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Numero do processo: 10805.906975/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 69 75 /2 00 9- 88 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 102 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 05311.92894.290208.1.3.041424, em 29.02.2008, fls. 0232, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de dezembro de 2001, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 07/10/2009, fls. 34, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 11.469,60, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 103 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.202, de 22/08/2013, fls. 7885, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 104 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 05311.92894.290208.1.3.041424,, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 31/12/2001, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 105 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 106 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 107 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 108 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 109 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 110 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 111 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.906975/200988 Acórdão n.º 1803002.597 S1TE03 Fl. 112 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721695/2012-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2009
INTEMPESTIVIDADE
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva
Numero da decisão: 1802-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2009 INTEMPESTIVIDADE A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 16 95 /2 01 2- 12 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13888.721695/201212 Acórdão n.º 1802002.544 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de autuação por omissão de receitas praticada sobre a venda de mercadorias relativas aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestre de 2007; e 1º, 2º e 3º trimestre de 2009 para o IRPJ e CSLL; e relativas a janeiro de 2007 a dezembro de 2007 e janeiro de 2009 a julho de 2009 para o PIS e COFINS. O recurso voluntário foi interposto em 24/01/2014, contra decisão de 1ª instância que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2009 DECLARAÇÃO. CONTABILIDADE. DIVERGÊNCIA. Procedese ao lançamento do crédito tributário relativo à diferença entre o que fora declarado ao Fisco em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e o que consta dos registros contábeis do sujeito passivo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL. CONTAGEM DO PRAZO. A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOGERENTE. PESSOA JURÍDICA. DISSOLUÇÃO. Mantémse a responsabilização tributária na hipótese em que a responsável lançada deixa de apresentar contestação. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13888.721695/201212 Acórdão n.º 1802002.544 S1‐TE02 Fl. 4 3 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, ressaltando nulidades por vícios formal e material. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Pressupostos de admissibilidade Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, conforme as datas relatadas e o termo de perempção às fls. 1063, o recurso é intempestivo: Cientificado do referido Acórdão em 29/11/2013, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 1060, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 24/01/2014, intempestivamente, juntado às fls. 1065 a 1078. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É o meu VOTO (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13888.721695/201212 Acórdão n.º 1802002.544 S1‐TE02 Fl. 5 4 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911458/2008-81
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado, EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido eletrônico de restituição e declaração de compensação (PER/Dcomp) apresentado pelo interessado no dia 15/06/2004, por intermédio do qual pretende compensar débito de PIS/Pasep, referente ao período de apuração de 05/2004, mediante o aproveitamento de crédito da mesma Contribuição (PIS/Pasep), supostamente recolhida de forma indevida ou a maior, relativa ao período de apuração de 07/2003, em face Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.911458/200881 Resolução n.º 330200.156 S3C3T2 Fl. 229 2 da não utilização, à época da apuração e pagamento, de crédito incidente sobre serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade industrial. A autoridade administrativa competente, por meio do Despacho Decisório de fl. 08, não reconheceu a existência do crédito alegado e não homologou a compensação declarada. O pagamento de PIS/Pasep tido como indevido fora alocado integralmente ao débito de mesmo valor declarado em DCTF, não restando comprovado a existência de pagamento a maior ou indevido. Ciente desta decisão no dia 26/08/2008, dela a interessada não concordou e ingressou com manifestação de inconformidade, na qual alega, em apertada síntese, que: a) o crédito compensado através de PER/Dcomp teve sua origem no levantamento de gastos de prestação de serviços de manutenção, apurados no período de fevereiro de 2003 a março de 2004, cujos créditos não foram considerados quando da efetivação do pagamento, conforme dispõe a Instrução Normativa (IN) SRF n° 247/2002 (arts. 66 e 67), alterada pela IN SRF n° 358/2003; b) os valores dos créditos foram levantados conforme planilha anexa (fl. 22), tendose por certo o direito da empresa em aproveitar os créditos dai decorrentes; c) ao realizar a compensação permitida pela legislação a empresa informou à Receita Federal, através da DCTF. Na oportunidade informou, inclusive, os números dos PER/Dcomp's gerados; A autoridade julgadora de primeira estância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1331.465, de 22/09/2010, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. Somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação, não se prestando a tal comprovação o simples cotejo do pagamento arrecadado com o valor do débito declarado em DCTF não espontaneamente apresentada. Ciente desta decisão em 10/11/2010 (fl. 205), a interessada ingressou, no dia 10/12/2010, com o recurso voluntário de fls. 208/212, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescente que: 1 a decisão recorrida se afasta da verdade material dos fatos que deram origem ao pedido de compensação. Os fatos levam à conclusão de que o crédito utilizado na compensação é legítimo posto que decorre da aquisição de serviços de manutenção; 2 a despeito da retificação efetuada em dezembro de 2009, a manutenção da DCTF está impedindo a recorrente de aproveitar um crédito legítimo, o que viola o princípio da verdade material, não devendo prosperar o entendimento da decisão recorrida de que não deve ser admitida a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.911458/200881 Resolução n.º 330200.156 S3C3T2 Fl. 230 3 3 a documentação juntada ais autos reflete, com extrema clareza, a materialidade do crédito apurado pela recorrente e utilizado na compensação sob análise. É o Relatório. VOTO Em que pese as contundentes considerações trazidas ao processo pelo eminente Relator, tenho me manifestado reiteradamente sobre a necessidade de maior respeito por parte das autoridades administrativas do princípio da verdade material em suas decisões. As alegações trazidas aos autos pela Recorrente, juntamente com documentos que entendeu pertinentes, dão conta da existência de crédito de PIS não cumulativo que deixou de ser apropriado na época própria, e que, uma vez identificado, procurouse utilizar. De fato me parece que os procedimentos, é o numero deles é cada vez maior, adotados pelo recorrente merecem certa censura, mas, a meu ver, não podem afastar o direito concedido pela legislação de regência a utilização dos créditos a que os contribuintes entendem fazer jus. A própria Receita Federal, por vezes, ainda tem dificuldade em orientar os contribuintes a cerca da forma correta a ser utilizada nestes casos. No presente processo, parece correto afirmar que o direito ao crédito pleiteado deixou de ser apreciado ante o entendimento de que “somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação, não se prestando a tal comprovação o simples cotejo do pagamento arrecadado com o valor do débito declarado em DCTF não espontaneamente apresentada.” Ou seja, a Recorrente não teria comprovado que o crédito a que entende fazer jus estaria corretamente consignado em sua contabilidade. É neste ponto que entendo que a realização de diligência se torna imprescindível para o bom deslinde do presente processo. Neste contexto voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora verifique os registros contábeis da Recorrente a fim de confirmar a existência dos alegados créditos e se eventualmente não foram utilizados em períodos posteriores, trazendo também aos autos outras informações que repute significativas para o bom deslinde do processo. A Recorrente deverá ser intimada para se manifestar do resultado da presente diligência. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002477/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999
PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo dolo, fraude ou simulação do contribuinte, havendo antecipação de pagamento do tributo, ainda que parcial, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, inicia-se o prazo no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543-C do CPC.
Em 13/06/2007, data da ciência do lançamento, havia se operado a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do período de janeiro de 1997 a novembro de 1999.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999 PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo dolo, fraude ou simulação do contribuinte, havendo antecipação de pagamento do tributo, ainda que parcial, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, inicia-se o prazo no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543-C do CPC. Em 13/06/2007, data da ciência do lançamento, havia se operado a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do período de janeiro de 1997 a novembro de 1999. Recurso Voluntário Provido.
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O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo dolo, fraude ou simulação do contribuinte, havendo antecipação de pagamento do tributo, ainda que parcial, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, inicia se o prazo no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543C do CPC. Em 13/06/2007, data da ciência do lançamento, havia se operado a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do período de janeiro de 1997 a novembro de 1999. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 24 77 /2 00 7- 85 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002477/200785 Acórdão n.º 2402004.653 S2C4T2 Fl. 588 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1318.258 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro II (RJ), fl. 462469, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.095.0879, do qual as interessadas tiveram ciência em 15/02/2008, fls. 477478. De acordo com o relatório fiscal de fl. 8993, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais e das contribuições a cargo dos segurados empregados devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e aos terceiros (salárioeducação, INCRA e DPC), incidentes sobre valores pagos pela empresa Marflex Navegação Ltda, sucedida por Brasflex Tubos Flexíveis Ltda, a título de prêmios de seguro de vida em grupo, no período de 01/1997 a 11/1999. Constam do pólo passivo do lançamento, na condição de contribuinte, a empresa Brasflex Tubos Flexíveis Ltda, CNPJ 29.505.864/000147, e, na condição de responsável solidária integrante do grupo econômico, as empresas Flexibras Tubos Flexíveis Ltda, CNPJ 28.910.529/000161 e Technip Engenharia S/A, CNPJ 68.915.891/000140. Brasflex Tubos Flexíveis Ltda foi cientificada do lançamento tributário em 13/06/2007, fls. 4, e Flexibras Tubos Flexíveis Ltda e Technip Engenharia S/A, CNPJ 68.915.891/000140, tiveram ciência em 06/07/2007 e 10/07/2007, respectivamente, fls. 418 421 e fls. 460. Technip Brasil Engenharia, Instalações e Apoio Marítimo S/A, CNPJ 68.915.891/000140 apresentou impugnação ao lançamento, fls. 424436, solicitando o cancelamento do crédito tributário, alegando, em preliminar, decadência e, no mérito, que não incide contribuição sobre as parcelas pagas a título de prêmio de seguro de vida. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que os prêmios de seguro de vida em grupo pagos aos empregados somente passaram a ser isentos de contribuições previdenciárias a partir de 12/1999, com a edição do Decreto 3.265/99. Em 14/03/2008, Technip Brasil Engenharia, Instalações e Apoio Marítimo S/A, CNPJ 68.915.891/000140, por meio de advogado qualificado nos autos, interpôs recurso voluntário, fl. 479506, solicitando o cancelamento do crédito tributário e reiterando as razões apresentadas na impugnação. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estar presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002477/200785 Acórdão n.º 2402004.653 S2C4T2 Fl. 589 5 Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo (REsp nº 973733/SC, Min. Rel. Luiz Fux, DJe 18/09/2009), que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. O lançamento em exame referese ao período de janeiro de 1997 a novembro de 1999. Os sujeitos passivos tiverem ciência do lançamento no ano de 2007. De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, em 2007 já haviam sido atingidos pela decadência todos os fatos geradores anteriores à competência novembro de 2002. Portanto, com base no art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN), estão extintos os créditos tributários exigidos neste lançamento. Por incompatibilidade, deixo de analisar as demais alegações do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento ao recurso em razão da decadência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10380.006477/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente ao segundo trimestre de 2004, no valor de R$ 6.390.927,89 (fl. 16), com fulcro no art. 6°, § 1°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A Delegada Substituta da Receita Federal do Brasil em Fortaleza — CE, consubstanciada na Informação Fiscal (fls. 38/39), prolatou o Despacho Decisório (fl. 40), em que decide "reconhecer o direito creditório de R$ 6.390.927,89 (seis milhões, trezentos e noventa mil, novecentos e vinte e sete reais, oitenta e nove e sete centavos), sobre cujo montante não incidirão os juros na forma SELIC, bem como homologar as compensações eventualmente vinculadas, até o limite do valor atrás mencionado". Cientificada do Despacho Decisório via postal em 10/07/2008, por meio de aviso de Recebimento AR (fl. 69), a contribuinte apresentou, em 16/07/2008, manifestação de inconformidade (fls. 41/55) contra a não incidência dos juros à taxa Selic sobre o direito creditório reconhecido, fundamentando sua defesa com base nos argumentos abaixo sintetizados: a contribuinte é titular do direito aos créditos de Cofins, conforme reconhecido pelo Despacho Decisório e não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária sobre tais créditos, pois, se existisse, prestigiaria a outorga de créditos em valores históricos, totalmente corroídos pela inflação do período entre a protocolização do pedido de ressarcimento até o seu efetivamente fornecimento ao contribuinte, o que caracterizaria enriquecimento ilícito da união Federal às custas alheias; por sua vez, mesmo não existindo previsão da incidência da correção monetária na Lei n° 10.833/2003, a mesma é totalmente aplicável, por não se constituir em acréscimo de valor, mas somente a manutenção do poder econômico da moeda, independente de expressa previsão legal por ser implícita a toda legislação que trate de natureza econômica dos contribuintes; afirma que a própria Advocacia Geral da União — AGU ratifica esse entendimento, nos termos do Parecer n° 01, de 11 de junho de 1996, com a seguinte conclusão: "A correção monetária não se constitui plus a exigir expressa previsão legal"; no mesmo sentido é a jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, do Superior Tribunal de Justiça — STJ e do Supremo Tribunal Federal — STF, que traz à colação; mesmo que não possível a aplicação da correção monetária acima defendida, o que admite apenas para considerar, a incidência da Selic também seria possível em razão de ser o "ressarcimento" um espécie do gênero "restituição", estando contemplada na legislação aplicável a este, posicionamento que está em sintonia com o entendimento do Conselho de Contribuinte; deve ser considerado que o termo "ressarcimento" faz parte do gênero "restituição" para fins de aplicação do art. 39, §4° da Lei n° 9.250/95, como também o faz o termo "resgate" previsto no art. 16 do Decretolei n° 2.288, de 23 de julho de 1986; Fl. 119DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006477/200467 Acórdão n.º 310200.845 S3C1T2 Fl. 119 3 no caso do empréstimo compulsório, não obstante estar no referido Decreto lei escrito o termo resgatado", a jurisprudência do STJ e demais TRF são pacíficas pela incidência dos juros à taxa Selic no recebimento dos valores pagos; ora, se "resgate" faz parte do gênero "restituição" para suportar os efeitos do art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95, com a mesma razão deve ser admitido o "ressarcimento" espécie do gênero "restituição", pois tanto ela como o resgate objetivam o recebimento de numerário pago ao poder público; a legislação federal, desde 1996, equiparou os efeitos fiscais do "ressarcimento" ao da "restituição", como de depreende da Lei n° 9.430/96 (art. 74) e do Decreto n° 2.138/97 (art. 1°), equiparação vislumbrada pela Conselheira Luiza Helena Galante, do Segundo Conselho de Contribuinte, ao julgar válida a aplicação da taxa Selic no crédito presumido do IPI (Processo n° 13805.008515/9631, Recurso n° 111.047, Acórdão n°20173.147); mesmo se o "ressarcimento" não fosse uma espécie do gênero "restituição", ainda assim persistiria à aplicação do art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95 sobre o crédito do PIS passível de ser ressarcido à contribuinte, com fundamento na aplicação da analogia; considerando que na recuperação de valores por compensação se aplicam a taxa Selic, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito de Cofins; a jurisprudência do Conselho de Contribuintes confirma a assertiva de serem os dois institutos afins para se aplicar ao ressarcimento os dispositivos relacionados à compensação tributária; o direito à incidência da Selic não resta prejudicado em razão da previsão expressa no art. 52, § 5°, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, como asseverou a autoridade emissora do Despacho Decisório, pois, como restou demonstrado, a incidência da Selic deve ser realizada na condição de meio para a concretização da atualização monetária do crédito de Cofins, não se confundindo com "juros" devidos em outras situações e referido no mencionado dispositivo da IN; existem inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes ratificando a impossibilidade de Instrução Normativa desrespeitar determinação prevista em texto de lei. Diante do exposto, requer a contribuinte que seja reconhecido administrativamente a incidência da Selic, como atualização monetária ou mesmo juros de mora, sobre o valor do crédito pleiteado a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento ou, na hipótese de ter sido o crédito utilizado em compensação tributária, até a data da compensação e, a partir desse momento sobre o eventual saldo credor resultante do abatimento até o seu efetivo ressarcimento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Fl. 120DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento por ausência de previsão legal. Não se podem aplicar as mesmas regras de compensação ou restituição porque nessas hipóteses houve pagamento indevido ou maior que o devido, o que inexiste nos casos de ressarcimento. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Defende não existir nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da Contribuição para o PIS objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários. Assevera que os efeitos da inflação medida no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sem que tivesse dado causa a esta perda, por ser o tempo da emissão do Despacho Decisório e o efetivo ressarcimento algo definido exclusivamente pelos servidores e autoridades que atuaram no curso do processo administrativo de ressarcimento. Argumenta que a própria Advocacia Geral da União — AGU ratifica este entendimento através do Parecer n° 01, de 11 de junho de 1996. Da mesma forma, orientam a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e o Poder Judiciário. Sustenta que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, e que a incidência da taxa SELIC, como índice de atualização monetária, não é prejudicado em razão da previsão contida no artigo 52, §5° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Percebese tratarse de litígio adstrito à não incidência dos juros à taxa Selic sobre o direito creditório oriundo de pedido de ressarcimento acolhido pela autoridade administrativa. Dada a riqueza das consideração presentes e a pertinência da decisão correspondente, transcrevo a seguir excertos do voto de lavra do ilustre colega, Conselherio José Fernandes do Nascimento, no processo 13854.000181/200245, recurso 516.909, versando sobre pedido de mesma natureza e que, embora tratando de crédito presumido do IPI, traz esclarecimentos decisivos para a tomada de decisão da presente contenda. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006477/200467 Acórdão n.º 310200.845 S3C1T2 Fl. 120 5 III. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com o argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Discordo desse entendimento, pelas razões que aduzirei a seguir. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o ressarcimento em tela tratase de um benefício fiscal, logo, a não atualização monetária não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas, a falta de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público exige tem que está amparado em lei. Assim, tratandose de crédito natureza escritural, o ressarcimento dos créditos presumidos do IPI, por falta de previsão legal, não está contemplado com quaisquer acréscimo, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776∕RS1, cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃO CUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF∕88 E ART. 49 DO CTN) (...) 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) Resta claro na transcrita ementa que se não existe previsão legal, para a incidência da atualização monetária, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776∕RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16∕02∕2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam os saldos de créditos presumidos do IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a atuar acima e além dos ditames legais que norteiam a competência no exercício da função pública. Idêntico tratamento, obviamente, aplicase a taxa Selic. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), compete ao legislativo editar as leis que integrarão o ordenamento jurídico do País. Na suposta ausência de lei, não pode o aplicador ou julgador da norma geral e abstrata, suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça, segundo a ótica de quem executa ou julga o ato administrativo. Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. A primeira indagação a ser feita é a seguinte: isonomia com o que? Segundo a Recorrente, a isonomia seria em relação ao pagamento dos tributos. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em confronto, envolvendo o pagamento do tributo e o pagamento do ressarcimento de tributo, posto que os sujeitos que as integram se encontram em posições distintas e contrapostas. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo enquanto que o contribuinte a de sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Não se deve olvidar ainda que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa na Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996). O que não existe no caso da mora no pagamento do ressarcimento dos créditos presumidos do IPI. Logo, a questão relevante é a falta de previsão legal para o pretendido acréscimo da taxa Selic. Para a Recorrente, como a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de admitir a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, às hipóteses de ressarcimento de créditos de IPI, seria evidente que, a partir de janeiro de 1996, também deveriam tais créditos serem calculados de acordo com o que determinado no referido art. 66, complementado pelo art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 662 da Lei nº 8.383, de 1991, quanto o § 4° do art. 393 da Lei nº 9.250, de 1995, tratam 2 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 3 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006477/200467 Acórdão n.º 310200.845 S3C1T2 Fl. 121 7 exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. É oportuno esclarecer que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. As diferenças entre ambos institutos jurídicos são marcantes. No quadro abaixo, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Tratase de devolução de tributo irregularmente pago. Tratase de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtorexportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Logo, fica demonstrado que o ressarcimento do crédito presumido do IPI não representa uma forma de restituição de contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo. Na verdade, o ressarcimento em tela tratase de uma subvenção financeira governamental concedida ao exportador dos produtos nacionais resultante da industrialização dos insumos tributados pelas mencionadas Contribuições. Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito presumido do IPI, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da integração normativa é necessário que haja um vazio normativo, ou seja, uma lacuna na lei. No âmbito tributário, confirmando tal regra, o caput do art. 108 do CTN determina que a integração normativa somente pode ser utilizada diante da ausência expressa de disposição de lei. No caso em tela não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os créditos presumidos do IPI, com base na taxa Selic, não se configura numa ausência legislativa, mas, conforme anteriormente demonstrado, decorre uma prerrogativa do legislador, que encontra respaldo no princípio do indisponibilidade do interesse público e da extrafiscalidade. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ad argumentadum e em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista a total dessemelhança e dissimilaridade entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito presumido do IPI. Com essas considerações, entendo inaplicável ao pagamento do valor do crédito presumido do IPI qualquer modalidade de acréscimo, seja a título de correção monetária ou juros moratórios, calculado com base na taxa Selic. Não havendo acréscimos a fazer, VOTO, com base nas considerações retro, POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2010. Ricardo Paulo Rosa Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000073/00-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA.
O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material e embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, está condicionado ao esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, nos termos estabelecidos pela Lei Nº 9.779/98.
O direito e o montante do crédito foram comprovados em diligência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA. O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, está condicionado ao esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, nos termos estabelecidos pela Lei Nº 9.779/98. O direito e o montante do crédito foram comprovados em diligência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 00 73 /0 0- 21 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.000073/0021 Acórdão n.º 3301002.536 S3C3T1 Fl. 362 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP): O presente processo versa sobre Pedido de Ressarcimento de IPI, cumulado com Pedidos de Compensação, referente a créditos originados da aquisição de insumos e material de embalagens, protocolizado em 13/01/2000, relativo ao 4º trimestre de 1999. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos prolatou a Decisão nº 001/2005 (fls. 162/164), indeferindo os pedidos de ressarcimento e compensação formulados, com base nas informações fiscais de fls. 135/136 e fl. 152, nas quais as autoridades fiscais manifestaramse pelo indeferimento do pedido em virtude de: 1. Existência de saldo credor em 31/12/1998 no Livro Registro de Apuração do IPI, no montante de R$ 1.746.294,81, o qual não foi esgotado pela contribuinte na compensação com débitos do imposto, conforme preceitua o parágrafo 3º, do art. 5º, da Instrução Normativa SRF nº 33/99. Embora a contribuinte tenha excluído o referido saldo no Livro Registro de Apuração, no campo “observações”, no 3º decêndio de março de 1999, posteriormente reverteu o saldo credor então excluído, através de crédito no 1º decêndio de junho de 2000, passando a compensálo com os débitos ali apurados; 2. Falta de comprovação do estorno do crédito pleiteado no Livro Registro de Apuração; 3. Não apresentação das notas fiscais de entrada e saída; 4. Não apresentação da documentação solicitada na Intimação de fl. 124, o que inviabiliza a análise do pleito. Regularmente cientificada da Decisão, a postulante apresentou, em 03/02/2005, manifestação de inconformidade de fls. 168/172, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Quanto aos documentos solicitados, notas fiscais de entrada e saída e Livro de Apuração de IPI, foram apresentados à época própria, contudo, a fim de evitar contratempos, faz a juntada, por amostragem, de cópias autenticadas dos mesmos; 2. O art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, emana comando que confere direito à contribuinte de utilizarse do saldo credor objeto da presente lide, em conformidade com os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, remetendo à Secretaria da Receita Federal a regulamentação do exercício do direito outorgado; 3. Não poderia a IN SRF nº 33/99 restringir direito conferido pela Lei nº 9.779, de 1999. Este ato normativo cria uma série de óbices ao livre aproveitamento do saldo credor do IPI, sem que a Lei tenha feito qualquer menção a respeito. Inova ilegitimamente e fere também o princípio da nãocumulatividade. Na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que a IN SRF 33/99 além de trazer inovações ilegítimas fere também o principio da nãocumulatividade do IPI, na exata medida em que cria óbices muitas vezes intransponíveis à utilização dos créditos. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.000073/0021 Acórdão n.º 3301002.536 S3C3T1 Fl. 363 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) indeferiu a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: Assunto: Ressarcimento de IPI Período de apuração: 1999 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, está condicionado ao esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, nos ermos estabelecidos pela Instrução Normativa SRF N° 33/99. Manifestação de Inconformidade Indeferida. No Recurso Voluntário o contribuinte requer o deferimento do pedido de ressarcimento e das compensações baseado nos mesmos argumentos anteriores, ou seja, de que a IN SRF Nº 33/99 além de trazer inovações ilegítimas fere também o principio da não cumulatividade do IPI (art. 153, §3°, II, CF/88), na exata medida em que cria óbices muitas vezes intransponíveis à utilização dos créditos, especialmente no caso dos autos, onde a diferença de alíquota chega a até 8% entre o valor das compras (de insumos) e das vendas (dos produtos industrializados). É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.000073/0021 Acórdão n.º 3301002.536 S3C3T1 Fl. 364 4 Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos indeferiu o pedido de ressarcimento do IPI relativo ao 4º trimestre de 1999, no valor de R$ 381.022,28, porque a contribuinte não teria esgotado o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 no Livro Registro de Apuração do IPI, no montante de R$ 1.746.294,81. Os demais pedidos de ressarcimento de IPI, relativos aos trimestres anteriores do exercício de 1999 também foram indeferidos No Recurso Voluntário o contribuinte alegou que a IN SRF 33/99 além de trazer inovações ilegítimas fere também o principio da nãocumulatividade do IPI (art. 153, §3°, II, CF/88), na exata medida em que cria óbices muitas vezes intransponíveis à utilização dos créditos, especialmente no caso dos autos, onde a diferença de alíquota chega a até 8% entre o valor das compras (de insumos) e das vendas (dos produtos industrializados). Alegou também que, primeiramente, é de se destacar que a matéria ora tratada já foi analisada pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo referentes aos 2° e 3° trimestres de 1999, quando do julgamento dos processos de números 10875.001649/9943 e 10875.002594/9999, nos quais foi dado provimento aos recursos da ora Recorrente. Decidiu, então, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através da Resolução n° 20201.127, converter o julgamento do recurso cm diligência nos termos do voto do Relator (11s. 280 e 281), para que a fiscalização procedesse análise das notas fiscais de entradas e saídas relativas ao 4º trimestre de 1999, confirmando ou não a existência de saldo credor do IPI passível de ressarcimento nos termos do art. 11 da Lei n° 9779/98 e, ato continuo, dar ciência ao contribuinte da Resolução e das informações produzidas para que o mesmo possa se manifestar. A diligência foi realizada pela Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, onde intimou o contribuinte a apresentar as notas fiscais de entradas e saídas relativas ao 4" trimestre de 1999, assim como o Livro Registro de Apuração do 1P1 abrangendo o período de 01/12/1998 a 31/12/1999. De posse dos documentos, analisou por amostragem as notas fiscais no que diz respeito aos critérios determinantes à apuração dos saldos do IPI escriturados, não encontrando irregularidades e confirmando, assim, o saldo credor relativo ao final do 4º trimestre de 1999, no valor de R$ 381.02228. Ao contribuinte foi dada ciência do Termo de Encerramento da Diligência. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.000073/0021 Acórdão n.º 3301002.536 S3C3T1 Fl. 365 5 Conclusão: 1) Em relação ao estorno determinado pela IN SRF Nº 33/99, a matéria tratada realmente já foi analisada pelo Segundo Conselho de Contribuintes, em relação aos 2° e 3° trimestres de 1999, quando do julgamento dos processos de números 10875.001649/9943 e 10875.002594/9999, nos quais foi dado provimento aos recursos da ora recorrente. Portanto, dou razão à recorrente; 2) Em relação a existência e ao montante do crédito, considerando que a diligência confirmou existir o saldo credor relativo ao final do 4º trimestre de 1999, também dou razão à recorrente. Ante o exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721324/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2005
AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
DECISÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão tomada no Processo Administrativo Fiscal não precisa rebater uma a uma as questões suscitadas pela defesa. Basta que esteja bem fundamentada e expresse com clareza suas razões de decidir, demonstrando por que não prosperam as alegações contidas nos autos.
ESCRITA FISCAL. EXAME. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 08.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador Súmula CARF nº 08.
AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. FALTA DE REMESSA AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O auto de infração ou a notificação de lançamento deverão ser instruídos com todos os documentos necessários à comprovação do ilícito. Não há obrigação de que o Fisco entregue cópia da íntegra do processo ao autuado, que poderá dele conhecer na repartição.
DOCUMENTAÇÃO. INIDONEIDADE. PORTARIA MF 187/93. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A adoção dos procedimentos definidos na Portaria MF 187/93 para decretação da inidoneidade de documentação fiscal tem finalidade específica, não se constituindo em requisito à autuação fiscal baseada na constatação de que os documentos fiscais emitidos pela contribuinte não merecem fé.
SIMULAÇÃO. RESPONSABILIDADE. EXIGÊNCIA. MULTA AGRAVADA.
A comprovação da ocorrência de simulação com vistas à obtenção de vantagens de natureza tributária, importa a formalização da exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa agravada, no percentual de 150%, em nome de quem comprovadamente praticou os atos ilícitos.
PIS/COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo para fins de lançamento credor no cálculo das Contribuições do PIS e da COFINS no sistema não cumulativo está afeto à efetiva aplicação do bem ou serviço na execução da atividade da pessoa jurídica e não à prescindibilidade do gasto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Leonardo Mussi votaram pelas conclusões no que se refere à nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. DECISÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão tomada no Processo Administrativo Fiscal não precisa rebater uma a uma as questões suscitadas pela defesa. Basta que esteja bem fundamentada e expresse com clareza suas razões de decidir, demonstrando por que não prosperam as alegações contidas nos autos. ESCRITA FISCAL. EXAME. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 08. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador Súmula CARF nº 08. AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. FALTA DE REMESSA AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração ou a notificação de lançamento deverão ser instruídos com todos os documentos necessários à comprovação do ilícito. Não há obrigação de que o Fisco entregue cópia da íntegra do processo ao autuado, que poderá dele conhecer na repartição. DOCUMENTAÇÃO. INIDONEIDADE. PORTARIA MF 187/93. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A adoção dos procedimentos definidos na Portaria MF 187/93 para decretação da inidoneidade de documentação fiscal tem finalidade específica, não se constituindo em requisito à autuação fiscal baseada na constatação de que os documentos fiscais emitidos pela contribuinte não merecem fé. SIMULAÇÃO. RESPONSABILIDADE. EXIGÊNCIA. MULTA AGRAVADA. A comprovação da ocorrência de simulação com vistas à obtenção de vantagens de natureza tributária, importa a formalização da exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa agravada, no percentual de 150%, em nome de quem comprovadamente praticou os atos ilícitos. PIS/COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de lançamento credor no cálculo das Contribuições do PIS e da COFINS no sistema não cumulativo está afeto à efetiva aplicação do bem ou serviço na execução da atividade da pessoa jurídica e não à prescindibilidade do gasto. Recurso Voluntário Negado
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. DECISÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão tomada no Processo Administrativo Fiscal não precisa rebater uma a uma as questões suscitadas pela defesa. Basta que esteja bem fundamentada e expresse com clareza suas razões de decidir, demonstrando por que não prosperam as alegações contidas nos autos. ESCRITA FISCAL. EXAME. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 08. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador Súmula CARF nº 08. AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. FALTA DE REMESSA AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração ou a notificação de lançamento deverão ser instruídos com todos os documentos necessários à comprovação do ilícito. Não há obrigação de que o Fisco entregue cópia da íntegra do processo ao autuado, que poderá dele conhecer na repartição. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 DOCUMENTAÇÃO. INIDONEIDADE. PORTARIA MF 187/93. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A adoção dos procedimentos definidos na Portaria MF 187/93 para decretação da inidoneidade de documentação fiscal tem finalidade específica, não se constituindo em requisito à autuação fiscal baseada na constatação de que os documentos fiscais emitidos pela contribuinte não merecem fé. SIMULAÇÃO. RESPONSABILIDADE. EXIGÊNCIA. MULTA AGRAVADA. A comprovação da ocorrência de simulação com vistas à obtenção de vantagens de natureza tributária, importa a formalização da exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa agravada, no percentual de 150%, em nome de quem comprovadamente praticou os atos ilícitos. PIS/COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de lançamento credor no cálculo das Contribuições do PIS e da COFINS no sistema não cumulativo está afeto à efetiva aplicação do bem ou serviço na execução da atividade da pessoa jurídica e não à prescindibilidade do gasto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Leonardo Mussi votaram pelas conclusões no que se refere à nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins no valor total de R$ 7.599.564,86 (fls. 02 e seguintes) e de PIS/Pasep no valor total de R$ 1.649.905,47 (fls. 10 e seguintes), em função das irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 18 e seguintes; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 2 3 A empresa apresenta impugnação (fls. 219 e seguintes), na qual alega, em síntese, que: a) "a Recorrente celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria tributária com a empresa Lógica Administração de Serviços Ltda.", sendo que "o objetivo do contrato era o de adquirir um planejamento tributário, por meio de um contrato de performance para exportações, o que geraria, por conseguinte, direito a créditos fiscais, visando além do caráter econômico do negócio, reduzir a carga tributária dá empresa, no que concerne ao pagamento do ICMS e de impostos Federais"; b) "a Recorrente comprava grãos de soja das empresas Centúria S/A Industrial, Comercial e Agricola e Santa Cruz Industrial, Comercial, Agricola e Pecuária Ltda., e ordenava a realização da entrega das mercadorias na sede da empresa Rubi S/A para a realização de seu esmagamento para produção de óleo de soja e farelo de soja, cujo objetivo era a exportação, que no caso, foi realizado de forma indireta, ou seja, por intermédio de uma empresa comercial importadora e exportadora, a empresa trading Canorp — Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro"; c) "em todos os casos de exportação, a empresa trading exportadora Canorp Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro, enviava h. impugnante documentação que comprovava que as mercadorias foram efetivamente exportadas, tais como Declaração de Exportação averbada, Memorando — Exportação e Registro de Exportação (RE) com as respectivas telas 'Consulta de RE Especifico' do Sistema Integrado de Comércio (SISCOMEX)"; d) "a impugnante, dentro da lei, realizou um planejamento tributário nos moldes da norma tributária e assim o fez através de contrato com as empresas que venderiam a soja, industrializariam as mesmas e posteriormente venderiam para o exterior, tudo com a anuência e confirmação das empresas de consultoria de que houve a efetiva exportação pelas empresas tradings", assim, "em tese, se tivesse havido fraude ou simulação, e se partimos do pressuposto que não houve a exportação, isto teria se dado pelas EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS, que teriam induzido a autuada em erro"; e) "a norma antielisão somente pode abranger os casos em que os atos ou negócios jurídicos tenham sido praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária". "Não é possível ao aplicador da lei desconsiderar o negócio jurídico indireto adotado pelas partes, sob o argumento–de que teria havido abuso de forma ou simulação e dissimulação, submetendo os efeitos fiscais a que se submeteria o negócio jurídico direto"; f) "todos os contratos realizados junto às empresas, Centúria S/A Industrial, Comercial e Agricola, Santa Cruz Industrial, Comercial, Agricola e Pecuária Ltda, Rubi e Canorp Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro, foram realizados respeitando a validade destes negócios jurídicos nos moldes do artigo 104 do Código Civil, vez que apresentou em todos eles, que os agentes eram capazes, o objeto era licito e não havia proibição em lei". g) "nos contratos de compra e venda de soja, as vendedoras eram responsáveis para a entrega da soja na empresa industrializadora, sem realizar a entrega da mercadoria em depósitos da autuada. Nos contratos de industrialização, havia expressa menção nos contratos de que a responsabilidade era do industrializador que recebera a soja do fabricante adquirida pela autuada. Por último, com relação aos Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 contratos de venda para o fim de exportação que a autuada realizou com a empresa exportadora trading tinha como responsável pela busca da soja já industrializada, a própria trading/exportadora CANORP"; h) "nulidade em virtude da não entrega da documentação comprobatória que serviu de base para o lançamento restrição a ampla e defesa e ao contraditório", sendo que "quando da entrega de copia da não homologação da declaração de compensação PELO CORREIO, a documentação que serviu de suporte para a não homologação, não foi anexada ao mesmo, ou seja, não foi colocado, de forma estranha, à disposição do contribuinte". A autoridade administrativa "se reporta a diversas folhas dos autos administrativos que não foram encaminhadas para a ampla defesa da recorrente, como por exemplo citação das folhas 067 a 112 constantes no processo 19515005662/200860'; i) "da inexistência do MPF em virtude da ausência de emissão de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha MG para autorizar o agente fiscal a promover o reexame da fiscalização" j) "o Agente Fiscal que lavrou o auto de infração em Sao Paulo, é incompetente em razão da matéria em virtude de não possuir a qualificação de contador, devendo ser considerado nulo de pleno direito o crédito tributário constituído" k) "a Fiscalização Federal Mineira, se reportou em seu relatório fiscal ao processo n° 19515005662/200860," porém, "em momento algum, foram demonstrados documentos conclusivos da existência de operações "reais" e "fictícias" e, tampouco, qualquer indicação dos critérios ou provas usadas para se distinguir quais operações eram "reais" e quais eram "fictícias" e quais eram supostas"; 1) "para comprovar a existência das operações anteriores a exportação, trazemos aos autos o comprovante que eram entregues pelas fornecedoras A. conta e ordem do Pastificio Santa Amália S/A, as mercadorias compradas para a industrialização, bem como o comprovante que as mercadorias eram entregues fisicamente ao exportador — trading também por conta e ordem do Pastificio Santa Amália S/A". "A documentação trazida no presente momento, fazem prova cabal de forma evidente, que as mercadorias existiram e transitaram fisicamente entre os estabelecimentos fornecedores, industrializadores e exportadores"; m) "da nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilizacão pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação"; n) "da nulidade do auto de infração em função do erro da fiscalização federal mineira em não proceder a declaração de inidoneidade das notas fiscais da operações de exportação que considera como "fictícias" segundo as suas próprias normas"; o) "do Conceito de Fraude e sua inexistência no caso concreto, inclusive por intermédio de declaração deste Estado Federal e do Estado Mineiro", o que torna injustificável a aplicação da multa de 150%; p) "a Receita Federal do Brasil entendeu não ser passível de utilização de crédito de PIS e da COFINS, o custos indiretos de fabricação, ou seja, viagem e estadas e custos com representantes", porém, esses gastos fazem parte da atividade da empresa; q) "mesmo que não se aceitando o direito de crédito de PIS e da COFINS referente a despesa que o Fisco considerou como não sendo INSUMO, resta Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 3 5 evidente que é ilegal a restrição do direito de crédito frente ao disposto na Emenda Constitucional n° 42/2004 (posterior As Leis 10637/2002 e 10.833/2003), que instituiu o principio da não cumulatividade do Pis e da Cofins, sendo induvidoso o direito ao crédito de Pis e da Cofins decorrente de todas as despesas"; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NULIDADE. NÃO CORRÉNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que estejam presentes quaisquer das circunstancias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE DESPESAS. Por se tratar de simulação de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja, as despesas com industrialização devem ser glosadas. Despesa incorrida com prestador de serviço de assessoria tributária, sobre operações fictícias com soja, não se caracteriza como necessária atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condição para ser aceita como dedutível. MULTA AGRAVADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de oficio qualificada. CONTRIBUIÇÃO PARA À COFINS E PIS/PASEP. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e Cofins é aquele previsto na legislação de regência. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Requer a decretação de nulidade da decisão de primeira instância por não ter enfrentado as questões levantadas na impugnação. Afirma que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento "esqueceu" de pronunciarse sobre a alegação contida na impugnação, dando conta de que a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais – II Procuradoria de Dívida Ativa e da Delegacia de Poços de Caldas sobre a existência da soja Fls no 453. Repete que o Agente Fiscal está impedido de executar qualquer serviço de natureza contábil. Que o Fisco não colocou à disposição da recorrente, nos moldes do artigo 9° do Decreto 70.235, a íntegra do auto de infração guerreado. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Que a Administração Tributária não pode se eximir de calcular o montante devido ao realizar o lançamento. Entende que não existem provas das "irregulares dos outros meses", já que o trabalho foi feito por amostragem. Considera que “em momento algum, foram demonstrados documentos conclusivos da existência de operações "reais" e "fictícias" e, tampouco, qualquer indicação dos critérios ou provas usadas para se distinguir quais operações eram "reais" e quais eram "fictícias" e quais eram supostas”. Que não foi observado o procedimento determinado pela Portaria MF 187/93 para declaração de inidoneidade da documentação fiscal. Que o artigo 188 do Regulamento do IPI atribui responsabilidade à empresa comercial exportadora que em determinado prazo não efetuar a exportação. Que o Termo de Verificação Fiscal do presente Auto de Infração, cuja multa é no percentual de 75%, tem relatório de mesmo conteúdo do auto de infração 19515.005662/200860, que foi constituído com multa de 150%. Alega que a aprovação de solicitação de transferência/utilização de crédito acumulado pelo Fisco Estadual constitui “práticas reiteradas da Administração Fazendária, ou seja, reconhecimento da conduta do contribuinte, autorizando sua prática, o que constituiu, evidentemente, norma, nos moldes do artigo 100, Ill do Estatuto Tributário Brasileiro”. Que as comerciais exportadoras lhe enviavam as Declaração de Exportação averbadas, Memorando de Exportação e Registro de Exportação (RE), com as respectivas telas "Consulta de RE Especifico" do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), razão por que suponha que as operações estavam sendo regularmente realizadas. Considera que houve reexame de um mesmo período de apuração sem a devida autorização da autoridade competente para tanto. Aduz que a “única possibilidade legal que a Fiscalização possui para não emitir o Mandado de Procedimento Fiscal, está prevista no artigo 5° e 11 da Portaria no 3.007 de 26/11/2001, em caso de contrabando e descaminho sendo que mesmo assim, depois de 5 dias, deverá iniciar o MPF”. Que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora faz “declaração expressa que quem teria produzido os papéis onde constavam as informações fictícias foram os assessores tributários do contribuinte E NÃO O CONTRIBUINTE — PASTIFICIO SANTA AMÁLIA S/A!”. Por fim, requer seja admitida a utilização de crédito de PIS e da COFINS para as despesas incorridas com os representantes comerciais e promotores de venda. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 4 7 A afirmação citada pela autuada de que a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais teria atestado a existência da soja, está respaldada em documento incluído pela própria empresa às folhas 898 e seguintes. Como se lê, à folha 899 encontrase a afirmação dando conta de que “a soja existe”. Contudo, a folha 899 não é a folha seguinte do documento da folha 898, de lavra da Advocacia Geral do Estado, II Procuradoria da Dívida Ativa, do que resulta impossível determinar em que contexto essa afirmação é feita, já que ausente o texto que lhe precede. Inclusive, à folha 898 consta informação com o seguinte teor. Antes da análise das alegações da autora, devese destacar que as autuações decorreram do não pagamento do ICMS, sendo todas essas infrações conseqüência de fatos gravíssimos, quais sejam. a) não comprovação de exportações de derivados de soja, b) clonagem e adulteração de notas fiscais de exportação; e, por fim, Vejase que o conteúdo do documento não parece tender no sentido da inocorrência das infrações. Ao contrário, confirma os fatos e qualificaos como gravíssimos. Também há referência às alegações da autora. Não havendo como conhecer o texto que precede a afirmação de que a soja existe, admissível cogitar que tratase de uma referência a uma afirmação feita pela própria empresa. Independentemente disso, ainda que fosse cabalmente comprovada a existência da soja, como quer fazer crer a recorrente, não vejo como isso poderia modificar a circunstância de que as exportações não foram realizadas, mediante artifício doloso, envolvendo clonagem e adulteração de documentos, como está registrado no próprio documento apresentado pela defesa. Quanto às informações supostamente feitas pela Secretaria da Fazenda de Poços de Caldas (folha 900 e seguintes do processo), primeiro, necessário dizer que não há provas de que sejam, de fato, de autoria daquele Órgão, já que não se encontra nenhuma identificação nas peças apresentadas. A despeito disso, ainda que se admita que tenham sido lavradas por quem se afirma, o fato é que elas não tem o propósito de atestar a regularidade das operações praticadas pela autuada, mas sim de demonstrar a precaução do Órgão Fiscalizador, ao declarar que, pela ausência de provas, interpretou os fatos da maneira mais favorável à recorrente. Como pode ser visto na leitura destes documentos, o autor fez questão de ressalvar que “o fisco poderá iniciar novo procedimento fiscal para recuperar a diferença entre o imposto creditado pela aquisição da soja e o incidente pela não comprovação das operações de exportação, tão logo a inidoneidade fique provada”. Da mesma forma, impertinente e sofismada a alegação de que a mercadoria existe baseada no fato de que o “Auto de Infração n° 01.00015137455, assinado pelos fiscais José Roberto Carvalho, MASP 2608065 e José Carlos Correa Masp 2709954”, constar declaração dando conta de que a mercadoria continua em poder de terceiros. Vejase como os fiscais descrevem os fatos desde o início. INTIMADA ATRAVÉS DO TIAF Nº 10.050001257.86 A ENTREGAR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS OPERAÇÕES, NOTADAMENTE OS SEGUINTES: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 (...) PARA ATENDER A INTIMAÇÃO A AUTUADA PROTOCOLIZOU EM 13.10.2005, SOB O NR. 935184, DOCUMENTO ANEXO, NÃO APRESENTANDO DOCUMENTOS LISTADOS NOS ITENS SUPRACITADOS. DESTA FORMA FICOU EVIDENTE QUE A MERCADORIA CONTINUA EM PODER DE TERCEIROS, POIS A AUTUADA NÃO EMITIU QUALQUER DOCUMENTO FISCAL PARA ACOBERTAR A SAÍDA DESTA MERCADORIA, SEJA A TÍTULO DE VENDA OU DE ARMAZENAGEM. VIDE O GRÁFICO DAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM ANEXO. DIANTE DOS FATOS EXIGESE O ICMS E MULTAS SOBRE O MONTANTE DE R$ 51.963.470,40 (...) As afirmações contidas no Auto de Infração lavrado pela Fiscalização Estadual destinamse à comprovação do cometimento de uma infração à legislação estadual por falta de comprovação das operações declaradas, o que em nada favorece à defesa. Quanto à omissão da Delegacia da Receita Federal em manifestarse acerca do assunto, é preciso observar que a defesa apresentada pela contribuinte é bastante extensa, sendo admissível que algum aspecto não seja objeto de manifestação. Quanto a isso, reproduzo excerto do voto do Presidente desta Segunda Turma da Primeira Câmara, da Terceira Seção de Julgamento, o i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. Não é exigível, portanto, que o julgamento enfrente separadamente todas as questões aduzidas, basta que, em conjunto, explicite sua convicção acerca da sua procedência ou não. Quanto a esse aspecto, diz o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1o da Lei n.o 8.748/93) Como é possível perceber, a legislação não determina que o julgador enfrente todos os argumentos, a expressão “todos” só é empregada com relação aos autos de infração ou notificações de lançamento. Importante destacar que, na mesma linha, postula o art. 535 do Código de Processo Civil: Art.458.São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 5 9 Nesse sentido, remansosa é a jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do julgamento dos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg nos Embargos de Divergência em REsp Nº 665.454 – CE, assim ementado1: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS. AÇÃO CAUTELAR. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE. TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EDcl nos EREsp. 693.711∕RS, DJ 06.03.2008; EDcl no AgRg no MS 12.792∕DF, DJ 10.03.2008 e EDcl no AgRg nos EREsp 807.970∕DF, DJ 25.02.2008 2. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.”(negritei) Evidentemente, analisar as diferentes (e mutuamente excludentes) versões dos fatos e concordar com as conclusões do Fisco implica necessariamente discordar, ainda que por via obliqua, das alegações da impugnante. A avaliação da correção ou não da decisão do órgão julgador a quo é providência a ser adotada quando da análise do mérito do recurso e poderá eventualmente conduzir à insubsistência da exigência, hipótese que não se confunde com a nulidade do feito. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é, sim, competente para realização de todos os procedimentos necessários à efetivação do lançamento. Tratase de matéria sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Equivocada a interpretação sugerida pela recorrente ao comando contido no artigo 9º do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 8.748/93. Vejase a seguir que a Lei determina que o auto de infração ou a notificação de lançamento sejam instruídos com todos os documentos necessários à comprovação do ilícito, jamais que deles seja dado cópia ao autuado. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Não vejo como prosperar a reclamação de que não teria como “saber se por exemplo os valores lançados no auto de infração estão em consonância com esta 1 Ministro Luiz Fux, DJ: 25/05/2009 Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 documentação de folhas 117 a 206”, afinal, não consta que tenha sido negado acesso ao auto de infração à recorrente. Bastava que fosse até a repartição e pedisse vista dos autos ou requisitasse cópia. Também não há que se falar em cálculo de valores feitos por amostragem. A fiscalização demonstra claramente no auto de infração de que modo procedeu ao cálculo do montante devido, fazendo, inclusive, remissão às planilhas onde eles podem ser conferidos, como segue. 11.1. Os valores dos saldos de créditos acumulados, inexistentes, e informados nos DACON oriundos das glosas das exportações fictícias, foram utilizados indevidamente para quitar os próprios débitos da COFINS e do PIS dos períodos 07 a 12/2005, conforme apurados nos trabalhos fiscais por meio dos Demonstrativos dos Créditos Indevidos do PIS e da COFINS Mercado Interno e Mercado Externo períodos 7 a 12 de 2005, fls. 023 e 024. 11.2. Como resultado do descrito no item acima, foram desconsiderados por esta fiscalização, conforme demonstrados nas planilhas de fls. 23 e 24, os descontos dos créditos da COFINS e do PIS efetuados pela empresa, respectivamente nas linhas 21 das Ficha 17B e 11B do seu Dacon, por serem referentes aos saldos de créditos dessas exportações fictícias, créditos esses apurados com base nos bens e serviços utilizados como insumos no Mercado Externo, informados pelo contribuinte nas linhas 02 e 03 das Fichas 06 e 12 dos Dacon nas colunas Receita de Exportação e referentes as notas fiscais de compra de soja em grãos para vendas no exterior e as notas fiscais de serviços de industrialização para vendas no exterior relacionadas nas planilhas então apuradas nos processos n° 19515.005662/200860 e 10660.720328/201014. 11.3. As referidas glosas dos períodos anteriores ocasionaram a lavratura dos Autos de Infração da COFINS e do PIS não cumulativos referentes as diferenças de COFINS e PIS a Pagar nos períodos julho a dezembro de 2005 em conseqüência das inexistências dos saldos de créditos acumulados dos períodos anteriores transportados para os DACON dos respectivos meses, por serem oriundos do Mercado Externo, e originados das exportações fictícias já referidas, conforme Demonstrativos dos Créditos Indevidos do PIS e da COFINS Mercado Interno e Mercado Externo períodos 07 a 12 de 2005, fls. 023 e 024. Os documentos que demonstram a existência de operações reais e fictícias estão textualmente citados no Termo de Verificação lavrado pela fiscalização de São Paulo. Depreendese do relato feito pela fiscalização que, em contato com diversas Alfândegas e Portos foi possível obter as verdadeiras notas fiscais correspondentes às exportações que a autuada dizia estar realizando. Abaixo excerto extraído do Termo de Verificação lavrado pela fiscalização. Ocorre que, através de Alfândegas e Portos obtivemos cópias das verdadeiras notas fiscais que fizeram parte dos processos de exportação que a SANTA AMALIA alega terem sido de produtos por ela vendidos. Tais notas têm idêntica numeração, descrevem operações de exportação efetuadas nas mesmas datas, dos mesmos produtos, de idênticos destinos, mas de quantidades e valores diferentes. E comprovam exportações realizadas pela CANORP e pela AXIS, de produtos adquiridos, na verdade, da COINBRA INDL. E EXP. LTDA., CNPJ n° 05.111.258/000260, da IMCOPA COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA., CNPJ nº 03.862.106/000192, da BIANCHINI S/A IND. COM . E AGRICULTURA, CNPJ n° 87.548.020/002042, da IMCOPA IMP. EXP. E IND. DE OLEOS LTDA., CNPJ if 78.571.411/000124, da COINBRA COMÉRCIO E PROCESSAMENTO DE GRÃOS E OLEAGINOSAS LTDA., CNPJ n° 05.560.892/000441, da COMERCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 6 11 S/A, CNPJ n° 47.067.525/009750 e no47.067.525/013358, e da ADM DO BRASIL LTDA., CNPJ no 02.003.402/000922, n° 02.003.402/002461, n° 02.003.402/003433, n° 02.003.402/004677, no 02.003.402/005134 e n° 02.003.402/005720 (anexo II fls. 419 a 1081). Há inúmeros protestos dirigidos à utilização do termo “em tese” pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal. “Por que em tese? A operação existiu ou não existiu? Os derivados de soja seriam ou foram encaminhados ? A soja foi comprada ou supostamente comprada? A soja transitou ou teria transitado pelo estabelecimento da fiscalizada ?”, afirma a recorrente. Ora, admitamos que a locução em tese não tenha sido a mais apropriada. O que muda com isso? E se os derivados de soja foram ou não encaminhados e a soja comprada ou supostamente comprada? Nada disso faz real diferença. O que está em questão é a adulteração de documentos fiscais com vistas à simulação de operações para obtenção de créditos. Quanto a isso, contudo, não se identifica nada no recurso voluntário que ofereça qualquer esclarecimento. É claro que não se exige a adoção do procedimento definido pela Portaria MF 187/93 sempre que a fiscalização desconsidera determinada operação e os documentos fiscais correspondentes. A Portaria tem por escopo a prevenção de uso de documentação inidônea, frequentemente emitida por empresas inexistentes de fato (como pode ser observado da leitura dos incisos I a III do artigo 3º abaixo transcrito). Não se trata de procedimento que deva ser observado em todas ações fiscais, muito menos de requisito de validade das constatações da Fiscalização Federal. Art. 3° Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1° e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato, ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único 0 Ato de que trata este artigo, quando referente à pessoa jurídica mencionada nos incisos ll e Ill, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Quanto à responsabilidade tributária definida em Lei às empresas comerciais exportadoras que não efetivarem a exportação das mercadorias até determinado prazo, é óbvio que aplicase apenas aos casos de operações reais de venda de mercadoria a empresas nestes termos constituídas com o fim específico de exportação e não no caso de simulação de exportação com emissão de documentação fiscal falsa e adulteração de registros de exportação. Ademais, o Código Tributário Nacional personaliza a responsabilidade tributária nos casos em que se constata a presença do dolo na infração cometida. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. Equivocase a recorrente quando alega impropriedade nas multas aplicadas, com o que requer, mais uma vez, a nulidade do auto de infração. O Termo de Verificação Fiscal do presente Auto de Infração baseiase, de fato, no Termo de Verificação lavrado pela fiscalização de São Paulo, na parte que diz respeito à constatação de fraude na exportação, mas deixa muito claro que, nestes casos, aplica a multa de 150%, aplicando a de 75% em relação ao crédito decorrente da desconsideração de insumos adquiridos no mercado interno, como a seguir a reprodução do Relatório Fiscal confirma. Da Qualificação da Multa Lançada 15. Será aplicada a multa qualificada de 150% prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/99 e .§ 1° do artigo 44 da Lei 9.430/96, em relação as diferenças de COFINS e PIS a pagar dos meses de julho a dezembro de 2005 derivadas da inexistência dos créditos oriundos do mercado externo, que se baseou na intenção dolosa e reiterada da fiscalizada, em tese, de fraudar os cofres públicos identificada na operação "performance de Exportação" acima descrita e que gerou créditos indevidos de COFINS e PIS, intencionalmente utilizados pelo contribuinte por anos consecutivos em suas declarações. 16. Já as diferenças de COFINS e PIS a pagar em conseqüência das glosas dos créditos no mercado interno apuradas nos meses de julho a dezembro de 2005 e transferidas para o auto de infração incidirão multa lançada de 75% nos termos do artigo 10, § único, da Lei Complementar n° 70/91, e artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Desnecessário empreender qualquer esforço para demonstrar que eventual homologação do Fisco Estadual ou mesmo Federal das práticas delituosas da contribuinte não constituem práticas reiteradas da Administração Fazendária para fins de aplicação do disposto no artigo 100 do Código Tributário Nacional. Se houve aquiescência do Órgão Estadual, certamente foi porque desconhecia a operação dissimulada. Da mesma forma, é desprovido de qualquer razão a alegação de que a emissão de comprovante de exportação pela Secretaria da Receita Federal tivesse o condão de eximir a empresa de responsabilidade. Como se extrai do teor dos Termos de Verificação lavrados pelo Fisco Federal, a autuada utilizouse de documentos de exportação de outras empresas para simular operações de exportação suas. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 7 13 Não há que se falar em reexame de um mesmo período. As Contribuições Sociais neste processo exigidas não haviam sido exigidas em nenhum outro procedimento. Houvessem sido, e estaríamos diante de exigência em duplicidade, jamais de reexame. No que diz respeito à preliminar de nulidade do auto de infração arguida pela recorrente, pela falta de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, deve ser considerado o que preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Tal como dispõe o artigo 59 do Decreto, devem ser declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Incontroverso, portanto, que a delimitação contida na norma impõe considerável restrição ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade, ainda mais porque o mesmo diploma legal, logo a seguir, afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tragam esse tipo de consequência aos atos praticados no curso do processo. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Isto posto, é de se avaliar se a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal caracteriza alguma das situações especificadas como suficientes para a declaração de nulidade do procedimento fiscal levado a efeito, sendo elas (i) a ocorrência do cerceamento ao direito de defesa do contribuinte ou (ii) a prática de atos e termos por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Passo ao exame da primeira hipótese, o cerceamento do direito de defesa. Preambularmente, merecem destaque algumas questões de cunho geral, não adstritas à figura do Mandado de Procedimento Fiscal. De plano, destacase que a fase litigiosa do procedimento, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração, nos termos do Decreto 70.235/72. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. A legislação pátria garante ao contribuinte, a partir deste momento, o direito de contraditar a exigência especificada no auto de infração, asseguradolhe o acesso aos autos, a obtenção de cópias, o direito a requerer perícias e o duplo grau de jurisdição, em decisões Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 proferidas por colegiados compostos por servidores que não participaram do procedimento fiscal que deu origem à autuação e, em segunda instância, em composição paritária, na qual integram o Colegiado, em igualdade numérica, representantes da Fazenda Nacional e representantes dos contribuintes. Assim sendo, antes de adentrar à questão específica do Mandado de Procedimento Fiscal, é de se questionar, liminarmente, se haveria como considerar que supostas falhas acontecidas ainda na fase de formalização da exigência pudessem acarretar a preterição do direito de defesa do contribuinte. Se uma vez que impugnado o auto de infração, instaurase a fase litigiosa do procedimento, na qual serão apreciadas as contestações da defesa, como então cogitarse de preterição ao direito de defesa antes de que essa fase tenha iniciado? Feita esta necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passamos, inobstante, ao exame das possíveis consequências advindas da falta de emissão do MPF ao direito de defesa do administrado. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de outras regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, a Portaria estabeleceu, em seu artigo segundo, que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) O artigo 11 especificava situações em que o MPF não seria exigido, incluindo a dispensa para os casos de procedimentos realizados dentro da repartição: de revisão aduaneira e de lançamento suplementar de revisão das declarações prestadas pelo contribuinte. Nessas duas hipóteses para as quais a dispensa foi prevista há em comum o fato de que o contribuinte é autuado em decorrência de um procedimento interno, praticado pela autoridade competente, sem a necessidade de intimação prévia para obtenção de documentos. Iniciase aqui, a meu ver, a incongruência entre o pensamento que sugere a nulidade do procedimento instaurado sem a emissão do MPF e o arcabouço lógico identificado na norma de origem. Com efeito, se admitirmos que a ausência do Mandado é caso de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, como aceitar que a própria norma que o instituiu tenha previsto situações para as quais sua emissão estivesse dispensada? Fosse o Mandado, de per si, um instrumento essencialmente destinado à proteção do direito que o contribuinte tem de defenderse da imposição que lhe é exigida, e não se admitiria sua dispensa em nenhuma hipótese, como não se admite a subtração de qualquer outro procedimento que represente a proteção a esse inarredável direito do administrado. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 8 15 De fato, considerando apenas dos dois aspectos até aqui relatados, fica muito claro que o Mandado de Procedimento Fiscal está inserido dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento garantidor do direito de defesa. Se aceita sua efetividade na implementação das condições para os quais foi criado, é de ser reconhecer que ele atribui moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que a sua ausência representa preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Antes pelo contrário, a partir do momento em que o Mandado passou a ser exigido, é possível que administrado, a qualquer tempo, soliciteo à fiscalização, buscando assegurarse de que o procedimento está sendo praticado por pessoa que detém competência para tanto. Sua ausência não afasta esse direito, já que fica resguardada a possibilidade de o contribuinte certificarse, junto à repartição de jurisdição que a fiscalização está sendo realizada por servidor competente, medida que até então não estava à disposição do contribuinte, já que a ação fiscal não dependia de ordem expressa da administração. De fato, há que se admitir que o Mandado de Procedimento Fiscal estabeleceu um canal de comunicação entre administrado e Administração como um todo, reduzindo ou mesmo anulando a possibilidade de que ações autônomas possam ser praticadas, mas não há sentido, data máxima vênia, em cogitarse que a falta de sua emissão traga qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do administrado. Superada a primeira questão, ocupome da segunda hipótese, qual seja, a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal produz algum tipo de consequência sob a competência do servidor para a prática do ato? Quanto a isso, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e especifica as competências dentro da Carreira. "Art. 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. "Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 16 Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. "Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Como se vê, existem, portanto, condições definidas em lei para a investidura no cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendolhe reservada a competência, em caráter privativo, de constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme prescreve o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Necessário, então, que se indague sobre as situações nas quais, no exercício da atividade profissional, o AuditorFiscal exerce a atribuição à qual está vinculado por força de lei, sem que tenha sido emitido o documento que, nos termos da Portaria Ministerial, instaura o procedimento em si. Estaria o procedimento compulsoriamente praticado fadado à declaração de nulidade pela ausência do correspondente do Mandado de Procedimento Fiscal? Ou, por outro lado, a ausência do mesmo importaria em considerarse o procedimento não instaurado, já que, nos termos da Portaria 1.265/99, a instauração se dá com a emissão do Mandado? Para a primeira questão, encontrase resposta no artigo 5º da Portaria 1.265/99, que garante ao Auditor o exercício da sua competência mesmo que a empresa não tenha sido selecionada para fiscalização e que não haja Mandado de Procedimento Fiscal emitido. Art. 5º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRF deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 9 17 § 1º Para fins do disposto neste artigo, o AFRF deverá lavrar termo circunstanciado, mencionando tratarse de procedimento fiscal amparado por este artigo e contendo, no mínimo, as seguintes informações: (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) I dados identificadores do sujeito passivo; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) II natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos, bem assim o rol dos livros,documentos ou mercadorias objeto de retenção ou apreensão, se houver; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) III nome e matrícula do AFRF responsável pelo procedimento fiscal; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) IV nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 2º Do termo referido no parágrafo anterior será dada ciência ao sujeito passivo, sendolhe fornecida cópia. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) Quanto à segunda, no que diz respeito à instauração do procedimento fiscal em si, parece haver na norma infralegal uma aparente incompatibilidade com o comando expresso no Decreto 70.235/72. Portaria SRF 1.265/72 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Decreto 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (grifei) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada Tratase, contudo, de um falso dilema, e a compreensão do significado e alcance de cada norma permite resolvêlo, assim como à controvérsia de que aqui nos ocupamos. Como já foi referido antes, a Portaria 1.265/99, propunhase, como ainda se propõe hoje a Portaria 4.066/07, à organização das atividades de fiscalização do contribuinte, desde a fase de planejamento até a de execução, conferindo às mesmas novos instrumentos de controle interno e externo. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 18 Elas têm propósito de cunho administrativo, ainda que com repercussão de longo alcance, na medida em que, como ocorre com outras normas infralegais, interferem decisivamente na vida o administrado. Tal como se extrai do texto antes transcrito, não há no enunciado normativo qualquer menção ao exercício das competências inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e nem às consequências que a ação do fisco acarreta ao contribuinte, mas exclusivamente disposições “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É por isso que, na Portaria, considerase instaurado o procedimento somente a partir da emissão do MPF, enquanto que, na Lei, o procedimento instaurase com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente. É que as Portarias estão destinadas à organização administrativa do Órgão, enquanto à lei compete regulamentar as relações fisco contribuinte e as próprias competências da autoridade administrativa. Na data de emissão do MPF, considera instaurado o procedimento fiscal para todos os fins de controle interno da unidade local da Secretaria, mas o procedimento somente trará consequências para o contribuinte (a perda da espontaneidade, por exemplo) a partir do primeiro ato de ofício praticado por servidor competente e cientificado ao mesmo. Até então, o instituto da espontaneidade continua a disposição do administrado. Uma vez cientificado o contribuinte, independentemente de haver ou não MPF emitido o contribuinte perde a espontaneidade. Não há testemunho mais claro de que o exercício da competência legal do Auditor da Receita Federal do Brasil não se vincula a emissão do MPF, sendo esta uma providência de cunho exclusivamente administrativo. Para terminar, cumpre ainda ressaltar que o exercício de toda atividade pública é regulamentado por legislação infralegal, na qual especificamse procedimentos que deverão ser observadas pelo agente público e pela administração como um todo. Contudo, a inobservância de tais requisitos não importará sempre a nulidade dos atos praticados. Tal conseqüência está adstrita às situações previstas em lei como suficientes para tal, que, no caso, são a preterição do direito de defesa do administrado e a prática de atos ou tomada de decisão por servidor ou pessoa incompetente. No que diz respeito à “declaração expressa” que teria sido emitida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, eximindo a recorrente de responsabilidades, de se considerar que, a uma, não há qualquer prova nos autos de que isso tenha de fato ocorrido e, a duas, se de fato ocorreu, não há como saber em que contexto isso aconteceu. Por outro lado, é consabido que os julgamentos são independentes e autônomos. No vertente caso, não vejo razões para entender que a empresa não estivesse envolvida nas fraudes de que é acusada. No mérito, no tocante à exclusão do crédito do PIS e da COFINS nas operações realizadas no mercado interno decorrente dos gastos com os representantes comerciais e promotores de venda, penso que melhor sorte não assiste à recorrente. É que o conceito de insumo não está afeto à prescindibilidade da despesa para efetivação do negócio, mas à proximidade do gasto com a execução da atividade. Diversas despesas administrativas podem ser imprescindíveis ao funcionamento da empresa, mas não Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10660.721324/201045 Acórdão n.º 310201.364 S3C1T2 Fl. 10 19 poderão ser consideradas insumos para fins de aproveitamento de crédito na apuração das Contribuições devidas. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10882.001514/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF nº 61- Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
RO e RV Providos em Parte
Numero da decisão: 2102-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: a) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para que seja excluída da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada apenas o valor de R$ 1.000.950,13. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que negava provimento ao recurso de ofício; b) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada o valor de R$ 732.354,97, de modo que a nova base de cálculo da referida infração passa a ser de R$ 1.247.616,48.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. Ausente momentaneamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF nº 61 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) RO e RV Providos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 14 /2 00 5- 71 Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.311 2 Acordam os membros do Colegiado: a) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para que seja excluída da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada apenas o valor de R$ 1.000.950,13. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que negava provimento ao recurso de ofício; b) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada o valor de R$ 732.354,97, de modo que a nova base de cálculo da referida infração passa a ser de R$ 1.247.616,48. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. Ausente momentaneamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ANTONIO LUIZ MAGLIARI JUNIOR foi lavrado Auto de Infração, fls. 1047/1055, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 2.388.684,55, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1043/1046, foram: (i) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em bolsa de valor (operações comuns); (ii) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações day trade em bolsa de valor e (iii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 1062/1096, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo as infrações de omissão de ganhos líquidos em renda variável para R$ 20.552,70 e a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada para R$ 1.041.102,46, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1518.249, de 29/01/2009, fls. 2063/2066. Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.312 3 A DRJ Salvador recorreu de ofício de sua decisão ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001. Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/03/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 2095, o contribuinte apresentou, em 06/04/2009, recurso voluntário, fls. 2099/2127, trazendo as alegações a seguir resumidas: Preliminar Solicitase a apreciação das novas provas apresentadas com o recurso voluntário ao tempo em que esclarece que quando da apresentação da impugnação havia formulado pedido de prazo para a apresentação de novas provas e tal pedido não foi apreciado pela decisão recorrida. Cumpre mencionar também que, com relação às operações de renda variável, a Corretora de Valores Imobiliários Planibanc, através de seu liquidante, informou não ter mais arquivada as notas de corretagem do ano de 1999, uma vez que já se passaram 10 anos da operação realizada com esta corretora de valores. Estas notas de corretagem de 1999 comprovariam a compensação de prejuízos de operações em bolsa, uma vez que os prejuízos tanto em operações à vista, como em operações day trade, podem ser transportados de ano a ano até o seu total abatimento com lucros posteriores. Depósitos com origem não comprovada 1. Administração de bens de terceiros: (i) As empresas abaixo mencionadas prestaram serviços de corretagem juntamente com a empresa MORAES MAGLIARI A.C.F. S/C LTDA, de propriedade do Recorrente, no anocalendário de 2000, para a empresa FLUXO CORRETORA DE CAMBIO S/A, conforme esta mesma declarou. (ii) A empresa FLUXO CORRETORA DE CAMBIO S/A depositava na conta corrente do Recorrente o valor referente às comissões das empresas abaixo indicadas, bem como a comissão referente à empresa MORAES MAGLIARI A.C.F. S/C LTDA, visando assim centralizar a forma de pagamento dos valores das comissões de câmbio e corretagem de todas as empresas, com a coordenação e administração do Recorrente. (iii) Assim, por questão de economia e facilidade na organização dos recebimentos das receitas, todas as empresas abaixo indicadas utilizavam a conta pessoal do Recorrente para depósito de valores elevados referentes aos rendimentos auferidos por estas próprias empresas. (iv) Após o depósito da quantia referente às empresas abaixo indicadas na conta corrente do Recorrente, este, em ato contínuo, emitia cheques pessoais transferindo os valores para os sócios das empresas abaixo indiciadas. (v) Observase que o Recorrente efetuava apenas a administração de bens de terceiros, uma vez que os valores referentes a outras pessoas jurídicas eram transferidos para sua contacorrente pessoal para retransmissão aos seus verdadeiros destinatários. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.313 4 (vi) Em nenhum momento os valores depositados na contacorrente do Recorrente representavam receita auferida por este contribuinte, não passando de administração de bens de terceiros. (vii) O acórdão ora recorrido identificou a origem de depósitos em cheques e DOC como provenientes de diversas empresas devidamente identificadas através dos dados dos cheques depositados, incluindo número da conta do depositante, comprovantes da titularidade das contas dos depositantes e demais documentos comprobatórios da operação acima descrita. (viii) Os depósitos efetuados na contacorrente de titularidade do Recorrente pertencem às seguintes pessoas jurídicas: a). Sanches e Costa Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, b). Mariano Borges Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, c). Guerreiro e Nagem Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, d). Rodrigues e Paiva Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, e). Galeskas e Curtolo Cavalcanti Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, f). Freitas e Maia Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda e g). Selmo Assessoria em Finanças e Comércio Exterior Ltda. 2. Depósitos de cheques na conta corrente de titularidade de CLARISSA MAGLIARI esposa do Recorrente: (i) A conta corrente de titularidade da esposa do Recorrente Sra. Clarissa Magliari foi indevidamente incluída no lançamento fiscal (Banco Citibank c/c nº 30016401). (ii) A Sra. Clarissa Magliari não está sob fiscalização e nem foi notificada a apresentar qualquer informação sobre sua movimentação bancária. 3 – Da efetiva comprovação da origem dos depósitos: Segue abaixo uma discriminação minuciosa dos depósitos, datas e origens dos valores depositados nas contascorrentes do recorrente, conforme o mês de competência. (...) Convém destacar que por falta de tempo hábil e dificuldade de localização de alguns comprovantes de valores, bem como pelos bancos onde o Recorrente possuía conta corrente não terem enviados os comprovantes de depósitos, alguns dos depósitos não puderam ter sua origem ou localização confirmada. Tendo em vista que na maior parte dos valores foi possível a comprovação da origem, requerse a consideração, pela boa fé do recorrente, que a totalidade da origem dos depósitos seja considerada comprovada, tendo em vista que a falta de comprovação de alguns depósitos se deu por motivos de força maior e não por má fé do contribuinte. Conforme Resolução nº 2102000.110, de 24 de janeiro de 2013, fls. 2308/2309, o julgamento dos recursos de ofício e voluntário foram sobrestados em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.314 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. No que tange às infrações de omissão de ganhos líquidos em renda variável a decisão recorrida reduziu o imposto exigido de R$ 139.046,31 para R$ 20.552,70, sob a seguinte fundamentação: O impugnante apresenta comprovante dos saldos de ações em carteira no início do anocalendário 2000, cabendo computar os seus saldos e custos nas alienações posteriores. A falta de declaração destes ativos em anos anteriores não justifica, se comprovados, a sua exclusão no cálculo dos ganhos de renda variável, pois se trata de matéria de fato. Foram incluídas nos cálculos algumas notas de corretagem canceladas, como se verifica pelos extratos onde consta o estorno destas operações. Os cálculos das operações day trade não poderiam ser misturados com os das operações comuns à vista, pois os custos de aquisições nestas/operações devem ser computados diariamente, e não com base no custo dos estoques de ações em carteira. No caso das negociações de opções, houve erro nos cálculos das operações em que o contribuinte figurava como lançador das opções, pois neste caso o fato gerador ocorre com o encerramento, pela compra, e não na venda que inicia o negócio. Estes erros, porém, não são motivo de nulidade do lançamento, como entende o interessado, pois não acarretam cerceamento do direito de defesa, bastando corrigilos. Os anexos I, II e III demonstram as diferenças resultantes destas falhas nas operações envolvidas. O anexo IV consolida estes resultados e apura o imposto mensal remanescente. Nestes aspecto, andou bem a decisão recorrida, posto que os custos de ações em carteira no início do anocalendário, se comprovados, como é o caso em questão devem ser considerados para fins de cálculo do imposto devido, ainda que o contribuinte não tenha apresentado o Demonstrativo de Renda Variável, quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário anterior. Também correto o entendimento da decisão recorrida ao retirar do cômputo do imposto devido as operações estornadas. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.315 6 De igual forma, quanto às operações de day trade assiste razão a decisão recorrida quando afirma que os custos de aquisições nestas operações devem ser computados diariamente, e não com base no custo dos estoques de ações em carteira, tendo em vista o disposto no art. 2º da INSRF nº 161, de 23 de dezembro de 1999, vigente no anocalendário 2000: Operações de "DayTrade" Art. 2º Os rendimentos auferidos em operações de daytrade realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de um por cento. §1º Para efeito do disposto neste artigo: I considerase: a)daytrade: a operação ou a conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com o mesmo ativo, em que a quantidade negociada tenha sido liquidada, total ou parcialmente; b) rendimento: o resultado positivo apurado no encerramento das operações de daytrade; II – não será considerado o valor ou a quantidade de estoque do ativo existente em data anterior. §2º Na apuração do resultado da operação de daytrade serão considerados, pela ordem, o primeiro negócio de compra com o primeiro de venda ou o primeiro negócio de venda com o primeiro de compra, sucessivamente. §3º No caso de operações intermediadas pela mesma instituição, será admitida a compensação de perdas incorridas em operações de daytrade realizadas no mesmo dia. Nestes termos, devese confirmar as alterações produzidas pela decisão recorrida quanto às infrações de omissão de ganhos líquidos em renda variável. No que concerne à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a decisão recorrida reduziu a base de cálculo da infração de R$ 2.980.921,58 para R$ 1.041.102,46, conforme Anexo VI, fls. 2089, que é parte integrante do acórdão da decisão recorrida, que a seguir se retrata: Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.316 7 No Anexo VI acima retratado, na coluna denominada Depósitos com origem comprovada constam os somatórios mensais dos depósitos discriminados no Anexo V, fls. 2084/2088, também parte integrante do acórdão da decisão recorrida, que contemplam os depósitos considerados com origem comprovada pela autoridade fiscal (corretagens e DOC), acrescidos daqueles que a decisão recorrida entendeu comprovados. Importante destacar que nos meses em que os créditos excluídos foram superiores aos depósitos levados à tributação pela autoridade fiscal (março, abril, maio e dezembro), a decisão recorrida zerou a base de cálculo da infração. Feitos esses esclarecimentos, devese dizer que a decisão recorrida assim fundamentou sua decisão quanto às exclusões da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada: O contribuinte havia apresentado durante a fiscalização DOC e comprovantes de depósitos indicando número da conta dos depositantes. Apresenta agora os comprovantes desta titularidade (fls. 1655/1659). Os próprios DOC apresentados continham o número da conta dos ordenantes dos créditos, o que permitia identificar estes mesmos depositantes como, os emitentes dos cheques relacionados nos comprovantes de depósitos. Mesmo a indicação dos nomes dos depositantes, acompanhadas da prova do número da conta, são elementos suficientes para inverter o ônus da prova, cabendo observar o disposto no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999): (...) O autuante, porém, julgou justificado apenas os depósitos que correspondiam às notas de corretagem. Mas a lei exige apenas que a origem do depósito seja identificada, e não a operação que lhe deu causa. É o que se demonstra a seguir. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não apenas autoriza a presunção a partir de procedimento a ser adotado para que a mesma possa Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.317 8 se aplicada pela autoridade lançadora. O contribuinte deve ser regularmente intimado a comprovar a origem dos depósitos através de documentação hábil e idônea. Não logrando fazêlo, seja por apresentar provas insuficientes, seja por se calar, os depósitos se presumem rendimentos tributáveis omitidos., Se, pelo contrário, a origem dos depósitos for comprovada, o lançamento não mais pode ser realizado por presunção. Cabe, neste caso, à autoridade lançadora o ônus de provar a ocorrência do fato gerador pelos métodos usuais, seja pela variação patrimonial, seja pelo arbitramento, ou ainda aprofundando a investigação para incluir os próprios autores dos créditos. Ou seja, a prova ou não da origem dos. depósitos é o critério fundamental para a efetivação da presunção de rendimentos omitidos. Uma vez, porém, cumpridos os requisitos legais e efetuada a presunção, cabe tratála como de pleno direito. E neste caso, somente pode ser desconstituída, como toda presunção juris tantum, através de prova em contrário. Aqui a presunção é de que os depósitos são rendimentos omitidos; a prova em contrário deve evidentemente demonstrar que não o são. Não basta mais comprovar a origem ou autoria do depósito, que foi apenas o critério procedimental que permitiu a presunção durante a fiscalização, se ao mesmo tempo não se comprova a natureza não tributável da operação ou que os rendimentos já tenham sido regularmente tributados. Identificado, porém, o autor do depósito durante a fiscalização, o fato relevante deixa de ser o depósito enquanto tal, para ser o pagamento entre pessoas devidamente identificadas. Neste caso, não se justifica tratálo de um modo especial apenas por que se deu através de movimentação bancária. Caberia agora ao Fisco demonstrar o recebimento de rendimentos tributáveis, seja pelo usufruto da renda, seja pela variação patrimonial ou outros indícios para arbitramento, não mais se justificando efetuálo com base em depósitos de origem não comprovada, por não ser mais este o caso. Caberlheia também considerar se a investigação não deveria ser ampliada para atingir as próprias pessoas jurídicas autora dos depósitos, para verificar, por exemplo, se houve motivo para o pagamento, se não caberia a tributação exclusiva na fonte preconizada no art.674 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999): (...) Concluise injustificada a ampliação do conceito de "origem", no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, para incluir a exigência de prova, durante a fiscalização, do motivo ou causa, não mais de um depósito, mas sim de um pagamento devidamente identificado. O próprio § 2° do art. 42 da Lei 9.430/1996 assim dispõe: (...) Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.318 9 Cabe, com base nestas razões, considerar indevida a inclusão dos depósitos cujos autores haviam sido identificados pelo contribuinte durante a fiscalização. Nos demais casos, com é do sujeito passivo o ônus da prova, deve ser rejeitada a diligência pleiteada. Os valores a excluir estão demonstrados no anexo V, e são basicamente a soma dos DOC e cheques depositados, cujos autores haviam sido identificados pelo contribuinte, conforme planilha e documentos que apresentara (fls. 560/717). Do texto acima reproduzido, verificase que a autoridade julgadora de primeira instância entende que a identificação do depositante é suficiente para o cancelamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Contudo, esta não é a melhor interpretação do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.(grifei) A acepção da palavra origem utilizada no dispositivo acima transcrito não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito. A identificação da natureza da operação se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, devese verificar se os valores tributáveis compuseram a base de cálculo, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados receita omitida. No presente caso, temse que nos depósitos com cheques, excluídos da tributação pela decisão recorrida, os depositantes estão de fato identificados (Sanches e Costa Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, Mariano Borges Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, Guerreiro e Nagem Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.319 10 Rodrigues e Paiva Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, Galeskas e Curtolo Cavalcanti Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda, Freitas e Maia Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda e Selmo Assessoria em Finanças e Comércio Exterior Ltda), porém, a natureza da operação que deu causa aos créditos em questão não está comprovada. Veja que a defesa afirma tratarse de administração de bens de terceiros (serviços de corretagem) e nesse sentido esclarece que em suas contascorrentes eram movimentados recursos destas pessoas jurídicas depositantes. Contudo, tal alegação carece de comprovação. Ou seja, a natureza da operação que deu causa aos depósitos em cheques não foi demonstrada, razão porque tais créditos não podem ser excluídos da tributação. Devendo, portanto, neste aspecto, reformarse a decisão recorrida. Já no que se refere aos DOC, que foram recebidos da Planibanc, conforme extratos, fls. 214/224, e cujos valores foram creditados nas contas do recorrente em razão das operações de compra e venda de ações, operações estas que, inclusive, foram objeto da infração de omissão de ganhos líquidos em renda variável, assiste razão à decisão recorrida, posto que a natureza da operação está devidamente identificada, qual seja: compra e venda de ações. Assim, confirmase a exclusão dos seguintes DOC, os quais ainda não haviam sido excluídos pela autoridade fiscal: 21/02 R$ 1.782,41 17/04 R$ 1.359,04 25/04 R$ 86.261,12 27/04 R$ 153.113,80 31/05 R$ 616,00 08/06 R$ 166.909,32 27/06 R$ 4.745,54 14/07 R$ 39.221,88 26/07 R$ 5.888,92 17/08 R$ 515,88 06/10 R$ 684,29 30/10 R$ 5.962,10 21/11 R$ 44.129,88 23/11 R$ 186.937,24 27/11 R$ 12.757,78 11/12 R$ 290.064,93 Nestes termos, no que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve a decisão recorrida ser mantida em parte, para excluir da base de cálculo da infração apenas o valor de R$ 1.000.950,13, correspondente à soma dos DOC acima discriminados. Nessa conformidade, devese dar parcial provimento ao recurso de ofício para, no que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.320 11 bancários com origem não comprovada, considerar que a base de cálculo da infração seja de R$ 1.979.971,45 (R$ 2.980.921,58 – R$ 1.000.950,13). Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sede preliminar, o recorrente solicita que sejam apreciadas novas provas juntadas aos autos somente na fase recursal. Considerando que as provas, somente agora trazidas aos autos, buscam demonstrar alegações já formuladas em sua impugnação e também em obediência ao princípio da verdade material, devese acolher o pedido da defesa, mormente quando se verifica que os documentos tem o objetivo de demonstrar a origem de depósitos bancários, tarefa que nem sempre é de fácil execução. Quanto à alegação da defesa de que a Corretora de Valores Imobiliários Planibanc, através de seu liquidante, informou não ter mais arquivada as notas de corretagem do ano de 1999, uma vez que já se passaram 10 anos da operação realizada com esta corretora de valores, devese dizer que tal fato não pode ensejar o cancelamento da infração de omissão de ganhos líquidos em renda variável, posto que o procedimento fiscal, que culminou com a lavratura do Auto de Infração, de que ora se cuida, iniciouse em 28/12/2004, quando ainda não havia transcorrido o prazo decadencial dos fatos geradores que deram causa ao lançamento. Portanto, caberia ao contribuinte, logo que iniciado o procedimento fiscal, munirse dos documentos necessários para evidenciar o correto ganho por ele obtido em operações de renda variável. Aqui vale lembrar que o contribuinte deixou de informar tais ganhos quando da apresentação de suas Declarações de Ajuste Anual. No mérito, no que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada inicialmente será apreciada a alegação do recorrente no que diz respeito à conta bancária nº 30016401, mantida no Citibank, em conjunto com sua esposa Clarissa Cavalcanti Magliari. Nesse sentido, afirma a defesa que Clarissa Cavalcanti Magliari não foi notificada para esclarecer a origem dos recursos movimentados na referida conta. De fato, do documento, fls. 45, verificase que o Citibank, ao encaminhar os extratos bancários das contascorrentes nº 53944112 e 30016401, informou que referidas contas eram de titularidade solidária de Antonio Luiz Magliari Junior e Clarissa Cavalcanti Magliari. Observase, ainda, que nos extratos da conta nº 53944112 consta o nome do recorrente seguido da expressão e/ou e nos da conta nº 3001640 vêse o nome de Clarissa Cavalcanti Magliari também acompanhado do termo e/ou. Tudo a indicar, de forma inconteste, que referidas contas são mantidas em conjunto pelo recorrente e sua esposa. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e do exame dos documentos que compõe o processo verificase que assiste razão à defesa quando afirma que Clarissa Cavalcanti Magliari não foi notificada para se manifestar sobre a origem dos recursos movimentados em nenhuma das contas mantidas em conjunto no Citibank, razão porque deve se aplicar ao caso o disposto na Súmula CARF nº 29, a seguir transcrita: Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.321 12 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Como se vê, a falta da competente intimação a um dos titulares da conta sob investigação, mesmo nos casos de apresentação de Declaração de Ajuste Anual em conjunto, macula o lançamento. Logo, devese excluir do lançamento os créditos bancários efetivados nas contas nºs 53944112 e 30016401, mantidas em conjunto, no Citibank. Excluídos do lançamento os créditos das contas nºs 53944112 e 30016401 do Citibank, devese observar também o disposto na Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) No presente caso, depois da exclusão dos DOC, em razão da confirmação em parte da decisão recorrida e dos créditos das contas bancárias em conjunto, verificase que o somatório dos créditos remanescentes de valor inferior a R$ 12.000,00 perfaz a quantia de R$ 50.632,57. Logo, tais créditos também devem ser excluídos da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Prosseguindose, devese dizer que a alegação do recorrente de que os valores movimentados em suas contas bancárias seriam provenientes da atividade de administração de bens de terceiros (serviços de corretagem) já foi neste voto apreciada, quando da análise do recurso de ofício. Assim, repitase, tal alegação não pode prosperar, em razão da falta de apresentação de elementos que a confirmem. Por fim, no que concerne às explicações específicas promovidas pela defesa no recurso, fls. 2113/2124, cumpre dizer que salvo duas exceções, nos meses de janeiro e novembro, que serão a seguir apreciadas, as demais dizem respeito aos créditos havidos nas contas mantidas junto ao Citibank, os quais já foram excluídos da base de cálculo da infração neste voto. No que concerne ao mês de janeiro temse que o DOC, no valor de R$ 73.077,94 já foi excluído do lançamento pela própria autoridade fiscal, conforme demonstrativo, fls. 1039. Quanto a novembro devese dizer que na conta nº 091228.01 do BankBoston, o somatório dos depósitos, que constam do Termo de Intimação, lavrado em 29/04/2005, fls. 345, é de apenas R$ 273.239,45, e não de R$ 440.603,86, conforme afirma a defesa, sendo certo que depois das exclusões perpetradas pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida e também neste voto, remanesce apenas o crédito de R$ 26.000,00 (23/11 – depósito em cheque), que não é reportado pela defesa. Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.001514/200571 Acórdão n.º 2102003.142 S2C1T2 Fl. 2.322 13 Assim, além das exclusões perpetradas pela autoridade julgadora de primeira instância e confirmadas quando do julgamento da decisão recorrida, devem também ser excluídos da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor total de R$ 732.354,97, correspondente ao somatório dos créditos efetivados nas contas do Citibank (R$ 620.012,40 + R$ 61.710,00) e os depósitos remanescentes de valor individual menor que R$ 12.000,00, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 50.632,57. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício, para que seja apenas excluída da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 1.000.950,13 e DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 732.354,97, de modo que a nova base de cálculo da referida infração passa a ser de R$ 1.247.616,48. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10814.010016/2005-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/04680510, em 23/09/2003 (fls. 6/10), no 110 valor de R$ 2.938,97 (Dois mil, novecentos e trinta e oito reais e noventa e sete centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n´s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 44)., para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 03/06/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/04680510, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 05/12/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.938,97 (Dois mil, novecentos e trinta e oito reais e noventa e sete centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 24 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010016/200522 Acórdão n.º 310201.071 S3C1T2 Fl. 2 3 certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 a Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 47). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 47). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4° . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 48/49 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 50/53). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, Conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendido inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/06/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÉQAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO. 15A.REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTWO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO: AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010016/200522 Acórdão n.º 310201.071 S3C1T2 Fl. 3 5 Conforme art. 165 da Lei n d5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010016/200522 Acórdão n.º 310201.071 S3C1T2 Fl. 4 7 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.909739/2011-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
NULIDADE. DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS.
Caracterizar cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade, por meio da qual a Interessada pretende comprovar o direito creditório. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS. Caracterizar cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade, por meio da qual a Interessada pretende comprovar o direito creditório. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS. Caracterizar cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade, por meio da qual a Interessada pretende comprovar o direito creditório. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 97 39 /2 01 1- 10 Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Cuida de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve na integra o indeferimento nos termos do Despacho Decisório, que negou a empresa Suzano Celulose S/A o direito do indébito que pretende compensar com débitos próprios apurados no período de 01/07/2010 a 30/09/2010. Inicialmente, a Recorrente requer a reunião desse processado a outros anteriormente distribuídos, entre esse o de número 10580.903389/201269, sorteado ao Conselheiro José Fernandes do Nascimento, da Primeira Câmara, 2ª Turma Ordinária. A celeuma trazida nesse voluntário acentua na ausência de apreciação das provas juntadas com objetivo de demonstrar a certeza e a liquidez do crédito, mesmo que essas provas tenham sido parcialmente entregue no prazo. A Autoridade Fiscal entendeu que a contribuinte deixou de entregar previamente os arquivos digitais que estava obrigada a manter pelo prazo decadencial. Atribuem à atitude da contribuinte o descumprimento determinado pelo art. 65 da IN/RFB nº 900, de 30 de novembro de 2008, parágrafo primeiro incluído pela IN/SRF 981, de 18 de dezembro de 2009. Segundo a fiscalização a recepção de pedido de ressarcimento e compensação está condicionada apresentação prévia dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos da Interessada. Esse seria o motivo determinante em considerar não comprovado o crédito. Da outra banda, a Contribuinte diz que entregou todos os arquivos, com exceção do item “1”, que o fez de modo parcial, mesmo assim antes da conclusão do despacho decisório. No primeiro momento a análise do pedido de compensação deuse por procedimento parametrizado, posteriormente em diligência culminou com Despacho Decisório, parcial, que justificou o indeferimento pela falta de apresentação dos arquivos digitais. Entendimento confirmado pela decisão recorrida que se manteve na mesma linha. É contra esse pensamento que vem a Recorrente resistindo, argüindo em sua defesa que os documentos juntados não foram objeto de exame, tanto pelo auditor que elaborou o despacho negatório, quanto o julgador de piso, pois, segundo entende que não é facultado o direito de apreciar ou não a prova apresentada, essa omissão, assevera, macula o princípio da ampla defesa e do contraditório, leva nulidade da decisão. Os comprovantes da entrega dos arquivos digitais estão colecionados aos autos, na maior parte entregue antes da emissão do Despacho Decisório. Também deixaram ser examinados quando da apreciação da Manifestação de Inconformidade. Transcrevese o relatório da decisão recorrida por refletir exatamente a questão dos autos: “Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório da DRF/Salvador de rastreamento nº 013370614, fl.86, que indeferiu o direito ao crédito relativo ao ressarcimento do crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins não cumulativa exportação, relativo ao período de apuração de 01/10/2007 a 31/12/2007, pleiteado no PER/DCOMP nº 34996.80747.310308.1.1.090484, no valor de R$28.720.858,17, sob o argumento de que a interessada não apresentou os recibos de transmissão dos arquivos digitais referentes a todos Fl. 4455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 14 3 os estabelecimentos da pessoa jurídica, sendo que apenas os estabelecimentos da pessoa jurídica obrigados à Escrituração Fiscal Digital EFD estão dispensados da apresentação dos arquivos digitais com os documentos fiscais de entrada e saídas, conforme previsto na IN SRF n° 86/2001, e especificado nos itens" 4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS" do Anexo Único do Ato Declaratório COFIS n° 15, de 23 de outubro de 2001. Cientificada do indeferimento do pedido em 21/12/2011, fl.91, e inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 18/01/2012, de fls.92/107, alegando que: o despeito da existência do crédito a ser ressarcido e do cumprimento pela requerente de todas as determinações durante a fiscalização, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido sob o fundamento de que houve uma suposta falta de entrega dos documentos elencados no item 01 do Termo de Início de Diligência Fiscal; • apresentou a totalidade dos documentos solicitados; os documentos entregues durante a fiscalização eram suficientes para a análise da existência do crédito; a maioria das filiais da requerente estava obrigada a apresentar EFD, o que a desobriga a apresentar os arquivos da Instrução Normativa nº 86/2001, em parte do período, conforme se verá mais adiante; • requer na preliminar que seja feita uma análise conjunta de todos os pedidos de ressarcimento indicados no MPF 05101002011005608, e reunidos todos os processos que ora lista em um só, pelo princípio da economia processual, relativos ao mesmo objeto, o ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo e COFINS não cumulativa, do período de apuração de abril/2007 a dezembro/2010; • durante a diligência fiscal, foi intimada a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização. Atendeu a totalidade das exigências, tendo requerido prorrogação do prazo tão somente com relação ao item 01, e à época tendo deixado de atender tão somente o item 01, também de forma parcial; o Sr. Auditor fundamentou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento tão somente na suposta falta de apresentação de todos os "recibos de transmissão dos arquivos digitais", item 1 do "Termo de Início de Diligência Fiscal"; • possui 87 filiais em atividade, das quais 67 delas estavam obrigadas a Escrituração Fiscal Digital desde janeiro de 2009, sendo certo que a partir de tal período, essas filiais não estão mais obrigadas a apresentar o documento listado no item 1, conforme expressa autorização contida no artigo 65, § 5º da Instrução Normativa n º. 900, de 2008, Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2001, incluído pela Instrução Normativa RFB n° 981, de 18 de dezembro de 2009, que “Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de Fl. 4456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 que trata o §1°, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB n° 981/2009)", informação constante inclusive no "Termo de Início de Diligência Fiscal"; o Sr. Auditor Fiscal não realizou o efetivo exame da natureza dos créditos objeto dos pedidos de ressarcimento, limitando se a indeferir os pedidos formulados com base na suposta falta de entrega de arquivo digital; o Sr. Auditor Fiscal intimou a Requerente a apresentar todos os recibos de entrega da Escrituração Fiscal Digital EFD do período de 2009 e 2010 em 5 dias e, em resposta tempestiva a tal intimação, a Requerente apresentou todos os recibos de entrega da Escrituração Fiscal Digital das 67 filiais, conforme email de 10.10.11 e reiteração na petição protocolada em 11.10.11 (docs. 07 e 15); • quanto ao período compreendido entre abril de 2007 a dezembro de 2008 para as citadas 67 filiais (obrigadas a EFD a partir de janeiro de 2009) e às demais 20 filiais para o período de abril de 2007 a dezembro de 2010, a Requerente apresentou os documentos na forma digital, nos termos da Instrução Normativa SRF n. 86/2001, tal como exigido no item 1 do Termo de Início de Diligência Fiscal (doc. 14), o que demonstra que a Requerente em nenhum momento tentou se eximir de apresentar os referidos documentos; até 11.10.11, data limite estabelecida pelo Sr. Auditor Fiscal para o cumprimento das exigências, a Requerente apresentou tempestivamente 17 dos 18 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, sendo que apenas parte do item 1 foi apresentada conforme os documentos foram transmitidos e a última transmissão de arquivos ocorreu em 16.12.11. Assim, ainda que parte dos documentos do item 1 tenha sido entregue em prazo tecnicamente factível, embora diverso do fixado, a requerente acabou cumprindo a totalidade das intimações feitas pela fiscalização; • o pedido de dilação de prazo era, portanto, plenamente fundado e mesmo assim foi indeferido, caracterizando cerceamento de defesa reconhecidamente aplicável inclusive aos processos administrativos; • a verdade material é que a requerente tinha créditos legítimos de PIS/PASEP e COFINS em montantes superiores aos utilizados em cada uma das compensações, lastreadas em registros e documentos apropriados. Não pode isto ser desconsiderado com elevadíssimo prejuízo para a Requerente; • não tendo sido este o expediente adotado no presente caso, deve se reconhecer que a glosa é nula, pois a fiscalização não aprofundou a sua investigação, baseando o seu trabalho apenas em suposta não entrega de uma parte dos documentos do item 1 do Termo de Início da Diligência Fiscal; • a jurisprudência administrativa mostra se rigorosa quanto à necessidade de que as autoridades fiscais investiguem os fatos Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 15 5 ocorridos, sob pena de invalidade do respectivo trabalho fiscal, nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, a fiscalização emitiu despacho decisório, indeferindo o pedido de ressarcimento e deixando de homologar as compensações correspondentes, sem antes proceder a qualquer investigação dos fatos, e se atendo a exigência de arquivos digitais embora estivesse na posse de informações constantes em outros documentos apresentados pela Requerente que davam base para tais compensações; • requer a nulidade do despacho decisório, posto que fora processado em flagrante desrespeito ao direito à ampla defesa e à busca da verdade material, revela pleno privilégio da forma, em prejuízo à finalidade, à eficiência, à proporcionalidade e a razoabilidade, violando princípios fundamentais do processo administrativo, os quais estão presentes no art. 2° da Lei n. 9784, de 20.1.1999; • não obstante os vícios apresentados, os documentos dos itens 6 e 7, "Notas Fiscais de aquisição referentes à totalidade do crédito informado nos referidos DACON, inclusive os referentes a bens do ativo imobilizado" e "Notas Fiscais de saída", que foram colocados tempestivamente à disposição da Fiscalização, possuem todas as informações que os arquivos digitais, exigidos no item 1, possuem; • a empresa KPMG Tax Advisors Ltda., contratada pela requerente, ao analisar os mesmos documentos apresentados durante o MPF: balancetes, memoriais de apuração de base de cálculo, Livros de Registro de Entradas e Registro de Saídas (itens 2,5 e 8 do Termo de Início de Diligência Fiscal), chegou a conclusão de que a empresa desde janeiro de 2003 (PIS) e fevereiro de 2004 (COFINS), possui saldos credores das contribuições e que tais valores estão suportados nos documentos, registros fiscais e contábeis e também nos DACONs transmitidos ao longo deste período, conforme laudo ora apresentado (doc. 17); • protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos.” A decisão recorrida, ao argumento de que as pessoas jurídicas que utilizarem de sistema de processamento eletrônico estão obrigados a manter os respectivos arquivos à disposição da Receita Federal, também deixou de examinar os arquivos apresentados, como se vê da ementa: “Ementa: ARQUIVOS DIGITAIS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão.” Em razões recursais, sustenta que o Julgador da Instância inferior, como no despacho decisório anteriormente combatido, preponderou o equivocado entendimento de que os créditos de COFINS em questão poderiam ser indeferidos em virtude da simples falta de transmissão prévia dos arquivos com a escrituração fiscal digital, sem a efetiva análise se sua liquidez e certeza, ignorandose o fato de que o pedido de ressarcimento foi transmitido antes da entrada em vigor as alterações promovidas pela IN RFB nº 981, que modificou o art. 65 da IN nº 900/08. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o seu conhecimento. O pedido de reunião dos processos, bem como, distribuição por dependência a 2ª Câmara. Tenho que nesse caso concreto, independentemente, do indeferimento do pleito decorrer de um só Mandado de Procedimento Fiscal, não há que se falar em conexão, a análise de cada um dos autos independe de decisão que vier a ser prolatada por outros julgadores. O crédito pleiteado pode ser individualmente examinado sem a afluência de elementos que possa por aventura estar em outros processados, em sendo assim, o deslinde depende exclusivamente dos subsídios acostados a cada um dos autos. Sendo assim, cabe indeferir de pronto o apelo de reunião e distribuição por dependência. A controvérsia colocada em exame se refere à obrigatoriedade ou não da Autoridade Administrativa, bem como, do Julgador examinar a prova carreada pela parte Interessada, mesmo sendo essa deficiente, com o objetivo de comprovar o direito pleiteado. Inferese dos autos que Recorrente foi instada a transmitir todos os arquivos digitais, tanto da matriz, quanto das filiais. Assevera a Interessada que diante do prazo exíguo de 20 dias concedido, solicitou o alargamento para o atendimento da intimação, o que foi concedido, como se vê do Despacho Decisório. Do mesmo despacho constatase um segundo pedido de dilatação de prazo para atendimento do item “1”, que restou indeferido. Ao compulsar os documentos anexados aos autos que encontram às fls. 216/4382, conclui que a intimação em sua quase totalidade foi atendida no prazo concedido, constando o atendimento total do item 2 ao 18, não conseguindo em relação ao item 1. Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 16 7 Constatado ajuntada de prova pela parte Interessada, impõe o exame, pois esse é o sistema processual brasileiro, e, sendo assim, ampla abertura à produção de provas homenageia o princípio do livre convencimento do julgador, insculpido no artigo 131 do Código de Processo Civil, é o mesmo princípio norteador do processo administrativo que consta do Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 29: “Art. 131 – Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdde dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa.” Também cabe anotar outro importante preceito do CPC, que define outra regra fundamental para compreensão do sistema adotado pelo legislador nacional, no caso específico o artigo 333 do CPC . “Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quando à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor... “ Diz a doutrina que ônus é repartido entre o Fisco e o Contribuinte, cabe aquém dela se beneficia: “Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao auto do procedimento, a autoridade fiscal (como disposto na parte final do caput do artigo 9º, do Decreto nº 70.235/1972, os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16 – A impugnação mencionará: III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”.) No caso deste caderno processual o ônus é do agente fiscal e do contribuinte consubstanciar com provas os fatos e alegações apresentadas, portanto, verificada a existência, independentemente, da quantidade e qualidade, deve ser objeto de exame e valoração, sob pena de macular o sistema processual brasileiro, seja administrativo, penal ou civil. Ambos assiste o direito de refutar as provas trazidas à colação para corroborar as alegações, desde que essas não contextualizam os elementos relevantes, e, configura meramente coleta infinda de documentos não hierarquizados, isso é não devidamente articulados no sentido de comprovar os fatos alegados. Esse assunto, vinculado ao mesmo contribuinte, foi examinado exaustivamente e decidido pela 1ª Câmara, 2ª Turma, como se infere do Acórdão nº 3102.002 024, nos autos do processo 10580.903389/201269, de relatoria do i. Conselheiro José Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fernandes do Nascimento, que deu contorno jurídico acertado ao caso, cuja decisão toma como fundamento de decidir do assunto tratado neste caderno processual administrativo. “Do mérito. No mérito o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 132/137), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito em apreço, e o consequente enquadramento normativo nos §§ 1º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 17 9 trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009). § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Previamente, é oportuno ressaltar que, em conformidade com entendimento da explicitado pela recorrente, a hipótese de indeferimento ou não homologação de compensação, prevista no § 4º do art. 65 da em destaque, aplicase somente nos casos em que autoridade fiscal condiciona o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital e este não é apresentado. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º1 da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, e com estatuído no Ato Declaratório Executivo Corat nº 3, de 13 de agosto de 2012, que em seu art. 1º2 concedeu prazo adicional de 110 dias às intimações com solicitação de transmissão dos arquivos digitais exigidos para apreciação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Ora, se a própria administração tributária, por meio do seu órgão central, intimou os contribuintes a apresentar os mencionados arquivos digitais, inclusive prorrogando o prazo inicial, consequentemente, nada obstaria que a recorrente fosse intimada a apresentar tais arquivos e que lhe tivesse sido concedido o prazo adicional que foi oportunamente solicitado. Assim, o disposto nos referidos atos normativos é a prova cabal de que o a exigência da prévia apresentação dos arquivos digitais, estabelecida no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tratase apenas de uma condição para transmissão dos PER/DCOMP atinentes aos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação dos citados créditos. Além disso, considerar um simples descumprimento de obrigação acessória como fato suficiente para o indeferimento de crédito tributário contraria frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, o disposto no caput do art. 24 do Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que tem o seguinte teor: “São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332).” Entretanto, no caso, embora a fiscalização tenha motivado o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações, por inobservância do disposto no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, o fato é que, até a data do encerramento da diligência, a recorrente não tinha apresentado os arquivos digitais das filiais não obrigadas à EFD. Em consequência, se não foram apresentados dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, tais arquivos foram considerados não apresentados pela fiscalização, situação que se enquadra na hipótese de indeferimento contemplada no § 4º do art 65 em destaque. Aliás, tal fato é incontroverso nos autos, conforme asseverado pela recorrente no recurso em apreço. Por essa razão, não merece acolhida pedido de nulidade do despacho decisório proferido com base no motivo relatado pela fiscalização no citado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Porém, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço. Consequentemente, em 14/8/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 61 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não as analisara quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 18 11 No entanto, o órgão julgador de primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, ressaltase mais uma vez, foi a análise das provas entregue a fiscalização em meio eletrônico (CD) e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou motivo distinto daquele consignado no despacho decisório, ou seja, falta de apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD. Com efeito, para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, estranhamente a recorrente alegou falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a nobre Relatora da decisão recorrida reproduziu, nestes autos, a mesma decisão prolatada no processo nº 10580.909730/201117, atinente a apuração do crédito do 3º trimestre de 2009, Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 decorrente do procedimento diligência relativo ao MPF nº 05101002011005608, cujo despacho decisório foi baseado em fatos e motivos diferentes dos lançados no despacho decisório em tela. Além disso, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido anteriormente transmitidos, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, a preterição do direito de defesa da recorrente restou configurada, vício insanável que, por força do disposto no art. 54, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento” Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso e declarar a nulidade da decisão de piso. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909739/201110 Acórdão n.º 3403003.622 S3C4T3 Fl. 19 13 Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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