comprovadas. As despesas com a aquisição e doação as revendedoras são vultosas, razão pela qual a sua comprovação é feita por amostragem (docs. 233 a 237). XX. Telef. Teleg. Telex — 57620010 e Teleprocess. Dados — 7620011. Foram glosadas despesas com contas telefônicas, cujo registro contábil e pagamento são comprovados pelos documentos de instituição financeira anexos (docs. 238 a 240), apesar de a empresa não mais dispor das cópias das contas referentes aos itens 174, 177 e 178. XXI. 58450010 — Despesas Bancárias. Foram glosadas despesas com serviços de recebimento prestados pelos Correios, cujo contrato de prestação de serviços (doc. 11), registro contábil das respectivas despesas e cópias exemplificativas dos processamentos de cobrança seguem anexos (doc. 241). Tais serviços visam possibilitar e/ou facilitar o recebimento pela Avon dos valores devidos pelas revendedoras, pois estas efetuam o pagamento em estabelecimentos do Correio. XXII.58570010 — Merc. Destr. — Sin. Mercadoria Devolvida Destruída. Os valores desta conta se referem As mercadorias que não serão reintegradas ao estoque. Esta operação gera um ajuste entre os valores no estoque e contábil. A fiscalização não se atentou ao procedimento dessa operação glosando os itens 181, 182 e 183 (doc. 242), além de transferir o ônus da prova para a impugnante. Pela complexidade da operação, o volume de documentos é expressivo, motivo pelo qual protesta pela juntada posterior dos documentos. XXIII. 58670010 — Amostras. As despesas com amostras, juntamente com os folhetos, consistem na efetiva "vitrine" da Avon, sendo essencial meio de vendas. Tal despesa é vultosa, apesar de o custo unitário ser extremamente baixo, por este motivo a comprovação é feita por amostragem, requerendo o direito de complementar posteriormente, no curso do processo administrativo, tal prova. No que tange aos itens 184 e 185, juntou: copia do relatório interno, cópias de notas fiscais de venda de produtos emitidas contra revendedoras, cópias de notas fiscais da Avon Industrial Ltda., emitidas contra a impugnante, mediante as quais é faturada a industrialização das amostras (docs. 243 e 244). Os referidos documentos também podem ser utilizados para a demonstração das despesas dos itens 157, 158, 159 e 160. A dedutibilidade das amostras é autorizada pelo art. 336, V do RIR/99. XXIV. Alega que a jurisprudência administrativa entende que para ser válida a glosa de despesas levada a efeito pela fiscalização é necessário que esta cumpra o seu dever de realizar a prova de suas alegações, mediante análise detida da documentação apresentada pelo contribuinte. 0 agente fiscal deixou de realizar a prova de que as despesas indicadas eram desnecessárias ou não comprovadas acabando por impor à impugnante inaceitável ônus de prova (cita ementas do CC). Posteriormente, em 13/02/2007, o interessado protocolizou junto à Derat/SP o pedido de recebimento da Complementação da Impugnação de fls. 7330 a 7344 e a juntada Fl. 11890DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 13 7 dos documentos anexos, bem como o seu encaminhamento à esta Primeira Turma da DRJ/SP, alegando em síntese o que se segue: 1. À época da apresentação da impugnação, a impugnante não havia conseguido localizar, em tempo hábil, a integralidade dos documentos necessários para a comprovação de suas despesas em razão do grande volume de documentos que precisariam ser juntados. A requerente protestou na impugnação pela posterior juntada de tais documentos, o que faz agora por meio desta petição. Alem disso, o processo administrativo fiscal é norteado pelo principio da verdade material, restando descabida qualquer limitação à atividade probatória. 2. Despesas listadas no Anexo 3 do TVF Comprovação. Patrocínio de Banner. Junta a respectiva autorização de pagamento, lançamento contábil e cópia do extrato bancário em que o valor em questão foi lançado a débito (docs lA a 1C). 3. Circulo de Excelência. Anexase os respectivos lançamentos contábeis e o extrato bancário no qual os valores em questão foram lançados a débito (docs. 2A e 2B), restando demonstrado e efetivo pagamento da despesa. 4. Suprimentos de Expedição. Juntase planilha demonstrativa do consumo de suprimentos, na qual se pode verificar que o valor glosado de R$ 230.973,37 na verdade consiste em regularização, efetuada em dezembro de 2001 (docs. 3A a 3C). 5. Quanto ao item 25, juntase planilha demonstrativa do consumo de suprimentos, na qual se pode verificar que o valor glosado de R$ 140.213,65 consiste em estorno de movimentação indevidamente lançada, dentro de um lançamento total efetuado em setembro de 2001 no valor total de R$ 600.101,93 (docs. 4A e 4B). 6. Transporte de empregados. 0 item 79 decorreu da glosa com transporte de empregados, no montante de R$ 10.254,51. Não foi possível juntar documentação comprobatória na impugnação. Juntase o documento no qual consta o respectivo lançamento contábil e a nota fiscal de venda de valetransporte emitida pela empresa prestadora do serviço, restando comprovada a efetividade da despesa (docs. 5A e 5B). 7. Folhetos. 0 item 164 consiste na glosa de despesa com importação de folhetos, no valor de R$.778.562,65. Anexa os documentos que comprovam cabalmente esta despesa: planilha de composição do valor da importação, lançamento contábil, nota fiscal mestra, faturas emitidas por importadoras englobando custos de importação, tais como tributos e serviços aduaneiros e comprovantes de arrecadação de tributos (docs. 6 — diversos). 8. ICMS sobre amostras. 0 valor de R$ 99.754,52, indicado no item 167, consistiu na equivocada glosa de despesa com o ICMS incidente sobre brindes. Ao proceder à aquisição e à. saída dessas amostras, são adotados os procedimentos, relativamente ao ICMS incidente na operação, com base no regime especial constante no Processo n° DRTC III n° 4.82/95 (Doc 11C). Exemplifica a contabilização. Faz esclarecimentos quanto aos documentos juntados (docs. 11A, 11B, 11D diversos, 11E, 11F, 11Gdiversos. 9. Mercadorias Destruídas/Sinistradas. Na verdade, o valor indicado nos itens 181 e 183, nos montantes de R$ 571.411,87 e R$ 235.141,69 consistiram numa reclassificação contábil que não produziu nenhum efeito fiscal, razão pela qual não poderiam ser glosados. Detalha a explicação. (does. 8A, 9A, 8B, 9B, 8C, 9C, 8D, 9D). 10. Amostras. Anexamse ao presente, os seguintes documentos, a fim de complementar a demonstração da efetividade da despesa: (i) cópia do Livro Razão no qual consta o lançamento a débito de despesa de R$ 1.445.917,36, em 30/09/01 — doc. 12 A; (ii) cópias dos Relatórios Internos de Doações de Amostras que demonstram a composição do lançamento de Fl. 11891DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 R$.1.445.917,36, que representam a contrapartida/espelho da despesa glosada de R$ 1.082.447,25 (docs. 12B —diversos); (iii) cópias do relatório juntamente com amostragem das notas fiscais de saída emitidas para as revendedoras (doe 12Cdiversos); (iv) cópias do relatório e amostragem das notas fiscais de entrada relativas aquisição dessas mercadorias vendidas pela Avon Industrial Ltda à impugnante (doc. 12Ddiversos). 11. Duplicidade de glosa. A despesa glosada no item 185 do Anexo 3 consiste em duplicidade da glosa da despesa constante no item 157, cuja efetividade a impugnante ainda não logrou comprovar integralmente (comprovou por amostragem no item III.4.j da impugnação). Ambas as despesas glosadas tem o mesmo valor, R$.857.817,36, sendo que no item 157 foi indicada como tendo sido registrada na conta 56450010 (Motv Cons) e no item 185 foi indicada como tendo sido registrada na conta 58670010 (Amostras). As cópias do Livro Razão demonstram que a despesa de R$.857.817,36 foi lançada na conta 56450010, mas houve um estorno desse lançamento no mesmo valor (doc 10 A). Paralelamente, essa despesa foi reclassificada e lançada corretamente na conta 58670010 (doc 10B). Tendo em vista os fatos narrados, os presentes autos foram encaminhados A. autoridade autuante para realização de diligência junto ao contribuinte com a finalidade de esclarecer e comprovar os itens formulados por esta autoridade julgadora, conforme despacho fls. 8955 a 8962. Encerrados os trabalhos, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 11309 a 11355) o qual foi retificado mediante Termo de Retificação ao Encerramento de Diligência Fiscal (fl. 11356), sendo elaborado o novo Termo de Encerramento de Diligência Fiscal — TED, de fls. 11357 a 11407, cuja ciência ao contribuinte ocorreu em 08/10/2009. Em 19/10/2009, o contribuinte manifestouse acerca do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (conforme lhe faculta o artigo 44 da Lei no 9.784/1999) as fls. 11408 a 11433 dos presentes autos, argumentando preliminarmente que, apresentados os esclarecimentos e a documentação, o auditorfiscal demorou cerca de 2 anos para responder os quesitos. Teve oportunidade de rever a autuação e buscar novos fundamentos em relação aos originalmente apresentados. Agora, a manifestante dispõe de apenas 10 dias para se manifestar a respeito das considerações feitas após análise detalhada das mais de 2 mil páginas apresentadas no atendimento à diligência. Processualmente, este não é mais o momento para apresentação de documentação adicional, assim como, não era o momento adequado para que o auditorfiscal trouxesse novos fundamentos à autuação. Nos itens 2, 3 e 4 desta Manifestação o contribuinte discorre acerca dos itens glosados e das respostas dadas pelo auditorfiscal aos quesitos elaborados por esta relatora na diligência fiscal. E, no item 5, questiona a "Quantificação da Base de Cálculo Retificada" onde algumas exclusões que deveriam ter sido feitas, por terem sido reconhecidas pelo próprio fiscal ao longo do TED, não constaram da quantificação apresentada. Tais itens serão abordados posteriormente quando da análise de mérito. Concluiu, ainda, o manifestante que: 0 auto de infração era absolutamente carente de fundamentação, tendo cerceado o direito de defesa da manifestante na medida em que exigiu a produção de tão vultosa documentação — uma verdadeira fiscalização nos autos do processo — que inviabilizou a produção de prova absolutamente completa para a demonstração da efetividade das despesas incorridas. No que tange às despesas entendidas como não comprovadas, a prova produzida, apesar de robustíssima, não logra esgotar todos os itens de cada conta. Inobstante, em face da fragilidade da fundamentação do auto de infração e dos equívocos em que incorreu, seguramente eventuais omissões de prova serão consideradas supridas pela DRJ. Autos de infração como o presente, que glosam em bloco as despesas mediante afirmações genéricas, sem justificativas especificas, vêm sendo cancelados pelas DRJs e também pelo CARF. Justificar a autuação é dever da fiscalização e este dever não foi cumprido. A presente diligencia serviu para demonstrar diversos equívocos da autuação, como o de glosar, entre outras situações absurdas, despesas com tributos, sem identificar nem mesmo a sua natureza. Fl. 11892DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 14 9 É cabível a aplicação do disposto no artigo 112, II do CTN, segundo o qual "a lei tributária que define infrações, ou lhe comine penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (..) II — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos: (..)" 0 auto de infração portanto deve ser considerado nulo de pleno direito por ser equivocado e absolutamente carente de fundamentação. Deve também ser reconhecida a preliminar de decadência suscitada pela manifestante em sua impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1624.388, de 24/02/2010, julgando a impugnação procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Quando não comprovadas as despesas, mesmo sendo estas necessárias não podem ser deduzidas na apuração do lucro real. DESPESAS COM CESTAS DE NATAL. São dedutíveis as despesas com o fornecimento de cestas de natal aos empregados da empresa desde que em valor inexpressivo em relação à receita da empresa. DESPESAS COM TREINAMENTO. Mantémse a glosa com as despesas de treinamento de pessoal quando a empresa deixa de comprovar a efetiva realização do treinamento pela não apresentação de qualquer dos itens solicitados na intimação e o vinculo empregatício do beneficiário com a empresa. DESPESAS COM VIAGENS. São dedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas com viagens realizadas por funcionários da empresa quando comprovados por documentação hábil e idônea que estão intrinsecamente ligados à atividade da empresa. Não ha previsão legal para a dedução de despesas com exempregado e prestador de serviços. DESPESAS COM EVENTO "CONFERÊNCIA DE NATAL". DESPESAS DIVERSAS. Não é dedutível esta despesa, uma vez verificado que os documentos apresentados para fins de comprovação desta conta compõemse de despesas de diversas ordens, além das despesas com treinamento e, que existem comprovantes com hospedagem e passagens aéreas com prestadores de serviços e não funcionários. DESPESAS COM MARKETING. A dedutibilidade das despesas com marketing encontrase condicionada à apresentação dos documentos hábeis a caracterizar a efetiva prestação do serviço. DESPESAS COM PRÊMIOS. É cabível a dedução de despesas com prêmios distribuídos em razão da obtenção de metas por produtividade nas vendas, desde que devidamente comprovados a sua aquisição e o seu efetivo recebimento pelos funcionários. DESPESAS COM BRINDES. Fl. 11893DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Encontrase expressamente vedada a dedução, para efeito de apuração do lucro real, de despesas com brindes. DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A ausência do contrato de prestação de serviços não permite conhecer a exata natureza do serviço prestado, impedindo concluir pela sua dedutibilidade. DESPESAS COM FOLHETOS. São dedutíveis as despesas comprovadas com a importação de papel distribuído como folhetos demonstrativos dos produtos da empresa para os revendedores. DESPESAS COM AMOSTRAS. Somente são aceitas como dedutíveis as despesas com amostras para promoção de vendas de produtos que sejam distribuídas gratuitamente e que sejam escrituradas pelo seu custo real, além de corresponder a cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento de CSLL por ausência de menção desta contribuição no Termo de Inicio de Fiscalização ou no Termo de Intimação quando esta autuação é decorrente dos mesmos fatos apurados na fiscalização do IRPJ e com reflexo na base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. 0 direito de a Fazenda Pública lançar de oficio o crédito tributário decai após o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, nos casos em que há pagamento antecipado do imposto ou contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 DILIGÊNCIA. MANIFESTAÇÃO. PRAZO. 0 prazo legalmente estabelecido para o contribuinte manifestarse acerca do relatório de diligência fiscal é de dez dias após sua ciência. Não há prazo estabelecido na legislação para a autoridade fiscal realizar a diligência fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRODUÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. Não há que se alegar cerceamento do direito de defesa por ausência de fundamentação na glosa de despesas, com exigência de produção de vultosa documentação, quando se verifica que o Termo de Verificação Fiscal justificou, mesmo de forma concisa, a razão da glosa. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 11894DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 15 11 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO Como se observa do voto condutor de primeira instância o valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria/MF 03, de 03/01/2008, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Pelo que conheço do recurso de ofício interposto. Constatase, em primeiro lugar que a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação interposta, cancelou, em razão da decadência, os créditos tributários relativos aos 1o. e 2o. trimestres do ano calendário de 2001. Para tanto, serviuse dos seguintes fundamentos: No presente caso, os autos de infração de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário de 2001, foram lançados na forma do lucro real trimestral, opção esta, exercida pelo contribuinte na DIPJ/2002 entregue. Portanto, os fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorreram em 31/03/2001 (1° trimestre), 30/06/2001 (2° trimestre), 30/09/2001 (3° trimestre) e 31/12/2001 (4° trimestre). 0 contribuinte já havia efetuado pagamentos antecipados no período, conforme se constata em pesquisa no sistema SINAL 08 (fls. 11457 a 11465). Portanto, restando caracterizada a ocorrência de pagamento, temse que o prazo máximo para se efetuar o lançamento de oficio relativamente aos fatos geradores ocorridos nesse período seria aquele fixado pela regra contida no § 4° do art. 150 do CTN. Como o contribuinte tomou ciência destes lançamentos em 31/08/2006 (fl. 181), os fatos geradores ocorridos em 31/03/2001 (1° trimestre/2001) e 30/06/2001 (2° /trimestre/2001) já se encontravam atingidos pela decadência, cabendo aqui a sua exoneração. Quanto a este ponto (decadência) o decidido em primeira instância não merece reparo. Alem destes, outros créditos lançados foram exonerados a saber: despesas relacionadas no Anexo 2 do TVF (viagens/clube das estrela e cultura) e do Anexo 4 (folhetos, despesas bancarias, expedição, amostras, transportes de empregados e mercadorias destruídas) visto que em diligência fiscal restou comprovados (Demonstrativo no final do voto combatido). RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Fl. 11895DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 De início, reputo correta a decisão em primeira instância quanto as preliminares de nulidade dos autos de infração no sentido de que não merecem acolhidas. Realmente, em se tratando de ato administrativo, o lançamento pressupõe como requisito fundamental, a motivação. Porém essa motivação consta expressamente dos Termos de Constatação e Termo de Encerramento de Diligência os quais embasam os autos de infração e nos quais está minuciosamente descrita a situação encontrada pela fiscalização, o tratamento legalmente previsto para o fato e falta de correspondência entre ambos, ocasionando a exigência. Por outro lado, não procede a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa da recorrente em razão da necessidade de juntada de grande quantidade de documentos aos autos como resultado do trabalho precário da fiscalização. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial traduzindose, por um regime de colaboração disciplinada na descoberta da verdade material. No presente caso, a fiscalização, procedeu ao exame dos livros e documentos da empresa, intimoua a apresentar esclarecimentos e, a partir da análise do conjunto frente às disposições legais, constatou fatos que, a seu juízo, configuram infrações à legislação, minuciosamente descritas nos Termos de Constatação. Nenhum vício, pois, quer no procedimento fiscal, quer na formalização da exigência. No recurso voluntário em preliminar, a ora recorrente aponta no seu entender diversos erros da decisão combatida, os quais passamos a analisar na mesma ordem explicitada. II.A) Erro Item 167 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) Afirma a recorrente: “10. 0 primeiro evidente equivoco contido na decisão da DRJ/SPOI encontra se na planilha demonstrativa dos itens mantidos e exonerados de fls. 11539 e 11540 dos autos ("Demonstrativo elaborado a partir do Anexo 4 do TVF). 10.1. Conforme podese verificar na última linha dos lançamentos relativos ao mês de novembro/2001 (fls. 11.540), o valor de R$ 99.754,52, relativo ao item 167 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) encontrase indicado na coluna "Valor Mantido", quando o correto seria a sua indicação na coluna "Valor Exonerado". 11. Isso porque, de acordo com o Acórdão proferido pela DRJ/SPOI, o item 167 do TVF foi exonerado, conforme atesta o último parágrafo da fls. 11.525 dos autos: “A documentação apresentada às fls. 7472 a 8111, de fato, comprova a operação de regime especial do ICMS. Portanto, deve ser exonerada a despesa relativa ao item 167 da conta Folh. Demons." 11.1. Notase, portanto, que a inclusão do valor de R$ 99.754,52 na coluna "Valor Mantido" às fls. 11.540 consiste em provável erro de digitação do relator do Acórdão, devendo tal valor ter constado na coluna "Valor exonerado". 11.2. Portanto, é patente a necessidade de correção desse equivoco, uma vez que o DARF anexo à intimação que deu ciência à Recorrente da decisão de primeira instância tem em sua composição o valor exonerado relativo ao item 167 da autuação.” Fl. 11896DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 16 13 Aqui de fato cabe razão a ora recorrente. Compulsando os autos, verifico, com relação a este item (167) tratarse de despesa com ICMS incidentes sobre Brindes/Prêmios (Regime Especial) para o qual foi apresentado cópia do livro Razão de novembro de 2001 (fls. 7472 a 7474) identificando a constituição de um passivo de ICMS a recolher na conta 25110010, no valor de R$ 244.076,37 com contrapartida em várias contas de despesas, entre as quais a conta 57410011 no valor de R$ 99.754,42 (valor glosado), que seria relativo ao ICMS do custo do saco de papel para promoções de venda. Na complementação à impugnação (fls.7335/7338) explicase que ao proceder à aquisição e à saída de amostras/brindes, são adotados os procedimentos, relativamente ao ICMS, com base no regime especial. Na aquisição do brinde é contabilizado um crédito de ICMS, posteriormente, registrase uma despesa de ICMS com contrapartida em conta de passivo, na seqüência é baixado o credito de ICMS (ativo) contra esta conta de passivo. Na saída de cada brinde é emitida uma nota fiscal para as revendedoras com valor de ICMS zerado nos termos do Regime Especial DRTC III 4582/95,(fls. 7478). Em face da documentação apresentada (fls. 7472/8111) a autoridade julgadora em primeira instancia exonerou o valor glosado desta despesa no montante de R$ 99.754,52. Pelo que deve ser alterado no quadro demonstrativo relativo à quantificação da base de cálculo inserido nos autos as fls. 11536/11540, do qual consta como valor mantido (R$ 99.754,52), ao invés de exonerado. II.B) Erro Item 341 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) Neste item argumenta a recorrente: “12. 0 item 341 do TVF, no valor de R$ 14.395,69, foi mantido pela DRJ/SPOI sob a alegação de que não teria sido apresentado qualquer documento para comproválo. Vejamos: "Em relação à documentação apresentada na impugnação para comprovar os itens da conta 56250011 Literatura Programa de Incentivos (docs 62 a 67), verificase: itens 143, 147, 329, 331, 341. Não houve a apresentação de documentos, cabendo a manutenção da qlosa;" (fls. 11.508 dos autos) (destaques nossos). 13. Notese, logo de cara, que já há um pequeno equivoco na análise feita pela DRJ/SPOI com relação ao item 329, uma vez que ele é analisado nos dois parágrafos abaixo desse trecho da decisão da DRJ/SPOI acima transcrito, do que resulta não ser correta a afirmação de que com relação a ele "não houve a apresentação de documentos". 13.1. Contudo, o erro mais grave no presente caso é a manutenção da glosa relativa ao item 341 pela alegação de não apresentação de documentos, quando encontrase devidamente anexado aos autos do processo o doc. 66 (fls. 3.388 a 3.391 dos autos), juntado quando da apresentação da Impugnação, o qual é composto por relatório contábil detalhando o valor glosado e notas fiscais de saída demonstrativas da efetiva realização da despesa. 14. Ora Srs. Julgadores, como pode a DRJ/SPOI simplesmente manter um item inteiro da autuação alegando que com relação a ele "não houve a apresentação Fl. 11897DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 de documentos", quando existe um "doc." especifico nos autos juntado unicamente para comprovar tal despesa? 14.1. Definitivamente, tratase esta de mais uma evidente demonstração dos erros que permeiam a decisão da DRJ/SPOI e que fazem com que este e. CARF tenha que se debruçar com muita minúcia e atenção sobre o presente processo, a fim de constatar, por si próprio, como foi de fato apresentada uma vasta documentação pela Recorrente para suportar cada uma das despesas indevidamente glosadas pelo r. agente fiscal.” Especificamente com relação ao item 341 do TVF, constato que as razões trazidas nesta fase recursal não merecem guarida. A glosa referese a despesas da conta 56250011Literatura Programa de Incentivos e, em que pese a afirmação (acima) da recorrente:" quando existe um "doc." especifico nos autos juntado unicamente para comprovar tal despesa?”, verificase que o citado documento (Doc. 66 de fls. 3388/3391) referese a Nota Fiscal Fatura 138782, da Volkswagen do Brasil, (serviços de revisão de veículo), no valor total de R$.16.358,74. Enquanto a glosa (item 341) referese a nota fiscal 216095 no valor de R$.14.395,69. Glosa mantida quanto a este item, conforme veremos mais adiante na análise de mérito ( item III/EConta 56250010 Programa de Incentivos e Conta 56250011 Literatura de Programa de Incentivos). II.C) Erro Diversos itens da conta 56250010 Programa de Incentivos Afirmação da recorrente: “15. 0 erro com relação a esse item é lamentável! 15.1. De acordo com o Acórdão recorrido, foi reconhecido que parte dos itens glosados relativos a essa conta diziam respeito a planos de incentivos relacionados a ações motivacionais contratadas junto ás empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda. e Incentive House S/A. 15.2. De acordo com o Acórdão recorrido, entendeu a DRJ/SPOI com relação a estes itens que "as despesas com treinamento são passíveis de dedução desde que comprovada a finalidade e acompanhada com documentos hábeis a comprovar a realização do evento. Da mesma forma, as despesas com serviços de marketing devem estar devidamente documentadas. No caso, de acordo com o TED não houve a apresentação dos contratos de prestação de serviços nem a relação de beneficiários das ações motivacionais, cabendo portanto a manutenção da glosa relativa a tais itens" (fls. 11.508 dos autos). 15.3. Ou seja, muito embora a DRJ/SPOI tenha reconhecido que as despesas relativas a esses itens são dedutíveis, manteve a glosa simplesmente em razão da alegada falta de apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda. e Incentive House S/A (bem como da individualização dos beneficiários das respectivas notas fiscais questão que mais adiante se discutirá em detalhes). 16. Ocorre, contudo, que tais contratos já foram juntados aos autos pela ora Recorrente!!! 16.1. Com efeito, conforme podese verificar às fls. 3.227 a 3.239, já constam nos autos todos os contratos relativos a esses itens que foram indevidamente mantidos pela DRJ/SPOI, o que consiste em grave equivoco dos julgadores de primeira instância, que se apoiaram unicamente no relato errôneo do r. agente Fl. 11898DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 17 15 fiscal sobre o assunto, demonstrando que não realizaram a devida análise dos autos para fins de prolação do Acórdão ora recorrido. 17. Portanto, temse aqui mais um equivoco da decisão de primeira instância que necessita ser reparado por essa e. Turma Julgadora, haja vista que já houve o reconhecimento da dedutibilidade dessa despesa em razão de sua natureza e, conforme ora demonstrado, foram devidamente apresentados todos os contratos firmados com as empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda. e Incentive House S/A (sendo que a lista de beneficiários de cada nota fiscal está sendo apresentada junto às presentes razões de recurso voluntário, conforme se verá mais à frente em tópico próprio dentro do subitem "Programas de Incentivos"). Mais uma vez, de se ressaltar, que os referidos contratos encontramse anexados aos autos (fls. 3227/3239), ou seja, foram apresentados juntamente com os documentos de prova na impugnação (fls. 210/7311). Não obstante, reconhecerse o equivoco, deixar claro que a matéria aqui a ser tratada, (glosa de despesasPrograma de Incentivos) encontrase analisada quanto ao mérito no item III (III.E Conta 56250010 Programa de Incentivos e Conta 56250011 Literatura de Programa de Incentivos), analisadas individualmente mais adiante. II.D) Erro — Desconsideração da diferenciação feita pelo r. agente fiscal entre itens glosados por falta de provas (Anexo 3 do TVF) e itens glosados por representarem despesas supostamente não necessárias (Anexo 1 do TVF) Afirma a recorrente: 18 Ao concluir o seu trabalho de fiscalização, o r. agente fiscal dividiu a matéria autuada em duas: glosa de despesas consideradas não necessárias em razão das atividades da empresa (relacionadas nos TVFs 1 e 2, ambos contidos no Anexo 1) e glosa de despesas consideradas não comprovadas (relacionadas nos TVFs 3 e 4, ambos contidos no Anexo 3). 18.1. Ou seja, de acordo com o entendimento do d. agente fiscal, existiam despesas incorridas pela Recorrente que eram nitidamente dedutíveis, as quais, contudo, por não terem sido comprovadas a contento a seu ver, foram glosadas. Já de outro lado, considerou também haver despesas que, por sua natureza, não poderiam ser consideradas necessárias às atividades da empresa, devendo de plano ser glosadas, independentemente de qualquer comprovação. 19. De todas as contas de despesas mantidas pela DRJ/SPOI no Acórdão recorrido, estas se dividem da seguinte forma entre despesas não comprovadas (18%) e despesas consideradas não necessárias (82%). 20. Ocorre, contudo, que a decisão da DRJ/SPOI não se atentou para esse detalhe crucial da autuação no momento do julgamento, aplicando o mesmo critério de análise para todas as despesas glosadas, independentemente do motivo de sua glosa. 20.1. Isso implica na total incorreção da decisão da DRJ/SPOI com relação àquelas despesas consideradas não necessárias às atividades da empresa, pois em praticamente todos os casos, a necessidade das despesas e, consequentemente, a sua dedutibilidade foram reconhecidas pela DRJ/SPOI, tendo sido mantida a glosa, contudo, em razão da falta de comprovação. 20.2. Ora Srs. Conselheiros, não pode haver o desvirtuamento da fundamentação da autuação! As despesas glosadas por falta de comprovação foram Fl. 11899DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 atacadas pela Recorrente mediante a juntada dos respectivos documentos comprobatórios, ao passo que as despesas consideradas não necessárias foram defendidas principalmente mediante a apresentação de argumentos que demonstravam a sua utilidade, habitualidade e usualidade no diaadia operacional da Recorrente. 20.3. Tomandose a glosa das despesas com os Programas de Incentivo como exemplo, considerou o d. agente fiscal que seriam elas indedutiveis em razão de sua natureza, pois não seriam necessárias às atividades da Recorrente. Contudo, a manutenção da glosa dessa despesa pela DRJ/SPOI deuse pela falta de comprovação e não pela sua natureza , o que é inaceitável, uma vez que a fundamentação do Auto de Infração para essa glosa fundamentação essa única contra a qual a Recorrente se defendeu não tratava de falta de provas, mas apenas de se justificar e demonstrar a necessidade da despesa frente à atividades da Recorrente. 20.4. Vejamos um trecho exemplificativo da decisão a esse respeito: "No entanto, constatouse após análise da documentação comprobatória anexada na impugnação, a juntada também de documentos referentes a notas fiscais emitidas por empresas de prestação de serviços: Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda. e Incentive House S/A, os quais seriam despesas relacionadas a planos de incentivos (docs. 89 a 223). Após intimação na diligência fiscal, o auditorfiscal concluiu que a comprovação da finalidade do serviço é dada pela descrição no corpo da NF, como "Ações Motivacionais", num total de R$.2.319.904,38 e "Honorários de Prestação de Serviços de Marketing", num total de R$.1.431.520,54" sem apresentação de contrato de prestação de serviços à época ou qualquer outro esclarecimento adicional. Conforme visto, as despesas com treinamento são passíveis de dedução desde que comprovada a finalidade e acompanhada com documentos hábeis a comprovar a realização do evento. Da mesma forma, as despesas com serviços de marketing devem estar devidamente documentadas. No caso, de acordo com o TED não houve a apresentação dos contratos de prestação de serviços nem a relação de beneficiários das ações motivacionais, cabendo portanto a manutenção da glosa relativa a tais itens." (fls. 11.508 dos autos) (destaques nossos) 0 que se quer demonstrar no presente caso, portanto, é que com relação a todas as glosas realizadas pelo r. agente fiscal sob a alegação de não necessidade da despesa, uma vez reconhecida pela DRJ/SPOI a sua dedutibilidade em decorrência de sua natureza frente às atividades da empresa (conforme exemplificado acima com relação às despesas relativas aos Programas de Incentivo), deveria ela ter cancelado a glosa! Agir em sentido contrário e desvirtuar o fundamento original da glosa para passar a mantêla com base em falta de documentos é um erro grave, que precisa ser de plano reparado por esse e. CARF, uma vez que resulta no cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que, com relação aos itens glosados por falta de provas, apresentou sim farta documentação, mas que, com relação aos itens glosados em razão da discussão de ser a despesa necessária ou não, apresentou documentos, para muitos itens, apenas exemplificativamente, buscando demonstrar a habitualidade, necessidade e utilidade de tais despesas e, com isso, fazer com que fossem elas consideradas dedutiveis o que foi reconhecido pela DRJ/SPOI para a maioria das contas glosadas sob essa alegação! Portanto, no tocante a todas as glosas efetuadas em razão da suposta não necessidade da despesa e que foram mantidas em razão da falta de apresentação de Fl. 11900DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 18 17 documentação, deve essa e. Turma Julgadora cancelálos de plano, sob pena de ver se obrigada a reabrir o prazo para que a Recorrente junte aos autos prova exaustiva dessas despesas, já que o fundamento original de sua glosa não foi a falta de comprovação. Aqui cabe esclarecer com relação a fundamentação da DRJ, que assim se pronunciou: No presente caso, alega a defesa tratar se de despesas com distribuição de prêmios com caráter de premiação as revendedoras que atingiram determinadas metas de vendas. Ou seja, estariam estas despesas vinculadas à atividade de vendas da empresa. Portanto, sob este aspecto, abrangido pelo conceito de despesa operacional. Contudo, como qualquer despesa, é necessário que o contribuinte apresente a comprovação da realização de tais despesas, identifique os prêmios concedidos aos beneficiários e a vinculação destes com a empresa, de forma cabal. Indubitável, que sim. A qualquer despesa é assegurada sua dedução para efeitos de apuração do lucro real, desde que comprovada com documentação idônea e seja intrinsecamente relacionada com a atividade da empresa. Alem do que verificase, claramente, no TVF dois tópicos específicos com relação as despesas glosadas, base para a apuração do crédito tributário (fls. 161/163): (I) Despesas Operacionais Não Necessárias e, (II) Despesas Operacionais Não Comprovadas. Matéria que a seguir passamos a análise do mérito, conforme se observa em itens próprios. Portanto, passo a apreciar as razões de mérito relativas a cada Termo de Constatação, registrando que o decidido se aplica a todos os lançamentos, na medida em que a matéria influiu na respectiva base de cálculo. MÉRITO Após tecer longo comentário a respeito da ação fiscal desenvolvida, da diligência e do histórico das suas atividades, a ora recorrente, nesta fase recursal, agrupa em cinco itens as glosas de despesas mantidas pela decisão de primeira instância, a saber: (i) Conferência e Viagens, (ii) Conferência de Natal, (iii) Programa de Incentivos, (iv) Clube das Estrelas e (v) Amostras. Antes de adentrarmos a análise das despesas glosadas, por pertinente, convém reproduzir trechos relativos aos comentários da recorrente sobre a necessidade e dedutibilidade de tais despesas, vejamos: 34. Ao concluir a ação fiscal, o r. agente fiscal houve por bem concluir que todas as despesas operacionais lançadas pela Recorrente em certas contas seriam indedutiveis, por não serem necessárias à atividade da empresa (Anexo I do TVF). Para justificar sua decisão, limitouse o r. agente fiscal a afirmar tratarse de "lançamentos que se enquadram pela sua não comprovação da real necessidade à atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora, conforme preconizado pelo artigo 299 e parágrafos do RIR/99 e inúmeros Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes sobre o assunto" (fls. 3, item 9 do TFV anexo ao Auto de Infração). 35. Importa mencionar que em momento algum ao r. agente fiscal fundamentou o porquê de, em seu entendimento, as despesas por ele listadas não Fl. 11901DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 serem necessárias às atividades da empresa. Limitouse a indicar numa tabela (Anexo 1 do TVF) os itens glosados, indicando ao lado: "despesas não necessárias". Em vista disso, é patente que para considerar indedutiveis certas despesas, que o próprio contribuinte, conhecedor de suas necessidades, entendeu serem essenciais à sua atividade, é necessário que a autoridade lançadora justifique, de forma clara e precisa, as razões de sua decisão, justificativa esta completamente ausente nos Autos de Infração ora combatidos. Importa ressaltar, ademais, que o próprio § 2° do artigo 299 do RIR/99 estabelece, ao tratar do conceito de despesas operacionais/necessárias, que "as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa". Conforme explicado no item anterior, a Recorrente atua em ramo de atividades especialíssimo, assim como o processo de comercialização de seus produtos é peculiar, sobretudo pelo fato de sua rede de distribuição consistir, unicamente, em pessoas físicas que atuam como Revendedoras, não se valendo de lojas ou outras pessoas jurídicas para tanto. Desta forma, é imprescindível que as características particulares de seu tipo de atividade e operação sejam consideradas, ao se verificar a necessidade de suas despesas. Isto porque, como se demonstrará a seguir, muitos de seus dispêndios poderiam ser considerados indedutíveis se incorridos por empresas atuantes em outros ramos, mas se consideradas as peculiaridades da Recorrente, concluise de plano serem absolutamente imprescindíveis para a continuidade de suas operações. Tanto é assim que a Recorrente já sofreu autuação da mesma natureza, na qual foi realizada a glosa de despesas de promoção de vendas, como é o caso de muitas das despesas glosadas pelos Autos de Infração ora combatidos. Desta feita, como não poderia deixar de ser, a natureza de sua atividade foi levada em consideração, e o lançamento, quanto a este item, foi integralmente cancelado em 1a. instância administrativa. Pois bem, as matérias autuadas e mantidas pela decisão recorrida serão analisadas de per si, na seqüência em que foram descritas na peça recursal, em confronto com os argumentos postos pela autoridade autuante e de julgamento de primeira instância. O primeiro item autuado referese a despesas com Conferencias e Viagens. III.C) Conta 54520010 Conferências e Viagens (R$.813.654,19) Neste grupo de contas (54910010Conferencias e Viagens e 54520010) a defesa (RV) contesta a decisão recorrida quanto aos itens 295 e 288 relacionados no Anexo 1 do TVF, alegando que, ao contrário do afirmado naquela decisão, juntou a prova documental na impugnação (doc. 40). E, mais, “quanto à afirmação do r. agente fiscal de que "28 lançamentos não atenderam aos termos da intimação (...)" essencialmente decorriam do fato de na relação de "passageiros" ter constado um ou dois nomes que ele não localizou na lista de empregados da Recorrente do ano de 2001. Aduzindo as seguintes considerações: (i) muitos dos nomes indicados foram devidamente esclarecidos e demonstrados como componentes da lista de empregados. Isso através da manifestação que a Recorrente apresentou após o término da diligência e que foi devidamente acatada pela DRJ/SPOI, seja para o período autuado que decaiu ou não; Fl. 11902DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 19 19 (ii) os gastos em questão em sua totalidade se relacionam com passageiros que são empregados da Recorrente, porém, em alguns casos, o passageiro também poderia ser um prestador de serviço da Recorrente, e esta ter providenciado diretamente a passagem visando um controle e uma economia, ao invés de ter que reembolsar depois passagem adquirida pelo prestador. Esse procedimento não desvirtua necessidade e usualidade da despesa. Assim, por exemplo, quanto ao item 91, temse que enviar um prestador de serviço, que já foi funcionário da Recorrente (Sr. José Mauro Prado), que tem um knowhow para auxiliar a Recorrente a obter um regime especial tributário (vide Doc. 04 e 04A da Manifestação da Recorrente sobre o termo de encerramento de diligência fiscal), não poderia ter a glosa de sua despesa mantida pela decisão da DRJ/SPOI, como aconteceu. A norma de dedutibilidade não veda despesas nessa situação, isso porque o regime especial é um procedimento importante para a operacionalização da atividade da Recorrente. Situação similar aconteceu com o item 284 (Sr. Bill Quick), que era empregado de empresa prestadora de serviço da Recorrente. Note que a Recorrente já anexou aos autos uma série de contratos de prestação de serviços que guardam relação com algumas das despesas de passagem área abrangidas nesse grupo de lançamentos glosados. Tais contratos tiveram por objetivo mostrar a necessidade de sua despesa (por departamento); (iii) o agente fiscal, dentre vários nomes constantes nos relatórios com discriminação dos passageiros, trechos viajados, valores, identificou apenas um ou dois nomes de uma relação considerável, por item, como "não sendo empregados" da Recorrente. Todavia, por equivoco, a DRJ/SPOI entendeu que a não comprovação de tais itens abrangia todos os demais passageiros que não foram apontados como tal pelo agente fiscal. Assim, em razão de apenas um ou dois nomes constantes na maioria dos 21 itens mantidos pela DRJ/SPOI, toda a despesa foi glosada indevidamente. Isso não está certo, pois todos os demais itens cancelados pela DRJ/SPOI encontramse baseados na mesma natureza da documentação e com identificação do nome de cada passageiro aceita pelo agente fiscal e pela DRJ/SPOI. Esse procedimento equivocado (e não uniforme) da DRJ/SPOI é fácil de ser percebido com o item 91, relativamente ao qual o agente fiscal havia dito impropriamente que o Sr. Paulo Quaglia não era funcionário da Recorrente, mas se comprovou que ele era e a DRJ/SPOI acatou isso. Por outro lado, a DRJ/SPOI manteve indevidamente toda a glosa do item (relativamente a outros passageiros) apesar de inexistir restrição nesse sentido feita pelo agente fiscal (com exceção do Sr. José Mauro Prado, comentado em "ii" acima). Assim, a Recorrente entende que deveriam ser revistos os documentos dos itens cuja glosa foi mantida pela DRJ/SPOI, para que eles venham a ser cancelados, podendo haver no máximo a manutenção da parcela relacionada com o nome do prestador de serviço não aceito pela DRJ/SPOI, isso em especial com os itens autuados de número: 91, 263, 265, 266, 273, 275, 278, 279, 280, 282, 286, 300, 301, 305; e (iv) por fim, anexa a este Recurso Voluntário, documentação comprobatória similar para o item 263, que demonstra um gasto de R$ 18.295,83 alocado no departamento de Recursos Humanos (RH) da Recorrente com viagens necessárias administração de aspectos de RH da Recorrente (doc. 03). Quanto ao item 295 mantido, a Recorrente informa que, em 20/06/2001, adquiriu 19 veículos para sua frota própria (19 Corsa Wind, 1.6, com branca), o que pode ser comprovado com o registro de tais carros na conta de ativo fixo da Recorrente ora anexada (conta 154400010). A despesa de R$ 11.751,12 diz respeito a valores entregues a despachante (Relemar Despachante S/C Ltda.) para reembolsá Fl. 11903DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 lo de certos gastos que quitou em nome da Recorrente (e.g., IPVA, que era de R$ 7.851,94 do total da despesa glosada, emplacamento, seguro obrigatório, lacração etc.) — vide descritivo da nota do despachante. Além disso, anexa o histórico do lançamento glosado e comprovante de seu respectivo pagamento (doc. 04A). A Recorrente registra ainda que a contabilização de tal valor não deveria ter acontecido nesta conta de "conferência e viagem" (5492000010), mas sim na conta de 5492000019 de "despesas com veículos (departamento de vendas)". A Recorrente percebeu tal equivoco e efetuou a reclassificação contábil em questão, conforme documento anexo (doc. 04B). A Recorrente também entende importante esclarecer que o valor do item 288, cuja glosa foi mantida pela DRJ/SPOI, de fato foi contabilizado equivocadamente nesta conta de despesa "conferência e viagem", pois tratase de gastos para a realização de reunião de gerente divisional de vendas e que deveria estar em "Progr. Incentivos". Como já dito pelo r. agente fiscal, e relatado pela DRJ/SPOI nas folhas 11.492 dos autos, a documentação comprobatória já foi anexada ao processo, de forma que a Recorrente não o fará novamente. Mas o que é importante notar que esta despesa está suportada por relatório de despesas preenchido pela gerente divisional de vendas, cujos valores e natureza encontramse comprovados por uma série de notas fiscais anexas. Esse gasto é incorrido para estimular as vendas da Recorrente. Diante de todo o exposto, a Recorrente requer que a decisão da DRJ/SPOI seja reformada para cancelar o crédito tributário decorrente da glosa dos itens registrados na conta "Conferência e Viagens". Verifico que nesta conta denominada “Conferencias e Viagens”, a decisão recorrida após excluir as parcelas já decaídas e exoneradas, manteve 21 itens, todos relacionados às despesas com viagens por pessoas estranhas ao seu quadro pessoal. No caso já em fase de diligencia fiscal, a fiscalizada foi intimada a comprovar se os beneficiários das passagens aéreas eram funcionários da própria empresa à época dos fatos geradores e a motivação da viagem. Ainda e especificamente a comprovar quanto ao item 284 (Doc. 37) a despesa no valor de R$.12.455,51 em relação ao Sr. Bill Quick, bem como ao item 295 (Doc. 40) no valor de R$.11.51,12 despesas com despachantes se os veículos são da empresa. Constatase que toda a documentação apresentada foi analisada pela autoridade fiscal conforme atesta o minucioso Termo de Encerramento de Diligencia Fiscal/TED, (fls. 11309/11407 ) e reproduzido no voto condutor. Conquanto a documentação não foi suficiente para comprovar o total das despesas, pois, em que pese todos os argumentos contidos na impugnação e no recurso voluntário, entendo que a empresa subsidiou a participação de pessoas estranhas ao seu quadro de pessoal, logo, tais despesas devem ser consideradas como mera liberalidade da contribuinte e devem ser mantida. Para se ter uma idéia, quanto aos itens acima especificados (284 e 295), com relação ao primeiro não foi apresentado documento que prove ou demonstre qual é a finalidade do Sr. Bill Quick perante a empresa, somente demonstra que o valor de R$.12.112,46 referente passagem aérea em classe não econômica do trecho Londres/São Paulo/Londres. Na manifestação, pós diligencia, a própria recorrente afirma se tratar de prestador de serviços ligado a empresa K2 Achievements, pelo que, não dedutível. Este é o caso, além de a grande maioria dos recibos e comprovantes relativos às despesas de “Conferencia e Viagens” estar emitida em nome de terceiros pois referemse a viagens efetuadas por pessoas que não pertencem ao quadro de funcionários da Recorrente, e não há qualquer prova de que as viagens foram realizadas no interesse da empresa. Fl. 11904DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 20 21 Portanto, mantenho a glosa de todos os itens relativos “Conferências e Viagens”, exceto o item 295, como se segue. Já com relação ao segundo item (295), aqui cabe razão a ora recorrente. Encontramse nos autos documentos de fls. 11688/11696 que provam ser o valor de R$.11.751,12 referente a reembolso de despesas com despachante relativa a emplacamento de veículos do seu ativo fixo. Registrese que a despesa inicialmente classificada como “Conferencia e Viagens” posteriormente foi reclassificada para “Despesas com Veículos”. Neste ponto desconsiderar a glosa no valor de R$ 11.751,12. Passo ao segundo tópico. III.D) Conta 54910050 Conferência de Natal (R$.2.216.097,41) Extraise alguns trechos do recurso voluntário necessário ao deslinde da questão. Na peça impugnatória foi anexado folder do "Programa da Conferência de Natal de 2001" (docs. 7 da Impugnação), o qual foi realizado no período autuado. Nele é possível observar que foram realizadas durante a conferência de Natal palestras sobre estratégias de marketing relativas a determinadas campanhas de vendas (17/08, às 08:45h e às14:15h, por exemplo) e reuniões com Diretores e Gerentes de vendas (18/08, às 10:30h e às 11:00h, por exemplo). Como se demonstrou, a "Conferência de Natal" é um evento de suma importância para que a Recorrente realize seus objetivos empresariais. Não se trata de congraçamento, mas sim de relevante treinamento de colaboradores quanto aos produtos da empresa e quanto à melhor forma de sua comercialização, (marketing). Sua dedutibilidade, portanto, é patente! Prova disso é que a jurisprudência administrativa admite até mesmo a dedutibilidade de eventos meramente recreativos realizados por pessoa jurídica o que não ocorre no presente caso , conforme se demonstra no excerto abaixo de acórdão do antigo Conselho de Contribuintes. "DESPESAS COM RECEPÇÕES, FESTAS E REPRESENTAÇÃO Desde que razoáveis, os gastos com eventos realizados para congraçamento entre empregadores, empregados e clientes, assim como brindes distribuídos por ocasião das festas de fim de ano, podem ser admitidos como despesas operacionais." (Acórdão 10193.271, de 09/11/2000). Ademais, é de se notar que esse grupo de despesas foi glosado unicamente em razão da alegação de não ser necessária à atividade da empresa. Em outras palavras, o que se discute é a dedutibilidade ou não de tal despesa em razão de sua natureza! Assim, apenas para facilitar a demonstração da natureza de tais despesas e a sua composição, a ora Recorrente anexou à sua Impugnação documentos exemplificativos (docs. 50 A a G da Impugnação), por meio dos quais buscou evidenciar aos Srs. Julgadores de primeira instância, que as mesmas são essenciais para a realização de um evento de tamanha importância para o aumento das vendas da Recorrente. Fl. 11905DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 Ou seja, essa glosa consiste em três grandes valores de despesas deduzidos apenas nos três últimos meses do ano (03 parcelas de R$.738.699,14: out/nov/dez/2001), tendo em vista o respeito ao principio da competência, o que apenas reforça que se trata a Conferência de Natal de um evento voltado para o aumento das forças de vendas da Recorrente no último quarto do ano, o que faz com que as respectivas despesas sejam, portanto, plenamente dedutiveis para fins fiscais e, não caráter comemorativo e de confraternização como alega a DRJ. Portanto, o que se tem com relação ao presente grupo de despesas é que o evento Conferência de Natal é de fato o evento mais importante da Recorrente, pois tratase do momento em que suas Gerentes de Setor são treinadas com relação aos novos produtos e novas Campanhas de Vendas, as quais, se bem executadas, representaram ingresso de novas receitas para a Recorrente, motivo pelo qual devem ser as respectivas despesas com a sua realização consideradas necessárias, usuais e normais, e consequentemente, plenamente dedutíveis para fins fiscais. Verificase que nesta conta 54910050 despesas com “Conferencia de Natal” a autoridade fiscal intimou a empresa a comprovar três itens (91, 310 e 311) no valor unitário de R$.738.699,14, (Relacionados no Anexo 1 do TVF), relacionando as 700 (setecentas) pessoas e respectiva vinculação com a empresa que participaram do evento no hotel “Club Méd” em Itaparica na Bahia, bem como, o tipo de despesa que compõem as duplicatas emitidas pela empresa Rosenbluth International. Para tanto foi entregue os “Docs. 50A a G; listagem com os 700 funcionários participantes do e vento (fls. 10152/10161); escrituração da conta “Conferencia de Natal” do ano calendário de 2001, no valor total de R$.2.287.996,45 e documentos diversos referentes à Rosenbluth International/Fytour Turismo Ltda (duplicatas, faturas, avisos de débitos, relatórios, notas fiscais de hotéis), contudo, sem relacionar e sintetizar as despesas que compõem as duplicatas emitidas pela Rosenbluth, o que no entender da fiscalização não permite com isto se ter uma visão do conjunto de todas as despesas visando uma melhor análise. Ainda do Termo de Encerramento de Diligencia Fiscal/TED extraise que as despesas incorridas de passagens aéreas e estadias com pessoas não funcionárias da AVON são apenas observadas nos diversos documentos apresentados, citando serem prestadores de serviços, no entanto, sem comprovação do seu efetivo vínculo. Por fim, registra que “Na visão da fiscalização, uma despesa como esta, efetuada num resort, distante da sede da empresa, a um custo de mais de 3 mil reais por funcionário, não é essencial nem vinculada com as fontes produtoras de rendimentos da empresa, conforme previsto no parecer CST 32/81, lembrando que a própria AVON não se manifestou sobre esta questão. Extraise do voto condutor os seguintes trechos: Não se pode negar que o contribuinte possui uma estratégia de vendas que difere das comumente praticadas, utilizandose de revendedores os quais compram os seus produtos e posteriormente os revendem por sua própria conta e risco, sem possuir vinculo empregatício com a empresa. Podese dizer que o evento denominado Conferência de Natal apresenta característica única. Conforme alegado pelo contribuinte, tem caráter de treinamento das gerentes de setor com a apresentação de novos produtos, palestras sobre estratégias de marketing, reuniões com diretores e gerentes de vendas, despesas estas claramente dedutíveis, tendo em vista a necessidade de motivar o corpo funcional de vendas através das gerentes de setor as quais seriam responsáveis por coordenar os revendedores finais. Mas, por outro lado, verificase que o evento também possui um caráter comemorativo e de confraternização, com a participação além dos Gerentes de Fl. 11906DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 21 23 setor, também de: Vice presidente de marketing, Presidente gerente geral, Diretor de marketing cosméticos, Vice presidente de vendas, Diretor de marketing nov.negócios, Diretor serviços ao consumidor, Diretor de comunicação, Diretor regional de vendas, Diretor jurídico rel. governam., Asst. Presidência, Diretor Desenvolvimento Vendas, Asse. Jurídico (2), Diretor Recursos humanos, Diretor serviços de atendimento, conforme lista apresentada dos participantes do evento (fls. 10152 a 10161). Esta conclusão é corroborada pelo fato de constatarse que nesta conta estão incluídas despesas das mais diversas ordens tais como: hospedagens, fogos de artifício, palco, passagens aéreas, jóias, serviços com agentes de segurança, barco, aluguel de carros, etc (docs 50A a 50G). Afirma o próprio impugnante que no evento há também a premiação de colaboradores que atingiram certas metas de produtividade, tempo de permanência na empresa, etc. Conforme se tratará adiante, somente as despesas com premiação claramente vinculadas às metas por vendas podem ser consideradas dedutíveis, sendo que as demais premiações são mera liberalidade da empresa. E, o fato de o evento ter se realizado em um resort em local turístico (Club Med Itaparica BA), dá ao evento não apenas um caráter motivacional mas também de premiação a todos os participantes. E neste ponto, verificase que dentre os documentos comprobatórios apresentados encontramse também diversas observações manuscritas nas faturas de hospedagens e passagens aéreas com prestadores de serviços e não funcionários. Destarte, em razão do conjunto probatório apresentado, há que se concordar com a autoridade lançadora no sentido de manter a glosa efetivada. Observandose, ainda, conforme constatação da autoridade diligenciante que os documentos referentes à Rosenbluth International e Flytour Mega Turismo Ltda, não tiveram os valores relacionados e sintetizados e não foram relacionados os beneficiários das passagens aéreas. No caso em análise, conforme acima descrito, não se nega que tal procedimento seja indutor de vendas, todavia, o que não restou provado nos autos, quanto ao tema, é se todos os beneficiários eram ou não funcionários da empresa. A comprovação com relação aos beneficiários funcionários (700 ao todo) da empresa autuada e que lidavam com vendas, sem duvida tais despesas são dedutíveis. Faltou, no entanto, a fiscalização segregar à vista da documentação apresentada os referentes aos outros beneficiários (prestadores de serviços e não funcionários). Conforme se depreende dos autos, a fiscalização considerou a totalidade das despesas no valor total de R$.2.216.097,41 relativo aos três itens da conta 54910050 (93, 310 e 311) relacionados no Anexo 1 do TVF, despendido pela recorrente com “Confraternização de Natal”, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2001, como despesa não necessária, entendendo que foi efetuada por mera liberalidade. Por sua vez, alega a recorrente que tais despesas são necessárias a sua atividade, no caso, para a divulgação das suas marcas por se tratar de relevante treinamento de colaboradores quanto aos produtos da empresa e quanto à melhor forma de sua comercialização, (marketing). Compulsando a cópia do razão anexada e extensa documentação, verificase que durante o anocalendário de 2001, foram pagas e reembolsadas uma infinidade de Fl. 11907DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 24 despesas, tais como, hotéis, viagens, restaurante, etc., o que entendo, tudo dentro da razoabilidade pelo tipo da atividade praticada pela empresa. Dessa forma, entendo que tais despesas são necessárias ao tipo de atividade praticada pela recorrente, razão porque, dou provimento ao presente item exonerando os itens 310, 93 e 311 lançados no demonstrativos de fls. 11538/11539 como mantidos. Terceiro grupo de contas autuado: III.E) Conta 56250010 Programa de Incentivos e Conta 56250011 Literatura de Programa de Incentivos. Os itens das contas acima epigrafadas relacionados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 161/162), que serve de apoio ao lançamento em questão, teve como fundamentação para sua glosa o seguinte: “9] 0 Anexo 1 do presente termo, apresenta os lançamentos que se enquadram pela sua não comprovação da real necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme preconizado pelo artigo 299 e parágrafos do RIR/99 e inúmeros Acórdãos do 1° Conselho dos Contribuintes sobre o assunto. Tão pouco tais lançamentos foram adicionados ao lucro liquido, em conformidade com o artigo 249, inciso I do RIR/99, conforme mostra a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real, LALUR, anexado aos autos. 10] A fundamentação para a autuação, para cada lançamento constante nas planilhas, individualizadas por conta, do Anexo 1 citado, são apresentados na coluna "OBSERVAÇÃO". 11] Conforme podese notar na coluna "OBSERVAÇÃO", há vários lançamentos que não foram apresentados quaisquer documentações comprobat6rias, não sendo portanto possível caracterizar a operação/causa de origem do lançamento e seus efetivos pagamentos. 12] Há vários lançamentos, sem a apresentação de contratos de prestação de serviços, notas fiscais sem especificação/natureza dos serviços, etc..., estando em desacordo com o artigo 304, do RIR/99, assim como inúmeros Acórdãos do 1° Conselho dos Contribuintes, que firmam jurisprudência sobre a necessidade da comprovação, de pormenores a respeito da operação que dê causa à concessão do beneficio auferido, com a indicação das operações/causas que deram origem. Há vários casos também, que não comprovam os beneficiários com as operações da empresa.” Reproduzo da mesma forma e para melhor compreensão os seguintes trechos extraídos do recurso voluntário: “As despesas incluídas nas contas em epígrafe consistem nos custos de todas as viagens, produtos e literatura concedidos como prêmios a Revendedoras e Gerência de Vendas da Avon que tenham preenchido os prérequisitos estipulados (conta 56250010 Prog. de Incentivos). Os itens de literatura relacionados aos programas de incentivos são registrados destacadamente na conta 56250011 "Lit Programa de Incentivos". Todas as despesas relativas a essas contas foram glosadas sobre a alegação de não serem necessárias às atividades da Recorrente. Contudo, mais uma vez, a análise da necessidade dessas despesas exige dessa c. Turma Julgadora, como não poderia deixar de ser, que seja levada em consideração as peculiaridades da atividade da Recorrente. Fl. 11908DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 22 25 Com efeito, a fim de motivar as Revendedoras de seus produtos, as quais, conforme já explicado, consistem em seu canal exclusivo de vendas, a Recorrente tem como prática comum e reiterada, ao longo dos seus mais de 50 anos de existência no País, a implementação dos chamados Programas de Incentivo, através dos quais são estabelecidas metas de venda para as Revendedoras e para as respectivas Gerentes de Setor. Ao serem atingidas as metas estipuladas, são concedidos prêmios, que vão desde aqueles de valor módico, como conjuntos de panelas, até viagens, jóias e carros. A titulo exemplificativo, foram anexados à Impugnação os regulamentos de alguns Programas de Incentivo implementados pela Recorrente em 2001, período base da autuação (doc. 8 da Impugnação). A este respeito, cabe salientar que os programas costumam fazer referência a certas campanhas de vendas. Isto porque os períodos de venda dos produtos da Recorrente são divididos em campanhas que duram entre 17 e 20 dias. As campanhas são referidas pela letra "C" acompanhada de determinado número. Também foram anexadas à peça impugnatória calendário das campanhas realizadas em 2001 (doc. 9 da Impugnação). Em vista do exposto, é possível concluir de plano que as despesas incorridas pela Recorrente para a implementação dos Programas de Incentivo são absolutamente necessárias às suas operações, pois têm por objetivo (e de fato impactam em aumentar as vendas da Recorrente. Inicialmente, cabe novamente asseverar que o grupo de despesas em questão foi glosado em razão de ter sido considerado pelo d. agente fiscal como não necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Logo, com relação a ela, não foram produzidos em defesa pela Recorrente a prova exaustiva para cada um dos itens glosados, tendo a documentação juntada aos autos (docs. 62 a 67 da Impugnação para a conta "Lit. de Programas" e docs. 89 a 223 da Impugnação para a conta "Prog Incentivos") sido apresentada a titulo meramente exemplificativo da natureza das despesas, a fim de possibilitar à d. autoridade julgadora de primeira instância compreender as razões de sua plena dedutibilidade fiscal. Contudo, o que se verificou é que a DRJ/SPOI claramente confundiuse mais uma vez em sua decisão, realizando a manutenção das glosas como se os itens autuados tivessem sido justificados pelo r. agente fiscal em razão da falta de comprovação. Por esse motivo, já de plano deve ser cancelado esse item da autuação, conforme já esclarecido em sede de preliminar. Portanto, nas presentes razões de recurso voluntário, as glosas compreendidas nesse grupo de despesas serão dividas em três: (i) despesas com ações motivacionais, (ii) despesas com prêmios em programas de incentivo e (iii) despesas de literatura dos programas de incentivos.” Pois bem, não resta dúvida de que o prêmio de performance se mostra perfeitamente necessário às atividades operacionais da pessoa jurídica. No caso, a motivação do lançamento deuse em primeiro plano pela constatação da desnecessidade às atividades operacionais, tendo em vista, como acima descrito, que no transcorrer da fiscalização, para vários lançamentos apontados sequer foram apresentados as documentações probatórias, nem mesmo contratos de prestação de serviços, descrição da operação que deu causa à concessão do benefício auferido e identificação dos beneficiários. Daí conclui a autoridade fiscal da impossibilidade de se caracterizar a operação/causa de origem do lançamento e seus efetivos pagamentos com identificação dos beneficiários. Fl. 11909DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 26 Nesta linha de raciocínio, evidente quanto a este item que se não há documentos hábeis e idôneos que comprovem as despesas, a glosa deve ser mantida. No entanto, após a realização da diligencia determinada pela Delegacia de Julgamento e com manifestação expressa da recorrente, a matéria merece outra análise, vejamos. Para melhor compreensão deste grupo de despesas o voto condutor ora combatido traz a seguinte análise, por item de despesas, a saber (fls. 11508): "Após intimação na diligência fiscal, o auditor concluiu que a comprovação da finalidade do serviço é dada pela descrição no corpo da NF, como "Ações Motivacionais", num total de R$.2.319.904,38 e "Honorários de Prestação de Serviços de Marketing", num total de R$.1.431.520,54, sem apresentação de contrato de prestação de serviços à época ou qualquer outro esclarecimento adicional. Conforme visto, as despesas com treinamento são passíveis de dedução desde que comprovada a finalidade e acompanhada com documentos hábeis a comprovar a realização do evento. Da mesma forma, as despesas com serviços de marketing devem estar devidamente documentadas. No caso, de acordo com o TED não houve a apresentação dos contratos de prestação de serviços nem a relação de beneficiários das ações motivacionais, cabendo portanto a manutenção da glosa relativa a tais itens. Em relação à documentação apresentada na impugnação para comprovar os itens da conta 56250011 Literatura Programa de Incentivos (docs 62 a 67), verificase: itens 143, 147, 329, 331, 341. Não houve apresentação de documentos, cabendo a manutenção da glosa; item 145. Apresentou fatura de agência de viagem com a descrição: "Pagamento pacote para Salvador de 26/08 a 02/09/01 para 16 pessoas Avon Clube das Estrelas" (fl. 3302). Portanto, não se trata de despesa relativa à esta conta, cabendo a manutenção da glosa; itens 329 e 339. Apresentou por amostragem notas fiscais de saída, onde encontramse grifados itens como folhetos, revistas, amostras (fls. 3306 a 3320 e 3346 a 3385). Portanto, não se coadunando com a justificativa apresentada para a finalidade desta conta, cabendo a manutenção da glosa. No que se refere à conta Programa de Incentivos (56250010) constatase uma grande quantidade de itens glosados. Mesmo desconsiderando os itens já decaídos e os relativos às notas fiscais de prestação de serviços das mencionadas empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda. e Incentive House S/A, restaram ainda as despesas relativas à distribuição de prêmios, conforme alegado. No presente caso, alega a defesa tratar se de despesas com distribuição de prêmios com caráter de premiação as revendedoras que atingiram determinadas metas de vendas. Ou seja, estariam estas despesas vinculadas à atividade de vendas da empresa. Portanto, sob este aspecto, abrangido pelo conceito de despesa operacional. Contudo, como qualquer despesa, é necessário que o contribuinte apresente a comprovação da realização de tais despesas, identifique os prêmios concedidos aos beneficiários e a vinculação destes com a empresa, de forma cabal. Em sua intimação a autoridade diligenciante solicitou que o contribuinte relacionasse cada prêmio concedido, a partir de valores iguais ou superiores a R$ Fl. 11910DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 23 27 3.000,00, com o nome e CPF do beneficiário, função perante a empresa e comprovação do seu efetivo recebimento. No entanto, não houve por parte do interessado o atendimento nos termos da intimação, tendo sido apresentados os seguinte documentos: fl. 10941 consta relação de beneficiários Programa de incentivos para gerentes de setor com a descrição dos prêmios (brincos, colares e berloques de ouro) relacionados as notas fiscais de saída para os ganhadores emitidas pela Avon a titulo de "Prêmios S/ Valor"(fls. 10943 a 10957). Encontrase à fl. 10942, a nota fiscal 004858 de compra dos produtos em valor total de R$ 236.660,00. Neste ponto, é possível verificar a efetiva entrega dos prêmios para "gerentes de setor", o que justificaria a entrega de várias quantidades do mesmo produto, pois os mesmos poderiam ser repassados aos revendedores. Porém, verificase que esta NF 004858, de emissão de Jóias Vivara, no valor de R$ 236.660,00 foi apresentada previamente juntamente com a impugnação para justificar a glosa do item 569 (doc 110, fls. 4371 a 4374) cujo valor de despesa é de R$.204.740,00. Os comprovantes das despesas para serem considerados dedutíveis precisam ser coincidentes em valor, o que não está ocorrendo neste caso. Ademais, não há dentre os itens glosados, nenhum valor correspondente A, despesa no valor de R$ 236.660,00. Portanto, não está justificado o item 569. Continuando, em atendimento à diligência, foi apresentado no doc 202 (fls. 10958 a 10961) somente a nota fiscal de compra de 1136 rádio gray. port. AM/FM c/ CD player, ao custo unitário de R$ 185,00 e valor total de R$ 210.160,00 sem qualquer relação de beneficiários. No doc 203 (fls. 10962 a 10987) consta relação de beneficiários — "Conferência de natal". Portanto, tratamse de notas fiscais relativas ao evento "Conferência de natal", não sendo cabível a sua dedução. No doc 204 (fls. 10988 a 11001) consta relação de beneficiários — Programa de incentivo "É puro sucesso", com o nome de 13 beneficiários os quais não foram encontrados pela fiscalização na relação de funcionários da empresa. Foram emitidas notas fiscais pela Avon a titulo de "Prêmios S/ Valor" em nome das pessoas relacionadas, com a descrição "motoneta Honda tipo 100Biz", cuja nota fiscal de compra dos produtos não foi apresentada. Portanto, não pode ser considerada dedutivel esta despesa. Assim, concluise que não houve por parte do contribuinte o atendimento da diligencia nos termos do solicitado e, em se analisando os documentos apresentados, estes não foram suficientes para comprovar o alegado. Dado o elevado número de itens glosados, a proposta da diligência foi retratar, por amostragem, a comprovação ou não das despesas glosadas, o que não ocorreu diante da documentação apresentada, sendo cabível a manutenção dos demais itens desta conta.” Ressaltese que, nas questões preliminares nos tópicos: II.C) Erro Diversos itens da conta 56250010 Programa de Incentivos, este relator já se manifestou reconhecendo o equívoco por parte da Turma Julgadora monocrática em relação aos citados contratos, sem prejuízo da análise a seguir. Em primeiro lugar com relação aos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções Ltda há de se reconhecer Fl. 11911DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 28 o equívoco do quanto decidido em primeira instância, pois, de fato, encontramse os mesmos acostados aos autos juntamente com a impugnação (fls. 3227/3233), pelo que necessário sua análise. Da leitura dos citados contratos constatase que ambos tratam de prestação de serviços de marketing de incentivos na melhoria nos sistemas produtivos e de maximização dos resultados através de premiação aos indicados pela empresa contratante. Encontramse, também, às fls. 11698 a 11723 dos autos, relação dos beneficiários e respectivas notas fiscais das despesas. Aqui, cabe esclarecer que a documentação foi apresentada juntamente com o recurso voluntário, isto é após a impugnação. Por se tratar de matéria eminentemente de provas e ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do PAF que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que se os documentos aportados demonstram e comprovam despesas operacionais pendentes de comprovação os mesmos deverão, no meu entender, ser apreciados em homenagem ao princípio da verdade material. Da mesma forma, com relação à conta 56250011 Literatura de Programas de Incentivo, cabe enfatizar que tratase de materiais de campanha de vendas e propaganda de novos produtos, como folders, panfletos e revistas entregues às revendedoras e pela análise dos documentos trazidos aos autos, sem dúvida, despesas necessárias à atividade da empresa. Quanto a dedutibilidade das despesas com brindes, é sabido que a partir da edição da Lei n. 9.249/95 art. 13, inciso VII , tais despesas passaram a ser indedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. Entretanto, pelo tipo de atividade desenvolvida pela recorrente como já dito alhures, tratase de despesas com distribuição de prêmios com caráter de premiação às revendedoras que atingiram determinadas metas de vendas, e sendo assim, dedutível da base de cálculo do imposto de renda. Dessa forma, entendo que as despesas referenciadas nas contas 56250010 (Programa de Incentivos) e 56250011 (Literatura Progr. Incentivos), são necessárias ao tipo de atividade praticada pela recorrente e, restando sua comprovação nos autos, dou provimento ao presente item, restabelecendo as despesas como dedutíveis, excluindo todos os itens relacionados as referidas contas no “Demonstrativo da Base de Cálculo de fls. 11538/11540). Passamos ao quarto grupo de contas conforme autuação. III.F) Conta 56250014 Clube das Estrelas Argumentos do recurso voluntário: “Conforme já explicado em sua Impugnação, no plano de contas da Recorrente, tais despesas recebem o mesmo descritivo das despesas acima tratadas ("Planos de Incentivo"). Todavia, o que particulariza essas despesas e as distingue dos demais gastos com planos de incentivo é o fato de estarem relacionadas a um programa de incentivos somente aplicável a Revendedoras que alcançam as metas préestabelecidas para participar do chamado "Clube das Estrelas". 0 regulamento do "Clube das Estrelas", implementado no ano de 2001, foi juntado à peça impugnatória da Recorrente (docs. 10 da Impugnação) e traz todos os detalhes do funcionamento desse programa especifico, voltado para aquelas Revendedoras que mais contribuem para o incremento das vendas da Recorrente. Fl. 11912DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 24 29 Uma observação fundamental com relação a esse grupo de despesas é que o motivo de sua glosa se deu em razão de serem tais despesas consideradas não necessárias às atividades da Recorrente. Ou seja, a glosa não teve por fundamento a falta de comprovação. Contudo, a DRJ/SPOI, mesmo tendo reconhecido serem tais despesas plenamente dedutíveis em razão de sua natureza frente às atividades da Recorrente, manteve a glosa de diversos itens em razão unicamente da falta de apresentação de documentos, o que é um grande contrasenso, além de ir totalmente de encontro ao motivo original da glosa desse grupo de despesas, culminando em grave cerceamento de defesa da ora Recorrente.” Para este grupo de contas, inicialmente, a recorrente da mesma forma como o fez no tópico precedente, traz como principal argumento o fato de que os itens desta conta conforme relação que integra o TVF (Anexo 1), foram glosados sob a alegação da não necessidade da despesa. Daí na peça de impugnação foi acostados documentos meramente com a função exemplificativa da natureza da defesa (não necessidade), importando, agora, à vista da manutenção da glosa pela Delegacia de Julgamento sob o enfoque da falta de apresentação de documentos, refutar tais alegações com a juntada dos documentos probantes, pelo que reproduzo o seguinte excerto do recurso (item 118.1): “Mas a Recorrente consigna que, em seu entender, uma vez reconhecida a dedutibilidade das despesas com o Clube das Estrelas, já deveria ser integralmente exonerada a sua glosa, pois somente assim se estaria mantendo a coerência e a razoabilidade com as razões originais de lavratura desse item da autuação.” Compulsando os autos verificase que as despesas glosadas e mantidas pela decisão de primeira instância (itens 363, 364, 368, 370, 371 e 379), de fato, foram reclassificadas entre as contas “Programa de Incentivo” e “Clube das Estrelas”. Explicando melhor: as glosas foram mantidas pela DRJ sob a justificativa “que nos documentos apresentados não há qualquer referencia à campanha Clube das Estrelas, nem foram apresentados demonstrativos consolidados das notas fiscais capazes de comprovar o valor da despesa glosada”. Constatase pelo relatório apresentado que basicamente essas despesas se relacionam com gastos para realização de reuniões com as melhores revendedoras “Party Meetings”. Outro fato constatado diz respeito a classificação de tais despesas como do grupo de Incentivos ao invés de Clube das Estrelas, fato este contabilmente corrigido com a reclassificação das contas (Doc.18A, 18B e 18D). Quanto aos itens 375 e 393 despesas glosadas sob a alegação de que os mesmos seriam brindes e não prêmios, em razão de seu pequeno custo unitário, aqui me reporto às considerações expostas na análise do tópico anterior.( Literatura de Programas de Incentivo). Por fim, no que diz respeito a este grupo de contas deixar claro que os documentos (notas fiscais, etc) anexados aos autos agora na fase recursal, da mesma forma que o tópico anterior, por se tratar de matéria eminentemente de provas e ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do PAF que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que se os documentos aportados demonstram e comprovam despesas operacionais pendentes de comprovação os mesmos deverão, no meu entender, ser apreciados em homenagem ao princípio da verdade material. Fl. 11913DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 30 Pelo exposto, sou pelo restabelecimento das deduções das despesas acima lançadas como indedutíveis pela fiscalização. Pelo que se deve excluir do demonstrativo da base de cálculo de fls. 11538/11540 os seguintes itens (relacionados na mesma seqüência dos lançados na coluna glosa mantida): 150, 363, 368, 379, 391, 376, 396, 375, 380, 410, 367, 370, 371, 393 e 436. III.G) Conta 58670010 Amostras / Conta 56450010 Motv. Cons. Por ultimo cabe analisar estas duas contas. Razões extraídas do recurso voluntário: “Nessas duas contas estão incluídas despesas com mercadoria embalada como amostra ou, ocasionalmente, em tamanho regular, a ser fornecida para as Revendedoras, para a promoção de algum produto. As amostras, como já relatado na impugnação, consistem na efetiva "vitrine" da Avon. Somente através delas, juntamente com os folhetos (catálogos), as Revendedoras e o consumidor final podem conhecer e experimentar os produtos da Avon. Tratase, portanto, de essencial meio de vendas da Recorrente. Com efeito, a Recorrente juntou aos autos diversos documentos relativos ao item 184 (e também ao item 185, o qual foi excluído por decadência) do Anexo 3 do TVF, os quais exemplificavam o procedimento contábil fiscal adotado à época. Na impugnação, os documentos juntados foram os docs. 243 e 244, e na complementação da impugnação, os docs. 12A a 12D. Todos esses documentos foram devidamente relacionados pela DRJ/SPOI às fls. 11.529 dos autos. Durante a diligência fiscal determinada pela DRJ/SPOI, foi formulado quesito especifico ao r. agente fiscal a respeito desse grupo de despesas, no qual se questionou se, frente à documentação e esclarecimentos apresentados pela Recorrente, ficava mantida a glosa efetuada. [...] Em outras palavras, a glosa desse grupo de despesas foi mantida unicamente em razão da alegação de que o custo das amostras escriturado pela Recorrente (no exemplo utilizado pela fiscalização, de R$ 0,75, conforme consta na planilha "Movimentação de Doação setembro/2001" fls. 8.312 e 8.313), seria supostamente menor do que o custo real de aquisição, apurado com base nas notas fiscais de entrada juntadas aos autos. 0 que ocorre, contudo, é que tal entendimento poderia até se mostrar correto, caso a r. fiscalização, bem como a DRJ/SPOI, não tivessem solenemente ignorado o fato de a Recorrente realizar o controle de seu estoque pelo método do custo médio, conforme lhe autoriza a legislação fiscal (demonstrativo anexo). Em outras palavras, a glosa desse grupo de despesas foi mantida unicamente em razão da alegação de que o custo das amostras escriturado pela Recorrente (no exemplo utilizado pela fiscalização, de R$ 0,75, conforme consta na planilha "Movimentação de Doação setembro/2001" fls. 8.312 e 8.313), seria supostamente menor do que o custo real de aquisição, apurado com base nas notas fiscais de entrada juntadas aos autos. 0 que ocorre, contudo, é que tal entendimento poderia até se mostrar correto, caso a r. fiscalização, bem como a DRJ/SPOI, não tivessem solenemente ignorado o Fl. 11914DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 25 31 fato de a Recorrente realizar o controle de seu estoque pelo método do custo médio, conforme lhe autoriza a legislação fiscal. [...] Em resumo, portanto, o Parecer Normativo CST 06/79 reconhece como método fiscal válido o controle de estoque pelo critério do custo médio ponderado, consignando expressamente que "não é incompatível com o método – e portanto aceitável do ponto de vista fiscal que as saídas sejam registradas unicamente no fim de cada mês, desde que avaliadas ao preço médio que, sem considerar o lançamento de baixa, se verificar naquele mês". A conclusão a que se chega após a análise do Parecer Normativo acima e seu confronto com o requisito exigido no artigo 366, V, do RIR/99 para a dedutibilidade das amostras distribuídas gratuitamente por empresas que utilizem sistema de promoção de venda de seus produtos, é que o "preço de custo real" das amostras para aquelas empresas que realizam o controle de seu estoque pelo critério do preço médio ponderado deve ser exatamente a média ponderada do valor das mercadorias ingressadas no estoque, e não o valor individual consignado em cada nota fiscal de aquisição! Ou seja, a conclusão a que chegou o r. agente fiscal no presente caso e que foi erroneamente confirmada pela DRJ/SPOI de que "há divergências entre o custo de aquisição (maior) e o custo de revenda efetivamente escriturado (menor)", não está correto, uma vez que desconsidera completamente o método de controle de estoque utilizado pela Recorrente.” De fato, nesta conta a DRJ com base no TED manteve a glosa com exceção do item 185 no valor de R$.857.817,36 por duplicidade de lançamento e por decadência o item 160. As razões da glosa, em síntese, conforme demonstrada no voto ora combatido para o item 184 (R$.1.082.447,25) foi o não atendimento aos incisos do art. 366, V do RIR/99: divergências entre o custo de aquisição (maior) e o custo de revenda efetivamente escriturado (menor). Inserese no Termo de Encerramento da Diligencia Fiscal/TED que o Parecer Normativo CST 21/76, o qual dispõe que para efeito de dedução de despesas com propaganda para o caso de amostras adquiridas gratuitamente do produtor, considerase como seu valor o do respectivo custo de aquisição. Diante dos fatos analisados, resta saber qual é afinal o custo de aquisição destas amostras para dedução de despesas de propaganda, conforme Parecer Normativo CST 21/76 já citado. No recurso voluntário aduz a interessada que “é evidente o equivoco contido na decisão da DRJ/SPOI a respeito da manutenção da glosa desse grupo de despesas, uma vez que, conforme devidamente demonstrado acima, sendo o controle de estoques da Recorrente realizado pelo método do custo médio ponderado, estava ela obrigada a reconhecer como valor de suas amostras o valor médio ponderado apurado em cada mês e não o valor individual de cada aquisição de amostras, conforme erroneamente quis fazer crer a DRJ/SPOI em seu Acórdão. Por esse motivo e, conforme preceitua o Parecer Normativo CST 06, de 01/02/1979, deve ser reconhecida a correção do procedimento de registro de custo das amostras pela Recorrente e, consequentemente, considerado atendido o requisito previsto no artigo 366, V, do RIR/99, do que resultará a exoneração de todos os itens compreendidos nessas contas indevidamente glosadas pela d. fiscalização.” Fl. 11915DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 32 Sendo certo que a legislação do imposto de renda, e de outros tributos que tenham em uma apuração de resultado sua base imponível, pode, para proteger justamente a conformação desta base e a apuração de lucro, impor limitações à dedutibilidade de certos dispêndios, no caso em apreço, as limitações encontramse elencadas no artigo 366 do RIR/99, especialmente em seu inciso V. São elas a devida contabilização da distribuição das amostras pelo preço de custo real, sua documentação probatória, bem como que o seu valor não ultrapasse a 5% da receita líquida obtida na venda. Além de preencher os requisitos acima, é também de bom senso compreender que para o incremento das vendas dos produtos da empresa interessada, especialmente com relação a prova por cada cliente, seja necessário o envio de amostras para testes, que podem compreender vultosos dispêndios para se alcançar o desejado efeito demonstrativo. Da minha análise, vejo que, pelo tipo de atividade desenvolvida pela recorrente como já dito alhures, é sabido que muitas das vezes as empresas distribui amostras dos produtos que está lançando no mercado ou que já comercializa, com o fito de incrementar suas vendas, ou seja, tratase de despesas com promoção e divulgação dos seus produtos, caracterizandose, portanto, como despesas de propaganda diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa, e sendo assim, dedutível da base de cálculo do imposto de renda. No caso em tela as amostras como bem definidas na diligencia efetuada, são adquiridas pela empresa comercial (AVON) da empresa industrial em Osasco (AVON), portanto, gratuitamente. Em decorrência aplicase o preceituado no Parecer citado pelo fiscal diligenciante, ou seja, custo de aquisição (PN/CST 21/76). Durante a diligência a empresa autuada apresenta: escrituração do lançamento, relação das amostras, notas fiscais de entradas e saídas emitidas pela filial de Osasco/SP (sem CPF das revendedoras) e planilhas. Extraise do voto condutor ora guerreado o seguinte trecho: Quanto ao item 184 da conta Amostras, observase que o contribuinte, de fato apresentou, por amostragem, documentação pertinente à contabilização desta despesa e as correspondentes notas fiscais que embasam os lançamentos. No entanto, é mister destacar que a legislação vigente sobre a dedutibilidade destas despesas, é clara ao impor restrições para a sua utilização, conforme determina o artigo 366, inciso V do RIR/99. E com base no dispositivo acima citado (art. 366) fundamenta a manutenção da glosa pelo fato de ter o fiscal diligenciante constatado, por amostragem de um só produto, somente um mês, divergência entre os valores do custo de aquisição e de revenda, não se aplicando as disposições do citado PN CST 21/76 em vista da irregularidade dectada nas notas fiscais, qual seja: ausência do CPF das revendedoras. Dessa forma, entendo, quanto a este item, por desconsiderar a indedutibilidade das despesas relativas as Amostras (item 184, Conta 58670010) e das despesas Motv. Cons. (itens 157, 158 e 159, conta 56450010), pois, ao meu ver, a simples falta de indicação do CPF das revendedoras não motiva a glosa efetuada. Fl. 11916DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001555/200609 Acórdão n.º 1301001.305 S1C3T1 Fl. 26 33 De outro lado, por falta de contestação/comprovação por parte da recorrente mantenho a glosa dos itens referente a conta 58890000Despesas Div. GS (itens: 205, 199, 200, 203, 204, 197, 202, 201 e 198). Por fim, quanto à quantificação da base de cálculo (demonstrativo elaborado a partir dos Anexos 2 e 4 do TVF) da parte final do voto combatido (fls. 11536/11540), a mesma deverá ser refeita para excluir os itens exonerados por este relator, mantendo como despesas indedutíveis as “Despesas Conf. e Viagens” conforme relacionadas no Demonstrativo da Base de Cálculo (fls. 11536/11540) com exceção do item 295 (exonerado por este relator). Mantenho, também, o item 341 (Lit.Progr. Inc.) e, as Despesas Div. GS (itens 205, 199, 200, 203, 204, 197, 202, 201 e 198). Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 11917DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15540.720404/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Fabio Brun Golsdschmidt, Pedro Anan Junior e Odmir Fernandes (suplente convocad).
Relatório
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Fabio Brun Golsdschmidt, Pedro Anan Junior e Odmir Fernandes (suplente convocad). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 40 4/ 20 11 -4 4 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 981 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações financeiras apresentadas pelo contribuinte em sua DIRPF anocalendário 2007 e os dados de sua movimentação financeira, a Fazenda Nacional instaurou Procedimento de Fiscalização em relação ao IRPF do recorrente dos anoscalendário referidos, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários, considerando que existiam evidências de omissão de rendimentos pelo recorrente (fl. 5354). Em 10/09/10, o contribuinte, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 55), ocasião em que foi intimado para apresentar: a) extratos bancários relativos a todas as contas corrente que deram origem a movimentação financeira nas instituições bancárias discriminadas, informando se foram movimentadas em conjunto ou individualmente; e b) apresentar documentação hábil e idônea, comprovando a origem dos recursos depositados nas contas bancárias referidas. Em 29/09/10, o recorrente requereu a prorrogação do prazo para o atendimento da intimação, o que foi deferido (fl. 56). Em 25/10/10, foram apresentados os seguintes documentos: a) Recibos de pagamentos de salário (fls. 5866) b) Protocolos de Requerimento de Segunda via de extratos (fls. 6768). Em 16/11/10, o contribuinte reconheceu as movimentações da conta nº 207031 7, Agência 0194, do Unibanco como pertencente a ele, mesmo que formalmente seja conta conjunta com sua esposa Sra. Rose Mary da Silva Ferreira Côrrea (fl. 71). Ainda, apresentou os seguintes documentos: a) Extratos HSBC (fls. 73103); b) Extratos Unibanco (fls. 104128); c) Extratos Banco Real (fls. 129170). Em 10/12/10, a Fiscalização decidiu lavrar Requisição de Informações Sobre Movimentações Financeiras – RMF (fls. 479480 do eprocesso), para as instituições financeiras Sudaméris (fl. 171194), HSBC Bank (fls. 365441) e Unibanco (fls. 442641), as quais apresentaram documentos. Em 14/03/11, a autoridade administrativa lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal, intimando o contribuinte para comprovar a origem dos valores depositados conforme o demonstrativo em anexo (fl. 649656). Em 03/05/11, o recorrente apresentou nova manifestação informando que trabalhou na Empresa Strong Manutenção e Reparos Navais LTDA e a condição para que se mantivesse na empresa era a de que emprestasse cheques para a movimentação da empresa até a sua regularização no mercado, pois todos os seus diretos estavam com os nomes sujos, tal relação durou todo o ano de 2007. Ainda, informou que suas contas bancárias nos três bancos alvos do procedimento de fiscalização foram utilizadas para a movimentação da empresa, que através de DOC’s ou tranferências, usando seu rol de clientes, realizava pagamentos de fornecedores, salários e demais encargos trabalhistas dos funcionários. Ressalta que a empresa negou qualquer esclarecimento ou prova ao contribuinte, motivo pelo qual se torna inviável a apresentação de mais documentos (fls. 669671). Juntou canhotos de cheques (fls. 672708). Fl. 981DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 982 3 Em 18/05/11, o contribuinte indicou em planilha elaborada por ele, a origem dos valores autuados decorrentes da Imatur Turis LTDA, pagamento funcionários Engersea, TED’s Strong, Operação de Leasing (fls. 720727). Em razão desses fatos a autoridade administrativa solicitou Mandados de Procedimento Fiscal para os três maiores depositantes indicados nos extratos do contribuinte Strong Manutenção e Reparos Navais Ltda. – constante nos extratos, ratificado pelo contribuinte (fl. 734), Engersea Ind. Com. e Serviços de estruturas Metálicas Ltda. – constante nos extratos, ratificado pelo contribuinte (fl. 795) e Imatur Viagens e Turismo Ltda. – indicado pelo contribuinte (fl. 813) intimandoos a apresentar: a) Contrato Social da Empresa; b) Livro de Escrituração Contábil Caixa e Registro de Inventário e c) Livro de Escrituração Contábil Diário e Razão. Em 19/05/11, Strong Manutenção e Reparos Navais LTDA apresentou: a) Contrato Social (fls. 740743); b) Livro Caixa (fls. 744784) e, por sua vez, Engersea – Indústria, Comércio e Serviços de Estruturas Metálicas LTDA apresentou o seu Contrato Social (fls. 801807). Em 01/06/11 a fiscalização intimou Engersea (fl. 808809), Imatur (fl. 813816), Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia (Imatur viagens e Turismo Ltda) (fls. 821824) para que justificassem a que título os créditos foram efetuados na conta do contribuinte. A fiscalização efetuou pesquisas no sistemas da RFB. Juntando ao presente processo dados cadastrais dos sócios e situação cadastral das empresas Strong (fls. 728733), Engersea (fls. 788794), Imatur (Fls. 810812) e Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia (fls. 819 820). Em 07/07/11, Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia, sócio da empresa Imatur Viagens e Turismo Ltda., informou que encerrou suas atividades e que desde 2005 não possui quaisquer negócios, contas, funcionários e qualquer outra atividade econômica. Declarase como inativa ao IRPJ em razão de existirem demandas trabalhistas que impedem o encerramento definitivo. Declarou, ainda, desconhecer o referido senhor, bem como todos os lançamentos expostos na intimação (fls. 826827). Em 03/11/11, Rose Mary da Silva Ferreira informou que não movimentou a conta conjunta, constando como co titular apenas para fins de segurança (fls. 839). Em 05/12/11 a autoridade administrativa lavrou Termo de Encerramento (fls. 840842) destacando que conforme os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria da RFB nº 2.284/10, serão cientificados, além do fiscalizado, os sócios administradores e sócios responsáveis, à época dos fatos ocorridos, pelas pessoas jurídicas (Strong e Engersea), os quais receberão uma via do Auto de Infração, uma via do relatório e uma via do Termo de Sujeição Passiva Solidária, dandolhes todas as condições do contraditório e de ampla defesa. Ainda, que o fiscalizado e todas as pessoas indicadas, têm relação pessoal e direta com o Fato Gerador, conforme arts. 45, 124, 235, 136 e 137 do CTN e declara a aplicação do art. 123 do CTN, uma vez que convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar o sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Salientou que corrobora para essa situação: a) as empresas Strong e Engersea não escrituraram suas respectivas movimentações bancárias; b) não declararam rendimentos Fl. 982DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 983 4 suficientes para efetuar os depósitos nos montantes analisados (R$ 2.005.713,28 e R$ 395.391,20, respectivamente); c) não ficou esclarecida a natureza dos depósitos; d) não houve qualquer tributo relativos a esta movimentação financeira; e) há declaração expressa do titular das contas bancárias acerca do repasse dos depósitos para terceiros ligados às empresas, bem como há existência de provas contundentes de recebimentos e de pagamentos aos funcionários destas empresas. Assim, considerou que pelos elementos de fato e de direito constantes no presente processo, ficou constatada e comprovada à existência de vínculos de comando e/ou conluio entre os sócios das empresas Strong, Engersea e o fiscalizado Francisco José Corrêa, com o intuito de suprimir ou reduzir tributo, fato que, em tese, configuram fraude e consequente Crime contra a Ordem Tributária (fls. 2146). A autoridade administrativa encerrou o procedimento de fiscalização, pois não ficou comprovada a origem dos depósitos. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 05/12/11 (fls. 1420), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anocalendário 2007, apurando crédito tributário no montante de R$ 3.365.482,24 incluídos imposto, juros de mora e multa de 150 %. A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. 3 Impugnação O recorrente Francisco José Corrêa apresentou impugnação tempestiva (fls. 871 879), esgrimindo os seguintes argumentos: a) a movimentação financeira não corresponde a valores e/ou rendimentos próprios, tais valores eram inerentes a empréstimos contraídos com diversas empresas entre elas, Strong Manutenção e Reparos Navais Ltda. e Engersea Indústria e Comércio de Estruturas Metálicas Ltda; b) o impugnante nada mais era do que um mero intermediador de valores, que almejava angariar algum lucro no exercício da intermediação, angariava comissão variável 0,5% e 0,75% c) a maior prova de que não possuiu qualquer rendimento sobre a movimentação financeira que realizou, é o fato de possuir um único apartamento e um veículo antigo; d) meros depósitos não são documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas; e) o contribuinte não pode ser autuado de forma tipificada, por não ser dono da quantia movimentada e pelo motivo das empresas terem sido autuados sob a mesma égide; f) todos foram autuados pela única movimentação financeira e sob o mesmo fundamento, caracterizando múltipla tributação; Fl. 983DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 984 5 g) impossibilidade da quebra de sigilo bancário, sem prévia autorização; O recorrente Eduardo Luiz Macedo Rodrigues apresentou impugnação tempestiva (fls. 880897), alegando, em síntese, os seguintes argumentos: a) a violação da ampla defesa, pois, em nenhum momento foi dada oportunidade ao impugnante, na qualidade de sujeição passiva solidária, de se defender a apresentar documentos ou relatos pertinentes ao deslinde da questão; b) a violação da ampla defesa, pois ausente clara fundamentação necessária, comprometendo parte da impugnação c) não foi concedido acesso ao MPF, na medida que não lhe concederam qualquer código de acesso; d) a ausência de validade do MPF; e) a relação entre as empresas Strong Manutençao e Reparos Navais Ltda e Engersea Indústria, Comércio e Serviços de Estruturas Metálistas Ltda reside no fato, de a primeira ser propriedade de seu pai e tio; f) pai e filho possuem amizade profissional, mas muito distante do conluio atríbuido pela fiscalização; g) as falsas alegações do contribuinte Francisco José Correa, induziram o auditor a erro, pois as movimentações financeiras nunca ocorreram na habitualidade mencionada; h) existem poucas movimentações no nome da empresa impugnante, a movimentação na conta do contribuinte Francisco José Correa não é de responsabilidade da Empresa; i) da irregularidade da quebra do sigilo bancário; j) indício ou presunção não podem caracterizar, por si só, o crédito tributário; k) a autoridade fiscal tem o dever constitucional de investigar e provar o fato tributário; l) a autoridade fiscal lavrou diversos autos de infrações derivados de apenas um único fato gerador, situação que caracteriza o bis in idem; O impugnante Luiz Alberto Rodrigues apresentou impugnação (fls. 898918), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) a violação da ampla defesa, pois, em nenhum momento foi dada oportunidade ao impugnante, na qualidade de sujeição passiva solidária, de se defender a apresentar documentos ou relatos pertinentes ao deslinde da questão; Fl. 984DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 985 6 b) a violação da ampla defesa, pois ausente clara fundamentação necessária, comprometendo parte da impugnação c) não foi concedido acesso ao MPF, na medida que não lhe concederam qualquer código de acesso; d) a ausência de validade do MPF; e) as operações financeiras nunca ocorreram na habitualidade mencionada, objetivando o favorecimento da mesma; f) não foi esclarecido pelo Sr. Francisco José Corrêa que ele também prestava serviços de intermediação financeira, além de estar diretamente ligado a empresa; g) da quebra irregular do sigilo bancário, considerando a ausência de autorização judicial para tanto; h) não se pode tributar por mero indício, pois a fiscalização tem o dever constitucional de investigar e provar o fato tributário; i) a autoridade fiscal lavrou diversos autos de infrações derivados de apenas um único fato gerador, situação que caracteriza o bis in idem; 4 Acórdão de Impugnação As impugnações foram julgadas improcedentes, por unanimidade, pela 1ª Turma da DRJ/REC (fls. 933952), mantendo o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados, em síntese, os seguintes fundamentos: a) é legítima a utilização dos dados bancários do contribuinte pelo Fisco, sem autorização judicial, com a devida previsão no art. 6º da Lei Complementar nº 105/01; b) eventuais irregularidades verificadas no trâmite do MPF não tem o condão de invalidar o auto de infração, pois são meras irregularidades formais; c) não há nenhuma hipótese de ausência de clareza que pudesse ter dificultado a defesa dos impugnante. No auto de infração constam a capitulação legal e a descriação da infração, mencionando, inclusive, o Relatório Fiscal; d) a própria legislação estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, a qual autoriza o lançamento, sempre que o intimado não comprovar, mediante hábil e idônea documentação a origem dos depósitos; e) inexiste bitributação, pois, em nenhum momento, os depósitos bancários objetos da presente fiscalização ensejaram outros lançamentos tributários em face das empresas Strong e Engersea; Fl. 985DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 986 7 f) nenhum dos impugnantes logra em comprovar a origem dos depósitos bancários; g) a fiscalização por meio da RMF obteve cópias de cheques emitidos e dados de operações bancárias que conjugados com as DIRPF e as relações de empregados das empresas Strong e Engersea, demonstram recebimentos e pagamentos aos funcionários dessas empresas. Essas evidências cabais de que as contas em questão estavam vinculadas às atividades da Strong e da Engersea são corroboradas pelos esclarecimentos prestados pelo Contribuinte; 5 Recurso Voluntário Intimado em 10/06/13, o recorrente Francisco José Corrêa, interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 957966), esgrimindo os seguintes argumentos: a) a ocorrência do bis in idem tributário, pois houve uma pluralidade de cobranças sobre uma mesma movimentação financeira, considerando que tal movimentação foi atribuída as empresas Strong e Engersea, não pode o contribuinte ser cobrado, sob pena do estado se locupletar triplamente às custas do mesmo fato gerador; b) o débito foi cobrado em sua totalidade de cada parte, sem sequer ser rateado com a demonstração individualizada sobre responsabilidade de cada um; c) no procedimento fiscal não foram observados os princípios constitucionais da legalidade, tipicidade e proporcionalidade; d) em algumas ocasiões o impugnante utilizou alguns de seus cheques para efetuar os pagamentos que eram necessários tendo em vista que a grande maioria das empresas (especialmente Strong e Engersea); e) a maior prova de que o impugnante não possuiu qualquer rendimento sobre a movimentação financeira que realizou em sua conta a intermediação de empréstimos, é o fato de possuir um único e modesto apartamento em São Gonçalo e um antigo Fiat conforme DIRPF; f) está explícito nos extratos bancários a comprovação material de que o fiscalizado exercia uma corretagem informal, com empréstimos financeiros sendo os valores de sua conta corrente meros repasses, pois nunca refletiram na melhoria de seu padrão de vida; g) os depósitos bancários desacompanhados de outros indícios não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos; h) a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial; 6 Sobrestamento Fl. 986DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 987 8 Em 18/06/13, através da Resolução nº 2202000.493 (fls. 1126.1145 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15540.720404/201144 Resolução nº 2202000.591 S2C2T2 Fl. 988 9 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Da análise dos autos, observase que foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em face dos contribuintes Luiz Alberto Rodrigues, Eduardo Luiz Macedo Rodrigues, Manuel Henrique P. Martins, Ricardo Kamel Miranda e Sérgio Luis Rodrigues, representantes legais das empresas Strong e Engersea. Em 28/12/11, os Srs. Eduardo Luiz Macedo Rodrigues e Luiz Alberto Rodrigues apresentaram impugnações (fls. 880897 do eprocesso) que foram julgadas improcedentes pela 18ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 933952 do eprocesso). Entretanto, ao compulsar os autos, não constatei a intimação de qualquer dos responsáveis solidárias – Srs. Luiz Alberto Rodrigues, Eduardo Luiz Macedo Rodrigues, Ricardo Kimel Miranda, Sérgio Luis Rodrigues – do resultado do julgamento da DRJ. Consta nos autos apenas a intimação feita ao ora recorrente, Sr. Francisco José Correa (fl. 954 do e processo). Considerando o Termo de Sujeição Passiva Solidária, entendo como prudente a conversão do presente julgamento em diligência, no âmbito da qual sejam tomadas as seguintes providências: a) seja verificada se houve, ou não, a devida notificação dos contribuintes Luiz Alberto Rodrigues, Eduardo Luiz Macedo Rodrigues, Manuel Henrique P. Martins, Ricardo Kamel Miranda e Sérgio Luis Rodrigues, quanto ao resultado do julgamento da 18ª Turma da DRJ/RJ1; b) em caso negativo, sejam os mesmos intimados, e aberto prazo para as manifestações devidas. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 988DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910856/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 56 /2 00 8- 46 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910856/200846 Acórdão n.º 3803006.676 S3TE03 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 2.483,20, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910856/200846 Acórdão n.º 3803006.676 S3TE03 Fl. 61 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910856/200846 Acórdão n.º 3803006.676 S3TE03 Fl. 62 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910856/200846 Acórdão n.º 3803006.676 S3TE03 Fl. 63 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000586/2008-66
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/07/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ (Decreto nº 70.235/1972, art. 33).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/07/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 05 86 /2 00 8- 66 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 41): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/07/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA. A vinculação ou desvinculação do manifesto eletrônico As escalas da embarcação deverá ser informada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. Aplicase a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, A empresa de transporte internacional, , a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., afirma ter prestado as informações antes da atracação, sendo que o prazo do art. 22 da IN nº 800/2007 somente seria aplicável após 01/01/2009. Alega a ocorrência de dupla penalização, porquanto todos os manifestos seriam relacionados a um navio. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo, conforme certificado às fls. 93, teve ciência da decisão no dia 10/04/2012 (fls. 52), protocolizando a petição recursal em 11/05/2011 (fls. 55). Tratase, portanto, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido por ausência de requisito de admissibilidade do art. 33 do Decreto no 70.235/1972. Votase, assim, pelo não conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11968.000586/200866 Acórdão n.º 3802003.964 S3TE02 Fl. 96 3 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000430/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
COFINS NÃO-CUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS NÃO-CUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado.
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SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS NÃOCUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 04 30 /2 00 6- 44 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0521.103 – 1ª Turma da DRJ/CPS, de 15 de fevereiro de 2008, que, por unanimidade de votos, decidiu por não reconhecer o direito creditório, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida 351ª Sessão da 1ª Turma de Julgamento. Em 15 de fevereiro de 2008. Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto do relator.” Na origem a contribuinte solicitou a devolução de valores supostamente recolhidos maior a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, em virtude de entender como indevida a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS na apuração da base de cálculo da referida Contribuição Social. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 15/12/2006, no valor de R$ 87.011,38, correspondente à Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social —Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro/2001 a dezembro/2001, conforme planilha de cálculo à fl. 2. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 74 3 A DRF em Jundiaí emitiu o Despacho Decisório de fls. 30/31, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que o ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 23/10/2007 (fl. 33), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 22/11/2007 (fls. 34/41), na qual alega: O Supremo Tribunal Federal, quando instado a manifestarse sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 70/91 (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1), entendeu que o faturamento sempre fora considerado como a receita proveniente das vendas de mercadorias e serviços. Vêse, portanto, que o termo faturamento tem significado técnico, o que impede que o legislador amplie o seu conteúdo, por óbice expresso do artigo 110 do Código Tributário Nacional. E se o faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, esse valor deve ser representado pelo preço pactuado na operação, no qual não devem ser incluídos os impostos. O exame do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 não evidencia que nesse dispositivo a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para a seguridade social está autorizada. E não se obtém essa certeza porque o termo faturamento, como assim entendeu a Suprema Corte, representa tãosomente a receita derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviço, no qual não se inclui o ICMS, visto que nenhum tributo pode ser considerado como receita. Faturamento, portanto, tem conteúdo técnico e assim foi utilizado pela legislação. Importante ressaltar, mais uma vez, que a Impugnante requereu, apenas, que a Administração Tributária se manifestasse sobre a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, visto que o termo faturamento — base de cálculo da referida contribuição — tem conteúdo passível de controle administrativo, a teor do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Todavia, ainda que não seja esse o entendimento dessa E. Turma Julgadora, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, vale lembrar que a questão em foco está sob exame do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG (.). O julgamento foi suspenso por pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o presente momento, seis ministros já votaram em favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, o que aponta para um resultado com a declaração de inconstitucionalidade na interpretação dada à norma questionada. Como tal decisão será proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sua observância tornarseá obrigatória pela Administração Tributária e deverá alcançar os casos em andamento, por efeito declaratório”. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Tendo a Delegacia de Julgamento da DRJ/CPS mantido o entendimento proferido no Despacho Decisório DRF/JUN/SAORT, de 22, de março de 2007, no sentido de que o valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, de cuja decisão foi cientificada à contribuinte, em 20 de março de 2008, por meio da Comunicação n° 13836/087/2008, esta, irresignada, apresenta em 18 de abril de 2008, recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, citando doutrina e trechos do voto do Min. Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, para defender as particularidades da abrangência de “faturamento”, no sentido de que receita para fins de tributação das contribuições sociais se caracteriza pela entrada definitiva, configurada pela efetiva disponibilidade de recursos que, ao mesmo tempo em que remuneram, decorrem do efetivo exercício da atividade empresarial.o que, nas suas palavras, exclui o ICMS, que é despesa para a pessoa jurídica, segundo os seguintes itens: 1 DOS FATOS E FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO; 2 DO CONCEITO DE FATURAMENTO; 3 – DA RECEITA PASSÍVEL DE TRIBUTAÇÃO PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS; 4 DAS MANIFESTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS; 5 DO PEDIDO O processo encontravase sobrestado, conforme consta do Despacho de –e fls. 72, nos seguintes termos: “A matéria do presente recurso é “inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS”, a qual subsumese, em tese, à hipótese de sobrestamento de seu julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do art. 1º, e seu parágrafo único, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2010. Face ao exposto, proponho, na forma do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2010, o sobrestamento do julgamento do recurso do processo, até que o Supremo Tribunal Federal – STF profira decisão definitiva acerca dessa matéria. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Conselheiro Acolho o parecer do Conselheiro Alan Fialho Gandra para, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inc. VII, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e nos termos da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso objeto do presente processo até que seja proferida, pelo STF, a decisão definitiva nos autos do RE nº 574706, haja vista a existência de liminar na Ação Direta de Constitucionalidade nº 18 determinando o sobrestamento dos julgamentos que versem sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 75 5 Encaminhese à SECAM/3C/3SJ para aguardar a decisão definitiva do STF. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente” Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade,devendo, pois, ser conhecido. Versa a lide sobre a possibilidade, ou não, de a contribuição para a COFINS incidir sobre o ICMS. Verificase que a matéria discutida nos presentes autos encontrase submetida ao rito da Repercussão Geral na Suprema Corte (RE 574.706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, regime reconhecido no julgado em 24/04/2008, DJe 088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP 02174, Tema 69) e que há recursos extraordinários sobrestados, aguardando a decisão do acórdão em repercussão geral. Não obstante, de antemão, registrese a recente alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Desta forma, nos termos da alteração do regimento do CARF acima mencionada, a pendência de julgamento de igual matéria pelo Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, não mais implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF. E, ainda, tendo em vista a menção efetuada pelo o Presidente de turma ao sobrestar o julgamento deste processo, conforme o Despacho transcrito logo acima no relatório, cabe destacar que em relação à ADC nº 18, o Plenário do STF decidiu (7 votos a 3) que seu julgamento deve preceder ao julgamento do RE nº 240.785, por tratarse a ADC de controle concentrado de constitucionalidade (com eficácia erga omnes, ou contra todos). Que tal ação foi conhecida (admitida) por unanimidade e, na sessão plenária de 13/8/2008, foi deferido pedido de medida cautelar (9 votos a 2) para suspender todos os processos judiciais que versem sobre a matéria até o julgamento de mérito da ADC. O STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deveria ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há mais suspensão de julgamento no âmbito do STJ, consoante depreendese de trecho pertinente da ementa de recente julgado a seguir transcrita: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. (...) 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. (...)” (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) Assim sendo, o presente processo, que já se encontrava com o julgamento do recurso voluntário sobrestado, foi redistribuído. Ultrapassada a questão antecedente, passase à análise de mérito da discussão:a possibilidade, ou não, de a COFINS incidir sobre o ICMS. A DRF/Jundiaí, em seu Despacho Decisório, assim conclui a sua decisão: “(...) No § 2° do art. 2° da Lei n° 9.718/98, acima transcrito, estão relacionadas as exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS. A única hipótese de exclusão de ICMS é quando este imposto é cobrado pelo vendedor de bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, diferente da situação ora em análise, na qual o ICMS recolhido pelo interessado foi na condição de contribuinte deste tributo. Porquanto os recolhimentos para a contribuição para o PIS nos períodos aqui considerados tenham sido ao amparo de legislação vigente, está provado que não existe nenhum crédito a favor do interessado.” Diante de tal conclusão, a contribuinte afirma, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, que, diferentemente do entendimento dado pela DRF/Jundiaí, não estaria questionando a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, consoante consta da hipótese de exclusão prevista ou não no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.718/1998, mas sim estaria questionando o vício na aplicação da norma, já que a interpretação da Administração Tributária dada ao artigo 3° da Lei n° 9.718/1998 contraria o artigo 110 do CTN. Diante de seus argumentos, oportuno será efetuar um breve histórico da legislação da Contribuição sob questão até aquela vigente no período sob litígio, qual seja o ano de 2001. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 76 7 Pois bem, a COFINS foi instituída pela Lei Complementar nº 70/91, que definiu, em seu art. 2º, a base de cálculo do tributo como o faturamento mensal, conceituado por mencionado dispositivo como a receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, da qual foi excluído o valor correspondente ao IPI destacado na nota fiscal: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; (...)” (g.n.) Após, o art. 31, parágrafo único, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, determinou que, na receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços não se incluem os valores correspondentes aos impostos não cumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário (como é o caso do IPI), senão vejamos: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” (destacouse) Prosseguindo, temse que, a partir do ano de 1999, as contribuições para o PIS e COFINS passaram a ser regidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que, em seus arts. 2º e 3º, definiu a base de cálculo desta contribuição como o faturamento, compreendido como a receita bruta da pessoa jurídica e não apenas a receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza (como antes determinava a Lei Complementar nº 70/91): “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...)” Observase que a Lei nº 9.718/98, ao definir em seu art. 3º, caput e §1º, a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS como a receita bruta da pessoa jurídica, concebea como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, nenhuma referência expressa fez a Lei nº 9.718/98 à receita bruta de vendas de mercadorias/serviços (na qual, repisese, não se incluem, nos termos da Lei nº 8.981/95, os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário). Daí porque o §2º, I, de referido art. 3º cuidou de aclarar que deveria ser excluído da base de cálculo de referidas contribuições o montante relativo ao IPI. Sabese que o Supremo Tribunal Federal, nos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 (e em todos os demais julgados pela Suprema Corte) declarou inconstitucional a definição de faturamento enquanto receita bruta total da pessoa jurídica constante do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. É que o STF, nos mencionados julgamentos, reputou que a Constituição Federal, em sua redação vigente quando da edição da Lei nº 9.718/98, somente autorizava a cobrança de contribuição social destinada à seguridade social incidente sobre o faturamento, compreendido como receita bruta da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza e que somente em seguida, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998 – que não poderia retroagir para legitimar a Lei nº 9.718/98, a Constituição autorizou a exigência de contribuição social sobre a receita bruta. Por isto, o STF tomou a locução “receita bruta”, constante do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, como sinônimo de “faturamento”, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, cujos ministros manifestaramse que tal se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Assim, o STF declarou inconstitucional a base de cálculo definida no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 naquilo que extrapolou a receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços, assim entendida como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa (alargamento da base de cálculo). Contudo, a supradita declaração de inconstitucionalidade não traz prejuízo à exigência desta contribuição sobre o ICMS devido na operação de venda, porquanto o ICMS integra a receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços, sobre a qual a incidência da COFINS é definida pela Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos. O ICMS antigo ICM (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias) foi inicialmente regulamentado pelo DecretoLei nº 406, de 31/12/1968, que revogou e substituiu os art. 52 a 58 do CTN. O art. 2º, § 7º, de reportado Decretolei determinava que o montante do ICM integrava a sua base de cálculo, constituindo o respectivo destaque do imposto mera indicação para fins de controle. Depois, a Constituição Federal de 1988 passou a denominar o ICM como ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) e lhe introduziu Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 77 9 novas incidências, o qual foi, então, regulamentado pelo Convênio nº 66, de 14/12/1988, bem como pela Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que em seu art. 13, §1º, I, abaixo vazado, manteve as mesmas disposições do art. 2º, §7º, do DecretoLei nº 406. “Art. 13. A base de cálculo do imposto é: (...) § 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela LCP 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” Então, assim como o extinto ICM, o atual ICMS é embutido no preço da operação (“por dentro”), não sendo destacado na operação de venda. Conseqüentemente, o ICMS, cobrado “por dentro”, compõe a receita da venda de mercadorias, conforme há muito esclareceu o Parecer Normativo CST nº 70, de 10/02/1972 (DOU de 22/03/1972), ao preceituar que “Nos termos da Lei, o ICM tem por base de cálculo ‘o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria’, integrando este valor o montante do próprio tributo; conseqüentemente, este integra o preço da mercadoria ou o seu custo e dele não pode ser destacado na avaliação dos estoques, quando da apuração dos resultados.” Por corroborar com os fundamentos, é oportuno reproduzir excertos do Parecer Normativo CST nº 77, de 23/10/1986 (DOU de 28/10/1986), que elucida que o ICM deveria integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (tributos à época incidentes sobre a receita da venda de mercadorias e/ou serviços): “O ICM referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto incidente sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL. Entretanto, o ICM referente à substituição tributária não integra a base de cálculo do contribuinte substituto no tocante às suas Contribuições para o PIS/PASEP e FINSOCIAL, por constituir uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. (...) 4. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias ICM, sendo um imposto incidente sobre vendas (Instrução Normativa nº 51, de 03 de novembro de 1978) e cujo valor integra o preço da operação (Ato Complementar nº 27, de 08 de dezembro de 1966), deve compor a receita bruta de vendas e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS Faturamento e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, quando os contribuintes realizarem venda de mercadorias sobre as quais ocorra a incidência do ICM, eis que inexiste na legislação de regência dos referidos Programas, qualquer dispositivo que autorize a sua exclusão. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 (...) 5.1 A legislação enuncia taxativamente que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta de vendas, nela incluídas todas as parcelas que compõem o preço, salvo aquelas cujas exclusões sejam expressamente autorizadas. O artigo 32 do RECOFIS trata das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se encontra o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias. 5.2 Através do Ato Complementar nº 27, de 4 08 de dezembro de 1966, foi acrescentado o parágrafo 4º ao artigo 53 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), que dispõe sobre o valor tributável do ICM, para declarar que o montante desse imposto integra o valor ou o preço da operação, constituindo o respectivo destaque nos documentos fiscais mera indicação para possibilitar o crédito do adquirente. O artigo 2º do Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ao definir a base de cálculo do ICM, ressaltou, no § 7º, a disposição supra. 5.3 Portanto, por disposição expressa de lei, o montante do ICM integra o valor ou o preço da operação. Considerando que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta (faturamento deduzido do IPI e IUM), excluídas desse valor somente as parcelas expressamente enunciadas na legislação, não constando entre elas o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias, é evidente que também sobre a parcela concernente ao ICM, que compõe o valor total referente às operações próprias da empresa, há de incidir a Contribuição para o FINSOCIAL. (...)” (g.n) Sendo a lei o meio legítimo para dispor sobre a base de cálculo de tributos (art. 96, IV, do CTN), poderia a mesma ter determinado que o PIS e a COFINS não incidissem sobre todos os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente ou não, na operação de venda. Como assim não dispõe a lei, e tendo em vista que o ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta, não é permitido à Administração Tributária afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre o ICMS não destacado. É farta a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Julgamento no mesmo sentido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 78 11 Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 3801002.616 – 1ª Turma Especial, de 28 de novembro de 2013, no processo nº 10940.903187/200985) “BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo da COFINS e do PIS Faturamento é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS devido, destacado nas notas fiscais de saída e que compõe o preço total do produto. Recurso negado” (Acórdão nº 340101.031 — 4ªCâmara /1ª Turma Ordinária, de 30 de setembro de 2010, processo nº11080,905084/200817). Junto ao Superior Tribunal de Justiça, há muito se consolidou o entendimento de que na base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (que também incidia sobre a receita de vendas) se incluem o ICM e o ICMS o que, inclusive, foi objeto das Súmulas nº 68 e 94, editadas pelo STJ nos anos de 1992 e 1994 e assim redigidas: Súmula STJ nº 68: “A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS.” Súmula STJ nº 94: “A parcela relativa ao ICMS incluise na base de calculo do FINSOCIAL.” E, relativamente ao voto proferido pelo o Ministro Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, temse a registrar que tal voto ainda não foi publicado e o julgamento do mesmo encontrase suspenso desde agosto de 2006, inicialmente em face de pedido de vista do Sr. Ministro Gilmar Mendes e, posteriormente, em face da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 18), em 10/10/2007, proposta pela Presidência da República, objetivando ver declarada a validade formal e material da norma contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. Esse dispositivo exclui do conceito de faturamento, para fins de base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que implicaria na legitimação da cobrança do PIS e COFINS inclusive sobre o ICMS próprio da contribuinte, cujo provimento pode alterar o entendimento que foi proferido pelo o então Ministro Marco Aurélio acerca desta matéria. Em não tendo sido ainda concluído e publicado o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, ainda não se tem decisão, nos termos do art. 135, §2°, do Regimento Interno daquele órgão, somente quando encerrada a votação é que o Presidente do STF proclama a decisão. E, mesmo que houvesse sido proferido a decisão nos termos do já conhecido voto do Sr. Ministro Marco Aurélio, ainda assim, tal não aproveitaria para a contribuinte, uma vez que a contribuinte não faz parte no citado RE. Repitase que a regra contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98, a qual prevê a exclusão da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, apenas quando cobrado pelo Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, conduz ao entendimento acerca da legitimação da cobrança do PIS e COFINS sobre o ICMS próprio da contribuinte. E mais, a despeito da discussão, ainda inconclusa, da questão perante o Supremo Tribunal Federal, o entendimento acima se mantém no STJ. É o que demonstram as seguintes ementas de recentes julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 68 E 94 DO STJ. 1. Não subsiste o óbice ao julgamento da presente demanda, estipulado pelo STF na MC na ADC n. 18, pois já findou o prazo de suspensão das demandas que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010. 2. A jurisprudência do STJ reconhece a possibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. 3. Agravo regimental não provido.” (AGRESP Nº 946.042/ES, DJE de 15/12/2010) “PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 4º DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NOS ERESP 644.736/PE. INCIDÊNCIA DO DISPOSTO NO ART. 481, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008. 1. Primeiramente, impõese o conhecimento do recurso no tocante à incidência do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, uma vez que findou o prazo determinado na decisão do Supremo na ADC n. 18, de prorrogar por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. 2. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ.” (AGRESP nº 1.121.982/RS, DJE de 04/02/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada no STJ é no sentido de a parcela relativa ao ICMS incluirse na base de cálculo do PIS e da Cofins’ (AgRg no Ag 1.106.213/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJ 8/6/09). 2. Agravo regimental não provido.” (AGRESP 1.119.592/PR, DJE de 18/02/2011) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 79 13 CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO.INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. 3. O reconhecimento de repercussão geral pelo egrégio STF não impede o julgamento dos recursos no STJ. Precedentes do STJ. 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. 6. O STJ tem entendido que a interpretação do conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à Cofins é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial. Precedentes: REsp 1.017.645/CE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 10.9.2010; AgRg no REsp 1.224.734/RN, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 13.6.2012. 7. Agravo Regimental não provido." (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) "TRIBUTÁRIO PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO FATURAMENTO REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS POSSIBILIDADE SÚMULAS 68 E 94 DO STJ PRESCRIÇÃO DOS CRÉDITOS QUESTÃO PREJUDICADA. 1. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não determina automaticamente o sobrestamento do recurso especial, apenas impede a ascensão de eventual recurso de idêntica matéria ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. 2. A jurisprudência desta Corte sedimentouse no sentido da possibilidade de os valores devidos a título de ICMS integrarem a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Entendimento firmado nas Súmulas 68 e 94 do STJ. Divergência jurisprudencial rejeitada, nos termos da Súmula 83/STJ. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 4. Prejudicada análise da prescrição dos eventuais créditos. 5. Agravo regimental não provido."(AgRg no Ag 1051105/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/05/2013, DJe 24/05/2013.) "TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme na jurisprudência do STJ que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. No caso dos autos, apenas sobre a COFINS, atendendo à correção do erro material apontado pela agravante. 2. Não há óbice ao julgamento da presente demanda, em razão do estipulado pelo STF na MC na ADC 18, pois já se findou o prazo de suspensão das ações que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010 (AgRg no REsp 946.042/ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010, DJe 15.12.2010). 3. A apreciação de suposta violação de preceitos constitucionais não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada, pela Carta Magna, ao Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1138894/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/05/2013, DJe 28/05/2013.) E, é essencial registrar o julgamento do RECURSO ESPECIAL nº 1.127.877 SP (2009/0045592), RELATOR MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI, o qual foi recebido na origem pelo regime do artigo 543C do CPC. De início, em face de a matéria nele versada inclusão dos valores pagos a título de ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP – ser objeto da ADC nº 18, em que havia sido proferida decisão liminar impondo a paralisação das demandas em curso que tratam do tema, o seu julgamento ficou suspenso. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp nº 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), conforme ementa e voto abaixo transcritos: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, em mandado de segurança objetivando afastar a incidência do ICMS na base de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000430/200644 Acórdão n.º 3302002.478 S3C3T2 Fl. 80 15 cálculo do PIS e da COFINS, bem como o direito à compensação dos valores recolhidos, negou provimento à apelação, sob o fundamento de que o faturamento representa a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Os embargos de declaração foram rejeitados. No recurso especial (fls. 719/726), a recorrente aponta ofensa aos seguintes dispositivos: (a) art.535, II, do CPC, pois, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, não foram sanadas as omissões apontadas; e (b) arts. 2° e 3°, da Lei 9.718/98, alegando, em síntese, que, uma vez que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, é indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS. Contrarazões às fls. 750/752. 2. Não há nulidade por omissão no acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso dos autos, o Tribunal de origem julgou, com fundamentação suficiente, a matéria devolvida à sua apreciação. 3. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min.Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. 4. Pelo exposto, com fundamento no art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao recurso especial. Intimese. Brasília (DF), 31 de maio de 2012. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Pois bem, vêse que a Unidade da RFB e a Delegacia de Julgamento de Campinas, deram a devida interpretação à legislação tributária, em conformidade com as orientações internas da RFB, com a Jurisprudência administrativa e com a Jurisprudência Pacífica do tema no STJ, em conformidade com as Súmulas 68 e 94 do STJ, não havendo, pois, razões para alterar a decisão proferida pela 1ª Instância de julgamento Administrativo. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que não se trata de vício de interpretação da norma. A alegação, em síntese, de que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, sendo indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS, constitui sim análise de matéria constitucional. Na verdade, a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e COFINS postulada carece de previsão legal. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/CPS, no sentido de incluir o ICMS na base de cálculo da COFINS e não reconhecendo o direito creditório pleiteado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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