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Numero do processo: 10280.720362/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO FATO GERADOR. NULIDADE.
É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, da Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO FATO GERADOR. NULIDADE. É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, da Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 62 /2 00 9- 11 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 78 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 63.516,71, incluídos multa de ofício no percentual de 75%, multa de mora no percentual de 20% e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2005, os seguintes fatos: Dedução indevida de despesas lançadas no LivroCaixa. Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Intimado do lançamento, o contribuinte apresentou a Solicitação de Retificação de Lançamento SRL de fls. 12/14 deste processo digital, que restou indeferida por intermédio do documento acostado aos autos em fl. 15. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/09, que foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 CONTADOR. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. VENDA DE SERVIÇO. O contador é livre para contratar empregado para o bom andamento de seu escritório de contabilidade. Agora, se o contratado for outro contador, devidamente inscrito no Conselho Regional de Contabilidade, a norma tributária permite que seja considerado, para efeitos fiscais, como uma pessoa jurídica, alterando a qualificação de simples prestador de serviço para vendedor de serviço. LIVRO CAIXA. PESSOA FÍSICA E JURÍDICA NO MESMO ESPAÇO FÍSICO. SEGREGAÇÃO E CORRELAÇÃO RECEITAS E DESPESAS. Para deduzir as despesas escrituradas em livro caixa, entre outras exigências contidas na legislação tributária, é necessária a comprovação não só da segregação das despesas incorridas pela pessoa física e pela pessoa jurídica quando dividem o mesmo espaço físico e o mesmo corpo funcional como também a comprovação da correlação entre receitas e despesas segregadas IRRF. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Para fazer jus à compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte no Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é necessário que o contribuinte comprove que sofreu a Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 79 3 retenção através de comprovante emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (§ 2º, art. 87, RIR). O Comprovante de Rendimentos deve está alinhado com a IN SRF nº 120/2000. Outra condição básica para dedução do IRRF é que este corresponda aos rendimentos incluídos na base de cálculo do Ajuste Anual do IRPF. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/10/2011 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 24/11/2011, o recurso de fls. 51/63. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Eventuais deduções em seu imposto de renda, consideradas indevidas pela Autoridade lançadora em virtude de um ou outro comprovante não cumprirem as formalidades legais, deveria receber o tratamento de glosa, calculandose eventual diferença de imposto a ser pago, e não simplesmente desconsiderandose todas as despesas lançadas no LivroCaixa, lastreadas em documentos hábeis e inquestionáveis. Durante todo o procedimento fiscal, os comprovantes iam sendo analisados, o que deixou de ser feito quando a Auditora percebeu que o Recorrente empregava outra contadora, formando sua tese de equiparação à pessoa jurídica. Foi autuado com base em uma solução de consulta que jamais poderá alterar o disposto no artigo 150, § 2º, I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999, e que em nenhum momento menciona trabalho assalariado, mas tão somente a prestação de serviços. Tampouco presta serviços em conjunto com outros profissionais, mas tem empregado com carteira assinada e com todos os direitos e recolhimentos elencados pela legislação trabalhista, fato provado com a juntada de cópias das folhas do Livro de Registro de Empregados, folhas de pagamento e encargos sociais recolhidos, discriminados no Livro Caixa. Todos os contratos de prestação de serviços apresentados estão em nome do Recorrente, que também foi o único responsável por todas as informações contábeis prestadas aos seus clientes. MÉRITO Em nenhum momento misturou despesas inerentes à sua atividade de profissional liberal com as de sua empresa. Equívocos ocorreram, como o que foi apontado pela Auditora: menos de R$ 100,00, num universo de R$ 164.000,00, em recibos de compra de água mineral, não estavam em seu nome. Como as fotocópias dos comprovantes não foram devolvidas, nem o Livro Caixa, presumese que fazem parte deste processo, desfazendo a assertiva contida na decisão recorrida de que não foram carreadas provas aos autos. O Administrado é quem estava sendo fiscalizado e não a sua empresa. Todas as provas juntadas foram entregues para ratificar a veracidade de sua declaração. Não é a Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 80 4 DRJ que deve presumir separação de gastos com conta de luz, mas a própria Autoridade fiscalizadora, que em nenhum momento levantou a questão. A DRJ deveria ter se embasado na conclusão da Autoridade lançadora, que lastreou a manutenção do lançamento em outro fato. Inova a Autoridade de 1ª instância quando, atropelando o art. 10, incisos III e V, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, elege outro motivo não apontado na inicial, criandose novos aspectos materiais no lançamento efetuado. O lançamento fundamentouse na descaracterização da relação empregatícia estabelecida entre o Recorrente/Contador e a Empregada/Contadora, sob o argumento de que deveria haver uma associação entres estes profissionais liberais, equiparando o Administrado à pessoa jurídica. Por expressa previsão legal da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (art. 2º, § 1º), o profissional liberal é empregador por equiparação. Não há qualquer restrição legal no sentido de que o profissional liberal não pode contratar empregado. No caso em análise, restam evidentes os requisitos caracterizadores da relação empregatícia. Não há como ignorar a existência deles e entender que a relação entre as partes deveria revestir a forma de associação de profissionais. Agindo assim, a Auditora despreza a figura do empregador por equiparação e cria uma excepcionalidade onde a lei não apresenta limitações. A Notificação de Lançamento lavrada com fundamento na descaracterização da relação de emprego e imposição da forma associativa, como único vínculo possível de existir entre as partes, viola não somente os artigos 2º, § 1º e 3º da CLT, mas também os artigos 1º, III e IV, 5º, II e XX da Constituição Federal – CF. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso e cancelada a exigência fiscal. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia se restringe à dedução indevida de despesas lançadas no LivroCaixa, uma vez que a decisão recorrida restabeleceu a glosa de compensação de imposto de renda retido na fonte. Observo, inicialmente, que a SRL apresentada pelo Interessado foi indeferida porque o Serviço de Fiscalização da DRF Belém entendeu que a prestação de serviços por profissionais de mesma qualificação, em conjunto, de forma sistemática e habitual, equipara a pessoa física à empresa individual, que por sua vez é equiparada à pessoa jurídica pelo RIR/1999. É o que consta do despacho de fls. 17/18, a ver: Conforme o art. 150, § 2º, I, do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda 2005, e Solução de Consulta nº 107/01 da Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 81 5 SRRF09, publicada no D.O.U de 09/10/2001, Pessoa Física que presta serviços em conjunto com outros profissionais da mesma qualificação profissional, de forma sistemática e habitual, sempre sob a sua responsabilidade, recebendo em nome próprio o total pago pelo cliente e pagando os serviços dos demais, é considerada empresa individual equiparada à pessoa jurídica por se tratar de venda habitual e profissional de serviços próprios e de terceiros. Os rendimentos recebidos, portanto, são tributados conforme as regras de tributação das receitas das pessoas jurídicas. Portanto, o interessado em questão que exerce profissão como autônomo, está equiparado à pessoa jurídica, já que exerceu a atividade em conjunto com outro profissional de mesma qualificação profissional. A decisão recorrida, na mesma linha do despacho que indeferiu a SRL, utilizou como um dos fundamentos para julgar improcedente a impugnação a equiparação do Interessado à pessoa jurídica, nos seguintes termos: Temse, no caso concreto, que o contador que exerce individualmente a sua profissão não é equiparado à empresa individual e por consequência não é tratado como pessoa jurídica. No entanto, se a atividade profissional não é exercida individualmente e sim em conjunto com outro profissional de igual qualificação, aplicase a regra de equiparação para efeitos tributários. Ocorre que a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no LivroCaixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista. É o que se extrai da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 24 deste processo digital: “De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em LivroCaixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 107.642,27, informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido”. Verificase, assim, que tanto a Autoridade fiscal que indeferiu a SRL, quanto a Autoridade julgadora, alteraram a moldura fática utilizada pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquelas como se estivessem investidas na função desta. E o que é pior: o fundamento utilizado para manutenção do lançamento não encontra, a meu ver, amparo na legislação do imposto de renda. É o que se extrai do art. 150, § 2º I, do RIR/1999, cuja redação é a seguinte: Art.150.As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 82 6 I as firmas individuais (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: Imédico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); A leitura dos trechos em destaque revela que o contador que exerce, individualmente, a sua profissão não é equiparado às pessoas jurídicas. Anoto, no entanto, que o fato de o contador contratar, como empregado, outro profissional da área contábil não desqualifica, de per si, o exercício individual de sua atividade. A individualidade no exercício da profissão do Recorrente somente restaria desqualificada, em meu entendimento, se a Autoridade lançadora, de forma objetiva, descaracterizasse os elementos fáticos jurídicos da relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação) e comprovasse que os dois profissionais envolvidos se associaram na prestação dos serviços, o que, definitivamente, não restou evidenciado nos autos pela Autoridade lançadora. O segundo fundamento utilizado pela Autoridade julgadora para julgar improcedente a impugnação foi a falta de segregação das despesas efetuadas pela pessoa física das despesas da pessoa jurídica cujo Recorrente é sócio. Novamente aqui a Autoridade julgadora exorbitou de suas funções, porquanto alterou o fundamento fático do lançamento efetuado. Os fatos narrados, por si sós, são suficientes para anulação do despacho que indeferiu a SRL e da decisão recorrida. Nada obstante, entendo prescindível a nulidade de tais atos administrativos, haja vista que, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Consoante demonstrado acima, a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no LivroCaixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 24 deste processo digital). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 83 7 A Declaração de Ajuste Anual (fls. 29/32), todavia, revela que o Interessado informou rendimentos recebidos de pessoas jurídicas na qualidade de profissional liberal no valor de R$ 130.569,00, lançados no campo “Nome da Fonte Pagadora” sob a denominação de “Serviços Autônomos como Contador de Diversas Fontes”. A descrição incorreta dos fatos que embasaram o lançamento, pela Autoridade lançadora, ocasiona, a meu ver, a nulidade do próprio lançamento, sendo que no presente caso é de grande relevância a distinção entre vício formal e material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um desses vícios pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. No caso concreto, ocorreu um equívoco na identificação do fato gerador da obrigação correspondente, ocasionando um erro na exteriorização dos fundamentos que levaram a Autoridade fiscal a constituir o crédito tributário, o que configura, a meu ver, vício material na feitura do ato de lançamento. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Na espécie, o defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em face da identificação incorreta do fato gerador da obrigação correspondente (glosa de despesas lançadas no livrocaixa de contribuinte que declarou apenas rendimentos recebidos com vínculo empregatício). Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, da presente Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 2801003.179 S2TE01 Fl. 84 8 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10805.908221/2011-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 21 /2 01 1- 87 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 163 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 05252.04581.190106.1.2.043458, em 19.01.2006, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de junho de 2004, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 23/10/2009, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 7.099,36, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 164 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.224, de 22/08/2013, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 165 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 05252.04581.190106.1.2.043458,, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/06/2004, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 166 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 167 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 168 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 169 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 170 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 171 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 172 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908221/201187 Acórdão n.º 1803002.609 S1TE03 Fl. 173 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003621/2003-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Decadência parcial
Reconhecendo-se a aplicação do artigo 150 do CTN as infrações II do auto de infração deve ser reconhecida a decadência parcial para cancelar os três primeiros trimestres de 1998 em relação ao IRPJ e CSLL; e cancelar até novembro de 1998 em relação às contribuições sociais.
ESPONTANEIDADE. PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DO PRÓCEDIMENTO FISCAL.
O início dolo procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e, sendo assim, a inclusão dos débitos em modalidade especial de parcelamento depois de iniciado o procedimento não inibe a lavratura do auto, de infração, tampouco a imposição das penalidades pertinentes.
Numero da decisão: 1401-001.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE a decadência com relação apenas a infração 2 do auto de infração que foi apenada com a multa de 75%, para então cancelar os três primeiros trimestres de 1998 em relação ao IRPJ e CSLL; e cancelar até novembro de 1998 em relação às contribuições sociais; quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Decadência parcial Reconhecendo-se a aplicação do artigo 150 do CTN as infrações II do auto de infração deve ser reconhecida a decadência parcial para cancelar os três primeiros trimestres de 1998 em relação ao IRPJ e CSLL; e cancelar até novembro de 1998 em relação às contribuições sociais. ESPONTANEIDADE. PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DO PRÓCEDIMENTO FISCAL. O início dolo procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e, sendo assim, a inclusão dos débitos em modalidade especial de parcelamento depois de iniciado o procedimento não inibe a lavratura do auto, de infração, tampouco a imposição das penalidades pertinentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Decadência parcial Reconhecendose a aplicação do artigo 150 do CTN as infrações II do auto de infração deve ser reconhecida a decadência parcial para cancelar os três primeiros trimestres de 1998 em relação ao IRPJ e CSLL; e cancelar até novembro de 1998 em relação às contribuições sociais. ESPONTANEIDADE. PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DO PRÓCEDIMENTO FISCAL. O início dolo procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e, sendo assim, a inclusão dos débitos em modalidade especial de parcelamento depois de iniciado o procedimento não inibe a lavratura do auto, de infração, tampouco a imposição das penalidades pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE a decadência com relação apenas a infração 2 do auto de infração que foi apenada com a multa de 75%, para então cancelar os três primeiros trimestres de 1998 em relação ao IRPJ e CSLL; e cancelar até novembro de 1998 em relação às contribuições sociais; quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 36 21 /2 00 3- 95 Fl. 6290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra acórdão que julgou procedente o lançamento. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anterior elaborado pela 5ª Turma da DRJ/CPS: “Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 5.943/5.947) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 5.951/5.955), formalizando o crédito tributário no valor total de R$ 5.079.438,28 (fls. 5.956), com exigência do principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da constatação de omissão de receitas e de imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, que ensejou arbitramento do lucro. As irregularidades constatadas foram descritas no Termo Conclusivo da Ação Fiscal de fls. 5.932/5.938, em que, a título de considerações gerais, o autuante reportase ao início da ação fiscal em 19/fevereiro/2002; aos Mandados de Procedimento Fiscal emitidos suas prorrogações e alterações; aos Termos lavrados e despachos proferidos no curso do procedimento; à DIPJ apresentada para o anocalendário de 1998, com apuração pelo Lucro Real com resultado positivo nos quatro trimestres; e à atividade preponderante desenvolvida pelo contribuinte de comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, ou seja, supermercado. Na sequência, aborda a fiscalização as verificações preliminares ensejadoras de exigências de PIS e Cofins que não integram o presente processo. Passa, então, às constatações relativas ao anocalendário de 1998 de omissão receitas e de imprestabilidade da escrita para determinação do lucro real,e do consequente arbitramento do lucro, descrevendoas como segue: Fl. 6291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 4 3 9. Dentro dos limites das verificações e das amostragens realizadas e das dificuldades encontradas na obtenção 'de livros e documentos, conforme se constata pelos constantes Termos lavrados, procedeuse à auditoria contábil e fiscal. A fim de se obter as compras do ano de 1998 com os seus respectivos pagamentos, foram feitas circularizações junto aos Fornecedores do contribuinte ora fiscalizado, conforme Mandados de Procedimento Fiscal Extensivo e Intimações expedidas, presentes ao processo às fls. 335 a 5.587, as quais foram manuseadas e digitadas no software "ACCESS" da Microsoft, inclusive com as datas dos respectivos pagamentos, resultando nos relatórios de fls. 202 a 334 agrupados por trimestre. Não sendo possível a conferência individual de cada operação com a escrituração feita nos Livros Registros de Entradas, eis que totalmente codificados sem que tenham sido fornecidos a identificação dos respectivos códigos, como também junto ao Livro Diário, vez que escriturado por partidas mensais, sem a individualização de cada operação, fornecedor, data e valor, adotouse a confrontação com os valores declarados na DIPJ/1999, base do pagamento do IRPJ e CSLL, pelos seus totais trimestrais. Ressaltese que os livros auxiliares da escrituração contábil também não foram apresentados ou afirmados que existiam. Assim, considerando que todas as compras foram pagas, nos termos do artigo 281, II, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 261 março/1999, fica caracterizado a omissão no registro da receita em valores trimestrais superiores aos declarados na DIPJ, conforme a seguir se sintetiza: Histórico 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre Relatórios 11.353.537,49 9.108.217,56 9.182.457,26 16.649.315,32 DIPJ 8.119.402,86 6.775.403,00 6.766.791,49 11.194.926,24 Diferença 3.234.134,63 2.232.814,53 2.415.665,77 5.454.389,08 10. Não obstante a situação acima caracterizar omissão de registro de receita, convalidase esta irregularidade tributária com o fato das vendas oferecidas à tributação na DIPJ/1999 serem menores que as bases de cálculos do PIS e da COFINS, constatado que foi junto aos livros fiscais, do que resultou a elaborarão do demonstrativo "Composição da Base de Cálculo — (Apuração Sintética)", anexo. Portanto, a omissão de receita acima nó total anual de R$ 13.437.004, 02 está contida na diferença abaixo demonstrada, totalizada em R$ 16.652.295,41. Fl. 6292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 5 4 1998 VENDAS DIPJ DIFERENÇAS JANEIRO 2.624.506,15 2.624.506,15 0,00 FEVEREIRO 5.789.201,07 3.638.780,00 2.150.421,07 MARÇO 6.180.493,98 3.638.635,85 2.541.840,13 ABRIL 6.233.573,82 4.150.112,31 2.083.461,51 MAIO 6.561.395,82 4.326.030,77 2.235.365,05 JUNHO 6.304.573,91 3.919.893,85 2.384.680,06 JULHO 6.843.425,36 3.884.401,54 2.849.023,82 AGOSTO 6.353.269,92 3.945.766,15 2.407.503,77 SETEMBRO 3.711.064,62 3.711.064,62 0,00 OUTUBRO 4.040.058,46 4.040.058,46 0,00 NOVEMBRO 3.682.412,31 3.682.412,31 0,00 DEZEMBRO 4.456.463,08 4.456.463,08 0,00 TOTAL 62.780.438,50 46.128.143,09 16.652.295,41 11. A presunção legal da omissão de receita por falta de pagamentos não contabilizados, no caso, das compras de mercadorias para revenda, baseiase no fato de que as omissões de registros de receitas anteriores é que possibilitaram os pagamentos efetuados à margem da escrituração. Exatamente o que apresente situação comprova. Da Escrituração Contábil 12. Conforme se constata pelas próprias afirmações acima, também constatada pelo Termo cientificado em 09 de dezembro de 2003, a escrituração contábil foi feita por partidas mensais, sem individualização das operações, e sem possibilidades, através dela própria, de conseguir identificar e ou precisar as pessoas, valores e datas, haja vista que a conta "Fornecedores" não possibilitou a identificação de cada operação de compra de mercadoria. Não obstante, também não foi observado a formalidade de autenticação do Livro Diário até a presente data, como ainda, mesmo solicitado desde os primórdios da fiscalização, não foram apresentados os livros auxiliares, sequer afirmando que existiam, tudo consignado no já referido Termo de 0911212003. 13. A legislação comercial e fiscal exige a escrituração diária, com clareza e na ordem cronológica dos acontecimentos, tolerando as partidas mensais desde que corroboradas em livros auxiliares que possibilitem identificar pormenorizadamente todas as operações. Desta feita, está comprovado que a escrituração do contribuinte não reúne as condições necessárias a considerála válida e aceitável, o que nos termos do artigo 530, I, do RIR/1999, justifica o seu arbitramento, vez que se obrigou à escrituração contábil pela opção exercida na tributação pelo Lucro Real, porém não a realizou dentro dos preceitos legais. 14. Mais ainda, a própria omissão de receitas acima caracterizada, representando 36,10% das receitas registradas, demonstra a total imprestabilidade da escrita para a determinação do lucro real, o que nos termos do artigo 530,11, "b ", do mesmo diploma legal, também justifica o arbitramento. Fl. 6293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 6 5 Do Lucro Arbitrado 15. Conhecida a receita bruta e detectada a omissão de receitas, ambas se sujeitarão ao disposto contido no artigo X32, do já citado RIR199, qual seja, da aplicação do percentual de 8% acrescido de 20% (9, 6%), próprio para a atividade comercial, sendo que a omissão de receitas assim se obriga face ao disposto no artigo 537 do mesmo Regulamento, Seguese a demonstração do lucro arbitrado: Em decorrência do arbitramento do lucro serão devidos o IRPJ e a CSLL, descontandose os tributos declarados na DIPJ, Assim, sob a formalização de um único outro processo, serão lançados os créditos tributários correspondentes. Como as contribuições para o PIS e a COFINS incidentes sobre a omissão de receitas já se acham com os créditos tributários constituídos, aqui elas não, mais serão lançadas. Da qualificação da multa 17. A prática reiterada do não registro das compras e, consequentemente, dos seus respectivos pagamentos, configura a intenção clara da diminuição do movimento financeiro e, com ele, o não pagamento integral da carga tributária devida. Não se trata de algumas operações, mas de inúmeras, haja vista a quantidade de documentos presentes nos autos (mais de 5.000). Devido, portanto, a multa capitulada no artigo 957,11, do RIR/1999, qual seja, 150% até porque o oferecimento à tributação na DIPJ/1999 por um valor menor, como restou provado, evidencia o propósito de recolher menos tributos. Também noticia o autuante ter formalizado Representação Fiscal para fins Penais, a qual, de acordo com informação de fis. 6115, foi autuada e processado sob nº 13839.003623/0384, desapensado do presente processo. Cientificado da autuação em 29/12/2003, o contribuinte apresentou, em 28/01/2004, impugnações subscritas por um de seus sócios e por seu advogado (cópia do contrato social e procuração às fls. 6.032/6.038 relativas à ML (fls. 6003/6005), acompanhada dos documentos de fls. 6006/6046) e ao IRPJ (fls. 6047/6049, acompanhada dos documentos de fls. 6050/6092). Em ambas as peças, relaciona os valores exigidos e alega que o crédito fora integralmente incluído no PAES (Parcelamento Especial), 1 como faz prova seu incluso recibo de entrega via internet,protocolado sob o n° 19.43.86.42.94, não podendo portanto ser objeto de autuação. Acrescenta que o PAES nada mais é do que um termo de acordo, substitui o referido crédito, extinguindoo, conforme dispõe o artigo 156, inciso III, do CTN. Finaliza requerendo a anulação do Auto de Infração, em face de ausência de objeto. Expondo ter constatado que os débitos declarados na Declaração PAES são inferiores aos constantes do presente processo de Auto e Infração, a autoridade preparadora emitiu intimação de fls. 6113 para recolhimento das diferenças, sob pena de envio do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 6294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 7 6 Encaminhado o processo para inscrição das diferenças não incluídas no parcelamento (fls. 6125), a Procuradoria da Fazenda solicitou cópia das decisões relativas às impugnações e de seu trânsito em julgado (fls. 6.126), retornando os autos para a Delegacia da Receita Federal (fls. 6.138). Às fls. 6.139 foi juntada petição protocolizada em 11/12/2008 em que o contribuinte alega não ter sido regularmente cientificado da decisão de que os débitos declarados no PAES seriam inferiores àqueles cobrados. Às fls. 6.159, ao encaminhar o processo para julgamento, informou a autoridade preparadora: “ ... Por considerar que se tratava de análise sumária sobre a suposta inclusão dos débitos exigidos no PAES, o SECAT/DRF/JUNDIAÍ submeteu a análise do pleito ao SAORT (fl. 6.111) .Conforme despacho de fl. 6.111, decidiu aquele SAORT/DRF/JUNDAI pela transferência parcial dos débitos confessados pelo contribuinte no PGDPAES para o processo 13839.0002791200533. Cabe destacar que foram incluídos no PAES, além dos débitos declarados, a multa de oficio (150%), contestada pelo contribuinte, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário fls. 6.102/6.103 e 6.110) Após aquela decisão, o contribuinte foi notificado de que parte dos débitos exigidos pelo lançamento não haviam sido declarados no PGDPAES e intimado a recolher os saldos devedores (fls. 6.113). Não sendo identificado o recolhimento, os débitos remanescentes foram inscritos em Dívida Ativa da União em 25/04/2005 (fls. 6.148/6.153). .Em 11/12/2008 (fis. 6.139/6.140),o contribuinte protocolou petição nos autos do processo 13896.0023111200883, manifestando inconformidade em relação a sua exclusão do REFIS, alegando, em breve síntese, que não foi cientificado da decisão relacionado à sua impugnação ao auto de infração citado anteriormente, tendo em vista que a correspondência foi encaminhada ao endereço errado. Considerando que o contribuinte apresentou impugnação tempestiva ao auto de infração e, portanto, teria direito a julgamento de seu pleito pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do art. 25, inciso I do Decreto n° 70.235172 (PAF), o qual terá repercussão inclusive sobre os valores transferidos para o PAES (multa de oficio); Considerando que a impugnação tempestiva promove a suspensão dos créditos tributários exigidos, nos termos do árt. 151, inciso III da Lei 5.172/66 (CTN); Proponho ... 1. Retorno da situação do processo no PROFISC (Aguardando Julgamento) e a consequente suspensão dos débitos, desde 28/01/2004 — data da impugnação. 2. Transito do processo pela PSFNCampinasSP para que seja providenciada a baixa das inscrições vinculadas ao presente processo . 3. Encaminhamento à DRJ/Campinas/SP para julgamento da impugnação ao Auto de Infração. Fl. 6295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 8 7 ....” Ainda, vêse que, após o Termo de Encerramento do volume VI do processo (fls. 1.200), foram juntadas, no próprio volume VI, petição protocolizada pelo contribuinte em 18/11/2008, além de cópia de memorando de encaminhamento de documentos (MEMO SECAT/EQFISE Nº 08113/629/2008, de 19/11/2008), originalmente numerados como folhas 1.201 a 1.207, numeração que já constava do início do volume VII. Referidos documentos foram, nesta data, renumerados como folhas 6.180 a 6.186 e transferidos para o volume XXXI, logo após o despacho de fls. 6.179 de encaminhamento dós autos para esta DRJ/Campinas. Nesta petição de 18/11/2008, o contribuinte alega, em síntese, que: apresentou impugnações demonstrando que todo o valor exigido foi parcelado junto ao PAES; a alegação não foi acolhida e, em 17/02/2005, foi determinada a cobrança amigável do crédito tributário (fls. 6.112) e enviada intimação para pagamento; considerados os vícios da intimação do contribuinte da decisão dessa Delegacia, serve a presente para reiterar as razões à necessária revisão dos lançamentos, como a seguir exposto. Na sequência, argui a ocorrência de decadência, como pressuposto de validade do lançamento, a ser analisada mesmo quando não instada pelo contribuinte, e mesmo que extemporânea a alegação. Assevera que, além de equivocada a autuação, esta jamais poderia ter sido realizada porque houve a decadência do direito da Fazenda Pública de lançar os tributos relativos ao 1 ° 2° e 3° trimestres de 1998, enquanto que I os tributos relativos ao 4° trimestre forma devidamente parcelados junto ao PAES... Defende a aplicação do art. 150, § 4 1, do CTN, em preferência ao art. 173, I, do CTN, notadamente em vista da existência de pagamento parcial do tributo. Expõe, ainda, que mesmo aplicando o art. 173, I, do CTN teria ocorrido decadência, argumentando que: a última DCTF relativa aos primeiros 3º trimestres de 1998 foi entregue à Fazenda em outubro de 1998, quando começou afluir o prazo decadencial de 5 anos; com o advento da apuração trimestral de resultados para fins de tributação do IRPJ e CSLL, cada trimestre que se encerra é um exercício fiscal em sua plenitude, com todos os deveres a serem exercidos pela Fazenda e pelo contribuinte; Fl. 6296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 9 8 o primeiro dia do exercício seguinte e o primeiro dia do trimestre seguinte, quando o lançamento poderia ser efetuado. Sob o título Do Pagamento Parcial do Tributo — Equívoco no Cálculo do Tributo Exigido, defende que a alegação de parcelamento deve ser apreciada pela Administração Pública de oficio, em virtude de seu dever de rever seus atos, quando praticados em dissonância com a legislação. Argumenta ter realizado parcelamento junto ao PAES em agosto de 2003, antes da lavratura do auto de infração, que somente ocorreu em dezembro daquele ano. Admite que, por equívoco, incluiu no PAES débitos com valor menor (1° ao 3º trimestres/98), mas também que se equivocou em seu desfavor, incluindo débitos com valor maior que o devido (4° trimestre). Apresenta tabela com as diferenças, defendendo ser preciso que se faça a compensação para extirpar do auto de infração os valores de IRPJ e CSLL parcelados a maior e que o cálculo do tributo apagar seja revisto. Ainda, aponta nulidade da intimação para pagamento da diferença entre o valor lançado e aquele parcelado, por ter sido remetida por via postal para endereço incorreto (nome da avenida incompleto e CEP incorreto), alegando não ter tomado conhecimento de seu teor à época. Citando o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99, requer reabertura de prazo para que o contribuinte tenha a oportunidade de efetivar o pagamento antes da execução fiscal, quando o crédito é majorado pelo encargo previsto na Lei 1.025/69. Diante dos argumentos expostos, o órgão julgador a quo entendeu julgar procedente os lançamentos relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre ó Lucro Líquido (CSLL), nos termos acórdão assim emendado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ESPONTANEIDADE. PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DO PRÓCEDIMENTO FISCAL. O início dolo procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e, sendo assim, a inclusão dos débitos em modalidade especial de parcelamento depois de iniciado o procedimento não inibe a lavratura do auto, de infração, tampouco a imposição das penalidades pertinentes. Lançamento Procedente.” Outrossim, contra a referida decisão a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 6297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço nos termos da lei. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 5.943/5.947) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 5.951/5.955), formalizando o crédito tributário no valor total de R$ 5.079.438,28 (fls. 5.956), com exigência do principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da constatação de omissão de receitas e de imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, que ensejou arbitramento do lucro. Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ utiliza a premissa de que, segundo as peças de defesa apresentadas, a contribuinte não teria se oposto contra os fatos apurados pela fiscalização (omissão de receitas e imprestabilidades da escrituração), nem contra os consequentes valores principais lançados e penalidades aplicadas. Segunda esta, a contribuinte alega apenas ter parcelado os valores exigidos e, em razão disso, requereu a anulação por falta de objeto. No mérito, conforme se demonstra do voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ, esta rechaçou os argumentos da contribuinte sob fundamento de que o início da fiscalização teria afastado a sua espontaneidade. Além disso, entendeu que não deveria se analisar a decadência pleiteada, tendo em vista que esta matéria não foi tratada na Impugnação, mas somente em momento posterior, e ainda assim deveria ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Feitos esses comentários iniciais, passemos a análise do caso. Preliminarmente Preliminarmente, é importante atentarmos quanto ao escopo e delimitação da matéria que aqui será julgada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ acerta quando afirma que a contribuinte não teria se oposto contra os fatos apurados pela fiscalização (omissão de receitas e imprestabilidades da escrituração), nem contra os consequentes valores principais lançados e penalidades aplicadas, mas sim que esta questiona a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que os débitos ali apurados foram inseridos no parcelamento especial – PAES, antes de ser lavrado o Auto de Infração. Ocorre que a DRJ peca quando alega que a contribuinte, em sua primeira manifestação, por não ter alegado o fenômeno da decadência teria precluido. Bem, como notoriamente conhecido, decadência é uma questão de matéria pública, e por isso pode ser declarado de ofício em qualquer momento do julgamento, assim a referida matéria deverá ser julgada por este Egrégio CARF. Fl. 6298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 11 10 Da Decadência O IRPJ/CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e a regra para a contagem do prazo de constituição do crédito tributário é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o artigo 150 do Código tributário Nacional, vejamos o dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que a DRJ entendeu que não se vislumbraria a ocorrência da mesma, tendo em vista (i) a falta de apuração regular a embasar os pagamentos efetuados, bem como (ii) ausência de boafé, o que afastaria o artigo 150, § 4º, do CTN, para a aplicação do artigo 173, I, do mesmo diploma legal. Alem disso, segundo esta também entendeu que a decadência não seria trimestral, mas sim anual (fls.6212). Bem, entendo que a DRJ peca em seus argumentos. Primeiramente é importante esclarecer uma diferença entre omissão de receita e arbitramento. Se há omissão de receita, é porque a fiscalização obteve da documentação fiscal do contribuinte entendeu que houve omissão de determinados rendimentos, motivo pelo qual há o lançamento com base na referida omissão. Já no arbitramento, a fiscalização não possível os documentos da empresa, seja porque estes são imprestáveis, seja porque o contribuinte não apresentou. Logo, é difícil de imaginar um mesmo lançamento que cumule ambos os institutos, pois ambos são colidentes entre si. Percebese que pela documentação fiscal, bem como a descrição do auto de infração, houve recolhimento da Recorrente, ainda que a menor, contudo houve recolhimento. Isso já afasta, em um primeiro momento, a falta de recolhimento de ensejaria a aplicação do artigo 173, I, do CTN, ao invés do artigo 150 §4º, do CTN. Em segundo lugar, quanto à boafé, argumenta a DRJ que faltou esta à contribuinte, contudo, percebese que parte do lançamento, principalmente, a relativo ao arbitramento, não houve aplicação da multa qualificada de 150%, mas sim de 75%. Em outros momentos constatase a aplicação da multa de 150%. Nesta esteira, percebese que para a parte do lançamento que houve o recolhimento a menor, e não houve a aplicação da multa de 150%, o crédito tributário estaria decaído, pois transcorrido 5 anos. Fl. 6299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 12 11 Isto porque, diferentemente do alega a DRJ, a apuração do Imposto de Renda trimestral, bem como no lucro arbitrado, a contagem da decadência é trimestral, conforme já julgado por este egrégio CARF: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. STJ. RE 973.733. ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Inocorrendo o pagamento antecipado e ausente as hipóteses de dolo, fraude o u simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve os servar o disposto no artigo 173, I, do CTN. A matéria foi objeto de decisão definitiva pelo E. STJ no REsp nº. 973.733SC, submetido à sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), de observância obrigatória pelos conselheiros no âmbito do CARF. Nas hipóteses de apuração pela sistemática do lucro presumido, a apuração d o IRPJ e da CSLL é feita em periodicidade trimestral. Logo, para fins da contagem do prazo decadencial, deverá ser comprovado o pagamento to tal ou parcial dos tributos no trimestre a que se refere o fato gerador, ass im como para fins de PIS e COFINS, deverá ser comprovado que houve pagamento total ou parcial das contribuições no mês do fato gerador. (Acordão nº 1402001.647, 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, Relator Carlos Pelá, julgamento em 10/04/2014) IRPJ. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA D O ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPAD. REGRA DO ART. 150, §4o , DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC , decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que fa z com a ordem do art. 150, §4o , do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado já que, na DIPJ 2002, foram apurados IRPJ e CSLL a pagar, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrênci a do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda pelo lucro arbitrado é trimestr al, para o segundo trimestre de 2001, o prazo decadencial se iniciou em 30/6/2001 e terminou em 30/6/2006. Como a ciência do lançame nto se deu apenas em 6/9/2006, o crédito tributário dos primeiro e segundo tri mestres de 2001 já havia sido fulminado pela decadência. (Acordão nº 1102001.250, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, Relator José Evande Carvalho Araujo, julgamento em 24/11/2014). Fl. 6300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 13 12 Assim, há de se reconhecer a decadência dos 3 primeiros trimestres de 1998, para os lançamentos arbitrados em que não houve a aplicação de multa qualificada e antecipação de parte do imposto pago, tendo em vista que a ciência do auto ocorreu em 29 de dezembro de 2003. Da nulidade do Auto de Infração em decorrência a adesão ao PAES No mérito do Recurso, entendo que não assiste razão ao contribuinte. Alega a Recorrente que por ter parcelado os valores exigidos antes da lavratura do auto de infração, este deveria ser anulado por falta de objeto. Para comprovar sua alegação, apresenta cópia de recibo de entrega da Declaração PAES, com data de recepção em 28/11/2003 (fls. 6.006/6.031). Todavia, o fato de ter incluído débitos em programa de parcelamento, ainda que no curso do procedimento, antes da lavratura do Auto de Infração, e mesmo que fosse a totalidade dos valores lançados, não é hábil justificar a anulação da autuação. Isto porque o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente e tem o condão de excluir a espontaneidade do contribuinte, conforme preceitua o art. 71 do Decreto n° 70.235/72. A exclusão da espontaneidade do sujeito passivo está também regida no art. 138 do Código Tributário Nacional: Como se vê, não se cogita de espontaneidade após iniciado o procedimento fiscal, o que no caso, corno consta do Termo Conclusivo da Ação Fiscal de fls. 5.932/5.938 e de fls. 23, ocorreu em 19/02/2002. Ademais, a adesão a programa de parcelamento no curso do procedimento não configura obstáculo à constituição do crédito tributário. De fato, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que presentes quaisquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do mesmo diploma legal. Isto porque este último dispositivo relaciona as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas nada dispõe sobre qualquer forma de impedimento à sua constituição. Nessa linha, os seguintes julgados: PAES ESPONTANEIDADE — O contribuinte perde a espontaneidade nos casos em que a adesão ao parcelamento se deu em momento posterior ao início da fiscalização, sendo cabível o lançamento de oficio dos valores devidos e, posteriormente, a ajuste de tais valores com aqueles confessados pelo contribuinte, que permanecem no parcelamento. (Acórdão 10809471 Sessão de 07/11/2007) ESPONTANEIDADE. Não está abrigada pela exclusão da penalidade prevista no art. 138 do CTN a entrega da declaração PAES após o início da ação fiscal. (Acórdão 10196524 Sessão de 23/01/2008) RETIFICAÇÃO DA DCTF DURANTE AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE DESCARACTERIZADA Formalizado o início da ação fiscal descaracteriza se a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos objeto do procedimento, situação essa inalterável pela apresentação de DCTF Fl. 6301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13839.003621/200395 Acórdão n.º 1401001.380 S1C4T1 Fl. 14 13 retificadora ou adesão ao parcelamento especial (PAES). (Acórdão 103 23041 — Sessão de 24/05/2007) Deste modo, ausente a espontaneidade do contribuinte quando da inclusão de parte dos valores exigidos em programa de parcelamento, resta incólume o presente auto de infração e não se cogita de falta de objeto para sua formalização, devendose apenas atentar para evitar a duplicidade de cobrança das parcelas dos débitos que tenham sido consolidadas no âmbito do parcelamento. Por fim, deverá ser atentado pela DRF quando do cumprimento do julgado os valores anteriormente pagos antes da lavratura do auto de infração para que o contribuinte não seja penalizado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de reconhecer parte da decadência dos três primeiros trimestres de 1998, no que tange aos lançamentos por arbitramento e que foram apenadas com multa de 75% relativamente ao IRPJ e CSLL da infração II e quanto ao PIS COFINS acolho a decadência até novembro de 98, relativamente a infração II. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 6302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 36624.000812/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2005
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a fiscalização, ao exercer o seu ônus-dever de efetuar o lançamento, deixou de trazer aos autos os elementos mínimos necessários a comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do crédito tributário constituído, em clara ofensa ao que dispõe o art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, o lançamento deve ser tido como improcedente.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício; b) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, e c) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN CESSÃO DE MÃODEOBRA. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a fiscalização, ao exercer o seu ônusdever de efetuar o lançamento, deixou de trazer aos autos os elementos mínimos necessários a comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do crédito tributário constituído, em clara ofensa ao que dispõe o art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, o lançamento deve ser tido como improcedente. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 12 /2 00 7- 40 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício; b) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, e c) no mérito, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000812/200740 Acórdão n.º 2401003.873 S2C4T1 Fl. 1.254 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício, interpostos, respectivamente por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL AS e FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD N°. 37.065.6296, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes a retenção de 11%(onze por cento) sobre notas fiscais de serviço/faturas de cessão de mãoobra. Consta do relatório fiscal que constituem fatos geradores das contribuições lançadas fatos geradores das contribuições lançadas o valor da mãodeobra constante das notas fiscais de serviço/faturas de cessão de mãodeobra, nos termos da legislação em vigor. O lançamento compreende as competências de 01/2000 a 08/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Às fls. 975 fora determinada a realização de diligência para que e fiscalização apontasse de forma minuciosa quais os elementos, documentos e razões consideradas para entender que os serviços descritos nas notas foram prestados mediante cessão de mãodeobra, fazendo a sua juntada aos autos. Sobreveio a resposta da diligência solicitada apontando o seguinte: Em atendimento ao despacho n° 09 le Turma da DRJ/SPOI, fls. 954 a 958, informamos: 1. Juntamos a procuração nos termos do item 4.1, fls. 956. 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos fiscalização. Cabe salientar, entretanto, que à época da ação fiscal não tivemos acesso à maioria dos documentos ora apresentados pela impugnante, o que gerou a lavratura do Auto de Infração. 37.065.6318, CFL 38. 3. Juntamos o relatório DAD — Discriminativo Analítico do Débito, entregando cópia ao contribuinte, conforme determinado no item 4.3, fls. 956. 4. Em relação às empresas com decisão judicial para não reter 11% sobre cessão de mãodeobra, a impugnante não apresentou as aludidas liminares na época, razão pela qual lançamos o crédito e não emitimos subsídios fiscais. 5. Quanto às empresas optantes pelo simples não houve comprovação de tal condição durante a ação fiscal. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 01/2000 a 11/2000 em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN, bem como retificado o lançamento em conformidade com as planilhas de fls. 985. Em seu recurso, a contribuinte sustenta a nulidade do lançamento, em razão da não demonstração da ocorrência do fato gerador. Acresce que não havia obrigatoriedade das retenções, pois as empresas das notas fiscais são optantes do SIMPLES. É o relatório. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000812/200740 Acórdão n.º 2401003.873 S2C4T1 Fl. 1.255 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o julgamento de primeira instância exonerou a recorrente do pagamento de crédito tributário contra si lançado em valores superiores a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), tenho como preenchidos os requisitos da Portaria MF 03/08, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício. E, tempestivo o voluntário, dele também conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício, neste caso, possui duas vertentes objeto de análise. A primeira com relação à decadência e a segunda, com relação às correções das bases de cálculo do lançamento, levadas a efeito pelo fiscal. Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. E, no caso dos autos, o acórdão de primeira instância vislumbrou que não foram considerados pagamentos, a partir da análise do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, de modo que, em seu entendimento, em não havendo pagamentos, fora determinada a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. Por fim, verifico que o v. acórdão de primeira instância levou a efeito as necessárias correções no que se refere às bases de cálculo em conformidade com os apontamentos nas planilhas trazidas aos autos juntamente com o relatório complementar. Logo, por tais motivos, tenho que o recurso de ofício não merece provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência No entanto, a parte interessada aponta a existência de pagamentos, o que confirmo a partir da verificação do TEAF, onde foram apropriadas guias de pagamento. A propósito, cito jurisprudência deste conselho que ampara tal entendimento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000812/200740 Acórdão n.º 2401003.873 S2C4T1 Fl. 1.256 7 publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, verificados no relatório termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. Embargos Rejeitados. (Acórdão 2403001.890, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Sessão de 20/02/2013) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4o do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Além disso, o resultado da diligência complementar aponta que no lançamento foram considerados pagamentos, o que inclusive levou à retificação dos valores lançados Vejamos: 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos fiscalização. [...] Considerando os documentos apresentados pela impugnante na fase de defesa, retificamos o débito, em valores originários, de R$ 991.539,04 (novecentos e noventa e um mil, quinhentos e trinta e nove reais equatro centavos) para R$ 177.110,97 (cento e setenta e sete mil, cento e dez reais e noventa e sete centavos), conforme demonstrado nos Anexo I e Observações 1 Para a retificação do débito não consideramos as GPS pagas após a lavratura da notificação, pois não compete ao auditor notificante a análise de tais documentos Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. Nulidade do Lançamento Refiscalização Na oportunidade da sustentação oral, o patrono da recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão de que, diante das determinações da DRJ quanto aos motivos Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 que ensejaram o lançamento, em verdade houve a formalização de novo lançamento e não a mera complementação do relatório fiscal original. E trouxe tal matéria, sob o argumento de tratarse de matéria de ordem pública, que poderia ser enfrentada por este colegiado, mesmo sem ter sido argüida no recurso. Todavia, sem qualquer manifestação acerca do pedido formulado, seja mesmo quanto a se tratar de matéria de ordem pública, valhome nesta oportunidade do disposto no art. 59, §3o do Decreto 70.235/72, a seguir, por entender que o mérito do recurso voluntário deve ser julgado em favor da recorrente. Confirase: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Dessa forma, passo ao mérito. MÉRITO A recorrente sustenta que o lançamento não pode ser considerado como válido, pois da forma como realizado cerceou o seu direito de defesa, além de não ter o fiscal logrado êxito em demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. De modo a analisar tal argumento, transcrevo, inicialmente as palavras do fiscal quando da elaboração do relatório fiscal original, através das quais buscou demonstrar a ocorrência do fato gerador. Vejamos: 2 0 sujeito passivo identificado em epígrafe está sendo notificado, através da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, a recolher ao Instituto Nacional de Seguro Social INSS o débito no montante de R$ 952.909,18 (novecentos e cinqüenta e dois mil, novecentos e nove reais e dezoito centavos) consolidado em 22/12/2006, referente as contribuiçães sociais correspondentes el retenção de 11% (onze por cento) sobre notes fiscais de serviço/faturas de cessão de mãoobra. 3 0 lançamento do debito apurado corresponde ao período de 01/2000 a 08/2005. 4Constituem fatos geradores das contribuiçães lançadas o valor da mãodeobra constante das notas fiscais de serviço/faturas de cessão de mãodeobra, nos termos da legislação em vigor. Verificase que em tal oportunidade, o ilustre fiscal autuante sequer apontou mesmo que superficialmente a natureza dos serviços prestados pelas empresas contratadas pela recorrente, de sorte a caracterizar o emprego da cessão de mãodeobra na contratação. Em face do obscuro relatório fiscal, a própria DRJ já determinou a necessidade da realização de diligência, de modo a que fosse elaborado novo relatório, agora, Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000812/200740 Acórdão n.º 2401003.873 S2C4T1 Fl. 1.257 9 apontando, de forma minuciosa as razões de fato e de direito que justificavam o lançamento e mesmo o entendimento do fiscal acerca da presença e caracterização, em cada caso, da cessão da mãodeobra. Assim fora requerido pela DRJ: 4.2. Quanto ao Relatório Fiscal entendo ser necessária a sua complementação, mediante a emissão de Relatório Fiscal complementar, indicando quais os documentos e elementos examinados pela Fiscalização (contratos, notas fiscais / faturas, recolhimentos, entre outros) que levou o Auditor a concluir tratarse de serviços prestados por meio de cessão de mãode obra, podendo juntar os respectivos contratos. E, neste aspecto, sugerese que seja dada especial atenção as empresas que a impugnante alega que não prestavam serviços sujeitos A. retenção conforme item 2.3 acima e fls. 184/189 dos autos. Verificase, ainda, após análise de algumas notas fiscais, que muitos dos serviços foram contratados por empreitada de mão de obra (no caso da construção civil), sendo necessário, também, constar tal informação no Relatório complementar. 4.3. Importa notar que, após a comparação do relatório DAD — Discriminativo Analítico de Débito de fls. 04/44 com o Relatório de Lançamentos de fls. 64/98 constatase que o relatório DAD foi anexado aos autos de forma incompleta, faltando, por exemplo, os levantamentos RAC, RM1, SAN, SCI, S01, SPA, TEC. TOT, VAL VA2, VE1, VIA, WAI, WAL. Sugerese, portanto, que a Fiscalização emita o DAD — Discriminativo Analítico de Débito de forma completa, em duas vias, uma para o contribuinte e outra a ser anexada aos autos. 4.4. Assim, após a emissão do Relatório Fiscal Complementar e do DAD —Discriminativo Analítico de Débito o contribuinte deverá ser cientificado dos referidos relatórios bem como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias de defesa. [...] 4.6. Com relação As empresas para as quais a impugnante alega não ter efetuado a retenção em notas fiscais por estarem amparadas por decisão judicial, conforme item 2.1 acima e fls. 171/175 da impugnação, importa notar que o art. 186 da IN INSS/DC n ° 100/2003 e o art. 177 da IN SRP 03/2005 dispõe que se "a decisão judicial se referir et empresa contratada mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, não sujeita à aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãode obra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada", e, quando a contratada pertencer A circunscrição de outra DRP deve a Fiscalização emitir subsidio fiscal para a DRP circunscricionante do estabelecimento centralizador da empresa contratada. Neste aspecto, solicitase que a Fiscalização informe se devem permanecer os levantamentos referentes As empresas Embrase Empresa Brasileira de Serviços Gerais S/C Ltda e Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 10 Cotrim Engenharia Ltda bem como se, for o caso, se foram emitidos os respectivos subsídios fiscais. 4.7. Quanto As empresas optantes pelo SIMPLES o art. 142 da Instrução Normativa SRP no 03/2005 dispõe que "A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido", não se aplicando, entretanto, esta regra, ao período de 1° de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002. Fazse necessário, portanto, analisar os lançamentos efetuados para tais empresas e, respectivos períodos, conforme relacionado pela impugnante (vide item 2.2 acima e fls. 181 dos autos) concluindo pela retificação ou não do lançamento. Em resposta, fora lavrado relatório fiscal complementar através do qual assim restaram respondidos os quesitos formulados pela DRJ: Em atendimento ao despacho n° 09 le Turma da DRJ/SPOI, fls. 954 a 958, informamos: 1. Juntamos a procuração nos termos do item 4.1, fls. 956. 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos fiscalização. Cabe salientar, entretanto, que à época da ação fiscal não tivemos acesso à maioria dos documentos ora apresentados pela impugnante, o que gerou a lavratura do Auto de Infração. 37.065.6318, CFL 38. 3. Juntamos o relatório DAD — Discriminativo Analítico do Débito, entregando cópia ao contribuinte, conforme determinado no item 4.3, fls. 956. 4. Em relação às empresas com decisão judicial para não reter 11% sobre cessão de mãodeobra, a impugnante não apresentou as aludidas liminares na época, razão pela qual lançamos o crédito e não emitimos subsídios fiscais. 5. Quanto às empresas optantes pelo simples não houve comprovação de tal condição durante a ação fiscal. A fiscalização, portanto, se resumiu tão somente a apontar quais os documentos que analisou para chegar à conclusão de que nas contratações objeto das notas fiscais objeto do lançamento havia a efetiva presença da cessãodemão de obra, sem , no entanto, apontar, na forma que bem fora descrita pela DRJ quais os motivos que o levaram a tal conclusão. Ao agir dessa forma, a fiscalização deixou de dar o devido cumprimento ao que disposto no art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000812/200740 Acórdão n.º 2401003.873 S2C4T1 Fl. 1.258 11 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Seja o relatório fiscal original, seja o complementar foram produzidos sem a clara e precisa descrição da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Tais documentos, a meu ver, encontramse totalmente desmotivados das razões que comprovam o nascimento da obrigação tributária, de modo a permitir ao contribuinte que exerça a tempo e modo o seu direito de defesa, garantia prevista na Constituição Federal de 1988. Ressalto que nem mesmo diante de expresso requerimento formulado pela DRJ, a fiscalização nem mesmo apontou qual era a natureza dos serviços prestados e que constavam nas notas fiscais. Além disso, em momento algum também se manifestou sobre qualquer das cláusulas contratuais que regulavam as condições do serviço prestado para a recorrente, de sorte a justificar a presença da cessão de mãodeobra pela colocação de funcionários da empresa contratada à disposição da recorrente. Ao revés, deveria a fiscalização apontar de forma clara, precisa e inteligível todos os motivos de fato e de direito que adotou como aptos a caracterizar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, fazendo alusão a toda a documentação que na oportunidade fora por ela analisada, garantindo, assim o respeito ao princípio do devido processo legal. Assim, tratase de lançamento que a meu ver vai ainda de encontro com o disposto no art. 59, II, do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, a meu ver, outra conclusão não há, senão pela necessidade de que o lançamento seja julgado improcedente. Ante todo o exposto, voto no sentido de voto no sentido de acolher a decadência, declarando extinto o lançamento até a competência de 11/2001, e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento das demais competências. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
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Numero do processo: 19647.007931/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para que seja a omissão sanada.
CONCESSÃO DE PRÊMIOS DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÃO DE PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA ATRAVÉS DE UTILIDADE. INCIDÊNCIA.
A concessão de prêmios em bens e dinheiro através de cartões de premiação fornecidos por empresa especializada constitui pagamento de remuneração sob a forma de utilidades, atraindo, portanto, a incidência das contribuições previdenciárias, especialmente quando, no caso concreto, resta demonstrado pela fiscalização que os pagamentos eram previamente ajustados e realizados diversas vezes ao longo do período fiscalizado, atestando a sua natureza habitual e não eventual.
PAGAMENTO DE DESPESA PELA PESSOA JURÍDICA. ERRO DE REGISTRO CONTÁBIL.
O equivocado registro de despesa paga pela pessoa jurídica em conta contábil onde são escriturados os pagamentos de remuneração é passível de ser afastado no curso do processo administrativo, em obediência ao princípio da verdade material, desde que seja comprovado o equívoco no lançamento através da apresentação da documentação necessária, o que não ocorre no caso concreto.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: acolher parcialmente os embargos de declaração, a fim de sanar as omissões do acórdão embargado em relação ao pagamento de prêmio de incentivo através de cartões de premiação, erro de lançamento contábil ocorrido na competência outubro/2003, e a incidência das contribuições sobre reembolso de despesas, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Declarou-se impedido o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para que seja a omissão sanada. CONCESSÃO DE PRÊMIOS DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÃO DE PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA ATRAVÉS DE UTILIDADE. INCIDÊNCIA. A concessão de prêmios em bens e dinheiro através de cartões de premiação fornecidos por empresa especializada constitui pagamento de remuneração sob a forma de utilidades, atraindo, portanto, a incidência das contribuições previdenciárias, especialmente quando, no caso concreto, resta demonstrado pela fiscalização que os pagamentos eram previamente ajustados e realizados diversas vezes ao longo do período fiscalizado, atestando a sua natureza habitual e não eventual. PAGAMENTO DE DESPESA PELA PESSOA JURÍDICA. ERRO DE REGISTRO CONTÁBIL. O equivocado registro de despesa paga pela pessoa jurídica em conta contábil onde são escriturados os pagamentos de remuneração é passível de ser afastado no curso do processo administrativo, em obediência ao princípio da verdade material, desde que seja comprovado o equívoco no lançamento através da apresentação da documentação necessária, o que não ocorre no caso concreto. Embargos Acolhidos em Parte.
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OMISSÃO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para que seja a omissão sanada. CONCESSÃO DE PRÊMIOS DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÃO DE PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA ATRAVÉS DE UTILIDADE. INCIDÊNCIA. A concessão de prêmios em bens e dinheiro através de cartões de premiação fornecidos por empresa especializada constitui pagamento de remuneração sob a forma de utilidades, atraindo, portanto, a incidência das contribuições previdenciárias, especialmente quando, no caso concreto, resta demonstrado pela fiscalização que os pagamentos eram previamente ajustados e realizados diversas vezes ao longo do período fiscalizado, atestando a sua natureza habitual e não eventual. PAGAMENTO DE DESPESA PELA PESSOA JURÍDICA. ERRO DE REGISTRO CONTÁBIL. O equivocado registro de despesa paga pela pessoa jurídica em conta contábil onde são escriturados os pagamentos de remuneração é passível de ser afastado no curso do processo administrativo, em obediência ao princípio da verdade material, desde que seja comprovado o equívoco no lançamento através da apresentação da documentação necessária, o que não ocorre no caso concreto. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 79 31 /2 00 7- 46 Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: acolher parcialmente os embargos de declaração, a fim de sanar as omissões do acórdão embargado em relação ao pagamento de prêmio de incentivo através de cartões de premiação, erro de lançamento contábil ocorrido na competência outubro/2003, e a incidência das contribuições sobre reembolso de despesas, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Declarouse impedido o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19647.007931/200746 Acórdão n.º 2401003.931 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, apresentados pelo IPESPE INSTITUTO DE PESQUISAS SOCIAIS, POLÍTICAS E ECONÔMICAS contra o Acórdão nº 240102.625, proferido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na sessão do dia 15 de agosto de 2012. A Embargante alega que o acórdão embargado está maculado pelos vícios da omissão e obscuridade. A Embargante sustenta que houve omissão no acórdão embargado, tendo em vista que essa decisão negou provimento ao Recurso Voluntário, apenas enfrentando as exigências relacionadas aos levantamentos FR1, FR2 e FR3, deixando de apreciar os argumentos aventados no Recurso Voluntário contra os demais lançamentos, tais como: (i) prêmios de produtividade em bens ou dinheiro, não excedentes aos limites legais, e (ii) itens correspondentes a gastos dos empregados para a execução de suas atividades, tais como reembolso de despesas com alimentação e outros gastos reembolsáveis. Aduziu ainda que o acórdão foi omisso também ao deixar de observar que as despesas pagas pela Embargante correspondentes a transportes, seja com passagem de ônibus, táxi, mototaxi, barcos, avião ou trem, constituem verbas que não integram o salário de contribuição, consoante expressa disposição legal referida na letra “m”, do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Neste ponto, ressalta ainda a Embargante que: (i) com base no art. 148 da Instrução Normativa nº 03/2005, há a dispensa de retenção quanto às contribuições sobre despesas com táxi, tendo em vista que os valores exigidos são inferiores ao limite mínimo estabelecido pela SRP para recolhimento em documento de arrecadação; e (ii) os pagamentos de reembolsos de despesas com transporte não podem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, tendo em vista que a fonte pagadora do serviço de transporte é o usuário do serviço. É o relatório. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Acerca das omissões apontadas pela Embargante, é certo que o julgador não está obrigado a rebater e analisar todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte. No entanto, deve fundamentar sua decisão, demonstrando, assim, as razões do seu convencimento quanto aos lançamentos realizados nos autos e devidamente questionados pelo sujeito passivo. Analisando o acórdão embargado, verificase que realmente algumas questões que foram ventiladas no Recurso Voluntário apresentado pela Embargante não foram enfrentadas por aquela decisão. São elas: (i) a incidência de contribuições previdenciárias sobre prêmios de incentivo e sobre gastos reembolsados ou indenizados pela Embargante; e (ii) a exigência de contribuições previdenciárias sobre valores lançados de forma supostamente equivocada na escrituração contábil, relativos ao mês de outubro de 2003. Há, portanto, omissão que merece ser sanada em relação a estes dois pontos: Cartões de Premiação Sustenta a Embargante em seu Recurso Voluntário, acerca dos prêmios de produtividade concedidos em bens ou pagos em dinheiro, que em relação aos pagamentos efetuados aos empregados, evidentemente se caracterizam como ganhos eventuais, ou seja, abonos a esse título, sem nenhuma vinculação com o salário, enquadrandose ainda como uma remuneração a título de participação no resultado, pois somente é atribuída aos empregados que desejarem executar a tarefa adicional de pesquisador auxiliar, fazendo jus a uma parcela do ganho da Recorrente, que não está associado ao salário e seu quantum, não tendo continuidade, haja vista que são pagos pela Recorrente como custo de um projeto de pesquisa, na verdade custeado por terceiros, instituição pública ou privada contratante. Sendo assim, entende a Embargante que a concessão dos prêmios em tela estaria enquadrada no art. 28, § 9º, “e”, 7, e “j” da Lei n.º 8.212/91, excluídas, portanto, do salario de contribuição. Entendo, contudo, que razão não assiste à Embargante. Conforme restou demonstrado no acórdão proferido pela DRF (fls. 1278/1296), os prêmios concedidos pela Embargante aos seus empregados e prestadores de serviço (contribuintes individuais) eram pagos pela INCENTIVE HOUSE S/A, empresa especializada na prestação de serviços através de campanhas de premiação na qual são concedidos créditos em cartões magnéticos que dão direito aos beneficiários realizarem saques ou efetuar compras em diversos estabelecimentos conveniados. No caso concreto, a Embargante contratou os serviços da referida empresa para realizar campanhas de incentivo com o intuito de aumentar a produtividade das pessoas Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19647.007931/200746 Acórdão n.º 2401003.931 S2C4T1 Fl. 4 5 que lhes prestavam serviços com ou sem vínculo empregatício. Tratase, portanto, nitidamente, do pagamento de prêmios ou bônus por intermédio de empresa contratada com esta finalidade. Inicialmente, cumpre, de logo, rechaçar o argumento da Embargante no sentido de que tais pagamentos se tratam de Participação nos Resultados, pelo que estariam amparados na hipótese do art. 28, § 9º, “j”, da Lei n.º 8.212/91. Isto porque a hipótese de isenção prevista no mencionado dispositivo refere se ao pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, nos termos da lei específica, que é a Lei n.º 10.101/00, que encontra fundamento no art. 7º, XI, da CF/88. Ora, a referida Lei exige o cumprimento de uma série de requisitos para o pagamento da PLR, tais como a necessidade de negociação entre a empresa e os seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes ou convenção/acordo coletivo (art. 2º), a necessidade de o instrumento resultado da negociação prever regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos à participação e as regras, além de mecanismos de aferição do cumprimento das metas, periodicidade de distribuição, etc. No caso em tela, não há qualquer elemento que permita enquadrar os pagamentos feitos pela Embargante em um programa de Participação nos Lucros ou Resultados regularmente instituído e que atenda às exigências da legislação acerca da matéria, pelo que resta afastada a possibilidade de se enquadrar os pagamentos de prêmios em bens ou dinheiros no art. 28, § 9º, “j”, da Lei n.º 8.212/91. Por outro lado, entendo que também não assiste razão à Embargante ao pretender enquadrar a premiação distribuída aos seus prestadores de serviço (segurados empregados e contribuintes individuais) como verbas recebidas a título de ganhos eventuais (art. 28, § 9º,“e”, 7, Lei n.º 8.212/91). Inicialmente, é preciso destacar o que se entende por ganhos eventuais. Nas palavras do I. Conselheiro Elias Sampaio Freire, a eventualidade não está relacionada com a frequência do pagamento – como a habitualidade –, mas sim com a ausência de previsibilidade do recebimento de tal parcela, como demonstra o trecho a seguir de artigo de sua autoria: Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. Ou seja, as parcelas que não se encontravam na expectativa de direito do trabalhador e que por ventura venham a ser recebidas, por decorrerem de uma situação fortuita, é que podem ser caracterizadas como ganhos eventuais.1(grifos aditados) Como afirma a própria Embargante em seu Recurso Voluntário (fls. 1431), a premiação por ela concedida é anunciado previamente para todo o quadro de empregados da Associação, mediante comunicação motivadora divulgada, conforme faz prova o incluso 1 FREIRE, Elias Sampaio. Grandes Questões em Discussão no CARF/ Elias Sampaio Freire, KaremJureidini Dias, Mary Elbe Queiroz (coordenadores). – São Paulo: FocoFiscal, 2014, págs. 98104. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 prospecto exemplificativo, também exibido à Fiscalização, já devidamente colacionado à exordial, o qual se encontra juntado aos autos às fls. 1004/1007. Sendo assim, é evidente que o pagamento da premiação já se encontrava na expectativa de direito do trabalhador, não se tratando do pagamento de verba decorrente de uma situação fortuita, ou seja, eventual. Pelo contrário. Ao iniciar os trabalhos, os trabalhadores já sabiam quais os prêmios que eles teriam direito a receber caso cumprissem as regras prédeterminadas. Ademais, tratandose de pagamento in natura, o mais adequado é perquirir se há no caso habitualidade no seu pagamento, já que a não eventualidade é requisito para exigência da contribuição previdenciária sobre remuneração auferida em espécie. Carecendo, portanto, do requisito da eventualidade, não há como se enquadrar a premiação em tela na hipótese do art. 28, § 9º, “e”, 7, Lei n.º 8.212/91. Do mesmo modo, é preciso ressaltar que, como bem apontou a DRJ, no caso concreto, os cartões de premiação eram distribuídos aos trabalhadores da Embargante com habitualidade, caracterizandose, portanto, como o pagamento de remuneração sob a forma de utilidade. Vejamos: Outro fato dá à distribuição dos cartões de premiação o caráter de habitualidade. Uma verificação das planilhas anexadas à NFLD, as quais reproduzem dados constantes nas listagens de pagamentos de bônus elaboradas pela INCENTIVE HOUSE, conduznos a conclusão de que havia, para um mesmo empregado, pagamentos mensais durante quase todo o período em que houve distribuição dos cartões, em alguns casos percebese até mais de uma premiação dentro do mesmo mês (ver Planilha 03, dos autos). Como tem entendido o CARF, habitualidade é a qualidade daquilo que é frequente, que é repetido. A avaliação da habitualidade, portanto, demanda a análise do número de vezes em que o salárionatura é pago. No caso, os pagamentos não foram esporádicos, mas sim recorrentes. Evidenciase, portanto, que no caso ora analisado houve a concessão de utilidade (cartão de premiação) de forma habitual, o que se enquadra no conceito de remuneração. Cumpre destacar, por fim, que a jurisprudência desse E. Conselho tem reiteradamente afirmado a natureza remuneratória dos prêmios concedidos pelo contribuinte a segurados que lhe prestam serviços através de cartões de premiação, como demonstram os acórdãos abaixo transcritos, os quais acolho como fundamento da presente decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. FORNECIMENTO DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. EMPRESA QUE CUSTEIA OS BÔNUS. LEGITIMIDADE. A empresa que fornece cartões de bônus de premiação, mesmo que por intermédio de terceiro contratado para esse fim, a segurados contribuintes individuais, possui legitimidade para figurar no polo passivo de processo de Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19647.007931/200746 Acórdão n.º 2401003.931 S2C4T1 Fl. 5 7 exigência das contribuições decorrentes dos referidos pagamentos. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. NATUREZA CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO COMO PROMESSA DE RECOMPENSA. Tratandose de ajuste entre a empresa interessada e o trabalhador para participação em programa de motivação, não há de se cogitar que tal avença possa ser tratada como promessa de recompensa, cujo traço principal é a declaração unilateral de vontade. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Por representarem contraprestação pelo esforço empreendido pelo trabalhador para cumprir as normas instituídas em programas de motivação estabelecido pelas empresas, os bônus fornecidos mediante cartão apresentam natureza salarial, sendo, por esse motivo, susceptíveis de incidência de contribuições sociais.[...] (Acórdão 2401.001.980, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Rel. Kleber Ferreira de Araújo, Sessão de 24/08/2011) *.*.* ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 30/06/2006 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária.Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. [...] (Acórdão 2302003.376, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Rel. Liege Lacroix Thomasi, Sessão de 10/09/2014). Do exposto, entendo que os pagamentos realizados pela Embargante através de cartões de premiação por ela concedidos os segurados que lhe prestaram serviços possuem natureza remuneratória, de modo que deve ser mantido nesse ponto o acórdão proferido pela DRJ. Do lançamento decorrente de erro contábil na competência outubro/2003 Em seu Recurso Voluntário, a Embargante alega que a fiscalização está a exigir o pagamento de contribuição previdenciária sobre o valor de R$ 1.405,50 identificado em sua contabilidade na conta “Ordenados e Salários”, lançado em outubro/2003. Sustenta a Embargante que tal valor foi indevidamente registrado na referida conta contábil, pois não se trata de pagamento de remuneração, mas sim de despesas com reembolso de condução, conforme comprova o documento anexado à inicial (doc. 10). Alega, ainda, que na verdade, o valor indevidamente lançado no Livro Razão, corresponde a lançamento que havia sido efetuado nos demais livros na conta de despesas com reembolso de condução, conforme comprovaria o mencionado documento acima referido. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Ocorre que, ao contrário do que afirma a Embargante, o mencionado documento (fls. 1027) não se trata de comprovante de despesa com reembolso de condução, mas sim uma página de um dos Anexos integrantes da NFLD, elaborado pela fiscalização, no qual se adota como base de cálculo das contribuições ora exigidas o valor de R$ 1.405,50 identificado na conta “ordenados e salários – administração – honorários pf”. É certo que a contabilidade não cria fatos geradores das contribuições previdenciárias, sendo possível, desde que demonstrados pelo contribuinte, serem afastados os equívocos por ele cometidos no cumprimento das suas obrigações fiscais, em obediência ao princípio da verdade material. Entretanto, no caso concreto, a Embargante não se desincumbiu do ônus de provar o equívoco do registro feito na conta contábil acima referida, não tendo trazido aos autos o documento que demonstre o pagamento da despesa no valor de R$ 1.405,50. Neste contexto, não tendo a Embargante, ao longo do presente processo administrativo, provado a sua alegação de que o valor considerado pela fiscalização como base de cálculo das contribuições ora exigidas se trataria, em verdade, de despesa paga pela Embargante e equivocadamente contabilizada, não merece acolhida a sua argumentação, devendo o lançamento, neste ponto, ser mantido. Demais omissões apontadas Em relação à alegação de que o acórdão embargado foi omisso ao deixar de observar que as despesas pagas pela Embargante, correspondentes a transportes, constituem verbas que não integram o salário de contribuição, consoante expressa disposição legal referida na letra “m”, do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, entendo que não assiste razão à Embargante quanto à alegada omissão. Analisando o acórdão embargado, observase que foi expressamente manifestado o entendimento de que há a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores lançados em virtude das despesas com o transporte, baseandose no relatório fiscal e fundamentando seu entendimento nas alíneas “g” e “h”, inciso V, art. 12, da Lei n.° 8.212/1991 e concluindo que restou demonstrado a natureza autônoma dos serviços prestados pelos taxistas e pesquisadores, com demonstração da periodicidade em que os serviços eram executados, não cabendo, assim, razão à recorrente. Então, não há que se falar em omissão em relação a este ponto específico, o qual deve ser desafiado por recurso especial, não mais via embargos de declaração. Quanto ao argumento de que o acórdão mantevese silente em relação à dispensa de retenção das contribuições sobre despesas com táxi, sob o fundamente de que os valores exigidos são inferiores ao limite mínimo estabelecido pela SRP para recolhimento em documento de arrecadação, conforme estabelecido no art. 148 da Instrução Normativa nº 03/2005, também não assiste razão à Embargante. Isto porque, analisando os argumentos de defesa lançados no Recuso Voluntário da ora Embargante, verificase que este argumento não foi aventado naquele recuso. Sendo certo que os Embargos de Declaração são um recurso de fundamentação vinculada e só podem ser manejados para sanar contradição, obscuridade ou omissão, não cabe nessa via levantar novas alegações. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19647.007931/200746 Acórdão n.º 2401003.931 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração, a fim de sanar as omissões do acórdão embargado em relação ao pagamento de prêmio de incentivo através de cartões de premiação e, ainda, ao erro de lançamento contábil ocorrido na competência outubro/2003, deixando de lhe atribuir, contudo, efeitos infringentes, pelo que mantenho o acórdão embargado para negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721894/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2009
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PIS E COFINS REGIME CUMULATIVO. ENQUADRAMENTO NO ROL DO ART. 22, §1º DA LEI Nº 8.212/91. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 108 DO CTN.
O rol do art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91 é taxativo. não cabendo interpretação extensiva em relação às entidades que nele se enquadram. Mesmo que classificada como instituição financeira, para que a entidade esteja obriga à apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, deve ser enquadrada no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91. Mesmo compondo o Sistema Financeiro Nacional, se determinada entidade não se encontra em umas das classificações expressamente elencadas neste dispositivo, por exigir o emprego da analogia, equiparando-a a uma das classificações contidas naquele dispositivo legal, o que é vedado pelo art. 108 do Código Tributário Nacional, não é possível conferir-lhe o mesmo tratamento tributário. Por este motivo, deve ser cancelado o lançamento dos tributos.
PIS/COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO DELIMITADO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DISCUSSÃO NÃO ABRANGE A INCIDÊNCIA NO REGIME NÃO-CUMULATIVO
A discussão acerca da base de cálculo das referidas contribuições apuradas com base no regime não-cumulativo não foi objeto dos Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR e 585.235/MG. Considerando que o contribuinte não estava obrigada à apuração do tributo pelo regime cumulativo da Lei nº 9.718/98 durante o período autuado, resta prejudicada a análise da questão.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO DACON
O contribuinte não logrou comprovar a impossibilidade sistêmica que ocasionou a não apresentação do DACON, motivo pelo qual a aplicação da multa deve ser mantida.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS CANCELADO
Considerando que o lançamento dos tributos foi cancelado, não deve ser mantida a multa de ofício de 75% imposta.
Numero da decisão: 3401-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator.
EDITADO EM: 09/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2009 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PIS E COFINS REGIME CUMULATIVO. ENQUADRAMENTO NO ROL DO ART. 22, §1º DA LEI Nº 8.212/91. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 108 DO CTN. O rol do art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91 é taxativo. não cabendo interpretação extensiva em relação às entidades que nele se enquadram. Mesmo que classificada como instituição financeira, para que a entidade esteja obriga à apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, deve ser enquadrada no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91. Mesmo compondo o Sistema Financeiro Nacional, se determinada entidade não se encontra em umas das classificações expressamente elencadas neste dispositivo, por exigir o emprego da analogia, equiparando-a a uma das classificações contidas naquele dispositivo legal, o que é vedado pelo art. 108 do Código Tributário Nacional, não é possível conferir-lhe o mesmo tratamento tributário. Por este motivo, deve ser cancelado o lançamento dos tributos. PIS/COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO DELIMITADO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DISCUSSÃO NÃO ABRANGE A INCIDÊNCIA NO REGIME NÃO-CUMULATIVO A discussão acerca da base de cálculo das referidas contribuições apuradas com base no regime não-cumulativo não foi objeto dos Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR e 585.235/MG. Considerando que o contribuinte não estava obrigada à apuração do tributo pelo regime cumulativo da Lei nº 9.718/98 durante o período autuado, resta prejudicada a análise da questão. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO DACON O contribuinte não logrou comprovar a impossibilidade sistêmica que ocasionou a não apresentação do DACON, motivo pelo qual a aplicação da multa deve ser mantida. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS CANCELADO Considerando que o lançamento dos tributos foi cancelado, não deve ser mantida a multa de ofício de 75% imposta.
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PIS E COFINS REGIME CUMULATIVO. ENQUADRAMENTO NO ROL DO ART. 22, §1º DA LEI Nº 8.212/91. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 108 DO CTN. O rol do art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91 é taxativo. não cabendo interpretação extensiva em relação às entidades que nele se enquadram. Mesmo que classificada como instituição financeira, para que a entidade esteja obriga à apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, deve ser enquadrada no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91. Mesmo compondo o Sistema Financeiro Nacional, se determinada entidade não se encontra em umas das classificações expressamente elencadas neste dispositivo, por exigir o emprego da analogia, equiparandoa a uma das classificações contidas naquele dispositivo legal, o que é vedado pelo art. 108 do Código Tributário Nacional, não é possível conferirlhe o mesmo tratamento tributário. Por este motivo, deve ser cancelado o lançamento dos tributos. PIS/COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO DELIMITADO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DISCUSSÃO NÃO ABRANGE A INCIDÊNCIA NO REGIME NÃOCUMULATIVO A discussão acerca da base de cálculo das referidas contribuições apuradas com base no regime nãocumulativo não foi objeto dos Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR e 585.235/MG. Considerando que o contribuinte não estava obrigada à apuração do tributo pelo regime cumulativo da Lei nº 9.718/98 durante o período autuado, resta prejudicada a análise da questão. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO DACON AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 94 /2 01 3- 26 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 O contribuinte não logrou comprovar a impossibilidade sistêmica que ocasionou a não apresentação do DACON, motivo pelo qual a aplicação da multa deve ser mantida. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS CANCELADO Considerando que o lançamento dos tributos foi cancelado, não deve ser mantida a multa de ofício de 75% imposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Julio César Alves Ramos Presidente. Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator. EDITADO EM: 09/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima Relatório Tratamse de Autos de Infração de Contribuição ao PIS e da COFINS referentes ao período de agosto de 2008 a novembro de 2009, lavrados em razão da não apresentação do DACON de 2009. A autoridade fiscal, conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal, determinou a aplicação do regime cumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS, por entender que a Recorrente se enquadraria na definição de instituição financeira e estaria dentro do rol do art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91, efetuando o lançamento e apurando os tributos nos termos da Lei nº 9.718/98. A Recorrente apresentou Impugnação aos referidos autos de infração, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que proferiu acórdão cuja ementa se transcreve: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2009 Instituições Financeiras. Receitas Financeiras. Incidência. PIS/Cofins. A inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS ou do PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 393DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 393 3 Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2009 Devido Processo legal. Respeitado. Nulidade. Inexistente. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada. Preclusão. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Perícia. Diligência. Desnecessária. Indeferidas. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Juntada de Novas Provas. Após Impugnação. Preclusão. A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2009 Lançamento de Ofício. Declaração Inexata. Multa Simples. Cabível o lançamento de ofício, com multa de 75% sobre o tributo devido ou diferença, quando provada a falta de declaração ou provada a declaração inexata, nos termos do art 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Obrigação Acessória. Descumprimento. Multa Pecuniária. Descumprimento de obrigação acessória implica aplicação de multa pecuniária legalmente prevista. Do acórdão recorrido extraise o seguinte relatório: Tratase de Auto de Infração de PIS/Cofins (fls. 206 e ss), relativo ao período de 01/08/2008 a 30/11/2009, mediante o qual se constituiu crédito tributário no valor de R$23.881.533,57, incluindo Cofins, PIS, multas e juros. A Autoridade Fiscal entendeu que a contribuinte recolhera insuficientemente PIS/Cofins em todo o período fiscalizado, razão pela qual efetuou o correspondente lançamento. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 184 e ss) esclareceu, em resumo, que: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 1. o contribuinte deixou de informar a Demonstrativo da Apuração de Contribuições Sociais DACON, assim foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal em 15/03/2013, para apresentar o DACON de 2009; 2. os valores do Demonstrativo de base de cálculo das contribuições de PIS e Cofins, fornecida pelo contribuinte, estão de acordo com a escrituração contábil digital; 3. constam recolhimentos em DARF de contribuições do PIS e COFINS no banco de dados da Receita Federal do Brasil, das competências de 01/2009 a 04/2009, assim, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal em 13/05/2013, solicitando esclarecimentos e o motivo de não constar recolhimentos para os meses de 05/2009 a 12/2009; 4. o contribuinte esclareceu que efetuou compensação no PERDCOMP, dos créditos originários das retenções do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos das aplicações financeiras nas Instituições Financeiras, em razão de apurar prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, nos anos anteriores e no ano corrente; 5. o contribuinte esclareceu ainda que adotou a sistemática de entidade financeira na apuração da base de cálculo, porém desconsiderou a receita financeira e a variação monetária, por entender que não são passíveis de tributação e aplicou as alíquotas de 0,65 % e 4 %, respectivamente, para PIS e COFINS; 6. o objeto principal da Companhia, ora contribuinte, é elaborar ou contratar a elaboração de projetos e suas Implantações e promover medidas de apoio à realização de planos e Programas Estaduais e/ou Municipais de habitação prioritários para população de baixa renda (de 01 a 10 salários mínimos), em conformidade com as diretrizes estabelecidas pela Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo; 7. a própria Lei que criou a CDHU como agente financeiro a autorizou a assumir todas as atribuições e responsabilidades de um integrante do Sistema Financeiro de Habitação; 8. no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, consta o código de descrição da atividade econômica principal de "84.124CQ Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais", esta classificação é muito genérica, pois no Estatuto e na Lei em que foi criada a CDHU é nítido que a finalidade é de executar programas habitacionais em todo o território do Estado, para o atendimento exclusivo da população de baixa renda; 9. a Companhia é, então, um Agente Financeiro do Sistema Financeiro de Habitação e o regime de apuração da contribuição de PIS e COFINS é classificado como CUMULATIVO; 10. o contribuinte deixou de informar os valores de contribuição de PIS e COFINS na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e no Demonstrativo de Apuração Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 394 5 de Contribuições Sociais DACON, assim deixou de cumprir com as obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal do Brasil; 11. conforme esclarecimento prestado pelo contribuinte, que, na dúvida quanto à classificação para apurar PI8 e COFINS, constituiu provisão de contingência de PIS e COFINS, na sistemática aplicada a Entidade Financeira, na conta n° 2299 Provisão Causas Tributárias, efetuando recolhimento de DARF e PERDCOMP, de acordo com sua apuração; 12. a provisão da contribuição de PIS e COFINS, foi constituída na sistemática de apuração da Entidade Financeira com base na totalidade das receitas auferidas, com aplicação das deduções autorizadas no artigo 3º, parágrafo I, inciso I da Lei n° 9.718/98, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2.001, alíquotas de 0,65% e 4%, respectivos, entretanto, efetuou o recolhimento e compensação com base na sistemática de construção civil, utilizou alíquota "zero" para a 'Receita Financeira “e a ‘Variação Monetária Ativa’”; 13. A Lei n° 905, de 18 de dezembro de 1975, criou a CDHU com prerrogativas de Sistema Financeiro de Habitação, assim a contribuição do PIS e da COFINS deve ser apurada na sistemática da Entidade Financeira; 14. no lançamento de ofício do crédito tributário da contribuição do PIS e COFINS, consideramos a totalidade das receitas escrituradas, com devidas deduções, cujas alíquotas aplicadas são: 0,65 % (PIS) e 4 % (COFINS), mas os valores recolhidos no DARF e os compensados no PERDCOMP foram deduzidos na apuração da "contribuição a lançar"; 15. o contribuinte foi devidamente intimado a declarar o DACON pelo Termo de Intimação Fiscal n° 07 de 07/08/2013, no prazo de 10 (dez) dias, por via postal, sob o AR n° AS 289071845 BR, cuja ciência ocorreu no dia 08/08/2013, passado o prazo concedido, o contribuinte deixou de apresentar o DACON, assim, o valor da multa será de 2% ao mês sobre a contribuição recolhida ou compensada, limitada a 20% desta contribuição. Devidamente cientificada, em 29/08/2013, conforme fl. 229, a autuada apresentou, em 26/09/2013, a correspondente Impugnação (fls. 232 e ss), na qual alegou que: 1. Segundo pode ser verificado da simples leitura do auto de infração, resta que o mesmo teria sido elaborado no dia 28/08/2013, o que é uma inverdade, eis que foi o mesmo recebido na sede desta empresa, segundo informação oficial que consta do rastreamento do documento no sítio dos Correios na internet, no dia 27/08/2013; 2. o referido auto já padece de nulidade insanável em sua raiz, já que traz informação relevante (usada como base para as contagens de prazo) absolutamente inverídica e que não permite convalidação; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 3. a classificação da CDHU como Agente Financeiro, enquadrada na regra específica do artigo 3º da Lei 9.718/1998 é uma criação originária deste Auto de Infração, e foi determinada ao arrepio da classificação oficial da CDHU junto ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica como entidade de serviço social; da sua condição de Sociedade de Economia Mista vinculada à Secretaria da Habitação e ao Governo do Estado de São Paulo, que recebe repasses e está incluída nos orçamentos desses entes públicos; e da sua sistemática de apuração de lucro real anual; 4. não se trata de negar que a CDHU desempenha funções de caráter financeiro, mas de fazer ver ao órgão fiscalizador que a CDHU realiza muito mais do que as funções específicas de um Banco comercial ou de um Banco de Investimentos, de modo que não pode e não deve ser sumariamente enquadrada na regra específica que envolve estes entes meramente financeiros; 5. o auto de infração deixou de aplicar Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal, de número 247, de 21 de novembro de 2002, art. 45, que prevê a isenção das contribuições de PIS e COFINS nos recursos recebidos por empresas públicas e sociedades de economia mista para atender despesas correntes e de capital, destacandose o preceito Constitucional da imunidade recíproca, previsto no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, a respaldar a isenção das contribuições mencionada, se não em caráter geral, ao menos em relação ás verbas repassadas pelos órgãos estatais para o cumprimento da política habitacional do Estado; 6. as empresas enquadradas como Agentes Financeiros devem ser tributadas pelo IRPJ com base no lucro presumido ou arbitrado, o que não é o caso da CDHU; 7. por força do Princípio ao respeito à Coisa Julgada, não poderia a Receita Federal cobrar PIS e COFINS sobre receitas financeiras, pois diante da decisão que declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, haveria de ser afastada a tributação das receitas financeiras apuradas pelas instituições financeiras; 8. o conceito de faturamento não alcança a receita típica das instituições financeiras, ou seja, os juros, comissões e outras receitas direta ou indiretamente vinculadas à concessão do crédito; 9. o STF ao julgar inconstitucional o §1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 o fez por contrariar aquele dispositivo legal entendimento anterior já pacificado na Corte Suprema do conceito constitucional de faturamento, que alcança todas as vendas, mesmo se não acompanhadas de faturas, sendo portanto a receita bruta de todas as vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, mas definitivamente não alcança outros numerários que não resultam de venda, como é o caso de juros, aluguéis, variações monetárias, lucros e dividendos, descontos, royalties, etc. 10. foram indevidamente incluídas na base de cálculo tanto as variações monetárias ativas, como as receitas financeiras, que Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 395 7 oneram sobremaneira o cálculo do valor devido a título das contribuições em discussão; 11. conforme bem elucidado à agente fiscalizadora na época e bem explicitado nos tópicos anteriores, não houve entrega do Dacon, tendo em vista o enquadramento desta empresa como "entidade financeira", que realiza seus recolhimentos de PIS e COFINS através dos códigos "4574" e "7987" respectivamente; 12. o problema foi regularizado, tanto que esta empresa cumpre escorreitamente com tal obrigação, mas naquela época, por motivos alheios à sua vontade e atuação, o próprio sistema da Receita Federal impedia o cumprimento da obrigação; 13. a tributação feita nesta empresa resta nitidamente confiscatória, e mesmo que não se entendesse como exagerada a cobrança ora realizada, ante a desnivelada base de cálculo utilizada, fato é que a multa praticada em patamar de 75% (setenta e cinco por cento) do valor da contribuição devida, urge ser revista ante seu caráter manifestamente confiscatório; 14. caso as provas documentais apresentadas ainda sejam insuficientes para a demonstração da ausência total de culpa pelos fatos investigados na presente, que sejam abertos prazos para a produção de outras provas documentais que se façam necessárias, bem como a produção de eventual prova pericial. A Impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência; junta prova documental, e pede que seja “anulada a presente autuação, com o conseqüente arquivamento do presente processo, seja pela total nulidade ou mesmo ante sua absoluta improcedência”. Em face do Acórdão da DRJ foi interposto Recurso Voluntário em que se alega, em síntese: a) a Recorrente não se enquadra na definição de instituição financeira, o que afastaria sujeição ao regime cumulativo da Contribuição do PIS e da COFINS; b) caso se entenda que deva ser mantido seu enquadramento como instituição financeira, o auto de infração deve ser anulado porque incluiu receitas que não compõem o conceito de faturamento conforme definido pelo Supremo Tribunal Federal; c) não apresentou o Dacon de 2009 porque, em razão de ter se cadastro no CNAE Código 84124, na época, estava "absolutamente impossibilitada de apresentálo" e que "por conta de tal cadastramento, terminava o sistema gerando uma inconsistência insuperável, que inviabilizava o preenchimento e a consequente entrega do DACON naquela ocasião"; e d) que a multa de 75% era excessiva e a base de cálculo utilizada para sua apuração deve ser revisada. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 Voto Conselheiro Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1 Da classificação da CDHU como instituição financeira A primeira questão contra a qual se insurge a Recorrente referese a sua classificação como instituição financeira. Antes de adentrarmos ao mérito desta questão, necessário fazer uma breve análise da natureza jurídica da Recorrente, bem como nas atividades por ela exercida. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) é uma sociedade de economia mista vinculada à Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo. Um breve estudo de sua história revela que a Recorrente foi criada pela Lei Estadual nº 483 de 10 de outubro de 1949, quando denominavase Caixa Estadual de Casas Populares (CECAP) e era uma entidade autárquica. A atual CDHU foi criada pela Lei Estadual nº 905 de 18 de dezembro de 1975, passando a ser uma sociedade de economia mista. O Estatuto da CDHU atualmente vigente estabelece em seu artigo 2º os objetos da companhia: ARTIGO 2º Constitui objeto da companhia: I Elaborar ou contratar a elaboração de projetos e suas implantações e promover medidas de apoio à realização de planos e Programas Estaduais e/ou Municipais de habitação prioritários para o atendimento à população de baixa renda, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pela Secretaria da Habitação do Estado de São Paulo mediante: a) aquisição, urbanização e parcelamento de áreas para fins habitacionais; b) comercialização de lotes urbanizados; c) implantação de equipamentos comunitários; d) comercialização de habitações; e) locação social de habitações; f) ampliação e/ou melhoria de habitações existentes; g) recuperação de subhabitações em assentamentos humanos espontâneos; h) aquisição e venda de materiais de construção e unidades pré fabricadas; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 396 9 i) prestação de serviços de assistência técnica, jurídico legal, comunitária e financeira aos programas estaduais e municipais de habitação; j) promoção de estocagem estratégica de terrenos para assegurar a execução de programas habitacionais, considerando as diretrizes locais de uso de solo e a conveniência de maximizar os investimentos públicos em serviços urbanos básicos. II Acompanhar, fiscalizar e controlar o cumprimento de obrigações contratuais pelos adquirentes de lotes e habitações financiadas pela companhia. III Celebrar convênios e contratar serviços junto a instituições financeiras e não financeiras, bem como com entidades internacionais, tendo em vista a obtenção de recursos e suporte técnico para gerir os créditos de financiamentos concedidos aos beneficiários dos programas habitacionais promovidos pela Companhia. IV Atuar junto aos órgãos do governo e concessionários de serviços públicos visando à urbanização de áreas destinadas a programas habitacionais, de acordo com as orientações e regulamentos municipais para o desenvolvimento urbano local. V Promover, na forma prevista neste estatuto, a doação de bens a entidades de direito Público Interno e a quaisquer outras entidades das quais o Estado de São Paulo, seus municípios e a União participem majoritariamente como acionista, para a instalação e funcionamento de serviços e atividades sociais e comunitárias em conjuntos habitacionais já implantados ou a serem implantados. VI Integrarse ao Sistema Financeiro da Habitação, assumindo todas as atribuições e responsabilidades decorrentes da lei e das normas editadas por seus órgãos competentes. VII Promover as atividades necessárias ao desenvolvimento, no Estado de São Paulo, do Plano Nacional de Habitação Popular (PLANHAP), em consonância com as diretrizes de desenvolvimento urbano e habitacional estabelecidos nos níveis Estadual e Municipal e outros planos similares. VIII Promover, amigável ou judicialmente, desapropriações de bens necessários ao atendimento de suas finalidades, previamente declarados de interesse social ou de utilidade pública pelo Governo do Estado, consoante autorização outorgada pela Lei Estadual n.º 905 de 18 de dezembro de 1975. IX Promover a elaboração de projetos visando à construção e a ampliação de equipamentos urbanos e/ou comunitários e outras edificações destinadas à prestação de serviços públicos, incluídas nos programas de ação de órgãos da Administração Estadual e Municipal, mediante convênios celebrados com as Secretarias de Estado, entidades centralizadas e Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 descentralizadas, devidamente autorizados pelo Governo do Estado. X Promover a elaboração de projetos visando à construção e a ampliação de equipamentos urbanos e/ou comunitários e outras edificações destinadas à prestação de serviços públicos, incluídas nos programas de ação de órgãos da Administração Estadual e Municipal, mediante convênios celebrados com as Secretarias de Estado, entidades centralizadas e descentralizadas, devidamente autorizados pelo Governo do Estado. XI Estabelecer convênios com instituições do Estado e Municípios, principalmente com os de planejamento e desenvolvimento urbano, para projetos de grande porte que exigem que ocupação da área, sistema viário e o transporte devem ser tratados de modo integrado objetivando a sua sustentabilidade sócioecônomicaambiental. XII Atuar como agente operador do Fundo Garantidor do Estado de São Paulo, nos termos da Legislação Estadual específica e seus regulamentos. Pois bem, com base nas atividades exercidas pela Recorrente, conforme estabelece seu Estatuto ao definir seus objetivos, é de se indagar se correto o enquadramento que deu ensejo à presente autuação. O auto de infração fundamentouse na obrigatoriedade de a Recorrente apurar a Contribuição ao PIS e à COFINS no regime cumulativo, nos termos do art. 3º, § 6º da Lei nº 9.718/98, conforme determina o art. 10 da Lei nº 10.833/03: "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; (...)" O art. 3º, § 6º da Lei nº 9.718/98 assim dispõe: "§ 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (...)" Por sua vez, o art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91 traz o rol de entidades que, por força dos dispositivos acima transcritos, estão submetidas ao regime cumulativo do PIS e da COFINS: § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 397 11 além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. Como cediço, o rol do art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91 é taxativo, não cabendo interpretação extensiva em relação às entidades que nele se enquadram. Isto não significa, contudo, que tal dispositivo deve ser interpretado isoladamente. Muito pelo contrário, considerando que não há a definição das entidades elencadas, mas apenas a enumeração destas, necessário recorrer à Lei nº 4.595/64, que dispõe sobre o sistema financeiro nacional e que, em seus arts. 17 e 18, define instituições financeiras e equiparadas, além de determinar a necessidade de autorização do Banco Central do Brasil para seu funcionamento: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. § 2º O Banco Central da Republica do Brasil, no exercício da fiscalização que lhe compete, regulará as condições de concorrência entre instituições financeiras, coibindolhes os abusos com a aplicação da pena (Vetado) nos termos desta lei. § 3º Dependerão de prévia autorização do Banco Central da República do Brasil as campanhas destinadas à coleta de recursos do público, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas abrangidas neste artigo, salvo para subscrição pública de ações, nos termos da lei das sociedades por ações. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 São consideradas instituições financeiras as pessoas jurídicas que tenham como atividade a " a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros". Esta definição das atividades realizadas é importante pois permite determinar a classificação da instituição financeira, de acordo com a forma como capta recursos e as aplicações que lhe são permitidas. Conforme as atividades exercidas, o Banco Central do Brasil estabeleceu as principais classificações de instituições financeiras, as quais também se encontram no rol do art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91: Bancos Comerciais (Resolução CMN nº 2.099): são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. A captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o qual pode também captar depósitos a prazo. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco". Caixa Econômica (DecretoLei nº 759/69): instituição assemelhada aos bancos comerciais, podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas e efetuar prestação de serviços. Uma característica distintiva da é que ela prioriza a concessão de empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos e esporte. Pode operar com crédito direto ao consumidor, financiando bens de consumo duráveis, emprestar sob garantia de penhor industrial e caução de títulos. Bancos de investimentos (Resolução CMN nº 2.624): instituições financeiras de natureza privada, especializadas em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros, devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima. Na denominação das instituições financeiras a que se refere esta Resolução deve constar a expressão "Banco de" "Investimento". Bancos de Desenvolvimento (Anexo à Resolução CMN nº 394): são instituições financeiras públicas não federais, constituídas sob a forma de sociedade anônima, com sede na Capital do Estado da Federação que detiver seu controle acionário. As instituições financeiras de que trata este artigo adotam, obrigatória e privativamente, em sua denominação, a expressão "Banco de Desenvolvimento", seguida do nome do Estado em que tenham sede. O objetivo precípuo dos Bancos de Desenvolvimento é proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento, a médio e longo prazos, de programas e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social dos respectivos Estados da Federação onde tenham sede, cabendolhes apoiar prioritariamente o setor privado. Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (Portaria MF nº 309/59): têm como objetivo principal a realização de financiamento para aquisição de bens e para capital de giro. A designação de sociedade de crédito e financiamento ou de investimentos é privativa das sociedades sujeitas ao regime prescrito nos Decretosleis nºs 7.583 e 9.603, de 25 de maio de 1945 e 16 de agosto de 1946, e nesta Portaria, sendo obrigatório o uso das palavras – crédito, financiamento, investimentos – nas respectivas denominações, conforme sejam seus objetivos. Sociedade de Crédito Imobiliário (Resolução CMN nº2.735): são instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional, especializadas em operações de financiamento imobiliário. São constituídas sob a forma de sociedade anônima, devendo constar de sua denominação social a expressão crédito imobiliário. Às sociedades de crédito Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 398 13 imobiliário é facultado, além da realização das atividades inerentes à consecução de seus objetivos, operar em todas as modalidades admitidas nas normas relativas ao direcionamento dos recursos captados em depósitos de poupança. Suas fonte de captação, além de depósitos de poupanças, são as Letras Hipotecárias, Letras Imobiliárias, repasses contraídos no País, depósitos interfinanceiros e outras formas de captação autorizadas pelo Banco Central do Brasil. Sociedades Corretoras e distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (Lei nº 4.728, Lei nº 6.385 e Resolução CMN nº 1.655): tem como atividades principais operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores; subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; encarregarse da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; incumbirse da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos, de desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e outros proventos de títulos e valores mobiliários. Empresas de Arrendamento Mercantil (Resolução CMN nº 2.309): como objeto principal de sua atividade a prática de operações de arrendamento mercantil, denominadas sociedades de arrendamento mercantil, dependem de autorização do Banco Central do Brasil. As sociedades de arrendamento mercantil devem adotar a forma jurídica de sociedades anônimas e a elas se aplicam, no que couber, as mesmas condições estabelecidas para o funcionamento de instituições financeiras na Lei nº. 4.595, de 31.12.64, e legislação posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional, devendo constar obrigatoriamente de sua denominação social a expressão "Arrendamento Mercantil". Cooperativas de Crédito (Resolução CMN nº 3.859): é uma instituição financeira formada por uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, sem fins lucrativos, constituída para prestar serviços a seus associados. O objetivo da constituição de uma cooperativa de crédito é prestar serviços financeiros de modo mais simples e vantajoso aos seus associados, possibilitando o acesso ao crédito e outros produtos financeiros (aplicações, investimentos, empréstimos, financiamentos, recebimento de contas, seguros, etc.). As Empresas de Seguros Privados e de Capitalização, Agentes Autônomos de Seguros privados e de Crédito e Entidades de Previdência Privada abertas e fechadas compõem o Sistema Nacional de Seguros Privados, instituído pelo DecretoLei nº 73/66, submetendose à autoridade da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Vislumbrase da leitura do Estatuto da Recorrente que, dentre as atividades que lhe são atribuídas, algumas delas se enquadram como coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros. Entretanto, considerando que o rol do art. 22, § º da Lei nº 8.212/91 é taxativo, não basta que a Recorrente se enquadre no mesmo gênero das entidades ali elencadas, qual seja, como instituição financeira. É necessário verificar se ela é uma das entidades que, dentro do sistema financeiro e do conceito de instituição financeira, esteja também expressamente enumerada no referido dispositivo da Lei nº 8.212/91, enquadrando em uma das classificações mencionadas acima. Neste passo, partindo do estatuto como guia para identificar a classificação da Recorrente, o item III do artigo 2º do Estatuto menciona "créditos de financiamentos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 14 concedidos aos beneficiários dos programas habitacionais promovidos pela Companhia". O próprio inciso determina que a Recorrente deverá atuar em conjunto com instituições financeiras, demonstrando que a CDHU auxilia na concessão de tais créditos aos beneficiários de seus programas, mas não demonstra que exerce autonomamente a atividade de financiamento em si. Mesmo exercendo a atividade financiamento, como se verá adiante, isto não a qualifica dentre uma das entidades mencionadas no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91. Outrossim, a previsão do inciso VI de que a Recorrente deve "integrarse ao Sistema Financeiro da Habitação, assumindo todas as atribuições e responsabilidades decorrentes da lei e das normas editadas por seus órgãos competentes" demonstra que a CDHU compõe o Sistema Financeiro da Habitação. Ademais, o inciso XII determina que a Recorrente atua como agente operador do Fundo Garantidor do Estado de São Paulo. O Sistema Financeiro de Habitação, que é parte integrante do Sistema Financeiro Nacional, é composto por um grupo de entidades previsto no art. 8º da Lei 4.380/64. A referida lei, durante o período autuado, teve sua redação alterada. De qualquer forma, nas duas redações vigentes durante o período objeto da autuação, o art. 8º da Lei nº 4.380/64 elenca as entidades que compõem o Sistema Financeiro da Habitação: Redação vigente até 25 de março de 2009: Art. 8º O sistema financeiro da habitação, destinado a facilitar e promover a construção e a aquisição da casa própria, especialmente pelas classes de menor renda da população, será integrado: I pelo Banco Nacional da Habitação; II pelos órgãos federais, estaduais e municipais, inclusive sociedades de economia mista em que haja participação majoritária do Poder Público, que operem, de acôrdo com o disposto nesta lei, no financiamento ... (Vetado) ... de habitações e obras conexas; III pelas sociedades de crédito imobiliário; IV pelas fundações, cooperativas, mútuas e outras formas associativas para construção ou aquisição da casa própria, sem finalidade de lucro, que se constituirão de acôrdo com as diretrizes desta lei, as normas que forem baixadas pelo Conselho de Administração do Banco Nacional da Habitação e serão registradas, autorizadas a funcionar e fiscalizadas pelo Banco Nacional da Habitação. (negritamos) Importante notar que o inciso II, que menciona as sociedades de economia com participação majoritária do Poder Público, na qual se enquadra a Recorrente, não foi incluído no rol do art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91. Somente as sociedades de crédito imobiliário, cuja própria legislação traz distinção da classificação da Recorrente, é mencionada em ambas as leis. Por sua vez, esta é a redação vigente a partir de 25 de março de 2009 (Medida Provisória nº 459/2009): "Art. 8° O sistema financeiro da habitação, destinado a facilitar e promover a construção e a aquisição da casa própria ou Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 399 15 moradia, especialmente pelas classes de menor renda da população, será integrado. I – pelos bancos múltiplos; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) II – pelos bancos comerciais; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) III – pelas caixas econômicas; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) IV – pelas sociedades de crédito imobiliário; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) V – pelas associações de poupança e empréstimo; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) VI – pelas companhias hipotecárias; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) VII – pelos órgãos federais, estaduais e municipais, inclusive sociedades de economia mista em que haja participação majoritária do poder público, que operem, de acordo com o disposto nesta Lei, no financiamento de habitações e obras conexas; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) VIII – pelas fundações, cooperativas e outras formas associativas para construção ou aquisição da casa própria sem finalidade de lucro, que se constituirão de acordo com as diretrizes desta Lei; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) IX – pelas caixas militares; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) X – pelas entidades abertas de previdência complementar; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) XI – pelas companhias securitizadoras de crédito imobiliário; e (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) XII – por outras instituições que venham a ser consideradas pelo Conselho Monetário Nacional como integrantes do Sistema Financeiro da Habitação.(Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) Parágrafo único. O Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito fixará as normas que regulam as relações entre o sistema financeiro da habitação e o restante do sistema financeiro nacional, especialmente quanto à possibilidade, às condições e aos limites de aplicação de recursos da rêde bancária em letras imobiliárias, emitidas, nos têrmos desta lei, pelo Banco Nacional da Habitação." (negritamos) Novamente percebese que, mesmo que a Recorrente esteja integrada no Sistema Financeiro de Habitação, a classificação na qual se enquadra é aquela prevista no inciso VII acima transcrito. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 16 A Recorrente, portanto, deve ser classificada como uma entidade definida pela lei como "sociedades de economia mista em que haja participação majoritária do poder público, que operem, de acordo com o disposto nesta Lei, no financiamento de habitações e obras conexa". Considerando que a própria lei classifica as diferentes entidades do SFH, diferenciandoas, não cabe ao intérprete desconsiderar a distinção feita pelo legislador, com o intuito de incluir uma entidade em uma classificação que não lhe é cabível. Ora, a classificação na qual a Recorrente se enquadra não é mencionada no rol do art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91, o qual, como afirmado anteriormente, é taxativo, não permitindo interpretações extensivas. Também não é possível considerála como uma das entidades que estão presentes na Lei nº 8.212/91, utilizandose as definições da Lei nº 4.380/64, para enquadrála como banco comercial, caixa econômica, sociedade de crédito imobiliário, e entidade aberta de previdência complementar. O próprio ordenamento determina a referida classificação, distinguindoas das sociedades de economia mista em que haja participação majoritária do poder público, que operem no financiamento de habitações e obras conexa. Também falta à Recorrente a aptidão para realizar todas as atividades precípuas das demais entidades, podendo ser destacada a impossibilidade de realizar captação com depósitos à vista (principal característica dos bancos comerciais e caixas econômicas). Não se enquadra como banco de desenvolvimento pois não objetiva o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento, a médio e longo prazos, de programas e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do Estado de São Paulo, apenas o desenvolvimento habitacional. Não se enquadra como sociedade de crédito imobiliário porque é uma sociedade de economia mista, além de não realizar captação com depósitos de poupanças. Da mesma forma, não há que se falar que a CDHU poderia se enquadrar como sociedade corretora, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresa de seguros privados e de capitalização, agente autônomo de seguros privados e de crédito ou entidade de previdência privada aberta ou fechada, eis que as atividades destas entidades em muito diferem daquelas realizadas pela Recorrente. Por fim, deve ser esclarecido que, para incluir a Recorrente no rol do art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91 seria necessário o emprego da analogia, equiparandoa a uma das classificações contidas naquele dispositivo legal, o que é vedado pelo art. 108 do Código Tributário Nacional quando a sua aplicação ensejar a exigência de tributo não previsto em lei: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Pelo exposto, a Recorrente não se enquadra na previsão das pessoas jurídicas obrigadas a apurar a Contribuição ao PIS e a COFINS no regime cumulativo, motivo pelo qual lhe assiste razão nesta parte e o crédito tributário deve ser cancelado. 2 Sobre a irregularidade da autuação realizada O segundo argumento trazido no Recurso Voluntário diz respeito à inconstitucionalidade da base de cálculo da COFINS das instituições financeiras, tendo em Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 400 17 vista os julgamentos do Supremo Tribunal Federal que reconheceram a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Este argumento resta prejudicado em razão do que foi exposto no tópico anterior. Isto porque, durante o período autuado, a Recorrente apurou o IRPJ na sistemática do lucro real, conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 185). Em razão da opção pela sistemática do lucro real, bem como por não estar obrigada a apurar o PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, a Recorrente estaria sujeita, no período objeto da autuação, ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, nos termos das Leis nºs 10.637/03 e 10.833/02. A discussão acerca da base de cálculo das referidas contribuições apuradas com base no regime nãocumulativo não foi objeto dos Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR e 585.235/MG, utilizados como fundamento pelo Recorrente para a anulação ou improcedência do auto de infração. Considerando que a Recorrente não estava obrigada à apuração do tributo pelo regime cumulativo da Lei nº 9.718/98 durante o período autuado, resta prejudicada a análise desta questão. 3 Sobre a apresentação do DACON Por fim, em relação à não entrega do DACON referente ao anocalendário de 2009, alega a Recorrente que "tendo em vista a classificação destas empresas no CNAE Código 84124, na época, restou esta empresa absolutamente impossibilitada de apresentálo" e que "por conta de tal cadastramento, terminava o sistema gerando uma inconsistência insuperável, que inviabilizava o preenchimento e a consequente entrega do DACON naquela ocasião". A multa foi aplicada com fulcro no art. 7º da Lei nº 10.426/02: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 18 destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A Recorrente não logrou comprovar a impossibilidade sistêmica que ocasionou a não apresentação do DACON, motivo pelo qual a aplicação da multa deve ser mantida. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.721894/201326 Acórdão n.º 3401002.920 S3C4T1 Fl. 401 19 4 Da multa de 75% Insurgese a Recorrente contra a multa de 75% aplicada, alegando que tal valor seria "absolutamente excessivo". Considerando que o lançamento do tributo será cancelado, a multa de 75%, por seguir o principal, deve ser cancelada. Pelo exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão DRJ e cancelar o lançamento apurado com base no regime cumulativo do PIS e da COFINS e excluir a multa de 75%, mantendose a multa pela não entrega do DACON. Relator Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11128.002191/2005-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios.
O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 21 91 /2 00 5- 47 Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 2.577), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1758.241, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de São Paulo II, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da peça impugnatória, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "(...) Trata o presente processo de Pedido de reconhecimento de direito creditório e restituição de PIS (R$ 56.679,82 ) e COFINS (R$ 261.070,68 ), incidentes na importação, DI de nº 04/07722011, registrada em 06/08/2004, fls. 06 a 09, indevidamente recolhidos face a alíquota de defensivos agrícolas para tais contribuições terem sido reduzidas a zero, nos termos da Lei nº 10.925/2004, publicada no Diário Oficial da União no dia 27/08/2004. O citado diploma regulamentar, trouxe expressamente a previsão do termo inicial de produção de seus efeitos, ou seja, data de sua publicação (26/07/2007). A interessada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal de nº 051/08 , fls. 78/80, a apresentar cópia de todos os livros fiscais, com a escrituração contábil da operação coberta pela Declaração de Importação de nº 04/07722011. O pedido foi indeferido através do Despacho de fls. 211/212. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002191/200547 Acórdão n.º 3802003.029 S3TE02 Fl. 2.579 3 Ciente do Indeferimento, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 216/220, onde em síntese do necessário alegou: em que pese o costumeiro acerto do Ilmo Julgador, sua decisão não merece prosperar uma vez que existe sim o crédito, conforme se demonstrará; entende o Ilmo Julgador que os valores pleiteados pela Requerente já foram contabilizados a débito e, assim, restou caracterizado “de forma inequívoca que o interessado já efetuou o desconto de que trata o artigo 15º da Lei nº 10.865/2004”. cabe destacar que inicialmente os débitos das contribuições foram contabilizados nas contas 376000 e 376001, para PIS e COFINS respectivamente; em dezembro de 2005, referidos valores foram transferidos para conta 157011, no valor total de R$ 3.035.510,31 (três milhões trinta e cinco mil quinhentos e dez reais e trinta e um centavos) que correspondem ao montante total das contribuições recolhidas a maior pela Requerente, não só ao pleito deste processo; cumpre mencionar que referido montante permanecesse contabilizado até hoje na conta 157011; ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde o saldo da conta 157011 é transferido para a conta 234085; não assiste razão o Ilmo Julgador ao afirmar que não há como comprovar que os valores contabilizados como de débito foram transferidos para conta 234085; para que reste incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acosta a presente manifestação de inconformidade cópia dos Razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011; resta claro, pelos inúmeros documentos ora anexados, que tais créditos nunca foram utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa; não se pode olvidar que o processo administrativo regese pela busca da verdade material, motivo pelo qual, não podem ser poupados esforços para se verificar se a obrigação tributária foi realmente estabelecida; não sendo suficientes os documentos e esclarecimentos ora apresentados com o objetivo de comprovar a veracidade dos fatos, requer a IMPUGNANTE, desde já, a realização de diligência com intuito de demonstrar a existência do direito ao crédito; Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 resta cabalmente comprovado que os valores contabilizados a título de PIS e COFINS decorrentes de pagamento equivocado através da DI 04/07722011 não foram utilizados; requer reconhecido o seu direito creditório no valor de R$ 317.750,50 (trezentos e dezessete mil setecentos e cinqüenta reais e cinqüenta centavos). É o Relatório. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2004 RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO (PIS/PASEP e COFINS) NA IMPORTAÇÃO PAGA INDEVIDAMENTE. Indeferese pedido de restituição quando a interessada, a quem cabe o ônus da prova, não instruir o processo com provas de que tenha direito a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de São Paulo II, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 1.974/1.984), no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, solicitando, com base no principio da busca da verdade material o acolhimento integral de suas razões, reformando a decisão recorrida. Caso não seja esse o entendimento, por entender que a documentação apresentada não seja o suficiente para comprovar o alegado direito, requer a apresentação de novos documentos, esclarecimentos e realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 2.577), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002191/200547 Acórdão n.º 3802003.029 S3TE02 Fl. 2.580 5 Do pedido de diligência Quanto a possível realização de diligência, é cediço que o pedido é regulado pelo art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual impõe requisitos formais para sua validade. Contudo, além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado pelo julgador se o pedido de realização de diligência é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, visto que a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o deslinde da questão, ou seja, o deferimento de um pedido de diligência, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. Veja abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos), que a Recorrente foi intimada e, portanto, já teve oportunidade de esclarecer e apresentar toda a documentação necessária (fl. 1.967): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através da Intimação Fiscal de nº 51/08, fls. 78/79, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização(...). As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, é inadmissível pedido pela juntada posterior de documentos. Assim, a realização de diligência é prescindível, visto que em relação à questão objeto da lide, o processo já apresenta elementos suficientes para o seu deslinde, razão pela qual, sou pelo seu indeferimento. Das provas nos autos O presente caso envolve eminentemente matéria de prova. Como bem frisado pela Recorrente em suas razões de recurso, o direito material à restituição é incontroverso, e decorre da própria aceitação da retificação da DI, com efeitos retroativos, para 06 de agosto de 2004 (data da ocorrência do fato gerador do imposto de importação). No entanto, a preocupação esposada pela autoridade administrativa, desde a manifestação de inconformidade perpassando pelas intimações realizadas e pela decisão recorrida, é o fato de que, havendo sido autorizada a retificação da DI para redução da alíquota a zero após a ocorrência da importação, há o risco de a materialidade do crédito – não do direito em tese – já haver sido utilizado, como desconto, na apuração regular do sujeito passivo. Noutras palavras, tornase imprescindível verificar se o contribuinte pleiteia duplo benefício (a uma, pelo aproveitamento como desconto na apuração de PIS e COFINS, e a duas, pela restituição surgida com a diminuição retroativa da carga tributária). Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Todo o propósito do procedimento de restituição que ora se examina é conferir se houve, ou não, o aproveitamento das aquisições, então tributadas, na apuração do PIS e da COFINS do sujeito passivo. Em sede recursal, o contribuinte traz diversos argumentos explicativos quanto à migração de saldos entre suas contas contábeis, e junta extratos de seu livro razão analítico para tentar dar mais subsídios de comprovação do seu direito creditório. Entendo, porém, que o livro razão analítico nem seria necessário, desde que houvesse uma explicação razoável para a ausência de registro do direito pleiteado na conta de ativo como impostos a recuperar, à época da da intimação realizada pelo Fisco. Senão, vejase abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através da Intimação Fiscal de nº 51/08, fls. 78/79, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização(...). E o relator prossegue em sua análise, definindo o seguinte ponto como sendo um dos principais motivos do indeferimento do pedido (grifamos): "(...) 3. Observase que não consta dos autos a prova documental de que os valores contabilizados na forma descrita acima foram estornados ou transferidos para a conta n° 234085 Impostos a Recuperar, ou equivalente, no Ativo, e que permanecem contabilizados nesta conta, conforme solicitado na alínea "d" do Termo de Intimação supracitado. E, à vista da Declaração Contábil às fls. 92, depreendese que os citados valores não transitaram por esta conta, ficando desta forma comprovado que já houve o desconto de que trata o item 2 acima". Vale destacar que é possível, em tese, que o contribuinte, a posteriori, realize reclassificação contábil de valor equivalente ao saldo da época. Ainda que matematicamente o resultado seja o mesmo, em termos fiscais esse procedimento não me parece razoável. Até para evitar mais essa dúvida acerca do seu direito creditório, era imprescindível que a Recorrente confrontasse o resultado do despacho de indeferimento (fls. 211/212), de modo inescapável mostrando que, à época do pedido de restituição, não houve aproveitamento do montante pleiteado. E nessa tarefa ela não me parece ter logrado êxito. Vejase. Em seu recurso, a Recorrente aduz o seguinte: 27. Ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde os saldos da conta 157011 é transferidos para a conta 234085. Ora, se trimestralmente há reclassificação contábil da conta 157011 para a conta 234085 (Impostos a Recuperar), e considerando que o pedido de restituição foi feito somente em 31/03/2005 (fl 04), pareceme claro que o saldo já deveria estar recomposto quando do pleito inicial. A própria Recorrente, no entanto, indica que somente em dezembro de 2005 houve transferência de um determinado montante para a conta de impostos a recuperar. No Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002191/200547 Acórdão n.º 3802003.029 S3TE02 Fl. 2.581 7 entanto, se esse saldo é decorrente daqueles fatos geradores que motivam o pedido de restituição, tal já não resta imune a dúvidas. De fato, é importante destacar que a Recorrente afirma em sede recursal que: 28. Outrossim, para que restasse incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acostou à manifestação de inconformidade cópia dos razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011. 29. Se houvesse sido realizada a diligência fiscal na documentação acostada, as referidas reclassificações teriam sido observadas pela autoridade fiscal responsável, razão pela qual ficaria inconteste que tais créditos nunca forma utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa. No entanto, se a Recorrente, ao invés de simplesmente juntar seu livro razão analítico buscando uma diligência no processo, tivesse tido a cautela de apresentar a composição das contas contábeis a que se refere no excerto colacionado acima, possivelmente haveria um confronto que suscitasse dúvida ao julgador. Cabe destacar que, às vésperas da sessão de julgamento, a Recorrente, no decorrer da sustentação oral, apresentou um Laudo de auditoria externa (que se encontra acostado ao PAF nº 11128.002217/200557, inclusive fazendo referência a este processo) que tem como função confirmar a existência do indébito, além de detalhar como se deu a movimentação das contas contábeis. Todavia, o Laudo apenas explicita que as diversas movimentações de contas contábeis ocorreram inclusive (e principalmente) após a negativa do pedido inicial, de modo retroativo; além disso, aponta que houve equivocadamente, e por mais de uma vez, o registro de valores em conta de passivo, ao invés de conta de ativo. Trago à baila o seguinte excerto do laudo, que assim sintetiza a questão após já indicar três movimentações de saldos entre contas: 7.5 Das Reclassificações posteriores A partir de julho de 2006 a Dow promoveu sucessivas reclassificações do crédito pleiteado (indébito), entre as contas de ativo n° 157011 (Impostos em Litígio), 234085 (Impostos a Recuperar) e 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), sendo que o montante de R$3.035.510,21 passou a compor o saldo da referida conta15 (Doc. 13). Em setembro de 2006, o saldo da conta 157011, no montante de R$15.078.592,84, onde estão incluídos os créditos de PIS/COFINSImportação objetos do presente trabalho, foi reclassificado para conta de ativo n° 234085 (Impostos a Recuperar), passando a compor o saldo da mencionada conta (R$41.248.352,52). Posteriormente, em outubro de 2006, o montante de R$15.078.592,84, devidamente destacado na conta n° 234085 (Impostos a Recuperar), foi novamente reclassificado para conta de ativo 157011 (Impostos em Litígio), permanecendo nessa conta até dezembro de 2006. No referido mês, houve nova Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 reclassificação desses valores, passando novamente a integrar o saldo da conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Ato continuo, em janeiro de 2007 houve nova reclassificação desses valores, passando a serem controlados novamente na conta 157001 (Impostos em Litígio), permanecendo na mencionada conta até março de 2007 e integrando o seu saldo 16 . Nesse mês, houve nova reclassificação contábil, sendo os valores novamente transferidos para conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Em abril de 2007 foi realizada nova reclassificação dos citados valores, que foram novamente remanejadas para conta 157011 (Impostos em Litigio). O laudo prossegue, após apresentar tabela de cronologia iniciada em dezembro de 2005, com as primeiras movimentações entre saldos de contas: (...) Em janeiro de 2012, o saldo da conta n" 157011 (Impostos R$ 17.975.255,00, no qual estão contidos os créditos ora tratados, por alguns dias, para a conta n° 235200 (Saldo Negativo de CSLL) conta de origem (Impostos em Litígio) logo no inicio de fevereiro. Em março de 2012, o saldo da conta n° 157011 (Impostos em Litígio) foi transferido para a Conta n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). Neste cenário, desde abril de 2012, a Dow tem movimentado os créditos fiscais que possui entre as contas n° 157011 (Impostos em Litígio) e n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). (...) Por fim, analisamos relatório fornecido pela Companhia contendo a composição da conta 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), comprovando a manutenção dos créditos de PIS e de COF1NS nos registros contábeis da Dow (Doc. 16). Podese, depreender, pela movimentação das contas, que os créditos de PIS e de COFINS ora tratados estão contabilizados na conta de ativo n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), não tendo sido escriturada qualquer compensação pela Dow em oportunidades diversas das aqui analisadas, conforme os registros contábeis analisados. Pelo exposto nos itens acima, tendo em vista que os saldos mensais, bem como o final são superiores ao valor do crédito pleiteado, inferese que este (crédito) está contido no saldo final e não foi utilizado pela Dow. Ora, com a devida vênia ao zeloso trabalho desenvolvido no Laudo referenciado pela Recorrente, ele apenas retrata a via tortuosa dos créditos pleiteados. Há diversos equívocos indicados e sucessivas movimentações de saldos entre contas, com a conclusão de que, na existência de saldo a maior, isso é significado que o valor pleiteado (a menor) está contido ali, sugerindo a procedência do pedido. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002191/200547 Acórdão n.º 3802003.029 S3TE02 Fl. 2.582 9 Não me parece que todos os problemas relativos à demonstração da materialidade dos créditos, já exaustivamente debatidos nos autos, tenham sido resolvidos pelo Laudo Técnico. Sem embargo, entendo que eventual equívoco na contabilização do saldo, ou ainda na movimentação em si, não seriam razão suficiente – consideradas de modo isolado – para negar o pedido do contribuinte. Todavia, a situação sob exame é excepcional, pois há uma série de movimentações entre contas contábeis, feitas para rubricas equivocadas, sem que houvesse um único momento de segurança quanto à adequação do valor e da conta correta. Isso dificulta deveras a análise da materialidade do crédito. Até porque em último caso o que se tem é, de um lado, uma análise feita à documentação apresentada pelo sujeito passivo, indicando que o crédito pleiteado já foi aproveitado doutra maneira; e, de outro, alegações e um apanhado de documentos fiscais que, de per si, não trazem qualquer dado pulsante que ponha em xeque a conclusão da autoridade administrativa. Assim, entendo que cabe refutar o pleito da Recorrente, por ausência de demonstração da materialidade do crédito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10280.901967/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 19 67 /2 00 9- 10 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 186 2 Relatório O Contribuinte CADAM S.A. devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através de recurso voluntário tempestivo, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, resultante de pagamento indevido ou a maior através de DARF relativo a pagamento de COFINS, conforme relatório nos seguintes termos, ao qual me reporto: Tratase de declaração de compensação transmitida em 07/11/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 130.760,77, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo a receita de código 5856, do período de apuração de 31/12/2004, no valor originário de R$ 293.906,61. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 04/06/2009, a interessada apresentou, em 03.07.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "O crédito analisado (...) deriva do pagamento de DARF (...) referente à COFINS apurada em 31/12/04 pela empresa. Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do (...) DACON (...), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (...) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a (...) DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF (...) que foi apurado — e pago. Um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 187 3 Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório ora recorrido. É certo que o DACON RETIFICADORA, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação (...). Logo, considerando que a empresa apontou a existência do crédito no DACON RETIFICADORA antes da realização do PER/DCOMP, é forçoso que a autoridade fiscal reveja a decisão recorrida a fim de homologar a compensação declarada pela Requerente em face da indubitável existência do crédito declarado. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Ressaltese que, em atenção ao principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, não se pode ignorar o conjunto de provas acostado aos autos, o qual revela a existência do crédito tributário declarado (.)." A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de IPI, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária; como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário pedindo a reforma do Julgado insistindo na existência do crédito negado, o qual transcrevo alguns trechos: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 188 4 Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (documento já anexado), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (art. 6°, § 1° da Lei n. 10.833/03) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF, na página 59 (documento já anexado), que foi apurado e pago um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil novecentos e seis reais e sessenta e um centavos). Ao analisar o pedido de compensação apresentado pela empresa, a autoridade fiscal considerou o crédito tributário declarado como inexistente, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi vinculado ao pagamento da COFINS, conforme indicado na DCTF, o que resultou na não homologação da compensação realizada pela empresa. Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação. O art. 11 § 10 da Instrução Normativa n° 590/05 da Secretaria da Receita Federal estabelece que: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, com observância das mesmas normas estabelecidas, para a demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 189 5 efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Ou seja, o DACON RETIFICADOR tem o condão de substituir integralmente o demonstrativo apresentado originariamente, inclusive para efetivar a inclusão de créditos não informados anteriormente. É imperioso que o Fisco constate que os créditos apontados pela empresa no DACON RETIFICADOR apontam um valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil, novecentos e seis reais e sessenta e um centavos),ou seja, o mesmo valor indicado pela empresa na PER/DCOMP 01667.42148.081106.1.3.042827 Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 190 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. A minuciosa e efetiva diligência foi realizada pela DRF/Belém, solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para que se procedesse à apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, período de apuração 31/12/2004. O contribuinte alega que “ao apurar o valor da Cofins devida em 31/12/2004, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período”. Isso gerou para a empresa um valor a pagar de R$ 293.906,61 referente a Cofins, que foi efetivamente recolhida por meio de DARF. Posteriormente, houve a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), referente ao 4º trimestre de 2004. A retificação teve o efeito de fazer com que os créditos provenientes da Cofins não cumulativa fossem suficientes para compensar os valores da contribuição devida. Dessa forma, o valor recolhido anteriormente a título de Cofins seria indevido. Sendo assim, a diligência analisou o DACON, referente ao 4º trimestre de 2004, para aferir se há contribuição a pagar para esse período de apuração, se o pagamento efetuado pelo contribuinte é indevido e quais os efeitos sobre o PER/DCOMP objeto do presente processo. A análise verificou os créditos de Cofins já que esses créditos podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher conforme estabelece o art. 6º, § 1º, inciso I da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O cálculo dos créditos de Cofins, pelo fato de poderem ser utilizados para dedução da contribuição a recolher, influenciam diretamente o valor da contribuição a pagar o que representa informação fundamental para determinar se o valor pago pelo contribuinte foi indevido. A tabela abaixo relaciona os processos, e respectivas Declarações de Compensação (DCOMP), que se utilizam do mesmo pagamento indevido que a empresa alega ter efetuado. Dessa forma, a diligência serviu como base para a análise dos seguintes processos cujas diligências foram solicitadas pelo CARF: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901967/200910 Acórdão n.º 3301002.567 S3C3T1 Fl. 191 7 A diligência analisou com precisão todas as glosas realizadas pela fiscalização e concordou totalmente com o procedimento realizado. Posteriormente a diligência realizou a recomposição da base de cálculo e dos créditos da Cofins no período em tela. Após a análise, verificouse que mesmo tendo sido efetuadas glosas, o contribuinte ainda possui créditos suficientes para compensar a contribuição apurada, ou seja, não houve contribuição a pagar para o período analisado conforme demonstrado na recomposição do DACON referente ao 4º trimestre de 2004. Sendo assim, constatou que o pagamento de R$ 293.906,61, do período de apuração de 31/12/2004, é indevido e pode ser utilizado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP nº 22556.62058.071106.1.3.047406, em análise neste processo, até o limite do crédito solicitado no PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Importa ressaltar que a PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950 está sendo analisada no processo nº 10280.901632/200993 e encontrase atualmente em fase de julgamento no CARF. Assim, pelos fatos expostos, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito e aguardando a análise da PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10314.002917/2002-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.088
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 13819.003345/2003-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
IRPJ CSLL. INÍCIO DA CONTRAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. FATO GERADOR. Não havendo pagamento parcial, a contagem do prazo decadencial é feita pelo dies a quo do art. 173 do CTN, mesmo quando se tratar de tributos cujo lançamento é feito por homologação.
NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. A não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, físicos e em meios magnéticos, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável.
MULTA AGRAVADA - RECUSA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - ARBITRAMENTO DO LUCRO - IMPOSSIBILIDADE DE SUA CUMULAÇÃO. O agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%, com fundamento na falta de apresentação de livros e documentos não pode prosperar, apesar do arbitramento do lucro justificado na falta de apresentação dos livros e documentos. A recusa do contribuinte justificada na ausência dos documentos enseja o arbitramento, mas não a majoração da penalidade.
Numero da decisão: 9101-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto à decadência: Pelo voto de qualidade, recurso conhecido, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Orlando Jose Gonçalves Bueno(Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). 2) No mérito, por unanimidade de votos, dado provimento parcial. a- Quanto a decadência: Por unanimidade de votos, dado provimento parcial para excluir o período 1998/1999. b- Quanto a omissão de receita: Por unanimidade de votos, recurso provido. c- Quanta ao agravamento da multa: Por maioria de votos, negado provimento. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo e Otacilio Dantas Cartaxo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Karem Jureidini Dias.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes Relator
(Assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorfe Celso Freire da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Justificadamente ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPJ CSLL. INÍCIO DA CONTRAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. FATO GERADOR. Não havendo pagamento parcial, a contagem do prazo decadencial é feita pelo dies a quo do art. 173 do CTN, mesmo quando se tratar de tributos cujo lançamento é feito por homologação. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. A não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, físicos e em meios magnéticos, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. MULTA AGRAVADA RECUSA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS ARBITRAMENTO DO LUCRO IMPOSSIBILIDADE DE SUA CUMULAÇÃO. O agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%, com fundamento na falta de apresentação de livros e documentos não pode prosperar, apesar do arbitramento do lucro justificado na falta de apresentação dos livros e documentos. A recusa do contribuinte justificada na ausência dos documentos enseja o arbitramento, mas não a majoração da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto à decadência: Pelo voto de qualidade, recurso conhecido, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Orlando Jose Gonçalves Bueno(Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). 2) No mérito, por unanimidade de votos, dado provimento parcial. a Quanto a decadência: Por unanimidade de votos, dado provimento parcial para excluir o período 1998/1999. b Quanto a omissão de receita: Por unanimidade de votos, recurso provido. c Quanta ao agravamento da multa: Por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 33 45 /2 00 3- 01 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 maioria de votos, negado provimento. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo e Otacilio Dantas Cartaxo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Karem Jureidini Dias. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes – Relator (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorfe Celso Freire da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Justificadamente ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 3 Relatório Adoto, por oportuno e suficiente, o relatório da decisão, recorrida, o qual transcrevo, a seguir, em excertos: “A Inylbra Tapetes e Veludos Ltda. foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais, inclusive o livro razão em 14/04/03, por Meio do MPFD n° 08.1.19.002003001494 (fls. 1). Em 26/05/2003, o contribuinte agora já sob fiscalização dos últimos cinco anos, porquanto o MPFD Original foi convertido em MPFF , foi novamente intimado, em face do MPFF 08.1.19.002003001907 (fls. 2), para apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, o livro razão contábil do ano calendário de 1998, sob pena de desclassificação de sua escrita (fls. 74). O MPFF 08.1.19.002003001907, de 26/05/2003, foi prorrogado em 04/06/2003 pelo MPFF 08.1.19.00200300190 71 (fls. 3) e, em 19/08/2003, foi novamente prorrogado pelo MPFF 08.1.19.0020030019072 (fls. 4). Em 10/06/2003 a contribuinte foi reintimada a apresentar livros, documentos fiscais e arquivos magnéticos e, em 27/07/2003, foi novamente reintimada a apresentar, no prazo de cinco dias, documentos e arquivos magnéticos referentes aos anos calendários de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003.; Em 22/07/2003, a contribuinte tem contra si lavrado Termo de Constatação que em razão das sucessivas intimações e reintimações que recebeu e em razão , de sua inércia , pressupôs a inexistência dos documentos e arquivos magnéticos solicitados. Finalmente, em 28/10/2003, a contribuinte, via postal, tomou ciência da lavratura, contra si, de autos de infração de IRPJ e de CSL. Os fatos que ensejaram a autuação foram descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 100/101, dos quais, por relevantes, relativamente ao anocalendário de 1998, extraio os seguintes: "1.6 — Em 07/10/2003 (via postal c/AR n° 75390231) , a contribuinte foi intimada a apresentar cópia da documentação de suporte da operação, no valor de R$ 10.340.958,27 (dez milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e cinqüenta e oito reais e vinte e sete 'centavos), conforme Termo de Intimação Fiscal de 29/09/2003 (cópia anexa). Em virtude da falta de manifestação até a presente data, o valor foi adicionado ao Lucro Arbitrado via Outras Receitas, conforme Demonstrativo da Receita Líquida Declarada que faz parte integrante deste procedimento. 1.7 — Embora intimada e reintimada (subitens 1.1 e 1.4) a contribuinte deixou de apresentar o(s) Razão(ões) Contábil(eis), motivando a formalização do Auto de Infração por "Embaraço à Fiscalização, objeto do processo administrativo n° Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 13819.001745/2003 i 74 (copia anexa), razão do arbitramento dos lucros, nos termos da legislação vigente. 1 8 Os lucros foram arbitrados tomandose por base de calculo as Receitas Operacionais extraídas do Diário Geral n° 37, (...), sumarizadas às fls. 402parte a 407 (cópia anexa) acrescido de Outras Receitas, conforme Demonstrativo da Receita Líquida Declarada, que faz parte integrante deste procedimento. " 1.9 O agravamento das penalidades aplicadas decorreu da recusa injustificada da apresentação dos arquivos em meio magnético exigidos, nos termos da legislação vigente." Constituídos os autos de infração de IRPJ e.,de CSL, às fls 144 o Sr. agente fiscal lavrou Termo de Encerramento, nos seguintes termos: "Encerramos, nesta data, parcialmente, a ação fiscal a efeito na contribuinte acima identificada, oriunda da Operação: 3710 Operações Financeiras, vinculada ao IMPOSTO DE RENDA – PESSOA JURÍDICA (IRPJ), referente aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, tendo procedido, em virtude da recusa injustificada de apresentação dos livros e documentos exigidos, o arbitramento dos lucros, conforme Demonstrativo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Em virtude do Mandado de Segurança n° 2003.61.14.0053635, objeto do processo administrativo n° 13819.003107/200398, deixouse de examinar a movimentação financeira, no período de 01/01/1998 a 31/12/2002, nos termos da liminar concedida." Não se conformando com os lançamentos, a contribuinte,tempestivamente, fez sua impugnação, alegando em síntese apertada que: O arbitramento não poderia subsistir fundado na escusa de suposto embaraço à fiscalização; A escrita não deveria ter sido desconsiderada; Seria vedada a fungibilidade entre os mandados de procedimento fiscal; O arbitramento 'também seria incabível, tendo em vista os prejuízos fiscais suportados pela impugnante. A 1a. Turma da DRJCAMPINAS/SP, apreciando o feito, nos termos do Acórdão DRJ/CPS N° 5.649/03 fls. 333351 julgou procedente os lançamentos. Irresignada com os termos do v. acórdão, a contribuinte dele recorreu, asseverando: (i) Que seria nulo o auto de infração, porquanto, uma vez expirado o prazo de validade do MPF, esgota a competência do agente fiscal; assim, considerando que os lançamentos somente se efetivaram em 28.10.03 e que o prazo do MPF se esgotara em 19.09.03, estes padecem do vicio de nulidade; . Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 5 (ii) Que também seria nulo o auto de infração porque, este teria sido lavrado no local da verificação da falta, que é o da fiscalizada, plenamente estabelecida; Que, quanto ao mérito, a empresa em nenhum rnomento se recusara a apresentar livros e documentos de sua escrituração, pelo contrário, dos 10 (dez) livros solicitados, deixou de apresentar somente um, qual seja, o livro razão; . (iv) Que, quanto a esse aspecto, não seria por demais observar o quanto dito no Acordao DRJ/CPS n° 4.793/03, do mesmo Colegiado, que entendera que a falta de somente um dos 10 (dez) livros solicitados não poderia ser causa de arbitramento; (vi) Que, não se deve perder de vista o fato de que o arbitramento constituise em uma criação do próprio direito, cuja finalidade precipua é garantir e dar efetividade à legislação de regência do imposto, traduzindose, pois, em medida extrema, isto é, quando houver impossibilidade de apuração do lucro real, 'o que evidentemente não seda o caso em questão; (v) (vii) Que a receita tida como omitida, na medida em que o fisco parte para o arbitramento, em verdade representaria autêntico "bis in idem"; (viii) Que a agravamento da penalidade foi descabido.” A Câmara a quo proferiu decisão, dando parcial provimento ao recurso, conforme ementa que se transcreve, a seguir: “NULIDADE DO LANÇAMENTO. ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL APÓS O PRAZO DE VENCIMENTO DO MPF. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS PELO AUDITOR FISCAL. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação: ao contribuinte. O que importa, para efeitos da ação fiscal, é que esta se desenvolva sob amparo de MPF o que é o caso em questão, não se podendo, pois, imputar nulidade do lançamento em face da simples circunstância de que a sua formalização se dera em momento ulterior ao de vencimento do MPF. IRPJ.CSLL. INÍCIO DA CONTRAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. FATO GERADOR. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § DO CTN. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O IRPJ e a CSLL são tributos que se amoldam à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 40 , do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS LUCRO ARBITRADO — CABIMENTO. A não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, físicos e em meios magnéticos, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. MAJORAÇÃO DA MULTA — IMPOSSIBILIDADE. Incabível o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%, quando o contribuinte não exibe à fiscalização os meios magnéticos que amparariam sua tributação com base no lucro real e que, juntamente com a não apresentação dos livros e documentos, foi motivo de arbitramento do lucro por parte da autoridade lançadora. Preliminar de nulidade afastada. Recurso parcialmente provido.’’ A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, admitido por despacho, nos autos, os seguintes termos( transcrição parcial): “O presente recurso fundase no art. 32, I do RICC. Recorro da declaração de decadência da CSLL, da exclusão do valor ,de R$ 10.349.958,27 do valor do lucro arbitrado e da redução da multa de ofício de 112,5% para 75%. (...) DA DECADÊNCIA: O nosso entendimento é de que o prazo aplicável é o prazo de 10 anos. A lei no. 8.212 assim o determina. Se a lei não foi declarada inconstitucional, então, deve ser aplicada. De outra forma, estarseia negando vigência a um dispositivo legal em pleno vigor, o que é declarar a inconstitucionalidade da lei. (...) DO LUCRO ARBITRADO: Quanto à exclusão do valor de R$ 10.349.958,27 do lucro arbitrado, não houve comprovação da sua natureza. A fiscalização classificou no art. 27, II da lei no. 9430. Procedimento defensável e que foi julgado desfavoravelmente pela Câmara. Apontado o dispositivo que se considera infringido temos por recorrida a matéria por ser exigida uma prova que a Fazenda não pode fazer e que seria de ônus do contribuinte. DO DESAGRAVAMENTO DA MULTA: “Em relação ao desagravamento da multa de ofício (§2o. do art.44 da Lei no. 9.430. Este é o dispositivo violado e a seguir estão as razões que subsidiam nosso apelo. (...) Para a Câmara, o fato de se arbitrar o lucro impede a aplicação de multa agravada. De acordo com a decisão, é incabível a majoração da multa prevista no. §2o. do art.44 da Lei no. 9.430/96. Isso porque a razão do arbitramento foi justamente a falta de apresentação dos livros e documentos de escrituração. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 7 Essa interpretação é descabida. Arbitramento é forma de apuração do lucro para chegarmos ao imposto de renda devido. Não se trata de penalidade. Já a multa do §2 do art. 44 da lei 9.430 é penalidade. Não se trata da mesma coisa. Tem naturezas jurídicas diversas. São institutos diversos.” È o relatório, no que interessa à solução da lide. Voto Vencido Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade, e, portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA: A Procuradoria alega a decisão recorrida, por considerar o prazo decadencial das contribuições como sendo de cinco anos, nos termos do que dispõe o artigo 150 do Código Tributário Nacional,feriu o disposto na Lei Complementar 8212/91, que estabelece, para tal, o prazo de dez anos. Sobre o assunto, transcrevo voto do eminente conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, ao apreciar o recurso 143.870, o qual adoto, como razões de decidir: “As questões colocadas à apreciação deste Colegiado dizem respeito ao dies a quo da contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário em face de tributo lançado por homologação, além do cabimento da aplicação de multa isolada decorrente da falta de recolhimento de tributo devido por estimativa, concomitante com a multa de ofício, temas esses recorrentes, porém ainda não pacificados neste forum. Sabese que da formalização da exação tributária foi dada ciência à interessada em 19/04/2004, tendo a decisão recorrida dado provimento parcial ao recurso voluntário, considerando decaídos os lançamentos efetuados para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário de 1998, e, relativamente às Contribuições ao PIS/COFINS, considerar alcançados pela decadência também os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 1999. No mérito, foi exonerada a multa isolada concomitante com a multa de ofício. Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 9 Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 11 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 13 especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto. (destaques acrescidos) (....) “ No presente caso, verificase que não consta nenhuma comprovação de que tenha havido pagamento a título da contribuição social sobre o lucro líquido, ressaltandose, inclusive, que o contribuinte apurou prejuízo fiscal em todos os exercícios fiscalizados. Ante o exposto e tendo em vista que, no caso sob análise, a ciência da autuação pelo sujeito passivo deuse em 28/10/2003, , considero que ao caso deve ser dado o seguinte tratamento: Para o IRPJ e a CSLL relativos ao anocalendário de 1998, exercício 1999, de acordo com o art. 173, I, do CTN, iniciase a contagem em 1º/01/2000, expirandose em 1º/01/2005. Como a autuação deuse em 28/10/2003, concluo que o lançamento não foi alcançado pela decadência. No entanto, não houve recurso da douta Procuradoria quanto ao IRPJ. DO PROVIMENTO PARCIAL QUANTO AO LUCRO ARBITRADO: A decisão recorrida assim se pronunciou sobre esta questão: “Ora, o fato de a inércia da recorrente em prestar os esclarecimentos solicitados pela autoridade administrativa sugerir indícios dique referido valor, que se encontrava contabilizado como "Reserva Para Aumento de 'Capital", pudesse não ter origem justificada, sem o devido aprofundamento dos trabalhos. da fiscalização, não poderia ter acarretado a sua tributação. Deveras, não se. tratando a matéria em questão de presunção legal em que, em face da lei, provado o fato descrito na norma, dáse a inversão do ônus da prova, no caso concreto, no silêncio do contribuinte caberia à autoridade administrativa, com base nos amplos poderes de fiscalização de que dispunha, investigar a origem da formação daquela conta de Reserva de Capital para, se fosse o caso, submetêla à tributação a título de receita omitida.” Entendo diversamente do eminente relator da instância a quo. O registro de um lançamento contábil goza do pressuposto de que seja correspondente a fatos do mundo real existentes, inclusive, Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 conforme dispõe a Legislação Comercial, fazendo prova em favor do contribuinte, quando for o caso. Ora, por esta razão, não entendo que caberia ao Fisco comprovar a veracidade do que foi escriturado pelo próprio contribuinte. Ao contrário, esta escrituração goza de presunção de legitimidade, e, portanto, para invalidála. Deveria o contribuinte ter carreado aos autos razões para tal. Por esta razão, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, neste aspecto. DO AGRAVAMENTO DA MULTA: O contribuinte teve sua multa majorada pela não apresentação de livros e documentos e, de fato, esta conduta implica a aplicação da penalidade, conforme procedeu o Fisco. Esta penalidade não se confunde com o arbitramento, que é uma sistemática de apuração do tributo, na ausência de elementos que o possibilitem. Seria possível, por exemplo, que o contribuinte fosse autuado pela não entrega de documentos e que, mesmo assim, não lhe fosse aplicado o arbitramento, se o Fisco, com outros elementos de que dispusesse, lograsse êxito na apuração do tributo. Sem delongas, não vislumbro amparo legal para dispensa da majoração da multa, sob alegação de que o fato já teria sido base para o arbitramento. Dou provimento à Fazenda Nacional, neste aspecto. Diante de todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias – Redatora Designada Na qualidade de redatora designada, depreendese do resultado do julgamento que fui redatora designada apenas para redigir o voto na questão do agravamento da multa, parte em que o Conselheiro relator restou vencido. Antes, contudo, cabe aqui tecer alguns comentários a respeito do arbitramento do lucro pela fiscalização, naquilo que tem relação com o agravamento da multa de ofício. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 15 É sabido que o arbitramento do lucro é medida extrema que deve ser utilizada quando não houver condições de se apurar o lucro real. Acrescento, por esclarecimento, que cabe também arbitramento quando não for possível à fiscalização conferir, com alguma segurança, a apuração do lucro efetuada pelo contribuinte. Neste passo, caso o contribuinte, após solicitação fiscal, não apresente livros auxiliares ou comprovantes das movimentações financeiras, capazes de permitir à fiscalização a apuração do lucro real, o arbitramento é justificável. Inclusive, é nesse sentido a jurisprudência majoritária deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: LUCRO ARBITRADO. A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela inexistência de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. (Acórdão 1801000.766) IRPJ LUCRO ARBITRADO A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela inexistência de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, a falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável (Acórdão 10809700) IRPJ ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL ARBITRAMENTO DO LUCRO. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que mantiver a escrituração do livro Diário em partidas mensais, sem apoio em livros auxiliares e, além disso, movimenta recursos financeiros excluídos da tributação em nome de terceiros, sujeitase à medida do arbitramento do lucro. (ACÓRDÃO 10196.659) Conforme o relatório e o voto do Conselheiro relator, o arbitramento do lucro do contribuinte in casu ocorreu em decorrência da não apresentação dos arquivos magnéticos e documentos fiscais à Fiscalização, visto que o contribuinte não possuía os documentos. A simples falta de entrega dos livros e arquivos magnéticos, entretanto, não enseja, necessariamente, o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%. Para que ocorra a o agravamento da multa de ofício, além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, deve restar comprovado o embaraço à fiscalização. No presente caso, o contribuinte não entregou os documentos, porque não os possuía, motivo pelo qual justificável o lucro foi arbitrado, tendo em vista que não seria possível a verificação do lucro pela Fiscalização. Destaco que não restou comprovado ter havido óbice à Fiscalização por parte do contribuinte, que ensejasse o agravamento da penalidade. Conforme discutido por esta Turma Julgadora, se o contribuinte já havia entregado ou informado os documentos que possuía, de nada adianta reiteradas fiscalizações para que ele Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 entregue o que não possuía. Por essa razão que o motivo do arbitramento do lucro não enseja per si e não se confunde com o motivo para o agravamento da penalidade. No mesmo sentido, é o entendimento outrora pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: “MULTA AGRAVADA. A majoração da multa de ofício não pode prosperar no arbitramento de lucros justificado na alta fata de apresentação dos livros e documentos por ter sido exatamente esta a razão da medida extrema.” (Acórdão nº 1301001.460, sessão de 14 de abril de 2014) “MULTA AGRAVADA RECUSA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS ARBITRAMENTO DO LUCRO IMPOSSIBILIDADE DE SUA CUMULAÇÃO Se a causa que levou a autoridade fiscal ao arbitramento foi justamente a recusa do contribuinte em apresentar seus livros e documentos, uma das hipóteses legais do arbitramento, não é cabível a imposição do agravamento da penalidade de que trata o art. 959 do RIR/99.” (Acórdão nº 10516.277, sessão de 28 de fevereiro de 2007) “MULTA AGRAVADA RECUSA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS ARBITRAMENTO DO LUCRO IMPOSSIBILIDADE DE SUA CUMULAÇÃO Se a causa que levou a autoridade fiscal ao arbitramento foi justamente a recusa do contribuinte em apresentar seus livros e documentos, uma das hipóteses legais do arbitramento, não é cabível a imposição do agravamento da penalidade de que trata o art. 959 do RIR/99.” (Acórdão nº 10708.102, sessão de 15 de junho de 2005) Pelo exposto, declaro o entendimento da Tuma no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte do agravamento da multa de ofício, que deve permanecer em seu percentual normal de 75%. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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