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Numero do processo: 11020.721716/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Configura omissão de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva a diferença entre os rendimentos recebidos acumuladamente declarados pelo contribuinte e os informados pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos.
Numero da decisão: 2301-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Configura omissão de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva a diferença entre os rendimentos recebidos acumuladamente declarados pelo contribuinte e os informados pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 236 1 235 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.721716/201436 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.665 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Recorrente FRANCISCO SOLANO SCHIAVO Recorrida União (representada pela Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Configura omissão de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva a diferença entre os rendimentos recebidos acumuladamente declarados pelo contribuinte e os informados pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 17 16 /2 01 4- 36 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1269.927, de 04/11/2014, (fls. 126 a 129). Reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2011, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 100 a 111, em que foram apuradas: 1) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 26.303,83; 2) número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado – tributação exclusiva. Em virtude dessas infrações, foi alterado o resultado final da declaração de ajuste anual do exercício 2012 para R$ 44.958,19 de saldo de imposto a restituir ajustado. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 100 a 111 em 13/05/2014 (fl. 112), o Contribuinte apresentou em 10/06/2014 a impugnação de fls. 2 a 11, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) as verbas efetivamente recebidas e atualizadas, liberadas por alvarás foram pagas em 3 (três) parcelas, sendo que em agosto de 2011 foi recebido o total de R$ 365.252,07, com 65% tributáveis (R$ 236.979,74) e 35% não tributáveis (R$ 128.272,33); 2) por determinação judicial, foi recolhido antecipadamente o valor de R$ 113.615,47 a título de IRRF, com os acréscimos legais, em DARF recolhido em 27/02/2012, sobre o montante total da ação trabalhista; 3) a proporcionalidade estabelecida pela AFRFB de 68% para os rendimentos tributáveis e de 32% para os rendimentos isentos auferidos pelo Contribuinte não observou a proporcionalidade apurada no laudo pericial judicial acostado na ação, que apurou o percentual de 65% para os rendimentos tributáveis e de 35% para os rendimentos isentos; 4) R$ 392.025,29 seria o total de rendimentos tributáveis, correspondente a 65% do montante recebido em 2011; 5) o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, no anocalendário de 2011, fornecido pelo Banco do Brasil S/A, estaria totalmente equivocado em relação ao valor de R$ 187.157,45, atribuído a rendimentos tributáveis, e também em relação ao valor de R$ 50.774,35 atribuído a IRRF, valores que divergem frontalmente daqueles Fl. 243DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11020.721716/201436 Acórdão n.º 2301004.665 S2C3T1 Fl. 237 3 consignados na sentença de condenação da ré na ação trabalhista; 6) o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, anocalendário 2011, fornecido pelo Banco do Brasil S/A, referese exclusivamente aos rendimentos recebidos acumuladamente, objeto do processo nº 19112220075040403, informado no próprio comprovante no item 7; 7) a autoridade fiscal considerou equivocadamente ambos valores de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e IRRF como corretos para apropriação e composição na declaração de ajuste anual, exercício 2012, anocalendário de 2011; 8) pela complexidade da matéria, o Contribuinte também foi induzido a erro na confeccção de sua declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário de 2011 e, conseqüentemente, em relação às posteriores; 9) como os valores da condenação na ação trabalhista foram pagos em três parcelas e em três exercícios distintos, conforme os alvarás exarados no exercício 2012, é justo e lógico estabelecerse uma proporcionalidade de tributação em relação aos períodos considerados, levandose em conta que o IRRF foi recolhido antecipadamente sobre o montante total recebido pelo autor da ação, fazendose, também, rateio dos 63 meses considerados; 10) refazendo, nos mesmos moldes da autoridade fiscal, a declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário de 2011, teriase como rendimentos tributáveis R$ 236.979,74 (equivalente a 65% de R$ 365.252,07), com honorários advocatícios de R$ 40.890,95 (correspondente a 65% de honorários advocatícios) e uma base de cálculo do RRA de R$ 196.088,79; 11) os reflexos deste ajuste nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2013 e 2014 foram feitos e sanadas as suas impropriedades então existentes com a apresentação de declarações retificadoras; 12) o Impugnante solicita o cancelamento da notificação de lançamento e a restituição do valor do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual do exercício 2012, no valor de R$ 83.466,94. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Configura omissão de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva a diferença entre os rendimentos recebidos acumuladamente declarados pelo Contribuinte e os informados pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos. A ciência dessa decisão ocorreu em 10/11/2014 (fl. 131). Em 09/12/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 135 a 151), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação. Foi requerido o reconhecimento da não incidência do imposto sobre a renda sobre os juros de mora, ou, alternativamente, a não incidência da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais assumo como meus, mutatis mutandis: O Interessado informou como rendimentos recebidos acumuladamente do Banco do Brasil S/A em 26/07/2011, sujeitos à tributação exclusiva, a importância de R$ 117.936,86. Para o cálculo do imposto devido o Contribuinte considerou 112 meses. Foi apurada pelo Fisco uma omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de R$ 26.303,83, alterandose o número de meses para 63, nos termos da notificação de lançamento de fls. 100 a 111. O Impugnante não se insurge contra a redução do número de meses considerados de 112 para 63, mas reclama que estariam errados os valores considerados pelo Fisco como rendimentos recebidos acumuladamente sujeitos à tributação exclusiva. Segundo o Contribuinte, os valores corretos seriam R$ 236.979,74 (equivalente a 65% de R$ 365.252,07), com honorários advocatícios de R$ 40.890,95 (correspondente a 65% de honorários advocatícios) e uma base de cálculo do RRA de R$ 196.088,79. De acordo com o Interessado, os percentuais corretos de rendimentos tributáveis e isentos seriam, respectivamente, 65% e 35% Vale esclarecer que a base de cálculo apontada pelo Impugnante é superior à considerada pelo Fisco (R$ 144.240,69). Também cumpre destacar que a apuração levada a cabo na notificação de lançamento em tela aponta um valor de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente de R$ 181.157,45, que coincide com Fl. 245DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11020.721716/201436 Acórdão n.º 2301004.665 S2C3T1 Fl. 238 5 o informado pela fonte pagadora (Banco do Brasil S/A) em DIRF (fl. 121) e em comprovante de rendimentos (fl. 17). Diferentemente do alegado na impugnação de fls. 2 a 11, não há nos autos como se concluir que a proporcionalidade utilizada pela Fiscalização para segregar os rendimentos tributáveis dos isentos esteja incorreta. Ademais, o Impugnante equivocase quando afirma que a proporcionalidade utilizada na notificação de lançamento de fls. 100 a 111 foi de 68% de rendimentos tributáveis e 32% de isento. Na realidade, os percentuais usados foram de 62% tributável e 38% isento (fl. 104), mais benéficos, inclusive, do que os percentuais que o Impugnante pleiteava de 65% de rendimentos tributáveis e 35% de rendimentos isentos. Concluise que a apuração do Fisco foi mais benéfica ao Contribuinte do que a que ele próprio elaborou em sua impugnação de fls. 2 a 11. Isso posto, cumpre manterse a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente apontada na notificação de lançamento de fls. 100 a 111. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. João Bellini Júnior – relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001438/99-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos documentos trazidos pelo contribuinte quando esse é o único e possível meio de prova que lhe compete, isto é, os informes de rendimentos com informação de retenção na fonte, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2301-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o Acórdão nº 17-31.197 -5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) São Paulo II, cabendo ao órgão julgador de primeira instância proferir nova decisão, considerando hábeis e suficientes as declarações de rendimentos acostadas pelo contribuinte para comprovar o IRRF.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Recurso Negado
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos documentos trazidos pelo contribuinte quando esse é o único e possível meio de prova que lhe compete, isto é, os informes de rendimentos com informação de retenção na fonte, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Decisão Recorrida Nula
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Inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos documentos trazidos pelo contribuinte quando esse é o único e possível meio de prova que lhe compete, isto é, os informes de rendimentos com informação de retenção na fonte, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o Acórdão nº 1731.197 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) São Paulo II, cabendo ao órgão julgador de primeira instância proferir nova decisão, considerando hábeis e suficientes as declarações de rendimentos acostadas pelo contribuinte para comprovar o IRRF. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 14 38 /9 9- 38 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Recurso Negado Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 54 a 56, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1994, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 119.779,59, dos quais R$ 47.122,07 referemse a imposto, R$ 35.341,55 correspondem à multa proporcional e R$ 37.315,97 a juros de mora calculados até 31/05/1999. Em razão da revisão do lançamento cuja notificação foi considerada nula por não conter os requisitos do artigo 142 do CTN e do artigo 11 do Decreto 70.235/75, foi procedida a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte interessado e efetuado o presente lançamento de ofício tendo em vista a apuração das seguintes irregularidades: GLOSA DEDUÇÕES CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES Glosa de deduções com contribuições e doações, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 47 e 48. GLOSA DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Glosa dedução com despesas médicas pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 47 e 48. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado indevidamente, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 47 e 48. Cientificado do Auto de Infração em 28/06/1999 (fl. 54) o interessado apresentou em 28/07/1999 a impugnação de fls. 61 a 65, alegando, que: o fiscal autuante não considerou a doação em dinheiro feita em favor da Sociedade Família Cristã, no valor de 42.293,93 Ufir como comprovam os recibos e por se tratar de entidade de natureza filantrópica. não foi adotada qualquer formalidade na doação, mesmo porque não existe sua obrigatoriedade na doação em espécie. tinha disponibilidade suficiente para fazer a doação, conforme sua declaração de ajuste. Não houve justiça no lançamento já que foi acatado apenas 21.575 Ufir de imposto retido na fonte ante 58.488,69 Ufir declarados, mormente quando foi comprovado com recibos e informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. ao contrário do que entendeu o Auditor Fiscal, o impugnante agiu em estrita consonância com o que dispõem os artigos 8° e 11, da Lei 8.383/91. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10875.001438/9938 Acórdão n.º 2301004.696 S2C3T1 Fl. 565 3 a responsabilidade quanto ao recolhimento do imposto retido na fonte é da fonte pagadora (Decreto — Lei n° 5.844/43, art. 103) e não se comunica com o beneficiário do rendimento (Parecer Normativo CST n° 324/71). Como já comprovado o pagamento de doações à entidade filantrópica cabe a dedução prevista na legislação no valor de 42.645,94 Ufir. Da mesma forma o imposto retido na fonte no valor de 58.488,69 Ufir deduzido pelo impugnante foi plenamente regular. Requer a anulação do lançamento e arquivamento do processo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II, converteu o feito em diligência para intimar as Fontes Pagadoras para apresentarem esclarecimentos quanto ao valor de imposto retido na fonte no ano de 1994 e informado em DIRF (fl. 179). A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte o lançamento, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Anocalendário: 1994 ABATIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES Na declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário 1994, somente poderão ser abatidas da renda bruta, as contribuições e doações feitas a instituições filantrópicas, de educação, de pesquisas científicas ou de cultura, inclusive artísticas, quando a instituição beneficiada preencher pelo menos os requisitos de estar legalmente constituída e ser reconhecidamente de utilidade pública por ato formal. GLOSA DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS Na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados, no Anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; relativamente ao contribuinte e seus dependentes. IMPOSTO RETIDO NA FONTE O imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, poderá ser deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual. PEDIDO DE PERÍCIA Fl. 566DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1° do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte foi cientificado do Acórdão em 22/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR ( fl. 275 pdf). Sobreveio recurso voluntário ofertado como Impugnação em 22/04/2010 (fl. 276 pdf). O recorrente argumenta basicamente o mesmo que na peça impugnatória e que: não foi comunicado em nenhum momento quanto a glosa das despesas médicas, que tem em seu poder todos os recibos originais dos médicos aos quais fez consulta; que tem em seu poder todos os recibos originais emitidos pela própria entidade, a qual forneceu, quando foram feitas as contribuições; que não pode ser penalizado pela negligência da entidade que recebeu as doações por não ter feito o lançamento em livro referente à doação; quanto às retenções na fonte, não cabe culpa ao impugnante se houve negligência das empresas que não possuem mais a documentação da época em que foram prestados os serviços que não deve nada à receita Federal e que se houver diferença a ser paga não é a exorbitância que está sendo cobrada e que não seja cobrado juros e multa. Por fim, pede a anulação e arquivamento do processo. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso ora analisado possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Primeiramente, cumpre esclarecer que será objeto de análise desta Relatora o item 3 do Auto de Infração Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 58), deixando de se manifestar, neste momento, em relação as demais infrações, pelas razões que passa a expor. Na Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte informou o valor de 58.488,69 Ufir de imposto retido na fonte. No entanto, em confronto com as DIRF entregues pelas Fontes Pagadoras só foram confirmados os valores de 21.575,16 Ufir. O montante de R$ 36.913,53 Ufir foi glosado. Ocorre que ao analisar o processo com a farta documentação juntada pelo contribuinte em sede de impugnação, verificase que foram acostadas (fls. 93 a 164) cópias dos comprovantes/informe de rendimentos recebidos pelo autuado em que constam os valores de imposto retido na fonte. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10875.001438/9938 Acórdão n.º 2301004.696 S2C3T1 Fl. 566 5 Entretanto, conforme excerto da decisão de Primeira Instância, verificase que a autuação se deu com base exclusivamente em DIRF, conforme segue: [...] Foi também glosada parte do imposto retido na fonte pleiteado. 0 lançamento foi efetuado com base nas informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal, que não encontrou processamento de Dirf com o contribuinte como beneficiário de rendimentos e de imposto retido na fonte de algumas fontes pagadoras informadas pelo impugnante que somaram 21.575,16 Ufir dos 58.488,69 Ufir pleiteados. Foi glosado o montante de 36.913,53 Ufir. (grifei) [...] Concluise, portanto, que os comprovantes carreados pelo contribuinte não foram analisados ou não foram considerados para efeitos de cálculo de imposto retido. Ao contrário, pois tendo em vista que a autuação foi feita tão somente com base em DIRF, ao recepcionar os documentos supracitados, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II, converteu o feito em diligência para intimar as Fontes Pagadoras para apresentarem esclarecimentos quanto ao valor de imposto retido na fonte no ano de 1994 (fl. 179) É parte da resolução: [...] O lançamento em questão glosou parte das deduções no montante de42.353 ,72 Ufir e parte do imposto retido na fonte no montante de 36 .913,53 Ufir. O interessado juntou para comprovação das retenções na fonte os informes de rendimentos de fls . 88 a 159. No sistema informatizado da Receita Federal consta retenção na fonte para o interessado, no ano de 1994, no valor total de 22.439,55 Ufir, sendo que o contribuinte pleiteou na sua declaração de ajuste o montante de 58 .488,69 Ufir. [...] Ato sucessivo, as intimações foram determinadas já no ano de 2005 em fls. 184 e seguintes. As intimações, por sua vez, ocorreram entre os anos de 2007 a 2009. Conforme se verifica na leitura da decisão a quo, as intimações para que as Fontes Pagadoras apresentassem suas respectivas DIRfs do anocalendário de 1994, restaram, em sua grande maioria, infrutíferas. [...] Destas fontes pagadoras, a SERVDATA TELEINFORMÁTICA LTDA e XERILINE ENGENHARIA DE TELEINFORMÁTICA LTDA não responderam, YOKOGAWA AMÉRICA DO SUL LTDA informou que não localizou em sua Dirf de 1994 pagamentos ao Sr Humberto (fl. 214), BOEHLER THYSSEN Fl. 568DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 TÉCNICA DE SOLDAGEM TDA (fl. 218) é, ALPHA CONSULTORIA COMERCIO E SERVIÇOS DE TELECOM LTDA (fl. 221) informaram que não dispõem mais das informações solicitadas, e PANCROM NDUSTRIA GRAFICA LTDA (fl. 237) informou que a maioria da documentação da época já oi destruída mas confirma recolhimentos nos valores de .Cr$ 13.484,00, R$ 150,30 e R$ 23,18 que transformados em Ufir representam 291,01 Ufir de imposto retido na fonte. [...] Em que pesa a tentativa do Fisco em confirmar junto às Fontes Pagadoras se efetivamente os valores pleiteados pelo contribuinte foram retidos, não haveria como obter êxito absoluto nas informações, uma vez que as intimações começaram a ser realizadas em 2007 e diziam respeito a documentação fiscal do ano de 1994. Somente a empresa PANCROM NDUSTRIA GRAFICA LTDA, conseguiu informar que realizou recolhimentos em nome do Sr. Humberto. Todavia, não se pode atribuir essa responsabilidade às empresas, uma vez que já havia decorrido o lapso temporal previsto na legislação para a guarda de documentos. No caso em tela, tratase de 13 (treze) anos após o fato gerador. De igual maneira não se pode penalizar o contribuinte pela inexistência dos documentos por parte das Fontes Pagadoras, uma vez que ele fez prova do que lhe competia, trazendo ao processo os Informe de Rendimentos com as respectivas retenções na fonte (fls. 93/164) daquele ano. Não há como exigir do contribuinte que faça prova do recolhimento do imposto, uma vez que o único meio de prova de que dispõe é justamente o(s) comprovante(s) de rendimentos, os quais constam os valores retidos. Sobre a questão, trago Parecer Normativo, Cosit nº 01/2002. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Neste sentido, tendo em vista que as empresas foram intimadas a destempo, os documentos trazidos pelo contribuinte devem ser considerados aptos a comprovar a retenção do imposto, sendo estas as provas que compete ao contribuinte acostar, as quais já estavam juntados ao processo quando exarada a decisão ora recorrida. O recorrente tem por garantia constitucional e processual tributária, direito a um julgamento em que os fatos e documentos constantes da defesa regularmente oferecida sejam efetivamente analisados, para que não haja flagrante ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular o Acórdão nº 1731.197 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) São Paulo II, cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão Fl. 569DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10875.001438/9938 Acórdão n.º 2301004.696 S2C3T1 Fl. 567 7 considerando hábeis e suficientes as declarações de rendimentos acostadas pelo contribuinte para comprovar o IRRF. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 570DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10925.904388/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Rocha Veiga - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/Ribeirão Preto (DRJ/POR), que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, nos termos do voto da relatora. Pela clareza do relatório do acórdão recorrido, reproduzoo para adotálo: “Tratase do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) nº 07203.16403.211209.1.2.027510, relativo a crédito de saldo negativo de IRPJ do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 04 38 8/ 20 13 -7 4 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 145 2 anocalendário 2005, informado no PER com demonstrativo de crédito e na DIPJ no valor originário de R$ 58.862,37. Conforme Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 067695389, de 04/11/2013, o direito creditório não foi reconhecido, mediante o seguinte fundamento: COMPOSIÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO: a) período de apuração do crédito: anocalendário de 2005 b) tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ c) total do IRFONTE na DCOMP : R$ 58.862,37 d) total do IRFONTE confirmado: R$ 58.862,37 e) estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores = R$ 55.059,15 f) estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores confirmadas = R$ 55.059,15 g) estimativas compensadas com outros tributos ou demais estimativas compensadas = R$ 119.173,49 h) estimativas compensadas confirmadas com outros tributos ou demais estimativas compensadas confirmadas = R$ 24.141,71 i) soma das parcelas de crédito = R$ 233.095,01 j) soma das parcelas de crédito confirmadas = R$ 138.063,23 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 146 3 k) valor original do saldo negativo informado na DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 58.862,37 l) valor do saldo negativo informado na DIPJ = R$ 58.862,37 m) somatório das parcelas do composição do crédito na DIPJ: R$ 233.095,00 n) IRPJ devido: R$ 174.232,63 o) valor do saldo negativo disponível: ZERO Enquadramento legal da não homologação: artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN). Inciso II do parágrafo 1º do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996. Artigo 5º da IN SRF nº 900, de 2008. Artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Nas Informações Complementares da Análise de Crédito, fls. 08/09, constam os dados abaixo: a) parcela confirmada do IRFONTE, com 7 fontes pagadoras = R$ 58.862,37 b) estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores com 2 DCOMP = R$ 55.019,15 c) demais estimativas compensadas confirmadas com 2 DCOMP = R$ 24.141,71 d) demais estimativas compensadas não confirmadas = R$ 95.031,78 d.1) no processo nº 13982.000094/2004575: Valor da estimativa compensada em PER/DCOMP: R$ 19.595,15 Valor não confirmado: R$ 19.595, 15 d.2) no processo nº 13982.000094/200575: Valor da estimativa compensada em PER/DCOMP = R$ 40.053,42 Valor não confirmado: R$ 40.053,42 d.3) no processo nº 13982.000093/200521: Valor da estimativa compensada em PER/DCOMP: R$ 28.113,56 Valor não confirmado: R$ 28.113,56 d.4) na DCOMP 13245.53241.161205.1.3.011700: Valor da estimativa compensada em PER/DCOMP: R$ 7.269,65 Valor não compensado: R$ 7.269,65 Total da estimativa compensada em PER/DCOMP não confirmado = = R$ 19.595, 15 + R$ 40.053,42 + R$ 28.113,56 + R$ 7.269,65 = = R$ 95.031,78 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 147 4 Na impugnação, coube à Recorrente, então Impugnante, explicar o que se segue, quanto às parcelas de R$ 19.595, 15; R$ 40.053,42; R$ 28.113,56; R$ 7.269,65, que compõem o total de R$ 95.031,78, relativo às estimativas em PER/DCOMP não compensadas, porque não confirmadas: a) quanto ao valor de R$ 19.595,15: “De acordo com o Despacho de Compensação 203/2009, o qual segue cópia no Anexo I a presente manifestação, a compensação desse período de janeiro/2005 foi deferida.” (fl. 18); b) quanto ao valor de R$ 40.053,42: “No mesmo Despacho de Compensação 203/2009 constante no Anexo I, também houve o deferimento da compensação desse período de junho/2005.” (fl. 18); c) quanto ao valor de R$ 28.113,56: “Quanto a (sic) compensação desse período de outubro/2005, o Despacho de Compensação 293/2009 o qual (sic) sua cópia esta (sic) no Anexo II, foi deferido (sic) (fl.18)”; d) quanto ao valor de R$ 7.269,95: “O débito de IRPJ de novembro/2005 foi objeto de compensação com Crédito Presumido de IPI apurado no período de 01/10/2000 a 31/12/2000 o qual foi registrado através da DCOMP citada acima, tendo em vista que esse crédito que foi autorizado seu ressarcimento por meio do Acórdão DRJ/POA N° 6.773, de 17 de novembro de 2005, o qual segue cópia no Anexo III.” (fl. 19) Uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, às fls. 17/31, assim se manifestou a autoridade a quo, no voto, sobre os valores componentes do total da estimativa compensada em PER/DCOMP não confirmado, de R$ 95.031,78: a) “Consulta à DCOMP nº 13245.53241.161205.13.011700, aponta que a compensação da estimativa do PA 11/2005, no valor de R$ 7.269,65, encontrase em discussão administrativa, ainda pendente de decisão definitiva” (fl. 69); b) “Por sua vez, consulta ao sistema SIEF Processo indica que a compensação tratada no processo nº 13982.000094/200575 foi parcialmente deferida, restando extinta a estimativa do PA 01/2005, no valor de R$ 19.595,15, estando, porém, em discussão administrativa a compensação da estimativa do PA 06/2005, no valor de R$ 40.053,42, conforme acusa o respectivo processo de cobrança, de nº 10925.720443/200999” (fl. 69); c) “Também a consulta ao sistema SIEFProcesso indica que a compensação tratada no processo nº 13982.000093/200521 foi parcialmente deferida, restando extinta a estimativa do PA 10/2005, no valor de R$ 28.113,56, conforme acusa o respectivo processo de cobrança, de nº 10925.720428/200941” (fl. 72); Portanto, a autoridade a quo considerou que estão extintos os créditos tributários relativos às parcelas de R$ 19.595,15 e R$ 28.113,56. No entanto, aquela autoridade negou o pleito da Impugnante quanto às parcelas de R$ 7.269,65 e R$ 40.053,42. Com isso, reconstitui se o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, passando para o montante de R$ 11.593,31. Decisão de primeira instância às fls. 63/78, assim ementada: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 148 5 Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. ESTIMATIVA COMPENSADA. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovada a sua extinção mediante pagamento e/ou compensação homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. ESTIMATIVA COMPENSADA. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovada a sua extinção mediante pagamento e/ou compensação homologada." Ciência da decisão de primeira instância no dia 22/10/2014, às 79. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 149 6 Recurso a este Colegiado às fls. 82/84, com entrada na repartição no dia 20/11/2014. Nesta oportunidade, aduz o seguinte: “A estimativa de IRPJ compensada no processo n° 13982.000094/200575 diz respeito ao crédito de Cofins Exportação do 3o Trimestre 2004 o qual a requerente teve seu crédito reconhecido parcialmente de acordo com o Despacho Decisório n° 2087/2008 DRF/JOA e as compensações por meio do Despacho de Compensação 203/2009, os quais constam cópia no anexo III e IV respectivamente.” (fl. 83) “Como pode ser observado no Despacho de Compensação 203/2009 a requerente compensou um débito total no valor de R$ 2.240.084,73, entretanto, foram compensados os débitos até o limite do crédito reconhecido no Despacho Decisório n° 2087/2008 DRF/JOA no valor total de R$ 1.660.887,19.” (fl. 83) “A requerente concorda plenamente com o Sr. Agente da Receita Federal em compensar os débitos até o limite do crédito reconhecido. Porém, ao glosar a compensação do débito da estimativa de IRPJ sob o código de receita 2362 do período de apuração 06/2005 no valor de R$ 40.053,42, teve seu direito a restituição do saldo negativo prejudicado, o que não aconteceria se a glosa fosse aplicada sobre o débito de IRRF do código de receita 0561.” (fl 83) “Além disso, a requerente interpôs manifestação de inconformidade em relação ao crédito indeferido, por isso, o processo esta com a situação de discussão administrativa. Assim, as compensações não reconhecidas dependem da solução desta lide.” (fl. 83) “Em relação a estimativa de IRPJ compensada na DCOMP n° 13245.53241.161205.13.011700, foi utilizado o saldo de Crédito Presumido de IPI do 4o trimestre de 2000, o qual foi reconhecido por meio do Acórdão DRJ/POA n° 6.773, de 17 de novembro de 2005, conforme cópia constante no anexo V.” (fl. 83) “Tendo em vista que a requerente obteve o reconhecimento do crédito complementar, não resta dúvida o direito a utilizar o crédito mediante a compensação. Desta forma, cabe apenas rever a decisão proferida na DRJ.” (fl. 83) A título de “requerimento final”, a Recorrente expressou os seguintes pedidos (fl. 84): “Que é feito no sentido de que Vossa(s) Senhoria(s) recebam a presente, bem como, (sic) os documentos que a instruem, e, em acatando os seus termos, haja(m) por bem em determinar: a) Quanto a estimativa de IRPJ do período de 06/2005 no valor de R$ 40.053,42 realizada no processo n° 13982.000094/200575, que o Despacho de Compensação 203/2009 seja revisto para reconhecer a compensação do débito de IRPJ código 2362 e transferido este saldo devedor para o débito de IRRF código 0561. E, haja por bem em seguida, homologar a compensação da estimativa de IRPJ; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 150 7 b) Homologação da compensação da estimativa de IRPJ do período de 11/2005 no valor de R$ 7.269,65 registrada na DCOMP n° 13245.53241.161205.13.011700, tendo em vista o reconhecimento do crédito; c) Seja refeito a apuração da Ficha 12 A da DIPJ/2006, anocalendário 2005”; e d) Reconhecer o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ.” É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste Recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Cingese a controvérsia ao atendimento das exigências legais que autorizam a restituição de duas quantias, em torno das quais mantémse o litígio. Quer a Recorrente que se determine a transferência do débito do imposto de renda cujo código de arrecadação é 2362 estimativa mensal de pessoas jurídicas não financeiras obrigadas ao lucro real – para o tributo de código 0561 imposto de renda na fonte incidente sobre trabalho assalariado. Assim, deixaria de dever a título de estimativas mensais do IRPJ e passaria a dever o imposto de renda na fonte. Tenhase, porém, em conta que o pedido acima é estranho à lide, que está circunscrita à existência de impedimentos ao deferimento do pedido de restituição, com relação às estimativas de R$ 7.269,65 e R$ 40.053,42. No mais, vêse que a Recorrente juntou aos autos, às fls. 96/99, cópia do Despacho de Compensação nº 203/2009, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/Joaçaba, que relaciona débitos compensados e não compensados no processo 13982.000094/200575. Logo de plano se constata, no documento acima assinalado, que a importância de R$ 40.053,42 não foi compensada no antedito processo. Explica a Recorrente, a esse respeito, que apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão. Essa informação já constava dos autos; o que não consta é o que se refira à eventual interposição de recurso voluntário contra o indeferimento da compensação e à prolação de decisão definitiva concernente à pretensão em referência. Destaquese que o precitado Despacho de Compensação data de 30/09/2009. O intercurso de um lapso temporal de quase sete anos, contados da expedição do citado Despacho, impõe, salvo melhor juízo, a realização de diligência para a verificação da definitividade da decisão sobre a questão agora apreciada. Em outro pólo, discutese a compensação do valor de R$ 7.269,65, cujo ressarcimento foi autorizado no processo nº 13982.000214/200119, conforme Acórdão nº 6.773, de 2005, DRJ/PortoAlegre (DRJ/POÁ), às fls. 30/31. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904388/201374 Resolução nº 1301000.372 S1C3T1 Fl. 151 8 A Recorrente vinculou o precitado crédito de R$ 7.269,75 à PER/DOMP nº 13245.53241.161205.1.3.0117, de acordo com fl. 69, informando, nessa PER/DCOMP, o número do processo em que se proferiu o Acórdão nº 6.773/2005, depois de devidamente reconhecido o direito a ressarcimento àquela quantia. A Recorrente, contudo, não satisfeita com a solução dada pelo Acórdão nº 6.773/2005, interpôs recurso voluntário ao extinto Conselho de Contribuintes, a teor do que se depreende do documento à fl. 69. A delegacia de origem, por sua vez, não emitiu e não emitirá qualquer decisão, quanto à homologação da compensação formulada na PER/DCOMP nº 13245.53241.161205.1.3.01170, enquanto pendente a lide do processo nº 13982.000214/2001 19. Ainda que se saiba que o julgamento do recurso não desconstituirá o crédito de R$ 7.269, 65, o que importa, in casu, é a extinção da obrigação tributária relativa à estimativa de IRPJ do anocalendário de 2005, para a composição do saldo negativo desse ano, consoante o pleiteado pela Recorrente. Este Colegiado não pode decidir sobre compensação que não tenha sido apreciada pela Delegacia de origem, sob pena de usurpar a competência alheia. Por isso, malgrado se constatem a certeza e a liquidez do direito creditório, é necessário aguardar a decisão sobre o pretendido encontro de contas entre esse direito e o débito a que se vinculou, na PER/DCOMP nº 13245.53241.161205.1.3.0117. Diante do exposto, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, deprecandose ao órgão local que informe quando houver decisão definitiva sobre: a) a compensação da importância de R$ 40.053,42, mencionada no Despacho nº 203/2009 da Saort/DRF/Joaçaba, às fls. 96/99; b) a homologação do encontro de contas da importância de R$ 7.269,65, intentada por meio da PER/DCOMP nº 13245.53241.161205.1.3.01170. Na oportunidade, suplicase que o órgão local apresente relatório, para o necessário esclarecimento a este Colegiado, acerca das decisões definitivas sobre as compensações citadas nos precedentes subitens, explicando se tais decisões implicam homologação total ou parcial das compensações, mantendose os presentes autos na repartição da autoridade deprecada até o momento em que for possível responder os quesitos anteriores. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 13982.720041/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Relator (João Victor Ribeiro Aldinucci) e Natanael Vieira dos Santos, que encaminhavam pela declaração de nulidade do lançamento por vício material. Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Marcelo Oliveira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-13T18:18:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-13T18:18:18Z; Last-Modified: 2016-05-13T18:18:18Z; dcterms:modified: 2016-05-13T18:18:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:1baaab33-8e5f-4fd0-9c08-31e83621d83f; Last-Save-Date: 2016-05-13T18:18:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-13T18:18:18Z; meta:save-date: 2016-05-13T18:18:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-13T18:18:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-13T18:18:18Z; created: 2016-05-13T18:18:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-05-13T18:18:18Z; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-13T18:18:18Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.720041/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.836 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRPF SOBRE RENDIMENTOS ACUMULADOS Recorrente ITELVINA SINHORI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 41 /2 01 1- 12 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Relator (João Victor Ribeiro Aldinucci) e Natanael Vieira dos Santos, que encaminhavam pela declaração de nulidade do lançamento por vício material. Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Marcelo Oliveira Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI Processo nº 13982.720041/201112 Acórdão n.º 2402004.836 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, para manter o crédito tributário exigido através de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor total de R$ 15.696,61, exercício 2009, anocalendário 2008. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação proposta na justiça, no valor total de R$ 49.734,08. A fonte pagadora dos rendimentos seria a CEF e a ação teria sido movida contra o INSS. Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que não teria havido omissão de rendimentos, pois os teria consignado como rendimentos isentos ou não tributáveis na DAA. No seu entender, os rendimentos teriam sido recebidos de forma acumulada em janeiro de 2008, ao passo que, se tivessem sido pagos nos períodos a que tinha direito (mês a mês), não teriam sofrido a incidência do imposto. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010 devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído. Notificada da decisão em 22/06/2015, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/07/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, mormente para que seja cancelado o crédito tributário. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI 4 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. IRPF sobre rendimentos acumulados Segundo a decisão recorrida, os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010 devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído. Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI Processo nº 13982.720041/201112 Acórdão n.º 2402004.836 S2C4T2 Fl. 4 5 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI 6 Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser declarada a sua nulidade. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI Processo nº 13982.720041/201112 Acórdão n.º 2402004.836 S2C4T2 Fl. 5 7 com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso, a fim de declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI 8 Voto Vencedor Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito, discordo do voto do excelso relator, pois tenho posição pelo provimento do recurso. Para sintetizar a questão e ir direito ao ponto, acompanho as razões de decidir do voto do nobre e qualificado Conselheiro Ronnie Soares Anderson, no processo, 13873.720086/201396, acórdão 2402005.013, que assim se posicionou: "Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido realizado o cálculo do imposto de renda consideradas as tabelas e alíquotas relativas aos períodos a que se referiam as parcelas devidas, mas sim as do ano calendário em que foram efetivamente percebidos os valores em questão, havendo sido os rendimentos submetidos à tabela progressiva anual. E, havendo sido reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual o imposto incide no mês do recebimento sobre o total de rendimentos, verificase incompatibilidade do lançamento com tal prescrição, afligindo tanto o aspecto temporal quanto o quantitativo da regra matriz de incidência tributária, em violação ao caput do art. 142 do Código Tributário Nacional Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. Ronnie Soares Anderson." CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos acima. Marcelo Oliveira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 13/05/20 16 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Numero do processo: 16327.002739/2002-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA APLICAÇÃO DOS MÉTODOS.
De acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados - PIC, Preço de Revenda menos Lucro - PRL e Custo de Produção mais Lucro - CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o principio da reserva legal.
IRPJ - CUSTOS - DEDUTIBILIDADE - PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a Fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo.
POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL PARA PRODUÇÃO LOCAL. VEDAÇÃO DO ART. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO COM JUROS ATIVOS.
Não há previsão regulatória nem possibilidade de registro do contrato de mútuo com juros ativos no Banco Central, sem embargo do controle por ele exercido sobre a matéria. Descabem os ajustes de preços de transferência (receita de juros), no mútuo concedido pela pessoa jurídica domiciliada no País a pessoa vinculada, na medida em que o câmbio ou a transferência internacionais em reais esteja registrada no SISBACEN, e a documentação suporte do mútuo tenha sido apresentada ao banco operador de câmbio.
Numero da decisão: 9101-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: a) Com relação ao tema da adoção, pela fiscalização, de método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. b) Com relação à possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97, Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. c) Com relação ao tema do registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: a) Com relação ao tema da adoção, pela fiscalização, de método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. b) Com relação à possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97, Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. c) Com relação ao tema do registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — APLICAÇÃO DOS MÉTODOS. De acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o principio da reserva legal. IRPJ CUSTOS DEDUTIBILIDADE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a Fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL PARA PRODUÇÃO LOCAL. VEDAÇÃO DO ART. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO COM JUROS ATIVOS. Não há previsão regulatória nem possibilidade de registro do contrato de mútuo com juros ativos no Banco Central, sem embargo do controle por ele exercido sobre a matéria. Descabem os ajustes de preços de transferência (receita de juros), no mútuo concedido pela pessoa jurídica domiciliada no País a pessoa vinculada, na medida em que o câmbio ou a transferência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 39 /2 00 2- 83 Fl. 5474DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 internacionais em reais esteja registrada no SISBACEN, e a documentação suporte do mútuo tenha sido apresentada ao banco operador de câmbio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: a) Com relação ao tema da adoção, pela fiscalização, de método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. b) Com relação à possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97, Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. c) Com relação ao tema do registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 2.645/2.689) interposto pelo contribuinte contra a decisão proferida pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão n° 10322.016, de 6 de julho de 2005 (fls. 2.473/2.516), que decidiu: ... por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Cons. Paulo Jacinto do Nascimento (Relator), Aloysio José Percínio da Silva e Alexandre Barbosa Jaguaribe que o proviam parcialmente para excluir da tributação a verba correspondente à aplicação do método dos Preços Independentes Comparados PIC, na apuração dos preços dos "princípios ativos"; e os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Flávio Franco Corrêa e Victor Luis de Salles Freire, que proviam mais a verba correspondente a "juros pagos"; por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso ex officio. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Fl. 5475DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 3 3 Silva apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Márcio Machado Caldeira, Por considerar pertinente e bem descrever os fatos transcrevo a seguinte parte do Relatório do acórdão recorrido: 1 — O AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente atua no ramo de medicamentos, importando princípios ativos e produtos acabados de empresas vinculadas, pelo que, a partir do ano calendário de 1997, seus resultados se submetem aos parâmetros da legislação brasileira sobre preços de transferência. Procedimento de fiscalização destinado a verificar se, para efeitos de apuração dos referidos tributos, a contribuinte observou a legislação aplicável, resultou na lavratura de auto de infração, composto de cinco itens. O primeiro item referese aos produtos importados prontos para revenda, para os quais, mesmo aceitando o método PRL, o Fisco contestou a apuração de preços praticada, face à não consideração dos valores e quantidades dos estoques iniciais. O segundo item diz respeito aos princípios ativos importados e aplicados em produtos acabados, para os quais foi rejeitado o Método Transacional da Margem Líquida de Lucro, aplicado pela recorrente a partir de pesquisa técnica realizada pela empresa Pricewaterhouse Coopers LLP, tendo em vista a sua desqualificação pelo Ato Declaratório SRF n° 37/02, aplicandose o método dos Preços Independentes Comparados — PIC. O terceiro item trata do controle de preços de transferência em relação aos juros pagos e auferidos pela recorrente em contratos de mútuo celebrados com pessoas vinculadas sediadas no exterior. O quarto item versa sobre a tributação da variação cambial relativa a um dos contratos de mútuo já mencionados. O quinto item cuida da exigência de multa punitiva isolada. O acórdão recorrido está assim ementado: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — APLICAÇÃO DOS MÉTODOS — De Acordo com o artigo 18 da Lei no. 9.430/96 a dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados — PIC, Preço de Revenda menos Lucro —PRL e Custo de Produção mais Lucro — CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o principio da reserva legal. IRPJ — CUSTOS — DEDUTIBILIDADE — PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que tratase de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei. Fl. 5476DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO. Em que pese o contrato ter sido celebrado antes da vigência da Lei n° 9.430/96, seus efeitos se irradiam para períodos posteriores, já regidos pela nova ordem. Somente com a ocorrência do fato gerador incide a lei tributária de regência então vigente, nos termos do art. 142 do CTN. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO. INEXISTÊNCIA DE REGISTRO. Face à inexistência do registro do contrato no Bacen, os juros reconhecidos como receita financeira se sujeitam às normas sobre preços de transferência. Registro no Sisbacen de transferência para conta CC5 não pode ser confundido com o registro no Bacen de contrato de mútuo. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A efetividade de despesas contabilizadas deve estar comprovada com documentos hábeis e inidôneos. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXONERADOS. Agiu com acerto a decisão de primeira instância quando refez o cálculo do preço praticado em 1997. Em seu Recurso Especial, a recorrente alega dissídio jurisprudencial em relação a quatro pontos: (i) necessidade de a Fiscalização pesquisar e adotar o método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte; (ii) possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4o, § 1o, da IN SRF 38/97; (iii) impossibilidade de aplicação do método PIC no caso de as informações que o respaldam terem origem em dados privativos da Receita Federal (Siscomex), em violação ao princípio do contraditório; e (iv) registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência. Os argumentos trazidos no recurso estão a seguir descritos: PRELIMINARMENTE, DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL REFERENTE À NECESSIDADE DE A FISCALIZAÇÃO PESQUISAR E ADOTAR O MÉTODO DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE com o intuito de atender aos preceitos legais e demonstrar o cabimento do presente recurso, a Recorrente colaciona excerto de decisão do Egrégio Conselho de Contribuintes (doc. 03): Acórdão nº 10709411 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Os fatos apontados pela recorrente não determinam nulidade dos Autos de Infração, mormente aqueles ligados a conversão de moeda, quando a falha apontada já fora corrigida na decisão recorrida. DOS MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E DOS EVENTUAIS AJUSTES. Mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência, os auditores fiscais encarregados da verificação deverão utilizar o método mais favorável ao contribuinte ou demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização nas operações praticadas. Fl. 5477DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 4 5 o acórdão acima transcrito consagrou a tese de que a autoridade fiscal tem o dever de identificar, comprovadamente, e aplicar o método mais favorável ao contribuinte, para fins de cômputo de ajuste de preços de transferência; esse entendimento é diametralmente oposto àquele ventilado no acórdão recorrido, o qual, explicitamente, assevera que a autoridade fiscal tem liberdade para escolher qualquer um dos métodos de preços de transferência legalmente previstos, independentemente da comprovação de que o método utilizado é o mais benéfico ao contribuinte; cumpre ainda anotar que inexiste qualquer diferença relevante entre os julgados, já que ambos analisam o anocalendário de 1997, embora o caso em comento também abranja o anocalendário de 1998; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL REFERENTE À POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL PARA PRODUÇÃO LOCAL DIANTE DA VEDAÇÃO DO ARTIGO 4º, §1°, DA IN 38/97 nessa questão o Recurso Especial encontra cabimento, uma vez que mais de uma câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já entendeu que o artigo 4º, §1°, da Instrução Normativa SRF 38/97 não teria o condão de impedir a aplicação do método PRL a atividades de industrialização no Brasil de insumos adquiridos do exterior. Os dois acórdãos divergentes a seguir apresentam esse entendimento (docs. 04 e 05): Acórdão nº 10809551 IRPJ — PREÇO DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODO PRL —IMPORTAÇÃO DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE NOVO BEM — INSTRUÇÃO NORMATIVA RESTRITIVA DE DIREITO — A IN SRF n° 38/1997 restringiu indevidamente a aplicação do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados à produção de outro bem. Possibilidade de adoção do método PRL. Inaplicável o método PIC, por unilateralidade de dados disponíveis, somente Fisco, com grave desrespeito ao princípio do contraditório e fundamentação em dados subjetivos, sem aferição em consistência objetiva de similaridade de produtos, de acordo com a legislação aplicável. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 10708725 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL ANOCALENDÁRIO DE 1999 O art. 18 da Lei n° 9.430/96 não veda a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL na avaliação de eventuais ajustes a título de "Preços de Transferência" relativamente aos custos de bens importados de empresas ligadas estabelecidas no exterior. A vedação constante do § 1° do art. 4º da então vigente Instrução Normativa SRF n° 38/97 não tinha base legal. cumpre ainda anotar que os acórdãos divergentes mencionados se relacionam ao anocalendário de 1999 ou anteriores, fato expresso na ementa de um dos Fl. 5478DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 julgados. Dessa forma, não há diferença entre a situação da Recorrente e aquelas abrangidas pelos acórdãos divergentes; além da evidente ilegalidade da vedação ao método PRL, o primeiro desses acórdãos vai ainda mais longe, deixando explícito em sua fundamentação que a vedação ao método PRL estabelecida pela IN 38/97 não pode ser justificada pelo fato de o produto importado ter sido usado como insumo na produção de outro bem, esse revendido para terceiros; nem poderia ser afastado somente com base em supostas dificuldades decorrentes da averiguação do peso do insumo no produto final. Mesmo a introdução do PRL 60 pela Lei 9.959/2000 não teria o condão de justificar qualquer vedação de aplicação do PRL no período pretérito; o caso analisado no acórdão era idêntico ao da Recorrente, qual seja, importação de princípio ativo que sofre no Brasil adição de água e outros substratos que lhe permitam comercialização no mercado interno como medicamento; tal entendimento é totalmente oposto ao acórdão recorrido, o qual fundamentou a aplicação do método PIC e afastamento do método PRL por considerações puramente casuísticas, sem suficiente amparo legal; resta claro ser cabível o presente Recurso Especial, por meio do qual será demonstrado que a decisão da Colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (atual Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) merece ser reformada, com o conseqüente cancelamento do auto de infração ora lavrado no que se refere a essa questão; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL REFERENTE À POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PIC NO CASO DE AS INFORMAÇÕES QUE O RESPALDAM TEREM ORIGEM EM DADOS PRIVATIVOS DA RECEITA FEDERAL, EM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO essa situação é aquela em que o cálculo toma por base "secret comparables", isto é, informações sobre operações registradas no SISCOMEX a que o contribuinte jamais teria acesso, mas que o Fisco consegue obter por meio de seu poder fiscalizatório; ao contrário do entendimento que respaldou o acórdão da antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho (atual Segunda Câmara da Primeira Seção), a antiga Oitava Câmara entendeu que a utilização do método PIC pelas autoridades fiscais desatende ao principio do contraditório: Acórdão nº 10809551 IRPJ — PREÇO DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODO PRL — IMPORTAÇÃO DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE NOVO BEM — INSTRUÇÃO NORMATIVA RESTRITIVA DE DIREITO — A IN SRF n° 38/1997 restringiu indevidamente a aplicação do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados à produção de outro bem. Possibilidade de adoção do método PRL. Inaplicável o método PIC, por unilateralidade de dados disponíveis, somente Fisco, com grave desrespeito ao princípio do contraditório e fundamentação Fl. 5479DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 5 7 em dados subjetivos, sem aferição em consistência objetiva de similaridade de produtos, de acordo com a legislação aplicável. Recurso Voluntário Provido. o acórdão divergente mostra perfeita consonância com o caso da Recorrente, uma vez que também o caso do acórdão envolveu a importação de princípios ativos utilizados na fabricação de remédios a partir de Estados com os quais o Brasil mantinha acordos de bitributação (no caso, França e Alemanha); além disso, também envolveu a desqualificação do Método adotado pela contribuinte (no caso, o PRL no anocalendário de 1999) para a adoção do método PIC calculado pela própria Autoridade fiscal; marchando em sentido contrário, o acórdão recorrido admite a utilização de informações disponíveis apenas ao Fisco, constantes do SISCOMEX; há ainda questão subsidiária envolvendo o ônus da prova em se demonstrar que as informações obtidas por meio do SISCOMEX tinham natureza sigilosa. Segundo o acórdão recorrido, a prova de que a Recorrente não teve acesso a tais informações seria da Recorrente. Isso constitui prova negativa, o que é expressamente afastado pela jurisprudência não só do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como de quaisquer outras cortes ou instâncias judiciais e administrativas. Do antigo Segundo Conselho de Contribuintes segue colacionada a ementa de um acórdão paradigma (doc. 06): Acórdão nº 20212611 SIMPLES — Pode optar pelo Sistema a pessoa jurídica que preste serviços de processamento de dados, desde que, atendidos os demais requisitos legais, não preste serviços de programador. Apresentadas provas do exercício de atividade de comércio e reparação de equipamentos, não seria plausível exigir da empresa a apresentação de prova negativa, ou seja, do não exercício da atividade impeditiva a adesão ao SIMPLES. Cabe ao Fisco tal prova. Recurso provido. DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL REFERENTE AOS REQUISITOS DE REGISTRO DE CONTRATOS DE MÚTUO COM JUROS ATIVOS NO BANCO CENTRAL PARA O AFASTAMENTO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA no que se reflete a esse terceiro tema trazido à apreciação desta Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, a divergência jurisprudencial pode ser verificada pela ementa colacionada abaixo, de origem da antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (doc. 07): Acórdão nº 10808712 IRPJ — REGISTRO DE CAPITAIS NO BACEN — O registro de capitais no BACEN, desde a edição da Lei n° 4.131, de 1962, não contempla um sistema de registro dos capitais brasileiros destinados ao exterior e sim o dever de prestar informações. A Lei n° 9.430/96 ao dispor sobre o registro dos contratos de mútuo no Banco Central do Brasil não trata do registro na Fl. 5480DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 forma existente para os capitais estrangeiros, uma vez que o mesmo inexiste. Permanecer a pretenção (sic) fiscal equivaleria à norma ter criado uma condição impossível para o contribuinte. Somente com a edição da MP 2.224, de 2001, foi restabelecida a obrigatoriedade de declaração, para o BACEN, de capitais brasileiros detidos no exterior. O Conselho Monetário Nacional e o BACEN instituíram a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior, a ser prestada anualmente a partir de 2002. Recurso de Ofício Negado. cabe muito bem observar que a decisão trata de questão idêntica àquela ora discutida. O relatório do acórdão destaca que os contratos de mútuo em análise foram celebrados entre os anos de 1995 a 1997, sendo as receitas financeiras respectivas apropriadas entre 1997 e 1999. Além disso, os valores remetidos foram registrados apenas na conta CC5; a razão para tanto, veiculada no acórdão, é que o registro do capital de brasileiros remetido ao exterior não estava sujeito a registro à época da Lei 9.430/1996, apenas o registro do capital de estrangeiros no Brasil. O registro para brasileiros só veio a efetivamente existir com o advento da Medida Provisória 2.224/2001, que o instituiu para funcionar a partir do anocalendário de 2002. No presente caso, os contratos discutidos foram celebrados em 1998; dessa forma, só poderia ser imposto ao contribuinte o requisito de registro nos termos do artigo 22, §4°, da Lei 9.430/1996 nos termos em que era juridicamente possível, isto é, mediante os registros de controle dos contratos na conta CC5, na forma da Circular BACEN 2.677/1996; já o acórdão recorrido adota entendimento oposto, ignorando que a legislação à época dos fatos não impunha maiores controles regulatórios do Banco Central; portanto, é de se reconhecer o cabimento do presente Recurso Especial a respeito dessa questão, ante a divergência jurisprudencial acima demonstrada; NO MÉRITO, OS ARGUMENTOS EXPOSTOS PELA RECORRENTE DA COMPULSORIEDADE DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA QUE ENVOLVER O AJUSTE MENOS GRAVOSO AO CONTRIBUINTE reiterese, antes de tudo, que a Recorrente apresentou planilhas de cálculo propondo a aplicação subsidiária do método PRL (fls. 17151723), ignoradas pelo voto condutor do acórdão. Dessa forma, mesmo em se adotando o entendimento do relator do voto condutor, o Método PRL proposto deveria ter sido aceito pela Câmara, visto que o ajuste correspondente se afigurava ainda menos gravoso que o método TNMM usado pela Recorrente; ainda que isso não tivesse ocorrido, apenas para fins de argumentação, o posicionamento fortemente jurídico assumido pelo relator original, o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, teria também bastado para firmar a posição favorável à Recorrente. Para o ilustre conselheiro, o auditor fiscal está vinculado no ato do lançamento a demonstrar que o requisito legal de adoção do método mais favorável ao contribuinte fora cumprido; observese que o dispositivo não faz diferenciação sobre quem deverá utilizar o método mais favorável ao contribuinte entre os previstos da legislação, se o Fisco ou o contribuinte. Ademais, é decorrência lógica, como bem reconhecido pelo voto vencido, que Fl. 5481DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 6 9 "a autoridade fiscal, quando faz uso de um determinado método para lançar tributo, o faz como ato preparatório do próprio lançamento"; assumir que o auditor fiscal tenha discricionariedade na escolha do método sem a necessidade de fundamentar a negação de utilização de determinado método é o mesmo que dizer que o lançamento que será feito com base no método adotado também será discricionário. Seguindo o raciocínio da argumentação expendida no voto vencido, essa discricionariedade viola expressamente a redação do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; observese ainda que o artigo 142 é taxativo ao afirmar que é vinculante não apenas o lançamento propriamente dito, mas todas as atividades administrativas a ele ligadas, inclusive "o cálculo do montante do tributo devido". Naturalmente, o cálculo do montante do tributo devido é efetuado por meio da definição do método aplicável; comprovada a divergência de posicionamento entre as câmaras, requerse que seja reconhecido que a atividade administrativa de lançamento inclui também a escolha do método que resultar no ajuste menos gravoso ao contribuinte, pois dessa escolha será determinado o montante de tributo a ser cobrado. Adicionalmente, requerse a descaracterização do lançamento ora analisado no que se refere à aplicação do PIC, uma vez que não foi demonstrado pela autoridade fiscal que esse seria o método de ajuste menos gravoso, o que torna o lançamento insubsistente; DA IMPOSSIBILIDADE DE VEDAÇÃO AO EMPREGO DO MÉTODO PRL NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA RECORRENTE como já argüido por ocasião da análise, do cabimento do presente recurso, o voto condutor do acórdão em nenhum momento dispôs que o método PRL não seria aplicável ao presente caso, seja na modalidade de margem de lucro de 20%, existente à época do fato gerador e cuja aplicação ilegalmente fora vedada pelo artigo 4°, §1°, da Instrução Normativa 38/1997, seja pela margem de lucro de 60%, mais conservadora, introduzida pela Lei 9.959/2000; reiterese ainda que o motivo para o repúdio à aplicação do método PRL pelo acórdão recorrido, que ignorou ter a Recorrida feito o cálculo mais conservador previsto no PRL60 para demonstrar que esse ajuste seria menos gravoso que aquele apontado pelo método PIC apurado pela fiscalização, foi o de o método PRL não poder ser aplicado adequadamente à situação em que houve industrialização, sob pena de ser "simplista"; com o devido respeito ao posicionamento apresentado, se o TNMM não pode ser aplicado porque a legislação expressamente não prevê sua aplicação ou forma de cálculo, não se pode recusar a aplicação do método PRL com o argumento de que sua aplicação seria "simplista" se a própria legislação tributária (mormente a Instrução Normativa 38/97, seguida pela Instrução Normativa 243/2002) determina exatamente como utilizálo. Isso é decorrência da própria vinculação da atividade de lançamento tributário; nem se diga, como articulado pela primeira instância julgadora, que o PRL não seria aplicável pela Recorrente porque a utilização da margem de lucro de 60% para produção local só foi introduzida no ordenamento pela Instrução Normativa 243/2002, pois o próprio trecho supracitado bem mostra que não se tratou da introdução de novo método, mas sim do desdobramento das margens previstas no método PRL; Fl. 5482DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 10 a jurisprudência atual de várias câmaras do Conselho.Administrativo de Recursos Fiscais reconhece expressamente que o PRL20, marcadamente menos conservador que o PRL60, não pode ser afastado pela fiscalização com base no artigo 4°, §1°, da Instrução Normativa 38/1997, quando esse veda a aplicação do PRL em operações que envolvam produção local (ementas transcritas); ora, quem pode mais, pode menos. Se os julgados apresentados permitem a aplicação do PRL20, mais permissivo que o PRL60, apresentado pela Recorrente, de pronto já se verifica que o método PIC não representa o ajuste menos gravoso, devendo assim ser afastado; destarte, comprovada a divergência de posicionamento entre as câmaras, requerse que seja reconhecido que o método PRL deve ser aplicado, uma vez que a IN 38/97 não teria o condão de vedálo com o fundamento de que se trataria de atividade de produção local do produto revendido com insumos importados. Adicionalmente, requerse a descaracterização do lançamento ora analisado no que se refere à aplicação do PIC em substituição ao método PRL, uma vez que, ao contrário do propugnado pelo voto condutor à página 42 do acórdão, a Recorrente efetivamente apresentou os cálculos sob esse método, o que torna o lançamento insubsistente; DA IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAREM INFORMAÇÕES DO SISCOMEX PARA RESPALDAR A APLICAÇÃO DO MÉTODO PIC FEITA PELA AUTORIDADE FISCAL como já exposto retro, o método PIC utilizado pela Autoridade fiscal utilizou como base informações obtidas por meio de pesquisas ao SISCOMEX a que a Recorrente não tinha acesso no momento do fato gerador. O acórdão ora recorrido adotou os argumentos de primeira instância no sentido de que não haveria vedação legal à utilização do SISCOMEX, de que o ônus da prova de comprovar o sigilo de mercado dos dados era do contribuinte, de que esse, antes da autuação, teria tido acesso às informações por meio das opções previstas no artigo 6°, da IN 38/97 e, depois, pela disponibilização das informações colhidas pela fiscalização; consignese inicialmente que a plena aplicabilidade dos preceitos legais da Lei nº 9.430/1996 depende necessariamente da possibilidade de a contribuinte poder fazer uso das informações que lhe estão disponíveis no momento do fato gerador. Esse é um corolário direto de dois princípios jurídicos diferentes; primeiramente, o próprio princípio do arm's length, cuja potestatividade o acórdão recorrido negou vigência. Se esse princípio busca aproximar as transações entre partes vinculadas daquelas empreendidas por terceiros independentes, a própria fiscalizada precisa ter acesso aos preços de mercado praticados pelos terceiros independentes no momento do fato gerador; a outra base se encontra no princípio que estabelece que a lei (e, por conseqüência, o ato administrativo) não deve obrigar alguém a cumprir uma obrigação juridicamente impossível, no caso, apurar o imposto devido com base em informações a que legalmente não tem acesso; observese que, no caso, o artigo 21 da Lei 9.430/1996 não permitiu aos contribuintes fazer uso de informações do SISCOMEX, dado estabelecer a obrigação de que os custos e preços médios sejam obtidos a partir de publicações ou relatórios oficiais do governo ou declaração da autoridade fiscal, bem como pesquisas de mercado e publicações técnicas. Fl. 5483DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 7 11 Porém, as informações do SISCOMEX não são publicadas pelo Governo Federal, o que por si só, ainda que não houvesse vedação legal, seria suficiente para configurar a impossibilidade jurídica da aplicação do método PIC pela Recorrente. Ademais, nem a primeira instância julgadora e nem o acórdão analisaram a redação do artigo 21 da Lei 9.430/1996 em suas respectivas fundamentações; a primeira instância julgadora e o acórdão recorrido, quando subscreve seus argumentos, alegam que caberia à Recorrente comprovar o sigilo de mercado das informações a que a fiscalização teve acesso para calcular o preçoparâmetro pelo método PIC. Isso constitui prova negativa, dado significar que a Recorrente deveria fazer prova de que não teve acesso a informações confidenciais de seus concorrentes. Como já extensamente discutido em sede de Recurso Voluntário, qualquer jurisprudência, judicial ou administrativa, inclusive o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não admite que incumba ao contribuinte o ônus de prova negativa; sendo assim, é patente que no caso teria sido ônus da fiscalização demonstrar que a Recorrente podia ter obtido acesso público às informações utilizadas para o cálculo pelo método PIC; tal questão do ônus da prova invalida, também, o argumento final referente ao artigo 6° da IN 38/97, à medida que a argumentação parte do pressuposto de que a Recorrente teria acesso às informações previstas naquele dispositivo, o que era ônus da prova da fiscalização demonstrar ao propor o método PIC; ainda mais espantoso é o argumento de que o método PIC teria sido validado porque a Recorrente teria tido acesso às informações do método após a autuação. Consoante já demonstrado acima, é inútil para o cumprimento regular da obrigação tributária a liberação de informações depois da autuação fiscal, já que isso ocorre em uma situação em que a Recorrente estava sendo penalizada com multa de oficio, sem ter tido a oportunidade, durante o fato gerador, de aplicar o método PIC, caso esse fosse o menos gravoso para a Recorrente; desta forma, demonstrase a imperatividade em se reformar o acórdão recorrido também no que tange à aplicação do método PIC pela Autoridade fiscal com base em informações indisponíveis para a Recorrente à época do fato gerador. Caso assim não se entenda, requerse a anulação do julgado recorrido em função da omissão sobre a taxatividade do artigo 21 da Lei 9.430/1996, determinandose a prolação de nova decisão; DO AFASTAMENTO DO REQUISITO DE REGISTRO NO SISBACEN NA FORMA PRECONIZADA NO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÕES POSTERIORES o próprio Conselho de Contribuintes já reconheceu que até o advento da Medida Provisória 2.224/2001 não havia outros mecanismos de controle senão o registro na conta CC5 disposta na Circular BACEN 2.677/1996 e o próprio controle das remessas dos valores envolvidos no SISBACEN; fazse necessária uma digressão sobre a regulamentação do Banco Central em relação ao comando do artigo 22, §4°, da Lei 9.430/1996. Por ocasião da publicação da Lei 9.430, em 27 de dezembro de 1996, o Banco Central já havia publicado a Resolução 2.337, no dia 28 de novembro anterior. Essa resolução autorizava a informatização do registro no Banco Central pelo módulo ROF (Registro de Operações Financeiras) e RDE (Registro Declaratório Eletrônico), até então feito via papel; Fl. 5484DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 12 a Resolução 2.337/1996 previu toda sorte de registros, inclusive o registro de "empréstimos e financiamentos concedidos a residentes no exterior por residentes no País" (artigo 1°, inciso II). Essa nova disposição, no entanto, não foi de pronto operacionalizada pela edição de uma Circular, ao contrário das demais. Isso porque esse procedimento dependia de uma previsão legal, a qual não existia na época da edição da resolução mencionada; outra não poderia ter sido a conduta do Banco Central. Originalmente, a Lei 4.132/1962, que estabelece as fundações das normas cambiais brasileiras, não previa o registro de contratos sobre o envio de recursos ao exterior por residentes, apenas o registro de valores que viessem do exterior para o Brasil. A única previsão relevante tratava da necessidade de se declararem os bens de residentes no exterior, mesmo assim revogada com a edição do Decreto lei 94/1967; dessa forma, por falta de previsão legal, a autorização do artigo 1°, inciso II, da Resolução 2.337/1996 permaneceu dormente, sem amparo legal, até a edição da Medida Provisória 2.224/2001, a qual reinstituiu a declaração de capitais de residentes existentes no exterior; em assim sendo, pode ser observado que a Recorrente à época dos fatos preencheu todos os requisitos que a regulamentação do Banco Central exigia, quais sejam, o registro da transferência internacional dos recursos à conta CC5 e o próprio registro da remessa no SISBACEN; não há que se entender, ao contrário do disposto no acórdão ora combatido, que a Recorrente não efetuou o registro no Banco Central do seu contrato de mútuo, pois atendeu a todos os ditames juridicamente possíveis à época dos fatos, como reconhecido no acórdão paradigma em situação idêntica; entender o contrário significaria dizer que a Recorrente estaria obrigada a cumprir uma disposição da Lei 9.430/1996 juridicamente impossível. não bastasse isso, causa jurídica suficiente, a Recorrente chegou a demonstrar nos autos que em razão dos vultosos valores envolvidos a operação como um todo, que envolvia sucessivos contratos de mútuo à Johnson & Johnson, foi sujeita à auditoria do próprio Banco Central em dezembro de 1996 (fls. 2153 2165), tendo os contratos de mútuo celebrados em 1998 exatamente as mesmas características dos então verificados; portanto, é de ser reconhecida a nulidade do acórdão no que entende pelo desatendimento dos requisitos de registro dos contratos de mútuo no Banco Central, dado ter a Recorrente obedecido a todos os requisitos estabelecidos pela legislação antes do advento da Medida Provisória 2.224/2001; ainda é possível que se alegue que o comando do artigo 22, §4°, da Lei 9.430/1996 exigiria o registro do contrato, de forma que a inexistência dessa forma de registro na regulamentação do BACEN levaria à necessidade de que todos os contratos, sem exceção, tivessem seus juros submetidos às regras de preços de transferência; ARGUMENTAÇÃO SUBSIDIÁRIA: DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA observese, primeiramente, que tal entendimento levaria a um tratamento desigual entre mutuantes e mutuários residentes no Brasil, já que apenas os últimos teriam acesso ao beneficio de não terem de se submeter às regras de preços de transferência. A hipótese de pronto já mostra afronta ao princípio da isonomia, já que não há nada que justifique que uns tenham acesso ao beneficio em detrimento de outros; Fl. 5485DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 8 13 em segundo lugar, afigurase absurdo afastar o beneficio da regra do artigo 22, §4°, com essa base ao se considerar que a inexistência da exigência do registro do contrato em si resultou da inércia do próprio Estado em criar o amparo legal que permitisse exigila. É requisito da própria hermenêutica jurídica que não se adote interpretação que resulte em condição impossível; ARGUMENTAÇÃO SUBSIDIÁRIA: DO CONCEITO DE "REGISTRO" NA REGULAMENTAÇÃO DO BACEN não existe outra providência a ser tomada, senão a identificação do sentido mais adequado a ser relacionado ao "registro" aludido no artigo 22 da Lei n° 9.430/96; com o fito de conferir adequada interpretação ao termo "registro", e objetivando não tornálo letra morta com relação aos empréstimos concedidos por empresas brasileiras, é por demais admissível adotarse a analogia para esse propósito; o sentido do vocábulo "registro" no caso de empréstimos concedidos por mutuantes brasileiras é o cumprimento das obrigações regulatórias impostas pelo BACEN em face da existência do contrato de mútuo; observado o cumprimento destas obrigações, quaisquer que sejam as suas denominações, constantes dos atos expedidos pelo BACEN, tornase inexigível quaisquer ajustes decorrentes da legislação de preços de transferência relativos a juros; a Recorrente firmou, na realidade, uma série de contratos de mútuo sucessivos com as mesmas características, nos anos anteriores ao da autuação, sendo todos eles parte de uma só grande operação. Essa operação, como é pratica nas relações empresariais, envolve uma única dívida (global), que passou a ser renegociada (rolagem da dívida) por contratos de mútuo posteriores; os contratos objeto do Auto de Infração foram celebrados nesse contexto, e tiveram por objetivo "rolar" a dívida que provinha de anos anteriores. Em razão dos vultosos valores envolvidos, na grande operação realizada entre a Recorrente e a J&J, esta foi detectada e submetida a procedimentos de auditoria pelo BACEN; no curso da referida fiscalização, uma reunião entre representantes da Impugnante e daquele órgão chegou a ser realizada em data de 03/12/1996, tendo a Impugnante posteriormente detalhado em carta protocolada (já anexada à impugnação) o montante individualizado dos juros ativos praticados na operação; notese que a mencionada carta faz referência à "operação de mútuo firmada em 27/09/96", a qual se consubstanciou em dois contratos firmados naquela data (já juntados à impugnação), com exatamente as mesmas características dos contratos de mútuo analisados pela D. Autoridade Fiscal no Auto de Infração, fato que demonstra serem todos eles relacionados a uma mesmo relação jurídicoobrigacional; dessa feita, é inegável que o BACEN tomou conhecimento da taxa de juros praticada (a qual, vale repetir, é a mesma em todos os contratos da operação global acima relatada, da qual fazem parte os contratos abrangidos pelo Auto de Infração) e permitiu a realização da operação, o que significa uma aprovação da taxa de juros utilizada; Fl. 5486DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 14 nem se alegue, na tentativa de desqualificar a aprovação do BACEN acima indicada, que ela teria sido concedida tacitamente, pois, em razão da inexistência de um módulo formalizado para o registro de tais operações, esse é o único meio pelo qual a referida aprovação poderia darse; o exame do contrato de mútuo, a análise e a aprovação das taxas de juros praticados pelo BACEN reforça a convicção de que a Recorrente cumprira todos os requisitos regulatórios impostos por aquela autarquia em virtude da existência dos contratos de mútuo, deixando de sujeitarse ao controle de preços de transferência relacionado aos juros, e, indo além, adotou taxas de juros em suas operações que devem ser aceitas pelo Fisco, à luz do § 4º do artigo 22 da Lei n° 9.430/96; AD ARGUMENTANDUM TANTUM: CASO NÃO PREVALEÇA A INTERPRETAÇÃO ACIMA APRESENTADA, O LANÇAMENTO E O ACÓRDÃO RECORRIDO PADECEM DE FATAL VÍCIO DE MOTIVAÇÃO na insólita hipótese de não ser acatada a interpretação acima, o que se admite por amor à argumentação, e por força do princípio da eventualidade, ainda assim o Lançamento não deve prosperar no que se refere à aplicação das regras de preços de transferência atinentes aos juros; isto porque, se fosse afastado o sentido acima atribuído ao "registro", e, considerandose que um tal registro não existe para empréstimos concedidos por empresas brasileiras, então seria forçoso concluir que essa condição se mostraria irrelevante para esse tipo de transação. Ou seja, fugiria ao escopo do artigo 22 da Lei n° 9.430/96 qualquer cogitação sobre o registro no BACEN quando esta norma fosse aplicada à espécie de contrato aqui referido; como já foi dito, o Lançamento e a Decisão tiveram suas conclusões relativas aos preços de transferência motivadas exatamente pela falta do tal registro no BACEN; no contexto em que esse registro se torne irrelevante — como ora se conjectura — uma motivação calcada na ausência de um tal registro mostrase absolutamente inábil a fundamentar a exigência fiscal; ora, entre o motivo e a cominação da exigência do lançamento tributário, deve haver um nexo lógicocausal implacável, do tipo "Se A é, B deve ser". Utilizando a motivação da fiscalização e da DRJ (se o contrato não for registrado perante o BACEN), não é possível chegarse ao conseqüente "o controle dos preços de transferências deve ser"; ressaltese que a insubsistência da acusação em casos como esse já foi expressamente reconhecida pelo Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em caso análogo ao presente. Nos autos do processo administrativo n° 13884.005045/200375, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração contra acórdão favorável ao contribuinte, o qual foi rejeitado, com base no princípio da motivação (ementa transcrita); o caso acima cai como uma luva ao presente. O vício de motivação aqui verificado é o mesmo que, segundo este colegiado já se pronunciou, tornou o lançamento inviável em um caso semelhante. Desse modo, é forçoso o reconhecimento, também no caso presente, da inexistência de vínculo lógico entre os motivos do Auto de Infração e a exigência tributária nele plasmada. Também é mister terse em mente que tal vício não pode ser corrigido pela autoridade julgadora; Fl. 5487DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 9 15 assim, é patente a impossibilidade de manutenção da acusação relativa ao artigo 22 da Lei n° 9.430/96, mesmo que se admita a esdrúxula interpretação aqui suscitada, por conta da imprestabilidade da motivação invocada pela fiscalização e pela DRJ quanto a esse ponto. Por meio do Despacho 12000.307/2009 (efls.3523/3529), de 28/08/2009, a Presidente da 2a Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) NEGOU seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte em relação ao ponto (iii) impossibilidade de aplicação do método PIC no caso de as informações que o respaldam terem origem em dados privativos da Receita Federal (Siscomex), em violação ao princípio do contraditório, e DEU seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte em relação aos demais pontos aduzidos. A negativa parcial de seguimento do recurso especial está assim motivada no despacho acima referido: III Impossibilidade de aplicação do método PIC no caso de as informações que o respaldam terem origem em dados privativos da Receita Federal A divergência apontada em relação a esse terceiro ponto, referese à utilização de informações constantes no Siscomex, as quais o contribuinte só veio a ter acesso por ocasião do lançamento. Sobre esse ponto a recorrente aduz que o uso do Siscomex não está contemplado no art. 21 da Lei n° 9.430, de 1996. Essa matéria não foi objeto de julgamento, não consta expressamente na ementa ou nas razões de voto do Acórdão recorrido. Diferentemente do item anterior, em que a matéria sob exame estava absorvida por aquela tratada no primeiro item deste Despacho, nesse ponto específico isso não ocorre. Ainda que a recorrente tenha consignado sua insatisfação quanto à utilização de dados do Siscomex por ocasião do lançamento, tal fato não foi objeto de julgamento. Nos casos em que o julgador não se manifesta sob determinado ponto no recurso voluntário, é necessário que o sujeito passivo apresente embargos de declaração, conforme estabelece o art. 57 do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. Dessa forma, como não há decisão desfavorável quanto a esse ponto, não há como se estabelecer paradigma jurisprudencial, razão pela qual, sob essa matéria especifica, deve ser negado seguimento ao recurso. Por meio do Despacho nº 213 2ª Turma, de 30/09/2009, o Presidente da CSRF, em sede de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, decidiu em caráter definitivo pela manutenção do despacho da Presidente da Câmara, que negou seguimento a um dos itens do recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. Em 02/10/2009, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial da contribuinte, e em 14/10/2009 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: Fl. 5488DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 16 DA NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO de acordo com os documentos constantes dos autos, o Recorrido, durante os anos de 1997 e 1998, adquiriu de empresas vinculadas sediadas no exterior, princípios ativos para fins de elaboração de medicamentos no Brasil. Em função do disposto no art. 18 da Lei n.° 9430/96 (em sua redação original, eis que o dispositivo somente foi alterado com a edição da Lei 9.959, de 2000), ajustou o preço dos produtos importados, utilizando, entretanto, o método fixado no inciso II desse artigo, qual seja, o "método do preço de revenda menos lucro PRL"; a Fiscalização, tendo em vista o disposto no art. 4º, §1°, da IN SRF n.° 38/97, entendeu que o Recorrido não poderia ter utilizado o "método do preço de revenda menos lucro" para ajuste do preço dos produtos importados, e reajustouos, mediante a utilização do "método dos preços independentes comparados PIC", disposto no art. 18, I, da Lei n.° 9430/96; A FISCALIZAÇÃO NÃO ESTÁ OBRIGADA A PESQUISAR E ADOTAR O MÉTODO DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. não há comando legal determinando ao Fisco a utilização de método mais favorável ao Contribuinte. Ao contrário e em verdade, há determinação normativa, da qual não pode a Fiscalização esquivarse, no sentido de que os Auditores Fiscais poderão determinar o método de acordo com a documentação disponível, aplicando quaisquer dos métodos existentes e compatíveis com cada caso; não há qualquer imposição legal de utilização de determinado método ou de utilização de método mais favorável ao contribuinte; o que se impõe à contribuinte, nas operações com pessoas vinculadas no exterior, é a utilização dos métodos previstos na Lei n° 9.430/96 e na IN SRF n° 38/97, visando à verificação se os preços praticados estão de acordo com os de mercado; não procedem as alegações contrárias aos métodos escolhidos pela Fiscalização para a apuração dos preços de transferência. é preciso mencionar ainda que o entendimento ora defendido pela Fazenda Nacional encontra amplo suporte na jurisprudência deste Conselho (ementas transcritas); O MÉTODO PRL É INAPLICÁVEL A ESTE CASO é importante ressaltar que este Conselho já declarou reiteradamente a legalidade da Instrução Normativa SRF n.° 38/97 (Acórdão 10322125 ementa e voto transcritos); o contribuinte pugna por uma interpretação literal, e, portanto, limitada e equivocada; a proibição ao contribuinte de utilização do método PRL para fins de ajuste do preço da importação da matériaprima, é clara, mesmo na ausência de uma "disposição expressa"; Fl. 5489DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 10 17 inferir, com base no princípio da legalidade, que apenas proibições "expressas" em lei devem ser observadas, é mera figura de retórica, que não se sustenta diante do mais simples questionamento; a impossibilidade do uso do método PRL pelo Recorrido decorre da estrutura da norma contida no art. 18 da Lei 9.430/96; qual dos métodos utilizar em um caso concreto? Evidentemente, o método aplicável, compatível à hipótese, é óbvio. E se algum método não é aplicável, compatível à hipótese, não pode ser utilizado, seu uso está proibido pela própria norma; haverá situações em que dos três métodos, o Recorrido somente poderá aplicar um, ou dois, ou até mesmo nenhum, em hipóteses excepcionais. É possível, por exemplo, que o contribuinte não possa utilizar o método do custo de produção mais lucro — CPL, quando não tiver acesso aos custos de produção do exportador; a IN 38/97 prevê que na hipótese de importação de bem para utilização, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, a determinação do preço de transferência não poderá ser efetuada mediante o método PRL. Em verdade, a Instrução Normativa visa apenas prevenir o Recorrido acerca da impossibilidade de utilização de um método que não permite a correta apuração do preço de transferência; não foi a IN 38/97 que impediu a utilização do PRL pelo Recorrente. Essa limitação é inferida apenas com a leitura do art. 18 da Lei 9.430/96. A IN 38/97 esclareceu algo que já se encontrava na Lei 9.430/96, que o Recorrido que importa matériaprima para produção de outro bem não pode utilizar o método PRL, pois ao não levar em consideração o custo de produção no País, o preço de transferência resta distorcido; por outro lado, apenas para fins de argumentação, a utilização do método PRL pelo Recorrente, não há dúvida, importaria a necessidade de apartar do preço ajustado os custos de produção do bem vendido pelo Recorrente; como restou muito bem demonstrado no excelente voto da lavra do e. conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no processo administrativo n° 16327.004322/2002 55 (Acórdão n° 10194.859) seria necessário descobrir o custo de todos os insumos exatamente utilizados na elaboração do produto final; no método PRL proposto pela OCDE, o preço de revenda é descontado de uma margem bruta de receita, que deverá cobrir os custos do Recorrente e representar um lucro. A margem seria obtida mediante comparação com operações similares. O resultado dessa operação será o preço usual, de mercado, da matériaprima importada; o Brasil não acatou as sugestões da OCDE acerca dos métodos para apuração do preço de transferência, mas o principio de que o custo de produção deve ser separado do custo da matériaprima importada é comum ao Brasil e à OCDE. Na verdade, tratase de aplicação da regra arm's lenght, que visa, justamente, extinguir ou limitar as distorções no custo dos produtos importados por empresas vinculadas; o método PRL utilizado pelo Recorrente não é apropriado, pois os custos de industrialização do medicamento foram somados aos custos da matéria prima importada; Fl. 5490DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 18 não há dúvida de que o método PRL, para fins de ajuste dos preços de transferência referentes a insumos adquiridos pelo Recorrente, é de utilização incompatível com a IN 38/97 e ainda com a própria Lei 9.430/96; a Fiscalização utilizou corretamente o método PIC (Método dos Preços Independentes Comparados), para calcular o preço de transferência dos princípios ativos importados pelo Recorrido junto à pessoa vinculada, efetuando a comparação entre os preços declarados pelo Recorrido para a importação dos princípios ativos, e os preços declarados por empresas concorrentes na importação do mesmo princípio ativo; o Recorrente não estava obrigado a utilizar o método PRL. O Recorrente optou por utilizar um método que não permite a apuração dos preços de transferência relativos aos princípios ativos aplicados na produção, sabendo, inclusive, que a Administração já havia se pronunciado sobre a inaplicabilidade desse método, e que a própria OCDE recomenda que, no método PRL, os custos de produção sejam levados em consideração, a fim de determinar o preço da matériaprima importada; a fiscalização, portanto, apurou os preços de transferência com base nos dados existentes e cuja utilização era possível; O REGISTRO DE CONTRATOS DE MÚTUO COM JUROS ATIVOS NO BANCO CENTRAL PARA AFASTAMENTO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA o contribuinte argumenta que apenas a partir da edição da Medida Provisória 2.224/2001 passou a haver a obrigatoriedade de registro no Bacen. Ocorre que desde a Lei 4.131/62 há previsão da obrigação do registro de contrato de mútuo no Bacen para afastamento das regras dos preços de transferência; o contribuinte, ademais, deveria provar que procurou registrar o mútuo no Bacen e não o fez. Não havendo se desincumbido de tal ônus, não devem ser acolhidos seus argumentos; DO PEDIDO a teor dessas considerações, requer a União (Fazenda Nacional), que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose incólume a decisão recorrida, pelas razões de fato e de direito acima declinadas. É o relatório. Fl. 5491DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O Recurso Especial interposto pelo contribuinte foi parcialmente admitido pelo Despacho exarado pela Presidente da 2a Câmara da 1ª Seção de julgamento do CARF. Em relação à parte admitida, a conclusão foi de que ele é tempestivo e que reúne os pressupostos de admissibilidade. Depreendese do Exame e Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial que o presente colegiado deverá pronunciarse sobre os seguintes pontos objeto da lide: (i) necessidade de a Fiscalização pesquisar e adotar o método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte; (ii) possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4o, §1o, da IN SRF 38/97; e, (iv) registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência. O exame das divergências será feito na seqüência em que foram argüidas pelo contribuinte. (i) Necessidade de a Fiscalização pesquisar e adotar o método de preços de transferência mais favorável ao contribuinte. Conheço do recurso em relação a essa matéria. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA APLICAÇÃO DOS MÉTODOS De Acordo com o artigo 18 da Lei nº. 9.430/96 a dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o princípio da reserva legal. IRPJ CUSTOS DEDUTIBILIDADE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que tratase de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei. Vêse que no acórdão recorrido prevaleceu o entendimento, consubstanciado no voto vencedor (fls. 2.512/2.515), de que a utilização pela Fiscalização do método Preços Fl. 5492DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 20 Independentes Comparados PIC independe de o Fisco comprovar ser esse método o mais favorável ao contribuinte. Enfim, a Fiscalização não tem a obrigação de demonstrar que o método por ela utilizado (no caso, o PIC) é o método mais favorável ao sujeito passivo, pois o preceito legal trata de hipótese na qual são comparados os métodos previstos em lei. Destaco parte do voto condutor: A lei não dispõe dessa forma, apenas explicita que, na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, não havendo exigência, por parte do fisco de demonstrar qual o método mais favorável. Caso o sujeito passivo houvesse demonstrado que outro método lhe seria mais favorável, haveria o devido ajuste, após a regular verificação pela autoridade fiscal, o que não foi o caso. (...) A escolha pelo contribuinte poderá recair em qualquer deles, sendo dedutível o que lhe for mais favorável. Essa escolha e os correspondentes cálculos lhe são factíveis, visto que detém todas as informações, não só a respeito de seus custos, como dos custos da fornecedora vinculada. (...) Dessa forma, não vejo no procedimento fiscal o vício apontado pelo relator vencido, de que a fiscalização deveria demonstrar ser o método por ela utilizado o mais favorável ao contribuinte, porquanto a lei ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método que lhe for mais favorável, não exigiu ou priorizou que a fiscalização efetuasse os cálculos pelo três métodos e então aplicar o mais favorável ao sujeito passivo. A Recorrente alega que a autoridade fiscal não poderia adotar método de cálculo dos preços de transferência distinto daquele por ela empregado sem demonstrar que tal método é mais benéfico ao contribuinte. Aponta, nesse sentido, os acórdãos nºs 10709.411 e 10709.412, exarados pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas (idênticas), abaixo se transcreve: DOS MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E DOS EVENTUAIS AJUSTES. Mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência, os auditores fiscais encarregados da verificação deverão utilizar o método mais favorável ao contribuinte ou demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização nas operações praticadas. A divergência quanto à aplicação de um dos métodos para limitação dos custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, previstos no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, está adstrita ao poder ou dever de o Fisco averiguar e utilizar o método mais benéfico ao contribuinte quando o método adotado por este é rejeitado, em especial por força do §4o do referido artigo. Diz o § 4o do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. "Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente." Fl. 5493DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 12 21 O acórdão paradigma manifesta expressamente o entendimento quanto ao dever da Fiscalização em averiguar e utilizar o método mais favorável ao contribuinte, ou em demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização (isso em qualquer situação, ou seja, mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência). Tal entendimento, entretanto, não é o mais adequado, conforme passo a expor. O assunto em debate tem pertinência com a aplicação de ofício, do Método dos Preços Independentes Comparados PIC para a apuração do preçoparâmetro dos princípios ativos importados pela Recorrente, haja vista o afastamento, pela autoridade fiscal, de um "quarto método" Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM utilizado pelo contribuinte, o qual, segundo o voto condutor do acórdão recorrido, seria inaplicável em virtude de não estar contido na Lei nº 9.430/96, em virtude de o nosso ordenamento jurídico não prever a possibilidade de utilização do Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM. De acordo com o artigo 18 da Lei nº. 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o princípio da reserva legal. Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) Depreendese do dispositivo legal acima que não há comando legal determinando ao Fisco a averiguação do método que seja mais favorável ao contribuinte. Indubitavelmente a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Porém, não é possível concluir que, nos casos de procedimento de ofício, em que afastado o método adotado pelo contribuinte porque Fl. 5494DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 22 não autorizado na lei, essa norma também atribua ao Fisco o dever de buscar o resultado mais conveniente ao contribuinte e adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente bem como no acórdão trazido como paradigma de divergência do acórdão recorrido, de que não poderia o Auditor Fiscal ter aplicado de ofício o método PIC, sem antes demonstrar que este é mais benéfico para a pessoa jurídica do que os demais métodos de cálculo de preço de transferência, decorre de interpretação equivocada da norma em comento. Com efeito, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei (PIC, PRL e CPL), aquele que resulte em maior dedução dos custos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não resulta o dever de o Fisco realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, em procedimento de ofício, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já decidiu nestes termos, indicando ainda várias outras decisões nesse mesmo sentido: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS [...] Acórdão nº 9101001.341 – 1ª Turma Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 CUSTOS DEDUTIBILIDADE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que tratase de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso com retorno à câmara a quo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. [...] VOTO [...] Apesar de o acórdão recorrido afirmar que a jurisprudência administrativa prestigiaria a necessidade de a fiscalização efetuar os ajustes pelo método mais favorável ao contribuinte, há inúmeros julgados, inclusive desta Primeira Turma, que permitem ao Fisco realizar os cálculos por qualquer método, na ausência de indicação pelo contribuinte. Exemplificativamente: Fl. 5495DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 13 23 “(...) AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados(...)”(CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.487, de 25/01/2010, nº 40105.932, de 11/08/08, nº 40105.782, de 04/12/07). “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não há prioridade de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. Recai sobre o contribuinte o ônus de evidenciar, por um ou por mais de um desses métodos, a sua regularidade fiscal. Já o Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 40106.014, de 14/10/08, Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima). “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2000 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODOS DE AJUSTE Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de,com os elementos que dispuser, determinar o referido preço, não ficando obrigada, nesse caso, a verificar, dentre os métodos legalmente previstos, aquele que mais favorece o sujeito passivo (...)”. (1º CC, 5ª Câmara, Acórdão nº 105 16.711, de 17/10/07, Rel.José Clóvis Alves). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. A Lei 9.430/96 não cria qualquer restrição para escolha do método de cálculo do preço parâmetro. PROVA DO PREÇO MÉDIO A fiscalização não está adstrita a provar o preço médio na forma prevista no artigo 21. Mas tem o ônus de provar que o preço por ela levantado não está distorcido. (1º CC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10194.888, de 17/03/05, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni). “(...) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ESCOLHA DO MÉTODO MENOS GRAVOSO DESNECESSIDADE Rejeitado por motivos legais o método de ajuste escolhido pelo contribuinte, pode o Fisco utilizar qualquer outro método previsto em lei, não havendo a necessidade de garantir que se trata do menos gravoso (...)” (1º CC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10517.103, de 26/06/08, Redator Designado Cons. Waldir Veiga Rocha). Desse modo, entendo que não merece reparo o acórdão recorrido que, em consonância com o artigo 18 e seus parágrafos da Lei nº 9.430/96, assim concluiu, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: ... Dessa forma, não vejo no procedimento fiscal o vício apontado pelo relator vencido, de que a fiscalização deveria demonstrar ser o método por ela Fl. 5496DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 24 utilizado o mais favorável ao contribuinte, porquanto a lei ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método que lhe for mais favorável, não exigiu ou priorizou que a fiscalização efetuasse os cálculos pelos três métodos e então aplicar o mais favorável ao sujeito passivo. Sobre essa matéria, já tive oportunidade de acompanhar o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto, no Acórdão nº 1201001.161, contribuinte ROBERT BOSCH LIMITADA, que tratou assim da matéria: Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: [reproduz o dispositivo] Não há dúvida de que a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Todavia, não é possível concluir que essa norma também atribua ao Fisco, nos casos de procedimento de ofício, o dever de adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente é fruto de uma errônea interpretação a contrario sensu da norma em comento. De fato, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei, aquele que resulte em maior dedução, não resulta, a contrario sensu, o dever de o Fisco, quando possível, realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial em relação a essa primeira matéria. (ii) Possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do art. 4o, § 1o, da IN SRF 38/97. Essa segunda divergência também diz respeito à aplicação das regras de preços de transferência para os princípios ativos importados de pessoas vinculadas. Ela trata do mesmo item do auto de infração que foi abordado pela primeira divergência. No Recurso Especial, a Recorrente alega que o artigo 4o, §1°, da Instrução Normativa SRF 38/97 não teria o condão de impedir a aplicação do método PRL a atividades de industrialização no Brasil de insumos adquiridos do exterior. Como paradigmas que admitem a utilização do método PRL para os casos de industrialização local, a Recorrente colaciona os seguintes julgados: Acórdão nº 10809551 IRPJ — PREÇO DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODO PRL —IMPORTAÇÃO DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE NOVO BEM — INSTRUÇÃO NORMATIVA RESTRITIVA DE DIREITO — A IN SRF n° 38/1997 restringiu indevidamente a aplicação do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados à produção de outro bem. Possibilidade de adoção do método PRL. Fl. 5497DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 14 25 Inaplicável o método PIC, por unilateralidade de dados disponíveis, somente Fisco, com grave desrespeito ao princípio do contraditório e fundamentação em dados subjetivos, sem aferição em consistência objetiva de similaridade de produtos, de acordo com a legislação aplicável. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 10708725 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL ANOCALENDÁRIO DE 1999 O art. 18 da Lei n° 9.430/96 não veda a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL na avaliação de eventuais ajustes a título de "Preços de Transferência" relativamente aos custos de bens importados de empresas ligadas estabelecidas no exterior. A vedação constante do § 1° do art. 4º da então vigente Instrução Normativa SRF n° 38/97 não tinha base legal. Há uma relação entre essa segunda divergência e a anterior. Quanto ao item anterior, a conclusão foi no sentido de não aceitar a tese de que o Fisco deveria primeiramente realizar o cálculo pelos três métodos para que, só então, em procedimento de ofício, pudesse empregar um dos métodos, aquele que fosse mais favorável ao contribuinte. Tal conclusão levou à negativa do recurso especial para a primeira divergência. Se, ao contrário, tivesse havido o provimento do recurso especial para aquela divergência, já restaria prejudicada a análise dessa segunda divergência. É que essa outra solução para a primeira divergência bastaria para fulminar o item do auto de infração que tratou dos preços de transferência para os insumos adquiridos do exterior, destinados à produção de outro bem. Mas diante da negativa de provimento do recurso especial para a primeira divergência, é preciso examinar essa segunda divergência. Em sessões anteriores em que se iniciou a votação deste processo (nas reuniões de janeiro e de março de 2016), havia encaminhado meu voto no sentido de declarar a nulidade da parte da decisão recorrida que tratava desta matéria, a partir de uma preliminar, que eu estaria suscitando de ofício. Não obstante, na reunião de abril de 2016, em sessões relativas a outros processos, situações parecidas foram julgadas por este colegiado, que acabou aprofundando o debate sobre a possibilidade de conhecimento, de ofício, de matérias. Assim, esta Turma tem adotado unanimemente a orientação que aponta no sentido de deixar de apreciar de ofício eventual nulidade do acórdão recorrido, ou de parte dele, por força do inciso XI do art. 3º do Anexo I do Regimento Interno do CARF, conforme definido a partir dali de que não haverá o conhecimento de questões de ordem pública no âmbito do recurso especial de divergência, tendo em vista que o mesmo regimento interno é omisso sobre essa matéria. Com isso, altero o meu voto que ficou consignado na ata das reuniões de janeiro e de março de 2016. Superada essa questão, passo ao exame do conhecimento da divergência desta segunda matéria. Fl. 5498DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 26 De início, é importante fazer alguns esclarecimentos para delimitar melhor os contornos da autuação fiscal: o contribuinte havia utilizado, para os princípios ativos importados de pessoas vinculadas, um "quarto método" Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM, não previsto na Lei nº 9.430/96; no decorrer da auditoria fiscal, houve edição do Ato Declaratório Executivo SRF n° 37, de 26/07/2002, pelo qual foi desqualificada a pesquisa técnica realizada pela empresa PricewaterhouseCoopers LLP, que amparava a utilização do método acima referido; ainda no decorrer da auditoria fiscal, o contribuinte, embora discordando da desqualificação da pesquisa técnica realizada pela PwC, para atender determinação legal, apresentou novas planilhas de memórias de cálculo para a apuração dos preços de transferência das matériasprimas adquiridas de pessoas vinculadas, nos anos calendários de 1997 e 1998, com base no artigo 12, inc. IV, alínea "b", da Instrução Normativa SRF n° 32, de 30/03/2001 (PRL60); a Fiscalização entendeu que o método PRL60 só poderia ser adotado para as operações de importação realizadas a partir de 1° de janeiro de 2000, conforme determina a Lei n° 9959/2000, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 113/00, de 19/12/2000, posteriormente consolidada pela Instrução Normativa SRF n° 32, de 30/03/2001; nesse contexto, a Fiscalização aplicou para os princípios ativos o Método dos Preços Independentes Comparados — PIC, determinado pelos artigos 6º ao 11 da Instrução Normativa SRF n° 38/97; a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento, manifestando a seguinte conclusão sobre a presente matéria: 306. Concluise, portanto, que é correta a interpretação dada pela fiscalização no sentido de que não é possível a utilização, no presente caso, do método PRL, nos termos do §1° do artigo 4° da IN SRF 38/97. o acórdão recorrido, por sua vez, afastou o entendimento de que o método PRL não poderia ser aplicado aos casos de importação de princípios ativos para aplicação na industrialização local, mas apontou alguns problemas em relação a esse método, para concluir que o método de Preços Independentes Comparados PIC era o mais adequado: De acordo com o artigo 18 da Lei n° 9.430/96, para efeito de dedução de custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoas vinculadas, poderá ser utilizado, alternativamente, um dos três métodos: I — Método dos Preços independentes Comparados — PIC II — Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL III — Método do Custo de Produção mais Lucro — CPL A escolha pelo contribuinte poderá recair em qualquer deles, sendo dedutível o que lhe for mais favorável. Essa escolha e os correspondentes cálculos lhe são factíveis, visto que detém todas as informações, não só a respeito de seus custos, como dos custos da fornecedora vinculada. Fl. 5499DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 15 27 Por outro lado, a fiscalização não dispõe dos dados relativamente ao terceiro método, ou seja do Custo de Produção mais Lucro — CPL, sendo de difícil apuração o método Preço de Revenda menos Lucro, para os produtos mais elaborados, que passam por um processo de industrialização, ou seja, em não se tratando de pura revenda. Não entendo que o Preço de Revenda menos Lucro — PRL não possa ser aplicado na industrialização. Mas o mesmo não pode ser aplicado de forma simplista, considerandose o preço do produto final menos a margem de lucro para cálculo de custo de apenas um dos componentes do produto, que poderá ter outros custos relevantes em seu processo de fabricação. Daí a restrição a esse método, porquanto os ajustes podem ser amplos, devido a inúmeros fatores adicionados até a formação do preço final do produto, que deveriam ser expurgados, para se chegar ao cálculo do custo estimado do insumo a ter seu custo aferido. Assim, o método dos Preços Independentes Comparados — PIC utilizado pela fiscalização foi o mais adequado, restando, portanto a verificação do atendimento às exigências legais, para o devido cálculo dos custos. (grifos acrescidos) Vêse que o acórdão recorrido manifestou o entendimento de que o Preço de Revenda menos Lucro — PRL pode ser aplicado na industrialização, no que ele coincide com os paradigmas. A razão do não acolhimento do método PRL a que alude a Recorrente não se dá em virtude da restrição do uso do método PRL (nos casos de industrialização) pela IN SRF 38/97, e sim por outros fundamentos, conforme acima transcrito. Nesse contexto, os acórdãos trazidos pela Recorrente não servem de paradigmas de divergência jurisprudencial, porque eles têm como fundamento a ilegalidade da IN SRF 38/97, especificamente do seu art. 4º, §1º, e não é essa a linha de interpretação e fundamentação empregada pelo acórdão recorrido. Desse modo, resta não comprovada essa segunda divergência jurisprudencial, pelo que o recurso especial não deve ser conhecido em relação a ela. (iv) Registro de contratos de mútuo com juros ativos no Banco Central para afastamento das regras de preços de transferência. Conheço do recurso em relação a essa matéria. A matéria, aventada pela Recorrente, é pertinente ao controle de preços de transferência em relação aos juros auferidos pela recorrente em contratos de mútuo celebrados com pessoas vinculadas sediadas no exterior que, faltara à Mutuante registrar, junto ao BACEN, descumprindo as determinações do artigo 22 da Lei n° 9.430/96 e art. 25, parágrafo 1° da IN n° 38/97, procedimento obrigatório a partir de 1997. (Reconhecimento da receita financeira correspondente a, no mínimo, o valor calculado com base na taxa Libor, acrescido de 3% anuais a titulo de spread, proporcionais em função do período a que se referissem os juros). O acórdão recorrido é expresso ao abordar o assunto, conforme ementa anteriormente transcrita, verbis: Fl. 5500DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 28 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO. Em que pese o contrato ter sido celebrado antes da vigência da Lei n° 9.430/96, seus efeitos se irradiam para períodos posteriores, já regidos pela nova ordem. Somente com a ocorrência do fato gerador incide a lei tributária de regência então vigente, nos termos do art. 142 do CTN. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO. INEXISTÊNCIA DE REGISTRO. Face à inexistência do registro do contrato no Bacen, os juros reconhecidos como receita financeira se sujeitam às normas sobre preços de transferência. Registro no Sisbacen de transferência para conta CC5 não pode ser confundido com o registro no Bacen de contrato de mútuo. Do voto condutor do acórdão recorrido consta o seguinte: No que se refere ao item que se ocupa do controle dos preços de transferência sobre os juros relativos a contratos de mútuo firmados com as empresas Unilop Corp. S.A. e Johnson e Johnson, sustenta a recorrente, em relação ao primeiro, que tendo sido o contrato celebrado em 01/05/1995, não estaria sujeito à legislação de preços de transferência e, em relação ao segundo, que o BACEN tomou conhecimento das operações e aprovou as taxas de juros praticadas, o que equivale a registro do contrato naquele órgão, e, que, como além disso, as operações foram registradas SISBACEN, também estes contratos não se sujeitam à legislação de preços de transferência. Em relação ao primeiro contrato, em que pese ele ter sido celebrado antes da vigência da Lei n° 9.430/96, seus efeitos tributários se irradiam para períodos posteriores, já regidos pela nova ordem, pois o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre no último dia do período de apuração e, somente nesta ocasião, com a ocorrência do fato gerador, incide a lei tributária de regência então vigente. Para que a recorrente não se sujeitasse, nos anos calendários de 1997 e 1998, período abrangido pela tributação, ao novo regramento, seria necessário que ela tivesse direito adquirido ao regime jurídico anterior, que não estabeleceria regras sobre juros auferidos ou pagos a pessoa jurídica vinculada domiciliada no exterior. Inexistindo direito adquirido a regime jurídico, como assentado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em obediência ao previsto no art. 142 do CTN que dispõe que "o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente", mostrase correta a aplicação do disposto no art. 22 da Lei n° 9.430/96, devendo ser mantida a exigência. Com relação aos empréstimos efetuados pela recorrente à Johnson e Johnson observase que os contratos que a recorrente, atendendo a intimação, juntou em cópia, estão datados de 22/06/1998, 04/09/1998 e 23/09/1988, enquanto o documento, também juntado pela recorrente, que comprovaria que tais contratos foram submetidos ao conhecimento e à aprovação do BACEN, se refere a contratos diversos, porquanto celebrados em 1996. Quanto ao alegado registro das operações no SISBACEN tratase, na verdade, do registro das transferências internacionais de reais para a conta CC5 da Johnson e Johnson, não podendo ser confundido com o registro no BACEN dos contratos de mútuo celebrados entre a contribuinte e a Johnson e Johnson Fl. 5501DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 16 29 Assim, face à inexistência do registro dos contratos de mútuo no BACEN, os juros, reconhecidos como receita financeira, se sujeitam às normas sobre preços de transferência, sendo correta a autuação quanto a este item. É importante registrar que a controvérsia instaurada nos presentes autos abrangeu inicialmente dois tipos de contratos de mútuo (mútuo com juros passivos e mútuo com juros ativos). Contudo, nessa fase de recurso especial, a Contribuinte questiona especificamente o item relativo aos juros auferidos em decorrência dos empréstimos que concedeu à Johnson e Johnson (juros ativos) Em relação a esse ponto, a Contribuinte colaciona o seguinte julgado como paradigma de divergência: Acórdão nº 10808712 IRPJ REGISTRO DE CAPITAIS NO BACEN O registro de capitais no Bacen, desde a edição da Lei nº 4.131, de 1962, não contempla um sistema de registro dos capitais brasileiros destinados ao exterior e sim o dever de prestar informações. A Lei n° 9.430/96 ao dispor sobre o registro dos contratos de mútuo no Banco Central do Brasil não trata do registro na forma existente para os capitais estrangeiros, uma vez que o mesmo inexiste. Permanecer a pretensão fiscal equivaleria à norma ter criado uma condição impossível para o contribuinte. Somente com a edição da MP 2.224, de 2001, foi restabelecida a obrigatoriedade de declaração, para o Bacen, de capitais brasileiros detidos no exterior. O Conselho Monetário Nacional e o Bacen instituíram a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior, a ser prestada anualmente a partir de 2002. A Recorrente diz que só poderia ser imposto ao contribuinte o requisito de registro nos termos do artigo 22, § 4° da Lei 9.430/1996 nos termos em que era juridicamente possível, isto é, mediante os registros de controle dos contratos na conta CC5, na forma da Circular BACEN 2.677/1996. No seu entendimento, somente a partir da edição da Medida Provisória 2.224/2001 passou a haver a obrigatoriedade do registro no Bacen. Para elucidar a questão do registro dos contratos de mútuo no Bacen, para os fins tratados nos presentes autos, transcrevo o artigo 22 e seus parágrafos da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. § 1o No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo. Fl. 5502DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 30 § 2o Para efeito do limite a que se refere este artigo, os juros serão calculados com base no valor da obrigação ou do direito, expresso na moeda objeto do contrato e convertida em reais pela taxa de câmbio, divulgada pelo Banco Central do Brasil, para a data do termo final do cálculo dos juros. § 3° O valor dos encargos que exceder o limite referido no caput e a diferença de receita apurada na forma do parágrafo anterior serão adicionados à base de cálculo do imposto de renda devido pela empresa no Brasil, inclusive ao lucro presumido ou arbitrado. § 4o Nos casos de contratos registrados no Banco Central do Brasil, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada" (grifei) Vale destacar que tanto o lançamento quanto as decisões já proferidas neste processo estão fundamentados na falta de registro dos contratos de mútuo. O Termo de Verificação Fiscal já sustentava que não se poderia confundir os registros das transferências para a conta CC5 com registro do contrato de mútuo no BACEN (vol. 9, efls. 160): Não pode ser confundido o registro no SISBACEN das transferências internacionais de reais, para a conta CC5 da Johnson & Johnson, efetuado pelo banco depositário de recurso, conforme determinado no art. 11, da Circular 2.677/96, do BACEN, com o registro, no Banco Central do Brasil, dos contratos de mútuo celebrados entre a JanssenCilag Farmacêutica Ltda. e a Johnson & Johnson, sediada em New Brunswick, New Jersey — USA. Deste modo, pela informação dada pela JanssenCilag sobre o registro dos contratos de mútuo, podemos concluir que os mesmos não foram registrados no Banco Central do Brasil, motivo pelo qual os juros, reconhecidos como receita financeira, estão sujeitos às normas sobre pregos de transferência, determinadas pelo art. 25, da Instrução Normativa SRF n° 38/97 (art. 22, da Lei n° 9.430/96). Primeiramente, registro que não comungo de uma idéia já manifestada em outros processos, no sentido de que a exigência de registro no Banco Central do Brasil, e suas conseqüências legais, só seria relevante para os contratos de mútuo com juros passivos, ou seja, para os empréstimos tomados pelas empresas brasileiras no exterior, e de que os mútuos com juros ativos deveriam sempre ensejar o reconhecimento de um valor mínimo de receita financeira, independentemente de haver ou não registro no Banco Central do Brasil. Vêse claramente que os §§ do art. 22 acima transcrito vem tratando tanto dos juros ativos (juros recebidos) quanto dos juros passivos (juros pagos), não havendo nenhuma razão para, justamente diante da generalidade do texto do §4º, restringir a abrangência desse dispositivo aos juros passivos. Nesse sentido, transcrevo o voto do conselheiro Marcos Shigueo Takata, que orientou o Acórdão nº 110300.263, proferido em 03/08/2010 pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, julgando um outro processo da Janssen Cilag Farmacêutica LTDA. referente aos anos de 1999, 2000 e 2001: O problema do registro ou não do contrato no Banco Central é central para incidência da regra de ajuste de transfer pricing, tanto para fins da Fl. 5503DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 17 31 dedutibilidade dos juros ou despesas financeiras, como para tributação dos juros ou receitas financeiras. É dizer, o problema do registro do contrato no Banco Central é condicio juris para incidência da regra contida no § 1º do art. 22 da Lei 9.430/96 ao caso vertente. Eis a dicção do art. 22, caput e § 1º, da Lei 9.430/96: [...] Evidentemente, o parágrafo de um artigo se subordina a seu caput. Notese, ademais, que o § 4º do art. 22 da Lei 9.430/96 não se restringe a empréstimos passivos (ou outros negócios jurídicos que deem causa a juros pagáveis pela pessoa domiciliada no País) para inaplicabilidade dos ajustes de transfer pricing. Aliás, se fosse para o § 4º do art. 22 em questão fazer referência expressa a empréstimo, ele o faria para o empréstimo ativo (do § 1º do art. 22), pois o empréstimo passivo já se encontra referido no caput do art. 22 para o mesmo fim. Para além disso, a ratio legis das regras de preços de transferência em matéria de juros ou receitas ou despesas financeiras gravita em torno do controle exercido pelo Banco Central. Isso se evidencia não só por se encontrarem ambos os preceitos (o de limite de dedução e o do reconhecimento de receita) no mesmo e único artigo que trata de juros, receitas e despesas financeiras, e não só por conta de o último parágrafo do artigo não fazer restrição a mútuo ativo. Essa inteligência é extraível também da interpretação sistemática com o art. 18, § 9º, da Lei 9.430/96, que afasta a aplicação das regras de transfer pricing para dedução de royalties, assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada. Por quê? Porque as regras sobre dedução de despesas correspondentes a tais materialidades exigem o registro dos contratos no Banco Central (e eventualmente no INPI). Ou seja, afastamse as regras de preços de transferência porque as regras de dedução já preveem o controle do Banco Central, em linha com as regras de ajustes relativas a juros, receitas e despesas financeiras. O paralelismo é claro, sem nenhuma indicação de ruptura. A questão ou a problemática do registro no Banco Central demarca o safe harbour sobre as regras de ajustes de transfer pricing, em matéria de juros, sejam ativos ou passivos, como as receitas e as despesas financeiras que não sejam juros. Esse mesmo voto, na seqüência, passa a tratar da questão do registro dos contratos de mútuo com juros ativos (mútuos concedidos pelas empresas brasileiras): No que concerne a empréstimos contraídos no exterior, a possibilidade de registro do contrato no Banco Central é indisfarçável (para não se falar em exigência, vez que há discussão se tal registro é dever ou faculdade, como garantia de remissibilidade dos recursos), sendo expressa a própria Lei 4.131/62 (registro, originariamente, no SUMOC, que se tornou autarquia, Banco Central). Aliás, não só os empréstimos contraídos no exterior, mas as captações em geral de recursos no exterior se encontram sujeitas ao registro no Banco Fl. 5504DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 32 Central. O registro era feito no FIRCE do Banco Central, com a obtenção de certificado ou carta credencial por ele emitida. A partir da Circular BACEN 3.027/01, com suporte na Resolução CMN 2.770/00 então em vigor, o registro passou a ser eletrônico, através do módulo ROF (Registro de Operações Financeiras) do RDE (Registro Declaratório Eletrônico). Mas tudo isso era e é previsto (atualmente, as regras de registro estão contidas no RMCCI – Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – que unificou o diploma regulatório de câmbio e de registro) para registro de empréstimos contraídos no exterior e outras formas de captação de recursos externos Não há, entretanto, previsão legal nem infralegal de registro para mútuos concedidos por pessoa domiciliada no País a pessoa residente no exterior. Vale dizer, ainda que se queira, não é possível se fazer tal registro do contrato no Banco Central, por absoluta ausência desse permissivo (quanto mais, de dever). Mesmo atualmente não há previsão ou possibilidade de registro de mútuos concedidos por pessoa domiciliada no País a pessoa residente no exterior. O que há é o dever de declarar ao Banco Central os “valores de qualquer natureza, ativos em moeda, bens e direitos fora do território nacional” possuídos por pessoa domiciliada no País, conforme o item 4 do Capítulo 1 do Título 2 do RMCCI (Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, instituído pela Circular BACEN 3.280/05, que revogou as inúmeras circulares e cartascirculares que versavam sobre câmbio e registro de contratos no Banco Central; sempre que há necessidade ou conveniência de alterações na regulação infralegal dessa matéria, isso se dá por circulares do Banco Central que promovem as alterações no RMCCI). Esse dever declaração tem seu conteúdo na DCBE (Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior). No caso vertente, os mútuos foram concedidos pela recorrente a pessoa vinculada por meio das chamadas “CC5” (alusão à CartaCircular BACEN nº 5, que criou essa modalidade de transferência internacional de recursos), que correspondem às transferências internacionais em reais. As chamadas contas “CC5” podem ser tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes no exterior. Durante o período objetivado pela autuação, as transferências internacionais em questão eram reguladas pela Circular BACEN 2.677/96 (atualmente, no Capítulo 13 do Título 1 do RMCCI). As saídas de recursos do País se aperfeiçoam mediante crédito na conta de transferência internacional em reais (“CC5”), contra débito na conta mantida pelo pagador residente no País no mesmo banco, cheque de emissão desse ou TED em nome desse. Quer dizer, as saídas de recursos do País pelo titular da conta “CC5” (pessoa residente no exterior) se processam mediante crédito nessa conta. Os ingressos de recursos no País se aperfeiçoam por débito na conta de transferência internacional em reais (“CC5”), o qual se deve dar exclusivamente contra crédito em conta titulada pelo beneficiário residente no País. As contas em comentário devem ser cadastradas no SISBACEN (Sistema de Informações Banco Central), sob a transação PCAM 260, opção 1, pelo banco depositário. E, todas as transferências internacionais em reais iguais Fl. 5505DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 18 33 ou superiores a R$ 10.000,00 devem ser registradas no SISBACEN sob a transação PCAM 260, opção 2. Era assim, na vigência da Circular Bacen 2.677/96, e assim permanece no RMCCI (item 3 da Seção 1 do Capítulo 13 do Título 1 e item 2 da Seção 2 do Capítulo 13 do Título 1). Nas transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$ 10.000,00, há obrigatoriedade de identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes em tais contas e dos beneficiários das transferências efetuadas, que devem constar no dossiê da operação. Nas referidas movimentações, é necessária a comprovação documental a ser prestada ao banco depositário (art. 10, caput, da Circular BACEN 2.677/96; atualmente item 12 da Seção 1 do Capítulo 13 do Título 1 e item10 da Seção 2 do Capítulo 13 do Título 1 do RMCCI). Todavia, como disse, nada há quanto a registro no Banco Central do mútuo da pessoa física ou jurídica domiciliada no País concedido a pessoa residente ou domiciliada no exterior. Por outro lado, as operações cujos contratos podem (e devem) ser registrados no Banco Central também podem vir a ter recursos internados através da transferência internacional em reais. Em tais hipóteses, os contratos permanecem registráveis no Banco Central. Tanto que a Circular BACEN 2.677/96 já previa (art. 10, § 3º) que, nas transferências amparadas em autorizações ou certificados emitidos pelo Banco Central, deveria ser consignado, no campo “Outras Especificações” da tela de registro do SISBACEN, o número do respectivo documento. É o caso dos contratos de empréstimos externos passivos, incluindo os de financiamentos de importação como, por ex., de bens intangíveis, dos contratos de arrendamento mercantil financeiro externo, dos negócios jurídicos de captação de recursos externos por emissão de títulos, entre outros. Feitas estas pontuações, quid juris? Com o perdão da tautologia, não se pode exigir o que é inexigível. Exigir o que é juridicamente impossível implica ineficácia da norma abstrata (se fosse elemento de condição, esta seria nula), no caso, do art. 24, § 1º, da Lei 9.430/96. A conciliação do ditame legal se dá, então, com sua ratio legis, conforme deduzi alhures. Quer dizer, o safe harbour se coloca e se subordina ao controle exercido pelo Banco Central. O princípio da praticabilidade aplicado através do safe harbour em questão, supõe ou pressupõe o controle exercível pelo Banco Central, como prevê a lei (art. 24, § 1º c/c o § 4º, da Lei 9.430/96) segundo sua ratio e também sua mens legis. Esse controle pode e deve ser exercido pela autoridade regulatória, mesmo no caso de mútuos ativos, em que não há previsão de registro desses contratos no Banco Central, mas com imposição de controles aos bancos operadores de câmbio e autorizados a acolher (contas de) transferência internacional em reais. A autoridade Fl. 5506DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 34 regulatória pode questionar os mútuos ativos, a remuneração praticada neles. Se esse controle assim exercível é falho, a falha são das normas legais e infralegais regulatórias, ou da norma legal tributária. Se há deficiência, devemse corrigir, evidentemente, a norma legal tributária ou as normas legais e infralegais regulatórias. A eficácia possível da norma legal em comentário, sem constituir “inovação jurídica”, vale dizer, sem legislar, é reconhecer o controle exercido pelo Banco Central, segundo as normas regulatórias vigentes sobre a matéria, o que se dá, no caso, com o registro da transferência internacional em reais no SISBACEN, sob a transação PCAM 260, opções 1 e 2. E também com o controle documental sobre proveniência e destinação de recursos, natureza dos pagamentos e identidade dos depositantes e dos beneficiários das transferências, exercido pelo banco depositário. Isso se insere na moldura da ratio legis, sem o intérprete criar o “tipo” (inclusive como significante de “modo de pensar tipificante”), sem avançar onde a lei não foi. O registro no SISBACEN é de rigor e foi realizado. Não houve questionamento acerca do acervo documental supracitado, tampouco do negócio jurídico. Se houvesse o questionamento com conclusão restritiva ou desabonadora sobre o mútuo ativo, incluindo sua remuneração, aí se poderia entrever a aplicabilidade da regra de ajuste de transfer pricing. É como vejo. Isso acomodaria, a meu ver, a conciliação da norma legal com sua ratio legis, sem constituir “inovação jurídica”, sem criação de “tipo” (seja no sentido comumente empregado no direito tributário como Tatbestand, seja em seu sentido próprio, seja na acepção de “modo de pensar tipificante”), sem uso de analogia na exigência tributária. Reitero. Não há previsão legal nem infralegal regulatória e tampouco possibilidade para registro no Banco Central do contrato de mútuo ativo – o concedido por pessoa residente ou domiciliada no País a residente no exterior. Não vejo como, portanto, deixar de reconhecer a aplicação do safe harbour no caso vertente, sob pena de legislar. E, como já deduzido, a meu ver, separar o § 1º do art. 22 da Lei 9.430/96 do caput desse artigo seria não só contraditar a ratio legis, como contrariar o § 4º do mesmo art. 22, além de desertar a interpretação sistemática e criar uma autonomia que a lei não previu (não se está diante de um art. 22A posteriormente criado, nem de um art. 23). Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso na questão dos ajustes de preços de transferência sobre os mútuos ativos. Oportuno registrar que o Acórdão nº 110300.263, com o voto vencedor acima transcrito, também foi objeto de recurso especial. Contudo, o recurso especial naquele outro processo foi apresentado pela PGFN, e ainda não foi julgado. Mas o que importa nesse momento é destacar que a questão do registro dos contratos de mútuo com juros ativos deve ser analisada levando em conta os procedimentos administrativos instituídos pelo Banco Central do Brasil. Fl. 5507DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.002739/200283 Acórdão n.º 9101002.313 CSRFT1 Fl. 19 35 Realmente, no que concerne a empréstimos contraídos no exterior (mútuos com juros passivos), o registro dos contratos no Banco Central é assunto antigo, já tratado na Lei nº 4.131, de 1962. Essa Lei nº 4.131/1962 costuma ser citada como norma instituidora dos vários tipos de registros no Banco Central do Brasil, inclusive o registro aqui em pauta, mas o problema é que o seu objetivo era disciplinar a aplicação do "capital estrangeiro" ingressado no País, e também as remessas de valores para o exterior relacionadas a esse capital. Com efeito, os registros previstos naquela lei estavam relacionados a remessas de juros de empréstimos, créditos e financiamentos; transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties, assistência técnica científica, administrativa e semelhantes; transferências financeiras para o pagamento dos royalties, devido pelo uso de patentes, marcas de indústria e comércio ou outros títulos da mesma espécie, etc. O art. 3º da Lei nº 4.131/1962 evidencia bem o seu escopo: Art. 3º Fica instituído, na Superintendência da Moeda e do Crédito, um serviço especial de registro de capitais estrangeiros, qualquer que seja sua forma de ingresso no País, bem como de operações financeiras com o exterior, no qual serão registrados: a) os capitais estrangeiros que ingressarem no País sob a forma de investimento direto ou de empréstimo, quer em moeda, quer em bens; b) as remessas feitas para o exterior com o retorno de capitais ou como rendimentos desses capitais, lucros, dividendos, juros, amortizações, bem como as de "royalties", ou por qualquer outro título que implique transferência de rendimentos para fora do País; c) os reinvestimentos de lucros dos capitais estrangeiros; d) as alterações do valor monetário do capital das empresas procedidas de acordo com a legislação em vigor. Na época da edição da referida lei, o legislador não se preocupou em instituir registro para controle de "capital brasileiro" no exterior, no caso, de "capital brasileiro" dado em empréstimo a uma empresa/instituição situada no exterior. Assim, não havendo um serviço/procedimento para registro desse tipo de operação (contrato de mútuo com juros ativos), há que se reconhecer como tal os procedimentos adotados pela contribuinte e que atenderam as normas regulatórias vigentes sobre a matéria. O fato é que não se pode exigir da Contribuinte um registro impossível de ser feito. Desse modo, na mesma linha do voto acima transcrito, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial relativamente ao item da autuação fiscal que trata dos contratos de mútuo com juros ativos. Por todo o exposto, voto para NÃO CONHECER da divergência relativa à "possibilidade de aplicação do método PRL para produção local, mesmo diante da vedação do Fl. 5508DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 36 art. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97", e, no mérito, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte, com a finalidade de cancelar o item da autuação fiscal que trata dos contratos de mútuo com juros ativos. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 5509DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 13819.722809/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95.
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, para fins de restabelecer a dedução a título de despesas com pensão alimentícia. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 28 09 /2 01 3- 46 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, para fins de restabelecer a dedução a título de despesas com pensão alimentícia. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.722809/201346 Acórdão n.º 2401004.422 S2C4T1 Fl. 93 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1534.592 (fls. 62/65), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 02/07) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. Admitida a dedução apenas quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A Notificação de Lançamento nº. 2012/881342465532380 de fls. 12/18 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 3.176,07 a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas com pensão alimentícia e médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 13) a fiscalização informa a glosa de R$ 14.355,99, correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, nos seguintes termos: Glosa parcial das deduções indevidas de Pensão Alimentícia Judicial em razão de não comprovar os efetivos depósitos dos valores em conta corrente, conforme determina a sentença. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 12) a fiscalização informa a glosa de R$ 18.000,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Glosa no valor de R$ 3.735,27, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Glosas das deduções constantes na DIRPF do contribuinte, abaixo relacionadas, de Despesas Médicas indevidas em razão da não comprovação; INSTITUTO MUNICIAL DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE DO FUNCIONALISMO CNPJ: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 59.149.823/000126 no valor de 2.523,04; AMIL SAÚDE LTDA CNPJ: 43.358.647/000100 no valor de R$ 1.005,23; ELIANE APARECIDA DE SOUZA CALHEIROS CPF: 008.12811 no valor de R$ 160,00; ORTHO X – RADIOLOGIA E DOCUMENTAÇÃO ODONTOLÓGICA LTDA – EPP CNPJ: 00.561.320/000110 NO VALOR DE R$ 37,00 e, PEDRO VELASCO DIAS CPF: 556.486.92820 no valor de $ 10.00. Em sede de impugnação (fls. 02/08), o contribuinte trouxe ao presente processo administrativo os seguintes argumentos: a) Que dos valores declarados, ou seja, R$ 24.040,93 recebido pela Sra. Rosangela Aparecida Nadale, CPF nº. 579.288.60830, R$ 11.707,81 refere se à cotaparte a ela pertencente a título de prestação alimentícia, anexando aos autos a escritura pública de divórcio direto com Partilha de Bens bem como comprovante de rendimentos e retenção de imposto de renda na fonte atinente à prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo; b) Relativamente à alimentada Débora Guimarães Nadale de Souza, no valor declarado de R$ 9.423,42, o valor de R$ 4.405,75 referese a cotaparte devida por força dos recebimentos junto ao INSS e R$ 4.501,67 relativo a cotaparte da remuneração por si devida junto a Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, consoante documentos apresentados; c) Que o valor de R$ 2.523,04 referese à soma dos valores de R$ 2.496,24 de despesas médicas somadas à R$ 27,02 relativo à despesa odontológica efetivada pelo IMASF, convênio médico que o contribuinte ficou obrigado a pagar por força da escritura pública de Divórcio (cópia anexa); sendo que os demais valores (R$ 1.005,23) referemse ao convênio médico da alimentada Débora junto a AMIL/MEDIAL SAÚDE, e os demais serviços restam comprovados pelos recibos de emissão dos prestadores de serviço. Para a DRJ/SDR, a impugnação foi considerada parcialmente procedente, afastando parcialmente a glosa relativa às despesas médicas da filha Débora Guimarães Nadale de Souza, no valor de R$ 828,51, por ser esta beneficiária da pensão, sendo este montante, portanto, excluído da glosa. Quanto às glosas relativas às deduções com pensão alimentícia à excônjuge, Rosângela Aparecida Nadale de Souza, estas foram mantidas integralmente, sob o fundamento de ausência de comprovação dos depósitos bancários em conta corrente titularizada pela alimentada, conforme ficou estipulado na escritura pública do divórcio. Devidamente intimado do acórdão proferido pela DRJ/SDR em 27/02/2014 (A.R. fl. 68) o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário de fls. 70/73 em 24/03/2014, alegando, em síntese: a) Que a obrigação do pagamento é taxativa, e, inclusive, pode acarretar a prisão civil do alimentante, mas a forma de cumprimento da obrigação, não Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.722809/201346 Acórdão n.º 2401004.422 S2C4T1 Fl. 94 5 pode ser exigida nem pela legislação que o obrigou, tampouco pelo ente tributário; b) Que os valores devidos a título de alimentos junto ao INSS, vem sendo regularmente descontados pelo referido órgão do benefício percebido pelo Recorrente e pago diretamente às alimentadas também por aquele órgão, mediante saque mensal realizado através do cartão magnético fornecido pelo INSS, forma que não pode se opor o recorrente, eis que é este o procedimento do órgão segurador, conforme extrato que anexa; c) Quanto aos valores auferidos junto a Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, não ficou condicionado o desconto dos valores diretamente da folha de pagamento do contribuinte, mas sim “ importâncias que deverão ser descontadas e depositadas pelo divorciando, em conta corrente da divorcianda.”. Assim, por conveniência das partes o pagamento ocorria em dinheiro diretamente às alimentadas mediante emissão de recibo; d) Que o ente tributário tem conhecimento de que os valores foram desembolsados pelo Recorrente e recebidos pela alimentada, pelo simples confronto entre as declarações de rendimentos apresentadas por ambos; e) Quanto a glosa relativa ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde, a escritura de divórcio estabeleceu que sua filha, Débora Guimarães Nadale de Souza e sua exesposa Rosângela Aparecida Nadale de Souza, eram beneficiárias do convênio médico mantido pela Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, não se pode aceitar a decisão de que a menção “contribuição de assistidos” nos informes da fonte pagadora não especifica quais são as pessoas físicas beneficiárias da despesa, pois a escritura de divórcio é clara nesse sentido. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Dedução de Despesa com Pensão Alimentícia Judicial O recorrente pleiteia a exclusão da glosa sobre o valor de R$ 14.355,99, sob a alegação de ser este valor o montante devido à alimentanda Sra. Rosângela Aparecida Nadale de Souza, a título de “obrigação alimentícia”. A DRJ/SDR reconheceu a obrigação alimentícia do contribuinte em favor de sua excônjuge, conforme decisão judicial. Todavia, foram desconsiderados os recibos apresentados pelo contribuinte como comprovantes de pagamento da pensão alimentícia, eis que desacompanhados de outros elementos hábeis e idôneos a conferir a certeza do efetivo desembolso destes valores. Como a obrigação alimentícia do contribuinte foi fixada de modo a estabelecer que esta obrigação deveria ser efetuada por depósito bancário em contacorrente, a DRJ/SDR entendeu, diante da não comprovação dos depósitos, não ser possível afastar a glosa efetuada pela Auditoria Fiscal. E tal fato se verifica ante a análise da referida escritura de divórcio, vejamos (fl. 20): Como se vê, de fato foi estipulado o depósito em conta corrente para o pagamento da pensão alimentícia. O Recorrente, ainda que não tenha efetuado o pagamento nos moldes estipulados acima, no intuito de comprovar a referida obrigação, trouxe ao presente processo administrativo os seguintes documentos: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.722809/201346 Acórdão n.º 2401004.422 S2C4T1 Fl. 95 7 a) “INFORME DE CONTRIBUIÇÕES PAGAS AO IMASF NO ANO DE 2011” (fl. 85), emitido pelo Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo, onde consta o pagamento de R$ 4.960,30 em nome da Sra. Rosângela Aparecida Nadale de Souza: b) Declaração de Rendimentos da Sra. Rosângela Aparecida Nadale de Souza, na qual consta a declaração de recebimento de valores a título de pensão alimentícia da fonte pagadora INSS. (fls. 83/84) Nesse caso, com a conjugação das provas trazidas ao processo administrativo fiscal (informe de contribuições pagas ao IMASF e declarações de rendimentos da alimentanda) não restam dúvidas que o recorrente arcou com essa despesa e, por este motivo, deduziu do seu imposto de renda devido ante a permissão legal do art. 8º, II, “f”, da Lei nº. 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Assim, não resta dúvida que o pagamento do convênio médico é “importância paga a título de pensão alimentícia”, conforme acordado entre o Sr. Fábio Guimarães de Souza, ora recorrente, e sua exesposa Sra. Rosângela Aparecida Nadale de Souza, no item 09 da Escritura de Divórcio de fls. 18/23. O fato da alimentanda/beneficiária ter informado o referido montante em sua declaração de ajuste anual confirma que o recorrente vem cumprindo fielmente com suas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 8 obrigações, visto que realizou o pagamento a qual estava obrigado por força de acordo firmado judicialmente. Assim, o recurso voluntário merece provimento para afastar da glosa a título de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial” o montante de R$ 14.355,99 referente ao pagamento de pensão alimentícia por parte do recorrente para a alimentanda Rosângela Aparecida Nadale de Souza. Dedução de Despesas Médicas A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O contribuinte trouxe aos autos, a fim de comprovar o pagamento do plano de saúde para a sua filha, Débora Guimarães Nadale de Souza, como único meio de prova, a escritura do divórcio, a qual “garantiu a manutenção da divorcianda na condição de dependente do sujeito passivo perante o convênio médico mantido pela Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo” . Segundo o Recorrente, a escritura do divórcio seria prova suficiente de que, sendo as duas, ex esposa e filha, beneficiárias do convênio médico mantido pela prefeitura de São Bernardo do Campo, não se pode aceitar o argumento da DRJ/SDR de que não se especificou quais as pessoas físicas beneficárias da despesa. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.722809/201346 Acórdão n.º 2401004.422 S2C4T1 Fl. 96 9 Assim, ante a ausência de comprovação por parte do recorrente de que efetivamente incorrera nas despesas médicas glosadas pela fiscalização, ainda que intimado para tal, entendo que devem ser mantidas as glosas realizadas em face das despesas médicas declaradas pelo contribuinte e apontadas pela autoridade fiscal como indevidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para o fim de afastar a glosa de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial”, mantendo incólume a glosa a título de “Dedução Indevida de Despesas Médicas”. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 10140.720509/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ABONO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA
O "abono único", concedido aos empregados em atividade, mediante acordo coletiva de trabalho,pago sem habitualidade, não ostenta caráter salarial, mas, sim, indenizatório. Em razão disso, não integra o salário-de-contribuição, nos termos do disposto no art. 28, § 9° e, item 7, da Lei 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. EMPREGADOR QUE NÃO INSCRITO NO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AJUDA DE CUSTO (AJUDA INSTALAÇÃO). AJUDA ALUGUEL. PAGAMENTO COM HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA.
Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando, embora em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, é pago com habitualidade.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES EVENTUAIS. NÃO INCIDÊNCIA
As gratificações eventuais representam ganhos eventuais podem serpecúnia ou em utilidade, não sofrendo a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do art. 28 §9º, alínea "e", item 8, da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS REALIZADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA..
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CÓDIGO FPAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
O enquadramento no código FPAS e a definição da alíquota a ser utilizada para fins de recolhimento da contribuição do GIILRAT são de responsabilidade da empresa. A inexatidão destas informações pode ser verificada em procedimento de fiscalização, tendo no presente caso ocorrido o reenquadramento da contribuinte em outro código FPAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantido o enquadramento no código FPAS por ela informado, sendo por conquência, afastado o reenquadramento realizado pela fiscalização. Assim, devem ser afastadas as contribuições decorrentes do reenquadramento do FPAS.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o abono e auxílio alimentação, e reconhecer como correta a classificação com o código FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agroindústria sujeita a contribuição substitutiva) ao estabelecimento inscrito sob o CNPJ nº 36.785.418/0001-07, até março/2009. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as gratificações, vencido o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negou provimento nesse ponto. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso para manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento nessa matéria. Designado o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor na parte em que foi vencido o Relator. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Márcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA O "abono único", concedido aos empregados em atividade, mediante acordo coletiva de trabalho,pago sem habitualidade, não ostenta caráter salarial, mas, sim, indenizatório. Em razão disso, não integra o saláriodecontribuição, nos termos do disposto no art. 28, § 9° “e”, item 7, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. EMPREGADOR QUE NÃO INSCRITO NO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AJUDA DE CUSTO (AJUDA INSTALAÇÃO). AJUDA ALUGUEL. PAGAMENTO COM HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando, embora em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, é pago com habitualidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES EVENTUAIS. NÃO INCIDÊNCIA As gratificações eventuais representam ganhos eventuais podem serpecúnia ou em utilidade, não sofrendo a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do art. 28 §9º, alínea "e", item 8, da Lei nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 09 /2 01 1- 92 Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS REALIZADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CÓDIGO FPAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. O enquadramento no código FPAS e a definição da alíquota a ser utilizada para fins de recolhimento da contribuição do GIILRAT são de responsabilidade da empresa. A inexatidão destas informações pode ser verificada em procedimento de fiscalização, tendo no presente caso ocorrido o reenquadramento da contribuinte em outro código FPAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantido o enquadramento no código FPAS por ela informado, sendo por conquência, afastado o reenquadramento realizado pela fiscalização. Assim, devem ser afastadas as contribuições decorrentes do reenquadramento do FPAS. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o abono e auxílio alimentação, e reconhecer como correta a classificação com o código FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agroindústria sujeita a contribuição substitutiva) ao estabelecimento inscrito sob o CNPJ nº 36.785.418/000107, até março/2009. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as gratificações, vencido o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negou provimento nesse ponto. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso para manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento nessa matéria. Designado o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor na parte em que foi vencido o Relator. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.369 3 Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Márcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10140.720509/201192, em face do acórdão nº 0426.409, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto em parte o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: OBJETO Tratam o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante as seguintes peças fiscais: Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.304.5328, através do qual se exige o valor consolidado em 18/04/2011 de R$ 13.208.203,32, assim discriminado: A exigência se refere à contribuição da empresa sobre a remuneração dos empregados, contribuintes individuais e cooperados que lhe prestaram serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, bem como a contribuição para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa. Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.304.5336, através do qual se exige o valor consolidado em 18/04/2011 de R$ 1.056.951,21, assim discriminado: Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 A exigência se refere à contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, descontada pela empresa, incidentes sobre suas remunerações. Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.304.5344, através do qual se exige o valor consolidado em 18/04/2011 de R$ 1.900.465,19, assim discriminado: A exigência se refere à contribuição da empresa para terceiros, Salário Educação, SENAR, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Auto de infração por descumprimento de obrigação acessória n° 37.304.5352, através do qual se exige multa por ter a empresa apresentado GFIP com omissões ou incorreções, no valor de R$ 335.185,40 (Fundamento legal Lei 8.212/91, art. 32, § 5°). Auto de infração por descumprimento de obrigação acessória n° 37.304.5360, através do qual se exige multa por ter a empresa apresentado GFIP com omissões ou incorreções, no valor de R$ 103.120,00 (Fundamento legal Lei 8.212/91, art. 32 A, caput, inc. I e §§ 2° e 3°). [...] IMPUGNAÇÃO A empresa apresentou a impugnação, recepcionada em 09/06/2011, fl. 261, com a juntada de documentos comprobatórios e alegações, com amplas citações doutrinárias e jurisprudenciais, conjunto do qual se extraem os seguintes pontos relevantes para apreciação do litígio: ABONO Com referência ao abono, argumenta que não possui natureza salarial, conforme disposto no art. 28, § 9° “e”, item 7, da Lei 8.212/91, por ser expressamente desvinculado do salário, conforme cláusula trigésima sétima do acordo coletivo de trabalho celebrado em 07/10/2008 entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores rurais de Três Lagoas. A referida cláusula estabeleceu um pagamento indenizatório de R$ 650,00 aos Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.370 5 trabalhadores, e a cláusula segunda, parágrafo primeiro estipulava o pagamento de um abono especial. Prossegue salientando a falta de habitualidade do abono, que foi cumprida a condicionante legal para a não incidência das contribuições, repudia a exigência do art. 214, § 9°, inc. V, “j”, do Decreto 3.048/99, por inovar em relação ao estabelecido legalmente e defende a significação mais ampla do termo “lei”, que abrangeria as convenções e acordos coletivos de trabalho. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Ao fundamento de que seria necessária a inscrição no programa de alimentação do trabalhador para afastar a incidência das contribuições sobre essa verba, opõese a empresa aduzindo que tal exigência é ilegal e o fornecimento de alimentação in natura não deve sofrer tributação, esteja o empregador inscrito no PAT ou não. AJUDA DE CUSTO Referindose ao art. 28, § 9°, alínea “g”, da Lei 8.212/91 e ao art. 470 da CLT, às condições contratuais, e à localização do estabelecimento fabril, defende a impugnante que os pagamentos a título de ajuda de custo tem caráter indenizatório e não podem servir à base de cálculo das contribuições previdenciárias. GRATIFICAÇÕES Após inicialmente desmistificar o significado do termo “gratificações”, argui a falta de habitualidade em sua concessão, e a apenas alguns funcionários, o que entende excluir sua natureza salarial e, consequentemente, a incidência das contribuições exigidas, embora ressalve que, em alguns casos os valores pagos sob essa rubrica relacionavamse a indenização por conta de rescisão contratual, sobre as quais tampouco incidiriam. PAGAMENTOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A impugnante estende toda a argumentação expendida em relação às verbas previamente tratadas aos pagamentos aos contribuintes individuais. MASSA SALARIAL Neste ponto, defende a impugnante estar correto o enquadramento FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agroindústria sujeita a contribuição substitutiva), do estabelecimento 36.785.418/000107 vez que a Fábrica de Celulose foi construída entre o final de 2006 e março de Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 2009, e somente em “meados de 2007 é que a Impugnante alterou o código FPAS para 507 (Indústria) , ao passo que, anteriormente, era pessoa jurídica que se dedicava somente à atividade de produção rural”. APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Discorda a impugnante da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos, já que sua aplicação carece de base legal, conforme a interpretação que propugna. PEDIDO Por fim, requer: Por todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer que sejam os Autos de Infração completamente cancelados em todos os seus efeitos. Subsidiariamente, caso não sejam integralmente cancelados os lançamentos, requer, ao menos, seja cancelada a incidência dos juros de mora sobre as multas de ofício, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito, notadamente a juntada de novos documentos necessários à elucidação do alegado. Documentos que acompanham a impugnação constam às f. 2941102. É o relatório. A 4ª. Turma da DRJ/CGE entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1293/1338, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. Ainda, é apresentado novo documento (contrato fábrica de celulose), às fls. 1330/1332. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.371 7 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Haja vista que não há preliminares suscitadas pela contribuinte, iniciase a análise do mérito do presente recurso. 1. Abono Argumenta a recorrente que o abono pago aos seus empregados não possui natureza salarial, conforme disposto no art. 28, § 9° “e”, item 7, da Lei 8.212/91, por ser expressamente desvinculado do salário. Esclarece a recorrente que o abono está previsto na cláusula 37a. (trigésima sétima) do acordo coletivo de trabalho celebrado em 07/10/2008 entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores rurais de Três Lagoas. A referida cláusula estabeleceu um pagamento indenizatório de R$ 650,00 aos trabalhadores, e a cláusula 2a. (segunda), parágrafo primeiro estipulava o pagamento de um abono especial. Portanto, há 2 (dois) tipos de abono, estando um previsto na cláusula trigésima sétima (fl. 335) do acordo coletivo realizado entre a Recorrente e o sindicato respectivo. E outro, denominado abono especial, está previsto no parágrafo primeiro cláusula segunda (fl. 326) do referido acordo coletivo. Ainda, importa referir que a natureza jurídica do abono único não se altera se este é pago por força de acordo ou convenção coletiva. Assim, verificase que não há habitualidade do abono em questão, também não ocorre a remuneração pelo trabalho dos empregados, logo deve ser considerado como hipótese de nãoincidência de contribuição previdenciária, por não integrar o saláriode contribuição, nos termos do disposto no art. 28, § 9° “e”, item 7, da Lei 8.212/91. 2. Auxílio alimentação Ao fundamento de que seria necessária a inscrição no programa de alimentação do trabalhador para afastar a incidência das contribuições sobre essa verba, opõe se a Recorrente aduzindo que tal exigência é ilegal e o fornecimento de alimentação in natura não deve sofrer tributação, esteja o empregador inscrito no PAT ou não. Compartilho do entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. De tal modo, a empresa visa a proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador. Neste sentido, temos os seguintes Precedentes do STJ: EREsp Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. Ressaltase que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força do disposto no art. 28, § 9° “e”, item 7, da Lei 8.212/91. Ainda, merece destacar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovou parecer vinculativo em que atesta: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. [...] Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. [...]” (Parecer n. 2117 de 10/11/2011, Despacho do Ministro de Estado da Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011) . De tal modo, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação, com base no disposto no art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, por este não integrar o saláriodecontribuição. 3. Ajuda de custo Referindose ao art. 28, § 9°, alínea “g”, da Lei 8.212/91 e ao art. 470 da CLT, às condições contratuais, e à localização do estabelecimento fabril, defende a recorrente que os pagamentos a título de ajuda de custo tem caráter indenizatório e não podem servir à base de cálculo das contribuições previdenciárias. Exige a legislação que, para não integrar o saláriodecontribuição, necessário que a ajuda de custo seja realizado em parcela única e seja ela paga exclusivamente em decorrência de mudança do local de trabalho do emprego, na forma do art. 470 da CLT. A recorrente sustenta que todas as ajudas de custo foram pagas em decorrência da mudança de seus empregados para a cidade onde fica a sua filial, em Três Lagoas, local que possuiu a sua fábrica de celulose. Argumenta que anexou, quando da Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.372 9 impugnação, em fls. 926/929 documento denominado "Condições Contratuais", onde é apresentados os benefícios aos empregados da recorrente. Verificase no referido documento que há critérios claros e objetivos para fixação do valor da ajuda de custo (ajuda instalação), todavia estes não são únicos, sendo eles pagos por até três anos, inclusive. Ainda, há diversos pagamentos de aluguéis, pagos com habitualidade (não eventual). às fls. 1148/1149, em tabela elaborada pelo ilustre relator do acórdão da DRJ, verificase que um empregado recebeu a ajuda de custo em quase todos os mês objeto da autuação (de 24 meses que são obejto do AI, somente em 1 mês é que o referido empregado não recebeu ajuda de custo). igualmente, há diversos outros empregados que receberam por 20, 21 e 22 meses (em relação aos 24 que são objeto de autuação). Portanto, a ajuda de custo (ajuda de instalação) não visa a indenizar o empregado pelos custos da mudança, mas sim vem a compor a remuneração do empregado nos primeiros anos junto a empresa. 4. Gratificações A recorrente alega a falta de habitualidade na concessão da gratificação e que a mesma só é paga a alguns funcionários. Ainda, que em alguns casos o referido pagamento decorreu por indenização por conta de rescisão contratual. Em recente julgado deste Conselho, assim restou decidido quando do julgamento , pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, em sessão de 16 de fevereiro de 2016: ISENÇÃO. GANHOS EVENTUAIS. Os ganhos eventuais podem ser em pecúnia ou em utilidades e não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Art. 28, § 9°, e, item 7 , da Lei n° 8.212/91. GANHOS EVENTUAIS. CONCEITUAÇÃO. A isenção contida no art. 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91, não estabelece como condição que o pagamento decorra de liberalidade do empregador. Diferentemente da CLT, que estipula em seu artigo 457, parágrafo 1o, que as gratificações ajustadas integram o salário e, portanto, as por liberalidade não , a questão relativa ao ajuste prévio do pagamento não consta da legislação previdenciária conceituar eventualidade como decorrente do fortuito, de liberalidade ou da área incompatível com as características da remuneração. (Acórdão nº 2401004.107. Relator André Luiís Mársico Lombardi) Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Acrescento ainda que diversos destes pagamentos foram realizados para empregados que tiveram a rescisão de seu contrato de trabalho, possuindo assim esta gratificação nítido caráter de indenizar a perda do emprego. Diante disto, compreendo que os pagamentos realizados sem habitualidade, ainda que por mera liberalidade do empregador, não sofrem a incidência de contribuição previdenciária por não comporem o saláriodecontribuição, o que se fundamenta pelo disposto no art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, por este não integrar o saláriodecontribuição. 5. Pagamentos a contribuinte individual A recorrente estendeu toda a argumentação expendida em relação às verbas previamente tratadas aos pagamentos aos contribuintes individuais. A decisão da DRJ foi no sentido que os pagamentos a terceiros, por serviços prestados, constituem base de cálculo das contribuições, independentemente da denominação atribuída. Não vislumbro razões para alterar a decisão da DRJ, haja vista que o recorrente não apresentou elementos suficientes para possibilitar a reforma do acórdão recorrido. Salientase que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos. 6. Reenquadramento do código FPAS Neste ponto, defende a recorrente estar correto o enquadramento FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agroindústria sujeita a contribuição substitutiva), do estabelecimento 36.785.418/000107 vez que a Fábrica de Celulose foi construída entre o final de 2006 e março de 2009, e somente em “meados de 2007 é que a Impugnante alterou o código FPAS para 507 (Indústria) , ao passo que, anteriormente, era pessoa jurídica que se dedicava somente à atividade de produção rural”. Entendeu a DRJ de origem que "Embora afirme a empresa que a Fábrica de Celulose foi concluída em março de 2009, nenhum documento trouxe para comprovar o afirmado". E que: "Quanto ao contrato de fornecimento de fábrica de celulose, deixou de ser juntado seu anexo 3, justamente o relativo ao cronograma de fornecimento. A alteração contratual de 26 de março de 2008, por sua vez, já contemplava a atividade de fabricação de celulose." Para provar o alegado, apresenta a recorrente em anexo a este recurso voluntário, documento novo, qual seja, o contrato da fábrica de celulose, às fls. 1330/1332. Os documentos anexados pela contribuinte em recurso voluntário devem ser recebidos nesta fase processual pelo princípio da verdade material. Além disso, a recorrente havia já juntado outros documentos, estes referentes as licenças concedidas, que também corrobora seu direito. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.373 11 Assim, tendo a recorrente anexado o cronograma de entrega, verificase que somente em abril de 2009 é que inicia o "período de fiscalização da fábrica de polpa celulósica" (fl. 1332), fez prova de sua alegação, de modo que é possível concluir que não exercia a atividade industrial antes de tal data. Desta forma, deve ser reformado o acórdão ora recorrido, devendo o estabelecimento inscrito sob o CNPJ nº 36.785.418/000107 ser classificado com o código FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agraoindústria sujeita a contribuição substitutiva) até março/2009, inclusive. Deste modo, devem ser afastadas as contribuições decorrentes do reenquadramento do FPAS. 7. Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720509/201192 Acórdão n.º 2202003.379 S2C2T2 Fl. 1.374 13 Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para a) afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre abono, auxílio alimentação e gratificações; b) declarar como correta a classificação com o código FPAS 604 (Produtor Rural PJ e Agroindústria sujeita a contribuição substitutiva) ao estabelecimento inscrito sob o CNPJ nº 36.785.418/000107, até março/2009, inclusive, devendo ser afastadas as contribuições decorrentes do reenquadramento realizado pela fiscalização; c) afastar o juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Márcio Henrique Sales Parada Redator designado. Peço licença para divergir do muito bem traçado voto do ilustre Conselheiro Relator, Martin da Silva Gesto, pontualmente na questão que trata da incidência dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" (sanção) não é tributo, conforme conceito disposto no artigo 3º do CTN, o legislador quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme expresso no artigo 139, engloba tanto o tributo, quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Portanto, VOTO por negar provimento ao recurso, nessa parte. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/07/2016 por MARTIN DA SILVA G ESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900286/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. NEGATIVA MOTIVADA POR NÃO LOCALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. PAGAMENTO LOCALIZADO E DISPONÍVEL. RECONHECIMENTO.
Não homologada a compensação por falta de comprovação de pagamento, e efetuada a prova do pagamento, atestada pela própria RFB a disponibilidade do valor, deve ser reconhecido o direito de crédito correspondente.
Numero da decisão: 3401-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. NEGATIVA MOTIVADA POR NÃO LOCALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. PAGAMENTO LOCALIZADO E DISPONÍVEL. RECONHECIMENTO. Não homologada a compensação por falta de comprovação de pagamento, e efetuada a prova do pagamento, atestada pela própria RFB a disponibilidade do valor, deve ser reconhecido o direito de crédito correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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(Sucessora de MAXION SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. NEGATIVA MOTIVADA POR NÃO LOCALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. PAGAMENTO LOCALIZADO E DISPONÍVEL. RECONHECIMENTO. Não homologada a compensação por falta de comprovação de pagamento, e efetuada a prova do pagamento, atestada pela própria RFB a disponibilidade do valor, deve ser reconhecido o direito de crédito correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 02 86 /2 00 8- 14 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Versa o presente sobre declaração de compensação (DCOMP) eletrônica efetuada pela empresa Maxion Sistemas Automotivos LTDA, CNPJ nº 00.736.859/000163. O pedido de fls. 3 a 71 (transmitido em 23/1/2004) indica um crédito proveniente de DARF pago em 15/10/2003 (no valor de R$ 26.050,58). No Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 13, datado de 24/04/2008, não é homologada a compensação, por não ter sido confirmada a existência do crédito indicado, em virtude de não localização do pagamento nos sistemas da RFB. Cientificada da decisão (fls. 15), a empresa apresenta a Manifestação de Inconformidade de fls. 17 a 27, alegando, em síntese, que a não homologação se refere ao fato de não terem sido retificadas as DCTF que identificam os pagamentos efetuados em 2003 e janeiro de 2004. Apresenta então declarações retificadoras (fls. 31 a 37), dispondo que devem substituir as originalmente entregues. A decisão de primeira instância, proferida em 27/6/2011 (fls. 47 a 50) é pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não ter sido devidamente comprovado o recolhimento do montante que gerou o crédito que se deseja compensar. No que tange às DCTF retificadoras, a DRJ informou que não surtem efeito contra o despacho decisório que lhes é anterior, e que demandariam retificação também das DCOMP, sujeitas a procedimento próprio. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 55) em 30/8/2011, apresentase o recurso voluntário de fls. 56 a 59 (em 28/9/2011), no qual se afirma que: (a) a empresa Iochpe Maxion S.A., CNPJ nº 61.156.113/000175, é sucessora por incorporação da empresa Maxion Sistemas Automotivos LTDA; e (b) a pendência se refere à comprovação do pagamento do débito de “PIS” relativo ao período de apuração de janeiro de 2003, efetuado em fevereiro de 2003, conforme comprovante obtido no sítio da RFB (fl. 70). Solicitase por fim o reconhecimento do direito creditório e a consequente compensação, acrescidos os créditos da Taxa SELIC. Por meio da Resolução no 3403000.417, de 29/01/2013, houve conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local informasse conclusivamente se o pagamento indicado no recurso voluntário estava disponível para a compensação solicitada. No relatório de fls. 123/124, a unidade local informa que há saldo disponível de R$ 15.380,80, mas que conforme as DCOMP no 16863.10613.120804.1.3.047723 e no 38927.35394.040804.1.3.048669, e a tabela de fls. 124, a "utilização (reserva) do pagamento está incorreta". Cientificada o teor do relatório em 08/07/2015, conforme termo de fl. 127, a recorrente sobre ele não se manifestou, retornando os autos a este tribunal administrativo, para prosseguimento. Tendo sido a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF extinta, conforme art. 6o, III da Portaria MF no 343/2015, que aprova o Regimento 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10860.900286/200814 Acórdão n.º 3401003.130 S3C4T1 Fl. 132 3 Interno do CARF (RICARF), o presente processo foi incluído em pauta na turma à qual pertence atualmente o relator, de acordo com o art. 49, § 5º do citado regimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quando da baixa em diligência, registrouse que a motivação para a não homologação da compensação é inequívoca: “não localização do pagamento nos sistemas da RFB”. O crédito indicado na DCOMP (fl. 5) decorre de pagamento de R$ 26.050,58, com arrecadação em 15/10/2003. À folha 7, voltase a indicar na DCOMP que a arrecadação do referido montante, com vencimento em 14/02/2003, ocorreu em 15/10/2003. Na fundamentação do despacho decisório, o DARF com pagamento não localizado nos sistemas da RFB (cód. 8109 R$ 26.050,58) aparece com vencimento em 14/02/2003 e arrecadação em 15/10/2003. Na manifestação de inconformidade, a empresa, ao invés de comprovar o pagamento (em que pese este poder ser verificado em apreciação pela unidade local), apresentou DCTF retificadoras, não tomadas em consideração pelo julgador a quo. E, em sede de recurso voluntário, anexou o comprovante de pagamento extraído do próprio sítio da RFB, indicando que o recolhimento dos R$ 26.050,58 (código 8109) foi realmente efetuado em 14/02/2003. Daí se ter perguntado à unidade local se o pagamento foi utilizado para cobertura de outros débitos da empresa, ou se restaria disponível para a compensação pleiteada. A unidade local traz ainda aos autos cópias de processos referentes a outras DCOMP da mesma empresa (fls 78/98 processo no 10860.900360/200801, DCOMP no 16863.10613.120804.1.3.047723; e fls 99/119 processo no 10860.900362/200891, DCOMP no 38927.35394.040804.1.3.048669), demonstrando a existência de saldo disponível de R$ 15.308,80, e informando que a "utilização (reserva) do pagamento está incorreta", tendo sido reservado R$ 3.272,12 a maior na DCOMP de final 8669. Corrigindo as reservas, restariam disponíveis para a DCOMP aqui analisada os R$ 18.580,92 pleiteados. Assim, pouco resta a analisar no presente processo, seja porque o valor pleiteado efetivamente está disponível, como atesta a própria RFB, seja porque a motivação do despacho decisório (ausência de localização do pagamento) foi afastada. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Rosaldo Trevisan Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10166.013878/97-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994
RETENÇÃO DO IRRF. PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA PRÓPRIA RECORRENTE. RECUSA.
Notas fiscais emitidas pela própria Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro.
PROVA DOCUMENTAL. TRANSFERÊNCIA DE ÔNUS AO FISCO. DESENTRANHAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AGIR NÃO COMPROVADA. REJEIÇÃO
Cabe à Recorrente, e não ao Fisco, empreender esforços para obter as cópias dos comprovantes de retenção do imposto de renda indevidamente entranhadas em outros feitos administrativos, relacionados à idêntica matéria, mormente quando sequer se alegou a impossibilidade de agir com base na qual poder-se-ia debater sobre a transferência do ônus da prova.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1994
PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXCEDENTE DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSADO. NÃO CONHECIMENTO
Não cabe conhecer da prescrição de crédito tributário excedente do débito tributário compensado.
Numero da decisão: 1301-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro José Eduardo Dornelas e Souza acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES- Presidente
(documento assinado digitalmente)
FLÁVIO FRANCO CORRÊA- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1994 RETENÇÃO DO IRRF. PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA PRÓPRIA RECORRENTE. RECUSA. Notas fiscais emitidas pela própria Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. PROVA DOCUMENTAL. TRANSFERÊNCIA DE ÔNUS AO FISCO. DESENTRANHAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AGIR NÃO COMPROVADA. REJEIÇÃO Cabe à Recorrente, e não ao Fisco, empreender esforços para obter as cópias dos comprovantes de retenção do imposto de renda indevidamente entranhadas em outros feitos administrativos, relacionados à idêntica matéria, mormente quando sequer se alegou a impossibilidade de agir com base na qual poder-se-ia debater sobre a transferência do ônus da prova. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1994 PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXCEDENTE DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSADO. NÃO CONHECIMENTO Não cabe conhecer da prescrição de crédito tributário excedente do débito tributário compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro José Eduardo Dornelas e Souza acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES- Presidente (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA PRÓPRIA RECORRENTE. RECUSA. Notas fiscais emitidas pela própria Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. PROVA DOCUMENTAL. TRANSFERÊNCIA DE ÔNUS AO FISCO. DESENTRANHAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AGIR NÃO COMPROVADA. REJEIÇÃO Cabe à Recorrente, e não ao Fisco, empreender esforços para obter as cópias dos comprovantes de retenção do imposto de renda indevidamente entranhadas em outros feitos administrativos, relacionados à idêntica matéria, mormente quando sequer se alegou a impossibilidade de agir com base na qual poderseia debater sobre a transferência do ônus da prova. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994 PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXCEDENTE DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSADO. NÃO CONHECIMENTO Não cabe conhecer da prescrição de crédito tributário excedente do débito tributário compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 38 78 /9 7- 45 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.034 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro José Eduardo Dornelas e Souza acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0211599, da 3º Turma da DRJ/BHE, que reconheceu, em favor da Recorrente, o direito de crédito no valor de 8.180,38 UFIR, além do montante anteriormente reconhecido pela DRF/Belo HorizonteMG (DRF/BHE), a titulo de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 1995/anocalendário de 1994. Na mesma oportunidade, aquela Turma julgadora determinou que se aproveite o crédito reconhecido na ordem indicada pelo contribuinte, nos termos do § 7° do artigo 26 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, alterandose o modo pelo qual a DRF/BHE implementara a compensação efetuada. Finalmente, a citada Turma considerou tacitamente homologada a compensação de débitos declarada em pedidos de compensação protocolados até 15/01/2001. Pela clareza do relatório do órgão a quo, às fls. 957/958, reproduzoo para adotálo, verbis: “Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte apurado no ano calendário de 1994, no valor de UFIR 57.889,90. O contribuinte solicitou a utilização do crédito pleiteado através dos Pedidos de Compensação anexados às fls. 130, 132, 136 (cancelado e substituído a pedido do contribuinte), 138, 133, 134, 135, 142, 143, 144, 145, 146 e 147. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.035 3 2. O resultado da análise do crédito utilizado foi objeto do Despacho Decisório anexado às fls. 497 a 502, prolatado pela DRF/Belo HorizonteMG aos 08/09/2005, do qual extraio: "No anocalendário de 1994 a empresa efetuou a apuração mensal do imposto e não obteve lucros passíveis de tributação em nenhum mês (f1s.154/162). Foi pleiteado (sic) 57.889,90 UFIR. O contribuinte apresentou os comprovantes legais às fls. 297/367. A planilha de fls. 489 (resultante dos comprovantes e DIRF) demonstra comprovação de 46.028,81 UFIR, que revelam o valor passível de restituição como saldo negativo desse anocalendário de 1994." [...] Dessa forma, devese reconhecer os seguintes direitos creditórios: Ano calendário Pleito Deferido Total/Parcial 1994 57.889,90 UFIR 46.028,81 UFIR Parcial [...] Reconhecer o direito creditório referente ao exercício de 1995, ano calendário de 1994, no valor equivalente a 46.028,81 UFIR, de conformidade com os comprovantes legais apresentados. Determinar que se proceda à compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido.” 3. Diante do crédito reconhecido, foi efetuada a operacionalização (sic) da compensação, discriminada no Extrato de Processo às fls. 517 a 520, resultando no saldo de débitos discriminado à fl. 521. 4. O contribuinte foi cientificado do teor destes documentos aos 16/02/2006, conforme AR Aviso de Recebimento anexado à fl. 523, apresentando a manifestação de inconformidade anexada às fls. 550 a 558, aos 20/03/2006, onde, resumidamente alega: • [...] não apurou lucro no período, ingressando com pedido de restituição do IRF retido pelas fontes pagadoras. O pleito foi deferido parcialmente, sob a alegação da não apresentação de todos os documentos de retenção. A requerente localizou em seus Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.036 4 registros comprovantes de retenção não considerados na análise do fisco (documentos anexos). Tais importes devem ser admitidos no cômputo de direito creditório. • Ainda que ausentes os comprovantes, pelo descumprimento da obrigação pelas fontes pagadoras, a requerente não pode ser prejudicada, uma vez que sofreu o ônus do imposto pleiteado. [....]. • Requer a juntada posterior de documentos, tendo em vista que as operações em foco ocorreram há mais de 10 anos, dificultando a localização dos documentos comprobatórios do feito. • O crédito tributário objeto da compensação são atinentes a fatos ocorridos anteriores a 1996, razão pela qual já se encontram extintos (sic), à luz do § 2° do art. 26, e o §2° do art. 29 da IN SRF 600, de 2005. 5. Para subsidiar a análise apresenta os documentos anexados às fls. 594 a 604. 6. Aos 03 de julho de 2003 apresenta novos documentos, invocando o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Os documentos apresentados encontramse anexados às fls. 612 a 947 deste processo.” Manifestação de Inconformidade acostada às fls. 550/558. Ciência da decisão ora recorrida no dia 06/11/2006 (fl.981), assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1994 Ementa: IRRF — COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção deste imposto. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Será considerada tacitamente homologada, a compensação dos débitos constantes de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, pendentes de apreciação pela SRF, no prazo de cinco anos, contados da data da protocolização do pedido. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.037 5 Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte” Recurso a este Colegiado com entrada na repartição de origem 06/12/2006, às fls. 982/992, quando aduz o seguinte: 1) tendo em conta que não apurou lucro entre os anoscalendário de 1993 e 1997, cabialhe ingressar – e, de fato ingressou com o pleito de restituição do imposto de renda que fora retido por diversas fontes pagadoras. Esse pleito, posteriormente, veiculou os pedidos de compensação que integram os autos do presente processo; 2) todavia, a instância originária somente deferiu em parte a repetição vindicada, baseandose na tese de que há óbice intransponível à aprovação dos pedidos de compensação não confirmados por DIRF apresentadas pelas fontes pagadora; 3) nos termos da decisão recorrida, ficou patente a impossibilidade de se reconhecer o direito acima mencionado ao requerente desprovido de comprovantes de retenção do imposto de renda retido, como também restou consignado o desprezo a outras provas, ao argumento de que não se referiam ao anocalendário de 1994; 4) a decisão alvejada faz crer, no que toca aos fundamentos referidos nos subitens 2 e 3, supra, que, independentemente de haver ou não a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, o ajuste da monta devida a titulo de imposto de renda depende do cumprimento, por parte de terceiros, de obrigação tributária acessória, qual seja, a prestação de informações por meio de mero formulário (DIRF) e a emissão de comprovantes de retenção; 5) nesse sentido, as notas fiscais emitidas e a escrituração contábil não têm qualquer serventia para fins de restituição, não obstante se saiba que seriam aproveitadas para lastrear lançamento tributário por omissão de receitas, se fosse o caso; 6) ademais, não é justo apenar o contribuinte por fato alheio, transformando o descumprimento de obrigação acessória atribuída a outrem em causa suficiente a impedir a restituição de saldo negativo; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.038 6 7) na situação em apreço, os responsáveis pela falta cumpriram a lei apenas em parte, pois exercitaram o direito potestativo de reter o imposto de renda na fonte. Por conseguinte, a incúria destes, quanto à obrigação de emitir os comprovantes da retenção efetuada e de prestar informações em DIRF, não deve prejudicar a Recorrente, que está de pés e mãos atados; 8) ainda a tal respeito, vale lembrar que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda firmouse no sentido de que eventual descumprimento da legislação tributária, por parte do responsável, não pode e não deve surtir efeitos em relação ao beneficiário; 9) dentro desse quadro, considerando a omissão das fontes pagadoras, especificamente no que tange ao cumprimento da obrigação acessória de emitir os comprovantes de imposto de renda retido na fonte (IRRF) e de prestar informações por meio de DIRF, cumpre que se ateste a retenção por quaisquer outros meios de provas em Direito admitidos, seja a partir de elementos contidos na escrita fiscal da Recorrente, seja com esteio nas demais provas documentais produzidas neste feito; 10) ainda que se entenda que as demonstrações contábeis apresentadas pela Recorrente, por si sós, não respaldam o direito de se efetivar a compensação em tela, ao menos esperase que as notas fiscais colacionadas ao feito sejam integralmente acolhidas; 11) seguindo essa linha de raciocínio, podese verificar que a fonte pagadora inscrita no CNPJ sob o n° 33.042.730/001771 (Companhia Siderúrgica Nacional CSN) descontara da Recorrente, a titulo de antecipação do 1RPJ, o importe de 32.106,20 UFIR, não obstante se constate, sem qualquer justificativa plausível, que a instância de origem apenas deferiu a compensação de 29.999,99 UFIR (fl. 963); 12) outrossim, dos valores retidos pela fonte pagadora inscrita no CNPJ sob o n° 33.372.251/002876 (IBM Brasil — Indústria Máquinas e Serviços Ltda.), correspondentes a 3.586,83 UFIR, apenas foi Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.039 7 homologada a compensação de 2.998 UFIR (2.350,07 UF1R + 647,99 UFIR), igualmente despida da necessária exposição de justas razões; 13) portanto, impõese retificar as compensações deferidas em relação às retenções levadas a efeito pelas empresas CSN e IBM Brasil, homologandose integralmente o pedido de compensação, em consequência, lastreado nas notas fiscais oportunamente colacionadas; 14) em outra senda, segundo os fundamentos do acórdão ora hostilizado, indeferiuse a compensação dos valores retidos pelas fontes pagadoras inscritas no CNPJ sob os nº 33.372.251/002876 e 50.911.682/000116 e pelos Bancos do Brasil e Bamerindus, por se referirem a anoscalendário diversos do examinado neste feito (1994); 15) diante da premissa de que o processo administrativo se orienta pela constante busca da verdade absoluta, suplicase que as provas das retenções perpetradas pelas fontes pagadoras indevidamente coligidas neste processado sejam trasladadas para o processo n° 10166.013877/9782, no qual ainda tramita o pedido de compensação do IRRF atinente ao anocalendário de 1995, e para o processo n° 10166.013876/9710, em que apenas parte do IRRF do ano calendário de 1993 foi deferido; 16) desse modo, as provas de retenções realizadas pelas fontes pagadoras inscritas no CNPJ sob os n° 33.372.251/002876 e 50.911.68210001 16 devem ser desentranhadas e transferidas para o processo nº 10166.013876/9710 (anocalendário de 1993). Esse mesmo procedimento deverá ser feito em relação aos documentos que atestam as retenções feitas pelos Bancos do Brasil e Bamerindus, os quais deverão ser trasladados para o processo n° 10166.013877/9782 (anocalendário de 1995), homologandose, em seguida, tais pedidos de compensação; 17) por outro lado, provas de retenção concernentes ao anocalendário de 1994 foram, por equivoco, indevidamente juntadas aos processos administrativos n° 10166.016402/9716 (anocalendário de 1993) e 10166.013877/9772 (anocalendário de 1995), consoante se infere Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.040 8 dos demonstrativos consignados à fl. 313 do acórdão n° 0211.597 e à fl. 239 do acórdão n° 0211.598, ambos emanados da 3ª Turma da DRJ/BHE (inteiros teores anexos); 18) logo, também se faz necessário o desentranhamento das provas de retenção indevidamente juntadas nos processos n° 10166.016402/97 10 e 10166.013877/9782, com vistas à comprovação, no presente processo, de retenções ocorridas, aqui não consideradas; 19) por fim, consoante a decisão recorrida, o crédito tributário excedente ao valor do indébito compensável in casu foi objeto de compensação de ofício, com fundamento na IN SRF n° 600/2005; 20) sucede, porém, que o suposto crédito excedente tornouse extinto por força das disposições contidas nos artigos 26, § 2°, e 29, § 2°, ambos da antedita IN SRF n° 600/2005; 21) isso porque, conforme predica o inciso II do § 3° do artigo 48, também da IN SRF nº 600/2005, não se operou a suspensão do prazo prescricional do crédito tributário prefalado, resultante de fatos geradores ocorridos anteriormente ao anobase de 1996; 22) sendo assim, o hipotético crédito tributário excedente ao indébito foi extinto, ex vi das regras preceituadas nos artigos 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como nos artigos 26, § 2°; 29, § 2°; e 48, § 3º, inciso II, todos da IN SRF n° 600/2005; 23) ante o exposto, requer que se acolham as presentes razões recursais, reformandose, em parte, a decisão objurgada, para admitirse a totalidade da compensação oriunda das retenções do imposto de renda realizadas por fontes pagadoras, se devidamente comprovadas pela escrita contábil e notas fiscais emitidas pela Recorrente; 24) no mais, rogase o desentranhamento das provas de retenções realizadas pelas fontes pagadoras inscritas no CNPJ sob os n° 33.372.251/002876 e 50.911.682/000116, transferidas para o processo n° 10166.013876/9710 (anocalendário de 1993), implementandose, em seguida, a compensação desses indébitos; 25) da mesma forma, pede a Recorrente o desentranhamento dos documentos que atestam as retenções feitas pelos Bancos do Brasil e Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.041 9 Bamerindus, transferindoas para o processo n° 10166.013877/9782 (anocalendário de 1995), homologandose, em seguida, os correspondentes pedidos de compensação; 26) além disso, pede também que se tranlade para este feito as provas de retenção do imposto de renda correspondente aos anoscalendário de 1994 e 1995 indevidamente reunidas nos processos administrativos nº 10166.016402/9710 e 10166.013877/9782; 27) por último, pugna pela declaração de extinção do crédito tributário excedente ao indébito compensável, porquanto atinente a fatos geradores anteriores ao anobase de 1996 e que, em momento algum, fora alcançado por qualquer hipótese de suspensão de exigibilidade, a teor dos comandos insertos nos artigos 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, e nos artigos 26, § 2°; 29, § 2° e 48, § 3°, inciso II, todos da IN SRF n° 600/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. A Recorrente apresentou, em 14/11/1997, pedido de restituição do imposto de renda que fora retido por fontes pagadoras de receitas que lhe eram devidas. Essas retenções somadas compuseram o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1994. Assim, no pleito original, requereuse a restituição do montante de 57.889,90 UFIR, conforme fl.04, equivalente ao total do aduzido saldo negativo. Posteriormente, a Recorrente deu entrada em diversos pedidos de compensação, ao intento de contrapor o saldo negativo mencionado a créditos tributários expressos nesses pedidos, abaixo listados: 1) à fl. 136 (consta na decisão recorrida que foi substituído a pedido do contribuinte), datado de 10/11/2000; 2) – à fl. 138, datado de 16/11/2000; 3) à fl. 130, datado de 14/12/2000; 4) – à fl. 132, datado de 15/01/2001; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.042 10 5) – à fl. 140 (repete o de fl. 130), à fl. 141 (repete o de fl. 132) e à fl. 142, datados de 12/03/2001; 6) – à fl. 145, datado de 15/03/2001; 7) – à fl 143 e à fl. 144, datados de 19/03/2001; 8) – á fl. 146, datado de 16/04/2001; 9) – à fl. 147, datado de 15/05/2001. Com a edição da Lei nº 10.637, de 2002, introduziuse a redação ainda vigente do § 4º ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com base no qual o pedido de compensação pendente de apreciação pela autoridade administrativa convolase em declaração de compensação desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no mesmo artigo. Um dos efeitos dessa convolação em declaração de compensação, a teor do § 2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 10.637/2002, é a extinção do crédito tributário indicado no pedido apresentado, sob condição resolutória da ulterior homologação do encontro entre tal crédito tributário e o crédito do contribuinte por ele mesmo descrito (isto é, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1994, in casu). Ocorre, porém, que a autoridade fiscal dispõe do lapso temporal de cinco anos para homologar a compensação formulada na declaração, contados da data de sua apresentação, em sintonia com o disposto no § 5º do precitado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833, de 2003. Esgotado esse prazo sem o exame fiscal, a extinção do crédito tributário operase de plano. Portanto, diante dos efeitos retroativos do 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, os pedidos de compensação pendentes de decisão, ora examinados, consideramse convolados em declaração de compensação na data em que deram entrada na repartição de origem. No dia 16/02/2006 (fl. 523), a DRF/BHE cientificou a requerente da efetivação de compensação, em atendimento aos pedidos formulados para esse fim. Contudo, tendo em vista o prazo de cinco anos para homologação da autoridade administrativa, já estavam tacitamente homologadas, na data da ciência, acima, as compensações pendentes de apreciação, cujos pedidos foram apresentados à repartição de origem até o dia 15/02/2001. Essa foi a conclusão da DRJ/BHE, ao explicitar, à fl. 962, que “as declarações de compensação protocolizadas no período de 16/11/2000 a 15/01/2001 já haviam sido homologadas tacitamente em 16/02/2006, data da ciência ao contribuinte.” Assim, são incobráveis, porque extintos, os créditos tributários objeto de pedidos de compensação apresentados até 15/02/2001, que alcançam o total de 46.028,81 UFIR. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.043 11 Uma vez constatada a homologação tácita do montante supracitado, a Recorrente, então Impugnante, ainda obteve o reconhecimento de um crédito adicional de 8.130,38 UFIR, nos termos da decisão recorrida, em face dos argumentos de direito lá colacionados e com o suporte dos documentos acolhidos pela DRJ/BHE. Agora, no recurso ao CARF, a Recorrente sustenta sua pretensão com o imaginado apoio da mesma carga documental levada ao exame da autoridade recorrida, contestando, todavia, o desprezo da instância a quo pelas notas fiscais de sua emissão e da escrituração contábil que mantém. No entanto, impossível reconhecer força probante a documento por ela mesma produzido, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1. Essa ideia está por trás do § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, segundo o qual “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” Daí se pode depreender uma regra geral implícita ao direito probatório, no sentido de que os fatos que impliquem efeitos tributários favoráveis a quem os declara exigem prova documental hábil, o que exclui os que são produzidos pelo próprio declarante. Consoante o exposto, notas fiscais emitidas pela própria Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto retido pela fonte pagadora. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. Dentro dessa perspectiva, a DRJ/BHE acolheu o que podia ser acolhido, à vista da documentação lastreada por outras pessoas jurídicas, o que inclui as fontes pagadoras, a exemplo da Companhia Siderúrgica Nacional e da IBM Brasil Indústria de Máquinas e Serviços Ltda. No que diz respeito a essas duas pessoas jurídicas, especificamente, está evidente, no quadro à fl. 489, que as retenções por elas efetuadas estão relacionadas à fl. 298, para a primeira, e às fls. 305 e 313, para a segunda, e devidamente comprovadas, com a conferência da DRF/BHE e da DRJ/BHE. Apenas um comprovante emitido pela IBM Brasil, à fl. 309, não havia sido considerado pela DRF/BHE, o que foi corrigido pela DRJ/BHE, ao inserir a cópia deste último, à fl. 596, entre os documentos com força probante. 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.044 12 Se as fontes pagadoras descumpriram a obrigação instrumental de emitir os comprovantes de retenção do imposto de renda, cabia à beneficiária do pagamento recorrer aos meios adequados à obtenção de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos recebimentos das importâncias devidas com o desconto do imposto retido pelas fontes. Vejase que este processo percorre a via administrativa ao longo de 19 anos, tempo bastante para a produção da prova do imposto de renda retido. Esse ônus da defesa está previsto no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: “Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Nessa linha de raciocínio, cabia à Recorrente empreender esforços para obter as cópias dos comprovantes de retenção do imposto de renda que, segundo alega, estão indevidamente entranhadas em outros feitos administrativos, relacionados à idêntica matéria. Inexistente a alegação sobre a impossibilidade de agir com base na qual poderseia debater sobre a transferência do ônus da prova, motivo por que se indefere o pedido de desentranhamento de peças conservadas em outros processos administrativos. No mesmo roldão e com base nos mesmos fundamentos, rejeitase o pedido de desentranhar documentos acostados a estes autos para transferilos a processos diversos. Vale referir, entretanto, que a jurisprudência deste Egrégio Conselho tem acolhido a comprovação da retenção do imposto retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confira se: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10166.013878/9745 Acórdão n.º 1301001.996 S1C3T1 Fl. 1.045 13 pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa. Por último, reclama a Recorrente pela prescrição dos créditos tributários excedentes do montante compensado, com espeque no inciso II, § 3º, do artigo 48 da IN SRF nº 600/2005. Advirtase, porém, que a lide em exame está circunscrita à restituição do montante do saldo negativo do IRPJ, referente ao anocalendário de 1994, compensável com créditos tributários posteriores. Não cabe conhecer da prescrição de créditos tributários excedentes, não compensados com o saldo negativo, portanto. Pelo exposto, voto no sentido de não se CONHECER parcialmente do Recurso e NEGAR PROVIMENTO quanto à parte conhecida. (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15889.000450/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/04/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sóciocotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 04 50 /2 00 7- 14 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 185/191), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] O auto de infração AI DEBCAD 37.077.4779, de 10/09/2007 e com a cientificação do sujeito passivo em 14/09/2007, foi lavrado por ter sido constatado que a autuada distribuiu lucros aos sócios, no período (não contínuo) de 07/2002 a 04/2007, estando em débito com a Seguridade Social, vez que declarou contribuições previdenciárias em GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e em lançamentos contábeis, e não comprovou os recolhimentos através de GPS Guias da Previdência Social, tudo conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 21/23) e demais anexos que integram o presente AI, infringindo assim o disposto no artigo 52, II da Lei 8.212/91 e artigo 280, I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Considerando que a multa pela infração cometida corresponde a 50% (cinqüenta por cento) das quantias que foram pagas a título de distribuição de lucros na forma estabelecida no artigo 52, parágrafo único da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 285 do RPS, foi aplicada no valor de R$ 214.661,95 (duzentos e quatorze mil, seiscentos e sessenta e um reais e noventa e cinco centavos), conforme consta do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fls. 24/28. O sujeito passivo foi regularmente cientificado da autuação e apresentou impugnação tempestiva na qual alega, resumidamente: O AI, como apresentado, fere os princípios básicos de direito constitucional da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; A empresa, em todo o período fiscalizado, elaborou regularmente as folhas de pagamento e demais documentos fiscais previdenciários e auxiliares, tendo a fiscalização utilizado esses documentos e informações para efetuar o lançamento ora impugnado, não sendo a exigência decorrente de irregularidades tais como fraude, sonegação, etc. A defendente, classificada como sociedade empresarial limitada por força do novo Código Civil 6, de fato, uma sociedade civil de prestação de serviços de profissão regulamentada, já que a atividade preponderante são os serviços de fonoaudiologia, prestados por suas sócias proprietárias, sendo que a remuneração por elas recebida da empresa, a qualquer titulo, corresponde a repasse de honorários profissionais, cobrados Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15889.000450/200714 Acórdão n.º 2401004.238 S2C4T1 Fl. 434 3 pela empresa como preposta das profissionais que prestaram os respectivos serviços. A lei e o decreto que fundamentam o AI têm base no artigo 32 da Lei 4.357/64 e artigo 17 da Lei 11.051/04, a qual não foi recepcionada pela Constituição de 1988, o que torna inconstitucional o AI e a exigência nele contida. É importante analisar o conceito da expressão "em débito", suposto fato gerador da exigência em discussão. Há que se considerar que, para que o contribuinte esteja "em débito", o crédito tributário tem que estar definitivamente constituído, fato que só ocorre com o decurso do prazo decadencial para os casos de auto lançamento ou após decisão final, transitada em julgado, em processo ou ato administrativo que suspendeu sua exigibilidade. Os supostos débitos da impugnante foram "apurados" através de documentos unilateralmente por ela elaborados, ainda não definitivamente constituídos e, assim, passíveis de discussão administrativa, sem a exigência de quaisquer garantias. Ao final, requer a improcedência do AI com o cancelamento da multa e, caso não seja esse o entendimento, a redução da multa para valores compatíveis com a capacidade contributiva da impugnante. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que, para que a Recorrente esteja em débito com a União, o crédito tributário tem que estar definitivamente constituído, fato que só ocorre com o decurso do prazo decadencial para os casos de auto lançamento ou após decisão final, transitada em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não crédito constituído, pois o termo “débito” ou “débito não garantido”, para fins de se determinar a procedência ou não do presente processo, deve ser compreendido como o crédito tributário devidamente formalizado pelo lançamento definitivo e existindo qualquer causa suspensiva da exigibilidade (artigo 151 ou 206 do CTN) não haverá débito e o contribuinte estará apto a realizar, regularmente, a distribuição de seus lucros. Tal alegação não será acatada, já que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Nas competências 07/2002 a 04/2007 (não contínuo), verificase que a Recorrente pagou valores aos sócios cotistas a título de distribuição de lucros, estando em débito com a Seguridade Social. Tais valores pagos aos sócios da empresa estão devidamente registrados nos Livros Caixas dos exercícios de 2002,02004 e 2005 (fls. 29/55) e foram confirmados nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentadas pela Recorrente (cópias, fls. 143/147). Na Planilha 1, anexa (fls. 25/28), encontramse demonstrados os valores do lucro distribuído, por competência, bem como os documentos onde foram constatadas às práticas das infrações (distribuição de lucro). Cópias das GFIP’s, onde foram constatados os débitos declarados, encontramse, anexas, às fls. 56/142, por amostragem. Da análise dos documentos acostados aos autos, percebese que o Relatório Fiscal (fls. 22/23, Descrição dos Fatos Caracterizadores da Infração) demonstra de forma clara que a Recorrente estava em débito com a Seguridade Social. Além disso, a empresa estava declarando em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), que é um instrumento de confissão de dívida tributária, e recolhia a menor. Sendo que o valor de divergência é a diferença apurada pelo sistema, entre o valor declarado como dívida previdenciária e o valor efetivamente recolhido por meio da Guia da Previdência Social (GPS). Isso demonstra que a Recorrente encontravase em débito para com a Seguridade Social quando distribuiu valores aos sócios da empresa. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 52, inciso II, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: (...) II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34. Esse art. 52, inciso II, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa no mesmo sentido, conforme preceitua o seu art. 280, inciso II, in verbis: Art. 280. A empresa em débito para com a seguridade social não pode: I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15889.000450/200714 Acórdão n.º 2401004.238 S2C4T1 Fl. 435 5 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao pagar os valores descritos na Planilha de Distribuição de Lucros (fls. 25/28) – incorreu na infração prevista no art. 52, inciso II, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 280, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Não se acatará a alegação da Recorrente de que os valores declarados em GFIP não seriam capaz de configurar um débito, pois tais valores declarados em GFIP constituem confissão de dívida tributária e exeqüível de imediato, a teor do art. 32, inciso IV, § 2o, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2o. A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n.) Segundo o enunciado da Súmula 436/STJ, a entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. No caso concreto, a Recorrente declarou o débito por meio de GFIP, mas deixando de recolher, no prazo legal, a contribuição previdenciária devida ao Erário federal (União). Em outras palavras, o STJ mantém entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, que é o caso dos autos, com a entrega da Declaração (GFIP), caso o Fisco acolha como correto o que foi declarado, porém não pago pelo contribuinte, tem se a constituição definitiva do crédito tributário (Súmula 436/STJ). Nesse caso, porque estamos diante de uma declaração correta dos valores registrados nas GFIP’s, conforme Relatório Fiscal, o crédito tributário está constituído. Assim, a declaração correta dispensa o lançamento e, além disso, dispensa também toda e qualquer providência administrativa. Ou seja, diante da constituição do crédito pelo sujeito passivo, o Fisco já pode partir para a cobrança judicial, mediante a execução fiscal (ela pula a cobrança administrativa). Isso demonstrar que a Recorrente estava em debito débito com a Seguridade Social (União). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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