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Numero do processo: 10875.908216/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 10 1 9 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908216/200926 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.265 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de junho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 25/6/2009, em que informada a compensação do valor do pagamento indevido da Cofins do mês de junho de 2004, no valor de R$ 352.794,84, com débito da Cofins do mês de maio de 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 21 6/ 20 09 -2 6 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908216/200926 Resolução nº 3102000.265 S3C1T2 Fl. 11 2 Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 50 e 58/59, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência de crédito disponível, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de maio de 2004. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o crédito informado era decorrente de pagamento indevido, porém, como não retificara a DCTF do período, por ocasião da análise e verificação eletrônica da compensação, o valor do pagamento indevido informado encontravase integralmente utilizado na quitação do débito informado na DCTF originária; b) esse equívoco poderia ter sido esclarecido, caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) tivesse lhe requisitado informação e esclarecimento a respeito do crédito utilizado ou determinado a realização de diligência na sua escrituração contábil e fiscal; c) não apresentara a DCTF retificadora, porque não era mais permitido, uma vez que já havia expirado o prazo de 5 (cinco) para apresentar a DCTF retificadora gerada no programa determinado pela RFB; e d) procedera a compensação em apreço em conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/1996. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Capinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que não fora apresentada a documentação adequada que permitisse a verificação da existência do valor do pagamento indevido ou a maior que o devido e, por conseguinte, a certeza e liquidez do crédito compensado. Em 8/2/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 8/3/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 72/79, instruído com a documentação de fls. 82/165, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade, incluindo o pedido de realização de diligência na sua escrita contábil e fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A presente controvérsia limitase à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 53/57. Por meio do Despacho Decisório, emitido em 7/10/2009, a compensação não foi homologada, sob o fundamento de que crédito informada não existia, porque o valor total do pagamento informado estava integralmente alocado ao pagamento do débito do mesmo valor da Cofins do mês de junho de 2004, confessado na DCTF originária do 2º trimestre de 2004. Por outro lado, alegou a recorrente que o crédito utilizado existia, porém, como não retificou a DCTF do período, a análise e verificação eletrônica da compensação não levaram em consideração o valor do correto do débito da Cofins do mês de junho de 2004, no valor de R$ 0,00, mas o valor de R$ 352.794,84, equivocadamente declarado na DCTF original. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908216/200926 Resolução nº 3102000.265 S3C1T2 Fl. 12 3 No âmbito do procedimento de compensação de iniciativa do sujeito passivo (autocompensação declarada), por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, e que era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que já na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento indevido da Cofins do mês de junho de 2004, portanto, necessitava de comprovação com documentos hábeis e idôneos, previstos na legislação tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse a apuração do pagamento indevido da Cofins do mês de junho de 2004, em decorrência, acertadamente, a Turma de Julgamento de primeiro grau reputou não comprovado o direito creditório pleiteado. Na atual fase recursal, a recorrente trouxe aos autos (fls. 82/165) os demonstrativos de apuração da Cofins do período e os correspondentes documentos contábeis e fiscais. Como se destinam a contrapor razões só aduzidas no julgado de primeira grau, em conformidade com o disposto na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, tais provas estão expressamente excepcionadas do efeito preclusivo previsto no citado § 4º, logo, podem ser apreciadas nesta fase de julgamento. Por todas essas razões, com fundamento no art. 29 do PAF, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal de origem, para que: a) a documentação contábil e fiscal colacionada aos autos seja analisada; b) a recorrente seja intimada a apresentar os demais documentos contábeis e fiscais adequados e suficientes à comprovação do valor do crédito compensado, caso os apresentados sejam insuficientes ou inadequados para apuração do direito creditório informado; c) a autoridade fiscal designada emita parecer sobre a comprovação do direito creditório compensado e, se for caso, apure o valor o crédito da recorrente; e d) a recorrente seja cientificada, para, dentro do prazo fixado, querendo manifestese sobre as 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908216/200926 Resolução nº 3102000.265 S3C1T2 Fl. 13 4 conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720203/2011-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
COOPERATIVAS DE TRABALHO.CONTRATANTE.CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991.
MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei n. 9430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO.CONTRATANTE.CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 389 1 388 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720203/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.970 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2013 Matéria Contribuição Previdenciária Recorrente JACAREÍ PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO.CONTRATANTE.CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 03 /2 01 1- 69 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei n. 9430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 2403001.970 S2C4T3 Fl. 390 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 371 a 376 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (São Paulo), às fls. 353 a 355, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração, cadastrado sob o DEBCAD 37.356.4333 (contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos realizados às cooperativas de trabalho). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 18 a 23), em decorrência da Fiscalização realizada na Prefeitura Municipal de Jacareí, ficou constatada a ausência de declaração na GFIP de diversos pagamentos efetuados para cooperativas de trabalho. Desse modo, a Fiscalização concluiu que não houve o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo Município em relação aos valores não declarados na GFIP, razão pela qual lavrou o auto de infração. Ao lançarem a multa devida, os Auditores Fiscais, cientes das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, efetuaram, no período de janeiro a novembro de 2008, a comparação das penalidades previstas na legislação anterior com as previstas na legislação atual, com o objetivo de identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao artigo 106, II, do Código Tributário Nacional. Nessa comparação, foram consideradas conjuntamente as multas devidas pelo descumprimento de obrigação principal e acessória (AI 68), de acordo com a legislação antiga, e a multa de ofício prevista na legislação atual, tendo a fiscalização concluído que a sistemática prevista na legislação antiga é mais benéfica no período de janeiro a março de 2008, e que a sistemática atual seria mais benéfica no período seguinte, de abril a novembro de 2008. Assim, foi aplicada a multa de mora prevista na legislação anterior, correspondente a 24% da contribuição apurada, para as competências de janeiro a março de 2008, e a multa de ofício, correspondente a 75%, retroativamente, nas competências seguintes. Em 23/11/2011, o Município foi notificado desta autuação e apresentou impugnação às fls. 343 a 347, defendendose apenas em relação aos débitos oriundos dos contratos administrativos firmados com a Unimed e com a Cooperativa de Serviços Médicos e Hospitalares de Jacareí, os quais tinham por objetivo oferecer plano de saúde aos servidores municipais. Em sua defesa, o Recorrente esclareceu que efetuou descontos que não excederam 30% (trinta por cento) da remuneração dos servidores, com a expressa autorização de cada um deles. Aduziu, ainda, que os descontos eram facultativos e poderiam ser cancelados tanto por interesse da Administração quanto a pedido do servidor, de modo que atuava como mero consignante, retendo o valor do plano de saúde dos salários pagos aos servidores e repassando para as cooperativas médicas. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/São Paulo proferiu decisão, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE MÃODEOBRA. A contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho é devida, neste caso, na forma do artigo 22 da Lei 8.212/91, não tendo sido apresentada pelo Contribuinte qualquer causa que excluísse a exigência legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão acima, o Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 371 a 376, alegando, em síntese, que: (a) não há incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas de natureza não salarial; (b) os servidores pagam de forma integral os serviços médicos prestados, já que o Recorrente apenas desconta o valor devido da remuneração do servidor e o repassa à cooperativa; (c) de acordo com o art. 169 do Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Jacareí, o fornecimento de assistência médica pelo Poder Público aos servidores é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como pelo Centro Integrado de Saúde do Servidor, e que os servidores têm a faculdade de aderir a convênios médicos coletivos oferecidos por empresas privadas como, por exemplo, a Unimed; (d) tais descontos são autorizados expressamente pelos servidores e poderão ser cancelados por interesse da Administração ou a pedido do servidor, com anuência da conveniada. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 2403001.970 S2C4T3 Fl. 391 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O recurso gira em torno da obrigatoriedade de recolhimento de contribuição previdenciária sobre os serviços prestados pelos cooperados, por intermédio das cooperativas de saúde contratadas pelo ente municipal. A incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos em contraprestação aos serviços prestados por cooperativas de trabalhos encontrase prevista no art. 22, inciso V, da Lei nº 8.212/91, que assim dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Como se vê, a disposição legal acima transcrita elegeu o tomador de serviço como sujeito passivo da obrigação tributária, definindo a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Diante disso, o ponto fundamental para o deslinde da presente demanda reside em definir se o Município de Jacareí afigurase como tomador dos serviços prestados pela Unimed e pela Cooperativa de Serviços Médicos e Hospitalares de Jacareí, que foram objeto desta autuação e em relação aos quais houve insurgência do Recorrente. De fato, se o Recorrente não possuísse a condição de tomador de serviço no caso em análise, como alega no recurso ora apreciado, ao argumento de que foi um mero agente arrecadador, não haveria que se aplicar a norma prevista no art. 22, inciso V, da Lei nº 8.212/91 e, consequentemente, afastada a cobrança da contribuição previdência exigida em relação às mencionadas cooperativas. No entanto, compulsando os autos deste processo administrativo, especialmente os contratos firmados entre o Município Recorrente e as citadas cooperativas de fls. 269 a 296, não há como concluir que o Recorrente apenas figurava como mero repassador de recursos descontados de seus servidores nas comentadas relações contratuais. Além de ser a parte contratante dos mencionados contratos, sendo, portanto, quem estipulou e negociou com as cooperativas as condições e especificações dos serviços prestados, o Recorrente assumiu obrigações e contraiu direitos contratuais, tais como a faculdade de avençar com as cooperativas o prazo de vigência dos contratos. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Na verdade, o Recorrente assumiu toda a gestão do contrato, tendo apenas repassado o ônus financeiro para os servidores segurados, por meio da consignação em folha de salários das respectivas mensalidades, para que estes fossem beneficiados pelos serviços de saúde cobertos pelo plano de saúde. Não é possível sequer afirmar que o Recorrente não se beneficiou com os resultados dos serviços prestados pelas referidas cooperativas, pois, ao viabilizar a garantia de atendimento privado de saúde aos seus servidores, buscou aumentar o grau de satisfação do seu servidor e, consequentemente, diminuir faltas e melhorar rendimento no trabalho, dentre diversas outras vantagens, havendo, portanto, um nítido favorecimento próprio. Seria completamente diferente se os próprios servidores firmassem diretamente o contrato com a cooperativa, e o Município fosse inserido no ajuste contratual apenas com a obrigação de descontar do salário o valor correspondente à mensalidade e repassálo para o citado prestador de serviço. Entretanto, este não é o caso dos autos. Deste modo, observase que o Município Recorrente não se apresenta no caso em análise como um mero repassador de recursos, mas sim como parte ativa na relação contratual, que avençou as condições e especificações dos serviços prestados e, inclusive, se beneficiou com os resultados destes. Portanto, diante de tais especificidades do caso concreto, é razoável entender que o Município de Jacareí foi o tomador dos serviços prestados pela Unimed e pela Cooperativa de Serviços Médicos e Hospitalares de Jacareí, sendo ele o responsável tributário pelo recolhimento da contribuição previdenciária, nos moldes da norma prevista no art. 22, inciso V, da Lei nº 8.212/91. Ademais, o argumento de que a prestação de serviço de saúde já era assegurada aos servidores, por meio do SUS, tampouco é suficiente para excluir a aplicação da legislação ora analisada. Isso porque, o Município, ao contratar as cooperativas, buscou a satisfação do seu servidor ao possibilitar que ele optasse por vincularse aos planos de saúde oferecidos por empresas privadas, devendo, portanto, arcar com o ônus decorrente dessa contratação. Vale ressaltar que, em caso análogo, esta turma já se manifestou no mesmo sentido, conforme se verifica do acórdão cuja ementa segue abaixo transcrita. ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 28/02/2007 COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. [...]. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, 2ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma. ACÓRDÃO 2403001.739. Processo nº 10580.008365 /200737. Sessão de 20 de novembro de 2012. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 2403001.970 S2C4T3 Fl. 392 7 Já em relação à penalidade aplicada, entendo que esta deve ser parcialmente afastada, pelas razões abaixo expostas. Conforme descrito no relatório acima, a fiscalização, com o objetivo de identificar a sistemática de aplicação de penalidade mais benéfica, efetuou a comparação da multa de mora de 24% devida na legislação anterior, somada à multa por falta de declaração em GFIP das contribuições apuradas (AI 68), com a multa de ofício correspondente a 75% do valor da contribuição apurada. Dessa comparação, chegou a fiscalização à conclusão de que, no período de janeiro a março, a multa de mora correspondente a 24%, prevista na legislação anterior, seria a mais benéfica; enquanto que, nos meses de abril a novembro de 2008, a multa de ofício de 75% seria mais benéfica, diante do que deveria retroagir. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pelo Autuante para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991; seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 2403001.970 S2C4T3 Fl. 393 9 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica”. (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari). Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% nas competências de abril a novembro de 2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada nos meses de janeiro a março de 2008, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado nos meses de abril a novembro de 2008. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, julgo parcialmente procedente o presente recurso voluntário para determinar o cancelamento da multa de ofício aplicada quanto aos meses de abril a novembro de 2008 e limitar a multa de mora aplicada nos meses de janeiro a março de 2008 a 20%. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10540.000707/2010-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA
Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS.
Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO.
A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 07 07 /2 01 0- 42 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, ‘a’ do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 360 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 329 a 340, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.300 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 321 a 334, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.279.5811, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.689.205,61. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias patronais (Empresa e SAT) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços ao ente público, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM: Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM. sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ler o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. O Relatório da decisão de primeira instância assim informa, às fls. 321 a 334: Relata a Fiscalização que dentre os documentos entregues pelo intimado estão os resumos mensais das folhas de pagamento, exceto da competência 13/2006. De posse destes documentos a fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos resumos das folhas de pagamento e os valores constantes dos Demonstrativos fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCMBA). Intimado a se manifestar acerca das diferenças encontradas, o Autuado não as explicou. A Fiscalização considerou como base de cálculo os valores informados nos resumos mensais de folhas de pagamento fornecidos pelo Autuado. Nas competências em que os valores disponibilizados pelo TCMBA foram superiores aos constantes nos resumos das Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 folhas de pagamento, tal diferença foi também lançada, haja vista que se trata de informações em que o Autuado prestou ao referido Tribunal e não forneceu à RFB. Consta dos autos o Relatório da Ação Fiscal (fls. 3749) que descreve de forma minuciosa todo o rito do procedimento fiscal, além de conter em detalhes todos os Levantamentos e a comparação da multa (item VII) em função das modificações trazidas pela Lei 11.941/2009 (conversão da Medida Provisória n° 449/2008). Estão juntados aos autos dentre outros os seguintes documentos: planilhas explicativas (fls. 5064), termos fiscais, respostas aos termos fiscais, resumos das folhas de pagamento (fls. 114151 )e extratos do sistema GFIP WEB. Constam ainda dos autos termos de apensação e desapensação (fls. 294, 296 e 319), o que resultou ajuntada por apensação aos autos deste processo de outros com a seguinte numeração: 10540.000706/201006, 10540.000704/201017, 10540.000705/201053, 10540.000708/201097 e 10540.000709/201031 O Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: 1. Obrigação principal: a) GF REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados empregados, das contribuições retidas de segurados empregados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) RE REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, Integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 361 5 c) RE1 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. d) RE2 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluida a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de oficio de 75%. e)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. f) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. g) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%. h) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 362 7 c) AIOA CFL 38 Constam neste levantamento o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação de fornecer todos os documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização no curso da ação fiscal. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, nestes termos: No caso específico, o comparativo da multa foi realizado da seguinte maneira, conforme quadro da multa a ser aplicada, abaixo reproduzido: a) Competência 01/2006 a 01/2007: como não era cobrada a multa de mora 24%, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP sem incorreções ou omissões. b) Competências 02/2007, 03/2007, 05/2007, 07/2007, 08/2007, 09/2007, 13/2007, 01/2008 e 10/2008: a comparação foi feita entre o somatório da multa de 75% com a multa CFL 78 e o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%. c) Competências 04/2007, 06/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 02/2008 a 09/2008: a comparação foi feita entre a multa de 75% com o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%. d) Competência 11/2008: a entrega da GFIP ocorreu na vigência da MP 449/2008 por isso não entrou no comparativo da multa mais benéfica. Estão sendo cobradas as multas de 24%, CFL 78. e) Competência 12/2008 e 13/2008: não participaram do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Neste caso, estão sendo cobradas as multas de 75%. A Recorrente teve ciência do AIOP em 23.07.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 295. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 14, é de 01/2006 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 298 a 310, resumidamente conforme o relatório da decisão de primeira instância: Preliminarmente, aduz a nulidade do auto de infração em face de sua manifesta exorbitância e impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, como também as contradições e falhas nos procedimentos legais administrativos constantes dos mesmos. Tal situação macula a garantia constitucional da ampla defesa. Afirma que é ilegítima a lavratura de autos de infração eivados de equívocos, cujos Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado nos autos, não restando claro a base de cálculo tomada de empréstimo para a feitura e conclusão das supostas dívidas levantadas e as multas impostas. Ainda preliminarmente argumenta a ineficácia do procedimento fiscal por ter sido lavrado fora do estabelecimento ou órgão municipal. A doutrina especializada é taxativa quanto à obrigatoriedade da lavratura do AI no local do estabelecimento fiscalizado. No presente caso, o AI foi lavrado na própria repartição fiscal. A lavratura fora do estabelecimento fiscalizado quebra a segurança jurídica e a própria seriedade que deve existir nas relações da Receita Federal do Brasil com os contribuintes, evitandose que sejam lavrados autos "por correspondência", com um visível desprezo pelo contraditório, pois durante as diligências de fiscalização o contribuinte tem o sagrado direito de se fazer representar através de seus contadores e se necessário, também pelo seu procurador jurídico e até mesmo pelo prefeito municipal, matéria que desde j á fica préquestionada. Ora se o auto é lavrado fora do local, sem ao menos existirem as solicitações de explicações e ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas ou irregularidades, a violabilidade do contraditório é evidente e não poderá ser negada No mérito aduz a exorbitância dos valores apurados pela RFB. Afirma que a autuante resolver buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento. Sugere que se proceda a uma auditoria auxiliar. Afirma que a Portaria MPS n° 133, de 02 de maio de 2006 instituiu uma série de condições para fins de compensação, dentre as quais a necessidade de retificação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A Instrução Normativa n° 15 de 12 de setembro de 2006 também versou sobre a necessidade de retificação de GFIP para a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social. Ambos os enunciados normativos vinculam a compensação à retificação de GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. Forçoso reconhecer que, uma vez entregue à Fazenda Pública a GFIP, a esta incumbe o encargo de apreciála, verificando sua regularidade para, em seguida, preceder à homologação ou não. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1526.300 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 321 a 334, conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 363 9 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa, além da fundamentação legal das rubricas levantadas. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. O procedimento fiscal possui natureza eminentemente inquisitória, e a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante nem a de acusado, mas, simplesmente, a de investigado. Somente após a formalização da exigência, é que o sujeito passivo terá direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando não preenchidos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tais pretensões não podem ser acatadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10540.000707/201042, do Auto de Infração (AI), cadastrado Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 sob número 37.279.5811, acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese o sujeito passivo do inteiro teor do presente Acórdão, fornecendolhe cópia da decisão, mediante entrega ou remessa da segunda via, intimandoo ainda a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, facultado pelos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235, de 1972. Sala de Sessões, em 23 de fevereiro de 2011. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 329 a 340, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em Sede Preliminar (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do con6traditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial No Mérito (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 364 11 Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 343. É o Relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 343. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 365 13 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 329 a 340, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.300 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 321 a 334, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.279.5811, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.689.205,61. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias patronais (Empresa e SAT) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços ao ente público, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.279.5811 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.279.5811) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 366 15 maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.279.5811, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Não assiste razão à Recorrente pois, conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial Analisemos. A argumentação da Recorrente, centrada na ofensa a princípios constitucionais, considero superada nos termos do Tópico (A) acima que debateu a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativofiscal. Ademais, a argumentação da Recorrente no sentido de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades não pode prosperar porque efetivamente houve solicitação para que o Município se manifestasse acerca de divergências encontradas entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 321 a 334: De posse destes documentos a fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos resumos das folhas de pagamento e os valores constantes dos Demonstrativos fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCMBA). Intimado a se manifestar acerca das diferenças encontradas, o Autuado não as explicou. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 367 17 DO MÉRITO (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). Analisemos. Em que pese o argumento da Recorrente no sentido de que a autuação fiscal não demonstrou a origem da base de cálculo, não pode prosperar tal argumentação porque o Relatório Fiscal, bem como os demais Relatórios do Auto de Infração, demonstram de forma clara e precisa da base de cálculo apurada. Inclusive, em relação à regularidade do lançamento, já se apreciou tal matéria no tópico (B). Destaquemos o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, que informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM: Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM. sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ler o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Ademais, cumpre citar a decisão de primeira instância, às fls. 323, que ao indeferir esta mesma argumentação da Recorrente, listou os relatórios constantes do presente AIOP: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 O fato gerador das contribuições lançadas e os respectivos fundamentos legais restaram devidamente esclarecidos no Relatório Fiscal e seus anexos. As contribuições devidas mensalmente, assim como as basesde cálculo mensais, as alíquotas aplicadas, os valores apurados por levantamento e por rubrica estão devidamente discriminados no relatório anexo denominado DISCRIMINATIVO DO DÉBITO (DD), às fls 1522. Consta, ainda, anexo ao lançamento o Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (FLD), que relaciona toda a fundamentação legal que alicerça o lançamento (fls. 12 14), mencionando a legislação aplicada a cada fato gerador levantado, por competência, além de trazer a legislação relativa aos acréscimos legais, à competência para fiscalizar e aos prazos de recolhimento. Ainda está anexo o Relatório de Lançamentos (RL), fl. 0611, onde constam, por competência, os valores da base de cálculo da contribuição patronal devida (Levantamentos RE/ REI e RE2) e as diferenças de GILRAT de valores declarados em GFIP (Levantamento GI). A Fiscalização juntou aos autos farta documentação que dá suporte ao presente lançamento. Estão juntados aos autos dentre outros os seguintes documentos: planilhas explicativas (fls. 5064), termos fiscais, respostas aos termos fiscais, resumos das folhas de pagamento (fls. 114151) e extratos do Sistema GFIP WEB. Consta dos autos ainda o Relatório da Ação Fiscal (fls. 3749) que descreve de forma minuciosa todo o rito do procedimento fiscal, além de detalhar todos os Levantamentos e a comparação da multa (item VII), esta última procedida em função das modificações trazidas pela Lei 11.941/2009 (conversão da Medida Provisória n° 449/2008). Neste compasso, o Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa, além da fundamentação legal das rubricas levantadas, estando em conformidade com as exigências expressas no art. 142 do CTN, bem como no art. 37, da Lei n° 8.212, de 1991. Por fim, transcrevase ainda o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, que mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: 1. Obrigação principal: a) GF REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados empregados, das contribuições retidas de segurados empregados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 368 19 do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) RE REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, Integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. c) RE1 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. d) RE2 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluida a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de oficio de 75%. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 e)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. f) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. g) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 369 21 (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%. h) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. c) AIOA CFL 38 Constam neste levantamento o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação de fornecer todos os documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização no curso da ação fiscal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei Fl. 379DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na questão da compensação, a qual não poderia ser regida por Instruções ou Portarias devido à reserva de lei complementar para tal conforme previsão constitucional. Não obstante a argumentação da Recorrente, a apreciação de inconstitucionalidade é vedada no âmbito do contencioso administrativo, conforme o já debatido no tópico (A). Ademais, cumpre observar que não há qualquer menção à compensação no presente Auto de Infração AIOP nº. 37.279.5811, de modo que a argumentação da Recorrente, por este prisma, também não prospera. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Analisemos. Não prospera a argumentação da recorrente posto que na execução administrativa do presente julgado é que poderá ser efetivado o recálculo dos acréscimos legais de forma a se verificar qual a forma de cálculo mais benéfica ao contrribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 370 23 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Redatora Designada Conforme já informado no voto do eminente relator, Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, tratase de processo administrativo decorrente do AIDEBCAD de n. 37.279.5811, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias patronais e GILRAT relativas às competências de 01/2006 a 12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 37/49 do PAF nº 10540.000707/201042, o fiscal autuante efetuou o quadro comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade supostamente menos severa ao contribuinte, procedendo da seguinte forma: · Competência 01/2006 a 01/2007: como não era cobrada a multa de mora de 24%, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento de obrigação acessória de declarar GFIP sem incorreções ou omissões; · Competências 02/2007, 03/2007, 05/2007, 07/2007, 08/2007, 09/2007, 13/2007, 01/2008 e 10/2008: a comparação foi feita entre o somatório da multa de 75% com a multa CFL 78 e o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%; · Competências 04/2007, 06/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 02/2008: a comparação foi feita entre a multa de 75% com o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%; · Competência 11/2008: a entrega da GFIP ocorreu na vigência da MP 449/2008 por isso não entrou no comparativo da multa mais benéfica. Estão sendo cobradas as multas de 24%, CFL 78. · Competência 12/2008 e 13/2008: não participaram do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009. Neste caso, estão sendo cobradas as multas de 75%. Inicialmente, entendo que em relação às competências de 01/2006 a 01/2007, ressalvado o método de comparação adotado, o fiscal autuante aplicou corretamente as normas Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 371 25 vigentes à época desses fatos geradores, deixando de lançar a penalidade pelo recolhimento das contribuições fora do prazo, em virtude da vedação prevista no art. 239, §9º. Vejamos: Art. 239... § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Posteriormente, este dispositivo foi alterado pelo Decreto 6.042 de 12/02/2007, restando excluída tal proibição. Sendo assim, a partir da competência 02/2007, o fiscal autuante, com o intuito de identificar a penalidade aplicável ao presente processo, efetuou a comparação entre as multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as previstas após as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Para tanto, efetuou planilha comparativa, através da qual somou à multa de mora prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no art. 32, §5o da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), comparando o seu resultado com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75%, somada à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78). Como resultado desse confronto, a Fiscalização concluiu ser a sistemática antiga mais benéfica nas competências de fevereiro de 2007 até setembro de 2008 e novembro de 2008, diante do que lançou a multa de mora de 24% prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, e, quanto à competência de outubro de 2007, entendeu ser a sistemática nova mais favorável, tendo, por conseguinte, lançado a multa de 75% sobre os créditos tributários apurados nessa competência. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pelo Autuante para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à soma da multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 com a multa por omissões ou incorreções em GFIP prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78); seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 372 27 Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica”. (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari). Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% na competência de 10/2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada nos meses de fevereiro de 2007 até setembro de 2008 e novembro de 2008, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado em outubro de 2008. Ressalto que, em relação às competências de 12/2008 e 13/2008, mantenho a multa aplicada no percentual de 75%, visto que, à época dos fatos geradores, tal penalidade já se encontrava em vigor. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000707/201042 Acórdão n.º 2403001.902 S2C4T3 Fl. 373 29 CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pelo cancelamento da multa de ofício de 75% aplicada na competência de 10/2008 e pela redução da multa de mora para o percentual de 20% nas competências de 02/2007 a 09/2008 e 11/2008. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910094/2009-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVAS.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 28/12/2006. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 15/07/2009, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 94 /2 00 9- 45 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que sua contabilidade era terceirizada. O profissional contratado desconhecia na íntegra a legislação do PIS e Cofins e durante muito tempo efetuou recolhimentos a maior a contribuição. Tendo percebido o fato, a empresa recalculou os tributos indevidamente recolhidos e passou a compensálo com créditos vincendos. O preenchimento da DCTF e do DACON ocorria por conta do escritório contábil e por diversas vezes desconhecia o conteúdo das declarações apresentadas pelo contador à Receita Federal. A DRJ – Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 29/11/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) houve erro do contador em recolhimentos da contribuição efetuados em períodos anteriores, em razão do não aproveitamento de créditos legítimos aos quais tem direito, conforme demonstrado na planilha anexa; 2) o fato do contador não ter retificado previamente as DCTF e os DACON não obsta o seu direito à compensação; 3) a glosa efetuada pela autoridade administrativa é indevida, pois se havia dúvida quanto à legitimidade do crédito, poderia ter sido feita sua verificação por meio de procedimento de fiscalização; 4) os valores declarados em DCTF não são intocáveis e só se subsumem à condição de confissão de dívida quando efetivamente devidos; 5) invocou o princípio da verdade material e requereu o deferimento de diligência a fim de que reste comprovada a legitimidade da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que no caso concreto o despacho que não homologou a compensação está escorado na inexistência do crédito, pois o valor do DARF informado no PER/DCOMP está integralmente vinculado à quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.910094/200945 Acórdão n.º 3403002.442 S3C4T3 Fl. 3 3 Portanto, cabia ao contribuinte o ônus de comprovar a existência do indébito, a fim de elidir o referido despacho. O contribuinte alegou que efetuara recolhimentos indevidos, em razão de seu contador não ter descontado créditos legítimos da contribuição, os quais estariam demonstrados nas planilhas anexas ao recurso. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para requerer diligência, a fim de que a fiscalização verifique a existência do indébito alegado. O art. 74, VI, § 7º da Lei nº 9.430/96 estabelece que no caso de não homologação da compensação declarada, o sujeito passivo será intimado a efetuar o pagamento em 30 dias, ressalvado o disposto no § 9º. O § 9º estabelece que é possível apresentar manifestação de inconformidade, enquanto que e o § 11 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguirão o rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Por seu turno, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” (Grifei) À luz do art. 16, III, do PAF, caberia ao contribuinte ter comprovado os alegados erros cometidos por seu contador, assim como as bases de cálculo das contribuições e os créditos que supostamente não teriam sido descontados por ocasião das apurações mensais. Por não ter trazido a prova da existência do indébito, não restou outra alternativa ao julgador de primeira instância, a não ser indeferir a manifestação de inconformidade. A defesa alegou que a falta de retificação das declarações não afasta o direito à compensação do que pagou a mais e invocou, no recurso voluntário, o princípio da verdade material para justificar a realização de diligência, a fim de que fosse aferida a existência do indébito. Realmente, a falta de retificação da DCTF e do DACON não suprime o direito de o contribuinte reaver eventual indébito por pagamento indevido. Entretanto, é ônus processual do contribuinte demonstrar a certeza e a liquidez do indébito alegado. As diligências se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A regra do art. 16, III, do PAF é clara: cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. A planilha apresentada com o recurso voluntário nada comprova, pois veio desacompanhada dos documentos contábeis hábeis a dar suporte aos números alegados. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.002776/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho.
Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 27 76 /2 01 0- 28 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 2402003.688 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2005 a 11/2007. O Relatório Fiscal (fls. 19/23) informa que os valores apurados decorrem de faturas emitidas pela cooperativa Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico, relacionadas nas planilhas anexadas as fls. 21, tendo sido aplicada a alíquota de 30% sobre o valor das faturas para a determinação da base de calculo das contribuições sociais exigidas, nos termos da legislação vigente à época da prestação dos serviços. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/08/2010 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 69/75), alegando, em síntese, que: 1. o art. 22, IV da Lei 8.212/91 é inconstitucional, esclarecendo que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° ADI 25945, com parecer favorável da Procuradoria Geral da República nesse sentido. Cita o art. 195, I, "a" da Constituição Federal (CF), que deixou claro que a base das contribuições sociais é a folha de salários ou rendimentos pagos à pessoa física. Assim, ao instituir como base de cálculo de contribuição social o valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pelas cooperativas, que são pessoas jurídicas, o art. 22, IV da Lei 8.212/91 opõese ao que estabelece a Carta Magna, revelandose, de forma irrefutável, inconstitucional. Com efeito, a empresa não contrata com o cooperado, nem com este mantém qualquer vinculação jurídica, tampouco lhe paga ou credita rendimentos. A empresa contrata serviços com a cooperativa, que se responsabiliza pelos serviços contratados, emitindo a fatura ou nota fiscal, cujo valor é composto de várias rubricas, sendo a figura dos cooperados absolutamente estranha a esta relação. Deste modo, é patente a inconstitucionalidade do art. 22. IV da Lei 8.212/91; 2. ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e, caso não acolhido o primeiro pedido, seja. ao menos. excluída a multa de oficio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão no 1431.626 da 7a Turma da DRJ/RPO (fls. 95/98) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Autuada apresentou recurso voluntário (fls. 102/112), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Limeira/SP informa que o recurso é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 2402003.688 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega inconstitucionalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a incidência de contribuições na contratação de serviços de cooperativa de trabalho, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados de cooperativas de trabalho. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente a inconstitucionalidade da regra estampada no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.876/1999, dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Após isso, passo ao exame de mérito. No que tange à alegação de ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a incidência de contribuições concernente à contratação de serviços de cooperativa de trabalho, frisese que a auditoria fiscal cumpriu a legislação previdenciária vigente à época do lançamento. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja ilegalidade vem sendo questionada, razão pela qual são exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados de cooperativas de trabalho. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Dessa forma, quanto à ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a Recorrente. Para fins de esclarecimentos, convém apreciar a legislação que trata da contribuição sobre os serviços de cooperativas de trabalho. A partir da competência março de 2000, a tomadora de serviços prestados por cooperativa de trabalho ficou com o dever de contribuir com a alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura para a seguridade social. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, nestes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Uma vez que a Recorrente tomou serviços das Cooperativas de Trabalho Médico – Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico – deveria ter contribuído para a seguridade social com a alíquota de 15% sobre as respectivas notas fiscais ou fatura, a partir da competência março de 2000. Em face da constatação da existência de pagamentos, caracterizado está o fato imponível (fato jurídico tributário, situação fática) da contribuição social, devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 17/23) e seus anexos (planilha de fl. 21). Nesse passo, é importante esclarecer que não há a demonstração nos autos das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do CTN, exceto a hipótese do inciso III desse mesmo artigo, já que o recurso interposto no âmbito administrativo tem como efeito a suspensão do crédito tributário até a ocorrência da decisão definitiva. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 2402003.688 S2C4T2 Fl. 5 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Logo, não acato a alegação da Recorrente de que há cobrança indevida da contribuição social previdenciária incidente sobre a contratação de serviços de cooperativa de trabalho, eis que onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação para isentar tais contribuições, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 2402003.688 S2C4T2 Fl. 6 9 Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008 e nas competências 02/2007 a 11/2007, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 2402003.688 S2C4T2 Fl. 7 11 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10840.720592/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. CARACTERÍSTICAS. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos decorrentes de pensão alimentícia judicial devem ser considerados como tributáveis na declaração de ajuste anual do beneficiário, quando comprovado que a obrigação civil ao pagamento decorreu de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou, ainda, de escritura pública que especifiquem o valor da obrigação e/ou discriminem os deveres em prol do(a)(s) beneficiário(a)(s) da decisão.
Acordos particulares celebrados entre os interessados para, mediante divisão de valores, declará-los em separado e torná-los isentos, não são oponíveis ao Fisco. (CTN, art. 123)
Hipótese em que resta comprovado com documentação hábil e idônea que os valores foram efetivamente pagos à ex-esposa e que não há determinação ou homologação judicial para pagamento de pensão às filhas, após a maioridade.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO.
A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste Conselho.
Pedido de Diligência Indeferido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada de R$ 1.398,49, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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CARACTERÍSTICAS. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos decorrentes de pensão alimentícia judicial devem ser considerados como tributáveis na declaração de ajuste anual do beneficiário, quando comprovado que a obrigação civil ao pagamento decorreu de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou, ainda, de escritura pública que especifiquem o valor da obrigação e/ou discriminem os deveres em prol do(a)(s) beneficiário(a)(s) da decisão. Acordos particulares celebrados entre os interessados para, mediante divisão de valores, declarálos em separado e tornálos isentos, não são oponíveis ao Fisco. (CTN, art. 123) Hipótese em que resta comprovado com documentação hábil e idônea que os valores foram efetivamente pagos à exesposa e que não há determinação ou homologação judicial para pagamento de pensão às filhas, após a maioridade. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste Conselho. Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 05 92 /2 00 8- 15 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 134 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada de R$ 1.398,49, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto as seguintes partes do Relatório, que complemento ao final, elaborado pela Autoridade julgadora de 1ª instância: “Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração de fls. 02/12, em 03/12/2008, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo ao ano calendário 2005/exercício 2006, no valor total de R$15.008,09, dos quais R$6.606,61 correspondem ao imposto; R$4.954,95, à multa proporcional; R$1.398,49, à multa exigida isoladamente; e R$2.048,04, a juros de mora, calculados até 28/11/2008, conforme discriminativo e rol de fundamentos legais dele constantes. A ação fiscal, abrangendo o ano calendário 2005, foi determinada conforme Mandado de Procedimento Fiscal n.º 0810900.2008.00783 e, mediante Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido em 15/09/2008 (fls. 14/15), a contribuinte foi intimada a: apresentar a decisão/acordo judicial que instituiu a pensão alimentícia recebida e informar os valores recebidos mensalmente a esse título; informar os valores recolhidos mensalmente relativos a carnê leão; informar a origem do valor de R$12.000,00 recebido de Valter Roberto Berg, CPF 726.225.39800 e declarados na Declaração de Ajuste Anual exercício 2006 como “Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular”; informar a origem do valor de R$29.440,72, declarado como “Demais rendimentos e imposto pago do titular – Rendimentos isentos e não tributáveis”. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 135 3 Em face das informações e documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal apurou infração à legislação tributária configura por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física – pensão alimentícia judicial, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (carnê leão). Esclarece que, conforme acordo judicialmente homologado, “após as filhas atingirem a maioridade, cronologicamente, o valor dos alimentos pagos mensalmente às mesmas, mediante desconto em folha de pagamento, passarão a pertencer única e exclusivamente à separanda ...” Como no ano calendário 2005 as filhas do casal haviam atingido a maioridade, os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia judicial pertenciam à contribuinte sob fiscalização, de cuja tributação não se exime pelo fato de as filhas ainda cursarem faculdade. O total recebido a título de pensão alimentícia judicial foi R$42.356,92 e, tendo a contribuinte havia informado em sua Declaração de Ajuste Anual o valor de R$12.000,00, caracterizouse a omissão de R$30.356,92. Foi lançada, ainda, multa isolada decorrente do não recolhimento mensal obrigatório do tributo incidente sobre a pensão alimentícia recebida.” Apresentada a Impugnação ao Lançamento, o julgamento de 1ª instância, em suma, considerou que: os valores recebidos de pessoas físicas a título de pensão alimentícia judicial constituem rendimentos tributáveis, sujeitando o beneficiário ao pagamento mensal do imposto, conforme determina o art. 8º da Lei nº 7.713/88; o texto do acordo judicial que determinou o pagamento da pensão, expressão legítima da vontade das partes, não deixa dúvidas quanto à definição de que a maioridade civil das filhas, cronologicamente considerada, acarretaria a transferência do valor correspondente para a impugnante, passando esta a ser única e exclusiva beneficiária da pensão alimentícia; desse modo, apenas à impugnante cabia a responsabilidade de oferecer tais rendimentos à tributação e que, no ano calendário 2005, totalizaram R$ 42.356,92, dos quais apenas R$12.000,00 foram por ela declarados. Os restantes R$ 30.356,92 foram informados em Declaração de Ajuste Anual das filhas que, à luz de acordo judicial homologado, não se qualificavam mais como beneficiárias da pensão alimentícia; a propósito das alegações da contribuinte, cabe esclarecer que o valor de pensão alimentícia judicial na forma legal constitui dedução para o responsável por seu pagamento e, para o beneficiário, rendimento tributável sujeito ao recolhimento mensal obrigatório do imposto de renda e informação na Declaração de Ajuste Anual DAA; concluise, assim, inexistir reparo a ser feito no lançamento. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 136 4 Por fim, na esteira do voto do Relator, decidiuse por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte repisa as mesmas razões materiais expendidas à 1ª instância, de onde ressalto que: a) preliminarmente, requer que o processo seja transformado em Diligência, para anexar toda a documentação comprobatória que, em seu entendimento, encontrase “no processo originário”, na instância de piso; b) que o conteúdo da decisão recorrida contraria a lógica e o bom senso, em seu prejuízo, uma vez que não analisou os documentos apresentados; c) que encaminhou carta registrada à fiscalização, esclarecendo que os rendimentos foram “exclusivamente para a subsistência de suas filhas”; d) reafirma a então a situação das filhas, como estudantes de ensino superior (Mestrado e Pós Graduação) e as necessidade financeiras das mesmas, “que não possuíam fonte de renda suficiente”; e) informa que a doutrina e a jurisprudência pátrias são pacíficas no sentido de que a maioridade civil não constitui causa hábil à cessação da obrigação alimentar, colacionando Decisões judiciais; f) questiona a forma como foi aplicada a tributação, entendendo que ela deveria ser aplicada apenas àquilo que ultrapassasse o valor de R$ 1.164,00 (limite de isenção), para fins de pagamento do Carnê Leão; Pede que seja reformada a decisão a quo para julgar improcedente a exigência, “cancelandose totalmente o indevido fiscal.” É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 09/09/2011 (fl.121) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 11/10/2011 (fl. 123). O recurso é tempestivo e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Em preliminar, esclareço à Recorrente que o processo administrativo fiscal 10840.720592/200815, que trata da controvérsia aqui instaurada, está instruído com todas as peças necessárias a seu deslinde, como o Termo de Início de Fiscalização, as respostas da autuada, com os documentos que anexou (sentença judicial, acordo homologado em juízo, declarações de rendimentos, etc), o Auto de Infração, a Impugnação, o Acórdão de 1ª instância e o Recurso, dentre outros. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 137 5 Assim, não há necessidade de determinar Diligências, quando os elementos e documentos necessários a formar a convicção do julgador, analisando aquilo em que se funda o recurso apresentado, estão presentes nos autos. Portanto, indeferido o pedido preliminar. MÉRITO. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A controvérsia subsiste na tributação de pensão alimentícia paga pelo ex cônjuge da Recorrente que, intimado no curso da fiscalização, fez prova de seu efetivo pagamento, conforme extratos bancários anexados nas fls. 62 a 67. Também, fundamental a análise do acordo homologado judicialmente (fl. 26), em 16 de junho de 2000, onde se destaca, como já fizeram as autoridades autuantes e o julgamento de 1ª instância, que: “Esclarecem as partes que, após as filhas atingirem a maioridade, cronologicamente, o valor dos alimentos pagos mensalmente às mesmas, mediante desconto em folha de pagamento, passarão a pertencer única e exclusivamente à separanda, concomitantemente o cônjuge varão ficará exonerado de cumprir o disposto no item ‘3’ supra;” (sem destaques no original) No voto vencedor que conduziu esta 1ª Turma Especial, no Acórdão 2801 002.957, de 13/03/2013, destacase o seguinte: “..., oportuno observar que a doutrina brasileira identifica, de maneira uniforme, duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil CC/ 2002, cujo teor é o seguinte: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; Com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694 e 1.695 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência.” Assim, não se discute aqui as normas de Direito de Família sobre obrigações alimentares, em geral, tampouco a situação financeira das filhas da recorrente, em espécie, mas sim sobre a tributação incidente sobre determinado rendimento e quem é o titular da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 138 6 disponibilidade econômica ou jurídica da renda, portanto responsável pelo adimplemento das obrigações tributárias. Não restam dúvidas, a partir do art. 37 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, que são rendimentos tributáveis os alimentos e pensões, percebidos em dinheiro. (também CTN, art 43, I e II, e Lei nº 7.713/1988, art. 3º, § 1º). Também, claro está quem é o contribuinte, no caso, “o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda”, a teor do art 2º do mesmo Regulamento supracitado: é a aqui recorrente Edméia de Fátima Manzo que se reveste dessa condição (também CTN arts. 43, 121, I e 122). Foi a ela que o acordo homologado judicialmente determinou o pagamento dos alimentos, nas circunstâncias vigentes à época dos fatos, ou seja, com a maioridade civil das filhas. O Código Tributário Nacional, art. 123, diz expressamente que os acordos particulares relativos à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostos à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, em relação à responsabilidade pelo pagamento do tributo incidente sobre a renda que auferiu, nenhum efeito tem o acordo de divisão de alimentos que fez com as filhas, na forma como esclareceu em sua peça impugnatória. Se a mãe verifica que as filhas, apesar de maiores de idade, ainda necessitam da provisão alimentar para seu sustento e decide dividir o rendimento proveniente da pensão alimentícia que legalmente recebe com as mesmas, isso não altera a tributação sobre esses rendimentos. Observese, na jurisprudência que colaciona, e a partir dos esclarecimentos que trouxemos acima, que esse dever é “dos pais” (pai e mãe). E, esclarecemos, ainda que o pai contribuísse com outros valores, além do determinado no acordo judicial, seria mera liberalidade, sob a ótica da legislação do imposto de renda, não sendo essa parcela dedutível de seus rendimentos e não se constituindo rendimento tributável para quem o recebesse. Assim, o que poderia modificar os aspectos da tributação aqui em comento não é a ajuda ou transferência de recursos para os parentes que dele necessitem, mas a determinação, reconhecimento ou homologação judicial dessa circunstância, efetivamente comprovada. Isso está claro no art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda, do qual novamente nos socorremos para tentar esclarecer a situação à recorrente. E a jurisprudência deste Conselho Administrativo é pacífica nesse sentido. Desta feita, a contribuinte que figura legalmente como beneficiária dos rendimentos (mediante acordo judicial e que efetivamente recebe a pensão depositada em sua conta corrente) deveria reconhecêlos mensalmente, pagar o carnê leão como antecipação e declarálos integralmente em sua Declaração de Ajuste Anual, apurando eventual imposto devido. Se, no caso, verifica que suas filhas necessitam de ajuda financeira, então, depois adimplidas as obrigações tributárias, fizesse as divisões e repasses. As DIRPF apresentadas pelas filhas da Recorrente não estão corretas, uma vez que as mesmas não eram as titulares da pensão paga pelo pai, conforme o acordo Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 139 7 homologado. Poderiam, querendo, já que não se encontravam obrigadas pela legislação, em função dos montantes apurados, declarar como rendimentos recebidos a título de doação, feita pela mãe. Ad argumentandum, no caso da filha que na época dos fatos ainda contava com 22 anos e cursava ensino superior, a mesma poderia ter sido declarada como “dependente” da Recorrente, a teor do art. 77, III, § 2º do RIR/1999, e deduzida importância correspondente do rendimento tributável. Mas, observase que a contribuinte apresentou declaração pelo modelo simplificado, que absorve todas as deduções possíveis em uma só. Como a contribuinte declarou ter recebido apenas R$ 12.000,00 (doze mil reais) de pensão e a fiscalização apurou, a partir dos documentos de fls. 62 a 67, que lhe foram pagos R$ 42.356,92, foi constatada uma omissão de R$ 30.356,92. Então, aplicouse a tabela progressiva para cálculo do imposto sobre esse valor, chegandose a R$ 6.606,61, conforme demonstrado na fl. 8 (Auto de Infração). Portanto, quanto à omissão de rendimentos apontada, reputo correta a autuação, que foi apurada segundo a legislação em vigor na época, não tendo sustentação o raciocínio da Recorrente sobre o cálculo, quando alega que está indevido. DA MULTA ISOLADA. Neste aspecto, entretanto, é preciso contextualizar a situação ora analisada, para se verificar as conseqüências e sanções a serem aplicadas, dentre as previstas no nosso ordenamento jurídico. A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor, demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa de 75%, chamada “multa de ofício”, que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A conduta realizada pela contribuinte, pelo que do processo consta, evidencia contraditório exigirse dela, nesse contexto, o recolhimento do IRPF antecipado (carnê leão). Se, no seu entendimento (equivocado), o rendimento não atingia o limite para tributação (apenas R$ 1.000,00 por mês) e era não tributável, não há que se falar em antecipação. Embora pudesse ser, hipoteticamente, desdobrada em etapas, a conduta do contribuinte possui indissociável unidade lógica. Assim, sua segmentação, para fins de aplicação de penalidade, implicaria em injustificável bis in idem, pois significaria a aplicação de duas sanções sobre o mesmo suporte fático. Outrossim, tendo em vista que a interpretação do regime de aplicação de penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo reproduzido: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 140 8 I à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Não se pode, desse modo, interpretar literalmente cada enunciado, desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto fático. Da mesma forma a natureza punitiva do vínculo estabelecido pela autoridade fiscal exige que, dentre as alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte. Nada obstante, esse é o entendimento já assentado no âmbito deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. [...] MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]” (Processo n.º 10909.000897/200786 82C1T1; Acórdão n.º 210100.281 fl. 647,2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário provido. (Processo n.º 18471.000571/200586; Acórdão n.º 2802002.160, 2013) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão n.º 2801003.110 S2TE01 Fl. 141 9 Sendo assim, entendo indevida a cobrança da multa isolada, que deve ter sua exigência cancelada, não sendo, portanto, necessário discorrer sobre as alegações da recorrente acerca do seu cálculo. CONCLUSÕES. Pelas razões aqui expendidas, entendo que sejam improcedentes as alegações e o pedido da Recorrente, no que tange ao imposto sobre a renda (R$ 6.606,61), a ser cobrado com multa de ofício de 75% (R$ 4.954,95) e juros legais, devendo ser reformado o lançamento apenas para cancelar a exigência da multa isolada no importe de R$ 1.398,49. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908139/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado.
Processo Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não sobrestar o processo. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira,Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado. Processo Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não sobrestar o processo. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 39 /2 00 9- 12 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira,Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Para descrever os fatos, transcrevo o bem assentado relatório constante no voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alega: 0 fundamento, decisão e enquadramento legal são apenas fática, sob a alegação de que o darf embora localizado registra um ou mais pagamentos, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não consignando crédito disponível. Do pagamento indevido ou a maior Do Darf localizado...foi detectado um pagamento indevido ou a maior.. , que corrigido pela taxa Selic acumulada ...importou em ... O referido crédito, foi compensado com o débito de IRPJ... Desta forma, do DARF identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior..., que após corrigido ficou apto a compensar o débito de IRPJ na forma como realizado. O procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Do pedido Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela Inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. Em decisão proferida, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, recebendo a seguinte ementa: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.908139/200912 Acórdão n.º 3801002.159 S3TE01 Fl. 12 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando aoconjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam averificação da existência de pagamento indevido ou a maior frentelegislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Inconformado com a decisão exarada, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior se consubstancia por três argumentos: “1) alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de ‘faturamento’; 2) exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e 3) exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS” Assim, após fazer considerações sobre cada uma das teses, formulou pedido para que, reformandose a decisão recorrida, fosse reconhecido o “direito creditório então postulado”. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Transportadora Belmok Ltda., apresentou pedido de compensação, que não foi homologado pela fiscalização, ante o argumento de que o crédito indicado no referido pedido já teria sido alocado no pagamento de outros débitos do contribuinte. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Em Manifestação de Inconformidade apresentada, o Recorrente se ateve a argumentar que teria direito ao crédito, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem dos créditos e, o que é pior, sem indicar o porquê do recolhimento a maior. Neste sentido, não se pode olvidar que, como bem esclarecido na decisão recorrida, “o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte”. Desta forma, como, repitase, o próprio contribuinte declarou os débitos que foram quitados com os créditos ora reivindicados, a ele caberia comprovar perante o fisco que suas declarações estavam equivocadas ou feitas em desacordo com a legislação. Assim, assiste total razão à decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Pois bem. Como relatado acima, no Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe argumentações para comprovar que a base de cálculo apurada estaria incorreta e, por isso, os valores pagos com base em suas declarações foram indevidos, lhe gerando um suposto direito creditório. Mesmo que no artigo 16 do Decreto 70.235/72, que regula o procedimento administrativo federal, conste a determinação de que as provas devem ser acostadas aos autos no momento da apresentação da impugnação (in casu, da Manifestação de Inconformidade), sabese que o processo administrativo é regido pelo Princípio da Verdade Material, o que, em tese, autoriza o julgador a buscar elementos que possam comprovar as alegações das partes. Contudo, no presente caso, como se observa da leitura do Recurso Voluntário, o Recorrente, mais uma vez, não trouxe aos autos qualquer elemento capaz de comprovar suas alegações, se ateve, tãosomente, a fazer ilações acerca de teses que supostamente reduziriam a base de cálculo do tributo e que lhe gerariam um direito creditório. Não foi acostado aos autos, todavia, nenhum documento. O Recorrente ainda não se preocupou em quantificar as reais bases de cálculo, de acordo com as teses por ele desenvolvidas. Ressaltese ainda que o Recorrente não comprovou que obteve trânsito em julgado junto ao Poder Judiciário com relação à nenhuma das teses apresentadas. Por outro lado, mesmo com relação àquela tese em que o Supremo Tribunal Federal julgou como inconstitucional o alargamento da base de cálculo da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, não há como se mensurar, pela análise dos autos, se, de fato, o Recorrente indicou a base estendida em suas declarações e, em consequência, teria o direito creditório invocado. Por fim, não há que se falar em suspensão dos autos tendo em vista a discussão da possibilidade de se excluir da base de do PIS e COFINS os valores do ICMS. A UMA porque, como mencionado, não há nos autos nenhum elemento que comprove que o Recorrente declarou e recolheu as referidas contribuições com a inclusão do tributo estadual. A DUAS porque não se tem notícia de nenhuma decisão vigente do STF no sentido de se sobrestar os julgamentos que versem sobre a matéria. A TRÊS porque esse assunto não foi veiculado na Manifestação de Inconformidade, apenas em sede do Recurso. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.908139/200912 Acórdão n.º 3801002.159 S3TE01 Fl. 13 5 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.726825/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. RECEITA BRUTA. É cabível o arbitramento dos lucros com base na receita bruta conhecida quando o sujeito passivo, intimado reiteradas vezes, deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal (Súmula CARF nº 59).
ANTECIPAÇÕES. VALORES INFORMADOS EM DIPJ. VALORES NÃO INFIRMADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Devem ser admitidas como dedução as estimativas apuradas em DIPJ, e as retenções deduzidas na apuração do ajuste anual, quando a autoridade lançadora não apresenta razões que possam obstar seu cômputo no lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por unanimidade de novos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao principal e à multa de ofício; 3 ) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Gilberto Baptista e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Gilberto Baptista.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. RECEITA BRUTA. É cabível o arbitramento dos lucros com base na receita bruta conhecida quando o sujeito passivo, intimado reiteradas vezes, deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal (Súmula CARF nº 59). ANTECIPAÇÕES. VALORES INFORMADOS EM DIPJ. VALORES NÃO INFIRMADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Devem ser admitidas como dedução as estimativas apuradas em DIPJ, e as retenções deduzidas na apuração do ajuste anual, quando a autoridade lançadora não apresenta razões que possam obstar seu cômputo no lançamento. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por unanimidade de novos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao principal e à multa de ofício; 3 ) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Gilberto Baptista e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Gilberto Baptista.
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. RECEITA BRUTA. É cabível o arbitramento dos lucros com base na receita bruta conhecida quando o sujeito passivo, intimado reiteradas vezes, deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal (Súmula CARF nº 59). ANTECIPAÇÕES. VALORES INFORMADOS EM DIPJ. VALORES NÃO INFIRMADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Devem ser admitidas como dedução as estimativas apuradas em DIPJ, e as retenções deduzidas na apuração do ajuste anual, quando a autoridade lançadora não apresenta razões que possam obstar seu cômputo no lançamento. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 68 25 /2 01 2- 95 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por unanimidade de novos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao principal e à multa de ofício; 3 ) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Gilberto Baptista e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Gilberto Baptista. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FLEURY S/A, na condição de sucessora de NKB RIO S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 06/07/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 14.476.170,99. A autoridade fiscal lavrou Termo de Início da Ação Fiscal em face de NKB RIO S/A (CNPJ nº 42.420.539/000140), exigindolhe a apresentação de livros contábeis, contrato social, balancete que serviu de base à elaboração da DIPJ/2009 e extratos bancários pertinentes ao anocalendário 2008. Referida intimação foi recebida, por via postal, no domicílio da pessoa jurídica, em 05/05/2011 (fls. 71/72). À fl. 73/75 consta pedido de prorrogação de prazo para atendimento à intimação, sem identificação do subscritor, acompanhado de informações acerca das empresas incorporadas pela fiscalizada até 2008. Na mesma data, a NKB RIO S/A também foi intimada a prestar esclarecimentos e apresentar comprovação acerca de diversos valores informados em sua DIPJ do anocalendário 2008 (fls. 76/79). À fl. 80 consta pedido de prorrogação semelhante ao acima mencionado. Em termo lavrado para atestar a continuidade da ação fiscal, cientificado à contribuinte em 24/06/2011, a fiscal autuante afirma que recebeu parte da documentação solicitada e exige a apresentação dos extratos bancários faltantes (fls. 82/83). Seguese pedido de prorrogação subscrito por procuradora da NKB do Brasil S/A, datado de 20/06/2011 (fl. 84/86), e em 18/08/2011 a contribuinte é cientificada de Termo de Continuidade de Ação Fiscal, no qual a auditora fiscal atesta o recebimento dos extratos bancários solicitados (fls. 87/88). Em 24/08/2011 a contribuinte é cientificada de reintimação de idêntico teor ao da intimação de fls. 76/79 (fls. 89/92). No Termo de Verificação Fiscal, a auditora responsável relata que após esta intimação a contribuinte encaminhou uma planilha de Provisão p/ Devedores Duvidosos em Dezembro/2008 e um resumo das contas que compunham a rubrica Fornecedores e o balancete contábil em 31/12/2008. Em 20/10/2011 é lavrada reintimação para comprovação da origem de créditos bancários relacionados em seu anexo, bem como dos valores que compõem o saldo de Créditos com Pessoas Ligadas informado na DIPJ do anocalendário 1998. Esta intimação é cientificada a procurador constituído por Fleury S/A, e a ela seguese pedido de prorrogação assinado pelo mesmo procurador, em nome de NKB RIO S/A, incorporada em 31/08/2009 pela FLEURY S/A (fls. 93/95). Disse a fiscal autuante que, ciente deste registro, consultou os registros e arquivos da Receita Federal, constatando que em agosto de 2011, o contribuinte NKB RIO S/A fora baixado pela incorporação à empresa FLEURY S/A, ocorrida em 31/08/2009. Outra reintimação é lavrada com idêntico teor ao da intimação de fls. 76/79, mas agora com indicação da incorporadora Fleury S/A, e dirigida ao domicílio desta pessoa Fl. 978DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 5 4 jurídica em 30/01/2012 (fls. 96/99). Disse a fiscal autuante, no Termo de Verificação Fiscal, que nesta ocasião o representante da Empresa informou, verbalmente, que nenhuma documentação fora localizada no Guardavolumes. Acrescentou, ainda, que em 15/03/2012, através de contato telefônico com a incorporadora, fui atendida pela Sra. Débora que ficou de se posicionar sobre as intimações lavradas e não atendidas, e de me responder até o dia seguinte, qual seria a atitude da empresa Fleury S/A, a incorporadora. Nenhum retorno nos foi dado, continuando esta fiscalização sem o respaldo documental aos lançamentos contábeis do ano sob exame. Mais uma reintimação é lavrada nos mesmos termos da anterior, mas com acréscimos especialmente acerca da possibilidade de arbitramento dos lucros em caso de falta de atendimento, sendo a contribuinte cientificada em 22/03/2012 (fls. 100/104) Em 26/04/2012 a incorporadora é cientificada de nova intimação (dirigida ao seu domicílio fiscal e ao endereço da incorporada), na qual são exigidos documentos pertinentes à operação de incorporação e à situação patrimonial atual da empresa, reiterandose a necessidade de apresentação dos demais documentos antes solicitados e observandose que até a presente data os únicos documentos entregues pelo contribuinte foram: Livros em forma de CD, Composição de contas que compunham a DIPJ/2009 e parte dos extratos bancários do ano de 2008, emitidos através da internet, em que pese já haver transcorrido quase um ano desde o início do procedimento fiscal. Ao final, novamente foi feito o alerta quanto à possibilidade de arbitramento dos lucros (fls. 105/110). Por fim, em 29/05/2012 é enviada reintimação ao domicílio tributário da incorporadora, alertando sua responsabilidade por sucessão nos termos do art. 132 do CTN, e reiterando os termos da intimação de fls. 105/110 (fls. 111/113). Diante deste contexto, afirmando estar impossibilitada de examinar ou apurar a veracidade dos valores registrados em sua contabilidade, a autoridade lançadora concluiu pela necessidade de arbitramento dos lucros, com fundamento no art. 530, inciso III do RIR/99. A base tributável foi determinada mediante a aplicação do coeficiente de 38,4% para o IRPJ, e 32% para a CSLL, sobre as receitas de prestação de serviços extraídas do DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, acrescida das demais receitas informadas no mesmo documento. Sobre as receitas financeiras também foi exigida Contribuição ao PIS e COFINS. Impugnando a exigência, a incorporadora discordou do arbitramento, porque sendo este medida extrema, não poderia estar fundamentado na falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais complementares, hipótese em que o Fisco deveria ter mensurado o lucro da fiscalizada com base na documentação que tinha a sua disposição. Ademais, seria contraditória a fundamentação no art. 530, inciso III do RIR/99 com a possibilidade de apuração da receita bruta com base na DIPJ e no DACON, mormente tendo em conta que suas demonstrações financeiras foram auditadas pela empresa Deloitte Toche Thomatsu Auditores Independentes. Destaca a correspondência entre os valores do DACON e da DIPJ, e assevera que o arbitramento foi uma punição pela não apresentação da documentação complementar solicitada. Como os documentos utilizados pela Fiscalização refletem a contabilidade da autuada, eles fariam prova em seu favor, impedindo a desconsideração do lucro real apurado. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 6 5 Reportase a documentos juntados à impugnação que esclareceriam os questionamentos veiculados pela autoridade fiscal nas intimações lavradas no curso do procedimento, bem como se opõe à desconsideração de outras informações de sua DIPJ, também questionadas nestas intimações. Assevera que cabe ao Fisco a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração da contribuinte. Argúi, ainda, a nulidade do lançamento, dada a falta de liquidez porque não amortizados diversos pagamentos realizados por estimativa e retenções na fonte de IR e CSLL. Registra que há outros valores informados em DIPJ, e não contestados pelo Fisco, que deveriam ter sido utilizados na autuação. Indica o art. 142 do CTN, e os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, como fundamentos para a declaração de nulidade. Opõese à exigência de COFINS e Contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, relatando o posicionamento jurisprudencial contrário a esta incidência. E finalizando opõese ao lançamento de multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, e à cobrança de juros sobre a multa de ofício. A Turma julgadora apenas cancelou as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS. No mais, rejeitou os argumentos da impugnante em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO Afastase a nulidade arguida, ante a comprovação de que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidas pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitandose à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. RECEITA BRUTA. É cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida quando o contribuinte, intimado reiteradas vezes, deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil, cuja posterior disponibilização não invalida a autuação, uma vez que não há arbitramento condicional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos reflexos aplicase a mesma decisão do principal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Fl. 980DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 7 6 Anocalendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DE SEGURIDADE SOCIAL. REGIME ACUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA.INCONSTITUCIONALIDADE. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Declarada a inconstitucionalidade pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, excluise da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Nos termos do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, devem os órgãos julgadores, da Administração Fazendária afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. O crédito tributário exonerado representou R$ 1.287,20 a título de Contribuição ao PIS, e R$ 5.940,98 a título de COFINS, não se sujeitando a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/01/2013 (fl. 879), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/02/2013 (fls. 880/924), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Novamente observa que a Fiscalização desconsiderou documentos disponibilizados pela recorrente, determinando a apresentação de novas comprovações, as quais deram ensejo ao arbitramento dos lucros. Entende que a ausência destes documentos contábeis e fiscais complementares não é suficiente para o arbitramento dos lucros, na medida em que este somente pode ser utilizado em casos excepcionais, e sempre que for impossível a determinação do lucro do contribuinte pelas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro real, o que não é, em hipótese alguma, o caso em tela. Transcreve doutrina e jurisprudência administrativa em amparo ao seu entendimento, e defende que no presente caso a Fiscalização poderia e deveria, ter mensurado o lucro da Recorrente com base na documentação que tinha a sua disposição (aliás, documentação essa mencionada no Termo de Verificação Fiscal e no relatório do acórdão recorrido, a qual foi utilizada como base para os cálculos realizados pela fiscalização), ao invés de procedido ao seu arbitramento claramente como medida sancionatória. Insiste ser contraditória a afirmação de que a contribuinte deixou de apresentar livros e documentos de sua escrituração, com a determinação da receita bruta a partir de documentos fiscais (DACON e DIPJ), os quais inclusive permitiram determinar a origem das receitas e o respectivo montante, o que reforça a possibilidade de apuração dos tributos supostamente devidos pela Recorrente com base na sistemática do lucro real. Acrescenta que a escrita fiscal foi elaborada a partir de elementos contábeis válidos, como ratificados por empresa de auditoria independente, e reitera a compatibilidade entre as receitas informadas em DACON/DIPJ e em sua contabilidade. Reportase aos documentos juntados à impugnação que validam as informações contidas no DACON e na DIPJ, correlacionandoos com os questionamentos feitos durante o procedimento. E novamente cita jurisprudência no sentido de que a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração do contribuinte cabe ao Fisco. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 8 7 Discorda da argumentação, contida na decisão recorrida, de que o ato de lançamento não seria modificável pela posterior apresentação da escrituração, invocando os princípios da verdade material e da legalidade, bem como o disposto no art. 148 do CTN, que prevê avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a Administração Pública, mesmo na fase litigiosa, deve buscar sempre aproximarse da realidade econômica da matéria tributável, valendose das provas apresentadas e até mesmo da conversão do julgamento em diligência. Cita decisões judiciais favoráveis à sua tese, afirma provada a validade da escrita fiscal, e pede o cancelamento das autuações de IRPJ e CSLL. Aqui também relaciona os pagamentos e antecipações que deixaram de ser considerados pela Fiscalização, e discorda da restrição feita pela Turma Julgadora aos valores informados em DCTF, pois relevante é o fato de os valores constantes da DIPJ terem sido extintos por compensação, além do fato de as DCOMP também serem instrumentos de confissão de dívida. Transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça acerca dos efeitos da confissão de dívida, e afirma inválidos os lançamentos por ausência de liquidez e certeza, ante o disposto no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, e nos termos de doutrina e jurisprudência que cita. Ao final, opõese ao lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, na medida em que ela foi lançada após o evento de sucessão e, ainda, tendo em conta o caráter personalíssimo desta penalidade. Também inexigíveis seriam os juros de mora sobre a multa de ofício, ante a ausência de previsão legal neste sentido. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A decisão recorrida demonstra com clareza a necessidade de arbitramento dos lucros no presente caso: 22. Do arbitramento. 23. No anocalendário de 2008, a empresa sucedida (NKB RIO S/A) foi tributada pelo lucro real (fls.443/620). Para tanto, a legislação determina a manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 251, do RIR/1999), sendo que os livros e documentos devem ser conservados em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações pertinentes (art. 264, do RIR/1999). 24. O Conselho Federal de Contabilidade CFC, através da resolução 563/1983, aprovou a norma NBC T 2, item 2.1.2, que trata das formalidades da escrituração contábil. Na letra “e” está especificado que a escrituração contábil será feita com base em documentos de origem externa ou interna, bem como em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. Também, através da resolução 597/1985, o CFC aprovou a norma NBC T 2, item 2.2, que trata da documentação contábil, a qual reproduzo a seguir: “NBC T 2.2 – DA DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL 2.2.1 – A Documentação Contábil compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, que apóiam ou compõem a escrituração contábil. 2.2.1.1 – Documento contábil, estritosenso, é aquele que comprova os fatos que originam lançamento (s) na escrituração contábil da Entidade. 2.2.2 – A Documentação Contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica contábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. 2.2.3 A Documentação Contábil pode ser de origem interna, quando gerada na própria Entidade, ou externa, quando proveniente de terceiros. 2.2.4 – A Entidade é obrigada a manter em boa ordem a documentação contábil.” 25. Assim, para tributação do lucro da pessoa jurídica na modalidade “lucro real”, é necessário que se disponha de contabilidade respaldada em livros comerciais e fiscais, bem como os lançamentos contábeis estejam devidamente documentados. 26. Pois bem. Ao longo de mais de um ano (termo de início de fiscalização datado de 03/05/2011 fl. 71), o interessado foi intimado e reintimado a apresentar livros Diário e Razão, bem como a comprovar com documentação hábil e idônea diversos valores informados na DIPJ/2009 (fls.77/78). 27. A despeito de concessão de prorrogação de prazo, parcos documentos foram apresentados. Ora, sem examinar os livros e a documentação comprobatória da escrituração comercial e fiscal da sucedida, como poderia a fiscalização concluir que a escrituração era regular, condição sine qua non para se efetuar a tributação pelo lucro real ? Fl. 983DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 10 9 28. Como dito anteriormente, para a adoção do regime de tributação pelo lucro real, impõese à pessoa jurídica o dever de escriturar regularmente as suas operações, posto que o lucro real só é possível de ser aferido a partir do resultado contábil apurado no final de cada períodobase, mediante a elaboração das demonstrações financeiras previstas na legislação comercial e societária. 29. Esse é o mandamento consagrado na legislação tributária, assim reproduzido no art. 247 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999). “Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto. § 1° A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais. 30. Nos termos do art. 530, III do RIR/1999, a falta de apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal caracteriza uma das hipóteses de previsão para o procedimento de arbitramento do lucro da pessoa jurídica. 31. O arbitramento não é uma sanção, mas uma forma de apuração da base de cálculo do imposto. Modalidade excepcional adotada nos autos, tendo em vista que a maior parte da documentação solicitada não foi apresentada. Os poucos documentos trazidos à colação, já identificados no relatório, não reúnem as condições necessárias para sustentar apuração do lucro real. 32. Portanto, não merece reproche o recurso utilizado pela fiscalização que, salvaguardando os interesses da Fazenda Nacional e tendo em vista o disposto no art. 142, parágrafo único do Código Tributário NacionalCTN, diante da protelação do interessado em comprovar a escrita, arbitrou o lucro da sucedida. 33. Nesse sentido as ementas dos acórdãos proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, abaixo transcritas: ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real ou presumido, implica no arbitramento do lucro. (acórdão 1802001.362) ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). (acórdão 1801001.046). FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base pelo lucro real (acórdão 1403000.985). Relevante ter em conta os itens da DIPJ que, questionados durante o procedimento fiscal, não foram esclarecidos. Para tanto, reproduzse o conteúdo da intimação de fls. 76/81, objeto de sucessivas reiterações pela Fiscalização: 01) Comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os valores recebidos de Sócios/Acionistas Não Administradores, constantes da ficha Fl. 984DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 11 10 37 A – Passivo, no valor de R$ 10.548.876,37. Junto com os documentos anexar mapa demonstrativo, mensal, dos valores recebidos; 02) Comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os valores pagos a Créditos de Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas), constantes da ficha 37 A – Passivo, no valor de R$ 202.327,73. Junto com os documentos anexar mapa demonstrativo, mensal, dos valores recebidos; 03) Comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os valores pagos relativos a Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas), constantes da ficha 36 A – Passivo, no valor de R$ 9.917.412,28. Junto com os documentos anexar mapa demonstrativo, mensal, dos valores recebidos; 04) Apresentar mapa demonstrativo, de forma cronológica, mensal, dos valores constantes das contas abaixo relacionadas, conforme DIPJ2009, ficha 37 A – Passivo, a saber: DISCRIMINAÇÃO TOTAL FORNECEDORES 7.473.020,28 FINANCIAMENTOS A CURSO PRAZO 3.825.430,19 OUTRAS CONTAS 3.069.716,01 FINANCIAMENTOS A LONGO PRAZO 15.013.262,68 OUTRAS CONTAS 35.732.113,09 O demonstrativo deverá estar devidamente separado por conta e as suas subcontas, compondo o valor acima de dezembro de 2008, de forma mensal. 04) Apresentar mapa demonstrativo, de forma cronológica, mensal, dos valores constantes das contas abaixo relacionadas, conforme DIPJ2009, ficha 36 A – ATIVO, a saber: DISCRIMINAÇÃO TOTAL CLIENTES 31.164.586,28 OUTRAS CONTAS 11.877.727,22 CRÉDITOS FISCAIS – CSLL 3.120.403,53 CRÉDITOS FISCAIS – IRPJ 8.667.787,60 OUTRAS CONTAS 6.676.912,64 EQUIPTO, MAQ E INSTALAÇÕES 5.744.766,33 MÓVEIS, UTENS E INST COMERCIAIS 4.091.908,74 OUTRAS IMOBILIZAÇÕES 8.700.679,95 DEPRECIAÇÕES, AMORT QUOTAS EXA 7.770.307,40 O demonstrativo deverá estar devidamente separado por conta e as suas subcontas, compondo o valor acima de dezembro de 2008, de forma mensal. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 12 11 06) Apresentar mapa demonstrativo, de forma cronológica, mensal, dos valores constantes das contas abaixo relacionadas, conforme DIPJ2009, ficha 04 A – Custos dos Bens e Serviços Vendidos, a saber: DISCRIMINAÇÃO ANUAL MAT APLICADO NA PRODUÇÃO DOS SERVIÇOS 4.613.566,74 CUSTO DO PESSOAL APLICADO NA PROD SERVIÇOS 7.148.193,46 SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA 8.429.276,99 OUTROS CUSTOS 8.876.326,13 O demonstrativo deverá estar devidamente separado por conta e as suas subcontas, compondo o valor acima de dezembro de 2008, de forma mensal. 07) Apresentar mapa demonstrativo, de forma cronológica, mensal, dos valores constantes das contas abaixo relacionadas, conforme DIPJ2009, ficha 06 A – Demonstração do Resultado, a saber: DISCRIMINAÇÃO ANUAL OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS 3.457.259,05 AMORTIZAÇÃO ÁGIO, AQUIS INV 2.590.924,21 O demonstrativo deverá estar devidamente separado por conta e as suas subcontas, compondo o valor acima de dezembro de 2008, de forma mensal. 08) Apresentar mapa demonstrativo relativo as adições e exclusões na Demonstração do Lucro Real, anexando os respectivos comprovantes e/ou esclarecimentos para cada valor. 09) Comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a efetividade do aumento de capital ocorrido durante o anocalendário de 2008, cujo valor passou de R$ 1.297.109,79 para R$ 17.717.591,83, conforme ficha 37 A – PASSIVO da DIPJ2009. Durante todo o procedimento fiscal, a contribuinte limitouse a apresentar, além dos extratos bancários requeridos em outra intimação, planilha de provisão para devedores duvidosos, balancete contábil e resumo das contas que compõem a rubrica “fornecedores”. Não se trata, pois, de mera ausência de documentos complementares, mas sim da comprovação de itens determinantes para a apuração do lucro real, como custos, despesas, adições e exclusões, além de passivos e aumento de capital que poderiam ocultar ingressos de receitas omitidas. A pretendida mensuração do lucro da Recorrente com base na documentação que tinha a sua disposição ensejaria a glosa de tais custos e despesas, a reversão de exclusões e até mesmo a imputação de receitas omitidas, que certamente se distanciaria muito mais da realidade que a presunção embutida nos coeficientes de apuração do lucro arbitrado. De toda sorte, estes esclarecimentos somente se prestam a afastar questionamentos periféricos da recorrente, pois determinante, no caso, é a hipótese legal de arbitramento na falta de entrega de livros e documentos da escrituração do sujeito passivo. A contribuinte permaneceu inerte durante todo o procedimento fiscal, informalmente teria dito Fl. 986DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 13 12 que não dispunha da documentação de suporte da escrituração da empresa incorporada, e dando azo ao arbitramento pretende, agora, em recurso voluntário, exigir da Fiscalização conduta distinta daquele já previamente estabelecida em lei, buscando uma maior aproximação entre a incidência tributária e seu resultado real. Não se trata de sanção, mas sim da definição legal de uma base de cálculo substitutiva ao lucro real, que somente pode subsistir em face de regular escrituração contábil e fiscal, que permita ao Fisco identificar os fatos contabilizados e deles eventualmente discordar. A ausência dos elementos de suporte da contabilidade retira o conteúdo dos lançamentos, e impede o Fisco de se manifestar acerca de sua admissibilidade. Daí a imperatividade do arbitramento dos lucros. Observese que, ao contrário do que a recorrente argumenta, a receita bruta é apenas um dos elementos da apuração do lucro, e o fato de a Fiscalização aceitar a veracidade dos valores confessados pela contribuinte em declarações por ela prestadas de modo algum revela a possibilidade de apuração dos tributos supostamente devidos pela Recorrente com base na sistemática do lucro real. O procedimento fiscal apenas reconhece que ao menos as receitas assim informadas são incontestáveis, e de modo algum ratifica os diversos outros elementos integrantes da apuração do lucro contábil ou fiscal. Quanto aos documentos juntados à impugnação, a jurisprudência administrativa já está consolidada em desfavor da pretendida avaliação contraditória, administrativa ou judicial: Súmula CARF nº 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Inexiste, pois, o dever de a Administração Pública aproximarse da realidade econômica da matéria tributável, valendose das provas apresentadas e até mesmo da conversão do julgamento em diligência. À autoridade julgadora cabe, apenas, confirmar se houve regular intimação para apresentação de livros e documentos imprescindíveis para a apuração da base tributável, e se estes deixaram de ser apresentados, como exaustivamente aqui já demonstrado. Quanto aos pagamentos e antecipações que deixaram de ser considerados pela Fiscalização, inicialmente cumpre rejeitar a arguição de invalidade do lançamento por ausência de liquidez e certeza do crédito tributário. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN, que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente, e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. Diante deste contexto, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora deixa de considerar, na determinação do tributo a ser recolhido, recolhimentos ou antecipações promovidos pelo sujeito passivo. A verificação da ocorrência do fato gerador da Fl. 987DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 14 13 obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, estão presentes quando a autoridade lançadora identifica a infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e promovendo o lançamento da parcela superior àquela inicialmente calculada pelo sujeito passivo. As deduções de recolhimentos e antecipações, a partir deste ponto, representam a extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor exigido reveste a natureza de fato extintivo do direito do Fisco, que pode ser alegado pelo sujeito passivo em seus recursos administrativos. Ressaltese que, no presente caso, a autoridade lançadora validamente arbitrou o lucro do sujeito passivo, e inclusive considerou as antecipações que entendeu pertinentes, ainda que realizadas na sistemática do lucro real. Logo, não há erro de direito na apuração do crédito tributário, podendo existir, apenas, erro de fato, se provada a existência de antecipações ou recolhimento que deveriam ter reduzido o imposto devido para fins de recolhimento. Neste sentido, a autoridade julgadora bem observou as divergências entre os valores admitidos pela Fiscalização e aqueles alegados pela contribuinte, apontando justificativas para rejeitar sua dedução: · Retenção de CSLL no valor de R$ 49.758,79, deduzida na linha 72 da Ficha 17 da DIPJ: referida linha destinase à dedução de retenções não computadas na determinação das estimativas mensais e foi rejeitada pela autoridade julgadora de 1a instância porque os valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras totalizavam valor inferior àquele já deduzido pela contribuinte na apuração das estimativas mensais. Todavia, referida informação constava em DIPJ, à semelhança das demais retenções admitidas pela Fiscalização, e nenhum óbice foi oposto pela autoridade lançadora, de modo que não é possível, em sede de julgamento, negar à interessada referida dedução. Considerando que não houve dedução de retenções na apuração das estimativas de novembro e dezembro de 2008, dada a apuração de base negativa em balancetes de suspensão, referida parcela deve ser considerada como redutora da CSLL lançada no 4o trimestre de 2008; · Estimativas de IRPJ e CSLL não informadas em DCTF: a autoridade julgadora de 1a instância observou que somente foram admitidos como dedução os valores de estimativas declarados em DCTF, e rejeitou os acréscimos pretendidos pela contribuinte, porque informados apenas em DIPJ, bem como porque consolidavam os valores totais de estimativas apuradas, sem descontar as deduções de retenções na fonte que foram admitidas pela Fiscalização em registros em separado. A contribuinte alega que as parcelas pretendidas foram objeto de compensação, juntando DCOMP às fls. 953/974. De outro lado, porém, a autoridade lançadora não junta as DCTF e não esclarece que valores dali tomou como redutores do imposto devido. Em conseqüência, não há prova nos autos suficiente para desconstituir as antecipações originalmente informadas pela contribuinte em DIPJ, as quais devem ser admitidas na íntegra, mas dentro dos limites ali Fl. 988DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 15 14 informados, que são inferiores àqueles alegados pela contribuinte, como bem observado na decisão recorrida. Assim, além da dedução de CSLL no valor de R$ 49.758,79, no 4o trimestre de 2008, devem ser admitidas as seguintes antecipações como valores a reduzir as exigências aqui formalizadas: DIPJ fl. 443/488 e 556/620 Auto de Infração IRPJ Saldo a pagar Acumulado trimestral Vlr. DCTF Valor a Deduzir 01/2008 71.439,99 02/2008 35.905,16 03/2008 139.061,41 246.406,56 139.061,41 107.345,15 04/2008 86.485,83 05/2008 78.629,09 06/2008 61.241,52 226.356,44 42.174,75 184.181,69 07/2008 154.386,35 08/2008 22.308,05 09/2008 5.456,43 182.150,83 182.150,83 10/2008 11.224,05 11/2008 12/2008 11.224,05 11.224,05 Totais 666.137,88 666.137,88 374.611,04 291.526,84 DIPJ fl. 443/488 e 556/620 Auto de Infração CSLL Saldo a pagar Acumulado trimestral Vlr. DCTF Valor a deduzir 01/2008 19.815,94 02/2008 9.374,02 03/2008 39.001,09 68.191,05 39.001,41 29.189,64 04/2008 25.987,40 05/2008 25.246,61 06/2008 4.037,80 55.271,81 25.848,80 29.423,01 07/2008 40.742,46 08/2008 09/2008 5.184,72 45.927,18 45.927,18 10/2008 11.768,84 11/2008 12/2008 11.768,84 11.768,84 Totais 181.158,88 181.158,88 122.546,23 58.612,65 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 16 15 Relativamente à aplicação de multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, tratase de matéria já sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Os elementos dos autos evidenciam que, na Ata das Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária da NKB RIO S/A, realizadas em 30/04/2009, na qual decidese a destinação do lucro apurado no exercício encerrado em 31/12/2008 (objeto do presente lançamento), atua como diretor da sociedade Wagner Benedicto de Lima, e designase como Diretor Presidente Mauro Silvério Figueiredo (fls. 167/177). De outro lado, no instrumento particular de protocolo e justificação de incorporação das sociedades NKB RIO S/A e outras, por Fleury S/A, datado de 20/08/2009, a incorporadora é representada por aquele mesmo presidente (Mauro Silvério Figueiredo) e por Wagner Benedicto de Lima, na condição de Diretor Executivo de Finanças (fls. 211/224). Ainda, o documento de fls. 211/224 esclarece que a NKB RIO S/A tinha por acionista NKB S/A, e esta, por sua vez, tinha como acionista principal Fleury S/A. Estas evidências são suficientes para declarar que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico, e assim manter a aplicação da multa de ofício à sucessora, na forma da Súmula acima transcrita. Por fim, no que tange aos juros de mora incidentes, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 9101 00.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é Fl. 990DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 17 16 interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, Fl. 991DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 18 17 reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 19 18 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Acrescentese que, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça reiterou seu entendimento favorável à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, consoante ementa a seguir transcrita, extraída do julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para admitir a dedução das antecipações antes demonstradas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.726825/201295 Acórdão n.º 1101000.887 S1C1T1 Fl. 20 19 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10711.006464/2010-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/11/2008
NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO AGENTE DE CARGA A DESTEMPO.
O disposto no § 2o do art. 96 do Decreto-Lei n. 37(66 (responsabilidade objetiva) se aplica à infração de que trata o art. 107, IV, e do mesmo Decreto-Lei.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO AGENTE DE CARGA A DESTEMPO.
Não opera a denúncia espontânea para excluir a multa prevista no art. 107, IV, e do Decreto-Lei n. 37(66, por descumprimento da obrigação de apresentar documentos na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, aplicada ao agente de carga.
Numero da decisão: 3403-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO AGENTE DE CARGA A DESTEMPO. O disposto no § 2o do art. 96 do DecretoLei n. 37/66 (responsabilidade objetiva) se aplica à infração de que trata o art. 107, IV, “e” do mesmo DecretoLei. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO AGENTE DE CARGA A DESTEMPO. Não opera a denúncia espontânea para excluir a multa prevista no art. 107, IV, “e” do DecretoLei n. 37/66, por descumprimento da obrigação de apresentar documentos na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, aplicada ao agente de carga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 64 64 /2 01 0- 47 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa a autuação a que se refere o presente processo sobre exigência de multa de R$ 5.000,00, pela prestação de informações pelo agente de carga fora do prazo estabelecido pela RFB (prevista no DecretoLei no 37/1966, art. 107, IV, “e”, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003). No Auto de Infração, lavrado em 06/10/2010 (fls. 2 a 151), narrase basicamente que: (a) o transportador (com fulcro no art. 37, caput, do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003) e o agente de carga (com base no art. 37, § 1o do mesmo dispositivo legal) são obrigados a prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado; (b) a forma pela qual a RFB estabeleceu que devem ser prestadas ditas informações, na via marítima, é a estabelecida na Instrução Normativa no 800, de 27/12/2007 (por meio do Sistema SISCOMEX Carga, com autenticação via certificação digital); (c) as informações a serem prestadas (inclusive pelo agente de carga, cf. arts. 2o, § 1o, IV, e 5o da citada Instrução Normativa) são referentes: ao veículo transportador (arts. 7o a 9o) e à carga transportada (arts. 10 a 21), desmembrandose esta em informações: do manifesto eletrônico (art. 11), da vinculação do manifesto à escala (art. 12), dos conhecimentos eletrônicos (arts. 13 a 16), da desconsolidação (arts. 17 a 19) e da associação do conhecimento eletrônico a novo manifesto em caso de transbordo ou baldeação da carga (arts. 20 e 21); 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 3403002.374 S3C4T3 Fl. 110 3 (d) os prazos mínimos para a prestação de informações estão estabelecidos nos arts. 22 e 50 da mencionada Instrução Normativa; (e) a prestação antecipada de informações se presta ao gerenciamento de risco, permitindo à Aduana, a partir das informações prestadas, melhor seletividade, possibilitando maior celeridade no despacho, sem comprometimento do controle aduaneiro; (f) a embarcação CAP NORTE chegou ao Brasil pelo Porto do Rio de Janeiro no dia 03/11/2008, tendo atracado às 07:07:00 h, conforme consta no Extrato do Manifesto no 1308502091142 e da Escala no 08000255292 (fls. 17 a 22); (g) a agência de navegação CSC AGENCIAMENTOS MARÍTIMOSEPP, após ter informado o referido Manifesto e efetuado sua vinculação à escala dentro do prazo previsto na norma editada pela RFB, informou tempestivamente (em 31/10/2008, às 19:06:10 h), o Conhecimento Eletrônico (C.E. MERCANTE) Genérico (MBL) no 130805205932377, consignado à ALLINK TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA (cf. extrato de fls. 24/25); (h) tal Conhecimento está consignado à empresa ACTION AGENCIAMENTO DE CARGAS LTDA, cadastrada como agente de carga (desconsolidador); (i) sendo o primeiro porto de atracação da embarcação no País o próprio porto de destino da carga, a data/hora limite para que a empresa ACTION AGENCIAMENTO DE CARGAS LTDA prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa retro, é a da atracação, ou seja, dia 03/11/2008, às 07:07:00 h; e (j) no entanto, a empresa procedeu à desconsolidação por meio do Conhecimento Agregado (HBL) no 130805206421651 somente no dia 03/11/2008, às 10:28:55 h, cf. extrato de fls. 29/30. Cientificado em 20/10/2010 (AR à fl. 33), o agente de carga, sujeito passivo da presente autuação, apresentou impugnação tempestiva em 17/11/2010 (fls. 37 a 45), alegando, em síntese, que: (a) houve “excesso de zelo” pela fiscalização (não tendo havido prejuízo algum para a RFB), visto que o agente promoveu em tempo hábil a inclusão das informações no sistema, sendo que o atraso “foi ínfimo, uma vez que Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 a atracação da embarcação foi registrada às 07h07min do dia 03/11/2008, e a inclusão das informações deram se (sic) no mesmo dia, 03/11/2008, às 10h28min55seg”; (b) não se aplica a responsabilidade objetiva prevista no CTN, pois esse tipo de multa não possui natureza jurídica de tributo (e mesmo que tivesse, deveria ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN); (c) a autuada prestou todas as informações referentes à carga transportada, o que comprova o fato de não ter cometido qualquer infração; (d) houve denúncia espontânea da infração, nos moldes do art. 138 do CTN, e a multa foi aplicada por analogia; (e) aplicase ao caso o disposto no art. 736 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009) relevação da penalidade pelo Ministro da Fazenda; e (f) há flagrante violação a princípios constitucionais como o da razoabilidade, proporcionalidade e ampla defesa. A impugnação foi apreciada em 29/05/2012 (fls. 62 a 70), e unanimemente considerada improcedente, visto que: (a) o atraso na prestação de informações é incontroverso; (b) a conduta está expressamente tipificada no enquadramento legal apontado pela autoridade autuante, não havendo dúvidas quanto à capitulação legal; (c) a responsabilidade é objetiva; (d) a responsabilidade por obrigação acessória não é alcançada pela denúncia espontânea, e o Regulamento Aduaneiro expressamente prevê a inaplicabilidade do instituto ao caso (art. 683, § 3o); e (e) o órgão colegiado de primeira instância não possui competência para apreciação de pedidos de relevação de penalidades, que poderiam ser interpostos após a prolação da decisão definitiva no processo administrativo. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/06/2012 (AR à fl. 72), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 06/07/2012 (fls. 74 a 90), reiterando a argumentação exposta na impugnação (no que se refere à violação à razoabilidade, proporcionalidade e ampla defesa, à denúncia espontânea e à relevação de penalidades), e adicionando que a não observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 acarreta a nulidade do lançamento (a impugnação foi protocolizada em 11/11/2010, e só foi julgada em 29/05/2012, ultrapassando o prazo de 360 dias estabelecido na Lei). Sustenta ainda: (a) não mais que prestou em atraso “ínfimo” as informações, como exposto na impugnação, mas que a embarcação CAP NORTE antecipou a atracação, prevista para as 12h00min de 03/11, para as 07h07min do mesmo dia, por motivos desconhecidos pela impugnante (e deveria ter sido considerado o prazo previsto, e não o efetivo, sob pena de ferirse a segurança jurídica); (b) que “a responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva, como defendem alguns erroneamente, mas sim por culpa presumida”; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 3403002.374 S3C4T3 Fl. 111 5 (c) que o “§ 3o do art. 612 do Decreto 4.543/2002 é ilegal”; (d) que os prazos referidos no art. 22 da Instrução Normativa no 800/2007 somente passaram a ser obrigatórios em 01/04/2009, cf. art 50 da mesma norma, não podendo ser aplicadas penalidades em relação a períodos anteriores (e não se pode alegar o inciso II do parágrafo único do mencionado art. 50, porque o auto não apresenta tal dispositivo em sua fundamentação). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No recurso voluntário, apresentase questão preliminar, levantando eventual nulidade do lançamento, seguida de três discussões a respeito do conteúdo da autuação (versando sobre o enquadramento, a natureza da responsabilização e a configuração de denúncia espontânea). Passase, a seguir, à análise e manifestação sobre cada um dos tópicos apontados pela recorrente. Da preliminar de nulidade Sustenta a recorrente que o lançamento é nulo, tendo em vista a decorrência de mais de 360 dias entre o protocolo de sua impugnação e o julgamento pelo órgão colegiado de primeira instância. Indica como amparo o art. 24 da Lei no 11.457/2007, que dispõe: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador efeito de nulidade ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam (art. 59) as causas de nulidade, entre as quais não se encontra a aqui indicada pela recorrente. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 189 do Código de Processo Civil, que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 189. O juiz proferirá: I os despachos de expediente, no prazo de 2 (dois) dias; II as decisões, no prazo de 10 (dez) dias.” Embora se possa entender o escopo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após dez dias seria objeto de nulidade. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 4o do Decreto no 70.235/1972 e ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das conseqüências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 3403002.374 S3C4T3 Fl. 112 7 esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 2 Rejeitase, assim, a preliminar de nulidade. Da mesma forma, rejeitase preliminarmente a alegação de ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa, da moralidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, seja porque foram abertamente invocados, sem menção expressa ao dispositivo ou ato específico violador, seja porque não se visualiza no presente processo nenhuma medida que tenha cerceado, dificultado ou mesmo retardado a defesa da recorrente, em qualquer fase do processo, assim como não se verifica a suscitada irrazoabilidade, imoralidade, ou desproporcionalidade no processo (sendo difícil imaginar a que se refere o recurso voluntário quando invoca genericamente tais princípios). De plano, é de se assegurar que tais princípios não podem na seara do contencioso administrativo operar como pretexto de envergadura constitucional para o afastamento de dispositivos legais (Súmula CARF no 2). Do enquadramento prestação de informações fora do prazo Em primeira instância, esse era o fato menos controverso, pois a própria impugnante reconhecia que prestou as informações em atraso, mas que o atraso “foi ínfimo, uma vez que a atracação da embarcação foi registrada às 07h07min do dia 03/11/2008, e a inclusão das informações deramse (sic) no mesmo dia, 03/11/2008, às 10h28min55seg”. No recurso voluntário, afirmase (sem qualquer amparo documental) que a embarcação que atracou às 07h07min do dia 03/11/2008 deveria ter atracado ao meio dia, mas antecipou a atracação por motivos desconhecidos pela impugnante. Assim, não houve atraso, porque o prazo a ser considerado é o da previsão da atracação, sob pena de ferirse a segurança jurídica. A surrealidade da nova tese defendida chega ao ponto de confundir o próprio recorrente, que, logo após afirmar que “a autuada prestou as informações com nítida antecedência, considerando a data de atracação inicialmente prevista, não podendo, portanto, ser penalizada por fato que não ensejou” (fl. 80), revela que “a ora Recorrente tinha a intenção de prestar as informações no prazo regulamentar, não logrando êxito por circunstâncias superiores à sua vontade” (fl. 83). 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.173. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Ainda que a alegação nascida em sede de recurso voluntário estivesse devidamente comprovada, haveria que se examinar se a legislação ou a praxe do comércio se referem ao “momento da atracação/chegada”, ou ao “momento previsto para a atracação/chegada”. Não se pode olvidar que a penalidade aplicada na autuação é pela prestação de informações fora do prazo estabelecido pela RFB, nos termos do enquadramento legal art. 107, IV, “e” do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “Art. 107... ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (grifo nosso) A Lei no 10.833/2003 não estabelece só a penalidade, mas também a obrigatoriedade da prestação das informações, ao dar nova redação ao art. 37 do DecretoLei no 37/1966: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. ...” (grifo nosso) Imaginar o citado § 2o em um contexto em que o prazo deva ser contado não da chegada, mas do “horário previsto para chegada”, equivaleria a dizer que a atracação antecipada seria absolutamente inócua (em verdade, um verdadeiro prejuízo para o responsável pela embarcação, visto que nos casos de chegada antecipada, o navio teria que aguardar no porto, antes de carregar ou descarregar qualquer mercadoria, até a prestação de informações por todos os agentes de carga que, como a recorrente, entendessem poder prestar as informações até o horário em que estava prevista originalmente a chegada da embarcação). Não merece prosperar, assim, a tese que a recorrente inaugura no recurso voluntário. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 3403002.374 S3C4T3 Fl. 113 9 Assim, resta saber qual o prazo estabelecido pela RFB (na Instrução Normativa no 800/2007) para que o transportador (e mais especificamente o agente de carga) preste as informações. Vejase inicialmente o art. 22 da Lei: “Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. ...”(grifo nosso) Contudo, a mesma norma, em seu art. 50, estabeleceu um período de transição: “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 Ou seja, até 01/01/20093, o agente não precisava cumprir as 48 horas de antecedência, bastando que prestasse as informações “antes da atracação”. E esse é exatamente o caso tratado no presente processo. Incorre em confusão, assim, a recorrente, ao tratar do art. 50 em seu recurso voluntário, assim como ao afirmar que a autuação não tem por fundamento o parágrafo único, II do art. 50. Veja que além de a autuação expressamente citar na fundamentação o art. 50 (o que por óbvio inclui todos os seus parágrafos e incisos), a descrição dos fatos (fls. 9 e 10) explica detalhadamente a cronologia do tratamento dos prazos no referido art. 50. Inegável, assim, a materialização da conduta prevista em lei, ensejadora da multa aplicada, não deixando a mínima margem de dúvida (o que afasta de plano a aplicação do art. 112 do CTN, restrito ao universo da “dúvida”). Da responsabilidade Sendo patente a ocorrência da conduta, resta saber se a lei que rege a matéria exige alguma configuração de elemento subjetivo para a aplicação da penalidade. É de se recordar que a penalidade aplicada tem por fundamento legal o DecretoLei no 37/1966, e não o Código Tributário Nacional. E é no próprio DecretoLei no 37/1966 que se deve buscar a disciplina da responsabilidade, mais precisamente em seu art. 94 (notadamente em seu § 2o). “Art.94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. ... § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Assim, na ausência de dispositivo legal expresso em sentido contrário, temos como objetiva a responsabilidade do agente de carga, não cabendo discussão sobre eventual elemento subjetivo. A afirmação de que “a responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva, como defendem alguns erroneamente, mas sim por culpa presumida”, lançada no recurso voluntário, resulta de confusão com frase análoga, de autoria de Hugo de Brito Machado, transcrita (fl. 83), que empregava a expressão “tributário” ao invés de “aduaneiro”. Se o objetivo da analogia era confrontar o comando do art. 136 do CTN com o art. 94, § 2o do DecretoLei no 37/1966, há de se reconhecer que ambos buscam um mesmo caminho. Contudo, não se pode manifestar a mesma concordância se o escopo é sustentar que onde se lê, na lei, “independe da intenção do agente ou ...”, devese ler “depende da intenção...” ou algo semelhante. 3 A Instrução Normativa RFB no 899/2008 alterou o caput do art. 50, prorrogando tal prazo para 01/04/2009, o que não interfere no raciocínio aqui empreendido. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 3403002.374 S3C4T3 Fl. 114 11 De fato (e de direito), na conduta imputada neste autos à recorrente, é irrelevante a intenção, a efetividade, a natureza ou a extensão dos efeitos do ato. Da denúncia espontânea Aduz a recorrente que a ela se aplica o instituto da denúncia espontânea, acrescentando que o atraso na prestação da informação não trouxe consequências ao Erário, ou ao controle. Inicialmente, destaquese que a visão de que a ocupação da Secretaria da Receita Federal do Brasil nas importações é tributária reflete ideia vetusta e superada. A real finalidade de receber antecipadamente as informações e documentos referentes às cargas não é tributária, estritamente vinculada ao Erário, mas aduaneira, buscando efetuar uma verdadeira gestão prévia da informação de modo a possibilitar uma análise de risco e melhor seleção para conferência durante o despacho de importação (ou antes). No final do século passado as Aduanas descobriram que não se pode esperar que as cargas cheguem ao País para agir. É preciso obter informações antecipadas para que se possa efetuar uma adequada gestão de risco, de modo a selecionar para conferência as mercadorias que efetivamente tenham um maior potencial de cometimento de irregularidades. Dada a impossibilidade de fiscalização de todo o universo de importações, é preciso selecioná las da melhor forma, e grande parte dos critérios de seleção demandam informação prévia. Daí a necessidade de informação antecipada sobre as cargas: para melhoria da seleção em matéria aduaneira. E quando se trata de matéria aduaneira, não se está envolvendo somente os tributos aduaneiros, mas a defesa da concorrência, do meio ambiente, da saúde, da segurança nacional. Assim, absolutamente improcedente a afirmação de que a não apresentação (ou a apresentação intempestiva) de uma informação antecipada sobre carga seja irrelevante. Pode sêlo sob a ótica do usuário, mas não de uma Aduana preocupada em, de posse de tal informação, efetuar análise de risco para aprimoramento da seleção voltada à conferência aduaneira. Daí o DecretoLei no 37/1966 disciplinar a denúncia espontânea em seu art. 102, com enfoque sensivelmente diferente do art. 138 do Código Tributário Nacional. E o comando normativo que a recorrente aponta como ilegal (art. 612, § 3o do Regulamento Aduaneiro então vigente Decreto no 4.543/2002, hoje revogado pelo Decreto no 6.759/2009, que contém idêntico dispositivo) tem origem exatamente em diversas manifestações de tribunais administrativos e judiciais, e de entendimento inclusive já exarado em o Ato Normativo (CST no 4, de 17/1/1986): “depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador” (da mesma forma que não se tem por espontânea a infração imputável ao importador depois de registrada a declaração de importação até o desembaraço aduaneiro). Nesse ponto não inova o Regulamento, mas esclarece o escopo do comando legal que disciplina, dentro do sistema aduaneiro. Em adição ao exposto, esclareçase que o fato de a informação prestada constituirse em obrigação acessória não lhe retira o grau de importância, tendo em vista o aqui já exposto. Pelo contrário, é um elemento complicador adicional na definição da aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 É de se reconhecer que há um elevado grau de incompatibilidade entre o descumprimento de obrigações acessórias e o instituto da denúncia espontânea. O próprio CARF já reconheceu tão reiteradamente tal incompatibilidade, no âmbito tributário, que a matéria em relação ao atraso de entrega de declarações está hoje sumulada, vinculado os julgamentos do colegiado: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Assim, rechaçase a inclusão da situação apresentada (prestação de informações em atraso à autoridade aduaneira pelo agente de carga) no âmbito do instituto da denúncia espontânea, seja tributária ou aduaneira. Por fim, é de se destacar que: (a) a jurisprudência apresentada no recurso voluntário, em que pese não vincular o julgador administrativo, não trata (como informado) de caso semelhante, sendo diversa a penalidade aplicada (ao invés de prestação de informação a destempo, o caso trazido versa sobre embaraçar , dificultar ou impedir a fiscalização); e (b) a relevação de penalidades, como esclareceu o julgador a quo, situase fora do rito do processo administrativo fiscal, pelo que falece competência a este tribunal administrativo para sua análise. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13896.902607/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O sujeito passivo em referência manifesta sua inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação declarada na Dcomp nº 14495.97146.300604.1.3.045120, por meio da qual pretendia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 60 7/ 20 08 -0 4 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13896.902607/200804 Resolução nº 3201000.424 S3C2T1 Fl. 135 2 extinguir um débito de R$ 14.093,67, referente à Cofins concernente a “Dez. 2000”. O crédito que alega possuir tem origem em DARF utilizado para pagamento de COFINS relativo ao período de apuração 31/07/2007. O Despacho Decisório atacado foi emitido com base na seguinte constatação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade. Após descrever os fundamentos do Despacho Decisório, alega que inexistem tanto o débito como o crédito declarados na Dcomp não homologada. Conforme consta em DCTF, o débito de R$ 43.524,84 foi integralmente recolhido, conforme comprova o DARF juntado aos autos. Defende que, por um lapso, deixou de cancelar a Dcomp em questão e que a cobrança é fundamentada em simples erro de fato, o qual não pode prevalecer tendo em vista a aplicação do princípio da verdade material ao processo administrativo fiscal. Lembra que o princípio da verdade material impõe ao julgador o dever de conhecer os fatos reais ocorridos, independentemente de quaisquer formalidades ou presunções, podendo, inclusive, se valer de elementos alheios ao processo ou a ele trazidos de forma inusitada. Assim, no seu entender, a declaração equivocada não pode fundamentar a cobrança de tributos. Assevera que o artigo 62 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, expressamente prevê o cancelamento da Dcomp a pedido do contribuinte e que as DCTF podem ser retificadas, em virtude de erro de fato, após o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa. Para evitar que créditos tributários decorrentes de erro de fato sejam exigidos judicialmente, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, prevê situações em que o erro de fato motivará o cancelamento da inscrição na Dívida Ativa. Em seguida, apresenta diversas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) pelo cancelamento de créditos constituídos por declarações equivocadas dos contribuintes. Informa que o valor declarado de R$ 43.524,84 já foi homologado pela Fiscalização quando da lavratura de auto de infração em 18/12/2003. Naquela oportunidade foi constituído o crédito apenas em relação à Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13896.902607/200804 Resolução nº 3201000.424 S3C2T1 Fl. 136 3 parte cuja exigibilidade estava suspensa. Não há, portanto, como se exigirem novos tributos do sujeito passivo. Conclui, por conseguinte, pela improcedência da cobrança objeto do despacho decisório combatido. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela realização de sustentação oral, juntada de documentos e apresentação de memoriais. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 36.650, de 23/01/2012: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação, não é instrumento hábil a comprovar o direito creditório pleiteado. JUNTADA DE PROVAS. Para que seja autorizada a juntada de provas após o decurso do prazo para oferecimento da impugnação, o manifestante deve demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1.972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. Após, complementa o recurso interposto, com a juntada de nova documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos a existência de crédito em nome da recorrente. Esta juntou nos autos, desde o início e em seu recurso voluntário, documentos que comprovariam o seu direito creditório. A decisão recorrida, a seu turno, entendeu inexistir tal crédito, como vemos: Assim, o crédito devido pelo contribuinte ao final é superior ao determinado pelo Juiz de 1ª Instância. Não obstante a base de cálculo seja a mesma (faturamento), a alíquota aplicável é superior. Restaria uma diferença de 1% que deveria ser recolhida pelo sujeito passivo. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13896.902607/200804 Resolução nº 3201000.424 S3C2T1 Fl. 137 4 Tendo em vista que os tributos devidos em virtude da primeira decisão judicial totalizaram R$ 43.524,84, é devido pelo contribuinte R$ 21.762,42 (= 43.524,84 ¸ 2% x 3% 43.524,84). Assim, o débito de R$ 7.796,47 declarado na Dcomp existe. Considerando que é incontroversa a inexistência do crédito declarado na Dcomp, considero correta a decisão da DRF pela não homologação da compensação declarada. Ainda, de ressaltar que a recorrente sempre requereu fosse realizado perícia para comprovar seu direito. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora apure a base de cálculo e o pagamento realizado em relação à COFINS do ano de 2000. Após tal verificação, conclua se há débito em aberto em nome da recorrente referente à COFINS daquele ano, bem como, especificamente, informe se há débito em aberto em relação ao mês de dezembro de 2000. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 22 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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